(P-006

)
ALARMA GALÁTICO
autor
KURT MAHR
Tradução de
RICHARD PAUL NETO
Digitalização
VITÓRIO
Revisão
ARLINDO_SAN
O impossível acontece! Num ataque de surpresa, as
superpotências terrenas destruíram, na superfície lunar, a
nave dos arcônidas, uma raça semelhante aos homens, que
domina um grande império galático.
penas dois arcônidas so!reviveram ao ataque e
encontram"se em segurança #unto a $err% &hodan, o
homem que desco!riu a nave dos arcônidas e, com o
au'ílio dos recursos tecnol(gicos infinitamente superiores
dos mesmos, formou a )erceira $otência. $err% &hodan
impediu a guerra mundial que há tanto tempo ameaçava a
humanidade. * agora, quando um novo perigo, vindo do
espaço c(smico desencadeia o larma +alático, mais uma
ve, a )erceira $otência reali,a uma intervenç-o decisiva.
= = = = = = = = = = Pers!"#e!s Pr$!%$&"$s. / / / / / / / / / /
PERRY RHODAN 0 1hefe da )erceira $otência.
REGINALD BELL — migo e au'iliar direto de &hodan.
TAKO KAKUTA — 2omem que deve o dom da teleportaç-o 3 e'plos-o atômica de
2iro'ima.
CREST e THORA 0 4nicos so!reviventes da e'pediç-o espacial dos arcônidas.
JESSE MORGAN 0 5m #ovem curioso de profiss-o.
CAPITÃO ZIMMERMANN — Oficial do 6erviço 6ecreto. 6( acredita no que vê.
ALLAN D. MERCANT 0 1hefe dos 6erviços de 7efesa 8nternacional. 6eus
cola!oradores acreditam que sa!e ler pensamentos.
I
0 9ocê nunca compreenderá! N-o conseguirá entender nenhum dos impulsos. 6eu
cére!ro ficará confuso. 9ocê...
)hora interrompeu"se em meio 3 frase. s palavras n-o lhe acudiam com a rapide,
e'igida por sua :nsia incontida.
;Como é fácil descobrir suas intenções<, pensou $err% &hodan. ;O ue a dei!a
"reocu"ada não é meu cérebro. #a verdade$ uer convencer%me de ue sou um ser tão
subdesenvolvido ue nunca c&egarei a com"reender seus segredos.<
0 O que importa= 0 retrucou. 0 9ocê n-o tem nada a perder. 6( poderá ficar
satisfeita ao ver $err% &hodan transformado num idiota !al!uciante, n-o é=
)hora perce!eu que &hodan lhe armava uma cilada e ficou a!orrecida por notar que
isso era fácil para ele.
0 N-o se trata disso 0 respondeu em tom seco. 0 Os cristais informáticos s(
podem ser ativados um n>mero limitado de ve,es. 7evemos evitar qualquer desperdício,
especialmente quando a perspectiva de um fracasso é t-o patente como no presente caso.
$err% &hodan virou a palma da m-o direita para cima.
0 )hora, você está sendo in#usta comigo! 0 disse em tom suplicante. 0 N-o
compreendemos tudo o que nos foi apresentado até agora=
)hora estalou os dedos, num gesto de despre,o.
0 O que você aprendeu até agora n-o é nada em comparaç-o ao que lhe está
reservado.
&hodan voltou"se para 1rest que, como de costume, estava muito sério. 6( quem o
conhecesse adivinharia pelas rugas de sua testa o quanto estava se divertindo.
;'ma (nica situação destas vale mil "rogramas de ficção<, pensou 1rest. ;O&
)en&or dos *undos+ , mais inteligente das arc-nidas e um &omem ue é um verdadeiro
semideus. e com"ortam%se como crianças.<
Na verdade, tratava"se de coisas muito mais importantes. 7epois de alguma
resistência, )hora aca!ara concordando em que &hodan e ?ell adquirissem parte da
ciência arcônida através do método de ensino hipn(tico. @as, agora que &hodan
propusera que, para alcançar maior grau de eficiência, os >ltimos segredos lhe fossem
revelados, ela passou a opor uma resistência encarniçada.
)odavia, 1rest ponderou que os dois arcônidas s( poderiam contar com a energia
dos su!desenvolvidos, cu#o au'ílio poderia tornar"se muito mais eficiente se lhes fossem
transmitidos os conhecimentos necessários.
pesar disso, 1rest teve de fa,er valer a autoridade de que se achava investido na
qualidade de mem!ro da dinastia reinante dos arcônidas, e que tam!ém se estendia a
)hora, para que!rar a resistência que a mesma opunha 3 sugest-o de &hodan.
*ste sentia"se !astante atingido pela o!stinaç-o de )hora, muito mais do que se
dava conta. *ncerrando a palestraA disse.
0 @uito o!rigado pela confiança. 9erá que a mesma n-o foi mal aplicada em mim
e em ?ell.
7irigindo"se a )hora, o!servou.
0 1om o tempo, você se convencerá de que n-o tenho a menor intenç-o de
pre#udicá"la ou ferir seu orgulho.
chou necessário acrescentar essas palavras, em!ora sou!esse que )hora n-o tinha
a menor receptividade para elas. inda n-o tinha.
BBB
0 9á para o inferno! 0 disse &eginald ?ell em tom e'altado.
$rocurou disfarçar o susto que )aCo DaCuta lhe metera ao surgir, repentinamente,
ao seu lado, vindo do nada.
5m sorriso surgiu no rosto redondo e infantil de )aCo.
0 $or que devo ir para o inferno= 0 perguntou em vo, fina. 0 @ereço coisa
melhor. )rago notícias !oas.
0 Notícias !oas= 0 perguntou ?ell. 0 7e que lugar, deste mundo de 7eus, ainda
podem vir notícias !oas=
0 s notícias vêm de )ai"tiang 0 disse )aCo, sempre sorrindo. 0 ca!ou
reconhecendo que mesmo com a tal 7ivis-o de *ngenharia n-o conseguirá nada contra a
)erceira $otência. 6eus homens est-o se retirando.
?ell #á sa!ia que )ai"tiang n-o teria outra alternativa, depois que a )erceira
$otência havia destruído a galeria por meio da qual pretendiam passar por !ai'o da
c>pula energética, para destruir a nave dos arcônidas com uma e'plos-o nuclear. pesar
disso, a notícia de )aCo produ,iu um certo alívio em sua mente.
0 O!rigado, )aCo 0 disse com um ligeiro suspiro.
0 té logo, capit-o 0 respondeu )aCo e desapareceu.
?ell continuou fitando o lugar em que o #aponês estivera. $arecia pensativo. Nos
>ltimos meses conformara"se com a idéia de que s( os arcônidas seriam capa,es de
oferecer novidades que pudessem espantar um homem 3 prova de choque como ele.
Eevaria algum tempo para aceitar o fato de que )aCo DaCuta n-o era outro arcônida, mas
um ser como ele. inda se assustava quando o teleportador surgia, vindo do nada, para
depois de algum tempo voltar a desaparecer, como que dissolvido no ar.
&eginald ?ell refletiu so!re o dom estranho da teleportaç-o. *m!ora )aCo lhe
oferecesse várias demonstraçFes por dia, o fenômeno ainda lhe parecia t-o inacreditável e
apavorante como um cavalo que lhe desse !om"dia. 6u!itamente ouviu um ,um!ido,
vindo da parede, e o !rilho suave da tela interrompeu o crep>sculo frio que reinava na
sala.
O rosto de &hodan surgiu na tela.
0 ?ell, gostaria de falar com você 0 disse &hodan. 0 )em tempo=
0 )enho. * no seu camarote=
0 G, sim. 1rest tam!ém está aqui. ?ell acenou e saiu da sala. tela apagou"se.
Huando entrou no camarote de &hodan, este disse.
0 $retendemos di,er adeus 3 )erra por alguns dias.
?ell aguçou os ouvidos. 1rest continuou.
0 *nquanto completam o treinamento hipn(tico, os senhores precisam do má'imo
de repouso. lém disso, nossa e'curs-o terá outra finalidade. N-o é de supor que nossa
nave pousada na Eua tenha sido totalmente destruída. N-o acredito que um míssil
terrestre tenha tamanho poder de destruiç-o. cho que, se procurarmos com calma
conseguiremos salvar alguns o!#etos importantes.
decolagem da nave foi marcada para dali a dois dias. *nquanto isso, a tripulaç-o,
especialmente ?ell e &hodan, desenvolvia uma atividade que fe, retum!ar os corredores
da nave.
*m virtude das funçFes que lhe ca!iam, a nave dispunha de um grupo de ro!ôs de
reparo. $ara &hodan, qualquer segundo durante o qual estes permaneciam inativos,
atirados ou encostados no dep(sito, representava um desperdício. $or isso, pediu a 1rest
que ela!orasse um programa das atividades dos ro!ôs.
0 Huando estará pronto o programa= 0 indagou.
0 7aqui a de, minutos.
0 1aram!a! 0 e'clamou &hodan. 0 *m de, minutos=
1rest confirmou com um movimento de ca!eça e dirigiu"se 3 escrivaninha. &hodan,
ao sair, marcou a hora.
$ensativo, do!rou um :ngulo do corredor. N-o vira a pessoa que se apro'imava do
outro lado. Huase es!arrou em )hora.
0 Oh, desculpe! 0 disse com um sorriso, ligeiramente pertur!ado.
)hora parecia estar de !om humor. Eançou"lhe um olhar irônico.
0 6e continuar a desenvolver tanta energia, um dia aca!ará atravessando a parede,
sem precisar fa,er a curva.
0 * se um !elo dia você conseguir ser menos presunçosa, até que será uma mulher
passável 0 respondeu &hodan.
)hora estreitou os lá!ios. 9irou"se a!ruptamente e desapareceu em outra curva do
corredor. 6uspirando, &hodan continuou seu caminho.
)aCo DaCuta estava esperando por ele. &hodan entregou"lhe um maço de papéis
com anotaçFes.
0 Eeia isto, )aCo. 7epois falaremos a respeito.
6em perda de tempo, )aCo pôs"se a e'aminar as anotaçFes de &hodan. *ste hesitou
um pouco antes de por"se a caminho para #unto de 1rest.
0 1hegou !em na hora, &hodan 0 disse o cientista. 0 ca!ei neste instante.
)omaram um elevador e desceram ao dep(sito de ro!ôs.
0 Ii, um programa para cada um deles 0 disse 1rest com certo orgulho. 0
Huando voltar, ficará admirado com o tra!alho destas máquinas.
2avia uns vinte ro!ôs"tra!alhadores com funçFes universais. )odos eles tinham
forma human(ide. Os arcônidas haviam desco!erto que esta representava o tipo ideal em
meio ao arsenal inesgotável das geraçFes. 7essa forma, haviam dotado seus ro!ôs de dois
!raços, duas pernas, m-os com cinco dedos, inclusive um polegar, uma ca!eça que
continha o equivalente positrônico de um cére!ro humano, inclusive os (rg-os dos
sentidos mais importantes. postura ereta permitia aos ro!ôs contemplarem o mundo da
mesma perspectiva que os seus construtores. pesar das suas funçFes universais, podiam
rece!er uma programaç-o específica para determinadas tarefas.
O programa que 1rest ela!orara para cada uma das máquinas estava registrado
numa delgadíssima fita de plástico.
0 qui est-o registrados todos os impulsos 0 e'plicou.
$ôs"se a introdu,ir os programas nos ro!ôs. *ssa atividade consistiu t-o"somente
em colocar a fita de plástico numa fenda, que era encontrada num ponto diferente em
cada uma das máquinas. Ieito isso, era s( esperar que o ro!ô emitisse um ,um!ido e
desse sinal de que estava pronto a entrar em funcionamento.
0 7epois de uma pausa t-o longa, a ativaç-o demorará alguns segundos 0
e'plicou 1rest.
$ara &hodan, alguns segundos pareciam um tempo insignificante em comparaç-o
com a atividade que as máquinas logo começaram a desenvolver. Jum!indo como
a!elhas, começaram a se movimentar, afastando"se de sua posiç-o primitiva. 7esviando"
se uns dos outros sempre que corriam risco de es!arrar, marcharam em direç-o ao
elevador pelo qual 1rest e &hodan haviam descido poucos minutos antes. Huando a
>ltima máquina aca!ou de su!ir, &hodan deu uma risada.
0 @eus 7eus! 0 suspirou. 0 Nunca seria capa, de imaginar que uma coisa dessas
pudesse e'istir realmente.
0 $ois ficará admirado de ver o que estes ro!ôs sa!em fa,er 0 respondeu 1rest.
0 )rata"se de ro!ôs genuínos, que, até certo ponto, s-o capa,es de pensar e agir de
forma independente. N-o sei o que seria da cultura arcônida se n-o e'istissem estas
máquinas.
BBB
Os ro!ôs n-o saíram diretamente da nave. ntes disso, reuniram os o!#etos que,
segundo o programa, tinham de levar para fora.
o conce!er seu plano, &hodan tivera a idéia de n-o desperdiçar um instante do
tempo de que dispunham para cumprir as tarefas am!iciosas que se haviam imposto.
&hodan perce!eu uma chance que n-o deveria perder e que lhe permitiria o!ter, das
ind>strias terrenas, as peças necessárias 3 construç-o de uma nave ultravelo, e de raio de
aç-o ilimitado, desde que fi,esse encomendas !em definidas. @as a montagem da nave
s( poderia ser reali,ada so! a proteç-o da c>pula energética. Iace 3s condiçFes reinantes
na )erra, ele cometeria um erro de e'trema gravidade se assumisse o risco de incum!ir a
ind>stria terrestre da construç-o da nave. *sse receio tinha sua origem tanto na política
das grandes potências, como no caráter humano.
&hodan sa!ia perfeitamente que o espaço e'istente so! a c>pula energética seria
!astante para reali,ar a montagem final, mas nunca pensara em comprimir todo o
processo produtivo numa área de apenas oitenta quilômetros quadrados.
Iicou entusiasmado com a atividade enérgica e resoluta dos ro!ôs. 7epois de
haverem retirado da nave os materiais de que precisavam para seu tra!alho, empilharam
os mesmos num local afastado e puseram"se a aplainar o solo.
&hodan tinha certe,a de que, quando retornassem de sua viagem, grande parte do
serviço estaria concluída.
BBB
)aCo DaCuta concluíra a leitura das anotaçFes. Huando &hodan entrou em seu
camarote, estava reclinado numa poltrona girat(ria, olhando, pensativo, para o alto.
0 1ompreendeu tudo= 0 perguntou &hodan laconicamente.
0 6im, senhor. N-o será nada fácil... &hodan pegou uma cadeira e sentou em frente
de )aCo.
0 Ouça, )aCo! 0 começou a falar em tom insistente. 0 O assunto é muito sério.
$ara conservar a ami,ade de 1rest e daquela mulher, teremos de construir uma nave cu#o
raio de aç-o se#a !astante amplo. 6e n-o conseguirmos levá"los ao seu planeta natal e
tra,ê"los de volta, morreremos de velhice antes de conseguirmos fa,er alguma coisa que
imponha respeito aos ha!itantes da )erra. $recisamos do au'ílio de 1rest e, para
conseguirmos que este faça por n(s tudo que estiver ao seu alcance, precisamos de uma
!oa nave.
0 6im, compreendo 0 disse )aCo.
0 *star-o atrás de você 0 prosseguiu &hodan. 0 6erá caçado pelos serviços
secretos e terá de cuidar"se o mais possível. *ncontrará muita gente que, de olho no
dinheiro, gostará de entrar em neg(cios conosco e estará disposta a fornecer qualquer
coisa de que precisemos. @as n-o duvide de que, entre essa gente, haverá pessoas que lhe
far-o ofertas fa!ulosas e avisar-o a polícia assim que você lhes der as costas. Nunca
confie demais na faculdade especial de que é dotado. O serviço secreto levará uns cinco
ou seis dias para desco!rir que é um teleportador. 7aí em diante, atirar-o sem avisar, 3
traiç-o, se for necessário. 9ocê rece!erá um tra#e protetor dos arcônidas, que lhe prestará
!ons serviços. @as, em >ltima análise, o responsável pela sua segurança será você
mesmo.
)aCo confirmou com um movimento de ca!eça e repetiu.
0 6im, compreendo.
0 9ocê mesmo decidirá por onde vai começar o seu tra!alho. )alve, tenha mais
sorte #unto 3s empresas privadas. 7ar"lhe"ei uma relaç-o completa dos artigos de que
precisamos. Na opini-o de 1rest, a nave deve ter, pelo menos, tre,entos metros de
di:metro. @uita gente pensará que você está louco, quando pedir andaimes para uma
construç-o de plástico de tre,entos metros de altura, ou alguns geradores na !ase de fus-o
com uma potência de cem milhFes de megaKatts. lém disso, deverá ter cuidado para
que nenhuma firma forneça tantas peças que se possa adivinhar para que servir-o. N-o se
iluda. )rata"se da tarefa mais difícil que #á lhe foi confiada. 7everá estar preparado até o
momento de nossa decolagem.
&hodan levantou"se. )aCo tam!ém se levantou e fe, uma mesura. &hodan sorriu e
deu"lhe uma palmadinha no om!ro.
0 Iaça um serviço !em feito, )aCo! @uita coisa depende disso.
' ' '
&hodan estava preparando a relaç-o que seria entregue a )aCo. *ram muitas as
peças que teriam de ser providenciadas num !reve espaço de tempo.
ind>stria terrena n-o seria capa, de fornecer os mecanismos propulsores de
velocidade superior 3 da lu,. 1rest esperava encontrar, na nave destruída, algumas peças
que poderiam ser utili,adas. Huanto ao resto, encomendariam as partes separadas, que
teriam de ser montadas so! a c>pula energética.
&hodan sentiu uma tens-o eletri,ante ao lem!rar"se de que faltavam menos de
setenta horas até o momento em que conheceria o segredo da propuls-o a velocidade
superior 3 da lu,.
Iitando a l:mpada mortiça do camarote, dei'ou que seus pensamentos vagassem
livremente.
?ell entrou correndo, sem anunciar"se. *stava e'altado e fungava.
0 Dlein está dando sinal! 0 disse apressadamente. 0 )emos de mandar )aCo para
fora.
0 Dlein=
?ell fe, que sim.
0 cho que devíamos apressar"nos. Dlein n-o gostará de ficar raste#ando por muito
tempo pelo deserto so! o olhar de )ai"tiang.
&hodan ligou o equipamento de intercomunicaç-o. O rosto sorridente de )aCo
surgiu na tela.
0 *'plique a ele! 0 pediu &hodan, dirigindo"se a ?ell.
0 Dlein transmitiu o sinal convencionado 0 disse pela segunda ve,. 0 O$H na
fai'a de L,M megahert,. *stá esperando no lugar com!inado. 9ocê deve"se pôr"se a
caminho o quanto antes.
)aCo fe, que sim.
0 8rei imediatamente, capit-o.
Nem deu tempo para desligar o aparelho. 9iram que de um instante para outro ele
desapareceu do lugar em que se encontrava.
O capit-o Dlein ocupava três funçFes como agente. em caráter profissional,
tra!alhava para o 1onselho 8nternacional de 7efesaA por convicç-o, lutava pela pa, e o
entendimento entre os povosA e, finalmente, como aliado da )erceira $otência, tam!ém
desempenhava suas funçFes de agente secreto. 1onforme se esperava dele, reunira"se 3s
suas tropas, #untamente com seus companheiros DosnoK e Ei e se retirara em companhia
delas. 6e assumia o risco de a!andonar a segurança proporcionada pelo acampamento
militar para aventurar"se até as pro'imidades da c>pula energética, devia ter uma ra,-o
muito forte para isso.
O sinal O$H na fai'a de L,M megahert, significava uma pequena elevaç-o, situada a
cerca de seis quilômetros ao sudoeste do lago. Dlein dispunha de várias senhas para
entrar em contato com a equipe de &hodan. 1ada uma delas indicava um lugar de
encontro.
)aCo DaCuta voltou ap(s quin,e minutos. &hodan e ?ell fitavam a tela de
telecomunicaç-o, para vê"lo materiali,ar"se. @as, em ve, de fa,er sua apariç-o em seu
pr(prio camarote, surgiu inopinadamente na sala em que &hodan se encontrava.
?ell so!ressaltou"se.
)aCo n-o lhe deu atenç-o. 9oltou"se para &hodan. $arecia muito nervoso.
0 )enho notícias más, senhor! $equim deu instruçFes a todos os setores da
ind>stria estatal para entregar imediatamente ao serviço secreto qualquer dos nossos
agentes que procure esta!elecer contato com eles. @oscou deu ordens idênticas para o
seu territ(rio e, na área da O)N, a partir de ho#e, qualquer empresário que enta!ule
negociaçFes conosco está su#eito a penas !astante graves.
&hodan ficou pensativo por um instante.
0 lgum espertalh-o deve ter desco!erto os nossos planos 0 disse com a vo,
pausada. 7eu dois passos, virou"se a!ruptamente e encarou o #aponês. 0 )aCo! 6ua
tarefa continua inalterada. penas receio que terá de ser ainda mais cauteloso.
II
nave decolou conforme fora previsto. Os ro!ôs haviam tra!alhado durante dois
dias, e a tarefa de que foram incum!idos estava adquirindo uma certa forma.
2avia um n>mero suficiente de geradores de campo para manter a c>pula
energética, durante a ausência da nave. lguns dos aparelhos foram colocados a !ordo
para frustrar os planos que os comandos militares da )erra ela!oraram assim que lhes foi
comunicada a decolagem da nave.
7urante a viagem, n-o havia qualquer serviço a e'ecutar. O equipamento de direç-o
automática da nave funcionou de acordo com os dados introdu,idos por 1rest.
oitocentos quilômetros da )erra os equipamentos de !ordo locali,aram o primeiro
foguete. *m poucos segundos, surgiu nas telas de vigil:ncia (tica so! a forma de um
fuga, raio metálico. &hodan n-o conseguiu impedir que o susto lhe gelasse o sangue e o
fi,esse prender a respiraç-o por um instante. 9iu a esfera incandescente gerada pela
e'plos-o e s( se acalmou quando comprovou que nada tinha sido alterado no interior da
nave. O !rilho da e'plos-o dissolveu"se no espaço e foi desaparecendo. nave dos
arcônidas afastava"se a uma velocidade cada ve, maior.
&hodan virou"se. ?ell estava atrás dele. m!os conseguiram es!oçar um sorriso
amarelo.
0 té parece uma festa de Natal 0 disse numa vo, a que n-o conseguiu imprimir
firme,a suficiente para ocultar o medo de que, poucos momentos antes, se sentira
possuído.
1rest e'i!iu seu sorriso manhoso, mas amável. )hora manteve"se impassível. 6eu
rosto im(vel continuou a contemplar a tela.
2ouve uma série de novos ataques, entre oitocentos e três mil quilômetros de
altitude. O inv(lucro protetor da nave repeliu ao todo quin,e foguetes sem que se sentisse
a mais leve oscilaç-o.
p(s isso, o !om!ardeio cessou e a nave entrou numa (r!ita situada a quator,e mil
quilômetros da superfície da )erra.
0 $odemos dar início 3 instruç-o 0 disse 1rest. 0 1omo viram, os foguetes n-o
nos fa,em nada. @esmo que o !om!ardeio fosse reiniciado, isso n-o nos pertur!aria.
&hodan estava de acordo. 5ma ve, vencido o pavor do impacto de algum dos
foguetes, sentiu"se tomado de novo pela curiosidade de conhecer os >ltimos segredos da
ciência dos arcônidas.
O procedimento era idêntico ao que ele e ?ell #á tinham e'perimentado por várias
ve,es. 7eitados confortavelmente, foram ligados aos informadores"transmissores.
0 O processo durará cerca de três horas 0 disse 1rest. 0 7esta ve, vamos lidar
com um assunto e'tremamente difícilA até para mim.
7epois de e'aminar o equipamento, perguntou.
0 *st-o prontos=
0 *stamos 0 responderam &hodan e ?ell.
consciência de &hodan desvaneceu"se em meio ao pensamento a respeito dos
motivos por que )hora n-o teria vindo para assistir ao início da operaç-o.
&hodan nunca sa!eria contar o que sentira durante o tratamento. 6( conseguia
lem!rar"se de um torvelinho de informaçFes fragmentadas, das quais n-o conseguia
e'trair qualquer sentido. N-o e'perimentava qualquer sensaç-o corporal. $erce!ia
nitidamente o que estava acontecendo, notava tudo que se passava em seu cére!ro. @as,
se n-o fosse o processo de induç-o hipn(tica que garantia a eficácia da instruç-o, n-o
sa!eria o que fa,er das informaçFes descone'as de que ainda se lem!rava.
6a!ia que o processo normal de instruç-o incluía um período de recuperaç-o
cere!ral, ap(s a operaç-o de induç-o hipn(tica. Eem!rava"se de que das ve,es anteriores
em que adquirira uma parcela do sa!er arcônida através desse método, despertara alegre e
!em disposto.
$or isso, ao despertar com uma dor de ca!eça late#ante, sou!e imediatamente que
algo de imprevisto havia acontecido.
1rest, de pé ao seu lado, olhava"o com uma e'press-o de perple'idade.
&hodan despertou imediatamente.
0 O que houve= 0 gritou para 1rest.
o lado dele ?ell gemia. &hodan n-o se preocupou com ele. ?ell ainda levaria
algum tempo para recuperar a consciência. 1rest estremeceu.
0 *stá passando !em= 0 perguntou 1rest.
0 6im, estou passando muito !em. O que houve=
N-o estava passando !em coisa alguma. dor de ca!eça era quase insuportável.
0 Ioi )hora 0 !al!uciou 1rest. 0 *la...
&hodan lem!rava"se de que receara algo semelhante. facilidade com que )hora
concordara com o pro#eto da instruç-o hipn(tica fora suspeita. 7eviam ter compreendido
logo que ela estava tramando alguma coisa.
Eevantou"se, arrancando os fios de comunicaç-o com o transmissor. 1rest recuou
apavorado.
0 Onde está essa mulher= 0 !errou.
0 Na sala de comando! 0 disse 1rest com vo, lamentosa.
&hodan n-o lhe deu mais atenç-o. >ltima coisa que ouviu ao sair da sala foi a vo,
de ?ell.
0 9á na frente, chefe! 7aqui a pouco eu vou.
&hodan passou pelo corredor que levava ao centro da nave. $ôs a m-o no quadril e
tirou do coldre a pequena pistola )mit& / 0esson que sempre tra,ia consigo. $or um
instante, lamentou n-o ter consigo nenhuma das armas dos arcônidas. Os pequenos
pro#éteis revestidos de aço seriam totalmente in>teis diante da escotilha da sala de
comando se )hora a tivesse fechado.
*la a tinha fechado.
N-o iria assumir qualquer risco face a dois homens cu#a energia, medonha para as
concepçFes de um arcônida, #á por diversas ve,es lhe causara verdadeiro pavor.
&hodan acionou o dispositivo de chamada e martelou a escotilha com os punhos
cerrados. Nenhuma resposta. &ecuou três passos, até o local em que se encontrava a
primeira tomada de intercomunicaç-o. Ie, a ligaç-o e esperou ansiosamente que a tela se
iluminasse.
)hora #á esperava a chamada. 6eu rosto tomou toda a e'tens-o da tela. &hodan
assustou"se. Nunca vira tamanho (dio no rosto de qualquer ser vivo.
0 O que houve= 0 perguntou )hora calmamente.
&hodan refletiu. 1hegou 3 conclus-o de que n-o adiantaria gritar com ela. 7esde
que a conhecia sempre alcançara melhores resultados quando aplicava o método de fa,ê"
la sentir que se considerava superior a ela.
0 Hue tolice foi inventar desta ve,= 0 perguntou tranqNilamente, com um sorriso
de escárnio.
o que parecia )hora se pusera de so!reaviso contra esse método. N-o havia o
menor sinal do estreitamento instant:neo dos olhos que, das outras ve,es, indicara o
quanto a ironia de &hodan a ofendera.
Ialou em arcônida, para dar a entender que considerava o assunto e'clusivamente
seu.
0 *stou cansada de me dei'ar tocar de um lado para outro por um homem"macaco.
G s(.
&hodan refletiu na resposta. Ouviu os passos de ?ell, que se apro'imava pelo
corredor. 1om a m-o direita, que )hora n-o poderia ver refletida na tela, fe,"lhe sinal de
que se mantivesse afastado. ?ell o!edeceu prontamente.
0 7iga"me uma coisa 0 voltou a falar &hodan. 0 O que acha que pode fa,er para
livrar"se de n(s=
$ela primeira ve,, notou um sinal de inquietaç-o em seu rosto.
0 $ousarei na )erra e cuidarei pessoalmente de tudo 0 respondeu )hora.
0 7e que coisas= cha que conseguirá comprar uma nave novinha em folha por
aí=
0 N-o. @as posso o!rigar os homens a construir uma.
0 O!rigar= 0 &hodan riu. 0 1omo=
)hora recuou um passo. Na tela, &hodan pôde en'ergar para além dela.
6u!itamente desco!riu como teria de fa,er para dissuadi"la da loucura que pretendia
cometer.
0 9ocê sa!e perfeitamente que com as armas que tenho a !ordo desta nave posso
aca!ar com qualquer mundo igual ao seu 0 respondeu )hora.
&hodan passou a desenvolver uma atividade fe!ril. N-o tirou os olhos do rosto delaA
apro'imou"se mais do aparelho de intercomunicaç-o. 1om a m-o direita fe, um sinal a
?ell, sem que )hora o visse. pontou para o lugar em que o soalho do corredor se
encontrava com a parede oposta.
*nquanto isso, )hora prosseguia.
0 $ousarei no interior da c>pula energética e farei com que os governos da )erra
compreendam do que preciso.
&hodan a!anou a ca!eça, enquanto a!ria os dedos da m-o direita. O indicador
continuou a apontar para o soalho do corredor, mas o polegar mostrava a imagem que se
via na tela do intercomunicador. N-o podia ver se ?ell o estava entendendo.
0 Huero dei'ar claro que transformarei seu planeta num mont-o de cin,as se meus
dese#os n-o forem cumpridos.
0 $ara você é a maneira mais segura de ir para casa, n-o é= 0 perguntou &hodan
em tom irônico.
*nquanto falava, modificou os gestos que fa,ia com a m-o direita. 1urvou o dorso
da m-o, enquanto o dedo médio apontava para cima. 7epois de algum tempo, o indicador
passou a fa,er movimentos de quem aperta o gatilho de uma pistola.
&hodan perce!eu que começava a transpirar.
0 $ense !em! 0 disse com toda calma de que era capa,. 0 *nt-o pretende
destruir a )erra, porque ela n-o cumpre seus dese#os. O que lhe restará depois disso= 5m
fim de vida miserável em @arte ou 9ênus. G isso que pretende=
)hora fe, um gesto de despre,o.
0 credita que os terrenos dei'ar-o que as coisas cheguem a esse ponto= Iarei
com que compreendam que n-o poder-o esperar a menor compai'-o da minha parte.
&hodan passou a odiá"la por essas palavras.
0 Os homens ,om!ar-o de você 0 disse em tom de escárnio. Ie, uma ligeira
pausa de triunfo, ao ouvir que atrás dele ?ell se afastava sorrateiramente. 0 Iar-o pouco
de vocêA procurar-o a!rigar"se e ter-o a satisfaç-o de ver que, uma ve, devastada a )erra,
você estará em situaç-o muito mais difícil que antes.
)hora pareceu crescer em altura.
0 N-o far-o nada disso! 0 respondeu fungando. 0 Ninguém se dei'a matar
quando pode evitá"lo.
&hodan encostou"se tranqNilamente 3 parede, para mostrar que estava disposto a
entreter uma palestra prolongada.
0 $ois é isso! Neste ponto você su!estima os homens. N-o se iluda. 7e qualquer
maneira, uns poucos covardes que se disponham a ceder 3s suas e'igências para poupar a
vida n-o poder-o fa,er muito por você.
$retendia di,er mais alguma coisa. @as, nesse instante, perce!eu um movimento na
tela. Na parede da ca!ina de comando, perto do lugar em que )hora se encontrava, havia
uma a!ertura do tamanho apro'imado de uma ca!eça humana, e que servia 3 insuflaç-o
de ar. *ssa a!ertura dava para um conduto de metro e meio de largura, que atravessava a
nave em sentido vertical e distri!uía o ar puro vindo das c:maras de tratamento.
Na a!ertura surgiu primeiro o cano de uma pistola e, logo a seguir, uma m-o
co!erta de pêlos.
0 )udo em ordem, chefe! 0 disse ?ell de tal forma que &hodan podia ouvi"lo pelo
intercomunicador. 0 9ire"se para mim e levante as m-os, menina!
)hora n-o chegou a virar"se. o ouvir a vo, de ?ell, fe, menç-o de voltar a ca!eça.
@as, em meio ao movimento, foi dominada pelo susto. *stendeu os !raços e, de !ruços,
caiu ruidosamente no piso.
0 @uito !em! 0 e'clamou ?ell. 0 *la quis assim. 1hefe, arre!ente logo a porta,
antes que ela desperte.
&hodan fe,"lhe um sinal de aprovaç-o. 1hamando por 1rest, correu pelo corredor
em direç-o 3 sala de informaçFes, onde ele e ?ell haviam estado deitados so! a influência
do radiador hipn(tico.
1rest estava de pé na escotilha a!erta.
0 7ê"me uma de suas armas! 0 disse &hodan es!aforido. 0 $reciso de uma arma
com que possa a!rir a escotilha da sala de comando. )hora está inconsciente. 6e n-o nos
apressarmos despertará e tudo terá sido em v-o.
1rest saiu correndo.
9oltou dentro de trinta segundos. &espirando com dificuldade, entregou a &hodan a
pesada pistola de raios perfuradores.
0 qui está! 0 disse. 0 @as tenha cuidado.
&hodan precipitou"se corredor afora. *nquanto corria engatilhou a arma. $arou a
cinco metros da escotilha e dirigiu o fei'e compacto de raios energéticos para o
dispositivo eletrônico de travamento.
O metal chiou, soltou !olhas e derreteu"se. 5m furo a!riu"se na escotilha. ssim
que pôde olhar através dele, &hodan suspendeu o !om!ardeio energético.
escotilha #á n-o representava o menor o!stáculo. &hodan a!riu"a sem dificuldade.
Ouviu o desa!afo de ?ell, vindo do orifício de insuflaç-o de ar.
0 +raças a 7eus! N-o seria capa, de atirar nela.
)hora ainda estava inconsciente. 7epois de levantá"la &hodan acomodou"a num dos
leitos encostados 3 parede. $ôs a funcionar o intercomunicador e chamou 1rest.
0 Iaça o favor de vir até aqui 0 disse com a vo, tranqNila. 0 +ostaria que
estivesse presente quando ela despertar.
?ell nem se dera tempo para en'ugar o suor que lhe escorria pela testa. @as um
largo sorriso co!ria"lhe o rosto.
0 9ocê nem imagina o orgulho que sinto por ter entendido a linguagem codificada
dos três dedos.
&hodan lançou"lhe um olhar sério.
0 final, você é um menino inteligente.
1rest entrou.
0 1omo foi que fe, isso= 0 perguntou sacudindo a ca!eça.
0 Ioi assim 0 respondeu ?ell, cortando o ar com os dedos da m-o direita.
&hodan riu.
0 *ncontramos em tempo o conduto de ar 0 e'plicou a 1rest. 0 ?ell desceu por
ele. Huando )hora perce!eu que ele estava perto dela, desmaiou.
1rest sentou na !eirada do leito em que )hora estava deitada.
0 N-o é de estranhar 0 disse em tom pensativo. 0 Huase morri há poucos
minutos quando vi que os senhores se levantavam.
0 $or quê=
0 Na fase inicial da aplicaç-o da técnica de treinamento hipn(tico, quando mal
havíamos construído os primeiros aparelhos e ainda n-o disp>nhamos da e'periência
necessária, houve alguns casos lamentáveis, em que o processo de treinamento teve de
ser interrompido. 8sso foi devido a influências e'teriores. *m todos esses casos, a pessoa
cu#o treinamento foi interrompido perdeu a ra,-o. e'plicaç-o é simples. no curso do
processo de treinamento hipn(tico, o cére!ro encontra"se num estado de ativaç-o muito
intensa. 6e n-o tiver oportunidade de retornar lentamente 3s suas funçFes normais, a
confus-o instala"se nele. *m conseqNência disso, surge uma forma de loucura que nem
mesmo os nossos psiquiatras conseguem curar.
*rgueu os olhos e fitou primeiro &hodan, depois ?ell.
0 1ompreendem o que quero di,er= 7esde os prim(rdios do treinamento hipn(tico
n-o e'iste, em Orcon e nos mundos su!metidos 3s leis arcônidas, nenhum crime mais
grave que a interrupç-o de um processo de treinamento. *nquanto vocês estavam ligados
ao transmissor, )hora n-o receava qualquer interferência de sua parte. 6a!ia
perfeitamente que n-o me atreveria a despertá"los antes de concluído o treinamento. *
dentro de três horas ela poderia ter levado a nave 3 )erra e tomado as providências
necessárias para que você, &hodan, n-o representasse mais qualquer perigo para ela.
1rest fe, uma pausa.
0 ssim mesmo você nos despertou! 0 disse &hodan, falando pausadamente e
com a vo, grave.
1rest fe, que sim e !ai'ou os olhos.
0 Ioi uma decis-o muito difícil. @as n-o me restava outra alternativa sen-o agir de
acordo com os fatos. 6e n-o os tivesse despertado, )hora pousaria na )erra e inutili,aria
os resultados dos nossos esforços. N-o tenho a menor d>vida de que as idéias dela teriam
causado a destruiç-o do planeta e desta nave.
*rgueu os olhos e sorriu.
0 O resto n-o passou de um e'ercício de matemática infantil. 7e qualquer maneira
teríamos morrido. $or que, ent-o, n-o iria aproveitar a >nica chance de continuarmos
vivos= )inha uma leve esperança de que a estrutura do cére!ro de vocês fosse diferente
da dos arcônidas, de forma que estivessem em condiçFes de resistir ao choque provocado
pela interrupç-o do treinamento.
7e repente mostrou"se radiante.
0 N-o me enganei! humanidade terrena...
Nesse instante 1rest foi interrompido de forma grotesca.
trás dele, alguma coisa começou a me'er"se no leito. 6em conseguir dominar a
vo,, )hora disse.
0 1rest, você é um traidor miserável!
&hodan virou"se a!ruptamente. ?ell levantou"se de um salto e postou"se aos pés do
leito. 1rest n-o se a!alou. continuou sentado. 5m sorriso triste es!oçou"se em seu rosto.
&espondeu com a vo, tranqNila.
0 N-o, minha filhaA n-o sou nenhum traidor. 9ocê ainda há de compreender.
penas receio que isso ainda leve muito tempo.
)hora fechou os olhos.
&hodan lançou um olhar sério para ela. Huando esta voltou a a!rir os olhos,
estremeceu.
0 Ouça! 0 disse em tom ríspido. 0 Pá estamos fartos da sua idiotice, da sua
o!stinaç-o e da sua repugnante arrog:ncia. 7aqui em diante cuidaremos para que n-o nos
atrapalhe mais, enquanto n-o aprender a usar a inteligência. N-o tem nada a recear de
n(s. N-o lhe faremos mal. @as é !om que sai!a uma coisa. deste momento em diante
assumo o comando desta nave e qualquer tentativa de reali,ar programas tresloucados
será considerado como amotinaç-o, e punido de acordo com as leis terrenas.
)hora n-o sou!e o que responder. 6eu rosto impassível n-o revelava o que se
passava dentro de sua ca!eça.
&hodan n-o restringiu sua li!erdade de movimentos. penas incum!iu ?ell de
e'ercer uma vigil:ncia cuidadosa so!re ela, enquanto estivesse em condiçFes de fa,ê"lo.
$or enquanto pretendia continuar o treinamento hipn(tico e concluí"lo o quanto antes.
&hodan lamentou n-o ter tra,ido o 7r. @anoli ou o australiano. Hualquer um deles
poderia ficar de olho em )hora, enquanto ele e ?ell estivessem ligados ao transmissor de
conhecimentos.
Nas condiçFes em que se encontrava, n-o lhe restava outra alternativa sen-o
entregar a pistola de radiaç-o energética a 1rest, recomendando"lhe encarecidamente que
a usasse se )hora tentasse interferir novamente.
Ieito isso, reclinou"se na poltrona e esperou pacientemente que 1rest su!stituísse o
equipamento transmissor que fora arrancado e começasse a prepará"lo para o reinicio do
processo.
7epois foi a ve, de ?ell.
0 $ronto= 0 perguntou 1rest.
0 $ronto! 0 9eio a resposta. 6eguiu"se imediatamente a inconsciência a!rupta e
profunda causada pelo treinamento hipn(tico, que sempre voltava a surpreender. $arecia
que alguém havia arremessado uma capa que co!ria todo o mundo.
III
)aCo DaCuta estava numa lo#a, renovando seu guarda"roupa. Eem!rou"se de que o
suprimento de dinheiro estava se transformando num pro!lema !astante sério para a
)erceira $otência. 1om a perda da nave dos arcônidas, pousada na Eua, os meios de troca
tinham"se tornado escassos. )inham de ser reservados para as transaçFes mais
importantes.
)aCo chegara a $eters!urgo sem encontrar o menor o!stáculo. &hodan dera"lhe
ampla li!erdade na escolha de seu itinerário. 7ecidira visitar em primeiro lugar os
*stados da Nova 8nglaterra, que a!rigavam a maior concentraç-o da ind>stria norte"
americana.
)aCo a!andonara a c>pula energética durante a noite, #unto ao lago salgado de
+oshun. 6ua vestimenta especial permitiu"lhe voar em direç-o sul até QuKei. 1hegou ao
raiar do sol e aproveitou a primeira cone'-o para Eantchou. li a!riam"se duas
alternativas. voar a )chunCing ou a $equim, para tomar um vôo intercontinental
destinado aos *stados 5nidos. Optou por )chunCing, pois $equim, um lugar em que a
polícia secreta desenvolvia uma atividade intensa, era um sítio muito perigoso para um
homem como ele.
)aCo estava consciente da vantagem que levava fora da c>pula energética so!re
qualquer dos mem!ros da )erceira $otência. n-o era conhecido. Ninguém desconfiava de
que era um homem de &hodan. Nunca era mencionado nos noticiários so!re a )erceira
$otência, irradiados periodicamente pelas emissoras de )9 de todo o mundo.
7ecidiu aproveitar essa vantagem enquanto fosse possível. )eria de dei'ar cair a
máscara no momento em que iniciasse as negociaçFes.
5ma ve, provido de !oas roupas, pôs"se a tra!alhar. $egou um tá'i e foi 3 usina de
ferro"plástico, um local que parecia oferecer"lhe oportunidades !astante promissoras para
a reali,aç-o dos seus o!#etivos.
empresa Ierroplastics Eimited pertencia ao grupo 7upont, uma das famílias mais
importantes dos *stados 5nidos.
)aCo sou!e dar"se uma impress-o imponente. o anunciar"se, asseguraram"lhe que
fariam o possível para conseguir, quanto antes, uma audiência com um dos diretores.
)aCo acrescentou com a maior ênfase.
0 N-o se esqueça de mencionar que se trata de encomenda muito importante.
dotara um nome suposto, que constava do passaporte que tra,ia consigo. N-o
dissera nada so!re sua procedência ou so!re a identidade de quem o incum!ira de fa,er a
encomenda. $or enquanto, poderiam acreditar que estavam lidando com um representante
da Iederaç-o siática. )odo mundo sa!ia que no setor dos metais plastificados a
Iederaç-o siática ainda engatinhava atrás das ind>strias do ?loco Oriental e do mundo
ocidental.
Ii,eram"no esperar uns vinte minutos no enorme hall. @ergulhou na leitura das
revistas destinadas aos visitantes, mas fa,ia"o de maneira a utili,ar a !orda superior como
hori,onte visual, por cima do qual o!servava os arredores. través do hall fluíam e
refluíam as vagas humanas desencadeadas pela atividade fe!ril da grande usina. N-o
havia nada que devesse preocupar )aCo.
7entro de vinte minutos o homem que o havia rece!ido voltou a aparecer. 6orria.
0 1onsegui, senhor 0 disse no seu falar arrastado de americano. 0 O patr-o quer
rece!ê"lo imediatamente.
)aCo es!oçou um sorriso de cortesia.
0 @eu caro, o senhor está enganado 0 respondeu. 0 6ou eu que quero ser
rece!ido pelo patr-o. 1omo é o nome dele=
0 Ea... Eafitte 0 gague#ou o #ovem. 0 Huer fa,er o favor de su!ir comigo=
)aCo levantou"se.
O escrit(rio de Eafitte ficava no >ltimo andar do imponente edifício. *nquanto era
condu,ido )aCo desfrutou a vis-o panor:mica so!re a cidade.
ssim que ele entrou, Eafitte levantou"se atrás da mesa. O #ovem que o havia
acompanhado ficou do lado de foraA fechando a porta dupla.
0 Hueira sentar! 0 disse Eafitte, apontando para uma poltrona confortável.
)aCo sentou. &ecusou o cigarro que lhe foi oferecido. $assou tranqNilamente os
olhos pela sala. Eafitte começou a ficar nervoso, mas )aCo n-o se sentiu pertur!ado com
isso.
Iinalmente levantou os olhos e disse.
0 Onde poderíamos conversar=
Eafitte parecia perple'o.
0 $or quê= N-o gosta daqui= 1ostumo discutir os meus neg(cios neste escrit(rio.
)aCo concordou com um sorriso.
0 @inha miss-o é muito difícil e delicada 0 disse com a vo, fina. 0 N-o posso
correr o menor risco. O senhor compreende= 9e#a, por e'emplo, esse vaso de flores. N-o
acha que seria um (timo esconderi#o para um microfone= 1ompreendo suas precauçFes,
senhor EafitteA peço"lhe que tam!ém procure compreender as minhas.
e'press-o do rosto de Eafitte mudou do espanto e do desagrado para um princípio
de contrariedade e terminou num sorriso matreiro.
0 )enho a impress-o de que n-o me mandaram nenhum tolo 0 disse com a vo,
ligeiramente manhosa, que n-o permitiu a )aCo sentir"se seguro.
Eevantou"se e saiu de trás da mesa.
0 G claro que estou disposto a conversar num lugar que lhe se#a agradável 0
prosseguiu. 0 Iaça uma sugest-o.
0 Hue tal meu hotel= &eservarei uma sala de conferências.
Eafitte apontou para o telefone. )aCo chamou o hotel em que estava hospedado e
reservou uma das menores salas de conferências.
*nquanto desciam pelo elevador, o!servou Eafitte com os olhos atentos. N-o notou
que este tivesse feito sinal para que alguém os seguisse. ssim mesmo )aCo acreditava
que estava tramando alguma coisa que n-o se harmoni,ava com seus planos.
viagem de tá'i decorreu sem contratempos. $or várias ve,es )aCo olhou pelo
vidro traseiroA ao que parecia, ninguém os estava seguindo. n-o ser que se tratasse de
uma pessoa muito há!ilA e )aCo n-o e'cluía essa possi!ilidade.
sala de conferências fora preparada. )aCo deu instruçFes para que ninguém os
pertur!asse. 6entaram"se a uma mesa pequena e !ai'aA )aCo começou a agir. 1olocou
Eafitte so! a influência de seu min>sculo aparelho hipnoti,ador e ditou suas e'igências.
0 ...um revestimento de R.ST metros de espessura para uma esfera com e'atamente
MUR metros de di:metro. O material deverá ser de ferroplástico "UR com um aditivo de
volfr:mio e terá de ser fornecido em peças facilmente transportáveis. inda lhe
transmitiremos instruçFes precisas so!re a forma de entrega. título de compensaç-o
meu comitente lhe remeterá um gerador anti"gravitacional. )rata"se de um aparelho capa,
de neutrali,ar um campo gravitacional até uma potência de de, ve,es o da )erra. 1om
isso o!terá um valor que representa muito mais que o das chapas de ferroplástico. N-o se
esqueça de que terei de insistir no e'ato cumprimento do pra,o de entrega. 6e esta n-o se
verificar dentro de trinta dias, nosso acordo ficará sem efeito. N-o cele!raremos nenhum
contrato escrito. )emos plena confiança um no outro.
)aCo levantou"se. Eafitte olhava"o com a e'press-o apagada de quem se encontra
so! influência hipn(tica.
0 6e acreditar que sou um agente da )erceira $otência, faça o favor de a!andonar
essa idéia 0 concluiu )aCo com um sorriso. 0 )ra!alho so! as ordens da Iederaç-o
siática que, conforme sa!e, está atrasada no setor do ferroplástico. esfera que
pretendemos construir servirá como envolt(rio de um grande reator nuclear, cu#a
construç-o está sendo iniciada. Iaço votos para que a encomenda se#a e'ecutada a
contento de meu comitente. qui est-o as instruçFes so!re a forma de entrega.
*ntregou a Eafitte um maço de papéis que ele mesmo escrevera no dia anterior,
numa máquina emprestada pelo hotel.
7esligou o hipnoti,ador e notou que o rosto de Eafitte retornou 3 e'press-o normal.
*le levantou"se e estendeu a m-o a )aCo.
0 Iico satisfeito por termos chegado a um acordo t-o depressa 0 disse. 0 inda
ho#e su!meterei o assunto ao 1onselho Iiscal. credito que n-o haverá dificuldades.
final, teremos uma recompensa regia.
)aCo a!riu a porta da sala de conferências. O corredor estava va,io. O sol penetrava
por uma ampla #anela de frente, refletindo"se na passadeira !rilhante.
0 N-o se esqueça de me informar so!re a decis-o do 1onselho Iiscal 0 pediu
)aCo. 0 @eu comitente está empenhado em rece!er o material com a maior rapide,.
1aso n-o ha#a interesse de sua parte, terei de procurar outro fornecedor.
6orrindo, Eafitte fe, um gesto negativo.
0 N-o se preocupe. )udo irá !em. 7arei uma soluç-o ainda ho#e.
)aCo acompanhou Eafitte até o elevador. ssim que este começou a descer, correu
3 #anela e olhou para fora. Eafitte saiu do prédio e chamou um tá'i. N-o olhou para trásA
entrou no carro que partiu imediatamente.
)aCo esperou. $oucos minutos depois um carro cin,a afastou"se do meio"fio do lado
oposto da rua e disparou na mesma direç-o seguida pelo tá'i de Eafitte.
)aCo voltou ao seu apartamento. *stava pensativo. O carro cin,a n-o provava que
ele fora seguido por alguém que lhe controlava os passos. @as n-o se podia sa!er...
)aCo pediu 3 telefonista que o ligasse com a Ierroplastics Eimited. 5ma vo,
feminina respondeu.
0 @eu nome é VamaCura 0 disse )aCo. 0 2á poucos minutos tive a honra de
falar com o senhor Eafitte a respeito de uma grande encomenda. *le disse que convocaria
imediatamente uma reuni-o do 1onselho Iiscal. G possível que daqui a pouco tenha que
telefonar novamente, para dar outras informaçFes a ele. 6erá que poderei ligar para aí= s
reuniFes do 1onselho Iiscal costumam ser reali,adas nesse edifício=
0 $or este telefone o senhor poderá alcançar o senhor Eafitte a qualquer momento,
senhor VamaCura 0 respondeu a vo, feminina. 0 sala de sessFes fica neste edifício,
perto da sala em que me encontro.
0 @uito o!rigado 0 disse )aCo 0 senhora me prestou uma grande a#uda.
Eogo a seguir, )aCo tirou o terno recém"adquirido e pôs a vestimenta transportadora
que 1rest lhe dera, 1olocou uma arma no !olso e tam!ém levou o hipnoti,ador.
O rosto do porteiro assumiu uma e'press-o pateta, quando viu o h(spede passar
diante dele em tais tra#es. @as )aCo confiara em que nos h(spedes e'(ticos seriam
toleradas certas e'centricidades.
)aCo tomou um tá'i e pediu ao motorista que o levasse 3 sede da Ierroplastics
Eimited. 7urante a viagem ficou refletindo, para ver se desco!ria algum ponto vulnerável
em seus planos. )udo parecia de uma simplicidade t-o e'trema, que )aCo desconfiou da
coordenaç-o primária de suas idéias. @as teve de reconhecer que os recursos
e'traordinários de que dispunha #ustificavam até certo ponto a simplicidade do plano.
8sso o tranqNili,ou.
' ' '
Huase no mesmo instante Eafitte entrava apressadamente no hall da Ierroplastics
Eimited. Pá avisara os mem!ros mais importantes do 1onselho Iiscal e tinha certe,a de
que dentro de uma hora o (rg-o emitiria uma deli!eraç-o que correspondesse 3s suas
intençFes.
o passar pela mesa telefônica, a senhorita 7efoe chamou"o.
0 O que houve= 0 perguntou em tom impaciente. 0 N-o tenho tempo.
#ovem es!oçou um sorriso suave.
0 O senhor VamaCura aca!a de telefonar. $erguntou se por este telefone pode falar
com a sala de sessFes do 1onselho Iiscal.
0 O senhor VamaCura= 0 Eafitte fran,iu a testa. 0 O que é que ele quer=
0 $or enquanto nada. 7i, que talve, tenha de falar com um dos conselheiros
durante a sess-o.
0 *stá !em. Eigue"me imediatamente com ele, se... O que houve desta ve,=
5m homem alto e #ovem atravessou o hall e parou perto de Eafitte. Notava"se que
queria di,er alguma coisa.
0 *u o segui, patr-o, conforme com!inamos. *stá tudo em ordem=
0 6im, @organ, tudo está em ordem.
@organ hesitou. 8a afastar"se, mas continuou parado.
0 )em certe,a de que tudo está em ordem=
Eafitte !ateu o pé.
0 )enho, sim. Hue inferno! )enho certe,a a!soluta!
@organ n-o se a!alou.
0 @uito !em 0 murmurou.
fastou"se e saiu. )irou o carro de #unto da escadaria e estacionou"o no lugar
reservado. 9oltou para #unto da telefonista. Eafitte #á se afastara.
0 Hue hist(ria é essa, @organ= 0 perguntou ela, nervosa. 0 $or que está com
medo=
@organ pegou uma cadeira e sentou #unto 3 mesa telefônica. 7eu de om!ros.
0 N-o sei... $arece que fi,eram um grande neg(cio. Eafitte correu que nem um
louco para reunir o 1onselho Iiscal ainda ho#e. contece...
telefonista sacudiu a ca!eça.
0 N-o ve#o nada de errado nisso.
0 Pá viu alguma ve, como Eafitte costuma fa,er seus neg(cios=
0 Nunca.
0 O tempo que Eafitte leva para tomar uma decis-o costuma ser proporcional ao
valor da encomenda. Nunca levou menos de cinco horas para discutir um neg(cio. *
desta ve, levou cinco minutos, ou talve, quin,e, se contarmos tudo. * agora convoca o
1onselho Iiscal. 7eve tratar"se de um neg(cio muito importante. 6e n-o fosse assim,
Eafitte decidiria so,inho. 1oncluiu um neg(cio enorme em quin,e minutos. G isso que
me dei'a preocupado.
telefonista sorriu.
0 Ora essa! 6( por isso fa, tanto drama=
@organ fe, que sim.
0 9ocê me dei'aria escutar quando esse VamaCura...
0 N-o 0 respondeu ela em tom ríspido. 0 Nunca permito que alguém escute os
telefonemas dos outros.
@as @organ conseguiu convencê"la.
$or algum tempo conversaram so!re assuntos !anais. 6u!itamente a porta do hall
a!riu"se. o ouvir o ruído, @organ virou"se. 9iu o !atente largo girar para fora, voltar
para dentro e oscilar até atingir sua posiç-o de repouso. *sfregou os olhos. Nem por isso
o quadro se alterou. No hall desenvolvia"se a agitaç-o de um dia movimentado. N-o
havia ninguém perto da porta.
#ovem teve a atenç-o despertada.
0 O que houve=
0 porta a!riu"se, mas n-o entrou ninguém.
O telefone chamou. *la fe, uma ligaç-o e voltou a colocar o fone no gancho.
7epois disse.
0 9ocê devia tirar férias, @organ. Pá está se tornando ridículo com essa mania de
ver fantasmas.
@organ protestou.
Nesse instante aconteceu uma coisa estranha. 5m velho mensageiro estava
atravessando o hall com uma pasta. 6u!itamente parou, como se tivesse es!arrado em
alguma coisa, dei'ou cair a pasta, atirou os !raços para o alto e soltou um grito de pavor.
Num segundo, @organ colocou"se ao seu lado.
0 O que houve=
O velho estava com o rosto mortalmente pálido. )remia e falou gague#ando.
0 *u... ele... por aqui havia alguma coisa e es!arrei. Ioi aqui mesmo!
@organ foi ao lugar apontado pelo velho.
0 )olice! 0 resmungou. 0 qui n-o há nada.
O homem sacudiu a ca!eça.
0 O que foi= 0 perguntou @organ.
0 N-o sei di,er. )alve, tenha sido um homem. 6e foi, n-o usava roupa igual a n(s.
*stava muito duro.
@organ passou a m-o pelo ca!elo.
0 N-o viu nada=
0 í que está! N-o vi nada.
0 @uito !em. 0 @organ a!ai'ou"se, levantou a pasta e colocou"a so! o !raço do
velho. 0 *squeça"se disso e n-o conte a ninguém. 7e qualquer maneira, n-o
acreditariam.
0 6im senhor. @uito o!rigado 0 disse o velho, ainda pertur!ado.
@organ voltou para #unto da telefonista.
0 O que houve= 0 indagou esta.
0 O homem es!arrou em algo invisível.
*la teve um acesso de riso.
0 Iico me perguntando o que há de verdade em tudo isso 0 disse @organ com a
vo, séria.
moça olhou"o, incrédula, e interrompeu"se em meio 3 risada.
0 9ocê n-o vai me di,er...
@organ n-o respondeu. poiou a ca!eça nas m-os e ficou refletindo.
7epois de algum tempo a porta do hall voltou a se a!rir, desta ve, para dei'ar
passar dois mem!ros do 1onselho Iiscal, que haviam sido convocados por Eafitte.
$assaram #unto 3 mesa telefônica e cumprimentaram a senhorita 7efoe com um
aceno de ca!eça, sem interromper a palestra em que estavam entretidos. @organ seguiu"
os com os olhos. $ara chegar 3 sala de sessFes era necessário atravessar um corredor
largo e curto, separado do hall por uma porta de vidro. @organ viu perfeitamente que,
quando os dois homens passaram pela mesma, o !atente esquerdo logo voltou 3 posiç-o
normal, enquanto o direito continuou a!erto até que os conselheiros #á haviam andado
uns três ou quatro passos pelo corredor.
$ara @organ #á n-o havia a menor d>vida. uma pessoa que sa!ia tornar"se invisível
seguira os dois mem!ros do 1onselho Iiscal. *stava a ponto de alarmar a guarda do
esta!elecimento. @as lem!rou"se de que n-o poderia apresentar qualquer motivo
plausível. Jom!ariam dele e os guardas continuariam nos seus postos.
6e alguma coisa pudesse ser feita, ele mesmo teria de cuidar disso.
' ' '
Notava"se que Eafitte se orgulhava da encomenda que conseguira negociar. 1om
uma enorme autoconfiança apresentou a oferta aos mem!ros do 1onselho Iiscal, sem
pertur!ar"se com os rostos daqueles homens, que de minuto a minuto, assumiam uma
e'press-o cada ve, mais perple'a e contrariada.
Iinalmente Qhitmore levantou"se de um salto, dando um empurr-o na cadeira que a
fe, desli,ar no soalho.
0 6enhor Eafitte 0 começou com a vo, áspera. 0 1omo mem!ro do 1onselho
Iiscal quero dar e'press-o ao espanto causado pela sua oferta. 0 W medida que falava,
enfurecia"se cada ve, mais. 0 cha que está fa,endo uma !oa piada ao arrancar"nos das
nossas ocupaçFes, arrastar"nos até aqui e su!meter"nos essa oferta a!surda= Eevante"se,
Eafitte, e e'plique"se. 6e n-o o fi,er, esta assem!léia lhe dará uma liç-o de que nunca se
esquecerá.
ssim era Qhitmore. 8a sentar"se para dar uma oportunidade de defesa a Eafitte,
que parecia !astante pertur!ado. @as, enquanto pu'ava a cadeira, uma idéia pareceu
surgir em sua mente.
0 *spere 0 disse, fa,endo um gesto nervoso em direç-o a Eafitte. 0 O que nos
oferecem mesmo em pagamento=
0 5m gerador antigravitacional 0 voltou a e'plicar Eafitte. 0 )rata"se de um
aparelho capa, de neutrali,ar campos gravitacionais até a potência equivalente a de,
ve,es a gravidade terrestre. G um equipamento de transporte ideal, que ainda n-o e'iste
em qualquer parte do mundo.
Qhitmore confirmou com um movimento de ca!eça.
0 Pá que é assim 0 disse, passando os olhos pelos homens sentados em torno da
mesa de conferências 0 considero a oferta perfeitamente viável.
Os outros homens assentiram. Ninguém parecia lem!rar"se de que há trinta
segundos ainda consideravam a oferta de Eafitte uma piada de mau gosto. Ninguém teve
a idéia de perguntar quem seria capa,, neste planeta, de fornecer um aparelho com que
até ent-o a ciência mal ousara sonhar. 6u!itamente, !astou"lhes que tal aparelho fosse
oferecido. N-o duvidavam da idoneidade do autor da encomenda.
Eafitte leu as condiçFes de fornecimento e as instruçFes de em!arque. 1hegou"se 3
conclus-o de que umas e outras poderiam ser cumpridas sem maiores dificuldades.
6egundo a promessa de Eafitte, a sess-o terminou dentro de uma hora.
encomenda tinha sido aceita e as instruçFes correspondentes foram emitidas
imediatamente. Os mem!ros do 1onselho Iiscal despediram"se na convicç-o de terem
concluído o maior neg(cio da hist(ria da Ierroplastics Eimited.
O homem que os a#udara a tomar essa decis-o esperou até que todos tivessem saído
da sala. 1omo n-o tivesse mais necessidade de concentrar todos os seus esforços 0
situaç-o em que se encontrara quando começou a influenciar os mem!ros do 1onselho
Iiscal 0 achou preferível n-o voltar pelo hall, para evitar o risco de novo incidente como
aquele que há pouco tanto o assustara. 1oncentrou sua mente num local a!andonado nas
pro'imidades da sede da Ierroplastics Eimited e para lá se transportou num telessalto.
1onforme imaginara, aterrissou perto da rua, num terreno !aldio co!erto de mato.
N-o havia ninguém que o visse surgir.
travessou a rua e esperou até que aparecesse um tá'i va,io. Ie, sinal. $oucos
minutos depois desceu em frente ao hotel. *ntretido nos seus pensamentos, passou pelo
porteiro, entrou no elevador e su!iu.
*stava satisfeito com o tra!alho daquele dia.
>nica coisa que o preocupava era o es!arr-o no mensageiro.
N-o pudera evitá"lo, porque um segundo antes tivera que desviar"se de outra
pessoa. Notara perfeitamente que o #ovem es!elto que correra em au'ílio do mensageiro
acreditara na hist(ria muito mais do que )aCo teria gostado. o que parecia, alguém
pretendia colocar"se no seu encalço. 6e tivesse !astante senso o!#etivo para acreditar na
hist(ria do homem invisível que es!arrara no mensageiro, poderia transformar"se num
adversário temível.
)aCo gravara !em seu rosto. 7ecidiu su!metê"lo 3 sua vontade assim que tivesse
oportunidade para isso.
IV
!riu a porta do apartamento e entrou. Huando #á se encontrava perto da mesa,
ouviu uma vo, 3s suas costas.
0 N-o se assuste, cavalheiro! N-o lhe farei nada.
)aCo virou"se instantaneamente. 1errou os olhos e, num movimento instant:neo,
segurou a pistola.
9iu um homem de idade sentado numa poltrona perto da porta. @antinha os !raços
erguidos, como que assustado com a pistola.
0 6anto 7eus! 0 gemeu. 0 9ire isso pra lá! N-o trago nenhuma arma.
)aCo !ai'ou a pistola.
0 Huem é o senhor=
0 6erá que isso vem ao caso= 6ou uma figura sem a menor import:ncia nesse #ogo.
@andaram"me até aqui para dar"lhe um recado. 1hame"me de Qe!ster, se isso o agrada.
)aCo fitou o velho. $ela idade usava roupas muito vistosas, o que lhe conferia um
aspecto pouco sério.
0 Hual é o recado=
0 $reste atenç-o! 6a!emos que está atrás de certas coisas que s( poderá conseguir
com muita dificuldade e enfrentando graves perigos. Oferecemo"nos como
intermediários. $odemos comprometer"nos a conseguir qualquer coisa de que precise.
1om um sorriso de satisfaç-o reclinou"se na poltrona.
0 G claro que pedimos um preço adequado 0 acrescentou.
)aCo fitou"o pensativo. ntes que pudesse formular qualquer pergunta, Qe!ster
voltou a retesar"se na poltrona.
0 ntes que me esqueça. sa!emos que o senhor dispFe de uma série enorme de
truques. $rovavelmente poderia influenciar"me para que lhe conte tudo que sei. $eço"lhe
que n-o o faça. $rimeiro, n-o conheço a pessoa que me confiou esta incum!ênciaA depois,
ela interpretaria seu truque como um voto de desconfiança, o que a levaria a suspender
imediatamente as negociaçFes. 6e estiver disposto a pagar !em, seremos os s(cios mais
leais que poderia dese#ar.
0 Huem seriam esses s(cios= 0 perguntou )aCo laconicamente.
Qe!ster deu de om!ros. )aCo enrugou a testa, tomando lugar numa poltrona em
frente a Qe!ster.
0 1omo conseguiu entrar aqui= 0 perguntou.
0 Ora! 0 disse Qe!ster com um sorriso. 0 $ara um homem do meu tipo e'istem
in>meras possi!ilidades.
0 *stou disposto a ouvir sua oferta 0 disse )aCo. 0 Onde poderei tomar
conhecimento dela=
0 )enho o endereço. *spere! 0 interrompeu"se, quando )aCo ia pegar o cart-o. 0
ntes de mais nada. n-o e'perimente seus truques conosco. ntes de negociar com o
senhor, su!metê"lo"emos a todas as provas. 6a!emos que nos e'pomos !astante ao
su!meter"lhe uma oferta. $or isso queremos que nosso risco se#a o menor possível.
*ntendido= 0 entregou o cart-o a )aCo. 0 @anteremos nossa oferta pelo pra,o de de,
dias. 6e quiser aparecer, telefone para este n>mero e diga. 2oloKa% chegará 3s quator,e
horas, ou 3s oito horas, conforme lhe convenha. *ntendido=
)aCo fe, que sim.
0 N-o ter-o de esperar muito por mim 0 disse com um sorriso.
Qe!ster saiu. 7ei'ou atrás de si um )aCo muito pensativo. quilo que Qe!ster
designava como seus truques provavelmente eram seus dons e'traordinários e os recursos
que as vestes dos arcônidas lhe proporcionavam. 1omo poderiam sa!er disso=
pessoa de Qe!ster tam!ém representava um enigma para ele. o que tudo
indicava, pertencia a uma das camadas inferiores da sociedade. )ra#ava"se e falava como
tal. Huem o teria enviado= 6ua resposta 3 pergunta de como entrara ali dava a entender
que era um arrom!ador ou coisa semelhante. 6erá que um !ando de arrom!adores
poderia prestar au'ílio a )aCo= 1onseguiriam rou!ar as peças do equipamento de uma
nave espacial de tre,entos metros de di:metro=
idéia divertiu"oA recuperou a autoconfiança. N-o teria que temer nada. $elo
menos enquanto usasse as vestes arcônidas e possuísse o dom da teleportaç-o.
ssim, achou preferível n-o mudar de roupa para o #antar. 7esceu 3 sala de
refeiçFes tal qual estava e n-o se pertur!ou com os olhares espantados dos outros
h(spedes.
' ' '
Qe!ster entrou numa sala na qual s( havia uma mesa, duas cadeiras e, so!re a
mesa, um telefone e um aparelho de intercomunicaç-o. Iechou a porta cuidadosamente,
depois de ter apagado a lu,. 1omprimiu o !ot-o do aparelho de intercomunicaç-o. 5ma
lu,inha acendeu"se e uma vo, áspera perguntou.
0 O que houve=
0 qui fala Qe!ster. cho que o homem virá.
0 @uito !em. @ais alguma coisa=
0 N-o.
0 @as eu tenho uma coisa para você, Qe!.
0 7iga.
0 Iinch deu com um su#eito que vive espionando esse #aponês. 6eu nome é
@organ e vem da Ierroplastics. 7esco!rimos que é detetive da empresa. 9ocê e Iinch
ficar-o de olho nele até que VamaCura tenha fechado neg(cio conosco. N-o podemos
permitir que alguém fare#e os nossos neg(cios. N-o tenham a menor consideraç-o por
ele.
0 *stá !em, chefe 0 respondeu Qe!ster em tom su!misso.
0 Outra coisa. Eigue o telefone para cá. Huero ouvir o telefonema do #aponês.
0 $erfeito.
Qe!ster comprimiu um !ot-o que ficava na !ase do aparelho.
0 Iinch instalou seu quartel"general no restaurante Iratellini. $rocure chegar lá
quanto antes.
0 6im, chefe.
0 Iim.
Qe!ster desligou o aparelho de intercomunicaç-o, a!riu a gaveta da mesa e tirou
uma pistola. Ieito isso levantou"se, apagou a lu, e saiu.
7o outro lado da porta ficava um escrit(rio. 9ia"se uma fileira de cadeiras e
escrivaninhas. )udo estava co!erto por uma grossa camada de p( que s( era interrompida
no tra#eto da porta pela qual Qe!ster aca!ara de passar até a saída.
*astern )ransport era uma firma que s( e'istia na placa colocada na porta de
entrada. 6e alguém lhe quisesse confiar algum o!#eto para ser transportado, diriam, numa
linguagem adequada, que infeli,mente estavam t-o so!recarregados, que nas pr('imas
oito ou de, semanas n-o podiam aceitar nenhum serviço.
porta de entrada dava para um corredor situado no trigésimo andar de um
arranha"céu. essa hora, o corredor estava va,io. Qe!ster foi até o elevador e desceu.
7eu !oa"noite ao porteiro, pegou um tá'i e foi até a 6étima venida, onde ficava o
restaurante de Iratellini. Iinch estava sentado numa sala que o proprietário costumava
reservar para h(spedes especiais.
Qe!ster sentou 3 sua frente.
Iinch levantou os olhos.
0 $arece que o pei'e aca!a de escapar da nossa rede 0 disse, devagar e com a vo,
cansada.
' ' '
Pesse @organ contri!uíra involuntariamente para o fracasso que os homens de Iinch
aca!avam de sofrer. @organ era um dos detetives de $inCerton e fora destacado para o
serviço da Ierroplastics Eimited e n-o demorou a desco!rir que, ao esforçar"se para
entrar em contato com o #aponês VamaCura, era seguido por vários homens, que se
reve,avam e agiam com uma ha!ilidade e'traordinária.
+astou uma !oa quantia em corridas de tá'i, entradas de cinema, uma enorme
porç-o de sorvete que nem chegou a tocar e uma !oa dose de energia física para livrar"se
de seus perseguidores. @as, com isso, seu plano de entrar em contato com VamaCura no
seu apartamento, ainda naquela noite, caíra nXágua.
Iicou refletindo so!re quem seriam as pessoas que ficavam grudadas aos seus
calcanhares. 7epois que Eafitte se recusara a informá"lo so!re as e'centricidades do
#aponês, @organ encarou o assunto como o!#eto de sua curiosidade pessoal. $ouco lhe
interessava se de suas investigaçFes poderia resultar algo de >til para a Ierroplastics
Eimited.
@organ tinha uma idéia !astante nítida do #aponês. té poucas semanas atrás,
quando o noticiário entrou numa estranha maré !ai'a, os #ornais costumavam encher"se
de informaçFes so!re os acontecimentos estranhos que se desenrolavam no deserto de
+o!i e que tinham sua origem nas pessoas que costumavam designar"se como a )erceira
$otência. No caminho da 1hina para os *stados 5nidos muitas informaçFes foram
distorcidas, adulteradas e e'ageradas a tal ponto que, nos #ornais americanos, se liam
coisas que mesmo numa pessoa completamente desinteressada s( provocava risos.
contece que @organ sa!ia separar o #oio do trigo, para fa,er surgir aquilo que tinha
foros de verdade. *, agindo assim, achou mais que provável que VamaCura n-o fosse
nenhum encarregado da Iederaç-o siática, conforme Eafitte procurou dar a entender
com suas insinuaçFes, mas um agente da )erceira $otência.
6endo assim, pensou @organ, talve, caísse no truque !arato que iria aplicar.
Huando se sentiu a!solutamente seguro de que n-o estava mais sendo seguido por
nenhum dos desconhecidos, entrou numa lanchonete, sentou a uma mesa que ficava no
canto mais escondido e pediu um refresco. $assado algum tempo, levantou"se e foi até o
telefone. O aparelho ficava numa ca!ine !em fechada. Ninguém ouviria o que pretendia
di,er. Eigou para o 2otel tlantic, onde VamaCura estava hospedado.
0 qui fala 7onovan. Huero falar com o senhor VamaCura.
telefonista murmurou algumas palavras incompreensíveis. 2ouve uma pausa,
Eogo ap(s veio a resposta.
0 6into muito, mas o senhor VamaCura está #antando.
0 No hotel=
0 6im.
0 Hueira chamá"lo.
0 5m momento. 9ou ligar para lá.
Ouviram"se ruídos, o rumor de passos e de vo,es. Iinalmente uma vo, aguda
respondeu.
0 lô!
0 qui fala 7onovan 0 disse @organ, falando devagar e enfati,ando as palavras.
0 Huero fa,er"lhe uma oferta.
VamaCura parecia perple'o. Eevou algum tempo para responder.
0 * quem lhe di, que estou interessado nas suas ofertas=
0 *u mesmo. 7isponho de muitas relaçFes e posso conseguir num golpe aquilo
que o senhor teria de reunir aos poucos e com muito esforço.
0 N-o diga! 0 disse o #aponês em tom irônico. 0 9ai fa,er isso por pura
caridade=
0 N-o. )enho meu preço.
0 * daí=
0 Hue tal um encontro=
0 Onde=
0 Iaça uma sugest-o.
VamaCura refletiu.
0 N-o conheço a cidade. Hue tal a primeira lanchonete na rua 3 esquerda do
tlantic=
0 7e acordo. Huando=
0 7aqui a uma hora.
0 @uito !em. guardarei o senhor.
O #aponês desligou. o sair da ca!ina telefônica, @organ n-o conseguiu disfarçar
um sorriso de satisfaç-o.
5ma pessoa que n-o dispusesse de recursos e'traordinários n-o teria caído num
truque desses. @organ n-o duvidava de que, em!ora tivesse concordado, VamaCura
contava com uma tentativa de capturá"lo. $agou a conta e seguiu a pé em direç-o ao local
de encontro. )inha tempo de so!ra, mas queria chegar antes de VamaCura.
' ' '
Iinch rece!eu, quase ao mesmo tempo, duas informaçFes diferentes. 5ma lhe
causava preocupaçFes, outra dei'ou"o satisfeito.
0 $ete di, que o #aponês está saindo do hotel 0 resmungou para Qe!ster. @as
logo seu rosto se iluminou. 0 $or outro lado, 9ale voltou a desco!rir o c-o"de"fila da
Ierroplastics. *stá sentado num !ar do Qashington ?oulevard.
Qe!ster fitou"o atentamente.
0 cho que #á está na hora de lhe darmos uma liç-o 0 disse Iinch. 0 Huer
encarregar"se disso=
Qe!ster fe, que sim e levantou"se.
0 Hual é a idéia=
0 Iaçam"no sair do !ar, levem"no a algum lugar e dêem"lhe uma sova. 7igam"lhe
que, se continuar a enfiar o nari, em nossos neg(cios, vai levar mais.
0 @uito !em.
Qe!ster saiu, pegou um tá'i e foi ao Qashington ?oulevard. Eá, pediu ao motorista
que seguisse #unto ao meio"fio do lado direito. 9iu um dos homens de Iinch, pagou o
tá'i e desceu.
0 Onde está o homem= 0 perguntou a 9ale.
*ste apontou com o polegar por cima do om!ro.
0 Eá dentro.
Qe!ster olhou para o lado da rua. O 2otel tlantic, onde VamaCura estava
hospedado, ficava a menos de tre,entos metros. 8sso deu que pensar a Qe!ster. 6erá que
ele tinha um encontro marcado com VamaCura=
ssustou"se quando reconheceu, 3 lu, dos tu!os fluorescentes, a figura do #aponês,
que su!ia pela rua. *stava a uns cem metros de dist:ncia. 1omo andasse devagar,
parando de ve, em quando diante das vitrinas, ainda tinham uma chance.
0 Onde está seu carro= 0 perguntou a 9ale.
9ale apontou para um velho 1hr%sler, estacionado #unto 3 entrada do !ar.
0 gNente o #aponês por aí, se ele chegar muito cedo 0 disse Qe!ster e entrou no
!ar.
1onhecia a descriç-o de @organ e reconheceu"o assim que o viu. pro'imou"se
calmamente de sua mesa e parou perto dele. 6a!ia que tinha de falar de maneira a
despertar um mínimo de suspeita em @organ.
@organ ergueu os olhos.
0 O que dese#a=
0 O senhor VamaCura quer falar"lhe. ;8sso tem que dar certo<, pensou Qe!ster.
0 *le n-o vem para cá=
No mesmo instante, @organ teve vontade de arrancar a língua. 1omo podia ter
certe,a de que o outro havia sido enviado por VamaCura=
Qe!ster ficou satisfeito com a dica. 1ontinuou.
0 8nfeli,mente ele n-o pôde vir. $ede"lhe para que me acompanhe até o hotel em
que está hospedado.
@organ refletiu. Qe!ster começou a impacientar"se.
0 $arece que o senhor VamaCura tem muita pressa. Huer via#ar ho#e de noite.
0 Ora essa! 0 disse @organ em tom de surpresa.
1hamou o garç-o e pagou, saindo em companhia de Qe!ster.
0 @eu carro está aqui 0 disse este.
0 O!rigado 0 respondeu @organ. 0 $refiro andar este pedacinho.
Neste ínterim, Qe!ster o havia empurrado até o meio"fio. 6em que os transeuntes o
perce!essem, encostou o cano de uma pistola em @organ.
0 Iaça o que digo! 0 murmurou.
5m olhar rápido fê"lo notar que 9ale es!arrou em VamaCura e procurava detê"lo.
0 !ra a porta e entre 0 ordenou Qe!ster.
@organ o!edeceu. pistola apontada para ele n-o lhe dei'ava outra alternativa.
Qe!ster sentou perto dele. 9ale continuava ocupado com VamaCura. Qe!ster
rangeu os dentes. 6eu companheiro estava perdendo muito tempo. VamaCura pôs"se a
conversar com ele.
Qe!ster !ai'ou o vidro e deu um asso!io. 9ale procurou livrar"se de VamaCura.
@as o #aponês grudou"se a ele com uma o!stinaç-o que fe, pore#ar o suor na testa de
Qe!ster. 9ale disse.
0 @uito pra,er, cavalheiro. )enho que despedir"me.
1orreu em volta do carro. @as VamaCura pareceu n-o se conformar com uma
despedida t-o apressada. pro'imou"se do carro, olhou pelo vidro e, antes que 9ale
pudesse dar partida, desco!riu Pesse @organ. O motor roncou e Qe!ster grunhiu entre os
dentes.
0 9amos em!ora!
ntes que 9ale pudesse o!edecer, a vo, enérgica de VamaCura fe,"se ouvir pela
#anela entrea!erta.
0 *spere! Huero ir com os senhores. Qe!ster sentiu"se inseguro.
0 O senhor é um dos homens com quem se pode falar pelo telefone N YM"TTU,
n-o é= 0 perguntou o #aponês.
Qe!ster confirmou com um movimento instintivo da ca!eça.
0 $ois ent-o, leve"me. N-o gostaria que acontecesse qualquer coisa a este #ovem.
$osso o!ter a lealdade dele de uma forma muito mais conveniente.
0 *ntre!
VamaCura a!riu a porta da frente e sentou"se perto de 9ale.
0 $ara onde gostaria de ir= 0 perguntou a Qe!ster, virando"se de tal forma que
podia olhar confortavelmente para trás.
0 $ara fora da cidade 0 respondeu este.
0 Iaça isso! 0 recomendou o #aponês. 9ale partiu. O carro disparou pela
Qashington ?oulevard.
9ale dirigia muito !em. 6aiu da cidade pelo caminho mais curto, dei'ou a auto"
estrada e entrou numa via secundária. $arou a cerca de um quilômetro da estrada.
0 nde mais um pedaço 0 disse VamaCura.
O motorista fitou"o. 7epois lançou um olhar indagador para Qe!ster. *ste deu de
om!ros. 9ale deu partida e andou mais dois quilômetros.
0 O!rigadoA #á chega 0 disse o #aponês.
9oltou"se novamente para trás e disse a Pesse @organ.
0 7esça!
@organ o!edeceu sem pestane#ar. 7esceu, fechou a porta com força e, como que
a!sorto em pensamentos, foi andando devagar pelo caminho, em direç-o 3 auto"estrada.
0 *spere aí! 0 protestou Qe!ster. 0 Nada disso! )enho ordens...
0 1alma! 0 disse VamaCura com um sorriso amável. 0 Eogo sa!erá quais as
minhas intençFes.
Olhou para 9ale.
0 O senhor se importaria de seguir mais um pedaço por este caminho antes de
voltar=
9ale sacudiu a ca!eça e partiu. Qe!ster estava perple'o. Olhando pelo vidro
traseiro, viu que @organ retornava 3 estrada, sem dar a menor atenç-o ao carro que se
afastava.
ndaram mais um quilômetro. 7epois voltaram. 1omeçara a chover.
7ali a de, minutos alcançaram @organ.
0 Huando ele fi,er sinal, pare 0 disse VamaCura.
@organ estava parado so! uma árvore. 1o!rira a ca!eça com o casaco e
gesticulava.
9ale parou. @organ apro'imou"se correndo e a!riu a porta.
0 +raças a 7eus! 0 disse, atirando"se no assento #unto a Qe!ster, que estava
apavorado. 0 *stava atrás de um ladr-o quando fui surpreendido pelo mau tempo. $ode
levar"me até a cidade=
O #aponês fe, que sim.
0 1om muito pra,er. 1onseguiu alguma coisa=
0 N-o. cho que segui uma pista falsa.
No caminho ficou falando de um homem que seguira desde a cidade, porque
#ulgava ser um ladr-o. lguém o trou'era da cidade até ali, dei'ando"o na entrada do
caminho, porque era para ali que a pista condu,ia.
@organ conversava sem cessar. VamaCura ouviu com toda a atenç-o. Qe!ster e
9ale, perple'os, começavam a compreender que @organ perdera a consciência do que
realmente acontecera.
* n-o era s(! O espírito de @organ criara uma compensaç-o, que preenchia o va,io.
Nunca mais se lem!raria de VamaCura, o #aponês que chegara a perseguir.
VamaCura dei'ou"o num su!>r!io. Qe!ster, que #á se recuperara do espanto,
começou a fa,er perguntas. O #aponês interrompeu"o com um gesto.
0 Eeve"me a um telefone p>!lico 0 ordenou. 0 Huero telefonar para N"YM TTU.
' ' '
O caminho que o fi,eram percorrer dava 3quela palestra o aspecto de um complô.
Qe!ster insistiu em que ficasse com os olhos vendados. )aCo n-o se opôs.
N-o se esforçou para reter na mem(ria as curvas e su!idas do caminho. N-o teve
d>vida de que conseguiria condu,ir as negociaçFes a um desfecho favorável, e que dali
retornaria sem venda nos olhos.
*stava satisfeito porque o caso @organ terminara t-o !em. O acaso interferira nos
seus planos, poupando"lhe muito esforço.
Iinalmente a andança pelos corredores e escadas chegou ao fim.
venda foi retirada. )aCo viu"se numa sala parcamente iluminada e decorada com
um !om gosto e'cessivo. Os homens que, de pé, rodeavam a grande mesa e o encaravam
com os olhos curiosos com!inavam com o am!iente.
0 ?oa noite, cavalheiros! 0 disse )aCo em tom amável.
Os homens sorriram.
0 ?oa noite! 0 respondeu um deles. )aCo conhecia"o. 9ira muitas ve,es seu
retrato nos #ornais. $elo que se di,ia, 6tan ?ra!ham mandava mais no 6indicato dos
)ra!alhadores do ço que o pr(prio chefe.
)aCo n-o estava surpreso. N-o esperava outra coisa. primeira apariç-o de
Qe!ster #á lhe sugerira a idéia de algum sindicato.
0 9amos sentar! 0 disse ?ra!ham em tom cordato, pegando uma cadeira para
)aCo.
0 * vamos tratar logo de neg(cios, senhor ?ra!ham 0 acrescentou o #aponês.
?ra!ham piscou os olhos.
0 1aram!a! 1omo sa!e=
0 Eeio os #ornais 0 respondeu )aCo, lacônico. 0 @as, tanto fa,. Huer a#udar"me=
?ra!ham fe, que sim.
0 $or quê=
0 *m primeiro lugar, por causa disto 0 ?ra!ham esfregou o dedo indicador no
polegar. 0 * depois, porque simpati,amos com a )erceira $otência.
0 $or quê= 0 repetiu )aCo, disfarçando a surpresa.
0 *ntre n(s e'iste muita gente que sa!e ficar de olhos a!ertos 0 e'plicou
?ra!ham com um sorriso. 0 )am!ém na Ierroplastics Eimited, por e'emplo. *ncare a
coisa por essa forma. fare#amos a coisa e tivemos !astante inteligência para tirar nossas
conclusFes. *sta e'plicaç-o lhe !asta=
)aCo fe, que sim.
0 O que pode fa,er por n(s= 0 perguntou.
?ra!ham !rincou com um toco lápis.
0 $odemos arran#ar"lhe quase tudo de que precisa 0 respondeu em tom tranqNilo.
0 N-o estou e'agerando.
)aCo acreditou. *stava informado so!re o prestígio dos grandes sindicatos dos
*stados 5nidos.
0 O que pede em troca=
0 1inco por cento do preço de compra de cada lote 0 respondeu ?ra!ham sem a
menor emoç-o.
N-o era pouco. @as era muito menos do que )aCo esperava.
0 $or que vai tra!alhar t-o !arato=
0 G o que precisamos. lém disso, acho que os senhores s-o pessoas formidáveisA
#á lhe disse isso. )êm todas as possi!ilidades de transformar"se numa terceira potência.
N(s, os tra!alhadores, n-o queremos ficar de !raços cru,ados quando se trata de instaurar
a pa, perpétua.
0 6a!e que está agindo contra as leis de sua pátria=
?ra!ham confirmou com um gesto indiferente.
0 *ssas leis s-o uma tolice. 7entro de poucos anos todo mundo reconhecerá isso.
)aCo refletiu. 7epois soltou sua primeira pergunta.
0 *stá em condiçFes de arran#ar garrafas magnéticas com uma capacidade >til de
mil metros c>!icos por unidade=
?ra!ham olhou para o lado.
0 O que di,, Peff=
0 N-o há pro!lemaA podemos arran#ar essas garrafas 0 respondeu um homem
pequeno e magro.
?ra!ham voltou a dirigir"se a )aCo.
0 O senhor rece!erá as garrafas. Huantas quer=
0 1inco.
0 $ara quando=
0 O mais rápido possível.
0 Peff, quanto tempo levaremos=
0 Huatro a cinco semanas.
0 7entro de cinco semanas. 1oncorda=
0 1oncordo.
0 @ais alguma coisa=
)aCo sorriu.
0 $or enquanto é s(, senhor ?ra!ham. N-o quero mostrar"lhe todas as cartas antes
que o senhor me dê uma prova da sua capacidade. *spero que este tipo de cautela n-o
pre#udique nossa cooperaç-o.
?ra!ham soltou uma estrondosa gargalhada.
0 1ompreendo 0 disse. 0 @as n(s o convenceremos.
0 Os senhores ter-o de desco!rir um meio para que ninguém descu!ra quem é o
autor da encomenda 0 prosseguiu )aCo.
?ra!ham confirmou com um movimento da ca!eça.
0 $ode dei'ar por nossa conta. N-o gostamos de nos e'por.
inda havia algumas formalidades para acertar. Iinalmente )aCo retirou"se,
satisfeito e sem venda nos olhos. 5ma ve, no hotel, pagou a conta e saiu de $eters!urg ao
amanhecer.
V
&aramente algum homem inspirara tamanha gratid-o a $err% &hodan como a que
sentia por 1rest, porque o mesmo n-o lhe apareceu depois de terminado o treinamento.
G verdade que por ali ainda se encontrava ?ell, que poderia pertur!á"lo. @as
quando este despertou e ergueu"se, ficou sentado de costas para &hodan. 8nclinou"se para
a frente e apoiou a ca!eça nas m-os, como se ela fosse muito pesada.
$assou"se uma hora sem que fosse pronunciada uma palavra. &hodan testou seu
cére!roA viu diante de si um comple'o imenso com uma quantidade enorme de min>cias
que se lhe apresentavam com toda clare,a. 2avia uma gama infinita de conhecimentos
arma,enados. ssim que formulava qualquer dese#o em pensamento, a respectiva soluç-o
oferecia"se imediatamente, desde que se tratasse de um pro!lema matemático ou
científico.
$rocurou avaliar as dimensFes do comple'o que constituía seu cére!ro, mas n-o
desco!riu nenhum limite. *ra infinito. $or mais que se aprofundasse, n-o encontrava
nenhuma parede, sempre havia um caminho que o condu,ia mais adiante.
Eevantou a ca!eça. 6eus olhos caíram no aparelho de intercomunicaç-o. $oderia
apostar tranqNilamente que )hora o estava o!servando lá do seu camarote e estudava suas
reaçFes. N-o estava disposto a nutrir seu orgulho, vendo"o cismar por muito tempo so!re
as conquistas da ciência dos arcônidas.
Eevantou"se. ?ell fungou a!orrecido.
8sso n-o o pertur!ava. ?astava que um dos dois n-o se mostrasse impressionado,
para dei'ar )hora nervosa. 6aiu e foi andando pelo corredor. porta de seu camarote
estava a!erta. 1rest, sentado numa poltrona girat(ria, fitava o camarote de )hora numa
tela de intercomunicaç-o.
Huando &hodan entrou, 1rest voltou a ca!eça.
0 *nt-o= 0 perguntou com um sorriso, em tom ligeiramente preocupado.
&hodan sacudiu a ca!eça.
0 Nada. 1ometi um erro.
1rest endireitou"se a!ruptamente. poltrona seguiu"lhe o movimento.
0 5m erro=
0 8sso mesmo. o que parece a soluç-o do pro!lema ocorreu numa data mais
recente. credito que seus homens tenham sido muito indolentes para e'aminar todos os
aspectos do pro!lema.
1rest estremeceu. &hodan piscou em direç-o ao intercomunicador, dando a
entender que suas palavras destinavam"se a )hora.
0 Hue interessante! 0 cochichou 1rest. 0 Hue erro foi esse=
0 )rata"se do pro!lema da reproduti!ilidade das hipertra#et(rias. *stá lem!rado=
0 e'plicou no tom mais indiferente que conseguiu dar 3 vo,. 0 equaç-o diferencial
em que elas se !aseiam é instável, além de formalmente insol>vel. )rata"se de uma
equaç-o diferencial de sétimo grau, com aplicaç-o de um processo de apro'imaç-o
numérica de décimo terceiro grau. 9ê"se que o processo de apro'imaç-o ainda encerra
mais alguns graus de insta!ilidade que a equaç-o. *, quando nos movemos no terreno da
insta!ilidade, um pequeno desvio produ, um erro de grandes proporçFes.
té mesmo a matemática terrena conhece soluçFes de apro'imaç-o de sétimo grau
para equaçFes fundamentais desse tipo. Huer que lhe diga por que esse erro foi cometido
em Orcon=
1rest n-o sou!e di,er mais nada.
0 G porque o processo de apro'imaç-o que foi empregado torna"se muito cômodo
0 disse &hodan com a vo, áspera e retum!ante. 0 G porque, segundo dedu,o de outras
informaçFes, esse processo está gravado nas calculadoras. Ioi por pura indolência que
ninguém se deu ao tra!alho de e'aminar a equaç-o fundamental quanto 3 sua esta!ilidade
e foi ainda por indolência que se empregou o método usualA um décimo da energia
prevista seria suficiente.
6entiu"se triste com a forma pela qual 1rest reagiu 3 sua e'planaç-oA encolhendo"se
lentamente, este dei'ou que a cadeira voltasse a inclinar"se para trás. 1rest sacudiu a
ca!eça e murmurou palavras descone'as.
&hodan procurou n-o olhar para a tela. 6a!ia que )hora o o!servava, e,
provavelmente, o compreenderia. O drama fora preparado para ela, n-o para 1rest. O erro
era verdadeiro, mas a maneira de e'pô"lo fora escolhida para impressionar )hora.
+ostaria de ver seu rosto.
os poucos, 1rest foi recuperando o autodomínio. &hodan dirigiu"lhe um sorriso
tranqNili,ador, para que voltasse a ficar em forma mais depressa.
0 N-o pretendia falar com você so!re isso 0 disse. 0 penas pretendia
agradecer"lhe por tudo que fe, por n(s. Nem imagina como nos sensi!ili,ou.
1rest compreendeuA interrompeu &hodan com um gesto. 1ontorceu o rosto, como
se quisesse rir, mas apenas conseguiu es!oçar uma careta.
0 $are, &hodan 0 murmurou com a vo, dé!il. 0 9ocê está desperdiçando seus
agradecimentos com a pessoa errada. N(s é que temos de ficar gratos. +ratos ao destino,
por nos ter proporcionado um encontro com uma raça como a sua.
*rgueu"se na poltrona.
0 6a!e que você é a primeira pessoa que se atreve a a!sorver de uma s( ve, os de,
estágios de desenvolvimento= 6a!e por quanto tempo tive de o!servá"lo antes de ter
certe,a de que poderia dar esse passo sem que seu espírito corresse perigo= creditava
que levasse alguns dias para recuperar"se do choque tremendo causado pelo treinamento
dos de, estágios. @as o que ve#o= @al o transmissor é desligado, levanta"se, dirige"se a
mim e di,. est-o vendo, seus idiotas= qui vocês erraram. 6a!e o que significa isso=
Hualquer um sa!eria a resposta. &espirando profundamente, 1rest voltou a recostar"
se na poltrona.
No corredor ouviram"se os passos de ?ell, que pareciam marteladas. &hodan ouviu"
o murmurar de si para si. ?ell entrou pela escotilha.
0 Ouça, chefe! 0 disse em tom enfático. 0 6a!e que essa gente cometeu um erro=
o tentarem o!ter uma reproduç-o matemática de uma hipertra#et(ria, empregaram uma
equaç-o diferencial de sétimo grau. $ara isso...
tens-o de &hodan terminou numa estrondosa gargalhada. o ouvir os primeiros
sons, 1rest assustou"se. té parecia que o riso lhe causava dor. @as, por fim, controlou"
se e conseguiu !rindar a situaç-o com um sorriso quieto e resignado.
' ' '
5ma hora depois a nave a!andonou a tra#et(ria terrestre e tomou a direç-o da Eua.
&hodan assumira o comando, e'ecutando"o de acordo com os conhecimentos adquiridos
no processo de treinamento.
&eginald ?ell e'ercia as funçFes de co"piloto.
1rest, sentado nos fundos, olhava fi'amente para a frente. 9e, por outra, &hodan
virava a ca!eça para vê"lo. $ara um homem da sua su!st:ncia espiritual seria necessário
!astante tempo para recuperar o equilí!rio ap(s o choque pelo qual passara.
)hora s( entrou na sala de comando quando a nave #á havia tomado a rota da Eua.
&hodan n-o se voltou 3 sua entrada. Ouviu sua vo,.
0 &hodan, você está perdendo seu tempo. *sta nave está equipada com direç-o
automática.
$rocurara ser irônicaA ficou desapontada ao notar que n-o o conseguira. ?ell
encarou"a.
0 1onhecemos os autômatos dos arcônidas 0 disse com vo, indiferente. 0 5m
deles mostrou"se muito eficiente na defesa de três foguetes nucleares na )erra, n-o foi=
&hodan n-o pôde ver a reaç-o de )hora. N-o voltou a ouvir sua vo,. Huando pôde
ver o rosto de ?ell, notou que este repu'ava os cantos da !oca num contentamento
disfarçado.
' ' '
nave dispunha de grande variedade de instrumentos destinados 3 mediç-o de
radiaçFes. &hodan fe, a nave parar acima do lugar em que se encontravam os destroços
do cru,ador espacial e pediu a ?ell que reali,asse as mediçFes.
Na Eua n-o se verificara nenhuma precipitaç-o de partículas radioativas.
radioatividade gerada pelas !om!as foi pro#etada para o espaço, ou fi'ou"se ao solo.
ausência de atmosfera redu,ia os riscos a que se e'punha a pessoa que quisesse descer na
Eua.
$elos destroços n-o se podia sa!er se alguma parte do gigantesco cru,ador espacial
tinha escapado 3 destruiç-o. &hodan sa!ia que e'istia alguma esperança em relaç-o ao
compartimento interno, cu#as paredes eram feitas de um tipo de plástico metali,ado que
possuía um campo de cristali,aç-o dotado de uma dure,a que ultrapassava o poder de
imaginaç-o da metalurgia terrena e uma resistência 3 temperatura que n-o possuía
similar. Os envolt(rios feitos desse metal tinham capacidade de resistir a qualquer tipo de
tens-o mec:nica e a temperaturas de até ZR.RRR graus centígrados.
)odavia, o casco do cru,ador espacial estava redu,ido a uma confus-o de material
derretido e endurecido. $ara atingir o compartimento interno, teriam de procurar um
caminho através desse la!irinto de plástico metali,ado altamente radioativo.
?ell informou.
0 7ois microroentgen por hora.
0 Numa altitude de cinqNenta quilômetros 0 completou &hodan. 0 G uma conta
muito simples, n-o é= No local podemos esperar 0 levou algum tempo calculando 0
cinqNenta a cem roentgen por hora, se considerarmos as dimensFes da fonte geradora de
radioatividade.
?ell confirmou com um movimento de ca!eça.
0 Huer di,er que n-o podemos utili,ar nossos tra#es protetores.
&hodan voltou"se para 1rest.
0 !ordo desta nave e'istem tra#es protetores contra radiaçFes intensas e uma
instalaç-o de descontaminaç-o. N-o há motivo para dei'armos de pousar e e'aminar o
cru,ador.
1rest fe, que sim.
&hodan reali,ou um pouso impecável. nave estacionou a cerca de um quilômetro
do limite da área pela qual estavam espalhados os destroços do cru,ador dos arcônidas.
0 $retendo sair com ?ell 0 disse &hodan. 0 O que tem de ser feito deve ser feito
sem demora e somos os homens indicados para isso. 1rest, gostaria de manter
comunicaç-o ininterrupta com você. N-o quero correr o menor risco.
$ara reforçar suas palavras, dirigiu"se ao painel de comando e regulou para
desempenho ,ero os reatores que geravam a força do mecanismo propulsor. 1om isso a
decolagem seria retardada por meia hora, que era o tempo necessário ao aquecimento dos
reatores. 6( assim estariam garantidos contra uma decolagem instant:nea reali,ada por
)hora, que os dei'aria naquele inferno radioativo.
1rest es!oçou um sorriso. )hora n-o se moveu, mas o vermelho dos seus olhos
emitiu um !rilho mais intenso que de costume. ?ell saiu 3 procura dos tra#es protetores.
*ram muito mais práticos que os tra#es de que &hodan e os demais tripulantes
dispunham na )tardust. $ara colocar um tra#e espacial terreno com o!serv:ncia das
normas, reali,ando os controles devidos, era necessário pôr a paciência do indivíduo 3
prova por mais de vinte minutos. Os tra#es dos arcônidas podiam ser enfiados no corpo
como qualquer roupa e uma lu, #unto ao punho esquerdo era o sinal de que tudo estava
em ordem. N-o havia nenhum recipiente de o'igênio desa#eitado, nenhum rádio de
capacete pesava so!re a ca!eça, nenhuma #unta de pescoço comprimia a nuca quando se
olhava para cima. O tra#e gerava o o'igênio por meio de pequeninos recipientes de
produtos químicos. O telefone miniatura era do tamanho de uma unha. O capacete e o
tra#e formavam uma >nica peça, de maneira que n-o havia necessidade de qualquer #unta.
&hodan e ?ell levaram pistolas de radiaç-o. *ra provável que a e'plos-o das três
!om!as n-o lhes tivesse a!erto nenhum caminho para o interior do cru,ador espacial.
energia das pistolas de radiaç-o atingia, no foco central, uma temperatura de cerca de
cinqNenta mil graus. )eriam de recorrer a instrumentos mais potentes e pesados, se
nenhuma das escotilhas do compartimento interno pudesse ser a!erta de forma normal.
1rest seguiu"os com os olhos, quando dei'aram a nave por uma das duas escotilhas.
)hora n-o lhes deu atenç-o. $arada diante de uma tela, fitava os destroços de seu
cru,ador.
0 Iique de olho nela! 0 disse &hodan, dirigindo"se ao arcônida. $ouco lhe
importava que )hora ouvisse suas palavras ou n-o.
Eigaram os geradores e foram levados aos poucos para a área atingida pelas
e'plosFes. 9istos de perto, os destroços derretidos e disformes ofereciam um aspecto
assustador.
N-o trocaram uma >nica palavra. 6( 1rest falava de ve, em quando.
0 )udo em ordem!
&hodan pousou #unto ao maior monte de destroços que conseguiu locali,ar. )udo
indicava que no interior do mesmo devia encontrar"se o compartimento interno do
cru,ador espacial.
o olhar para cima a fim de avaliar a altura da massa de metal, ?ell começou a
gemer.
6em a menor perda de tempo, puseram"se a tra!alhar. s pistolas de radiaç-o
desprenderam os destroços, pedaço por pedaço, a!rindo um caminho. O dosímetro
registrava de, roentgenA ainda n-o fa,ia de, minutos que se encontravam fora da nave.
>nica coisa tranqNili,adora em meio ao am!iente desolado era a vo, de 1rest.
0 )udo em ordem!
Numa hora conseguiram avançar uns vinte metros para dentro do monte.
&hodan ficou preocupadoA n-o sa!ia se aquele amontoado teria esta!ilidade
!astante para sustentar as paredes de um t>nel de cerca de vinte metros de e'tens-o.
$ediu que ?ell suspendesse o tra!alho por algum tempo e !ateu no material. cada
!atida descansava a m-o no local em que dera a mesma, a fim de poder sentir qualquer
reaç-o anormal que se verificasse. @as n-o perce!eu nada além da vi!raç-o normal do
plástico metali,ado quando percutido.
Ie, um sinal a ?ell. O tra!alho prosseguiu.
7ali a mais uma hora o monte foi se tornando menos denso. $rosseguindo pelas
gretas que se a!riam, avançaram um !om trecho sem usar a pistola de radiaç-o.
0 Pá fi,emos cinqNenta metros 0 murmurou ?ell. 0 cho que n-o falta muito.
?ell arque#ava visivelmente.
0 $ois ent-o! 0 resmungou, dirigindo o raio de sua pistola contra o o!stáculo que
se lhe antepunha.
7ali a um minuto soltou um grito de triunfo.
0 9e#a! 1hegamos!
&hodan olhou por cima de seu om!ro. trás do >ltimo pedaço de plástico
metali,ado que conseguiram desprender apareceu uma parede lisa. o primeiro lance de
olhos notava"se que ela n-o fora afetada pelo calor da e'plos-o.
&hodan sa!ia que o plástico metali,ado provido de um reforço de cristais elásticos
era de cor a,ul"turquesa. * a,ul"turquesa era a cor da parede que ?ell pusera 3 vista.
8ntensificaram os esforços. )ra!alhando encarniçadamente, conseguiram limpar
metro por metro da parede. 1rest começou a fa,er perguntas, mas s( lhe deram respostas
lacônicas.
0 qui há uma escotilha 0 disse ?ell depois de algum tempo.
1omo tra!alhasse 3 frente de &hodan, desco!rira em primeiro lugar a estreita
reentr:ncia na parede. *stava em posiç-o inclinada, o que indicava que a posiç-o do
compartimento interno se modificara com a e'plos-o. Eevaram quin,e minutos para
deso!struir a escotilha. &hodan sa!ia que no momento da e'plos-o ela se fechara
automaticamente e s( se a!riria com um c(digo especial, isso se o mecanismo ainda
funcionasse.
$egou o emissor de impulsos que trou'era da nave. *ra um !ast-o da grossura de
um lápis, com de, centímetros de comprimento, que tra,ia um min>sculo decodificador
no seu interior. 1omprimiu"o contra a escotilha.
6u!itamente perce!eu que o ch-o tremia so! seus pés. $arecia que a escotilha iria
mover"se. &angendo, a!riu"se numa fresta de alguns milímetros, apenas para voltar a
fechar"se, quando n-o pôde vencer as forças que a o!struíam.
&hodan fe, um sinal a ?ell. escotilha era leve e n-o muito grande. 1om algum
esforço, um homem poderia a!ri"la com a energia muscular.
$ela segunda ve,, &hodan pôs a funcionar o emissor de impulsos. O ch-o voltou a
vi!rar. 7o lado direito da escotilha surgiu uma fresta. 7esta ve, era mais largaA ?ell
conseguiu enfiar nela as pontas dos dedos.
poiando o om!ro contra a parede, pu'ou com toda força. &hodan n-o tirou o
emissor de impulsos de cima do material a,ul.
?ell mudou de posiç-o e voltou a pu'ar. 7e repente, ele perdeu o apoio e, face 3
gravitaç-o pouco intensa da lua, foi atirado com toda força contra a parede do t>nel. O
o!stáculo fora vencido. !rindo"se para o lado, a escotilha pôs 3 vista o corredor estreito
e escuro de uma eclusa. vo, de 1rest soou, longe.
0 )udo em ordem por aqui. O que houve com vocês=
0 *ncontramo"nos diante de uma decis-o difícil 0 respondeu &hodan.
0 O que é=
0 escotilha está a!erta. o que parece a eclusa está funcionando. )ivemos
!astante tra!alho com a escotilha. 6e entrarmos normalmente, pode ser que n-o
consigamos a!rir a escotilha do lado de dentro.
0 N-o compreendo.
0 $oderíamos a!rir o outro lado da eclusa sem fechar a escotilha, mas nesse caso o
ar que se encontra no compartimento interno escaparia de forma e'plosiva.
0 8sso os incomoda= N-o poderiam a!rigar"se=
0 n(s isso n-o incomoda nem um pouco. @as pode ser que lá dentro alguém
este#a vivo. * ent-o=
Ouviram a respiraç-o de 1rest.
0 Huais s-o as possi!ilidades= 0 perguntou. 0 6e alguém estivesse vivo, #á teria
tido possi!ilidade de comunicar"se conosco.
0 $ode ser que este#a gravemente ferido e n-o possa movimentar"se.
1rest suspirou. 7epois de algum tempo disse com a vo, tranqNila.
0 !ra de qualquer maneira! N-o podemos correr nenhum risco. )emos muita
pressa dos o!#etos que se encontram no compartimento interno.
&hodan fe, que sim. 6e dependesse dele, teria tomado a mesma decis-o. @as, num
momento desses, convinha dividir a responsa!ilidade com alguém.
?ell tirou o emissor de impulsos das m-os de &hodan e dirigiu"se ao outro e'tremo
da eclusa.
0 qui há um lugar em que posso a!rigar"me 0 disse em tom tranqNilo. 0 Iique
do lado de fora, chefe.
escotilha interna n-o apresentou o menor defeito. Os destroços tremeram quando
o ar foi e'pelido num golpe. Puntamente com ele saiu uma nuvem de p( e alguns
instrumentos menores que se encontravam soltos. confus-o n-o durou mais que um
segundo. Huando &hodan entrou, ?ell estava saindo do esconderi#o.
0 6anto 7eus! 0 gemeu. 0 té parece que alguém #ogou um saco de areia na
minha ca!eça.
$rocurou olhar pela l:mina transparente.
Eá dentro estava escuro. @as havia uma l:mpada nos seus capacetes. cenderam"na
para iluminar o caminho.
&hodan notou que o interior do compartimento fora afetado pela e'plos-o muito
mais que o envolt(rio. 1om a e'plos-o, o compartimento ficara de ca!eça para !ai'o.
lguns dos aparelhos mais pesados tinham sido arrancados de seus suportes e estavam
inutili,ados.
@as havia muita coisa que ainda poderia ser aproveitada. 6eria muito mais fácil se
levassem para a )erra tudo que ali se encontrava.
?ell foi andando, curioso. &hodan quis di,er"lhe alguma coisa. @as nesse instante a
vo, trêmula de 1rest fe,"se ouvir.
0 $elo amor de 7eus! &hodan, ?ell! 9enham o mais rápido possível! 9enham!
&hodan parou.
0 O que houve=
0 &ápido! 9enham logo!
&hodan virou"se e saiu em disparada. ?ell seguiu"o. 7esligaram a gravitaç-o e,
fa,endo movimentos vigorosos de nadador, avançaram velo,mente pelo t>nel que haviam
a!erto.
5ma ve, do lado de fora, regularam os geradores para a potência má'ima e saíram
numa tra#et(ria alta em direç-o 3 nave. 1rest a!rira a eclusa ou ent-o nem chegara a
fechá"la. $assaram alguns segundos de impaciência, enquanto os dispositivos acoplados 3
eclusa encheram"na de ar.
1rest esperava"os atrás da escotilha interna. )remia e seus olhos !rilhavam numa
tonalidade vermelha.
0 O que houve= 0 perguntou &hodan.
0 G uma coisa horrível! 0 suspirou 1rest.
&hodan correu em direç-o 3 sala de comando. 1rest teve de esforçar"se para
permanecer ao seu lado.
0 )hora largou uma hipersonda. 8sso n-o era contra nosso acordo, e, assim, n-o a
impedi.
&hodan confirmou com um movimento de ca!eça. *nquanto andava, começou a
tirar o tra#e espacial. 5ma hipersonda servia para locali,ar o fei'e de ondas de um
hiperemissor. *sse fei'e podia ser concentrado numa fraç-o de centímetro e quem n-o o
captasse diretamente, nada perce!eria de sua e'istência. *'istiam sondas inteiramente
automati,adas, formadas de pequenas naves, cu#o tamanho n-o ultrapassava o de uma
m-o humana e que vasculhavam determinada área, centímetro por centímetro, detectando
qualquer onda direcional que ali se locali,asse.
*ntraram na sala de comando. )hora estava encostada ao painel de controle, com o
rosto voltado para eles. &hodan notou um traço de orgulho misturado com ironia.
Eimitou"se a contemplá"la com um olhar de esguelha.
0 $or algum tempo a sonda ficou vagando por aí, sem encontrar nada 0
prosseguiu 1rest com a vo, e'altada. 0 @as, de repente, encontrou alguma coisa.
0 O que encontrou= 0 perguntou &hodan com a vo, impaciente.
0 7esco!riu os impulsos emitidos por nosso hiperemissor. 0 1rest apontou
apressadamente para a tela que mostrava a nave destruída. 0 Os impulsos provêm da
nave. 6-o impulsos automáticos de emergência. 1ompreende=
&hodan compreendeu de imediato. @ais que isso, logo perce!eu as conseqNências.
)odas as naves arcônidas eram equipadas com um hiperemissor. energia emitida por
ele tinha a mesma estrutura matemática do campo hipergravitacional que possi!ilitava as
viagens espaciais a uma velocidade superior 3 da lu,. s hiperondas propagavam"se de
forma quase instant:nea por qualquer dist:ncia, constituindo o meio de comunicaç-o
ideal de uma época que calculava em termos de milhares de anos"lu, com a mesma
naturalidade com que o homem lidava com quilômetros.
)odo hiperemissor era equipado com um dispositivo automático de emergência que
o colocava em funcionamento logo que algo acontecesse 3 respectiva nave, tanto em
virtude de um ataque vindo de fora como de um defeito interno. 7ali em diante, o
emissor irradiaria, em seqNência ininterrupta, um sinal predeterminado. lém disso,
concentrava o fei'e de ondas, orientando"o em direç-o ao receptor mais pr('imo.
&hodan sa!ia que o receptor a que se destinava o sinal de emergência estava
postado em @ira"[. *stava !em informado so!re isso. *ra um planeta desolado e frio que
ficava perto de um sol em e'tinç-o, a menos de oitocentos anos"lu, do ponto em que se
encontravam. *ra t-o in(spito que o 8mpério s( colocara nele uma divis-o de vanguarda
de naves ro!oti,adas.
s conseqNências eram facilmente previsíveis. s naves ro!oti,adas rece!eriam o
sinal de emergência e decolariam em direç-o ao emissor. 1onstatariam que o cru,ador
fora destruído por um !om!ardeio de foguetes. Eocali,ariam a !ase desses foguetes e
empreenderiam uma aç-o de represália nas áreas ad#acentes, empenhando nela todo o seu
potencial.
No presente caso, a !ase de foguetes situava"se na )erra e a área ad#acente
compreendia todo o planeta. 6em d>vida as naves ro!oti,adas estariam em condiçFes de
e'ercer uma represália 3 altura.
O fato de o emissor de emergência locali,ada na nave emitir o sinal convencionado
significava apenas que dentro de quarenta e cinco dias, contados do momento em que o
cru,ador espacial foi destruído, alguém procuraria transformar a )erra num mont-o de
cin,as. *, pelo que tudo indicava, esta n-o estaria em condiçFes de defender"se contra o
ataque. s >nicas pessoas que poderiam vir em seu au'ílio estavam separadas por
profundas divergências.
&hodan olhou para 1rest. *ste parecia adivinhar seus pensamentos.
0 Pá pus o reator em funcionamento 0 disse.
&hodan fe, um sinal de agradecimento.
0 $artiremos o quanto antes.
VI
O Iiorde de 5manaque, no estreito de 7avis é um lugar que, para se distinguir o
céu cin,ento, das montanhas, tam!ém cin,entas de gelo, deve"se colocar a m-o para
sentir o gelo ou o ar entre os dedos.
7ificilmente haveria um trecho de terra mais desolado. * dificilmente haveria outro
em que se tomavam decisFes t-o importantes como ali.
O fiorde de 5manaque servia de quartel"general ao 1onselho 8nternacional de
7efesa. No momento, o n>mero dos agentes estrangeiros que o a!arrotavam quase
chegava a e'ceder o dos que pertenciam aos seus quadros.
$ouca coisa se via por cima do solo. penas algumas casas de espessas paredes de
madeira pertencentes a uma sociedade comercial dinamarquesa e ha!itadas por esquim(s.
Numa das casas havia uma tá!ua so!re a qual alguém escrevera, em letras desa#eitadas,
que ali se vendiam peles. @as, até ent-o, nenhum mercador havia adquirido peles da
'mana1 2ur Com"an3.
Os esquim(s eram agentes !em treinados. O chefe do posto era um dinamarquês
que ocupava o posto de primeiro"tenente e era !em visto por llan 7. @ercant.
O restante das instalaçFes estavam ocultas so! o gelo e a rocha. e'press-o ;o
restante< pode indu,ir em erro so!re a situaç-o real. @ais de noventa e cinco por cento
das atividades e'ercidas no fiorde de 5manaque desenrolavam"se a!ai'o do solo e a
distri!uiç-o das instalaçFes seguia a mesma proporç-o.
5mas quinhentas pessoas viviam constantemente em 5manaque, mas destas apenas
de, conheciam todas as instalaçFes su!terr:neas. Os agentes da Iederaç-o siática e do
?loco Oriental, hospedados no local durante os dias de cooperaç-o forçada, s( conheciam
os dois andares superiores.
@ercant residia no piso mais !ai'o do con#unto. *stava cercado de todos os lados
por dispositivos de segurança. N-o temia pela sua segurança pessoal. O que preocupava a
ele, e aos que haviam instalado os dispositivos, era a quantidade enorme de documentos
secretos, da mais alta import:ncia, guardados nos cofres !lindados do pavimento inferior.
@ercant possuía um escrit(rio particular, montado segundo seu gosto pessoal. s
dimensFes dos m(veis eram e'ageradas. O visitante que penetrasse pela primeira ve,
naquela sala enorme teria de procurar por algum tempo antes de encontrar o oficial de
pequena estatura. *m geral, @ercant ficava sentado atrás da imensa mesaA reclinado
numa poltrona que de t-o grande dificilmente poderia ser confortável, s( a ca!eça
aparecia por cima da tampa da mesa.
N-o dividia as horas do dia. )ra!alhava até sentir"se t-o cansado que o
prosseguimento das suas atividades n-o daria nenhum resultadoA dormia e levantava"se
quando se sentia ra,oavelmente descansado. iluminaç-o uniforme das peças por ele
ocupadas a#udava"o a esquecer o ritmo harmônico do dia de vinte e quatro horas que
prevalecia lá em cima.
Os verdadeiros pre#udicados eram os ordenanças de @ercant. maior parte deles
apreciava uma atividade regular e um sono a horas certas. @as @ercant defendia a
opini-o de que a segurança do mundo n-o devia ser negligenciada em !enefício da
predileç-o que alguns oficiais su!alternos nutriam pelas rotinas da vida !urguesa.
Naquele dia levantara 3s três horas. N-o se interessou em sa!er se eram três horas
da manh- ou da tarde. 1omeçou a tra!alhar em assuntos que tivera que dei'ar de lado ao
deitar"se.
Ws três e quin,e apareceu o sargento OX2eale% informando"o.
0 Nenhum acontecimento e'traordinário nas >ltimas quatro horas, senhor.
6aiu. 7aí a alguns minutos, voltou com uma 'ícara de café e alguns !iscoitos.
*sperou tranqNilamente até que @ercant engolisse o primeiro gole do líquido fervente e
formulasse a pergunta usual.
0 Hue horas s-o, sargento=
0 )rês horas e vinte e três minutos, senhor.
Olhando por cima da 'ícara, @ercant fitou o rel(gio. *ram três e vinte e dois.
0 7e que parte do dia=
0 7a manh-, senhor.
6atisfeito, @ercant a!anou a ca!eça. OX2eale% cumprimentou e saiu. Pá se
desacostumara de refletir so!re aquele cerimonial estranho. Huando iniciara o serviço
#unto a @ercant, o mesmo lhe parecia uma piada de mau gosto.
cirurgia plástica conhecia uma porç-o de truques difíceis de desmascarar. $ara
garantir"se contra eles, @ercant o!rigava os sargentos da sua guarda a di,erem um
minuto mais que o real, quando perguntados a respeito da hora. lém disso deviam di,er
;de manh-<, quando era de tarde ou de noite, e vice"versa.
OX2eale% estava convencido de que @ercant o mataria na hora se por esquecimento
dissesse a hora e'ata ou a metade verdadeira do dia.
No entanto, em parte, estava enganado. @ercant estaria satisfeito quanto 3
identidade de OX2eale% se este lhe dissesse um minuto a mais que o tempo verdadeiro.
indicaç-o da metade do dia em que se encontravam representava uma verdadeira
informaç-o para ele. 6( quando OX2eale% lhe di,ia que era de manh- ficava sa!endo que
na verdade #á era de tarde.
@eia hora depois de OX2eale% ter saído o capit-o Jimmermann veio apresentar seu
relat(rio.
0 O mais importante, senhor, é a conferência com os oficiais da Iederaç-o siática
0 principiou. 0 O ma#or $ervuchin, de @oscou, participará como o!servador.
0 O que pretende o!servar= 0 perguntou @ercant entediado. 0 )em alguma idéia
do que estes amarelos querem desta ve,=
0 $elo que se di,, tra,em uma porç-o de sugestFes que gostariam de discutir com o
senhor.
0 6ugestFes para quê= $ara uma pa, mundial duradoura=
0 N-o, senhor. 6o!re a maneira de agarrar aqueles desertores no deserto de +o!i.
@ercant levantou a m-o direita e e'aminou as unhas.
0 N-o fique chamando essa gente de desertores, Jimmermann. Ouvi muita coisa
!oa a respeito deles e n-o pretendo #ulgá"los antes de conhecer seus motivos.
Jimmermann n-o respondeu.
0 @ais alguma coisa= 0 perguntou @ercant.
0 $or enquanto nada, senhor.
0 O!rigado.
Jimmermann fe, continência e saiu.
' ' '
&hodan pousou a nave a tre,entos quilômetros da costa, numa planície de gelo
cin,a"a,ulada. planície n-o era muito e'tensa e estava cercada de todos os lados por
montanhas !astante altas. N-o havia o menor perigo de que alguém desco!risse a nave
por acaso. lém disso, na +roenl:ndia tre,entos quilômetros representavam uma
dist:ncia mais que suficiente.
Iace aos recursos técnicos de que dispunha a nave, &hodan n-o teve a menor
dificuldade de escapar 3s sondagens reali,adas pelas !ases de radar, !astante numerosas
nos arredores do fiorde de 5manaque. *stava certo de que nas telas n-o surgiria o mais
leve lampe#o.
possi!ilidade da locali,aç-o (tica direta n-o preocupava &hodan. s nuvens
pendiam !em !ai'o so!re o solo da +roenl:ndia. *ra mais fácil manter a nave acima dela
do que cercá"la de uma c>pula defletora, que consumiria uma quantidade considerável de
energia.
o retornar da Eua, avisara )aCo do ocorrido e mandara"o de volta para o lago
salgado de +oshun. No momento, havia coisa mais importante a fa,er do que mano!rar
nas antec:maras dos capit-es"de"ind>stria. &hodan tinha !oas ra,Fes para acreditar que
dentro de pouco tempo #á n-o seria necessário transmitir os pedidos 3s escondidas, com
um receio constante dos serviços secretos. *ra !em verdade que, conforme provara a
atuaç-o de )aCo, mesmo por essa forma podia se conseguir muita coisa.
&hodan saiu da nave de tarde, com um tra#e transportador arcônida e uma pistola de
radiaç-o. ?ell ficou para trás, #á que, com a desco!erta reali,ada na Eua, a re!eldia de
)hora parecia ter entrado numa fase mais ativa e a vigil:ncia e'ercida por 1rest n-o era
suficiente.
1om o tra#e transportador, venceu os tre,entos quilômetros que o separavam do
fiorde de 5manaque em uma hora e meia. O tédio da viagem, #untamente com a incerte,a
so!re aquilo que o esperava, me'iam com os nervos de &hodan.
Nada indicava que @ercant seria acessível 3s suas solicitaçFes, a n-o ser a
revelaç-o que o capit-o Dlein lhe fi,era no deserto de +o!i, de que @ercant sa!ia do
papel am!íguo que ele, Dlein, estava desempenhando e, aparentemente, o aprovava.
cionou o defletor a partir do momento em que dei'ou a nave. O campo de
defle'-o, alimentado pelo microgerador em!utido no tra#e que &hodan envergava,
e'ercia sua influência so!re radiaçFes eletromagnéticas de comprimento de onda situados
no intervalo de Y.RRR a ZR.RRR angstrom, o!rigando"as a contorná"lo como as linhas de
flu'o de um processo hidromec:nico. 8sso significava que a pessoa que envergasse um
tra#e desse tipo n-o poderia ser vista através das radiaçFes ultravioletas, da lu, comum ou
dos raios infravermelhos. O tra#e n-o podia desviar os raios do radar, mas o o!#eto era
muito pequeno para ser locali,ado por esse meio.
1om o aprendi,ado que rece!era, &hodan compreendeu que as radiaçFes
eletromagnéticas su!metidas 3 influência do campo defletor podem ser interpretadas de
acordo com as equaçFes da hidromec:nica. No entanto, o campo defletor propriamente
dito escapava 3s possi!ilidades da matemática terrena, #á que sua descriç-o é reali,ada
através de equaçFes em que se inserem constantes situadas no espaço de cinco
dimensFes.
&hodan pousou no interior do posto da 5manaC Iur 1ompan%. N-o sa!ia que
direç-o deveria tomar para encontrar @ercant. >nica coisa que sa!ia era que ele residia
so! o solo. primeira coisa que teria de fa,er era locali,ar a entrada para as
dependências situadas no su!solo.
7esco!riu que, mesmo invisível, era difícil locomover"se entre as pessoas. No
fiorde de 5manaque desenvolvia"se uma atividade fe!ril. Huando duas pessoas se
apro'imavam dele, vindas de direçFes diferentes, via"se o!rigado a concentrar"se
totalmente no esforço de desviar"se delas.
$elas quatro da tarde, &hodan desco!riu um lugar que, segundo lhe parecia,
constituía o acesso 3s instalaçFes su!terr:neas. $elo aspecto e'terno parecia um grande
dep(sito, de telhado !ai'o. $arado nas pro'imidades, vira uma porç-o de gente
desaparecer no interior do edifício ou sair dele.
1olocou"se #unto 3 porta e esperou. Huando apareceu a primeira pessoa, esgueirou"
se com ela porta a dentro. O interior do edifício estava profusamente iluminado por
l:mpadas de plástico. Na parede oposta viu a desem!ocadura de uma galeria alta e larga.
O movimento intenso de pessoas no interior da galeria representava um perigo que
n-o devia ser su!estimado. No percurso de cinqNenta metros que separava a entrada da
galeria dos elevadores teve de concentrar toda sua atenç-o para n-o es!arrar em ninguém.
Os elevadores eram quin,e ao todo. &hodan n-o se atreveu a utili,ar um deles
e'clusivamente para si. *sperou que uma pessoa entrasse, para colocar"se a seu lado.
8nfeli,mente essa pessoa s( desceu dois andares. &hodan ficou so,inho no elevador.
9iu um guarda uniformi,ado enfiar a ca!eça.
0 )udo em ordem 0 murmurou o homem. 0 $ode andar.
@al o guarda se retirou, &hodan comprimiu o !ot-o de !ai'o. O elevador arrancou
e foi descendo.
ssim que parou, &hodan desceu. galeria estendia"se para am!os os lados. *ra
igual 3 de cima. Na parede oposta 3 dos elevadores via"se o n>mero UT. &hodan contara.
era o décimo quinto andar a partir do nível do solo.
Punto 3 parede estavam postados vários guardas. 7ois deles dirigiram"se ao
elevador de que &hodan aca!ara de sair. *'aminaram a ca!ina. 5m deles virou"se e
gritou para os outros.
0 Olhem s(! lguém apertou o !ot-o do décimo quinto andar, do lado de dentro,
mas o elevador está va,io.
o que parecia, essas palavras foram dirigidas a dois dos homens que se
encontravam #unto 3 parede. *les apro'imaram"se e tam!ém e'aminaram a ca!ina do
elevador. N-o pareciam satisfeitos com o resultado do e'ame. 5m deles voltou e foi
andando pela galeria. &hodan teve que desviar"se dele. 9iu o homem pegar um telefone e
falar por algum tempo. N-o entendeu o que di,ia.
&hodan amaldiçoou sua leviandade. 7esde os tempos em que servira no 1ampo
*spacial de Nevada sa!ia da e'istência de elevadores em cu#as placas de comando se
podia ler se os mesmos tinham sido colocados em movimento pelo lado de dentro ou pelo
de fora. ?em que poderia ter imaginado que @ercant estaria usando o mesmo tipo de
elevador.
O guarda voltou e disse aos homens que continuavam ocupados no e'ame do
elevador.
0 ?loquear imediatamente! Jimmermann quer ver isso.
5m dos guardas comprimiu o !ot-o de parada no interior da ca!ina. 7epois saíram
e ficaram esperando por Jimmermann.
' ' '
OX2eale% disse.
0 Eá em cima, no décimo quinto andar, aconteceu uma coisa estranha, senhor.
lguém fe, o elevador descer lá, mas quando os guardas o e'aminaram, n-o havia
ninguém.
@ercant ergueu o olhos.
0 N-o havia ninguém= O que di, Jimmermann=
0 O capit-o Jimmermann chamou alguns especialistas que dever-o procurar
impressFes digitais e n-o sei mais o quê no interior da ca!ina.
@ercant levantou"se.
0 Eevar-o três meses para e'aminar todas as impressFes digitais. Onde foi mesmo
que isso aconteceu= No décimo quinto andar=
0 6im, senhor.
0 9enha comigo. 9amos su!ir até lá.
' ' '
&hodan #á constatara que o décimo quinto andar n-o era o >ltimo. Ioi ao encontro
do capit-o Jimmermann quando este se apro'imou pelo corredor, e procurou desco!rir
de onde ele viera. 7esco!riu dois elevadores que condu,iam apenas para !ai'o.
*sses elevadores eram vigiados com maior rigor que aqueles por onde ele descera.
N-o havia a menor d>vida de que os guardas reagiriam ao mais leve movimento de
qualquer das ca!inas.
&hodan esperou. 7ali a pouco, o capit-o Jimmermann voltou em companhia de um
sargento. Os guardas fi,eram continência. Jimmermann e o sargento entraram no
elevador do lado direito.
&hodan seguiu"os sem fa,er o menor ruído e comprimiu"se contra a parede do
elevador para n-o tocar em nenhum deles.
Jimmermann disse.
0 Hue coisa estranha! té dá para desconfiar que o su#eito saltou do elevador no
meio da viagem. @as isso é impossível!
O elevador parou de repente. $ela contagem de &hodan, haviam descido mais seis
andares.
&hodan n-o saltou do elevador com a necessária rapide,, pois receava que os
sapatos de seu tra#e fi,essem ruído. O sargento, que n-o tinha nenhum motivo para esse
tipo de receio, passou por ele e es!arrou em seu corpo.
$arou de chofre. Jimmermann es!arrou nele. &hodan conteve a respiraç-o e
desviou"se para o lado em passos min>sculos.
0 O que houve= 0 perguntou Jimmermann.
0 *s... es!arrei em alguma coisa, capit-o.
Jimmermann fran,iu a testa.
0 Onde=
0 qui, capit-o 0 gague#ou o sargento, apontando para o nada.
&hodan viu que se encontravam no fim do corredor. parede ficava a dois metros
dos elevadores. 1omprimiu"se contra ela. Os guardas postados por ali apro'imaram"se do
elevador.
Jimmermann riu.
0 2á quanto tempo está conosco, sargento=
0 2á dois anos, capit-o.
*ste mostrou"se compreensivo.
0 8sso e'plica tudo. Huando eu estava aqui dois anos, via pequeninos homens
verdes marchando por estes corredores.
1om um gesto de m-o procurou mostrar o tamanho dos homens, a fim de alegrar o
sargento.
0 7e tanto segredo que se fa, por aqui 0 disse em tom !enevolente 0 todo
mundo aca!a sofrendo de alucinaçFes. 8sso s( passa quando se está acostumado ao
movimento que há por aqui.
O sargento retesou o corpo.
0 6im, senhor.
&hodan sentiu"se aliviado. Jimmermann afastou"se em companhia do sargento. Os
guardas sorriram. ndando cautelosamente, &hodan seguiu os dois.
0 í vem o capit-o Jimmermann, coronel 0 avisou OX2eale% ao a!rir uma das
portas de aço que dividiam a galeria inferior em vários setores distintos.
0 h! 0 disse @ercant. Jimmermann fe, continência.
0 *ste é o sargento )hreash, coronel. Ioi a primeira pessoa que notou a ocorrência.
@ercant cumprimentou o sargento com um movimento de ca!eça.
0 7eu instruçFes para que se procurassem impressFes na ca!ina do elevador= 0
perguntou, dirigindo"se a Jimmermann.
0 6im, senhor. N-o mandei e'aminar toda a ca!inaA apenas o !ot-o de comando
para o décimo quinto andar.
0 Ioi uma medida muito inteligente 0 o!servou @ercant em tom irônico. 0 8sso
representa um tipo de terapia ocupacional para o staff de especialistas, n-o acha=
o ouvir a reprimenda, Jimmermann piscou os olhos.
0 chei...
0 Ora, capit-o. O senhor n-o vai me di,er que o homem 0 se é que esse homem
e'iste 0 que foi !astante inteligente para penetrar no posto de 5manaque, n-o se valeu
do velho recurso das luvas.
0 G possível, coronel 0 concordou Jimmermann.
0 G certo 0 disse @ercant em tom triunfante. 0 6argento, quem mais viu a
ca!ina va,ia=
0 )odos os guardas que se encontravam diante dos elevadores do décimo quinto
pavimento, coronel 0 respondeu )hreash em posiç-o de sentido.
0 Pá mandou chamar os técnicos em eletrônica= 0 perguntou @ercant, dirigindo"
se a Jimmermann. 0 )alve, se#a um defeito do elevador.
0 inda n-o, coronel. @as providenciarei...
Nesse instante o inferno irrompeu por ali. 5m uivo estridente superou todos os
ruídos. porta de aço so! a qual @ercant e OX2eale% se encontravam pôs"se em
movimento, deu um empurr-o em @ercant, que arrastou OX2eale% consigo, e fechou"se
com um ruído seco. Jimmermann e )hreash ficaram do outro lado.
0 larma de radar! 0 disse @ercant com a vo, ofegante. 0 9enha, OX2eale%.
6aiu correndo pelo corredor. N-o poderia chegar ao seu corredor. 7urante o alarma,
as portas de aço s( se a!ririam mediante uma ordem especial e @ercant n-o pretendia
transmitir essa ordem enquanto n-o sou!esse de que se tratava. 7e qualquer maneira
podia dispor das salas situadas no setor em que se encontrava.
)omou lugar em uma mesa desocupada 3s pressas. través do aparelho de
intercomunicaç-o entrou em contato com a central de vigil:ncia.
0 G @ercant! O que houve na galeria inferior=
0 larma de radar no setor , coronel.
0 O que foi que desencadeou=
0 N-o sa!emos, coronel. 1aptei todo o setor na tela de imagem que tenho diante de
mim, mas n-o ve#o nada de anormal.
0 *ntrou em contato com as salas do setor=
0 6im, coronel. @as ninguém viu nada de e'traordinário.
@ercant refletiu. O setor era o primeiro a partir dos elevadores. 6e alguém tivesse
vindo de cima...
0 *stá !em! 0 disse com a vo, áspera. 0 $ode suspender o alarma.
sereia voltou a uivar no corredor. @ercant saiu em companhia de OX2eale% e
a!riu a porta na qual dois minutos antes conversara com Jimmermann.
*ste e o sargento )hreash continuavam no mesmo lugar.
0 conteceu alguma coisa= 0 perguntou @ercant laconicamente.
0 Nada, coronel. $ermite que lhe pergunte...
0 2á um fantasma por aí 0 respondeu @ercant com um sorriso. 0 5m homem
que sa!e tornar"se invisível.
$assando por Jimmermann, avançou cautelosamente pela galeria. Jimmermann e
os dois sargentos fi,eram menç-o de segui"lo, mas @ercant fe, sinal para que
continuassem onde estavam.
5ma das portas do lado esquerdo a!riu"se. 1om um gesto ,angado, @ercant fe,
com que o homem que pretendia sair para o corredor voltasse.
6u!itamente parou, como se tivesse encontrado alguma coisa. 9oltou o rosto para o
ch-o, depois para cima. Iinalmente virou"se e voltou com um sorriso no rosto.
0 cho que fi,emos papel de palhaço 0 disse em tom alegre. 0 N-o há nada.
Jimmermann!
0 6im, coronel!
0 @ande esse pessoal das impressFes digitais para casa. cho que o caso será
esclarecido de outra forma.
0 6im, senhor.
0 OX2eale% e )hreash, voltem aos seus postos. OX2eale%, o senhor me apresentará
o relat(rio na hora de costume.
9oltou ao seu ga!inete, sem dar atenç-o aos rostos espantados que dei'ou para trás.
1autelosamente a!riu a porta. 5m sorriso de contentamento passou pelo seu rosto.
Ioi até a mesa, afundou na poltrona e a!riu uma das gavetas. )irou uma pesada pistola.
pontou a arma para um ponto situado entre a porta e o armário mais pr('imo.
7epois disse.
0 6e#a quem for o senhor, pode tirar seu disfarce. N-o sei o que pretende aqui. 6e
quiser matar o velho @ercant, é !om que sai!a que ainda terei forças para apertar o
gatilho desta pistola. Pá deve ter visto que sei perfeitamente onde está. *nt-o=
$assaram"se alguns segundos. 6u!itamente uma espécie de nuvem começou a
formar"se no lugar para o qual @ercant estava apontando sua arma. nuvem assumiu
formas definidas e aca!ou transformando"se num homem que envergava um tra#e
estranho.
@ercant arregalou os olhos.
0 @a#or &hodan!
0 Pá n-o sou ma#or! O ma#or deu !ai'a. @eu 7eus, como foi que você desco!riu=
@ercant sorriu.
0 7i,em que descu!ro a presença de um homem pelo faro. Nunca senti isso tanto
como ho#e. 6ente"se, &hodan.
&hodan sentou. @ercant ofereceu"lhe um cigarro. $arecia inteiramente 3 vontade.
0 6eu uniforme n-o o protege contra o radar, n-o é= 0 disse depois de algum
tempo.
0 N-oA e n-o sa!ia que aqui em!ai'o e'istem detetores de radar.
0 ssim mesmo é uma coisa e'traordinária.
&hodan descansou o cigarro no cin,eiro.
0 9amos logo ao que importa, @ercant. coisa é muito mais séria do que você
pensa.
0 @uito !emA pode falar.
&hodan relatou tudo que havia ocorrido na Eua. 1oncluiu da seguinte forma.
0 $rocure compreender. o que virá por aí é uma frota de naves ro!oti,adas, e
nenhuma delas estará interessada em sa!er se tínhamos algum direito de destruir o
cru,ador espacial dos arcônidas. 7isparar-o seus mísseis e n-o temos como defender"nos.
6e @ercant ficou impressionado, n-o o dei'ou perce!er.
0 * sua nave= 9ocê n-o disse que está muito !em equipada= N-o pode repelir o
ataque com ela=
0 *stá !em equipada so! os padrFes terrenos 0 respondeu &hodan. 0 @as as
naves ro!oti,adas que est-o a caminho têm um equipamento muito superior. Iaremos o
que estiver ao nosso alcance, mas seria conveniente que o planeta )erra se preparasse.
0 * quem me garante que você n-o está !lefando para arrancar umas tantas
vantagens para si e seus comparsas= 0 retrucou @ercant.
0 Ninguém lhe garante 0 respondeu &hodan em tom indiferente. 0 credite se
quiser. Huando chegar o momento, verá que n-o estou !lefando.
@ercant a!anou a ca!eça. inda n-o se mostrava impressionado. $arecia refletir.
Na verdade, esforçou"se por captar tudo que era possível dos pensamentos de &hodan.
@ercant sa!ia perfeitamente que possuía um princípio do dom da telepatia. $odia
perce!er um pensamento muito intenso, desde que o indivíduo n-o estivesse muito
distante dele. Ws ve,es conseguia captar a concepç-o geral de um flu'o de pensamentos,
para sa!er se era verdadeiro ou falso.
O cére!ro de &hodan tinha algo de muito especial. @ercant conseguira perce!er
onde ele se encontravaA foi assim que pôde locali,á"lo no corredor e no escrit(rio. @as
&hodan parecia ter posto uma tranca nos seus pensamentos. @ercant n-o conseguiu
captar nenhum delesA mas perce!eu que ele di,ia a verdade.
Eevantou"se.
0 *squeça"se disso. O que sugere=
0 7ivulgue o assunto entre as pessoas responsáveis 0 respondeu &hodan. 0
7iga"lhes o que nos espera e faça"os compreender que s( através da cooperaç-o de todos
conseguiremos montar uma defesa eficiente. @ais uma coisa. faça com que se#a suspenso
esse ridículo !loqueio de suprimentos decretado contra n(s. inda que consigamos
repelir o primeiro ataque, outros se seguir-o. $ara manter"nos, precisaremos de pelo
menos uma nave de grande capacidade. @esmo que as ind>strias se#am autori,adas
imediatamente a iniciar os fornecimentos, levaremos alguns meses para montar uma nave
com as matérias"primas e os produtos semi"aca!ados que rece!ermos. 6e tivermos de
arran#ar o material 3s escondidas, levaremos dois anos. @ercant olhou para o ch-o.
0 Iarei o possível, &hodan. 6a!e o que está pedindo de mim= 8magine s(! 1hego a
Qashington e digo ao pessoal. *scutem, &hodan encontrou na Eua um hiperemissor que
emite sinais de emergência. 7entro de quin,e dias o mais tardar chegará uma frota de
naves ro!oti,adas e !om!ardeará a )erra. &hodan quer que suspendam todo e qualquer
em!argo contra seu grupo. Pá pensou no que dirá essa gente=
1omo um movimento discreto &hodan ativou o hipnorradiador oculto so! seu tra#e.
0 @ercant, você tem uma influência pessoal e'traordinária 0 disse com a vo,
!ai'a, mas em tom penetrante, fitando os olhos de seu interlocutor. 0 5sará essa
influência para convencer aquela gente. )omará todas as providências para que os
preparativos de defesa se#am iniciados sem a menor demora. 1ompreendeu, @ercant=
N-o se diri#a ao 6enado, mas ao $residente. Iale com as pessoas que confiam em você
pelas suas qualidades pessoais, n-o por ser chefe do 6erviço 6ecreto. *ntendido=
@ercant confirmou com um movimento d(cil da ca!eça. Nem se deu conta de que,
até ent-o, ninguém se atrevera a falar"lhe nesse tom, isso porque a incum!ência
transmitida por &hodan era de nature,a p(s"hipn(tica. @ercant n-o poderia dei'ar de
cumpri"la 3 risca.
&hodan descontraiu"se.
Ei!ertou @ercant da constriç-o mental a que o su!metera.
0 Iicarei muito grato se puder condu,ir"me em segurança até lá em cima.
@ercant a!riu a porta.
0 *nquanto estiver comigo, ninguém o deterá.
*nquanto passavam pela galeria, @ercant disse.
0 )erei de manter contato com você, &hodan. 8nstrua o capit-o Dlein a transmitir
qualquer comunicaç-o dirigida a você pelo c(digo N$. N-o se esquecerá=
&hodan estacou. @ercant sorriu quando notou sua surpresa.
0 quem devo instruir= 0 perguntou &hodan. 0 Dlein= O capit-o Dlein=
0 8sso mesmo.
0 1omo sa!e que tra!alha conosco=
0 N-o sei 0 respondeu @ercant. 0 penas suponho. G como lhe digo. fare#o uma
porç-o de coisas nas pessoas.
&hodan dominou o espanto.
0 Dlein ficará satisfeito em sa!er disso. nda com um medo terrível de uma
lavagem cere!ral.
@ercant riu.
0 N-o deve ter medo. 1ontinuo a considerá"lo um dos melhores elementos de que
disponho.
Huando chegaram ao elevador, os guardas, espantados, fi,eram continência.
&hodan perguntou em vo, !ai'a.
0 9ocê poderia e'plicar isso, @ercant= Huero di,er, sua atitude para com Dlein.
@ercant hesitou, mas aca!ou dando uma resposta franca e singela.
0 *stou convencido de que a humanidade devia cola!orar com você. credito que
n-o quer nada de condenável, e que seria de vantagem para todo mundo se fi,éssemos as
pa,es com a )erceira $otência.
&hodan encarou"o estupefato. Huando o elevador chegou ao décimo quinto andar,
disse.
0 O!rigado, @ercant!
VII
llan 7. @ercant era uma das pessoas que o $residente dos *stados 5nidos rece!ia
a qualquer hora.
Huanto 3 soma dos poderes que enfei'avam em suas m-os, nenhum dos dois ficava
devendo nada ao outro. 7esta ve,, porém, @ercant via"se diante de um caso especial, no
qual precisava do au'ílio do $residente. 6( este tinha o privilégio de desencadear um
alarma nuclear.
O $residente convocara seu conselheiro pessoal para a conferência. )al qual
@ercant, Qildinger era um dos homens do mundo livre dotados de maior dose de
sangue"frio.
@ercant ainda n-o conseguira convencer o $residente.
0 Ninguém há de e'igir que eu dê o alarma nuclear com !ase numa simples
suspeita, atirando o dinheiro do povo pela #anela 0 protestou o $residente. 0 6a!e que
um ato desses nos custa um !ilh-o de d(lares=
@ercant sacudiu a ca!eça.
0 N-o sa!ia. @as tam!ém n-o sa!ia que num caso desses isso é t-o importante 0
disse em tom indiferente.
0 Qildinger! !ra a !oca!
té ent-o, Qildinger se mantivera confortavelmente reclinado na sua poltrona.
gora deslocou o corpo para a frente, apoiando os cotovelos na mesa.
0 G difícil dar um conselho 0 disse. 0 G !em possível que economi,emos um
!ilh-o de d(lares, para sacrificar a vida dentro de poucos dias. @as tam!ém é possível
que o mais acertado se#a n-o desencadear o alarma. *nquanto @ercant n-o nos fornecer
informaçFes mais precisas, nada podemos aventurar com uma pro!a!ilidade ra,oável,
muito menos com um mínimo de certe,a.
cendeu um cigarro e prosseguiu.
0 $oderíamos adotar uma soluç-o conciliat(ria. 7ei'aríamos tudo preparado, para
que o alarma pudesse ser desencadeado num tempo muito !reve. 7essa forma s(
gastamos a décima parte e conservamos nossa li!erdade de movimentos.
@ercant suspirou aliviado. 7esde o início n-o esperara conseguir mais que isso.
8nsistira no alarma, para o!ter, ao menos, os preparativos.
O $residente concordou com a sugest-o que aca!ara de ser formulada. @ercant
parecia indecisoA consentiu com uma e'press-o preocupada no rosto.
0 8nformarei os demais interessados 0 disse ao levantar"se. 0 N-o quero que
acreditem que estamos preparando uma guerra 3s escondidas.
Os ;demais interessados< eram os homens de $equim e @oscou. Pohnston nada
o!#etou contra as intençFes de @ercant.
' ' '
*m $equim e @oscou o aviso de @ercant provocou o mesmo espanto que em
Qashington. )odavia, os agentes informaram que realmente o mundo ocidental se
preparava para um alarma nuclear.
$ara a manutenç-o do equilí!rio das forças tornava"se indispensável que as duas
outras grandes potências seguissem o e'emplo. Ii,eram"no sem sa!er o que estava
acontecendo.
populaç-o n-o foi informada. Na )erra reinava a calma.
' ' '
nave dos arcônidas voltou 3 !ase, onde os ro!ôs estavam concluindo seu tra!alho.
)aCo DaCuta regressara um dia antes. )rou'era a notícia do hiperemissor, que
estava prestes a fa,er desa!ar a desgraça so!re a )erra. @anoli e 2aggard, isolados de
outras notícias, tinham chegado ao auge do nervosismo quando a nave pousou #unto 3
)tardust.
&hodan chamou"os e informou"os de todos os detalhes. $ara @anoli e o australiano,
que n-o dispunham dos conhecimentos admiráveis de &hodan e ?ell, a notícia do perigo
que os ameaçava foi um choque. $articiparam calados e ca!is!ai'os da conferência dos
mem!ros da )erceira $otência, que &hodan fe, reali,ar imediatamente.
)am!ém )hora manteve"se calada, mas n-o ca!is!ai'a. O triunfo continuava a
!rilhar nos seus olhos. &hodan a compreendia. *stava para chegar o dia em que n-o
dependeria mais da )erra. nave decolaria para escapar ao ataque iminente, e uma das
naves ro!oti,adas colocaria a !ordo o >nico remanescente aproveitável do cru,ador dos
arcônidas, garantindo a todos o regresso a Orcon.
&hodan a!riu a conferência com as seguintes palavras.
0 6a!emos perfeitamente que n-o podemos e'ercer qualquer influência so!re as
naves ro!oti,adas. *m outras palavras, n-o temos nenhuma possi!ilidade de impedir que
desencadeiem o ataque contra a )erra. reaç-o das naves ro!oti,adas a um sinal de
emergência processa"se de tal maneira que o inimigo cu#o ataque deu origem 3
mensagem n-o tem a menor possi!ilidade de su!trair"se 3s medidas punitivas. $ortanto,
n-o devemos que!rar a ca!eça com isso. pergunta que tem de ser respondida é esta.
temos alguma possi!ilidade de atacar os ro!ôs antes que transformem a )erra num
mont-o de cin,as=
pergunta ficou no ar. 6( )hora, 1rest, ?ell e &hodan estavam em condiçFes de
conce!er qualquer idéia a respeito. )aCo, 2aggard e @anoli n-o possuíam a capacidade
necessária para isso. 5ma das quatro pessoas que possuía essa capacidade 0 )hora 0
encerrou"se num o!stinado mutismo. 5m segundo, 1rest, estava com a capacidade de
raciocínio pertur!ada em virtude de idéias preconce!idas so!re a fatalidade da situaç-o.
?ell e &hodan eram os >nicos que podiam empenhar toda a capacidade intelectual na
soluç-o do pro!lema.
0 9amos encarar a situaç-o so! o ponto de vista tático 0 sugeriu ?ell. 0
6egundo o c(digo de emergência, devemos contar com a presença de cinco naves. O que
nos interessa sa!er é como se comporta uma nave ro!oti,ada.
;6e ficarmos aqui sem fa,er nada, aguardando os acontecimentos, se dirigir-o em
primeiro lugar ao cru,ador destroçado, desco!rir-o a causa de sua destruiç-o, verificar-o
que essa causa se locali,a na )erra e atacar-o nosso planeta. s naves ro!oti,adas do
8mpério +alático pensam em termos de mundos. N-o devemos esperar que procurem
sa!er se três foguetes provêm da 1hina, da &>ssia ou do Ocidente. 7estruir-o a )erra,
n-o esta ou aquela naç-o.
;* se interferirmos com os ro!ôs= O que far-o as cinco naves ro!oti,adas ao
constatarem que o inimigo ainda se encontra nas pro'imidades do alvo destruído= O
atacar-o. 6a!emos, ou melhor, quatro de n(s sa!em que os ro!ôs possuem elevada
ha!ilidade tática. N-o se lançar-o todos de ve, na perseguiç-o de uma nave,inha como a
nossa. 1alcular-o que uma das suas naves será suficiente para nos destruir.
;cho que aí está nossa >nica chance. 6eria uma temeridade lutar contra cinco
naves ao mesmo tempo. @as se conseguirmos separá"las, para lidar com uma de cada
ve,, a situaç-o mudará de figura.
&hodan concordou. idéia até chegou a despertar 1rest da sua letargia. 9ia"se que
reco!rava as esperanças.
)hora continuou calada. @as parecia que #á n-o se sentia t-o segura.
1ontinuaram a discutir o plano de &eginald ?ell. &hodan acrescentou alguns
detalhes. ssim surgiu um pro#eto, que poderia ser introdu,ido nos computadores para
ser interpretado. &hodan tradu,iu"o em impulsos registrados em fitas que foram
colocadas nos autômatos. 7essa forma seria informado so!re qualquer erro e poderia
reali,ar as correçFes que se tornassem necessárias.
' ' '
Na noite daquele dia, &hodan teve uma palestra muito estranha. 7e tarde, o capit-o
Dlein transmitira a informaç-o de que nos três !locos de superpotências da )erra estavam
sendo reali,ados preparativos para um alarma nuclear, a fim de que as áreas su#eitas a
ataque pudessem ser evacuadas em poucas horas. &hodan ficou satisfeito ao sa!er disso.
partir da locali,aç-o (tica das naves ro!oti,adas, que sem d>vida estariam imunes 3
locali,aç-o pelo radar, tal qual a nave au'iliar, ainda passariam algumas horas até que
desco!rissem o que havia acontecido na Eua e iniciassem o ataque 3 )erra.
W noite, rece!eu a visita de )hora. *ra a primeira ve, que ela entrava em seu
camarote.
&hodan ficou perple'o, t-o perple'o que ela notou.
0 G de admirar, n-o é= 0 disse )hora com uma ponta de ironia.
0 G verdade! 0 confirmou &hodan. 0 O que a tra, aqui=
0 Huero fa,er"lhe uma proposta.
&hodan apontou para uma poltrona.
0 Hueria sentar. N-o imagina que pra,er sinto ao ouvi"la.
)hora entesou o corpo, mas n-o havia o menor tom de ,om!aria nas palavras que
ouvira. 6entou na poltrona que &hodan lhe oferecera e reclinou"se profundamente.
0 7entro de cinco ou seis dias 0 principiou )hora 0 seu !elo sonho da
humanidade unida e da herança do 8mpério +alático terá chegado ao fim.
&hodan n-o a interrompeu, em!ora n-o concordasse com ela.
0 7entro de poucos dias 0 prosseguiu 0 nossos cru,adores ro!oti,ados chegar-o,
desco!rir-o as causas da destruiç-o de nossa nave e transformar-o a )erra num mont-o
de rochas altamente radioativas 0 a )erra e todos que vivem nela. *'istem algumas
pessoas que merecem ser salvas da catástrofe. 9ocê é uma dessas pessoas.
&hodan so!ressaltou"se. 8nclinou o corpo para a frente, como se pudesse perseguir
as palavras para voltar a introdu,i"las no ouvido.
0 *u=
)hora confirmou com um gesto enfático.
0 6im, você. )alve, ainda seu companheiro ?ell, que tam!ém rece!eu nosso
treinamento, e 2aggard, que sa!e curar a leucemia, e finalmente )aCo DaCuta, por causa
de suas faculdades e'traordinárias. Ofereço"lhes a salvaç-o. @inha posiç-o de
comandante de uma nave e'ploradora me dá esse direito. 8r-o a Orcon conosco e lá
encontraremos uma maneira de aproveitá"los.
&hodan começou a desconfiar do que havia atrás disso.
0 $or que acha que #ustamente n(s merecemos ser salvos= 0 perguntou.
0 G por causa das faculdades que possuem 0 respondeu )hora prontamente. 0
&epresentariam uma aquisiç-o valiosa para o 8mpério. $oderiam ser utili,ados em setores
nos quais é necessária uma !oa dose de energia. 7ispFem dos conhecimentos necessários.
inda poderíamos transmitir esses conhecimentos a )aCo e 2aggard.
&hodan ficou em silêncio.
0 6erá que n-o pensa em utili,ar"nos para criar uma nova raça=
)hora n-o perce!eu o tom de sua vo,.
0 N-o acredito 0 respondeu )hora com vo, mais fria que antes 0 que qualquer
mulher arcônida se prestasse a manter relaçFes com um ser terreno.
&hodan confirmou com um movimento de ca!eça e esperou.
)hora dispunha de uma e'traordinária reserva de paciência. Eevou uns quin,e
minutos para perguntar.
0 *nt-o=
&hodan levantou"se. Ioi para #unto da tela que su!stituía a #anela e olhou para a
imensid-o de areia do deserto de +o!i. s estrelas espalhavam um !rilho mortiço e
produ,iam som!ras difusas, que fa,iam os sulcos feitos pelo vento parecerem mais
fundos do que realmente eram.
0 Ouça, )hora! 0 disse depois de algum tempo. 0 $ara mim, uma m-o de areia
deste deserto vale mais que todo o seu império podre. N-o tenho o menor interesse em
ocupar um cargo mais ou menos importante nele. >nica coisa que me preocupa é a
)erra. Huer sa!er por quê=
+irou so!re os saltos dos sapatos.
0 N-o teremos de esperar muitoA apenas uns tre,entos ou quatrocentos anos, que
afinal n-o representam nada em comparaç-o com o longo caminho que trilhamos desde a
8dade da $edra, para que o monturo do seu império nos caia nas m-os em troca de nada.
N-o serei eu quem vai ensinar aos arcônidas os truques através dos quais poder-o
pertur!ar o progresso da humanidade terrena. $ertur!ar, n-o impedir.
7eu dois passos em sua direç-o.
)hora sentiu"se tomada por uma f>ria cruel. Huis sair para dei'á"lo falando s(, mas
aquela vo, a prendia. Ioi a primeira ve, que &hodan, sem que o sou!esse, colocou nas
palavras dirigidas 3 mulher toda a força de persuas-o que lhe fora conferida pelo
treinamento hipn(tico.
0 $reste atenç-o 0 prosseguiu. 0 O que acontecerá se n-o conseguirmos rechaçar
suas naves ro!oti,adas= tacar-o a )erra e a destruir-o. @as sempre so!rar-o alguns
homens 0 cem, mil, de, mil ou um milh-o, pouco importa. *sses homens nunca se
esquecer-o do que aconteceu aos demais. 1uidar-o para que nada de semelhante aconteça
a eles ou aos seus descendentes. cho que você ainda n-o conhece a energia que
possuímos. 7entro de dois mil anos a )erra voltará a ser o que é ho#e. * o 8mpério
+alático, que #á está podre até a medula dos ossos, terá um inimigo encarniçado nessa
)erra. * n-o haverá a menor d>vida de como terminará essa inimi,ade. té onde atingem
nossas recordaçFes, sempre com!atemos nossos inimigos até matá"los. Nesse caso
acontecerá a mesma coisa, e o controle da +alá'ia passará 3s nossas m-os.
)hora reuniu todas as forças para sair. @as antes que atingisse a escotilha, &hodan
voltou a falar, dei'ando"a como que pregada ao solo.
0 s coisas ainda n-o chegaram a este ponto. 9ocê sa!e perfeitamente que temos
uma possi!ilidade real de destruir as naves ro!oti,adas. No início, pensar-o que somos
so!reviventes inofensivos da e'pediç-o espacial. )alve, até nos rece!am a !ordo antes
de atacar a )erra. ssim teremos a chance de que precisamos. )erra ainda n-o está
perdidaA falta muito para isso.
)hora deu mais dois passos. Pá se encontrava perto da escotilha, quando &hodan
deu um grito.
0 $are!
energia !rutal da vo, do terreno, que quase chegava a e'ercer uma constriç-o
física, causou"lhe dor de ca!eça. 9irou"se rapidamente.
Iicou espantada ao ver que &hodan sorria.
0 qui na )erra conhecemos casos semelhantes aos seus. 1ertas mocinhas criadas
em casas ricas e !em cuidadas ficam apavoradas ao sa!erem que nem todos vivem como
elas e seus paisA há muita gente po!re que tem de lutar pela vida.
;9ocê é igual,inha a essas moças. cha que deve despre,ar"nos s( por sermos mais
#ovens que sua raça. No dia em que você chegar perto de mim para confessar que nestas
>ltimas semanas tem sido muito tola, eu lhe direi quanto a amo.
)hora ficou perple'a. $erdeu alguns segundos preciosos antes de decidir se devia
responder ou n-o.
Iinalmente o orgulho venceu. 9irou"se a!ruptamente e saiu.
insinuaç-o chocara"a mais do que ela mesma gostaria de admitir. No planeta de
Orcon as regras do #ogo do amor haviam sido adaptadas no curso dos milênios aos
ditames da inteligência. 6e em Orcon um homem fi,esse uma declaraç-o de amor a uma
mulher que pouco antes insultara, isso seria encarado como sintoma de doença mental.
pesar da raiva que a dominava, )hora n-o dei'ou de reconhecer que na )erra n-o
se podiam aplicar os mesmos padrFes. 1ompreendeu que a declaraç-o que &hodan
proferira naquele instante constituía parte da mano!ra que engendrara. 6entiu"se
impotente diante desse tipo de ilogismo programado.
$ela primeira ve, reconheceu com toda a clare,a 0 e com todo o pavor que esse
conhecimento lhe despertava 0 a #uventude incrível da raça terrena e as forças
espantosas e assustadoras que se ocultavam detrás dessa #uventude.
' ' '
sensaç-o surgiu dali a dois dias. &hodan n-o tivera mais notícias de @ercant. 8sso
significava que na )erra n-o havia maiores novidades. Os dirigentes aguardavam a
concreti,aç-o das ameaças vindas de fora.
@anoli operava o rádio. Os ro!ôs tinham concluído seu tra!alho, e voltaram para os
dep(sitos onde 1rest os desativou.
)hora aparecia raras ve,es. *vitava &hodan. *ste compreendia.
?ell e 2aggard dedicavam"se ao #ogo de 'adre,.
+eralmente @anoli n-o sa!ia o que fa,er. nave au'iliar possuía receptores
e'celentes. 1aptava tudo sem a menor dificuldade, desde a emissora da polícia de
$equim até as notícias transmitidas pela estaç-o espacial Ireedom 8 e os programas de
ondas longas das emissoras inter"regionais. *, como nas >ltimas semanas as notícias
sensacionais fossem uma raridade, o cargo de radioperador n-o oferecia maiores
atrativos.
@as, nesse dia, as coisas mudaram por completo. @anoli estava ouvindo um
programa da estaç-o espacial na fai'a de MRT megahert,. 6u!itamente o mesmo foi
interrompido para a transmiss-o de um comunicado urgente.
0 4suilo "ara ra"osa$ esuilo "ara ra"osa. 5ocalizamos ob6eto não identificável
na direção 7i dois%um%zero. Teta zero%nove%cinco. Dist8ncia duas vezes dez na se!ta
"ot9ncia metros$ velocidade cerca de duas vezes dez na uarta "ot9ncia metros "or
segundo$ forma indefin:vel. Ob6eto "rossegue em direção ; 5ua. 2im.
&aposa confirmou imediatamente e deu a seguinte indicaç-o.
0 7edimos ue comunicados subse<entes se6am transmitidos em c=digo.
@anoli taquigrafara o comunicado. rrancou a folha do !loco e saiu correndo.
$ercorreu o corredor 3s escorregadelas. @al a escotilha do camarote de &hodan se a!riu,
precipitou"se para dentro e leu a notícia para &hodan. *ste ficou muito mais e'altado do
que @anoli esperava.
0 G inacreditável!
6em dar a menor atenç-o a @anoli, que nada entendia do assunto, ligou para 1rest.
6( ap(s isso voltou a falar com o médico para dar"lhe uma incum!ência.
0 vise )aCo para que preste atenç-o aos sinais de Dlein. 7aqui a pouco
rece!eremos informaçFes mais detalhadas.
@anoli confirmou com um movimento de ca!eça e saiu correndo. 7epois de algum
tempo 1rest chegou.
0 estaç-o espacial anuncia um corpo estranho vindo da (r!ita de @arte, que se
dirige 3 Eua 0 e'plicou &hodan com a vo, tranqNila. 0 +ostaria de sa!er o que acha
disso.
1rest mostrou"se interessado.
0 7ispFe de outras informaçFes=
0 velocidade é de Y ve,es UR[ m\seg.
0 Hual é a forma do o!#eto=
0 7esconhecida.
1rest olhou"o.
0 Iace ao treinamento que rece!eu, deve supor a mesma coisa que eu.
&hodan fe, que sim.
0 Hual é a sua suposiç-o=
0 !ase situada em @ira"[ n-o se encontra mais em poder do 8mpério. O que vem
por aí n-o é nenhum cru,ador ro!oti,ado, mas uma nave pertencente a alguma unidade
re!elde da frota colonial, pilotada por uma tripulaç-o ine'periente.
1rest confirmou.
0 )omara que se#a s( essa 0 acrescentou &hodan.
7ali a meia hora, Dlein forneceu outras informaçFes. O o!#eto estranho apro'imara"
se mais da estaç-o espacial, que pôde identificar sua forma. *nquanto Dlein conversava
com )aCo DaCuta no limite da c>pula energética, as notícias chegavam constantemente e
eram logo decifradas por Dlein, que trou'era a chave de decodificaç-o, e transmitidas 3
nave.
O o!#eto estranho tinha a forma de um fuso. *ra parecido com dois torpedos
cortados ao meio e ligados pelas e'tremidades pontudas.
medida que Dlein decifrava as mensagens, &hodan ouvia. 6a!ia que as naves em
forma de fuso pertenciam aos tipos mais antigos da frota do 8mpério, usados quase
e'clusivamente nos mundos coloniais. 8sso confirmava a suposiç-o de que o o!#eto que
fora locali,ado n-o podia ser um cru,ador ro!oti,ado.
1rest acrescentou.
0 Os ha!itantes de Iantan possuem várias naves em forma de fuso, porque n-o
est-o em condiçFes de adquirir veículos mais dispendiosos. posto 0 sorriu para
&hodan e procurou desco!rir se este ficara satisfeito com a e'press-o tomada de
empréstimo 3 fala dos terrenos 0 aposto que é uma nave de Iantan. O grupo de Iantan
n-o fica muito distante da !ase de @ira. G !em possível que tenham conquistado @ira"[
e captado o sinal de emergência.
O que mais reforçava essa suposiç-o era o fato de que a nave em forma de fuso n-o
se resguardava contra o radar, nem contra a locali,aç-o (tica. lém disso, apro'imava"se
da Eua com uma lentid-o incrível, como se estivesse s( no mundo e n-o precisasse recear
coisa alguma.
Nenhum outro o!#eto foi locali,ado.
)hora pusera"se em comunicaç-o com o circuito e ouvira tudo que o capit-o Dlein
informara lá de fora. ssim que )aCo voltou, &hodan pediu"lhe que fosse ao camarote de
)hora para solicitar uma entrevista destinada a esclarecer a situaç-o. O #aponês encontrou
a comandante caída ao solo. *stava inconsciente.
decepç-o fora um golpe pesado demais para ela.
VIII
Os acontecimentos começaram a precipitar"se. 7ali a uma hora o capit-o Dlein
voltou a chamar.
0 Os chefes do 6erviço de 7efesa pedem uma conferência com o senhor &hodan.
&hodan estava estupefato.
0 Os chefes= 0 perguntou. 0 Hue chefes s-o estes=
Dlein parecia divertir"se com o espanto de &hodan.
0 2á alguns minutos e'iste um comitê de segurança internacional. Os dirigentes
s-o 8van Dosselov, do 6erviço 6ecreto do ?loco Oriental, @ao )sen, do 6erviço 6ecreto
da Iederaç-o siática, e llan 7. @ercant.
&hodan compreendeu a situaç-o.
0 *stou pronto para rece!er os cavalheiros a qualquer momento. que hora
poder-o estar aqui=
0 )odos eles s-o de opini-o que o assunto é muito urgente. @ercant #á se encontra
em $equim. *le e @ao )sen n-o levar-o mais que quarenta e cinco minutos na viagem
até aqui. * Dosselov tam!ém n-o demorará mais que isso.
&hodan refletiu.
0 Ouça, capit-o! nuncie essa gente assim que tiverem chegado. 6e necessário
dei'arei que entrem, um por um.
7ali a uma hora os chefes dos serviços secretos terrenos compareceram 3 nave
au'iliar dos arcônidas.
&hodan pediu que 1rest participasse da conferência.
6ou!e que a evacuaç-o da populaç-o e dos equipamentos industriais mais
importantes estava sendo levada avante a todo vapor.
0 +ostaríamos de sa!er 0 disse @ercant 0 para que servir-o essas providências.
6erá que o ataque das naves ro!oti,adas n-o transformará a )erra num reator
superativado=
&hodan e'pôs as suposiçFes a que ele e 1rest haviam chegado em relaç-o 3 nave.
0 @ostro"lhes as coisas como realmente s-o 0 acrescentou. 0 )emos uma !oa
chance de rechaçar esse atacante com um >nico tiro !em dirigido. @as nem por isso acho
que seria aconselhável suspender o alarma. *m primeiro lugar, apesar de tudo e'iste a
possi!ilidade de uma falha. 7epois, n-o teremos de lidar apenas com essa nave. @esmo
que consigamos destruí"la, outras, que tam!ém captaram o sinal de emergência, surgir-o.
6e conseguirmos nos livrar do primeiro atacante teremos uma pausa de algumas semanas,
no má'imo alguns meses. * nesse intervalo teremos de preparar"nos para enfrentar o
novo ataque sem o menor risco.
Olhou para @ercant.
0 O senhor sa!e a que me refiro. )erra n-o está em condiçFes de manter o
em!argo que pesa so!re n(s. 6omos a >nica coisa que pode fa,er alguma coisa pela
defesa da )erra. $recisamos ter plena li!erdade de aç-oA s( assim poderemos e'plorar
todas as possi!ilidades que se oferecem.
@ercant olhou para os seus acompanhantes. 7epois voltou a encarar &hodan.
0 No setor da O)N, consideramos findo o em!argo. 7epositamos nossa
confiança irrestrita no senhor em tudo aquilo que di, respeito 3s medidas de defesa contra
um ataque vindo de fora.
&hodan encarou"oA parecia surpreso. Dosselov falou em seguida.
0 Nosso governo coloca"se na mesma posiç-o no que di, respeito ao senhor.
@ao )sen concordou com um sorriso.
0 Iederaç-o siática assume a mesma posiç-o, senhor &hodan.
&hodan oferecia o quadro de uma estupefaç-o incontida. Iinalmente um sorriso
es!oçou"se nos cantos da sua !oca. 1om um ligeiro tom de ironia na vo, disse.
0 1avalheiros! No instante em que seus governos estiverem dispostos a estender
sua confiança para além dos preparativos de defesa contra um ataque vindo de fora, no
instante em que depositarem confiança plena em n(s, em todos os setores, a )erceira
$otência dei'ará de manter"se isolada. *staremos dispostos a a!rir nossa !ase e a colocar
aquilo que temos 3 disposiç-o de toda a 2umanidade.
$assaram a discutir os detalhes. &hodan e'plicou de que maneira pretendia rechaçar
lá fora, no espaço, o ataque da nave em forma de fuso. 7eu instruçFes so!re as medidas
de proteç-o 3 populaç-o, que deveriam ser adotadas se n-o conseguisse seu intento.
@ercant, Dosselov e @ao )sen fa,iam anotaçFes.
o concluir, disse.
0 N-o sei se #á se deram conta de que n-o poder-o contar mais com o apoio da
)erceira $otência caso falhe nossa tentativa de destruir a nave no espaço ou so!re a Eua.
*staremos empenhados numa luta de vida e morte. 7e qualquer maneira, temos de
encarar essa possi!ilidade. $or isso anotei várias coisas que #ulgo importantes para a
2umanidade. O documento será depositado num lugar adequado a fim de que possa
resistir ao eventual ataque 3 )erra. cho que minhas informaçFes lhes ser-o >teis. 6e a
)erra for destroçada, as anotaçFes representar-o um !om ponto de partida para os
so!reviventes. Nunca mais devemos esquecer que n-o estamos s(s no universo. )emos
de conformar"nos com a e'istência de outras raças e devemos preparar"nos para a
eventualidade de que algumas delas nos se#am hostis.
;$eço que os acontecimentos que lhes transmito através das minhas anotaçFes
se#am encarados nesta perspectiva.<
' ' '
s anotaçFes representaram um tra!alho e'tenso, cu#a confecç-o consumiu horas
preciosas de &hodan. nave atingira a (r!ita lunar e reali,ava evoluçFes a uma dist:ncia
constante de de, mil quilômetros do satélite da )erra.
&hodan teve uma ligeira palestra com seus companheiros. )hora manteve"se
afastada. $recisava de sossego. sugest-o de &hodan, de que )aCo DaCuta e o 7r.
@anoli permanecessem na )erra, mereceu apoio de todos. Na c>pula energética ficariam
protegidos contra qualquer agress-o, e contra as conseqNências de uma eventual
contaminaç-o radioativa. )aCo guardou as anotaçFes de &hodan, prometendo entregá"las
3 humanidade 0 ou aos seus remanescentes 0 somente quando n-o restasse a menor
d>vida de que a nave dos arcônidas fora destruída na luta contra os seres estranhos.
)aCo e @anoli instalaram"se na )tardust. &hodan decolou imediatamente.
6u!iu a cem quilômetros. O cumprimento dos seus o!#etivos n-o poderia ficar a
cargo dos dispositivos automáticos. ?ell serviu de co"piloto. 2aggard e 1rest
permaneceram na sala de comando.
nave permaneceu im(vel. Os !ul!os das l:mpadas de controle automático
emitiam um !rilho negro. 5ma pequena imagem pro#etada numa tela em!utida no painel
indicava a posiç-o da nave em relaç-o 3 superfície da )erra. )odos os instrumentos, com
e'ceç-o do altímetro, indicavam o valor ,ero.
6( no painel de ?ell se via a lu, de cinco l:mpadas verdes. ?ell virou a ca!eça e
disse, tranqNilo.
0 &eatores a plena potência, chefe!
&hodan confirmou com um movimento de ca!eça, sem se voltar. Nos
compartimentos de máquinas, cinco reatores de fus-o, que eram verdadeiros gigantes na
sua classe, forneciam energia a um dep(sito, que a li!eraria no momento adequado.
energia arma,enada seria suficiente para envolver a nave num campo
hipergravitacional que a isolaria do am!iente e'terior e 0 para utili,armos uma imagem
0 a retiraria do comple'o quadridimensional tempo"espaço. 5m corpo circundado por
um campo hipergravitacional dei'ava de e'istir no espaço normalA era trasladado para
uma ordem espacial superior, onde prevaleciam as mesmas leis do espaço ao qual
aca!ava de su!trair"se, mas os princípios da Iísica estavam su#eitos a uma interpretaç-o
totalmente diversa. 7epois de ter adquirido os conhecimentos dos arcônidas através do
treinamento hipn(tico, &hodan passou a designar esse superespaço como ;o caminho
situado atrás da curva espacial<. O pro!lema do hipervôo encontrava sua e'plicaç-o
nesse conte'to. 5m corpo, como, por e'emplo, uma nave, rompia a superfície conve'a
do con#unto tempo"espaço, prosseguia em tra#et(ria reta e, uma ve, atingido o destino,
voltava a ingressar no citado con#unto.
té ent-o, ninguém tentara vencer um tra#eto de pouco mais de um segundo"lu,
num hipersalto dessa espécie. No presente caso havia uma dificuldade. nave au'iliar,
pequena e dotada de pouca energia em comparaç-o com a nave principal, levaria algum
tempo para acumular energia depois de terminado o salto. Os dep(sitos haviam sido
dimensionados de tal forma que apenas eram suficientes 3 dupla travessia da superfície
do con#unto tempo"espaço. )erminado o salto, teria de haver uma pausa antes que a nave
pudesse reencetar a viagem. 6e o salto n-o atingisse o lugar programado, essa pausa seria
aproveitada pelo inimigo, que estaria em condiçFes de locali,ar a nave e colocar"se em
posiç-o favorável para o com!ate.
$elos cálculos de &hodan, o salto terminaria na som!ra pro#etada pela Eua. nave
dos ha!itantes de Iantan prosseguia na mesma tra#et(ria. 1ontinuaria em (r!ita lunar, de,
mil quilômetros atrás da Eua. nave au'iliar surgiria 3 frente da Eua.
&hodan moveu a m-o em direç-o 3 tecla vermelha que faria a nave dar o salto.
pertou"a. tecla deu um estalo e as telas de imagem apagaram"se imediatamente.
7ali a um segundo voltaram a entrar em atividade. imagem era totalmente
diferente. 7iante da nave surgiu a foice lunar, iluminada pelo sol que aca!ava de surgir
detrás da )erra.
0 lguma locali,aç-o= 0 perguntou &hodan.
0 Nada! 0 respondeu ?ell.
0 8ntensidade do salto=
0 1orreta.
&hodan reclinou"se na poltrona. 7ali a pouco virou"se e olhou para 1rest, que
estava radiante.
0 *'celente! 0 disse.
&hodan n-o descansou. ssim que terminaram os cinco minutos de que os reatores
precisavam para rea!astecer o dep(sito com a quantidade mínima de energia, pôs a nave
em movimentoA em direç-o 3 Eua.
O resto foi !rincadeira. &hodan condu,iu a nave para um vale profundo, cheio de
som!ras. No centro deste vale encontravam"se os destroços da nave dos arcônidas.
*stava convencido de que um dia os homens de Iantan se arriscariam a apro'imar"se do
cru,ador espacial. nave por ele tripulada correria um risco menor se aguardasse esse
momento.
1rest pedira que n-o fosse o!rigado a desempenhar qualquer papel nesse
empreendimento. &hodan concordara por conhecer a mentalidade de um cientista, de
Orcon. época em que os arcônidas eram uma raça guerreira como os homens e
construíram seu império, ficava muito longe. luta passara a ser uma coisa terrível.
&hodan manteve 2aggard ocupado nos aparelhos de locali,aç-o, fáceis de operar,
enquanto ?ell permanecia a postos nos instrumentos de pontaria. *le mesmo manteve"se
no assento do piloto, pois era perfeitamente possível que surgisse a necessidade de
mano!rar a nave.
O armamento da nave podia ser dividido em duas categorias.
2avia as armas de grande alcance, isto é, até um minuto"lu,, e as de pequeno raio
de aç-o. Iace 3s suas características as armas de longo alcance estavam rigidamente
fi'adas ao corpo da naveA os pro#éteis dispunham de dispositivos direcionais automáticos.
Pá as armas de pequeno raio de aç-o eram m(veis. $ossuíam um dispositivo de pontaria
automático, mas tam!ém podiam ser orientadas oticamente.
&hodan n-o estava disposto a lançar m-o dos foguetes de grande alcance. *m!ora a
nave de Iantan fosse um veículo antiquado, equipado com campos defensivos de
redu,ida potência, era de todo provável que nesse e'emplar, destinado a uma viagem t-o
arriscada, tivessem sido introdu,idos alguns aperfeiçoamentos. 5m foguete teleguiado
podia ser locali,ado antes do tempo. *, face 3 mentalidade de sua tripulaç-o, a nave de
Iantan provavelmente se poria em fuga. contece que &hodan estava interessado numa
vit(ria decisiva, n-o num triunfo passageiro que dei'asse em a!erto o risco do retorno do
inimigo.
$assaram"se algumas horas. 1rest deitara"se e fechara os olhos.
Ninguém proferiu uma >nica palavra. 2aggard estava sentado diante dos
instrumentos, mas estes n-o revelavam coisa alguma. ?ell permanecia no lugar que
poderia ser designado como o posto de com!ate, mas que na verdade n-o passava de um
painel com uma série de !otFes e manivelas.
?ell a!riu a !oca uma >nica ve,.
0 N-o estou gostando disso, chefe! 7evíamos decolar e atacá"los. N-o gosto de
atirar 3 traiç-o em alguém.
0 6ilêncio! 0 interrompeu &hodan. 0 N-o podemos assumir qualquer risco. 9ocê
conhece essa gente de Iantan, n-o conhece=
7epois disso n-o houve mais discuss-o. lgumas horas se passaram. &hodan teve
vontade de levantar"se para cuidar de )hora. @as sa!ia perfeitamente que a calma de um
segundo n-o lhe permitiria tirar conclusFes so!re o caráter dos outros, ao menos nessa
e'pediç-o.
B B B
0 Eocali,aç-o! 0 anunciou 2aggard com a vo, em!araçada.
N-o disse mais nada.
0 Huem sa!e se você n-o quer nos di,er onde= Hue dia!o! 0 resmungou ?ell.
0 $i ,ero"um"cinco, )eta ,ero"três",ero. 7ist:ncia oitocentos mil metros.
?ell manipulou os instrumentos do painel.
0 9elocidade=
0 1inqNenta metros por segundo na direç-o $i",ero. 6eguem em direç-o ao
cru,ador.
&hodan virou"se.
0 Hue tal nossa posiç-o, ?ell=
0 Iavorável. @as poderíamos su!ir mais alguns metros em direç-o 3 !eira do vale,
para qualquer eventualidade.
0 1om!inado!
nave o!edeceu ao comando. 7esli,ando rente ao solo negro, su!iu em direç-o ao
cume das montanhas que cercavam o vale.
0 $are! 0 disse ?ell. 0 ssim está !om.
No mesmo instante a nave de Iantan surgiu na tela. &hodan e'aminou"aA parecia
pensativo. inda se encontrava a uma dist:ncia de cerca de oitocentos quilômetros e a
velocidade com que se apro'imava n-o era muito superior 3 de um autom(vel. O pessoal
de Iantan estava desconfiado e, ao que parecia, achava que devia apro'imar"se
sorrateiramente para n-o assumir um risco e'cessivo.
nave foi desli,ando na altura do cume das montanhas. )eriam de levantá"la um
pouco para ultrapassá"las. *m!ora a mano!ra pudesse ser completada com alguns
movimentos das chaves de comando, ela e'igiria um pouco de sua atenç-o. 6eria,
portanto, o momento adequado de atacar.
Iace 3 redu,ida velocidade da nave de Iantan, algumas horas poderiam passar"se
até que isso acontecesse. cadeia de montanhas em que se encontravam era uma das
menoresA a área por ela cercada tinha um di:metro de cem quilômetros.
&hodan fa,ia votos de que dedicassem toda sua atenç-o 3 cratera, n-o lançando os
olhos para mais longe. N-o havia d>vida de que a parte superior da nave au'iliar
ultrapassava a cumeeira das montanhas por cerca de dois metros. *ra pouco em
comparaç-o com aquele comple'o de rochas, mas poderia ser o suficiente para um
inimigo atento.
9irou"se.
0 O que pretende fa,er= 0 perguntou a ?ell.
*ste apontou para um !ot-o amarelo e uma manivela.
0 5sarei a neutrali,aç-o do campo cristalino 0 respondeu. 0 >nica coisa que
so!rará será uma névoa tur!ilhonante de átomos de hidrogênio, car!ono e alguns metais.
&hodan concordou com um movimento de ca!eça.
0 Hual será o tempo de !om!ardeio=
0 té que n-o so!re nada.
0 8sso será necessário=
?ell mostrou"se surpreso.
0 $or que n-o= N-o convém assumir qualquer risco.
0 +ostaria de mostrar uma coisa a 2aggard 0 disse &hodan. 0 ?asta demolir a
nave. 7epois disso a tripulaç-o n-o representará mais qualquer perigo para n(s.
0 *stá !em 0 concordou ?ell. 0 &egularei a duraç-o do !om!ardeio para vinte
segundos.
2aggard anunciou com a vo, um tanto apressada.
0 umentaram a velocidade. 1em metros por segundo. 7ist:ncia de seiscentos e
cinqNenta mil metros.
No mesmo instante acrescentou.
0 O que pretende mostrar"me, &hodan=
0 lguma coisa que lhe interessa muito. guarde!
tens-o aumentou, e o tempo demorou mais a passar. nave estranha cresceu na
tela de imagem, revelando suas dimensFes imponentes. &hodan calculou seu
comprimento em tre,entos ou tre,entos e cinqNenta metros. No centro, que era o lugar
mais fino, havia um di:metro de cerca de trinta metros. N-o havia d>vida de que, em!ora
fosse antiquada, dispunha de armamento mais poderoso que a nave dos arcônidas. 6e n-o
conseguissem destruir aquela nave, o destino da )erra estaria selado. O pr(prio &hodan
n-o estava t-o confiante a respeito dos acontecimentos que viriam depois como procurara
aparentar diante de )hora.
0 Huatrocentos mil! 0 anunciou 2aggard depois de um silêncio interminável.
uma dist:ncia de cem mil, ?ell começaria a atirar.
&hodan n-o acreditava que sua nave #á tivesse sido locali,ada. O temperamento do
povo de Iantan n-o lhes permitira prosseguir calmamente na viagem depois de terem
locali,ado um inimigo.
)odavia...
0 )re,entos mil. *st-o acelerando. lguns minutos depois.
0 Irearam. *st-o parados.
reaç-o de &hodan foi imediata.
0 Iogo! 0 ordenou.
?ell !ateu na tecla do desintegrador e gritou.
0 9amos sair daqui! $recisamos su!ir!
&hodan deu partida imediatamente.
1om um forte solavanco a nave elevou"se algumas centenas de metros acima da
cumeeira das montanhas. *nquanto isso ?ell atirava ininterruptamente.
N-o havia a menor d>vida de que estava acertando. Na tela de direç-o de tiro surgiu
a imagem da nave inimiga que se desintegrava. N-o conseguia sair do lugar. estrutura
cristalina do envolt(rio e'terno dissolveu"se. proa transformou"se em p( que no vácuo
caiu ao solo com uma velocidade espantosa. arma de ?ell foi penetrando cada ve, mais
na estrutura, até atingir o centro da nave inimiga.
6u!itamente viram um raio ofuscante. &hodan fechou os olhosA ao a!ri"los viu que
o panorama da tela começou a dançar.
inda estavam atirando. certaram no envolt(rio energético da nave, fa,endo"a
oscilar.
0 @ais rápido! 0 rosnou para ?ell.
*ste n-o reagiu. 1om uma atenç-o o!stinada orientou o raio direcional de
descristali,aç-o, fa,endo"o prosseguir pelo envolt(rio da nave"fuso.
Outro tiro foi disparado pelo inimigo. &icocheteou no envolt(rio energético e mais
uma ve, fe, oscilar a nave. $or um momento o raio direcional operado por ?ell perdeu o
alvo. @as logo voltou a encontrá"lo e desta ve, destruiu"o por completo.
Nada restou do envolt(rio da nave"fuso. Os geradores tam!ém foram destruídos. Os
remanescentes, formados por peças de equipamento, paredes divis(rias, escotilhas,
instrumentos e os cadáveres da tripulaç-o, caíram em espiral.
?ell respirou aliviado.
0 $ronto!
&hodan deu partida na nave. $assou a pouca altura so!re a cratera com os restos do
cru,ador espacial dos arcônidas e apro'imou"se do lugar em que fora destruída a nave
inimiga.
O serviço de 2aggard #unto aos instrumentos de locali,aç-o estava concluído.
?astante tenso, contemplava as telas de imagem.
0 7aqui n-o conseguirá en'ergar nada 0 disse &hodan. 0 G preferível esperar até
que pousemos.
Ie, descer a nave no limite da área circular em que havia caído a poeira metálica e
os destroços da nave.
Iechou o capacete do tra#e especial e disse a 2aggard.
0 9enha comigo!
2aggard n-o esperou que &hodan repetisse o convite. 6aíram e em saltos largos
voaram em direç-o ao lugar em que se amontoavam os destroços da nave de Iantan.
N-o havia muita coisa para ver. tripulaç-o da nave de Iantan mantivera os tra#es
espaciais a!ertos durante a luta. descompress-o e'plosiva que se verificara no
momento da dissoluç-o da parede e'terna da nave esfacelara seus corpos #untamente com
os tra#es.
2aggard encontrou alguma coisa que parecia ser um retalho de pele.
0 G s( isto= 0 perguntou, um pouco desapontado.
&hodan deu de om!ros.
0 cho que com isso você #á poderá fa,er muita coisa.
9oltaram 3 nave. &hodan poderia dar mais uma !usca no cru,ador espacial, para
silenciar o emissor automático de emergência, ou retornar 3 )erra para informar a
humanidade so!re o desfecho da luta que n-o puderam o!servar, #á que a mesma se
desenrolara na face oculta da Eua.
Optou pela >ltima alternativa. Eevado por forte motivo. no instante em que a nave"
fuso foi atacada, por certo emitiu um sinal de emergência igual ou semelhante ao do
cru,ador espacial. * esse sinal seria t-o !em orientado que chegaria ao receptor a que se
destinava. Iace a isso, &hodan n-o estaria em condiçFes de evitar novos ataques com a
simples desativaç-o do emissor que se encontrava no cru,ador espacial.
5m #ogo fora iniciado, um #ogo que dali por diante esta!eleceria suas pr(prias
regras e n-o mais poderia ser influenciado por quem quer que fosse.
&hodan viu nisso mais um motivo de apressar seu retorno 3 )erra. 1ada segundo
tornara"se ainda mais precioso que antes. O pr('imo inimigo a lançar"se ao ataque seria
muito mais numeroso e saga, que aquele que aca!ara de ser destruído.
B B B
7urante a viagem de volta s( houve um acontecimento e'citante. través dos
supermicrosc(pios montados no la!orat(rio de !ordo, 2aggard desco!riu qu-o estranho
era o retalho de pele dos homens de Iantan.
0 té mesmo em condiçFes normais a pele deles tem a consistência do couro e está
co!erta de pequenas escamas 0 disse com a vo, e'altada. 0 N-o e'iste a menor d>vida.
* os pedaços de carne presos 3 pele apresentam uma estrutura muito menos definida que
a do homem ou de qualquer animal conhecido.
&hodan sorriu.
0 8sso lhe permite tirar alguma conclus-o, 2aggard=
2aggard confirmou com um rápido movimento de ca!eça.
0 7eve haver uma diferença considerável entre n(s e os ha!itantes de Iantan, isso
no terreno !iol(gico.
0 )em alguma idéia de como é essa gente=
2aggard sacudiu a ca!eça.
0 N-oA uns farrapos de pele n-o s-o suficientes para isso.
0 $ois imagine um cilindro de e'tremidades arredondadas 0 disse &hodan em
tom professoral. 0 *sse cilindro possui certa elasticidade e é reco!erto de escamas finas
em toda e'tens-o. Na parte superior apresenta várias a!erturas que para n(s n-o
passariam de !uracos escuros mas na realidade desempenham funçFes t-o diferenciadas
como as da !oca, dos olhos, dos ouvidos e do nari,. O cilindro apresenta, em lugares
variáveis, seis mem!ros entre os quais n-o se nota diferença. 6ervem 3 locomoç-o, ao
suprimento de alimentos e aos outros fins que os homens alcançam com a utili,aç-o das
m-os e dos pés. 6( que, nos ha!itantes de Iantan, n-o e'iste a menor diferença entre
m-os e pés. Os seis mem!ros s-o equivalentes.
;Os ha!itantes de Iantan s-o asse'uados, 7r. 2aggard. &eprodu,em"se por meio de
certo tipo de !roto, que nem as plantas de um vaso.
;6-o esses os ha!itantes de Iantan. 6erá que você pensava que todos os seres
inteligentes da +alá'ia se parecem comigo ou com 1rest= Huando chegar a hora,
veremos raças irm-s mais no#entas que vermes ou sapos dos p:ntanos.<
' ' '
notícia da vit(ria foi rece!ida na )erra com um #>!ilo indescritível. O alarma
nuclear foi suspenso imediatamente, providenciando"se a volta das populaçFes 3s
cidades.
interrupç-o das atividades econômicas custara 3 )erra cerca de oitenta !ilhFes de
d(lares, mas, em compensaç-o, a humanidade deu um grande passo em direç-o 3 uni-o
dos homens.
No dia em que pousou, $err% &hodan rece!eu os em!ai'adores e'traordinários das
três superpotências. 9ieram para transmitir"lhe em palavras e'altadas a gratid-o da
humanidade. 1ada um conferiu"lhe uma alta condecoraç-o em nome de seu país.
6orrindo, &hodan aguardou tranqNilamente até que chegasse a hora de usar a
palavra.
0 6into muito, cavalheiros 0 disse em tom sério 0 que n-o posso partilhar sua
alegria imensa. )alve, n-o sai!am, mas o confronto que tivemos com uma inteligência
estranha e hostil foi apenas o primeiro de uma série. )ivemos sorte em repelir o ataqueA
foi s(. 7a pr('ima ve,, s( a sorte n-o será suficiente.
;6into"me feli, por notar que a opini-o p>!lica mundial aprova a atuaç-o da
)erceira $otência e até lhe confere uma recompensa através destas altas condecoraçFes.
]2averia uma ponta de ironia em sua vo,=^ @as convém que dei'em !em claro aos seus
governos que vencemos apenas a primeira !atalha de uma guerra que poderá consistir em
mil !atalhas ou mais. +ostaria de encai'ar na ca!eça dos senhores e dos responsáveis
pelos destinos da humanidade que nestes dias começará uma fase da hist(ria que durará
vários séculos, ou talve, milênios. s deli!eraçFes que forem tomadas ho#e decidir-o
todo o porvir da 2umanidade.
;)ransmitam esta mensagem aos seus governos. 7igam"lhes que nunca ter-o um
aliado mais leal que a )erceira $otência, sempre que se tratar do !em de toda a
2umanidade.
;$leiteamos o reconhecimento diplomático e plena li!erdade de movimentos. $or
enquanto somos os >nicos que podem tomar medidas efica,es contra o novo ataque que
nos espera.<
Ie, uma pausa. 7epois, condescendeu num sorriso.
0 )rom!eteiem esta mensagem pelo mundo a fora, cavalheiros! Iaçam com que a
humanidade compreenda que se encontra no limiar de uma era nova e grandiosa de sua
hist(ria. )emos de pensar em termos de milênios, se n-o quisermos perecer.
' ' '
No dia seguinte chegou a primeira remessa de chapas de plástico metali,ado de
$eters!urg. Ioi transportada sem o menor contratempo, pelo caminho que teria sido
utili,ado por qualquer comerciante que quisesse transportar um lote de mercadorias
inofensivas dos *stados 5nidos ao deserto de +o!i.
&hodan viu nisso um sinal de que os governos terrenos haviam correspondido
prontamente aos seus dese#os. )al fato reforçou"o na esperança de que dentro de pouco
tempo a humanidade compreenderia de que energias imensas poderia dispor, desde que
se unisse.
9iu"se mais pr('imo do seu o!#etivoA do o!#etivo provis(rio de uma )erra
unificada. Iicou surpreso ao dar"se conta do progresso enorme alcançado num tempo t-o
curto.
1ompreendia perfeitamente que a energia e a rapide, dessa evoluç-o n-o fora
gerada por ela mesma. O hiperemissor automático e a nave de Iantan atraída pelo mesmo
haviam sido fatores ponderáveis do processo de unificaç-o. Nos pr('imos dias faria sua
quarta viagem 3 Eua, para silenciar o emissor.
Na noite do mesmo dia, os em!ai'adores e'traordinários com que falara no dia
anterior entregaram"lhe um convite para uma conferência das grandes potências
mundiais.
&hodan aceitou o convite. Iicou satisfeito em perce!er que no cére!ro daqueles
homens sua alocuç-o representara algo como um comando. 6em que o perce!essem,
ficaram t-o impressionados com os argumentos de &hodan que passaram a tra!alhar mais
em prol dos seus o!#etivos que dos de seus governos, se é que ainda havia uma diferença
entre uns e outros.
)erceira $otência fora convidada n-o na qualidade de simples o!servador, mas na
de participante efetivo com direito de voto.
' ' '
$ouco depois, teve uma palestra com )hora. $ela primeira ve, ap(s a locali,aç-o da
nave"fuso pela estaç-o espacial 2reedom%> ela saiu do camarote e entrou no
compartimento ocupado por &hodan sem fa,er"se anunciar, tal qual fi,era poucos dias
antes.
&hodan ofereceu"lhe uma cadeira. )hora agradeceu com um sorriso gentil.
0 )ive tempo para refletir so!re uma porç-o de coisas 0 principiou ela. 0 cho
que em muitas ocasiFes n-o me comportei da forma que seria de esperar.
&hodan ficou surpreso. Nunca esperara que )hora pudesse levar a auto"analise a
este ponto.
0 os poucos começo a compreender qual é o caminho que você trilha, e qual o
o!#etivo que quer atingir 0 prosseguiu )hora. 0 1onfio plenamente em você. @as, no
que di, respeito 3 humanidade, ainda n-o formei nenhum #uí,o. Os conhecimentos que
adquiri a respeito dos homens s-o escassos e pouco animadores. té agora quase s( se
ocuparam em degolar"se mutuamente. 7esconfio de que as esperanças que deposita nos
seus irm-os de raça se#am e'ageradas.
;9im para di,er"lhe o seguinte. daqui para diante você n-o me deve considerar sua
inimiga. $refiro aguardar o resultado dos seus planos. *sses planos s-o !ons. G possível
que num futuro n-o muito distante a raça humana assuma a herança dos arcônidas no
8mpério +alático. @as prefiro adiar minha decis-o até que chegue esse dia.<
&hodan levantou"se e estendeu"lhe a m-o. 6orriu.
0 G um gesto humano 0 disse. 0 perte minha m-oA ela lhe é oferecida em sinal
de gratid-o.
Num gesto hesitante )hora pegou a m-o de &hodan e retri!uiu o aperto.
0 &espeito sua opini-o 0 acrescentou &hodan. 0 credito que a atitude de 1rest
n-o será diferente.
*sperou uma palavra de protestoA por isso o!#etou.
0 N-oA n-o entretenha uma idéia errada so!re 1rest. *le pertence 3 mesma raça
que você. O que fe, por n(s foi inspirado na gratid-o pela cura, e talve,, em parte, numa
compreens-o melhor que a sua. @as ele nunca dei'ará de ser um arcônida. Nunca se
transformará num ser terreno.
$iscou os olhos, para dar a entender que considerava concluída a parte séria de sua
palestra.
0 $ara você, ainda e'iste alguma esperança.
$ouco lhe importava que )hora se sentisse ofendidaA ela contorceu o rosto e saiu.
6a!ia que os dias de seu orgulhoso isolamento estavam contados. o pensar nisso, voltou
a notar que amava aquela mulher.
Eá fora os ro!ôs estavam ocupados em empilhar as pesadas chapas de plástico
metali,ado.
;)enho que pedir que apressem o fornecimento do andaime. N-o há nada de que
precisemos tanto como uma !oa nave de com!ate<, disse &hodan, para si mesmo.
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, "rimeira invasão foi rec&açada. O alarma nuclear "-de
ser sus"enso$ *as é muito "rovável ue os sinais automáticos de
emerg9ncia emitidos "elo cruzador destroçado dos arc-nidas
se6am ca"tados "or outros invasores "otenciais.
7err3 R&odan sabe disso e esta em"en&ado na formação
de uma "oderosa força de combate. #o "r=!imo volume da
coleção 7err3 R&odan$ O *'ército de @utantes, ?. @. )c&eer
contará tudo sobre a com"osição dessa tro"a e seu
e!traordinário "otencial.