NA SELVA DO MUNDO PRIMITIVO

Autor
KURT MAHR
Tradução
RICHARD PAUL NETO
Digitalização
VITÓRIO
Revisão
ARLINDO_SAN
(P-024)
Mesmo para um visitante bem equipado, o mundo primitivo,
vegetal e animal, do planeta Vênus oferece inmeros perigos!
"or isso # f$cil compreender a situação desesperada em que se
encontram aqueles três %omens, praticamente sem recursos, que têm
de lutar contra a selva de Vênus e ainda sofrem uma perseguição
implac$vel de outros %omens!
& esta a situação em que "err' R%odan, (o%n Mars%all e )on
*+ura se encontram depois da queda de seu destr,ier espacial! "ara
não perecerem na )elva do Mundo "rimitivo, terão que atingir
quanto antes o abrigo protetor da fortaleza de Vênus!!!
= = = = = = = Perso!"es Pr#$#%!#s& = = = = = = =
Perr' R(o)! — O chefe da Terceira Potência que se transformou em prisioneiro
de Vênus.
*o( M!rs(!++, So O,-r! — Companheiros de prisão de Rhodan.
.eer!+ To/#se,o0 — Um comandante de divisão sem divisão.
Coroe+ R!s,-1! — Que dispe de cento e vinte e três naves espaciais intactas e
por isso !u"#a ser o senhor a$so"uto em Vênus.
T(or! — Que fu#iu de Perr% Rhodan e a#ora espera ser "i$ertada pe"o mesmo.
Re"#!+) 2e++ — &mi#o 'ntimo e confidente de Perr% Rhodan.
T!,o K!,-3! — Que !( passou pe"o inferno e est( disposto a repetir a e)periência
4
& (#ua $or$u"hava pre#ui*osamente. Parecia ser mais espessa que a (#ua terrena, e
rea"mente era. Quem enfiasse a mão a"i e a retirasse depois de a"#um tempo, notaria que a
mesma estava co$erta por uma camada #osmenta.
+"oes, unice"u"ares, micror#anismos — a (#ua re#ur#itava dessas criaturas e parecia
uma so"u*ão co"oida".
,ra Vênus, cheia de vida, quase estourando de vita"idade-
O $arco cru.ava, a uma ve"ocidade constante, as ondas sempre i#uais, que eram o
/"timo vest'#io da tormenta crepuscu"ar que h( mais de oito horas fusti#ara a terra p"ana e
o $ra*o de mar primitivo com seus tre.entos e cinq0enta qui"1metros de "ar#ura.
O pequeno #erador u"tra2sens've" espa"hava um .um$ido mon3tono e sono"ento, que
pesava so$re as p("pe$ras.
4as não podiam dormir, nenhum de"es podia. 5a.ia mais de um dia terrestre que não
fechavam os o"hos. ,ra muito dif'ci" mantê2"os a$ertos na escuridão, que at6 a"i fora tão
a"e#re e inofensiva.
,specia"mente para aque"e homem com a ferida ma" curada no om$ro.
,ra Perr% Rhodan, presidente de um ,stado onipotente, a Terceira Potência. &s
circunst7ncias adversas fi.eram2no descer em Vênus numa situa*ão de desamparo,
acompanhado apenas de dois dos seus homens, para que desse provas de sua ener#ia,
dominando a situa*ão intrincada.
Por enquanto estava muito "on#e disso. 8iante de seu $arco ainda se estendiam quase
tre.entos qui"1metros de (#ua. ,ram tre.entos qui"1metros recheados de peri#os
desconhecidos, tre.entos qui"1metros durante os quais, a qua"quer se#undo, poderia sur#ir
o he"ic3ptero do corone" Ras9u!an para atacar a em$arca*ão indefesa. & escuridão não
representava qua"quer o$st(cu"o para um ve'cu"o moderno, equipado com visores de "u.
infraverme"ha.
— :er( que notaram o desaparecimento do $arco inf"(ve"; — per#untou <ohn
4arsha"", o te"epata.
=in#u6m sa$ia. >aviam retirado o $arco de um dos he"ic3pteros de Ras9u!an, no
momento em que a "uta entre as tropas deste e as de Tomisen9o? havia che#ado ao ponto
mais a"to. 8epois disso, tiveram a precau*ão de destruir o he"ic3ptero.
— @ de supor que mais cedo ou mais tarde darão pe"a fa"ta do $arco, pois não
dei)arão de e)aminar os destro*os.
Rhodan er#ueu os om$ros. O movimento fe. a ferida doer.
— Ras9u!an vai que$rar a ca$e*a. Por enquanto nem sa$emos se desconfia da nossa
e)istência.
— , Tomisen9o?; =ão vai perder tempoA deve contar "o#o — o$!etou 4arsha"".
Rhodan não estava muito convencido.
— Você não conhece Tomisen9o? — retificou. — Ouvi a pa"estra de r(dio que teve
com Ras9u!an. ,ste, com sua frota de a$astecimentos, conse#uiu a#rupar os homens em
torno de si. =ão h( qua"quer tendência para a indiscip"ina, e isso por um motivo muito
simp"esB os homens têm $astante comida para matar a fome. <( o #rupo de Tomisen9o?
est( comp"etamente desor#ani.ado. &contece que Tomisen9o?, na sua qua"idade de
#enera", insiste em que Ras9u!an, que apenas 6 corone", se su$meta a e"e. ,ste, por sua
ve., a"e#a que, face ao amotinamento das tropas de Tomisen9o?, este perdeu os direitos
correspondentes C sua #radua*ão de #enera". &m$os são do D"oco Orienta", mas apesar
disso são inimi#os. =ão acredito que Tomisen9o? este!a muito disposto a contar o que
quer que se!a. Com a e)periência que adquiriu em Vênus, 6 o homem indicado at6 mesmo
para Ras9u!an. @ $em prov(ve" que se sinta se#uro e sai$a ca"ar a $oca.
:on O9ura esteve a ponto de responder. 4as nesse instante ouviu2se a vo. chiante de
4arsha"", vinda da proaB
— Pare-
& rea*ão de Rhodan foi imediata. &pertou uma a"avanca e a pequena h6"ice saiu da
(#ua. O .um$ido do motor, que tra$a"hava em ponto morto, su$iu um pouco at6 que
Rhodan o des"i#asse.
,m redor de"es tudo era si"êncio, com e)ce*ão do sussurrar pre#ui*oso da (#ua.
— O que houve; — per#untou Rhodan.
— O"he — respondeu 4arsha"" e apontou para a frente.
Rhodan se diri#iu C proa e o"hou na dire*ão indicada por 4arsha"". =ão precisou
for*ar a vista para en)er#ar o trecho de (#ua f"uorescente que, a uns cem metros de
dist7ncia, se estendia em dire*ão ao "este e ao oeste, at6 onde a"can*ava a vista.
Rhodan se assustou.
— O que 6 isso; — per#untou 4arsha"", espantado. — =ão 6 poss've" que se!a um...
Rhodan fe. que sim.
— @ isso mesmo. @ um tapete "uminoso. @ o maior que !( vi.
:on O9ura tam$6m veio C popa. Possu'a capacidade de a$ran#er com a vista certas
fai)as do campo de freq0ências e"etroma#n6ticas que o o"ho humano comum não
conse#uia en)er#ar. Captava as radia*es infraverme"has, ou se!a, os raios de ca"or, com a
mesma nitide. da "u. vis've", e esta "he era tão percept've" como as #amas (speras do
u"travio"eta.
— O que est( vendo; — per#untou Rhodan.
O9ura estreitou os o"hos. Para e"e a (#ua morna do oceano de Vênus assumia o
aspecto de um vasto terreno inundado de "uminosidade. O tapete, que a$sorvia parte do
ca"or irradiado pe"a (#ua e ref"etia outra parte para dentro do mar, sur#ia em sua retina so$
a forma de um "on#o tra*o escuro.
— Vai uns três qui"1metros para o oeste — disse :on O9ura. — Para o "este não ve!o
o fim.
Rhodan confirmou com um aceno de ca$e*a.
— ,ntão vamos contorn(2"o pe"o oeste.
8eu partida no motor e co"ocou a h6"ice na (#ua. Eirando o "eme para a direita,
Rhodan fe. com que o $arco descrevesse uma curva fechada.
— Fsso 6 tão peri#oso assim; — per#untou 4arsha"".
— =unca viu um tapete "uminoso;
— :3 um $em pequeno, numa enseada.
Rhodan acenou com a ca$e*a.
— Pois eu "he mostrarei o espet(cu"o. :e pass(ssemos no meio de"e, estar'amos
irremediave"mente perdidos. ,sse tapete fininho tem mais for*a que de. motores como
este.
O $arco des"ocava2se na dire*ão noroeste. Rhodan se esfor*ou para contornar a
e)tremidade oeste do tapete "uminoso o mais pr3)imo poss've". O $arco desenvo"via uma
ve"ocidade de trinta qui"1metros por hora, ou se!a, cerca de oito metros por se#undo. Cada
oito metros percorridos a mais si#nificavam um atraso de um se#undo, e nessa via#em os
se#undos contavam tanto quanto as horas ou os dias em outras.
8a"i a uns de. minutos, o $arco se encontrava apro)imadamente na a"tura da "inha
que cortava o tapete de "este para oeste, passando pe"o centro. <ohn 4arsha"" parecia
fascinado diante do quadro. & f"uorescência re"u.ia nas cores mais variadas e oferecia um
espet(cu"o de $e"e.a movimentada, cu!o encanto nem Rhodan conse#uia su$trair2se, muito
em$ora !( tivesse tido muitas oportunidades de o$servar o fen1meno.
,ra dif'ci" de ima#inar que na rea"idade esse tapete "uminoso era um /nico anima"
estendido na (#ua, C espera da presa. & $e"e.a dissimu"ava a voracidade e a vio"ência
irresist've" com que a#arrava sua v'tima e a arrastava para as profunde.as.
Rhodan retirou a"#umas pesadas porcas de parafuso da cai)a de ferramentas e se
apro)imou de 4arsha"". & e)tremidade do tapete não ficava a menos de quin.e minutos do
$arco.
— O9ura — disse Rhodan em vo. $ai)a.
— :im.
— Prepare2se para fechar o $arco. &#uarde meu comando.
O !aponês confirmou com um aceno de ca$e*a. Rhodan deu as porcas a 4arsha"".
— &tire.
4arsha"" ava"iou "entamente o peso das pe*as de meta". 8epois, num impu"so
vi#oroso do $ra*o direito, atirou todas e"as so$re o tapete.
& rea*ão foi instant7nea. 4a" as porcas tocaram o anima", as cores deste come*aram
a empa"idecer. 8entro de poucos se#undos a "uminosidade desapareceu por comp"eto. Um
ru#ido ensurdecedor fe.2se ouvir quando o tapete "uminoso se fechou em torno do "u#ar
em que fora atin#ido e come*ou a arrastar para o fundo aqui"o que acreditava ser uma
presa.
&s primeiras ondas arre$entaram so$re o $arco. & uns trinta metros a esti$ordo, o
inofensivo tapete f"uorescente transformara2se num amontoado semi2esf6rico de cor
indeterminada.
Quando a massa enorme come*ou a mer#u"har, as ondas sustentavam coroas de
espuma. 4arsha"", que assistia ao espet(cu"o de quei)o ca'do e o"hos arre#a"ados, perdeu o
equi"'$rio e teria ca'do C (#ua se Rhodan não o tivesse a#arrado em tempo.
— Cuidado- — #ritou Rhodan.
:on O9ura se#urava o fecho.
O tapete continuava a crescer, enquanto a parte inferior de seu corpo, que a#ora
assumia uma forma esf6rica, mer#u"hava numa ve"ocidade cada ve. maior. & contra*ão da
su$st7ncia daque"e corpo, que poucos se#undos antes ainda co$rira uma (rea de v(rios
qui"1metros quadrados, enfurecia o mar como se fosse um tempora" de re#u"ar intensidade.
Rhodan permitiu que 4arsha"" contemp"asse o espet(cu"o at6 que a (#ua que
penetrou no $arco passou a representar um verdadeiro peri#o. :3 então #ritou para O9uraB
— 5eche- , se#ure2se-
O9ura arrastou a co$ertura para a frente. Com um ru'do met("ico a co$ertura f"e)'ve"
se fechou so$re o $arco, evitando que fi.esse mais (#ua. 4arsha"" e Rhodan dei)aram2se
cair ao chão e se#uraram2se nas fitas de p"(stico presas C parede interna do $arco. O
!aponês, depois de conc"u'do seu tra$a"ho, perdeu o equi"'$rio e foi atirado por cima de
4arsha"".
8epois disso o mar !o#ou $o"a com e"es durante de. minutos. O $arco rodopiava em
torno do ei)o transversa" e "on#itudina". Uma forte pancada repu)ou a ferida de Rhodan e
o$ri#ou2o a tirar o $ra*o direito da fai)a que o se#urava. :on O9ura, que não conse#uira se
se#urar em tempo, ro"ou por cima da ca$e*a em dire*ão C popa e, com um $aque $em
aud've", $ateu contra a madeira da cai)a de ferramentas.
8epois de v(rias tentativas Rhodan conse#uiu se des"ocar para a frente e des"i#ar o
motor. & so"icita*ão vari(ve" for*ava o mecanismo e, enquanto o $arco estivesse sendo
atirado de um "ado para outro, o motor de qua"quer maneira não adiantava nada.
4arsha"", em cu!a homena#em a pe*a fora encenada, estava deitado no meio do
$arco, pra#ue!ando em vo. a"ta. &inda continuava a pra#ue!ar quando o mar vo"tou a se
aca"mar e Rhodan mandou que o !aponês a$risse o $arco.
:e#urando2se na $orda, 4arsha"" conse#uiu se p1r de p6.
— =unca ima#inava que isso fosse tão ruim — fun#ou.
Rhodan riu.
— Pois da pr3)ima ve. !( sa$e, não 6; =ão e)iste nada que se!a tão peri#oso e
trai*oeiro como um tapete "uminoso de Vênus.
Vo"tou a p1r o motor em movimento e co"ocou o $arco no curso correto. =ão tinha a
menor id6ia de quanto o $arco tinha sido desviado em virtude do incidenteA mas, pe"o seu
c("cu"o, o desvio não poderia fa.er uma diferen*a si#nificativa quanto C sua che#ada ao
setor norte da costa.
Por a"#um tempo mantiveram2se ocupados, retirando a (#ua #osmenta que as ondas
"evantadas pe"o tapete #i#ante haviam atirado no interior do $arco. O tra$a"ho, em si $em
"eve, dei)ou2os tão cansados que, depois de"e, encostaram2se e)austos C parede do $arco e,
por a"#um tempo, tiveram de "utar com o cansa*o que amea*ava fechar2"hes os o"hos.
& am$i*ão desmedida fi.era com que o #overno do D"oco Orienta", derru$ado h( um
ano, se aproveitasse da ausência de Rhodan, que se afastara da Terra, para tentar se apossar
da $ase montada pe"a Terceira Potência no p"aneta Vênus. Para isso foram enviadas duas
#randes frotas de naves espaciais ao p"aneta.
G)em essa ambiçãoH, ref"etiu Rhodan, Ga esta %ora estar-amos não sei onde, mas de
qualquer maneira nos encontrar-amos em paz e segurançaH.
Provave"mente essa id6ia teria indu.ido ref"e)es fi"os3ficas em sua mente, se O9ura,
que se encontrava na proa, não se er#uesse repentinamente, so"tando uma e)c"ama*ão de
espanto.
Rhodan viu que fitava o c6u. :e#uiu seu o"har, mas não viu nada.
Por a"#um tempo o !aponês não disse nada. Rhodan co"ocou2se ao seu "ado.
— O que houve, :on; — #ritou. — O que est( vendo;
Viu que O9ura estava com os o"hos arre#a"ados de susto. Tinha a respira*ão
entrecortada. &ntes que pudesse di.er qua"quer coisa, Rhodan ouviu o farfa"har surdo
vindo de cima, que por um instante dei)ou2o tão assustado como o !aponês.
— @ um "a#arto voador — fun#ou O9ura. — ,ncontra2se na dire*ão noroeste, mas
vem e)atamente em nossa dire*ão.
— & que a"titude est(; — per#untou Rhodan.
— Cerca de cem metros.
— @ #rande;
O !aponês contorceu o rosto.
— &credito que tenha uns trinta metros de "ar#ura.
,speraram. O farfa"har, que quase che#ava a estourar os nervos, foi se apro)imando,
tornou2se cada ve. mais forte.
— 8aqui a pouco estar( acima de n3s — disse o !aponês.
, "o#o em se#uidaB
— Vai descerA est( descrevendo c'rcu"os em cima de n3s.
Rhodan dei)ou cair os om$ros.
— :on, fique na popa. 4arsha"" ficar( no meio. ,u cuido do motor. Vamos ficar $em
quietos. :on nos avisar( assim que o $icho descer. Quando isso acontecer, teremos de
atirar. 5a*am $oa pontaria, para que não precisemos atirar mais de uma ve.. Os disparos
dos radiadores t6rmicos são perfeitamente vis'veis a v(rios qui"1metros de dist7ncia. &cho
que não preciso e)p"icar o que vai acontecer se uma das sentine"as de Ras9u!an o$servar
nossos tiros.
&"#uns minutos passaram2se. O motor emitia um .um$ido mon3tono e as ondas
$atiam pre#ui*osamente no costado do $arco.
:u$itamente ouviu2se o #rito estridente de O9uraB
— ,st( descendo.
I I I
& frota de refor*os do corone" Ras9u!an pousara no mesmo "u#ar em queA semanas
antes, o #enera" Tomisen9o? fi.era descer quinhentas naves espaciais que se encontravam
so$ seu comando.
&contece que Ras9u!an teve mais sorte que o #enera". O acampamento de
Tomisen9o? fora desmante"ado pe"o furacão "evantado pe"a :tardust2FFF e seus
remanescentes espa"hados para os quatro cantos. Tomisen9o? "evou as naves intactas para
esconderi!os situados nas montanhas, onde a e)pedi*ão punitiva de Rhodan as inuti"i.ou
uma por uma.
Por isso Ras9u!an encontrara um campo "ivre para o pouso — inc"usive a fai)a
ca"cinada, co$erta de terra vitrificada, a$erta pe"o des"ocamento da :tardust2FFF, que
atravessava a se"va em "inha reta. Ras9u!an, então ainda um su$ordinado do #enera"
Tomisen9o?, deco"ara da Terra com du.entas naves. Trinta e quatro de"as foram perdidas
quando a :tardust2FFF, ao re#ressar de Vênus para a Terra, passou em meio C forma*ãoA as
naves desa!eitadas e pouco mano$r(veis do D"oco Orienta" se vo"ati"i.aram so$ o impacto
do campo protetor ener#6tico da supernave. ,ntre as naves perdidas encontrava2se a
capitania, que tra.ia a $ordo o ma!or P!ot9in.
Ras9u!an, depois de rea#rupar os remanescentes, prosse#uira em sua via#em para
Vênus. Outras quarenta e três naves foram destru'das durante o pouso aerodin7mico em
Vênus. Ca'ram e, transformadas em meteoros incandescentes, desapareceram nas f"orestas
ou no mar.
Cento e vinte e três naves che#aram ao destino sãs e sa"vasA pareciam or#u"hosas,
mas em virtude da fa"ta de com$ust've" estavam condenadas C imo$i"idade.
=a 6poca não se encontrou qua"quer vest'#io de Tomisen9o?. O corone" Ras9u!an
teve de se arran!ar so.inho e viu2se o$ri#ado a decidir, se#undo seu "ivre ar$'trio, como
a#ir para transformar o empreendimento num verdadeiro ê)ito.
& tarefa não parecia muito dif'ci". Os homens que o haviam enviado para "(
dese!avam se apossar da forta"e.a da Terceira Potência. Uma ve. que, por ocasião do
pouso da frota de apoio, Rhodan não se encontrava em Vênus, Ras9u!an pensou que a
forta"e.a estivesse des#uarnecida e sua conquista seria uma $rincadeira.
4as viu2se o$ri#ado a rever suas id6ias so$re o que vem a ser uma forta"e.a. 5a.ia
um ano que, quase diariamente, que$rava a ca$e*a nas suas investidas contra a que tinha
diante de si. Rhodan envo"vera a $ase de Vênus com um campo protetor impenetr(ve".
,ntre os tripu"antes de Ras9u!an havia muitos t6cnicos — ta"ve. seria me"hor di.er
Gt#cnicasHA por motivos so$re os quais at6 então Ras9u!an não tinha a menor id6ia, a
maioria dos mem$ros da equipe t6cnico2cient'fica da frota era formada por mu"heres. 4as
at6 mesmo o t6cnico mais competente aca$a capitu"ando diante daque"e anteparo
ener#6tico impenetr(ve".
4as quando Ras9u!an atin#iu esse ponto morto, sua aten*ão foi desviada para outro
fato. & primeira pista do #enera" Tomisen9o? e de seus homens foi "oca"i.ada numa massa
de terra em forma de pen'nsu"a, que o enorme continente do hemisf6rio norte fa.ia avan*ar
em dire*ão ao su", a$ra*ando, por assim di.er, o continente com o $ra*o de mar de cerca
de tre.entos e cinq0enta qui"1metros de "ar#ura.
Ras9u!an, cu!a tarefa consistira inicia"mente em dar apoio C tropa de Tomisen9o?,
procurou co"etar informa*es. :ou$e que a divisão espacia" de Tomisen9o?, e)posta Cs
condi*es e)tremamente (speras reinantes em Vênus, tornara2se v'tima da desor#ani.a*ão
e da indiscip"ina.
Com isso o p"ano de Ras9u!an estava formadoB Tomisen9o? e seus homens teriam de
ser o$ri#ados a entrar nos ei)os.
Uma ve. que dispunha de meios para impor seus p"anos aos efetivos de Tomisen9o?,
ro'dos pe"a desor#ani.a*ão, tinha nas mãos o #enera", #rande parte da tropa que se
mantinha fie" a e"e e uma prisioneira muito mais importanteB Thora, a arc1nida. ,ra a
mu"her que transmitira a Perr% Rhodan #rande parte dos conhecimentos que "he tornaram
poss've" a insta"a*ão da Terceira Potência.
Ras9u!an e)u"tou. ,)u"tou at6 perce$er que Thora tinha por e"e mais ou menos a
mesma considera*ão que e"e mesmo tinha diante de uma das inc1modas moscas que
pro"iferavam em Vênus.
=em se di#nou a responder Cs suas per#untas, muito menos reve"ou como poderiam
ser rompidos os campos ener#6ticos que prote#iam a forta"e.a de Vênus.
,m vista disso, se diri#iu a Tomisen9o?. ,ste não o tratou muito me"hor do que
Thora, e isso o incomodou ainda mais. =o fundo Ras9u!an era uma criatura su$a"terna,
carre#ada de comp"e)os de inferioridade. Uma ve. que teve a cora#em de atacar e prender
um #enera", esperava que este se comportasse como um prisioneiro, não como um #enera".
8esde sua prisão, ou me"hor, desde o pouso dos he"ic3pteros no acampamento de
Ras9u!an, Tomisen9o? !( havia enfrentado cinco interro#at3rios. Para um homem como
e"e, que durante um ano tivera ocasião de p1r os nervos C prova nos peri#os da se"va de
Vênus, isso não passava de epis3dios inofensivos e sem a menor import7ncia. &"6m disso,
os oficiais2investi#adores de Ras9u!an, ao se defrontarem com um #enera", mesmo que
este não mais usasse as p"atinas, pareciam sofrer dos mesmos comp"e)os que seu
comandante.
8epois que o tempora" crepuscu"ar havia desa$ado so$re o so"o, Ras9u!an fe. com
que o prisioneiro comparecesse C sua presen*a, na sa"a de comando da nave capitania.
Ras9u!an tinha uma pisto"a autom(tica $em vis've" so$re os !oe"hos. =ão convidou
Tomisen9o? a sentar.
— Pe"o que ou*o — principiou — o senhor se recusa a prestar qua"quer co"a$ora*ão
C nossa frota.
Para Tomisen9o?, esse intr3ito não parecia representar uma per#untaA ao menos, não
se di#nou a dar qua"quer resposta.
— Responda- — rosnou Ras9u!an.
— Qua" 6 a per#unta; — inda#ou Tomisen9o? tranq0i"amente.
— Por que não quer cooperar comi#o;
O rosto de Tomisen9o? contraiu2se num sorriso de de$oche.
— Por que não quer cooperar comi#o; — per#untou.
Por um instante Ras9u!an ficou at1nito. 8epois cometeu um erroB respondeu C
per#unta de Tomisen9o?.
— Porque sua divisão est( desor#ani.ada e ro'da pe"a indiscip"ina — respondeu.
— Fsso não 6 motivo para ne#ar sua co"a$ora*ão. O senhor foi enviado para c( a fim
de me dar apoio, inc"usive mora", se necess(rio. 4as em ve. de fa.er qua"quer esfor*o
para "oca"i.ar minha divisão e, se fosse o caso, reor#ani.(2"a, o senhor dei)ou2se ficar por
aqui e rea"i.ou a"#umas tentativas est/pidas para penetrar na $ase de Rhodan. Quando
aca$ou desco$rindo nosso paradeiro não achou coisa me"hor para fa.er senão nos atacar.
&tacar !ustamente a n3s, a quem o senhor deveria ter tra.ido apoio-
Ras9u!an se esfor*ou para #uardar a compostura.
— Como e)2oficia" o senhor sa$e perfeitamente que tipo de inf"uência os e"ementos
desmora"i.ados que se encontravam em sua companhia teriam e)ercido so$re minha tropa.
=ão tive outra a"ternativa senão demarcar desde "o#o c"aramente os fronts. 4eu re#imento
não tem mais nada com sua divisão.
Tomisen9o? fe. um #esto tão depreciativo que Ras9u!an teve de se esfor*ar ao
m()imo para reprimir a f/ria de que se sentia possu'do.
— V( contar isso a outro — disse Tomisen9o?. — <( se esqueceu de que serviu por
a"#uns anos em minha companhia; =aque"e tempo, em que ainda era um !ovem tenente, !(
fa.ia questão de se sa"ientar toda ve. que sur#ia uma oportunidade. =ão, Ras9u!an, a coisa
não 6 tão simp"es assim. ,m Vênus sur#iu a oportunidade de $ancar o onipotente. ,u era a
/nica pessoa que, em virtude da #radua*ão, podia estra#ar seu !o#o. Por isso inventou
a"#uma coisa e nos atacou. , tudo isso apenas para que o senhor pudesse continuar a
desempenhar esse pape" miser(ve".
Ras9u!an se "evantou de um sa"to.
Jevou a"#um tempo para recuperar a fa"a.
— Fsso 6... isso 6... não se esque*a de que 6 meu...
=esse instante a sineta do radior2receptor interrompeu aque"e $a"$uciar indi#nado.
Ras9u!an virou2se a$ruptamente e $ateu com a mão espa"mada so$re a chave.
— Corone", o$servamos um estranho fen1meno "uminoso — principiou a sentine"a
sem qua"quer pre7m$u"o. — 8ire*ão, cento e cinq0enta e três #raus, dist7ncia apro)imada
de du.entos e cinq0enta qui"1metros.
Ras9u!an fran.iu a testa.
— 8escreva- — ordenou.
— Parece um facho de "u. de três ho"ofotes, corone" — respondeu a sentine"a. —
&penas a intensidade deve ter sido muito maior que a de um ho"ofote convenciona".
— Quantas ve.es foi o$servado o fen1meno;
— Uma /nica ve..
— ,st( $emA o$ri#ado.
& pa"estra foi interrompida. Ras9u!an fe. outra "i#a*ão. Uma vo. met("ica
respondeu.
— Capitão, pe#ue dois he"ic3pteros e dê uma $usca no mar — ordenou. — Pe*a os
dados ao posto centra" de vi#i"7ncia. O$servaram fen1menos "uminosos estranhos. Quero
sa$er de que se trata.
O capitão confirmou a recep*ão da ordem. Ras9u!an des"i#ou o receptor e vo"tou a
encarar Tomisen9o?.
,ste sorriu.
— Qua" 6 a #ra*a; — per#untou Ras9u!an em tom (spero.
— &credito — disse Tomisen9o? em vo. $ai)a, apreciando o efeito de suas pa"avras
— que o senhor tem a"#u6m nos seus ca"canhares que "he ensinar( que, em Vênus, um
corone" deve se condu.ir com muita humi"dade.
I I I
O farfa"har cresceu num trove!ar quando o "a#arto desceu so$re o $arco. Rhodan se
rec"inou contra o costado e o"hou na dire*ão de que vinha o ru'do.
& /nica coisa que viu foi uma som$ra #i#antesca que, numa ve"ocidade inacredit(ve",
passou por cima do $arco na dire*ão norte—su" e vo"tou a desaparecer na escuridão.
O ru'do se afastou, tornando2se cada ve. mais fraco. 8epois manteve2se constante
por a"#uns se#undos e vo"tou a crescer.
Rhodan per#untou de si para si at6 onde deveria arriscar. =in#u6m sa$eria di.er se o
"a#arto atacaria nessa revoada ou nas pr3)imas. ,ra poss've" que nem che#asse a fa.ê2"o.
4as, de qua"quer maneira, seria tarde para atirar quando tivesse um dos três homens
nas #arras.
O ru'do foi se tornando cada ve. mais forte.
— &tirem quando estiver em cima de n3s — disse Rhodan com a vo. (spera e em
tom decidido.
&pontaram as armas na dire*ão e)ata. O ru'do cresceu ainda mais, come*ando a
produ.ir um .um$ido nos ouvidos.
8e repente apareceu-
,ra uma som$ra ne#ra na escuridão cin.enta, maior que da outra ve. e de forma
praticamente indefin've".
Rhodan se#uiu a som$ra com o cano do radiador de impu"sos t6rmicos. Quando o
"a#arto se encontrava $em em cima do $arco, ordenouB
— 5o#o-
Uma ofuscante "uminosidade $ranco2a.u"ada saiu dos canos, i"uminou por uma
fra*ão de se#undo o corpo horr've" do "a#arto, co$erto de uma pe"e (spera, e atin#iu2o com
toda sua potência.
O #rito do anima" poderia ser ouvido a qui"1metros de dist7ncia. 4as não durou
muito. &"#umas centenas de me#a?ats de ener#ia t6rmica mataram o anima", cu!o corpo
incendiado caiu ao mar.
Rhodan "ar#ou a arma e pe#ou o "eme. &inda dei)ou que a enorme va#a "evantada
pe"o impacto do anima" so$re a (#ua atin#isse o $arco de frenteA mas "o#o #irou o "eme e
fe. o $arco descrever um #rande c'rcu"o para o "este.
:3 da"i a vinte minutos retomou o curso anterior. Os movimentos do "eme, que por
uma questão de h($ito e)ecutava com a mão direita, fi.eram seu om$ro doer de novo.
Pra#ue!ou em vo. $ai)a por causa de sua re"ativa incapacidade e manifestou o dese!o de
ter C mão uma cai)a de primeiros socorros da farm(cia arc1nida. Com e"a estaria
recuperado dentro de poucas horas.
:on O9ura continuava sentado na proa, de o"hos fitos no norte. &penas 4arsha""
parecia acreditar que, uma ve. morto o "a#arto, o maior peri#o havia passado. 8eitado de
costas no centro do $arco, mantinha as mãos entre"a*adas em $ai)o da nuca.
— Jevante2se, homem cansado — disse Rhodan. — 8aqui a pouco teremos tra$a"ho
de novo.
4arsha"" se assustou.
— Que tra$a"ho ser( este; — per#untou desanimado.
— Fnfe"i.mente h( um fen1meno "uminoso que acompanha a emissão de ca"or
produ.ida pe"a arma t6rmica — disse em tom professora". — ,, com a atmosfera "impa, o
mesmo se torna percept've" a uns quinhentos qui"1metros de dist7ncia. :a$e "( o que isso
si#nifica;
4arsha"" se "evantou com um #emido.
— ,st( $em — resmun#ou. — , o que vamos fa.er se acontecer aqui"o que prevê;
Rhodan sorriu.
— Continuaremos a atirar — respondeu em tom indiferente.
I I I
O capitão que Ras9u!an enviara para o mar com dois he"ic3pteros não precisou se
esfor*ar muito para desco$rir o $arco inf"(ve", que não era muito pequeno.
& oitenta qui"1metros de dist7ncia produ.iu um ref"e)o fraco, mas inconfund've"
so$re a te"a de radar, e a cem metros o ho"ofote de "u. infraverme"ha e o $in3cu"o noturno
tornaram perfeitamente vis'veis os três homens que o tripu"avam.
O capitão recomendou uma aten*ão toda especia" aos arti"heiros de $ordo e
transmitiu idênticas aos ocupantes do outro apare"ho.
8epois desceu e se apro)imou caute"osamente do $arco.
I I I
Ouviram as $atidas dos rotores dos he"ic3pteros e o chiado a#udo dos !atos. :on
O9ura viu dois apare"hos que se apro)imavam do norte a uma a"titude consider(ve".
Para Rhodan isso não constitu'a nenhuma surpresaA !( os a#uardava.
:u$itamente O9ura, que mantinha seu posto de o$serva*ão na proa do $arco, recuou
com um #rito e co$riu o rosto com am$os os $ra*os. 5oi quando o comandante diri#iu o
ho"ofote de "u. infraverme"ha so$re o $arco e o$servou2o atrav6s de um fi"tro 3tico.
Rhodan procurou adivinhar o pensamento do inimi#o.
GVer$ o barcoH, pensou. G. tamb#m sabe que nen%um dos %elic,pteros de Ras+u/an
foi perdido em cima do mar! 0ogo, acreditar$ que somos gente de Tomisen+o1 ou
então!!!H
& ref"e)ão não che#ou ao fim. Os dois he"ic3pteros se apro)imaram, e a vio"ência
com que o fi.eram não dei)ava nenhuma d/vida so$re suas inten*esB pretendiam atacar o
$arco.
— 8eitem2se no chão- — #ritou Rhodan. — , apontem as armas para cima-
4arsha"" e O9ura o$edeceram imediatamente. Um canhão autom(tico come*ou a
emitir seus sons entrecortados, outro se#uiu seu e)emp"o, e Rhodan perce$eu os
so"avancos de seu $arco. ,m meio do $aru"ho ouviu que o .um$ido do motor mudava de
tom, e "o#o viu um dos he"ic3pteros $em em cima de si.
=ão sa$ia se O9ura ou 4arsha"" !( haviam atirado. =ão viu o re"ampe!o de suas
armas. ,ncostou a coronha do radiador de impu"sos t6rmicos firmemente ao tronco, para
que a arma apontasse $em para cima, e pu)ou o #ati"ho.
& descar#a não produ.iu qua"quer recuo da arma. =um !o#o fe6rico, o raio ofuscante
atravessou a escuridão e atin#iu o he"ic3ptero antes que este pudesse se afastar. >ouve
uma detona*ão ensurdecedora quando o tanque de com$ust've" e)p"odiu, e uma chuva de
pe*as de meta" incandescente caiu na (#ua em torno do $arco, produ.indo um forte chiado.
O outro he"ic3ptero acompanhou a cena e se afastou em tempo. 4ais adiante
descreveu c'rcu"os a poucos metros acima da (#ua.
Rhodan en#atinhou para a frente. 4arsha"" ainda estava deitado, ta" qua" Rhodan "he
ordenara. &o ver este, sorriu.
:on O9ura se co"ocara de !oe"hos e o$servava o se#undo he"ic3ptero, que descrevia
c'rcu"os em torno do $arco. Rhodan "i#ou o minitransmissor que tra.ia no pu"so e fe. o
re#u"ador de freq0ências percorrer todas as fai)as. =ão ouviu nada a"6m do chiado
produ.ido pe"as pertur$a*es atmosf6ricas. O pi"oto do he"ic3ptero ainda não !u"#ava
necess(rio informar a $ase so$re o incidente.
Rhodan tinha certe.a de que "o#o o faria, ou então tentaria um se#undo ataque antes
disso.
,speraram.
O9ura "evantou o $ra*o direito.
— ,st( apertando os c'rcu"os- — e)c"amou.
Rhodan fitou a escuridão. =ão viu nada.
— & que dist7ncia se encontra; — per#untou.
— & dist7ncia m6dia 6 de cerca de cento e cinq0enta metros — respondeu o !aponês.
Rhodan acenou com a ca$e*a.
— Pois mostre o que achamos de"e — disse a O9ura.
G.stão muito enganadosH, pensou. G2uerem e3perimentar o alcance dos nossos
radiadores! Mas nem desconfiam de que um radiador de impulsos t#rmicos desenvolve
potência m$3ima at# o fim de seu alcance! Acreditam que poderão aguardar o pr,3imo
tiro e fugir em tempo!H
:on O9ura a!oe"hou2se !unto C $orda do $arco e apoiou o radiador so$re a mesma.
,streitou os o"hos e inc"inou a ca$e*a para a frenteA foi quando o ho"ofote de "u.
infraverme"ha do he"ic3ptero passou por cima de"e.
8epois esmerou2se na pontaria. Rhodan viu quando o dedo se entortou de encontro
ao #ati"ho. &pesar disso, se assustou quando o raio $ranco2a.u"ado da #rossura de um dedo
saiu do cano.
O he"ic3ptero de Ras9u!an não teve a menor chance. Caiu e, com uma forte e)p"osão,
desmanchou2se no mar.
Rhodan respirou a"iviado. ,mpurrou 4arsha"" para o "ado e diri#iu2se para o "ado em
que ficava o motor. =a pressa apenas conse#uira amarrar o "eme, e a#ora...
Quando che#ou C popa, estacou. Viu que a fita de p"(stico com que amarrara o "eme
se esface"ara e estava !o#ada no chão. 8o "eme não e)istia mais nada.
&tirou2se ao chão e e)aminou o $"oco do motor envo"to em meta" "eve. Viu os
vest'#ios de um pro!6ti" de canhão autom(tico e identificou o "oca" de impacto. &rrancara o
"eme e demo"ira o motor-
Rhodan ficou deitado por um instante. Dateu com os punhos no esto!o de meta" "eve.
&ntes s3 se poderia desprendê2"o do motor com o au)'"io de chaves de fenda e cortadores
de meta"A mas a#ora as primeiras três pancadas fi.eram com que $a"an*asse, e com a
quinta pancada p1de retir(2"o sem maiores dificu"dades.
Um o"har "he $astou para compreender a situa*ão. O pro!6ti" e)p"odira !unto C
pequena e potente tur$ina. , esta não p1de ser reconhecida nem mesmo pe"o formatoA
transformara2se num montão fi$roso e disforme de chapa met("ica ene#recida.
Rhodan "evantou2se. :entiu2se um pouco fraco nos !oe"hos, mas "o#o venceu a
fraque.a.
— O $arco est( em ordem — #ritou 4arsha"" $astante animado. — Todos os furos
produ.idos pe"os impactos fecharam2se conforme deviam. O $arco quase não fe. (#ua.
Rhodan contorceu o rosto. &travessou o $arco $a"ou*ante em dire*ão a 4arsha"".
,ste viu o rosto s6rio do chefe.
— O que foi;
Rhodan co"ocou a mão so$re seu om$ro.
— Comece a chamar de novo, 4arsha"" — ordenou a vo. tranq0i"a. — O motor est(
que$rado, e nenhum de n3s sa$e consert(2"o. Pe"o meu c("cu"o estamos a uma dist7ncia de
du.entos e vinte qui"1metros da costa norte do continente norte e cento e trinta qui"1metros
da costa norte da pen'nsu"a. Jo#o, não podemos ir para a frente nem para tr(s. Tente mais
uma ve. entrar em contato com as focas.
Com um sorriso animador acrescentouB
— :e não conse#uir, teremos que nadar.
2
Ras9u!an ainda ficou discutindo quase uma hora com Tomisen9o? e quase che#ou a
esquecer que não tinha necessidade de manter discusses com um prisioneiro. 8epois de
a"#um tempo veio a not'cia de que novamente haviam sido o$servados por duas ve.es
estranhos fen1menos "uminosos no mar a$erto. Como at6 então Ras9u!an não tivesse
rece$ido qua"quer not'cia dos dois he"ic3pteros que enviara ao "oca", come*ou a ficar
nervoso e mandou que a sentine"a "evasse Tomisen9o? antes que este pudesse dar va.ão
ao seu triunfo so$re o fracasso da missão.
Tomisen9o? caminhava tranq0i"amente entre as duas sentine"as. &travessou o
acampamento, "ivre de qua"quer ve#eta*ão. & cerca "evantada em vo"ta do campo de
prisioneiros sur#iu na escuridão. &s duas sentine"as entre#aram o prisioneiro a uma das
quatro sentine"as postadas !unto ao portão do campo e esta "evou2o C sua $arraca, onde o
entre#ou C sua sentine"a particu"ar.
=ão foi em vão que Tomisen9o? havia estudado cuidadosamente e decorado, não um
mapa do campo de prisioneiros, mas aqui"o que seus o"hos treinados viram dia por dia.
,staria em condi*es de atin#ir seu destino de o"hos fechadosA por isso a escuridão quase
impenetr(ve" que fa.ia com que os so"dados ainda não ha$ituados Cs condi*es reinantes
em Vênus andassem aos trope*es, fornecia a me"hor oportunidade para a e)ecu*ão de seu
p"ano.
Come*ou a a#ir tranq0i"a e metodicamente. :ua $arraca não possu'a um soa"ho
pr3prioA o chão era formado de terra venusiana $atida. Tomisen9o? tirou uma das $otas e
come*ou a arranhar o chão, co"ocando a terra na $ota.
8entro de quin.e minutos a $ota ficou cheia at6 em cima. Tomisen9o? comprimiu a
terra com o punho fechado. 8epois se#urou a estranha ferramenta na mão direita e pesou2a
cuidadosamente. Parecia ter o peso de um saco de areia do mesmo tamanho.
Jan*ou os o"hos em torno de si. & $arraca não era muito #rande e era f(ci" a$ran#ê2"a
com a vista. Tomisen9o? encontrou um canto apropriado para seu pro!eto.
Fnfe"i.mente não podia modificar a posi*ão da "7mpada que i"uminava o interior da
$arraca. Poderia que$r(2"a, mas nesse caso...
&#achou2se num dos cantos, de costas para a entrada, e o"hou ostensivamente para o
chão. 8epois de um "i#eiro preparativo come*ou a #ritarB
— :entine"a- :entineee"aa-
Parecia um #rito de pavor, e o resu"tado não se fe. esperar. & $arraca foi a$erta
a$ruptamente. Tomisen9o? virou2se "i#eiramente para o "ado e esfor*ou2se para dar ao seu
rosto uma e)pressão de pavor.
— O que houve; — per#untou a sentine"a.
Tomisen9o?, es$aforido, fe. a"#uns movimentos com a mão.
— @ aqui... — #emeu — no canto... depressa-
,m Vênus havia muitas criaturas monstruosas, inc"usive a"#umas que a$rem seu
caminho por $ai)o do so"o e de repente sur#em no interior de uma $arraca. & sentine"a não
i#norava isso.
,ntrou de pisto"a autom(tica em punho e fe. sina" para que Tomisen9o? se afastasse
quando se diri#iu ao canto da $arraca.
Tomisen9o? afastou2se.
— Uma esp6cie de verme... — #emeu. 5icou numa posi*ão ta" que sua som$ra caia
e)atamente no canto que a sentine"a devia e)aminar. 4a" a sentine"a tinha passado por e"e,
pe#ou a $ota cheia de terra e se#urou2a firmemente pe"o cano.
— :aia da "u.- — ordenou a sentine"a e, sem o"har para Tomisen9o?, sacudiu a mão.
Tomisen9o? dei)ou que a "u. ca'sse so$re a sentine"a, avan*ando um passo em sua
dire*ão. &sse#urou2se de que o homem !( não poderia ver sua som$ra.
Jevantou o $ra*o direito e, com a $ota cheia de areia, #o"peou a ca$e*a da sentine"a.
,sta caiu para a frente e ficou estendida no chão.
Com um movimento autom(tico, Tomisen9o? esva.iou a $ota e, com o p6 direito,
espa"hou a terra pe"o chão. 8epois pe#ou as cordas que fa$ricara com peda*os da $arraca e
amarrou o homem inconsciente. &"6m disso, enfiou2"he um "en*o na $oca, para servir de
morda*a.
5ina"mente co"ocou o homem atr(s de sua cama primitiva, para que o mesmo não
pudesse ser visto da entrada, pe"o menos ao primeiro re"ance de o"hos. Co"ocou a pisto"a
autom(tica so$re a cama, para que a sentine"a pudesse vê2"a ao despertar.
Tomisen9o? sa$ia como a#ir face C situa*ão.
:aiu da $arraca.
=ão foi muito dif'ci" des"ocar2se pe"a escuridão at6 a"can*ar a maior de todas as
$arracas, situada acerca de cem metros, muito em$ora as sentine"as fi.essem de conta que
nada "hes poderia escapar.
G4a verdade estão com medoH, pensou Tomisen9o? com uma certa sensa*ão de
despre.o. G.stão com medo de que, de repente, saia do c%ão um verme gigante.H
Che#avam a asso$iar can*es para espantar o medo.
Tomisen9o? "evou quin.e minutos para percorrer os cem metros. Verificou que
diante da $arraca havia três sentine"as. Fsso não o pertur$ouA s3 no ponto em que as cordas
são amarradas Cs cavi"has, a $arraca fica #rudada ao chão. ,ntre as cavi"has um homem
norma" pode penetrar na $arracaA $asta "evantar a "ona um pouco.
5oi o que Tomisen9o? fe.. =o interior da $arraca a "u. estava acesa.
Ouviu um #rito de pavor a$afado. ,ntrou de ve. e se "evantou. =um movimento
instant7neo, p1s o dedo no "($io e fe. um movimento em dire*ão C entrada.
:3 depois disso cumprimentou a mu"her com uma "i#eira mesura, sem di.er uma
pa"avra.
O cumprimento foi diri#ido a Thora, a arc1nida.
O mundo nata" de Thora ficava a uma dist7ncia ta" da Terra e do sistema so"ar que
Tomisen9o? nem podia ima#in(2"o.
>( a"#uns anos Thora pousara na Jua com sua nave e)p"oradora, co"a$orou com
Rhodan e a!udou2o a montar a estrutura artificia", mas sumamente est(ve" da Terceira
Potência.
&t6 poucos dias antes, contados pe"o tempo terrestre, Thora fora sua prisioneira.
— Pouco importa que a senhora #oste ou não de mim — disse Tomisen9o?
apressadamente no seu p6ssimo in#"ês. — =ão fa*a $aru"ho- =ão "he farei nada.
Thora não respondeu. :eus "($ios contra'ram2se "i#eiramente e es$o*aram um sorriso
que era tão .om$eteiro e depreciativo que Tomisen9o? teve de se esfor*ar para reprimir a
raiva.
— =ão disponho de muito tempo — prosse#uiu. — 8e cinq0enta em cinq0enta
minutos 6 rea"i.ada a inspe*ão das sentine"as. Quer di.er que dentro de quin.e minutos no
m()imo terei que dar o fora.
O o"har .om$eteiro de Thora dei)ou2o irritado.
,sfor*ou2se para formu"ar sua proposta em termos precisos.
— Quero cooperar com a senhora — principiou.
Thora achou que essa proposta não devia ser respondida.
— :a$e perfeitamente — prosse#uiu Tomisen9o? — que para n3s não seria dif'ci"
dominar as sentine"as de Ras9u!an. &s dificu"dades come*arão quando tivermos sa'do do
acampamento. =ão dispomos de outras armas a"6m das que conse#uimos tirar das
sentine"as, enquanto Ras9u!an dispe de he"ic3pteros e mais uma por*ão de coisas. =ão
"evaria mais de uma hora para nos recapturar. Fsso quer di.er que devemos sa$er para onde
ir depois que tivermos escapado. 5icaria a car#o da senhora nos indicar a dire*ão.
Thora encarou2oA a e)pressão de despre.o que se desenhava em seu rosto continuava
ina"terada.
— :er( que o senhor acha — disse depois de a"#um tempo — que eu vou cair num
truque prim(rio como este;
Tomisen9o? não se e)a"tou. Contava com a o$!e*ão.
— =ão 6 nenhum truque. Ref"ita e h( de concordar comi#o. Que interesse teria eu
para ser des"ea" para com a senhora; & verdade nua e crua 6 que nos encontramos no
mesmo $arco. , não adianta que permane*amos neste acampamento com as mãos no
re#a*o, esperando que de a"#um "u#ar sur!a um mi"a#re.
Thora parecia ref"etir.
— , quem me #arante — per#untou depois de a"#um tempo — que com sua a*ão
não irei... #osto de usar e)presses terrenas, não irei de ma" a pior;
Tomisen9o? deu de om$ros.
— :e ainda não perce$eu a diferen*a entre as minhas inten*es e as de Ras9u!an —
respondeu em tom deprimido — ainda não conhece os homens.
Thora deu uma risada ir1nica.
— & /nica coisa que conhe*o nos homens 6 a tendência irreprim've" de que$rarem a
ca$e*a uns dos outros.
Tomisen9o? se "evantou.
— =atura"mente — resmun#ou com a vo. contrariada. — :eu povo nunca fe. uma
coisa dessas. :ua ra*a emer#iu numa inocência tota" de sua predecessora.
=ão dei)ou que Thora respondesse.
— ,u "he ofereci minha coopera*ão — dec"arou. — =o momento tenho a impressão
de que a vanta#em que a senhora tiraria do tra$a"ho con!unto seria maior que a minha.
4antenho a oferta. Pense a respeito. 8entro em $reve vo"tarei a visit(2"a para ouvir sua
resposta. &t6 a vista.
&$ai)ou2se e passou por $ai)o da "ona.
8entro de quin.e minutos a"can*ou sua $arraca, sem que uma /nica ve. tivesse
estado em peri#o de ser desco$erto. & sentine"a amarrada !( havia recuperado a
consciência. O homem encarou2o com os o"hos arre#a"ados e enfurecidos.
Tomisen9o? a#achou2se C sua frente.
— ,scute, rapa. — disse. — Como vê, dei)ei sua arma aqui mesmo. &penas dei um
pequeno passeio que você provave"mente não teria permitido se eu "he pedisse. Por causa
disso tive de me "ivrar de você por a"#um tempo. :into muito se o machuquei. 8aqui a
pouco vir( a inspe*ão das sentine"as. &t6 "( você estar( "ivre e ter( a arma pendurada so$re
o om$ro. Você poder( avisar o incidente ou ficar quietoA depende inteiramente de você. 8a
minha parte nin#u6m sa$er( nada, pode ter certe.a.
P1s2se a desamarrar o homem. Por fim retirou a morda*a.
— Jevante, rapa.- — ordenou.
& sentine"a "evantou2se, um tanto perp"e)o e desa!eitado. Jo#o p1s a mão na pisto"a
autom(tica. 8epois "an*ou um o"har desconfiado para Tomisen9o?.
,ste enfrentou o o"har. 8epois de a"#um tempo per#untouB
— ,st( com dor de ca$e*a;
:urpreso, o homem sacudiu a ca$e*a.
8epois am$os come*aram a rir. Tomisen9o? deu uma forte pancada no om$ro da
sentine"a.
— Você est( $em, ca$o — disse. — =ão me esquecerei de você quando tudo tiver
passado.
& sentine"a saiu da $arraca e "( fora ref"etiu so$re o si#nificado das pa"avras de
Tomisen9o?. ,stava tão concentrado que dei)ou a ronda passar, "imitando2se a di.erB
— Ca$o K"assov. Tudo em ordem.
I I I
5a.ia duas horas que <ohn 4arsha"", um te"epata dotado de ener#ias mentais
e)traordin(rias, emitia ininterruptamente sua mensa#em.
GVen%am focas, ven%am nos a/udar! )omos amigos e merecemos seu au3-lio.H
>( duas horas estava esperando que, diante de"e ou ao "ado do $arco imo$i"i.ado, a
ca$e*a de uma foca emer#isse da (#ua, mas esperava em vão. =ão vinha nada, e o
es#otamento tota" fa.ia dan*ar diante de seus o"hos um mundo de fi#uras co"oridas.
& emissão das mensa#ens te"ep(ticas es#otara as /"timas reservas de ener#ia de seu
or#anismo. :a$ia que as focas não eram verdadeiros animais mar'timos. Viviam pr3)imo C
costa, de preferência nos fiordes que penetravam profundamente na terraA e o ponto mais
pr3)imo da costa distava a menos de cem qui"1metros do "u#ar em que o $arco se
encontrava naque"e instante.
4arsha"" esfor*ara2se para vencer essa dist7nciaA mas o .um$ido que ouvia na ca$e*a
di.ia2"he que seus esfor*os não poderiam prosse#uir por muito tempo.
&inda durariam a"#uns minutos, ta"ve. uns oito ou de., depois estaria no fim de suas
for*as.
:on O9ura estava a#achado em atitude ap(tica na proa do $arco. Ve. por outra
"evantava a ca$e*a e fa.ia os o"hos des"i.arem so$re o marA mas não havia nada. =ada que
pudesse representar um peri#o e nada que pudesse interromper, por um instante que fosse,
a monotonia da espera.
& aten*ão de Perr% Rhodan concentrou2se ora no ouvido, ora em suas ref"e)es. &s
ref"e)es #iravam em torno da maneira pe"a qua" a situa*ão atua" poderia ser modificada se
as mensa#ens emitidas por 4arsha"" não fossem coroadas de ê)ito. O que Rhodan sa$ia a
respeito das focas era muito pouco. :a$ia que possu'am certo #rau de inte"i#ência, que "hes
permitia usar uma "in#ua#em pr3pria, e que a comunica*ão com e"as era poss've" num
n've" $astante primitivo. =ão sa$ia se iriam rea#ir C mensa#em, caso conse#uissem capt(2
"a. ,ra $em poss've" que não se interessassem em sa$er quem se encontrava em situa*ão
dif'ci" na imensidão do mar.
O ouvido procurou captar os ru'dos que, se#undo esperava Perr% Rhodan, sur#iriam
no curso da pr3)ima hora. Dastante tempo !( se passara depois da derru$ada dos dois
he"ic3pteros. 5osse qua" fosse sua opinião so$re a ha$i"idade mi"itar do corone" Ras9u!an,
mais cedo ou mais tarde o mesmo enviaria um #rupo maior de he"ic3pteros para desco$rir
o paradeiro dos dois apare"hos que deco"aram em primeiro "u#ar.
, nesse caso s3 mesmo com uma sorte a"6m de toda medida o $arco dei)aria de ser
"oca"i.ado.
G4ão podemos elaborar planos se temos de calcular com a sorteH, pensou Rhodan
com uma certa disposi*ão amar#a.
O #rito a$afado de :on O9ura despertou2o de suas ref"e)es.
— ,stão che#ando-
Rhodan se "evantou.
— Quem est( che#ando;
:on O9ura tam$6m se "evantou e se inc"inou para fora do $arco. Rhodan viu que
o$servava a superf'cie do mar, não o c6u.
— Quem est( che#ando, :on; — per#untou.
O !aponês estendeu o $ra*o.
— &"i, são as focas.
Rhodan ouviu um "i#eiro rumore!ar da (#ua, que não se adaptava ao ritmo das ondas.
Uma massa escura e $ri"hante emer#iu a poucos metros do $arco e apro)imou2se deva#ar.
— 4arsha"", venha c(- — #ritou Rhodan.
4arsha"" "evantou2se e avan*ou a passos cam$a"eantes. &s ca$e*as de outras focas
sur#iram acima da (#ua e se apro)imaram. Rhodan contou trinta ao todo.
Perce$ia2se que 4arsha"" não a#0entaria mais por muito tempo. Rhodan deu2"he uma
$atida carinhosa no om$ro e disseB
— 4ais um instante, e estar( "ivre disso. ,)p"ique2"hes a situa*ão em que nos
encontramos.
4arsha"" inc"inou2se por cima da popa para se apro)imar das focas e ter um apoio
para o corpo cansado. Conce$eu em id6ias simp"es e faci"mente compreens'veis o re"ato do
que "hes havia acontecido e a e)p"ica*ão do au)'"io de que precisavam.
5e"i.mente as focas não tinham nada de o$tusas e estavam dispostas a a!udar.
4arsha"" transmitiu a Rhodan a su#estão formu"ada pe"as mesmasB
— Poderiam re$ocar nosso $arco, desde que tenhamos correias para isso. Pretendem
formar equipes de de. e se reve.ar.
Rhodan confirmou com um aceno de ca$e*a.
— ,ra mais ou menos isso que eu ima#inava. ,st( tudo em ordem, temos correias em
n/mero suficiente.
Cortaram o "on#o fio da 7ncora em peda*os de comprimento adequado. &!untaram os
ca$os de atraca*ão e fi.eram "a*os se#undo as indica*es das focas, tradu.idas por
4arsha"". Toda a opera*ão não demorou mais que quin.e minutos. &s focas precipitaram2
se para dentro dos "a*os antes que estes pudessem afundar e firmaram os mesmos com suas
potentes nadadeiras das costas e da $arri#a. &o que tudo indicava os cortes dos de"#ados
fios de p"(sticos nada conse#uiram fa.er C sua pe"e, que tinha a consistência do couro
curtido e, por $ai)o, uma #rossa camada de #ordura.
— ,stão per#untando para onde queremos ir — disse 4arsha"".
Rhodan ref"etiu.
— Per#unte2"hes se podem nos "evar C fai)a de terra que "i#a a pen'nsu"a ao
continente.
4arsha"" formu"ou a per#unta.
— 8i.em que sim — respondeu.
Rhodan pretendia di.er mais a"#uma coisa, mas nesse instante o $arco p1s2se em
movimento. &s focas não precisaram de outras instru*es. & em$arca*ão desa!eitada
cortou as ondas a uma ve"ocidade que, se#undo os c("cu"os de Rhodan, e)cedia em
cinq0enta por cento aque"a que o motor conse#uia "he imprimir.
4er#u"hado em pensamentos, 4arsha"" contemp"ou as ca$e*as $ri"hantes das focas
re$ocadoras e das que acompanhavam o $arco pe"os dois "ados.
8epois dei)ou2se cair ao chão. & ca$e*a estava deitada numa pequena po*a de (#ua
#osmenta que escapara C aten*ão dos ocupantes quando estes esva.iaram o $arco. 4as o
fato não o pertur$ou. 4a" se a!eitara no chão, adormeceu.
Rhodan e o !aponês trocaram o"hares si#nificativos. &#achados na proa, o$servavam
as focas. Rhodan ficou admirado porque de. focas conse#uiam imprimir ao $arco uma
ve"ocidade maior que um motor de tur$ina com trinta cava"os de potência. Um aumento de
ve"ocidade de cinq0enta por cento si#nificava um aumento de potência superior a cem por
cento, desde que o #rau de uti"i.a*ão fosse idêntico. Uma ve. admitido esse pressuposto,
tornava2se evidente que cada uma das de. focas desenvo"via uma potência de cerca de de.
cava"os2vapor.
Provave"mente seu #rau de uti"i.a*ão era um pouco superior ao do motor com a
comp"icada propu"são a h6"ice. &ssim mesmo, por6m, a potência de cada foca não seria
inferior a quatro ou cinco cava"os2vapor.
Pe"a primeira ve. Rhodan compreendeu onde residia a diferen*a entre as criaturas
desse mundo !ovem e as da Terra, que em compara*ão era infinitamente ve"ha. Pe"a
primeira ve. compreendeu que si#nificado e"evado assume o conceito de vita"idade.
I I I
O corone" Ras9u!an cometeu um erroB preocupou2se com as duas pessoas mais
importantes que tinha entre seus prisioneiros — Thora e Tomisen9o? — antes de se
"em$rar dos dois he"ic3pteros que enviara para o mar.
Fnda#ando !unto ao posto de r(dio insta"ado fora das naves, !unto C costa, sou$e que,
h( mais de duas horas, não se tinha nenhuma not'cia dos dois apare"hos. ,m si a demora de
duas horas não causou a menor preocupa*ão a Ras9u!an. Uma $usca em mar a$erto
poderia demorar três ou quatro ve.es mais que isso sem ser coroada de ê)itoA mas o
si"êncio dos apare"hos inquietou2o.
O posto de r(dio tentara v(rias ve.es esta$e"ecer contato com os dois he"ic3pteros,
mas não teve qua"quer ê)ito.
& essa hora a decisão de Ras9u!an foi r(pida. Um ma!or rece$eu instru*es para dar
$usca so$re o mar com três esquadri"has de he"ic3pteros, especia"mente na (rea em que
foram o$servados os estranhos fen1menos "uminosos. Procurariam "oca"i.ar os dois
apare"hos e o eventua" inimi#o, que seria atacado e destru'do ou, se poss've", aprisionado.
Os he"ic3pteros deco"aram poucos minutos depois que Ras9u!an transmitira a ordem.
4as, desde as /"timas not'cias rece$idas dos dois he"ic3pteros que deco"aram em primeiro
"u#ar !( se haviam passado quase três horas.
I I I
8uas horas haviam passado desde que as focas tinham tomado conta do $arco.
:e#undo o c("cu"o de Rhodan, nessas duas horas foram percorridos perto de noventa
qui"1metros. Uma ve. que o $arco passara a se des"ocar na dire*ão nordeste, a dist7ncia ao
ponto hipot6tico de desem$arque crescera um pouco. Rhodan acreditava que ainda deviam
se encontrar cerca de cento e quarenta qui"1metros do destino. Fsso representava pouco
menos de quatro horas de via#em.
Tudo dependia do que faria Ras9u!an face ao desaparecimento dos dois he"ic3pteros.
& sorte não poderia ir ao ponto de fa.er com que Ras9u!an ficasse parado. & qua"quer hora
apareceriam outros he"ic3pteros que dariam $usca no mar.
&"6m das armas de impu"sos t6rmicos, o $arco s3 teria uma chance diante de uma
#rande esquadri"ha de he"ic3pterosB !( se encontrava a certa dist7ncia da rota que os
apare"hos percorriam. Ta"ve. a $usca demorasse o suficiente para que o $arco se co"ocasse
em se#uran*a.
Ta"ve....
Rhodan ainda estava envo"to nesses pensamentos, quando o ru'do que as focas
causavam na (#ua foi superado por outro. P1s a mão em concha no ouvido para prote#ê2"o
do ru'do das focas e procurou ouvir noite afora.
Ouviu um .um$ido irre#u"ar.
,ram he"ic3pteros- Uma esquadri"ha inteira-
G.stão muito longeH, pensou Rhodan. G"rovavelmente *+ura não conseguir$ vê5
los.H
&pesar disso fe. um sina" ao !aponês, chamou sua aten*ão para o ru'do e pediu2"he
que esfor*asse a vista. O9ura não via nada. & emissão t6rmica dos !atos dos he"ic3pteros
por certo não "he teria escapado se os mesmos se encontrassem ao a"cance da visão. 8a"i se
conc"u'a que os apare"hos ainda se encontravam a$ai)o da "inha do hori.onte.
O ru'do cresceu, che#ou a um m()imo e vo"tou a diminuir. Cerca de de. minutos
depois que Rhodan o ouvira pe"a primeira ve., desapareceu.
— &inda não encontraram a pista certa — disse Rhodan com um sorriso. — Tomara
que não a encontrem tão depressa.
Viu 4arsha"", que dormia. :e os he"ic3pteros se apro)imassem, teria que despert(2"o
do sono que tão $em merecia.
:e tivesse que "utar para va"er, não poderiam dispensar nenhum dos radiadores
t6rmicos. &"6m disso, 4arsha"" teria de avisar as focas, para que e"as a$andonassem a (rea
de peri#o.
— :on, preciso de um u'sque — disse Rhodan com um #emido. — Quer arran!ar
um;
O !aponês foi para a parte traseira do $arco, onde estavam empi"hados os suprimentos
de v'veres, armas e muni*es apresadas aos homens de Ras9u!an. 8epois de a"#um tempo
vo"tou sorrindo, com uma #arrafa na mão.
— =ão temos u'sque — disse. — ,m compensa*ão encontrei uma "e#'tima vodca
russa.
I I I
4ais de cem qui"1metros acima do ponto em que se desenro"ava essa cena, outro
homem fe. uma nova tentativa — que por enquanto seria a /"tima — para intervir nos
acontecimentos que se desenro"avam em VênusB era Re#ina"d De"", companheiro de "utas
de Perr% Rhodan e ministro da se#uran*a da Terceira Potência.
Por enquanto De"" tinha de cuidar de sua pr3pria se#uran*a, sendo incapa. de se
preocupar com outras pessoas, pois o #rande c6re$ro positr1nico insta"ado na forta"e.a de
Vênus cercava todo o p"aneta, quase at6 o "imite de sua atmosfera, com um campo
ener#6tico impenetr(ve" que o prote#ia de qua"quer interferência e)terna.
De"" deco"ara da Terra pouco depois de Rhodan, numa nave esf6rica de sessenta
metros de di7metro, da c"asse Eood >ope. =a "in#ua#em oficia" do c3di#o de
comunica*es, essas naves eram chamadas de #irinos.
Thora sofrera um tipo de curto2circuito psico"3#ico. & saudade de seu mundo nata" e
a id6ia de que Rhodan nem pensava em permitir seu re#resso "evaram2na a procurar
au)'"io em Vênus. =esse p"aneta ficava a $ase mais poderosa da Terceira Potência. =ão
era equipada com naves capa.es de enfrentar o espa*o, mas dispunha de hiperemissores,
cu!a potência era tamanha que havia uma $oa chance de que fosse ouvida por quem de
direito.
Thora partira num dos destr3ieres rec6m2constru'dos e, ao se apro)imar da (rea
interditada, que cercava a forta"e.a, sua nave foi destru'da, porque o transmissor em
c3di#o ainda não havia sido insta"ado na mesma. 5oi aprisionada primeiro por
Tomisen9o?, depois por Ras9u!an.
Rhodan se#uiu2a, e o destino que teve !untamente com seus dois acompanhantes não
foi me"hor que o de Thora. Todavia, conse#uiram escapar C prisão. 4as as tentativas de
"i$ertar Thora fa"haram por comp"eto.
O terceiro comparsa foi Re#ina"d De"". Com seu #irino, reunia todas as condi*es
para atin#ir Vênus e penetrar na (rea da $ase. Os recursos t6cnicos de que esta dispunha,
"he permitiriam interferir nos com$ates, "i$ertar Thora, res#atar Rhodan e o$ri#ar Ras9u!an
a entrar nos ei)os. &contece que o c6re$ro positr1nico, advertido pe"a apro)ima*ão não
anunciada das duas naves, fechara Vênus contra o mundo e)terior e assumira o comando
so$re Vênus em #era" e so$re a forta"e.a em particu"ar. Por isso a nave de De"" ficou
cru.ando a"6m da (rea a$ran#ida pe"o anteparo ener#6tico e nem sequer conse#uiu
esta$e"ecer contato permanente pe"o r(dio com Rhodan, pois o anteparo não podia ser
atravessado nem mesmo pe"as ondu"a*es e"etroma#n6ticas, inc"usive as ondas "on#as do
espectro infraverme"ho.
De"" fi.era uma /nica tentativa de "o#rar o dispositivo positr1nico, va"endo2se de um
mutante. O dom parapsico"3#ico de Ta9o La9uta consistia na capacidade da te"eporta*ão.
,stava em condi*es de, sem o au)'"io de quaisquer recursos t6cnicos, transportar2se a
uma dist7ncia de cinq0enta mi" qui"1metros. O am$iente transportador de que se servia era
o hiperespa*o so$repostoA com e)ce*ão da fonte de ener#ia, o mecanismo era idêntico ao
da transi*ão de uma nave espacia".
8epois da primeira tentativa, Ta9o La9uta re#ressara imediatamenteA estava es#otado
ao e)tremo. 5ora de opinião que estivera a caminho durante v(rias horas. =ão havia a
menor d/vida de que a verdade dos fatos era a se#uinteB o dispositivo positr1nico da $ase
de Vênus estava preparado para enfrentar tentativas de rompimento do $"oqueio das
esp6cies mais variadas, inc"usive aque"as que se rea"i.assem em n'veis superiores. ,ra de
duvidar que a $ase mantivesse constantemente um anteparo que a$ran#esse as cinco
dimenses e cercasse todo o p"aneta. Fsso e)i#iria um dispêndio ener#6tico de e)tenses
inconce$'veis. 4as, ao que tudo indicava, a rea*ão do c6re$ro positr1nico face a qua"quer
o$!eto que tentasse penetrar na (rea prote#ida era suficientemente r(pida para que o
mesmo pudesse ser removido para fora dessa (rea.
Ta9o La9uta "evara dois dias terrestres para se recuperar.
=aque"e mesmo dia, De"" "he per#untou se estava disposto a repetir a e)periência.
8eu a"#umas e)p"ica*es.
— Ta"ve. o fracasso da primeira tentativa tenha sido uma coincidência — disse. —
Quem sa$e se da pr3)ima ve. não conse#ue penetrar na forta"e.a sem ser mo"estado; :a$e
muito $em o quanto isso nos a!udaria. <( penetrou na $ase atrav6s de um sa"to de
te"eporta*ãoA est( "em$rado; 5oi daque"a ve. em que Tomisen9o? aca$ara de pousar com
sua frota de quinhentas naves e n3s os espa"hamos pe"os quatro cantos. @ poss've" que o
c6re$ro positr1nico !u"#ue a situa*ão de ho!e mais peri#osa, e por isso tenha ativado outros
campos de defesa. Para fa"ar com franque.a, 6 at6 prov(ve" que se!a assim. 4as não acha
que apesar disso dev'amos fa.er mais uma tentativa;
& fa"a de De"" foi caute"osa, o que contrariava seus h($itos. 8e resto, não era de sua
a"*ada formu"ar pedidos a um mem$ro da Terceira Potência. =a situa*ão em que se
encontrava, tinha o direito de ordenar.
4as sa$ia perfeitamente o que si#nificaria uma se#unda tentativa de Ta9o La9uta. &
primeira fora suficiente para fa.ê2"o atin#ir os "imites de sua resistência f'sica.
Por estranho que parecesse, La9uta não hesitou. Um sorriso um tanto em$ara*ado
espa"hou2se por seu rosto redondo de crian*a.
— @ c"aro que tentarei mais uma ve.. 5a*o votos de que tam$6m desta ve. não sofra
outra coisa a não ser a sensa*ão de ter sido atrope"ado por um tanque.
5i.eram todos os preparativos para a a*ão. De"" mandou que dois tripu"antes da nave
comparecessem C sa"a de comando e ordenou2"hes que cuidassem $em do !aponês, se este
vo"tasse a aparecer.
Ta9o La9uta co"ocou2se em posi*ão. ,m seu rosto havia uma e)pressão fata"ista.
— Vou tentar — anunciou.
& transi*ão propriamente dita não "evou mais de um se#undo. 4a" se notava que os
contornos do corpo de La9uta come*aram a se desvanecer, e o mesmo !( havia
desaparecido.
Re#ina"d De"" conteve a respira*ão. =o interva"o de duas pu"sa*es do cora*ão
atreveu2se a acreditar que desta ve. a tentativa fora coroada de ê)ito... mas a' o !aponês
reapareceu de repente.
5echara os o"hos e o rosto contorcia2se de dor.
Os homens que De"" mandara comparecer C sa"a de comando cumpriram seu dever.
Ta9o La9uta caiu nos seus $ra*os. ,stava inconsciente.
— Jevem2no ao seu camarote — ordenou De"". — , cuidem de"e. &visem2me assim
que recuperar a consciência.
8eu2"hes as costas e fitou a te"a de ima#em, co$erta de massas tur$i"honantes de
nuvens "uminosas.
& se#unda tentativa fracassara.
=ão havia mais nenhuma possi$i"idade de intervir nos acontecimentos que se
desenro"avam em Vênus.
I I I
:on O9ura viu o "itora" emer#ir so$ a forma de um tra*o ne#ro.
5a"tavam quarenta horas para a meia2noite.
5a.ia tempo que 4arsha"" despertara e assumira o posto de Rhodan, para que este
descansasse ao menos a"#uns minutos. :on O9ura era o /nico que ainda não tivera tempo
para dormir.
Por enquanto seus o"hos não podiam ser dispensados.
&s focas re$ocavam o $arco sem cessar.
>aviam ouvido os he"ic3pteros por mais a"#umas ve.es. 8e cada ve. o ru'do fora um
pouco mais forte que da ve. anterior. =ão havia d/vida de que os apare"hos davam $uscas
no mar em fai)as que corriam do su" para o norte ou vice2versa, e que essas fai)as
che#ariam cada ve. mais perto da costa e do $arco em fu#a.
4arsha"" avisara as focas. :e houvesse um ataque, a#uardariam um sina" para sair dos
"a*os e se retirar da (rea de peri#o. 4arsha"" esperava que as coisas não che#assem a esse
ponto, mas não tinha muita certe.a disso.
8epois de um "i#eiro descanso, Rhodan "evantou2se e mandou que o !aponês
dormisse um pouco. O9ura o$edeceuA da"i em diante dependeriam e)c"usivamente do
ouvido. Os o"hos do espia haviam sido e"iminados.
I I I
Pouco depois das du.entas e uma horas, tempo "oca", o o$servador do he"ic3ptero
que ia C frente da esquadri"ha reconheceu um ref"e)o d6$i" e min/scu"o na sua te"a de
radar.
Comunicou2se com o #rosso da for*a e sou$e que !( haviam o$servado a mesma
coisa. Com isso ficava demonstrado que se tratava de um ref"e)o #enu'no.
& posi*ão e)ata do o$!eto foi determinadaA constatou2se que se des"ocava a uma
ve"ocidade consider(ve" em dire*ão ao nordeste.
Cinco minutos depois de rea"i.ada a primeira o$serva*ão, a esquadri"ha tomou o
rumo "este e apro)imou2se do o$!eto desconhecido a toda ve"ocidade. =o momento esse
o$!eto des"ocava2se na pro)imidade da costa da pen'nsu"a.
Para o ma!or que comandava a patru"ha de he"ic3pteros, não havia a menor d/vida de
que esse o$!eto se re"acionava de a"#uma forma com os dois he"ic3pteros desaparecidos.
Ordenou aos o$servadores que não tirassem os o"hos daque"e o$!eto e que uti"i.assem o
dispositivo infraverme"ho assim que se encontrassem C vista do mesmo.
I I I
Rhodan a#u*ou o ouvido.
8e in'cio escutara apenas o costumeiro .um$ido distante da esquadri"ha que se
apro)imava, vindo do su"A a"can*aria seu ponto m()imo numa posi*ão "atera".
4ais uma ve. os he"ic3pteros se apro)imaram, mas por enquanto não havia nenhum
peri#o.
Rhodan esperava que o ru'do se afastasse para o norte, mas isso não aconteceu. Um
novo tom se misturou ao .um$ido.
Rhodan compreendeu imediatamente o que havia acontecido em meio C escuridãoB os
ocupantes dos apare"hos haviam desco$erto a"#uma coisa, comunicavam2se entre si e
tomavam outro curso. Por a"#uns instantes teve esperan*a de que não fosse !ustamente o
$arco. ,ste era feito de massa p"(stica e"astificada e não constitu'a o materia" adequado
para ref"etir uma onda de radar.
4as, quando o ru'do come*ou a crescer com uma intensidade assustadora, Rhodan
perce$eu que se en#anara. Os apare"hos de radar do inimi#o eram me"hores do que
acreditara.
— 4arsha""- &corde :on-
4arsha"" tam$6m estava escutando. Respondeu com um $reve aceno de ca$e*a e
diri#iu2se C proa, para despertar o !aponês. =ão foi f(ci", mas so$ a for*a das
circunst7ncias conse#uiu.
— :on- — #ritou Rhodan. — ,stão atacando. 8iria que são mais ou menos de.
he"ic3pteros. 5ique de o"hos a$ertos.
, depoisB
— 4arsha""...
— :im.
— Transmita o sina" Cs focas. &ntes disso procure sa$er onde poderemos nos a$ri#ar
se conse#uirmos resistir C primeira investida.
— Pois não.
— :on.
— :im.
— & que dist7ncia fica a costa;
— Uns du.entos metros.
Rhodan pra#ue!ou por entre os dentes. =ão poderiam ter "evado mais um minuto para
desco$rir o $arco;
4arsha"" !( entrara em atividade. Com a ha$i"idade que "hes era pecu"iar as focas
so"taram2se dos "a*os e dispararam em dire*ão C costa.
— &s focas moram em cavernas cheias de (#ua at6 a metade da a"turaA desem$ocam
diretamente no mar. &visam que estão dispostas a nos a$ri#ar "(.
Rhodan confirmou com um aceno de ca$e*a.
— ,st( $em. Preparem as armas.
O .um$ido dos he"ic3pteros come*ara a se desmanchar. >( a"#uns se#undos o
ouvido distin#uia entre o chiado a#udo dos !atos e as $atidas dos motores. :on informou
que via nove pontos "uminosos que se apro)imavam pouco acima da superf'cie da (#ua.
— ,stão a uns dois qui"1metros de dist7ncia — acrescentou.
=os /"timos se#undos antes de a$andonarem o $arco as focas ainda o haviam "evado
mais uns cinq0enta metros em dire*ão C costa. ,sta ainda ficava a cento e cinq0enta
metros. Rhodan preveniu os companheiros de que teriam de percorrer essa dist7ncia a
nado, fossem quais fossem as criaturas da f"ora e da fauna aqu(tica que se encontravam no
caminho.
— =o primeiro ataque a$riremos fo#o contra e"es — ordenou. — :e não tremermos
com a mão, seremos capa.es de derru$ar quase uma esquadri"ha inteira. Fsso "hes incutir(
um pouco de respeito. &proveitaremos o tempo que "evarem para se recuperar do susto
para nadar at6 a costa. Pendurem o radiador de impu"sos t6rmicos nas costas. Cada um
"evar( ao menos uma das pisto"as autom(ticas que temos a $ordo, a"6m de uma $oa
provisão de muni*es. =ão se esque*am do mais importanteB procurem che#ar quanto
antes Cs cavernas das focas. 8os he"ic3pteros e"es nos verão mesmo que este!amos
nadando.
4a" aca$ou de pronunciar essas pa"avras, quando :on O9ura "evantou o $ra*o.
— &ten*ão- &"iA estão usando ho"ofotes de "u. infraverme"ha.
:3 o !aponês via os raios enfei)ados que, vindos das a"turas em que se encontrava a
patru"ha de he"ic3pteros, davam $usca pe"a superf'cie do mar. Para O9ura os pontos
cinti"antes em que os raios infraverme"hos atin#iam o mar constitu'am um ind'cio
precioso, que "he permitia ava"iar o tempo que os he"ic3pteros ainda "evariam para
desco$rir o $arco.
— 5a"tam quinhentos metros- — #ritou para Rhodan. — Vêm $em em nossa dire*ão.
G4ão # de admirarH, pensou Rhodan. G.stão voando de tal forma que o refle3o fica
bem no centro da tela! 6sso não # nen%uma arte.H
— 5a"tam du.entos metros- — #ritou O9ura e co$riu o rosto com os dois $ra*os. O
ho"ofote, que para outras pessoas era invis've", ofuscava os o"hos do !aponês.
>aviam sido desco$ertos.
— &$ri#uem2se- — ordenou Rhodan.
&s paredes de p"(stico do $arco forneciam uma prote*ão muito me"hor do que seria
de supor C primeira vista. & massa de p"(stico que cercava o recipiente de ar tinha ao
menos de. cent'metros de espessura. &"6m disso, era um materia" auto2re#ener(ve". O
impacto de um pro!6ti" "i$erava ca"or. , a massa de p"(stico uti"i.ava esse ca"or para fechar
o $uraco a$erto pe"o tiro, recorrendo C su$st7ncia retirada das partes não atin#idas. Com
isso poderiam ser anu"ados efeitos de qua"quer n/mero de impactos comuns, e de cerca de
quin.e impactos de pro!6teis e)p"osivos. Quanto ao d6cimo se)to impacto de pro!6ti"
e)p"osivo...
Um canhão autom(tico come*ou a emitir um ru'do met("ico ininterrupto em meio C
escuridão. Os tiros foram muito curtos. & uns vinte metros do $arco Rhodan viu os
repu)os "uminosos "evantados pe"os impactos.
O9ura "evantou os dois $ra*os, para avisar que os he"ic3pteros se encontravam em
posi*ão de tiro favor(ve". & vo. de Rhodan superou o $aru"hoB
— 5o#o-
O fo#o que sur#iu em frente aos apare"hos foi de um si"êncio sinistro. Rhodan viu
uma som$ra que emitia si"vos e $atidas, diri#iu seu radiador de impu"sos t6rmicos so$re a
mesma e comprimiu fortemente o #ati"ho. 5icou com os o"hos semicerrados para evitar o
ofuscamento produ.ido pe"a "uminosidade da descar#a ener#6tica. Viu quando o raio
ofuscante atin#iu o enorme apare"ho, descarre#ou todo seu potencia" ener#6tico nas
paredes, nos soa"hos e nos instrumentos do mesmo, transformando2os de um instante em
outro num montão de meta" derretido e vo"ati"i.ado, que se desmanchou numa e)p"osão
estrondosa ao tocar a superf'cie da (#ua.
O mesmo fen1meno repetiu2se em mais dois pontos. Perr% Rhodan teve uma
sensa*ão de triunfo quando os outros he"ic3pteros puseram os !atos a uivar e se afastaram
precipitadamente.
— Tudo preparado para nadar;
— Tudo preparado — soou a vo. de O9ura.
— Tudo preparado — respondeu 4arsha"".
— Vamos-
8ei)aram2se cair na (#ua. Jo#o come*aram a nadar com $ra*adas vi#orosas. & (#ua
era #osmenta e um pouco viscosa, mas avan*aram rapidamente e comunicaram2se por
meio de #ritos para não se dispersarem.
O ru'do dos he"ic3pteros vo"tou a crescer. Rhodan viu que O9ura, enquanto nadava,
virou a ca$e*a para o$servar os raios dos ho"ofotes de "u. infraverme"ha. 5e. um #esto
tranq0i"i.ador.
8esta ve. o ru'do dos canhes autom(ticos soou a uma dist7ncia tranq0i"i.adora.
Vo"taram a atacar o $arco.
Ouviu uma s6rie de esta"os e chiados e viu uma chuva de fa'scas quando um dos
pro!6teis atin#iu as muni*es depositadas no $arco. Praticamente no mesmo instante os
he"ic3pteros pararam de disparar. &o que tudo indicava achavam que era imposs've" que
a"#u6m tivesse resistido C e)p"osão.
O9ura avisou que dois dos apare"hos estavam parados pouco acima do $arco.
— Pois procurem nadar mais depressa- — #ritou Rhodan. — Jo#o perce$erão que
escapamos.
— :on, quanto fa"ta;
— :etenta metros.
Procuraram verificar a profundidade da (#ua, mas era quase imposs've" afundar as
pernas nesse "'quido viscoso.
& vo. de O9ura vo"tou a soarB
— &ten*ão- ,stão se apro)imando. Vieram deva#ar. &inda não sa$iam em que
dire*ão os tripu"antes do $arco haviam se afastado. 8ei)aram os ho"ofotes de "u.
infraverme"ha des"i.ar so$re a (#ua.
&inda fa"tavam quarenta metros, ca"cu"ou Rhodan. , os he"ic3pteros estavam a
menos de cem metros atr(s de"es.
:u$itamente 4arsha"" #ritouB
— &qui !( temos chão firme- Podemos caminhar.
Rhodan apro)imou2se do "u#ar de onde vinha a vo.. Viu o vu"to de 4arsha"", que
a#itava os $ra*os, emer#ir da escuridão, e $ai)ou as pernas. :entiu o chão so$ os p6s.
&o andarem não conse#uiram avan*ar muito mais depressa do que nadando, mas era
muito mais confort(ve". &van*aram metro por metro em dire*ão C costa, que come*ou a se
desenhar so$ a forma de um tra*o ne#ro contra a escuridão cin.enta. 4as os he"ic3pteros
tam$6m vinham se apro)imando metro por metro.
8e repente Rhodan ouviu o !aponês so"tar um #emido.
— 8esco$riram2nos.
Rhodan não viu o facho "uminoso do ho"ofote, mas ouviu o ru'do das armas
autom(ticas. Poucos metros C direita os pro!6teis atin#iram a (#ua.
— &s focas estão $em C nossa frente- — #ritou 4arsha"". — Vamos para "(-
O he"ic3ptero corri#iu a pontaria. Rhodan viu a "inha dos pro!6teis se des"ocar em sua
dire*ão. 5a"tavam cinco metros.
Trope*ou so$re a"#uma coisa e caiu esticado na (#ua. &"#uma coisa se#urou2o
vi#orosamente pe"os om$ros e vo"tou a p12"o de p6. 4ais adiante 4arsha"" #ritou a"#uma
coisa que Rhodan não entendia. Parecia ter a vo. muito cava. O que seria;
,ra a caverna- 4arsha"" !( se encontrava no interior de"a. Rhodan viu que os repu)os
"evantados pe"os pro!6teis da arma autom(tica ficavam atr(s de"e. Com uma sensa*ão de
a"'vio trope*ou pe"o chão escorre#adio e co$erto de (#ua. Perce$eu que su$ia
constantemente e aca$ou che#ando a uma p"aca de pedra situada poucos cent'metros acima
da superf'cie da (#ua. 4arsha"", que !( estava sentado, fe.2"he um sina". O !aponês disp1s2
se a su$ir a pedra, vindo do outro "ado.
Rhodan dei)ou que 4arsha"" o a!udasse. &ssim que conse#uiu pu)ar as pernas para
!unto do corpo, dei)ou2se cair. 8eitado de costas, ina"ou em #o"fadas vi#orosas o ar /mido
da caverna das focas.
Os canhes autom(ticos dos he"ic3pteros continuavam a disparar do "ado de fora.
4as a a$ertura da caverna era tão pequena e estava tão cheia de (#ua que os pro!6teis
disparados não mais conse#uiam atin#i2"os.
5
— <( decidiu a"#uma coisa; — per#untou Tomisen9o?.
Thora se assustou quando o viu entrar por $ai)o da "ona. &pesar disso não perdeu a
compostura.
— <( decidi — respondeu em tom a"tivo. — ,stou disposta a cooperar com o senhor,
desde que consi#a me convencer de que e)iste a"#uma chance de sermos $em sucedidos,
por menor que se!a.
Tomisen9o? sentou sem ser convidado e encarou2a com os o"hos semicerrados.
— Posso #arantir — disse — que eu e mais a"#uns dos meus companheiros
poderemos sair do acampamento sem sermos mo"estados e penetrar a"#umas centenas de
metros na se"va. O que acontecer depois depende da capacidade de sua "end(ria forta"e.a
de Vênus de nos prote#er contra os he"ic3pteros e as patru"has de Ras9u!an.
Um $ri"ho de suspeita i"uminou os o"hos averme"hados de Thora.
— :e acredita que dessa forma conse#uir( penetrar no interior da $ase, est( muito...
Tomisen9o? interrompeu2a com um #esto nervoso.
— Para mim o tempo passou — asseverou. — =ão estou interessado em sua $ase.
Posso viver sem e"a.
— &fina", no que est( interessado; — per#untou Thora com um certo tom de ironia
na vo..
Tomisen9o? encarou2a.
— ,stou interessado — respondeu — em impedir que um idiota fa*a tudo quanto 6
$esteira em Vênus. &t6 parece que a senhora ainda não conhece a ra*a terrena a que
pertencemos.
— =unca tive interesse em conhecê2"a — respondeu Thora em tom reservado.
Tomisen9o? não parecia ofendido.
— Um dia a senhora devia procurar conhecer — disse em tom pensativo. — :omos
uma ra*a $em interessante. Dasta que se ve!a, por e)emp"o, que um ano que passamos em
Vênus quase sem recursos $astou para que eu e a maioria de meus companheiros nos
apai)on(ssemos por este mundo horr've". :omos os primeiros que passamos um ano
inteiro aqui sem casas pr62fa$ricadas, camas macias e outras comodidadesA vivemos nas
se"vas e nos va"es que cortam as montanhas e de noite sempre dormimos em cima das
(rvores. Vênus nos pertence. <( não somos russos, mas venusianos ou coisa que o va"ha.
Por isso sua $ase não me interessa nem um poucoA e 6 tam$6m por isso que quero evitar
que Ras9u!an continue a $rincar de ditador por aqui. & senhora compreende;
Thora não respondeu.
— ,st( $em — disse depois de a"#um tempo. — :airemos !untos deste campo de
prisioneiros. =ão posso fa.er nenhuma promessa. 4as ta"ve. pud6ssemos or#ani.ar a fu#a
da se#uinte maneiraB...
I I I
Rhodan s3 se permitiu a"#uns minutos de descanso. 8epois "evantou2se.
— 4arsha"", di#a Cs focas que têm de sair quanto antes desta caverna.
Os he"ic3pteros haviam se retirado. =o interior da caverna reinava o si"êncio,
interrompido apenas pe"o ru'do das ondas e pe"o arrastar das $ar$atanas das focas so$re a
rocha mo"hada dos fundos.
4arsha"" transmitiu a advertência.
— =ão sa$em por quê — disse a Rhodan.
— Porque esses he"ic3pteros não terão coisa mais ur#ente a fa.er que co"ocar
a"#umas $om$as tipo $a$% $em C frente do nosso nari..
4arsha"" tam$6m transmitiu essa mensa#em, em$ora fosse um tanto dif'ci" fa.er as
focas compreenderem o que vinha a ser uma $om$a $a$%.
— ,stão de acordo — disse depois de a"#um tempo.
— ,sta caverna tem a"#uma sa'da para o "ado da terra; — inda#ou Rhodan.
4arsha"" formu"ou a per#unta.
— :im, uma esp6cie de ref/#io. 4ais precisamente, uma #a"eria que so$e num p"ano
inc"inado e sai $em em meio C se"va.
— 5ormid(ve". =3s a uti"i.aremos. &credito que o pessoa" de Ras9u!an deve ter
dei)ado, em a"#um "u#ar "( fora, um he"ic3ptero que deve o$servar o terreno. :e pudermos
desaparecer sem sermos notados, teremos uma 3tima vanta#em.
Procurou ava"iar o raio de a*ão da $om$a que se esperava e pediu a 4arsha"" que
comunicasse Cs focas qua" era a dist7ncia m'nima que deveriam #uardar da caverna para
não sa'rem machucadas.
Constatou2se que para as focas a mudan*a não representava qua"quer pro$"ema. Por
sua pr3pria nature.a eram uma ra*a inconstante, e ao "on#o da costa havia mi"hares de
cavernas. Prometeram que iriam advertir outros #rupos de focas que se encontravam na
(rea amea*ada.
4arsha"" tam$6m deu sua contri$ui*ãoB atrav6s de uma mensa#em te"ep(tica,
repetida v(rias ve.es, preveniu todas as focas que se encontravam nas redonde.as.
5ina"mente procurou e)p"icar Cs focas que aque"es aos quais haviam prestado au)'"io
sentiam2se muito #ratos e que Rhodan estava disposto a cumprir qua"quer dese!o que
tivessem, desde que isso estivesse ao seu a"cance.
4as, por espantoso que fosse, as focas não tinham nenhum dese!o. :uas necessidades
eram muito redu.idas e o mundo de Vênus era opu"ento. 8espediram2se uns dos outros
com protestos de ami.ade m/tua — que eram um tanto desa!eitados, em virtude da
diferen*a de menta"idades.
Rhodan e seus companheiros puseram2se a caminho. Raste!aram por uma #a"eria de
cerca de cem metros de comprimento que fedia a pei)e e 3"eo de $a"eia e ma" dava para
andarem de quatro. 4ais ou menos Cs du.entas e duas horas atin#iram o mundo e)teriorA
num ponto $em afastado da costa, onde a se"va impenetr(ve" os prote#ia.
&s focas haviam fornecido uma descri*ão apro)imada do terreno a 4arsha"". &
topo#rafia desses animais não che#ava a ser uma ciência, mas $astou para que Rhodan
constatasse que a fai)a de terra vertica", que "i#ava a pen'nsu"a com a "inha costeira do
continente norte, devia se encontrar entre oito e quin.e qui"1metros de dist7ncia do "u#ar
em que se encontravam.
— Pois $em — disse — são quin.e qui"1metros no m()imo at6 a fai)a que "i#a a
pen'nsu"a ao continente. O campo ener#6tico da $ase come*a a uns vinte qui"1metros ao
norte da "inha costeira. Fsso perfa., na pior das hip3teses, um tota" de trinta e cinco
qui"1metros at6 o campo ener#6tico. &"i devemos encontrar um meio de ativar o
mecanismo identificador do c6re$ro positr1nico. , depois disso — es$o*ou um sorriso
cansado — o pior ter( ficado para tr(s.
I I I
Pisando fortemente, o ca$o K"assov saiu da escuridão e correu em dire*ão C
sentine"a postada !unto ao portão.
— Preciso de au)'"io — fun#ou. — Tomisen9o? desapareceu.
<unto ao portão do primitivo campo de prisioneiros havia cinco homensA o mais
#raduado era o sar#ento. 8ois homens foram destacados para a!udar K"assov na $usca do
#enera" desaparecido. O sar#ento preveniu K"assov.
— Vocês dispem de quin.e minutos para encontrar Tomisen9o?. 8epois terei de
avisar a ocorrência.
K"assov respondeu com um aceno de ca$e*a e desapareceu na escuridão !untamente
com os dois homens que o acompanhavam. Uma das sentine"as "i#ou a "anterninha para
i"uminar o caminhoA mas K"assov deu uma pancada no $ra*o do homem.
— &pa#ue isso- — chiou. — :e e"e nos vê de "on#e, não dei)ar( que o a#arremos.
O ar#umento era $em p"aus've", ainda mais que K"assov conhecia de cor o caminho
at6 a $arraca de Tomisen9o?. Caminhou C frente e pouco se importou quando su$itamente
a"#umas som$ras emer#iram da escuridão, sa"taram so$re seus companheiros e "hes
comprimiram a #ar#anta at6 que e"es perdessem a consciência.
— Tudo em ordem — cochichou uma vo.. — Tirem a roupa de"es.
K"assov deu meia2vo"ta e vo"tou a"#uns passos. 8ois homens estavam tirando os
uniformes das sentine"as inconscientes.
— =ão se apressem — disse K"assov em tom tranq0i"o. — Temos tempo. O
sar#ento não avisar( a ocorrência antes de quin.e minutos.
&s duas sentine"as foram amarradas, amorda*adas e escondidas entre as moitas. O
campo de prisioneiros estava se#uro contra animais se"va#ens, com e)ce*ão das formi#as
#i#antes. 8esde que estas não assa"tassem o acampamento !ustamente na pr3)ima hora, a
vida dos dois homens amarrados não correria peri#o.
Uma som$ra $ai)a e atarracada destacou2se em meio C escuridão. K"assov "evou
uma pancada vi#orosa no om$ro.
— Tra$a"ho $em feito, rapa. — disse Tomisen9o? em tom de e"o#io.
K"assov deu um sorriso de em$ara*o.
— =ão me sinto muito $em com isso — respondeu.
Tomisen9o? fe. um #esto de despre.o.
— Fsso passa — disse "aconicamente.
Um dos outros homens anunciouB
— Terminamos, chefe.
— 4uito $em — resmun#ou Tomisen9o?. — ,stão todos reunidos; K"assov,
&"icarim, <e#orov, Me"ins9i!. Onde est( Thora;
— ,stão todos aqui, chefe.
Tomisen9o? fe. um #esto com a ca$e*a.
— ,st( $em. Vamos em$ora.
O sar#ento postado !unto ao portão não desconfiou de nada quando, depois de um
tempo re"ativamente curto, K"assov vo"tou acompanhado de dois homens cu!o rosto não
podia reconhecer. :eus acompanhantes usavam os uniformes "impos que distin#uiam as
tropas de Ras9u!an dos homens esfarrapados da divisão espacia".
— Tudo em ordem; — per#untou o sar#ento.
K"assov acenou com a ca$e*aA parecia a"iviado.
— Tudo. Passou por $ai)o da "ona de $arraca e deu um passeio. =ão acredito que...
=ão precisou di.er mais nada. <( havia che#ado perto do sar#ento. =um movimento
instant7neo "evantou a mão que se#urava a pesada pisto"a pe"o cano e com a coronha deu
uma pancada vio"enta na ca$e*a do homem. K"assov se#urou o pesado corpo do sar#ento
e dei)ou2o cair suavemente em meio ao capim.
Uma das outras sentine"as p1s a ca$e*a para fora da ca$ana primitiva que servia de
#uarita.
— O que houve; O que aconteceu com...
K"assov fe.2"he um sina" para que se apro)imasse.
— Venha c(. Caiu de repente.
:em desconfiar de nada a sentine"a disp12se a vir em au)'"io do sar#ento. Quando
inc"inou2se so$re o homem inconsciente, rece$eu uma pancada i#ua"mente vio"enta e seu
corpo f"(cido e inconsciente co$riu o de seu superior.
K"assov não perdeu muito tempo com a /"tima sentine"a. :e#urou a pisto"a pe"a
coronha e entrou na ca$ana. O homem o"hou2o com o rosto sono"ento.
— Jevante2se e ponha as mãos para cima- — ordenou K"assov.
O homem o$edeceu, ainda sono"ento e quase morrendo de susto.
— :aia C minha frente-
4ais uma ve. o homem fe. o que "he fora ordenado. &o sair da porta, um dos
homens de Tomisen9o? que haviam vindo com K"assov deu2"he uma pancada na ca$e*a,
o que o fe. cair duro, ta" qua" seus camaradas.
K"assov so"tou dois asso$ios a$afados. & escuridão adquiriu vida. Tomisen9o?,
&"icarim e Thora che#aram ao portão.
— Vamos amarr(2"os, amorda*(2"os e tirar2"hes as armas — ordenou Tomisen9o?
"aconicamente.
O tra$a"ho pro#rediu rapidamente. Os três homens inconscientes tam$6m foram
escondidos nas moitas num "u#ar $astante afastado da ca$ana. ,ra de supor que a $usca
dos fu#itivos demoraria at6 que a ronda encontrasse as sentine"as desaparecidas.
&o todo haviam sido derru$adas e escondidas sete sentine"asB uma adiante da $arraca
de Thora e da que &"icarim, <e#orov e Me"ins9i! ocupavam em con!unto, as duas que o
sar#ento havia destacado para acompanharem K"assov e fina"mente o sar#ento com os
dois su$ordinados que ainda "he restavam.
& oitava das sentine"as desaparecidas daria a"#uma dor de ca$e*a C rondaB era
K"assov. ,ra dif'ci" de ima#inar que um dos so"dados de Ras9u!an preferisse renunciar C
se#uran*a e ao conforto do campo de fo#uetes para se#uir um homem que, no "in#ua!ar de
Ras9u!an, era um simp"es aventureiro, enfrentando a inse#uran*a e as priva*es.
Ta"ve. essa dor de ca$e*a retardasse o in'cio da $usca por mais a"#uns minutos.
O pequeno #rupo, com Tomisen9o? na ponta, passou pe"o portão tota"mente a$erto.
K"assov, que carre#ava duas pisto"as autom(ticas e um pesado em$ru"ho com muni*es,
ia na reta#uarda. 5echou cuidadosamente o portão.
Tomisen9o? tomou o rumo nordeste, para contornar a (rea peri#osa do campo de
pouso dos fo#uetes. Cinco minutos depois che#aram C se"va no "u#ar em que terminava a
fai)a de terra ca"cinada.
K"assov conhecia os p"anos de Tomisen9o?. Queria atin#ir quanto antes o campo
protetor da $ase que a Terceira Potência possu'a em Vênus. & id6ia de rou$ar um
he"ic3ptero "o#o foi a$andonada. O apare"ho não conse#uiria deco"ar sem ser perce$ido.
8entro de poucos minutos os homens se poriam em seu enca"*o e, numa re"a*ão de for*as
de um para vinte, não podia haver qua"quer d/vida quanto ao resu"tado da perse#ui*ão.
Tam$6m desistiram da id6ia de usar a fai)a ca"cinada a$erta pe"a :tardust2FFF para
avan*ar mais depressa. Ras9u!an "o#o ima#inaria que fossem adotar esse procedimento.
,m$renhando2se pe"a se"va en#anariam Ras9u!an e estariam prote#idos contra a visão
direta.
Tomisen9o? sa$ia que a fu#a não seria desco$erta antes da pr3)ima ronda, que seria
rea"i.ada dentro de duas horas. @ a e)periência !( "he ensinara que as tri"has a$ertas na
se"va se fechariam dentro de uma hora e meia no m()imo, a ta" ponto que nenhum dos
homens de Ras9u!an conse#uiria distin#ui2"os do restante da se"va de Vênus.
8essa forma os pro$"emas com que Tomisen9o? se defrontava haviam sido
so"ucionados com um #rau m()imo de se#uran*a. :3 mesmo um fato imprevisto faria com
que o #rupo fosse desco$erto e recapturado enquanto Tomisen9o? se encontrasse no
comando.
O que viria depois era outra coisa. K"assov não entendia muito das coisas conce$idas
pe"a arc1nida e que depois sou$era de Tomisen9o?, isto 6, de terceira pessoa. Tratava2se
do campo protetor, onde, durante um ano, Ras9u!an es$arrara diariamente com a ca$e*a.
Thora parecia estar convencida de que o mecanismo que mantinha o campo ativado devia
ter efetuado a"#uma "i#a*ão especia" e que !ustamente essa "i#a*ão daria a e"a e aos seus
companheiros uma chance de atravessar a (rea do campo e penetrar na $ase.
K"assov não compreendia nada disso. 4as confiava na inte"i#ência de Tomisen9o?.
:e este acreditava que os p"anos de Thora tinham a"#uma chance, esta rea"mente devia
e)istir.
I I I
,ncontravam2se cerca de dois qui"1metros da sa'da da #a"eria quando a $om$a $a$%
e)p"odiu. Por a"#uns se#undos uma "u. p("ida co$riu o terreno, penetrando mesmo atrav6s
da fo"ha#em da se"va. Trinta se#undos depois, a va#a de pressão desencadeada pe"a
detona*ão da $om$a #emeu acima da f"oresta.
Fsso não os pertur$ou. Tratava2se de uma $om$a de fusão, cu!a mat6ria f'ssi" não
atin#e o n've" cr'tico, mas que, atrav6s de uma mat6ria ref"etiva $astante efica., como a
#rafite ou o $er'"io, no momento da detona*ão u"trapassa o fator de criticidade um. &
radiatividade desencadeada pe"a mesma s3 atin#e um n've" peri#oso nas imedia*es do
"oca" da e)p"osão. & caverna das focas, que "hes servira de a$ri#o por a"#uns minutos, e a
(rea situada num raio de quinhentos metros da mesma, constituiriam um terreno peri#oso
por mais a"#um tempo. 4as nin#u6m sofreria qua"quer dano, a não ser que as focas não
"evassem a s6rio a advertência que "hes fora feita.
&pesar disso, Perr% Rhodan viu na detona*ão da $om$a mais uma prova do peri#o
que se correria se um homem como o corone" Ras9u!an pudesse a#ir C vontade em Vênus.
=ão compreendia que um mundo novo e)i#e o empre#o de novos m6todos. & id6ia de que
a po"'tica da Terra, inspirada nas am$i*es naciona"istas, não poderia ser transp"antada
para ser praticada em Vênus u"trapassava a capacidade de seu hori.onte menta".
&os homens desse tipo fa"tava aqui"o que Rhodan costumava desi#nar como a
menta"idade c3smica.
Rhodan "amentou que não estivesse ainda em condi*es de ensinar a Ras9u!an qua"
era seu "u#ar. 8os trinta e cinco qui"1metros que, na pior das hip3teses, teriam de vencer
para a"can*ar o "imite do campo ener#6tico, s3 haviam percorrido dois. 8entro das
pr3)imas cinco horas teriam que fa.er uma pausa de descanso $astante e)tensa, pois do
contr(rio suas pernas e mentes entrariam em pane sem pr6vio aviso.
8esfrutaram de um descanso no n've" mais e"evado e menos peri#oso da se"va. :on
O9ura "oca"i.ou a (rvore que prometia o #rau mais e"evado de conforto e se#uran*a. & uns
quarenta metros de a"tura a"can*aram com a"#um esfor*o uma $ifurca*ão $astante e)tensa
para "hes proporcionar um a$ri#o se#uro. Rhodan disp1s2se a ficar de sentine"a durante as
primeiras duas horas. 8epois foi a ve. do !aponês, e o /"timo per'odo cou$e a <ohn
4arsha"".
Fnsta"aram2se o me"hor que puderam e da"i a um minuto 4arsha"" e O9ura !( estavam
dormindo profundamente. Rhodan aproveitou o tempo para ref"etir so$re um ou outro
pro$"ema que ainda não tinha sido reso"vido.
>( um ano privara a divisão espacia" comandada pe"o #enera" Tomisen9o? de suas
naves e a tan#era na se"va. Pretendia fa.er dos de. mi" homens de Tomisen9o?, ou daqui"o
que restava dos mesmos, a $ase da co"oni.a*ão de Vênus. O p"ano parecia ra.o(ve". &
divisão de Tomisen9o? dispersara2se, conforme era de esperar. >ouve a forma*ão de
#rupos dissidentes que propu#navam esta ou aque"a fi"osofia, como por e)emp"o o dos
pacifistas, comandado pe"o tenente Ka""erins9i. & dissidência não dei)ou de ser
acompanhada de atritos internos. 4as com o tempo os #rupos come*aram a se fi)ar no
so"o, a maior parte de"es em forma*es rochosas que se er#uiam em meio C se"va espessa e
mort'fera, formando p"ana"tos desimpedidos que ofereciam aos co"onos um m()imo de
se#uran*a e visi$i"idade.
&contece que no meio tempo o corone" Ras9u!an pousou em Vênus com sua frota de
apoio. 8urante um ano tentou conquistar a $ase da Terceira Potência e com isso, sem que
o sou$esse, deu tempo para que Tomisen9o? e seus homens se insta"assem em Vênus.
4as che#ou o momento fata" em que Ras9u!an teve conhecimento da e)istência dos
remanescentes da divisão espacia" e se disp1s a su$!u#(2"os, para rea"i.ar seus p"anos
ditados pe"a sede do poder.
8e qua"quer maneira Ras9u!an representava uma pedra no caminho. Tinha de ser
removido antes que pudesse causar danos ainda maiores. Ras9u!an não dei)ava de ser /ti",
pois a maior parte dos tripu"antes de sua frota era composta de mu"heres que se tornavam
necess(rias para fa.er da co"1nia uma autarquia $io"3#ica. 4as so$ todos os outros
aspectos o corone" representava um o$st(cu"o.
=a opinião de Rhodan, Tomisen9o? era o homem que poderia fa.er prosperar a nova
co"1nia. , o ressentimento pessoa" não entrava nessa opinião. Rhodan não sa$ia se !amais
che#aria a esta$e"ecer contato direto com Tomisen9o?. Tudo que sa$ia daque"e homem
provinha dos re"atos dos prisioneiros que h( um ano capturara em Vênus. O quadro
resu"tante desses re"atos não era muito a#rad(ve" nem harm1nico. 4as, conquanto não o
conhecesse pessoa"mente, Rhodan acreditava ter encontrado uma qua"idade favor(ve" em
Tomisen9o?B no ano que se passara, Vênus fe. daque"e homem uma criatura modesta e
compreensiva.
:uas ref"e)es haviam che#ado a este ponto quando entre a imensa variedade dos
ru'dos que a se"va produ.ia a todo instante so$ressaiu um farfa"har entrecortado, que
parecia vir de um "u#ar muito pr3)imo. Rhodan apro)imou2se na escuridão do #a"ho
$ifurcado e procurou o$servar a ori#em do ru'do. Os o"hos adaptados C escuridão
en)er#avam a uma dist7ncia de cerca de três metros, o suficiente para se defender com o
radiador de impu"sos t6rmicos contra qua"quer coisa que pudesse se tornar peri#osa.
&"#o comprido, estreito e m3ve" entrou no campo de visão, vindo de cima. Por a"#um
tempo $a"an*ou ao acaso entre os #a"hosA depois deu um so"avanco, cresceu para $ai)o e
arrastou atr(s de si um montão e"(stico como o resto, que mudava constantemente de
forma, des"i.ando (rvore a$ai)o por uma tri"ha #osmenta por e"e mesmo produ.ida.
Rhodan reconheceu o anima". ,ra um daque"es p3"ipos que viviam no so"o onde
constru'am suas armadi"has su$terr7neas, mas ve. por outra punham2se a ca*ar, isso
quando as presas que ca'am na armadi"ha não $astavam para saciar a fome.
Rhodan a#uardou pacientemente. :a$ia perfeitamente que seria in/ti" atirar contra o
tent(cu"o que $a"an*ava diante de seu rosto.
Por a"#um tempo o corpo f"(cido do p3"ipo, co$erto de uma pe"e dura, escondeu2se
na densa fo"ha#em. 8epois desceu, arranhando a (rvore, co"ocou2se numa posi*ão
favor(ve" e p1s o tent(cu"o a sair em $usca da primeira presa.
Rhodan manteve2se quieto quando o tent(cu"o escamoso e repu#nante passou por
cima de seu cr7nio, caiu so$re o om$ro direito e come*ou a en"a*(2"o pe"a cintura. =um
movimento "ento e caute"oso "evantou o radiador t6rmico e diri#iu o cano so$re a massa
vo"umosa formada pe"o corpo do anima". &poiou o p6 contra o #a"ho que, da forqui"ha,
partia para a direitaA quando o tent(cu"o come*ou a se esfor*ar para arrast(2"o, atirou.
& pontaria foi e)ata, conforme era necess(rio num disparo de radiador t6rmico. O
raio ofuscante atin#iu o corpo do p3"ipo no ponto mais distante da (rvore. & su$st7ncia
or#7nica queimou e se vo"ati"i.ou num chiado, derramando uma chuva de fa#u"has
amare"entas na escuridão da se"va. Rhodan sentiu que a for*a do tent(cu"o diminu'a.
8esprendeu2se e tam$6m foi consumido pe"o ca"or a$sorvido pe"o corpo do p3"ipo.
Poucos se#undos depois, uma mancha ne#ra, que a com$ustão produ.ira na casca da
(rvore, era o /nico vest'#io do peri#o que amea*ara os três homens a$ri#ados na forqui"ha.
Rhodan mudou de "u#ar e continuou a o$servar a escuridão. Fncidentes desse tipo
eram re"ativamente raros naque"a a"turaA não era de supor que durante o seu tempo de vi#ia
a pa. vo"tasse a ser pertur$ada.
Recostou2se e vo"tou a mer#u"har em suas ref"e)es. Que$rou a ca$e*a para
desco$rir de que forma poderia tra.er prosperidade C !ovem co"1nia de Vênus, caso
conse#uisse sair vivo da aventura.
I I I
,ra um acampamento primitivoA mas, com e)ce*ão de Thora, nin#u6m se incomodou
com isso, e at6 mesmo e"a preferiu não di.er nada.
8eitados no chão /mido e morno, mantiveram2se em si"êncio e sono"entos. O /nico
que parecia interessado em a"#uma coisa era Tomisen9o?, que conversava com Thora
so$re as possi$i"idades de penetrar na $ase apesar da e)istência do campo protetor.
— Pe"o que entendi — disse Tomisen9o? — a senhora tem esperan*a de que o
c6re$ro positr1nico insta"ado na forta"e.a a reconhe*a e "he franqueie o acesso. :er( que 6
assim;
Thora acenou com a ca$e*a, um pouco eno!ada.
— =ão tenho nenhuma certe.a — disse. — Pe"o que sei, o c6re$ro positr1nico
assumiu o comando da $ase em virtude de v(rios incidentes #raves. Fsso si#nifica que o
tipo de "i#a*ão que permite o acesso de um mem$ro da Terceira Potência na $ase, caso
se!a irradiado com um emissor especia" o sina" convencionado em c3di#o, est( superada.
Para n3s isso 6 3timo, pois não dispomos de um emissor especia" para a transmissão de
sinais codificados e os materiais de que dispomos não possi$i"itam a constru*ão do
mesmo. =ossa /nica esperan*a 6 que ta"ve. o c6re$ro positr1nico, assim que che#uemos
ao "imite do campo protetor, reconhe*a minhas vi$ra*es cere$rais como sendo as de uma
pessoa autori.ada, e por isso a$ra a $arreira.
O"hou para Tomisen9o?, e este se admirou com a e)pressão de perp"e)idade que
havia em seus o"hos.
— Fnfe"i.mente não sei se o c6re$ro positr1nico me reconhecer( como pessoa
autori.ada. :e Rhodan estivesse conosco, não haveria a menor d/vida de que ser'amos
$em sucedidos. 4as estando so.inha...
8ei)ou de pronunciar o resto da frase. Tomisen9o? sentiu a necessidade de conso"(2
"a. 4as antes que "he ocorresse uma coisa apropriada que poderia di.er, ouviu um ru'do
que desviou sua aten*ão su$itamente e por comp"eto para coisas tota"mente diversas.
Thora não sa$ia o que havia acontecido. =ão ouvira nada.
— &"icarim- — #ritou Tomisen9o?.
— :im, chefe — respondeu o homem $ai)o de o"hos o$"'quos vindo da Quir#u'.ia.
— Ouvi. @ um tirano.
8isse2o em tom indiferente, quase entediado.
— Vem do "este2nordeste — acrescentou Me"ins9i!.
, <e#orov comp"etouB
— Tenho a impressão de que vai diretamente para o "ado do p7ntano.
Tomisen9o? fe. um #esto com a ca$e*a.
— 5iquem $em quietos, rapa.es — disse a seus homens. — Ta"ve. passe por n3s
sem nos perce$er.
8a escuridão ouviram as vo.es dos homens que confirmaram o rece$imento da
ordem.
— O que 6; — per#untou Thora, nervosa. — Um s(urio;
— Fsso mesmo. =ão est( ouvindo;
Thora "evantou a ca$e*a e a#u*ou o ouvido.
— :e est( se referindo Cqui"o que, de minuto em minuto, fa. um ru'do — disse
depois de a"#um tempo — eu...
— =ão 6 de minuto em minuto — respondeu Tomisen9o? com um sorriso. — O
interva"o 6 de trinta a quarenta se#undos.
— Por que 6 chamado de tirano;
— Porque 6 o /nico carn'voro entre os s(urios. Come tudo que atravessa no seu
caminho, desde que se trate de su$st7ncia anima". &t6 che#a a atacar s(urios de outras
ra*as, mesmo que se!am maiores que e"e. @ c"aro que não conse#ue devor(2"os tota"mente.
&rranca os me"hores peda*os e dei)a o resto para as formi#as.
Thora ouviu2o, espantada.
— Por que anda tão deva#ar;
— 8eva#ar; — Tomisen9o? so"tou uma estrondosa #ar#a"hada. — 8es"oca2se a
uma ve"ocidade de vinte qui"1metros por hora. @ o /nico s(urio que costuma andar com o
corpo ereto. Eera"mente s3 usa as patas dianteiras para a#arrar sua presa. @ menor que a
maioria dos s(urios mas, andando ereto, sua a"tura 6 pe"o menos de. metros maior. :3 as
pernas têm cerca de quin.e metros de a"tura. @ s3 ca"cu"ar quantos passos tem de dar por
minuto para que esses mem$ros provoquem um des"ocamento de vinte qui"1metros por
hora. =ão são mais que um e meio a dois.
Thora compreendeu.
Os passos retum$antes, que pareciam um terremoto, tornavam2se cada ve. mais
fortes. Os outros ru'dos da se"va cresceram na mesma propor*ão. Os animais fu#iam
daque"a criatura poderosa.
— Vamos ficar sentados at6 que e"e nos pise; — per#untou Thora, um pouco
assustada.
5e. um #esto indefinido para a escuridão.
— Para qua"quer "u#ar... para "on#e daqui.
— , como podemos sa$er que não passar( !ustamente no "u#ar em que pretendemos
nos esconder de"e; :a$e di.er em que dire*ão est( andando;
Thora sacudiu a ca$e*aA parecia perp"e)a.
— &"6m disso, não precisa ter medo de ser pisada — prosse#uiu Tomisen9o?.
— :er( que não;
— =ão. Um tirano não pisa suas v'timasA e"e as devora. , tem um nari. e)ce"ente
para fare!ar sua presa. =ão tenha a menor d/vida.
8epois de ter dado esse tipo de conso"o a Thora, raste!ou para onde estava &"icarim.
,ste havia removido a ve#eta*ão de um peda*o de chão e comprimiu o ouvido contra o
so"o para escutar me"hor.
— Como estão as coisas; — per#untou Tomisen9o? em russo.
&"icarim fe. uma careta.
— 4a". =a me"hor das hip3teses passar( a cinq0enta metros daqui.
Tomisen9o? se assustou.
— Cinq0enta metros não 6 nada — resmun#ou. — :eu faro a"can*a o trip"o dessa
dist7ncia.
&"icarim confirmou com um aceno de ca$e*a.
Tomisen9o? virou2seB
— &ssumam posi*ão de com$ate, rapa.es. &o "ado dos troncos das (rvores. , fa*am
$oa pontaria.
O"hou para o "ado e viu K"assov, que não sa$ia o que fa.er.
— =ão fique de p6 por a' — disse Tomisen9o? em tom contrariado. — @ um tirano
que vai devorar você se ficar de p6 diante de suas patas. Pe*a a <e#orov que "he mostre
como se deve esperar um tirano. , não se esque*a de uma coisaB se e"e $ai)ar a ca$e*a
para dar uma o"hada na #ente, atire no o"ho de"e. @ o /nico ponto vu"ner(ve" de seu corpo.
,ntendido;
— ,ntendido — respondeu K"assov com um n3 na #ar#anta.
&"icarim permaneceu at6 o /"timo instante em seu posto de escuta. Tomisen9o?
procurou se a$ri#ar atr(s de um tronco. Uma ve. em posi*ão, fe. sina" a &"icarim, que
desistiu de escutar.
O quir#ui. es#ueirou2se para um "u#ar que "he fornecia a$ri#o e co"ocou a pisto"a
autom(tica ao seu "ado.
— ,st( a menos de vinte metros — fun#ou. — 8entro de três ou quatro minutos e"e
nos fare!ar(.
Tomisen9o? se "imitou a acenar com a ca$e*a.
:u$itamente, entre dois dos passos retum$antes do s(urio, ouviu um ru'do diferente.
:o$ressa"tou2se e "evou a"#um tempo para compreender que o ouvido não o en#anara.
&s preocupa*es com o tirano quase fi.eram com que se esquecesse de Ras9u!an.
Tomisen9o? come*ou a rir, e &"icarim, que tam$6m ouvira o ru'do, acompanhou a
#ar#a"hada.
— Com todos os dem1nios — #emeu Tomisen9o?. — :e essa #ente não se cuidar, o
tirano os devorar( !untamente com o he"ic3ptero.
I I I
,ra um /nico apare"ho, cu!a tripu"a*ão consistia como de costume em dois homens,
um tenente e um sar#ento. O sar#ento pi"otava a m(quina, o tenente o$servava o terreno.
>( pouco o tenente murmuraraB
— Eostaria de sa$er como a"#u6m pode reconhecer pessoas em meio a esse tapete
enredado.
, a#ora o raio do ho"ofote de "u. infraverme"ha desco$riu a"#uma coisa que nada
tinha que ver com o o$!etivo de suas $uscas, mas assim mesmo ocupou toda sua aten*ão.
,ra um pesco*o ro$usto e muscu"oso, que u"trapassava ao menos em de. metros a
co$ertura da se"va, e por cima de"e uma ca$e*a enorme de focinho "ar#o, que $a"an*ava
suavemente so$re a co"una formada pe"o pesco*o.
Ordenou ao sar#ento que su$isse cinq0enta metros e mantivesse o apare"ho im3ve".
&trav6s de seu instrumento de v1o ce#o, que na rea"idade era um apare"ho r'#ido de "u.
infraverme"ha, o sar#ento tam$6m havia perce$ido o s(urio. ,)ecutou a ordem e
imo$i"i.ou o apare"ho numa a"titude se#ura, cerca de oitenta metros do "u#ar em que se
encontrava o anima".
— Tam$6m parou — constatou o tenente. — &o que parece não se interessa por n3s.
8esco$riu a"#uma coisa.
I I I
Tomisen9o? virou a ca$e*a e o"hou para Thora, que tam$6m se a$ri#ara atr(s de
uma arvore e se#urava uma das pisto"as autom(ticas que so$ravam. Tomisen9o? viu seu
ca$e"o "ouro2c"aro $ri"har na escuridão.
— 5ique quieta — #ritou em in#"ês. — :a$eremos "idar com e"e.
Thora respondeu em tom ir1nicoB
— =ão se preocupe comi#o. :3 estou interessada em sa$er quanto va"em esses seus
"an*a2#ranadas antiquados.
Com um resmun#o de satisfa*ão, Tomisen9o? vo"tou a o"har para o outro "ado.
8e repente cessou o ru'do que o s(urio produ.ia com seu des"ocamento pe"a f"oresta.
Tomisen9o? asso$iou por entre os dentes.
— ,"e nos fare!ou — comentou &"icarim.
Tomisen9o? se apoiou nos $ra*os e #ritou para a escuridãoB
— ,"e nos desco$riu, rapa.es. O espet(cu"o vai come*ar.
=o seu su$consciente perce$eu que o he"ic3ptero tam$6m não se des"ocava mais.
Parado acima da co$ertura ve#eta" da se"va, parecia o$servar o s(urio.
K"assov não estava #ostando daqui"o. =ão era do seu #osto esperar um inimi#o no
escuro, ainda mais quando nem sequer sa$ia como e"e era. ,stava deitado atr(s de uma
(rvore $em #rossa, conforme <e#orov "he recomendaraA mas o pr3prio <e#orov estava tão
distante que K"assov não o via.
4as ouviu o #rito de advertência de Tomisen9o? e estreitou a mão em torno da
arma. ,nfiara ne"a um pente de $a"as em posi*ão de disparar, com dois pentes de reserva.
4ais de. pentes se encontravam no chão, ao a"cance de suas mãos.
:u$itamente o cen(rio vo"tou a se movimentar. K"assov ouviu um forte farfa"har e
uma s6rie de esta"os quando o s(urio vo"tou a se me)er. Fnstintivamente a#uardou o
estrondo da pr3)ima pisada.
4as o estrondo não veio. Quase foi tarde demais quando K"assov perce$eu que
aqui"o que se havia posto em movimento era o pesco*o do s(urio. Ouviu o esta"o dos
#a"hos $em em cima de sua ca$e*a e viu uma som$ra descer do a"to. 8e um instante para
outro o ar se encheu de uma terr've" fedentina. K"assov ouviu um fun#ar r(pido e furioso,
quando o s(urio so"tou o ar. 5oi nesse instante que a ca$e*a #i#antesca emer#iu da
escuridão.
Por um se#undo o san#ue #e"ou2"he nas veias. =unca vira, nem em sonho, uma coisa
tão pavorosa e crue". Viu uma $oca com duas fi"eiras dup"as de dentes $em afiados que se
apro)imava de"e, uma $oca tão #rande que poderia perfeitamente ficar de p6 no interior da
mesma. ,m a"#um "u#ar C sua direita e C sua esquerda os $ra*os "i#eiros do monstro
atravessavam a fo"ha#emA mas K"assov fitou os dois o"hos circu"ares e cinti"antes do
s(urio, que o fitavam curiosamente a uns três metros de dist7ncia.
:u$itamente K"assov se "em$rou do conse"ho que Tomisen9o? e <e#orov "he
haviam dado. =um movimento r(pido er#ueu a pisto"a autom(tica, teve a tranq0i"idade
necess(ria para apontar cuidadosamente para o o"ho direito e apertou o #ati"ho.
& sa"va dos pequenos pro!6teis e)p"osivos atin#iu o a"vo. O rosto terr've" do s(urio
desapareceu de repente, e um instante depois veio do a"to um #rito tão forte e pavoroso que
K"assov dei)ou cair a arma e comprimiu as mãos contra os ouvidos.
I I I
— @ a#ora- — #ritou o tenente que se encontrava no he"ic3ptero. — @ a#ora que e"e
vai a#arrar a presa.
=o fi"tro de "u. infraverme"ha via2se perfeitamente que o s(urio do$rava o pesco*o e
mer#u"hava a ca$e*a entre a fo"ha#em. Por a"#uns instantes s3 se viu a nuca escamosa e
sa"iente do anima". 8epois, num movimento s/$ito, a ca$e*a vo"tou a sur#ir com a $oca
muito a$erta, mas que ca$e*a-
=o "u#ar em que antes ficava o o"ho esquerdo via2se uma a$ertura profunda e
irre#u"ar, de onde o san#ue !orrava aos $or$otes. O tenente "evou a"#um tempo sem
compreender que anima" seria este que, num tempo tão curto, conse#uira produ.ir uma
ferida tão e)tensa naque"a fera. Com os o"hos muito a$ertos, esperou que outro s(urio
sur#isse da escuridão da se"va e continuasse a despeda*ar o primeiro.
4as não houve nada disso. O monstro ferido virou2se com um #rito e se afastou
cam$a"eante.
, então o esp'rito do tenente se i"uminou.
Uma sa"va $em diri#ida de pro!6teis e)p"osivos poderia causar uma ferida dessas, de
pro!6teis i#uais aos que eram uti"i.ados nas pisto"as que e"e mesmo usava.
:ua ordem veio quase so$ a forma de um chiado, e foi tão repentina que o sar#ento
.estremeceuB
— 8es*a e dê $usca no terreno em que o s(urio esteve.
O sar#ento o$edeceuB o apare"ho caiu para a frente e passou rente Cs copas das
(rvores. & massa imensa do s(urio a$rira uma estrada em meio C se"va, e o tenente diri#iu
o facho do ho"ofote para o "u#ar em que essa estrada fa.ia uma do$ra repentina.
O sar#ento manteve o apare"ho im3ve", e, na 7nsia da o$serva*ão, o pr3prio tenente
não se deu conta do risco que com isso assumiam.
Tomisen9o? compreendeu a situa*ão. =ão sa$ia o que teria atra'do a aten*ão do
he"ic3ptero, mas não tinha a menor d/vida de que estava procurando os fu#itivos. Por isso
continuou no seu esconderi!o e #ritouB
— 5iquem deitados at6 que isso desapare*a-
4as esse #rito não conse#uiu superar o chiado dos !atos e atin#ir o ouvido de
K"assov, e mesmo que este o tivesse ouvido, provave"mente não "he teria dado aten*ão. O
estado de esp'rito indescrit've" em que se encontrava, feito de uma mistura quase
psicop(tica de euforia da vit3ria com os efeitos do medo terr've" por que passara, fe. com
que de um sa"to se co"ocasse na estrada a$erta pe"o s(urio. Uma ve. "(, apontou a pisto"a
autom(tica para a som$ra $em percept've" que representava o he"ic3ptero e apertou o
#ati"ho.
& ca$ina de vidro do he"ic3ptero foi atin#ida em cheio. O sar#ento foi morto
imediatamente, e o tenente, ainda inc3"ume, compreendeu imediatamente o que havia
acontecido. :em se preocupar com os contro"es do he"ic3ptero, que por a"#uns se#undos
manteve a mesma a"titude, pe#ou o microfone do r(dio sempre preparado para a
transmissão de mensa#ens e #ritou sua informa*ão.
&inda estava fa"ando quando o apare"ho tom$ou como uma pedra e com um
tremendo estrondo se esface"ou no meio da estrada a$erta pe"o s(urio.
I I I
O posto de r(dio insta"ado no acampamento de Ras9u!an captou a mensa#emB
— Joca"i.amos os prisioneiros. Um pouco ao nordeste do acampamento, três
qui"1metros...
=ão se ouviu mais nada a"6m de um esta"o re"ativamente "eve, que era o /nico ru'do
que, da tremenda e)p"osão do he"ic3ptero, foi transportado pe"o 6ter at6 a ca$ine do
operador de r(dio.
,ste era um homem e)perimentado. :a$ia o que si#nificava a #ritaria nervosa e a
s/$ita interrup*ão da mensa#em. , tinha a impressão de que o corone" Ras9u!an acharia
que se tratava de uma ocorrência trivia".
,sta$e"eceu contato com a sa"a de comando da nave capitania e comunicou ao
corone" o que aca$ara de ouvir.
4
&o que parecia os deuses de Vênus prote#eram K"assov. Com um sa"to de pantera
conse#uiu ma" e ma" afastar2se em tempo de escapar ao fo#o vio"ento da e)p"osão.
&terri.ou vio"entamente num ar$usto ma"cheiroso, cu!os #a"hos /midos imediatamente
come*aram a en"a*ar seu corpo. 4as o des"ocamento de ar "o#o o "ivrou daque"e a$ra*o
indese!(ve", atirando2o a"#uns metros para diante, sem produ.ir ne"e qua"quer ferimento
a"6m de a"#uns arranhes.
8e repente os acontecimentos e)citantes dos /"timos minutos foram se#uidos pe"o
si"êncio tota" da se"va. K"assov ouviu o san#ue .um$ir em seus ouvidos antes que a vo.
.an#ada de Tomisen9o? che#asse at6 e"eB
— Onde est( esse idiota que atirou contra o he"ic3ptero;
K"assov se "evantou e e)perimentou as pernasB
— &qui- — #ritou.
8epois p1s2se em movimento. &"#u6m "i#ou uma "7mpada e diri#iu o fei)e de "u.
semi2enco$erto para o so"o. ,ra Tomisen9o?. &"icarim e Me"ins9i! estavam a seu "ado.
<e#orov e a arc1nida sa'ram da fo"ha#em "ado a "ado.
— Você não ouviu — principiou Tomisen9o? em tom contrariado — que dei ordem
para que todo mundo permanecesse no "u#ar em que se encontrava;
— =ão — respondeu K"assov espantado e mantendo2se fie" C verdade.
— O que você pensou quando atirou contra o he"ic3ptero;
,ssa per#unta dei)ou K"assov ainda mais espantado.
— Dem — respondeu em tom hesitante. — 8evo ter pensado a mesma coisa que
qua"quer pessoa que pe#a uma pisto"a autom(tica e atira contra um he"ic3ptero inimi#o.
=ão ve!o nada de especia"...
Tomisen9o? não dei)ou que terminasse.
— ,ntão não vê nada de especia"- — #ritou, .an#ado. — Você não podia ima#inar
que o pessoa" do he"ic3ptero ainda iria transmitir uma mensa#em antes de cair;
— =um tempo tão curto; — o$!etou K"assov.
— =um tempo tão curto- — escarneceu Tomisen9o?. — , se não transmitirem
nenhuma mensa#em, não demorar( mais de meia hora e Ras9u!an dar( pe"a fa"ta de um de
seus apare"hos e mandar( que saiam C procura. , encontrar este montão de metais com um
apare"ho de radar ser( questão de minutos. Você estra#ou tudo que !( conse#uimos fa.er.
Ras9u!an não precisar( se#uir nossa pista a partir do acampamento. Poder( come*ar aqui
mesmo.
K"assov dei)ou cair os om$ros. 8e um instante para outro sentiu2se muito rid'cu"o,
quando poucos se#undos antes ainda acreditara ser o her3i do dia.
— :im, eu reconhe*o — disse, a$atido. — O que posso fa.er;
— Você não pode fa.er mais nada. Ter( que usar as pernas da mesma forma que n3s.
Tomisen9o? virou2se e o"hou para <e#orov e Thora.
— :e Ras9u!an ainda não sa$ia em que dire*ão est(vamos fu#indo, a#ora e"e sa$e.
Quer di.er que não devemos prosse#uir na dire*ão nordeste. Vamos tomar a dire*ão
sudeste para ver se conse#uimos "o#rar os he"ic3pteros. Fsso representa a"#uns qui"1metros
a mais. 4as pe"o que ve!o, no momento, não temos outra a"ternativa.
&ndaram o mais depressa poss've" pe"a estrada que o s(urio ferido, que !(
desaparecera nas profunde.as da se"va, havia a$erto em dire*ão ao "este. &proveitaram
uma pequena $recha na mata para vo"tar a mer#u"har na escuridão das (rvores.
Ta" qua" da primeira ve., Tomisen9o? supunha que os homens de Ras9u!an
procurariam os fu#itivos na estrada "ar#a pisada pe"o s(urio. &ssim, se a sorte os
favorecesse, poderiam escapar dos he"ic3pteros.
I I I
Poucos minutos depois das du.entas e tre.e horas, Rhodan e seus companheiros
atin#iram o p7ntano que, se#undo se via, se estendia a uma dist7ncia desanimadora para
am$os os "ados.
Rhodan !( fi.era suas e)periências com os p7ntanos venusianos. & id6ia de contornar
essa (rea de so"o en#anador nem "he passou pe"a ca$e*a. 4andou que :on O9ura
e)aminasse as (rvores que havia na (rea pantanosa e achou que as mesmas serviam aos
seus prop3sitos.
— Vamos fa.er uma #in(stica e passar por cima — ordenou. — :on, você ir( na
ponta. 4arsha"", fique com os o"hos $em a$ertos. Uma pisada ou um #esto de mão em
fa"so, e ser( um homem morto.
:u$iram Cs (rvores por um fei)e de cip3s. O9ura #uiou o #rupo e determinou a
ve"ocidade da marcha.
,m primeiro "u#ar, era o /nico que en)er#ava na escuridãoA a"6m disso, entre os três
era o que se des"ocava com maior dificu"dade. Tinha dificu"dades de andar que vinham de
nascen*a. Por mais que se esfor*asse em acompanhar o passo das pessoas normais, havia
situa*es em que sua constitui*ão f'sica o o$ri#ava a ser mais "ento. , esta era uma dessas
situa*es. &pesar da "on#a pausa todos estavam $em pr3)imos ao es#otamento tota"A quem
mais sentiu isso foi :on O9ura.
@ $em verdade que para Perr% Rhodan as coisas não estavam muito me"hores. =ão
tivera tempo para se ocupar com a ferida no om$ro. :entiu que o ferimento "ate!ava e que
o san#ue que "he corria pe"as veias estava mais quente que antes. & atmosfera /mida da
se"va estava rep"eta de $act6rias. 8entro em pouco a ferida so"taria pus, ou então e"e ficaria
com fe$re.
Ou am$as as coisas.
:a$ia que estava na hora de fa.er uma pausa de trinta horas no m'nimo para dar
a"#um descanso ao corpo ma"tratado e cuidar da ferida. 4as no momento as trinta horas
eram preciosas demais para que pudesse #ast(2"as numa pausa.
Thora estava em peri#o e com e"a a $ase em Vênus. 4uito em$ora Rhodan não
duvidasse da fide"idade de Thora, era de recear que um $e"o dia aca$aria não resistindo aos
m6todos que Ras9u!an empre#ava nos seus interro#at3rios. , mesmo que não pudesse
di.er ao corone" o que e"e teria de fa.er para penetrar na $ase, este dispunha de uma
mu"tidão de t6cnicos e"etr1nicos capa.es de e)trair das informa*es de Thora um vo"ume
de dados so$re a estrutura do c6re$ro positr1nico em especia" e a $ase em #era" que
poderia representar um inconveniente #rave para a Terceira Potência.
Thora tinha que ser "i$ertada.
Fsso não representava qua"quer dificu"dade, a não ser a dist7ncia consider(ve" que
ainda tinha que ser percorrida at6 o campo ener#6tico.
Rhodan não tinha qua"quer possi$i"idade de se identificar antes de che#ar ao "imite
desse campo. =ão dispunha de qua"quer coisa que "he permitisse um contato a #rande
dist7ncia. :3 quando atin#isse o campo protetor, o c6re$ro positr1nico come*aria a se
ocupar com sua pessoa e desco$riria que era a pessoa para a qua" a $ase devia ser a$erta a
qua"quer hora. 8a"i em diante tudo seria f(ci".
O p7ntano que se estendia em$ai)o de"es for*ou sua paciência ao m()imo. =em
mesmo a visão do !aponês conse#uia penetrar pe"a densa fo"ha#em. Por isso viram2se
o$ri#ados a, de tempos em tempos, cortar um #a"ho #rosso e "imp(2"o da fo"ha#em para
que o som do impacto no chão "hes reve"asse a nature.a do so"o.
Por v(rias horas não ouviram outra coisa senão o eterno ru'do produ.ido por um
o$!eto pesado que cai no "'quido viscoso do pantana".
Rhodan sa$ia perfeitamente que tudo isso seria uma "oucura rematada se :on O9ura,
o mutante, não estivesse com e"es. Ns du.entas e de.essete horas fi.eram outra pausa.
Rhodan #ostaria de avan*ar mais a"#umas centenas de metros, pois O9ura di.ia que mais
adiante a f"oresta era $em mais densa que no "u#ar em que se encontravam. 8a"i se
conc"u'a que o p7ntano terminava naque"e "u#ar. 4as nin#u6m, naque"a a"tura, era capa.
sequer de "evantar a perna, quanto mais arrastar todo o peso do corpo por um "on#o trecho
de cip3s.
=o p7ntano os animais que andavam em cima das (rvores eram tão raros que Rhodan
dispensou as sentine"as. Os três dormiram tão profundamente como se tivessem
desmaiadoA at6 que ouviram um ru'do, vindo de "on#e, que os arrancou imediatamente do
sono, não porque fosse muito forte, mas porque destoava por comp"eto daque"e am$iente.
,ra o chiado dos motores dos he"ic3pteros e o ru'do entrecortado dos canhes
autom(ticos.
,stava tão distante que nem co#itavam da possi$i"idade de que pudesse ter a"#uma
re"a*ão com e"es. O ru'do vinha do noroeste, onde os he"ic3pteros de Ras9u!an pareciam
ter desco$erto a"#uma coisa so$re a qua" va"ia a pena atirar.
O"hando para o re"3#io re#u"ado para o tempo terreno, Rhodan viu que fa.ia cerca de
três horas que haviam interrompido sua marcha. 5a"tava pouco para as du.entas e vinte
horas.
,m$ora os tiros cessassem dentro de pouco tempo e os he"ic3pteros se afastassem,
Rhodan achou que era importante sa$er no que haviam atirado. &inda mais que o ru'do
vinha de um "u#ar que ficava em sua rota. &"6m disso, as três horas de sono profundo "hes
haviam restitu'do, em$ora provisoriamente, as for*as a ponto de poderem reiniciar
imediatamente a marcha.
Verificou2se que a suposi*ão de :on O9ura fora correta. Poucos minutos depois de
terem partido notaram que em$ai)o de"es o chão era seco e firme. 8esceram e da"i em
diante conse#uiram avan*ar um pouco mais depressa.
4eia hora depois o terreno entrou em ac"ive. >aviam atin#ido as imedia*es das
montanhas, e isso "hes parecia ser um prenuncio fe"i.A pois a cadeia de montanhas em que
come*avam a penetrar era a mesma em que se situava a $ase.
I I I
O uivo dos he"ic3pteros pairava constantemente so$re suas ca$e*as, Cs ve.es $em
perto, outras ve.es mais afastado.
Os homens de Ras9u!an encontraram o montão de meta" fundido do apare"ho
derru$ado no momento em que o #rupo de Tomisen9o? aca$ara de desaparecer na se"va.
Conforme supusera Tomisen9o?, voaram primeiro ao "on#o da estrada a$erta pe"o s(urio e
deram $usca na mesma. Quando viram que essa $usca não dava resu"tado, mudaram de
t(tica. 8escreviam c'rcu"os "ar#os pe"a (rea e paravam de ve. em quando para descer um
homem por uma cordaA esse homem procurava "oca"i.ar os fu#itivos em$ai)o da fo"ha#em.
Tomisen9o? manteve o #rupo $em reunido.
8epois de a"#um tempo o terreno come*ou a su$ir. Por a"#um tempo a su$ida foi
$em suave, mas depois de uma do$ra do terreno passou a ser tão 'n#reme que tiveram de
recorrer Cs suas qua"idades de a"pinistas para prosse#uir a marcha.
Com uma mão diante da outra, um p6 diante do outro, su$iram num 7n#u"o de setenta
#raus por um paredão que, apesar do ac"ive, estava co$erto de (rvores e ar$ustos.
Tomisen9o? esperava que "( em cima che#assem a um dos p"at1s rochosos que, ve.
por outra, se e"evam acima da se"va.
— J( em cima a ve#eta*ão não 6 tão densa — e)p"icou Tomisen9o? a &"icarim, o
quir#ui.. — Poderemos o$servar os he"ic3pteros por suas "u.es de posi*ão e orientar2nos
por e"es, at6 que desistam da $usca.
4eia hora depois che#aram C $eira do p"at1. Tomisen9o? não se en#anara. &t6 onde
a vista a"can*ava na escuridão o chão era p"ano e a ve#eta*ão pouco densa. 4as era
suficiente para que o so"o do p"at1 s3 pudesse ser visto dos he"ic3pteros em poucos
"u#ares. Tomisen9o? contornou esses "u#ares, enquanto procurava um ponto de onde
pudesse acompanhar a atua*ão dos he"ic3pteros.
,ncontraram um "u#ar desses. 5icava pouco a"6m da $orda do p"at1. & noroeste, o
paredão ca'a quase na vertica" em dire*ão C se"va. Jo#o atr(s da $orda do p"at1 havia uma
$ai)ada rasa, co$erta de ar$ustos, que seria um 3timo "u#ar para acampar. Tomisen9o?
mandou que Me"ins9i!, <e#orov, K"assov e a arc1nida descansassem a"i, enquanto e"e e
&"icarim insta"aram2se na $orda rochosa para o$servar as "u.es co"oridas dos he"ic3pteros.
I I I
O ma!or P!at9ov — o mesmo que "oca"i.ara o $arco inf"(ve" de Rhodan e atirara uma
$om$a $a$% diante da caverna das focas — mandou que seu te"e#rafista o "i#asse com o
corone" Ras9u!an. P!at9ov era um dos favoritos de Ras9u!anA a "i#a*ão foi esta$e"ecida
imediatamente.
— Tive uma id6ia — principiou P!at9ov sem pre7m$u"os. — O terreno em que
devemos dar a $usca 6 de constitui*ão re"ativamente simp"esB todo p"ano at6 a encosta su"
das montanhas. 4as Tomisen9o? ainda não pode ter che#ado "(. &ntes de"e s3 e)iste uma
/nica e"eva*ão, um p"at1 de rocha que se er#ue uns trinta ou quarenta metros acima da
se"va. Tomisen9o? precisa de um "u#ar em que possa ver quando suspendemos nossas
$uscas e se estamos muito perto de"e. :a$e que somos o$ri#ados a manter as "u.es de
posi*ão acesas. Dasta que se co"oque num "u#ar adequado para poder nos o$servar com
toda ca"ma.
Ras9u!an ainda não estava convencido.
— ,m que dire*ão fica o p"at1, considerada a posi*ão do apare"ho derru$ado; —
per#untou.
— & sudeste.
P!at9ov sempre tinha uma resposta na ponta da "'n#ua.
— &credito — disse — que Tomisen9o? teve a mesma id6ia. 8epois de
conhecermos qua"quer ponto de sua tra!et3ria, sa$eremos em que dire*ão est( fu#indo.
,nquanto não suspendermos as $uscas, Tomisen9o? marchar( em qua"quer dire*ão,
menos naque"a em que o estivermos procurando.
— >um — fe. Ras9u!an.
— =a minha opinião — prosse#uiu P!at9ov animadamente — dev'amos pousar no
p"at1 com dois ou três he"ic3pteros, sem chamar a aten*ão, e a#arrar Tomisen9o? no
pr3prio ninho. :e os outros apare"hos fi.erem $aru"ho que che#ue, não nos dever( ser
dif'ci" su$ir ao p"at1.
Ras9u!an aca$ou concordando. P!at9ov conc"uiu a pa"estra e instruiu dois
he"ic3pteros de seu #rupo a se#uirem2no. 5oram na dire*ão norte, quase at6 as encostas
'n#remes das montanhas, e des"i#aram as "u.es de posi*ão quando P!at9ov acreditou que
não mais poderiam ser vistos do p"at1. 8epois fi.eram meia2vo"ta e apro)imaram2se do
comp"e)o rochoso, vindos do "este.
&s m(quinas pousaram numa c"areira, pouco atr(s da $orda do p"at1. Os homens
desceram. P!at9ov pediu que se mantivessem, por um instante, !unto aos apare"hos. :3
depois de ter certe.a quase a$so"uta de que nas pro)imidades não havia nada de peri#oso
ou suspeito deu ordem de marcha.
Os homens não #ostaram da missão. =unca haviam sa'do dos acampamentos, a não
ser no interior de he"ic3pteros ou de $arcos inf"(veis re"ativamente se#uros.
O medo s3 diminuiu depois de uns quin.e minutos de marcha.
P!at9ov ca"cu"ou que a dist7ncia que teriam de percorrer para che#ar C e)tremidade
oposta do p"at1 seria de cerca de cinco qui"1metros. ,m sua opinião, mesmo no escuro,
essa dist7ncia poderia ser vencida dentro de uma hora e meia a duas horas.
8epois disso provaria a Ras9u!an que estava com a ra.ão.
I I I
&"icarim virou2se.
— O que houve; — resmun#ou Tomisen9o?.
&"icarim "evou a"#um tempo para responder.
— &cho que ouvi um ru'doA vem de "(. &pontou para o outro "ado do p"at1.
— 8ei)e de $o$a#ens — resmun#ou Tomisen9o?. — Que ru'do 6;
— :ão he"ic3pteros.
— , a#ora;
&"icarim a#u*ou o ouvido.
— =ão ou*o mais nada.
— Pois então — disse Tomisen9o?, vo"tando a se apoiar nos cotove"os. — ,stão
todos na nossa frente. Como 6 que a"#um de"es poderia sur#ir pe"as costas;
&"icarim achou que a per#unta era to"a. =ão havia nada mais f(ci" para um
he"ic3ptero que contornar o p"at1 e pousar do outro "ado. 4as enquanto não tinha certe.a
de não ter se en#anado, preferiu ficar quieto.
&ssustou2se quando su$itamente os canhes autom(ticos come*aram a disparar em
cima da se"va. Tomisen9o? "evantou2se um pouco e com os o"hos arre#a"ados fitou a
escuridão. 8epois come*ou a rir.
— @ formid(ve"- — disse. — Um desses idiotas acredita que nos encontrou.
O tiroteio não durou muito. Terminou sem qua"quer motivo p"aus've", ta" qua" havia
come*ado. &o mesmo tempo uma movimenta*ão nervosa teve in'cio na mu"tidão das
"7mpadas de posi*ão. Os he"ic3pteros suspenderam as $uscas e afastaram2se. Poucos
minutos depois não podiam ser vistos mais. &penas o chiado dos !atos continuou a ser
ouvido por mais a"#uns minutos.
— =ão compreendo mais nada — comentou Tomisen9o?.
Permaneceu deitado por mais a"#um tempoA depois "evantou2se.
— ,st( cansado; — per#untou, diri#indo2se a &"icarim.
— =ão senhor.
— ,st( $em. Vou deitar um pouco. 5ique com os o"hos $em a$ertos. , avise a
<e#orov que dentro de uma hora deve reve.(2"o.
I I I
O ma!or P!at9ov tra.ia consi#o um potente $in3cu"o noturno, equipado com um
pequeno ho"ofote de "u. infraverme"ha e o respectivo fi"tro.
Com esse $in3cu"o desco$riu o acampamento na $ai)ada !unto C $orda "este do p"at1.
4andou que seus homens cercassem o acampamento, e que, ao seu comando,
surpreendessem e prendessem os homens que dormiam.
:3 depois perce$eu que fa"tava um dos fu#itivos. Fnc"uindo a arc1nida, dera2se pe"a
fa"ta de seis pessoas, entre e"as o ca$o K"assov, que, se#undo era de supor, devia ter se
unido a Tomisen9o?.
4as P!at9ov s3 contou cinco homens no acampamento. 5a"tava um.
Onde estaria;
P!at9ov assumiu um riscoB reso"veu de$i"itar ainda mais o c'rcu"o !( $astante esparso
de seus homens, mandando que um de"es sa'sse em $usca do se)to fu#itivo.
8epois ficou esperando.
I I I
<e#orov não tinha vindo. Provave"mente estaria dormindo.
&"icarim não se .an#ou. =ão estava cansado, e a"6m disso #ostava de o"har para a
escuridão, em$ora não visse nada.
8e repente ouviu um "i#eiro farfa"har. :u$ia pe"o paredãoA a"#u6m parecia arranhar
um o$!eto.
&#ora o ru'do estava $em em$ai)o de"e. &"icarim se arrastou por um metro e
perce$eu que o ru'do ainda vinha de $ai)o, na vertica".
:o"tou um pa"avrão a$afado, "evantou2se e correu mais cinco metros. O ru'do
tam$6m estava "(.
Teve que caminhar mais de de. metros at6 que o arranhar viesse de "ado.
&!oe"hou2se e esperou.
8e in'cio apenas viu a"#uma coisa que se movimentava na escuridãoA mas não p1de
identificar o que era.
8epois a"#uma coisa escura, $ri"hante, sur#iu no campo de visão. O movimento que
&"icarim vira vinha de duas fi#uras em forma de tent(cu"o, que assentavam na frente da
coisa escura e $ri"hante que &"icarim havia visto.
Jevantou2se de um sa"to.
,ram formi#as-
5icou mais tranq0i"o ao constatar que os animais não se des"ocavam em dire*ão ao
acampamento. O e)6rcito de"as su$iu pe"a $orda do p"at1 e, esta"ando e farfa"hando,
atravessou a fo"ha#em. Cada uma tinha o tamanho da mão de um homem adu"to.
&pesar disso, &"icarim p1s2se a vo"tar ao acampamento. &s formi#as de Vênus eram
animais imprevis'veis. &"6m disso, nin#u6m sa$ia se possu'am o sentido do o"fato, que
eventua"mente "hes permitiria fare!ar a presa humana.
,ra necess(rio avisar Tomisen9o?.
&"i...-
=um #esto instant7neo, mas si"encioso, &"icarim dei)ou2se cair para a frente quando
a som$ra emer#iu da escuridão. Por um instante )in#ou2se de idiota por causa do susto.
8evia ser <e#orov que vinha reve.(2"o.
&contece que não era <e#orov.
, não era nenhum dos homens do #rupo de Tomisen9o?. O vu"to que tinha diante de
si media quase dois metros. Para quem o"hava de $ai)o como &"icarim, destacava2se
nitidamente contra o c6u cin.ento.
Passou a dois metros de dist7ncia do quir#ui.. &ndava caute"osamente, o"hando de
um "ado para outro. &inda não havia desco$erto as formi#asA apesar disso a (rea não
parecia inspirar2"he muita confian*a.
Os pensamentos atrope"aram2se no c6re$ro de &"icarim. Jem$rou2se do $aru"ho dos
he"ic3pteros que ouvira h( mais de uma hora.
&fina", o ouvido não o teria en#anado mesmo;
:e#uiu o homem, arrastando2se pe"o chão. & menos de um metro C sua direita
marchava o e)6rcito de formi#as.
&o che#ar C $orda do p"at1, o #randa"hão parou. O"hou para a direita, para a esquerda
e depois desco$riu as formi#as. &"icarim viu que, tomado de um tremendo susto, a$riu as
pernas para ter uma posi*ão mais firme e "evantou a pisto"a autom(tica.
5oi quando &"icarim sa"tou para a frente.
O homem, morta"mente assustado pe"as formi#as, não ofereceu a menor resistência.
&"icarim deu2"he uma pisade"a na cavidade do !oe"ho e ao mesmo tempo #o"peou seu
pesco*o com o "ado da mão.
Com um #rito de p7nico, o homem caiu para a frente. 5oi parar no meio das
formi#as. 8e$ateu2se para afastar os animais que ca'am em cima de"e. & pisto"a foi atirada
$em "on#e, por cima da $orda do p"at1.
&"icarim raste!ou para tr(s e escondeu2se numa moita.
4as "o#o "evantou2se de um sa"to. O acampamento estava em peri#o- O homem
atacado pe"as formi#as, que a essa hora !( estava morto, não devia ter vindo s3.
4as &"icarim ainda não havia avan*ado de. passos quando perce$eu que !( não
poderia prestar a!uda a nin#u6m.
Viu som$ras que se movimentavam apressadamente na $ai)ada. Eritos a$afados
soaram. &"#u6m pra#ue!ouB era a vo. de Me"ins9i!.
Che#ara tarde-
&"icarim mudou de dire*ão e procurou se afastar o mais r(pido poss've" do pa"co dos
acontecimentos.
6
=o "u#ar em que houvera o tiroteio não foi encontrado nada. <( se encontravam cerca
de du.entos metros acima do n've" da p"an'cie costeira, e evidentemente nem
desconfiavam de que a fina"idade do tiroteio consistira apenas em fa.er $aru"ho para que o
ma!or P!at9ov pudesse pousar no p"at1 sem ser mo"estado.
Por a"#um tempo, Perr% Rhodan acompanhou no seu receptor de pu"so as mensa#ens
trocadas entre os pi"otos dos he"ic3pteros. 8e"as se conc"u'a, sem a menor som$ra de
d/vida, que os homens de Ras9u!an andavam C procura de prisioneiros que haviam fu#ido.
Rhodan sup1s que os fu#itivos deviam ser a"#uns dos homens de Tomisen9o?. =ão ficou
sa$endo que Thora se encontrava entre e"es. &s mensa#ens apenas a"udiam Gaos
fugitivosH.
Rhodan e seus companheiros se encontravam a poucos qui"1metros do "imite do
campo protetor. =a opinião de Rhodan deviam fa.er mais uma pausa de uma hora, antes
de enfrentar o restante do caminho.
I I I
Ras9u!an tinha consciência do seu triunfo. 4andou que os dois prisioneiros mais
importantes fossem condu.idos C sa"a de comando da nave capitania. ,ncarou2os com um
sorriso am(ve" e .om$eteiro ao mesmo tempo e per#untouB
— O que esperavam conse#uir;
Tomisen9o? ainda não tivera a oportunidade de p1r em ordem sua fi#ura
esfarrapada. Tinha os ca$e"os des#renhados e o uniforme, !( estra#ado, ainda por cima
continuava ras#ado, ta" qua" sa'ra da $ri#a com os homens de P!at9ov.
Thora não participara da $reve "uta. ,stava su!a, mas intacta, quando se defrontou
com Ras9u!an.
=em Tomisen9o? nem Thora deram qua"quer resposta C per#unta do corone".
— &h — disse Ras9u!an com um sorriso. — Continuam or#u"hosos como sempre,
não 6;
Fnsta"ou2se confortave"mente na po"trona e cru.ou as pernas.
— Jamento sua teimosia — prosse#uiu. — Os senhores se opem ao /nico poder
rea" que e)iste em Vênus. Por quê;
Thora sorriu com despre.o. Tomisen9o? respondeu ma"2humoradoB
— Porque não #ostamos do senhor.
Ras9u!an não dei)ou se irritar.
— Parto de um ponto de vista mais ne#oci(ve" — e)p"icou tranq0i"amente a
Tomisen9o?. — Todos n3s dev'amos nos unir. ,stou convencido de que !untos criar'amos
um poder como ainda não e)istiu outro.
Tomisen9o? so"tou uma risada (spera.
— :3 se Rhodan o dei)asse em pa..
— Ora- — disse Ras9u!an com um #esto de despre.o. — ,"e me dei)ou em pa.
durante um anoA por que não vai continuar assim; , se eu conse#uir penetrar na $ase de
Vênus com o apoio da senhora — fe. um #esto em dire*ão a Thora — nem mesmo
Rhodan conse#uir( p1r os p6s neste p"aneta contra minha vontade.
— =ão pense que vou a!ud(2"o a entrar na $ase de Vênus — #ritou Thora, furiosa.
— Pois eu sa$erei o$ri#(2"a a isso- — disse Ras9u!an entre os dentes. <( estava
come*ando a perder o autocontro"e.
Thora fe. um #esto de despre.o.
— Quem 6 o senhor para o$ri#ar uma arc1nida a fa"ar; &"6m disso, Rhodan o
a#arrar( antes que conc"ua o interro#at3rio.
Ras9u!an se "evantou de um sa"to.
— Rhodan nem sequer est( em Vênus- — #ritou fora de si. — , se tentar pousar por
aqui, sa$erei impedi2"o.
=esse ponto a sensa*ão de triunfo "evou a me"hor so$re a inte"i#ência de Thora. Com
os o"hos chame!antes #ritouB
— =ão que$re a ca$e*a para desco$rir como poder( impedir que Rhodan pouse neste
p"aneta. ,"e !( se encontra em Vênus-
4a" aca$ou de pronunciar estas pa"avras, reconheceu o erro que havia cometido. 4as
o espet(cu"o que se "he ofereceu quando Ras9u!an, p("ido como cera, cam$a"eou e caiu em
sua po"trona, $em que va"eu o susto que o erro "he causava.
&tr(s de"a, Tomisen9o? disse em vo. $ai)aB
— & senhora não devia ter dito isso-
I I I
&"icarim marchava.
Reunindo toda a paciência pecu"iar a um asi(tico, procurou vencer todos os
o$st(cu"os para a"can*ar um o$!etivo, de cu!a e)istência, por enquanto, apenas suspeitava.
Quando ainda era um prisioneiro de Ras9u!an, ouvira fa"ar nos acontecimentos
estranhos que se desenro"aram no marB os fen1menos "uminosos que foram o$servados, os
dois he"ic3pteros que nunca re#ressaram, a $usca e)tenuante do ma!or P!at9ov, a
desco$erta de um $arco inf"(ve" e de três homens que nadavam e, por fim, o "an*amento da
$om$a $a$%.
&"icarim sa$ia mais que isso. Jem$rou2se do ataque que o acampamento de
Tomisen9o?, situado na pen'nsu"a, sofrer( poucos dias antes que Ras9u!an o atacasse. O
ataque fora repe"idoA haviam visto três homens, mas não conse#uiram aprisionar nenhum
de"es.
Por fim, &"icarim ainda #uardava uma "em$ran*a $astante viva das armas de
impu"sos t6rmicos usadas pe"a Terceira PotênciaA conhecera2as h( um ano. ,ra prov(ve"
que os fen1menos "uminosos o$servados pe"os homens de Ras9u!an proviessem de armas
desse tipo.
,ra $em verdade que o resto não passava de suposi*es e c("cu"os. :e 6 que três
homens da Terceira Potência, desprovidos de quase todos os recursos t6cnicos — assim
conc"uiu &"icarim — se encontravam em Vênus, a primeira coisa que e"es procurariam
fa.er era entrar em contato com o c6re$ro positr1nico insta"ado no interior da forta"e.a.
5oi por isso que &"icarim diri#iu sua marcha montanha acima. :a$ia que o enorme
campo protetor tinha um di7metro de cinq0enta qui"1metros. & chance de encontrar os três
homens em a"#um ponto naque"a e)tensa (rea era assustadoramente redu.ida. 4as essa
chance aumentava pe"o fato de que, ta" qua" &"icarim, os três homens vinham do su" e
provave"mente procurariam penetrar no campo protetor dessa dire*ão.
&"6m disso, essa era a /nica chance de &"icarim. ,m qua"quer outro "u#ar, sua
situa*ão seria mais desesperadora do que no "u#ar em que havia a"#uma possi$i"idade de
se encontrar com mem$ros da Terceira Potência. ,ram os /nicos que podiam a!ud(2"o.
Por isso &"icarim prosse#uiu em sua marcha.
8epois de ter avan*ado um $om peda*o, viu a a$3$ada re"u.ente do campo protetor
que sur#ia entre as copas de duas (rvores e "o#o desapareceu entre a densa camada de
nuvens.
& ve#eta*ão tam$6m era mais ra"a e a caminhada mais f(ci".
&"icarim criou nova cora#em e avan*ou com maior rapide..
I I I
5osse qua" fosse a opinião que se tinha a respeito de Ras9u!an, Cs ve.es e"e sa$ia
ca"cu"ar uma situa*ão.
8esde o in'cio, os três homens a respeito dos quais o ma!or P!at9ov "he fa"ara
representaram um mist6rio para e"e. Quem se atreveria a cru.ar em p"ena noite o mar de
Vênus num fr(#i" $arco inf"(ve", ainda que esse mar apenas consistisse num $ra*o de
tre.entos e cinq0enta qui"1metros de "ar#ura;
Ras9u!an sa$ia que havia uma certa possi$i"idade, mesmo remota, de que, apesar dos
canhes autom(ticos e da $om$a $a$%, os três homens ainda estivessem vivos.
:e um desses homens fosse Perr% Rhodan...
Ras9u!an prosse#uiu nas suas con!ecturas e che#ou C mesma conc"usão que, mais ou
menos ao mesmo tempo e num "u#ar distante, veio C mente do quir#ui. &"icarim.
:e 6 que Rhodan andou pe"o mar num $arco inf"(ve", isso si#nificava que, por
qua"quer motivo, perdera o contato com a Terra e com sua $ase em Vênus. :e não fosse
assim, disporia de recursos t6cnicos muito maiores do que aque"es com os quais contava
no momento.
Partindo desse pressuposto, convenceu2se de que Rhodan não teria coisa mais
ur#ente a fa.er senão a"can*ar o campo protetor que cercava sua $ase e penetrar na mesmaA
Ras9u!an não duvidou um instante sequer de que Rhodan teria possi$i"idade de fa.ê2"o.
O resu"tado "3#ico dessa conc"usão foi uma ordem transmitida a toda a frota de
he"ic3pterosB deviam "evantar v1o imediatamente, apro)imar2se do campo protetor e atirar
contra tudo que se movia nas pro)imidades do mesmo. Ras9u!an preferiu não reve"ar o
fato de que essa a*ão se diri#ia contra Perr% Rhodan. Receava de que esse nome $astasse
para amedrontar seus homens.
8epois de uma pausa que todos os tripu"antes acharam muito curta, os he"ic3pteros
vo"taram a "evantar v1o. Ras9u!an contemp"ou na te"a de ima#em o quadro que se oferecia
no campo de pouso $em i"uminadoA o espet(cu"o impressionante dos he"ic3pteros que
sa'am em disparada tranq0i"i.ou2o ao menos em parte.
O fato de que a maior das a*es $6"icas !( rea"i.adas em Vênus diri#ia2se contra um
/nico homem não o pertur$ou nem um pouco. :e dispusesse de mais equipamentos,
enviaria de. ve.es mais #ente e materia" para destruir um /nico homem.
Perr% Rhodan.
I I I
O corpo de Rhodan aproveitou a /"tima pausa para, atrav6s de uma fe$re vio"enta,
protestar contra os maus tratos que "he eram inf"i#idos.
Quando a pausa terminou e a marcha devia ser reiniciada, Rhodan $atia os dentes.
4arsha"" e o !aponês su#eriram que a pausa fosse pro"on#ada at6 que a fe$re terminasse,
mas Rhodan respondeu com uma risada contrafeitaB
— Receio que esta m(quina miser(ve", — apontou para o peito — ficar( fe$ri"
enquanto não "he dermos coisa me"hor para fa.er.
Prosse#uiram em sua marcha. Tiveram sorteB o terreno continuava em su$ida e a
ve#eta*ão tornava2se cada ve. mais ra"a.
4as Rhodan teve a.ar, pois teve de rever sua opinião so$re a m(quina miser(ve". &
fe$re não diminuiuA pe"o contr(rio, aumentou. >ouve momentos em que Rhodan teve de se
apoiar ao om$ro de 4arsha"" para não cair.
&"#um tempo depois, marchavam por um va"e estreito situado nas montanhas. &o
atin#irem a sa'da norte viram, aparentemente ao a"cance da mão, a a$3$ada re"u.ente
formada pe"o campo protetor que cercava a $ase.
Rhodan so"tou um suspiro de a"'vio. Praticamente !( haviam conse#uido, e não fora
nada f(ci".
O terreno em que marchavam consistia num p"ana"to pedre#oso co$erto apenas de
ar$ustos esparsos. &van*aram rapidamente, e a parede re"u.ente do campo protetor
apro)imava2se quase a o"hos vistos.
— &inda fa"tam uns oitocentos metros. — murmurou 4arsha"" depois de a"#um
tempo, para animar Rhodan e distra'2"o de suas dores.
4a" terminara, quando um .um$ido a#udo passou pe"as montanhas, vindo do su".
4arsha"" estacou e Rhodan, que se apoiava em seu om$ro, tam$6m parou.
:on O9ura vo"tou2se $ruscamente e fitou o c6u escuro.
O .um$ido tornou2se mais a#udo, apro)imou2se por cima do va"e e dissociou2se no
chiado dos !atos e nas $atidas dos rotores.
— :ão he"ic3pteros- — #ritou o !aponês.
— Pe"o menos quarenta-
Rhodan enri!eceu o corpo e se manteve de p6 com suas pr3prias for*as. Vo"tou
apressadamente a ca$e*a.
— &$ri#uem2se — fun#ou. — J( atr(s. Procurem atin#ir a encosta do va"e.
I I I
:3 por a"#uns minutos &"icarim acreditou que todo aque"e aparato se destinava a e"e.
Ouviu que os he"ic3pteros passaram em disparada por cima do esconderi!o em que
apressadamente se a$ri#ara e come*aram a cru.ar C frente do campo ener#6tico.
&"icarim "o#o compreendeu suas inten*es. &"#u6m tivera a mesma id6ia que e"e e
procurava a"can*ar os três homens da Terceira Potência no "u#ar em que havia maior
pro$a$i"idade de encontr(2"os.
&"icarim p1s2se novamente a caminho e depois de a"#um tempo passou por um
desfi"adeiro onde o caminhar era muito dif'ci", e que atravessava a /"tima $arreira de
montanhas, terminando na e)tremidade oeste de um va"e cercado de todos os "ados por
encostas muito e"evadas.
4ais ao norte — a uns dois qui"1metros, pe"os c("cu"os de &"icarim — a c/pu"a
"uminosa emer#ia do fundo do va"e.
,ra $em verdade que mais ao norte tam$6m os he"ic3pteros cru.avam o ar, conforme
o quir#ui. ouvia perfeitamente. Uma ve. que conhecia seus equipamentos e estava muito
$em informado so$re a eficiência dos ho"ofotes de "u. infraverme"ha, procurou se a$ri#ar
cuidadosamente. 8essa forma avan*ou mais deva#ar, mas com uma se#uran*a
incomparave"mente maior.
Os he"ic3pteros passaram so$re o va"e numa a"tura redu.ida. Rhodan e seus
companheiros não conse#uiram atin#ir a encostaA esconderam2se so$ uma pedra "ar#a, de
cerca de dois metros de a"tura. 8epois de terem perce$ido que, por enquanto, não haviam
sido desco$ertos, prosse#uiram na retirada e esconderam2se na entrada de uma caverna que
penetrava na encosta rochosa. & partir da"i :on O9ura o$servou os he"ic3pteros.
— ,stão se dividindo — disse. — 8ois #rupos diri#em2se para o "este e o oeste, ao
"on#o do campo ener#6tico, enquanto outro #rupo cru.a $em diante de"e.
Rhodan quase não tinha capacidade de responder.
— 8evemos prosse#uir — #emeu. — :3 poderemos entrar em contato com o c6re$ro
positr1nico quando tivermos atin#ido o "imite do campo ener#6tico.
4arsha"" protestou.
— :e fosse o senhor, eu preferiria...
— Ca"e a $oca- — ordenou Rhodan e "evantou2se, apoiando a mão na parede rochosa
da caverna.
=o mesmo instante :on O9ura, que se encontrava na entrada da caverna, virou2se
com um #rito a$afado e "evantou o radiador t6rmico.
— Pare-
Ouviu2se uma vo. quase incompreens've" vinda da direita. 4arsha"" não entendeu
uma pa"avra. 8ei)ou Rhodan a s3s e, com a arma en#ati"hada, co"ocou2se ao "ado do
!aponês.
— Quem 6; — per#untou. O9ura deu de om$ros.
— @ um russo. 8i. que 6 um dos homens de Tomisen9o?, e que fu#iu do campo de
prisioneiros.
4arsha"" $ai)ou a arma. 5echou os o"hos, enquanto O9ura mantinha o desconhecido
C dist7ncia, e concentrou2se so$re os pensamentos que f"u'am do c6re$ro do desconhecido.
— ,st( $em — resmun#ou depois de a"#um tempo e fe. um sina" para O9ura. — &s
inten*es de"e são $oas.
O9ura tam$6m $ai)ou a arma. Eritou em russo para que o homem se apro)imasse.
5ina"mente 4arsha"" viu2o emer#ir da escuridão. ,ra pequeno, mas atarracado. Tinha
os o"hos o$"'quos e os ma)i"ares sa"ientes de um asi(tico. 8iri#indo2se a :on O9ura, disseB
— 4eu nome 6 &"icarim. :ou um dos homens de Tomisen9o?. Posso contar muita
coisa.
Rhodan disp1s2se a ouvir o homem, em$ora tivesse muita pressa. &"icarim fe. um
$reve re"ato de tudo que havia acontecido depois do assa"to de Ras9u!an ao acampamento
de Tomisen9o?.
— 8epois desse incidente — murmurou Rhodan — as coisas não serão nada f(ceis
para Thora. Ras9u!an não recuar( diante das medidas mais vio"entas para o$ri#(2"a a fa"ar.
Vamos adiante-
:a'ram da caverna e caminharam rentes C encosta. &proveitavam todo acidente do
terreno que pudesse "hes proporcionar uma prote*ão e :on O9ura manteve os he"ic3pteros
so$ uma o$serva*ão ininterrupta. O re"ato de &"icarim e a preocupa*ão por Thora
pareciam ter dado novas for*as a Perr% Rhodan. Percorreu quase metade do caminho que
fa"tava com suas pr3prias for*asA s3 no /"timo trecho vo"tou a se apoiar em 4arsha"".
&pro)imaram2se a uns cinq0enta metros da parede re"u.ente, sem que os homens que
se encontravam nos he"ic3pteros de Ras9u!an os houvessem visto. 4as da"i em diante a
situa*ão se tornou cr'tica.
=o /"timo trecho não havia praticamente nenhum a$ri#o. :3 de ve. em quando via2se
um $"oco de pedra, mas na maioria eram tão pequenos que difici"mente poderiam prote#er
um homem.
&"6m do mais, Rhodan não teve a menor d/vida de que os he"ic3pteros "an*ariam
$om$as assim que desco$rissem suas v'timas. , contra uma $om$a, a maior das pedras
não oferecia prote*ão suficiente.
=otava2se que Rhodan recorria Cs /"timas reservas de ener#ia. Tinha a face f"(cida e
em sua pe"e sur#iam manchas verme"has. :ua vo. era rouca e entrecortada.
— Vamos fa.er uma mano$ra desviacionista — ordenou. — Um de n3s vai atrair a
aten*ão de"es. ,nquanto os he"ic3pteros se ocupam com esse homem, os outros avan*am
at6 o campo protetor. &credito que o c6re$ro positr1nico s3 "evar( a"#uns se#undos para
me identificar e a$rir a $arreira ener#6tica por um instante. Quem est( disposto a ir;
&"icarim, que não havia entendido uma pa"avra, pediu que O9ura tradu.isse o que
Rhodan aca$ara de di.er.
— ,u vou — afirmou depois disso. O9ura tradu.iu suas pa"avras.
Rhodan não teve nenhuma o$!e*ão, ou ao menos não teve nenhuma o$!e*ão com a
qua" quisesse despender tempo naque"e instante. &"icarim não pertencia C Terceira
Potência. =ão tinha nenhum motivo para arriscar a vida nessa mano$ra temer(ria.
4as não havia tempo para de$ates.
O quir#ui. saiu raste!ando, depois de ter sido avisado de que deveria come*ar a
correr assim que o campo ener#6tico se apa#asse. =in#u6m sa$ia quais eram suas id6ias
quanto C maneira de atrair a aten*ão dos he"ic3pteros.
Os outros esperaram, fe$ris e impacientes.
I I I
P!at9ov acreditara que o va"e que, vindo do su", estendia2se at6 a a$3$ada ener#6tica,
provave"mente seria o "u#ar em que os homens que procurava poderiam ser encontrados.
=ão tinha a menor id6ia de quem eram esses homens. :upunha que deviam ser
muitos, ou então, que devia tratar2se de #ente muito peri#osa ou importante, pois de outra
maneira Ras9u!an não se daria C tamanho tra$a"ho para a#arr(2"os.
O he"ic3ptero de P!at9ov tinha quatro tripu"antesB o pi"oto, um o$servador, um
te"e#rafista e e"e mesmo. 8e ve. em quando su$stitu'a o o$servador em seu tra$a"ho.
O"hou para o re"3#io. &inda poderiam permanecer a"i durante cinco horasA depois
teriam de re#ressar para rea$astecer. 8entro de cinco horas aque"es desconhecidos teriam
que...
— O"he- — #ritou o o$servador. — Um homem-
P!at9ov empurrou o homem para o "ado e o"hou pe"o fi"tro 3tico. J( em$ai)o, em
meio Cs rochas, havia um homem. ,ncontrava2se a apenas vinte metros do "imite do campo
protetor e corria que nem um "ouco.
— 5o#o- — $errou P!at9ov.
O o$servador co"ocou2se atr(s do canhão autom(tico, a$ran#eu o a"vo no pequeno
te"esc3pio da mira e come*ou a disparar. &$orrecido, notou que os pro!6teis detonavam a
uma $oa dist7ncia do homem que corria e corri#iu a pontaria. 4as antes que conse#uisse
a"ve!ar o desconhecido, este desapareceu atr(s de uma pedra.
O ma!or P!at9ov fun#ava de nervosismo.
— 8es*a-
O he"ic3ptero desceu.
— Circu"e em tomo da rocha.
& m(quina inc"inou2se "i#eiramente e come*ou a descrever um c'rcu"o amp"o em
torno da rocha.
— Che#ue mais perto- — #ritou P!at9ov, furioso.
4as "o#o perce$eu outro movimento pe"o canto do o"ho. Eirou rapidamente o fi"tro
3tico e viu os três homens que, a cem metros da"i, corriam em dire*ão ao campo ener#6tico
re"u.ente. =uma fra*ão de se#undo compreendeu que o avan*o do homem que se
encontrava a"i em$ai)o fora apenas aparente.
O peri#o rea" era representado por aque"es três homens.
— V( para a esquerda — #ritou para o pi"oto. — &"i h( mais #ente.
O pi"oto, que s3 via os acontecimentos que se desenro"avam $em C sua frente, "evou
a"#um tempo para compreender a nova ordem e retificar o curso.
— 4ais r(pido- — ordenou P!at9ov. — Preparem as $om$as.
P1s a mão para o "ado e, numa $atida, "i#ou o r(dio. =ão seria necess(rio perder
muitas pa"avrasA as vo.es de comando $astariam para que os ocupantes dos outros
apare"hos compreendessem o que se passava.
Os três fu#itivos che#aram ao campo ener#6tico.
— &s $om$as estão prontas — anunciou o o$servador.
P!at9ov notou que dois apare"hos que voavam a seu "ado atiravam com seus canhes
autom(ticos contra os fu#itivos.
— &s $om$as serão "an*adas quando eu ordenar — disse.
&s $om$as preparadas pe"o o$servador eram dotadas de car#as e)p"osivas simp"es.
=enhum he"ic3ptero que se encontrasse a uma a"titude tão pequena arriscaria o uso de
$om$as nuc"eares, por menores que fossem.
4as uma $om$a e)p"osiva seria suficiente para...
O campo ener#6tico se apa#ou.
P!at9ov so"tou um #rito estridente e apavorado quando o campo ener#6tico
desapareceu de repente. 4as no mesmo instante compreendeu a chance e)traordin(ria que,
com isso, "he era oferecida.
— Vire para a direita- — #ritou para o pi"oto. — &travesse o campo ener#6tico-
O pi"oto não estava preparado para essa missão. Jevou cinco se#undos para corri#ir o
curso. P!at9ov parecia fe$ri".
5ina"mente a m(quina #irou no ar e disparou em ve"ocidade m()ima para o "u#ar em
que, poucos instantes antes, a $arreira ener#6tica se er#uia desde o fundo do va"e.
=enhum dos ocupantes do he"ic3ptero de Ras9u!an che#ou a ver que a $arreira
ener#6tica vo"tou a re"u.ir no mesmo instante em que o he"ic3ptero se disp1s a romper a
respectiva (rea.
Os ocupantes dos outros he"ic3pteros viram uma e)p"osão ofuscante, que produ.iu
um forte esta"o nos receptores.
4ais tarde nin#u6m sa$eria di.er se o he"ic3ptero de P!at9ov foi consumido pe"a
ener#ia da $arreira ener#6tica, ou se foi despeda*ado pe"a e)p"osão das $om$as que tra.ia
a $ordo.
8epois do primeiro instante de pavor, os ocupantes dos outros he"ic3pteros deram2se
conta de que, ao que tudo indicava, depois da "i#eira interrup*ão tudo vo"tara a ser como
era antes, e que naque"es poucos se#undos os desconhecidos conse#uiram penetrar na (rea
da $ase.
O corone" Ras9u!an rece$eu esta mensa#em "ac1nicaB
— O ma!or P!at9ov est( morto. Os fu#itivos estão fora de nosso contro"e, por terem
penetrado na $ase.
I I I
Ras9u!an "o#o compreendeu o si#nificado dessa mensa#em. Rhodan conse#uira
penetrar em sua $ase.
:up1s que dentro de poucos minutos Rhodan uti"i.aria seu potencia" t6cnico
invenc've" para atacar o campo de fo#uetes e destru'2"o.
4andou que o acampamento entrasse em re#ime de prontidão para a defesa, o que
não e)i#iu maiores preparativos ou modifica*es. 8esde o dia em que pousara em Vênus
contava constantemente com a"#um acontecimento imprevisto e a#rupou seus homens e
equipamentos de ta" forma que poderiam se defender contra um ataque vindo de qua"quer
dire*ão.
>avia outra questãoB ser( que o a#rupamento adequado tam$6m se tornaria eficiente
face ao furacão artificia" que, se#undo esperava, seria desencadeado por Perr% Rhodan;
Ras9u!an era de opinião que a resposta s3 poderia ser ne#ativa. Por isso fe. outros
preparativos, mas em se#redoB a"6m de"e e das pessoas atin#idas, s3 uma pessoa sou$e
de"es, o pi"oto que diri#iria o he"ic3ptero.
&!udado pe"o pi"oto, amarrou as mãos de Tomisen9o? e Thora, que eram os mais
importantes dentre seus prisioneiros. 5i.eram2nos caminhar diante dos canos das pisto"as
autom(ticas e a!udaram2nos a entrar no he"ic3ptero que !( estava C espera.
Quando as mãos vi#orosas do pi"oto empurraram Tomisen9o? para dentro do
apare"ho, o mesmo "an*ou um o"har de despre.o por cima do om$ro e disseB
— &"#uma coisa não deu certo, não 6; Os ratos estão a$andonando o navio que vai
afundar.
— Ca"e a $oca- — rosnou Ras9u!an. =ão disse mais nada.
& ca$ina era mais amp"a que na maioria dos he"ic3pteros. >avia quatro po"tronas
para passa#eiros. Thora e Tomisen9o? foram o$ri#ados a sentar nas da frente, enquanto
Ras9u!an sentou atr(s de"es, com a arma en#ati"hada. O pi"oto se enfiou na sua po"trona
apertada e a#uardou a"#uma coisa. & porta e)terna se fechou com um chiado.
— Prestem aten*ão- — disse Ras9u!an com a vo. em$ara*ada. — O que me interessa
a esta a"tura 6 não cair nas mãos de Rhodan. ,"e conse#uiu penetrar em sua $ase e dentro
de poucos minutos estar( aqui. 4inha situa*ão 6 muito s6ria. Jevo os dois. O senhor,
Tomisen9o?, conhece este p"aneta, e a senhora, Thora, me servir( de ref6m diante de
Rhodan. =este he"ic3ptero encontra2se uma amp"a provisão de armas, muni*es e
mantimentos. Tomisen9o?, a tarefa do senhor por enquanto consiste em desco$rir um
esconderi!o se#uro para n3s.
Uma ve. "(, a#uardaremos at6 que Rhodan se mostre disposto a entrar em
ne#ocia*es. Como disse, minha situa*ão 6 muito s6ria. &ntes de perder a /"tima chance,
que são os senhores, prefiro mat(2"os. =ão se esque*am disso- Tomisen9o?, instrua o
pi"oto so$re o curso que deve tomar.
Uma por*ão de id6ias so$ressa"tou2se no c6re$ro de Tomisen9o?. & mais ra.o(ve"
de"as foi a de que no momento não havia outra coisa a fa.er senão o$edecer Cs ordens de
Ras9u!an.
— :i#a um curso entre du.entos e setenta e du.entos e oitenta #raus — resmun#ou
para o pi"oto. — :u$a para cinco mi" metros, pois daqui a pouco che#aremos Cs
montanhas.
I I I
Perr% Rhodan ainda conse#uira for*as para formu"ar uma ordem diri#ida ao c6re$ro
positr1nico, ordem esta que 4arsha"" deveria transmitir por via te"ep(tica. Uma ve. ciente
da presen*a de Rhodan, era de supor que o c6re$ro captasse, compreendesse e e)ecutasse a
mensa#em te"ep(tica.
& mensa#em inc"u'a o pedido de fornecer um meio de transporte que permitisse
vencer quanto antes os cinq0enta qui"1metros que ainda os separavam do centro da $ase, e
de preparar uma s6rie de medicamentos que co"ocasse Rhodan em condi*es de atuar no
mais $reve espa*o de tempo.
I I I
&"icarim não escapou apenas aos tiros disparados pe"o he"ic3ptero de P!at9ovA
tam$6m conse#uiu penetrar em tempo na (rea da $ase.
Uma ve. transmitida a ordem a 4arsha"", Rhodan desmaiou. 4arsha"" repetiu a
ordem at6 que :on O9ura viu um p"anador que se des"ocava a pouca a"tura e uma
ve"ocidade tremenda. Rhodan foi co"ocado no apare"ho, e os outros insta"aram2se nas
po"tronas. Poucos minutos depois o apare"ho co"ocou2os no interior da forta"e.a e
transportou Rhodan para o "u#ar em que os medicamentos !( haviam sido preparados.
8a"i a meia hora Rhodan !( estava em condi*es de formu"ar ordens precisas.
Fnstruiu o c6re$ro positr1nico a desativar o campo ener#6tico que cercava todo o p"aneta,
para que Re#ina"d De"" pudesse pousar com sua nave au)i"iar. Para evitar outras
comp"ica*es ainda mandou que a $arreira ener#6tica de quinhentos qui"1metros de
di7metro — que, nos momentos cr'ticos, costumava cercar a (rea no "u#ar do anteparo de
cinq0enta qui"1metros, sempre que o p"aneta todo não estivesse prote#ido — tam$6m não
fosse ativada.
:3 então Rhodan considerou terminado o per'odo de esfor*os so$re2humanos e
permitiu uma pausa de sono a si e a seus companheiros tota"mente e)austos.
I I I
Re#ina"d De"" rea#iu com a e)p"osividade de um vu"cão at6 então contido por uma
fina crosta de terra.
O #irino — isto 6, a nave au)i"iar de sessenta metros de di7metro — avan*ou a toda
ve"ocidade e com os campos protetores ativados para as camadas mais profundas da
atmosfera de Vênus. & uma ve"ocidade de mach OP — ou se!a, quin.e ve.es a ve"ocidade
do som — o impacto do campo ener#6tico so$re as mo"6cu"as de ar ioni.ava estas e
produ.ia uma certa "uminosidade. Com a $e"e.a imponente de um cometa #i#ante,
arrastando atr(s de si a ofuscante fai)a $ranco2a.u"ada de ar ioni.ado, a nave precipitou2se
pe"a noite de Vênus e sur#iu so$re o acampamento de Ras9u!an. ,ntre os homens que
deviam defender o "u#ar o medo puro e simp"es come*ou a se espa"har face ao fen1meno
nunca visto.
& nave não foi $om$ardeada. &"i(s, um pro!6ti" terreno não "he poderia causar
qua"quer dano. =uma a"tura de cem metros, manteve2se im3ve" acima do acampamento.
De"" não assumiu qua"quer risco. 4andou que Ta9o La9uta, o te"eportador, ocupasse o
#rande pro!etor menta", e mandou que todo o acampamento fosse co$erto pe"a ordem de
capitu"a*ão, transmitida por via hipn3tica.
:3 depois disso pousou a nave no chão e come*ou a rea"i.ar seu invent(rio. :a$ia
que Thora era uma prisioneira do acampamento e, apesar de todos os ressentimentos que
nutria para com a mesma, suas primeiras preocupa*es diri#iram2se a e"a.
=ão a encontrou. Os prisioneiros que capturou mostraram2se d3ceis, conforme "hes
ordenava o comando hipn3tico, e condu.iram2no para a parte do acampamento em que
Thora devia se encontrar. =ão estava "(, e nin#u6m sa$ia onde poderia estar.
:3 depois de a"#um tempo notou2se que Tomisen9o? tam$6m não se encontrava no
acampamento. ,, quando se verificou que o corone" Ras9u!an havia dado o fora, De""
come*ou a tirar suas conc"uses dos acontecimentos, conc"uses estas que se
apro)imavam $astante da verdade.
Jo#o se deu conta de que não va"eria a pena sair C procura dos desaparecidos.
Ras9u!an não dei)aria de dar um sina" de vida assim que a situa*ão vo"tasse C ca"maA a"6m
disso, nada se poderia fa.er contra e"e enquanto Thora se encontrasse em suas mãos.
I I I
— Passe entre os dois cumes de montanha — ordenou Tomisen9o?.
O pi"oto re"atava constantemente o que via na te"a do instrumento de o$serva*ão, e
face a esses dados Tomisen9o? fornecia o curso a ser se#uido.
Pe"o c("cu"o de Tomisen9o?, no curso de uma hora haviam se afastado cerca de
cento e cinq0enta qui"1metros do acampamento, !( que as montanhas e as comp"ica*es na
transmissão das ordens o$ri#aram2nos a voar deva#ar.
& ve"ocidade foi redu.ida ainda mais pe"o fato de que Tomisen9o? procurava #anhar
tempo. ,sperava que a vi#i"7ncia de Ras9u!an se tornasse menos intensa, e que Thora
fi.esse a"#uma coisa que o distra'sse.
— &tr(s destes cumes h( outros — disse o pi"oto. — :ão três, que estão em fi"a. O
do meio deve ter uns oito ou nove mi" metros de a"tura.
Tomisen9o? respondeu com um aceno da ca$e*a.
— Passe entre o da esquerda e o do meio, e depois tome o curso de du.entos e
cinq0enta #raus.
Ras9u!an pi#arreou.
— :er( que ainda sa$e para onde est( nos "evando;
— :ei, sim — resmun#ou Tomisen9o?.
=esse instante Thora so"tou um #rito estridente e se apro)imou de Tomisen9o?.
— O que houve; — per#untou Ras9u!an em tom (spero.
Thora sacudiu os om$ros.
— &"i — #ritou amedrontada. — Um "a#arto voador.
O"hou pe"a !ane"a, como se visse a"#uma coisa. :eu pavor estava tão $em fin#ido
que, por um instante, o pr3prio Tomisen9o? não sa$ia se rea"mente havia visto um "a#arto.
Ras9u!an escorre#ou para o outro assento e comprimiu o rosto contra a "7mina de
p"(stico transparente. Co"ocara a pisto"a autom(tica so$re o !oe"ho.
=o mesmo instante Tomisen9o? virou2se, co"ocou os !oe"hos so$re o assento de sua
po"trona e dei)ou2se cair para a frente. &ntes que Ras9u!an perce$esse do que se tratava,
comprimira as costas contra seu corpo, inc"inando o tronco para a frente, e "evantara as
mãos amarradas, apertando2as em torno do pesco*o de Ras9u!an. &pertou a #ar#anta do
corone" com toda a for*a de seus dedos. =ão via o efeito que estava produ.indo.
— Pare — #ritou Thora. — O senhor o est( matando.
O pi"oto tivera sua aten*ão despertada pe"a cena. Virou a ca$e*a e o"hou para tr(s.
— Cuide do he"ic3ptero — #ritou Tomisen9o?. — :enão aca$amos caindo.
Quando Tomisen9o? so"tou Ras9u!an, este caiu mo"emente no seu assento. &inda
com as mãos amarradas, Tomisen9o? pe#ou a pisto"a autom(tica e firmou2a entre dois
assentos, fa.endo com que apontasse para o pi"oto.
— =ão pense que um homem amarrado não pode atirar — disse. — Dasta apertar o
#ati"ho e o senhor ser( um homem morto. Vo"te ao acampamento.
& situa*ão era #rotesca. Tomisen9o? estava a!oe"hado na po"trona em que poucos
instantes antes Ras9u!an estivera sentado. &poiou a $arri#a no encosto, com a pisto"a
autom(tica atr(s de si, de ta" maneira que podia a"can*(2"a com as mãos. =ão teria o menor
pro$"ema em pu)ar o #ati"ho. 4as $astava que a arma presa entre os dois assentos
escorre#asse para $ai)o para que o pi"oto não mais se encontrasse ao a"cance de seus
tiros... e tudo estaria terminado.
5e"i.mente a#ora, que Ras9u!an !( não podia fa.er mais nada, tornava2se
re"ativamente f(ci" desamarrar as mãos. Thora conse#uiu tirar do $o"so de Tomisen9o?
um pequeno canivete que "he haviam dei)ado e com e"e cortou as cordas que o
amarravam.
O resto foi uma $rincadeira. O pi"oto, que de qua"quer maneira não estava
convencido de que Ras9u!an seria o mais #enti" dos chefes e que suas ordens eram muito
sensatas, s3 precisou de um pequeno est'mu"o, representado pe"a visão da pisto"a
autom(tica en#ati"hada, para se su$meter prontamente Cs ordens de Tomisen9o?.
,ste procurou cuidar de Ras9u!an. Jevou um susto tremendo ao constatar que o
corone" estava morto.
Co$riu2o com sua !aqueta.
— =ão merece outra coisa — disse. — &pesar disso tenho pena.
I I I
Poucas horas depois da meia2noite foi anunciada a che#ada de Rhodan. Voou num
apare"ho da $ase e pousou no anti#o acampamento de Ras9u!an, !unto C nave au)i"iar de
Re#ina"d De"".
O campo de pouso estava profusamente i"uminado.
Rhodan !( fora informado so$re os acontecimentos. :ou$e que Ras9u!an procurara
desaparecer com Tomisen9o? e Thora e que os dois prisioneiros haviam re#ressado ao
acampamento com o cad(ver de Ras9u!an.
Quando entrou na sa"a de comando da nave au)i"iar, De"" apresentou seu re"ato,
conforme determinavam as normas. =esse re"ato inc"u'a2se o se#uinte trechoB
— Tomisen9o? pede, com o devido respeito, que o senhor "he conceda uma
entrevista.
Rhodan confirmou com um aceno de ca$e*a.
— Onde est( Thora;
De"" er#ueu os om$ros.
— &o que parece preferiu ficar s3. :empre respeitei os dese!os daque"a mu"her.
4ais uma ve. Rhodan acenou com a ca$e*a.
— =esse caso vou fa"ar com Tomisen9o?.
De"" saiu da sa"a de comando. 8a"i a pouco Tomisen9o? entrou. Rhodan ofereceu2
"he uma po"trona.
— O senhor vai ficar admirado — principiou Tomisen9o? sem pre7m$u"os — com a
proposta que vou formu"ar.
Rhodan sorriu com essa fa"a sem re$u*os.
— &ntes de sua che#ada — prosse#uiu o #enera" — fa"ei com os homens de
Ras9u!an. Contei2"hes que conse#uimos viver em Vênus durante um ano sem que
dispus6ssemos de quaisquer recursos, e que viver'amos muito me"hor se dispus6ssemos de
mais a"#umas das $ên*ãos da tecno"o#ia. ,u "hes su#eri que fic(ssemos para sempre em
Vênus, e e"es concordaram. Todos, com e)ce*ão de uns quatro ou cinco.
5itou Rhodan numa atitude de e)pectativa.
— ,st( $om — disse Rhodan. — Ou me"hor, e)ce"ente. =ão oponho nada a que os
senhores se fi)em, desde que dei)em nossa $ase em pa..
Tomisen9o? sacudiu a ca$e*a.
— =em pensamos nisso. :ou$emos o que aconteceu com o #overno do D"oco
Orienta". 4eus companheiros e eu !( rompemos com o passado. ,, ao que tudo indica, para
os homens da frota de Ras9u!an não foi muito dif'ci" fa.er o mesmo.
Rhodan se "evantou e ficou andando de um "ado para outro. :u$itamente
Tomisen9o? ouviu que ria.
— =unca ima#inava — disse — que meus p"anos se rea"i.ariam tão depressa.
— :eus p"anos; — per#untou Tomisen9o?, espantado.
— Fsso mesmoA meus p"anos. =a sua opinião, qua" foi o motivo por que h( um ano
não destru' sua frota com os tripu"antes;
— Porque... porque... $em, não sei.
— Porque acreditava — interveio Rhodan — que, se continuassem vivos, formariam
uma $ase muito sadia para a primeira co"1nia a ser insta"ada em Vênus. Rea"i.ei uma
e)periência com seres humanosA e o ser humano reve"ou suas aptides.
Tomisen9o?, espantado, ficou de quei)o ca'do. :3 aos poucos deu2se conta de que
nos /"timos meses não fi.era outra coisa senão $ancar a marionete que a"#u6m arrasta por
um fio. :ua inte"i#ência re$e"ou2se contra essa id6ia. Quando fina"mente sua mente a
a$sorveu, Tomisen9o? sentiu2se possu'do pe"a c3"era.
4as s3 por um instante.
=ão era nenhuma ver#onha, para um homem, que Perr% Rhodan o condu.isse por um
fio invis've".
Rhodan parecia adivinhar seus pensamentos.
— =ão perca seu or#u"ho — disse. — :3 a id6ia foi minha. O senhor conservou a
"i$erdade de a*ão. , não tenho receio em afirmar que o senhor a aproveitou muito $em.
&credito que não estarei errando se "he dei)o as mãos "ivres para insta"ar a co"1nia e "he
prometo nosso au)'"io.
Tomisen9o? tinha a impressão de que estava sonhando. Jevantou2se, diri#iu2se a
Rhodan e apertou2"he a mão.
— O$ri#ado — murmurou. — 4uito o$ri#ado.
,nquanto sa'a, muito nervoso, murmurou uma s6rie de pa"avras russas, que Rhodan
não compreendeu.
:3 de. horas depois Rhodan encontrou2se com a arc1nida.
=ão a procurara. 8a sa"a de comando, reso"veu as coisas que tinham de ser reso"vidas
e come*ou a preparar a deco"a#em em dire*ão C Terra.
Thora veio sem ser chamada.
Quase sem o menor ru'do, mandou a$rir a escoti"ha e por a"#um tempo manteve2se
im3ve" na entrada, antes que Rhodan notasse sua presen*a.
Jo#o perce$eu seu em$ara*o e sua inse#uran*a. Como não devia se sentir aque"a
mu"her. :ua fu#a precipitada da Terra provocara toda aque"a confusão, que por pouco não
tra.ia a morte de Rhodan e o fim da Terceira Potência.
&pro)imou2se com passos hesitantes. Rhodan "evantou2se e foi ao seu encontro. Viu
que e"a se dispunha a fa"ar, apressou o passo e se#urou a mão de"a entre as suas.
— & senhora não ima#ina — disse com a vo. $ai)a — como me sinto fe"i. por revê2
"a.
Fsso "he tirou toda a muni*ão. =ão conse#uiu di.er mais nadaA nada de todas as
descu"pas e motivos que havia preparado. 5e. uma coisa muito espantosaB inc"inou2se para
a frente at6 que sua ca$e*a encostasse no om$ro de Rhodan e chorou.
Thora, a arc1nida, a mu"her que tinha um $"oco de #e"o no "u#ar do cora*ão, estava
chorando.
Rhodan procurou conso"(2"a. 8eu in'cio a a"#umas frases conso"adoras, mas tam$6m
não se "em$rou de uma coisa adequada que pudesse di.er. Tudo que "he ocorresse parecia
rid'cu"o e ine)pressivo.
5icou parado, se#urou Thora pe"o om$ro e dei)ou que chorasse C vontade.
I I I
— Tripu"a*ão a $ordo- — anunciou De"". — & nave est( pronta para deco"ar.
Rhodan fe. um #esto com a ca$e*a e o"hou para a te"a. & primeira "u. do novo dia
sur#iu no hori.onte.
— ,st( na hora de irmos para casa — disse em tom pensativo.
De"" deu uma risadinha.
— =este meio tempo 5re%t deve ter criado ca$e"os $rancos. =ão sa$e nada dos
acontecimentos em Vênus a"6m do pouco que pude informar.
Rhodan se diri#iu ao microfone do intercomunicador.
— 8eco"aremos dentro de sessenta se#undos — disse com a vo. tranq0i"a.
Re#ina"d De"" ocupou seu "u#ar.
— Contro"e-
Com um "i#eiro esta"o a"#umas chaves mudaram de posi*ão.
— Tudo em ordem.
— Cuidado, vamos deco"ar.
& nave "evantou2se e, numa ve"ocidade fascinante, su$iu ao c6u p("ido. &qui"o que
antes fora o acampamento de Ras9u!an e a#ora era o de Tomisen9o? ficou para tr(sA por
um instante a a$3$ada re"u.ente de cinq0enta qui"1metros formada pe"o campo protetor da
forta"e.a emer#iu da escuridão.
Rhodan vo"tara a modificar os comandos introdu.idos no c6re$ro positr1nico. 8esta
ve. se#uiu os dados e as su#estes fornecidas pe"o pr3prio c6re$ro. =ão haveria outro
incidente como o que aca$ara de se verificar.
8epois de a"#um tempo, o so" sur#iu no hori.onte, qua" uma enorme "anterna
amare"a, envo"to na densa atmosfera de Vênus.
— :e este so" tivesse $ri"hado o tempo todo para n3s — disse Rhodan em tom
pensativo — muita coisa teria sido $em mais f(ci".
I I I
I I
I
.m sua camin%ada em direção 7 barreira energ#tica da fortaleza
de Vênus, conseguiram por mais de uma vez lograr a morte, que parecia
certa!
Depois disso, operando no ambiente seguro da fortaleza, não
tiveram a menor dificuldade em terminar, num golpe, as insensatas lutas
pelo poder que vin%am sendo travadas entre os colonos involunt$rios de
Vênus! 0ibertado Vênus, o campo de atividade de "err' R%odan volta a
deslocar5se para a Terra, onde * )upercr8nio d$ in-cio ao seu /ogo
nefasto!!!
* )upercr8nio # o t-tulo do pr,3imo volume da s#rie "err'
R%odan!

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