CUIDADO

COM OS MICRORROBÔS
Autor
KURT MAHR
Tradução
RICHARD PAUL NETO
Digitalização e Revisão
ARLINDO_SAN
(P-043)
Tropa de choque “Piquenique” —
só três homens escapam da peste de nonus.
A história da Terceira Potência em poucas palavras:
1971 — !o"uete #tardust che"a $ %ua& e Perr' (hodan desco)re a nave
e*ploradora dos arc+nidas ,vol. 1-.
197. — /ria01o da Terceira Potência& que en!renta a resistência das "randes
potências terranas e recha0a as tentativas de invas1o vindas do espa0o ,vols. . a 9-.
1972 — Primeira interven01o da Terceira Potência nos acontecimentos "al3cticos.
Perr' (hodan de!ronta4se com os tópsidas e procura solucionar o mist5rio "al3ctico ,vols.
16 a 17-.
1978 — A #tardust4999 che"a ao planeta Pere"rino& e Perr' (hodan alcan0a a
imortalidade relativa ,vol. 19-.
1976 — Perr' (hodan re"ressa $ Terra com um atraso consider3vel e vê4se
o)ri"ado a lutar por :ênus ,vols. .6 a .;-.
1971 — #upercr<nio ataca ,vols. .2 a .7-.
197.17= — /he"ada dos saltadores& que querem eliminar a concorrência que a
Terra representa no com5rcio "al3tico ,vols. .7 a =7-.
197; — Primeiro contato de Perr' (hodan em >rcon e sua atua01o como
plenipotenci3rio do c5re)ro positr+nico que e*erce o "overno no "rupo estelar ?41=
,vols. =7 a ;.-.
@o momento em que uma !or0a com)atente de 766 homens nem pensa em o)edecer
$s ordens do comandante& at5 mesmo uma "i"antesca m3quina de "uerra como a Titan
en!renta uma situa01o )astante di!Acil. B o que 5 pior& os tripulantes atacados pela
epidemia dos nonus est1o praticamente mortos& pois a medicina humana n1o conhece
qualquer antAdoto contra a mol5stia. Por5m era necess3rio ter /uidado com os
?icrorro)+s.
C C C C C C C Person!ens Pr"n#"$"s% C C C C C C C
Perr& R'o(n — /he!e da Terceira Potência e comandante da Titan.
)*+"n T",,+or& apelidado de Ti!! — um Dovem tenente da !rota espacial terrana que
resolve !aEer um piquenique.
Dr- H&.r( — Fesco)ridor do )acilo da epidemia dos nonus.
M/or C'ne& — Para quem a vida 5 “de uma )eleEa indescritAvel”.
O0Kee,e e H++"!n — Gue n1o se suportam.
N1'n — Hm hono que desenvolve uma atividade surpreendente.
2
o!icial alto e Dovem parou diante de (hodan e !eE continência.
— Is ordens& comandante — disse laconicamente.
(hodan respondeu com um "esto indi!erente.
— #ente.
Ti!!& ou melhor& Julian Ti!!lor& um Dovem tenente da !rota espacial terrana& a"u0ou o
ouvido. Guando (hodan o chamava pelo apelido& "eralmente havia al"uma novidade.
Ti!! sentou. Fepois do que (hodan levou al"uns minutos sem diEer uma Knica
palavra& passou os olhos pelas telas que rodeavam toda a sala de comando& apenas para
!aEer um movimento. lhou distraidamente para as massas "i"antescas de estrelas da
ne)ulosa ?41= e para o )rilho apa"ado do vulto alon"ado da Lan'med& que permanecia
imóvel a poucos quil+metros da Titan.
— Bstamos numa situa01o miser3vel — disse (hodan su)itamente& pro!erindo as
palavras com tamanha violência que Ti!! se assustou. — (ece)emos uma tripula01o
descansada de oitocentos homens e um compensador estrutural para ser montado. /om
mil e quinhentos homens a )ordo devAamos ser uma nave potente& a mais potente que
e*iste por aA. Acontece que só temos os oitocentos homens rec5m4che"ados& pois
setecentos est1o doentes.
“Al"um desconhecido est3 atr3s da nossa nuca e procura estran"ular4nos. Bnquanto
n1o sou)ermos quem 5 e onde pode ser encontrado& n1o podemos !aEer nada contra ele& a
n1o ser destruir as naves ro)otiEadas que enviou contra nós.”
(hodan levantou a ca)e0a e !itou os olhos de Ti!!:
— Ti!!& c3 entre nós& o que !aria o senhor se estivesse na minha situa01oM
Ti!! !icou )oquia)erto de espanto. (hodan& o onipotente& pedia um conselho ao mais
Dovem dos seus tenentesN
(ea"indo com a rapideE que lhe era peculiar& Ti!! lo"o se deu conta de que este n1o
era o momento para a"radecer ou !aEer qualquer demonstra01o de reverência pela
con!ian0a depositada nele. (hodan a"uardava uma resposta.
— @ossa des"ra0a come0ou em Oonur — recapitulou Ti!!& depois de re!letir
li"eiramente. — Oonur& o se"undo planeta do #ol Thatrel& situado a quarenta e sete anos4
luE de >rcon. Oa)itado por seres inteli"entes& mas primitivos. #eres totalmente ap3ticos&
descendentes dos colonos arc+nidas da !ase inicial da e*pans1o.
(hodan escutava atentamente& como se estivesse ouvindo pela primeira veE a
história do planeta Oonur. Ti!! viu4o !aEer um "esto animador.
— Oonur !oi interditado para qualquer tipo de apro*ima01o — prosse"uiu Ti!!. —
Bsse mundo n1o passa de uma armadilha de naves espaciais. FeEenas de naves
destro0adas dos tempos anti"os est1o espalhadas por sua super!Acie.
— Por quêM
— P porque aqueles animaiEinhos en"ra0ados& que parecem uns ursinhos& chamados
de nonus& carre"am consi"o um veneno que ataca os nervos& e carre"am4no numa dose
tamanha que penetra at5 as pontas dos pêlos. Qasta que a m1o humana ou humanóide o
toque para in!eccionar o indivAduo. veneno li)era4o de toda e qualquer ini)i01o& !aE
com que perca as medidas& trans!orma4o num idiota irrespons3vel e sorridente& que n1o se
alimenta mais e ve"eta numa esp5cie de eu!oria.
“A Titan pousou em Oonur por ser este o ponto de encontro com)inado com a
Lan'med. Guem deu a su"est1o de escolher OonurM Roi Thora& a arc+nida.
“ destino dos tripulantes da Titan !oi i"ual ao das tripula0Ses das outras naves que
D3 pousaram em Oonur. s ha)itantes pareciam pacatos& aparência essa que resultava de
sua apatia. s pequenos nonus eram dóceis& e qualquer um os acariciava e levava para
dentro da nave. A doen0a espalhou4se com a velocidade do vento. Apenas cinco homens
!oram poupados: o senhor& /rest& o arc+nida& os mutantes LucT' e #en"u e eu.
“@o momento mais crAtico uma nave espacial desconhecida atacou a Titan. A nave
era tripulada por ro)+s. /onse"uimos repelir o ataque. Apesar das condi0Ses em que se
encontrava a tripula01o& o senhor conse"uiu "uarnecer os comandos& decolar com a Titan
e a)andonar Oonur.
“Hma s5rie de outras naves desconhecidas se"uiu a Titan. /omo !+ssemos apenas
cinco homens cercados de amotinados eu!óricos n1o pudemos de!ender4nos. Pedimos que
a Lan'med& que se encontrava na Terra& viesse em nosso au*Alio. B esta aca)ou com a
con!us1o.
“A história 5 esta& n1o 5 mesmo& comandanteM
(hodan acenou com a ca)e0a e um sorriso a!lorou aos seus l3)iosU parecia
pensativo.
— P assim que "osto de ver os meus homensN — disse. — #empre se deve
rememorar os !atos e tirar as respectivas conclusSes. @1o era o que pretendia !aEerM
— #em dKvida& mas n1o sei...
— Qo)a"emN Rale lo"o.
Ti!! er"ueu os om)ros.
— Pois )em. Tenho a impress1o de que tudo que aconteceu em Oonur n1o passa de
uma trama rematada. @in"u5m sa)e quem recomendou a Thora que su"erisse Oonur
como ponto de encontro. Tenho certeEa de que !oi in!luenciada por al"u5m. u por
al"um a"ente do inimi"o ou pelo próprio.
“@o inAcio& tudo correu con!orme os planos. A tripula01o da Titan into*icou4se& e se
n1o houvesse a )ordo cinco homens sadios& a nave teria sido uma vAtima !3cil da primeira
nave ro)otiEada. @o entanto& conse"uiu repelir o primeiro ataque. inimi"o perce)eu
que seu plano !alhara em parte& motivo por que enviou uma esquadrilha mais potente.
@1o terAamos condi0Ses de de!ender4nos& mas !eliEmente pudemos contar com a
Lan'med.”
Fe repente& estacou e !itou (hodan. Bste perce)eu que seu interlocutor queria que
dissesse al"uma coisa.
— Bnt1o 5 essa sua opini1o — resmun"ou. — Gue conselho me d3M
— @1o conhecemos o inimi"o. At5 a"ora só vimos seus ro)+s. Tem al"um motivo
para destruir4nos. #ó poderemos de!ender4nos se sou)ermos onde encontr34lo.
“ Knico lu"ar em que entramos em contato& n1o com o próprio inimi"o& mas com
seus planos& 5 Oonur.
“#ou de opini1o que& se n1o conse"uirmos encontrar a pista do inimi"o em Oonur&
n1o a encontraremos em lu"ar nenhum.”
(hodan permaneceu sentado mais al"um tempo& sem diEer uma palavra. Fepois
er"ueu4se de um salto. Ti!! levantou4se Duntamente com ele. (hodan colocou a m1o so)re
seu om)ro.
— Guer sa)er de uma coisa& Ti!!M Para um homem que "eralmente toma as decisSes
soEinho !aE )em ouvir veE por outra a opini1o de outra pessoa. #e n1o tivesse ouvido a
sua& ainda teria minhas dKvidas so)re se devemos pedir socorro $ >rcon ou se 5 pre!erAvel
partirmos soEinhos em )usca da pista. senhor me aDudou a resolver o dilema.
rosto de Ti!! parecia s5rio& mas !eliE. (hodan tirou a m1o de seu om)ro e& com
um sorriso& !eE um "esto de amea0a.
— @1o conte a nin"u5m. 9sso poderia a!etar minha autoridade.
Ti!! !icou em posi01o de sentido.
— @aturalmente& comandante — e*clamou.
(hodan !eE um "esto com a m1o.
— @1o leve isto muito a s5rio. senhor ocupar3 o lu"ar de co4piloto& at5 que os
oitocentos homens rec5m4che"ados esteDam !amiliariEados com suas tare!as. Por
enquanto permaneceremos no lu"ar em que nos encontramos. ?as acredito que dentro de
uns oito ou deE dias poderemos partir.
Ti!! perdera parte de sua timideE.
— /omo co4piloto eu devia sa)er para onde partiremos — disse com um sorriso.
(hodan manteve4se impassAvel.
— @1o aca)a de su"erir nosso destinoM P claro que partiremos para Oonur.
V V V
A Titan era uma nave "i"antesca.
di<metro do corpo es!5rico da nave che"ava a mil e quinhentos metros. Bra um
mundo em si& equipado com todos os requintes da tecnolo"ia militar e espacial dos
arc+nidas.
Bnquanto (hodan mantinha com o mais Dovem de seus tenentes a conversa que
!icaria "ravada para sempre na memória deste Kltimo& al"umas centenas de metros
“abaixo” do lu"ar em que se encontravam aconteciam coisas totalmente diversas.
@um dos la)oratórios& os pro!issionais da medicina estavam empenhados em
desvendar o estranho mist5rio que envolvia os setecentos homens da tripula01o primitiva
da Titan.
tra)alho estava sendo diri"ido pelo Fr. Bric ?anoli& que che"ara h3 apenas 1.
horas a )ordo da Lan'med. Bra um dos quatro homens que& viaDando numa !r3"il nave de
propuls1o at+mica& !oram os primeiros terranos a che"arem $ %ua.
?anoli trou*era uma "rande equipe de m5dicos da Terra. Tinha certeEa de que
conse"uiria identi!icar a to*ina que provocava o estado de eu!oria entre os tripulantes da
nave.
@a parede dos !undos do amplo la)oratório& via4se um homem sentado numa
cadeira& cuDos )ra0os& pernas e tronco estavam amarrados de tal !orma na cadeira que n1o
conse"uia mover4se.
/antava ale"remente:
— ...over the ocean, over the sea, when will Mathilda be waltzing with me...M
!ato de misturar os te*tos de duas can0Ses parecia diverti4lo tremendamente.
Procurou )alan0ar4se na cadeira& e com isso !eE com que esta escorre"asse para a !rente.
— Rique quieto& seu idiotaN — "ritou ?anoli.
homem parou de cantar e olhou ?anoli com a cara sorridente.
— Para que tanta seriedade& doutorEinhoM — per"untou. — A vida 5 t1o )elaN Por
que vamos martiriEar4nos $ toaM
?anoli perdeu o autocontrole.
— Pois você est3 me martiriEando& seu idiota — "ritou para o doente. — #er3 que
você n1o 5 capaE de voltar $ raE1oM
— (aE1oM — disse o homem com uma risadinha. — Bstou sendo muito raEo3vel.
:ocês 5 que s1o uns idiotas.
Oipereu!oria& era esta a palavra com que os m5dicos desi"navam o estado em que se
encontravam aquele homem e os outros seiscentos e noventa e nove tripulantes. ?as
tratava4se de um tipo de eu!oria que n1o se parecia com nada que D3 se tivesse visto na
TerraU ultrapassava todas as medidas.
Por isso ?anoli e seus cola)oradores lhe deram o nome de hipereu!oria.
Tentavam identi!icar o veneno. Procuraram localiE34lo naquele doente& que !ora
isolado dos demais e traEido at5 ali so) !orte vi"il<ncia. Procuraram4no tam)5m no corpo
dos raros nonus que dei*aram so)reviver para !ins de e*periência.
pequeno animal peludo estava preso numa sólida Daula. %an0ando seu olhar
atrav5s das "rades& contemplava os homens de Daleco )ranco com uma e*press1o triste e
cordata.
#u)itamente uma voE "rave e tranqWila !eE4se ouvir nos !undos do recinto:
— Acho que 5 isto.
?anoli dei*ou cair o recipiente que se"urava& e virou4se so)re os calcanhares. Fr.
Oa'Xard& um verdadeiro "i"ante que h3 pouco in"ressara no servi0o m5dico da !rota
espacial& sorria ale"remente diante de seu microscópio.
— P o quêM — per"untou ?anoli.
— veneno — respondeu Oa'Xard tranqWilamente& !aEendo um "esto em dire01o
ao microscópio.
/om uns três ou quatro passos r3pidos& ?anoli colocou4se ao seu lado.
— Fei*e4me verN — !un"ou.
Oa'Xard inclinou4se para o lado. ?anoli olhou !i*amente para dentro do
microscópio.
— @1o veDo nadaN — quei*ou4se. — P uma su)st<ncia incolorM
— @aturalmente — respondeu Oa'Xard.
— @1o pode ser coloridaM
— Ainda n1o tentei.
?anoli !itou4o perple*o.
— Pois tenteN Acredita que todo mundo tem olhos de lince que nem o senhorM
Oa'Xard n1o se pertur)ou. Tirou a placa de material de dentro do microscópio&
pin"ou um lAquido aEul so)re a mesma e voltou a empurr34la para )ai*o da o)Detiva.
?anoli suspirou aliviado.
— At5 que en!im...
microscópio mostrou uma !ileira de cristais dodeca5dricos.
— Tem al"uma id5ia do que possa serM — per"untou ?anoli sem tirar o olho do
microscópio.
— @aturalmente — resmun"ou Oa'Xard. — P al"um tipo de he*ilamina. #er3 que
n1o 5M
?anoli acenou !ortemente com a ca)e0a.
— /ertamente. senhor tem toda raE1o. Bsse ne"ócio )asta para uma an3lise
e*ataM
— Acredito que sim.
— Pois !a0a uma. (3pidoN
V V V
?esmo com os aparelhos arc+nidas& a an3lise e*ata de uma he*ilamina n1o 5 nada
!3cil. ?as Oa'Xard conse"uiu concluA4la em hora e meia.
Firi"iu4se a ?anoli.
— Bnt1oM — per"untou este.
— Bntende al"uma coisa de !Asica nuclearM — per"untou Oa'Xard.
?anoli !eE uma careta.
— Bscute aqui& Oa'Xard& "ostaria que me contasse o que o senhor...
— #im& D3 sei. Acontece que para entender minhas e*plica0Ses o senhor precisa ter
al"uns conhecimentos de !Asica nuclear.
— Por quêM
— J3 ouviu !alar no ar"onM
— J3U 5 um "3s raro.
— @1o se pode !aEê4lo entrar em com)ina01o com qualquer outro elemento. A n1o
ser que seDa ioniEado e que se consi"a mantê4lo nesse estado. Para !aEer isso& pode4se
encost34lo a mol5culas adequadamente estruturadas& de tal !orma que o 3tomo de ar"on
seDa li"ado atrav5s de um nêutron molecular& sem ser neutraliEado.
— Ah& 5M — disse ?anoli. — B daAM
— B daAM Roi o que al"u5m !eE com esta to*ina. Trata4se de he*ilamina ar"+nica& se
me permite inventar um nome neste instante.
?anoli piscou os olhos.
— Al"u5mM senhor acredita...M
Oa'Xard respondeu com um "esto tranqWilo.
— P e*atamente isso. Bm nenhum lu"ar do Hniverso se encontrariam quantidades
su!icientes de ar"on em estado natural. Bste veneno !oi !eito arti!icialmente.
V V V
@in"u5m poderia duvidar do resultado da an3lise. B& a"ora que se conhecia a
natureEa da to*ina& n1o havia nenhuma di!iculdade em isolar quantidades su!icientes da
mesma em meio $s demais secre0Ses dos nonus& a !im de realiEar outros e*ames. Bra
!3cil !a)ricar a to*ina com o lAquido medular dos doentes.
nome he*ilamina ar"+nica& inventado por Oa'Xard& !oi conservado. Al5m dessa
denomina01o quAmica& a su)st<ncia rece)eu um nome mais "en5rico. Race $ quantidade
consider3vel do "3s raro que continha& !oi chamada de ar"onina.
Por enquanto& permanecia desconhecido o mecanismo atrav5s do qual a into*ica01o
levava $ hipereu!oria.
?as um !ato que impressionava a ponto de suplantar a curiosidade de conhecer esse
mecanismo era a constata01o irre!ut3vel de que a ar"onina era um produto arti!icial.
(hodan lo"o !oi in!ormado so)re os resultados do e*ame. Pediu que Oa'Xard e
?anoli comparecessem $ sua presen0a e lhe !ornecessem um relato minucioso. ?as n1o
lhe contaram aquilo que mais "ostaria de sa)er: como !oi que os nonus che"aram a
carre"ar consi"o uma to*ina arti!icial.
V V V
Passaram4se e*atamente nove dias a partir da che"ada da Lan'med at5 que a Titan&
uma veE montado o compensador estrutural e treinados os oitocentos homens rec5m4
che"ados& estivesse pronta para se"uir.
compensador estrutural era um aparelho apresado em m1os dos mercadores
"al3cticos& reconstruAdo na Terra a toda pressa. /riava um campo de!ensivo& que a)sorvia
e neutraliEava os a)alos estruturais do comple*o espa0o4temporal de quarta dimens1o&
causados por qualquer processo de transi01o de uma nave espacial. B esta& em condi0Ses
normais& podia ser localiEada a uma dist<ncia de centenas de anos4luE.
Hma nave equipada com um compensador estrutural estava completamente
prote"ida contra a opera01o de rastreamento estrutural. ?elhor diEendo: contra a hiper4
localiEa01o atrav5s do a)alo provocado por uma transi01o& isso enquanto n1o sur"isse
al"u5m que desco)risse al"um princApio capaE de neutraliEar os e!eitos do compensador
estrutural.
compensador que a Lan'med trou*era da Terra !ora primitivamente destinado $
!rota terrana comandada pelo maDor Ferin"house. coronel Rre't& comandante da
Lan'med& asseverou que só a contra"osto Ferin"house entre"ara o aparelho.
anKncio de (hodan& de que a Titan retornaria a Oonur& provocou certo nervosismo
entre a nova tripula01o. @in"u5m i"norava o que acontecera naquele planeta.
comandante teve de e*pedir uma declara01o adicional para dissipar o nervosismo entre
seus homens.
Fisse o se"uinte:
— A"ora& que conhecemos o peri"o& este perdeu seus aspectos mais pavorosos.
Tomaremos todas as precau0Ses quando pousarmos em Oonur. B& principalmente& temos
a Lan'med& que nos dar3 co)ertura.
“Al5m disso& devemos dar4nos conta de que& a )em da nossa se"uran0a e da de!esa
da Terra& n1o podemos simplesmente dar as costas ao peri"o. Ble nos alcan0aria.
“Temos que desco)rir o inimi"o e o)ri"34lo a ser raEo3vel& ou destruA4lo. @1o temos
outra alternativa.
“Para !aEer tudo isso& teremos de voltar para Oonur.”
3
sol de Oonur era um astro pequeno& cuDo espectro apresentava um m3*imo de
raios in!ravermelhos. Bm virtude disso& a luE emitida& em pleno dia& era t1o vermelha
como a do sol terrano ao alvorecer ou ao entardecer.
Oonur era um mundo leve e pequeno& cuDa "ravita01o super!icial era de 6&7 ". A
temperatura m5dia& se"undo os velhos re"istros arc+nidas& era de 9&. "raus centA"rados.
Bra in!erior $ da Terra& mas )astante superior $ de outros planetas& como por e*emplo
?arte& com o qual Oonur talveE pudesse ser comparado tam)5m so) outros aspectos.
A super!Acie do planeta era seca. @1o havia oceanos& apenas al"uns la"os. Bm
compensa01o havia cordilheiras& cuDas cumeeiras atin"iam altitudes consider3veis.
Roi no p5 de um desses comple*os montanhosos& cuDas cumeeiras atin"iam em
m5dia quatro mil metros& Dunto a um pequeno la"o& que a Titan pousou no dia em que
come0ou a des"ra0a.
:oltou a pousar no mesmo lu"ar. A Lan'med !icara para tr3s& descrevendo uma
ór)ita )em ampla em torno do planeta. As salas de comando das duas naves mantinham
contato sonoro ininterrupto atrav5s do telecomunicador.
(hodan n1o estava disposto a assumir o menor risco.
@1o se via nenhum sinal dos nativos — ou dos puri!icados& como eles mesmos
costumavam chamar4se. %o"o após o primeiro pouso& instalaram4se Dunto ao la"oU mudos
e imóveis& contemplavam a "i"antesca nave.
Festa veE& D3 !aEia deE horas que a Titan tocara o solo& e nenhum dos puri!icados
havia dado a cara.
Bstariam participando do Do"oM #er3 que n1o passavam de lacaios dos
desconhecidos que se chamavam de deusesM
(hodan deu suas instru0Ses.
Hm "rupo de )usca comandado pelo tenente Ti!!lor rece)eu ordens para investi"ar a
3rea em torno da Titan& num raio de cem quil+metros. A rapideE com que os nativos
haviam sur"ido depois do primeiro pouso da Titan levava $ conclus1o de que devia haver
ao menos uma povoa01o nessa 3rea. "rupo de Ti!!lor !oi equipado com os c<m)ios&
veAculos muito vers3teis& que podiam locomover4se em terra& na 3"ua e no ar& al5m de
uma cole01o de armas e!icientAssimas. #ua tare!a consistia em traEer ao menos um dos
puri!icados& no qual seria realiEado o e*ame psAquico.
utro "rupo& comandado pelo maDor /hane'& rece)eu instru0Ses para descrever
cArculos )em amplos em torno do planeta& a )ordo de naves de esclarecimento de lon"o
alcance do tipo LaEela& a !im de realiEar investi"a0Ses so)re as caracterAsticas !Asicas
daquele mundo. (hodan tinha certeEa de que& se em Oonur e*istisse qualquer
esta)elecimento do inimi"o desconhecido& o consumo de ener"ia seria tamanho que os
instrumentos ultra4sensAveis das LaEelas n1o dei*ariam de re"istr34lo.
(hodan sa)ia per!eitamente que& caso o inimi"o suspeitasse& n1o teria um instante
de dKvida so)re as reais inten0Ses da Titan. #e possuAsse mentalidade humana ou
humanóide& veria na opera01o de )usca uma !orma de provoca01o e n1o dei*aria de dar
seu contra"olpe.
A qualquer momento teriam de contar com ataques lan0ados contra os dois "rupos
de )usca e contra a própria Titan. utras LaEelas estavam preparadas para saltar de )ordo
da nave4m1e& a !im de correr em au*Alio de Ti!!lor ou /hane' caso estes se vissem num
aperto. Tam)5m a Lan'med !icou de prontid1o. /hane' e Ti!!lor rece)eram instru0Ses
para n1o interromper por um se"undo sequer o contato pelo telecomunicador.
Todas as providências que estavam ao seu alcance haviam sido tomadas.
V V V
Julian Ti!!lor desempenhou suas !un0Ses com o entusiasmo de que só um Dovem
o!icial seria capaE. #eu "rupo era !ormado por quatro c<m)ios. Feslocando4se pouco
acima do solo& os veAculos su)iam por um vale que se a)ria em meio $s montanhas. Ti!!
dera ordens para que o contato com a Titan !osse mantido por perAodos alternados de uma
hora por cada um dos veAculos.
/ada c<m)io tinha uma tripula01o de cinco homens. As m3scaras pressuriEadas& de
que precisariam quando saAssem da prote01o das naves para a atmos!era po)re em
o*i"ênio& )alan0avam Dunto ao quei*o. Hm movimento da m1o )astaria para prendê4las e
ativar o compressor.
/erca de duas horas se haviam passado desde o momento em que tinham saAdo pela
comporta da Titan. Ti!! !eE quest1o de que os veAculos se deslocassem a velocidade
reduEida& e sempre se mantivessem Dunto ao solo.
Aquele comple*o de montanhas era um mundo desolado. Ti!! se"uiu o pequeno
curso de 3"ua que& descendo das cumeeiras& desem)ocava no la"o Dunto a cordilheira.
?as o e!eito da 3"ua n1o che"ava a mais de cem metros de cada lado da correnteEa. Hma
!ai*a de estranha ve"eta01o de estepe& de apro*imadamente duEentos metros de lar"ura&
cortava o vale. Al5m dele& come0ava a rocha nua& que passava a !ormar paredes quase
verticais e su)ia a mais de mil metros& at5 atin"ir os !lancos das montanhas mais altas.
)rilho avermelhado dos raios solares n1o che"ava a penetrar at5 as pro!undeEas
do vale. @o !undo da depress1o& onde se moviam os veAculos de Ti!!lor& reinava uma
penum)ra crepuscular& que era mais um motivo para Ti!! n1o se apressar na e*ecu01o da
opera01o de )usca.
V V V
maDor /hane' cometeu um erro: acreditou que seu v+o era e*atamente aquilo que
seria em condi0Ses normais em qualquer outro mundo& isto 5& uma tare!a rotineira
destinada a “pôr as mãos” nos dados !Asicos e "eo"r3!icos do planeta& se"undo se diria na
"Aria astron3utica.
s tripulantes das LaEelas n1o tinham muita coisa a !aEer. dispositivo autom3tico
sincroniEado mantinha os veAculos numa altitude constante de =6 mil metros. Tam)5m
cuidava da mudan0a de rota quando as naves saAam de um cArculo para entrar em outro. B
os instrumentos de medi01o haviam sido construAdos de maneira a e*ecutarem suas
tare!as sem au*Alio humano.
Hm tanto contrariado& /hane' inda"ou4se por que o che!e n1o colocara os veAculos
em ór)ita em v+o autom3tico& sem tripulantes.
@1o se dava conta de que o piloto4ro)+ n1o estaria em condi0Ses de lidar com
tare!as muito complicadas& como por e*emplo uma )atalha a5rea.
?as a atitude era per!eitamente e*plic3vel. Furante as duas horas de via"em que as
LaEelas D3 tinham atr3s de si& os instrumentos n1o haviam re"istrado sequer um simples
povoado dos puri!icados& quanto mais al"uma )ase do inimi"o que poderia ser capaE de
dispor de aparelhos aptos para o com)ate a5reo.
V V V
— Gue maldi01oN Justamente a"ora que pensava que irAamos ver a luE& o sol se pSeN
sar"ento YZee!e estreitou os olhos e !itou a tela& na qual ainda h3 poucos
instantes vira as encostas do vale& que recuavam& e o planalto que a"ora se estendia diante
deles.
I direita& )em ao lon"e& via4se o cArculo vermelho e apa"ado do sol Thatrel. ?etade
dele D3 havia desaparecido atr3s da linha do horiEonte.
A veE de manter contato com a Titan era do /<m)io que conduEia o tenente Ti!!lor&
o mesmo no qual o piloto& YZee!e& aca)ara de mani!estar sua tristeEa pela luE do dia que
se desvanecia.
— Temos diante de nós um planalto em que a visi)ilidade 5 muito )oa — disse Ti!!
ao o!icial de plant1o. — Pe0o instru0Ses so)re se devo prosse"uir via"em de noite.
— che!e diE que n1o — respondeu o o!icial. — Pare num lu"ar se"uro e a"uarde
o raiar do dia.
— Bntendido.
Ti!! achava que n1o era conveniente sair do vale. ?andou que YZee!e conduEisse
o veAculo at5 a encosta sul e pousasse Dunto ao pared1o. s outros /<m)ios a"iram da
mesma !orma.
As sentinelas !oram distri)uAdasU depois disso cessou o Eum)ido trepidante dos
motores anti"ravitacionais& e o silêncio espalhou4se pelo interior dos veAculos.
Julian Ti!!lor incum)ira4se de um dos perAodos da "uarda noturna.
/ontrariando seus h3)itos& despertou imediatamente quando seu antecessor o
chamou.
— Al"uma coisa de especialM — cochichou.
— @1o senhor. Tudo calmo.
Ti!! !eE o corpo rolar para )ai*o do assento em que estivera acomodado& dei*ando4o
livre para o companheiro.
Roi ao lu"ar do piloto& acomodou4se no esto!amento macio e acendeu um ci"arro.
A tela mostrava o Kltimo setor do vale& pro!usamente iluminado pela in!inidade de
estrelas da ne)ulosa. A luE era mais !orte que a da noite terrana de lua cheia. Ti!!
en*er"ava per!eitamente a uma dist<ncia de pelo menos duEentos metros.
Hm dos aparelhos de telecomunica01o estava pronto para entrar em !uncionamento.
A luE verde do controle tinha um e!eito tranqWiliEante em meio $ escurid1o. @aquela
hora& o /<m)io nKmero ; mantinha contato com a Titan& e o /<m)io nKmero 1 estava
pronto a entrar em comunica01o a qualquer instante.
Tudo parecia em ordem. Ti!! estava satis!eito.
Aca)ou de !umar tranqWilamente& dei*ou que quinEe minutos se passassem e
acendeu outro ci"arro. Tomou um "ole recon!ortante da ca!eteira que seu antecessor
dei*ara so)re a escrivaninha.
Para isso teve que desviar os olhos da tela por al"uns se"undos. Guando aca)ou de
tomar seu ca!5& voltou a colocar a ca!eteira suavemente so)re a escrivaninha e !itou outra
veE o quadro da tela. Bste se havia modi!icado.
vulto alto e es"uio de um puri!icado destacava4se contra a parede iluminada pela
luE das estrelas.
Ti!! viu que o desconhecido levantava o )ra0o& como se quisesse !aEer um sinal.
Passado um momento& repetiu o "esto.
#em desviar os olhos& Ti!! comprimiu o )ot1o que li"ava o telecomunicador. utra
tela iluminou4se.
— #aia da linhaN — ordenou Ti!!. — Preciso !alar com a Titan.
quadro da tela tremeluEiu por um instante e voltou a assumir contornos nAtidos.
#ur"iu o rosto do capit1o Qrian& que se encontrava a )ordo da Titan.
— Tenho uma novidade para o senhor — disse Ti!! e acoplou o quadro da tela ao
aparelho de Qrian.
— Por que est3 !aEendo sinaisM
— Bst3 !aEendo isso desde o momento em que apareceu. Provavelmente deseDa que
um de nós v3 at5 l3 !ora.
Qrian levantou os olhos. Ti!! desacoplou a ima"em& para que o capit1o pudesse ver
seu interlocutor.
— P claro que o senhor n1o vai !aEer nada disso — ordenou.
Ti!! sorriu.
— 9sso 5 uma ordem ou um conselhoM
capit1o Qrian so)ressaltou4se.
— Por quêM P claro que 5 um conselho. Tem outra su"est1oM
— Poderia sair...
— ...para dei*ar que o envenenassemM
— Bm primeiro lu"ar& vestiria um traDe espacial& e depois n1o tenho a inten01o de
me apro*imar do suDeito a ponto de poder dar a m1o a ele ou a qualquer nonus.
Rinalmente& tenho deEenove "uarda4costas& que poder1o cuidar de mim.
Qrian cocou a ca)e0a.
— Qem — resmun"ou — o che!e quer que lhe dei*emos as m1os livres. #e
prometer que a"ir3 com a maior cautela n1o meterei o )edelho. Tenha cuidadoN P
possAvel que al5m desse suDeito haDa outros cem escondidos atr3s da pedra mais pró*ima.
— Tomarei cuidado — prometeu Ti!!.
— Bst3 )em. :olte a acoplar a ima"em. )ri"ado.
A palestra havia despertado os tripulantes do /<m)io nKmero 1. #entados nos
)ancos& contemplavam a tela.
— que andou !aEendo neste meio tempoM — per"untou Ti!!. Furante a palestra
com Qrian& n1o tivera tempo de vi"iar o puri!icado.
— %evanta a m1o de minuto em minuto e !aE um sinal — in!ormou YZee!e.
Ti!! en!iou o traDe espacial. Bra !eito de pl3stico !le*Avel. Rora conce)ido para
prote"er a pessoa que o usasse& impedindo a penetra01o de partAculas de poeira cósmica.
Por isso deveria estar em condi0Ses de evitar que qualquer dos nonus ou o puri!icado
tocasse Ti!!.
— YZee!e& avise os outros veAculos. Ricaremos de prontid1o nKmero um.
Antes que Ti!! aca)asse de !echar seu traDe& che"aram as con!irma0Ses. :inte
homens estavam a postos.
Ti!! estava satis!eito. Tirara a m3scara pressuriEada& pois o capacete do traDe espacial
dispunha de aparelha"em própria para a renova01o de ar. Antes de !ech34lo& diri"iu4se a
YZee!e.
— Rique em contato comi"o. @1o tome nenhuma providência sem que eu lhe dê
instru0Ses para isso.
Rechou o capacete es!5rico com o "rande visor& as redes circulares dos micro!ones
e*ternos e o pequeno !unil do alto4!alante.
Hm ca)o a)riu a comportaU dali a um minuto Ti!! encontrava4se do lado de !ora. :iu
que o puri!icado aca)ara de levantar o )ra0o para dar seu sinal. Guando Ti!! saiu da
som)ra do veAculo e do pared1o& )ai*ou4o e permaneceu imóvel.
Ti!! apro*imou4se a passos lentos. A m1o direita se"urava o radiador de impulsos.
V V V
— A sonda de radar est3 com de!eito — quei*ou4se o sar"ento Fee. — Bst3
emitindo impulsos so)repostos.
maDor /hane' tinha al"um conhecimento dessas coisas.
Tirou os cintos e& atravessando a parte interna da LaEela& caminhou em dire01o a
Fee. Bste limitou4se a indicar a tela oscilo"r3!ica. @ormalmente via4se nela a ponta
"rande marcando o impulso transmitido e& mais a)ai*o& a ponta menor& o impulso
re!letido. A dist<ncia entre as linhas que !ormavam os respectivos pólos servia de )ase ao
c3lculo da dist<ncia entre o emissor e o re!letor ou& no presente caso& entre a LaEela e a
super!Acie de Oonur.
?as /hane' viu uma coisa que dei*ara Fee nervoso: um terceiro impulso& muito
d5)il& se desenhava a)ai*o daquele que correspondia ao re!le*o.
/hane' "irou al"uns )otSes. :eE ou outra as ima"ens dos impulsos desapareciam.
?as& quando reapareciam& sempre estava presente o impulso menor& que levara Fee $
conclus1o de que al"uma coisa n1o estava em ordem.
maDor /hane' comunicou4se com as outras LaEelas. Bm suas telas& aparecia
aquela ima"em. B cada o)servador acreditara a mesma coisa que o sar"ento Fee.
— Al"o n1o est3 em ordem — murmurou /hane'& que parecia perple*o. —
terceiro impulso 5 verdadeiro. osciloscópio est3 !uncionandoM
— Runciona ininterruptamente.
— Pois )emU nesse caso poderAamos...
@1o teve tempo para diEer o que poderiam !aEer. Hm terrAvel solavanco !eE com que
/hane' e todos os homens que n1o estivessem presos aos cintos de se"uran0a caAssem ao
ch1o. @o mesmo instante as sereias de alarma emitiram um som estridente.
s homens soltaram "ritos de surpresa. Ainda con!uso& /hane' levantou4se&
apoiando4se no encosto da poltrona. #entiu uma estranha leveEa no est+ma"o e perce)eu
9nstantaneamente que ao menos o neutraliEador dei*ara de !uncionar.
:iu que a marca luminosa do altAmetro descia rapidamente. /am)aleou o mais
r3pido que p+de em dire01o ao telecomunicador. rosto preocupado do capit1o Qrian
contemplava4o da tela.
— Bstamos caindoN — "ritou /hane'& superando o )arulho das sereias. —
Provavelmente !omos atin"idos por um raio de tra01o.
Qrian con!irmou com um aceno de ca)e0a.
— (e"istramos sua posi01o — respondeu. — Procurem controlar os aparelhos.
Fentro de al"uns minutos estaremos aA.
Qrian desapareceu da tela. /hane' en!iou4se na poltrona do piloto. /om um "esto
!irme& empurrou o re"ulador dos propulsores $ posi01o m3*ima.
A LaEela !oi sacudida por outro solavanco. A queda !ora neutraliEada. lhando para
o altAmetro& /hane' viu que o veAculo continuava a perder altura. ?as a descida n1o era
mais r3pida que a de um v+o planado& n1o muito inclinado.
Hm sorriso amar"o passou pelo rosto de /hane'. %evou al"uns se"undos para avisar
os outros veAculos. Todos eles controlaram a queda numa altitude de seis mil metros e&
descrevendo uma curva suave& apro*imavam4se da super!Acie do planeta.
#u)itamente /hane' teve uma id5ia. A tela do telecomunicador ainda mostrava o
assento vaEio do o!icial que estava de plant1o na sala de comando da Titan. ?as /hane'
acionou o alarma at5 que o capit1o Qrian voltasse a aparecer.
— Tenho uma su"est1o& capit1o — !un"ou /hane'. — ?ande que os homens
voltem. /onse"uimos controlar a queda e devemos realiEar um pouso so!rAvel. P )em
possAvel que o inimi"o apare0a para veri!icar o que !oi derru)ado. s homens enviados
pelo senhor poderiam espant34lo.
Qrian lo"o compreendeu.
— Bst3 )em. ?andarei que os homens esperemU a"uardo seu pouso. #e este correr
normalmente& nin"u5m ir3 em seu au*Alio.
— )ri"ado.
/hane' voltou4se aos tripulantes da LaEela.
— Bst1o )em presos nos cintosM estouro dever3 ser )em !orte. Bncolham o
pesco0o.
tenente Oathome& piloto do aparelho L46.1& chamou pelo telecomunicador.
— 9niciarei o pouso. terreno 5 )astante !avor3vel.
/hane' con!irmou com um sinal de ca)e0a.
— ?uitas !elicidades& OathomeN
A L46.1 !oi o Kltimo aparelho que conse"uiu controlar a queda. Por isso Oathome
!oi o primeiro a che"ar $ super!Acie do planeta.
/hane' lan0ou mais um olhar para a ima"em de radar. Oathome dissera a verdade: o
piloto de um veAculo que estava caindo n1o poderia deseDar terreno mais !avor3vel. Bra
liso que nem uma mesa. @as e*tremidades do quadro& havia acidentes do terreno que
atin"iam uma altura consider3velU deviam ser montanhas. Ao que parecia& a 3rea que se
estendia em)ai*o das três LaEelas era !ormada por um planalto.
A L46.1 sur"ia so) a !orma de um pontinho luminoso. /hane' viu que& de um
momento para outro& reduEiu a velocidade e modi!icou sua traDetória. @o alto4!alante& que
ainda mantinha contato com a L46.1& ouviu4se um Eum)ido ensurdecedor& o chiado do
metal que se es!acelava e por !im um tremendo estalo. Fepois n1o se ouviu mais nada.
— OathomeN
@1o houve resposta.
— Oathome...N
Rinalmente ouviu4se uma voE d5)il.
— #im senhor...
— (esistiuM
— Acredito que sim. Todo mundo D3 est3 de p5.
A aten01o de /hane' !oi desviada para outro assunto. altAmetro indicava cento e
cinqWenta metros. A L46.6 dispunha4se a pousar& Duntamente com a L46...
/hane' apoiou4se com toda !or0a contra a mesa do piloto. @o momento em que o
altAmetro havia descido quase $ marca Eero& e*peliu toda a ener"ia dos Datos de popa& para
reduEir a velocidade.
Hm enorme solavanco sacudiu o veAculo. /hane' viu que o mapa desenhado pelo
radar come0ou a "irar e as som)ras apa"adas que se desenhavam nas telas de televis1o
come0aram a mover4se. Hm )arulho in!ernal a)a!ou os "emidos de pavor dos homens.
/hane' reteve a respira01o at5 ouvir o estouro !inal& que indicava que a L46.6 aca)ara de
chocar4se com um o)st3culo: a via"em che"ara ao !im.
A ca)e0a de /hane' )ateu contra um o)Deto duroU !icou inconsciente por al"uns
se"undos. Guando despertou& tudo estava em silêncioU só se ouviram os ruAdos
provocados pelos traDes dos homens que procuravam colocar4se de p5.
— Bst1o todos aAM — per"untou /hane'.
(esponderam com um !orte sim& !eliEes por terem escapado.
@o interior da LaEela reinava a escurid1o. suprimento de ener"ia dei*ara de
!uncionar& e com isso o emissor tam)5m estava inutiliEado. A tela do telecomunicador
apa"ara4se.
— :amos dar o !oraN — )errou /hane'. — A)ri"uem4se atr3s da LaEela.
Qai*aram os capacetes so)re o rosto e desceram. A comporta !uncionava
impecavelmente. /omo !osse a Knica via de entrada e saAda& !ora acoplada a um "erador
de emer"ência indestrutAvel.
/hane' a"uardou tranqWilamente que cessasse o )arulho vindo da comporta&
transmitido pelos alto4!alantes e*ternos. Por !im chamou pelo r3dio de capacete:
— OathomeN /rimsonN
Oathome respondeu imediatamente& mas da L46.. veio esta resposta:
— tenente /rimson est3 inconsciente. Aqui !ala o sar"ento Oalli"an.
— Guantos dos seus homens continuam de p5& Oalli"anM
— Todos. Apenas dois desmaiaram.
— Bst3 )em. Oathome& as instru0Ses que vou transmitir tam)5m valem para o
senhor. Fes0am& levando as armas& e procurem atin"ir a L46.6. Bstamos a)ri"ados $
som)ra da m3quina. @1o usem seus holo!otes manuais& mas apressem4se.
Oathome e Oalli"an compreenderam. /hane' interrompeu o contato& pe"ou o
pesado desinte"rador& que com o choque desliEara pela sala e amassara o p5 do painel de
controle. Fesceu pela comporta.
%3 !ora a visi)ilidade era melhor do que a que /hane' encontrara ao olhar a tela. A
pro!us1o enorme de estrelas do "rupo ?41=& que enco)ria a parte norte do !irmamento&
irradiava uma !orte luminosidade.
s homens do "rupo de /hane' a"acharam4se $ som)ra do aparelho de !orma
elAptica. /om as armas levantadas& !itavam a semi4escurid1o.
Bnquanto esperavam& /hane' procurou adivinhar o que !aria a Titan. Fepois do
pouso& todos os contatos !oram interrompidos. #e pudesse dar um conselho ao capit1o
Qrian& recomendaria que recolhesse a )ordo o resto das LaEelas& a n1o ser que quisesse
partir imediatamente com a própria nave. campo de tra01o do inimi"o !ora )astante
!orte para neutraliEar a a01o dos motores das LaEelas. #e o "rupo de salvamento enviado
por Qrian tam)5m usasse as naves de reconhecimento& seu destino n1o seria di!erente do
das naves L46.6& L46.1 e L46...
9n!eliEmente& /hane' n1o dispunha mais de nenhum telecomunicador atrav5s do
qual pudesse in!ormar a Titan so)re a e*periência pela qual aca)ara de passar.
Bnquanto ainda estava que)rando a ca)e0a so)re isso& ouviu um estalo no receptor
de capacete. A voE do sar"ento Oalli"an disse:
— Bstamos vendo seu aparelho. Fentro de quinEe minutos estaremos aA.
— Bst3 )em — respondeu /hane'. — uviu al"uma coisa de OathomeM
— Por enquanto n1o.
@o entanto& Oathome chamou de uma dist<ncia maior.
— @este momento estamos passando pelo aparelho de /rimson. /alculo que ainda
levaremos meia hora para che"ar aA.
Preocupado& /hane' lan0ou os olhos em torno. @1o esperara que as três "aEelas
!ossem tocar o solo t1o lon"e uma da outra. ?uita coisa poderia acontecer em meia horaU
ainda mais que desde o pouso !or0ado. J3 se haviam passado quinEe minutos.
@o entanto& n1o viu nada de suspeito. A Knica coisa que /hane' p+de !aEer !oi
insistir mais uma veE para que Oathome e Oalli"an se apressassem.
V V V
Ti!! parou a deE metros da !i"ura es"uia.
— que deseDaM — per"untou em arc+nida.
s puri!icados& )atiEados de honos pelos tripulantes da Titan& !alavam um dialeto
arc+nida.
A !i"ura es"uia me*eu4se. Ti!! viu que o hono se dispunha a apro*imar4se mais
al"uns metros.
— PareN Rique onde est3N Guero sa)er o que deseDa.
hono o)edeceu.
— Guero mostrar4lhe uma coisa — respondeu. #ua voE che"ava a ser ridAcula& de
t1o a"uda que soava naquela atmos!era po)re em o*i"ênio.
— que 5M — per"untou Ti!!. — #er3 um re)anho de nonus que possamos
acariciar para nos envenenarmosM
— @1o !ale t1o mal so)re nossos nonus — respondeu prontamente o hono. — #1o
criaturas queridas. @1o poderAamos viver sem elas. Guero mostrar4lhe uma coisa muito
di!erente: uma pista dos deuses.
Ti!! riu.
— Bnt1o os deuses de vocês dei*am pistasM Fesde quandoM
@a verdade& n1o estava com uma disposi01o t1o )rincalhona. Perr' (hodan tinha
certeEa de que atr3s dos deuses dos honos se ocultavam os inimi"os invisAveis. Por isso& a
o!erta deveria parecer muito tentadora& caso Ti!! n1o se desse conta imediatamente de que
um verdadeiro hono nunca seria capaE de trair seus deuses. ?esmo que estes !ossem
desaDeitados a ponto de dei*ar pistas.
homem estava representando. B para !aEer isso desenvolvia uma atividade pouco
usual num hono.
Ti!! n1o tinha a menor dKvida de que o inimi"o desconhecido pretendia armar4lhe
uma cilada.
Procurou "anhar tempo.
— Por que quer nos mostrar a pista dos deusesM — per"untou.
hono er"ueu am)os os )ra0os& num "esto de esclarecimento. Bra outro
comportamento pouco usual. s "estos representam um es!or0o !Asico& e por isso os
honos costumavam evit34los sempre que podiam.
— Perten0o a um "rupo que os outros mem)ros da minha ra0a desi"nam como a dos
menos puri!icados — e*plicou. — Fe certa !orma somos indivAduos proscritosU
mantemos pouco contato com os puri!icados. #ou)emos o que aconteceu com vocês e
estamos dispostos a aDudar.
— Guem me "arante que você n1o quer atrair4me a uma armadilhaM
hono n1o se apressou na resposta.
— /omo poderia !aEer uma coisa dessasM — per"untou depois de al"um tempo.
— A!inal& vocês s1o muito mais poderosos que nós& e podem matar4me a qualquer
momento& se tiverem qualquer descon!ian0a. Acha que eu me e*poria a um peri"o
destesM
Ti!! havia tomado sua decis1o.
— /omo pretende levar4nos para l3M — per"untou. — Bst3 disposto a caminhar $
!rente dos nossos veAculosM
— Bstou& se n1o permitirem que entre nos mesmos.
Ti!! sacudiu a ca)e0a.
— 9sso 5 impossAvel. :ocê esteve em contato com os nonusU into*icaria os homens.
— #im& D3 sei.
— Guer diEer que vai caminhar na !renteM
— :ou.
— @esta 3rea e*istem povoa0Ses dos puri!icadosM
— B*istem& mas est1o a)andonadas.
Ti!! so)ressaltou4se.
— A)andonadasM
— 9sso mesmo. s puri!icados a)andonaram suas aldeias e retiraram4se para as
montanhas.
— Por quêM
— @1o sei. @1o assistimos $ sua mudan0a. Fe repente notamos que haviam
desaparecido.
Ti!! tinha certeEa so)re o motivo que levara os puri!icados a mudar seu local de
residência: era a vontade dos deuses. inimi"o invisAvel sa)ia t1o )em quanto Perr'
(hodan que& se os homens da Titan conse"uissem apoderar4se de um dos puri!icados e o
interro"assem& aplicando os recursos de que dispunham& teriam dado um )om passo $
!rente.
Ti!! achou que a in!orma01o que aca)ara de o)ter era muito importante. Asse"urou
ao nono que os cinco veAculos o se"uiriam e voltou $ sua nave.
A primeira coisa que viu ao entrar na mesma !oi o rosto preocupado de Qrian
proDetado na tela.
— Fesacople a ima"em — ordenou Qrian. — Aconteceu uma coisa muito "rave.
Ti!! desacoplou a ima"em e*terna& para que o capit1o Qrian pudesse vê4lo.
— /hane'& /rimson e Oathome !oram o)ri"ados a realiEar um pouso de emer"ência
com suas LaEelas — e*clamou Qrian. — Perdemos o contato com eles. local do pouso
!ica a uns cento e cinqWenta quil+metros ao nordeste. che!e deu ordens para que o
senhor procurasse localiEar as LaEelas. #eria inKtil enviar outros aparelhos& pois os
mesmos tam)5m seriam !or0ados a realiEar um pouso de emer"ência.
Ti!! empurrara o capacete para tr3sU cocou a ca)e0a. Bm palavras lac+nicas&
in!ormou o capit1o Qrian so)re a palestra que aca)ara de manter com o hono. Qrian lo"o
compreendeu onde queria che"ar e repeliu4o com um "esto.
— #e acredita que o che!e vai enviar um terceiro "rupo de reconhecimento& est3
redondamente en"anado — interrompeu a !ala de Ti!!. — @1o podemos dispensar
nenhum dos homens que se encontram a )ordo. A Knica coisa que pode !aEer 5 dividir
seu "rupo. Hm deles poder3 se"uir o hono& enquanto outro sai em )usca do "rupo de
/hane'.
rosto de Ti!! e*primiu contrariedade.
— #ó mesmo o dia)o poderia ter4lhe dado uma su"est1o destas — constatou com a
maior !alta de reverência. — @um mundo como este& cinco /<m)ios representam o
mAnimo indispens3vel $ so)revivência.
Qrian con!irmou com um aceno de ca)e0a.
— #ei disso. Acontece que o senhor tem toda li)erdade para mandar em)ora o hono
e utiliEar todos os veAculos na )usca de /hane'.
Ti!! suspirou.
— Fi"a ao che!e que suas ordens ser1o cumpridas — !alou depois de al"um tempo.
Qrian sorriu.
— Z. @1o interrompa o contato.
Ti!! voltou a trans!erir a comunica01o para o /<m)io nKmero ;. Fepois disso&
levantou4se do assento de piloto& dei*ando4o livre para o sar"ento YZee!e. ?andou que
este se apro*imasse do hono e o se"uisse.
YZee!e lan0ou um olhar descon!iado para Ti!!. Bste compreendeu o que pretendia
diEer.
— Antes de mais nada& precisamos sair deste vale e che"ar ao planalto. A se"uir&
veremos o que devemos !aEer. #e o hono caminhar espontaneamente na dire01o norte4
nordeste& n1o teremos motivo para criar ca)elos )rancos& n1o 5 mesmoM
Hm sorriso lar"o tomou conta do rosto de YZee!e.
— P verdade.
motor come0ou a !uncionar com um Eum)ido. Firi"indo cautelosamente&
YZee!e tirou o c<m)io da som)ra do pared1o e o desliEou em dire01o ao hono. lhando
em torno& Ti!! certi!icou4se de que os outros veAculos o se"uiam& mantendo a !orma01o
ha)itual.
3
maDor /hane' sa)ia per!eitamente que& para manter4se vivo& teria de contar ao
menos por al"umas horas com seus próprios recursos. #a)ia ainda melhor que (hodan
que qualquer outra LaEela que tentasse apro*imar4se do local em que se encontrava seria
atin"ida pela !or0a irresistAvel do raio de tra01o. Ricaria tal qual os três aparelhos que D3
estavam Do"ados naquele vale.
s "rupos de /rimson e Oathome haviam atin"ido o aparelho L46.6. Bnquanto o
"rupo estava a caminho& /rimson recuperara os sentidos e passara a locomover4se so)re
as próprias pernas.
Ao todo trinta e cinco homens estavam reunidos em torno de /hane'. Todos& )em
armados. /hane' tinha certeEa de que poderia repelir qualquer ataque a)erto& a n1o ser
que seu "rupo se de!rontasse com um verdadeiro e*5rcito.
Al5m disso& os homens usavam traDes protetores espaciais& motivo por que nem
mesmo um re)anho de nonus poderia !aEer4lhes qualquer mal.
As horas !oram passandoU so)re as cumeeiras que se desenhavam ao sudeste sur"iu
o vermelho4escuro do amanhecer.
Guando o sol sur"iu por cima do pared1o que !echava o vale& /hane' convenceu4se
de que seria inKtil esperar mais. inimi"o n1o apareceria. TalveE estivesse satis!eito em
ter derru)ado os aparelhos e n1o tinha o menor interesse em sa)er quem eram as pessoas
que o)ri"ara a vir ao soloU ou ent1o sa)ia que se tratava de uma !or0a de com)ate que n1o
poderia en!rentar.
/hane' ordenou a marcha de re"resso. #a)ia que a Titan se encontrava ao sul4
sudoeste& a cerca de treEentos quil+metros de dist<ncia.
@o ponto em que se encontrava a L46.6& n1o seria possAvel empreender uma marcha
na dire01o sul4sudoeste. vale se"uia quase e*atamente a dire01o leste4oeste o suas
encostas eram t1o An"remes que /hane' n1o poderia esperar que os homens
conse"uissem escalar as mesmas& em)ora a "ravita01o !osse muito reduEida. /onsolou4se
com a id5ia de que em al"um lu"ar o vale deveria ter um !im& ou apresentar uma
rami!ica01o que conduEisse para o sul.
Furante a marcha para o oeste passaram Dunto aos destro0os da L46.. e da L46.1.
/hane' !eE de conta n1o ouvir as "ra0olas cochichadas por seus homens& que disseram
que& se sou)essem disso& teriam continuado no lu"ar onde se encontravam. que
importava era que as duas LaEelas !icaram t1o avariadas com o pouso de emer"ência
quanto o aparelho de /hane'. @1o serviriam para mais nadaU at5 mesmo os
telecomunicadores estavam inutiliEados.
/om o correr das horas& o sol !oi su)indo por cima da encosta e produEiu tamanho
calor no vale estreito e )ai*o que os homens se viram o)ri"ados a li"ar a aparelha"em de
condicionamento de ar de seus capacetes.
/hane' olhou em volta& procurando um lu"ar para descansar. Fesco)riu uma
caverna situada na encosta norte. ?andou que dois homens a e*aminassem e sou)e que
era um lu"ar apropriado para o descanso.
Bstava prestes a mandar que seus homens se"uissem $ direita& mas no momento em
que estava a)rindo a )oca o sar"ento Fee e*clamou:
— [... veDam sóN Gue coisa lindaN Bstava parado& apontando com o )ra0o para o
interior do vale.
/hane' olhou na dire01o indicada& mas n1o viu nada de e*traordin3rio. ?uito
menos viu qualquer coisa que pudesse ser considerada linda.
— que est3 vendoM — per"untou& diri"indo4se a Fee.
Fee levantou tam)5m o outro )ra0o e )ateu palmas com as m1os enluvadas&
provocando estalos nos receptores e*ternos.
— Gue coisa maravilhosaN — e*clamou encantado. — P um quadro impa"3velN
/hane' Ean"ou4se.
— /om os mil dem+nios. que 5 t1o maravilhoso e impa"3velM Ra0a o !avor de
responder quando eu lhe diriDo uma per"unta& sar"entoN
Fee continuava a )ater palmas.
— Por que tanta "rosseria& /hane'M — disse com uma risada. — %o"o quando me
sinto t1o...
Por um instante /hane' perdeu o auto4controle. Antes que conse"uisse recuper34lo&
o tenente /rimson soltou uma risada de )ode:
— homem est3 com a raE1o& /hane'. Fei*e4o ser !eliE. O3 al"uma coisa errada
nissoM
/hane' virou4se a)ruptamente e !itou /rimson.
Fe repente compreendeu.
— Para a cavernaN — "ritou com a voE rouca. — /orramN Oathome e Oalli"an&
aDudem4me a levar estes idiotas.
Oathome e Oalli"an D3 estavam preparados para correr. :oltaram e aDudaram o
maDor /hane' a levar Fee e /rimson at5 a caverna. s dois n1o resistiram. Apenas riam e
escarneciam das pessoas que levavam a vida muito a s5rio.
/hane' olhou em torno. vale estava deserto& tal qual estivera desde o inAcio. @1o
havia o menor sinal de vida: nenhum animal& nenhuma planta. B o comportamento idiota
de Fee e /rimson só poderia ser e*plicado se houvesse animais por ali. u melhor& se
houvesse nonus.
/hane'& seus companheiros e os dois malucos — !oi esta a e*press1o usada pelo
sar"ento Oalli"an — che"aram $ entrada da caverna sem serem molestados. Trinta
homens do "rupo estavam sentados Dunto $s paredes da caverna& enquanto cinco se
mantinham Dunto $ entrada& de armas levantadas& co)rindo a retirada de /hane'.
Bste mandou que Fee e /rimson !ossem levados para o interior da caverna& onde
seriam vi"iados. Fepois teve tempo para e*aminar a si mesmo. Oaveria al"um indAcio de
que& dali a al"uns minutos& tam)5m acharia que o mundo 5 lindo e que a vida 5 uma
ale"ria constanteM
@1o& estava tudo normal.
Oathome& que estava de p5 ao seu lado& parecia ter notado que /hane' aca)ara de
perscrutar seu interior.
— Tudo em ordem& maDorM — per"untou.
/hane' !itou4o& Ean"ado e ale"re ao mesmo tempo.
— @1o !ique rindo. #er3 que D3 est3 achando que a vida 5 a coisa mais )ela que se
possa ima"inarM
Oathome sacudiu a ca)e0a.
— Fe !orma al"uma — respondeu& !icando em posi01o de sentido.
/hane' !icou satis!eito.
Feitou no ch1o pouco antes da entrada da caverna e e*aminou o vale.
que poderia ter acontecido com Fee e /rimsonM
Bssas re!le*Ses levaram4no diretamente $ inda"a01o so)re a prote01o que a caverna
poderia o!erecer se sur"isse uma situa01o mais s5ria. Al5m disso& precisava sa)er de que
!orma Fee e /rimson haviam sido in!ectados. B com isso& /hane' voltou ao ponto de
partida de suas re!le*Ses.
lhou atentamente para todos os pontos do vale e procurou desco)rir qualquer coisa
que pudesse representar um peri"o. @1o encontrou nada.
/hane' !icou imerso em seus pensamentos. sol continuou na sua traDetória e
ultrapassou a encosta norte do vale. As som)ras co)riram a entrada da caverna. /hane'
teve a impress1o de ter cochilado um pouco quando !oi acordado pela voE nervosa de um
dos homens de seu "rupo:
— Al"uma coisa se apro*ima. /hane' levantou4se. homem que se encontrava ao
seu lado estendeu o )ra0o para !ora da caverna. /hane' lan0ou os olhos para o leste e viu
três vultos lon"os e es"uios& que aca)avam de sair de tr3s de uma rocha e caminhavam
em dire01o $ caverna. /apas lar"as e coloridas co)riam os om)ros.
Bram honos.
/hane' estava )em desperto.
— Preparem as armasN — ordenou. @1o era por causa dos três honos. ?as podia
haver outros nas pro*imidades& dispostos a esperar um momento !avor3vel para lan0ar4se
ao ataque. s três que a sentinela havia desco)erto continuavam a caminhar em dire01o $
caverna. Ao que parecia& sa)iam que e*istia al"u5m escondido ali.
V V V
— Fe quem 5 este traDe espacialM — per"untou Ti!!.
YZee!e virou o rosto. RranEiu a testa e respondeu:
— P do senhor.
Ti!! so)ressaltou4se e come0ou a rir.
— ?uito )em. nde !ui arranDar este )uracoM
YZee!e passou o leme a outra pessoa e levantou4se. )uraco que e*istia nas costas
do pesado traDe era minKsculo& mas naquela super!Acie lisa tornava4se per!eitamente
visAvel.
Ti!! tirou o traDe do suporte e virou4o. )uraco n1o atravessava o pl3stico.
— Oum — !eE Ti!!. — Al"uma coisa deve ter4me !urado. ?as o !err1o n1o teve
!or0a para per!urar isto.
YZee!e parecia desolado.
— Guem sa)e se o de!eito n1o passou desperce)ido a )ordo da Titan e...
— A pro)a)ilidade de que isso tenha acontecido 5 in!erior a 6&1 por mil —
respondeu Ti!! com um "esto de despreEo. — s instrumentos de controle constatariam
at5 mesmo um !uro cuDo di<metro !osse cem veEes menor. #e o !uro D3 e*istisse enquanto
o traDe se encontrava a )ordo da Titan& o mesmo n1o teria saAdo da nave.
YZee!e respirou pro!undamente.
— Guer diEer...
Ti!! acenou com a ca)e0a.
— Guer diEer que al"uma coisa tentou !urar4me enquanto conversava com o hono
— completou.
YZee!e cocou a ca)e0a.
— senhor devia cham34lo $s !alas — su"eriu.
— Para quêM #e tiver al"uma coisa com isso& vai !in"ir4se de )o)o& e se n1o tiver& se
sentir3 o!endido. @ada disso. #e"uiremos tranqWilamente atr3s dele e a"uardaremos para
ver o que tem a nos o!erecer.
YZee!e resmun"ou& )astante contrariado& e voltou ao seu assento. Tomou a dire01o
do /am)io das m1os do homem que o su)stituAra e continuou a se"uir o hono& que
caminhava a passos lar"os diante da !ileira de veAculos.
J3 !aEia tempo que o sol nascera. Ao atin"ir o planalto& o hono tomara a dire01o
nordeste. Ti!! n1o separara seu "rupo& D3 que a dire01o tomada pelo hono era
apro*imadamente a mesma em que /hane' realiEara o pouso de emer"ência com suas
LaEelas.
planalto era ainda mais desolado que o vale pelo qual os /<m)ios haviam su)ido&
partindo do ponto em que se encontrava a Titan. @1o havia nenhuma eleva01o que tivesse
mais de um metro& com e*ce01o de al"uns enormes )locos de pedra& que o vento parecia
ter tan"ido encosta a)ai*o. Rora al"umas !restas estreitas que se a)riam na rocha& o solo
parecia !undido numa Knica pe0a. Bm nenhum lu"ar poderia crescer uma planta. A Knica
coisa viva era o vento& que varria a 3rea com um uivo monótono.
Ti!! tomou a medida da temperatura e*terna. Bra de 2. "raus centA"rados. A rocha
parecia incandescente. Fe noite seria e*atamente o contr3rio.
Admirou o hono& que caminhava a passos se"uros& sem preocupar4se com o calor
martiriEante.
YZee!e surpreendeu4se )astante quando o ma"ricela desapareceu de um momento
para outro& como se tivesse sido tra"ado pela rocha. Fe repente estacou.
— Gue dia)oN nde se meteuM
hono continuava desaparecido.
— nde !oi que o viu pela Kltima veEM — per"untou Ti!!& depois de certi!icar4se
que n1o se via o menor vestA"io do hono na tela.
— Roi ali $ direita& a uns vinte metrosU daqui... ah& aA est3.
ma"ricela saiu da rocha que nem uma rolha de champanha& parou e "esticulou
com os )ra0os. Bra um quadro )iEarro.
— :3 at5 l3 — ordenou Ti!!.
YZee!e levou o /<m)io at5 o local em que estava o hono. Ao apro*imar4se& viu um
tra0o escuro que& come0ando pouco atr3s do hono& atravessava a rocha at5 a linha do
horiEonte.
— @1o vai querer atrair4nos para essa !resta — resmun"ou Zee!e. — @enhum dos
/<m)ios ca)eria na mesma.
Ti!! n1o lhe deu aten01o. Procurou entender os "estos do hono. Bste apontava
alternadamente para si& para o ch1o $ sua !rente& para o /<m)io e para o nordeste. Ao
!aEer o Kltimo "esto& a m1o descia.
— #e o entendi )em& pretende entrar na !resta e quer que nós continuemos acima da
super!Acie& descendo mais adiante — disse Ti!!. — ?ais adiante a !resta deve ter lar"ura
su!iciente para a)ri"ar os veAculos.
YZee!e levou o veAculo para al5m do hono e se"uiu Dunto $ !resta. Ti!! viu o hono
!aEer um "esto de concord<ncia e desaparecer novamente no interior da !resta.
— 9sso mesmo — disse& diri"indo4se a YZee!e. — Prossi"a.
Tiveram uma "rande surpresa ao constatarem que depois de al"uns quil+metros a
!resta t1o insi"ni!icante se alar"ava& a)rindo4se num verdadeiro vale. !undo desta
depress1o !icava uns duEentos metros a)ai*o do nAvel do planalto& continuando a descer $
medida que se estendia para o nordeste.
YZee!e se"uiu at5 a )eira do vale e !eE com que os instrumentos de capta01o de
ima"ens procurassem localiEar o hono.
Aca)ou desco)rindo4o mais ou menos na mesma altura em que estavam parados os
/<m)ios.
— ?eu FeusN — e*clamou YZee!e. — /omo deve ter corrido esse suDeito.
@a tela& via4se per!eitamente que o hono olhava para cima. Ao ver o /<m)io& cuDa
popa passara um metro ou metro e meio acima da )eira do vale& "esticulou com am)os os
)ra0os. Roi um "esto violento& de que um dos ap3ticos puri!icados Damais teria sido
capaE.
YZee!e virou4se.
— Guer que des0aM
Ti!! aceitou.
— Fes0a deva"arU tome cuidado.
?anipulando cautelosamente os controles& Ti!! !eE com que o veAculo passasse para
al5m da e*tremidade do vale& onde !icou imóvel por um instante no ar rare!eito.
Rinalmente desceu. s outros /<m)ios se"uiram4no prontamente& e at5 mesmo em v+o
livre conse"uiram manter a !orma01o costumeira.
Fali a deE minutos YZee!e parou o veAculo pouco acima do !undo do vale. hono
a"uardava4os a uns cinqWenta metros de dist<ncia& e acenou com os )ra0os. YZee!e
se"uiu4o sem a"uardar as instru0Ses de Ti!!.
Fali a meia hora& o vale descreveu uma curva !echada para o norte& que era
ine*plic3vel tal qual a própria e*istência do vale. hono do)rou a curva e prosse"uiu
mais al"umas horas& levando os /<m)ios cada veE mais para o norte.
sol D3 havia atravessado a linha do Eênite e a encosta do vale come0ou a proDetar
som)ras lon"as e escuras.
?ais adiante& a depress1o descrevia outra curva& desta veE de noventa "raus e levava
e*atamente para o leste. @o lu"ar em que a curva era mais pronunciada o hono parou&
virou4se para os /<m)ios& apontou com as m1os para o ch1o e sentou.
YZee!e apro*imou4se a deE metros do hono. @a tela& a curva da encosta leste
recuou um pouco& a)rindo um amplo panorama. YZee!e& que dedicava toda a aten01o $s
mano)ras do veAculo& n1o viu o quadro desvendado para al5m da encosta que recuava.
?as Ti!! mantinha os olhos )em a)ertos. :iu a !enda estreita que se a)ria no
pared1o oposto e o !ilete de 3"ua que Dorrava.
:iu que a rocha porosa lo"o a)sorvia o lAquido. :iu a manchinha de ve"eta01o
raquAtica nutrida pela 3"ua& e o "rupo de cho0as arruinadas que se er"uiam Dunto ao
pared1o.
— PareN — "ritou Ti!!.
YZee!e so)ressaltou4se e desli"ou o motor.
— quê...M
Ti!! apontou para a tela.
— lheN
YZee!e asso)iou )ai*inho por entre os dentes quando viu a aldeiaEinha.
— AhN — disse em tom vivo. — Feve ser a cidade secreta das montanhas.
— Ao que parece est3 a)andonada — o)servou Ti!!.
— Parece que sim. Ali3s& o hono disse que os puri!icados !u"iram.
Ti!! con!irmou com um aceno de ca)e0a.
— :ou descer — disse.
YZee!e murmurou:
— Bst3 )em. ?as !a0a o !avor de usar um traDe sem !uro.
Fali a dois minutos Ti!! saiu do veAculo& passando pela comporta. #entado numa
pedra& o hono mantinha a ca)e0a inclinada para a !rente e n1o !aEia o menor movimento.
Ti!! parou a três metros dele.
— BiN — "ritou.
hono levantou4se de um salto. Parecia que estivera dormindo.
— #ei que est3 cansado — disse Ti!!. — ?as "ostaria de sa)er por que nos trou*e
at5 aqui.
hono respondeu:
— @1o disse que iria mostrar4lhes a pista dos deusesM
— P verdade.
— Pois come0a aqui.
— ndeM
— Ali& naquelas casas.
— ?ostre.
hono !eE um "esto de recusa.
— A"ora n1o. Faqui a pouco vai escurecer e estou cansado.
Ti!! re!letiu.
— nde vai dormirM — per"untou.
— Aqui mesmo.
— Por que n1o dorme nas ca)anasM #eria mais con!ort3vel.
hono !itou Ti!! como se duvidasse das !aculdades mentais do tenente.
— Ali& onde os deuses e*pulsaram os puri!icadosM Pre!iro n1o dormir.
Ti!! deu de om)ros.
— Ra0a o que quiser. FeseDo4lhe uma )oa noite.
— )ri"ado. FeseDo o mesmo.
Ti!! virou4se para voltar ao veAculo. @o momento em que !eE o movimento sentiu
uma pancada curta& mas violenta& no om)ro. Lirou instantaneamente so)re os
calcanhares. ?as& por mais que !or0asse a vista& n1o conse"uiu en*er"ar nada no
crepKsculo do anoitecer. A n1o ser o hono que continuava imóvel& sentado na pedra& as
rochas espalhadas pelo vale e o "rupo de ca)anas Dunto ao pared1o.
?as tinha certeEa de que& quando !osse inspecionar o traDe protetor no interior da
nave& encontraria um !uro minKsculo na altura do om)ro.
/aminhou apressadamente em dire01o ao veAculo.
V V V
s três honos pararam a deE metros da entrada da caverna. /hane' re"ulou o r3dio
de capacete de tal !orma que sua voE !osse transmitida pelos alto4!alantes e*ternos.
— que deseDamM — per"untou em arc+nida.
— #ou)emos que vocês se acidentaram nesta 3rea — respondeu um dos três. —
Achamos que talveE precisem de au*Alio.
— 9sso 5 muito "entil de sua parte — murmurou Oathome.
/hane' per"untou:
— Fe que !orma pretendem aDudar4nosM
Hm dos honos respondeu:
— Podemos mostrar4lhes um lu"ar em que as encostas do vale n1o s1o t1o
An"remesU e ainda poderAamos...
Oesitou um pouco& despertando a curiosidade de /hane'.
— Poderiam o quêM
hono re!letiu um pouco. Fepois de al"um tempo disse& esticando as palavras:
— PoderAamos mostrar4lhes a pista dos deuses.
— Fos deusesM
— 9sso mesmo. @1o est1o procurando os deusesM
/hane' recapitulou instantaneamente. @a mitolo"ia dos puri!icados havia deuses.
Perr' (hodan estava convencido de que eram eles os respons3veis pela ar"onina.
— /omo sou)e dissoM — per"untou /hane'.
hono e*plicou que ouvira isso dos puri!icados& que ele mesmo n1o era nenhum
puri!icado& mas um proscrito& e que os puri!icados haviam a)andonado suas aldeias&
motivo por que os proscritos conse"uiram desco)rir a pista dos deuses.
/hane' lo"o se decidiu.
— A"uardem um instante — pediu aos honos.
?andou que quatro dos seus homens saAssem da caverna e se postassem a deE
metros da entrada.
@1o aconteceu nada. Fali a deE minutos& os quatro continuavam t1o aDuiEados como
no momento em que haviam saAdo da caverna. Ao que tudo indicava& a des"ra0a que
atin"ira Fee e /rimson havia a)andonado o vale& ou resolvera !aEer uma pausa.
/hane' levantou4se.
— Bst3 )em — disse aos honos. — 9re mos com vocês.
— Teremos que avan0ar pelo vale& na dire01o oeste — disse um deles. — @1o
deveremos ir muito lon"e. ?as amanh1 de manh1...
— @1o se preocupem com a escurid1o — interrompeu4o /hane'. — Temos
l<mpadas !ortes. #e n1o estiverem cansados& poderemos marchar durante a noite.
/hane' esperava que os honos recusassem. ?as parecia haver muita di!eren0a entre
os proscritos e os puri!icados. s primeiros quase n1o conheciam a apatia e o
desinteresse. Hm deles respondeu:
— Tanto melhorU assim che"aremos mais depressa.
/hane' per"untou4se por que aquele hono estaria t1o interessado em mostrar a pista
dos deuses a pessoas que nem sequer conhecia.
rdenou aos homens que saAssem da conversa e se"uissem os três honos& que D3 se
haviam posto a caminho para o ocidente. s holo!otes port3teis !oram preparados. Fentro
de uma hora no m3*imo& o vale !icaria mer"ulhado numa escurid1o completa.
Apesar do solo acidentado& a marcha prosse"uia rapidamente. s honos
deslocavam4se a"ilmente nas pernas compridas& e a "ravita01o pouco intensa permitia aos
terranos uma velocidade que em seu planeta n1o teriam a"Wentado por trinta minutos.
Pelos c3lculos de /hane'& deviam percorrer cerca de doEe quil+metros por hora.
Fepois que os honos tinham aludido $ pista dos deuses& o cansa0o se desvanecera.
/erca de três quartas partes da noite deviam ter passado quando os honos estacaram
e esperaram at5 que /hane' e seus homens se apro*imassem.
— que houveM — per"untou /hane'.
— Bstamos quase che"ando ao destino — respondeu um dos honos.
— Gue destino 5 esseM — per"untou /hane'.
— P uma aldeia a)andonada& onde come0a a pista.
— AhN :amos adiante.
hono hesitou.
— Bu... nós... — "a"ueDou.
/hane' sentia4se e*austo. Bstava nervoso sem que sou)esse.
— Bu& nós& o quêM %evem4nos at5 a aldeia.
— s deuses nos casti"ar1o. /hane' mostrou um sorriso contrariado.
— s deusesM Pois pensava que vocês n1o acreditassem neles.
— @1o acreditamos da !orma que os puri!icados crêem — respondeu o hono. —
?as n1o h3 a menor dKvida de que s1o poderosos.
— @ós os prote"eremos contra eles — prometeu /hane'. — %evem4nos at5 a
aldeia.
— Guerem prote"er4nos contra elesM #er1o capaEes dissoM
/hane' teve a impress1o de que havia uma leve ironia na per"unta e resolveu n1o
!or0ar as coisas demais.
— Acredito que sim — respondeu. — Ao menos !aremos o que estiver ao nosso
alcance.
hono concordou com um "esto.
— Bstamos de acordo. #e os deuses quiserem !aEer qualquer coisa contra nós&
!icaremos escondidos atr3s de suas costas.
B a marcha prosse"uiu.
4
Ti!! sentiu que al"u5m o sacudia !ortemente pelo om)ro. %evantou4se so)ressaltado.
@a penum)ra reinante no interior do veAculo& viu o rosto preocupado de YZee!e.
— Bst3 che"ando al"uma coisa — in!ormou YZee!e.
Ti!! p+s4se de p5. Ainda sonolento& es"ueirou4se entre os )ancos e os homens que
dormiam. Firi"iu4se $ poltrona do piloto.
A ima"em do vale& proDetada na tela& era !antasma"órica. A luminosidade das
estrelas só penetrava at5 a metade das encostas. A)ai*o da linha iluminada pelas estrelas&
come0ava a 3rea de pro!unda escurid1o. Bsta era interrompida apenas por um estreito
!ei*e de luE produEido pelos raios vindos na vertical& desenhando uma !ai*a luminosa no
!undo do vale.
Ti!! teve de !or0ar a vista por )astante tempo at5 en*er"ar aquilo a que YZee!e se
re!eria. A)ai*o da linha iluminada das encostas do vale& a escurid1o n1o era completa.
Pouco acima do !undo do vale& apro*imadamente no lu"ar em que Ti!!& recorrendo $
memória& ima"inava !icar a curva& viu4se uma mancha de !raca luminosidade. Ti!!
constatou que a intensidade da luE n1o era constante& e que a mancha n1o permanecia no
mesmo lu"ar.
— que achaM — per"untou a YZee!e.
YZee!e resmun"ou:
— At5 parece um holo!ote manual visto de lon"e e enco)erto pela curva da encosta.
— 9sso mesmo. ?as quem poderia andar com um holo!ote manual por aquiM
YZee!e esteve a ponto de diEer al"uma coisa& mas antes que pudesse !aEê4lo Ti!!
teve uma id5ia e acrescentou:
— Hm instante. A que dist<ncia estamos do lu"ar em que /hane' realiEou o pouso
de emer"ênciaM
YZee!e !eE um "esto de concord<ncia.
— Bra o que eu pretendia diEer. TalveE seDa o maDor /hane' com seu "rupo.
— ?uito )em. /oloque uma sonda. #e !or /hane'& est3 conversando com seu
pessoal. B ele usa o mesmo tipo de traDe protetor que nós.
YZee!e colocou a sonda eletroma"n5tica& um instrumento que re"istrava todo o
espectro de radio4ondas com uma sensi)ilidade !ant3stica. A sonda estava acoplada a um
alto4!alante comum. ?al YZee!e a li"ou& ouviu4se uma voE retum)ante:
— Pelo que diE& a aldeia !ica lo"o atr3s da curva& Oalli"an. ?antenha os olhos )em
a)ertos.
B Oalli"an respondeu:
— #im senhor. P o que estou !aEendo.
YZee!e "emeu.
— h& n1oN — !un"ou. — s c5us n1o me podem !aEer tanto mal. %o"o Oalli"an&
este velho cani)al.
A amiEade dis!ar0ada em inimiEade que reinava entre os dois sar"entos D3 n1o era
novidade entre os homens da !rota espacial terrana. Oalli"an e YZee!e n1o podiam Do"ar
p+quer por cinco minutos sem )ri"ar. Bm compensa01o lutaram em :ênus& om)ro a
om)ro& usando armas um tanto primitivas e detendo as hordas de TomisenToX por
al"umas horas& at5 que rece)essem re!or0os e pudessem aprisionar o inimi"o.
Ti!! sorriu e transmitiu um sinal codi!icado que seria ouvido no receptor de capacete
de /hane'. Fepois disse:
— tenente Ti!!lor reportando. Bsta mos lo"o atr3s da curva com cinco /<m)ios.
Ra0a o !avor de n1o trope0ar por cima de nosso hono que est3 sentado Dunto $ encosta.
Por al"uns se"undos n1o se ouviu nada. A se"uir& a voE espantada de /hane' soou
no alto4!alante:
— Ti!!lorN senhor me ouveM
— u0o4o per!eitamente. /olocamos uma sonda.
— ?uito )em. 9remos at5 aA. Fê um sinal com o holo!ote.
Ti!! o)edeceu. Poucos minutos depois o "rupo de /hane'& conduEido pelos três
honos& do)rou a curva. Ti!! D3 descera de seu veAculo. B*plicou a /hane' que nos
/<m)ios só havia lu"ar para metade dos homens do "rupoU a outra metade teria que
dormir ao ar livre. /hane' n1o "ostou nem um pouco& e Ti!! !icou sa)endo o que havia
acontecido com o tenente /rimson e o sar"ento Fee.
?as& passando o !acho do !arol pela encosta& desco)riram uma caverna i"ual $quela
em que o "rupo de /hane' se mantivera escondido at5 a che"ada dos honos. /hane'
a)ri"ou dois ter0os dos seus homens nessa caverna e colocou os restantes nos veAculos.
Ble mesmo e o sar"ento Oalli"an penetraram no /<m)io nKmero 1. YZee!e& que os vira
che"ar na tela& deitou se e !eE de conta que estava dormindo enquanto entravam pela
comporta.
s três honos que haviam marchado $ !rente do "rupo de /hane' Duntaram4se ao
outro& que diri"ira o "rupo de Ti!!. @1o houve maiores cumprimentos. Ao que parecia& o
hono que estava dormindo nem che"ou a acordar. s outros três sentaram da mesma
!orma que ele e dormiram com as ca)e0as )alou0antes.
Ao que tudo indicava& a tare!a de /hane' estava tomando um rumo !eliE. A Titan !oi
in!ormada imediatamente so)re as ocorrências e o o!icial de plant1o n1o procurou
dis!ar0ar o alAvio que sentiu. Ti!! pediu novas instru0Ses e !oi in!ormado de que poderia
prosse"uir por conta própria na opera01o de )usca em que os honos lhe serviam de "uia.
@1o se !eE quest1o de que um dos honos ou todos eles !ossem !or0ados a !aEer uma visita
$ Titan. (hodan disse que achava per!eitamente plausAvel sua a!irmativa de n1o
pertencerem $ casta dos puri!icados. #endo assim& n1o acreditava que poderia tirar
al"uma coisa desses indivAduos atrav5s dos recursos psicanalAticos.
que provocou certo nervosismo !oi o !ato de que Ti!!& suspeitando de al"uma
coisa& e*aminou na manh1 do dia se"uinte os traDes protetores de Fee e /rimson e viu
suas suspeitas con!irmadas.
Bm cada um dos traDes havia três per!ura0Ses muito !inas. Ao contr3rio das que
haviam sido encontradas no traDe de Ti!!& estas atravessavam o pl3stico. /olocaram os
doentes num dos /<m)ios& tiraram suas roupas e procuraram desco)rir picadas em seu
corpo. @1o encontraram nada. #e houve al"uma — e Ti!! estava convencido de que
houve — as !eridas certamente se !echaram no dia anterior& sem dei*ar o menor vestA"io.
passo se"uinte consistiu numa revista da aldeia a)andonada. As ca)anas& !eitas
com madeira semelhante ao )am)u& eram de constru01o )astante primitiva. /onsistiam
de um Knico recinto. Pela suDeira que se espalhava no ch1o de terra )atida concluAa4se que
a aldeia D3 devia ter sido a)andonada muito antes do dia em que os terranos puseram os
p5s em Oonur. Todavia& Ti!!& /hane' e Oathome n1o pode riam dei*ar de reconhecer que
n1o sa)iam quase nada so)re as concep0Ses de hi"iene reinantes entre os puri!icados. Bra
)em possAvel que a suDeira das ca)anas !osse Dustamente o elemento em que se sentiam
)em.
Furante o e*ame& os quatro honos mantiveram4se $ dist<ncia. Ao que parecia&
tinham medo das ca)anas desa)itadas. Ti!!& por5m& teve de pedir aos honos que se
apro*imassem& pois n1o conse"uia encontrar a pista dos deuses.
:ieram em passos hesitantes. indivAduo que "uiara o "rupo de Ti!!& ao qual o
sar"ento YZee!e dera o apelido de @athan& caminhava $ !rente dos outros.
— Bstamos procurando a pista dos deuses& mas n1o conse"uimos encontr34la —
disse Ti!!.
— @1o !ica aqui — respondeu @athan em tom compenetrado. — senhor poder3
encontr34la mais adiante& no lu"ar em que come0a a !enda na rocha.
Ti!! e*aminou a !enda. Tinha menos de dois metros de lar"ura e parecia estreitar4se
ainda mais na parte dos !undos. Hm re"ato Dorrava tranqWilamente de dentro da pequena
"ruta. FaA se concluAa que a inclina01o da !enda n1o era muito acentuada.
@o lu"ar em que a 3"ua Dorrava do pared1o& uma ve"eta01o rasteira e de !olhas duras
co)ria a rocha.
Ti!!& /hane' e Oathome e*aminaram o solo nas pro*imidades da 3rea co)erta pela
ve"eta01o. @athan e os outros honos olhavam4nos como quem n1o tem nada a ver com
aquilo. #ó depois de al"uns minutos& @athan come0ou a !alar:
— :ocês ter1o de entrar nessas moitas. /omo vêem& h3 um lu"ar em que s1o mais
ralas. P l3 que come0a a pista.
Ti!! viu o lu"ar de ve"eta01o mais rala& e*aminou4o e che"ou $ conclus1o de que
n1o se !ormara de maneira natural.
— Bst3 vendo estes "alhos que)radosM — per"untou& diri"indo4se a /hane'.
/hane' con!irmou com um aceno de ca)e0a.
— At5 parece que al"uma coisa a)riu caminho $ !or0a. B& pelos meus c3lculos& isso
deve ter acontecido h3 poucos dias.
Ti!! aDoelhou4se.
— s "alhos est1o todos que)rados at5 as raAEes — murmurou. — At5 os troncos
!oram que)rados.
/hane' en!iou4se pela ve"eta01o& a)rindo caminho com os cotovelos. Fesapareceu
no interior da !enda. Ti!! ouviu4o !un"ar de surpresa. Fepois de al"um tempo "ritou:
— OathomeN Ti!!lorN :enham c3N
/om um salto vi"oroso Ti!! atravessou a !olha"em. Oathome se"uiu de perto.
maDor /hane' estava a"achado. #ua m1o enluvada apontava a uma marca nAtida dei*ada
no solo& Dunto ao re"ato.
A impress1o dei*ada no solo tinha cerca de um metro de comprimento e meio metro
de lar"ura. Bstava su)dividida em ret<n"ulos de cinqWenta centAmetros de comprimento e
vinte de lar"ura.
Ti!! e*aminou a marca por al"um tempo& sem che"ar a qualquer conclus1o.
Rinalmente /hane'& que tinha avan0ado mais al"uns metros& e*clamou:
— Aqui 5 )em mais nAtida.
A se"unda marca era um pouco mais compridaU tinha pouco menos de dois metros.
Bm tudo mais& era i"ual a outra& com e*ce01o do corpo suDo e achatado de um nonus&
estendido no interior da marca.
— P uma esteiraN — e*clamou Ti!!. — Hma simples esteira de tanque.
/hane' con!irmou com um aceno de ca)e0a e apalpou o ch1o com o dedo.
— @1o h3 dKvida. Acontece que só se vê a marca de uma esteira. nde ter3 !icado a
da se"undaM
Ti!! avaliou a lar"ura da marca.
— @1o acredito que e*ista outra esteira — disse.
— /omoM
— Acha que se trata de um veAculo de esteira Knica — interveio Oathome.
— P isso mesmo. A marca tem meio metro de lar"ura. Hm veAculo estreito pode
equili)rar4se per!eitamente numa )ase destas.
/hane' re!letiu.
— P possAvel que o senhor tenha raE1o& Ti!!lor — con!essou. — B o veAculo só pode
ser estreito& pois do contr3rio n1o conse"uiria entrar aqui.
Ti!! contemplou o cad3ver do ursinho.
— #e nos lem)rarmos de que os Knicos veAculos dos puri!icados s1o suas pernas...
— disse em tom pensativo.
— ...che"aremos $ conclus1o de que aquilo que temos diante de nós realmente 5
uma pista dos deuses — completou /hane' em tom resoluto.
Oathome n1o estava totalmente de acordo.
— #e quisesse !aEer o !avor de e*plicar o que al"u5m pode !aEer num )uraco destes
com um veAculo de esteira& eu lhe !icaria muito "rato. Por enquanto tenho a impress1o...
— Por quêM — interrompeu4o /hane'. — Bntraram por aqui. Provavelmente
levaram os honos a al"um esconderiDo. Pelo que sei a respeito dos puri!icados& eles n1o
tinham certeEa de que os honos sa)eriam deslocar4se com a velocidade necess3ria se n1o
recorressem a um veAculo.
— P possAvel... — murmurou Oathome.
— Procure superar esse ceticismo — disse /hane' em tom ale"re. — A pista 5 esta&
e nós a se"uiremos.
Ti!! virou ostensivamente a ca)e0a. /hane' perce)eu o "esto.
— Tem al"uma dKvidaM — per"untou.
— Para !alar com !ranqueEa& tenho — respondeu Ti!!. — @1o conse"uimos entra
aqui com os /<m)ios.
— P verdade. ?etade dos homens ter1o de !icar aqui& com os /<m)ios& a !im de nos
darem co)ertura. Guanto ao mais& acredito que nossas armas ser1o su!icientes para livrar4
nos de qualquer inc+modo que possa sur"ir.
Ti!! lem)rou4se das per!ura0Ses encontradas nos traDes espaciais& mas pre!eriu n1o
!ormular qualquer o)De01o. @1o tinha receio de contradiEer /hane'& mas estava muito
curioso para desco)rir aonde o levaria a pista.
@1o demoraria a che"ar o instante em que a responsa)ilidade por essa atitude
leviana representaria uma car"a pesada para ele.
/hane' avan0ou mais um pouco para o interior da !enda. :ia de re"ra o ch1o era
!irme& sendo !ormado de rocha compacta. #omente nas curvas do re"ato& onde a corrente
dei*ara um pouco de areia ou sei*os& aparecia a marca de esteira. @esses lu"ares ainda
havia ar)ustos e pequenas 3rvoresU pelas de!orma0Ses ou danos so!ridos pelas plantas&
podia4se tirar uma conclus1o so)re o !ormato do veAculo que a)rira caminho por ali.
Fevia ter cerca de um metro de altura e sua lar"ura n1o seria muito maior que a da
marca da esteira. #e tivesse mais de dois metros de comprimento& teria que consistir em
partes articuladas& pois nos primeiros cem metros a !enda descrevia curvas t1o !echadas
que qualquer veAculo inteiri0o desse comprimento n1o conse"uiria ultrapass34las.
que causou estranheEa a Ti!! !oi o !ato de que em três das oito marcas de esteira
e*istentes nos primeiros cem metros encontraram um ursinho morto. Oathome murmurou
em tom pouco convicto:
— At5 parece que a cada trinta metros um dos ursinhos !oi atirado $ !rente das
esteiras. TalveE seDa uma esp5cie de sacri!Acio.
#eria inKtil re!letir a este respeito. A mentalidade dos puri!icados era t1o conhecida
que n1o havia a menor possi)ilidade de encontrarem uma resposta.
:oltaram $ entrada da !enda. s quatro honos& com @athan $ !rente& continuavam a
esperar em atitude compenetrada& mantendo4se !ora da 3rea co)erta pela ve"eta01o.
— Bncontraram a pistaM — per"untou @athan.
— Bncontramos — respondeu o maDor /hane' com a voE alta e ale"re. — B vamos
se"ui4la.
@athan !eE um "esto preocupado.
— #a)em que nossas id5ias so)re os deuses s1o muito di!erentes daquelas que
passam pela ca)e0a dos seres que se chamam de puri!icados — disse. — @o entanto&
acreditamos que os deuses s1o seres muito poderosos. @1o sa)emos se conv5m que vocês
si"am a pista deles. Poderiam armar uma cilada e destruA4los.
maDor /hane' parou perto de @athan.
— Bscute aA& meu !ilho — disse em tom am3vel. — #e 5 assim& por que nos
mostraram a pistaM Gueriam que a olh3ssemos e d5ssemos o !oraM
— Qem& n1o !oi isso...
— Bnt1o& o que !oiM
@athan lan0ou um olhar para seus companheiros de ra0a e respondeu em tom mais
se"uro:
— Acredit3vamos que vocês !ossem se"uir a pista. Fe qualquer maneira& n1o
queremos dei*ar de preveni4los.
— :ir1o conosco quando se"uirmos a pistaM — per"untou o maDor.
@athan assustou4se.
— %o"o nósM @1o poderAamos prestar muita aDuda a vocês.
— ra essa — disse /hane'& esticando as palavras. — @1o pensei em aDuda.
Apenas pensei que se interessassem em assisti $ desco)erta do esconderiDo dos deuses.
?ais uma veE @athan lan0ou um olhar para seus companheiros& que parecia um
pedido de socorro.
— (eceio que nossa autocon!ian0a seDa menor que a sua — con!essou depois de
al"um tempo.
/hane' con!irmou com um "esto da ca)e0a.
— J3 que est1o com medo — disse — poder1o !icar aqui& a"uardando nosso
re"resso.
V V V
A divis1o dos homens !oi !eita em dois "rupos — o sar"ento Oathome comandaria o
"rupo Dunto aos /<m)ios& enquanto o outro acompanharia o maDor /hane' e o tenente
Ti!!lor ao lon"o da pista dos deuses — correu sem maiores incidentes& com e*ce01o de
um pequeno episódio.
Bste !oi proporcionado pelos sar"entos Oalli"an e YZee!e. Guando este Kltimo
!icou sa)endo que Oalli"an participaria com ele da opera01o de )usca& apresentou4se
imediatamente a Ti!!.
— Assim n1o 5 possAvel — !un"ou. — Bu e este trapaceiro de Do"o do Oalli"an n1o
podemos pertencer ao mesmo "rupo. @1o ser3 por minha culpa& mas Duro4lhe que dentro
de uma hora al"u5m ser3 assassinado.
Ti!! procurou aplacar a ira do sar"ento& mas antes que pudesse !aEê4lo ouviu a voE
de /hane' no receptor de capacete.
— /hane' chamando Ti!!lorN Gueira apresentar4se.
Ti!!lor respondeu imediatamente.
— Preste aten01o& tenente — disse /hane'. Pelo tom de voE& parecia que come0aria
a rir a qualquer instante. — @este momento estou !alando com o sar"ento Oalli"an& que
diE que n1o est3 em condi0Ses de ir conosco se o sar"ento YZee!e !iEer parte do "rupo.
Por acaso o outro mem)ro da dupla estar3 !alando com o senhor neste instanteM
Ti!! reprimiu o riso.
— #im senhor.
— Pois di"a4lhe a mesma coisa que aca)o de !alar com Oalli"an. ?andarei ras"ar
seus traDes espaciais a !aca se criarem qualquer pro)lema durante a marcha.
— Bntendido. Farei o recado.
Bra claro que YZee!e acompanhara a conversa pelo receptor de capacete. Ti!! viu
que revirava os olhos.
— Qem& D3 que 5 assim... — disse Ti!!.
YZee!e a!astou4se sem diEer mais uma Knica palavra.
?as ainda houve uma surpresa de verdade& mas esta n1o tinha nada a ver com os
homens do "rupo. Roi causada por @athan& o hono. Firi"indo4se ao maDor /hane'& disse:
— Andamos pensando so)re o que disse. LostarAamos de ir com vocês.
/hane' teve )astante senso diplom3tico para n1o dar a perce)er a leve ironia que
sur"iu em sua mente.
— @1o tenho a menor o)De01o — disse.
B !icou nisso.
V V V
#em contar os quatro honos& eram vinte homens que se puseram a caminho so) o
comando do maDor /hane'. Partiram pelo meio4dia. Rora as armas& o equipamento mais
importante que levavam era um transmissor port3til de alcance quase ilimitado. Rora
retirado de um dos /<m)ios e estava acoplado a um "erador de emer"ência. Por meio
dele poderiam manter contato com os veAculos. B n1o teriam a menor di!iculdade em
comunicar4se com a Titan ou a Lan'med& se isso se tornasse necess3rio.
"rupo de cerca de trinta homens& que !icara nos /<m)ios& !ora instruAdo a n1o sair
dos veAculos em hipótese al"uma. Bra )em verdade que aquela coisa desconhecida que
causara a doen0a de Fee e /rimson n1o aparecera mais& mas nem por isso poderia
concluir que dali em diante n1o haveria mais nenhum peri"o.
@o inAcio /hane' e Ti!! acreditaram que a !enda& t1o estreita Dunto $ entrada& n1o
poderia avan0ar mais que um ou dois quil+metros rocha adentro. @o entanto& marcharam
at5 o escurecer. Por5m só encontraram o mesmo re"ato& a rocha nua e& veE por outra& um
mont1o de areia e pedre"ulho co)erto de ve"eta01o. FaA concluAram que a suposi01o
inicial !ora um tanto precipitada Bra )em possAvel que o comprimento da !enda che"asse
a al"umas centenas de quil+metros.
Ainda )em que viam a marca de esteira na areia. Assim& pelo menos& tinham certeEa
quanto ao caminho se"uido pelo inimi"o desconhecido.
Guando escureceu de veE& /hane' mandou os homens descansarem. /olocou três
sentinelas na van"uarda e na reta"uarda do "rupo. Bquipados com !aróis manuais&
passariam a luE ininterruptamente por todos os cantos da !enda. (ecomendou aos outros
homens que )ai*assem o volume dos receptores de capacete e procurassem dormir.
A 3rea em que resolveram descansar era t1o apertada que n1o havia possi)ilidade de
separar os quatro honos do resto do "rupo. Bscolheram um lu"ar para sentar em meio aos
homens e puseram4se a dormir.
Ti!! encontrara um lu"ar con!ort3vel Dunto $ parede de rocha. Bstava deitado perto
de @athan. Bste colocara os )ra0os lon"os e ossudos so)re as pernas e olhava !i*amente
para a !renteU parecia re!letir. :eE por outra o re!le*o de um dos !aróis iluminava seu
rosto an"uloso.
— Lostaria de sa)er qual 5 a di!eren0a entre vocês e os puri!icados — disse Ti!! de
repente.
@athan so)ressaltou4se como uma pessoa que desperta do estado de pro!unda
medita01o. lhou para o lado e procurou desco)rir quem lhe diri"ia a palavra.
— Ah& 5 você. A resposta 5 !3cil. @1o acreditamos nos deuses da mesma !orma que
os puri!icados.
— Oum — !eE Ti!!. — J3 ouvi isso v3rias veEes. :ocês n1o acreditam da mesma
!orma. Bnt1o& qual 5 sua cren0aM
Ti!! perce)eu que a per"unta n1o a"radou a @athan.
— Para nós os deuses s1o seres poderosos — respondeu @athan depois de al"um
tempo. — ?as n1o s1o verdadeiros deuses.
— Gual 5 a di!eren0a entre um ser poderoso e um deusM
— Hm ser poderoso n1o pode !aEer mila"res — respondeu @athan prontamente.
Ti!! teve a impress1o de que no tom de voE de @athan havia um li"eiro solu0o.
— que vem a ser um mila"reM
@athan re!letiu.
— #e os deuses pudessem destruA4los simplesmente em virtude de seu deseDo& sem
recorrer a qualquer meio e*terno& isso seria um mila"re.
— Bscute aA — protestou Ti!!. — e*emplo que você aca)a de citar n1o 5 nada
"entil.
@athan soltou um tipo de risadinha.
— ?as 5 )astante compreensAvel.
— Tem certeEa de que os deuses deseDam nossa destrui01oM
— Tenho certeEa a)soluta.
— Por quêM
— Porque nunca toleraram que al"u5m se"uisse seus passos.
— :ocês nunca !iEeram issoM
— @unca. Tememos os deuses.
— @1o sa)em onde vivemM
@athan !eE um "esto de ne"a01o.
— Bntre os puri!icados corre uma lenda...
Oesitou& como se estivesse re!letindo se devia con!iar a in!orma01o a Ti!!.
— Hma lendaM — insistiu Ti!!.
— 9sso mesmo. s puri!icados acreditam que os deuses vivem em)ai*o da
super!Acie. #e !ossem deuses& ou mesmo que !ossem apenas seres poderosos& como nós
acreditamos& n1o teriam motivo para su)meter4se ao inc+modo de viverem em)ai*o do
solo.
A conclus1o era )astante plausAvel. Ti!! re!letiu so)re a lenda. Guando pretendia
!ormular outra per"unta& viu que este adormecera. u ent1o& !aEia de conta que estava
dormindo para !u"ir $ curiosidade de Ti!!.
V V V
Furante o resto da noite e no dia se"uinte& at5 o !im da tarde& n1o houve qualquer
acontecimento importante. A marcha prosse"uiuU a !enda su)ia li"eiramente rocha
adentro& sem que sua lar"ura ou seu aspecto "eral so!resse qualquer modi!ica01o. @os
trechos arenosos& continuava a aparecer a estranha marca do veAculo de esteira.
@o !im da tarde& a !enda a)riu4se num vale. A transi01o !oi r3pida e surpreendente& e
na penum)ra ali reinante n1o p+de ser notada antes que che"assem ao local. Por isso
al"uns dos homens D3 estavam pisando a "rama do vale quando /hane' mandou que
parassem.
9luminando o vale& /hane' perce)eu que era redondo e tinha uns cinqWenta metros
de di<metro. As encostas su)iam na vertical. re"ato cuDo leito haviam se"uido parecia
nascer no pared1o do lado oposto e& ao atravessar o vale& proporcionava umidade
su!iciente para !aEer nascer uma ve"eta01o que& para o planeta de Oonur& devia ser
considerada a)undante. ch1o estava co)erto por um capim alto e espesso& os ar)ustos
cresciam de espa0o a espa0o e Dunto ao re"ato havia pequenas 3rvores.
Aquele vale !5rtil em meio ao deserto rochoso era um verdadeiro mila"re. At5
mesmo /hane'& um homem o)Detivo& pouco dado ao romantismo& levou al"um tempo
para recuperar4se da surpresa e come0ar a procurar a marca da esteira.
Bra claro que na "rama& que voltara a er"uer4se depois de amassada& a marca n1o se
conservaria por tanto tempo como no solo arenoso encontrado nas curvas do re"ato.
Assim mesmo& por5m& uma !ai*a estreita de !olhas ressequidas indicava o rumo do
veAculo desconhecido.
/hane' hesitou& sem sa)er se devia mandar seus homens penetrarem no vale.
— @1o sei — disse& diri"indo4se a Ti!! pelo r3dio de capacete re"ulado num volume
reduEido. — @1o estou "ostando disso. Guando estivermos l3 dentro& )asta que al"u5m
!eche a entrada& e estaremos numa armadilha.
Ti!! olhou em torno. Fois dos !aróis manuais ainda diri"iam seus amplos !ei*es de
raios para o interior do vale. Ao que parecia& n1o havia outra saAda.
— #e necess3rio& a Titan poderia mandar al"umas LaEelas para virem em nosso
au*Alio — disse Ti!!. — A!inal& n1o estamos numa "uerra de Andios.
/hane' deu uma risada amar"a.
— %o"o se vê que o senhor nunca se viu !or0ado a pousar com uma LaEela no
planeta Oonur.
— (hodan poderia vir com a Titan em peso — disse Ti!! em de!esa de seu ponto de
vista. — Fe qualquer maneira& seria uma incoerência voltarmos daqui.
/hane' acenou com a ca)e0a e murmurou:
— P verdade. ?as acho pre!erAvel ser um incoerente vivo que um coerente morto.
?as aca)ou in!ormando os veAculos so)re a desco)erta do vale. Fepois mandou que
uma patrulha de deE homens vasculhasse o terreno. Por !im n1o teve mais nenhuma
dKvida em permitir que o "rupo se"uisse pela !ai*a de capim ressequido por onde havia
passado a esteira& at5 atin"ir o pared1o do lado oposto.
@a verdade& a pista terminava a)ruptamente poucos metros antes do pared1o. ?as
/hane' pretendia a"uardar o raiar do dia se"uinte para iniciar uma )usca intensiva.
Bstava come0ando a escurecer& e no momento o mais importante era e*aminar a 3rea em
que iriam acampar e prote"ê4la contra qualquer ataque de surpresa.
/hane' mandou que al"uns homens se"uissem Dunto aos paredSes& em torno do
vale. Bstes in!ormaram que havia uma Knica caverna& e esta era t1o pequena que n1o
poderia a)ri"ar mais de quatro homens. /hane' n1o "ostou da notAciaU desde o momento
em que Fee e /rimson adoeceram& sentiu uma !orte antipatia contra as 3reas a)ertas.
?as n1o tinha outro rem5dio sen1o con!ormar4se com a situa01o. Por meio dos
desinte"radores& poderia !undir a rocha e a)rir uma caverna em que todo o "rupo pudesse
recolher4se. ?as o desempenho ener"5tico dos desinte"radores seria t1o intenso que os
aparelhos o re"istrariam a milhares de quil+metros de dist<ncia. /hane' pre!eriu assumir
o risco do pernoite ao ar livre.
@os outros mem)ros do "rupo tam)5m se notava um nervosismo indis!ar03vel.
Todos viram que nesse vale che"ava ao !im a pista que haviam se"uido. #ó havia duas
possi)ilidades: o veAculo de esteira ainda se encontraria no vale& ou teria desaparecido nos
paredSes de rocha.
Fe qualquer maneira haviam che"ado a um ponto decisivo.
Ti!! procurou encontrar mais uma veE um lu"ar perto de @athan. ?as o hono
parecia ter perce)ido sua inten01o e esquivou4se. Ao que tudo indicava& n1o sentia a
menor vontade de su)meter4se a outro interro"atório.
V V V
@1o 5 nada con!ort3vel dormir dentro de um traDe espacial. P verdade que o
capacete !ornece certo apoio $ ca)e0a& mas esse apoio só 5 proporcionado pela parte
traseira do mesmo. Al"u5m que n1o esteDa acostumado a dormir de costas ter3 de passar
um mau )ocado.
Ti!! acordou mais de uma veE. Pra"ueDou por causa do descon!orto do capacete.
Procurou melhor posi01o e tentou adormecer.
Bm certo momento escorre"ou da pedra que lhe servia de apoio e& enquanto se
es!or0ava para levantar4se& acordou de veE.
Furante uns cinco ou deE minutos !icou deitado& imóvel& !itando o trecho circular do
c5u estrelado que era recortado pelos paredSes do vale. Bs!or0ou4se para dormir de novo.
Guase no su)consciente& perce)eu que havia al"o por ali que n1o estava certo.
?ovendo4se deva"ar e cautelosamente& dei*ou4se escorre"ar da pedra na qual su)ira com
tanto tra)alho. /om isso a ca)e0a !icou em posi01o quase vertical. P+s4se a o)servar.
Al"uns minutos se passaram. Ti!! D3 estava praticamente convencido de que se
dei*ara en"anar por al"uma coisa quando viu o movimento. A vis1o era estranha& mas
incon!undAvel. Al"uma coisa rasteDava cautelosamente pelo capim& al"uns metros do
lu"ar em que se encontravam seus p5s.
@o inAcio apenas sentiu curiosidade. As sentinelas escaladas por /hane' ocupavam
todas as posi0Ses estrat5"icas do vale. @enhuma pessoa desconhecida penetraria ali sem
ser notada& mesmo que viesse por cima.
Fe repente& Ti!! olhou para o lu"ar em que @athan se sentara ao anoitecer& e que
!icava a uns deE metros do ponto em que ele mesmo se deitara para dormir.
A luE das estrelas !oi su!iciente para que notasse que o lu"ar estava vaEio.
Ti!! er"ueu4se e procurou desco)rir os outros honos& que se haviam sentado perto de
@athan. Tam)5m tinham desaparecido.
A princApio Ti!! descon!iou de que estivessem arrependidos da decis1o de se"uirem
a pista dos deuses e& para n1o e*por4se ao ridAculo& pretendiam !u"ir $s escondidas. ?as
achou que valia a pena e*aminar o pro)lema mais detidamente.
Br"ueu4se so)re os cotovelos& dei*ou4se cair para a !rente e rasteDou na dire01o em
que vira o vulto que se movia. Tateando e vendo& se"uiu o rastro amplo que se"uia pelo
capim. que lhe deu de pensar !oi que o rasteDante n1o se diri"ia $ saAda do vale& mas
se"uia para a direita& em dire01o ao pared1o.
#e"uiu o rastro e lo"o come0ou a apro*imar4se do pared1oU n1o viu os honos. Pouco
antes de che"ar ao pared1o& uns vinte metros $ direita do lu"ar em que se encontrava a
!ileira de homens que dormiam& voltou a desco)rir o movimento apressado e con!uso que
pouco antes lhe despertara a aten01o.
#em pensar duas veEes& levantou4se de veE e com dois "randes saltos che"ou ao
pared1o. A id5ia de que isso o poderia e*por a al"um peri"o só lhe veio $ mente quando
uma !or0a invisAvel o a"arrou. Bsta o atirou para tr3s. Ti!! teve a impress1o que uma
"ranada estava e*plodindo em seu c5re)ro.
Ti!! caiu de lado e por al"uns se"undos !icou quase inconsciente. RaEendo um
es!or0o tremendo& conse"uiu er"uer4se so)re os cotovelos e !itou o pared1o. Fe repente&
espantado& o)servou que os honos — ou aquilo que ele tinha perce)ido& pensando que
eram eles — desapareceram.
@otou o peri"o sem compreendê4lo. /om um movimento r3pido& re"ulou o r3dio de
capacete para o volume m3*imo e "ritou:
— AlarmaN s honos !u"iramN
Por um instante& n1o ouviu no seu receptor outra coisa al5m do ruAdo dos homens
que despertavam& er"uendo4se lentamente e "irando os )otSes de seus r3dios de capacete.
Rinalmente ouviu a voE de /hane'& que soou tranqWila e paternal:
— Por que tanto nervosismo& Ti!!M que nos importam os honos se a vida 5 t1o
)elaM
4
ataque $ Titan come0ou no meio da noite. @1o pe"ou a nave desprevenida. A
partir do momento em que a nave pousara pela se"unda veE no planeta Oonur& os homens
n1o tinham outra coisa a !aEer sen1o !icar com os olhos a)ertos.
B o ataque !oi desencadeado de maneira t1o estranha que nem por um instante se
poderia duvidar do resultado da luta. Oordas imensas de ro)+s sur"iram dos vales& das
mar"ens do la"o e da planAcie e marcharam em dire01o $ nave.
Perr' (hodan se encontrava na sala de comando. Fei*ou que os ro)+s se
apro*imassem& at5 que revelaram suas verdadeiras inten0Ses por meio de salvas
disparadas de uma esp5cie de radiadores de impulsos.
s campos protetores da Titan n1o tiveram a menor di!iculdade em a)sorver o
impacto. s raios de desinte"ra01o disparados pelas "randes pe0as de artilharia da nave
a)riram enormes clareiras nas !ileiras de ro)+s& tan"endo nuvens reluEentes de poeira
met3lica por cima da super!Acie do la"o.
As m3quinas estranhas espalharam4se s raios ener"5ticos o!uscantes por eles
disparados chiavam sem cessar de encontro aos campos protetores invisAveis e perdiam4
se em meio a !o"os de arti!Acio coloridos.
Fepois que al"umas salvas potentesU haviam destruAdo cerca de metade do e*5rcito
de ro)+s& os homens& que "uarneciam os postos de artilharia da Titan& tiveram de recorrer
ao !o"o diri"ido. Pelas estimativas& o nKmero total de ro)+s devia ser de cerca de oito
mil. Bram do tipo daqueles que& por ocasi1o do primeiro pouso da Titan no planeta
Oonur& tentaram atacar a nave.
As !ileiras de ro)+s !oram min"uando. Bm nenhum ponto conse"uiram apro*imar4
se da Titan a mais de cem metros que correspondiam $ dist<ncia dos campos de!ensivos.
Al"uns ro)+s que avan0aram demais derreteram4se so) a a01o ener"5tica dos campos.
Fepois de duas horas de )atalha n1o havia mais nenhum ro)+ que se movesse.
Bm compensa01o& a )ordo da Titan come0aram a re!letir so)re as !inalidades do
ataque. inimi"o n1o poderia estar mal in!ormado a ponto de acreditar que poderia
conquistar a Titan com oito mil& ou mesmo deE mil ro)+s.
Guais seriam suas inten0SesM
s receptores autom3ticos& que mesmo durante o com)ate continuaram a !uncionar&
re"istrando as mensa"ens& sa)iam a resposta. Fepois de suspenso o com)ate& o o!icial de
r3dio retornou ao seu lu"ar e retirou do aparelho uma mensa"em de telecomunica01o
e*pedida pelo "rupo de veAculos:
— comando /hane'4Ti!!lor !oi atacado por inimi"os desconhecidos. Posi01o...
#e"uiram4se al"uns dados que permitiram a localiEa01o e*ata do pequeno vale nos
mapas. A mensa"em ainda diEia que o alarma !ora e*pedido pelo tenente Ti!!lor.
A !inalidade do ataque de ro)+s desencadeado contra a Titan consistira unicamente
em desviar as aten0Ses do "rupo que se encontrava empenhado numa opera01o de )usca
nas montanhas.
Al"uns minutos depois& a esta01o dos /<m)ios ainda captara a se"uinte mensa"em:
— @1o se preocupem por nossa causa. Bstamos )em. A vida 5 t1o )ela.
Tam)5m este te*to !oi retransmitido !ielmente $ Titan.
p<nico tomou conta da sala de comando. Todos correram para seus lu"ares e
estenderam a m1o. Preparavam4se para e*ecutar o movimento que teriam de !aEer no
instante em que (hodan ordenasse a decola"em instant<nea.
?as isso n1o aconteceu. /om um li"eiro sorriso& (hodan pediu aos homens que
conservassem a calma.
— Acho que no momento n1o podemos !aEer nada por esses coitados —
acrescentou.
@1o e*plicou porque acreditava que mais tarde talveE pudesse !aEer al"uma coisa.
Para aumentar ainda mais a con!us1o entre a o!icialidade& mandou que o "rupo de
/<m)ios re"ressasse $ Titan pelo caminho mais r3pido.
Al"um tempo depois& quando os /<m)ios D3 se encontravam a caminho& a nave
captou uma mensa"em curta e esquisita& transmitida pela onda comum:
— #omos três e vamos !aEer um piquenique...
Pelo que diEia a pessoa que rece)era a mensa"em& a voE que transmitira a
mensa"em era de Ti!! — e vinha com um sotaque de quem aca)ara de tomar duas
"arra!as de uAsque escocês. s o!iciais que se encontravam na sala de comando pensavam
que a ar"onina era respons3vel pela ale"ria de Ti!!. @aturalmente. que poderia serM
?as o sorriso matreiro de (hodan lhes deu o que pensar.
V V V
Bra claro que (hodan n1o tinha certeEa a)soluta. ?esmo into*icado& Ti!! poderia
lem)rar4se da senha “piquenique”& TalveE quisesse divertir4se& en"anando seu
comandante ao lhe dar o sinal convencionado.
?as (hodan duvidava de que al"u5m que se encontrasse so) os e!eitos da ar"onina
!osse capaE de praticar uma )rincadeira premeditada. mais prov3vel era que Ti!!
conse"uira livrar4se da em)ria"ues "eral com mais dois elementos.
A"ora teria que !aEer al"uma coisa que (hodan odiava por sua própria natureEa:
esperar& esperar pelo resultado do piquenique.
Oavia outra coisa quase t1o penosa como a espera: (hodan tinha de "uardar para si
o que sa)ia& suportando pacientemente os rostos desolados ou perple*os de seus
companheiros.
?as o risco era muito "rande. Tinham de contar com a possi)ilidade de que o
inimi"o captasse qualquer mensa"em transmitida pelo r3dio ou pelo telecomunicador.
#em dKvida& a essa altura D3 dominava a lAn"ua in"lesa. #e por qualquer descuido !osse
!eita uma alus1o& por mais leve que !osse& ao verdadeiro estado de Ti!! — o que poderia
acontecer& por e*emplo& numa palestra com a Lan'med — o piquenique de Ti!! n1o
duraria nem mais um minuto& e teriam de come0ar tudo de novo.
#ó lhe restava esperar e calar a )oca.
V V V
Ti!! compreendeu imediatamente o que havia acontecido. A pior das hipóteses
previstas nas instru0Ses que levara aca)ara de ocorrer.
Fepois do alarma de Ti!! e da resposta ale"re do maDor /hane'& a con!us1o tomou
conta do vale. Raróis acenderam4se& iluminando homens que davam saltos "rotescos em
meio ao capim. s "ritos de surpresa dos homens que ainda n1o haviam sido into*icados
misturaram4se $s mani!esta0Ses de DK)ilo daqueles que D3 haviam a)sorvido a ar"onina
em seu or"anismo.
As mani!esta0Ses de ale"ria tornavam4se cada veE mais ruidosas& e os "ritos de
surpresa !oram diminuindo.
Arrastando4se rente ao solo& Ti!! diri"iu4se ao lu"ar em que ao anoitecer os homens
de /hane' haviam desco)erto uma caverna. Bnquanto isso "ritava:
— Guem ainda n1o estiver doente& diriDa4se $ caverna.
Ricou "ritando at5 que& na sua opini1o& qualquer homem sadio o teria ouvido e
estaria em condi0Ses de se"uir suas instru0Ses. J3 havia che"ado $ caverna. #ó encontrou
um Knico homem.
— Guem est3 aAM — per"untou Ti!!.
— sa"rado YZee!e — respondeu o vulto.
— Bst3 armadoM
— Al5m de estar armado ainda tenho em m1os o transmissor.
— B*celenteN
Ti!! pe"ou o aparelho e transmitiu a mensa"em que os tripulantes da Titan só
puderam ouvir depois de terminada a )atalha contra os ro)+s. Fepois ordenou a YZee!e:
— %i"ue os aparelhos para a altura mAnima& sar"ento. @1o nos devem ouvir nem a
três metros de dist<ncia.
YZee!e o)edeceu sem diEer uma palavra. Fepois per"untou:
— B a"oraM
— Bspere — murmurou Ti!!. — @1o quero contar a mesma história duas veEes.
Hm hora depois do momento em que tivera inAcio a con!us1o& Ti!! tinha certeEa
quase a)soluta de que al5m dele mesmo e de YZee!e nin"u5m havia escapado ao ataque
trai0oeiro.
%3 !ora& no vale& os homens into*icados pela ar"onina "ritavam e uivavam que nem
os loucos& "oEando a vida. s receptores re"ulados para o volume mAnimo traEiam o
ruAdo a)a!ado da al"aEarra.
Guando um vulto dis!orme !oi se arrastando lentamente pelo capim& apro*imando4se
da caverna& Ti!! pensou que se tratasse de um dos into*icados& que estivesse $ procura de
um divertimento di!erente.
?as pouco antes de che"ar ao pared1o& o vulto er"ueu4se e per"untou com a voE
a)a!ada:
— P o tenente Ti!!lorM
Ti!! deu4se a conhecer.
— Oalli"anM P o senhorM
— #im senhor.
— Bntre e )ai*e o volume de seu r3dio. Por que demorou tantoM
— Riquei esperando at5 que os animais que andaram Eum)ido por aA tivessem
desaparecido.
— /he"ou a vê4losM — per"untou Ti!! surpreso.
— :i per!eitamente. Bstava ao lado de um dos idiotas que eles pe"aram em
primeiro lu"ar. Andou diri"indo a luE do seu !arol para todos os lados& e por isso tive uma
vis1o nAtida dos mosquitos.
Oalli"an rasteDou para o interior da caverna. Al"u5m soltou um !orte "emido.
— Pelo amor de FeusN — suspirou Oalli"an. — @1o venha me diEer que 5 esse sapo
do YZee!eN
— P isso mesmo — disse YZee!e por entre os dentes. — :ou diEer4lhe uma coisa.
#e...
— #ilêncioN — e*clamou Ti!! em tom en5r"ico. — @1o temos tempo para esse tipo
de )rincadeira.
Fuas horas após o inAcio do ataque& o c5u come0ou a adquirir uma tonalidade
vermelha. Ti!! sa)ia que a essa hora n1o apareceria mais nin"u5m que n1o estivesse
doente. Bram vinte ao todo. A ar"onina pesava na consciência de deEessete deles. u
melhor& na consciência do inimi"o misterioso que estavam procurando.
?ais uma veE Ti!! pe"ou o transmissor& acoplou4o ao alto4!alante e*terno do
capacete e p+s4se a cantar no tom de 5)rio:
— #omos três e vamos !aEer um piquenique.
Firi"indo4se aos dois sar"entos& disse:
— P claro que daqui em diante vamos !in"ir4nos de loucos que nem aqueles ali !ora.
Acredito que o inimi"o est3 vi"iando atentamente o vale. @1o deve desco)rir que ainda
n1o estamos doentes. :amos prosse"uir na )usca& e se a"irmos com ha)ilidade&
poderemos diEer que nunca tivemos tantas chances como a"ora.
Assim que a escurid1o havia cedido um pouco& saAram da caverna e misturaram4se
aos homens que se encontravam so) a in!luência da ar"onina& pulando que nem crian0as.
YZee!e e Oalli"an lo"o se adaptaram ao seu papel. #altavam de um lado para o
outro e cantavam can0Ses idiotas.
Ti!! teve certa di!iculdade em representar a com5dia. s deEessete homens corriam
pelo capim como meninos e n1o queriam sa)er de nada. Apenas na ale"ria de viver.
Assim& o!ereciam um espet3culo )astante triste& apesar da ale"ria aparente que apenas
!ora provocada pela to*ina& arrependeu4se por n1o ter revelado suas preocupa0Ses a
/hane'& no momento em que desco)riram a marca dei*ada pelo veAculo de esteira.
TalveE este tivesse concordado em levar um contin"ente menos numeroso.
Hm dos doentes es)arrou pesadamente em Ti!!& despertando4o das suas re!le*Ses.
— Por que tanta tristeEa& companheiroM @1o "osta da vidaM
Bra /hane'. Ti!! olhou4o. @1o sa)eria diEer se /hane' o reconhecia.
— Losto& ami"o — respondeu Ti!! com o rosto radiante. — @unca me senti mais
!eliE que neste instante.
— Pois venha comi"o. :amos cantar.
#em a"uardar resposta& /hane' come0ou a entoar uma can01o. Ti!! cantou al"umas
estro!es. Fepois deu um salto ale"re para o lado& e*ecutou uma cam)alhota em meio ao
capim& soltou al"uns "ritos hist5ricos e escapou $ disposi01o musical de /hane'.
Oalli"an e YZee!e D3 haviam atin"ido o pared1o que !icava do lado oposto.
?antinham4se $ direita e $ esquerda do lu"ar em que Ti!! havia visto o hono pela Kltima
veE.
Ti!! apoiou4se so)re a ca)e0a e dei*ou que os Doelhos do)rassem lentamente. A
)arri"a da perna )ateu num o)Deto que D3 vira h3 al"um tempo& e que pre!erira n1o tocar&
pois sa)ia que o vale estava sendo o)servado pelo inimi"o.
B*ultando de ale"ria& re)olou pelo ch1o e aca)ou pondo a m1o no minKsculo o)Deto.
convite que !ormulou a se"uir era o sinal de )ater em retirada& com)inado com os dois
sar"entos:
— :amos cantar a can01o de /lementinaN
Bncontraram4se na caverna& depois de terem "asto mais de quinEe minutos para
percorrer os cinqWenta metros sem despertar a aten01o do inimi"o. Hm dos doentes "ritou
atr3s deles:
— que v1o !aEer nessa cavernaM Riquem aqui mesmo& pois o sol est3 )rilhando.
Ti!! n1o perdeu a ca)e0a. (espondeu prontamente:
— J3 voltamos. Por enquanto a caverna est3 t1o quentinha e acolhedora.
doente convenceu4se com estas palavras.
“Tomara ue isso tamb!m tenha acontecido com o inimigo”& pensou Ti!!.
@o interior da caverna e*aminaram o pequeno o)Deto. Oaviam saAdo para procurar a
pista dos honos& mas no momento aquele aparelho parecia mais importante.
Parecia ser !eito de uma Knica pe0a. Ti!! teve de usar um disparo !inAssimo do
desinte"rador para soltar a tampa& pois só assim poderia ver o que havia no interior do
o)Deto.
instrumento era produto de uma tecnolo"ia estranha. ?as nunca pode e*istir tanta
di!eren0a entre os princApios de !uncionamento dos o)Detos destinados a !ins idênticos
que um t5cnico n1o sa)ia identi!icar um "ar!o como um "ar!o& um pente como um pente
e um codi!icador como um codi!icador.
que tinham na m1o era um codi!icador. Pelo que constatou Ti!!& o aparelho estava
em condi0Ses de irradiar ao menos deE sinais codi!icados atrav5s de um hiper4
transmissor& mesmo que apenas pudesse !aEê4lo com uma potência e*tremamente
reduEida.
Hm dos honos devia ter perdido o aparelho em meio $ con!us1o. Provavelmente era
aquele que havia atirado em Ti!!.
“"m dos honos# Desde uando esses seres possuem aparelhos como este$” —
pensou o tenente.
Bssa id5ia levou Ti!! $ inda"a01o so)re a credi)ilidade que a história dos puri!icados
e os n1o4puri!icados ainda poderia merecer. #er3 que @athan e seus ami"os n1o a"iam
por ordem dos deusesM @1o teriam rece)ido a incum)ência de atrair os inimi"os dos
mesmos a uma armadilha se"uraM
#e !osse assim& deviam estar em condi0Ses de comunicar4se com os deuses. Por
meio do codi!icador& por e*emplo.
A conclus1o era ló"ica e Ti!! n1o tinha motivo para acreditar que n1o !osse
verdadeira. ?as lem)rava4se per!eitamente dos honos& dos puri!icados& que conhecera
por ocasi1o do primeiro pouso da Titan em Oonur. Bram seres pacatos& ap3ticos& que
quase che"avam a ser tolos& e cuDa Knica ocupa01o consistia em )rincar com os nonos.
que se teria de !aEer com seres desse tipo para lev34los a e*ecutar um tra)alho
de!inido e )em orientado& como o que aca)ava de ser realiEado por @athan e seus
companheirosM
Ti!! !oi interrompido em meio $s suas re!le*Ses. sar"ento YZee!e pi"arreou& a
!im de chamar a aten01o.
— Tam)5m encontrei uma coisa. Guem sa)e se...
— @1o pense que só você encontrou al"uma coisaN — interveio Oalli"an
acaloradamente. — Tenho certeEa de que aquilo que eu encontrei 5 mais interessante...
Ti!! riu.
— Pois mostremN — disse.
s dois sar"entos puseram as m1os so) os olhos de Ti!!. s achados eram idênticos.
?as& mesmo apresentados em duplicata& despertaram )astante interesse para provocar
uma tremenda e*alta01o em Ti!!.
Pe"ou cautelosamente o o)Deto que YZee!e se"urava. Bra pequeno& medindo cerca
de cinco centAmetros& !ormado por cinco pe0as articuladas. Guatro dessas pe0as tinham o
aspecto de dois pares de asas& enquanto a quinta devia representar o corpo do estranho
ser. @1o havia uma ca)e0a )em identi!icadaU no lu"ar via4se uma ponta comprida& que ia
a!inando na e*tremidade. @a )ase& mostrava um cArculo !ormado por quinEe pontinhos
que emitiam um )rilho cristalino.
Bra um dos mosquitos que Oalli"an vira durante a noite.
Race ao estado de nervos em que Oalli"an se encontrava ao o)servar o o)Deto e $
ilumina01o escassa& n1o seria nada di!Acil en"anar4se so)re a verdadeira natureEa
daqueles seres. Ti!!& que se"urava o o)Deto na m1o& perce)eu suas caracterAsticas ao ver a
ponta met3lica e o !ormato re"ular das articula0Ses das asas:
mosquito n1o era um ser dotado de constitui01o or"<nica. Tratava4se de um mini4
ro)+.
Femorou al"um tempo at5 que Oalli"an e YZee!e acreditassem nesse !ato. que
mais os intri"ava era a id5ia de que nenhum homem seria capaE de construir um ro)+
tele"uiado de dimensSes t1o minKsculas. Por5m Ti!! recordou a ha)ilidade demonstrada&
por e*emplo& pelos !err+nios do sistema de :e"a& que criaram verdadeiras maravilhas no
terreno da micro tecnolo"ia. Assim& !oi vencendo suas dKvidas passo a passo.
— ?as& o que 5 mesmo de admirar n1o 5 isso — disse !inalmente. — /ada um
destes animaiEinhos& ou melhor& destas maquinaEinhas& tem de ser diri"ido
independentemente dos outros. @1o adiantaria nada se& num ataque como o que !oi
desencadeado na noite passada& a nuvem !osse "uiada em conDuntoU nesse caso& a esta
hora os mosquitos ainda n1o teriam concluAdo seu tra)alho.
“Para orientar um en*ame desses mini4ro)+s em pleno com)ate& e*pedir comandos
numa !ra01o de cent5simo de se"undo& revo"34los e su)stituA4los por outros& precisa4se
recorrer ao controle autom3tico de um dispositivo positr+nico. @enhum ser vivo poderia
dispor de vis1o t1o ampla e de tamanho poder de rea01o. P )em verdade que& ao que tudo
indica& mesmo um dispositivo positr+nico en!rentaria di!iculdades& pois os mosquitos que
temos diante de nós devem ter )atido no pared1o e caAdo.” YZee!e e Oalli"an !icaram
espantados.
— Ali3s& sou de opini1o que em Oonur n1o encontraremos o inimi"o propriamente
dito& mas um sistema altamente so!isticado !ormado por um c5re)ro positr+nico e um
contin"ente de ro)+s por ele comandados — prosse"uiu Ti!! em tom pensativo. — 9sso
se encontrarmos al"uma coisa. Acho que& se n1o !osse assim& D3 deverAamos ter achado
al"um sinal do inimi"o. P claro que isto n1o passa de uma suposi01o.
— @1o acredita que os quatro honos... — principiou Oalli"an.
Ti!! sacudiu a ca)e0a
— @1o. Acredito que apenas estava e*ecutando ordens de al"u5m.
Oalli"an !icou calado. Tam)5m YZee!e mer"ulhou nos seus pensamentos. Fepois
de al"um tempo& Ti!! disse:
— OoDe de noite procuraremos se"uir oU honos.
s dois sar"entos levantaram a ca)e0a.
— s quatro honosM Pois o senhor sa)e para onde...M
— :i o Kltimo deles ali& diante do pared1o& no lu"ar em que encontramos o
codi!icador. Tenho certeEa de que nesse ponto deve haver outra saAda.
YZee!e olhou !i*amente para !ora da caverna.
— @1o veDo nada — disse em tom o)stinado.
— @1o 5 de admirar — disse Ti!! com uma risada — Teriam que ser muito tolos
para dei*ar o )uraco a)erto.
— Acha que 5 uma esp5cie de port1o camu!ladoM — per"untou Oalli"an.
— 9sso mesmo.
— B como pretende !aEer para a)ri4loM
Ti!! p+s o dedo no codi!icador.
— /om isto — respondeu. — Hm dos deE sinais emitidos pelo mesmo deve ser
aquele que a)re essa saAda& ou entrada& con!orme se queira. #ó assim se e*plica que os
honos puderam !u"ir t1o depressa.
lhou Oalli"an e YZee!e com uma e*press1o s5ria.
— @1o pode ser de outra !orma — concluiu.
V V V
dia passou4se sem que os doentes tivessem parado com sua al"aEarra& por meia
hora que !osse. Fepois que a ar"onina se misturara ao lAquido ence!3lico e& em propor01o
menor& ao san"ue e ao lAquido lin!3tico& o cansa0o& a !ome e a sede sumiam. or"anismo
doente ativava todas as reservas de ener"ia de que podia dispor& n1o permitindo qualquer
pausa no estado de hipereu!oria.
Para Ti!! e os dois sar"entos& o dia !oi muito cansativo. @1o h3 nada pior que !icar
imóvel& espreitando um desconhecido.
Por v3rias veEes Ti!! p+s as m1os noU pequeno aparelho de transmiss1o e recep01o&
para enviar uma pequena mensa"em $ Titan. t5dio quase che"ava a induEir a opini1o
de que uma pequena mensa"em& conce)ida no mesmo tom e*ultante que a e*pedida na
noite anterior& n1o poderia causar o menor preDuAEo& mesmo que o inimi"o interceptasse
todas as comunica0Ses. ?as o raciocAnio aca)ou por vencer. Hma pessoa into*icada pela
ar"onina só teria uma capacidade e*tremamente limitada dei e*ecutar uma seqWência
causal e ló"ica de atosU e os movimentos necess3rios para p+r um transmissor a !uncionar
e*i"ia uma seqWência causal e ló"ica de atos. Assim que o doente tivesse movido a
primeira chave e "irado o primeiro )ot1o& encontraria outra ocupa01o que lhe desse um
praEer muito maior. Bnt1o& lar"aria o transmissor num canto qualquer. Hma mensa"em
ale"re ainda poderia encontrar e*plica01o& mas duas mensa"ens provocariam suspeitas no
inimi"o.
Ao escurecer& Ti!!& Oalli"an e YZee!e voltaram a misturar4se com os doentes.
Festa veE carre"avam& al5m das armas& o transmissor e o pequeno codi!icador.
Apro*imaram4se discretamente do pared1o de rocha. Oalli"an e YZee!e tentavam a
escalada escorre"ando e caindo propositadamente& mas nem por isso de !orma menos
dolorosa& uma veE que n1o sa)iam quanto tempo levaria Ti!! para a)rir o port1o de pedra.
tenente !eE com que o pequeno aparelho irradiasse todos os sinais codi!icados
re"istrados em sua !ita.
A cada sinal que emitia a"uardava& por al"um tempo& a"u0ando o ouvido. @1o tinha
a menor id5ia das situa0Ses que seriam despertadas pelos sinais. Bra per!eitamente
possAvel que depois de um deles os mosquitos ro)otiEados voltassem a precipitar4se no
vale.
@1o aconteceu nada disso. Ao contr3rio do que esperava Ti!!& a opera01o correu sem
o menor incidente. Fepois de e*pedir o quarto sinal codi!icado& uma !ai*a do pared1o
recuou su)itamente $ sua !rente e "irou para o lado& antes que ele tivesse tempo de
chamar os dois sar"entos. A a)ertura que se !ormara tinha cerca de três metros de lar"ura
e dois metros de altura.
Oalli"an e YZee!e caAram pared1o a)ai*o. /am)aleando e )al)uciando que nem
dois )ê)ados& trope0aram para dentro do )uraco escuro. Ti!! se"uiu4os e insistiu para que
penetrassem mais um peda0o no corredor que parecia come0ar lo"o após a a)ertura.
Fepois virou4se e& prendendo a respira01o& a"uardou para ver se o port1o se !echava
automaticamente& ou se para isso haveria necessidade de outro sinal.
Rechou4se automaticamente. Bm)ora Ti!! e os dois sar"entos pensassem que uma
pequena eternidade se havia passado& apenas trinta se"undos decorreram do momento em
que o port1o se a)riu at5 aquele em que voltou a !echar4se. @enhum dos homens
into*icados pela ar"onina havia notado o !en+meno. Ti!! a"ira acertadamente ao e*ecutar
a opera01o no escuro.
— Acenda a luE — ordenou Ti!! em meio $ escurid1o.
raio intenso de um !arol manual rompeu a escurid1o& iluminando um corredor
revestido de pl3stico& que tinha a mesma lar"ura e altura do por1o a)erto na rocha& e
descia num declive suave a uma pro!undidade incomensur3vel.
— :amos andando — ordenou Ti!!. — Riquem com as armas en"atilhadas. P )em
possAvel que em al"um lu"ar a a)ertura do port1o tenha provocado a emiss1o de um sinal.
Fevem estar esperando por nós em qualquer ponto& se 5 que n1o vir1o ao nosso encontro.
?as o corredor continuava escuro e silencioso. A al"aEarra dos doentes mal che"ava
aos receptores de capacete.
sar"ento YZee!e caminhou $ !rente do "rupo. Oalli"an e Ti!! marcharam lado a
lado& lo"o atr3s dele. YZee!e avan0ava a passos vi"orosos& resmun"ando de
impaciência. Parecia que tinha vontade de diEer al"uma coisa. ?as suas palavras
trans!ormaram4se num "rito de pavor& que !oi partilhado por Ti!! e Oalli"an.
ch1o so) os p5s come0ara a mover4se. YZee!e perdeu o equilA)rio e caiu. !arol
escorre"ou4lhe da m1o e apa"ou4se. Ti!! ouviu o ruAdo provocado pelo deslocamento de
ar.
— Ra0a luE& YZee!e.
YZee!e chiou al"uma coisa entre os dentesU !eliEmente nin"u5m entendeu. Ti!!
ouviu suas m1os enluvadas )aterem no ch1o. Rinalmente soltou um suspiro de alAvioU
depois de al"um tempo o !arol !oi aceso.
Ao que parecia& o am)iente continuava a ser o mesmo. revestimento de pl3stico
con!erira um aspecto t1o uni!orme ao soalho& $s paredes e ao teto do corredor que o olho
humano n1o encontraria qualquer ponto de re!erência pelo qual pudesse orientar4se. Ti!!
p+s a m1o num dos )olsos e*ternos do seu traDe e tirou o estoDo que D3 servira para
"uardar pontas de lapiseira. Atirou4o num <n"ulo inclinado contra uma das paredes
laterais.
resultado !oi surpreendente. estoDo !oi repelido pela parede com uma violência
inacredit3vel e& em veE de se"uir as leis da re!le*1o& retornou pela mesma traDetória
resultante do arremesso de Ti!!. Passando Dunto ao capacete de Oalli"an& emitiu um
chiado e& ao )ater na parede oposta& voltou a ricochetear e desapareceu do !ei*e de luE
proDetado pelo holo!ote de YZee!e.
Ti!! aDoelhou4se e com a m1o direita apalpou cuidadosamente o ch1o. ?as& por mais
que ampliasse sua pesquisa& n1o encontrou ali nenhuma das estranhas caracterAsticas que
as paredes possuAam. ?as& quando estendeu a m1o para o lado e tocou a parede com a
pontinha do indicador& sua m1o !oi atirada para tr3s com uma violência inacredit3vel.
— Bstamos numa !ita rolante — murmurou. — Bla se desloca a uma velocidade de
cem quil+metros por hora. Toda a lar"ura do ch1o 5 tomada pela !ita.
s dois sar"entos pareciam perple*osU calados& a"uardavam instru0Ses. Ti!! re!letiu.
@1o sa)ia se o !uncionamento da !ita era autom3tico& ou se al"u5m recorrera a esse meio
!3cil de transportar os intrusos ao lu"ar em que deseDava vê4los colocados.
Fe qualquer maneira& Ti!! n1o tinha a menor vontade de cair nos )ra0os de um
comitê de recep01o do inimi"o a uma velocidade de cem quil+metros por hora.
— Oalli"an& v3 para a !rente — ordenou Ti!!. — ?antenha o desinte"rador
preparado para disparar a qualquer momento. Guando eu lhe der o sinal& corte o ch1o um
metro $ sua !rente& de uma parede a outra. Acho que com isso nossa via"em che"ar3 ao
!im. ?as por enquanto n1o podemos deseDar coisa melhor que viaDar de !orma t1o
con!ort3vel.
Oalli"an colocou4se a um passo diante de YZee!e e manteve o cano de sua arma
apontado para )ai*o. Pelos c3lculos de Ti!!& em caso de necessidade Oalli"an n1o levaria
mais de um se"undo para cortar a !ita& e deE se"undos se passariam ao todo at5 que esta
se imo)iliEasse. Oaveria um !orte solavanco& mas estavam preparados.
Ti!! olhou para o reló"io. J3 !aEia uns quinEe minutos que se deslocavam a alta
velocidade quando YZee!e avisou os companheiros de que uma modi!ica01o se
anunciava mais $ !rente.
@o mesmo instante& a velocidade da !ita reduEiu4se.
— ?antenha4se de prontid1o& Oalli"an — advertiu Ti!!.
Por enquanto n1o havia motivo para preocupa0Ses. A !ita desem)ocava num recinto
circular que tinha trinta metros de di<metro e dois de altura. /om al"uns lances de olho&
Ti!! avaliou a situa01o. A !ita corria em dire01o a um disco situado no meio do recinto.
s três homens !oram empurrados para a super!Acie da sala circular& sem que sentissem
qualquer altera01o. A velocidade D3 !ora reduEida $ de pedestre.
Hma veE em cima do disco& os três homens n1o tiveram tempo para re!letir. ?al
Ti!!& o Kltimo do "rupo& aca)ara de ser colocado em cima do disco. Bste come0ou a "irar.
Ti!! viu emendas !inAssimas no ch1o& que partiam do disco em !orma de raios circulares.
%o"o compreendeu a situa01o. disco continuou a "irar at5 o momento em que o
sar"ento Oalli"an& que continuava com o desinte"rador apontado para )ai*o& se viu
colocado entre duas das emendas. ch1o so) seus p5s voltou a mover4se& retirando
Oalli"an de cima do disco e transportando4o em velocidade cada veE mais para a parede
do recinto.
As emendas paralelas eram apenas as e*tremidades de outras !itas transportadoras&
mais estreitas. @o lu"ar em que atin"iriam a parede& provavelmente se a)riria uma porta
invisAvel.
disco continuou a "irar e colocou YZee!e& que se sentia apavorado& em cima de
outra !ita& que !ormava um <n"ulo de cerca de quarenta "raus com aquela que carre"ara
Oalli"an. Ti!! n1o tinha a menor inten01o de dispersar seu "rupo& D3 pequeno& apenas para
!aEer a vontade de uma s5rie de !itas e discos "iratórios. Lritou:
— #altemN
Ao contr3rio do corredor pelo qual vieram& aqui n1o havia nenhum pro)lema em
e*ecutar uma ordem destas.
Oalli"an e YZee!e deram um passo para o lado e pisaram no ch1o !irme e imóvel
do recinto. As !itas rolantes continuaram a correr mais um tempo& emitindo um li"eiro
Eum)ido& e !inalmente entraram em repouso.
Ti!! tam)5m saltou do disco. YZee!e diri"iu a luE do holo!ote para o alto e
dispersou4a de tal !orma que todo o recinto !oi iluminado.
Oalli"an e Ti!! saltaram por cima de v3rias !itas& para colocar4se Dunto a YZee!e.
#oltando um suspiro& Oalli"an voltou a pendurar o desinte"rador por cima do om)ro. @1o
havia mais nenhuma !ita que pudesse cortar.
— Bvidentemente isto 5 uma 3rea de distri)ui01o — disse Ti!!. — Gualquer coisa
vinda de !ora 5 classi!icada pelo disco e colocada na !ita adequada. Apenas& "ostaria de
sa)er como !aEem para identi!icar a !ita em que cada pessoa deve ser colocada.
Ti!! e*aminou as !itas que saAam do disco central& conduEindo a deEoito dire0Ses
di!erentes. Hma era i"ual $ outra. @1o encontrou o menor sinal que lhe pudesse indicar
qual delas o levaria ao lu"ar em que pudesse desvendar mais pro!undamente os mist5rios
dessa instala01o su)terr<nea.
Ti!! escolheu ao acaso.
— :amos tomar estaN
?andou que Oalli"an e YZee!e pisassem na !ita e esperou. Aconteceu e*atamente
aquilo que esperava. A !ita come0ou a movimentar4se assim que re"istrou o peso dos dois
homens.
@a parede tam)5m aconteceu aquilo que Ti!! previra. Guando Oalli"an& que ia na
ponta& se encontrava a cinco metros& um peda0o desliEou para o lado& dei*ando passar a
!ita com os três passa"eiros.
?as Ti!! n1o poderia ter previsto o que aconteceu depois. YZee!e se"urava o !arol
na horiEontal& mas este apenas iluminava o teto. Bvidentemente a !ita descia num <n"ulo
cada veE mais pronunciado. Oalli"an !oi dominado pelo p<nico. /ome0ou a "ritar:
— #ocorroN Bstamos caindoN
Ti!! a"achou4se em cima da !ita e procurou a"arr34la com as m1os& para encontrar
um apoio. ?as antes que conse"uisse !aEê4lo a !ita passou a deslocar4se na vertical& mas a
queda que Oalli"an tanto temia trans!ormou4se num suave desliEar. A estranha sensa01o
de tra01o provocada pelo campo de "ravita01o arti!icial era incon!undAvel. YZee!e lo"o
recuperou o autocontrole e iluminou o po0o pelo qual estavam descendo.
Bra um elevador anti"ravitacional.
Fepois de al"um tempo& Ti!! mandou que YZee!e desli"asse o !arol. Guando os
olhos se acostumaram $ escurid1o& Ti!! viu uma luE que )rilhava mais em)ai*o. @1o
en*er"ou os contornos nAtidos da !onte luminosa& mas apenas uma va"a luminosidade.
Fesceram durante duas horas e& pelos c3lculos de Ti!!& deviam ter vencido uma
di!eren0a de altitude de oito a deE quil+metros.
po0o terminou no lu"ar e*ato em que Ti!! vira a luminosidade. A a)ertura& que
dei*ava entrar a luE& era um port1o em semicArculo de cerca de três metros de altura& e a
luE provinha da lumin3ria colocada no alto da imensa a)ó)ada de pedra.
A a)ó)ada era circular e pelos c3lculos de Ti!! devia ter uns trinta quil+metros de
di<metro.
solo estava co)erto de capim. A "i"antesca l<mpada colocada no Eênite imitava&
ao que parecia de !orma per!eita& as radia0Ses do sol Thatrel& em torno do qual "ravitava
o planeta Oonur. A 3rea co)erta de "rama era dividida por cercas em lotes quase ou
per!eitamente quadrados de vinte metros de lado. s lotes !ormavam lon"as !ileiras& e
entre duas dessas !ileiras sempre havia um caminho livre cuDa lar"ura n1o era superior a
um metro e meio.
Atr3s das cercas& os nonus !aEiam sua al"aEarra. Bm cada lote& havia trinta desses
animais. Pedras e peda0os de "alhos estavam espalhados pelas cercas& para que pudessem
construir seus ninhos. Ao que tudo indicava& sentiam4se muito )em nesse mundo arti!icial
su)terr<neo. #eus )al)ucios& chiados e asso)ios enchiam a imensa a)ó)ada com um
)arulho in!ernal.
@1o havia dKvida de que o !edor que passava pelos !iltros dos capacetes de Ti!! e
seus companheiros tam)5m provinha desses animais.
Oavia mais uma coisa que chamava a aten01o. Pelos caminhos que se a)riam entre
as !ileiras de lotes& honos es)eltos passeavam or"ulhosamente em suas roupas coloridas.
Por um )om tempo& Ti!! e os dois sar"entos !icaram duros de espanto. Oalli"an !oi o
primeiro a recuperar a !ala.
— s impulsos so)repostosN — disse com um "emido. — Gue idiotas !omosN
Ti!! virou a ca)e0a.
— que houveM
Oalli"an e*plicou.
— Pouco antes de sermos derru)ados& as telas oscilo"r3!icas das nossas sondas de
radar re"istraram dois impulsos so)repostos — disse. — Parecia que o aparelho estava
de!eituoso& ou que o planeta Oonur tivesse um solo duplo. Pois veDam& realmente tem um
solo duplo.
Ti!! n1o respondeuU parecia pensativo. /onhecia o equipamento t5cnico das naves
de reconhecimento de "rande alcance do tipo LaEela. #a)ia que& al5m dos re"istradores&
possuAam tam)5m transmissores autom3ticos& atrav5s dos quais as in!orma0Ses colhidas
eram decodi!icadas ininterruptamente na nave capitania Titan.
Perr' (hodan estava a par das medi0Ses realiEadas pelas sondas de radar das
LaEelas. #a)ia que as três re"istraram simultaneamente o mesmo re!le*o& e por isso& ao
contr3rio de Fee e Oalli"an& nunca acreditaria que se tratasse de um de!eito dos
aparelhos.
Ti!! resolveu eliminar o relatório so)re a a)ó)ada su)terr<nea da lista das coisas
so)re as quais (hodan devia ser in!ormado pouco antes do momento \. Bste momento
era aquele em que seria des!echado o ataque. (hodan D3 sa)ia de que !orma o inimi"o
instalara sua )ase em Oonur.
Ti!! recordou a palestra mantida com @athan& o hono& no acampamento montado
Dunto ao re"ato.
— Bntre os puri!icados corre uma lenda se"undo a qual os deuses vivem em)ai*o
da super!Acie...
@athan sa)ia. A alus1o $ lenda serviria para en"anar seu interlocutor. Por que !alara
so)re issoM Tinha tanta certeEa de que nin"u5m escaparia ao ataque que os mosquitos
desencadeariam no interior do valeM Acreditaria que nin"u5m poderia !aEer uso dessa
in!orma01oM
YZee!e arrastou Ti!! de volta $ realidade.
— FevAamos a"arrar um desses honos e interro"34lo — su"eriu. — TalveE sai)a
al"uma coisa. Ali3s& como ser3 que veio parar aquiM
Hm dos honos& que caminhava entre os lotes en!ileirados& apro*imara4se at5 che"ar
a deE metros do port1o que se a)ria em semicArculo. J3 vira os três vultos empapu0ados&
mas estes só despertaram seu interesse por um )reve momento.
Ti!! lem)rou4se. Bra assim que os honos se tinham comportado por ocasi1o do
primeiro pouso da Titan. Bstes pareciam ser "enuAnos& ao contr3rio de @athan e seus
companheiros.
— :enham comi"oN — ordenou Ti!!.
hono aca)ara de atin"ir o !im do seu caminho e voltava4se tranqWilamente para
percorrer o mesmo traDeto. /om al"uns passos& Ti!! e seus companheiros colocaram4se ao
seu lado. Ti!! re"ulou o alto4!alante e*terno para o volume m3*imo.
— Hm instante& por !avor — disse& "ritando atr3s do hono.
hono parou e virou4se. %an0ou um olhar de t5dio para os desconhecidos.
— que est3 !aEendoM — per"untou Ti!!.
/om um "esto& apontou tranqWilamente para os lados.
— Bstou cuidando dos nonus& para que nada lhes aconte0a.
— #1o seusM
— @1o& pertencem aos deuses.
— que 5 que os deuses !aEem com elesM
Bsta per"unta provocou o primeiro sinal de uma rea01o nervosa no hono.
— /omo pode !aEer uma per"unta dessasM Acha que os deuses lhe devem prestar
contas do que !aEemM
Ti!! contemporiEou.
— P claro que n1o. nde 5 que se pode encontrar os deusesM
hono& entediado& !eE um "esto de quem n1o sa)ia.
— Guem sou eu& para esperar que os deuses contassem Dustamente a mim onde
vivemM — per"untou.
— J3 viu al"um dos deusesM — prosse"uiu Ti!! no seu interro"atório.
hono con!irmou com um "esto das m1os.
— J3 vi dois. Roram muito "entis.
— Guando !oi issoM
— @1o sei.
Ti!! re!letiu so)re as per"untas que ainda poderia !ormular.
#u)itamente um novo ruAdo !eE4se ouvir entre os "ritos de ale"ria dos nonus. Bra um
Eum)ido a"udo e monótono& misturado com um ru"ido a)a!ado. Oalli"an "irou so)re os
calcanhares para identi!icar a ori"em do ruAdo. #ua voE atropelou4se de susto quando
e*clamou:
— lhemN Bst1o che"andoN
Ti!! virou4se a)ruptamente. Hm cacho reluEente Eum)ia e se contorcia& ocupando
todo o espa0o que ia da parte superior do semicArculo at5 o solo. Parecia um "i"antesco
en*ame de a)elhas.
Pelos c3lculos de Ti!!& deviam ser cerca de cinco mil mosquitos ro)otiEados que se
comportavam tal qual seus equivalentes or"<nicos. B& ao que tudo indicava& a"uardavam
o comando positr+nico para lan0ar4se ao ataque.
— /uidadoN — !un"ou Ti!!. — Preparem as armas. A coisa est3 !icando s5ria.
Romos desco)ertos.
?al aca)ara de pro!erir estas palavras quando a nuvem se desmanchou. ]um)indo e
)rilhando como pequenos proDetis met3licos& os mosquitos mec<nicos saAram voando em
todas as dire0Ses.
Ti!! mandou que Oalli"an re"ulasse o desinte"rador para um raio em <n"ulo )em
a)erto e procedeu da mesma !orma. /olocaram4se om)ro a om)ro& de tal !orma que os
canos de suas armas !ormavam uma estrela re"ular de três pontas. ?etade do <n"ulo
peri"oso estava co)erta pelos dois desinte"radores. s mosquitos ro)otiEados que
penetrassem nessa 3rea estariam perdidos.
5
Perr' (hodan reconheceu que poucas veEes conhecera horas t1o desa"rad3veis
como estas. /ontinuava a con!iar naquilo em que acreditava& isto 5& que o tenente Ti!!lor
e dois outros homens conse"uiram escapar $ eu!oria "eral e se"uiam a pista do inimi"o.
?as a !alta de notAcias des"astava seus nervos.
As horas se passavam& en!ileirando4se em dias.
@1o rece)eu nenhuma notAcia de Ti!!lor.
(hodan come0ou a contar com a possi)ilidade de que Ti!! e seus companheiros
houvessem caAdo nas m1os do inimi"o. @estas condi0Ses& a Titan teria de intervir. Bra
)em verdade que nin"u5m tinha a menor id5ia de onde deveria intervir& ou contra quem.
Acontece que& por raESes de ordem t3tica& (hodan via4se !or0ado a !icar com as costas
livres enquanto desenvolvia sua a01o no cArculo mais estreito do setor espacial su)metido
ao 9mp5rio Arc+nidaU por isso& !alta de in!orma0Ses provavelmente si"ni!icava que pouca
coisa so)raria de Oonur.
/om certa amar"ura& (hodan deu4se conta de que estava prestes a incorporar $ sua
mente uma lei de "uerra& anti"a e desumana& se"uida pelos saltadores: se você n1o
conse"uir localiEar a )ase que o inimi"o tiver instalado num certo mundo& destrua todo
esse mundo.
@1o poderia dei*ar de a"ir dessa !orma& a n1o ser que quisesse p+r em peri"o ê*ito
de sua miss1o e& portanto& a própria Terra.
?as ainda hesitava& alimentando4se com o restinho de esperan0a que ainda mantinha
na miss1o do "rupo de Ti!!lor.
V V V
Ti!! levou apenas al"uns se"undos para perce)er que n1o conse"uiriam manter4se
por muito tempo naquela 3rea desprote"ida. s mosquitos ro)otiEados n1o se
incomodaram com as cercas. Pareciam ter e*celentes ór"1os de localiEa01o& pois
passavam entre as !restas como se estivessem voando num espa0o a)erto.
s desinte"radores os consumiam $s deEenas e centenas. @uvens de poeira met3lica
atravessavam o ar.
YZee!e disparava ao acaso& para cima& para )ai*o e para a !rente. A deE metros
dele& o ch1o come0ara a !erver.
Roi Dustamente o calor espalhado por YZee!e que proporcionou aos três homens
uma pausa para respirar. /om um li"eiro olhar& Ti!! perce)eu que os mosquitos n1o
conse"uiam compensar os e!eitos do calor com a necess3ria rapideE. As va"as de ar
quente atiravam4nos para o alto& !aEendo com que passassem al"uns metros acima das
ca)e0as das vAtimas em perspectivas. Ti!! deu as instru0Ses. — :amos recuar at5 a
parede mais pró*ima& rapaEes — "ritou. — Precisamos !icar com as costas prote"idas.
YZee!e& dispare apenas contra o ch1o.
YZee!e n1o sa)ia o que estava havendo& mas cumpriu a ordem que aca)ara de
rece)er. Qai*ou o cano da arma e descreveu cArculos incandescentes em torno dos pontos
em que se encontrava. s mosquitos& que se tinham apro*imado a menos de metro e
meio& desapareceram instantaneamente. Passando a uns cinco metros acima das ca)e0as
que pretendiam atacar& n1o poderiam causar nenhum preDuAEo.
— /orramN — "ritou Ti!!. — :amos at5 a parede.
Oalli"an !oi o primeiro que saiu correndo. Ti!! se"uiu4o& enquanto YZee!e co)ria a
retirada& disparando incessantemente. Gueimava o capim e trans!ormava peda0o por
peda0o do solo em massas de lavas incandescentes.
s mosquitos estavam desorientados. Ao que parecia& a dire01o positr+nica ainda
n1o compreendera o que estava acontecendo.
Ti!! sentiu4se mais tranqWilo quando suas costas tocaram a parede lisa da a)ó)ada de
rocha. Oalli"an& que se encontrava a seu lado& com as pernas )em a!astadas& derru)ava os
mosquitos tan"idos para o alto quando se colocassem ao alcance do raio de
desinte"ra01o.
Ti!! come0ou a acreditar que a de!esa por meio do ar aquecido& criada por YZee!e&
lhes daria uma chance real de superar o ataque. J3 deviam ter destruAdo ao menos dois mil
dos cinco mil mosquitos que& se"undo seus c3lculos& participaram do inAcio do ataque.
?as no momento em que YZee!e atin"iu a parede protetora& o dispositivo
positr+nico pareceu compreender por que os mosquitos sempre passavam lon"e do alvo.
Ti!! viu uma nuvem apro*imar4seU descrevia uma traDetória quase vertical& que em
condi0Ses normais eliminaria todo e qualquer risco que a mesma poderia representar.
?as o ar aquecido reti!icou o rumo& !aEendo com que se deslocassem na dire01o e*ata do
alvo. @o Kltimo instante& Oalli"an )ai*ou o cano do desinte"rador e conse"uiu recha0ar o
peri"o.
— YZee!e& aponte para cimaN — ordenou Ti!!.
en*ame que se se"uiu& re"ulado por via positr+nica para o novo rumo& disparou
para o solo a uns cinco metros da parede. Aca)ou !icando preso pelos !errSes& D3 que&
com a mudan0a de pontaria realiEada por YZee!e& o !lu*o de ar aquecido se tornara
menos intenso.
?as do terceiro ataque em diante o c5re)ro positr+nico n1o se dei*ou en"anar.
?andou que os mosquitos descessem quase na vertical e reti!icava o rumo por sua
própria iniciativa sempre que !altasse o ar aquecido. Ti!! ouviu os seres met3licos
)aterem ruidosamente na parede& depois de terem vencido a )arreira criada pelas armas
t5rmicas e desinte"radoras. #entiu uma !orte pancada na perna. ?as& por enquanto& n1o
teve a sensa01o de que a vida se tornara mais encantadora.
Bscapara )emU YZee!e e Oalli"an continuavam a disparar o)stinadamente. Por5m
Ti!! sa)ia que seria apenas uma quest1o de se"undos& e& um atr3s do outro& os mosquitos
atin"iriam o alvo.
@o intervalo entre os dois ataques& YZee!e deslocou4se para o lado& a !im de
conse"uir um <n"ulo de tiro mais !avor3vel para sua arma t5rmica. @um "esto instintivo&
Ti!! olhou para o lado.
?ais tarde& nin"u5m sa)eria diEer o que aconteceu. TalveE YZee!e teria tocado
num contacto oculto& ou ent1o a porta se a)ria automaticamente sempre que al"u5m se
apro*imava dele. certo 5 que& de sK)ito& sur"iu atr3s de YZee!e uma a)ertura& n1o
perce)ida pelo próprio sar"ento.
Ti!! chamou a aten01o de YZee!e. Bste virou4se li"eiro e desco)riu a a)ertura.
#oltou um "rito de DK)ilo que superava at5 mesmo o )arulho provocado pelos nonus
apavorados.
Ti!! deu uma pancadinha em Oalli"an.
— Fê o !ora.
Apenas tiveram que dar al"uns saltos. comando positr+nico estava adaptado ao ar
quente. ?as levou al"uns se"undos para a)sorver o dado novo& isto 5& a !u"a das vAtimas.
Atin"iram a a)ertura. YZee!e !oi o primeiro a desaparecer nela. Oalli"an correu
atr3s dele& e Ti!! !ormou a reta"uarda. A porta lo"o se !echou atr3s deles. Por enquanto
estavam livres da preocupa01o com os mosquitos ro)otiEados.
A porta !ormava o inAcio de um lon"o corredor )em iluminado& que penetrava
o)liquamente na rocha.
Ti!! hesitou. Teria che"ado a hora de transmitir a (hodan o sinal de ataqueM J3
conheciam os se"redos da )ase su)terr<nea o )astante para que os tripulantes da Titan
n1o corressem qualquer riscoM
A resposta !oi um n1o. Al5m disso& Ti!! deu4se conta de que o dispositivo
positr+nico n1o re"istrara o salto que os pusera a salvo. 9sso queria diEer que n1o
dispunha de uma in!orma01o se"ura so)re a posi01o em que as vAtimas se encontravam
naquele instante. B essa vanta"em seria eliminada se e*pedisse uma mensa"em cuDo
ponto de ori"em seria !acilmente detect3vel por meio de um "oni+metro.
Tomou sua decis1o:
— :amos adianteN
P+s4se a se"uir os sar"entos corredor a!ora.
Pelos seus c3lculos& a passa"em devia ter cerca de dois quil+metros e meio.
Terminava numa sala de teto )ai*o& que estava completamente vaEia e n1o apresentava o
menor indAcio de !inalidade que poderia preencher.
Oaviam percorrido um total de quase quarenta quil+metros em sentido vertical e
horiEontal. Oaviam visto a a)ó)ada de pedra. 9sso )astava para convencê4los de que so) o
solo de Oonur o inimi"o n1o instalara uma simples )ase& mas um verdadeiro mundo
arti!icial.
@as Kltimas horas& o respeito de Ti!! pela ha)ilidade t5cnica do inimi"o crescera
consideravelmente.
@1o perdeu tempo. /om Oalli"an e YZee!e& p+s4se a apalpar as paredes do recinto
retan"ular. A predile01o do inimi"o pelas portas colocadas em lu"ares nos quais
conse"uisse vê4las D3 n1o era se"redo.
Fe inAcio& parecia totalmente indi!erente que o lu"ar da saAda !icasse deste ou
daquele lado do recinto. ?as de repente& Oalli"an& que se incum)ira do e*ame da parede
do lado esquerdo& estacou e e*clamou com a voE a)a!ada:
— Bstou ouvindo al"uma coisa.
Ti!! correu para seu lado. Teve de concentrar4se para perce)er o que Oalli"an
aca)ara de ouvir. ?as n1o poderia ne"ar que um ruAdo atravessava a parede. Propa"ava4
se pelas rochas e paredes maci0as& aca)ando por transmitir4se ao ar rare!eito encerrado
entre as paredes daquele recinto. s micro!ones e*ternos captaram um d5)il vestA"io
desse ruAdo& que de qualquer maneira n1o permitiria a menor dKvida so)re sua e*istência.
ruAdo consistia num Eum)ido monótono que ocupava v3rios pontos da escala do
som.
Bm al"um lu"ar& al5m dessa parede& !uncionava uma potente aparelha"em. #eriam
as instala0Ses que !orneciam o suprimento de ar do su)terr<neo& os "eradores de ener"ia
ou o c5re)ro positr+nicoM
— @este canto deve haver uma porta — disse Ti!! com a voE tensa. — Tem que
haver.
@1o era uma a!irmativa ló"icaU mas& por estranho que !osse& era verdadeira.
/aminharam v3rias veEes Dunto $ parede& e mais uma veE !oi YZee!e quem desco)riu a
posi01o real. Fe repente& um peda0o da parede desliEou para o lado& mostrando um
corredor estreito que penetrava o)liquamente na rocha.
@o momento em que a porta se a)riu& o Eum)ido tornou4se mais !orte. YZee!e
hesitou e& sem diEer uma palavra& !eE um "esto em dire01o ao corredor. Ti!! con!irmou
com um aceno de ca)e0a.
— :amos andandoN
/aminharam pela porta& e esta !echou4se automaticamente atr3s deles& con!orme
acontecia "eralmente com as portas desse mundo su)terr<neo. Aquele corredor parecia
ser muito mais curto que os outros. ?ais $ !rente& uma pro!us1o de luE o!uscava os olhos.
Parecia vir de um enorme sal1o& cuDos contornos n1o conse"uiram reconhecer.
Ti!! avan0ou apressadamente. Tinha certeEa de que& no momento em que
conse"uissem p+r os olhos naquele recinto& teriam solucionado parte do mist5rio
su)terr<neo.
@1o conservou uma lem)ran0a nAtida do que viria depois. A memória dos dois
sar"entos apresentou a mesma !alha. Ti!! ainda che"ou a ver que as paredes do corredor
recuavam& a)rindo4se num recinto circular de "rande di<metro. :iu que o recinto estava
atulhado com uma s5rie de aparelhos& cuDa !inalidade lhe era desconhecida. que mais
lhe chamava a aten01o era uma !ileira de espelhos c+ncavos& que re!letiam um )rilho
insuport3vel.
#aiu de veE do corredor& e !oi atin"ido por um "olpe terrAvel& vindo n1o se sa)e de
onde& que o dei*ou inconsciente.
V V V
Perr' (hodan sa)ia que cada se"undo que perdesse aumentaria o peri"o.
/olocou a Titan em estado de ri"orosa prontid1o e em palavras r3pidas in!ormou os
o!iciais so)re as providências que teriam de tomar.
— @aturalmente procuraremos localiEar a )ase do inimi"o& para poupar o resto do
planeta — concluiu. — ?as nossas chances s1o )astante reduEidas. Ra0o quest1o de
!risar que& se isso n1o acontecer& seremos o)ri"ados a destruir todo o planeta de Oonur. P
que nos encontramos diante de uma alternativa: a Terra ou Oonur. Acho que nenhum dos
senhores hesitar3 em responder.
A Titan tinha uma tripula01o atual de cerca de oitocentos homens. (hodan mandou
que quinhentos deles participassem da a01o de "rande enver"adura que havia sido
planeDada. s que !icaram para tr3s estariam em condi0Ses de "uarnecer a artilharia da
nave se houvesse um ataque.
A Lan'med& que continuava a descrever uma ór)ita em torno de Oonur& !oi
colocada em estado de prontid1o simples. coronel Rre't !oi avisado que a qualquer
momento se tornaria necess3rio o pouso de sua nave.
s preparativos para o "rande "olpe a ser des!erido contra o inimi"o !oram
e*ecutados a toda pressa. (hodan D3 mandara !aEer com antecedência as coisas mais
importantes& em)ora nin"u5m sou)esse para que poderiam servir.
Tudo se passou r3pido. Guando o o!icial de r3dio da Titan captou em seu receptor
eletroma"n5tico uma s5rie de sons e sinais que n1o !aEiam o menor sentido& (hodan D3
estava prestes a sair com seu "rupo de com)ate de quinhentos homens.
Perr' !oi avisado& e adiou a saAda do "rupo. Por enquanto nin"u5m sa)ia o que !aEer
com aquela mensa"em: mas (hodan n1o desistiu.
ReE )em. s sons mal articulados coordenaram4se em palavras. (hodan n1o
reconheceu a voE& mas tinha certeEa de que n1o era de Ti!!lor. Ralava em in"lês& e esse
!ato eliminou quase todas as dKvidas de (hodan.
— %%% o vale%%% entrada da encosta nordeste%%% instalaç&es subterr'neas%%% cuidado
com os mosuitos robotizados%%% cinco cent(metros de comprimento, mais ou menos do
)ormato de uma lib!lula%%% são os portadores da argonina%%% preparar redes de malha
estreita%%%
Após essas palavras as !or0as do interlocutor pareciam es"otadas. Por al"um tempo
ouviu4se apenas o chiado do receptor.
A mesma voE voltou a !alar e repetiu o que D3 disse. (hodan perce)eu que n1o
o)teria in!orma0Ses e transmitiu as instru0Ses necess3rias $ equipe t5cnica.
%evar redesU at5 ent1o nin"u5m se lem)rara disso.
V V V
Ti!! acordou ao som monótono de uma voE que !alava com ele.
Ralava mesmoM
Procurou identi!icar a voE na penum)ra da semi4inconsciência. @1o a identi!icou&
mas compreendeu as palavras.
A)riu os olhos e viu4se envolto pela penum)ra. Procurou mover a ca)e0a e olhar em
torno& mas esta permanecia imóvel. Bs!or0ou4se para levantar o )ra0o ou deslocar a perna
para o lado& mas n1o conse"uiu.
Bstava preso. Preso por um processo de paralisia de seu c5re)ro.
Apesar de tudo& compreendeu a voE:
— ...ent1o vocês pensavam que poderiam desa!iar os deuses. #a)em per!eitamente
que diante dos deuses poderosos n1o passam de vermes miser3veis. Bles se"uiram seu
caminho e aprisionaram vocês no momento que Dul"aram adequado. :ocês !icar1o aqui
mesmo. Passar1o o resto da vida servindo aos deuses.
A voE calou4se. I medida que recuperava a consciência& Ti!! deu4se conta de que na
verdade n1o ouvira nenhuma voE& mas captara uma mensa"em telep3tica.
Roi por isso que n1o conse"uiu identi!icar a lAn"ua. A mensa"em n1o era !ormada
por palavras& mas por impulsos mentais que n1o estavam suDeitos $s limita0Ses da
lin"ua"em !alada.
Ti!! procurou recordar. Oavia aquele corredor curto e o)lAquo& o recinto cheio de
aparelhos& a s5rie de espelhos c+ncavos e a terrAvel pancada.
Ti!! lem)rou4se que !ora atin"ido por uma pancada semelhante& mas menos violenta&
quando naquela noite se"uira os nonos no interior do vale& alcan0ando4os pouco antes do
pared1o.
que seriaM Hma arma paralisanteM
@1o seria de estranhar que um inimi"o capaE de produEir um veneno potente como a
ar"onina estivesse em condi0Ses de produEir armas que atin"issem os nervos.
“*ntão ! este o motivo da paralisia” constatou Ti!!. “A +nica coisa ue consigo
mover são as p,lpebras.”
B*aminou o recinto em que se encontrava& ou melhor& o setor que podia a)ran"er
com a vista na posi01o em que se achava. @1o era muita coisa. Fe qualquer maneira& Ti!!
perce)eu que se encontrava num cu)Aculo de teto )ai*o. @1o podia ver se o cu)Aculo
continuava atr3s dele. Ti!! viu outra coisa que o assustou )astante. Bram três espelhos
c+ncavos muito )rilhantes& pendurados no lu"ar em que a parede se encontrava com o
teto& )em diante dele. A inclina01o do espelho estava re"ulada de tal !orma que um deles
proDetava seus re!le*os diretamente no rosto de Ti!!.
Ti!! demorou al"um tempo para compreender o que isso si"ni!icava. choque
instant<neo produEido pelas radia0Ses re!letidas pelos espelhos c+ncavos reunidos no
"rande recinto n1o era su!iciente. Para controlar seus prisioneiros& os deuses teriam que
su)meter os nervos dos cativos a uma in!luência ininterrupta.
“-asta arrebentar auele espelho”& pensou Ti!!& “e tudo estar, em ordem.”
Acontece que n1o conse"uia sequer mover a ca)e0a& quanto menos levantar4se para
trans!ormar seu pensamento em realidade.
“Tr.s espelhos”& pensou Ti!!& “isso uer dizer...”
ReE mais um es!or0o para mover a ca)e0a& mas ainda desta veE n1o o conse"uiu.
Oalli"an e YZee!e deviam estar por ali& pois de outra !orma n1o se poderia e*plicar
a presen0a dos três espelhos. u ser3 que havia outros recintos como este& e os deuses
haviam colocado os prisioneiros em cu)Aculos distintosM
Ti!! !icou que)rando a ca)e0a& e aca)ou dando uma resposta muito estranha $
per"unta. receptor do capacete emitiu um ruAdo que parecia o de uma serra. Bsse ruAdo
!oi se"uido por um asso)io a"udo& e !inalmente ouviu al"uma coisa que parecia um
“b!”...
Rinalmente al"u5m disse& deva"ar e desaDeitadamente:
— Te... tenente...
Ti!! quis responder& mas a lAn"ua& o quei*o e as cordas vocais se"uiram o e*emplo
dos outros mKsculos: n1o o)edeceram. /ontinuou mudo.
— Te..te..nente... — voltou a soar a voE& um pouco mais !luente.
Bra a voE de YZee!eU n1o havia a menor dKvida.
@1o sa)ia como& mas YZee!e parecia conhecer a situa01o em que Ti!! se
encontrava. Fisse o se"uinte:
— Te... tenente... sei o que est3 sentindo. Bs... estou um pouquinho melhor. @o
Kltimo instante conse"ui atirar contra esses malditos espelhos... @1o so!ri um choque t1o
pesado. Ainda consi"o me*er4me.
“*sse /01ee)e ! )ormid,vel”& pensou Ti!!. “2e consegue mexer3se, por ue não se
levanta e uebra os espelhos$”
A !ala de YZee!e tornou4se mais !luente.
— Bsses malditos deuses nos prenderam aqui. As armas& o transmissor& tudo est3 ali.
Acham que n1o somos capaEes de mais nadaU acreditam que estamos paralisados. Posso
ver seu rosto. Guer que arre)ente esse espelho a tiroM #e quiser& !eche os olhos duas
veEes. u ser3 que n1o conse"ue me*er as p3lpe)rasM
“/01ee)e, seu cara de cachorro”& pensou Ti!! entusiasmado. Rechou os olhos duas
veEes.
— Bst3 )em — suspirou YZee!e. — /ompreendi.
Ti!! ouviu v3rios ruAdos. Acreditou que ouvia YZee!e virar4se de lado e estender
lentamente o )ra0o para al"uma coisa que se encontrava )em lon"e. Lemia sem parar e
resmun"ou palavras Ean"adas. Rinalmente disse:
— Ai...oh... D3 conse"ui. Faqui a pouco... Hm instante.
Qem no canto direito do campo de vis1o muito restrito de Ti!! sur"iu a parte anterior
do cano de um radiador de impulsos t5rmicos. Ti!! cerrou os olhos. YZee!e voltou a
"emer& como se o movimento de apertar o "atilho e*i"isse um tremendo es!or0o.
Rinalmente disparou.
@um instante& uma luminosidade o!uscante devorou os três espelhos. metal
lique!eito e !ume"ante pin"ou do teto e espalhou4se pelo soalho.
aparelho de condicionamento de ar do traDe de Ti!! li"ou4se com um clic. Ti!!
sentiu4se aliviado de uma press1o inde!inAvel& a partir do momento em que os espelhos
desapareceram. ?as quando procurou mover o corpo& ainda n1o o conse"uiu.
YZee!e D3 conhecia esse tipo de preocupa01o.
— @1o acredite que de uma hora para outra tudo estar3 em ordem. :ai levar al"um
tempo.
Ble mesmo teve a id5ia de que a primeira providência que deveriam tomar seria
avisar a Titan. Ti!! sentiu4se !eliE quando perce)eu que& "emendo e se lamentando&
YZee!e se arrastou em dire01o ao transmissor e emitiu a mensa"em quase mal articulada
que (hodan rece)eu no Kltimo instante.
Após isso& YZee!e voltou e& con!orme in!ormou& deitou na cova para a qual
estavam diri"idos os re!le*os de um dos espelhos.
Ti!! sa)ia o que aconteceria em se"uida. Por isso !eE o que estava ao seu alcance
para que os nervos recuperassem a capacidade de a01o.
Por al"uns minutos& concentrou todas as ener"ias mentais no movimento do )ra0o
direito. #u)itamente& num es!or0o e*plosivo& !eE toda essa ener"ia !luir so) a !orma de
comando:
Fo)rar o )ra0o direito.
)ra0o moveu4se. @1o e*ecutou o movimento deseDado por Ti!!& mas moveu4se.
Ti!! n1o esmoreceu. Fentro de mais al"um tempo& conse"uiu mover o )ra0o direito
pela !orma que deseDava. /om o )ra0o esquerdo& o resultado !oi mais r3pido. Após isso
treinou as pernas& e por !im a )oca& lAn"ua e as cordas vocais.
Hma hora e meia depois de ter acordado& conse"uiu pro!erir a primeira palavra. Roi
a se"uinte:
— Qravos...N
Bsta palavra !ora diri"ida a YZee!e.
%evantou4se. s movimentos causavam4lhe doresU se as cordas vocais estivessem
em melhores condi0Ses& teria "ritado. Passando Dunto ao corpo imóvel de Oalli"an&
diri"iu4se ao lu"ar em que os deuses haviam "uardado as armas de seus prisioneiros.
Feviam estar convencidos de que estes nunca mais poderiam us34las. Pe"ou o
desinte"rador.
es!or0o !oi tanto que teve de sentar4se assim que se"urou a arma.
Ricou admirado ao notar que os deuses n1o se moviam. Feviam ter notado que três
dos espelhos c+ncavos haviam sido destruAdos. Por que n1o tomavam nenhuma
providência para voltar a su)meter os prisioneiros $ in!luênciaM
TalveE parte da resposta consistisse no !ato de que o inimi"o conhecia os
prolon"ados e!eitos pós4choque& motivo por que n1o teria pressa.
?as a outra e*plica01o Ti!! n1o conhecia. @aquele momento& os deuses estavam
que)rando a ca)e0a com outro intruso& que lhes causava uma preocupa01o muito maior
que aqueles três prisioneiros. Perr' avan0ava resolutamente em dire01o $ )ase& estando
muito )em equipado.
Bra o che!e da Terceira Potência com seu contin"ente de quinhentos homens.
V V V
%evaram uma hora e meia para arranDar as redes.
(hodan "astou outras duas horas para che"ar ao vale nos seus /<m)ios.
tra)alho de remover os homens into*icados de ar"onina e encaminh34los $ Titan
consumiu mais trinta minutos.
%evaram apenas deE minutos para encontrar a entrada oculta que dava para a )ase
su)terr<nea. (hodan mandou raspar a rocha com raios de desinte"radores. que so)rou
!oi um pared1o situado vinte metros atr3s do primeiro e a a)ertura ne"ra do corredor que
penetrava o)liquamente na rocha.
Roi naquele momento que os mosquitos lan0aram seu primeiro ataque. @o entanto&
!icaram presos nas redes de malha estreita penduradas nos capacetes& lon"e dos corpos
dos homens. /onsumiram toda a ener"ia e tom)aram& imóveis. Ricaram caAdos at5 que o
c5re)ro positr+nico lhes !orneceu novo suprimento de ener"ia.
Guando isso aconteceu& o contin"ente de quinhentos homens comandado por
(hodan D3 havia penetrado na "aleria.
V V V
Oalli"an n1o se teria levantado t1o depressa& se a Eom)aria de YZee!e n1o o
a)orrecesse tanto. YZee!e disse:
— Faqui a cinco dias& você ainda estar3 Do"ado no ch1o& seu pato...
%evantou4se com uma rapideE de que nin"u5m o Dul"aria capaE& p+s4se de p5 e
cam)aleou com os punhos levantados em dire01o a YZee!e. ?as& antes de che"ar ao
o)Detivo& as !or0as ativadas com tamanha violência o a)andonaram. /aiu de Doelhos de
!orma muito pouco ele"ante $ !rente de YZee!e.
— Bst3 vendoM — disse YZee!e com uma risada. — P assim que eu "osto.
Ti!! n1o conse"uiu reprimir o riso. Bnquanto ria& descuidou4se por um instante& e
isso Dustamente num momento em que n1o poderia contar com YZee!e& que se divertia
com Oalli"an. Roi assim que o peda0o de parede D3 havia dei*ado livre uma a)ertura de
um metro antes que Ti!! notasse qualquer coisa.
#ó conse"uiu emitir um "rito mal articulado quando viu que a coisa met3lica
caminhava na dire01o delesU mas para YZee!e )astou.
Ti!! dei*ou4se cair para tr3s& )ateu pesadamente no solo e só com "rande es!or0o
conse"uiu levantar o desinte"rador. YZee!e saltou para o lado& para n1o e*por Oalli"an
a qualquer risco& e com essa mano)ra irritou o enorme ro)+& que D3 er"uera o )ra0o
armado. Fe Doelhos& disparou de )ai*o para cima.
@1o poderia errar o alvo. Antes que o ro)+ tivesse tempo de aDustar o )ra0o $ nova
posi01o& !oi atin"ido pelo !ei*e de raios da arma de impulsos t5rmicos& que o estra0alhou&
espalhando pe0as met3licas incandescentes e !ume"antes para todos os lados.
/omo um homem muito )em treinado na luta corpo a corpo& YZee!e saltou para a
!rente e a"achou4se Dunto $ porta. Bra espantoso ver o desempenho de que seus mKsculos
D3 eram capaEes.
Bstimulado pela atividade de YZee!e& Oalli"an voltou a levantar4se& pe"ou sua
arma e rasteDou em dire01o $ porta. YZee!e& que o viu che"ar& resmun"ou:
— @1o !oi isto que eu quis diEer& meu chapa. Feite e descanse mais um pouco.
#a)erei en!rentar isto soEinho.
— Acho que era isso mesmo que você queria — resmun"ou Oalli"an como quem
tem duas "randes )atatas na m1o.
YZee!e deu de om)ros e cautelosamente p+s a ca)e0a para !ora da porta.
— O3 um corredor — in!ormou. — ?ede deE metros para cada lado. Bst3 !echado
de am)os os lados. @1o h3 mais nenhum ro)+.
— Fe onde veio este ro)+M — per"untou Ti!!.
YZee!e e*aminou os restos da m3quina de "uerra.
— Acredito que tenha vindo da direita.
— Pois )em — "emeu Ti!!. — :amos para a direita. Ao que parece& a )rincadeira
com os mosquitos aca)ou. s deuses pre!erem recorrer a armas mais potentes.
/om e*ce01o de YZee!e& que D3 estava completamente recuperado& !oi uma dupla
cansada que se arrastou pelo corredor.
A parede que !echava o corredor n1o representou um o)st3culo muito di!Acil.
YZee!e deu al"uns passos Dunto a esta. A parede a!astou4se para o lado. quadro que se
o!ereceu !eE com que YZee!e caAsse de Doelhos.
Ti!! desviou4se para o lado o mais r3pido que p+de e Oalli"an dei*ou4se cair contra
a parede.
— Tra)alhe com o desinte"radorN — "ritou YZee!e. — #e eu disparar com o
termo& n1o conse"uiremos mais passar.
recinto& que se a)ria atr3s da porta& era enorme. Hma luE morti0a caAa so)re
!i"uras met3licas cintilantes e imóveis. Bn!ileiradas em devida !orma& pareciam a"uardar
al"uma coisa.
Bram ro)+sN /entenas de ro)+sN
Ti!! n1o hesitou. s ro)+s n1o haviam sido ativados. s deuses ainda n1o sa)iam
que seus prisioneiros se encontravam nesta portaU por enquanto os ro)+s n1o haviam
rece)ido ordem para entrar em a01o.
Oalli"an D3 havia er"uido a arma.
— A)rir o !ei*e e dispararN — "ritou
Ti!!. Hma sK)ita !Kria com)ativa eliminou o resto da dor provocada pelo tratamento
de choque.
/om YZee!e no meio& os três penetraram no enorme recinto. s ro)+s n1o se
moviam. @1o resistiram $ destrui01o.
Pelos c3lculos de Ti!!& deviam ser uns quinhentos ao todo. tempo consumido na
destrui01o do e*5rcito ro)otiEado parecia uma eternidade. @a verdade& n1o levaram mais
de quinEe minutos.
ar tremeluEia com os vapores e poeiras met3licas.
@o momento em que o Kltimo ro)+ se dissolveu so) a a01o do raio esverdeado do
desinte"rador& viram4se diante da parede dos !undos.
— Lra0as a FeusN — suspirou YZee!e do !undo do cora01o. — Pensei que de uma
hora para outra pudessem cair em cima de nós.
A disposi01o com)ativa de Ti!! n1o conhecia descanso. /aminhando Dunto $ parede
dos !undos& desco)riu a porta que !icava na mesma altura daquela pela qual haviam
vindo.
Atr3s dessa& !icava um recinto muito amplo. Bra menor que o pavilh1o dos ro)+s&
mas tam)5m estava iluminado por uma luE morti0a.
Ti!! soltou um "rito de ale"ria.
— Bstamos perto do destino& rapaEes. Bsta 5 a sala de controle.
As caracterAsticas da sala eram incon!undAveis. Bnormes pain5is co)riam as paredes.
Bntre eles& viam4se osciló"ra!os e telas. As centenas de aparelhos e instrumentos emitiam
um Eum)ido ininterrupto.
?as n1o viram nenhum deus.
Ti!! continuou a avan0ar. A porta se"uinte a)riu4se diante dele. :iu4se num
corredor. YZee!e e Oalli"an se"uiram4no.
corredor a)riu4se at5 trans!ormar4se num enorme pavilh1o& em cuDo centro a luE
d5)il dei*ava ima"inar& antes de serem vistos& os contornos cilAndricos de uma nave4
!o"uete.
Ao primeiro relance de olhos& Ti!! perce)eu três vultos de pernas compridas& que
vestiam mantas coloridas. /orriam em dire01o $ nave que& se"undo tudo indicava& estava
pronta para decolar.
— #1o os deusesN — reDu)ilou4se YZee!e. — Bst1o !u"indo.
ADoelhou4se e apontou cuidadosamente seu radiador t5rmico.
— @ós os queremos vivosN — advertiu4o Ti!!.
YZee!e apenas estava aDoelhado. %o"o come0ou a disparar.
Tra0ou uma linha incandescente Dunto aos três !u"itivos. /om isso viram4se
o)ri"ados a correr para a esquerda. Tra0ou uma se"unda linha& $ esquerda do "rupo.
Ricaram con!usos. Hm deles trope0ou e caiu& mas levantou4se muito depressa. s outros
corriam $ sua !rente.
YZee!e aumentou a potência dos disparos. A rocha entrou em incandescência ao
lado dos !u"itivos. Procuraram escapar para outro lado. ?as YZee!e mostrou4se
implac3vel. /ercou4os com um !osso de lava e !o"o.
Ti!! viu4os caArem um atr3s do outro. calor dei*ara4os inconscientes. %an0ou um
olhar descon!iado para a nave4!o"uete e esteve a ponto de correr para os desmaiados.
#u)itamente um !orte ru"ido encheu o pavilh1o. veAculo espacial levantou4se do
ch1o em meio a uma nuvem de pó& permaneceu imóvel por um instante e disparou em
dire01o ao teto. Ti!! viu uma coisa que ainda n1o havia notado. @o teto havia uma "rande
!enda& pela qual entrava uma luE avermelhada. @1o e*istia nenhuma !onte de luE
arti!icial& con!orme Ti!! supusera no inAcio.
/om um ruAdo quase insuport3vel a nave passou pela !enda. Fei*ando para tr3s
apenas um !urac1o que se espalhou em virtude da decola"em e*tremamente r3pida.
)arulho levou )astante tempo para ser amortecido pelas paredes do recinto.
YZee!e !oi4se levantando e !itou os três vultos imóveis.
— Gue pati!eN — disse numa !Kria impotente.
Ti!! compreendeu. s três estiveram deitados dentro do campo de atua01o do
!o"uete. B& qualquer !o"uete do 9mp5rio usava !lu*os de partAculas altamente aceleradas
para decolar.
— Bsses coitados devem ter tanta radiatividade como um peda0o de chum)o que
!icou dois anos dentro de um reator — murmurou YZee!e.
/aminharam para l3U !oram tranqWilamente& pois D3 n1o valia a pena "anhar tempo.
s três deuses pareciam dormir. Recharam os olhos no momento em que desmaiaram. Ao
vê4los assim& nin"u5m descon!iaria de que estavam t1o impre"nados de radiatividade.
YZee!e e Oalli"an colocaram4nos de costas.
Bram os anti"os acompanhantes de @athan: os três honos que haviam mostrado ao
maDor /hane' o caminho da aldeia a)andonada.
Fe repente houve um movimento Dunto $ entrada. Ti!! er"ueu4se a)ruptamente.
— que houveM
— @1o se preocupe — tranqWiliEou4o Oalli"an. — P apenas o che!e.
primeiro "rupo de cinqWenta homens do contin"ente de Perr' (hodan precipitou4
se para o interior do recinto. próprio (hodan ia na !rente.
6
%evaram deE dias para revistar a )ase su)terr<nea. Fepois disso& tiveram certeEa de
que em Oonur D3 n1o havia deuses.
A pequena nave4!o"uete !ora localiEada pela Lan'med. Fepois de e*pedir três
mensa"ens& que n1o produEiram qualquer resultado& !oi derru)ada. Knico tripulante n1o
resistiu $ queda.
Fevia4se supor que !osse @athan.
e*ame revelou que a )ase su)terr<nea servia principalmente para a produ01o de
ar"onina. Bm três enormes a)ó)adas de pedra os nonus eram criados em condi0Ses
arti!iciais& que imitavam nos menores detalhes o am)iente real. capim com que se
alimentavam estava devidamente preparado. Fi"erindo o mesmo& os ursinhos produEiam
o terrAvel veneno.
Oavia instala0Ses nas quais se podia e*trair em poucas horas as so)ras de veneno de
centenas de milhares de nonus& que eram acondicionadas em ampolas. !uncionamento
de tudo aquilo era inteiramente autom3tico. Guatro homens )astavam para vi"iar a )ase.
Bsses quatro homens estavam mortos. @1o revelariam a nin"u5m os motivos pelos
quais !aEiam esse Do"o& $s veEes t1o "rotesco& !eito de con!us1o e !raude.
A Knica coisa que se podia !aEer era !ormular teoria. A teoria de (hodan era a
se"uinte:
— Apesar destas "i"antescas instala0Ses tinham medo de nós. Feviam !aEer o
possAvel para neutraliEar os tripulantes da Titan& passo a passo. Ror0aram três LaEelas ao
pouso e levaram o "rupo dos /<m)ios para o lu"ar em que queriam vê4los e onde os
destruiriam
“Antes disso haviam evacuado os verdadeiros honos. Furante a evacua01o daquela
aldeia& !iEeram quest1o de dei*ar uma pista )astante visAvel& que poderiam apontar aos
nosso homens.
“Bncontramos o veAculo de esteira. P articulado e tem cerca de seis metros de
comprimento. s ha)itantes da aldeia — que s1o uns vinte — mal e mal conse"uem
acomodar4se no veAculo. #e revist3ssemos outras aldeias e mantiv5ssemos os olhos )em
a)ertos& encontrarAamos pistas i"uais a esta. Provavelmente n1o seriam t1o nAtidas.
“Pois )em. s deuses tentam destruir o "rupo do maDor /hane' por meio de um
ataque de mosquitos ro)otiEados. @1o conse"uiram& porque /hane' se cuidou )astante.
Por isso& "uiaram seu "rupo de /<m)ios e aplacaram sua descon!ian0a. %evaram o "rupo
ao vale e lan0aram os mosquitos ao ataque& isso num momento em que /hane' quase
nem acreditava mais na e*istência de inimi"os. !ato de eles mesmos terem escapado
em tempo constitui indAcio de duas coisas:
“Primeiro& eles mesmos tam)5m s1o sensAveis $ ar"oninaU depois& aqui em Oonur
n1o dispSem do antAdoto.
“#e n1o !osse assim& n1o teriam provocado descon!ian0a& !u"indo precipitadamente.
“#eDa como !or& !oi neste ponto que come0ou a ser e*ecutado nosso plano
especA!ico. Al5m de outras possi)ilidades& tam)5m contava com esta e ministrei as
instru0Ses necess3rias ao tenente Ti!!lor. !ato de que ele e mais dois sar"entos
escaparam s1os e salvos representa um acaso e*tremamente !eliE.
“s três penetraram nesta )ase. J3 conhecem a história. que surpreende 5 somente
o !ato de lhes ter sido t1o !3cil che"ar aos próprios deuses. @a minha opini1o& isso
aconteceu porque os deuses ainda n1o conhecem os padrSes pelos quais devemos ser
avaliados. /omo !ossem apenas três homens& con!iavam tanto em sua superioridade
t5cnica& que quase n1o se preocuparam& especialmente depois que os três haviam sido
paralisados por meio do choque nervoso.
“Bsse erro !oi nossa salva01o. @o momento em que Ti!!lor e os dois sar"entos
destruAram os restos de seu e*5rcito de ro)+s& antes que tivessem tempo para ativar os
mesmos& perderam o controle e !u"iram. /onse"uimos impedir a !u"a de três deles.
@uma coerência !ria& o quarto os matou& para que n1o pudessem revelar4nos nada.
“P só. Acho que minhas suposi0Ses n1o !icam lon"e da verdade”.
s ouvintes mantiveram4se em silêncio. Fepois de al"um tempo& Ti!! !eE um sinal e
disse:
— Lostaria que o senhor nos e*plicasse por que em Oonur e*istem dois tipos de
ha)itantes que di!erem t1o radicalmente entre si: os seres into*icados pela ar"onina e os
quatro com que aca)amos de lidar.
(hodan sorriu e deu uma pancadinha na testa.
— Ah& sim. Ainda )em que o senhor lem)rou este detalhe — su)itamente sua voE
assumiu uma seriedade amea0adora. — Tenente Ti!!lor& veDo4me o)ri"ado a repreendê4
lo.
Ti!! assustou4se. (hodan tranqWiliEou4o com um "esto.
— A coisa n1o 5 t1o "rave. #e o senhor tivesse perce)ido& isso n1o teria alterado
coisa al"uma. Tenente Ti!!lor& qual 5 a cor da pele dos honosM
Ti!! re!letiu.
— ?arrom4avermelhada — respondeu.
— B dos quatro deuses com que esteve em contatoM
Hma luE nasceu no espArito de Ti!!.
— #1o incolores. Pertencem a um tipo al)ino.
— Todos os quatroM
— #im senhor. Todos os quatro.
(hodan con!irmou com um aceno de ca)e0a.
— 9sso lhe devia ter dado que pensar& n1o 5M Hm al)ino n1o 5 nada de
e*traordin3rio& mas lo"o quatro& e em condi0Ses t1o suspeitas. 9sso levaria qualquer um a
pensar um pouco...
ReE uma li"eira pausa. Ti!! sa)ia o que viria em se"uida.
— s deuses n1o s1o nonos. @1o nasceram neste planeta. Pertencem a outra ra0a.
@osso ami"o /rest e*aminou o cad3ver do deus que se encontrava a )ordo da nave
derru)ada pela Lan'med& e com isso voltaram $ sua memória certas in!orma0Ses que nos
teriam sido muito Kteis se as tiv5ssemos rece)ido antes.
“B*iste uma variante da ra0a dos saltadores& os aras& com os quais D3 nos
de!rontamos. #eus contatos com a ra0a de mercadores s1o rarAssimos. :ivem sua própria
vida.
“A natureEa os dotou com um talento especial no terreno )ioquAmico. @1o e*iste
nenhuma doen0a na Lal3*ia que os aras n1o conhe0am e sai)am curar. B e*istem mais
al"umas que eles mesmos inventaram& e de que lan0am m1o sempre que acham que isso
se torna necess3rio. P que& con!orme diE /rest& n1o se dei*am pertur)ar por qualquer
esp5cie de escrKpulos.
“s aras s1o os maiores industriais de medicamentos de que a Lal3*ia tem
conhecimento. @oventa e cinco por cento dos rem5dios consumidos na :ia %3ctea s1o
produEidos por eles.
“B noventa e cinco por cento de todos os tó*icosN
“#1o estes os aras& tenente Ti!!lor. @1o s1o honos& con!orme acreditava. Todavia&
n1o posso dei*ar de reconhecer que a id5ia de enquadr34los em outra ra0a n1o podia
ocorrer imediatamente. !ormato de seu corpo 5 quase idêntico ao dos honos.”
:irou4se& olhou para o teto& como se re!letisse so)re al"uma coisa e& olhando para as
telas& prosse"uiu:
— Guerem sa)er qual ser3 nosso pró*imo passo. Pois eu lhes direi — voltou a virar4
se para a plat5ia. — Fevemos desco)rir tudo que o 9mp5rio Arc+nida sa)e a respeito dos
aras. Fevemos visitar os aras& ou atac34los& se pre!erirem& para que !iquem cientes de que
ser1o o)ri"ados a dei*ar4nos em paE. Temos uma tare!a di!Acil para cumprir& e por isso
n1o podemos tolerar que nin"u5m nos pertur)e pelas costas.
“Para o)ter as in!orma0Ses de que precisamos& teremos que diri"ir4nos ao c5re)ro
positr+nico central de >rcon. A"ora que nossas naves est1o equipadas com
compensadores estruturais e n1o precisamos recear mais que o c5re)ro positr+nico
constate e localiEe todas as etapas de nosso v+o& a via"em n1o nos dever3 causar qualquer
preocupa01o.
“Fe qualquer maneira& teremos de cuidar4nos. Todavia& as in!orma0Ses que
deveremos o)ter compensam amplamente o es!or0o de !icarmos com os olhos e ouvidos
a)ertos.”
s deEenove doentes que a miss1o Oonur custara a (hodan !oram a)ri"ados
Duntamente com os outros setecentos.
A )ase dos tra!icantes !oi inutiliEada de tal !orma que nem dali a uma eternidade
poderia servir novamente $ produ01o de ar"onina.
s quatro aras mortos !oram sepultados na mar"em do la"o. (hodan n1o seria capaE
de recusar esta Kltima homena"emU ao mais trai0oeiro dos seus inimi"os.
/om os homens ainda sadios& que pertenceram ao "rupo de /hane'& !oi !ormado um
novo destacamento& comandado pelo tenente Oathome. sar"ento Oalli"an tam)5m !oi
incorporado a este destacamento. Fepois de arrumar suas coisas e despedir4se de Ti!!&
disse:
— #into ter que dei*34lo. Qem que "ostaria de pedir ao estado4maior que me
dei*asse com o senhor& mas..
— ?as...M
Oalli"an !eE um "esto de contrariedade.
— Pois )em. #ó h3 um motivo pelo qual n1o !iquei. @1o suporto estar perto desse
YZee!e. Is veEes sa)e ser )em )acana& mas "eralmente 5 insuport3vel.
Ti!! riu. ?as YZee!e& que estava ela)orando um relatório no !undo da sala& !icou
de p5 com um salto e& !urioso& "ritou:
— Trate de dar o !ora& sen1o ainda me verei o)ri"ado a dar4lhe uma surra.
Oalli"an colocou sua )a"a"em no ch1o e er"ueu os punhos.
— #ilêncioN — "ritou a voE retum)ante de Ti!!. — #ar"ento YZee!e& chamo sua
aten01o para o !ato de que o sar"ento Oalli"an 5 um hóspede que se despede de nós. Ra0o
quest1o que adapte seu comportamento a esta circunst<ncia.
YZee!e estacou. #u)itamente come0ou a rir.
— @unca mais esse suDeito encontrar3 um )o)o como este — !un"ou. — @in"u5m
ser3 trou*a para aceitar um cara destes como hóspede.
Oalli"an voltou a se"urar sua )a"a"em e& depois de despedir4se de Ti!! se"undo as
re"ras militares& saiu em postura or"ulhosa.
V V V
V V
V
4err5 Rhodan sente3se desesperado% A nova missão em
6onur revelou a identidade dos causadores da peste dos nonus,
mas não lhes proporcionou o precioso soro ue cura a doença
arti)icial%
2er, ue o c!rebro positrônico ue governa 7rcon conhece
o ant(doto$
4err5 Rhodan espera ue sim% *ntra em contato com o
robô, mas apenas para receber outra missão, 8 ual não pode
)ugir%
4err5 Rhodan em / 6omem e o Monstro ir, viver lances de
inimagin,vel emoção#

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