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Revista Fitos Vol.

4 Nº01 março 2009
Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
ISSN 1808-9569
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Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 
Índice

6 Tópicos em Debate
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador Brasileiro sobre a
Legislação do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN.
Mendes, F. R.; Duarte-Almeida, J. M.; Mattos, P. E. O.; Pires, J. M.; Carlini, E. A.

18 Artigo Original
Simpósios de Plantas Medicinais do Brasil: 40 anos de História.
Alves, L. F.

37 Artigo Original
Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia.
Boorhem, R. L.; Lage, E. B.

56 Artigo Original
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
da Área da Saúde, Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos.
Cardoso, C. M. Z.; Silva, C. P.; Yamagami, K.; Lopes, R. P.; Santos, F.;
Bonassi, I.; Jesuíno, I.; Geres, F.; Martorie Jr., T.; Graça, M.; Kaneko, B.;
Pavani, E.; Inowe, C.

70 Artigo Original
Novo Paradigma Produtivo: Utilização Racional dos Recursos
Naturais para Obtenção de Fitoterápicos.
Oliveira, M. B. S. C.; Frutuoso, V. S.

81 Artigo Original
Atividades Antimicrobiana e Antioxidante da Própolis
do Estado do Ceará.
Gutierrez-Gonçalves, M. E. J.; Marcucci, M. C.

87 Estado da Arte
Produtos Naturais Inibidores da Transcriptase Reversa do Vírus HIV.
Gonçalves, R. S. B.; Barreto, M. B.; Gomes, C. R. B.; Souza, M. V. N.

108 Estado da Arte
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas: Uma Abordagem Útil
para o Desenvolvimento de Novos Fármacos.
Silva-Lopez, R. E.

120 Estado da Arte
Plantas Medicinais Brasileiras. .
I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

126 Estado da Arte
Plantas Medicinais Brasileiras. II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

129 Estado da Arte
Plantas Medicinas Brasileiras.
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado (Nó-de-cachorro).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

132 Estado da Arte
Plantas Medicinais Brasileiras. IV. Annona muricata L. (Graviola).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

4 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Contents

6 Debate
The Knowledge of Brazilian Students and Researchers About the
Legislation of Conselho de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN-
Mendes, F. R.; Duarte-Almeida, J. M.; Mattos, P. E. O.; Pires, J. M.; Carlini, E. A.

18 Original Article
The Symposium on Brazilian Medicinal Plants: 40 years of History.
Alves, L. F.

37 Original Article
Herbal Drugs and Extracts Used in Phytoterapy.
Boorhem, R. L.; Lage, E. B.

56 Original Article
Elaboration of a Primer for all Health Professionals,
Containing Information on Interaction Between Drugs
and Phytoterapics.
Cardoso, C. M. Z.; Silva, C. P.; Yamagami, K.; Lopes, R. P.; Santos, F.;
Bonassi, I.; Jesuíno, I.; Geres, F.; Martorie Jr., T.; Graça, M.; Kaneko, B.;
Pavani, E.; Inowe, C.

70 Original Article
New Productive Paradigm: The Rational Use of Natural Resourc-
es in Order to Obtain Phytotherapics.
Oliveira, M. B. S. C.; Frutuoso, V. S.

81 Original Article
Antimicrobial and Antioxidant Activities of Própolis
from Ceará State.
Gutierrez-Gonçalves, M. E. J.; Marcucci, M. C.

87 State of the Art
Natural Products as HIV Reverse Transcriptase Inhibitors.
Gonçalves, R. S. B.; Barreto, M. B.; Gomes, C. R. B.; Souza, M. V. N.

108 State of the Art
Proteases Inhibitors originated from Plants: Useful Approach for
Development of New Drug.
Silva-Lopez, R. E.

120 State of the Art
Brazilian Medicinal Plants.
I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

126 State of the Art
Brazilian Medicinal Plants. II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

129 State of the Art
Brazilian Medicinal Plants.
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado (Nó-de-cachorro).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

132 State of the Art
Brazilian Medicinal Plants. IV. Annona muricata L. (Graviola).
Barata, L. E. S.; Alencar, A. A. J.; Tascone, M.; Tamashiro, J.

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Tópicos em Debate/Debate

O Conhecimento do Estudante e do
Pesquisador Bras��������������������������
ileiro sobre a Legislação
do Conselho de Gestão do Patrimônio
Genético – CGEN

The Knowledge of Brazilian Students and Re-
searchers About the Legislation of Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Mendes, F. R.; Duarte-Almeida, Resumo
J. M.; Mattos, P. E. O.; Pires, J. M.;
*Carlini, E. A. A Convenção sobre a Diversidade Biológica estabeleceu que cada país
deveria elaborar leis e mecanismos de conservação de sua biodiversida-
Centro Brasileiro de Informações so- de, assim como regular o acesso e repartição de benefícios advindos de
bre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), sua exploração industrial. A MP 2.186 estabeleceu normas para acesso
Departamento de Psicobiologia, aos recursos genéticos e conhecimento tradicional associado, porém
Universidade Federal de São Paulo sob altas custas da comunidade científica, devido ao grande número
Rua Napoleão de Barros, 925, Vila de exigências burocráticas para aprovação de projetos no Conselho de
Clementino, 04024-002, São Paulo, Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). O objetivo deste trabalho foi
SP, Brasil. verificar entre os autores de trabalhos apresentados no XX Simpósio de
Plantas Medicinais do Brasil, o grau de conhecimento sobre a legislação;
quantos destes trabalhos foram submetidos ao CGEN, e se obtiveram
ou não autorização oficial. Dos 449 questionários respondidos, a gran-
de maioria dos autores (84%) trabalhou com planta nativa. Metade dos
trabalhos envolveu o acesso ao conhecimento tradicional (50%), sendo
que a obtenção das plantas foi feita por coleta em 68% dos estudos. Por
outro lado, apenas 9,6% dos trabalhos possuíam autorização do CGEN
e 5,1% aguardavam autorização do órgão. Entre os graduandos, 54,7%
declararam sequer conhecer o CGEN (número que cai para 27,3% dos
pós-graduandos e 13,1% dos pesquisadores). Esta pesquisa confirma o
grande desconhecimento da comunidade científica sobre a legislação
brasileira de acesso aos recursos genéticos e conhecimento tradicional,
especialmente entre estudantes de graduação.

* Correspondência: Abstract
E-mail: carlini@psicobio.epm.br
The Convention on Biological Diversity established that each coun-
Unitermos: try should create laws and mechanisms to preserve its biodiversi-
CGEN; Conhecimento Tradicional, ty, as well as regulate the access to it and the sharing of benefits
MP 2.186, Legislação de that result from its industrial exploration. The MP 2.186 established
Fitoterápicos, Patrimônio Genético, norms for the access to the genetic resources and the associa-
Pesquisa da Biodiversidade. ted traditional knowledge. However, this law had high fees to the
scientific community due to the large number of bureaucratic requi-
Key Words: rements to pass projects in the Conselho de Gestão do Patrimônio
CGEN, Traditional knowledge, MP Genético - CGEN (Council of Management of Genetic Resources).
2186, Legislation on Phytotherapics, The objective of the present work was to evaluate, among the au-
Genetic Resources, Biodiversity thors of posters presented in the XX Symposium of Brazilian Medi-
Research. cinal Plants, the level of knowledge they have regarding legislation. 

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O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

We also aimed at assessing how many of those conservação de sua biodiversidade, bem como
works were submitted to the CGEN, and whether regular sobre seu acesso e repartição de benefí-
they were approved. Out of the 449 authors who cios advindos de sua exploração industrial (LAIRD,
answered the questionnaire, the great majority 2002; VAN OVERWALLE, 2005; FERRO, 2006). A
(84%) had worked with native plants. Half of the proposta da CDB era diminuir a exploração preda-
works (50%) involved access to traditional know- tória das riquezas naturais, especialmente nos pa-
ledge, and the plants were obtained by collection íses megadiversos, estimulando o uso sustentável
in 68% of the studies. On the other hand, only 9.6% da biodiversidade, com benefícios diretos para as
of the works had been authorized by the CGEN, comunidades tradicionais.
and 5.1% were waiting for authorization. Among
the graduate students, 54.7% declared not even No Brasil, a proteção legal pertinente ao patrimônio
knowing the CGEN (a number that dropped to genético já constava no artigo 225 da constituição
27.3% among post graduates and to 13.1% among de 1988, no entanto restava fazer uma lei definindo
the researchers). This survey corroborates the tho- regras para instrumentar a proteção, a fiscalização
rough lack of knowledge the scientific community e o uso da biodiversidade no país. Esta regulamen-
has on the Brazilian legislation regarding the ac- tação foi primeiramente realizada por medida provi-
cess to genetic resources and traditional knowled- sória (MP 2.052 de 29/06/2000) após a celeuma
ge, mainly among graduate students. ocasionada por políticos e ambientalistas por causa
das cláusulas do contrato firmado entre uma empre-
sa farmacêutica estrangeira com uma associação
Introdução local para fins de bioprospecção (BENTES, 2006).
Em 2001 o Brasil editou uma nova medida provisória
O Brasil é um dos países com maior biodiversidade (MP 2.186 de 23 de agosto de 2001) estabelecendo
no mundo, possuindo pelo menos 5 grandes biomas normas para o acesso ao patrimônio genético e ao
definidos que, somados à sua diversidade cultural, conhecimento tradicional associado, e criando o Con-
contribuem com um enorme potencial para a des- selho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN)
coberta de novos medicamentos de origem natural como órgão encarregado de análise das solicitações
(CARLINI et al., 2007). Ainda hoje, cerca de ¼ dos de acesso. Esta MP foi elaborada basicamente no
medicamentos modernos são desenvolvidos a partir âmbito restrito do Ministério do Meio Ambiente
de plantas (LIU; WANG, 2008); um mercado de mais (MMA), sem contar praticamente com a participa-
de 60 bilhões de dólares ao ano, com taxa de cres- ção dos setores acadêmico e produtivo. O resultado
cimento de 5 a 15% (KARTAL, 2007). Cerca de 80% desta ausência de diálogo foi uma legislação extre-
da população dos países em desenvolvimento recor- mamente restritiva e impositiva; contendo normas
re ao uso de plantas medicinais para o tratamento praticamente impossíveis de serem seguidas.
de problemas primários de saúde, muitos possuindo
apenas esta alternativa (VIGO, 2008). Diante des- A MP 2.186 prevê que todo acesso a componente do
te quadro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) patrimônio genético nacional ou conhecimento tradi-
reconhece o uso de plantas medicinais como prática cional associado para fins de pesquisa científica, bio-
complementar ou alternativa nos cuidados básicos prospecção e desenvolvimento tecnológico, deverá
de saúde e tenta incentivar políticas para regulação ser previamente encaminhado ao CGEN para obten-
e registro de plantas medicinais assegurando a qua- ção de autorização (uma norma geral posteriormen-
lidade destes produtos (WHO, 1998). Uma recente te flexibilizado por resoluções internas do CGEN).
valorização das plantas medicinais tem sido obser- A MP 2.186 e as resoluções posteriormente publi-
vada em todo o mundo seja o vegetal in natura, na cadas pelo CGEN tentam definir os critérios para
forma de fitoterápicos tradicionais, ou como matéria classificação de cada tipo de acesso, assim como os
prima e protótipo para o desenvolvimento de novas trâmites para solicitação de licença; contudo o gran-
drogas. A Comunidade Européia é exemplo disto, de problema persiste no excesso de exigências para
com uma política que procura simplificar o registro aprovação dos pedidos. Azevedo (2005) e Ferro et al.
de produtos tradicionais, dentro das garantias de (2006) destacam que entre as principais críticas da
eficácia e segurança (SILANO et al., 2004). comunidade científica sobre a MP 2.186 estão:

A Convenção sobre a Biodiversidade Biológica • o período para análise dos projetos, que pode
(CDB) prevê que os seus países signatários de- ser demasiadamente longo, com idas e vindas
vem elaborar normas e leis como mecanismos de até que todas as exigências sejam cumpridas,

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O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

o que termina por inviabilizar a realização de so pelo qual ocorre apropriação do conhecimento
teses e projetos com cronogramas definidos; tradicional pela comunidade médico-científica e in-
• a definição precisa de alguns termos, como dustrial. Classicamente, o conhecimento tradicional
acesso ao patrimônio genético e bioprospec- tem sido investigado e traduzido para a linguagem
ção, entre outros; científica, sendo revalidado para obtenção de legi-
• a necessidade de indicar antecipadamente o timidade. Em seguida, o conhecimento tradicional
local de coleta, o que nem sempre é possível passa a ser marginalizado, transmitindo-se a idéia
prever, já que isto leva ao encarecimento da de que o produto industrial é puro, seguro, validado,
pesquisa, pela necessidade de idas adicionais enquanto a preparação popular é impura, insegura e
ao campo (para certificar-se da existência da ineficaz. Esse embate – conhecimento acadêmico x
planta); conhecimento popular – é conhecido pela sigla DIA,
• a necessidade de anuência prévia do titular onde: D – Desqualificação do uso popular (“coisa de
da área de coleta, dado a dificuldade tanto em ignorante”); I – Ilegalização (torna ilegal o exercício
definir o local como seu titular e comprovação da medicina popular); e finalmente A – Apropriação
de posse (muitas vezes a autorização é verbal, do conhecimento popular, isolando e agora comer-
dada por voto de confiança); cializando um princípio ativo.
• a exigência de depósito de amostra em insti-
tuição fiel depositária, embora muitas institui- Como se pode observar, a necessidade de políticas
ções não estejam preparadas para exercer esta de valorização e proteção ao conhecimento tradi-
função, e muitas vezes sequer demonstrem cional é inquestionável. A questão que deve ser
qualquer interesse em receber este material; colocada é: como chegar a este objetivo sem pre-
• o contrato de repartição de benefícios com judicar a pesquisa científica? Está claro para toda a
o proprietário ou detentor do conhecimento academia, e mesmo para o governo, que os meca-
tradicional. Este é ponto crítico, pois embora nismos de proteção do conhecimento tradicional e
a comunidade científica reconheça a importân- de repartição de benefícios previstos na MP 2.186
cia de garantir benefícios para as comunidades são ineficientes e equivocados. O fato é que a MP,
tradicionais, raramente a pesquisa reverterá ao exigir autorização de acesso e contrato de re-
em benefícios financeiros; além disso, há um partição de benefícios para a pesquisa acadêmica,
desconhecimento da comunidade científica so- ainda que o potencial econômico seja uma possi-
bre os moldes de um contrato de repartição de bilidade remota, age como entrave e desestímulo
benefícios; este mais um ônus burocrático ao para o estudo da nossa biodiversidade. Tanto isso
pesquisador, pois demanda tempo e recursos é verdade, que novas resoluções têm sido publica-
para tal. das seguidamente, no sentido de flexibilizar e des-
burocratizar as exigências para coleta de material
Quanto a este último ponto, pode-se ainda acres- biológico, especialmente nos casos onde não existe
centar como um evidente obstáculo a dificuldade acesso ao conhecimento tradicional. Portanto, a re-
que muitas vezes existe para definir o detentor do gulamentação dos estudos envolvendo acesso ao
conhecimento tradicional, já que este conhecimento conhecimento tradicional continua sendo o ponto
muitas vezes tem um caráter difuso. Mesmo quando crítico. Questões como o indivíduo ou a comunida-
uma pesquisa etnofarmacológica aponta uma comu- de detentora de um conhecimento tradicional, ou
nidade tradicional como detentora de um conheci- quem deveria ser o favorecido de eventuais bene-
mento ainda não publicado (por exemplo, o uso de fícios advindos de exploração econômica, têm sido
um chá de uma determinada planta para uma enfer- amplamente debatidos sem que se observem opi-
midade), não se pode descartar que outros povos niões consensuais para estes pontos. A carência de
não pesquisados façam o mesmo uso, sendo, por- modelos adequados ou mesmo suporte legal para
tanto, co-detentores tradicionais nos direitos de re- contrato de repartição de benefícios e pagamento
partição de benefícios. Um dos grandes obstáculos de royalties para comunidades tradicionais, espe-
para a legitimação destes direitos é que o conheci- cialmente indígenas, são outros pontos cruciais a
mento tradicional, diferentemente do conhecimento serem considerados. Há inclusive uma corrente,
científico, é transmitido verbalmente de geração em apoiada por boa parte da comunidade científica,
geração, não existindo, portanto prova documental que é favorável ao pagamento de royalties, quando
que ateste sua propriedade intelectual, como fazem cabível, a um “fundo administrado pelo governo” e
a comunidade científica e o setor industrial. Vascon- que seria especificamente utilizado para projetos
celos et al. (2002) discutem que este é o proces- de valorização e preservação do conhecimento tra- 

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O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

dicional, investimento em educação, saúde e me- com dois ou mais trabalhos sendo apresentados re-
lhorias da condição de vida destas comunidades. ceberam um questionário por painel, desde que es-
tivessem presentes no local. Os questionários foram
À parte de toda esta discussão conceitual, o Brasil recolhidos depois de 10-30 minutos e foram separa-
possui corpo científico e competência para estu- dos de acordo com o setor onde foi feita a pesquisa,
dar sua biodiversidade, faltando, entretanto apoio correspondendo aos setores do XX SPMB: 1. Agro-
e “know-how” para o desenvolvimento de produtos nomia; 2. Botânica / Etnobotânica; 3. Etnofarmaco-
(CALIXTO, 2005; VIGO, 2008). As políticas públicas logia; 4. Saúde Pública; 5. Química de Produtos Na-
brasileiras são contraditórias, pois ao mesmo tempo turais; 6. Farmacologia / Toxicologia; 7. Tecnologia
em que se desenvolvem programas de incentivo ao Farmacêutica; 8. Registro, Legislação e Patentes.
uso e pesquisa de plantas medicinais, como a Polí- Não houve separação por dia de apresentação.
tica Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos
(PNPMF), o mesmo governo que a instituiu amor- Tabulação dos resultados
daça a própria pesquisa neste campo utilizando a
ferramenta da MP 2.186. Criada para tentar coibir Os dados obtidos nos questionários foram tabula-
a biopirataria no país, esta MP acabou por trans- dos e analisados no programa Microsoft® Excel, uti-
formar o cientista brasileiro em biopirata, uma vez lizando-se códigos numéricos para cada resposta.
que sua extrema burocracia tem levado os pesqui- Questionários com rasuras e aqueles cuja questão
sadores a trabalhar na clandestinidade. A legislação número 4 estava em branco foram eliminados (ao
brasileira deveria ter postura justamente contrária, todo 12 questionários), já que o principal objetivo
incentivando e valorizando a pesquisa de sua bio- da pesquisa era avaliar a resposta dos participantes
diversidade, como procura fazer o PNPMF, pois é a esta questão (autorização do CGEN). Ao final da
sabido que só se pode proteger o que se conhece. tabulação, foram contados os números de respostas
de cada alternativa e em seguida cruzados os dados
Infelizmente, o que tem sido notado nos congres- das principais questões. Os dados foram expressos
sos, palestras e cursos na área de plantas medici- em números absolutos ou porcentagem de resposta,
nais, é que poucos estudantes, e mesmo pesqui- dentro de cada categoria.
sadores, possuem conhecimento suficiente sobre a
legislação em vigor e suas exigências para o es- Limitações da pesquisa
tudo de plantas medicinais e conhecimentos tradi-
cionais. O objetivo deste trabalho foi avaliar, entre Os questionários foram distribuídos durante as ses-
os participantes que apresentaram seus trabalhos sões de painéis do XX SPMB e recolhidos até o fim
em painéis (pôsteres), no XX Simpósio de Plantas da sessão. Devido à curta duração destas sessões
Medicinais do Brasil, realizado em 2008, o grau de frente ao volume de trabalhos apresentados, não foi
conhecimento sobre o CGEN e a legislação vigen- possível aplicar os questionários individualmente e
te; pela medida inicial de quantos destes trabalhos tampouco responder as dúvidas dos participantes.
foram submetidos ao CGEN e se obtiveram ou não Por se tratar de questionários de autopreenchimen-
autorização para pesquisa. to, é possível que alguns participantes não tenham
entendido algumas questões ou as tenham interpre-
tado erroneamente. Ainda assim, espera-se que o
Material e Métodos resultado da pesquisa reflita, de maneira geral, o
grau de conhecimento da população estudada quan-
Aplicação dos questionários to ao CGEN, servindo de amostragem quanto aos
pedidos solicitados e aprovados naquele órgão.
Foram entregues questionários impressos com per-
guntas de múltipla escolha (Quadro 1) aos autores
de painéis presentes no local de exposição do tra- Resultados e Discussão
balho, durante a sessão de painéis do XX Simpósio
de Plantas Medicinais do Brasil (SPMB), nos dias Foram entregues 449 questionários, sendo 192 res-
17, 18 e 19 de setembro de 2008. A pesquisa foi pondidos por graduandos, 183 por pós-graduandos,
realizada apenas com congressistas brasileiros. Os 61 por pesquisadores ou profissionais e 13 por parti-
autores recebiam os questionários com a instrução cipantes que se declararam como “outra categoria”
de responder anonimamente às perguntas, em rela- ou não responderam a questão. Do total de partici-
ção ao trabalho que estavam apresentando. Autores pantes, aproximadamente 80 % se declararam vin-

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O conhecimento do estudante e do pesquisador
Tópicos em Debate/Debate brasileiro sobre a legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

culados a instituições públicas e 20% a instituições (84%) trabalhou com planta nativa, e metade dos
privadas. Estes números, embora surpreendentes trabalhos envolveu acesso ao conhecimento tradi-
pelo grande número de graduandos, refletem a parti- cional (50%); porcentagem que foi maior no setor
cipação da comunidade científica nos congressos da de Etnofarmacologia (75%), e menor no setor de
área básica, onde há um nítido predomínio de estu- Agronomia (35%). A forma predominante de obten-
dantes (graduação e pós-graduação), especialmen- ção das plantas (entre todos os setores) foi por co-
te aqueles ligados a instituições públicas de ensino. leta (68%), número que sobe para 81% no setor de
Dado o seu caráter multidisciplinar, o tema “plantas Química de Produtos Naturais. A segunda principal
medicinais” costuma ser abordado nos programas forma de obtenção entre os trabalhos dos setores
de pós-graduação das áreas de botânica, química, de agronomia, botânica e química foi por cultivo, en-
farmacologia, entre outras. quanto no setor de farmacologia recorreu-se ao co-
mércio. Cinco entrevistados do setor de etnofarma-
A Tabela 1 traz um apanhado geral dos principais re- cologia (21%) responderam “não se aplica” à forma
sultados obtidos, separados de acordo com o setor de obtenção do material botânico, provavelmente
do Simpósio. A tabela mostra os setores com maior porque estes trabalhos não envolveram coleta.
número de questionários respondidos, forma de ob-
tenção do material botânico para os estudos, se uti- A Figura 1 mostra a relação entre o total de traba-
lizou planta nativa brasileira e se houve acesso ao lhos apresentados no SPMB e a obtenção ou não de
conhecimento tradicional. Houve maior número de autorização do CGEN. Pode-se observar que ape-
questionários respondidos nos setores de Química nas 9,6% dos trabalhos apresentados no SPMB pos-
de Produtos Naturais e Farmacologia / Toxicologia, suem autorização do CGEN, enquanto 5,1% aguar-
justamente por serem os dois maiores setores do dam resposta à solicitação, ou seja, apenas 14,7%
SPMB. Do total de participantes pesquisados (úl- estão em situação legal. Ao se excluir da pesquisa os
tima linha da tabela), a grande maioria dos autores trabalhos cujos autores declararam que seu trabalho

Tabela 1 - Número de trabalhos (e respectivas porcentagens) que acessou ou não o conhecimento
tradicional, utilizou planta nativa ou exótica, e forma de obtenção do material botânico, segundo
os autores, entre os setores do SPMB com mais trabalhos.

Setor e número Houve acesso Estudo com planta Forma de obtenção do material botânico:
de questionários ao conhecimento nativa?
tradicional?

Sim Não Sim Não Coteta Cutivo Comércio Não sabe /
não se aplica

Agronomia (51) 18 (35%) 33 (65%) 38 (75%) 13 (25%) 34 (69%) 10 (20%) 4 (8%) 1 (3%)

Botânica / 20 (59%) 14 (41%) 32 (94%) 2 (6%) 24 (73%) 4 (12%) 3 (9%) 2 (6%)
Etnobotânica (34)

Etnofarmacologia (24) 18 (75%) 6 (25%) 18 (75%) 6 (25%) 17 (71%) 1 (4%) 1 (4%) 5 (21%)

Química de produtos 68 (53%) 59 (47%) 114 (91%) 12 (9%) 102 (81%) 19 (15%) 4 (3%) 1 (1%)
naturais (127)

Farmacologia / 79 (47%) 90 (53%) 142 (84%) 27 (16%) 104 (63%) 17 (10%) 39 (24%) 5 (3%)
Toxicologia (169)

Total (inclui setores 224 (50%) 225 (50%) 377 (84%) 71 (16%) 297 (67%) 58 (13%) 65 (15%) 20 (5%)
não mostrados)1

1
Demais setores não mostrados: Saúde pública (12 questionários); Tecnologia Farmacêutica (18 questionários); Registro, Legislação e
Patentes (3 questionários). O total inclui também 11 questionários onde o setor não foi especificado. Porcentagens (arredondamento)
calculadas considerando cada questão do questionário (ver Quadro 1), descontadas as respostas em branco de cada questão.

10 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
O conhecimento do estudante e do pesquisador
Tópicos em Debate/Debate brasileiro sobre a legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Tabela 2 – Solicitações de licenças ao CGEN, de acordo com a categoria acadêmica. Os valores
representam o número de trabalhos com as respectivas porcentagens entre parênteses

Licença do CGEN Graduando Pós-graduando Pesquisador Outra categoria
ou Profissional
Obteve 20 16 5 2
(10,4%) (8,7%) (8,2%) (20,0%)

Solicitou e está aguardando 6 10 6 1
(3,1%) (5,5%) (9,8%) (10,0%)

Não solicitou / Não obteve 42 88 34 1
(21,9%) (48,1%) (55,7%) (10,0%)

Não sabe do que se trata / 105 50 8 4
Desconhece o CGEN (54,7%) (27,3%) (13,1%) (40,0%)

Não se aplica ao trabalho 19 19 8 2
(9,9%) (10,4%) (13,1%) (20,0%)

Total 192 183 61 10
Dois entrevistados não assinalaram a categoria.

não envolvia o estudo de planta brasileira observam- Estes resultados mostram que apesar da MP 2.186
se números semelhantes, com apenas 16,2% de tra- ter sido criada em 2001, regulamentando as normas
balhos com autorização ou aguardando autorização de acesso ao patrimônio genético e conhecimento
do CGEN, segundo informação dos autores (dado tradicional, ela continua desconhecida por boa parte
não mostrado). No outro extremo, 36,8% dos parti- da comunidade científica envolvida com a pesquisa
cipantes desconhecem o CGEN ou nem sabem do de plantas medicinais. Mais gritante é o fato de que
que se trata o assunto (Figura 1). Quando a cate- mesmo entre os que conhecem a legislação, o nú-
goria do entrevistado é levada em consideração (Ta- mero de trabalhos apresentados sem autorização do
bela 2), observa-se que o desconhecimento sobre a CGEN é enorme. Foram considerados nesta catego-
legislação e o CGEN é maior entre os graduandos e ria os trabalhos cujos autores responderam a alter-
pós-graduandos (54,7% e 27,3%, respectivamente; nativa 3 da questão 4 da pesquisa (não obteve li-
contra 13,1% entre os pesquisadores). Entretanto, cença ou não submeteu o projeto), já que as alterna-
o número de autores que conhece o órgão e não so- tivas 4 e 5 deveriam ser respondidas por quem não
licitou autorização possui freqüência inversa: 55,7% conhecesse a legislação do CGEN ou cuja questão
(pesquisadores / profissionais), 48,1% (pós-gradu- não se aplicasse ao seu trabalho (ver Quadro 1).
andos) e 21,9% (graduandos).

Figura 1 – Total de trabalhos apresentados no SPMB e a autorização do CGEN

Figura 1: Situação dos trabalhos apresen-
tados no XX SPMB quanto à obtenção de
autorização do CGEN para o estudo em
questão (em porcentagem).

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 11
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Quadro 1 – Pesquisa realizada com os autores de painéis no XX Simpósio de Plantas Medicinais
do Brasil

SETOR DO PAINEL: __________________________________________________________________

1) O trabalho que você está apresentando envolveu acesso ao conhecimento tradicional (pesquisa
com população tradicional)

- SIM - NÃO

2) O trabalho que você está apresentando envolve o estudo de planta brasileira?

- SIM - NÃO

3) Como você obteve o material para seu estudo?

- Coletado por mim ou terceiros.
- Proveniente de fonte cultivada.
- Adquirido do comércio ou empresa fornecedora.
- Não sei.
- Não se aplica / não houve coleta neste estudo.

4) Você obteve autorização do CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético) para acesso ao
patrimônio genético (planta coletada) ou ao conhecimento tradicional referentes ao trabalho que está
apresentando no Simpósio?

- Sim, obtive licença para meu projeto de pesquisa.
- Solicitei licença e estou aguardando a licença.
- Não, não obtive licença / não submeti meu projeto de pesquisa.
- Não sei do que se trata este assunto / desconheço o CGEN.
- Não se aplica ao meu trabalho / não trabalho com plantas medicinais.

5) Assinale as opções que melhor se referem a você.

5.1 – Categoria: 5.2 – Instituição:

- graduando - Pública
- pós-graduando - Privada
- pesquisador / profissional
-outro

Oficialmente, os trabalhos com plantas brasileiras ou Tabela 3 mostra que mesmo entre os trabalhos apre-
conhecimento tradicional sem autorização do CGEN sentados no setor de Etnofarmacologia, que propor-
(cerca de 77% do total) estão sendo conduzidos na cionalmente são os que mais envolveram o acesso
ilegalidade, conforme protesta a comunidade cien- ao conhecimento tradicional, o número de autores
tífica desde a criação da MP 2.186 (RODRIGUES; que declarou não conhecer o CGEN é bastante ele-
CARLINI, 2005; MENDES et al., 2007). A ilegalida- vado (41,7%). Agronomia foi o setor com a maior
de dos trabalhos e o desconhecimento sobre a exis- proporção de trabalhos com autorização do CGEN:
tência do CGEN e da legislação de acesso ao recur- 15,7%. Uma possível explicação é que neste setor
so genético mantém-se elevada, independente do muitos trabalhos são realizados em fazendas expe-
setor do SPMB onde o trabalho foi apresentado. A rimentais, sem a necessidade de coleta de campo

12 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Tabela 3 – Solicitações de licenças ao CGEN, de acordo com o setor onde o trabalho foi apresenta-
do no XX SPMB. Os valores representam o número de trabalhos com as respectivas porcentagens
entre parênteses.

Setor do Simpósio1
Licença do CGEN
Agr Bot Etn SP QPN Far TF

Obteve 8 3 3 1 17 9 0
(15,7%) (8,8%) (12,5%) (8,3%) (13,4%) (5,3%) (0,0%)

Solicitou e está aguardando 3 2 2 2 9 4 1
(5,9%) (5,9%) (8,3%) (16,7%) (7,1%) (2,4%) (5,6%)

Não solicitou / Não obteve 11 17 6 1 49 66 11
(21,6%) (50,0%) (25,0%) (8,3%) (38,6%) (39,1%) (61,1%)

Não sabe do que se trata / 19 10 10 4 38 78 4
Desconhece o CGEN (37,3%) (29,4%) (41,7%) (33,3%) (29,9%) (46,2%) (22,2%)

Não se aplica ao trabalho 10 2 3 4 14 12 2
(19,6%) (5,9%) (12,5%) (33,3%) (11,0%) (7,1%) (11,1%)

Total 51 34 24 12 127 169 18
1
Setor: Agr (Agronomia); Bot (Botânica / Etnobotânica); Etn (Etnofarmacologia); SP (Saúde Pública) QPN (Química de Produtos
Naturais); Far (Farmacologia / Toxicologia); TF (Tecnologia Farmacêutica). O setor de Registro, Legislação e Patentes não foi incluído,
pois só teve três questionários. Outros 11 questionários não especificaram o setor.

em áreas particulares ou da União, o que facilitaria a so é a atividade realizada com o objetivo de
obtenção de licenças. Tal suposição é reforçada pelos isolar, identificar ou utilizar informação de ori-
resultados apresentados na Tabela 1 (maior cultivo e gem genética ou moléculas e substâncias pro-
menos acesso ao conhecimento tradicional nos tra- venientes do metabolismo dos seres vivos e de
balhos de agronomia) e na Tabela 4, onde se verifica extratos obtidos destes organismos. De início, o
a maior porcentagem de trabalhos com autorização CGEN era o órgão responsável por toda autorização
do CGEN justamente no grupo onde o material botâ- de acesso ao patrimônio genético, enquanto cabia
nico foi obtido de cultivo. Por outro lado, os dados da ao órgão ambiental competente integrante do SIS-
Tabela 4 também mostram que dos trabalhos onde NAMA emitir autorização de coleta. Posteriormente,
houve coleta pelo autor do trabalho ou por terceiros foram editadas algumas resoluções na tentativa de
apenas 10,4% possuem licença do CGEN, enquanto facilitar o processo, prevendo que o próprio IBAMA
5,4% aguardam resposta à solicitação. Este dado re- autorizasse tanto a coleta como o acesso (pesquisa)
vela que, a coletas de plantas no território nacional e de material botânico para fins de pesquisa científica
o acesso ao patrimônio genético estão ocorrendo à sem potencial econômico. A coleta e o acesso ao
revelia da legislação, já que, em teoria, deveriam ser patrimônio genético devem ainda distinguir-se do
realizadas apenas após autorização do CGEN ou de acesso ao conhecimento tradicional, sendo o co-
órgão ambiental competente integrante do Sistema nhecimento tradicional definido como informa-
Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA). ção ou prática individual ou coletiva de comu-
nidade indígena ou de comunidade local, com
Há, na realidade, muita confusão, principalmente en- valor real ou potencial, associada ao patrimô-
tre os estudantes, no que se refere às definições de nio genético. Segundo a legislação vigente, este
coleta e acesso ao patrimônio genético, e que órgão acesso somente pode se dar após anuência prévia
autoriza o quê. Segundo orientação técnica número da comunidade tradicional e autorização do CGEN
01 do CGEN, coleta é a obtenção de amostras (http://www.mma.gov.br).
de espécimes silvestres, seja pela remoção do
indivíduo do seu habitat natural, seja pela co- Na presente pesquisa, observam-se porcentagens
lheita de amostras biológicas, enquanto o aces- levemente superiores de autorizações do CGEN

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 13
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Tabela 4 – Solicitações de licenças ao CGEN, de acordo com a forma de obtenção do material
botânico. Os valores representam o número de trabalhos com as respectivas porcentagens entre
parênteses.

Licença do CGEN Coleta (própria ou terceiros) Cultivo Comércio / Não se aplica
empresa / Não houve
coleta

Obteve 31 9 1 1
(10,4%) (15,5%) (1,5%) (5,6%)

Solicitou e está aguardando 16 3 3 1
(5,4%) (5,2%) (4,6%) (5,6%)

Não solicitou / Não obteve 117 16 22 4
(39,4%) (27,6%) (33,8%) (22,2%)

Não sabe do que se trata / 111 22 28 4
Desconhece o CGEN (37,4%) (37,9%) (43,1%) (22,2%)

Não se aplica ao trabalho 22 8 11 8
(7,4%) (13,8%) (16,9%) (44,4%)

Total 297 58 65
18
Dois entrevistados responderam não saber a origem do material estudado e nove não assinalaram nenhu-
ma alternativa nesta questão.

para os trabalhos que acessaram conhecimento ficiente em atingir seus objetivos, já que uma gran-
tradicional (Tabela 5), quando comparados aos tra- de parcela da comunidade científica envolvida com
balhos que não acessaram conhecimento tradicio- a pesquisa de plantas medicinais desconhece sua
nal (11,6% contra 7,6%, respectivamente). Mesmo existência, e mesmo entre os que a conhecem, ape-
assim a proporção de trabalhos sem autorização do nas uma fração tem submetido seus projetos para
CGEN ou cujos autores desconhecem o órgão se aprovação pelo CGEN. Fica evidente, portanto, que
mantém semelhantes. Os resultados desta pesqui- o caminho escolhido pelo governo não tem sido o
sa mostram que a atual legislação brasileira é ine- mais adequado.

Tabela 5 – Solicitações de licenças ao CGEN, entre os trabalhos que envolveram ou não o acesso
ao conhecimento tradicional.

Licença do CGEN Acessou conhecimento Não envolveu acesso ao
tradicional conhecimento tradicional

Obteve 26 (11,6%) 17 (7,6%)

Solicitou e está aguardando 13 (5,8%) 10 (4,4%)

Não solicitou / Não obteve 82 (36,6%) 83 (36,9%)

Não sabe do que se trata / 82 (36,6%) 86 (38,2%)
Desconhece o CGEN

Não se aplica ao trabalho 21 (9,4%) 29 (12,9%)

Total 224 225

14 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

Discussões sobre a necessidade de se controlar o do contrato de anuência prévia e da repartição de
acesso aos recursos genéticos e proteger o conhe- benefícios, nestes casos, desestimula a realização
cimento tradicional vêm sendo recorrentes em todo do estudo. No caso das pesquisas visando o de-
o mundo, especialmente após a convenção da biodi- senvolvimento de novos fármacos, talvez o início
versidade biológica (KING et al., 1996; AGUILAR, da pesquisa clínica fosse o ponto de corte, onde já
2001; LAIRD, 2002; TIMMERMANS, 2003; VAN existem dados pré-clínicos suficientes que apóiam a
OVERWALLE, 2005; KARTAL, 2007). Além do Bra- viabilidade do estudo clínico, e há um inegável inte-
sil, vários países já adotaram leis para regulamentar resse pelo desenvolvimento do produto final (caso
o acesso à sua biodiversidade e conhecimento tra- contrário; não seriam conduzidas pesquisas clínicas,
dicional. Entretanto, os mecanismos hoje adotados devido ao alto custo desta etapa).
são pouco eficientes para reverter benefícios às co-
munidades tradicionais e para a conservação destes Outro problema continuamente levantado refe-
ecossistemas, apresentando ainda, como desvanta- re-se às dificuldades legais para garantir os direi-
gem, o risco de desestimular a pesquisa científica e tos de propriedade intelectual do conhecimento
o investimento de indústrias para o desenvolvimento tradicional associado. A lei de patentes não pre-
de produtos relacionados com a biodiversidade e o vê mecanismos de proteção para o conhecimento
conhecimento tradicional. É pertinente se lembrar do tradicional, e mesmo os medicamentos tradicionais
fato que a colocação de um bioproduto no mercado (preparações herbáticas) raramente são passíveis
é uma tarefa extremamente complexa e demorada, de patenteamento, já que é difícil atribuir a eles
e somente com muito incentivo, desde a bioprospec- os conceitos de novidade, originalidade e utilida-
ção até a produção e circulação é que essa via terá de industrial, que são os requerimentos básicos e
sucesso. condições para propriedade intelectual (KARTAL,
2007). Entretanto, existe a possibilidade de paten-
Se por um lado hoje se aceita plenamente a proposta te para diversos processos, tais como os métodos
de que as comunidades detentoras de conhecimento de extração, purificação, concentração, isolamen-
tradicional devam receber benefícios pelas informa- to, ou modificação da formulação (dose, composi-
ções oferecidas, quando houver desenvolvimento ção, etc.), assim como a obtenção de fórmulas com
de produto comercial; por outro lado, há obstáculos maior segurança ou eficácia, ou ainda para novas
evidentes para se identificar o que é uma pesquisa indicações (KARTAL, 2007).
com potencial econômico e qual a comunidade a ser
beneficiada, assim como mecanismos apropriados Após a CDB, alguns países, blocos ou organizações
de repartição. A exata separação do que é conhe- internacionais passaram a propor novas formas de
cimento tradicional e o que se tornou conhecimen- garantir a propriedade intelectual e a geração de
to difuso é um empecilho para determinar em que benefícios para os detentores de conhecimento tra-
casos caberiam repartição de benefícios. Também dicional. Entre estas propostas, destaca-se o cha-
é fundamental que sejam diferenciadas a pesquisa mado “sistema sui generis” que funcionaria como
básica (acadêmica) da pesquisa aplicada (com in- uma alternativa ao atual sistema de propriedade in-
teresse no desenvolvimento de um produto) (MAR- telectual (AGUILAR, 2001; TIMMERMANS, 2003).
QUES et al., 2007; MENDES et al., 2007). Ainda Os mecanismos de proteção e geração de benefí-
assim, não se pode ignorar que uma pesquisa com cios para o conhecimento tradicional poderiam se
potencial econômico que vise o desenvolvimento de dar, entre outras formas, por (1) segredo comercial;
um novo produto farmacêutico possa fracassar na (2) registro de direitos comunitários; (3) bancos de
geração de um produto final e, por conseguinte, não dados; (4) contratos; (5) licenças de conhecimento
caberia repartição de benefícios neste caso. Espera- (para detalhes ver AGUILAR, 2001). Kartal (2007)
se, portanto, que a nova legislação, considere estes sugere que cada país deveria ter seu banco de da-
casos, prevendo a possibilidade de contratos de re- dos e o ideal seria que eles fossem interligados para
partição de benefícios darem em nada. que servissem como uma eficiente ferramenta para
o exame de patentes sobre os produtos da biodiver-
Um dos maiores impasses para separar a pesqui- sidade, advindos do conhecimento tradicional.
sa científica da bioprospecção ou pesquisa com po-
tencial econômico é definir o ponto a partir do qual Neste contexto, é fundamental separar a pesquisa
passa a existir uma viabilidade econômica, já que científica da exploração industrial e criar ferramen-
os estudos de química e farmacologia quase sem- tas para que o saber científico produzido pela aca-
pre apresentam potencial econômico. A exigência demia não seja utilizado pela indústria como forma

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 15
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

de apropriação do conhecimento tradicional ou da Referências
biodiversidade, sem retorno para as nações ou po-
vos detentores do conhecimento tradicional. Mas AGUILAR, G. Access to genetic resources and pro-
não se deve penalizar justamente o cientista brasi- tection of traditional knowledge in the territories of
leiro, criando burocracias incompatíveis com a rea- indigenous peoples. Environmental Science & Po-
lidade acadêmica, prejudicando o desenvolvimento licy, v.4, p.241-256, 2001.
de teses e o estudo de nossa flora. É importante
considerar que o estudo acadêmico pode, antes de AZEVEDO, C.M.A. A regulamentação do acesso
tudo, resgatar e preservar um conhecimento em aos recursos genéticos e aos conhecimentos tra-
risco de extinção. Di Stasi (2005) observa que o dicionais associados no Brasil. Biota Neotrópica,
estudo etnofarmacológico pode contribuir para a v.5, n.1, 2005. Disponível em http://www.bio-
recuperação e preservação do conhecimento tra- taneotropica.org.br/v5n1/pt/abstract?point-of-
dicional sobre plantas medicinais, melhorando as view+BN00105012005
condições econômicas e de saúde da população
local, ao retornar informações e orientações sobre BENTES, G.M. Bioprospecção e propriedade inte-
o valor medicinal e melhor forma de uso, extração, lectual: aspectos legais e práticos. Anais do XV En-
cultivo e comercialização destes produtos. Em lon- contro Nacional do CONPEDI – Manaus, 2006.
go prazo, o estudo científico de componentes da
biodiversidade brasileira, principalmente aqueles CGEN – Conselho de Gestão do Patrimônio Gené-
associados ao conhecimento tradicional e um his- tico. Disponível em http://www.mma.gov.br
tórico de uso, pode levar ao desenvolvimento de
novos produtos, tais como medicamentos, insetici- CALIXTO, J.B. Twenty-five years of research on
das e cosméticos, ajudando no desenvolvimento do medicinal plants in Latin América. A personal view.
país. Este modelo se apóia no triângulo dourado de Journal of Ethnopharmacology, v.100, p.131-134,
Mashelkar, segundo o qual o conhecimento tradi- 2005.
cional, a medicina e a ciência moderna convergem
como uma eficiente ferramenta para a descoberta CARLINI, E.A.; RODRIGUES, E.; MENDES, F.R.;
de novas terapias, mais seguras e efetivas (KAR- NEGRI, G.; DUARTE ALMEIDA, J.M.; TABACH,
TAL, 2007; LIU; WANG, 2008). R. Da planta medicinal ao medicamento. Scientific
American Brasil, Ano 6, n.63, p.70-77, 2007.
Como conclusão, esta pesquisa confirma o grande
desconhecimento da comunidade científica sobre a DI STASI, L.C. An integrated approach to identifi-
legislação brasileira de acesso aos recursos gené- cation and conservation of medicinal plants in the
ticos e conhecimento tradicional, especialmente de tropical forest – a Brazilian experience. Plant Ge-
estudantes de graduação, e mostra que a maioria netic Resources, v.3, p.199-205, 2005.
dos estudos está sendo conduzida sem autoriza-
ção dos órgãos competentes. Espera-se que a(s) FERRO, A.F.; BONACELLI, M.B.; ASSAD, A.L. Uso
nova(s) legislação(ões) contemple(m) os anseios da biodiversidade e acesso a recursos genéticos no
da comunidade científica, facilitando a pesquisa da Brasil: atual regulamentação dificulta pesquisa e
biodiversidade e do conhecimento das populações desenvolvimento. Inovação UNIEMP, Campinas,
tradicionais brasileiras, e ao mesmo tempo garan- v.2/2, p.16-17, 2006.
tindo mecanismos de proteção ao conhecimento
tradicional. Espera-se ainda que a legislação pos- FERRO, A.F.P. Oportunidades tecnológicas, es-
sua uma linguagem simples e fácil de ser interpre- tratégias competitivas e marco regulatório: o uso
tada, que possa ser assimilada pelos profissionais sustentável da biodiversidade por empresas brasi-
e estudantes envolvidos com a pesquisa de plantas leiras. Revista Fitos, v.2, p.30-35, 2006.
medicinais no Brasil.
KARTAL, M. Intellectual property protection in the
Agradecimentos natural product drug discovery, traditional herbal
medicine and herbal medicinal products. Phytothe-
Os autores desta pesquisa agradecem aos estagi- rapy Research, v.21, p.113-119, 2007.
ários e pós-graduandos do CEBRID, que ajudaram
na aplicação dos questionários, e aos congressis- KING, S.R.; CARLSON, T.J.; MORAN, K. Biologi-
tas que participaram da pesquisa. cal diversity, indigenous knowledge, drug discovery

16 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
O Conhecimento do Estudante e do Pesquisador
Tópicos em Debate/Debate Brasileiro sobre a Legislação do Conselho
de Gestão do Patrimônio Genético – CGEN

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Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 17
Artigo Original / Original Article

Simpósios de Plantas Medicinais do
Brasil: 40 anos de História.

The Symposium on Brazilian Medicinal
Plants: 40 years of History.

*
Alves, L. F. Resumo

Programa de Pós-Graduação O valor terapêutico das as plantas medicinais nativas e aclimatadas no
e História da Ciência e das Brasil tem sido o tema de discussão em diversos Congressos científi-
Técnicas Epistemológicas, cos nacionais e internacionais. Dentre esses, destaca-se o Simpósio
Cidade Universitária, Centro Brasileiro de Planta Medicinal, cuja ocorrência bi-anual. Nos últimos
de Tecnologia, Bloco G, 40 anos, este Simpósio se consolidou como o mais importante encon-
Ilha do Fundão, tro científico nacional nessa área. O objetivo deste trabalho é traçar
Caixa postal 68501, 21945-970, um pouco da sua história, a partir, principalmente, de uma análise dos
Rio de Janeiro, RJ, Brasil seus livros de resumos das comunicações ali apresentadas.

Abstract
Therapeutic value of Brazilian medicinal plants has been discussed in
many international and national congresses. Among them, The Brazil-
ian Symposium of Medicinal Plants deserves special attention. In the
last 40 years they have consolidated of the most important scientific
national meeting in this area. The goal of this article is to trace a little
of its history, through an analysis of the abstract on the subjects, pub-
lished thereafter.

Introdução
Para o cientista atuando em qualquer aspecto da pesquisa com plantas
medicinais, a oportunidade mais adequada para a troca de informações
é durante a realização dos Simpósios de Plantas Medicinais do Brasil
(SPMB). A sua história já foi tema de uma tese de doutorado, na qual
FERNANDES (2004) analisou detalhadamente cada um dos Simpósios
realizados no período 1967-2002, avaliando o número de comunicações
em cada encontro, as instituições presentes em cada um deles e pro-
duzindo uma série de entrevistas com 17 pesquisadores atuantes na
área de plantas medicinais. Mais recentemente, Carlini e Siani (2007)
relembraram o primeiro desses Simpósios. Assim, abordo algumas
*Correspondência: questões não levantadas naquele minucioso trabalho, como a presença
E-mail: grande.timoneiro@terra.com.br das instituições estrangeiras, as atividades terapêuticas das plantas
estudadas, e a questão da colaboração entre os pesquisadores das
Unitermos: diferentes áreas que fazem parte do estudo das plantas medicinais.
Plantas Medicinais Brasileiras,
História. O 1º SPMB ocorreu em 1967, na Faculdade de Ciências Médicas da
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Organizado pelos profes-
Key Words: sores J. R. Magalhães, E. A. Carlini e A. Kraemer, o Simpósio reuniu
Brazilian Medicinal Plants, History. 103 pesquisadores, dos quais 12 apresentaram trabalhos nas áreas de

18 Revista
Revista
Fitos
Fitos Vol.3 Vol.4
Nº02 Nº01
junhomarço
2007 2009
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article da Área da Saúde,
Simpósios Contendo
de Plantas Informações
Medicinais sobre
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farmacologia, fitoquímica e botânica. Esses 12 pro- medicinais], um dos únicos talvez capaz de apre-
fissionais representavam oito instituições: a Escola sentar para a Indústria Brasileira conseqüências de
Paulista de Medicina, o Instituto Biológico, o Insti- monta, mesmo a curto prazo’ (MAGALHÃES et al.,
tuto de Botânica e o Instituo Butantã, no estado de 1968, p. 7). Este ponto foi ressaltado por vários dos
São Paulo, o Jardim Botânico, o Centro (atual Nú- palestrantes. Por exemplo, no discurso de abertura
cleo) de Pesquisas de Produtos Naturais da UFRJ o professor Moussatché, do Instituto Oswaldo Cruz
e o Departamento de Química da UFRRJ, no Rio disse (MOUSSATCHÉ, 1968, p. 9):
de Janeiro e o Departamento de Química Orgânica
e Inorgânica da UFCE. Apesar de ter contado com “Temos uma flora tão vasta que o que resta ainda
apenas 7 trabalhos, 3 em farmacologia, 2 em botâ- por fazer é quase tudo. Desse modo, é bastante
nica, 1 em fitoquímica e 1 misto (fitoquimica e far- oportuna a idéia de promover essa reunião, com
macologia), esse primeiro encontro foi o ponto de o fim de coordenar os diversos núcleos já existen-
partida para outros que vêm ocorrendo a cada dois tes e trabalhando isoladamente. Sabemos muito
anos em diferentes cidades do Brasil. bem das dificuldades existentes para promover
algum estudo coordenado, multidisciplinar. O ob-
Em alguns casos, a palavra ‘palestra’ talvez seja jetivo principal desse Simpósio é exatamente o
mais adequada do que ‘trabalho’ para explicar o levantamento dessas dificuldades”
que houve naquela reunião histórica, há quarenta
anos, pois quatro deles estavam relacionados com Para o professor Gottlieb. ‘nós os químicos orgâni-
os problemas enfrentados pelos pesquisadores de cos vivemos sós dentro do nosso campo, enquanto
cada uma das áreas presentes. Assim, o professor o farmacológo não sai do dele. Nós não sabemos o
Carlos Rizzini, do Jardim Botânico do Rio de Janei- que o farmacólogo faz e publica, e o farmacólogo
ro, e Luiz Fernando Labouriau, do Instituto de Bo- não sabe o que nós fazemos. Essa situação, é claro,
tânica de São Paulo, falaram, separadamente, so- precisa mudar e já está mudando’. Entretanto, ele
bre as dificuldades do ponto de vista da botânica. continua afirmando: ‘É minha opinião que a diferen-
O primeiro se manifestou sobre a importância da ça de mentalidade entre o farmacólogo e o químico
identificação do material vegetal e sobre a ‘falta de hoje, ainda é profunda demais para que uma medi-
interesse da juventude para esse trabalho’ (RIZZI- da oficial possa resultar em uma colaboração eficaz’
NI, 1968), enquanto que o segundo expôs a ques- (GOTTLIEB, 1968, p. 19). Para ele, os esforços in-
tão da cultura de plantas de interesse farmacológico dividuais deveriam ser tentados em primeiro lugar;
(LABOURIAU, 1968). O professor Otto Gottlieb, pois em seguida, viria o apoio oficial. O professor
do Instituto de Química da USP discursou sobre os Ribeiro do Vale referiu-se à qualidade dois traba-
problemas da química como a manutenção, a ope- lhos desenvolvidos pelos fitoquímicos, mas ‘a parte
ração e a manutenção do equipamento necessário farmacológica é, ou falha, ou deficiente, ou mesmo
para o isolamento e a identificação das substâncias inexistente’. E conclui: ‘tem que haver uma relação
químicas de origem vegetal (GOTTLIEB, 1968). Os mais estreita entre o químico e o farmacologista, se
problemas enfrentados pelos farmacólogos foram possível até next-door’ (RIBEIRO DO VALE, 1968,
apresentados pelo professor José Ribeiro do Vale, p. 38; grifo no original). Os participantes do Simpó-
do Departamento de Farmacologia da Escola Paulis- sio adotaram as seguintes recomendações:
ta de Medicina (RIBEIRO DO VALE, 1968). Em sua
palestra, ele lembrou do tempo em que trabalhava 1. Publicação dos trabalhos do Simpósio.
no Instituto Butantã (em 1936), que era, nas suas 2. Envio de sugestões e/ou planejamento para
palavras: ‘um laboratório de química e farmacologia pesquisas específicas em Produtos Naturais de
que causaria inveja mesmo aos pesquisadores de Interesse Farmacológico para a Comissão de
1967’. Esse laboratório, entretanto, foi desmante- Estudo de Produtos Naturais do CNPq e da FA-
lado ‘e transformado em laboratório de química do PESP.
tempo de Lavoisier’ (RIBEIRO DO VALE, 1968, p. 3. Levantamento das linhas de trabalho e das
37). Finalmente, o professor Raymond Zelnick, da possibilidades imediatas de cooperação dos vá-
Seção de Química do Instituto Butantã, proferiu rios laboratórios, em equipamentos e pessoal.
uma palestra sobre as plantas utilizadas na medicina 4. Divulgação deste cadastro ainda em 1967.
e nos rituais pelos índios da Amazônia (ZELNICK, 5. Envio, pelos pesquisadores, à Comissão de
1968). O objetivo principal do Simpósio era ‘estabe- Estudo de Produtos Naturais do CNPq, de to-
lecer um real espírito de colaboração entre os vários dos os resultados de trabalhos, passados e
pesquisadores, nesse campo de pesquisa [plantas futuros, que a Comissão deverá divulgar perio-

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Vol.4
Nº02
Nº01
junho
março
2007
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dicamente, a todos os interessados no uso dos 21. Instituto de Biologia da UFMG
resultados. 22. Instituto Nacional de Endemias Rurais
6. Estudar a possibilidade de agrupamento re- – MG
gional dos laboratórios.
7. Preocupação com a carência de núcleos au- A predominância absoluta do eixo Rio-São Paulo,
tênticos de pesquisa em Farmacologia Clínica. com 16 grupos é gritante. O professor Labouriau
8. Estímulo à formação interdisciplinar de pes- (DISCUSSÃO FINAL, 1968, p. 59) chamou a aten-
quisadores nesse campo. ção sobre esse fato, salientando o problema da dis-
9. Realização de um novo Simpósio, na sexta- tância entre os laboratórios responsáveis pela pu-
feira e sábado anteriores à XX Reunião anual da blicação dos resultados das pesquisas com plantas
SBPC, em São Paulo, em local a ser determi- medicinais, na sua maioria situados na região sudes-
nado. te, e a matéria prima, que está a mil quilômetros de
distância. Outra característica é o domínio das áreas
As primeira e última recomendações se concretiza- de química e farmacologia. O professor J. R. Maga-
ram já no ano seguinte. Um relatório, com as conclu- lhães ressaltou o fato do ‘número irrisório, absoluta-
sões do Simpósio, também foi enviado ao CNPq. As mente ridículo de grupos de botânicos, atuando na
outras recomendações ficaram no papel. área’ e ‘a falta acentuada de núcleos de pesquisa em
Farmacologia Clínica, nem um grupo sequer figura
Na discussão final, ‘Planejamento para a formação na relação’ (DISCUSSÃO FINAL, 1968, p. 55). Na
de futuros núcleos de pesquisa dedicados ao estu- época em que o documento foi discutido e publicado
do da flora medicinal brasileira’, o Dr Walter Mors (1968), a região nordeste compareceu com apenas
(1968), apresentou uma lista de 22 instituições pú- uma instituição, o Instituo de Química da UFCE,
blicas dedicadas ao estudo das plantas medicinais, que apresentou um único trabalho. Nesses quaren-
opinando sobre a inconveniência da criação de novos ta anos a situação mudou quase que radicalmente.
grupos, por considerar aquele número suficiente. Os Foram criados diversos centros de pesquisa e pós-
grupos mencionados foram os seguintes: graduação em diversas cidades do país. A região su-
deste (e São Paulo, em particular) continua à frente,
1. Departamento de Química da UFRRJ mas o salto registrado com a presença dos grupos
2. Departamento de Química da UFMG que foram sendo criados, é um fato indiscutível, em
3. Centro de Pesquisa de Produtos Naturais da todos os congressos examinados neste trabalho.
UFRJ
4. Instituto de Química da UFPE O II Simpósio ocorreu, como previsto no evento an-
5. Seção de química do Instituto Butantã terior, em 1968, no mesmo local, isto é, na Facul-
6. Instituto de Química e Tecnologia da UFCE dade de Ciências Médicas da Santa Casa de São
7. Instituto Biológico de São Paulo Paulo. Os professores J. R. Magalhães, E. Carlini e
8. Divisão de Química do INT-RJ A. Kraemer foram mais uma vez os seus organiza-
9. Cadeira de Química Orgânica da Faculdade dores. Foram apresentados 20 trabalhos nas áreas
de Farmácia e Bioquímica da USP de farmacologia, botânica, fitoquímica e toxicologia.
10. Instituto de Antibióticos da UFPE Paulo Nóbrega, do Laboratório Central do Controle
11. Departamento de Ciências Fisiológicas da de Drogas e Medicamentos, proferiu uma palestra
Faculdade de Ciências Médicas da USP sobre a importância do controle de qualidade para a
12. Departamento de Farmacologia da Escola produção de fitoterápicos (NÓBREGA, 1970). Foram
Paulista de Medicina ainda apresentados Relatórios das Atividades do en-
13. Cadeira de Farmacologia da Faculdade de tão CPPN (BROWN, 1970), do Laboratório de Pro-
Medicina da UFRJ dutos Naturais mantidos pela FAPESP no Conjunto
14. Instituto de Biofísica da UFRJ das Químicas da USP (BRAZ FILHO, 1970a), do Ins-
15. Jardim Botânico do Rio de Janeiro tituto de Tecnologia Agrícola e Alimentar do Ministé-
16. Instituto de Botânica de São Paulo rio da Agricultura (MORS, 1970a), do Departamento
17. Faculdade de Farmácia de Araraquara de Química da UFMG (ALVES, 1970) e da Escola
18. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto de Pós-Graduação em Química da UFRRJ (BRAZ
19. Seção de Farmacologia do Instituto Oswaldo FILHO, 1970b). No seu relatório, Herbert Magalhães
Cruz Alves, da UFMG observou que ‘não poderia tratar
20. Laboratório Central de Controle de Drogas de plantas medicinais’, pois esta ‘não era a sua área
e Medicamentos - RJ principal de trabalho’. Ao mesmo tempo, segundo ele,

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‘o termo planta medicinal é um tanto vago, porque Michler, João Batista de Lacerda, Rodolpho Albino,
potencialmente toda planta pode ser usada em me- Adolpho Ducke, Carlos Hoehne João Geraldo Kuhl-
dicina’. Deste modo, os seus objetivos eram naquele man, além, é claro, da importância do Instituto de
momento ‘inicialmente e acima de tudo a formação Química Agrícola para o desenvolvimento da fitoquí-
de pesquisadores em química orgânica’. Entretanto, mica no Brasil (MORS, 1970b). Pela primeira vez,
logo em seguida ele conclui: ‘nenhum dos nossos houve a participação de instituições estrangeiras;
objetivos pode ser considerado secundário’ (ALVES, fato que viria a se repetir ao longo dos anos.
1970, p. 30). Inexplicavelmente, não foi feito qualquer
comentário a essas declarações. O tema da coope- O IV Simpósio, organizado por Carlini e Ribeiro do
ração entre os cientistas foi novamente abordado, Vale, voltou a ser realizado em São Paulo, em 1972,
na longa conferência proferida por Luiz Gouveia La- e a partir daí a cada dois anos. Dos 29 trabalhos
bouriau. Segundo ele, ‘há pouca cooperação porque apresentados, 14 se referiam à química, botânica
há pouca gente’. Este fato levava as seguintes con- e farmacologia da Cannabis sativa. Como parte da
seqüências: a) muitos trabalhos de fitoquímica e de Mesa Redonda sobre Drogas Alucinógenas de Ori-
farmacologia não são reproduzidos por falta de apoio gem Vegetal, parte integrante do encontro, o pro-
botânico sólido; b) muitos trabalhos de botânica não fessor Richard Evans Schultes, do Jardim Botânico
alcançam maior precisão por falta de apoio da quími- de Kew, apresentou uma longa palestra sobre dro-
ca; c) muitos trabalhos de farmacologia com plantas gas alucinógenas da América Tropical (SCHULTES,
medicinais não são realizados por falta da droga em 1973), enquanto o professor Ribeiro do Vale rela-
quantidades suficientes (LABOURIAU, 1970, p. 49). tou a excursão farmacológica ao Parque Nacional
Ainda durante esse II encontro, na Discussão Final, do Xingu, realizada no ano anterior (RIBEIRO DO
Bernardo Guertzenstein propôs a instituição de um VALE, 1972). O Simpósio seguinte só se realizou
prêmio (na época no valor de NCr$ 10.000,00) para seis anos após, em 1978, e, mais uma vez, São Pau-
o melhor trabalho de fitoterapia. Foram feitas várias lo foi a sede do encontro. Ao final foram aprovadas
sugestões sobre a maneira de escolha do vencedor, as seguintes propostas (DISCUSSÃO DAS RECO-
mas o assunto não foi adiante. MENDAÇÕES, 1978):

O III Simpósio teve lugar na Academia Brasileira 1. a concretização efetiva e prioritária do Projeto
de Ciências, no Rio de Janeiro em 1969, como um FLORA do CNPq, inclusive com levantamento
apêndice ao Simpósio sobre Produtos Naturais da de linhas de trabalho e possibilidades imediatas
América Tropical. O Simpósio foi dividido em quatro de cooperação entre vários centros de pesqui-
seções: fitoquímica, química de animais invertebra- sas nacionais;
dos, farmacologia de produtos naturais e plantas 2. a realização, a cada dois anos, de simpósio
medicinais com 26, 9, 12 e novamente 12 trabalhos sobre plantas medicinais do Brasil, de preferên-
respectivamente, além de três conferências. Esta cia na Semana da Pátria, em local a ser definido
última seção, plantas medicinais, constituiu o SPMB no simpósio anterior;
propriamente dito, com trabalhos em botânica, far- 3. o apoio e o estímulo prioritários dos órgãos
macologia e fitoquímica. À parte a seção ‘química de amparo à pesquisa sobre plantas medicinais
de animais invertebrados’, é difícil, senão impossí- e produtos naturais para grupos que abordem o
vel saber porque os trabalhos não fizeram parte do problema, de preferência de forma integrada;
SPMB como um todo. Em Plantas Medicinais: Me- 4. o apoio prioritário à realização de convênios
mória da Ciência no Brasil, FERNANDES (2004, p. interinstituições a fim de estimular projetos mul-
75), sugere ter se tratado de um encontro técnico tidisciplinares em plantas medicinais e produtos
científico, não havendo no programa a previsão de naturais;
discussões plenárias com temas de política institu- 5. que seja reiterada aos poderes públicos a re-
cional’, fugindo assim, às propostas que haviam sido comendação nº 7 do I Simpósio de Plantas Me-
discutidas nos encontros anteriores. dicinais, em 1967, que diz o seguinte: “preocu-
pação com a carência de núcleos autênticos de
No discurso de abertura, o professor Walter Mors pesquisa em farmacologia clínica”;
lembrou os nomes de diversos naturalistas que con- 6. apoiar a formação de grupos muldisciplinares
tribuíram para o conhecimento da história natural capacitados a realizar estudos pré-clínicos de
brasileira, tais como Piso, Marcgrave, Saint-Hilaire, inocuidade e eficácia de medicamentos;
Martius, Frei Velloso, Arruda Câmara, Frei Leandro 7. que se faça veemente apelo aos poderes pú-
do Sacramento, Peckolt, Domingos Freire, Wihelm blicos a fim de permitir a reintegração às institui-

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ções científicas brasileiras dos cientistas afasta- SPIGUEL, 1978, p. 56). Para ele, esse argumento
dos por atos de exceção; era improcedente, pois só entrariam nesta coletânea
8. apoio aos grupos de investigação sobre plan- as informações publicadas. Desta maneira o próprio
tas medicinais destinadas a resolver os proble- Farnswoth não teria informação sobre uma planta se
mas de saúde da população; o autor não publicasse a respeito. O professor W.
9. interesse em se reeditar, revistas e ampliadas, Ladosky, da Universidade Federal de Pernambuco,
obras úteis sobre plantas medicinais do Brasil. aceitou essa idéia, observando que o projeto era fi-
nanciado e mantido pela OMS, e não por Chicago,
Como se vê; muitas dessas propostas são uma mera assim ‘nós só temos a ganhar’ (TEIXEIRA; SPIGUEL,
repetição daquelas que foram feitas no I Simpósio 1978, p. 57). O professor Carlini, por outro lado, se
11 anos antes. A palavra ‘nacionais’, referente ao opôs, e perguntou: ‘quantos milhões o CNPq gas-
Projeto Flora, não constava da proposta original, ta neste projeto? Então, repentinamente, depois
tendo sido introduzida na discussão final por propos- de tudo organizado, nós darmos isso em troca de
ta do professor Carlini, como forma de se excluir a outras informações!’, de mão beijada?’ (TEIXEIRA;
cooperação com instituições estrangeiras. O Projeto SPIGUEL, 1978, p. 57).
foi realmente implantado para atuar em três áreas
distintas, herbários, bibliotecas e campo, com os se- O Projeto Flora foi dividido em cinco áreas, de acor-
guintes objetivos (TEIXEIRA e SPIGUEL, 1978): do com a região geográfica do país. No período
1976-1986, o projeto permitiu a contratação de 52
1. Estabelecer competentes centros científicos botânicos iniciantes que, sob a orientação de profis-
no país sobre inventário e avaliação dos recur- sionais experientes proporcionaram a modernização
sos naturais vegetais, sobre a utilização desses dos herbários dessas regiões (FERNANDES, 2004;
recursos, assim como sobre problemas ecológi- TEIXEIRA, 1984). Infelizmente, da mesma maneira
cos e de conservação dos recursos naturais e do que a CEME, que o financiou, e como o IQA, o
meio ambiente; Projeto foi desativado. Quanto ao apoio à pesquisa
2. Produzir um inventário, o mais completo pos- com plantas medicinais de forma integrada (itens 3
sível, dos recursos naturais vegetais do Brasil, e 4 das Recomendações), o professor Ladosky dis-
estabelecendo os meios eficientes de consulta a se textualmente: “Temos o nosso Departamento e o
esse inventário, de modo a tornar disponíveis as Grupo de Antibióticos, de altíssima categoria. Ago-
informações concretas sobre plantas nativas; ra, é difícil estabelecer um entrosamento entre estes
3. Promover treinamento e aperfeiçoamento dois grupos, pois nos dois casos há interesses espe-
científico de pessoal nas áreas de botânica e cíficos de pesquisa que não se misturam” (DISCUS-
de sistemas de tratamento de dados botânicos, SÃO DAS RECOMENDAÇÕES, 1978, p. 231). De
através de estágios intensivos e cursos de pós- acordo com Fernandes (2004), uma desavença no
graduação em níveis de mestrado e doutorado. interior da Faculdade de Farmácia da UFCE, fez com
que o grupo de pesquisas em plantas medicinais,
Assim, o Projeto visava privilegiar a área de Botâni- coordenado pelo professor Francisco José de Abreu
ca. Entretanto, estava também em fase de estudo Matos, migrasse para o Departamento de Química,
um formulário para levantamento de informações apesar de a sua proposta estar mais próxima da área
sobre plantas tóxicas e medicinais, para a formação da saúde e, portanto da Faculdade de Farmácia. Se
de um Banco Satélite de Dados sobre farmacologia esses problemas ocorrem entre os departamentos
de produtos naturais. Os representantes do CNPq de uma mesma instituição, é possível imaginar os
afirmaram que até o final de 1978 o Banco de Da- que pode ocorrer entre Universidades diferentes.
dos do Projeto teria armazenado informações de
170.000 plantas da Amazônia e do Cerrado, e que O item 7 pedia a reintegração dos cientistas cas-
num prazo de cinco anos esse número seria superior sados pelo regime militar (ainda em vigor naque-
a 2.000.000 (TEIXEIRA e SPIGUEL, 1978). Durante la época), A proposta original fazia menção direta
a discussão que se seguiu, o professor Walter Mors às universidades e, especificamente, ao Dr. Haity
defendeu a associação dos pesquisadores brasilei- Moussatché, que se encontrava na Venezuela. Fran-
ros com o professor Farnsworth, da Universidade de cisco Paumgarten, da Escola Paulista de Medicina,
Chicago, responsável por um programa computado- sugeriu que a moção fosse de anistia ampla, geral e
rizado de química e farmacologia de produtos natu- irrestrita, uma vez que ‘não foram apenas os cientis-
rais, uma vez que ‘o argumento contra isso é que há tas atingidos pelos atos de exceção. Foi toda a so-
entrega de informações a um outro país’ (TEIXEIRA; ciedade brasileira’. Carlini disse que ‘como cidadão,

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eu até apoio muito do que foi dito’, mas ‘nós esta- quisa de Produtos Naturais da UFRJ, em 1986. Os
mos em um ambiente científico e temos um caso es- Departamentos de Farmacologia e Psicobiologia da
pecífico que é o do Professor Moussatché. Eu acho Escola Paulista de Medicina promoveram o X Encon-
que para não dar um tom carregado, político a este tro, realizado em 1988. O XV Simpósio também teve
documento, eu sou contra a proposição do colega’ lugar em São Paulo; desta vez em Águas de Lindóia,
(DISCUSSÃO DAS RECOMENDAÇÕES, 1978, p. dez anos depois. Deste modo, a região sudeste abri-
232). A discussão se tornou acalorada, para dizer o gou 9 Simpósios, dos 19 realizados até agora, sendo
mínimo, quando o Dr Orlando Gonçalves, represen- 6 no Estado de São Paulo (cinco na capital), 2 no Rio
tante da CEME, votou contra a proposta, fosse ela de Janeiro e 1 em Belo Horizonte. Apesar da biodi-
irrestrita ou não, pois ‘como funcionário do gover- versidade da região Amazônica, foi apenas em 1984,
no’ não poderia prejulgar os atos que levaram esse treze anos após o I Simpósio, que ali ocorreu um en-
mesmo governo a adotá-los. Assim, ‘eu, infelizmen- contro dessa natureza, que foi o VIII, realizado em
te, embora aceitando em tese qualquer apelo nes- Manaus. A cidade receberia novamente os partici-
se sentido, não posso subscrevê-lo’ (DISCUSSÃO pantes do XVIII Simpósio em 2004. Os Simpósios só
DAS RECOMENDAÇÕES, 1978, p. 232). É claro chegaram ao Sul do país em 1992. Curitiba foi o local
que, como bem lembrou o professor Jorge Guima- escolhido. Quatro anos mais seria a vez de outra ci-
rães, da UFF, todos eram funcionários do governo. dade do Sul, Florianópolis, sediar o XIV. A realização
Entretanto, eles só poderiam ser afastados de suas desses Simpósios só ocorreu na região centro-oeste
funções por um ato de exceção, o que naquela épo- uma única vez, foi o XVII, em Cuiabá, em 2002. A
ca não era tão difícil assim, enquanto o Dr Orlando partir de uma sugestão realizada já nos dois simpó-
poderia ser dispensado a qualquer momento, qual- sios iniciais (e constantemente iterada posteriormen-
quer que fosse o regime. O representante da CEME, te), pelo principal idealizador do SPMB, Dr E. Carlini,
sem o microfone, protestou, pois ‘fui convidado para a comunidade acadêmica acatou o compromisso da
tratar de plantas medicinais. Não vim tratar de ide- realização do evento no Estado de São Paulo, a cada
ologia’. Carlini lançou ‘um protesto em cima do pro- ciclo de dez anos (ou seja, cada 5 simpósios), o que
testo’, e instalou-se uma pequena discussão entre vem acontecendo regularmente (ver: http://www.
os dois (DISCUSSÃO DAS RECOMENDAÇÕES, plantasmedicinais.unifesp.br/hist.htm).
1978, p. 234). A proposta acabou sendo aprovada,
com exceção do voto do representante da CEME, Na Sessão de Abertura do VII Simpósio, ocorrido em
com a substituição da palavra ‘universidade’ por Belo Horizonte em 1982, a professora Alaíde Braga
‘instituições científicas brasileiras’, e com a retirada referiu-se ao ‘pequeno número de projetos integrados
do nome do Professor Moussatché. A última reco- em andamento no Brasil’ e à ‘falta de uma coordena-
mendação dizia respeito sobre a reedição de obras ção nacional que se faz necessária, sobretudo para
úteis de plantas medicinais do Brasil. A única obra evitar a duplicação de trabalhos’ (BRAGA, 1982) e,
mencionada foi o Dicionário de Plantas Úteis do no seu discurso proferido na mesma ocasião, o pro-
Brasil, de Pio Correa, mas não saiu do papel. Assim, fessor Ribeiro do Vale lembrou como ele, Walter Mors
passados 30 anos desde aquele encontro, a única e Elisaldo Carlini apresentaram, em 1977, ao CNPq,
recomendação realmente posta em prática foi a de um projeto de estudo integrado das plantas brasilei-
que os Simpósios se realizariam a cada dois anos. ras, com o objetivo de estimular a indispensável cola-
boração entre botânicos, químicos e farmacologistas,
O VI Simpósio teve lugar em Fortaleza onde, em tom e lamentou que o projeto não tivesse ido adiante (RI-
de brincadeira, o professor Ribeiro do Vale disse que BEIRO DO VALE, 1982). Os dados levantados neste
poderia passar 15 dias, em vez dos 3 ou 4 previstos trabalho mostram que as colaborações entre os de-
para cada encontro. O XIII Simpósio também ocorreu partamentos e/ou institutos de uma mesma institui-
naquela cidade. O Nordeste viria ainda a sediar mais ção foram, quando ocorreram, em número superior
quatro Simpósios; o XI em João Pessoa, em 1990, o ao de colaborações entre instituições diferentes. O
XVI em Recife, em 2000 e o XIX, em Salvador, em mesmo vale para a relação das colaborações entre as
2006. Durante o II Simpósio, em 1968, o professor mesmas regiões ou regiões diferentes.
Herbert Magalhães Alves sugeriu Belo Horizonte
como sede do IV encontro. Contudo, isso só veio a Os textos dos trabalhos apresentados nos sete pri-
acontecer em 1982, quando a UFMG recebeu os in- meiros Simpósios foram publicados na íntegra nos
tegrantes do VII Simpósio. O Rio de Janeiro foi pela Arquivos do Instituto Biológico (I e II), Anais da Aca-
segunda vez o anfitrião de um desses Simpósios, o demia Brasileira de Ciências (III), Ciência e Cultura
IX, realizado nas dependências do Núcleo de Pes- (IV, V, e VI) e na revista Oreades (Revista do De-

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partamento de Botânica da UFMG) (VII). Parte dos Inc. – Estados Unidos.
trabalhos do VIII Simpósio foi publicada em Acta • Efficacy and safety assessment of phytome-
Amazônica. Do X ao XVI e o XVIII, os trabalhos apa- dicines from published scientific literature. XIV
receram em livros de resumos e os dos XVII e XIX em Simpósio. Peter R. Bradley, Whitehall Labs. – In-
forma de CDs. O XX Simpósio apresentou um livro glaterra.
apenas com os títulos das comunicações,e um CD • Natural products for development of new dru-
com o resumo das mesmas. Em algumas ocasiões, gs. XIV Simpósio. Franco delle Monache, Uni-
como por exemplo durante os VIII, XIII, XIV, XV, XVI, versitá Catolica Del Sacro Cuore – Itália.
XVII e XX foram organizadas conferências plenas, • Metabolic engeneering: new ways to biologi-
mini-conferências, mini-cursos, mesas-redondas e cally active compounds. XIV Simpósio. R. Verpo-
simpósios-satélites. Como também ocorreu com as orte, Universidade de Leiden – Holanda.
reuniões da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), • Ginkgo biloba extracts: technology and quality
a presença de pesquisadores estrangeiros nas pa- control. XIV Simpósio. Reinhardt Neubert, Uni-
lestras e nos simpósios-satélite tem sido relevante: versidade Martin Luther – Alemanha.
• Ethnopharmacological conservation of Ama- • Biodiversity in drug Discovery. The key role of
zonian indians. VIII Simpósio. Richard Schultes, Brazil and the importance of collaboration. XVI
Museu Botânico da Universidade Harvard – Es- Simpósio. Gordon Gragg, Instituto Nacional do
tados Unidos. Câncer – Estados Unidos.
• General aspects of phytopharmaceuticals use • Approaching a new generation of novel phyto-
by pacients. VIII Simpósio. Helmut Sauer, Uni- therapeuticals. XX Simpósio. Hildebert Wagner,
versidade de Colônia – Alemanha. Universidade de Munique – Alemanha.
• Ethnobotanicals studies of Amazonian indians. • Compuestos polifenolicos em la colitis ulcero-
VIII Simpósio. Ghillean Prance. New York Bota- sa. XX Simpósio. Julio Galvez, Universidade de
nical Garden Estados Unidos. Granada – Espanha.
• Why new studies of Brazilian Strychnos? VIII • Uses and abuses of in vitro test in ethnophar-
Simpósio. Luc Angenot – Faculdade de Medici- macology and medicinal plant research. XX Sim-
na, Universidade de Liège Bélgica. pósio. Peter Houghton, King’s College – Ingla-
• Botanical, chemical and pharmacological as- terra.
pects of curare. VIII Simpósio. Norman Bissert • The ethnopharmacology of south-Asian mi-
– Departamento de Farmácia, Chelsea College grants in Northern XX Simpósio, Andrea Pieroni.
– Universidade de Londres – Inglaterra. Universidade de Bradford – England.
• The use of plant products as tools to study • Urban ethnobotany of the Andean community
mechanisms of drug action. XIII Simpósio. F. J. in London: A reflection on cross-cultural adapta-
Evans, Faculdade de Farmácia, Universidade de tion. XX Simpósio. Melissa Ceuterick, Universi-
Londres – Inglaterra. dade de Bradford – England.
• The use of plant products as tools to study me- • Can we identify metabolic diseases in ethno-
chanisms of drug action. XIII Simpósio. Charles pharmacological field studies? XX Simpósio. Mi-
Quiron, Universidade René Descartes – França. chael Heinrich, Universidade de Londres – En-
• Asymetric synthesis of biologically reactive gland
substituted piperidines. XIII Simpósio. Micha- • Vision of the future of medicinal plants of the
el Boyd, National Institute of Health – Estados high plateau and central valleys of the Andes.
Unidos. Ricardo Seidl da Fonseca. XX Simpósio. Orga-
O programa CYTED para obtenção de fitoterá- nização das Nações Unidas para o Desenvolvi-
picos na Ibero-america. XIII Simpósio. Ceferino mento Industrial – Áustria.
Sanchez, CYTED – Panamá. • Phyto-meaning: How the meaning of a plant
• Natural products drug Discovery: a systematic might might influence its effectiveness. XX Sim-
approach. XIII Simpósio. James D. McChesney, pósio. Daniel Moerman, Universidade de Michi-
Universidade do Mississipi – Estados Unidos. gan – Estados Unidos.
• Production and marketing of phytomedicines • Comparative analysis in ethnopharmacology.
in Europe. Possibilities for cooperation with Bra- XX Simpósio. Marco Leonti, Universidade de
zil. XIV Simpósio. Joerg Grunwald, Institut für Cagliari – Itália.
Phytopharmaceuticals – Alemanha. • Medicinal and food plants as modulators of
• Present and future of phytopharmaceuticals in the enocannabinoids system – evolution of an
USA. XIV Simpósio. Michael Tempesta, LAREX adaptomimetic mechanism. XX Simpósio. Juerg

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Simpósios Contendo
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Medicinais sobre
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40 anos de História
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Gertsch, ETH Suíça. genous Livestock Development – Alemanha.
• Targeting inflammation by traditional phyto- • The use of plants in control of gastrointestinal
chemical agents for prevention and therapy of nematode parasites of small ruminants. XX Sim-
cancer. XX Simpósio. Universidade do Texas pósio. John Githiori, ILRI Biotechnology -– Qu-
– Estados Unidos. ênia.
• The phytotherapy in Cuba. XX Simpósio. Mila- • A unique issue in the standartization of Chi-
gros Garcia Mesa, Instituto Nacional de Angio- nese Matéria Medica: Processing. XX Simpósio.
logia e Cardiologia Vascular – Cuba. Zhonhzhen Zhao, Zhitao Liang e Guanghua Lu,
• The application of emerging Technologies to Universidade Batista de Hong-Kong China.
the analysis of plant extracts. Is this a way of • Controlling obesity and metabolic disorders
accounting for synergism? XX Simpósio. Peter witn traditional medicine and life style. XX Sim-
Hyland, Kiung’s College – Inglaterra. pósio. Anwar Gilani, Universidade Aga Khan Pa-
• The European experience with the use of Cra- quistão.
etageus for the treatment of chroniuc heart fai-
lure. Hildebert Wagner, Universidade de Muni- Todas essas palestras foram importantes para con-
que – Alemanha. solidar os Simpósios. A questão constantemente
• Traditional medicine in the public health dis- levantada durante os eventos foi a sobre a colabo-
course. XX Simpósio. Janna Weiss, Universida- ração entre os pesquisadores das diferentes áreas.
de do Tibet – China. Apesar de a cooperação entre as diversas discipli-
• Education, ethnobotany, food habits and heal- nas ser fundamental nas pesquisas multidisciplina-
th in Cavilla-La Mancha (Spain). XX Simpósio. res, como é o caso das plantas medicinais, as difi-
Jose Fajardo Rodriguez, Jardim Botânico de Ca- culdades em estabelecê-la tem sido mais exceção
villa-La Mancha – Espanha. do que a regra. Prance (1991) relatou que, quando
• A public health research agenda for tradiutio- ele tentou estabelecer um programa de colaboração
nal medicine. XX Simpósio. Gerald Bodecker, com o antropólogo Robert Carneiro para um estudo
Universidade de Oxford – Inglaterra. etnobotânico dos índios Kuikuru, o projeto foi recu-
• The use of plant extracts to replace antibiotic sado pela seção de biologia sistemática da Funda-
feed additives in poultry production. XX Simpó- ção Nacional de Ciências dos Estados Unidos por
sio. Kobus Eloff, Universidade de Pretória – Áfri- ser muito antropológico. Ao mesmo tempo, a seção
ca do Sul. de antropologia o considerou muito botânico. Nos
• Production, protection and profit: How can Simpósios aqui analisados, esse panorama tantas
local livestock keep benefits from their ethno- vezes debatido, tem se mantido e as comunicações
veterinary knowledge? XX Simpósio. Evelyn envolvendo uma única instituição e/ou área têm pre-
Mathias, League for Pastoral Peoples and Endo- valecido, como ilustra a Tabela 1.

Tabela 1 - Número de trabalhos apresentados em colaboração nos SPMB

SIMPÓSIO 1 INST 2 INST 3 INST 4 INST 5 INST 6 INST TOTAL

I 6 1 0 0 0 0 7

II 19 3 0 0 0 0 22

III 6 3 1 2 0 0 12

IV 22 6 1 0 0 0 29

V 28 11 2 1 0 0 46

VI 17 17 2 0 0 0 38

VII 42 19 5 0 0 0 67

VIII 67 43 10 1 0 0 121

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SIMPÓSIO 1 INST 2 INST 3 INST 4 INST 5 INST 6 INST TOTAL

IX 58 39 7 2 0 0 106

X 106 37 17 3 0 0 166

XI 130 85 17 3 0 0 235

XII 163 103 27 3 0 0 296

XIII 200 144 26 4 3 0 377

XIV 299 213 68 16 0 0 596

XV 270 209 97 24 3 0 604

XVI 307 286 130 33 1 1 759

XVII * * * * * * 870

XVIII 200 186 105 29 3 1 531

XIX * * * * * * 766

XX 445 499 238 84 21 3 1294

* Indisponível. Em alguns casos (V, VI, VII, X, XV, XVI e XVIII Simpósios) existem trabalhos sem a menção a qualquer instituição. Daí
a discordância com o número total de comunicações. No XX Simpósio houve uma comunicação com a participação de 7 institutos ou
departamentos

A Tabela 1 mostra claramente que o número de queles referentes à ‘química de produtos naturais’.
comunicações isoladas tem sido sistematicamen- Existem ainda as comunicações abrangendo mais
te superior àquelas apresentadas em colaboração de uma área, aqui incluídos na coluna ‘multidiscipli-
em todos os Simpósios realizados até o momento. nar’, e aquelas que não puderam ser agrupadas em
Deve-se notar ainda que essas colaborações fo- nenhuma dessas áreas, como controle de praga em
ram com bastante freqüência realizadas entre áre- plantas medicinais, algas, liquens, química de orquí-
as idênticas de instituições diferentes. A partir do deas, banco de dados, padronização, produção de
VIII Simpósio, os livros de resumos foram divididos fitoterápícos, aromas de frutas tropicais, a possível
em diversas seções como farmacologia, fitoquímica, utilização de plantas medicinais por primatas, bio-
botânica, agronomia etnofarmacologia, toxicologia tecnologia e plantas utilizadas em doenças de ani-
e farmacognosia, embora essas separações nem mais. É interessante, e surpreendente observar, que
sempre tenham sido observadas. Além disso, não durante o XVIII Simpósio foi apresentado um traba-
raro, essas áreas estão superpostas em uma mesma lho sobre a ‘Arte do Pêndulo’. No Livro de Resumos
seção, como botânica junto com etnofarmacologia correspondente ao XX Simpósio, realizado em 1008,
(XIV Simpósio) ou etnofarmacologia junto com far- em São Paulo, as comunicações de agronomia, botâ-
macologia (XII Simpósio). A farmacognosia só teve a nica e etnofarmacologia foram separadas em áreas
sua própria divisão em 3 simpósios (XVI, XVII, XIX), distintas e a toxicologia foi novamente incorporada à
apesar de ter estado presente em vários outros sim- farmacologia. Tudo isso dificulta uma avaliação pre-
pósios, com resumos espalhadas pelas demais áre- cisa sobre o número de comunicações apresentadas
as. O mesmo pode ser dito para a toxicologia e para em cada sessão. Todavia, independente do critério
a etnofarmacologia. No XIV, XVI e XVII Simpósios, utilizado na classificação dos trabalhos, o fato é que
as seções de agronomia e botânica estão separa- a área de farmacologia, seguida pela de química de
das, mas no XIX elas estão agrupadas na única área produtos naturais, superaram, de maneira constan-
de ‘Agronomia’. No Livro de Resumos do XI Simpó- te, as outras áreas, como pode ser visto na Tabela 2,
sio, os trabalhos de ‘síntese de produtos naturais’ na qual a coluna ‘outros’ engloba botânica, agrono-
e ‘quimiossistemática’ estão colocados à parte da- mia, etnofarmacologia, toxicologia, controle de qua-

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lidade, padronização, biotecnologia, saúde pública, Ciências Farmacêuticas da UNESPAR, a UENF e a
legislação, tecnologia farmacêutica, produção de UNVALI/NIQFAR (a única instituição de caráter pri-
fitoterápicos, etc. Este dado foi também constatado vado na relação) por terem comparecido à metade
no trabalho de Fernandes (2004), e se repetiu nos dos Simpósios a partir das suas próprias fundações.
XVIII, XIX e XX Simpósios.
A instituição com maior número de comunicações foi
Seguindo o mesmo esquema adotado nos dois ca- o Laboratório de Tecnologia Farmacêutica da Univer-
pítulos anteriores, a Tabela 3 mostra as instituições sidade Federal da Paraíba, seguida pelo Departamen-
públicas de ensino e/ou pesquisas, com seus res- to de Química Orgânica e Inorgânica da Universidade
pectivos Departamentos ou Institutos e que parti- Federal do Ceará. Entretanto, o Núcleo de Pesquisas
ciparam de pelo menos 50% dos 20 Encontros aqui de Produtos Naturais, da Universidade Federal do
considerados. Estão incluídos o CPQBA, a UENF, A Rio de Janeiro, pioneiro na área, foi o único a estar
EMBRAPA, o Instituto de Química e a Faculdade de presente em todos esses Simpósios (Tabela 3).

Tabela 2 – Número de Trabalhos apresentados nos SPMB (por área)

SIMPÓSIO FARMACOLOGIA FITOQUÍMICA OUTROS TOTAL

I 3 1 3 7

II 6 4 12 22

III 2 3 7 12

IV 14 3 12 29

V 14 9 23 46

VI 17 7 14 38

VII 23 13 29 67

VIII 66 31 24 121

IX 54 35 17 106

X 101 24 41 166

XI 86 89 60 235

XII 98 96 102 296

XIII 157 71 149 377

XIV 225 117 254 596

XV 255 166 183 604

XVI 322 122 315 759

XVII 414 133 323 870

XVIII 219 60 252 531

XIX 365 237 287 766

XX 472 372 450 1294

TOTAL 2406 1564 2498 6468

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Tabela 3 – Instituições que participaram de pelo menos 50% dos SPMB com o respectivo nº de trabalhos (1967-2008)
INSTITUIÇÃO* I II III IV V VI VII VIII IX X XI XII XIII XIV XV XVI XVIII XX Total

1. FOC/CPRR 0 0 0 0 0 0 1 2 1 0 6 6 2 0 6 6 1 02 33

2. IBIO 1 11 2 2 5 2 0 1 3 1 1 2 2 3 4 1 6 02 49

3. IBOT 1 5 0 4 2 0 0 1 5 1 0 1 0 5 5 0 5 21 56

4. UENF/SQPN 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 6 10 14 0 9 39

5. UFBA/FF 0 0 0 0 0 0 1 0 3 2 1 3 2 2 2 11 4 03 34

6. UFCE/DF 0 0 0 0 0 0 1 2 1 1 0 0 2 5 5 16 8 04 45

7. UFCE/DFISIOLFCO 0 0 0 0 0 3 5 7 8 10 6 10 29 23 15 37 21 36 210

8. UFCE/DQOI 1 0 0 0 1 4 4 11 12 13 15 27 42 30 34 30 16 15 255

9. UFJF/ICB 0 0 0 0 0 0 2 2 2 4 0 2 0 4 4 9 8 13 50

10. UFMG /DQ 0 0 0 1 1 1 4 1 1 0 1 7 9 11 16 14 5 07 79

11. UFPA/DQ 0 0 0 0 0 0 1 2 3 1 0 4 2 6 9 7 2 05 42

12. UFPB/LTF 0 0 0 0 0 6 3 6 16 17 25 8 21 27 25 60 31 67 312

13. UFPE/DA 0 0 0 0 0 0 4 14 6 16 13 14 11 15 16 16 6 17 148

14. UFPE/DFISIOLFCO 0 0 0 0 0 1 2 1 0 0 2 3 4 9 12 13 9 12 68

15. UFPI/NPPM 0 0 0 0 0 0 0 2 1 2 6 2 3 0 1 9 7 10 43

16. UFPR/DF 0 0 0 1 0 1 0 0 3 3 2 14 2 11 7 4 19 03 70

17. UFRJ/DFCO 0 0 0 0 0 6 1 3 1 2 0 0 3 5 11 9 0 04 45

18. UFRJ/NPPN 1 1 2 4 6 6 2 1 5 1 8 27 21 31 41 35 8 26 226

19. UFRRJ/DQ 1 0 1 1 2 1 1 2 2 1 3 6 4 4 6 10 7 06 58

20. UFRS/FF 0 0 0 0 0 0 1 5 6 1 1 24 7 25 22 6 6 31 135

21. UFSC/DFCO 0 0 0 0 0 0 2 6 6 18 5 13 17 18 18 11 5 04 123

22. UFSC/DQ 0 0 0 0 0 0 1 4 3 13 7 12 14 35 35 12 8 16 160

23. UFSCAR/DQ 0 0 0 0 0 0 2 2 1 0 4 3 5 1 5 2 5 09 39

24. UNESPBOT/IBIOC 0 0 0 0 0 0 1 0 1 1 3 2 2 8 5 7 4 51 85

25. UNICAMP/CPQBA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 11 16 13 15 17 23 28 123

26. UNICAMP/IB 0 0 0 0 2 0 1 3 0 2 0 1 7 12 15 18 6 15 82

27. UNICAMP/IQ 0 0 0 0 2 0 0 2 1 2 0 2 2 4 10 6 4 08 43

28. UNIFESP/DFCO 0 0 0 11 4 4 3 20 8 11 4 15 12 15 23 11 9 06 156

29. UNIFESP/ 5 2 1 0
1 0 0 2 0 8 0 0 1 7 7 12 1 15 62
DPSICOB

30. UNIVALI/NIQFAR 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 31 47 11 4 29 122

31. USP/FCF 0 02 01 2 0 0 1 0 2 4 11 16 16 9 11 9 17 101
0

32. USP/IQ 0 0 1 0 7 0 2 6 7 4 11 0 5 9 6 2 10 20 90

TOTAL 6 19 7 26 39 37 46 108 106 137 136 248 277 412 468 456 257 641

OBS: Os dados referentes aos XVII e XIX Simpósio não estão disponíveis

* Instituições que participaram de pelo menos 50% dos SPMB após suas criações.

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Tabela 4 – Número de trabalhos apresentados em pelo menos 50% do SPMB (por Estado)

ESTADO NÚMERO DE TRABALHOS NÚMERO INSTITUIÇÕES

SP 884 13
CE 510 3
SC 405 3
RJ 340 4
PB 312 1
PE 216 2
MG 160 3
RS 166 2
PR 70 1
PA 42 1
PI 43 1
BA 33 1
TOTAL 3181 35

Tabela 5 – Número de trabalhos apresentados em pelo menos 50% do SPMB (por região)

REGIÃO NÚMERO DE TRABALHOS NÚMERO DE INSTITUIÇÕES

SE 1384 20
NE 1114 8
S 641 6
NO 42 1
TOTAL 3181 35

A análise geográfica dos dados da Tabela 3 é mos- ou Institutos listados na Tabela 3 também participa-
trada nas Tabelas 4 e 5 e nos gráficos das Figuras ram de pelo menos a metade das Reuniões da SBPC
1 e 2. Entretanto, essa situação deve ser vista com e da SBQ, na área de química de Produtos Naturais,
cautela, quando se considera o número de Institutos apesar da grande diferença no número de comu-
ou Departamentos envolvidos nesse processo. A re- nicações apresentadas em cada uma delas, como
gião Sudeste foi responsável por 1384 distribuídos mostra a Tabela 6. A participação do Departamento
por 20 Departamentos e/ou Institutos, enquanto de Química Orgânica e Inorgânica da Universidade
a região Nordeste apresentou 114 comunicações, Federal do Ceará foi bastante equilibrada nos três
distribuídas por 8 Institutos e/ou Departamentos. Encontros analisados. Por outro lado, para os de-
Vale ainda notar que a região Norte, apesar de toda mais exemplos mencionados, houve uma tendência
a riqueza da sua biodiversidade, se fez representar, em se privilegiar um Encontro sobre os demais. Este
nessas tabelas, apenas pelo Departamento de Quí- fato é mais notável nos trabalhos apresentados pelo
mica da Universidade Federal do Pará. Departamento de Química da Universidade Federal
de São Carlos, com apenas 30 comunicações nos
A título de comparação, alguns dos Departamentos SPMB, mas 376 nas Reuniões da SBQ.

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Figura 1 – Variação no número de trabalhos apresentados em pelo menos 50% do SPMB (por Estado)

Figura 2 – Variação no número de trabalhos apresentados em pelo menos 50% do SPMB (por Região)

Tabela 6 – Total de trabalhos em Química de Produtos Naturais nas Reuniões da SBPC, SBQ e SPMB

INSTITUIÇÃO SPBC SBQ SPMB

UFCE/DQOI 247 312 255
UFMG/DQ 224 153 79
UFPA/DQ 40 173 42
UFPB/LTF 55 101 312
UFRJ/NPPN 219 122 226
UFRRJ/DQ 185 209 58
UFSCAR/DQ 55 402 39
UNICAMP/IB 31 129 82
UNICAMP/IQ 102 167 43
UNIVALI/NIQFAR 0 21 122
USP/FCF 12 27 101
USP/IQ 538 311 90 

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Os Simpósios de Plantas Medicinais do Brasil tam- ilustra a Tabela 7, o que evidencia o seu grau de
bém têm contado com a presença de instituições internacionalização.
das três Américas, Europa, Ásia e Oceania, como

Tabela 7 – Instituições estrangeiras com participação nos SPMB
CENTRO DE INVESTIGAÇÕES BIOLÓGICAS REPÚBLICA DOMINICANA
CENTRO NACIONAL DE PESQUISAS CIENTÍFICAS FRANÇA
FACHHOCHSCHULE/COLONIA XIII ALEMANHA
FACULDADE DE CIENCIAS EXATAS ARGENTINA
FACULDADE DE CIÊNCIAS MEDICAS PINAR DEL RIO CUBA
FACULDADE DE FARMÁCIA CHATENAY-MALABRY FRANÇA
INSTITUTO DE QUÍMICA DE SARRIÁ ESPANHA
INSTITUTO DE QUÍMICA ORGÂNICA DE SHANGAI CHINA
INSTITUTO MEXICANO DE SEGURO SOCIAL MEXICO
INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE JAPÃO
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER ESTADOS UNIDOS
INSTITUTO PARA O DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS MEDICINAIS CHINA
INSTITUTO RECURSOS NATURALES CHILE
INSTITUTO SUPERIOR DE SANITÁ ITALIA
INSTITUTO VENEZUALANO DE INVESTIGAÇÕES CIENTÍFICAS VENEZUELA
INSTITUTO WEISSMAN ISRAEL
INSTITUTO DE FARMÁCIA BIOLÓGICA X ALEMANHA
ISNTITUTO POLITÉCNICO DA VIRGÍNIA ESTADOS UNIDOS
KEW BOTANICAL GARDEN INGLATERRA
KING’S COLLEGE INGLATERRA
MOUNTSINAI SCHOOL MEDICINE ISRAEL
MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL FRANÇA
NEW YORK BOTANICAL GARDEN ESTADOS UNIDOS
PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA CHILE
QUEEN MARY COLLEGE INGLATERRA
TIERARZTLICH HOCHSCHULE ALEMANHA
UINIVERSIDADE DE LA LAGUNA ESPANHA
UNIVERSIDADE AUTONOMA DO MEXICO MEXICO
UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SAGRADO CORAÇÃO ITÁLIA
UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI ESPANHA
UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA BERKELEY ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DA COSTARICA COSTA RICA

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UNIVERSIDADE DA FLÓRIDA ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE BERNA SUIÇA
UNIVERSIDADE DE BUENOSAIRES ARGENTINA
UNIVERSIDADE DE COIMBRA PORTUGAL
UNIVERSIDADE DE CONCEPCIÓN CHILE
UNIVERSIDADE DE CÓRDOBA ARGENTINA
UNIVERSIDADE DE DUBLIN IRLANDA
UNIVERSIDADE DE FRANKFURT ALEMANHA
UNIVERSIDADE DE GENEBRA SUIÇA
UNIVERSIDADE DE GIESSEN ALEMANHA
UNIVERSIDADE DE GIFU JAPÃO
UNIVERSIDADE DE GRANADA ESPANHA
UNIVERSIDADE DE HANNOVER ALEMANHA
UNIVERSIDADE DE HAVANA CUBA
UNIVERSIDADE DE IBADAN NIGÉRIA
UNIVERSIDADE DE ILLINOIS ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE KENTUCKY INGLATERRA
UNIVERSIDADE DE KIOTO JAPÃO
UNIVERSIDADE DE LA PLATA ARGENTINA
UNIVERSIDADE DE LA REPUBLICA URUGUAI
UNIVERSIDADE DE LAUSANNE SUIÇA
UNIVERSIDADE DE LEIDEN HOLANDA
UNIVERSIDADE DE LIÈGE BÉGICA
UNIVERSIDADE DE LISBOA PORTUGAL
UNIVERSIDADE DE LONDRES INGLATERRA
UNIVERSIDADE DE LYON FRANÇA
UNIVERSIDADE DE MANCHESTER INGLATERRA
UNIVERSIDADE DE MASSACHUSSETTS ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE MISSOURI ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE MODENA ITÁLIA
UNIVERSIDADE DE MONTIVIDÉU URUGUAI
UNIVERSIDADE DE MONTPELLIER FRANÇA
UNIVERSIDADE DE MUNIQUE ALEMANHA
UNIVERSIDADE DE MUNSTER ALEMANHA
UNIVERSIDADE DE MYSORE ÍNDIA
UNIVERSIDADE DE NAPOLES ITALIA

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Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

UNIVERSIDADE DE OHIO ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE OKLAHOMA ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE PARIS FRANÇA
UNIVERSIDADE DE PAUA NOVA GUINÉ PAPUA NOVA GUINÉ
UNIVERSIDADE DE PINAR DEL RIO CUBA
UNIVERSIDADE DE PISA ITALIA
UNIVERSIDADE DE PURDUE ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE PUTRA MALÁSIA
UNIVERSIDADE DE RAJASTHAN ÍNDIA
UNIVERSIDADE DE REMNES FRANÇA
UNIVERSIDADE DE RHODE ISLAND ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DE ROCHESTER ÍNDIA
UNIVERSIDADE DE ROSARIO ARGENTINA
UNIVERSIDADE DE ROUEN FRANÇA
UNIVERSIDADE DE SALAMANCA ESPANHA
UNIVERSIDADE DE SALERNO ITÁLIA
UNIVERSIDADE DE SEVILHA ESPANHA
UNIVERSIDADE DE SHERBROKE CANADA
UNIVERSIDADE DE STRATHCLYDE ESCÓCIA
UNIVERSIDADE DE TEHERAN IRAN
UNIVERSIDADE DE TOKUSHIMA JAPÃO
UNIVERSIDADE DE UPPSALA SUÉCIA
UNIVERSIDADE DE VALPARAISO CHILE
UNIVERSIDADE DE YAOUNDÉ CAMARÕES
UNIVERSIDADE DEE GENOVA ITÁLIA
UNIVERSIDADE DO MISSISSIPI ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DO PACIIFICO ESTADOS UNIDOS
UNIVERSIDADE DO PORTO PORTUGAL
UNIVERSIDADE ERLANGEN ALEMANHA
UNIVERSIDADE HEBRAICA DE JERUSALÉM ISRAEL
UNIVERSIDADE JADAVIPUR ÍNDIA
UNIVERSIDADE JOSEPH FOURIER FRANÇA
UNIVERSIDADE KOLKATA ÍNDIA
UNIVERSIDADE MCGILL CANADÁ
UNIVERSIDADE NACIONAL DE ASUNCIÓN PARAGUAI
UNIVERSIDADE NACIONAL DE COLOMBIA COLOMBIA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE CORDOBA ARGENTINA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE COSTA RICA COSTA RICA

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 33
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article Simpósios de Plantas
da Área da Saúde, Medicinais
Contendo do Brasil:
Informações 40 anos
sobre de História
Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

UNIVERSIDADE NACIONAL DE JUJUY ARGENTINA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE LUJAN ARGENTINA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE ROSARIO ARGENTINA
UNIVERSIDADE NACIONAL DE SAN LUIS ARGENTINA
UNIVERSIDADE NACIONAL DO URUGUAI URUGUAI
UNIVERSIDADE NELSON MANDELA ÁFRICA DO SUL
UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA PORTUGAL
UNIVERSIDADE PERUANA CAYETANO HEREDIA PERU
UNIVERSIDADE PRAVARANAGAR ÍNDIA
UNIVERSIDADE RANDAZAD IRAN
UNIVERSIDADE RENE DESCARTES FRANÇA
UNIVERSIDADE SAN CARLOS GUATEMALA
UNIVERSIDADE SHAHED IRAN
UNIVERSIDADE SZEGED HUNGRIA
UNIVERSIDADE TARBIAT MODARES IRAN
UNIVERSIDADE TECNICA DA DINAMARCA DINAMARCA
Total = 122 instituições estrangeiras

A Tabela 8 e o gráfico da Figura 3 mostram de manei- mento do número de trabalhos apresentados nos Sim-
ra resumida o vertiginoso, e quase constante, cresci- pósios de Plantas MedIcinais ao longo de 40 anos.

Tabela 8 – Resumo histórico dos dezenove SPMB analisados neste trabalho

SIMPÓSIO ANO LOCAL ORGANIZADOR Nº TRABALHOS

I 1967 SÃO PAULO J.R.MAGALHÃES, A.KRAMER, 7
E.CARLINI

II 1968 SÃO PAULO J.R.MAGALHÃES, A.KRAMER, 22
E.CARLINI
III 1969 SÃO PAULO J.R.MAGALHÃES, A.KRAMER, 12
E.CARLINI
IV 1972 RIO DE JANEIRO E.CARLINI, J.R.VALLE 29
V 1978 SÃO PAULO E.CARLINI, J.R.VALLE 46
VI 1980 FORTALEZA AFRÂNIO CARVALHO 38
VII 1982 BELO HORIZONTE ALAÍDE BRAGA DE OLIVEIRA 67
VIII 1984 MANUAS JOSÉ GUILHEREME S. MAIA 121
IX 1986 RIO DE JANEIRO AFONSO PRADO SEABRA 106
X 1988 SÃO PAULO E.CARLINI 166
XI 1990 JOÃO PESSOA DELBY F. MONTEIRO 235
XII 1992 CURITIBA EDUARDO A. MOREIRA 296

34 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article da Área da Saúde,
Simpósios Contendo
de Plantas Informações
Medicinais sobre
do Brasil: Interações
40 anos de História
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

SIMPÓSIO ANO LOCAL ORGANIZADOR Nº TRABALHOS

XIII 1994 FORTALEZA GLAUCE S. B. VIANA 377
XIV 1996 FLORIANÓPOLIS JOÃO B. CALIXTO 596
XV 1998 ÁGUAS DE LINDÓIA ANTÔNIO JOSÉ LAPA 604
XVI 2000 RECIFE MARIA BERNADETE S. MAIA 759
XVII 2002 CUIABÁ DOMINGOS T.O. MARTINS 863
XVIII 2004 MANAUS JUAN REVILLA 531
XIX 2006 SALVADOR JUCENI PEREIRA DAVID 766
XX 2008 SÃO PAULO ELISALDO CARLINI (PRESIDENTE) 1294
TOTAL 6935

Figura 3 - variação no número de comunicações apresentadas nos SPMB

Pode-se constatar portanto, que, com exceção da Referências
queda no número de comunicações do XVII para o
XVIII Simpósio, o seu aumento foi constante nas ALVES, H.M.1970. Relatório das atividades do Depar-
quatro décadas aqui consideradas. O crescimento tamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da
é evidente sob qualquer ponto de vista. As 7 comu- Universidade Federal de Minas Gerais. II Simpósio de
nicações lidas em 1967, transformaram-se em 766 Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto Bio-
em 2006. Em praticamente 40 anos, a realização bi- lógico, v.37, p.30-31, 1970.
anual do Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil
consolidou a sua importância. E, mais do que isso, BRAGA, A.O. Sessão de Abertura. VII Simpósio de
a exemplo do que ocorreu com a SBQ, o interesse Plantas Medicinais do Brasil, p.11-12, 1982.
dos cientistas em conhecer o mecanismo de ação
do princípio ativo responsável por uma determinada BRAZ FILHO, R. Relatório das atividades do laborató-
ação farmacológica também se tem tornado mais rio de produtos naturais.Fundação de Amparo à Pesqui-
constante a partir do XIV Simpósio. sa do Estado de São Paulo/Universidade de São Paulo.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article Simpósios de Plantas
da Área da Saúde, Medicinais
Contendo do Brasil:
Informações 40 anos
sobre de História
Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

II Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos ra. II Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos
do Instituto Biológico, v.37, p.22-23, 1970a. do Instituto Biológico, v.37, p.28-29, 1970a.

BRAZ FILHO, R. Relatório das atividades da escola de MORS, W. Prefácio. Simpósio sobre Produtos Naturais
pós-graduação da Universidade Federal Rural do Rio de da América Tropical. Rio de Janeiro, Academia Brasilei-
Janeiro. II Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil. Ar- ra de Ciências, 1970b.
quivos do Instituto Biológico, v.37, p.35-36, 1970b.
MORS, W.B. Plantas medicinais: a visão de um químico.
BROWN. K. Relatório das atividades no Centro de Pes- VII Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, Livro de
quisas de Produtos Naturais da Faculdade de Farmácia Resumos, p.550-552, 1982.
da Universidade Federal do Rio de Janeiro. II Simpósio
de Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto MOUSSATCHÉ, H. Abertura do Simpósio. I Simpósio
Biológico, v.37, p.19-20, 1970. de Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto
Biológico, v. 35, p. 9, 1968.
CARLINI, E.L.A.; SIANI, A.C. Memória do I Simpósio
de Plantas Medicinais do Brasil. Revista Fitos, v.2, n.3, NÓBREGA, P. Controle de Produtos Fitoterápicos no
p.6-23, 2007. Brasil. Arquivos do Instituto Biológico, v.37, p.87-89,
1970.
DISCUSSÃO FINAL. Planejamento para a formação de
futuros núcleos de pesquisa dedicados ao estudo da flo- PRANCE, G. T. What is ethnobotany today? Journal of
ra medicinal brasileira. Arquivos do Instituto Biológico, Ethnopharmacology, v.32, p.209-216, 1991.
v.35. p.53-67, 1968.
RIBEIRO DO VALE, J.R. Problemas relacionados com o
DISCUSSÃO DAS RECOMENDAÇÕES. Ciência e estudo da farmacologia de plantas medicinais brasilei-
Cultura, Supl. p.228-236, 1978. ras.. I Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil. Arqui-
vos do Instituto Biológico, v.35, p.36-42, 1968.
FERNANDES, T.M. Plantas Medicinais: Memórias da
Ciência no Brasil. Rio de Janeiro, Editora da Fundação RIBEIRO DO VALE, J.R. Excursão farmacológica ao
Oswaldo Cruz, 2004. Parque Nacional do Xingu. Ciência e Cultura, v.23,
p.561-563, 1972.
GOTTLIEB, O.R. Problemas relacionados com o isola-
mento e caracterização química dos princípios ativos RIBEIRO DO VALE, J.R. Palestra Inaugural. VII Simpó-
estudo das plantas medicinais brasileiras.. I Simpósio sio de Plantas Medicinais do Brasil, p.13-14, 1982.
de Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto
Biológico, v.35, p.15-22, 1968. RIZZINI, C.T. Problemas relacionados com o estudo da
distribuição geográfica e identificação das plantas me-
LABOURIAU, L.G. Problemas relacionados com a cul- dicinais brasileiras. I Simpósio de Plantas Medicinais do
tura de novas plantas de interesse farmacológico ou Brasil. Arquivos do Instituto Biológico, v.35, p.10-14,
de plantas até agora apenas cultivadas. I Simpósio de 1968.
Plantas Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto Bio-
lógico, v.35, p.23-30, 1968. SCHULTS, R.E. Tropical American hallucinogens: where
are we and where are we going? Ciência e Cultura, v.25,
LABOURIAU, L.G. Análise da situação da botânica no p.543-560, 1973.
Brasil e uma programação de atividade que dela resulta.
Arquivos do Instituto Biológico, v.37, p.46-78, 1970. TEIXEIRA, A.R. Banco de dados do Programa Flora do
CNPq sobre plantas medicinais e farmacologia de pro-
MAGALHÃES, J.R.; CARLINI, E.A.; KRAEMER, A In- dutos naturais. Ciência e Cultura, Supl. p.48-55, 1978.
trodução. I Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil.
Arquivos do Instituto Biológico, v.35, p.7, 1968. TEIXEIRA, A.R.; SPIGUEL, C.P. O “Programa Flora” do
Brasil – História e situação atual. Acta Amazonica, v.14,
MORS, W.B. Discussão final.. I Simpósio de Plantas p.31-47, 1984.
Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto Biológico,
v.35, p.53-67, 1968. ZELNICK, R. Plantas utilizadas na medicina e nos ritu-
ais dos indígenas da Amazônia. I Simpósio de Plantas
MORS, W. Relatório das atividades do Instituto de Tec- Medicinais do Brasil. Arquivos do Instituto Biológico,
nologia Agrícola e Alimentar do Ministério da Agricultu- v.35, p.31-35, 1968.

36 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Artigo Original / Original Article

Drogas e Extratos Vegetais Utilizados
em Fitoterapia

Herbal Drugs and Extracts Used in
Phytoterapy

*1Boorhem, R. L.; 2Lage, E. B. Resumo
A fitoterapia é uma prática normalmente dificultada pela insuficiên-
cia de informações confiáveis sobre diversas drogas vegetais e seus
respectivos extratos que estão disponíveis no mercado brasileiro. No
sentido de orientar os prescritores na formulação e prescrição de re-
ceitas, foi realizado um levantamento das informações úteis a esta
prática, contidas em dois bancos de dados informatizados e em fontes
bibliográficas especializadas e organizadas em tabelas para consultas
rápidas e imediatas.
Instituto Brasileiro de Plantas
1

Medicinais, IBPM, Rua General
Urquiza 128, 22431-040, Leblon, Abstract
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Phytotherapy is a therapeutic practice which is usually obstructed due
Rua Vice-Governador Rubens
2
to the insufficiency of reliable information on diverse vegetal drugs
Berardo 65, Bloco 2, ap. 604, and their respective extracts that are available in the Brazilian market.
22451-070, Gávea, Rio de Janeiro, In order to help the correct driving of the receipts formulation and
RJ, Brasil. prescription by the physicians, a compilation of useful information on
this theme, by collecting data in two data base and in specialized bib-
liographic sources, were accomplished and organized aiming quick
and immediate accesses.

Introdução

Com a crescente utilização da fitoterapia por profissionais de saúde,
impulsionada pela grande produção científica, principalmente nas duas
ultimas décadas, a cada dia mais drogas e extratos vegetais são colo-
*Correspondência:
cados no mercado e introduzidos na terapêutica. Nesse processo de
E-mail: rboorhem@infolink.com.br
validação de inúmeras drogas vegetais de uso tradicional, nem sempre
se dispõem de ensaios clínicos para definição das doses seguras e efi-
cazes, obrigando freqüentemente o profissional prescritor a levantar os
dados sobre o uso tradicional das espécies, tanto no que diz respeito
Unitermos: às indicações quanto às doses, que, nesse caso, são sempre definidas
Drogas Vegetais, Extratos, como dosagens diárias. Neste aspecto, as informações costumam ser
Farmacologia,Dose Diaria, dispersas e discrepantes nas diversas fontes disponíveis, não só no
Fitoterapia. que diz respeito à posologia, mas também na confirmação das ativida-
des atribuídas ao uso tradicional. A essas indefinições ainda se somam
as diferenças de padronização dos diferentes extratos desenvolvidos e
Key Words: disponíveis, dificultando sobremaneira o trabalho de farmacêuticos e
Vegetal Drugs, Extracts, prescritores na manipulação e utilização daqueles, acarretando erros
Pharmacology, Daily Dosage, de dosagem, com resultados negativos para os pacientes e para a cre-
Phytotherapy. dibilidade da fitoterapia como terapêutica.

37
Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 Revista Fitos 37
Vol.4 Nº01 março 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Material e Métodos cológicas, indicações, efeitos adversos, precauções
e contra-indicações. Foram escolhidas 17 fontes de
Foram selecionadas 138 drogas vegetais disponíveis informação, incluindo literaturas nacionais e inter-
no mercado farmacêutico brasileiro, nas formas far- nacionais de autores de reconhecido valor, além de
macêuticas mais comumente utilizadas na prática duas bases de dados informatizadas internacionais,
clínica dos médicos ligados ao Instituto Brasileiro de listadas ao final do trabalho. As informações foram
Plantas Medicinais (IBPM), na cidade do Rio de Ja- referenciadas para permitir o rastreamento; e orga-
neiro. Desse elenco foram compiladas as informações nizadas em tabelas, para facilitar a consulta.
consideradas mais relevantes para a caracterização
e utilização dos produtos, iniciando pela revisão da Resultados e Discussão
nomenclatura botânica das espécies medicinais das
quais derivam, respectivas partes utilizadas, padro- As informações selecionadas e respectivas refe-
nizações, dosagens diárias, principais ações farma- rências estão listadas nas Tabela 1.

Tabela 1 – Relação de fitoterápicos compilados
Nome científico / Forma farmacêutica Dosagem diária Ações farmacológicas Efeitos adversos/
Farmacêutico / vulgar / indicações Precauções/
Contra-indicações
Achillea millefolium Tintura 20% 2,5 a 7,5 mL (1) Antitérmica, analgésica, Contra-indicada na
expectorante, gravidez e em dispepsias
Herba Achillea Millefolii 4 a 15 g (1) antidiarréica, anti-hipertensi- hipersecretoras.
Rasurado va, antiinflamatória, hemostá- Pode causar dermatite
Mil-folhas
tica e cicatrizante (1) de contato, cefaleia e
Aquileia vertigem (1)

Achyrocline 3 a 6 g (2)
Antiespasmódica, carminati- Não relatadas
Rasurado
Satureoides va, sedativa (1),(2)
Flos Achyrocline Tintura 20% (1)
a 2 mL (2)
Satureoides
Marcela

Aesculus hippocastanum Ext. seco pad. em 20 a 200 a 600 mg (1) Venotônica, adstringente, Não é recomendado o uso
22% de saponinas hemostática. Indicada para em crianças com idade
(aescina) varizes, insuficiencia venosa inferior a 10 anos, em
dos membros inferiores e gastrite, insuficiência renal
Semen Aesculi
2,5 a 15 mL (1) hemorróidas (1),(14) ou hepática, gravidez e
Hippocastani Tintura 10%
lactação, e tratamento com
Uso ext.: Creme ou gel
anticoagulantes (1),(3)
c/ 20% de extrato fluido
Castanha da Índia ou glicólico

Agaricus blazei Rasurado Recomenda-se o con- Imunoestimulante, anti-mu- Pode ocorrer diarréia
sumo de 5 g diárias tagênico, temporária no início do
como prevenção. antitumoral, reduz a resis- tratamento.
tencia a insulina. Indicado na Como todo imunoestimu-
Recomenda-se o prevenção e como auxiliar no lante não deve ser utilizado
Cogumelo do Sol
consumo de tratamento da diabete tipo 2 em patologias autoimunes
20 a 40 g para pa- e do câncer (9) ou em tratamento com
cientes com câncer imuno-supressores. Pode
(SRC). interagir com drogas hipo-
glicemiantes (9)

Allium sativum Planta fresca 4 a 6 g (11)(17) Expectorante, anti-séptica, Contra-indicado em gastri-
hipotensora e hipocolestero- te, úlcera gastroduodenal
Bulbus Allii Sativi Pó 0,5 a 1 g (1) lêmica, antioxidante, parasiti- e na lactação. Potencializa
(Eq. a 6 a 10 mg de cida (oxiuros e trichiuros) a ação da varfarina e ou-
Óleo em cáps aliina) (8) Indicado em gripes, res- tros anticoagulantes (1)(17)
Alho
0,1 a 0,4 mL (11) friados, verminoses, como
4 a 15 mL (1) antioxidante em dislipidemias
Tintura 20%
e arteriosclerose (1)(17)

38 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Aloe vera Pó 20 a 100 mg como Carminativa, laxativa e Uso interno contra-indica-
carminativo, purgativa em uso interno, do na gravidez e lactação,
Herba Aloe 100 a 500 mg/dia dependendo da dose durante a menstruação,
como laxativo Gel mucilaginoso é indicado hemorróidas, doenças
Babosa Gel mucilaginoso 500 a 1500mg/dia para queimaduras dérmicas renais, obstrução intestinal
(uso externo) como purgativo (4) de varias etiologias em uso e em crianças menores de
externo (1)(3)(14) 10 anos (3)

Hipotensora, diurética, Não relatadas
Alpinia zerumbet Rasurado 4 a 6 g (5)
expectorante, sedativa.
Indicada para hipertensão
Follium Alpiniae Tintura 20 a 30 mL (5) leve a moderada (5)
zerumbet
Colônia

Amorphophallus konjac Pó 0,5 a 1,5 g Efeito sequestrante, retarda Contra-indicada em
Tomar meia hora a absorção de lipídeos e estenose esofágica ou
Rhizoma antes das refeições glicídeos, produz sensação pilórica (1)
com 2 copos de de saciedade gástrica; reduz
Amorphophalli níveis de colesterol e triglice-
água (1)
Glucomanan rídeos, laxante (1)

Anacardium occidentale Rasurado 2 a 5g (4) Adstringente, antidiarreico, Cuidado com super dosa-
anti-inflamatório, gem devido ao alto teor de
hipoglicemiante, anti-hemor- taninos (5)
Cortex Anacardii
rágico(4)
Occidentale
Cajueiro Tintura 20% 5 a 25 mL (4)

Anemopaegma arvense Rasurado 2 a 10 g (4) Vasodilatadora, estimulante Não relatadas
do SNC, atividade muscarí-
Radix Anemopaegmae nica(4),(6)
Arvense
Catuaba Tintura 20% 10 a 50mL (4)

Angelica archangelica Rasurado 1 a 3 g (1) Tônica, emenagoga, carmina- Contra-indicada na gravi-
tiva e antiespasmódica, emo- dez e diabetes.
Radix Angelicae liente, anti-reumática (1),(14) Pode causar fotossensi-
Archangelicae Tintura 10% 4 a 8 mL (1) bilidade e interagir com
anticoagulantes (1),(14)
Angélica

Angelica sinensis Ext. seco pad. 450 a 900 mg Antiespasmódica uterina, Gravidez e lactação
mín. 1% de ligustilídeo (SRC) reguladora da menstruação Uso cuidadoso em pacien-
Radix Angelicae Sinensis e antidismenorreica. Ações tes com fluxo menstrual
no metabolismo lipídico e na abundante e utilizando
Dong quai ou Angelica aterogênese. medicação anticoagulante
chinesa 4,5 a 9 g (7) Antianêmica, anti-inflamató- e antiplaquetária (13)
Rasurado
ria e sedativa suave (13)

Arctium lappa Rasurado 2 a 10 g (4) Antiinflamatória, antibac- Evitar uso na gravidez,
teriana, hipoglicemiante e lactação e em crianças, por
Radix Arctii Lappae 10 a 50 mL (4) diurética (3),(4) insuficiencia de informa-
Tintura 10%
ções. Pode causar reações
alérgicas e sintomas
Bardana
anticolinérgicos (9)

Arctostaphylos urva ursi Rasurado 4,5 a 12 g (3) Anti-séptica urinária, anti- Gravidez, lactação.
Equiv. a 400 a 840 bacteriana e Não utilizar por períodos
Folium Arctostaphyli
mg de arbutina (8) antiinflamatória (1) prolongados devido ao alto
Uvae Ursii teor de taninos (3)
Extratos pad. em
Uva Ursi arbutina

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 39
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Arnica montana Uso externo 2-4 % em forma de Antiinflamatoria, analgésica, Uso externo pode produzir
compressas embebi- cicatrizante, antiséptica, reações alérgicas cutâneas.
Infuso das (1) antimicrobiana antifúngica, Contra-indicada para uso in-
Flos Arnicae Montanae
5 a 25% em água, antihistamínica (1) terno devido a toxicidade (1)
Arnica Tintura 10% cremes, géis (1)

Artemisia vulgaris Rasurado 1 a 6 g (4) Emenagoga, carminativa, Contra-indicada na gravi-
antiespasmódica, anti-hel- dez, lactação e em
Folium Artemisae míntica, adstringente (1) crianças (1)
Vulgaris Tintura 10% 5 a 30 mL (4)
Artemísia

Astragalus Rasurado 9 a 30 g (7) Imunoestimulante, adap- Não está determinada a
membranaceus togênica, antibacteriana, segurança na gravidez e
hepatoprotetora, aumenta o lactação
Radix Astragali 4 a 7 g (1) débito cardíaco. Contra-indicado em pacien-
Coadjuvante no tratamento tes transplantados em uso
do cancer, insuficiencia de imunossupressores
Astrágalo
cardíaca e hepatopatias e em patologias autoimu-
crônicas (9) nes (1)

Bacharis trimera Rasurado 1 a 5 g (4) Colagoga, hepato e gastro- Contra-indicada na gravi-
protetora, hipoglicemiante e dez (14)
Herba Bacharis Tintura 20% 5 a 25mL (4) diurética (6)
Carqueja

Bauhinia forficata Rasurado 5 a 20 g (6) Hipoglicemiante, diurética (4) Não relatadas.
Folium Bauhiniae
Forficatae
Pata de Vaca

Bidens pilosa Rasurado (SRC) Antiinflamatoria, Não relatadas
hepatoprotetora
antibacteriana (6)
Herba Bidens Pilosae
Picão preto

Boswelia serrata Ext. seco pad. mín. 600 a 1200mg Antiinflamatória, analgésica, Não relatadas
de 60% de ácidos imunomoduladora
Bosvelia boswelicos Uso tópico: 5 a 8% Indicada no tratamento da
artrite reumatóide, artrites
Creme crônicas, asma e condições
broncoconstritivas (9)

Bupleurum sinensis Rasurado 3 a 9 g (7) Hepatoprotetora, hipocoles- Não relatadas
terolemiante,
Radix Bupleuri antitérmica, analgésica,
antiinflamatoria, colagoga,
colerética, gastroprotetora,
Chai Hu
sedativa (10)

Calendula officinalis Tintura 20% 2 a 10 % em gel, Uso externo: antinflamato- Não relatadas
Flos Calendulae creme ou pomada (11) ria, reepitelizante, cicatri-
zante (1)(9)
Calendula
Ext. seco pad. 240 a 320 mg de Antioxidante, antineoplási- Evitar uso noturno.
Camellia sinensis
Polifenóis totais 50 a polifenóis (9) ca, gastroprotetora, hipoli- Pode causar constipação
97% pemiante, termogênica intestinal em consumi-
Folium Camelliae (12)
dores habituais. Reduz a
Sinensis
absorção de ferro e outros
nutrientes (6),(14)
Chá verde

40 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Casearia sylvestris Rasurado 1 colher de chá fol- Gastroprotetora. Cicatrizan- Não relatadas.
Folium Caseariae has secas duas vezes te e hemostática em traumas
ao dia (6) (uso local) (6)
Sylvestris
Guaçatonga

Cassia angustifolia Ext. seco 250 a 500 mg Ação laxativa ou purgativa Uso prolongado pode cau-
C. Senna 5,5 a 8 % de senosídeos (15 a 30 mg de seno- conforme a dose (1),(14) sar dependência; lesões no
sídeos) (9) IG; dor abdominal, diarréia.
Folium Sennae Contra-indicada em obstru-
Rasurado 0,5 a 2 g (3)
Sene ção intestinal, enterites e
hemorroidas (1),(14)

Cassia nomame Extrato pad. mín. 8% de 200mg a 600mg divi- Ação inibidora da enzima Contra-indicada na gravidez
fenóis didos em 3 tomadas lipase com redução da e lactação.
Fructus Cassiae antes das refeições absorção de gorduras. Pode inibir a absorção das
Nomame (SRC) Auxiliar nas dietas de perda vitaminas lipossolúveis
de peso. Reduz a pressão como A, E, betacaroteno e
arterial e os niveis séricos outras. Recomenda-se uma
Cassiolamina de colesterol e ácido úrico suplementação das mes-
(SRC) mas, incluindo a vitamina D
Tomar pelo menos duas ho-
ras antes ou após o uso dos
inibidores da lipase (SRC)

Cecropia sp Rasurado 7 a 20 g (6) Hipotensora, diurética, Não relatadas
antiinflamatória (6)
Folium Cecropiae
Embaúba

Cervus nippon Pó 3 a 6 g (7) Tônico tradicional da MTC Não relatadas
Promove a regeneração
Colla Cornu Cervi tecidual e estimula a libido, a
Gelatina de chifre de disposição geral (13)
cervo

Centella asiatica Ext. seco pad. 5% de 130 a 270 mg (11) Uso externo: reepitelizante, Contra-indicada na gravidez
asiaticosideos adstringente, antiséptica e e lactação
Herba Centellae Rasurado 0,6 g a 1,8 g (3) antipruriginosa Uso cuidadoso em gastrite,
Asiaticae Uso interno: venotônica, úlcera gastroduodenal (1),(14)
Preparações ativadora da microcirculação
(1),(14)
Centela Creme ou pomada 1 a 2 % do extrato (11)

Chlorella sp Pó 1 a 10 g (14) Suplemento nutricional esti- Hipersensibilidade ao
mulante do sistema imune produto (14)
Alga Chlorellae Auxilia controlar o peso ao
produzir plenitude gástrica
Clorela (14)

Cimifuga racemosa Ext. seco pad. mín. 40 a 320 mg, cor- Age na hipófise reduzindo Evitar o uso em crianças
2,5% de glicosídeos resp. a 1 a 8 mg do os picos de LH (14), antiin- menores de 12 anos, na
Rhizoma Cimicifugae triterpênicos marcador (8) flamatória (14), auxiliar na gravidez e lactação (14)
Racemosae expressos como 27 osteopenia.
– deoxiacteína Indicada em Síndrome Cli-
Uso cuidadoso por tempo
Black Cohosh Rasurado matérica (9)
0,3 a 2 g (3) prolongado (9)
Tintura 10% 2 a 4 mL (3)

Cinnamomum cassia Rasurado 1 a 4,5 g (7) Antibacteriana, antifungica, Gravidez (14)
C. zeylanicum Pó antialérgica, antitérmica,
carminativa, analgésica e
Cortex Cinnamomii
250 a 1500 mg (1) antiespasmódica (3), (9), (14)
canela da China e canela Tintura 20% 5 a 20 mL (SRC)
do Ceilão

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 41
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Citrus aurantium Rasurado 2 a 8 g (4) Expectorante, antibacte- O extrato é contra-indicado
Tintura 20% 10 a 40 mL (4) riana, antiviral, antifúngica, para pacientes hipertensos,
Folium Citri Aurantii Ext. seco mínimo 6% de 400mg a 1200mg antialérgica, carminativa (1) grávidas, lactantes, diabé-
sinefrina (SRC) Ação adrenérgica e termo- ticos e em tratamento com
Fructus Citri Aurantii
gênica. inibidores da MAO (9)
Imaturus Promove perda de peso pelo
Laranja da terra ou aumento da lipólise (9)
laranja amarga

Obs. Pericarpium Citri Reticulatae, casca de tangerina, é utilizada na MTC para os mesmos fins que Folium Citri Aurantii, com
componentes e atividades similares e dosagem diária de 3 a 9 g (7),(13)
Coix lachryma- jobi Rasurado 9 a 30 g (7) Diurética, antiinflamatória, in- Não relatadas
Semen Coicis dicada em edema e artrite (7)

Lágrima de Nossa
Senhora

Coleus barbatus Ext. seco pad. 10% 500 mg *src Ativa a adenilato-ciclase, Possível interação com
forskolin AMP cíclico e os canais de drogas vasoativas (9)
Folium Coleus Barbati calcio, com efeitos cardio-
3 a 9 g (5) tônicos e relaxantes da
Falso Boldo Rasurado musculatura lisa (9)

Reduz a secreção gáastri- Não relatadas
ca, ação antidispéptica e
antiúlcera (5)

Commiphora wightii Ext. seco pad. min. 2 a 6 g (9) Inibe a sintese de coleste- Pode causar cefaleia,
2,5% de gugulsterois rol, anti-lipoperoxidante, nausea, vômitos, diarreia e
Guggul antiinflamatoria, indicada em dermatite.
hipercolesterolemia e acne Possível interação com
nódulo-cística (9) drogas antiadesivas pla-
quetárias (9)

Cordia verbenacea Rasurado 3 a 9 g (6) Antiinflamatória, gastropro- Não relatados
tetora, cicatrizante (6)
Herba Cordiae Tintura 20% 15 a 45 mL (SRC)
Verbenaceae
Erva Baleeira

Coriandrum sativum Pó Contra-indicada na gravi-
3 a 5 g (1),(14) Carminativa, antiespasmódi-
Fructus Coriandri Sativi Tintura 20% 4,5 a 7,5 mL dividi- ca, antiflatulenta, estrogê- dez, lactação e crianças
Coentro dos em 3 tomadas nica (1),(14) abaixo de 2 anos (1),(14)
após refeições (1),(14)

Costus spp Rasurado 2,5 a 10 g (4) Tradicionalmente proprie- Não relatadas
Folium Costi Spicati Tintura 20% 10 a 50 mL (4) dades atribuídas: diurética,
tônica, depurativa, adstrin-
Cana do brejo
gente (6)

Crataegus laevigata Ext. seco pad. 2% 250 a 900 mg (9),(11) Cardiotônica, vasodilatadora Disturbios gastro-intesti-
C. monogyna de vitexina e 20% de coronariana, antiarrítmica, nais, palpitações, cefaleia e
procianidinas hipotensora, hipocoleste- vertigens (9)
Folium, Fructus e Flos rolemiante, antioxidante,
Crataegi Tintura 10% sedativa leve (9)
3 a 6 mL (11)
Crataego

Cuphea carthagenensis Rasurado 1 a 3 g, divididas em Tradicionalmente considera- Não relatadas
Herba Cupheae 3 tomadas (6) da hipotensora, antiateros-
Carthagenensis clerótica;
anticolinesterásica e hipo-
Sete sangrias
tensora (6)

42 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Curcuma longa Pó 3 a 9 g (7) Antiinflamatória, antiagre- Contra-indicada na gravidez
gante plaquetária, antio- e lactação.
Rhizoma Curcumae 500 a 3000mg (9) xidante, hepatoprotetora, Cuidado na associação com
Longae hipocolesterolemiante, anti- anticoagulantes e na litíase
dispéptica, antitumoral (9) biliar (1),(9)
Curcuma

Curcuma zedoaria Pó 1 a 5 g (4) Carminativa, colagoga, Contra-indicada na gravidez
Rhizoma Curcumae Tintura 5 a 25mL (4) colerética, anti-inflamatoria, e lactação (6)
Zedoariae citotóxica, antifungica (9)

Zedoária

Cyamopsis Pó 0,5 a 5 g meia Dimimue a absorção de Contra-indicada para crian-
tetragonolobus hora antes de cada lipídeos e glicideos, prolonga ças até 10 anos, gravidez
refeição com 1 a 2 a sensação de saciedade e e lactação e nas esteno-
Gomma Cyamopsis
copos de água (1) laxante suave (1) ses esofágica, pilórica e
Tetragonolobi intestinal. Reduz em 25%
Goma guar absorção intestinal de
glibenclamida, fenoximetil-
peni-cilina e igoxina (1)

Cymbopogum citratus Rasurado das folhas 7 a 30 g (15) Expectorante, antiespasmó- Ausência de efeitos muta-
Folium Cymbopogonis frescas dica, sedativa leve, antimi- gênicos e carcinogênicos.
crobiana, diurética leve (15) Pode bloquear o efeito do
Capim-limão retinol (Vit. A) (15)

Cynara scolymus Ext. seco pad. 375 a 625 mg (11) Colerética, colagoga, reduto- Gravidez e lactação
2% de cinarina ra do colesterol e trigliceríde- (reduz a secreção do leite).
Folium Cynarae os, hepatoprotetora, laxativa, Uso contra-indicado em obs-
Alcachofra Rasurado 3 a 12 g (3) diurética (3) trução das vias biliares. (11)

Cyperus rotundus 6 a 9 g (7) Relaxante da musculatura Contra-indicado em metror-
Rasurado uterina, estrogênica; carmi- ragias, gravidez e mioma
nativa, estimula a secreção uterino devido a ação
Rhizoma Cyperi Rotundi
gástrica e salivar; indicada estrogênica (13)
em dismenorreia e cólicas
Tiririca menstruais (13)

Dioscorea villosa Ext. seco pad. 250 a 750 mg (SRC) Sensibiliza positivamente os Contra-indicada na gravidez
receptores estrogênicos. e lactação (9)
Rizoma Dioscoreae mín. 6% de diosgenina Eficácia na Síndrome Cli-
Villosae matérica não comprovada
clinicamente (9)
Inhame mexicano

Echinacea purpurea Rasurado Imunoestimulante em resfria- Contra-indicada na gravi-
1 a 5 g (16) dos e infecções respiratórias; dez, lactação e hepatopa-
Herba Echinaceae bacteriostática, antiviral (3) tias,
Purpureae tuberculose, colagenopa-
tias, esclerose múltipla,
Ext. seco pad. 4% ac. 250 a 750 mg (11)
síndrome de imunodefici-
Equinácea chicórico ência adquirida e outras
desordens imunológicas, e
em uso prolongado (8),(17)

Echinodorus Rasurado 2 a 10 g (4) Diurética, depurativa, Não relatadas
macrophyllus antiinflamatória, hepatopro-
Herba Echinodori tetora (4)
Macrophylli
Chapéu de couro

Eclipta alba Rasurado 6 a 12 g (7) Imunomoduladora Não relatadas
Herba Elipta Albae hepatoprotetora (4)
Erva botão

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 43
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Ephedra sinica Rasurado 1,5 a 9 g (7) Sudorífica, antitérmica, Contra-indicada em hiper-
antiviral, diurética, agonista tensão arterial, cardiopatias,
Herba Ephedrae adrenérgica, vasoconstritora diabetes, hipertiroidismo,
periférica, hipertensora, bron- glaucoma, gravidez, lacta-
Efedra codilatadora, cardiotônica (13) ção, HBP
Não associar com cardiotô-
nicos, simpaticomiméticos,
simpaticolíticos e IMAO
(13),(14)

Equisetum arvensis Rasurado 2 a 4 g (1) Diurética, remineralizante, Contra-indicada na gravidez
adstringente (13) e lactação, gastrite e úlcera
Herba Equiseti Arvensi gastro-duaodenal (1),(13)
Cavalinha

Erythrina mulungu Rasurado 1 a 4 g (4) Sedativa, hipotensora, Não relatadas.
Cortex Erythrinae antiarrítmica, indicada em Não utilizar as sementes,
insônia, ansiedade e palpi- pois são tóxicas (6)
Mulungu tações (6)
Mulungu

Eucalyptus globulus Rasurado 1 a 5 g (4) Expectorante e mucolítica, Contra-indicada na gravi-
anti-séptica, antitérmica 1,6 dez, lactação e crianças
menores de 2 anos (1),(14)
Folium Eucalypti Globuli
Eucalipto

Foeniculum vulgaris Rasurado 1 a 2 g (4) Antiespasmódica, carminati- Contra-indicada na gravi-
va, galactagoga, estrogêni- dez (1)
Fructus Foeniculi Vulgari ca, indicada em amenorreia
e dismenorreias (1),(14)
Funcho

Fucus vesiculosus Rasurado 10 a 20 g (1) Remineralizante, diurética, Hipertiroidismo, gravidez,
estimulante da tireoide. Pro- lactação (3)
Alga Fuci Vesiculosi duz sensação de plenitude
gástrica, hipolipemiante (1),(3)
Fucus

Garcinia camboja Ext. seco pad. mín. 1 a 3 g (9) Teoricamente reduz a síntese Pode causar náusea, des-
Fructus Garciniae 50% de AHC (ácido de gorduras (9) conforto gastro-intestinal e
hidroxicítrico) cefaleia.
Não há dados seguros
Cambojae sobre o uso na gravidez e
Garcínia lactação (9)

Gimnema sylvestris Ext. seco pad. 75% de 150 a 400 mg (9) Hipoglicemiante, reduz a ab- Gravidez
ácidos gimnêmicos sorção intestinal de glicose Uso cuidadoso com hipogli-
e estimula as cels. beta e a cemiantes (9)
Folium Gymnemae
secreção de insulina (9)
Sylvestris
Gimnema

Ginkgo biloba Ext. pad. mín. 24% de 80 a 240mg (1),(9) Neuroprotetora, vasodilata- Contra-indicada na gravidez
glico-flavonóides e 6% dora periférica, protetora ca- e lactação
Folium Ginkgo Bilobae de terpenos pilar (aumenta a resistencia Evitar uso concomitante
e diminui a permeabilidade), com vasodilatadores,
venotônica, antiagregante aspirina, varfarina,
Ginko biloba
plaquetaria (1),(9) diuréticos tiazídicos, trazo-
dona.
Pode reduzir a ação de
diversas drogas, devido a
indução hepática. (1),(9)

44 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Glicyne max Ext. seco pad. 40% de 100 a 250mg Moduladora de estrogênio, Evitar o uso em pacientes
isoflavonas Deve ser tomado pela antioxidante, antiproliferativa utilizando tamoxifeno (9)
Semen Glycine Max manhã, em jejum; ou e antimutagênica. Protetora
entre refeições (9) vascular e óssea. Imuno-
Soja estimulante, redutora do
colesterol (9)

Glycyrrhiza glabra ou G. Rasurado 1,5 a 9 g (7) Imunomoduladora, Uso prolongado em altas
uralensis adaptogênica, antialérgica, doses pode aumentar a
antitussígena. Estrogênica pressão arterial, e causar
suave, antiinflamatória, efeitos adversos semelhan-
Radix Glycyrrhizae
gastro e hepatoprotetora, tes aos dos corticóides.
antitóxica (1),(3),(13) Gravidez e lactação.
Alcaçuz Uso cuidadoso em hiperten-
são arterial, hiperestroge-
nis-mo, diabetes (1),(3),(13)

Gelidium amansii Pó 2 a 30 g dependendo Laxante suave, absorve água Contra-indicada em obstru-
da fonte pesquisada. para a luz intestinal,(9)estimula ção intestinal (9)
Agar-Agar Deve ser tomada com a peristalse
2 copos de água (9)

Harpagophytum Ext. seco pad. 5% 1 a 2 g (correspon- Antiinflamatória e analgésica Contra-indicada na gravi-
procumbens de harpagosídeos dente a 50 a 100 mg leve dez, lactação.
(iridóides glicosilados) de harpagosídeos) (9) Utilizado na osteoartrite e Pode causar diarréia, náu-
Bulbus Harpagophyti outras condições inflamató- sea, vômitos, dor abdominal
Procumbi rias (9) e reações alérgicas na pele
(9),(14)
Garra do diabo

Humulus lupulus Pó 500 a 1500mg (1),(3) Sedativa e anafrodisíaca. Contra indicado na gravi-
Indicado em insônia, inquietu- dez, lactação e depressão
Strobulus Lupuli de, cefaléia tensional, colite (3),(14)

mucosa, priapismo, ejacu-
lação precoce, ansiedade
Lúpulo (1),(3),(14)

Huperzia serrata Ext. pad. mín. 1% de 40 mg divididos em 2 Potente inibidor da acetilco- Pode ter efeito aditivo com
huperzine A tomadas (9) linesterase; melhora a me- drogas inibidoras da coli-
Radix Huperziae mória e a cognição. Indicado nesterase e antagônico com
Serratae para quadros de demência (9) drogas anticolinérgicas(9)

Huperzia

Hypericum perforatum Ext. seco pad. 600 a 900mg Antidepressiva, levemente Contra-indicado na gravidez
min. 0,3% de hipericina divididos em 2 a 3 ansiolítica e reguladora do e lactação.
tomadas (11) sono Pode reduzir as concen-
Antiviral trações plasmáticas de
Herba Hyperici Perforati Ativadora de sistemas varfarina, ciclosporina, teo-
hepáticos de metabolização filina, contraceptivos orais,
Hipérico de drogas (citocromo P450) antidepressivos tricíclicos,
(3),(11)
anti-retrovirais e outras
drogas metabolizadas por
essa via (11)

Illicium verum Rasurado 1 a 2 g (1) Carminativa, eupéptica, an- Contra-indicada na gravi-
tiespasmódica e galactagoga dez, lactação e hiperestro-
Fructus Illicii Verae (1)
genismo (1)
Anis estrelado

Leonurus sp. Rasurado 2 a 6g (9),(17) Tônica, reguladora uterina, Usar cautelosamente em
antiagregante plaquetária e pacientes com alterações
antitumoral, cardiotônica cardiovasculares. Pode inte-
Herba Leonuri
(9),(17)
ragir com cardiotônicos.
Contra-indicada na gravidez
e lactação (9),(17)
Erva Macaé

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 45
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Lepidium meyenii Pó 1,5 a 3g (9) Tônica e afrodisíaca (9) Não relatadas
Radix Lepidii Meyenii
Maca

Linum usitatissimum Semente 10 a 40 g (9) Reduz os níveis sanguíneos Em altas doses pode cau-
de colesterol e trigliceríde- sar diarréia.
Semen Lini Usitatissimi os. Hipoglicemiante leve. Contra-inidcada em este-
Antioxidante. nose esofágica e pilórica
Oleum Lini Leve atividade estrogênica, ou obstrução intestinal e
indicada para Sindrome abdome agudo. (1),(9)
Climatérica e osteoporose.
Linhaça Óleo da semente 15 a 30 mL (9)
Constipação intestinal (1),(9)

Malpighia glabra Ext. seco 26,5% de De acordo com as Fonte natural de vitamina C, Não relatadas.
Vit. C doses usuais de vit.C antioxidante (6)
Fructus Malpighia
Glabrae
Acerola

Malva sylvestris Rasurado 5 g (17) Demulcente, antiinflamató- Não relatadas
ria das mucosas, antitussí-
Folium Malvae Decocção p/ uso 30 a 50 g/L em com- gena (1)

Flos Malvae externo pressas e cataplas-
mas (1)
Malva

Matricaria chamomilla Rasurado 3 a 12 g (4), (11) Carminativa, antiespas- Deve ser usada com cau-
modica, sedativa leve, tela por gestantes, possui
50 a 60 g/l em com- ansiolítica, antiinflamatória, ação emenagoga.
Flos Matricariae Infuso p/ uso externo pressas e cataplas- gastroprotetora. Indicada Em indivíduos sensíveis
Chamomillae mas (1) em dispepsias, patologias pode causar náuseas e der-
inflamatorias e espasmódi- matite de contato (1),(3),(11)
Camomila Tintura 20% 10 a 30 mL (4) cas do sistema digestório,
ansiedade (1),(6),(8),(11)

Maytenus ilicifolia Ext. seco pad. em % de 60 a 90 mg de taninos Antiulcerogênica, antibacte- Contra-indicada na gravi-
M. aquifolium taninos (8),(11) riana, antitumoral, analgé- dez, lactação e crianças
Folium Mayteni sica, aumenta o volume e o menores de 6 anos (11)
Rasurado 5 a 20 g (4) ph do suco gástrico (6)
Espinheira Santa

Melissa officinalis Ext. seco 5:1 330 a 900 mg (14) Carminativa, eupéptica, Contra-indicada no hipoti-
Herba Melissae Rasurado espasmolítica, antiséptica, roidismo,
Officinalis 1,5 a 4,5 p/ xícara, de sedativa, anti-herpes em gravidez e lactação (11)
1 a 3 x/dia (17) uso tópico (11),(17)
Melissa

Mentha piperita Rasurado 3 a 6 g (17) Antiséptica, espasmolíti- Contra-indicada na gravi-
ca, colerética, colagoga, dez, lactação e em
Tintura 20% 2-3 mL, 3 x/dia (1) carminativa, mucolítica, crianças menores de 6
expectorante, desconges- anos.
Herba Menthae Óleo essencial Uso int. 0,2-0,4 mL tionante (1) Pode causar transtornos
Piperitae 3 x/dia- Síndrome digestivos em indivíduos
de intestino irritável: Uso tópico: analgésica, sensíveis e portadores de
0,2-0,4 mL, 3 x/dia, antipruriginosa (1) dispepsias.
Hortelã-pimenta
Em uso tópico pode causar
cáps ou comprimidos
dermatite de contato (1)
entéricos (1). Uso ext.
3 a 4 gotas do O.E.
em água fervente p/
inalação (1)
Preparações líquidas
ou semisólidas: 0,1-
1% do O.E. (1)

46 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Mentha pulegium Rasurado 500mg a 2g (4) Expectorante, antigripal, an- Contra-inidicada na gravi-
tibacteriana, antifúngica (1),(6) dez, lactação, e crianças
Herba Menthae Pulegii 1 a 10 mL (4) menores de 6 anos.
Contra-indicada a inalação e
Poejo Tintura 10% o uso prolongado, devido a
toxicidade da pulegona (1),(6)

Mikania glomerata Rasurado 1 a 4 g (4) Broncodilatadora, expecto- Não relatadas
Folium Mikaniae Glome- rante, antitussígena, antinfla-
ratae matória, antibacteriana (6),(15)
Tintura 20% 5 a 20mL (4),(15)
Guaco

Monascus purpureus Ext.seco pad. a 0,4% de 2,4 a 3,2 g (12) Reduz as concentrações Pode causar irritação gástri-
monacolinas totais de colesterol. ca, desconforto abdominal
Reduz os níveis de colesterol e elevação das enzimas
Red Yeast Rice LDL e triacilglicerol. hepáticas.
Eleva o nível de colesterol Teoricamente pode causar os
HDL (12) mesmos efeitos adversos que
a lovastatina (dor, fraqueza
muscular); contra-indicada
na gravidez, hepatopatias e
menores de 18 anos (12)

Nasturtium officinalis Planta fresca 20 a 30 g (17) Antioxidante, inibe carcino- Excesso pode causar
gênicos do tabaco (6) irritação do estomago e vias
Herba Nasturtii Planta seca 4 a 6 g (17) Tradicionalmente indicado urinárias (1);
Officinalis Sumo 60 a 150 g (17) para afecções catarrrais do contra-indicado em úlceras
trato respiratorio (6), (17) gástricas e intestinais e para
crianças abaixo de 4 anos (17)

Ocimum basilicum Rasurado 1 colher de so- Antiespasmódica, carminati- Contra-indicada na gesta-
bremesa das folhas va, galactogênica, anti-sépti- ção (17)
O. gratissimum
e inflorescencias ca pulmonar (6), (14)
O. selloi
frescas p/ 1 xícara 2
Herba Ocimi
a 3 x/dia (6)
Alfavaca

Oenothera biennis Óleo pad. 8% de GLA 3 a 8 g p/ adultos Tensão pré-menstrual, mas- Contra-indicado em epilép-
2 a 4 g p/ crianças (3) talgia cíclica, endometriose, ticos.
Oleum Oenotherae eczema atópico, neuropatia Uso cuidadoso durante a
Biennis diabética, hiperatividade em gravidez (3)
crianças (3)
Prímula

Orthosiphon spicatus Rasurado 6 a 12 g (17) Diurética, antiespasmódi- Contra-inndicado em insu-
ca. Indicada em processos ficiencia renal ou cardíaca (17)
Folium Orthosiphonis inflamatórios e infecciosos
do sistema urinário. Aumenta
Chá de Java eliminação de acido úrico (1),(17)

Ostrea sp Pó 1 a 2 g em caps. src Fonte de sais de cálcio, anti- Não relatadas
Concha Ostreae in Pulvis 9 a 30 g em decocção ácida (inibidora da secreção
(7) gástrica) (13)
Pó de ostras

Panax ginseng Ext. seco pad. 100 a 600mg (8) Adaptôgenica, tônica, regu- Evitar o uso na gravidez e
mín. 5% de ladora do SNC, aumenta a lactação por falta de dados (3)
resistencia inespecífica às Uso cuidadoso em pacientes
ginsenosídeos enfermidades. com disturbios cardiovascula-
3 a 9 g (7) Levemente hipoglicemiante e res, usuários de IMAO e em
Radix Ginseng Rasurado (decocto) 1 a 2 g (17) hipocolesterolemiante, esti- casos de antecedentes de
mulante dos sistemas imune úlcera gastroduodenal.
e hematopoiético, antianê- Interage com hipoglicemian-
2,5 a 10 mL (1) mica, antifadiga, anti-cancer,
tes, anticoagulantes (aumen-
Ginseng Tintura 20% antienvelhecimento, eleva o
ta o TP e o TPT), imunossu-
numero e a motilidade dos
pressores, diuréticos (9)
espermatozóides (13)

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 47
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Passiflora incarnata Ext. seco pad. a 3,5% 200 a 300mg (11) Sedativa, Evitar o uso na gravidez e
P. alata de isovitexina ansiolítica, hipnótica suave, lactação e a associação com
4 a 8 g p/ P. Incarnata miorrelaxante e espasmo- depressores do SNC (3)
Folium Passiflorae Rasurado
(17) lítica,
Passiflora Tintura (1:8 em alcool estabilizadora do SNC (3),(12)
1,5 a 6 mL em 3
45%)
tomadas (3),(11)

Paullinia cupana Pó 0,5 a 2 g (8) Estimulante do sistema Pode causar insônia, nervo-
nervoso central, antioxi- sismo, inquietude, irritação
dante, relaxante muscular, gástrica, náuseas, vômitos,
Semen Paulliniae Ext. seco pad. em 15 a 70 mg de cafeína antiagregante plaquetaria, taquicardia, tremores, delí-
Cupanae cafeína (8) antidiarreica (6) rios, convulsões, e diurese,
bem como potencializar a
ação de drogas estimulantes
do SNC e simpaticomimé-
Guaraná Tintura 10% 2,5 a 10 mL (8)
ticas (9)
Contra-indicada em hiperten-
são arterial, gastrite, úlcera
péptica, hiper-tireoidismo (1)

Persea americana Rasurado 2 a 10 g (4) Diurética, colagoga e eme- Não relatadas
Folium Persae nagoga (4)
Americanae
Abacateiro

Peumus boldus Ext. seco pad. Correspondente a 2 a Colerética, colagoga, Contra-indicado em hepatites,
em alcalóides totais 5 mg de boldina (8) antiespasmódica, aumenta a obstrução das vias biliares,
expressos como boldina secreção gástrica (3),(17) gestação, lactação, crianças
e uso contínuo e prolongado.
Folium Peumi Boldi Rasurado 3 g (17) Devido a ação antiplaquetária,
. pode interagir com varfarina.
Pode potencializar drogas he-
patotóxicas e, em altas doses
Tintura 20% ser nefrotóxico por conter
Boldo do Chile 1,5 a 6 mL (3),(9)
ascaridol no O.E. (3),(9),(17)

Pfaffia paniculata Rasurado 1 a 2 colheres de Tônica, adaptogênica, imuno- Não relatadas.
P. glomerata sobremesa (6) estimulante, antitumoral (9) Não está estabelecido o
uso seguro na gravidez e
Radix Pfaffiae lactação.
Fafia, Ginsng Brasileiro

Phaseolus vulgaris Ext. seco 250mg a 1000mg/dia Inibe a enzima alfa-amilase Pode interagir com hipogli-
de faseolamina, sem- bloqueando a absorção cemiantes (9)
pre 30 minutos antes de parte dos carboidratos
Faseolamina ingeridos na dieta, na forma
das refeições (SRC)
de glicose. Reduz a absorção
de gorduras. Levemente
hipolipemiante e hipoglice-
miante (9)

Phyllantus spp. Rasurado (infusão) 10 a 20g/ lt Tem ação diurética, antibac- Uso cuidadoso na gravidez
P. niruri, P. Amarus, P. (6),(15) teriana, analgésica, relaxante devido às ações purgativa e
Tenellus, P. urinaria dos ureteres, antiinflama- abortiva em altas doses (15)
tória. Aumenta a filtração
30 a 40g/ lt (6),(15) glomerular e a eliminação
Herba Phyllanthi Planta fresca (Infusão)
de ácido úrico, antiviral p/
hepatite B (6),(15)
Quebra pedra Tintura 20% 5 a 20 mL (4)

Piper methysticum Ext. seco pad. 30% de 200 a 700mg, dividi- Sedativa, ansiolitica, anal- Contra-indicada na gravidez
kavalactonas dos em 3 x ao dia gésica, antinflamatoria e e lactação e hepatopatias.
Rizoma Piperis Methystici (9) antiespasmódica. Interações com álcool,
Reduz o quadro de abstinen- benzodiazepínicos e outros
Kava kava cia de benzodiazepínicos (9) depressores do SNC (9)

48 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Plantago major Rasurado 3 a 6 g (15) Antimicrobiana, antiviral, Uso cuidadoso na gravidez.
P. lanceolata antiinflamatória, analgésica, Podem ocorrer efeitos
Tintura 20% 6 a 12 mL (3) hepatoprotetora, imunoesti- laxativo e hipotensivo em
Herba Plantaginis mulante (15) doses elevadas e reações
alérgicas devido a elevação
Tanchagem da IgE (15)

Plantago psyllium Pó 10 a 30 g divididos Laxativo mecânico suave, Pode causar flatulência, po-
em 2 ou 3 doses com emoliente e demulcente. tencializar a ação de hipogli-
Semen Plantaginis bastante líquido (9) Levemente hipoglicemiante cemi-antes orais, e reduzir
Psyllii e hipolipemiante, pois reduz a absorção de lítio; ferro,
a absorção de glicídeos e carbamazepina e digoxina;
lipídeos (9) contra-indicado em cólicas
Psyllium
abdominais de origens
desconhecidas, estenose
esofágica ou intestinal (9)

Psidium guajava Rasurado 5 a 10g (15) Antidiarréica, espasmolítica, Não utilizar por mais de
antimicrobiana, antiviral, 30 dias, nem na gravidez e
Folium Psidii Guajavae Tintura 10 a 50mL (4) hemostática, hipoglicemian- lactação (15)
te, antiinflamatória analgé-
sica, protetora da mucosa
Goiabeira
intestinal (15)

Ptycopetalum olacoides Rasurado 0,5 a 2 g (4) Estimulante da libido e da Não relatados
Radix Ptycopetali ereção (6)
Tintura 20% 2,5 a 10mL (4)
Marapuama

Punica granatum Rasurado 15 a 20 g (1) Adstringente, antidiarréica, Contra-indicada na gravidez
antibacteriana (6) e lactação em uso interno.
Pericarpum Punicae Uso ext. em gar- Doses equivalentes a 80
Granatii garejos, bochechos g ou mais produzem grave
e compressas – 1 intoxicação do SNC, com
colher de sopa p/ 1 parada respiratoria (6)
Romã
xícara em decocção (6)

Pygeum africanum Ext. seco pad. 75 a 200mg (15) Atividade antiinflamatória Evitar o uso na gravidez e
mín. de 13% de es- antiproliferativa, estimulante lactação.
Cortex Pruni Africanae teróis da secreção prostática (9) Pode causar náuseas e
Pigeum dores abdominais (15)

Rehmannia glutinosa Rasurado 9 a 15 g (7) Hipoglicemiante, imunoes- Não está estabelecido o
timulante, antitumoral, he- uso seguro na gravidez e
Radix Rehmanniae patoprotetora, cardiotônica, lactação
Preparatae diurética, antiinflamatória,
antianêmica, antibacteriana
(13)
Shu Di Huang

Rhamnus purshiana Ext. seco pad. 250 a 375mg Laxante em doses baixas, Gestantes, lactantes e
mín. 8% de hetero- 20 a 30 mg de casca- purgante em altas doses (1) crianças menores de 12 anos
Cortex Rhamni sídeos antracênicos rosídeo A (8),(17) e na obstrução intestinal.
Purshianae (cascarosideo A) Não utilizar em períodos
prolongados, mais de 1
a 2 semanas, nem para
Cáscara Sagrada Pó 250 a 750 mg (1) tratamento de constipação
intestinal crônica. Uso pro-
longado pode causar lesões
no intestino grosso (1),(17)

Rhamus frangula Pó 0,5 a 2,5 g ao dia, Laxante ou purgante (1),(3) Mesmos efeitos adversos,
como laxante, e 4 a 5 precauções e contra-indica-
Cortex Frangulae g como purgante (1),(3) ções da cáscara sagrada,
apesar de ser considerada
Frangula um pouco menos tóxica (1),(17)

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 49
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Rheum palmatum Pó Adstringente Em doses baixas Em doses acima de 300
R. officinale tônico e digestivo: 30 (30 a 300 mg) predomi- mg apresenta os mesmos
a 300 mg/dose na a ação adstringente e efeitos adversos dos la-
Radix et Rhizoma Rhei Laxante: 200-500 antidiarreica dos taninos; e xantes com antraquinonas.
mg/dose. em doses mais altas, a ação Administração crônica pode
Ruibarbo Purgante: 1-4 g/dose purgativa das antraquino- causar alterações no fígado,
(1),(13) nas. Efeitos: hipotensor e tireoide e estômago (1),(13)
hipolipemiante, indicado para
Síndrome Metabólica (1),(13)

Rosmarinus officinalis Rasurado 4 a 6 g (17) Carminativa, antiespasmódic Uso cuidadoso na gravidez
a,antioxidante, anti-inflama- devido a suposta ação
Folium Rosmarinii toria, bactericida e fungicida. emenagoga.
Officinali Estimula a circulação perifé- Em uso externo, prepara-
rica em uso externo (3),(17) ções tópicas contendo o
Alecrim óleo essencial podem cau-
sar irritação da pele (3),(17)

Saccharomices Pó 4 a 10 g (1) Orexígena, digestiva, rege- Não relatadas
cerevisiae neradora da flora bacteriana
intestinal; indicado após o
Levedo de cerveja tratamento com antibióticos;
utilizado tradicionalmente
para acne e furunculoses
(1),(17)

Salix alba Rasurado 3 a 9 g (3) Analgésica, antitérmica, Hipersensibilidade aos
(decocto) antiinflamatória (3) salicilatos.
Evitar a prescrição a pacien-
Cortex Salicis Albae Extratos pad. 60 a 120 mg de sal- tes com úlceras gastroduo-
icina (17) denais, , hemorragias ativas
Salgueiro branco ou em tratamento com
derivados do ácido acetil
salicílico ou outros anticoa-
gulantes (1),(9)

Salvia miltiorrhiza Rasurado 9 a 15 g (7) Vasodilatadora coronariana, Pode causar trombocitope-
protetora do miocárdio, nia desconforto gástrico,
Radix Salviae antianginosa, hipolipemiante, prurido e redução do apetite
antiagregante plaquetaria, (9)
Miltiorrhizae fibrinolítica e anticoagulan-
te, sedativa, antitumoral.
Salvia vermelha, Salvia Indicada em aterosclerose
chinesa, Dan Shen cerebral, obstrução das coro-
narias, insônia, irritabilidade
e síndrome pré-menstrual (13)

Salvia officinalis Rasurado 4 a 6 g (17) Carminativa, antisudorífica, Contra-indicada na gravidez
antioxidante, hipoglicemian- e lactação, insuficiência
Folium Salviae te, estrogênica, antibacte- renal e tumores mamários
Officinalis riana, anticolinesterásica, estrógeno-dependentes(14).
ativadora da memória (3),(17) Pode causar nauseas,
vomitos, dor abdominal,
Salvia tonteiras, agitação.
Pode elevar a PA em
pacientes hipertensos. Por
conter tujona e cânfora
pode ser neurotóxica e
hepatotóxica e causar con-
vulsões em altas doses (9)

Schisandra sinensis Rasurado 1,5 a 6 g (7) Adstringente, antioxidante, Contra-indicada na gravidez
anti-PAF, cardiotônica, hepa- e lactação (13)
Fructus Schisandrae toprotetora, detoxificante,
interfere com a metabolização
Chinensis
hepática de drogas Combi-
nada ao Ginseng beneficia
Wu Wei Zi a consolidação da memo-
ria, estimulante do centro

50 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

respiratorio, antitussígena
e expectorante. Estimula a
contração uterina e a pro-
dução do esperma. Indicada
para hepatites crônicas e
tradicionalmente para tosse,
gripe, neurastenia, disenteria,
dispepsia e fraturas ósseas (13)

Scutellaria baicalensis Rasurado Antibacteriana, antitérmica, Contra-indicada na gravidez
3 a 9 g (7) detoxicante, antinflamatória, (13)

Radix Scutellariae antitumoral, anti-HIV-1, antio-
xidante, diurética, hipoten-
Baicalensis
sora, antialérgica. Indicada
em infecções das vias aéreas
Huang Qin superiores, como amigdalites
e laringo-faringites, escarlati-
Escutelaria na, hepatites virais, nefrites e
anexites (13)

Serenoa repens Ext. lipofílico pad. 80 a Antiandrogênica, antiproli- Contra-inidcada na gravidez
90% de acidos graxos(9) 320 mg, em dose ferativa, anti-inflamatoria, e lactação.
Fructus Serenoae única ou 160 mg inhibitoria das 5 alpha-redu- Tonteiras, cefaleia, e
Repens 2x/dia (9) tases 1 e 2 e preventiva da alterações gastrointestinais
conversão da testosterona como nauseas, vômitos,
Saw palmetto para dihidrotestosterona constipação e diarreia, são
(DHT) in vitro (9) os efeitos adversos mais
frequentes (9)

Sesamum indicum Sementes tostadas e Indicado para tonteiras, Sem relatos de efeitos ad-
Semen Sesami Nigrum rasuradas (7) 9 a 15 g (7) visão turva, acúfenos e cons- versos e contra-indicações
tipação intestinal (7) na literatura consultada.
Gergelim preto

Silybum marianum Rasurado Hepatoprotetora, detoxican- Contra-indicado com
12 a 15 g ou prepa- te, colagoga. IMAO(14)
Fructus Cardui Marianae
Indicada para hepatites
rações equivalentes
tóxicas (6),(14)
Cardo-mariano a 200 a 400 mg de
silimarina, calculada
como silibinina (17)
Smilax japicanga, S. Rasurado Antibiótica, Contra-indicada para
brasiliensis, S. cam- 3 a 12 g (9) anti-sifilítica, crianças, na gravidez e
pestris, S. fluminensis e anti-lepromatosa, diurética, lactação (9)
Herreria salsaparilha (6) laxativa, antinflamatoria,
Radix Smilacis hepatoprotetora (6),(9)

Salsaparrilha

Solanum paniculatum Rasurado Afecções do figado: icterícia, Não relatadas.
1 a 4 g (raiz) (4) hepatite, insuficiência
Radix, Folium e Fructus hepática (4)
Solani Paniculatae
Jurubeba

Spirulina sp Pó Nutritiva, redutora do apeti- Normalmente bem tolerada.
3 a 5 g (9) te, rica em proteínas e ferro Quando contaminada por
Alga Spirulinae biodisponível, antioxidante (9) especies tóxicas de outras
algas azuis, como Microcys-
Espirulina tis aeruginosa, pode causar
forte hepatotoxicidade
devido a microcistinas, com
icterícia, dor e distensão
abdominal, nauseas, vomitos,
astenia, sede excessiva,
pulso fraco e rápido, choque
e morte (9)

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 51
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Stevia rebaudiana Rasurado Edulcorante . Ligeiramente Esteviosídeo pode causar
3 a 6 g ou prepara- hipoglicemiante e hipotenso- efeitos adversos como
Folium Steviae ções contendo 250 a ra, diurética (6),(9) plenitude abdominal e nau-
Rebaudianae seas, cefaleias, tonteiras,
500 mg de estevio-
sídeo 3 vezes ao dia mialgia e parestesias (9)
Estévia
(6),(9)

Styphnodendron Pó ou rasurado Adstringente, antidiarréica, Cuidado no uso interno
adstringens 1 a 5 g (4) hemostática, cicatrizante e devido ao alto teor de
anti-séptica. Indicado em taninos (4),(6)
Cortex Styphnodendri Tintura 20% leucoreias, hemorragias,
Adstringens 5 a 25 mL (4) inflamações e feridas (4),(6)
Barbatimão

Symphytum officinale Tintura 10% Cicatrizante, reepilizante, Hepatotóxico em uso
Exclusiva-mente para hidratante, antiinflamatória, interno, Proibida no Brasil a
Folium Synphyti uso externo. antibacteriana (6) utilização por via interna (6)
Officinale 10 a 15% em po-
Confrei madas, 2 a 3 aplica-
ções/ dia (1),(6)
Tabebuia avellanedae Rasurado Lapachol possui atividade Contra-indicada na
1 a 4 g (9) antiinflamatória, gravidez e lactação e em
Tintura 10% antimalárica, antibacteriana, tratamentos prolongados.
Cortex Tabebuiae antifúngica, antiparasitária e Evitar a utilização de altas
Obs. Diluir a 50% com
Ipê roxo imunomoduladora (9) doses devido ao risco de
água para uso externo 1 a 3 colheres de
sangramentos (9)
sopa (6)
Tanacetum parthenium Ext. seco pad. a Analgésica, antiinflamatória, Contra-indicada na gravidez
0,2% de partenolídeo 100 a 500 mg como inibidora da PAF, da pro- Uso cuidadoso em pacientes
Herba Tanaceti Parthenii preventivo das enx- dução de leucotrienos e em uso de anticoagulantes.
aquecas (8) tromboxano, antigregante Pode causar ulceras bucais e
Tanaceto plaquetária (3) dores abdominais (3),(11)

Taraxacum officinalis Rasurado Colerético, orexígeno, anti- Oclusão das vias biliares (1)
2 a 10 g (1),(4) dispéptico. Laxante suave e
Herba Taraxaci cun diurético. Indicado tradicio-
Tintura 10%
Radici nalmente para furunculos,
2,5 a 15 mL (1)
Dente de leão abscessos, psoríase (1),(3)

Thuja occidentalis Tintura 20% Uso externo, hemorroidas, Deve ser utilizada preferen-
Ramulus Thujae Aplicar 2 vezes ao dia condilomas, papilomas, cialmente por via externa,
Occidentalis sobre as lesões (11) verrugas (11),(14) devido ao alto teor de
Tuia tuionas (11)

Tilia cordata Rasurado Diaforética, antiespasmódi- Contra-indicada na gravidez
Flos Tilia Cordata 2 a 4 g (3) ca, sedativa (3) e lactação e em doenças
cardíacas (3)
Tília

Tribullus terrestris Ext. seco pad. a 40% de Estudos clínicos não Contra-indicada na gravidez
Fructus Tribuli Terrestris saponinas esteroidais 750 a 1500 mg (SRC) demonstraram ações hormo- e lactação (9)
Tribulus nais ou adaptogênicas (9)

Trifollium pratensis Ext. seco pad. mín. Estrogênica, antioxidante, Contra-indicada na gravi-
de 8% de isoflavonas 40 a 80 mg de isofla- utilizada na Síndrome Cli- dez, lactação e em crianças
totais vonas (9) matérica para controle dos pacientes que fazem uso de
Folium Triflori Pratensi
fogachos e sudorese (11) anticoagulantes
Usar com cautela durante
Trevo vermelho, Red a terapia de reposição
clover hormonal (9),(11)

Turnera difusa Rasurado Anti-séptica urinaria, anties- Contra-indicada na gravidez
6 a 12 g (3) pasmódica, e lactação.
Antibacteriana (3),(14) Dosagens acima das
Herba Turnera Difusae recomendadas podem ser
tóxicas.
Damiana Pode inteferir com hipoglice-
miantes e com absorção de
ferro e outros minerais (3),(14)

52 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Uncaria tomentosa Ext. seco pad. min. Ação antiinflamatória, Contra-indicada na gravi-
U. guianensis de 1,3% de alcaloides 750 a 3000 mg (11) antioxidante, imunomodula- dez, lactação e em crianças
totais dora antiviral, antitumoral. menores de 3 anos, e em
Cortex Uncariae Indicada para o tratamento pacientes candidatos a ou
de osteoartrites, incluindo transplantados ou em uso
Unha de gato artrite reumatoide e outras de imunossupressores (11),(15)
colagenoses (11),(15)

Urtica dioica Rasurado (Herba) Ação antiproliferativa, Pode causar distúrbios
Radix Urticae Dioicae 8 a 12 g (17) antiinflamatória. Indicada gastrintestinais ocasionais e
em associação com outros rash cutâneo (9),(14)
Herba Urticae Dioicae fitoterápicos na HBP (9)
Urtiga Rasurado (Radix)
4 a 6 g (17)
Vaccinium myrtillus Ext. seco pad. min. de Antioxidante, vasculoprote- Não relatadas
Fructus Vaccinii 22 % de antocianidinas 12,5 a 20 mg de anto- tora, protetora da retina (14)
Myrtilli ciani-dinas (SRC)
Mirtilo

Valeriana officinalis Rasurado Sedativa, hipotensora, Gravidez e lactação.
1 a 3 g (3) anticonvulsivante, antiespas- Não administrar em con-
Radix Valerianae Ext seco pad. 0,8 a 1% módica (9), (14) junto com álcool e outros
Offcinalis de ac. valerênico 200 a 800mg (11) depressores do SNC por
Tintura 20% potencialização dos seus
Valeriana 3 a 12 mL (17) efeitos (9),(14)

Vernonia polyanthes Rasurado Expectorante empregada Não relatadas
3 a 9 g (6) nas tosses, gripes, bronqui-
Folium Vernoniae tes e pneumonias (6)
Polyanthi
Assa-Peixe

Vitex agnus castus Rasurado Redutora da secreção de Contra-indicado na gravidez
1,5 a 3 g (3) prolactina, dopaminérgica. e lactação. Pode causar
Fructus Viticis Indicada em hiperprolactine- nausea, cefaleia, disturbios
Ext. seco pad. em
Agni-Casti mia, mastalgia e Síndrome gastrointestinais, desordens
agnusídeos de 1 a 2 mg de agnu-
sídeos (3) de Tensão Pré-menstrual (9) menstruais, acne, prurido e
Agnus castus eritema (9)

Vitis vinifera sp. Ext. seco pad. em pro- Antioxidante, antilipoperoxi- Não relatadas
antocianidinas 150 a dante, antiadesiva plaquetá-
Semen Vitis Viniferae 300 mg de proanto- ria, vasoprotetora, antiinfla-
Semente de uva cini-dinas (9) matória (9)

Zea mays Rasurado Diurético e hipotensor leve Não deve ser utilizado na
(13)
Stigma Maydis 12 a 24 g (3) gravidez e lactação, por
provável ação ocitócica (3),(14)
Cabelo de milho

Zingiber officinalis Rasurado Carminativa, estimulante Pode ocorrer desconforto
2 a 4 g (17) da secreção gástrica e da abdominal, pirose, diarrhea,
Rhizoma Zingiberis digestão, gastroprotetora, irritação da mucosa da boca
Officinale Doses de 250 a 1000 colagoga, espasmolítica, e faringe, principalmente
mg da droga pulver- antioxidante, antinflamatoria, em doses acima das reco-
hipolipemiante, hipogli- mendadas (9)
Gengibre izada têm sido utiliza-
das para nauseas da cemiante, cardiotônica,
expectorante, antitussígena,
gravidez (9)
antipirética, antiemética (3) (9)

Os (números) na tabela referem-se às: (1) GARCÍA, 1998; (2) MATOS, 1994; (3) NEWALL et al., 1996; (4) COIMBRA, 1958; (5) MA-
TOS, 2000; (6) LORENZI; MATOS, 2002; (7) FARMACOPÉIA CHINESA, 1992; (8) BRASIL, 2004; (9) MEDICINA NATURAL, 2007;
(10) OFFERMANN, et al., 1996; (11) ROCHA et al., 2005; (12) HANSEL et al., 2002; (13) HUANG, 1999; (14) ALONSO, 1998; (15)
GILBERT et al., 2005; (16) ROTBLATT; ZIMENT, 2002; (17) BLUMENTHAL et al., 1998. [ver seção ‘Referências’]. SRC = Sem Refe-
rencias Científicas.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 53
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

Dentre as 138 drogas abordadas, 45 (32,6%) delas diferentes fontes, de forma geral, apresenta alto
dispunham de extratos padronizados, e somente 30 índice de coerência quanto à segurança e eficácia
(21,7%) possuíam posologias definidas em ensaios das mesmas, propiciando sua utilização racional,
clínicos. É freqüente o fato dos extratos utilizados desde que respeitados os limites internacionalmen-
nos estudos pré-clínicos e clínicos não estarem pa- te aceitos para drogas vegetais de uso tradicional.
dronizados; além do que, muitas vezes, a padroni-
zação de extratos disponíveis no mercado difere da
Referências
utilizada nos estudos. Para a maior parte das amos-
tras pesquisadas, foi necessário recorrer ao cruza-
ALONSO, J. Tratado de Fitomedicina - Bases clíni-
mento de informações de duas ou mais fontes utili-
cas y farmacológicas. ISIS Ediciones S.R.L. Argen-
zadas na pesquisa para seleção das informações e
tina, 1998, 1039 pp.
inclusões na tabela. As maiores dificuldades foram
encontradas com as drogas derivadas de espécies
ARRECHE GARCÍA, A. Fitoterapia. Vademecum
nativas do Brasil, devido à escassez de informa-
de prescripción. Plantas medicinales. Ed. Masson,
ções científicas sistematizadas, obrigando a utili-
S.A., 1998, 1148 pp.
zação freqüente de informações de uso tradicional,
alem do reduzido numero de extratos disponíveis,
BLUMENTHAL M.; BUSSE, W.R.; GOLDBERG, A.
principalmente os secos padronizados.
(eds). The Complete German Commission E Mo-
nographs: Therapeutic Guide to Herbal Medicines.
Na definição das apresentações, foram privilegia-
Austin: American Botanical Council and Boston:
das as amostras representadas pelo maior nível de
Integrative Medicine Communications, 1998, 684
validação científica, e com padronização quantitati-
pp.
va de marcadores; enquanto que, para aquelas que
não dispunham de extratos padronizados, optou-se
BRASIL. Resolução RDC ANVISA/MS nº. 89, de
pela droga vegetal e respectivas doses, permitindo
16/03/2004. Determina a publicação da Lista de
o calculo das doses dos diferentes extratos dispo-
registro simplificado de fitoterápicos. Diário Oficial
níveis através da relação extrato:droga (E:D). De
da União, Brasília, 2004. Disponível em: http://e-le-
forma geral, as apresentações em forma de tintura
gis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=10241.
não foram incluídas no trabalho, devido às freqüen-
tes incoerências na posologia, quando comparadas
COIMBRA, R. Notas de Fitoterapia. Ed. Laborato-
às das drogas vegetais correspondentes. A consul-
rio Clínico Silva Araujo S.A., 2ª ed., 1958, 429 pp.
ta a alguns laudos de qualidade dos extratos forne-
cidos pelos fabricantes resulta geralmente insufi-
FARMACOPÉIA CHINESA. Pharmacopoeia of the
ciente em informações relevantes, como por exem-
People’s Republic of China. English edition. Che-
plo, quanto ao método de extração utilizado e à re-
mical Industry Press, Beijing, China, 1992, 886 pp.
lação E:D, que influenciam diretamente a atividade,
e que, quando presentes, contribuem para orientar
GILBERT, B.; FERREIRA, J.L.P.; ALVES, L.F. Mono-
a manipulação e a prescrição dos mesmos.
grafias de Plantas Medicinais Brasileiras e Aclima-
tadas, Ed. ABIFITO, 2005, 250 pp.
Apesar dos inúmeros recursos terapêuticos à dis-
posição para a fitoterapia, as dúvidas e incoerên-
HANSEL, R.; TYLER, V.; SCHULZ, V. Fitoterapia
cias permanecem, principalmente naquelas drogas
Racional (trad.); 4ª ed. Ed. Manole, Barueri, 2002,
e extratos com processo de validação científica in-
386 pp.
completo para as diversas formas farmacêuticas e
indicações propostas.
HUANG, K.C. The Pharmacology of Chinese Her-
bs. 2nd ed., CRC Press, Lincoln, 1999. 512 pp.
Adicionalmente, não há estudos suficientes sobre
biodisponibilidade para as diferentes formas far-
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais
macêuticas de fitoterápicos, principalmente nas di-
no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto
ferenças entre infusão/decocção, formas mais tra-
Plantarum, 2002, 544 pp.
dicionais de uso, e drogas pulverizadas e tinturas.
Por outro lado, o cruzamento de informações tradi-
MATOS, F.J.A. Farmácias Vivas: sistema de uti-
cionais e científicas acerca das drogas vegetais em
lização de plantas medicinais projetado para pe-

54 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Drogas e Extratos Vegetais Utilizados em Fitoterapia

quenas comunidades, 2ª ed.. Ed. UFC, Fortaleza,
1994, 222 pp.

MATOS, F.J.A. Plantas medicinais: Guia de sele-
ção e emprego de plantas em fitoterapia no Nor-
deste do Brasil, 2ª ed.. Fortaleza, IU, 2000, 344
pp.

MEDICINA NATURAL. Natural Medicines Com-
prehensive Database. Ed. Therapeutic Research
Faculty, Stockton, CA, 2007, 1200, pp.

NEWALL, C.A.; ANDERSON, L.A.; PHILLIPSON,
J.D. Herbal Medicines: A Guide for Health-Care
Professionals. London: The Pharmaceutical Press,
1996, 296 pp.

OFFERMANN, F.; WAGNER, H.; BAUER, R.; PEI-
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Fritillariae (Beimu). Chinese Drugs Monographs
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ROCHA, L.; D’HYPPOLITO, J.; SILVA, R. Fitotera-
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de fitoterápicos. Publ. ANFARMAG, São Paulo,
2005; 194 pp.

ROTBLATT, M.; ZIMENT, I. Evidence-Based Her-
bal Medicine. Hanley & Belfus, Inc., Philadelphia,
2002, 464 pp.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 55
Artigo Original / Original Article

Elaboração de uma Cartilha Direcionada
aos Profissionais da Área da Saúde,
Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas envolvendo
Fitoterápicos e Alopáticos

Elaboration of a Primer for all Health
Professionals, Containing Information
on Interaction Between Drugs
and Phytoterapics

*Cardoso, C. M. Z.; Silva, C. P.; Resumo
Yamagami, K.; Lopes, R. P.; San-
tos, F.; Bonassi, I.; Jesuíno, I.; Ge- O uso de medicamentos fitoterápicos sem orientação adequada de
res, F.; Martorie Jr., T.; Graça, M.; um profissional da área da saúde pode ser um risco. Esses medi-
Kaneko, B.; Pavani, E.; Inowe, C. camentos podem sofrer interação com outros fitoterápicos e/ou
alopáticos. O objetivo desta cartilha é disponibilizar aos profissio-
nais da área da saúde e à população, um material com as possíveis
interações medicamentosas entre fitoterápicos e alopáticos. O le-
vantamento bibliográfico foi realizado no Chemical Abstracts des-
de 1986, nos anais de eventos sobre plantas medicinais, Scielo,
Bireme, Google Acadêmico e na Base EBSCO. Observou-se que
Projeto Farmácia Verde, Facul-
dade de Ciências Farmacêuticas
existem poucos estudos (apenas 38 citados nesse trabalho) rela-
e Bioquímicas Oswaldo Cruz, Rua cionados à interação medicamentosa envolvendo fitoterápicos.
Brigadeiro Galvão 540, 01151-000,
São Paulo, SP, Brasil. Abstract

The use of phytomedicines whithout medical orientation can be a
health risk. These medicines can interact with other phytomedi-
cines and/or drugs. The objective of this primer is to dispose to all
* Correspondência: health professional information of possible medicine interaction be-
E-mail: cmzc@uol.com.br tween drugs and phytomedicines. The data were organized based
on Chemical Abstracts since 1986, and in Scielo, Bireme Library,
Academic Google, EBSCO. There were not many papers (about 38
only) related to medicine interaction with phytoterapics.

Unitermos:
Interações Medicamentosas; Fito-
terápicos; Plantas Medicinais; Chás. Introdução

Fitoterápicos são medicamentos obtidos a partir de plantas medi-
Key Words: cinais. Eles são obtidos empregando-se exclusivamente derivados
Drug Interaction; Phytomedicines; de droga vegetal (extrato, tintura, óleo, cera, exsudato, suco, e ou-
Medicinal Plants; Teas. tros) (ANVISA, 2004). Estes, assim como todos os medicamentos,

56 Revista
Revista
Fitos
Fitos Vol.3 Vol.4
Nº02 Nº01
junhomarço
2007 2009
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Artigo Original/Original Article da Área da Saúde, Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

devem oferecer garantia de qualidade, ter efeitos Resultados
terapêuticos comprovados, composição padro-
nizada e segurança de uso para a população. A Como resultado, a Cartilha constitui-se das se-
qualidade deve ser alcançada mediante o controle guintes seções: Título, Introdução, Apresenta-
das matérias-primas, do produto acabado, mate- ção, Perguntas e Respostas simples e de fácil
riais de embalagem, formulação farmacêutica e entendimento, finalizando com a Tabela 1, que
estudos de estabilidade (ANVISA, 2003a; 2003b; apresenta os dados objetivos relativos às plantas
PDAMED, 2007) medicinais e interações entre elas e outros fár-
macos, conforme transcritos a seguir. Observa-se
Erroneamente acredita-se que um fitoterápico ou que existem poucos estudos (apenas 32 citados
uma planta medicinal, por ser natural e não ter nesse trabalho) relacionados à interação medi-
sido industrializado está livre de componentes camentosa envolvendo fitoterápicos. Em seguida
químicos e efeitos colaterais. Isto faz com que as apresenta-se a Cartilha, na forma como se pre-
pessoas adotem a automedicação. No entanto tende sua divulgação.
estes compostos, como outros quaisquer, produ-
zem reações no organismo, positivas ou negativas TÍTULO
(ZANCANARO, 2007). Usar medicamentos fito-
terápicos sem orientação adequada de um profis- “Interações Medicamentosas Com Fitoterápi-
sional da área da saúde, principalmente os médi- cos E Plantas Medicinais”
cos, pode ser um risco. Isto ocorre porque esses
medicamentos podem sofrer interações com ou-
tros fitoterápicos e/ou alopáticos. Esta interação INTRODUÇÃO
pode ocorrer de três formas: um pode potenciali-
zar a ação de outro, pode ocorrer também perda Nesta seção, a Cartilha reproduzirá as informa-
de efeitos por ações opostas, ou ainda, a ação de ções contidas na Introdução do presente artigo,
um medicamento pode alterar a absorção, trans- conforme acima exposta.
formação no organismo ou a excreção de outro
fármaco (FUTURO et al., 2004). APRESENTAÇÃO

O presente trabalho procurou como objetivo listar Segundo a OMS, 80% da população mundial fize-
as possíveis interações medicamentosas encon- ram ou fazem uso de medicamentos derivados de
tradas na literatura com a finalidade de informar plantas medicinais (NICOLETTI et al., 2007). No
e conscientizar, principalmente os médicos, das Brasil, pesquisas demonstram que 91,9% da popu-
conseqüências da administração e uso concomi- lação já fizeram uso de alguma planta medicinal,
tantes de diferentes fitoterápicos ou destes com sendo que 46% da população mantêm um culti-
medicamentos alopáticos vo caseiro dessas plantas (VEIGA JÚNIOR et al.,
2005). A partir dessas estatísticas, os integrantes
do projeto Farmácia Verde da Faculdade de Ciên-
Metodologia cias Farmacêuticas e Bioquímicas das Faculdades
Oswaldo Cruz elaboraram a presente cartilha “In-
Os levantamentos bibliográficos foram realizados terações Medicamentosas com Fitoterápicos
nas bases de dados do Chemical Abstracts (des- e Plantas Medicinais”.
de 1986), Scielo, Bireme, Google Acadêmico e na
Base EBSCO, assim como nos anais de eventos O objetivo dessa apresentação é disponibilizar
sobre plantas medicinais. Os resultados encon- aos profissionais da área da saúde as possíveis
trados foram organizados numa tabela com cinco interações medicamentosas entre fitoterápicos
colunas: a primeira destinada ao nome popular, e alopáticos (medicamentos sintéticos), visando
a segunda ao nome científico, a terceira com as evitar complicações geradas a partir do uso in-
substâncias com as quais ocorrem interações, a correto e concomitante dos mesmos, uma vez que
quarta coluna cita os efeitos e a última está desti- como qualquer outro medicamento, o fitoterápico
nada a observações complementares (Tabela 1). apresenta efeitos curativos e colaterais (NICO-

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Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

LETTI et al., 2007). O papel do profissional da tema médico completamente diferente daquele
área da saúde é orientar o paciente e a popula- alopático ou fitoterápico que conhecemos. Ele
ção quanto às possíveis interações e riscos que estabeleceu a teoria em que a energia vital dos
os fitoterápicos possam oferecer, e a Cartilha é indivíduos poderia ser recuperada, por diluições
uma ferramenta de fácil entendimento e rápida homeopáticas, a partir de substâncias que cau-
consulta, e ainda, a parte anterior à tabela pode sassem os mesmos sintomas no homem (SILVA,
ser distribuída à população. 2007).

As interações medicamentosas são apresentadas 4. Medicamento natural não faz mal?
em forma de tabela, para facilitar o esclarecimen- O uso indiscriminado de plantas no tratamento de
to do conteúdo, e essa contém o nome da planta doenças deve ser visto com mais atenção pelas
(popular e científico), interações, forma farmacêu- pessoas. Plantas aparentemente inofensivas e
tica, efeitos relatados e algumas observações. Es- utilizadas como medicamento são comprovada-
pera-se que o uso dessa cartilha possa contribuir mente perigosas dependendo da forma com que
significativamente no tratamento dos pacientes são administradas. Esse perigo está mais presen-
que fazem uso de fitoterápicos a partir das infor- te quando a pessoa concilia o uso com remédio
mações aqui apresentadas. indicado pelo médico para tratamento de doen-
ças (FUTURO et al., 2004; VEIGA JÚNIOR et al.,
PERGUNTAS MAIS FREQUENTES 2005; LONDRINA, 2006).

1. O que é um fitoterápico? 5. Vantagens do uso do fitoterápico.
São medicamentos obtidos a partir de plantas me- Os fitoterápicos podem apresentar efeitos tera-
dicinais, empregando-se exclusivamente deriva- pêuticos, às vezes, melhores aos dos medicamen-
dos de droga vegetal (extrato, tintura, óleo, cera, tos alopáticos, podendo ter seus efeitos colaterais
exsudato , suco e outros) (VEIGA JÚNIOR et al., minimizados, quando administrados corretamente.
2005). Tem um custo mais acessível à população e aos
serviços públicos de saúde, por serem obtidos de
2. Chá é fitoterápico? fontes naturais e não precisarem ser industriali-
Erroneamente acredita-se que um chá, por ser na- zados, o que acaba por encarecer o medicamento
tural e não ter sido industrializado esta livre de (FUTURO et al., 2004).
componentes químicos e efeitos colaterais, po-
rém, muitos deles apresentam princípios ativos 6. O que é interação medicamentosa?
com ação farmacológica que produzem reações Interações medicamentosas são respostas far-
no organismo, positivas ou negativas. Existe uma macológicas, em que os efeitos de um ou mais
certa confusão quando se fala a respeito de chá, medicamentos, são alterados pela sua adminis-
já que são encontrados facilmente em mercados, tração concomitante. Essas interações não são
estes são considerados alimentos que através do observadas somente com substâncias químicas
processo de industrialização já não mais apresen- sintetizadas (medicamentos alopáticos), mas
tam ação farmacológica. Entretanto, chás prepa- também com aquelas presentes em plantas que
rados a partir da planta seca (droga vegetal) ou são empregadas na preparação de chás, xaropes
fresca, continuam com seus princípios ativos inal- caseiros e medicamentos fitoterápicos (FUTU-
terados (VEIGA JÚNIOR, 2005). RO, 2004).

3. Produto fitoterápico é diferente de produto 7. Interação de fitoterápicos com drogas con-
homeopático? vencionais (alopáticas) afeta o tratamento?
A fitoterapia é a terapêutica baseada em plantas Sim, as respostas decorrentes destas interações
medicinais. Ela tem o mesmo principio da alopa- podem resultar na potencialização do efeito te-
tia, no qual usa-se a droga para a cura da do- rapêutico, redução de sua eficácia ou ainda apa-
ença. A homeopatia é outra modalidade médica recimento de reações adversas (IZZO; ERNST,
baseada nos postulados de Hahnemann, médico 2001; FUTURO et al., 2004; VEIGA JÚNIOR et
alemão do século XVIII, que desenvolveu um sis- al., 2005; LONDRINA, 2006).

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Tabela 1 – Drogas vegetais e interações medicamentosas entre si e com outros alopáticos

Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Acônito crua (9) Aconitum napelus L. Pinellia crua Reações tóxicas / efeitos -
colaterais

Varfarina Propriedades coagulantes -
Agrimonia (9) Agrimonia eupatoria L. da agrimonia neutralizam a
varfarina

Espironolactonas Antagonismo de efeito -
diurético

Sargassum Reações tóxicas / efeitos -
colaterais

Anestésicos Extrato do rizoma pode Os efeitos ocorrem por
provocar hipertensão arterial, inibição do metabolismo do
edema, hipocalemia e altera- cortisol e da aldosterona
ção plaquetária

Varfarina sódica cristalina Aumenta as propriedades -
antiplaquetárias.

Hortelã-pimenta Óleo de hortelã interfere no Como conseqüência, a
sistema enzimático hepático concentração do alcaçuz uti-
citocromo P450. lizado concomitantemente,
poderá se elevar no sangue
promovendo intensificação
dos efeitos ou potencializan-
do reações adversas sérias.

Alcaçuz (3,9,10,12,30,22) Glycyrrhiza glabra L. Anti-hipertensivos Alterações cardiovasculares -

Contraceptivos orais Aumento da pressão arterial e -
diminui os níveis de potássio

Laxantes Causa perda de potássio -

Insulina Aumenta os efeitos adversos -
da insulina

Corticosteroides Aumenta os efeitos dos Deve–se ter cuidados ao
corticosteroides ingerir quaisquer tóxicos/
esteróides concomitante-
mente ao alcaçuz.

Digoxina Aumenta perigosamente o -
risco dos efeitos tóxicos da
digoxina

Aspirina Reduz irritações estomacais, -
assim como o risco de ulceras
no estômago.

Inibidores da ECA e diuréticos Interferem na efetividade da -
(não poupadores de potássio) medicação

Alcachofra (22) Cynara scolymus L. Diuréticos de alça e tiazídicos O volume sanguíneo poderá -
diminuir drasticamente,
gerando queda de pressão
arterial por hipovolemia, in-
cluindo a grande excreção de
potássio (alcachofra também
é diurético)

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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Alecrim-pimenta (23) Lippia sidoides Cham. Antibióticos (Ampicilina, Ação potencializadora pelo Destaca-se o efeito sinér-
Cefalotina e Cloranfenicol) óleo essencial do efeito gico exercido pelo óleo es-
antibacteriano sencial de L. sidoides sobre
cefalotina na interação com
S. aureus. (bactéria Gram
positiva)

Anticoagulantes orais como a Aumento do tempo de san- Dose: medicamentos con-
varfarina; e antiplaquetários gramento tendo alho

Clorpropamida Hipoglicemia -

Expectorantes Potencializa efeitos dos Dose: maceração dos
expectorantes bulbos em água, infusão ou
in natura

Hipoglicemiantes (Insulina e Intensificação do efeito -
Glipizida) - diminuição excessiva dos
níveis de açúcar no sangue

Saquinavir (empregado no Diminui os níveis plasmáticos -
tratamento de infecção por daquela droga tornando seu
Alho (9,20,16,22,30) Allium sativum L. HIV) e outros anti-retrovirais efeito terapêutico menos
eficaz (tanto o alho quanto
(Aprenavir, Nelfinavir, Rito- os inibidores de proteases
navir) atuam na mesma via meta-
bólica do citocromo P450)

Medicamentos para proble- Afeta a tireóide Dose: suplementos com
mas de tireóide/ disfunção alho
na tireóide

Varfarina Sangramento -

Paracetamol - -

Aloe (9) Aloe ferax Miller Glicosídeos cardioativos e Potencialização pela redução -
agentes antiarrítmicos dos níveis de potássio ia
laxativa

Angélica chinesa (30) Angelica sinensis Varfarina e outros inibidores Aumento da protombina e -
Avé-Lall. da agregação plaquetária dos valores internacionais
normalizados (INR), aumento
de hemorragias

Nefropatia intestinal suba-
guda, neoplasmas no rim
Aristolochia fangchi Y. e na uretra (Existem pelo
Aristolochia (18,30) C. Wu ex L. D. Chow & Fitoterápicos menos 14 diferentes ácidos -
S. M. Hwang aristolóquicos, que são po-
tentes agentes nefrotóxicos
e carcinogênicos: câncer na
uretra)

Astragalus (9) Astragalus membrana- Ciclosporina, Azathioprine, Enfraquece os efeitos imuno- -
ceus Moench. Methotrexate supressores

Glicosídeos cardioativos Por provocar a perda de -
(Digoxina) potássio pode aumentar a
toxicidade do medicamento
Babosa (18) Aloe barbadensis Miller
Medicamentos que provocam Aumenta o potencial a perda -
perda de potássio (esteroi- de potássio
des e diuréticos)

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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Boldo do Chile (22) Peumus boldus Molina Anticoagulantes Boldina causa inibição da -
agregação plaquetária

Bupleurum (9) Bupleurum falcatum L. Sedativos Potencialização -

Buva (13) Conyza bonariensis L. Antibióticos Efeito sinérgico com o óleo A alcoolatura desta planta
essencial tem sido usada topicamente
no tratamento de dermatoses

Antiplaquetário e anticoagu- Aumento do risco de hemor- Chá das folhas contém
lantes ragia constituintes derivados de
cumarina.

Aspirina Aumento do risco de hemor- Chá das folhas
ragias

A camomila pode interferir
Ferro com a absorção de ferro Chá das folhas
durante tratamentos orais
comeste mineral, ou mesmo
na alimentação

Lítio Redução dos níveis do Chá das folhas
Matricaria chamomilla L. mineral

Sedativos (benzodiazepina, Aumenta o efeito sedativo Chá das folhas
álcool, entre outros) dos medicamentos

Camomila (3,9,18,22) Têucrio (Teucrium chamae- Hepatite (a origem do
drys) efeito tóxico foi atribuída a
diterpenos do tipo neo- -
clerodano, transformados
Chamomilla recutita L. pelo citocromo P450 em
metabólitos hepatotóxicos,
que apresentavam uma
subunidade epóxido)

Tratamentos hormonais Efeito antiestrogênico Essa interação foi sugerida
a partir de pesquisas em
animais

Varfarina e outros inibidores Aumento do risco de he-
da agregação plaquetária morragias por aumento da -
pró-trombina e dos valores
internacionais normalizados
(INR)

Diuréticos tiazídicos Perda excessiva de potássio, Chá ou cápsulas
podendo causar hipocalemia

Glicosídeos cardiotônicos Potencializarão do efeito Chá ou cápsulas
do medicamento, devido a
Cáscara sagrada (22) Rhamnus prushiana DC. desequilíbrio de eletrólitos

Medicamentos administrados Afeta a absorção por inten- Chá ou cápsulas
por via oral sificar o transito gastrin-
testinal

Ácido acetilsalicílico, Varfa- Aumenta o risco de sangra- Não mencionada
rina, Heparina, Clopidogrel e mento
antiinflamatórios com Ibupro-
feno ou Nanoproxeno
Castanha da índia (22) Aesculus hippocasta-
num L. Antiácidos Diminuir a eficácia já que -
essa planta é irritante do TGI

Insulina Hipoglicemiante -

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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Efeitos antagônicos (a
Centela (22) Centalla asiatica L. Dexametasona dexametasona exerce função -
de agente supressor no pro-
cesso de cicatrização)

Salvia miltiorrhiza Antitumoral; associada
também com baicalin, age -
inibindo a proliferação do
câncer de mama

Varfarina Antagonista do efeito antico- -
agulante

Teofilina e derivados da Aumentam os efeitos esti- -
xantana mulantes

Lítio Pode diminuir os níveis de -
lítio

Adenosina Inibição da produção de -
adenosina

Antibióticos beta-lactâmicos Aumento da efetividade -

Benzodiazepínicos Reduz os efeitos sedativos
dos benzodiazepínicos

Propranolol e Metoprolol, Aumenta a pressão sanguí- -
bloqueadores beta 2 nea
Chá verde (11,13,18,21,25) Camellia sinensis (L.)
O. Kuntz Efedrina Causa agitação, tremores, -
insônia e perda de peso

Inibidores do monoamino Aumento severo de pressão -
oxidase (IMAOs) (chamada de “crise hiperten-
siva”); exemplos de IMAOs
incluem fenelzina e tranil-
cipromina, são usados no
tratamento de depressão

Contraceptivos orais Pode prolongar a quantidade -
de cafeína no sangue circu-
lante, e portanto aumentar
os efeitos estimulantes.

Fenilpropanolamina A combinação de fenilpropa- O FDA publicou em no-
nolamina com cafeína pode vembro de 2000 um artigo
causar obsessão e um severo para informar as pessoas do
aumento de pressão risco ao cérebro que essa
medicação pode causar;
exigindo que as indústrias os
retirassem das prateleiras

Estrógeno e contraceptivos Seus princípios ativos ocu- -
orais pam receptores estrogêni-
cos, onde, seletivamente,
suprimem a secreção de LH
Cimicifuga (22) Cimicifuga racemosa L.
Anti-hipertensivos (Tamoxi- Potencializa a ação -
feno)

Dissulfiram ou Metronizadol Pode causar náusea ou vômito -

Cravo-da-Índia (9) Syzygium aromaticum Cúrcuma Reduz o efeito da Cúrcuma -
(L.) Merr. et Perry

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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Dente-de-Leão (30) Taraxacum officinale G. Diuréticos sintéticos Potencializa a atividade de -
Weber ex. Wigg diuréticos

Imunossupressores (ciclospo- Reduz efeitos imunossupres- -
rina, azatioprina e tacrolimus) sores: mecanismo desco-
nhecido

Esteróides anabolizantes Risco aumentado de hepato- -
toxicidade
Echinacea (18,22)
Echinacea sp.
Teofilina e derivados de Aumenta efeitos estimulantes
xantana do sistema nervoso Efedrina, um componente
da Efedra, pode causar
estimulação
Glicosídeos cardioativos Arritimia cardíaca

Inibidor da MAO Hipertensão -

Cafeína Intensifica efeitos colaterais -
cardiovasculares

Efedra (9,29) Efedra sinica Stapf. Fenotiazidas hipotensão e aumento dos Fenotiazinas podem bloquear
batimentos cardíacos diminui os efeitos estimulantes alfa
a estimulação e energia. da Efedra.

Agentes hipertensivos Aumento potencial para a Efedrina pode opor os efeitos
pressão sanguínea farmacológicos dos beta-
bloqueadores

Esteróides anabólicos, Hepatotoxicidade -
metotrextrato, amiodarona,
Espinheira-santa (30)
Maytenus ilicifolia Mart. cetoconazol
ex. Reiss.
Imunossupressores Efeitos antagonistas -

Agentes hipoglicêmicos “Controlam” o nível glicê- Pode interagir com fármacos
mico, diminuindo níveis de administrado por via oral que
glicose são agentes hipoglicemiantes
e insulinas

Ampicilina, Cloranfenicol Efeito sinérgico com o óleo -
essencial da planta para S.
epidermidis
Eucalipto-citriodora (23) Eucalyptus citriodora
Hook. Ampicilina, Cloranfenicol e O óleo essencial diminui da -
Gentamicina atividade inibitória quando
usado para S. aureus

Tetraciclina Sinergismo com o óleo essen- Bactérias onde a associação
cial da planta nas interações foi sinérgica: Gram positivas
com bactérias (S. aureus e S. epidermi-
dis) e Gram negativas (P.
aeruginosa)

Eucalipto (22) Eucalyptus globulus Medicamentos que atuam Pode intensificar os efeitos -
Labill. no SNC

Funcho (20) Foeniculum vulgare Mill. Barbitúricos Pode potencializar o sono Infusão das folhas ou decoc-
induzido por barbitúricos ção das sementes

Agentes hiperglicêmicos - -

Zingiber officinalle Antiplaquetária e anticoagu- Contém constituintes da
Gengibre (16,18,22)
Roscoe lante (Aspirina, Heparina, an- cumarina, que aumenta po-
tiinflamatórios não esteroidais, tencial para hemorragia -
Clopidogrel, Eptifibatide, Tirofi-
ban, Ticlopidine, Dipyridamole
e inibidores da COX-2)

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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações
Sedativos (benzodiazepina, Aumenta o efeito sedativo -
álcool, barbitúricos, nonben- por mecanismo desconhecido
zodiazepina)

Insulina administrada via oral Causa diminuição dos níveis -
de açúcar

Sucralfato, Ranitidina ou Estimula a produção de
Lansoprazol ácido clorídrico estomacal, -
comprometendo determina-
dos medicamentos

Sulfaguanidina Potencializa absorção -

Varfarina e outros inibidores Aumento da pró-trombina e -
da agregação plaquetária dos valores internacionais
normalizados (INR)

Tiazida diurético -

Trazodona Pode causar estado de coma -

Varfarina e outros inibidores Aumento da pró-trombina e -
da agregação plaquetária pode causar hemorragia
Gingko (16,22,30) Gingko biloba L.
Ibuprofeno e Naproxeno Ativa a ação desses medi- -
camentos

Anticonvulsionantes Diminui a ação -

Antidepressivos Intensifica a ação farmaco- -
lógica, além de intensificar
seus efeitos colaterais

Agentes hipoglicemiantes e Sinergismo -
insulinas

Analgésicos e Potencializa a ação de Trimetilxantinas (cafeína)
Anticoagulantes analgésicos e anticoagulan- [dose diária: 15 a 70 mg de
tes aumentando o risco de cafeína]
sangramento

Fenilzina Cefaléia, tremores -

Estrogênio e corticoesterói- Efeitos aditivos -
des

Insulinas, sulfaniluréias Alteração dos níveis de -
glicose sangüínea

Antidepressivos inibidores Pode causar tremores, cefa- -
Ginseng (9,17,30,22) Panax ginseng C.A. da MaO léias e insônia
Meyer
Morfina Inibe a ação do ginseng -

Pteropus Reduz os efeitos da planta -
Pteropus

Raphanus Inibe os efeitos do ginseng -

Sargassus Efeitos tóxicos ou colaterais -

O anticoagulante diminui os
níveis de INR sanguineos e
aumenta a ação psicoativa
do ginseng, causando insô- -
Varfarina nia e dores de cabeça.
O ginseng pode interagir
com a cafeína causando
hipertensão. Isso pode dimi-
nuir a eficácia da varfarina

64 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
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Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Marapuama, catuaba e fáfia A associação destes apresen- -
ta atividade antidepressiva

Guaraná (22) Paulinia cupana Mart. Analgésicos Potencializa sua ação -

Anticoagulantes Aumenta o risco de sangra- -
mentos

Varfarina, aspirina, heparina, Diminui efeito anticoagulan-
HSAIDS, clopidogrel, dipiri- te; aumenta efeito sedativo; -
Hidraste (18) Hydrastis canadensis L. damol, ticlopidina, inibidores pode aumentar ou reduzir
da COX-2, Benzodiazepina, pressão sanguínea; aumenta
álcool, entre outros, (digoxina). ou diminui efeitos cardíacos

Imipramina Sistema dopaminérgico -

Benzodiazepínicos; Inibe o flumazenil -
cetamina

Nomifensine e Fluoxetina Hiperforina inibe a captação Hiperforin atua como duplo
de dopamina, serotonina e inibidor de 5-LO e COX-1
noradrenalina;

Varfarina, Digoxina, Teofilina, Potencializa certas subenzi- A nevirapina aumenta depu-
contraceptivos orais, nevira- mas do citocromo P450 ração oral e o indinavir inibe
pina e indinavir protease que combate o HIV
Redução dos níveis sanguí- (vacina contra HIV possui
neos da droga com possível aminoácidos de Hypericum
perda da supressão do HIV perforatum)

Digoxina, nifedipina, digito- São metabolizados na mes-
xina diltiazem e beta-bloque- ma via de metabolização
adores
Redução dos níveis sanguí- -
Ciclosporina, Rapamicina E neos da droga com risco
Tacrolimus para a perda do controle do
ritmo cardíaco
Etil-estradiol
Hipérico (1,4,5,6,7,8,9,14,15,16, Hypericum perforatum L.
17,24,27, 28,29,31,32)
Inibidores da MAO

Ciclofosfamida, Tamoxifen,
Taxol e Etoposídeo

Imipramina, Amoxapina E
Amitriptilina

Antidepressivos triciclicos Inibem paroxetina e nefa- -
(amitriptilina), contraceptivos zodona
orais (etinilestradiol e deso-
gestrel) e loperamida

Ciclosporina Produz queda dos níveis possui interações farmaco-
plasmáticos, causando rejei- dinâmicas com a seletiva
ção dos tecidos serotonina

Antitumorais Antiproliferativa sobre os -
efeitos destes fármacos

Amitriptilina, ciclosporina, Diminui a concentração do a varfarina aumenta a ten-
digoxina, fexofinadine, indi- sangue dência de hipoglicemia
navir, metadona, midazolam,
nevirapina, fenoprocumon,
sinvastatina, tracolimos,
teofilina, varfarina

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 65
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article da Área da Saúde, Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Inibidores de transcripase Perda da resposta viroló- -
reversa não-nucleosídicos gica, desenvolvimento de
(Delavirdina, Efavirenze E resistência ou resistência-
Nevirapine) cruzada, pois ambos são
metabolizados na mesma via
de metabolização

Varfarina Diminuição dos níveis -
plasmáticos de varfarina e do
efeito anti-goagulante por in-
dução de enzimas hepáticas

Anestésicos Prolonga os efeitos anesté- -
sicos

Anfetaminas Aumentam a biodisponibi- -
lidade

Anticonvulsivantes Redução dos níveis do -
(Carbamazepina, Fenobarbi- fármaco, podendo gerar
tal, Fenitoína) ataques convulsivos

Contraceptivos orais Reduz os níveis da droga Pode ocasionar gravidez

Digitoxina, Teofilina e contra- Diminui biodisponibilidade, Teofilina - Redução dos
ceptivos orais (Etil-estradiol/ interrupção do sangramento níveis sanguíneos da droga
Desogestrel) menstrual por indução de com perda do controle da
enzimas hepáticas asma

Fotossensíveis Aumenta sua biodisponibi- -
lidade

Inibidores de antivirais, ativos - -
da recapturação de seroto-
nina e de loperamida e de
proteases

Sedativos Aumenta sua biodisponibi- -
lidade

Alho, antiagregantes plaque- - -
tários, simbastina, estatina,
anti-hiperglicemiantes

Levodopa Aumenta biodisponibilidade -
deste fármaco
Kava-kava (16,30) Piper methysticum G.
Forst. Alprazolam, benzodiazepí- Pode causar estado de semi- -
nicos coma

Antibióticos Diminui absorção -

Licorice (9) Glycyrrhiza uralensis Corticoesteróides e diuréti- Potencialização -
Fisch. cos de tiazida

Glicosídeos cardioativos Aumenta sensibilidade -

Malvarisco (23) Plectranthus amboinicus Antibióticos (ampicilina, cefa- Efeito sinérgico Sinergia observada, princi-
(Lour.) Spreng lotina e cloranfenicol) palmente, na interação com
S. epidermidis

Maracujá (30) Passiflora incarnata L. Hipnóticos e ansiolíticos -

Marapuama (19) Ptychopetalum olacoi- Anfetamina A combinação entre ambas -
des Bentham. aumentaria a toxicidade da
anfetamina

66 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article da Área da Saúde, Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

Nome popular (Ref.)* Nome científico Interação Efeitos Observações

Guaraná, catuaba e fáfia A associação destes apresen- -
ta atividade antidepressiva.

Antiplaquetários e anticoa- Anticianosídeos podem re-
Mirtilo (9) Vaccinium myrtillus L. gulantes (varfarina, aspirina, duzir a excessiva agregação -
heparina, HSAIDS, inibidores plaquetária, potencializando
da COX-2, entre outros) hemorragias

Diuréticos Potencializa efeitos dos O quebra-pedra é indicado
Quebra pedra (20) Phyllantus niruri L diuréticos para litíases do trato uriná-
rio, auxiliar nas cistites

Salgueiro (30) Salix alba L. Varfarina Como o AAS, potencializa o
efeito anticoagulante -

Sálvia (9,18) Salvia miltiorrhiza Varfarina e outros inibidores Aumento da protombina e
Bunge da agregação plaquetária dos valores internacionais -
normalizados (INR)

Mirabilitum Aumenta efeito purgativo -
por natureza similar da droga
Ruibarbo (9) Rheum rhabarbarum L.
Glicosídeos cardioativos e Potencialização por reduzir
agentes antiarrítmicos os níveis de potássio por
causa dos efeitos laxativo

Hipnóticos e ansiolíticos; Potencializa o efeito dos O ácido valerênico atua no
sedativos (ex: benzodiazepi- sedativos receptor GABA, responsá-
Valeriana (18) Valeriana officinalis L na, barbitúricos, álcool, entre vel pelo efeito hipnótico e
outros) ansiolítico

Barbitúricos Sedação excessiva -

Veratro (9) Veratro album L. Scrophularia Reações tóxicas / efeitos -
colaterais

Os (números) na tabela referem-se às referências: (1) ALBERT, 2002; (3) ARAÚJO et al., 2007; (4) BAUREITHEL et al., 2007; (5)
BIFFIGNANDI et al., 2000; (6) BUTTERWECK et al., 1997; (7) BUTTERWECK et al., 2001; (8) DE MAAT et al., 2001; (9) DHARMA-
NANDA, 2000; (10) ERNEST , 2008; (11) FRANECK et al., 2005; (12) FUTURO et al., 2004; (13) HECK et al., 2000; (14) HENDER-
SON et al., 2002; (15) IOANNIDES, 2002; (16) IZZO; ERNST, 2001; (17) JENSEN et al., 2001; (18) LAMBRECHT et al., 2000; (19)
LIMA et al., 2005; (20) LONDRINA, 2006; (21) MARYLAND; 2008; (22) NICOLETTI, 2007; (23) OLIVEIRA et al., 2006; (24) RODRI-
GUEZ et al., 2003; (25) SANTANA, 2006; (27) SINGH, 2005; (28) SPARREBOOM et al., 2004; (29) VALE, 2002; (30) JUNIOR et al.,
2005; (31) WADA, 2002; (32) WINTERHOFF et al., 1995.

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Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 67
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
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68 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Elaboração de uma Cartilha Direcionada aos Profissionais
Artigo Original/Original Article da Área da Saúde, Contendo Informações sobre Interações
Medicamentosas Envolvendo Fitoterápicos e Alopáticos

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Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 69
Artigo Original/Original Article

Novo Paradigma Produtivo: Utilização
Racional dos Recursos Naturais para
Obtenção de Fitoterápicos

New Productive Paradigm: The Rational Use
of Natural Resources in Order to Obtain
Phytotherapics

1
Oliveira, M. B. S. C.; Resumo
2
*Frutuoso, V. S.
A utilização das plantas como alimentos, medicamentos e cosméticos
está relacionada à própria existência humana. O presente trabalho
discute como um país que detém quase um terço da flora mundial,
com atividade medicinal presente em inúmeras plantas, pode utilizar
esse arsenal terapêutico para produção de medicamentos fitoterápi-
Laboratório de Educação Profissional cos, dentro da filosofia do desenvolvimento sustentável. Através de
em Saúde (LATEC), Escola Politéc- levantamento bibliográfico foram identificados os diversos passos
nica de Saúde Joaquim Venâncio, da produção deste tipo de medicamento com o objetivo de analisar
Fundação Oswaldo Cruz, Avenida o fluxograma, utilizando como ferramenta a Produção mais Limpa.
Brasil 4365, Manguinhos, 21040-900, Dessa forma, postula-se que a utilização racional dos recursos natu-
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. rais passa pela necessidade de se evitar o desperdício, melhorar o
aproveitamento, e diminuir a geração de resíduos.
Departamento de Imunofarmacolo-
2

gia, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Abstract
Oswaldo Cruz, Avenida Brasil 4365,
Manguinhos, 21040-900, Rio de The use of plants as food, medicine and cosmetics is related to the
Janeiro, RJ, Brasil human existence itself. Our project lies on how a country that holds
nearly one-third of the world’s natural resources, with medicine ap-
plication present in a great variety of plants, can use this therapeuti-
cal arsenal to produce phytotherapical drugs, within the sustainable
development philosophy. Throughout the bibliographical research,
many different steps to produce this type of drug were identified in
Correspondência. E-mail: frutuoso@ order to analyse the fluxograma itself, using cleaner production as
ioc.fiocruz.br a tool. By doing so, we believe that the rational use of natural re-
sources lies on the need to avoid disposals, excel improvement and
diminish the generation of waste.

Introdução
Unitermos: Bases Conceituais
Medicamentos Fitoterápicos,
Produção mais Limpa, Ao longo de toda história, percebe-se que, através da intuição e da
Desenvolvimento Sustentável. observação, o homem se apropriou dos princípios ativos das plantas
e passou esse conhecimento de geração em geração. Após a desco-
Key Words: berta dos antibióticos e seus derivados sintéticos, e com o avanço do
Phytotherapic, Cleaner Production, desenvolvimento tecnológico, principalmente na indústria farmacêuti-
Sustainable Development ca, o uso de plantas como medicamentos foi delegado a um segundo

70 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Artigo Original/Original Article Novo Paradigma Produtivo: Utilização Racional dos
Recursos Naturais para Obtenção de Fitoterápicos

plano, mas começou a ser recuperado na década de Presidência da República; Ministério da Agricultura,
70. Isso se deu, por vários motivos, mas podemos Pecuária e Abastecimento; Ministério da Ciência e
destacar dois pontos importantes. O primeiro foi o Tecnologia; Ministério do Desenvolvimento Agrário;
surgimento de uma tendência popular em substituir Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
os remédios alopáticos, que produzem muitos efei- a Fome; Ministério do Desenvolvimento, Indústria
tos colaterais, por medicamentos mais “naturais”; e Comércio Exterior; Ministério da Integração Na-
e o segundo foram as iniciativas institucionais e os cional; Ministério do Meio Ambiente e Ministério
incentivos governamentais na área da fitoterapia, o da Saúde. Ao Ministério do Meio Ambiente caberia
que induziu a um aumento da confiança dos usuá- como responsabilidade principal a elaboração de
rios, dado o suporte científico oferecido pela ciência parcerias com o Ministério da Agricultura, Pecuá-
e tecnologia, principalmente aquele voltado para o ria e Abastecimento, tendo como foco o cultivo e
controle de qualidade das drogas e medicamentos o manejo sustentável das plantas medicinais. Ao
de origem vegetal (MIGUEL; MIGUEL, 2004). mesmo tempo, colaboraria com outros órgãos afins,
no sentido de subsidiar a elaboração de regras e
Planta medicinal, segundo definição de Ferreira regulamentos relacionados ao manejo sustentável
(1998) é qualquer vegetal que tem atividade bio- de plantas medicinais nativas da flora brasileira e
lógica possuindo um ou mais princípios ativos úteis estabelecer ações conjuntas, visando promover o
à saúde humana. Fitoterápicos são medicamentos uso sustentável da agrobiodiversidade.O Minis-
que só podem ter vegetais em sua composição, tério da Saúde, além de coordenar o processo de
como substância ativa à qual pode ser, entretan- acompanhamento e avaliação da Política Nacional
to, adicionado um corante, solvente ou adoçante, de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, deve promo-
mas nunca poderá estar misturado com princípios ver a articulação intersetorial e interinstitucional
ativos sintéticos, conforme a Resolução 17 da An- para o fomento à pesquisa e ao desenvolvimento
visa (ANVISA, 2006). Nesse contexto, em junho de de plantas medicinais e fitoterápicos; assim como a
2006, o Governo Federal lançou a Política Nacional criação de redes de pesquisa desenvolvimento tec-
de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF, De- nológico, produção de bens e serviços, com vistas
creto 5.813) (BRASIL, 2006) que estabeleceu dire- à incorporação de novas tecnologias.
trizes e linhas prioritárias para o desenvolvimento
de ações pelos diversos parceiros envolvidos na Diante dessas ações, é necessário ressaltar que a
garantia do acesso seguro e uso racional de plantas industrialização e comercialização de diversas es-
medicinais e fitoterápicos no país. pécies de plantas devem obedecer a critérios téc-
nicos baseados principalmente nos teores quanti-
Segundo o Decreto, pouco se investe nas potencia- tativo e qualitativo de princípio(s) ativo(s). Nesse
lidades do uso das plantas medicinais, o que é um aspecto, convém mencionar que, dada a dimensão
descompasso dentro da filosofia produtiva baseada territorial do nosso país, a diversidade de sua flora
nos novos paradigmas de desenvolvimento econô- sofre diretamente os efeitos das “variáveis edafo-
mico e social sustentado. Villas Boas e Gadelha climáticas” (MIGUEL; MIGUEL, 2004); o que obri-
(2007) vão além, apontando que o Brasil possui ga, no processo de desenvolvimento de produtos a
quase um terço da flora mundial apresentada em partir de matéria-prima vegetal, que haja uma pa-
dez diferentes biomas, sendo o detentor da maior dronização e normalização das tecnologias envolvi-
parcela da biodiversidade, em torno de 15 a 20% do das no plantio de espécies medicinais, assim como
total mundial e pouco tem sido feito para transfor- na produção de fitoterápicos. Nesse sentido, para
mar esse potencial em vantagem competitiva, uma que um princípio ativo extraído de um vegetal seja
vez que esse desenvolvimento poderia gerar uma transformado em fitoterápico são necessárias vá-
forma de proteção e manutenção desses ecossis- rias etapas. O presente estudo procurou detalhar
temas. cada uma delas, desde o plantio, passando pela
comprovação da bioatividade, até a produção do
O documento do Ministério da Saúde ressalta que medicamento observando-se neste fluxograma de
a implementação desta política transcende os limi- atividades, a proposta de se utilizar a ferramenta
tes do setor saúde, e depende de uma articulação da Produção mais Limpa.
intersetorial “em virtude da abrangência da cadeia
produtiva de plantas medicinas e fitoterápicos” (MS A Produção mais Limpa (P+L) é definida como sen-
Decreto 5.813/2006, p.33). Entre as Instituições do a utilização contínua de uma estratégia técnica,
que fazem parte desta rede, estão: a Casa Civil da ambiental e econômica integrada aos processos,

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 71
Artigo Original/Original Article Novo Paradigma Produtivo: Utilização Racional dos
Recursos Naturais para Obtenção de Fitoterápicos

produtos e serviços, com a finalidade de aumentar tal deste encadeamento do processo produtivo,
a eficiência no uso de matérias primas e recursos foi realizada, à luz dos parâmetros que definem a
naturais, reduzir a geração de resíduos, promoven- Produção mais Limpa (P+L). Os resultados foram
do a produção de benefícios ao meio ambiente, à discutidos à luz do referencial teórico, utilizando a
área da saúde e, finalmente, para a economia do análise de conteúdo que, segundo Triviños (1987,
país. A P+L passa pelo conceito de ecoeficiência, p.162), trata-se de aprofundar a análise desven-
que significa “a real necessidade de produzir mais dando o “conteúdo latente” que os documentos
com menos recursos, ou seja, o importante não é possuem. O autor coloca ainda, a importância de
apenas re-utilizar ou reciclar, e sim reduzir o con- se ter presente na análise, o contexto e o momen-
sumo dos produtos naturais de origem extrativista, to político e econômico, em que os documentos
e assim, o impacto negativo ao meio ambiente ex- foram produzidos.
terno” (BARATA, 2006). Segundo Silva e Medei-
ros (2006) a P+L pode ser implantada em qual-
quer setor de produção e constitui uma importante Resultados e Discussão
ferramenta para uma análise técnica, econômica e
ambiental do processo produtivo com vistas a iden- Como toda atividade produtiva, a produção de
tificar oportunidades que possibilitem melhorar medicamentos fitoterápicas passa por um conjun-
a eficiência, sem aumentar os custos para a em- to de atividades que envolvem diferentes profis-
presa. Sendo assim, a P+L embute basicamente sionais, que vão desde técnicos de nível médio até
uma abordagem preventiva de gestão ambiental, profissionais altamente especializados da esfera
evitando o desperdício, melhorando o aproveita- acadêmico-científica. Entretanto, a presente pro-
mento, e impedindo ou minimizando os impactos posta não visa abordar a rede de trabalhadores
ao meio ambiente. que participa de todas as etapas do processo pro-
dutivo, mas sim se limitar a analisar o fluxograma
da produção, tendo como enfoque o sistema de
Metodologia P+L, detalhando as etapas com seus desdobra-
mentos, e os possíveis impactos ambientais por
O estudo proposto é uma pesquisa descritiva, com eles produzidos.
abordagem qualitativa, apoiada em estudos teóri-
cos da produção de fitoterápicos, desde o plantio Figura 1 – Quadro que aponta as três Áreas
até a produção do medicamento, e foi realizado Mestras disciplinares envolvidas no desenvolvi-
através de levantamento bibliográfico e documen- mento e produção de fitoterápicos
tal e está fundamentado no conhecimento apro-
fundado do que já se produziu a respeito do tema
da pesquisa. A pesquisa descritiva tem como ca- B
racterística o levantamento de componentes de Levantamento Botânico-agronômica
um processo e elementos já conhecidos. Guba e
Lincoln (1981 apud LUDKE; ANDRÉ, 1986) des- Coleta
tacam como vantagens do uso de documentos na Manejo
pesquisa, o fato de que esses constituem uma fon-
te estável e rica, além de poderem ser consulta-
dos várias vezes, inclusive servindo de base para Química Químico-farmacêutica
diferentes estudos, o que segundo os autores dá
mais estabilidade aos resultados obtidos. Formulação

Para a projeção dos resultados, utilizou-se um
fluxograma do processo de produção de medi- Farmacologia Biomédica
camento fitoterápico, detalhando as matérias
Tecnologia
primas e recursos naturais utilizados, resíduos e
Clínica
geração de poluentes emitidos; e por fim, o im-
pacto que cada etapa do processo, teoricamente,
pode causar ao meio ambiente. A subseqüente e
Fonte: Siani, 2003. Produto
detalhada análise técnica, econômica e ambien-

72 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original/Original Article Novo Paradigma Produtivo: Utilização Racional dos
Recursos Naturais para Obtenção de Fitoterápicos

1. Área Mestra: BOTÂNICO-AGRONÔMICA A coleta inclui várias etapas. São elas a coleta para
herborização, para propagação, coleta de amostra
1.1. Levantamento e coleta para material genético (SIANI, 2003), ob-
servando-se ainda que alguns autores incluem a co-
A primeira etapa para a produção de um medica- leta dentro da etapa de levantamento. Entretanto,
mento fitoterápico é obter e garantir a identidade ressaltando a importância de se fazer um inventário
botânica da matéria prima vegetal. Nesse processo, de plantas medicinais utilizados em todo país, e op-
o pesquisador lança mão da confecção de uma exsi- tando pelo esquema de Siani (2003) na coleta para
cata, feita em uma cartolina de tamanho padrão (45 propagação é importante avaliar as informações
x 30 cm), onde a parte do vegetal é de preferência provenientes do ecozoneamento da espécie e de
costurada (podendo ser, também, colada) acompa- bancos de germoplasma, enquanto na coleta para
nhada de uma etiqueta com dados sobre o nome material genético a ferramenta utilizada é a identi-
científico (nomenclatura binária de Lineu); descrição ficação por marcadores genéticos. A atividade que
da planta; local e ambiente de coleta; coletor e data Siani (2003) denomina de Manejo Sustentado prio-
de coleta (OLIVEIRA; AKISSE,1989). Dessa forma, riza a preocupação com o meio ambiente, ao mesmo
podemos dizer que a exsicata é a unidade básica de tempo em que promove importantes estudos sobre
coleção de um herbário, pois constitui material tes- a freqüência e intensidade das espécies, além das
temunho referencial para futuros estudos. Ela deve relações ecológicas dos vegetais. Isso vai se refle-
ser registrada e numerada antes de ser incorporada tir de maneira direta na domesticação e cultivo, de
ao acervo e é preciso ter cuidados especiais em ter- maneira a não ferir as exigências legais relativas à
mos de uniformidade de secagem como a perfeita exploração da biodiversidade e obter matéria prima
exposição das folhas, frutos e/ou flores porque des- vegetal de qualidade. Dessa forma, segundo Sia-
te procedimento vai depender a qualidade da futura ni (2003, p.38) “as informações históricas, a con-
exsicata. Esta etapa pode gerar resíduos, como pa- dição cultural e os hábitos ambientais dessas co-
pelão, cartolina, barbante que, no entanto, podem munidades, integrados aos dados de fenologia, das
ser reduzidos quase a zero, se um trabalho bem re- características morfológicas e da possibilidade de
alizado utilizar a filosofia do reaproveitamento e da manejo das espécies são extremamente relevantes,
reciclagem. Deve-se evitar a utilização de plásticos, quando se objetiva a obtenção de matéria prima de
optando sempre por produtos biodegradáveis. qualidade uniforme”.

Figura 1 – Esquema para herborização de mate- 1.2. Plantio
rial vegetal (preparação de exsicata)
Como atividade subseqüente, o plantio é um ponto
nevrálgico na produção de medicamentos à base de
princípios ativos vegetais. Como já foi ressaltado
anteriormente, existe a necessidade de se obter
uma matéria prima de qualidade e sob essa ótica,
as condições do solo, boa disponibilidade de água,
necessidade de luz solar, umidade e outros fatores
agronômicos devem ser avaliados segundo o tipo
e a espécie de planta. Na agricultura, devem ser
considerados diversos aspectos do plantio, como a
maneira de cultivar, a época correta para o cultivo, a
adequabilidade do vegetal ao clima e solo da região
e a própria vegetação vizinha ao plantio da espécie
em questão. Miguel e Miguel (2004) advertem de
que nada adiantaria conhecer os efeitos farmacoló-
gicos de uma planta, se não se detêm as suas tec-
nologias de cultivo.

Nesse ponto, o que causaria menos impacto am-
biental, seria o aproveitamento natural do habitat
Fonte: Di Stasi, 1996 apud Pascarelli, Rocha e Frutuoso, 2006 do vegetal, de forma racional e ecoeficiente. Segun-

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do esses autores (ibid, 2004, p.30) à luz da ética e Segundo Scheffer (1992 apud MIGUEL; MIGUEL,
valorização moral, não seria possível admitir “estilos 2004) na etapa do plantio alguns fatores são funda-
e formas de desenvolvimento que prejudiquem seg- mentais e requerem monitoramento constante, den-
mentos sociais e ou áreas geográficas, no intuito de tre eles, destacam-se as necessidades nutricionais
exploração e esgotamento de recursos naturais”. do vegetal, a ocorrência de pragas e enfermidades,
Para se evitar o menor impacto possível ao meio a densidade das plantas e interações específicas en-
ambiente, seguimos o modelo de cultivo de Matos tre elas. O plantio orgânico implica na não utilização
(1998). de agrotóxicos e fertilizantes químicos. São utiliza-
dos fertilizantes naturais, como o adubo orgânico, e
• O solo deve ser revolvido de modo que possi- pode ser feita uma cobertura de palha sobre os can-
bilite a penetração de uma vareta de madeira teiros, para evitar que a luz solar chegue até as ervas
em aproximadamente 40 cm de profundidade. invasoras, impedindo assim, o seu desenvolvimento
O espaçamento utilizado normalmente é de excessivo. É uma preocupação atual a contaminação
20 cm entre as plantas de espécies de porte das substâncias químicas provenientes da agricultu-
baixo e de 30 cm entre sulcos. Para plantas ra que, do solo, migram para rios e mares, causando
mais altas, que atinjam 1 m de altura, deve-se sérios prejuízos tanto para os ecossistemas quanto
usar 35 cm entre as plantas e 50 cm entre as para o homem. Em pesquisa divulgada pelo Instituto
linhas. Para as plantas que chegam a 2 m de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2002), o
altura, usar 50 cm entre as mesmas e 70 cm uso de agrotóxicos e fertilizantes é apontado como
entre sulcos. a segunda causa de contaminação da água no país.
• Antes do plantio, cada m2 solo deve ser tra- Na pesquisa sobre o perfil dos municípios brasilei-
tado com uma xícara (tipo de chá) de calcário ros (IBGE, 2002) a poluição dos rios e enseadas já
agrícola, uma colher (do tamanho das de sopa) foi detectada em 38% das cidades brasileiras e em
de NPK, e um quilo de esterco bem curtido 77% das do Rio de Janeiro, o estado mais atingido.
e solto ou húmus de minhoca. Molha-se toda A P+L considera então, a preocupação com os re-
terra tratada, sem precisar encharcar, o sufi- cursos naturais utilizados, a redução de resíduos e a
ciente para umedecer toda terra e depois de minimização dos impactos ambientais, objetivando,
um dia, faz-se o plantio. nesse contexto, atender o paradigma do desenvolvi-
• Deve-se manter o horto bem regado e livre de mento sustentável.
ervas daninhas, de formigas cortadeiras e de
lagartas. É importante fazer um cultivo orgâni- 1.3. Coleta e Manejo
co, evitando-se agrotóxico e, periodicamente,
adubar com esterco curtido ou, preferencial- O cuidado com o manejo na hora da colheita pos-
mente, com húmus de minhoca ou composto sui relação direta com a qualidade do medicamento
vegetal preparado no próprio horto. fitoterápico (MIGUEL; MIGUEL, 2004). O manejo
inadequado dos vegetais, freqüentemente carreia
O solo é a base do trabalho orgânico e é preciso ter contaminantes como fragmentos de madeira, restos
cuidado, uma vez que vários resíduos vão ser reinte- de outros vegetais e insetos. Dessa forma, deve-se
grados ao solo. Esterco, restos de verduras, folhas, fazer desde o momento da coleta, a triagem dos
aparas, etc., são devolvidos aos canteiros para que fragmentos que possam proceder de outras plantas
sejam decompostos e transformados em nutrientes e não coletar plantas ou partes de plantas que não
para as plantas. Essa fertilização ativará a vida no estejam rigorosamente limpas. Outra preocupação
solo e os microorganismos além de transformar a é o treinamento básico periódico dos operadores
matéria orgânica em alimento para as plantas, tor- quanto à higiene pessoal (op. cit., 2004), e o cuida-
narão a terra porosa, solta, e permeável à água e do de não permitir a entrada de animais no horto.
ao ar. O grande valor da horticultura orgânica é pro- Pode-se coletar como matéria prima de uma planta
mover a melhoria do solo. Ao invés de mero supor- as raízes, o caule e/ou folhas. Todas as espécies
te para a planta, o solo será sua fonte de nutrição. devem ser identificadas por canteiros, para que não
Utilizando a Produção mais Limpa, o plantio deve haja o risco de se coletar outra planta, uma vez que
priorizar os procedimentos mais próximos daqueles existem muitas plantas tóxicas que são nocivas ao
que ocorrem naturalmente evitando-se o adubo ar- homem. Outro cuidado é o de coletar dentro do pe-
tificial, os agrotóxicos e os ambientes artificialmen- ríodo cíclico do vegetal, sendo assim uma colheita
te construídos. das folhas é feita antes da fase de floração, as flo-

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res ou as sumidades floridas devem ser recolhidas vos vegetais em canteiros de espécies diferentes
no início da floração; e as raízes devem ser retiradas ou que se alastrem pragas por conta de excesso de
do solo quando o talo murchar, ou no começo da restos de folhas.
primavera, antes que haja rebrotado. Um cuidado
relativo a minimizar o impacto ambiental produzi-
do por este procedimento é o de não retirar todas 2. Área Mestra: QUÍMICO-FARMACÊUTICA
as folhas de um mesmo ramo para permitir que a
planta continue seu crescimento e nem retirar a raiz 2.1. Química
principal, para não comprometer a sobrevida do ve-
getal (GONSALVES, 1989). A primeira análise a ser feita visa à comprovação
da matéria prima, isto é, verifica-se se houve troca
Após a coleta é feita a secagem que tem por ob- de mercadoria na remessa. A análise morfológica
jetivo retirar água do vegetal, sem modificar as é feita pelas caracterizações macroscópica, micros-
propriedades farmacológicas da planta. A secagem cópica, e organoléptica (propriedade que pode ser
pode ser feita de maneira natural, quando o vegetal percebida com os sentidos humanos) (MIGUEL;
é secado sem utilização de nenhum equipamento, MIGUEL, 2004). Analisa-se também a presença
podendo ser feito no sol ou na sombra e de maneira de contaminantes, como bactérias, fungos, ovos de
artificial, utilizando estufas. Entretanto, quando o helmintos e resíduos de inseticidas. Existem limites
processo é feito de maneira natural, deve-se cuidar estabelecidos para contaminantes, dentro das nor-
para que não aconteça em presença de calor ex- mas internacionais para testar o material botânico.
cessivo e nem de umidade muito alta. Em relação à Caso este limite seja excedido, o lote da planta é
secagem em estufas, Melo e colaboradores (2004) descartado. Aqui, deve-se cuidar para que amostras
postulavam como paradigma de temperatura ideal, vegetais não se tornem lixo, impactando o meio am-
valores até 40o C, entretanto no mesmo trabalho biente, e sejam corretamente descartadas. Dessa
(ibid, 2004, p.8) os autores concluíram que as “tem- forma, o reaproveitamento deve estar previsto, in-
peraturas do ar de secagem entre 50 e 60oC mos- clusive utilizando-o como adubo orgânico. A utiliza-
tram-se viáveis para secagem de grande numero de ção de meios de cultura para cultivo de bactérias e
plantas medicinais estudadas”. Nesse ponto, vale fungos deve ser feita de maneira racional, evitando
a pena observar se realmente há necessidade de desperdícios e geração de resíduos para descarte.
se elevar a temperatura de 40o C para 60o C, uma Após o período de incubação, havendo crescimento
vez que esse procedimento aumentará o gasto de de bactérias patogênicas ao homem, o lote deve ser
energia, no caso de se manter o mesmo tempo para descartado (MIGUEL; MIGUEL, 2004). Outra preo-
a secagem do mesmo material. cupação é com o material contaminado proveniente
das técnicas, que deve seguir o procedimento de
Uma preocupação válida, nessa etapa é que, uma descarte de resíduos, proposto e validado pela Ins-
vez coletados, folhas, caules e raízes devem ser tituição.
dessecados separadamente. O processo de seca-
gem deve ser feito com muita atenção, pois se for Depois de aprovado pela análise, o material vegetal
feito de maneira imprópria, a matéria prima pode é moído para o processo subseqüente de extração
perder qualidade ou ser contaminada por fungos, do(s) princípio(s) ativo(s). Nessa fase são levados
prejudicando dessa maneira a qualidade do medi- em consideração as características do material ve-
camento fitoterápico. Dentro dessa fase, ainda há getal, o seu grau de divisão, o meio extrator (sol-
poucos estudos sobre a relação da velocidade do ar vente) e a metodologia (SIMÕES, 2000). As princi-
de secagem com o princípio ativo. Na pesquisa de pais técnicas de extração são: maceração, infusão,
Melo (2004), os autores recomendam o valor de 0,5 decocção, percolação, soxhlet e microondas. Todas
ms-1 como valor de partida em dimensionamento elas utilizam solventes, sendo que, em algumas de-
de secadores. Numa produção dentro da filosofia las, o único usado é a água. A escolha do solvente
P+L procura-se, dentro do possível, utilizar a se- está relacionada à sua seletividade já que o poder
cagem natural com intuito de economizar recursos de penetração do solvente depende, principalmen-
naturais, aproveitando a energia solar. Outro ponto te, da consistência dos tecidos que formam o mate-
importante é o cuidado com o meio ambiente, evi- rial vegetal a ser extraído devendo possuir a capa-
tando, assim, que se espalhem pedaços de vegetais cidade de retirar apenas a(s) substância(s) que se
para outros locais, impedindo o crescimento de no- procura, e na maior quantidade possível (SIMÕES,

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2000). Em outros testes, as extrações de princípios em conta “os aspectos de segurança, eficiência
ativos estão associadas a um gradiente de polarida- extrativa, toxicidade, agressão ao meio ambiente
de, e de um modo geral, são utilizados solventes de e seletividade, constata-se que o poder extrati-
baixa polaridade, como o hexano. Já as substâncias vo varia muito pouco de um solvente para outro”
polares são extraídas mais facilmente com solven- (ibid, 2006, p.370). Ainda nesse trabalho, sobre a
tes, como o metanol (PARCARELLI, 2006). otimização do processo de extração e isolamento
do princípio antimalárico artemisinina, os autores
Segundo Simões (2000, p.167), na escolha de um concluem que o hexano empregado para extração
solvente, além da disponibilidade e do custo do sol- do princípio ativo eleva em muito o conteúdo de
vente, existem outros fatores relacionados a uma impurezas apolares; e por isso o substituem por
boa qualidade do processo extrativo. Ainda devem etanol, uma vez que, este se revelou ter um poder
ser considerados “a toxicidade e/ou riscos que seu extrativo comparável aos demais, porém com me-
manuseio representa, e a estabilidade das substân- nor toxicidade e custo. Também foi testado o em-
cias extraídas”. Em relação à toxicidade e/ou riscos prego da tradicional sílica gel para purificação dos
do solvente devem-se observar o problema por três extratos, e o resultado mostrou que esta utilização
ângulos. O primeiro se refere ao produto, que deve se tornou incompatível pelo custo, uma vez que se
cumprir os critérios científicos e metodológicos para visava à escala industrial. Uma solução encontrada
assegurar a qualidade das preparações. O segundo neste estudo foi a aplicação do Zeosil em substitui-
tem como foco o trabalhador que o manipula, e está ção à sílica gel tradicional. Dentro desse raciocínio,
relacionado aos fatores de riscos e toxicidade que verifica-se que os autores fizeram uma avaliação
desencadeiam as doenças ocupacionais. Por último, simultânea entre a obtenção de matéria prima de
mas não menos importante, existe a preocupação qualidade, custo e impacto ambiental. Este exem-
com o meio ambiente, uma vez que resíduos e po- plo ilustra como a P+L deve ser utilizada, apontan-
luentes provenientes da fase de extração podem do que dentro de cada etapa, esses três parâme-
ocasionar contaminações no solo, na água e no ar, tros devem ser identificados e avaliados de modo
às vezes de maneira irreversível. No processo de a evitar o desperdício, melhorar o aproveitamento
extração através da Produção mais Limpa, este úl- e impedir ou minimizar os impactos ao meio am-
timo item deve ser levado em consideração, além biente. Outro ponto importante, a ser abordado na
do custo dos solventes, e a utilização racional de etapa de isolamento e purificação é o do consumo
recursos naturais. de recursos naturais, uma vez que a maioria dos
equipamentos utiliza energia elétrica. Segundo Di
2.2. Formulação Stasi (1996) não existe uma técnica única capaz de
resolver todos os problemas envolvidos durante a
Após o processamento de extração, começa-se a separação de componentes de uma mistura e, por
fase de isolamento e purificação do princípio ativo. isso, deve-se combinar duas ou mais técnicas cro-
Nesta fase são utilizadas metodologias complexas, matográficas para se obter um melhor resultado.
com equipamentos de última geração, tais como
cromatografia gasosa, HPLC (High Performance
Liquid Cromatograph) e Cromatografia Líquida 3. Área Mestra: BIOMÉDICA
acoplada ao Espectrômetro de Massas. Em relação
a essas metodologias, devem-se avaliar dois pon- 3.1- Farmacologia
tos importantes: o preço e o impacto ambiental.
No trabalho de Rodrigues e colaboradores (2006) Os estudos toxicológicos e farmacológicos com-
os autores apontam as preocupações nas etapas põem o estudo de verificação da atividade, aplica-
de extração e separação por cromatografia em co- bilidade terapêutica e grau de toxicidade do vegetal
luna, concluindo que algumas técnicas de extração (MIGUEL; MIGUEL, 2004). Isso é muito importan-
e purificação, descritas em literatura, são simples, te, uma vez que muitas plantas medicinais apresen-
contudo utilizam solventes caros (como acetonitri- tam substâncias que podem desencadear reações
la), ou agressivos ao meio ambiente (como diclo- adversas, seja por seus próprios componentes, seja
rometano). Nesse sentido para se determinar o pela presença de contaminantes nas preparações
melhor solvente, testaram os seguintes solventes: fitoterápicas, exigindo um rigoroso controle de qua-
tolueno, diclorometano, tetracloroetileno, metanol, lidade desde o cultivo, coleta da planta, extração
hexano e etanol, e afirmaram que, quando se levam de seus constituintes, até a elaboração do medi-

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camento final (TUROLLA; NASCIMENTO, 2006). relevantes são, a experiência da equipe executora,
Sendo assim, quando chega nessa fase, já foram as condições dos laboratórios, a qualidade dos ani-
realizados estudos farmacológicos e toxicológicos mais e a definição clara dos objetivos dos testes.
de extratos brutos e de substâncias ativas isola-
das e purificadas. Aqui, deve-se proceder segun- Para a avaliação de bioatividade são utilizados dois
do os protocolos listados pela Portaria nº 116 da tipos de testes. O primeiro conhecido como bioen-
Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS, saio faz uma análise comparativa através de siste-
1996) e pela Resolução nº 90 da Agência Nacional mas-teste com a atividade biológica de uma subs-
de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2004 – Anexo 1) tância já conhecida, que é denominada de padrão.
para os ensaios pré-clínicos. Os bioensaios farma- A utilização de bioensaios para o monitoramento
cológicos e toxicológicos realizados in vivo e in vitro da bioatividade de extratos, frações e compostos
vão definir a eficácia, mecanismos de ação e po- isolados de plantas tem sido frequentemente in-
tencial toxicológico de determinado medicamento corporada à pesquisa fitoquímica (NOLDIN, 2003).
fitoterápico objetivando contribuir para a validação O outro tipo é o ensaio clínico; que representa a
da droga vegetal e do fármaco. “A etapa pré-clíni- eficácia em seres humanos, e onde se compara,
ca deve ser realizada em três espécies de animais de maneira objetiva, os resultados de um grupo
de laboratório, uma das quais não deve ser roedor” teste com os do grupo controle, sendo que neste
(MIGUEL; MIGUEL, 2004, p.37). Nesse contexto, tipo de teste não se pode quantificar a potência da
a equipe desempenha um papel fundamental, visto substância e nem obter um gráfico em relação à
que, mesmo seguindo a Legislação Sanitária e a dose-resposta (PASCARELLI, 2006). Nessa etapa
Farmacopéia Brasileira existe sempre a possibilida- do fluxograma, a preocupação em relação a P+L
de de se escolher a melhor alternativa em termos é em relação aos produtos químicos utilizados. A
de custo e cuidado com o meio ambiente (RODRI- equipe deve listar todo procedimento dos testes
GUES, 2006) sem perder o rigor técnico e conse- de bioatividade com o objetivo de substituir, dentro
quentemente a qualidade do produto. Outro ponto das normas da farmacopéia, os solventes e reagen-
importante diz respeito ao uso de animais em expe- tes que apresentam comprovado efeito de poluição
rimentações científicas, que ora suscita um debate ambiental. Caso isso não seja possível, deve-se
ético, onde se apregoa a substituição por testes in proceder corretamente o ou verificar a possibilida-
vitro, sempre que possível, sem perder a qualidade de de reciclagem dos solventes. Para isso, o depar-
e descumprir a legislação sanitária vigente. tamento ou a Instituição deve instituir Normas de
Coleta e Tratamento de Resíduos, dentro de proto-
As plantas medicinais são muito importantes como colos devidamente padronizados e validados. Den-
fonte natural de fármacos, pois contêm o complexo tro dessa visão, Calia e Guerrini (2006) concluíram
fitoterápico, que é um aglomerado de substâncias em seu trabalho, que o líder de projeto, juntamente
naturais que atuarão em conjunto, desta maneira com a sua e equipe, devem fazer um diagnóstico
existirá uma grande chance de obter-se uma molé- das causas da poluição e dos desperdícios, visando
cula protótipo devido à diversidade de constituintes definir soluções e novos procedimentos.
presentes nestas (NOLDIN, 2003). No entanto,
inúmeras plantas que são usadas em preparações Em relação aos testes de toxicidade, estes com-
fitoterápicas precisam “de um maior controle de plementam a eficácia do fitoterápico, e devem dar
qualidade, uma vez que a literatura científica indica aos experimentadores as provas sobre a segurança
que muitas destas podem apresentar substâncias das doses a serem administradas, para o sucesso
tóxicas ou composição química variável” (ibid, 2003, na terapêutica sem riscos de danos aos pacientes.
p.332). Para isso, são feitos testes de bioatividade Estes estudos podem ser divididos em: Dose Letal
e toxicidade em laboratórios de farmacologia, com 50% (DL50); Toxicidade aguda – doses simples; To-
a finalidade de avaliar a atividade biológica do prin- xicidade aguda – doses repetidas; Toxicidade sub-
cípio ativo vegetal e identificar e avaliar os efeitos crônica e Toxicidade Crônica (Di Stasi, 1996). Vale
tóxicos relacionando-os com a dosagem utilizada, ressaltar que os testes de toxicidade são feitos in
respectivamente. Sendo assim, “os testes de toxi- vitro e in vivo, o que acarreta, logo de início, dois
cidade geral devem guardar relação dose-efeito sa- problemas. O primeiro está relacionado aos testes
tisfatória e permitir estabelecer relação causa-efei- em animais e, conseqüentemente, aos problemas
to” (SIMÕES, 2000, p. 189). Outros fatores que levantados pelos Comitês de Ética em Experimen-
os autores (Ibid, 2000) consideram extremamente tação Animal; e o segundo envolve a percepção das

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indústrias do setor farmacêutico no que se refere como abordado ao longo do trabalho, e o processo
à gestão ambiental, os problemas com efluentes e produtivo de qualquer medicamento é complexo,
resíduos gerados no desenvolvimento, e a produ- rigoroso e tecnicamente muito especializado. Os
ção dos medicamentos. Apresentam-se assim os ensaios clínicos têm como objetivo identificar efei-
temas que, na atualidade, constituem os maiores tos colaterais e caracterizar toxicidade dos produ-
desafios para o setor farmacêutico, a substituição tos fitoterápicos, assim como de quaisquer outros
do modelo animal nos testes farmacológicos e a medicamentos. Segundo Miguel e Miguel (2004,
minimização do impacto ambiental, gerado pelos p.43) “o protocolo clínico deve atender a Resolução
produtos químicos envolvidos nas análises. 08/88 do Conselho Nacional de Saúde (CIPLAN,
1988), bem como ao princípio ético, científico, com
Poder-se-ia listar diversos ensaios toxicológicos, padrões internacionais de aceitação para ensaios
entretanto cada estudo possui várias possibilida- desta natureza”. Os ensaios devem seguir as Di-
des de métodos. Por exemplo, Noldin (2003) utiliza retrizes Internacionais Ética e Pesquisa em Seres
a técnica de Meyer 17, onde 2mg/ml dos extra- Humanos (WHO, 1993), que apresentam os prin-
tos hexânico, diclorometano, butanólico, acetato cípios gerais – condensados em quinze diretrizes
de etila, e também dos compostos cinarosídio e – com a finalidade de proteger os direitos e o bem
cinaropicrina e do controle positivo (sulfato de qui- estar dos voluntários que participam da pesquisa
nidina), preparados em solução aquosa de sal ma- (MIGUEL; MIGUEL, 2004). Segundo os mesmos
rinho sintético (38g/L) com 1% DMSO (v/v), são autores (ibid, 2004, p 48) está prevista ainda no
incubados em placas “multiwell” durante 48 h com protocolo, a execução de “dois tipos de ensaios,
Artemia salina (n=10) a 30o C. Os solventes or- definidos como ensaios agudos e ensaios subagu-
gânicos de baixa polaridade como o diclorometano dos ou crônicos. Todos os produtos fitoterápicos
e o acetato de etila apresentam um alto índice de serão testados no mínimo em ensaios agudos”. Em
impacto ambiental, uma vez que não são miscíveis relação, aos testes laboratoriais adotados, a mes-
em água e não são biodegradáveis. Por sua vez, ma filosofia da Produção mais Limpa, discutida ao
por serem facilmente dissolvidos em gordura, são longo do trabalho, deve ser seguida.
altamente tóxicos, pois ultrapassam a membrama
plasmática. A maioria é neuro-tóxica. Em relação
ao ensaio in vivo, o uso da Artemia salina apresen- Considerações Finais
ta um problema irreversível ao meio ambiente, uma
vez que é uma espécie em vias de extinção. O presente estudo não inclui a parte final do flu-
xograma, denominada Produto, devido à comple-
Não há aqui a pretensão de entrar no mérito e xidade das atividades realizadas nessa etapa, tais
detalhamento de cada técnica, nosso objetivo ao como: tratamento e purificação de água para inje-
colocar esse exemplo é apresentar a dificuldade e táveis; lavagem, secagem e esterilização dos fras-
complexidade que uma equipe vai enfrentar ao uti- cos e rolhas utilizados para envase; envasamento
lizar a ferramenta da P+L nessa etapa do processo (líquido ou comprimido); liofilização (quando ne-
produtivo. Essa constatação, não deve ser encara- cessário), recravação, rotulagem e acondiciona-
da como um obstáculo ou uma visão pessimista na mento do produto final. A aplicação da P+L nessa
implantação dessa filosofia de produção, mas sim, etapa, merece considerações aprofundadas, prin-
como um desafio e principalmente um olhar de es- cipalmente no uso de recursos naturais e na pro-
perança, na possibilidade de se obter medicamen- dução de resíduos e poluentes. Estes temas serão
tos de qualidade que causem menos impactos ao abordados num trabalho posterior.
meio ambiente.
Outro ponto a ser destacado é a falta da práxis
Os ensaios clínicos constituem uma ferramen- nesta pesquisa, que se propôs a ser um estudo
ta importante para a avaliação de produtos para basicamente teórico dos procedimentos, técnicas
a saúde. Todo medicamento que vai ser colocado e testes aplicados neste processo produtivo. En-
no mercado passa por diversas etapas de pesqui- tretanto, nesse momento impõe-se uma reflexão
sa, produção e testes, até ser aprovado pelo ór- sobre a necessidade de se incluir aspectos prá-
gão competente do país de origem do fabricante ticos da rotina de produção, com o objetivo de
que, no caso do Brasil, é o Ministério da Saúde. enriquecer as discussões em relação à Produção
A avaliação clínica é a ponta final do fluxograma, mais Limpa. E finalmente, mais do que apresentar

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Recursos Naturais para Obtenção de Fitoterápicos

soluções, este estudo procurou levantar questões arquivos/pdf/Decreto_Fito.pdf.
visando à sensibilização dos envolvidos com a
pesquisa e desenvolvimento de fitoterápicos com CALIA, R.C.; GUERRINI, F.M. Estrutura Organiza-
este problema. Nesse sentido, o medicamento fi- cional para a difusão da produção mais limpa: uma
toterápico não é uma novidade; entretanto, sua contribuição da metodologia seis sigma na con-
produção industrial abriga ainda o um desafio de tribuição de redes intraorganizacionais. Gestão &
alinhar-se com os preceitos de desenvolvimento Produção, São Carlos, v.13, n.3, 2006.
sustentável e proteger o meio ambiente, manten-
do-se compatível com a legislação ambiental vi- DI STASI, L.C. Plantas medicinais: arte e ciência
gente, e alcançando qualidade internacional para – um guia de estudo interdisciplinar. Editora da
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80 Revista Fitos Vol.4 Nº01 junho 2009
Artigo Original / Original Article

Atividades Antimicrobiana e Antioxidante
da Própolis do Estado do Ceará

Antimicrobial and Antioxidant Activities
of Própolis from Ceará State

Gutierrez-Gonçalves, M. E. J.; Resumo
*Marcucci, M. C.
A própolis de Apis mellifera L. é um produto da colméia, elaborado
a partir de exsudatos de resinas que as abelhas recolhem de deter-
minadas plantas. A composição química da própolis é complexa e
relacionada à diversidade vegetal encontrada em torno da colméia.
Embora a própolis seja utilizada em medicina popular por milhares
de anos, a falta de padrões que avaliem de maneira precisa suas
atividades farmacológicas, dificulta a padronização de produtos co-
merciais que garanta sua eficácia e segurança terapêutica para hu-
manos e outros animais. No presente trabalho, avaliamos a compo-
Programa de Mestrado Profissional sição química e a atividade antimicrobiana e antioxidante de própolis
em Farmácia, Universidade do Estado do Ceará. Os conteúdos de flavonóides e de fenóis totais
Bandeirante de São Paulo, UNIBAN, foram mensurados empregando-se cloreto de alumínio e o reagente
Rua Maria Cândida 1813, 02071-013, de Folin-Ciocalteau, respectivamente. Os resultados encontrados
São Paulo, SP, Brasil indicam que existe uma correlação entre o conteúdo fenólico e a
atividade antioxidante. Uma das amostras apresentou atividade anti-
microbiana contra S. aureus e C. albicans.

Abstract

Propolis from Apis mellifera L. is a product of the beehive, elaborated
from exudates of resins that bees collect from different plants. The
chemical composition of propolis is complex and is related to the
*Correspondência: vegetal source around the beehive. Although the propolis is used in
E-mail: mribeiro@uniban.br popular medicine for thousand years, the lack of standards to eva-
luate its quality control is necessary and its pharmacology activities,
turn to be difficult the standardization of commercial products that
guarantees its effectiveness and therapeutic security for human and
animal uses. In the present work, we evaluated the chemical com-
position and the antimicrobial and antioxidant activities of propolis
from Ceará State. The content of flavonoids and total phenols was
measured using aluminum chloride and Folin-Ciocalteau reagent,
respectively. The results indicated that there is a correlation betwe-
en phenolic content and the antioxidant activity. One of the samples
Unitermos: showed antimicrobial activity against S. aureus and C. albicans.
Própolis do Ceará, Fenóis, Fla-
vonóides, Atividade Antioxidante.
Introdução
Key Words:
Propolis from Ceará State, Phenols, O consumidor tem se tornado cada vez mais exigente e mais criterioso
Flavonoids, Antioxidant Activity. com a qualidade do produto que consome. É crescente a sua preocu-

81
Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 Revista Fitos 81
Vol.4 Nº01 março 2009
Atividades Antimicrobiana e Antioxidante
Tópicos em Debate/Debate
da Própolis do Estado do Ceará

pação em fazer uso de produtos menos agressivos, tipos foram separados, identificados e quantificados
de origem natural, ou o mais próximo possível des- por faixas de concentração. Isto é, a classificação é
ta origem. Por tal motivo, remete-se à pesquisa de quantitativa. Todos os dados relatados sobre o teor
produtos extraídos de plantas medicinais e outros dos marcadores empregando-se a cromatografia lí-
produtos naturais com valor conhecido, comprova- quida de alta eficiência (CLAE), foram comprovados
do ou não, que são ofertados à indústria. Um dos por CLAE-EM (espectrometria de massas) empre-
melhores exemplos, são produtos que contenham gando-se também uma análise por fingerprint de
em seus constituintes, flavonóides, como é o caso massas (SAWAYA et al., 2004). O outro fator impor-
das própolis (BURDOCK, 1998). Os flavonóides tante da tipificação é que será possível confeccionar
são compostos polifenólicos naturais largamente produtos farmacêuticos, cosméticos e de higiene
distribuídos principalmente nos vegetais superiores oral, conhecendo-se o tipo de própolis empregada e
(angiospermas). Muitos deles apresentam ativida- as quantidades dos componentes bioativos presen-
de biológica como, por exemplo, podem-se citar as tes, características não relatadas anteriormente em
atividades antioxidante, antiinflamatória, antibac- publicações e patentes sobre própolis.
teriana que têm um grande potencial de exploração
na área cosmética (PIETTA, 2000). O objetivo deste estudo foi o de verificar a ativida-
de antimicrobiana e antioxidante, e analisar a com-
A própolis é utilizada popularmente no tratamen- posição das própolis coletadas nos municípios de
to de infecções, em problemas de pele e, também, Beberibe, Crato e Parambú, localizados no Estado
como antiviral e antiúlcera (DOBROWOLSKI et do Ceará, região nordeste do Brasil, nunca antes
al., 1991). Estimula o sistema imunológico, é cica- estudadas para a sua inclusão na tipificação.
trizante em escaras de decúbito e apresenta ativi-
dade antibiótica frente às bactérias gram positivas
(MIORIN et al., 2003). A própolis possui também Material e métodos
atividades, como anti-séptica, antifúngica, antipi-
rética, adstringente e antiinflamatória; e também Própolis
possui ação comprovada frente ao Bacillus subti-
As amostras de própolis utilizadas neste trabalho
lis e Candida albicans (SALOMÃO et al., 2008).
foram coletadas em três diferentes regiões do es-
Foi descrita a sua ação contra bactérias endodôn-
tado do Ceará, a saber: Beberibe, Crato e Param-
ticas (FERREIRA et al., 2007). Krol e colaborado-
bú localizadas, respectivamente nas microrregiões:
res (1993) relataram o efeito sinérgico da própolis
Litoral de Fortaleza, Cariri e Inhamuns. As amos-
associada a antibióticos, contra Staphylococcus
tras cedidas pelo SEBRAE/Ceará e foram armaze-
aureus.
nadas em sacos plásticos na geladeira.
Tais informações serviram como estímulo para de-
Processo de extração
senvolver um processo de controle de qualidade
deste produto, já que o melhor indicador da origem A própolis em estado bruto foi extraída em soxhlet,
botânica da própolis é a análise da sua composição acoplado a manta aquecedora para balão de fundo
química comparada com a provável fonte vegetal. A redondo, contendo 250 mL de álcool etílico (Eci-
determinação da origem geográfica e, principalmen- bra). Um cartucho de papel de filtro foi preparado
te, a origem vegetal aliada às suas características e pesado, onde foram adicionados 8 g da amostra,
fisico-químicas, se faz importante no controle de que por sua vez permaneceu no soxhlet até sua
qualidade e até mesmo na padronização das amos- total extração pelo solvente. Após esta etapa foi
tras de própolis para uma efetiva aplicação terapêu- realizada uma filtração simples para a retirada da
tica (MARCUCCI, 1995). Recentemente, Marcucci cera. As amostras foram transferidas para rotae-
(2006a) mostrou a tipificação da própolis brasileira. vaporador, até que todo solvente se evaporasse,
A principal característica desta tipificação é que restando apenas a própolis pura, denominada de
possibilitará a agilização do mercado deste produto “extrato mole”. Em seguida, foram preparados ex-
apícola, desde o campo até à indústria farmacêutica tratos etanólicos na concentração de 10% (m/V).
e cosmética, favorecendo a estas utilizarem a tipifi-
cação para a confecção dos seus medicamentos e Determinação do teor de sólidos solúveis
cosméticos, com controle de qualidade estabeleci-
do, já que os marcadores principais dos diferentes Para cada um dos extratos, foi determinado o teor
de sólidos solúveis, pesando-se um becker e no-

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Atividades Antimicrobiana e Antioxidante da
Tópicos em Debate/Debate
Própolis do Estado do Ceará

tando-se o seu peso. Foram pipetados 5 mL do A figura 1 mostra um exemplo de cinética de des-
extrato obtido em soxhlet no becker levando-o à coloração do DPPH, empregando-se a própolis de
estufa a 60 ºC até a secura. Retirou-se o becker, Beberibe.
deixando-o atingir a temperatura ambiente em
dessecador. Em seguida, este foi pesado, repetin- Análise de fenóis totais em própolis bruta
do-se a operação até se obter um peso constante.
Foram pesados 0,1 g do extrato seco (mole) de
Desta forma, foi possível calcular a quantidade de
própolis obtida na determinação de teor de sólidos
sólidos solúveis no extrato. O procedimento foi re-
solúveis. Dissolveu-se com um pouco de etanol,
alizado em triplicata.
em seguida, transferiu-se para um balão volumé-
trico de 50mL, completando-se o volume com água
Atividade antioxidante
destilada (solução estoque). A partir deste ponto o
procedimento foi realizado em triplicata.
A atividade antioxidante foi analisada pelo método
de seqüestro de radicais de DPPH (radical dife-
Transferiu-se uma alíquota de 200 mL da solução
nilpicrilidrazila) (HATANO et al., 1989; BANSKO-
estoque de própolis, para um balão volumétrico de
TA et al., 2000) que se baseia em uma reação de
10mL, contendo aproximadamente 5mL de água
óxido-redução. Os extratos etanólicos de própolis
destilada. Foram adicionados 800 mL do reagente
foram diluídos a 0,01% (V/V). Em seguida, 8 tubos
Folin-Ciocalteau (Merck, Darmstadt, Alemanha)
foram enumerados de 0 até 7. Adicionaram-se os
agitando-se o balão por alguns segundos em um
volumes de etanol (Ecibra), correspondentes às
intervalo de 1 a 8 minutos. Em seguida, foram
diluições do teste. Em seguida, foram adiciona-
acrescentados 1,2 mL da solução de Carbonato-
dos os volumes de própolis para se obter as con-
tartarato de sódio (Carbonato de sódio e Tartarato
centrações finais desejadas. Um volume de 1000
de sódio da Ecibra) completando-se o volume com
μL de DPPH (radical difenilpicrilidrazila, Sigma,
água destilada até próximo ao menisco. A solução
St.Louis, USA a 60 mM) foi adicionado no 1º tubo
foi mantida em banho-maria a 20 °C por 2 horas.
e o cronômetro ligado, desligando-o depois de um
Decorrido este tempo, acertou-se o volume final.
minuto. O mesmo volume de DPPH foi adicionado
A leitura foi realizada em espectrofotômetro em
nos outros tubos a cada 1 minuto. A leitura foi re-
760nm. Este método foi validado pela empresa Na-
alizada em espectrofotômetro (Cary 50 da Varian,
tural Labor (2007a).
EUA) em 517 nm após 30 minutos da adição do
DPPH no 1º tubo. Foi construído um gráfico (em
Análise de flavonóides na amostra bruta pró-
%) de DPPH versus concentração de própolis (mg/
polis
mL) e calculada a CE50 (concentração de própolis
que elimina 50% dos radicais livres) pela planilha, Foram utilizados 0,05 g do extrato mole de própo-
empregando-se o método dos mínimos quadrados. lis, onde se adicionou uma pequena quantidade de

Figura 1 – Cinética da atividade antioxidante da amostra de própolis de Beberibe empregando-se
o radical DPPH.

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Atividades Antimicrobiana e Antioxidante
Tópicos em Debate/Debate
da Própolis do Estado do Ceará

metanol em um balão volumétrico, acertando-se Atividade antimicrobiana empregando a dilui-
o volume final para 25 mL. A partir deste ponto, ção em ágar
o procedimento foi realizado em triplicata. Foram
A atividade antimicrobiana foi avaliada pelo método
pipetados 200 mL desta solução em um balão de
de diluição em ágar, conforme o procedimento des-
10 mL, com aproximadamente 5 mL de metanol.
crito a seguir: em um erlenmeyer foram pesados
Em seguida, acrescentaram-se 200 mL da solução a
0,68 g de ágar Müller Hinton (Merck, Darmstadt,
5% de cloreto de alumínio (AlCl3 Reagen), comple-
Alemanha), aos quais foram adicionados 20 mL de
tando os 10 mL do balão volumétrico com metanol
água destilada. Em seguida, o meio foi aquecido
até próximo ao menisco, agitando-se por alguns se-
com uma manta elétrica. Após total solubilização,
gundos. A solução foi mantida a 15 °C por 30 min.
o meio foi esterilizado em autoclave por 20 minutos
Decorrido este tempo, o menisco foi acertado e a
a 121 °C. Em seguida, foram pipetados os volumes
leitura da absorbância efetuada em 425 nm. Este
respectivos das amostras de própolis, no meio de
método foi validado pela empresa Natural Labor
cultivo distribuído em placas de Petri, conforme as
(2007b).
diluições desejadas. Todas as placas foram incu-
badas a 37 °C por 24 h. A concentração inibitó-
Padronização do inóculo
ria mínima (CIM) foi determinada a partir da placa
Inóculos dos microrganismos Staphylococus au- em que não se observou crescimento bacteriano.
reus (S. aureus; ATCC 29213), Escherichia coli Como controle, foram utilizadas placas, contendo
(E. coli, ATCC 25922) e Candida albicans (C. apenas o meio de cultura e os inóculos bacterianos.
albicans, ATCC 10231) foram preparados atra- O procedimento foi realizado em triplicata.
vés da suspensão direta de colônias em 5,0 mL
de solução salina a 0,85%, com turvação equiva-
lente a 0,5 da escala de McFarland. Em seguida, Resultados e Discussão
diluiu-se à proporção de 1/10 para se obter uma
Embora muitos esforços estejam sendo realizados
concentração de 107 UFC/mL. Cada inóculo (1
para os estudos da atividade biológica da própolis
μL) foi distribuído na superfície do ágar, sendo que
tipificada, muito pouco ou quase nada se sabe so-
a concentração final foi de aproximadamente 104
bre a própolis do Ceará. A própolis denominada de
UFC/mL.
verde (BRP, Marcucci, 2006a) foi exaustivamente
estudada e muitas de suas propriedades biológi-
Atividade antimicrobiana-difusão em disco
cas e farmacológicas foram estabelecidas. Com
Os extratos obtidos na análise de sólidos solúveis respeito à própolis do Ceará, foram realizados
foram empregados na preparação de soluções di- estudos preliminares mostrando um potencial de
luídas a 2% para ser usada no teste de difusão em amostras de algumas regiões como antioxidantes
disco. Foram utilizados os meios de cultura Ágar Nu- e antimicrobianas (MARCUCCI, 2006b) Os resul-
triente e Agar Saboraud (ambos da Merck, Darms- tados apresentados a seguir mostram um perfil do
tadt, Alemanha, este último especificamente para teor de flavonóides, fenóis, atividade antioxidante
C. albicans). Os microrganismos testados foram: e antimicrobiana das própolis analisadas. A tabela
E. coli (ATCC 25922) S. aureus (ATCC 29213) Ba- 1 mostra os resultados obtidos na análise de fenóis
cillus cereus (B. cereus, ATCC 11778), Staphylo- e flavonóides totais. A legislação vigente (MAPA,
coccus epidermidis (S. epidermidis, ATCC 12228) 1998) indica que o padrão de qualidade requer um
e C. albicans (ATCC 10231). Para cada disco do teor mínimo de flavonóides e fenóis totais para a
teste antimicrobiano, foram impregnados 30 µL da própolis bruta com valores de 0,5 % (m/m) e 5,0%
concentração de 2% das própolis. (m/m) respectivamente.

Tabela 1 – Concentração de fenóis e flavonóides totais (% m/m) e atividade antioxidante (DPPH,
CE50 mg/mL) para as própolis estudadas.

Própolis Fenóis totais % (m/m) Flavonóides totais % (m/m) DPPH (CE50 mg/mL)
Beberibe 5,17 0,18 8,09 0,30 14,83
Crato 9,49 0,26 6,68 0,23 15,53
Parambú 3,71 0,03 1,17 0,05 56,29

84 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Atividades Antimicrobiana e Antioxidante da
Tópicos em Debate/Debate
Própolis do Estado do Ceará

Figura 2 – Parâmetros analisados para as três Figura 3 – Correlação entre a atividade antioxidan-
própolis do Ceará. te e o teor de flavonóides nas própolis do Ceará.

Tabela 2 - Concentração inibitória mínima (CIM) em mg/mL das própolis estudadas.
Própolis S. aureus CIM (mg/mL) E.coli CIM (mg/mL) C. albicans CIM (mg/mL)
Beberibe 400 600 550
Crato - - -
Parambú - - -

Tabela 3 - Halos de inibição (mm) para as amostras de própolis.
Própolis S. aureus E.coli B. Cereus S. epidermidis C. albicans
Beberibe - - 9 mm - -
Crato 9 mm - 8 mm - -
Parambú - - - - -

(-) não houve inibição

A própolis Beberibe apresentou uma CIM (con- os apicultores do Estado do Ceará, podem agregar
centração inibitória mínima) de 400 μg/mL con- valor a essas própolis, investindo em aplicações de
tra S. aureus e de 550 μg/mL para C. albicans. melhores técnicas de manejo, de tal forma a produ-
A bactéria E. coli não foi inibida por nenhuma zi-las em escala comercial, conquistando mercado
própolis, como já constatado na literatura (FER- nacional e internacional, gerando aumento no nú-
NANDES JR. et al., 1995). A própolis não tem mero de empregos e melhoria na qualidade de vida
ação antimicrobiana sobre bactérias Gram ne- da população cearense.
gativas. As própolis de Crato e Parambú não
inibiram os microrganismos em nenhuma das
concentrações. Todos os resultados foram nega- Agradecimentos
tivos.
As autoras agradecem ao SEBRAE-CE na pes-
A própolis de Beberibe apresentou os melhores re- soa do Sr Vandi Matias Gadelha pelo envio das
sultados para a atividade antioxidante e a antimi- amostras e aos apicultures do projeto Apis-CE
crobiana, inibindo S. aureus e C. albicans. Portanto, (SEBRAE).

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 
Atividades Antimicrobiana e Antioxidante
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da Própolis do Estado do Ceará

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neiro de 2002 (Portaria Ministerial nº 574, de 8 de
dezembro de 1998).

MARCUCCI, M.C. Propolis: chemical composition,
biological properties and therapeutic activity. Api-
dologie, v.26, 83-99, 1995.

MARCUCCI, M.C. Própolis Tipificada: Um Novo

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Estado da Arte / State of the Art

Produtos Naturais Inibidores da
Transcriptase Reversa do Vírus HIV

Natural Products as HIV Reverse Transcriptase
Inhibitors

Resumo
Gonçalves, R. S. B.; Barreto, M. B.;
Gomes, C. R. B.; *Souza, M. V. N. Atualmente, os fármacos disponíveis no combate ao vírus da AIDS
podem ser classificados em seis categorias: (a) inibidores da trans-
criptase reversa análogos de nucleosídeos (ITRNs), (b) inibidores da
transcriptase reversa não nucleosídeos (ITRNNs), (c) inibidores de
protease (IPs), (d) inibidores de fusão (IFs), (e) inibidores de entrada
(IEs) e (f) inibidores da integrase (IIs). Devido à rápida disseminação
do vírus HIV resistente aos diversos fármacos disponíveis no merca-
do, é necessário e urgente o desenvolvimento de novos fármacos na
luta contra a AIDS. Neste contexto, o objetivo desse artigo é desta-
car promissores produtos naturais capazes de atuar na enzima tras-
criptase reversa, a qual é essencial para a replicação do vírus HIV.

Instituto de Tecnologia em Fármacos, Abstract
Far-Manguinhos, Fundação Oswaldo
Cruz, Rua Sizenando Nabuco 100, Currently available anti-HIV drugs can be classified into six categories:
Manguinhos, 21041-250, (a) nucleoside analogue reverse transcriptase inhibitors (NRTIs), (b)
Rio de Janeiro, RJ, Brasil. non-nucleoside reverse transcriptase inhibitors (NNRTIs), (c) protea-
se inhibitors (PIs), (d) fusion inhibitors (IFs), (e) entry inhibitors (EIs)
and (f) integrase inhibitors (IIs). Due to the rapid spread of HIV strains
resistant to all the major anti-HIV drugs on the market, we urgently
need to develop new drugs to fight against AIDS. In this context, due
to the importance of nature in the development of new drugs, the aim
of the present review is to highlight a series of new and promising
anti-HIV agents derived from natural products virus acting on reverse
transcriptase enzyme, which are essential for HIV replication.

Introdução

A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS, em inglês) é uma
doença infecciosa que tem como agente etiológico o vírus da imu-
nodeficiência humana (HIV, em inglês), pertencente à classe dos re-
trovírus (vírus que contêm RNA, sendo esse material convertido em
DNA no interior da célula do hospedeiro). A infecção com este vírus
resulta em debilidade do sistema imunológico do organismo, pois ele
ataca especialmente um grupo de células sanguíneas, os linfócitos T
(ou células T). Como o número dessas células no organismo diminui,
a pessoa se torna suscetível a uma série de infecções oportunistas,
como a pneumonia e a tuberculose (UNAIDS, 2008).

*Correspondência : De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), esti-
E-mail: marcos_souza@far.fiocruz.br ma-se que 33 milhões de pessoas estejam infectadas pelo vírus

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Produtos Naturais Inibidores da Transcriptase
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Reversa do Vírus HIV

HIV em todo o mundo (WHO, 2008). No Brasil, A Terapia Anti-Retroviral
desde a identificação do primeiro caso de AIDS
O tratamento da AIDS baseia-se na terapia anti-re-
em 1980, até junho de 2007, já foram identifica-
troviral combinada (TARV), aprovada desde 1996.
dos aproximadamente 474 mil casos da doença
Essa terapia consiste na utilização de diferentes
(DST/AIDS, 2008). Atualmente, esta síndrome
classes terapêuticas para o tratamento da doença
alcançou proporções epidêmicas, especialmente e tem como principais objetivos (i) a redução da
na África Subsaariana, onde o número de infec- morbidade relacionada ao HIV, (ii) o aumento do
tados chega a 22 milhões, e no Sul e Sudeste da tempo de sobrevida dos pacientes, (iii) melhorias
Ásia, com cerca de 4 milhões de casos (WHO, na qualidade de vida dos mesmos, (iv) a restaura-
2008). ção e preservação das funções imunológicas e (v) a
prevenção da transmissão vertical do HIV.
O quadro mundial da AIDS torna-se ainda mais
complexo quando levamos em consideração as al- Em geral, o início da terapia é recomendado para
tas taxas de mutação do vírus HIV, produzindo em pacientes sintomáticos ou assintomáticos que apre-
média um mutante a cada três gerações (CHEN sentem uma contagem de células CD4 abaixo de
et al., 2004), bem como as dificuldades que os 200 células/mm3. O esquema preferencialmente
pacientes encontram no tratamento atualmente aplicado para terapia inicial em adultos e adolescen-
utilizado. Na maioria das vezes, essa terapia é tes utiliza dois nucleosídeos inibidores da TR e um
agressiva e apresenta uma série de efeitos cola- não-nucleosídeo inibidor da TR; embora as recomen-
terais como hepatotoxicidade, efeitos gastrintes- dações possam variar em função do perfil e do histó-
tinais, alterações pancreáticas e cardíacas, dentre rico do paciente, como por exemplo, para crianças e
outras (GIR et al., 2005). Diante desses fatos, o mulheres grávidas (WHO, 2008; DST/AIDS, 2008).
desenvolvimento de novas terapias anti-retrovi-
rais é uma necessidade premente. Atualmente, existem 24 medicamentos aprovados
pela Food and Drug Administration (FDA, 2008)
O presente artigo tem como objetivo apresentar que podem ser utilizados no combate ao HIV. Es-
produtos naturais relatados na literatura, que ses são divididos em 6 subclasses e atuam inibindo
possam auxiliar no desenvolvimento de novos etapas específicas do ciclo viral, suprimindo assim
fármacos contra a AIDS, por serem capazes de a replicação do vírus e impedindo a infecção de no-
inibir a atividade da transcriptase reversa (TR); vas células (FDA, 2008). A Tabela 1 ilustra as subs-
uma importante enzima do ciclo de replicação do tâncias atualmente utilizadas na TARV e os seus
HIV. respectivos alvos farmacológicos.

Tabela 1 – Fármacos atualmente utilizados no combate ao HIV

Classe terapêutica Nome Nome Comercial Data de Aprovação
pelo FDA
Zidovudina, AZT Retrovir 03/1987
Inibidores da transcriptase reversa
análogos de nucleosídeos (ITRNs) Didanosina, ddI Videx 10/1991
Zalcitabina, ddC Hivid 06/1992
Stavudina, d4T Zerit 06/1994
Lamivudina, 3TC Epivir 11/1995
Abacavir, ABC Ziagen 12/1998
Tenofovir, TDF Viread 10/2001
Emtricitabina, FTC Emtriva 06/2003
Nevirapina Viramune 06/1996
Delavirdina Rescriptor 04/1997
Efavirenz Sustiva 09/1998

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Classe terapêutica Nome Nome Comercial Data de Aprovação
pelo FDA

Inibidores da protease (IP) Mesilato de saquinavir Invirase 12/1995
Indinavir Crixivian 03/1996
Ritonavir Norvir 03/1996
Nelfinavir Viracept 03/1997
Saquinavir Fortovase (no longer 11/1997
marketed)
Amprenavir Agenerase 04/1999
Fosamprenavir cálcico Lexiva 10/2003
Atazanavir Reyataz 06/2003
Tipranavir Aptivus 06/2005
Darunavir Prezista 06/2006
Inibidores de fusão (IF) Enfuvirtida, T-20 Fuzeon 03/2003

Inibidores de entrada (IE) Maraviroc Selzentry 08/2007

Inibidores da integrase (II) Raltegravir Isentress 10/2007

Produtos Naturais no Desenvolvimento Até o início do século XX, 80% dos medicamentos
de Fármacos utilizados eram obtidos a partir de raízes, folhas
e sementes (McCHESNEYet al., 2007), e ainda
Durante milhares de anos, as plantas vêm sendo hoje esses produtos representam uma das prin-
utilizadas pelo homem com fins medicinais, alivian- cipais ferramentas no desenvolvimento de novas
do sintomas e auxiliando no tratamento de doenças. moléculas bioativas. Isso é devido à imensa diver-
Relatos históricos mostram que nos primórdios de sidade estrutural e a enorme variedade de grupos
nossa civilização, no antigo Egito, doenças de pele funcionais e centros estereogênicos presentes
já eram tratadas com a ingestão de macerados de nestas moléculas, bem como pela capacidade de
plantas seguida por exposição ao sol (GALINIS et al., interagir com diferentes alvos terapêuticos (VIE-
1996). Hoje, sabe-se que a substância ativa trata- GAS et al., 2006; PINTO et al., 2002). O plane-
se de um psoraleno (Figura 1), uma furanocumarina jamento de novos fármacos a partir de produtos
que ainda é utilizada no combate a doenças de pele naturais pode ser feito de diferentes maneiras.
como a psoríase e o vitiligo. A psoríase é uma doença Essas substâncias podem ser utilizadas direta-
bastante freqüente, ocorrendo na mesma proporção mente, como são encontrados na natureza, como
em homens e mulheres e caracterizada pelo apa- é o caso da daunorubicina (Figura 2), uma naf-
recimento de lesões avermelhadas e descamativas toquinona que apresenta atividade antineoplási-
na pele (CESTATI et al., 2001). Já o vitiligo é uma ca, extraída do fungo Streptomyces peucenticus
doença não contagiosa que atinge de 0,5% a 2,0% (FERREIRA et al., 2003). Também podem servir
da população mundial e caracteriza-se pela perda da como protótipos, como os exemplos dos nucleo-
pigmentação da pele (STEINER et al., 2004). sídeos espongouridina, espongotimidina, de ori-
gem marinha (Figura 3), isolados a partir da es-
Figura 1 – Esqueleto básico dos psoralenos ponja Cryptotethya crypta (=Tectitethia crypta)
para o combate às doenças de pele (BERGMANN; BURKE, 1955), que resultaram
em fármacos de grande importância clínica, para
o tratamento de infecções virais, tais como Ara-
A (vidarabina), Ara-C (citarabina), ACV (aciclo-
vir) e AZT (zidovudina) (Figura 4) (DE CLERCQ,

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Produtos Naturais Inibidores da Transcriptase
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Reversa do Vírus HIV

2001a). Outra abordagem é a identificação de Figura 4 – Fármacos de grande
grupos farmacofóricos nas moléculas de origem importância clínica
natural, como é caso da penicilina G (Figura 5),
extraída do fungo Penicillum nonatum, que teve
sua ação antibacteriana descoberta em 1930
por Sir. Alexander Fleming. O anel β-lactâmico
presente nessa substância é o responsável pela
atividade dos antibióticos sintéticos contendo o
mesmo anel. Os produtos naturais podem ainda
dar origem a derivados semi-sintéticos, como por
exemplo, o irinotecan e o topotecan, derivados
da camptotecina (Figura 6), um alcalóide quino-
línico extraído da Camptotheca acuminata por
Wall e colaboradores em meados da década de
60, e que teve seus primeiros registros de ati-
vidade antineoplásica no início da década de 70
(WALL et al., 1966).

Figura 2 – Daunorubicina, naftoquinona
utilizada no combate ao câncer

Figura 3 – Substâncias de origem marinha
que contribuíram como protótipos
para o desenvolvimento do AZT

Figura 5 – Estrutura da Penicilina G 

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Figura 6 – Irinotecan e topotecan, derivados semi-sintéticos da camptotecina

No trabalho publicado por Newman, Cragg e Snader naturais; já em 2001 houve uma queda para 24%, e
(2003), é possível verificar a relevância do estudo de em 2002 este patamar se manteve em 26%. Apesar
produtos naturais para a descoberta de novos fárma- da queda nesses dois últimos anos, o primeiro e o
cos. Dentre as substâncias lançadas no mercado no terceiro lugares foram ocupados por derivados de
período entre 1981 e 2002, mais da metade eram de produtos naturais em 2001, sendo esses a atorvas-
origem natural ou derivaram dessas fontes de algu- tatina e a sinvastatina (Figura 7) (BUTLER, 2004),
ma forma. Desses, 5% eram produtos naturais sem utilizadas no combate ao colesterol (AINSWORTH,
sofrer nenhuma modificação, 23% eram derivados 2007). Já em 2002, a atorvastatina manteve-se na
semi-sintéticos, 4% sintéticos, mas com grupos far- primeira posição e a sinvastatina ocupou o segundo
macofóricos baseados em produtos naturais, e 20% lugar. Em 2007, a atorvastatina continuou a liderar o
eram produtos naturais “mimetizados” (BUTLER, ranking, gerando um lucro de 13,5 bilhões de dóla-
2004) . No ranking dos 35 fármacos comercializados res para a empresa que detém sua patente (FORTI;
sob prescrição médica em 2000, 40% eram produtos DIAMENT, 2004).

Figura 7 – Atorvastatina e sinvastatina, fármacos utilizados no combate ao colesterol, desenhados
a partir de protótipos naturais

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O desenvolvimento de novas tecnologias vem con- formado por duas subunidades: a p66, onde estão
tribuindo ainda mais para o destaque da química localizados os sítios responsáveis pela atividade
de produtos naturais no âmbito farmacêutico. Es- enzimática; e a p51, que não contribui diretamen-
tas permitem contornar determinadas dificuldades te para as funções catalíticas. Essas subunidades
como a de obter produtos puros, altos rendimen- juntas são semelhantes a uma mão direita e seus
tos, e suficiência para atender à demanda do mer- diferentes subdomínios são conhecidos como de-
cado. Alguns exemplos de avanços nesta área são dos, palma e polegar (SALA; VARTANIAN, 1998;
listados abaixo: GÖTTE; WAINBERG, 2000).
• O desenvolvimento de técnicas analíticas
como a cromatografia líquida de alta eficiên- A transcrição reversa é o primeiro passo do ciclo de
cia (CLAE), que permite a separação de subs- replicação do HIV após o conteúdo do capsídeo vi-
tâncias orgânicas com rapidez e eficiência; ral ser liberado na célula hospedeira. Durante esse
• Os avanços nas técnicas espectroscópi- processo, a TR realiza diferentes funções. Inicial-
cas, como a ressonância magnética nucle- mente, essa enzima atua como uma DNA-polime-
ar (RMN) uni e bidimensional, que permite rase dependente de RNA. A TR utiliza o RNA viral
a elucidação estrutural em curto espaço de como molde para a síntese de uma fita de DNA,
tempo; chamada de fita “menos” e o primer utilizado pela
• O aperfeiçoamento das fontes utilizadas enzima para a síntese dessa fita é uma seqüên-
para a obtenção de novos produtos naturais, cia de RNA transportador da célula hospedeira.
como por exemplo os microorganismos, os Na segunda etapa, a TR desempenha a função de
quais são fontes renováveis e podem ser cul- RNAse H, degradando a fita molde de RNA. Entre-
tivados mais facilmente, quando comparados tanto, determinados segmentos conhecidos como
a plantas e animais; segmentos de polipurina (PPT da sigla em inglês)
• O avanço da síntese orgânica, que permi- são mantidos. Esses segmentos apresentam uma
te a síntese de substâncias complexas com seqüência não usual que os protege da degrada-
altos rendimentos e em um número reduzido ção, e servem como primer na etapa seguinte do
de etapas; processo, onde a TR funciona como uma DNA-
• Desenvolvimento da biossíntese combina- polimerase DNA-dependente, então sintetizando
torial, que permite a modificação estrutural uma segunda fita de DNA - a fita “mais”, que tem
de substâncias obtidas a partir de microorga- como molde a fita “menos” (Figura 8). Por fim, a
nismos e a introdução de novos grupos fun- dupla fita de DNA é incorporada ao genoma da cé-
cionais a essas substâncias, que normalmen- lula hospedeira a partir da ação de outras enzimas
te não é possível a partir da síntese orgânica virais (DE CLERCQ, 2001b; ARNALD; SARAFIA-
tradicional; NOS, 2008).
• Inovações no seqüenciamento de molécu-
las de DNA e em tecnologias de bioinfomá- A importância da TR no ciclo de replicação do HIV
tica, que auxiliam na identificação de genes tornou essa enzima um dos principais alvos far-
responsáveis pela produção de substâncias macológicos explorados no combate a esse vírus.
bioativas. Dessa forma, é possível identificar Dentre os 24 anti-retrovirais disponíveis no mer-
espécies com o potencial de produzir subs- cado, 11 são inibidores da TR, dentre eles o AZT,
tâncias de interesse farmacológico e predi- um análogo de nucleosídeo descoberto na década
zer a estrutura de determinadas substâncias de 60, que foi o primeiro fármaco aprovado para o
(McCHESNEY et al., 2007; LAM, 1007). combate à AIDS. O desenvolvimento desse com-
posto foi uma importante contribuição da natureza
Produtos Naturais Inibidores que forneceu o protótipo utilizado para o seu de-
da Transcriptase Reversa senho (BERGMANN; BURKE, 1955; ARNOLD;
SARAFIANOS, 2008). Atualmente inúmeras subs-
Como qualquer retrovírus, o HIV replica-se trans- tâncias isoladas de plantas, fungos e organismos
formando seu material genético, uma fita simples marinhos que apresentam atividade anti-retroviral
de RNA, em uma fita dupla de DNA, que poste- são descritas na literatura. Muitas delas ainda são
riormente é incorporada ao genoma da célula hos- pouco exploradas, demonstrando que a química
pedeira. Esse processo, denominado transcrição de produtos naturais tem muito a contribuir para
reversa, é catalisado pela enzima viral conhecida o desenvolvimento de novas terapias contra essa
como transcriptase reversa (TR), um heterodímero, doença. A seguir, são listadas diferentes classes de

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metabólitos secundários que apresentaram resul- O xantohumol (Figura 10) é uma prenilchalcona, iso-
tados expressivos frente ao HIV e foram capazes lada do Humulus lúpulos, constituinte presente na
de inibir a atividade da TR em ensaios in vitro. cerveja, que contém uma vasta fonte de flavonóides.
Além de apresentar atividade antineoplásica em linha-
Figura 8 – (a) Síntese da fita “menos” de DNA gens de células de câncer de mama, colum e ovário;
tendo como molde a fita de RNA viral. (b) A TR antioxidante e inibitória frente à proliferação dos vírus
atua como RNAse H degradando a fita molde HSV-1 e HSV-2, causadores do herpes, o xantohumol
de RNA, porém, os segmentos de polipurina demonstrou resultados bastante sugestivos em con-
(PPT) são mantidos. (c) Síntese da fita “mais” centrações não-tóxicas em relação ao HIV-1, com um
de DNA. A enzima utiliza os PPTs como primer EC50 igual a 3,21 μM e inibindo a produção de TR em
linfócitos C8166 com um EC50 de 1,22 μM (WANG et
al., 1994).

Isolados da Rhus Succedanea, os compostos amen-
toflavona, agatisflavona, robustaflavona e hinokiflavo-
na, apresentaram os repectivos IC50 de 119, 100, 65
e 62 μg/mL. Já o composto moreloflavona, isolado da
Garcinia multiflora, apresentou o resultado mais ex-
pressivo frente ao vírus, com um EC50 igual a 6,9 μM,
entretanto sua atividade em relação à TR foi modera-
da com um IC50 igual a 116 μg/Ml (LIN et al., 1997)
(Figura 10).

A baicalina (Figura 10), extraída da Scutellariae ra-
dix, é um inibidor competitivo da trascriptase reversa
(TR), interferindo na ligação da enzima com o RNA
viral. Esse composto inibiu a replicação do HIV-1 em
células mononucleares periféricas do sangue com um
Flavonóides: Constituem uma classe de compos- IC50 igual a 2 μg/mL. Uma importante característica
tos naturais amplamente encontrados em todo o que difere a baicalina de outros flavonóides inibidores
reino vegetal, principalmente em angiospermas. da TR é o fato de esse composto não inibir as DNAs
Esses compostos são bastante conhecidos por polimerases humanas (KITAMURA, 1998). A Chama-
suas propriedades antioxidantes, e comumente en- esyce hyssopifolia é uma erva utilizada em países da
contrados em inúmeros alimentos consumidos pelo América Central como diurético (LIM, 1997). A partir
homem; dentre eles frutas, chás e vinhos. A estru- dessa planta, isolou-se a 3-O-β-D-glicopiranosídeo-
tura básica dos flavonóides consiste em um núcleo quercetina (Figura 10), que inibiu a atividade da TR
flavano, constituído de quinze átomos de carbono com um IC50 referente a 50 μM (PADUCH, 2007).
arranjados em três anéis (C6-C3-C6), sendo dois
fenólicos substituídos (A e C) e um pirano (cadeira Terpenóides: Constituem uma classe variada de hi-
heterocíclica B) acoplado ao anel A. (DI CARLO et drocarbonetos produzidos por uma diversidade de
al., 1999). De acordo com a posição do anel B, 2 ou plantas e de alguns animais e encontrados abundan-
3, e o estado de oxidação da unidade C3 na molécu-
temente em frutas, verdura e flores. São substâncias
la, podem-se ter diferentes subclasses, como flavo-
biossinteticamente derivadas do ácido mevalônico, e
na, isoflavona, flavanona, chalcona, diidrochalcona,
constituídas de unidades de isopreno com a fórmula
flavanonol, flavan-4-ol, aurona (Figura 9).
molecular (C5H8)n, em que “n” é o número de unida-
des de isopreno ligadas. De acordo com o número de
Figura 9 – Anel cromano
carbonos presentes na molécula, os terpenóides são
classificados em: monoterpenóides, que consistem
em dez átomos de carbonos (duas unidades de iso-
preno), podendo ser lineares, como o mirceno, o ge-
raniol ou podem conter anéis como o timol, o mentol,
que atuam na atração de polinizadores; sesquiterpe-
nóides, que consistem em quinze átomos de carbonos
(três unidades de isopreno), podendo ser acíclicos,

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Figura 10 – Flavonóides capazes de inibir a TR. 

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como o farnesol ou conter anéis, que apresentam ído da planta E. agallocha, mostrou-se um potente
atividade antimicrobiana. Os diterpenos consistem inibidor da TR com IC50 igual a 6 μM (ERICKSON
em vinte átomos de carbonos (quatro unidades de et al., 1995). Obtidos a partir do extrato da raiz da
isopreno) como o cembreno e o retinal, que dão ori- Maprounea africana, os triterpenos pentacíclicos:
gem aos hormônios de crescimento vegetal, e os tri- ácido 1-β-hidroximaprounico 3-p-hidroxibenzoato e
terpenos consistem em trinta átomos de carbonos o ácido 2α-hidroximaprounico 2,3-bis-p-hidroxiben-
(seis unidades de isopreno), como os esteróides, e zoato exibiram IC50 igual a 3,7μM (PENGSUPARP,
apresentando inúmeras funções biológicas. O áci- 1994), já os triterpenos ácido betulínico, lup-20(29)-
do nigranóico (Figura 11) é um triterpeno isolado ene-3β,30-diol e o ácido-3β -hidroxi-up-20(29)-en-
da Schisandra sphaerandra, uma planta distribuída 30-óico (Figura 11), isolados das folhas e galhos de
pelo sul da China utilizada pela medicina tradicio- Cratoxylum arborescens, apresentaram valores de
nal chinesa no tratamento de distúrbios estomacais, IC50 8,7 e 8,9 μg/mL (REUTRAKUL et al., 2006).
seu IC50 foi igual a 99,4 μg/ml frente ao HIV-1 e Diferentes sesquiterpenos inibidores da TR foram
76,7 μg/mL frente ao HIV-2 (SUN et al., 1996). O isolados a partir do Eucalyptus globulus. Essas
gênero Excoecaria é conhecido pela produção de substâncias são denominadas como macrocarpais, e
metabólicos tóxicos. Dados históricos reportam a caracterizam-se pela presença de unidades floroglu-
utilização de suas folhas e látex como veneno de cinol em sua estrutura. O macrocarpal B apresentou
flechas utilizadas para a pesca por povos da Ma- o resultado mais expressivo, com um IC50 de 5,3 μM.
lásia, da Caledônia, uma possessão francesa na Os macrocarpais A, C, D e E (Figura 11) apresenta-
Oceania, e de Goa, um estado da Índia na Costa do ram os respectivos IC50 de 10, 8, 12 e 8 μM (NISHI-
Mar da Arábia. No Paquistão, plantas desse gênero ZAWA et al., 1992). Os garciosaterpenos A e C (Fi-
eram utilizadas como purgativo, abortivo e no tra- gura 11), triterpenos isolados da Garcinia speciosa,
tamento de úlceras, reumatismo e lepra. O 13-(3E, apresentaram os significantes IC50 de 15,5 e 12,2
5E-decadianoato)-12-deoxiforbol (Figura 11), extra- mg/mL (RUKACHAISIRIKUL et. al, 2003).

Figura 11 – Terpenos inibidores da Transcriptase Reversa

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Xantonas: As xantonas (dibenzo-γ-pironas) (Fi- Figura 13 – Xantona inibidora
gura 12) são heterociclos oxigenados, encon- da Transcripace Reversa
tradas na natureza em fungos, liquens e plantas
superiores, sendo amplamente distribuídos na
flora brasileira. Na literatura, é possível obser-
var inúmeros efeitos biológicos associados a
xantonas, entre os quais destacam-se os efeitos
hipertensivos, vasodilatadores, antioxidantes e
antiinflamatórios.

Figura 12 – Estrutura básica das xantonas

Fenólicos: Os compostos fenólicos possuem em
Swertifrancheside (Figura 13), uma flavona-xan- comum um anel aromático rodeado por um ou mais
tona isolada da Swertia franchetiana, apresentou grupos hidroxila. A maioria é solúvel em água e
inibição da TR com EC50 referente a 30,9 μg/mL. ocorrem na forma de glicosídeos. Eles são origina-
Seu modo de ação se caracteriza pela ligação a dos a partir da via do ácido chiquímico e acumulam-
sítios do DNA, inibindo também outras enzimas se nos vacúolos das células vegetais. Isolados do
como a DNA polimerase. As plantas do gênero Mallotus japonicus, os compostos malotojaponin
Swertia são bastante usadas na medicina tra- e malotocromeno (Figura 14) são inibidores não
dicional chinesa para o tratamento de doenças competitivos da TR. No estudo realizado com es-
hepáticas, cólera e inflamações (WANG et al., ses compostos, o primeiro inibiu 67% da atividade
1994). dessa enzima com uma concentração de 10 μg/mL

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Figura 14 – Fenólicos inibidores e o segundo inibiu 75% na mesma concentração
da Transcriptase Reversa (NAKANE et al., 1991). Os compostos corilagina e o
1,3,4,6-tetra-O-galoil-β-D-glicopiranose (Figura 14),
isolados da Chamaesyce hyssopifolia, inibiram a ati-
vidade da TR com os respectivos IC50 de 20 e 86 μM,
respectivamente. Ao serem testados frente a DNA
polimerase I, ambos mostraram-se inativos, mesmo
em altas concentrações (LIM et. al., 1997).

Alcalóides: A principal característica dos alcalóides
é a presença de um nitrogênio como heteroátomo.
Esses compostos correspondem aos principais agen-
tes terapêuticos naturais, com ações anestésica,
analgésica, psicoestimulante e neurodepressoras,
destacando-se como componentes ativos de inúme-
ras drogas, como a cafeína, a nicotina, a cocaína e a
morfina (Figura 15).

Figura 15 – Exemplos de alcalóides 

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A michelamina B extraída da Ancistrocladus abbre- Figura 17 – Esqueleto dibenzilbutano,
viatus, uma planta nativa do parque nacional de Ko- estrutura básica das lignanas
rup, no Camarões, demonstrou atividade inibitória da
TR com IC50 igual a 1 μM (MANFREDI et al., 1991);
já a nitidina (Figura 16), extraída da Toddalia asiática,
apresentou IC50 igual a 10 μM (TAN et. al., 1991).

Figura 16 – Alcalóides inibidores
da Transcriptase Reversa As anolignanas A e B (Figura 18), isoladas da Ano-
geissus acuminata, demonstraram atividade inibitória
da TR com os respectivos IC50 de 64,4 μg/mL e 1072
μg/mL. Quando testados juntos, esses compostos
demonstraram agir em sinergismo. A anolignana A
apresentou atividade frente a TR do HIV-2, com um
IC50 de 156,9 μg/mL e frente a TR de formas resis-
tentes do HIV 1, com IC50 de 106 μg/mL (RIMANDO
et al., 1994). Isolada das raízes e rizomas de Ligularia
kanaitzensis (Asteraceae), a lignana do tipo pinore-
sinol, 9α-angeloiloxipinoresinol (Figura 18), apresen-
tou atividade inibitória da RT (LI et al., 2005).

Figura 18 – Lignanas inibidoras
da Transcriptase Reversa

Lignanas: As lignanas descrevem um grupo de
dímeros de fenilpropanóides, em que as unidades
de fenilpropano estão ligadas por um átomo de
carbono central (C8) do propil de suas cadeias
laterais (UMEZAWA, 2003). São derivadas da
fenilalanina, por meio de uma reação catalisada
por enzimas oxidativas, onde ocorre a dimeriza-
ção de álcoois cinâmicos substituídos, conheci-
dos como monolignóis, levando à formação do
esqueleto dibenzilbutano (Figura 17). Na dieta
humana, as lignanas podem ser encontradas em
sementes de abóbora, centeio, grãos de soja,
brócolis, feijão e em diversas frutas.

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Cumarinas: São substâncias caracterizadas pela Figura 20 – Cumarinas inibidoras
presença de anéis 1,2-benzopironas. Esses com- da Transcriptase Reversa
postos podem ser obtidos a partir de diferentes
fontes naturais como bactérias e fungos, porém
a ocorrência é mais freqüente nas espécies vege-
tais, destacando-se as famílias das Apiaceae, Ru-
taceae, Fabaceae e Hyppocastanaceae. São pro-
duzidas na forma de metabólitos secundários que
desempenham importantes funções fisiológicas
na planta, como a regulação de seu crescimento,
a absorção de radiação ultravioleta protegendo
as plantas jovens, ação antioxidante e a proteção
desses vegetais contra distúrbios causados por ví-
rus. As cumarinas podem dividir-se em cumarinas
simples, que incluem a cumarina e seus derivados
hidroxilados e metoxilados; as furanocumarinas,
que possuem um anel diidrofurano ligado ao anel
benzênico; e as piranocumarinas (HOULT; PAYÁ,
1996; XU et al., 2004) (Figura 19).

Figura 19 – Diferentes classes de cumarinas

Derivados de Quinolonas: As quinolonas cons-
tituem uma importante classe de antibióticos uti-
lizados no combate às infecções causadas por
bactérias Gram-positivas. O mecanismo de ação
baseia-se na inibição da síntese do DNA bacte-
A calanolida A e seu isômero calanolida B (Figura riano, promovendo a quebra do DNA no complexo
20) foram isolados pela primeira vez em 1992, a DNA-enzima com a DNA girase e a topoisomera-
partir da Callophyllum lanigerum. Ao serem tes- se, levando à morte da bactéria. A primeira qui-
tadas contra o HIV-1, apresentaram excelentes nolona, o ácido nalidíxico (Figura 21) , foi introdu-
resultados; a primeira com EC50 igual a 0,1 μM e zido no mercado em 1962, e atualmente existem
a segunda 0,4 μM. Em outros estudos realizados, 4 gerações de quinolonas, destacando-se as fluo-
as duas substâncias inibiram vários tipos de HIV-1 roquinolonas utilizadas no combate às diferentes
adaptados em laboratório. Atualmente, a Sarawak bactérias resistentes (WANG et al., 2007).
MediChem Pharmaceuticals, na Malásia, possui
a licença da classe de compostos da calanolida. Figura 21 – Ácido nalidíxico, primeira quinolo-
Estudos em fase I/II com a calanolida A em tera- na introduzida no mercado farmacêutico
pia combinada foram completados com sucesso,
verificando-se que o aumento da quantidade de
calanolida no sangue de voluntários humanos não
levou a efeitos adversos sérios. Estudos em fase II
já foram iniciados, com o objetivo de avaliar a ati-
vidade da calanolida A em combinação com outros
agentes anti-HIV (AIDSINFO, 2008; BUCKHEIT
et. al., 1999; McKEE et. al., 1998; KASHMAN et.
al, 1992; SOUZA et. al, 2008).

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A buchapina e a 3-(3-metil-2-butenil)-4-[(3-metil-2- diarréias e gastrites. A partir do seu extrato aquoso,
butenil)-oxi]-2(1H)-quinolinona, extraídas da Euodia isolou-se um peptídeo complexado a um polissacarí-
roxburghiana, são derivadas de quinolona que apre- deo, que apresentou uma potente atividade frente a
sentaram atividade anti-HIV (Figura 22) . A primeira TR, inibindo a atividade dessa enzima com um IC50
apresentou um EC50 igual a 0,94 μM e a segunda referente a 23,7 μg/mL (LI et. al, 2008). A MAP30
1,64 μM. Quanto à inibição da TR os respectivos IC50 é uma proteína isolada da Momordica charantia, po-
foram 12 μM e 8 μM (McCORMICK et. al., 1996). pularmente conhecida como melão amargo (FU et.al,
2006). Além de inibir a atividade da TR com um EC50
Figura 22 – Quinolonas inibidoras de 0,3 nM, essa proteína apresentou a habilidade de
da Transcriptase Reversa converter o DNA viral em formas topologicamente
inativas, interrompendo a função do DNA. Outra pro-
priedade importante da MAP30 é a capacidade de
inibir a atividade da HIV-1 integrase (BASCH et al.,
2003). Outra proteína, também isolada da M. cha-
rantia, é a MRK29, que inibiu 50% da atividade da TR
em uma concentração de 18 mg/mL (HUANG et. al.,
1995). Um peptídeo antifúngico isolado de plantas
do gênero Fagopyrum, com a massa molecular de
aproximadamente 4 kDa, inibiu a TR com um IC50 de
5,5 μM. Esse peptídeo também inibiu o crescimento
micelial em Fusarium oxysporum e Mycosphaerella
arachidicola (JIRATCHARIYAKUL et. al., 2001).

Extratos: Mais recentemente, a literatura vem re-
portando a capacidade de alguns extratos de plantas
de inibir a atividade da TR. Entretanto, as substân-
cias ativas não tiveram suas estruturas determina-
das. Em um estudo realizado com diferentes plantas
da região de Venda na África do Sul, os extratos em
n-butanol de 6 diferentes plantas foram capazes de
inibir a TR do HIV-1. Dentre elas destacaram-se a
Mucana coriacea com um IC50 igual a 12,6 μg/mL
e a Bridelia micrantha, que apresentou o resulta-
do mais expressivo, com um IC50 igual a 7,3 μg/mL
(LEUNG; NG, 2007). O extrato em hexano da Ca-
Proteínas e Peptídeos: Purificados a partir de extra- lophyllum brasiliense apresentou um IC50 referen-
tos da Vigna sesquipedalis, o sesquin, um peptídeo te a 29,6 μg/mL, e o extrato em CH2Cl2-metanol,
com massa molecular de aproximadamente 7 KDa, da Clusia quadrangula inibiu a atividade da TR com
e uma lectina com massa molecular de aproximada- IC50 igual a 42 μg/mL (H-REVES et. al., 2004).
mente 60 KDa apresentaram capacidade de inibir a
TR. O primeiro apresentou um IC50 igual a 100 μM. Já Inibidores da TR obtidos a partir
o IC50 do segundo foi de 73 μM (WONG; NG, 2005; de organismos marinhos
H-REVES et. al.; 2004). Isolado do cogumelo Rus-
sula paludosa, o SU2, um peptídeo com uma massa Cerca de 2/3 da crosta terrestre é recoberta pelo
molecular de aproximadamente 4,5 KDa, apresentou mar, abrigando uma variedade de plantas e animais
um expressivo IC50 de 11 μM (WONG; NG, 2003). que produzem inúmeras substâncias utilizadas em
Uma lectina com massa molecular igual a 62 KDa, sua comunicação, defesa, predação, inibição do
isolada do feijão-pinto (Phaseolus vulgaris), inibiu desenvolvimento de competidores, reprodução, ou
a TR do HIV-1 com um IC50 igual a 3 μM (WANG; simplesmente como produto de seu metabolismo.
WANG; NG, 2007). A partir do cogumelo Pleurotus Desde seu início na década de 60, época em que
citrinopileatus, foi isolada uma lectina homodiméri- houve um maior investimento por parte das indús-
ca com massa molecular 32,4 KDa. Seu IC50 frente trias farmacêuticas nesse setor; cerca de 10.000
a TR foi de 0,93 μM (WONG; WONG; NG, 2006). substâncias já foram isoladas, muitas delas com
A Rosa rugosa é uma espécie nativa da Ásia, cujas atividade farmacológica (PINTO et. al., 2002), indi-
flores são utilizadas na medicina tradicional chinesa cando o potencial dos produtos naturais marinhos no
para o tratamento de diferentes perturbações, como desenvolvimento de novos fármacos.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 101
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Os florotaninos, oligômeros formados de unida- O poliacetilenotriol, isolado da esponja Petrosia
des floroglocinol (Figura 23), ligadas através de sp., é um potente inibidor da TR do HIV e de
ligações carbono-carbono ou carbono-oxigênio, DNAs polimerases, apresentando um IC50 igual a
apresentam inúmeras atividades biológicas: como 0,95 μM (LOYA et. al, 2002). Diversos derivados
antibacteriana, antialgal, antilarval e antifitológica de avaróis e avaronas isolados da espoja ver-
(CARVALHO; ROQUE, 2000). O 8,8’- bieckol e o melha Dysidea cinereia apresentaram atividade
8,4’’’-dieckol (Figura 24), derivados de florotaninos, inibitória da TR, destacando-se a avarona A com
extraídos da alga Ecklonia cava, mostraram-se for- IC50 igual a 6,8 μg/mL e o avarol F, com IC50 igual
te inibidores da TR, o primeiro com IC50 igual a 0,51 a 7,0 μg/mL (LOYA; HIZI, 1990). A illimaquino-
μM e o segundo 5,31 μM (AHN et. al.; 2002). na, isolada da esponja Smenospongia sp., inibiu
a atividade da RNase H, associada a TR em con-
Figura 23 – Estrutura do floroglucinol centrações de 5-10 mg/mL (LOYA; KASHMAN;
HIZI, 1990). O clathesterol, é um esterol sulfa-
tado obtido a partir da esponja Clathria sp. Essa
substância inibiu a atividade da TR em concen-
trações próximas a 10 μM (RUDI et. al.; 2001)
(Figura 24) .

Figura 24 – Produtos naturais marinhos inibidores da Transcriptase Reversa

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Conclusão Referências

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Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 107
Estado da Arte / State of the Art

Inibidores de Proteases Oriundas de
Plantas: Uma Abordagem Útil para o
Desenvolvimento de Novos Fármacos

Proteases Inhibitors Originated from Plants:
Useful Approach for Development of New Drug

*Silva-Lopez, R. E. Resumo

As proteases e seus inibidores estão amplamente distribuídos em
todos os organismos vivos. São enzimas que desempenham fun-
ções crucias para a manutenção da vida e sua atividade é mantida
sob estrito controle por mecanismos que incluem os inibidores e,
se esta atividade não for controlada, pode acarretar doenças e até
mesmo a morte do organismo. Os inibidores de ocorrência natural
são peptídeos de tamanho variável e são classificados de acordo
com o tipo de proteases que inibem. Os inibidores de serino-protea-
ses são os mais importantes da natureza e também os mais expres-
Laboratório de Química de Produtos sos em plantas, e será o foco desta revisão. São classificados como
Naturais, Instituto de Tecnologia de inibidores canônicos, não-canônicos e Serpinas, de acordo com a
Fármacos, Far-Manguinhos, Fiocruz, estrutura e mecanismo de ação. As plantas expressam estes inibi-
Rua Sizenando Nabuco 100,21042-250, dores constitutivamente ou são induzidos por algum agente externo.
Manguinhos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Estes inibidores aumentam a resistência da planta a parasitos, in-
setos, larvas, microorganismos, pragas e patógenos em geral. São
expressos geralmente nas sementes e grãos e levam a morte ou
repelem o organismo invasor. Diversas pesquisas estão sendo con-
duzidas para purificar, caracterizar e avaliar o efeito de inibidores de
serino-proteases em plantas no tratamento de diversas patologias
humanas, inclusive alguns inibidores, como no caso dos inibidores
de BBI de soja, já estão em estudos clínicos de fase II.

*Correspondência: Abstract
Email : rlopez@far.fiocruz.br
Proteases and their inhibitors are found in all living organisms. The-
se enzymes have crucial functions and their activities are regulated
by many mechanisms, including inhibitors, but if their activities are
not under control they can develop diseases and ultimately death.
Natural inhibitors are variable sized peptides and are classified by
the inhibited protease type. Serine protease inhibitors are among
the major and most important inhibitors expressed in plants, and will
Unitermos: be the focus of this revision. They are classified as: canonical inhi-
Inibidores de Proteases de Plantas; bitors, non-canonical and Serpins, according to their structure and
Peptídeos; Serino-Proteases mechanism of action. Plants can express inhibitors constitutively or
are induced by external stimuli and they confer resistance against
Key Words: parasites, insects, larval, microorganisms, plagues and pathogens.
Protease Inhibitors; Peptides, They are mainly expressed in seeds and grains, killing or repelling
Serine Protease invader organisms. Many investigations are been conducted in or-

108 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
Estado da Arte/State of the Art
Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

der to purify, characterize the plant serine prote- maquinaria gênica para a síntese do inibidor da re-
ase inhibitors and to evaluate their effects on the ferida atividade proteolítica. No campo da agricul-
treatment of a large number of human pathologies. tura, algumas plantas geneticamente modificadas,
In addition, some inhibitors have already been tes- expressando inibidores de enzimas proteolíticas
ted in phase II clinical studies, such as soybean digestivas de insetos, pragas e pestes, têm sido
BBI. introduzidas em culturas; e os resultados obtidos
apontam para um aumento considerável na resis-
tência destas plantas aos agentes agressores em
Introdução questão (RAWLINGS et al., 2004).

As proteases, melhor denominadas de peptida- Inibidores de Proteases
ses, catalisam reações de hidrólise de diferentes
ligações peptídicas em proteínas e em peptídeos Os inibidores de proteases podem ser generica-
de todos os organismos vivos. Tais reações estão mente classificados de acordo com sua estrutura
envolvidas em processos fisiológicos de extrema em dois grandes grupos: inibidores de baixo peso
importância para a sobrevivência destes organis- molecular e inibidores peptídicos com uma ou mais
mos, tais funções incluem: digestão e assimilação cadeias polipeptídicas. Quase todos os inibidores
das moléculas alimentares, degradação de protéi- de proteases de ocorrência natural são polipeptíde-
nas nos lisosomas e nos proteasomas, cascatas os; apenas alguns microorganismos secretam pe-
de coagulação, complemento e as de sinalização quenos compostos não-peptídicos que bloqueiam
intracelular, fibrinólise, degradação de moléculas a atividade das proteases de seus hospedeiros
da matriz extracelular, dentre outros processos (POWERS ET AL., 2002). Estes inibidores ainda
(NEURATH, 1989). Além da sua relevância fisio- podem ser classificados de acordo com o tipo de
lógica, as proteases podem ser potencialmente protease que inibem: inibidores de serino, cisteí-
nocivas para o ambiente protéico de uma célula ou no, aspártico, treonino e metaloproteases. É bem
de um organismo, logo suas atividades requerem verdade que alguns inibidores interferem com mais
um controle preciso, visto que a hidrólise de uma de um tipo catalíco de protease com diferentes
ligação peptídica é um evento irreversível. Quando afinidades de ligação, ou seja, possuem distintos
a atividade das proteases torna-se descontrolada valores de constantes de inibição (Ki) para os dife-
ou esta controlada de maneira inapropriada, pro- rentes tipos de proteases (FEAR et al., 2007). Um
cessos patológicos podem se instalar num orga- exemplo deste comportamento é observado para o
nismo e até mesmo levá-lo à morte. Enfermidades inibidor do tipo Kunitz encontrado em anêmonas do
como enfisema pulmonar, epilepsia, síndrome de mar da espécie Stichodactyla helianthus, que é um
Netherton, doenças hepáticas, cânceres, doen- potentíssimo inibidor da atividade de serino-prote-
ças reumáticas, doenças degenerativas, doenças ases, com valores de Ki entre 10-9 a 10-7M, em-
auto-imunes, dentre outras estão relacionadas a bora iniba outros tipos de peptidases com menor
um descontrole da atividade das enzimas prote- afinidade de ligação, ou seja, apresentam maiores
olíticas (BERG, 2008; HEAL et al., 2008; KUES- valores de Ki do que aqueles observados para as
TER et al., 2008). O nível básico de controle da serino-proteases (DELFÍN et al., 1996). Este inibi-
atividade de uma protease é a regulação da sua dor demonstrou expressivo efeito inibitório na ati-
expressão gênica, da sua secreção, da sua sínte- vidade das serino-proteases de Leishmania ama-
se sob forma de zimogênio – que é um precursor zonensis, e em promastigotas de cultura induziu
inativo com maior massa molecular do que a pro- importantes alterações morfológicas e a formação
tease ativa - ou ainda, o direcionamento da enzi- de vacúolos autofágicos, o que levou o parasita à
ma para sua degradação. Já o segundo nível de morte, fazendo deste peptídeo uma molécula com
regulação, e o mais importante, é a inibição da grande potencial na terapêutica anti-Leishmania e
atividade através da interação direta da protease atribuindo às suas serino-proteases importantes
com inibidores específicos (KROWARSCH et al., alvos terapêuticos (SILVA-LOPEZ et al., 2007).
2003). Estes inibidores, sintéticos ou naturais, têm
sido utilizados, por administração oral, com grande As maneiras pelas quais os inibidores interagem
êxito no tratamento de algumas enfermidades. A com suas enzimas-alvo variam enormemente, mas
excessiva proteólise observada em um número de existem dois mecanismos gerais e distintos de ini-
condições, como as citadas anteriormente, pode bição enzimática representados pela inibição irre-
ser tratada por terapia gênica, introduzindo-se a versível e pela inibição reversível de forte ligação.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 109
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
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Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

A inibição irreversível é específica para as endo- A importância dos inibidores de protease
peptidases, pois é dependente da clivagem enzi-
mática de uma ligação peptídica no interior da ca- As pesquisas na área de inibidores de proteases têm
deia do inibidor. Este então se liga covalentemente gerado um grande e rápido fluxo de informações,
à enzima, disparando uma importante alteração na mas o grande problema de lidar com tais informa-
sua estrutura tridimensional, que leva ao desali- ções reside na enorme dificuldade de nomenclatura
nhamento dos aminoácidos catalíticos do sítio ati- deste grupo tão diversificado de substâncias. Tais
vo da peptidase levando assim a sua desnaturação inibidores são geralmente descobertos pela sua
(LASKOWSKI; KATO, 1980). Este tipo de cinética, atividade inibitória contra enzimas que estão dispo-
ou seja, a clivagem de uma ligação peptídica do níveis no mercado. Entre elas, as mais comuns são
inibidor, é exclusiva para os inibidores peptídicos, tripsina, quimiotripsina ou subtilisina, que são seri-
que é o grupo mais importante, mas existem tam- no-proteases; e com isso os inibidores passam a de-
bém aqueles inibidores de baixo peso molecular nominar-se de acordo com o organismo ou o tecido
que não sofrem hidrólise e se ligam a diferentes de origem, como por exemplo: inibidor de subtilina
sítios da enzima levando a desnaturação da mes- de Streptomyces ou inibidor de tripsina pancreático.
ma. As três famílias de inibidores que exibem este Tais denominações não oferecem informações rele-
tipo de cinética de inibição são I4, I39 e I50 (Tabela vantes sobre a relação entre os inibidores e ainda
1). A maioria dos inibidores de ocorrência natural torna difícil o esclarecimento sobre os aspectos do
utiliza o mecanismo de inibição reversível de forte seu mecanismo de ação. Portanto, as informações
ligação, pois interagem com grande afinidade com sobre a estrutura destes inibidores é essencial para
o sítio ativo da protease de um modo semelhante entender melhor sua atividade, bem como para sua
ao da ligação enzima-substrato. Este inibidor pode classificação.
ser clivado ou não durante o processo de inibição,
e ser liberado do sítio ativo da enzima não modifi- Através de um estudo minucioso e inovador, com o
cado ou íntegro. Este mecanismo padrão de inibi- objetivo de melhor organizar os inibidores de protea-
ção tem sido demonstrado conclusivamente ape- ses e propor uma nomenclatura mais adequada, Ra-
nas para as serino-proteases. Foram reconhecidas wlings e colaboradores utilizaram bancos de dados
19 famílias de inibidores de acordo com este pa- de estruturas primárias – seqüências de aminoáci-
drão de inibição (LASKOWSKI; QASIM, 2000). A dos e a localização das pontes de enxofre de prote-
figura 1 esquematiza a interação dos aminoácidos ínas e peptídeos – apoiados em algoritmos compu-
catalíticos (S) do sítio ativo da enzima com os ami- tacionais. Por intermédio deste estudo, os inibidores
noácidos que sofrerão hidrólise no peptídeo (P). foram agrupados em 48 famílias, de acordo com a
É importante ressaltar que a clivagem da ligação similaridade de sequência, estrutura tridimensional,
peptídica ocorre entre os aminoácidos P1 e P1´ bem como do mecanismo específico de inibição. Atu-
(SCHECHTER; BERGER, 1967). almente, esta lista foi aumentada para 68 famílias

Figura 1 – Diagrama esquemático de um modelo de interação entre um inibidor (cinza escuro)
e sua serino-protease alvo (cinza claro) de acordo com a nomenclatura de Schechter e Berger
(SCHECHTER; BERGER, 1967).

110 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
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Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

segundo o banco de dados MEROPS (versão 7.6), característico de cada família é o que dá o nome
contém informações de proteases, suas estruturas, a ela; este inibidor é via de regra o melhor carac-
características cinéticas e bioquímicas; assim como terizado bioquímica, cinética e estruturalmente, e
seus inibidores (RAWLINGS; MORTON, 2008). A geralmente é o primeiro membro descoberto (RA-
Tabela 1 é uma compilação de todas as famílias de WLINGS; MORTON, 2008). Estas famílias são ain-
inibidores de proteases com seqüências peptídicas da agrupadas em grandes clãs. O clã designa uma
depositadas em bancos de dados, como SWISS- linha evolucionária de inibidores que é definida pelo
PROT, TrEMBL e PDB. tipo de enovelamento. Um clã contém uma ou mais
famílias completas, desde que todos os membros
Uma família é um conjunto de inibidores com se- destas famílias assumam o mesmo tipo de estrutu-
quências homólogas e esta é dada por uma signi- ra tridimensional (RAWLINGS; BARRET, 1993). A
ficante similaridade da estrutura primária com um maior família de inibidores são as Serpinas (I4) com
exemplar de uma família. Uma família pode conter mais de 500 inibidores com sequências determina-
um ou vários inibidores, e um simples produto gêni- das, resolvidas e depositadas em banco de dados,
co pode possuir diversos domínios inibitórios. Cada Por outro lado existem famílias como I5, I24, I34,
família é denominada pela letra “I” e pode ainda I36, I40, I44 e I46, que são representadas por ape-
ser dividida em subfamílias quando existir ances- nas um único inibidor (RAWLINGS et al., 2004).
tral divergente na família. O representante mais

Tabela 1 - Famílias dos inibidores de peptidases

Família Nome Inibidor representante típico Família de peptidase inibida*

I1 Kazal Unidade 3 ovomucóide (Meleagris gallopavo) S1

I2 Kunitz (animal) Aprotinina (Bos taurus) S1

I3A§ Kunitz (vegetal) Inibidor triptico da soja (Glycine max) S1, C1 e A1

I3B Inibidor de protease B (Sagitaria sagittilolia) S1

I4 Serpina α 1-antitripsina (Homo sapiens) S1, S8, C1 e C14

I5 Ascidiana Inibidor tríptico de ascidia (Halocynthia roretzi) S1,

I6 Cereal Inibidor de a amilase (Eleusine coracana) S1

I7 Squash MCTI-1 inibidor tríptico (Momordica charantia) S1

I8 Ascaris Inibidor anticoagulante nematoda (Ascaris suum) S1 e M4

I9 YIB Inibidor de protease B (Saccharomyces cerevisiae) S8

I10 Marinostatina Marinostatina (Alteromonas sp) S1

I11 Ecotina Ecotina (Escherichia coli) S1

I12 Bowman-Birk Inibidor tríptico de planta (Glycine max) S1 e C1

I13 Pot 1 Eglina C (Hirudo medicinalis) S1 e S8

I14 Hirudina Hirudina (Hirudo medicinalis) S1

I15 Antistatina Antistatina unidade 1 (Haementeria officinalis) S1

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 111
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Família Nome Inibidor representante típico Família de peptidase inibida*

I16 SSI Inibidor subtilisina (Streptomyces albogriseolus) S1

I17 Elafina Inibidor de proteinase do muco (Homo sapiens) S1

I18 Mostarda Inibidor tríptico da mustarda (Sinapis alba) S1

I19 Pacifascina Inibidor de proteinase LCMI (Locusta migratoria) S1

I20 Pot2 Inibidor de proteinase II (Solanum tuberosum) S1

I21 7B2 Secretogranina V (Homo sapiens) S8

I24 pinA Inibidor de endopeptidase La (bacteriofago T4) S16

I25A Cistatina 1 Cistanina A (Homo sapiens) C1

I25B Cistaina 2 Ovocistatina (Gallus gallus) C1 e C13

I25C Cistatina 3 Inibidor de metaloproteases (Bothropus jararaca) M12 e S8

I27 Calpastatina Calpastatina 1 (Homo sapiens) C2

I29 Antígeno α2 T citotóxico (Mus musculus)

I31 Tiropina Equistatina (Actinia equina) C1

I32 IAP Proteína BIRC (Homo sapiens) C14

I33 Ascaris PI3 Inibidor PI3 de pepsina (Ascaris suum) A1

I34 IA3 Inibidor sacaropepsina (Saccharomyces cerevisiae) A1

I35 Timp Timp-1 (Homo sapiens) M10 e M12

I36 SMI Inibidor de metaloprotease (Streptomyces nigrescens) M4

I37 PCI Inibidor de carboxipeptidase do tomate (Solanum M14
tuberosum)

I38 Aprina Inibidor de metaloprotease (Erwinia chrysanthemi) M10

I39 α2M α2-macroglobulina (Homo sapiens) Várias S, C, M e A

I40 Bombyx Inibidor de subtilisina bombyx (bombyx mori) S8

I42 Chagasina Chagasina (Trypanosoma cruzi) C1

I43 Oprina Oprina (Didelphis marsupialis) M12

I44 ICA Inibidor de carboxipeptidaseA (Ascaris suum) M14

112 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
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Família Nome Inibidor representante típico Família de peptidase inibida*

I46 LCI Inibidor de carboxipeptidase (Hirudo medicinalis) M14

I47 Latexina Latexina (Homo sapiens) M14

I48 Clitocipina Clitocipina (Lepista nebularis) C1

I49 proSAAS proSAAS (Homo sapiens) S8

I50 p35 Inibidor de caspase p53 (Spodoptera litura) C14

I51 IC Inibidor de carboxipeptidase Y (Saccharomyces S10
cerevisiae)

I52 TAP Peptídeo anticoagulante (Ornithodonus moubata) S1

I53 Madanina Madanina 1 (Haemaphysalis longicornis) S11

I57 Estafostatina B (Staphylococcus aureus) C1

I58 Estafostatina A (Staphylococcus aureus) C1

I59 Triabina Triabina (Triatoma pallidipennis) S1

I63 Proteína básica de eosinófilo (Homo sapiens) S3

I64 Trombostasina Trombostasina (Haematobia irritans) S1

I67 Bromeina Bromeína (Ananas comosus) C1

I68 Inibidor de Carboxypeptidase (Rhipicephalus bursa) M10

I71 Falstatina Falstatina (Plasmodium falciparum) C13

I72 Chimadanina Chimadanina (Haemaphysalis longicornis) S1

I73 Inibidor tríptico de Veronica (Veronica hederifolia) S1

I74 Variegina (Amblyomma variegatum) S8

I75 Proteína CIII (“bacteriophage lambda”) A1

I76 Inibidor de Trombin (Glossina morsitans) S1

I77 Anofelina Anofelina (Anopheles albimanus) S1

I78 Inibitor de elastase (Aspergillus fumigatus) S1

*As famílias S referem-se às serino-proteases, C cisteíno-proteases, A aspártico-proteases e M metalo-
proteases. As linhas sombreadas correspondem aos inibidores de proteases provenientes de plantas.

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 113
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
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Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

Inibidores de proteases de plantas
Os inibidores canônicos representam o maior gru-
Os inibidores de proteases de plantas são polipep- po de inibidores de serino-proteases e estão dis-
tídeos de baixo peso molecular, com a capacidade tribuídos essencialmente em todos os grupos de
de inibir uma grande variedade de enzimas prote- organismos, compreendendo polipeptídeos de 14
olíticas, incluindo proteases digestivas de mamífe- a 200 aminoácidos. Não formam um simples grupo
ros, insetos, bactérias e fungos, e estão também de moléculas, mas são dividos em várias famílias,
envolvidos na regulação do metabolismo de pro- ou seja, várias famílias constituem inibidores do
teínas endógenas das plantas (CLEMENTE; DO- tipo canônico. Em plantas, eles se acumulam em
MONEY, 2006). Os inibidores de proteases exibem grandes quantidades nas sementes. Estes inibido-
importantes funções na regulação da proteólise res apresentam como característica cinética mar-
em diversos organismos e em plantas de modo es- cante uma ligação forte, mas não covalente com o
pecial, constituindo importantes estratégias de de- sítio ativo da protease, não induzindo alteração na
fesa contra predadores e patógenos, visto que as estrutura tridimensional da enzima. Esta ligação se
plantas não possuem um sistema imune (ZHANG assemelha ao complexo de Michaelis na interação
et al., 2008). Tais inibidores podem ser sintetiza- enzima-substrato (OTLEWSKI, et al, 2005). O sítio
dos constitutivamente ou a síntese ser induzida reativo do inibidor tem a ligação peptídica P1-P1’
em resposta ao ataque de agentes externos. Estes localizada numa curvatura externa (loop) do peptí-
inibidores peptídicos de proteases são encontra- deo, denominado de RCL (Reactive Center Loop),
dos em plantas de vários grupos sistemáticos, com e a reação de inibição se processa em pH alcalino,
particular ênfase nas espécies da família Fabaceae que é o pH ótimo das serino-proteases. Embora
(uma das maiores famílias botânicas e mais conhe- a estrutura tridimensional dos inibidores como um
cidas como Leguminosae). A maioria dos inibido- todo seja diferente, a região de ligação com a enzi-
res é estável à variação de temperatura e de pH; ma (ou seja, a região de inibição) é quase idêntica
e além de sua função biológica natural, podem ser e, portanto, o mecanismo de ação é muitíssimo pa-
utilizados no tratamento de determinadas patolo- recido. As famílias de inibidores de serino-protea-
gias (YOSHIZAKI et al., 2007). ses canônicos de plantas incluem: Kazal, Tomate
1 e 2, Cereal, Inibidor de tripsina da soja, Squash,
Inibidores de serino-proteases Bowman-Birk, Batata 1 e 2, Semente de Colza
(KROWARSCH et al., 2003). Existem inibidores
É importante chamar atenção sobre o fato das de plantas que por conta da sua estrutura primária
serino-proteases serem as mais abundantes e e tridimensional podem estar alocados em famílias
as mais bem estudadas enzimas proteolíticas juntamente com inibidores de outros organismos.
da natureza; conseqüentemente seus inibidores
também o são. Como se pode observar na Ta- Inibidores da família Bowman-Birk (BBI) podem
bela 1, aproximadamente 57 % das famílias de ser encontrados em muitas famílias botânicas, mas
inibidores atuam positivamente sobre as serino- são particularmente abundantes nas sementes de
proteases. Tais inibidores peptídicos apresentam leguminosas, quando comparados com os outros
estruturas distintas e podem inibir suas enzimas orgãos do legume e também com outras famílias
alvo tanto por inibição reversível, que é o meca- de plantas (CLEMENTE; DOMONEY, 2006). São
nismo mais comum observado; quanto por inibi- também abundantes na família Poaceae (gramíne-
ção irreversível, e são ainda classificados como as como trigo, aveia, cevada, arroz, milho e cana-
inibidores canônicos, não-canônicos e Serpinas de-açúcar) (QI et al., 2005). Seus representantes
(KROWARSCH et al., 2003). Os inibidores de mais importantes e mais bem estudados são en-
plantas de outras classes de proteases não são contrados nas sementes de soja (Glycine max) e
menos importantes, mas aparentemente são de ervilha (Pisum sativum) e inibem fortemente a
menos numerosos e não estão tão bem carac- atividade de diversas tripsinas e quimiotripsinas
terizados quanto os inibidores de serino-protea- (LOSSO, 2008). A síntese destes é induzida por
ses. De um modo geral, as plantas expressam de infecções ou por lesões, sugerindo um amplo pa-
maneira significativa quantidades muito maiores pel na defesa e na resistência nas plantas contra
de inibidores de serino-proteases do que os ou- pestes e patógenos. Estes inibidores são estáveis
tros inibidores, e por este motivo os inibidores à temperatura de cozimento e também aos valores
de outras classes de proteases não serão discu- de pH do sistema digestivo humano e de outros
tidos nesta revisão. animais. Isto se deve à presença das sete pontes

114 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
Estado da Arte/State of the Art
Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

de enxofre na sua estrutura primária (Figura 2) e, mama, cérvix, cabeça, pescoço, pulmão, de su-
por conta desta grande estabilidade, os BBI de- primir o crescimento de tumores enxertados em
monstram possuir grande potencial de aplicação camundongos, de bloquear a tumorigênese indu-
clínica (QI et al., 2005). São utilizados em plantas zida por estrogênios em células de mama, dentre
transgênicas para conferir defesa contra insetos outros efeitos em outras linhagens tumorias e em
e para o tratamento de enfermidades humanas. tumores sólidos (CLEMENTE; DOMONEY, 2006).
As larvas de Diatraea saccharalis alimentam-se Estudos in vivo mostraram que os BBI previnem
das folhas de cana-de-açúcar e crescem sobre e suprimem o desenvolvimento de cânceres como
ela. Experimentalmente, quando se introduzem os adenocarcinoma anal e de cólon, esôfago, pulmão,
genes do BBI e Kunitz da soja nesta gramínea, o linfosarcoma e carcinoma oral, em diferentes mo-
crescimento da larva é drasticamente reduzido, e delos animais induzidos por distintos agentes car-
a produção de cana bastante aumentada (FALCO; cinogênicos (LOSSO, 2008). É importante ressal-
SILVA-FILHO, 2003). tar que muitos BBI naturais ou modificados como

Figura 2 – Estrutura primária do inibidor Bowman-Birk da soja. A estrutura primária mostra as
sete pontes de enxofre em preto. Os dois “loops” reativos com nove resíduos cada e os respec-
tivos aminoácidos que se ligam ao sítio ativo das serino-proteases estão ressaltados em cinza
claro e cinza escuro respectivamente. (QI ET AL., 2005)

Os BBI de leguminosas possuem uma importan- seqüências ativas do BBI, resultantes da hidrólise
te atividade anticarcinogênica e radioprotetora. da sua estrutura primária, como os loops que se
Adicionalmente, tem sido observado que as po- ligam diretamente à enzima, já se encontram em
pulações com dietas ricas em leguminosas e em estudos clínicos de Fase I e II para o tratamento
gramíneas apresentam baixa incidência de cânce- de vários tipos de neoplasias (CLEMENTE; DO-
res de cólon, próstata, orofarígeo, mama e pele MONEY, 2006; LOSSO, 2008). Os BBIs também
(KENNEDY, 1998). Este efeito possivelmente é demonstraram grande potencial de aplicação em
resultante da inibição da proteólise provocada dengue, pois foi reportado um importante efeito
pelas células transformadas já que necessitam inibitório na protease viral NS3, essencial na repli-
das proteases para os eventos de metástase, cação do vírus do Dengue (SAMPATH; PADMA-
angiogênese, crescimento tumoral e proliferação NABLAN, 2008). Além disso, os BBIs e seus res-
(DELL’AICA, 2007). Estudos in vitro têm demons- pectivos esqueletos canônicos (porção estrutural
trado que os BBI, em concentrações nanomolares, do inibidor responsável pela inibição; ver Figura
são capazes de suprimir a transformação de célu- 2) são inibidores potentíssimos da atividade das
las malignas induzidas por raios-X, de inibir a pro- serino-proteases humanas Triptase, Matriptase e
dução do radical livre ânion superóxido por células Elastase leucocitária – que são enzimas envolvi-
humanas leucêmicas de linhagem de pro-mielóci- das em várias desordens inflamatórias, alérgicas
to, de potencializar a morte induzida por radiação e degenerativas como asma, esclerose múltipla,
e cisplatina em vários cânceres humanos como de artrite reumatóide, enfisema pulmonar, fibrose

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 11
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
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cística, bronquite e síndromes respiratórias (QI et Figura 3 – Modelo da estrutura tridimensional
al., 2005). do inibidor de tripsina II de Ecballium elaterium
(Curcubitaceae vulgarmente denominado de
Outra importante família de inibidores canônicos pepino-selvagem), da família Squash. As setas
de plantas, isolados inicialmente em espécies da representam as β-hélices e em preto as três
família Cucurbitaceae e com promissor potencial pontes de enxofre. A sequência de aminoáci-
terapêutico é a família de inibidores Squash. São dos e as pontes de enxofre estão representa-
polipeptídeos pequenos, com 27 a 34 aminoácidos das abaixo do modelo (CHRISTMANN ET AL.,
e seis resíduos de cisteínas envolvidas em três 1999).
pontes de enxofre, formando três alças peptídicas
de tamanhos variados, resultando assim numa es-
trutura tridimensional com aspecto de laços (Figu-
ra 3). É importante destacar que existem peque-
nas proteínas denominadas knotinas ou ciclotinas
que compartilham semelhanças estruturais com
os inibidores squash devido à topologia das suas
pontes de enxofre e sua estrutura tridimensional
em laços, e é bem provável que em plantas, es-
tes inibidores sejam provenientes do metabolismo
destas knotinas (CHICHE et al., 2004). Os inibi-
dores Squash apresentam constantes de associa-
ção com várias serino-proteases na ordem de 10-12
M e, portanto, são considerados os mais potentes
inibidores de proteases da natureza. Na planta,
estes inibidores participam de mecanismos envol-
vidos na defesa conferindo resistência a pragas
e pestes (OTLEWSKI; KROWARSCH, 1996). A
estrutura “macrociclitizada”, por conta das pontes
de enxofre, confere a estes inibidores uma grande Os inibidores não-canônicos exibem uma estrita
resistência à ação das exopeptidases e também especificidade para uma determinada protease,
a altas temperaturas, possibilitando assim, sua pois, além da ligação do inibidor com a enzima as-
administração oral e a permanência de suas ati- semelhar-se ao complexo enzima-substrato (como
vidades inibidoras de proteases (GÖRANSSON observado para os inibidores canônicos), o inibidor
et al., 2004). São potentes inibidores de serino- também se liga a um sítio na superfície da prote-
proteases de interesse médico como a Elastase ase, aumentado muitíssimo a seletividade da ini-
de neutrófilo envolvida na patogênese de diversas bição (FARADY et al., 2008). Este tipo de inibidor
enfermidades como enfisema, fibrose cística e ar- está envolvido na regulação de mecanismos como
trite reumatóide, a Trombina também denominada apoptose, sinalização intracelular, embriogênese,
de Fator II da cascata de coagulação, e a enzi- angiogênese, neurogênese e em eventos relacio-
ma Matriptase, envolvida na destruição tecidual nados à resposta imune (WOODS et al., 2008).
observada em vários tipos de neoplasias (CRAIK Até o momento, ainda não foi reportado nenhum
et al., 2004). Os representantes mais estudados tipo de inibidores não-canônicos em plantas; con-
desta família são MCoTI-I e II, ambos isolados das tudo as investigações sobre estes peptídeos são
sementes de Monocardia cochinchinensis, uma bastante recentes. É importante destacar que os
Cucurbitaceae comum do Vietnã. Diversos estu- inibidores não-canônicos apresentam um enorme
dos estão sendo conduzidos no sentido de mo- potencial de aplicabilidade no tratamento de de-
dificar a estrutura primária destes inibidores por terminadas patologias devido à altíssima especifi-
mutagênese induzida e, por modelagem molecular cidade que demonstram.
induzir a obtenção de inibidores mais potentes e
mais específicos, reforçando assim a idéia de que As Serpinas compreendem uma superfamília de
estes peptídeos são moléculas promissoras no de- proteínas com estruturas muito semelhantes, e são
senvolvimento racional de fármacos para o trata- inibidoras de serino-proteases, de onde seu nome
mento de inúmeras patologias humanas (CHICHE deriva (serine protease inhibitors). Os primeiros
ET AL., 2004). representantes estudados foram a antitrombina

11 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
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Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

e a antitripsina, que são proteínas plasmáticas es- é derivado do grego, que se referia à queda das
senciais na regulação das cascatas de coagulação folhas das árvores no outono - um exemplo de mor-
e de inflamação e suas deficiências resultam em te programada fisiológica (WILLIAMS; DICKMAN,
tromboses e em enfisema pulmonar, respectiva- 2008). É importante destacar que a apoptose parti-
mente (RAWLINGS et al., 2004). Enquanto que cipa da diferenciação dos órgãos da planta, desde a
a grande maioria das Serpinas controla cascatas senescência à resposta ao estresse como hipóxia,
proteolíticas, outras não inibem a atividade enzi- temperaturas extremas e oxidação (ROBERTS; HE-
mática, mas exercem uma diversidade de funções. JGAARD, 2008). As Serpinas de origem humana e
São armazenadoras de proteínas, como a ovalbu- de outros animais têm sido utilizadas com grande
mina; proteínas de transporte de hôrmonios, como sucesso na terapêutica de muitas patologias. Plan-
as globulinas de ligação da tiroxina e do cortisol; ou tas transgênicas que carregam genes que codificam
são supressoras de genes tumorais com a maspina Serpinas são amplamente utilizadas na agricultura,
(ROBERTS; HEJGAARD, 2008). São proteínas de mas apenas recentemente os estudos de Serpinas
médio tamanho (cerca de 400 aminoácidos), cuja de plantas apontam para uma aplicabilidade clínica.
estrutura terciária consiste de três β-hélices (A, B Um exemplo disto é a expressão de um Serpina de
e C), nove α-hélices e um loop central reativo que é um arroz trangênico que se mostrou bastante efe-
exposto na superfície do inibidor (RCL), com cerca tiva na redução e no controle da pressão arterial
de 25 resíduos entre as A e C (Figura 4). Ao rea- (YANG et al., 2006).
gir irreversivelmente com o sítio ativo da enzima
através do RCL, a enzima cliva o inibidor e esta Figura 4 – Modelo de estrutura tridimensional
clivagem induz uma profunda alteração conforma- de uma Serpina. O inibidores são formado por
cional tanto do inibidor quanto da enzima. De um três β-hélices (em setas), nove α-hélices (espi-
modo geral, as Serpinas são inibidoras irreversíveis ral) e um “loop” na porção superior que é a RCL
das serino-proteases da família quimiotripsina, mas (OTLEWSKI J et al., 2005).
outras enzimas são também inibidas como tripsina,
trombina, elastase, fatores da coagulação, e tam-
bém algumas cisteíno-proteases (OTLEWSKI et
al., 2005).

As Serpinas estão distribuídas em animais, plantas,
bactérias, archaea, e em certos vírus, e constitui a
maior família de inibidores de proteases. A primeira
Serpina estudada em plantas, foi uma proteína de
43 kDa, denominada de proteína Z, obtida de grãos
de cevada. Diversas Serpinas foram purificadas de
outras gramíneas como aveia, arroz, trigo, milho,
cana e bambu. Embora sejam expressas principal-
mente em gramíneas, são também encontradas na
soja, algodão, tomate, maça dentre outros (RO-
BERTS; HEJGAARD, 2008). Como são particular-
mente abundantes nas sementes, aparentemente
desempenham um importante papel na defesa do
estoque protéico contra as enzimas digestivas de
insetos e fungos. Genes que codificam Serpinas Considerações finais
têm sido introduzidos em culturas de alfafa, batata,
algodão e tabaco, aumentando significativamente As proteases desempenham funções vitais nas
a resistência destes ao ataque de insetos e pre- plantas e seus inibidores também participam des-
dadores (CHRISTELLER; LAING, 2005). Estes tes processos regulando suas atividades. Além dis-
inibidores garantem a integridade de peptídeos si- so, estes inibidores protegem as plantas de modo
nalizadores envolvidos na apoptose, que é a morte bastante eficiente do ataque de agentes externos,
celular não seguida de autólise que ocorre de forma como parasitos, insetos, larvas e microorganismos,
ordenada e demanda energia para a sua execução. inibindo preferencialmente suas enzimas digesti-
Está relacionada ao equilíbrio interno dos orga- vas. Devido à alta especificidade, estabilidade aos
nismos e com sua regulação fisiológica. O termo extremos de pH, temperatura e alta hidrossolubili-

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 11
Inibidores de Proteases Oriundas de Plantas:
Estado da Arte/State of the Art
Uma Abordagem Útil para o Desenvolvimento de Novos Fármacos

dade, estes inibidores são facilmente administra- tors from Stichodactyla helianthus. Toxicon, v.34,
dos oralmente. A observação de que são eficien- p.1367-76, 1996.
tes contra microorganismos e parasitos, apontam
estes inibidores de proteases de plantas com um DELL’AICA, I.; CANIATO, R.; BIGGIN, S.; GARBI-
enorme potencial para o desenvolvimento de novos SA, S. Matrix proteases, green tea, and St. John’s
fármacos, sugerindo uma maior eficiência e efeitos wort: Biomedical research catches up with folk
adversos menos agressivos para o hospedeiro. No medicine. Clinical Chimical Acta, v.381, p.69–77,
entanto, as pesquisas sobre os inibidores de pro- 2007.
teases provenientes de plantas são relativamente
recentes, e é necessário que as investigações nes- FALCO, M.C.; SILVA-FILHO, M.C. Expression of
ta área sejam intensificadas para a melhor com- soybean proteinase inhibitors in transgenic sugar-
preensão destas estruturas. O entendimento do cane plants: Effects on natural defense against
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Estado da Arte / State of the Art

Plantas Medicinais Brasileiras.
I. Achyrocline satureioides (Lam.)
DC. (Macela)

Brazilian Medicinal Plants.
I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela)

*1Barata, L. E. S.; 2Alencar, A. A. J.; Resumo
2
Tascone, M.; 3Tamashiro, J.
Este estudo se baseia na literatura científica convencional, e nas
fontes dos principais congressos e simpósios brasileiros na área de
plantas medicinais e aromáticas. Fez-se a revisão da literatura nos
aspectos botânicos da composição química, seus principais usos
1
Laboratório de Pesquisa e Desenvolvi- populares e experimentos científicos para a espécie Achyrocline sa-
mento de Produtos Naturais, Instituto tureioides (macela). Os principais aspectos científicos desta espécie
de Química, Universidade Estadual de foram compilados com o objetivo de evidenciar seu potencial como
Campinas, UNICAMP, Cidade Univer- matéria-prima para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos.
sitária Zeferino Vaz, C.P. 6154, 13083-
970, Campinas, SP, Brasil. Abstract
2
Curso de Farmácia, Instituto de This study presents a literature review on the botanical aspects, chemi-
Química, Universidade Estadual de cal composition, and the main popular as well as experimentally proven
Campinas, UNICAMP, Cidade Univer- uses up to now, on the species Achyrocline satureioides (macela). The
sitária Zeferino Vaz, C.P. 6154, 13083- main scientific aspects on the species were compiled aiming to bring
970, Campinas, SP, Brasil. about its potential as raw material for the pharmaceutical and cosme-
tic industries. Moreover the conventional scientific journals there were
3
Departamento de Botânica, Instituto included the information collected from the main Brazilian congresses
de Biologia, Universidade Estadual de and symposiums, in the field of medicinal and aromatic plants.
Campinas, UNICAMP, Cidade Universi-
tária Zeferino Vaz, Rua Monteiro Lobato Família: Asteraceae.
255, 13083-862, Campinas, SP, Brasil.
Botânica: Planta herbácea de aproximadamente 1 m de altura; caule,
ramos e folhas cobertos por pelos esbranquiçados; folhas lineares com
largura de até 1,5 cm e 10 a 15 cm de comprimento; flores em número
*Correspondência: de 5 a 10, reunidas em inflorescência do tipo capítulo, de coloração ama-
E-mail: lbarata@iqm.unicamp.br rela-clara; e estes estão reunidos nos ápices dos ramos. Fruto do tipo
aquênio de aproximadamente 0,5 cm (BAKER, 1967; PRUSKI, 1997;
LORENZI , 2000). É planta invasora comum em terrenos baldios, pastos
e campos agrícolas abandonados. As inflorescências secas são utilizadas
Unitermos: na medicina caseira e também no enchimento de travesseiros almofadas
Achyrocline satureioides, Asteraceae, e colchões (LORENZI , 2000) pelo aroma suave e agradável.
Produtos Naturais, Planta Medicinal,
Cosméticos. Distribuição Geográfica: América tropical.

Key Words: Uso etnomédico: As inflorescências secas são utilizadas na medici-
Achyrocline satureioides, Asteraceae, na caseira e também no enchimento de travesseiros almofadas e col-
Natural Products, Medicinal Plant, Cos- chões (LORENZI , 2000) pelo aroma suave e agradável. A infusão das
metics, Macela, Marcela. inflorescências da macela (Achyrocline satureioides) é popularmente

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I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela)

empregada como sedativa, antiinflamatória, anties- les (SIMÕES et al., 1984) e alcoólico das inflores-
pasmódica e contra desordens intestinais (LOREN- cências (LANGELOH; SCHENKEL, 1982) apresen-
ZI , 2000; ROCHA et al., 1989). Na forma de chá, tam atividade antiespasmódica, que pode justificar
as inflorescências também são utilizadas contra seu uso no tratamento de certos distúrbios do trato
náuseas, cólicas e dores epigástricas (LANGELOH; gastrointestinal (SIMÕES et al., 1984; LANGELOH;
SCHENKEL, 1982). O extrato das flores apresen- SCHENKEL, 1982). Esta característica pode ser atri-
ta atividade antibacteriana e analgésica (POLI et buída, pelo menos em parte, à presença de querceti-
al., 1988). A planta tem ações anti-séptica, diges- na (II) e 3-metoxiquercetina (SIMÕES et al., 1986).
tiva (SONAGLIO et al., 1992) e é usada em casos A quercetina também é um dos componentes majo-
de bronquite, dor de barriga e para facilitar o parto ritários nos extratos hidroetanólicos de comprovada
(MARQUESINI, 1996). No Paraguai é utilizada como ação antiinflamatória (SONAGLIO et al., 1986). O
agente antiinfeccioso (LIMA et al., 1990). O extrato extrato etanólico de suas folhas e flores promove a
aquoso de folhas e caules de Achyrocline satureioi- lise das formas sanguíneas do Trypanosoma cruzi
des é usado na medicina popular para o tratamento (ROJAS DE ARIAS et al., 1995). Sua propriedade
de distúrbios gastrointestinais (KREIN et al., 1996; antitumoral foi verificada, mostrando que o extrato
MORS et al., 2000), epilepsia, reumatismo, nevral- de flores de macela inibe in vitro o crescimento de
gias, dores articulares e musculares (LORENZI; MA- células carcinogênicas em 67% (LORENZI; MA-
TOS, 2002). As partes aéreas da macela produzem TOS, 2002). A atividade antiviral dos flavonóides da
um chá aromático e amargo, estomáquico e antide- Achyrocline satureioides pode ser identificada frente
sentérico, muito usado para má digestão e gastrites à replicação do poliovírus e de alguns vírus herpéti-
(MORS et al., 2000). cos. Já outros compostos similares aos flavonóides
são inibidores da replicação do vírus da influenza (gri-
Uso em cosméticos: Pedidos de patentes suge- pe), do vírus do HIV, do citomegalovírius e do rinovírus
rem que Achyrocline satureioides tem potencial (SIMÕES et al., 1990; AMOROS et al., 1992; CHE,
para diferentes usos em cosméticos. A planta pos- 1991). Pesquisadores americanos demonstraram que
sui propriedades que permitem sua utilização como o extrato aquoso quente de suas flores secas apre-
clareador vegetal para cabelos em formulações sentou propriedades antivirais in vitro contra célu-
cosméticas (MARQUES, 2005). O extrato das fo- las T-linfoblastóides infectadas com HIV(13). Estudos
lhas, galhos, raízes, sementes ou da planta inteira, é realizados revelaram que o extrato etanólico da se-
utilizado para prevenir a oxidação dos componentes mente de Achyrocline satureioides apresenta capa-
lipídicos e para desordens oxidativas da pele, atu- cidade inibitória significativa contra Bacillus subtilis
ando como um agente antioxidante na composição e Staphylococcus aureus (MARTINS et al., 1988).
de preparações de uso tópico. Essa extração pode O extrato diclorometano da folhas de A. satureioides
ser feita utilizando um álcool de baixo peso mole- apresentou também componentes bioativos distintos
cular (WADA et al., 1998). A macela é utilizada em contra Bacillus subtilis (UCHIMA et al. 1999), já o
formulações para os cabelos. A empresa Ecologie óleo volátil obtido das sumidades floridas por arraste
Cosméticos utiliza a planta em xampus, visando o a vapor, apresenta ausência de atividade antimicro-
seu poder de redução da fragilidade dos fios (ECO- biana contra Staphylococcus aureus, Escherichia
LOGIE COSMÉTICOS, 2008). A sua capacidade de coli e Candida albicans, sugerindo que as atividades
clareamento de cabelos é aproveitada pela Amend antissépticas e antibióticas observadas pelo uso po-
Cosméticos em formulações de complexos ilumina- pular e em testes farmacológicos, seja proveniente de
dores da cor (AMEND COSMÉTICOS, 2008). Já a outros compostos presentes nas partes aéreas das
sua ação antiinflamatória e calmante é utilizada em plantas e que não são destiladas por arraste à vapor
tônicos capilares da Daasz Cosméticos Orgânicos (SONAGLIO et al., 1992). O extrato de suas flores
(DAASZ COSMÉTICOS, 2008). apresenta significativa atividade repelente (98,5%),
sugerindo, segundo os autores, possibilidades de seu
Farmacologia e Atividade biológica: O interesse uso como repelente de insetos (DAL MAGRO et al.,
clínico da macela é recente, seus usos na medici- 1998). Outras pesquisas corroboram o uso do extra-
na natural têm sido avaliados desde 1980. Estudos to de A. satureioides como inseticida (ROJAS DE
da macela em animais demonstraram propriedades ARIAS et al., 1995). Extratos aquosos apresentam
analgésicas, antiinflamatórias e relaxantes, poden- atividade genotóxica em organismos procarióticos.
do explicar seu uso em problemas gastrointestinais, Essa atividade está relacionada com a presença de
e problemas respiratórios como a asma (LORENZI; quercetina e ácido cafeico no extrato (VARGAS et al.,
MATOS, 2002). O extrato aquoso das folhas e cau- 1990; FACHINETTO et al., 2007). O extrato metanó-

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I. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. (Macela)

lico revelou atividade contra carcinoma hepatocelular planta no tratamento da obesidade, merecendo então
humano, porém há necessidade de estudos comple- estudos posteriores (DICKEL et al., 2007). Extratos
mentares (RUFFA et al., 2002). Diferentes extratos, aquosos da A. satureioides têm um potente efeito
com diferentes composições de ativos, obtidos das contra a oxidação do LDL humano in vitro. A capaci-
inflorescências da A. satureioides, apresentam gran- dade antioxidante é dependente da concentração do
de potencial antioxidante, porém extratos com altas extrato, indicada como 4 μg/ml. Até agora a hipóte-
concentrações de flavonóides revelaram um efeito se é de que esse efeito antioxidante ocorreria in vivo
pró-oxidante em estudos realizados com culturas de (GUGLIUCCI; MENINI, 2002). Segundo um pedido
células de Sertoli, induzindo aumento na peroxidação de patente, o extrato da A. satureioides possui efei-
de lipídeos (efeito citotóxico) (POLYDORO et al., to neuroprotetor in vivo que é obtido principalmente
2004). Na investigação da propriedade sedativa da por mecanismos antiapoptóticos. O extrato pode ser
macela em camundongos, usando o extrato aquoso usado na prevenção e no tratamento de isquemia
(chá) de macela, verificou-se a redução da locomoção vascular, doenças neurodegenerativas e lesões cere-
dos camundongos e o aumento da porcentagem de brais causadas devido ao envelhecimento (HEIZEN;
quedas, sugerindo que o extrato de macela apresenta DAJAS, 2003). A macela pode ainda servir como
efeitos característicos de substâncias depressoras do “bioindicador” revelando contaminação ambiental por
sistema nervoso central (POLI et al., 1988). Foram metais pesados, como o zinco e chumbo (PIVA; POR-
isoladas frações polissacarídicas de extratos aquosos TO, 1998).
ou alcalinos aquosos de A. satureioides que conforme
testes em granulócitos (WAGNER et al., 1984), apre- Composição química: A análise fitoquímica da
sentaram uma significante atividade imunoestimula- macela mostra que é fonte rica de flavonóides sin-
dora (MORS et al., 2000; WAGNER et al., 1984), po- gulares. Muitas de suas atividades são atribuídas
rém, de acordo com outros estudos, o extrato aquoso aos flavonóides, assim como aos terpenos (mono
da Achyrocline satureioides apresentou propriedades e sesquiterpenos) isolados da planta (LORENZI;
inibidoras da ativação linfocitária, sendo demonstra- MATOS, 2002). As partes aéreas da planta contêm
da pela diminuição da secreção de IL-2 (SANTOS et óleo essencial com alfa e beta-pineno, flavonóides e
al., 1996). Estudos farmacológicos de A. satureioides outros compostos fenólicos, além de polissacarídios
mostraram que os extratos aquosos a frio e a quente (MORS et al., 2000). Os extratos são também ricos
e o extrato etanólico a frio, apresentam atividade an- em compostos fenólicos não flavonóicos como o áci-
tiinflamatória, reduzindo significativamente o edema do caféico e ácido clorogênico e flavonóides como
da pata do rato induzido por carragenina. Este efeito flavonas, luteolina (I) e quercetina (II) (GUGLIUC-
antiinflamatório poderia estar vinculado à presença CI; MENINI, 2002; SAITO et al., 2005). Do extrato
de compostos flavonoídicos (SIMÕES; BAUE, 1984). acetônico das folhas secas de A. satureioides, foram
Dados pré-clínicos indicam que a planta possui poten- isolados três flavonóides, que já haviam sido obtidos
cial no controle de condições associadas à obesidade, de fontes naturais ou de síntese (LIMA et al., 1990)
como altos níveis de glicose sangüínea, indicando uma (Figura 1). Os componentes responsáveis pelo gosto
possível utilidade para o tratamento de certas obesi- amargo e pela adstringência característica do chá da
dades, contudo, os dados científicos encontrados são marcela são os glicosídeos e os flavonóides (FER-
insuficientes para garantir a eficácia e segurança da NANDES et al., 1996).

Figura 1 - Flavonóides isolados de extratos de Achyrocline satureioides (marcela).

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Plantas Medicinais Brasileiras.
II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido)

Brazilian Medicinal Plants
II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido)

*1Barata, L. E. S.; 2Alencar, A. A. J.; Resumo
2
Tascone, M.; 3Tamashiro, J.
Este estudo se baseia na literatura científica convencional, e nas
fontes dos principais congressos e simpósios brasileiros na área de
plantas medicinais e aromáticas. Fez-se a revisão da literatura nos
aspectos botânicos da composição química, seus principais usos
Laboratório de Pesquisa e Desenvolvi-
1
populares e experimentos científicos para a espécie Portulaca pilosa
mento de Produtos Naturais, Instituto L. (amor-crescido). Os principais aspectos científicos desta espécie
de Química, Universidade Estadual de foram compilados com o objetivo de evidenciar seu potencial como
Campinas, Cidade Universitária Zeferino matéria-prima para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos.
Vaz, UNICAMP, C.P. 6154, 13083-970,
Campinas, SP, Brasil.
Abstract
2
Curso de Farmácia, Faculdade de Ciên-
cias Médicas, Universidade Estadual de This study presents a literature review on the botanical aspects, chemi-
Campinas, Cidade Universitária Zeferino cal composition, and the main popular as well as experimentally proven
Vaz, UNICAMP, Rua Tessália Vieira de uses up to now, on the species Portulaca pilosa L. (amor-crescido). The
Camargo, 126, 13083-887, Campinas, main scientific aspects on the species were compiled aiming to bring
SP. Brasil. about its potential as raw material for the pharmaceutical and cosme-
tic industries. Moreover the conventional scientific journals there were
Departamento de Botânica, Instituto
3
included the information collected from the main Brazilian congresses
de Biologia, Universidade Estadual de and symposiums, in the field of medicinal and aromatic plants.
Campinas, Cidade Universitária Zeferino
Vaz, UNICAMP, Rua Monteiro Lobato
255, 13083-862, Campinas, SP, Brasil. Família: Portulacaceae.

Botânica: Erva com muitos ramos prostrados com pêlos longos e es-
branquiçados. Folhas cilíndricas, suculentas de aproximadamente 2 cm.
Flores localizadas nos ápices de ramos, rodeadas por pêlos longos. As
*Correspondência: pétalas são de coloração púrpura à amarelada. Frutos maduros arre-
E-mail: lbarata@iqm.unicamp.br dondados de cor marrom, abrindo-se por uma fenda circuncisa e com
muitas sementes (BAILEY, 1949; STEYEMARK, 2004). Espécie com
muitas subespécies, variedades e formas devido a sua plasticidade fe-
notípica. Utilizada também como ornamental (BAILEY, 1949).
Unitermos:
Portulaca pilosa, Portulacaceae, Produ- Distribuição Geográfica: América tropical e subtropical (STEYEMA-
tos Naturais, Planta Medicinal, Cosmé- RK, 2004).
ticos, Amor-crescido

Key Words: Introdução
Portulaca pilosa, Portulacaceae,
Natural Products, Medicinal Plant, A Indústria Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos
Cosmetics, Amor- crescido. apresentou um crescimento médio deflacionado de 8,2% nos últimos 5

126 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Plantas Medicinais Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido)

anos, tendo passado de um faturamento líquido de et al. 2000) e por isso encontrado nas boticas e
impostos sobre vendas de R$ 6,6 bilhões em 1999 feira do Ver-o-Peso em Belém na forma de cremes
para R$ 13,1 bilhões em 2004 e US$ 8,1 bilhões em e loções. Segundo o fabricante Artesanato Juruá,
2006. Entre as quase 1.500 indústrias de Cosméticos o xampu de Amor-crescido apresenta propriedades
apenas 15 são consideradas grandes, na sua maioria para o fortalecimento das raízes do cabelo, esti-
empresas multinacionais que faturam 2/3 de todo o mulando seu crescimento, além de conferir brilho e
mercado, as outras, 1.485 empresas são médias, pe- maciez ao cabelo, o que facilita a escovação (NA-
quenas e, sobretudo micro empresas. São nestas pe- TURELE COSMÉTICOS, 2008). A Universidade
quenas e micro-empresas, principalmente aquelas do Federal do Pará possui uma formulação de xampu
Norte e Nordeste, que as plantas brasileiras, muitas contendo Amor-crescido, produto utilizado como
delas medicinais, têm sido crescentemente utilizadas, tônico capilar, e o condicionador com extratos des-
e que as tornam competitivas. Outros fatores têm ta planta, utilizado para desembaraçar os cabelos
contribuído para o excelente crescimento do setor de (UFPA, 2008). O extrato da Portulaca pilosa pro-
cosméticos, principalmente, a participação crescente move a inibição in vitro da tirosinase de cogumelo
da mulher brasileira no mercado de trabalho e o au- a níveis acima de 90%. Esta característica pode di-
mento da expectativa de vida, que traz a necessidade recionar o desenvolvimento de agentes para o cla-
de conservar uma impressão de juventude. reamento da pele e preparações antiescurecimen-
to, sendo necessário porém estabelecer testes em
Uso Etnomédico: O amor-crescido (Portulaca pi- melanócitos humanos (BAURIN et al., 2002).
losa) é uma planta utilizada popularmente por todo
o Brasil, principalmente no Norte, como estomáqui- Farmacologia e Atividade Biológica: A Portulaca
ca, diurética, cicatrizante, analgésica, em casos de pilosa é usada pela medicina popular como diuréti-
doenças hepáticas, malária, úlceras (DA SILVA et co. Entretanto, estudos verificaram que os extratos
al., 1998), diarréia, disenteria, cólica, nas hemopti- hidroalcoólicos desta planta possuem efeitos re-
ses, nefrites e como vermífugo (REVILLA, 2002). nais, aumentando a excreção de potássio, mas não
As folhas são usadas em compressas para serem apresentam ação diurética ou mudança na excreção
aplicadas topicamente no tratamento de queima- de sódio como acreditado pela população (ROCHA
duras, erisipelas (MORS et al. 2000), feridas, erite- et al., 1994). A atividade de inibição da tirosinase
mas e icterícia (REVILLA, 2002). O chá das folhas de cogumelo in vitro pode vir a ser aplicada contra
de amor-crescido pode ser usado para desinfetar melanomas, se realizados os testes em melanóci-
chagas e fortalecer o sangue (MORS et al. 2000). tos humanos para a confirmação dessa atividade
Seu uso tópico como cicatrizante, no tratamento (BAURIN et al., 2002).
de queimaduras, em erisipelas, feridas e eritemas,
e desinfetante tópico, lhe indica como candidata ao Composição Química: Foram isolados da parte
uso em Cosmética. aérea da Potulaca pilosa os diterpenos majoritários
pilosanona A, B (OHSAKI et al. 1987), e o diterpe-
Uso em cosméticos: No norte do Brasil esta planta no minoritário pilosanona C (OHSAKI et al. 1995).
é empregada em xampus para queda de cabelo e Da raiz foram isolados pilosanol A, B, C (OHSAKI
como fortalecedor de crescimento capilar (MORS et al., 1991).

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 12
Plantas Medicinais Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
II. Portulaca pilosa L. (Amor-crescido)

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Plantas Medicinas Brasileiras.
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado
(Nó-de-cachorro)

Brazilian Medicinal Plants.
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado
(Nó-de-cachorro)

*1Barata, L. E. S.; 2Alencar, A. A. J.;
2
Tascone, M.; 3Tamashiro, J.
Resumo
Este estudo se baseia na literatura científica convencional, e nas
fontes dos principais congressos e simpósios brasileiros na área
1
Laboratório de Pesquisa de plantas medicinais e aromáticas. Fez-se a revisão da literatura
e Desenvolvimento de Produtos nos aspectos botânicos da composição química, seus principais
Naturais, Instituto de Química, usos populares e experimentos científicos para a espécie Hete-
Universidade Estadual de Campinas, ropterys aphrodisiaca Machado (nó-de-cachorro). Os principais
Cidade Universitária Zeferino Vaz, aspectos científicos desta espécie foram compilados com o ob-
UNICAMP, C.P. 6154, 13083-970, jetivo de evidenciar seu potencial como matéria-prima para as
Campinas, SP, Brasil. indústrias farmacêuticas e de cosméticos.
2
Curso de Farmácia, Faculdade
de Ciências Médicas, Universidade
Estadual de Campinas, Cidade Abstract
Universitária Zeferino Vaz, UNICAMP,
Rua Tessália Vieira de Camargo, 126, This study presents a literature review on the botanical aspects,
13083-887, Campinas, SP. Brasil. chemical composition, and the main popular as well as experimen-
tally proven uses up to now, on the species Heteropterys aphro-
3
Departamento de Botânica, disiaca Machado (nó-de-cachorro). The main scientific aspects
Instituto de Biologia, Universidade on the species were compiled aiming to bring about its potential
Estadual de Campinas, Cidade Uni- as raw material for the pharmaceutical and cosmetic industries.
versitária Zeferino Vaz, Moreover the conventional scientific journals there were included
UNICAMP, Rua Monteiro Lobato 255,
the information collected from the main Brazilian congresses and
13083-862, Campinas, SP, Brasil.
symposiums, in the field of medicinal and aromatic plants.

*Correspondência:
E-mail: lbarata@iqm.unicamp.br Família: Malpighiaceae.

Botânica: Arbusto com ramos longos e pendentes, folhas com
Unitermos: disposição opostas, flores dispostas em inflorescências terminais.
Heteropterys aphrodisiaca, Suas pétalas amarelas tornam-se vermelhas quando velhas. Fru-
Malpighiaceae, Produtos Naturais, tos arranjados geralmente em três frutículos, com a semente na
Planta Medicinal, Cosméticos, porção basal e uma asa na terminal. O nome popular é proveniente
Nó-de-cachorro. de suas raízes que são engrossadas e semelhantes a um colar ou
pênis canino (POTT; POTT, 1994)
Key Words:
Heteropterys aphrodisiaca, Distribuição Geográfica: Ocorre nos cerradões de Mato Grosso
Malpighiaceae, Natural Products, e Goiás em solos distróficos.
Medicinal Plant, Cosmetics,
Nó-de-cachorro. Uso etnomédico: As raízes da Heteropteris aphrodisiaca são

129
Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 129
2009
Plantas Medicinas Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado (Nó-de-cachorro)

utilizadas pela população matogrossense ten- nação motora e o tempo de sono, demonstrando
do, como veículo, bebidas alcóolicas. A planta é uma possível ausência de efeito tóxico (GALVÃO
usada no tratamento de ácido úrico, debilidades et al., 1998). Estudos mostraram que o extrato
nervosas, doenças venéreas, males uterinos, das raízes de H. aphrodisiaca apresenta proprie-
antidisentérica, tônico e como afrodisíaco (AR- dade antioxidante cerebral, sendo usada como
RUDA; CAMARGO, 2000a; 200b). Benzedeiras, protetora de lesões oxidativas em cérebros de
parteiras e raizeiras utilizam partes desta planta, ratos jovens, por inibir a interação dos radicais
como as folhas, em chás e banhos. Estas formas livres com as biomoléculas presentes no cérebro
de uso são indicadas para males e enfermidades (MATTEI et al., 2001). Este mesmo extrato foi
como: depurativo do sangue, diarréia, reumatis- capaz de melhorar a memória e o aprendizado de
mo, estimulante sexual (MACEDO; FERREIRA, ratos idosos (GALVÃO et al., 2002). Pesquisas
2000; NETO et al., 2000), estimulante do SNC revelaram que o nitrocomposto 2,3,4,6-tetra-O-
e energético. No cerrado do Mato Grosso, a raiz (3-nitropropanoil)-ß-D-glicopiranose obtido do
e folhas jovens da planta são utilizadas para extrato BST-0402 das raízes de H. aphrodisiaca,
irritação e inflamação ocular, assim como para possui atividade antibacteriana contra Staphylo-
agravos da catarata (MACEDO et al., 2004). coccus aureus e Bacillus subtilis, atividade an-
Utiliza-se o cálice das flores na forma de chás, tifúngica contra Candida albicans, C. parapslo-
e estes tem ação antiespasmódica, diurética, di- sis, C. krusei e C. tropicalis e atividade antiviral
gestiva, laxante suave e aromatizante. A planta contra o Poliovírus Hep2 (ROMAN JR., 2003; DE
é também empregada na indústria alimentícia; MELLO et al., 2005). A partir do extrato BST-
para a fabricação de geléias, licores, vinhos e 0298 também se obteve um nitrocomposto com
molhos picantes (GALVÃO et al., 1998). A plan- atividade antiviral contra o Poliovírus e contra o
ta é sobretudo utilizada com fins medicinais e a BHV-1 (herpes bovino tipo 1), além de uma fra-
sua importância é refletida pelas três patentes ção aquosa com atividade virucida, por inibir a
solicitadas ao INPI (CARLINI, 2003; BIOSIN- formação de plaques (MELLO, 2004).
TETICA; UNIFESP, 2000) duas sobre processos
de obtenção, uma delas por uma empresa far- Composição Química: Em H. aphrodisiaca foi
macêutica e outra que indica suas propriedades detectada a presença de flavonóides, antracenos,
farmacológicas de ação virucida, antifúngica e polifenóis, taninos e cardiotônicos. O isolamento
antibacteriana de substâncias fenólicas do extrato total de H.
aprodisiaca foi feito por cromatografia em colu-
Farmacologia e Atividade Biológica: Foi ve- na, onde foram isoladas três substâncias identi-
rificado que H. aphrodisiaca, após tratamento ficadas como sendo dihidroflavonóides astilbina,
agudo em camundongos, apresentou efeito es- neoastiobina e isoastiobina (Tabela 1) (PIERI et
timulante por via oral, não alterando a coorde- al., 2000; MARQUES et al., 2007).

Tabela 1 – Diidroflavonóides de Heteropterys aphrodisiaca

10 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Plantas Medicinas Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
III. Heteropterys aphrodisiaca Machado (Nó-de-cachorro)

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tibacteriana a partir da Heteropteris aphrodisica.
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sio, p.90, 2000.

MACEDO, M.; GUARIM NETO, G.; FERREIRA,

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 131
Estado da Arte / State of the Art

Plantas Medicinais Brasileiras.
IV. Annona muricata L. (Graviola)

Brazilian Medicinal Plants.
IV. Annona muricata L. (Graviola)

*1Barata, L. E. S.; 2Alencar, A. A. J.; Resumo
2
Tascone, M.; 3Tamashiro, J.
Este estudo se baseia na literatura científica convencional, e nas
fontes dos principais congressos e simpósios brasileiros na área de
plantas medicinais e aromáticas. Fez-se a revisão da literatura nos
aspectos botânicos da composição química, seus principais usos
Laboratório de Pesquisa e Desenvolvi-
1
populares e experimentos científicos para a espécie Annona muri-
mento de Produtos Naturais, Instituto cata L. (graviola). Os principais aspectos científicos desta espécie
de Química, Universidade Estadual de foram compilados com o objetivo de evidenciar seu potencial como
Campinas, Cidade Universitária Zeferino matéria-prima para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos.
Vaz, UNICAMP, C.P. 6154, 13083-970,
Campinas, SP, Brasil.
Abstract
2
Curso de Farmácia, Faculdade de Ciên-
cias Médicas, Universidade Estadual de This study presents a literature review on the botanical aspects, che-
Campinas, Cidade Universitária Zeferino mical composition, and the main popular as well as experimentally
Vaz, UNICAMP, Rua Tessália Vieira de proven uses up to now, on the species Annona muricata L. (graviola).
Camargo, 126, 13083-887, Campinas, The main scientific aspects on the species were compiled aiming to
SP. Brasil. bring about its potential as raw material for the pharmaceutical and
cosmetic industries. Moreover the conventional scientific journals
Departamento de Botânica, Instituto
3
there were included the information collected from the main Brazilian
de Biologia, Universidade Estadual de congresses and symposiums, in the field of medicinal and aromatic
Campinas, Cidade Universitária Zeferino plants.
Vaz, UNICAMP, Rua Monteiro Lobato
255, 13083-862, Campinas, SP, Brasil.
Família: Annonaceae.

Botânica: Árvore de aproximadamente 6 m de altura, copa peque-
*Correspondência: na e poucos ramos, folhas com disposição alternada, e arranjadas
E-mail: lbarata@iqm.unicamp.br em um único plano (filotaxia alterna dística) de tamanho 12-16 de
comprimento por 4-8cm de largura, com presença de pêlos de cor
ferrugíneos e brilhantes. Flores de aproximadamente 6 cm, de cor
amarelada, sépalas em número de três e pétalas disposta em duas
séries de três de coloração amarelada. Os estames e os carpelos nu-
Unitermos: merosos dispostos em um receptáculo hemisférico, sendo os estames
Annona muricata, Annonaceae, Produ- localizados na porção basal e os carpelos na apical (PRANCE; SILVA,
tos Naturais, Planta Medicinal, 1976; CAVALCANTE, 1976; STEYEMARK et al., 1997). Frutos gran-
Cosméticos, Graviola. des, normalmente chegando a pesar até 8 kg (CAVALCANTE, 1976).
É consumido in natura e também é muito apreciado na forma de sor-
Key Words: vete, sucos e compotas.
Annona muricata, Annonaceae, Natural
Products, Medicinal Plant, Distribuição Geográfica: Antilhas como sendo sua origem e atual-
Cosmetics, Graviola. mente cultivada na região amazônica (STEYEMARK et al., 1997).

132 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Plantas Medicinais Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
IV. Annona muricata L. (Graviola)

Uso etnomédico: A eficácia e segurança das pre- muricata é rica em compostos bioativos que apresen-
parações populares com a Annona muricata não fo- tam atividades antitumoral, antifúngica, antiviral e de
ram ainda comprovadas cientificamente, apesar das inibição de enzimas, cujas funções estão intimamente
folhas, ao contrário da fruta, serem consideradas relacionadas com a conformação molecular destes ci-
potencialmente tóxicas para o homem. O decoto das clopeptídeos (WU et al., 2007); além de outras ativi-
folhas é muito utilizado contra diarréia e espasmos, dades como antibacteriana, antiparasitária, antiespas-
e o chá é empregado como agente emagrecedor e módica, citotóxica, hipotensiva, vasodilatadora (DE
como medicação contra alguns tipos de câncer. Suas CARVALHO et al., 2000), imunossupressora (KIM et
sementes são usadas com função emética e adstrin- al., 1998) e pesticida (KIM et al., 1998; ABDULLAH;
gente, e suas cascas como antidiabéticas e espasmo- SINA, 2003). A lectina, uma glicoproteína isolada
líticas (LORENZI; MATOS, 2002). As flores e tam- das sementes da A. muricata, é capaz de aglutinar
bém as folhas são utilizadas para tosse e problemas eritrócitos humanos e inibir o crescimento de alguns
no trato respiratório inferior (MORS et al., 2000). As fungos, como Fusarium oxysporum, Fusarium sola-
folhas da A. muricata são utilizadas na medicina po- ni e Colletotrichum musae (DAMICO et al., 2003).
pular por possuírem ações parasiticida, anti-reumáti- O extrato etanólico das folhas da Annona muricata
ca, antinevrálgica, adstringente e emética (DE CAR- possui uma potente atividade antioxidante in vitro, o
VALHO et al., 2000). O chá das folhas de graviola é que lhe confere um importante papel na captação de
utilizado como sedativo, expectorante e broncodilata- radicais livres, aumentando o seu efeito terapêutico
dor (QUEIROZ et al., 1988). Emprega-se a fruta na (BASKAR et al., 2007). Em experimentos realizados
indústria alimentícia para a elaboração de sucos, sor- com camundongos e suínos, avaliou-se o efeito tó-
vetes e doces (MAUL et al., 2000). O suco da fruta é xico do chá das folhas de graviola, administrado por
utilizado como diurético. Acredita-se que ele melhora via oral, sobre parâmetros sanguíneos, urinários e
males do fígado e lepra. Seus frutos imaturos, por se- histopatológicos. No que se refere ao hemograma,
rem adstringentes, são utilizados contra disenteria. A constatou-se um grande aumento na porcentagem
raiz da planta é utilizada como vermífugo (MORTON, de linfócitos nos animais, o que poderia sugerir a pre-
1987). Na América Central é utilizada pela medici- sença de substâncias capazes de induzir a síntese
na tradicional como anti-séptico, cicatrizante, contra ou inibir a degradação de hormônios tireoidianos ou
dermatose e febre da malária (WÉLÉ et al., 2004). ainda deprimir a produção hormonal da adrenal. Nos
camundongos os resultados ainda revelaram uma
Uso em cosméticos: Pedidos de patentes sugerem diminuição significativa dos níveis séricos de proteí-
que a Annona muricata tenha uso em cosméticos. nas, diminuição do volume de urina e diminuição da
A graviola foi selecionada, juntamente com outras eliminação de creatinina (QUEIROZ et al., 1988). A.
plantas como Calophyllum brasiliense Cambess., muricata apresenta atividade citotóxica sobre células
Cleome hassleriana Chodat e Myrcia sphaerocarpa tumorais de diversos tipos de câncer, demonstrando
DC, para a obtenção de um produto que previna a um efeito citotóxico 10.000 vezes maior que a adria-
degeneração e diminuição do colágeno, ou seja, um micina, usada como fármaco de referência. O extrato
produto com atividade inibidora da colagenase, en- da A. muricata foi capaz de produzir supressão dose-
zima esta que influencia no envelhecimento da pele dependente no crescimento de colônias de precurso-
(KOBAYASHI; UMISHIO, 2001). Outra formulação res hematopoéticos para granulócitos/macrófagos, o
cosmética, baseada nesta mesma ação biológica que permite sugerir que a A. muricata possui poten-
da planta (inibição da atividade da colagenase) su- cial mielotóxico in vitro (MINAMI et al., 2004). São
gere uso contra o envelhecimento da pele atuando principalmente as acetogeninas que possuem este
na diminuição das rugas e no aumento da firmeza potencial antineoplásico (YU et al., 1997; LI et al.,
da pele (NONOGAWA, 2001). Pesquisas também 2001). As acetogeninas, muricoreacina e murihexo-
revelam que um produto de uso externo, obtido da cina C, ambas isoladas das folhas, mostraram-se ci-
mistura de Annona muricata com outras plantas totóxicas contra adenocarcinoma de próstata. A mu-
como Calophyllum brasiliense Cambess., Quas- rihexocina C também revelou citotoxidade contra o
sia amara L., Fleurya aestuans (L.) Gaud., Myrcia carcinoma pancreático (KIM et al., 1998). Já as ace-
sphaerocarpa DC e Hyptis crenata Pohl ex Benth, togeninas anocatacina A, anocatacina B (CHANG et
possuem atividade inibidora da gelatinase, promo- al., 2003), anocatalina, muricina I (LIAW et al., 2002),
vendo também a prevenção do envelhecimento da muricinas (A-G), longifolicina, corossolina, corossolo-
pele (KOBAYASHI; UMISHIO, 2001). na e uma mistura de muricatetrocina A e B (CHANG;
WU, 2001) apresentaram citotoxidade seletiva in vi-
Farmacologia e Atividade Biológica: A Annona tro frente ao hepatoma celular humano (CHANG et

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 133
Plantas Medicinais Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
IV. Annona muricata L. (Graviola)

al., 2003; LIAW et al., 2002; CHANG; WU, 2001). plex vírus-1) em células vero (linhagem de células
Algumas patentes solicitadas requerem as acetoge- experimentais de rim de macaco), em uma concen-
ninas isoladas da A. muricata como citotóxicas para tração mínima de 1 mg/mL (PADMA et al., 1998).
várias linhagens de células tumorigênicas humanas Extratos etanólicos das folhas de Annona muricata
(WU, 2003). A anonacina, uma acetogenina contida foram ensaiados com o caramujo Biomphalaria gla-
na A. muricata, é um inibidor lipofílico do complexo I brata adulto e sua desova. A atividade moluscicida
da cadeia respiratória mitocondrial. Em estudos reali- apresentada pelo extrato foi bastante significativa,
zados em camundongos, esta acetogenina provocou com DL50 11,86 (DE CARVALHO et al., 2000; DOS
lesões cerebrais similares às lesões presentes em pa- SANTOS et al., 1998a) e de DL90 inferior a 20 ppm
cientes com o Mal de Parkinson atípico. Estes dados para o molusco adulto, indicando a faixa de atividade
são compatíveis com a teoria de que acetogeninas dentro do preconizado pelas normas da Organização
de anonáceos podem implicar na etiologia do Mal de Mundial de Saúde (WHO, 1995) (DOS SANTOS
Parkinson de Guadalupe e suportar a hipótese de et al., 2000). Esta atividade é devida às seguintes
que algumas formas desta doença podem ser indu- acetogeninas: anonacina (90 %), isoanonacina (6%) e
zidas por toxinas ambientais (CHAMPY et al., 2004; goniotalamicina (4%) encontradas no extrato (LUNA
CHAMPY et al., 2005). Como indicação do potencial et al., 2006). O extrato etanólico bruto das folhas de
de toxicidade, um adulto que consuma uma fruta de Annona muricata também se revelou tóxico para lar-
Graviola por dia, em um ano ingere uma quantidade vas do mosquito Aedes aegypti (LUNA et al., 2003)
de anonacina equivalente à que foi capaz de induzir e efetiva nos bioensaios com larvas de Artemia sa-
lesões cerebrais em camundongos que receberam lina (LUNA et al., 2006; LUNA et al., 2003; DOS
esta substância por via intravenosa (CHAMPY et SANTOS et al., 1998b).
al., 2005). Outro estudo realizado demonstra que a
anonacina promove a morte de neurônios dopaminér- Composição Química: No fruto da A. muricata são
gicos, por diminuição da produção de energia, sendo encontrados açúcares, taninos, ácido ascórbico (vita-
também ressaltado neste artigo seu possível papel mina C), pectinas e vitaminas A (beta-caroteno) e do
na etiologia de algumas formas do Mal de Parkinson complexo B. O óleo obtido do fruto contém ésteres
atípico de Guadalupe (LANNUZEL et al., 2003; LAN- e compostos nitrogenados como as substâncias res-
NUZEL et al., 2003). ponsáveis pelo aroma. Estudos fitoquímicos revelam
que as folhas contêm até 1,8% de óleo essencial rico
O pedido de patente relativo à obtenção de um ex- em gama-cadineno e alfa-elemeno (LORENZI; MA-
trato útil para o tratamento de insuficiência cardíaca TOS, 2002). Foram identificados como componentes
com alta segurança, devido à sua baixa influência na voláteis liberados pelos frutos da graviola três éste-
pressão sanguínea, por extração das folhas da A. res: hexanoato de metila, 2-hexenoato de metila e
muricata L, sugere sua utilidade em problemas cardí- 2-hexenoato de etila (SILVA et al., 1997). Nas folhas,
acos (KOUBOU; NIIJIMA, 1981). casca e raiz; encontram-se diversos alcalóides como
reticulinas, coreximina, coclarina e anomurina. Nas
O extrato de acetato de etila do pericarpo da Anno- sementes são encontrados ciclopeptídeos como ano-
na muricata revelou uma interessante atividade anti- muricatina B (LI et al., 1998), hexapeptídeos cíclicos
leishmania, sendo mais efetivo que a Glucantime®, como anomuricatina A (WU et al., 2007) e C (WÉLÉ
usada como fármaco de referência (JARAMILLO et al., 2004) e diversas acetogeninas que também
et al., 2000).O extrato etanólico possui capacidade são encontradas nas folhas, casca e raízes (LOREN-
para inibir o efeito citopático do HSV-1 (Herpes sim- ZI; MATOS, 2002).

14 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Plantas Medicinais Brasileiras.
Estado da Arte/State of the Art
IV. Annona muricata L. (Graviola)

As acetogeninas são uma série de derivados de dificulta a extração de acetogeninas e outros prin-
ácidos graxos C35/C37. Essas são classificadas cípios ativos pelo processo clássico de extração por
em cinco tipos principais de acordo com a posição solventes. A extração por CO2 supercrítico pode
dos anéis tetrahidrofurano (THF), como non-THF, ser uma alternativa para a obtenção de extratos li-
mono-THF, adjacente bis-THF, non-adjacente bis- pídicos de acetogeninas das sementes de graviola,
THF e tri-THF (WU et al., 2007). A anonacina é a porém estudos ainda estão sendo realizados para
acetogenina majoritária (CHAMPY et al., 2004) e que esta extração tenha aplicabilidade farmacoló-
também a mais ativa presente na planta (LOREN- gica (MAUL et al., 2000). As estruturas químicas
ZI; MATOS, 2002). Além disso, as sementes da das acetogeninas farmacologicamente ativas estão
graviola são ricas em ácidos graxos neutros, o que na Figura 1 (*).
Figura 1 – Acetogeninas que apresentam atividade farmacológica

(*) Desenhos de estruturas: fontes utilizadas (Acesso em 13/02/2008):
http://dnp.chemnetbase.com/dictionary-search.do;jsessionid=58ABBE26762E1CFF591FC69D5F648B4B?method=view&id=6311
01 http://books.google.com/books?id=U_Mdo_NjAHUC&pg=PA409&lpg=PA409&dq=muricatetrocin+A+structure&source=web&
ots=MOjuqdNmjw&sig=d1ZMD1ysIM3bMBGi-VXpLW3IeJg

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 1
Plantas Medicinais Brasileiras.
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• A isoanonacina é 20-epímero da isoanonacina A. vitro antioxidant studies in leaves of Annona spe-

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PADMA, P.; PRAMOD, N.P.; THYAGARAJAN, S.P.;

138 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Instruções para os autores

A Revista FITOS é um periódico dedicado à publicação de trabalhos científicos originais, e artigos de divulgação,
revisão e atualização, de trabalhos científicos em Fitoterapia com aproveitamento da biodiversidade brasileira. A
Revista custeará integralmente os trabalhos de até 15 páginas, incluindo tabelas e figuras. Acima deste número
de páginas, as despesas correrão por conta do(s) autor(es). Não serão aceitas fotografias coloridas, a não ser que
o(s) autor(es) custeiem sua publicação, independente do número de páginas do trabalho.

1. Normas Gerais de fotografias ou desenhos feitos a mão livre, estes deverão
ser colocados em envelopes à parte, em perfeito estado e
1.1 Os trabalhos enviados deverão ser inéditos, não sendo devidamente identificados no verso, a lápis.
permitida a apresentação simultânea para outros periódicos.
Reservam-se os direitos de publicação, inclusive de tradução, 2.3 As tabelas e os quadros deverão ser apresentados em
permitindo-se publicações posteriores com transcrição e a folhas separadas e numerados consecutivamente em algar-
devida citação da fonte. ismos arábicos. As tabelas (dados numéricos) não podem
ser fechadas por linhas laterais. As respectivas legendas de-
1.2 A Revista FITOS receberá para publicação trabalhos verão ser claras, concisas, sem abreviaturas e localizadas na
científicos originais e artigos de divulgação, revisão e atual- parte superior dos mesmos. Deverão ser indicados os locais
ização, redigidos em Língua Portuguesa. O conteúdo dos tex- aproximados no texto, onde as tabelas e os quadros serão in-
tos é de inteira responsabilidade dos autores, não refletindo tercalados, preferentemente, logo após sua citação no corpo
obrigatoriamente a opinião do Editor-chefe e dos membros do trabalho.
do Conselho Editorial.
3. Formatação do Texto e Conteúdo do Trabalho
1.3 A Revista FITOS reserva o direito de submeter todos os
manuscritos à apreciação de consultores ad hoc, cujos nomes 3.1 Os originais deverão ser redigidos na ortografia oficial
permanecerão em sigilo absoluto, e que dispõem de plena e digitados em folhas de papel tamanho A4, espaço duplo,
autoridade para decidir sobre a pertinência de sua aceitação, fonte tipo Times New Roman, tamanho 12, com texto jus-
podendo, inclusive, reapresentá-Ios aos autores com sug- tificado, margem de 2 cm em cada um dos quatro lados, e
estões para que sejam feitas as alterações necessárias e/ou perfazendo o total de, no máximo, 15 e, no mínimo, 5 pági-
para que os mesmos sejam adequados às normas editoriais nas, incluindo figuras, tabelas e quadros.
da Revista. Os trabalhos que não forem selecionados para
publicação serão devolvidos aos autores. 3.2 Título e subtítulo: deverão estar de acordo com o con-
teúdo do trabalho, levando em conta o âmbito da Revista.
1.4 Qualquer conceito emitido nos trabalhos publicados serão Estes deverão estar escritos em caixa alta, negritados, fonte
de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo tipo Times New Roman, tamanho 14. Providenciar também
obrigatoriamente a opinião do Editor-chefe e do Conselho versão do título para a língua inglesa.
Editorial.
3.3 Autores: os nomes dos autores devem vir abaixo do títu-
1.5 Todos os trabalhos que envolvam estudos em humanos lo, centralizados. O sobrenome deve ser por extenso seguido
ou animais deverão estar acompanhados dos Pareceres dos de todas as iniciais dos outros nomes (ex. Pereira, L.N.A.).
Comitês de Ética de Pesquisa em Seres Humanos ou em No caso de vários autores, seus nomes deverão ser separa-
Animais das instituições a que pertencem os autores, autori- dos por ponto e vírgula.
zando tais estudos.
3.4 Filiação dos autores: após o nome de cada autor deverá
2. Normas para Elaboração das Contribuições constar um número arábico, sobrescrito, que indica seu lo-
cal de procedência, e deverá aparecer logo abaixo da nomi-
2.1 Os autores deverão manter uma cópia dos manuscritos nata dos autores, também centralizado. Deve-se assinalar o
em seu poder, em caso de eventual extravio daquele enviado nome do autor principal com um asterisco sobrescrito, para
à revista. o qual toda correspondência deverá ser enviada. O endereço
completo (com CEP e endereço eletrônico) do autor principal
2.2 As figuras (fotografias, gráficos, desenhos etc.) deverão deverá vir no final do artigo.
ser apresentadas em folhas separadas e numeradas consec-
utivamente em algarismos arábicos. As respectivas legendas 3.5 Resumo em português: deverá apresentar concisa-
deverão ser claras, concisas, sem abreviaturas e localizadas mente o trabalho, destacando as informações de maior
abaixo das figuras. Deverão ser indicados os locais aproxima- importância, expondo metodologia, resultados e con-
dos no texto, onde as figuras serão intercaladas, preferente- clusões. Permitirá avaliar o interesse pelo artigo, pre-
mente, logo após sua citação no corpo do trabalho. No caso scindin

Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 139
do de sua leitura na íntegra. Dever-se-á dar destaque ao Re- Citação textual: colocar, também, a página. Ex. (SILVA,
sumo como tópico do trabalho, (máximo de 200 palavras). 1999, p.24)

3.6 Unitermos: deverão identificar/representar o conteúdo 4.2 As Referências seguirão as normas da ABNT (NBR
do artigo. Observar o limite máximo de 6 (seis). São impor- 6023/agosto de 2002), e serão ordenadas alfabeticamente
tantes para levantamentos em banco de dados, com o obje- pelo sobrenome do primeiro autor, em caixa alta e em ordem
tivo de localizar e valorizar o artigo em questão. Deverão vir crescente de data de publicação. Deve-se levar em consid-
separados por ponto e vírgula. eração as seguintes ocorrências:

3.7 Abstract: versão do resumo para a Língua Inglesa. Evitar 4.2.1 Livro com um autor (nome do livro em itálico):
traduções literais. Quando não houver domínio deste idioma, COSTA, A.F. Farmacognosia. Lisboa: Fundação Calouste
consultar pessoas qualificadas. Providenciar também versão Gulbenkian, 1996.
do título para a língua inglesa.
4.2.2 Livro com dois autores (nome do livro em itálico):
3.8 Key words: unitermos em inglês. Também em número de SANTOS, I.F.; PEREIRA, F.L. Criando um novo mundo. São
6 (seis) e separados por ponto e vírgula. Paulo: Atheneu, 1995.

3.9 Introdução: deverá estabelecer com clareza o objetivo 4.2.3 Capítulo de livro (nome do livro em itálico):
do trabalho e sua relação com outros trabalhos na mesma FARIAS, C.R.M.; OURINHO, E.P. Restauração dentária.ln:
área. Extensas revisões da literatura deverão ser substituí- GOLDAMAN, G.T. (org.) A nova odontologia. 5.ed. Rio de
das por referências à publicações mais recentes, onde estas Janeiro: Guanabara Koogan, p.95-112, 1999.
revisões tenham sido apresentadas.
4.2.4 Tese ou Dissertação (nome da tese ou da dissertação
3.10 Materiais e Métodos: a descrição dos materiais e dos em itálico):
métodos usados deverá ser breve, porém suficientemente LIMA, N. Influência da ação dos raios solares na germina-
clara para possibilitar a perfeita compreensão e a reprodução ção do nabo selvagem. Campinas, 755p. Tese (Doutorado)
do trabalho. Processos e técnicas já publicados, amenos que - Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade Estadual de
tenham sido extensamente modificados, deverão ser refer- Campinas, 1991.
enciados por citação.
4.2.5 Artigo de periódico (nome do periódico em itálico):
3.11 Resultados: deverão ser apresentados com o mínimo VARGAS, T.O.H. Fatores climáticos responsáveis pela morte
possível de discussão ou interpretação pessoal e, sempre de borboletas na região sul do Brasil. Revista Brasileira da
que possível, ser acompanhados de tabelas e figuras ade- Associação de Entomologistas, v.11, n.4, p.100-105,1996.
quadas. Os dados, quando pertinentes, deverão ser submeti- 4.2.6 Citação de citação (nome das fontes em itálico, por
dos a uma análise estatística. extenso):
WAX, E. T. Antimicrobial activity of Brazilian medicinal plants.
3.12 Discussão: deverá ser restrita ao significado dos dados Journal of Brazilian Biological Research, v.41, p. 77-82, 1977 apud
obtidos e resultados alcançados, evitando-se inferências não Natural Products Abstracts v.23, n.8, p.588- 593, Aug., 1978.
baseadas nos mesmos.
Obs.: Eventualmente, Resultados e Discussão poderão ser 5. Encaminhamento dos Artigos
apresentados num único item.
Os trabalhos deverão ser enviados, inicialmente, em duas có-
3.13 Agradecimentos: este item é opcional e deverá vir an- pias impressas, utilizando-se o programa Word for Windows.
tes das Referências. Quando da aceitação do trabalho, após as devidas correções,
deverão ser enviados um disquete contendo o arquivo do tra-
4. Referêcias balho e uma cópia impressa. Toda correspondência deverá
ser enviada ao Coordenador de Edição, cujo endereço en-
4.1 Referência dentro do texto: contra-se na primeira página.

No início da citação: autor em caixa baixa, seguido do ano 6. Encaminhamento dos Gráficos e Imagens
entre parênteses. Ex. Pereira (1999)
Gráficos e imagens devem ser enviados desvinculados do ar-
No final da citação: autor em caixa alta e ano -ambos quivo do artigo, nos formatos TIFF ou JPEG com resolução
entre parênteses. Ex. (SILVA, 1999) ou (SILVA; SOUZA, de 300 dpi. Porém, os mesmos devem compor o arquivo no
1998) ou (SILVA; SOUZA; DIAS, 2000) ou (SILVA et al., programa Word for Windows, na resolução de 96 dpi, para
1999) ou (SILVA et al., 1995a,b) que seja feita a leitura completa do trabalho.

140 Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009
Revista Fitos Vol.4 Nº01 março 2009 141