A MORTE ESPERA

NO SEMI-ESPAÇO
Autor
KURT MAHR
Tradução
S. PEREIRA MAGALHÃES
Digitalização e Revisão
ARLINDO_SAN
(P-069)
Num planeta situado no semi-espaço,
tornavam-se verdadeiros gigantes.
Para dois grandes líderes do Império Solar, o ano 2.!2 era
uma data de"isiva. #ra e$atamente o ano em %ue Perr& R'odan e
Reginald (ell deviam impreterivelmente se su)meter a uma
segunda du"'a "elular, se não %uisessem, dentro de pou"os dias,
ter um *im verdadeiramente lastim+vel,
-evando em "onta o *ato de %ue a tra.et/ria elípti"a do
planeta da imortalidade .+ tin'a sido )em "al"ulada, e o de %ue a
terapia "elular de outros 'omens de grande mere"imento 'avia
sido renovada sem nen'uma "ompli"ação, Perr& R'odan não viu
razão para ante"ipar sua partida para o planeta Peregrino...
0o entanto, a "orrida desen*reada através das dimens1es l'e
veio mostrar o engano...
Para "onseguir "'egar ao planeta da imortalidade, dentro do
prazo "erto, era2l'e ne"ess+rio passar pelo semi2espaço, ou
espaço intermedi+rio, pela região in"erta e inst+vel entre a %uarta
e a %uinta dimensão. 3as, no semi2espaço, a morte espreitava...
= = = = = = = Perso!"es Pr#$#%!#s& = = = = = = =
Perr' R(o)! — Administrador do Império Solar:
Re"#!*) +e** — Que se torna um gigante.
A,*! — O arcnida imortal !ue "ere as regras da l#gica matem$tica,
M#-e %ompetc& — Au'iliar de (ell.
E*e ou A./#*o— S)ntese mental do planeta *eregrino.
N!,! — O a"etivo ser do planeta Solitude.
0
Ol&ando para a tela verde-escura do aparel&o de rastreamento, *err+ ,&odan
constatou !ue, no local onde devia estar um planeta, o espaço ac&ava-se completamente
va-io.
Ainda &$ pouco, o supercouraçado .rusus &avia reali-ado uma transiç/o de alguns
anos-lu- do local onde estava agora. 0sta transiç/o deveria ter terminado num 1m2ito de
de- minutos-lu- do local, onde, con"orme os c$lculos dos matem$ticos, se encontraria no
momento o misterioso planeta *eregrino. Neste planeta é !ue e'istia o "ant$stico
"isiotron, conservador da 3uventude.
S# no *laneta *eregrino é !ue &avia a tal instalaç/o miraculosa, capa- de in3etar nas
células do corpo &umano uma nova su2st1ncia para proteg4-las contra o envel&ecimento.
0le, o sen&or do planeta *eregrino, a conscienti-aç/o acumulada de uma raça &$ muito
e'tinta, tin&a concedido a ,&odan o privilégio de se su2meter ao tratamento da duc&a
celular, pela primeira ve-, privilégio este !ue ,&odan podia outorgar a seus
compan&eiros, caso 3ulgasse conveniente. Isto e'atamente &$ sessenta e dois anos.
5om toda clare-a, o Ser l&e e'plicara so2re a necessidade da renovaç/o do
tratamento antes do término destes 67 anos, caso n/o !uisesse envel&ecer de uma &ora
para a outra. Os sessenta e dois anos e'pirariam dentro de oito dias.
*err+ ,&odan perdera um tempo precioso procurando a posiç/o do planeta
*eregrino numa dimens/o temporal errada. Somente agora, no 8ltimo minuto, "oi !ue l&e
c&egou 9s m/os a indicaç/o da posiç/o gal$ctica do planeta *eregrino. A espaçonave
partira imediatamente.
0studando-se a situaç/o com calma, c&egar-se-ia 9 conclus/o clara de !ue o planeta
*eregrino se encontrava, no m$'imo, a uma dist1ncia de de- minutos-lu-, ou se3a, a cento
e oitenta mil&:es de !uilmetros do supercouraçado .rusus. Assim di-iam as
in"ormaç:es do ro2 dos druu"s, recentemente capturado, n/o restando nen&uma d8vida
!uanto 9 e'atid/o dos dados.
No entanto, apesar de *err+ ,&odan &aver ampliado o raio de alcance do aparel&o
de rastreamento para vinte e cinco minutos-lu-, n/o via nada. O espaço continuava va-io
e morto.
; ; ;
A sala de comando da .rusus estava completamente lotada.
Intensa atividade reinava em todos os setores de cu3os aparel&os se pudesse esperar
!ual!uer soluç/o para o in!uietante mistério do desaparecimento do planeta.
,astreadores, gonimetros de ondas curtas ou de &iper-r$dio varriam a imensid/o do
espaço, mas n/o &avia eco em parte alguma. 5ontinuava o incompreens)vel
desaparecimento do planeta *eregrino.
0ntrementes, o setor de astronavegaç/o comunicava !ue a transiç/o tin&a sido
per"eita e !ue o supercouraçado se encontrava, com uma margem despre-)vel de erro, no
local predeterminado. *arecia &aver agora uma 8nica e'plicaç/o para tudo isto: Seriam
ent/o "alsos os dados "ornecidos pelo ro2 dos druu"s, recentemente capturado<
Ou os pr#prios druu"s n/o sa2iam para onde tin&a ido o planeta<
O primeiro p$lido indicio do destino do mundo arti"icial veio de um lado de onde
ninguém podia esperar.
0n!uanto *err+ ainda estava ocupado em ampliar para cin!=enta minutos-lu- o raio
de aç/o dos aparel&os indicadores dos campos gravitacionais, acendeu-se na tela do
intercomunicador, colocada em "rente ao piloto, uma lu- vermel&a. Num movimento
!uase mec1nico da m/o direita, ,&odan ligou, meio distra)do, ou mel&or, a2stra)do, o
video"one. Ainda meio a2stra)do, ol&ou para o rosto !ue aparecia na tela.
— O setor de rastreamento estrutural, sargento Sullivan, Sir — anunciou o &omem.
— Os aparel&os registram algo !ue nunca o2servamos antes. Ac&ei-o t/o importante !ue
!uero transmitir-l&e diretamente.
,&odan "e- um gesto de anu4ncia. Ainda l&e parecia improv$vel !ue e'atamente os
rastreadores estruturais pudessem desco2rir !ual!uer coisa !ue tivesse relaç/o com o
desaparecimento do planeta *eregrino. >as, na situaç/o em !ue estava, n/o se podia dar
ao lu'o de dei'ar de lado !ual!uer ind)cio, por menor !ue "osse.
— .escreva-me suas caracter)sticas, sargento, depois ligue o oscilograma c$ para o
intercomunicador. Ou ser$ !ue n/o &$ oscilograma<
*ela "isionomia desanimada de Sullivan, podia-se supor !ue sua mensagem n/o era
nada 2oa.
— O oscil#gra"o parece estar !ue2rado. ,&odan sorriu.
— >esmo assim, e'perimente.
O rosto de Sullivan desapareceu. *assaram-se alguns segundos até !ue o sargento
conseguiu resta2elecer o contato com o oscil#gra"o. A tela iluminou-se de novo. *odia-se
ver o emaran&ado das coordenadas do painel do oscil#gra"o e pela tela notava-se apenas
um trançado con"uso de lin&as sinuosas e irregulares, em constante so2e-e-desce. O
sargento Sullivan começou sua e'plicaç/o.
— Sir, uma determinaç/o normal da posiç/o consiste num 8nico "ei'e de ondas !ue
ora é mais curto ou mais longo, dependendo da dist1ncia e do taman&o do o23eto visado e
tam2ém ainda de acordo com a velocidade residual com a !ual o o23eto se lança no
cont)nuo !uadridimensional. O "ei'e demonstra a estrutura de uma vi2raç/o amortecida:
grandes amplitudes no in)cio, depois um decl)nio e'ponencial.
?>as isto n/o est$ acontecendo a!ui, Sir, como est$ vendo. 0ncontramo-nos a!ui
diante de um processo sem amortecimento. As amplitudes das diversas vi2raç:es est/o,
pelo menos, cem ve-es menores !ue as da mais "raca onda 3$ registrada. A determinaç/o
da posiç/o começou &$ uns !uin-e minutos, e, de l$ para c$, permanece inalterada. O
tempo m$'imo de uma orientaç/o normal, se posso me e'primir assim, "ica em torno de
alguns milésimos de segundo.
,&odan ouviu tudo com atenç/o, estudando ao mesmo tempo a!uele tipo irregular
de onda. A e'plicaç/o do sargento Sullivan "oi completa. ,&odan n/o podia acrescentar
mais nada ao !uadro descrito.
— Sargento, voc4 tem alguma sugest/o, ou digamos, alguma idéia para e'plicar o
surgimento deste "enmeno<
Sullivan &esitou um pouco na resposta:
— N/o, sen&or, n/o ten&o nen&uma idéia. Apenas...
,&odan aguardou com paci4ncia até !ue Sullivan venceu sua &esitaç/o.
— ...d$ impress/o, sen&or, de !ue &$ alguma coisa no espaço em volta !ue dese3a
sair pelo &iperespaço a"ora, mas n/o c&egou ainda a se decidir. Quem sa2e, suas energias
n/o s/o su"icientes para isto, ou talve- o piloto !ueira primeiro "a-er uma e'peri4ncia,
com muita cautela. >ais n/o posso di-er, Sir.
— @oc4 tem ra-/o. *oder-se-ia mesmo c&egar a esta idéia — disse ,&odan em tom
a"$vel. — Sargento, leve as "otogra"ias do oscilograma para os matem$ticos e peça para
eles "a-erem a interpretaç/o.
.i-endo isto, desligou a tela. O trançado con"uso e es!uisito desapareceu da tela,
mas n/o da ca2eça de ,&odan, onde começou a provocar pensamentos a2surdos.
>as, !uanto mais re"letia, menos a2surdos se tornavam os pensamentos, n/o tin&am
realmente nada de imposs)vel, principalmente se tomarmos em consideraç/o !ue se
tratava de um "enmeno 3amais constatado em outro lugar, ou se3a, a passagem de um
planeta por uma dimens/o temporal completamente di"erente.
As idéias pululavam na ca2eça de ,&odan. >as, ao ol&ar para o calend$rio
autom$tico, perce2eu !ue o tempo n/o seria su"iciente para estudar detal&adamente cada
uma delas, a "im de escol&er a mais plaus)vel.
%in&a de e'periment$-las concretamente.
; ; ;
— %en&o receio — disse ,&odan — de !ue os pro2lemas !ue surgiram com o
desaparecimento do planeta *eregrino se3am um tanto o2scuros. 0 para a!ueles !ue ainda
n/o tiveram a oportunidade de estudar as teorias so2re as diversas dimens:es do tempo,
os pro2lemas podem tornar-se incompreens)veis. No entanto, a e'ig=idade do tempo n/o
nos permite entrarmos agora no campo das teorias e longas e'plicaç:es.
?O planeta *eregrino atravessou uma dimens/o temporal estran&a. Os druu"s
conseguiram prend4-lo, mas 0le, o invis)vel sen&or do mundo arti"icial, "oi capa- de
pregar uma peça nos druu"s, !uer di-er: sou2e engan$-los. Assim, o planeta *eregrino,
acompan&ado de seu satélite, conseguiu escapar do plano temporal dos druu"s, por um
outro lado.
?Naturalmente este tru!ue n/o deu um resultado per"eito e algo de especial deve ter
acontecido ao planeta *eregrino, ao dei'ar o plano temporal !ue l&e era estran&o. N/o se
encontra por a!ui, neste espaço. %alve- ten&a carregado um pedaço do plano temporal
dos druu"s, criando em torno de si uma insta2ilidade espacial. N/o o sa2emos ao certo,
temos de averiguar.
?Os sen&ores est/o vendo a!ui um da!ueles con3untos de lentes, por meio dos !uais
nos "oi sempre poss)vel até &o3e penetrar v$rias ve-es em dimens/o temporal estran&a.A
,&odan apontou para um pe!ueno aparel&o com o "ormato de uma cai'a retangular,
!ue estava 2em em "rente, so2re a mesa. >ostrou tam2ém dois "ocos de lu- de um 2ril&o
leitoso, pairando im#veis no ar, com a orla in"erior 2em rente ao c&/o.
— O %enente ,ous — continuou ele — se apresentou voluntariamente para
e'ecutar esta e'peri4ncia. Somente podemos dese3ar !ue ele se3a 2em sucedido e consiga
atingir o planeta *eregrino desta maneira.
>arcel ,ous deu alguns passos 9 "rente. @estia um con3unto espacial e 3$ estava de
capacete apara"usado.
Notava-se !ue ele n/o se sentia muito 2em. O con3unto de lentes, tam2ém con&ecido
como campo de re"raç/o, criava uma espécie de ponte entre duas dimens:es de tempo,
nos casos em !ue &ouvesse um cru-amento de dois planos de tempos di"erentes ou
tivesse &avido anteriormente.
— Se o planeta *eregrino levou uma parcela da dimens/o temporal estran&a e
estiver no espaço ad3acente, ,ous &aver$ de desaparecer assim !ue ultrapassar o primeiro
"oco de lu- e se materiali-ar novamente no planeta. 0m caso negativo, pois até &o3e
nen&um &omem "e- tal e'peri4ncia, ninguém poder$ di-er como atuar$ o campo de
re"raç/o — comentou ,&odan.
*ela 8ltima ve-, ,ous apalpou a arma !ue tra-ia do lado direito. Be- uma saudaç/o
r$pida e atravessou o "oco de lu-. *or um instante, ,&odan teve a impress/o de !ue ,ous
&avia desaparecido, mas depois viu primeiro uma perna, depois a outra e "inalmente o
corpo todo do tenente, do outro lado.
A e'peri4ncia "racassara. A primeira idéia de ,&odan n/o "oi certa. ,ous estava
perple'o. @ia-se, através da viseira do capacete, o susto estampado em seu rosto.
Alguém começou a rir. >ais um se 3untou a este até !ue a terr)vel tens/o nervosa se
des"e- numa vi2rante gargal&ada. O pr#prio ,ous começou a rir tam2ém, o !ue se ouvia
nitidamente pelo alto-"alante e'terno do capacete.
O 8nico !ue n/o acompan&ou o riso geral "oi ,&odan. 0stava ol&ando para o
calend$rio.
0ra o dia 7C de a2ril, pouco mais de duas &oras da madrugada, &or$rio da %erra.
So2ravam-l&e ainda cento e noventa &oras para desco2rir o !ue estava se passando com o
planeta *eregrino e para c&egar até o "isiotron, o miraculoso aparel&amento !ue
proporcionava a duc&a celular.
Dem2rou-se da segunda idéia. O planeta n/o estaria mais se movendo numa
dimens/o temporal estran&a. 0staria no mesmo plano de tempo da .rusus, como a %erra
e 2il&:es de estrelas !ue apareciam na tela. Se o planeta *eregrino n/o pudesse ser
atingido por meio do campo de re"raç/o, ent/o alguém com suas pr#prias "orças o &averia
de alcançar.
Os mutantes deviam entrar em aç/o.
; ; ;
,as %sc&u2ai sa2ia muito 2em o !ue ,&odan estava e'igindo dele. Até &o3e n/o
tremera diante de nen&uma miss/o, por mais arriscada !ue "osse.
Eo3e, porém, sem !ue o pudesse e'plicar, um temor inde"inido minava-l&e a "orça e
intrepide- de sempre.
,&odan dei'ou-l&e ampla li2erdade para recusar a miss/o, isto é, o salto. 0'plicou-
l&e "riamente a situaç/o, !ue a teoria da teleportaç/o, se é !ue &avia mesmo uma tal
teoria, n/o tin&a meios para a"irmar ou negar o sucesso do salto intencionado.
Ninguém poderia prever o !ue aconteceria !uando o corpulento e pesado a"ricano
mo2ili-asse suas "orças mentais e tentasse atingir o planeta *eregrino num salto de
teleportaç/o.
Apesar de tudo, ,as %sc&u2ai estava resolvido a tentar o salto. F$ colocara o
uni"orme espacial e se apresentara na sala de comando. Os o"iciais em volta pareciam
!uerer incutir-l&e coragem e otimismo. >as ,as sa2ia !ue isto de nada adiantava na &ora
do perigo.
Que poderiam "a-er por ele<
O !ue seus dons paramec1nicos dominavam, se desenrolava num espaço mais
elevado, de cinco dimens:es. Se l&e acontecesse alguma coisa por l$, estaria perdido.
5ontinuaria um ser desmateriali-ado !ue por toda a eternidade vagaria num universo
!uase sem lu-, onde n/o &averia nada, "ora dele mesmo.
,as %sc&u2ai cerrou os ol&os e se concentrou. Sa2ia onde tin&a de procurar o
planeta. Os técnicos dos rastreadores estruturais 3$ &aviam identi"icado de onde vin&am
os singulares e con"usos sinais de insta2ilidade espacial.
O2rigou seus pensamentos a se dirigirem para l$, para onde devia pular.
N/o era mais &ora de ter medo e de desperdiçar a "orça da concentraç/o em
sentimentos 2o2os e negativos. .evia ver alguma coisa, no m)nimo os contornos de seu
o23etivo, para iniciar o salto.
A escurid/o diante de seus ol&os começou a diminuir. @ia c)rculos coloridos
2ailando ao longe, nas trevas, e via surgir uma manc&a sem cor de"inida. 0sta manc&a l&e
c&amou a atenç/o, pois, se &avia mesmo um o23etivo, tin&a de ser esta manc&a
esmaecida.
Impaciente, ,as %sc&u2ai começou a tremer. Sentiu como o suor l&e escorria pela
"ace e como a umidade era a2sorvida pela instalaç/o de climati-aç/o do uni"orme,
"icando na pele apenas uma delgada camada de sal, !ue c&egava a sentir !uando "ran-ia a
testa. 5om um pe!ueno a"rou'amento da atenç/o concentrada, a manc&a esmaecida
desapareceu.
?4 in5tilA, pensava ele desesperado, ?não vou "onseguir.A
*or uns instantes concentrou sua atenç/o nos c)rculos coloridos !ue 2ailavam antes
da manc&a esmaecida, e !ue n/o eram outra coisa sen/o uma ilus/o de #tica, provocada
pela compress/o dos ol&os.
%entou acompan&ar seu 2ailado na!uele palco escuro, tentando calcular seu n8mero.
Isto o ocupou de tal maneira !ue c&egou a es!uecer o !ue l&e estava em volta. No
momento em !ue deu de novo com a manc&a esmaecida, viu-a mais ampla e mais clara
!ue antes. >irou-a "i'amente e, !uando reparou !ue nada mais o detin&a, transmitiu ao
cére2ro o impulso de largada.
— AgoraG
A manc&a esmaecida, girando a uma velocidade incr)vel, veio ao encontro dele.
,as %sc&u2ai sentiu-se transportado pelo pr#prio espaço. A escurid/o se a"astava
para as 2ordas da manc&a e depois de uma pe!uena pausa, !ue n/o podia ser medida, o
!ue &avia diante dos ol&os de ,as era apenas a manc&a 3$ 2em clara, c&egando mesmo a
o"uscar.
%sc&u2ai !ueria se materiali-ar, 2otar os pés em terra "irme e a2rir os ol&os, como
ele sempre "a-ia ao término de um salto 2em sucedido. Sa2ia !ue 3$ tin&a c&egado ao "im,
!ue estava onde pretendia estar, mas... "icou perple'o e n/o entendia o !ue estava se
passando, pois tudo era t/o di"erente dos saltos normais...
*rocurou ?pararA e descer em c&/o "irme. >as n/o &avia c&/o onde pudesse apoiar
os pés.
N/o &avia mesmo nada para tocar. 0ra sempre a mesma manc&a relu-ente como um
sol, para onde ele se precipitava. Devantou as m/os para proteger o rosto, mas n/o
adiantou nada, pois tudo !ue ele via, continuava vendo mesmo de ol&os "ec&ados, através
dos dons parapsicol#gicos de seu cére2ro. %in&a vontade de gritar, sem se lem2rar !ue
ninguém poderia ouvi-lo no espaço in"inito.
>as, neste e'ato momento, toda a ang8stia terminou com uma "orte e'plos/o, !ue
atingiu de c&eio o corpulento a"ricano, mandando-o para outra direç/o.
5onseguiu ver ainda !ue a manc&a 2ril&ante diminu)a cada ve- mais e desaparecia
ao longe. Ouviu depois um "orte ru)do, como o de um impacto de !ual!uer coisa
met$lica, e sentiu !ue os pés se apoiavam em c&/o "irme.
Boi ent/o !ue desmaiou.
; ; ;
Quando voltou a si, ao tentar se levantar, constatou !ue n/o o podia "a-er. 0stava
num compartimento !ue parecia ter sido constru)do so2 medida para ele.
>uitos minutos se passaram até recuperar os sentidos e conseguir concatenar, com
grande es"orço da mem#ria, os 8ltimos acontecimentos. Dem2rou-se da tentativa de
atingir o planeta *eregrino por meio de um salto de teleportaç/o. O salto "oi 2em dado e
por algum instante teve a impress/o de !ue estava tudo em ordem.
.epois, veio a tremenda e'plos/o !ue o atirou para esta c1mara estreita, !ue mais
parecia um cai'/o de de"unto.
Que tipo de c1mara era esta< 51mara de !u4< 0staria mesmo no planeta *eregrino,
ou em outro lugar<
*rocurou virar para o lado, mas nem isto conseguiu. 5&egou a ter a impress/o de
!ue as paredes da!uele cai'/o de de"unto se estreitavam mais para estrangul$-lo.
O suor l&e escorria do rosto. 5omeçou ent/o a gritar, o !ue, aparentemente, l&e
proporcionava algum al)vio. Seus gritos l&e despertaram uma idéia interessante.
Independente do "ato de estar no planeta *eregrino ou n/o, o capacete de seu
uni"orme a2rigava um transmissor em condiç:es de "uncionar.
?Se eu *alar )em alto, devo ser ouvido na sala de "omando da DrususA pensou.
%in&a a certe-a de !ue o receptor-transmissor estava ligado no momento em !ue se
concentrava para o salto. Dem2rou-se de ter ouvido o -unido alto e "ino do pe!ueno
aparel&o. Bicou im#vel, parando mesmo de respirar para ouvir alguma coisa.
No princ)pio, pensava ouvir o mesmo -unido de antes. 0ra um ru)do tal !ual a!uele
!ue surgia !uando se "ec&ava o capacete do uni"orme espacial. *icou, porém, indeciso.
Segurou a respiraç/o por mais tempo, para conseguir ouvir mel&or. >as a press/o do
sangue aumentou demais nos ouvidos. %entou se a3eitar, 2uscando con"orto, se é !ue se
pode "alar em con"orto na!uele verdadeiro es!ui"e, e continuou na escuta.
.epois de uns minutos, c&egou 9 triste conclus/o de !ue seu transmissor n/o
"uncionava mais. O -unido n/o e'istia mais. .evia ter acontecido alguma coisa com o
aparel&o transmissor, !uando "oi catapultado para o cai'/o de de"unto, "eito so2
encomenda.
0ra uma tr$gica realidade: o mundo e'terior l&e estava completamente "ec&ado. N/o
podia nem levantar o 2raço para acionar o transmissor de emerg4ncia no capacete.
; ; ;
Na sala de comando da .rusus, a tens/o e a e'pectativa se trans"ormaram, aos
poucos, num cruciante nervosismo.
,as %sc&u2ai devia, con"orme as instruç:es !ue rece2era, voltar imediatamente,
caso o salto "osse 2em sucedido. No entanto, "a-ia mais de trinta minutos desde !ue
%sc&u2ai tin&a sido visto pela 8ltima ve- na ca2ina de comando e pior do !ue tudo: n/o
dera nen&um sinal de si.
,einava, na sala de comando da .rusus, um sil4ncio angustioso, destes momentos
em !ue !ual!uer palavra é in8til.
Que aconteceu ao grande teleportador a"ricano< %in&a ou n/o tin&a atingido seu
o23etivo< *or !ue n/o voltara ainda< %eria c&egado a um ponto de onde n/o &avia mais
retorno< 0stes pensamentos deviam ser os mesmos para todos !ue ali estavam.
A 2ordo da .rusus n/o &avia ninguém !ue pudesse "ornecer um !uadro apro'imado
da situaç/o de ,as %sc&u2ai. %eria ele reali-ado apenas uma teleportaç/o s# de ida, ou
teria seu salto atingido uma -ona de insta2ilidade, de onde n/o pudesse mais sair<
0ram seis &oras da man&/ do dia 7C de a2ril do ano 7.HC7. ,estavam ainda cento e
oitenta e seis &oras para o término da imortalidade dos dois grandes terranos.
0 a 8nica coisa a "a-er era esperar... nada mais !ue esperar.
; ; ;
.epois de longos e enlou!uecedores segundos de p1nico, ,as "oi voltando
paulatinamente ao tril&o 2em pisado do racioc)nio l#gico. 5omeçou a se interessar pelo
local onde se encontrava, procurando um camin&o para sair do estran&o cai'/o de
de"unto para onde "ora arremessado. Boi s# ent/o !ue perce2eu !ue, onde estava sua
ca2eça, devia &aver um pe!ueno ori")cio, por onde entrava um t4nue raio de lu-. Até
ent/o, n/o tivera o cuidado de perguntar a si mesmo de !ue maneira c&egava ali, na!uele
cai'/o "ec&ado, a "raca réstia de lu-. A!uela iluminaç/o de"icient)ssima l&e possi2ilitou
recon&ecer !ue as paredes do diminuto compartimento eram de metal plasti"icado e, ali$s,
a composiç/o molecular contin&a tantos componentes met$licos !ue o tornavam
altamente condutor.
*rocurou ent/o se lem2rar de todos os instrumentos ou instalaç:es em !ue se
empregava este tipo de metal plasti"icado a-ul. Boi ent/o !ue l&e passou pela ca2eça !ue
o "erro plasti"icado, como era c&amado geralmente este material a-ulado, era um produto
de origem terrana, "a2ricado de acordo com a tecnologia arcnida.
>as seria poss)vel a"irmar !ue este material estava sendo usado no planeta
*eregrino< .e maneira alguma.
*artindo deste racioc)nio, ,as c&egou 2em depressa 9 conclus/o de !ue ele n/o
podia estar nesse planeta, mas sim !ue, ap#s a e'plos/o da manc&a esmaecida, !ue tin&a
sido realmente o o23etivo de sua teleportaç/o, &avia sido pro3etado de volta para a
.rusus.
0sta desco2erta o dei'ou 2em mais aliviado.
5omeçou ent/o a coordenar seus pensamentos, para se lem2rar de !ual setor da
grande cosmonave "a-ia parte este compartimento !ue era no momento sua apertada
pris/o. Agora !ue seus ol&os 3$ se tin&am adaptado mel&or 9 escurid/o, conseguiu ver na
co2ertura as estrias distri2u)das em intervalos regulares e, ao virar a ca2eça para o lado,
notou !ue continuavam tam2ém nas paredes laterais.
0ste tipo de estrias n/o l&e era estran&o, estava se lem2rando de t4-las visto
"re!=entemente, &$ muito tempo atr$s. Sempre "oi de pra'e !ue os mutantes con&ecessem
2em as instalaç:es técnicas das naves em !ue passavam grande parte de sua vida.
?As estriasA, lem2rou-se ele, ?t6m uma *inalidade espe"í*i"a7 su)dividem os
aposentos em "8maras diminutas, nos assim "'amados ressonadores "9n"avos, "u.a
*unção é aparar os impa"tos e as vi)raç1es de um 'iper"ampo energéti"o, %ue se a)atem
"ontra a espaçonave, e amorte"62los em "ontínuas re*le$1es nas paredes divis/rias dos
m5ltiplos ressonadores.A
Num verdadeiro estalo cere2ral, irrompeu na ca2eça de ,as %sc&u2ai uma certe-a
ululante.
?#n"ontro2me no interior de um "ompensador estrutural, a%uele aparel'o ou
instalação importante destinado a a)sorver os "'o%ues energéti"os provo"ados no
momento da transição e ao mesmo tempo "om a *inalidade vital de tornar impossível a
determinação de posição ou de direção da espaçonave em salto de transiç/oA, a"irmou
mentalmente.
0stava, pois, numa destas c1maras de ressonadores, onde se amorteciam mil&ares de
!uiloIatt-&oras, !uando a .rusus entrava em transiç/o ou penetrava novamente no
espaço normal.
(astaria !ue alguém tivesse a idéia de e'ecutar um &ipersalto com a .rusus, e a
vida do po2re ,as %sc&u2ai estaria t/o 2em protegida como a de um &omem atingido
cem ve-es consecutivas por descargas de raio.
Jemeu de dor, ao tentar virar-se um pouco. Quase perdeu os sentidos de tanta dor,
misturada com um tremendo pavor. Sa2ia !ue n/o tin&a nen&uma possi2ilidade de
escapar dali por "orça pr#pria. Nada podia "a-er. >esmo no estado de inatividade, os
compensadores estruturais estavam envoltos num campo residual de cinco dimens:es e
estes campos residuais continuavam uma 2arreira intranspon)vel, mesmo para o
teleportador ,as %sc&u2ai.
; ; ;
*err+ ,&odan continuava remoendo uma idéia impertinente. 5on&ecia um dos
grandes teoremas da paramec1nica, um dos poucos !ue pairava a2soluto acima de
!ual!uer d8vida: ?Saltos de teleportação e movimentos tele"inéti"os não podem al"ançar
nen'um o).etivo %ue este.a num espaço de dimensão mais elevada do %ue o de onde
partiram estes mesmos saltos ou movimentos.A
0m outras palavras: um teleportador, partindo do espaço normal, n/o pode 3amais
atingir um o23etivo !ue este3a num espaço de cinco dimens:es. O pr#prio ,as %sc&u2ai
3$ &avia "eito esta e'peri4ncia, &$ muitos anos atr$s, !uando, em Berrol, tentou penetrar
no t8nel do tempo. Boi cuspido para "ora, com tremenda viol4ncia.
?Ser+ %ue o teorema da inatingi)ilidade dos espaços *ora da dimensão "on'e"ida
tem alguma relação "om a solução do enigma do desapare"imento de Ras Ts"'u)ai:
Ser+ %ue o planeta Peregrino teria penetrado no 'iperespaço, não permitindo %ue o
a*ri"ano o al"ançasse:A, pensava ,&odan.
A pergunta n/o tin&a 2ase cient)"ica, pois se o planeta estivesse no &iperespaço, ,as
voltaria imediatamente para o ponto de partida de seu salto. Além disso, n/o seria
poss)vel continuar rece2endo do planeta *eregrino a!ueles sinais !ue a estaç/o dos
rastreadores estruturais ainda registrava. *ortanto, o caso era mais complicado do !ue se
imaginava.
*or outro lado, se o planeta estivesse no espaço normal, %sc&u2ai o teria alcançado
com "acilidade e 3$ estaria de volta. Sem "alar no "ato de !ue os rastreadores,
naturalmente, 3$ teriam detectado o planeta do mundo arti"icial.
Nada "a-ia sentido. Que enigma desagrad$velG
As idéias de *err+ ,&odan se voltaram novamente para a e'plicaç/o do sargento
Sullivan.
...como se e'istisse l$ uma coisa !ue gostaria muito de ir para o &iperespaço, mas
n/o conseguia se decidir a respeito... Que &avia de certo nisso< Ser$ !ue entre o espaço
normal e o &iperespaço e'istia uma dimens/o cont)nua !ue pudesse ser a causa da
estran&a reaç/o dos rastreadores estruturais e do desaparecimento de ,as %sc&u2ai<
A idéia parecia um mero produto da "antasia. Imaginar-se um !uadro onde as
proporç:es "ossem de !uatro e meio ou de !uatro v)rgula tr4s dimens:es, era n/o s#
imposs)vel, como tam2ém rid)culo, parecia, pelo menos assim, pois sempre "ora costume
designar a se!=4ncia das dimens:es de tempo em n8meros redondos ou inteiros.
>as, imposs)vel e rid)culo ou n/o, &avia a 2ordo gente !ue podia !ue2rar a ca2eça
com esta !uest/o, utili-ando-se da positrnica.
.eu as instruç:es a respeito, vendo como os matem$ticos "ran-iam a testa, como se
a simples suposiç/o de um espaço com !uatro dimens:es e meia l&es causasse dores
")sicas. Inculcou-l&es a import1ncia do assunto, pedindo-l&es !ue usassem toda sua
técnica para o2ter um resultado plaus)vel.
.epois disso, pareceu-l&e !ue um enorme peso tin&a-l&e sa)do dos om2ros. 0
!uanto mais ,&odan re"letia, menos rid)culo tudo l&e parecia. 5ontinuou pensando no
!ue podia "a-er ainda para solucionar o mistério do planeta *eregrino...
5aso o planeta do mundo arti"icial estivesse mesmo numa interdimens/o, !ue
aconteceria ent/o se a .rusus reali-asse uma transiç/o através dele<
0sta pergunta n/o tin&a uma resposta clara. A 8nica clare-a era de !ue a grande
nave passaria inc#lume se &ouvesse certe-a de !ue o planeta *eregrino se encontrava ou
no espaço normal ou no &iperespaço. O !ue &avia entre estes dois p#los, livres de perigo,
devia ser algo tam2ém sem perigo, pelo menos con"orme as suposiç:es de ,&odan.
*ara n/o se e'por a nen&um risco, ordenou ao posto de segurança !ue desse o
m$'imo de carga ao envolt#rio de proteç/o da .rusus. O posto de comando tam2ém "oi
in"ormado de !ue, neste setor do espaço, as di"iculdades da determinaç/o de posiç/o
seriam as mesmas !ue em outros saltos, em conse!=4ncia dos a2alos estruturais durante a
transiç/o.
Os compensadores estruturais estavam de prontid/o para rece2er e a2sorver os
c&o!ues energéticos na passagem do &iperespaço.
; ; ;
,as %sc&u2ai tra2al&ava agora num !uase estado de transe &ipn#tico. K claro !ue o
medo n/o diminu)ra, mas tam2ém n/o impedia mais o racioc)nio, pelo contr$rio, dava-l&e
mais "orça para reali-ar coisas !ue 3amais "aria em circunst1ncias normais. Seu
su2consciente esperava para !ual!uer momento a descarga energética mortal, !ue, como
ele sa2ia, &averia de penetrar pelo condutor oco, isto é, pelo mesmo ori")cio por onde l&e
vin&a a "raca claridade da c1mara de resson1ncia.
Eavia apenas um t4nue "io de esperança para ,as %sc&u2ai ser perce2ido pela
.rusus e assim ser salvo. *ara isso l&e seria indispens$vel uma coisa praticamente
imposs)vel: teria !ue conseguir levantar o 2raço es!uerdo até !ue sua m/o atingisse o
contato de emerg4ncia do pe!ueno transmissor, colocado na metade es!uerda do
capacete, 2em na regi/o da orel&a.
.epois de seu salto mal sucedido, ,as %sc&u2ai, !uando voltou a si, se viu deitado
na diminuta c1mara, como um de"unto no cai'/o, isto é, de costas e com os 2raços
esticados e espremidos para "rente, no sentido dos pés.
N/o tin&a, pois, !uase nen&uma possi2ilidade de se mover ali dentro. Ser-l&e-ia
totalmente imposs)vel levar a m/o até o capacete. F$ tentara se virar, mas inutilmente,
pois a largura de seu corpo era o do2ro da altura da c1mara. 5om muito cuidado, 3$ &avia
conseguido tra-er a m/o direita até a 2arriga, na altura da "ivela do cinto. *assar da) seria
imposs)vel por!ue o cotovelo es2arrava na impiedosa parede do lado direito. No entanto,
parecia este o 8nico 3eito !ue l&e so2rava. 0'peliu todo o ar do pulm/o para "ora, esperou
até !ue a instalaç/o autom$tica de aeraç/o o tivesse a2sorvido e até !ue o pesado
uni"orme do espaço cedesse um pouco, tomando a "orma do ventre c&upado. Be- com !ue
a m/o direita pousasse na 2orda superior do duro cinto pl$stico.
O suor l&e invadia, inclusive, os ol&os, antes de ser a2sorvido pela instalaç/o. Lma
dor lancinante parecia l&e estraçal&ar a articulaç/o do cotovelo. Apesar disso, dei'ou a
m/o onde estava, depois respirou novamente. A dor no cotovelo aumentava, e os pulm:es
n/o tin&am espaço su"iciente para respirar.
Boi a) !ue ,as %sc&u2ai teve uma idéia.
Ser$ !ue "icaria impedido de erguer o 2raço, caso ele "raturasse o cotovelo ou o
ante2raço< Segurou a respiraç/o o mais !ue pde, depois soltou o ar e esperou
novamente com impaci4ncia !ue a instalaç/o de seu uni"orme reagisse e, com a 2arriga
c&upada, o espaço aumentasse. 0mpurrou ent/o a m/o mais para "rente. Seu corpo estava
todo 2an&ado em suor e o -um2ido "ino do aparel&o de aeraç/o, !ue n/o conseguia
evaporar t/o depressa tanto suor, o incomodava como um en'ame de a2el&as. N/o era
!ual!uer um !ue poderia conseguir, com suas pr#prias "orças e, em estado de plena
consci4ncia, !ue2rar o pr#prio 2raço.
>as %sc&u2ai sa2ia !ue n/o l&e restava outra alternativa.
A dor na articulaç/o do cotovelo !uase o "e- perder os sentidos. >as o desmaio
veio, !uando se ouviu um pe!ueno estalo de osso e uma onda de dor atro- l&e invadiu o
corpo todo.
*orém no su2consciente, "alou mais alto o instinto de conservaç/o e logo depois ele
voltou a si. A2riu os ol&os e se viu num mundo cu3os contornos estavam em con"uso
movimento, como !ue no meio de densa ne2lina. Sentia-se mal, mas sa2ia !ue ainda
podia mover a m/o direita, em2ora, em todo o 2raço, n/o sentisse outra coisa do !ue uma
dor 8nica e penetrante, e os dedos estavam dormentes.
5ent)metro por cent)metro, a m/o !uase sem tato "oi su2indo peito acima. Atingiu
primeiro o "ec&o magnético do 2olso superior es!uerdo e logo depois o om2ro es!uerdo,
continuando pelo pescoço. 0ra inacredit$vel com !ue "acilidade a m/o podia camin&ar
enormes dist1ncias, com o 2raço "raturado.
Apesar de toda a dor, &ouve alegria no rosto de %sc&u2ai ao ouvir o ru)do met$lico
da m/o atingindo o capacete. A3udou-o a suportar mel&or o momento di")cil. 5ontinuou
avante com a m/o e depois se deteve por um instante, pois 3$ &avia passado pelo mais
di")cil e n/o !ueria se arriscar pela pressa a "a-er algo errado e ou mesmo, num golpe
desastrado, perder de novo os sentidos.
Ouviu de repente um ru)do. 5omeçou com um -um2ido surdo, "oi aumentando e se
trans"ormou num asso2io claro. Seus ol&os se turvaram. Alguém &avia ligado o
compensador da grande nave.
; ; ;
O a"ricano ainda n/o voltara.
0ram e'atamente oito e meia da man&/ do dia 7C de a2ril de 7.HC7. Atlan, o
arcnida, tin&a se unido ao grupo dos matem$ticos e estava a3udando muito na soluç/o do
misterioso acontecimento.
A .rusus estava preparada para o salto. Os dados para uma transiç/o curta de
poucos minutos-lu- através do espaço 3$ estavam no posto de comando e "oram
programados para o piloto autom$tico. O envolt#rio de proteç/o tin&a sido re"orçado de
tal maneira !ue n/o &averia nen&um risco, mesmo !ue o planeta *eregrino, pairando
entre dois espaços di"erentes, pudesse causar transtornos.
F$ se ac&avam ligados os compensadores estruturais e prontos, portanto, para
a2sorver o c&o!ue duplo e impedir a propagaç/o das vi2raç:es do impacto.
,&odan estava prestes a dar a ordem de partida, pois todos 3$ encontravam-se em
seus postos e, nos alto-"alantes, soavam os comandos de prontid/o para o arran!ue
imediato. 5omo sempre, ocorria a nervosa e'pectativa de todos para o c&o!ue !ue
precede 9 desmateriali-aç/o.
*ara iniciar o salto 2astava apenas !ue ,&odan comprimisse o 2ot/o vermel&o, !ue
pun&a em movimento, ato cont)nuo, o complicado mecanismo do sistema de regulagem
positrnica, enviando mil&ares de impulsos para os aparel&os de comando.
,&odan 3$ estava com a m/o so2re a tecla !ue irradiava uma intensa lu- vermel&a,
!uando uma vo- sumida repetia no alto-"alante pouco acima dele:
— N/o d4 a partida... n/o d4 a partidaG .esligue os compensadores. 0u estou num
deles. SocorroG
,&odan retirou a m/o, arrepiado, como se tivesse tocado num "erro em 2rasa.
Incrédulo e assustado ol&ou para o alto-"alante a tr4s palmos de sua ca2eça. Quem gritou
por socorro n/o deu seu nome e sua vo- estava t/o des"igurada !ue n/o dava para
distingui-la. >as n/o &avia d8vida: era a vo- de ,as %sc&u2ai.
,as, o teleportador, estava preso numa c1mara de um compensador estrutural.
,&odan cancelou a ordem de partida e de sua sala de comando desligou a instalaç/o dos
compensadores.
1
.esmontaram o compensador e retiraram o a"ricano da c1mara de resson1ncia, com
um 2raço estran&amente deslocado ou até mesmo !ue2rado.
*rovavelmente, o motivo pelo !ual n/o conseguiu sair de sua pris/o singular, apesar
de seus dons paramec1nicos, "oi a e'ist4ncia de campos residuais com sua estrutura de
cinco dimens:es.
Ainda con"orme o parecer do médico, ,as %sc&u2ai teve uma crise de nervos. 0 isto
n/o "oi nada e'traordin$rio, tendo-se em vista o !uanto ele so"rer$. O pior de tudo era !ue
n/o se podia sa2er dele o !ue l&e &avia acontecido. .r. SMNldson, c&e"e da divis/o
médica, se negava a permitir uma entrevista antes de decorridos !uatro dias.
— O &omem necessita de repouso a2soluto, repouso e, mais uma ve-, repouso.
5om estas palavras, o médico cortou sumariamente toda a esperança de se ouvir
alguma coisa de ,as %sc&u2ai.
,&odan se con"ormou. A e!uipe de matem$tica "oi in"ormada so2re o 8ltimo
acontecimento. Apesar de ,&odan, a princ)pio, acreditar !ue a e'traordin$ria aventura de
,as %sc&u2ai nada tin&a a ver com os c$lculos !ue "a-iam os matem$ticos, Atlan,
tam2ém admirado do acontecido, mas de "isionomia mais alegre, mostrou a ,&odan !ue
o mutante a"ricano tin&a "ornecido uma prova muito importante:
— Isto é uma coisa "ant$stica, no verdadeiro sentido da palavra, administrador —
disse ele entusiasmado. — Lm &omem dentro do compensador estrutural a3uda a
matem$tica a "icar de pé.
*err+ o "itou demoradamente nos ol&os.
— Jostaria, "inalmente, almirante, !ue o sen&or me dissesse em !ue pé ela est$
agora. F$ c&egaram 9 conclus/o de algo positivo<
5om um leve sorriso no rosto, o arcnida "alou:
— 5laro !ue sim, 2$r2aro. N/o l&e !uero, porém, dar esperanças v/s. Os on-e e
meia, eu o procurarei para l&e e'por os primeiros resultados. @oc4 "icar$ 2o!uia2erto,
pois o "enmeno é muito singular.
; ; ;
A ampliaç/o do campo visual ")sico tridimensional para a continuidade espaço-
tempo de !uatro dimens:es provocou uma verdadeira reviravolta nas ci4ncias naturais.
A pr#'ima ampliaç/o para a vis/o pentadimensional, ou se3a, de cinco dimens:es,
"oi dada 9 Eumanidade, por assim di-er como um presente, graças ao acaso "eli- do
encontro com os anti!=)ssimos arcnidas.
A desco2erta, entre as dimens:es, do territ#rio de ninguém, desco2erta esta !ue "ora
provocada por mero acaso, isto é, pelo desaparecimento do planeta *eregrino, "oi algo
sensacional somente pelo "ato de !ue ninguém supun&a a e'ist4ncia de um espaço
intermedi$rio. 0ste "oi o nome !ue Atlan deu ao "enmeno.
— Administrador, voc4 tem con&ecimentos cient)"icos su"icientes para compreender
— começou Atlan — !ue n/o me é poss)vel apresentar esclarecimentos mais o23etivos. O
cont)nuo de 0instein é uma "ormaç/o em nada o23etiva e o &iperespaço o é ainda em
maiores proporç:es. 5omo poderia, ent/o, ser di"erente o cru-amento entre am2os, isto é,
o semi-espaço<
?@amos dar um e'emplo. Imaginemos o &iperespaço como uma "ormaç/o de um
sistema de coordenadas de cinco dimens:es. 5olo!uemos ent/o esta "ormaç/o em rotaç/o
e atri2uamos a uma das metades da es"era de cinco dimens:es, !ue surge ent/o como um
corpo em rotaç/o, uma caracter)stica e'tremamente singular: 0sta metade distorce as
coordenadas ou os ei'os !ue nele se encontram. ,edu- seu pr#prio taman&o e esta
reduç/o se d$ na proporç/o da velocidade de rotaç/o.
?Ao penetrar no &emis"ério distorçor, o ei'o ou a coordenada ainda tem seu
comprimento primitivo, começando depois a diminuir. No momento em !ue transp:e a
metade do tra3eto através do &emis"ério distorçor, o ei'o desaparece completamente.
5omeça depois a crescer de novo, sendo !ue, no segundo em !ue sai do &emis"ério
distorçor, atinge novamente seu taman&o inicial. F$ !ue se trata de um &emis"ério e o
sistema de coordenadas do &iperespaço se comp:e de cinco ei'os, a cada momento est/o
sempre em !uest/o dois ou tr4s ei'os, nunca mais nem menos. O importante ent/o é
averiguar o sentido da rotaç/o do sistema de coordenadas.
?In"eli-mente isto é uma operaç/o !ue n/o sa2emos 2em como resolver. Até agora
s# sa2emos de uma coisa: F$ !ue n/o "oi visto em momento algum o planeta *eregrino,
por outro lado, porém, 3ulgando pelos sinais rece2idos, ali$s, constantemente pelos
rastreadores estruturais, n/o pertencendo nunca por completo ao &iperespaço, o !uinto
ei'o, isto é, o ei'o 3 tem !ue se encontrar num estado de permanente distorç/o, sem
3amais atingir seu taman&o completo e tam2ém sem 3amais desaparecer de todo.
?Assim, o ei'o n/o atingiria 3amais seu comprimento total e o planeta se encontraria
completamente no &iperespaço, e os rastreadores n/o rece2eriam mais sinais. Se o ei'o
desaparecesse por completo, ent/o no mesmo momento surgiria na tela o planeta
*eregrino, pois o desaparecimento do ei'o 3 signi"ica a volta ao Lniverso de 0instein.
?0sta é a situaç/o do planeta *eregrino. Naturalmente a situaç/o n/o é
o2rigatoriamente est$vel. Lma pe!uena circunst1ncia pode "a-er desaparecer o e"eito do
espaço intermedi$rio. N/o poder)amos, porém, di-er neste caso se o planeta cairia no
&iperespaço ou voltaria ao espaço de 0instein. %alve- isto v$ depender da nature-a das
circunst1ncias.A
Acompan&ado por grande n8mero de seus o"iciais, *err+ ,&odan ouvira com
atenç/o a complicada e'plicaç/o. ,&odan perce2ia nas "isionomias de seus au'iliares
uma sensaç/o de decepç/o ou de mal-estar. *rocurou compreender este sentimento, !ue
ele mesmo sentia e !ue n/o podia descrever a n/o ser como: a reaç/o de um &omem !ue,
esperando uma verdadeira elucidaç/o, ouve uma coisa !ue n/o é, ou pelo menos n/o
esclarece nem parte, nem toda a !uest/o.
O !uadro descrito "oi realmente con"uso e o e'emplo proposto carecia de clare-a.
Ninguém sa2ia o !ue "a-er com tudo a!uilo. Seria a mesma coisa como !uerer somar
metros com !uiloIatt-&oras. Lma soluç/o imposs)vel, in8til e supercon"usa.
Atlan notou o !ue se passava nele, ,&odan, e nos demais o"iciais. A2ai'ando os
ol&os, muito sério, começou a "alar:
— Sinto muito por t4-lo decepcionado. >as, !ue se pode esperar dos matem$ticos<
0les produ-em uma coleç/o de "#rmulas e n/o propriamente uma receita. Agora, o !ue se
pode "a-er com a coleç/o de "#rmulas< Quem deve desco2rir isto, n/o somos n#s, e sim
os matem$ticos. Isto n/o é nosso tra2al&o. Agora c&ega a ve- de voc4s, os técnicos,
!ue2rarem um pouco a ca2eça. O !ue nos resta a "a-er é l&es continuar "ornecendo
in"ormaç:es mais detal&adas. %odo o resto é tare"a de voc4s.
Ao perce2erem !ue a conversa se tornava mais reservada, os o"iciais voltaram a seus
lugares. Atlan se levantou e estendeu a m/o a ,&odan.
— Jostaria !ue voc4 sou2esse de uma coisa — disse ele com muita calma. — 0stou
tra2al&ando o mais depressa !ue posso. Ac&o !ue vou tomar uma in3eç/o para ag=entar
uns dias sem dormir. Quero a3ud$-lo de !ual!uer maneira. ,&odan, voc4 sa2e !ue sou seu
amigo.
0mocionado e sem di-er uma palavra, ,&odan apertou a m/o do arcnida, !ue
imediatamente se retirou. ,&odan o acompan&ou com o ol&ar. Sa2ia !ue os cuidados !ue
pertur2avam o arcnida eram sinceros. O pr#prio Atlan possu)a um ativador celular, !ue
0le, o descon&ecido sen&or do planeta *eregrino, l&e &avia presenteado &$ mais de de-
séculos, aparel&o este !ue o dispensava do "isiotron do mundo arti"icial. *ortanto, Atlan
n/o tin&a nen&uma necessidade de renovar a duc&a celular até o dia primeiro de maio. O
arcnida compreendia, pois, como era muito natural a suspeita !ue se podia levantar
contra ele. Isto é, de !ue a soluç/o do grande mistério do desaparecimento do planeta
*eregrino "osse adiada de prop#sito, para !ue, depois de esgotado o pra-o, !uando
,&odan em poucas &oras se trans"ormasse num vel&o decrépito e caduco, ele, Atlan,
entrasse como seu sucessor.
; ; ;
A declaraç/o séria e sincera de Atlan "oi o ponto de partida para !ue ,&odan se
voltasse com mais atenç/o a um pensamento !ue &$ muitas semanas rodava por sua
ca2eça. 0 sempre procurava dei'$-lo de lado, como coisa de menos import1ncia, pois
tin&a muita coisa para "a-er — ou por!ue tin&a medo deste pensamento<
0staria ele agindo corretamente, gastando semanas e mesmo meses inteiros 9
procura do "antasma da imortalidade, !ue, caso encontrasse, somente viria 2ene"iciar a
ele e a alguns de seus cooperadores< %eria ele o direito de, nesta procura do planeta
*eregrino através do in"inito, e'por ao perigo n/o s# a supernave .rusus, como os mil
&omens !ue nela estavam< N/o seria mais racional se ater 9 ordem natural das coisas,
como sempre "oi na &ist#ria da Eumanidade, isto é, na sucess/o das geraç:es, na
su2stituiç/o do vel&o pelo mais moço< N/o conseguiria ele arran3ar um sucessor, se
retirar e terminar a vida como !ual!uer outro &omem<
0stava agora com cento e seis anos. >ais da metade deste tempo "ora vivido no
comando da Eumanidade terrana, criando o Império Solar e trans"ormando a %erra num
grande centro de poder — ali$s, de locali-aç/o descon&ecida — de toda a Jal$'ia. 0ra,
realmente, uma o2ra de !ue se podia orgul&ar.
.e uma &ora para a outra, teve a impress/o de !ue, até ent/o, n/o gastara !uase
nen&um tempo para pensar em si mesmo.
0m !ue proporç:es, o vertiginoso progresso do Império Solar estava ligado 9 sua
atuaç/o pessoal< Quanto !ue ele mesmo representava para a %erra, em !ue dimens:es ele
se identi"icava com os 2il&:es de &a2itantes da %erra, !ue &aviam con"iado totalmente no
seu governo< Que &averia de acontecer, se ele agora se retirasse, transmitisse seu cargo a
um outro e morresse dentro de poucos dias<
Dem2rou-se de 0le, o ser do planeta *eregrino, !ue l&e outorgara o privilégio da
imortalidade, por assim di-er, num simples gesto de m/o, como um mero presente. P O
descon&ecido dissera na época !ueQ !ueria dar aos terranos a mesma oportunidade !ue, &$
vinte mil anos atr$s, &avia concedido aos arcnidas — a possi2ilidade de con!uistar a
Jal$'ia, de penetrar Lniverso a dentro e "undar um reino poderoso e duradouro. *oder-
se-ia admitir !ue, !uando o Ser, no seu longo, ou mel&or, in"inito descort)nio, l&e
outorgou tal privilégio, n/o tin&a em mente uma aç/o important)ssima<
Que aconteceria se *err+ ,&odan dei'asse seu cargo< Ser$ !ue seria !ue2rada a
continuidade do desenvolvimento<
Sem pecar por e'cesso de orgul&o, ,&odan podia di-er com 3ustiça !ue, no
momento, n/o &avia ninguém entre seus &omens !ue estivesse em condiç:es de tomar
nas m/os as rédeas do Império Solar com a "irme-a necess$ria.
Eaveria uma !ue2ra da unidade e o "lorescente Império Solar seria retal&ado. 5om
isso, se tornaria presa "$cil para !uem !uisesse... e n/o era poucos os de ol&o-grande
contra o progresso vertiginoso da %erra nos 8ltimos cin!=enta anos.
,&odan pensava tam2ém na tripulaç/o da .rusus.
Eouve, em algum tempo, um ind)cio, por menor !ue "osse, de !ue alguém
desaprovasse ou criticasse os es"orços e as tentativas para se atingir o planeta *eregrino,
ou os riscos a) contidos< Ou, talve-, o %enente %ompetc& ou o 5apit/o Jorlat, por acaso,
mani"estaram alguma cr)tica a respeito das miss:es !ue e'ecutaram em Solitude, miss:es
em !ue poderiam ter perdido a vida<
.e maneira alguma.
%odos estavam convencidos da retid/o de toda a sua conduta e de !ue a %erra
precisava agora muito mais dele do !ue antes. %odos estavam dispostos a "a-er o maior
sacri")cio para !ue ele atingisse, dentro do pra-o estipulado, o planeta do mundo arti"icial.
N/o apenas por!ue tin&am simpatia e ami-ade por ele, mas por se sentirem respons$veis
perante os 2il&:es de &a2itantes do Império Solar.
0 assim terminou o importante di$logo consigo mesmo, em !ue se perguntou, com
"ran!ue-a e senso o23etivo, se n/o seria mel&or para a %erra !ue ele se retirasse e
transmitisse a outro a direç/o do Império Solar.
; ; ;
.epois de pesar com "rie-a os "atos e depois de ter tomado sua resoluç/o, passou a
se preocupar como poderia contri2uir para a soluç/o do mistério do planeta *eregrino,
antes !ue os matem$ticos c&egassem com seus c$lculos complicados. O calend$rio
autom$tico apontava para vinte e uma &oras e !uarenta minutos do dia 7C de a2ril de
7.HC7. So2ravam-l&e portanto ainda cento e setenta e uma &oras.
,&odan se lem2rou de !ue, en!uanto conversava consigo mesmo so2re seu
a"astamento do governo do Império Solar, passou-l&e pela ca2eça uma idéia "urtiva. Be-
um grande es"orço para tra-er esta idéia de volta... A"inal ela apareceu:
A intelig4ncia de SolitudeG O Ser de Solitude, o mundo da estran&a dimens/o de
tempo, ser este !ue possu)a o dom parapsicol#gico de separar o corpo do esp)rito. 0ra a
intelig4ncia !ue ,eginald (ell di-ia parecer-se com uma vaca-marin&a da %erra.
Bicou admirado de !ue estes pensamentos n/o l&e ocorreram antes. O estran&o ser, a
!uem ,eginald (ell dera o nome de Natan, encontrava-se a 2ordo da .rusus. %in&a
pre"erido a2andonar sua terra, ou mel&or seu mundo-p$tria, e n/o mais voltar para l$,
pelo menos n/o antes !ue se 2otasse um paradeiro no "antasma dos druu"s. 0stes &aviam
retal&ado as intelig4ncias de Solitude em seis pedaços, colocando-as presas em cai'as e
utili-ando-as como instrumentos de alarme em postos avançados.
Natan, mais do !ue ninguém, poderia estar em condiç:es de atingir o planeta
*eregrino, partindo da .rusus. Naturalmente n/o com a matéria, mas utili-ando-se de seu
esp)rito m#vel !ue podia se separar do corpo, levando uma vida independente.
Armado com um ampli"icador de telepatia, *err+ ,&odan se ps a camin&o do
con3unto de ca2inas destinadas a Natan.
Boi encontr$-lo, com todo con"orto se espo3ando numa 2acia rasa colocada na maior
de suas ca2inas. 0le, ou mel&or, seu corpo era uma espécie de cilindro cin-ento.
N/o se podia propriamente distinguir mem2ros em seu corpo, n/o &avia 2raços, nem
pernas, nem ol&o, nem 2oca, nem nada !ue se encontra geralmente num ser vivo
inteligente. Natan pulou logo para "ora da ?)a"iaA e "icou parado no c&/o co2erto de terra
e com uma camada de capim. (em perto de ,&odan.
*err+, por sua ve-, se acocorou no c&/o, colocou de lado o ampli"icador de telepatia
e começou a passar a e'tremidade met$lica so2re o corpo de Natan. .epois emitiu:
— >eu amigo, 2om diaG @im a!ui para l&e pedir um grande "avor.
Natan compreendeu tudo e ,&odan, de ol&os "ec&ados, viu uma "igura !ue se erguia
e di-ia:
— Bala, meu amigo, terei muita alegria em poder a3ud$-lo.
0nt/o, ,&odan começou a e'por seu plano a Natan.
; ; ;
Natan ainda n/o tin&a passado muitas &oras a 2ordo da supernave .rusus e "icara
todo o tempo na ca2ina. 0stava sentindo muita simpatia pelo ser !ue o c&amava de amigo
e !ue o &avia li2ertado das m/os dos druu"s.
.os elevadores e demais meios de transporte, como as esteiras rolantes, Natan tin&a
muito medo. 0ste medo podia se tornar t/o "orte !ue l&e causava dores ")sicas. Sua raça
era de seres al&eios a !ual!uer tecnologia.
Quando tin&am de se locomover, ou usavam as "orças do pr#prio corpo ou
transportavam seus esp)ritos para onde !ueriam, caso n/o "osse necess$ria a presença
")sica. 0ram seres sem maiores pretens:es, dispondo, no entanto, de um esp)rito muito
vivo e consideravam a "unç/o mais importante de sua vida re"letir e 2rincar com os dons
de sua mente.
Natan 3amais vira coisa t/o grande como a!uela cosmonave, e seu medo "4-lo
considerar a grande nave como seu inimigo. Sua mente, porém, l&e di-ia !ue a espaço-
nave era um ser inanimado e assim, n/o podia ser nem amigo, nem inimigo e !ue era
apenas !uest/o de tempo, pois em 2reve estaria acostumado com a!uele am2iente
di"erente.
Seu amigo, o estran&o, l&e pedira para vir com ele até o grande sal/o da nave, !ue
ele c&amava de sala de comando. Lm 2om n8mero de outros amigos estavam presentes
para verem como um esp)rito a2andona o corpo e vai para onde !uiser.
Seu amigo l&e &avia e'plicado !ue devia procurar atingir um mundo !ue "lutuava
invis)vel em !ual!uer ponto do espaço diante da espaçonave .rusus. 0m circunst1ncias
normais, Natan teria dito um n/o a este pedido, pois o mundo invis)vel n/o l&e
interessava. *or !ue motivos &averia ele de procur$-lo< >as o estran&o era seu amigo e
n/o se recusa um pedido de amigo.
As enormes placas met$licas com !ue os terranos "ec&avam os compartimentos de
sua nave se a"astaram !uando Natan c&egou ao posto de comando. @iu seu amigo na
outra e'tremidade da sala, l&e acenando sorridente. @iu ainda um grande n8mero de
outros amigos, de pé ao lado de seu maior amigo.
Natan c&egou até ao meio da sala e ali "icou deitado.
F$ &avia com2inado tudo com ,&odan, tudo !ue ele iria "a-er no espaço. N/o &avia
mais nada para ser e'plicado. Natan rela'ou seu enorme corpo e começou a desprender o
esp)rito do seu inv#lucro material.
0le mesmo n/o sentia nada, pois a"inal, seu esp)rito era tudo, era com ele !ue
pensava, !ue sentia, !ue se e'primia. O corpo participava apenas de processos mec1nicos
ou !u)micos. Natan sa2ia de tudo isto, em2ora n/o con&ecesse propriamente a >ec1nica
e a Qu)mica.
0ste corpo, ele o "oi dei'ando para tr$s...
5oncentrou-se no sem2lante de seu amigo e, com seu avançado dom de imitaç/o,
tomou suas "ormas ")sicas. Seu taman&o, de in)cio era pe!ueno, pouco mais de um pé de
altura. >as 2em n)tidos eram nele os traços "isionmicos de *err+ ,&odan. .epois "oi
crescendo e, com isso, se tornando transparente. Ol&ou em volta e "icou contente ao ver a
e'press/o de estupe"aç/o no sem2lante dos circunstantes, !uando "ormou uma ca2eça
2em semel&ante 9 de seu amigo ,&odan, em2ora n/o tivesse o tempo su"iciente para
capric&ar mais nos pe!uenos detal&es.
.epois, se ps a camin&o da!uele mundo invis)vel !ue devia estar "lutuando l$ "ora,
na escurid/o do espaço sem "im.
; ; ;
— Lma das mais originais "ormas de vidaG — disse alguém, logo depois !ue Natan
tin&a sa)do, dei'ando ali seu corpo inerte, 2em no meio da sala de comando.
— Nem t/o original assim, como talve- se possa imaginar — disse ,&odan. —
0'traordin$rio é, sem d8vida, seu dom de separar o esp)rito do corpo. >as o !ue nos "a-
voltar t/o c&ocantemente 9s recordaç:es e ao medo de assom2raç:es de nossa in"1ncia
tem provavelmente uma e'plicaç/o 2em natural.
%odos ol&avam atentos para ,&odan.
— K claro !ue o esp)rito é uma "ormaç/o imaterial — continuou ,&odan. — O !ue
voc4s pensam !ue era uma espécie de névoa, se é !ue c&egaram a este pensamento, n/o o
era, realmente. O esp)rito n/o é propriamente outra coisa do !ue um campo, so2re cu3a
nature-a pouco sa2emos, ali$s, um campo com intelig4ncia inata. O !ue n#s vimos "oi
t/o-somente o e"eito !ue este campo produ-iu em volta de si. *arece e'istirem a) "orças
!ue alteram, por e'emplo, o )ndice de re"raç/o do ar. .esta maneira, o !uadro se torna
vis)vel. O trec&o da alteraç/o no )ndice de re"raç/o nos aparece ent/o como névoa.
?5&ocante, porém, é a propriedade do campo de se re"letir nos o23etos !ue l&e est/o
em volta e mesmo de se identi"icar com eles. @oc4s repararam !ue Natan tomou min&as
"ormas, procurando "ormar um rosto igual ao meu. 0stou convencido de !ue ele c&egaria
a uma per"eiç/o total, caso tivesse mais tempo. N/o !ueiram sa2er como eu e o Atlan nos
assustamos !uando vimos pela primeira ve-, diante de n#s, um esp)rito de Solitude.A
Ninguém perguntou nada. A e'plicaç/o de ,&odan "ora concisa e clara, mas o
"enmeno em si continuava inconce2)vel. Quase todos continuavam ol&ando na direç/o
para onde desaparecera o esp)rito de Natan, para dentro da escurid/o do in"inito, onde
n/o &avia nada !ue pudesse alterar o )ndice de re"raç/o e assim possi2ilitar a vis/o do seu
esp)rito.
; ; ;
Boi a primeira ve- !ue Natan se viu no espaço livre, mesmo assim n/o sentiu nada
de e'traordin$rio. No in)cio, naturalmente, e'perimentou uma certa curiosidade, mas,
depois !ue perce2eu !ue n/o &avia nada de mais em tudo a!uilo, perdeu logo a
curiosidade inicial. >ovimentava-se na direç/o !ue l&e "ora indicada, esperando !ue
alguma coisa l&e surgisse 9 "rente.
N/o podia sa2er !ual a velocidade de seu deslocamento, mas de !ual!uer "orma
"a-ia es"orço para ir mais depressa. .epois de um certo tempo, sentiu uma espécie de
onda ou corrente-a !ue o atingiu, pu'ando-o para "rente. 0stran&ou um pouco o
"enmeno, pois em toda a sua e'ist4ncia como esp)rito separado do corpo 3amais "ora
su2metido a in"lu4ncias mec1nicas.
A"inal de contas, no estado em !ue se ac&ava, n/o &avia nada de matéria nele, !ue
pudesse ser sugada ou tocada por corrente de ar ou de !ual!uer outra coisa. Assim, a
curiosidade l&e a"lorou novamente, a2a"ada logo depois por um vago pavor do !ue l&e
estava 9 "rente, do !ue o pu'ava, sem poder ser visto.
.e repente, sentiu vontade de voltar para a grande espaçonave !ue &avia
desaparecido atr$s dele e !ue parecia apenas mais uma estrela entre as muitas !ue, com
suas lu-es calmas, interrompiam o manto negro do espaço.
Agora, porém, seria muito tarde para voltar. A onda ou corrente-a estava mais "orte.
.esistiu de tentar !ual!uer resist4ncia e se dei'ou levar.
@iu su2itamente emergir alguma coisa 9 sua "rente, parecendo, no começo, uma
manc&a clara, sem contornos de"inidos. Natan o2servou !ue estava sendo pu'ado de
encontro 9 mesma.
A manc&a ia aumentando de taman&o, dei'ando ver cada ve- mais n)tidos seus
contornos, parecendo uma coisa &emis"érica de grandes proporç:es. Apro'imava-se dela
a uma velocidade !ue l&e incutia medo. *oucos instantes ap#s, o corpo &emis"érico
estava t/o volumoso !ue n/o podia ser a2rangido com a vista. 0m compensaç/o, viu
amplas plan)cies, aparentemente reco2ertas de capim, grandes "lorestas, rios, lagos e
mares. @iu um conglomerado de "ormas regulares, !ue pareciam ser arti"iciais e,
provavelmente, seriam o !ue seu amigo descrevera como cidades.
@iu tam2ém nuvens !ue passavam a2ai'o dele, 2em lentamente. >as estava vendo
tudo isto como através de um véu. N/o tin&a uma vis/o completamente n)tida. .evia
&aver alguma coisa entre ele e o c&/o l$ em2ai'o.
No 8ltimo instante ainda viu, mas n/o teve mais tempo de reagir: uma mural&a
transparente se a2ateu contra ele.
0ra realmente uma parede, !ue 3ulgara antes se tratar de um véu, !ue l&e pre3udicava
um pouco a vis/o. Boi tomado por um c&o!ue violento, !uando encontrou-se com ela,
sentindo !ue estava penetrando em algo resistente e macio ao mesmo tempo.
%udo isso o dei'ou muito con"uso.
.urante alguns segundos, teve a impress/o de estar sendo aprisionado. .e repente,
porém, n/o &avia mais nada em torno dele, a pr#pria corrente-a n/o e'istia mais. Natan
ol&ou para o alto vendo 2em perto de si o inv#lucro cintilante !ue aca2ara de atravessar.
N/o sa2ia de !ue era "eito a!uilo, mas 3$ !ue n/o l&e &avia causado nen&um mal,
n/o tin&a maior import1ncia para ele. 5ontinuou sua descida, rumo ao solo.
.epois de percorrer a metade do tra3eto, começou a sentir, inesperadamente, uma
sensaç/o de alegria, vinda de longe. N/o sa2ia e'plicar o "enmeno, até !ue
compreendeu !ue n/o era ele !uem estava possu)do de alegria, mas um outro alguém !ue
l&e transmitia telepaticamente seu contentamento. Natan ouviu os gritos estridentes !ue
ele e seus semel&antes costumavam emitir ao se sentirem possu)dos de uma grande
alegria. 5on"uso, procurou se e'plicar de !ue maneira teria algum mem2ro de sua raça
c&egado até este mundo di"erente.
Binalmente c&egou 9 conclus/o de !ue sempre !ue alguém transmitia sua alegria por
via telep$tica — independente da verdadeira resson1ncia da e'press/o da alegria ou da
gargal&ada — seria ouvido constantemente em "orma de gritos estridentes. N/o &avia
nen&um ente de sua raça neste planeta. >as devia e'istir ali alguém !ue estava alegre e
!ueria transmitir seu contentamento.
0stava ansioso por sa2er o !ue iria acontecer, en!uanto ?"amin'avaA em direç/o ao
planeta. Lma vo- l&e interrompeu os devaneios.
— >eu po2re amigo — disse-l&e a vo- possante — onde voc4 "oi cair< N/o sa2e
!ue n/o conseguir$ mais voltar< .ei'ou seu corpo para tr$s e nunca mais &aver$ de
encontr$-lo.
Natan levou um susto, n/o propriamente pela idéia de ter de continuar sua e'ist4ncia
como esp)rito sem corpo, mas pelo "ato de !ue o estran&o o con&ecia.
— 5omo é !ue voc4 sa2e disso< — perguntou perple'o.
— >eu po2re amigo, n/o perce2eu o campo de sucç/o !ue o pu'ou para c$<
Natan n/o podia sa2er o !ue era campo de sucç/o, mas de !ual!uer modo, entendeu
o pensamento do estran&o.
— Sim, perce2i sim, mas !ue import1ncia tem isto<
— @oc4 n/o estava em condiç:es de reagir<
— N/o, era "orte demais para mim.
— 0st$ vendo< 5omo é ent/o !ue pretende sair da!ui< @oc4 devia ter vencido o
campo de sucç/o e voltado para o seu supercouraçado. >as n/o conseguiu, n/o "oi<
— *ode ser... >as isto, no momento, n/o tem maior import1ncia. >eu amigo me
vir$ 2uscar, !uando c&egar a &ora Quem é voc4<
— Sou o sen&or deste mundo, n/o ten&o nome.
— @oc4 n/o pode desligar o campo de sucç/o<
— N/o, n/o posso. *osso "a-er muita coisa, mas o campo de sucç/o est$ "ora de
min&a alçada. *o2re amigo, voc4 ter$ !ue "icar a!ui.
; ; ;
Os tre-e &oras do dia 7R de a2ril, notando !ue n/o &avia nen&um sinal de Natan, ou
mel&or, de seu esp)rito, *err+ ,&odan teve um assomo de c#lera. 0scaldado pela
e'peri4ncia !uase desastrosa com ,as %sc&u2ai, mandou inspecionar os compensadores
estruturais, procurando sa2er se em suas c1maras de resson1ncia estava retida !ual!uer
"ormaç/o com apar4ncia de névoa. Os compensadores, porém, estavam va-ios.
Natan devia ter tido um destino di"erente do de ,as %sc&u2ai.
O pra-o para renovaç/o da duc&a celular tin&a 2ai'ado para cento e cin!=enta &oras.
Devando-se em conta os poucos sucessos das 8ltimas trinta e cinco &oras, desde !ue a
.rusus &avia terminado seu 8ltimo salto de transiç/o, n/o so2rava nen&um motivo para
otimismo.
Quase sem interrupç/o, a e!uipe dos matem$ticos tra2al&ava com a"inco, mas tudo
!ue se apurou n/o passava de resultados parciais e mesmo assim t/o redu-idos !ue n/o
eram su"icientes para dar uma idéia clara do con3unto.
.epois de seis longas &oras de espera e sem nen&um resultado, Atlan pediu uma
outra audi4ncia com ,&odan. Quando o arcnida penetrou na sala de comando, tra-ia so2
o 2raço uma volumosa pasta, c&eia de "#rmulas e diagramas.
— F$ estamos assim t/o adiantados< — "oi a primeira pergunta de ,&odan, ap#s
&aver cumprimentado seu amigo.
Atlan respondeu com um sorriso um tanto "orçado.
— %alve-... — disse ele meio reticente. — *elo menos, podemos apresentar uma
série de conclus:es 8teis.
Sentou-se, colocando a pasta diante de si. ,&odan o o2servou com atenç/o.
5alculou mentalmente !ue seu amigo n/o dormia &$ !uarenta e oito &oras. Isto n/o seria
nada de e'traordin$rio tendo-se em vista os modernos medicamentos do posto de sa8de
de 2ordo. >as ,&odan con&ecia a a23eç/o !ue o arcnida tin&a por todos estes
reativantes, comprimidos ou in3eç:es. N/o &avia tomado nada disto, o !ue provava pelos
seus ol&os avermel&ados de sono.
— 5omece — disse ,&odan em tom mais r)spido do !ue intencionava.
Atlan tirou uma "ol&a de papel da pasta e a colocou na mesa. Os o"iciais presentes
na sala de comando se agruparam em torno de ,&odan e do arcnida. N/o !ueriam perder
uma palavra da e'plicaç/o.
Atlan apontou para o papel, co2erto com elipses con"ocais, sendo !ue em cada
tra3et#ria el)ptica &avia uma série de n8meros e "#rmulas.
— Isto a!ui — começou o arcnida — é a estrutura da parte do espaço em !ue se
locali-a o planeta *eregrino. 5om outras palavrasP é a parte do espaço !ue est$ su3eita 9
distorç/o do sistema de coordenadas, isto é, o espaço intermedi$rio, como n#s o
c&amamos. O centro de gravidade do planeta coincide com um dos dois centros de
gravidade de grupo de elipses. O planeta *eregrino, em toda sua e'tens/o, "ica mais ou
menos assim.
.esen&ou 9 m/o livre, no papel, uma "igura !ue devia ser um c)rculo, com todas as
tra3et#rias el)pticas, mesmo as mais a"astadas.
— 0ste con3unto todo se ac&a em rotaç/o. 0ste desen&o a!ui — di-ia ele, apontando
para a "ol&a — deve ser considerado como um ?apan'adoA em determinado momento.
.a) se evidencia, ou mel&or, as elipses indicam em !ue proporç/o se reali-a a reduç/o
a'ial em determinados pontos do espaço. Os n8meros nas tra3et#rias el)pticas indicam o
"ator de reduç/o, !ue alcança os maiores )ndices no interior e diminui nas e'tremidades.
?.urante a rotaç/o, estes )ndices se alteram, o !ue, con"orme nossa opini/o, leva a
um "enmeno e'tremamente curioso: 5omo se o2serva, o 1m2ito da meta-esta2ilidade
n/o é essencialmente maior do !ue o pr#prio planeta *eregrino. .e !uatro em !uatro
rotaç:es, acontece uma ve- !ue uma parte da super")cie do planeta a2andona
completamente o setor da meta-esta2ilidade.
?>ergul&a, portanto, no espaço normal, "icando no entanto invis)vel para n#s, pois
este "enmeno se d$ sempre na "ace do planeta *eregrino !ue nos "ica oculta. O resto do
planeta !ue ainda continua no espaço intermedi$rio atua como uma espécie de campo de
proteç/o !ue impede !ue !ual!uer irradiaç/o reali-ada c&egue da parte n/o su2mersa até
n#s. A duraç/o desta parte n/o su2mersa n/o pode ser menor do !ue de- segundos e nem
maior do !ue !uin&entos segundos.
?%am2ém n/o sa2emos, por en!uanto, !ual o taman&o da $rea do planeta !ue
a2andona o setor de meta-esta2ilidade. Ac&o, porém, !ue deve ser pelo menos t/o grande
!ue possa permitir a descida de uma ga-elaA — "inali-ou o arcnida, sorrindo.
— Quando — perguntou ,&odan — ser$ !ue este "enmeno vai se repetir outra
ve-<
— In"eli-mente — respondeu Atlan — aconteceu pela 8ltima ve- &$ pouco mais de
dois minutos. — 5onsultou o rel#gio. — Balando mais e'atamente, "oi &$ dois minutos e
cinco segundos. *elo menos, "oi esta a nossa mediç/o. O tempo de rotaç/o atinge a
duraç/o de tr4s &oras e S6 minutos. F$ !ue o "enmeno se d$ somente de !uatro em
!uatro rotaç:es, teremos de esperar apro'imadamente !uator-e &oras, para podermos
presenci$-lo novamente.
— Isto n/o é nada em comparaç/o com o tempo !ue 3$ esperamos até agora — disse
,&odan todo entusiasmado. — Se conseguirmos c&egar ao planeta com uma ga-ela,
estar$ tudo salvo.
Atlan ol&ou-o com um sorriso -om2eteiro.
— Sente-se de novo, administrador, min&a sa2edoria n/o aca2ou ainda.
,&odan mostrou grande interesse em ouvi-lo.
— @oc4 ainda tem mais coisas para e'plicar<
— Sim, é a respeito de Natan.
,&odan tornou a sentar-se.
— Imaginemos o esp)rito de Natan — recomeçou Atlan — como a!uilo !ue ele
realmente é: um misto de campos de !uatro ou cinco dimens:es. 0ntre um ser deste tipo e
o espaço intermedi$rio atuam "orças, como demonstraram nossos c$lculos. O espaço
intermedi$rio é para Natan um p#lo !ue o atrai. Ou, para "alar mais concretamente, atua
como uma depress/o potencial, para onde ele cai, em virtude de sua posiç/o de potencial
mais elevado. *ortanto, deve ter c&egado com muita "acilidade ao planeta *eregrino, mas
n/o poder$ mais voltar e "icar$ detido por l$. 0ste é o motivo por !ue ainda n/o est$ de
volta.
,&odan ol&ou pensativo para o grande cilindro cin-a no c&/o da grande sala de
comando.
— Quer di-er ent/o — começou ,&odan — !ue devemos levar-l&e o corpo !ue
"icou a!ui.
— 0'atamente — con"irmou Atlan. — 0 ainda e'iste mais uma coisa.
,&odan ol&ou espantado.
— N/o ten&a medo, 2$r2aro — tran!=ili-ou-o Atlan. — K a 8ltima e'plicaç/o, pois
nossos estudos n/o terminaram ainda. Dem2re-se de ,as %sc&u2ai. Lma "orça gigantesca
o pro3etou de volta, atirando-o para as c1maras de resson1ncia dos compensadores. Ac&a
!ue isto é um acaso< Seria poss)vel !ue ele surgisse, por e'emplo, num dep#sito de
mantimentos< N/o, de maneira alguma. N/o podia, n/o. A "orça !ue o pro3etou de volta,
podia transport$-lo apenas numa determinada rota e esta rota terminava na c1mara do
compensador. *or !u4<
?0'atamente por!ue o compensador, em estado de repouso, é portador de um campo
residual de cinco dimens:es, !ue se torna assim a 8nica entrada para a "orça atuante
proveniente do espaço intermedi$rio, entrada pela !ual esta "orça pode penetrar e atuar
em nosso espaço normal. .ando um e'emplo "igurativo: O espaço intermedi$rio se
protege com uma mural&a. O 8nico 2uraco nesta mural&a, pelo !ual ,as %sc&u2ai podia
passar, era o campo residual do compensador.A
O arcnida Atlan estava crente !ue ainda continuaria a e'plicar a ,&odan e seus
o"iciais a conse!=4ncia deste "enmeno. >al terminara a 8ltima palavra, ,&odan se
levantou de novo e, desta ve-, n/o o "e- apenas para mudar de posiç/o e descansar um
pouco. 0rguera-se por!ue tin&a uma idéia muito importante, re"erente ao assunto
e'plicado por Atlan, e onde, naturalmente o arcnida iria c&egar.
— Lm 2uraco na mural&aG — e'clamou ,&odan com entusiasmo. 0ra um 2uraco
assim !ue n#s !uer)amos a2rir, !uando enviamos ,ous através do campo de re"le'/o.
Bomos mal sucedidos. Isto por!ue o campo de re"le'/o tem uma estrutura di"erente da do
espaço intermedi$rio, n/o é<
— *er"eitamente.
— 0st$vamos, portanto, numa pista errada. Agora 3$ sa2emos !ue o campo residual
do compensador e!uivale a uma a2ertura ou 2uraco. N/o podemos, propriamente, nos
utili-ar do compensador mesmo como meio de transporte para o planeta *eregrino, pois o
aparel&o n/o disp:e de "orças para tal. %emos, porém, um outro instrumento !ue opera
com os mesmos e"eitos como o compensador e com ele n#s teremos 2om resultado. @oc4
est$ de acordo, Almirante Atlan<
Atlan concordou com muita vivacidade. Seu rosto iluminado pelo entusiasmo n/o
dava mostras das cin!=enta e tantas &oras sem dormir, de2ruçado nos c$lculos
matem$ticos.
— O transmissor "ict)cio — ponderou ,&odan, cu3a e'press/o "isionmica passou
da preocupaç/o para o sorriso da segurança. — Admira-me muito termos levado tanto
tempo para c&egarmos até este ponto.
Lma sensaç/o de al)vio e alegria se apoderou de ,&odan e de seus o"iciais Sa2iam
agora de !ue maneira o planeta poderia ser alcançado.
2
,&odan ac&ava !ue era uma verdadeira ironia do destino o "ato de !ue somente
a!uele instrumento !ue o pr#prio Ser coletivo criara &$ de- mil anos atr$s seria capa- de,
nesta situaç/o angustiante, l&es a2rir camin&o para o planeta *eregrino e para o Ser
eterno.
O "uncionamento do transmissor "ict)cio poderia ser e'plicado mel&or com a
comparaç/o 3$ "eita por Atlan: o campo de emiss/o do transmissor a2ria uma per"uraç/o
na mural&a !ue separava o espaço de !uatro dimens:es do de cinco. O espaço de cinco
dimens:es, !ue era para ser per"urado pelo transmissor "ict)cio, era considerado em geral
como uma es"era. O transmissor a2ria um camin&o através dele, per"urando-o dos dois
lados. Ao sair do lado de l$, entrava de novo no espaço normal.
Agora a situaç/o era di"erente: o camin&o a2erto terminava no espaço intermedi$rio.
0 3$ !ue o semi-espaço n/o era outra coisa do !ue um espaço atro"iado de cinco
dimens:es, 2astava neste caso apenas uma per"uraç/o.
Isto inclu)a, naturalmente, uma alteraç/o no transmissor. Atlan, !ue entendia 2em
desta matéria do ponto de vista matem$tico, e'plicou:
— .as mil&ares de maneiras de regular o aparel&o, temos !ue desco2rir a mais
acertada. K uma tare"a di")cil. A matem$tica n/o vai mais nos a3udar muito, a n/o ser !ue
esperemos até !ue todos os c$lculos este3am prontos. >as n/o nos so2ra tempo para isto,
portanto temos de e'perimentar.
O transmissor "ict)cio, !ue prestava e'celentes serviços a ,&odan, como uma arma
de grande valor, estava montado 2em solidamente na grande nave. O in)cio do raio
transportador, isto é, o local onde devia estar o o23eto a ser transportado, para poder ser
atingido pela aç/o da !uinta dimens/o, podia ser regulado 9 vontade.
*ara simpli"icar os tra2al&os, ,&odan o instalou na sala de comando, de "orma !ue
todas as e'peri4ncias seriam reali-adas ali. ,&odan iniciou a série de e'peri4ncias com
pedaços de metal, ali colocados, onde o transmissor começou a "uncionar.
0ntrementes, "e--se uma ligaç/o no transmissor !ue impedia !ue este "uncionasse
na sua "orma normal, isto é, !ue permitisse ver no espaço normal os pedaços de metal !ue
tin&am sido disparados para o local onde se encontrava o planeta. Ou, "alando
"iguradamente: O segundo 2uraco, !ue dava sa)da para "ora do espaço de cinco
dimens:es, estava ?entupidoA. Se desaparecesse um dos o23etos da e'peri4ncia, era sinal
de !ue tin&a sido transportado para o planeta *eregrino.
O in)cio das e'peri4ncias "oi pouco promissor. Ao ligar o transmissor pela primeira
ve-, o pedaço de metal de"ormou-se. Lma "orça invis)vel o prensou, redu-indo-o a uma
c&apa, atirando-a ao c&/o da nave.
,&odan aca2ou desligando o transmissor !uando perce2eu !ue, de um cu2o
met$lico de dois cent)metros de comprimento de aresta, surgiu uma espécie de disco de
!uase um metro !uadrado.
>udaram um pouco a regulagem do aparel&o e veio ent/o a segunda e'peri4ncia.
Bracassou do mesmo modo !ue a primeira. 0 mesmo as outras e'peri4ncias !ue se
seguiram, apesar de regulagens constantes, n/o c&egaram ao resultado pretendido.
Neste meio tempo, Atlan, a pedido de ,&odan, tin&a-se deitado para dormir um
pouco, o !ue n/o "a-ia &$ mais de cin!=enta &oras. *edira com insist4ncia !ue o
acordassem assim !ue se conseguisse alguma coisa.
0stava se apro'imando da meia-noite e irrompia o dia 76 de a2ril. O tempo de !ue
dispun&a *err+ ,&odan ia pouco além de cento e !uarenta &oras.
*elas tr4s &oras da madrugada, se deu a primeira e'peri4ncia 2em sucedida. Ao
invés de se de"ormar, como os anteriores, o pedaço de metal desapareceu da sala de
comando, sem dei'ar vest)gios.
5onseguira-se en"im, atingir o planeta *eregrino com os meios !ue estavam 9
disposiç/o dos tripulantes.
Acordaram Atlan. .ormira somente cinco &oras. >as isto "ora su"iciente para
reaparecer 2em descansado e com muita disposiç/o para resolver o pro2lema. *ediu !ue
repetissem a e'peri4ncia do desaparecimento da peça met$lica e depois deu sua opini/o:
— N/o sa2emos ainda !ue in"lu4ncia pode ter o taman&o do o23eto durante o
transporte. *oderia ser !ue acontecesse a um &omem, a um o23eto voador, por e'emplo, a
uma ga-ela, o !ue se passou com as primeiras duas d8-ias de pedaços de metal !ue "oram
ac&atados, apesar das diversas regulagens. Ac&o !ue devemos primeiro enviar para o
planeta um ro2.
,&odan autori-ou a e'peri4ncia. Lm dos ro2s de com2ate, !ue estava a 2ordo, "oi
tra-ido para a sala de comando. Lm monstro, pesando muitas toneladas, e!uipado com
armas !ue correspondiam ao "ogo de um 2atal&/o.
Sem nen&uma o23eç/o, a poderosa m$!uina c&egou até o ponto determinado por
,&odan, !ue depois passou a instruir o ro2 so2re o !ue devia "a-er, a miss/o !ue tin&a a
desempen&ar.
5ompletamente im#vel, o ro2 apenas respondeu:
— *er"eitamenteG 0stou preparado.
5amin&ando de costas, sem perder de vista o ro2, ,&odan c&egou até ao painel de
comandos. 5om as lentes 2ril&ando o ro2 ol&ava para "rente.
,&odan continuava na contagem regressiva, pausadamente: — ...!uatro, tr4s, dois,
um... agoraG
Lm leve estalo no 2ot/o de contato... ouvido apenas por ,&odan. *ois para os
outros, este estalo "oi enco2erto pelo estridente estampido de metais em c&o!ue. 5om
ol&os arregalados, onde se lia o p1nico e a decepç/o, os &omens viram como o poderoso
ro2 ia se trans"ormando. .eu um passo vacilante para "rente. 0n!uanto isto, em "raç:es
de segundo, uma "orça invis)vel o ?apan'ou pelos om)rosA met$licos e...
O peito se a2riu e o material eletrnico produ-ia ru)dos de todos os tipos, como se
tudo estivesse caindo aos pedaços. O ro2 tentou se de"ender, mas eram poucas as
"unç:es de seu corpo !ue ainda estavam intactas. Aca2ou caindo e rece2endo no c&/o o
impacto da!uela "orça descomunal !ue &avia, antes, redu-ido os cu2os met$licos em
c&apas "inas.
.o so2er2o ro2 de com2ate, o !ue so2rou "oi um &orrendo amontoado de metal
acin-entado. 5essou toda espécie de ru)do, "icando na sala de comando apenas o c&eiro
de ca2os elétricos derretidos e de semicondutores incandescentes.
%udo isto se passara em dois ou tr4s segundos. Quando ,&odan desligou o
transmissor, 3$ estava selado o destino do ro2 5Q-T.7SU.
,&odan ol&ou para Atlan, !ue estava do outro lado da sala. O arcnida compreendeu
o ol&ar e "e- apenas um gesto de resignaç/o.
— F$ supun&a um des"ec&o assim — disse ele. — A regulagem est$ 2asicamente
certa, mas o valor do transporte tem !ue ser calculado de novo. %alve- se3a necess$rio um
valor de transporte especial para cada volume de massa. %emos de calcular o valor certo.
*ara isso, precisamos de uma série de o23etos de e'perimentaç/o de taman&os di"erentes.
Isso vai ser "eito agora muito mais depressa, por!ue a regulagem 2$sica pode ser esta
mesma.
*reocupado, ,&odan ol&ou para o calend$rio autom$tico.
; ; ;
(em no centro do enorme &angar, ,eginald (ell estava ocupado em colocar em
estado de partida imediata uma nave de recon&ecimento espacial do tipo ga-ela.
,eginald (ell era o 2raço direito de ,&odan, o segundo &omem do Império Solar.
(ell "oi um dos primeiros !ue "icou sa2endo do resultado dos c$lculos dos matem$ticos.
,ece2era a incum24ncia de descer na!uela regi/o do planeta *eregrino !ue em cada
TC,C &oras surgiria no espaço normal e ninguém sa2ia ao certo por !uanto tempo "icaria
neste espaço, como tam2ém se ignorava a e'tens/o e'ata desta regi/o.
Sa2ia per"eitamente o tipo de miss/o !ue ia en"rentar. Aceitara a incum24ncia
e'tremamente perigosa por!ue n/o somente ,&odan, mas ele tam2ém estava na
depend4ncia de encontrar o planeta *eregrino e, com isso, o "isiotron da duc&a celular.
(ell &avia sido o segundo &omem a rece2er o grande privilégio da imortalidade,
através da duc&a do mundo maravil&oso.
Isto &$ sessenta e dois anos. Se n/o conseguisse renovar o tratamento revitali-ador
dentro do pra-o estipulado, passaria de uma &ora para outra para o estado de um vel&o
decrépito de mais de cem anos e certamente morreria em dois ou tr4s dias.
Somente isto seria motivo su"iciente para !ue ,eginald (ell aceitasse !ual!uer tipo
de empreendimento, por mais arriscado !ue "osse.
N/o aceitou, porém, a proposta de ,&odan de guiar a ga-ela com sua tripulaç/o
completa.
A grande maioria dos comandos da pe!uena espaçonave eram automati-ados. (ell
ac&ou !ue podia cumprir toda a miss/o com apenas um au'iliar. *erguntou ao %enente
%ompetc& se o !ueria acompan&ar na arriscada miss/o, e o 3ovem aceitou com imensa
alegria, como se n/o tivesse a m)nima idéia dos perigos !ue ia en"rentar. (ell l&e
pormenori-ou as di"iculdades !ue iriam encontrar, o enorme risco de vida, etc e etc...
.isse claramente tudo, terminando com a declaraç/o de !ue n/o consideraria nen&uma
desonra ou covardia se ele desistisse.
>as o %enente %ompetc& teve s# uma resposta:
— O sen&or !uer sa2er de uma coisa< F$ sou segundo-tenente &$ muito tempo, pelo
menos con"orme meus conceitos. Se puder "a-er alguma coisa para passar para primeiro-
tenente, é claro !ue n/o vou recusar.
(ell n/o tin&a dei'ado de perce2er o malicioso piscar de ol&o do tenente, !ue
acompan&ou suas palavras entusiasmadas. .eclarou-l&e !ue n/o se tratava de nen&uma
?promoçãoA para primeiro-tenente, mas ele, (ell, &averia de "a-er tudo para !ue
%ompetc& "osse re2ai'ado para ca2o, caso a miss/o "racassasse.
>esmo assim, o tenente continuava "irme, piscando o ol&o e certo da vit#ria.
(ell iniciara os preparativos para a partida 9 meia-noite.
0m circunst1ncias normais n/o seria necess$rio nen&um preparativo. O piloto
pediria autori-aç/o para decolagem, c&egaria até a comporta do &angar e assim !ue as
escotil&as se a2rissem, a nave saltaria para o espaço.
>as o caso, &o3e, era di"erente. %ornavam-se necess$rios instrumentos adicionais
!ue pudessem "ornecer o posicionamento da ga-ela com relaç/o 9 .rusus, numa e'atid/o
de "raç/o de !uilmetro. %in&a-se !ue instalar um dispositivo eletrnico, para economia
de tempo, !ue "osse capa- de registrar o tempo de ligaç/o de um microssegundo até
poucos nanos-segundos, isto é, poucos 2ilionésimos de segundo. *ois da duraç/o deste
tempo de ligaç/o, dependeria, em determinadas circunst1ncias, a vida dos dois &omens na
ga-ela.
Binalmente &avia necessidade de se con"eccionar um modelo !ue contivesse o !ue o
ro2 do planeta *eregrino &avia c&amado, &$ sessenta e dois anos, de ?vi)raç1es
individuaisA de *err+ ,&odan. 0ste modelo estaria em condiç:es de transmitir estas
vi2raç:es a um ampli"icador de telepatia, de maneira !ue o envolt#rio de proteç/o
e'istente no planeta se a2riria assim !ue a ga-ela se preparasse para descer.
Quando começou a tra2al&ar na ga-ela, (ell pensava !ue terminaria os preparativos
em tr4s, no m$'imo em !uatro &oras, mas 3$ eram sete &oras da man&/ e o %enente >iMe
%ompetc& ainda n/o tin&a completado o modelo, !ue era a coisa mais importante a ser
levada com eles.
5on"orme os c$lculos dos matem$ticos, a "ace iluminada da super")cie do planeta
surgiria e'atamente 9s oito &oras, RV minutos e SC segundos. Ninguém, porém, sa2ia o
tempo de sua duraç/o. 0sperava-se !ue "osse su"icientemente longo para possi2ilitar a
descida da ga-ela. *orém, nada mais !ue mera suposiç/o.
*ouco depois das sete &oras, %ompetc& veio com o modelo. Boi colocado no
ampli"icador de telepatia, o !ue demorou mais meia &ora. (ell n/o tin&a mais tempo de
"a-er e'peri4ncia. O modelo devia estar em ordem, pois em caso contr$rio a ga-ela se
incendiaria no c&o!ue contra o envolt#rio de proteç/o do planeta... 3untamente com seus
dois ocupantes.
Os sete e !uarenta e cinco, a ga-ela estava pronta para a decolagem. (ell anunciou o
"ato ao posto de comando e 3unto com a permiss/o de decolagem rece2eu tam2ém o
8ltimo consel&o de ,&odan:
— *reste atenç/oG @oc4s sa2em !ue é um tra2al&o !ue depende de ?"entímetrosA.
Se voc4s n/o estiverem e'atamente no lugar indicado, n/o c&egar/o nem a ver a parte da
super")cie, !ue dir$ ent/o conseguir descer nela. 0 mesmo !uando estiverem no ponto
certo, voc4s sa2em !ue s# disp:em de alguns segundos para penetrar no envolt#rio de
proteç/o e descer. Assim !ue conseguir pousar, v$ imediatamente para o "isiotron. @oc4
disp:e de todos os mapas. N/o espere por mim. N#s a!ui continuaremos tentanto pr em
ordem o transmissor "ict)cio. Se n/o tivermos sucesso dentro de !uin-e &oras,
c&egaremos ao planeta pelo mesmo camin&o !ue voc4s. .e !ual!uer maneira n#s nos
comunicaremos assim !ue c&egarmos ao planeta *eregrino. 0st$ tudo claro<
— 5ompletamente — respondeu ,eginald (ell. — 0nt/o, "elicidades, meu vel&o
amigo.
— O2rigado, *err+, e... "aça tudo para c&egar até l$.
— 0st$ 2emG
A ligaç/o "oi interrompida. Os sete e cin!=enta e cinco, a ga-ela J-7HS começou a
desli-ar para o lado interno da comporta do &angar. A passagem pela escotil&a se
reali-aria dentro de poucos instantes.
Os sete e cin!=enta e oito, a pe!uena espaçonave de con"ormaç/o el)ptica saiu do
gigantesco 2o3o da .rusus e penetrou no espaço com velocidade moderada.
5omeçara a grande aventura. Ninguém sa2eria di-er como terminaria. O pra-o
concedido pelo Ser do *eregrino s# e'piraria da) a cento e trinta e seis &oras.
; ; ;
A ga-ela J-7HS pairava im#vel no espaço, sendo !ue esta imo2ilidade se re"eria 9
.rusus e ao planeta. ,eginald (ell regulara a pe!uena nave con"orme os dados sugeridos
pelos matem$ticos. *or "alta de outros sistemas de re"er4ncia, os dados de
posicionamento eram transmitidos pelo Sicocen, isto é, Sistema de 5oordenadas do
5entro da Nave. *ortanto, um sistema de coordenadas cu3a origem era a pr#pria .rusus,
ou mel&or, o centro da .rusus.
.epois de algumas mano2ras, (ell tomou a direç/o calculada. 0ram oito &oras e
do-e minutos. .epois disso, permaneceu sentado na poltrona, 2em encostado, o2servando
com e'atid/o todo o painel e, de ve- em !uando, tam2ém os aparel&os de rastreamento,
trocando 9s ve-es uma palavra com o %enente %ompetc&.
— Que &oras s/o< — perguntou por "im.
— Oito e trinta e !uatro, sen&or.
(ell "e- os c$lculos. Ainda vinte e tr4s minutos e alguns segundos.
; ; ;
— Ac&amosG — e'clamou Atlan. — O valor do transporte est$ em relaç/o com a
massa transportada. Lma relaç/o constante com variaç/o redu-ida. @ai nos ser di")cil
cometer outros erros, agora.
Ol&ando para o diagrama, ,&odan concordou com o arcnida.
O valor de transporte para uma massa de cem toneladas era apenas tr4s ve-es e meia
maior do !ue para uma massa de cem gramas. *ara o transmissor "ict)cio isto !ueria di-er
!ue seriam necess$rias apenas cinco regulagens di"erentes para co2rir a escala de cem
toneladas. Lma regulagem um pouco mais alta teria sido su"iciente para salvar o ro2
5Q-T.7SU.
,&odan "e- uma e'peri4ncia com mais um ro2. O resultado "oi positivo. O ro2
desapareceu da sala de comando e n/o restava nen&uma d8vida de !ue tivesse surgido no
mesmo instante no planeta *eregrino.
Isto aconteceu pouco antes das oito e meia. Os oito e !uarenta e cinco, ,&odan
tentou de novo "alar com ,eginald (ell e com o %enente %ompetc& pelo r$dio. N/o teve
sucesso, pois a ga-ela neste momento 3$ se encontrava &$ muito 9 som2ra do espaço
intermedi$rio, !ue e'clui !ual!uer ligaç/o.
*err+ deu ordem para !ue dei'assem de prontid/o uma outra ga-ela e começassem a
transportar o transmissor dos raios teleportadores para a comporta e'terna do grande
&angar. 5om isto, se evitavam mano2ras in8teis e di")ceis, pois t/o logo a ga-ela dei'asse
o 2o3o da .rusus, &averia de incidir no campo de aç/o do transmissor "ict)cio e assim
seria transportada diretamente para o planeta.
Boi o pr#prio ,&odan !uem regulou o valor e'ato do transporte, em2ora o "i-esse
um tanto a contragosto, pois sentia "alta da série de testes e'perimentais, !ue sempre
costumava "a-er, para maior segurança.
5onsolou-se com o pensamento de !ue, de "ato, n/o tin&a mais tempo para perder e
de !ue o valor de transporte por ele a3ustado nada mais era do !ue o resultado de um
c$lculo meticuloso e por conseguinte n/o &avia motivos de preocupaç/o.
0ram ent/o oito &oras e cin!=enta e dois minutos, !uando estes pensamentos l&e
passavam pela ca2eça.
; ; ;
*oucos instantes ap#s oito e cin!=enta e sete, o rastreador de corpos materiais
começou a dar sinais, isto é, ouviu-se um -unido "ino e 2em no centro da tela começou a
lu-ir um ponto min8sculo. Quando (ell o perce2eu, 3$ estava aumentando de taman&o.
Automaticamente, a m/o direita de (ell "e- um movimento para o lado, ligando o
ampli"icador de telepatia, !ue, por intermédio do modelo de *err+ ,&odan nele colocado,
irradiava as vi2raç:es individuais. >esmo antes de poder recon&ecer a imagem na tela
circular, colocou lentamente a ga-ela em movimento, de "orma !ue o ponto luminoso na
tela do rastreador c&egou mais para o centro.
Lm tanto e'citado, %ompetc& e'clamou de repente:
— Ol&e ali, sen&or. 0st$ vendo< ,eginald (ell ergueu a ca2eça e viu na tela um
trec&o de claridade esmaecida, !ue surgia ao lado do ponto luminoso, !uase no meio da
parte anterior da tela, aumentando a ol&os vistos, como se viesse de encontro 9 ga-ela
com toda a velocidade.
(ell procurou dominar o pavor !ue a!uele !uadro singular l&e causava e acelerou os
motores de propuls/o ao m$'imo. 0nt/o, como !ue atingida pelo soco de um gigante, a
ga-ela deu um salto para "rente, de encontro ao o23etivo ainda meio inde"inido.
0n!uanto (ell concentrava toda sua atenç/o no controle dos instrumentos, o
%enente %ompetc& o2servava a tela panor1mica. Notou !ue a manc&a de um 2ranco
esmaecido ia tomando "orma de"inida e aumentando de tal "orma !ue se podiam ver
detal&es. Lma regi/o ampla, de tom esverdeado !ue supun&a ser um mar, com litoral
2em recortado, onde &avia uma mata virgem 2em densa, o curso de um rio 2em largo —
e além, a escurid/o misteriosa do espaço in"inito. A imagem era redonda e cont)nua. Lma
il&a no espaço, aparentemente -om2ando de todas as leis da nature-a. O tenente ol&ava
atento, acompan&ando o r$pido crescimento do mar e da mata virgem e depois, ao
atingirem todo o taman&o da tela, começaram a se atro"iar, como se estivessem
encol&endo.
Lma das 8ltimas coisas !ue vira — uma curva dupla no grande rio, desapareceu
logo a seguir. 0ra a mural&a impenetr$vel do espaço intermedi$rio !ue se a2atia de novo
so2re a ga-ela.
— Atingimos o m$'imoG — disse %ompetc& um tanto nervoso. — N/o
conseguiremos mais do !ue isto.
(ell nem se moveu. Ol&ando de lado, o tenente perce2eu !ue a!uele rosto de
ordin$rio, sempre a2erto e 2rincal&/o, estava agora sério, de sem2lante muito carregado.
Lm ,eginald (ell 2em di"erente do !ue %ompetc& tin&a na mem#ria. Devado por esta
desco2erta, o tenente tam2ém silenciou.
O trec&o vis)vel do planeta continuava se atro"iando. Num re"le'o r$pido, %ompetc&
calculou !ue o per)odo de dilataç/o tin&a durado cerca de setenta segundos, portanto, de
U &oras, RV minutos e SC segundos até U &oras, RU minutos e CC segundos. Agora eram
e'atamente U &oras, RW minutos e R segundos. %in&am apenas cin!=enta segundos para a
aterrissagem.
Ao ultrapassar a mural&a invis)vel, a ga-ela empinou.
— Isto é o envolt#rio de proteç/o — constatou (ell. — Agora podemos di-er !ue
conseguimos o principal.
O pe!ueno trec&o arredondado da super")cie do planeta estava agora aos pés deles.
Sem poder acreditar no !ue via, o tenente notou !ue o c)rculo se encol&ia cada ve- mais,
e !ue os detal&es !ue vira até poucos instantes antes sumiam completamente. A2ai'o
deles estava o trec&o de mata virgem.
,eginald (ell "e- uma aterrissagem e'perimental. 5om as v$lvulas de ar
comprimido a toda press/o, arrancando mesmo algumas $rvores !ue impediam a
aterrissagem, a pe!uena nave "oi 2ai'ando, "reada pelo 3ato de ar das v$lvulas, em
direç/o do centro da manc&a esmaecida, !ue ainda se podia ver e !ue n/o tin&a mais de
dois !uilmetros de di1metro.
O c&o!ue contra o solo pegou o tenente desprevenido. O solavanco o atirou para
"rente. Bec&ou os ol&os, e, sem poder reagir, teve a sensaç/o de estar num carrossel,
girando numa velocidade louca. 0stava com receio de se sentir mal e aca2aria vomitando.
>as, pouco depois, o carrossel parou de girar.
Ao a2rir os ol&os, viu, na tela panor1mica, !ue estava no meio de uma mata virgem
e acima das copas das $rvoresP viu tam2ém !ue alguma coisa de ameaçadora, misteriosa,
escura !ue vin&a de todos os lados so2re ele. O sua "rente, se ergueu ,eginald (ell.
A ga-ela estava inclinada so2re a ramagem da "loresta.
— 5onseguimosG< — disse (ell, um tanto incerto. — N/o &$ d8vida de !ue
c&egamos ao planeta. >as, agora a !uest/o é como continuar.
*or cima das copas das $rvores se apertava cada ve- mais o cerco da mural&a da
escurid/o. %ompetc& devia estar possu)do totalmente pelo terror. Sem o perce2er, seus
dedos procuraram a "ivela do cintur/o de segurança, a2riram-na automaticamente,
a"astando as duas e'tremidades. Devantou-se e sentiu um dese3o irresist)vel de correr.
(ell, !ue parecia ler seus pensamentos, pousou-l&e a m/o no om2ro, di-endo:
— 5alma, amigo %ompetc&, o neg#cio n/o pode ser t/o "eio assim.
O tenente tremia. .e ol&os arregalados "icou vendo como a parede negra ia
enco2rindo uma $rvore ap#s a outra, apro'imando-se r$pida da ga-ela.
— Ol&e, ol&e — gritou ele "ora de si de tanto medo — ela vai nos en...
0 a escurid/o "oi total.
Aparentemente, a parede negra os &avia engolido. N/o se via mais nada além das
$rvores. .esanimado, o tenente ol&ava atnito para as l1mpadas de controle !ue ainda
estavam acesas na ca2ina de comando, como se nada de anormal tivesse acontecido.
(ai'ou os ol&os para si mesmo, ol&ou para ,eginald (ell !ue a seu lado sorria
normalmente e... de repente, teve vergon&a de seu procedimento. (ateu com a m/o na
ca2eça, "ec&ou os ol&os.
Segundos depois, (ell ouviu suas palavras entrecortadas de soluços:
— *erd/o, sen&orG 5omportei-me como um covarde.
>ais uma ve-, (ell l&e 2otou a m/o no om2ro, di-endo:
— N/o diga 2o2agem e n/o se3a t/o tr$gico assim. Aconteceu comigo a mesma
coisa. %am2ém tive muito medo. Agora desligue toda a lu- de 2ordo. *recisamos ter
escurid/o completa se !uisermos ver alguma coisa.
%ompetc& ol&ou. N/o estava compreendendo para !ue serviria a escurid/o ali
dentro. Boi camin&ando pelo c&/o inclinado da nave até a ca2ina de comando, desligando
ent/o a c&ave geral. O -um2ido, !ue até ent/o se ouvia na ca2ina, cessou totalmente, e
todas as l1mpadas, mesmo as de controle dos instrumentos, se apagaram. A escurid/o era
a2soluta.
O tenente voltou para seu lugar. Andando 9s apalpadelas, c&egou até o assento do
piloto, onde sentou-se, ol&ando para as trevas dentro e "ora da ga-ela. .epois de alguns
instantes, conseguiu vislum2rar os contornos do espaldar das poltronas e o re"le'o "raco
no vidro da tela panor1mica, c&egando mesmo a perce2er, a !uatro metros dele, a sil&ueta
con"usa da "igura de (ell. 0s"regou os ol&os para a"astar !ual!uer alucinaç/o, pois neste
am2iente n/o podia &aver nen&uma claridade, por menor !ue "osse. 0ra o espaço
intermedi$rio, !ue, como &avia aprendido, "ora de !ual!uer imaginaç/o &umana e va-io
de !ual!uer coisa !ue um ser &umano pudesse sentir, como lu-, som ou calor.
>as a imagem ali estava. Ali estava o espaldar da poltrona, o re"le'o da tela
panor1mica e do outro lado, im#vel, a sil&ueta de ,eginald (ell.
— @oc4 est$ vendo alguma coisa< — perguntou-l&e (ell.
— Sim — retor!uiu %ompetc& com alguma &esitaç/o. — Ac&o !ue eu o estou
vendo...
— K um 2om sinal — disse (ell mais alegre. — 5omigo se d$ a mesma coisa. >as
no começo pensava se tratar de mera imaginaç/o. *ortanto, &$ vest)gios de lu- neste
espaço intermedi$rio.
Su2iu um pouco mais para poder ol&ar mel&or para a tela panor1mica. 0n!uanto
isto, o tenente se es"orçava para recon&ecer !ual!uer coisa na tela panor1mica. .epois de
algum tempo, viu os contornos das $rvores, a selva escura !ue &avia sido enco2erta &$
pouco pela mural&a de trevas. %entou recon&ecer a cor do céu !ue pairava por so2re as
copas das $rvores e se decidiu por um vermel&o-escuro.
— @oc4 tam2ém est$ vendo o céu vermel&o, como eu< — perguntou neste
momento (ell.
O tenente con"irmou.
— %emos de comparar todas as impress:es — e'plicou (ell, ao notar a estupe"aç/o
de seu au'iliar. — A!ui, n/o podemos ter certe-a se duas pessoas v4em as mesmas coisas
nos mesmos o23etos. 0u n/o gostaria de cometer algum erro num assunto deste. @oc4
o2servou 2em a tela panor1mica. Através do mapa, voc4 poderia desco2rir em !ue lugar
n#s descemos<
O tenente se lem2rou da curva dupla do grande rio !ue tin&a o2servado com muita
nitide- e se recordava de !ue a ga-ela passara, no m$'imo, a uns cinco !uilmetros da
margem do rio, antes de aterrissar.
— Ac&o !ue posso.
— 0nt/o acenda as lu-es. @amos nos orientar.
%ompetc& acionou novamente a alavanca da c&ave geral. Quando o con3unto
gerador começou a "uncionar, ligou tam2ém a lu-. 5amin&ando pelo c&/o inclinado, (ell
c&egou até um arm$rio na parede, de onde tirou uma pasta com muitos mapas.
— @oc4 sa2e — disse ele su2indo na direç/o de %ompetc& — !ue o planeta
*eregrino é um mundo como os &omens de antigamente imaginavam: uma mesa lisa, de
cu3as 2ordas a gente poderia cair, se n/o e'istisse o envolt#rio de proteç/o. N#s
mapeamos toda a super")cie do planeta. %odas as mediç:es s/o e'atas, em2ora na!uela
ocasi/o n/o tivéssemos muito tempo. *ode ser !ue nem todas as particularidades deste
mundo este3am registradas.
%ompetc& pegou o mapa e o desdo2rou na mesa, com certa impaci4ncia e
curiosidade.
— O envolt#rio de proteç/o — continuou (ell — tem um e"eito secund$rio muito
proveitoso, como pudemos o2servar. *rodu- um campo magnético por meio do !ual se
pode determinar os pontos cardeais. O mapa "oi con"eccionado convencionalmente com o
norte em cima e o sul em2ai'o.
O dedo indicador do tenente percorria o mapa. Ac&ou registrados v$rios rios, mas
nen&um deles tin&a a!uela curva dupla, o2servada com tanta clare-a. *ercorrendo a lin&a
do litoral, ac&ou uma desem2ocadura de rio, !ue pela sua largura mais parecia uma 2a)a.
.os "undos desta, um traço "ino e sinuoso penetrava terra adentro. 0, somente depois de
uns cin!=enta !uilmetros, é !ue apresentava a largura !ue %ompetc& 3ulgava ter visto.
— N#s tivemos a mesma surpresa !ue voc4. Lm rio !ue perto de sua nascente é de-
ve-es mais largo !ue em sua desem2ocadura. 0 sa2e voc4 de onde "oi !ue 0le tirou esta
idéia<
%ompetc& "e- !ue n/o, apenas com a ca2eça.
— @oc4 con&ece o ,io Ama-onas< — perguntou-l&e (ell.
— S# no mapa, naturalmente.
— (em. 0nt/o voc4 3$ ouviu "alar no estreitamento do leito do rio na regi/o de
X2idos. Até ali, o Ama-onas tem v$rios !uilmetros de largura. 0m X2idos ele se aperta
para menos de um !uilmetro. 0u vi tudo isto &$ muitos anos atr$s. N/o se nota nada de
e'traordin$rio em si. >as, pode-se imaginar a "orça imensa do rio neste trec&o. 0le
parece ter "icado encantado com esta imagem imponente e assim criou este rio a!ui
usando o modelo do Ama-onas. 0, do estreitamento do leito em X2idos, ele "e- um
trec&o de cin!=enta !uilmetros, onde o rio dispara a uma velocidade incr)vel.
%ompetc& ouvia meio assustado.
— O sen&or !uer di-er !ue 0le copiou isto da %erra<
— @oc4 n/o sa2ia disto< — perguntou (ell com cara de admirado. — 0ste mundo é
arti"icial. N/o s# o mundo em si, mas cada curva do rio, cada montan&a, cada mar é
arti"icial. 0le percorreu toda a Jal$'ia e moldou depois a paisagem, con"orme seu gosto.
Lm tanto perple'o, o tenente retornou a seu mapa. 5ontinuou seguindo o curso do
rio, plasmado 9 semel&ança do grande Ama-onas, até encontrar pouco depois a curva
dupla, !ue &avia o2servado antes da aterrissagem. .a!uela curva dupla, %ompetc& traçou
uma reta na direç/o noroeste, reta esta !ue cru-ava o rio o2li!uamente e terminava
poucos !uilmetros para o norte da sua margem, no meio de uma regi/o, onde pela cor do
mapa, se podia esperar uma selva tropical com muita precipitaç/o pluvial.
— A!ui, a!ui — disse %ompetc& — é !ue devemos ter descido.
,eginald (ell n/o disse nada. Bec&ou os ol&os, como para se concentrar. .epois,
com os dois dedos, saiu da!uele ponto onde deviam ter descido, su2iu na direç/o norte,
cru-ou dois mares, uma il&a-continente e "inalmente parou no litoral sul de uma enorme
"ai'a de terra, situada 2em ao norte.
— N/o poder)amos ter escol&ido lugar pior do !ue este para nossa aterrissagem —
di-ia (ell mal-&umorado. — %oda a e'tens/o desta mesa, !ue é o planeta do mundo
arti"icial, tem oito mil !uilmetros de di1metro. .a!ui até a cidade onde se encontra o
"isiotron s/o !uase seis mil.
Ol&ou descon"iado para a tela panor1mica, mas, agora !ue as l1mpadas estavam
acesas, n/o se conseguia ver nada. Aca2ou desligando a tela.
— @amos prosseguir o camin&oP t/o logo possamos ver alguma coisa — disse da
escurid/o para o %enente %ompetc&. Se o radio"arol "uncionar, ser$ uma maravil&a. Se
n/o "uncionar...
.ei'ou em 2ranco o !ue ent/o aconteceria. O tenente ouviu !uando ele se dirigiu
para o posto de comando e tomou seu lugar, soltando um prolongado suspiro.
— Sente-se a!ui ao meu lado — ordenou (ell. — *egue o mapa e diri3a o
radio"arol. Algumas l1mpadas de controle est/o acendendo e isto é su"iciente para !ue
voc4 possa "a-er seus c$lculos.
O tenente "e- como ele mandou. Ao procurar seu lugar com o mapa na m/o,
tropeçou em alguma coisa !ue estava no seu camin&o. Assim !ue sentou, reparou !ue os
ol&os se acostumavam depressa com a escurid/o.
Surgiram na tela os primeiros contornos das $rvores.
(ell esperou uns !uin-e minutos. Quando c&egou 9 conclus/o de !ue mais n)tido do
!ue agora era imposs)vel, ligou os motores de propuls/o. 0sperou até !ue surgisse a!uele
ru)do caracter)stico da rotaç/o normal, !ue l&e dava a certe-a de !ue tudo estava cem por
cento. .epois, lentamente, "oi soltando a alavanca de partida.
5ontinuou a o2servar os menores sinais na tela panor1mica. Fulgava !ue em 2reve
&averia de ver as $rvores l$ em2ai'o, cada ve- mais se distanciando deles. *ura ilus/o,
por en!uanto tudo estava parado. F$ &avia soltado a alavanca de partida, pelo menos até o
meio, e nada &avia acontecido. 0m circunst1ncias normais, a ga-ela teria dado um salto
para cima, como se "osse atirada por um can&/o. 0m ve- disso, l$ estava ela: parada entre
as $rvores, sem se me'er.
(ell soltou mais ainda a alavanca de decolagem, ol&ou in!uieto para a grande tela
panor1mica, sentindo o suor escorrer pela "ace.
Que aconteceria se os motores de propuls/o enguiçassem totalmente<
0stavam encarcerados no 1mago de uma mata virgem, c&eia de animais
descon&ecidos. O 8nico trec&o mais a2erto era o rio, mas distava pelo menos cinco
!uilmetros. 0 mesmo !ue "ossem apenas cem metros, (ell seria t/o prudente de n/o sair
da pe!uena espaçonave, pelo menos en!uanto n/o tivesse a certe-a de !ue suas armas
"uncionariam neste tr4s ve-es maldito espaço intermedi$rio.
Num movimento 2rusco, comandado por um )mpeto de ira, deu um soco na
alavanca de decolagem, dei'ando-a no seu ponto m$'imo. N/o contava realmente com a
m)nima possi2ilidade de 4'ito.
>as, de repente, as $rvores l$ em2ai'o começaram a se a"astar lentamente. .e ol&os
arregalados, (ell viu !ue os gal&os surgiam e sumiam e, "inalmente, no vidro "osco da
tela panor1mica, n/o se via mais nada, a n/o ser o vermel&o-escuro do céu do planeta
*eregrino. Lma onda de pensamentos diversos invadiu a ca2eça de (ell.
*elo ru)do t)pico das tur2inas de propuls/o, reparou !ue seu "uncionamento
correspondia 9 posiç/o em !ue estava a alavanca.
A ga-ela estava regulada para uma velocidade média e, em circunst1ncias normais, a
espaçonave tin&a !ue acelerar para o alto com uma velocidade Y. Se n/o o "e-, n/o "oi
certamente por culpa das tur2inas de propuls/o. O gerador antigravitacional, !ue "ornecia
o campo de amortecimento do c&o!ue, atuava na depend4ncia da solicitaç/o dos motores.
F$ !ue "uncionavam normalmente, devia e'istir agora no interior da nave um anticampo
do valor Y.
>as 3$ !ue a ga-ela n/o tin&a mais !ue a aceleraç/o de um metro por segundo, os
dois ocupantes da espaçonave seriam esmagados em poucos instantes por este anticampo.
*ortanto, n/o &avia na realidade nen&um anticampo. (ell estremeceu todo s# em
pensar no !ue teria acontecido se n/o se mani"estassem estes dois e"eitos misteriosos: a
"orça !ue impedia a nave de su2ir com a velocidade !ue corresponderia 9 posiç/o da
alavanca, no ponto mais alto da escala, e o desaparecimento do anticampo, ao mesmo
tempo, com o primeiro e"eito, portanto se neutrali-ando mutuamente.
Ol&ou rapidamente para %ompetc&, mas o tenente parecia n/o estar preocupado com
nada. N/o c&egou a compreender o perigo por !ue passara e (ell evitou de assust$-lo.
(an&ado em suor, dirigia a ga-ela em direç/o ao norte...
>iMe %ompetc& estava muito ocupado com o radio"arol. 0'aminava com "re!=4ncia
as lu-es de controle e se sentia "eli-, vendo !ue todas estavam "uncionando e o aparel&o,
em condiç:es de ser usado.
Be- a primeira e'peri4ncia.
5om um simples aperto de um 2ot/o, um amplo "ei'e de raios luminosos saltou da
ga-ela, e, a tr4s !uilmetros da nave, 2ateu de encontro 9 super")cie do planetaP re"letiu,
produ-indo na tela panor1mica a imagem da paisagem em2ai'o.
>aravil&ado, o tenente contemplava o grande painel, vendo primeiramente surgir
2em n)tido os contornos do rio !ue "lu)a para o oceano em lin&a reta. @iu o litoral !ue
começava a aparecer e, mais para o sul, o relevo irregular da mata virgem.
O radio"arol estava "uncionando. 5om certa emoç/o, %ompetc& comunicou a (ell
!ue a imagem na tela estava de acordo com o mapa.
Assim se passou uma &ora — uma longa &ora em !ue o rosto de (ell gote3ava de
suor e em !ue o tenente n/o via outra coisa a n/o ser a mon#tona super")cie do oceano.
>anuseando ainda o mapa, %ompetc& desco2riu, no litoral sul, uma il&a pe!uena !ue a
ga-ela teria !ue so2revoar, caso mantivesse o mesmo curso. 5om a redu-ida velocidade
com !ue avançavam, esta il&a s# seria atingida depois de uma &ora.
%ompetc& se recostou na poltrona e deu largas 9 sua "antasia. 5asualmente, deu com
os ol&os na tela panor1mica do rastreador. 0stremeceu todo e, com um grito meio
a2a"ado pela surpresa, esticou o corpo para "rente.
— A il&a, sen&orG — disse transtornado.
— Que il&a< — perguntou (ell.
— A du-entos !uilmetros do litoral &$ uma il&a pe!uena, sen&or. 0stamos nos
movendo a cem !uilmetros por &ora, portanto s# c&egar)amos a ela da!ui a duas &oras e
no entanto, ol&e, l$ est$ ela, 2em em2ai'o de n#s.
5ético, (ell ol&ou para a tela.
— Ser$ !ue voc4 n/o se enganou ao consultar o mapa<
— 5laro !ue n/o — respondeu %ompetc&.
— 0nt/o o radio"arol n/o est$ "uncionando, pois est$ dando a direç/o errada. 0st$
mostrando como se estivesse aos nossos pés uma coisa !ue "ica a mais de cem
!uilmetros de n#s.
%ompetc& começou a calcular. 5omparou as dimens:es da il&a assinalada no mapa
com as !ue apareciam na tela. Sua surpresa aumentou. 5on"uso, ol&ou para (ell e disse
um tanto e'citado:
— A il&a... devia ter cin!=enta !uilmetros de largura, sen&or... e tre-entos de
comprimento. O comprimento est$ certo, mas a largura, de acordo com a tela, mede
apenas vinte e cinco !uilmetros.
(ell deu um salto de sua poltrona. 5omparou as dimens:es da il&a no mapa com os
dados de %ompetc& e ac&ou !ue realmente ela tin&a cin!=enta !uilmetros pelo mapa.
.epois e'aminou a imagem da tela e constatou imediatamente !ue ali a il&a tin&a apenas
vinte e cinco de largura.
5omeçou a comparar os dois dados di"erentes ou discrepantes. A il&a estava apenas
a cem !uilmetros do litoral, em2ora a dist1ncia "osse realmente de du-entos
!uilmetros, !uando o mapa "oi con"eccionado. A largura era apenas de vinte e cinco
!uilmetros, !uando de "ato devia ter cin!=enta.
S# podia &aver uma 8nica e'plicaç/o para tudo isto: O planeta *eregrino &avia
encol&ido na escala de uma para doisG
3
Os nove e !uin-e do dia 76 de a2ril de 7.HC7, estavam terminados todos os
preparativos para o salto "ict)cio da ga-ela.
A 2ordo da pe!uena espaçonave, !ue desli-ava lentamente para a comporta do
&angar, estavam *err+ ,&odan, Atlan, o arcnida, .r. Ali el Fagat, c&e"e dos matem$ticos
da .rusus, Fo&n >ars&all e André NoirP dois mutantes da tripulaç/o do grande couraçado
e o corpo de Natan, o ser de Solitude.
Quando se a2riu a escotil&a interna e a ga-ela parou diante da comporta e'terna de
lançamento, o pra-o para a renovaç/o da duc&a celular ainda era de cento e trinta e cinco
&oras.
5omo de pra'e, ,&odan era !uem dirigia a pe!uena espaçonave. 5om uma
ansiedade !ue mal conseguia dis"arçar, esperou os dispositivos autom$ticos a2rirem
totalmente a comporta de "ora, para a sa)da da ga-ela. Be- com !ue a nave descesse
lentamente a rampa e desli-asse para o espaço, prendendo a respiraç/o para o impacto
!ue viria a seguir, assim !ue a ga-ela "osse atingida pelos raios transportadores do
transmissor "ict)cio.
0stes raios transportadores tin&am in)cio "ora do envolt#rio de proteç/o da .rusus,
isto é, mais ou menos a cento e cin!=enta metros além das paredes e'ternas do grande
couraçado espacial. N/o se conseguia ver o in)cio deste campo magnético. Na grande tela
se via somente a negrid/o do in"inito e, de ve- em !uando, uma leve cintilaç/o
proveniente de part)culas c#smicas.
,&odan sentiu, de repente, como todo este empreendimento era irreal. %ratava-se da
imortalidade, algo di")cil de se compreender ou de se imaginar. O campo de aç/o se
desenrolava ou se desenrolaria num espaço !ue estava entre as dimens:es e !ue era, n/o
apenas inimagin$vel, como principalmente a2surdo.
*arados ali "ora, diante do envolt#rio de proteç/o da .rusus, esperavam pelos raios
transportadores !ue &averiam de lançar a ga-ela com sua tripulaç/o, sem a menor perda
de tempo, para um ponto a mais de muitos mil&:es de !uilmetros de onde estavam.
Iriam contradi-er todos os princ)pios cient)"icos !ue, &$ menos de cem anos, ainda
norteavam a ")sica da %erra.
,&odan n/o se sentia 2em com isto. Lma onda de terror o invadia — o medo
at$vico diante do descon&ecido, do incompreens)vel. %entou reagir contra este instinto,
como sempre "a-ia nas &oras di")ceis. %eve um )mpeto de ira e "e- a ga-ela disparar de
repente para cair no campo magnético, onde os raios transportadores a esperavam.
,etesou os m8sculos para a2randar o c&o!ue esperado, mas teve !ue constatar !ue o
impacto "oi muito maior do !ue supun&a.
Atingiu-o com a viol4ncia de um martelo &idr$ulico. *arecia !ue uma c$psula de
metal, "eita e'atamente de acordo com suas medidas, &avia envolvido todo seu corpo
num milionésimo de segundo, estrangulando-o. Jritou, mas n/o pde ouvir sua vo-.
0stran&ou a escurid/o total em volta dele e por toda parte, n/o podendo ver nem ouvir
seus compan&eiros. *rocurou resistir 9 enorme press/o !ue se a2ateu so2re ele. >as,
!uanto mais "orça "a-ia, tanto mais dores sentia.
Quedou inerte, parou de gritar, tentando suportar o incompreens)vel.
A dor, porém, "oi t/o aguda !ue por uns instantes o dei'ou inconsciente.
@oltou a si 2an&ado em suor. .iante de seus ol&os, dançavam c)rculos coloridos e
seus pulm:es ar"avam como se tivesse terminado na!uele instante uma corrida de de- mil
metros. >as, apesar das dores atro-es, !ue ainda sentia 2astante, perce2eu !ue a ga-ela se
encontrava a poucos !uilmetros de uma paisagem di"erente, t/o estran&a !ue n/o se
recordava de ter visto antes coisa semel&ante.
%omado de incr)vel perple'idade, constatou !ue o salto espacial pelos raios
transportadores tin&a sido 2em sucedido. Sorridente, ol&ou para o sol es"u-iante !ue
2ril&ava num céu de um a-ul sereno, espargindo uma onda suave de lu- e calor num
enorme par!ue.
0stavam no planeta *eregrino.
; ; ;
Natan conversou tanto com o estran&o, até !ue este perdeu a vontade de "alar e "icou
!uieto. >as, nesta conversa toda, Natan tin&a recol&ido 2oas in"ormaç:es. Sa2ia onde
estava a cidade !ue era o o23etivo de seu amigo. 0 como n/o &ouvesse ou n/o sou2esse
coisa mel&or para "a-er, ps-se a camin&o dela.
0stava num estado de esp)rito muito es!uisito. A aus4ncia de seu corpo n/o o
incomodava muito, primeiro por!ue sa2ia !ue seu amigo o a3udaria a encontr$-lo e
depois, n/o seria para ele uma perda irrepar$vel se tivesse de continuar sua e'ist4ncia
somente como esp)rito separado do corpo. K claro !ue &averia de sentir dores, se seu
amigo — caso n/o o conseguisse encontrar mais — dei'asse seu corpo t/o longe dele,
!ue os re"le'os mentais n/o o pudessem mais atingir e assim "icassem retidos no pr#prio
esp)rito. >as mesmo estas dores seriam suport$veis.
*orém n/o era isso !ue Natan estava sentindo. O !ue o atormentava era o mesmo
sentimento !ue tivera antes, !uando passou por este espaço escuro, de camin&o para o
planeta *eregrino: o sentimento da solid/o. Nunca o sentira assim. *ois os &a2itantes de
Solitude viviam em grandes grupos e !ual!uer um !ue se a"astasse por um per)odo mais
longo, podia "a-4-lo sem susto, pois alguns !uilmetros para "rente ac&aria um outro
grupo !ue o rece2eria de 2raços a2ertos. *ortanto, em Solitude n/o &avia solid/o.
Até !ue c&egaram os druu"s, !ue aca2aram pegando e prendendo os seres de
Solitude. Natan estava se lem2rando !ue nem nesta época ele se sentira t/o s# como
agora. Na sua e'ist4ncia como esp)rito, podia se encontrar e se divertir com outros
esp)ritos tam2ém presos pelos druu"s. Além de tudo, o #dio contra os druu"s era t/o
grande !ue a2a"ava !ual!uer outro sentimento >as neste planeta n/o &avia nada. 0stava
so-in&o num mundo arti"icial, cu3o sen&or se acastelava numa cidade long)n!ua e 3$ se
a2orrecera de conversar com ele. N/o &avia mais ninguém com !uem pudesse trocar
idéias. O !ue via, ouvia e sentia, tin&a !ue guardar s# para si. >as o caracter)stico de sua
raça era e'atamente a comunicaç/o, conversar com os outros, trocar recordaç:es e
e'peri4ncias, "alar so2re viv4ncias pr#prias, pensamentos coletivos e assim se divertirem.
*or onde !uer !ue se ol&asse, era a solid/o. Natan tin&a c&egado a uma plan)cie com
muito capim, !ue se estendia a perder de vista, até a ne2lina pardacenta. N/o &avia nada
para ver, a n/o ser capim e muito raramente um ou outro 2esouro.
Natan estava remoendo estes pensamentos na ca2eça, !uando perce2eu movimento
9 sua "rente. A princ)pio viu apenas traços escuros !ue se moviam, 2em rente ao capim.
Os traços "oram aumentando e Natan pde constatar !ue se tratava de seres !uadr8pedes
!ue ali c&egaram a grande velocidade.
Quando ainda estavam a uns cem metros dele, notou a estran&a "ormaç/o de seu
corpo. %in&am ca2eça e pescoço alongados, !uatro patas e cauda volumosa, mas o
es!uisito era !ue de seus dorsos crescia um segundo corpo menor, !ue por sua ve- tin&a
uma ca2eça e duas pernas. Natan, mais do !ue depressa, correu de encontro a eles, do
mesmo modo como eles galopavam na sua direç/o. O primeiro dos dois animais,
perce2endo a presença de Natan, parou instantaneamente. 5om isso o animal de !uatro
patas se empinou todo no ar, mantendo no c&/o apenas as patas tra-eiras.
A) "oi !ue Natan notou !ue o segundo corpo, apoiado so2re o dorso do !uadr8pede,
tam2ém se movimentava com agilidade e !ue, de repente, apareceu com uma arma na
m/o, constitu)da de uma peça recurvada e de outra reta, !ue se encontravam em suas
e'tremidades.
5&eio de pavor, Natan viu !ue a peça recurvada se ar!ueou mais e, de repente, a
peça reta avançou para "rente, cortando o ar com e'trema "8ria e penetrando na e'ist4ncia
espiritual de Natan.
O ser, !ue estava apoiado no outro, "icou aterrori-ado. Natan, porém, correu para
"rente deles. >as viu como a ca2eça, !ue pertencia ao segundo corpo apoiado no corpo
maior, virou para tr$s diversas ve-es, numa tentativa de v4-lo de novo.
Aceitou o incidente 2anal como uma 2rincadeira agrad$vel e correu no encalço da
estran&a apariç/o. A) aconteceu uma coisa interessante. O segundo corpo, !ue so2ressa)a
do dorso do primeiro, se desprendeu totalmente e caiu no capim. O !uadr8pede continuou
correndo. O !ue rolou no capim se levantou novamente e saiu pulando.
Natan "oi compreendendo mel&or. 5ada um destes dois seres era constitu)do por
duas criaturas. .e um !uadr8pede, isto é, da!uele !ue agora corria atr$s do grupo dos
outros e de um outro !ue estava em seu dorso e agora tin&a ca)do no capim. O !ue ca)ra
do dorso do !uadr8pede era muito semel&ante, !uanto 9 construç/o do corpo, a seu amigo
da grande nave. Apenas tin&a roupa di"erente e um en"eite colorido na ca2eça.
Natan ent/o tomou uma nova "orma e identi"icou-se com o ser de duas pernas, !ue
continuava correndo... Natan o ultrapassou e parou na "rente dele. 5&egou a ver como o
ser de duas pernas arregalou os ol&os e a2riu a 2oca. Ouviu um grito de &orror e, para
acalm$-lo, "e- um gesto !ue, para ele. Natan, signi"icava pa-.
No entanto, o estran&o ser pu'ou um o23eto, "eito de um pedaço de madeira e de
uma parte met$lica, !ue até ent/o estava metido na cintura, escondido pela roupa !ue
envolvia o corpo do estran&o. Devantou o tal o23eto na altura dos ol&os, deu um passo em
direç/o a Natan, apontando-l&e o o23eto.
Natan ouviu um ru)do muito "orte !ue provin&a do o23eto de e'tremidade met$lica e
viu !ue algo, passando através de seu esp)rito, penetrara no c&/o. O ser estran&o soltou
mais um grito angustioso e caiu de costas no c&/o. N/o se movia mais.
No esp)rito de Natan agora s# &avia con"us/o. 0ra uma mistura de admiraç/o e de
&orror. N/o pretendia de maneira alguma "a-er mal ao estran&o. >as, certamente, devia
&aver algo em sua e'ist4ncia como esp)rito, !ue provocava medo nos estran&os. 0le ainda
estava vivo, como Natan reparou pelo movimento r)tmico da parte superior do corpo.
Eaveria de levantar logo e correr atr$s do animal de !uatro patas, !ue &avia ca)do.
*ara n/o assustar mais os estran&os, Natan se trans"ormou numa névoa amor"a e se
a"astou dali.
.e repente, ouviu novamente os guinc&os estridentes !ue e'ternavam a alegria do
invis)vel sen&or do planeta. Ouviu o !ue estava di-endo:
— *o2re amigo, voc4 o espantou e, ao mesmo tempo, se assustou com ele. N/o
ten&a medo. 0le n/o tem vida real, é apenas uma som2ra.
Natan n/o estava entendendo nada e o estran&o notou sua con"us/o.
— @oc4 n/o disse !ue tin&a um amigo, !ue estava esperando l$ "ora !ue
acontecesse alguma coisa para ele conseguir penetrar neste mundo, n/o é verdade< K da
terra dele !ue vem este ser, !ue voc4 aca2a de ver. D$ o c&amam de )ndio.
Natan ol&ou para tr$s e ainda viu o ser estran&o deitado no capim.
— .$ impress/o de ser real — disse o sen&or do planeta em tom amig$vel —
em2ora n/o passe de uma som2ra.
Natan n/o compreendeu 2em o conceito de som2ra. N/o podia ser a mesma coisa
!ue e'ist4ncia como esp)rito, pois o ser estran&o era real e podia ser tocado. 0le, parecia
con&ecer um outro tipo de trans"ormaç/o esp)rito-matéria.
Natan aguardou !ue 0le continuasse se mani"estando. Isto, porém, n/o aconteceu.
A!uela conversa t/o curta parecia ter 2astado para 0le. Natan ol&ou para o alto e viu um
animal estran&o, de duas asas a2ertas, desli-ando pelo ar. Acompan&ou-o com os ol&os
por um tempo e depois continuou sua camin&ada.
; ; ;
A dist1ncia da il&a oce1nica até o litoral norte devia ser, con"orme o mapa, de mil e
oitocentos !uilmetros. No entanto, o valor !ue %ompetc& podia dedu-ir da tela do
radio"arol oscilava entre setecentos e oitocentos !uilmetros. A incerte-a provin&a do
"ato de !ue a velocidade com !ue a ga-ela se deslocava n/o era 2em con&ecida.
,eginald (ell, para este "im, con"eccionou uma "#rmula pr#pria, 3$ !ue n/o podia
contar muito com a comparaç/o entre o mapa e o !uadro apresentado na tela panor1mica.
A atro"ia, ou se3a, a reduç/o de taman&o, estava cada ve- mais acentuada. No in)cio,
!uando so2revoaram a estreita il&a do oceano, a escala de reduç/o era de um para dois.
Agora, porém, c&ega a um para dois v)rgula tr4s. (ell perguntou a si mesmo se esta
atro"ia era conse!=4ncia da "alta de e'atid/o na mediç/o ou se era realmente um
"enmeno da nature-a !ue se processava no momento.
Ba-ia mais ou menos de- &oras !ue a ga-ela estava a camin&o, desde !ue
conseguira, com toda "orça, se desprender do solo da mata virgem, onde parecia colada.
(ell n/o se a"o2ou em procurar e'plicaç:es para o encurtamento da super")cie do
planeta. Dem2rou-se do !ue ouvira, antes de partir do 2o3o da .rusus e procurou "a-er
uma relaç/o com o !ue vira com os pr#prios ol&os na tela do rastreador.
Alguém &avia tra-ido 9 2aila a teoria do espaço intermedi$rio, con"orme a !ual o
planeta *eregrino se encontrava numa regi/o espacial de insta2ilidade de rotaç/o. A
rotaç/o di-ia respeito aos "usos do &iperespaço e se alterava, sendo !ue esta alteraç/o
estava em "unç/o permanente da velocidade da rotaç/o.
0 o !ue !ueria di-er mesmo ?alteração de um *usoA<
(ell conseguiu se lem2rar de !ue s# se "alou da atro"ia ou do encurtamento. *ara um
o2servador, !ue estivesse "ora da rotaç/o do sistema, o encurtamento de um "uso espacial
n/o signi"icava outra coisa do !ue uma reduç/o nas proporç:es, ou na escala. Lma
regi/o, !ue, para um o2servador !ue estivesse dentro do sistema em rotaç/o, tivesse o
comprimento de um !uilmetro, teria para um outro de "ora apenas !uin&entos ou cem
metros, de acordo com o )ndice de atro"ia. 5om isto, estaria e'plicado o pro2lema !ue
preocupava tanto a (ell e a %ompetc&.
(ell recon&ecia, porém, !ue esta e'plicaç/o n/o era nada tran!=ili-adora, pois do
mesmo modo como os ei'os do espaço, tam2ém os "usos &or$rios poderiam estar su3eitos
a alteraç:es. Isto signi"icava de novo !ue n/o &avia nen&uma certe-a !uanto ao valor do
tempo no planeta *eregrino, comparado com o do interior da ga-ela.
0ntrementes, a ga-ela tin&a dei'ado para tr$s o oceano e!uatorial e ia iniciar agora a
travessia de um continente de uma e'tens/o de cerca de dois mil e !uin&entos
!uilmetros, no sentido norte-sul. 0ste continente separava o oceano do mar do norte.
*elo menos con"orme o mapa, sua largura era de dois mil e !uin&entos !uilmetros.
Na tela do rastreador, !uando %ompetc& procedeu 9 primeira mediç/o, esta largura
era de apenas mil !uilmetros. O "ator de atro"ia ou encurtamento tin&a aumentado mais
uma ve-. 0stava agora na proporç/o de um para dois e meio.
(ell perce2eu com satis"aç/o !ue pelo menos este resultado l&es era "avor$vel. Se,
por acaso, n/o sou2essem de !uanto tempo ainda dispun&am, ent/o era realmente muito
interessante ter !ue percorrer dois ou tr4s mil !uilmetros, em lugar de seis ou sete mil.
Boi este o 8ltimo pensamento !ue l&e passou pela ca2eça, antes !ue os motores
dei'assem de tra2al&ar.
.e um momento para o outro, cessou o -um2ido t)pico !ue &$ mais de de- &oras
consecutivas enc&ia a sala de comando. Ouvia-se de ve- em !uando um grito angustiado.
.e ol&os arregalados, %ompetc& "itava a tela, vendo como os contornos do continente se
ampliavam com velocidade crescente, parecendo vir, numa carreira desa2alada, de
encontro 9 ga-ela. Os dispositivos antigravitacionais mantin&am a gravidade normal
dentro da nave. Nem (ell, nem o tenente sentiam os e"eitos desagrad$veis da !ueda livre.
No entanto, n/o &avia d8vida alguma de !ue a ga-ela despencava e, dentro de
alguns segundos, se estatelaria de encontro ao solo.
(ell n/o perdeu tempo. 5om um 8nico aperto de 2ot/o, re"orçou os campos
magnéticos de proteç/o ou, em outras palavras, o envolt#rio protetor da ga-ela, ouvindo
no mesmo instante, com imensa satis"aç/o, o 2ramido !ue "e- estremecer a "uselagem da
nave, 2ramido este provocado pelo atrito com o ar.
(ell 2ateu com a m/o "ec&ada num outro interruptor, dando ao envolt#rio de
proteç/o um campo gravitacional adicional, !ue atuava contra a gravitaç/o do planeta
*eregrino e assim "reava a !ueda. O tenente %ompetc& viu na tela do rastreador !ue, ao
entrar em aç/o o campo gravitacional, a imagem da tela voltou ao normal. O si2ilar do
vento produ-ido pela velocidade e'cessiva da !ueda diminuiu e a ga-ela descia como se
estivesse presa a p$ra-!uedas gigantescos.
*or meio do radio"arol, >iMe %ompetc& calculou a altitude em apenas mil e
du-entos metros e a velocidade da !ueda em seis metros por segundo.
— N/o est$ acreditando !ue desceremos muito 2em nesta velocidade< — perguntou
(ell, inesperadamente. — Seis metros por segundo n/o é demais. 0ncoste um pouco a
ca2eça no espaldar e "i!ue 2em "irme.
O mundo de um vermel&o-escuro, para onde ca)am, estava muito es!uisito. O ol&ar
de (ell percorria a tela, procurando recon&ecer !ual!uer coisa !ue l&e servisse de ponto
de orientaç/o. @iu uma "ai'a escura, !uase &ori-ontal, na tela e sups tratar-se da lin&a
divis#ria entre o céu e a terra. No lado de cima, a tela estava avermel&ada e no de 2ai'o,
preta. >ais do !ue isto, n/o conseguiu ver.
Ainda ac&avam-se a dois ou tr4s mil !uilmetros de seu o23etivo e (ell sa2ia !ue,
sem a ga-ela, 3amais c&egariam a este o23etivo.
; ; ;
*err+ ,&odan ol&ou em volta. Atlan sorriu, >ars&all e Noir estavam enca"uados em
suas poltronas, com os ol&os arregalados de medo. Ali el Fagat parecia ainda
inconsciente, começando neste instante a !uerer voltar a si. O corpo inerte de Natan "oi o
8nico !ue nada so"reu com a terr)vel mano2ra.
— N/o sei o !ue aconteceu — disse ,&odan, tentando "a-er com !ue sua vo-
acalmasse o am2iente de terror. — >as de !ual!uer maneira, conseguimos suportar o
pior e a!ui estamos.
Atlan, pensativo, soltou o "ec&o magnético do cintur/o de segurança, dei'ou-o 2em
"rou'o e respondeu:
— K a altern1ncia de um espaço para o outro. *rovavelmente, o raio transportador
do transmissor "ict)cio é um meio um tanto impr#prio para c&egarmos a este espaço
intermedi$rio. Santo .eus, para mim, a impress/o era de !ue uma 2om2a iria e'plodir no
momento decisivo.
*err+ ,&odan n/o pde prestar muita atenç/o nas palavras de Atlan. A seus pés,
estava o planeta t/o importante para ele. 0ra como ele o tin&a ainda na ca2eça. 0le, ser
eterno, 3$ devia ter notado !ue tin&a &#spedes. ,&odan estava esperando !ue 0le se
mani"estasse.
>as a gargal&ada 2or2ul&ante !ue "inalmente se "e- ouvir n/o dei'ou tempo a *err+
para re"letir mel&or. Antes !ue o eco desta gargal&ada c&egasse ao seu cére2ro, sentira
uma coisa di"erente: as tur2inas da ga-ela pararam.
A reaç/o de ,&odan "oi instant1neaG
.ois movimentos rapid)ssimos: um aperto de 2ot/o para re"orçar o envolt#rio de
proteç/o e um empurr/o leve na alavanca !ue provocava um campo de gravitaç/o
arti"icial. S# depois de ter "eito isto, ele I passou a pensar nos controles das tur2inas.
Apertou a c&ave geral de controle, !ue acenderia todas as l1minas dos aparel&os !ue
estivessem em "uncionamento normal. Num relance de vista, ,&odan constatou !ue
somente uma 8nica l1mpada n/o acendera.
%oda a aparel&agem estava intacta com e'ceç/o apenas de um 8nico setor.
0ra o setor de produç/o de energia para os motores de propuls/o. Alguém ou
alguma coisa devia ter sugado toda a energia da nave, en!uanto ela ?lutavaA na transiç/o
do espaço de 0instein para o espaço intermedi$rio.
,&odan estava tran!=ilo. Ainda &avia uma série de geradores a 2ordo, e, se tivesse
um pouco de tempo, &averia de ligar entre si o aparel&o de antigravitaç/o e os geradores
do envolt#rio de proteç/o de tal maneira !ue, ao invés de "ornecerem sua energia para o
campo de gravitaç/o ou para o envolt#rio de proteç/o, &averiam de encamin&$-la toda
para os motores de propuls/o. 5om os recursos !ue l&e estavam 9 disposiç/o, &averia de
conseguir isto em tr4s ou !uatro dias.
Quanto ainda l&e restava<
5onsultou o calend$rio.
Ao ler os n8meros da data, !ue eram "os"orescentes, teve vontade de dar um salto e
de estrangular o rel#gio, pois estava certo de !ue alguém &avia "alsi"icado a marcaç/o de
tempo. Dem2rou-se ainda de !ue, antes de a ga-ela dei'ar o 2o3o da .rusus, ele mesmo
&avia e'aminado o "uncionamento do rel#gio. Neste meio tempo, ninguém teria tido a
possi2ilidade de me'er no rel#gio. O !ue estava vendo, estava correto, em2ora n/o
sou2esse e'plicar como isto tin&a acontecido.
O calend$rio indicava TR &oras e S7 minutos. A data era SH de a2ril de 7.HC7.
; ; ;
O c&o!ue contra o c&/o do planeta n/o "ora assim t/o ruim como ,eginald (ell o
imaginara. Eouve, realmente, um estrondo muito "orte. (ell teve a impress/o de estar
sendo imprensado contra o esto"amento de sua poltrona. Boi tomado por uma ligeira
sensaç/o de dor.
(ell se levantou resmungando e ol&ou para a tela. A primeira coisa !ue o2servou "oi
!ue l$ "ora "icara mais claro.
%entou se lem2rar de !ue taman&o era a imagem !uando ele ol&ou para a tela pela
8ltima ve-. O alcance da vista n/o tin&a mais do !ue cem metros de e'tens/o. Agora,
porém, &avia se ampliado pelo menos para um !uilmetro. Somente além deste limite é
!ue os contornos começavam a sumir na escurid/o. O céu 2ril&ava agora num vermel&o
muito intenso.
0ntrementes, o tenente tam2ém 3$ se levantara. *arecia con"uso, mas a convicç/o de
!ue &avia acontecido algo !ue ele realmente compreendia, "4-lo voltar 9 antiga segurança.
— *odemos "a-er uma vistoria nos aparel&os, sen&or — disse o %enente %ompetc&.
Se sou2ermos o !ue est$ "al&ando, &averemos de resolver tudo num instante.
— @oc4 é um rapa- inteligente, %ompetc&. >as eu 3$ testei tudo durante a !ueda.
@oc4 n/o vai acreditar, mas alguém sugou toda a nossa energia de propuls/o, como !uem
suga toda a $gua de uma espon3a. 0 aproveitando a comparaç/o: a espon3a est$ agora t/o
seca !ue n/o se consegue mais tirar uma gota nem com uma prensa &idr$ulica.
— >as o campo antigravitacional e o envolt#rio de proteç/o...
— ...est/o em ordem, per"eitos. *rovavelmente s/o um tipo de energia !ue n/o
interessa ao sugador. 0stou compreendendo o !ue voc4 !uer di-er: podemos mudar as
ligaç:es e assim voar com o campo antigravitacional e o envolt#rio. 0 é isto !ue vamos
"a-er. Antes, porém, !uero e'aminar alguma coisa por a!ui.
%ompetc& apontou com o dedo para a tela panor1mica:
— @oc4 !uer di-er l$ "ora< — (ell "e- !ue sim com a ca2eça.
— Naturalmente. %emos de desco2rir muita coisa ainda. *or e'emplo, como est$
"uncionando a instalaç/o do r$dio, !uanto ao transmissor l$ "ora e o receptor a!ui dentro
da nave. *ois, a"inal de contas, n/o é o "isiotron !ue me deve procurar, mas eu é !ue
preciso encontr$-lo. >ais cedo ou mais tarde, isto tem !ue acontecer.
0'aminou 2em seu uni"orme de e'pediç/o, dando muita atenç/o ao capacete
pressuri-ado !ue até ent/o estava dependurado nas costas, como se "osse um
e!uipamento so2ressalente. O tenente acompan&ava estes preparativos com muita
curiosidade.
— 0u pensava !ue o planeta *eregrino "osse um mundo muito agrad$vel no tocante
9 gravitaç/o, 9 composiç/o atmos"érica e 9 press/o do ar. O sen&or receia algo de
anormal no planeta<
— @oc4 est$ vendo 2em !ue sua super")cie se encontra em estado de atro"ia ou
encurtamento. Imagine s# se todas as moléculas do ar !ue se aglomeram num cent)metro
c82ico "ossem comprimidas para dentro de um espaço !ue tivesse apenas a metade deste
volume<
— Santo .eusG N/o me tin&a lem2rado disso. 0nt/o a gravidade tam2ém
aumentaria n/o é verdade<
— .everia aumentar — e'plicou (ell — se ela n/o "osse arti"icial. O dono deste
planeta regula a gravidade a seu 2el-pra-er.
,esoluto, (ell pu'ou o capacete para cima da ca2eça e esperou até !ue ele, por si
mesmo, se encai'asse na peça do uni"orme em volta do pescoço.
— @ou descer agora da ga-ela — sua vo- sa)a a2a"ada, através do alto-"alante
e'terno. — Bi!ue perto do receptor e preste atenç/o para ver como voc4 me consegue
ouvir.
%ompetc& "e- um gesto de !ue estava compreendendo tudo. Bicou ali, atento,
en!uanto (ell desaparecia pela escotil&a.
(ell 3$ &avia reparado na tela panor1mica do interior da ga-ela !ue a aterrissagem de
emerg4ncia "ora reali-ada numa regi/o !ue 0le, o sen&or do planeta *eregrino, ideali-ara
para imitar uma nature-a e'#tica de !ual!uer parte do Lniverso.
(ell nunca vira plantas t/o es!uisitas assim, como a!uelas em volta da nave,
so2ressaindo do capim rasteiro. 0m2ora estas plantas l&e "ossem completamente
estran&as, pde o2servar nelas as conse!=4ncias da atro"ia ou do encurtamento. 0ste
"enmeno se a2atera so2re todo o planeta, e o estava trans"ormando suas paisagens em
"ormaç:es grotescas.
(ell deu com uma $rvore !ue tin&a muita semel&ança com a nossa amoreira
comum. Seu tronco !ue, em circunst1ncias normais poderia ser redondo e ter uns trinta
cent)metros de di1metro, apresentava agora uma "orma el)ptica. O ei'o da elipse
continuava sendo de trinta cent)metros, mas seu lado mais estreito n/o passava de de-
cent)metros. Seus gal&os se dirigiam todos num s# sentido, ou para a es!uerda ou para a
direita. Nos outros dois lados estavam muito encol&idos, n/o alcançando nem a metade
do taman&o normal.
O mesmo "enmeno se repetia em outras coisas. N/o muito distante da ga-ela, (ell
viu uma pedra no c&/o, lisa como um disco de gramo"one. Apan&ou-a, virando-a num
1ngulo de noventa graus. A) aconteceu o seguinte: toda a super")cie começou a encol&er.
*or conseguinte, podia-se a"irmar !ue o encol&imento o2edecia a uma certa direç/o.
0sta direç/o coincidia, como (ell averiguou logo, com o ei'o norte-sul do planeta.
*oderia ser um mero acaso. >as en!uanto pensava nisto, veio-l&e 9 ca2eça a idéia de !ue
poderia aproveitar este "enmeno para seus o23etivos. >as ainda preocupado
in"antilmente com o !ue aconteceu 9 pedra em "orma de disco, esta idéia t/o importante
aca2ou desaparecendo. *assou para os meandros do su2consciente. Quando, cinco
minutos depois, tentou se lem2rar do !ue &avia pensado, 3$ era tarde, a 2oa idéia tin&a
mesmo evaporado.
Be- algumas e'peri4ncias de comunicaç/o via r$dio com seu au'iliar a 2ordo. Notou
de in)cio !ue as coisas 3$ n/o eram como antes. Apesar de estar apenas a uns cin!=enta
metros da nave, ouvia %ompetc& com grande di"iculdade e concomitantemente o tenente
l&e comunicou !ue a ligaç/o estava &orr)vel. (ell c&egou um pouco mais perto da ga-ela
e o som mel&orou. A"astou-se novamente uns metros e o som piorou, c&egando mesmo a
sumir, !uando atingiu cem metros.
5omeçou ent/o a calcular, pois o assunto l&e interessava muito. %ompetc& ia l&e
dando in"ormaç:es so2re as condiç:es de recepç/o, registradas por um medidor de Iatts.
*or meio destes dados, (ell "oi constatando uma certa regularidade. 5&egou a "ormular o
seguinte teorema: se c&amarmos a dist1ncia entre o transmissor e o receptor de r, ent/o,
em condiç:es normais dos transmissores eletromagnéticos, a pot4ncia de irradiaç/o
c&egada ao receptor era de lZr
7
.
Se o transmissor estivesse a vinte metros do receptor, ent/o a pot4ncia de onda
rece2ida seria apenas de um !uarto do !ue &averia de rece2er, caso o transmissor
estivesse somente a de- metros.
A!ui, porém, a situaç/o era outra. Eavia de "ato uma relaç/o de "uncionamento
entre o transmissor e o receptor, no tocante 9 pot4ncia de recepç/o, mas esta relaç/o era
de lZr
6
.
Se a dist1ncia "osse duplicada, a pot4ncia de recepç/o 2ai'aria de um vinte e cinco
avs. 0ra um "ato novo, estarrecedor. %alve- a pr#pria energia irradiada era sugada por
alguma, coisa e'istente no ar. O "enmeno tin&a uma estran&a semel&ança com o
desaparecimento da energia de propuls/o dos reatores. (ell se deu ao capric&o de
"ormular uma &ip#tese 2em "undamentada, !ue e'plicasse ca2almente os "atos. >as n/o
l&e "oi poss)vel, pois n/o dispun&a dos in"ormes necess$rios e rigorosamente calculados.
@oltou a2orrecido na direç/o da nave, passando de novo por a!uela espécie de amoreira-
selvagem, cu3o tronco "ora redu-ido a oito cent)metros.
Devantou o 2raço e ol&ou para o 2armetro, !ue, 3untamente com outros medidores,
estava em2utido no pl$stico do uni"orme. A press/o do ar atingia no momento a 7,U
atmos"eras.
; ; ;
Boi a primeira ve- !ue *err+ ,&odan se a2orreceu com a ruidosa gargal&ada.
0n!uanto a ga-ela descia numa velocidade redu-ida de salto por p$ra-!uedas, a risada
enervante do Ser do planeta *eregrino l&e "urava os t)mpanos, dei'ando-o vermel&o de
irritaç/o.
5omprimiu as m/os contra os ouvidos, mas "oi in8til. O ru)do continuava
transmitido por via telep$tica. Andou de um lado para o outro como se &ouvesse uma
direç/o determinada de onde provin&a o ru)do, gritando a todo pulm/o, num acesso de
ira:
— *are com isto, est8pidoG N/o &$ nen&um motivo para rir.
0 a gargal&ada cessou de repente. ,&odan n/o estava 2em certo se era esta a
maneira ade!uada de "alar com 0le. >as isto pouco l&e interessava. N/o precisava e nem
!ueria ouvir mais esta risada 2o2a.
*erce2eu !ue seus compan&eiros ol&avam-no atnitos. Quase no mesmo momento,
?ouviuA uma vo- long)n!ua, mas n)tida:
— ;m pou"o nervoso, meu amigo< — a transmiss/o soava curiosa e a"$vel ao
mesmo tempo. *ortanto, 0le n/o se agastara por ter sido c&amado de est8pido. — #u, no
seu lugar, tam)ém *i"aria nervoso. <o"6 ainda est+ a %uatro mil %uil9metros do *isiotron
e s/ tem trinta 'oras para al"anç+2lo. =omo é %ue vo"6 vai "onseguir "'egar até l+:
— N/o sei ainda — respondeu ,&odan em vo- alta, pois tin&a a e'peri4ncia de !ue
os pensamentos "icavam mais claros !uando eram e'pressos por palavras 2em
articuladas. — N/o ten&o a menor idéia. >as "i!ue tran!=ilo, vel&o amigo, c&egarei l$ na
&ora certa.
>ais uma ve-, a gargal&ada estrondosa invadiu os sentidos de ,&odan.
— #stou me divertindo "omo um rei — disse 0le. — 0un"a presen"iei uma
situação "omo esta. >+ preguei algum susto em pessoas es%uisitas %ue me %ueriam
prender numa dimensão de tempo di*erente da min'a. 0aturalmente este susto me "ustou
um grande n5mero de ?eiris@.
— Lm grande n8mero de !u4< — perguntou ,&odan.
— De ?eirisA — respondeu 0le prontamente. — ='amamos assim a energia de
esta)ilização espaço2tempo.
— A&G Sim... — disse ,&odan, em2ora n/o tivesse compreendido patavina.
— 4 "laro %ue depois arran.ei novas energias — continuou 0le. — 3as .+ %ue
vo"6 e seus amigos a%ui estão, não pre"iso mais delas. <o"6s "onseguiram tudo %ue era
ne"ess+rio para "olo"ar a mim e a meu mundo na /r)ita "erta.
,&odan ainda n/o estava compreendendo nada e o con"essou a2ertamente.
— <o"6 não pre"isa "ompreender nada, meu amigo — disse 0le, todo "eli-. —
A"onte"eu tudo espontaneamente. Aoi su*i"iente vo"6s "'egarem a%ui.
Neste e'ato momento, a ga-ela pousou em terra "irme. O solavanco n/o "oi t/o
grande, mas alguém deu um grito de dor. A seguir, tudo voltou 9 calma de &$ poucos
segundos. ,&odan n/o perdeu sua serenidade, — %emos a!ui no planeta uma outra nave
— disse ele ao Ser. — Que sa2e a respeito desta espaçonave<
— A)solutamente nada — respondeu 0le. — #sta segunda nave não se a"'a em
meu plano de tempo. Deve estar no espaço normal, "om seus tripulantes.
— Quer di-er ent/o !ue n/o est/o neste mundo<
— 0ão estou dizendo isto. #stão neste mundo sim — 0le começou a rir novamente.
— Bs vezes sinto vontade de me en"olerizar, pelo *ato de %ue não posso me distrair
vendo "omo esta gente se arran.a num espaço %ue l'es é estran'o.
— *or tudo !ue é mais sagradoG — e'clamou ,&odan. — Jostaria de poder
compreend4-lo.
— 0ão pro"ure "ompreender nada, meu amigo. Pense apenas %ue vo"6 tem
somente trinta 'oras de prazo, trinta 'oras %ue passam depressa. Aaça alguma "oisa, se
não dese.a morrer.
5om isso aca2ou o di$logo. ,&odan n/o conseguiu mais "alar com 0le. Jostaria
muito de perguntar por Natan, !ue tam2ém devia estar em algum lugar do planeta
*eregrino.
.eu um giro em sua poltrona, "icando de "rente para seu pessoal.
— Sei !ue n/o vai ter muito sentido, mas se "i-ermos um grande es"orço, &averemos
de comutar os dois trans"ormadores — disse, com um sorriso "orçado.
Ol&ou para Fo&n >ars&all, o grande telepata, c&e"e dos mutantes. >ars&all
correspondeu a seu ol&ar. ,&odan n/o parecia muito alegre, mas compreendia !ue n/o
podia 3ogar "ora toda esperança.
Ouviu-se ent/o a vo- "ria e pausada de Atlan:
— 5reio, meu amigo, !ue n/o tem mesmo sentido nos es"orçarmos pelos geradores.
K tarde demais e n/o nos so2ra tempo para "a-ermos toda esta mudança. O salto da
.rusus para c$ nos custou tempo e toda a energia de propuls/o. Ac&o !ue n#s devemos
nos preocupar em desco2rir primeiramente como "oi !ue isto aconteceu. Se desco2rirmos
isto, poderemos talve- ac&ar o camin&o para re"a-er o pre3u)-o mais depressa, do !ue
através da mudança total dos geradores.
Ol&ou para ,&odan com muita atenç/o, dando a entender !ue esperava uma
resposta. 0stava sério, e seu rosto e'primia preocupaç/o de um modo como nunca se
notara antes.
— %alve-... — respondeu ,&odan. — >as n/o podemos construir nada so2re um
talve-. %emos de agir, mesmo !ue pareça completamente sem sentido. Quem sa2e
conseguiremos uma ligaç/o de emerg4ncia, !ue...
— Quem sa2e... — interrompeu-o ironicamente Atlan. — @oc4 est$ repetindo o
meu talve-.
*err+ ,&odan "e- um gesto de ira.
— 5om os dia2osG Quero arran3ar alguma coisa para min&as m/os terem o !ue
"a-er, é tudo. N/o posso "icar a!ui sentado pensando a vida toda. Isto n/o é comigo. >as
se voc4 ac&a !ue poder$ encontrar uma soluç/o por este lado, almirante, ninguém o vai
impedir.
Neste momento, Ali ei Fagat deu um salto de sua poltrona. ,&odan ol&ou-o
espantado e reparou !ue estava p$lido como cera, com os ol&os "i'os na tela.
Acompan&ou o ol&ar de Fagat e conseguiu ver na grande tela, entre as $rvores, uma "igura
estran&a !ue se tornava cada ve- mais n)tida. Lsava uma couraça da Idade >édia e no
ante2raço es!uerdo tra-ia um escudo de com2ate, na m/o direita, uma longa espada. 0sta
"igura estava montada num cavalo, resguardado com placas de "erro no peito e na ca2eça.
*arou o cavalo 2em diante da comporta da ga-ela. *egou uma lança e 2ateu com toda
"orça a c&apa de aço da comporta. Simultaneamente, os micro"ones e'ternos captaram
uma vo- encoleri-ada:
— Quem é !ue se atreve a penetrar nos dom)nios do 5onde Dlandrindod sem ser
convidado< Bora com eleG %er$ !ue me dar contas de seu atrevimento.
No mesmo momento, ecoou a gargal&ada do Ser de *eregrino, !ue se divertia com o
incidente.
; ; ;
Su2itamente, ,eginald (ell se lem2rou da idéia !ue tivera !uando percorrera a
vegetaç/o em volta da ga-ela. Boi t/o repentino o salto da mem#ria, !ue a "erramenta,
!ue tin&a na m/o para a e'ecuç/o de umas e'peri4ncias, l&e escapou e caiu no c&/o. 0
2atendo com a m/o na ca2eça, (ell e'clamou:
— 5omo sou 2urroG N/o poderia ter es!uecido isto.
Ol&ou depois para %ompetc&, di-endo:
— @en&a para c$. %en&o uma idéia luminosaG
%ompetc& o2edeceu meio con"uso. (ell su2iu pelo aposento estreito do con3unto de
propuls/o, a2riu a escotil&a e apontou, ainda antes de o tenente avistar, para a!uilo !ue
ele pensava, na tela panor1mica.
— D$, est$ vendo< @e3a 2em, depois me diga o !ue voc4 pensa. Sei !ue o caso
parece meio doido, mas aposto !ue neste camin&o c&egaremos mais cedo ao nosso
o23etivo.
>iMe %ompetc& ol&ou para a tela e procurou desco2rir o !ue (ell tentava e'plicar.
Bicaram meia &ora no compartimento das m$!uinas de propuls/o e neste intervalo a
paisagem l$ "ora se trans"ormou de uma maneira incr)vel. Aumentara ainda mais a
proporç/o de encol&imento. As $rvores e a vegetaç/o rasteira se ac&ataram, diminuindo
tanto de taman&o, !ue pareciam "iguras recortadas por crianças. O !uadro geral parecia
uma "otogra"ia tirada com teleo23etiva muito possante.
Na parte superior da tela, %ompetc& viu, 2em a2ai'o do céu avermel&ado, uma "ai'a
estreita, tam2ém vermel&a, !ue somente podia distinguir-se pela cintilaç/o mais intensa.
O tenente ol&ava sem compreender.
— 0nt/o, o !ue voc4 me di- de tudo isto< — perguntou (ell com ar de triun"o.
— S# posso di-er !ue o processo de atro"iamento continua.
0 outra coisa ele n/o podia di-er por!ue n/o sa2ia.
— 0st$ mesmo diminuindo cada ve- mais< 5uidado, tenente, !ue sua intelig4ncia
tam2ém n/o diminua. Que é !ue voc4 est$ vendo na parte superior da tela<
%ompetc& estava &esitante.
— 0stou !ue2rando a ca2eça com isto &$ mais tempo, sen&or.
— .esistaG — "oi o consel&o de (ell. — K o mar do norte.
— O mar do norte<
(ell "e- !ue sim com a ca2eça.
— *er"eitamente, o mar do norte. 0stamos 2em pr#'imos do litoral sul deste
continente. Qual é a largura assinalada a) no mapa<
O tenente ainda tin&a o n8mero na ca2eça:
— .ois mil e !uin&entos !uilmetros.
— XtimoG 0 !ual é agora a dist1ncia entre n#s e o litoral norte, poderia me di-er< A
3ulgar, naturalmente, pelo !ue estamos vendo na tela.
— .e dois a tr4s !uilmetros, supon&o eu, n/o mais.
— >uito 2em, est$ e'ato, de dois a tr4s !uilmetros. O !ue me di- ent/o do "ator de
encurtamento<
— 0st$ entre oitocentos e trinta e mil du-entos e cin!=enta.
(ell concordou tam2ém com este c$lculo de %ompetc&.
— >as "i!ue prestando atenç/o na "ai'a de maior cintilaç/o, en!uanto l&e conto
uma coisa. %en&o a convicç/o de !ue voc4 vai ver como ela se apro'ima.
0n!uanto (ell estava contando, os ol&os de %ompetc& estavam "irmes na tela.
— 0ste sistema, como voc4 sa2e, se encontra em rotaç/o. Lma semi-es"era do
grupo de rotaç/o de cinco dimens:es possui a singular propriedade de encurtar os ei'os
das coordenadas. Lma rotaç/o se d$ num espaço pentadimensional, ou se3a, de cinco
dimens:es, portanto, durante a rotaç/o nem todos os ei'os so"rem o e"eito do
encurtamento, ou, se o so"rem, este encurtamento varia ent/o de rotaç/o para rotaç/o.
?*ossivelmente, estamos agora numa "ase 2em "avor$vel. O "ator de encurtamento
atinge no momento cerca de mil. Isto !uer di-er ent/o !ue mil !uilmetros na realidade
se trans"ormam em apenas um para n#s. @oc4 pode imaginar o !ue vai acontecer se este
"ator continuar em crescimento< Se, por e'emplo, atingir a dois mil&:es e meio<A
%ompetc& se assustou.
— Aconteceria !ue... !ue...
(ell continuou a "rase apenas iniciadaG
— Aconteceria !ue este continente n/o teria mais do !ue um metro de largura para
n#s. 0 a dist1ncia da!ui até o litoral sul n/o passaria de dois metros. (astaria !ue
déssemos tr4s passos. 0, com apenas um desses, atravessar)amos, um rio de sessenta
cent)metros de largura, !ue na realidade é um mar de mil e !uin&entos !uilmetros de
largura.
O %enente %ompetc& parecia perple'o. 0stava-se vendo !ue acompan&ava os
c$lculos, mas n/o estava crendo muito no "enmeno. (ell l&e 2ateu suavemente nos
om2ros e disse em tom paternal:
— 5ontinue sentado em c&/o "irme. As coisas n/o s/o t/o simples assim. Nesse
tempo todo, a press/o atmos"érica deve ter su2ido por alguns mil&ares de atmos"eras e o
ar vai endurecer como uma pasta mole. %emos !ue nos preparar para isto. *recisamos de
um gerador de campo !ue nos prote3a contra a press/o demasiada. Os tra3es espaciais
somente n/o v/o ag=entar. @amos, !ue est$ esperando< >/os 9 o2ra.
4
— DlandrindodG — e'clamou Atlan, sorrindo. — O vel&o espadac&imG 0u !ueria...
0 saiu correndo. *err+ ,&odan, !ue naturalmente 3$ sa2ia !ue uma das manias do
Ser de *eregrino era recol&er "iguras estran&as e rocam2olescas da %erra, principalmente
da Antig=idade e da Idade >édia, para povoar seu mundo arti"icial, acompan&ou-o calmo
e 2em-&umorado.
O s82ito aparecimento de um cavaleiro medieval diante de uma nave espacial de
recon&ecimento atrapal&ou os c$lculos da tripulaç/o. No momento, !ue2ravam a ca2eça
para desco2rir como trans"ormar um gerador antigravitacional em "ornecedor de energia
para propuls/o. 0 a!uele n/o era propriamente o instante ideal para 2rincadeiras.
Atlan 3$ &avia a2erto a comporta, !uando ,&odan ali c&egou. 0m2ora e'istisse uma
proi2iç/o de !ue as duas comportas, a interna e a e'terna, se a2rissem num s#
movimento, n/o &avia necessidade de tanta cautela a!ui neste planeta, onde a atmos"era
era mais ou menos id4ntica 9 da %erra.
O 5onde Dlandrindod, !uando a comporta e'terna se a2riu, recuou dois passos com
seu cavalo, Atlan "icou parado no degrau de descida. 5om vo- tonitruante, procurando
imitar as palavras e o sota!ue arcaico do ingl4s medieval, assim "alou:
— Quem se ac&ega assim da min&a casa voadora, para 2ater desta "eita no meu
um2ral< Quem é este c&arlat/o<
,&odan tin&a certe-a de !ue o 5onde Dlandrindod 3amais ouvira, em toda sua vida,
palavra t/o o"ensiva.
— @il — gritou ele, levantando o escudo a a3eitando a lança. — @ou l&e mostrar
!uem é o c&arlat/o. .e"enda-se, poltr/oG
0stava para esporear o cavalo e se a2ater so2re Atlan. >as, neste momento, o
arcnida ergueu os 2raços para o ar e começou a gargal&ar 2em "orte. Dlandrindod perdeu
sua segurança e dei'ou cair um pouco o escudo.
— >eu 2om rapa- de DlandrindodG — e'clamou Atlan, rindo. — @oc4 "icou
malucoG Ou ser$ !ue com o correr dos anos, est$ "icando cego, a ponto de n/o con&ecer
seu mel&or amigo<
A viseira "oi levantada e se pde ver os ol&os descon"iados e um tanto o2l)!uos, !ue
e'aminaram demoradamente o arcnida. *ara os moldes da Idade >édia, Atlan devia
estar vestido 2em comicamente. Lm sorriso trans"ormou seu rosto sisudo... tin&a
recon&ecido o arcnida.
— .eus me se3a 2enignoG — e'clamou o 5onde Dlandrindod. — Se voc4 "or
*e+re"itte de S&erIood, meu amigo, ent/o deve estar vestido de cigano, !ue nosso rei
teria o pra-er de envenenar ou de tocar para "ora do pa)s. @oc4 é mesmo S&erIood<
Atlan desceu os degraus da comporta.
— Sou eu mesmo — a"irmou. — .esça de teu corcel e ven&a me cumprimentar
como convém a um 2om amigo.
Dlandrindod dei'ou cair lança e escudo, apeou do cavalo e camin&ou para o
arcnida com passo "irme e vagaroso. Quanto mais perto c&egava, mais certo estava de
realmente ter diante de si o vel&o amigo de outrora.
Os passos tornaram-se mais r$pidos e aca2ou tropeçando, mas "oi cair "eli-mente
nos 2raços "irmes do arcnida.
— Douvado se3a .eus, S&erIood — disse admirado. — N/o pensava mais
encontr$-lo. Onde andou este tempo todo<
— *or toda parte — respondeu Atlan. — 0stive entre os "ranceses, entre os turcos,
entre os russos...
— %/o longe assim. Boi de l$ !ue voc4 trou'e isto a)< — perguntou apontando para
a ga-ela.
— Sim. Isto pode se locomover através do ar.
— Através do ar< — repetiu o cavaleiro medieval, n/o acreditando no !ue ouvia.
— *er"eitamente. .entro dele mora uma "orça !ue l&e possi2ilita andar pelo ar
como um passarin&o. >as esta "orça agora desapareceu. *or este motivo, n/o pode mais
se levantar do c&/o.
Dlandrindod começou a rir. ,ia a valer, espontaneamente, como se tudo "osse muito
interessante e cmico. .e repente, parece !ue l&e veio uma grande idéia. *arou de rir e
ol&ou para Atlan perple'o.
— Lma "orça misteriosa, n/o é<
— *er"eitamente, meu amigo. Dlandrindod coçou a ca2eça pensativo.
— 0u vi sua "orça, S&erIood.
Atlan n/o estava compreendendo.
— @oc4 viu a "orça< Lma "orça ninguém pode ver.
— 0u tam2ém pensava assim — e'plicou Dlandrindod. — K verdade !ue ela n/o
estava muito n)tida, mas !ue .eus me castigue se eu n/o vi esta "orça. 0stava "lutuando
so2re a vegetaç/o. A princ)pio parecia uma ne2lina 2em "raca. S# se conseguia v4-la,
ol&ando com atenç/o. .epois, parece !ue ela me desco2riu. 5omeçou a se concentrar e,
de repente, ela tomou a "orma da min&a pessoa. N/o perdi tempo. 0rgui o escudo, peguei
a lança com a m/o direita e avancei contra ela.
?0la n/o me atingiu, mas eu acertei-l&e uns golpes. >as n/o adiantou nada. A lança
a atravessou como se atravessasse uma simples camada de ar. Quando parei o cavalo e
ol&ei para tr$s, n/o se via mais nada. Boi como se o dia2o a tivesse levado. Ser$ mesmo
!ue esta "oi a sua "orça<A
Atlan n/o respondeu. *odia muito 2em ser !ue Dlandrindod tivesse visto e
encontrado !ual!uer outra das muitas criaturas !ue 0le, o ser do planeta &avia tra-ido
para seu mundo arti"icial. O pr#prio 5onde Dlandrindod era uma destas criaturas.
*ersistia tam2ém a &ip#tese, talve- mais pr#'ima da verdade, de !ue o ente visto pelo
conde "osse Natan.
— %emos !ue encontrar esta ne2lina, meu amigo. Onde "oi mesmo !ue voc4 a viu<.
Dlandrindod apontou para tr$s.
— A!ui deste lado, n/o mais do !ue uma &ora da!ui, a meio camin&o do castelo
Dlandrindod.
O conde ol&ou longamente para Atlan e seu ol&ar contin&a descon"iança. *odia-se
ver em seu rosto !ue a &ist#ria da "orça misteriosa n/o l&e agradava muito.
— .iga-me uma coisa, S&erIood — começou ele titu2eante — voc4 n/o est$
penetrando no terreno da magia negra<
Atlan a2anou a ca2eça.
— N/o, Dlandrindod, vou l&e e'plicar uma coisa: l$ com os turcos, persas, russos e
outros povos do Oriente &$ muito mais coisas do !ue podemos imaginar. N/o s/o coisas
do demnio e podemos aproveit$-las para nosso 2ene")cio. @oc4 !uer me "a-er um "avor<
O conde parecia mais calmo e "e--l&e um sinal a"irmativo.
— >eu amigo Dlandrindod, volte para tr$s, para onde voc4 viu a ne2lina ou a "orça.
N#s o seguiremos para poder apan&$-la. @oc4 !uer esperar um pouco por n#s<
Dlandrindod concordou mais uma ve-. .irigiu-se a seu cavalo e montou.
— Bico esperando a!ui — disse ele ao arcnida — e depois de pegarmos a "orça,
voc4 vai me mostrar sua casa voadora. Baremos uma "esta para cele2rar nosso encontro,
n/o na sua casa voadora, !ue me é estran&a, mas no meu castelo.
.i-endo isto, virou o cavalo e "oi troteando. Atlan voltou pensativo para a comporta
da ga-ela. 0ncontrou ,&odan de pé 3unto da comporta interna e levou um susto.
— 0ra Dlandrindod — disse um pouco sem 3eito e con"uso. — Lm vel&o cavaleiro
meio ingl4s, meio gal4s. A3udou o ,ei 0duardo I a con!uistar o *a)s de Jales. 0u o vi
pela 8ltima ve- no ano mil tre-entos e cinco.
Atlan ol&ou para ,&odan e este notou !ue o arcnida estava com uma vontade louca
de contar toda a &ist#ria da con!uista do *a)s de Jales e seu papel de 5onde de
S&erIood.
Sentia necessidade de dar e'pans/o 9 sua mem#ria "otogr$"ica e desenrolar mais um
cap)tulo da &ist#ria da Eumanidade perante os ouvidos atentos da tripulaç/o. Sentia
sempre esta "orça irresist)vel de "alar de seu longo passado, sempre !ue !ual!uer imagem
"orte me'esse com sua mem#ria. S# com muita "orça de vontade, conseguia dominar sua
1nsia de transmitir, o !ue a mem#ria desco2ria nas cin-as do passado. Seus relatos se
tornavam &oras muito agrad$veis para os ouvintes.
>as agora a situaç/o era outra. N/o podiam perder nem "raç/o de &ora, por mais
interessante !ue "osse a aventura do 5onde de S&erIood.
,&odan pegou o arcnida pelo 2raço e o levou pelo corredor principal para a sala de
comando.
— 0ste cavaleiro sa2ia alguma coisa de importante< — perguntou logo, para desviar
a atenç/o de Atlan.
O arcnida conseguiu se controlar.
— Sim — respondeu ele. — @iu uma coisa !ue pode ser muito 2em a e'ist4ncia de
Natan como esp)rito. A!ui na redonde-a, a !uatro ou cinco !uilmetros. 0u pedi !ue ele
"osse camin&ando de ol&os atentos e l&e disse !ue n#s ir)amos atr$s.
— Ac&o !ue no momento temos !ue nos preocupar mais com as tur2inas de
propuls/o, do !ue com Natan — sugeriu ,&odan.
Quando estavam entrando na sala de comando, o telepata Fo&n >ars&all estava
vendo na tela algo muito es!uisito. .o lado do sul vin&a uma "igura, !ue a princ)pio
parecia um &omem. *elo menos tin&a a mesma estatura de um &omem. .epois, porém,
>ars&all notou !ue se tratava de uma "ormaç/o alongada !ue crescia a cada instante. 0
atingia agora mais de um !uilmetro de e'tens/o. 5rescia ininterruptamente a uma
velocidade de cinco metros por segundo.
O telepata n/o conseguia ver o !ue era realmente. *arecia uma enorme 2arra !ue
alguém empurrava do sul para o norte. N/o se podia di-er ao certo o comprimento desta
2arra. A altura devia ser de um metro e oitenta e a largura de uns oitenta cent)metros. 0m
compensaç/o, o corte transversal n/o era retangular nem de !ual!uer outra "orma
geométrica regular. No entanto, parecia apresentar um con3unto simétrico.
*or algum tempo, >ars&all "icou o2servando o corte transversal, o !ue l&e era "$cil,
pois estava vendo a 2arra !uase de "rente e c&egou a uma conclus/o surpreendente:
parecia mesmo com a "igura de um &omem. .elineava-se 2em a ca2eça, dois 2raços
ligeiramente separados do tronco, de "orma a se poder ver um intervalo entre eles. .uas
pernas levemente esticadas. A princ)pio, >ars&all 3ulgou ver um &omem apenas na "ace
"rontal da 2arra. O !ue ele pretendia, era muito di")cil desco2rir, ainda mais !ue este era o
planeta *eregrino, o mundo arti"icial, 9s ve-es muito ?distanteA do normal.
>as, de repente, o telepata começou a perce2er pensamentos na 2arra, muito lentos
mas compreens)veis. 0ram coisas t/o caracter)sticas, !ue Fo&n >ars&all logo perce2eu de
!uem podiam vir.
Quando *err+ ,&odan e o arcnida pisaram na sala de comando, >ars&all se dirigiu
a eles.
— %en&o uma comunicaç/o importante para l&e "a-er, sen&or — disse apontando
para a tela. — (ell se apro'ima de n#s de uma maneira muito es!uisita.
; ; ;
,eginald (ell teria !ue constatar muito cedo !ue a contraç/o de um planeta inteiro
n/o podia dei'ar de ser perigosa para !uem o &avia con&ecido como um todo invari$vel.
N/o sentira isto antes, mas !uando viu !ue a primeira montan&a se precipitava contra ele,
perce2eu ent/o as conse!=4ncias desta contraç/o ou atro"ia.
(ell estava de pé diante da espaçonave para ver como as coisas se desenrolavam.
Nos 8ltimos minutos, o "ator de encurtamento ou contraç/o &avia aumentado muito.
*odia-se ver a ol&o nu como a super")cie do planeta se contra)a — ali$s s# numa direç/o.
A largura e a altura das coisas "icavam as mesmas, somente seu comprimento é !ue se
alterava, até n)veis grotescos. A press/o do ar n/o su2ia, como (ell imaginara, na mesma
proporç/o do "ator de distorç/o. 0n!uanto este 8ltimo andava pela escala de um para de-
mil, a press/o do ar &avia su2ido apenas vinte ve-es. Os pe!uenos geradores de campo,
para proteç/o contra press/o e'cessiva, !ue "oram montados pelo %enente %ompetc&, n/o
c&egaram ainda a ser usados.
5om a distorç/o de um para de- mil, o litoral sul do mar do norte distava deles
apenas du-entos e cin!=enta metros. O litoral do oceano e!uatorial, !ue con"orme o
mapa, devia estar a vinte !uilmetros da ga-ela, estava ali, a dois metros. (ell sa2ia
agora, !ue ele pr#prio &averia de parecer para os &a2itantes do planeta como um monstro
dis"orme de cinco !uilmetros, o !ue naturalmente o in!uietava 2astante.
Seu corte transversal estaria certo, mas seu ac&atamento e'agerado l&e daria a "orma
de uma 2arra muito alongada. *ortando, um &omem-2arra, como ele mesmo se intitulava.
As 2otas de seu tra3e espacial, !ue para seus ol&os eram de !uarenta cent)metros,
&averiam de parecer, nas dimens:es de contraç/o deste planeta, ter um comprimento de
!uatro !uilmetros. No entanto, a altura, como tam2ém a largura, permaneceriam
inalteradas.
Quando a escala da distorç/o atingisse um para cem mil, o mar do norte estaria
apenas a vinte e cinco metros deles e as pontas das 2otas de (ell estariam tocando o
litoral do oceano e!uatorial.
>as os interesses de (ell n/o estavam no sul, mas no norte. No primeiro movimento
!ue "e- sentiu logo !ue o ar l&e impedia os movimentos. A press/o era agora de
cin!=enta atmos"eras. >as o ar se comportava como se "osse l)!uido.
(ell tin&a !ue "a-er um es"orço incr)vel I somente para se virar. 0le mesmo n/o
c&egou a reparar como seu corpo se modi"icou. As 2otas !ue &$ pouco c&egavam até o
litoral do oceano, voltaram ao taman&o normal, assim !ue (ell terminou sua meia-volta e
tornaram a crescer desmesuradamente !uando completou a volta inteira. .o mesmo
modo, seus om2ros cresciam e depois se contra)am e caso se deitasse no c&/o, no sentido
norte-sul, teria um comprimento de cento e oitenta !uilmetros.
.epois "icou parado, com os ol&os "i'os no norte, vendo !ue o mar se trans"ormara
numa poça d[$gua. @iu o litoral do continente do norte !ue surgia de uma penum2ra
avermel&ada e os edi")cios da grande cidade, constru)da nos roc&edos do litoral. @iu
tam2ém como a $gua vermel&a do rio ia de encontro 9s margens )ngremes e depois
"lu)am para o mar. O es!uisito em tudo isto é !ue estava vendo uma coisa !ue, pelo
mapa, distava dele !uatro mil !uilmetros.
5onstatou, com um certo mal-estar, !ue !uanto mais ol&ava para as construç:es da
cidade, mais transparentes elas "icavam. 5&egou a recear !ue "ossem desaparecer
totalmente, caso a distorç/o da contraç/o ainda continuasse.
Quando a press/o do ar c&egou a cem atmos"eras, e a dist1ncia até a cidade era de
apenas alguns metros, ouviu o alarme interno do tra3e espacial. Jritou para %ompetc&
para !ue ligasse os geradores do campo de proteç/o.
0'atamente no momento em !ue o tenente estava respondendo, viu !ue o morro do
litoral sul do mar do norte, cu3a apro'imaç/o ele 3$ vin&a o2servando, n/o iria apenas
passar a seu lado, mas atropel$-lo...
5ertamente o morro n/o era nen&um monstro, mas seu "lanco leste, !ue corria
suavemente para a plan)cie, era su"iciente para cortar toda esperança de "uga de (ell e de
%ompetc&. Bicou parado, "ascinado com o "enmeno do morro andante, progredindo em
sua direç/o. 0sperou para ver o !ue ia acontecer. O céu irradiava uma lu- avermel&ada.
0m suas dimens:es normais, o morro teria alguns !uilmetros de e'tens/o, mas com a
distorç/o de um para um mil&/o, devia medir correspondentemente tam2ém alguns
mil)metros.
(ell teve um cala"rio s# ao pensar !ue a contraç/o, em !ue o planeta *eregrino se
encontrava, pudesse ter in"lu4ncias na constituiç/o molecular da matéria e !ue, agora, o
"lanco do morro apesar de redu-ido a poucos mil)metros, conservasse a mesma "orça de
antes, isto é, continuasse na impossi2ilidade de ser transposto.
0ra, porém, totalmente imposs)vel tentar um desvio. Ol&ou em torno e viu
%ompetc& su2indo na comporta. 0stava com um dos geradores preso na cintura e
conseguia se mover com "acilidade, graças 9 proteç/o de seu campo magnético. Ao invés
disso, (ell tin&a !ue se mover como se estivesse dentro de uma lama pega3osa, de t/o
pesado !ue o ar "icara. Ainda teve tempo de alertar %ompetc&:
— 5uidado com o morroG 0le se apro'ima de n#s.
@iu ainda como %ompetc& ol&ou com calma para a ameaça inesperada e aguardou
"irme seu destino, sem desviar os ol&os da!uilo !ue iria esmag$-lo. O morro estava !uase
rente a eles, !uest/o de poucos cent)metros. 0ra uma estrutura lisa de roc&edo, porém
muito delgada.
>as n/o era a montan&a !ue vin&a ao seu encontro, mas eles é !ue eram impelidos
contra elaG
(ell se recurvou para "rente, a "im de a2randar o impacto com os om2ros. Sentiu
uma dor imensa no om2ro direito. *or um momento, teve a impress/o de !ue seus ossos
estavam sendo triturados. >as, de repente, desco2riu triun"ante uma "enda !ue corria de
alto a 2ai'o na mural&a de pedra.
,ecurvou-se para tr$s e teve vontade de 'ingar a!uele ar &orr)vel, pastoso, !ue o
impedia de camin&ar mel&or. Dançou-se mais uma ve- para "rente, mas a dor "oi agora
menor. (ell ouviu um ru)do !ue lem2rava o latido de um c/o. No mesmo instante, a
"enda se ampliou e a mural&a de pedra partiu ao meio, começando a cair. Os pedaços
eram "inos demais.
0, na montan&a, se a2riu uma 2rec&a, pelo menos tr4s ve-es maior !ue o corpo .de
(ell. 0le ainda "icou ol&ando para a mural&a, !ue apesar de delgada, tin&a mais de
du-entos metros de altura.
(ell sorria "eli- com o !ue acontecera. A mural&a estava agora cortada em dois
trec&os. 0m circunst1ncias normais, ele e seu a3udante seriam atingidos pelos enormes
2locos de pedra. >as, devido ao "enmeno da contraç/o, esses 2locos n/o passavam
agora de "ragmentos de poucos mil)metros de espessura, n/o podendo "eri-los com
gravidade.
*reocupado, procurou por %ompetc&. 0stava parado ali perto, sem correr nen&um
perigo. O campo magnético de proteç/o "e- com !ue ele n/o precisasse se utili-ar dos
om2ros, como "i-era (ell. Na &ora do c&o!ue, %ompetc& se 3ogou para "rente e, no
mesmo instante, se a2riu uma segunda "enda na mural&a.
>inutos depois o morro atingiu a ga-ela, mas 3$ ent/o (ell n/o tin&a mais receio,
pois a espaçonave era um mil&/o de ve-es mais resistente do !ue ele. ,ealmente, a
delgada parede do morro se partiu em dois ao tocar na ga-ela.
(ell tentava imaginar o !ue se passava neste momento no planeta *eregrino, isto é,
l$ onde os &a2itantes "antasmag#ricos desse mundo arti"icial estavam sentindo os e"eitos
da contraç/o, !ue eles mesmos n/o perce2iam. @eriam tr4s coisas dis"ormes: (arras
!uilométricas, !ue eram na realidade dois &omens e uma "ormaç/o de v$rios !uilmetros
de e'tens/o, a nave ga-ela. 0stes o23etos estavam num crescimento r$pido. .estroçavam
tudo !ue l&es estava no camin&o: $rvores, ar2ustos, casas e até mesmo morros. Neste
momento, o planeta devia estar convertido num verdadeiro caos. 5ada movimento
da!ueles tr4s o23etos — verdadeiros monstros em relaç/o com a contraç/o geral —
provocava um tu"/o de enormes proporç:es. \rvores !ue ainda estavam de pé, eram
arrancadas do c&/o e levadas pelo planeta a"ora. Se e'istissem seres &umanos ali,
certamente seriam tam2ém lançados para longe. O mar começou a se agitar, dando
impress/o de !ue suas $guas estavam "ervendo.
0 eles mesmos, os tr4s monstros, n/o perce2iam nada. 0 n/o podiam notar mesmo,
pois uma $rvore de de- metros de copa, parecia para eles com menos de um centésimo de
mil)metro. >esmo !ue as $rvores "ossem muitas ve-es maiores, n/o l&es seria mais de
uma som2ra sem valor, cu3o contato n/o podiam sentir.
*or uns instantes, (ell estava ali parado, remoendo estas idéias, tentando medir a
desgraça !ue ele mesmo estava causando. Seu consolo era !ue os seres do planeta
*eregrino eram em geral seres "antasmag#ricos, criados ao 2el-pra-er do sen&or supremo
deste mundo. 5om a mesma "acilidade com !ue eram destru)dos, podiam ser criados
novamente. *ortanto, praticamente, nada se perdia.
0 tam2ém n/o &avia propriamente uma morte, !uando uma roc&a ou uma $rvore se
a2atia so2re alguém. %udo era som2ra, até mesmo seus corpos.
A vo- tran!=ila de %ompetc& o veio arrancar destas divagaç:es.
— Digue seu gerador, sen&or, a press/o do ar su2iu a cento e vinte atmos"eras.
(ell tentou se virar, mas n/o conseguiu. %ompetc& notou seu apuro e apro'imou-se.
(ell, muito assustado, reparou !ue alguns minutos mais tarde nem conseguiria mais
levantar os 2raços para pegar o gerador. O ar se &avia trans"ormado em algo semipastoso
e pesado. 5om muito custo a"ivelou o gerador na cintura do seu tra3e espacial. %eve ent/o
a sensaç/o de !ue a!uela carga de c&um2o !ue comprimia todo o seu corpo &avia ca)do
por terra. 0'perimentou levantar o 2raço e viu !ue n/o sentia mais nen&uma di"iculdade.
*or tr$s do morro, apareceu o mar do norte. A ponta da 2ota de (ell 3$ estava
ultrapassando o litoral. .o outro lado do c#rrego, pois era esta a impress/o !ue dava o
antigo mar, via-se o litoral )ngreme do continente norte. A cidade no topo do morro n/o
era mais !ue uma som2ra. *ela contraç/o progressiva, (ell ac&ava !ue n/o iria mais
identi"ic$-la. Se o mar a norte se &avia trans"ormado num regato de poucos cent)metros, o
!ue seria ent/o da cidade<
No meio destes pensamentos, ouviu um grito. Ol&ou para o lado e deu com o
sem2lante tran!=ilo de %ompetc&, ol&ando distra)do para o mar estrangulado. Além
disso, a vo- !ue ouvira era muito di"erente da do tenente.
— *u'a vidaG — disse ele mal-&umorado.
No mesmo instante, a vo- voltou a se mani"estar:
— Apresente-se, (ell, estou em ligaç/o com voc4. Quem est$ "alando é Fo&n
>ars&all.
A resposta de (ell "oi uma risada. @irou o rosto, como se estivesse vendo o
sem2lante de >ars&all em !ual!uer lugar e respondeu:
— *u'a, 3$ era mesmo tempo de voc4s se mani"estarem.
; ; ;
Ao monstro !ue se avolumava dos lados do sul, acrescentaram-se ainda, no correr
dos pr#'imos minutos, mais dois outros. Lm destes dois se assemel&ava muito com os
pensamentos irradiados por ,eginald (ell e, ao se apro'imar, >ars&all recon&eceu !ue se
tratava de >iMe %ompetc&. A terceira som2ra, ou ser "antasmag#rico, n/o irradiava
nen&um pensamento. 0m2ora nada tivesse de sua "orma primitiva, >ars&all n/o teve
d8vida de !ue era a ga-ela com !ue (ell e %ompetc& vieram para o planeta.
O !ue para Fo&n >ars&all "oi uma coisa assustadora, os demais ac&aram muito
natural. O arcnida Atlan, por e'emplo, disse "riamente:
— N/o &$ motivo de terror, nem mesmo de espanto, meus amigos. %)n&amos !ue
contar com algo semel&ante, n/o é verdade< 0ste planeta gira numa regi/o de
insta2ilidade, onde os ei'os das coordenadas de seu espaço est/o su3eitos,
alternadamente, 9 contraç/o e portanto 9 distorç/o. Naturalmente !uem vive nesta regi/o
n/o nota nada deste "enmeno. *rovavelmente, n#s nos tornamos parte deste espaço
intermedi$rio através dos raios transportadores. *ara n#s, o planeta *eregrino continua o
mesmo. Nem perce2emos !ue ele n/o est$ mais em ligaç/o com o resto do Lniverso.
?*ara (ell e %ompetc&, o neg#cio é outro. .esceram numa parte do planeta !ue
estava no espaço normal, na &ora da aterrissagem. 5ontinuaram parte do espaço normal e
sentem todo o grotesco ou toda a grande-a do "enmeno da contraç/o ou enrugamento.
*or sua ve-, podemos constatar através de (ell e %ompetc& o !ue se passa no planeta
*eregrino.A
Atlan ol&ou para ,&odan e continuou:
— Seria 2om se pudéssemos transmitir umas in"ormaç:es 8teis a (ell. Seria de 2om
alvitre avis$-lo de !ue em poucos instantes ou, no m$'imo, em meia &ora, vai l&e 2astar
apenas um passo para c&egar 9 sua cidade, se ele 3$ n/o estiver l$. Seria necess$rio, ac&o
eu...
*err+ o interrompeu, levado por suas preocupaç:es.
— 5omo est$ a ligaç/o< — perguntou ele a >ars&all. — @oc4 consegue
acompan&ar 2em seus pensamentos<
— ,elativamente 2em, c&e"e. >as ele est$ pensando muito lentamente.
— (em, de !ual!uer maneira, tente alcanç$-lo.
>ars&all ligou seu minicomunicador e procurou encontrar a "re!=4ncia alterada de
(ell. N/o notou como as grotescas "iguras cresciam sempre mais, como (ell, %ompetc& e
a ga-ela passaram de"ormados ao lado da nave de ,&odan, continuando para o sul. Jritou
v$rias ve-es:
— 5omuni!ue-se, (ellG
5aptou o sentimento de espanto de (ell e "inalmente ouviu sua vo-:
— *u'a, 3$ era mesmo tempo de voc4s se mani"estarem.
No mesmo instante, alguém l&e gritou:
— .iga-l&e !ue deve ter mais cuidado com seus movimentos. 5ada ve- !ue ele vira
a ca2eça, irrompe um tu"/o por so2re a regi/o.
>ars&all transmitiu a mensagem ao pé da letra. (ell prometeu ter mais cuidado da)
por diante, em seus movimentos.
.epois disso, >ars&all "icou aguardando novas ordens de ,&odan.
; ; ;
— Na cidade deve e'istir — começou >ars&all — uma estaç/o de onde o planeta
rece2e energia sem necessidade de "ios. *rocurem encontrar esta estaç/o e p-la em
"uncionamento. Se esta 3$ estiver em "uncionamento, o2ten&am o "ornecimento
necess$rio, para !ue voc4s possam vir para c$ onde estamos. Nossa energia de propuls/o
"oi sugada. 0ncontramo-nos completamente sem possi2ilidade de nos mover. Se
conseguirmos esta estaç/o, est$ tudo arran3ado. A estaç/o est$, com toda certe-a, nesta
cidade. 5ompreendido<
— Sim, compreendi. @oc4 "ala depressa demais, mas consegui acompan&ar. *arece
!ue voc4s n/o compreendem min&as di"iculdades. @e3am s#: como vou conseguir ac&ar
uma estaç/o !ue possa "ornecer energia, se o edi")cio todo n/o tem um milésimo de um
mil)metro< 0 como posso apertar um 2ot/o se cada um de meus dedos mede mais de
!uin-e !uilmetros<
— 0spere um pouco, vou e'plicar isto a!ui ao pessoal técnico, respondeu >ars&all.
Ap#s alguns segundos, veio de novo a vo- de Fo&n >ars&all.
— O "enmeno da contraç/o ou de encurtamento em 2reve atingir$ seu ponto
m$'imo e depois regredir$, tomando de novo seu taman&o normal, ou "alando em outras
palavras, o planeta *eregrino retornar$ 9s dimens:es !ue est/o no mapa. A) ent/o tudo
voltar$ ao normal. Dem2re-se !ue no momento seu tempo corre tr4s ve-es mais lento do
!ue o tempo deste mundo. O "ator n/o é constante, pode se alterar nos dois sentidos.
— 0st$ tudo certo — respondeu (ell. — >as me diga s# uma coisa: Quanto tempo
temos ainda<
— 5on"orme nossos c$lculos, vinte e uma &oras — "oi a resposta de >ars&all. —
S/o agora tr4s &oras do dia primeiro de maio.
; ; ;
A situaç/o ainda era esta: O mar do norte continuava a ser uma pe!uena poça
d[$gua, com pouco mais de meio metro de largura. Se (ell desse um passo pe!ueno, 3$
estaria do outro lado, isto é, no continente do norte.
>as estava &esitando muito em dar este passo, sa2endo !ue isto causaria grande
agitaç/o na atmos"era, movimentando seu corpo de mil !uilmetros de comprimento.
Devantou 2em devagar o pé direito. Juardara 2em na mem#ria o local onde estava a
cidade. N/o conseguia mais v4-la, pois seus edi")cios, de t/o microsc#picos, &aviam
desaparecido. %in&a, porém, certe-a de !ue n/o pre3udicaria ninguém, pelo menos n/o
intencionalmente. As conse!=4ncias do pé-de-vento, !ue sua passada provocaria, n/o as
podia imaginar.
>iMe %ompetc& "aria tam2ém os mesmos movimentos !ue (ell. Seguindo seu
c&e"e, levantou o pé, transpondo todo o peso do corpo para a perna es!uerda, inclinou-se
em c1mara lenta para "rente. .epois !ue o centro de gravidade do corpo atingiu o meio
do mar, começou a condu-ir o pé direito para "rente.
@eio ent/o o momento tr$gico.
N/o estava mais se ag=entando so2re o pé es!uerdo e tin&a !ue descer com o outro
pé, com mais velocidade do !ue !ueria. .esesperado, ol&ou para (ell. >as a situaç/o de
seu c&e"e n/o era mel&or !ue a dele. Am2os perderam o e!uil)2rio no mesmo momento.
O tu"/o !ue agora varreria o planeta seria muito "orte.
.epois, (ell n/o tendo mais coragem de virar o rosto para tr$s, ol&ou apenas com o
canto do ol&o e viu a ga-ela parada ali mesmo, t/o perto !ue esticando o 2raço podia
toc$-la. Quando aca2asse a contraç/o, 3$ estaria a !uatro mil !uilmetros deles.
— 0stamos a cinco !uilmetros a oeste da cidade — e'plicou a %ompetc&. —
%emos pois !ue camin&ar um pouco. A contraç/o s# atua do norte para o sul. .o oeste
para o leste, n/o &$ alteraç/o nen&uma. 5amin&emos com cautela. N/o temos tempo de
so2ra, mas tam2ém n/o !ueremos trans"ormar o planeta num deserto. Se levarmos duas
&oras para atingir a cidade, teremos agido com 2om senso.
*useram-se a camin&o, com muito cuidado.
; ; ;
Lma cena t/o grotesca assim, *err+ ,&odan 3amais tin&a visto. As duas 2arras
enormes, !ue outra coisa n/o eram sen/o (ell e seu tenente, apesar de toda cautela,
provocavam grande agitaç/o na atmos"era. ,&odan ent/o deu ordem para !ue o
"enmeno "osse "ilmado. .ispositivos ultra vermel&os proporcionavam uma "ilmagem
normal, em2ora os ol&os dos espectadores !uase n/o conseguissem ver os movimentos
"eitos so2 densa poeira.
,&odan ol&ou novamente para o rel#gio. %in&am ainda de-enove &oras.
; ; ;
.urante a camin&ada para a cidade, se deu o cl)ma' da contraç/o e, da) para "rente,
seria a lenta volta ao normal. Boi com estupe"aç/o !ue (ell constatou !ue o movimento
de volta ao normal ia 2em mais r$pido do !ue o aumento da contraç/o.
Lma &ora e meia ap#s o ponto m$'imo da contraç/o, na regi/o do continente norte,
a cidade começou a crescer diante de seus ol&os. Os contornos dos edi")cios, até ent/o
redu-idos a uma espessura inimaginavelmente delgada, dilatavam-se, !ue2ravam a lu- do
sol, produ-indo um lindo e"eito de cores para os ol&os dos dois viandantes.
>eia &ora depois, !uando 3$ estavam entrando na cidade, o mar do norte 3$ estava
t/o amplo, !ue n/o conseguiam mais ver sua ga-ela. 0 pouco tempo depois, desaparecia
tam2ém o litoral sul do mar do norte.
Apesar disso, seus om2ros ainda estavam largos demais para penetrarem na cidade.
As ruas pareciam estreitas para eles. %iveram !ue esperar.
; ; ;
Natan c&egou 9 cidade, depois de longa ?"amin'adaA. Ac&ou-a impressionante e, ao
mesmo tempo, aca2run&adora. A saudade de seu amigo, e dos outros estran&os, a
sensaç/o da intermin$vel solid/o, !uase se trans"ormaram em p1nico para ele. 0stava
crente !ue se tudo isto n/o terminasse logo, sua e'ist4ncia como esp)rito terminaria num
curto-circuito.
.eitou na praça central da cidade e esperou. A cidade ainda estava va-ia e
silenciosa. N/o &avia nada com !ue se distrair.
; ; ;
Quando a marc&a regressiva da contraç/o c&egou a um ponto !ue possi2ilitava o
movimento de (ell e de %ompetc& pelas ruas da cidade, eles n/o sa2iam !ue dia era. >as
estavam cientes de !ue n/o tin&am tempo a perder. %in&am !ue ac&ar em 2reve a estaç/o
de "ornecimento de energia.
(ell !ueria entrar em contato com Fo&n >ars&all para sa2er em !ue local da cidade
deviam procurar a usina elétrica.
>as n/o "oi mais poss)vel. O!uela &ora, >ars&all 3$ estava no espaço intermedi$rio,
en!uanto ele e %ompetc& viviam agora no espaço normal.
.e repente, %ompetc& apontou para um edi")cio, cu3a torre central rasgava o céu
avermel&ado e cu3a a2#2ada estava guarnecida com "iguras tais !ue se podia pensar em
antenas de radiaç/o dirigida. (ell ac&ou !ue ele tin&a ra-/o. A entrada para a torre era
pelo lado oeste. Os om2ros de (ell ainda estavam um tanto largos, o2rigando-o a virar o
corpo para passar pelo port/o.
A !uantidade de peças elétricas e eletrnicas, de todos os tipos, dei'ou (ell, a
princ)pio, con"uso. Devou uma 2oa meia &ora para recon&ecer pelas "ormas dos aparel&os
e pelo tipo de suas ligaç:es, para !ue "im serviriam. 0'perimentando muitas instalaç:es,
levantou a alavanca de contato de uma delas e viu com satis"aç/o !ue uma série de
l1mpadas se acenderam. Ao mesmo tempo, apareceu numa tela uma imagem !ue parecia
um mapa da regi/o, con"eccionado numa espécie de pl$stico. 5omeçou a me'er em
diversos 2ot:es e desco2riu um !ue regulava a tela.
N/o "oi necess$rio muito e'erc)cio para !ue (ell, girando o mapa pl$stico c&egasse
a desco2rir o local do pouso da ga-ela de ,&odan.
— *odemos começar agora — disse ele mais calmo para o %enente %ompetc&.
.epois colocou o capacete espacial para tr$s, para n/o ser mais incomodado em seu
tra2al&o. A press/o do ar estava !uase normal.
; ; ;
#le, o sen&or de *eregrino, se apresentou de novo com sua risada 2arul&enta.
C Para)éns, meu amigo, mais uma vez vo"6 teve sorte.
,&odan entendeu com isto !ue o Ser !ueria di-er !ue (ell desco2rira a usina
elétrica e a colocara em "uncionamento.
,&odan n/o teve mais d8vidas. Satis"eito, deu a partida nas tur2inas de propuls/o. A
ga-ela su2iu para o espaço. .as tr4s "iguras "antasmag#ricas, n/o se via mais nada.
C # vo"6 ainda ter+ uma grande surpresa,
0ra de novo a vo- do Ser do planeta. ,&odan n/o l&e deu muita import1ncia. >ais
importante para ele, era c&egar 9 cidade no litoral do continente do norte. 0ram !uator-e
&oras e !uarenta e cinco minutos. So2ravam apenas de- &oras para salvar a imortalidade.
; ; ;
O céu "icara de novo mais claro, !uando (ell e %ompetc& dei'aram a torre e se
dirigiram para a praça, onde &avia a grande galeria. 5amin&avam por ruas desertas da
cidade gigantesca, !ue estava morta e parada — com e'ceç/o do vulto !ue saiu de
repente da som2ra de uma casa.
,eginald (ell se lem2rou dele — o &omem de roupas es"arrapadas, com a
cartuc&eira ca)da na 2arriga e os dois polegares enganc&ados nela.
— Al, onde v/o estas duas "iguras< — perguntou ele.
0ra a mesma vo- !ue ouvira &$ mais de sessenta anos, no mesmo lugar.
— *ara onde est/o indo voc4s< 5on&ecem esta cidade< Sa2em !ual é a dist1ncia
entre .odge e ]ic&ita< Queria ir até l$.
(ell "e- cara de !uem n/o estava gostando muito da!uele encontro e respondeu:
— %rinta e oito mil&as, estran&o. @oc4 n/o tem um cavalo<
A "igura a2anou a ca2eça.
— N/o. Boi a2atido pelos vermel&os. 0stou agora procurando outro, mas !uem vai
ac&ar um cavalo nesta cidade miser$vel<
.i-endo isto, a "igura desapareceu su2itamente, como se nunca tivesse estado ali.
A praça "icou va-ia de novo e (ell sentou-se no c&/o. N/o sa2ia !ue &oras eram,
nem !uando terminaria o pra-o. Sa2ia apenas !ue n/o entraria no "isiotron, antes de *err+
,&odan. 0ra o segundo &omem do Império Solar e 3amais !ueria ser mais do !ue isto.
>iMe %ompetc& n/o tin&a tantos cuidados assim. Andava de um lado para o outro,
contemplando as construç:es da cidade. Ouviu, de repente, o -unido caracter)stico da
ga-ela, !ue se apro'imava da cidade, depois de ter atravessado o mar.
(ell levantou-se e a2anou as m/os para saudar os compan&eiros.
; ; ;
Os de-esseis &oras do dia primeiro de maio de 7.HC7, *err+ ,&odan entrou no
"isiotron. O ro2 EomunM surgiu dos "undos da galeria e encamin&ou ,&odan para as
instalaç:es de terapia. EomunM n/o sou2e e'plicar se as condiç:es peculiares do planeta
*eregrino podiam in"luenciar na e"ic$cia da duc&a celular. 0 se o ro2 n/o sa2ia, era sinal
de !ue tam2ém 0le, o sen&or do planeta, estava diante de um enigma.
Os de-essete &oras e vinte e !uatro minutos, estava terminado o tratamento de
,&odan.
EomunM ainda levou uns instantes até recarregar os aparel&os e c&egou ent/o a ve-
de ,eginald (ell. (ell tam2ém se preocupara com as in"lu4ncias do "enmeno da
contraç/o so2re os e"eitos da duc&a celular. 0ra de opini/o, de !ue, numa situaç/o como
esta, a duc&a n/o garantiria, ou mel&or, n/o impediria o desgaste das células do
organismo, pelo menos para ele, (ell.
5om ,&odan, o caso era di"erente, pois, através do salto pelos raios transportadores,
ele pertencia a este espaço, !ue era o do planeta *eregrino. 0le, ,&odan, n/o &avia
passado pelas alteraç:es da contraç/o do planeta.
(ell se sentiu aliviado ao constatar !ue a reaç/o de seu organismo ao tratamento do
"isiotron "ora a mesma !ue &$ sessenta e dois anos. ,&odan veio ao seu encontro e, em
sil4ncio, l&e apertou a m/o. Eavia alegria nos seus ol&os.
— 5omo é< 5onseguimos, n/o é< *ara mais sessenta e dois anos.
— Ser$ !ue conseguimos mesmo< — perguntou (ell cético. — @oc4 ac&a !ue o
e"eito ser$ o mesmo da outra ve-<
,&odan procurou o ro2, mas EomunM 3$ &avia se retirado para os "undos da
galeria.
— N/o, (ell, n/o estou 2em certo disso. >as podemos tomar nossas medidas de
precauç/o.
— *recauç/o, como assim< — perguntou (ell.
— *er"eitamente. O pra-o e'pira dentro de !uatro &oras e meia. 5on"orme o !ue
EomunM me e'plicou, se a duc&a n/o "oi valida, o envel&ecimento começar$ 9 meia-
noite. N#s "icaremos a!ui, acamparemos ao lado do "isiotron. Assim !ue notarmos os
primeiros sintomas do envel&ecimento...
— A&G 5ompreendo — (ell sorriu "eli- e 2ateu amigavelmente nos om2ros de
,&odan. — K uma idéia e'celente, rapa-G
; ; ;
.epois de "icar parado na praça muitas &oras, sem !ue nada acontecesse, Natan
resolveu andar pela cidade, ol&ando os enormes edi")cios. N/o gostou. Sentia saudades da
grande espaçonave, !ue era muito mais agrad$vel do !ue esta cidade morta.
0m sua desolaç/o, n/o reparou !ue a ga-ela &avia descido na praça. 5ontinuava
peram2ulando pelas ruas, !uando o sol arti"icial 3$ estava para se pr.
*err+ e (ell estavam diante da ga-ela, contemplando o céu avermel&ado.
— 0s!uisito — disse ,&odan — estamos em dois espaços di"erentes. @oc4
continuou no Lniverso de 0instein, en!uanto eu me encontro no mesmo espaço
intermedi$rio do planeta *eregrino. @oc4 est$ vendo o céu vermel&o e meio escuro, eu o
ve3o claro e a-ul. 0 apesar disso, podemos conversar um com o outro, ver e apalpar as
coisas.
(ell n/o disse nada.
— *arece — disse ,&odan depois de curto intervalo — !ue a vida org1nica est$ em
condiç:es de superar certos limites da nature-a. K um mistério !ue...
*arou de "alar, !uando notou !ue uma som2ra sa)a da rua e entrava na praça.
5onstatou !ue a!uela névoa indecisa tomava as "ormas de uma "igura &umana e vin&a
"lutuando em sua direç/o.
— NatanG — e'clamou ,&odan. — Natan est$ a!ui de novo.
No mesmo instante, re2oou a gargal&ada do Ser do planeta, so2re toda a grande
praça. @eio t/o depressa, !ue ,&odan se assustou.
C Preste atenção. 4 agora %ue algo vai a"onte"er.
,&odan viu como a e'ist4ncia como esp)rito de Natan desapareceu pela comporta
a2erta da ga-ela. (ell deu um passo r$pido para "rente e perguntou atnito:
— O !ue !ue 0le est$ di-endo< Que signi"ica...
N/o terminou a "rase.
O "im do mundo começou inesperadamente. (ell sentiu-se atirado para o lado, como
se tivesse rece2ido um estrondoso pontapé de um gigante. Dogo depois, so"reu a mesma
dor aguda da desmateriali-aç/o, !ue &avia e'perimentado &$ pouco no "isiotron. 0stava
tudo escuro e ele estava morrendo.
Sim, morrendo de medo.
0sperava re2entar-se em pedaços a !ual!uer momento.
Ao invés disso, porém, a dor cessou de repente. (ell se viu deitado no c&/o da
grande praça, ol&ando para um céu !ue agora estava t/o a-ul como o céu do Ari-ona. 0
no meio do céu, estava o sol arti"icial do planeta.
; ; ;
— 5&eguei a sa2er alguns segundos antes de acontecer — disse Atlan — n/o tive,
porém, tempo para l&e comunicar, administrador.
,&odan respondeu apenas com um sinal da ca2eça. 0stava ainda com os re"le'os da
dor, a mesma dor !ue sentiu na transiç/o da ga-ela com os raios transportadores.
— 0u disse desde o princ)pio — continuou Atlan — !ue o espaço de meio tempo,
em !ue se encontra este planeta, era uma "ormaç/o muito inst$vel. (astaria um
movimento leve para alter$-lo e "a-4-lo voltar 9 esta2ilidade. >as, "eli-mente, isto 3$
aconteceu. O planeta *eregrino est$ no espaço normal. Sa2emos, desde alguns segundos,
!ue temos contato normal com a .rusus. N/o est$ a mais de de- minutos-lu- do planeta
*eregrino. A volta ao espaço normal nos custou um dia e meio. 0stamos agora no dia tr4s
de maio, nove &oras da man&/.
?A energia de !ue o planeta *eregrino necessitava para sair da insta2ilidade do
espaço intermedi$rio n/o era pe!uena. %irou-a dos mecanismos de propuls/o das duas
ga-elas. >ais ainda: a energia sugada das naves n/o "oi su"iciente para provocar a
reviravolta no am2iente do planeta. Quem "orneceu a energia "altante "oi a instalaç/o !ue
(ell e %ompetc& desco2riram e ativaram na cidade.
?0 "inali-ando: Quando a energia necess$ria para a invers/o do espaço intermedi$rio
estava !uase toda reunida, "altava ainda um nada-in&o para provocar o trans2ordamento.
0 !uem o "orneceu< Boi Natan, !uando, cansado e desolado, voltou a seu corpo, dei'ando
neste mundo a energia !ue tra-ia consigo para manter sua e'ist4ncia como esp)rito.
?Isto é um resumo de toda &ist#ria. Eaveremos de calcular tudo com e'atid/o e
dure-a, !uando desvendarmos a teoria do espaço intermedi$rio.A
@irou-se para o lado e sorriu para Ali el Fagat. 0ste correspondeu ao sorriso.
— 0 tam2ém iremos dar toda atenç/o, te#rica e pr$tica 9 dimens/o do tempo
relativo dos druu"s.
,&odan levantou-se, deu um passo 9 "rente, tropeçando no corpo de Natan, !ue mais
parecia uma vaca-marin&a. Natan n/o escondia sua alegria de estar de volta. ,olava "eli-
no c&/o, soltando guinc&os de alegria, !ue n/o eram ouvidos, por serem emitidos em
vi2raç:es de ultra-som.
,&odan ol&ava para a tela panor1mica. A vinte metros da comporta da ga-ela, via-se
o grande port/o !ue dava para a galeria do "isiotron.
?Due mundo e$traordin+rio é este,A, pensou ,&odan, o administrador.
; ; ;
; ;
;
#m Eltimos Dias de Atl8ntida, título do pr/$imo livro
da série, lan"es estupendos a"onte"em. # Atlan, o ar"9nida
imortal, vai reviver um pou"o da mitologia da Terra.

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