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LEGISLAÇÃO PARA SUCO DE FRUTAS INDUSTRIALIZADO.

O mercado brasileiro de suco de fruta industrializado vem crescendo
rapidamente nos últimos anos. O suco de fruta pronto para beber é o principal
responsável por essa expansão, que vem acompanhando a tendência mundial
de consumo de bebidas que oferecem saúde, conveniência, sabor, inovação e
prazer. O suco de larana pronto para beber é um dos sucos mais vendidos no
!rasil. Os sucos devem atender " le#islação espec$fica, estando de acordo
com definição, classificação, re#istro, padronização e requisitos de qualidade,
devendo também atender " le#islação sobre rotula#em de alimentos
embalados.
% le#islação brasileira na área de alimentos é re#ida pelo &inistério da 'aúde,
por intermédio da %#ência (acional de )i#il*ncia 'anitária +%(),'%- e pelo
&inistério da %#ricultura, .ecuária e %bastecimento +&%.%-.
%s bebidas são re#ulamentadas pela /ei n0 1.231, de 34 de ulho de 3224, do
&%.%, e re#ida pelo 5ecreto n0 6.734, de 4 de setembro de 3228, que disp9e
sobre a padronização, a classificação, o re#istro, a inspeção, a produção e a
fiscalização de bebidas. .osteriormente, o 5ecreto n0 7.:3;, de 3< de unho de
6;;;, alterou dispositivos do 5ecreto n0 6.734, de 3228. % rotula#em dos sucos
de fruta prontos para beber deve atender "s exi#ências da %(),'% sobre
rotula#em de alimentos embalados, conforme os =e#ulamentos >écnicos da
=5? n0 6:2, de 6; de setembro de 6;;6, sobre rotula#em de alimentos
embalados, a =5? n0 7<;, de 67 de dezembro de 6;;7, sobre rotula#em
nutricional de alimentos, a .ortaria n0 68, de 37 de aneiro de 3221, referente "
informação nutricional complementar, a =5? n0 7:2, de 67 de dezembro de
6;;7, sobre porç9es de alimentos embalados para fins de rotula#em
nutricional, e a /ei n0 3;.<84, de 3< de maio de 6;;7, que obri#a todos os
produtos aliment$cios comercializados a informar sobre a presença de #lúten.
Legislação brasileira de suco de fruta
O 5ecreto n0 6.734 do &%.%, de 3228, estabelece os .adr9es de ,dentidade e
@ualidade de bebidas, os re#istros, a classificação, a padronização e a
rotula#em, bem como as formas de controle das matériasAprimas, das bebidas
e dos estabelecimentos. (este 5ecreto encontraAse a definição de bebida,
como sendo Btodo produto industrializado, destinado " in#estão humana, em
estado l$quido, sem finalidade medicamentosa ou terapêuticaB. %s bebidas são
classificadas como bebidas não alcoClicas ou alcoClicas. Os tipos e as
definiç9es das bebidas não alcoClicas são contempladas nos arti#os 4; a <; da
'eção ,, incluindo suco ou sumo +%rt. 4;-, .olpa de fruta +%rt. 43- e (éctar +%rt.
47-. 'uco ou sumo é definido comoD Ba bebida não fermentada, não
concentrada e não dilu$da, destinada ao consumo, obtida da fruta sã e madura,
ou parte do ve#etal de ori#em, por processo tecnolC#ico adequado, submetida
a tratamento que asse#ure a sua apresentação e conservação até o consumoB.
(a mesma 'eção , também estão inclu$das as definiç9es de suco desidratado,
suco misto, suco reconstitu$do, a desi#nação do termo inte#ral e a
denominação concentrado para o suco parcialmente desidratado. O 5ecreto n0
7.:3;, de 6;;;, acrescenta ao %rt. 4; a definição de suco tropical.
O 5ecreto n0 7.:3;, que modifica o inciso ,,,, do %rt. 4;, do 5ecreto n0 6.734,
estabelece que ao suco poderá ser adicionado açúcar na quantidade máxima
fixada para cada tipo, através de ato administrativo, obedecendo ao percentual
máximo de 3;E, calculado em # açúcarF3;;# de suco
8
. %inda, de acordo com
a /ei n0 1.231, de 3224, em seu %rt. :0, pará#rafo 4 e o 5ecreto n0 6.734, em
seu %rt. 66, 'eção ,) A 5a rotula#em de bebidas, que consta do ?apitulo ,,, do
>$tulo ,, no caso de açúcar ser adicionado ao suco, deveAse anunciar no rCtulo
que se trata de um suco adoçado. % adição de aromas e corantes artificiais em
sucos é proibida e não é permitida a associação de açúcares e edulcorantes
hipocalCricos e não ener#éticos respectivamente de acordo com o %rt. 4; do
5ecreto n0 6.734.
O suco desidratado Bé o suco sob o estado sClido, obtido pela desidratação do
suco inte#ral, devendo conter a expressão suco desidratadoB, conforme o %rt.
4; do 5ecreto n0 6.734, que também denomina suco concentrado suco que for
parcialmente desidratado, devendo, de acordo com o acima citado %rt. 66, ser
mencionado no rCtulo o percentual de sua concentração.
O suco reconstitu$do, a desi#nação inte#ral e o suco misto também são
definidos no %rt. 4; do 5ecreto n0 6.734. O suco reconstitu$do é definido comoD
Bo suco obtido pela diluição de suco concentrado ou desidratado, até a
concentração ori#inal do suco inte#ral ou ao teor de sClidos solúveis m$nimo
estabelecido nos respectivos padr9es de identidade e qualidade para cada tipo
de suco inte#ral, sendo obri#atCrio constar de sua rotula#em a ori#em do suco
utilizado para sua elaboração, se concentrado ou desidratado, sendo opcional
o uso da expressão reconstituídoB.
% desi#nação inte#ral refereAse ao suco na concentração ori#inal da fruta, isto
é, ao suco proveniente somente da fruta, sem adição de açúcar, sendo vedado
o uso da desi#nação inte#ral para suco reconstitu$do.
O suco misto é definido comoD Bo suco obtido pela mistura de duas ou mais
frutas e das partes comest$veis de dois ou mais ve#etais, ou dos seus
respectivos sucos, sendo a denominação constitu$da da palavra suco, se#uida
da relação de frutas e ve#etais utilizados, em ordem decrescente de
quantidades presentes na misturaB.
Os sucos e bebidas " base de frutas são ainda re#ulamentados por ,nstruç9es
(ormativas que obedecem " /ei n0 1.231, de 3224 e ao 5ecreto n0 6.734. %
,nstrução (ormativa n0 3, de 8 de aneiro de 6;;;, aprova o =e#ulamento
>écnico #eral para fixação dos .adr9es de ,dentidade de @ualidade +.,@- para
polpa de fruta, constando em seus anexos o .,@ para sucos de fruta. %
,nstrução (ormativa n0 36, de 4 de setembro de 6;;7, aprova o =e#ulamento
>écnico para fixação do .,@ #eral para suco tropical e néctar.
5e acordo com o %rt. 47 do 5ecreto n0 6.734, néctar Bé a bebida não
fermentada, obtida da diluição em á#ua potável da parte comest$vel do ve#etal
e açúcares ou de extratos ve#etais e açúcares, podendo ser adicionada de
ácidos, e destinada ao consumo diretoB. (ão é permitida a associação de
açúcares e edulcorantes hipoener#éticos e não ener#éticos na fabricação de
néctar.
O %rt. 70, da ,nstrução (ormativa n0 36, define queD Bo néctar cua quantidade
m$nima de polpa de uma determinada fruta não tenha sido fixada em
=e#ulamento >écnico espec$fico deve conter no m$nimo 7;E +mFm- da
respectiva polpa, ressalvado o caso de fruta com acidez ou conteúdo de polpa
muito elevado ou sabor muito forte e, neste caso, o conteúdo de polpa não
deve ser inferior a 6;E +mFm-B.
% definição de suco tropical está inclu$da no 5ecreto n0 7.:3;, de 6;;;,
+pará#rafo <0, inciso ) do %rt. 4;, 5ecreto n0 6.734-, como Bo produto obtido
pela dissolução, em á#ua potável, da polpa de fruta polposa de ori#em tropical,
não fermentado, de cor, aroma e sabor caracter$sticos da fruta, através de
processo tecnolC#ico adequado, submetido a tratamento que asse#ure a sua
apresentação e conservação até o momento do consumoB.
O 5ecreto n0 7.:3; +pará#rafos 80 e 10, do inciso ), %rt. 4;, 5ecreto n0 6.734-,
estabelece que Bos teores de polpa e as frutas utilizadas na elaboração do
suco tropical serão fixados em ato administrativo do &%.%, devendo ser
superiores aos estabelecidos para o néctar da respectiva frutaB e enfatiza que
Bpoderá ser declarado no rCtulo " expressão suco pronto para beber ou
express9es semelhantes, quando ao suco tropical for adicionado açúcarB,
respectivamente
8
.
5e acordo com o %rt. 43 do 5ecreto n0 6.734, polpa de fruta é definida como Bo
produto não fermentado, não concentrado, obtido de frutas, por processos
tecnolC#icos adequados com teor de sClidos em suspensão m$nimo, a ser
estabelecido em ato administrativo do &%.%B. % ,nstrução (ormativa n0 3, de
6;;;, contempla o .,@ para polpa das se#uintes frutasD acerola, cacau,
cupuaçu, #raviola, aça$, maracuá, cau, man#a, #oiaba, pitan#a, uva, mamão,
caá, melão, man#aba, e para suco das se#uintes frutasD maracuá, cau, cau
alto teor de polpa, cau clarificado ou cau$na, abacaxi, uva, pera, maçã, limão,
lima ácida e larana. )alem destacar que o =e#ulamento >écnico para fixação
do .,@ para suco de larana contempla a definição, composição, in#redientes
opcionais e declara que o suco de larana deve obedecer a esse .,@ fixado
para suco de larana. %ssim, de acordo com essa ,nstrução (ormativa, suco de
larana é definido como a Bbebida não fermentada e não dilu$da, obtida da parte
comest$vel da larana +Citrus sinensis-, através de processo tecnolC#ico
adequadoB. @uanto " composição, o suco de larana deve obedecer "s
caracter$sticas de cor amarela, sabor e aroma prCprios e apresentar Blimite
m$nimo para teores de sClidos solúveis totais de 3;,: 0!rix +a 6;0?-, para
relação de sClidos solúveis em brixFacidez de 8,;#F3;;# de ácido c$trico anidro
e para teor de ácido ascCrbico de 6:m#F3;;#B, além de Blimite máximo para
teores de açúcares totais naturais da larana de 37 #F3;;# e para Cleo
essencial de larana de ;,;7:E +vFv-B.
% ,nstrução (ormativa n0 36, de 6;;7, em seu %rt. 30, aprova Bo =e#ulamento
>écnico para Gixação dos .adr9es de ,dentidade e @ualidade Herais para
'uco >ropicalI os .adr9es de ,dentidade e @ualidade dos sucos >ropicais de
%bacaxi, %cerola, ?aá, ?au, Hoiaba, Hraviola, &amão, &an#a, &an#aba,
&aracuá e .itan#aI e os .adr9es de ,dentidade e @ualidade dos (éctares de
%bacaxi, %cerola, ?aá, ?au, Hoiaba, Hraviola, &amão, &an#a, &aracuá,
.êsse#o e .itan#a, constantes dos %nexos ,, ,, e ,,,, respectivamente, desta
,nstrução (ormativaB.
O %rt. 60, da ,nstrução (ormativa n0 36, considera Bcomo frutas polposas de
ori#em tropical, na elaboração do suco tropical, as se#uintes frutasD abacate,
abacaxi, acerola, ata, abricC, aça$, abiu, banana, bacuri, cacau, cau, caá,
carambola, cupuaçu, #oiaba, #raviola, enipapo, abuticaba, aca, ambo,
mamão, man#aba, man#a, maracuá, melão, murici, pinha, pitan#a, pupunha,
sapoti, seri#uela, tamarindo, taperebá, tucumã e umbuB.
5e acordo com o item 6 do %nexo , da acima citada ,nstrução (ormativa n0 36,
Bé vedada a desi#nação suco tropical ao suco que não necessite de á#ua na
sua elaboração e que não sea proveniente de fruta de ori#em tropicalB. (o
item 7, consta queD Bo suco tropical cua quantidade m$nima de polpa de uma
determinada fruta não tenha sido fixada em =e#ulamento >écnico espec$fico,
deve conter um m$nimo de :;E +mFm- da respectiva polpa, ressalvado o caso
de fruta com acidez alta ou conteúdo de polpa muito elevado ou sabor muito
forte que, neste caso, o conteúdo de polpa não deve ser inferior a 7:E +mFm-B.
%inda, no item 7, do mesmo %nexo ,, consta que Bo suco tropical pode ser
obtido a partir de suco concentrado de fruta de ori#em tropicalB, conforme o
subitem 7.6.:. O item 1, traz no subitem B1.6. J proibida a desi#nação de Suco
IntegralBI no subitem B1.7. J obri#atCria a declaração, de forma vis$vel e le#$vel,
do percentual m$nimo, em peso, da polpa da respectiva fruta utilizada na
elaboração do 'uco >ropical...BI no subitem B1.:. (o 'uco >ropical pronto para
beber deve ser declarada a palavra adoçadoBI e no subitem B1.<. O 'uco
>ropical, quando obtido de suco concentrado, deve declarar, na lista de
in#redientes, esta ori#emB.
% rotula#em dos sucos e bebidas " base de fruta também deve atender "s
exi#ências da %(),'% sobre rotula#em de alimentos embalados conforme a
=5? n0 6:2, de 6;;6, a =5? n0 7<;, de 6;;7, a =5? n0 7:2, de 6;;7, a
.ortaria n0 68, de 3221, e a /ei n0 3;.<84, de 6;;7.
(a =5? n0 6:2, em seu %nexo único, item 3, consta que Bo presente
=e#ulamento >écnico se aplica " rotula#em de todo alimento que sea
comercializado, qualquer que sea sua ori#em, embalado na ausência do
cliente, e pronto para oferta ao consumidorB. (o subitem 6.3., a rotula#em é
definida como Btoda inscrição, le#enda, ima#em ou toda matéria descritiva ou
#ráfica, escrita, impressa, estampada, #ravada, #ravada em relevo ou
lito#rafada ou colada sobre a embala#em do alimentoB. 5e acordo com o
subitem 7.3., os alimentos embalados não devem apresentar rCtulo que utilize
Bvocábulos, sinais, s$mbolos, emblemas, ilustraç9es ou outras representaç9es
#ráficas que possam tornar a informação falsa, incorreta, insuficiente, ou que
possa induzir o consumidor a equivoco, erro, confusão ou en#ano, em relação
" verdadeira natureza, composição, procedência, tipo, qualidade, quantidade,
validade, rendimento ou forma de uso do alimentoB.
%inda, no subitem 7.3., da =5? n0 6:2, o rCtulo não deve atribuir aos alimentos
embalados efeitos ou propriedades que não possuam, bem como, indicar que o
alimento possui propriedades medicinais ou terapêuticas. O item 4, relata que
Ba informação obri#atCria deve ser escrita no idioma oficial do pa$s de
consumo...B e o item :, declara as informaç9es que devem obri#atoriamente
constar da rotula#em de alimentos embaladosD Bdenominação de venda do
alimento, lista de in#redientes, conteúdos l$quidos, identificação da ori#em,
nome ou razão social e endereço do importador, no caso de alimentos
importados, identificação do lote, prazo de validade e instruç9es sobre o
preparo e uso do alimento, quando necessárioB. O item <, indica como devem
ser apresentadas as informaç9es obri#atCrias. 5e acordo com o subitem <.6.6.,
Btodos os in#redientes devem constar na lista de in#redientes, em ordem
decrescente da respectiva proporçãoB. (o subitem <.6.4, os aditivos
alimentares devem ser declarados depois dos in#redientes, devendo constar
sua função principal e nome completo ou número do 'istema ,nternacional de
(umeração +,('-, ou ambos e para aromas ou aromatizantes declaraAse
somente a função. O subitem <.8.3. 5escreve que B@uando necessário, o
rCtulo deve conter as instruç9es sobre o modo apropriado de uso, inclu$dos a
reconstituição, o descon#elamento ou o tratamento que deve ser dado pelo
consumidor para o uso correto do produtoB.
(o caso dos sucos e bebidas " base de frutas, o 5ecreto n0 6.734, de 3228,
complementa as informaç9es obri#atCrias que devem constar no rCtulo. O
5ecreto n0 6.734, em sua seção ,), do ?ap. ,,, do >$tulo ,, declara que, o rCtulo
das bebidas deve conter Ba expressão Indústria Brasileira, por extenso ou
abreviadaB.
5e acordo com a /ei n0 3;.<84, de 6;;7, Btodos os alimentos industrializados
deverão conter em seu rCtulo e bula, obri#atoriamente, as inscriç9es contém
Glúten ou não contém Glúten, conforme o casoB.
% =5? n0 7<;, de 6;;7, informa sobre a rotula#em nutricional obri#atCria,
corroborando a .ortaria n0 68, de 3221, que trata da informação nutricional
complementar. 5e acordo com o item 6 de seu %nexo único, rotula#em
nutricional Bé toda descrição destinada a informar ao consumidor sobre as
propriedades nutricionais de um alimentoB. % rotula#em nutricional
Bcompreende a- a declaração de valor ener#ético e nutrienteI b- a declaração
de propriedades nutricionais +informação nutricional complementar-B. %
declaração de nutrientes Bé uma relação ou enumeração padronizada do
conteúdo de nutrientes de um alimentoB, á a declaração de propriedades
nutricionais +informação nutricional complementar- Bé qualquer representação
que afirme, su#ira ou implique que um produto possui propriedades nutricionais
particulares, especialmente, mas não somente, em relação ao seu valor
ener#ético e conteúdo de prote$nas, #orduras, carboidratos e fibra alimentar,
assim como ao seu conteúdo de vitaminas e mineraisB.
'e#undo o item 7, da =5? n0 7<;, é obri#atCrio declarar na rotula#em
nutricional Ba quantidade do valor ener#ético e dos se#uintes nutrientesD
carboidratos, prote$nas, #orduras totais, #orduras saturadas, #orduras trans,
fibra alimentar e sCdioB. % declaração do teor das vitaminas e minerais que
constam no %nexo % é opcional, sempre e quando estiverem presentes em
quantidade i#ual ou maior a :E da ,n#estão 5iária =ecomendada +,5=- por
porção indicada no rCtulo K. (o subitem 7.4.3.6., consta que Ba informação
nutricional deve aparecer a#rupada em um mesmo lu#ar, estruturada em forma
de tabela, com os valores e as unidades em colunas. K'e o espaço não for
suficiente, pode ser utilizada a forma linearK. (o subitem 7.4.6., estão as
unidades que devem ser utilizadas na rotula#em nutricionalD valor ener#ético
em quilocalorias +Lcal- e quilo oules +LM-, prote$nas, carboidratos, #orduras e
fibra alimentar em #ramas +#-, sCdio e colesterol em mili#ramas +m#-, vitaminas
e minerais em mili#ramas +m#- ou micro#ramas +m#-, conforme expresso na
>abela de ,5= do %nexo %, e porção em #ramas +#-, mililitros +m/- e medidas
caseiras de acordo com o =e#ulamento >écnico espec$fico. O subitem 7.4.4.3.
estabelece que, Ba informação nutricional deve ser expressa por porção,
incluindo a medida caseira correspondente, se#undo o estabelecido no
=e#ulamento >écnico espec$fico e em percentual de )alor 5iário +E)5-. Gica
exclu$da a declaração de #ordura trans em percentual de )alor 5iário +E)5-B.
% =5? n0 7:2, de 6;;7, em seu %nexo único, define porção e medida caseira,
e traz uma tabela de porç9es e critérios para sua aplicação na rotula#em
nutricional. Nm seu subitem 6.3., porção é definida comoD Ba quantidade média
do alimento que deveria ser consumida por pessoas sadias, maiores de 7<
meses de idade em cada ocasião de consumo, com a finalidade de promover
uma alimentação saudávelB.
5e acordo com o item 4, para se estabelecer o tamanho da porção tomouAse
como base uma alimentação diária de 6;;;Lcal ou 14;;LM e os alimentos
foram classificados em n$veis e #rupos com base no valor ener#ético médio de
cada #rupo, no número de porç9es recomendadas e no valor ener#ético médio
correspondente " porçãoB. 5e acordo com a >abela ,,,, da =esolução =5? n0
7:2 de 6;;7 Grutas, sucos, néctares e refrescos de frutas +3 porção
aproximadamente 8;Lcal-, para suco, néctar e bebidas de frutas, a porção a
ser declarada na rotula#em nutricional é de 6;;m/ e a medida caseira a ser
utilizada é de 3 copo.
Avaliação crítica da legislação brasileira de suco de fruta
Os sucos devem atender " le#islação espec$fica e apresentar os requisitos
m$nimos de qualidade estabelecidos nas respectivas normas. Os sucos
também devem atender " le#islação sobre rotula#em de alimentos embalados.
?ontudo, existem lacunas nesta le#islação que favorecem a interpretação
equivocada do consumidor eFou do produtor, e possibilitam a introdução de
sucos não re#ulamentados no mercado. ,sso é a#ravado pelas sucessivas
alteraç9es nas normas e pela falta de padronização da terminolo#ia
empre#ada, bem como pela ausência de definiç9es essenciais, dificultando a
consulta e o conhecimento da le#islação. (este item serão abordados os
aspectos cr$ticos da le#islação referentes aos sucos, com ênfase no suco de
fruta pronto para beber.
% le#islação brasileira não define suco pronto para beber, embora a expressão
sea citada na le#islação do suco tropical +%rt. 4;, pará#rafo 10 do 5ecreto n0
7.:3;, de 6;;;-. Nssa expressão se refere ao suco que está pronto para o
consumo. 'e#undo tal le#islação o termo pronto para beber pode ser declarado
no rCtulo Bquando ao suco tropical for adicionado açúcarB +%rt. 4;, pará#rafo 10
do 5ecreto n0 7.:3;-. Outros tipos de suco prontos para o consumo não
apresentam o termo pronto para beber em sua le#islação espec$fica, como por
exemplo, o suco e o néctar, embora se observe o empre#o deste termo nos
rCtulos dos respectivos produtos dispon$veis no mercado. .or outro lado, a
definição de néctar +%rt. 47 do 5ecreto n0 6.734, de 3228- menciona que a
bebida é destinada ao consumo direto.
Outro aspecto importante é sobre a definição de suco integral. % definição
de suco reconstituído +%rt. 4; do 5ecreto n0 6.734- está baseada na definição
de suco integral, que não é contemplada na le#islação brasileira. J importante
ressaltar que, se#undo tal le#islação, o suco reconstituído deve atender "s
especificaç9es estabelecidas de acordo com o .,@ do suco integral de cada
fruta, que não é encontrado na le#islação vi#ente, com exceção do suco de
cau +,nstrução (ormativa n0 3, de 6;;;-. ?onsequentemente, a le#islação não
estabelece os par*metros a serem se#uidos para o suco reconstituído e abre
uma brecha para a produção de sucos não re#ulamentados e que não disp9em
de .,@,. O mesmo ocorre com suco desidratado. %lém disso, o suco
reconstituído, definido como o suco obtido pela diluição do Bsuco
concentrado ou desidratado até a concentração ori#inal do suco integralB +ou
ao teor de sClidos solúvel m$nimo- estabelecida nos respectivos .,@ de suco
integral de cada fruta +%rt. 4; do 5ecreto n0 6.734, de 3228-, claramente
confirma essa brecha. .aralelamente podeAse perceber que o termo suco
integral está embutido na definição de suco, conforme consta no %rt. 4; do
5ecreto n0 6.734, que também permite uma brecha. % le#islação +,nstrução
(ormativa n0 3, de 6;;;- também não estabelece o re#ulamento técnico #eral
para fixação do .,@ para suco de fruta, embora estabeleça o .,@ do suco de
cada fruta.
% adição de açúcar é permitida desde que sea declarada no rCtulo do suco de
fruta a expressão adoçado, como ocorre no caso do suco +%rt. 66, 'eção ,) A
5a rotula#em de bebidas, do ?ap$tulo ,,, do >$tulo , do 5ecreto n0 6.734, de
3228- e do suco tropical +%rt. 4;, pará#rafo 10, do 5ecreto n0 7.:3;, de 6;;;-.
?ontudo, tal exi#ência não se faz necessária no caso do néctar que, por
definição sempre é adoçado. % expressão adoçado, presente no rCtulo
do suco e do suco tropical e ausente no rCtulo do néctar, naturalmente, leva o
consumidor a elevar a qualidade do néctar, favorecendo a interpretação
equivocada. 'e#undo dicionários da l$n#ua portu#uesa, na mitolo#ia #re#a,
néctar é a bebida dos deuses, " base de mel, deliciosa, saborosa, com
propriedade de avivar os sentidos, conservar a eterna uventude e propiciar a
imortalidade "queles que a bebiam. O termo néctar, como utilizado pela
le#islação, não tem o mesmo si#nificado daquele contido nos dicionários da
l$n#ua portu#uesa, o que também poderia ustificar a interpretação equivocada
do consumidor. 'e#undo >urra et al., o desconhecimento do consumidor sobre
a composição do néctar e as informaç9es do rCtulo foram considerados como
vanta#em para o produtor, capaz de #erar assimetria informacional entre a
percepção do consumidor e os diferentes tipos de suco dispon$veis no
mercado.
% le#islação do suco tropical apresenta as frutas polposas de ori#em tropical
+%rt. 60, da ,nstrução (ormativa n0 36, de 6;;7- usadas na elaboração do suco
tropical, embora não estabeleça o .,@ para todas essas frutas +%rt. 30, da
,nstrução (ormativa n0 36, de 6;;7-. >ambém não há definição de fruta
polposa de ori#em tropical, nem ustificativa para a ausência do .,@ de
al#umas frutas polposas. %ssim, qualquer fruta polposa de ori#em tropical
mencionada em tal le#islação poderá ser utilizada para a fabricação do suco
tropical, confi#urando mais uma brecha. .aralelamente, a le#islação
estabelece para suco tropical +,nstrução (ormativa n0 36-, que a quantidade de
polpa da fruta que não tenha o .,@ fixado deve ser no m$nimo :;E +mFm-, com
exceção das frutas com acidez alta ou conteúdo de polpa muito elevado ou
sabor muito forte, cua quantidade de polpa deve ser no m$nimo 7:E +mFm-.
.orém, não foram estabelecidos os valores +eFou intervalos- a serem
considerados e a interpretação fica a critério do produtor eFou consumidor. O
mesmo acontece com o néctar +%rt. 70 da ,nstrução (ormativa n0 36-, para o
qual a le#islação estabelece que a quantidade de polpa da fruta que não tenha
o .,@ fixado, deve ser no m$nimo 7;E +mFm-, com exceção das frutas com
acidez alta ou conteúdo de polpa muito elevado ou sabor muito forte, cua
quantidade de polpa não deve ser menor que 6;E +mFm-. Nm ambos os casos
não estão estabelecidos os requisitos m$nimos de qualidade que esses sucos
tropicais e néctares devem apresentar. % ausência do .,@ de sucos
tropicais e néctares de al#umas frutas abre a brecha para sucos não
re#ulamentados. O néctar de larana é um exemplo t$pico. J uma bebida
correntemente comercializada nos diferentes pontos de venda do pa$s e que
não tem .,@ estabelecido.
Outro aspecto é sobre a definição do suco tropical encontrada no re#ulamento
técnico para fixação do .,@ #eral para suco tropical +%nexo , da ,nstrução
(ormativa n0 36-. % le#islação define suco tropical como Bo produto obtido pela
dissolução, em á#ua potável.B. Nntretanto, no .,@ do suco tropical de cada
fruta, a mesma le#islação define suco tropical da fruta em questão como Ba
bebida obtida pela dissolução, em á#ua potávelB, evidenciando o empre#o de
terminolo#ia diferente na le#islação do mesmo produto.
% rotula#em dos sucos de fruta prontos para beber deve atender " le#islação
brasileira sobre rotula#em de alimentos embalados e estar de acordo com as
exi#ências da le#islação dos sucos de fruta. % rotula#em tem como obetivo
informar a composição do alimento, suas caracter$sticas nutricionais, e alertar
consumidores cua restrição alimentar requeira informação sobre in#redientes
espec$ficos. %s mudanças frequentes na le#islação de rotula#em também
podem levar " interpretação equivocada do consumidor eFou produtor.
&udanças frequentes, e informaç9es diver#entes, em le#islaç9es de rotula#em
concomitantemente vi#entes, favorecem a falta de discernimento em relação "s
diferenças existentes. Om exemplo deste fato é que estão em vi#or,
atualmente, três normas sobre a informação da presença de #lúten no rCtulo
dos alimentosD a obri#atoriedade da declaração da presença de #lúten nos
alimentos que o contémI a obri#atoriedade da declaração em todos os
alimentos da expressão contém glúten ou não contém glúten conforme o caso,
como ocorre com o suco de fruta, que tem em seu rCtulo a expressão não
contém glútenI e como tal expressão deve ser declarada. J poss$vel optar pela
norma mais conveniente.
%l#umas marcas de suco de larana pronto para beber não declaram no rCtulo
o uso de aromasFaromatizantes, embora a maioria declare corretamente seu
empre#o. Outro aspecto interessante é que em al#umas marcas de suco de
larana pronto para beber, a informação nutricional não está correta, não
constando a declaração do valor ener#ético em quilo oules +L-, nem dos
teores de #orduras saturadas e trans, como exi#ido pela le#islação atual.
Outras marcas não declaram na informação nutricional a medida caseira de um
copo, exi#ida pela le#islação. Pá também marcas que declaram incorretamente
valores de ferro e cálcio na rotula#em nutricional, pois não atin#iram a
recomendação m$nima de :E da ,n#estão 5iária =ecomendada +,5=- por
porção, conforme exi#ido para que conste no rCtulo. +%inda, muitas marcas de
suco de larana pronto para beber declaram no rCtulo que o produto é pronto
para beber-, embora a le#islação não defina o termo pronto para beber,
enquanto a maioria declara que não contém conservantesFconservadores,
mesmo tendo declarado na lista de in#redientes o uso de aditivos permitidos
em sucos, como antioxidantes, acidulantes, espessante, re#ulador de acidez,
antiespumante, conservador, emulsificante, estabilizante, realçador de sabor,
espumante, umectante e sequestrante.
.or outro lado, também se pode considerar que é poss$vel elaborar um rCtulo
de alimento com base na le#islação de rotula#em. %pesar das diversas normas
e das informaç9es confusas em al#umas delas, podeAse identificar as
informaç9es obri#atCrias, as informaç9es opcionais e complementares, as
porç9es a serem declaradas, etc., que devem constar no rCtulo de um alimento
embalado.
(esse sentido, a le#islação brasileira de rotula#em deveria ser amplamente
divul#ada, visando facilitar o acesso e o entendimento do rCtulo dos produtos,
bem como contribuir para uma escolha consciente na hora da compra.
?ontudo, para que se possa conhecer e usar adequadamente a le#islação é
necessário tornáAla clara e mantêAla constantemente atualizada. ?aberia
também aos Cr#ãos responsáveis pela le#islação, oferecer serviços de
orientação e pro#ramas de educação voltados "s necessidades da população e
"s exi#ências dos alimentos.
Ginalmente, vale considerar que a le#islação brasileira não estabelece os
métodos de análise para avaliar os requisitos de qualidade dos sucos,
limitandoAse tão somente a citar al#uns métodos de análise nas referências.
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