Poemas de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa
Fonte: http://www.secrel.com.br/jpoesia/facam.html
Poemas:
• A Casa Branca Nau Preta
• A Fernando Pessoa
• A Frescura
• A plácida face anônima de um morto.
• A Praça
• Acaso
• Acordar
• Adiamento
• Afinal
• Ah, nde !stou
• Ah, Perante
• Ah, um "oneto...
• Ali N#o $avia
• Aniversário
• Ao %olante
• Apontamento
• Apostila
• &s %e'es
• Barro()on)Furness
• Bicar*onato de "oda
• Che+a Atrav,s
• Clearl- non)Campos.
• Começa a $aver
• Começo a conhecer)me. N#o e/isto
• Conclus#o a sucata.... Fi' o cálculo
• Contudo
• Cru' na Porta
• Cru'ou por mim, veio ter comi+o, numa rua da Bai/a
• 0atilo+rafia
• 0e la 1usi2ue
• 0emo+or+on
• 0epus a 1áscara
• 0esfraldando ao con3unto fict4cio dos c,us estrelados
• 0o*rada 5 1oda do Porto
• 0ois !/certos de des
• 0omin+o 6rei
• !ncostei)me
• !scrito Num 7ivro a*andonado em %ia+em
• !sta %elha
• !stou
• !stou Cansado
• !u
• Far8is
• 9a'etilha
• 9ostava
• 9randes s#o os desertos, e tudo , deserto
• $á 1ais
• 6nsônia
• 75)*as, :e Ne "ais ;...
• 7is*oa
• 7is*on <evisited =>?@AB
• 7is*on <evisited =>?@CB
• 1a+nificat
• 1arinetti AcadDmico
• 1as !u
• 1estre
• Na Casa 0efronte
• Na Noite Eerrivel
• Na %,spera
• N#o !stou
• N#o, n#o , cansaço...
• N#o: 0eva+ar
• Nas Praças
• No Fim
• No lu+ar dos palácios desertos
• Nunca, por 1ais
• Nuvens
• Binômio de Ne(ton
• 0escala*ro
• !splendor
• Florir
• Frio !special
• 1esmo
• Fue $á
• "ono
• ter deveres, 2ue proli/a coisa.
• Eumulto
• de 1arcial
• de 1ar4tima
• de Eriunfal
• piário
• ra
• s Anti+os
• Passa+em das $oras
• Pecado ri+inal
• Poema em 7inha <eta
• Psi2uetipia =u PsicitipiaB
• Fuando
• Fue lindos olhos de a'ul inocente os do pe2uenito do a+iota.
• Fue noite serena.
• Fuero Aca*ar
• <ealidade
• <eticDncias
• "audaç#o a Galt Ghitman
• "e te Fueres
• "4m*olos
• "oneto :á Anti+o
• "ou !u
• Ea*acaria
• Eenho
• Ehe Eimes
• Eodas as Cartas de Amor s#o <id4culas
• Erapo
• Hm dia, no restaurante
• %ai pelo cais fora um *ul4cio de che+ada pr8/ima
• %ile+iatura
Nota Preliminar

Hm poema , a pro3eç#o de uma id,ia em palavras atrav,s da emoç#o. A emoç#o n#o , a *ase
da poesia: , t#o)somente o meio de 2ue a id,ia se serve para se redu'ir a palavras.

N#o ve3o, entre a poesia e a prosa, a diferença fundamental, peculiar da pr8pria disposiç#o da
mente, 2ue Campos esta*elece. 0esde 2ue se usa de palavras, usa)se de um instrumento ao
mesmo tempo emotivo e intelectual.

A palavra cont,m uma id,ia e uma emoç#o. Por isso n#o há prosa, nem a mais ri+idamente
cient4fica, 2ue n#o ressume 2ual2uer suco emotivo.
Por isso n#o há e/clamaç#o, nem a mais a*stratamente emotiva, 2ue n#o impli2ue, ao menos,
o es*oço de uma id,ia.

Poderá ale+ar)se, por e/emplo, 2ue a e/clamaç#o pura ) IAh I, di+amos J n#o cont,m
elemento al+um intelectual. 1as n#o e/iste um Iah I, assim escrito isoladamente, sem relaç#o
com 2ual2uer coisa de anterior. u consideramos o Iah I como falado e no tom da vo' vai o
sentimento 2ue o anima, e portanto a id,ia li+ada 5 definiç#o desse sentimentoK ou o Iah I
responde a 2ual2uer frase, ou por ela se forma, e manifesta uma id,ia 2ue essa frase
provocou.

!m tudo 2ue se di' J poesia ou prosa J há id,ia e emoç#o. A poesia difere da prosa apenas
em 2ue escolhe um novo meio e/terior, al,m da palavra, para pro3etar a id,ia em palavras
atrav,s da emoç#o. !sse meio , o ritmo, a rima, a estrofeK ou todas, ou duas, ou uma s8.
Por,m meno 2ue uma s8 n#o creio 2ue possa ser.

A id,ia, ao servir)se da emoç#o para se e/primir em palavras, contorna e define essa emoç#o,
e o ritmo, ou a rima, ou a estrofe, s#o a pro3eç#o desse contorno, a afirmaç#o da id,ia atrav,s
de uma emoç#o, 2ue, se a id,ia a n#o contornasse, se e/travasaria e perderia a pr8pria
capacidade de e/press#o.

L o 2ue, em meu entender, sucede nos poemas de Campos. "#o um e/travasar de emoç#o. A
id,ia serve a emoç#o, n#o a domina. ! o homem J poeta ou n#o poeta J em 2uem a emoç#o
domina a inteli+Dncia recua a feiç#o do seu ser a estádios anteriores da evoluç#o, em 2ue as
faculdades de ini*iç#o dormiam ainda no em*ri#o da mente. N#o pode ser 2ue arte, 2ue , um
produto da cultura, ou se3a do desenvolvimento supremo da consciDncia 2ue o homem tem de
si mesmo, se3a tanto mais superior, 2uanto maior for a sua semelhança com as manifestaçMes
mentais 2ue distin+uem os estados inferiores da evoluç#o cere*ral.

A poesia , superior 5 prosa por2ue e/prime, n#o um +rau superior de emoç#o, mas, por
contra, um +rau superior do dom4nio dela, a su*ordinaç#o do tumulto em 2ue a emoç#o
naturalmente se e/primiria =como verdadeiramente di' CamposB ao ritmo, 5 rima, 5 estrofe.
Como o estado mental, em 2ue a poesia se forma, ,, deveras, mais emotivo 2ue a2uele em 2ue
naturalmente se forma a prosa, há mister 2ue ao estado po,tico se apli2ue uma disciplina
mais dura 2ue a2uela N2ueO se empre+a no estado prosaico da mente. ! esses artif4cios J o
ritmo, a rima, a estrofe J s#o instrumentos de tal disciplina.
No sentido em 2ue Campos di' 2ue s#o artif4cios o ritmo, a rima e a estrofe, se pode di'er 2ue
s#o artif4cios: a vontade 2ue corri+e defeitos, a ordem 2ue policia sociedades, a civili'aç#o 2ue
redu' os e+o4smos 5 forma sociável.

Na prosa mais propriamente prosa J a prosa cient4fica ou filos8fica J, a 2ue e/prime
diretamente id,ias e s8 id,ias, n#o há mister de +rande disciplina, pois na pr8pria
circunstPncia de ser s8 de id,ias vai disciplina *astante. Na prosa mais lar+amente emotiva,
como a 2ue distin+ue a orat8ria, ou tem feiç#o descritiva, há 2ue atender mais ao ritmo, 5
disposiç#o, 5 or+ani'aç#o das id,ias, pois essas s#o ali em menor nQmero, nem formam o
fundamento da mat,ria. Na prosa amplamente emotiva J a2uela cu3os sentimentos poderiam
com i+ual facilidade ser e/postos em poesia J há 2ue atender mais 2ue nunca 5 disposiç#o da
mat,ria, e ao ritmo 2ue acompanhe a e/posiç#o. !sse ritmo n#o , definido, como o , no verso,
por2ue a prosa n#o , verso. 2ue verdadeiramente Campos fa', 2uando escreve em verso, ,
escrever prosa ritmada com pausas maiores marcadas em certos pontos, para fins r4tmicos, e
esses pontos de pausa maior, determina)os ele pelos fins dos versos. Campos , um +rande
prosador, um prosador com uma +rande ciDncia do ritmoK mas o ritmo de 2ue tem ciDncia, , o
ritmo da prosa, e a prosa de 2ue se serve , a2uela em 2ue se introdu'iu, al,m dos vul+ares
sinais de pontuaç#o, uma pausa maior e especial, 2ue Campos, como os seus pares anteriores
e semelhantes, determinou representar +raficamente pela linha 2ue*rada no fim, pela linha
disposta como o 2ue se chama um verso. "e Campos, em ve' de fa'er tal, inventasse um sinal
novo de pontuaç#o J di+amos o traço vertical = R B J para determinar esta ordem de pausa,
ficando n8s sa*endo 2ue ali se pausava com o mesmo +Dnero de pausa com 2ue se pausa no
fim de um verso, n#o faria o*ra diferente, nem esta*eleceria a confus#o 2ue esta*eleceu.
A disciplina , natural ou artificial, espontPnea ou refletida. 2ue distin+ue a arte clássica,
propriamente dita, a dos +re+os e at, dos romanos, da arte pseudoclássica, como a dos
franceses em seus s,culos de fi/aç#o, , 2ue a disciplina de uma está nas mesmas emoçMes, com
uma harmonia natural da alma, 2ue naturalmente repele o e/cessivo, ainda ao senti)loK e a
disciplina da outra está em uma deli*eraç#o da mente de n#o se dei/ar sentir para cima de
certo n4vel. A arte pseudoclássica , fria por2ue , uma re+raK a clássica tem emoç#o por2ue ,
uma harmonia.

Fuase se conclui do 2ue di' Campos, de 2ue o poeta vul+ar sente espontaneamente com a
lar+ue'a 2ue naturalmente pro3etaria em versos como os 2ue ele escreveK e depois, refletindo,
su3eita essa emoç#o a cortes e reto2ues e outras mutilaçMes ou alteraçMes, em o*ediDncia a
uma re+ra e/terior. Nenhum homem foi al+uma ve' poeta assim. A disciplina do ritmo ,
aprendida at, f4car sendo uma parte da alma: o verso 2ue a emoç#o produ' nasce 3á
su*ordinado a essa disciplina. Hma emoç#o naturalmente harmônica , uma emoç#o
naturalmente ordenadaK uma emoç#o naturalmente ordenada , uma emoç#o naturalmente
tradu'ida num ritmo ordenado, pois a emoç#o dá o ritmo e a ordem 2ue há nela, a ordem 2ue
no ritmo há.

Na palavra, a inteli+Dncia dá a frase, a emoç#o o ritmo. Fuando o pensamento do poeta , alto,
isto ,, formado de uma id,ia 2ue produ' uma emoç#o, esse pensamento, 3á de si harmônico
pela 3unç#o e2uili*rada de id,ia e emoç#o, e pela no*re'a de am*as, transmite esse e2uil4*rio
de emoç#o e de sentimento 5 frase e ao ritmo, e assim, como disse, a frase, sQdita do
pensamento 2ue a define, *usca)o, e o ritmo, escravo da emoç#o 2ue esse pensamento a+re+ou
a si, o serve.
A Casa Branca Nau Preta

!stou reclinado na poltrona, , tarde, o %er#o apa+ou)se...
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu c,re*ro...
N#o e/iste manh# para o meu torpor nesta hora...
ntem foi um mau sonho 2ue al+u,m teve por mim...
$á uma interrupç#o lateral na minha consciDncia...
Continuam encostadas as portas da 3anela desta tarde
Apesar de as 3anelas estarem a*ertas de par em par...
"i+o sem atenç#o as minhas sensaçMes sem ne/o,
! a personalidade 2ue tenho está entre o corpo e a alma...
Fuem dera 2ue houvesse
Hm terceiro estado pra alma, se ela tiver s8 dois...
Hm 2uarto estado pra alma, se s#o trDs os 2ue ela tem...
A impossi*ilidade de tudo 2uanto eu nem che+o a sonhar
08i)me por detrás das costas da minha consciDncia de sentir...

As naus se+uiram,
"e+uiram via+em n#o sei em 2ue dia escondido,
! a rota 2ue devem se+uir estava escrita nos ritmos,
s ritmos perdidos das cançMes mortas do marinheiro de sonho...

Árvores paradas da 2uinta, vistas atrav,s da 3anela,
Árvores estranhas a mim a um ponto inconce*4vel 5 consciDncia de as estar vendo,
Árvores i+uais todas a n#o serem mais 2ue eu vD)las,
N#o poder eu fa'er 2ual2uer coisa +Dnero haver árvores 2ue dei/asse de doer,
N#o poder eu coe/istir para o lado de lá com estar)vos vendo do lado de cá.
! poder levantar)me desta poltrona dei/ando os sonhos no ch#o...

Fue sonhosS ... !u n#o sei se sonhei ... Fue naus partiram, para ondeS
Eive essa impress#o sem ne/o por2ue no 2uadro fronteira
Naus partem J naus n#o, *arcos, mas as naus est#o em mim,
! , sempre melhor o impreciso 2ue em*ala do 2ue o certo 2ue *asta,
Por2ue o 2ue *asta aca*a onde *asta, e onde aca*a n#o *asta,
! nada 2ue se pareça com isto devia ser o sentido da vida...

Fuem pôs as formas das árvores dentro da e/istDncia das árvoresS
Fuem deu frondoso a arvoredos, e me dei/ou por verdecerS

nde tenho o meu pensamento 2ue me d8i estar sem ele,
"entir sem au/4lio de poder para 2uando 2uiser, e o mar alto
! a Qltima via+em, sempre para lá, das naus a su*ir...
N#o há, su*stPncia de pensamento na mat,ria de alma com 2ue penso ...
$á s8 3anelas a*ertas de par em par encostadas por causa do calor 2ue 3á n#o fa',
! o 2uintal cheio de lu' sem lu' a+ora ainda)a+ora, e eu.
Na vidraça a*erta, fronteira ao Pn+ulo com 2ue o meu olhar a colhe
A casa *ranca distante onde mora... Fecho o olhar...
! os meus olhos fitos na casa *ranca sem a ver
"#o outros olhos vendo sem estar fitos nela a nau 2ue se afasta.
! eu, parado, mole, adormecido,
Eenho o mar em*alando)me e sofro...
Aos pr8prios palácios distantes a nau 2ue penso n#o leva.
As escadas dando so*re o mar inatin+4vel ela n#o al*er+a.
Aos 3ardins maravilhosos nas ilhas ine/pl4citas n#o dei/a.
Eudo perde o sentido com 2ue o a*ri+o em meu p8rtico
! o mar entra por os meus olhos o p8rtico cessando.
Caia a noite, n#o caia a noite, 2ue importa a candeia
Por acender nas casas 2ue n#o ve3o na encosta e eu láS

Tmida som*ra nos sons do tan2ue noturna sem lua, as r#s ran+em,
Coa/ar tarde no vale, por2ue tudo , vale onde o som d8i.

1ila+re do aparecimento da "enhora das An+Qstias aos loucos,
1aravilha do ene+recimento do punhal tirado para os atos,
s olhos fechados, a ca*eça pendida contra a coluna certa,
! o mundo para al,m dos vitrais paisa+em sem ru4nas...

A casa *ranca nau preta...
Felicidade na Austrália...
A Fernando Pessoa
=0epois de ler seu drama estático I marinheiroI em Irfeu 6IB

0epois de do'e minutos
0o seu drama 1arinheiro,
!m 2ue os mais á+eis e astutos
"e sentem com sono e *rutos,
! de sentido nem cheiro,
0i' rima das veladoras
Com lan+orosa ma+ia
0e eterno e *elo há apenas o sonho.
Por 2ue estamos n8s falando aindaS
ra isso mesmo , 2ue eu ia
Per+untar a essas senhoras...
A Frescura

Ah a frescura na face de n#o cumprir um dever.
Faltar , positivamente estar no campo.
Fue refQ+io o n#o se poder ter confiança em n8s.
<espiro melhor a+ora 2ue passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deli*eraç#o do deslei/o,
Fi2uei esperando a vontade de ir para lá, 2ueUeu sa*eria 2ue n#o vinha.
"ou livre, contra a sociedade or+ani'ada e vestida.
!stou nu, e mer+ulho na á+ua da minha ima+inaç#o.
! tarde para eu estar em 2ual2uer dos dois pontos onde estaria 5 mesma hora,
0eli*eradamente 5 mesma hora...
!stá *em, ficarei a2ui sonhando versos e sorrindo em itálico.
L t#o en+raçada esta parte assistente da vida.
At, n#o consi+o acender o ci+arro se+uinte... "e , um +esto,
Fi2ue com os outros, 2ue me esperam, no desencontro 2ue , a vida.

A plácida face anônima de um morto.

A plácida face anônima de um morto.

Assim os anti+os marinheiros portu+ueses,
Fue temeram, se+uindo contudo, o mar +rande do Fim,
%iram, afinal, n#o monstros nem +randes a*ismos,
1as praias maravilhosas e estrelas por ver ainda.

2ue , 2ue os taipais do mundo escondem nas montras de 0eusS

A Praça

A praça da Fi+ueira de manh#,
Fuando o dia , de sol =como acontece
"empre em 7is*oaB, nunca em mim es2uece,
!m*ora se3a uma mem8ria v#.
$á tanta coisa mais interessante
Fue a2uele lu+ar l8+ico e ple*eu,
1as amo a2uilo, mesmo a2ui ... "ei eu
Por 2ue o amoS N#o importa. Adiante ...
6sto de sensaçMes s8 vale a pena
"e a +ente se n#o pMe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena...
0e resto, nada em mim , certo e está
0e acordo comi+o pr8prio. As horas *elas
"#o as dos outros ou as 2ue n#o há.
Acaso

No acaso da rua o acaso da rapari+a loira.
1as n#o, n#o , a2uela.
A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.
Perco)me su*itamente da vis#o imediata,
!stou outra ve' na outra cidade, na outra rua,
! a outra rapari+a passa.
Fue +rande vanta+em o recordar intransi+entemente.
A+ora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapari+a,
! tenho pena de afinal nem se2uer ter olhado para esta.
Fue +rande vanta+em tra'er a alma virada do avesso.
Ao menos escrevem)se versos.
!screvem)se versos, passa)se por doido, e depois por +Dnio, se calhar,
"e calhar, ou at, sem calhar,
1aravilha das cele*ridades.
6a eu di'endo 2ue ao menos escrevem)se versos...
1as isto era a respeito de uma rapari+a,
0e uma rapari+a loira,
1as 2ual delasS
$avia uma 2ue vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra esp,cie de ruaK
! houve esta 2ue vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra esp,cie de ruaK
Por 2ue todas as recordaçMes s#o a mesma recordaç#o,
Eudo 2ue foi , a mesma morte,
ntem, ho3e, 2uem sa*e se at, amanh#S
Hm transeunte olha para mim com uma estranhe'a ocasional.
!staria eu a fa'er versos em +estos e caretasS
Pode ser... A rapari+a loiraS
L a mesma afinal...
Eudo , o mesmo afinal ...
"8 eu, de 2ual2uer modo, n#o sou o mesmo, e isto , o mesmo tam*,m afinal.
Acordar
Acordar da cidade de 7is*oa, mais tarde do 2ue as outras,
Acordar da <ua do uro,
Acordar do <ocio, 5s portas dos caf,s,
Acordar
! no meio de tudo a +are, 2ue nunca dorme,
Como um coraç#o 2ue tem 2ue pulsar atrav,s da vi+4lia e do sono.

Eoda a manh# 2ue raia, raia sempre no mesmo lu+ar,
N#o há manh#s so*re cidades, ou manh#s so*re o campo.
& hora em 2ue o dia raia, em 2ue a lu' estremece a er+uer)se
Eodos os lu+ares s#o o mesmo lu+ar, todas as terras s#o a mesma,
! , eterna e de todos os lu+ares a frescura 2ue so*e por tudo.

Hma espiritualidade feita com a nossa pr8pria carne,
Hm al4vio de viver de 2ue o nosso corpo partilha,
Hm entusiasmo por o dia 2ue vai vir, uma ale+ria por o 2ue pode acontecer de *om,
"#o os sentimentos 2ue nascem de estar olhando para a madru+ada,
"e3a ela a leve senhora dos cumes dos montes,
"e3a ela a invasora lenta das ruas das cidades 2ue v#o leste)oeste,
"e3a

A mulher 2ue chora *ai/inho
!ntre o ru4do da multid#o em vivas...
vendedor de ruas, 2ue tem um pre+#o es2uisito,
Cheio de individualidade para 2uem repara...
arcan3o isolado, escultura numa catedral,
"irin+e fu+indo aos *raços estendidos de P#,
Eudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar)se e fundir)se
Na minha alma.

!u adoro todas as coisas
! o meu coraç#o , um al*er+ue a*erto toda a noite.
Eenho pela vida um interesse ávido
Fue *usca compreendD)la sentindo)a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e 5s pedras, 5s almas e 5s má2uinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada ve' mais a mim pr8prio
! a minha am*iç#o era tra'er o universo ao colo
Como uma criança a 2uem a ama *ei3a.
!u amo todas as coisas, umas mais do 2ue as outras,
N#o nenhuma mais do 2ue outra, mas sempre mais as 2ue estou vendo
0o 2ue as 2ue vi ou verei.
Nada para mim , t#o *elo como o movimento e as sensaçMes.
A vida , uma +rande feira e tudo s#o *arracas e saltim*ancos.
Penso nisto, enterneço)me mas n#o sosse+o nunca.

0á)me l4rios, l4rios
! rosas tam*,m.
0á)me rosas, rosas,
! l4rios tam*,m,
CrisPntemos, dálias,
%ioletas, e os +irass8is
Acima de todas as flores...

0eita)me as mancheias,
Por cima da alma,
0á)me rosas, rosas,
! l4rios tam*,m...

1eu coraç#o chora
Na som*ra dos par2ues,
N#o tem 2uem o console
%erdadeiramente,
!/ceto a pr8pria som*ra dos par2ues
!ntrando)me na alma,
Atrav,s do pranto.
0á)me rosas, rosas,
! llrios tam*,m...
1inha dor , velha
Como um frasco de essDncia cheio de p8.
1inha dor , inQtil
Como uma +aiola numa terra onde n#o há aves,
! minha dor , silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar n#o che+a.
Che+o 5s 3anelas
0os palác ios arruinados
! cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
0á)me rosas, rosas,
! l4rios tam*,m...

1as por mais rosas e l4rios 2ue me dDs,
!u nunca acharei 2ue a vida , *astante.
Faltar)me)á sempre 2ual2uer coisa,
"o*rar)me)á sempre de 2ue dese3ar,
Como um palco deserto.

Por isso, n#o te importes com o 2ue eu penso,
! muito em*ora o 2ue eu te peça
Ee pareça 2ue n#o 2uer di'er nada,
1inha po*re criança t4sica,
0á)me das tuas rosas e dos teus l4rios,
0á)me rosas, rosas,
! l4rios tam*,m..
Adiamento

0epois de amanh#, sim, s8 depois de amanh#...
7evarei amanh# a pensar em depois de amanh#,
! assim será poss4velK mas ho3e n#o...
N#o, ho3e nadaK ho3e n#o posso.
A persistDncia confusa da minha su*3etividade o*3etiva,
sono da minha vida real, intercalado,
cansaço antecipado e infinito,
Hm cansaço de mundos para apanhar um el,trico...
!sta esp,cie de alma...
"8 depois de amanh#...
$o3e 2uero preparar)me,
Fuero preparar)rne para pensar amanh# no dia se+uinte...
!le , 2ue , decisivo.
Eenho 3á o plano traçadoK mas n#o, ho3e n#o traço planos...
Amanh# , o dia dos planos.
Amanh# sentar)me)ei 5 secretária para con2uistar o rnundoK
1as s8 con2uistarei o mundo depois de amanh#...
Eenho vontade de chorar,
Eenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

N#o, n#o 2ueiram sa*er mais nada, , se+redo, n#o di+o.
"8 depois de amanh#...
Fuando era criança o circo de domin+o divertia)rne toda a semana.
$o3e s8 me diverte o circo de domin+o de toda a semana da minha infPncia...
0epois de amanh# serei outro,
A minha vida triunfar)se)á,
Eodas as minhas 2ualidades reais de inteli+ente, lido e prático
"er#o convocadas por um edital...
1as por um edital de amanh#...
$o3e 2uero dormir, redi+irei amanh#...
Por ho3e, 2ual , o espetáculo 2ue me repetiria a infPnciaS
1esmo para eu comprar os *ilhetes amanh#,
Fue depois de amanh# , 2ue está *em o espetáculo...
Antes, n#o...
0epois de amanh# terei a pose pQ*lica 2ue amanh# estudarei.
0epois de amanh# serei finalmente o 2ue ho3e n#o posso nunca ser.
"8 depois de amanh#...
Eenho sono como o frio de um c#o vadio.
Eenho muito sono.
Amanh# te direi as palavras, ou depois de amanh#...
"im, talve' s8 depois de amanh#...

porvir...
"im, o porvir...
Afinal

Afinal, a melhor maneira de via3ar , sentir.
"entir tudo de todas as maneiras.
"entir tudo e/cessivamente,
Por2ue todas as coisas s#o, em verdade, e/cessivas
! toda a realidade , um e/cesso, uma violDncia,
Hma alucinaç#o e/traordinariamente n4tida
Fue vivemos todos em comum com a fQria das almas,
centro para onde tendem as estranhas forças centr4fu+as
Fue s#o as psi2ues humanas no seu acordo de sentidos.

Fuanto mais eu sinta, 2uanto mais eu sinta como várias pessoas,
Fuanto mais personalidade eu tiver,
Fuanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Fuanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Fuanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
!stiver, sentir, viver, for,
1ais possuirei a e/istDncia total do universo,
1ais completo serei pelo espaço inteiro fora.
1ais análo+o serei a 0eus, se3a ele 2uem for,
Por2ue, se3a ele 2uem for, com certe'a 2ue , Eudo,
! fora dU!le há s8 !le, e Eudo para !le , pouco.

Cada alma , uma escada para 0eus,
Cada alma , um corredor)Hniverso para 0eus,
Cada alma , um rio correndo por mar+ens de !/terno
Para 0eus e em 0eus com um sussurro soturno.

"ursum corda. !r+uei as almas. Eoda a 1at,ria , !sp4rito,

Por2ue 1at,ria e !sp4rito s#o apenas nomes confusos
0ados 5 +rande som*ra 2ue ensopa o !/terior em sonho
! funde em Noite e 1ist,rio o Hniverso !/cessivo.
"ursum corda. Na noite acordo, o silDncio , +rande,
As coisas, de *raços cru'ados so*re o peito, reparam

Com uma triste'a no*re para os meus olhos a*ertos
Fue as vD como va+os vultos noturnos na noite ne+ra.
"ursum corda. Acordo na noite e sinto)me diverso.
Eodo o 1undo com a sua forma vis4vel do costume
:a' no fundo dum poço e fa' um ru4do confuso,
!scuto)o, e no meu coraç#o um +rande pasmo soluça.
"ursum corda. 8 Eerra, 3ardim suspenso, *erço
Fue em*ala a Alma dispersa da humanidade sucessiva.
1#e verde e florida todos os anos recente,
Eodos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Eodos os anos cele*rando 5s mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as si+nificaçMes,
Num +rande culto em tumulto pelas montanhas e os vales.
9rande coraç#o pulsando no peito nu dos vulcMes,
9rande vo' acordando em cataratas e mares,
9rande *acante ,*ria do 1ovimento e da 1udança,
!m cio de ve+etaç#o e florescDncia rompendo
Eeu pr8prio corpo de terra e rochas, teu corpo su*misso
A tua pr8pria vontade transtornadora e eterna.
1#e carinhosa e unPnime dos ventos, dos mares, dos prados,
%erti+inosa m#e dos vendavais e ciclones,
1#e caprichosa 2ue fa' ve+etar e secar,
Fue pertur*a as pr8prias estaçMes e confunde
Num *ei3o imaterial os s8is e as chuvas e os ventos.

"ursum corda. <eparo para ti e todo eu sou um hino.
Eudo em mim como um sat,lite da tua dinPmica intima
%olteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensaçMes reminescidas e va+as,
!m torno ao teu vulto interno, tQr+ido e fervoroso.
cupa de toda a tua força e de todo o teu poder 2uente
1eu coraç#o a ti a*erto.
Como uma espada traspassando meu ser er+uido e e/tático,
6ntersecciona com meu san+ue, com a minha pele e os meus nervos,
Eeu movimento cont4nuo, cont4+uo a ti pr8pria sempre,

"ou um monte confuso de forças cheias de infinito
Eendendo em todas as direçMes para todos os lados do espaço,
A %ida, essa coisa enorme, , 2ue prende tudo e tudo une
! fa' com 2ue todas as forças 2ue raivam dentro de mim
N#o passem de mim, nem 2ue*rem meu ser, n#o partam meu corpo,
N#o me arremessem, como uma *om*a de !sp4rito 2ue estoira
!m san+ue e carne e alma espirituali'ados para entre as estrelas,
Para al,m dos s8is de outros sistemas e dos astros remotos.

Eudo o 2ue há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Eudo o 2ue há dentro de mim tende a despe3ar)me no ch#o,
No vasto ch#o supremo 2ue n#o está em cima nem em*ai/o
1as so* as estrelas e os s8is, so* as almas e os corpos
Por uma o*l42ua posse dos nossos sentidos intelectuais.

"ou uma chama ascendendo, mas ascendo para *ai/o e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um +lo*o
0e chamas e/plosivas *uscando 0eus e 2ueimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha l8+ica,
A minha inteli+Dncia limitadora e +elada.

"ou uma +rande má2uina movida por +randes correias
0e 2ue s8 ve3o a parte 2ue pe+a nos meus tam*ores,
resto vai para al,m dos astros, passa para al,m dos s8is,
! nunca parece che+ar ao tam*or donde parte ...

1eu corpo , um centro dum volante estupendo e infinito
!m marcha sempre verti+inosamente em torno de si,
Cru'ando)se em todas as direçMes com outros volantes,
Fue se entrepenetram e misturam, por2ue isto n#o , no espaço
1as n#o sei onde espacial de uma outra maneira)0eus.

0entro de mim est#o presos e atados ao chao
Eodos os movimentos 2ue compMem o universo,
A fQria minuciosa e dos átomos,
A fQria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, 2ue se precipitam,

A chuva com pedras atiradas de catapultas
0e enormes e/,rcitos de anMes escondidos no c,u.

"ou um formidável dinamismo o*ri+ado ao e2uil4*rio
0e estar dentro do meu corpo, de n#o trans*ordar da minhUalma.
<u+e, estoira, vence, 2ue*ra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, e/plode,
Perde)te, transcende)te, circunda)te, vive)te, rompe e fo+e,
"D com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e lu'es,
<isca com toda a minha alma todos os relPmpa+os e fo+os,
"o*revive)me em minha vida em todas as direçMes.
Ah, nde !stou

Ah, onde estou onde passo, ou onde n#o estou nem passo,
A *analidade devorante das caras de toda a +ente.
Ah, a an+Qstia insuportável de +ente.
cansaço inconvert4vel de ver e ouvir.
=1urmQrio outrora de re+atos pr8prios, de arvoredo meu.B
Fueria vomitar o 2ue vi, s8 da náusea de o ter visto,
!stôma+o da alma alvorotado de eu ser...
Ah, Perante

Ah, perante esta Qnica realidade, 2ue , o mist,rio,
Perante esta Qnica realidade terr4vel J a de haver uma realidade,
Perante este horr4vel ser 2ue , haver ser,
Perante este a*ismo de e/istir um a*ismo,
!ste a*ismo de a e/istDncia de tudo ser um a*ismo,
"er um a*ismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser.
J Perante isto tudo como tudo o 2ue os homens fa'em,
Eudo o 2ue os homens di'em,
Eudo 2uanto constroem, desfa'em ou se constr8i ou desfa' atrav,s deles,
"e empe2uena.
N#o, n#o se empe2uena... se transforma em outra coisa J
Numa s8 coisa tremenda e ne+ra e imposs4vel,
Hrna coisa 2ue está para al,m dos deuses, de 0eus, do 0estino
JA2uilo 2ue fa' 2ue ha3a deuses e 0eus e 0estino,
A2uilo 2ue fa' 2ue ha3a ser para 2ue possa haver seres,
A2uilo 2ue su*siste atrav,s de todas as formas,
0e todas as vidas, a*stratas ou concretas,
!ternas ou contin+entes,
%erdadeiras ou falsas.
A2uilo 2ue, 2uando se a*ran+eu tudo, ainda ficou fora,
Por2ue 2uando se a*ran+eu tudo n#o se a*ran+eu e/plicar por 2ue , um tudo,
Por 2ue há 2ual2uer coisa, por 2ue há 2ual2uer coisa, por 2ue há 2ual2uer coisa.

1inha inteli+Dncia tornou)se um coraç#o cheio de pavor,
! , com minhas id,ias 2ue tremo, com a minha consciDncia de mim,
Com a su*stPncia essencial do meu ser a*strato
Fue sufoco de incompreens4vel,
Fue me esma+o de ultratranscendente,
! deste medo, desta an+Qstia, deste peri+o do ultra)ser,
N#o se pode fu+ir, n#o se pode fu+ir, n#o se pode fu+ir.

Cárcere do "er, n#o há li*ertaç#o de tiS
Cárcere de pensar, n#o há li*ertaç#o de tiS
Ah, n#o, nenhuma J nem morte, nem vida, nem 0eus.
N8s, irm#os +Dmeos do 0estino em am*os e/istirmos,
N8s, irm#os +Dmeos dos 0euses todos, de toda a esp,cie,
!m sermos o mesmo a*ismo, em sermos a mesma som*ra,
"om*ra se3amos, ou se3amos lu', sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerte'a da sorte,
"orridente, impensando, a possi*ilidade 2uotidiana de todos os males,
6nconsciente o mist,rio de todas as coisas e de todos os +estos,
Por 2ue n#o afrontarei sorridente, inconsciente, a 1orteS
6+noro)aS 1as 2ue , 2ue eu n#o i+noroS
A pena em 2ue pe+o, a letra 2ue escrevo, o papel em 2ue escrevo,
"#o mist,rios menores 2ue a 1orteS Como se tudo , o mesmo mist,rioS
! eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um *icho a morte 2ue ele n#o sa*e 2ue e/iste.
Eenho eu a inconsciDncia profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciDncia 2ue tenha, tudo , inconsciDncia,
"alvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda , inconsciDncia,
Por2ue , preciso e/istir para se criar tudo,
! e/istir , ser inconsciente, por2ue e/istir , ser poss4vel haver ser,
! ser poss4vel haver ser , maior 2ue todos os 0euses.
Ah, um "oneto...

1eu coraç#o , um almirante louco
2ue a*andonou a profiss#o do mar
e 2ue a vai relem*rando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...
No movimento =eu mesmo me desloco
nesta cadeira, s8 de o ima+inarB
o mar a*andonado fica em foco
nos mQsculos cansados de parar.

$á saudades nas pernas e nos *raços.
$á saudades no c,re*ro por fora.
$á +randes raivas feitas de cansaços.

1as J esta , *oa. J era do coraç#o
2ue eu falava... e onde dia*o estou eu a+ora
com almirante em ve' de sensaç#oS ...
Ali N#o $avia

Ali n#o havia eletricidade.
Por isso foi 5 lu' de uma vela mortiça
Fue li, inserto na cama,
2ue estava 5 m#o para ler J
A B4*lia, em portu+uDs =coisa curiosaB, feita para protestantes.
! reli a IPrimeira !p4stola aos Cor4ntiosI.
!m torno de mim o sosse+o e/cessivo de noite de prov4ncia
Fa'ia um +rande *arulho ao contrário,
0ava)me uma tendDncia do choro para a desolaç#o.
A IPrimeira !p4stola aos Cor4ntiosI ...
<elia)a 5 lu' de uma vela su*itamente anti2V4ssima,
! um +rande mar de emoç#o ouvia)se dentro de mim...
"ou nada...
"ou uma ficç#o...
Fue ando eu a 2uerer de mim ou de tudo neste mundoS
I"e eu n#o tivesse a caridade.I
! a so*erana lu' manda, e do alto dos s,culos,
A +rande mensa+em com 2ue a alma , livre...
I"e eu n#o tivesse a caridade...I
1eu 0eus, e eu 2ue n#o tenho a caridade. ...
Aniversário

No tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos,
!u era feli' e nin+u,m estava morto.
Na casa anti+a, at, eu fa'er anos era uma tradiç#o de há s,culos,
! a ale+ria de todos, e a minha, estava certa com uma reli+i#o 2ual2uer.
No tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos,
!u tinha a +rande saQde de n#o perce*er coisa nenhuma,
0e ser inteli+ente para entre a fam4lia,
! de n#o ter as esperanças 2ue os outros tinham por mim.
Fuando vim a ter esperanças, 3á n#o sa*ia ter esperanças.
Fuando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
"im, o 2ue fui de suposto a mim)mesmo,
2ue fui de coraç#o e parentesco.
2ue fui de serMes de meia)prov4ncia,
2ue fui de amarem)me e eu ser menino,
2ue fui J ai, meu 0eus., o 2ue s8 ho3e sei 2ue fui...
A 2ue distPncia....
=Nem o acho... B
tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos.
2ue eu sou ho3e , como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo +relado nas paredes...
2ue eu sou ho3e =e a casa dos 2ue me amaram treme atrav,s das minhas lá+rimasB,
2ue eu sou ho3e , terem vendido a casa,
L terem morrido todos,
L estar eu so*revivente a mim)mesmo como um f8sforo frio...
No tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos ...
Fue meu amor, como uma pessoa, esse tempo.
0ese3o f4sico da alma de se encontrar ali outra ve',
Por uma via+em metaf4sica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como p#o de fome, sem tempo de mantei+a nos dentes.
%e3o tudo outra ve' com uma nitide' 2ue me ce+a para o 2ue há a2ui...
A mesa posta com mais lu+ares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
aparador com muitas coisas J doces, frutas, o resto na som*ra de*ai/o do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coraç#o.
N#o penses. 0ei/a o pensar na ca*eça.
W meu 0eus, meu 0eus, meu 0eus.
$o3e 3á n#o faço anos.
0uro.
"omam)se)me dias.
"erei velho 2uando o for.
1ais nada.
<aiva de n#o ter tra'ido o passado rou*ado na al+i*eira. ...
tempo em 2ue feste3avam o dia dos meus anos....
Ao %olante
Ao volante do Chevrolet pela estrada de "intra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
"o'inho +uio, +uio 2uase deva+ar, e um pouco
1e parece, ou me forço um pouco para 2ue me pareça,
Fue si+o por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Fue si+o sem haver 7is*oa dei/ada ou "intra a 2ue ir ter,
Fue si+o, e 2ue mais haverá em se+uir sen#o n#o parar mas se+uirS
%ou passar a noite a "intra por n#o poder passá)la em 7is*oa,
1as, 2uando che+ar a "intra, terei pena de n#o ter ficado em 7is*oa.
"empre esta in2uietaç#o sem prop8sito, sem ne/o, sem conse2VDncia,
"empre, sempre, sempre,
!sta an+Qstia e/cessiva do esp4rito por coisa nenhuma,
Na estrada de "intra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
1aieável aos meus movimentos su*conscientes do volante,
9al+a so* mim comi+o o autom8vel 2ue me emprestaram.
"orrio do s4m*olo, ao pensar nele, e ao virar 5 direita.
!m 2uantas coisas 2ue me emprestaram eu si+o no mundo
Fuantas coisas 2ue me emprestaram +uio como minhas.
Fuanto me emprestaram, ai de mim., eu pr8prio sou.
& es2uerda o case*re J sim, o case*re J 5 *eira da estrada
& direita o campo a*erto, com a lua ao lon+e.
autom8vel, 2ue parecia há pouco dar)me li*erdade,
L a+ora uma coisa onde estou fechado
Fue s8 posso condu'ir se nele estiver fechado,
Fue s8 domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.
& es2uerda lá para trás o case*re modesto, mais 2ue modesto.
A vida ali deve ser feli', s8 por2ue n#o , a minha.
"e al+u,m me viu da 3anela do case*re, sonhará: A2uele , 2ue , feli'.
Ealve' 5 criança espreitando pelos vidros da 3anela do andar 2ue está em cima
Fi2uei =com o autom8vel emprestadoB como um sonho, uma fada real.
Ealve' 5 rapari+a 2ue olhou, ouvindo o motor, pela 3anela da co'inha
No pavimento t,rreo,
"ou 2ual2uer coisa do pr4ncipe de todo o coraç#o de rapari+a,
! ela me olhará de es+uelha, pelos vidros, at, 5 curva em 2ue me perdi.
0ei/arei sonhos atrás de mim, ou , o autom8vel 2ue os dei/aS
!u, +uiador do autom8vel emprestado, ou o autom8vel emprestado 2ue eu +uioS
Na estrada de "intra ao luar, na triste'a, ante os campos e a noite,
9uiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco)me na estrada futura, sumo)me na distPncia 2ue alcanço,
!, num dese3o terr4vel, sQ*ido, violento, inconce*4vel,
Acelero...
1as o meu coraç#o ficou no monte de pedras, de 2ue me desviei ao vD)lo sem vD)lo,
& porta do case*re,
meu coraç#o va'io,
meu coraç#o insatisfeito,
meu coraç#o mais humano do 2ue eu, mais e/ato 2ue a vida.
Na estrada de "intra, perto da meia)noite, ao luar, ao votante,
Na estrada de "intra, 2ue cansaço da pr8pria ima+inaç#o,
Na estrada de "intra, cada ve' mais perto de "intra,
Na estrada de "intra, cada ve' menos perto de mim...
Apontamento
A minha alma partiu)se como um vaso va'io.
Caiu pela escada e/cessivamente a*ai/o.
Caiu das m#os da criada descuidada.
Caiu, fe')se em mais pedaços do 2ue havia loiça no vaso.
AsneiraS 6mposs4velS "ei lá.
Eenho mais sensaçMes do 2ue tinha 2uando me sentia eu.
"ou um espalhamento de cacos so*re um capacho por sacudir.
Fi' *arulho na 2ueda como um vaso 2ue se partia.
s deuses 2ue há de*ruçam)se do parapeito da escada.
! fitam os cacos 2ue a criada deles fe' de mim.
N#o se 'an+uem com ela.
"#o tolerantes com ela.
2ue era eu um vaso va'ioS
lham os cacos a*surdamente conscientes,
1as conscientes de si mesmos, n#o conscientes deles.
lham e sorriem.
"orriem tolerantes 5 criada involuntária.
Alastra a +rande escadaria atapetada de estrelas.
Hm caco *rilha, virado do e/terior lustroso, entre os astros.
A minha o*raS A minha alma principalS A minha vidaS
Hm caco.
! os deuses olham)o especialmente, pois n#o sa*em por 2ue ficou ali.
Apostila =>>)X)>?@YB
Aproveitar o tempo.
1as o 2ue , o tempo, 2ue eu o aproveiteS
Aproveitar o tempo.
Nenhum dia sem linha...
tra*alho honesto e superior...
tra*alho 5 %ir+4lio, 5 14lton...
1as , t#o dif4cil ser honesto ou superior.
L t#o pouco provável ser 1ilton ou ser %ir+4lio.
Aproveitar o tempo.
Eirar da alma os *ocados precisos ) nem mais nem menos )
Para com eles 3untar os cu*os a3ustados
Fue fa'em +ravuras certas na hist8ria
=! est#o certas tam*,m do lado de *ai/o 2ue se n#o vDB...
Pôr as sensaçMes em castelo de cartas, po*re China dos serMes,
! os pensamentos em domin8, i+ual contra i+ual,
! a vontade em caram*ola dif4cil.
6ma+ens de 3o+os ou de paciDncias ou de passatempos )
6ma+ens da vida, ima+ens das vidas. 6ma+ens da %ida.
%er*alismo...
"im, ver*alismo...
Aproveitar o tempo.
N#o ter um minuto 2ue o e/ame de consciDncia desconheça...
N#o ter um acto indefinido nem fact4cio...
N#o ter um movimento desconforme com prop8sitos...
Boas maneiras da alma...
!le+Pncia de persistir...
Aproveitar o tempo.
1eu coraç#o está cansado como mendi+o verdadeiro.
1eu c,re*ro está pronto como um fardo posto ao canto.
1eu canto =ver*alismo.B está tal como está e , triste.
Aproveitar o tempo.
0esde 2ue comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei)os ou n#oS
"e n#o sei se os aproveitei, 2ue sa*erei de outros minutosS.
=Passa+eira 2ue via3aras tantas ve'es no mesmo compartimento comi+o
No com*oio su*ur*ano,
Che+aste a interessar)te por mimS
Aproveitei o tempo olhando para tiS
Fual foi o ritmo do nosso sosse+o no com*oio andanteS
Fual foi o entendimento 2ue n#o che+ámos a terS
Fual foi a vida 2ue houve nistoS Fue foi isto a vidaSB
Aproveitar o tempo.
Ah, dei/em)me n#o aproveitar nada.
Nem tempo, nem ser, nem mem8rias de tempo ou de ser....
0ei/em)me ser uma folha de árvore, titilada por *risa,
A poeira de uma estrada involuntária e so'inha,
vinco dei/ado na estrada pelas rodas en2uanto n#o vDm outras,
pi#o do +aroto, 2ue vai a parar,
! oscila, no mesmo movimento 2ue o da alma,
! cai, como caem os deuses, no ch#o do 0estino.
&s %e'es

&s ve'es tenho id,ias feli'es,
6d,ias su*itamente feli'es, em id,ias
! nas palavras em 2ue naturalmente se despe+am...

0epois de escrever, leio...
Por 2ue escrevi istoS
nde fui *uscar istoS
0e onde me veio istoS 6sto , melhor do 2ue eu...
"eremos n8s neste mundo apenas canetas com tinta
Com 2ue al+u,m escreve a valer o 2ue n8s a2ui traçamosS...
Barro()on)Furness

6
"ou vil, sou reles, como toda a +ente
N#o tenho ideais, mas n#o os tem nin+u,m.
Fuem di' 2ue os tem , como eu, mas mente.
Fuem di' 2ue *usca , por2ue n#o os tem.
L com a ima+inaç#o 2ue eu amo o *em.
1eu *ai/o ser por,m n#o mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
L*rio, por intervalos, de um Al,m.
Como todos n#o creio no 2ue creio.
Ealve' possa morrer por esse ideal.
1as, en2uanto n#o morro, falo c leio.
:ustificar)meS "ou 2uem todos s#o...
1odificar)meS Para meu i+ualS...
J Aca*a lá com isso, 8 coraç#o.
66
0euses, forças, almas de ciDncia ou f,,
!h. Eanta e/plicaç#o 2ue nada e/plica.
!stou sentado no cais, numa *arrica,
! n#o compreendo mais do 2ue de p,.
Por 2ue o havia de compreenderS
Pois sim, mas tam*,m por 2ue o n#o haviaS
Á+uia do rio, correndo su3a e fria,
!u passo como tu, sem mais valer...
W universo, novelo emaranhado,
Fue paciDncia de dedos de 2uem pensa
!m outras cousa te pMe separadoS
0ei/a de ser novelo o 2ue nos fica...
A 2ue *rincarS Ao amorS, 5 indifUrençaS
Por mim, s8 me levanto da *arrica.
666
Corre, raio de rio, e leva ao mar
A minha indiferença su*3etiva.
Fual Ileva ao marI. Eua presença es2uiva
Fue tem comi+o e com o meu pensarS
7esma de sorte. %ivo a caval+ar
A som*ra de um 3umento. A vida viva
%ive a dar nomes ao 2ue n#o se ativa,
1orre a pôr eti2uetas ao +rande ar...
!scancarado Furness, mais trDs dias
Ee, aturarei, po*re en+enheiro preso
A sucessi*il4ssimas vistorias...
0epois, ir)me)ei em*ora, eu e o despre'o
=! tu irás do mesmo modo 2ue iasB,
Fual2uer, na +are, de ci+arro aceso...
6%
Conclus#o a sucata. ... Fi' o cálculo,
"aiu)me certo, fui elo+iado...
1eu coraç#o , um enorme estrado
nde se e/pMe um pe2ueno animálculo
A microsc8pio de desilusMes
Findei, proli/o nas minQcias fQteis...
1inhas conclusMes 0ráticas, inQteis...
1inhas conclusMes te8ricas, confusMes...
Fue teorias há para 2uem sente
c,re*ro 2ue*rar)se, como um dente
0um pente de mendi+o 2ue emi+rouS
Fecho o caderno dos apontamentos
! faço riscos moles e cin'entos
Nas costas do envelope do 2ue sou ...
%
$á 2uanto tempo, Portu+al, há 2uanto
%ivemos separados. Ah, mas a alma,
!sta alma incerta, nunca forte ou calma,
N#o se distrai de ti, nem *em nem tanto.
"onho, hist,rico oculto, um v#o recanto...
rio Furness, 2ue , o 2ue a2ui *anha,
"8 ironicamente me acompanha,
Fue estou parado e ele correndo tanto ...
EantoS "im, tanto relativamente...
Arre, aca*emos com as distinçMes,
As su*tile'as, o interst4cio, o entre,
A metaf4sica das sensaçMes J
Aca*emos com isto e tudo mais ...
Ah, 2ue Pnsia humana de ser rio ou cais.
Bicar*onato de "oda

"Q*ita, uma an+Qstia...
Ah, 2ue an+Qstia, 2ue náusea do estôma+o 5 alma.
Fue ami+os 2ue tenho tido.
Fue va'ias de tudo as cidades 2ue tenho percorrido.
Fue esterco metaf4sico os meus prp8sitos todos.
Hma an+Qstia,
Hma desconsolaç#o da epiderme da alma,
Hm dei/ar cair os *raços ao sol)pôr do esforço...
<ene+o.
<ene+o tudo.
<ene+o mais do 2ue tudo.
<ene+o a +ládio e fim todos os 0euses e a ne+aç#o deles.
1as o 2ue , 2ue me falta, 2ue o sinto faltar)me no estôma+o e na
circulaç#o do san+ueS
Fue atordoamento va'io me esfalfa no c,re*roS
0evo tomar 2ual2uer coisa ou suicidar)meS
N#o: vou e/istir. Arre. %ou e/istir.
!)/is)tir...
!))/is))tir ...
1eu 0eus. Fue *udismo me esfria no san+ue.
<enunciar de portas todas a*ertas,
Perante a paisa+em todas as paisa+ens,
"em esperança, em li*erdade,
"em ne/o,
Acidente da inconse2VDncia da superf4cie das coisas,
1on8tono mas dorminhoco,
! 2ue *risas 2uando as portas e as 3anelas est#o todas a*ertas.
Fue ver#o a+radável dos outros.
0Dem)me de *e*er, 2ue n#o tenho sede.
Che+a Atrav,s

Che+a atrav,s do dia de n,voa al+uma coisa do es2uecimento,
%em *randamente com a tarde a oportunidade da perda.
Adormeço sem dormir, ao relento da vida.
L inQtil di'er)me 2ue as açMes tDm conse2VDncias.
L inQtil eu sa*er 2ue as açMes usam conse2VDncias.
L inQtil tudo, , inQtil tudo, , inQtil tudo.
Atrav,s do dia de n,voa n#o che+a coisa nenhuma.
Einha a+ora vontade
0e ir esperar ao com*oio da !uropa o via3ante anunciado,
0e ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.
N#o vem com a tarde oportunidade nenhuma.
Clearl- non)Campos.

N#o sei 2ual , o sentimento, ainda ine/presso,
Fue su*itamente, como uma sufocaç#o, me afli+e
coraç#o 2ue, de repente,
!ntre o 2ue vive, se es2uece.
N#o sei 2ual , o sentimento
Fue me desvia do caminho,
Fue me dá de repente
Hm no3o da2uilo 2ue se+uia,
Hma vontade de nunca che+ar a casa,
Hm dese3o de indefinido.
Hm dese3o lQcido de indefinido.
Fuatro ve'es mudou a Ustaç#o falsa
No falso ano, no imutável curso
0o tempo conse2VenteK
Ao verde se+ue o seco, e ao seco o verde,
! n#o sa*e nin+u,m 2ual , o primeiro,
Nem o Qltimo, e aca*am.
Começa a $aver

Começa a haver meia)noite, e a haver sosse+o,
Por toda a parte das coisas so*repostas,
s andares vários da acumulaç#o da vida...
Calaram o piano no terceiro andar...
N#o oiço 3á passos no se+undo andar...
No r,s)do)ch#o o rádio está em silDncio...
%ai tudo dormir...
Fico so'inho com o universo inteiro.
N#o 2uero ir 5 3anela:
"e eu olhar, 2ue de estrelas.
Fue +randes silDncios maiores há no alto.
Fue c,u anticitadino. J
Antes, recluso,
Num dese3o de n#o ser recluso,
!scuto ansiosamente os ru4dos da rua...
Hm autom8vel J demasiado rápido. J
s duplos passos em conversa falam)me...
som de um port#o 2ue se fecha *rusco d84)me...
%ai tudo dormir...
"8 eu velo, sonolentamente escutando,
!sperando
Fual2uer coisa antes 2ue durma...
Fual2uer coisa.
Começo a conhecer)me. N#o e/isto.

Começo a conhecer)me. N#o e/isto.
"ou o intervalo entre o 2ue dese3o ser e os outros me fi'eram,
ou metade desse intervalo, por2ue tam*,m há vida ...
"ou isso, enfim ...
Apa+ue a lu', feche a porta e dei/e de ter *arulhos de chinelos no corredor.
Fi2ue eu no 2uarto s8 com o +rande sosse+o de mim mesmo.
L um universo *arato.
Conclus#o a sucata .... Fi' o cálculo

Conclus#o a sucata .... Fi' o cálculo,
"aiu)me certo, fui elo+iado...
1eu coraç#o , um enorme estrado
nde se e/pMe um pe2ueno animálculo...
A microsc8pio de desilusMes
Findei, proli/o nas minQcias fQteis...
1inhas conclusMes práticas, inQteis...
1inhas conclusMes te8ricas, confusMes...
Fue teorias há para 2uem sente
c,re*ro 2ue*rar)se, como um dente
0um pente de mendi+o 2ue emi+rou S
Fecho o caderno dos apontamentos
! faço riscos moles e cin'entos
Nas costas do envelope do 2ue sou...
Contudo

Contudo, contudo,
Eam*,m houve +ládios e flPmulas de cores
Na Primavera do 2ue sonhei de mim.
Eam*,m a esperança
rvalhou os campos da minha vis#o involuntária,
Eam*,m tive 2uem tam*,m me sorrisse.
$o3e estou como se esse tivesse sido outro.
Fuem fui n#o me lem*ra sen#o como uma hist8ria apensa.
Fuem serei n#o me interessa, como o futuro do mundo.
Ca4 pela escada a*ai/o su*itamente,
! at, o som de cair era a +ar+alhada da 2ueda.
Cada de+rau era a testemunha importuna e dura
0o rid4culo 2ue fi' de mim.
Po*re do 2ue perdeu o lu+ar oferecido por n#o ter casaco limpo com 2ue aparecesse,
1as po*re tam*,m do 2ue, sendo rico e no*re,
Perdeu o lu+ar do amor por n#o ter casaco *om dentro do dese3o.
"ou imparcial como a neve.
Nunca preferi o po*re ao rico,
Como, em mim, nunca preferi nada a nada.
%i sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensaçMes viv4ssimas,
1as isso era outro mundo.
Contudo a minha má+oa nunca me fe' ver ne+ro o 2ue era cor de laran3a.
Acima de tudo o mundo e/terno.
!u 2ue me a+Vente comi+o e com os comi+os de mim.
Cru' na porta da ta*acaria.
Cru' na porta da ta*acaria.
Fuem morreuS pr8prio AlvesS 0ou
Ao dia*o o *em)estar 2ue tra'ia.
0esde ontem a cidade mudou.
Fuem eraS ra, era 2uem eu via.
Eodos os dias o via. !stou
A+ora sem essa monotonia.
0esde ontem a cidade mudou.
!le era o dono da ta*acaria.
Hm ponto de referDncia de 2uem sou
!u passava ali de noite e de dia.
0esde ontem a cidade mudou.
1eu coraç#o tem pouca ale+ria,
! isto di' 2ue , morte a2uilo onde estou.
$orror fechado da ta*acaria.
0esde ontem a cidade mudou.
1as ao menos a ele al+u,m o via,
!le era fi/o, eu, o 2ue vou,
"e morrer, n#o falto, e nin+u,m diria.
0esde ontem a cidade mudou.
=>X)>Z)>?AZB
Cru'ou por mim, veio ter comi+o, numa rua da Bai/a

Cru'ou por mim, veio ter comi+o, numa rua da Bai/a
A2uele homem mal vestido, pedinte por profiss#o 2ue se lhe vD na cara,
Fue simpati'a comi+o e eu simpati'o com eleK
! reciprocamente, num +esto lar+o, trans*ordante, dei)lhe tudo 2uanto tinha
=!/ceto, naturalmente, o 2ue estava na al+i*eira onde tra+o mais dinheiro:
N#o sou parvo nem romancista russo, aplicado,
! romantismo, sim, mas deva+ar...B.
"into uma simpatia por essa +ente toda,
"o*retudo 2uando n#o merece simpatia.
"im, eu sou tam*,m vadio e pedinte,
! sou)o tam*,m por minha culpa.
"er vadio e pedinte n#o , ser vadio e pedinte:
!U estar ao lado da escala social,
!U n#o ser adaptável 5s normas da vida,
UAs normas reais ou sentimentais da vida )
N#o ser :ui' do "upremo, empre+ado certo, prostituta,
N#o ser po*re a valer, operário e/plorado,
N#o ser doente de uma doença incurável,
N#o ser sedento da 3ustiça, ou capit#o de cavalaria,
N#o ser, enfim, a2uelas pessoas sociais dos novelistas
Fue se fartam de letras por2ue tem ra'#o para chorar la+rimas,
! se revoltam contra a vida social por2ue tem ra'#o para isso supor.
N#o: tudo menos ter ra'#o.
Eudo menos importar)se com a humanidade.
Eudo menos ceder ao humanitarismo.
0e 2ue serve uma sensaç#o se ha uma ra'#o e/terior a elaS
"im, ser vadio e pedinte, como eu sou,
N#o , ser vadio e pedinte, o 2ue , corrente:
!U ser isolado na alma, e isso , 2ue , ser vadio,
!U ter 2ue pedir aos dias 2ue passem, e nos dei/em, e isso , 2ue , ser pedinte.
Eudo o mais , estQpido como um 0ostoie(s[i ou um 9or[i.
Eudo o mais , ter fome ou n#o ter o 2ue vestir.
!, mesmo 2ue isso aconteça, isso acontece a tanta +ente
Fue nem vale a pena ter pena da +ente a 2uem isso acontece.
"ou vadio e pedinte a valer, isto ,, no sentido translato,
! estou)me re*olando numa +rande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos.
E#o isolado na vida. E#o deprimido nas sensaçMes.
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia.
Coitado dele, 2ue com la+rimas =autenticasB nos olhos,
0eu ho3e, num +esto lar+o, li*eral e moscovita,
Eudo 2uanto tinha, na al+i*eira em 2ue tinha olhos tristes por profiss#o
Coitado do Álvaro de Campos, com 2uem nin+u,m se importa.
Coitado dele 2ue tem tanta pena de si mesmo.
!, sim, coitado dele.
1ais coitado dele 2ue de muitos 2ue s#o vadios e vadiam,
Fue s#o pedintes e pedem,
Por2ue a alma humana , um a*ismo.
!u , 2ue sei. Coitado dele.
Fue *om poder)me revoltar num com4cio dentro de minha alma.
1as at, nem parvo sou.
Nem tenho a defesa de poder ter opiniMes sociais.
N#o tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lQcido.
N#o me 2ueiram converter a convicç#o: sou lQcido.
:á disse: sou lQcido.
Nada de est,ticas com coraç#o: sou lQcido.
1erda. "ou lQcido.
0atilo+rafia

Eraço, so'inho, no meu cu*4culo de en+enheiro, o plano,
Firmo o pro3eto, a2ui isolado,
<emoto at, de 2uem eu sou.
Ao lado, acompanhamento *analmente sinistro,
ti2ue)ta2ue estalado das má2uinas de escrever.
Fue náusea da vida.
Fue a*3eç#o esta re+ularidade.
Fue sono este ser assim.
utrora, 2uando fui outro, eram castelos e cavaleiros
=6lustraçMes, talve', de 2ual2uer livro de infPnciaB,
utrora, 2uando fui verdadeiro ao meu sonho,
!ram +randes paisa+ens do Norte, e/pl4citas de neve,
!ram +randes palmares do "ul, opulentos de verdes.
utrora.
Ao lado, acompanhamento *analmente sinistro,
ti2ue)ta2ue estalado das má2uinas de escrever.
Eemos todos duas vidas:
A verdadeira, 2ue , a 2ue sonhamos na infPncia,
! 2ue continuamos sonhando, adultos, num su*strato de n,voaK
A falsa, 2ue , a 2ue vivemos em convivDncia com outros,
Fue , a prática, a Qtil,
A2uela em 2ue aca*am por nos meter num cai/#o.
Na outra n#o há cai/Mes, nem mortes,
$á s8 ilustraçMes de infPncia:
9randes livros coloridos, para ver mas n#o lerK
9randes pá+inas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos n8s,
Na outra vivemosK
Nesta morremos, 2ue , o 2ue viver 2uer di'erK
Neste momento, pela náusea, vivo na outra ...
1as ao lado, acompanhamento *analmente sinistro,
!r+ue a vo' o ti2ue)ta2ue estalado das má2uinas de escrever.
0ela 1usi2ue

Ah, pouco a pouco, entre as árvores anti+as,
A fi+ura dela emer+e e eu dei/o de pensar...
Pouco a pouco, da an+Qstia de mim vou eu mesmo emer+indo...
As duas fi+uras encontram)se na clareira ao p, do la+o....
... As duas fi+uras sonhadas,
Por2ue isto foi s8 um raio de luar e uma triste'a minha,
! uma suposiç#o de outra coisa,
! o resultado de e/istir...
%erdadeiramente, ter)se)iam encontrado as duas fi+uras
Na clareira ao p, do la+oS
= ... 1as se n#o e/istemS...B
... Na clareira ao p, do la+oS...
0emo+or+on

Na rua cheia de sol va+o há casas paradas e +ente 2ue anda.
Hma triste'a cheia de pavor esfria)me.
Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos.
N#o, n#o, isso n#o.
Eudo menos sa*er o 2ue , o 1ist,rio.
"uperf4cie do Hniverso, 8 Pálpe*ras 0escidas,
N#o vos er+ais nunca.
olhar da %erdade Final n#o deve poder suportar)se.
0ei/ai)me viver sem sa*er nada, e morrer sem ir sa*er nada.
A ra'#o de haver ser, a ra'#o de haver seres, de haver tudo,
0eve tra'er uma loucura maior 2ue os espaços
!ntre as almas e entre as estrelas.
N#o, n#o, a verdade n#o. 0ei/ai)me estas casas e esta +enteK
Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta +ente...
Fue *afo horr4vel e frio me toca em olhos fechadosS
N#o os 2uero a*rir de viver. 8 %erdade, es2uece)te de mim.
0epus a 1áscara

0epus a máscara e vi)me ao espelho. J
!ra a criança de há 2uantos anos.
N#o tinha mudado nada...
L essa a vanta+em de sa*er tirar a máscara.
L)se sempre a criança,
passado 2ue foi
A criança.
0epus a máscara, e tornei a pô)la.
Assim , melhor,
Assim sem a máscara.
! volto 5 personalidade como a um t,rminus de linha.
0esfraldando ao con3unto fict4cio dos c,us estrelados

0esfraldando ao con3unto fict4cio dos c,us estrelados
esplendor do sentido nenhum da vida...
Eo2uem num arraial a marcha fQne*re minha.
Fuero cessar sem conse2VDncias...
Fuero ir para a morte como para uma festa ao crepQsculo.
0o*rada 5 morda do Porto
Hm dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
"erviram)me o amor como do*rada fria.
0isse delicadamente ao missionário da co'inha
Fue a preferia 2uente,
Fue a do*rada =e era 5 moda do PortoB nunca se come fria.
6mpacientaram)se comi+o.
Nunca se pode ter ra'#o, nem num restaurante.
N#o comi, n#o pedi outra coisa, pa+uei a conta,
! vim passear para toda a rua.
Fuem sa*e o 2ue isto 2uer di'erS
!u n#o sei, e foi comi+o ...
="ei muito *em 2ue na infPncia de toda a +ente houve um 3ardim,
Particular ou pQ*lico, ou do vi'inho.
"ei muito *em 2ue *rincarmos era o dono dele.
! 2ue a triste'a , de ho3eB.
"ei isso muitas ve'es,
1as, se eu pedi amor, por2ue , 2ue me trou/eram
0o*rada 5 moda do Porto friaS
N#o , prato 2ue se possa comer frio,
1as trou/eram)mo frio.
N#o me 2uei/ei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
0ois !/certos de des

=F6N" 0! 0HA" 0!", NA6H<A71!NE!B

6
%em, Noite anti2u4ssima e idDntica,
Noite <ainha nascida destronada,
Noite i+ual por dentro ao silDncio, Noite
Com as estrelas lente3oulas rápidas
No teu vestido fran3ado de 6nfinito.
%em, va+amente,
%em, levemente,
%em so'inha, solene, com as m#os ca4das
Ao teu lado, vem
! tra' os montes lon+4n2uos para o p, das árvores pr8/imas,
Funde num campo teu todos os campos 2ue ve3o,
Fa'e da montanha um *loco s8 do teu corpo,
Apa+a)lhe todas as diferenças 2ue de lon+e ve3o,
Eodas as estradas 2ue a so*em,
Eodas as várias árvores 2ue a fa'em verde)escuro ao lon+e.
Eodas as casas *rancas e com fumo entre as árvores,
! dei/a s8 uma lu' e outra lu' e mais outra,
Na distPncia imprecisa e va+amente pertur*adora,
Na distPncia su*itamente imposs4vel de percorrer.
Nossa "enhora
0as coisas imposs4veis 2ue procuramos em v#o,
0os sonhos 2ue vDm ter conosco ao crepQsculo, 5 3anela,
0os prop8sitos 2ue nos acariciam
Nos +randes terraços dos hot,is cosmopolitas
Ao som europeu das mQsicas e das vo'es lon+e e perto,
! 2ue doem por sa*ermos 2ue nunca os reali'aremos...
%em, e em*ala)nos,
%em e afa+a)nos.
Bei3a)nos silenciosamente na fronte,
E#o levemente na fronte 2ue n#o sai*amos 2ue nos *ei3am
"en#o por uma diferença na alma.
! um va+o soluço partindo melodiosamente
0o anti2u4ssimo de n8s
nde tDm rai' todas essas árvores de maravilha
Cu3os frutos s#o os sonhos 2ue afa+amos e amamos
Por2ue os sa*emos fora de relaç#o com o 2ue há na vida.
%em solen4ssima,
"olen4ssima e cheia
0e uma oculta vontade de soluçar,
Ealve' por2ue a alma , +rande e a vida pe2uena,
! todos os +estos n#o saem do nosso corpo
! s8 alcançamos onde o nosso *raço che+a,
! s8 vemos at, onde che+a o nosso olhar.
%em, dolorosa,
1ater)0olorosa das An+Qstias dos E4midos,
Eurris)!*urnea das Eriste'as dos 0espre'ados,
1#o fresca so*re a testa em fe*re dos humildes,
"a*or de á+ua so*re os lá*ios secos dos Cansados.
%em, lá do fundo
0o hori'onte l4vido,
%em e arranca)me
0o solo de an+Qstia e de inutilidade
nde vice3o.
Apanha)me do meu solo, malme2uer es2uecido,
Folha a folha lD em mim n#o sei 2ue sina
! desfolha)me para teu a+rado,
Para teu a+rado silencioso e fresco.
Hma folha de mim lança para o Norte,
nde est#o as cidades de $o3e 2ue eu tanto ameiK
utra folha de mim lança para o "ul,
nde est#o os mares 2ue os Nave+adores a*riramK
utra folha minha atira ao cidente,
nde arde ao ru*ro tudo o 2ue talve' se3a o Futuro,
Fue eu sem conhecer adoroK
! a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao riente,
Ao riente donde vem tudo, o dia e a f,,
Ao riente pomposo e fanático e 2uente,
Ao riente e/cessivo 2ue eu nunca verei,
Ao riente *udista, *ramPnico, sinto4sta,
Ao riente 2ue tudo o 2ue n8s n#o temos,
Fue tudo o 2ue n8s n#o somos,
Ao riente onde J 2uem sa*eS J Cristo talve' ainda ho3e viva,
nde 0eus talve' e/ista realmente e mandando tudo...
%em so*re os mares,
"o*re os mares maiores,
"o*re os mares sem hori'ontes precisos,
%em e passa a m#o pelo dorso da fera,
! acalma)o misteriosamente,
8 domadora hipn8tica das coisas 2ue se a+itam muito.
%em, cuidadosa,
%em, maternal,
P, ante p, enfermeira anti2u4ssima, 2ue te sentaste
& ca*eceira dos deuses das f,s 3á perdidas,
! 2ue viste nascer :eová e :Qpiter,
! sorriste por2ue tudo te , falso , inQtil.
%em, Noite silenciosa e e/tática,
%em envolver na noite manto *ranco
meu coraç#o...
"erenamente como uma *risa na tarde leve,
Eran2Vilamente com um +esto materno afa+ando.
Com as estrelas lu'indo nas tuas m#os
! a lua máscara misteriosa so*re a tua face.
Eodos os sons soam de outra maneira
Fuando tu vens.
Fuando tu entras *ai/am todas as vo'es,
Nin+u,m te vD entrar.
Nin+u,m sa*e 2uando entraste,
"en#o de repente, vendo 2ue tudo se recolhe,
Fue tudo perde as arestas e as cores,
! 2ue no alto c,u ainda claramente a'ul
:á crescente n4tido, ou c4rculo *ranco, ou mera lu' nova 2ue vem.
A lua começa a ser real.
66
Ah o crepQsculo, o cair da noite, o acender das lu'es nas +randes cidades
! a m#o de mist,rio 2ue a*afa o *ul4cio,
! o cansaço de tudo em n8s 2ue nos corrompe
Para uma sensaç#o e/ata e precisa e ativa da %ida.
Cada rua , um canal de uma %ene'a de t,dios
! 2ue misterioso o fundo unPnime das ruas,
0as ruas ao cair da noite, 8 Cesário %erde, 8 1estre,
W do I"entimento de um cidentalI.
Fue in2uietaç#o profunda, 2ue dese3o de outras coisas,
Fue nem s#o pa4ses, nem momentos, nem vidas,
Fue dese3o talve' de outros modos de estados de alma
Hmedece interiormente o instante lento e lon+4n2uo.
Hm horror sonPm*ulo entre lu'es 2ue se acendem,
Hm pavor terno e l42uido, encostado 5s es2uinas
Como um mendi+o de sensaçMes imposs4veis
Fue n#o sa*e 2uem lhas possa dar ...
Fuando eu morrer,
Fuando me for, i+no*ilmente, como toda a +ente,
Por a2uele caminho cu3a id,ia se n#o pode encarar de frente,
Por a2uela porta a 2ue, se pud,ssemos assomar, n#o assomar4amos
Para a2uele porto 2ue o capit#o do Navio n#o conhece,
"e3a por esta hora condi+na dos t,dios 2ue tive,
Por esta hora m4stica e espiritual e anti2u4ssima,
Por esta hora em 2ue talve', há muito mais tempo do 2ue parece,
Plat#o sonhando viu a id,ia de 0eus
!sculpir corpo e e/istDncia nitidamente plaus4vel.
0entro do seu pensamento e/teriori'ado como um campo.
"e3a por esta hora 2ue me leveis a enterrar,
Por esta hora 2ue eu n#o sei como viver,
!m 2ue n#o sei 2ue sensaçMes ter ou fin+ir 2ue tenho,
Por esta hora cu3a miseric8rdia , torturada e e/cessiva,
Cu3as som*ras vDm de 2ual2uer outra coisa 2ue n#o as coisas,
Cu3a passa+em n#o roça vestes no ch#o da %ida "ens4vel
Nem dei/a perfume nos caminhos do lhar.
Cru'a as m#os so*re o 3oelho, 8 companheira 2ue eu n#o tenho nem 2uero ter.
Cru'a as m#os so*re o 3oelho e olha)me em silDncio
A esta hora em 2ue eu n#o posso ver 2ue tu me olhas,
lha)me em silDncio e em se+redo e per+unta a ti pr8pria
J Eu 2ue me conheces J 2uem eu sou ...
0omin+o 6rei

0omin+o irei para as hortas na pessoa dos outros,
Contente da minha anonimidade.
0omin+o serei feli' J eles, eles...
0omin+o...
$o3e , 2uinta)feira da semana 2ue n#o tem domin+o...
Nenhum domin+o. J
Nunca domin+o. J
1as sempre haverá al+u,m nas hortas no domin+o 2ue vem.
Assim passa a vida,
"util para 2uem sente,
1ais ou menos para 2uem pensa:
$averá sempre al+u,m nas hortas ao domin+o,
N#o no nosso domin+o,
N#o no meu domin+o,
N#o no domin+o...
1as sempre haverá outros nas hortas e ao domin+o.
!ncostei)me

!ncostei)me para trás na cadeira de conv,s e fechei os olhos,
! o meu destino apareceu)me na alma como um precip4cio.
A minha vida passada misturou)se com a futura,
! houve no meio um ru4do do sal#o de fumo,
nde, aos meus ouvidos, aca*ara a partida de /adre'.
Ah, *alouçado
Na sensaç#o das ondas,
Ah, em*alado
Na id,ia t#o confortável de ho3e ainda n#o ser amanh#,
0e pelo menos neste momento n#o ter responsa*ilidades nenhumas,
0e n#o ter personalidade propriamente, mas sentir)me ali,
!m cima da cadeira como um livro 2ue a sueca ali dei/asse.
Ah, afundado
Num torpor da ima+inaç#o, sem dQvida um pouco sono,
6rre2uieto t#o sosse+adamente,
E#o análo+o de repente 5 criança 2ue fui outrora
Fuando *rincava na 2uinta e n#o sa*ia ál+e*ra,
Nem as outras ál+e*ras com / e -Us de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importPncia nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análo+os J
A2ueles momentos em 2ue n#o tive importPncia nenhuma,
A2ueles em 2ue compreendi todo o vácuo da e/istDncia sem inteli+Dncia para o
compreender
! havia luar e mar e a solid#o, 8 Álvaro.
!scrito Num 7ivro A*andonado em %ia+em

%enho dos lados de Be3a.
%ou para o meio de 7is*oa.
N#o tra+o nada e n#o acharei nada.
Eenho o cansaço antecipado do 2ue n#o acharei,
! a saudade 2ue sinto n#o , nem no passado nem no futuro.
0ei/o escrita neste livro a ima+em do meu des4+nio morto:
Fui, como ervas, e n#o me arrancaram.
!sta %elha

!sta velha an+Qstia,
!sta an+Qstia 2ue tra+o há s,culos em mim,
Erans*ordou da vasilha,
!m lá+rimas, em +randes ima+inaçMes,
!m sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
!m +randes emoçMes sQ*itas sem sentido nenhum.

Erans*ordou.
1al sei como condu'ir)me na vida
Com este mal)estar a fa'er)me pre+as na alma.
"e ao menos endoidecesse deveras.
1as n#o: , este estar entre,
!ste 2uase,
!ste poder ser 2ue...,
6sto.
Hm internado num manicômio ,, ao menos, al+u,m,
!u sou um internado num manicômio sem manicômio.
!stou doido a frio,
!stou lQcido e louco,
!stou alheio a tudo e i+ual a todos:
!stou dormindo desperto com sonhos 2ue s#o loucura
Por2ue n#o s#o sonhos.
!stou assim...
Po*re velha casa da minha infPncia perdida.
Fuem te diria 2ue eu me desacolhesse tanto.
Fue , do teu meninoS !stá maluco.
Fue , de 2uem dormia sosse+ado so* o teu teto provincianoS
!stá maluco.
Fuem de 2uem fuiS !stá maluco. $o3e , 2uem eu sou.
"e ao menos eu tivesse uma reli+i#o 2ual2uer.
Por e/emplo, por a2uele manipanso
Fue havia em casa, lá nessa, tra'ido de África.
!ra fei4ssimo, era +rotesco,
1as havia nele a divindade de tudo em 2ue se crD.
"e eu pudesse crer num manipanso 2ual2uer J
:Qpiter, :eová, a $umanidade J
Fual2uer serviria,
Pois o 2ue , tudo sen#o o 2ue pensamos de tudoS
!stala, coraç#o de vidro pintado.
!stou

!stou tonto,
Eonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
u de am*as as coisas.
2ue sei , 2ue estou tonto
! n#o sei *em se me devo levantar da cadeira
u como me levantar dela.
Fi2uemos nisto: estou tonto.
Afinal
Fue vida fi' eu da vidaS
Nada.
Eudo interst4cios,
Eudo apro/imaçMes,
Eudo funç#o do irre+ular e do a*surdo,
Eudo nada.
L por isso 2ue estou tonto ...
A+ora
Eodas as manh#s me levanto
Eonto ...
"im, verdadeiramente tonto...
"em sa*er em mim e meu nome,
"em sa*er onde estou,
"em sa*er o 2ue fui,
"em sa*er nada.
1as se isto , assim, , assim.
0ei/o)me estar na cadeira,
!stou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
! tonto,
"im, tonto,
Eonto...
Eonto.
!stou Cansado

!stou cansado, , claro,
Por2ue, a certa altura, a +ente tem 2ue estar cansado.
0e 2ue estou cansado, n#o sei:
0e nada me serviria sa*D)lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida d8i como d8i
! n#o em funç#o da causa 2ue a produ'iu.
"im, estou cansado,
! um pouco sorridente
0e o cansaço ser s8 isto J
Hma vontade de sono no corpo,
Hm dese3o de n#o pensar na alma,
! por cima de tudo uma transparDncia lQcida
0o entendimento retrospectivo...
! a lu/Qria Qnica de n#o ter 3á esperançasS
"ou inteli+enteK eis tudo.
Eenho visto muito e entendido muito o 2ue tenho visto,
! há um certo pra'er at, no cansaço 2ue isto nos dá,
Fue afinal a ca*eça sempre serve para 2ual2uer coisa.
!u

!u, eu mesmo...
!u, cheio de todos os cansaços
Fuantos o mundo pode dar. J
!u...
Afinal tudo, por2ue tudo , eu,
! at, as estrelas, ao 2ue parece,
1e sa4ram da al+i*eira para deslum*rar crianças...
Fue crianças n#o sei...
!u...
6mperfeitoS 6nc8+nitoS 0ivinoS
N#o sei...
!u...
Eive um passadoS "em dQvida...
Eenho um presenteS "em dQvida...
Eerei um futuroS "em dQvida...
A vida 2ue pare de a2ui a pouco...
1as eu, eu...
!u sou eu,
!u fico eu,
!u...
Far8is

Far8is distantes,
0e lu' su*itamente t#o acesa,
0e noite e ausDncia t#o rapidamente volvida,
Na noite, no conv,s, 2ue conse2VDncias aflitas.
1á+oa Qltima dos despedidos,
Ficç#o de pensar ...
Far8is distantes...
6ncerte'a da vida...
%oltou crescendo a lu' acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...
Far8is distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...
%amos para lon+e e a lu' 2ue vem +rande vem menos +rande.
Far8is distantes ...
9a'etilha

0os 77\0 9!<9!" da Ba*ilônia
N#o re'a a hist8ria nada.
0os Briands da Ass4ria ou do !+ito,
0os Erots[-s de 2ual2uer colônia
9re+a ou romana 3á passada,
nome , morto, inda 2ue escrito.
"8 o parvo dum poeta, ou um louco
Fue fa'ia filosofia,
u um +eômetra maduro,
"o*revive a esse tanto pouco
Fue está lá para trás no escuro
! nem a hist8ria 3á historia.
W +randes homens do 1omento.
W +randes +l8rias a ferver
0e 2uem a o*scuridade fo+e.
Aproveitem sem pensamento.
Eratem da fama e do comer,
Fue amanh# , dos loucos de ho3e.
9ostava

9ostava de +ostar de +ostar.
Hm momento... 0á)me de ali um ci+arro,
0o maço em cima da mesa de ca*eceira.
Continua... 0i'ias
Fue no desenvolvimento da metafisica
0e ]ant a $e+el
Al+uma coisa se perdeu.
Concordo em a*soluto.
!stive realmente a ouvir.
Nondum ama*am et amare ama*am ="anto A+ostinhoB.
Fue coisa curiosa estas associaçMes de id,ias.
!stou fati+ado de estar pensando em sentir outra coisa.
*ri+ado. 0ei/a)me acender. Continua. $e+el...
9randes

9randes s#o os desertos, e tudo , deserto.
N#o s#o al+umas toneladas de pedras ou ti3olos ao alto
Fue disfarçam o solo, o tal solo 2ue , tudo.
9randes s#o os desertos e as almas desertas e +randes
0esertas por2ue n#o passa por elas sen#o elas mesmas,
9randes por2ue de ali se vD tudo, e tudo morreu.
9randes s#o os desertos, minha alma.
9randes s#o os desertos.
N#o tirei *ilhete para a vida,
!rrei a porta do sentimento,
N#o houve vontade ou ocasi#o 2ue eu n#o perdesse.
$o3e n#o me resta, em v,speras de via+em,
Com a mala a*erta esperando a arrumaç#o adiada,
"entado na cadeira em companhia com as camisas 2ue n#o ca*em,
$o3e n#o me resta =5 parte o incômodo de estar assim sentadoB
"en#o sa*er isto:
9randes s#o os desertos, e tudo , deserto.
9rande , a vida, e n#o vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Fue com arrumaç#o das m#os fact4cias =e creio 2ue di+o *emB
Acendo o ci+arro para adiar a via+em,
Para adiar todas as via+ens.
Para adiar o universo inteiro.
%olta amanh#, realidade.
Basta por ho3e, +entes.
Adia)te, presente a*soluto.
1ais vale n#o ser 2ue ser assim.
Comprem chocolates 5 criança a 2uem sucedi por erro,
! tirem a ta*uleta por2ue amanh# , infinito.
1as tenho 2ue arrumar mala,
Eenho por força 2ue arrumar a mala,
A mala.
N#o posso levar as camisas na hip8tese e a mala na ra'#o.
"im, toda a vida tenho tido 2ue arrumar a mala.
1as tam*,m, toda a vida, tenho ficado sentado so*re o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um *oi 2ue n#o che+ou a Ápis, destino.
Eenho 2ue arrumar a mala de ser.
Eenho 2ue e/istir a arrumar malas.
A cin'a do ci+arro cai so*re a camisa de cima do monte.
lho para o lado, verifico 2ue estou a dormir.
"ei s8 2ue tenho 2ue arrumar a mala,
! 2ue os desertos s#o +randes e tudo , deserto,
! 2ual2uer pará*ola a respeito disto, mas dessa , 2ue 3á me es2ueci.
!r+o)me de repente todos os C,sares.
%ou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá)la e fechá)laK
$ei de vD)la levar de a2ui,
$ei de e/istir independentemente dela.
9randes s#o os desertos e tudo , deserto,
"alvo erro, naturalmente.
Po*re da alma humana com oásis s8 no deserto ao lado.
1ais vale arrumar a mala.
Fim.
$á 1ais

$á mais de meia hora
Fue estou sentado 5 secretária
Com o Qnico intuito
0e olhar para ela.
=!stes versos est#o fora do meu ritmo.
!u tam*,m estou fora do meu ritmo.B
Einteiro +rande 5 frente.
Canetas com aparos novos 5 frente.
1ais para cá papel muito limpo.
Ao lado es2uerdo um volume da I!nciclop,dia BritPnicaI.
Ao lado direito J
Ah, ao lado direito
A faca de papel com 2ue ontem
N#o tive paciDncia para a*rir completamente
livro 2ue me interessava e n#o lerei.
Fuem pudesse sintoni'ar tudo isto.
6nsônia

N#o durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
!spera)me uma insônia da lar+ura dos astros,
! um *oce3o inQtil do comprimento do mundo.
N#o durmoK n#o posso ler 2uando acordo de noite,
N#o posso escrever 2uando acordo de noite,
N#o posso pensar 2uando acordo de noite J
1eu 0eus, nem posso sonhar 2uando acordo de noite.
Ah, o 8pio de ser outra pessoa 2ual2uer.
N#o durmo, 3a'o, cadáver acordado, sentindo,
! o meu sentimento , um pensamento va'io.
Passam por mim, transtornadas, coisas 2ue me sucederam
J Eodas a2uelas de 2ue me arrependo e me culpoK
Passam por mim, transtornadas, coisas 2ue me n#o sucederam
J Eodas a2uelas de 2ue me arrependo e me culpoK
Passam por mim, transtornadas, coisas 2ue n#o s#o nada,
! at, dessas me arrependo, me culpo, e n#o durmo.
N#o tenho força para ter ener+ia para acender um ci+arro.
Fito a parede fronteira do 2uarto como se fosse o universo.
7á fora há o silDncio dessa coisa toda.
Hm +rande silDncio apavorante noutra ocasi#o 2ual2uer,
Noutra ocasi#o 2ual2uer em 2ue eu pudesse sentir.
!stou escrevendo versos realmente simpáticos J
%ersos a di'er 2ue n#o tenho nada 2ue di'er,
%ersos a teimar em di'er isso,
%ersos, versos, versos, versos, versos...
Eantos versos...
! a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim.
Eenho sono, n#o durmo, sinto e n#o sei em 2ue sentir.
"ou uma sensaç#o sem pessoa correspondente,
Hma a*straç#o de autoconsciDncia sem de 2uD,
"alvo o necessário para sentir consciDncia,
"alvo J sei lá salvo o 2uD...
N#o durmo. N#o durmo. N#o durmo.
Fue +rande sono em toda a ca*eça e em cima dos olhos e na alma.
Fue +rande sono em tudo e/ceto no poder dormir.
W madru+ada, tardas tanto... %em...
%em, inutilmente,
Era'er)me outro dia i+ual a este, a ser se+uido por outra noite i+ual a esta...
%em tra'er)me a ale+ria dessa esperança triste,
Por2ue sempre ,s ale+re, e sempre tra'es esperança,
"e+undo a velha literatura das sensaçMes.
%em, tra' a esperança, vem, tra' a esperança.
meu cansaço entra pelo colch#o dentro.
0oem)me as costas de n#o estar deitado de lado.
"e estivesse deitado de lado do4am)me as costas de estar deitado de lado.
%em, madru+ada, che+a.
Fue horas s#oS N#o sei.
N#o tenho ener+ia para estender uma m#o para o rel8+io,
N#o tenho ener+ia para nada, para mais nada...
"8 para estes versos, escritos no dia se+uinte.
"im, escritos no dia se+uinte.
Eodos os versos s#o sempre escritos no dia se+uinte.
Noite a*soluta, sosse+o a*soluto, lá fora.
Pa' em toda a Nature'a.
A $umanidade repousa e es2uece as suas amar+uras.
!/atamente.
A $umanidade es2uece as suas ale+rias e amar+uras.
Costuma di'er)se isto.
A $umanidade es2uece, sim, a $umanidade es2uece,
1as mesmo acordada a $umanidade es2uece.
!/atamente. 1as n#o durmo.
1arinetti AcadDmico

%,spera de via+em, campainha...
N#o me so*reavisem estridentemente.
Fuero +o'ar o repouso da +are da alma 2ue tenho
Antes de ver avançar para mim a che+ada de ferro
0o com*oio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas +oelas do estôma+o,
Antes de pôr no estri*o um p,
Fue nunca aprendeu a n#o ter emoç#o sempre 2ue teve 2ue partir.
Fuero, neste momento, fumando no apeadeiro de ho3e,
!star ainda um *ocado a+arrado 5 velha vida.
%ida inQtil, 2ue era melhor dei/ar, 2ue , uma celaS
Fue importaS
Eodo o Hniverso , uma cela, e o estar preso n#o tem 2ue ver com o tamanho da cela.
"a*e)me a náusea pr8/ima o ci+arro. com*oio 3á partiu da outra estaç#o...
Adeus, adeus, adeus, toda a +ente 2ue n#o veio despedir)se de mim,
1inha fam4lia a*strata e imposs4vel...
Adeus dia de ho3e, adeus apeadeiro de ho3e, adeus vida, adeus vida.
Ficar como um volume rotulado es2uecido,
Ao canto do res+uardo de passa+eiros do outro lado da linha.
"er encontrado pelo +uarda casual depois da partida J
I! estaS !nt#o n#o houve um tipo 2ue dei/ou isto a2uiSI J
Ficar s8 a pensar em partir,
Ficar e ter ra'#o,
Ficar e morrer menos ...
%ou para o futuro como para um e/ame dif4cil.
"e o com*oio nunca che+asse e 0eus tivesse pena de mimS
:á me ve3o na estaç#o at, a2ui simples metáfora.
"ou uma pessoa perfeitamente apresentável.
%D)se J di'em J 2ue tenho vivido no estran+eiro.
s meus modos s#o de homem educado, evidentemente.
Pe+o na mala, re3eitando o moço, como a um vicio vil.
! a m#o com 2ue pe+o na mala treme)me e a ela.
Partir.
Nunca voltarei,
Nunca voltarei por2ue nunca se volta.
lu+ar a 2ue se volta , sempre outro,
A +are a 2ue se volta , outra.
:á n#o está a mesma +ente, nem a mesma lu', nem a mesma filosofia.
Partir. 1eu 0eus, partir. Eenho medo de partir....
7is*oa

7is*oa com suas casas
0e várias cores,
7is*oa com suas casas
0e várias cores,
7is*oa com suas casas
0e várias cores ...
& força de diferente, isto , mon8tono.
Como 5 força de sentir, fico s8 a pensar.
"e, de noite, deitado mas desperto,
Na lucide' inQtil de n#o poder dormir,
Fuero ima+inar 2ual2uer coisa
! sur+e sempre outra =por2ue há sono,
!, por2ue há sono, um *ocado de sonhoB,
Fuero alon+ar a vista com 2ue ima+ino
Por +randes palmares fantásticos,
1as n#o ve3o mais,
Contra uma esp,cie de lado de dentro de pálpe*ras,
Fue 7is*oa com suas casas
0e várias cores.
"orrio, por2ue, a2ui, deitado, , outra coisa.
A força de mon8tono, , diferente.
!, 5 força de ser eu, durmo e es2ueço 2ue e/isto.
Fica s8, sem mim, 2ue es2ueci por2ue durmo,
7is*oa com suas casas
0e várias cores.
7is*on <evisited
=l?@AB

N^: N#o 2uero nada.
:á disse 2ue n#o 2uero nada.
N#o me venham com conclusMes.
A Qnica conclus#o , morrer.
N#o me tra+am est,ticas.
N#o me falem em moral.
Eirem)me da2ui a metaf4sica.
N#o me apre+oem sistemas completos, n#o me enfileirem con2uistas
0as ciDncias =das ciDncias, 0eus meu, das ciDncias.B J
0as ciDncias, das artes, da civili'aç#o moderna.
Fue mal fi' eu aos deuses todosS
"e tDm a verdade, +uardem)na.
"ou um t,cnico, mas tenho t,cnica s8 dentro da t,cnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sD)lo.
Com todo o direito a sD)lo, ouviramS
N#o me macem, por amor de 0eus.
Fueriam)me casado, fQtil, 2uotidiano e tri*utávelS
Fueriam)me o contrário disto, o contrário de 2ual2uer coisaS
"e eu fosse outra pessoa, fa'ia)lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciDncia.
%#o para o dia*o sem mim,
u dei/em)me ir so'inho para o dia*o.
Para 2ue havemos de ir 3untosS
N#o me pe+uem no *raço.
N#o +osto 2ue me pe+uem no *raço. Fuero ser so'inho.
:á disse 2ue sou so'inho.
Ah, 2ue maçada 2uererem 2ue eu se3a da companhia.
W c,u a'ul J o mesmo da minha infPncia J
!terna verdade va'ia e perfeita.
W macio Ee3o ancestral e mudo,
Pe2uena verdade onde o c,u se reflete.
W má+oa revisitada, 7is*oa de outrora de ho3e.
Nada me dais, nada me tirais, nada sois 2ue eu me sinta.
0ei/em)me em pa'. N#o tardo, 2ue eu nunca tardo...
! en2uanto tarda o A*ismo e o "ilDncio 2uero estar so'inho.
7is*on revisited =>?@CB

Nada me prende a nada.
Fuero cin2Venta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma an+Qstia de fome de carne
2ue n#o sei 2ue se3a )
0efinidamente pelo indefinido...
0urmo irre2uieto, e vivo num sonhar irre2uieto
0e 2uem dorme irre2uieto, metade a sonhar.
Fecharam)me todas as portas a*stratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hip8teses 2ue eu poderia ver da rua.
N#o há na travessa achada o nQmero da porta 2ue me deram.

Acordei para a mesma vida para 2ue tinha adormecido.
At, os meus e/,rcitos sonhados sofreram derrota.
At, os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
At, a vida s8 dese3ada me farta ) at, essa vida...
Compreendo a intervalos descone/osK
!screvo por lapsos de cansaçoK
! um t,dio 2ue , at, do t,dio arro3a)me 5 praia.
N#o sei 2ue destino ou futuro compete 5 minha an+Qstia sem lemeK
N#o sei 2ue ilhas do sul imposs4vel a+uardam)me naufra+oK
ou 2ue palmares de literatura me dar#o ao menos um verso.
N#o, n#o sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
!, no fundo do meu esp4rito, onde sonho o 2ue sonhei,
Nos campos Qltimos da alma, onde memoro sem causa
=! o passado , uma n,voa natural de lá+rimas falsasB,
Nas estradas e atalhos das florestas lon+4n2uas
nde supus o meu ser,
Fo+em desmantelados, Qltimos restos
0a ilus#o final,
s meus e/,rcitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por e/istir, esfaceladas em 0eus.
utra ve' te reve3o,
Cidade da minha infPncia pavorosamente perdida...
Cidade triste e ale+re, outra ve' sonho a2ui...
!uS 1as sou eu o mesmo 2ue a2ui vivi, e a2ui voltei,
! a2ui tornei a voltar, e a voltar.
! a2ui de novo tornei a voltarS
u somos todos os !u 2ue estive a2ui ou estiveram,
Hma s,rie de contas)entes li+ados por um fio)mem8ria,
Hma s,rie de sonhos de mim de al+u,m de fora de mimS
utra ve' te reve3o,
Com o coraç#o mais lon+4n2uo, a alma menos minha.
utra ve' te reve3o ) 7is*oa e Ee3o e tudo ),
Eranseunte inQtil de ti e de mim,
!stran+eiro a2ui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordaçMes,
Ao ru4do dos ratos e das tá*uas 2ue ran+em
No castelo maldito de ter 2ue viver...
utra ve' te reve3o,
"om*ra 2ue passa atrav,s das som*ras, e *rilha
Hm momento a uma lu' fQne*re desconhecida,
! entra na noite como um rastro de *arco se perde
Na á+ua 2ue dei/a de se ouvir...
utra ve' te reve3o,
1as, ai, a mim n#o me reve3o.
Partiu)se o espelho má+ico em 2ue me revia idDntico,
! em cada fra+mento fat4dico ve3o s8 um *ocado de mim )
Hm *ocado de ti e de mim....
1a+nificat

Fuando , 2ue passará esta noite interna, o universo,
! eu, a minha alma, terei o meu diaS
Fuando , 2ue despertarei de estar acordadoS
N#o sei. sol *rilha alto,
6mposs4vel de fitar.
As estrelas pestane3am frio,
6mposs4veis de contar.
coraç#o pulsa alheio,
6mposs4vel de escutar.
Fuando , 2ue passará este drama sem teatro,
u este teatro sem drama,
! recolherei a casaS
ndeS ComoS FuandoS
9ato 2ue me fitas com olhos de vida, 2ue tens lá no fundoS
L esse. L esse.
!sse mandará como :osu, parar o sol e eu acordareiK
! ent#o será dia.
"orri, dormindo, minha alma.
"orri, minha alma, será dia.
1arinetti AcadDmico

7á che+am todos, lá che+am todos...
Fual2uer dia, salvo venda, che+o eu tam*,m...
"e nascem, afinal, todos para isso...
N#o tenho rem,dio sen#o morrer antes,
N#o tenho rem,dio sen#o escalar o 9rande 1uro...
"e fico cá, prendem)me para ser social...
7á che+am todos, por2ue nasceram para 6sso,
! s8 se che+a ao 6sso para 2ue se nasceu...
7á che+am todos...
1arinetti, acadDmico...
As 1usas vin+aram)se com focos el,tricos, meu velho,
Puseram)te por fim na ri*alta da cave velha,
! a tua dinPmica, sempre um *ocado italiana, f)f)f)f)f)f)f)f...
1as !u

1as eu, em cu3a alma se refletem
As forças todas do universo,
!m cu3a refle/#o emotiva e sacudida
1inuto a minuto, emoç#o a emoç#o,
Coisas anta+ônicas e a*surdas se sucedem J
!u o foco inQtil de todas as realidades,
!u o fantasma nascido de todas as sensaçMes,
!u o a*strato, eu o pro3etado no ,cran,
!u a mulher le+4tima e triste do Con3unto
!u sofro ser eu atrav,s disto tudo como ter sede sem ser de á+ua.
1estre

1estre, meu mestre 2uerido.
Coraç#o do meu corpo intelectual e inteiro.
%ida da ori+em da minha inspiraç#o.
1estre, 2ue , feito de ti nesta forma de vidaS
N#o cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma a*strata e visual at, aos ossos,
Atenç#o maravilhosa ao mundo e/terior sempre mQltiplo,
<efQ+io das saudades de todos os deuses anti+os,
!sp4rito humano da terra materna,
Flor acima do dilQvio da inteli+Dncia su*3etiva...
1estre, meu mestre.
Na an+Qstia sensacionista de todos os dias sentidos,
Na má+oa 2uotidiana das matemáticas de ser,
!u, escravo de tudo como um p8 de todos os ventos,
!r+o as m#os para ti, 2ue estás lon+e, t#o lon+e de mim.
1eu mestre e meu +uia.
A 2uem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem pertur*ou,
"e+uro como um sol fa'endo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
1eu mestre, meu coraç#o n#o aprendeu a tua serenidade.
1eu coraç#o n#o aprendeu nada.
1eu coraç#o n#o , nada,
1eu coraç#o está perdido.
1estre, s8 seria como tu se tivesse sido tu.
Fue triste a +rande hora ale+re em 2ue primeiro te ouvi.
0epois tudo , cansaço neste mundo su*3etivado,
Eudo , esforço neste mundo onde se 2uerem coisas,
Eudo , mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Eudo , outra coisa neste mundo onde tudo se sente.
0epois, tenho sido como um mendi+o dei/ado ao relento
Pela indiferença de toda a vila.
0epois, tenho sido como as ervas arrancadas,
0ei/adas aos molhos em alinhamentos sem sentido.
0epois, tenho sido eu, sim eu, por minha des+raça,
! eu, por minha des+raça, n#o sou eu nem outro nem nin+u,m.
0epois, mas por 2ue , 2ue ensinaste a clare'a da vista,
"e n#o me podias ensinar a ter a alma com 2ue a ver claraS
Por 2ue , 2ue me chamaste para o alto dos montes
"e eu, criança das cidades do vale, n#o sa*ia respirarS
Por 2ue , 2ue me deste a tua alma se eu n#o sa*ia 2ue fa'er dela
Como 2uem está carre+ado de ouro num deserto,
u canta com vo' divina entre ru4nasS
Por 2ue , 2ue me acordaste para a sensaç#o e a nova alma,
"e eu n#o sa*erei sentir, se a minha alma , de sempre a minhaS
Prouvera ao 0eus i+noto 2ue eu ficasse sempre a2uele
Poeta decadente, estupidamente pretensioso,
Fue poderia ao menos vir a a+radar,
! n#o sur+isse em mim a pavorosa ciDncia de ver.
Para 2ue me tornaste euS 0ei/asses)me ser humano.
Feli' o homem marçano
Fue tem a sua tarefa 2uotidiana normal, t#o leve ainda 2ue pesada,
Fue tem a sua vida usual,
Para 2uem o pra'er , pra'er e o recreio , recreio,
Fue dorme sono,
Fue come comida,
Fue *e*e *e*ida, e por isso tem ale+ria.
A calma 2ue tinhas, deste)ma, e foi)me in2uietaç#o.
7i*ertaste)me, mas o destino humano , ser escravo.
Acordaste)me, mas o sentido de ser humano , dormir.
Na Casa 0efronte

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,
Fue felicidade há sempre.
1oram ali pessoas 2ue desconheço, 2ue 3á vi mas n#o vi.
"#o feli'es, por2ue n#o sou eu.
As crianças, 2ue *rincam 5s sacadas altas,
%ivem entre vasos de flores,
"em dQvida, eternamente.
As vo'es, 2ue so*em do interior do dom,stico,
Cantam sempre, sem dQvida.
"im, devem cantar.
Fuando há festa cá fora, há festa lá dentro.
Assim tem 2ue ser onde tudo se a3usta J
homem 5 Nature'a, por2ue a cidade , Nature'a.
Fue +rande felicidade n#o ser eu.
1as os outros n#o sentir#o assim tam*,mS
Fuais outrosS N#o há outros.
2ue os outros sentem , uma casa com a 3anela fechada,
u, 2uando se a*re,
L para as crianças *rincarem na varanda de +rades,
!ntre os vasos de flores 2ue nunca vi 2uais eram.
s outros nunca sentem.
Fuem sente somos n8s,
"im, todos n8s,
At, eu, 2ue neste momento 3á n#o estou sentindo nada.
Nada. N#o sei...
Hm nada 2ue d8i ...
Na Noite Eerrivel

Na noite terr4vel, su*stPncia natural de todas as noites,
Na noite de insônia, su*stPncia natural de todas as minhas noites,
<elem*ro, velando em modorra incômoda,
<elem*ro o 2ue fi' e o 2ue podia ter feito na vida.
<elem*ro, e uma an+Qstia
!spalha)se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
irreparável do meu passado J esse , 2ue , o cadáver.
Eodos os outros cadáveres pode ser 2ue se3am ilus#o.
Eodos os mortos pode ser 2ue se3am vivos noutra parte.
Eodos os meus pr8prios momentos passados pode ser 2ue e/istam al+ures,
Na ilus#o do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.
1as o 2ue eu n#o fui, o 2ue eu n#o fi', o 2ue nem se2uer sonheiK
2ue s8 a+ora ve3o 2ue deveria ter feito,
2ue s8 a+ora claramente ve3o 2ue deveria ter sido J
6sso , 2ue , morto para al,m de todos os 0euses,
6sso J e foi afinal o melhor de mim J , 2ue nem os 0euses fa'em viver ...
"e em certa altura
Eivesse voltado para a es2uerda em ve' de para a direitaK
"e em certo momento
Eivesse dito sim em ve' de n#o, ou n#o em ve' de simK
"e em certa conversa
Eivesse tido as frases 2ue s8 a+ora, no meio)sono, ela*oro J
"e tudo isso tivesse sido assim,
"eria outro ho3e, e talve' o universo inteiro
"eria insensivelmente levado a ser outro tam*,m.
1as n#o virei para o lado irreparavelmente perdido,
N#o virei nem pensei em virar, e s8 a+ora o perce*oK
1as n#o disse n#o ou n#o disse sim, e s8 a+ora ve3o o 2ue n#o disseK
1as as frases 2ue faltou di'er nesse momento sur+em)me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A mat,ria toda resolvida...
1as s8 a+ora o 2ue nunca foi, nem será para trás, me d8i.
2ue falhei deveras n#o tem sperança nenhuma
!m sistema metaf4sico nenhum.
Pode ser 2ue para outro mundo eu possa levar o 2ue sonhei,
1as poderei eu levar para outro mundo o 2ue me es2ueci de sonharS
!sses sim, os sonhos por haver, , 2ue s#o o cadáver.
!nterro)o no meu coraç#o para sempre, para todo o tempo, para todos os universos,
Nesta noite em 2ue n#o durmo, e o sosse+o me cerca
Como uma verdade de 2ue n#o partilho,
! lá fora o luar, como a esperança 2ue n#o tenho, , invis4vel pUra mim.
Na %,spera

Na v,spera de n#o partir nunca
Ao menos n#o há 2ue arrumar malas
Nem 2ue fa'er planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de es2uecimentos,
Para o partir ainda livre do dia se+uinte.
N#o há 2ue fa'er nada
Na v,spera de n#o partir nunca.
9rande sosse+o de 3á n#o haver se2uer de 2ue ter sosse+o.
9rande tran2Vilidade a 2ue nem sa*e encolher om*ros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
L o ter che+ado deli*eradamente a nada.
9rande ale+ria de n#o ter precis#o de ser ale+re,
Como uma oportunidade virada do avesso.
$á 2uantas ve'es vivo
A vida ve+etativa do pensamento.
Eodos os dias sine linea
"osse+o, sim, sosse+o...
9rande tran2Vilidade...
Fue repouso, depois de tantas via+ens, f4sicas e ps42uicas.
Fue pra'er olhar para as malas f4tando como para nada.
0ormita, alma, dormita.
Aproveita, dormita.
0ormita.
L pouco o tempo 2ue tens. 0ormita.
L a v,spera de n#o partir nunca.
N#o !stou

N#o estou pensando em nada
! essa coisa central, 2ue , coisa nenhuma,
L)me a+radável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o ver#o 2uente do dia,
N#o estou pensando em nada, e 2ue *om.
Pensar em nada
L ter a alma pr8pria e inteira.
Pensar em nada
L viver intimamente
flu/o e o reflu/o da vida...
N#o estou pensando em nada.
! como se me tivesse encostado mal.
Hma dor nas costas, ou num lado das costas,
$á um amar+o de *oca na minha alma:
L 2ue, no fim de contas,
N#o estou pensando em nada,
1as realmente em nada,
!m nada...
N#o

N#o, n#o , cansaço...
L uma 2uantidade de desilus#o
Fue se me entranha na esp,cie de pensar,
! um domin+o 5s avessas
0o sentimento,
Hm feriado passado no a*ismo...
N#o, cansaço n#o ,...
L eu estar e/istindo
! tam*,m o mundo,
Com tudo a2uilo 2ue cont,m,
Como tudo a2uilo 2ue nele se desdo*ra
! afinal , a mesma coisa variada em c8pias i+uais.
N#o. Cansaço por 2uDS
L uma sensaç#o a*strata
0a vida concreta J
Fual2uer coisa como um +rito
Por dar,
Fual2uer coisa como uma an+Qstia
Por sofrer,
u por sofrer completamente,
u por sofrer como...
"im, ou por sofrer como...
6sso mesmo, como...
Como 2uDS...
"e sou*esse, n#o haveria em mim este falso cansaço.
=Ai, ce+os 2ue cantam na rua,
Fue formidável reale3o
Fue , a +uitarra de um, e a viola do outro, e a vo' dela.B
Por2ue oiço, ve3o.
Confesso: , cansaço....
N#o

N#o: deva+ar.
0eva+ar, por2ue n#o sei
nde 2uero ir.
$á entre mim e os meus passos
Hma diver+Dncia instintiva.
$á entre 2uem sou e estou
Hma diferença de ver*o
Fue corresponde 5 realidade.
0eva+ar...
"im, deva+ar...
Fuero pensar no 2ue 2uer di'er
!ste deva+ar...
Ealve' o mundo e/terior tenha pressa demais.
Ealve' a alma vul+ar 2ueira che+ar mais cedo.
Ealve' a impress#o dos momentos se3a muito pr8/ima...
Ealve' isso tudo...
1as o 2ue me preocupa , esta palavra deva+ar...
2ue , 2ue tem 2ue ser deva+arS
"e calhar , o universo...
A verdade manda 0eus 2ue se di+a.
1as ouviu al+u,m isso a 0eusS
Nas Praças

Nas praças vindouras J talve' as mesmas 2ue as nossas J
Fue eli/ires ser#o apre+oadosS
Com r8tulos diferentes, os mesmos do !+ito dos Fara8sK
Com outros processos de os fa'er comprar, os 2ue 3á s#o nossos.
! as metafisicas perdidas nos cantos dos caf,s de toda a parte,
As filosofias solitárias de tanta trapeira de falhado,
As id,ias casuais de tanto casual, as intuiçMes de tanto nin+u,m J
Hm dia talve', em fluido a*strato, e su*stPncia implaus4vel,
Formem um 0eus, e ocupem o mundo.
1as a mim, ho3e, a mim
N#o há sosse+o de pensar nas propriedades das coisas,
Nos destinos 2ue n#o desvendo,
Na minha pr8pria metafisica, 2ue tenho por2ue penso e sinto

N#o há sosse+o,
! os +randes montes ao sol tDm)no t#o nitidamente.
EDm)noS s montes ao sol n#o tDm coisa nenhuma do esp4rito.
N#o seriam montes, n#o estariam ao sol, se o tivessem.
cansaço de pensar, indo at, ao fundo de e/istir,
Fa')me velho desde antes de ontem com um frio at, no corpo.
2ue , feito dos prop8sitos perdidos, e dos sonhos imposs4veisS
! por 2ue , 2ue há prop8sitos mortos e sonhos sem ra'#oS
Nos dias de chuva lenta, cont4nua, mon8tona, uma,
Custa)me levantar)me da cadeira onde n#o dei por me ter sentado,
! o universo , a*solutamente oco em torno de mim.
t,dio 2ue che+a a constituir nossos ossos encharcou)me o ser,
! a mem8ria de 2ual2uer coisa de 2ue me n#o lem*ro esfria)me a alma.
"em dQvida 2ue as ilhas dos mares do sul tDm possi*ilidades para o sonho,
! 2ue os areais dos desertos todos compensam um pouco a ima+inaç#oK
1as no meu coraç#o sem mares nem desertos nem ilhas sinto eu,
Na minha alma va'ia estou,
! narro)me proli/amente sem sentido, como se um parvo estivesse com fe*re.
FQria fria do destino,
6nterseç#o de tudo,
Confus#o das coisas com as suas causas e os seus efeitos,
Conse2VDncia de ter corpo e alma,
! o som da chuva che+a at, eu ser, e , escuro.
No Fim

No fim de tudo dormir.
No fim de 2uDS
No fim do 2ue tudo parece ser...,
!ste pe2ueno universo provinciano entre os astros,
!sta aldeola do espaço,
! n#o s8 do espaço vis4vel, mas at, do espaço total.
No lu+ar dos palácios desertos

No lu+ar dos palácios desertos e em ru4nas
& *eira do mar,
7eiamos, sorrindo, os se+redos das sinais
0e 2uem sa*e amar.
Fual2uer 2ue ele se3a, o destino da2ueles
Fue o amor levou
Para a som*ra, ou na lu' se fe' a som*ra deles,
Fual2uer fosse o vôo.
Por certo eles foram mais reais e feli'es.
Nunca, por 1ais

Nunca, por mais 2ue via3e, por mais 2ue conheça
sair de um lu+ar, o che+ar a um lu+ar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao che+ar, e na linha m8*il 2ue os une,
A sensaç#o de arrepio, o medo do novo, a náusea J
A2uela náusea 2ue , o sentimento 2ue sa*e 2ue o corpo tem a alma,
Erinta dias de via+em, trDs dias de via+em, trDs horas de via+em J
"empre a opress#o se infiltra no fundo do meu coraç#o.
Nuvens

No dia triste o meu coraç#o mais triste 2ue o dia...
*ri+açMes morais e civisS
Comple/idade de deveres, de conse2VDnciasS
N#o, nada...
dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
utros via3am =tam*,m via3eiB, outros est#o ao sol
=Eam*,m estive ao sol, ou supus 2ue estiveB.
Eodos tDm ra'#o, ou vida, ou i+norPncia sim,trica,
%aidade, ale+ria e socia*ilidade,
! emi+ram para voltar, ou para n#o voltar,
!m navios 2ue os transportam simplesmente.
N#o sentem o 2ue há de morte em toda a partida,
0e mist,rio em toda a che+ada,
0e horr4vel em iodo o novo...
N#o sentem: por isso s#o deputados e financeiros,
0ançam e s#o empre+ados no com,rcio,
%#o a todos os teatros e conhecem +ente...
N#o sentem: para 2ue haveriam de sentirS
9ado vestido dos currais dos 0euses,
0ei/á)lo passar en+rinaldado para o sacrif4cio
"o* o sol, álacre, vivo, contente de sentir)se...
0ei/ai)o passar, mas ai, vou com ele sem +rinalda
Para o mesmo destino.
%ou com ele sem o sol 2ue sinto, sem a vida 2ue tenho,
%ou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coraç#o mais triste 2ue o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia t#o triste...
Binômio de Ne(ton

Binômio de Ne(ton , t#o *elo como a %Dnus de 1ilo.
2ue há , pouca +ente para dar por isso.
8888 J 888888888 J 888888888888888
= vento lá fora.B
0escala*ro

descala*ro a 8cio e estrelas...
Nada mais...
Farto...
Arre...
Eodo o mist,rio do mundo entrou para a minha vida econômica.
Basta....
2ue eu 2ueria ser, e nunca serei, estra+a)me as ruas.
1as ent#o isto n#o aca*aS
L destinoS
"im, , o meu destino
0istri*uido pelos meus conse+uimentos no li/o
! os meus prop8sitos 5 *eira da estrada J
s meus conse+uimentos ras+ados por crianças,
s meus prop8sitos mi3ados por mendi+os,
! toda a minha alma uma toalha su3a 2ue escorre+ou para o ch#o.
horror do som do rel8+io 5 noite na sala de 3antar dD uma casa de
prov4ncia J
Eoda a monotonia e a fatalidade do tempo...
horror sQ*ito do enterro 2ue passa
! tira a máscara a todas as esperanças.
Ali...
Ali vai a conclus#o.
Ali, fechado e selado,
Ali, de*ai/o do chum*o lacrado e com cal na cara
%ai, 2ue pena como n8s,
%ai o 2ue sentiu como n8s,
%ai o n8s.
Ali, so* um pano cru acro , horroroso como uma a*8*ada de cárcere
Ali, ali, ali... ! euS
!splendor

! o esplendor dos mapas, caminho a*strato para a ima+inaç#o concreta,
7etras e riscos irre+ulares a*rindo para a maravilha.
2ue de sonho 3a' nas encadernaçMes vetustas,
Nas assinaturas complicadas =ou t#o simples e es+uiasB dos velhos livros.
=Einta remota e des*otada a2ui presente para al,m da morte,
2ue de ne+ado 5 nossa vida 2uotidiana vem nas ilustraçMes,
2ue certas +ravuras de anQncios sem 2uerer anunciam.
Eudo 2uanto su+ere, ou e/prime o 2ue n#o e/prime,
Eudo o 2ue di' o 2ue n#o di',
! a alma sonha, diferente e distra4da.
W eni+ma vis4vel do tempo, o nada vivo em 2ue estamos.
Florir

florir do encontro casual
0os 2ue h#o sempre de ficar estranhos...
Qnico olhar sem interesse rece*ido no acaso
0a estran+eira rápida ...
olhar de interesse da criança tra'ida pela m#o
0a m#e distra4da...
As palavras de epis8dio trocadas
Com o via3ante epis8dico
Na epis8dica via+em ...
9randes má+oas de todas as coisas serem *ocados...
Caminho sem fim...
Frio !special

frio especial das manh#s de via+em,
A an+Qstia da partida, carnal no arrepanhar
Fue vai do coraç#o 5 pele,
Fue chora virtualmente em*ora ale+re.
1esmo

mesmo Eeucro duce et auspice Eeucro
L sempre cras J amanh# J 2ue nos faremos ao mar.
"osse+a, coraç#o inQtil, sosse+a.
"osse+a, por2ue nada há 2ue esperar,
! por isso nada 2ue desesperar tam*,m...
"osse+a... Por cima do muro da 2uinta
"o*e lon+4n2uo o olival alheio.
Assim na infPncia vi outro 2ue n#o era este:
N#o sei se foram os mesmos olhos da mesma alma 2ue o viram.
Adiamos tudo, at, 2ue a morte che+ue.
Adiamos tudo e o entendimento de tudo,
Com um cansaço antecipado de tudo,
Com uma saudade pro+n8stica e va'ia.
Fue $á


2ue há em mim , so*retudo cansaço J
N#o disto nem da2uilo,
Nem se2uer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutile'a das sensaçMes inQteis,
As pai/Mes violentas por coisa nenhuma,
s amores intensos por o suposto em al+u,m,
!ssas coisas todas J
!ssas e o 2ue falta nelas eternamente JK
Eudo isso fa' um cansaço,
!ste cansaço,
Cansaço.
$á sem dQvida 2uem ame o infinito,
$á sem dQvida 2uem dese3e o imposs4vel,
$á sem dQvida 2uem n#o 2ueira nada J
ErDs tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Por2ue eu amo infinitamente o finito,
Por2ue eu dese3o impossivelmente o poss4vel,
Por2ue 2uero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
u at, se n#o puder ser...
! o resultadoS
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a m,dia entre tudo e nada, isto ,, isto...
Para mim s8 um +rande, um profundo,
!, ah com 2ue felicidade infecundo, cansaço,
Hm suprem4ssimo cansaço,
_ssimno, 4ssimo, 4ssimo,
Cansaço...
"ono

sono 2ue desce so*re mim,
sono mental 2ue desce fisicamente so*re mim,
sono universal 2ue desce individualmente so*re mim J
!sse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir,
sono da vontade de dormir,
sono de ser sono.
1as , mais, mais de dentro, mais de cima:
! o sono da soma de todas as desilusMes,
L o sono da s4ntese de todas as desesperanças,
L o sono de haver mundo comi+o lá dentro
"em 2ue eu houvesse contri*u4do em nada para isso.
sono 2ue desce so*re mim
L contudo como todos os sonos.
cansaço tem ao menos *randura,
a*atimento tem ao menos sosse+o,
A rendiç#o , ao menos o fim do esforço,
fim , ao menos o 3á n#o haver 2ue esperar.
$á um som de a*rir uma 3anela,
%iro indiferente a ca*eça para a es2uerda
Por so*re o om*ro 2ue a sente,
lho pela 3anela entrea*erta:
A rapari+a do se+undo andar de defronte
0e*ruça)se com os olhos a'uis 5 procura de al+u,m.
0e 2uemS,
Per+unta a minha indiferença.
! tudo isso , sono.
1eu 0eus, tanto sono. ...
ter deveres, 2ue proli/a coisa.

ter deveres, 2ue proli/a coisa.
A+ora tenho eu 2ue estar 5 uma menos cinco
Na !staç#o do <ocio, ta*uleiro superior J despedida
0o ami+o 2ue vai no I"ud !/pressI de toda a +ente
Para onde toda a +ente vai, o Paris ...
Eenho 2ue lá estar
! acreditem, o cansaço antecipado , t#o +rande
Fue, se o I"ud !/pressI sou*esse, descarrilava...
Brincadeira de criançasS
N#o, descarrilava a valer...
Fue leve a minha vida dentro, arre, 2uando descarrile....
Eenho dese3o forte,
! o meu dese3o, por2ue , forte, entra na su*stPncia do mundo.
Eumulto

tumulto concentrado da minha ima+inaç#o intelectual ...
Fa'er filhos 5 ra'#o prática, como os crentes en,r+icos...
1inha 3uventude perp,tua
0e viver as coisas pelo lado das sensaçMes e n#o das responsa*ilidades.
=Álvaro de Campos, nascido no Al+arve, educado por um tio)avô, padre,
2ue lhe instilou um certo amor 5s coisas clássicas.B =%eio para 7is*oa muito novo ...B
A capacidade de pensar o 2ue sinto, 2ue me distin+ue do homem vul+ar
1ais do 2ue ele se distin+ue do macaco.
="im, amanh# o homem vul+ar talve' me leia e compreenda a su*stPncia do meu ser,
"im, admito)o,
1as o macaco 3á ho3e sa*e ler o homem vul+ar e lhe compreende a su*stPncia do ser.B

"e al+uma coisa foi por 2ue , 2ue n#o ,
"er nao , serS
As flores do campo da minha infPncia, n#o as terei eternamente,
!m outra maneira de serS
Perderei para sempre os afetos 2ue tive, e at, os afetos 2ue pensei terS
$á al+um 2ue tenha a chave da porta do ser, 2ue n#o tem porta,
! me possa a*rir com ra'Mes a inteli+Dncia do mundoS
de 1arcial

6nQmero rio sem á+ua J s8 +ente e coisa,
Pavorosamente sem á+ua.
"oam tam*ores lon+4n2uos no meu ouvido
! eu n#o sei se ve3o o rio se ouço os tam*ores,
Como se n#o pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo
$elahoho. $elahoho.
A má2uina de costura da po*re viQva morta 5 *aioneta...
!la cosia 5 tarde indeterminadamente...
A mesa onde 3o+avam os velhos,
Eudo misturado, tudo misturtado com os corpos, com san+ues,
Eudo um s8 rio, uma s8 onda, um s8 arrastado horror
$elahoho. $elahoho.
0esenterrei o com*oio de lata da criança calcado no meio da estrada,
! chorei como todas as m#es do mundo so*re o horror da vida.
s meus p,s pante4stas tropeçaram na má2uina de costura da viQva 2ue mataram 5 *aioneta
! esse po*re instrumento de pa' meteu uma lança no meu coraç#o
"im, fui eu o culpado de tudo, fui eu o soldado todos eles
Fue matou, violou, 2ueimou e 2ue*rou,
Fui eu e a minha ver+onha e o meu remorso com uma som*ra disforme
Passeiam por todo o mundo como Ashavero,
1as atrás dos meus passos soam passos do tamanho do infinito.
! um pavor f4sico de encontrar 0eus fa')me fechar os olhos de repente.
Cristo a*surdo da e/piaç#o de todos os crimes e de todas as violDncias,
A minha cru' está dentro de mim, hirta, a escaldar, a 2ue*rar
! tudo d8i na minha alma e/tensa como um Hniverso.
Arran2uei o po*re *rin2uedo das m#os da criança e *atil)lhe.
s seus olhos assustados do meu filho 2ue talve' terei e 2ue matar#o tam*,m
Pediram)me sem sa*er como toda a piedade por todos.
0o 2uarto da velha arran2uei o retrato do filho e ras+uei)o,
!la, cheia de medo, chorou e n#o fe' nada...
"enti de repente 2ue ela era minha m#e e pela espinha a*ai/o passou me o sopro de 0eus.
Fue*rei a má2uina de costura da viQva po*re.
!la chorava a um canto sem pensar na má2uina de costura.
$averá outro mundo onde eu tenha 2ue ter uma filha 2ue enviQve e a 2uem aconteça istoS
1andei, capit#o, fu'ilar os camponeses trDmulos,
0ei/ei violar as filhas de todos os pais atados a árvores,
A+ora vi 2ue foi dentro de meu coraç#o 2ue tudo isto se passou,
! tudo escalda e sufoca e eu n#o me posso me/er sem 2ue tudo se3a o mesmo
0eus tenha piedade de mim 2ue a n#o tive a nin+u,m.
de 1ar4tima

"o'inho, no cais deserto, a esta manh# de %er#o,
lho pro lado da *arra, olho pro 6ndefinido,
lho e contenta)me ver,
Pe2ueno, ne+ro e claro, um pa2uete entrando.
%em muito lon+e, n4tido, clássico 5 sua maneira.
0ei/a no ar distante atrás de si a orla v# do seu fumo.
%em entrando, e a manh# entra com ele, e no rio,
A2ui, acolá, acorda a vida mar4tima,
!r+uem)se velas, avançam re*ocadores,
"ur+em *arcos pe2uenos de trás dos navios 2ue est#o no porto.
$á uma va+a *risa.
1as a minhUalma está com o 2ue ve3o menos,
Com o pa2uete 2ue entra,
Por2ue ele está com a 0istPncia, com a 1anh#,
Com o sentido mar4timo desta $ora,
Com a doçura dolorosa 2ue so*e em mim como uma náusea,
Como um começar a en3oar, mas no esp4rito.
lho de lon+e o pa2uete, com uma +rande independDncia de alma,
! dentro de mim um volante começa a +irar, lentamente,
s pa2uetes 2ue entram de manh# na *arra
Era'em aos meus olhos consi+o
mist,rio ale+re e triste de 2uem che+a e parte.
Era'em mem8rias de cais afastados e doutros momentos
0outro modo da mesma humanidade noutros pontos.
Eodo o atracar, todo o lar+ar de navio,
L J sinto)o em mim como o meu san+ue )
6nconscientemente sim*8lico, terrivelmente
Ameaçador de si+nificaçMes metaf4sicas
Fue pertur*am em mim 2uem eu fui...
Ah, todo o cais , uma saudade de pedra.
! 2uando o navio lar+a do cais
! se repara de repente 2ue se a*riu um espaço
!ntre o cais e o navio,
%em)me, n#o sei por2uD, uma an+Qstia recente,
Hma n,voa de sentimentos de triste'a
Fue *rilha ao sol das minhas an+Qstias relvadas
Como a primeira 3anela onde a madru+ada *ate,
! me envolve como uma recordaç#o duma outra pessoa
Fue fosse misteriosamente minha.
Ah, 2uem sa*e, 2uem sa*e,
"e n#o parti outrora, antes de mim,
0um caisK se n#o dei/ei, navio ao sol
*l42uo da madru+ada,
Hma outra esp,cie de portoS
Fuem sa*e se n#o dei/ei, antes de a hora
0o mundo e/terior como eu o ve3o
<aiar)se para mim,
Hm +rande cais cheio de pouca +ente,
0uma +rande cidade meio)desperta,
0uma enorme cidade comercial, crescida, apopl,tica,
Eanto 2uanto isso pode ser fora do !spaço e do EempoS
"im, dum cais, dum cais dal+um modo material,
<eal, vis4vel como cais, cais realmente,
Cais A*soluto por cu3o modelo inconscientemente imitado
6nsensivelmente evocado,
N8s os homens constru4mos
s nossos cais de pedra atual so*re á+ua verdadeira,
Fue depois de constru4dos se anunciam de repente
Coisas)<eais, !sp4ritos)Coisas, !ntidades em Pedra)Almas,
A certos momentos nossos de sentimento)rai'
Fuando no mundo)e/terior como 2ue se a*re uma porta
!, sem 2ue nada se altere,
Eudo se revela diverso.
Ah o 9rande Cais donde partimos em Navios)NaçMes.
9rande Cais Anterior, eterno e divino.
0e 2ue portoS !m 2ue á+uasS ! por2ue penso eu istoS
9randes Cais como os outros cais, mas o Tnico.
Cheio como eles de silDncios rumorosos nas antemanh#s,
! desa*rochando com as manh#s num ru4do de +uindastes
! che+adas de com*oios de mercadorias,
! so* a nuvem ne+ra e ocasional e leve
0o fundo das chamin,s das fá*ricas pr8/imas
Fue lhe som*reia o ch#o preto de carv#o pe2uenino 2ue *rilha,
Como se fosse a som*ra duma nuvem 2ue passasse so*re á+ua som*ria.
Ah, 2ue essencialidade de mist,rio e sentido parados
!m divino D/tase revelador
&s horas cor de silDncios e an+Qstias
N#o , ponte entre 2ual2uer cais e Cais.
Cais ne+ramente refletido nas á+uas paradas,
Bul4cio a *ordo dos navios,
W alma errante e instável da +ente 2ue anda em*arcada,
0a +ente sim*8lica 2ue passa e com 2uem nada dura,
Fue 2uando o navio volta ao porto
$á sempre 2ual2uer alteraç#o a *ordo.
W fu+as cont4nuas, idas, e*riedade do 0iverso.
Alma eterna dos nave+adores e das nave+açMes.
Cascos refletidos deva+ar nas á+uas,
Fuando o navio lar+a do porto.
Flutuar como alma da vida, partir como vo',
%iver o momento tremulamente so*re á+uas eternas.
Acordar para dias mais diretos 2ue os dias da !uropa,
%er portos misteriosos so*re a solid#o do mar,
%irar ca*os lon+4n2uos para sQ*itas vastas paisa+ens
Por inumeráveis encostas atônitas...
Ah, as praias lon+4n2uas, os cais vistos de lon+e,
! depois as praias pr8/imas, os cais vistos de perto.
mist,rio de cada ida e de cada che+ada,
A dolorosa insta*ilidade e incompreensi*ilidade
0este imposs4vel universo
A cada hora mar4tima mais na pr8pria pele sentido.
soluço a*surdo 2ue as nossas almas derramaram
"o*re as e/tensMes de mares diferentes com ilhas ao lon+e,
"o*re as ilhas lon+4n2uas das costas dei/adas passar,
"o*re o crescer n4tido dos portos, com as suas casas e a sua +ente,
Para o navio 2ue se apro/ima.
Ah, a frescura das manh#s em 2ue se che+a,
! a palide' das manh#s em 2ue se parte,
Fuando as nossas entranhas se arrepanham
! uma va+a sensaç#o parecida com um medo
) medo ancestral de se afastar e partir,
misterioso receio ancestral 5 Che+ada e ao Novo )
!ncolhe)nos a pele e a+onia)nos,
! todo o nosso corpo an+ustiado sente,
Como se fosse a nossa alma,
Hma ine/plicável vontade de poder sentir isto doutra maneira:
Hma saudade a 2ual2uer coisa,
Hma pertur*aç#o de afeiçMes a 2ue va+a pátriaS
A 2ue costaS a 2ue navioS a 2ue caisS
Fue se adoece em n8s o pensamento,
! s8 fica um +rande vácuo dentro de n8s,
Hma oca saciedade de minutos mar4timos,
! uma ansiedade va+a 2ue seria t,dio ou dor
"e sou*esse como sD)lo...
A manh# de %er#o está, ainda assim, um pouco fresca.
Hm leve torpor de noite anda ainda no ar sacudido.
Acelera)se li+eiramente o volante dentro de mim.
! o pa2uete vem entrando, por2ue deve vir entrando sem dQvida,
! n#o por2ue eu o ve3a mover)se na sua distPncia e/cessiva.
Na minha ima+inaç#o ele está 3á perto e , vis4vel
!m toda a e/tens#o das linhas das suas vi+ias.
! treme em mim tudo, toda a carne e toda a pele,
Por causa da2uela criatura 2ue nunca che+a em nenhum *arco
! eu vim esperar ho3e ao cais, por um mandado o*l42uo.
s navios 2ue entram a *arra,
s navios 2ue saem dos portos,
s navios 2ue passam ao lon+e
="uponho)me vendo)os duma praia desertaB )
Eodos estes navios a*stratos 2uase na sua ida,
Eodos estes navios assim comovem)me como se fossem outra coisa
! n#o apenas navios, navios indo e vindo.
! os navios vistos de perto, mesmo 2ue se n#o vá em*arcar neles,
%istos de *ai/o, dos *otes, muralhas altas de chapas,
%istos dentro, atrav,s das cPmaras, das salas, das despensas,
lhando de perto os mastros, afilando)se lá pr8 alto,
<oçando pelas cordas, descendo as escadas incômodas,
Cheirando a untada mistura metálica e mar4tima de tudo a2uilo )
s navios vistos de perto s#o outra coisa e a mesma coisa,
0#o a mesma saudade e a mesma Pnsia doutra maneira.
Eoda a vida mar4tima. tudo na vida mar4tima.
6nsinua)se no meu san+ue toda essa seduç#o fina
! eu cismo indeterminadamente as via+ens.
Ah, as linhas das costas distantes, achatadas pelo hori'onte.
Ah, os ca*os, as ilhas, as praias areentas.
As solidMes mar4timas, como certos momentos no Pac4fico
!m 2ue n#o sei por 2ue su+est#o aprendida na escola
"e sente pesar so*re os nervos o fato de 2ue a2uele , o maior dos oceanos
! o mundo e o sa*or das coisas tornam)se um deserto dentro de n8s.
A e/tens#o mais humana, mais salpicada, do AtlPntico.
indico, o mais misterioso dos oceanos todos.
1editerrPneo, doce, sem mist,rio nenhum, clássico, um mar para *ater
0e encontro a esplanadas olhadas de 3ardins pr8/imos por estátuas *rancas.
Eodos os mares, todos os estreitos, todas as *a4as, todos os +olfos,
Fueria apertá)los ao peito, senti)los *em e morrer.
! v8s, 8 coisas navais, meus velhos *rin2uedos de sonho.
Componde fora de mim a minha vida interior.
Fuilhas, mastros e velas, rodas do leme, corda+ens,
Chamin,s de vapores, h,lices, +áveas, flPmulas,
9aldropes, escotilhas, caldeiras, coletores, válvulasK
Ca4 por mim dentro em mont#o, em monte,
Como o conteQdo confuso de uma +aveta despe3ada no ch#o.
"ede v8s o tesouro da minha avare'a fe*ril,
"ede v8s os frutos da árvore da minha ima+inaç#o,
Eema de cantos meus, san+ue nas veias da minha inteli+Dncia,
%osso se3a o laço 2ue me une ao e/terior pela est,tica,
Fornecei)me metáforas ima+ens, literatura,
Por2ue em real verdade, a s,rio, literalmente,
1inhas sensaçMes s#o um *arco de 2uilha pro ar,
1inha ima+inaç#o uma ancora meio su*mersa,
1inha Pnsia um remo partido,
! a tessitura dos meus nervos uma rede a secar na praia.
"oa no acaso do rio um apito, s8 um.
Ereme 3á todo o ch#o do meu psi2uismo.
Acelera)se cada ve' mais o volante dentro de mim.
Ah, os pa2uetes, as via+ens, o n#o)se)sa*er)o)paradeiro
0e Fulano)de)tal, mar4timo, nosso conhecido.
Ah, a +l8ria de se sa*er 2ue um homem 2ue andava conosco
1orreu afo+ado ao p, duma ilha do Pac4fico.
N8s 2ue andamos com ele vamos falar nisso a todos,
Com um or+ulho le+4timo, com uma confiança invis4vel
!m 2ue tudo isso tenha um sentido mais *elo e mais vasto
Fue apenas o ter)se perdido o *arco onde ele ia
! ele ter ido ao fundo por lhe ter entrado á+ua pros pulmMes.
Ah, os pa2uetes, os navios)carvoeiros, os navios de vela.
%#o rareando ) ai de mim. ) os navios de vela nos mares.
! eu, 2ue amo a civili'aç#o moderna, eu 2ue *ei3o com a alma as má2uinas,
!u o en+enheiro, eu o civili'ado, eu o educado no estran+eiro,
9ostaria de ter outra ve' ao p, da minha vista s8 veleiros e *arcos de madeira,
0e n#o sa*er doutra vida mar4tima 2ue a anti+a vida dos mares.
Por2ue os mares anti+os s#o a 0istPncia A*soluta,
Puro 7on+e, li*erto do peso do Atual...
! ah, como a2ui tudo me lem*ra essa vida melhor,
!sses mares, maiores, por2ue se nave+ava mais deva+ar.
!sses mares, misteriosos, por2ue se sa*ia menos deles.
Eodo o vapor ao lon+e , um *arco de vela perto.
Eodo o navio distante visto a+ora , um navio no passado visto pr8/imo.
Eodos os marinheiros invis4veis a *ordo dos navios no hori'onte
"#o os marinheiros vis4veis do tempo dos velhos navios,
0a ,poca lenta e veleira das nave+açMes peri+osas,
0a ,poca de madeira e lona das via+ens 2ue duravam meses.
Eoma)me pouco a pouco o del4rio das coisas mar4timas,
Penetram)me fisicamente o cais e a sua atmosfera,
marulho do Ee3o +al+a)me por cima dos sentidos,
! começo a sonhar, começo a envolver)me do sonho das á+uas,
Começam a pe+ar *em as correias)de)transmiss#o na minhUalma
! a aceleraç#o do volante sacode)me nitidamente.
Chamam por mim as á+uas,
Chamam por mim os mares,
Chamam por mim, levantando uma vo' corp8rea, os lon+es,
As ,pocas mar4timas todas sentidas no passado, a chamar.
Eu, marinheiro in+lDs, :im Barns meu ami+o, foste tu
Fue me ensinaste esse +rito anti2u4ssimo, in+lDs,
Fue t#o venenosamente resume
Para as almas comple/as como a minha
chamamento confuso das á+uas,
A vo' in,dita e impl4cita de todas as coisas do mar,
0os naufrá+ios, das via+ens lon+4n2uas, das travessias peri+osas.
!sse teu +rito in+lDs, tornado universal no meu san+ue,
"em feitio de +rito, sem forma humana nem vo',
!sse +rito tremendo 2ue parece soar
0e dentro duma caverna cu3a a*8*ada , o c,u
! parece narrar todas as sinistras coisas
Fue podem acontecer no 7on+e, no 1ar, pela Noite...
=Fin+ias sempre 2ue era por uma escuna 2ue chamavas,
! di'ias assim, pondo uma m#o de cada lado da *oca,
Fa'endo porta)vo' das +randes m#os curtidas e escuras:
Ah`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)` ) ---...
"chooner ah`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)o` )---...B
!scuto)te de a2ui, a+ora, e desperto a 2ual2uer coisa.
!stremece o vento. "o*e a manh#. calor a*re.
"into corarem)me as faces.
1eus olhos conscientes dilatam)se.
D/tase em mim levanta)se, cresce, avança,
! com um ru4do ce+o de arruaça acentua)se
+iro vivo do volante.
W clamoroso chamamento
A cu3o calor, a cu3a fQria fervem em mim
Numa unidade e/plosiva todas as minhas Pnsias,
1eus pr8prios t,dios tornados dinPmicos, todos....
Apelo lançado ao meu san+ue
0um amor passado, n#o sei onde, 2ue volve
! ainda tem força para me atrair e pu/ar,
Fue ainda tem força para me fa'er odiar esta vida
Fue passo entre a impenetra*ilidade f4sica e ps42uica
0a +ente real com 2ue vivo.
Ah se3a como for, se3a por onde for, partir.
7ar+ar por a4 fora, pelas ondas, pelo peri+o, pelo mar.
6r para 7on+e, ir para Fora, para a 0istPncia A*strata,
6ndefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
7evado, como a poeira, plos ventos, plos vendavais.
6r, ir, ir, ir de ve'.
Eodo o meu san+ue raiva por asas.
Eodo o meu corpo atira)se pra frente.
9al+o pla minha ima+inaç#o fora em torrentes.
Atropelo)me, ru3o, precipito)me
!stoiram em espuma as minhas Pnsias
! a minha carne , uma onda dando de encontro a rochedos.
Pensando nisto ) 8 raiva. pensando nisto ) 8 fQria.
Pensando nesta estreite'a da minha vida cheia de Pnsias,
"u*itamente, tremulamente e/traor*itadamente,
Com uma oscilaç#o viciosa, vasta, violenta,
0o volante vivo da minha ima+inaç#o.
<ompe, por mim, asso*iando, silvando, verti+inando,
cio som*rio e sádico da estr4dula vida mar4tima.
!h marinheiros, +a3eiros. eh tripulantes, pilotos.
Nave+adores, mareantes, maru3os, aventureiros.
!h capit#es de navios. homens ao leme e em mastros.
$omens 2ue dormem em *eliches rudes.
$omens 2ue dormem coUo Peri+o a espreitar plas vi+ias.
$omens 2ue dormem coUa 1orte por travesseiro.
$omens 2ue tDm tom*adilhos, 2ue tDm pontes donde olhar
A imensidade imensa do mar imenso.
!h manipuladores dos +uindastes de car+a.
!h amainadores de velas, fa+ueiros, criados de *ordo.
$omens 2ue metem a car+a nos porMes.
$omens 2ue enrolam ca*os no conv,s.
$omens 2ue limpam os metais das escotilhas.
$omens do leme. homens das má2uinas. homens dos mastros.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
9ente de *on, de pala. 9ente de camisola de malha.
9ente de Pncoras e *andeiras cru'adas *ordadas no peito.
9ente tatuada. +ente de cachim*o. +ente de amurada.
9ente escura de tanto sol, crestada de tanta chuva,
7impa de olhos de tanta imensidade diante deles,
Auda' de rosto de tantos ventos 2ue lhes *ateram a valer.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
$omens 2ue vistes a Pata+ônia.
$omens 2ue passasses pela Austrália.
Fue enchesses o vosso olhar de costas 2ue nunca verei.
Fue fostes a terra em terras onde nunca descerei.
Fue comprastes arti+os toscos em colônias 5 proa de sertMes.
! fi'estes tudo isso como se n#o fosse nada,
Como se isso fosse natural,
Como se a vida fosse isso,
Como nem se2uer cumprindo um destino.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
$omens do mar atual. homens do mar passado.
Comissários de *ordo. escravos das +al,s. com*atentes de 7epanto.
Piratas do tempo de <oma. Nave+adores da 9r,cia.
Fen4cios. Carta+ineses. Portu+ueses atirados de "a+res
Para a aventura indefinida, para o 1ar A*soluto, para reali'ar o 6mposs4vel.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
$omens 2ue er+uestes padrMes, 2ue destes nomes a ca*os.
$omens 2ue ne+ociastes pela primeira ve' com pretos.
Fue primeiro vendesses escravos de novas terras.
Fue destes o primeiro espasmo europeu 5s ne+ras atônitas
Fue trou/esses ouro, miçan+a, madeiras cheirosas, setas,
0e encostas e/plodindo em verde ve+etaç#o.
$omens 2ue sa2ueasses tran2Vilas povoaçMes africanas
Fue fi'estes fu+ir com o ru4do de canhMes essas raças
Fue matastes, rou*astes, torturastes, +anhastes
s prDmios de Novidade de 2uem, de ca*eça *ai/a
Arremete contra o mist,rio de novos mares. !h)eh)eh eh)eh.
A v8s todos num, a v8s todos em v8s todos como um,
A v8s todos misturados, entrecru'ados.
A v8s todos san+rentos, violentos, odiados, temidos, sa+rados,
!u vos saQdo, eu vos saQdo, eu vos saQdo.
!h)eh)eh)eh eh. !h eh)eh)eh eh. !h)eh)eh eh)eh)eh eh.
!h lahô)lahô la$)lahá)á)á)5)5.
Fuero ir convosco, 2uero ir convosco,
Ao mesmo tempo com v8s todos
Pra toda a parte prUonde fostes.
Fuero encontrar vossos peri+os frente a frente,
"entir na minha cara os ventos 2ue en+elharam as vossa
Cuspir dos lá*ios o sal dos mares 2ue *ei3aram os vossos
Eer *raços na vossa faina, partilhar das vossas tormentas
Che+ar como v8s, enfim, a e/traordinários portos.
Fu+ir convosco 5 civili'aç#o.
Perder convosco a noç#o da moral.
"entir mudar)se no lon+e a minha humanidade.
Be*er convosco em mares do "ul
Novas selva3arias, novas *al*Qrdias da alma,
Novos fo+os centrais no meu vulcPnico esp4rito.
6r convosco, despir de mim ) ah. pMe)te da2ui pra fora. )
meu tra3e de civili'ado, a minha *randura de açMes,
1eu medo inato das cadeias,
1inha pac4fica vida,
A minha vida sentada, estática, re+rada e revista.
No mar, no mar, no mar, no mar,
!h. pôr no mar, ao vento, 5s va+as,
A minha vida.
"al+ar de espuma arremessada pelos ventos
1eu paladar das +randes via+ens.
Fusti+ar de á+ua chicoteante as carnes da minha aventura,
<epassar de frios ocePnicos os ossos da minha e/istDncia,
Fla+elar, cortar, en+elhar de ventos, de espumas, de s8is,
1eu ser ciclônico e atlPntico,
1eus nervos postos como en/árcias,
7ira nas m#os dos ventos.
"im, sim, sim... Crucificai)me nas nave+açMes
! as minhas espáduas +o'ar#o a minha cru'.
Atai)me 5s via+ens como a postes
! a sensaç#o dos postes entrará pela minha espinha
! eu passarei a senti)los num vasto espasmo passivo.
Fa'ei o 2ue 2uiserdes de mim, lo+o 2ue se3a nos mares,
"o*re conveses, ao som de va+as,
Fue me ras+ueis, mateis, fira)os.
2ue 2uero , levar pra 1orte
Hma alma a trans*ordar de 1ar,
L*ria a cair das coisas mar4timas,
Eanto dos maru3os como das Pncoras, dos ca*os,
Eanto das costas lon+4n2uas como do ru4do dos ventos,
Eanto do 7on+e como do Cais, tanto dos naufrá+ios
Como dos tran2Vilos com,rcios,
Eanto dos mastros como das va+as,
7evar pra 1orte com dor, voluptuosamente,
Hm copo cheio de san+uessu+as, a su+ar, a su+ar,
0e estranhas verdes a*surdas san+uessu+as mar4timas.
Façam en/árcias das minhas veias.
Amarras dos meus mQsculos.
Atran2uem)me a pele, pre+uem)na 5s 2uilhas.
! possa eu sentir a dor dos pre+os e nunca dei/ar de sentir.
Façam do meu coraç#o uma flPmula de almirante
Na hora de +uerra aos velhos navios.
Cal2uem aos p,s nos conveses meus olhos arrancados.
Fue*rem)me os ossos de encontro 5s amuradas.
Fusti+uem)me atado aos mastros, fusti+uem)me.
A todos os ventos de todas as latitudes e lon+itudes
0erramem meu san+ue so*re as á+uas arremessadas
Fue atravessam o navio, o tom*adilho, de lado a lado,
Nas vascas *ravas das tormentas.
Eer a audácia ao vento dos panos das velas.
"er, como as +áveas altas, o asso*io dos ventos.
A velha +uitarra do Fado dos mares cheios de peri+os,
Canç#o para os nave+adores ouvirem e n#o repetirem.
s marinheiros 2ue se su*levaram
!nforcaram o capit#o numa ver+a.
0esem*arcaram um outro numa ilha deserta.
1orooned.
sol dos tr8picos pôs a fe*re da pirataria anti+a
Nas minhas veias intensivas.
s ventos da Pata+ônia tatuaram a minha ima+inaç#o
0e ima+ens trá+icas e o*scenas.
Fo+o, fo+o, fo+o, dentro de mim.
"an+ue. san+ue. san+ue. san+ue.
!/plode todo o meu c,re*ro.
Parte)se)me o mundo em vermelho.
!stoiram)me com o som de amarras as veias.
! estala em mim, fero', vora',
A canç#o do 9rande Pirata,
A morte *errada do 9rande Pirata a cantar
At, meter pavor plas espinhas dos seus homens a*ai/o.
7á da r, a morrer, e a *errar, a cantar:
Fifteen men on the 0ead 1anUs Chest.
\o)ho ho and a *ottle of rum 6
! depois a +ritar, numa vo' 3á irreal, a estoirar no ar:
0ar*- 1U9ra()a()a()a()a(.
0ar*- 1U9ra()a()a()a()a()a()a()a(.
Fetch a)a)aft th ru)u)u)u)u)u)u)u)u)um, 0ar*-,
!ia,, 2ue vida essa. essa era a vida, eia.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
!h)lahô)lahô)laF6)6ahá)á)á)5)5.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
Fuilhas partidas, navios ao fundo, san+ue nos mares
Conveses cheios de san+ue, fra+mentos de corpos.
0edos decepados so*re amuradas.
Ca*eças de crianças, a2ui, acolá.
9ente de olhos fora, a +ritar, a uivar.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
!m*rulho)me em tudo isto como uma capa no frio.
<oço)me por tudo isto como uma +ata com cio por um muro.
<u3o como um le#o faminto para tudo isto.
Arremeto como um toiro louco so*re tudo isto.
Cravo unhas, parto +arras, san+ro dos dentes so*re isto.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
0e repente estala)me so*re os ouvidos
Como um clarim a meu lado,
velho +rito, mas a+ora irado, metálico,
Chamando a presa 2ue se avista,
A escuna 2ue vai ser tomada:
Ah8)8)8)8)8)8)8)8)8)8)8 ) ----..
"chooner ah8)8)8)8)8)8)8)8)8)8)8)8)8 ) ----...
mundo inteiro n#o e/iste para mim. Ardo vermelho.
<u3o na fQria da a*orda+em.
Pirata)m8r. C,sar)Pirata.
Pilho, mato, esfacelo, ras+o.
"8 sinto o mar, a presa, o sa2ue.
"8 sinto em mim *ater, *aterem)me
As veias das minhas fontes.
!scorre san+ue 2uente a minha sensaç#o dos meus olhos.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh.
Ah piratas, piratas, piratas.
Piratas, amai)me e odiai)me.
1isturai)me convosco, piratas.
%ossa fQria, vossa crueldade corno falam ao san+ue
0um corpo de mulher 2ue foi meu outrora e cu3o cio so*revive.
!u 2ueria ser um *icho representativo de todos os vossos +estos,
Hm *icho 2ue cravasse dentes nas amuradas, nas 2uilhas
Fue comesse mastros, *e*esse san+ue e alcatr#o nos conveses,
Erincasse velas, remos, cordame e poleame,
"erpente do mar feminina e monstruosa cevando)se nos crimes.
! há uma sinfonia de sensaçMes incompat4veis e análo+as,
$á uma or2uestrar#o no meu san+ue de *al*Qrdias de crimes,
0e estr,pitos espasmados de or+ias de san+ue nos mares,
Furl*undamente, como um vendaval de calor pelo esp4rito,
Nuvem de poeira 2uente anuviando a minha lucide'
! fa'endo)me ver e sonhar isto tudo s8 com a pele e as veias.
s piratas, a pirataria, os *arcos, a hora,
A2uela hora mar4tima em 2ue as presas s#o assaltadas,
! o terror dos apresados fo+e pra loucura ) essa hora,
No seu total de crimes, terror, *arcos, +ente, mar, c,u, nuvens,
Brisa, latitude, lon+itude, vo'earia,
Fueria eu 2ue fosse em seu Eodo meu corpo em seu Eodo, sofrendo,
Fue fosse meu corpo e meu san+ue, compusesse meu ser em vermelho,
Florescesse como uma ferida comichando na carne irreal da minha alma.
Ah, ser tudo nos crimes. ser todos os elementos componentes
0os assaltos aos *arcos e das chacinas e das violaçMes.
"er 2uanto foi no lu+ar dos sa2ues.
"er 2uanto viveu ou 3a'eu no local das tra+,dias de san+ue.
"er o pirata)resumo de toda a pirataria no seu au+e,
! a v4tima)s4ntese, mas de carne e osso, de todos os piratas do mundo.
"er o meu corpo passivo a mulher)todas)as)mulheres
Fue foram violadas, mortas, feridas, ras+adas pelos piratas.
"er no meu ser su*3u+ado a fDmea 2ue tem de ser deles
! sentir tudo isso )) todas estas coisas duma s8 ve' ) pela espinha.
W meus peludos e rudes her8is da aventura e do crime.
1inhas mar4timas feras, maridos da minha ima+inaç#o.
Amantes casuais da o*li2Vidade das minhas sensaçMes.
Fueria ser A2uela 2ue vos esperasse nos portos,
A v8s, odiados amados do seu san+ue de pirata nos sonhos.
Por2ue ela teria convosco, mas s8 em esp4rito, raivado
"o*re os cadáveres nus das v4timas 2ue fa'eis no mar.
Por2ue ela teria acompanhado vosso crime, e na or+ia ocePnica
"eu esp4rito de *ru/a dançaria invis4vel em volta dos +estos
0os vossos corpos, dos vossos cutelos, das vossas m#os estran+uladores.
! ela em terra, esperando)vos, 2uando vi,sseis, se acaso vi,sseis,
6ria *e*er nos ru+idos do vosso amor todo o vasto,
Eodo o nevoento e sinistro perfume das vossas vit8rias,
! atrav,s dos vossos espasmos silvaria um sa**at de vermelho e amarelo.
A carne ras+ada, a carne a*erta e estripada, o san+ue correndo.
A+ora, no au+e conciso de sonhar o 2ue v8s fa'4eis,
Perco)me todo de mim, 3á n#o vos pertenço, sou v8s,
A minha feminilidade 2ue vos acompanha , ser as vossas almas.
!star por dentro de toda a vossa ferocidade, 2uando a praticáveis.
"u+ar por dentro a vossa consciDncia das vossas sensaçMes
Fuando tin+4eis de san+ue os mares altos,
Fuando de ve' em 2uando atiráveis aos tu*arMes
s corpos vivos ainda dos feridos, a carne rosada das crianças
! leváveis as m#es 5s amuradas para verem o 2ue lhes acontecia.
!star convosco na carna+em, na pilha+em.
!star or2uestrado convosco na sinfonia dos sa2ues.
Ah, n#o sei 2uD, n#o sei 2uanto 2ueria eu ser de v8s.
N#o era s8 ser)vos a fDmea, ser)vos as fDmeas, ser)vos as v4timas,
"er)vos as v4timas ) homens, mulheres, crianças, navios ),
N#o era s8 ser a hora e os *arcos e as ondas,
N#o era s8 ser vossas almas, vossos corpos, vossa fQria, vossa posse,
N#o era s8 ser concretamente vosso ato a*strato de or+ia,
N#o era s8 isto 2ue eu 2ueria ser ) era mais 2ue isto o 0eus)isto.
!ra preciso ser 0eus, o 0eus dum culto ao contrário,
Hm 0eus monstruoso e satPnico, um 0eus dum pante4smo de san+ue,
Para poder encher toda a medida da minha fQria ima+inativa,
Para poder nunca es+otar os meus dese3os de identidade
Com o cada, e o tudo, e o mais)2ue)tudo das vossas vit8rias.
Ah, torturai)me para me curardes.
1inha carne ) fa'ei dela o ar 2ue os vossos cutelos atravessam
Antes de ca4rem so*re as ca*eças e os om*ros.
1inhas veias se3am os fatos 2ue as facas trespassam.
1inha ima+inaç#o o corpo das mulheres 2ue violais.
1inha inteli+Dncia o conv,s onde estais de p, matando.
1inha vida toda, no seu con3unto nervoso, hist,rico, a*surdo,
+rande or+anismo de 2ue cada ato de pirataria 2ue se cometeu
Fosse uma c,lula consciente ) e todo eu tur*ilhonasse
Como uma imensa podrid#o ondeando, e fosse a2uilo tudo.
Com tal velocidade desmedida, pavorosa,
A má2uina de fe*re das minhas visMes trans*ordantes
9ira a+ora 2ue a minha consciDncia, volante,
! apenas um nevoento c4rculo asso*iando no ar.
Fifteen men on t*e 0ead 1anUs Chest.
\o)ho)ho and a *ottle of rum.
!h)lahô)lahô)la$ ) lahá)á)ááá ) 555...
Ah. a selva3aria desta selva3aria. 1erda
Pra toda a vida como a nossa, 2ue n#o , nada disto.
!u prU52ui en+enheiro, pratico 5 força, sens4vel a tudo,
PrU52ui parado, em relaç#o a v8s, mesmo 2uando andoK
1esmo 2uando a3o, inerteK mesmo 2uando me imponho, d,*ilK
!stático, 2ue*rado, dissidente co*arde da vossa 9l8ria,
0a vossa +rande dinPmica estridente, 2uente e san+renta.
Arre. por n#o poder a+ir de acordo com o meu del4rio.
Arre. por andar sempre a+arrado 5s saias da civili'aç#o.
Por andar com a douceur des moeurs 5s costas, como um fardo de rendas.
1oços de es2uina ) todos n8s o somos ) do humanitarismo moderno.
!stupores de t4sicos, de neurastDnicos, de linfáticos,
"em cora+em para ser +ente com violDncia e audácia,
Com a alma como uma +alinha presa por uma perna.
Ah, os piratas. os piratas..
A Pnsia do ile+al unido ao fero',
A Pnsia das coisas a*solutamente cru,is e a*omináveis,
Fue r8i como um cio a*strato os nossos corpos fran'imos,
s nossos nervos femininos e delicados,
! pMe +randes fe*res loucas nos nossos olhares va'ios.
*ri+ai)me a a3oelhar diante de v8s.
$umilhai)me e *atei)me.
Fa'ei de mim o vosso escravo e a vossa coisa.
! 2ue o vosso despre'o por mim nunca me a*andone,
W meus senhores. 8 meus senhores.
Eomar sempre +loriosamente a parte su*missa
Nos acontecimentos de san+ue e nas sensualidades estiradas.
0esa*ai so*re mim, como +randes muros pesados,
W *ár*aros do anti+o mar.
<as+ai)me e feri)me.
0e leste a oeste do meu corpo
<iscai de san+ue a minha carne.
Bei3ai com cutelos de *ordo e açoites e raiva
meu ale+re terror carnal de vos pertencer.
A minha Pnsia maso2uista em me dar 5 vossa fQria,
!m ser o*3eto inerte e sentiente da vossa omn4vora crueldade,
0ominadores, senhores, imperadores, corc,is.
Ah, torturai)me,
<as+ai)me e a*ri)me.
0esfeito em pedaços conscientes
!ntornai)me so*re os conveses,
!spalhal)me nos mares, dei/ai)me
Nas praias ávidas das ilhas.
Cevai so*re mim todo o meu misticismo de v8s.
Cin'elai a san+ue a minhUalma
Cortai, riscai.
W tatuadores da minha ima+inaç#o corp8rea.
!sfoladores amados da minha cama su*miss#o.
"u*metei)me como 2uem mata um c#o a pontap,s.
Fa'ei de mim o poço para o vosso despre'o de dom4nio.
Fa'ei de mim as vossas v4timas todas.
Como Cristo sofreu por todos os homens, 2uero sofrer
Por todas as vossas v4timas 5s vossas m#os,
&s vossas m#os calosas, san+rentas e de dedos decepados
Nos assaltos *ruscos de amuradas.
Fa'ei de mim 2ual2uer, cousa como se eu fosse
Arrastado ) 8 pra'er, o *ei3ada dor. )
Arrastado 5 cauda de cavalos chicoteados por v8s...
1as isto no mar, isto no ma)a)a)ar, isto no 1A)A)A)A<.
!h)eh)eh)eh)eh. !h)).h)eh)eh)eh)eh)eh. !$)!$)!$!$)!$)!$)!$. No 1A)A)A)A)A<.
\eh eh)eh)eh)eh)eh. \eh)eh)eh)eh)eh)eh. \eh)eh)eheh)eh)eh)eh)ehU
9rita tudo. tudo a +ritar. ventos, va+as, *arcos,
1ar,s, +áveas, piratas, a minha alma, o san+ue, e o ar, e o ar.
!h)eh)eh)eh. \eh)eh)eh)eh)eh. \eh)eh)eh)eh)eh)eh. Eudo canta a +ritar.
F6FE!!N 1!N N E$! 0!A0 1ANU" C$!"E.
\)$)$ AN0 A BEE7! F <H1.
!h)eh eh)eh )eh)eh)eh. !h)eh)eh)eh)eheh)eh. !h eheh eh)eh)eh)eh.
!h)lahô)lahô)la$)))ôô)lahá)á 5 ) 555.
A$W)W)W W W W)W W W W W ) ---3...
"C$N!< A$W)8)8)8)8)8)8)o)o)o ) ----. ...
0ar*- 1U9ra()a()a()a()a()a(.
0A.<B\ 1U9<AG)AG AG)AG)AG)AG)AG.
F!EC$ A)A)AFE E$! <H)H)H)H)H)H1, 0A<B\.
!h)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh)eh eh)eh)eh.
!$)!$ !$)!$)!$ !$)!$ !$)!$ !$)!$)!$.
!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$ !$ !$)!$.
!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!F6)!$)!$)!$)!$6
!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$)!$.
Parte)se em mim 2ual2uer coisa. vermelho anoiteceu.
"enti demais para poder continuar a sentir.
!s+otou)se)me a alma, ficou s8 um eco dentro de mim.
0ecresce sensivelmente a velocidade do volante.
Eiram)me um pouco as m#os dos olhos os meus sonhos.
0entro de mim há um s8 vácuo, um deserto, um mar noturno.
! lo+o 2ue sinto 2ue há um mar noturno dentro de mim,
"a*e dos lon+es dele, nasce do seu silDncio,
utra ve', outra ve' o vasto +rito anti2u4ssimo.
0e repente, como um relPmpa+o de som, 2ue n#o fa' *arulho mas ternura,
"u*itamente a*ran+endo todo o hori'onte mar4timo
Tmido e som*rio marulho humano noturno,
%o' de sereia lon+4n2ua chorando, chamando,
%em do fundo do 7on+e, do fundo do 1ar, da alma dos A*ismos,
! 5 tona dele, como al+as, *8iam meus sonhos desfeitos...
Ah`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)` ) --...
"chooner a Ah`)`)`)`)`)`)`)`)`)`)` ) --...
Ah, o orvalho so*re a minha e/citaç#o.
frescor noturno no meu oceano interior.
!is tudo em mim de repente ante uma noite no mar
Cheia de enorme mist,rio human4ssimo das ondas noturnas
A lua so*e no hori'onte
! a minha infPncia feli' acorda, como uma lá+rima, em mim.
meu passado ressur+e, como se esse +rito mar4timo
Fosse um aroma, uma vo', o eco duma canç#o
Fue fosse chamar ao meu passado
Por a2uela felicidade 2ue nunca mais tornarei a ter.
!ra na velha casa sosse+ada ao p, do rio
=As 3anelas do meu 2uarto, e as da casa)de)3antar tam*,m,
0avam, por so*re umas casas *ai/as, para o rio pr8/imo,
Para o Ee3o, este mesmo Ee3o, mas noutro ponto, mais a*ai/o
"e eu a+ora che+asse 5s mesmas 3anelas n#o che+ava 5s mesmas 3anelas.
A2uele tempo passou como o fumo dum vapor no mar alto... B
Hnia ine/plicável ternura,
Hm remorso comovido e lacrimoso,
Por todas a2uelas v4timas ) principalmente as crianças )
Fue sonhei fa'endo ao sonhar)me pirata anti+o,
!moç#o comovida, por2ue elas foram minhas v4timasK
Eerna e suave, por2ue n#o o foram realmenteK
Hma ternura confusa, como um vidro em*aciado, a'ulada,
Canta velhas cançMes na minha po*re alma dolorida.
Ah, como pude eu pensar, sonhar a2uelas coisasS
Fue lon+e estou do 2ue fui há uns momentos.
$isteria das sensaçMes ) ora estas, ora as opostas.
Na loura manh# 2ue se er+ue, como o meu ouvido s8 escolhe
As cousas de acordo com esta emoç#o ) o marulho das á+uas.
marulho leve das á+uas do rio de encontro ao cais....
A vela passando perto do outro lado do rio,
s montes lon+4n2uos, dum a'ul 3aponDs,
As casas de Almada,
! o 2ue há de suavidade e de infPncia na hora matutina....
Hma +aivota 2ue passa,
! a minha ternura , maior.
1as todo este tempo n#o estive a reparar para nada.
Eudo isto foi uma impress#o s8 da pele, com uma car4cia
Eodo este tempo n#o tirei os olhos do meu sonho lon+4n2uo,
0a minha casa ao p, do rio,
0a minha infPncia ao p, do rio,
0as 3anelas do meu 2uarto dando para o rio de noite,
! a pa' do luar esparso nas á+uas. ...
1inha velha tia, 2ue me amava por causa do filho 2ue perdeu...,
1inha velha tia costumava adormecer)me cantando)me
="e *em 2ue eu fosse 3á crescido demais para issoB...
7em*ro)me e as lá+rimas caem so*re o meu coraç#o e lavam)no da vida,
! er+ue)me uma leve *risa mar4tima dentro de mim.
As ve'es ela cantava a INau CatrinetaI:
7á vai a Nau Catrineta
Por so*re as á+uas do mar ...
! outras ve'es, numa melodia muito saudosa e t#o medieval,
!ra a IBela 6nfantaI... <elem*ro, e a po*re velha vo' er+ue)se dentro de mim
! lem*ra)me 2ue pouco me lem*rei dela depois, e ela amava)me tanto.
Como fui in+rato para ela ) e afinal 2ue fi' eu da vidaS
!ra a IBela 6nfantaI... !u fechava os olhos, e ela cantava:
!stando a Bela 6nfanta
No seu :ardim assentada...
!u a*ria um pouco os olhos e via a 3anela cheia de luar
! depois fechava os olhos outra ve', e em tudo isto era feli'.
!stando a Bela 6nfanta
No seu 3ardim assentada,
"eu pente de ouro na m#o,
"eus ca*elos penteava
W meu passado de infPncia, *oneco 2ue me partiram.
N#o poder via3ar pra o passado, para a2uela casa e a2uela afeiç#o,
! ficar lá sempre, sempre criança e sempre contente.
1as tudo isto foi o Passado, lanterna a uma es2uina de rua velha.
Pensar isto fa' frio, fa' fome duma cousa 2ue se n#o pode o*ter.
0á)me n#o sei 2ue remorso a*surdo pensar nisto.
h tur*ilh#o lento de sensaçMes desencontradas.
%erti+em tDnue de confusas coisas na alma.
FQrias partidas, ternuras como carrinhos de linha com 2ue as crianças *rincam,
9randes desa*amentos de ima+inaç#o so*re os olhos dos sentidos,
7á+rimas, lá+rimas inQteis,
7eves *risas de contradiç#o roçando pela face a alma...
!voco, por um esforço voluntário, para sair desta emoç#o,
!voco, com um esforço desesperado, seco, nulo,
A canç#o do 9rande Pirata, 2uando estava a morrer:
Fifteen men on the 0ead 1anUs Chest.
\o)ho)ho and a *ottle of rum.
1as a canç#o , uma linha reta mal traçada dentro de mim...
!sforço)me e consi+o chamar outra ve' ante os meus olhos na alma,
utra ve', mas atrav,s duma ima+inaç#o 2uase literária,
A fQria da pirataria, da chacina, o apetite, 2uase do paladar, do sa2ue,
0a chacina inQtil de mulheres e de crianças,
0a tortura fQtil, e s8 para nos distrairmos, dos passa+eiros po*res
! a sensualidade de escan+alhar e partir as coisas mais 2ueridas dos outros,
1as sonho isto tudo com um medo de 2ual2uer coisa a respirar)me so*re a nuca.
7em*ro)me de 2ue seria interessante
!nforcar os filhos 5 vista das m#es
=1as sinto)me sem 2uerer as m#es delesB,
!nterrar vivas nas ilhas desertas as crianças de 2uatro anos
7evando os pais em *arcos at, lá para verem
=1as estremeço, lem*rando)me dum filho 2ue n#o tenho
e está dormindo tran2Vilo em casaB.
A+uilhôo uma Pnsia fria dos crimes mar4timos,
0uma in2uisiç#o sem a desculpa da F,,
Crimes nem se2uer com ra'#o de ser de maldade e de fQria,
Feitos a frio, nem se2uer para ferir, nem se2uer para fa'er mal,
Nem se2uer para nos divertirmos, mas apenas para passar o tempo,
Como 2uem fa' paciDncias a uma mesa de 3antar de prov4ncia com a toalha
Atirada pra o outro lado da mesa depois de 3antar,
"8 pelo suave +osto de cometer crimes a*omináveis e n#o os achar +rande coisa,
0e ver sofrer at, ao ponto da loucura e da morte)pela)dor mas nunca dei/ar che+ar lá...
1as a minha ima+inaç#o recusa)se a acompanhar)me.
Hm calafrio arrepia)me.
! de repente, mais de repente do 2ue da outra ve', de mais lon+e, de mais fundo,
0e repente ) oh pavor por todas as minhas veias. ),
h frio repentino da porta para o 1ist,rio
2ue se a*riu dentro de mim e dei/ou entrar uma corrente de ar.
7em*ro)me de 0eus, do Eranscendental da vida, e de repente
A velha vo' do marinheiro in+lDs :im Barris com 2uem eu falava,
Eornada vo' das ternuras misteriosas dentro de mim,
das pe2uenas coisas de re+aço de m#e e de fita de ca*elo de irm#,
1as estupendamente vinda de al,m da aparDncia das coisas,
A %o' surda e remota tornada A %o' A*soluta, a %o' "em Boca,
%inda de so*re e de dentro da solid#o noturna dos mares,
Chama por mim, chama por mim, chama por mim ...
%em surdamente, como se fosse suprimida e se ouvisse,
7on+in2uamente, como se estivesse soando noutro lu+ar e a2ui n#o se pudesse ouvir,
Como um soluço a*afado, uma lu' 2ue se apa+a, um hálito silencioso.
0e nenhum lado do espaço, de nenhum local no tempo,
+rito eterno e noturno, o sopro fundo e confuso:
Ahô)ô)M)M)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô ) ---......
Ahô)ô)M)M)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô ) ---......
"chooner ah)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô ô ) ) --.....
Eremo com frio da alma repassando)me o corpo
! a*ro de repente os olhos, 2ue n#o tinha fechado.
Ah, 2ue ale+ria a de sair dos sonhos de ve'.
!is outra ve' o mundo real, t#o *ondoso para os nervos.
!i)lo a esta hora matutina em 2ue entram os pa2uetes 2ue che+am cedo.
:á n#o me importa o pa2uete 2ue entrava. Ainda está lon+e.
"8 o 2ue está perto a+ora me lava a alma.
A minha ima+inaç#o hi+iDnica, forte, pratica,
Preocupa)se a+ora apenas com as coisas modernas e Qteis,
Com os navios de car+a, com os pa2uetes e os passa+eiros,
Com as fortes coisas imediatas, modernas, comerciais, verdadeiras.
A*randa o seu +iro dentro de mim o volante.
1aravilhosa vida mar4tima moderna,
Eoda limpe'a, má2uinas e saQde.
Eudo t#o *em arran3ado, t#o espontaneamente a3ustado,
Eodas as peças das má2uinas, todos os navios pelos mares,
Eodos os elementos da atividade comercial de e/portaç#o e importaç#o
E#o maravilhosamente com*inando)se
Fue corre tudo como se fosse por leis naturais,
Nenhuma coisa es*arrando com outra.
Nada perdeu a poesia. ! a+ora há a mais as má2uinas
Com a sua poesia tam*,m, e todo o novo +Dnero de vida
Comercial, mundana, intelectual, sentimental,
Fue a era das má2uinas veio tra'er para as almas.
As via+ens a+ora s#o t#o *elas como eram dantes
! um navio será sempre *elo, s8 por2ue , um navio.
%ia3ar ainda , via3ar e o lon+e está sempre onde esteve
!m parte nenhuma, +raças a 0eus.
s portos cheios de vapores de muitas esp,cies.
Pe2uenos, +randes, de várias cores, com várias disposiçMes de vi+ias,
0e t#o deliciosamente tantas companhias de nave+aç#o.
%apores nos portos, t#o individuais na separaç#o destacada dos ancoramentos.
E#o pra'enteiro o seu +ar*o 2uieto de cousas comerciais 2ue andam no mar,
No velho mar sempre o hom,rico, 8 Hlisses.
olhar humanitário dos far8is na distPncia da noite,
u o sQ*ito farol pr8/imo na noite muito escura
=IFue perto da terra 2ue estávamos passando.I
! o som da á+ua canta)nos ao ouvidoB. ...
Eudo isto ho3e , como sempre foi, mas há o com,rcioK
! o destino comercial dos +randes vapores
!nvaidece)me da minha ,poca.
A mistura de +ente a *ordo dos navios de passa+eiros
0á)me o or+ulho moderno de viver numa ,poca onde , t#o fácil
1isturarem)se as raças, transporem)se os espaços, ver com facilidade todas as coisas,
! +o'ar a vida reali'ando um +rande nQmero de sonhos.
7impos, re+ulares, modernos como um escrit8rio com +uichets em redes de arame amarelo.
1eus sentimentos a+ora, naturais e comedidos como , +entlemen,
"#o práticos, lon+e de desvairamentos, enchem de ar mar4timo os pulmMes,
Como +ente perfeitamente consciente de como , hi+iDnico respirar o ar do mar.
dia , perfeitamente 3á de horas de tra*alho.
Começa tudo a movimentar)se, a re+ulari'ar)se.
Com um +rande pra'er natural e direto percorro a alma
Eodas as operaçMes comerciais necessárias a um em*ar2ue de mercadorias.
A minha ,poca , o carim*o 2ue levam todas as faturas
! sinto 2ue todas as cartas de todos os escrit8rios
0eviam ser endereçadas a mim.
Hm conhecimento de *ordo tem tanta individualidade,
! uma assinatura de comandante de navio , t#o *ela e moderna.
<i+or comercial do princ4pio e do fim das cartas:
0ear "irs ) 1essieurs ) Ami+os e "rs.,
\ours faithfull- ) ...nos salutations empress,es...
Eudo isto n#o , s8 humano e limpo, mas tam*,m *elo,
! tem ao fim um destino mar4timo, um vapor onde em*ar2uem
As mercadorias de 2ue as cartas e as faturas tratam.
Comple/idade da vida. As faturas s#o feitas por +ente
Fue tem amores, 8dios, pai/Mes pol4ticas, 5s ve'es crimes )
! s#o t#o *em escritas, t#o alinhadas, t#o independentes de tudo isso.
$á 2uem olhe para uma fatura e n#o sinta isto.
Com certe'a 2ue tu, Cesário %erde, o sentias.
!u , at, 5s lá+rimas 2ue o sinto humanissimamente.
%enham di'er)me 2ue n#o há poesia no com,rcio, nos escrit8rios.
ra, ela entra por todos os poros... Neste ar mar4timo respiro)a,
Por tudo isto vem a prop8sito dos vapores, da nave+aç#o moderna,
Por2ue as faturas e as cartas comerciais s#o o princ4pio da hist8ria
! os navios 2ue levam as mercadorias pelo mar eterno s#o o fim.
Ah, e as via+ens, as via+ens de recreio, e as outras,
As via+ens por mar, onde todos somos companheiros dos outros
0uma maneira especial, como se um mist,rio mar4timo
Nos apro/imasse as almas e nos tornasse um momento
Patriotas transit8rios duma mesma pátria incerta,
!ternamente deslocando)se so*re a imensidade das á+ua,,
9randes hot,is do 6nfinito, oh transatlPnticos meus.
Com o cosmopolitismo perfeito e total de nunca pararem num ponto
! conterem todas as esp,cies de tra3es, de caras, de raças.
As via+ens, os via3antes ) tantas esp,cies deles.
Eanta nacionalidade so*re o mundo. tanta profiss#o. tanta +ente.
Eanto destino diverso 2ue se pode dar 5 vida,
& vida, afinal, no fundo sempre, sempre a mesma.
Eantas caras curiosas. Eodas as caras s#o curiosas
! nada tra' tanta reli+iosidade como olhar muito para +ente.
A fraternidade afinal n#o , uma id,ia revolucionária.
L uma coisa 2ue a +ente aprende pela vida fora, onde tem 2ue tolerar tudo,
! passa a achar +raça ao 2ue tem 2ue tolerar,
! aca*a 2uase a chorar de ternura so*re o 2ue tolerou.
Ah, tudo isto , *elo, tudo isto , humano e anda li+ado
Aos sentimentos humanos, t#o conviventes e *ur+ueses.
E#o complicadamente simples, t#o metafisicamente tristes.
A vida flutuante, diversa, aca*a por nos educar no humano.
Po*re +ente. po*re +ente toda a +ente.
0espeço)me desta hora no corpo deste outro navio
Fue vai a+ora saindo. L um tramp)steamer in+lDs,
1uito su3o, como se fosse um navio francDs,
Com um ar simpático de proletário dos mares,
! sem dQvida anunciado ontem na Qltima pá+ina das +a'etas.
!nternece)me o po*re vapor, t#o humilde vai ele e t#o natural.
Parece ter um certo escrQpulo n#o sei em 2uD, ser pessoa honesta,
Curnpridora duma 2ual2uer esp,cie de deveres.
7á vai ele dei/ando o lu+ar defronte do cais onde estou.
7á vai ele tran2Vilamente, passando por onde as naus estiveram
utrora, outrora...
Para CardiffS Para 7iverpoolS Para 7ondresS N#o tem importPncia.
!le fa' o seu dever. Assim façamos n8s o nosso. Bela vida.
Boa via+em. Boa via+em.
Boa via+em, meu po*re ami+o casual, 2ue me fi'este o favor
0e levar conti+o a fe*re e a triste'a dos meus sonhos,
! restituir)me 5 vida para olhar para ti e te ver passar.
Boa via+em. Boa via+em. A vida , isto...
Fue aprumo t#o natural, t#o inevitavelmente matutino
Na tua sa4da do porto de 7is*oa, ho3e.
Eenho)te uma afeiç#o curiosa e +rata por isso...
Por isso 2uDS "ei lá o 2ue ,.... %ai... Passa...
Com um li+eiro estremecimento,
=E)t))t ))) r )))) t))))) r ... B
volante dentro de mim pára.
Passa, lento vapor, passa e n#o fi2ues...
Passa de mim, passa da minha vista,
%ai)te de dentro do meu coraç#o,
Perde)te no 7on+e, no 7on+e, *ruma de 0eus,
Perde)te, se+ue o teu destino e dei/a)me...
!u 2uem sou para 2ue chore e interro+ueS
!u 2uem sou para 2ue te fale e te ameS
!u 2uem sou para 2ue me pertur*e ver)teS
7ar+a do cais, cresce o sol, er+ue)se ouro,
7u'em os telhados dos edif4cios do cais,
Eodo o lado de cá da cidade *rilha...
Parte, dei/a)me, torna)te
Primeiro o navio a meio do rio, destacado e n4tido,
0epois o navio a caminho da *arra, pe2ueno e preto
0epois ponto va+o no hori'onte =8 minha an+Qstia.B,
Ponto cada ve' mais va+o no hori'onte....
Nada depois, e s8 eu e a minha triste'a,
! a +rande cidade a+ora cheia de sol
! a hora real e nua como um cais 3á sem navios,
! o +iro lento do +uindaste 2ue, como um compasso 2ue +ira,
Eraça um semic4rculo de n#o sei 2ue emoç#o
No silDncio comovido da minhUalma...
0! E<6HNFA7
& dolorosa lu' das +randes lPmpadas el,ctricas da fá*rica
Eenho fe*re e escrevo.
!screvo ran+endo os dentes, fera para a *ele'a disto,
Para a *ele'a disto totalmente desconhecida dos anti+os.
W rodas, 8 en+rena+ens, r)r)r)r)r)r)r eterno.
Forte espasmo retido dos ma2uinismos em fQria.
!m fQria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com 2ue eu sinto.
Eenho os lá*ios secos, 8 +randes ru4dos modernos,
0e vos ouvir demasiadamente de perto,
! arde)me a ca*eça de vos 2uerer cantar com um e/cesso
0e e/press#o de todas as minhas sensaçMes,
Com um e/cesso contemporPneo de v8s, 8 má2uinas.
!m fe*re e olhando os motores como a uma Nature'a tropical )
9randes tr8picos humanos de ferro e fo+o e força )
Canto, e canto o presente, e tam*,m o passado e o futuro,
Por2ue o presente , todo o passado e todo o futuro
! há Plat#o e %ir+4lio dentro das má2uinas e das lu'es el,ctricas
"8 por2ue houve outrora e foram humanos %ir+4lio e Plat#o,
! pedaços do Ale/andre 1a+no do s,culo talve' cin2uenta,
Átomos 2ue h#o)de ir ter fe*re para o c,re*ro do Ls2uilo do s,culo cem,
Andam por estas correias de transmiss#o e por estes Dm*olos e por estes volantes,
<u+indo, ran+endo, ciciando, estru+indo, ferreando,
Fa'endo)me um acesso de car4cias ao corpo numa s8 car4cia 5 alma.
Ah, poder e/primir)me todo como um motor se e/prime.
"er completo como uma má2uina.
Poder ir na vida triunfante como um autom8vel Qltimo)modelo.
Poder ao menos penetrar)me fisicamente de tudo isto,
<as+ar)me todo, a*rir)me completamente, tornar)me passento
A todos os perfumes de 8leos e calores e carvMes
0esta flora estupenda, ne+ra, artificial e insaciável.
Fraternidade com todas as dinPmicas.
Prom4scua fQria de ser parte)a+ente
0o rodar f,rreo e cosmopolita
0os com*oios estr,nuos,
0a faina transportadora)de)car+as dos navios,
0o +iro lQ*rico e lento dos +uindastes,
0o tumulto disciplinado das fá*ricas,
! do 2uase)silDncio ciciante e mon8tono das correias de transmiss#o.
$oras europeias, produtoras, entaladas
!ntre ma2uinismos e afa'eres Qteis.
9randes cidades paradas nos caf,s,
Nos caf,s ) oásis de inutilidades ruidosas
nde se cristali'am e se precipitam
s rumores e os +estos do Ttil
! as rodas, e as rodas)dentadas e as chumaceiras do Pro+ressivo.
Nova 1inerva sem)alma dos cais e das +ares.
Novos entusiasmos de estatura do 1omento.
Fuilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas 5s docas,
u a seco, er+uidas, nos planos)inclinados dos portos.
Actividade internacional, transatlPntica, Canadian)Pacific.
7u'es e fe*ris perdas de tempo nos *ares, nos hot,is,
Nos 7on+champs e nos 0er*ies e nos Ascots,
! Piccadillies e Avenues de 7Up,ra 2ue entram
Pela minhUalma dentro.
$,)lá as ruas, h,)lá as praças, h,)lá)hô la foule.
Eudo o 2ue passa, tudo o 2ue pára 5s montras.
ComerciantesK váriosK escrocs e/a+eradamente *em)vestidosK
1em*ros evidentes de clu*es aristocráticosK
!s2uálidas fi+uras dQ*iasK chefes de fam4lia va+amente feli'es
! paternais at, na corrente de oiro 2ue atravessa o colete
0e al+i*eira a al+i*eira.
Eudo o 2ue passa, tudo o 2ue passa e nunca passa.
Presença demasiadamente acentuada das cocotes
Banalidade interessante =e 2uem sa*e o 2uD por dentroSB
0as *ur+uesinhas, m#e e filha +eralmente,
Fue andam na rua com um fim 2ual2uerK
A +raça feminil e falsa dos pederastas 2ue passam, lentosK
! toda a +ente simplesmente ele+ante 2ue passeia e se mostra
! afinal tem alma lá dentro.
=Ah, como eu dese3aria ser o souteneur disto tudo.B
A maravilhosa *ele'a das corrupçMes pol4ticas,
0eliciosos escPndalos financeiros e diplomáticos,
A+ressMes pol4ticas nas ruas,
! de ve' em 2uando o cometa dum re+ic4dio
Fue ilumina de Prod4+io e Fanfarra os c,us
Hsuais e lQcidos da Civili'aç#o 2uotidiana.
Not4cias desmentidas dos 3ornais,
Arti+os pol4ticos insinceramente sinceros,
Not4cias passe' 5)la)caisse, +randes crimes )
0uas colunas deles passando para a se+unda pá+ina.
cheiro fresco a tinta de tipo+rafia.
s carta'es postos há pouco, molhados.
%ients)de)paraatre amarelos como uma cinta *ranca.
Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,
Como eu vos amo de todas as maneiras,
Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto
! com o tacto =o 2ue palpar)vos representa para mim.B
! com a inteli+Dncia como uma antena 2ue fa'eis vi*rar.
Ah, como todos os meus sentidos tDm cio de v8s.
Adu*os, de*ulhadoras a vapor, pro+ressos da a+ricultura.
Fu4mica a+r4cola, e o com,rcio 2uase uma ciDncia.
W mostruários dos cai/eiros)via3antes,
0os cai/eiros)via3antes, cavaleiros)andantes da 6ndQstria,
Prolon+amentos humanos das fá*ricas e dos calmos escrit8rios.
W fa'endas nas montras. W mane2uins. W Qltimos fi+urinos.
W arti+os inQteis 2ue toda a +ente 2uer comprar.
lá +randes arma',ns com várias secçMes.
lá anQncios el,ctricos 2ue vDm e est#o e desaparecem.
lá tudo com 2ue ho3e se constr8i, com 2ue ho3e se , diferente de ontem.
!h, cimento armado, *eton de cimento, novos processos.
Pro+ressos dos armamentos +loriosamente mort4feros.
Couraças, canhMes, metralhadoras, su*marinos, aeroplanos.
Amo)vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo)vos carnivoramente.
Pervertidamente e enroscando a minha vista
!m v8s, 8 coisas +randes, *anais, Qteis, inQteis,
W coisas todas modernas,
W minhas contemporPneas, forma actual e pr8/ima
0o sistema imediato do Hniverso.
Nova <evelaç#o metálica e dinPmica de 0eus.
W fá*ricas, 8 la*orat8rios, 8 music)halls, 8 7una)Par[s,
W couraçados, 8 pontes, 8 docas flutuantes )
Na minha mente tur*ulenta e encandescida
Possuo)vos como a uma mulher *ela,
Completamente vos possuo como a uma mulher *ela 2ue n#o se ama,
Fue se encontra casualmente e se acha interessant4ssima.
!h)lá)hô fachadas das +randes lo3as.
!h)lá)hô elevadores dos +randes edif4cios.
!h)lá)hô recomposiçMes ministeriais.
Parlamentos, pol4ticas, relatores de orçamentos,
rçamentos falsificados.
=Hm orçamento , t#o natural como uma árvore
! um parlamento t#o *elo como uma *or*oletaB.
!h)lá o interesse por tudo na vida,
Por2ue tudo , a vida, desde os *rilhantes nas montras
At, 5 noite ponte misteriosa entre os astros
! o mar anti+o e solene, lavando as costas
! sendo misericordiosamente o mesmo
Fue era 2uando Plat#o era realmente Plat#o
Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,
! falava com Arist8teles, 2ue havia de n#o ser disc4pulo dele.
!u podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entre+a duma mulher possu4da.
Atirem)me para dentro das fornalhas.
1etam)me de*ai/o dos com*oios.
!span2uem)me a *ordo de navios.
1aso2uismo atrav,s de ma2uinismos.
"adismo de n#o sei 2uD moderno e eu e *arulho.
Hp)lá hô 3oc[e- 2ue +anhaste o 0er*-,
1order entre dentes o teu cap de duas cores.
="er t#o alto 2ue n#o pudesse entrar por nenhuma porta.
Ah, olhar , em mim uma pervers#o se/ual.B
!h)lá, eh)lá, eh)lá, catedrais.
0ei/ai)me partir a ca*eça de encontro 5s vossas es2uinas.
! ser levado da rua cheio de san+ue
"em nin+u,m sa*er 2uem eu sou.
W tram(a-s, funiculares, metropolitanos,
<oçai)vos por mim at, ao espasmo.
$illa. hilla. hilla)hô.
0ai)me +ar+alhadas em plena cara,
W autom8veis apinhados de pPnde+os e de...,
W multidMes 2uotidianas nem ale+res nem tristes das ruas,
<io multicolor an8nimo e onde eu me posso *anhar como 2uereria.
Ah, 2ue vidas comple/as, 2ue coisas lá pelas casas de tudo isto.
Ah, sa*er)lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,
As dissensMes dom,sticas, os de*oches 2ue n#o se suspeitam,
s pensamentos 2ue cada um tem a s8s consi+o no seu 2uarto
! os +estos 2ue fa' 2uando nin+u,m pode ver.
N#o sa*er tudo isto , i+norar tudo, 8 raiva,
W raiva 2ue como uma fe*re e um cio e uma fome
1e pMe a ma+ro o rosto e me a+ita 5s ve'es as m#os
!m crispaçMes a*surdas em pleno meio das tur*as
Nas ruas cheias de encontrMes.
Ah, e a +ente ordinária e su3a, 2ue parece sempre a mesma,
Fue empre+a palavrMes como palavras usuais,
Cu3os filhos rou*am 5s portas das mercearias
! cu3as filhas aos oito anos ) e eu acho isto *elo e amo)o. )
1astur*am homens de aspecto decente nos v#os de escada.
A +entalha 2ue anda pelos andaimes e 2ue vai para casa
Por vielas 2uase irreais de estreite'a e podrid#o.
1aravilhosamente +ente humana 2ue vive como os c#es
Fue está a*ai/o de todos os sistemas morais,
Para 2uem nenhuma reli+i#o foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma pol4tica destinada para eles.
Como eu vos amo a todos, por2ue sois assim,
Nem imorais de t#o *ai/os 2ue sois, nem *ons nem maus,
6natin+4veis por todos os pro+ressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida.
=Na nora do 2uintal da minha casa
*urro anda 5 roda, anda 5 roda,
! o mist,rio do mundo , do tamanho disto.
7impa o suor com o *raço, tra*alhador descontente.
A lu' do sol a*afa o silDncio das esferas
! havemos todos de morrer,
W pinheirais som*rios ao crepQsculo,
Pinheirais onde a minha infPncia era outra coisa
0o 2ue eu sou ho3e...B
1as, ah outra ve' a raiva mecPnica constante.
utra ve' a o*sess#o movimentada dos 8ni*us.
! outra ve' a fQria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os com*oios
0e todas as partes do mundo,
0e estar di'endo adeus de *ordo de todos os navios,
Fue a estas horas est#o levantando ferro ou afastando)se das docas.
W ferro, 8 aço, 8 alum4nio, 8 chapas de ferro ondulado.
W cais, 8 portos, 8 com*oios, 8 +uindastes, 8 re*ocadores.
!h)lá +randes desastres de com*oios.
!h)lá desa*amentos de +alerias de minas.
!h)lá naufrá+ios deliciosos dos +randes transatlPnticos.
!h)lá)hô revoluçMes a2ui, ali, acolá,
AlteraçMes de constituiçMes, +uerras, tratados, invasMes,
<u4do, in3ustiças, violDncias, e talve' para *reve o fim,
A +rande invas#o dos *ár*aros amarelos pela !uropa,
! outro "ol no novo $ori'onte.
Fue importa tudo isto, mas 2ue importa tudo isto
Ao fQl+ido e ru*ro ru4do contemporPneo,
Ao ru4do cruel e delicioso da civili'aç#o de ho3eS
Eudo isso apa+a tudo, salvo o 1omento,
1omento de tronco nu e 2uente como um fo+ueiro,
1omento estridentemente ruidoso e mecPnico,
1omento dinPmico passa+em de todas as *acantes
0o ferro e do *ron'e e da *e*edeira dos metais.
!ia com*oios, eia pontes, eia hot,is 5 hora do 3antar,
!ia aparelhos de todas as esp,cies, f,rreos, *rutos, m4nimos,
6nstrumentos de precis#o, aparelhos de triturar, de cavar,
!n+enhos *rocas, má2uinas rotativas.
!ia. eia. eia.
!ia electricidade, nervos doentes da 1at,ria.
!ia tele+rafia)sem)fios, simpatia metálica do 6nconsciente.
!ia tQneis, eia canais, Panamá, ]iel, "ue'.
!ia todo o passado dentro do presente.
!ia todo o futuro 3á dentro de n8s. eia.
!ia. eia. eia.
Frutos de ferro e Qtil da árvore)fá*rica cosmopolita.
!ia. eia. eia. eia)hô)ô)ô.
Nem sei 2ue e/isto para dentro. 9iro, rodeio, en+enho)me.
!n+atam)me em todos os com*oios.
6çam)me em todos os cais.
9iro dentro das h,lices de todos os navios.
!ia. eia)hô. eia.
!ia. sou o calor mecPnico e a electricidade.
!ia. e os rails e as casas de má2uinas e a !uropa.
!ia e hurrah por mim)tudo e tudo, má2uinas a tra*alhar, eia.
9al+ar com tudo por cima de tudo. $up)lá.
$up)lá, hup)lá, hup)lá)hô, hup)lá.
$,)la. $e)hô. $)o)o)o)o.
b)')')')')')')')')')')'.
Ah n#o ser eu toda a +ente e toda a parte.
7ondres, >?>X ) :unho.
piário

Ao "enhor 1ário de "á)Carneiro
L antes do 8pio 2ue a minhUalma , doente.
"entir a vida convalesce e estiola
! eu vou *uscar ao 8pio 2ue consola
Hm riente ao oriente do riente.
!sta vida de *ordo há)de matar)me.
"#o dias s8 de fe*re na ca*eça
!, por mais 2ue procure at, 2ue adoeça,
3á n#o encontro a mola pra adaptar)me.
!m parado/o e incompetDncia astral
!u vivo a vincos de ouro a minha vida,
nda onde o pundonor , uma descida
! os pr8prios +o'os +Pn+lios do meu mal.
L por um mecanismo de desastres,
Hma en+rena+em com volantes falsos,
Fue passo entre visMes de cadafalsos
Num 3ardim onde há flores no ar, sem hastes.
%ou cam*aleando atrav,s do lavor
0uma vida)interior de renda e laca.
Eenho a impress#o de ter em casa a faca
Com 2ue foi de+olado o Precursor.
Ando e/piando um crime numa mala,
Fue um avô meu cometeu por re2uinte.
Eenho os nervos na forca, vinte a vinte,
! ca4 no 8pio como numa vala.
Ao to2ue adormecido da morfina
Perco)me em transparDncias late3antes
! numa noite cheia de *rilhantes,
!r+ue)se a lua como a minha "ina.
!u, 2ue fui sempre um mau estudante, a+ora
N#o faço mais 2ue ver o navio ir
Pelo canal de "ue' a condu'ir
A minha vida, cPnfora na aurora.
Perdi os dias 2ue 3á aproveitara.
Era*alhei para ter s8 o cansaço
Fue , ho3e em mim uma esp,cie de *raço
Fue ao meu pescoço me sufoca e ampara.
! fui criança como toda a +ente.
Nasci numa prov4ncia portu+uesa
! tenho conhecido +ente in+lesa
Fue di' 2ue eu sei in+lDs perfeitamente.
9ostava de ter poemas e novelas
Pu*licados por Plon e no 1ercure,
1as , imposs4vel 2ue esta vida dure.
"e nesta via+em nem houve procelas.
A vida a *ordo , uma coisa triste,
!m*ora a +ente se divirta 5s ve'es.
Falo com alem#es, suecos e in+leses
! a minha má+oa de viver persiste.
!u acho 2ue n#o vale a pena ter
6do ao riente e visto a 4ndia e a China.
A terra , semelhante e pe2uenina
! há s8 uma maneira de viver.
Por isso eu tomo 8pio. L um rem,dio
"ou um convalescente do 1omento.
1oro no r,s)do)ch#o do pensamento
! ver passar a %ida fa')me t,dio.
Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim,
1uito a leste n#o fosse o oeste 3á.
Pra 2ue fui visitar a _ndia 2ue há
"e n#o há _ndia sen#o a alma em mimS
"ou des+raçado por meu mor+adio.
s ci+anos rou*aram minha "orte.
Ealve' nem mesmo encontre ao p, da morte
Hm lu+ar 2ue me a*ri+ue do meu frio.
!u fin+i 2ue estudei en+enharia.
%ivi na !sc8cia. %isitei a 6rlanda.
1eu coraç#o , uma av`'inha 2ue anda
Pedindo esmola 5s portas da Ale+ria.
N#o che+ues a Port)"aid, navio de ferro.
%olta 5 direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smo[in[)room com o conde )
Hm escroc francDs, conde de fim de enterro.
%olto 5 !uropa descontente, e em sortes
0e vir a ser um poeta sonam*8lico.
!u sou monár2uico mas n#o cat8lico
! +ostava de ser as coisas fortes.
9ostava de ter crenças e dinheiro,
"er vária +ente ins4pida 2ue vi.
$o3e, afinal, n#o sou sen#o, a2ui,
Num navio 2ual2uer um passa+eiro.
N#o tenho personalidade al+uma.
L mais notado 2ue eu esse criado
0e *ordo 2ue tem um *elo modo alçado
0e laird escocDs há dias em 3e3um.
N#o posso estar em parte al+uma.
A minha Pátria , onde n#o estou. "ou doente e fraco.
comissário de *ordo , velhaco.
%iu)me coUa sueca... e o resto ele adivinha.
Hm dia faço escPndalo cá a *ordo,
"8 para dar 2ue falar de mim aos mais.
N#o posso com a vida, e acho fatais
As iras com 2ue 5s ve'es me de*ordo.
7evo o dia a fumar, a *e*er coisas,
0ro+as americanas 2ue entontecem,
! eu 3á t#o *D*ado sem nada. 0essem
1elhor c,re*ro aos meus nervos como rosas.
!screvo estas linhas. Parece imposs4vel
Fue mesmo ao ter talento eu mal o sinta.
fato , 2ue esta vida , uma 2uinta
nde se a*orrece uma alma sens4vel.
s in+leses s#o feitos pra e/istir.
N#o há +ente como esta pra estar feita
Com a Eran2Vilidade. A +ente deita
Hm vint,m e sai um deles a sorrir.
Pertenço a um +Dnero de portu+ueses
Fue depois de estar a _ndia desco*erta
Ficaram sem tra*alho. A morte , certa.
Eenho pensado nisto muitas ve'es.
7eve o dia*o a vida e a +ente tD)la.
Nem leio o livro 5 minha ca*eceira.
!no3a)me o riente. L uma esteira
Fue a +ente enrola e dei/a de ser *ela.
Caio no 8pio por força. 7á 2uerer
Fue eu leve a limpo uma vida destas
N#o se pode e/i+ir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,
Fue um raio as parta. ! isto afinal , inve3a.
Por2ue estes nervos s#o a minha morte.
N#o haver um navio 2ue me transporte
Para onde eu nada 2ueira 2ue o n#o ve3a.
ra. !u cansava)me o mesmo modo.
FuUria outro 8pio mais forte pra ir de ali
Para sonhos 2ue dessem ca*o de mim
! pre+assem comi+o nal+um lodo.
Fe*re. "e isto 2ue tenho n#o , fe*re,
N#o sei como , 2ue se tem fe*re e sente.
fato essencial , 2ue estou doente.
!stá corrida, ami+os, esta le*re.
%eio a noite. Eocou 3á a primeira
Corneta, pra vestir para o 3antar.
%ida social por cima. 6sso. ! marchar
At, 2ue a +ente saia pla coleira.
Por2ue isto aca*a mal e há)de haver
=lá.B san+ue e um rev8lver lá pr8 fim
0este desassosse+o 2ue há em mim
! n#o há forma de se resolver.
! 2uem me olhar, há)de)me achar *anal,
A mim e 5 minha vida... ra. um rapa'...
meu pr8prio mon8culo me fa'
Pertencer a um tipo universal.
Ah 2uanta alma viverá, 2ue ande metida
Assim como eu na 7inha, e como eu m4stica.
Fuantos so* a casaca caracter4stica
N#o ter#o como eu o horror 5 vidaS
"e ao menos eu por fora fosse t#o
6nteressante como sou por dentro.
%ou no 1aelstrom, cada ve' mais pr8 centro.
N#o fa'er nada , a minha perdiç#o.
Hm inQtil. 1as , t#o 3usto sD)lo.
Pudesse a +ente despre'ar os outros
!, ainda 2ue coUos cotovelos rotos,
"er her8i, doido, amaldiçoado ou *elo.
Eenho vontade de levar as m#os
& *oca e morder nelas fundo e a mal.
!ra uma ocupaç#o ori+inal
! distra4a os outros, os tais s#os.
a*surdo, como uma flor da tal _ndia
Fue n#o vim encontrar na _ndia, nasce
No meu c,re*ro farto de cansar)se.
A minha vida mude)a 0eus ou finde)a ...
0ei/e)me estar a2ui, nesta cadeira,
At, virem meter)me no cai/#o.
Nasci pra mandarim de condiç#o,
1as falta)me o sosse+o, o chá e a esteira.
Ah 2ue *om 2ue era ir da2ui de ca4da
Pra cova por um alçap#o de estouro.
A vida sa*e)me a ta*aco louro.
Nunca fi' mais do 2ue fumar a vida.
! afinal o 2ue 2uero , f,, , calma,
! n#o ter estas sensaçMes confusas.
0eus 2ue aca*e com isto. A*ra as eclusas J
! *asta de com,dias na minhUalma.
=No Canal de "ue', a *ordoB
ra

ra at, 2ue enfim..., perfeitamente...
Cá está ela.
Eenho a loucura e/atamente na ca*eça.
1eu coraç#o estourou como uma *om*a de pataco,
! a minha ca*eça teve o so*ressalto pela espinha acima...

9raças a 0eus 2ue estou doido.
Fue tudo 2uanto dei me voltou em li/o,
!, como cuspo atirado ao vento,
1e dispersou pela cara livre.
Fue tudo 2uanto fui se me atou aos p,s,
Como a sarapilheira para em*rulhar coisa nenhuma.
Fue tudo 2uanto pensei me fa' c8ce+as na +ar+anta
! me 2uer fa'er vomitar sem eu ter comido nada.

9raças a 0eus, por2ue, como na *e*edeira,
6sto , uma soluç#o.
Arre, encontrei uma soluç#o, e foi preciso o estôma+o.
!ncontrei uma verdade, senti)a com os intestinos.


Poesia transcendental, 3á a fi' tam*,m.
9randes raptos l4ricos, tam*,m 3á por cá passaram.
A or+ani'aç#o de poemas relativos 5 vastid#o de cada assunto resolvido em vários J
Eam*,m n#o , novidade.
Eenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Eenho uma náusea 2ue, se pudesse comer o universo para o despe3ar na pia, comia)o.
Com esforço, mas era para *om fim.
Ao menos era para um fim.
! assim como sou n#o tenho nem fim nem vida...
s Anti+os

s anti+os invocavam as 1usas.
N8s invocamo)nos a n8s mesmos.
N#o sei se as 1usas apareciam J
"eria sem dQvida conforme o invocado e a invocaç#o. J
1as sei 2ue n8s n#o aparecemos.
Fuantas ve'es me tenho de*ruçado
"o*re o poço 2ue me suponho
! *alido IAh.I para ouvir um eco,
! n#o tenho ouvido mais 2ue o visto J
va+o alvor escuro com 2ue a á+ua resplandece
7á na inutilidade do fundo...
Nenhum eco para mim...
"8 va+amente uma cara,
Fue deve ser a minha, por n#o poder ser de outro.
! uma coisa 2uase invis4vel,
!/ceto como luminosamente ve3o
7á no fundo...
No silDncio e na lu' falsa do fundo...
Fue 1usa. ...
Passa+em das $oras

Era+o dentro do meu coraç#o,
Como num cofre 2ue se n#o pode fechar de cheio,
Eodos os lu+ares onde estive,
Eodos os portos a 2ue che+uei,
Eodas as paisa+ens 2ue vi atrav,s de 3anelas ou vi+ias,
u de tom*adilhos, sonhando,
! tudo isso, 2ue , tanto, , pouco para o 2ue eu 2uero.

A entrada de "in+apura, manh# su*indo, cor verde,
coral das 1aldivas em passa+em cálida,
1acau 5 uma hora da noite... Acordo de repente
\at)iô))ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô)ô ... 9hi)...
! a2uilo soa)me do fundo de uma outra realidade
A estatura norte)africana 2uase de ban'i*ar ao sol
0ar)es)"alaam =a sa4da , dif4cilB...
1a3un+a, Nossi)B,, verduras de 1ada+ascar...
Eempestades em torno ao 9uardaful...
! o Ca*o da Boa !sperança n4tido ao sol da madru+ada...
! a Cidade do Ca*o com a 1ontanha da 1esa ao fundo...
%ia3ei por mais terras do 2ue a2uelas em 2ue to2uei...
%i mais paisa+ens do 2ue a2uelas em 2ue pus os olhos...
!/perimentei mais sensaçMes do 2ue todas as sensaçMes 2ue senti,
Por2ue, por mais 2ue sentisse, sempre me faltou 2ue sentir
! a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeli'.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro)me,
Penso em 2ue , 2ue me ficará desta vida aos *ocados, deste au+e,
0esta estrada 5s curvas, deste autom8vel 5 *eira da estrada, deste aviso,
0esta tur*ulDncia tran2Vila de sensaçMes desencontradas,
0esta transfus#o, desta insu*sistDncia, desta conver+Dncia iriada,
0este desassosse+o no fundo de todos os cálices,
0esta an+Qstia no fundo de todos os pra'eres,
0esta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
0este 3o+o de cartas fastiento entre o Ca*o da Boa !sperança e as Canárias.
N#o sei se a vida , pouco ou demais para mim.
N#o sei se sinto de mais ou de menos, n#o sei
"e me falta escrQpulo espiritual, ponto)de)apoio na inteli+Dncia,
Consan+Vinidade com o mist,rio das coisas, cho2ue
Aos contatos, san+ue so* +olpes, estremeç#o aos ru4dos,
u se há outra si+nificaç#o para isto mais cômoda e feli'.
"e3a o 2ue for, era melhor n#o ter nascido,
Por2ue, de t#o interessante 2ue , a todos os momentos,
A vida che+a a doer, a en3oar, a cortar, a roçar, a ran+er,
A dar vontade de dar +ritos, de dar pulos, de ficar no ch#o, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as l8+icas e de todas as sacadas,
! ir ser selva+em para a morte entre árvores e es2uecimentos,
!ntre tom*os, e peri+os e ausDncia de amanh#s,
! tudo isto devia ser 2ual2uer outra coisa mais parecida com o 2ue eu penso,
Com o 2ue eu penso ou sinto, 2ue eu nem sei 2ual ,, 8 vida.
Cru'o os *raços so*re a mesa, ponho a ca*eça so*re os *raços,
L preciso 2uerer chorar, mas n#o sei ir *uscar as lá+rimas...
Por mais 2ue me esforce por ter uma +rande pena de mim, n#o choro,
Eenho a alma rachada so* o indicador curvo 2ue lhe toca...
Fue há de ser de mimS Fue há de ser de mimS

Correram o *o*o a chicote do palácio, sem ra'#o,
Fi'eram o mendi+o levantar)se do de+rau onde ca4ra.
Bateram na criança a*andonada e tiraram)lhe o p#o das m#os.
h má+oa imensa do mundo, o 2ue falta , a+ir...
E#o decadente, t#o decadente, t#o decadente...
"8 estou *em 2uando ouço mQsica, e nem ent#o.
:ardins do s,culo de'oito antes de Y?,
nde estais v8s, 2ue eu 2uero chorar de 2ual2uer maneiraS

Como um *álsamo 2ue n#o consola sen#o pela id,ia de 2ue , um *álsamo,
A tarde de ho3e e de todos os dias pouco a pouco, mon8tona, cai.

Acenderam as lu'es, cai a noite, a vida su*stitui)se.
"e3a de 2ue maneira for, , preciso continuar a viver.
Arde)me a alma como se fosse uma m#o, fisicamente.
!stou no caminho de todos e es*arram comi+o.
1inha 2uinta na prov4ncia,
$aver menos 2ue um com*oio, uma dili+Dncia e a decis#o de partir entre mim e ti.
Assim fico, fico... !u sou o 2ue sempre 2uer partir,
! fica sempre, fica sempre, fica sempre,
At, 5 morte fica, mesmo 2ue parta, fica, fica, fica...

Eorna)me humano, 8 noite, torna)me fraterno e sol4cito.
"8 humanitariamente , 2ue se pode viver.
"8 amando os homens, as açMes, a *analidade dos tra*alhos,
"8 assim ) ai de mim. ), s8 assim se pode viver.
"8 assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim.

%i todas as coisas, e maravilhei)me de tudo,
1as tudo ou so*rou ou foi pouco ) n#o sei 2ual ) e eu sofri.
%ivi todas as emoçMes, todos os pensamentos, todos os +estos,
! fi2uei t#o triste como se tivesse 2uerido vivD)los e n#o conse+uisse.
Amei e odiei como toda +ente,
1as para toda a +ente isso foi normal e instintivo,
! para mim foi sempre a e/ceç#o, o cho2ue, a válvula, o espasmo.

%em, 8 noite, e apa+a)me, vem e afo+a)me em ti.
W carinhosa do Al,m, senhora do luto infinito,
1á+oa e/terna na Eerra, choro silencioso do 1undo.
1#e suave e anti+a das emoçMes sem +esto,
6rm# mais velha, vir+em e triste, das id,ias sem ne/o,
Noiva esperando sempre os nossos prop8sitos incompletos,
A direç#o constantemente a*andonada do nosso destino,
A nossa incerte'a pa+# sem ale+ria,
A nossa fra2ue'a crist# sem f,,
nosso *udismo inerte, sem amor pelas coisas nem D/tases,
A nossa fe*re, a nossa palide', a nossa impaciDncia de fracos,
A nossa vida, o m#e, a nossa perdida vida...

N#o sei sentir, n#o sei ser humano, conviver
0e dentro da alma triste com os homens meus irm#os na terra.
N#o sei ser Qtil mesmo sentindo, ser prático, ser 2uotidiano, n4tido,
Eer um lu+ar na vida, ter um destino entre os homens,
Eer uma o*ra, uma força, uma vontade, uma horta,
Hnia ra'#o para descansar, uma necessidade de me distrair,
Hma cousa vinda diretamente da nature'a para mim.
Por isso sD para mim materna, 8 noite tran2Vila...
Eu, 2ue tiras o mundo ao mundo, tu 2ue ,s a pa',
Eu 2ue n#o e/istes, 2ue ,s s8 a ausDncia da lu',
Eu 2ue n#o ,s uma coisa, rim lu+ar, uma essDncia, uma vida,
Pen,lope da teia, amanh# desfeita, da tua escurid#o,
Circe irreal dos fe*ris, dos an+ustiados sem causa,
%em para mim, 8 noite, estende para mim as m#os,
! sD frescor e al4vio, o noite, so*re a minha fronte...
UEu, cu3a vinda , t#o suave 2ue parece um afastamento,
Cu3o flu/o e reflu/o de treva, 2uando a lua *afe3a,
Eem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisa+ens supostas para a nossa an+Qstia e/cessiva...
Eu, palidamente, tu, fl,*il, tu, li2uidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de fe*re so*re mar+ens,
Eu, rainha, tu, castel#, tu, dona pálida, vem...

"entir tudo de todas as maneiras,
%iver tudo de todos os lados,
"er a mesma coisa de todos os modos poss4veis ao mesmo tempo,
<eali'ar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num s8 momento difuso, profuso, completo e lon+4n2uo.

!u 2uero ser sempre a2uilo com 2uem simpati'o,
!u torno)me sempre, mais tarde ou mais cedo,
A2uilo com 2uem simpati'o, se3a uma pedra ou uma Pnsia,
"e3a uma flor ou uma id,ia a*strata,
"e3a uma multid#o ou um modo de compreender 0eus.
! eu simpati'o com tudo, vivo de tudo em tudo.
"#o)me simpáticos os homens superiores por2ue s#o superiores,
! s#o)me simpáticos os homens inferiores por2ue s#o superiores tam*,m,
Por2ue ser inferior , diferente de ser superior,
! por isso , uma superioridade a certos momentos de vis#o.
"impati'o com al+uns homens pelas suas 2ualidades de caráter,
! simpati'o com outros pela sua falta dessas 2ualidades,
! com outros ainda simpati'o por simpati'ar com eles,
! há momentos a*solutamente or+Pnicos em 2ue esses s#o todos os homens.
"im, como sou rei a*soluto na minha simpatia,
Basta 2ue ela e/ista para 2ue tenha ra'#o de ser.
!streito ao meu peito arfante, num a*raço comovido,
=No mesmo a*raço comovidoB
homem 2ue dá a camisa ao po*re 2ue desconhece,
soldado 2ue morre pela pátria sem sa*er o 2ue , pátria,
! o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
ladr#o de estradas, o salteador dos mares,
+atuno de carteiras, a som*ra 2ue espera nas vielas J
Eodos s#o a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.

Bei3o na *oca todas as prostitutas,
Bei3o so*re os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade 3a' aos p,s de todos os assassinos
! a minha capa 5 espanhola esconde a retirada a todos os ladrMes.
Eudo , a ra'#o de ser da minha vida.

Cometi todos os crimes,
%ivi dentro de todos os crimes
=!u pr8prio fui, n#o um nem o outro no vicio,
1as o pr8prio v4cio)pessoa praticado entre eles,
! dessas s#o as horas mais arco)de)triunfo da minha vidaB.

1ultipli2uei)me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Erans*ordei, n#o fi' sen#o e/travasar)me,
0espi)me, entre+uei)rne,
! há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

s *raços de todos os atletas apertaram)me su*itamente feminino,
! eu s8 de pensar nisso desmaiei entre mQsculos supostos.

Foram dados na minha *oca os *ei3os de todos os encontros,
Acenaram no meu coraç#o os lenços de todas as despedidas,
Eodos os chamamentos o*scenos de +esto e olhares
Batem)me em cheio em todo o corpo com sede nos centros se/uais.
Fui todos os ascetas, todos os postos)de)parte, todos os como 2ue es2uecidos,
! todos os pederastas ) a*solutamente todos =n#o faltou nenhumB.
<ende')vous a vermelho e ne+ro no fundo)inferno da minha alma.

=Freddie, eu chamava)te Ba*-, por2ue tu eras louro, *ranco e eu amava)te,
Fuantas imperatri'es por reinar e princesas destronadas tu foste para mim.B
1ar-, com 2uem eu lia Burns em dias tristes como sentir)se viver,
1ar-, mal tu sa*es 2uantos casais honestos, 2uantas fam4lias feli'es,
%iveram em ti os meus olhos e o meu *raço cin+ido e a minha consciDncia incerta,
A sua vida pacata, as suas casas su*ur*anas com 3ardim,
s seus half)holida-s inesperados...
1ar-, eu sou infeli'...
Freddie, eu sou infeli'...
h, v8s todos, todos v8s, casuais, demorados,
Fuantas ve'es tereis pensado em pensar em mim, sem 2ue o f8sseis,
Ah, 2u#o pouco eu fui no 2ue sois, 2u#o pouco, 2u#o pouco J
"im, e o 2ue tenho eu sido, o meu su*3etivo universo,
W meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
W parte e/terna de mim perdida em la*irintos de 0eus.

Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,
! todas as cidades do mundo, rumore3am)se dentro de mim ...
1eu coraç#o tri*unal, meu coraç#o mercado,
1eu coraç#o sala da Bolsa, meu coraç#o *alc#o de Banco,
1eu coraç#o rende')vous de toda a humanidade,
1eu coraç#o *anco de 3ardim pQ*lico, hospedaria,
!stala+em, cala*ouço nQmero 2ual2uer cousa
=A2ui estuvo el 1anolo en v4speras de ir al pat4*uloB
1eu coraç#o clu*e, sala, plat,ia, capacho, +uichet, portal8,
Ponte, cancela, e/curs#o, marcha, via+em, leil#o, feira, arraial,
1eu coraç#o posti+o,
1eu coraç#o encomenda,
1eu coraç#o carta, *a+a+em, satisfaç#o, entre+a,
1eu coraç#o a mar+em, o lirrite, a sQmula, o 4ndice,
!h)lá, eh)lá, eh)lá, *a'ar o meu coraç#o.

Eodos os amantes *ei3aram)se na minhUalma,
Eodos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Eodos os despre'ados encostaram)se um momento ao meu om*ro,
Atravessaram a rua, ao meu *raço, todos os velhos e os doentes,
! houve um se+redo 2ue me disseram todos os assassinos.

=A2uela cu3o sorriso su+ere a pa' 2ue eu n#o tenho,
!m cu3o *ai/ar)de)olhos há uma paisa+em da $olanda,
Com as ca*eças femininas coiff,es de lin
! todo o esforço 2uotidiano de um povo pac4fico e limpo...
A2uela 2ue , o anel dei/ado em cima da cômoda,
! a fita entalada com o fechar da +aveta,
Fita cor)de)rosa, n#o +osto da cor mas da fita entalada,
Assim como n#o +osto da vida, mas +osto de senti)la ...
0ormir como um c#o corrido no caminho, ao sol,
0efinitivamente para todo o resto do Hniverso,
! 2ue os carros me passem por cima.B
Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoçMes,
Pa+aram)me *e*idas todos os acasos das sensaçMes,
Ero2uei olhares com todos os motivos de a+ir,
!stive m#o em m#o com todos os impulsos para partir,
Fe*re imensa das horas.
An+Qstia da for3a das emoçMes.
<aiva, espuma, a imensid#o 2ue n#o ca*e no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
tan2ue da 2uinta a passear 5 roda da minha insônia,
*os2ue como foi 5 tarde, 2uando lá passeamos, a rosa,
A madei/a indiferente, o mus+o, os pinheiros,
Eoda a raiva de n#o conter isto tudo, de n#o deter isto tudo,
W fome a*strata das coisas, cio impotente dos momentos,
r+ia intelectual de sentir a vida.

*ter tudo por suficiDncia divina J
As v,speras, os consentimentos, os avisos,
As cousas *elas da vida J
talento, a virtude, a impunidade,
A tendDncia para acompanhar os outros a casa,
A situaç#o de passa+eiro,
A conveniDncia em em*arcar 3á para ter lu+ar,
! falta sempre uma coisa, um copo, uma *risa, urna frase,
! a vida d8i 2uanto mais se +o'a e 2uanto mais se inventa.
Poder rir, rir, rir despe3adamente,
<ir como um copo entornado,
A*solutamente doido s8 por sentir,
A*solutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na *oca por morder coisas,
Com as unhas em san+ue por me a+arrar a coisas,
! depois dDem)me a cela 2ue 2uiserem 2ue eu me lem*rarei da vida.
"entir tudo de todas as maneiras,
Eer todas as opiniMes,
"er sincero contradi'endo)se a cada minuto,
0esa+radar a si pr8prio pela plena li*eralidade de esp4rito,
! amar as coisas como 0eus.
!u, 2ue sou mais irm#o de uma árvore 2ue de um operário,
!u, 2ue sinto mais a dor suposta do mar ao *ater na praia
Fue a dor real das crianças em 2uem *atem
=Ah, como isto deve ser falso, po*res crianças em 2uem *atem J
! por 2ue , 2ue as minhas sensaçMes se reve'am t#o depressaSB
!u, enfim, 2ue sou um diálo+o continuo,
Hm falar)alto incompreens4vel, alta)noite na torre,
Fuando os sinos oscilam va+amente sem 2ue m#o lhes to2ue
! fa' pena sa*er 2ue há vida 2ue viver amanh#.
!u, enfim, literalmente eu,
! eu metaforicamente tam*,m,
!u, o poeta sensacionista, enviado do Acaso
As leis irrepreens4veis da %ida,
!u, o fumador de ci+arros por profiss#o ade2uada,
indiv4duo 2ue fuma 8pio, 2ue toma a*sinto, mas 2ue, enfim,
Prefere pensar em fumar 8pio a fumá)lo
! acha mais seu olhar para o a*sinto a *e*er 2ue *e*D)lo...
!u, este de+enerado superior sem ar2uivos na alma,
"em personalidade com valor declarado,
!u, o investi+ador solene das coisas fQteis,
Fue era capa' de ir viver na "i*,ria s8 por em*irrar com isso,
! 2ue acho 2ue n#o fa' mal n#o li+ar importPricia 5 pátria
Por2tie n#o tenho rai', como uma árvore, e portanto n#o tenho rai'
!u, 2ue tantas ve'es me sinto t#o real como uma metáfora,
Como uma frase escrita por um doente no livroda rapari+a 2ue encontrou no terraço,
u uma partida de /adre' no conv,s dum transatlPntico,
!u, a ama 2ue empurra os peram*ulators em todos os 3ardins pQ*licos,
!u, o policia 2ue a olha, parado para trás na álea,
!u, a criança no carro, 2ue acena 5 sua inconsciDncia lQcida com um coral com +ui'os.
!u, a paisa+em por detrás disto tudo, a pa' citadina
Coada atrav,s das árvores do 3ardim pQ*lico,
!u, o 2ue os espera a todos em casa,
!u, o 2ue eles encontram na rua,
!u, o 2ue eles n#o sa*em de si pr8prios,
!u, a2uela coisa em 2ue estás pensando e te marca esse sorriso,
!u, o contradit8rio, o fict4cio, o aran'el, a espuma,
carta' posto a+ora, as ancas da francesa, o olhar do padre,
lar+o onde se encontram as suas ruas e os chauffeurs dormem contra os carros,
A cicatri' do sar+ento mal encarado,
se*o na +ola do e/plicador doente 2ue volta para casa,
A chávena 2ue era por onde o pe2uenito 2ue morreu *e*ia sempre,
! tem uma falha na asa =e tudo isto ca*e num coraç#o de m#e e enche)oB...
!u, o ditado de francDs da pe2uenita 2ue me/e nas li+as,
!u, os p,s 2ue se tocam por *ai/o do *rid+e so* o lustre,
!u, a carta escondida, o calor do lenço, a sacada com a 3anela entrea*erta,
port#o de serviço onde a criada fala com os dese3os do primo,
sacana do :os, 2ue prometeu vir e n#o veio
! a +ente tinha uma partida para lhe fa'er...
!u, tudo isto, e al,m disto o resto do mundo...
Eanta coisa, as portas 2ue se a*rem, e a ra'#o por 2ue elas se a*rem,
! as coisas 2ue 3á fi'eram as m#os 2ue a*rem as portas...
!u, a infelicidade)nata de todas as e/pressMes,
A impossi*ilidade de e/primir todos os sentimentos,
"em 2ue ha3a uma lápida no cemit,rio para o irm#o de ttido isto,
! o 2ue parece n#o 2uerer di'er nada sempre 2uer di'er 2ual2uer cousa...
"im, eu, o en+enheiro naval 2ue sou supersticioso como uma camponesa madrinha,
! uso mon8culo para n#o parecer i+ual 5 id,ia real 2ue faço de mim,
Fue levo 5s ve'es trDs horas a vestir)me e nem por isso acho isso natural,
1as acho)o metaf4sico e se me *atem 5 porta 'an+o)me,
N#o tanto por me interromperem a +ravata como por ficar sa*endo 2ue há a vida...
"im, enfim, eu o destinatário das cartas lacradas,
*aQ das iniciais +astas,
A entonaç#o das vo'es 2ue nunca ouviremos mais )
0eus +uarda isso tudo no 1ist,rio, e 5s ve'es sentimo)lo
! a vida pesa de repente e fa' muito frio mais perto 2ue o corpo.
A Br4+ida prima da minha tia,
+eneral em 2ue elas falavam ) +eneral 2uando elas eram pe2uenas,
! a vida era +uerra civil a todas as es2uinas...
%ive le m,lodrame oQ 1ar+ot a pleur,.
Caem as folhas secas no ch#o irre+ularmente,
1as o fato , 2ue sempre , outono no outono,
! o inverno vem depois fatalmente,
há s8 um caminho para a vida, 2ue , a vida...
!sse velho insi+nificante, mas 2ue ainda conheceu os romPnticos,
!sse opQsculo pol4tico do tempo das revoluçMes constitucionais,
! a dor 2ue tudo isso dei/a, sem 2ue se sai*a a ra'#o
Nem ha3a para chorar tudo mais ra'#o 2ue senti)lo.
%iro todos os dias todas as es2uinas de todas as ruas,
! sempre 2ue estou pensando numa coisa, estou pensando noutra.
N#o me su*ordino sen#o por atavisnio,
! há sempre ra'Mes para emi+rar para 2uem n#o está de cama.
0as serrasses de todos os caf,s de todas as cidades
Acess4veis 5 ima+inaç#o
<eparo para a vida 2ue passa, si+o)a sem me me/er,
Pertenço)lhe sem tirar um +esto da al+i*eira,
Nem tomar nota do 2ue vi para depois fin+ir 2ue o vi.
No autom8vel amarelo a mulher definitiva de al+u,m passa,
%ou ao lado dela sem ela sa*er.
No trottoir imediato eles encontram)se por um acaso com*inado,
1as antes de o encontro deles lá estar 3á eu estava com eles lá.
N#o há maneira de se es2uivarem a encontrar)me,
N#o há modo de eu n#o estar em toda a parte.
meu privil,+io , tudo
=Brevet,e, "ans 9arantie de 0ieu, a minhUAlmaB.
Assisto a tudo e definitivamente.
N#o há 38ia para mulher 2ue n#o se3a comprada por mim e para mim,
N#o há intenç#o de estar esperando 2ue n#o se3a minha de 2ual2uer maneira,
N#o há resultado de conversa 2ue n#o se3a meu por acaso,
N#o há to2ue de sino em 7is*oa há trinta anos, noite de ". Carlos há cin2Venta
Fue n#o se3a para mim por uma +alantaria deposta.
Fui educado pela 6ma+inaç#o,
%ia3ei pela m#o dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
! todos os dias tDm essa 3anela por diante,
! todas as horas parecem minhas dessa maneira.
Caval+ada e/plosiva, e/plodida, como uma *om*a 2ue re*enta,
Caval+ada re*entando para todos os lados ao mesmo tempo,
Caval+ada por cima do espaço, salto por cima do tempo,
9al+a, cavalo el,ctron)4on, sistema solar resumido
Por dentro da aç#o dos Dm*olos, por fora do +iro dos volantes.
0entro dos Dm*olos, tornado velocidade a*strata e louca,
A3o a ferro e velocidade, vaiv,m, loucura, raiva contida,
Atado ao rasto de todos os volantes +iro assom*rosas horas,
! todo o universo ran+e, estrale3a e estropia)se em mim.
$o)ho)ho)ho)ho....
Cada ve' mais depressa, cada ve' mais com o esp4rito adiante do corpo
Adiante da pr8pria id,ia velo' do corpo pro3etado,
Com o esp4rito atrás adiante do corpo, som*ra, chispa,
$e)la)ho)ho ... $elahoho ...
Eoda a ener+ia , a mesma e toda a nature'a , o mesmo...
A seiva da seiva das árvores , a mesma ener+ia 2ue me/e
As rodas da locomotiva, as rodas do el,trico, os volantes dos 0iesel,
! um carro pu/ado a mulas ou a +asolina , pu/ado pela mesma coisa.
<aiva pante4sta de sentir em mim formidandamente,
Com todos os meus sentidos em e*uliç#o, com todos os meus poros em fumo,
Fue tudo , uma s8 velocidade, uma s8 ener+ia, uma s8 divina linha
0e si para si, parada a ciciar violDncias de velocidade louca...
$o ))))
Ave, salve, viva a unidade velo' de tudo.
Ave, salve, viva a i+ualdade de tudo em seta.
Ave, salve, viva a +rande má2uina universo.
Ave, 2ue sois o mesmo, árvores, má2uinas, leis.
Ave, 2ue sois o mesmo, vermes, Dm*olos, id,ias a*stratas,
A mesma seiva vos enche, a mesma seiva vos torna,
A mesma coisa sois, e o resto , por fora e falso,
resto, o estático resto 2ue fica nos olhos 2ue param,
1as n#o nos meus nervos motor de e/plos#o a 8leos pesados ou leves,
N#o nos meus nervos todas as má2uinas, todos os sistemas de en+rena+em,
Nos meus nervos locomotiva, carro el,trico, autom8vel, de*ulhadora a vapor
Nos meus nervos má2uina mar4tima, 0iesel, semi)0iesel,
Camp*ell, Nos meus nervos instalaç#o a*soluta a vapor, a +ás, a 8leo e a eletricidade,
1á2uina universal movida por correias de todos os momentos.
Eodas as madru+adas s#o a madru+ada e a vida.
Eodas as auroras raiam no mesmo lu+ar:
6nfinito...
Eodas as ale+rias de ave vDm da mesma +ar+anta,
Eodos os estremecimentos de folhas s#o da mesma árvore,
! todos os 2ue se levantam cedo para ir tra*alhar
%#o da mesma casa para a mesma fá*rica por o mesmo caminho...
<ola, *ola +rande, formi+ueiro de consciDncias, terra,
<ola, auroreada, entardecida, a prumo so* s8is, noturna,
<ola no espaço a*strato, na noite mal iluminada realmente
<ola ...
"into na minha ca*eça a velocidade de +iro da terra,
! todos os pa4ses e todas as pessoas +iram dentro de mim,
Centr4fu+a Pnsia, raiva de ir por os ares at, aos astros
Bate pancadas de encontro ao interior do meu crPnio,
PMe)me alfinetes vendados por toda a consciDncia do meu corpo,
Fa')me levantar)me mil ve'es e diri+ir)me para A*strato,
Para inencontrável, Ali sem restriçMes nenhumas,
A 1eta invis4vel J todos os pontos onde eu n#o estou J e ao mesmo tempo ...
Ah, n#o estar parado nem a andar,
N#o estar deitado nem de p,,
Nem acordado nem a dormir,
Nem a2ui nem noutro ponto 2ual2uer,
<esol,,,er a e2uaç#o desta in2uietaç#o proli/a,
"a*er onde estar para poder estar em toda a parte,
"a*er onde deitar)me para estar passeando por todas as ruas ...

$o)ho)ho)ho)ho)ho)ho
Caval+ada alada de mim por cima de todas as coisas,
Caval+ada estalada de mim por *ai/o de todas as coisas,
Caval+ada alada e estalada de mim por causa de todas as coisas ...
$up)la por cima das árvores, hup)la por *ai/o dos tan2ues,
$up)la contra as paredes, hup)la raspando nos troncos,
$up)la no ar, hup)la no vento, hup)la, hup)la nas praias,
Numa velocidade crescente, insistente, violenta,
$up)la hup)la hup)la hup)la ...
Caval+ada pante4sta de mim por dentro de todas as coisas,
Caval+ada ener+,tica por dentro de todas as ener+ias,
Caval+ada de mim por dentro do carv#o 2ue se 2ueima, da lPmpada 2ue arde,
Clarim claro da manh# ao fundo
0o semic4rculo frio do hori'onte,
EDnue clarim lon+4n2uo como *andeiras incertas
0esfraldadas para al,m de onde as cores s#o vis4veis ...
Clarim trDmulo, poeira parada, onde a noite cessa,
Poeira de ouro parada no fundo da visi*ilidade ...
Carro 2ue chia limpidamente, vapor 2ue apita,
9uindaste 2ue começa a +irar no meu ouvido,
Eosse seca, nova do 2ue sai de casa,
7eve arrepio matutino na ale+ria de viver,
9ar+alhada sQ*ita velada pela *ruma e/terior n#o sei como,
Costureira fadada para pior 2ue a manh# 2ue sente,
perário t4sico desfeito para feli' nesta hora
6nevitavelmente vital,
!m 2ue o relevo das coisas , suave, certo e simpático,
!m 2ue os muros s#o frescos ao contacto da m#o, e as casas
A*rem a2uK e ali os olhos cortinados a *ranco...
Eoda a madru+ada , uma colina 2ue oscila,
e caminha tudo

Para a hora cheia de lu' em 2ue as lo3as *ai/am as pálpe*ras
! rumor tráfe+o carroça com*oio eu sinto sol estru+e

%erti+em do meio)dia emoldurada a verti+ens J
"ol dos v,rtices e nos... da minha vis#o estriada,
0o rodopio parado da minha retentiva seca,
0o a*rumado clar#o fi/o da minha consciDncia de viver.

<umor tráfe+o carroça com*oio carros eu sinto sol rua,
Aros cai/otes trolle- lo3a rua i,itrines saia olhos
<apidamente calhas carroças cai/otes rua atravessar rua
Passeio lo3istas Iperd#oI rua
<ua a passear por mim a passear pela rua por mim
Eudo espelhos as lo3as de cá dentro das lo3as de lá
A velocidade dos carros ao contrário nos espelhos o*l42uos das montras,
ch#o no ar o sol por *ai/o dos p,s rua re+as flores no cesto rua
meu passado rua estremece camion rua n#o me recordo rua

!u de ca*eça pra *ai/o no centro da minha consciDncia de mim
<ua sem poder encontrar uma sensaç#o s8 de cada ve' rua
<ua pra trás e pra diante de*ai/o dos meus p,s
<ua em c em \ em b por dentro dos meus *raços
<ua pelo meu mon8culo em c4rculos de cinemat8+rafo pe2ueno,
Caleidosc8pio em curvas iriadas n4tidas rua.
Be*edeira da rua e de sentir ver ouvir tudo ao mesmo tempo.
Bater das fontes de estar vindo para cá ao mesmo tempo 2ue vou para lá.
Com*oio parte)te de encontro ao res+uardo da linha de desvio.
%apor nave+a direito ao cais e racha)te contra ele.
Autom8vel +uiado pela loucura de todo o universo precipita)te
Por todos os precip4cios a*ai/o
! choca)te, tr'., esfran+alha)te no fundo do meu coraç#o.
& moi, todos os o*3etos pro3,teis.
& moi, todos os o*3etos direçMes.
& moi, todos os o*3etos invis4veis de velo'es.
Batam)me, trespassem)me, ultrapassem)me.
"ou eu 2ue me *ato, 2ue me trespasso, 2ue me ultrapasso.
A raiva de todos os 4mpetos fecha em c4rculo)mim.

$ela)hoho com*oio, autom8vel, aeroplano minhas Pnsias,
%elocidade entra por todas as id,ias dentro,
Choca de encontro a todos os sonhos e parte)os,
Chamusca todos os ideais humanitários e Qteis,
Atropela todos os sentimentos normais, decentes, concordantes,
Colhe no +iro do teu volante verti+inoso e pesado
s corpos de todas as filosofias, os tropos de todos os poemas,
!sfran+alha)os e fica s8 tu, volante a*strato nos ares,
"enhor supremo da hora europ,ia, metálico a cio.
%amos, 2ue a caval+ada n#o tenha fim nem em 0eus.

08i)me a ima+inaç#o n#o sei como, mas , ela 2ue d8i,
0ecXina dentro de mim o sol no alto do c,u.
Começa a tender a entardecer no a'ul e nos meus nervos.
%amos 8 caval+ada, 2uem mais me conse+ues tornarS
!u 2ue, velo', vora', comil#o da ener+ia a*strata,
Fueria comer, *e*er, esfolar e arranhar o mundo,
!u, 2ue s8 me contentaria com calcar o universo aos p,s,
Calcar, calcar, calcar at, n#o sentir.
!u, sinto 2ue ficou fora do 2ue ima+inei tudo o 2ue 2uis,
Fue em*ora eu 2uisesse tudo, tudo me faltou.
Caval+ada desmantelada por cima de todos os cimos,
Caval+ada desarticulada por *ai/o de todos os poços,
Caval+ada vôo, caval+ada seta, caval+ada pensamento)relPmpa+o,
Caval+ada eu, caval+ada eu, caval+ada o universo J eu.
$elahoho)o)o)o)o)o)o)o ...
1eu ser elástico, mola, a+ulha, trepidaç#o ...
Pecado ri+inal

Ah, 2uem escreverá a hist8ria do 2ue poderia ter sidoS
"erá essa, se al+u,m a escrever,
A verdadeira hist8ria da humanidade.
2ue há , s8 o mundo verdadeiro, n#o , n8s, s8 o mundoK
2ue n#o há somos n8s, e a verdade está a4.
"ou 2uem falhei ser.
"omos todos 2uem nos supusemos.
A nossa realidade , o 2ue n#o conse+uimos nunca.
Fue , da2uela nossa verdade J o sonho 5 3anela da infPnciaS
Fue , da2uela nossa certe'a J o prop8sito a mesa de depoisS
1edito, a ca*eça curvada contra as m#os so*repostas
"o*re o parapeito alto da 3anela de sacada,
"entado de lado numa cadeira, depois de 3antar.
Fue , da minha realidade, 2ue s8 tenho a vidaS
Fue , de mim, 2ue sou s8 2uem e/istoS
Fuantos C,sares fui.
Na alma, e com al+uma verdadeK
Na ima+inaç#o, e com al+uma 3ustiçaK
Na inteli+Dncia, e com al+uma ra'#o J
1eu 0eus. meu 0eus. meu 0eus.
Fuantos C,sares fui.
Fuantos C,sares fui.
Fuantos C,sares fui.
Poema em 7inha <eta

Nunca conheci 2uem tivesse levado porrada.
Eodos os meus conhecidos tDm sido campeMes em tudo.
! eu, tantas ve'es reles, tantas ve'es porco, tantas ve'es vil,
!u tantas ve'es irrespondivelmente parasita,
6ndesculpavelmente su3o.
!u, 2ue tantas ve'es n#o tenho tido paciDncia para tomar *anho,
!u, 2ue tantas ve'es tenho sido rid4culo, a*surdo,
Fue tenho enrolado os p,s pu*licamente nos tapetes das eti2uetas,
Fue tenho sido +rotesco, mes2uinho, su*misso e arro+ante,
Fue tenho sofrido en/ovalhos e calado,
Fue 2uando n#o tenho calado, tenho sido mais rid4culo aindaK
!u, 2ue tenho sido cômico 5s criadas de hotel,
!u, 2ue tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
!u, 2ue tenho feito ver+onhas financeiras, pedido emprestado sem pa+ar,
!u, 2ue, 2uando a hora do soco sur+iu, me tenho a+achado
Para fora da possi*ilidade do socoK
!u, 2ue tenho sofrido a an+Qstia das pe2uenas coisas rid4culas,
!u verifico 2ue n#o tenho par nisto tudo neste mundo.
Eoda a +ente 2ue eu conheço e 2ue fala comi+o
Nunca teve um ato rid4culo, nunca sofreu en/ovalho,
Nunca foi sen#o pr4ncipe ) todos eles pr4ncipes ) na vida...
Fuem me dera ouvir de al+u,m a vo' humana
Fue confessasse n#o um pecado, mas uma infPmiaK
Fue contasse, n#o uma violDncia, mas uma co*ardia.
N#o, s#o todos o 6deal, se os oiço e me falam.
Fuem há neste lar+o mundo 2ue me confesse 2ue uma ve' foi vilS
W principes, meus irm#os,
Arre, estou farto de semideuses.
nde , 2ue há +ente no mundoS
!nt#o sou s8 eu 2ue , vil e errôneo nesta terraS
Poder#o as mulheres n#o os terem amado,
Podem ter sido tra4dos ) mas rid4culos nunca.
! eu, 2ue tenho sido rid4culo sem ter sido tra4do,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titu*earS
!u, 2ue venho sido vil, literalmente vil,
%il no sentido mes2uinho e infame da vile'a.
Psi2uetipia =u PsicitipiaB

"4m*olos. Eudo s4m*olos
"e calhar, tudo , s4m*olos...
"erás tu um s4m*olo tam*,mS
lho, desterrado de ti, as tuas m#os *rancas
Postas, com *oas maneiras in+lesas, so*re a toalha da mesa.
Pessoas independentes de ti...
lho)as: tam*,m ser#o s4m*olosS
!nt#o todo o mundo , s4m*olo e ma+iaS
"e calhar ,...
! por 2ue n#o há de serS
"4m*olos...
!stou cansado de pensar...
!r+o finalmente os olhos para os teus olhos 2ue me olham.
"orris, sa*endo *em em 2ue eu estava pensando...
1eu 0eus. e n#o sa*es...
!u pensava nos s4m*olos...
<espondo fielmente 5 tua conversa por cima da mesa...
I6t (as ver- stran+e, (asndt itSI
IA (full- stran+e. And ho( did it endSI
IGell, it didnUt end. 6t never does, -ou [no(.I
"im, -ou [no(... !u sei...
"im eu sei...
L o mal dos s4m*olos, -ou [no(.
\es, 6 [no(.
Conversa perfeitamente natural... 1as os s4m*olosS
N#o tiro os olhos de tuas m#os... Fuem s#o elasS
1eu 0eus. s s4m*olos... s s4m*olos...
Fuando

Fuando olho para mim n#o me perce*o.
Eenho tanto a mania de sentir
Fue me e/travio 5s ve'es ao sair
0as pr8prias sensaçMes 2ue eu rece*o.
ar 2ue respiro, este licor 2ue *e*o,
Pertencem ao meu modo de e/istir,
! eu nunca sei como hei de concluir
As sensaçMes 2ue a meu pesar conce*o.
Nem nunca, propriamente reparei,
"e na verdade sinto o 2ue sinto. !u
"erei tal 2ual pareço em mimS "erei
Eal 2ual me 3ul+o verdadeiramenteS
1esmo ante as sensaçMes sou um pouco ateu,
Nem sei *em se sou eu 2uem em mim sente.
Fue lindos olhos de a'ul inocente os do pe2uenito do a+iota.

Fue lindos olhos de a'ul inocente os do pe2uenito do a+iota.
"anto 0eus, 2ue entroncamento esta vida.
Eive sempre, feli' ou infeli'mente, a sensi*ilidade humani'ada.
! toda a morte me doeu sempre pessoalmente,
"im, n#o s8 pelo mist,rio de ficar ine/pressivo o or+Pnico,
1as de maneira direta, cá do coraç#o.
Como o sol doura as casas dos r,pro*ros.
Poderei odiá)los sem desfa'er no solS
Afinal 2ue coisa a pensar com o sentimento distra4do
Por causa dos olhos de criança de uma criança ...
Fue noite serena.

Fue noite serena.
Fue lindo luar.
Fue linda *ar2uinha
Bailando no mar.
"uave, todo o passado J o 2ue foi a2ui de 7is*oa J me sur+e...
terceiro andar das tias, o sosse+o de outrora,
"osse+o de várias esp,cies,
A infPncia sem futuro pensado,
ru4do aparentemente cont4nuo da má2uina de costura delas,
! tudo *om e a horas,
0e um *em e de um a horas pr8prio, ho3e morto.
1eu 0eus, 2ue fi' eu da vidaS
Fue noite serena, etc.
Fuem , 2ue cantava issoS
6sso estava lá.
7em*ro)me mas es2ueço.
! d8i, d8i, d8i...
Por amor de 0eus, parem com isso dentro da minha ca*eça.
Fuero Aca*ar

Fuero aca*ar entre rosas, por2ue as amei na infPncia.
s crisPntemos de depois, desfolhei)os a frio.
Falem pouco, deva+ar.
Fue eu n#o oiça, so*retudo com o pensamento.
2ue 2uisS Eenho as m#os va'ias,
Crispadas fle*ilmente so*re a colcha lon+4n2ua.
2ue penseiS Eenho a *oca seca, a*strata.
2ue viviS !ra t#o *om dormir.
<ealidade

"im, passava a2ui fre2uentemente há vinte anos...
Nada está mudado J ou, pelo menos, n#o dou por isto J
Nesta localidade da cidade ...
$á vinte anos....
2ue eu era ent#o. ra, era outro...
$á vinte anos, e as casas n#o sa*em de nada...
%inte anos inQteis =e sei lá se o foram.
"ei eu o 2ue , Qtil ou inQtilSB...
%inte anos perdidos =mas o 2ue seria +anhá)losSB
Eento reconstruir na minha ima+inaç#o
Fuem eu era e como era 2uando por a2ui passava
$á vinte anos...
N#o me lem*ro, n#o me posso lem*rar.
outro 2ue a2ui passava, ent#o,
"e e/istisse ho3e, talve' se lem*rasse...
$á tanta persona+em de romance 2ue conheço melhor por dentro
0e 2ue esse eu)mesmo 2ue há vinte anos passava por a2ui.
"im, o mist,rio do tempo.
"im, o n#o se sa*er nada,
"im, o termos todos nascido a *ordo
"im, sim, tudo isso, ou outra forma de o di'er...
0a2uela 3anela do se+undo andar, ainda idDntica a si mesma,
0e*ruçava)se ent#o uma rapari+a mais velha 2ue eu, mais
lem*radamente de a'ul.
$o3e, se calhar, está o 2uDS
Podemos ima+inar tudo do 2ue nada sa*emos.
!stou parado f4sisca e moralmente: n#o 2uero ima+inar nada...
$ouve um dia em 2ue su*i esta rua pensando ale+remente no futuro,
Pois 0eus dá licença 2ue o 2ue n#o e/iste se3a fortemente iluminado,
$o3e, descendo esta rua, nem no passado penso ale+remente.
Fuando muito, nem penso...
Eenho a impress#o 2ue as duas fi+uras se cru'aram na rua, nem ent#o nem a+ora,
1as a2ui mesmo, sem tempo a pertur*ar o cru'amento.
lhamos indiferentemente um para o outro.
! eu o anti+o lá su*i a rua ima+inando um futuro +irassol,
! eu o moderno lá desci a rua n#o ima+inando nada.
Ealve' isso realmente se desse...
%erdadeiramente se desse...
"im, carnalmente se desse...
"im, talve'...
<eticDncias

Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na aç#o.
Fuero fa'er isto a+ora, como sempre 2uis, com o mesmo resultadoK
1as 2ue *om ter o prop8sito claro, firme s8 na clare'a, de fa'er 2ual2uer coisa.
%ou fa'er as malas para o 0efinitivo,
r+ani'ar Álvaro de Campos,
! amanh# ficar na mesma coisa 2ue antes de ontem J um antes de ontem 2ue , sempre...
"orrio do conhecimento antecipado da coisa)nenhuma 2ue serei.
"orrio ao menosK sempre , al+uma coisa o sorrir...
Produtos romPnticos, n8s todos...
! se n#o fôssemos produtos romPnticos, se calhar n#o ser4amos nada.
Assim se fa' a literatura...
"antos 0euses, assim at, se fa' a vida.
s outros tam*,m s#o romPnticos,
s outros tam*,m n#o reali'am nada, e s#o ricos e po*res,
s outros tam*,m levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
s outros tam*,m dormem ao lado dos pap,is meio compostos,
s outros tam*,m s#o eu.
%endedeira da rua cantando o teu pre+#o como um hino inconsciente,
<odinha dentada na relo3oaria da economia pol4tica,
1#e, presente ou futura, de mortos no descascar dos 6mp,rios,
A tua vo' che+a)me como uma chamada a parte nenhuma, como o silDncio da vida...
lho dos pap,is 2ue estou pensando em arrumar para a 3anela,
Por onde n#o vi a vendedeira 2ue ouvi por ela,
! o meu sorriso, 2ue ainda n#o aca*ara, inclui uma cr4tica metafisica.
0escri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distraç#o de ouvir apre+oando,
! o meu cansaço , um *arco velho 2ue apodrece na praia deserta,
! com esta ima+em de 2ual2uer outro poeta fecho a secretária e o poema...
Como um deus, n#o arrumei nem uma coisa nem outra...

"audaç#o a Galt Ghitman

Portu+al 6nfinito, on'e de 3unho de mil novecentos e 2uin'e...
$,)lá)á)á)á)á)á)á.
0e a2ui de Portu+al, todas as ,pocas no meu c,re*ro,
"aQdo)te, Galt, saQdo)te, meu irm#o em Hniverso,
!u, de mon8culo e casaco e/a+eradamente cintado,
N#o sou indi+no de ti, *em o sa*es, Galt,
N#o sou indi+no de ti, *asta saudar)te para o n#o ser...
!u t#o cont4+uo 5 in,rcia, t#o facilmente cheio de t,dio,
"ou dos teus, tu *em sa*es, e compreendo)te e amo)te,
! em*ora te n#o conhecesse, nascido pelo ano em 2ue morrias,
"ei 2ue me amaste tam*,m, 2ue me conheceste, e estou contente.
"ei 2ue me conheceste, 2ue me contemplaste e me e/plicaste,
"ei 2ue , isso 2ue eu sou, 2uer em Broo[l-n Ferr- de' anos antes de eu nascer,
Fuer pela <ua do uro acima pensando em tudo 2ue n#o , a <ua do uro,
! conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de m#os dadas,
0e m#os dadas, Galt, de m#os dadas, dançando o universo na alma.
W sempre moderno e eterno, cantor dos concretos a*solutos,
Concu*ina fo+osa do universo disperso,
9rande pederasta roçando)te contra a adversidade das coisas,
"e/uali'ado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissMes,
Cio das passa+ens, dos encontros casuais, das meras o*servaçMes,
1eu entusiasta pelo conteQdo de tudo,
1eu +rande her8i entrando pela 1orte dentro aos pinotes,
! aos urros, e aos +uinchos, e aos *erros saudando 0eus.
Cantor da fraternidade fero' e terna com tudo,
9rande democrata epid,rmico, contá+io a tudo em corpo e alma,
Carnaval de todas as açMes, *acanal de todos os prop8sitos,
6rm#o +Dmeo de todos os arrancos,
:ean):ac2ues <ousseau do mundo 2ue havia de produ'ir má2uinas,
$omero do insaisissa*le de flutuante carnal,
"ha[espeare da sensaç#o 2ue começa a andar a vapor,
1ilton)"helle- do hori'onte da !letricidade futura. incu*o de todos os +estos
!spasmo pra dentro de todos os o*3etos)força,
"outeneur de todo o Hniverso,
<ameira de todos os sistemas solares...
Fuantas ve'es eu *ei3o o teu retrato.
7á onde estás a+ora =n#o sei onde , mas , 0eusB
"entes isto, sei 2ue o sentes, e os meus *ei3os s#o mais 2uentes =em +enteB
! tu assim , 2ue os 2ueres, meu velho, e a+radeces de lá J,
"ei)o *em, 2ual2uer coisa mo di', um a+rado no meu esp4rito
Hma ereç#o a*strata e indireta no fundo da minha alma.
Nada do en+a+eant em ti, mas cicl8pico e musculoso,
1as perante o Hniverso a tua atitude era de mulher,
! cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Hniverso.
1eu velho Galt, meu +rande Camarada, evoh,.
Pertenço 5 tua or+ia *á2uica de sensaçMes)em)li*erdade,
"ou dos teus, desde a sensaç#o dos meus p,s at, 5 náusea em meus sonhos,
"ou dos teus, olha pra mim, de a4 desde 0eus vDs)me ao contrário:
0e dentro para fora... 1eu corpo , o 2ue adivinhas, vDs a minha alma J
!ssa vDs tu propriamente e atrav,s dos olhos dela o meu corpo J
lha pra mim: tu sa*es 2ue eu, Álvaro de Campos, en+enheiro,
Poeta sensacionista,
N#o sou teu disc4pulo, n#o sou teu ami+o, n#o sou teu cantor,
Eu sa*es 2ue eu sou Eu e estás contente com isso.
Nunca posso ler os teus versos a fio... $á ali sentir demais...
Atravesso os teus versos como a uma multid#o aos encontrMes a mim,
! cheira)me a suor, a 8leos, a atividade humana e mecPnica.
Nos teus ver sos, a certa altura n#o sei se leio ou se vivo,
N#o sei se o meu lu+ar real , no mundo ou nos teus versos,
N#o sei se estou a2ui, de p, so*re a terra natural,
u de ca*eça pra *ai/o, pendurado numa esp,cie de esta*elecimento,
No teto natural da tua inspiraç#o de tropel,
No centro do teto da tua intensidade inacess4vel.
A*ram)me todas as portas.
Por força 2ue hei de passar.
1inha senhaS Galt Ghitman.
1as n#o dou senha nenhuma...
Passo sem e/plicaçMes...
"e for preciso meto dentro as portas...
"im J eu, fran'ino e civili'ado, meto dentro as portas,
Por2ue neste momento n#o sou fran'ino nem civili'ado,
"ou !H, um universo pensante de carne e osso, 2uerendo passar,
! 2ue há de passar por força, por2ue 2uando 2uero passar sou 0eus.
Eirem esse li/o da minha frente.
1etam)me em +avetas essas emoçMes.
0a2ui pra fora, pol4ticos, literatos,
Comerciantes pacatos, pol4cia, meretri'es, souteneurs,
Eudo isso , a letra 2ue mata, n#o o esp4rito 2ue dá a vida.
esp4rito 2ue dá a vida neste momento sou !H.
Fue nenhum filho da... se me atravesse no caminho.
meu caminho , pelo infinito fora at, che+ar ao fim.
"e sou capa' de che+ar ao fim ou n#o, n#o , conti+o,
! comi+o, com 0eus, com o sentido)eu da palavra 6nfinito...
Pra frente.
1eto esporas.
"into as esporas, sou o pr8prio cavalo em 2ue monto,
Por2ue eu, por minha vontade de me consu*stanciar com 0eus,
Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou 2ual2uer coisa,
Conforme me der na +ana... Nin+u,m tem nada com isso...
7oucura furiosa. %ontade de +anir, de saltar,
0e urrar, 'urrar, dar pulos, pinotes, +ritos com o corpo,
0e me cramponner 5s rodas dos ve4culos e meter por *ai/o,
0e me meter adiante do +iro do chicote 2ue vai *ater,
0e ser a cadela de todos os c#es e eles n#o *astam,
0e ser o volante de todas as má2uinas e a velocidade tem limite,
0e ser o esma+ado, o dei/ado, o deslocado, o aca*ado,
0ança comi+o, Galt, lá do outro mundo, esta fQria,
"alta comi+o neste *atu2ue 2ue es*arra com os astros,
Cai comi+o sem forças no ch#o,
!s*arra comi+o tonto nas paredes,
Parte)te e esfran+alha)te comi+o
!m tudo, por tudo, 5 roda de tudo, sem tudo,
<aiva a*strata do corpo fa'endo maelstroms na alma...
Arre. %amos lá pra frente.
"e o pr8prio 0eus impede, vamos lá pra frente N#o fa' diferença
%amos lá pra frente sem ser para parte nenhuma
6nfinito. Hniverso. 1eta sem meta. Fue importaS
=0ei/a)me tirar a +ravata e desa*otoar o colarinho .
N#o se pode ter muita ener+ia com a civili'aç#o 5 roda do pescoço ...B
A+ora, sim, partamos, vá lá pra frente.
Numa +rande marche au/ fla*eu/)todas)as)cidades)da)!uropa,
Numa +rande marcha +uerreira a indQstria, o com,rcio e 8cio,
Numa +rande corrida, numa +rande su*ida, numa +rande descida
!strondeando, pulando, e tudo pulando comi+o,
"alto a saudar)te,
Berro a saudar)te,
0esencadeio)me a saudar)te, aos pinotes, aos pinos, aos +uinos.
Por isso , a ti 2ue endereço
1eus versos saltos, meus versos pulos, meus versos espasmos
s meus versos)ata2ues)hist,ricos,
s meus versos 2ue arrastam o carro dos meus nervos.
Aos tram*olhMes me inspiro,
1al podendo respirar, ter)me de p, me e/alto,
! os meus versos s#o eu n#o poder estoirar de viver.
A*ram)me todas as 3anelas.
Arran2uem)me todas as portas.
Pu/em a casa toda para cima de mim.
Fuero viver em li*erdade no ar,
Fuero ter +estos fora do meu corpo,
Fuero correr como a chuva pelas paredes a*ai/o,
Fuero ser pisado nas estradas lar+as como as pedras,
Fuero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares,
Com uma voluptuosidade 2ue 3á está lon+e de mim.
N#o 2uero fechos nas portas.
N#o 2uero fechaduras nos cofres.
Fuero intercalar)me, imiscuir)me, ser levado,
Fuero 2ue me façam pertença do4da de 2ual2uer outro,
Fue me despe3em dos cai/otes,
Fue me atirem aos mares,
Fue me v#o *uscar a casa com fins o*scenos,
"8 para n#o estar sempre a2ui sentado e 2uieto,
"8 para n#o estar simplesmente escrevendo estes versos.
N#o 2uero intervalos no mundo.
Fuero a conti+Vidade penetrada e material dos o*3etos.
Fuero 2ue os corpos f4sicos se3am uns dos outros como as almas,
N#o s8 dinamicamente, mas estaticamente tam*,m.
Fuero voar e cair de muito alto.
"er arremessado como uma +ranada.
6r parar a... "er levado at,...
A*strato au+e no fim cie mim e de tudo.

Cl4ma/ a ferro e motores.
!scadaria pela velocidade acima, sem de+raus.
Bom*a hidráulica desancorando)me as entranhas sentidas.

Ponham)me +rilhetas s8 para eu as partir.
"8 para eu as partir com os dentes, e 2ue os dentes san+rem
9o'o maso2uista, espasm8dico a san+ue, da vida.

s marinheiros levaram)me preso,
As m#os apertaram)me no escuro,
1orri temporariamente de senti)lo,
"e+uiu)se a minhUalma a lam*er o ch#o do cárcere privado,
! a ce+a)re+a das impossi*ilidades contornando o meu acinte.
Pula, salta, toma o freio nos dentes,
P,+aso)ferro)em)*rasa das minhas Pnsias in2uietas,
Paradeiro indeciso do meu destino a motores.
$e calls Galt:
Porta pra tudo.
Ponte pra tudo.
!strada pra tudo.
Eua alma omn4vora,
Eua alma ave, pei/e, fera, homem, mulher,
Eua alma os dois onde est#o dois,
Eua alma o um 2ue s#o dois 2uando dois s#o um,
Eua alma seta, raio, espaço,
Ample/o, ne/o, se/o, Ee/as, Carolina, Ne( \or[,
Broo[l-n Ferr- 5 tarde,
Broo[l-n Ferr- das idas e dos re+ressos,
7i*ertad. 0emocrac-. ",culo vinte ao lon+e.
PH1. pum. pum. pum. pum.
PH1.
Eu, o 2ue eras, tu o 2ue vias, tu o 2ue ouvias,
su3eito e o o*3eto, o ativo e o passivo,
A2ui e ali, em toda a parte tu,
C4rculo fechando todas as possi*ilidades de sentir,
1arco miliário de todas as coisas 2ue podem ser,
0eus Eermo de todos os o*3etos 2ue se ima+inem e ,s tu.
Eu $ora,
Eu 1inuto,
Eu "e+undo.
Eu intercalado, li*erto, desfraldado, ido,
6ntercalamento, li*ertaç#o, ida, desfraldamento,
Eu intercalador, li*ertador, desfraldador, remetente,
Carim*o em todas as cartas,
Nome em todos os endereços,
1ercadoria entre+ue, devolvida, se+uindo...
Com*oio de sensaçMes a alma)2uilômetros 5 hora,
& hora, ao minuto, ao se+undo, PH1.
A+ora 2ue estou 2uase na morte e ve3o tudo 3á claro,
9rande 7i*ertador, volto su*misso a ti.
"em dQvida teve um fim a minha personalidade.
"em dQvida por2ue se e/primiu, 2uis di'er 2ual2uer coisa
1as ho3e, olhando para trás, s8 uma Pnsia me fica J
N#o ter tido a tua calma superior a ti)pr8prio,
A tua li*ertaç#o constelada de Noite 6nfinita.
N#o tive talve' miss#o al+uma na terra.
$eia 2ue eu vou chamar
Ao privil,+io ruidoso e ensurdecedor de saudar)te
Eodo o formilhamento humano do Hniverso,
Eodos os modos de todas as emoçMes
Eodos os feitios de todos os pensamentos,
Eodas as rodas, todos os volantes, todos os Dm*olos da alma.
$eia 2ue eu +rito
! num corte3o de 1im at, ti estardalhaçam
Com uma al+aravia metafisica e real,
Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem ne/o.
Ave, salve, viva, 8 +rande *astardo de Apolo,
Amante impotente e fo+oso das nove musas e das +raças,
Funicular do limpo at, n8s e de n8s ao limpo.
"e te Fueres

"e te 2ueres matar, por 2ue n#o te 2ueres matarS
Ah, aproveita. 2ue eu, 2ue tanto amo a morte e a vida,
"e ousasse matar)me, tam*,m me mataria...
Ah, se ousares, ousa.
0e 2ue te serve o 2uadro sucessivo das ima+ens e/ternas
A 2ue chamamos o mundoS
A cinemato+rafia das horas representadas
Por atores de convençMes e poses determinadas,
circo policromo do nosso dinamismo sem f4mS
0e 2ue te serve o teu mundo interior 2ue desconhecesS
Ealve', matando)te, o conheças finalmente...
Ealve', aca*ando, comeces...
!, de 2ual2uer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa)te no*remente,
! n#o cantes, como eu, a vida por *e*edeira,
N#o saQdes como eu a morte em literatura.
Fa'es faltaS W som*ra fQtil chamada +ente.
Nin+u,m fa' faltaK n#o fa'es falta a nin+u,m...
"em ti correrá tudo sem ti.
Ealve' se3a pior para outros e/istires 2ue matares)te...
Ealve' peses mais durando, 2ue dei/ando de durar...
A má+oa dos outrosS... Eens remorso adiantado
0e 2ue te choremS
0escansa: pouco te chorar#o...
impulso vital apa+a as lá+rimas pouco a pouco,
Fuando n#o s#o de coisas nossas,
Fuando s#o do 2ue acontece aos outros, so*retudo a morte,
Por2ue , coisa depois da 2ual nada acontece aos outros...
Primeiro , a an+Qstia, a surpresa da vinda
0o mist,rio e da falta da tua vida falada...
0epois o horror do cai/#o vis4vel e material,
! os homens de preto 2ue e/ercem a profiss#o de estar ali.
0epois a fam4lia a velar, inconsolável e contando anedotas,
7amentando a pena de teres morrido,
! tu mera causa ocasional da2uela carpidaç#o,
Eu verdadeiramente morto, muito mais morto 2ue calculas...
1uito mais morto a2ui 2ue calculas,
1esmo 2ue este3as muito mais vivo al,m...
0epois a trá+ica retirada para o 3a'i+o ou a cova,
! depois o princ4pio da morte da tua mem8ria.
$á primeiro em todos um al4vio
0a tra+,dia um pouco maçadora de teres morrido...
0epois a conversa ali+eira)se 2uotidianamente,
! a vida de todos os dias retoma o seu dia...
0epois, lentamente es2ueceste.
"8 ,s lem*rado em duas datas, aniversariamente:
Fuando fa' anos 2ue nasceste, 2uando fa' anos 2ue morreste.
1ais nada, mais nada, a*solutamente mais nada.
0uas ve'es no ano pensam em ti.
0uas ve'es no ano suspiram por ti os 2ue te amaram,
! uma ou outra ve' suspiram se por acaso se fala em ti.
!ncara)te a frio, e encara a frio o 2ue somos...
"e 2ueres matar)te, mata)te...
N#o tenhas escrQpulos morais, receios de inteli+Dncia. ...
Fue escrQpulos ou receios tem a mecPnica da vidaS
Fue escrQpulos 2u4micos tem o impulso 2ue +era
As seivas, e a circulaç#o do san+ue, e o amorS
Fue mem8ria dos outros tem o ritmo ale+re da vidaS
Ah, po*re vaidade de carne e osso chamada homem.
N#o vDs 2ue n#o tens importPncia a*solutamente nenhumaS
Ls importante para ti, por2ue , a ti 2ue te sentes.
Ls tudo para ti, por2ue para ti ,s o universo,
! o pr8prio universo e os outros
"at,lites da tua su*3etividade o*3etiva.
Ls importante para ti por2ue s8 tu ,s importante para ti.
! se ,s assim, 8 mito, n#o ser#o os outros assimS
Eens, como $amlet, o pavor do desconhecidoS
1as o 2ue , conhecidoS 2ue , 2ue tu conheces,
Para 2ue chames desconhecido a 2ual2uer coisa em especialS
Eens, como Falstaff, o amor +orduroso da vidaS
"e assim a amas materialmente, ama)a ainda mais materialmente,
Eorna)te parte carnal da terra e das coisas.
0ispersa)te, sistema f4sico)2u4mico
0e c,lulas noturnamente conscientes
Pela noturna consciDncia da inconsciDncia dos corpos,
Pelo +rande co*ertor n#o)co*rindo)nada das aparDncias,
Pela relva e a erva da proliferaç#o dos seres,
Pela n,voa atômica das coisas,
Pelas paredes tur*ihonantes
0o vácuo dinPmico do mundo...
"4m*olos

"4m*olosS !stou farto de s4m*olos...
1as di'em)me 2ue tudo , s4m*olo,
Eodos me di'em nada.
Fuais s4m*olosS "onhos. J
Fue o sol se3a um s4m*olo, está *em...
Fue a lua se3a um s4m*olo, está *em...
Fue a terra se3a um s4m*olo, está *em...
1as 2uem repara no sol sen#o 2uando a chuva cessa,
! ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o a'ul do c,uS
1as 2uem repara na lua sen#o para achar
Bela a lu' 2ue ela espalha, e n#o *em elaS
1as 2uem repara na terra, 2ue , o 2ue pisaS
Chama terra aos campos, 5s árvores, aos montes,
Por uma diminuiç#o instintiva,
Por2ue o mar tam*,m , terra...
Bem, vá, 2ue tudo isso se3a s4m*olo...
1as 2ue s4m*olo ,, n#o o sol, n#o a lua, n#o a terra,
1as neste poente precoce e a'ulando)se
sol entre farrapos finos de nuvens,
!n2uanto a lua , 3á vista, m4stica, no outro lado,
! o 2ue fica da lu' do dia
0oura a ca*eça da costureira 2ue pára va+amente 5 es2uina
nde se demorava outrora com o namorado 2ue a dei/ouS
"4m*olosS N#o 2uero s4m*olos...
Fueria J po*re fi+ura de mis,ria e desamparo. J
Fue o namorado voltasse para a costureira.
"oneto :á Anti+o

lha, 0ais-: 2uando eu morrer tu hás de
di'er aos meus ami+os a4 de 7ondres,
em*ora n#o o sintas, 2ue tu escondes
a +rande dor da minha morte. 6rás de

7ondres pUra 6or2ue, onde nasceste =di'es...
2ue eu nada 2ue tu di+as acreditoB,
contar 52uele po*re rapa'ito
2ue me deu tantas horas t#o feli'es,

!m*ora n#o o sai*as, 2ue morri...
mesmo ele, a 2uem eu tanto 3ul+uei amar,
nada se importará... 0epois vai dar

a not4cia a essa estranha Cecil-
2ue acreditava 2ue eu seria +rande...
<aios partam a vida e 2uem lá ande.
"ou !u

"ou eu, eu mesmo, tal 2ual resultei de tudo,
!sp,cie de acess8rio ou so*ressalente pr8prio,
Arredores irre+ulares da minha emoç#o sincera,
"ou eu a2ui em mim, sou eu.
Fuanto fui, 2uanto n#o fui, tudo isso sou.
Fuanto 2uis, 2uanto n#o 2uis, tudo isso me forma.
Fuanto amei ou dei/ei de amar , a mesma saudade em mim.
!, ao mesmo tempo, a impress#o, um pouco inconse2Vente,
Como de um sonho formado so*re realidades mistas,
0e me ter dei/ado, a mim, num *anco de carro el,trico,
Para ser encontrado pelo acaso de 2uem se lhe ir sentar em cima.
!, ao mesmo tempo, a impress#o, um pouco lon+4n2ua,
Como de um sonho 2ue se 2uer lem*rar na penum*ra a 2ue se acorda,
0e haver melhor em mim do 2ue eu.
"im, ao mesmo tempo, a impress#o, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
0e haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
0e haver em*rulhado tudo como a mala sem as escovas,
0e haver su*stitu4do 2ual2uer coisa a mim al+ures na vida.
Baste. L a impress#o um tanto ou 2uanto metaf4sica,
Como o sol pela Qltima ve' so*re a 3anela da casa a a*andonar,
0e 2ue mais vale ser criança 2ue 2uerer compreender o mundo J
A impress#o de p#o com mantei+a e *rin2uedos
0e um +rande sosse+o sem :ardins de Pros,rpina,
0e uma *oa)vontade para com a vida encostada de testa 5 3anela,
Num ver chover com som lá fora
! n#o as lá+rimas mortas de custar a en+olir.
Baste, sim *aste. "ou eu mesmo, o trocado,
emissário sem carta nem credenciais,
palhaço sem riso, o *o*o com o +rande fato de outro,
A 2uem tinem as campainhas da ca*eça
Como chocalhos pe2uenos de uma servid#o em cima.
"ou eu mesmo, a charada sincopada
Fue nin+u,m da roda decifra nos serMes de prov4ncia.
"ou eu mesmo, 2ue rem,dio. ...
EABACA<6A
N#o sou nada.
Nunca serei nada.
N#o posso 2uerer ser nada.
& parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
:anelas do meu 2uarto,
0o meu 2uarto de um dos milhMes do mundo 2ue nin+u,m sa*e 2uem ,
=! se sou*essem 2uem ,, o 2ue sa*eriamSB,
0ais para o mist,rio de uma rua cru'ada constantemente por +ente,
Para uma rua inacess4vel a todos os pensamentos,
<eal, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mist,rio das coisas por *ai/o das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e ca*elos *rancos nos homens,
Com o 0estino a condu'ir a carroça de tudo pela estrada de nada.
!stou ho3e vencido, como se sou*esse a verdade.
!stou ho3e lQcido, como se estivesse para morrer,
! n#o tivesse mais irmandade com as coisas
"en#o uma despedida, tornando)se esta casa e este lado da rua
A fileira de carrua+ens de um com*oio, e uma partida apitada
0e dentro da minha ca*eça,
! uma sacudidela dos meus nervos e um ran+er de ossos na ida.
!stou ho3e perple/o como 2uem pensou e achou e es2ueceu.
!stou ho3e dividido entre a lealdade 2ue devo
& Ea*acaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
! 5 sensaç#o de 2ue tudo , sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como n#o fi' prop8sito nenhum, talve' tudo fosse nada.
A aprendi'a+em 2ue me deram,
0esci dela pela 3anela das traseiras da casa,
Fui at, ao campo com +randes prop8sitos.
1as lá encontrei s8 ervas e árvores,
! 2uando havia +ente era i+ual 5 outra.
"aio da 3anela, sento)me numa cadeira. !m 2ue hei)de pensarS
Fue sei eu do 2ue serei, eu 2ue n#o sei o 2ue souS
"er o 2ue pensoS 1as penso ser tanta coisa.
! há tantos 2ue pensam ser a mesma coisa 2ue n#o pode haver tantos.
9,nioS Neste momento
Cem mil c,re*ros se conce*em em sonho +,nios como eu,
! a hist8ria n#o marcará, 2uem sa*eS, nem um,
Nem haverá sen#o estrume de tantas con2uistas futuras.
N#o, n#o creio em mim.
!m todos os manic8mios há doidos malucos com tantas certe'as.
!u, 2ue n#o tenho nenhuma certe'a, sou mais certo ou menos certoS
N#o, nem em mim...
!m 2uantas mansardas e n#o)mansardas do mundo
N#o est#o nesta hora +,nios)para)si)mesmos sonhandoS
Fuantas aspiraçMes altas e no*res e lQcidas )
"im, verdadeiramente altas e no*res e lQcidas ),
! 2uem sa*e se reali'áveis,
Nunca ver#o a lu' do sol real nem achar#o ouvidos de +enteS
mundo , para 2uem nasce para o con2uistar
! n#o para 2uem sonha 2ue pode con2uistá)lo, ainda 2ue tenha ra'#o.
Eenho sonhado mais 2ue o 2ue Napole#o fe'.
Eenho apertado ao peito hipot,tico mais humanidades do 2ue Cristo,
Eenho feito filosofias em se+redo 2ue nenhum ]ant escreveu.
1as sou, e talve' serei sempre, o da mansarda,
Ainda 2ue n#o more nelaK
"erei sempre o 2ue n#o nasceu para issoK
"erei sempre s8 o 2ue tinha 2ualidadesK
"erei sempre o 2ue esperou 2ue lhe a*rissem a porta ao p, de uma parede sem porta
! cantou a canti+a do 6nfinito numa capoeira,
! ouviu a vo' de 0eus num poço tapado.
Crer em mimS N#o, nem em nada.
0errame)me a Nature'a so*re a ca*eça ardente
seu sol, a sua chuva, o vento 2ue me acha o ca*elo,
! o resto 2ue venha se vier, ou tiver 2ue vir, ou n#o venha.
!scravos card4acos das estrelas,
Con2uistámos todo o mundo antes de nos levantar da camaK
1as acordámos e ele , opaco,
7evantámo)nos e ele , alheio,
"a4mos de casa e ele , a terra inteira,
1ais o sistema solar e a %ia 7áctea e o 6ndefinido.
=Come chocolates, pe2uenaK
Come chocolates.
lha 2ue n#o há mais metaf4sica no mundo sen#o chocolates.
lha 2ue as reli+iMes todas n#o ensinam mais 2ue a confeitaria.
Come, pe2uena su3a, come.
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com 2ue comes.
1as eu penso e, ao tirar o papel de prata, 2ue , de folhas de estanho,
0eito tudo para o ch#o, como tenho deitado a vida.B
1as ao menos fica da amar+ura do 2ue nunca serei
A cali+rafia rápida destes versos,
P8rtico partido para o 6mposs4vel.
1as ao menos consa+ro a mim mesmo um despre'o sem lá+rimas,
No*re ao menos no +esto lar+o com 2ue atiro
A roupa su3a 2ue sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
! fico em casa sem camisa.
=Eu, 2ue consolas, 2ue n#o e/istes e por isso consolas,
u deusa +re+a, conce*ida como estátua 2ue fosse viva,
u patr4cia romana, impossivelmente no*re e nefasta,
u princesa de trovadores, +entil4ssima e colorida,
u mar2uesa do s,culo de'oito, decotada e lon+4n2ua,
u cocote c,le*re do tempo dos nossos pais,
u n#o sei 2uD moderno ) n#o conce*o *em o 2uD ),
Eudo isso, se3a o 2ue for, 2ue se3as, se pode inspirar 2ue inspire.
1eu coraç#o , um *alde despe3ado.
Como os 2ue invocam esp4ritos invocam esp4ritos invoco
A mim mesmo e n#o encontro nada.
Che+o 5 3anela e ve3o a rua com uma nitide' a*soluta.
%e3o as lo3as, ve3o os passeios, ve3o os carros 2ue passam,
%e3o os entes vivos vestidos 2ue se cru'am,
%e3o os c#es 2ue tam*,m e/istem,
! tudo isto me pesa como uma condenaç#o ao de+redo,
! tudo isto , estran+eiro, como tudo.B
%ivi, estudei, amei, e at, cri,
! ho3e n#o há mendi+o 2ue eu n#o inve3e s8 por n#o ser eu.
lho a cada um os andra3os e as cha+as e a mentira,
! penso: talve' nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
=Por2ue , poss4vel fa'er a realidade de tudo isso sem fa'er nada dissoBK
Ealve' tenhas e/istido apenas, como um la+arto a 2uem cortam o ra*o
! 2ue , ra*o para a2u,m do la+arto reme/idamente.
Fi' de mim o 2ue n#o sou*e,
! o 2ue podia fa'er de mim n#o o fi'.
domin8 2ue vesti era errado.
Conheceram)me lo+o por 2uem n#o era e n#o desmenti, e perdi)me.
Fuando 2uis tirar a máscara,
!stava pe+ada 5 cara.
Fuando a tirei e me vi ao espelho,
:á tinha envelhecido.
!stava *D*ado, 3á n#o sa*ia vestir o domin8 2ue n#o tinha tirado.
0eitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um c#o tolerado pela +erDncia
Por ser inofensivo
! vou escrever esta hist8ria para provar 2ue sou su*lime.
!ssDncia musical dos meus versos inQteis,
Fuem me dera encontrar)te como coisa 2ue eu fi'esse,
! n#o ficasse sempre defronte da Ea*acaria de defronte,
Calcando aos p,s a consciDncia de estar e/istindo,
Como um tapete em 2ue um *D*ado tropeça
u um capacho 2ue os ci+anos rou*aram e n#o valia nada.
1as o dono da Ea*acaria che+ou 5 porta e ficou 5 porta.
lhou)o com o desconforto da ca*eça mal voltada
! com o desconforto da alma mal)entendendo.
!le morrerá e eu morrerei.
!le dei/ará a ta*uleta, e eu dei/arei versos.
A certa altura morrerá a ta*uleta tam*,m, e os versos tam*,m.
0epois de certa altura morrerá a rua onde esteve a ta*uleta,
! a l4n+ua em 2ue foram escritos os versos.
1orrerá depois o planeta +irante em 2ue tudo isto se deu.
!m outros sat,lites de outros sistemas 2ual2uer coisa como +ente
Continuará fa'endo coisas como versos e vivendo por *ai/o de coisas como ta*uletas,
"empre uma coisa defronte da outra,
"empre uma coisa t#o inQtil como a outra,
"empre o imposs4vel t#o estQpido como o real,
"empre o mist,rio do fundo t#o certo como o sono de mist,rio da superf4cie,
"empre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
1as um homem entrou na Ea*acaria =para comprar ta*acoSB,
! a realidade plaus4vel cai de repente em cima de mim.
"emier+o)me en,r+ico, convencido, humano,
! vou tencionar escrever estes versos em 2ue di+o o contrário.
Acendo um ci+arro ao pensar em escrevD)los
! sa*oreio no ci+arro a li*ertaç#o de todos os pensamentos.
"i+o o fumo como uma rota pr8pria,
! +o'o, num momento sensitivo e competente,
A li*ertaç#o de todas as especulaçMes
! a consciDncia de 2ue a metaf4sica , uma conse2uDncia de estar mal disposto.
0epois deito)me para trás na cadeira
! continuo fumando.
!n2uanto o 0estino mo conceder, continuarei fumando.
="e eu casasse com a filha da minha lavadeira
Ealve' fosse feli'.B
%isto isto, levanto)me da cadeira. %ou 5 3anela.
homem saiu da Ea*acaria =metendo troco na al+i*eira das calçasSB.
Ah, conheço)o: , o !steves sem metaf4sica.
= dono da Ea*acaria che+ou 5 porta.B
Como por um instinto divino o !steves voltou)se e viu)me.
Acenou)me adeus +ritei)lhe Adeus 8 !steves., e o universo
<econstruiu)se)me sem ideal nem esperança, e o dono da Ea*acaria sorriu.
Eenho

Eenho uma +rande constipaç#o,
! toda a +ente sa*e como as +randes constipaçMes
Alteram todo o sistema do universo,
ban+am)nos contra a vida,
! fa'em espirrar at, 5 metaf4sica.
Eenho o dia perdido cheio de me assoar.
08i)me a ca*eça indistintamente.
Eriste condiç#o para um poeta menor.
$o3e sou verdadeiramente um poeta menor.
2ue fui outrora foi um dese3oK partiu)se.

Adeus para sempre, rainha das fadas.
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
N#o estarei *em se n#o me deitar na cama.
Nunca estive *em sen#o deitando)me no universo.

!/cuse' un peu... Fue +rande constipaç#o f4sica.
Preciso de verdade e da aspirina.
Ehe Eimes

"entou)se *D*ado 5 mesa e escreveu um fundo
0o Eimes, claro, inclassificável, lido,
"upondo =coitado.B 2ue ia ter influDncia no mundo....
"anto 0eus.... ! talve' a tenha tido.
Eodas as Cartas de Amor s#o <id4culas

Eodas as cartas de amor s#o
<id4culas.
N#o seriam cartas de amor se n#o fossem
<id4culas.
Eam*,m escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
<id4culas.
As cartas de amor, se há amor,
EDm de ser
<id4culas.
1as, afinal,
"8 as criaturas 2ue nunca escreveram
Cartas de amor
L 2ue s#o
<id4culas.
Fuem me dera no tempo em 2ue escrevia
"em dar por isso
Cartas de amor
<id4culas.
A verdade , 2ue ho3e
As minhas mem8rias
0essas cartas de amor
L 2ue s#o
<id4culas.
=Eodas as palavras esdrQ/ulas,
Como os sentimentos esdrQ/ulos,
"#o naturalmente
<id4culas.B
Erapo

dia deu em chuvoso.
A manh#, contudo, esteve *astante a'ul.
dia deu em chuvoso.
0esde manh# eu estava um pouco triste.
Antecipaç#o. Eriste'aS Coisa nenhumaS
N#o sei: 3á ao acordar estava triste.
dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penum*ra da chuva , ele+ante.
Bem sei: o sol oprime, por ser t#o ordinário, um ele+ante.
Bem sei: ser suscept4vel 5s mudanças de lu' n#o , ele+ante.
1as 2uem disse ao sol ou aos outros 2ue eu 2uero ser ele+anteS
0Dem)me o c,u a'ul e o sol vis4vel.
N,voa, chuvas, escuros J isso tenho eu em mim.
$o3e 2uero s8 sosse+o.
At, amaria o lar, desde 2ue o n#o tivesse.
Che+o a ter sono de vontade de ter sosse+o.
N#o e/a+eremos.
Eenho efetivamente sono, sem e/plicaç#o.
dia deu em chuvoso.
CarinhosS AfetosS "#o mem8rias...
L preciso ser)se criança para os ter...
1inha madru+ada perdida, meu c,u a'ul verdadeiro.
dia deu em chuvoso.
Boca *onita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coraç#o por comer...
Fuando foi issoS N#o sei...
No a'ul da manh#...
dia deu em chuvoso.
0o*rada 5 morda do Porto
Hm dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
"erviram)me o amor como do*rada fria.
0isse delicadamente ao missionário da co'inha
Fue a preferia 2uente,
Fue a do*rada =e era 5 moda do PortoB nunca se come fria.
6mpacientaram)se comi+o.
Nunca se pode ter ra'#o, nem num restaurante.
N#o comi, n#o pedi outra coisa, pa+uei a conta,
! vim passear para toda a rua.
Fuem sa*e o 2ue isto 2uer di'erS
!u n#o sei, e foi comi+o ...
="ei muito *em 2ue na infPncia de toda a +ente houve um 3ardim,
Particular ou pQ*lico, ou do vi'inho.
"ei muito *em 2ue *rincarmos era o dono dele.
! 2ue a triste'a , de ho3eB.
"ei isso muitas ve'es,
1as, se eu pedi amor, por2ue , 2ue me trou/eram
0o*rada 5 moda do Porto friaS
N#o , prato 2ue se possa comer frio,
1as trou/eram)mo frio.
N#o me 2uei/ei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
%ai pelo cais fora um *ul4cio de che+ada pr8/ima

%ai pelo cais fora um *ul4cio de che+ada pr8/ima,
Começam che+ando os primitivos da espera,
:á ao lon+e o pa2uete de África se avoluma e esclarece.
%im a2ui para n#o esperar nin+u,m,
Para ver os outros esperar,
Para ser os outros todos a esperar,
Para ser a esperança de todos os outros.
Era+o um +rande cansaço de ser tanta coisa.
Che+am os retardatários do princ4pio,
! de repente impaciento)me de esperar, de e/istir, de ser,
%ou)me em*ora *rusco e notável ao porteiro 2ue me fita muito
mas rapidamente.
<e+resso 5 cidade como 5 li*erdade.
%ale a pena sentir para ao menos dei/ar de sentir.
%ile+iatura

sosse+o da noite, na vile+iatura no altoK
sosse+o, 2ue mais aprofunda
ladrar esparso dos c#es de +uarda na noiteK
silDncio, 2ue mais se acentua,
Por2ue 'um*e ou murmura uma coisa nenhuma no escuro ...
Ah, a opress#o de tudo isto.
prime como ser feli'.
Fue vida id4lica, se fosse outra pessoa 2ue a tivesse
Com o 'um*ido ou murmQrio mon8tono de nada
"o* o c,u sardento de estrelas,
Com o ladrar dos c#es polvilhando o sosse+o de tudo.
%im para a2ui repousar,
1as es2ueci)me de me dei/ar lá em casa,
Erou/e comi+o o espinho essencial de ser consciente,
A va+a náusea, a doença incerta, de me sentir.
"empre esta in2uietaç#o mordida aos *ocados
Como p#o ralo escuro, 2ue se esfarela caindo.
"empre este mal)estar tomado aos maus haustos
Como um vinho de *D*ado 2uando nem a náusea o*sta.
"empre, sempre, sempre
!ste defeito da circulaç#o na pr8pria alma,
!sta lipotimia das sensaçMes,
6sto...
=Euas m#os es+uias, um pouco pálidas, um pouco minhas,
!stavam na2uele dia 2uietas pelo teu re+aço de sentada,
Como e onde a tesoira e o ideal de uma outra.
Cismavas, olhando)me, como se eu fosse o espaço.
<ecordo para ter em 2ue pensar, sem pensar.
0e repente, num meio suspiro, interrompeste o 2ue estavas sendo.
lhaste conscientemente para mim, e disseste:
IEenho pena 2ue todos os dias n#o se3am assimI J
Assim, como a2uele dia 2ue n#o fora nada ...
Ah, n#o sa*ias,
Feli'mente n#o sa*ias,
Fue a pena , todos os dias serem assim, assim:
Fue o mal , 2ue, feli' ou infeli',
A alma +o'a ou sofre o 4ntimo t,dio de tudo,
Consciente ou inconscientemente,
Pensando ou por pensar
Fue a pena , essa ...
7em*ro foto+raficamente as tuas m#os paradas,
1olemente estendidas.
7em*ro)me, neste momento, mais delas do 2ue de ti.
Fue será feito de tiS
"ei 2ue, no formidável al+ures da vida,
Casaste. Creio 2ue ,s m#e. 0eves ser feli'.
Por 2ue o n#o haverias de serS
"8 por maldade...
"im, seria in3usto...
6n3ustoS
=!ra um dia de sol pelos campos e eu dormitava, sorrindo.B

A vida...
Branco ou tinto, , o mesmo: , para vomitar.