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Sumário

1 Introdução......................................................................2

2 Espaço Físico................................................................2

2.1 Lisboa.......................................................................................2

2.2 Consultório de Carlos..............................................................3

2.3 Toca..........................................................................................4

3 Espaço Social................................................................5

3.1 Ambientes :Jantar na casa dos Gouvarinhos..........................5

3.2 Ambientes :Sarau do Teatro da Trindade...............................5

3.3 Figurantes: Eusebiozinho.......................................................6

3.4 Figurantes: Alencar................................................................7

3.5 Figurantes: Dâmaso................................................................7

4 Ação.............................................................................8

4.1 Ação da sociedade..................................................................8

4.2 Perspectiva existencial............................................................8

4.3 Ação Principal........................................................................10

5 Conclusão....................................................................10

6 Bibliografia..................................................................11

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A sociedade portuguesa do século XIX representada no livro “Os
Maias” de Eça de Queirós

Introdução

José Maria Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim, a 25 de Novembro de
1845, e foi um dos mais importantes escritores da literatura portuguesa do
século XIX.

No seu conjunto, as suas obras exibem formas e temas muito distintos. Isso não
transmite apenas um sentido agudo de insatisfação estética (patente também no
fato de o escritor ter submetido muitos dos seus textos a profundos trabalhos de
reescrita), mas também uma grande capacidade para prever e até antecipar o
sentido da evolução literária que no seu tempo Eça testemunhou e viveu.

Os Maias, após publicado, não foi muito bem aceito pela sociedade. No entanto,
hoje em dia é uma das obras mais importantes da literatura portuguesa.

Neste trabalho, não só é demonstrado o espaço físico e social, como também a
ação principal, entre outros aspectos de Os Maias.

Espaço Físico

Nesta obra, as características do espaço físico são muito importantes uma vez
que leva a concluir o modo de vida e as características das próprias
personagens.

Os espaços físicos apresentados ao longo da obra são os seguintes:

Lisboa

Lisboa concentra a alma de Portugal, a sua degradação moral, a ociosidade
crônica dos portugueses, simbolizando a decadência nacional, metaforicamente
representada pela estátua de Camões. Por ser a capital, centraliza a vida
econômica, literária e política do país. O retrato social que este meio físico
proporciona é-nos dado pelos “Episódios da vida romântica”.

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Consultório de Carlos

O luxuoso consultório de Carlos revela o seu diletantismo e a predisposição para
a sensualidade.

“Carlos não decidira fazer «exclusivamente» clínica: mas desejava decerto dar
consultas, mesmo gratuitas, como caridade e como prática. Então Vilaça sugeriu
que o consultório estivesse separado do laboratório”.

“E Vilaça bem depressa descobriu, para o laboratório, um antigo armazém, vasto
e retirado, ao fundo de um pátio, junto ao Largo das Necessidades.

- E o consultório, meu senhor, não é aqui, nem acolá; é no Rossio, ali em pleno
Rossio!”

“E tanto se agitou, que daí a dois dias tinha alugado um primeiro andar de
esquina.

Carlos mobilhou com luxo. Numa antecâmara, guarnecida de banquetas de
marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera
dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, a plantas
em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira
coberta de coleções do Charivari, de vistas estereoscópicas, de álbuns de atrizes
seminuas, para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano
mostrava o seu teclado branco”.

“O gabinete de Carlos ao lado era mais simples, quase austero, todo em veludo
verde-negro, com estantes de pau-preto. Alguns amigos que começavam a
cercar Carlos, Taveira, seu contemporâneo e agora vizinho do Ramalhete, o
Cruges, o marquês de Souselas, com quem percorrera a Itália — vieram ver
estas maravilhas”.

“Ocupava-se então mais do laboratório, que decidira instalar no armazém, às
Necessidades. (...) Entrava-se por um grande pátio, onde uma bela sombra
cobria um poço, e uma trepadeira se mirrava nos ganchos de ferro que a
prendiam ao muro. Carlos já decidira transformar aquele espaço em fresco
jardinete inglês; e a porta do casarão encantava-o, ogival e nobre, resto de
fachada de ermida, fazendo um acesso vulnerável para o seu santuário de
ciência”. (capitulo IV)

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Toca

Toca é o nome dado à habitação de certos animais, apontando desde logo para o
caráter canibalesco do relacionamento amoroso entre Carlos e Maria Eduarda.

Este é o recanto idílico, nos Olivais, onde Maria Eduarda e Carlos partilham as
curtas juras de Amor. Propriedade de Craft arrendada por Carlos para preservar
a sua privacidade amorosa, representa simbolicamente o “território” de Carlos e
Maria Eduarda.

A decoração permite-nos antever o desfecho desta relação. Os aposentos de
Maria Eduarda simbolizam a tragicidade da relação, pois estão carregados de
presságios: nas tapeçarias do quarto “desmaiavam, na trama lã, os amores de
Vênus e Marte”, de igual modo o amor de Carlos e de Maria Eduarda estava
condenado a desmaiar e desaparecer; “…a alcova resplandecia como o interior
de um tabernáculo profano…” misturando o sagrado com o profano para
simbolizar o desrespeito pelas relações fraternas. Deste modo, a descrição do
quarto tem traços próprios de um local dedicado ao culto: a porta de
comunicação “em arco de capela”, de onde pendia “uma pesada lâmpada de
Renascença” conferindo maior solenidade. Com o sol, o quarto “resplandecia
como (…) um tabernáculo. Carlos mostrava-se indiferente aos presságios,
inconsciente e distante, mas Maria Eduarda impressionava-se ao ver a cabeça
degolada de S. João Baptista, que foi degolado por tem denunciado a relação
incestuosa de Herodes, e a enorme coruja a fitar, com ar sinistro, o sei leito de
amor”, lembre-se que a coruja é considerada uma ave de mau agouro, que
surge aqui para vaticinar o futuro sinistro para este amor). O ídolo japonês que
há na Toca remete para a sensualidade exótica, heterodoxa, bestial desta
ligação incestuosa. Os guerreiros simbolizam a heroicidade, os evangelistas, a
religião, e os troféus agrícolas, o trabalho que teria existido na família Maia (e no
Portugal). Na primeira noite de amor entre Carlos e Maria Eduarda, a qual se dá
precisamente na Toca, dá-se uma grande trovoada como que a prever um mau
ambiente que se criaria resultante deste incesto.

Espaço Social

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O espaço social comporta os ambientes, onde atuam as personagens que o
narrador achou melhor representarem a sociedade portuguesa. Este está
dividido em ambientes e figurantes.

Ambientes

Jantar na casa dos Gouvarinhos:

Acima de tudo, estes jantares pretendiam transmitir:

- O atraso intelectual do país;
- A mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da
aristocracia;
- A degradação dos valores sociais.

As duas personagens a ter em conta neste episódios são:

- Conde Gouvarinho – é através desta personagem que se pode verificar a
grande contradição entre o ser e o parecer, pois o conde Gouvarinho é um
representante da alta política e do poder instituído, por outro lado não tem
qualquer visão histórica ou qualquer tipo de cultura relevante para a sua
posição. O fato de se ter pessoas como ele à frente do país é também o
motivo para o povo português se encontrar progressivamente decadente.
- Sousa Neto – Representante da administração pública, intelectualmente
muito medíocre e não conseguia manter uma conversa à altura do seu
cargo. Esta personagem vem acentuar a mediocridade mental que já fora
identificada e referida no Conde Gouvarinho.

É de se referir também o adultério que fora praticado pela Condessa de
Gouvarinho, pois esta, esteve envolvida com Carlos da Maia. (capitulo XII)

Sarau do Teatro da Trindade

A falta de educação, respeito e apreciação por parte dos espectadores da alta
sociedade só demonstra o mísero desenvolvimento de Portugal na época.

“E, com efeito, quando pela escada ornada de plantas chegaram ao ante-salão
(…)”.

“De ambos os lados se cerravam filas de cabeças, embebidas, enlevadas,
atulhando os bancos de palhinha até junto ao tablado, onde dominavam os
chapéus de senhoras picados por manchas claras de plumas ou flores. Em volta,

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de pé, encostados aos pilares ligeiros que sustêm a galeria refletidos pelos
espelhos (…). Por cima, no parapeito de veludo da galeria, corria outra linha de
senhoras (…)”

“O gás sufocava, vibrando cruamente naquela sala clara, de um tom desmaiado
de canário, raiada de reflexos de espelhos (…). E na extremidade da galeria,
num camarote feito de tabiques, com sanefas de veludo cor de cereja, duas
cadeiras de espaldar dourado permaneciam vazias na solenidade real do seu
damasco escarlate”.

“ (…) depois arremeteu para a borda do talhado, voltando-se para as cadeiras
reais (…)”.

Figurantes

Eusebiozinho:

Representa nesta obra a educação à portuguesa, um tipo de educação
retrógrada e deformante, em que sobressaem os valores morais atrofiantes e
caducos, o não desenvolvimento da agilidade física e a destreza intelectual. Esta
educação surge em contraste com a de Carlos.

“ (…) e o morgadinho, o Eusebiozinho, uma maravilha muito falada naqueles
sítios.

Quase desde o berço este notável menino revelara um edificante amor por
alfarrábios e por todas as coisas do saber. Ainda gatinhava e já a sua alegria era
estar a um canto, sobre uma esteira, embrulhado num cobertor, folheando in-
fólios com o craniozinho calvo de sábio curvado sobre as letras garrafais da boa
doutrina; e depois de crescidinho tinha tal propósito que permanecia horas
imóvel numa cadeira, de perninhas bambas, esfuracando o nariz: nunca
apetecera um tambor ou uma arma: mas cosiam-lhe cadernos de papel, onde o
precoce letrado, entre o pasmo da mamã e da titi, passava dias a traçar
algarismos, com a linguazinha de fora”.

“Mas o menino, molengão e tristonho, não se descolava das saias da titi: teve
ela de o pôr de pé, ampará-lo, para que o tenro prodígio não aluísse sobre as
perninhas flácidas; e a mamã prometeu-lhe que, se dissesse os versinhos,
dormia essa noite com ela...” (capitulo III)

Alencar
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Tomás Alencar simboliza o Ultra-romantismo, em oposição ao Realismo e ao
Naturalismo.

Com Alencar, é criticada a inércia intelectual portuguesa, fechada ao
desenvolvimento estrangeiro, nomeadamente uma literatura sentimentalista e
antiga.

Os adjetivos para descrever o seu comportamento, “longroso”, “plangente”,
“turvo” e “fatal”, revelam o sentimentalismo e o pessimismo do Ultra-
romantismo.

Apesar disso, é leal e generoso, para além de funcionar como elemento
referencial do passado de Carlos, já que era amigo de Pedro da Maia.

Por fim, Alencar, confundindo arte com moral, cai na incoerência e confunde o
privilégio do desonesto e transforma-se em “torre de pudicícia”.

“Todos os amigos de Pedro, naturalmente, a amavam. O Alencar, esse
proclamava-se com alarido «seu cavaleiro e seu poeta». Estava sempre em
Arroios, tinha lá o seu talher: por aquelas salas soltava as suas frases
ressoantes, por esses sofás arrastava as suas poses de melancolia. Ia dedicar a
Maria (e nada havia mais extraordinário que o tom langoroso e plangente, o olho
turvo, fatal, com que ele pronunciava este nome — MARIA!), ia dedicar-lhe o
seu poema, tão anunciado, tão esperado — FLOR DE MARTÍRIO! E citavam-se
estrofes que lhe fizera ao gosto cantante do tempo:

Vi-te essa noite no esplendor das salas

Com as loiras tranças volteando louca...” (capitulo II)

Dâmaso:

Dâmaso Salcede simboliza os vícios e os defeitos da Lisboa da regeneração,
nomeadamente a vaidade imbecil, o egoísmo, a cobardia, a degradação moral, o
excessivo egocentrismo e a visão deformada da vida.

Este tem comportamentos contraditórios, mas sempre repreensíveis. Podemos
ver isso na sua insistência em acompanhar Carlos constantemente, imitá-lo e
traí-lo (publica um artigo contra a reputação de Carlos da Maia no jornal).

Dâmaso, apesar de pouco atraente, tem um caráter narcisista, passando por
idiota visto que pensa que as mulheres sentem um fascínio por ele, mesmo
desrespeitando-as.

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“Dâmaso, no entanto, imitava o Maia com uma minuciosidade inquieta, desde a
barba, que começava agora a deixar crescer, até à forma dos sapatos”.

“Dâmaso era interminável, torrencial, inundante a falar das «suas conquistas»,
naquela sólida satisfação em que vivia de que todas as mulheres, desgraçadas
delas, sofriam a fascinação da sua pessoa e da sua toilette. E em Lisboa,
realmente, era exato. Rico, estimado na sociedade, com coupé e parelha, todas
as meninas tinham para ele um olhar doce”. (capitulo VII)

Ação

Ação da sociedade:

Em ralação à crônica de costumes, Eça descreve a sociedade da segunda metade
do século XIX apontando os seus defeitos e vícios.

No entanto, no final abre uma perspectiva da existência que se cruza com a
concepção trágica da intriga, ou seja, apesar da ação ser fechada quanto à
história da família Maia, podemos imaginar uma futura vida para Carlos quando
este revela o seu gosto de viver ao querer saborear “o prato de paio com
ervilhas” nos capítulos finais.

Perspectiva existencial:

Durante o último dialogo apresentado entre Carlos e Ega, apesar da desilusão
pessimista que têm para com as suas vidas, o instinto, a faceta romântica,
conjuntamente com o sonho, podemos ver que ambos continuam a dominar
correndo “desesperadamente pela Rampa de Santos pelo Aterro” para não
perderam o americano que os levaria ao Bragança, depois de Carlos ter
lamentado o fato de ter esquecido mandar fazer “um grande prato de paio com
ervilhas”. (capitulo XVIII)

Mais importante ainda é o fato de Ega e Carlos terem determinado a “teoria
definitiva da existência – o fatalismo muçulmano”, ou seja “nada desejar e nada
recear”.

Esta teoria, após os dez anos, resume aquilo que está no centro da corrente
naturalista, segundo a qual a literatura deveria ser uma aplicação das teses
científicas e filosóficas mais recentes

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A educação de Carlos é muito diferente da recebida pelo seu pai, no entanto
ambos foram vitimas e não conseguiram ser felizes no amor.

Com isto, Eça desarma a teoria que colocava o Homem no centro da relação
causa/conseqüência, para deixar perpassar a idéia do absurdismo – o ser
humano seria um contingente cujo percurso estaria determinado por algo alheio.

Desta forma, Os Maias propõe uma reflexão sobre o destino do Homem no
mundo.

Ação Principal:

Na intriga principal são retratados os amores incestuosos de Carlos e Maria
Eduarda que terminam com a desagregação da família – morte de Afonso da
Maia e separação de Carlos e Maria Eduarda.

Carlos é protagonista da intriga principal.

A ação principal inicia-se quando Carlos vê Maria Eduarda acompanhada por
Castro Gomes.

De seguida visita Rosa, filha de Maria Eduarda, a pedido de Dâmaso uma vez
que a família não se encontrava presente. No entanto, ele volta, mas desta vez
a pedido da própria Maria Eduarda para cuidar de Miss Sara que estava doente.
Pouco tempo depois Carlos declara-se a Maria Eduarda que mostra sentir o
mesmo. Aqui dá-se a consumação do encesto.

Apesar de roda a felicidade sentida na altura, Guimarães, que conhece Maria
Eduarda, revela a Ega que ela e Carlos são na realidade irmãos. Este revela a
Carlos que por sua vez abre-se com o avô. Após todo esta situação Carlos
realiza o incesto voluntariamente até que Afonso morre.

No entanto, Maria Eduarda descobre toda a verdade e parte para Paris,
enquanto que ele viaja durante dez anos pela Europa. Desta forma, dá-se a
separação do casal.

Depois dessa longa viajem, Carlos volta a Portugal.

Entre a intriga principal e a intriga secundária podemos observar um certo
paralelismo, uma vez que a intriga principal só se dá porque são criadas
condições para tal, pela intriga secundária, e além disso há pontos em comum
entre estas.

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Apesar das educações opostas de Pedro e de Carlos, ambos são vítimas do meio
em que se inserem e que levará à frustração dos seus ideais e capacidades.
Tanto Pedro como Carlos tem vidas muito relaxadas. O primeiro desejou o
encontro com Maria Monforte e consegui-o graças a Alencar, o segundo desejou
o encontro com Maria Eduarda e consegui-o, também, mas graças ao Dâmaso,
ambos são objetos de uma paixão avassaladora.

Afonso opõe-se a ambos os romances, ao de Pedro devido aos antecedentes de
Maria Monforte, cujo pai enriquecera por negociar escravos, ao de Carlos por
considerar Maria Eduarda “uma amante”.

Maria Monforte retarda o encontro com Afonso, enquanto que Carlos e Maria
Eduarda retardam a felicidade por causa de Afonso. Em ambos os romances
surge um elemento desencadeador do drama, no caso de Pedro, e da tragédia
no caso de Carlos, sendo Tancredo para Pedro e Guimarães para o de Carlos.
Pedro suicida-se fisicamente, enquanto que Carlos se suicida psicologicamente.

Conclusão

Com este trabalho, chega-se a diversas conclusões, nomeadamente o fato de
que são os espaços físicos e sociais que nos dão a conhecer como era a
sociedade do século XIX: a educação, a política, a administração publica, o
talento artístico, entre muitas outras coisas, estavam como que “deformadas”,
levando a um país atrasado em diversos aspectos.

Quando lemos a obra Os Maias, é importante não dar atenção apenas à história
propriamente dita, uma vez que são os espaços que nos dão muitas informações
importantes para a compreensão.

Bibliografia

pt.wikipedia.org/wiki/Os_Maias

www.mundocultural.com.br/analise/maias_eca.pdf

pwp.netcabo.pt/0511134301/eca.htm

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