Estes apontamentos forma elaborados pela profª Anabela Quadrado em anos lectivos anteriores.

ÍNDICE
INTRODUÇÃO I – PRODUÇÃO INTEGRADA 1 – NOÇÃO DE ECOSSISTEMA AGRÁRIO 2 - PRINCÍPIOS DA PRODUÇÃO INTEGRADA II – PROTECÇÃO INTEGRADA 1 – CONCEITO DE PROTECÇÃO INTEGRADA 2 – COMPONENTES DA PROTECÇÃO INTEGRADA a) Estimativa do Risco b) Nível Económico de Ataque c) Escolha dos Meios de Protecção Luta Biológica Luta Biotécnica Luta Genética Luta Cultural Luta Física Luta Química III – PROBLEMAS QUE AFECTAM AS PLANTAS 1 – ACIDENTES FISIOLÓGICOS 2 – ACIDENTES METEOROLÓGICOS 3 – INFESTANTES 4 – DOENÇAS 5 – PRAGAS IV – CONTROLO DE DOENÇAS E PRAGAS 1 – DOENÇAS MAIS IMPORTANTES 1 – Míldio 2 – Oídio 3 – Podridão Cinzenta 4 – Ferrugem 5 – Pedrado 6 – Lepra do Pessegueiro 04 06 06 06 08 08 08 08 11 11 12 14 16 17 19 21 23 23 23 24 24 25 25 26 26 27 28 29 30 31 7 – Doenças vasculares causadas por fungos do solo 31 8 – Bacterioses 32 9 - Viroses 34 2 – PRAGAS MAIS IMPORTANTES 1 – Bichado da Fruta 2 - Escaravelho da Batateira 3 – Traça das Uvas 4 – Borboletas (lagartas) das Couves 5 – Mosca Branca 6 – Mosca da Fruta 7 – Cochonilhas 8 – Filoxera 9 – Afídeos 10 – Alfinete 11 – Brocas do Milho 12 – Larvas Mineiras 13 – Ácaros 14 – Tripes 15 – Nemátodos 34 35 36 37 38 38 39 40 42 43 44 45 46 47 48 49

3 - QUADROS RESUMO DE TÉCNICAS DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO EM AGRICULTURA BIOLÓGICA 50 1 – Videira 50 2 – Pessegueiro 51 3 – Macieira e Pereira 52 4 – Oliveira 53 5 – Culturas Hortícolas 54 V – APLICAÇÃO DE PESTICIDAS 1 – RISCOS 2 – PREPARAÇÃO DA CALDA 3 – CASO PARTICULAR DA APLICAÇÃO DE HERBICIDAS VI – PARA SABER MAIS 58 58 59 61 63

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INTRODUÇÃO
Quando os agricultores têm pouca formação e, pressionados por factores económicos ou outros, deixam de produzir as culturas tradicionais, utilizando as técnicas ancestrais bem conhecidas e testadas, cometem muitos erros. Estes têm-se traduzido:

> > > >

No aumento da poluição; No aumento dos custos de produção; No empobrecimento dos solos, que ás vezes leva à desertificação; Numa diminuição da saúde deles próprios e dos consumidores dos seus produtos.

Estes agricultores produzem com pouca planificação não prevenindo os problemas. E quando os problemas surgem actuam com o primeiro produto que um comerciante, mais ou menos escrupuloso, lhes põe nas mãos.

Felizmente que esta situação tem vindo a mudar, essencialmente pelo aumento de formação dos nossos agricultores, mas também pelo esforço desenvolvido pelos técnicos do Ministério da Agricultura (www.min-agricultura.pt) que têm conseguido levar os produtores a praticarem uma PRODUÇÃO INTEGRADA.

PRODUÇÃO INTEGRADA, que pressupõe:

O reconhecimento da existência de um ecossistema agrário. Uma planificação cuidada não só de uma cultura mas da utilização plurianual de um espaço; Uso de medidas e técnicas culturais que: - Criam condições óptimas para o bom desenvolvimento da cultura; - Levam ao afastamento ou destruição do inimigo; - Evitam a reintrodução desse ou de outro parasita.

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OS COMPONENTES DE UM ECOSSISTEMA AGRÁRIO que interagem entre si criando, ou não, boas condições para o desenvolvimento das plantas

Nesta maneira de produzir inclui-se a PROTECÇÃO INTEGRADA, isto é, a luta química deixou de ser cega para ser racional, só sendo usada quando:

E com produtos que respeitem o utilizador, o consumidor, o ambiente e a fauna útil, que controla naturalmente os parasitas das plantas cultivadas.

• • •

As medidas preventivas falharam; Quando o nível do ataque o justificar;

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I – PRODUÇÃO INTEGRADA
1 – NOÇÃO DE ECOSSISTEMA AGRÁRIO Os ecossistemas constituem unidades funcionais independentes e que podem subsistir como tal. Os ecossistemas têm dimensão muito diversa, podendo limitar-se a um aquário, ou a uma árvore ou alargar-se a um lago, a um pomar, a uma floresta, ou mesmo a um oceano, ou a um continente. Os ecossistemas agrários correspondem a áreas em que se desenvolvem actividades agrárias, como uma cultura agrícola, uma pastagem e o respectivo gado ou uma cultura florestal ou, ainda, uma região natural integrando esses três tipos de actividades agrárias. Os agricultores procuram alcançar o melhor rendimento nas suas culturas. Neste contexto, a planta cultivada ocupa a posição central em cada ecossistema agrário. O desenvolvimento e o estado sanitário da planta são condicionados por um conjunto de factores interdependentes: • • • • • • • natureza das cultivares rotação mobilização do solo fertilização rega amanhos e granjeios (operações culturais) desenvolvimento de pragas, doenças, infestantes, etc.

Muitas vezes admite-se que a utilização de um produto fitofarmacêutico na luta química se traduz por uma relação simples: acção de um insecticida contra afídeos, de um fungicida contra fungos, de um herbicida contra infestantes. Na verdade, a multidão de interacções que se exercem entre os diferentes componentes do ambiente impede que a situação seja tão simples. De facto, interacções de natureza indirecta envolvem elementos que actuam sobre o vigor das plantas. Estas interacções são negativas quando favorecem o desenvolvimento de organismos nocivos às culturas. Por exemplo, uma adubação azotada excessiva pode favorecer os ataques de afídeos ou fungos. Uma técnica cultural pode facilitar a propagação de doenças ou infestantes. Estas interacções provocadas por causa naturais, como por exemplo o clima, ou artificiais, como as técnicas culturais, provocam importantes flutuações que podem perturbar seriamente o equilíbrio natural de um ecossistema agrário.

2 – PRINCÍPIOS DA PRODUÇÃO INTEGRADA

Desde os anos 40, em consequência dos efeitos secundários dos pesticidas orgânicos de síntese, tem-se procurado, através da Protecção Integrada, reduzir os seus inconvenientes em relação ao Homem, aos animais domésticos e ao ambiente. Com a Produção Integrada, durante a última década, pretendeu-se alargar estas preocupações a todas as práticas agrícolas, nomeadamente no âmbito da fertilização, da rega, da manutenção do solo, da defesa contra a erosão e dos efluentes em agricultura. Assim, em 1999, vários organismos internacionais estabeleceram um conceito comum de Produção Integrada que é o seguinte: “A Produção Integrada é um sistema agrícola de produção de alimentos de alta qualidade e de outros produtos, utilizando os recursos naturais e os mecanismos de regulação natural em substituição de factores de produção prejudiciais ao ambiente e de modo a assegurar, a longo prazo, uma agricultura viável.”

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Em Produção Integrada são adoptadas orientações que podem ser agrupadas do seguinte modo: I – Medidas visando essencialmente a produção – garantir um adequado teor de matéria orgânica no solo, fertilização e rega de acordo com as necessidades das plantas (conhecidas através de análises), etc. II – Medidas visando simultaneamente a produção, mas que também são medidas indirectas utilizadas em Protecção Integrada, tais como: • O uso óptimo dos recursos naturais – utilização de variedades resistentes; podas em verde para melhorar o arejamento e iluminação, etc. • Práticas culturais sem impacto negativo no ecossistema agrário – não utilização excessiva de adubos, em particular dos azotados; enrelvamento de pomares, evitando assim a erosão, promovendo a biodiversidade e controlando as infestantes. • A protecção e o aumento dos auxiliares. III – Meios directos de luta exclusivamente da área da Protecção Integrada.

NOTA: O Ministério da Agricultura tem excelentes publicações sobre Produção e Protecção Integrada para variadíssimas culturas. Podem, inclusive, ser consultadas na Internet no site www.dgpc.min-agricultura.pt

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II – PROTECÇÃO INTEGRADA 1 – CONCEITO DE PROTECÇÃO INTEGRADA A ignorância e o desrespeito pelos factores ecológicos aumentam a dificuldade relativa à manutenção da boa saúde das plantas. Esta situação é agravada quando se usam muitos tratamentos químicos já que estes trazem novas dificuldades que têm a ver com:

• • • • •

A intensificação do ataque de certas pragas. O desenvolvimento de novas pragas. O aparecimento e o agravamento de fenómenos de resistência. O aumento da poluição do ambiente. O acréscimo dos custos de produção.

Uma progressiva consciencialização da importância das bases ecológicas levou à concepção da Protecção Integrada que visa, portanto, uma melhor gestão dos factores componentes do ecossistema agrário, através de uma estratégia limitativa ou correctiva, em contraste com a luta química que dá preferência a uma estratégia preventiva ou curativa. O objectivo é manter as populações dos inimigos das culturas a um nível suficientemente baixo para que os prejuízos causados sejam economicamente toleráveis.

2 – COMPONENTES DA PROTECÇÃO INTEGRADA De acordo com o conceito de Protecção Integrada é essencial a necessidade de “tolerar” o maior números de factores negativos para a planta, nunca deixando de assegurar o equilíbrio da cultura. Este é o aspecto ecológico fundamental da Protecção Integrada. Mas em agricultura é também fundamental o aspecto económico.

ECOLOGIA

ECONOMIA

• Suportar, tolerar, viver com…grande número de organismos, mas assegurando o equilíbrio biológico. • Conservar ou melhorar a qualidade do solo e do ambiente.

• Negócio rentável. • Obter produtos de qualidade.

A procura de equilíbrio entre o aspecto ecológico e o económico conduz à noção de um nível de tolerância, base fundamental da Protecção Integrada. Este nível é designado por nível económico de ataque.

O agricultor antes de agir deve sempre ter em conta os componentes essenciais da Protecção Integrada que são: a)

A estimativa de risco.
fitossanitária. Conhecer e utilizar o tolerável.

Para isso deve vigiar periodicamente a cultura para apreciar a situação

b)

nível económico de ataque, para saber se uma dada situação é ou não escolha racional dos meios de protecção, que não serão

c)

Quando se justifique, fazer uma necessariamente pesticidas.

a) A Estimativa do Risco
A Estimativa do Risco calcula-se pelo Método da Amostragem. Os métodos de amostragem podem ser directos ou indirectos. Pelos métodos de amostragem directos obtém-se um conjunto de dados numéricos a partir da observação directa de um número determinado de folhas, ou ramos ou outro qualquer órgão das plantas. Com os métodos de amostragem indirecta procede-se à captura das pragas e dos auxiliares através de dispositivos apropriados, como os utilizados na técnica das pancadas e nos vários tipos de armadilhas. Através do número de insectos capturados faz-se uma estimativa da população total. Do mesmo modo, os valores obtidos nos postos meteorológicos, e que servem aos técnicos dos avisos agrícolas para preverem uma praga ou infecção por fungos, também se incluem nos métodos indirectos.

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É importante perceber que mesmo os melhores métodos de amostragem só são utilizáveis e eficazes se o utilizador dispõe de conhecimentos suficientes sobre os organismos presentes e sobre a cultura, bem como os factores que os influenciam. No Quadro que se segue apresentam-se, como exemplo, vários métodos de amostragem a adoptar no estudo de pragas de diferentes culturas.

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A natureza das pragas e do seu estado de desenvolvimento condiciona a escolha do método de amostragem, como se mostra no quadro seguinte.

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b) Nível Económico de Ataque
A noção de Nível Económico de Ataque (NEA) constitui o elemento fundamental e característico da Protecção Integrada (PI). Este conceito implica uma transformação nas concepções da protecção das plantas, pois leva o agricultor a “tolerar” e a aceitar a presença, até um certo nível, das pragas em actividade na sua cultura e a utilizar todos os elementos positivos do ecossistema agrário, antes de intervir directamente contra essas pragas. Assim o NEA é a intensidade de ataque do inimigo da cultura a que se devem aplicar medidas limitativas ou de combate para impedir que a cultura sofra o risco de prejuízos superiores ao custo das medidas de luta a adoptar mais o dos efeitos indesejáveis que estas últimas possam causar. O estabelecimento deste nível implica, portanto, a comparação dos dois elementos seguintes: 1 – A estimativa de risco ou de ameaça, que engloba a apreciação quantitativa dos organismos nocivos e a análise da influência de certos factores (abióticos, bióticos, culturais e económicos) na nocividade desses organismos e, portanto, nos prejuízos previsíveis, directos (ex: perda da colheita) ou indirectos (ex: perda do vigor das árvores). 2 – A estimativa de custo dos meios de protecção previstos, englobando todos os tipos de custos. Na luta química, por exemplo, devem considerar-se não só os custos directos do pesticida e da sua aplicação, como também os custos indirectos, como sejam por exemplo os efeitos secundários indesejáveis (ex: aparecimento de resistências, resíduos tóxicos, degradação do ambiente, destruição de auxiliares e consequentes desequilíbrios biológicos) que constituem também uma carga económica negativa.

c) Escolha dos Meios de Protecção
A escolha dos meios de protecção deve ser feita caso a caso, procurando sempre respeitar os princípios da PI. De acordo com estes princípios não se pretende eliminar o inimigo, mas antes manter a intensidade do seu ataque a um nível suficientemente baixo para que os prejuízos económicos sejam suportáveis. Procura-se também modificar favoravelmente a incidência dos factores naturais condicionantes da nocividade do inimigo da cultura. Em PI jamais se adopta a solução, infelizmente muito generalizada, do recurso à luta química cega, isto é, da quase instintiva utilização dos pesticidas. Os pesticidas aplicam-se muitas vezes mesmo sem a presença do inimigo e sem uma prévia ponderação dos seus potenciais inconvenientes. Também raramente se pondera se será possível o recurso a um meio de luta alternativo.

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Meios de luta possíveis: Luta Biológica
Baseia-se na utilização de inimigos naturais dos parasitas para reduzir a sua população. Pode passar por criar condições favoráveis ao aparecimento desses inimigos naturais, ou, quando eles não existirem, introduzi-los na cultura.

Estes auxiliares são comprados normalmente na fase inicial do seu desenvolvimento e por isso devem ser introduzidos na cultura com o tempo necessário para se desenvolverem e serem parasitas eficazes. A sua actuação não é instantânea como um insecticida e por isso é preciso saber esperar para ver se está a ser eficaz, antes de, apressadamente, se ir aplicar um produto químico. Embora seja possível utilizar em simultâneo luta química e luta biológica, é muito importante saber quais são os efeitos das diversas substâncias activas sobre os auxiliares. Ver quadros seguintes:

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Sobre auxiliares e o modo de os utilizar existe um site excelente que é o da empresa BIOBEST – www.biobest.be

Luta Biotécnica
Neste grupo incluem-se todos os meios, normalmente presentes no organismo da praga ou no seu habitat, que é possível manipular de modo a alterar negativamente certas funções vitais o que leve à morte ou à incapacidade de reprodução do parasita. Como exemplos temos: Hormonas e reguladores de crescimento dos insectos - que os impedem de completar as metamorfoses e de atingir a maturidade sexual. Antiquitinas – que impedem que o insecto forme a sua carapaça protectora de quitina. Feromonas – as feromonas sexuais (as mais utilizadas) podem ser utilizadas como meio de protecção através de duas vias de aplicação prática: A primeira consiste na captura, através de número suficiente de armadilhas, de uma grande quantidade da população de modo a reduzir drasticamente o número de reprodutores. Este método sozinho pode ter uma eficácia limitada. O segundo método é chamado de confusão, e consiste essencialmente em interferir com o acasalamento. Os machos recebendo o atractivo de várias direcções, tornam-se incapazes de localizar e fecundar as fêmeas.

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Substâncias esterilizantes (luta autocida) – consiste em introduzir, numa população selvagem duma dada espécie, machos esterilizados em laboratório. A presença destes machos, portadores de genes letais, conduzirá, a prazo, ao desaparecimento da praga em consequência da queda progressiva da viabilidade dos ovos. Substâncias inibidoras da alimentação (fago inibidores) – podem ser extractos de plantas (óleo de Neem, por exemplo) ou químicas como o estanho, que se pulverizam sobre as plantas e que fazem com que a praga perca a vontade de a parasitar.

Luta Genética
Consiste na utilização de variedades/cultivares resistentes a pragas e doenças habituais numa cultura ou numa região.

Luta Cultural
Os meios de luta cultural estão para a saúde das plantas como a higiene e a nutrição estão para a saúde do homem. Não são tudo mas são parte muito importante.

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MEDIDAS CULTURAIS COM INTERESSE NA PROTECÇÃO DAS PLANTAS MEDIDAS DIRECTAS

Tendentes à destruição ou afastamento do inimigo: - Eliminação de focos de doenças, pragas e infestantes. - Eliminação de plantas hospedeiras de parasitas. - Eliminação de infestantes, de preferência por monda manual ou mecânica. É importante evitar ao máximo os herbicidas nas terras de cultura, não só pelos resíduos fito tóxicos mas também porque “se observou que alguns aumentam a libertação de metabolitos à superfície das raízes e facilitam, assim, o desenvolvimento de fungos parasitas dos géneros Rhizoctonia, Fusarium, Pythium e Phytophtora que vão causar doenças radiculares” (in INTRODUÇÃO À PROTECÇÃO INTEGRADA, 1982). - Desinfecção do solo por solarização (consegue destruir muitos microorganismos patogénicos, nemátodos e sementes de infestantes, sem fazer vazio biológico).

Tendentes a evitarem a introdução de inimigos - Lavar tractores e alfaias que tenham trabalhado em campos com problemas. - Durante a poda, evitar contaminar plantas sãs com tesouras contaminadas. - Ter muito cuidado ao passar de umas estufas para outras, evitando levar esporos agarrados à roupa ou aos sapatos.
MEDIDAS INDIRECTAS

Tendentes ao bom desenvolvimento da cultura - Selecção da espécie - Rotações

- Consociações - Adaptação do solo à cultura (Preparação e trabalho do solo. Fertilização do solo. Correcção do pH e da matéria orgânica).

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- Sementeiras e plantações (Escolha das variedades: boa produção, resistência às doenças e pragas. Uso de sementes limpas e certificadas. Uso de propágulos isentos de doenças e pragas. Profundidade, densidade e compassos. Épocas).

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- Amanhos e granjeios (Combate às infestantes. Amontoa, desbaste, desponta, desfolha e poda. Cobertura do solo). - Rega (Técnicas. Controlo das necessidades em água. Épocas de rega).

- Colheita (Época. Técnicas).

Luta Física
Com a importância que o uso dos meios químicos tem alcançado, visto serem de aplicação mais rápida e de acção mais extensa, os processos físicos têm vindo a ser abandonados, embora em certos casos continuem a ser os mais indicados contra alguns parasitas e igualmente aconselháveis quando se trata de quintais, hortas, alfobres ou viveiros, etc. – de pequena extensão e com poucas plantas. Também na agricultura biológica são os preferidos. Compreendem operações relativas à captura dos parasitas, à sua destruição e/ou ao isolamento de plantas por meio de redes ou sacos. Apanha – a apanha à mão faz-se geralmente contra moluscos (caracóis e lesmas) e alguns insectos. É demorada, requer sacos ou vasilhas para se irem colocando os animais à medida da apanha e pode ser facilitada com o auxílio de funis de aba larga, ligados a sacos. Raspagem – consiste na eliminação do ritidoma fendido, quase solto e coberto de líquenes e musgos do caule de árvores ou arbustos. É nessa fendas que se refugiam e passam o Inverno as formas hibernantes de alguns fungos, insectos, ácaros, etc.. As cascas devem ser amontoadas e queimadas, convindo por isso um panal debaixo do sítio de raspagem. Armadilhas – as armadilahas são dispositivos que atraem as pragas e permitem a sua captura. A sua constituição e funcionamento têm de estar de acordo com o parasita a capturar. Podem ser: Ratoeiras Refúgios – podem ser feitos de pequenos molhos de palha, estrume amontoado, vasos virados com a boca para baixo, cartão canelado ou serapilheira enroladas nos troncos das árvores, tábuas estendidas, etc.. uma vez aí refugiados, é fácil destruir depois a praga por meio do calor ou outro. Armadilhas com isco – como por exemplo as garrafas mosqueiras ou recipientes com cerveja para atrair caracóis. Armadilhas ou espias sexuais – aqui colocam-se as hormonas sexuais usadas pelas fêmeas para atrair os machos. Empregam-se mais como indicadores do estado de desenvolvimento e da intensidade das pragas com

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as quais se determinam, por exemplo, as “curvas de voo”, utilizadas na determinação da oportunidade dos tratamentos na Protecção Integrada. Armadilhas luminosas Plantas armadilhas – são plantas que constituem comida predilecta para as pragas e que se cultivam de onde em onde no meio da cultura. Quando estas plantas estão cheias de parasitas destroem-se. Como exemplo temos as tagetes, para atrair a mosca branca. Ou o milho para atrair os afídeos do feijoeiro. Temperatura Calor - os seres vivos morrem por acção do calor. Para os casos que interessam à sanidade vegetal, as temperaturas letais situam-se entre os 50 e os 100º C. TEMPERATURA EM º C Cerca de 50 De 50 a 55 De 50 a 60 De 55 a 65 De 60 a 65 Cerca de 70 De 75 a 80 Cerca de 80 Cerca de 90 Cerca de 100 PRAGA OU DOENÇA CONTROLADA Alfinetes do solo Nemátodos do solo Insectos dos cereais armazenados Fungos dos géneros Rhizoctonia, Sclerotinia e Verticilium Vários insectos do solo Diversas bactérias e vírus do solo Sementes de infestantes e fungos do solo Fungos do género Fusarium, no solo Vírus do mosaico do tabaco, no solo Vírus resistentes e bactérias amonizantes do solo

O calor pode ser obtido através do vapor de água, da água quente, do ar quente e da acção directa do lume. O vapor de água é obtido num gerador de vapor e injectado no solo. Apesar de ser dos mais eficazes e mais “limpo” para o ambiente, a sua aplicação fica muito cara. por isso só é utilizado para desinfectar substratos e em estufas de plantas de elevado valor económico. A água quente é um processo também de uso restrito, no tratamento de bolbos, estacas, estolhos, tubérculos e sementes, que se mergulham directamente na água, previamente aquecida à temperatura desejada. O ar quente usa-se essencialmente na secagem rápida dos cereais e frutos. A desidratação conseguida faz com que os produtos se conservem melhor. A acção directa do fogo – é um meio relativamente económico, mas e´ necessário cuidado com os incêndios e nunca esquecer que qualquer queima de matérias orgânicas produz dioxinas, substâncias comprovadamente cancerígenas. Refrigeração Também as temperaturas baixas matam ou põem em estado latente vários microorganismos. Os armazéns refrigerados e as câmaras frigorificas são largamente utilizadas para a conservação de todos os produtos pós colheita, incluindo os cereais. Nestes, usa-se especialmente para o trigo e milho. Quanto ao o trigo, as características de panificação da sua farinha são francamente melhores. Quanto ao milho, além de uma grande economia na conservação há também uma melhoria nas suas características técnicas e industriais. Ensacamento Consiste em colocar os frutos e as flores dentro de sacos para os proteger do ataque dos parasitas. Podem-se também proteger árvores isoladas ou filas inteiras com rede anti pássaros. Em culturas baixas (hortícolas) outra hipótese é usar manta térmica. Além do conhecido efeito de antecipação das culturas é uma eficaz barreira para os parasitas. Há ainda no mercado rede plástica, de malha muito fina, para impedir o acesso a trips e mosca branca. Esta rede, que se coloca nas janelas, é eficaz quando só estas são usadas no arejamento. Quando é necessário abrir as portas ou as aberturas zenitais, perde-se grande parte do “efeito barreira”. Têm ainda o inconveniente de diminuir o arejamento e a luminosidade dentro da estufa.

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Luta Química
Vantagens: Actuação rápida Aplicação prática Económicos e eficazes Desvantagens: Toxicidade para animais e plantas Depreciação das culturas Mau cheiro Sabores estranhos Manchas nas flores Resistência dos parasitas aos pesticidas Ruptura do equilíbrio biológico Necessidade de informação/formação por parte do aplicador O pesticida ideal é aquele que satisfaça em simultâneo as seguintes condições: − − − Baixa toxicidade para o homem, animais domésticos, auxiliares biológicos e plantas cultivadas. Elevada eficácia contra os parasitas. Económicos e de fácil aplicação.

Dado, por um lado, os interesses comerciais que se desenvolvem à volta dos pesticidas, e, por outro, os perigos que apresentam para o homem, há legislação que estabelece normas e regulamenta actividades. Os primeiros decretos lei datam de 1967. A Direcção Geral de Protecção de Plantas tem publicado anualmente a “Lista dos Produtos Fitofarmacêuticos com Venda Autorizada” que contem indicações várias sobre as substâncias activas dos pesticidas e sobre os formulados comerciais. Existe também uma versão na Internet. A determinação directa da toxicidade dos pesticidas em relação ao homem não é fácil. A sua avaliação tem sido feita através de ensaios realizados em ratos e depois extrapolada para o homem. Além da avaliação ser pouco precisa, os resultados são facilmente manipulados e adaptados a vários interesses. Mesmo admitindo que a dose letal pode ser rigorosamente calculada e que esses valores não são manipulados há ainda a ter em conta: − − Os efeitos de acumulação nos nossos organismo de substâncias que nunca são totalmente eliminadas - por exemplo os organoclorados, dos quais o mais tristemente célebre é o DDT O efeito sinergético de dois ou mais pesticidas aplicados em simultâneo. Neste campo praticamente nada está estudado.

A substância activa dos produtos comerciais pode entrar no organismo humano por Ingestão Por contacto através da pele Por inalação dos vapores – que se formam abundantemente durante os tratamento e quando se destapam as embalagens, em especial as dos produtos em emulsão e dos muito concentrados. Depois da sua aplicação, os pesticidas perdem naturalmente a sua acção decorrido um período de tempo maior ou menor, dependente da constituição do produto, das condições atmosféricas, da luz, etc.. Esse período aprecia-se em relação ao homem estabelecendo o Intervalo de Segurança (IS), ou seja: “O número de dias que deve decorrer entre o último tratamento e a colheita para que o pesticida se degrade até um nível considerado inofensivo para o homem.” Em relação aos parasitas estabelece-se de “poder residual” ou “acção de persistência”, ou seja: “O número de dias em que o pesticida, depois da sua aplicação, conserva a sua acção tóxica sobre os parasitas e é capaz de os matar.”

Tal como os adubos, numa embalagem de um produto fitofarmacêutico, ou seja, no produto comercial, existe muito mais que o “remédio” que queremos aplicar. Assim: PRODUTO COMERCIAL = Substância activa (em % variável) + Diluente (Substância inerte, sólida ou líquida) +

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Adjuvante (aumenta as qualidades ou a eficácia da substância activa e pode ter acção neutralizadora, molhante, adesiva ou emulsionante).

Como curiosidade, podem ler em seguida o primeiro decreto-lei sobre a aplicação de produtos fitofarmacêuticos, que já data de 1969. CUIDADOS A TER SEMPRE QUE SE UTILIZEM PRODUTOS FITOFARMACÊUTICOS Decreto Lei nº 48 998 / 8 de Maio de 1969 Proteja-se quando utiliza os pesticidas: Leia cuidadosamente os rótulos. Lave bem, com água e sabão, as mãos e as partes do corpo atingidas. Mude de vestuário se este for contaminado e só volte a usá-lo depois de o lavar. Não fume, não beba nem coma durante o tratamento, nem antes de se ter lavado bem com água e sabão. Prepare as caldas ao ar livre. Não faça aplicações contra o vento nem com vento forte. Não desentupa os bicos com a boca. Proteja as crianças, as pessoas desprevenidas e os animais domésticos: Elimine as embalagens vazias (queime-as ou enterre-as). Nunca as utilize para outros fins e não deixe que as crianças as usem para brincar. Coloque as embalagens em lugar seguro, fora do alcance das crianças e animais domésticos, longe de alimentos bebidas e remédios. Mantenha os pesticidas nas embalagens originais rotuladas. Evite o acesso de crianças, pessoas desprevenidas e animais domésticos às áreas onde prepara as caldas ou onde foi efectuada uma aplicação recente. Não utilize as sementes tratadas com pesticidas na alimentação humana e dos animais. Proteja o consumidor dos produtos vegetais: Respeite o intervalo de segurança. Não utilize uma dose superior à que vem indicada no rótulo. O pesticida pode não se degradar até um nível inofensivo, mesmo respeitando o intervalo de segurança. Proteja a caça, as aves, os peixes, as abelhas e outros insectos úteis: Não contamine a água das fontes rios ou poços. Não lave o material usado nos cursos de água, lagos ou fontes. Elimine as embalagens vazias. Queime-as ou enterre-as, em local afastado de nascentes ou cursos de água, depois das inutilizar. Partindo as que forem de vidro, furando as que forem de metal. Não use produto além do absolutamente necessário. Evite fazer tratamentos na época de floração. Se os fizer, utilize os produtos que não sejam tóxicos para as abelhas.

NOTA MUITO IMPORTANTE: Hoje em dia todas estas recomendações são actuais com excepção das regras para eliminação de embalagens vazias. Em Anexo, podem consultar as novas directivas, não só para produtos fitofarmacêuticos, mas também para todos os outros resíduos da exploração agrícola – pneus, plásticos, mangueiras, óleos, etc.

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III – PROBLEMAS QUE AFECTAM AS PLANTAS
As plantas podem ser vítimas de ataques de parasitas, mas também podem sofrer devido a desequilíbrios fisiológicos devido a excesso ou carência de nutrientes, a excesso ou carência de água ou até devido a podas muito violentas. Nas culturas ao ar livre as plantas estão ainda sujeitas a sofrer com queimaduras causadas por geadas, escaldões, quebra de ramos causadas pelos ventos e muitas mais. Não nos podemos esquecer também da competição pela água, pelos nutrientes e pela luz que travam muitas vezes com outras plantas infestantes. 1 – ACIDENTES FISIOLÓGICOS O que são distúrbios fisiológicos? Geralmente, os distúrbios fisiológicos resultam de deficiências nutricionais ou condições de crescimento inapropriadas tais como: temperatura, quantidade de água, quantidade de luz. Estas condições levam a um deficiente crescimento da planta ou apenas a sintomas como folhas descoloradas, murchas etc. Alguns exemplos:

1 – Morangos em que as sementes foram comidas pelos pássaros. 2 – Fitotoxicidade em provocada por adubo foliar. melão,

3 – Acidente devido a falta de água. 4 – Efeito de hormonas em tomates. 5 – Pêras afectadas por uma calda contra indicada.

2 – ACIDENTES METEOROLÓGICOS

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3 – INFESTANTES

4 – DOENÇAS O que é uma doença? As doenças são causadas por microorganismos tais como os fungos, as bactérias e os vírus. As doenças mais comuns são as causadas por fungos. Os sintomas podem ser: Descoloração, Deformação, Manchas, etc. O grau de infecção é afectado por vários factores tais como as condições climatéricas e as condições de crescimento a que a planta está sujeita. Alguns exemplos:

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5 – PRAGAS O que é uma praga? São consideradas pragas todos os animais causadores de danos nas plantas. Alguns destes animais são conhecidos de todos nós como é o caso dos caracóis e das lagartas, outros como as cochonilhas são menos conhecidos. O maior grupo dentro desta categoria (pragas) são os insectos. As pragas podem danificar ou destruir qualquer parte da planta, podem alimentar-se de várias formas: Sugando a seiva da planta, Formando galerias no interior da folha, Comendo a folha, etc. Alguns exemplos:

IV – CONTROLO DE DOENÇAS E PRAGAS O controlo de doenças e pragas tem de ter em conta os estados fenológicos das plantas (fase do ciclo vegetativo) assim como os ciclos biológicos dos parasitas. Só assim é possível adoptar a estratégia mais correcta. Em relação aos estados fenológicos eles já foram estudados na Botânica Agrícola. Vamos agora conhecer melhor os parasitas mais importantes na nossa Região. As Medidas de Luta vão aparecer reunidas em Quadros Resumo, retirados do “Manual de Agricultura Biologia”. Estes Quadros são muito interessantes porque põe em evidencia a possibilidade da luta preventiva e dão indicações sobre a luta química possível em Agricultura Biológica ainda pouco divulgada entre nós. Para a luta química “convencional” podem consultar toda a informação disponível, desde os Avisos Agrícolas até às publicações da Direcção Geral de Protecção das Culturas – www.dgpc.min-agricultura.pt
As DOENÇAS mais importantes são: As PRAGAS mais importantes são:

1 – MÍLDIO 2 – OÍDIO 3 – PODRIDÃO 4 – PEDRADO 5 – FERRUGEM 6 – LEPRA DO PESSEGUEIRO 7 – DOENÇAS VASCULARES CAUSADAS POR FUNGOS DO SOLO 8 – DOENÇAS VASCULARES CAUSADAS POR BACTÉRIAS 9 – VIROSES

1 – BICHADO DA FRUTA 2 – ESCARAVELHO DA BATATEIRA 3 – TRAÇA DAS UVAS 4 – BORBOLETA DAS COUVES 5 – MOSCA BRANCA 6 – MOSCA DA FRUTA 7 - COCHONILHAS 8 – AFÍDEOS 9 – LARVA MINEIRA 10 – BROCA DO MILHO 11 – ALFINETE 12 – ARANHIÇO VERMELHO 13 – TRIPS 14 – NEMÁTODOS

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1 - DOENÇAS MAIS IMPORTANTES

1 - MÍLDIO
O MÍLDIO é uma doença causada por fungos de géneros diferentes. No Entre Douro e Minho causa problemas todos os anos na vinha, na batateira e é um risco muito grande para o tomateiro. Míldio da Videira - Plasmopara viticola Desde há um século é uma das principais doenças da cultura. Ataca todos os órgãos verdes da videira. A doença manifesta-se nas folhas pelo aparecimento de manchas translúcidas e oleosas na página superior e de um enfeltrado de micélio branco nas zonas coincidentes com essas manchas, na página inferior. Em castas tintas as folhas tomam uma coloração avermelhada. À medida que a doença avança, as folhas acabam por necrosar. Durante a floração pode ocorrer a destruição das inflorescências (desavinho). Nos cachos, os bagos e o ráquis evidenciam também a presença de micélio e de frutificações de cor branca, evoluindo para castanho e acabando por engeIhar, secar e quebrar ao mínimo contacto. Nos pâmpanos e sarmentos os ataques ocorrem precocemente e até antes do atempamento. Os tecidos afectados tomam uma coloração castanha, os pâmpanos curvam-se em forma de "S" e ficam cobertos de um enfeltrado de micélio banco. Os principais prejuízos resultam do ataque do fungo às inflorescências e aos bagos. A queda das folhas afecta o teor de açúcar das uvas e o atempamento das varas e a vitalidade das cepas.

É um endoparasita obrigatório e específico da videira. No Outono as folhas apresentam pequenas manchas com aspecto de mosaico (míldio em mosaico). No interior das folhas surgem hifas (anterídio e oogónio) cuja função é dar origem aos oósporos, frutificações sexuadas que permitem a hibernação do fungo. Na Primavera, quando ocorrem precipitações com um mínimo de 10 mm e uma temperatura de 10° os C, oósporos germinam e produzem macroconídios ou zoosporângios. Estes, em presença de água, libertam zoósporos (esporos com cílios ou flagelos) que Ihes conferem mobilidade na água. Ao atingirem a página inferior das folhas e em presença de água os zoósporos emitem um tubo germinativo que penetra no interior das folhas através dos estomas. Em função das condições climáticas a doença tem um tempo de incubação mais ou menos longo após o qual surgem manchas de aspecto oleoso infecções primárias. Se o tempo decorrer chuvoso, com temperaturas de 15-21° e humidade relativa elevada, na página inferio r C surgem as frutificações do fungo que serão responsáveis pelas infecções secundárias. Estas sucedem-se sempre que as condições climáticas sejam favoráveis à doença. Temperaturas acima de 30° começam a ser prejudicia is ao fungo. C O ciclo do míldio completa-se no Outono com a formação dos oósporos (ou ovos de Inverno). Quando existem focos de infecção primários importantes e condições climáticas favoráveis, considera-se o míldio da videira uma doença de risco elevado.

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Medidas de Luta Devem seguir-se as indicações dos Sistemas de Avisos. Como medidas profiláticas recomenda-se a eliminação dos ramos ladrões e uma boa drenagem das vinhas para evitar zonas de encharcamento. Por outro lado é importante a identificação dos focos primários desta doença (geralmente nas zonas mais baixas e húmidas) quando as condições forem favoráveis ao seu desenvolvimento: Pâmpanos com mais de 10 cm, Chuva no mínimo de 10 mm, Humidade elevada, Temperaturas de cerca de 10° C. Míldio da Batateira – Phytophthora infestants Ataca toda a planta incluindo os tubérculos da batateira. Os sintomas são semelhantes aos da videira embora de efeito mais rápido.

Medidas de Luta Podem desenvolver-se diferentes estratégias de tratamento: A partir da identificação dos focos primários, realizar tratamentos preventivos com fungicidas anti míldio. Sempre que possível evitar aplicações curativas (com fungicidas sistémicos) a menos que ocorram erros ou uma impossibilidade prática de se efectuarem os preventivos. Tendo em conta as indicações dos Avisos Agrícolas, específicos para cada região.

2 – OÍDIO
Tal como o míldio também há agentes diferentes para as diferentes culturas atacadas. Na nossa região, além da vinha, também causa estragos importantes nas Cucurbitáceas e nalgumas plantas ornamentais como a roseira e os crisântemos. Oídio da Videira - Uncinula necator Bern. O fungo hiberna sob a forma de micélio nos gomos (fase assexuada), ou, em cleistotecas nas folhas e varas que ficam no solo ou no ritidoma das cepas (fase sexuada). As cleistotecas contêm no seu interior 4 a 8 ascósporos. Em dias nublados, com manhãs de elevada humidade relativa (> 25%), seguidos de períodos de sol com temperaturas > 25ºC, as cleistotecas germinam e ocorre a libertação dos ascos com os ascósporos, que ao se depositarem sobre os órgãos verdes da videira, sob condições climáticas favoráveis, provocam as contaminações primárias. As folhas apresentam um micélio branco amarelado em ambas as páginas; revelando um aspecto crispado e dobradas em goteira. Os cachos cobrem-se de um micélio branco, podendo os bagos fendilhar ou suberizar. As varas na altura da poda, apresentam-se de cor branca com manchas castanhas, evidenciando a presença de cleistotecas

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Os prejuízos mais graves verificam-se nos cachos, pois o ataque de oídio provoca paragem de crescimento da pele dos bagos, que acabam por fendilhar, deixando as grainhas a descoberto, constituindo uma “porta de entrada“ para a instalação da Botrytis sp. Consequentemente ocorrem perdas de quantidade e qualidade na colheita.

Ciclo Biológico

MACIEIRAS – Podosphaera leucotricha

ROSEIRAS – Sphaeroteca pannosa

PEPINOS – Erysiphe cichoracearum

Medidas de Luta Medidas preventivas: Tratamento de Inverno com calda sulfo-cálcica a 3% (retarda o aparecimento do oídio). Calda bordalesa na folhagem após o pintor (impede a formação de cleistotecas). Queimar a poda da lenha em caso de forte ataque no ano anterior. Luta química: seguir as indicações doa Avisos Agrícolas e utilizar preferencialmente os produtos à base de enxofre.

3 -PODRIDÃO CINZENTA
Botrytis cinerea (Pers) Sobre os tecidos atacados (folhas, caules, flores e frutos) em condições de elevada humidade, aparece normalmente, um bolor cinzento característico da Botrytis, constituído pelos conidióforos e conídios do fungo. Nalgumas culturas, a Botrytis origina necroses nas folhas. As manchas, inicialmente, são pequenas e amarelas

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mas depois tornam-se mais largas, acinzentadas ou bronzeadas, fundas, coalescentes e frequentemente envolvendo a folha completamente. Em muitos hospedeiros, contudo, a infecção ocorre somente, após o fungo ter crescido nas partes mortas da planta ou na matéria que apodrece no solo e que começa a contactar com as folhas sãs como é o caso da alface. As infecções nos caules originam lesões alongadas escuras em depressão, com um rebordo bem definido, que podem espalhar-se e causar uma podridão mole a partir do ponto de infecção. Os tecidos infectados tornam-se moles e húmidos e, à medida que a infecção progride, estas aéreas aumentam, tornam-se acastanhadas ou castanhas escuras, esponjosas ou encortiçadas.

Biologia É sobretudo conhecido pela sua forma conidial Botrytis cinerea. Esta forma produz abundante micélio cinzento, conidióforos ramificados com cachos terminais de conídios ovóides com uma célula. Os conídios são, rapidamente, libertados em tempo húmido e transportados por correntes de ar. A B. cinerea é um parasita de fraqueza. Um esporo isolado só consegue penetrar nos órgãos vegetais que tenham uma cutícula muito fina (pétalas de flor). A penetração nas folhas, caules ou frutos pode ocorrer a partir de uma ferida, de uma lesão de crescimento ou de um ponto de contaminação constituída por uma flor apodrecida, uma folha que caiu ou uma acumulação de pólen. A infecção dá-se depois da rebentação, em condições de humidade relativa elevada e temperaturas favoráveis (15 a 20ºC). Vegetação densa e deficiente arejamento são condições óptimas para o seu desenvolvimento. Os ascósporos e conídios podem ser arrastados pelo vento, levados pelos insectos, ou pelas pessoas que trabalham nas culturas.

Podridão cinzenta da videira

Botrytis no cacho

Ciclo Biológico

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4 – FERRUGENS
Puccinia spp Sintomatologia A infecção das folhas manifesta-se pelo aparecimento de pequenas pústulas lenticulares, gretadas, estreitas no sentido das nervuras, de cor alaranjada que mais tarde se tornam castanhas. As folhas doentes secam rapidamente e a maturação dos bolbos é acelerada. As plantas em situação de “stress” são as mais afectadas. Biologia O fungo sobrevive de uma estação para outra, em espécies de Allium espontâneas. É favorecido por humidade relativa elevada (97%), chuva fraca e temperatura amena entre 10 a 24ºC. A temperatura óptima de desenvolvimento é de 18ºC. Plantações densas, crescimento vigoroso devido ao excesso de azoto e carência de potássio no solo, aumentam o risco de infecção. Uromyces phaseoli Sintomatologia A ferrugem manifesta-se, principalmente, nas folhas, mas pode atingir as vagens do feijoeiro e, mais remotamente, as hastes. A intensidade a que se manifesta depende das condições climáticas. Em situação favorável, ataca severamente a cultura, provocando a queda prematura das folhas. Os sintomas da doença nas folhas, são apresentados como pequenos pontos cloróticos, com leves elevações, evoluindo para pústulas salientes de cor esbranquiçada ou amarelada, que aparecem, predominantemente, na face inferior das folhas. Posteriormente, surgem pequenas pústulas, os uredósporos, de cor ferruginosa em ambas as superfícies das folhas, com halo amarelado. Nas cultivares altamente susceptíveis, as pústulas podem atingir 1 a 2 mm. As folhas escurecem, secam e caem. Biologia Temperatura entre 20 e 27° e humidade relativa ele vada, intercalada C por períodos de baixa precipitação e grande quantidade de orvalho, são favoráveis à doença. As temperaturas óptimas para a germinação dos uredósporos situam-se entre os 17 e 23º C, necessitando pelo menos de 6 a 8 horas com a superfície da folha molhada. A disseminação da doença é efectuada por insectos, animais, instrumentos agrícolas e vento, que é o principal agente da disseminação dos esporos, levando-os a longas distâncias.

5 – PEDRADO
Venturia inaequalis (Cke.) Wint.

Infecções primárias

Infecções secundárias Antes da queda da folha, o fungo penetra profundamente na folha. Quando hifas sexualmente compatíveis se encontram, anterídio (células masculinas) e oogónios (células femininas), dá-se a fertilização do oogónio, em cujas células terminais se encontram os ascos. Um ascocarpo assim formado chama-se pseudoteca e passa o Inverno no interior das folhas caídas no solo.

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Após a maturação dos ascósporos (de Março a meados de Maio), os ascos libertam 8 ascósporos que, se o tecido vegetal estiver susceptível (estado D-D3) e existirem condições climáticas favoráveis, germinam e penetram o tecido vegetal, dando origem às infecções primárias. Após a infecção, na superfície dos órgãos atacados surgem as lesões, constituídas por conidióforos, em cujas extremidades se desenvolvem conídios. Estes na presença de água e temperatura óptima de 21ºC provocam as infecções secundárias. Nas folhas, inicialmente, surgem manchas translúcidas e amareladas, que se traduzem na página inferior por pontos negros com 5 a 10 mm de diâmetro, que podem coalescer, formando manchas maiores. Nos frutos, as infecções primárias caracterizam-se por uma mancha grande e o fruto pode deformar-se, enquanto as infecções secundárias são constituídas por manchas de menor dimensão e dispersas no fruto. Nos ramos podem observar-se pústulas negras no Outono, ainda que seja pouco frequente.

Ciclo Biológico

6 – LEPRA DO PESSEGUEIRO
Taphrina deformans (Berk.) Tul. Hiberna sob a forma de ascósporos ou corpos levulóides nas rugosidades dos ramos e escamas dos gomos. Quando a temperatura mínima é de 7ºC e o tempo se encontra húmido e chuvoso verifica-se a germinação das formas hibernantes. Os filamentos germinativos atravessam a cutícula, penetram os tecidos parenquimatosos e forma-se um micélio intercelular septado. Mais tarde, ocorre a formação dos ascos, com 8 ascósporos, os quais por gemulação e com humidade relativa superior a 95%, formam os corpos levulóides. Estes esporos transportados pela chuva e pelo vento, asseguram a disseminação da doença. O fungo ataca folhas, ramos, flores e frutos, manifestando-se os sintomas na Primavera, sobretudo em tempo fresco e húmido (Temp. óptima de 20ºC). As folhas são os órgãos mais atacados. Inicialmente surgem manchas esbranquiçadas, depois ficam avermelhadas e empolam e finalmente tornam-se baças e caiem. Quando o ataque é muito intenso, a queda das folhas pode ser total, reagindo a árvore com uma segunda rebentação. Nesta situação, um novo ataque, conduz ao enfraquecimento, ou mesmo morte da árvore. Os lançamentos também podem ser infectados, ficando lenhificados ou distorcidos. Nos frutos as infecções são raras, podendo surgir lesões irregulares, avermelhadas e em relevo.

7 – DOENÇAS VASCULARES CAUSADAS POR FUNGOS DO SOLO
No solo existem inúmeros fungos, a maior parte das vezes saprófitas, que podem infectar as plantas quando elas se encontram debilitadas ou feridas. Dos fungos mais preocupantes fazem parte as numerosas espécies do género Fusarium.

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Fusarium oxysporum Owen Sintomatologia Parasita vascular, o fungo é identificado muito rapidamente pela coloração castanha que confere aos vasos (visível em corte transversal do caule ou do pecíolo). Os cotilédones e primeiras folhas das plantas jovens, amarelecem e murcham (Damping-off na imagem).

Na cultura, a doença caracteriza-se pelo amarelecimento parcial ou total das nervuras e do limbo das folhas. Ao longo do caule achatado, produzem-se exsudações de gotículas gomosas, que escurecem ao ar. Primeiro escurecem os vasos do caule, depois o caule apresenta-se necrosado em toda a sua espessura e torna-se esponjoso. Os frutos são atingidos ao nível do pedúnculo e depois a podridão estende-se a toda a zona peduncular. Biologia O fungo sobrevive no solo através dos seus clamidósporos e do micélio, o qual é capaz de sobreviver nos detritos. A disseminação faz-se através do solo, do vento, dos salpicos de terra e pelas alfaias agrícolas. A infecção ocorre ao nível das raízes. As lesões do caule cobrem-se de frutificações, que esporulam e originam a disseminação secundária da doença.

O fungo é favorecido por Primaveras frescas (18 a 20ºC). No entanto, é com o tempo seco e quente, que são mais evidentes os emurchecimentos das plantas infectadas. A temperatura óptima para o desenvolvimento do Fusarium que ataca o feijoeiro é de 20-28ºC. Medidas de Luta “O fungicida tebuconazol, comercializado com o nome de Folicur, apresentou alta eficiência na inibição do crescimento e esporulação de Fusarium oxysporum,. Esse produto será testado para tratamento preventivo de estacas herbáceas visando prevenir a disseminação do fungo através das estacas. A incorporação de composto orgânico inoculado com EM-4 (microrganismos eficientes) também denominado bokashi, controlou o fungo Fusarium oxysporum, em estufas de propagação.” – lido num site brasileiro

8 – BACTERIOSES
CANCRO BACTERIANO, Clavibacter michiganensis Sintomatologia Afecta o sistema vascular do tomateiro em consequência duma obstrução progressiva dos vasos. O primeiro sintoma traduz-se por uma murchidão das folhas que se pode situar a diferentes níveis da planta. Os bordos dos folíolos secam, tornam-se castanhos, enrolam-se ligeiramente e eventualmente acabam por morrer. Tratando-se de uma doença vascular desenvolve-se uma murchidão, geralmente, rápida e irreversível que conduz ao dessecamento da planta, amarelecimento e acastanhamento da planta. Observa-se igualmente uma paragem de crescimento da planta. É muito característico, o aparecimento de, manchas "cancerosas" nos frutos, caules e folhas. Biologia Conserva-se no solo (um ou vários anos), nos restos vegetais, em diverso material (vasos, gotejadores, etc.), na própria estrutura da estufa, ferramentas, sementes. A sua propagação faz-se através da água da chuva, da rega por aspersão, das soluções nutritivas em culturas hidropónicas e das operações de poda.

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A penetração da bactéria nos tecidos do hospedeiro é feita por feridas, sobretudo da poda, raízes e estomas. As condições de desenvolvimento são: temperaturas entre 18 e 24ºC com mais de 80% de humidade relativa. Xanthomonas campestris pv. Vitians (Brown) Dye Sintomatologia Ataca principalmente as folhas mais externas das alfaces e couves, sobre as quais se observam manchas angulares que, inicialmente, são pequenas e translúcidas e se transformam em grandes lesões negras e necrosadas. As nervuras foliares próximas das lesões podem também ficar negras, mas a raiz, o caule e o pecíolo não ficam negros, nem com manchas. Observa-se amarelecimento e dessecação das folhas, mas sem sintomas de murchidão. Em casos mais graves provoca a morte da planta sem, no entanto, causar desfoliações. Em muitas plantas de alface, que na época de colheita apresentam manchas só nas folhas mais externas, tem-se observado enegrecimento e necroses internas, somente, na fase de comercialização. O aparecimento de podridão mole nas plantas infectadas é devida, à acção de microorganismos secundários, favorecidos por elevada humidade relativa e presença de água livre à superfície da planta. Biologia Sobrevive nos restos de plantas infectadas que permanecem enterradas e, provavelmente, em algumas plantas .O inóculo difunde-se pelo salpico da água da chuva e da rega e a penetração é feita pelos estomas e feridas. Estações muito húmidas e com temperatura média de cerca de 24ºC são condições favoráveis à epidemia. PÉ NEGRO - Erwinia carotovora (Jones) Bergey et al.

Sintomatologia Os caules infectados apresentam uma podridão típica, com o aspecto de tinta preta . A folhagem torna-se clorótica, posteriormente, toda a planta acaba por murchar e morrer. O sintoma típico na planta é caracterizado por uma podridão húmida e mole da medula, exalando um cheiro forte a peixe podre. Biologia O inóculo primário encontra-se no interior do caule. Após a plantação o caule vai-se deteriorando, libertando grande quantidade de bactérias, as quais vão infectar as plantas vizinhas. A transmissão da doença é favorecida por solos húmidos e temperaturas baixas. Solos húmidos e frescos na altura da plantação, e temperaturas altas na altura da emergência, favorecem a presença de pé negro.

PÚS OU MAL MURCHO DA BATATEIRA Ralstónia solanacearum E.F. Smith Sintomatologia A doença manifesta-se quer nos tubérculos quer na parte aérea. Os sintomas que, normalmente, se observam no campo são a murchidão das plantas, o nanismo, e o amarelecimento da folhagem. Estes sintomas, inicialmente, são similares aos causados por falta de água. As folhas murchas empalidecem, passando em seguida a apresentar cor castanha, sem que se verifique enrolamento dos bordos dos folíolos à medida que vão secando. Nos caules jovens, podem observar-se uns raios escuros e diversos estreitamentos que correspondem aos feixes vasculares infectados. Um sinal claro da doença é a presença de gotículas brilhantes, de cor castanha, que exsudam do xilema quando se faz um corte transversal no caule. Nos tubérculos, quando cortados e comprimidos entre os dedos, verifica-se na zona vascular, a exsudação dum creme leitoso. Este exsudado é constituído por massas bacterianas e é, maior ou menor conforme o grau de infecção. Foram estes sintomas que conferiram à doença o nome de Pús. Biologia A bactéria penetra sobretudo por feridas existentes nas raízes e nos caules, bem como pelos estomas. A infecção inicia-se a partir de tubérculos infectados ou do próprio solo.

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Pode sobreviver no solo, desde que estejam presentes detritos vegetais infectados, tubérculos de batata com infecções latentes e infestantes susceptíveis. A água desempenha um papel muito importante na disseminação desta bacteriose a longas distâncias, ao arrastar as próprias bactérias ou partículas de solo contaminado. A transmissão pode ocorrer por movimentações de terra contaminada durante as práticas culturais. A circulação de maquinaria e o calçado do homem, com terra contaminada aderente, são também veículos importantes de transmissão desta bacteriose. A temperatura elevada é um factor determinante no desenvolvimento do agente patogénico.

SARNA DA BATATEIRA – Streptomyces scabies Sintomas: Lesões encortiçadas na superfícies dos tubérculos, que podem ser pequenas e superficiais ou fazer reentrâncias profundas suberificadas. Raramente ocorrem lesões noutros locais. Disseminação: Solos secos, especialmente aqueles ricos em matéria orgânica, durante a fase de tuberização e enchimento dos tubérculos são altamente favoráveis à sarna. Em geral, o prejuízo causado por esta doença está relacionado com a depreciação dos tubérculos com sintomas. Medidas de Luta - Evitar plantar tubérculos com sintomas de sarna. - Manter níveis de humidade no solo apropriados ao desenvolvimento das plantas durante e após a fase de tuberização. - Evitar aplicar quantidades excessivas de calcário.

9 – VÍROSES
VÍRUS DO BRONZEADO DO TOMATEIRO, Tomato Spotted Wilt Vírus (TSWV) O vírus do bronzeamento do tomateiro afecta culturas hortícolas e ornamentais importantes, causando elevados prejuízos. Este vírus é transmitido por várias espécies de tripes, das quais a Frankliniella occidentalis Pergande é considerada a espécie vectora mais eficiente. Sintomatologia É normal encontrar na mesma planta, caules com sintomas e sem sintomas. Os primeiros acabam por morrer persistindo aqueles aparentemente sãos. A nível do caule surgem necroses no ápice que descem ao longo do mesmo assim como na inserção dos pecíolos, provocando murchidão e queda das folhas. Cortando o caule longitudinalmente, por vezes, observam-se necroses na zona da medula. Os sintomas primários de TSWV nas folhas da batateira caracterizam-se pelo aparecimento de pontuações necróticas, necroses irregulares, manchas necróticas compactadas e zonadas concentricamente que se confundem com as provocadas por Alternaria sp. e anéis necróticos concêntricos. Os tubérculos podem ou não apresentar sintomas contendo, no entanto, vírus no seu interior. Os sintomas nos tubérculos caracterizam-se pelo desenvolvimento de anéis necróticos externos e internos, simples ou concêntricos, necroses em arco externas e internas e manchas necróticas irregulares externas e internas. Biologia O ciclo de infecção do TSWV ocorre quando fêmeas adultas de tripes vectores depositam os ovos sobre plantas infectadas pelo vírus. As larvas resultantes da eclosão dos ovos ao alimentarem-se em plantas infectadas, adquirem o vírus, dando origem a uma população de larvas infectadas. O vírus transita pelos vários estados de desenvolvimento do insecto. A Frankliniella occidentalis pupa no solo e as pupas infectadas constituem uma fonte importante de inóculo, e poderão ser o repositório do vírus entre culturas consecutivas. Apenas os adultos provenientes de larvas infectadas são transmissores do TSWV. Os adultos infecciosos transmitem o vírus, por picadas de alimentação, durante toda a sua vida (30 a 40 dias). Um adulto infeccioso pode transmitir o vírus a muitas plantas e a diferentes hospedeiros. Por outro lado, poderão ocorrer infestações de tripes e não haver disseminação do TSWV na cultura. Tripes adultos sãos que se alimentem em plantas infectadas poderão adquirir vírus, mas não são transmissores. Como resultado das interacções vírus-vectorplantas hospedeiras, em determinadas condições agro-ambientais, desenvolvem-se epidemias do vírus. As plantas espontâneas e outras culturas são importantes, como repositórios do vírus, para a manutenção do ciclo da doença.

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2 - PRAGAS MAIS IMPORTANTES Como se referiu anteriormente o grupo mais importante das pragas é a Classe dos Insectos. Os insectos causam prejuízos directos (destruição de órgãos das plantas, manchas, etc..) ou indirectos (como vectores de vírus ou portas de entrada para doenças). A classe dos insectos engloba várias ordens que apresentam estruturas morfológicas e, sobretudo, armaduras bucais que fazem com que os estragos causados e os meios de luta a utilizar sejam diferentes.

CLASSE DOS INSECTOS
CORPO SEGMENTADO E DIVIDIDO EM: CABEÇA, TÓRAX E ABDÓMEN. TÊM SEMPRE 3 PARES DE PATAS NO ESTADO ADULTO (UM POR CADA SEGMENTO DO TÓRAX). SOFREM METAMORFOSES MAIS OU MENOS COMPLETAS. ORDENS DOS INSECTOS: ORTHÓPTEROS COLEÓPTEROS ARMADURA BUCAL TRITURADORA – ARMADURA BUCAL TRITURADORA – GAFANHOTOS ESCARAVELHOS JOANIHNAS GORGULHOS PIOLHOS (=AFÍDEOS)

HEMÍPTEROS ARMADURA BUCAL PICADORA-SUGADORA – LEPIDÓPTEROS ARMADURA BUCAL LIBADORA – ARMADURA BUCAL TRITURADORA – DÍPTEROS ARMADURA BUCAL MOSCOIDE – ARMADURA BUCAL TRITURADORA HIMENÓPTEROS ARMADURA BUCAL SUGADORA-LAMBEDORA

BORBOLETAS LARVAS de BORBOLETA MOSCAS LARVAS DE MOSCA ABELHAS FORMIGAS VESPAS

1 - BICHADO DA FRUTA
Cydia pomonella Ordem Lepidoptera

É a principal praga das pomóideas (macieira, pereira e marmeleiro). Os prejuízos são mais graves em macieira do que em pereira. Sintomatologia Nos frutos é visível um orifício arredondado de contorno escuro do qual saem os excrementos resultantes da actividade da larva.

No interior do fruto observa-se uma galeria e muitas vezes a presença da larva. Os frutos atacados acabam por cair no solo.

Biologia Hiberna no estado de larva hibernante dentro de um casulo esbranquiçado (hibernaculum), no solo e nas reentrâncias do tronco junto ao colo. Na Primavera ocorre a ninfose e os adultos aparecem a partir de Abril (nalguns anos no fim de Março), ficando no pomar até Setembro.

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A actividade dos adultos é crepuscular sendo indispensável que a temperatura ao pôr-do-sol seja superior a 15 ° C. A sua actividade inicia-se quando se atinge aquele valor de temperatura e termina com a noite escura. É durante aquele período que ocorre a alimentação, o acasalamento e a postura. Os ovos são postos isoladamente nas folhas, nos lançamentos, perto dos frutos e, preferencialmente, sobre estes. As larvas neonatas levam vida errante na procura dos frutos, antes de iniciarem as penetrações. Estas ocorrem a partir de Maio nos locais de contacto entre dois frutos, entre uma folha e um fruto, ou na base do pedúnculo. Por vezes a penetração pode ocorrer numa zona livre do fruto e normalmente é feita em espiral, desenvolvendo a larva uma galeria no sentido das sementes. Quando a larva completa o seu ciclo abandona o fruto, quer este se encontre na árvore, quer caído no solo. Na evolução do ciclo biológico, e desde que ocorram mais gerações, as populações de larvas hibernantes são constituídas por larvas de vários instares dando origem a diferentes evoluções: ou sofrem ninfose imediata ou entram em diapausa até ao ano seguinte. O número de gerações de bichado em Portugal pode ser de 3. Na zona da Beira Interior (Fundão) ocorrem 2 gerações: A 1.ª com voos de Abril a Junho e a 2.ª em voos de Agosto a Setembro. A Sul da Gardunha podem ser detectados estragos provocados por uma 3.ª geração.

Ciclo Biológico

Medidas de Luta Os métodos de previsão do ataque do bichado destinam-se a estudar a sua dinâmica populacional. Os principais métodos são: Temperaturas crepusculares, Determinaçâo das curvas de voo (com recurso a armadilhas sexuais e feromonas), Observação visual de posturas e penetrações, Cintas armadilhas, Caixas de eclosão, Soma das temperaturas de desenvolvimento. Observação visual/1000 frutos ao acaso no pomar (20 frutos x 50 árvores) na fase de vingamento - prématuração.

2 - ESCARAVELHO DA BATATEIRA
Leptinotarsa decemlineata Ordem Coleoptera É a principal praga da batateira. Sintomatologia Os estragos são provocados pelas larvas e adultos. Tanto os adultos como as larvas alimentam-se das folhas e apresentam uma grande voracidade, especialmente, nas últimas fases de desenvolvimento larvar.

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A sua voracidade é tal que se estima que uma só fêmea e a sua descendência, num ano sejam capazes de destruir meio hectare de batatal. A perda de área foliar reduz a capacidade da planta em produzir hidratos de carbono para os tubérculos, afectando a sua qualidade. Considera-se que o período crítico de desfoliação da batata se situa imediatamente antes e imediatamente depois da floração. Neste período a perda de folhas afecta gravemente a colheita. Biologia Hospedeiros: o seu hospedeiro preferencial é a batateira. No entanto pode atacar outras solanáceas (tomateiro, erva-moira, etc.). O adulto passa o Inverno enterrado no solo e retoma a sua actividade na Primavera, aparecendo de forma escalonada. Pode voar muitos metros em busca das plantas hospedeiras. Uma vez encontrado o hospedeiro alimentam-se, acasalam e as fêmeas iniciam a postura. Após o acasalamento as fêmeas iniciam as posturas. Os ovos são de forma ovóide e de cor amarelo-alaranjado. Cada fêmea pode efectuar a postura de algumas centenas de ovos no período de um mês. As posturas são efectuadas na página inferior da folha e em conjuntos de 10 a 30 ovos. As posturas são escalonadas de Maio a Agosto. A eclosão dá-se em poucos dias (4 a 10), consoante a temperatura, e as larvas alimentam-se durante 2 a 3 semanas, de rebentos e folhas mais jovens, até passarem por quatro estados larvares. Quando atingem a maturidade (4º estádio) dirigem-se para o solo onde vão pupar. Os adultos aparecem uma ou duas semanas mais tarde. As larvas sofrem 3 mudas, apresentam sempre a mesma forma. embora o tamanho evolua até sofrerem a ninfose. Podem ocorrer duas a três gerações anuais de escaravelho. Medidas de Luta Os tratamentos devem ser iniciados ao aparecimento da praga com pulverização de insecticidas homologados.

3 - TRAÇA DAS UVAS
Lobesia botrana Den & Schiff A traça da uva é um lepidóptero com 3 gerações anuais. Hiberna sob a forma de crisálida dentro de um casulo sedoso, no ritidoma das cepas ou no solo. Na Primavera, surgem os adultos – 1º voo da traça. A sua actividade é essencialmente crepuscular, efectuando o voo apenas com temperaturas acima dos 14ºC. As fêmeas realizam as posturas nas inflorescências, iniciando-se a primeira geração. Seis a nove dias depois surgem as lagartas, que roem os botões florais e tecem fios sedosos, para formar os ninhos ou teias. A segunda geração inicia-se com as posturas no bago de ervilha, em que as lagartas perfuram alguns bagos. O início da terceira geração ocorre com as posturas sobre o bago no início da maturação. Os danos provocados pela primeira geração são pouco significativos, enquanto as segunda e terceira gerações já provocam prejuízos directos nos bagos e indirectos ao criar portas de entrada para a instalação de Botrytis cinerea nas lesões dos bagos.

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Ciclo Biológico

4 – BORBOLETAS (LAGARTAS) DAS COUVES
Pieris brassicae L. e Pieris rapae L. O adulto é uma borboleta, com asas brancas e 6 a 7 cm de comprimento. Os ovos têm uma forma muito característica de “bala de canhão”, estriados no sentido longitudinal e de cor amarela. São depositados em grupos de 25 a 50, o que faz com que as larvas apareçam agrupadas e devorem folhas inteiras. As lagartas são de cor verde acinzentado, com três linhas longitudinais amarelas e manchas negras por todo o corpo. Têm numerosas sedas e podem alcançar 4 a 5 cm. A pupa é de cor parda-claro com pontos negros e pode encontrar-se aderente a troncos e paredes. Apresentam duas gerações anuais. Passam o Inverno na forma de pupa (crisálida) e os adultos, que são de hábitos diurnos, aparecem muito cedo na Primavera. As borboletas estão activas assim que brilha o sol e a temperatura esteja elevada. Acasalam em voo, pelo meiodia. As lagartas, vivem primeiro em colónias e roem superficialmente a epiderme das folhas.

A partir do 3º estádio larvar (2º muda), dispersam-se por pequenos grupos de 4 a 5 indivíduos e apresentam uma extraordinária voracidade, comendo toda a folha restando só as nervuras mais grossas. Depois, transformam-se em pupas (crisálidas). As traças emergidas das pupas, depois de hibernarem, aparecem na Primavera e fazem a postura rapidamente. Esta geração raramente é nociva. As lagartas, desenvolvem-se e depois transformam-se em pupas. Os adultos emergem em Julho - Agosto e dão origem à segunda geração, muito mais nociva. Estas espécies devoram toda a folha, restando só as nervuras principais (talos mais grossos). Dado o instinto gregário que manifestam, os seus estragos podem ser localizados, devorando plantas inteiras, sem afectar as vizinhas. Outro tipo de estrago indirecto, é a grande quantidade de excrementos que produzem e que com a chuva e o orvalho são arrastados e se acumulam no coração da planta, tornando-a incomercializável.

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Os pierídeos atacam as folhas soltas, ao contrário da Mamestra brassicae (fotos abaixo) que ataca as folhas do coração da planta,

5 - MOSCA BRANCA
Trialeurodes vaporariorum Westwood Esta praga é vulgarmente conhecida por mosca branca das estufas. Morfologia Os insectos adultos de Trialeurodes vaporariorum, tanto machos como fêmeas, possuem dois pares de asas, assemelhando-se a pequenas borboletas de cor branca, e com armadura bocal picadora-sugadora. As asas em repouso são quase horizontais, cobertas por uma pruína branca cerosa. O ovos são elípticos, com 0,25 mm de comprimento de cor branco amarelado na altura da postura e adquirem uma coloração escura ao fim de dois dias. As larvas são de côr amarelo esverdeada, ovais, achatadas, em forma de cochonilha. No 4º estado medem cerca de 0,8 mm. A pupa é esbranquiçada em forma de pequena caixa oval, ornamentada por prolongamentos cerosos marginais curtos. Bioecologia Nos climas frios só se encontra este Aleurodídeo em estufa, enquanto que, nas regiões meridionais, encontra-se ao ar livre, nas plantas espontâneas e cultivadas. Os adultos agrupam-se na parte superior das plantas, na página inferior das folhas, onde efectuando a postura, voam quando se sentem ameaçados, pousando logo em seguida noutra folha vizinha. As posturas são efectuadas pelas fêmeas, com a característica de serem realizadas em círculo, nas folhas lisas, depositando um ovo de cada vez. Nas folhas pilosas os ovos estão mais dispersos e menos regularmente colocados. A fêmea pode pôr 500 ovos ao longo da sua vida que dura 3 a 6 semanas. Os ovos eclodem 9 dias após a postura a 21ºC. As larvas neonatas passam por um curto período de mobilidade antes de se fixarem para se alimentarem, com os seus estiletes inseridos no tecido foliar, passando por três estados larvares. Depois interrompem a sua alimentação, mudam, e permanecem no pupário durante 18 dias aproximadamente. A reprodução é essencialmente partenogenética. Os adultos podem passar todo o Inverno nas plantas infestantes. A reprodução ocorre durante todo o ano quando as condições são favoráveis sobrepondo-se várias gerações. Com temperaturas da ordem dos 21 a 24ºC, o ciclo de vida desta mosca branca conclui-se em pouco menos de três semanas. Estragos Os primeiros sintomas da sua presença manifestam-se com o amarelecimento ou clorose geral das folhas, que acabam por secar e cair, ao longo do tempo. Segregam uma substância rica em açucares e ácidos aminados – melada – que queima as folhas e conduz à formação de um conjunto de fungos negros (fumagina) que se desenvolvem nos órgãos vegetais. Esta praga pode ainda ser vector de viroses.

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6 - MOSCAS DA FRUTA
MOSCA DO MEDITERRÂNEO - Ceratitis capitata A mosca da fruta, ou mosca do Mediterrâneo, é um díptero que ataca muitos hospedeiros, não apenas os citrinos, mas também pomóideas, prunóideas, figos, nêsperas e diospiros. O insecto adulto é uma pequena mosca com 4-5 mm. As asas são transparentes, com faixas cinzentas, amarelas e amarelo-acastanhadas O tórax é cinzento com manchas negras O abdómen é cordiforme, com faixas amarelas e negras. As fêmeas são providas de um oviscapto cortante com o qual ferem os frutos e fazem a deposição dos ovos sob a epiderme. O insecto hiberna sob a forma de pupa, no solo. Cerca de dez dias após a sua eclosão (saída da pupa), as fêmeas adultas dirigem-se para os frutos, onde, depois de fecundadas, se imobilizam, depositando, em média, 4 ovos alongados e brancos por fruto, até um total de 300-400 ovos férteis, se as condições forem favoráveis. A longevidade média da fêmea adulta é de dois meses, podendo percorrer até 15 km.

Após 2-5 dias de incubação no interior da polpa, as larvas de cor branca-amarelada dirigem-se para a superfície dos frutos e, depois, ao estilo de um exercício de ginástica, saltam para o solo, onde se introduzem a 1-2 cm, para puparem. Em condições óptimas, uma geração completa-se em três semanas, podendo ocorrer até 5-8 gerações anuais. As temperaturas médias diárias mais favoráveis são, normalmente, acima de 15ºC. O ataque manifesta-se por uma pequena mancha de auréola descolorida, resultante da picada que precedeu a postura, aumentando de tamanho e tornando-se acastanhada se a postura foi viável. Uma vez consumada a eclosão das larvas, a polpa torna-se mole e decompõe-se a seguir. Nessas circunstâncias estão criadas as condições para o desenvolvimento de fungos saprófitas, os quais levam à destruição dos frutos.

MOSCA DA AZEITONA - Bactrocera oleae Gmel. (Dacus oleae) Nas regiões de Invernos suaves hiberna sob a forma de adulto ou de pupa; nas outras regiões apenas sob a forma de pupa. Os adultos, com 5 a 8 mm de comprimento, possuem tórax castanho escuro e asas transparentes com uma pequena mancha na extremidade. Os ovos são brancos e alongados, com cerca de 0,8 mm. As larvas são esbranquiçadas, com 6 a 7 mm de comprimento. As pupas são de cor acastanhada clara, segmentadas e com 0,5 a 0,6 mm de comprimento.

A postura tem início quando os frutos tiverem as características adequadas, em que entram diversos factores ligados à dimensão do fruto, consistência da epiderme e da polpa, lenhificação do caroço, riqueza em

gorduras e cultivar. As condições climáticas são muito influenciadoras da evolução da praga, particularmente nos 25 a 30 dias desde a postura até ao aparecimento do adulto. As posturas são inibidas a partir dos 30ºC; ocorrendo elevada mortalidade de ovos, larvas e até adultos acima dos 35ºC. O número de gerações varia entre duas, com clima mais frio, e quatro, com clima mais ameno, distribuindo-se, habitualmente, entre Julho e Novembro.

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As principais zonas de incidência da mosca da azeitona são as seguintes: 1- A faixa litoral que se estende de Cantanhede ao Algarve, em que os ataques se iniciam, regra geral, de meados de Julho até princípios de Agosto, prolongando-se sucessivamente até ao Outono, sendo os estragos muito importantes. 2- Norte e Nordeste do distrito de Santarém, a Beira Baixa até à latitude de Alpedrinha e quase todo o Alentejo, em que as posturas viáveis só se dão em Setembro, com interrupções frequentes na evolução das larvas e morte de adultos, causadas pela secura do ar e pelas elevadas temperaturas. Nesta zona os ataques são de muito menor gravidade. 3- Beira Baixa, acima de Alpedrinha, Beira Alta, Trás-os- Montes e Minho. Nesta zona os ataques não têm significado económico, salvo num ou outro microclima favorável (Vale da Vilariça). Ocorre depreciação dos frutos, mediante a destruição parcial da polpa e queda dos mesmos. Na azeitona para conserva é impensável a utilização de frutos atacados. Na azeitona para indústria verifica-se a acidificação do azeite, provocada pela entrada de ar nas galerias feitas pelas larvas, ar esse que origina a hidrólise e oxidação dos óleos.

7 - COCHONILHAS
As cochonilhas pertencem a Ordem Homoptera. Este é um grupo bastante grande de insectos que possuem a forma pequena e bastante diferente. As fêmeas não possuem asas e não se locomovem; os machos têm apenas um par de asas ou, em alguns casos raros, também não as possuem. Estes se parecem com pequenos mosquitos e podem ser reconhecidos por não apresentarem peças bucais e pela presença de um prolongamento do abdómen. O desenvolvimento das cochonilhas é bastante complexo. As fêmeas depositam ovos dos quais eclodem ninfas. Estas, quando no primeiro estágio, possuem pernas e podem mover-se. Depois da primeira muda (troca de pele) as pernas e antenas atrofiam-se e o insecto torna-se séssil, isto é, fixa-se num determinado local sem sair mais. Ali a ninfa segrega uma capa de cera ou semelhante a uma escama, que é denominada de carapaça.

As cochonilhas são de grande importância económica em várias culturas e plantas ornamentais, pois podem causar prejuízos consideráveis. Estes insectos apresentam várias formas e cores. Normalmente as cochonilhas são gregárias, isto é, onde existe uma cochonilha existem outras. Elas são encontradas, preferencialmente, nas axilas das folhas, sob as folhas, nos ramos e troncos das árvores e até mesmo nos frutos e raízes. A coloração pode ser branca, castanha, avermelhada, verde ou enegrecida. Algumas possuem o corpo mole coberto por cera ou secreção parecida com o algodão. Outras apresentam carapaça dura e arredondada, enquanto algumas possuem o corpo com formato de vírgula. As cochonilhas segregam uma substância adocicada pelo ânus denominada melada ("honeydew"). Esta secreção é derivada do excesso de seiva da planta sugada pelo insecto, pois é este o alimento das cochonilhas. Esta substância adocicada atrai formigas o que passa, muitas vezes a ser um segundo problema para a planta. No local onde fica depositada a melada cresce um fungo negro, denominado fumagina que prejudica o desenvolvimento normal da planta. As formigas ao passearem sobre esta substância açucarada acabam por espalhá-la ainda mais, possibilitando o aparecimento do fungo em diversos locais na planta. Mas as cochonilhas não são sempre nocivas. Algumas são utilizadas para a fabricação de verniz, como uma espécie de cochonilha mexicana (Llaveia axin), os machos de Ericerus pela, uma espécie oriental, segregam uma grande quantidade de cera que é utilizada para a fabricação de velas e a cera das cochonilhas Ceroplastes ceriferus é utilizada na Índia para fins medicinais. Ainda na Índia ocorrem as espécies de cochonilhas da laca, insectos de grande valor comercial. A espécie Laccifer lacca produz uma secreção cerosa tão abundante que os ramos onde esses insectos se fixam podem ficar com uma camada de laca de até 12mm de espessura. Os ramos são cortados, a laca é dissolvida e refinada e depois usada na fabricação de vernizes, que muitas vezes são pigmentados. Algumas espécies, ainda, são fonte de corantes como o vermelho carmim. COCHONILHA ALGODÃO, Planococcus citri Russo É um homóptero com 6 gerações anuais que ataca, entre outros, a videira, os citrinos e numerosas plantas ornamentais. Na videira hiberna sobre madeira velha e debaixo do ritidoma das cepas. A geração hibernante coloniza nós e entrenós, pecíolos e nervuras das folhas.

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Em finais de Julho, observa-se melada nos cachos que, juntamente com a humidade forma fumagina. Verifica-se um mau funcionamento de folhas e sarmentos, rebentos mais curtos e queda prematura das folhas, o que conduz à diminuição da colheita no ano seguinte. Nos cachos ocorre perda de qualidade.

Ciclo Biológico

COCHONILHA DE SÃO JOSÉ - Quadraspidiotus perniciosus Comst. É um hemíptero que hiberna sob a forma de larva e de fêmea adulta. A maior dispersão ocorre no estado de larva recém-nascida, pois o insecto pode deslocar-se. No final do Inverno retomam o seu desenvolvimento e, 30 a 40 dias após a cópula, observam-se as larvas móveis ( de Março até Junho) O máximo de larvas jovens ocorre em Maio para a 1ª geração e Julho para a 2ª geração. As larvas segregam uma substância cerosa, originando a formação do escudo. Este tem forma circular no caso das fêmeas e forma elíptica no caso dos machos, pelo que é uma espécie com acentuado dimorfismo sexual. Relativamente aos danos provocados pela praga há a considerar a depreciação dos frutos, pela presença de pintas vermelhas, a destruição de ramos e, em caso de ataque intenso, a morte da árvore

Ciclo Biológico

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8 – FILOXERA
Dactulospharia vitifolli É uma praga originária da América. Foi introduzida na Europa em finais do século XIX, sendo responsável pela destruição de muitas vinhas cultivadas em pé franco, ruína de inúmeros viticultores, o que obrigou à utilização de porta-enxertos resistentes. Actualmente, a filoxera é uma praga secundária. No entanto, para solucionar os danos causados pela filoxera recorreu-se ao intercâmbio de videiras com a América, acção responsável pela introdução do míldio na Europa. A filoxera é um homoptero No caso da videira americana, as fêmeas colocam os ovos de Inverno (1 ovo/ fêmea) sobre a madeira da cepa, donde nascem as fundadoras que se instalam sobre as folhas, fundando as primeiras colónias. Estas formam galhas de onde saiem larvas jovens, que irão formar novas colónias/galhas. Uma parte destas larvas abandona as folhas e vai para as raízes, constituindo colónias radiculares, que desenvolvem várias gerações durante o Verão. No fim do Verão, surgem fêmeas aladas que efectuam a postura de dois tipos de ovos. Uns dão lugar a machos, outros a fêmeas, que encerram o ciclo. Sobre a videira europeia, devido à dificuldade de desenvolvimento sobre as folhas, efectua todo o seu ciclo ao nível da raiz, onde se verifica o desenvolvimento ininterrupto de uma série de gerações, com formação de galhas radiculares. Em videiras americanas e viveiros ocorre um forte ataque sobre as folhas, com formação de galhas foliares e consequente diminuição do crescimento e mau atempamento das varas. Em videiras europeias, na parte aérea, surgem sintomas clássicos de afecção radicular – vegetação raquítica e clorose. No sistema radicular observam-se picadas de alimentação das larvas, que produzem uma hipertrofia – nodosidades, e tumores nas raízes mais velhas – tuberosidades.

9 - AFIDEOS
Morfologia Insectos de pequenas dimensões, com formas aladas e ápteras, os afídeos (ou piolhos) caracterizam-se por apresentarem, geralmente, uma forma ovóide, sobretudo nas formas ápteras. Perto da extremidade dorsal do abdómen, e na maioria das espécies, são visíveis duas pequenas protuberâncias em forma de tubo (uma de cada lado do abdómen) que são denominadas cornículos ou sifões. Através dessas estruturas, os afídeos segregam e expelem para o exterior substâncias açucaradas (excreção) ou cerosas, que podem funcionar como feromonas de alarme (substâncias identificadas pelos indivíduos da mesma espécie e que os avisa de um perigo) ou como material de revestimento (tipo algodonoso). A sua armadura bucal é do tipo picadora-sugadora, ocorrendo tanto nos estádios imaturos como nos adultos.

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Bioecologia Embora possa ocorrer a existência de dois sexos, em condições ambientais muito favoráveis apenas se verifica a ocorrência de fêmeas vivíparas, que por via partenogénica dão origem a novas fêmeas. Desta forma, a praga aumenta grandemente o seu potencial biótico, graças ao hospedeiro onde está instalado. Quando as condições para o seu desenvolvimento se tornam desfavoráveis, e variando com a espécie, os afídeos hibernam no seu hospedeiro, sob a forma de ovos de Inverno depostos por uma fêmea ovípara, ou dá origem a formas sexuadas aladas (machos e fêmeas), que se deslocam para o hospedeiro primário, onde produzem os ovos que ficam hibernantes durante o Inverno. Muito resistente aos calores estivais, pode desenvolver aproximadamente 60 gerações por ano. Existe com as formigas uma relação de simbiose: estas exploram a melada dos afídeos e estes, por sua vez, são protegidos dos seus inimigos. Estragos Os estragos estão associados à acção directa do insecto sobre a planta e devido à extracção da seiva por parte do afídeo e pela emissão da melada. Deste facto resulta não só o enfraquecimento da planta, uma vez que as colónias de afídeos são sempre numerosas, como ainda a deformação lateral e enrolamento em espiral das folhas, devido à acção tóxica da saliva de algumas das espécies. A produção e libertação de melada, constituem um substrato alimentar para a instalação de fungos saprófitas como a fumagina. Outros estragos estão associados à possibilidade de algumas espécies de afídeos poderem ser vectores de vírus.

10 - ALFINETE
Agriotes lineatus L. Morfologia Os adultos são negros e de forma elíptica. São inofensivos.

As larvas campodeiformes são alongadas, cilíndricas, de cor amarelo brilhante. Têm o tegumento muito esclerotizado e a cabeça achatada. É a larva que dá o nome vulgar a esta praga.

Bioecologia A larva é muito polífaga alimentando-se das raízes de culturas muito variadas, sobretudo nas regiões com clima marítimo e húmido. Escava galerias e ataca as partes enterradas das plantas, com paragens de actividade no Verão e no Inverno Desloca-se verticalmente no solo consoante a humidade e a temperatura. O desenvolvimento larvar é de cerca de quatro anos, mas nos primeiros dois anos alimentam-se de matéria orgânica em decomposição. As larvas maturas passam ao estado de pupa, no Verão, e permanecem numa cavidade terrosa situada a cerca de 40 a 60 cm de profundidade e o adulto passa o Inverno no solo até à Primavera seguinte. A duração do estado de pupa é de 1 mês.

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Em Abril, começam a surgir os adultos à superfície, denotando hábitos nocturnos. Pouco depois inicia-se a postura. Os ovos são postos no solo, isoladamente ou em grupos, tendo as fêmeas preferência por locais de temperatura pouco elevada e alto teor de humidade. Duração da fase embrionária: 25 a 60 dias. Estragos Os estragos causados são de dois tipos consoante a época do ano. Na Primavera, sobretudo se o tempo estiver fresco e húmido, as larvas atacam as plantas jovens perfurando o caule debaixo da terra.

ESTRAGOS NUM CAMPO DE MILHO No Verão e Outono, quando a planta está mais desenvolvida, alimentam-se de raízes, tubérculos e bolbos. Os tubérculos atacados apresentam galerias estreitas e pouco profundas. O prejuízo ocasionado por esta praga é a depreciação da colheita, embora não influencie no rendimento da cultura.

11 - BROCAS DO MILHO
Sesamia sp Os insectos adultos, de cor amarelo-acastanhada, fazem as suas posturas por grupos na baínha das folhas da zona apical do caule, daí resultando entre 10 a 20 pequenas larvas brancas-rosadas e lisas, com 8 a 10 mm de comprimento, que se distribuem seguidamente pelas plantas vizinhas, dando origem ao foco de ataque primário.

1 – Orifício de saída de broca 2 – Perfuração das folhas provocada por brocas 3 – Pupa de Sesamia 4 – Sesamia – Insecto adulto A primeira geração alimenta-se do parênquima foliar e perfura a base das folhas ou o caule até a planta começar a “murchar” e secar. Depois, passa para a planta contígua, provocando a morte continuada de várias plantas. A segunda geração não é tão visível em termos de sintomas. Durante a terceira geração, as larvas vivem junto do caule, ou mesmo nas maçarocas, provocando a paragem da migração de reservas para o grão, podendo provocar a “acama” devido à fragilização dos caules. Os estragos da terceira geração são mais graves em sementeiras tardias. Abaixo de 8ºC a sua actividade cessa. Relativamente aos prejuízos, ao escavarem galerias, sobretudo na parte inferior do caule e na maçaroca, as lagartas provocam a acama e quebras significativas na produção de grão.

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PIRAL - Ostrinia nubialis Hb. O adulto é uma borboleta com 20 a 33 mm de envergadura, com asas finas e largas, de corpo estreito e antenas cilíndricas. O macho é mais pequeno que a fêmea e possui asas mais escuras, com bandas acastanhadas. As asas das fêmeas são mais claras e menos contrastadas. Na fase larvar, as lagartas medem cerca de 18-20 mm, de cor branca-rosada, por vezes cinzenta ou acastanhada, com a cabeça e a placa toráxica castanha clara. Cada segmento abdominal exibe dorsalmente uma fiada de quatro placas escuras, providas de sedas, e, um pouco mais atrás, duas placas mais pequenas. O ciclo anual pode estender-se por várias gerações. O insecto hiberna, em diapausa, no último estado larvar da última geração, escondido nos resíduos da colheita espalhados pelo campo ou incorporados por uma lavoura. É nestes abrigos que, na Primavera, as lagartas se transformam em crisálidas. Passados cerca de vinte dias de ninfose dá-se a eclosão das borboletas, cujo período de voo dura 6 a 8 semanas, com actividade nocturna e temperatura superior a 12 ºC. A postura inicia-se nos dias seguintes à eclosão do insecto adulto ou borboleta, podendo cada fêmea depositar até várias centenas de ovos, preferencialmente na face inferior das folhas, em agrupamentos imbricados de cerca de 20 ovos - as denominadas ooplacas. A incubação dos ovos varia entre 5 a 15 dias. As larvas deles resultantes começam por roer o parênquima das folhas mais próximo das ooplacas donde saíram, para de seguida penetrarem no interior do corneto foliar, instalando-se na base deste, onde se alimentam. Posteriormente, dirigem-se para a panícula masculina, que abandonam pela altura da floração, para penetrarem no caule ao nível da axila das folhas, no pedúnculo da espiga e na própria espiga. A segunda geração desenvolve-se principalmente sobre a espiga. No final do seu desenvolvimento as lagartas têm o corpo cinzento-amarelado, atingindo 2 cm de comprimento. São muito características as perfurações no caule, de cujo interior ressalta uma espécie de serradura amarelada.

Os estragos podem ocorrer em todos os órgãos da planta, sobretudo na parte superior do caule e na maçaroca, tornando-se débil e quebradiça, do que resulta acama e perdas de produção de grão.

12 - LARVAS MINEIRAS,
Liriomyza sp Morfologia O adulto é um pequeno díptero de coloração preta e amarela. O seu tamanho pode variar com a espécie estando entre os 1,3 mm e 2,25 mm de comprimento. As fêmeas são, normalmente, maiores do que os machos. A larva é de cor branco leitosa ou branco amarelada e mede 3,5 mm. A pupa é amarela dourada a castanho amarelada, com cerca de 2,2 mm de comprimento, ligeiramente achatada na parte dorso-ventral. O ovo é translúcido a opaco. O seu tamanho varia consoante a espécie, podendo medir 0,25 mm na espécie Liriomyza bryoniae. Bioecologia A família Agromyzidae é vulgarmente conhecida pelas características peculiares e hábitos das formas imaturas, pelo que a designação vulgar dos indivíduos desta família é de larvas mineiras. As fêmeas depositam os ovos no interior dos tecidos vegetais, são translúcidos, mais ou menos brancos. O pico da postura acontece a meio da manhã e os ovos são depositados isoladamente, pouco distanciados de si. O período de desenvolvimento do ovo pode variar entre 2 a 8 dias dependendo, fundamentalmente, da temperatura, do hospedeiro vegetal e da espécie em causa.

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A larva inicia o processo de alimentação imediatamente após a eclosão, o qual decorre até ao momento em que esta corta a epiderme foliar para pupar ou no exterior da planta ou no solo. A duração do período de desenvolvimento da pupa diminui com o aumento da temperatura. Os adultos recém emergidos têm uma resposta fototáctica positiva, dirigem-se imediatamente para uma zona bem iluminada onde permanecem em repouso. Estragos A importância económica desta espécie surge pelo seu tipo de alimentação. Uma vez efectuada a postura no mesófilo foliar dá-se a eclosão da larva que vai formando galerias ao longo das folhas. Para além da redução da área fotossinteticamente activa são abertas portas de entrada a diversos agentes patogénicos, quer devido às pontuações de alimentação, quer aos orifícios de saída da larva para o exterior. Consequência do ataque de larvas mineiras: Completa destruição de plantas de viveiro, Redução de colheitas em diversas culturas, Redução do valor cosmético de diversas culturas ornamentais e algumas hortícolas, Abertura de orifícios de entrada a agentes patogénicos diversos, Exposição dos frutos aos raios solares provocando a queima, Necessidade de tomar medidas de quarentena para diversas culturas.

13 - ÁCAROS
ARANHIÇO VERMELHO Tetranichus urticae Koch Morfologia Este ácaro é vulgarmente conhecido por aranhiço vermelho. É vermelho, cor de tijolo. Os adultos, têm duas manchas escuras típicas no dorso e quatro pares de patas. A fêmea, mede 0,5 mm de comprimento; sendo o macho mais pequeno e delgado, medindo 0,3 mm. Os ovos são esféricos, com um diâmetro inferior a 0,1 mm, lisos, esbranquiçados e translúcidos após a postura. Tornam-se opacos e adquirem uma coloração amarela escura antes de eclodir. As larvas, são de tamanho reduzido e possuem três pares de patas. As ninfas, são morfologicamente semelhantes à fêmea. Bioecologia Este ácaro é extremamente polífago e possui cerca de 200 hospedeiros: plantas espontâneas, plantas leguminosas, ornamentais, espécies frutícolas. É particularmente importante na videira, no feijoeiro, no pepino, no lúpulo, no algodoeiro, no trevo, no girassol e nas árvores fruteiras. As fêmeas hibernantes migram para as ervas infestantes ou outras plantas herbáceas e, após um período de alimentação, fazem a postura de um número elevado de ovos (cerca de 10 por dia). A segunda geração, regressa à abóbora e a outras plantas cultivadas, durante o mês de Junho. Em todos os estados activos, este tetraniquídeo tece na página inferior das folhas teias sedosas, que retêm a humidade e asseguram uma excelente protecção de todos os estados de desenvolvimento contra o vento, os predadores e os tratamentos. Para se alimentar, o ácaro pica as folhas e aspira o conteúdo celular. O óptimo do seu desenvolvimento situa-se entre os 23 e 30ºC e humidade relativa inferior a 50%. Apresenta 6 a 7 gerações, que se sucedem a um ritmo muito rápido verificando-se a propagação da praga. A disseminação deste tetraniquídeo faz-se por passagem de planta a planta (se estas se tocarem), pelo solo em curtas distâncias, por transporte em objectos ou pessoas ou pelo vento, constituindo o seu fio de seda um meio de transporte aéreo. Estragos Os estragos directos são devidos às picadas de alimentação: as folhas adquirem um aspecto mosqueado e secam ou tornam-se necróticas. Em caso de elevada infestação, a planta pode morrer. Por outro lado, as teias podem envolver os órgãos da planta e impedir o seu desenvolvimento.

Ciclo Biológico

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ACARIOSE DA VIDEIRA, Eriophyes vitis Os ácaros eríofideos apresentam 3 a 4 gerações anuais, de acordo com a temperatura e a humidade. Hibernam sob a forma de fêmeas adultas debaixo das escamas dos gomos, nas gretas da madeira do tronco ou nos braços da cepa. Na Primavera, ao abrolhamento, iniciam a sua alimentação, picando a página inferior das folhas jovens, onde depositam os ovos. No final do Verão, as fêmeas adultas abandonam as folhas e procuram locais abrigados. As folhas tornam-se esbranquiçadas, com as nervuras muito pronunciadas e os entrenós curtos. No Verão, surgem pontuações amarelas nas folhas terminais dos lançamentos, correspondentes às picadas de alimentação. Ao nível da floração verificase o abortamento de algumas flores e consequentemente um mau vingamento. Os prejuízos são maiores em videiras jovens ou em situações de temperaturas baixas, em que o abrolhamento é lento e os ácaros distribuem-se, necessariamente por uma superfície foliar reduzida. Nestas condições os danos podem ser grandes.

Ciclo Biológico

14 - TRIPES
Frankliniella occidentalis Morfologia Os adultos, vulgarmente conhecidos por Tripes da Califórnia, são muito pequenos. As fêmeas medem 1,2 mm e os machos 0,9 mm. Os ovos são reniformes e transparentes, medindo 200µ (0,2 mm). A larva neonata é branca e a do 2º estádio é branca amarelada, tornando-se amarela dourada ao longo do seu desenvolvimento, e possui olhos vermelhos. São muito semelhantes ao adulto, mas sem asas e com antenas mais curtas. Bioecologia A reprodução é sexuada e/ou partenogénica. Na reprodução partenogénica, os ovos não fecundados dão origem a machos. A fêmea faz a postura dos ovos nas folhas no interior dos tecidos vegetais e de forma isolada, com o auxílio do oviscapto, à razão de 1 a 2 por dia. A fecundidade das fêmeas é elevada podendo por até 300 ovos, sendo a média de 40. As larvas instalam-se em locais refugiados da planta. A fase de pupa ocorre frequentemente no solo, mas, pode ocorrer também na parte aérea da planta. O tempo de incubação é curto, variando com a temperatura e durando cerca de 4 dias a 26ºC. Para a mesma temperatura a duração do ciclo é de 14 dias, inferior ao período de postura, por isso ocorrem numerosas sobreposições de gerações dentro das estufas.

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Estragos Os tripes instalam-se na página inferior das folhas mais jovens e picam os tecidos, repetidamente, com a sua armadura bucal escarificadora assimétrica. Em consequência, as folhas atacadas apresentam-se pontuadas por numerosas manchas prateadas, correspondentes a grupos de células esvaziadas, que serviram de alimento à praga. Este sintoma está associado à presença de pequenos montículos de excrementos negros. As folhas podem ficar distorcidas e secas, afectando o crescimento da planta. As pétalas das flores podem também descorar e apresentar deformações. Este estrago é particularmente importante nas flores de corte com cores fortes – vermelhos e laranjas, nas culturas de rosas, cravos e gerberas. Os tripes também são importantes vectores de vírus.

15 - NEMÁTODOS
Globodera spp

Estes nemátodos são vulgarmente conhecidos por nemátodos dos quistos. Há inúmeras espécies de nemátodos que afectam a batata, mas os problemas mais graves relacionam-se geralmente com estas duas espécies. São consideradas como flagelos da cultura da batateira, conduzindo ao abandono de vastas áreas. Sintomatologia Não causam, como regra, sintomas específicos na parte aérea da planta, mas os efeitos e os estragos provocados nas raízes fazem com que as plantas atacadas apresentem sintomas semelhantes aos verificados por deficiência de água e de nutrientes, as folhas tornam-se amarelas e murcham. Populações elevadas de nemátodos conduzem à paragem de crescimento da planta e à sua morte prematura. Há uma proliferação de raízes laterais, ficando o sistema radicular menos desenvolvido do que em plantas sãs. Biologia Os nemátodos do género Globodera caracterizam-se pela formação de quistos que, não são mais do que o corpo da fêmea repleto de ovos, que se converte numa capa protectora de cor escura e resistente à destruição. Dentro do quisto, os ovos podem conservar a sua capacidade reprodutiva por muitos anos. Quando as condições ambientais lhe são propícias desenvolvem-se até alcançar a segunda fase larvar. A eclosão maciça do interior dos quistos só se verifica sob o efeito duma secreção das raízes das plantas hospedeiras. Mais tarde desprendem-se das raízes, morrem, e a sua cutícula exterior converte-se num quisto que conserva os ovos produzidos. Um quisto pode conter entre 100 a 500 ovos que podem eclodir imediatamente ou permanecer em estado latente durante muitos anos. Estes nemátodos completam o seu ciclo de vida em 5 a 7 semanas, dependendo das condições de humidade e temperatura do terreno.

Meloidogyne spp. Biologia São muito polífagas e perigosas, atacando todas as culturas. A duração do ciclo depende da temperatura: a temperaturas mais baixas (Inverno) a infestação desenvolve-se lentamente, assim que as temperaturas aumentam (28ºC), o seu desenvolvimento acelera e completa-se em cerca de 3 semanas. Várias gerações podem suceder-se em condições favoráveis e a infestação atinge níveis consideráveis. Por outro lado, os ovos não eclodem todos ao mesmo tempo, alguns só eclodem vários meses após a postura, resistindo ao frio e à seca. O solo conserva o seu potencial infeccioso durante o Inverno ou durante um período de pousio.

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As condições de estufa são ideais para o seu aparecimento: temperatura e humidade do solo elevadas, repetição de culturas sensíveis e insuficiente fertilização orgânica. Estragos No caso de culturas sensíveis o ataque é muito grave, as galhas podem tornar-se muito volumosas e invadir o sistema radicular, que é então reduzido a coto entumecido sem qualquer cabelame. A parte aérea pode apresentar um desenvolvimento reduzido, acompanhado de um amarelecimento das folhas. As plantas infectadas são muito sensíveis à seca.

Medidas de Luta Meios físicos – solarização e vapor de água. Meios culturais – rotações de culturas, variedades resistentes, propágulos sãos, prevenção na introdução da praga (alfaias, solo e substrato, restos de plantas atiradas descuidadamente). Em pequenas hortas, ou em culturas plurianuais, podemos fazer consociações com plantas repelentes como as Tagetes (cravo xarope). Meios químicos

3 - QUADROS RESUMO DE TÉCNICAS DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE DOENÇAS E PRAGAS EM AGRICULTURA BIOLÓGICA

1 – VIDEIRA

ESTADOS FENOLÓGICOS DA VIDEIRA

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2 - PESSEGUEIRO

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3 – MACIEIRAS E PEREIRAS

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4 - OLIVEIRA

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5 – CULTURAS HORTÍCOLAS

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NOTA: TODOS ESTES QUADROS FORAM TIRADOS DO EXCELENTE LIVRO “MANUAL DE AGRICULTURA BIOLÓGICA”, 1998, AGROBIO – RECOMENDO VIVAMENTE A SUA CONSULTA

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V – APLICAÇÃO DE PESTICIDAS
Na aplicação de produtos fitofarmacêuticos devemos seguir sempre as indicações expressas no rótulo, caso contrário podem ocorrer graves riscos: 1 – RISCOS Riscos para o Homem O Homem pode absorver o produto fitofarmacêutico por 3 vias: .Oral (pela boca) .Dermal (pela pele) .Inalação (pelas vias respiratórias) Riscos para o Ambiente Há que ter em atenção, nomeadamente, entre outras: .Não contaminar as culturas e/ou zonas vizinhas das áreas a tratar. .Não contaminar fontes, poços e cursos de água. Não aplicar o produto com muito vento, para evitar arrastamentos. Os utilizadores devem usar sempre vestuário de protecção adequados e luvas, de acordo com as especificações do produto a utilizar. Ter sempre em atenção o manuseamento, a preparação da calda e a aplicação do produto: .Não desentupir os bicos com a boca. .Não comer, beber ou fumar durante a utilização. .Não contaminar as águas. .Não aplicar em terrenos agrícolas adjacentes a cursos de água. .Após o tratamento lavar bem o material de protecção, tendo o cuidado especial em lavar as luvas por dentro É importante que antes da utilização de um produto químico, o aplicador deve proceder à leitura atenta do rótulo, seguindo depois, as instruções quanto às finalidades autorizadas, intervalo de segurança, concentrações ou doses e a às precauções toxicológicas. Em caso de dúvida consultar um técnico. Antes mesmo de abrir as embalagens e os recipientes, tomar as precauções de segurança necessárias: uso de luvas, avental, botas de borracha, fato de protecção e equipamento protector da cabeça, cara e olhos. As luvas devem ser enfiadas por dentro das mangas e as calças por fora das botas. Preparar as caldas ao ar livre ou em locais bem arejados, dispondo de água e sabão para a hipótese de se verificar contaminação acidental dos olhos e da pele. Em caso de derrame ou salpicos, lavar imediatamente com água e sabão as zonas do corpo afectadas. Caso ocorra derrame do produto formulado sobre a roupa, esta deve ser retirada e depois lavada separadamente da roupa diária. Durante a realização do tratamento utilizar fato de protecção, luvas e avental para evitar salpicos. Seguir uma técnica correcta começando por calibrar o equipamento e procedendo depois à aplicação a favor do vento.

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Tratar sempre nas horas mais frescas do dia, sem vento forte, evitando-se desse modo as formações de vapores tóxicos para o aplicador e eventual fito toxicidade nas culturas. Nunca soprar os bicos em caso de entupimento. Estes devem ser limpos com água, com ar sob pressão, ou substituídos. Utilizar sempre maquinaria de aplicação em bom estado de conservação. Proceder sempre à revisão do equipamento, a fim de evitar roturas na tubagem e outras perdas de calda. Não comer, beber ou fumar enquanto se aplicam os produtos fitofarmacêuticos. Lavar sempre as mãos com água e sabão depois das tarefas em que se contactou com produtos fitofarmacêuticos. No final de cada dia de trabalho recomenda-se um duche abundante com água e sabão.

2 - PREPARAÇÃO DA CALDA A calda é a mistura líquida do(s) produto(s) fitofarmacêuticos em água, devendo ser aplicada imediatamente após a preparação. Se tal não for possível, a calda em repouso deve ser agitada até ficar homogénea antes da aplicação. Calcular a quantidade de produto a utilizar na calda, tendo em atenção a concentração ou dose indicada no rótulo. Concentração é a quantidade de produto fitofarmacêutico a utilizar em 100l de água. Exprime-se em percentagem (%). Dose é a quantidade de produto fitofarmacêutico a ser aplicada na unidade de superfície de referência - hectare (ha). Quando se pretende utilizar mais do que um produto na mesma calda: · Seguir as recomendações do rótulo e/ou dos fabricantes (tabela de compatibilidades). · Testar a compatibilidade dos produtos. · Não misturar mais de 3 produtos na mesma calda. Para que a calda cubra toda a vegetação da cultura a tratar é necessário usar o débito adequado (alto, médio ou baixo volume) de acordo com o desenvolvimento e tipo de cultura. Alto volume – a calda é levada até às plantas sob o efeito de pressão hidráulica dada pelo êmbolo do pulverizador. É característica dos pulverizadores de jacto transportado: · Deficiente cobertura da superfície vegetal de grandes dimensões (fruteiras, vinha) · Bons resultados em culturas baixas · Não tem alternativa para a aplicação de herbicidas Médio ou Baixo volume – a calda é levada até às plantas através de uma forte corrente de ar fornecida por uma ventoinha. É característica dos pulverizadores pneumáticos (atomizadores) e dos pulverizadores de jacto transportado (turbina). Boa ou muito boa cobertura das culturas arbóreas e arbustivas. · Não tem alternativa no caso dos tratamentos fungicidas na vinha. Culturas Alto Volume (l/ha) Baixo Volume (l/ha)

Batateira, tomateiro, hortícolas Citrinos Macieira, pereira Oliveira Searas: pré e pósemergência até ao afilhamento (herbicidas) Vinha (herbicidas) Vinha baixa Vinha alta

600-800

300-400

1000-1500 800-1500 1000-1500

Não é aconselhável 500 100-200

300-400

Não é aconselhável

800 800-1000 1500-2000

Não é aconselhável 400-500 Não é aconselhável

Nota: este quadro não contempla aplicações por avião.

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Como se prepara uma calda?
A preparação da calda deve ter em conta o tipo de formulação do produto. - Formulações: Grânulos dispersíveis em água (WG); Concentrado para Emulsão (EC); Emulsão de óleo em água (EO); Pó Solúvel (SP); Solução (SL); Solução Aquosa (SL). Modo de Preparação: No recipiente onde se prepara a calda deitar metade da água necessária. Juntar a quantidade de produto a utilizar e completar o volume de água, agitando sempre. - Formulação: Pó molhável (WP) Modo de Preparação: No recipiente onde se prepara a calda deitar metade da água necessária. Numa vasilha, juntar a quantidade de produto a utilizar com um pouco de água e agitar continuamente até obter uma pasta homogénea e sem grumos. Deitar essa pasta no recipiente e completar com o volume de água, agitando sempre. Evitar deixar a calda em repouso. - Formulação: Suspensão aquosa (SC); Suspensão aquosa de microcápsulas (CS); Suspensão oleosa (SO) Modo de Preparação: No recipiente onde se prepara calda deitar metade da água necessária. Agitar bem a embalagem até o produto ficar homogéneo. Deitar a quantidade de produto a utilizar e complementar o volume de água, agitando sempre. CALIBRAGEM DO MATERIAL (ensaio em branco) 1 - .Encher o pulverizador com 10l água. 2.- Marcar 100m de terreno ou cultura a tratar e pulverizar com a água. 3.- Após a pulverização, medir a água que sobrou (3 litros por exemplo) 4.- O volume de calda por hectare calcula-se assim: 2 Se em 100 m se gastaram 7 litros de calda (10-3) 2 Em 10 000 m vão- se gastar X litros X = 10 000 x 7 = 700 litros de calda 100
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As embalagens vazias não devem ser pura e simplesmente abandonadas, queimadas ao ar livre, enterradas ou reutilizadas. As embalagens vazias devem enxaguar-se três vezes seguidas, enchendo sucessivamente com água até um quarto da capacidade agitando e vertendo cada uma das três “águas” de enxaguamento no tanque do equipamento de aplicação. Inutilizar as embalagens de modo a não poderem ser reutilizadas e colocá-las em locais adequados à sua recolha.

EM CASO DE INTOXICAÇÃO Contactar de imediato o Centro de Informação Anti-Venenos (CIAV) 808 250 143 Enquanto aguarda por assistência médica, proceder do seguinte modo: 1.- Mudar a pessoa afectada para fora do local onde foi intoxicada. 2.- Retirar roupas e calçado. 3.- Nunca provocar o vómito a pessoas inconscientes. 4.- Se a vítima estiver consciente e a vomitar, sentá-la inclinada para a frente, por forma a não se engasgar. 5.- Nunca fornecer líquidos (leite, produtos oleosos ou alcoólicos) ou cigarros ao intoxicado.

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3 - CASO PARTICULAR DA APLICAÇÃO DE HERBICIDAS Para uma eficaz actuação do herbicida é necessário, não só uma boa escolha do produto, mas também ter em conta o estado de desenvolvimento das infestantes e o estado do solo, quer a nível de humidade, quer a nível de esmiuçamento. Importância da fase de desenvolvimento da infestante

Importância de uma boa preparação do solo

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UM TEXTO PARA REFLECTIR (mesmo em castelhano percebe-se bem!)

El herbicida "Round up" de Monsanto contamina el agua potable en Dinamarca
Anders Legarth Schmidt/ "Politiken", de Dinamarca (10 de Mayo de 2003. Traducción "Gº. de Reflexión Rural")

Round up, el herbicida más popular de Dinamarca, está contaminando el agua subterránea mucho más de lo que previamente se pensaba. La agricultura dinamarquesa usa 800 toneladas de ingrediente activo de glifosato como herbicida. El Ministerio del Ambiente esta viendo la forma de tomar los pasos para poner coto. Os recursos de agua potable dinamarquesas están bajo el ataque desde un ángulo inesperado. El químico glifosato es el principio activo de los herbicidas Round up y Touchdown, ambos muy populares. Ahora se comprueba que, contra todas las expectativas, se filtra a través del terreno contaminando el agua subterránea en una proporción cinco veces más del nivel permitido para el agua potable. Esto se ha mostrado en pruebas hechas por la Institución Dinamarca y Groenlandia de Geología (DGGRI) en un artículo inédito. "Cuando nosotros rociamos el glifosato en los campos según las normas, se ha mostrado que se lava hacia abajo con el agua superficial en una concentración de 0.54 microgramos por el litro. Esto es muy sorprendente, porque nosotros habíamos creído previamente que las bacterias en la tierra degradaban el glifosato antes de que alcanzara el agua de la napa." El Ministerio de Ambiente ha dado el permiso para usar el glifosato, basado en la propia investigación de Monsanto. Se había encontrado con anterioridad en los pozos de Roskilde y en las regiones de Storstroms, así como el municipio de Copenhague. Los críticos dicen que el glifosato causa el cáncer, mientras sus defensores lo llaman "herbicida maravilloso". El Profesor Mogens Henze, cabeza del Instituto para el Ambiente y Recursos de la Universidad Técnica de Dinamarca, dice que, como consecuencia del nuevo conocimiento de estos trabajos, en cinco a diez años se necesitara limpiar el agua antes de que los daneses puedan beberla. "Los resultados muestran que el glifosato está contaminando nuestra agua potable. Y desgraciadamente nosotros sólo hemos visto la punta del iceberg, porque el glifosato y muchos otros químicos han terminado a su manera ensuciando las tierras. Los políticos necesitan mirar a la agricultura respecto a la limpieza del agua potable y deben decidir que van a hacer." dice Mogens Henze que no está culpando a los granjeros que usan algo que las autoridades han permitido. El uso duplicó las estadísticas, según el Ministerio de Ambiente en los últimos cinco años. En 2001se usaron 800 toneladas y eso constituyó un cuarto del uso total de pesticidas. Esto muestra que el glifosato es el herbicida más usado por granjeros. Como resultado de la nueva investigación de DGGRI, el Ministro del Ambiente Hans Christian Schmidt está pensando actualmente en hacer algo sobre el uso de glifosato en los campos dinamarqueses. "Simplemente no es aceptable que este material esté aumentando en nuestra capa de agua subterránea en tal concentración, encima del nivel aceptable. Si éste es el caso entonces nosotros debemos reaccionar rápidamente" dice el Ministro.

VI – PARA SABER MAIS
Amaro e Baggiolini, 1982 – “INTRODUÇÃO À PROTECÇÃO INTEGRADA – volume 1” – FAO/DGPPA Ferreira et all, 1998 – “MANUAL DE AGRICULTURA BIOLÓGICA”, Agrobio – ISBN 972-97853-0-9 Soares Chaves, 1992 – “INIMIGOS DAS CULTURAS” – M. Agricultura – ISBN 972-9175-47-0

www.dgpc.min-agricultura pt www.biobest.be

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