A IgrejA de jesus CrIsto dos sAntos dos ÚltImos dIAs • dezembro de 2009

Encontrar a Luz de Cristo Durante o Natal, pp. 2–17
Convite à Revelação por Meio da Reverência, p. 26 Por Que Perguntar Por Que Eu? p. 30 24 Tradições de Natal no Mundo Inteiro, p. A8

A LiAhonA, Dezembro De 2009

Adultos
2 Voltar para casa no natal Presidente Henry B. Eyring
mensAgem DAs ProfessorAs VisitAntes Artigos mensAgem DA PrimeirA PresiDênciA

25 nutrir ao Prestar serviço caridoso

16 com o Amor de minhas irmãs Marina Petrova 18 os Dons espirituais concedidos ao Presidente
da estaca Élder Neil L. Andersen

Jovens
8 Um menino nos nasceu
Artigos

Nossas professoras visitantes fizeram algo muito significativo para nós no Natal.

10 Uma Dádiva de Amor Chastmier Okoro 12 “os três reis” Wendy Kenney
Quem foram os Magos que visitaram o menino Jesus?

O que nos ensina a profecia de Isaías sobre o Salvador. Será que nossa vizinha vai aceitar o único presente que podemos lhe dar?

26 Adorar por meio da reverência Élder Robert C. Oaks 36 A bênção do trabalho Bispo H. David Burton
seções

Os presidentes de estaca são chamados pelo Senhor e recebem chaves e poder espiritual para ministrar nas áreas que presidem. Nossas atitudes e conduta demonstram nossa reverência — nosso respeito e amor pelo Senhor e nosso desejo de honrá-Lo. O trabalho é uma bênção e um mandamento, e o Senhor ajuda aqueles que procuram cumprir esse mandamento.

30 Por Que eu? Elizabeth Quigley 24 Pôster: Aleluia! 34 Perguntas e respostas
seções

Tudo ia bem na minha vida, até eu saber que tinha câncer.

41 Vozes da igreja

48 como Utilizar esta edição

Moças levam a alegria do Natal para membro acamado; crianças abrem mão de ganhar brinquedos no Natal; uma aluna presta testemunho a seu professor; uma jovem ajuda o irmão que está à beira da morte a cumprir uma promessa; as ações de uma criança são a resposta para a oração de um homem. Ideias e tópicos para a reunião familiar contidos nesta edição.
Na capa Capa: A Fuga, de Rose Datoc Dall, cortesia do Museu de História da Igreja. Última Capa: A Natividade, litogravura de Gustave Doré.

Meus pais não são membros da Igreja. Como posso compartilhar o evangelho com eles sem ofendê-los?

dezembro de 2009 Vol. 62 Nº 12 a Liahona 04292 059 Revista Oficial em Português de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias a primeira presidência: Thomas S. Monson, Henry B. Eyring e Dieter F. Uchtdorf Quórum dos doze apóstolos: Boyd K. Packer, L. Tom Perry, Russell M. Nelson, Dallin H. Oaks, M. Russell Ballard, Richard G. Scott, Robert D. Hales, Jeffrey R. Holland, David A. Bednar, Quentin L. Cook, D. Todd Christofferson e Neil L. Andersen editor: Spencer J. Condie consultores: Keith K. Hilbig, Yoshihiko Kikuchi, Paul B. Pieper diretor gerente: David L. Frischknecht diretor editorial: Victor D. Cave editor Sênior: Larry Hiller diretor gráfico: Allan R. Loyborg gerente editorial: R. Val Johnson gerentes editoriais assistentes: Jenifer L. Greenwood, Adam C. Olson editor associado: Ryan Carr editora adjunta: Susan Barrett equipe editorial: David A. Edwards, Matthew D. Flitton, LaRene Porter Gaunt, Annie Jones, Carrie Kasten, Jennifer Maddy, Melissa Merrill, Michael R. Morris, Sally J. Odekirk, Joshua J. Perkey, Chad E. Phares, Jan Pinborough, Richard M. Romney, Don L. Searle, Janet Thomas, Paul VanDenBerghe, Julie Wardell Secretária Sênior: Laurel Teuscher diretor de arte: Scott Van Kampen gerente de produção: Jane Ann Peters equipe de diagramação e produção: Cali R. Arroyo, Collette Nebeker Aune, Howard G. Brown, Julie Burdett, Thomas S. Child, Reginald J. Christensen, Kim Fenstermaker, Kathleen Howard, Eric P. Johnsen, Denise Kirby, Scott M. Mooy, Ginny J. Nilson pré-impressão: Jeff L. Martin diretor de impressão: Craig K. Sedgwick diretor de distribuição: Randy J. Benson Para assinaturas e preços para fora dos Estados Unidos e do Canadá, consulte o centro de distribuição local em seu país ou o líder da ala ou ramo. envie manuscritos e perguntas para A Liahona, Room 2420, 50 e. North Temple St., Salt Lake city, UT 84150-0024, USa; ou mande e-mail para: liahona@ldschurch.org. A Liahona, termo do Livro de Mórmon que significa “bússola” ou “orientador”, é publicada em albanês, alemão, armênio, bislama, búlgaro, cambojano, cebuano, chinês, cingalês, coreano, croata, dinamarquês, esloveno, espanhol, estoniano, fijiano, finlandês, francês, grego, haitiano, hindi, húngaro, holandês, indonésio, inglês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano, malgaxe, marshalês, mongol, norueguês, polonês, português, quiribati, romeno, russo, samoano, sueco, tagalo, tailandês, taitiano, tâmil, tcheco, télugo, tonganês, ucraniano, urdu e vietnamita. (A periodicidade varia de um idioma para outro.) © 2009 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados. Impresso nos Estados Unidos da América. O texto e o material visual encontrados na revista A Liahona podem ser copiados para uso eventual, na Igreja ou no lar, não para uso comercial. O material visual não poderá ser copiado se houver qualquer restrição indicada nos créditos constantes da obra. As dúvidas sobre direitos autorais devem ser encaminhadas para Intellectual Property Office, 50 E. North Temple St., Salt Lake City, UT 84150, USA; e-mail: cor-intellectualproperty@ldschurch.org. A Liahona pode ser encontrada na Internet, em vários idiomas, no site www.liahona.lds.org. For Readers in the United States and canada: December 2009 Vol. 62 No. 12. LIAHONA (USPS 311480) Portuguese (ISSN 1044-3347) is published monthly by The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 50 E. North Temple St., Salt Lake City, UT 84150. USA subscription price is $10.00 per year; Canada, $12.00 plus applicable taxes. Periodicals Postage Paid at Salt Lake City, Utah. Sixty days’ notice required for change of address. Include address label from a recent issue; old and new address must be included. Send USA and Canadian subscriptions to Salt Lake Distribution Center at address below. Subscription help line: 1-800-537-5971. Credit card orders (Visa, MasterCard, American Express) may be taken by phone. (Canada Poste Information: Publication Agreement #40017431) POSTMASTER: Send address changes to Salt Lake Distribution Center, Church Magazines, PO Box 26368, Salt Lake City, UT 84126-0368.

Crianças
A2 motivo de Assombro
Artigos mensAgem De nAtAL DA PrimeirA PresiDênciA PArA As criAnçAs Do mUnDo

O Amigo

A4 boas maneiras na Primária Jan Pinborough A8 o natal no mundo inteiro  A10 natal na Praça do templo A7 Página para colorir A12 tempo de compartilhar: A14 Da Vida do Profeta Joseph
smith: Um Verdadeiro exemplo de cristo Vou-me Lembrar de Jesus cristo  Cheryl Esplin
seções

Chad E. Phares e Shara Braithwaite

capa de O amigO Ilustração: Jim Madsen.

Veja se consegue encontrar o anel do CTR norueguês oculto nesta edição. Escolha a página certa!

Comentários
Fiquei extremamente feliz ao ver um grupo de rapazes e moças em frente ao Fórum Romano, na página 32 da edição de setembro de 2008 de A Liahona. Servi como missionário na Itália em 1971. Enquanto fazia proselitismo em Roma, meu companheiro e eu ensinamos dois excelentes meninos, Alberto e Massimo De Feo, que mais tarde foram batizados. Imaginem minha alegria ao ver Denise De Feo naquele artigo e descobrir que ela é filha de Massimo, que hoje é presidente da Estaca Roma Itália. Também fiquei sabendo que Alberto é presidente de ramo no Canadá. Sinto-me grato ao
O Fruto de Meus Labores

Senhor pelas experiências de minha missão e por ver os frutos de Seu evangelho.
Oscar Blanc, Argentina
Alegria para Minha Alma

Nos momentos de tristeza, costumo abrir A Liahona e ler a mensagem do profeta e dos apóstolos. Suas palavras me proporcionam alegria e consolo para a alma. Obrigada por esta revista! Ela me ajuda a sentir o amor de meu Pai Celestial e de meu Redentor Jesus Cristo.
Maria Elsy Waltero Orjuela, Colômbia
Envie seus comentários e sugestões para liahona@ldschurch.org. As cartas selecionadas para publicação podem ser editadas por motivo de espaço ou clareza.

m e n s A g e m

D A

P r i m e i r A

P r e s i D ê n c i A

Voltar para Casa no Natal
Ilustração fotográfIca: steve Bunderson; A NAtividAde, © gemaldegalerIe, dresden, alemanha/a.K.g. BerlIm/superstocK; fotografIa de azevInho: lana leIshman

H

PresIdente Henry b. eyrIng

Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência

á uma música que aprendi quando menino, que falava do Natal e do lar. Estávamos em época de guerra, e havia muitas pessoas longe de casa e da família: um período sombrio para aqueles que temiam não poder voltar a reunir-se com seus entes queridos nesta vida. Lembro-me dos sentimentos que tive sobre o lar e a família, ao passar por uma casa, a caminho da escola, na época do Natal e ver uma pequena bandeira com uma estrela de ouro pendurada na janela. Era a casa de uma colega da escola. O irmão dela, pouco mais velho que eu, tinha sido morto na guerra. Eu conhecia os pais dele e senti parte do que eles sentiram. Depois da aula, ao voltar para minha casa, ansiei com gratidão pela alegre recepção que eu sabia me aguardar ali. Ao ligar o rádio de nossa sala de estar, na época do Natal, ouvi mensagens e músicas que ainda ecoam em minha mente. Alguns versos daquela música me encheram o

coração com um grande desejo de estar com minha família. Eu morava com meus pais e irmãos num lar feliz, por isso sabia que aquele desejo se referia a algo mais do que uma casa ou uma vida em família, dos quais eu já desfrutava. Referia-se a um lugar e a uma vida futura, ainda melhores do que os que eu conhecia ou imaginara. O verso da música de que mais me lembro dizia: “Voltarei para casa no Natal / Ainda que só em meus sonhos”. 1 A casa na qual eu enfeitava a árvore de Natal com minha mãe e meu pai naqueles dias felizes da minha infância ainda existe, praticamente inalterada. Há poucos anos, voltei para lá e bati na porta. Pessoas desconhecidas vieram atender. Permitiram que eu entrasse na sala em que outrora havia um rádio e onde nossa família se reunia ao redor da árvore de Natal. Dei-me conta de que o desejo de meu coração não se referia a estar em uma casa, mas sim, a estar com minha família. Era o desejo de ser envolvido pelo amor e pela Luz

Graças ao Salvador, temos a certeza de que poderemos voltar para casa — não apenas no Natal, mas também para viver para sempre com uma família cujos membros amamos e que se amam mutuamente.

A LiAhonA Dezembro De 2009

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Mesmo nesta vida, podemos ter certeza de que esse dia chegará e sentir parte da alegria que conheceremos quando por fim chegarmos em casa. A comemoração do nascimento do Salvador no Natal nos dá a oportunidade especial de sentir essa alegria nesta vida.
Encontrar a Alegria Prometida

de Cristo, ainda mais do que sentíamos em nossa pequena família, no lar de minha infância.
Anseio pelo Amor Eterno

O anseio que todos temos no coração, na época do Natal e em todas as ocasiões, é o de estarmos unidos em amor com a serena garantia de que isso pode durar para sempre. Essa é a promessa de vida eterna, que Deus chamou de o maior de todos os Seus dons (ver D&C 14:7). Isso se tornou possível graças à dádiva de Seu Amado Filho e os consequentes dons do nascimento do Salvador, de Sua Expiação e Ressurreição. Graças à vida e missão do Salvador temos a certeza de que poderemos estar reunidos em amor e viver para sempre com nossa família. Esse sentimento de anseio pelo lar já nasce conosco. Esse sonho maravilhoso não pode tornar-se real sem que exerçamos muita fé, uma fé suficiente para que o Espírito Santo nos conduza ao arrependimento, ao batismo e à realização e cumprimento de convênios sagrados com Deus. Essa fé exige corajosa perseverança diante das provações da vida mortal. Depois, na vida futura, seremos recebidos com amor pelo Pai Celestial e Seu Amado Filho nesse lar de nossos sonhos.
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Muitos de nós perdemos entes queridos. Às vezes, estamos cercados por pessoas que desejam destruir nossa fé no evangelho e nas promessas de vida eterna do Senhor. Alguns sofrem devido a enfermidades e pobreza. Outros têm contendas na família ou não têm família alguma. Mas podemos convidar a Luz de Cristo para que brilhe sobre nós e sentir parte das alegrias prometidas que nos estão reservadas. Quando nos reunirmos naquele lar celestial, estaremos cercados por pessoas que receberam o perdão de todos os pecados e que se perdoaram umas às outras. Podemos experimentar parte dessa alegria agora, especialmente ao lembrar e celebrar as dádivas que o Salvador nos concedeu. Ele veio ao mundo para ser o Cordeiro de Deus e pagar por todos os pecados que os filhos de Seu Pai cometeram na mortalidade, para que sejam perdoados. No Natal, sentimos um desejo maior de lembrar e ponderar as palavras do Salvador. Ele nos advertiu dizendo que não podemos ser perdoados a menos que perdoemos aos outros (ver Mateus 6:14–15). Geralmente, isso é muito difícil; por isso, precisamos orar e pedir ajuda. Esse auxílio para que consigamos perdoar geralmente vem quando nos é permitido ver que causamos tanto sofrimento quanto recebemos, ou mais. Quando agimos de acordo com a oração que fizemos, pedindo forças para perdoar, sentimos um fardo ser retirado das costas. Os ressentimentos são um fardo pesado de carregar. Ao perdoarmos, sentimos a alegria de ser perdoados. Neste Natal, vocês podem dar e receber a dádiva do perdão. O sentimento de felicidade que teremos será um vislumbre do que vamos sentir quando nos reunirmos no lar eterno pelo qual ansiamos.

O ANúNciO dO NAscimeNtO de cristO AOs PAstOres, de del parson

Há outro vislumbre desse futuro lar feliz que ocorre mais facilmente na época do Natal. É o sentimento de doar com um coração generoso. Isso acontece quando nos preocupamos mais com as necessidades das pessoas do que com as nossas, e compreendemos o quão generoso Deus tem sido conosco. Isso nos ajuda a perceber, no Natal, a bondade que há nas pessoas. Quantas vezes já deixamos um presente junto a uma porta, esperando não ser notados para, então, descobrir que já havia mais de um presente anônimo ali? Vocês já sentiram, como eu senti, a inspiração de ajudar alguém para, então, descobrir que foram inspirados a dar justamente o que a pessoa mais precisava naquele exato momento? Essa é uma confirmação maravilhosa de que Deus conhece todas as nossas necessidades, e de que Ele conta conosco para atender às necessidades das pessoas ao nosso redor. Deus nos envia essas mensagens com mais confiança no Natal, sabendo que atenderemos ao Seu chamado, porque nosso coração está mais sensível ao exemplo do Salvador e às palavras de Seus servos. No Natal, é mais provável que tenhamos lido recentemente as palavras do rei Benjamim e nos sintamos tocados por elas. Ele ensinou ao seu povo, e a nós também, que a incomparável dádiva do perdão que recebemos deve levar-nos a sentir, em relação aos outros, uma generosidade transbordante: “E eis que, mesmo agora, haveis invocado seu nome e suplicado a remissão de vossos pecados. E permitiu ele que pedísseis em vão? Não. Ele derramou sobre vós o seu Espírito e fez com que se enchesse de alegria o vosso coração e fez com que se fechasse a vossa boca para que não vos

Sentir a Alegria de Doar

pudésseis exprimir, tão grande era a vossa alegria. Ora, se Deus, que vos criou, de quem depende vossa vida e tudo o que tendes e sois, concede-vos todas as coisas justas que pedis com fé, acreditando que recebereis, oh! então, quanto mais não deveríeis repartir os vossos bens uns com os outros! E se julgais o homem que pede de vossos bens para não perecer e o condenais, quanto mais justa será a vossa condenação por reterdes vossos bens, que não pertencem a vós, mas a Deus, a quem também vossa vida pertence; e, contudo, nada pedis nem vos arrependeis daquilo que haveis feito. Digo-vos: Ai de tal homem, porque os seus bens perecerão com ele! E agora digo estas coisas aos que são ricos no que toca às coisas deste mundo” (Mosias 4:20–23). Vocês já sentiram a alegria de prestar auxílio e de recebê-lo. Essa alegria nesta vida é um vislumbre do que sentiremos na vida futura, se formos generosos devido a nossa fé em Deus. O Salvador é nosso grande exemplo. No Natal, vemos novamente quem Ele é, e a generosidade que teve conosco ao vir a este mundo para ser nosso Salvador. Como Filho de Deus, nascido de Maria, Ele tinha capacidade de resistir a todas as tentações. Viveu uma vida perfeita para que pudesse ser o sacrifício infinito, o Cordeiro imaculado que havia sido prometido desde a fundação do mundo (ver Apocalipse 13:8). Sofreu a agonia da culpa dos nossos pecados e dos de todos os filhos do Pai Celestial, para que pudéssemos ser perdoados e voltar para casa limpos. Concedeu-nos essa dádiva a um preço inimaginável. Era uma dádiva da qual não necessitava para Si mesmo, pois não precisava de perdão. A alegria e

O

Salvador é nosso grande exemplo. No Natal, vemos novamente quem Ele é e a generosidade que teve conosco ao vir a este mundo para ser nosso Salvador.

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embramos no Natal não apenas a luz que anunciou o nascimento de Cristo no mundo, mas também a luz que Dele emana. Muitas testemunhas confirmam a existência dessa luz.

gratidão que hoje sentimos por Sua dádiva serão magnificadas e perdurarão para sempre, quando O honrarmos e adorarmos em nosso lar celestial. O Natal nos faz lembrar-nos Dele e de Sua infinita generosidade. A lembrança de Sua generosidade nos ajudará a sentir e a seguir a inspiração de que há pessoas que precisam de nossa ajuda, e fará com que vejamos a mão de Deus estendida para nós quando Ele enviar alguém para socorrer-nos, como Ele frequentemente o faz. Há alegria em oferecer e receber a generosidade inspirada por Deus, especialmente no Natal.
Abençoados com Sua Luz

Há outro vislumbre do céu que se torna mais fácil de ver no Natal. Trata-se da luz. O Pai Celestial usou a luz para anunciar o nascimento de Seu Filho, nosso Salvador (ver Mateus 2; 3 Néfi 1). Uma nova estrela se tornou visível tanto no hemisfério oriental quanto no ocidental. Ela guiou os Magos até o menino em Belém. Mesmo o iníquo rei Herodes reconheceu o sinal e o temeu, porque era iníquo. Os Magos regozijaram-se com o nascimento de Cristo, que é a Luz e a Vida do Mundo. Três dias de luz sem trevas foi o sinal dado por Deus, anunciando
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o nascimento de Seu Filho aos descendentes de Leí. Lembramos no Natal não apenas a luz que anunciou o nascimento de Cristo no mundo, mas também a luz que Dele emana. Muitas testemunhas confirmam a existência dessa luz. Paulo testificou que a viu no caminho para Damasco. “Vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 26:13–15). O menino Joseph Smith testificou que viu uma luz maravilhosa num bosque em Palmyra, Nova York, no início da Restauração: “Exatamente nesse momento de grande alarme, vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!” ( Joseph Smith—História 1:16–17). Essa luz será visível em nosso lar celestial. Ela nos proporcionará alegria. Mas fomos abençoados nesta vida com parte dessa

Ilustração: paul mann

ideiAs pArA ensinAr UsAndo essA MensAgeM
maravilhosa experiência, por meio da Luz de Cristo. Toda pessoa que nasce no mundo recebe essa luz como dádiva (ver Morôni 7:16). Pensem nos momentos em que vocês tiveram uma experiência que os tornou testemunhas de que a Luz de Cristo é real e preciosa. Vocês reconhecerão nesta escritura maravilhosamente confirmadora que foram guiados por essa luz: “E aquilo que não edifica não é de Deus e é trevas. Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito. E (…) digo para que conheçais a verdade, para que afugenteis as trevas do meio de vós” (D&C 50:23–25). Num mundo que se enche de trevas devido a imagens malignas e mensagens enganadoras, vocês foram abençoados por reconhecer mais facilmente os lampejos de luz e verdade. Vocês aprenderam por si mesmos que a luz fica mais brilhante se vocês a receberem com alegria. Ela se tornará ainda mais brilhante e radiante até o dia perfeito em que estaremos na presença da Fonte da luz. Essa luz é mais fácil de discernir no Natal, quando estamos mais propensos a orar para saber o que Deus deseja que façamos, mais propensos a ler as escrituras e muito mais aptos a trabalhar a serviço do Senhor. Quando perdoamos e somos perdoados, quando erguemos as mãos que pendem (ver D&C 81:5), somos nós mesmos elevados, ao mover-nos em direção à Fonte da luz. Lembrem-se de que o Livro de Mórmon descreve uma época gloriosa em que os fiéis discípulos do Salvador refletiram Sua luz para que outros a vissem (ver 3 Néfi 19:24–25). Usamos luzes para comemorar a época do Natal. Nossa adoração ao Salvador e o serviço que prestamos a Ele trazem luz para nossa vida e para aqueles que nos cercam. Podemos seguramente estabelecer a meta de tornar este Natal mais brilhante do que o do ano passado e de torná-lo ainda mais brilhante a cada ano. As provações da mortalidade podem aumentar em intensidade, mas para nós as trevas não devem aumentar se fixarmos o olhar com mais intento na luz que flui para nós, ao seguirmos o Mestre. Ele vai guiar-nos e ajudar-nos ao longo do caminho que

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o preparar-se para ensinar usando essa mensagem, não deixe de buscar a orientação do Espírito Santo a fim de que Ele possa ajudá-lo a adaptar sua abordagem às necessidades das pessoas que for ensinar. Você pode usar as seguintes ideias: 1. Ao ler o segmento “Anseio pelo Amor Eterno”, você sente dentro de si um anseio por seu lar eterno? Troque ideias sobre as coisas que você está fazendo para preparar-se para voltar para aquele lar. 2. O segmento “Encontrar a Alegria Prometida” o ajuda a saber como encontrar alegria nesta vida? Troque ideias sobre o que podemos fazer para encontrar alegria hoje, em nosso dia-a-dia. 3. No segmento “Sentir Alegria ao Doar” aprendemos a respeito das dádivas incomparáveis do Salvador que permitem que tenhamos vida eterna. Troque ideias sobre o que podemos doar para ajudar as pessoas a também receber essa dádiva. 4. Como a mensagem do Presidente Eyring nos ajuda a ver o que podemos fazer para ser mais receptivos à luz oferecida pelo Salvador e compartilhá-la com nossos familiares e outras pessoas?

conduz para o alto, rumo ao lar pelo qual ansiamos. Há momentos, geralmente no Natal, em que sentimos parte do que sentiremos quando finalmente voltarmos ao lar, para junto de nosso Pai que nos ama e responde a nossas orações, e para junto do Salvador que iluminou nossa vida e nos elevou. Testifico-lhes que, graças a Ele, temos a certeza de que poderemos voltar para casa — não apenas no Natal, mas também para viver para sempre com uma família cujos membros amamos e que se amam mutuamente. ◼
NOTA

1. James “Kim” Gannon, “I’ll Be Home for Christmas” (1943). A LiAhonA Dezembro De 2009 7

Um menino nos nasceU
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: maravilhoso, conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz” (isaías 9:6).

ários séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, o profeta Isaías registrou as coisas que lhe foram reveladas a respeito da vinda de Cristo. Uma dessas profecias, que se encontra em Isaías 9:6, revela-nos em poucas palavras um grande tesouro de conhecimento sobre o Salvador e o papel que Ele desempenha em nossa vida e no plano do Pai Celestial. Seguem-se algumas explicações dos conceitos expressos nesse versículo.
Um Menino Nos Nasceu, um Filho Se Nos Deu

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O Salvador foi revelado a Adão, o primeiro homem, como o Filho Unigênito de Deus (ver Moisés 5:7, 9; 6:52, 57, 59, 62). Desde aquela época, todos os santos profetas testificaram a respeito da vinda do Filho de Deus na carne para redimir Seu povo (ver Atos 10:43; Jacó 4:4).

O antigo profeta Isaías previu a vinda do Messias e revelou muito a respeito dos papéis que Ele desempenharia.
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Qual o significado do nascimento de Cristo?

grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10).

O anjo que anunciou aos pastores o nascimento do Salvador declarou “novas de Quando Néfi teve a visão da virgem Maria segurando o bebê Jesus no colo, foi ins-

pirado a declarar “o amor de deus, que se derrama no coração dos filhos dos homens” (1 Néfi 11:22). O próprio Salvador declarou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu

o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida

eterna” (João 3:16).

O Governo Está sobre Seus Ombros

Pai da Eternidade

Na antiga Israel, os sacerdotes e reis eram vestidos com um manto e exibiam a insígnia de seu cargo no ombro (ver Isaías 22:21–22). Jesus Cristo, o Filho de Deus, agia como “tendo autoridade” (Mateus 7:29). Ele vai reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores, durante o Milênio, quando “[reinará] aquele cujo direito é
a partIr da esquerda: fundo de céu © dIgItal vIsIon; O PrOfetA isAíAs Prediz O NAscimeNtO de cristO, de harry anderson; Um meNiNO NOs NAsceU, de sImon dewey, cortesIa de altus fIne art; fundo de céu por steve tregeagle

“Jeová, que é Jesus Cristo, o Filho de Eloim, é chamado de ‘o Pai’, e até de ‘o próprio Pai Eterno’ do céu e da Terra (ver Mosias 16:15). Com significado análogo, Jesus Cristo é chamado de ‘Pai da Eternidade’ (Isaías 9:6; comparar com 2 Néfi 19:6). (…) Jesus Cristo, sendo o Criador, é constantemente chamado de Pai do céu e da Terra (…); e como Suas criações têm qualidade eterna, Ele é muito adequadamente chamado de Pai Eterno do céu e da Terra.”
“The Father and the Son: A Doctrinal Exposition by the First Presidency and the Quorum of the Twelve Apostles” [O Pai e o Filho, Exposição Doutrinária pela Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos], Ensign, abril de 2002, p. 13; extraído de Improvement Era, agosto de 1916, pp. 934–942.

reinar” (D&C 58:22; ver também Regras de Fé 1:10).
Maravilhoso Conselheiro

A palavra maravilhoso deriva de uma palavra hebraica que significa “milagre”, sugerindo tanto o milagroso nascimento do Messias quanto os milagres que Ele realizaria durante Sua vida. A palavra conselheiro tem a ver com os mandamentos e ensinamentos que o Messias traria para guiar-nos de volta à presença do Pai Celestial. Como disse o profeta Jacó, do Livro de Mórmon: “[O Senhor] aconselha com sabedoria e justiça e grande misericórdia em todas as suas obras” (Jacó 4:10).
Deus Forte

Príncipe da Paz

“Talvez estejamos nos desviando do caminho que leva à paz e percebamos ser necessário parar, ponderar e refletir sobre os ensinamentos do Príncipe da Paz e tomar a decisão de incorporá-los a nossos pensamentos e ações, viver a lei maior, caminhar por uma estrada mais elevada e ser melhores discípulos de Cristo.”
Presidente Thomas S. Monson, “Encontrar a Paz”, A Liahona, março de 2004, p. 3.

“Acreditem em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o maior personagem deste mundo e da eternidade. Acreditem que Sua vida incomparável remonta à época em que o mundo foi criado. Acreditem que Ele foi o Criador da Terra em que vivemos. Acreditem que Ele foi o Jeová do Velho Testamento, que Ele foi o Messias do Novo Testamento, que Ele morreu e ressuscitou, (…) e que Ele vive, o Filho vivo do Deus vivo, nosso Salvador e Redentor.”
“Não Sejais Incrédulos”, A Liahona, abril de 1990, p. 2.

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). ◼

A LiAhonA Dezembro De 2009

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Uma Dádiva de Amor
Ela não gostava de nos ouvir cantar. Então, por que estávamos diante da porta da casa dela na véspera de Natal, prontos para oferecer-lhe um presente de música?

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Chastmier OkOrO

epois que a empresa de refeições de meu pai faliu, minha família enfrentou graves dificuldades financeiras. Lembro-me de minha mãe voltar para casa com lágrimas nos olhos, sem querer contar-nos o que havia de errado, mesmo depois de eu ter-lhe perguntado qual era o problema. Pouco depois, tivemos de nos mudar para um apartamento de um quarto, porque era tudo o que podíamos pagar. Antes disso, o Natal sempre tinha sido uma época de muita comida, roupas novas, festas, visitas a lugares interessantes e troca de presentes. Minha mãe tinha muita habilidade em ser a “Mamãe Noel”, como costumávamos chamá-la. Ela adorava dar presentes e, no Natal, presenteava com entusiasmo e amor as pessoas a seu redor. À medida que fomos crescendo, passamos também a desenvolver a característica de pensar mais nos outros do que em nós mesmos. Mas naquele ano não sabíamos o que fazer. Minha mãe ficou preocupada, pois aquele seria o primeiro Natal que passaríamos numa casa que não era nossa. Preocupava-se por não conseguir pensar em nada com que pudesse presentear as pessoas. No entanto, nós a incentivamos, porque sabíamos que poderíamos, a nosso modo, fazer alguma coisa para espalhar o espírito do Natal. Mesmo assim, mal conseguíamos nos sustentar e também tínhamos dificuldade para manter a paz em nossa nova vizinhança. Nossa senhoria não era cristã e estava irritada conosco porque sempre a acordávamos bem cedo pela manhã, quando fazíamos a oração familiar

e cantávamos hinos. Nosso canto sempre a despertava porque o quarto dela era colado ao nosso. Ela sempre reclamava, por isso procurávamos cantar bem baixinho, para não incomodá-la. Quando viu que não iríamos parar de fazer as orações familiares pela manhã, aos poucos foi deixando de reclamar. Então, meu pai teve uma ideia. Sentiu que deveríamos cantar hinos de Natal para nossa senhoria, como nosso presente para ela. Todos ficaram entusiasmados com a ideia, menos eu. Eu me opus com veemência, lembrando a todos as reclamações que ela fazia por causa das orações de nossa família. Sugeri que cantássemos para alguém que apreciasse nosso presente, e não para ela. Mas meu pai insistiu, explicando que isso seria uma forma de mostrarmos a ela que éramos amigos, apesar de sermos de outra religião. Não tive escolha a não ser unir-me à família na seleção e ensaio dos hinos que cantaríamos para ela. Na véspera de Natal, fomos até o apartamento dela e batemos na porta. Ela não abriu, e eu já estava prestes a ficar com raiva e a dizer a meu pai que aquilo tinha sido uma perda de tempo. Mas ao olhar em volta, vi que todos da família estavam sorrindo. Todos estavam contentes com o que estávamos fazendo. Tive o desejo de sentir o que eles sentiam. Por fim, a senhoria atendeu à porta e, por um momento, ficou sem saber o que fazer. Meu pai explicou-lhe calmamente que gostaríamos muito de cantar para ela e, que se ela permitisse, gostaríamos de entrar em seu apartamento. Ela abriu a porta e nos convidou a entrar. Cantamos todos os hinos de Natal que sabíamos, tanto os que havíamos ensaiado quanto os que não havíamos ensaiado. Em pouco tempo, um sentimento maravilhoso preencheu toda a sala. Embora eu soubesse que ela talvez não compreendesse o significado das palavras, ela ficou sorrindo enquanto cantávamos. Também nos disse que estava se sentindo solitária e

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Ilustração: dIlleen marsh

que ao ver-nos todos juntos ali sentiu saudades da própria família. Antes de sair, desejamos a ela um bom Natal e um feliz Ano Novo. Ela nos agradeceu, e voltamos para nosso apartamento. Quando eu estava tentando pegar no sono naquela noite, pensei no que havia acontecido. Dei-me conta de que um verdadeiro presente de Natal não precisa ser comprado em uma loja ou mesmo feito em casa. Na verdade, o importante é a atitude e o desejo que temos de fazer o que pudermos para tornar nosso semelhante feliz. Compreendi que o melhor presente que podemos dar no Natal não depende de dinheiro, mas sim, deve ser uma dádiva de amor. Naquela noite, minha família havia sentido o espírito de Natal oferecendo um pequeno ato de serviço para uma vizinha solitária. ◼

Os Magos são uma parte importante do presépio tradicional, mas o que realmente sabemos a respeito deles?
Wendy kenney
á observaram de perto um presépio e se perguntaram quem seriam aqueles três homens bem vestidos trazendo presentes ao menino Jesus? Sabemos, é claro, que eles representam os três reis Magos, mas quem exatamente foram eles? Por que estavam visitando Jesus e por que Lhe traziam presentes tão incomuns? O relato que as escrituras fazem do nascimento do Salvador pouco revelam a respeito dos Magos (ver Mateus 2). Mas como sua visita foi tão importante, os estudiosos tentaram ao longo dos séculos descobrir informações sobre sua origem e o propósito de sua visita ao Cristo menino. Embora alguns detalhes tenham sido revelados pela investigação de estudiosos, muito do que o mundo cristão acredita tradicionalmente a respeito dos magos se baseia mais em mitos e especulação do que em fatos históricos. É isto que sabemos:
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J

Reza a tradição que havia três homens que visitaram o menino Jesus, crença decorrente do fato de ter havido três presentes: ouro, incenso e mirra. Presume-se que cada homem tenha levado um presente. Alguns estudiosos, porém, acreditam que pode ter havido mais Magos, talvez até doze. 1 O Bible Dictionary [Dicionário Bíblico] explica-nos que, como os Magos foram essencialmente testemunhas do nascimento do Salvador, deve ter havido pelo menos dois ou três (ver Deuteronômio 19:15; II Coríntios 13:1; D&C 6:28). 2 A crença de que os Magos eram reis origina-se em passagens do Velho Testamento nas quais é predito que reis visitariam o Senhor. Isaías 49:7 diz: “Os reis o verão, e se levantarão” e Isaías 60:10 declara: “Os seus reis te servirão” (ver também Salmos 72:10). Os estudiosos encontraram outros registros que chamam os Magos de reis. Os escritos de Marco Polo, do século XIII, contêm um relato da Cidade de Sabá, na Pérsia, a respeito de três reis que levaram ouro, incenso e mirra com eles em uma viagem que empreenderam para

Quantos Eram os Magos?

TRêS ” REIS
visitar um profeta recém-nascido. De acordo com o registro de Marco Polo, eles se chamavam Gaspar, Melquior e Baltazar, nomes que geralmente associamos aos Magos hoje em dia. 3
Origem do Termo Magos

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do culto religioso apóstata dos Magos da antiga Média e Pérsia é provavelmente falsa. Em vez disso, seria mais provável tratar-se de profetas verdadeiros, pessoas justas como Simeão, Ana e os pastores, a quem Deus revelou que o Messias prometido havia nascido entre os homens”. 4
Do Oriente?

O termo Magos, conforme usado na versão do Rei Jaime da Bíblia, foi traduzido da palavra grega magoi. Magoi, que geralmente aparece como Magos em português, na verdade é uma palavra de origem persa que se refere aos sacerdotes da antiga religião da Pérsia. Devido ao uso da palavra Magos, alguns estudiosos acham que os Magos provavelmente eram sacerdotes de uma seita religiosa persa. No entanto, o Élder Bruce R. McConkie (1915–1985), do Quórum dos Doze Apóstolos, declarou o seguinte em sua obra Doctrinal New Testament Commentary: “A suposição de que eles eram membros

Teriam os Magos vindo do Oriente, como afirma o hino de Natal “We Three Kings of Orient Are” [Somos Três Reis do Oriente]? 5 O termo Oriente, usado em Mateus, provavelmente se referia ao termo mais comum Leste. Tudo o que ficava a leste da Palestina era exoticamente chamado de Oriente. A utilização de Mateus de uma localização genérica “oriente” pode simplesmente indicar que ninguém sabia ao certo de onde teriam vindo os Magos. 6 Alguns estudiosos citam Salmos 72:10 como prova de que esses homens vinham de regiões que hoje correspondem à Espanha, Etiópia e Arábia Saudita: “Os reis de
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Ilustrações: paul mann

Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons”. Outros acreditam que os Magos eram da Pérsia (atual Irã) e podem ter sido judeus, já que muitas pessoas de origem judaica moravam naquela região, na época. 7
Quando os Magos Visitaram Jesus?

o menino Jesus e Sua mãe, Maria. “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mateus 2:11).
Os Presentes dos Magos

As pinturas da Natividade [presépio] tradicionalmente mostram os Magos adorando um recém-nascido, como se a visita tivesse acontecido logo depois do nascimento do Salvador. As escrituras, porém, revelam que os Magos não estavam presentes no nascimento de Jesus no estábulo ou quando Ele era bebê. Na verdade, os Magos visitaram
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Por que os Magos deram a Jesus presentes tão incomuns? A maioria dos estudiosos concorda que os presentes eram simbólicos. O ouro significava a realeza de Jesus; o incenso, Sua divindade; a mirra, Seu sofrimento e morte, já que a mirra era uma substância utilizada para perfumar o corpo da pessoa falecida antes do sepultamento. 8

Quando Herodes encaminhou os Magos para Belém, ele lhes disse: “Quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore” (Mateus 2:8). No entanto, de acordo com o relato de Mateus, os Magos foram “por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, [e] partiram para a sua terra por outro caminho” (Mateus 2:12). Herodes ficou furioso, não apenas porque os Magos ignoraram sua ordem, mas também porque aparentemente havia, então, uma criança em Belém que um dia governaria a nação.
A Serviço do Senhor

Avisados por Deus

NOTAS

1. Ver John A. Tvedtnes, “What Do We Know about the Wise Men?” [O Que Sabemos sobre os Magos do Oriente?] Insights: An Ancient Window (boletim informativo da Foundation for Ancient Research and Mormon Studies/FARMS), dezembro de 1998. 2. Ver Bible Dictionary, “Magi”, p. 728. 3. Ver John A. Tvedtnes, “I Have a Question” [Posso Fazer uma Pergunta?], Ensign, outubro de 1981, pp. 25–26. 4. Bruce R. McConkie, Doctrinal New Testament Commentary, 3 vols. (1966–1973), vol. 1, p. 103. 5. John Henry Hopkins Jr., “We Three Kings of Orient Are” [Somos Três Reis do Oriente] (1857). 6. Ver Raymond E. Brown, The Birth of the Messiah [O Nascimento do Messias], 1977, p. 168. 7. Ver John A. Tvedtnes, Ensign, outubro de 1981, p. 25. 8. Ver John A. Tvedtnes, Ensign, outubro de 1981, p. 25. 9. Bible Dictionary, “Magi”, pp. 727–728.

O Bible Dictionary resume eficazmente nossas crenças a respeito dos Magos: “Eram homens justos enviados com a tarefa de servir de testemunhas da presença do Filho de Deus na Terra. (…) Parece provável que fossem representantes de um ramo do povo do Senhor em algum lugar a leste da Palestina, que vieram, guiados pelo Espírito, ver o Filho de Deus e que voltaram para seu povo para prestar testemunho de que o Rei Emanuel havia realmente nascido na carne”. 9 ◼

DáDIVAS DO CORAçãO

que doemos do tesouro de nosso coração : ‘Eis que “Quando O encontrarmos, estaremos preparados como estavam os Magos da antiguidade, para dar- o Senhor requer o coração e uma mente solícita’ Lhe presentes tirados de nossos muitos tesouros? Eles (D&C 64:34)”. O presentearam com ouro, incenso e mirra. Não são Presidente Thomas S. Monson, “The Search for Jesus”, Tambuli, junho de 1991, pp. 5–6. esses os presentes que Jesus pede de nós. Jesus pede
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ãs rm sI ha in M
r de mo oA Com

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“Estamos bem”, assegurei a minhas professoras visitantes. Ainda assim, o serviço que elas prestaram no Natal foi extremamente útil.
m a r i n a P e t r O va
uanto mais o Natal se aproximava, mais triste ficava meu coração. Em novembro, nem meu marido nem eu tínhamos um emprego regular. Eu pagava o aluguel, a luz e o telefone com minha minguada renda, e meu marido pagava as prestações do carro com seu salário cada vez menor. O restante do dinheiro mal dava para nos sustentar. Com a chegada de dezembro, surgiu mais trabalho e voltamos à rotina normal, mas só receberíamos em janeiro. Nessa situação, até um jantar de Natal estava fora de questão. “Tudo vai dar certo”, disse para mim mesma. Em junho, meu marido havia apanhado muitas framboesas e tínhamos feito geleia. Teríamos panquecas e geleia e faríamos nossos próprios presentes. Mas quando nossas três filhas (6, 8 e 14 anos) começaram alegremente a decorar a casa com as guirlandas que tinham feito e passaram a comentar sobre os presentes que ganhariam dos pais no Natal, meu coração se encheu de tristeza. Certa noite, minhas professoras visitantes apareceram para uma visita inesperada. Não tenho irmãos nem irmãs, por isso minhas irmãs da Sociedade de Socorro do

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ramo, especialmente minhas professoras visitantes, tornaram-se verdadeiramente minhas irmãs. Naquela noite, elas ensinaram uma lição interessante e depois começamos a conversar sobre o feriado que se aproximava. Garanti-lhes que tudo estava bem, mas disse que teríamos um Natal bem “econômico”. Elas me asseguraram que orariam por nossa família. Certo dia, quando meu marido foi me buscar no trabalho, ele me disse que todos em casa me esperavam impacientemente. Uma irmã de nosso ramo havia deixado algumas caixas. Quando as abrimos, vimos que elas continham todas as coisas gostosas típicas do Natal: frutas, biscoitos, doces, outros alimentos, decorações e presentes carinhosamente embrulhados. Meus olhos se encheram de lágrimas de gratidão. Mas isso não era tudo. A família de uma de minhas professoras visitantes surpreendeu-nos na manhã de Natal com uma caixa cheia de presentes. No final, nosso Natal “econômico” foi especialmente repleto de alegria. Nossa casa se encheu não apenas com o espírito de Natal, mas também com o calor humano e amor de minhas professoras visitantes e de outros membros de nosso ramo. Compreendi que o Senhor realmente atende a nossas necessidades, quase sempre por intermédio de outras pessoas, especialmente as que Ele chamou e inspirou para zelar por nós e cuidar de nós. ◼

W. junho nt Life” [Vida Kimball de 19 (1 em A 79, p bund 895–1985 . 3. ância ) ], Tam , “The buli,

“Deus realme nte est Mas ge á aten ralmen to e zel te é po a por n pessoa r inter ós. que Ele médio atende Portan de outr a noss to, é fu a as nec ndame aos ou essidad ntal qu tros no es. e sirva reino.” Presid mos un Abun ente Spen s da cer

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Ilustração: gregg thorKelson

Élder neIl l. Andersen

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Do Quórum dos Doze Apóstolos

Os Dons Espirituais
Conheci centenas de presidentes de estaca. São homens bem-sucedidos e íntegros. São cheios de fé, com o desejo inabalável de agradar ao Senhor.

chamado do presidente da estaca é uma experiência sagrada e espiritual. Sob a direção da Primeira Presidência, são as Autoridades Gerais e os Setentas de Área que têm o encargo de cumprir a responsabilidade de fazer o chamado. Nos 16 anos que servi como Autoridade Geral, fiz esse chamado em muitas culturas e continentes: da América do Norte à América do Sul, da Europa à Ásia. Em cada experiência, valorizei imensamente dois ensinamentos que recebi em minhas primeiras semanas como Autoridade Geral. Um do Presidente Thomas S. Monson: “Quando estiver a serviço do Senhor, você terá o direito de receber ajuda Dele”. E outro do Presidente Boyd K. Packer, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos: “Haverá ocasiões, em seu ministério, em que você fará uma pergunta ao Senhor através do véu e receberá uma resposta

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Concedidos ao Presidente da Estaca
Ilustrações fotográfIcas: John luKe e chrIstIna smIth

imediata”. Em todas as ocasiões, essas duas promessas foram cumpridas. A experiência de chamar um presidente de estaca é sempre a mesma e, no entanto, é sempre diferente. É a mesma no sentido de que as duas Autoridades Gerais ou os dois Setentas de Área que são enviados sentem que dependem imensamente do Senhor, e que cada um precisa receber a mesma inspiração antes de fazer o chamado. O Espírito do Senhor sempre acompanha vigorosamente e confirma o processo de seleção. E é diferente porque o homem chamado varia muito de uma estaca para outra. Às vezes, o novo presidente de estaca é um homem muito experiente, com muitos anos de serviço. Às vezes, ele é mais jovem e cheio de fé. As profissões que eles têm não seguem nenhum padrão definido.

servindo em um cargo de liderança. Ao conversarmos com um professor do curso de Doutrina do Evangelho, às 10 horas da noite, o Senhor vigorosamente confirmou que era a pessoa que Ele havia escolhido. Somente depois de fazer o chamado foi que ficamos sabendo que ele estivera em sua

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ós, que somos enviados, impomos as mãos sobre a cabeça do novo presidente e lhe concedemos as chaves do sacerdócio necessárias para presidir e dirigir os assuntos da estaca.

Embora o presidente da estaca seja normalmente encontrado em meio à liderança atual da estaca, há exceções. Em certa ocasião, entrevistamos irmãos até tarde da noite, sem conseguir sentir a confirmação do Espírito em meio aos excelentes homens que estávamos entrevistando. Por fim, depois de esgotar a lista preparada de pessoas que seriam entrevistadas, recorremos aos homens de respeito que não estavam atualmente

A Concessão de Chaves

casa, aguardando o telefonema. Vários meses atrás, antes de qualquer anúncio de mudança na presidência da estaca ter sido feito, ele e a esposa foram despertados no meio da noite, sabendo que ele seria chamado. Aqueles que servem como presidente de estaca não buscam o cargo que possuem. Quando são chamados, todos se sentem humildes e alguns sentem-se levando um fardo maior que sua capacidade. Quando chamei um presidente de estaca na Europa,
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que era membro da Igreja havia apenas 10 anos, ele gaguejou: “Oh não, não, eu não. Não vou conseguir”. Felizmente, sua maravilhosa esposa, que estava ao seu lado, colocou os braços em seus ombros e disse: “Querido, você consegue, sim. Sei que consegue”. Ela estava certa, e ele serviu muito bem. Nas Filipinas, um homem que havia visto a Igreja crescer rapidamente sob uma liderança muito jovem, reagiu ao chamado dizendo: “Oh não, eu não. Sou muito velho”. Quando lhe foi explicado que alguns dos membros dos Doze eram três décadas mais velhos que ele, aceitou o chamado e serviu muito bem. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei” ( João 15:16), disse o Salvador. Não buscamos nem recusamos o chamado que recebemos. Às vezes, antes, durante ou depois do chamado, o Senhor confirma ao homem que foi chamado que esse chamado veio de Deus. Um jovem presidente de estaca relatou essa confirmação, dizendo: “Quando fui entrevistado, eu tinha 32 anos e havia servido por quatro anos como bispo. Um dos irmãos que realizava as entrevistas fez duas perguntas pungentes: (1) Como você adquiriu seu testemunho? e (2) Poderia compartilhar conosco seu testemunho do Salvador? Compartilhei o que senti quando era adolescente, pouco depois do falecimento da minha mãe, quando descobri por mim mesmo a veracidade do evangelho restaurado, especialmente em relação ao Livro de Mórmon. Ao prestar meu testemunho do Salvador, recebi um testemunho de que seria chamado como o novo presidente de estaca. Voltei de carro para casa e contei a minha esposa o que havia sentido. Quando eu lhe disse que achava que seria chamado como o próximo presidente de estaca, ela disse: ‘Você é bom, mas não é tão bom assim’. O telefone tocou duas horas depois, e fui convidado a voltar com minha esposa, e o chamado foi feito.” Depois do voto de apoio numa sessão geral de conferência de estaca, nós, que somos enviados, impomos as mãos sobre a cabeça do novo presidente e lhe concedemos as chaves do sacerdócio necessárias para presidir e dirigir os assuntos da estaca. Essas chaves para presidir a estaca vêm por delegação do Presidente da Igreja e dos outros 14 Apóstolos que possuem todas as chaves na
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Terra. Nessas chaves encontram-se autoridade e poder espirituais. O Senhor sempre concedeu chaves a Seus Apóstolos escolhidos. Para Pedro, Ele declarou: “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 16:19). Algumas dessas chaves são, então, compartilhadas com líderes locais. Em Zaraenla, Alma “ordenou sacerdotes e élderes pela imposição de mãos, segundo a ordem de Deus, para presidirem a igreja e cuidarem dela” (Alma 6:1).
Manifestações Externas das Chaves

É interessante observar que houve época em que, para receber uma recomendação do templo, era preciso a assinatura do Presidente da Igreja. Agora, essa autoridade está nas chaves delegadas ao presidente da estaca. Com seus conselheiros, ele também recomenda os bispos para a apreciação da Primeira Presidência e os ordena, depois de terem sido aprovados. Ele aprova aqueles que são ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque. Ele recomenda e designa missionários de tempo integral. E serve como juiz em Israel para ajudar os que cometeram pecados graves a receber o perdão pleno. Ele guia as ações e decisões dos bispos e presidentes de ramo da estaca. Nesses encargos, o Senhor concede muitas revelações a Seus presidentes de estaca. Um presidente de estaca que mora no sul dos Estados Unidos contou-me a seguinte experiência: “Em outubro de 2007, uma irmã foi falar comigo para receber sua recomendação para o templo. Durante a entrevista, perguntei-lhe se seu marido viria falar comigo para receber sua recomendação depois de terminar a entrevista dela. Ela me disse que o marido não entrava no templo havia mais de 20 anos e que eles não haviam sido selados em seus 40 anos de casamento. Senti uma forte inspiração de ir falar com aquele irmão imediatamente. Tão forte foi a impressão, que saí da minha sala, encontrei-o no outro lado do prédio e levei-o de volta a minha sala para uma entrevista. Depois da entrevista, que incluiu a presença de seu bispo, ele recebeu uma recomendação para o templo. Foi uma experiência muito emocionante

O

presidente de estaca aprova os que são ordenados ao Sacerdócio de Melquisedeque, entrevista membros para receberem uma recomendação para o templo e serve como juiz em Israel.

para todos nós, especialmente para a esposa. Recebi um convite, naquela semana, para assistir ao selamento deles no templo. No início de 2008, uns quatro meses depois de o casal ter sido selado, aquele irmão se levantou pela manhã para ir trabalhar, desfaleceu e morreu em sua casa. Sinto-me eternamente grato por ter dado ouvidos aos sussurros do Espírito e incentivado aquele irmão a fazer o que ele precisava fazer nesta vida.”
Dons e Promessas Espirituais

O Senhor declarou que uma estaca deve ser “uma defesa e um refúgio contra a tempestade” (D&C 115:6). O presidente da estaca é o pastor do Senhor que precisa garantir que

haja um sentimento de segurança espiritual entre os membros da Igreja. Ele precisa certificar-se cuidadosamente de que a doutrina ensinada seja verdadeira e pura. O Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) disse: “Os deveres de um mestre no Sacerdócio Aarônico podem ser aplicados ao presidente da estaca. Ele deve ‘zelar [por toda a estaca] e estar com os membros e fortalecê-los, E certificar-se que não haja iniquidade na igreja nem aspereza entre uns e outros nem
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O

presidente da estaca é o pastor do Senhor que precisa garantir que haja um sentimento de segurança espiritual entre os membros da Igreja.

mentiras, maledicências ou calúnias; E certificar-se que a igreja se reúna amiúde e também certificar-se que todos os membros cumpram seus deveres’ (D&C 20:53–55).” 1 O trabalho dele inclui inspiração para saber de que maneira vai fortalecer as famílias, a nova geração, convidar mais filhos do Pai Celestial para as águas purificadoras do batismo, estender a mão para os que se afastaram da Igreja e levar as ordenanças do templo para os membros vivos e para os que nos antecederam. Em todas essas importantes responsabilidades, o Senhor abençoa o presidente da estaca ampliando seus dons espirituais. Na seção 46 de Doutrina e Convênios, o Senhor fala dos muitos dons espirituais e declara: “Pois a todos não são dados todos os dons; pois há muitos dons e a cada homem é dado um dom pelo Espírito de Deus. A alguns é dado um, a outros é dado

outro, para que desse modo todos sejam beneficiados” (D&C 46:11–12). Então, Ele acrescenta: “Àqueles designados e ordenados por Deus para zelarem pela igreja (…) será dado discernir todos esses dons (…) para que haja uma cabeça, a fim de que todo membro se beneficie com isso” (D&C 46:27, 29). Às vezes, esses dons estão associados a promessas espirituais que o Senhor vai cumprir. Um antigo presidente de estaca do Brasil contou-me a seguinte experiência: “Uma mãe fiel que criava sozinha quatro filhos adolescentes passava por dificuldades financeiras. Perguntei-lhe: ‘Irmã, seus filhos estão frequentando regularmente o seminário?’ Ela respondeu: ‘Tenho muitos problemas para resolver e moro longe da capela. É perigoso’. Naquele momento, senti forte inspiração de dar-lhe um conselho e fazer-lhe uma promessa. Eu disse: ‘Se você não tiver dinheiro, terá de caminhar vários quilômetros com eles. Acompanhe-os. Assista às aulas com eles. Se fizer isso, vai salvar seus filhos e todos vão-se casar no templo’. Fiquei

espantado com o que acabara de dizer, mas não pude negar a força da inspiração. Ela aceitou o conselho e, por muitos anos, caminhou com seus filhos até o seminário. A promessa foi cumprida. Todos estão casados no templo e o filho dela serve hoje como bispo de sua ala”. Talvez um dos maiores dons dado ao presidente da estaca é um amor maior e mais profundo pelas pessoas a quem ele foi chamado a servir. Quando fui chamado como presidente de estaca, senti-me impressionado com a vigorosa preocupação e amor que senti pelos membros da estaca. Mesmo por aqueles que haviam cometido pecados graves, senti grande empatia e desejo de ajudar. Esse sentimento de amor sempre vinha acompanhado de um desejo de ajudar os membros a converter-se verdadeiramente ao Salvador e Seu evangelho restaurado. Eu havia servido muitos anos como conselheiro, mas quando recebi as chaves da presidência, esse sentimento foi muito mais potente e motivador. Senti, talvez, que recebia parte do dom da caridade mencionado por Mórmon, quando ele admoestou: “Rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo” (Morôni 7:48). Esse sentimento faz com que o presidente da estaca estenda a mão e milagres aconteçam. Um presidente de estaca da América do Sul citou um exemplo de como esse amor o motivou a buscar alguém que se havia perdido: “Senti a forte inspiração de que precisava tentar encontrar um irmão que servira muitos anos antes como meu companheiro de missão. Ele estava casado e era menos ativo na Igreja. O registro de membro dele estava em uma pequena unidade que ficava a 150 quilômetros da sede da estaca. Viajei até lá e falei com o presidente do ramo, que me disse que meu antigo companheiro de missão morava em um lugar bem distante, na zona rural. O presidente deu-me instruções sobre como chegar àquele vilarejo. Depois de viajar por algum tempo, a estrada de asfalto foi substituída por uma de terra. Vários quilômetros depois, percebi que estava perdido. Parei o carro e estava prestes a desistir. Era um dia muito quente, e o carro não tinha ar condicionado. Minha mulher e meus filhos tinham muita dificuldade para suportar a poeira da

estrada. Ajoelhei-me na estrada e pedi ajuda ao Senhor. “Algumas horas depois, chegamos à pequena vila e encontrei meu companheiro de missão. Convidei-o a voltar. Ele tornou-se ativo na Igreja e serviu em muitos cargos de liderança. Seu filho serviu honrosamente como missionário, e hoje meu amigo e antigo companheiro é conselheiro no bispado.” Há poder no ofício. O Senhor está ao lado de Seus presidentes de estaca. Um presidente de estaca do Equador disse: “Vi um homem na estaca que parecia estar sempre infeliz. Certo dia, tive a forte inspiração de que precisava visitar aquele homem. Fui imediatamente de carro até a casa dele. Ele me disse que estava muito triste porque havia muitos anos não trocava uma única palavra com o pai. Explicou que o pai era um homem rígido e havia cortado relações com ele. Perguntei se ele gostaria que eu intermediasse a situação. Depois de ir até a casa do pai dele, parei o carro em frente da casa. Bati na porta e ouvi uma voz perguntar: ‘Quem é?’ Reconheci a voz do pai dele e respondi: ‘Seu presidente de estaca, irmão’. Ele abriu a porta e me viu ao lado de seu filho. Sem proferirem uma única palavra, os dois se abraçaram e começaram a chorar. A situação estava resolvida”. Há mais de 2.800 presidentes de estaca no mundo. Em muitos aspectos, eles são pessoas comuns, como eu e você. Esforçam-se para alcançar a salvação, tal como nós fazemos. Mas eles receberam um chamado extraordinário. Receberam as chaves do sacerdócio, e isso foi feito por imposição de mãos. Conheci centenas de presidentes de estaca. São homens bem-sucedidos e íntegros em sua vida pessoal e profissional. São cheios de fé, com o inabalável desejo de agradar ao Senhor. Já me hospedei na casa deles, ajoelhei-me com eles em oração e ouvi suas sinceras súplicas ao Pai Celestial. Senti o poder do Senhor sobre eles. O Senhor os ama e lhes concede dons espirituais. Vamos todos orar por nosso presidente de estaca. Vamos apoiá-lo e ajudá-lo. Vamos ouvi-lo e confiar nele. “E Israel será salvo (…); e pelas chaves que dei será guiado e não mais será confundido” (D&C 35:25). ◼
NOTA

1. Gordon B. Hinckley, “O Presidente da Estaca”, A Liahona, julho de 2000, p. 61. A LiAhonA Dezembro De 2009 23

Nasce pra que ressurjamos (Ver Hinos, Nº 132).

24

A LUz dO mUNdO de Jay Bryant ward

A le lu iA!

m e n s A g e m

D A s

P r o f e s s o r A s

V i s i t A n t e s

Nutrir ao Prestar Serviço Caridoso
Ensine as escrituras e citações a seguir ou, se necessário, outro princípio que abençoe as irmãs que você visita. Preste testemunho da doutrina. Peça à pessoa a quem você ensina que compartilhe o que sentiu e aprendeu.
Como Posso Desenvolver e Aumentar Minha Caridade? Morôni 7:48: “Rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo”. Presidente Dieter F. Uchtdorf,

às orações silenciosas dos que nos cercam, que sejamos instrumentos nas mãos do Senhor para atender a essas orações” (“A Felicidade É Sua Herança”, A Liahona, novembro de 2008, pp. 119, 120).
conselheira na presidência geral da Barbara Thompson, segunda

Segundo Conselheiro na Primeira Presidência: “Os

discípulos de Cristo, em todas as épocas, distinguiram-se pela compaixão. (…) No final, o número de orações que proferirmos pode contribuir para nossa felicidade, mas o número de orações respondidas por nosso intermédio pode ter importância ainda maior. Que nossos olhos se abram para os corações pesarosos, percebam a solidão e o desespero; que sejamos a resposta

‘[ressaltar] o que há de melhor em [nós]’ para que, como filhas de Deus, façamos nossa parte na construção do reino de Deus. Receberemos ajuda para fazer isso. Como Joseph Smith declarou: ‘Se (…) viverem de modo a estar à altura de seus privilégios, não se poderá impedir que os anjos lhes façam companhia’. Que carreguemos os fardos uns dos outros, choremos com os que choram, confortemos os que necessitam de conforto e, assim, cumpramos os convênios que fizemos [ver Mosias 18:8–10]” (“Alegres Cantemos”, A Liahona, novembro de 2008, p. 116).
Como Posso Nutrir ao Prestar Serviço D&C 81:5: “Socorre os fracos, ergue as mãos que pendem e fortalece os joelhos enfraquecidos”. rum dos Doze Apóstolos: “O Bom Pastor disse: ‘Apascenta os meus cordeiros’ ( João 21:15). Portanto, uma mulher apascenta seus entes queridos, provendo-lhes socorro e sustento, tal como o Salvador faria. Seu dom divino é o de nutrir, ajudar Élder Russell M. Nelson, do QuóCaridoso?

Sociedade de Socorro: “Precisamos

os jovens, cuidar dos pobres e elevar o quebrantado de coração. O Senhor disse: ‘Minha obra e minha glória [é] levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem.’ (Moisés 1:39). Portanto, Sua dedicada filha discípula pode realmente dizer: ‘A minha obra e a minha glória é ajudar meus entes queridos a alcançar essa meta celestial’. Ajudar outro ser humano a atingir seu potencial celeste faz parte da missão divina da mulher. Como mãe, professora e membro da Igreja que nutre seu semelhante, ela molda a argila viva para dar forma a suas esperanças. Em parceria com Deus, sua missão divina é ajudar espíritos a viver e almas a ser elevadas. Essa é a medida de sua criação. É uma tarefa que enobrece, edifica e exalta” (“Woman—Of Infinite Worth,” Ensign, novembro de 1989, p. 22).
selheira na presidência geral da Silvia H. Allred, primeira con-

Ilustração fotográfIca: matthew reIer; fundo © artBeats

Sociedade de Socorro: “O Senhor abençoou as mulheres com os atributos divinos do amor, da compaixão, da bondade e da caridade. Por meio das visitas mensais que fazemos como professoras visitantes, temos o poder de abençoar cada irmã ao lhe abrirmos nossos braços com amor e bondade e ao lhe ofertarmos os dons da compaixão e da caridade. (…) É minha oração que nos comprometamos solenemente a empenhar-nos ainda mais em, cheias de amor e compaixão, estender a mão para abençoar, ajudar e fortalecer umas às outras, fazendo nossas visitas com o coração pleno de boa vontade e de alegria” (“Apascenta as Minhas Ovelhas”, A Liahona, novembro de 2007, pp. 113, 115). ◼
A LiAhonA Dezembro De 2009 25

26

Adorar por Meio da

reverência
Élder robert C. oAks

O

Serviu no Quórum dos Setenta de 2000 a 2009

conselho do Presidente David O. McKay (1873–1970) dá uma visão bem clara do tema da reverência: “Reverência é profundo respeito mesclado com amor”. 1 Essa visão é ainda mais enriquecida pela letra de um hino contido em Músicas para Crianças: Reverência é mais que sentar bem quietinho. É pensar com profundo fervor Nas bênçãos que vêm do meu bom Pai Celeste, Porque reverência é amor. 2 As palavras básicas mais frequentemente encontradas nas escrituras que se associam à reverência são respeito, amor e honra. Usando esses padrões, podemos ver que a reverência demonstra a atividade do coração, e não apenas a inatividade da boca. A reverência é uma parte importante da adoração. O Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, instruiu-nos: “A adoração frequentemente inclui ações,

mas a verdadeira adoração sempre envolve uma determinada atitude mental. A atitude de adoração evoca os mais profundos sentimentos de lealdade, adoração e respeito. A adoração combina o amor e a reverência num estado de devoção que conduz nosso espírito para mais perto de Deus.” 3 Sem dúvida, o principal propósito de entrar num lugar de adoração é aproximarnos de Deus. Ao estudarmos a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo e adquirirmos mais gratidão pela extraordinária influência de Sua Expiação em nossa vida — tanto mortal quanto eterna — é natural que nossa resposta emocional seja de respeito, amor e honra. A partir daí, a obediência ao evangelho e o serviço cristão fluem como expressões adequadas dessas emoções. Mas, sem reverência, as expressões de respeito, de amor e de honra ficam incompletas. Ao desenvolvermos reverência por Jesus Cristo, somos mais capazes de moldar nossa vida de acordo com Seu exemplo perfeito. Há muitas facetas dessa reverência: fé em Sua existência, confiança em Suas bênçãos

Ilustrações fotográfIcas: cary henrIe

A reverência inclui muito mais do que a ausência de barulho. A sincera reverência inclui ouvir, pensar nas coisas de Deus, sentir respeito e amor pelo Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo e sentir o desejo de honrá-Los.

A LiAhonA Dezembro De 2009 27

prometidas e obediência aos padrões do evangelho. Mas uma das mais importantes é o sentimento que temos no coração — o respeito e o amor que sentimos por Deus e o desejo de honrá-Lo. Nós, que respeitamos, amamos e honramos a Deus, jamais tomaremos Seu nome em

ma importante faceta da reverência é o sentimento que temos no coração: o respeito e amor que sentimos por Deus e nosso desejo de honrá-Lo.
vão e nos sentiremos mal em relação a piadas que O menosprezem ou banalizem. Em vez disso, louvamos e reverenciamos nosso Pai Celestial e Aquele a quem adoramos como nosso Senhor e Salvador. O Senhor instruiu-nos claramente quanto a Suas expectativas em relação à reverência em Levítico 19:30, ao declarar: “Guardareis os meus sábados, e o meu santuário reverenciareis. Eu sou o Senhor”. O respeito que demonstramos por Seus templos e capelas é reflexo da reverência que sentimos por Ele em nosso coração. O respeito, o amor e a honra que sentimos pelo Senhor refletem-se diretamente em nossa reverência e são demonstrados por nossa atitude e compostura.
As Bênçãos da Reverência

U

O Profeta Joseph Smith expressou um interessante ponto de vista em relação à reverência, na oração que proferiu na dedicação do Templo de Kirtland, em 1836. Joseph orou para que os arrependidos retornassem e lhes “[fossem] restituídas as bênçãos que tu ordenaste que fossem derramadas sobre os que te reverenciassem em tua casa” (D&C 109:21). A oração do Profeta salientou quais poderiam ser essas bênçãos da reverência: palavras de
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sabedoria, uma plenitude do Espírito Santo, favor aos olhos de Deus, o poder de Deus, e perdão (ver versículos 14, 15, 21, 22, 34). Sem dúvida, quão grandiosas são as recompensas da reverência! Muito do que se diz na Igreja sobre reverência geralmente enfoca o silêncio nos lugares de adoração, com ênfase especial em relação às crianças. Sem dúvida, o silêncio faz parte da reverência; mas o pleno e rico significado do conceito da reverência inclui muito mais do que a ausência de barulho e agitação. Ficar quieto não é obrigatoriamente a mesma coisa que ser reverente. Nossas capelas são as principais casas de adoração em que devemos ficar quietos durante o prelúdio musical e meditar na beleza do evangelho restaurado, preparar o coração e a mente para o sacramento e ponderar a respeito da majestade de nosso Pai Celestial e do esplendor da Expiação do Salvador. Que lugar seria melhor para ponderar esses assuntos sagrados e importantes? Tais manifestações de nossa adoração serão naturalmente acompanhadas de uma atitude reverente. Essas oportunidades de adoração são essenciais para o fortalecimento de nossa fé e podem ser um canal pelo qual o espírito de testemunho e revelação flui para dentro de nossa alma. Essa realidade me foi drasticamente demonstrada num domingo, durante o prelúdio musical de uma reunião sacramental. Minha esposa e eu buscávamos instrução espiritual sobre determinado assunto em nossa vida. Ficamos muito agradecidos quando a resposta veio por intermédio do hino escolhido como prelúdio. Em resposta àquela melodia, o Espírito indicou-nos claramente qual era o curso a ser seguido. Infelizmente, antes do término

do hino, alguém sentado ao meu lado começou a conversar comigo, e imediatamente o Espírito Se retirou. Um tesouro de preciosa revelação foi interrompido pela falta de reverência. Graças àquela experiência, adquiri um apreço especial pela santidade do silêncio durante o prelúdio. O Presidente Boyd K. Packer, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, salientou essa verdade ao declarar: “A irreverência serve aos propósitos do adversário, por atrapalhar os delicados canais da revelação tanto na mente quanto no espírito”. 4
Medidas de Reverência

N

especialmente durante um discurso ou outra apresen-

os locais e momentos de reverência, devemos disciplinar nossos pensamentos para pensar nas coisas de Deus.

As medidas de reverência não são complicadas. Em vez de deixar que nossa mente se desvie para coisas mundanas, devemos disciplinar nossos pensamentos nos locais e momentos de reverência para pensar nas coisas de Deus: a majestade da Expiação, a família eterna e a Restauração do evangelho em sua plenitude. Essas medidas de reverência devem incluir o esforço para disciplinar nosso comportamento, de modo que expresse uma atitude de respeito, amor e honra. Devem incluir recato ao vestir nossas melhores roupas, evitando a moda extremamente informal de nossos dias e abstendo-nos de falar alto ou de comportar-nos de modo perturbador no edifício da Igreja. E, quando estivermos no salão sacramental, devemos ser ainda mais reverentes, especialmente durante a administração do sacramento. O desejo de comportar-nos de modo reverente nos leva a planejar com antecedência, caso estejamos prevendo a necessidade de sair da reunião por qualquer motivo, e sentar-nos no fundo, perto da saída, para que possamos sair sem fazer barulho. Sair no meio de uma reunião,

NOTAS

tação, distrai o orador e as pessoas ao seu redor. Por respeito às pessoas e ao Senhor, devemos abster-nos dessa atitude inconveniente. Normalmente, medimos a reverência de uma congregação pelo comportamento das crianças presentes. É verdade que as crianças pequenas são um desafio especial à reverência. Mas a primeira regra em relação às crianças é trazê-las para a reunião! Elas podem ser ensinadas, podem ser levadas para fora e depois trazidas de volta para a reunião. E, ao ensinar reverência, é melhor reduzir ao máximo os objetos levados para a capela, como brinquedos ou alimentos. As congregações SUD geralmente são abençoadas com grande número de crianças e jovens, e devemos ser gratos por isso. Eles são o futuro da Igreja. A reverência sincera é uma parte importante da adoração ao nosso Pai Celestial e ao nosso Senhor. Em todas as atividades e pensamentos de nossa vida diária, evitemos as coisas que demonstrem falta de reverência por Eles. Em todas as nossas atividades de adoração, procuremos aumentar e enriquecer os sentimentos de respeito, amor e honra por nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo. Esses sentimentos são símbolos do verdadeiro caráter cristão. ◼
1. David O. McKay, Conference Report, outubro de 1967, p. 86. 2. “Reverência É Amor”, Músicas para Crianças, p. 12. 3. Dallin H. Oaks, Pure in Heart, 1988, p. 125. 4. Boyd K. Packer, “A Reverência Convida à Revelação”, A Liahona, janeiro de 1992, p. 23. A LiAhonA Dezembro De 2009 29

Por Que eu?
P
or que eu? Por que agora? Eu tinha acabado de voltar de uma importante competição de equitação realizada na Califórnia e estava em minha melhor forma nesse esporte. Estava muito atarefada com a escola, as aulas de piano e as atividades das Abelhinhas. Fazia tudo que fora ensinada a fazer e achava que minha vida era a mais perfeita possível. Então, tudo mudou.
A Provação

elIzAbetH QuIgley

Fui parar no hospital, tão fraca que mal conseguia abrir os olhos. Meu diagnóstico foi de leucemia linfoblástica aguda. Minha doença surgiu quatro anos depois de minha mãe ter morrido de um tipo semelhante de câncer. Fui submetida a forte quimioterapia para livrar-me do câncer, e os médicos disseram que eu teria de me submeter a esse tratamento por dois anos e meio para garantir que todo o câncer fosse eliminado. Não conseguia entender por que eu, e por que naquele momento. Pouco depois, descobri que o diagnóstico de câncer não seria a única dificuldade que eu teria de enfrentar. Um dos medicamentos usados para tratar a leucemia era um esteroide ministrado em doses extremamente altas. Era muito eficaz na eliminação das células leucêmicas, mas havia um pequeno risco de que causasse osteonecrose (uma doença que faz o tecido ósseo morrer nas proximidades das articulações), principalmente em moças adolescentes. Meus médicos acharam que, como eu tinha 12 anos, era muito jovem para que isso acontecesse. No entanto, um mês depois de começar a quimioterapia, os esteroides acabaram destruindo a maioria das grandes articulações e parte da coluna vertebral do meu corpo. Eu
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Eu orava ao Pai Celestial e sei que muitas outras pessoas faziam o mesmo por mim. Durante todas as minhas provações, orei para que me curasse, que minhas articulações se recuperassem e que não precisasse ser submetida a todo aquele tratamento de quimioterapia. Senti que minhas orações não estavam sendo respondidas, já que tinha de ir todas as semanas até o Centro Médico das Crianças da Primária, em Salt Lake City, para mais sessões

As Orações

fotografIas: cortesIa da famílIa quIgley, exceto quando IndIcado; à dIreIta: fotografIa de matthew reIer

sentia dores constantes. Quatro meses depois do diagnóstico de leucemia, fiz minha primeira cirurgia do quadril, numa tentativa de reparar o dano causado pelos esteroides e diminuir a dor que eu sentia. A cirurgia não teve os resultados esperados, e meu ortopedista disse que provavelmente eu jamais voltaria a cavalgar. De repente, todo o futuro que eu havia planejado se desfez. Era boa aluna e gostava muito de estudar, mas não podia ir para a escola ou mesmo sair em público, porque a quimioterapia havia destruído meu sistema imunológico. Em vez disso, ficava em casa com minha madrasta. A essa altura, achei que as coisas estavam muito ruins, mas ficaram piores. Seis meses depois da cirurgia do quadril, tive de submeter-me a outra cirurgia, porque a primeira não havia dado certo. Andava de cadeira de rodas, porque era muito doloroso caminhar. Estava absolutamente convencida de que jamais voltaria a cavalgar; então, comecei a preocupar-me se conseguiria andar novamente. Viver enferma, com dores constantes, confinada a uma cadeira de rodas não me parecia nada divertido.

A adversidade me ensinou a não me preocupar com essa pergunta — nem com qualquer coisa que realmente não importa.

de quimioterapia. Ainda sentia muitas dores. Ainda estava presa a uma cadeira de rodas. A certa altura, comecei a pensar que meus pais eram malucos por acreditar num Deus que nem sequer atendia às orações de uma pobre menina doente. Alguns anos antes, eu havia passado por um teste de fé semelhante, quando orei para que minha mãe sarasse. Ela ficava o tempo todo no oxigênio, fraca demais para sequer caminhar pela casa. Orei e tive esperanças, e orei mais um pouco para que ela fosse milagrosamente curada. Mas não foi. Depois que ela morreu, aprendi que podemos orar o quanto quisermos pelo que desejamos, mas precisamos orar pela coisa certa — para que a vontade do Senhor seja feita — para Ele atender a nossas orações. Lembrando-me dessa lição, mudei minhas orações de “Por favor, cura-me” para “Pai Celestial, eu gostaria muito de livrar-me desta provação, mas aceitarei Tua vontade”. Assim que mudei minhas orações, descobri que conseguia suportar com mais facilidade as sessões de quimioterapia, e minha atitude melhorou. Esse foi apenas o início das bênçãos e das respostas a minhas orações e dúvidas. Meu pai e meu avô deram-me muitas bênçãos do sacerdócio. Sempre que ia ser submetida a uma cirurgia, eu

pedia uma bênção. As bênçãos ajudaram a fazer com que eu e minha família nos sentíssemos tranquilos em relação a cada procedimento realizado. Certa vez, tive febre muito alta e precisei ser levada ao hospital. Recebi uma bênção de meu pai e de um vizinho antes de sair de casa. Na hora que chegamos ao pronto socorro, minha febre havia sumido, e não precisei passar a noite no hospital. Sei que o poder do sacerdócio é uma dádiva de um Pai Celestial amoroso.
As Lições

A ocasião de que sempre me lembrarei foi o dia em que voltei para casa do hospital, depois de saber que tinha leucemia. As moças e as irmãs da Sociedade de Socorro tinham mudado minhas coisas do porão para um quarto no andar térreo de nossa casa, para que eu ficasse mais perto de meus pais e não precisasse usar as escadas. Elas tinham limpado e decorado o quarto para que se tornasse um ótimo lugar para eu ficar, enquanto estivesse doente. Minha família foi ajudada com muitos outros projetos de serviço. A princípio, para mim, foi difícil aceitar isso. Quando as pessoas faziam algo por mim, sentia-me como se não conseguisse fazer nada sozinha. No entanto, em pouco tempo aprendi que não havia problema em pedir ajuda. Quando comecei a me sentir melhor,

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Elizabeth tocou oboé em março deste ano, durante a reunião geral das Moças (que pode ser vista em www.generalconference.lds.org).

GUIADOS da quimioterapia. Acheguei-me procurei mais oportunidades para DURANTE AS mais ao Pai Celestial. Meu testemuservir às pessoas. Agora, procuro TEMPESTADES nho se fortaleceu. Aprendi o que servir o máximo que posso. SinDA VIDA é realmente importante. Aprendi to-me bem quando sirvo às pessoas. “Às vezes, o Senhor a ser grata por todas as pequenas Dei-me conta de que, ao deixar as permite que tenhamos coisas que as pessoas fazem por pessoas me servirem, isso permite provações, a fim de mim. Estou em convalescência que elas tenham esse mesmo bom nos moldar como seragora, com menos dor, e gradualsentimento. vos produtivos. (…) Seu olhar que tudo mente recuperando parte das Aprendi a pensar mais sobre o vê está sobre nós e sempre nos obserfunções nas juntas. À medida que futuro e sobre minhas decisões, por vando como nosso Progenitor Celestial vou sarando, continuo recebendo ter estado tão perto da morte. Na Eterno. Quando nos vierem provações, bênçãos e tendo experiências de escola, ouvi algumas moças reclacomo certamente virão a todos nós aprendizado. marem que estavam tendo um “dia durante a mortalidade, não vamos Então, por que eu? Por que agora? ruim” porque não conseguiam assenmergulhar no abismo da autopiedade, Não faço mais essas perguntas, portar o cabelo direito. Sentada ali na mas sim, lembrar Quem está ao leme, e que cresci espiritualmente durante minha cadeira de rodas cor-de-rosa, que Ele está ali para nos guiar através minhas provações. Descobri quem usando uma peruca, eu pensava: das tempestades da vida.” realmente sou, porque o Senhor “Pelo menos vocês têm cabelo”! As Presidente James E. Faust (1920–2007), Segundo Conselheiro na Primeira Presidênme amou o suficiente para permitir moças também reclamavam que os cia, “Não Temais”, A Liahona, outubro de que eu passasse por adversidades e pés doíam por andarem de salto 2002, p. 5. recebesse as bênçãos que as acomalto. Eu pensava: “Pelo menos vocês panham. ◼ podem andar”. Agora procuro concentrar-me nas coisas mais importanNota: Elizabeth está livre da doença e já se passaram três anos desde tes e não nas pequenas coisas com as quais costumava me que ela parou de fazer quimioterapia. Suas articulações estão sarando, e ela já não precisa da cadeira de rodas. Embora ainda haja risco de preocupar. recaída, Elizabeth não pensa nisso. Prefere pensar que está no primeiro Nos últimos anos, aprendi muitas outras coisas, graano da faculdade, concentra-se em estudar para as provas e estuda oboé e corne-inglês. ças às bênçãos de ter tido leucemia e as complicações
A LiAhonA Dezembro De 2009 33

no alto, à dIreIta: fotografIa de craIg dImond

membros da ais não são “Meus p mpartilhar mo posso co Igreja. Co com eles sem o evangelho fendê-los?” o

Perguntas e Respostas

L

embre-se do mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe” (Êxodo 20:12). Respeitando a vontade deles, procure levar o evangelho para dentro de seu lar. Você pode, por exemplo, pedir a seus pais que o ajudem com seu Progresso Pessoal ou Dever para com Deus, para que eles vejam que bons programas a Igreja tem. Você pode convidar amigos da Igreja para sua casa e conversar sobre o evangelho com eles. Isso pode ajudar seus pais a fazerem perguntas a respeito das coisas nas quais você acredita. Mais importante que tudo, diga a seus pais o quanto você se sente grato por eles e Élder Almeida, 20 anos, Missão Brasil São Paulo Leste pelo evangelho. Viva o Evangelho Quando sentir que é o momento certo, convide Por seu modo de viver, faça com que seus pais saibam como seus pais, em espírito de oração — sem pressioná-los a Igreja é importante para você e a maravilhosa diferença que — a orarem com você, a assistirem a uma reunião, a ela fez em sua vida. Para tanto, você deve seguir o conselho participarem de uma atividade da Igreja ou a realidas Autoridades Gerais, colocando o evangelho em prática. Seja zarem a reunião de noite familiar, por exemplo. Se constante em suas orações, no estudo das escrituras, na frequêneles não quiserem, respeite a vontade deles. Se não cia às reuniões da Igreja, no cumprimento dos mandamentos e estiverem prontos para o evangelho ainda, pode ser na aplicação prática dos padrões de Para o Vigor da Juventude, que venham a estar no futuro. Ore e espere esse dia. esforçando-se para atingir suas metas e seguir o Espírito Santo. Procure sempre enxergar as coisas boas que há Você também pode orar e jejuar por seus pais e pedir que o em seus pais. Se você os amar, as portas da oporEspírito o oriente. Além disso, creio que você deve expressar tunidade serão abertas. Procure viver o evangelho seu amor por seus pais. da melhor maneira possível. Seus pais podem ficar mais interessados, se virem seu bom exemplo e per- Andrew B., 14 anos, Nevada, EUA ceberem como o evangelho abençoa sua vida.

Antes de eu ser batizado, em 2006, eu frequentava outra igreja da qual meus pais eram membros. A princípio, eu tinha medo de falar da Igreja para minha família, porque temia ser rejeitado. Mas quando comecei a pregar os pôsteres de A Liahona em vários lugares de nossa casa, meus familiares começaram a perguntar: “O que quer dizer essa gravura? O que significa?” Essas perguntas fizeram com que se tornasse mais fácil conversar sobre o que a Igreja oferece às famílias. Graças a isso, minha irmã caçula foi batizada e, agora, enquanto estou na missão, meu pai e minha mãe me escrevem dizendo que estão gostando muito de ir à Igreja.

Use os Pôsteres de A Liahona.

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As respostas são auxílios e pontos de vista, não pronunciamentos de doutrina da Igreja.

Eu oraria e pediria a Deus que, quando eu fosse conversar com meus pais, Ele me ajudasse a usar as palavras certas para que eu não os ofendesse. Também pediria que Seu Espírito estivesse comigo para que eles sentissem minha sinceridade e amor. Mostraria a eles uma escritura da Bíblia que apoiasse o Livro de Mórmon. Compartilharia com eles minhas experiências e sentimentos também. Eu lhes diria que o evangelho, o amor de Deus e a oração nos fazem chegar mais perto da paz espiritual que todos desejamos. Para Deus, nada é impossível. Confie no Espírito.
Jonathan E., 19 anos, Veracruz, México

Difícil, Mas Não Impossível

Uma Mudança de Coração

Você pode provar para seus pais que é um bom exemplo seguindo os padrões da Igreja e cumprindo todos os mandamentos, especialmente a Palavra de Sabedoria, e demonstrando amor e obediência por meio de suas ações. Isso pode chamar a atenção deles para seu comportamento e ajudá-los a se achegarem à Igreja do Senhor. Eu acredito firmemente que, por intermédio de suas orações, você pode pedir ao Pai Celestial que enterneça o coração deles.
Sharmila S., 18 anos, Karnataka, Índia

p r ó x i M A p e r g U n tA
“Tenho muita dificuldade em motivar-me para estudar as escrituras. Como posso encontrar motivação?” Envie sua resposta até 15 de janeiro de 2010 para: 1/10 Liahona, Questions & Answers 50 E. North Temple St., Rm. 2420 Salt Lake City, UT 84150-0024, USA Ou envie um e-mail para: liahona@ldschurch.org

As respostas podem ser editadas

Se estiver com medo de compartilhar o evangelho, comece dizendo a eles como você se sente quando ora e quando lê as escrituras. Explique-lhes que você tem um testemunho, e explique por que você gosta do evangelho. Depois que você explicar isso, eles vão entender e não ficarão ofendidos.
Madison N., 14 anos, Illinois, EUA

Explique Como Se Sente

Paulo nos ensinou em I Timóteo 4:12: “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”. Se você mostrar para seus pais que é um bom exemplo, isso vai abrir a porta da conversão para eles. Também vai criar o ambiente ideal e a oportunidade perfeita para que você preste testemunho do evangelho. Com fé, sem medo, e por meio de um bom exemplo, você pode ajudar a abrandar-lhes o coração e abençoar tanto a vida deles quanto a sua.
Élder Tonumaipea, 20 anos, Missão Filipinas Cauayan

Ser um Exemplo

por motivo de espaço ou clareza. Inclua os seguintes dados e a permissão a seguir em sua carta ou seu e-mail:
Nome completo Data De NascimeNto ala (ou ramo) estaca (ou Distrito)

Dou permissão para a publicação da resposta e da fotografia:
assiNatura assiNatura Dos pais (para meNores De 18 aNos)

Fale com Amor

Meu pai não é membro, e isso às vezes é difícil, mas há algumas coisas que aprendi. Primeiro, quando converso com ele com amor e não como se eu estivesse num nível acima dele, fica difícil ele rejeitar o que estou dizendo. Meu pai sente esse amor, embora nem sempre concordemos. Segundo, o evangelho é simples. Não precisamos embelezá-lo ou mudá-lo. Declare verdades simples. Por fim, lembre-se de que fomos chamados para ser testemunhas de Cristo.
Paige I., 19 anos, Utah, EUA

À MANEIRA DO SENhOR E A SEU PRóPRIO TEMPO

“Nossas ações precisam ser dirigidas pelo Senhor. Esta é a Sua obra, não a nossa, e precisa ser feita a Sua maneira e a Seu próprio tempo e não do nosso modo, caso contrário, nossos esforços estarão fadados à frustração e ao fracasso. Todos temos parentes ou amigos que precisam do evangelho, mas não estão interessados no momento. Para sermos eficazes, nosso empenho em relação a eles precisa ser dirigido pelo Senhor, para que ajamos da maneira e no momento em que estejam mais receptivos.”
Élder Dallin h. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, “Compartilhar o Evangelho”, A Liahona, janeiro de 2002, p. 8.

A LiAhonA Dezembro De 2009 35

Ninguém precisa navegar sozinho nas águas turbulentas do mercado de trabalho atual. Além dos líderes locais da Igreja, especialistas como estes do Centro de Recursos de Empregos da Cidade do México podem oferecer valiosa orientação.

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A Bênção do Trabalho
b I s P o H . d Av I d b u rt o n
Bispo Presidente

fundo e Ilustrações: doug faKKel; Ilustrações fotográfIcas: welden c. andersen, exceto quando IndIcado

s pessoas que já passaram algum tempo no mar ou perto dele sabem como ele está sempre mudando. As ondas, as marés, as correntes e os ventos estão sempre mudando ou interagindo entre si. Os bons marinheiros e pescadores aproveitam as ondas e as marés e usam os ventos e as correntes para chegar em segurança aonde precisam ir. O mundo também muda, e a velocidade das mudanças parece estar aumentando. Parte da grande maré que varre o nosso mundo inconstante ocorre no mercado de trabalho. Felizmente, assim como os marinheiros usam as habilidades que adquiriram, mapas e outras ferramentas que os auxiliam a navegar bem, há recursos e habilidades que podem ser aprendidos para ajudar-nos a navegar em meio às mudanças no mercado de trabalho. Aqueles que estão aptos não apenas para o trabalho, mas também para encontrar emprego, são os que melhor navegam nestes tempos conturbados.
Um Mandamento e uma Bênção

A

é uma bênção e que o amor ao trabalho é sucesso”. 1 Trabalhar não é apenas uma questão financeira, é uma necessidade espiritual. Nosso Pai Celestial trabalha para levar a efeito nossa salvação e exaltação (ver Moisés 1:39). E no princípio, com Adão, Ele nos ordenou a trabalhar. Mesmo no Jardim do Éden, Adão foi instruído a “lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15). Depois da Queda, foi dito a Adão: “No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gênesis 3:19). Como acontece com qualquer mandamento, temos alegria quando o cumprimos. O trabalho honesto e produtivo promove satisfação e eleva a autoestima. Depois de fazermos todo o possível para ser autossuficientes e prover nossas próprias necessidades e as de nossa família, podemos voltar-nos ao Senhor com confiança para pedir o que nos falta.
Dons, Talentos, Interesses

Hoje em dia, muitos se esqueceram do valor do trabalho. Alguns acreditam erroneamente que a maior meta na vida é alcançar uma situação em que não é mais necessário trabalhar. O Presidente David O. McKay (1873–1970) gostava de dizer: “Temos que nos dar conta de que o privilégio de trabalhar é uma dádiva, que o poder do trabalho

O Pai Celestial deu talentos e dons a todos para ajudar-nos a prover o nosso sustento e o de nossa família. É importante que aprendamos a reconhecer nossos talentos, dons e interesses como primeiro passo na preparação para uma carreira profissional. O Presidente Henry B. Eyring, Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência, aprendeu com o pai, Henry Eyring, a escolher uma carreira que complementasse seus interesses. Devido a seu amor pela ciência, o professor Henry Eyring incentivou os filhos a estudar física, em preparação para uma carreira científica. Enquanto o Presidente Eyring

Trabalhar não é apenas uma questão financeira, é uma necessidade espiritual. Nesta época de turbulência econômica, sem dúvida, o mandamento de trabalhar foi um dos que o Senhor preparou para ajudar a nos suster.

A LiAhonA Dezembro De 2009 37

estudava física na Universidade de Utah, uma conversa que teve com o pai mudou o rumo de sua carreira. Ele pediu ajuda ao pai para resolver um complexo problema matemático. “Meu pai estava escrevendo num quadronegro que tínhamos no porão”, relembra o Presidente Eyring. “De repente, ele parou. ‘Hal’, disse ele, ‘já estudamos esse mesmo tipo de problema há uma semana. Você não parece compreendê-lo melhor agora do que naquela ocasião. Você tem estudado isso?’ Um pouco envergonhado, o Presidente Eyring admitiu que não havia estudado”. Ele relembra a resposta do pai: “Quando respondi que não, meu pai fez uma pausa. Foi realmente um momento de ternura e emoção, pois eu sabia o quanto ele me amava e o quanto ele desejava que me tornasse cientista. Então, ele disse: ‘Hal, acho melhor você deixar de estudar física. Escolha uma área que o atraia a tal ponto que, quando não tiver nada para pensar, seja ela que lhe venha à mente.’” 2
Instrução e Estudos

é importante continuar a estudar em sua profissão ou carreira, para que suas habilidades sempre sejam competitivas no mercado de trabalho. Assim como o marinheiro sempre mantém o olho no horizonte para ver se o tempo vai mudar, manter-se atualizado em sua carreira vai ajudá-lo a identificar mudanças no seu campo de trabalho para que faça as devidas correções de curso.
Ajudar e Aceitar Ajuda

Depois de avaliar nossos próprios interesses e capacidades e pedir conselho para as pessoas que nos conhecem e amam — especialmente o Senhor — precisamos procurar adquirir instrução e experiência no campo de trabalho que escolhemos. A instrução e os estudos são alguns dos melhores investimentos que alguém pode fazer. Aprenda a amar os estudos. Assim como é importante continuar a fazer depósitos em sua conta de poupança,

Nenhum de nós navega sozinho: todos fazemos parte de uma grande frota. Assim como uma frota naval tem vários navios de apoio, a Igreja tem bispos e presidentes de ramo, presidentes da Sociedades de Socorro, presidentes de quórum, especialistas de empregos e outras pessoas que estão prontas para ajudar-nos a iniciar nossa carreira profissional. Essa ajuda geralmente inclui o encaminhamento para recursos e cursos adequados a nossa situação específica, como: preparar um currículo, procurar eficazmente um emprego e aprender a conduzir-nos numa entrevista. Muito antes do termo networking começar a ser usado, os marinheiros trocavam informações sobre coisas como recifes perigosos, novas rotas e fontes de suprimentos. Um marinheiro que está prestes a entrar em águas desconhecidas conversa com todos que podem dispor de informações úteis e experiências para compartilhar. No mercado de trabalho atual, é igualmente vital estabelecer e manter contato com pessoas que disponham de informações úteis ou experiência. Os líderes locais da ala ou do ramo e os parentes e familiares são um bom ponto de partida.
Ensinar os Filhos a Trabalhar

Uma das responsabilidades mais importantes dos pais é ensinar os filhos a trabalhar. Até as crianças pequenas podem começar a sentir os benefícios do trabalho quando são envolvidas nas tarefas domésticas e no serviço ao próximo. Os pais sábios trabalham com os filhos, elogiamnos frequentemente e cuidam para que as tarefas não lhes sejam demasiadamente pesadas. Quando o Presidente Thomas S. Monson era jovem, seus pais lhe ensinaram o princípio do trabalho pelo exemplo. O pai, gerente de tipografia, trabalhou muito,

ssim como o marinheiro sempre mantém o olho no horizonte para ver se o tempo vai mudar, manter-se atualizado em sua carreira vai ajudá-lo a identificar mudanças no seu campo de trabalho para que faça as devidas correções de curso.

A

Ilustração fotográfIca: matthew reIer

praticamente todos os dias de sua vida. Quando estava em casa, não parava de trabalhar para desfrutar de um merecido descanso. Continuava a trabalhar prestando serviço tanto à família quanto aos vizinhos. 3 Sua mãe estava sempre trabalhando para prestar serviço a um membro da família ou amigos. Os pais do Presidente Monson sempre pediam que ele os acompanhasse ou que fizesse algum serviço para eles, permitindo que ele aprendesse, por experiência própria, a trabalhar para servir seus semelhantes. O Presidente Monson aprendeu a trabalhar com o pai e conseguiu seu primeiro emprego de meio-período aos 14 anos, na tipografia em que o pai era gerente. O Presidente Monson conta que, depois dos 14 anos, poucos foram os dias, com exceção dos domingos, em que ele não trabalhou. “Quem aprende a trabalhar na juventude, não perde esse hábito”, diz ele. 4
As Bênçãos da Persistência

Em questões de trabalho, como em quase tudo o mais que formos chamados a fazer na vida, é fundamental seguir em frente. Se fizermos o melhor possível, buscando

orientação tanto humana quanto divina e confiando em nosso amoroso Pai Celestial, Ele vai abençoar os resultados. Quando jovem, o Presidente Dieter F. Uchtdorf, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência, queria trabalhar com outra coisa, em vez de ser entregador da lavanderia da família. Não gostava muito do carrinho, da bicicleta pesada ou do serviço que fazia, mesmo assim, trabalhou arduamente para ajudar a família.

Como os marinheiros que estão prestes a entrar em águas desconhecidas, é sensato que aqueles que entram no mercado de trabalho busquem conselhos dos que já cruzaram essas águas.

A LiAhonA Dezembro De 2009 39

os reCUrsos de eMprego dA igrejA
• Converse com o especialista de empregos de sua ala ou seu ramo, que pode encaminhá-lo para ofertas de emprego, instruí-lo nas técnicas de busca de emprego, prover-lhe orientação vocacional ou recomendar-lhe alguns recursos comunitários. • A Igreja tem Centros de Recursos de Emprego no mundo inteiro. Para encontrar um perto de você, converse com seus líderes do sacerdócio ou visite o site www.providentliving.org. • Visite o site www.providentliving.org para encontrar dicas de busca de emprego e orientação sobre como comportar-se numa entrevista, montar um currículo e utilizar redes de contatos (somente em inglês).

Ele conta o seguinte a respeito da bênção que recebeu graças àquela difícil experiência de trabalho: “Muitos anos depois, quando estava para ser convocado para o serviço militar, decidi apresentar-me na força aérea para tornar-me piloto. Adorava voar e achava que me daria muito bem como piloto. Para ser aceito no programa, eu precisava passar em vários testes, que incluíam um rigoroso exame de saúde. Os médicos ficaram um pouco preocupados com os resultados e fizeram mais alguns exames. Depois, vieram me dizer: ‘Você tem marcas no pulmão que indicam que teve uma doença pulmonar na adolescência, mas evidentemente está saudável agora’. Os médicos quiseram saber a que tratamento eu havia sido submetido para curar-me da doença. Até o dia do exame, eu não fazia ideia de que tivera qualquer tipo de doença pulmonar. Então, ficou claro para mim que o exercício regular que fizera ao ar livre, como entregador da lavanderia, tinha sido um fatorchave na cura da minha doença. Sem o esforço extra de pedalar a pesada bicicleta todos os dias, empurrando o carrinho da lavanderia para cima e para baixo pelas ruas da cidade, eu jamais teria me tornado piloto de caça e, mais tarde, piloto comercial de jato 747.(…) Se naquela época eu soubesse o que aprendi muitos anos depois, se eu pudesse ter visto o fim desde o princípio, teria valorizado mais aquelas experiências, e meu trabalho teria sido muito mais fácil.” 5
40

Nesta época financeiramente instável, quando a maré das oportunidades parece estar retraindo, quando os ventos e correntes parecem se opor ao nosso progresso, é fundamental lembrarmos que o Senhor não dá mandamentos aos filhos dos homens “sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas” (1 Néfi 3:7). Sem dúvida, trabalhar para prover nosso sustento e o de nossa família é um dos mandamentos que o Senhor está preparado para ajudar-nos a cumprir. Para alguns, o desafio pode parecer assustador, como sem dúvida aconteceu com Néfi, quando olhou para o oceano que se estendia além do horizonte. Um jovem do deserto teria que se tornar construtor de navios e marinheiro. Essa foi uma mudança de carreira. Néfi procurou receber instruções e foi trabalhar (ver 1 Néfi 17:8–11). O mesmo acontece hoje em dia: o Senhor vai abençoarnos, se continuarmos a sacrificar-nos e a servir no reino e se embarcarmos com fé, sabendo que não navegamos sozinhos. ◼
NOTAS

Içar Velas

1. David O. McKay, Pathways to Happiness, 1957, p. 381. 2. Ver Gerald N. Lund, “Elder Henry B. Eyring: Moldado por ‘Influências Determinantes’”, A Liahona, abril de 1996, p. 28. 3. Ver Thomas S. Monson, “Garantias de um Lar Feliz”, A Liahona, outubro de 2001, p. 7. 4. Thomas S. Monson, “Friend to Friend”, Friend, outubro de 1981, p. 7. 5. Dieter F. Uchtdorf, “Ver o Fim desde o Princípio”, A Liahona, maio de 2006, p. 43.

V o z e s

D A

i g r e J A

D

quando te vimos enfermo?

Ilustrações: antonIo dIdonato

e 2003 a 2005, servi como presidente das Moças da Ala Gutiérrez Zamora, em Veracruz, México. No Natal, as moças e suas líderes preparavam guloseimas para levar aos membros idosos da ala. Quando se aproximava o Natal de 2005, ensaiamos hinos de Natal e vestimos chales e chapéus vermelhos. No inverno, chove muito em nossa vila e o vento frio do norte sopra com muita força. Mas isso não impediu que um grupo de rapazes e moças saísse levando tortas de abacaxi. Quando chegamos à casa de nossos irmãos e irmãs idosos, cantamos com muita alegria. Ao sair de cada casa, sentimo-nos muito felizes, porque mesmo por apenas um momento, tínhamos levado alegria para eles, com nossos hinos e tortas. A última irmã que visitamos estava menos ativa havia muitos anos. Embora nenhum dos jovens conhecesse Juanita, meu marido e eu a conhecíamos desde muito tempo. Ela estava acamada, com uma doença terminal e era muito pobre. Poucos dias antes, o quórum de élderes esteve na casa dela para fazer alguns consertos. Quando chegamos, chamamos o nome dela. Ninguém respondeu, por isso continuamos chamando. Pouco depois, ouvimos

lembrava dela e que a amava. Depois que saímos da humilde residência, os jovens expressaram gratidão por terem ido cantar para uma voz dizer com dificuldade: ela. Não se importavam de terem “Pode entrar, irmã Araceli”. Entraficado molhados e com frio: tinham o mos e cantamos com muita alegria coração cheio de alegria por come entusiasmo, embora a situação em partilhar uma pequena que ela se encontrava nos parte da felicidade que entristecesse. Não fazia ão fazia sentiam. Foi então que muito tempo, Juanita fora muito compreendi mais plenacheia de vida. Mas naquela tempo, mente estes versículos: ocasião, quando ela se Juanita fora cheia “Adoeci, e sentou na cama, os jovens de vida. Mas visitastes-me. (…) não puderam conter as naquela ocasião, (…) Quando te vimos lágrimas. Ela ficou emoquando ela se senenfermo (…) e fomos cionada e agradeceu-nos tou na cama, os ver-te? por termos ido visitá-la, jovens não pudeE, respondendo o Rei, fazendo com que sentisse, ram conter lhes dirá: Em verdade com nossos hinos, que o as lágrimas. vos digo que quando o Pai Celestial Se

N

fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:36, 39–40). Fiquei triste quando Juanita faleceu, dias depois, mas sei, sem dúvida alguma, que o Pai Celestial ama Seus filhos. Também sei que, se seguirmos o Espírito, podemos ser instrumentos em Suas mãos para abençoar uns aos outros. ◼
Araceli López Reséndiz, Veracruz, México

E

vestido de amor
ra dezembro, época em que as pessoas sentem ternura ao lembrar-se do nascimento de Jesus

Cristo e o que Ele fez por nós por meio de Sua infinita Expiação. Quando voltei do trabalho para casa, meus três filhos e minha bela esposa compartilharam comigo uma decisão que haviam tomado para o Natal: “Não será preciso comprar presentes neste Natal”, disseram eles. Surpreso, perguntei: “E o que foi que os levou a decidir isso?” Afinal, meus filhos estariam sacrificando algo pelo qual ansiaram o ano inteiro. Imediatamente foram buscar meus dois ternos surrados. “Pai”, disseram eles, “com o dinheiro que iríamos usar para os presentes de Natal, queremos que você troque estes dois ternos velhos por um novo. Queremos vê-lo sair para o trabalho vestindo um terno novo!”

Dei-me conta de que aquele era o verdadeiro espírito do Natal. Quando sacrificamos algo por outra pessoa, compreendemos o significado da Expiação de Jesus Cristo. Mais tarde, quando usei o terno novo que ganhei de Natal, senti que estava vestido de amor. ◼
Walter Ciro Calderón R., Bogotá, Colômbia

N

ensinar meu professor
o início do ano letivo, há muitos anos, eu era caloura na Universidade Colúmbia, na Cidade de Nova York. Numa grande sala de aula cheia de alunos,

ão será preciso comprar presentes neste Natal”, disseram meus filhos.

N

nosso professor estava discutindo as imitações modernas de textos antigos. Citou uma lista de falsificações, e fiquei espantada ao ouvi-lo acrescentar o Livro de Mórmon à lista. Imediatamente, soube que não podia sair da sala sem fazer algo. Não podia desapontar meus antepassados, cujo testemunho do Livro de Mórmon fez com que sacrificassem tudo. Depois da aula, fui falar com o professor, que ocupava a cadeira de Charles Anthon, na Universidade Colúmbia. Mais de 100 anos antes, Martin Harris fez uma visita ao Professor Anthon na Universidade Colúmbia. Martin levava consigo uma folha de papel com uma cópia das gravações das placas da quais o Livro de Mórmon foi traduzido. Lembrei-me de quando meu pai me mostrou uma carta que o pai dele havia escrito sobre Martin Harris. Meu avô contou que havia conhecido Martin, pouco antes do falecimento do irmão Harris. Quando meu avô lhe perguntou a respeito do Livro de Mórmon, Martin ergueu o corpo do leito e prestou um forte testemunho. Ele tinha realmente visto um anjo, tinha realmente ouvido sua voz e tinha realmente visto as placas de ouro. “Meu nome é Diana e sou membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, disse eu, trêmula, ao professor. “O Livro de Mórmon, para mim, é um livro de escrituras. Gostaria de saber que motivos o senhor tem para considerá-lo falso.” Ao caminharmos pelo campus, o professor, que havia lido o Livro de

Mórmon, relacionou várias objeções a sua autenticidade. Anotei-as rapidamente e, quando ele terminou, perguntei: “Posso fazer um trabalho sobre o que eu descobrir em fontes a respeito desses assuntos em resposta a essas objeções?” Ele concordou. Voltei para o dormitório, fechei a porta do quarto, ajoelhei-me em oração e comecei a chorar. Senti-me fraca e incapaz. Felizmente, naquela noite tivemos uma atividade na Igreja. Depois de um debate que me elevou o espírito, pedi ajuda aos missionários de tempo integral que foram à atividade. Eles me indicaram algumas fontes de informações que cobriam a maior parte dos pontos levantados por meu professor. Depois, fui pesquisar na imensa biblioteca da Universidade. Em meu trabalho, respondi às dúvidas do professor e prestei meu testemunho da veracidade do Livro de Mórmon. Depois, entreguei o trabalho ao professor. Esperei várias semanas pela resposta. Por fim, fui perguntar se ele o havia lido. “Li sim, e dei-o para minha mulher para que ela o lesse. Ela me disse:

Livro de Mórmon, para mim, é um livro de escrituras”, afirmei a meu professor. “Gostaria de saber que motivos o senhor tem para considerá-lo falso.”
‘Faça o que fizer, não destrua a fé da sua aluna’”. Então, ele se virou e foi embora. À medida que o Natal foi-se aproximando, tive uma forte inspiração de que devia dar-lhe um exemplar do Livro de Mórmon. Peguei um exemplar, escrevi meu testemunho e agradeci por ele ter lido meu trabalho. Depois, embrulhei o livro em papel de presente e o entreguei a ele. Pouco tempo depois, recebi um bilhete dele expressando sua gratidão por ter recebido um exemplar “desse livro extraordinário”. Quando li o que ele escreveu, meus olhos se encheram de lágrimas. O Espírito sussurrou que aquele professor nunca mais ridicularizaria o Livro de Mórmon. Sinto-me grata pelo Espírito ter abrandado corações e por ter-me ajudado a saber como ensinar meu professor. ◼
Diana Summerhays Graham, Utah, EUA
A LiAhonA Dezembro De 2009 43

O

C

Oliver pediu-me que lesse o Livro de Mórmon para ele.

D

erta manhã, ao terminar de ler e ponderar sobre o Livro de Mórmon, dei-me conta de que estávamos novamente no fim do ano. Isso me levou a pensar no meu irmão, de quem cuidei em minha casa nas suas últimas semanas, quando ele estava com câncer terminal, em 2005. Oliver estava decidido a cumprir a promessa que fizera a si mesmo de seguir o conselho do Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) de ler o Livro de Mórmon até o final do ano.1 Mas em setembro, ainda faltavam muitas páginas para Oliver ler. Por fim, ele ficou tão fraco que já não conseguia ler sozinho. Decidido a cumprir sua promessa, ecidido a cumprir sua Oliver pediu-me que lesse o Livro promessa,

o maior presente

de Mórmon para ele. Eu estava bem mais adiantada em minha leitura, mas fiquei feliz em começar de onde ele havia parado. Ao ler para Oliver todos os dias, pude ajudá-lo a atingir sua meta de terminar o livro até o final do ano, poucos dias antes de morrer. Nessa época, ele mal conseguia falar audivelmente, mas sua mente estava clara e lúcida. Com grande esforço, ele sempre expressava sua gratidão pelo presente que eu lhe dera, dizendo que podia morrer em paz porque havia cumprido sua promessa. Eu já tinha lido o Livro de Mórmon muitas vezes, mas nunca senti o espírito tão forte nem compreendi seus preceitos tão claramente quanto naqueles últimos meses de vida do meu irmão. Sem dúvida, Oliver havia-me dado o presente maior. ◼
Lois N. Pope, Utah, EUA
NOTA

U

por que preciso estar aqui?
ma semana antes do Natal de 2007, dois de meus filhos tiveram laringite e infecção de ouvido. Jacob, de 5 anos, gemia quando fomos até a farmácia para tomar uma injeção, e Beth, de 19 meses, estava muito manhosa em meu colo. Quando chegamos, encontramos uma grande fila no balcão de atendimento. Enquanto Jacob se agarrava a minha perna e reclamava do ouvido, Beth soltou-se dos meus braços. Achei que ela ia ficar ao meu lado, mas assim que se soltou, correu para um senhor idoso que estava sentado num banco, perto da fila. O homem estava olhando para o chão, com o rosto apoiado nas mãos. Chamei Beth, não querendo sair da fila, mas ela se aproximou do homem e se inclinou para olhar o rosto dele, então sorriu e deu uma risadinha. Mandei que Jacob fosse buscá-la.

1. Ver Gordon B. Hinckley, “Um Testemunho Vibrante e Verdadeiro”, A Liahona, agosto de 2005, p. 6.

Ele a agarrou pela mão e tentou puxá-la para longe do homem, mas ela se recusou a sair dali. Então, ela começou a empurrar a testa do homem para que ele erguesse a cabeça. Fui ficando ansiosa, então vi Beth tirar os sapatos, que estavam desamarrados, e colocá-los no colo do homem. Ele ergueu o rosto e sorriu. “Beth!” chamei. “Está tudo bem”, disse o homem, com uma voz cansada. “Vou amarrar os sapatos para ela.” Fiquei um pouco nervosa, quando ele começou a calçar os sapatos na Beth. Quando terminou, ele a abraçou e deu-lhe um beijo na testa. Ele demorou para largá-la, por isso saí rapidamente da fila para tirar minha filha dos braços daquele estranho. Quando me aproximei, vi que ele tinha lágrimas nos olhos. Preocupada, sentei-me ao lado dele. “Tenho que lhe dizer algo”, disse ele, fitando o vazio a sua frente. “Há pouco mais de um mês, minha esposa morreu e, há uma hora, fiquei sabendo que estou com câncer terminal. Vim aqui para comprar remédios e fiquei pensando na vida, achando que deveria adiantar o inevitável. Achei que não conseguiria suportar o Natal e as dores do câncer sem minha querida esposa ao meu lado.” Ele disse que estivera orando e pedindo a Deus: “Se eu preciso ficar aqui por algum motivo, é melhor que me mostre agora, senão vou para casa dar um fim em tudo”. Antes

hamei Beth, mas ela se aproximou do homem e se inclinou para olhar o rosto dele, então sorriu e deu uma risadinha.

C

mesmo de terminar a frase, Beth começou

a incomodá-lo e a chamá-lo de “vovô”. “Agora eu sei por que preciso continuar aqui por mais algum tempo”, disse ele. “Preciso ficar aqui por causa dos meus netos. Eles precisam de mim.” Eu o abracei e não pude conter as lágrimas. Depois, fui comprar nossos

remédios. Beth, que estivera tão abatida havia apenas alguns instantes, beijou o homem no rosto e se afastou comigo e com Jacob, acenando e dizendo: “Tchau, vovô”. Não perguntei o seu nome, mas nunca me esquecerei de que até uma menina que incomoda um homem idoso pode ser a resposta a uma oração. ◼
Megan Robinson, Utah, EUA
A LiAhonA Dezembro De 2009 45

segredo revelado
para os adultos
• Análise profunda de temas do evangelho. • Mensagens dos líderes da Igreja. • Notícias sobre os membros do lugar em que você vive. • Conselhos para os casais.

para os Jovens adultos solteIros
• Como aplicar o evangelho em sua vida. • O que os líderes da Igreja querem que você saiba.

para os Jovens

• Como adquirir e fortalecer seu testemunho. • Respostas a dúvidas sobre o evangelho. • Experiências pessoais de outros adolescentes.

Há Algo para Todos na Nova A Liahona.

Não é segredo que, onde quer que você esteja na vida, queremos estar com você. Com mais artigos para membros que se encontram em diferentes situações, esperamos ajudá-lo a

encontrar os princípios do evangelho que você pode aplicar para resolver os problemas que enfrenta na vida. Não perca o que a nova A Liahona pode fazer por você e pelas pessoas ao

para os líderes e professores

• Auxílios para magnificar seu chamado, melhorar seu ensino e aconselhar os membros.

para os memBros novos

• Explicações simples sobre as crenças dos santos dos últimos dias. • Histórias de conversão de outros membros novos.

para as crIanças

• Desenhos, gravuras e histórias de crianças do mundo inteiro. • Atividades divertidas que ajudam a ensinar o evangelho.

para as famílIas

• Ideias sobre como usar os artigos de A Liahona para ensinar seus filhos. • Auxílios para a noite familiar. • Histórias de famílias que aplicaram o evangelho no lar. • Conselhos para os pais.

T h e C h u r C h o f J e s u s C h r i s T o f L a T T e r - d ay s a i n T s • J a n u a r y 2 0 1 0

seu redor. Queremos convidá-lo a manter sua assinatura atualizada e a presentear um ente querido com uma assinatura. Esse é um segredo que não queremos guardar.

W

elcome to the new Liahona! All of its pages were created with you—members of the Church of all ages—in mind. Certain sections, however, have special appeal for certain readers. • Young adults may want to go to page 42. • Youth may want to turn to page 46. • Children could start with page 58. • Parents of young children may want to help them find page 70. But don’t stop there; there’s a lot more to discover as you come to know and use your new Liahona.

ENGLISH

02092 81000

Find in Your New Liahona a Compass for Our Day

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Na edição de janeiro de 2010.

4

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iDeiAs PArA A noite fAmiLiAr
Estas aplicações didáticas são dadas como sugestão. Você pode adaptá-las a sua família. “Os Três Reis”, p. 12: “A maioria das pessoas aprende e lembra melhor se apresentamos as ideias usando gravuras, mapas, listas de palavras ou outros auxílios visuais”. 1 Você pode mostrar as gravuras do próprio artigo ou outros objetos ao ensinar usando este artigo. Faça uma dramatização de modo a usar pessoas como auxílios visuais. 2 Você pode dramatizar a visita dos Reis Magos ao menino Jesus, ao ensinar essa história para sua família. “Adorar por Meio da Reverência”, p. 26: É mais provável que sua família compreenda e aplique as doutrinas se tiver oportunidade de ensinar essas doutrinas para outras pessoas. 3 Você pode fazer com que os membros da família ensinem os princípios desse artigo uns aos outros. Vários dias antes da noite familiar, separe o artigo em três seções e peça a três membros da família que, na noite familiar, contem o que aprenderam em sua respectiva seção. “A Bênção do Trabalho”, p. 36: Histórias podem despertar o interesse do aluno e geralmente são um modo eficaz de ensino. 4 Para ilustrar a doutrina do trabalho ensinada pelo Bispo H. David Burton, você pode contar as experiências dos Presidentes Thomas S. Monson, Henry B. Eyring e Dieter F. Uchtdorf, extraídas do artigo. Você pode concluir sua aula convidando os membros da família a contar uma história sobre o trabalho que tenha abençoado a vida deles.
NOTAS t ó P i c o s D e s tA e D i ç ã o

Os números representam a primeira página de cada artigo. A = O Amigo Adoração, 26 Adversidade, 30 Amor, 2, 10, 16, 34, 41, 42, A14 Ativação, 18 Cantar, 10 Caridade, 25 Chaves do sacerdócio, 18 Dons espirituais, 18 Educação, 36 Emprego, 36 Expiação, 2, 24 Famílias, 2, 34, A7 Fé, 12, 26, 30, A2, A10, A12 Jesus Cristo, 2, 8, 24, A2, A12 Joseph Smith, A14 Livro de Mórmon, 43, 44 Natal, 2, 8, 10, 12, 16, 24, 41, 42, A2, A8, A10 Obra missionária, 34, 36 Oração, 30, 45 Presidentes de estaca, 18 Primária, A4 Professoras visitantes, 16, 25 Revelação, 18 Reverência, 26, A4 Sacramento, A12 Sacrifício, 42 Serviço, 2, 10, 16, 25, 41, 44 Trabalho, 36

1. Ensino, Não Há Maior Chamado, 1999, p. 182. 2. Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, p. 178. 3. Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, p. 161. 4. Ver Ensino, Não Há Maior Chamado, pp. 93, 179–182.

RESPONSABILIDADE DO PAI

“Leve a sério sua responsabilidade de ensinar o evangelho a sua família por meio de noite familiar, oração familiar, horário do devocional, do estudo regular das escrituras e de outros momentos de ensino. Dê especial ênfase à preparação para o trabalho missionário e o casamento no templo. (…) Depois de sua própria salvação, irmãos, não há nada mais importante para vocês do que a salvação de sua esposa e filhos.”
Presidente howard W. hunter (1907–1995), “Sede Pais e Maridos Justos”, A Liahona, janeiro de 1995, p. 53.

48

PA r A A s C r I A n ç A s • A I g r e j A d e j e s u s C r I s t o d o s s A n t o s d o s Ú lt I m o s d I A s • d e z e m b r o d e 2 0 0 9

O Amigo

m e n s A g e m D A P A r A P r i m e i r A A s

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P r e s i D ê n c i A D o m U n D o

c r i A n ç A s

Motivo de Assombro
época de Natal é uma das mais maravilhosas do ano. No entanto, não são os presentes, a árvore, a decoração ou a comida que tornam essa época cheia de encanto. Quando nos lembramos do nascimento de nosso Salvador Jesus Cristo é que o Natal se torna uma época realmente especial. Se nos esforçarmos para lembrar do Salvador, nosso desejo de tornar-nos semelhantes a Ele vai crescer. Não é por coincidência que o Natal é a época do ano em que as pessoas se sentem mais amorosas, caridosas, bondosas e gratas. Em nosso empenho de seguir o exemplo de Cristo nesta época e esforçar-nos ao máximo para viver como Ele viveu, procuremos maneiras de elevar as pessoas a nosso redor. Comemoremos o nascimento de nosso Salvador sendo seguidores de Cristo em palavras e ações. Testificamos que, se fizermos isso, o desejo de segui-Lo que cresce dentro de nós no Natal vai continuar a desenvolver-se durante todo o ano que está por vir. ● Presidente Thomas S. Monson Presidente Henry B. Eyring Presidente Dieter F. Uchtdorf
A NAtividAde, de nathan pInnocK

A

A2

Boas Maneiras na Primária
jAn PInborougH
Inspirado numa história verídica

N

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (D&C 101:16).

atanael segurou a mão da mãe com força a caminho da sala da Primária. Era a segunda semana do Natanael na classe de Raios de Sol. Ele estava com medo e, a cada passo, caminhava mais devagar. Na semana anterior, a Primária tinha sido um pouco bagunçada. Na hora dos hinos, Mia ficou de pé e começou a rodar em círculos. Natanael cansou-se de ficar sentado e ficou de pé também. Mas quando a professora pediu, ele voltou a sentar-se. No tempo de compartilhar, algumas crianças mais velhas ficaram conversando e rindo. Às vezes, havia tanto barulho que não dava para ouvir o que a irmã Miranda, a presidente da Primária, dizia. Quando sua amiguinha Cara começou a chorar, Natanael ficou com vontade de chorar também. Ao chegar à primeira fileira, Natanael não quis largar a mão da mãe. Estava preocupado, achando que a Primária seria bagunçada de novo nesta semana. Então, viu sua professora. “Oi, Natanael,” disse a irmã Tejada. “Que bom que você veio.” A irmã Tejada mostrou a cadeira ao lado da dela. Natanael gostou do sorriso bondoso da professora. Largou a mão da mãe e foi sentar-se ao lado da irmã Tejada. “Volto para buscá-lo depois da aula”, disse a mãe. “Lembre-se de ser reverente.” Natanael não sabia bem como fazer isso. Depois da primeira oração, a irmã Miranda se levantou. “Hoje temos um visitante especial”, disse ela. De repente, um fantoche apareceu por trás da mesa, ao lado da irmã Miranda. O fantoche se contorceu, acenou os braços e disse: “Já está na hora
A4

de ir embora? Estou com sede!” Algumas crianças riram. “É a primeira vez que Arlo vem para a Primária”, disse a irmã Miranda, “e ele não sabe ser reverente. Mas antes de ser reverente, ele precisa aprender a ter boas maneiras na Primária.” Natanael ficou surpreso. No jantar, a mãe às vezes o lembrava de colocar o guardanapo no colo. Isso era ter boas maneiras. E o pai sempre pedia que todos agradecessem à mãe pela boa refeição antes de começarem a tirar a mesa. Isso também era ter boas maneiras. Mas o que era ter boas maneiras na Primária? Arlo inclinou-se de cabeça para baixo na frente da mesa. “Ei, todo mundo fica engraçado de cabeça para baixo!” disse ele. “Boas maneiras são regras que mostram respeito pelas outras pessoas”, explicou a irmã Miranda. “Arlo não conhece as regras de boas maneiras na Primária. Vocês poderiam ensinar para ele?” pediu ela. A irmã Miranda foi até o quadro-negro e desenhou um braço. “O que Arlo deve fazer com os braços?” perguntou ela. “Cruzá-los!” respondeu Mia. “Está certo”, exclamou a irmã Miranda. Arlo sentou-se. Cruzou os braços e ergueu-os sobre a cabeça. “Oh, quer dizer, assim?” perguntou ele. Natanael sabia que aquilo não estava certo. A irmã Miranda pediu que todas as crianças da Primária mostrassem ao Arlo como cruzar os braços. Natanael rapidamente cruzou os braços. Arlo cruzou os braços também. No quadro-negro, ao lado do braço, a irmã Miranda escreveu: “Cruzar os braços”. À medida que a irmã Miranda foi fazendo outros desenhos, as crianças ensinaram ao Arlo as regras de boas maneiras na Primária. Natanael ficou contente por já conhecer a maioria delas. Arlo não estava mais se contorcendo nem acenando os braços. Mantinha as pernas quietinhas e os braços cruzados. As crianças também estavam ouvindo em silêncio. A Primária já não parecia bagunçada ou barulhenta. Natanael sentiu-se calmo e feliz. Não era difícil ser reverente na Primária. Ele já sabia como fazê-lo. ●

Ilustração: JennIfer tolman

Cruzar os braços.
Andar sem fazer barulho. Erguer a mão para pedir para falar. Falar baixinho.
Prestar atenção à . professora

nder as os para apre nos reunim spírito “Quando eve ser em e vangelho, d oe doutrinas d órum ia.” te do Qu de reverênc Presiden vida à Packer,

e s tA É A C A s A d e d e U s

Pai Celestial? 1. Andar sem fazer barulho pelo corredor. Só correr na quadra durante as atividades especiais que não são realizadas no domingo. 2. Falar baixinho. 3. Cuidar bem dos hinários. Guardá-los direitinho depois de usá-los. 4. Jogar no cesto todo lixo que encontrar. 5. Não pôr os pés em cima dos bancos ou cadeiras. 6. Quando lhe pedirem, ajudar a guardar as cadeiras depois da reunião.

Q

on K. rência C te Boyd “A Reve , p. 23. Presiden póstolos, , janeiro de1992 A dos Doze , A Liahona o” Revelaçã

uais são algumas maneiras pelas quais podemos mostrar respeito pela casa do

A

s crianças da Ala Kahului, Estaca Kahului Havaí, trabalharam arduamente para ajudar a cuidar da casa do Pai Celestial. Num projeto

de serviço, limparam as cadeiras que elas usam todas as semanas na Primária. As crianças mais velhas lavaram as cadeiras com água e bicarbonato de sódio, e as crianças menores as enxugaram. Até as crianças pequenas trabalharam com entusiasmo e alegria. Depois, todas se sentiram bem por manterem a casa do Pai Celestial limpa.

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fotografIas: cortesIa da estaca KahuluI havaí

P á g i n A P A r A c o L o r i r

MINhA FAMÍLIA É ABENçOADA QUANDO NOS LEMBRAMOS DE JESUS CRISTO.

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” ( Jó 19:25).
Ilustração: apryl stott

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Embora o comemoremos de diferentes modos, o Natal nos dá a oportunidade de lembrar-nos do nascimento de Jesus Cristo.

O Natal no Mundo Inteiro
CHAd e. PHAres e sHArA brAItHwAIte
Revistas da Igreja

s crianças do mundo inteiro comemoram o Natal de diversas maneiras. Este calendário descreve algumas delas. Recorte as gravuras da página A16. Pendure este calendário numa parede da sua casa. A partir de 1º de dezembro, encontre a gravura que descreve as palavras do dia. Depois, cole a gravura no quadrinho daquele dia.

A

Ilustrações: scott greer

No Japão, as crianças adoram comer bolo de Natal com morangos e chantilly.

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Na Finlândia, as famílias visitam o cemitério na véspera de Natal e colocam velas nos túmulos dos entes queridos. Na Índia, as pessoas colocam pequenas lanternas de barro no telhado da casa para mostrar que Jesus é a Luz do Mundo. As famílias na Argentina

Na Irlanda, as famílias colocam velas nas janelas das casas para mostrar que teriam acolhido Maria e José.

As crianças alemãs deixam os sapatos ou as

botas junto à lareira ou do lado de fora da porta. Na manhã seguinte, os sapatos estão cheios de doces.

Na Austrália, muitas pessoas vão à praia e cantam hinos de Natal.

acendem balões de papel chamados globos na véspera de Natal e os soltam à noite.

Na Venezuela, as crianças andam de patins pelas ruas na manhã de Natal.

Nos Estados Unidos, as pessoas decoram pinheiros com luzinhas, bolas e enfeites.

As famílias nas Filipinas fazem a decoração com parols, que são estrelas feitas de bambu e papel de seda, iluminadas com lampadinhas.

Na Libéria, as famílias jantam fora de casa, sentadas em círculo. Um jantar tradicional de Natal na Libéria inclui biscoitos, arroz e bife.

Na Bulgária, todos à mesa se levantam ao mesmo tempo no fim do jantar.

Na Suécia, no dia 13 de dezembro, uma garotinha usa um vestido branco com uma faixa vermelha e distribui pães e biscoitos.

Na Holanda, as famílias comemoram o Natal tomando chocolate quente e comendo o banketletter, que é um bolo com o formato da primeira letra do sobrenome da família.

Na Noruega, as crianças comem pudim de arroz. A criança que encontrar a noz escondida ganha um doce ou um pedaço de chocolate.

As famílias mexicanas recortam desenhos em sacos de papel para fazer lanternas ou farolitos. Colocam-se velas dentro dos farolitos, que decoram calçadas, janelas e telhados.

As crianças na Espanha ganham brinquedos, doces e pequenos instrumentos musicais indo de casa em casa, recitando versos ou cantando hinos.

Uma semana antes do Natal, as crianças italianas se vestem de pastores e vão de porta em porta cantando hinos e recitando poemas.

As crianças na Inglaterra recebem tubos cobertos de papel, chamados estalos de Natal, no jantar de Natal. O tubo estala ruidosamente quando aberto. Dentro dele há um chapéu de papel, um poema ou um brinquedo.

Na Nova Zelândia, muitas cidades têm comemorações nos parques. As pessoas ouvem cantores conhecidos cantarem músicas de Natal.

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No Paraguai, as pessoas decoram as casas com flores de coqueiro. No Líbano, grão de bico, trigo, feijão e lentilhas são plantadas duas semanas antes do Natal. Os brotos são usados para decorar o presépio nas casas. Em Gana, as famílias ficam acordadas a noite inteira realizando jogos e brincadeiras. Pouco antes da meia-noite, a família faz a contagem regressiva dos segundos para o início do dia de Natal.

As famílias de Tonga acordam cedo para preparar e levar o desjejum para os vizinhos. As crianças ficam muito entusiasmadas ao levarem esse desjejum e verem o que os vizinhos trouxeram.

Um Natal na Praça do Templo m
uitas pessoas adoram visitar a Praça do Templo na época do Natal. Liza, 11 anos, e Hiram, 10 anos, são primos e vieram de Kaysville, Utah, para ver bela iluminação e decoração da Praça do Templo. É difícil decidir para onde olhar. Em toda parte, as árvores estão cobertas de luzes pisca-pisca cor-de-rosa, amarelas, azuis e verdes. Acima de tudo, o Templo de Salt Lake está todo iluminado de branco com a estátua dourada de Morôni a brilhar no alto. Liza e Hiram gostaram muito do presépio com figuras da altura de uma criança, feito especialmente para as crianças que foram assistir às Olimpíadas de Inverno de 2002, em Salt Lake City.

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Artistas de vários países criaram o presépio, para dar boas-vindas às crianças do mundo inteiro e ajudá-las a pensar no Salvador. Esses presépios ainda são exibidos no Natal, na Praça do Templo. Há presépios do Japão, México, da Nova Zelândia e Polônia. Olhando de perto, vemos que há alguns presentes bem incomuns para o menino Jesus! ●

Acima: Liza e Hiram param para ver o presépio em tamanho natural, perto do Tabernáculo e para ouvir a história de Natal contada num alto-falante.

CUriosidAdes
• Aproximadamente um milhão de pessoas visita a Praça do Templo na época do Natal. • Há dezenas de árvores iluminadas na Praça do Templo. Em apenas uma das árvores, há 75.000 luzinhas. Quantas lâmpadas você acha que há em toda a Praça do Templo? Atualmente são usadas lâmpadas dicroicas para economizar eletricidade. • Os trabalhadores começam a instalar as luzes de Natal no dia 1º de agosto e terminam de retirá-las em 31 de março. • As crianças ajudaram a confeccionar as luminárias (à direita) da praça do Edifício Administrativo da Igreja. Em algumas delas, foram escritas mensagens de Natal em diversos idiomas. • Atualmente as luzes são acesas por meio de um computador. Mas, há vários anos, as crianças ajudavam a acender as luzes à noite, quando elas eram acesas na época do Natal. Certa vez, quando uma menina conectou seu cordão de lampadinhas e toda a Praça do Templo se iluminou ao mesmo tempo, ela achou que havia acendido todas as luzes sozinha.

Acima: Em frente do templo há um presépio todo branco. Um espelho d’água reflete o templo, Maria, José e Jesus. É uma visão de tirar o fôlego.

fotografIa: craIg dImond

o AMigo Dezembro De 2009

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VOU-ME LEMBrAr DE JEsUs CrIsTO

t e m P o

D e

c o m P A r t i L h A r

Vou-me Lembrar de Jesus Cristo
“Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25).

Cheryl esPlin
Quando Jesus viveu na Terra, Ele fez o bem. Jesus não tinha pecados, mas sofreu e morreu pelos pecados de toda a humanidade. Após três dias, Ele ressuscitou. Jesus levou a efeito a Expiação por meio de Seu sofrimento, morte e Ressurreição. Todos os domingos, ao tomar o sacramento, você deve lembrar-se da Expiação de Jesus Cristo e das promessas que fez para o Pai Celestial quando você foi batizado. O sacramento é uma ocasião em que devemos pensar no quanto Jesus Cristo e o Pai Celestial nos amam. É a hora de arrepender-nos e pensar no que podemos fazer para tornar-nos mais semelhantes a Eles. Ao cantar o hino sacramental, preste atenção na letra. Ouça com atenção as orações sacramentais. Pense no que aprendeu e no que sente.
Atividade

Leiam juntos Lucas 22:19 e peça que as crianças repitam as palavras “fazei isto em memória de mim”. Explique-lhes que o sacramento nos dá a oportunidade de lembrar-nos do Salvador e de Sua Expiação. Mostre as bandejas do sacramento. Ajude as crianças a compreender que o pão lembra o corpo de Cristo e a água lembra Seu sangue. Escreva no quadro-negro: “O que podemos fazer para lembrar-nos de Jesus ao tomar o sacramento?” Escreva as respostas no quadro-negro. (Exemplos: ler uma escritura a respeito de Jesus, ouvir as orações do sacramento, pensar na Expiação de Jesus.) Incentive as crianças a tentar aplicar uma dessas sugestões na próxima vez em que assistirem a uma reunião sacramental.
2. Lembrar-me de Jesus me ajuda a escolher o que é certo.

Remova a página A12 da revista e cole-a em cartolina. Dobre o livreto do sacramento nas linhas pontilhadas. Quando cantar o hino sacramental na Igreja, ouça o que a letra diz a respeito de Jesus Cristo. Quando voltar para casa toda semana, escreva em seu livreto uma coisa que aprendeu sobre Jesus no hino.
1. Lembro-me de Jesus quando tomo o sacramento. Conte a

Ideias para o Tempo de Compartilhar

história da Última Ceia, que se encontra em Mateus 26:17–30.

Ilustrações: paul mann

Antes da aula, embrulhe a gravura 240 do Pacote de Gravuras do Evangelho ( Jesus, o Cristo) para que pareça um presente de Natal. Diga às crianças que dentro dele há algo que representa o maior de todos os presentes. Peça às crianças que façam perguntas que possam ser respondidas com sim ou não para adivinhar o que é. Deixe que a criança que acertar a resposta desembrulhe o presente. Coloque a gravura de Jesus no quadro. Com antecedência, espalhe as seguintes fitas de papel com palavras pela sala de aula: “Jesus foi batizado”, “Jesus serviu às pessoas”, “Jesus orou ao Pai”, “Jesus fez o bem”, “Jesus nos ama”, “Jesus aprendeu a trabalhar” e “Jesus honrou Sua mãe”. Divida o quadronegro em duas colunas. No alto de uma coluna, escreva “Lembrar-me de Jesus”. No alto da segunda, escreva “Ajuda-me a escolher o certo”. Entregue a cada classe uma referência das escrituras ou gravura que conte parte da vida de Jesus. Exemplos: Mateus 3:13–17 — Jesus foi batizado; João 13:4–15 — Jesus serviu às pessoas; 3 Néfi 17:15 — Jesus orou ao Pai; João 15:12 — Jesus nos amou; Pacote de Gravuras do Evangelho 206 (Infância de Jesus Cristo) — Jesus aprendeu a trabalhar; 242 ( Jesus e Sua Mãe) — Jesus honrou Sua mãe. Peça às crianças que leiam a escritura ou analisem a gravura e descubram a fita com palavras que a descreve. Quando cada classe escolher corretamente, coloque a fita com palavras na primeira coluna. Ajude as crianças a pensar em uma escolha semelhante que possam fazer, como “Eu vou ser batizado”. Escreva-a na segunda coluna, na frente da fita correspondente. ●
o AMigo Dezembro De 2009 A13

Observação: Essa atividade pode ser copiada ou impressa a partir da Internet, no site www.lds.org. As gravuras do evangelho podem ser impressas a partir da Internet, no endereço http://gospelart.lds.org.

DA VIDA DO PROfEtA JOsEPH sMItH

Um Verdadeiro Exemplo de Cristo
O Profeta foi visitar seu tio e sua tia. O tio e os primos estavam enfermos, com febre e malária. Joseph, seu tio está pior que todos. Temo pela vida dele.

Tome, tio, fique com minhas botas.

Mas, Joseph, o que você vai calçar?

Joseph foi para casa a cavalo, descalço.

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Ilustrações: sal velluto e eugenIo mattozzI

Mandou buscar o tio e levou-o para sua casa.

Ele vai sarar mais rápido em minha casa. Emma vai cuidar muito bem dele.

Também enviou muitos suprimentos para ajudar o restante da família a se recuperar.

Obrigada, Joseph. Obrigada.

O genuíno amor do Profeta pelos seus semelhantes salvou a vida de seu tio e aliviou o fardo de sua tia.

Adaptado de Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 430.

o AMigo Dezembro De 2009

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Para atividade e instruções, ver páginas A8–A9.

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Ilustrações: scott greer

Maria Guardava Todas Estas Coisas, Conferindo-as em Seu Coração, de Lonni Clarke

“Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo” (Lucas 1:30–32).

“O anseio que todos temos no coração, na época do Natal e em todas as ocasiões, é o de estar unidos em amor com a serena garantia de que isso pode durar para sempre”, diz o Presidente Henry B. Eyring. “Essa é a promessa de vida eterna, que Deus chamou de o maior de todos os Seus dons (ver D&C 14:7). Isso se tornou possível graças à dádiva de Seu Amado Filho e os consequentes dons do nascimento do Salvador, de Sua Expiação e Ressurreição.” Ver “Voltar para Casa no Natal”, p. 2.

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PORTUGUESE

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