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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 27ª VARA DA COMARCA DE
FORTALEZA – CEARÁ.









Processo nº: 0200151-83.2013.8.06.0001
Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica com Indenização por Danos Morais com Pedido
de Antecipação de Tutela.

BANCO GMAC S/A, instituição financeira de direito privado, com sede na Avenida
Indianópolis nº 3096, Bloco B, São Paulo/SP, CEP 04062-003, devidamente inscrito no CNPJ/MF sob o
nº. 59.274.605/0001-13, ajuizada por JOSE FELIX DE SOUZA, por seus advogados adiante assinados,
vem perante Vossa Excelência, apresentar CONTESTAÇÃO, pelos aspectos de fato e de direito que a
seguir expõe, para ao final requerer.


1. REQUERIMENTO INICIAL
Muito embora a parte demandada tenha diversos procuradores constituídos nos autos, requer
de plano que toda e qualquer intimação nos referentes autos seja feita única e exclusivamente para a
pessoa do Bel Carlos Eduardo Mendes Albuquerque , OAB/PE 18.857, com endereço profisinonal
constante no timbre.

Vale destacar que requerimento desta espécie é plenamente admissível e desrespeito ao
mesmo implica em nulidade da intimação, conforme entendimento manso e pacífico, e.g.:

Havendo designação prévia e expressa do advogado que receberá as intimações, o
nome deste deverá constar das publicações, sob pena de nulidade (STJ-RT 779/182)
Requer, assim, que todas as intimações sejam dirigidas única e exclusivamente para o referido
profissional, lançando-se o nome do mesmo na capa do processo.


DOS FATOS


Cuida-se de ação de declaratória de inexistência de relação jurídica c/c dano moral (FRAUDE),
na qual o autor alega que sua ex-esposa financiou um veículo junto ao banco Gmac, tendo ele figurado
como AVALISTA, e para tanto sua assinatura foi falsificada de forma grosseira.

Aduz que é divorciado de sua ex-esposa, a Sra. JOCICLEIDE ALVES GOIABEIRA (1ª ré), desde
11.09.13. E que dentre outros problemas, constatou está sendo lesado por sua ex-esposa, pois ela
comprou um veículo adquirido na Concessionária DAFONTE Veículos (3ª réu), sem conhecimento do
autor, e com a falsificação de suas assinatura, um veículo CLASSIC, ano 2013, no valor de R$ 28.990,00,
cuja cédula de crédito anexa aos autos.

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Segue narrando, que ele jamais compareceu a qualquer concessionária e tampouco assinou
qualquer contrato para adquirir veículo, e que tomou conhecimento do fato por terceiros.

Alega que, a fim de resolver o problema, entrou em contato com o Banco Gmac, por meio do
telefone 0800-7226022, indicando na cédula de crédito, informando-o de todo o acorrido, mas não
obteve resposta.

Face ao exposto requereu, liminarmente, a antecipação da tutela para que o Banco
Gmac se abstenha de incluir seu em nome nos órgãos de proteção ao crédito, no mérito, requereu a
declaração de nulidade do contrato firmado, indenização por danos morais, bem como condenação em
custas e honorários advocatícios.

Em que pese o respeito pela outra parte, o pleito formulado pelo demandante não
deve prosperar, posto que, como será demonstrado nas linhas seguintes, não existe qualquer
irregularidade na conduta adotada pelo banco demandado, nem restou provado qualquer dano, que
ensejasse pagamento de indenização em seu favor.

No curso do presente, iremos demonstrar as razões pelas quais não se deve dar
provimento à demanda.

a) Da inexistência de prova de fraude: O autor não comprova que não realizou a contratação debatida
nos autos;

b) Do fato de terceiro como excludente de responsabilidade: a contratação ilícita, praticada por
terceiros – que se utilizaram indevidamente dos documentos da parte autora – importa em fato
juridicamente equivalente a força maior, por ser impossível de ser evitado, configurando excludente
universal de responsabilidade (Art. 393 do CC/2002);

c) Da Impossibilidade de evitar o fato: como se pode observar dos documentos ora colacionados, era
impossível para a demandada detectar a falsificação dos mesmos e impedir a celebração do contrato;

d) Da inexistência de dano moral: não foi a demandada a responsável por eventuais situações danosas
que a parte autora eventualmente tenha sofrido, ante o fato de terceiro como excludente de
responsabilidade;


PRELIMINARMENTE


1- DOS PRAZOS EM DOBRO. DUPLICIDADE DE LITISCONSORTES

Apenas em atendimento ao princípio da máxima cautela, válido demonstrar as razões pelas
quais a presente contestação é inquestionavelmente tempestiva.

Conforme dispõe o art. 191 do CPC:

Art. 191. Quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores, ser-lhes-ão
contados em dobro os prazos para contestar, para recorrer e, de modo geral, para
falar nos autos.

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Fácil perceber que existem três (02) litisconsortes passivos na presente lide: o BANCO SAFRA
S/A e o DETRAN/PE. Cada uma dessas empresas constituiu patronos diferentes, daí porque os autos
sequer podem ser retirados de cartório no prazo comum.

Ademais, de acordo com o art. 241, III, do CPC, o prazo apenas começa a correr a partir da
juntada aos autos do último mandado de citação/AR cumprido.

Cumpre ressaltar-se, por fim, que de acordo com o mesmo art. 191, do CPC, os demais prazos
para falar nos autos são contados igualmente em dobro.

2– DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO GMAC S/A.

A parte autora pleiteia condenação dos réus ao pagamento de indenização pelos danos
morais e matérias, em decorrência de um suposto ato ilegal praticado pela sua ex- esposa, a Sra.
JOSICLEIDE ALVES GOIABEIRA (1ª ré), envolvendo a falsificação de sua assinatura, para realizar
contrato de financiamento para compra de um veículo junto ao BANCO GMAC S/A.

Ocorre que, urge esclarecer que o réu contestante, evidentemente não é parte legítima
para figurar no pólo passivo da presente demanda, pois consoante a própria narrativa da inicial,
basicamente seu problema versa sobre a existência de dano moral , em decorrência de uma suposta
falsificação de sua assinatura para realizar financiamento de um veículo, com intuito que ele (autor)
figurasse como AVALISTA, demonstrando indubitavelmente que a única pessoa que poderia ser
demandada, é o Sra. JOSICLEIDE ALVES GOIABEIRA, que é o legítimo responsável para figurar no pólo
passivo da presente demanda.

Destarte, percebe-se que os causadores dos danos sofridos pelo autor, é o Sr. Leonardo, e
não o Banco réu. Ora, como dito, não tem este demandado qualquer interesse jurídico na presente
demanda em virtude do fato de o autor e o novo possuidor do veículo não terem tomado ou seguido
às exigências necessárias quando do momento de alienação do veículo em garantia..

Resta patente a ilegitimidade do banco réu, para figurar no pólo passivo da demanda,
não podendo ser penalizado como requer autor, ante a ausência de relação jurídica com os fatos
apontados pelo mesmo.

Frente ao exposto, o BANCO GMAC S/A deve ser excluído da lide face à sua
ilegitimidade passiva, devendo a ação ser extinta sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267,
inciso VI do Código de Processo Civil Brasileiro.

Na remota hipótese de não acolhimento da preliminar suscitada, o que não espera do
Douto Juízo, por excesso de cautela, o banco réu passa a contestar em sua totalidade os termos
contidos na peça inaugural.


DO MÉRITO

I- DA INEXISTÊNCIA DE PROVA DE FRAUDE

O autor alega que não tinha conhecimento do suposto contrato, e que sua ex-esposa, 1ª
ré, falsificou sua assinatura, para ele, autor, figurasse no contrato como avalista, entretanto não faz
qualquer prova do alegado. Ao contrário, conforme pesquisas realizadas no sistema da empresa ré,
houve a devida contratação, conforme se denota do contrato em anexo. Inclusive foi instaurado
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Inquérito Policial para apurar a responsabilidade de terceiro envolvido, nos termos dos documentos
em anexo.

Ora douto julgador, o que vemos na presente demanda é a intenção do autor de receber
uma indenização por danos morais, sem no entanto demonstrá-los em nenhum momento.

Contudo, por mero debate, ainda que houvesse a fraude alegada, em que a verdadeira
prejudicada foi a ré, que prestou serviços sem receber por eles, não haveria ilícito seu a gerar direito
indenizatório ao autor, como será visto em seguida.


II - DO EFETIVO ILÍCITO CAUSADO POR TERCEIROS COMO FATO EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE.

Admitindo-se, por debate, a veracidade das alegações do autor, ainda assim deverá a demanda
ser julgada improcedente.

É necessário destacar que a contratação apenas foi efetivada após a apresentação e
conferência de todos os documentos necessários para a celebração da avença, quais sejam: RG, CPF e
comprovante de residência. Deste modo, depreende-se que, na prática do ilícito, foi utilizada
documentação original ou falsificação de elevada qualidade, impossível de ser detectada.

Resta claro, assim que caso o caso dos autos seja uma fraude, a empresa ré é tão vítima de
terceiros quanto o próprio autor. Não podendo responder por uma indenização por danos morais
que de fato não deu causa.

Mesmo que tenha ocorrido a alegada fraude, é claro que ela seria originada de ato de
terceiro, neste caso o desconhecido fraudador. Sendo o fato de terceiro excludente de
responsabilidade, este tem o condão de extinguir qualquer nexo de causalidade capaz de imputar
responsabilidade, pelos fatos narrados, à esta demandada. Senão, vejamos:

“Terceiro, ainda na definição de aguiar dias (ob. Cit. V. II/299) é qualquer pessoa além da
vítima e o responsável, alguém que não tem nenhuma ligação com o causador do dano e o
lesado. Pois, não raro, acontece que o ato do terceiro é a causa exclusiva do evento,
afastando qualquer relação de causalidade entre a conduta da autora aparente e a
vítima”(FILHO, Sérgio Cavalieri. Programa de responsabilidade Civil, p.64)


Verifica-se, ainda, que o ato ilícito, praticado por terceiros, importa em fato juridicamente
equivalente a força maior, por ser impossível de ser evitado. Inquestionável, portanto, a sua
configuração como excludente universal de responsabilidade, nos termos do Art. 393 do CC/2002.

A fim de dirimir qualquer dúvida existente, fundamental expor o tratamento conferido pelos
tribunais pátrios a situações semelhantes:

“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. ABERTURA DE CONTA CORRENTE POR
TERCEIRO. FRAUDE. RESPONSABILIDADE DO BANCO. INSCRIÇÃO JUNTO AOS ÓRGÃOS DE
RESTRIÇÃO CREDITÍCIA. DOCUMENTO DE IDENTIDADE. FALSIFICAÇÃO
IMPERCEPTÍVEL. FATO DE TERCEIRO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. Hipótese em
que a abertura da conta corrente em nome do autor não decorreu de qualquer ato ou
omissão a ser imputada à instituição financeira requerida, uma vez que os documentos
apresentados pelo cliente foram adequadamente conferidos, não apresentando qualquer
irregularidade perceptível,
fazendo incidir a excludente do inciso II do § 3º do art. 14 do CDC. Sentença reformada.
APELO DO RÉU PROVIDO. APELO DO AUTOR PREJUDICADO.” (Apelação Cível Nº
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70029461936, Décima Câmara Cível, TJRS, Relator: Paulo Antônio Kretzmann, Julgado em
30/07/2009) (Grifos
nossos)

“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INSCRIÇÃO EM ÓRGÃO DE RESTRIÇÃO DE
CRÉDITO. ABERTURA DE CONTA CORRENTE COM DOCUMENTOS FALSOS OBTIDOS
ATRAVÉS DA SECRETARIA DE JUSTIÇA E SEGURANÇA. FALSIFICAÇÃO PERFEITA. CULPA
EXCLUSIVA DE TERCEIRO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. Conforme se verifica dos
autos, em especial da documentação acostada com a contestação, a situação ora em exame
diverge um tanto da usualmente enfrentada por este Órgão Fracionário. A peculiaridade
especificamente reside no fato de que o documento apresentado pelo falsário a
instituição financeira ré, tratava-se de falsificação perfeita ou era um documento original,
emitido pela Secretaria de Justiça e Segurança, mas obtido através de uma certidão de
nascimento, esta sim falsificada. Sendo assim, não há como atribuir responsabilidade ao
demandado por fato de terceiro, mormente porque seria por demais severo impor ao
requerido o dever de identificar uma falsificação quase perfeita ou saber que a cédula de
identidade apresentada pelo falsário, devidamente emitida pela Secretaria de Justiça e
Segurança, foi obtida a partir de documento falso. Lição doutrinária. SENTENÇA
MODIFICADA. PEDIDO INICIAL JULGADO PARCIALMENTE PROCEDENTE. APELO PROVIDO.
UNÂNIME.” (Apelação Cível Nº 70018006395, Nona Câmara Cível, TJRS, Relator: Tasso Caubi
Soares Delabary, Julgado em 07/02/2007) (grifos nossos) Ante o exposto, deve ser a
presente ação julgada totalmente improcedente,ante a existência de fato ilícito de
terceiro como excludente de responsabilidade.

III- DA IMPOSSIBILIDADE DE EVITAR O FATO

Conforme destacado anteriormente, era impossível para a demandada evitar contratação,
detectando a falsificação dos documentos.

Afinal, observa-se, em breve comparação dos documentos apresentados que os terceiros
não se utilizaram de falsificações grosseiras, quando da contratação, mas, sim, apresentaram
documentos verossímeis, todos em nome da autora.

Outro ponto deve ser visto. A contratação moderna exige rapidez na conclusão dos
pactos, o que dificulta a conferência de todas as informações prestadas. Por isto, inconcebível que a
contratação dos serviços de telefonia móvel seja precedida de, por exemplo, entrevista com a
contratante, investigação de patrimônio, comprovação de todos os dados informados, vida negocial
pregressa, etc. Acaso fosse desta maneira, pequenas contratações tardariam demasiadamente,
retirando o proveito ao públicoconsumidor.


Assim, os contratantes fiam-se na boa-fé recíproca, positivada em nosso ordenamento
como instrumento de garantia-penalidade contra as falsas informações.

Desta forma, além de ser impossível à empresa demandante verificar as falsidades existentes
nas informações da contraparte, constata-se que é legítima sua posição de garantir-se na boa-fé e nos
mecanismos que a protegem. Novamente, este é o entendimento doutrinário:

“A boa-fé nos contrato, a lealdade nas relações sociais, a confiança que devem
inspirar as declarações de vontade e os comportamentos exigem aproteção legal dos
interesses jurisformizados em razão da crença em uma situação aparente, que
tomam todos como v8erdadeira” (GOMES, Orlando.Transformações Gerais do Direito
das Obrigações. Revista dos Tribunais,São Paulo).

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A constatação desta impossibilidade de detectar a falsidade – em virtude da
verossimilhança dos documentos apresentados e da rapidez de conclusão dos pactos modernos –
demonstra, mais uma vez, a existência de fato de terceiro como excludente de responsabilidade, razão
porque deve ser a presente ação julgada totalmente improcedente.


VI – DA INEXISTÊNCIA DE DANO MORAL

A parte autora pleiteia indenização por danos morais referente a um suposta
falsificação de sua assinatura no contrato firmado entre o Banco Gmac S/A e a 1ª Ré, que
segundo CONFESSADO NA INICIAL, o ato de falsificar a assinatura do autor foi da sua
ex-esposa, pelo que denota-se que a responsabilidade é da 1ª ré.

De mais a mais, observe-se que não houve inserção do seu nome no cadastro do SPC.
Contudo, notemos que conforme ensina a melhor doutrina, a indenização por dano moral
depende da conjunção de três fatores, a saber: constrangimento sofrido; nexo de causalidade
e ato ilícito daquele que o praticou.

Neste sentido, reforçamos, com eco na jurisprudência:

DANO MORAL E DANO MATERIAL - INDENIZAÇÃO - REQUISITOS. A indenização por
danos materiais e morais requer a demonstração da satisfação, cumulativa, dos
seguintes requisitos: a) conduta do infrator; b) dano sofrido pela vítima; c) nexo de
causalidade entre o dano e a conduta; e d) dolo ou culpa do ofensor. Ausente
quaisquer dos requisitos não cabe indenização. Recurso ordinário não provido, por
unanimidade. (TRT. Recurso Ordinário 1059200600424003 MS
01059-2006-004-24-00-3 (RO). Rel. Nicanor de Araújo Lima, julgado em
10/09/2008).

Analisemos a presença de tais requisitos:

Conduta do infrator: O demandante sequer indica qual conduta o Banco daria azo á
indenização. A inclusão do seu nome no cadastro SPC, em virtude da inadimplência do mesmo
não faz nascer à pretensão.

Dano sofrido pela vítima: a parte autora sequer indica como sua moralidade foi
atacada: conquanto o dano moral seja in re ipsa, o suposto lesado não se exime de
demonstrar o fato danoso.

Nexo de causalidade entre o dano e a conduta: não é possível traçar-se liame lógico
entre a conduta do banco demandado e o alegado dano moral, visto que o demandado agiu
em pleno exercício do seu direito, contraindo também prejuízos financeiros pela demora no
recepcionamento do pagamento um mês após o vencimento da dívida.

O nexo de causalidade, ou seja, a seqüência de fatos essenciais à configuração do dano
alegado não deriva de falha imputável ao contestante. De fato, tivesse o demandante
cumprido com suas obrigações em tempo hábil, inexistiria a cobrança de sua dívida.

Dolo ou culpa: não há como afirmar que o banco demandado tenha qualquer culpa
genérica no presente caso.
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A jurisprudência já se manifestou sobre o tema:

PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS. PEDIDOS
INCOMPATÍVEIS ENTRE SI. INÉPCIA DA INICIAL. DANO MORAL. INEXISTÊNCIA DO
NEXO DE CAUSALIDADE. IMPROCEDÊNCIA. . Formulando o autor pedidos
incompatíveis entre si, a petição inicial deve ser indeferida em razão da sua inépcia,
nos termos do artigo 295, inciso I, parágrafo único, inciso I, do CPC.2. Inexistindo o
nexo de causalidade, requisito precípuo do dano moral, não há falar em
concessão da indenização pleiteada. 3. Recurso não provido. (TJDF. Apelação
0016541-37.2003.807.0001. Rel. Des. Cruz Macedo. Julgado em 16/02/2011)

DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO.
NEXO DE CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não comprovado o nexo de causalidade
entre a ação/omissão e o dano, o demandante não faz jus à reparação.
(TRF4. Apelação 0004523-07.2004.404.7101. Relª. Desª. Fed. Marga Tessler.
Publicado em 28/07/2010)

OS DANOS MORAIS, CONFORME ASSEVERA A JURISPRUDÊNCIA PÁTRIA, SÃO
PASSÍVEIS DE SER RECONHECIDOS QUANDO OS FATOS OCORRIDOS SÃO FRUTO DE
UMA CONDUTA ILÍCITA E/OU INJUSTA, QUE VENHA CAUSAR FORTE SENTIMENTO
NEGATIVO AO HOMEM MÉDIO, COMO VERGONHA, CONSTRANGIMENTO,
HUMILHAÇÃO OU DOR, O QUE DIFERE DO MERO ABORRECIMENTO, VEZ QUE FICAM
LIMITADOS À INDIGNAÇÃO DA PESSOA, PELA PRÓPRIA CONDIÇÃO DE VIDA EM
SOCIEDADE [...]. (446831220078070001 DF 0044683-12.2007.807.0001, Relator:
ANGELO PASSARELI, Data de Julgamento: 26/05/2011, 5ª Turma Cível, Data de
Publicação: 31/05/2011, DJ-e Pág. 106)

Desta forma, descabe qualquer pedido de indenização por danos morais em desfavor
do contestante.


VII– DA DESNECESSIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Observe-se que não se faz necessário a inversão do ônus da prova no caso em tela, pois o
demandante tem plena e total condição de apresentar em juízo os documentos necessários para
comprovar suas alegações.

Destarte, a inversão do ônus da prova é expressa exceção à regra estatuída no artigo 333,
inciso I do Código de processo Civil Brasileiro, que preceitua que “o ônus da prova, incumbe ao autor,
quanto ao fato constitutivo de seu direito”.

Na hipótese de incidência da Lei nº. 8078/90 (Código de Defesa do Consumidor) é
imperioso afirmar que a inversão do ônus da prova previsto no art. 6º, inciso VIII da mencionada lei,
não ocorre de forma taxativa, mas a critério do julgador quando verossímil a alegação, ou quando for
hipossuficiente o consumidor.

Não pode ser dada conotação de obrigatoriedade, quanto à inversão probatória. Para
demonstrar a veracidade das ponderações acima, trazemos à baila a lição do renomado Doutrinador
Humberto Theodoro Junior, senão vejamos:

“Por admitir que em geral, o consumidor é a parte fraca no mercado de consumo, a
lei inclui entre as medidas protetivas que lhe são proporcionadas, a da possibilidade
de inversão do ônus da prova. Mas o inciso VIII do art. 6° do CDC, autoriza essa
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providência apenas quando o juiz venha a constatar a verossimilhança da alegação do
consumidor, ou sua hipossuficiência, segundo as regras ordinárias de experiência”.
Vê-se, logo, que não se trata de inversão compulsória, sendo, ao contrário, simples
faculdade judicial que pode, ou não, ser concedida’ (Deputado Joaci Góes, Relator do
Projeto do CDC). É ao juiz, portanto, que toca verificar se estão presentes os
pressupostos que o autorizam a assim proceder’.

Constata-se que nenhum prejuízo será ocasionado à higidez do processo, se o ônus não
for invertido, conforme se observa no julgado transcrito a seguir:

“Declaração judicial de inversão do ônus da prova antes do início da instrução.
Inexigibilidade. As circunstâncias fáticas para a inversão do ônus da prova, contidas
no CDC 6º VIII, dependem, na maioria dos casos, de elucidação probatória, não
comportando, pois, decisão antecipada para sua incidência” (JTJ 169/138).

Desta forma, demonstra-se plenamente desarrazoado o pedido autoral de inversão do
ônus da prova.

Com relação ao pedido de baixa junto ao Detran, mostra-se impossível de ser
cumprido pelo banco réu, devendo ser julgado totalmente improcedente, ou deverá o Juízo
determinar ofício aquele órgão para cumprimento.


DOS PEDIDOS


Por tudo quanto exposto, verificando-se que descabe, por completo, o pedido autoral, que
fica aqui, mais uma vez, impugnado, requer:

a) Desta forma, requer a Vossa Excelência o acolhimento da preliminares suscitadas,
extinguindo a ação sem julgamento de mérito, com fulcro no artigo 267, inciso VI do CPC.

b) Requer seja julgado totalmente IMPROCEDENTE o pleito formulado na peça exordial,
principalmente no que concerne ao dano moral, porque ausentes os seus requisitos
autorizadores;

c) Requer a condenação da autora em custas e honorários advocatícios;

d) Requer, também, que toda e qualquer intimação nos referentes autos seja feita única e
exclusivamente para a pessoa da Bel. Carlos Eduardo Mendes Albuquerque, OAB/AL n.
8.949-A.

Por fim, o patrono subscritor desta peça declara a autenticidade dos documentos ora
anexados, conforme art. 365, inc. VI, do CPC;

Protesta por todos os meios de prova admitidos para a espécie, notadamente a juntada de
documentos, bem como o depoimento pessoal do demandante, sob pena de confissão.




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Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Fortaleza/CE, 05 de junho de 2014.



Carlos Eduardo Mendes Albuquerque
OAB/PE 18.857
Clailson Cardoso Ribeiro
OAB/CE 13.125


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