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Software Livre

Roberto A Hexsel1
Vers˜o 1.0— 13 de janeiro de 2003 a

Departamento de Inform´tica a Universidade Federal do Paran´ a

1

c Roberto Andr´ Hexsel 2002,2003, roberto@inf.ufpr.br, www.inf.ufpr.br/~roberto e

Sum´rio a

1 Introdu¸˜o ca 1.1 Defini¸˜es . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . co 1.1.1 1.1.2 1.1.3 1.2 Defini¸˜es preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . co Todo o Espectro: do Livre ao Propriet´rio . . . . . . . . . . . . . . . a Software Comercial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

2 3 3 4 6 7 8 9

Desenvolvimento de Software Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 Hist´rico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . o Modos de Organiza¸˜o para o Desenvolvimento de Software . . . . . ca

Modos de Desenvolvimento de Software Livre . . . . . . . . . . . . . 10 Modos de Financiamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

1.3

Utiliza¸ao de Software Livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 c˜ 1.3.1 1.3.2 1.3.3 Vantagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Desvantagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Desvantagens Imagin´rias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 a

1.4 1.5

Treinamento e Capacita¸˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 ca Combate ao Monop´lio da Informa¸˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 o ca 25

2 Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca 2.1

A¸˜es de Governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 co 2.1.1 2.1.2 Sistemas de Informa¸˜o de Governo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 ca A¸˜es de Incentivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 co 32

A Licen¸as de Software Livre c

A.1 O Projeto GNU e a Funda¸˜o para o Software Livre . . . . . . . . . . . . . 32 ca A.2 GPL – Licen¸a P´blica Geral GNU . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 c u A.2.1 Preˆmbulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 a

i

Sum´rio a

ii

A.2.2 Licen¸a P´blica Geral GNU . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 c u A.3 Open Source Initiative . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 A.4 Licen¸a BSD . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 c A.5 Licen¸a X.Org c B Livros sobre Linux . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 43

Software Livre
O movimento de publica¸˜o de Software Livre ganhou notoriedade nos ultimos anos. ca ´ Este modo de produ¸˜o de software tem resultado em produtos de excelente qualidade ca e grande penetra¸˜o em certos nichos do mercado mundial de software. A caracter´ ca ıstica mais importante do software livre ´ a liberdade de uso, c´pia, modifica¸˜es e redistribui¸˜o. e o co ca Esta liberdade ´ conferida pelos autores do programa e ´ efetivada atrav´s da distribui¸˜o e e e ca do c´digo fonte dos programas, o que os transforma em bens p´blicos, dispon´ o u ıveis para utiliza¸˜o por toda a comunidade e da maneira que seja mais conveniente a cada indiv´ ca ıduo. A liberdade para usar, copiar, modificar e redistribuir software livre lhe confere uma s´rie e enorme de vantagens sobre o software propriet´rio. A mais importante delas ´ disponibia e lidade do c´digo fonte, porque isto evita que os usu´rios se tornem ref´ns de tecnologias o a e propriet´rias. Al´m desta, as vantagens t´cnicas s˜o tamb´m consider´veis. a e e a e a A comunidade de desenvolvimento de software livre est´ espalhada pelo mundo todo e seus a participantes cooperam nos projetos atrav´s da Internet. Estima-se que participam desta e comunidade mais de 100 mil programadores e projetistas, com a grande maioria deles trabalhando voluntariamente em um ou mais projetos. Estima-se tamb´m que existam e mais de 10 milh˜es de usu´rios regulares de sistemas operacionais e aplicativos distribu´ o a ıdos como software livre. Recentemente, empresas como IBM e Hewlet-Packard passaram a investir no desenvolvimento de software a ser distribu´ livremente, bem como em servi¸os ıdo c para usu´rios de software livre. a Com n´meros desta ordem de grandeza, e produtos de excelente qualidade, o modo de u produ¸˜o de software livre aparenta ser um novo e fundamental componente da economia ca moderna, que por ser moderna depende fortemente de software. A importˆncia estrat´gica a e do software livre ´ evidenciada pela publica¸˜o de dois estudos sobre o assunto, um encoe ca mendado pela Comunidade Europ´ia2 , e outro encomendado pela Presidˆncia dos Estados e e Unidos3 . Os dois relat´rios cont´m recomenda¸˜es ao incentivo da amplia¸˜o do uso de o e co ca software livre, e ao financiamento pelo governo, direta ou indiretamente, do desenvolvimento de sistemas baseados em software livre. Software propriet´rio (n˜o-livre) geralmente ´ produzido com a finalidade de obten¸˜o de a a e ca lucro e portanto est´ sujeito ` trˆs tipos principais de press˜es de mercado: [1] inclus˜o de a a e o a funcionalidades ‘imprescind´ ıveis’ (e freq¨entemente in´teis), [2] obsolescˆncia programada u u e para possibilitar a venda de novas vers˜es, e [3] prazos de desenvolvimento e testes muito o curtos para atender `s press˜es j´ mencionadas. Na tentativa de atender ao mercado, a o a e especialmente ao departamento de marketing, produtos importantes de software s˜o a vendidos antes de terem passado por testes suficientes, e estarem portanto est´veis e livres a da maioria dos erros de programa¸˜o. ca
2 3

Free Software/Open Source: Information Society Opportunities for Europe?, http://eu.conecta.it PITAC’s Panel on Open Source Software for High End Computing, http://www.itrd.gov

I

Sum´rio a

II

Quando se considera a dificuldade de obten¸˜o de software confi´vel no modo tradicional de ca a produ¸˜o empregado na ind´stria, e que os sistemas empregados nas sociedades modernas ca u s˜o cada vez mais complexos, sofisticados e imprescind´ a ıveis, a existˆncia de um modo e alternativo de produ¸˜o que produz sistemas de qualidade freq¨entemente superior `quela ca u a do modo tradicional, adquire importˆncia estrat´gica para o Pa´ A difus˜o do uso de a e ıs. a software livre no Brasil traria conseq¨ˆncias importantes, destacando-se dentre elas um ue incremento qualitativo na capacidade nacional de produzir software sofisticado e de boa qualidade. A qualidade t´cnica do sistema GNU/Linux adv´m do modo de produ¸˜o do software livre, e e ca que envolve grandes n´meros de desenvolvedores volunt´rios. Por sua vez, esta mesma u a qualidade t´cnica atrai novos usu´rios, v´rios dos quais passam a agir como testadores e a a e desenvolvedores do sistema. Esta atua¸˜o produz melhorias na qualidade do sistema, ca o que acaba por atrair novos usu´rios. Este ciclo virtuoso deve-se ` existˆncia de massa a a e cr´ ıtica, em n´ mundial, tanto de usu´rios como de desenvolvedores. ıvel a Quanto ` utiliza¸˜o de software livre no Brasil, percebe-se n˜o h´ ainda massa cr´ a ca a a ıtica de programadores e desenvolvedores, e nem de usu´rios. Isso deve-se em parte ` pequena a a capilaridade da Internet no pa´ e ` relativa falta de alguns aplicativos que s˜o usados ıs, a a pela maioria dos usu´rios n˜o especialistas. Considerando-se as in´meras vantagens da a a u ado¸˜o de software livre em larga escala no pa´ o Governo pode e deve criar as condi¸˜es ca ıs, co para que se estabele¸a a massa cr´ c ıtica no Brasil, de forma a que a utiliza¸˜o de software ca livre produza os benef´ ıcios econˆmicos e sociais que lhe s˜o caracter´ o a ısticos. Os benef´ ıcios econˆmicos s˜o muito maiores e mais importantes que a simples economia o a com o licenciamento de software. A robustez e confiabilidade do software livre provocam redu¸˜es significativas em custos operacionais. A disponibilidade do c´digo fonte perco o mite que os sistemas sejam adaptados `s condi¸˜es e necessidades dos usu´rios. Estas a co a adapta¸˜es poder˜o ser efetuadas por profissionais brasileiros, que ter˜o oportunidades co a a de desenvolvimento muito distintas daquelas vigentes num mercado monopol´ ıstico. Al´m e disso, a possibilidade de consulta ao c´digo dos programas permite condi¸˜es de estudo e o co aprendizado que s˜o absolutamente invi´veis com software propriet´rio. a a a O c´digo de um programa distribu´ como software livre torna-se um bem p´blico que est´ o ıdo u a a disposi¸˜o de toda a sociedade. Neste sentido, software assemelha-se ao conhecimento ca cient´ ıfico, que uma vez difundido pode ser livremente utilizado por todos, e que assim possibilita o pr´prio avan¸o da Ciˆncia. Portanto, os benef´ o c e ıcios sociais da publica¸˜o e ca do uso de software livre s˜o a liberdade na utiliza¸˜o das ferramentas, e especialmente na a ca disponibilidade do conhecimento envolvido na produ¸˜o destas ferramentas, bem como de ca sua evolu¸˜o. ca Outro benef´ ıcio social importante ´ a transparˆncia na codifica¸˜o das informa¸˜es trae e ca co tadas pelos programas. Os formatos empregados para armazenar e tratar as informa¸˜es co s˜o abertos porque o c´digo fonte dos programas pode ser livremente examinado, e n˜o a o a existe assim a possibilidade de que, por exemplo, dados usados no servi¸o p´blico sejam c u mantidos em formatos de propriedade de uma entidade privada. O mesmo racioc´ ınio se aplica aos protocolos de comunica¸˜o empregados para a transferˆncia de informa¸˜es ca e co entre computadores ou sistemas.

Sum´rio a

1

O Papel do Governo Em vista do exposto, os trˆs n´ e ıveis de governo tˆm um papel fundamental na cria¸˜o das e ca condi¸˜es necess´rias ao estabelecimento de massa cr´ co a ıtica de usu´rios e desenvolvedores a de software livre no Brasil. Os governos devem incentivar a utiliza¸˜o de software livre em ca suas reparti¸˜es e autarquias, desta forma propiciando o estabelecimento de massa cr´ co ıtica de usu´rios. Estes por sua vez provocar˜o a demanda por treinamento e manuten¸˜o a a ca dos sistemas em uso. O poder de compra dos trˆs n´ e ıveis de governo, e em especial o do Governo Federal, deve ser empregado para criar a demanda pelo desenvolvimento de aplicativos que atendam `s suas necessidades nas ´reas de gest˜o, tributa¸˜o, educa¸˜o e a a a ca ca governo-eletrˆnico, para citar apenas ´reas de maior visibilidade. o a Para que se desfrute das vantagens da utiliza¸˜o de software livre e se alcance os objetivos ca j´ enumerados, os governos devem executar as a¸˜es listadas abaixo. As trˆs primeiras a co e a¸˜es estabelecer˜o um mercado fornecedor e consumidor de software livre, a quarta e co a quinta eliminar˜o a dependˆncia do governo de pr´ticas monopolistas, e as trˆs ultimas a e a e ´ refor¸ar˜o os efeitos das outras a¸˜es. c a co 1. Incentivo e recomenda¸˜o ao uso de software livre em todas as situa¸˜es em que seu ca co uso n˜o seja invi´vel; a a 2. uso do poder de compra para criar padr˜es de fato; o 3. implanta¸˜o de mecanismos de financiamento e incentivos fiscais ao uso e desenvolca vimento; 4. ado¸˜o priorit´ria de protocolos abertos de comunica¸˜o; ca a ca 5. reten¸˜o de direitos sobre o c´digo fonte de todo o software adquirido pelo governo; ca o 6. implanta¸˜o de mecanismos de capacita¸˜o ao uso; ca ca 7. cria¸˜o de agˆncia para facilitar a ado¸˜o e desenvolvimento de software livre; e ca e ca 8. avalia¸˜o do impacto econˆmico e social da produ¸˜o e utiliza¸˜o de software livre ca o ca ca no pa´ ıs.

Cap´ ıtulo 1

Introdu¸˜o ca
Desde 1997 a visibilidade do Software Livre junto ao grande p´blico tem aumentado, com u reportagens freq¨entes na m´ u ıdia n˜o especializada. O fenˆmeno ´ apresentado como novia o e dade, mas a pr´tica da distribui¸˜o do c´digo fonte de programas remonta aos primeiros a ca o sistemas comercializados na d´cada de 60. Desde ent˜o, o desenvolvimento de programas e a para serem distribu´ ıdos como software livre tˆm sido cont´ e ınuo, com per´ ıodos de maior produtividade em meados da d´cada de 80 e desde 1992 at´ o corrente. A Se¸˜o 1.2.1 e e ca cont´m um breve hist´rico deste modo de produ¸˜o de software. e o ca A grosso modo, software livre ´ definido como o software cujo autor o distribui e outorga e a ` todos a liberdade de uso, c´pia, altera¸˜o e redistribui¸˜o de sua obra. A liberdade de o ca ca uso e altera¸˜o somente ´ viabilizada pela distribui¸˜o dos programas na forma de texto ca e ca leg´ por humanos, isto ´, com seu c´digo fonte, bem como no formato execut´vel por um ıvel e o a computador. Al´m do c´digo fonte, o autor do programa outorga a liberdade para que oue o tros programadores possam modificar o c´digo original e redistribuir vers˜es modificadas. o o O modelo de desenvolvimento de software livre possui uma s´rie de caracter´ e ısticas que s˜o a distintas dos modelos de desenvolvimento empregados na ind´stria. Estas caracter´ u ısticas s˜o discutidas na Se¸˜o 1.2. a ca Ao disponibilizar um programa, seus autores escolhem o grau de liberdade com que modifica¸˜es e redistribui¸˜es podem ser efetuadas. Uma licen¸a define estas liberdades de co co c forma mais ou menos estrita. A Se¸˜o 1.1 define mais precisamente estas liberdades e ca discute as diferen¸as entre os tipos de licen¸a. O Apˆndice A cont´m c´pias das licen¸as c c e e o c mais populares entre os autores de software livre. Este documento discute software livre com ˆnfase no sistema GNU/Linux porque, dentre os e sistemas operacionais distribu´ ıdos como software livre, ´ o mais popular entre os usu´rios e a destes sistemas. Al´m do sistema operacional, o sistema GNU/Linux inclui um grande e n´mero de aplicativos e utilit´rios, o que lhe lhe confere superioridade tecnol´gica, e u a o funcionalidade, em muitos aspectos superiores aos sistemas comerciais mais populares, que s˜o o Microsoft Windows, Apple MacIntosh e Sun Solaris. A ˆnfase adotada aqui reflete a e o fato de que sem um sistema operacional ´ muito dif´ de se usar um computador, e e ıcil n˜o h´ alternativa vi´vel, como software livre, aos sistemas operacionais descendentes do a a a 1. Unix
Neste documento, quando se trata de sistemas assemelhados ao Unix, o texto refere-se principalmente ao Sistema GNU/Linux por ser este o mais difundido, e porque sua distribui¸˜o ´ efetuada segundo uma ca e
1

2

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

3

Existem v´rias referˆncias ` Microsoft e seus produtos neste texto. Estas referˆncias a e a e devem-se ao fato de que esta empresa ´ a maior fornecedora de software para usu´rios e a individuais, e det´m uma parcela significativa do mercado de servidores de pequeno porte. e As referˆncias servem para expor as diferen¸as entre os modelos de produ¸˜o de software e c ca propriet´rio e software livre, e n˜o se constituem em cr´ a a ıtica ` Microsoft ou a seus produtos. a

1.1

Defini¸˜es co

Esta se¸˜o cont´m defini¸˜es para termos empregados neste documento. As defini¸˜es aqui ca e co co contidas s˜o baseadas naquelas publicadas pela Free Software Foundation (FSF), Open a Source Initiative (OSI), Debian e Berkeley Software Distribution (BSD).

1.1.1

Defini¸˜es preliminares co

pacote – um pacote consiste de um conjunto de arquivos distribu´ ıdos pelo autor do/s programa/s nele contido/s. Estes arquivos geralmente consistem do c´digo fonte dos programas que comp˜em o pacote, sua documenta¸˜o, o o ca e possivelmente vers˜es execut´veis do programa. o a autor – o autor ´ a pessoa, ou grupo de pessoas, que produziu a vers˜o original e a de um pacote. vers˜o original – a vers˜o original de um programa ´ a vers˜o originalmente a a e a distribu´ pelo seu autor, sem nenhuma modifica¸˜o introduzida por ıda ca terceiros. trabalho derivado – um trabalho derivado resulta de introdu¸˜o de modifica¸˜es ca co na vers˜o original de um programa, modifica¸˜es que alteram a funcionaa co lidade do programa, ao inv´s de apenas corrigir eventuais erros. e licen¸a – a licen¸a ´ o termo de outorga de direitos em que o autor define qual c c e o grau de liberdade que terceiros possuem para modificar e/ou redistribuir um programa e/ou seus trabalhos derivados. Geralmente, a licen¸a c restringe a liberdade de uso. c´digo fonte – o c´digo fonte de um programa ´ a vers˜o daquele programa o o e a produzida diretamente pelo autor, e que descreve o comportamento, ou fun¸˜o, do programa. C´digo fonte ´ geralmente escrito em uma linguaca o e gem de alto n´ como C, Java ou Perl. ıvel c´digo execut´vel – o c´digo execut´vel, ou a vers˜o em ‘bin´rio’, de um proo a o a a a grama ´ aquela que resulta do processo de tradu¸˜o autom´tica do c´digo e ca a o fonte para uma vers˜o que ser´ executada diretamente pelo computador. a a distribui¸˜o – uma distribui¸˜o geralmente consiste de um conjunto de pacotes, ca ca devidamente organizados e armazenados em um meio f´ ısico adequado para o manuseio e instala¸˜o em computador. ca
licen¸a que melhor protege os interesses da comunidade do que aquela dos sistemas da fam´ BSD. c ılia Contudo, praticamente toda a discuss˜o que se segue aplica-se igualmente `s duas fam´ a a ılias de sistemas.

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

4

1.1.2

Todo o Espectro: do Livre ao Propriet´rio a

Software Livre (Free Software) ´ o software dispon´ e ıvel com a permiss˜o para qualquer a um us´-lo, copi´-lo, e distribu´ a a ı-lo, seja na sua forma original ou com modifica¸˜es, seja co gratuitamente ou com custo. Em especial, a possibilidade de modifica¸˜es implica em que co o c´digo fonte esteja dispon´ o ıvel. Se um programa ´ livre, potencialmente ele pode ser e ´ inclu´ em um sistema operacional tamb´m livre. E importante n˜o confundir software ıdo e a livre com software gr´tis porque a liberdade associada ao software livre de copiar, modia ficar e redistribuir, independe de gratuidade2 . Existem programas que podem ser obtidos gratuitamente mas que n˜o podem ser modificados, nem redistribu´ a ıdos. Por outro lado, existe a possibilidade de uso n˜o-gratuito em todas as categorias listadas no que segue. a H´ uma c´pia da defini¸˜o de software livre pela Free Software Foundation na p´gina 32. a o ca a A Figura 1.1 mostra as intersec¸˜es entre as v´rias categorias de licen¸as de software3 . co a c
............. .................. ............... .................... ....... .... ...... .... ..... ... .... ... .... ... ... ... ... ... ... . .. ... .. ... .. . . .. .. .. .. .. . .. . . .. . .. . . . . . .. . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . .. . . .. .. . . .. . .. . ... . ... . .... . .... . ..... ..... . ........ ........ ............. .............. . ............. . ............. . .......... ......... ...... . ...... . .... . .... . . .... .... . . ... . ... . . ... .. . . .. . .. . .. . .. . . .. .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. . . . .. .. . . .. .. . . .. ... ... .. .. ... .. ... .. .... .... .. .. ..... .... ... ... .. .. ...... ... ... ....... ....... .... ... .... ...... ........... ...... ....... . .......... ................ .............. ................. ..................... ................. .. .. ... ................................................. ........ .. .. .. ............................... ............

Software Livre

Dom´ ınio p´blico u

Propriet´rio a

Estilo XFree86

Fechado

Copyleft’ed

GPL’ed

Shareware

Fonte Aberto

Uso gratuito

Figura 1.1: Categorias de licen¸as de software. c Copyleft A maioria das licen¸as usadas na publica¸˜o de software livre permite que os programas c ca sejam modificados e redistribu´ ıdos. Estas pr´ticas s˜o geralmente proibidas pela legisla¸˜o a a ca internacional de copyright, que tenta justamente impedir que altera¸˜es e c´pias sejam co o efetuadas sem a autoriza¸˜o do/s autor/es. As licen¸as que acompanham software livre ca c fazem uso da legisla¸˜o de copyright para impedir utiliza¸˜o n˜o-autorizada, mas estas ca ca a licen¸as definem clara e explicitamente as condi¸˜es sob as quais c´pias, modifica¸˜es e c co o co
2 3

Em inglˆs: free software versus free beer, onde free significa liberdade de express˜o, e n˜o gratuidade. e a a Diagrama obtido de www.fsf.org/philosophy/categories.html, elaborado por Chao-Kuei.

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

5

redistribui¸˜es podem ser efetuadas, para garantir as liberdades de modificar e redistribuir co o software assim licenciado. A esta vers˜o de copyright, d´-se o nome de copyleft. a a Licen¸as de Software Livre c Existem v´rios estilos de licen¸as para a distribui¸˜o de software livre4 , que se distinguem a c ca pelo grau de liberdade outorgado ao usu´rio. O Apˆndice A.1 cont´m o texto integral das a e e licen¸as GPL, Open Source, BSD e X.org. c GPL A Licen¸a P´blica Geral GNU (GNU General Public License – GPL) ´ a licen¸a c u e c que acompanha os pacotes distribu´ ıdos pelo Projeto GNU, e mais uma grande variedade de software, incluindo o n´cleo do sistema operacional Linux. A formula¸˜o da GPL ´ tal u ca e que ao inv´s de limitar a distribui¸˜o do software por ela protegido, ela de fato impede e ca que este software seja integrado em software propriet´rio. A GPL ´ baseada na legisla¸˜o a e ca internacional de copyright, o que deve garantir cobertura legal para o software licenciado com a GPL5 . Texto integral na p´gina 34. a Debian A licen¸a Debian ´ parte do contrato social celebrado entre a Debian e a coc e munidade de usu´rios de software livre, e ´ chamada de Debian Free Software Guidelia e nes (DFSG). Em essˆncia, esta licen¸a cont´m crit´rios para a distribui¸˜o que incluem, e c e e ca al´m da exigˆncia da publica¸˜o do c´digo fonte. Estes crit´rios s˜o: (a) a redistribui¸˜o e e ca o e a ca deve ser livre; (b) o c´digo fonte deve ser inclu´ e deve poder ser redistribu´ o ıdo ıdo; (c) trabalhos derivados devem poder ser redistribu´ ıdos sob a mesma licen¸a do original; (d) pode c haver restri¸˜es quanto a redistribui¸˜o do c´digo fonte, se o original foi modificado; (e) a co ca o licen¸a n˜o pode discriminar contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas, nem quanto c a a formas de utiliza¸˜o do software; (f) os direitos outorgados n˜o podem depender da ca a distribui¸˜o onde o software se encontra; e (g) a licen¸a n˜o pode ‘contaminar’ outro ca c a software6 . Open Source A licen¸a do Open Source Initiative ´ derivada da Licen¸a Debian, com c e c as men¸˜es ` Debian removidas. Texto integral na p´gina 39. co a a BSD A licen¸a BSD cobre as distribui¸˜es de software da Berkeley Software Distribuc co tion, al´m de outros programas. Esta ´ uma licen¸a considerada ‘permissiva’ porque imp˜e e e c o poucas restri¸˜es sobre a forma de uso, altera¸˜es e redistribui¸˜o do software licenciado. co co ca O software pode ser vendido e n˜o h´ obriga¸˜es quanto a inclus˜o do c´digo fonte, poa a co a o dendo o mesmo ser inclu´ em software propriet´rio. Esta licen¸a garante o cr´dito aos ıdo a c e autores do software mas n˜o tenta garantir que trabalhos derivados permanecem como a software livre. Texto integral na p´gina 41. a
4 5

www.fsf.org/philosophy/categories.html At´ o momento, n˜o h´ not´ de procedimentos legais iniciados por conta de viola¸˜o da GPL. e a a ıcia ca 6 Ao contr´rio da GPL que o faz. a

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

6

X.org O Cons´rcio X distribui o X Window System sob uma licen¸a que o faz software o c livre mas n˜o adere ao copyleft. Existem distribui¸˜es sob a licen¸a da X.org que s˜o a co c a software livre, e outras distribui¸˜es n˜o o s˜o. Existem algumas vers˜es n˜o-livres do co a a o a sistema de janelas X11 para esta¸˜es de trabalho e certos dispositivos do IBM-PC que co s˜o as unicas funcionais dispon´ a ´ ıveis, sem similares distribu´ ıdos como software livre. Texto integral na p´gina 41. a Software em Dom´ ınio P´ blico u Software em dom´ ınio p´blico ´ software sem copyright. Alguns tipos de c´pia, ou vers˜es u e o o modificadas, podem n˜o ser livres porque o autor permite que restri¸˜es adicionais sejam a co impostas na redistribui¸˜o do original ou de trabalhos derivados. ca Software Semi-livre Software semi-livre ´ software que n˜o ´ livre, mas ´ concedida a permiss˜o para que e a e e a indiv´ ıduos o usem, copiem, distribuam e modifiquem, incluindo a distribui¸˜o de vers˜es ca o modificadas, desde que o fa¸am sem o prop´sito de auferir lucros. c o Exemplos de software semi-livre s˜o as primeiras vers˜es do Internet Explorer da Microsoft, a o algumas vers˜es dos browsers da Netscape, e o StarOffice. o Freeware O termo freeware n˜o possui uma defini¸˜o amplamente aceita mas ´ usado com proa ca e gramas que permitem a redistribui¸˜o mas n˜o a modifica¸˜o, e seu c´digo fonte n˜o ´ ca a ca o a e disponibilizado. Estes programas n˜o s˜o software livre. a a Shareware Shareware ´ o software disponibilizado com a permiss˜o para que seja redistribu´ e a ıdo, mas a sua utiliza¸˜o implica no pagamento pela sua licen¸a. Geralmente, o c´digo fonte n˜o ´ ca c o a e disponibilizado e portanto modifica¸˜es s˜o imposs´ co a ıveis. Software Propriet´rio a Software propriet´rio ´ aquele cuja c´pia, redistribui¸˜o ou modifica¸˜o s˜o em alguma a e o ca ca a medida proibidos pelo seu propriet´rio. Para usar, copiar ou redistribuir, deve-se solicitar a permiss˜o ao propriet´rio, ou pagar para poder fazˆ-lo. H´ um exemplo de licen¸a de a a e a c software propriet´rio na Se¸˜o 1.3.3, p´gina 19. a ca a

1.1.3

Software Comercial

Software comercial ´ o software desenvolvido por uma empresa com o objetivo de lucrar e com sua utiliza¸˜o. Note que ‘comercial’ e ‘propriet´rio’ n˜o s˜o o mesmo. A maioria ca a a a

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

7

do software comercial ´ propriet´rio mas existe software livre que ´ comercial, e existe e a e software n˜o-livre n˜o-comercial. a a

1.2

Desenvolvimento de Software Livre

A cultura de engenharia praticada pela comunidade que desenvolve os protocolos empregados na Internet se baseia na publica¸˜o de propostas de protocolos ou servi¸os, e na ca c avalia¸˜o destas propostas em listas de discuss˜o via correio eletrˆnico. Geralmente, as ca a o propostas s˜o acompanhadas de uma implementa¸˜o de referˆncia, cujo c´digo fonte ´ a ca e o e disponibilizado a todos os interessados. De posse da especifica¸˜o dos protocolos e de ca c´digo que os implementa, a comunidade se lan¸a ` avalia¸˜o, corre¸˜o de eventuais ero c a ca ca ros, e discuss˜o e aperfei¸oamento da proposta ou implementa¸˜o. Ap´s o per´ a c ca o ıodo de discuss˜o aberta ao p´blico, os protocolos s˜o avaliados e sacramentados na Internet Ena u a gineering Task Force (IETF), que ´ a entidade respons´vel pela formaliza¸˜o e publica¸˜o e a ca ca dos protocolos7 . A disponibilidade das propostas de protocolos, atrav´s dos Request For Comments (RFCs), e permite a discuss˜o e a depura¸˜o dos protocolos por uma grande comunidade de espea ca cialistas. Este processo tˆm produzido protocolos extremamente confi´veis, robustos e ese a cal´veis, especialmente quando se considera que Internet ´ heterogˆnea, multi-plataforma a e e e geograficamente distribu´ ıda, e que opera h´ mais de trinta anos mantendo compatibilia dade entre v´rias gera¸˜es de tecnologia [13, 19]. O modo de produ¸˜o de software livre a co ca ´ similar ` cultura de engenharia descrita acima e uma boa parte da infraestrutura de e a software da Internet ´ composta por programas e utilit´rios desenvolvidos e distribu´ e a ıdos como software livre, e sua confiabilidade, robustez e qualidade s˜o excelentes. a A forma de opera¸˜o da Internet, em especial no per´ ca ıodo anterior a comercializa¸˜o de ca servi¸os, depende fundamentalmente de um princ´ c ıpio mutualista segundo o qual os participantes da ‘rede’ recebem dela mais do que nela colocam. Por exemplo, quando uma entidade se liga ` Internet, suas m´quinas passam a usufruir de rede para transmitir seu a a tr´fego em troca da retransmiss˜o de tr´fego proveniente de todas as outras entidades ligaa a a das ` rede. Geralmente, os custos associados ` retransmiss˜o do tr´fego externo s˜o muito a a a a a menores que aquele decorrente da montagem de infraestrutura de comunica¸˜o privativa. ca A mutualidade ´ o mesmo princ´ e ıpio que anima os cientistas a publicarem os resultados de suas pesquisas. A publica¸˜o tem duas finalidades importantes: (1) os resultados ficam ca sujeitos ao escrut´ ınio pela comunidade cient´ ıfica, o que garante sua qualidade e confiabilidade, e (2) estes resultados se incorporam ao corpo de conhecimento da ´rea e ficam a dispon´ ıveis para uso pelos outros pesquisadores, estudantes e demais interessados [20]. Este ´ o mesmo processo a que est˜o sujeitos os protocolos da Internet. Uma vez revie a sados e aprovados pela comunidade, os protocolos ficam dispon´ ıveis ao p´blico para que u sejam implementados e estudados, pela ind´stria, na academia, e pelas novas gera¸˜es de u co projetistas de protocolos. Da mesma forma, a distribui¸˜o do c´digo fonte permite sua ca o utiliza¸˜o por outros programadores em seus pr´prios projetos, bem como possibilita o ca o
O modus operandi do IETF pode ser resumido por “We reject kings, presidents, and voting. We believe in rough consensus and running code”, texto impresso em camisetas usadas por participantes de algumas reuni˜es daquela organiza¸˜o. o ca
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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aprendizado por outros programadores atrav´s do estudo do c´digo dos programas que e o empregam diariamente. Sob esta ´tica, o c´digo fonte dos programas ´ uma forma de o o e conhecimento cient´ ıfico.

1.2.1

Hist´rico o

Na d´cada de 1960, os fabricantes de sistemas comerciais como a IBM vendiam seus e computadores e entregavam aos clientes o c´digo fonte dos programas, permitindo-lhes o alterar os programas e redistribu´ ı-los livremente. Dez anos mais tarde, as aplica¸˜es e o co n´mero de usu´rios aumentaram a tal ponto que passou a ser poss´ vender software ao u a ıvel inv´s de distribu´ gratuitamente. A situa¸˜o se alterou de forma a que o software tornoue ı-lo ca se relativamente mais importante que o hardware, e portanto os fabricantes passaram a vender os aplicativos, sem fornecer o c´digo fonte, al´m de impor restri¸˜es ` redistribui¸˜o o e co a ca dos programas. No in´ da d´cada de 80 estabeleceu-se o Projeto GNU, liderado por Richard Stallman ıcio e e em rea¸˜o ` sua frustra¸˜o com a crescente comercializa¸˜o de software. Stallman ca a ca ca trabalhava como programador no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e demitiuse para trabalhar no desenvolvimento de um sistema operacional completo a ser distribu´ ıdo como software livre. Este sistema seria chamado de GNU8 e seria composto por um sistema operacional e uma s´rie de aplicativos e utilit´rios. Em 1984, Stallman publicou e a o Manifesto GNU [24], onde definiu o que se entende por software livre e solicitou a participa¸˜o de outros programadores na enorme tarefa e que se propunha. Como fruto ca deste esfor¸o, foram produzidos o editor de textos emacs, o compilador gcc, e v´rias outras c a ferramentas e utilit´rios. a O ambiente de desenvolvimento no Projeto GNU era Unix porque este era o sistema tecnicamente mais avan¸ado, estava dispon´ c ıvel para v´rias plataformas, era distribu´ a ıdo mais livremente que os outros sistemas, sendo por estas raz˜es o mais popular na academia o e em setores da ind´stria de computa¸˜o. Em pouco tempo as ferramentas produzidas pelo u ca Projeto GNU atingiram tal qualidade que administradores de sistemas passaram a utiliz´a las ao inv´s das ferramentas distribu´ e ıdas com os sistemas propriet´rios. Estes programas a s˜o distribu´ a ıdos sob os termos da GPL. No final da d´cada de 1960 iniciou-se na AT&T o desenvolvimento do sistema operacioe nal Unix. Em 1976 a AT&T lan¸ou no mercado a vers˜o comercializada como Unix V6. c a No ano seguinte, a AT&T licenciou o Unix para a Universidade da Calif´rnia em Bero keley, cedendo-lhe o c´digo fonte do sistema. Aquela universidade passou a desenvolver o sua pr´pria vers˜o do Unix, conhecida como BSD-Unix (Berkeley Software Distribution). o a Em 1977 o Unix V7 foi lan¸ado, com pre¸os bastante diferentes para as Universidades c c (US$100) e para empresas (US$21.000), o que incentivou a difus˜o, e acelerou o desena volvimento de uma vers˜o do Unix no meio acadˆmico. Em 1989 Berkeley distribuiu a a e vers˜o Net/1 do Unix como sistema operacional livre, e em 1991 foi lan¸ada a vers˜o Net/2. a c a Em 1993 a AT&T acusou a Universidade da Calif´rnia em Berkeley de distribuir a vers˜o o a Net/2 com c´digo pertencente ao AT&T-Unix. Como rea¸˜o, a Universidade lan¸ou a o ca c vers˜o BSD4.4 em 1994, livre de c´digo da AT&T. Hoje s˜o dispon´ a o a ıveis trˆs herdeiros do e BSD-Unix, FreeBSD, NetBSD e OpenBSD, distribu´ ıdos como software livre.
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GNU ´ uma referˆncia circular: GNU’s not Unix, e ´ isofˆnico ` palavra Inglesa new. e e e o a

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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O Projeto GNU deu origem ` Free Software Foundation, sob a lideran¸a de Stallman. a c No in´ da d´cada de 90 a maior parte das ferramentas de apoio j´ haviam sido criadas ıcio e a mas faltava o n´cleo do sistema operacional. Esta deficiˆncia seria suprida pelo trabalho u e de Linus Torvalds, que desenvolvera um n´cleo de sistema operacional, batizado de Linux9 . u Em 1991 Torvalds disponibilizou o c´digo fonte do Linux na Internet e solicitou a colao bora¸˜o de outros programadores para que estes desenvolvessem as partes ainda faltantes. ca A resposta foi entusi´stica e em menos de dois anos Linux j´ havia se tornado um sistema a a razoavelmente est´vel. Os esfor¸os da FSF e da comunidade Linux foram conjugados e a c o sistema GNU/Linux passou a ser distribu´ e desde ent˜o vem sendo continuamente ıdo a desenvolvido e aperfei¸oado. O n´cleo do Linux ´ distribu´ sob a GPL. c u e ıdo Outro projeto de software livre da d´cada de 80 e digno de nota ´ o sistema de processae e mento de textos TEX, projeto este iniciado por Donald Knuth e cada vez mais ativo. TEX ´ e um formatador de textos, ou um tip´grafo autom´tico, que permite produzir tipografia de o a alt´ ıssima qualidade, especialmente em textos de Matem´tica10 . a Na d´cada de 90 v´rios projetos obtiveram sucesso, especialmente o compilador gcc, o e a servidor de p´ginas WWW apache, a linguagem interpretada perl[5], e os ambientes a de trabalho KDE11 e GNOME12 . Estes dois ultimos projetos s˜o importantes porque eles ´ a devem resolver uma das quest˜es mais dif´ o ıceis associadas ` difus˜o do uso do software livre, a a que ´ a possibilidade de uso por pessoal n˜o-t´cnico, conforme discutido na Se¸˜o 1.3.2, e a e ca na p´gina 16. a

1.2.2

Modos de Organiza¸˜o para o Desenvolvimento de Software ca

No seu artigo mais popular, The Cathedral and the Bazaar [21], Eric S Raymond descreve os dois modos de organiza¸˜o mais empregados no desenvolvimento de software, que s˜o a ca a catedral e o bazar. A discuss˜o sobre estes modelos ´ aprofundada em outros dois artigos a e de Raymond [22, 23], al´m de coment´rio e cr´ e a ıtica sobre os mesmos em [9, 6, 8]. O modelo tradicionalmente empregado na ind´stria ´ similar ao projeto de uma catedral u e medieval, no qual um restrito grupo de projetistas exerce controle f´rreo sobre o trabalho e de um pequeno ex´rcito de oper´rios. O modelo da catedral ´ empregado na maioria dos e a e projetos de desenvolvimento de software propriet´rio, onde o modelo descreve o relacioa namento entre a gerˆncia de projeto (e o departamento de marketing) que estabelecem e metodologias, tarefas e prazos, que devem ser cumpridos pelos programadores engajados no projeto. O outro modo de organiza¸˜o, freq¨entemente empregado pela comunidade de software ca u livre se assemelha a um an´rquico bazar, onde n˜o h´ hierarquia entre os participantes e a a a todos cooperam para que o bazar seja atrativo aos compradores, ao mesmo tempo em que competem pela aten¸˜o destes mesmos compradores. Na produ¸˜o de software no bazar ca ca os projetos s˜o informalmente organizados ao redor da proposta de desenvolvimento de a algum aplicativo ‘interessante’, do qual os interessados participam voluntariamente, e o/a l´ ıder do projeto emerge por seus m´ritos como programador/a ou projetista. e
Torvalds era aluno de p´s-gradua¸˜o da Universidade de Helsinki nesta ´poca. o ca e A Este documento foi preparado com L TEX, sistema derivado do TEXe desenvolvido por Leslie Lamport. 11 www.kde.org 12 www.gnome.org
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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Uma das conseq¨ˆncias do desenvolvimento “na catedral” ´ a dificuldade para que se ue e atinja massa cr´ ıtica de usu´rios e desenvolvedores nas fases iniciais do desenvolvimento a de um sistema. Na catedral, os projetistas definem as caracter´ ısticas t´cnicas e funcionais e do produto e repassam o desenvolvimento aos programadores. Quando o produto atinge a fase de testes, um grupo restrito de testadores valida o produto, que ´ ent˜o liberado e a para uso e/ou comercializa¸˜o. S˜o conhecidos in´meros exemplos de produtos que foram ca a u disponibilizados e vendidos antes de atingirem estabilidade ou maturidade simplesmente porque o prazo de ‘desenvolvimento’ se esgotou. O desenvolvimento de software segundo o modelo da catedral n˜o ´ exclusividade da a e ind´stria. A maioria dos projetos da FSF ´ desenvolvido neste modelo, onde um pequeno u e grupo de projetistas e desenvolvedores trabalham em certo projeto antes que uma vers˜o a do mesmo seja disponibilizada. O grupo original geralmente det´m o controle sobre as e modifica¸˜es a serem introduzidas no programa, ap´s sua publica¸˜o como software lico o ca vre. Isto faz com que o software desenvolvido pela FSF, em que pesem suas qualidades t´cnicas, geralmente seja empregado de forma restrita na academia e alguns setores da e ind´stria. Os programas e ferramentas da FSF adquiriram maior popularidade com o adu vento do Linux porque ent˜o aqueles passaram a se beneficiar da massa cr´ a ıtica de usu´rios a e desenvolvedores do Linux.

1.2.3

Modos de Desenvolvimento de Software Livre

O ciclo de vida t´ ıpico de um projeto de software livre de sucesso passa pelas seguintes fases. O processo de desenvolvimento se inicia quando o autor escreve uma vers˜o inicial a do programa Pv0 e publica o c´digo fonte desta vers˜o incompleta. Se o programa ´ inteo a e ressante ou util, outros programadores o instalam e experimentam. Erros s˜o descobertos ´ a e corrigidos, e melhorias s˜o propostas ou introduzidas no programa. Estas corre¸˜es a co e melhorias s˜o submetidas ao autor, que as incorpora e publica a nova vers˜o de seu a a programa, Pv1. A vers˜o melhorada atrai mais usu´rios, que descobrem outros erros e a a introduzem novas melhorias, o que leva a uma nova vers˜o. Para programas considerados a uteis, e que portanto atraem muitos novos usu´rios, este ciclo se repete a cada poucos ´ a meses. Ap´s algumas itera¸˜es, o programa P atinge estabilidade e passa a contar com o co um grupo razoavelmente grande de usu´rios. Nestas condi¸˜es, a comunidade de suporte a co ao programa atinge massa cr´ ıtica, e isso garante a continuidade de seu desenvolvimento e suporte. Em grande medida, a evolu¸˜o da funcionalidade de um programa desenvolvido “no bazar” ca ´ orientada pelos usu´rios do programa, especialmente aqueles que s˜o desenvolvedores ou e a a programadores. Por outro lado, em uma ‘catedral’ ou na ind´stria, a orienta¸˜o ´ definida u ca e pelos projetistas, press˜es de mercado, e possivelmente dirigida por um departamento o de marketing. No caso do software livre, muitos dos usu´rios das primeiras vers˜es s˜o a o a programadores, que introduzem melhorias na vers˜o original, o que atrai mais usu´rios, a a at´ que se estabele¸a massa cr´ e c ıtica. Estes sugerem acr´scimos e outras melhorias, bem e como reclamam de poss´ ıveis erros ou falhas, que s˜o corrigidas. N˜o h´ prazo para que o a a a ‘produto’ seja entregue porque a evolu¸˜o se d´ na medida da disponibilidade dos prograca a madores participantes e da quantidade das melhorias sugeridas e erros descobertos. Este tipo de sinergia entre desenvolvedores e usu´rios simplesmente n˜o ´ poss´ a a e ıvel no estilo catedral de desenvolvimento por causa das press˜es impostas pelos prazos de lan¸amento o c

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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dos produtos, e pelas caracter´ ısticas funcionais que s˜o “exigidas pelo mercado”. a A alta qualidade dos programas desenvolvidos no ‘bazar’ se deve ao n´mero de desenu volvedores e usu´rios envolvidos no processo, especialmente ap´s o estabelecimento de a o massa cr´ ıtica, e para isso a publica¸˜o do c´digo fonte dos programas ´ um fator essencial. ca o e Uma vez publicado, o c´digo pode ser esmiu¸ado por quem se interessar, o que acelera e o c intensifica o processo de depura¸˜o, descoberta e corre¸˜o de erros. Dependendo da poca ca pularidade ou importˆncia de um programa, a comunidade de usu´rios e desenvolvedores a a rapidamente atinge massa cr´ ıtica, e centenas de programadores e milhares de usu´rios se a atiram ` tarefa de test´-lo e eventualmente corrig´ a a ı-lo. Este m´todo de teste baseado em e grandes popula¸˜es de testadores simplesmente n˜o ´ vi´vel no modelo da catedral. co a e a Quando um programa n˜o atrai uma comunidade suficientemente grande de usu´rios e a a programadores dispostos a suport´-lo, geralmente seu desenvolvimento p´ra e o projeto a a tende a estagnar. Tamb´m ´ poss´ que o autor, ou os principais desenvolvedores, percam e e ıvel a disponibilidade ou interesse no projeto, o que tende a diminuir a qualidade do suporte e da evolu¸˜o do programa. Note-se que isto n˜o ´ necessariamente ruim, porque pode ca a e existir algum outro programa com funcionalidade similar mas com melhor qualidade. O modelo catedral×bazar contempla aspectos importantes do desenvolvimento de software livre. Outros modelos e estudos s˜o apresentados e discutidos em [4, 11, 26]. a

1.2.4

Modos de Financiamento

Os sistemas de software livre s˜o financiados indiretamente pelos v´rios n´ a a ıveis de governo e academia e segmentos da ind´stria nos modos listados abaixo, e em diferentes combina¸˜es u co destes [5, 1, 11]. Volunt´rios individuais H´ um grande n´mero de desenvolvedores de software livre a a u que trabalham em universidades e institutos de pesquisa. O desenvolvimento ´ parciale mente financiado pela institui¸˜o, como por exemplo o desenvolvimento do BSD-Unix na ca Universidade de Berkeley, o protocolo HTTP no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), e o browser Mosaic no Centro de Supercomputa¸˜o da Univ. do Illinois, dentre ca v´rios outros. a Suporte indireto Em empresas m´dias e grandes, funcion´rios sub-ocupados podem e a devotar-se ao desenvolvimento de projetos fora do escopo de interesse da empresa, como a primeira vers˜o do Unix e da linguagem C no Bell Labs, embora estes sistemas n˜o a a tenham sido publicados como software livre. Suporte parcial Existem empresas que financiam o desenvolvimento de software livre como forma de promover a venda de seus equipamentos. Como exemplos pode-se citar a IBM que suporta o desenvolvimento do Apache, que ´ instalado nos computadores da e s´rie AS400, e a Silicon Graphics que suporta desenvolvimento do Samba13 . e
13 Samba permite o compartilhamento de sistemas de arquivos de Microsoft, instalados em m´quinas a Unix, atrav´s da rede. e

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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Outra forma de suporte parcial interessante ´ representada pelo cons´rcio est´ financiando e o a a instala¸˜o e opera¸˜o do Open Software Development Laboratory (OSDL)14 , para suporca ca tar o desenvolvimento de aplicativos para sistemas de grande porte, especialmente sistemas empresariais com caracter´ ısticas de altas confiabilidade e disponibilidade. Destacam-se entre os participantes Hewlet-Packard e IBM. Suporte direto Existem empresas que financiam o desenvolvimento de software livre para ganhar mercado ou competir diretamente no mercado, como a Netscape ao abrir o esfor¸o de desenvolvimento do browser Mozilla ` comunidade de software livre, ou empresas c a como Red Hat e Conectiva que vendem servi¸os e produtos baseados em software livre. c

1.3

Utiliza¸˜o de Software Livre ca

Esta se¸˜o cont´m uma discuss˜o sobre a utiliza¸˜o de software livre, e as vantagens ca e a ca e desvantagens associadas ao uso de sistemas e aplicativos desenvolvidos e distribu´ ıdos como software livre. No que concerne a desvantagens, s˜o discutidas as desvantagens a reais, assim como algumas caracter´ ısticas que s˜o desvantagens imagin´rias, decorrentes a a de diferen¸as de perspectiva ou de percep¸˜o. c ca

1.3.1

Vantagens

Dentre as vantagens decorrentes da utiliza¸˜o de software livre salientam-se aquelas listaca das abaixo, e discutidas nos pr´ximos par´grafos. o a • • • • • • • • • Custo social ´ baixo; e n˜o se fica ref´m de tecnologia propriet´ria; a e a independˆncia de fornecedor unico; e ´ desembolso inicial pr´ximo de zero; o n˜o obsolescˆncia do hardware; a e robustez e seguran¸a; c possibilidade de adequar aplicativos e redistribuir vers˜o alterada; a suporte abundante e gratuito; e sistemas e aplicativos geralmente muito configur´veis. a

Custo social ´ baixo O desenvolvimento de software propriet´rio ´ orientado para o e a e benef´ do fabricante enquanto que o do software livre ´ orientado para o benef´ de ıcio e ıcio seus usu´rios. Os lucros decorrentes das vendas de software propriet´rio s˜o sempre privaa a a tizados, enquanto que os frutos da produ¸˜o de software livre tornam-se dispon´ ca ıveis para toda a comunidade. Assim que disponibilizado como software livre, um aplicativo ou sistema torna-se um bem p´blico, cuja utiliza¸˜o e evolu¸˜o ´ determinada pela comunidade u ca ca e de usu´rios. a
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www.osdlab.org

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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N˜o se fica ref´m de tecnologia propriet´ria Considere-se uma organiza¸˜o coa e a ca mercial ou governamental cujas opera¸˜es dependam de sistemas de software produzidos co por um unico fornecedor. Se o fornecedor decidir, por raz˜es que lhe s˜o peculiares, des´ o a continuar um produto, ou uma linha de produtos, para lan¸ar uma ‘nova’ e ‘melhorada’ c vers˜o, os usu´rios n˜o tˆm outra alternativa a n˜o ser adotar esta nova vers˜o e arcar com a a a e a a os custos da migra¸˜o de seus sistemas. Existe tamb´m a possibilidade de o fornecedor ca e interromper suas atividades. H´ portanto um risco inerente na ado¸˜o de um plano de a ca neg´cios que dependa de um unico fornecedor de software e/ou sistemas. Aparentemente, o ´ este risco ´ com freq¨ˆncia ignorado ou considerado desprez´ e ue ıvel. Independˆncia de fornecedor unico No caso de software livre, como n˜o existe uma e ´ a entidade que detenha os direitos de propriedade sobre o c´digo fonte dos programas, n˜o o a existe a possibilidade de que um determinado ‘produto’ seja descontinuado segundo a conveniˆncia comercial do fornecedor do sistema. Da mesma forma, mesmo que alguma e das empresas que distribuem software livre seja extinta, existem v´rias outras provendo a servi¸os e produtos similares, que poderiam facilmente substituir `quela que desapareceu. c a Al´m disso, estando o c´digo fonte dispon´ na Internet, se houver um n´mero razo´vel e o ıvel u a de usu´rios de determinado aplicativo e/ou sistema, a demanda por suporte gerada pelos a usu´rios tˆm se mostrado suficiente para que suporte e manuten¸˜o sejam oferecidos por a e ca algum grupo de programadores atrav´s da Internet. Se a necessidade o justificar, sempre e ´ poss´ e ıvel contratar programadores para efetuarem manuten¸˜o nos programas pois seu ca c´digo fonte est´ dispon´ o a ıvel. Esta op¸˜o simplesmente inexiste com software propriet´rio. ca a Desembolso inicial pr´ximo de zero Existem distribui¸˜es que s˜o vendidas por o co a pre¸o de custo (Debian), pre¸o este que basicamente cobre os custos de produ¸˜o da c c ca m´ ıdia de distribui¸˜o (conjunto de CDs e embalagem). Existem distribui¸˜es que, al´m ca co e da m´ ıdia, incluem farta documenta¸˜o em papel, com manuais detalhados de instala¸˜o ca ca e administra¸˜o dos sistemas (Conectiva, Red Hat). Nestes casos, o pre¸o da distribui¸˜o ca c ca cobre os custos de produ¸˜o destes ´ ca ıtens adicionais. De qualquer forma, o pre¸o das c distribui¸˜es ´ uma pequena fra¸˜o do pre¸o de produtos comerciais similares. Existe co e ca c ainda a possibilidade da pura e simples c´pia dos arquivos completos das instala¸˜es o co atrav´s da Internet. A menos do pre¸o da conex˜o e do tempo necess´rio, ´ poss´ e c a a e ıvel obter-se distribui¸˜es atualizadas a um custo pr´ximo de zero. co o No caso de sistemas propriet´rios, a manuten¸˜o ap´s a aquisi¸˜o tˆm custo elevado porque a ca o ca e depende dos servi¸os monopolizados pelo fornecedor ou providos por outras empresas, c ou consultores individuais. Estima-se que custos de manuten¸˜o sejam, no pior caso, ca similares para software livre quando comparados a sistemas propriet´rios [16]. Se o suporte a necess´rio n˜o ´ obtido gratuitamente (na Internet), algu´m, ou alguma empresa, dever´ a a e e a ser contratado para prover o suporte necess´rio. a N˜o-obsolescˆncia do hardware Uma conseq¨ˆncia da utiliza¸˜o de software proa e ue ca priet´rio ´ a acelerada obsolescˆncia do hardware. Tipicamente, quando o fornecedor dea e e cide publicar uma nova vers˜o dos aplicativos de escrit´rio, o equipamento que os executa a o deve tamb´m ser atualizado ou substitu´ e ıdo. Isso ´ necess´rio porque as funcionalidades e a adicionais que sempre s˜o introduzidas nas novas vers˜es aumentam a complexidade e a o

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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o tamanho dos aplicativos e portanto exigem processadores mais r´pidos e maior capaa ´ cidade de mem´ria e disco. E freq¨ente o caso em que as ‘novas’ funcionalidades s˜o o u a apenas cosm´ticas e/ou utilizadas por uma parcela pequena dos usu´rios, mas produtos e a s˜o vendidos com um conjunto enorme de funcionalidades com utilidade limitada para a a grande maioria de seus usu´rios. Este fenˆmeno ´ conhecido como “incha¸o do software”, a o e c ou software bloat. Tal incha¸o ocorre em escala muito menor com sistemas de software livre porque a press˜o c a de marketing por novas funcionalidades ´ pequena ou inexistente. Al´m disso, os sistemas e e de software livre s˜o concebidos e projetados para serem usados pelos projetistas, no seu a pr´prio equipamento, de tal forma que funcionalidades cosm´ticas s˜o sistematicamente o e a exclu´ ıdas em favor daquelas que s˜o de fato uteis. Isso significa que m´quinas que seriam a ´ a consideradas obsoletas pelos padr˜es de mercado podem ser utilizadas plenamente com o software livre. Esta caracter´ ıstica do software livre ´ extremamente favor´vel ` administra¸˜o p´blica [2]. e a a ca u Quando se utiliza software livre, o parque de m´quinas instalado n˜o necessita ser atua a alizado com a mesma freq¨ˆncia que seria necess´ria no caso da utiliza¸˜o de software ue a ca propriet´rio, porque este induz ` aquisi¸˜o de novas plataformas. Isso ocorre porque o a a ca desenvolvimento de aplicativos propriet´rios se d´ na plataforma modelo de um dado faa a bricante de hardware. Esta plataforma modelo ´ uma das m´quinas mais potentes que e a ser˜o vendidas na pr´xima gera¸˜o de produtos do fabricante. Assim, o hardware e o softa o ca ware da nova gera¸˜o s˜o desenvolvidos para operarem bem juntos, o que induz a aquisi¸˜o ca a ca da nova plataforma modelo para que o novo software opere em condi¸˜es aceit´veis de deco a sempenho. Robustez e seguran¸a Os sistemas desenvolvidos e distribu´ c ıdos como software livre s˜o reconhecidos por sua robustez e seguran¸a. Estas qualidades s˜o resultado do processo a c a de desenvolvimento do software livre, que ´ similar ao sistema acadˆmico de revis˜o de e e a textos para publica¸˜o. Na academia, antes de ser considerado apto para publica¸˜o, um ca ca artigo ´ examinado por um ou mais revisores anˆnimos que atestam sua qualidade e que e o freq¨entemente sugerem corre¸˜es e ou adi¸˜es. Este sistema, conhecido como peer review, u co co garante alto n´ de qualidade e integridade das publica¸˜es cient´ ıvel co ıficas. Este mesmo processo de revis˜o ocorre com programas cujo c´digo fonte ´ distribu´ lia o e ıdo vremente. Assim que um programa ´ liberado para experimenta¸˜o, outros programadores e ca o instalam e usam e inicia-se o processo de depura¸˜o distribu´ ca ıda. Erros descobertos s˜o a reportados ao/s autor/es, freq¨entemente j´ acompanhados da corre¸˜o. Quanto maior a u a ca utilidade intr´ ınseca do programa, maior ´ o n´mero de usu´rios-testadores e mais curto o e u a ciclo de depura¸˜o-corre¸˜o. Isso tamb´m significa que quaisquer problemas associados ` ca ca e a seguran¸a s˜o descobertos, resolvidos e as corre¸˜es publicadas ampla e rapidamente. c a co O modelo de desenvolvimento de software propriet´rio inviabiliza este mecanismo de rea vis˜o e corre¸˜es, e portanto seus produtos em geral n˜o s˜o t˜o robustos nem t˜o seguros a co a a a a quanto os similares desenvolvidos “no bazar”. S˜o conhecidos casos onde vers˜es inst´veis a o a de produtos s˜o disponibilizadas comercialmente, e apesar de sua baixa qualidade estes a produtos s˜o adquiridos devido ` bem-montada campanha de publicidade, e ` existˆncia a a a e de massa cr´ ıtica de consumidores que acaba por refor¸ar a publicidade. c

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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Possibilidade de adaptar aplicativos Uma das maiores vantagens advindas da distribui¸˜o do c´digo fonte dos programas ´ a liberdade para adaptar um programa `s necessica o e a dades de seus usu´rios. Evidentemente, programadores capacitados devem ser de alguma a forma engajados para efetuar as adapta¸˜es necess´rias. Em sistemas propriet´rios, esta co a a possibilidade pode n˜o existir, a n˜o ser para clientes especiais e com custo elevado. a a Estima-se que a compra do software e o pagamento pela licen¸a de uso corresponda a cerca c de 10 a 30% do custo total do sistema. A maior parcela do custo adv´m de adapta¸˜es e co e corre¸˜es ao software que devem ser efetuadas ao longo de sua vida util. As elevadas co ´ confiabilidade e seguran¸a do software livre, aliadas ` facilidade de adapta¸˜o, permitem c a ca 15 de sistemas baseados em software livre. redu¸˜es substancias no custo total co Suporte A revista Infoworld escolheu a comunidade Linux na Internet para receber o prˆmio de “Melhor Suporte T´cnico” nos anos de 1998 e 1999. Estes prˆmios s˜o e e e a em reconhecimento ` qualidade do suporte t´cnico dispon´ a e ıvel gratuitamente atrav´s da e Internet, e fornecido pela comunidade de desenvolvedores e usu´rios do GNU/Linux e a dos aplicativos normalmente distribu´ ıdos com o sistema operacional. De forma geral, o suporte aos usu´rios que estejam conectados ` Internet ´ de boa qualidade e com tempos a a e de resposta medidos em poucas horas, n˜o importando o grau de dificuldade da consulta. a Uma dos preconceitos mais comuns sobre a aplicabilidade de software livre refere-se ` falta a de suporte. Esta reclama¸˜o carece de fundamento quando se considera a existˆncia de ca e uma comunidade internacional de usu´rios e programadores, acess´ atrav´s de Internet, a ıvel e dispostos a colaborar na solu¸˜o de eventuais problemas com os programas. N˜o ´ incoca a e mum de se obter aux´ do pr´prio projetista ou programador do aplicativo ou sistema ılio o para o qual se busca aux´ 16 . ılio No caso de institui¸˜es, provavelmente o que se deseja ´ suporte 24 horas por dia, 7 dias por co e semana, (regime 24x7), e/ou atrav´s de linha 0800. Este tipo de servi¸o j´ existe no Brasil, e c a provido por Conectiva e IBM, dentre outros. Independentemente de o software ser livre ou propriet´rio, se a importˆncia de um certo aplicativo para o funcionamento da institui¸˜o a a ca for suficientemente grande, ´ muito prov´vel que se estabele¸a a capacidade interna de e a c prover suporte e manuten¸˜o `quele aplicativo. A alternativa ` capacidade interna ´ a ca a a e contrata¸˜o de terceiros para efetuar tal servi¸o. O fato de empregar-se software livre n˜o ca c a introduz nenhuma mudan¸a fundamental nestes dois cen´rios. c a No que concerne ` capacita¸˜o interna ao suporte e manuten¸˜o de sistemas, o uso de a ca ca software livre possibilita a obten¸˜o de conhecimento muito al´m daquele poss´ de se ca e ıvel obter em treinamento por empresas de software propriet´rio. Isto decorre de o c´digo fonte a o poder ser livremente consultado pelos programadores. Este n˜o ´ o caso com software a e propriet´rio, justamente porque n˜o h´ acesso ao c´digo fonte e o propriet´rio ´ quem a a a o a e decide o que pode ou n˜o ser divulgado a respeito do funcionamento e opera¸˜o de seus a ca sistemas. O suporte dispon´ ao software livre ocorre sob um paradigma diferente daquele aplicado ıvel ao software propriet´rio. No caso de software livre, o programador pode estender e adaptar a um aplicativo porque se tˆm acesso ao c´digo fonte. Geralmente, adaptar um programa n˜o e o a
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Total Cost of Ownership, ou TCO. A l´ ıngua franca na Internet ´ o Inglˆs, e isto pode dificultar o acesso ` esta forma de aux´ e e a ılio.

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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´ necess´rio mas ´ poss´ e a e ıvel. No caso de software propriet´rio, mesmo que seja necess´rio a a adaptar ou alterar um aplicativo, o pessoal de suporte fica limitado a solicitar a altera¸˜o ca ao fabricante, e a resignar-se a reinstalar o sistema em caso de pane. Com a populariza¸˜o do sistema GNU/Linux que vem ocorrendo desde 1998, h´ um ca a razo´vel n´mero de t´ a u ıtulos em Portuguˆs que trata especificamente da administra¸˜o e e ca uso de Linux17 . A existˆncia de bibliografia farta alivia mas n˜o resolve completamente o e a problema da falta de suporte, especialmente para usu´rios iniciantes. Por exemplo, pode a ser dif´ de se obter suporte t´cnico e/ou drivers para hardware introduzido recentemente ıcil e no mercado. Sistemas e aplicativos configur´veis A maioria dos aplicativos distribu´ a ıdos como software livre podem ser configurados de muitas maneiras distintas pelos usu´rios. Isso ´ a e conseq¨ˆncia de que os programadores que desenvolvem estes aplicativos estarem habituue ados a trabalhar com sistemas altamente configur´veis e portanto projetam seus sistemas a com estas mesmas caracter´ ısticas. Uma vez que os sistemas s˜o distribu´ a ıdos, novas op¸˜es co s˜o adicionadas por outros programadores e redistribu´ a ıdas, ou s˜o solicitadas ao autor e a ent˜o introduzidas nas novas vers˜es. O resultado s˜o sistemas com grande n´mero de a o a u op¸˜es que podem ser definidas pelos usu´rios. co a Geralmente, os sistemas s˜o distribu´ a ıdos com um conjunto de op¸˜es pr´-estabelecidas co e pelo autor e que satisfazem a um hipot´tico usu´rio ‘comum’ ou ‘mediano’. Caso estas e a n˜o sejam adequadas, novas escolhas podem ser efetuadas individualmente pelos usu´rios. a a Para usu´rios habituados a sistemas comerciais, nos quais freq¨entemente n˜o existem a u a alternativas `quelas do usu´rio ‘comum’, o universo de op¸˜es nos aplicativos de softa a co ware livre resulta em aparentes complexidade e dificuldade de opera¸˜o. Com freq¨ˆncia ca ue maior que o desej´vel, a documenta¸˜o n˜o ´ suficientemente clara, ou n˜o ´ escrita para a ca a e a e usu´rios iniciantes, o que refor¸a a dificuldade no uso de certos aplicativos e/ou modos de a c configura¸˜o. ca

1.3.2

Desvantagens

Dentre as desvantagens associadas ` utiliza¸˜o de software livre salientam-se aquelas lisa ca tadas abaixo, e detalhadas nos par´grafos que seguem. a • Interface de usu´rio n˜o ´ uniforme nos aplicativos; a a e • instala¸˜o e configura¸˜o pode ser dif´ e ca ca ıcil; • m˜o de obra escassa e/ou custosa para desenvolvimento e/ou suporte. a Interface de usu´rio inconsistente N˜o existe um ambiente integrado e com interfaa a ces de usu´rio uniformes dispon´ a ıveis em software livre. Esta situa¸˜o est´ sendo remediada ca a e existem projetos em estado adiantado de desenvolvimento com o objetivo de prover interfaces de usu´rio consistentes atrav´s de um conjunto completo de aplicativos, tais como a e editor, browser, planilha, calend´rio, etc. Os projetos KDE (K Desktop Environment), a
Em 21 de julho de 2001, o autor encontrou sessenta e dois t´ ıtulos contendo a palavra ‘Linux’ no cat´logo eletrˆnico de uma grande livraria de Curitiba, dos quais haviam 14 nas prateleiras. No cat´logo a o a haviam dois t´ ıtulos da s´rie for dummies. e
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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GNOME (GNU Object Model Environment) e OpenOffice18 tˆm por objetivo prover ame bientes integrados e interfaces de usu´rio uniformes. Estes j´ est˜o dispon´ a a a ıveis como plataforma est´vel e estima-se que atingir˜o plena maturidade at´ final de 2002. a a e Uma das conseq¨ˆncias do desenvolvimento descentralizado ´ a inexistˆncia de um estilo ue e e uniforme ou formata¸˜o bem-definidos para a interface de usu´rio entre os v´rios aplicaca a a tivos, ao contr´rio do que ocorre com software de um propriet´rio. Esta ´ uma heran¸a a a e c parcial do Unix, cujos aplicativos possuem interface de comandos muito heterogˆnea (como e os editores vi e emacs, por exemplo), al´m da ˆnfase em interface de usu´rio baseada em e e a caracteres. N˜o existe consistˆncia de interface de usu´rio entre os v´rios aplicativos a e a a comumente distribu´ ıdos (editores e browsers) nem na forma de configura¸˜o destes aplica cativos ap´s sua instala¸˜o. Tais caracter´ o ca ısticas dificultam o uso destes sistemas e tendem a afastar usu´rios iniciantes. a Instala¸˜o e configura¸˜o dif´ ca ca ıceis Por causa da pr´pria natureza do software livre, e o da maneira como este ´ desenvolvido, os primeiros usu´rios dos programas s˜o programae a a dores e/ou usu´rios avan¸ados, que tˆm pr´tica na instala¸˜o e na utiliza¸˜o de programas a c e a ca ca que ainda se encontram em est´gios finais de desenvolvimento. Estes s˜o os usu´rios que a a a inicialmente definem as caracter´ ısticas adicionais a serem acrescentadas aos programas, e de certa forma definem os parˆmetros sob os quais os programas s˜o usados por todos os a a usu´rios. a Portanto, em compara¸˜o com produtos de prateleira, sistemas como o Linux s˜o mais ca a dif´ ıceis de instalar e configurar, especialmente por usu´rios inexperientes. Esta situa¸˜o a ca tˆm evolu´ rapidamente por causa do aumento da popula¸˜o de usu´rios (massa cr´ e ıdo ca a ıtica) e das demandas por eles impostas. Outro aspecto que tende a dificultar a instala¸˜o e configura¸˜o do ambiente de trabalho ca ca para usu´rios iniciantes ´ o grande n´mero e variedade de aplicativos com fun¸˜es similares a e u co ou equivalentes. Por exemplo, uma distribui¸˜o GNU/Linux cont´m v´rios editores de ca e a texto (vi, emacs, xedit, etc), v´rios programas para leitura de e-mail (netscape, pine, a elm, mutt, etc), v´rios agentes de transmiss˜o de e-mail (sendmail, smail, qmail, exim, a a etc). Enquanto que esta variedade contempla as preferˆncias de diversas classes de usu´rio, e a a escolha e configura¸˜o destes pode ser assustadoramente complexa para um iniciante. ca Finalmente, a administra¸˜o de sistemas como o Linux n˜o ´ tarefa simples porque a ca a e administra¸˜o de um sistema operacional similar ao Unix ´ complexa. Algumas das caca e racter´ ısticas mais interessantes deste sistema operacional, como o sistema de permiss˜es o por exemplo, adiciona um n´ ıvel de complexidade inexistente nas v´rias vers˜es do sisa o tema Windows. H´ uma s´rie de tarefas associadas ` administra¸˜o de sistemas Unix a e a ca que demandam aten¸˜o continuada por pessoal com certo n´ ca ıvel de conhecimento. Estas tarefas s˜o devidamente escondidas dos usu´rios de Windows e MacOS, por exemplo. a a A comunidade de software livre tamb´m est´ se dedicando a minimizar a complexidade e a da administra¸˜o de sistemas. ca Considere-se a instala¸˜o do Windows 98, que ´ relativamente simples e r´pida19 porque ca e a empresas como a Microsoft, cuja clientela ´ majoritariamente de usu´rios inexperientes, e a
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www.openoffice.org Exceto se ocorrer algum problema na detec¸˜o autom´tica do hardware. ca a

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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mant´m departamentos inteiros de pesquisa e desenvolvimento, trabalhando justamente e para para desenvolver interfaces de usu´rio amig´veis e mecanismos de instala¸˜o que a a ca prescindam de interven¸˜o. Enquanto relativamente f´cil, o mecanismo de instala¸˜o e ca a ca administra¸˜o do Windows ´ absolutamente inflex´ ca e ıvel e a facilidade de administra¸˜o ´ ca e ilus´ria. O que ocorre ´ que os usu´rios se habituaram a reinstalar todo o sistema a cada o e a pane. M˜o de obra escassa O sistema operacional Unix ´ muito popular na academia e em a e entidades de pesquisa e desenvolvimento. Estas institui¸˜es tˆm produzido pessoal capaco e citado em quantidade suficiente para administrar e operar redes de m´quinas executando a alguma(s) das v´rias vers˜es de Unix. a o Existem evidˆncias de que em praticamente toda a grande empresa de inform´tica no e a mundo h´ algu´m trabalhando no desenvolvimento de software livre [4, 3]. Na medida em a e que o uso do sistema GNU/Linux se difunde, a demanda por pessoal capacitado para sua instala¸˜o, opera¸˜o e administra¸˜o, bem como por programadores, tende a aumentar. ca ca ca As universidades, principalmente as p´blicas, vˆm formando pessoal qualificado no uso u e e administra¸˜o de sistemas Unix, e mais recentemente em Linux por ser este gratuito ca e especialmente por seu c´digo fonte estar dispon´ o ıvel. H´ indica¸˜es de que o n´mero a co u de t´cnicos qualificados ´ pequeno frente ` demanda e portanto estes t´cnicos torname e a e se m˜o de obra relativamente custosa, tanto para desenvolvimento como para suporte e a administra¸˜o de sistemas. O suporte aos sistemas de software livre n˜o ´ intrinsicamente ca a e mais custoso, o que ocorre ´ que ainda n˜o foi atingida a massa cr´ e a ıtica em termos de usu´rios e conseq¨entemente de pessoal de suporte. A massa cr´ a u ıtica de usu´rios Windows, a por exemplo, foi atingida h´ alguns anos, havendo portanto abundˆncia de pessoal capaz a a de prestar aux´ ılio. Cabe ressaltar que a qualidade do suporte varia muito entre as duas comunidades por causa das restri¸˜es impostas pelo propriet´rio do software. co a As ferramentas de desenvolvimento distribu´ ıdas como software livre s˜o menos amig´veis a a que as vers˜es dispon´ o ıveis comercialmente. Assim, em que pese sua qualidade, as ferramentas de desenvolvimento para Linux s˜o mais primitivas e exigem um maior n´ a ıvel de sofistica¸˜o por parte do desenvolvedor, o que tamb´m aumenta o d´ficit de pessoal ca e e capacitado. Esta situa¸˜o deve se amenizar com o recente lan¸amento pela Borland de ca c ferramentas de desenvolvimento Kylix (Delphi), com suporte ao estilo ‘visual’ de programa¸˜o. ca

1.3.3

Desvantagens Imagin´rias a

Dentre as caracter´ ısticas de software livre que s˜o imaginadas como desvantagens a salientam-se os aspectos listados abaixo e discutidos nos par´grafos seguintes. a • • • • Ausˆncia de propriet´rio ou respons´vel legal; e a a suporte segundo o modelo tradicional ´ inexistente; e instabilidade; e poucos aplicativos comerciais.

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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Ausˆncia de propriet´rio e/ou respons´vel legal Do ponto de vista de uma eme a a presa, um dos problemas mais s´rios com a ado¸˜o de software livre ´ a inexistˆncia de uma e ca e e entidade com identidade jur´ ıdica claramente definida e que seja legalmente respons´vel a pelos programas, aplicativos e sistemas. Em caso de preju´ ızos decorrentes de erros no software, n˜o h´ nenhuma entidade que possa ser responsabilizada civil ou criminalmente a a por eventuais perdas e/ou danos. O simples fato de existir um propriet´rio do software, e portanto legalmente imput´vel, a a n˜o provˆ necessariamente garantia quanto a preju´ a e ızos decorrentes de erros ou falhas nos sistemas. Pelo contr´rio, freq¨entemente o propriet´rio se exime de qualquer responsabia u a lidade por danos ou preju´ ızos decorrentes da utiliza¸˜o correta de seus produtos. Abaixo ca encontra-se uma ilustra¸˜o das pr´ticas adotadas pelos produtores de software comercial, ca a relacionadas ` garantia de seus produtos de software. A garantia mostrada abaixo foi a escolhida por ser representativa daquilo a que a maioria dos usu´rios est´ sujeita, e ´ a a e uma transcri¸˜o da licen¸a de software para o Windows 98 fornecido j´ instalado em um ca c a computador Compaq Presario 1200, adquirido em junho de 2000. GARANTIA E DISPOSICOES ESPECIAIS PARA O BRASIL ¸˜ Garantia Limitada. O Fabricante garante que (a) o SOFTWARE desempenhar´ a suas fun¸˜es substancialmente em conformidade com a documenta¸˜o escrita que co ca o acompanha, por um per´ ıodo de 90 (noventa) dias a contar da data de entrega; e (b) qualquer equipamento Microsoft fornecido juntamente com o SOFTWARE estar´ isento de defeitos com rela¸˜o aos materiais e m˜o-de-obra empregados, por a ca a um per´ ıodo de 1 (um) ano, a contar da data de entrega, sob condi¸˜es normais co de uso e manuten¸˜o. Quaisquer garantias impl´ ca ıcitas com rela¸˜o ao SOFTWARE ca e aos equipamentos Microsoft est˜o limitadas a 90 (noventa) dias e 1 (um) ano, a respectivamente. Direitos do Cliente. A responsabilidade integral do Fabricante e de seus fornecedores e o unico direito de V.Sa. ser´, a crit´rio do Fabricante, (a) a devolu¸˜o do ´ a e ca pre¸o pago, ou alternativamente, (b) o conserto ou substitui¸˜o do SOFTWARE c ca ou equipamento que n˜o satisfa¸a os termos desta Garantia Limitada, sujeito ´ a c a devolu¸˜o do mesmo ao Fabricante juntamente com uma c´pia do respectivo reca o cibo. Esta Garantia Limitada ficar´ prejudicada e n˜o gerar´ efeitos se a falha ou a a a defeito do SOFTWARE ou do equipamento resultar de acidente, utiliza¸˜o abusiva ca ou inadequada. Qualquer SOFTWARE ou equipamento substitu´ ser´ garantido ıdo a pelo prazo remanescente da garantia original ou por 30 (trinta) dias, no caso deste ultimo prazo ser mais extenso. ´ ´ Garantias Unicas. Sujeito ´ legisla¸˜o pertinente, o Fabricante e seus fornea ca cedores n˜o outorgam quaisquer outras garantias, sejam expressas ou impl´ a ıcitas, incluindo, sem limita¸˜o, garantias de comercializa¸˜o ou adequa¸˜o para determica ca ca nada finalidade, com rela¸˜o ao SOFTWARE, documenta¸˜o correlata e qualquer ca ca equipamento que o acompanhe. Esta Garantia Limitada confere a V.Sa. direitos espec´ ıficos. Limita¸˜o de Responsabilidade (Danos Indiretos). Sujeito ´ legisla¸˜o pertica a ca nente, em nenhuma hip´tese o Fabricante ou seus fornecedores ser˜o respons´veis o a a por quaisquer danos (incluindo sem limita¸˜o danos diretos ou indiretos resultantes ca de les˜o corporal, lucros cessantes, interrup¸˜o de neg´cios, perda de informa¸˜es a ca o co

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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ou outros preju´ ızos pecuni´rios) decorrentes de uso ou da impossibilidade de usar a este produto, ainda que o Fabricante tenha sido alertado quanto a possibilidade destes danos. Em qualquer caso, a responsabilidade integral do Fabricante e de seus fornecedores sob este Contrato limitar-se-´ ao valor efetivamente pago por a V.Sa. pelo SOFTWARE e/ou equipamento Microsoft. Este Contrato ´ regido pelas leis da Rep´blica Federativa do Brasil. e u Como fica claro da leitura do texto desta licen¸a, especificamente o item Limita¸˜o de c ca Responsabilidade (Danos Indiretos), o fornecedor se exime de qualquer responsabilidade quanto a compensa¸˜es devidas por preju´ co ızos causados pela utiliza¸˜o do produto mesmo ca que correta de acordo com a documenta¸˜o fornecida. Note ainda que “o SOFTWARE ca desempenhar´ suas fun¸˜es substancialmente em conformidade com a documenta¸˜o esa co ca crita”, indicando que a documenta¸˜o fornecida n˜o ´ uma especifica¸˜o confi´vel do ca a e ca a produto. Em muitas aplica¸˜es, a simples perda de dados, ou perda de tempo por causa co de sistemas que ‘congelam’ pode representar preju´ ızos bastante significativos, mas n˜o h´ a a hip´tese de ressarcimento. o Este tipo de pr´tica comercial s´ ´ poss´ porque produtos de software tˆm status legal a oe ıvel e similar a trabalhos art´ ısticos, n˜o existindo nenhuma garantia de que executar˜o fun¸˜es a a co uteis (mesmo que anunciadas na propaganda), nem de que foram projetados ou produzidos ´ com a tecnologia mais adequada e ` disposi¸˜o do produtor na ´poca em que o produto a ca e foi comercializado. Isso tamb´m significa que, a menos de disposi¸˜es espec´ e co ıficas20 , os produtores do software n˜o s˜o obrigados a corrigir os erros detectados em seus produtos. a a A t´ ıtulo de exemplo, ´ mais f´cil de se obter judicialmente compensa¸˜o de um mecˆnico e a ca a de autom´vel por executar seu trabalho de forma inadequada, do da Microsoft porque o seus produtos n˜o operam de acordo com o anunciado, ou por quaisquer perdas ou danos a causados por erros no, ou falhas do, software vendido por aquela empresa. Quando o fabricante publica corre¸˜es para os erros em seus produtos, a responsabilidade co pela aplica¸˜o dos remendos fica inteiramente por conta do comprador, que deve dispender ca o tempo e a energia para aplicar as ‘corre¸˜es’ a um produto pelo qual j´ pagou. No caso da co a Microsoft, as corre¸˜es s˜o disponibilizadas gratuitamente na Internet, mas o comprador co a deve conectar-se ` rede para obter uma c´pia das corre¸˜es e ent˜o aplic´-las. Periodicaa o co a a mente, uma nova vers˜o do produto que inclui uma s´rie de corre¸˜es ´ publicada, mas a e co e geralmente esta ‘nova’ vers˜o n˜o ´ gratuita. a a e Suporte inexistente pelo modelo tradicional O suporte no modelo tradicional, em regime 24x7, existe para sistemas baseados em software propriet´rio com custos que variam a de acordo com o produto suportado. Como mencionado na Se¸˜o 1.3.1, este tipo de servi¸o ca c j´ est´ dispon´ no Brasil para sistemas baseados em software livre, especialmente Linux. a a ıvel Quanto ao suporte telefˆnico gratuito atrav´s de linhas 0800, na maioria dos casos este o e servi¸o est´ longe de ser satisfat´rio. Portanto, a reclama¸˜o sobre a falta de suporte c a o ca telefˆnico adequado para software livre se aplica a um servi¸o que ´ pouco satisfat´rio o c e o mesmo para software propriet´rio. a Por outro lado, o suporte a software livre dispon´ ıvel atrav´s da Internet ´ considerado e e
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Dispon´ ıveis apenas para clientes especiais.

Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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a ´gil, eficiente e eficaz. Existe um sistema de suporte atrav´s da Internet, provido pela e comunidade Linux brasileira, que ameniza este problema. A lista de discuss˜o dicas-l, a em www.dicas-l.unicamp.br, ´ um meio de difus˜o de not´ e a ıcias e contatos t´cnicos para e usu´rios de software livre, al´m de outros assuntos. O sistema rau-tu21 cont´m um repoa e e sit´rio dinˆmico de informa¸˜es sobre sistemas computacionais, sendo que a se¸˜o sobre o a co ca Linux ´ uma das mais ativas. Existem empresas que prestam servi¸os de treinamento e de e c assistˆncia t´cnica a sistemas baseados em software livre, sendo a mais not´vel delas a Coe e a nectiva, embora n˜o seja a unica. Existem empresas pequenas e profissionais autˆnomos a ´ o que prestam estes mesmos servi¸os. c Instabilidade Existe a falsa cren¸a de que software ‘gr´tis’ n˜o pode ter boa qualidade. c a a H´ confus˜o e alguma falta de informa¸˜o reunidos nesta cren¸a. O software livre n˜o ´ a a ca c a e ‘gr´tis’, embora freq¨entemente seja distribu´ sem custos. Quanto ` falta de informa¸˜o, a u ıdo a ca cumpre lembrar que h´ uma fra¸˜o bastante significativa da infraestrura da Internet que a ca ´ composta por software livre. A pr´pria Internet tornou-se vi´vel por causa da disponie o a bilidade de c´digo fonte de implementa¸˜es da pilha de protocolos TCP/IP22 . De forma o co similar, a linguagem C tornou-se um padr˜o de fato na ind´stria porque o compilador a u gcc estava dispon´ sob a licen¸a GPL, o que permitiu seu transporte para praticamente ıvel c todas as plataformas populares. Os sistemas listados abaixo s˜o distribu´ a ıdos sob as licen¸as mencionadas na Se¸˜o 1.1 c ca e s˜o empregados h´ v´rios anos em fun¸˜es cr´ a a a co ıticas para a Internet, em especial bind, sendmail e apache. bind – o servi¸o de nomes na Internet que faz a tradu¸˜o de uma url para o c ca n´mero IP que lhe corresponde (de www.socinfo.org.br para 200.130. u 37.2), ´ definido pelo protocolo Domain Name Service (DNS), e depende e quase que exclusivamente de bind, ou Berkeley Internet Name Daemon23 . sendmail – o agente de transferˆncia de correio eletrˆnico sendmail24 ´ dise o e tribu´ como software livre e ´ largamente empregado na Internet. ıdo e apache – o servidor de conte´do que ´ usado em pelo menos 40% dos s´ u e ıtios na 25 (ou a patchy server), distribu´ Internet ´ o servidor apache e ıdo como fonte aberto (open source), e como parte de produtos da IBM. A pesquisa da Netcraft indica que o apache det´m mais de 40% do mercado de servidores e de conte´do desde 199726 . u perl – o interpretador perl, ou Practical Extraction and Report Language27 (ou ainda Pathologically Eclectic Rubbish Lister), ´ usado para criar fore mul´rios e p´ginas ativas e ´ um pacote de software livre extremamente a a e popular.
Do Inglˆs how-to, em www.rau-tu.unicamp.br e O c´digo dos protocolos foi disponibilizado pelo Computer Science Research Group da Universidade o de Berkeley no BSD Unix. 23 http://isc.org/bind.html 24 www.sendmail.org 25 www.apache.org 26 Detalhes em http://www.netcraft.co.uk/Survey 27 www.perl.com
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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gcc, emacs, gdb – os editores (emacs), compiladores (gcc, g++, egcs), e depuradores (gdb, xxgdb) desenvolvidos pela Free Software Foundation28 s˜o amplamente usados na ind´stria e academia. a u Poucos aplicativos comerciais Correntemente existem v´rios sistemas de aplica¸˜o a ca comercial dispon´ ıveis como software livre, ou sistemas propriet´rios que foram portados a para o sistema GNU/Linux. Por exemplo, na classe de aplicativos de escrit´rio existem os o pacotes da Applix, StarOffice, Lotus, Corel Word Perfect, al´m dos sistemas Gnome, KDE e e OpenOffice, citados anteriormente. A Oracle comercializa uma vers˜o de seu banco de a dados e aplicativos auxiliares para o sistema GNU/Linux. A Borland29 comercializa o sistema Kylix [25] para desenvolvimento de aplicativos, tamb´m para o sistema GNU/Linux. e Al´m destes, IBM e SAP est˜o disponibilizando vers˜es de aplicativos empresariais para e a o computadores de grande porte para GNU/Linux. O n´mero e a variedade de aplicativos como folha de pagamento, contas a pagar, e simiu lares ´ de fato pequeno. Isso deve-se ` pequena demanda por vers˜es destes sistemas que e a o executem em plataformas livres, o que por sua vez, deve-se ` percep¸˜o pelos empres´rios a ca a do software livre como algo marginal, usado por hackers30 , e de car´ter acadˆmico. Esta a e situa¸˜o decorre da ‘novidade’ do software livre como plataforma para aplica¸˜es comerca co ciais, e do conservadorismo de uma fra¸˜o significativa do empresariado tradicional, que ca por diversas raz˜es, tendem a ser ou ultimos a adotar tecnologias tidas como avan¸adas. o ´ c

1.4

Treinamento e Capacita¸˜o ca

Os autores do estudo intitulado Being Fluent with Information Technology concluem que um programa de capacita¸˜o em tecnologias da informa¸˜o e comunica¸˜es (TICs) deve ca ca co incluir um curr´ ıculo que forne¸a aos alunos fluˆncia no uso do computador, definida como c e “uma firme compreens˜o do que ´ necess´rio para usar efetivamente a tecnologia da ina e a forma¸˜o em uma gama de aplica¸˜es” [15]. Al´m de prover fluˆncia na utiliza¸˜o de softca co e e ca ware, os indiv´ ıduos capacitados devem ser capazes de aplicar a tecnologia da informa¸˜o ca em novos problemas, com a compreens˜o das conseq¨ˆncias desta atividade. Evidentea ue mente, “estas capacidades transcendem aplica¸˜es particulares de hardware e software”. co Uma das dificuldades a serem enfrentadas na ado¸˜o de sistemas de software livre em larga ca escala ´ a necessidade de maior capacita¸˜o dos operadores destes sistemas. Por operadoe ca res entenda-se os t´cnicos que instalam, configuram e mant´m os sistemas em opera¸˜o. e e ca Dada a natureza pr´pria do software livre, especialmente seu modo de desenvolvimento, a o instala¸˜o e configura¸˜o destes sistemas exige maior n´ de conhecimento t´cnico do que ca ca ıvel e simplesmente “inserir o CD e re-instalar o sistema”. A necessidade de maior capacita¸˜o ca ´ a contrapartida ` flexibilidade e configurabilidade do software livre. e a A comunidade de desenvolvedores tem trabalhado e obtido sucesso em simplificar os mecanismos de instala¸˜o e configura¸˜o de sistemas. Por exemplo, a instala¸˜o da vers˜o ca ca ca a
www.gnu.org e www.fsf.org www.borland.com 30 Infelizmente, esta palavra adquiriu uma conota¸˜o pejorativa e ´ freq¨entemente associada a atividades ca e u ilegais. Na sua conota¸˜o original hacker significa “programador (muito) competente”. ca
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

23

dom´stica das distribui¸˜es do sistema GNU/Linux Debian, Red Hat, Conectiva ou Mane co drake, possuem um grau de dificuldade compar´vel ao da instala¸˜o de sistemas comerciais. a ca No caso de sistemas mais complexos e baseados em redes locais, servidores de arquivos e acesso ` Internet, o grau de complexidade ´ evidentemente maior. A grande diferen¸a a e c reside em que os sistemas de software livre s˜o fartamente documentados e podem ser a adaptados e adequados `s necessidades de cada organiza¸˜o. A robustez e confiabilidade a ca destes sistemas libera os t´cnicos para executar atividades mais interessantes do que a e constante re-instala¸˜o de sistemas propriet´rios inst´veis e inseguros. ca a a No que concerne ao usu´rio n˜o-t´cnico, os sistemas de escrit´rio dispon´ a a e o ıveis como software livre possuem graus de usabilidade compar´veis ao de sistemas propriet´rios equivalentes. a a Os sistemas de escrit´rio, especialmente Gnome, KDE, StarOffice e OpenOffice, possuem o funcionalidades similares aos sistemas da Microsoft, e a estabilidade destes sistemas ´ e compar´vel ` de sistemas propriet´rios. a a a Certifica¸˜o Considerando-se o n´ ca ıvel de capacita¸˜o necess´rio aos t´cnicos encarreca a e gados de instalar e manter sistemas de software livre, ´ interessante que sejam criados e mecanismos de certifica¸˜o de t´cnicos. Esta certifica¸˜o poderia contemplar diferentes ca e ca n´ ıveis de capacita¸˜o, como por exemplo a certifica¸˜o de (i) usu´rio que ´ dotado de ca ca a e fluˆncia no uso de sistemas de escrit´rio e Internet, (ii) instalador que ´ capaz de instalar e o e e configurar sistemas relativamente complexos, e de (iii) desenvolvedor que ´ capaz de e projetar e desenvolver aplicativos e sua documenta¸˜o, de acordo com os padr˜es de disca o tribui¸˜o de software livre. A agˆncia facilitadora, ou a entidade homologadora, poderia ca e coordenar, preparar e aplicar os exames de certifica¸˜o nos v´rios n´ ca a ıveis de capacita¸˜o31 ca

1.5

Combate ao Monop´lio da Informa¸˜o o ca

Um dos maiores problemas associados ao software propriet´rio ´ a utiliza¸˜o de formatos a e ca propriet´rios para a codifica¸˜o da informa¸˜o manipulada pelos aplicativos. Este proa ca ca blema ´ especialmente s´rio no caso dos conjuntos de aplicativos para escrit´rio, por causa e e o da popularidade destes aplicativos e pelo virtual monop´lio dos produtos de um unico o ´ fabricante. A discuss˜o que segue exemplifica o problema com o editor de textos, mas a a argumenta¸˜o vale para as planilhas de c´lculo, browsers e outros aplicativos populares. ca a Considere-se, a t´ ıtulo de exemplo, o uso difundido em uma organiza¸˜o de um editor ca de textos que emprega um formato propriet´rio, que chamaremos de formato X1 . Ap´s a o um per´ ıodo inicial de acomoda¸˜o de toda a organiza¸˜o ao novo editor, uma parcela ca ca significativa de toda a documenta¸˜o produzida passa a ser gerada e armazenada com a ca formata¸˜o daquele editor, no formato X1 . ca Devido `s press˜es de mercado, o fornecedor do editor lan¸a uma nova vers˜o do proa o c a duto, com uma s´rie de caracter´ e ısticas adicionais, com um formato X2 que ´ ligeiramente e incompat´ com o formato X1 . Em geral, as novas vers˜es s˜o compat´ ıvel o a ıveis com as (imediatamente) anteriores, exceto pelas novas caracter´ ısticas. Assim que alguma das novidades
Algumas das iniciativas neste sentido s˜o Linux Certified System Engineer Project www.okcforum. a org/~markg/mark/lcse Linux Professional Institute (LPI) www.LPI.org, Linux Certification www. linuxcertification.com, Red Hat Training www.redhat.com/services/training/training.html.
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Cap´ ıtulo 1. Introdu¸˜o ca

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passe a ser usada regularmente por parte relevante da organiza¸˜o (central de pagamenca tos, por exemplo), as c´pias do editor devem ser atualizadas para a ultima vers˜o, para o ´ a que todos os usu´rios possam se beneficiar da ‘novidade’. Se a ‘novidade’ em quest˜o ´ a a e uma melhoria realmente util, o pre¸o da atualiza¸˜o de todas as c´pias pode ter um custo ´ c ca o aceit´vel. Contudo, se a ‘novidade’ for apenas cosm´tica, paga-se um pre¸o talvez elevado a e c por algo de utilidade discut´ ıvel. A pr´tica corrente no mercado ´ o lan¸amento de uma a e c nova vers˜o a cada 18 ou 24 meses, de forma que os custos advindos da situa¸˜o aqui a ca descrita s˜o recorrentes. a Outro problema est´ na incompatibilidade do formato propriet´rio com os formatos de proa a dutos similares. Como a maior parte dos documentos da organiza¸˜o est´ no formato X1 , ca a qualquer proposta de ado¸˜o de outro produto encontrar´ s´rias resistˆncias por causa da ca a e e cultura j´ estabelecida, bem como por causa dos documentos que j´ est˜o no formato X1 a a a e que dever˜o ser convertidos para o novo formato, e dos custos associados a convers˜o a a dos documentos no formato X1 para o formato Y . A possibilidade do uso concorrente de dois formatos incompat´ ıveis n˜o ´ atrativa. a e A situa¸˜o de dependˆncia de um fornecedor de software propriet´rio ´ freq¨ente, quando ca e a e u se considera sistemas de bancos de dados ou outros aplicativos comerciais, por exemplo. Se, ao inv´s de uma unica organiza¸˜o comercial privada, considerarmos a situa¸˜o em e ´ ca ca termos de governo, a gravidade do problema toma dimens˜es cr´ o ıticas. Por exemplo, uma das aplica¸˜es governamentais de maior sucesso no pa´ ´ o sistema de coleta de Declara¸˜es co ıs e co de Imposto de Renda pela Internet. O aplicativo distribu´ pelo Minist´rio da Fazenda, ıdo e atrav´s da Secretaria da Receita Federal, somente executa em sistemas operacionais da e Microsoft. Se o contribuinte n˜o possuir este um destes sistemas, ele ´ obrigado a preencher a e um formul´rio em papel, que ser´ tratado somente ap´s o processamento de todos os a a o formul´rios entregues por via eletrˆnica. Desta forma, o pr´prio Governo Federal induz o a o o cidad˜o a adquirir produtos de um unico fornecedor. a ´ Al´m do Imposto de Renda, v´rias outras instˆncias de governo adotam postura similar. e a a Na ´rea de pesquisa e desenvolvimento, as duas maiores agˆncias federais de fomento ` a e a pesquisa, exigem que as solicita¸˜es de recursos sejam enviadas atrav´s de formul´rios co e a eletrˆnicos que somente podem ser preenchidos em determinados produtos da Microsoft. o As universidades p´blicas s˜o obrigadas a dispender parte de seu or¸amento na aquisi¸˜o u a c ca de software propriet´rio se desejarem obter recursos daquelas agˆncias [2]. a e Do ponto de vista do pa´ como um todo, a domina¸˜o do mercado de aplicativos de esıs ca crit´rio por um unico fornecedor estrangeiro, de tal forma que uma parcela grande da ecoo ´ nomia nacional depende destes sistemas, pode ter conseq¨ˆncias no m´ ue ınimo desagrad´veis a em caso de quebra daquele fornecedor, ou de dist´rbios nas rela¸˜es entre o Brasil e o u co pa´ sede do fornecedor. Sendo este fornecedor estrangeiro, a virtual obrigatoriedade da ıs aquisi¸˜o destes produtos, como discutido acima, onera o balan¸o de pagamentos do pa´ ca c ıs. A ado¸˜o de Software Livre nestes casos reduziria a transferˆncia de recursos para o exca e terior, que ´ inescap´vel por causa do monop´lio. A migra¸˜o de sistemas propriet´rios e a o ca a amplamente difundidos para software livre n˜o ocorreria sem os custos associados ` insa a tala¸˜o dos aplicativos e ao treinamento dos usu´rios. Estas atividades possibilitariam a ca a cria¸˜o de novos empregos em pequenas e m´dias empresas de desenvolvimento, suporte ca e e manuten¸˜o [3, 16]. Os incentivos ` ado¸˜o de software livre s˜o discutidos em mais ca a ca a detalhe no Cap´ ıtulo 2.

Cap´ ıtulo 2

Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca
2.1 A¸˜es de Governo co

O Cap´ ıtulo 1 define software livre e enumera as vantagens advindas de sua utiliza¸˜o. No ca Brasil, a utiliza¸˜o de software livre vem crescendo rapidamente nos ultimos anos, conforme ca ´ demonstra a pesquisa conduzida pelo Grupo Tem´tico de Pesquisa e Desenvolvimento a deste Programa [12]. Apesar do crescimento e da divulga¸˜o na m´ ca ıdia, ainda n˜o se a estabeleceu no pa´ uma comunidade suficientemente grande para manter-se de forma ıs auto-sustentada. Para que isso ocorra, s˜o necess´rias a¸˜es em n´ a a co ıvel de governo para incentivar a ado¸˜o de software livre no pr´prio governo e em suas agˆncias. A demanda, ca o e em termos de servi¸os e desenvolvimento, gerada pelas aplica¸˜es governamentais criaria c co as condi¸˜es para o estabelecimento de uma comunidade de usu´rios e desenvolvedores co a capaz de manter-se ativa indefinidamente. A pr´xima se¸˜o cont´m uma breve descri¸˜o dos sistemas em uso nos trˆs n´ o ca e ca e ıveis de governo e indica as oportunidades para a ado¸˜o de solu¸˜es baseadas em software livre. ca co A Se¸˜o 2.1.2 lista uma s´rie de a¸˜es que devem ser executadas pelos governos para ca e co acelerar a ado¸˜o de software livre nas aplica¸˜es em que seu uso n˜o seja invi´vel. ca co a a

2.1.1

Sistemas de Informa¸˜o de Governo ca

A grosso modo, os sistemas de informa¸˜o de governo dividem-se em quatro classes: (i) sisca temas de grande porte, (ii) sistemas de administra¸˜o interna, (iii) sistemas de intera¸˜o ca ca com o cidad˜o, e (iv) sistemas de escrit´rio. Estas classes de sistemas representam difea o rentes desafios e oportunidades para a ado¸˜o de solu¸˜es baseadas em software livre. ca co Dentre os sistemas de grande porte enquadram-se aqueles que armazenam e processam as bases de dados com informa¸˜es sobre os cidad˜os adstritos ` esfera administrativa da co a a Uni˜o, Estado ou Munic´ a ıpio. Por exemplo, as bases de dados do Departamento Nacional de Trˆnsito (DENATRAN) mant´m registros sobre toda a frota automotiva do pa´ bem a e ıs, como de todos os cidad˜os habilitados a conduzir ve´ a ıculos automotores. No n´ estadual ıvel o DETRAN mant´m um sub-conjunto das bases nacionais, e no n´ municipal o DIREe ıvel TRAN mant´m um sub-conjunto das bases estaduais. Normalmente, estes sistemas s˜o e a implantados em plataformas de grande porte e os aplicativos evoluem lentamente.

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Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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Nos sistemas de administra¸˜o interna est˜o inclu´ ca a ıdos os sistemas de armazenamento e processamento de informa¸˜es administrativas do pr´prio governo, tais como controle de co o patrimˆnio e folha de pagamento. Normalmente, estes sistemas s˜o implantados em plao a taformas que s˜o “proporcionais” ao porte da unidade federativa ou administrativa. Estes a sistemas tamb´m evoluem com relativa lentid˜o. e a Dentre os sistemas de intera¸˜o com o cidad˜o destacam-se os programas como os da Reca a ceita Federal para fins de declara¸˜o de rendimentos de pessoa f´ ca ısica ou pessoa jur´ ıdica, das Receitas Estaduais para fins de arrecada¸˜o de tributos estaduais, e sistemas de inca forma¸˜o ao cidad˜o. ca a Os sistemas de escrit´rio incluem os aplicativos b´sicos tais como editores de texto, plao a nilhas eletrˆnicas e sistemas de correio eletrˆnico. Estes programas s˜o usados em tareo o a fas administrativas rotineiras, e em alguns sistemas administrativos de menor porte ou abrangˆncia. e Sistemas de Grande Porte Os sistemas de grande porte de n´ ıvel nacional, e nos estados mais populosos, possuem caracter´ ısticas de sistemas legados porque est˜o em uso h´ v´rios anos e vem sendo adapa a a tados em fun¸˜o de altera¸˜es na legisla¸˜o e nas pr´ticas de administra¸˜o p´blica. Os ca co ca a ca u conte´dos das bases de dados geralmente est˜o codificados com formatos propriet´rios e u a a cont´m milh˜es de registros, coletados ao longo de v´rios anos. A migra¸˜o destes sistemas e o a ca para plataformas livres pode ter custos elevados por conta da dificuldade na tradu¸˜o do ca c´digo do aplicativo para uma linguagem aberta, e na transcodifica¸˜o dos dados para o ca um formato n˜o-propriet´rio. Apesar da possibilidade de os custos serem elevados, a a a transcodifica¸˜o dos dados para formatos abertos e n˜o-propriet´rios libera o Estado do ca a a relacionamento com caracter´ ısticas monopolistas com o fabricante do sistema. Os mecanismos de acesso a estas bases de dados podem ser alterados de forma a que inteligˆncia mantida nos programas usados para consultas (clientes) seja transferida para um e programa instalado junto `s bases de dados que realize as consultas (servidor), de maneira a similar aos servi¸os banc´rios dispon´ c a ıveis na Internet. Assim, o usu´rio necessita usar apea ´ nas um browser para interagir com os aplicativos e com as bases de dados1 . E importante garantir que os programas no servidor obede¸am fielmente aos protocolos de comunica¸˜o c ca abertos e a formatos de dados que sejam abertos e de acesso p´blico. Caso contr´rio, u a grupos de usu´rios podem ser exclu´ a ıdos do acesso `s informa¸˜es simplesmente porque os a co browsers que usam n˜o tem capacidade para exibir dados, ou executar programas, que a necessitem de tecnologias propriet´rias para funcionar. a Sistemas Administrativos A disponibilidade de sistemas administrativos desenvolvidos como software livre pode criar as condi¸˜es para que munic´ co ıpios pequenos venham a empregar sistemas de informa¸˜o ca relativamente sofisticados, aumentando assim a eficiˆncia e efic´cia no uso dos recursos e a
Por exemplo, o Estado do Paran´ disponibiliza v´rios servi¸os ao cidad˜o atrav´s da Internet segundo a a c a e este modelo.
1

Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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p´blicos. Isso traria economia em licen¸as, na utiliza¸˜o continuada de equipamentos pr´u c ca e existentes, e nas eventuais adapta¸˜es e evolu¸˜o dos aplicativos. Dependendo do tipo co ca de sistema, a manuten¸˜o do software poderia ficar sob responsabilidade de entidades ca p´blicas (prefeituras ou estados com maior capacidade tecnol´gica), ou de entidades como u o o Instituto Brasileiro de Administra¸˜o Municipal (IBAM), por exemplo. ca Sistemas de Intera¸˜o com o Cidad˜o ca a Quanto aos sistemas de intera¸˜o com o cidad˜o, h´ um exemplo ´bvio de cerceamento ca a a o da liberdade do cidad˜o, que ´ o sistema de declara¸˜o eletrˆnica de rendimentos de a e ca o pessoa f´ ısica da Receita Federal. O sistema disponibilizado pela Receita, em que pesem suas v´rias qualidades t´cnicas e de usabilidade, somente pode ser executado em sistemas a e vendidos pela Microsoft. Quem n˜o dispuser de alguma vers˜o de Windows deve preencher a a um formul´rio em papel, formul´rio este que ser´ processado pela Receita posteriormente a a a a todas as declara¸˜es entregues em formul´rios eletrˆnicos. Esta ´ uma situa¸˜o que co a o e ca deve e pode ser evitada porque ela limita o acesso do cidad˜o `s melhorias de servi¸os a a c possibilitadas pela tecnologia. Al´m disso, existe o aspecto ´tico da quest˜o em que e e a um ´rg˜o importante do Governo Federal age para refor¸ar a domina¸˜o monopolista no o a c ca mercado brasileiro de software de uso pessoal ao prover um sistema extremamente util, ´ mas que s´ pode ser executado em sistemas vendidos por uma unica empresa estrangeira. o ´ Sistemas de Escrit´rio o A utiliza¸˜o de software livre em programas de escrit´rio ´ um desafio maior que os ca o e descritos at´ agora porque envolve o re-treinamento de grande n´mero de usu´rios. Al´m e u a e disso, dever´ ser efetuada a migra¸˜o de grandes volumes de documentos e dados, que a ca em sua maioria s˜o correntemente armazenados em formatos propriet´rios, para formatos a a abertos. Estas duas atividades demandar˜o cuidadoso planejamento e execu¸˜o. Existem a ca v´rias iniciativas neste sentido, destacando-se entre elas os governos municipais de Belo a Horizonte, Campinas, Porto Alegre e S˜o Paulo, e do governo estadual do Rio Grande do a 2 . Apesar dos custos envolvidos, a troca de sistemas propriet´rios para sistemas abertos, Sul a e a migra¸˜o de dados para formatos abertos ser˜o ben´ficos para os administradores ca a e p´blicos, pela redu¸˜o nos gastos com compra, uso e manuten¸˜o de software, para o u ca ca contribuinte e a sociedade, pelo melhor uso dos recursos p´blicos, oportunidades para u desenvolvimento local de software, e principalmente o controle sobre os aplicativos e dados usados como insumos da gest˜o dos recursos p´blicos. a u

2.1.2

A¸˜es de Incentivo co

A discuss˜o sobre as vantagens t´cnicas e s´cio-econˆmicas inerentes ao modelo de a e o o produ¸˜o e utiliza¸˜o de software livre na Se¸˜o 1.3, juntamente com as oportunidades de ca ca ca utiliza¸˜o apresentadas acima, demonstram a necessidade de a¸˜es em n´ ca co ıvel de governo para promover e incentivar a ado¸˜o de software livre em escala nacional. ca
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www.softwarelivre.rs.gov.br

Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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Os trˆs n´ e ıveis de governo devem incentivar a ado¸˜o de software livre em suas pr´prias ca o atividades. A ado¸˜o e recomenda¸˜o de uso de software livre implicar´ em v´rios tipos ca ca a a de demandas que, em curto e m´dio prazo, ter˜o o efeito de criar as condi¸˜es para o e a co estabelecimento da massa cr´ ıtica de usu´rios e desenvolvedores no pa´ Al´m disso, o a ıs. e incentivo governamental sinaliza ao mercado produtor de software sobre a necessidade de adapta¸˜o a este modo de produ¸˜o, e sobre a necessidade de capacita¸˜o de desenvolveca ca ca dores e usu´rios, al´m das atividades de suporte. a e As atividades de promo¸˜o devem incluir as a¸˜es listadas abaixo e descritas em maior ca co detalhe nos pr´ximos par´grafos. Alguns t´picos desta lista foram adaptados de recoo a o menda¸˜es contidas em [17, 16, 18, 14]. co • • • • • • • • • • Incentivo ao uso de software livre; recomenda¸˜o para ado¸˜o de software livre; ca ca uso do poder de compra; ado¸˜o priorit´ria de protocolos abertos; ca a aquisi¸˜o de direitos sobre o c´digo fonte de todo o software; ca o implanta¸˜o de mecanismos de financiamento; ca cria¸˜o de incentivos fiscais ao uso e desenvolvimento; ca implanta¸˜o de mecanismos de capacita¸˜o ao uso; ca ca cria¸˜o de uma agˆncia facilitadora; e ca e avalia¸˜o do impacto econˆmico e social. ca o

´ Incentivo ao uso de software livre E necess´rio um esfor¸o no sentido de esclarecer, a c e talvez at´ mesmo de convencer, a todos os n´ e ıveis decis´rios da Administra¸˜o P´blica o ca u quanto `s vantagens decorrentes da ado¸˜o de software livre, para que solu¸˜es baseadas a ca co nestas tecnologias sejam consideradas como bons candidatos ` ado¸˜o pelas institui¸˜es a ca co de governo. Recomenda¸˜o para ado¸˜o de software livre Os governos, al´m de incentivar o ca ca e uso e a ado¸˜o de software livre, devem tamb´m recomendar a ado¸˜o de solu¸˜es baseadas ca e ca co em software livre nas institui¸˜es de governo, p´blicas e autarquias. Estas recomenda¸˜es co u co devem obrigar a que sistemas de software livre sejam considerados para aquisi¸˜o sempre ca que tais sistemas ofere¸am alternativas vi´veis a sistemas propriet´rios. c a a Uso do poder de compra O poder de compra do Estado deve ser usado atrav´s de e abertura para a participa¸˜o de sistemas abertos baseados em software livre nas licita¸˜es ca co e concorrˆncias para aquisi¸˜o de sistemas e servi¸os, sempre que isso for adequado e e ca c poss´ ıvel. As compras governamentais geralmente s˜o de grande escala, e isso representa a um atrativo comercial significativo. Al´m disso, os sistemas adotados pelo governo tendem e a se tornar padr˜es de fato, se j´ n˜o o s˜o de direito. o a a a Ado¸˜o priorit´ria de protocolos abertos A obrigatoriedade da ado¸˜o de protoca a ca colos abertos ´ uma salvaguarda imprescind´ para evitar que o Estado fique ref´m de e ıvel e

Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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tecnologias propriet´rias, como discutido na Se¸˜o 1.5. Mantendo-se as tendˆncias atuais, a ca e e nada indica que haver´ mudan¸as, grande parte da intera¸˜o do cidad˜o com o Estado a c ca a passar´ a se dar atrav´s da Internet. Se os protocolos de comunica¸˜o empregados em a e ca aplica¸˜es governamentais n˜o forem abertos, outras ´reas importantes de atua¸˜o do Esco a a ca tado podem ficar comprometidas em situa¸˜es similares `quela do Imposto de Renda, o co a que seria catastr´fico para a cidadania. o A concep¸˜o do Sistema do Cart˜o Nacional de Sa´de3 (SCNS) ´ pioneira na ado¸˜o de ca a u e ca protocolos abertos em um sistema de governo de ˆmbito nacional [10, 7]. Todos os proa tocolos de comunica¸˜o em uso no SCNS s˜o abertos e publicados pelo IETF ou W3C. ca a Em iniciativa paralela ` implanta¸˜o do SCNS, o Minist´rio da Sa´de publica na Intera ca e u net a defini¸˜o dos dicion´rios de dados (DTDs XML) que devem ser empregados na ca a comunica¸˜o entre os diversos aplicativos da ´rea de atua¸˜o daquele Minist´rio. Todo o ca a ca e software produzido pelos fornecedores do projeto SCNS ´ de propriedade do Minist´rio da e e Sa´de. u Aquisi¸˜o de direitos sobre o c´digo fonte de todo o software Todos os sistemas ca o adquiridos pelo Estado devem ser fornecidos com todo o c´digo fonte dos programas, bem o como de todos os m´todos e mecanismos de adequa¸˜o destes sistemas ` sua utiliza¸˜o e ca a ca (configura¸˜es e/ou ajustes). Isso evitaria dois problemas s´rios enfrentados pelos goverco e nos, que s˜o a obsolescˆncia dos formatos de armazenamento de dados, e a dificuldade de a e adapta¸˜o dos sistemas para novos usos e aplica¸˜es. ca co Implanta¸˜o de mecanismos de financiamento Considerando-se os benef´ ca ıcios para a sociedade da produ¸˜o e distribui¸˜o de software livre, as atividades associadas ` ca ca a produ¸˜o de software livre deveria ser financiadas pelos governos, especialmente aqueles ca projetos de interesse p´blico, ou aplica¸˜es que n˜o despertam o interesse de produtou co a res tradicionais de software. Tal financiamento poderia se dar de forma institucional, atrav´s do qual uma ou mais entidades s˜o contratadas para desenvolver um conjunto de e a aplicativos. Dentre os poss´ ıveis atores institucionais destacam-se institui¸˜es de ensino, co organiza¸˜es n˜o governamentais ou empresas p´blicas. co a u Incentivos fiscais ao uso e desenvolvimento O governo poderia criar incentivos fiscais `s empresas que produzem e/ou distribuem software livre, ou que o utilizem de a forma intensa. Estes mecanismos poderiam ser extens˜es da legisla¸˜o vigente sobre a o ca produ¸˜o de software. Os incentivos fiscais se justificam plenamente pela economia de ca divisas advinda da utiliza¸˜o de software n˜o-importado, pelo est´ ca a ımulo ao desenvolvimento auto-sustentado de software livre no Brasil, e por gerar demanda pelo trabalho de desenvolvedores brasileiros. Implanta¸˜o de mecanismos de capacita¸˜o ao uso O conjunto de institui¸˜es ca ca co que provˆ treinamento em larga escala sobre produtos de software livre ´ relativamente e e pequeno. S˜o portanto necess´rias medidas de incentivo aos programas de treinamento, a a bem como aux´ financeiro a institui¸˜es que desejem treinar sua for¸a de trabalho para ılio co c
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www.saude.gov.br/cartao

Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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a aplica¸˜o de tecnologias baseadas em software livre. Tais medidas permitiriam acelerar ca a utiliza¸˜o de software livre, especialmente em pequenas e m´dias empresas. ca e Agˆncia facilitadora Uma agˆncia governamental devotada a promover a utiliza¸˜o e e ca de software livre se encarregaria do processo de avalia¸˜o, e do desenvolvimento e ado¸˜o ca ca de produtos e tecnologias baseados em software livre, tanto no governo como pela sociedade. Esta agˆncia teria a responsabilidade de publicar diretivas quanto ` qualidade dos e a produtos, prepara¸˜o de material informativo sobre a tecnologia de software livre, e deveca ria cooperar na resolu¸˜o de problemas associados a patentes de software. Al´m disso, a ca e agˆncia suportaria a formula¸˜o de pol´ e ca ıticas de governo para a ado¸˜o de software livre, ca e na prepara¸˜o, e ado¸˜o, de crit´rios de financiamento a projetos de informatiza¸˜o que ca ca e ca contemplem as peculiaridades do software livre. Esta agˆncia tamb´m deveria manter uma “bolsa de software livre” atrav´s da qual projee e e tos de grande interesse social seriam distribu´ ıdos a candidatos ao desenvolvimento destes projetos, possivelmente mediante alguma forma de remunera¸˜o ou acesso ` equipamentos ca a e infra-estrutura. Uma tarefa importante da Agˆncia seria o incentivo ao desenvolvimento e de aplicativos de interesse exclusivo do Brasil ou da comunidade de L´ ıngua Portuguesa. Avalia¸˜o do impacto econˆmico e social O impacto econˆmico e social da ado¸˜o ca o o ca de software livre ´ dif´ de avaliar porque n˜o existem indicadores s´cio-econˆmicos aproe ıcil a o o ´ priados. E portanto necess´rio trabalho de pesquisa para o desenvolvimento destes india cadores, pois seu uso permitiria aloca¸˜o mais eficiente de esfor¸os e recursos, bem como ca c melhor utiliza¸˜o do potencial do software livre pela sociedade. ca Homologa¸˜o de Software Livre ca ´ E necess´rio estabelecer uma entidade que efetue a avalia¸˜o de pacotes de software livre a ca e os homologue com rela¸˜o a usabilidade, confiabilidade, seguran¸a, documenta¸˜o e ca c ca conflitos de propriedade. Esta Entidade Homologadora publicaria os resultados de suas avalia¸˜es, de forma a que a informa¸˜o quanto a qualidade geral dos pacotes/programas co ca seja amplamente dispon´ ıvel. As fun¸˜es da Entidade Homologadora, incluem as listadas co abaixo. • • • • • Reposit´rios de c´digo homologado para acesso via Internet; o o reposit´rios de documenta¸˜o e/ou FAQs4 ; o ca mecanismo de assistˆncia t´cnica estilo 0800; e e servi¸o de busca de solu¸˜es (existe pacote que resolva um certo problema?); e c co forma¸˜o, capacita¸˜o e treinamento. ca ca

Quanto ` organiza¸˜o e ao financiamento da entidade, ela poderia estar associada a ca a ` Agˆncia Facilitadora, ou preferencialmente poderia estar associada a ´rg˜os n˜oe o a a governamentais, universidades ou institutos de pesquisa. Pela pr´pria natureza do software o livre, ´ importante que a Agˆncia Facilitadora e a Entidade Homologadora sejam entidades e e de car´ter p´blico, para garantir que sejam mantidas as liberdades do software. a u
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Frequently Asked Questions.

Cap´ ıtulo 2. Incentivos ` Ado¸˜o de Software Livre a ca

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Agradecimentos Este trabalho foi parcialmente financiado pelo Programa das Na¸˜es Unidas para o Deco senvolvimento, Projeto PNUD BRA/99/021, contrato 2001/003574. V´rias pessoas colaboraram com o autor na prepara¸˜o deste documento. O autor agradece a ca a Eduardo Tadao Takahashi, Gorgonio Ara´jo, Hans Liesenberg, H´lio Pedrini, Marcos u e Castilho, Marcos Suny´, Pablo J Madril, Rubens Queiroz de Almeida, Wagner Zola, e e especialmente a Renato J S Carmo. Quaisquer erros ou imprecis˜es s˜o de responsabilidade o a do autor.

Apˆndice A e

Licen¸as de Software Livre c
Este apˆndice cont´m v´rios exemplos de licen¸as empregadas na publica¸˜o de software e e a c ca livre. Sempre que poss´ ıvel, o texto cont´m a vers˜o em Portuguˆs da respectiva licen¸a. e a e c Os textos das Se¸˜es A.1 e A.2 s˜o vers˜es das p´ginas dispon´ co a o a ıveis em www.fsf.org e foram editadas para remover material que n˜o pertence `s licen¸as propriamente ditas. a a c

A.1

O Projeto GNU e a Funda¸˜o para o Software Livre ca

Segundo a Free Software Foundation Software Livre ´ uma quest˜o de liberdade, n˜o de e a a pre¸o. Para entender o conceito, vocˆ deve pensar em liberdade de express˜o, n˜o em c e a a cerveja gr´tis1 . a Software livre se refere ` liberdade dos usu´rios executarem, copiarem, distribu´ a a ırem, estudarem, modificarem e aperfei¸oarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro c tipos de liberdade, para os usu´rios do software: a • A liberdade de executar o programa, para qualquer prop´sito (liberdade o no. 0). • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adapt´-lo para as a suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao c´digo-fonte ´ um pr´-reo e e quisito para esta liberdade. • A liberdade de redistribuir c´pias de modo que vocˆ possa ajudar ao seu o e pr´ximo (liberdade no. 2). o • A liberdade de aperfei¸oar o programa, e publicar os seus aperfei¸oamenc c tos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao c´digo-fonte ´ um pr´-requisito para esta liberdade. o e e Um programa ´ software livre se os usu´rios tem todas essas liberdades. Portanto, vocˆ e a e deve ser livre para redistribuir c´pias, seja com ou sem modifica¸˜es, seja de gra¸a ou o co c cobrando uma taxa pela distribui¸˜o, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para ca fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que vocˆ n˜o tem que pedir ou pagar pela e a permiss˜o. a
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Em inglˆs: free software versus free beer. e

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Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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Vocˆ deve tamb´m ter a liberdade de fazer modifica¸˜es e usa-las privativamente no seu e e co trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se vocˆ publica as moe difica¸˜es, vocˆ n˜o deve ser obrigado a avisar a ningu´m em particular, ou de nenhum co e a e modo em especial. Para que a liberdade de fazer modifica¸˜es, e de publicar vers˜es aperfei¸oadas, seja significo o c cativa, vocˆ deve ter acesso ao c´digo-fonte do programa. Portanto, acesso ao c´digo-fonte e o o ´ uma condi¸˜o necess´ria ao software livre. e ca a Vocˆ pode ter pago em dinheiro para obter c´pias do software GNU, ou vocˆ pode ter e o e obtido c´pias sem custo nenhum. Independentemente de como vocˆ obteve a sua c´pia, o e o vocˆ sempre tem a liberdade de copiar e modificar o software. e Para que essas liberdades sejam reais, elas tem que ser irrevog´veis desde que vocˆ n˜o a e a fa¸a nada errado; caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licen¸a, c c mesmo que vocˆ n˜o tenha dado motivo, o software n˜o ´ livre. e a a e Entretanto, certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre s˜o aceit´veis, a a quando elas n˜o entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft a (apresentado de forma bem simples) ´ a regra de que, quando redistribuindo um programa, e vocˆ n˜o pode adicionar restri¸˜es para negar para outras pessoas as liberdades principais. e a co Esta regra n˜o entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege. a Regras sobre como empacotar uma vers˜o modificada s˜o aceit´veis, se elas n˜o acabam a a a a bloqueando a sua liberdade de liberar vers˜es modificadas. Regras como “se vocˆ tornou o e o programa dispon´ deste modo, vocˆ tamb´m tem que torna-lo dispon´ deste outro ıvel e e ıvel modo” tamb´m podem ser aceitas, da mesma forma. Note que tal regra ainda deixa para e vocˆ a escolha de tornar o programa dispon´ ou n˜o. e ıvel a No projeto GNU, n´s usamos copyleft para proteger estas liberdades legalmente para o todos. Tamb´m existe software livre que n˜o ´ copyleft. N´s acreditamos que hajam e a e o raz˜es importantes pelas quais ´ melhor usar o copyleft, mas se o seu programa ´ softwareo e e livre mas n˜o ´ copyleft, n´s ainda podemos utiliza-lo. a e o ` As vezes regras de controle de exporta¸˜o e san¸˜es de com´rcio podem limitar a sua liberca co e dade de distribuir c´pias de programas inter-nacionalmente. Desenvolvedores de software o n˜o tem o poder para eliminar ou sobrepor estas restri¸˜es, mas o que eles podem e devem a co fazer ´ se recusar a impˆ-las como condi¸˜es para o uso dos seus programas. Deste modo, e o co as restri¸˜es n˜o afetam as atividades e as pessoas fora da jurisdi¸˜o destes governos. co a ca Quando falando sobre o software livre, ´ melhor evitar o uso de termos como “dado” ou e “de gra¸a”, porque estes termos implicam que a quest˜o ´ de pre¸o, n˜o de liberdade. c a e c a Alguns termos comuns como “pirataria” englobam opini˜es que n´s esperamos vocˆ n˜o o o e a endossaria. Outro grupo (www.opensource.org) iniciou o uso do termo software aberto para significar algo pr´ximo (mas n˜o idˆntico) a “software livre”. o a e Copyright c 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Free Software Foundation, Inc., 59 Temple Place - Suite 330, Boston, MA 02111, USA. A c´pia fiel e a distribui¸˜o deste artigo completo ´ permitida em qualquer meio, desde o ca e que esta nota seja preservada. 21 Jan 2001 fsl

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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Traduzido por: Fernando Lozano fsl@centroin.com.br Texto original dispon´ em www.fsf.org/philosophy/free-sw.pt.html ıvel

A.2

GPL – Licen¸a P´ blica Geral GNU c u

GNU GENERAL PUBLIC LICENSE Version 2, June 1991 This is an unofficial translation of the GNU General Public License into Portuguese. It was not published by the Free Software Foundation, and does not legally state the distribution terms for software that uses the GNU GPL – only the original English text of the GNU GPL does that. However, we hope that this translation will help Portuguese speakers understand the GNU GPL better. Copyright c 1989, 1991 Free Software Foundation, Inc. 675 Mass Ave, Cambridge, MA 02139, USA ´ E permitido a qualquer pessoa copiar e distribuir c´pias tal desse documento de licen¸a, o c sem a implementa¸˜o de qualquer mudan¸a. ca c

A.2.1

Preˆmbulo a

As licen¸as de muitos softwares s˜o desenvolvidas para cercear a liberdade de uso, comc a partilhamento e mudan¸as. A Licen¸a P´blica Geral GNU ao contr´rio, pretende garantir c c u a a liberdade de compartilhar e alterar softwares de livre distribui¸˜o - tornando-os de livre ca distribui¸˜o tamb´m para quaisquer usu´rios. A Licen¸a P´blica Geral aplica-se ` maica e a c u a oria dos softwares da Free Software Foundation e a qualquer autor que esteja de acordo de utiliz´-la (alguns softwares da FSF s˜o cobertos pela GNU Library General Public a a License). Quando nos referimos a softwares de livre distribui¸˜o, referimo-nos ` liberdade e n˜o ao ca a a pre¸o. Nossa Licen¸a P´blica Geral foi criada para garantir a liberdade de distribui¸˜o c c u ca de c´pias de softwares de livre distribui¸˜o (e cobrar por isso caso seja do interesse do o ca distribuidor), o qual recebeu os c´digos fonte, o qual pode ser alterado ou utilizado em o parte em novos programas. Para assegurar os direitos dos desenvolvedores, algumas restri¸˜es s˜o feitas, proibindo co a a todas as pessoas a nega¸˜o desses direitos ou a solicita¸˜o de sua abdica¸˜o. Essas ca ca ca restri¸˜es aplicam-se ainda a certas responsabilidades sobre a distribui¸˜o ou modifica¸˜o co ca ca do software. Por exemplo, ao se distribuir c´pias de determinado programa, por uma taxa determinada o ou gratuitamente, deve-se informar sobre todos os direitos incidentes sobre esse programa, assegurando-se que os fontes estejam dispon´ ıveis assim como a Licen¸a P´blica Geral GNU. c u A prote¸˜o dos direitos envolve dois passos: (1) copyright do software e (2) licen¸a que ca c d´ permiss˜o legal para c´pia, distribui¸˜o e/ou modifica¸˜o do softwares. Ainda para a a a o ca ca prote¸˜o da FSF e do autor ´ importante que todos entendam que n˜o h´ garantias para ca e a a softwares de livre distribui¸˜o. Caso o software seja modificado por algu´m e passado ca e adiante, este software n˜o mais refletir´ o trabalho original do autor n˜o podendo portanto a a a

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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ser garantido por aquele. Finalmente, qualquer programa de livre distribui¸˜o ´ constantemente amea¸ado pelas ca e c patentes de softwares. Buscamos evitar o perigo de que distribuidores destes programas obtenham patentes individuais, tornado-se seus donos efetivos. Para evitar isso foram feitas declara¸˜es expressas de que qualquer solicita¸˜o de patente deve ser feita permitindo co ca o uso por qualquer indiv´ ıduo, sem a necessidade de licen¸a de uso. c Os termos e condi¸˜es precisas para c´pia, distribui¸˜o e modifica¸˜o seguem abaixo: co o ca ca

A.2.2

Licen¸a P´ blica Geral GNU c u

´ TERMOS E CONDICOES PARA COPIA, DISTRIBUICAO E MODIFICACAO ¸˜ ¸˜ ¸˜ 0 Esta licen¸a se aplica a qualquer programa ou outro trabalho que contenha um aviso c colocado pelo detentor dos direitos autorais dizendo que aquele poder´ ser distribu´ nas a ıdo condi¸˜es da Licen¸a P´blica Geral. O Programa, abaixo refere-se a qualquer software co c u ou trabalho e a um trabalho baseado em um Programa e significa tanto o Programa em si como quaisquer trabalhos derivados de acordo com a lei de direitos autorais, o que significa dizer, um trabalho que contenha o Programa ou uma parte deste, na sua forma original ou com modifica¸˜es ou traduzido para uma outra l´ co ıngua (tradu¸˜o est´ inclu´ ca a ıda sem limita¸˜es no termo modifica¸˜o). co ca Atividades distintas de c´pia, distribui¸˜o e modifica¸˜o n˜o est˜o cobertas por esta Lio ca ca a a cen¸a, estando fora de seu escopo. O ato de executar o Programa n˜o est´ restringido e a c a a sa´ do Programa ´ coberta somente caso seu conte´do contenha trabalhos baseados no ıda e u Programa (independentemente de terem sidos gerados pela execu¸˜o do Programa). Se ca isso ´ verdadeiro depende das fun¸˜es executadas pelo Programa. e co 1 O c´digo fonte do Programa, da forma como foi recebido, pode ser copiado e diso tribu´ ıdo, em qualquer media, desde que seja providenciada um aviso adequado sobre os copyrights e a nega¸˜o de garantias, e todos os avisos que se referem ` Licen¸a P´blica ca a c u Geral e ` ausˆncia de garantias estejam inalterados e que qualquer produtos oriundo do a e Programa esteja acompanhado desta Licen¸a P´blica Geral. c u ´ E permitida a cobran¸a de taxas pelo ato f´ c ısico de transferˆncia ou grava¸˜o de c´pias, e e ca o podem ser dadas garantias e suporte em troca da cobran¸a de valores. c 2 Pode-se modificar a c´pia ou c´pias do Programa de qualquer forma que se deseje, ou o o ainda criar-se um trabalho baseado no Programa, e copi´-la e distribuir tais modifica¸˜es a co sob os termos do Par´grafo 1 acima e do seguinte: a a) Deve existir aviso em destaque de que os dados originais foram alterados nos arquivos e as datas das mudan¸as; c b) Deve existir aviso de que o trabalho distribu´ ou publicado ´, de forma total ou ıdo e em parte derivado do Programa ou de alguma parte sua, e que pode ser licenciado totalmente sem custos para terceiros sob os termos desta Licen¸a. c

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c) Caso o programa modificado seja executado de forma interativa, ´ obrigat´rio, no e o in´ ıcio de sua execu¸˜o, apresentar a informa¸˜o de copyright e da ausˆncia de gaca ca e rantias (ou de que a garantia corre por conta de terceiros), e que os usu´rios podem a redistribuir o programa sob estas condi¸˜es, indicando ao usu´rio como acessar esta co a Licen¸a na sua ´ c ıntegra. Esses requisitos aplicam-se a trabalhos de modifica¸˜o em geral. Caso algumas se¸˜es ca co identific´veis n˜o sejam derivadas do Programa, e podem ser consideradas como partes a a independentes, ent˜o esta Licen¸a e seus Termos n˜o se aplicam `quelas se¸˜es quando a c a a co distribu´ ıdas separadamente. Por´m ao distribuir aquelas se¸˜es como parte de um trabalho e co baseado no Programa, a distribui¸˜o como um todo deve conter os termos desta Licen¸a, ca c cujas permiss˜es estendem-se ao trabalho como um todo, e n˜o a cada uma das partes o a independentemente de quem os tenha desenvolvido. Mais do que tencionar contestar os direitos sobre o trabalho desenvolvido por algu´m, e esta se¸˜o objetiva propiciar a correta distribui¸˜o de trabalhos derivados do Programa. ca ca Adicionalmente, a mera adi¸˜o de outro trabalho ao Programa, por´m n˜o baseado nele ca e a nem a um trabalho baseado nele, a um volume de armazenamento ou media de distribui¸˜o ca n˜o obriga a utiliza¸˜o desta Licen¸a e de seus termos ao trabalho. a ca c 3 S˜o permitidas a c´pia e a distribui¸˜o do Programa (ou a um trabalho baseado neste) a o ca na forma de c´digo objeto ou execut´vel de acordo com os termos dos Par´grafos 1 e 2 o a a acima, desde que atendido o seguinte: a Esteja acompanhado dos c´digos fonte leg´ o ıveis, os quais devem ser distribu´ ıdos na forma dos Par´grafos 1 e 2 acima, em m´ a ıdia normalmente utilizada para manuseio de softwares ou b Esteja acompanhado de oferta escrita, v´lida por, no m´ a ınimo 3 anos, de disponibilizar a terceiros, por um custo n˜o superior ao custo do meio f´ a ısico de armazenamento, uma c´pia completa dos c´digos fonte em meio magn´tico, de acordo com os o o e Par´grafos 1 e 2 acima. a c Esteja acompanhada com a mesma informa¸˜o recebida em rela¸˜o ` oferta da disca ca a tribui¸˜o do c´digo fonte correspondente. (esta alternativa somente ´ permitida para ca o e distribui¸˜es n˜o comerciais e somente se o programa recebido na forma de objeto co a ou execut´vel tenha tal oferta, de acordo com a sub-se¸˜o b acima). a ca O c´digo fonte de um trabalho ´ a melhor forma de produzirem-se altera¸˜es naquele trao e co balho. C´digos fontes completos significam todos os fontes de todos os m´dulos, al´m das o o e defini¸˜es de interfaces associadas, arquivos, scripts utilizados na compila¸˜o e instala¸˜o co ca ca do execut´vel. Como uma exce¸˜o excepcional, o c´digo fonte distribu´ poder´ n˜o a ca o ıdo a a incluir alguns componentes que n˜o se encontrem em seu escopo, tais como compilador, a kernel, etc... para o SO onde o trabalho seja executado. Caso a distribui¸˜o do execut´vel ou objeto seja feita atrav´s de acesso a um determinado ca a e ponto, ent˜o oferta equivalente de acesso deve ser feita aos c´digos fonte, mesmo que a o terceiros n˜o sejam obrigados a copiarem os fontes juntos com os objetos simultaneamente. a

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4 N˜o ´ permitida a c´pia, modifica¸˜o, sublicenciamento ou distribui¸˜o do Programa, a e o ca ca exceto sob as condi¸˜es expressas nesta Licen¸a. Qualquer tentativa de c´pia, modifica¸˜o, co c o ca sublicenciamento ou distribui¸˜o do Programa ´ proibida, e os direitos descritos nesta ca e Licen¸a cessar˜o imediatamente. Terceiros que tenham recebido c´pias ou direitos na c a o forma desta Licen¸a n˜o ter˜o seus direitos cessados desde que permane¸am dentro das c a a c cl´usulas desta Licen¸a. a c 5 N˜o ´ necess´ria aceita¸˜o formal desta Licen¸a, apesar de que n˜o haver´ documento a e a ca c a a ou contrato que garanta permiss˜o de modifica¸˜o ou distribui¸˜o do Programa ou seus a ca ca trabalhos derivados. Essas a¸˜es s˜o proibidas por lei, caso n˜o se aceitem as condi¸˜es co a a co desta Licen¸a. A modifica¸˜o ou distribui¸˜o do Programa ou qualquer trabalho baseado c ca ca neste implica na aceita¸˜o desta Licen¸a e de todos os termos desta para c´pia, distribui¸˜o ca c o ca ou modifica¸ao do Programa ou trabalhos baseados neste. c˜ 6 Cada vez que o Programa seja distribu´ (ou qualquer trabalho baseado neste), o ıdo recipiente automaticamente recebe uma licen¸a do detentor original dos direitos de c´pia, c o distribui¸˜o ou modifica¸˜o do Programa objeto deste termos e condi¸˜es. N˜o podem ser ca ca co a impostas outras restri¸˜es nos recipientes. co 7 No caso de decis˜es judiciais ou alega¸˜es de uso indevido de patentes ou direitos auo co torais, restri¸˜es sejam impostas que contradigam esta Licen¸a, estes n˜o isentam da sua co c a aplica¸˜o. Caso n˜o seja poss´ distribuir o Programa de forma a garantir simultaneaca a ıvel mente as obriga¸˜es desta Licen¸a e outras que sejam necess´rias, ent˜o o Programa n˜o co c a a a poder´ ser distribu´ a ıdo. Caso este Par´grafo seja considerado inv´lido por qualquer motivo particular ou geral, o a a seu resultado implicar´ na invalida¸˜o geral desta licen¸a na c´pia, modifica¸˜o, sublicena ca c o ca ciamento ou distribui¸˜o do Programa ou trabalhos baseados neste. ca O prop´sito deste par´grafo n˜o ´, de forma alguma, incitar quem quer que seja a infringir o a a e direitos reclamados em quest˜es v´lidas e procedentes, e sim proteger as premissas do o a sistema de livre distribui¸˜o de software. Muitas pessoas tˆm feito contribui¸˜es generosas ca e co ao sistema, na forma de programas, e ´ necess´rio garantir a consistˆncia e credibilidade do e a e sistema, cabendo a estes e n˜o a terceiros decidirem a forma de distribui¸˜o dos softwares. a ca Este Par´grafo pretende tornar claro os motivos que geraram as demais cl´usulas destas a a Licen¸a. c 8 Caso a distribui¸˜o do Programa dentro dos termos desta Licen¸a tenha restri¸˜es em ca c co algum Pa´ quer por patentes ou direitos autorais, o detentor original dos direitos autorais ıs, do Programa sob esta Licen¸a pode adicionar explicitamente limita¸˜es geogr´ficas de c co a distribui¸˜o, excluindo aqueles Pa´ ca ıses, fazendo com que a distribui¸˜o somente seja poss´ ca ıvel nos Pa´ n˜o exclu´ ıses a ıdos. 9 A Funda¸˜o de Software de Livre Distribui¸˜o (FSF - Free Software Foundation) pode ca ca publicar vers˜es revisadas ou novas vers˜es desta Licen¸a P´blica Geral de tempos em o o c u

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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tempos. Estas novas vers˜es manter˜o os mesmos objetivos e o esp´ o a ırito da presente vers˜o, a podendo variar em detalhes referentes a novas situa¸˜es encontradas. co A cada vers˜o ´ dada um n´mero distinto. Caso o Programa especifique um n´mero de a e u u vers˜o espec´ a ıfico desta Licen¸a a qual tenha em seu conte´do a express˜o - ou vers˜o mais c u a a atualizada-, ´ poss´ e ıvel optar pelas condi¸˜es daquela vers˜o ou de qualquer vers˜o mais co a a atualizada publicada pela FSF. 10 Caso se deseje incorporar parte do Programa em outros programas de livre distribui¸˜o de softwares ´ necess´ria autoriza¸˜o formal do autor. Para softwares que a FSF ca e a ca detenha os direitos autorais, podem ser abertas exce¸˜es desde que mantido o esp´ co ırito e objetivos originais desta Licen¸a. c ˆ AUSENCIA DE GARANTIAS ´ ˆ ˜ ´ 11 UMA VEZ QUE O PROGRAMA E LICENCIADO SEM ONUS, NAO HA QUALQUER GARANTIA PARA O PROGRAMA. EXCETO QUANDO TERCEIROS ´ EXPRESSEM-SE FORMALMENTE O PROGRAMA E DISPONIBILIZADO EM SEU FORMATO ORIGINAL, SEM GARANTIAS DE QUALQUER NATUREZA, EXPRES˜ SAS OU IMPL´ ICITAS, INCLUINDO MAS NAO LIMITADAS, A GARANTIAS COMERCIAIS E DO ATENDIMENTO DE DETERMINADO FIM. A QUALIDADE E DE˜ ´ SEMPENHO SAO DE RISCO EXCLUSIVO DOS USUARIOS, CORRENDO POR SUA ´ CONTA OS CUSTOS NECESSARIOS A EVENTUAIS ALTERACOES, CORRECOES ¸˜ ¸˜ ´ E REPAROS JULGADOS NECESSARIOS. ˜ ˜ 12 EM NENHUMA OCASIAO, A MENOS QUE REQUERIDO POR DECISAO JUDICIAL OU POR LIVRE VONTADE, O AUTOR OU TERCEIROS QUE TENHAM MO˜ ´ DIFICADO O PROGRAMA, SERAO RESPONSAVEIS POR DANOS OU PREJU´ IZOS PROVENIENTES DO USO OU DA FALTA DE HABILIDADE NA SUA UTILIZACAO ¸˜ ˜ ˆ (INCLUINDO MAS NAO LIMITADA A PERDA DE DADOS OU DADOS ERRONEOS), ´ MESMO QUE TENHA SIDO EMITIDO AVISO DE POSSIVEIS ERROS OU DANOS. FIM DA LICENCA ¸

Como aplicar estes termos a novos softwares?
Caso se tenha desenvolvido um novo programa e se deseje a sua ampla distribui¸˜o para ca o p´blico, a melhor forma de consegui-lo ´ torn´-lo um software de livre distribui¸˜o, o u e a ca qual qualquer um possa distribu´ nas condi¸˜es desta Licen¸a. ı-lo co c ´ Para tanto basta anexar este aviso ao programa. E aconselh´vel indicar ainda no in´ de a ıcio cada arquivo fonte a ausˆncia de garantias e um apontamento para um arquivo contendo e o texto geral desta Licen¸a, como por exemplo: c <nome do programa e fun¸˜o> Copyright (C) 199X <Autor> ca

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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Este programa ´ um software de livre distribui¸˜o, que pode ser copiado e e ca distribu´ sob os termos da Licen¸a P´blica Geral GNU, conforme publicada ıdo c u pela Free Software Foundation, vers˜o 2 da licen¸a ou (a crit´rio do autor) a c e qualquer vers˜o posterior. a Este programa ´ distribu´ na expectativa de ser util aos seus usu´rios, por´m e ıdo ´ a e ˜ NAO TEM NENHUMA GARANTIA, EXPL´ ICITAS OU IMPL´ ICITAS, COMERCIAIS OU DE ATENDIMENTO A UMA DETERMINADA FINALIDADE. Consulte a Licen¸a P´blica Geral GNU para maiores detalhes. c u Deve haver uma c´pia da Licen¸a P´blica Geral GNU junto com este software o c u em inglˆs ou portuguˆs. Caso n˜o haja escreva para Free Software Foundation, e e a Inc., 675 Mass Ave, Cambridge, MA 02139, USA. Autor@ mail. com. br Endere¸o c Caso o programa seja interativo, apresente na sua sa´ um breve aviso quando de seu ıda in´ como por exemplo: ıcio Gnomovision vers˜o 69, Copyright c 199X Yoyodine a ˜ Gnomovision NAO POSSUI NENHUMA GARANTIA; para detalhes digite mostre garantia. Este ´ um software de livre distribui¸˜o e vocˆ est´ autorie ca e a zado a distribu´ dentro de certas condi¸˜es. Digite mostre condi¸~o para ı-lo co ca maiores detalhes. Os comandos hipot´ticos mostre garantia e mostre condi¸~o apresentar˜o as partes e ca a apropriadas da Licen¸a P´blica Geral GNU. Evidentemente os comandos podem variar c u ou serem acionados por outras interfaces como clique de mouse, etc...

A.3

Open Source Initiative

A vers˜o original2 desta licen¸a encontra-se em www.opensource.org/docs/definition_ a c plain.html. Esta defini¸˜o ´ muito similar ` Debian Free Software Guidelines (DFSG), ca e a contida nas distribui¸˜es Debian do sistema GNU/Linux3 . co IN´ ICIO DA LICENCA ¸ Al´m do c´digo fonte, os termos de distribui¸˜o do software com c´digo aberto (Open e o ca o Source Software) devem obedecer aos seguintes crit´rios: e 1. Redistribui¸˜o Livre A licen¸a n˜o pode restringir a venda ou a cess˜o ca c a a do software como um componente de uma distribui¸˜o, ou pacote, conca tendo programas de v´rias origens distintas. A licen¸a n˜o pode exigir o a c a pagamento de royalties, ou em moeda, neste tipo de venda.
2 3

A tradu¸˜o da licen¸a foi efetuada por Roberto A Hexsel. ca c Dispon´ em www.debian.org/social_contract ıvel

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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2. C´digo Fonte O programa deve incluir o c´digo fonte, e a licen¸a deve o o c permitir a distribui¸˜o do c´digo fonte, bem como do c´digo compilado ca o o (bin´rio). Quando alguma forma de um produto n˜o ´ distribu´ com a a e ıda o c´digo fonte, deve existir um meio bem-conhecido de se obter o c´digo o o fonte, a custo n˜o maior que o da reprodu¸˜o, mas preferencialmente sem a ca custo e atrav´s da Internet. O c´digo fonte deve ser a forma preferene o cial a partir da qual um programador modificaria o programa. C´digo o escrito deliberadamente de forma confusa n˜o ´ permitido. Formas intera e medi´rias, tais como a sa´ de um preprocessador ou tradutor, n˜o s˜o a ıda a a permitidas. 3. Trabalhos Derivados A licen¸a deve permitir modifica¸˜es e a produ¸˜o c co ca de trabalhos derivados, e deve permitir que estes sejam redistribu´ ıdos sob os mesmos termos da licen¸a do software original. c 4. Integridade do C´digo Fonte do Autor A licen¸a pode restringir a o c distribui¸˜o de c´digo fonte modificado, somente se a licen¸a permite ca o c a distribui¸˜o de “arquivos de diferen¸as” (patch files) juntamente com ca c o c´digo fonte, permitindo assim que o programa modificado seja produo zido durante a sua constru¸˜o. A licen¸a deve explicitamente permitir a ca c distribui¸˜o de software constru´ a partir do c´digo fonte modificado. ca ıdo o A licen¸a pode exigir que as vers˜es derivadas possuam um nome distinto c o do original ou um n´mero de vers˜o distinto daquele do software original. u a 5. N˜o-discrimina¸˜o Contra Pessoas ou Grupos A licen¸a n˜o pode a ca c a discriminar contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas. 6. N˜o-discrimina¸˜o Contra Forma de Utiliza¸˜o A licen¸a n˜o pode a ca ca c a restringir a forma de utiliza¸˜o do programa. Por exemplo, a licen¸a n˜o ca c a pode restringir a utiliza¸˜o do programa em uma empresa, ou na pesquisa ca em Gen´tica. e 7. Distribui¸˜o da Licen¸a Os direitos associados a um programa devem ca c se aplicar a todos a quem o programa ´ redistribu´ sem necessidade da e ıdo emiss˜o de uma licen¸a adicional a, ou por, aqueles. a c 8. Licen¸a N˜o Pode Ser Espec´ c a ıfica a um Produto Os direitos associados ao programa n˜o podem depender de o programa pertencer a uma a distribui¸˜o em particular. Se o programa ´ extra´ da distribui¸˜o e ca e ıdo ca usado ou distribu´ de acordo com os termos da licen¸a do programa, ıdo c todos aqueles a quem o programa ´ redistribu´ possuem os mesmos e ıdo direitos outorgados quando da distribui¸˜o do software original. ca 9. Licen¸a N˜o Pode Contaminar Outro Software A licen¸a n˜o pode c a c a impor restri¸˜es a outros programas que s˜o distribu´ co a ıdos juntamente com o software licenciado. Por exemplo, a licen¸a n˜o pode insistir em que c a todos os programas distribu´ ıdos em um mesmo meio f´ ısico sejam software de c´digo aberto. o FIM DA LICENCA ¸

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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A.4

Licen¸a BSD c

Copyright c 2000 <SOMEONE> All rights reserved. Redistribution and use in source and binary forms, with or without modification, are permitted provided that the following conditions are met: 1. Redistributions of source code must retain the above copyright notice, this list of conditions and the following disclaimer. 2. Redistributions in binary form must reproduce the above copyright notice, this list of conditions and the following disclaimer in the documentation and/or other materials provided with the distribution. 3. The name of the author may not be used to endorse or promote products derived from this software without specific prior written permission. THIS SOFTWARE IS PROVIDED BY THE AUTHOR “AS IS” AND ANY EXPRESS OR IMPLIED WARRANTIES, INCLUDING, BUT NOT LIMITED TO, THE IMPLIED WARRANTIES OF MERCHANTABILITY AND FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE ARE DISCLAIMED. IN NO EVENT SHALL THE AUTHOR BE LIABLE FOR ANY DIRECT, INDIRECT, INCIDENTAL, SPECIAL, EXEMPLARY, OR CONSEQUENTIAL DAMAGES (INCLUDING, BUT NOT LIMITED TO, PROCUREMENT OF SUBSTITUTE GOODS OR SERVICES; LOSS OF USE, DATA, OR PROFITS; OR BUSINESS INTERRUPTION) HOWEVER CAUSED AND ON ANY THEORY OF LIABILITY, WHETHER IN CONTRACT, STRICT LIABILITY, OR TORT (INCLUDING NEGLIGENCE OR OTHERWISE) ARISING IN ANY WAY OUT OF THE USE OF THIS SOFTWARE, EVEN IF ADVISED OF THE POSSIBILITY OF SUCH DAMAGE.

A.5

Licen¸a X.Org c

X.Org – Terms and Conditions COPYRIGHT AND PERMISSION NOTICE Copyright c 1999,2000,2001 Compaq Computer Corporation Copyright c 1999,2000,2001 Hewlett-Packard Company Copyright c 1999,2000,2001 IBM Corporation Copyright c 1999,2000,2001 Hummingbird Communications Ltd. Copyright c 1999,2000,2001 Silicon Graphics, Inc. Copyright c 1999,2000,2001 Sun Microsystems, Inc. Copyright c 1999,2000,2001 The Open Group All rights reserved. Permission is hereby granted, free of charge, to any person obtaining a copy of this software and associated documentation files (the “Software”), to deal in the Software without restriction, including without limitation the rights to use, copy, modify, merge, publish, distribute, and/or sell copies of the Software, and to permit persons to whom the Software is furnished to do so, provided that the above copyright notice(s) and this permission notice

Apˆndice A. Licen¸as de Software Livre e c

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appear in all copies of the Software and that both the above copyright notice(s) and this permission notice appear in supporting documentation. THE SOFTWARE IS PROVIDED “AS IS”, WITHOUT WARRANTY OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO THE WARRANTIES OF MERCHANTABILITY, FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE AND NONINFRINGEMENT OF THIRD PARTY RIGHTS. IN NO EVENT SHALL THE COPYRIGHT HOLDER OR HOLDERS INCLUDED IN THIS NOTICE BE LIABLE FOR ANY CLAIM, OR ANY SPECIAL INDIRECT OR CONSEQUENTIAL DAMAGES, OR ANY DAMAGES WHATSOEVER RESULTING FROM LOSS OF USE, DATA OR PROFITS, WHETHER IN AN ACTION OF CONTRACT, NEGLIGENCE OR OTHER TORTIOUS ACTION, ARISING OUT OF OR IN CONNECTION WITH THE USE OR PERFORMANCE OF THIS SOFTWARE. Except as contained in this notice, the name of a copyright holder shall not be used in advertising or otherwise to promote the sale, use or other dealings in this Software without prior written authorization of the copyright holder. X Window System is a trademark of The Open Group. OSF/1, OSF/Motif and Motif are registered trademarks, and OSF, the OSF logo, LBX, X Window System, and Xinerama are trademarks of the Open Group. All other trademarks and registered trademarks mentioned herein are the property of their respective owners.

Apˆndice B e

Livros sobre Linux
Este Apˆndice cont´m a lista de t´ e e ıtulos de livros que cont´m a palavra Linux, obtida do e cat´logo eletrˆnico de uma grande livraria de Curitiba em 21 de julho de 2001. Alguns a o dos t´ ıtulos constavam do cat´logo como indispon´ a ıveis. 1. Administra¸˜o de Linux for Dummies, Michael Bellomo, Ed. Campus ca 2. Aprendendo Red Hat Linux, Bill McCarthy, Ed. Campus ´ 3. Borland Kylix: Delphi para Linux, Marcos dos Santos Ferreira, Ed. Erica 4. Como Instalar Red Hat Linux 7, William von Hagen, Ed. Campus 5. Conectiva Linux 4 - Guia de Consulta e Aprendizado, Gorki S C Oliveira, Ed. Book Express 6. Configurando um Servidor Linux para Intranet/Internet, Hide Tsuji, Ed. Makron Books 7. Desvendando Linux, Michael J Tobbler, Ed. Campus 8. Dominando 110% Intranet em Ambiente Linux, Antonio Marcelo, Ed. Brasport 9. Dominando Linux, Matt Welsh, Ed. Ciˆncia Moderna e 10. Ferramentas Poderosas para Redes em Linux, Paul G Sery, Ed. Ciˆncia Moderna e 11. Firewalls em Linux, Antonio Marcelo, Ed. Brasport 12. Guia Completo do Linux, Peter Norton, Ed. Berkeley Brasil 13. Guia do Administrador de Redes Linux 2, Olaf Kirch, Ed. Conectiva 14. Guia do Administrador de Sistemas Linux 1, Lars Wirzenius, Ed. Conectiva 15. Guia do Servidor Linux 3, diversos autores, Ed. Conectiva 16. Guia do Usu´rio do Conectiva Linux 4.0, diversos autores, Ed. Conectiva a 17. Internet em Ambiente Linux, Antonio Marcelo, Ed. Brasport 43

Apˆndice B. Livros sobre Linux e

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18. Introdu¸˜o ao Linux - Como Instalar e Configurar, Jairo Ara´jo, Ed. Ciˆncia Moca u e derna 19. Introdu¸˜o ao Linux Slackware 4.0, Augusto B D’Oliveira, Ed. Ciˆncia Moderna ca e 20. Kernel do Linux, Scott Maxwell, Ed. Makron Books 21. Kylix - A Ferramenta Linux para Programadores, Adilson S Dias, Ed. Ciˆncia Moe derna 22. Kylix Delphi para Linux - Guia Pr´tico de Programa¸˜o, Bruno Sonnino. a ca ´ 23. Linux - Guia Pr´tico em Portuguˆs, Heverton Anuncia¸˜o, Ed. Erica a e ca 24. Linux - Manual do Usu´rio 3.0 Guarani, MD9 Distrib. Inform´tica a a 25. Linux - O Guia Essencial, Ellen Siever, Ed. Campus 26. Linux - R´pido e F´cil para Iniciantes, Lisa Lee, Ed. Campus a a 27. Linux - Red Hat Conectiva Guia do Administrador e do Usu´rio, Cesar A K Grosa man, Ed. Book Express 28. Linux - S´rie Curso B´sico R´pido, Carlos Cardoso, Axcel Books do Brasil Ed. e a a 29. Linux - S´rie para Dummies, John Hall, Ed. Campus e 30. Linux 5 em 24 Horas Passo a Passo, Bill Ball, Ed. Ciˆncia Moderna e ´ 31. Linux 5.0 - Estudo Dirigido, Jos´ Augusto Manzano, Ed. Erica e 32. Linux Administra¸˜o e Suporte, Chuck V Tibet, Novatec Ed. ca 33. Linux Bancos de Dados, Fred Butzen, Ed. Ciˆncia Moderna e 34. Linux Bash - Aprenda R´pido, Carlos Portella, Visual Books Ed. a 35. Linux - Da Instala¸˜o `s Redes, Alexandre M Mattos, Livros e Editora Infobook ca a 36. Linux Device Drivers, Alessandro Rubini, Ed. Market Books do Brasil 37. Linux e os Hackers - Proteja Seu Sistema, Wayne R Mendes, Ed. Ciˆncia Moderna e 38. Linux e Seus Servidores, Jo˜o E Mota Filho, Ed. Ciˆncia Moderna a e 39. Linux - Ferramentas Anti-Hackers, Antonio Marcelo, Ed. Brasport 40. Linux - Interface Gr´fica KDE, Guia de Consulta R´pida, Frederico S Reis, Novatec a a Ed. 41. Linux para Dummies, Dee-Ann LeBlanc, Ed. Campus 42. Linux para Leigos Passo a Passo, Manuel A Ricart, Ed. Ciˆncia Moderna e ... 62. Utilizando Samba & Flagship em Portuguˆs para Linux, Emiliano Soares Monteiro, e ´ Ed. Erica

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W W3C, 29 Windows, veja Microsoft X X Window System, 6, 42 X.org, 6, 41 XML, 29

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