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O Escafandro e a Borboleta: a vida, seus processos e o luto

O filme O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel, 2007, é a
autobiografia do jornalista Jean-Dominiue Baub! ue, aos "# anos de idade, $% sua
$ida mudar tragicamente&
Em '((), o ent*o editor da re$ista Elle francesa tem um mal s+bito& ,inte dias
de-ois acorda num hos-ital, de-ois de um longo -er.odo em coma, e -ercebe ue,
a-esar de suas faculdades mentais funcionarem -erfeitamente, seu cor-o n*o
res-onde a seus comandos, uma condi/*o médica conhecida como locked-in
syndrome, ou 0s.ndrome do encarceramento1& 2om a-enas o mo$imento de um de
seus olhos restante 3uma $e4 ue os mo$imentos do outro foram afetados e sua
-5l-ebra ti$era de ser -resa -ara e$itar maiores danos6, Baub! tem de acostumar-se
7uela condi/*o 5rdua e, com a ajuda de sua médica, escre$e suas mem8rias
atra$és de uma técnica ins8lita9 enuanto a fonoaudi8loga dita$a as letras do
alfabeto, Jean indica$a-as -iscando seu olho& Durante horas, dias, semanas, esse
trabalho foi re-etido, até ue sua hist8ria esti$esse finalmente registrada&
O nome do filme fa4 alus*o ao contraste da liberdade de uma borboleta e da
-ri$a/*o de estar em um escafandro& : borboleta simboli4a o estado em ue o
jornalista encontra$a-se antes do acidente, li$re, $i$a4; o escafandro, -or sua $e4,
retrata o c5rcere, a im-ossibilidade de e<-ressar-se com inde-end%ncia e
desembara/o&
Segundo discuss=es e conte+do a-resentados em aula, o lado emocional e
-sicol8gico de -essoas en$ol$idas n*o a-enas neste, mas em casos de morte ou
doen/a s+bita, torna-se e<tremamente fr5gil e debilitado, sendo de suma
im-ort>ncia o acom-anhamento -sicol8gico ou -siui5trico& :inda de acordo com o
material estudado, baseados no modelo de Elisabeth ?@bler-Aoss, o -rocesso de
morte 3ou de morte iminente6 -assa -or cinco est5gios9 o -rimeiro, de nega/*o,
acontece uando as -essoas ligadas ao doente ou o -r8-rio enfermo recusam-se a
aceitar sua condi/*o; a segunda, de rai$a, caracteri4a-se -ela re$olta em rela/*o 7
situa/*o, le$ando 7 terceira fase, de negocia/*o, em ue a3s6 -essoa3s6 tentam, de
alguma forma, chegar a um acordo -ara -ostergar o fim da e<ist%ncia& O uarto
est5gio, de de-ress*o, ocorre uando os en$ol$idos abrem m*o de uaisuer
esfor/os -ara tentar re$erter o uadro e entregam-se 7 triste4a e ao fatalismo,
est5gio este ue, em -ouco ou muito tem-o, termina com a aceita/*o, uinta e
+ltima fase&
B im-ortante, em casos assim, ue sem-re haja acom-anhamento médico,
tanto -ara a fam.lia uanto -ara o -aciente, ue de$e ter sua $ida -reser$ada ao
m5<imo e todo o sofrimento, tanto f.sico uanto -sicol8gico, atenuados& O luto, a-8s
situa/*o de -erda, a-esar de -oder $ulnerabili4ar a sa+de dos en$ol$idos, é natural
e de$e ser res-eitado; contudo, -assados um ou dois anos, é comum ue a triste4a
-ela -erda j5 tenha cessado& Em casos nos uais isto n*o ocorre, fa4-se necess5rio
algum ti-o de acom-anhamento e tera-ia ue au<ilie na recu-era/*o do -aciente&