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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA
ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA

Prof. Ruth Helena Falesi Palha de Moraes Bittencourt
ruth.bittencourt@ufra.edu.br
MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA (MPA)

1- CONSIDERAÇÕES GERAIS
Medicação pré-anestésica é todo agente que é administrado antes da indução anestésica ou da anestesia
propriamente dita com a finalidade de aumentar a segurança do ato anestésico, promover narcose, sedação,
tranqüilização e que suprimam as reações indesejáveis causadas pelos anestésicos.
A medicação pré-anestésica deve diminuir a ansiedade sem produzir sonolência excessiva, facilitar uma
indução suave, rápida sem prolongar o despertar, da mesma forma produzir amnésia durante o período pré-
operatório mantendo ao mesmo tempo a cooperação antes da perda da consciência, deve ainda, aliviar a dor pré e
pós-cirúrgica quando presente e, minimizar os efeitos colaterais dos agentes anestésicos, principalmente a salivação,
bradicardia e vômito pós-anestésico.
Pré-anestésicos adequados diminuem a taxa metabólica nos animais nervosos. A “irritabilidade reflexa” do
SNC que aparece quando se induz a anestesia geral parece estar relacionada com a taxa metabólica do animal,
quanto mais alta ela for, tanto maior a dose de anestésico necessária.
Os grupos farmacológicos usados com esse fim são: os anticolinérgicos, os tranqüilizantes, os ansiolíticos
ou benzodiazepínicos, os hipnoanalgésicos, os hipnóticos e os relaxantes musculares. Os agentes com suas
respectivas doses devem ser selecionados conforme condições clínicas do paciente, pois quanto mais gravemente
enfermo, idoso, jovem ou menos robusto e ativo o paciente, mais acentuado são os efeitos exercidos pelos sedativos,
tranqüilizantes e analgésicos.
A necessidade de garantir uma recuperação rápida e completa da anestesia pode ser a principal restrição à
pré-medicação e o motivo do amplo uso de anestésicos gerais que são mais rapidamente eliminados. Para cirurgias
maiores e demoradas, o uso de pré-anestésicos de ação prolongada facilitam o andamento da anestesia sem
prolongar excessivamente a recuperação até um estado seguro no final da intervenção com um reflexo ativo de
tosse.

2- FINALIDADES
Dependendo do grupo farmacológico utilizado, a MPA tem diversas finalidades, tais como, reduzir a dor e
o desconforto, viabilizar a indução direta com anestésicos inalatórios, através de máscaras faciais, ser adjuvante da
anestesia local, reduzir os riscos de excitação causada pela anestesia barbitúrica, reduzir o ptialismo e a sialorréia
causados pelos anestésicos, redução do bloqueio vagal na indução por barbitúricos, reduzir o metabolismo basal,
potencializar agentes anestésicos por diminuir a atividade mitocondrial e causar depressão reticular (sinergismo por
potencialização − barbitúricos com fenotiazinas (40%) ou com benzodiazepínicos (60%)). De um modo geral,
apresentam ação termolítica, deprimirem o SNC, além de diminuírem as atividades metabólica e muscular.

3 - GRUPOS FARMACOLÓGICOS
1) Anticolinérgicos, parassimpatolíticos, colinolíticos, antiparassimpáticas ou agentes atropínicos.
São agentes que competem com a acetilcolina em diversos pontos do Sistema Nervoso (SN), bloqueando os
efeitos muscarínicos da acetilcolina e demais parassimpatomiméticos, atuando diretamente sobre os receptores
colinérgicos.
Tem importância por neutralizar os efeitos vagais que poderão freqüentemente ocorrer durante a anestesia.
Reduzem a secreção mucosa do trato respiratório, uma vez que causam paralisia do epitélio ciliado da traquéia e dos
brônquios. Em cães miniatura, onde mesmo a presença de uma pequena quantidade de secreção nas vias aéreas pode
resultar em obstrução respiratória, pode-se usar um anticolinérgico, a menos que exista contra-indicação específica,
como taquicardia.
Apresentam ação broncodilatadora em função do relaxamento da musculatura dos brônquios, reduzem a
secreção das glândulas lacrimais, salivares e sudoríparas. Midríase é observada em função do relaxamento da
musculatura da íris, e a cicloplegia devido a paralisia da acomodação visual. Previnem o laringoespasmo devido a
paralisia da musculatura da laringe. Diminuem o peristaltismo. Promovem o bloqueio vagal para prevenir efeitos
cardiovasculares parassimpáticos, como hipotensão e bradicardia.
São contra-indicados ou devem ser usados com cautela nos pacientes com taquicardia pré-existente, na
constipação intestinal e, em pacientes com hepato e nefropatias. Nos pacientes febris, também, uma vez que
deprimem o mecanismo de perda de calor através da transpiração.

AGENTES ANTICOLINÉRGICOS:
ATROPINA:
É indicada nos casos de animais com bradicardia, ou naqueles que se quer prevenir a bradicardia causada
por ação de outros agentes, como a xilazina. Eleva tanto a freqüência quanto a amplitude respiratória, o bloqueio
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muscarínico causados pelos anticolinérgicos produz broncodilatação e redução das secreções do trato respiratório.
Causa bloqueio colinérgico do músculo esfíncter da íris e do músculo ciliar que sustenta o cristalino, levando a
midríase e cicloplegia, respectivamente.
Em doses terapêuticas, causa discreta excitação no SNC, devido a estimulação bulbar e de centros mais
altos, da mesma forma é capaz de reverter quadros de bradicardia reflexa, como as causadas pela inalação de
vapores e estimulação peritoneal. Doses elevadas são depressivas pois entram na faixa tóxica.
Dosagem: 0,02 a 0,044 mg / kg. No cão não exceder a dose total de 1 a 1,5 mg (Massone, 1999).

- ESCOPOLAMINA OU L-HIOSCINA:
PM =384,30. É encontrada no comércio em ampolas de 1mL contendo 0,40mg. Em doses terapêuticas
causa depressão do SNC que se manifesta por sonolência, amnésia e fadiga. Em doses baixas causa bradicardia e,
em doses normais causa taquicardia inicial de curta duração. Em cães a dosagem recomendada é de 0,01 - 0,02 mg /
kg SC

- GLICOPIRROLATO:
Anticolinérgico amoniacal quaternário com poderosa e prolongada ação antisialagoga, 5 vezes mais potente
que a atropina, apresenta menos efeitos cardiovasculares que esta última. Ë um agente que atravessa lentamente a
barreira hematoencefálica e tem pouco efeito central. Interfere menos na visão que a atropina. Diminui a acidez, o
volume das secreções gástricas e a motilidade intestinal.
É Indicado para pacientes pediátricos e cardiopatas, principalmente aqueles com taquicardia pré-existente.
Dosagem: 0,01 – 0,02mg/kg (IV, IM, SC).

2) TRANQÜILIZANTES
Os tranqüilizantes são agentes que além de causarem tranqüilização e sedação, causam depressão do SNC
por agirem ao nível da substância reticular mesencefálica. Apresentam discreta analgesia, sem permitir, entretanto,
qualquer intervenção cruenta e dolorosa. Podem ser classificados em: Derivados Fenotiazínicos e Derivados das
Butirofenonas.
2.1 - DERIVADOS FENOTIAZÍNICOS:
Os derivados fenotiazínicos apresentam características farmacológicas variadas como, ação sedativa, lítica
sobre o sistema neurovegetativo, anti-histamínica, ansiolítica, antisialagoga, potencializadora, antiespasmódica,
adrenolítica e atropinóide. Inibem os receptores dopaminérgicos. A dopamina é o precursor metabólico imediato da
noradrenalina, trata-se, portanto, de um neurotransmissor excitatório central.
Alguns derivados fenotiazínicos apresentam boas qualidades sedativas e outros são potentes antieméticos,
outros, como a clorpromazina e a acepromazina apresentam significativa atividade antagonista α-adrenérgica
periférica e podem bloquear ou reverter os efeitos pressóricos da adrenalina (ação adrenolítica), justificando a
vasodilatação e a hipotensão que provocam. Podem, ainda, provocar hipotermia, hiperglicemia, além de
potencializarem a ação dos analgésicos e anestésicos gerais. Deprimem o tronco cerebral, as conexões com o córtex
cerebral, a zona dos quimiorreceptores e o centro de vômito. Estimulam o sistema extra-piramidal, principalmente
com altas doses, provocando tremores, rigidez ou imobilidade.
A principal característica dos fenotiazínicos é a sua curva dose-resposta, ou seja, uma vez que o máximo
efeito sedativo está assegurado, o aumento da dose não produz maior sedação, isto somente aumentará a incidência e
a severidade de ações que são consideradas como efeitos colaterais. Portanto, quando se deseja uma tranqüilização
mais intensa, deve-se associar esses agentes a outra classe de fármacos, como por exemplo, os opióides e os α-2-
agonistas.
Animais sob efeito de fenotiazínicos podem apresentar adinamia, apatia, sonolência, indiferença ao
ambiente, podendo chegar a prostração inicial em decúbito esternal e, posteriormente lateral. Em eqüinos e bovinos,
pode ser observado exteriorização parcial peniana, relaxamento vulvar, excitação inicial e calmaria posterior,
aumento do quadrilátero de sustentação, apoio em pinças e ptose palpebral e labial.
Em animais epiléticos diminuem o limiar convulsivo devido a diminuição da liberação de catecolaminas
(dopamina e noradrenalina) no SNC, e como este neurotransmissor é um dos responsáveis pela inibição do
espraiamento da convulsão, sua redução favorece o aparecimento de convulsões, devendo ser usados com cautela.

- CLORPROMAZINA
É um tranqüilizante de PM =318,88 com ação sobre o SNC que deprimindo a formação reticular e as
projeções talamocorticais difusas causa diminuição do metabolismo basal, diminuição do tônus vaso-motor e
previne o vômito. Exerce ação direta sobre a musculatura lisa dos vasos periféricos causando hipotensão devido a
vasodilatação. Promove depressão reflexa do centro vasomotor. Causa bloqueio alfa-adrenérgico levando a
taquicardia reflexa, é adrenolítico, causa depressão direta do miocárdio promovendo discreta redução da
contratilidade cardíaca, com aumento do fluxo coronário. Promove a diminuição da F.R., da pressão arterial,
diminui a temperatura

corporal devido a vasodilatação cutânea, e parcialmente por ação nos mecanismos
termorreguladores do hipotálamo. Apresenta efeito anti-arrítimico por ser estabilizador de membrana.
A clorpromazina é contra-indicada em animais chocados, debilitados ou cardíacos; na intoxicação por
estricnina; na anestesia epidural, pois potencializa a atividade hipotensora arterial dos anestésicos locais; na
intoxicação por organofosforados; e no uso conjunto com adrenalina.
Dosagens: Cão: 1-2 mg / kg IM ou IV lenta.
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Eqüinos: 0,5-1 mg / kg IM ou IV lenta.
Bovinos, ovinos e caprinos: 0,2-0,5 mg / kg IV ou IM
Suínos: 0,5 a1 mg / kg IM ou IV lenta.

- LEVOMEPROMAZINA.
Tem ação adrenolítica considerável, quando comparada a clorpromazina, porém parassimpatolítica e anti-
secretora inferior a mesma; ação hipotensora, antiespasmódica, anti-histamínica, antiemética e analgésica, seu PM é
de 318,88.
Dosagens: Cães, gatos e eqüinos: 1 mg/kg IV; 2 mg/kg IM.
Suínos – 1,0mg/kg IM/IV
Ovinos e caprinos – 0,5 – 1mg/kg IM; 0,3 – 0,5mg/kg IV
Bovinos – 0,2mg/kg IV e 0,5 mg/kg IM

- ACEPROMAZINA
Atualmente é o fenotiazínico mais utilizado na prática veterinária como medicação pré-anestésica e como
tranqüilizante. É encontrado no comércio em concentrações de 0,2% e 1%. A acepromazina é também empregada
na neuroleptoanalgesia combinada a agentes analgésicos ou em doses reduzidas, na indução de anestésicos
injetáveis.
Apresenta características farmacológicas semelhantes aos fenotiazínicos anteriores, sendo mais potente que
a clorpromazina. Seu PM é de 442,50. Quando associada a dose terapêutica da quetamina, tanto pela via IV como
IM, tem-se observado grau médio de relaxamento muscular. Usado em doses elevadas como pré-anestésico, pode
ser observada hipotensão induzida pela vasodilatação que o agente causa.
É contra-indicada em pacientes hipovolêmicos, chocados, debilitados ou cardíacos, em animais susceptíveis
a crises convulsivas visto que diminui o limiar convulsivo no SNC; em animais com hepatopatias, falha cardíaca
congestiva e com estenose aórtica e pulmonar. Em eqüinos foram citados 7 casos de priapismo e conseqüente
paralisia irreversível do pênis, sendo aconselhada cautela com seu uso em garanhões.
A dosagem da acepromazina indicada para cães é variável, dosagens pequenas de 0.025mg/kg são
indicadas quando o agente for associado a um opióide. Em algumas raças de cães, tal como os Boxers, que parecem
ser especialmente sensíveis às ações hipotensivas da acepromazina, deve-se reduzir a dose à metade ou a um terço
(Hall, 1986).
Dosagens: Cães: 0,1-0,2 mg/kg IV, IM ou SC.
Eqüinos e bovinos: 0,1 mg/kg IM.
Suínos – 0,3 – 0,4mg/kg IM/IV

- PERICIAZINA
A periciazina é um sedativo pertencente ao grupo das fenotiazinas que possui ação antiemética, sendo sua
ação sedativa mais prolongada que a observada com outros agentes do grupo. É indicada para sedação de cães que
serão transportados para outros lugares. Segundo Oleskovicz, Uliana e Moraes (2000) uma dosagem de 5mg/kg,
administrada pela via oral em cães que foram avaliados por 2 horas, produziu um estado de indiferença psicomotora
e sedação, sem que fossem observadas alterações significativas na FC, FR, TR, pressão arterial sistólica (PAS) e no
traçado eletrocardiográfico.

PROMETAZINA, PROPRIOPROMAZINA, PROMAZINA e TRIFLUPROMAZINA são outros
fenotiazínicos que podem ser usados em nosso meio e apresentam ações farmacológicas semelhantes aos agentes já
descritos.

2.2 - DERIVADOS DA BUTIROFENONA:
Geralmente são usados como componentes de preparações neuroléptico-analgésicas para evitar a êmese que
pode ser provocada pelos opiáceos constituintes da mistura. Possuem mecanismo de ação e ações farmacológicas
semelhantes aos derivados fenotiazínicos. Provocam diminuição da atividade motora, possuem ação antiemética, são
adrenolíticos e podem produzir sintomas extrapiramidais como tremores. Semelhantes aos fenotiazínicos, inibem os
receptores dopaminérgicos.

- DROPERIDOL
Ação semelhante a das fenotiazinas. É um potente neuroléptico que causa sonolência sem perda da consciência,
é antiemético uma vez que deprime o centro do vômito. Seu PM é de 379,44. O principal emprego na Medicina
Veterinária se dá nas técnicas neuroleptoanalgésicas, quando combinado com o fentanil.
É um tranqüilizante que quando administrado por via venosa sua ação se manifesta em 3 min., com efeito
máximo em 20min. a 30min. E com duração de ação de até 3 horas (MASSONE, 1999). Hall e Clarke (1987), citam
duração de ação de 6 a 8 horas. O Droperidol promove a queda da atividade motora, antagoniza os efeitos
depressores respiratórios de compostos morfino-similares, através do aumento da sensibilidade do centro
respiratório ao dióxido de carbono; observa-se, as vezes, tremores com reação espástica; em dosagens maiores que
10mg/kg, provoca hiper-irritabilidade; antagoniza os efeitos eméticos da morfina. Por ser um bloqueador α-
adrenérgico causa vasodilatação e hipotensão. É contra-indicado em animais debilitados, chocados ou cardiopatas, e
quando da administração de adrenalina.
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É mais usado em pequenos animais nas dosagens de 1 a 2 mg/kg IV, e nas dosagens de 0,1 a 0,4 mg/kg em
suínos.

- AZAPERONE
É um tranqüilizante de PM =327,41, comercializado para utilização em suínos. Apresenta efeito sedativo,
neuroléptico e adrenolítico; diminui a P.A. devido ao bloqueio α-adrenérgico, causa vasodilatação periférica e
hipotensão. Suínos de pele clara apresentam uma coloração rosada, quando submetidos à ação do agente. Eqüinos
são susceptíveis a este agente.
Os suínos após injeção intramuscular podem apresentar excitação durante os primeiros 20 minutos. A
administração intravenosa, freqüentemente, resulta em uma fase vigorosa de excitação. Em doses clínicas, exercem
efeitos mínimos sobre a respiração com uma ligeira estimulação.
Dosagens: Suínos: 1 a 4 mg/kg IM profunda
Eqüinos: 0,8 mg/kg IM
Stressnil
®
: 40 mg/mL - Frasco com 20 mL.

- HALOPERIDOL
Ações semelhantes ao do droperidol, porém menos potente que este.

3) AGENTES ANSIOLÍTICOS ( BENZODIAZEPÍNICOS)
São agentes capazes de auferirem ações ansiolítica, anticonvulsivante (por elevarem o limiar convulsivo),
sedativa, hipnótica e miorrelaxante (relaxamento muscular ocorre devido a sua ação ao nível do cordão espinhal).
Agem ao nível do sistema límbico no septum, hipocampo, amígdala e formação reticular, particularmente no
hipocampo o que aufere a tranqüilização. Reduzem a atividade funcional do hipotálamo e do córtex cerebral. De um
modo geral são representados pelos benzodiazepínicos.
Os agentes ansiolíticos revelam propriedades sedativas, tranqüilizantes e hipnóticas relacionadas à dose.
Apresentam discreta ação analgésica. Distribuem-se amplamente por todo o organismo e ligam-se intensamente às
proteínas plasmáticas. Os benzodiazepínicos, quando associados a outros tranqüilizantes, causam prostração
permitindo a indução da anestesia inalatória através de máscara.
São pré-medicamentos usuais em pacientes cardíacos, uma vez que os efeitos cardiovasculares causados por
eles são mínimos. Suas ações farmacológicas podem ser antagonizadas pelo flumazenil (Lanexat
®
-frasco de 5mL
com 0,1mg/mL

) nas dosagens, para cães e gatos de 0,075 a 0,1mg/kg IV (MAMA, 1998).

- DIAZEPAM
É o benzodiazepínico mais usado na Medicina Veterinária, ele abranda o medo e a ansiedade sem causar
sedação. Tem ação anticonvulsivante, porém, a depressão respiratória é imprevisível. É um sedativo com ação
mínima sobre a circulação; pode causar excitação em cães e gatos sadios e essa excitação promoverá a liberação de
catecolaminas e, em conseqüência, arritmia poderá ser observada, logo, é desaconselhável seu uso em pacientes
estressados e com cardiopatias inevidentes, deve ser utilizado com cautela em gatos, onde o diazepam pode produzir
irritabilidade e comportamento agressivo. Em pacientes extremamente deprimidos produz tranqüilização
significante.
Alguns anestesistas e radiologistas afirmam que as propriedades anticonvulsivantes do diazepam suprimem
os fenômenos excitatórios algumas vezes observados em cães submetidos a mielografia sob anestesia geral.
O diazepam quando aplicado rapidamente pela via intravenosa causa depressão cardiovascular significante.
Por via intramuscular causa desconforto, uma vez que a irritação tecidual é evidente. Dosagens indicadas para cães
são de 0,5 a 2 mg/kg IV, quando usado isolado como medicação pré-anestésica. Quando associado a um opióide,
como a oximorfina (0,05 a 0,1mg/kg IV) ou butorfanol (0,2 mg/kg IV) promove excelente neuroleptoanalgesia com
efeitos cardiovasculares mínimos, facilitando a intubação endotraqueal. Em bovinos indica-se a dosagem de
0,02mg/kg IM.

- MIDAZOLAM
Possui baixa toxicidade por ser hidrossolúvel que induz a sedação e ao relaxamento muscular. PM de
393,58. Tem a meia-vida mais curta que a do diazepam. Exerce ação hipnoindutora anestésica. Pode ser usado em
todas as espécies, podendo ser associado a fenotiazínicos e anestésicos dissociativos, é usado comumente como
indutor anestésico; como sedativo para procedimentos diagnósticos e como coadjuvante da anestesia local e
regional. O midazolam deve ser usado com precaução e em doses reduzidas em pacientes com disfunções hepáticas,
idosos, doença pulmonar obstrutiva crônica, falha cardíaca congestiva. O midazolam pode causar depressão
respiratória e apnéia, que quando não tratadas imediatamente podem levar a morte do paciente. Após seu uso, pode
ser observado, em alguns pacientes a parada cardíaca, a hipotensão e bradicardia.
O Midazolam, quando comparado a outros benzodiazepínicos, apresenta algumas propriedades ímpares. Ação
inicial relativamente rápida promovendo analgesia e sedação rapidamente. Não altera significantemente a FC e a
temperatura retal. Fornece segurança na hipnose, amnésia, sendo essas propriedades consideradas excelentes na
medicação pré-anestésica. Em muitas situações clínicas é preferível que ao diazepam devido a sua rápida ação
analgésica e ausência de irritação venosa.
Dosagens: Eqüinos: 0,2 mg/kg .IV; Cães: 0,1 a 2 mg/kg IV
5
Indução: midazolam 0,5mg/kg+quetamina 2mg/kg+clorpromazina ou levomepromazina 1mg/kg-IV.
Infusão contínua IV (pequenos animais): 0,1 a 0,3mg/kg/h (Andrade, 1997).

- FLUNITRAZEPAM
É indicado principalmente para os casos de insônias. Na anestesiologia, é usado em função de suas ações
ansiolítica, miorrelaxante, indutora do sono e anticonvulsivante. Não causa toxicidade hepática, renal ou
hematológica, além de que, reduz o sangramento capilar e a pressão intracraniana.
Em eqüinos, a associação com fenotiazinas causa, além da tranqüilização, exteriorização peniana,
relaxamento vulvar, ptose palpebral, protrusão da língua e apoio em pinça nos membros posteriores podendo o
animal apresentar decúbito esternal ou mesmo lateral. Os cães mostram leve sedação por 1 a 2 horas, ataxia por 5 a
6 horas e aumento de apetite. Martin (1980) citou que em cães uma associação de quetamina com flunitrazepam
promove um aumento significativo da freqüência cardíaca.
Pode ser encontrado no comércio na forma de comprimidos de 2 mg ou de ampolas contendo 2 mg do
princípio ativo contidas em 1 mL de diluente. Dosagens para animais de pequeno porte variam de 0,01 a 0,03 mg/kg
IV e, em bovinos indica-se a dosagem de 0,01mg/kg IV de uma concentração a 1%.

– ZOLAZEPAM
Benzodiazepínico, com poder anticonvulsivante duas vezes maior que o diazepam. É usado como MPA,
anestesia geral e como sedativo em cães, gatos e animais silvestres. É encontrado, no mercado, associado a um
anestésico dissociativo, a tiletamina, na proporção 1:1, sob o nome comercial de Zoletil
®
ou Telazol
®
.

4) HIPNOALGÉSICOS
São agentes que causam hipnose e analgesia. Existem 3 grupos de hipnoanalgésicos, a saber: os opiáceos,
os opióides e os derivados imidazólicos.
Os opiáceos são usados popularmente como pré-anestésicos, apresentam a desvantagem de causar
depressão respiratória e produzir a resposta a um aumento da tensão arterial de dióxido de carbono, propriedades
que parecem estar intrinsecamente ligadas à produção de analgesia. Os agentes depressivos, principalmente os
opiáceos e seus derivados sintéticos, são perigosos quando usados em cães com pressão intracraniana elevada, ou
potencialmente elevada e, nestas circunstâncias, a depressão respiratória pode precipita o “cone” medular.
Dentre os opiáceos citamos a MORFINA. A morfina é o analgésico narcótico com o qual todos os outros
são comparados. Seu efeito analgésico perdura por cerca de 4 horas, após uma dose única administrada por qualquer
via. Aparentemente, a morfina alivia a dor ao elevar o limiar da dor e ao induzir o sono, que por si eleva o limiar.
Reduz a temperatura corpórea, devido a redução da atividade muscular. Em cães com dor eminente, a morfina pode
produzir excitação e agitação. Perda térmica aumentada através da vasodilatação periférica, e taxa metabólica
reduzida, podem também ser fatores contribuintes.
Massone (1999), cita as dosagens da morfina para cães de 0,1 a 0,5 mg/kg; para gatos Hall & Clarke (1987)
indicam a dosagem de 0,1mg/kg.

O 2º grupo é o grupo dos opióides onde destacamos os derivados sintéticos da Morfina, Meperidina,
Pentazocina, Etorfina, Metadona, Oximorfina, Fentanil, Sulfentanil, Alfentanil, Tramadol e Butorfenol.
Os opióides produzem analgesia e sedação em gatos, em cães, produzem sedação e depressão respiratória.
Devido produzirem pequena depressão direta do miocárdio e poderem ter seus efeitos revertidos por agentes
antagonistas, freqüentemente fazem parte do protocolo anestésico de pacientes cardíacos. Seus efeitos sobre a
pressão sangüínea são mínimos (CORNICK-SEAHORN, 1994).
O FENTANIL é um opióide agonista que apresenta ação analgésica aproximadamente 80 vezes mais potente
em relação-dose, que a morfina, porém de duração mais curta que esta. Em geral, não é usado isolado em Medicina
Veterinária para manobras anestésicas, sendo usado principalmente associado ao droperidol na neuroleptoanalgesia,
tem potente ação analgésica e sedativa; causa estímulo vagal quando aplicado por via venosa, logo é aconselhado o
uso da atropina por via SC; seus efeitos sobre a pressão sangüínea geralmente são mínimos; causa relaxamento dos
esfíncteres podendo ocorrer eliminação de fezes. O fentanil produz vômitos que são bloqueados ou atenuados por
neuroleptoanalgésicos como o droperidol.Tem como antagonista a nalorfina (0,5 mg/kg IV).
Os efeitos analgésicos do fentanil caracterizam-se por manifestação rápida, acompanhada de intensa
depressão respiratória. Em função de seu início de ação rápido, visto que atravessa as barreiras biológicas
facilmente. Existe uma estreita relação entre as concentrações plasmática e cerebral e os níveis de fentanil e a
intensidade de seu efeito.
A depressão respiratória apresenta características especiais, uma vez que o paciente, embora consciente,
“esquece de respirar” (onbli respiratore), só fazendo quando estimulado. É comum a depressão respiratória ser
procedida por um aumento fugaz da freqüência respiratória e do volume/minuto. O retorno da respiração aos
padrões normais se dá rapidamente em função da rápida dissociação ao nível dos receptores localizados no SNC,
apesar disso, se faz necessário assistência ventilatória até que a respiração espontânea tenha sido completamente
estabelecida.
É um opióide μ agonista que promove uma analgesia intensa durante o ato cirúrgico, permitindo a
utilização de doses menores de agentes inalatórios halogenados, que são depressores cardiovasculares; isto é
importante nos casos dos pacientes cardiopatas, dos idosos ou portadores de anomalias que possam comprometer a
anestesia.
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O fentanil não eleva a pressão intracraniana (PIC), podendo ser usado em neurocirurgia. Em doses
terapêuticas é capaz de suprimir as reações cardiocirculatórias à laringoscopia e intubação endotraqueal e a
manifestação das condições hemodinâmicas no período da indução anestésica é vantajosa.
Dosagens indicadas para animais de pequeno porte podem variar de 0,01 a 0,04mg/kg IM.
Fantoni, Krumenerl J r. e Galego (2000) indicam para cães as dosagens de 5μgkg (0,05mg/kg) IV em bolus diluídos
em 3 a 5mL de solução fisiológica administrada em aproximadamente 3 minutos ou 0,4 a 0,7μg/kg/min sob infusão
contínua e, para gatos 0,01 a 0,02mg/kg IV.

Como derivados do Fentanil pode ser citado: o Alfentanil e o Sulfentanil.
O SULFENTANIL é também um agente agonista que foi sintetizado em 1974. É mais potente que o
fentanil. Apresenta ação narcótica de curta duração. A meia-vida de eliminação é menor (148 minutos) do que a do
fentanil, e isto associado ao menor volume de distribuição da mesma, podem explicar a menor depressão respiratória
com sulfentanil do que com fentanil. Como efeitos colaterais podem ser observados bradicardia, hipotensão,
sonolência, náuseas, vômitos e depressão respiratória. Mais raramente observa-se arritmia cardíaca, hipotensão
ortostática e depressão do SNC.
Como o sulfentanil pode causar depressão respiratória, o mesmo deve ser usado com cautela em pacientes
com traumatismos cefálicos, alterações hepáticas ou renais e nos pacientes com doenças pulmonares que não estão
intubados. Dosagens indicadas para animais de pequeno porte variam de 1 a 3μg/kg IV, diluídos em 3 a 5mL de
solução fisiológica.

O ALFENTANIL é outro derivado μ agonista do fentanil, apresenta aproximadamente um quarto da
potência deste, porém com início de ação mais rápido do que o fentanil. É altamente metabolizado pelo fígado;
pequeno volume de distribuição, no estado estável, o que resulta em meia-vida de eliminação consideravelmente
menor do que a do fentanil. Indica-se dosagem, para pequenos animais, de 25μg/kg IV em bolus diluídos em 3 a
5mL de solução fisiológica.

A MEPERIDINA é um analgésico sintético, derivado piperidínico, cujas ações principais são semelhantes
às da morfina. É um agente lipofílico e demonstra correlação estreita entre seus níveis plasmáticos e a intensidade de
suas ações analgésica e depressora ventilatória. É um analgésico - narcótico, espasmolítico, que estimula a medula
espinhal, causando vasodilatação periférica. Causa hipotensão quando usado em altas doses. Tem ação depressora
cardíaca dose-dependente, especialmente em dosagens acima de 5mg/kg. Atravessa a barreira placentária
facilmente.
É metabolizada no fígado em normeperidina. Apresenta um décimo da potência da morfina. Em cães
existem citações de promover a liberação de histamina e profunda hipotensão, principalmente quando administrada
IM (altas doses) ou IV, sendo aconselhado ser usada, preferencialmente, pelas vias IM e SC. Em altas doses,
apresenta ação vagolítica deprimindo o miocárdio. É antagonizada pela nalorfina. É indicada para uso nos pacientes
geriátricos, nos portadores de asma (felinos), em casos de enfisema ou arritmias ventriculares e no atendimento
inicial do paciente poli-traumatizado.
Dosagens: Cães -1 a 5mg/kg IM ou SC
Gatos - Máx. de 1,5mg/kg IM
Eqüinos - 1 a 2mg/kg IV

A METADONA é uma substância opióide, sintética, μ agonista, eqüipotente à morfina, em termos de
analgesia, embora produza menor sedação, sendo freqüentemente associada à acepromazina e atropina para produzir
uma sedação eficaz. Pode causar fenômenos excitatórios traduzidos por náuseas, vômitos, ptialismo e defecações.
É amplamente empregada como analgésico/sedativo em cavalos e como componente narcótico de uma leve
mistura neuroleptoanalgésica, tanto para cavalos como para cães. Raramente é usado em gatos.
Dosagens: Eqüinos - até 0,1mg/kg - IM
Cães - 0,1 a 0,5mg/kg IM

A ETORFINA é um composto também μ agonista, de duração extremamente longa, com período de
recuperação retardado pela reciclagem entero-hepática. É 1.000 vezes mais potente que a morfina. Possui
propriedades indesejáveis de produzir estimulação do SNC antes de sua depressão, o que resulta em um período de
excitamento.
Em pequenos animais causa analgesia, discreta depressão respiratória e bradicardia. Hipotensão sem vômitos
em cães. Em eqüinos, observa-se taquicardia causada pela excitação. Geralmente a etorfina é usada associada aos
fenotiazínicos. Tem como antagonista a diprenorfina (Revivon
®
)
Dosagens: Eqüinos - 0,9 mg/100kg - IM
Ursídeos - 1 mg/100kg - IM
Cervídeos - 2mg/100kg - IM
Bovídeos - 0,2 mg/100kg - IM
Cães – 0,01mg/10kg - IM

7
A OXIMORFINA é um opióide μ agonista sintético, derivado diidroxi da morfina, com potência
analgésica 10 vezes superior a esta. Promove efeitos discretos sobre o sistema respiratório, cardiovascular e
gastrointestinal. Ocasionalmente produz vômitos. Quando administrada por via intravenosa em cães
normovolêmicos, o débito cardíaco diminui transitoriamente enquanto a pressão arterial, a resistência vascular
sistêmica e a tensão arterial de dióxido de carbono aumentam.
Terapeuticamente, a oximorfina pode ser usada como analgésico em cães e gatos. Nos gatos deve ser usada
em doses baixas ou combinada a um tranqüilizante. Nos cães ela é usada principalmente como medicação pré-
anestésica, ou combinada com tranqüilizantes na neuroleptoanalgesia produzindo um estado de sedação e analgesia
sem inconsciência. Em porcos ela é usada em combinação com xilazina e quetamina para anestesia intravenosa.
Os cães sob ação da oximorfina podem se apresentar com respiração ofegante e bradicardia. Os gatos
podem apresentar excitação dose-dependente. Os efeitos adversos da oximorfina podem ser revertidos com naloxona
(0,5mg/kg IV).
Dosagens: Gatos – 0,01 mg/kg IV, IM (Spinosa et al, 1996)
Cães e gatos – 0,05 – 0,1mg/kg IV, IM (CORNICK–SEAHORN, 1994)
Gatos - 0,2 – 0,3mg/kg IV,IM,SC (Short, 1974)

O TRAMADOL é um analgésico opióide agonista com propriedades farmacológicas distintas, quando
comparado a outros opióides, o que lhe confere potência sem alta incidência de efeitos adversos. Sua ação
analgésica deve-se a uma combinação de sua ação nos receptores opióides e a um mecanismo não opióide,
provavelmente relacionado à inibição neuronal de noradrenalina ou serotonina. Não apresenta efeitos depressores
respiratórios ou cardiovasculares deletérios. É indicado na analgesia pós-cirúrgica de cães submetidos a intervenções
ortopédicas ou abdominais, no trauma torácico e no controle da dor, de leve a moderada.
A dosagem indicada para cães é de 2mg/kg IV (MASTROCINQUE e FANTONI, 2000)

A PENTAZOCINA, segundo Hall (1986), é um agente estritamente antagonista, porém que apresenta
suficientes propriedades de agonista para ser usada como um analgésico. É usada na dosagem de 1mg/kg.

O TARTARATO DE BUTORFANOL é um derivado sintético da morfina, com propriedades agonista-
antagonista, de ação mista atuante em receptores κ e σ. Supõe-se que atue no nível cortical do sistema límbico, que
possui receptores de opióides que provavelmente se ligam ao butorfanol. É encontrado comercialmente na
concentração de 10mg/mL, com o nome de Torbugesic
®

É um analgésico muito eficaz em doses moderadas, possuindo 4 a 5 vezes mais potência analgésica que a
morfina. Produz analgesia em 15 minutos e seu efeito é prolongado, em torno de 2 a 4 horas; causa sedação, disforia
e depressão respiratória menor que aquelas observadas com outros opióides. Não promove alterações significantes
no sistema cardiorrespiratório, e na motilidade gastrointestinal, sendo aconselhado o uso de anticolinérgicos como
MPA. Ao contrário dos narcóticos clássicos, não promove liberação de histamina.
É indicado clinicamente para o alívio das dores abdominais causadas por cólica em eqüinos adultos e
potros, como medicação pré-anestésica, quando associado a sedativos, para procedimentos diagnósticos,
laboratoriais e, em manobras cirúrgicas simples. Pode ainda ser usado como agente alternativo para uso na anestesia
epidural.
Nos cavalos, o butorfanol pode produzir tremores musculares, inquietação, ataxia e movimentação nos
membros. A combinação desse agente com um alfa-2 agonista, tal como a detomidina, reduz esses efeitos adversos,
além de que produzirá um nível de sedação profundo, permitindo diferentes procedimentos, logo, devendo-se
reduzir a dose do butorfanol.
Dosagens: Cães – 0,1 a 0,4mg/kg (IV)
Gatos – 0,1 a 0,2mg/kg (IV)
Cavalo – 0,1 a 0,4mg/kg (IV, IM)
Para epidural em cães – 0,1mg/kg

Os Derivados Imidazólicos representam o 3º grupo, onde destaca-se: o CLORIDRATO DE
DETOMIDINA (Domosedan
®
). O cloridrato de detomidina, desenvolvido para bovino e eqüino, é um potente
agonista α-2 adrenérgico com potência maior que a xilazina, apresenta propriedade sedativa, analgésica e hipnótica
dose-dependente.
Os agonistas α-2 possuem ação semelhante a norepinefrina, nos receptores α-2 pré-sináptico, as agentes
agonistas α-2 atuam nos receptores α-2, impedindo a liberação do neurotransmissor (norepinefrina) e, como não
existe quantidade suficiente de norepinefrina na fenda sináptica, a transmissão do impulso nervoso fica inibida,
provocando efeitos que são devidos à falta de neurotransmissor adrenérgico. Produz efeitos indesejáveis
principalmente no aparelho cardiovascular semelhante a xilazina, tais como bradicardia, ocasionalmente bloqueio
atrioventricular e bradipnéia.
A estimulação dos α-2 adrenoceptor, ao nível de SNC, produz respostas farmacodinâmicas que incluem
sedação, analgesia, midríase, hipotermia, hipotensão e bradicardia em cobaias.
É indicado para manipulações, contenções e até cirurgias dependendo da dose. É contra-indicado o uso pré
ou pós-operatório de sulfonamidas, uma vez que a detomidina interage com as mesmas provocando efeitos adversos.
8
Animais sob efeito do agente podem apresentar sonolência que pode ser interrompida por estímulos
externos, abertura do quadrilátero de sustentação e abaixamento da cabeça após 3 minutos da aplicação, aos 5
minutos, geralmente, os pacientes apresentam andar cambaleante e relutância a deitar, aos 8 minutos devem se
apresentar deitados com bom relaxamento muscular. De um modo geral, verifica-se diminuição dos movimentos
respiratórios e dos batimentos cardíacos, os olhos permanecem abertos com discreta midríase, sendo mantidos os
reflexos palpebrais e corneal. Não é observado sialorréia, entretanto, êmese pode ocorrer algumas vezes. Pode ser
observada ainda, diminuição da P.A. que se estabilizará em ± 60 minutos, voltando ao normal mais ou menos aos
110 minutos.
As dosagens recomendadas da detomidina para eqüinos são de 20 a 40 μg/kg IM ou IV (2 a 4mg/100kg) e,
para cães, indica-se a dosagem de 0,1 mg/kg IM.


5) MIORRELAXANTES
São agentes que causam relaxamento muscular. De acordo com o local de ação podem ser classificados em
miorrelaxantes de ação central, quando agem ao nível meduloespinhal, e, de ação periférica quando a ação se dá sob
a membrana subsináptica.
Em anestesia os miorrelaxantes musculares de ação periférica são empregados para facilitar a intubação
endotraqueal. Na prática anestésica, dois fatores têm limitado o emprego de bloqueadores: (1) a facilidade com que
se consegue a intubação endotraqueal exclusivamente com anestesia geral com barbitúricos e, (2) o emprego de
associações anestésicas parenterais que dispensam a aparelhagem anestésica.

SUCCINILCOLINA (Quelicin
®
, Scoline
®
) é um bloqueador neuromuscular despolarizante, com ação
periférica que atua sobre os receptores colinérgicos garantindo a despolarização da membrana subsináptica causando
relaxamento muscular. PM de 361,30. É antagonizada pela neostigmina. Causa relaxamento muscular inicial ao
nível ocular, terminando ao nível do diafragma. Pode ser observado apnéia, hipermotilidade intestinal, micção e
salivação em animais submetidos a ação desse agente.
O efeito da succinilcolina pode ser prolongado, em humanos, com uso prévio de metoclopramida. Este
fármaco não tem atividade bloqueadora neuromuscular intrínseca, a inibição da atividade plasmática de
colinesterase é o provável mecanismo pelo qual ela prolonga o bloqueio neuromuscular da succinilcolina (KAO e
TURNER, 1989)
Dosagens: Cães: 0,3 mg/kg IV
Suínos: 2,2 mg/kg IV
Bovinos e ovinos: 0,02 mg/kg IV.
Eqüinos: 0,1 a 0,2 mg/kg IV

O DECAMETÔNIO (Syncurine
®
) é um bloqueador neuromuscular despolarizante com PM igual a
418,36, que apresenta ação semelhante a acetilcolina produzindo despolarização da placa terminal. Massone (1999)
indica a dosagem de 0,2mg/kg IV para cães que serão anestesiados com tiopental.

Como Bloqueadores Neuromusculares Adespolarizantes ou Competitivos cita-se o Fazadínio, Atracúrio,
Pancurônio e a Galamina. Com estes bloqueadores neuromusculares, a membrana subsináptica é estabilizada pelo
agente ocorrendo a liberação de acetilcolina. Os bloqueadores neuromusculares adespolarizantes ou competitivos
irão atuar nos receptores colinérgicos impedindo a ação da acetilcolina e a transmissão do impulso nervoso. São
indicados para auxiliar na intubação endotraqueal. Este grupo de relaxantes musculares, pode ser antagonizado pela
neostigmina na dosagem de 0,04 a 0,07 mg/kg IV.
O FAZADÍNIO é um bloqueador competitivo, de ação periférica, com curto período de ação e latência,
apresenta as vantagens de não alterar significantemente a temperatura retal, a FC, PA e a pressão venosa (PV).
Uma dosagem de 1mg/kg produz apnéia em cães e gatos levemente anestesiados; em dosagens mais baixas o
relaxamento raramente se mostrará adequado. A função neuromuscular é restaurada pela injeção intravenosa de
atropina e neostigmina após 15 min. da aplicação do fazadínio (HALL; CLARKE,1987). A atropina é usada para
contrabalançar os efeitos muscarínicos da neostigmina, tais como, bradicardia, salivação, defecação e excreção
urinária. Massone (1999) indicou a dosagem de 1 mg/kg IV para Cães e gatos.

O ATRACÚRIO (Tracrium
®
) é um bloqueador competitivo, semelhante ao fazadínio. Em dosagens
recomendadas, não apresenta efeitos significativos sobre a FC, e não neutraliza a bradicardia causada pelos
anestésicos gerais ou pela estimulação vagal, assim a ocorrência de bradicardia durante a anestesia pode ser mais
comum com o atracúrio do que com outros relaxantes musculares. Tem pH ácido. É usado como adjuvante da
anestesia geral para facilitar a intubação endotraqueal. Da mesma forma que o fazadínio, seus efeitos podem ser
revertidos pela neostigmina. O atracúrio sofre biotransformação plasmática por um processo próprio de destruição,
conhecido como eliminação de Hofman. Essa reação é obtida sob condições de temperatura e pH fisiológicos e se
processa independentemente das funções hepática e renal. Recomenda-se o uso do atracúrio em pacientes com
insuficiência renal ou hepática. Agentes como o enfluorano, isofluorano, halotano e aminoglicosídios, acentuam a
ação do bloqueio neuromuscular.
Dosagens: Cães – 0,3 a 0,5mg/kg IV
9
Eqüinos – 0,04mg/kg IV
Gato – 0,25 mg/kg IV (associado ao halotano)

Os Miorrelaxantes de Ação Central são agentes capazes de produzir relaxamento muscular por ação ao
nível de medula espinhal. São empregados na terapêutica da espasticidade muscular ou em espasmos musculares
agudos pós-traumas, nas reduções de fraturas, ou até para simples contenções farmacológicas. Têm ação analgésica,
anticonvulsivante e tranqüilizante. Os benzodiazepínicos são incluídos também neste grupo farmacológico.

- ÉTER GLICERIL GUAIACOL (EGG): é um relaxante muscular de ação central que bloqueia a transmissão dos
impulsos nos neurônios intercalares da medula espinhal, tronco cerebral e áreas sub-corticais do cérebro, sem afetar
a função do diafragma. PM de 192,21. Apresenta-se como um pó branco de sabor amargo preparado, geralmente, a
10% em solução fisiológica a 40ºC, de maneira asséptica, para ser administrado pela via venosa. É usado como
indutor para anestesia geral inalatória. A espécie que mais se adapta ao seu uso é a eqüina. O éter gliceril guaiacol
faz com que o animal adote imediatamente o decúbito lateral.
Para eqüinos, recomenda-se a dosagem de 100 mg/kg (10%) IV (MASSONE, 1999).

6 - AGONISTAS DE RECEPTORES ∝-
2
- CLORIDRATO DE XILAZINA: é um agente sedativo, analgésico, miorrelaxante de ação central, ação alfa-2
adrenérgica, altamente emético para carnívoros, principalmente o gato. Não é considerado um neuroléptico ou
tranqüilizante, nem tão pouco um agente anestésico. É classificado como um agente com potente ação sedativa e
analgésica, seu PM é 256,8.
O cloridrato de xilazina provoca inibição da transmissão intraneural de impulso ao nível de SNC e uma
estimulação dos receptores α
2
que irá inibir a liberação de noradrenalina pelos neurônios por intermédio de um
mecanismo de feedback negativo. A estimulação dos receptores α
2
confere à xilazina uma potente atividade
antinociceptiva ou analgésica (ANDRADE, 1997).
Em cães exerce ação parassimpatomomética produzindo arritmia sinusal e bloqueio atrioventricular do
2ºgrau com bradicardia acentuada, a qual pode ser antagonizada pelo uso prévio da atropina. O uso de sulfato de
atropina como pré-medicação evita o bloqueio cardíaco. A xilazina reduz o rendimento cardíaco e promove uma
hipertensão transitória seguida de hipotensão, além de que promove ligeira queda da FR e do volume corrente. Esse
agente pode determinar intensa vasoconstrição, através de um efeito alfa-simpatomimético (SCHMIDT et al apud
HALL; CLARKE, 1987).
A xilazina atua na musculatura esquelética causando relaxamento muscular, este relaxamento é obtido
através da inibição da transmissão intraneural de impulsos ao nível do SNC. É particularmente útil para a
combinação com a quetamina, pois suas propriedades miorrelaxantes auxiliam a reduzir a rigidez produzida pelo
agente dissociativo. Na musculatura lisa promove a redução do tônus intestinal evitando, portanto a emissão de
fezes.
Os bovinos são muito susceptíveis a este agente e, quando submetidos a doses elevadas do mesmo podem,
algumas vezes, apresentarem diarréia nas 24 horas posteriores; cavalos requerem cerca de 10 vezes a dose requerida
dos bovinos e, mesmo assim, o grau de sedação atingida é consideravelmente menor, porém é considerado um
potente analgésico para alívio da cólica eqüina, exceto se há choque, devido aos efeitos depressores da xilazina no
sistema cardiovascular. Os porcos são ainda menos resistentes que os eqüinos.
Gatos freqüentemente vomitam durante o surgimento da sedação induzida pela xilazina, o vômito ocorre
visto que a xilazina estimula diretamente o centro do vômito e a zona quimiorreceptora deflagradora (ZQD), e como
os carnívoros possuem esses centros mais desenvolvidos que outras espécies, são também mais sensíveis aos efeitos
eméticos da xilazina.
É desaconselhável usar a xilazina em animais que sofrem de obstrução do trato respiratório superior, uma
vez que as propriedades miorrelaxantes do agente parecem acentuar os efeitos da obstrução. Contra-indicado o uso
desse agente em animais com problemas cardiovasculares, naqueles em estado de choque, em animais com
problemas renais ou hepáticos. Também é contra-indicado em pacientes epiléticos uma vez que pode causar
convulsões nos animais susceptíveis. Em animais gestantes no último mês de prenhes pode precipitar o parto
precoce ou aborto, apesar de ser utilizada com sucesso em cesarianas, associada com quetamina ou com anestesia
local. Não se deve associar à neurolépticos ou tranqüilizantes devido a adição dos efeitos depressores.
De um modo geral, em cães e gatos após administração de xilazina, observa-se: hipotensão moderada,
bradicardia, diminuição da freqüência respiratória, salivação abundante. Em bovinos e eqüinos é observado a
protrusão da língua, ptose palpebral e labial, salivação abundante, emissão de mugidos, movimentos constantes de
orelhas e cauda, diminuição das freqüências respiratória e cardíaca, acomodação em decúbito esternal e,
posteriormente em decúbito lateral.
A xilazina pode ser administrada no espaço epidural de cavalos, bovinos, ovinos e cães para causar
analgesia perineal e de flanco. Le Blanc et al (1998) relataram que os α-2 agonistas administrados por injeção
epidural podem resultar em analgesia caudal sem efeitos secundários extra-espinhais como sedação, ataxia e
depressão cardiovascular. Segundo Skarda e Muir III (1996) a xilazina administrada epiduralmente induz ao
bloqueio motor e sensorial, assemelhando-se àqueles produzidos por agentes anestésicas locais.
A administração epidural de alguns agentes adrenérgicos resulta em profunda analgesia em vários animais,
esses efeitos são mediados pelos receptores α-adrenérgicos espinhais, porque a analgesia será antagonizada pelos
10
bloqueadores α-2, mas não pelos α-1 ou β. Receptores α-2 inibem a resposta da substância P, sendo possível, por
conseguinte, a inibição da transmissão espinhal do estímulo doloroso, usando agonistas α-2 adrenérgicos (LE
BLANC et al, 1988).
As vantagens da analgesia epidural α-2 induzida inclui atenuação de efeitos secundários supraespinhais
como sedação, depressão respiratória e cardiovascular; duração da ação prolongada e; ausência de fraqueza nos
membros posteriores (LE BLANC et al 1988). O mecanismo exato do efeito analgésico regional da xilazina e de
outros α-2 agonistas adrenérgicos não é conhecido, porém tem sido explicado pela inibição da substância P
espinhal, um neurotransmissor envolvido na sensação da dor (GRUBB, RIEBOLD e HUBER, 1993; AMINKOV e
HUBENOV, 1995). A substância P, um peptídeo com função neurotransmissora dos impulsos da dor, pode
despolarizar as terminações nervosas ou células pós-sinápticas. Há ativação dos receptores α-2 da substância
gelatinosa da coluna dorsal da medula espinhal, mas não dos receptores opiáceos e, ao contrário do bloqueio
epidural por opiáceos, os agonistas dos receptores α-2 não produzem depressão respiratória, tampouco determinam
distúrbios motores como ataxia (DeROSSI, GÓMEZ DE SEGURA, 2001).
Há trabalhos em pequenos, grandes e nos animais silvestres que demonstram o sucesso do uso do cloridrato
de ioimbina como antagonista da xilazina, principalmente sobre o sistema cardiovascular. Em gatos as dosagens de
0,1 a 0,2mg/kg IM de ioimbina pode reverter quadros de intoxicação (CHEUICHE, 2000). Em eqüinos indica-se a
dosagem de 0,03mg/kg IV e nos bovinos e pequenos ruminantes as dosagens de 0,1 a 0,2mg/kg IV ou IM. Outro
antagonista é o atipamezole indicado para uso em cães e gatos nas dosagens de 0,04 a 0,05mg/kg IM ou 0,02mg/kg
IV e em bovinos nas dosagens de 0,01 a 0,03mg/kg IV. Pode-se ainda utilizar, como antagonista da xilazina em
bovinos, a tolazolina nas dosagens de 2 a 3mg/kg IV.

Dosagens indicadas da xilazina (MASSONE, 1999)
Gatos: 0,5 a 0,8 mg/kg IM.
Cães: 1 mg/kg IM ou IV
Bovinos e pequenos ruminantes (xilazina 2%):
1 - 0,25 mL/100kg (5mg/100kg) IM: sedação ligeira, relaxamento muscular, analgesia moderada
(radiografias, manipulações).
2 - 0,50 mL/100kg (10mg/100kg) IM: sedação média, relaxamento muscular (suturas superficiais,
argolamento, incisão de abscessos, etc).
3 - 1 mL/100kg (20mg/100kg) IM: sedação intensa, relaxamento muscular, analgesia intensa e anestesia
(intervenções cirúrgicas).
4 - 1,5 mL/100kg (30mg/100kg) IM: sedação forte, relaxamento muscular intenso e prolongado, com
analgesia e anestesia (intervenções cirúrgicas).
Xilazina 2% para uso na anestesia regional - Epidural:
Scott (1996) – Cavalos, bovinos e ovinos =0,07mg/kg de xilazina 2% (sozinha) ou associada a 0,5mg/kg de
lidocaína 2%.
Luna (1998) – Eqüinos =0,17mg/kg de xilazina 2% diluída em 6 a 10mL de solução fisiológica ou
0,22mg/kg de lidocaína associada a 0,17mg/kg de xilazina 2%.
DeRossi e Gómez de Segura (2001) – Eqüinos =0,22mg/kg

- ROMIFIDINA (Sedivet 1%
®
)
É um agente agonista α-
2
adrenérgica derivado da imino-imidazolidina que produz efeitos sobre o SNC como
sedação, analgesia, bradicardia, depressão respiratória, hipotensão moderada e redução do hormônio antidiurético na
circulação. Perifericamente produz vasoconstrição. As ações e efeitos da romifidina são típicos do grupo e se
assemelham aos da xilazina e da detomidina. Entre os diferentes alfas-
2
agonistas verifica-se graus de sedação
distintos, quando os mesmos são aplicados em doses crescentes. Seus efeitos são antagonizados pelos mesmos
antagonistas da xilazina. Pode ser usada em eqüinos e cães produzindo sedação e analgesia, tem sido usada na
clínica médica veterinária para acalmar animais indóceis, bem como na pré-medicação anestésica.
Stenberg e Virtanen apud Luna et al. (1996), citaram que a estimulação de receptores alfa
2
-adrenérgicos pré-
sinápticos centrais causam a inibição da liberação de noradrenalina, levando a uma diminuição da atividade neuronal
cortical, o que se manifesta clinicamente como sedação. Após administração de α-
2
-agonista, todavia, ações
cardiovasculares periféricas causadas por estimulação pós-sináptica de adrenoceptores α
2
resultam em
vasoconstrição e conseqüente hipertensão inicial, cuja duração é diretamente proporcional à dose utilizada. Após
este período inicial ocorre depressão central, bradicardia e hipotensão. Sinais clássicos de sedação, tais como ataxia,
ptose palpebral e labial, abaixamento da cabeça e resposta diminuída ou ausente a estímulos visuais, sonoros e táteis,
podem ser observados após o uso da romifidina.
Segundo England et al. (1996), a romifidina quando administrada intravenosamente em cães, tem ação
sedativa semelhante a produzida por baixas doses também intravenosa de medetomidina. As características da
sedação são semelhantes às observadas com outros agonistas alfa-
2
adrenoceptores, ou seja, o grau de sedação
associado à analgesia depende da dose utilizada. Luna et al (1996), citam que comparando a detomidina com a
romifidina, em cães, as mesmas são eqüipotentes e, por até 105 min. após a administração de ambas, produzem grau
de sedação e efeitos cardiorrespiratórios semelhantes, sendo que a romifidina produz maior grau de abaixamento da
cabeça.
11
O princípio de ação da romifidina, após administração IV ocorre por volta de 1 a 2 min. Efeitos adversos
notados, seguidos da administração da romifidina,em cães, inclui vômito e contração muscular (ENGLAND et
al.,1996). A romifidina pode ser combinada com o butorfanol e administrada na mesma seringa. Clarke et al (1991),
citou que em eqüinos 0,08mg/kg de romifidina associada a 0,05mg/kg de butorfanol, quando comparada ao uso
isolado da primeira, reduziu consideravelmente a resposta ao estímulo e, os sinais de excitamento causados pelos
opióides foram ocasionalmente observados. A adição de butorfanol à romifidina não influencia no sistema
cardiovascular, porém aumenta a depressão respiratória.
A romifidina é indicada para auxiliar a realização de exames endoscópicos, Rx e ultrassonográficos, para
facilitar a passagem de sonda nasogástrica, na broncoscopia, nos cuidados e nivelamentos dentários, na palpação
retal, para pequenas cirurgias como fístulas reto-vaginais, suturas de pele, castração, etc acompanhadas de anestesia
local, para transporte, ferrageamento, etc. Sendo contra-indicada nos casos de choque hipovolêmico devido a
hipotensão causada pelo agente, e, quando associado com sulfonamidas visto que pode causar arritmias cardíacas.
Não foi testado em éguas prenhes.
Observam-se como efeitos colaterais bradicardia, hipotensão, associados a um bloqueio átrio-ventricular de
2ºgrau, hipertensão inicial seguida de hipotensão, aconselhando-se o uso de sulfato de atropina na dose de 0,01
mg/kg, via subcutânea, 5 minutos antes da sedação. Foi observado ocasionalmente em alguns animais sudorese e
poliúria.
As dosagens indicadas para eqüinos variam de 4mg/100kg a 12mg/100kg e para cães de 0,02 mg/kg a
0,12mg/kg.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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