Prescrição

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Não cabe à Comissão Processante ou Sindicante alegar a prescrição para deixar de instalar
seus trabalhos, pelo simples fato de que a ocorrência da prescrição não impede a apuração
dos fatos, mas tão-somente a aplicação de penalidade.
Por outro lado, se o acusado alegar a ocorrência da prescrição, com o intuito de não responder
ao processo administrativo disciplinar; o presidente da comissão deve despachar denegando o
pedido, conforme autorização art. 156, § 1º da Lei nº 8.112/90 e fundamentar que não é o
momento adequado para arguição, o que pode ser feito na defesa.
Outro equívoco comum é o fato de o colegiado levantar a ocorrência da prescrição,
argumentando que prescreveu o direito da Administração de apurar as irregularidades. Ora, o
disposto no art. 170 da Lei nº 8.112/90 por si só justifica a instauração do procedimento
disciplinar, independentemente do decurso do tempo, se for o caso.
O servidor denunciado/acusado tem o direito de provar a sua inocência, se for o caso, o que só
é possível atendendo o princípio constitucional do devido processo legal, dicotomizado na
ampla defesa e no contraditório.
A prescrição só pode analisada e reconhecida pela Administração após a análise do mérito. Na
sequencia não podemos analisar o mérito sem garantir ao acusado o atendimento aos
princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Além do mais, como falar em prescrição se não se sabe sequer se o acusado/indiciado será
condenado, tampouco qual seria a penalidade a ele determinada, no caso de ficar
demonstrada a sua culpabilidade?
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LINS, Adriane de Almeida. DENEYS, Débora Vasti S. Bomfim. Processo Administrativo Disciplinar -
Manual. Belo Horizonte. Editora Fórum: 2007, p. 268-269.