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Assessoria jurídica popular universitária e direitos humanos

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Monografia de especialização em "Direitos Humanos" na ESMPU/UFRGS - 2006-2008.
Asesoría jurídica popular universitária y derechos humanos
Popular legal adviced university and human' rights
Monografia de especialização em "Direitos Humanos" na ESMPU/UFRGS - 2006-2008.
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Se a teoria das necessidades e a possibilidade de conscientização colaboram com o
entendimento de legitimidade daqueles que lutam, pode-se partir para a fundamentação dessas
lutas. Até quando seremos surdos aos apelos daqueles que bradam por suas necessidades?

Do ponto de vista das ciências sociais, os movimentos sociais configurar-se-iam pelas
seguintes características: a existência de um grupo relativamente organizado; tendo ou não
uma liderança definida; interesses, planos, programas ou objetivos comuns; fundamentando-se
nos mesmos princípios valorativos, doutrinas ou ideologia; desenvolvendo uma consciência
de classe ou uma ideologia própria e objetivando fim específico, uma proposta de
transformação social ou uma alteração nos padrões sociais vigentes.40

Ilse Scherer-Warren propõe que o papel dos “novos movimentos sociais”41

é a
corrosão do autoritarismo da sociedade brasileira e a criação de uma sociedade mais

39

FURMANN, Idem, p. 94.

40

VARELLA, Marcelo Dias. MST: um novo movimento social?. In: DRESCH DA SILVEIRA, Domingos
Sávio; SANT'ANNA XAVIER, Flávio (Org.). O direito agrário em debate. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
1998, p.213-214.

41

Para Ilse Scherer-Warren, a identidade dos novos movimentos sociais é construída a partir de dois fatos: um
estrutural, do reconhecimento do povo das condições materiais do capitalismo contemporêneo e suas variadas
formas de opressão e um cultural, da internacionalização de uma cultura crítica dos movimentos populares contra
as formas de opressão e o autoritarismo.

31

democrática. Ademais, uma proposta de atuação em rede dos movimentos sociais compõe-se
por mediadores, redes de ONGs, movimentos e organizações populares em torno de um
projeto mais abrangente. Algumas características comuns dessas redes no Brasil seriam:
“busca de articulação de atores e movimentos sociais e culturais; transnacionalidade;
pluralismo organizacional e ideológico; atuação nos campos cultural e político”. Para Scherer-
Warren, essas características seriam responsáveis pela construção de novas utopias, de uma
prática mais democrática e tolerante à diversidade social, à integração regional e internacional
entre os povos e à participação da sociedade civil na transformação da sociedade política
propriamente dita.42

Entretanto, também é preciso instrumentalizar essa ação no campo jurídico. Estamos
falando de uma prática educativa e jurídica, a Ajup universitária. Assim, que desafios são
enfrentados por aqueles que tentam dizer aos “operadores jurídicos” o que ouviram do povo,
daqueles que não entendem a linguagem do direito? Para serem escutados precisam falar essa
língua dos “iniciados”? Não será melhor que, um dia, todos falem a mesma?

Vive-se no Brasil numa organização política e econômica que não proporciona a
igualdade. Especialistas dizem que o capitalismo não serve à igualdade material, contudo
pode-se, ao menos, amenizar o sofrimento daqueles que estão “por baixo”. Nesse ponto, diz-
se que as dificuldades de implementação dos direitos sociais – educação, trabalho, saúde e
lazer – são fruto dessa organização. Não há como fugir da conclusão de que, enquanto o
capitalismo persistir, com ele estarão a desigualdade e o desrespeito aos direitos sociais. Essa
constatação pode levar a uma ação que estrapola os limites jurídicos, porém no trabalho
popular, como toda atividade política, é preciso ocupar todos os campos, inclusive o judicial.

Grande parte dos estudantes atua em comunidades que estão na luta por um direito
elementar: o de morar. As cidades estão repletas de sem-teto e de tetos sem gente. A forma de
organização política e econômica brasileira impede a resolução dessa simples equação, na
qual as pessoas que não têm onde morar são em número menor do que o das moradias
disponíveis no mercado. São moradias desocupadas, para aluguel, compra ou qualquer outro
negócio que envolva dinheiro. Haverá outra forma de organização político-econômica da
moradia?

42

SCHERER-WARREN, Ilse. Redes de movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 1993. p. 52, 118-123

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