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EDIFÍCIO BROOKFIELD MALZONI

Projetado por Marc Rubin

Localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, esquina com a Rua Horácio Lafer, foi
construído o maior edifício comercial de São Paulo, criando um cenário diferente na
cidade, devido a sua composição inusitada: o terreno mantém uma casa bandeirista
tombada em 1982, pelo órgão Condephaat, que preserva o estilo de vida dos primeis
paulistas.
A solução encontrada pelo arquiteto, para conciliar este patrimônio com o
moderno edifício comercial de grandes lajes, foi criar um grande vão que vence 44,4m
envolvendo a residência. Optou-se por fazer a laje central com maior altura, para
valorizar o conjunto e criar uma ligação visual no eixo da Faria Lima com a casa, no
intuito de enaltecer a sede da antiga fazenda que deu origem ao bairro.
A própria casa bandeirista também passou por uma reforma sob a
responsabilidade da construtora (Brookfield), executada por uma empresa
especializada em restauro, que seguiu o projeto original da casa, a partir de arquivos
originais que datados do século XVIII.
Estudaram diversas opções para resolver a estrutura deste vão, optando por
escorar nos pilares desde o sexto subsolo, até a altura do nono pavimento, ou seja,
20m abaixo do solo e 30m acima dele.
O edifício possui três blocos, sendo A e B situados nas extremidades, com 19
andares cada, além de dois blocos de garagem no subsolo; e o bloco C, chamado bloco
de transição, interliga os dois lados, a partir do nono andar. Entre todos os blocos
existe uma junta de dilatação, totalizando 4 juntas.
Foram feitas quatro vigas de concreto, sustentadas por 8 pilares, com 30m de
altura acima do solo, para este bloco central. Entretanto uma delas estava situada
sobre o terreno tombado, impossibilitando montar o escoramento sobre esta área. A
solução foi fazer um escoramento nas laterais, deixando a viga em balanço.
Todos os pavimentos-tipo do edifício foram feitos com proteção, com exceção
da primeira laje do bloco C, já que as vigas estavam próximas e havia vigas de
travamento nas quais poderiam ser descarregas as cargas. O subsolo e o térreo, por
sua vez, não são protendidos.
Apesar do grande vão central sobressair na obra, o conjunto todo é composto
por grandes vãos que vencem 15 m x 40 m em um bloco e 11 m x 60 m no outro. Os
três blocos juntos somam uma área de 5.200m² de área útil.
A fachada é composta por painéis de dois tipos diferentes de vidro -são 40 mil
m
2
de vidros de controle solar-, um para revestimento e o outro sobre vigas e pilares; a
solução plástica adotada acabou culminando em uma proposta técnica em que, atrás
do vidro mais escuro da fachada encontram-se alvenaria, enquanto que o vidro mais
claro são as janelas.
O maior desafio desta obra foram as vigas e pilares para vencer o vão de 44,4 m
de comprimento e 30 m de altura. São quatro vigas em "T" de 6 m de altura, e oito
pilares esbeltos com 1,5 m de largura. As vigas têm concreto de 50 MPa, e o resto da
obra, incluindo os pilares, têm fck 40 MPa. As duas vigas mais extremas têm 6 m de
largura na face superior e 2 m na inferior, acompanhadas por pilares com 1,5 m x 2 m,
e as duas vigas centrais, que recebem mais carga, têm 5,5 m de largura na parte
superior e 2,5 m na parte inferior, sobre pilares de 1,5 m x 2,5 m.
Sob o eixo de cada dupla de pilares foi feita uma fundação, como um radier,
para que quando chegasse a carga do escoramento durante a concretagem, ela se
dissiparia no terreno, e não seria pontual.
O solo do terreno era irregular: um pouco menos de sua metade apresentava
solo bom, o qual, em função do Rio Pinheiros que passava por ali antes de ser
retificado, possuía terreno arenoso ideal para escavação; em menos da metade do
terreno começam as alterações rochosas, com terra era muito firme e rochosa, onde
foi necessário rompedor hidráulico para fazer a escavação que uma escavadeira
convencional não conseguia executar.
O nível de lençol d’água não foi um problema, uma vez que as construções
feitas no entorno o alteraram há muito tempo, possibilitando a escavação de 18m de
profundidade, para os seis subsolos construídos abaixo dos blocos A e B.
Quase todas as fundações do edifício são em sapata direta, com exceção de
uma, que faz limite com área tombada. Se fosse sapata, seria necessário invadir a área
da casa bandeirista, então para este pilar específico, foi feita estaca-raiz de 12 m de
profundidade, sendo 8 m de solo e 4 m de rocha. As demais fundações somaram 43
sapatas.
A contenção, de parede-diafragma de 50 cm de espessura, atingia a faixa de 6
m quando se conseguia escavar e sua execução também contou com pré-furos, feitos
por máquina de hélice contínua, que fazia três perfurações para cada lamela (sem
concretagem), para amolecer o solo no meio e nos cantos, melhorando a viabilidade
de construção no terreno.
O edifício, batizado de Pátio Victor Malzoni, é atualmente o endereço comercial
mais caro do país, com 175 mil m
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de área construída, em que uma laje corporativa de
3.700 m2 pode sair pela bagatela de R$ 700 mil, por mês. O projeto foi aprovado pela
prefeitura com a condição de que incluíssem o restauro da casa bandeirista no projeto.
Além disso, para autorizar o funcionamento do edifício, a prefeitura exigiu uma
série de obras viárias, como por exemplo o prolongamento da Rua Iguatemi, entre a
Joaquim Floriano e a Horácio Lafer. Os locais dizem que, ao menos por enquanto,
todas estas intervenções melhoraram o tráfego na região.
O vão livre do prédio ficou aberto, permitindo aos pedestres a passagem entre
a Faria Lima e a Rua Iguatemi para os pedestres.
O projeto conta com um programa comercial elaborado e completo em que, a
partir do 8º andar, os espaços comerciais chegam a medir 5.000 m2 quadrados - a
maior área de São Paulo. Nos seis andares de garagem, 2.371 vagas para carros e 441
para motos, além de caminhões e utilitários.
A lista de empresas que possuem seus escritórios no edifício, conta com
grandes nomes como o Google, o banco BTG Pactual, o ICBC (Industrial e Comercial
Banco da China) e um restaurante do grupo Fasano.
O Brookfield Malzoni é um edifício impossível de passar despercebido, tanto
pelo seu caráter monumental, quanto pela sua forma e materialidade. É mais um dos
grandes marcos da Av. Brigadeiro Faria Lima, uma avenida importante da cidade de
São Paulo, que agrega grandes edifícios comerciais contemporâneos da arquitetura
paulistana, numa zona elitizada da cidade. Ela vem tornando-se a “avenida dos prédios
envidraçados” e, portanto, o projeto do Rubin se enquadra perfeitamente no contexto.






























REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/179/artigo287918-1.aspx
 http://www.bottirubin.com.br/port/projetos/projeto.php?id=28


IMAGENS

 Todas as fotos utilizadas são de autoria própria.