LP Cristina Seiça

Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir redonda, do azul profundo. Quem te sagrou criou-te português. Do mar em nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! Fernando Pessoa, Mensagem

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Luís de Camões (1524? /1580 )
“Chamar-te génio é justo, mas é pouco. Chamar-te herói, é dar-te um só poder. Poeta dum império que era louco, Foste louco a cantar e louco a combater.”
Miguel Torga, Poemas Ibéricos

Publicação de “Os Lusíadas”

1572
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O QUE É UMA EPOPEIA? A poesia épica, ou epopeia, ou ainda poema épico
é uma das mais remotas artísticas do homem. manifestações

era o género mais elevado que os antigos cultivavam; daí, constituir a aspiração máxima do poeta clássico, renascentista.

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É UMA NARRATIVA,
geralmente em estrutura de poema, que enaltece os feitos ilustres de um herói ou de um povo, com interesse histórico. As epopeias primitivas foram longas narrativas orais de feitos considerados heróicos realizados por homens dotados de força superior demonstrada no campo das batalhas. Trata-se de uma variedade do modo narrativo.

EPOPEIAS PRIMITIVAS
apresentam

As aventuras de um herói
porque

- não está ainda definida a noção de Estado - existe o grupo étnico em expansão - os deuses são tidos como realidades que ajudam ou prejudicam o herói
assim

O herói destaca-se e torna-se imortal
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Epopeias da Antiguidade Civilização Grega “Ilíada”
séc. VIII a.C. Narração das aventuras de Aquiles, o mais famoso dos heróis gregos, durante o último ano da guerra de Tróia.
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de HOMERO

“Odisseia”

de HOMERO

séc. VIII a.C.

Narração das aventuras de Ulisses no regresso da guerra de Tróia até chegar a Itaca, sua Pátria, onde o esperava Penélope, a esposa modelo de fidelidade.

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Civilização Romana “Eneida”
séc. I a.C. Narração das aventuras de Eneias e de seus companheiros, desde a queda de Tróia até à fundação de Roma. Virgílio imita a Odisseia nos seis primeiros cantos e a Ilíada nos seis últimos.
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de VIRGÍLIO

EPOPEIAS DE IMITAÇÃO
apresentam

Os feitos heróicos passados ou futuros de um povo
porque

- existe o estado, uma vida civil organizada
- existe uma história da Pátria - os deuses são apenas mitos ou ficções
assim

O herói apaga-se como individualidade; o povo imortaliza-se.
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Esta variedade do modo narrativo deve obedecer a certos requisitos:  a utilização do verso e de um estilo elevado;  incluir NARRADOR, PERSONAGENS, ACÇÃO, TEMPO.

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A estrutura interna deve estar dividida em Proposição, Invocação e Narração; Narração Facultativamente, a estrutura interna de uma epopeia pode também incluir uma Dedicatória, Dedicatória referindo a figura a quem se dedica o poema.

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OS LUSÍADAS
Estrutura Interna

Proposição

Invocação

Dedicatória

Narração

O autor apresenta o assunto

O poeta pede inspiração às musas para levar a cabo o seu projecto

O poeta dedica o seu poema a D. Sebastião

Narração da acção

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Estrutura Externa Do ponto de vista formal, estrutura externa, o poema:  é constituído por 10 Cantos, com um total de 1102 estrofes, constituída por estrofes de 8 versos (oitavas)  verso decassílabo heróico (acentuação nas 6ª e 10ª sílabas métricas), com rima cruzada e emparelhada: A B A B A B C C
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A VIAGEM À ÍNDIA

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