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Bagaço de cana vira energia

Paulo Leandro de Salvador
O setor de alimentos lidera o ranking dos investimentos em Juazeiro, tornando a
região um dos principais celeiros do estado. A participação dos projetos neste
setor chega a 91%, deixando o restante para química e petroquímica, comércio
varejista e têxtil e couros. Um dos destaques é a Agroindústria do Vale do São
Francisco (Agrovale), que está modernizando sistemas de irrigação e cana para
produção de álcool e investindo também em uma central térmica para produzir
energia a partir da utilização do bagaço de cana-de-açúcar como combustível.
Instalada a 20 km de Juazeiro, a Agrovale é considerada empresa modelo na
produção de cana-de-açúcar, mas para se manter competitiva, está disposta a
investir em novas oportunidades de negócios. De acordo com os planos
divulgados pela direção da maior usina do estado, o reaproveitamento do resíduo
vai possibilitar a produção de 5 mil MW, metade da produção da antiga central.
Dos 9 mil MW produzidos mensalmente, a Agrovale, utiliza 6,5 mil MW para
consumo próprio e fica com um excedente de 2,5 mil MW, que pode ser
oferecido ao mercado. Com a produção de mais 5 mil MW, a Agroavele
pretende estabelecer parcerias com distribuidoras a fim de reforçar a infraestrutura e vender aproximadamente 7,5 mil MW. O investimento na instalação
da central térmica vai chegar a R$ 1 milhão, mas pode superar este valor, no
decorrer da obra, que deverá ficar pronta no início de 2002, quando a central
começará a operar. A Agrovale gera 352 mil toneladas de bagaço de cana por
safra. Desse total, 281 mil toneladas são aproveitadas para gerar combustível na
central térmica, nas caldeiras ou é vendido para agricultores. A receita gerada
com a venda do bagaço chegou a R$ 530 mil no ano passado. A projeção de
acréscimo no faturamento é de R$ 15 milhões, em razão do aumento dos preços
do açúcar e do consumo de álcool. Em 99, o faturamento global da Agrovale foi
R$ 47 milhões. Como parte da estratégia de diversificação, a empresa está
investindo na produção de manga irrigada. A produção anual fica em torno de
2,5 milhões de quilos. No ano passado, a empresa faturou R$ 2 milhões com as
vendas de manga, especialmente para o mercado externo - Estados Unidos e
Europa. Hoje a empresa gera 3,6 mil empregos diretos. irrigação Na área de
irrigação, que se incorpora ao setor de alimentos, o maior projeto desenvolvido
na Bahia pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco
(Codevasf), o 'Baixio de Irecê', na região de influência de Juazeiro, vai viabilizar
o plantio em 59 mil hectares, representando investimentos de R$ 452 milhões.
Iniciado em julho do ano passado, o projeto localizado no município de XiqueXique, no Baixo-Médio São Francisco, está em fase de execução dos trabalhos
de infra-estrutura. Nesta primeira etapa, serão investidos R$ 55 milhões em
obras civis, fornecimento e montagem de material mecânico para irrigar uma
área de 5,8 mil hectares. Um total de 300 lotes, de até seis hectares, ficará para

pequenos irrigantes, e 130 lotes, entre 30 e 80 hectares, serão licitados com a
iniciativa privada. Os 59 mil hectares serão irrigados ao longo de sete etapas, em
um período de 15 anos. Além do 'Baixio de Irecê', outro grande projeto de
irrigação que vem sendo desenvolvido pela Codevasf é o 'Salitre', mediante
investimentos de R$ 402 milhões em uma área total de 91 mil hectares. Orçada
em R$ 70 milhões, a primeira etapa do projeto está em fase de conclusão das
obras de infra-estrutura, com o objetivo de garantir a irrigação de 6 mil hectares
em 430 lotes. O projeto consiste basicamente na implantação de mecanismos de
captação da água do Rio São Francisco. Ao final desta etapa, que está previsto
para início de 2001, 300 lotes serão destinados a pequenos irrigantes e outros
130, de médio e grande portes, variando entre 30 e 80 hectares.n (P.L.)
Paulo Leandro de Salvador
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