Trabalho Escrito Joaquim Nabuco

Beatriz Mena
O abolicionismo
1) Análise Textual
a. O autor
Joaquim Nabuco nasceu em Recife (PE) em 1849 e faleceu em 1910. Sua família apresentava
significativa influência política no Nordeste, vale a pena destacar que seu pai, José Thomaz
Nabuco de Araújo, foi senador durante o império estando ligado ao Partido Liberal.
Além da política, sua família detinha engenhos de açúcar e uma condição financeira alta.
Joaquim Nabuco ao longo da sua vida se relacionou com a elite brasileira composta de juristas,
diplomatas, embaixadores e Ministros. Vale a pena salientar que Joaquim se manteve um
relacionamento amoroso por muitos anos com uma detentora das maiores fortunas da época,
a filantropa Eufrásia Leite, cuja família era composta de Barões do Café. Entretanto os dois não
se casaram e Joaquim construiu sua família ao lado de outra integrante da elite.
Mesmo nascendo em uma família escravocrata, o autor se opôs veementemente à escravidão,
encabeçou a sua luta por meio das atividades políticas que desempenhava e dos textos que
escrevia. Em especial, vale a pena destacar que o autor fundou em 1878 a Sociedade Anteescravidão Brasileira.
Joaquim Nabuco também construiu uma preeminente carreira em Letras, sendo um dos
fundadores da Academia Brasileira de Letras e recebendo o título de doutor por Yale poucos
anos antes de falecer.
b. A obra
Joaquim Nabuco em 1881 é derrotado em uma eleição para Câmara dos Deputados, o que lhe
deixa extremamente revoltado com a complacência da nação em relação ao sustento da
escravidão. Então em 1883 publica sua obra, O Abolicionismo que busca fazer uma análise das
mazelas da sociedade brasileira, com uma visão negativa a respeito da Escravidão no Brasil.
Como solução para essa questão Joaquim propõe um projeto abolicionista que busca pensar o
conceito de nação que contava com a inserção do negro no projeto de desenvolvimento
nacional.
2) Análise Temática
O autor busca ao longo do capítulo Receios e Consequências deixar claro quais os motivos da
sua defesa à Abolição. Para encaminhar seu raciocínio Joaquim Nabuco faz uso de analogias
com demais países ressaltando o progresso econômico que se sucedeu a libertação dos
escravos. Além disso, o autor presa também pelo lado moral, ressaltando que por motivos
éticos se posiciona contrariamente a exploração da mão de obra negra.
Do ponto de vista material, autor nega o censo comum de que com a libertação os
proprietários seriam prejudicados financeiramente. Para corroborar esse ponto de vista

patriotismo e responsabilidade cívica a fim de que a escravidão seja de fato abolida em âmbito social. A questão da escravidão era uma entre várias a divergências entre nortistas e sulistas. os primeiros logo no começo do século XIX começaram a ver a escravidão como desnecessária e imoral. Joaquim faz referência ao caso dos EUA que há duas décadas estava em Guerra Civil. além disso.Joaquim cita Noah Webster. apenas com argumentos intuitivos. para reforçar seu ponto de vista. Dessa forma. Já a elite sulista lucrava com a escravidão nas lavouras de algodão e defendia sua permanência. alforriando os seus escravos e ajudando-os no manejo de suas culturas”. Dessa forma o autor ressalta novamente o desalinhamento dos costumes brasileiros com o paradigma social em defendido e implementado na Europa. do caráter. outras culturas são inseridas. Joaquim Nabuco insere uma passagem de um jornal norte americano que narra o processo de desenvolvimento do Sul após o final da escravidão. Em seguida o autor entra em uma ceara mais moral argumentando extensamente que o Brasil se constituía no momento como a segunda maior potência escravocrata. acredito que o posicionamento de Joaquim Nabuco contra a escravidão é extremamente válido e o seu envolvimento com o movimento abolicionista foi admirável. menosprezado pelo mundo civilizado. mas com o passar dos anos as grandes fazendas são divididas em unidades produtivas menores. o autor constata que a agricultura da região é muito mais rica por produzir maior colheita. a emancipação dos escravos seria apenas um primeiro passo dentre uma jornada que o país teria que caminhar em direção ao progresso. Entre suas referências. Além disso. pois seriam mais trabalhadores e providos: “não há um proprietário na Europa e na América que não possa dobrar em poucos anos o valor de seu estabelecimento agrícola. renda. Hoje vinte anos após a libertação dos escravos no sul. acredito que sua análise a respeito do caso norte-americano seja um pouco rasa na medida em que não analisa os problemas que se sucederam com a abolição da escravidão. Joaquim Nabuco afirma que a imensa inserção da escravidão no dia a dia do brasileiro fez com ele que perdesse o hábito de trabalhar para própria alimentação. Joaquim Nabuco não faz estudos rigorosos para medir o impacto positivo da escravidão. Ainda na questão moral. Segundo essa fonte num primeiro momento os resultados foram negativos. entretanto ele não provê o leitor com dados que comprovem seu ponto de vista. estabilidade e até progresso industrial. nos moldes defendidos por Cavour (envolvido na unificação italiana). que escreve que homens livres produzem mais e gastam menos do que escravos. . como trigo e aveia. terra é colocada para descanso. O autor afirma que após a abolição ser feita é preciso uma reforma individual. passa-se a usar mais fertilizantes e. que representa uma forma social rudimentar opressiva e antiga. o Brasil continuará a ser como é hoje. 3) Análise interpretativa Em primeiro lugar. No entanto. Joaquim Nabuco cita Saraiva que em 1868 escrevera que com a escravidão do homem e do voto. Ainda nesse âmbito. em muitas pesagens o autor afirma que a abolição traria frutos positivos para o Brasil.

vale salientar que Joaquim Nabuco sempre se refere aos tempos em Massangana com certo “pesar involuntário” na medida em que se recorda da escravidão vivenciada ao longo da sua infância como um “jugo suave” já que havia certa proximidade entre o senhor e os escravos da propriedade.á entrar no caminho do crescimento orgânico e portanto homogêneo”. já que o escravo se reduzia a um instrumento de colheita. políticos e diplomáticos. Vale a pena destacar o episódio ocorrido em uma certa tarde. Massangana 1) Análise Textual a.Além disso. mas mesmo assim não aborda de maneira enfática possíveis conflitos sociais decorrentes da abolição. Nas novas fazendas do Sul a relação entre os dois grupos era mais impessoal. Por fim. e ele vinha sofrendo castigos nessa propriedade e havia fugido com risco de vida. O autor – idem b. o autor analisa episódios que foram decisivos para sua formação pessoal como abolicionista. Além de sua ativa posição no movimento abolicionista. o livro também dedica atenção aos anos em que Joaquim Nabuco morou nos EUA. Inglaterra e França. Esse episódio simboliza a descoberta da natureza terrível da escravidão. ao meu ponto de vista. . abraçar-lhe os pés e implorar para que sua madrinha o comprasse. pois abre as portas para migração europeia. quando o ainda menino Joaquim Nabuco viu um jovem negro correr em sua direção. em algumas passagens o autor defende que o trabalho assalariado é positivo. O autor reconhece que esse fenômeno era uma exceção verificada apenas em propriedades antigas administradas durante gerações. 2) Análise Temática Esse capítulo tem por objetivo retratar alguns aspectos da infância de Joaquim Nabuco no Engenho. o autor não leva em conta que o ambiente institucional norte americano era diferente do brasileiro e por isso os resultados observados no primeiro não poderiam ser generalizados diretamente para o segundo. que “será o anúncio de uma transformação viril e farnos. Para tal o autor faz uso de uma descrição em linhas gerais do Engenho Massangana possuído por seus padrinhos em Pernambuco. livro em que o autor toma a liberdade para abordar assuntos de sua experiência pessoal no que tange os aspectos intelectuais. Além disso. Tal jovem era escravo das vizinhanças. A obra Esse capítulo está inserido na obra de Joaquim Nabuco denominada Minha Formação (1900). afirma que deveria ocorrer uma revolução interior. Posteriormente. Acredito que essa argumentação não apresenta nenhum embasamento lógico e seja até sob certo aspecto uma visão ingênua de mundo. foi que ele não deixou clara a forma como os escravos seriam realocados na sociedade a partir do momento da abolição. Além disso. Outro aspecto negativo da abordagem de Joaquim Nabuco.

mas não deixa de levantar os aspectos marcantes que acabaram por definir o posicionamento político e social do autor. 3) Análise Interpretativa O texto de maneira geral endereça bem questão da formação de Joaquim Nabuco como membro da elite açucareira. Além desse aspecto abolicionista em alguns momentos o autor descreve sua admiração pela monarquia cuja estabilidade seria capaz de modernizar a sociedade brasileira. como a morte da madrinha e seu retorno ao engenho anos depois. Minha principal crítica ao trecho é que as memórias e a argumentação são excessivamente romantizadas. Nesse momento o autor faz uma reflexão positiva a respeito dos escravos os chamando de “santos pretos”. pois os escravos não apenas não se queixavam da dona como também não deixaram de abençoá-la. dessa forma acho que há carência de realismo no tratamento das relações escravo senhor. O autor chega nessa conclusão. . quando a propriedade já estava vazia.Joaquim Nabuco retrata outros episódios. Dessa forma Joaquim Nabuco se sente na obrigação de defender essa raça generosa.