Hoje, apenas hoje”

Poema de Maria do Rosário Neves

Hoje é a ti que falo, segredo, acaricio. Nos teus cabelos quase brancos, Sonho como serias Quando eras pequenino, como eu! Olho as tuas mãos e maravilho-me. São mãos que trabalharam, de homens que puxaram, guiaram, arrancaram… Mãos que têm saudades das flores, da água fresca, das penas de um passarinho…

Mas, ao olhar para ti, penso. Sabes? Somos tão parecidos! A mim, tal como a ti, dizem:  Hoje, não tenho tempo! E arranjam tempo para tudo, menos para me verem crescer! Os problemas nacionais, os convites sociais, os compromissos que não se podem adiar, são muito importantes! Como podem deixar isto tudo para brincarem comigo?

Mas, olha, Tal como tu, Sinto a falta de uma palavra, de uma brincadeira, de um sorriso, De um passeio a pé, nem que seja… até ao fundo da rua! Por isso, Eu tenho a “mania” de querer brincar com todos, de saltar, de conversar… Deixa-me, Hoje e apenas hoje, Saltar para os teus braços E pedir-te, sorrindo: — Conta-me uma história… Avozinho!