You are on page 1of 640

Süvio de Salvo Venosa

Direito Civil
Teoria G eral das O brigações
e Teoria Geral dos C ontratos
Volume 2
13a Edição

LTVRO DIGITAL

SÃO PAULO
EDITORA ATLAS S.A. - 2013

© 2000 by Editora Atlas S.A.
1. ed. 2001; 2. ed. 2002; 3. ed. 2003; 4. ed. 2004; 5. ed. 2005;
6. ed. 2006; 7. ed. 2007; 8. ed. 2008; 9. ed. 2009; 10. ed. 2010;
11. ed. 2011; 12. ed. 2012; 13. ed. 2013
Cromo de: AGB/Masterfile
Composição: Lino-Jato Editoração Gráfica
E-mail do autor:
silvio@silviovenosa.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Venosa, Sílvio de Salvo
Direito civil: teoria geral das obrigações e teoria geral d o s contratos/
Sílvio de Salvo Venosa. - 13. ed. - São Paulo : Atlas, 2013. (Coleção direito civil; v. 2)
Bibliografia.
ISBN 978-85-224-7564-3
eISBN 978-85-224-7660-2
1. Contratos - Brasil 2. Direito civil 3. Obrigações (Direito) Brasil I. Título. II. Série.
00-2927
CDU-347(81)

índice para catálogo sistemático:
1. B ra sil: Direito civil 347(81)
T O D O S O S DIREITOS RESERVADO S - É proibida a reprodução total
ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos
direitos de autor (Lei n° 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184
do C ódigo Penal.

Editora Atlas S.A.
Rua Conselheiro Nébias, 1384
C am pos Elísios
0 1 20 3 9 0 4 São Paulo SP
011 3357 9144
atlas.com.br

A
Sílvio Luís
e Dênis,
meus filhos

jM

1■ t k

Sumário

1 Introdução ao direito das obrigações, 1
1.1 Posição da obrigação no campo jurídico, 1
1.2 Definição, 4
1.3 Distinção entre direitos reais e direitos pessoais, 7
1.4 Importância do D ireito das Obrigações, 8
1.5 Evolução da teoria das obrigações, 9
1.6 Posição do Direito das Obrigações no C ódigo Civil e em seu estudo, 10

2 Estrutura da relação obrigacional, 13
2.1 Introdução, 13
2.2 Sujeitos da relação obrigacional, 14
2.3 Objeto da relação obrigacional, 15
2.3.1

Patrimonialidade da prestação, 17

2.4 Vínculo jurídico da relação obrigacional, 20
2.5 Causa nas obrigações, 21

3 Obrigações naturais, 25
3.1 Introdução, 25
3.2 D ireito romano, 27
3.3 Obrigações naturais no direito brasileiro, 28
3.4 Natureza jurídica das obrigações naturais, 33
3.5 Efeitos da obrigação natural, 34

viii

D ire ito C ivil • V enosa

4 Obrigações reais (propter rem) e figuras afins, 37
4.1 Obrigações reais (propter rem ), 37
4.2 Ônus reais, 41
4.2.1 Ônus reais e obrigações reais, 42
4.2.2 Conceito, 42
4.3 Obrigações com eficácia real, 43

5 Fontes das obrigações, 47
5.1 Introdução, 47
5.2 Fontes das obrigações no Direito Romano, 48
5.3 Visão m oderna das fontes das obrigações, 49
5.4 Fontes das obrigações no C ódigo Civil de 1916 e no atual Código, 51

6 Classificação das obrigações, 53
6.1 Espécies de obrigações, 53
6.1.1 Obrigações de m eio e obrigações de resultado, 56
6.1.2 Obrigações de garantia, 58
6.2 Obrigações de dar: coisa certa e coisa incerta, 59
6.2.1 Obrigações de dar, 59
6.2.2 Obrigações de dar coisa certa, 60
6.2.2.1 Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa na obrigação
de dar coisa certa, 61
6.2.2.2 Melhoram entos, acréscimos e frutos na obrigação de dar coisa cer­
ta, 65
6.2.2.3 Obrigações de restituir, 65
6.2.2.4 Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa na obrigação
de restituir, 66
6.2.2.5 Melhoram entos, acréscimos e frutos na obrigação de restituir, 67
6.2.2.6 Execução da obrigação de dar coisa certa, 69
6.2.3 Obrigações pecuniárias, 70
6.2.4 Obrigações de dar coisa incerta, 74
6.3 Obrigações de fazer e de não fazer, 77
6.3.1 Obrigação de fazer, 77
6.3.2 Obrigação de dar e de fazer, 79
6.3.3 Obrigações de fazer fungíveis e não fungíveis, 80
6.3.4 Descumprimento das obrigações de fazer, 81
6.3.5 Obrigações de não fazer, 85
6.3.6 M odo de cumprir e execução forçada da obrigação de não fazer, 86
6.4 Obrigações alternativas e facultativas, 88
6.4.1 Obrigações cumulativas e alternativas, 88
6.4.2 Obrigação alternativa, 89

6.4.3 Concentração e cumprimento da obrigação alternativa, 91
6.4.3.1 Retratabilidade da concentração, 95
6.4.4 Acréscimos sofridos pelas coisas na obrigação alternativa, 96
6.4.5 Obrigações facultativas, 96
6.4.5.1 Efeitos da obrigação facultativa, 98
6.5 Obrigações divisíveis e indivisíveis, 98
6.5.1 Conceito, 98
6.5.2 Pluralidade de credores e de devedores, 101
6.5.3 Indivisibilidade e solidariedade, 104
6.6 Obrigações solidárias, 105
6.6.1 Conceito, 105
6.6.2 Antecedentes históricos, 106
6.6.3 Obrigações in solidum, 106
6.6.4 Características e fundam ento da solidariedade, 107
6.6.5 Fontes da solidariedade, 109
6.6.6 Solidariedade ativa, 111
6.6.6.1 Efeitos da solidariedade ativa, 112
6.6.6.2 Extinção da solidariedade ativa, 113
6.6.7 Solidariedade passiva, 114
6.6.7.1 Principais efeitos da obrigação solidária, 114
6.6.7.2 Aspectos processuais da solidariedade. A coisa julgada, 116
6.6.7.3 Pagamento parcial, 118
6.6.8 Extinção da solidariedade, 118
6.7 Outras m odalidades de obrigações, 120
6.7.1 Obrigações principais e acessórias, 120
6.7.2 Obrigações líquidas e ilíquidas, 121
6.7.3 Obrigações condicionais, 123
6.7.4 Obrigações modais, 125
6.7.5 Obrigações a termo, 127
6.8 Obrigações de juros. Obrigações pecuniárias, 129
6.8.1 Obrigações de juros, 129
6.8.1.1 Espécies de juros, 130
6.8.1.2 Anatocismo, 134
6.8.2 Obrigações pecuniárias, 135

7 Transmissão das obrigações, 139
7.1 Cessão de crédito, 139
7.1.1 Introdução. A transmissibilidade das obrigações, 139
7.1.2 Conceito de cessão de crédito. Afinidades, 140
7.1.3 Posição do devedor, 142
7.1.4 Natureza jurídica, 145

X

D ire ito Civil • V enosa

7.1.5 Requisitos. Objeto. Capacidade e legitim ação, 145
7.1.6 Responsabilidade, 146
7.1.7 Espécies, 147
7.1.8 Efeitos, 148
7.2 Assunção de dívida, 149
7.2.1 Conceito, 149
7.2.2 Características, 152
7.2.3 Espécies, 152
7.2.4 Efeitos, 154
7.3 Cessão de posição contratual (cessão de contrato), 156
7.3.1 Introdução, 156
7.3.2 TYansmissão das obrigações em geral, 158
7.3.3 Cessão de posição contratual. Conceito, 159
7.3.4 Natureza jurídica, 160
7.3.5 Figuras afins, 162
7.3.6 Campo de atuação do instituto, 164
7.3.7 M odos de form ação, 165
7.3.8 Efeitos, 166
7.3.8.1 Efeitos entre cedente e cessionário, 166
7.3.8.2 Efeitos entre cedente e cedido, 168
7.3.8.3 Efeitos entre cessionário e cedido, 168
7.3.9 Cessão de posição contratual no direito brasileiro, 170

8 Pagamento, 173
8.1 Extinção normal das obrigações, 173
8.2 Natureza jurídica do pagam ento, 174
8.3 De quem deve pagar. O soZvens, 176
8.4 A quem se deve pagar. O accipiens, 181
8.4.1 Credor putativo, 182
8.4.2 Quando o pagam ento feito a terceiro desqualificado será válido, 184
8.4.3 Pagamento feito ao inibido de receber, 185
8.5 Objeto d o pagam ento e sua prova, 186
8.5.1 Prova do pagam ento, 191
8.6 Lugar do pagam ento. Dívidas quérables e portables, 195
8.7 Tem po do pagam ento, 198

9 Enriquecimento sem causa e pagamento indevido, 203
9.1 Introdução, 203
9.2 Enriquecimento sem causa. Conteúdo, 204
9.3 Enriquecimento sem causa e pagam ento indevido com o fonte de obrigações, 205
9.4 Tratamento da matéria no direito romano, 207

S u m á rio

9.4.1 A condictio indebitiy 208
9.4.2 Outras condictiones, 209
9.4.3 Síntese do pensamento romano, 209
9.5

Direito m oderno, sistema alem ão e sistema francês, 210

9.6

Aplicação da teoria do enriquecim ento sem causa no direito brasileiro, 213
9.6.1 Requisitos d o enriquecim ento sem causa, 215
9.6.2 Aplicação do instituto. A jurisprudência brasileira, 216
9.6.3 Objeto da restituição, 219

9.7

Ação de in rem verso, 220
9.7.1 A subsidiariedade da ação, 223

9.8

Síntese conclusiva d o enriquecim ento sem causa. Prescrição, 225

9.9

Pagamento indevido, 227
9.9.1 Pagamento em geral. Conteúdo, 227
9.9.2 Posição da matéria na lei. Fonte autônoma de obrigações, 229
9.9.3 Pressupostos do pagam ento indevido, 230
9.9.4 Erro d o solvensy 231
9.9.5 Pagamento de dívida condicional, 233

9.10 Casos em que aquele que recebeu não é obrigado a restituir, 234
9.10.1 Dívida prescrita e obrigação natural, 234
9.10.2 Pagamento para fim ilícito, im oral ou proibido por lei, 235
9.10.3 Outra hipótese de não repetição. O art. 880, 235
9.11 Pagamento indevido que teve por objeto um im óvel, 236
9.11.1 Accipiens aliena de boa-fé por título oneroso, 237
9.11.2 Accipiens aliena de boa-fé por título gratuito, 237
9.11.3 Accipiens aliena a terceiro de má-fé, 238
9.11.4 M á-fé d o accipiensy 238
9.11.5 Síntese, 238
9.12 Conclusão, 239

10 Formas espedais de pagamento e extinção de obrigações, 241
10.1 Pagamento por consignação, 241
10.1.1 Interesse do d evedor em extinguir a obrigação, 241
10.1.2 Objeto da consignação, 242
10.1.3 Hipóteses de consignação, 243
10.1.4 Procedim ento da consignação, 249
10.2 Pagamento com sub-rogação, 254
10.2.1 Conceito, 254
10.2.2 O rigem histórica, 256
10.2.3 Natureza jurídica e institutos afins, 256
10.2.4 Sub-rogação legal, 258
10.2.5 Sub-rogação convendonal, 260

xii

D ire ito C ivil • V enosa

10.2.6 Efeitos da sub-rogação, 261
10.3 Imputação de pagam ento, 263
10.3.1 Conceito, 263
10.3.2 Requisitos, 265
10.3.3 Imputação de

pagam ento feita pelo devedor, 266

10.3.4 Imputação de

pagam ento feita pelo credor, 267

10.3.5 Imputação de

pagam ento feita pela lei, 268

10.4 Dação em pagam ento, 269
10.4.1 Conceito, 269
10.4.2 Requisitos e natureza jurídica, 271
10.4.3 Equiparação da datio in solutum à compra e venda, 272
10.5 N ovação, 273
10.5.1 Conceito e espécies, 273
10.5.2 Requisitos, 280
10.5.3 Efeitos, 283
10.6 Compensação, 285
10.6.1 Conceito, 285
10.6.2 Compensação em sua origem romana, 285
10.6.3 Natureza jurídica, 286
10.6.4 M odalidades, 287
10.6.5 Compensação legal. Requisitos, 288
10.6.5.1 Reciprocidade de créditos, 288
10.6.5.2 Liquidez, certeza e exigibilidade, 290
10.6.5.3 H om ogeneidade das prestações, 291
10.6.5.4 Existência e validade do crédito compensante, 292
10.6.6 Obrigações não compensáveis, 292
10.6.7 Efeitos, 295
10.7 Transação, 296
10.7.1 Conceito. Peculiaridades, 296
10.7.2 Natureza contratual da transação. Características, 297
10.7.3 M odalidades. Forma, 299
10.7.4 Objeto, 300
10.7.5 Capacidade para transigir. Poder de transigir, 301
10.7.6 Efeitos da transação, 302
10.7.7 Nulidades da transação, 304
10.7.8 Anulabilidades da transação, 305
10.7.9 Interpretação restritiva da transação, 306
10.8 Compromisso, 306
10.8.1 Conceito e utilidade, 306
10.8.2 Natureza jurídica, 308

S u m á r io

10.8.3
10.9

X Íii

Mediação, 309

Confusão, 309
10.9.1 Conceito e natureza jurídica, 309
10.9.2 Fontes da confusão, 311
10.9.3 Espécies, 311
10.9.4 Efeitos, 312
10.9.5 Requisitos, 313

10.10 Remissão, 313
10.10.1 Conceito. Natureza jurídica. Afinidades, 313
10.10.2 O rigem histórica, 314
10.10.3 Espécies, 314
10.10.4 Efeitos, 315
10.10.5 Remissão no C ódigo Civil de 2002, 316

11 Crise no cumprimento da obrigação. Inadimplemento. Mora, 319
11.1 Cumprimento da obrigação em crise, 319
11.2 Inadim plem ento absoluto e inadim plem ento relativo, 322
11.3 Inadim plem ento relativo. A mora, 324
11.3.1 M ora do devedor, 326
11.3.2 Efeitos da constituição em mora do devedor, 328
11.4 M ora d o credor, 329
11.4.1 Efeitos da mora d o credor, 330
11.5 Purgação da mora, 332

12 Frustração no cumprimento da obrigação. Inexecução. Perdas e danos, 337
12.1 Descumprimento da obrigação, 337
12.2 Culpa do devedor, 338
12.2.1 Prova da culpa, 341
12.3 Inexecução das obrigações sem indenização. Caso fortuito e força maior, 341
12.3.1 Exoneração da excludente. A cláusula de não indenizar, 342
12.4 Indenização. Perdas e danos, 345
12.4.1 Dano moral, 349

13 Cláusula penal, 353
13.1 Conceito. Natureza jurídica, 353
13.2 Cláusula penal compensatória. Cláusula penal moratória, 354
13.3 Funções da cláusula penal, 360
13.4 Exigibilidade da cláusula penal, 360
13.5 Imutabilidade, alteração e lim ite da cláusula penal, 361
13.6 Cláusula penal e institutos afins, 365
13.7 Cláusula penal e obrigações indivisíveis, 366
13.8 Cláusula penal em favor de terceiro e assumida por terceiro, 366

X ÍV

D ire ito C ivil • V enosa

14 Sinal ou arras, 367
14.1 Conceito, 367
14.2 N oção histórica, 369
14.3 Arras no C ódigo Civil de 1916. Arras confirmatórias, 370
14.4 Arras penitenciais. Função secundária, 373
14.5 Arras e obrigação alternativa, 374
14.6 Arras e cláusula penal, 374
14.7 Arras no código de 2002, 375

15 Universo das relações contratuais, 379
15.1 N egócio ju rídico e contrato, 379
15.1.1 Contrato no C ódigo francês, 380
15.1.2 Contrato no C ódigo Civil alem ão e a assimilação de seu conceito, 381
15.2 Antecedentes históricos, 382
15.3 H istoriddade d o conceito de contrato. Sua evolução. A chamada crise do contra­
to, 383
15.4 Contrato no C ódigo de Defesa do Consumidor, 387
15.5 Relação negociai alcançada pelo C ódigo de Defesa do Consumidor, 389

16 Princípios gerais do direito contratual. Contrato de adesão. Novas manifesta­
ções contratuais, 391
16.1 Autonom ia da vontade, 391
16.2 Força obrigatória dos contratos, 393
16.3 Princípio da relatividade dos contratos, 393
16.4 Princípio da boa-fé nos contratos. Desdobramentos. Proibição de com portam en­
to contraditório (venire contra factum prop riu m ), 394
16.4.1 A boa-fé contratual no vigen te código. A boa-fé objetiva, 395
16.4.2 Função social do contrato, 397
16.4.3 Proibição de com portam ento contraditório: venire contra factum prop riu m , 398
16.5 Novas manifestações contratuais. Contratos com cláusulas predispostas, 401
16.5.1 Despersonalização d o contratante, 401
16.5.2 Contrato de adesão, 402
16.5.3 Contrato-tipo, 405
16.5.4 Contrato coletivo, 405
16.5.5 Contrato coativo, 407
16.5.6 Contrato dirigido ou regulam entado, 407
16.6 Relações não contratuais. A cordo de cavalheiros, 408

17 Classificação dos contratos (I), 411
17.1 Necessidade do estudo da classificação dos contratos, 411
17.2 Classificação no Direito Romano, 413

428 18. 420 17. 464 20. 427 18.4 Objeto dos contratos.S u m á rio XV 17.2 Contratos solenes e não solenes .classificação quanto à carga de obrigações das partes. 433 18.1 Causa e objeto dos contratos.nominados e inominados. 468 .1 Teoria dos negócios jurídicos aplicada aos contratos.formais e não formais. 458 20. 452 20 Elementos do contrato.3 Capacidade dos contratantes. O silêncio com o m ani­ festação. 422 18 Classificação dos contratos (n ). 463 20.4.2 Formas de manifestação da vontade contratual. 425 18. 425 18. 437 19.7 Contratos civis e mercantis. 431 18.3. 441 19.1 Contratos aleatórios no C ódigo Civil.3. Cláusula resolutória nesses contratos. 434 19 Classificação dos contratos (III).2 Possibilidade de renúncia à exceção de contrato não cumprido: cláusula solve et repete.4 Contratos instantâneos e de duração. 462 20. 413 17.8 Contrato preliminar.6 Contratos pessoais e impessoais. Exceção de contrato não cumprido nos contratos bilaterais. 438 19.3 Contratos principais e acessórios. 443 19.2 Contratos comutativos e aleatórios.5 Contratos por prazo determ inado e por prazo indeterm inado. Práticas abusivas no C ódigo de Defesa do Consumidor. 444 19. 457 20.1 Contratos consensuais e reais.4 Contrato plurilateral.3 Contratos típicos e atípicos .2 Apreciação pecuniária dos contratos.5 Forma e prova dos contratos.1 Conceito de parte e sua sucessão nos contratos.2 Com preensão e interpretação m oderna dos contratos típicos e atípicos.3.contrato consigo mesmo. 450 19.3 Contratos unilaterais e bilaterais . 444 19.9 Contratos derivados .1 Contratos nominados e inominados no Direito Romano. A parte nos contratos.2.2.10 Autocontrato . 437 19. 416 17. 465 20. 440 19.2.subcontratos. Consentimento.2 Vontade no plano contratual. Lesão. 457 20. 461 20.1 Contratos gratuitos e onerosos. 465 20.6 Vícios da vontade contratual.4. 440 19.3. 459 20.1 Relevância dessa classificação.

4 Origens históricas.1 Terceiros e o contrato. 511 24.2 Requisitos da responsabilidade contratual em particular. 511 24. 483 22 Teoria da imprevisão.2 Linhas de interpretação. A cláusula rebus sic stantibusy 490 22.1 Princípio da obrigatoriedade dos contratos e possibilidade de revisão. Extinção dos contratos.5 Promessa de fato de terceiro. 473 21.4 Responsabilidade pós-contratual. 485 22. 478 21. 474 21. 497 23.3 Responsabilidade pré-contratual.1 Responsabilidade contratual e extracontratual.4 Particularidades da interpretação dos contratos. 492 22.3 Justificativa para a aplicação judicial da teoria da im previsão. 514 24.1 Transitoriedade e desfazim ento dos contratos.1 Soluções legais. 515 24. Revisão dos contratos.2 Rom pim ento de negociações preliminares. 490 22.1 Distrato e form a. 504 23.5 Requisitos para a aplicação da cláusula. 509 24. 479 21. pré-contratual e pós-contratual. Direito comparado.2 Posição do terceiro com relação ao contrato. 514 24. 497 23.XVÍ D ire ito C ivil • V enosa 21 Interpretação dos contratos.3.2.6.3. 486 22.3.1 Conseqüências da responsabilidade civil. 509 24. 501 23.1 Natureza jurídica. 487 22. 522 . 507 24 Relatividade dos contratos.3. 500 23. 519 25. 500 23.3 Contratos em favor de terceiros. 517 25 Desfazimento da relação contratual.2 Requisitos da responsabilidade civil.2. 502 23. 496 23 Responsabilidade contratual.2 Resilição dos contratos. 471 21. 471 21. 478 21.2 Verdadeiros terceiros na relação contratual.7 Interpretação integrativa e integração dos contratos.2 Fundamentos da possibilidade de revisão judicial dos contratos.5 Destinatários das normas de interpretação.2. 519 25.4 Contrato para pessoa a declarar.6 C om o se opera a revisão.6 Aspectos e regras de interpretação. Efeitos com relação a terceiros. 485 22. 521 25. Efeitos.7 Cláusula de exclusão da revisão judicial.3 Interpretação em nossa lei.1 Sentido da interpretação. 502 23. Extinção. 492 22.1 Recusa de contratar.

529 25. 535 26.1 Contratos preliminares. Retratação.1. 542 26.3 Oferta ou proposta. 542 26.5 Vinculação da oferta no C ódigo de Defesa d o Consumidor.2 Vícios redibitórios.8 Prazos decadenciais no C ódigo Civil de 1916.3 Aceitação.3 Iniciativa de um dos contratantes.1 Manutenção da proposta pelos sucessores d o ofertante. revogação.2. 533 26.4 Força vinculante da oferta. 529 26 Formação e conclusão dos contratos. Cláusulas resolutivas expressa e tácita.9 Impossibilidade da prestação e validade dos contratos.S u m á rio X V Íi 25. 565 27. 538 26.4.4. 556 27. 541 26.7 M odificações da garantia. Contratos por correspondência: teorias.6 Exclusão da garantia em vendas sob hasta pública. 533 26. 558 27. 563 27. Vícios aparentes e ocultos. Vontade contratual.9 Vícios ocultos segundo o C ódigo de Defesa do Consumidor. 525 25. 564 27. 575 28.3 Noção histórica.4 Requisitos. 553 27 Vícios redibitórios.9. 524 25.2. 551 26. 570 28 Evicção.2 Proposta não obrigatória.1 Consentimento.2. 567 27.5 Resolução por inadim plem ento antecipado. 559 27. 548 26.2 Período pré-contratual. 562 27. 542 26. 561 27. 536 26. 540 26. 575 28.1 Prazos decadenciais no C ódigo de 2002. 555 27. A opção.4.4 Duração e eficácia da proposta e da aceitação. Formação da vontade contratual. 577 .2 Noção histórica. 546 26.1 Conceito. 555 27.8 Contratos sobre herança de pessoa viva.4. 552 26. Resilição unilateral. recibo.2 Quitação.8.6 Lugar em que se reputa celebrado o contrato. Conceito. 538 26.4. 552 26.1 Silêncio na form ação dos contratos.7 Contratos que dependem de instrumento público.5 Formação dos contratos por m eio de informática. 524 25.5 Efeitos.3 Resolução.1 Decadência e prescrição no C ódigo de Defesa d o Consumidor.1 Obrigações de garantia na entrega da coisa.4 Resolução por inexecução involuntária.

1 Requisito da existência de sentença judicial. 603 30.8 Evicção nas aquisições judiciais. 587 29.1 Nulidade da sentença arbitrai. Reforço da garantia. 579 28. 631 . 588 29.1 Conceito e utilidade.4. 586 29 Vontade privada e contratos administrativos. 608 30.3 Requisitos. 578 28.1 Aspectos da cláusula compromissória.5 M odalidades. 578 28.7 Dos árbitros. 583 28. 605 30.1 M ediação e conciliação. 615 30. 582 28.X V Íii D ireito C ivil • V enosa 28. 585 28.10 Sentenças arbitrais estrangeiras.9.2 Contratos da administração e contratos administrativos. 600 30. 593 30. 606 30.4 Características dos contratos administrativos.2 Procedim entos para execução específica da cláusula compromissória.6 M ontante do direito d o evicto. 596 30. Execução específica: ação para instituição da arbitragem. 587 29. 596 30.3 Espécies de contratos administrativos.11 Extinção do compromisso. 598 30.3.8 Do procedim ento arbitrai.4 Intervenção d o alienante no processo em que o adquirente é dem andado. 610 30. 590 29. Autorização para decidir por equidade. 612 30. 621 índice remissivo. 620 Bibliografia.4 Cláusula compromissória.3 O rigem histórica.4. 590 30 Arbitragem. 597 30. 617 30. 593 30.5 Exclusão da responsabilidade por evicção.7 Evicção parcial.9 Da sentença arbitrai.2.6 Requisitos do compromisso. N ovos rumos impostos pela lei.1 D ireito privado em face do direito público.2 Natureza jurídica.

nos múltiplos contatos dos ho­ mens entre si. Cap.1 Posição da Obrigação no Campo Jurídico O Direito situa-se no mundo da cultura. para um único homem isolado em uma ilha. atingimos o campo do Direito. que é o mundo dos valores: por meio da valoração de cada conduta humana. o homem atribui valor a tudo o que o circunda. em princípio. Essa exemplificação histórica hoje já não pode ser peremptória. relacionam-se. o mundo da cultura vale-se de outra dimensão da realidade que nos cerca. deve preservar os valores e recursos ambientais. porém. pois mesmo o indivíduo solitário em uma ilha. Direito é o ordenamento das relações sociais. o homem abastado. Só existe Direito porque há so­ ciedade ( ubi societas. mundo dos valores e mundo da cultura). dentro da realidade das realiza­ ções humanas. Assim. sabendo que existem outros indivíduos no universo. em sociedade. um mundo do ideal. isto é. Direito civil: parte geral. o homem que não tem teto dará valor maior à morada. Desse modo. irá relacio­ nar-se com o outro homem. ibi ius). existirá o Direito. pois uns dependem dos outros para sobreviver. Pois bem. a respeito da visão tripartida da realidade: mundo da natureza. que é o mundo da natureza. dentro da sociedade (e até mesmo fora dela. e essa relação é jurídica. embora não seja esse o enfoque que aqui se queira dar).Introdução ao Direito das Obrigações 1. Antepõe-se ao mundo da cultura. das equações matemáticas (Venosa. Por outro lado. ao mundo do “ ser”. que é o universo do “dever-ser”. Isto porque. 1. não mais estando o indivíduo só. O homem que tem sede dará valor maior à água. a quem essas necessidades básicas não . no momento em que esse homem receba a visita de um semelhante.

Ninguém. gerado por um valor. A o mesmo tempo que esse estímulo nos impulsiona a obter algo. um estímulo. ou de cortesia. por esta mesma editora. E o estímulo e a limitação psíquica é que traçarão o perfil do homem equilibrado. no sentido que ora se examina. Isto porque. como no caso de passarmos diante de uma vitrina e sermos levados a adquirir a mercado­ ria aí exposta. algo em troca. enfim. Todavia. Dentro desse contexto. teremos de despender certa quantia.2 D ire ito C ivil • V enosa afligem. Do sopesamento do estímulo e da limitação psíquica que sofremos nasce a noção essencial de obrigação. no caso descrito. como as obrigações morais. aquela protegida pelo Estado. existe um ordenamento total subjacente. prescinde desse instituto. vendemos. também seu patrimônio. que lhe dá a garantia da coerção no cumprimento. Ora. A todo momento. por mais simples que seja a atividade do indivíduo. aos contatos profissionais etc. Em palavras singelas. pois. doamos ou recebemos doação. ao esporte. alugamos ou emprestamos. A relação jurídica estabelece-se justamente em função da escala de valores do ser humano na sociedade. se adquirirmos a mercadoria que nos atrai. alugamos. consiste numa relação jurídica. a qual. . religiosas. o indivíduo desequilibra-se e. contudo. ou um contrato ou negócio jurídico. compramos. ou a uma pessoa jurídica ou ao Estado e que pode tomar múltiplas facetas. compramos ou vendemos. uma lei. tais valores. recebendo. A obrigação. em nossa existência. dará valor maior quiçá ao lazer. contraí­ mos matrimônio etc. o que diz respeito a nosso exame é a obrigação jurídica. Sobre esse tema discorremos em nossa obra Introdução ao estudo do direito: primeiras linhas. ainda se apresentam de forma estática. socio­ logicamente falando. para que seja por nós contraída uma obrigação. isoladamente considerados. que depende de uma norma. somos esti­ mulados a praticar esta ou aquela ação em razão dos valores que outorgamos às necessidades da vida: trabalhamos. para que o homem sem teto procure abrigo. portanto. na maioria das vezes. na atividade do agente. poderia ser destinada a outras atividades. podem ser tratadas da mesma forma as obrigações de cunho não jurídico. em sociedade. servem de estímulo para que o homem sedento procure água. Há um impulso que faz com que nos comprometamos a fazer algo em prol de alguém. consequentemente. talvez até mais necessárias. por trás do estímulo e da limitação. Destarte. o fato de partirmos para a relação jurídica objetivada faz também com que exista limitação a nossa própria liberdade. Existe. para que o abastado procure algo mais dentro de sua escala de valores. A todo instante em nossa vida. certamente. exacerbando-se um ou outro elemento. eis aí descrita a relação jurídica: o liame que nos une a nosso semelhante.

que a impulsiona. a liberdade do indivíduo. A sociedade não pode subsistir sem o sentido de cooperação entre seus mem­ bros. com conseqüente prejuízo. negociar. inserido no ordenamento do Estado. em que não é dado ao contratante discutir livremente as cláusulas. dentro desse círculo maior do injusto enriquecimento. percebido nos primórdios do Direito Romano. incidia diretamente sobre a pessoa do devedor. Não bastasse esse quadro. tinha cunho eminentemente pessoal. a teoria geral das obrigações representa ponto fundamen­ tal que desdobra o campo do Direito Civil e espraia-se pelos diversos caminhos do Direito. no corpo social. portanto. há obrigações que surgem de situações jurídicas de desequilíbrio patrimonial injustificado. porém.078. mas a conduta do agente. Os mem­ bros da sociedade vinculam-se entre si. caso não cumprisse o prometido. o Código de Defesa do Consumidor (Lei nQ8. que gera a obrigação de restituir. que devem coexistir harmonicamente. ocorre um pagamento in­ devido. já houve tempo na História em que o vínculo foi material. se hoje o vínculo obrigacional é psicológico. A relação obrigacional recebe desse modo a proteção do Direito. Tal serve para demonstrar claramente que. direta ou indireta. A obrigação tributária decorre do poder impositivo do Estado. unicamente o estímulo criativo do homem que faz nascer a obrigação. A economia de massa cria o contrato dirigido ao consumidor. Também pode ocorrer que a vontade não atue diretamente a fim de criar um dever de indenizar. culpa no sentido estrito. decorrente de negligência. mas no de ocasionar intencionalmente um dano. perfeitamente caracterizado no direito privado. tem obrigações para com ele. Esse vínculo. impõe que determinados fatos originem obrigação de solver tributos. existe a submissão a uma regra de conduta. possibilitando meios financeiros à Administração. de pagar indenização. em que a vontade desempenha papel secundário: o enriquecimento sem causa em geral. imprudência ou imperícia. Não é. Sob esses aspectos. Por vezes. Nas­ ce a obrigação de reparar o dano. um negócio jurídico geralmente com cláusulas predispostas. de outro lado. Entre nós. embora subjacentemente sempre haja uma vontade ou atividade inicial do contribuinte. Por vezes. uns suprem o que aos outros falta. o indivíduo. sua autonomia em relação aos demais membros da sociedade e. a exigência dessa mesma sociedade ao entrelaçamento de relações. única forma de viabilizar a nova realidade de consumo. ocasiona um dano indenizável no patrimônio alheio. . O Estado. a vontade não atua no sentido precípuo de criar uma obrigação. de 11-91990) instituiu um microssistema jurídico dirigido a essas relações jurídicas de consumo que hoje dominam as relações negociais. a tal ponto que este podia ser convertido em escravo.In tro d u ç ã o a o D ire ito d a s O b rig a ç õ e s 3 Em toda obrigação. para a consecução de seus fins. É no direito obrigacional que posicionamos um problema fundamen­ tal: de um lado. Essa necessidade de cooperação faz nascer a imperiosa necessidade de contratar. pois. Como examinaremos no Capítulo 5.

3Q. não se referindo ao lado ativo. como vem tratada no título desta obra. Sob o prisma didático. É nesse sentido estritamente técnico. mas também todo o aspecto estrutural de nossa ciência. o atual Código mantém a expressão (arts. Procuramos. nesta introdução. a sua devolução ao respectivo titular (enriquecimento sem causa)” (2003:8). As obrigações são. Ademais. ou seja.2 Definição É absolutamente clássica a definição das Institutos de Justiniano: obligatio est juris vinculum. de modo que sua acepção estrita dá perfeitamente o conheci­ mento de seu alcance. secudum nostrae civitatis jura (Liv. A palavra obrigação. Embora brilhantemente concisa e elegante a definição. 1. mas tão só com as que dizem respeito ao título parti­ cular e consagrado de “ Direito das Obrigações” . no caso de benefícios indevidamente auferidos com o aproveitamento de bens ou direitos de outras pessoas. Como sintetiza magnificamente Fernando Noronha. é de notar que ela se presta a todo tipo de obrigação jurídica e não apenas no sentido restrito do Direi­ to das Obrigações. não nos ocuparemos das obrigações decorrentes do Direito de Família e de seus respectivos deveres. 233 ss). Em nosso estudo neste livro. Tít.4 D ire ito C ivil • V enosa Aqui. ou em sentido estrito) e. recebeu um conteúdo técnico e restrito. apreciáveis em dinheiro. no geral. que a dicção aparece no Livro I da Parte Especial do Código Civil de 1916. credor. ocupando os arts. o Direito das Obrigações ocupa destaque fundamental no estudo do Direito. não com todas dessa natureza. quo necessitate adstringimur alicujus solvendae rei. 863 ss: Do Direito das Obrigações. um dever. porém. a definição clássica ressalta em muito a figura do devedor. nosso estudo ocupar-se-á com as obrigações jurídicas. a reparação de danos que umas pessoas causem a outras (res­ ponsabilidade civil em geral. tão só uma posição de conhecimento prévio que permita doravante o exame da obrigação e suas vicissitudes. o lado passivo da obri­ gação. não pretendemos uma compreensão estritamente técnica do fenômeno obrigacional. “o Direito das Obrigações disciplina essencialmente três coisas: as relações de intercâmbio de bens entre as pessoas e de prestação de serviços (obrigações negociais). Como se nota. Com o mesmo significado. a fazer ou deixar de fazer alguma coisa). como um conjunto de normas reguladoras de determinadas relações jurídicas. por ora. XIII) (a obrigação é um vínculo jurídico que nos obriga a pagar alguma coisa. . A todo direito corresponde uma obrigação. porque seus lineamentos fundamentam não só o Direito Civil.

devendo uma (o devedor) realizar uma prestação à outra (o credor). Assim. mais ou menos próximo no tempo. ainda que implicitamente. tais como as obrigações morais e religiosas. A obrigação visa a um escopo. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. posi­ tiva ou negativa. materializando-se no patrimônio do devedor. podemos conceituar obrigação como uma relação ju r í­ dica transitória de cunho pecuniário. Washington de Barros Monteiro (1979. embora sejam reconhecidos pelo Direito alguns relacionamentos de índole acentuadamente moral. qualquer definição se apresentará passível de críticas. aduzindo que esse fator entra em jo go no caso de descumprimento da obrigação e apresenta a se­ guinte definição: “obrigação é a relação jurídica. que são desprovidas de sanção. uma vez alcançado. A responsabilidade que aflora no descumprimento. p or ato nosso ou de alguém conosco juridicamente relacio­ nado. de caráter transitório. estabelecida entre de­ vedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica. Aqui. Mais sinteticamente. em proveito de alguém que. incidia pessoalmente sobre o devedor. pois o conceito é intuitivo e não cabe. nos tempos de antanho. em regra economicamente apreciável. Washington de Barros Monteiro (1979. já se antevê uma das distinções do Direito obrigacional. quer-nos parecer que não integra o âmago do conceito do instituto. como regra geral. O Direito Romano já realçava o vín­ culo que. pois se trata de tarefa bastante difícil. Já se acentua essa relação que une duas ou mais pessoas. v. no que andou bem. a obrigação é relação jurídica. devida pelo prim eiro ao segundo. do Direito real. porque essa relação jurídica nasce com a finalidade ínsita e precípua de extinguir-se. v. Qualquer definição que tentemos apresentará elementos constantes. Clóvis Beviláqua (1977:14) assim a define: “obrigação é a relação transitória de direito. Qualificando como jurídica a relação. 4:8) recorda a ingratidão do donatário que pode ocasionar a revogação da doação (arts. afastam-se todas as demais relações estranhas ao Direito. 555 ss). 4:8) entende lacunosa a definição de Beviláqua por não aludir ao elemento responsabilidade. ao legislador definir. garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrim ônio”. porque este . mas que. ou em virtude da lei. embora seja fator de vital importância. A obrigação possui caráter transitório. fazer ou não fazer alguma coisa. escapando ao manto da lei. que nos constrange a dar. extingue-a. mais ou menos realçados.In tro d u ç ã o a o D ire ito d a s O b rig a ç õ e s 5 Nosso Código Civil não apresenta definição de obrigação. unindo duas (ou mais) pessoas. Sem dúvida.

de aspecto positivo ou negativo. uma conduta. mas com ele correlatas. portanto. como. É de emissão de uma instituição particular ou órgão público. a obrigação de servir às Forças Armadas. . esse vinculo. no entanto. primordialmente. A propósito. Antepomos esse direito pessoal aos direitos reais. Essa relação jurídica. O vocábulo obrigação ainda pode ganhar duas outras conotações separadas do sentido próprio que estamos tratando. une duas ou mais pessoas. no descumprimento da obrigação. do ponto de vista ativo e passivo. quando o termo designa tudo o que a lei ou mesmo a moral determina a uma pessoa. Cumpre realçar. que são oponíveis contra todos (erga omnes). por exemplo. por atentar contra a dignidade humana. nomina­ tivo ou ao portador. no Direito de Família encontraremos obrigações sem conteúdo econômico. Essa atividade é a prestação. embora possa ser bastante dilatada no tempo. é verdade. como também negativa. na an­ tiga Roma esse vínculo surgiu com tamanha intensidade que incidia diretamen­ te sobre a pessoa do devedor. é sobre o patrimônio que vai recair a satisfação do credor. O Direito das Obrigações é. que é o patrimônio do devedor que responde. a obrigação de o proprietário respeitar os regula­ mentos administrativos em relação a seu imóvel etc. que. Num sentido mais restrito. não podemos obrigá-lo a cumprir o contratado. representando para seu titular um crédito. a contratação de artista para pintar um retrato. A questão se resolverá em perdas e da­ nos porque. Passada a fase da Antiguidade na qual o vínculo era estritamente pessoal. Ressalta­ mos aqui a pessoalidade do vínculo. como no caso de dois vizinhos limí­ trofes comprometerem-se a não levantar muro entre seus dois imóveis. Por mais longas que sejam as obrigações. portanto. em última análise. Uma vez satisfeito o credor. em razão da contratação de matiz exclusivamente pessoal. quer amigável. a obrigação deixa de existir. um dia elas se extinguirão. em que o vendedor entregará a coisa e o comprador pa­ gará com dinheiro. ser jurídica. sem que haja propriamente um credor: é. Há um sentido mais geral. o cunho pecuniário da obrigação. Como já lembramos. Destarte. Mesmo quando a obrigação é personalíssima. poderia tomar-se escravo. pelo adimplemento. efêmera. em prol do cre­ dor. quer judicialmente. mas não se insere no contexto do Direito das Obrigações que ora estudamos. a obrigação poderá ser não só positiva. uma vez que a prestação poderá ser simples abstenção. nos meios financeiros. Credor e deve­ dor são os dois lados da obrigação. Não pode existir obrigação perene. por exemplo. A obrigação é. essencialmente patrimonial. Observe. Pode ser um ato ou um conjunto de atos. O objeto da obrigação resume-se sempre a um valor econômico.6 D ire ito C ivil • V enosa tem caráter de permanência regido e dominado que é pelo conceito de proprie­ dade. o credor não aceitará nenhum outro artista para realizar a prestação. como as Obrigações do Tesouro. O objeto da obrigação traduz-se numa atividade do devedor. Atinge-se a solução da obrigação e o vínculo desaparece. a palavra obrigação designa um título negociável. como numa compra e venda. enfim. A obrigação que não te­ nha essa coloração poderá.

4. e a prestação. uma vez que a prestação. pois sua ínsita re­ lação jurídica vincula somente duas (ou mais) pessoas. quando recorre à execução forçada. o devedor. são só aqueles assim considerados expressamente pela lei. Os direitos reais não são numerosos. que têm sua maior expressão no direito de propriedade. ainda que sucintamente. Nesse sentido. o direito real não comporta mais do que um titular (não se confunda. Como se nota. O direito pessoal não possui essa faceta. O direito real é aquele que concede o gozo e a fruição de bens. isto é. 5. incidem diretamente sobre a coisa. são numerus clausus. como corolário de seu caráter absoluto. Esse titular exerce seu poder sobre a coisa objeto de seu direito de forma direta e imediata. O direito real. O direito obrigacional. só pode ser exigida ao devedor. pode ser afirmado que o direito real é atributivo. 6. mas de vários titulares). como já visto. exclusivo. um sujeito passivo. como conseqüência. enquanto o direito obrigacional é cooperativo. o credor. em que a propriedade sob esse aspecto continua a ser exclusiva. Os direitos reais. 2. que é seu objeto. Portanto. Já os direitos obrigacionais apresen­ tam-se com um número indeterminado. Importa apresentar. o objeto da relação jurídica. tem caráter essencialmente transi­ tório. O direito real é exercido e recai diretamente sobre a coisa. oponível perante todos (erga omnes).In tro d u ç ã o a o D ire ito d a s O b rig a ç õ e s 7 1. Sob tal aspecto. São facilmente enunciáveis. O di­ reito obrigacional concede direito a uma ou mais prestações efetuadas por uma pessoa. as principais distinções entre os direitos obrigacionais. de permanência. enquanto o direito obrigacional é relativo. As relações obrigacionais são . contudo. possui o cha­ mado direito de seqüela: seu titular pode perseguir o exercício de seu poder perante quaisquer mãos nas quais se encontre a coisa. como já exposto. direitos pessoais (jus ad rem) e os direitos reais ( ius in re): 1. tem apenas uma garantia geral do patrimônio do devedor. por que o direito real não é objeto desta obra. O direito real tem sentido de inconsumibilidade. não podendo escolher determinados bens para recair a satisfação de seu crédito. O direito obrigacional com­ porta. ambos os campos enfocados possuem um conteúdo patrimonial. sobre um objeto fundamentalmente corpóreo (embora ocorra também titularida­ de sobre bens imateriais). o direito real é um direito absolu­ to. 3. um sujeito ativo. com a noção de condomínio. enquanto o direito obrigacional tem em mira relações humanas. número fe­ chado.3 Distinção entre Direitos Reais e Direitos Pessoais Já foi dito que o direito obrigacional é um direito pessoal. O credor.

1. por vezes. são vistas as obrigações em espécie. o cumprimento. nos ocuparemos desses princípios gerais de conhecimento indispensável. em caso de insolvência. como é o caso das obrigações propter rem ou reipersecutórias. mesmo porque muitas relações obrigacionais surgem sem estar es­ pecificamente disciplinadas na lei. podendo ser criadas de acordo com as necessidades individuais e sociais. como em tudo no Direito.8 D ire ito C ivil • V enosa infinitas. aos princípios gerais. Outras diferenças. os contratos atípicos. as mais variadas. pois. que se en­ trelaçam e se cruzam frequentemente. Muitas vezes. os direitos reais utilizam-se como verdadeiros acessórios de direi­ tos obrigacionais. fundamentalmente. A importância das obrigações revela-se por ser projeção da autonomia priva­ da no Direito. estará com seu bem onerado para garantia do credor. por exemplo. que é objeto agora de nosso estudo. . Doutro lado. pode estar vinculado a um direito real. As duas classificações não se distanciam a ponto de não se tocarem. das quais nos ocuparemos mais adiante. Na Parte Especial. seguindo inclusive a estrutura de nosso Código Civil. em geral como normas supletivas. que se subordinam. São. Há mesmo. fixam-se os princípios a que estão subordinadas todas as obrigações. É o que sucede nas garantias reais (penhor e hipoteca). a obrigação tem por escopo justamente adquirir a propriedade ou qualquer outro direito real. não há antagonismo nas duas categorias. São estudados o nasci­ mento. as espécies. a linha divisória entre os dois direitos é bastante tênue.4 Importância do Direito das Obrigações O estudo do Direito das Obrigações. A o contrário dos direitos reais. pontificando os contratos. não tão palpáveis. baluarte do Direito privado. de dois com­ partimentos estanques. poderiam ser enunciadas. Na Parte Geral das obrigações. e as necessidades sociais estão. Em que pesem as diferenças. sujeitando-se cada uma delas a disciplina específica. Não se trata. Aqui. mas sob o manto da parte geral. uma zona interme­ diária em que a distinção será difícil. que se encontra a maior amplitude da autonomia da vontade. a transmissão e a extinção das obrigações. As relações típicas são reguladas pela parte especial. São muitos os pontos de contato entre os direitos obrigacionais e os direitos reais. porém é im­ portante acentuar que é no Direito das Obrigações. o qual. porque aplicáveis a todas as espécies de obrigações. É exatamente essa a finalidade do contrato de compra e venda. as relações obrigacionais são infi­ nitas. Nesta primeira parte de nosso estudo. que surgem em razão de uma obrigação contraída pelo devedor. Por vezes. o direito obrigacional. compreende parte de conceitos gerais e parte de particularizações. sempre e sempre. criando novas fórmulas para atendê-las.

5 Evolução da Teoria das Obrigações Autores dos séculos passados tinham tendência de considerar a teoria geral das obrigações como imutável. avulta a importância dos patrimônios constituídos quase exclusivamente de títulos de crédito. Em todas as atividades. Da necessidade mais premente ao fator mais supérfluo. há tendência crescente de pulverização das rela­ ções obrigacionais. O formalismo e os parcos limites desse sistema foram atenuados pelo direito pretoriano e constituições imperiais. A todo momento. porque é por meio dele que circulam os bens e as riquezas e escoa-se a produção. Weill e Terré. quanto a mais complexa negociação. Repetia-se. a teoria das obrigações sofreu profunda evolução. Foi criada uma teoria para os contratos inominados e para os simples pactos. porém. preci­ samos ver que houve profunda evolução dentro das várias fases do Direito que nos serviu de base. 1975:9). Sem dúvida. pois o direito de família e das sucessões. Embora a parte das obrigações seja a que nos foi legada do Direito Romano de forma mais estável. ficaram presos a velhas instituições. não pode deixar de ter como substrato fundamental os conceitos tradicionais do direito obrigacional. o homem está sempre consumindo e para isso estará socorrendo-se do Direito das Obrigações. desses princípios varia e evolui. conforme os fatores tempo e espaço. O Direito das Obrigações dá o suporte econômico da sociedade. O simples pacto convencional não provia ação na justiça. imiscui-se o direito obrigacional. . Planiol e Ripert. parecendo que suas regras principais eram verdades universais e eternas. portanto. Segundo Orlando Gomes (1978:10). da produção à distribuição de bens e servi­ ços. São reguladas pelo direito obrigacional tanto a mais comezinha com­ pra e venda. 1937:60). assim também de certa forma o direito das coisas. há elementos na teoria que podem ser considerados como de Direito natural. com ênfase. A efetivação. Nossa legislação de proteção ao consumidor. mas jamais foi admitido completamente que os contratos pudessem ser puramente consensuais. cada vez mais. no mundo contemporâneo. como as regras da geometria e da matemática (cf. que são obrigações.In tro d u ç ã o a o D ire ito d a s O b rig a ç õ e s 9 Estão presentes desde a atividade mais simples até a atividade mais complexa da sociedade. Na sociedade de consumo. a publicidade e a propaganda estão incen­ tivando o consumo. embora tenha instituído um microssistema jurídico. que as obrigações representavam a parte imutável do Direi­ to. de acordo com a base de sua filosofia. O antigo ius civile conhecia apenas os contratos reais ou formais. No Direito Romano. tal como o Direito natural (cf. ligados às necessidades es­ senciais do homem e a princípios de moral. 1.

sob o manto da justiça social e das necessidades modernas de produção. a qual. inspirada no liberalismo. A princípio. que se mostrava superior aos direitos locais.C. tudo indica. pela falta de adimplemento. no tocante à execução das obrigações. por exemplo.6 Posição do Direito das Obrigações no Código Civil e em seu Estudo O Direito das Obrigações trata de direitos de índole patrimonial e constitui a matéria do Livro I da Parte Especial do Código Civil. cabe aos julgadores não esquecer esse aspecto. denominada exegética. Recebemos essa influência da legislação francesa. aplicando-se modernamente em sociedade que sofre por demais o intervencio­ nismo do Estado. Passa a ter influência o princípio da palavra dada nos contratos.10 D ire ito Civil • V enosa Como já se acenou. A responsabilidade pelo descumprimento confunde-se com a vingança privada e com a responsabilidade penal (cf. suija a regra da força obrigatória dos contratos. que dá confiança ao indivíduo e sua vontade. a substituição para fazer recair a execução sobre os bens parece ter sido lenta e ditada pelas necessidades da evolução da própria sociedade romana. Weill e Terré. Como é no Direito das Obrigações que reside o grande baluarte da autonomia da vontade. re­ querendo muita argúcia do aplicador da lei. 1975:10). a sanção do nexum. volta à luz a legislação romana. pre­ parando terreno para que. que redundou no Código de 2002. como na alemã. da influência da Igreja. como o vínculo in­ cidia sobre a pessoa do devedor. inserida na codificação napoleônica. fruto de toda uma escola jurídica. também. no século XVI. supri­ miu essa forma de execução. criado no século XIX e preso às inspirações filosóficas de seu tempo. que. Em outras legislações. então emprega­ dos como direito positivo. outorgava ao tradens o direito de lançar mão do devedor. as obrigações são tratadas logo após a parte geral . Há que se encontrar um meio-ter­ mo. Com o renascimento dos estudos romanísticos nos séculos X e XI. que deve acompanhar a evolução de sua época. que pesou decisivamente para que princípios de ordem moral fossem acolhidos no Direito. O Código Civil de 1916. Veja o que falamos a respeito dessa particularidade em nossa obra Introdução ao estudo do direito: primeiras linhas. A teoria das obrigações que imperou na Europa. o que procurou fazer o Projeto de 1975. Não resta dúvida de que o Código revogado era de inspiração liberal. entre o espírito liberal do Código. A autonomia da vontade era reduzida e os contratos eram bastante formais. na Idade Média. 1. Não nos esqueçamos. apresenta princípios que hoje são postos em choque perante o constante intervencionismo do Estado e a publicização do Direito privado. já estava em desuso na época. procura inserir o indivíduo numa disciplina coletiva. e a corrente social que. como razão da própria existência do Direito privado. A lei Papiria Poetelia do século IV a. derivava de costumes germânicos. era a manus iniectio. velho contrato do direito quiritário.

no Livro I da Parte Especial. porém. a estrutura de seu Direito. pois seu conhecimento e técnica influem em todos os campos do di­ reito. porque esse posicionamento não impede a harmonização do conjunto. a partir do art. E o Direito das Obrigações. Por outro lado. sendo a parte mais teórica. Outros. à personalidade e à prescrição. tais princípios vão orientar toda a parte especial. a ex­ posição metódica. Por outro lado. que sejam apreendidos prim eiro que quaisquer outros. assim. que trata da ma­ téria logo após a parte geral. A dicotomia do sistema do Código antigo reflete-se principalmente em razão das épocas distintas de elabo­ ração legislativa nos dois campos. A propósito. Mais fácil se toma. como Clóvis Beviláqua. levam em conta a estreita vinculação da família com os conceitos da personalidade. em virtude de as obrigações evoluírem muito rapidamente em razão das necessidades contemporâneas. seguindo a ordem do Código. pois. justamente pe­ los característicos apontados. O Código Civil deste século revoga expressa­ . por ser a noção de propriedade intuitiva.I n tro d u ç ã o a o D ire ito d a s O b rig a ç õ e s 11 do Código. de família e das sucessões de seus princípios. o Código Civil de 2002 já insere o Direito das Obri­ gações logo após a Parte Geral. embora seja de conveniência lógica que a matéria ora tratada venha em seguida à parte geral. que possui mais estreita relação com os concei­ tos fundamentais do Direito Civil. a localização da matéria no Código Civil é irrelevante. principalmente tendo em vista o aspecto didático. tanto mais quanto ele encerra. assim se manifesta Orlando Gomes (1978:11): “A principal razão dessa prioridade é de ordem lógica. como já visto. às enormes mudanças sociais. contudo. de que o Direito das Obrigações. não há razão ontológica para diferenciação no direito ora tratado entre obrigações civis e obrigações comerciais. não prescindindo o direito das coisas. Uma vez conhecidos os princípios gerais. em sua parte geral.” Há. ainda que tradicional e clássica. O estudo de vários institutos dos outros departamentos do Direito Civil depende do conhecimen­ to de conceitos e construções teóricos do Direito das Obrigações. Seguindo essa tendência. deve adaptar-se. 233. seu exame deve su­ ceder imediatamente ao estudo da parte geral. Não obstante isso. preceitos que transcendem sua órbita e se aplicam a outras seções do Direito Privado. Não resta dúvida. pelo trabalho dos tribunais. Tal ocorre porque. posição dos que entendem que a prioridade deva ser dada pri­ meiramente ao Direito de Família. o Direito obrigacional é ilustrado pela autonomia da vontade. Natural. Os outros campos do Direito Civil dependem desses conceitos obrigacionais. entendem que os direitos reais devem ter precedência no estudo. independe dos outros ramos da parte especial e. assim tratada no Código. guardando os princípios de abstração e generalidade. racional e abstrata da legislação civil. mormente atinentes ao negócio jurídico.

surgindo daí necessidade de princípios uniformes. como a união europeia. tendo diversos países elaborado uma legislação única sobre a matéria. Não há dúvida. surgem sob novas roupagens. mas optou-se por inserir a matéria no bojo do corrente Código Civil. A criação de organismos supranacionais.045). como no Direito Comercial. É nesse campo que se realiza mais facilmente a unificação do Di­ reito Civil e do Direito Comercial. no entanto. De qualquer modo. que apresenta um Código de Obri­ gações destacado do Código Civil. elaborou-se um projeto de Código de Obrigações comum para a França e para a Itália. contudo. com a socialização do Direito privado. Tanto no Direito Civil. hoje. revisto em 1942. adotado por qualquer dessas nações. 2. numa preparação de um futuro código civil internacional. a matéria das obrigações apresenta-se como terreno favorável à unificação. Não obstante esse perfil. por exem­ plo. muitos institutos clássicos foram modificados e. Também no campo internacional. permitindo-se a transferência das obrigações e. de que a unificação internacional do Direito obri­ gacional se mostrará útil para servir à segurança do comércio que hoje cada vez mais se internacionaliza. faz surgir diretivas a serem aplicadas por todos os Estados-membros. como é o caso da Suíça. Não foi. O projeto foi apresentado em 1928. Houve tentativas em nosso país para que isso ocorresse. a estrutura básica é a mesma. o caráter universal e abstrato do Direito das Obrigações fez com que se mantivesse a estrutura romanística até o presente. embora muitas de suas disposições tenham sido adotadas pelo Código Civil italiano. mantendo-se fiel à tradição jurídica comum dos dois países.12 D ire ito Civil • V enosa mente a parte primeira do Código Comercial (art. . Após a Primeira Guerra Mundial. a que nos chegou do Direito Romano. superou-se a ideia do aspecto personalíssimo e intransferível da obri­ gação romana.

estrutura-se ela pelo vínculo entre dois sujeitos. por exemplo. numa conduta do devedor. o interesse do credor é que o devedor. a prestação. A possibilidade de existir o chamado contrato consigo mesmo não desnatura a bipolaridade do conceito de obrigação. que se constitui no objeto imediato da obrigação. voluntária ou coativamente. pois continuam a existir no instituto dois sujeitos na estrutura da obrigação. Destarte. um objeto mediato na prestação. o sujeito ativo. em prol do credor. para que um deles satisfaça. o objeto imediato da prestação é a execução de serviços. Preliminarmente. outrossim. também. o credor. sujeito passivo. tem uma pretensão com relação ao devedor. importa não confundir a prestação. O objeto da relação obrigacional é a prestação que. na execução coativa. em proveito do outro. A sujeição do patrimônio do devedor só vai aparecer em uma segunda fase. não existe um poder imediato sobre a coisa.1 Introdução Pelo que se percebe da definição de obrigação. que é nada mais nada menos que o objeto material ou imaterial sobre o qual incide a prestação. Na obrigação. em sentido amplo. A existência de pelo menos dois sujeitos é essencial ao conceito de obrigação. ou seja. determi­ nada prestação. voltaremos a esse assunto. Oportunamente. Em um contrato de mandato. Nesse diapasão. satisfaça. a atividade do devedor. Há. com a intervenção do poder do Estado. cons­ titui-se numa atividade. atos ou ativi­ dades do mandatário em nome do mandante. .Estrutura da Relação Obrigacional 2.

2 Sujeitos da Relação Obrigacional A polaridade da relação obrigacional apresenta. saber como se articulam entre si e. Pode igualmente dispor de seu direito de crédito por meio da cessão (art. seja um livro. em três elementos: sujeitos. remitindo a dívida no todo ou em parte (art. 2. o sujeito ati­ vo (credor) e. de um lado. Pode também dispor de seu crédito. enfim. 385). a indeterminação do sujeito na obrigação deve ser transitória. fazendo-se referência a este quando se quer designar aquele. ou de quem este determinar. Poderão ser múltiplos os sujeitos ativos e passivos. distinção que não possui maior utilidade prática. a obrigação decompõe-se. Os sujeitos da obrigação devem ser ao menos determináveis. é importante analisar a estrutura da relação obrigacional. porque no momento do cumprimento os sujeitos devem ser conhecidos. de outro. o objeto mediato da presta­ ção são os próprios serviços ou a própria atividade material desempenhada pelo mandatário. Assim.” Há portanto uma distinção entre objeto mediato e imediato na obrigação. Costuma-se confundir o objeto da obrigação com o objeto da prestação. como funciona todo sistema obrigacional. Se a indetermi- . Orlando Gomes (1978:23) prende-se ao exemplo do comodato: "O objeto da obrigação especifica de um comodatário é o ato de restitui­ ção da coisa ao comodante. O sujeito ativo tem interesse em que a prestação seja cumprida. embora possam não ser. finalmente. 331) ou a execução. Assim. como a assinatura de uma escritura. mas isso só se permite para abreviar a frase. uma vez conhecida a noção de obrigação. pode o credor exigir o cumprimento da obrigação (art. Não é necessário que desde a origem da obrigação haja individuação precisa do credor e do devedor. objeto e vinculo jurídico. De qual­ quer modo. são coisas distintas. determinados. uma joia. o sujeito passivo (devedor). a quitação dada etc. Embora exista discrepância entre os autores. isto é. Passemos a focalizar cada um deles. ou um relógio. em prol do credor. Tecnica­ mente. Para que a tutela de seu direito protegido tenha eficácia. O objeto dessa prestação é a coisa emprestada. da pessoa sobre a qual recai o dever de efetuar a prestação. o credor pode dispor de vários meios que a ordem jurídica lhe concede. que é sua realização coativa. decompô-la em seus elementos constitu­ tivos. Trata-se. Devedor é a pessoa que deve praticar certa conduta. no nascedouro da obrigação. no exemplo apresentado. 286) etc.14 Direito Civil • Venosa N o contrato de mandato. determinada atividade. fun­ damentalmente.

embora não tenha sido o devedor originário. A í também fizemos a distinção dos representantes dos núncios ou mensageiros.E s tr u tu ra d a R elação O b rig a c io n a l 15 nação perdurar no momento da efetivação da prestação. em última análise. nem tenha contraído a obrigação. sob a forma negativa. Deposita-se o objeto da prestação em juízo. no Capítulo 19. decorrendo em geral de di­ reitos reais que acompanham a coisa em poder de quem seja seu titular. O credor. Constitui-se de um ato. que em cada polo da relação obrigacional se coloquem mais de um credor ou mais de um devedor. Quem preencher os requisitos da promessa se intitulará. que se mostra como atividade positiva ou negativa do devedor. praticados por uma pessoa: a realização de uma obra. por exemplo. a entrega de um objeto ou. nessa hipótese. a abstenção de um comerciante de se estabelecer nas proximidades de outro. em dar. fundamentalmente. v. 2. a princípio. o devedor deve pagar a quem quer que se apresente com o título.3 Objeto da Relação Obrigacional Trata-se do ponto material sobre o qual incide a obrigação. mas o credor indeterminado no nascimento da obrigação. fenômeno que se denomina confusão (art. mas pode ser substituído por qualquer indiví­ duo que receber validamente a cártula. Nesse caso. para que o juiz decida quem terá o direito de levantá-la. apenas a pessoa natural ou jurídica poderá ficar nos polos da obrigação. Sobre essa matéria discorremos em Direito civil: parte geral. contudo. porém. No primeiro caso. Como lembra Caio Mário da Silva Pereira (1972. 2:19). Cuida-se da pres­ tação. credor. ou a número mais ou menos amplo de pessoas. poderá receber de quem quer que assuma a titularidade da coisa gravada. Os representantes agem em nome e no interesse de qualquer dos sujeitos da obri­ gação e sua declaração de vontade vincula os representados. simples porta-vozes. Essa prestação. Fixe-se. por meio do endosso. ou conjunto de atos. Outra situação seme­ lhante ocorre nos títulos ao portador ou à ordem. Ocorre com frequência que os sujeitos da obrigação sejam representados. mas também pode ocorrer. 854 ss). É importante também lembrar que a fusão numa só pessoa das qualidades de credor e devedor ocasiona a extinção da obrigação. determinados ou determináveis os sujeitos. Nada impede. embora obrigação exista desde logo. que também podem participar da relação obrigacional. a lei faculta ao devedor um meio liberatório que é a consignação em pagamento. por . o devedor é certo. a indeterminação do devedor é mais rara. no segundo caso. 381). o sujeito ativo é originalmente determinado. como é o da promessa de recompen­ sa (arts. Pode ocorrer indeterminação do credor quando houver ofertas ao público. que. a situação do adquirente de imóvel hipotecado que responde com ele pela solução da dívida. fazer ou não fazer algo. consiste. É.

em Direito civil: parte geral. É o caso. uma prestação impossível ao nascer. uma vez que sem em­ prego. Condição afirmada pelo autor na inicial de que o pagamento se daria quando a ré estivesse formada com a possibilidade de pagar com o próprio trabalho de advogada. nos termos do art. 166. 305 do Código Civil. Trata-se de aplicação particular da teoria geral dos atos jurídicos. porém. Trata-se de objeto material da obrigação em sentido estrito. ou seja. mas poderá haver um obstáculo de ordem legal em seu cumprimento. Não incidência do art. Doutrina. Obrigação impossível. iy do Código Civil. que se tom e possível quando do momento do cumprimento. isto é. Arrependimento . de acordo com o art. 206. Os conceitos de impossibilidade física ou jurídica são os mesmos aí expostos. Incidência da primeira parte do art. Questões preliminares afastadas. § 3o. Não ultrapassado o prazo de 3 anos previsto no arts. 248 do Có­ digo Civil. portanto. apesar de afastada a questão de incompetência em razão da matéria. uma vez que o cumprimento da parcela possível poderá ser útil ao credor. Decisão da justiça trabalhista que reconheceu a relação de emprego e o pagamento das verbas e. Pagamentos realizados em nome da ré. Incidência do artigo 121 do Código Civil. Quanto à impossibilidade física do cumprimento da prestação. Como corolário da noção de negócio jurídico. deixou a ré de estudar e de se formar. a atividade culminada pelo devedor. constitui-se no objeto imediato. ser cumprida. Condição que não se realizou. a prestação deve ser possível. Procedência. Apelação. não decidiu sobre os valores das mensa­ lidades. será nula a obrigação. Fato incontroverso. materialmente realizável. Mudança do escritório para outra cidade e dispensa da funcionária. Desistência da ré na continuidade do curso que não afasta a condição.1 1 “Ação de cobrança . Quando a prestação for inteiramente impossível. da distinção que fizemos na abertura deste ca­ pítulo. II. Já se a prestação for tão só parcialmente impossível. é perfeitamente válida e deve. acerca do objeto imediato e do objeto mediato da prestação.Ressarcimento pelo desembolso pelo pagamento das mensalidades do curso de direito. não se invalidará a obriga­ ção. não teria a mínima condição de enfrentar as despesas próprias com alimentação e mensalidades. remete­ mos o leitor ao que foi dito em Direito civil: parte geral a respeito das condições impossíveis. Autor que alega o pagamento de salário e mensalidades da faculdade de direito à ré. Ademais. valendo o que foi dito a respeito dos atos jurídicos em geral. Negócio válido. Desembolso confirmado pela ré. Mérito. O bem material que se insere na prestação constitui-se no objeto mediato. Acordo verbal. Autor que quis proteger a funcionária garantindo-lhe os meios de subsistência e estudo. de se contratar importação de artigos proibidos por lei. A prestação poderá ser possível. 106. Impossibilidade de se admitir que os pagamentos se deram a título de complementação de salário.16 D ire ito Civil • V enosa exemplo. Ausência de prova de que a ré teria que restituir os valores. Note que os requisitos da prestação são os mesmos do objeto material sobre o qual ela incide. Precedente do TRT 31 Região. pois com sua dispensa. Não se esqueça. em data futura e incerta. por exemplo. Alegação de prescrição afastada. lícita e determinável. portanto. O ordenamento pode repudiar a prestação. porém ineficaz. A prestação. A prestação deve ser física ou juridicamente possível. Ressarcimento que se daria. Tese possível defendida pela ré de que houve doação dos valores.

2. a apreciação pe­ cuniária. ora por parte do devedor. não será jurídica. deve ser ao menos determinável. Recurso provido” ( TJSP . Loteamento não aprovado. Será determinada a prestação quando perfeitamente individualizado o objeto: compro um automóvel marca X. . Decisão reformada. Danos morais.401703-3. Será determinável a prestação quando a identificação é relegada para o momento do cumprimento.Recurso não provido” (T J S P . porque não agridem a dignidade humana” ( TJMG . indicado pelo gênero e pela quantidade.Acórdão Apelação Cível 1. 990. como faz a doutrina tradi­ cional. .624-1. No momento do cumprimento da prestação. Virgüio de Oliveira Junior). Cível 7. ainda que sob o prisma da execução forçada.015035-9/001. descrever sempre admitido.11* Câmara de Direito Privado . contratar casamento em troca de vanta­ gens pecuniárias. Destarte.E s tr u tu ra d a R elação O b rig a c io n a l 17 Ainda. Objeto ilícito. Des. Rei. dos bons costumes e da ordem pública. O Direito não pode agir sobre realidades puramente abstratas. Deve atender aos ditames da moral. não significa pagamento. “Monitória . dano moral. por si sós. que a obrigação deve conter uma prestação de conteúdo direta ou in­ diretamente patrimonial. a prestação deve mostrar licitude. é ilícito contratar assassinato. mora ou prejuízo econômico não configuram. se não for determinada. num ato que se denomina concentração da prestação.3.As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. devemos determinar a prestação.08.0346. 166). ficará no campo da Moral. como em qualquer ato jurídico (art. Contrato nulo. seja com a entrega real do dinheiro. caberá ao portador quitar o seu crédito. Gilberto dos Santos). só aí.Ap. existindo critérios fixados na lei ou na convenção para a iden­ tificação. de forma que. “Direito processual civil. Reconvenção. no en­ tanto. ora por parte do credor. 23-4-2009. sob pena de nulidade.Circunstância em que a simples entrega (tradição) do cheque ao portador.344. por exemplo. 243). José Flávio de Almeida). Por fim. É o que sucede nas denominadas obrigações genéricas (art. cujo objeto é fungível. pois só então o débito desaparece . em síntese. elaborar contrato para a manutenção de relações sexuais. Uma obrigação que não possa resumir-se.Cheques emitidos em função de dívidas de jogo (bingo) .1 Patrimonialidade da Prestação No sentido técnico.Cambial . pois o cheque é ape­ nas uma ‘ordem de pagamento’ e na realidade esse pagamento só se verifica quando a ordem é cumprida. 2-3-2011. Compromisso de compra e venda de imóvel. Rei. o que será objeto de nosso estudo neste volume.10. a prestação. O contrato que tem objeto ilícito é nulo e enseja o retorno das partes ao estado anterior à contra­ tação. que não pode possibilitar tirar da ré o que quis lhe dar. com número de chassi e de licença declinados. 16-3-2012. Ação de rescisão contratual. conforme o caso. por conseguinte sendo sem validade as promessas de pagamento e os títulos criados com base em dívidas de tal natureza .O mero inadimplemento contratual.Ap. seja com o lançamento em conta da importância mencionada no cheque. como veremos adiante.Rei.

por exemplo. e como em todas as situações. porém. numa disposição lembrada por Alberto Brenes Cordoba (1977:19). a obrigação. v. aí como nas outras situações. como vimos. apresentar tão só conteúdo de or­ dem moral. não resta dúvida de que é certa a afirmação do mestre lusitano. É na execução. como explanamos. surgirá um conteúdo patrimonial. não resta dúvida de que nessa coercibilidade residirá o caráter patrimonial do instituto. Se o cumprimento da obrigação for impossível ou inconveniente. com certos deveres que escapam a tal conceito. mas já num momento em que a obrigação deixou de ser re­ gularmente cumprida. no sentido essencialmente técnico. ainda que não patrimonial. dispõe: “o objeto de uma obrigação pode ser algo não suscetível de ser apreciado em dinheiro”. que podemos lembrar. ainda que de forma indireta. quando inexiste no bojo do cumprimento espontâneo da obrigação. Se obrigação no sentido estrito. Aqui a sanção não será pecuniária. doutro modo não seria ju ­ rídico. Apenas nesta última fase. se a efetivação da prestação for coercível (e aí a obrigação jurídica distingue-se das demais). e cita o exemplo do proprietá­ rio de um jardim que faz doação.. Já o Código japonês. Nos­ so Código Civil não dispõe expressamente sobre a matéria.18 Direito Civil • Venosa Sob esse aspecto. Não se confunde. embora a maioria das obrigações possua conteúdo imediatamente patrimonial. como a obrigação de servir às Forças Armadas. mas com o encargo de o donatário o manter franqueado ao público. 1:91). alugar. E. Como bem lembra o saudoso Antunes Varella (1977. do credor”. 1. há prestações em que esse conteúdo não é facilmente perceptível ou mesmo não existe. o denominador comum será indenização por perdas e danos. não eqüivale à obrigação. ou seja. pois não se está no campo do Direito obrigacional ora examinado. atendendo à doutrina alemã. como comprar e vender. não resta dúvida de que a questão é tormentosa. falando das doações com encargos. vale lembrar que. é de alguém . doar etc. que nas obrigações em que se ressalta o conteúdo m o­ ral seu descumprimento também é passível de coerção. a llrazão pela qual muitos autores insistem na necessidade do caráter patrimonial da prestação é uma pura consideração de ordem prática”. a prestação deve ser suscetível de ser avaliada em dinheiro. a tentativa mais perfeita que o Direito tem para reequilibrar uma relação jurídica. mas trata-se de um substitutivo do cumprimento. Ora. que ressaltará o aspecto pecuniário e patrimonial da prestação. A indenização. Desse modo. O mesmo autor recorda a aplicação prática do problema da patrimonialidade ora versada. no campo do descumprimento da obrigação. Entende-se. porém. Situação semelhante. outrossim. O Código italiano de 1942 toma posição sobre o problema no art.174: “a prestação que constitui objeto da obrigação deve ser suscetível de avaliação econômica e deve corresponder a um interesse.

desde que lícito. im­ postas pelo Estado para estruturar a família como instituição. Isso não deve ser de molde a repeli-las do campo jurídico. O sentido técnico de obrigação ao qual nos prendemos não se confunde. ao fato de que essas obrigações não derivam da autonomia da vontade. Todavia. de que algumas prestações de caráter pre­ ponderantemente moral. conforme ensina Roberto de Ruggiero (1973. as sanções pelo descumprimento de uma obrigação no sentido estrito resumem-se . Doutro modo. também. Não se deve esquecer do que retrata o art. quer não. podem ser lembrados outros exemplos: numa obrigação negativa em que um vizinho se comprometa a não ligar aparelhos de som em determinado horário. curatela) geram deveres de outra índole. Essas relações pessoais entre os vários membros da família ou aquelas que se podem denominar como relações quase familiares (tutela. com o encargo de que referido parque tome o nome do doador. Suas conseqüências poderão ter até mesmo caráter patrimonial. afetiva ou moral. v. Nesses casos. 76 do Código Civil de 1916. podem ficar com menor garantia do que as obrigações de caráter primário patrimonial. ou alguém que se comprometa a divulgar uma re­ tratação a uma ofensa à honra etc. o aspecto patrimonial só vai surgir quando do descumprimen­ to. na fase executória. É intuitivo. Nas palavras de Pontes de Miranda (1971. como a obrigação de enterrar o morto segundo o que ele. com obrigações derivadas do Direito de Família. A controvérsia restrin­ ge-se à patrimonialidade ou não da prestação (Noronha. Como se nota. é imperioso avaliar um interesse apreciável por parte do credor em que a obrigação seja adimplida. 22:41): “Qualquer interesse pode ser protegido. a proteção ju ­ rídica. que protege o legítimo interesse moral para o exercício do direito de ação. conclui-se que o objeto da prestação poderá ser patrimo­ nial ou não. Fora do aspecto do encargo. nos atos de liberalidade. 3:13). nunca ninguém pensou em fazer valer mercê da coação judicial”. ainda que esse interesse seja de ordem ideal. que o conceito de juridicidade da obrigação moral não pode ser alargado de molde a incluir-se nele “uma série de obrigações que. Não resta dúvida. Quer haja uma cláusula penal nas respectivas avenças. em vida. posto que contraindo-se todos os dias na vida social. deve existir sempre o interesse do credor no cumprimento da prestação. em todo o caso. mas de normas cogentes. não existe controvérsia quanto à necessidade de interesse patrimonial do credor. primordialmente. estabelecera. como a obrigação de alimentos. ” Em qualquer caso. porém. mas pertencem a outro compartimento do Direito. no entanto. Tal é devido.E s tr u tu ra d a R elação O b rig a c io n a l 19 que doa im óvel a uma Municipalidade. ou estipularam os descendentes ou amigos ou pessoas caridosas. Dessas premissas. tendo em vista certas circunstâncias. o objeto imediato da prestação é de cunho essencialmente moral. 2003:24). que não ao decan­ tado Direito obrigacional. v. e todo interesse protegível pode ser objeto de prestação. então. merecendo. para aí instalar um parque público.

O primeiro é relativo à decantada atividade do devedor. porque se tem em mira um dever do devedor em relação ao credor. Posteriormente. pois. podemos dizer que o vínculo tem caráter pessoal. é passivo com relação ao devedor. muitas vezes. nas infrações aos deveres do pátrio poder ou aos deveres conjugais. uma vez que a obrigação pode ser negativa.20 D ire ito Civil • V enosa sempre numa indenização. M o­ dernamente. Nessas noções preliminares e introdutórias até aqui vistas. O segundo elemento. como já exposto.4 Vínculo Jurídico da Relação Obrigacional O vínculo jurídico que ligava o devedor ao credor nos primórdios de Roma. dá lugar a uma diminuição da liberdade do sujeito pas­ sivo e a constrição que pode advir a seu patrimônio é o espelho dessa diminuição. Schuld. mais conforme aos princípios da liberdade e autonomia da vontade. . Nitidamente. Esse caráter legitima uma expectativa do credor de que o devedor pratique uma conduta esperada pelo primeiro. sem a responsabilidade. esbarrando. normalmente. existem um elemento pessoal e um elemento patri­ monial. Destarte. 2. o patrimonial. patrimonialidade esta que deve ser enten­ dida dentro das moderações aqui expostas. é no interesse apreciável do credor que vai residir o âmago da patrimonialidade da obrigação ora tratada. que muitos consideram como elemento autônomo. Haftung). como num estágio tendente à escravidão deste último. por seu lado. pelo lado do credor. O devedor deve suportar a situação de servir seu patrimônio de adimplemento da obrigação. Embora o primeiro aspecto que surge na obrigação seja o débito. Toda obrigação. como expresso. A garan­ tia. como é o caso do dever de administração de bens do pupilo. já que esta garante aquele. deve ser vista como o aspecto extrínseco do elemento vínculo. numa tipicidade penal. pois se refere à disposição de seu patrimônio para a satisfação do credor. em alemão) e a responsabilidade (obligatio. notando-se um direito do credor sobre a pessoa do devedor. Ainda não divisamos na obrigação familiar um caráter oneroso. porém diverso da rudeza antiga. divisam-se os dois elementos da obrigação: o débito ( debitum. comportamento esse que se liga à vontade do credor. na obrigação. o vínculo atenua-se paulatinamente. por exemplo. A responsabilidade. revela a garantia de execução das obrigações. toma-se mais hu­ mano. já acenamos que. É o que ocorre. ou mais exata­ mente a um comportamento deste. mesmo que possa haver conteúdo patrimonial. tendo em vista os meios que o orde­ namento coloca à disposição do credor para a satisfação de seu crédito. enquanto as sanções pelo descumprimento de uma obrigação familiar são de natureza variada. Como vimos. nesse caráter obrigacional há uma executividade eminentemente patrimonial. no entanto. ele não pode ser visto isoladamente. que tem o tutor ou curador. tinha caráter estritamente pessoal.

débito CSchuld) e responsabilidade (Haftung) vêm sempre juntos. são aspectos do mes­ mo fenômeno da relação obrigacional. existe o débito. com a redação da Lei n° 11. a ele cabe colocar em marcha o processo contra o devedor faltoso. portanto. mas o credor não está legitimado a exigir seu cumprimento. embora. o credor possui meios coercíveis. Trata-se de dever e não de ônus. nas quais o débito e a responsabilidade não estão juntos. quando tra­ . para consegui-la. No contrato de fiança. o devedor ficará sujeito às sanções atinentes à mora e ao inadimplemento (arts.5 Causa nas Obrigações O tema tem dado origem a vivas discussões. só o credor pode tomar a iniciativa de interpelar o devedor. ao contrário. Na realidade. o cerne ou núcleo da relação obrigacional é o vínculo. há deveres recíprocos de prestação de ambas as partes. há débito. O Código Civil pátrio não apresenta a causa como pressuposto essencial dos negócios jurídicos. Em princípio. 394 ss e arts. Em contrário. fica bem clara nos casos de exceção à regra geral: há situações em que. Assim. postos pelo Estado. mas não há débito. observam-se claramente os dois elementos do vínculo. ora falta outro elemento.382. A ela já nos referimos em Direito civil: parte geral. art. ora falta um. Nesse caso. excepcionalmente. dessa forma. 621 ss do mesmo diploma que regula a execução para a entrega de coisa certa etc. quer a outro elemento. nessas exceções. biparte-se no débito e na responsabilidade. ressaltando-se aí a responsabilidade. o dever de prestar do devedor. Caso não atenda ao dever de prestar. à primeira vista. Esse vínculo. É instrumento que serve para satisfazer a um interesse alheio. De qualquer forma. Por­ tanto. Nas obrigações naturais.E s tr u tu ra d a R elação O b rig a c io n a l 21 Essa garantia manifesta-se no ordenamento das mais variadas formas proces­ suais para propiciar a obtenção da satisfação do interesse do credor (por exem­ plo. de 2006. O credor é titular de uma tutela jurídica. do outro lado da relação obrigacional. ressalte o elemento débito. há responsabilidade. a bipartição do vínculo em débito e responsabilidade. Não conseguida espontaneamente a prática da prestação. que estudaremos a seguir. como fenôme­ nos inseparáveis. mas não há responsa­ bilidade. arts. Aqui. responsabiliza-se pelo débito de terceiro. regulados por princípios que oportunamente examinaremos. O direito à prestação que possui o credor tem como correspondente. 2. uma relação de subordinação jurídica. 402 ss). Não podemos dar preponderância quer a um.). existe o poder atribuído ao credor de exigir a prestação. a exceção vem confirmar a regra: na relação obrigacional. o fiador. Cria-se. como já pudemos perceber. alguém. portanto. Por outro lado. devendo o devedor praticar ou deixar de prati­ car algo em favor do credor. Em muitos contratos. existen­ te na relação obrigacional. 580 do CPC.

como por vezes o ordenamento civil faz referência à causa.108). a causa é externa e objetiva. Assim. particular do negócio é a eliminação da concorrência. O Código Civil francês estatui que toda obrigação convencional deve ter uma causa. compra o estabelecimento deste último. particular ou pessoal da mesma obrigação. subjetiva. Como assevera Washington de Barros Monteiro (1979. que o objeto lícito substitui essa noção. 1. não considera. O fim imediato da obrigação. como fazia o Código anterior (art. Não se confunde. que mencio­ na “ falso motivo” e não mais “falsa causa” . no art.22 D ire ito Civil • V enosa tamos dos requisitos do negócio jurídico e nos referimos ao art. a exemplo dos Códigos suíço e alemão. . Deve ser entendido como “causa” do ato o fundamento. devendo ser lícita (art. suponhamos um comerciante que. O fim pessoal. Não cumpre. o que determinou o contraimento da obrigação. os motivos não. entre nós a causa é substituída pelo objeto. entre os requisitos essenciais dos negócios jurídicos (art. no art. ela o faz por um funda­ mento juridicamente relevante. ou o seu objeto. indispensável a sua validade. deve haver a repetição do indevida­ mente pago. o ordenamento requer justa causa para o enriquecimento. Quando se diz assim que a causa ilícita vicia o ato jurídico é porque seu objeto vem a ser ilícito”. com o motivo. para nós. rígida e inalterável em todos os atos jurídicos da mesma natu­ reza. 876. aqui. ou seja. juridicamente falando. Em razão das dificuldades que apresenta. a razão jurídica da obrigação. Nosso Código. é importante que a ela se faça referência. É claro. No campo jurídico. O ordenamento não toma conhecimento dos motivos pessoais e particulares. 140. se não existe esse requisito. 90). adentrar em divagações filosóficas que mais importam às legislações que trazem a causa como requisito essencial do negócio jurídico. Não se confunde a causa. Desse modo. que diz: “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir”. 140 atual. é o que se avençou no adquirente em pagar o preço e no alienante de transferir a propriedade do estabelecimento. porém esse motivo não apresenta rele­ vância jurídica. tendo em mira evitar a concorrência que lhe faz outro da mesma localidade. Podemos dizer que a causa é o motivo juridicamente relevante. 3:29). como também ao tratar do pagamento indevido. Não obstante isso. ou fim imediato e essencial em que se baseia a obrigação. Cabe-nos apenas dar noção sobre o tema. o motivo com a causa. como podemos perceber no exemplo de compra e venda exposto. como vimos. “a causa constitui o próprio contrato. Um exemplo prático poderá ilustrar a matéria. 104). quando uma pessoa se obriga. Enquanto os motivos apresentam-se sob forma interna. a causa. a causa como requisito essencial da obrigação. mediato. E continua esse autor advertindo que de modo indireto a lei refere-se à causa. Apenas a causa terá relevância para o Direito. v. o fim mediato. sob o prisma jurídico.

ainda. no exemplo citado de compra e venda de estabelecimento comercial. a causa na compra e venda a mesma em todos os contratos da mesma natureza. portanto.se uma fo r de coisa não suscetível de penhora. I I . É oportuno concluir.s e uma provier de esbulho. pois. fu rto ou roubo. tal se confunde com a própria causa: se alguém se propõe a adquirir mercadorias em contrabando.E s tr u tu ra d a R elação O b rig a c io n a l 23 No art. Crédito abstrato é o que existe independen­ temente da causa. v. embora o legislador não faça dela um elemento autônomo. a noção de causa toma-se supérflua à constituição da obrigação. a lei civil admite implicitamente a causa nas obrigações. exceto: I . Ademais. sendo. quando o objeto do negócio é ilícito. depósito ou alimentos. como ocorre com a grande maioria dos títulos de crédito. identi­ ficando-o com o próprio contrato ou com o objeto. 373 também há referência à causa: “A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. que. 4:30). III . “perante o direito positivo pátrio. Para determinadas relações jurídicas. da cártula. II. como faz Washington de Barros M onteiro (1979. . existe abstração da causa. 166. por exem­ plo. o fim que leva o agente a contratar caracteriza-se pela ilicitude. de acordo com o art. não se justifica a inclusão da causa entre os elementos componentes da relação obrigacional Pela nossa lei. decorrendo daí a nulidade do ato.se uma se originar de comodato. Pode ter havido causa. que a causa é objetiva e inalterável em todos os negócios semelhantes. Assim. mas com o título esta deixa de ser relevante. portanto. Enfatizamos. a noção de causa desliga-se totalmente da noção de motivo.” Ao que tudo indica. A força vinculatória emerge do próprio documento. porque ela se dispersa entre os demais extremos da relação”.

no Direito comparado. Também as várias soluções legislati­ vas. deixando a obri­ gação de ser cumprida. As obrigações naturais são obrigações incompletas. coercitivamente. que possuem todos os seus elementos constitutivos. são ditas perfeitas ou obrigações civis.1 Introdução Ao estudarmos a estrutura da obrigação. se forem cumpridas espontaneamente. que aqui passamos a focalizar. soluti retentio). Assim. que não poderá ser repetido (há a retenção do pagamento. . Des­ tarte.Obrigações Naturais 3. surgirá a garantia do patrimônio para o cumprimento. usar dos meios necessários para que seja cumprida por meio dos instrumentos postos a sua disposição pelo Estado. contribuem para muitas dificuldades. isto é. a responsabilidade funciona apenas espiritualmente. Não cumprida desse modo. Esse vínculo bipartido deve estar presente na maioria esmagadora das obrigações. para se contrapor às obrigações naturais. como conseqüência da exigibilidade. Essas obrigações. a obrigação já traz em si a possibilidade de o credor. será tido por válido o pagamento. mas. a pressão psíquica materializa-se na execução. e para isto foi criada. e é daqueles que os autores longe estão de conclusão unânime. Se a obrigação for cumprida espontaneamente. sublimado o débito. ressalta-se a responsabilidade. O tema é dos mais ricos e discutidos na ciência jurídica. vimos que ela se apresenta sob dois aspectos: débito e responsabilidade. como pressão psíquica sobre o devedor. Apresentam como ca­ racterísticas essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis.

26

D ire ito Civil • V enosa

Embora inspirada na Moral, a obrigação natural não se reduz a uma obri­
gação moral. A obrigação moral é mero dever de consciência, o Direito não lhe
reconhece qualquer prerrogativa.
Cumpre-se a obrigação moral apenas com a impulsão de um estímulo psí­
quico, interno do agente, embora, por vezes, pressionado por injunções da socie­
dade. O cumprimento de uma obrigação moral constitui, sob o prisma jurídico,
uma simples questão de princípios, sem qualquer juridicidade. A reprimenda,
pelo descumprimento de obrigação desse teor, será somente social, como no caso
de nos recusarmos a retribuir um cumprimento, de não tirarmos o chapéu ao
entrarmos em templo religioso, de não fazermos oferenda aos pobres etc. Mas
não devemos entender que a obrigação natural seja mera obrigação social. A
obrigação natural possui juridicidade limitada, mas situa-se no campo do Direito.
Embora o dever moral não constitua um vínculo jurídico, é evidente que os
princípios da Moral, em grande maioria, inspiram e instruem as normas jurídicas.
Desse modo, é inegável que não podemos deixar de divisar nas obrigações natu­
rais relações jurídicas que, com liberdade de expressão, se situam a meio caminho
entre o Direito e a Moral. É como se o legislador titubeasse, perante determinadas
situações, preferindo não outorgar a elas as prerrogativas absolutas de Direito,
não quisesse deixar essas mesmas relações ao total desamparo da lei. A situação
mostra-se bastante clara nas dívidas de jo go ou aposta, nas quais o legislador
eleva-as à categoria de contrato (arts. 814 a 817), mas impõe-lhes o estado de
obrigações naturais. Embora não seja essa uma tentativa de fixar-lhes a natureza
jurídica, ela fixa, sem dúvida, um rumo para melhor compreensão da matéria,
tanto aqui como nos demais temas versados; tendo em vista o objetivo desta obra,
evitamos desfilar toda uma série de opiniões doutrinárias a esse respeito.
A opinião ora exposta coincide com a do douto Serpa Lopes (1966, v. 2:46):
“A obrigação natural, tenha ela uma causa lícita ou ilícita, baseia-se nas
exigências de regra m oral Apesar de o direito positivo ter legitimado uma
determinada situação em benefício do devedor, este pode, a despeito disso,
encontrar-se em conflito com a sua própria consciência, e nada obsta a que,
desprezando a mercê recebida da lei, realize a prestação a que se sente m o­
ralmente obrigado. Assim acontece, p or exemplo, se o indivíduo é liberado do
débito pela prescrição do respectivo título creditório, ou se é beneficiado com
a fulminação de nulidade do negócio jurídico de que seria devedor, se válido
fosse. Além disso, a realização de uma obrigação natural constitui um ato
intimamente ligado à vontade do devedor. E movimento partido do seu p ró­
prio ‘eu’, livre manifestação de sua consciência, embora exigindo igualmente
a vontade menos necessária do accipiens.” 1

1 “Direito civil e processual civil - Ação monitória - Cheques prescritos - Autonomia - Paga­
mento de dívida de jo g o contraída no Uruguai, país onde a exploração de jogos é permitida
- Cobrança lícita - Não se pode recobrar o que voluntariamente se pagou - Art. 1.477 CC/1916 -

O b rig a ç õ e s N a tu ra is

27

A distinção da obrigação natural, em relação à obrigação civil, reside no
aspecto de que, embora desprovida de poder coativo, se o devedor esponta­
neamente a cumpre, o pagamento considera-se legal e, por essa razão, não se
concede ação no caso de se pretender recobrar o que foi pago. Por isso, dizemos
que se trata de uma obrigação imperfeita.

3.2 Direito Romano
A questão da obrigação natural no Direito Romano permanece confusa. O que
sabemos, com certeza, é que, existindo a obrigação, assim como todos os direitos
relativos ao direito de ação, a obrigação natural não era protegida pela actio.
As obrigações naturais, que não eram simples deveres morais, eram fundadas
na equidade. Existe um vínculo entre devedor e credor, mas um vínculo para o
qual o Direito civil não concedia sanção para obrigar o pagamento. Era o chama­
do vinculum aequitas e não um vínculo de Direito (cf. Petit, s.d.:658).
Se as obrigações naturais, porém, não oferecem ação para o credor, produ­
zem certos efeitos. Na verdade, os textos não especificam quais os efeitos das
obrigações naturais. Note que, a princípio, o Direito Romano apenas conheceu
obrigações civis: por influência de ideias filosóficas é que se atenuou o rigor do
vínculo, chegando-se à noção de obrigação natural.
Sentença de rejeição dos embargos confirmada - Apelação improvida - 1 - A dívida foi contraída
em um cassino na República Oriental do Uruguai, onde o tipo de jogo praticado pelo apelante é
permitido por lei; 2 - 0 apelante emitiu os cheques, ordem de pagamento à vista, voluntariamente.
Assim que não pode recobrar o que desta forma pagou, nos termos do art. 1.477 do CC/16 (art. 814
do CC/2002); 3 - Sentença confirmada; 4 - Apelação conhecida, mas improvida” (TJCE - Acórdão
0642847-26.2000.8.06.0001, 27-4-2012, Rei. Francisco Lincoln Araújo e Silva).
“Apelação - Ação monitória - Impossibilidade jurídica do pedido - A cobrança de dívida
de jogo é proibida conforme disposto no caput do art. 814, do CC. Ademais, uma vez revoga­
da a permissão de funcionamento de bingos (Medida Provisória n° 168/2004), tem-se que a ex­
ploração da atividade configura contravenção penal, nos termos do artigo 50, do Decreto-lei n°
3.688/41. Recurso protelatório. Pena de litigância de má-fé. Recurso improvido” (TJSP - Ap. Cível
991.07.059732-5, 9-5-2011,19* Câmara - Rei. Mauro Conti Machado).
“Apelação cível - Ação monitória - Cheques prescritos - Emissão decorrente de dívida de
jogo e agiotagem - Julgamento antecipado da lide - Litígio com fatos controversos - Necessidade
de instrução processual - Sentença anulada de ofício” (TJSC - Acórdão 2007.054217-6,22-7-2011,
2* Câmara - Rei. Des. João Batista Góes Ulysséa).
“Cambial - Duplicata mercantil - Revisão e troca de peças em veículo - Defeito existente
no período de garantia e não solucionado - Fato incontroverso - Execução posterior, sem prévia
anuência do consumidor, na expectativa de aprovação da garantia pela montadora - Negativa Obrigação cambial inexigível - Ação principal e cautelar - Procedência - Encargo da sucumbênda
cumulativo - Recurso não provido” (TJSP - Ap. Cível 7.124.778-4, 18-3-2008, 22* Câmara de Di­
reito Privado - Rei. Matheus Fontes).

28

D ire ito Civil • V enosa

Desde as origens até o presente, a obrigação natural liga-se à noção de execu­
ção voluntária, ou seja, essa obrigação pode ser objeto de um pagamento válido.
O devedor não pode, porém, ser forçado a pagar.
Acentue-se, também, que a obrigação natural tinha o mesmo fundamento da
obrigação civil. Idênticos fatos davam nascimento ora à obrigação natural, ora à
obrigação civil e, em muitos casos, uma obrigação civil degenerava em obrigação
natural, desde que para ela faltasse a ação. Distinguiam-se, então, duas classes de
obrigações naturais: as que nunca tiveram o direito de ação e as que perderam a
ação que detinham anteriormente (cf. Cuq, 1928:369).
Entre os fatos que impediam o nascimento do direito de ação, colocava-se a
incapacidade do devedor. O filho da família de escravo geralmente contraía obri­
gações naturais. Ocorria o mesmo se entre devedor e credor houvesse uma rela­
ção de pátrio poder: nenhuma ação era possível entre uma pessoa que estivesse
sob o poder de outra, que estivessem ambas sob o poder do mesmo paterfamilias.
Para as pessoas atingidas pela capitis deminutio (tema já estudado em Direito
civil: parte geral), as obrigações perdiam a actio, tomando-se obrigações naturais.
O fato é que a categoria de obrigações naturais conseguiu atravessar os sécu­
los e chegar, até nossos dias, à grande maioria das legislações modernas, com seu
principal efeito, que é a retenção do pagamento ( soluti retentio).

3.3 Obrigações Naturais no Direito Brasileiro
Nossa lei não apresenta, como fazem outras legislações, disciplina particu­
lar das obrigações naturais. A legislação é quase inteiramente omissa quanto ao
regime dessa classe de obrigação, o que transporta para a doutrina a missão de
fixar seus parâmetros.
Primeira dúvida que poderia assomar a nosso espírito é se a irrepetibilidade
da prestação só opera quando o solvens tenha pago sem erro sobre tal incoercibilidade, ou se, por outro lado, o princípio da obrigação natural só é aplicado
quando o devedor cumpre espontaneamente a obrigação. Em outras palavras, po­
deria o solvens repetir o que pagou se o fez não sabendo que estava pagando uma
obrigação natural? A resposta era fornecida pelo art. 970, do Código de 1916, in­
serido na disciplina do pagamento indevido, que peremptoriamente repelia repe­
tição, disciplinando a situação diferentemente do que faz o mesmo ordenamento
jurídico no que toca ao pagamento indevido em geral. O atual Código substitui a
terminologia obrigação natural por “obrigação juridicamente inexigível” (art. 882).
A discussão, vinda desde o Direito Romano, de saber se a dívida prescrita é
dívida natural, fez com que o legislador a equiparasse expressamente no citado
art. 882: “não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita ou cum­

O b rig a ç õ e s N a tu ra is

29

p rir obrigação judicialmente inexigível”.2 Note que o art. 970 do antigo diploma
referia-se expressamente à obrigação natural, enquanto o atual substitui essa ex­
pressão por “obrigação judicialmente inexigível” . Sem dúvida alguma, todas as
características da dívida prescrita são de uma obrigação natural. E, assim, dentro
da conceituação do presente diploma, entende-se que a obrigação natural é juri­
dicamente inexigível.
Como a lei não minudencia os casos de obrigação natural, pinçam-se alguns
casos na própria lei e outros que a doutrina descreve.
Estatui o art. 883: “não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa
para obter fim ilícito, imoral ou proibido p o r lei”. Trata-se da aplicação do princí­
pio de que ninguém pode valer-se da própria torpeza (nemo propriam turpitudinem allegans). É forma de sanção para os que violam a ordem pública e os bons
costumes, com todos os requisitos da obrigação natural.
A hipótese mais marcantemente lembrada é de dívida de jogo, a qual não
obriga o pagamento, mas, uma vez efetuado, não pode o solvens recobrar o que
voluntariamente foi pago, a não ser, por exceção, no caso de dolo, ou se o preju­
dicado for menor ou interdito. Neste sentido, o art. 814 do CC:
“As dívidas de jogo, ou aposta, não obrigam o pagamento; mas não se
pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se fo i ganha
p or dolo, ou se o perdente é menor, ou interdito.”*
2 “Apelação cível. Promessa de compra e venda. Ação de cobrança c/c indenização por danos
morais. IPTU. Ressarcimento. Descabimento. Dívida prescrita. Obrigação natural. Inviável acolher
pleito de ressarcimento de imposto pago pelos autores, cuja responsabilidade era da ré, na medida
em que essa dívida foi paga depois de operada a prescrição. A dívida prescrita, por se constituir
em obrigação natural, é inexigível, não havendo, por isso, direito de ressarcimento por seu paga­
mento indevido, ainda que inequívoca a responsabilidade do real devedor. Inteligência do art. 882
do Código Civil. Danos morais. Inscrição do nome dos promitentes compradores em dívida ativa.
Culpa da promitente vendedora evidenciada. Dever de indenizar configurado. Evidenciado que
o nome dos autores foi inscrito indevidamente em dívida ativa por débito tributário que deveria
ter sido solvido pela ré, quando ainda não prescrita a dívida, a qual descumpriu com a obrigação
contratual de quitar todos os impostos pendentes sobre o imóvel prometido vender, impositivo
reconhecer o dever de indenizar. Abalo moral sobejamente demonstrado pela prova carreada. Re­
curso parcialmente provido. Unânime” ( TJRS - Acórdão Apelação Cível 70018695411, 5-4-2010,
Rei. Des. Pedro Celso Dal Prá).
3 “Cambial - Cheque - Dívida de jogo - Anulação - Necessidade - Simples entrega do título que
não implica verdadeiro pagamento, de modo a se enquadrar na exceção prevista na segunda parte
do caput do art. 814 do Código Civil, uma vez que a dívida só é extinta com o efetivo recebimento
da correspondente importância em dinheiro - Hipótese em que, estando comprovada a ciência da
endossatária (empresa defactoring) sobre a mácula no negócio jurídico que deu origem à emissão
do cheque, as exceções pessoais do devedor passaram a ser oponíveis a ela, portadora - Preliminar
rejeitada e recurso provido para julgar procedente a ação e improcedente a reconvenção, sendo
anulados os cheques em questão e cancelados os seus respectivos protestos” ( TJSP - Ap. Cível
7.290.098-8, 6-11-2008, 11* Câmara de Direito Privado - Rei. Gilberto dos Santos).

30

D ire ito Civil • V enosa

O jo g o e a aposta são contratos aleatórios e a lei não lhes confere exigibili­
dade em razão de serem, em princípio, moralmente condenáveis. Ambos os con­
tratos têm a mesma natureza. O jo g o é o pacto pelo qual duas ou mais pessoas se
comprometem a pagar determinada quantia àquela que for vencedora na prática
de determinado ato. A aposta é o pacto entre duas ou mais pessoas, com diferente
opinião sobre um assunto, que concordam em perder certa importância em favor
daquela cuja opinião se mostrar verdadeira.
O jo go pode ser considerado lícito ou ilícito. O jogo ilícito é o proibido, no
qual o ganho ou perda dependem exclusivamente da sorte (Lei das Contraven­
ções Penais, art. 50, § 3Q, A ). Os jogos lícitos são aqueles em que entram a destre­
za ou a habilidade física, como os esportes, ou o intelecto, como o xadrez.
Para os fins de se constituir em obrigação natural, pouco importa que o
jo g o seja lícito ou ilícito, nos termos do art. 814. No entanto, temos de fazer
uma importante ressalva: há jogos que são regulamentados ou autorizados pelo
próprio Estado, como as loterias oficiais, o jo g o semanal da loto e da loteria
esportiva, as apostas de turfe, nos locais apropriados. Assim, distinguimos jogos
proibidos, tolerados e autorizados. Estes últimos, que sofrem a regulamentação
oficial, não se encontram sob a égide do art. 814: se o próprio Estado regula
a atividade, cria uma obrigação civil, com toda a exigibilidade. Assim, é exercitável o direito de ação para cobrar dívida desse nível. Por isso, já se decidiu
que dívida oriunda de aposta realizada em hipódromo regular é juridicamente
exigível (RT 488/126). Atendendo a essa distinção, como afirmado nas edições
anteriores deste nosso trabalho, o presente Código é expresso a esse respeito.
Após especificar no art. 814 que as dívidas de jo g o ou de aposta não obrigam o
§ 2°, veio traduzir o que a doutrina sempre afirmara:4
“O preceito contido nesse artigo tem aplicação, ainda que se trate de jogo
não proibido, só se excetuando os jogos e apostas legalmente permitidos.”
Ainda, a nova disposição acerca da irrepetibilidade das dívidas de jo go se apli­
ca às obrigações indiretas dele resultantes, pois o § 1Qdo art. 814 enfatiza que as
4 “Apelação cível. Ação monitória. Cheques emitidos para o pagamento de dívida de jogo de
bingo. Inexigibilidade da obrigação. Art. 814, caput, e § 2° do CC/02. Extinção do processo. Art.
267, VI, do codex instrumentalis. Recurso provido” ( TJSC - Acórdão Apelação Cível 2008.034948-7,
7-8-2008, Rei. Des. Ricardo Fontes).
“Embargos do devedor - Execução - Notas promissórias - Dívida de jogo contraída no exte­
rior - Art. 9o da Lei de introdução ao Código Civil - Aplicabilidade - Homologação do STF - Des­
necessidade - \folor em moeda estrangeira - Possibilidade. A dívida oriunda de jogo tem natureza
obrigacional e, para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituí­
rem (art. 9o da Lei de Introdução ao Código Civil). Não dependem de homologação pelo Supremo
Tribunal Federal, para serem executados, os títulos executivos extrajudiciais, oriundos de país es­
trangeiro (Art. 585, § 2®, do CPC). É legítimo o título que estipula pagamento em moeda estrangei­
ra, desde que o pagamento se efetive pela conversão em moeda nacional. Precedentes STJ. Recurso
provido” (TJMG - Acórdão Apelação Cível 1.0145.04.187973-8/001, 27-3-2007, Rei. Des. Roberto
Borges de Oliveira).

O b rig a ç õ e s N a tu ra is

31

dívidas de jo go ou aposta não obrigam o pagamento, mesmo que se trate de “con­
trato que encubra ou envolva reconhecimento, novação ou fiança de dívida de jogo;
mas a nulidade resultante não pode ser oposta ao terceiro de boa-fé”. Portanto, uma
vez desvendada a real finalidade do negócio, se for com fulcro em jo go ou aposta,
sua conceituação será também de obrigação natural.
O § 3Qdesse dispositivo do vigente Código excetua o preceito da irrepetibilidade quanto a prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição
esportiva, intelectual ou artística. Da matéria referente ao contrato de jo g o ou
aposta nos ocupamos mais detidamente no capítulo respectivo, ao tratarmos dos
contratos em espécie.
O reembolso do empréstimo feito para o jo go ou aposta, no ato de apostar,
também não é exigível (art. 815).5 A expressão contida na lei uno ato de apostar”
restringe bastante o alcance do dispositivo. O exame de cada caso concreto, no
entanto, dará a verdadeira orientação. O ato de apostar deve ser entendido como
aquele praticado no calor ou no ânimo do jogo ou da aposta, quando os freios
psicológicos se mostram mais distendidos.
No mesmo regime, encontrava-se o disposto no art. 1.263 do Código de 1916,
no tocante ao pagamento de juros não estipulados: "o mutuário, que pagar juros
não estipulados, não os poderá reaver, nem imputar no capital”. Igualmente, o Có­
digo Comercial, no art. 251, assim estatuía: “o devedor que paga juros não estipu­
lados não pode repeti-los, salvo excedendo a taxa da lei; e neste caso só pode repetir
o excesso, ou imputá-lo no capital” . Em ambas as situações, a obrigação de pagar
juros não convencionada era inexigível, mas, se fosse cumprida, tal pagamento
s “Recurso especial - Dívidas de jogo - Contrato de empréstimo firmado entre apostador e banca
(Jockey Club de São Paulo) - Formação de título executivo extrajudicial - Nulidade da execução
- Não ocorrência - Apostas em corridas de cavalo - Modalidade de jogo lícito, regulado por leis
específicas - Inaplicabilidade, na espécie, das disposições do Código Civil - Apostas em cavalos
realizadas por meio de contato telefônico entre apostador e banca de apostas - Não vedação de tal
conduta pelos diplomas legais que regulam essa modalidade de jogo - Validade da execução - Pre­
valência do princípio da autonomia da vontade - Aferição, pelas instâncias ordinárias, da regula­
ridade no procedimento das apostas - Revolvimento do conjunto fático-probatório - Inviabilidade
desta instância recursal - Óbice do enunciado n° 7 da Súmula/STJ - Recurso especial improvido.
I - A aposta em corrida de cavalos é atividade expressamente regulamentada pela Lei n° 7.291/84
e pelo Decreto n° 96.993/88, não incidindo, pois, as vedações contidas no Código Civil a esse tipo
de jogo; II - Embora os referidos diplomas legais prevejam a realização de apostas em dinheiro e
nas dependências do hipódromo, em nenhum momento eles proíbem a realização delas por tele­
fone e mediante o empréstimo de dinheiro da banca exploradora ao apostador; III - Entender pela
abusividade de tal prática levaria ao enriquecimento ilícito do apostador e feriria ao princípio da
autonomia da vontade, que permeia as relações de Direito Privado, onde, ao contrário do Direito
Público, é possível fazer tudo aquilo que a lei não proíbe; IV - In casu, as instâncias ordinárias manifestaram-se no sentido da regularidade do procedimento das apostas promovidas pelo recorrente,
sendo que o revolvimento de tais premissas implicaria o reexame do conjunto fático-probatório, o
que é inviável na presente via recursal, em face do óbice do Enunciado nc 7 da Súmula/STJ; V Recurso especial improvido” (STJ - Acórdão Recurso Especial 1.070.316 - SP, 9-3-2010, Rei. Min.
Nancy Andrighi).

32

Direito Civil • Venosa

poderia ser validamente retido. O atual Código, buscando evitar o enriquecimen­
to injustificado, alterou essa óptica dispondo diferentemente: “Destinando-se o
mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos os juros, os quais, sob pena de redu­
ção, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização
anual” (art. 591). Destarte, apenas nos empréstimos sem fins econômicos o pa­
gamento voluntário de juros não convencionados constituirá obrigação natural.
Voltaremos ao assunto ao estudar o mútuo.
Da mesma forma, não se permitirá a repetição em mútuo feito a pessoa me­
nor que não tenha autorização de seu responsável (art. 588).
Essa regra guarda as exceções do artigo subsequente no diploma de 1916,
que dispunha:
“Art. 1.260. Cessa a disposição do artigo antecedente:
I - se a pessoa de cuja autorização necessitava o mutuário, para con­
trair o empréstimo, o ratificar posteriormente;
I I - s e o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o
empréstimo para os seus alimentos habituais;
III - s e o menor tiver bens da classe indicada no art. 391, II. Mas, em tal
caso, a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças.”
O presente Código, além de alterar a redação do inciso III, acrescenta outros
dois ao art. 589, que assim dispõe:
“I I I - s e o menor tiver bens ganhos com seu trabalho, caso em que a exe­
cução do credor não lhe poderá ultrapassar as forças;
I V - s e o empréstimo reverteu em beneficio do menor;
V - se o menor obteve empréstimo maliciosamente. ”
Em todas essas disposições, mormente nessas acrescidas pelo presente diplo­
ma, demonstra-se a preocupação de se evitar o injusto enriquecimento.
Como são essas as situações de obrigação natural expostas na lei, é importan­
te fixar se o conceito e suas conseqüências jurídicas podem ser estendidos para
casos não expressamente descritos pelo ordenamento, constituindo-se, então,
uma figura de caráter geral.
Antunes Varella (1977, v. 1:286) entende que a melhor orientação é a que
amplia as situações de dívida natural, com fundamento no art. 4Qda atual Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro, Lei nQ 12.376, de 30-12-2010, que
reconhece a analogia como fonte integradora das lacunas do sistema. E conclui,
sob o fundamento da natureza idêntica de cunho moral das dívidas de jogo, pres­
critas e as demais já enunciadas, que existem deveres de natureza semelhante, e
cita a título exemplificado: “a prescrição de alimentos à concubina; o pagamento da
parte residual do crédito, após a celebração da concordata”, entre outros.

O b rig a ç õ e s N a tu ra is

33

É possível completar o pensamento do autor, afirmando que são obrigações
naturais não apenas as dispostas na lei, mas todas as obrigações em que, por
motivos de equidade, não se permita a repetição do que foi pago. Assim, a lógica
jurídica pode estender a situação a casos semelhantes.
Seguindo essa ordem de pensamento, Maria Helena Diniz (1983, v. 2:66)
lembra de dois casos interessantes: gorjetas a empregados de restaurantes, hotéis
etc. e a concessão de comissão amigável a intermediários ocasionais, em negócios
imobiliários. Neste último caso, não sendo os beneficiários corretores profissio­
nais, não há nada que obrigue a remuneração por sua mediação. Em ambas as
situações, se o pagamento, porém, foi feito, não há direito à repetição. Entende
a autora que tais casos de obrigação natural foram criados pelos costumes, outra
fonte de Direito, no que tem razão.
Não se pode esquecer, no entanto, que a regra geral é a existência de obriga­
ções civis; as obrigações naturais devem ser vistas como exceção ao sistema, sob
pena de generalizar-se um instituto que tem, na realidade, pequeno alcance nos
casos concretos.

3.4 Natureza Jurídica das Obrigações Naturais
A noção de obrigação natural permanece obscura e pouco precisa, justamen­
te porque ela não está situada inteiramente no campo jurídico, mas em grande
parte coloca-se no domínio moral (cf. Ripert, 1949:363). A obrigação natural é,
em princípio, um dever moral, mas que ganha proteção jurídica, ainda que in­
completa. É exatamente aí que deve residir sua definição jurídica.
É claro que a compreensão romana de obrigação natural, modernamente,
mostra-se insuficiente. Como já foi visto, para os romanos a obrigação natural era
fundamentalmente uma obrigação civil que não tinha o direito de ação. Como
nosso Código Civil de 1916, porém, afirmava que “a todo o direito corresponde
uma ação, que o assegura” (art. 75), a noção histórica, simplesmente, não satisfaz.
Também não pode o instituto ser caracterizado como obrigação exclusiva­
mente moral, já que o Direito outorga-lhe efeitos.
Assim, tudo nos leva a concluir por um meio caminho entre a obrigação jurí­
dica e a obrigação moral.
Note, no entanto, que a juridicidade da obrigação natural só surge no mo­
mento de seu cumprimento. Antes do cumprimento, a obrigação natural encon­
tra-se dormente, como mero dever moral. No momento de ápice, que é o cumpri­
mento, é que se ressalta a face jurídica da obrigação.
Portanto, paradoxalmente, é no momento da extinção da obrigação que des­
ponta seu caráter jurídico. Reside aí, justamente, a maior dificuldade para a ex­
plicação da natureza dessa singular forma de obrigação.

34

Direito Civil • Venosa

A propósito, e seguindo esse raciocínio, Antunes Varella (1977, v. 1:293)
qualifica as obrigações naturais como “deveres morais ou sociais juridicamente
relevantes”.
A celeuma em tom o da obrigação natural deve-se, em parte, à lacunosa dis­
ciplina legislativa. Como vimos, são poucos os dispositivos no direito brasileiro
que a ela se referem. O Projeto do Código Civil de 1975, na redação originária,
que eqüivale ao atual art. 882, mencionava: “Não se pode repetir o que se pagou
para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação natural. ” De certa forma, esse
dispositivo, ao ressaltar a falta de ação para a obrigação natural, alargava seu al­
cance, pois obrigações que até aqui se mostravam duvidosas em sua conceituação
poderiam ser tidas como naturais, tais como as decorrentes de contratos nulos.
Na redação reformulada do Código de 2002, com a matéria redigida no art. 882,
o legislador preferiu substituir, no texto, “obrigação natural” por “obrigação ju r i­
dicamente inexigível”, ficando mais uma vez em aberto o tema para a doutrina e
jurisprudência. Melhor andou o Código Civil português, que no art. 402 define a
obrigação natural:
“a obrigação diz-se natural, quando se funda num mero dever de ordem mo­
ral ou social cujo cumprimento não é judicialmente exigível, mas corresponde
a um dever de justiça”.
O atual Código lusitano coloca a obrigação natural como uma categoria geral,
pondo paradeiro à controvérsia a respeito do direito anterior, que, a exemplo de
nosso direito vigente, dava margem à discussão se as obrigações naturais tinham
essa amplitude, ou só eram admitidas em determinados casos (cf. Telles, 1982:41).
Como se percebe, a legislação lusa coloca a conceituação da obrigação natu­
ral como um dever moral ou social, mas com efeitos jurídicos. Há de ser conside­
rada tal postura como a mais aceitável, de tantas que até hoje foram feitas.
Nessa linha de raciocínio, como já enfatizamos, pela lógica do sistema, te­
mos de admitir também entre nós a obrigação natural como uma figura geral,
presente onde quer que o dever moral se materialize juridicamente sob a forma
do cumprimento. Cabe ao magistrado, na análise do caso concreto, determinar o
contorno jurídico da obrigação natural.

3.5 Efeitos da Obrigação Natural
O devedor natural não pode ser compelido a executar a obrigação, mas, se a
realiza espontaneamente, seu ato é irretratável e opera pagamento válido. O paga­
mento aí não se trata de mera liberalidade, é pagamento verdadeiro e não doação.
Destarte, dois são os efeitos fundamentais da obrigação natural, sobre os
quais não existem dúvidas: não podemos pedir a restituição da prestação ( soluti
retentio), e a prestação efetuada vale como verdadeiro cumprimento; por outro
lado, não existe ação para compelir o devedor a efetuar o cumprimento.

O b rig a ç õ e s N a tu ra is

35

Todos os demais efeitos enunciados pelos autores comportam crítica e são
decorrência desses efeitos principais.
A lei civil estatui, no art. 814, ao tratar do jo go e da aposta, que, para haver
irrevogabilidade do pagamento, é necessário que a prestação espontânea seja
efetuada sem qualquer coação e que tenha sido feita por pessoa capaz. Esse pre­
ceito pode ser aplicado a qualquer obrigação natural.
Doutro lado, tendo havido pagamento parcial da obrigação natural, tal não a
tom a exigível pelo saldo: o pagamento parcial não tem o condão de transformar
em civil a obrigação natural.
Quanto à novação, há autores que a admitem na obrigação natural. Propendemos por admiti-la, uma vez que a novação é forma de extinção de obrigação e,
sendo espontânea, nada impede que outra obrigação seja criada, substituindo a
obrigação natural. A falta de exigibilidade da obrigação natural não é obstáculo
para a novação. Já foi dito que a obrigação natural ganha seu substrato jurídico
no momento de seu cumprimento. Ora, os contratos estão no âmbito da autono­
mia da vontade. Se as partes concordam em novar uma dívida natural por outra
civil, não há por que obstar seu desejo pacta sunt servanda. Nossa opinião, porém,
é discutível. Voltaremos ao assunto ao tratarmos da novação no Capítulo 10.
Por outro lado, sem praticamente dissensões, entendemos que a obrigação
natural não pode ser objeto de compensação, porque o instituto requer que as
dívidas compensadas sejam vencidas e exigíveis (art. 369). Não comportam f lan­
ça, já que esta exige um débito principal que seja obrigação civil, sendo também
contrato acessório, que deve seguir o destino do contrato principal. Da mesma
forma, não podemos constituir penhor, ou outro direito real sobre a dívida natu­
ral, pois essas garantias pressupõem possibilidade de exercitar a execução para a
cobrança, que não existe no instituto ora tratado (cf. Monteiro, 1979, v. 4:223).
Cumpre encerrar este capítulo com a judiciosa observação de Washington
de Barros Monteiro (1979, v. 4:226) acerca da pouca frequência com que hoje
se aplica a teoria da obrigação natural e da conseqüente diminuta repercussão
jurisprudencial, tão raras são as decisões sobre a matéria.
“Não é difícil identificar a causa dessa raridade”, aduz o autor. “Numa
época em que a noção do prazo tende a desaparecer, substituída pelo espírito
da moratória e pela esperança da revisão; em que o devedor conhece a arte de
não pagar as dívidas e em que aquele que paga com exatidão no dia devido
não passa de um ingênuo, que não tem direito a nada; em que as leis se en­
chem de piedade pelos devedores e em que as vias judiciárias se mostram im ­
prescindíveis como injunção ao devedor civil, aparece como verdadeiro ana­
cronismo a obrigação natural, suscetível de pagamento voluntário, apesar de
desprovida de ação.”
Embora estas palavras do saudoso mestre tenham sido redigidas há algum
tempo, nunca se mostraram tão atuais.

Obrigações Reais (Propter Rem )
e Figuras Afins

4.1 Obrigações Reais (Propter Rem)
Quando fizemos a distinção entre direitos reais e direitos obrigacionais, referimo-nos ao fato de que não se trata de compartimentos estanques, pois o uni­
verso jurídico é um só, e de que, constantemente, essas duas categorias jurídicas
relacionam-se.
Nesse diapasão, existem situações nas quais o proprietário é por vezes sujeito
de obrigações apenas porque é proprietário (ou possuidor) e qualquer pessoa que
o suceda na posição de proprietário ou possuidor assumirá tal obrigação. Con­
tudo, o proprietário poderá liberar-se da obrigação se se despir da condição de
proprietário ou possuidor, abandonando a coisa que lhe pertence, renunciando à
propriedade ou abrindo mão da posse. Em primeiro e apressado enfoque, aí está
delineada a obrigação real ou propter rem.
Embora não seja explicação totalmente técnica, para uma compreensão ini­
cial pode-se afirmar que a obrigação real fica a meio caminho entre o direito
real e o direito obrigacional. Assim, as obrigações reais ou propter rem, também
conhecidas como ob rem, são as que estão a cargo de um sujeito, à medida que
este é proprietário de uma coisa, ou titular de um direito real de uso e gozo dela.
Desse modo, a pessoa do devedor, nesse tipo de obrigação, poderá variar,
de acordo com a relação de propriedade ou de posse existente entre o sujeito e
determinada coisa.

38

D ire ito Civil • V enosa

A terminologia bem explica o conteúdo dessa obrigação: propter, como pre­
posição, quer dizer “em razão de”, “em vista de”. A preposição ob significa “diante
de”, “p or causa de”. Trata-se, pois, de uma obrigação relacionada com a coisa.
Tendo em vista que a obrigação propter rem apresenta-se sempre vinculada a
um direito real, como acessório, sua natureza pode ser considerada mista. Nessa
espécie deveras singular de obrigação, a pessoa do devedor pode variar, na depen­
dência da relação da propriedade ou da posse que venha a existir entre o sujeito e
determinada coisa. Daí a definição de Paulo Carneiro Maia (1980, v. 55:360):
“tipo de obrigação ambulatória, a cargo de uma pessoa, em função e na me­
dida de proprietário de uma coisa ou titular de um direito real de uso e gozo
sobre a mesma”.
Essas obrigações são encontráveis com bastante frequência. Podem ser citadas
como exemplo: a obrigação do condômino em concorrer, na proporção de sua par­
te, para as despesas de conservação ou divisão da coisa (art. 1.315); a obrigação
de o proprietário confinante proceder, com o proprietário limítrofe, à demarcação
entre os dois prédios, aviventar rumos apagados e renovar marcos destruídos ou
arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas
despesas (art. 1.297, caput); a obrigação de cunho negativo de proibição, na ser­
vidão, do dono do prédio serviente em embaraçar o uso legítimo da servidão (art.
1.383). Como acentua Antônio Chaves (1973, v. 1:223), as obrigações propter
rem podem decorrer da comunhão ou copropriedade, do direito de vizinhança, do
usufruto, da servidão e da posse.
Em todos os exemplos, algumas conseqüências são constantes, como lembra
Sílvio Rodrigues (1981a, v. 2:107): o devedor está ligado ao vínculo não em ra­
zão de sua vontade, mas em decorrência de sua particular situação em relação
a um bem, do qual é proprietário ou possuidor, bem como o abandono da coisa,
por parte do devedor, libera a dívida, porque nesta hipótese o devedor despe-se da condição de proprietário ou possuidor. Outra característica importante é
que a obrigação propter rem contraria a categoria regular de obrigações. Nestas,
os sucessores a título particular não substituem o sucedido em seu passivo. Nas
obrigações aqui tratadas, por exceção, o sucessor a título singular assume auto­
maticamente as obrigações do sucedido, ainda que não saiba de sua existência.
Assim, quem adquire um apartamento, por exemplo, ficará responsável pelas
despesas de condomínio do antigo proprietário. Não resta dúvida de que caberá
ação regressiva do novo adquirente contra o antigo proprietário, mas, perante o
condomínio, responderá sempre o atual proprietário. A obrigação, nesses casos,
acompanha a coisa, vinculando o dono, seja ele quem for.1

1 “Agravo regimental - Ação de cobrança - Cotas condominiais - Obrigação propter rem - De­
cisão agravada - Manutenção - 1 - O adquirente de imóvel em condomínio responde pelas cotas
condominiais em atraso, por se tratar de obrigação propter rem, ainda que anteriores à aquisição,

aderem à coisa.4a Tbrma . a conclusão é de que.Arrematante/adjudicante . Cerceamento de defesa e sentença extra petita.O brigações Reais ( Propter Rem) e Figuras Afins 39 Por tudo isso. Honorários advocatídos. deságua-se. 115/27). eis ser desnecessário para tal cobrança à constituição em mora. “Civil e processual civil.’ 4 . independentemente de declaração expressa do autor.Ação de cobrança . bem como ao pagamento dos valores objeto do acordo judicialmente homologado à fls.51. Taxas condominiais. mormente diante do material probatório colacionado. é em si mesmo uma contradição.8aTlirma . realmente. Sentença pardalmente re­ formada.Tendo em vista a natureza de obrigação propter rem de que se revestem as obrigações con­ dominiais.Pagamento de cotas condominiais atrasadas . uma vez que o Juízo condenou a CEF ao pagamento dos valores constantes das planilhas de fls.Submete-se o condômino a disposição tomada em Assembleia Geral do condomínio no sentido de que novas unidades autônomas. Inteligência do art. caput. a alegação da EMGEA de inexistência de lide.Recursos desprovidos” ( TRF . deixar de pagá-las ou de consigná-las.Legitimidade . vez que a mesma jamais foi constituída em mora com relação aos débitos em questão. Redução. 3 . resultantes de ffacionamento. 5 . Obrigação de natureza propter rem.Noutro feito. 1 .1®-10-2010.Reduz-se a verba honorária se a lide não ostentou maior complexidade de modo a demandar do advogado maior tempo de dedicação na elaboração de peças processuais. posto que o próprio condomínio a incluiu em seus cálculos’.AgRg-REsp 1.250. não merece acolhimento.Acórdão 2007.22-3-2011. a obrigação propter rem é um misto de direito real e direito pessoal. na inegável responsabilidade da ré pelo pagamento das cotas con­ dominiais.Segundo o art. 278. que lhe dá a verdadeira compreensão. ou seja. além da quaestio iuris ser objeto de jurisprudência neste órgão jurisdidonal e nas instâncias superiores.408 . 6 . quando o réu de ação de cobrança. não resultando daí qualquer nulidade. 26-9-2011. Não comparecimento do autor à audiência de conciliação. Angelo Passareli). nos feitos submetidos ao rito sumário. eis que as taxas e contribuições devidas ao condomínio constituem obrigações propter rem. não pode o condômino/cessionário eximir-se de seu pagamento. demonstrado o inadimplemento e comprovada a propriedade do imóvel através do documento de fl. Poul Erik Dyrlund). 4 .01. em tal montante já está incluída a multa. .Predomina na jurisprudência deste egrégio TYibunal de Justiça o entendimento de que o não comparecimento do autor à audiência de conciliação.1 . enquanto durar a obrigação. Preliminares rejeitadas. a qual incorporo à presente. Sidnei Beneti). ficam obrigadas a pagar todas as taxas de administração e taxas extras que foram realizados até aquela data. 182/183. “Civil . momento em que. 2 . 380/382). respondendo aquele que arremata/ adjudica o imóvel até mesmo pelas cotas condominiais em atraso e anteriores à aquisição. do Código de Processo Civil. Rei. o nome que a consagra. por óbvio. a sentença as incluirá na condenação. 5 .000570-9. sendo mais apropriada a denominação latina.Não há de se falar em nulidade. obriga­ ção real. afortiori os juros reclamados. Destarte.(2011/0093161-3). o que deságua na manutenção do decisum. Apelação Cível parcialmente provida” (TJDF Acórdão 451128. ‘Quando a obrigação consistir em prestações periódicas. 2 .Obrigação propter rem .Agravo Regimental improvido” (STJ . poderia aditar oralmente a contestação escrita apresentada. apenas revela o desinteresse em transigir. ressalvado o seu direito de regresso contra o antigo proprietário.Rei. caso entendesse necessário. considerar-se-ão elas incluídas no pedido. correta a fundamentação da douta magistrada a quo nos embargos de declaração (fls. no curso do processo. Min. teve oportunidade de se manifestar acerca de planilha atualizada do débito. ‘Ora. 290 do Código de Processo Civil. 94. sob a alegação de que deveriam ser impostas ao condômino/cedente que lhe antecedeu. .Res­ tando a obrigação pelo pagamento das cotas condominiais alinhada na convenção do condomínio. motivo pelo qual deve ser a sen­ tença confirmada. 2 . Ação de cobrança. por ocasião da audiência de conciliação. 246 e 247. se o devedor.Quanto à irresignação do condomínio-autor. como deflui do artigo 25 da Convenção do autor (fls. então.Rei. submetida ao procedimento sumário.A preliminar de ilegitimidade passiva arguida se mostra totalmente impertinente.2* R. 3 .

Não é com todas as obrigações propter rem que isso acontece. além de juros moratórios de 1% ao mês (conforme o disposto no estatuto social) e correção monetária.Cabimento . quer esse conflito resulte da vizinhança. às cotas condominiais vencidas antes da vigência do Novo Código Civil.Associação de condôminos . por exemplo. Cível 531.781-4/7. mas ambos como titulares de direitos reais. na ver­ dade.Limitação ao uso das instalações que não afronta a dignidade da pessoa humana nem expõe o devedor a situação vexatória.Ap.Despesas condominiais . do Código Civil. com a afirmação genérica de que todas as obrigações dessa natureza admitem o abandono liberatório. deve ser aplicado idêntico entendimento jurisprudencial relativo àque­ las. eventualmente. mas apenas um plus destinado a proporcionar entre­ tenimento e distração aos condôminos . no entanto. a primeira ideia é que esta espécie decorre unicamente da lei ou. ela estará colocando o credor e o de­ vedor nos polos da relação jurídica.035-4/1. estando as mensalidades vinculadas ao imóvel e não à pessoa do proprietário . e o objeto do direito real é um só.Proibição da utilização das áreas de lazer e correlatas pelos associados inadimplentes . 28-4-2009. Para o nascimento de uma obrigação propter rem. ao contrário. mesmo não se tratando de despesas condominiais.336. encontra-se. no usufruto. em síntese. prestações positivas (embora existam obrigações reais negativas) ao titular rival de um direito real.Recurso provido para julgar procedente a ação de cobrança e improcedente o pedido contraposto” (TJSP .591/64). ou do que se pode chamar de superposição de direitos reais.3* Câmara de Direito Privado . portanto. limitando-se a associação ao regular exercício de direito previsto na convenção . também a partir de cada vencimento .Rei. que revogou o art. há necessidade. 12. Beretta da Silveira). como no caso já citado das despesas de condomínio.2 A o divisar a obrigação propter rem. a propriedade. quando surge uma obrigação propter rem. Neste último caso. a obrigação nada mais faz do que harmonizar dois direitos de propriedade. § 3°. na vizinhança. 1. como ocorre. Quando dois proprietários vizinhos têm que concorrer com as despesas de ma­ nutenção do muro limítrofe. “Condomínio . Cível 630.Rei. que geralmente impõe uma atitude passiva a todos de respeitar. além da atualização monetária. um modo de solução de um conflito de direitos reais. ao 2 “Condomínio . N o condomínio.Aplicação da multa de 5%. de dois direitos reais em conflito.40 Direito Civil • Venosa É necessário ter cautela. § I o.Obrigação propter rem . no usufruto. liberam o devedor com o abandono da coisa. em que mesmo o abandono por parte do proprietário não o libera da dívida. da Lei n° 4. com relação à obrigação ob rem impõe. isto é. para as dívidas inadimplidas posteriormente.Ação de cobrança .Recurso do requerido improvido e apelo da requerente provido” (TJSP . Natan Zelinschi de Arruda). em situações de posse. na servidão e. tendo em vista que ela decorre de um direito real. 8-4-2009. incidindo. se nota que o direito real. Em todas as situações em que ocorrem obrigações reais. em razão do caráter erga omnes. mesmo porque não se trata de infraestrutura essencial à sobrevivência digna. pois.Ap. sob pena de incentivo à inadimplência . tanto o nu-proprietário como o usufrutuário têm obrigações um para com o outro.Cobrança das prestações vencidas dos réus asso­ ciados à apelante . 7* Câmara de Direito Privado . multa de até 2% e juros moratórios de 1% ao mês (nos termos do art.Necessidade . . no usufruto.Dano moral não caracterizado.Inexistência de relação de consu­ mo .Admissibilidade.Obrigação propter rem configurada. Por aqui.

que a obrigação nasça de convenção entre as partes. será trans­ missível aos futuros proprietários e possuidores. portanto. Trata-se. é conveniente que as últimas sejam examinadas juntamente com os respectivos direitos reais sobre os quais incidem. Suas particularidades derivam. O vizinho. transmissão e extinção da obrigação propter rem seguem o direito real. Não pode existir. 4. que serão estudadas). está “obrigada”. deve ser respeitada por todos. sem dúvida. Em todo caso. ou simplesmente um dever ou um gravame. daí a chamada obrigação passiva universal. mas com os caracteres especialíssimos aqui examinados. da situação fática que une dois titulares de um direito real. Nada impede. de uma “obrigação”. e sua eficácia perante os sucessores singulares do devedor confere estabilidade ao conteúdo do direito. O nascimento. não apenas deve respeitar a propriedade confinante. como tal. um peso que incide sobre uma pessoa ou coisa. existe a oponibilidade desse direito contra todos erga omnes. em face de certo direito real. parte do conteúdo do di­ reito real. porém. determinada pessoa.2 Ônus Reais Ônus. Nos direitos reais em geral. 3. com uma vinculação de acessoriedade. deve ser afastada a ideia no sentido de que o fenôme­ no ora em estudo seja um direito real. Se essa convenção constar do registro. na linguagem vulgar. já que o conhecimento destes é imprescindível para a exata compreensão dessa modalidade obrigacio­ nal. A propriedade.O b rig a ç õ e s R eais (P r o p te r R em ) e F ig u ra s A fins 41 menos. apresentando todos os ca­ racterísticos de uma obrigação. como tam­ bém concorrer para as despesas de conservação desse muro. É o que faremos na obra destinada aos direitos reais. Sustenta-se que a íntima relação da obrigação propter rem com os direitos reais significa um elemento a mais à própria noção de direito real. de todo direito real. A obrigação dita real forma. porque diz respeito a um único sujeito. contudo. de certo modo. Por exemplo: dois proprietários limítrofes podem convencionar a respeito do uso e gozo comum de determinada área dos imóveis. Trata-se de relação obrigacional que se caracteriza por sua vinculação à coisa. significa algo que sobrecarrega. juridicamente falando. O direito real deve ser conhecido e respeitado por todos. 2. mas essa obrigação materializa-se e mostra-se diferente daquela chamada “ obrigação passiva universal” . O . por conseguinte. porém. das considerações aqui feitas: 1. em face do muro limítrofe. Tendo em vista a repisada relação íntima entre os direitos reais e as obriga­ ções propter rem. A obrigação propter rem é particularização desse princípio. fora das relações de direito real (aqui reside diferença fundamental com outras figuras afins.

s. . s.105. opiniões contrárias (cf.408 e 1. Não é. Ademais. prevalecendo erga omnes. àquele em fa vor do qual a oneração tem lugar. v. desaparecendo o objeto. 1. sem limite. 4. o ônus desaparece. descrevendo. Nosso direito positivo não se refere expressamente aos ônus reais. 1. que “um prédio pode ser onerado de modo que. d. o ônus distingue-se do dever. desde que observada certa conduta.4). A palavra ônus é empregada no direito em várias acepções.385. sujeitando-se a determinadas conseqüências. enquan­ to tal não existe no ônus. 1. 35:185). Emprega o termo em várias oportunidades. Aponta Martinho Garcez Neto que no conceito de ônus está presente a li­ gação entre o exercício de um direito e seu resultado. enquanto os efeitos da obrigação real podem permanecer.405. o titular somente poderá exercer o direito se suportar o ônus (2000:163). porque neste. inclusive como encargo. sejam os ônus satisfeitos à custa do prédio” . 35:184).. já a obrigação propter rem pode surgir com uma prestação negativa. no art. A parte onerosa pode não praticar o que determina o ônus. constituindo-se verdadeiros direitos reais. § 2Q. Garcez Neto. a acepção técnica que nos interessa. restringindo o direito do titular de um direito real. é um gravame que recai sobre uma coisa. ainda que desaparecida a coisa.42 Direito Civil • Venosa sentido jurídico não foge dessa compreensão semântica. Trata-se de prestações periódicas (cf.386. v. estudado em Direito civil: parte geral (seção 27. Pode ser apontado ainda o fato de que o ônus implica sempre uma prestação positiva..1 Ônus Reais e Obrigações Reais É bastante controvertido o critério de distinção entre os dois institutos. em aper­ tada síntese. 1. no título relativo aos direitos reais sobre coisas alheias: arts. o ônus tem algo de poder. Há. Garcez Neto. en­ quanto na obrigação propter rem o obrigado responde com seu patrimônio.409. Nesse diapasão. no entanto. é o fato de que a res­ ponsabilidade pelo ônus real é limitada ao bem onerado. porém. Um aspecto específico da diferença. Assim. porque ao sujeito é garantido determinado resultado jurídico favorável.2. Quem tem um dever pode ser obrigado a cumpri-lo.2. Ainda. que é próprio da obrigação.2 Conceito O Código alemão fixou a noção de ônus real. d. ao valor deste. 1. O ônus real. os ônus reais representam deveres que limitam o gozo da coisa e o poder de dispor. sempre apontado. há o característico da coercibilidade. 4.

desde que o contrato de locação esteja averbado pelo menos trinta dias antes da alienação junto à matrícula do im óvel Parágrafo único. quando houvesse venda. Os arts. para quando o locador pretender alienar. No entanto. porque onera o imóvel de outrem. exclusivamente. permite que o locatário oponha seu direito de preferência erga . 754). de 18-10-1991) disciplina essa pre­ ferência. os sucessores continuariam a su­ portar o encargo. a contar do registro do ato no Cartório de Imóveis.O brigações Reais ( Propter Rem) e Figuras Afins 43 O que lhe caracteriza a natureza real é sua vinculação sobre um bem imóvel. no qual o proprietário do imóvel obrigava-se a pagar prestações periódicas de soma determinada e. mais técnica do que a lei anterior. Cuidaremos do instituto. como todo direito real tem direito de seqüela (art. Cuidava-se de exemplo típico de ônus real.431 transforma­ va no CC de 1916 a avença em direito real. Constitui-se de direito sobre coisa alheia. se requeresse no prazo de seis meses a contar da transcrição ou inscrição do ato competente no Cartório do Regis­ tro de Imóveis. no local oportuno. 33 dessa lei dispõe: “O locatário preterido no seu direito de preferência poderá reclamar do alienante as perdas e danos ou. depositando o preço e demais despesas do ato de transferência. o art. O art. 749 a 754. um direito pessoal estampado em um pedido de perdas e danos.649/79). com o re­ gistro imobiliário. poderia o locatário. 27 da lei inquilinária (Lei nQ8. desde que subscrito também por duas testemunhas. Essa preferência do inquilino na aquisição do prédio locado. 2003:117). haver para si o imóvel locado. promessa de venda.245. no título que trata das várias espécies de contratos. 1. introduzida que foi pela primeira vez pela Lei nQ3. 803 a 813 do Código Civil disciplinam a “constituição de renda”. 25 estampava que. para o que por ora nos interessa. mas o art. o art. O contrato de locação. Na revogada Lei do Inquilinato (nQ 6. por força de disposição legal. ou cessão de direitos do imóvel locado. aliás em desuso.912. ou então.” Com essa redação. alcançam latitude de direito real. haver para si o imóvel locado. se o requerer no prazo de seis meses. A averbação far-se-á à vista de qual­ quer das vias do contrato de locação. ficam bem claros quais os direitos que podem emergir de um direito de preferência preterido: existirá um direito real para o inquilino se tiver registrado devidamente o contrato.3 Obrigações com Eficácia Real Certas relações oriundas de contratos. o qual lhe permitirá haver o imóvel. ampliando o direito do inquilino para a dação em pagamento (ver nosso estudo sobre o instituto em Lei do inquilinato comentada. já se tomou tradicional em nossa legislação de inquilinato. depositando o preço e demais despesas do ato de transferência. referindo-se aos arts. 4. de 3-7-1961. inclusive os novos aspectos do mais recente diploma.

ação de despejo. a publicidade de cláusulas contratuais prevendo o direito de preferência e de vigência passa a ser erga omnes. Registro de contrato de locação. Romeu Gonzaga Neiva). ser o legítimo proprietário do imóvel cuja posse pleiteia.3 Outro exemplo de obrigação desse tipo também se refere à locação e está localizado no art. Redu­ ção.Locação . e constar de registro público. Simulação de venda e fraude fiscal não demonstradas.Indispensável a averbação do contrato de locação junto à matrícula do imóvel para que o direito de preferência tenha eficácia real. Possibilidade.com o registro imobiliário. nas condições descritas na lei. Des. perante qualquer pessoa que venha a adquirir a coisa locada. do CC. ‘a imissão de posse é ação peculiar.ao decretar a indisponibilidade dos bens de uma pessoa. se nele não fo r consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação. Cláusulas de preferência e vigência.Ônus da prova . p.44 Direito Civil • Venosa omnes. Não se revela obrigatória a citação da esposa do apelante. de forma inequívoca. 3. Imóvel indisponível por determinação judicial. 148). 1. Rejeitada a preliminar. Procedência.0001.2008. Unânime” ( TJRS . iniciou a partir do incontestável conhecimento da alienação por ocasião do registro do contrato de locação em fevereiro de 2009. Ausência de comprovação das perdas e dos danos. 29-4-2010. Deram parcial provimento ao apelo. devendo estar livres e desembaraçados . art. previsto no § 2°.Rei. Ressar­ cimento. Rei. Propriedade comprovada.Acórdão 70038546479. na hipótese em comento. 6* Câmara Cível . Processo civil. 8o da Lei do Inquilinato em vigor: 3 “Apelação cível .Direito de preferência .Apelação Cível 003010777. fo r alienada a coisa. Lei 8. Desnecessidade de prévia averbação do contrato de locação para o requerimento de perdas e danos. não ficará o adquirente obrigado a respeitar o contrato. o judiciário tem como objetivo impedir que o devedor aliene seus bens ou que sobre estes recaiam novos gravames.” O Registro Público aí referido é o imobiliário.. .Rei. Via de regra. in casu. Essa disposição é explicitada pelo art. Efeitos erga omnes. 22-4-2010.245/1991). 2. 2. Imóvel escriturado e registrado.Recurso improvido” ( TJDF . Senten­ ça mantida. Indenização por perdas e danos. 5* Túrma Cível .0001. 6. Imissão de posse. A escritura pública de compra e venda. alcança eficácia real.807. Otávio Augusto de Freitas Barcellos).2009. Nesses casos. . 576 do Código Civil: “Se. obrigando terceiros que adquiram um bem levado à hasta pública. Unânime” ( TJDF -Apelação Cível 0029304-60. Descabimento. com o respectivo registro. “Civil. inviabilizando o decreto de indisponibilidade . 2006. Rio de Janeiro: Lumen Juris. assegura-se patrimônio suficiente para o pagamento de eventuais débitos. Dessa forma.Ação de adjudicação de imóvel . 33. isto é. durante a locação. Recurso desprovido. portanto. 4. porquanto inaplicável à hipótese a regra do art. Benfeitorias. Inexistência de prova das melhorias supostamente realizadas no imóvel. não deixa margem para dúvida a este respeito. ed. Dúvida registrai. Honorários advocatícios.Caso concreto . O direito de preferência do locatário na compra do imóvel destina-se àqueles que tiverem o contrato averbado pelo menos 30 (trinta) dias antes da alienação junto à matrícula do imóvel (art. Luis Gustavo B. 4-4-2012. 47 do CPC. de Oliveira). O autor logrou demonstrar. Inadequada. na espécie. Necessidade de registro. direitos reais. O contrato. 576.807. a anotação no fólio imobiliário inevitavelmente gera um ônus sobre o pré­ dio. O prazo de 90 (noventa) dias. por inexistir relação locatícia entre o réu e o autor da demanda. esses bens são levados à hasta pública. pois seu polo passivo só compreende o alienante ou terceiros a eles subordinados como meros detentores’ (in Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald. 5. “Civil.

conforme ensina Antu­ nes Varella (1977. que adquiram direito sobre determinada coisa”. podem ser transmitidas ao novo titular do domínio. v. que deve respeitar o contrato de locação. uma vez inscrito no Registro Imobiliário. portanto. oponível a terceiros. 1:51). salvo se a locação f o r p or tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado ju n to à matrícula do im óvel ” Desse modo. Resumindo. as obrigações do locador. sem perderem o caráter essencial de direitos a uma prestação. . do qual não fez parte. se transmitem.O b rig a ç õ e s R eais ( P r o p te r R em ) e F ig u ra s A fins 45 “Se o imóvel fo r alienado durante a locação. com o prazo de noventa dias para a desocupação. o adquirente poderá denun­ ciar o contrato. conforme estudaremos em D ireito civil: direi­ tos reais. o compromissário passará a gozar de direito real. Existe. ou são oponíveis a terceiros. contrariando a regra geral da relati­ vidade das convenções (pela qual o contrato só vincula as partes contratantes). em que. Outra situação semelhante é a do compromisso de compra e venda. “as obrigações gozam de eficácia real quando. uma obrigação que emite uma eficácia real.

A matéria é essencialmente doutrinária. embora certas legislações arrisquem a enumerar as fontes. de uma agressão. ao surgimento das obrigações. estamos referindo-nos ao nascedouro. Há um paralelismo no conceito ora estudado. Tal enumeração não é fácil. de uma locação etc. que dão margem à criação. ou que tem como fonte um ato ilícito quando decorre de um incêndio criminoso. No Capítulo 2 de Direito civil: parte geral foram estudadas as “fontes do Di­ reito” . . a todos os atos que fazem brotar obrigações.1 Introdução O direito nasce sempre de um fato: exfacto ius oritur.. quando fa­ lamos de fontes das obrigações. Destarte. Portanto. tanto que não existe concor­ dância entre os vários autores. quando se trata das fontes das obrigações. Ali enfatizamos que a expressão fontes é vista sob o aspecto das diferentes maneiras de realização do Direito. quando deriva de uma compra e venda. estudar as fontes significa investigar como nascem e se formam. diz-se que a produção tem como fonte um contrato. Assim.Fontes das Obrigações 5. As obrigações derivam de certos atos. de onde surgem e por que determinada pessoa passa a ter o dever de efetuar deter­ minada prestação para outra. de uma difamação etc. de um empréstimo.

2 Fontes das Obrigações no Direito Romano A clássica e mais antiga classificação das fontes no Direito Romano provém das Institutos de Gaio: omnis obligatio vel ex contractu nascitur. as obrigações não mais se caracterizam pela decorrência de certos fatos. O quase-delito aproxima-se do delito. parecendo que as res cotinianae já expunham um direito mais moderno. dei­ xando de ter a classificação das fontes grande importância prática. foi acrescentada uma terceira categoria de fontes: ex variis causarum figuris (várias outras causas de obrigações). surgindo obrigações entre o titular do negócio e o gestor. ou do delito ou do quase-delito). incluindo-se aí a gestão de negócios. faz-se menção a uma quarta fonte: os quase-delitos. Os critérios de distinção resumem-se na existência ou não de vontade. nem nos contratos. encontra-se re­ produzida hoje em muitas legislações: obligaciones aut ex contractu aut quasi ex contractu aut ex malefício aut quasi ex malefício (as obrigações derivam ou do contrato ou do quase-contrato. mas. Já o dano intencionalmente causa­ do é um delito. Na época bizantina. Ocorre que. mas todo ato jurídico lícito que fizesse nascer uma obrigação. os romanos “assemelhavam” as situações aos contratos. A o que parece. intenção de praticar uma ofensa. mais ao tempo do próprio Gaio. As várias causas de obrigações. percebeu-se o alargamento do campo das obri­ gações. nem existe a violação da lei. pela qual alguém administra. mas pela própria estrutura que as define.48 D ire ito Civil • V enosa A importância do estudo das fontes das obrigações é eminentemente históri­ ca. O Código de Napoleão adotou-a. porque. Tal . nem delitos. no passado. Atualmente. bens e interesses alheios. isto é. num tópico de Res Cotinianae do mesmo Gaio. O termo delictum ficou reservado unicamente para os atos dolosos. 5. vel ex delicto (as obrigações nascem dos contratos e dos delitos). mesmo na França. O delito traz sempre a noção de dolo. Nesses casos. tal divisão sempre sofreu críticas. presente na obra justinianeia. A von­ tade caracteriza o contrato. sem procuração. situações asse­ melhadas a contratos. enquanto o quase-delito. enquanto toda atividade lícita. como não existe o consenso de vontades. enquanto o dano involuntariamente provocado constitui-se num quase-delito. Esta mais recente concepção. sem consenso prévio. característica básica dos contratos. do enquadramento das obrigações derivavam determina­ das conseqüências jurídicas. como a gestão de negócios e o pagamento indevido. inspira-se na noção de culpa. As várias figuras são as fontes que não se enqua­ dram nem nos delitos. embora não tenha sido essa noção clara­ mente exposta no Direito Romano. foram classificadas sob o título quase-contratos. implica o surgimento de um quase-contrato. que não se consideram nem contratos. Consideravam-se aí “contrato” não apenas as convenções.

pela lei.F o n te s d a s O b rig a ç õ e s 49 forma de encarar as obrigações não é abrangente. pois. nos quais existem duas vontades. complementado pelo art. O ato ilícito. a figura do quase-contrato é de difícil explicação. . como no caso de obrigação de prestar alimentos ou obrigação de reparar o dano. 927: “Aquele que. o autor classifica as obrigações em três cate­ gorias: (a ) as que têm por fonte imediata a vontade humana. Sílvio Rodrigues entende que há obrigações decorrentes ime­ diatamente da lei. em última análi­ se. por influência de Pothier. Procurou-se ver na lei a fonte primeira das obrigações. outros elementos despontam como causadores imediatos do vinculo. Seria contradição falar em obrigação “ilegal” . como na obrigação alimentar e nas obrigações derivadas de direito de vizinhança. deixando de lado vários fenô­ menos. como as manifestações unilaterais. embora esta apareça como fonte mediata. nos casos de responsabilidade decorrente da teoria do risco. essa classificação está abandonada. só há obrigação se o ordenamento jurídico o admitir. constitui fonte de obrigações aquelas situações que provêm de ação ou omissão culposa ou dolosa do agente que causa dano à víti­ ma. (b ) as que têm por fonte imediata o ato ilícito. as obrigações que resultam de declaração unilateral de vontade. Modernamente. a lei é sempre fonte remota da obrigação. que desde então sentiram o problema. a vontade humana ou o ato ilícito” .” Por outro lado. por sua vez. Sílvio Rodrigues (1981a. 5. tal como na promessa de recompensa. v. em todos os casos analisados. estando sua definição no art. e (c ) as que têm por fonte imediata a lei. a dificuldade para uma classificação das fontes das obrigações faz com que sejamos levados a tratar das “várias outras figuras” expostas pelos romanos. sendo que nalguns casos. Seguindo esse ponto de vista. São obrigações que derivam diretamente da vontade tanto os contratos. em última análise. acrescenta mais uma fonte à classificação quadripartida: a lei. Ademais. p o r ato ilícito. 186. que. causar dano a outrem. como. Assim.3 Visão Moderna das Fontes das Obrigações São muitas as construções doutrinárias e as soluções legislativas a respeito do assunto. Conclui o autor. porém. É fato que toda obri­ gação deve ser chancelada pelo ordenamento jurídico. Em verdade. A lei seria fonte de obrigação nos casos em que não há interfe­ rência da vontade. O Código francês. por exemplo. é obrigado a repará-lo. 2:11) entende que as obrigações “sempre têm p or fonte a lei.

nessas várias figuras podem ser incluídos a declaração unilateral de vontade. esse autor que tais institutos não se cons­ tituem verdadeiras obrigações no sentido técnico e são apenas deveres jurídicos. por exemplo. surge a obrigação propter rem. Citamos a opinião de dois dos mais importantes autores de nossas letras jurídicas para demonstrar que a doutrina traça os mais variados caminhos para apontar as fontes das obrigações. v. 2:28) menciona que há obrigações que decorrem exclusivamente da lei e lembra os deveres políticos (ser eleitor) e a obrigação alimentar. fatos. Como vimos. Como acrescenta Orlando Gomes. Quer-nos parecer. sem que ocorra total discrepância com o que já foi dito. que por alguns vem sendo entendida como fonte de obrigações. Temos. . que fazer referência à sentença. Estas últimas são aquelas a que a lei atribui efeito para gerar obrigações. as obrigações alimentares e as já por nós estudadas obrigações propter rem.50 D ire ito Civil • V enosa Caio Mário da Silva Pereira (1972. em linhas gerais. ainda. Nesta última dicção legal. a exemplo do que já fixava o Direito Roma­ no. no Direito de Família. mas não pode ser considerada artificial a classificação. “a todo outro ato ou fato idôneo a produzi-la (a obrigação) de acordo com o orde­ namento jurídico” (art. Lembra. após. em que é a lei. por conse­ guinte. pelo fato de duas ou mais pessoas estarem ligadas pelo liame do parentesco. a ampare. o abuso de direito e algumas situações de fato. Todas essas situações de fato aqui nomeadas serão estudadas à medida que formos aprofundando-nos na matéria. Sua conclusão é pela existência de duas fontes obrigacionais. É assim. A rigor. o fa to condicionante e. não se trata de fonte. a lei é sempre fonte imediata para o nascimento da obrigação. porém. estão compreendidas várias figuras. todas as obrigações emanam dessas duas fon­ tes e foi assim que estipulou em seu Anteprojeto de Código de Obrigações.173 do estatuto peninsular). o ordenamento jurídico. pois a decisão judicial apenas reconhece uma situação jurídica. assim. Todas as demais “várias figuras” que podem dar nascimento a uma obrigação são fontes mediatas. Essas situações de fato. que a lei será sempre fonte imediata de obrigações. outra. Não pode existir obrigação sem que a lei. o pagamento indevido e o enriquecimento sem causa. como. que se posiciona Orlando Gomes (1978:40). a fonte. uma obrigação. ou. em síntese. 1. Para o autor. na realidade. pela existência de dois prédios vizinhos. exigem que esteja configurada a situação de fa to. levando em conta a preponderância de um ou outro fator: uma em que a força geratriz é a vontade. que é. Na verdade. Assim. portanto. São. Esse mestre reporta-se à classificação do Código italiano. não se trata de solução científica. não há obrigações ex lege. Orlando Gomes (1978:45) repele a denominação obrigações legais às situações de fato. contudo. atos e negócios jurídicos que dão margem ao surgimento de obrigações. Assim. o qual estatui as duas grandes fontes (o contrato e o ato ilícito) e refere-se. surge a obrigação alimentar. por exemplo. os atos coletivos.

honorários de advogado) são acessórios de ordem processual à situação jurídica preestabelecida. também. ao contrário de outras legislações. provenientes de fatos. não podemos afastar-nos das várias outras figuras.4 Fontes das Obrigações no Código Civil de 1916 e no Atual Código O Código Civil de 1916. a par do contrato e do ato ilícito. mantendo a mesma orientação. . como existente no Código ita­ liano. mesmo em face de nosso direito positivo. os atos unilaterais e o ato ilícito. atos e negócios jurí­ dicos. categorias universalmente aceitas. Destarte. Deve ser lembrado. No entanto. a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. expressamente. assim como o diploma resultante do Projeto de 1975. reconhecidas pelo ordenamento e presentes constan­ temente nas relações sociais. custas.F o n te s d a s O b rig a ç õ e s 51 Os efeitos da sucumbência (juros. menciona os contratos. 187). nosso Código reconhecia. não continha dispositivo específico a respeito das fontes das obrigações. afastando-se a lei como fonte autônoma. na prática não apresenta dificuldades. correção monetária. que esse diploma traz disposições ex­ pressas a respeito do enriquecimento sem causa (arts. O presente Código. pelo que já expu­ semos. Como vemos. equiparando-o ao ato ilícito. 5. pois o trabalho doutrinário encar­ rega-se de fixar as fontes. três fontes de obrigações: o contrato. conforme o exposto. a falta de dispositivo específico. 884 a 886) e do abuso de direito (art.

porém.1 Espécies de Obrigações Após conhecida a estrutura das obrigações e de algumas modalidades especialíssimas. Como. Por outro lado. não existe uma única classificação sobre a matéria. os atos e os negócios jurídicos admitem a aposição desses elementos. as obrigações também podem ser obrigações condicionais. termo e encargo. . Cumpre aqui. portanto. foram destacadas as principais diferenças entre direitos reais e direitos obrigacionais. verificar as modalidades mais usuais. que se apresentam em número fechado e restri­ to. examinam-se as várias espécies de obrigações. as obrigações podem tomar múltiplas facetas. serão estudadas com maior profundidade essas espécies. É importante notar que. num primeiro contato. Por essa razão. ou modalidades. passamos em revista os três tipos de elementos tratados pelo Código: condição. porque cada jurista procura dar seu enfoque próprio. em geral. Doravante. Ao estudarmos. as obrigações naturais e as obrigações propter rem. Procuraremos. obrigações a termo e obrigações com encargo. no Capítulo 27 de Direito civil: parte geral.Classificação das Obrigações 6. enquanto o Código Civil e a legislação complementar conseguem des­ crever e limitar os direitos reais. sobre tais elementos aplica-se a essas modalidades de obrigações. os elementos aci­ dentais dos negócios jurídicos. na tentativa de classificá-las. o que dificulta o trabalho do le­ gislador e do doutrinador. O que se falou. apresentar as classificações mais usuais. ao iniciarmos o tratamento das obrigações.

4:48) tacha de ambígua essa classificação. praestare importa num conceito de garantia (praes stare. a obrigação de prestar referia-se às situações que não se amoldavam ao dare. Daí por que o Código Civil de 1916 preocupava-se. em prin­ cípio. o não fazer (non facere). termo que era ambíguo. Para outros autores. 1:229). Daí decorre o termo prestação. Mas. na qual o credor exige do devedor determinada atividade. Classificar uma obrigação numa ou noutra categoria é importante na prática. Ambos os Códigos civis brasileiros ativeram-se. praestare é termo geral que abrange qualquer objeto da obrigação. como já vimos. Assim. a obrigação de dar. portanto. O objeto da obrigação. v. indica uma prestação acessória e derivada. no qual o devedor compromete-se a praticar determinados atos jurídicos em proveito e em nome do credor. O fazer é entendido no sentido mais amplo. ou de não fazer. a essa classifica­ ção romana. Entretanto. Muitas vezes elas andam juntas. obrigações de fazer e obrigações de não fazer. porque. em sentido estrito. Para os romanos. por si só não gerava o direito real. ser garan­ te) e. também. Na obrigação de dar. como no caso da compra e venda. A obrigação de dar Cdare) indica o dever de transferir ao credor alguma coisa ou alguma quantia.54 D ire ito Civil • V enosa Há. todavia. facere ou praestare. a prestação podia consistir num dare. isto é. decorrerão efeitos próprios. e o mandato. toda obrigação de dar mistura-se e complica-se com uma obrigação de fazer. Lembra o citado mestre que “rigorosamente. de acordo com a classificação. pois havia necessidade da tradição. para designar tal atividade de qualquer natureza. é a prestação. afastou-se o Código somente das obrigações de “prestar”. O Direito Romano tomou por base o objeto da obrigação para a classificação. na compra e venda. da entrega da coisa. havia a noção de transmitir um direito real. Essa estrutura é mantida integralmente no presente Código. São exemplos dessa modalidade a locação de serviços. Abrange. Washington de Barros Monteiro (1979. v. sem dúvida. A obrigação de fazer (facere) é aquela na qual o devedor deve praticar ou não determinado ato em favor do credor. porque sua tripartição não se apresenta como compartimentos estanques. Para Correia e Sciascia (1953. tendo distribuído as obrigações igualmente em três categorias: obri­ gações de dar (coisa certa ou coisa incerta). Com sua costumeira acuidade. de dar ou fazer. com as modalidades das obrigações. Assim. . caracteres próprios que as distinguem dos de­ mais atos jurídicos. ocorren­ do o mesmo com o atual Código. e seu cum­ primento. o vendedor tem obrigação de entregar a coisa vendida (d ar) e de responder pela evicção e vícios redibitórios (fazer)”. afetos tão só a determinadas relações jurídicas. A obrigação de prestar (praestare) deu margem a sérias divergências. nem ao facere. nas obrigações. ao iniciar o Título I do Livro das Obrigações.

As obrigações de dar e fazer são denominadas obrigações positivas. Em seu estudo respectivo. Será múltipla se houver mais de um credor. ou só tem direito à respectiva quota-parte na prestação” (Monteiro. Também quanto ao objeto. As obri­ gações de não fazer. cada um poderá receber 20 quilos. As obrigações conjuntas serão aquelas cuja prestação compor­ ta mais de um ato ou mais de uma coisa. . fazer ou não fazer. note que podem coexistir vários credores ou vários deve­ dores. no entanto. por exemplo. são as obri­ gações negativas. por exemplo. um só devedor. 89). como a locação. 1979. enquanto cada devedor pode ser obrigado a efetuar o pagamento por inteiro. Ao lado das obrigações solidárias. por exemplo. a obrigação é única. seguiremos a ordem do Código. Assim. Havendo um só credor e um só devedor. não há possibilidade de divisão e devem ser operadas regras próprias para essa mo­ dalidade de obrigação. simples a obrigação de dar uma casa. preferiu não alterar a estrutura original arquitetada por Clóvis Beviláqua. as obrigações poderão ser simples e conjuntas. cada credor pode exigir a dívida por inteiro. Essas são obrigações periódicas. v.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 55 Também as obrigações de fazer e não fazer podem baralhar-se. portanto. As obrigações indivisíveis são aquelas cujo objeto não permite divisão: se devo pagar. Existem obrigações que se exaurem num só ato. Serão simples quando a prestação importar em um único ato ou numa só coisa. as obrigações múltiplas ou plúrimas po­ dem ser conjuntas e solidárias. da empreitada pela qual o empreiteiro compromete-se a construir o prédio e a fornecer materiais. se devo 100 quilos de milho a cinco credores. é inelutável que toda relação obrigacional implicará um dar. São as obrigações instantâ­ neas: obrigo-me a entregar um objeto. um cavalo a dois credores. A divisibilidade ou indivisibilidade aqui é observada sob o ponto de vista do objeto da prestação: se o objeto permite o parcelamento. É o caso. Será. a obrigação é divisível. 4:52). por sua própria natureza. Examinaremos em breve com profundidade essa modalidade de obrigação. singular ou coletiva (art. isolada ou conjun­ tamente. o que deveria ter feito o vigente Código. obrigações que. São conjuntas aquelas “em que cada titular só responde. que. por exemplo. Embora essa divisão tripartida sofra com a crítica apontada. ou mais de um devedor. ou mais de um credor e mais de um devedor. no entanto. que implicam abstenção por parte do devedor. Há. serão também vistas as obrigações divi­ síveis e indivisíveis. como veremos mais à frente. tendo em vista um só credor. só podem ser cumpridas dentro de espaço de tempo mais ou menos longo: determinados contratos têm essa natureza. bem como a obrigação de dar. De acordo com as várias hipóteses. Quanto ao sujeito. devendo todos ser cumpridos. Daí por que legislações mais modernas abandonaram essa divi­ são. Já nas obrigações solidárias. por ques­ tão de lógica.

Para algumas obrigações. mas aqui serão elencadas as modalidades mais usuais e aquelas que serão estudadas nesta parte deste livro. no entanto. con­ form e a natureza dela e as circunstâncias. não se hou­ ve como um bom pai de fam ília. quer não seja.1 Obrigações de Meio e Obrigações de Resultado Essa distinção.A responsabilidade contratual médica não depende dos resultados. já em primeiro enfoque. Em várias passagens de nosso Código. ou um cavalo. faculta-se ao devedor cumprir a obriga­ ção. que na solidariedade existe sempre in­ divisibilidade.A ação de reparação decorrente de suposto erro médico necessita de produção de prova da culpa do profissional . restringindo-se à necessidade de utilização de todos . sem ter que se provar culpa do devedor.56 D ire ito Civil • V enosa Observe. Serão simples quando aparecem sem qualquer cláusula restritiva.1. da atual Lei do Inquilinato). bem como a tratá-la com o mesmo cuidado como se sua fosse” (art.Responsabilidade contratual Obrigação de meio . basta ao credor provar que houve inexecução da obrigação. quer o objeto seja. Muitas outras divisões são apresentadas pelos autores. 23. ou da imposição ou vontade da lei. Serão alternativas as obrigações quando ligadas pela partícula ou: pagarei um boi. em vez do cavalo. como entre as obrigações do locatário de “servir-se da coisa alugada para os usos convencionados. Para outras obrigações. devendo. Todavia. Só assim a obrigação será tida como cum­ prida.Culpa . 5 6 9 . semelhante ao art. encontra­ mos disposições a esse respeito.Indenização . substituindo o objeto. podendo entregar um boi. Quanto ao modo de execução. 6. ou presumidos. obrigações de meio. como veremos. o que importa é a aferição se o resultado colimado foi alcançado. Serão conjuntivas quando ligadas pela aditiva e: pagarei um cavalo e um boi. entregando ou um ou outro dos objetos. cumpre ao credor provar que o devedor não se comportou bem no cumprimento da obrigação. alternativas e facultativas. uma vez que. obrigações de resultado. obrigações de meio e obrigações de resultado.Erro médico . o devedor atender com o cumprimento dos dois ob­ jetos. divisível.1. O devedor cumprirá a obrigação. portanto. Estudaremos no local próprio a quem cabe a respectiva escolha nessa modalidade. a solidariedade decorre da vontade das partes. conjuntivas.1 1 “Direito civil e processual civil . as obrigações podem ser simples. II. relaciona-se com a aferição do descumprimento das obrigações. As obrigações facultativas são aquelas em que o objeto da prestação é um só: pagarei a entrega de um cavalo. Na segunda hipótese. Na primeira modalidade.Necessidade de comprovação . deve ser aferido se o devedor empregou boa diligência no cumprimento da obrigação.

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

57

A ideia fundamental reside na noção de saber e de examinar o que o deve­
dor prometeu e o que o credor pode razoavelmente esperar (cf. W eill e Terré,
1975:428).
Ora o devedor compromete-se, por exemplo, a entregar determinada mer­
cadoria (há um resultado pretendido); ora o devedor compromete-se somente
a empregar os meios apropriados de seu mister, para determinada atividade, o
que permitirá ao credor “esperar” um resultado satisfatório, podendo ocorrer que
esse bom resultado não seja alcançado. É o que sucede, por exemplo, com o ad­
vogado e o médico. Nem o advogado pode garantir o ganho de causa ao cliente,
nem o médico pode assegurar a cura do paciente.2 Devem esses profissionais,
isto sim, empregar toda sua técnica e diligência no sentido de que tais objetivos
sejam alcançados. Quando se apura o descumprimento da obrigação, toma-se
importante e fundamental, portanto, verificar se estamos perante uma obrigação
de meio ou obrigação de resultado. É essa distinção que, embora inexistente
expressamente em nossa lei, mas presente na natureza dos vários contratos, dá
coerência ao sistema contratual.
Nas obrigações de resultado (com o no contrato de transporte, no contrato
de reparação de defeitos em equipamentos, por exem plo), a inexecução implica
falta contratual, dizendo-se que existe, em linhas gerais, presunção de culpa, ou
melhor, a culpa é irrelevante na presença do descumprimento contratual. É o que,

os meios disponíveis - Comprovado nos autos que inexistiu imperícia, imprudência ou negligência
no procedimento realizado, não se pode falar em indenização. Recurso conhecido e improvido”
(JJAM - Acórdão 2010.005008-2,4-4-2011,1* Câmara - Rei. Des. Domingos Jorge Chalub Pereira).
“Contrato - Prestação de Serviços - Segurança veicular - Ação de indenização por dano moral
e material - Descabimento - Ausência de descumprimento do contrato - Obrigação de meio da
contratada e não de resultado - Bloqueio do automóvel efetivado após a notícia do furto - Sentença
de improcedência mantida - Recurso desprovido” (T J S P - Ap. Cível 1.245.598-0/4,18-3-2009, 26*
Câmara de Direito Privado - Rei. Andreatta Rizzo).
2 “Contrato - Prestação de Serviços - Cobrança - Prestação de serviços de profissional liberal
- Químico - Projeto para obtenção do princípio ativo do cetoconazol em condições de produção
industrial - Contrato misto - Pesquisa - Obrigação de meio - Produção industrial - Obrigação de
resultado - Resultado obtido economicamente inviável - Atividade produtiva do contratado, sem
êxito no plano negociai - Honorário sujeito à cláusula de sucesso - Pagamento não devido quanto
à parte do contrato que exigia resultado - O contrato no qual o apelado escora a sua pretensão é
um misto de contrato de resultado, no qual existe uma fase de pesquisa, e outra, tipicamente de
resultado, prevendo o pagamento no caso da produção em escala industrial - Entenda-se, economi­
camente viável do princípio ativo do cetoconazol - Daí que o insucesso da empreitada final libera
o apelante de pagar os honorários submetidos à seguinte condição: a produção industrial daquela
molécula (R$ 54.000,00) - Recurso parcialmente provido” (TJSP - Ap. Cível 939.210-0/9, 10-62008, 25* Câmara de Direito Privado - Rei. Amorim Cantuária).
“Ação de reparação de danos morais e materiais - Indenização - Direito de informação do
consumidor - Responsabilidade civil - TYatamento odontológico - Colocação de prótese dentária
- Obrigação de resultado - Falta de zelo profissional - Indenização devida - Conhecimento e
improvimento do recurso” (TJCE - Ap. Cível 689-27.2007.8.06.9000/0, 8-7-2011, Rei* Lisete de
Sousa Gadelha).

58

D ire ito Civil • V enosa

em síntese, entre nós, está exposto no art. 389. Nas obrigações de meio, por outro
lado, o descumprimento deve ser examinado na conduta do devedor, de modo
que a culpa não pode ser presumida, incumbindo ao credor prová-la cabalmente.
Na grande maioria dos casos, o que caracteriza a obrigação de meio é o fato
de o credor insatisfeito ter de provar não apenas que a obrigação não foi execu­
tada, mas também, tomando por base um modelo de referência para o compor­
tamento (de um bom pai de família, noção transplantada para os mais diversos
contratos técnicos da atualidade, o profissional m édio), que o devedor não se
conduziu como devia. A matéria probatória avulta de importância, aqui.

6.1.2 Obrigações de Garantia
A classificação das obrigações deve ser completada com as denominadas obri­
gações de garantia. O conteúdo dessa modalidade “é eliminar um risco que pesa
sobre o credor” (Comparato In: Enciclopédia Saraiva de direito, 1977, v. 55:429).
A simples assunção do risco pelo devedor da garantia representa, por si só, o
adimplemento da prestação. A compreensão da obrigação de garantia deve partir
da noção de obrigação de meio, podendo ser considerada subespécie desta, em
muitas ocasiões. Veja-se, por exemplo, a hipótese de um contrato de segurança,
feito hoje por várias empresas especializadas, para proteger o patrimônio e a incolumidade pessoal. A avença não assegura que o patrimônio e as pessoas sejam
sempre preservados, mas o devedor compromete-se (a empresa de segurança) a
usar de todos os meios necessários para que isso ocorra. O inadimplemento deve
ser verificado, quer o efeito indesejado tenha ocorrido, quer não, tomando-se por
base um “padrão” de serviços para a espécie.
Levando-se em conta tais situações, pode-se afirmar que há obrigações tipi­
camente de garantia, como a dos contratos de seguro e de fiança, e outras obri­
gações de garantia, como a situação enfocada, em que ela surge combinada com
uma obrigação de meio.
Nessa modalidade de obrigações, mormente nas obrigações de garantia pura,
nem mesmo a ocorrência de caso fortuito ou de força maior isenta o devedor de
sua prestação, uma vez que a finalidade precípua da obrigação é a eliminação de
um risco, o que traz em si a noção do fortuito. Nesse raciocínio, a companhia se­
guradora deve indenizar, ainda que o sinistro tenha sido provocado dolosamente
por terceiro.
Deve-se atentar, contudo, para o fato de que o dever de segurança é ínsito a
algumas obrigações de resultado. O contrato de transporte é exemplo típico. O
transportador obriga-se a transportar, sãs e salvas, mercadorias e pessoas. O de­
ver de segurança é elementar ao contrato, não devendo a espécie ser confundida
com as obrigações de segurança típica e aquelas derivadas de obrigações de meio.

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

59

6.2 Obrigações de Dar: Coisa Certa e Coisa Incerta
6.2.1 Obrigações de Dar
A obrigação de dar possui como conteúdo a entrega de uma coisa, em linhas
gerais.
Segundo o Código Civil de 1916, em categorias já abandonadas pela maioria
das legislações, o importante era a referência ao objeto da prestação, seu con­
teúdo; isto é, os três modos da conduta humana que podem constituir objeto da
prestação: dar, fazer e não fazer.
Pelo nosso sistema, a obrigação de dar não se constitui especificamente “na
entrega” efetiva da coisa, mas num compromisso de entrega da coisa. Nosso Di­
reito ateve-se à tradição romana pela qual a obrigação de dar gera apenas um
crédito e não um direito real: utraditionibus et usucapionibus dominia rerum, non
nudis pactis transferuntur*'. A obrigação de dar gera apenas um direito à coisa e
não exatamente um direito real. A propriedade dos imóveis, entre nós, ocorre,
precipuamente quando derivada de uma obrigação, pela transcrição do título no
Registro de Imóvel; os móveis adquirem-se pela tradição, isto é, com a entrega da
coisa. O sistema processual atual, contudo, ao permitir todo um conjunto de me­
didas constritivas para o adimplemento coercitivo de obrigações, com medidas
cautelares, antecipações de tutela, multas diárias ou periódicas, aproxima muito
os efeitos de direito obrigacional aos efeitos de direito real.
Assim, em princípio, pelo nosso sistema, o vínculo obrigacional por si só não
tem o condão de fazer adquirir a propriedade. É o sistema que adota também o
Código alemão.
Pelo sistema diverso, da unidade formal, adotado pelo Código francês, se­
guido pelo italiano e vários outros, a obrigação de dar e a transferência da coisa
estão incluídas em um só ato. A obrigação de dar cria, por si só, um direito real.
Por essas razões, não é exatamente apropriada a afirmação com que abrimos
o capítulo de que a obrigação de dar tem como conteúdo a entrega de uma coisa.
A obrigação de dar é aquela em que o devedor compromete-se a entregar
uma coisa m óvel ou imóvel ao credor, quer para constituir novo direito, quer para
restituir a mesma coisa a seu titular.
Inclui-se na definição a obrigação de restituir, pois ela é modalidade da obri­
gação de dar, disciplinada nos arts. 238 ss.
Observe, mais uma vez, que nem sempre as obrigações se apresentarão de
forma pura: dar, fazer ou não fazer. Por vezes, as três modalidades interpenetram-se e completam-se. O dar pode estar ligado a um fazer, por exemplo.

60

D ire ito Civil • V enosa

6 .2 .2 O b rig a çõ e s d e D a r C oisa C e rta
O verbo dar deve ser compreendido mais amplamente como ato de entregar.
Certa será a coisa determinada, perfeitamente caracterizada e individuada, dife­
rente de todas as demais da mesma espécie.
O que foi objeto da obrigação, a coisa certa, servirá para o adimplemento da
obrigação. Tanto que o Código de 1916 falava no art. 863 que “o credor de coisa
certa não pode ser obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa”. Ou na dicção
do art. 313 do atual Código, que se reporta à prestação: “O credor não é obrigado
a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.” Sempre
se teve esse princípio como básico para a obrigação de dar coisa certa, conforme
antiga regra do Direito Romano: aliud pro alio, invito creditore, solvi non potest
( Digesto 12,1, 2 ,1 ) (ideia de que o credor não pode ser obrigado a receber uma
coisa por outra). Assim, da mesma forma que o credor não pode ser obrigado a
receber prestação diversa do avençado, ainda que mais valiosa, não pode este
mesmo credor exigir outra prestação, ainda que menos valiosa. É corolário dessa
regra o princípio pelo qual os contratos devem ser cumpridos tal qual foram ajus­
tados (pacta sunt servanda).3
Desse modo, ainda que estivesse ausente o texto na lei, o princípio seria ple­
namente aplicável conforme as regras gerais. O presente Código coloca a regra
no capítulo do pagamento.
Na dação em pagamento (arts. 356 a 359), um dos meios de extinção das
obrigações, uma coisa é dada por outra, mas com o consentimento do credor,
consentimento esse que é essencial ao instituto.
Destarte, o credor pode aquiescer em receber outra coisa, nessa modalidade
ora estudada, mas não pode ser obrigado a aceitar essa outra coisa.
3 “Locação de imóveis (finalidade residencial) - O locatário não ostenta legitimidade ad cau­
sam para requerer a extinção do contrato de fiança do qual não faz parte - O credor não é obrigado
a receber prestação diversa da qual lhe é devida, ainda que mais valiosa, de mais a mais, ainda
que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem
o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou - Recurso não conhecido em parte. Na parte
conhecida, não provido” (TJSP - Acórdão Apelação Cível 1080981-0/7,6-3-2011, Rei. Des. Antônio
Benedito Ribeiro Pinto).
“Competência - Exceção de incompetência - Prestação de serviços advocatídos - Revisão
contratual - Não incidênda do Código de Defesa do Consumidor - Liquidação extrajudicial da au­
tora que não enseja a invocação da vis atractiva, porque não há cogitar-se do foro universal, como
ocorre na falência - Subsistência, na hipótese, do princípio do pacta sunt servanda, prevalecendo
o foro de eleição escolhido pelas partes - Ainda que assim não fosse, o foro do domicílio da ré
(sodedade de advogados), como regra geral, é o competente para processar e julgar a demanda
revisional proposta pela agravante - Decisão que acolheu a exceção de incompetência oposta pela
ré, mantida - Recurso não provido” (TJSP - AI 1.064.087-0/0, 30-1-2007, 25a Câmara de Direito
Privado - Rei. Vanderci Álvares).

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

61

Não pode também o devedor adimplir a obrigação, substituindo a coisa que é
seu objeto por dinheiro, pois estaria transformando arbitrária e unilateralmente
uma obrigação simples em obrigação alternativa.
Da mesma forma, o pagamento parcelado só é possível se expressamente
convencionado. Temos o preceito do art. 431 do Código Comercial que atinge
esse princípio.
O efeito da obrigação de restituir é análogo, mas deve ser levado em conta
que nesse tipo o agente deve receber em retom o aquilo que lhe já pertence.
O princípio da acessoriedade aplica-se à obrigação de dar coisa certa (art.
233). Trata-se de aplicação do princípio geral do art. 92, por nós examinado em
Direito civil: parte geral (seção 16.8). Ressalta, porém, o art. 233 que o princípio
geral da acessoriedade pode não vingar se o contrário resultar do título, ou das
circunstâncias do caso. É exemplo o caso de locação de imóvel que necessaria­
mente não abrange também a cessão de linha telefônica, salvo se expressamente
exposto no contrato.
O art. 233 tem que ser entendido em consonância com o 237. Por esse dis­
positivo,
“até à tradição, pertence ao devedor a coisa com os seus melhoramentos e
acrescidos pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir
poderá o devedor resolver a obrigação”.
A contradição é apenas aparente. O devedor deve entregar os acessórios (art.
233), mas, se houver acréscimos na forma do art. 237, os chamados cômodos,
pode o devedor cobrar p or eles a respectiva importância.
Note que os acessórios de que fala a lei são tanto aqueles de natureza corpórea, como aqueles de natureza incorpórea. É o exemplo citado por Washington
de Barros Monteiro: ao se efetuar a entrega da coisa alienada, o alienante, por
força de lei, assume a obrigação de responder pela evicção, de acordo com o art.
447. Podem, no entanto, as partes abrir mão dessa garantia. A exclusão, contudo,
deve vir de forma expressa.

6.2.2.1 Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa na obrigação
de dar coisa certa
No tocante à perda ou deterioração da coisa nessa modalidade de obrigação,
a diretriz tomada por nosso Código é separar o momento anterior e o momento
posterior à tradição da coisa.
Perda, na técnica de nossa ciência, é o desaparecimento completo da coisa
para fins jurídicos. Assim, se a coisa é destruída por incêndio ou é furtada, no sen­
tido ora tratado, temos que houve perda, desaparecimento total do objeto para

62

D ire ito Civil • V enosa

fins patrimoniais. Quando, por outro lado, a coisa sofre danos, sem que desapa­
reça, como por exemplo um acidente que a danifique parcialmente, fala a lei de
deterioração da coisa, porque aqui a lei quer exprimir a perda parcial. Com isso,
há diminuição de seu valor, tendo em vista perda de parte de suas faculdades, de
sua substância ou capacidade de utilização.4
Como observa Álvaro Villaça Azevedo (2001:81), seriam de melhor entendi­
mento as expressões perda total e perda parcial da coisa, mas os vocábulos perda
e deterioração acham-se consagrados no uso jurídico.

4 “Ação de indenização. Seguro de carga transportada. Roubo do caminhão onde estava acondicionada a mercadoria. Negativa à cobertura. Alegação de que o crime consistiria caso fortuito, excludente da cobertura constante no contrato. Cláusula genérica e impossível de gerar compreensão
quanto a sua abrangência pelo consumidor. Dúvida que se resolve em favor deste. Verba ressarcitória devida. Sentença reformada. Recurso provido. As empresas seguradoras não são obrigadas a
garantir irrestritamente todo e qualquer tipo de dano que possa acometer os bens segurados. A elas
é lícito, ao contrário, a previsão de restrições, desde que claras no momento da contratação, a ponto
de permitir que o beneficiário saiba quando e como não receberá o seguro (art. 54, § 4° do CDC).
In casu, havendo perda das mercadorias em face de roubo, indevida a negativa fulcrada na cláusula
em que há restrição por ‘caso fortuito ou força maior’, inábil a gerar a completa percepção quanto
a sua abrangência, e capaz de ensejar a recusa em qualquer situação. De mais a mais, em cláusulas
de difícil compreensão, a dúvida resolve-se em prol do consumidor. Por conseguinte, forçosa a in­
cidência da cobertura contratual no caso em tela” ( TJSC - Acórdão Apelação Cível 2004.002663-3,
de São Lourenço do Oeste, 27-11-2007, Rei. Des. Maria do Rocio Luz Santa Ritta).
“Apelação dvel. Responsabilidade civil pelos riscos da coisa. Compra e venda de gado para
engorde e abate. Morte de semovente após operada a tradição. Ônus do prejuízo que recai sobre
o adquirente. Improcedênda da ação. Tendo o Juiz julgado a demanda em estrita observância aos
pedidos deduzidos pelas partes, ainda que por fundamentos diversos daqueles declinados na ini­
cial, não há falar em nulidade da sentença por extra petita. Em matéria de responsabilidade civil
pelos riscos da coisa, em obrigação de dar coisa certa, vigora o princípio do res peret domino. Assim,
em se tratando de compra e venda de gado para engorde e abate, a morte de animal ocorrida após
a tradição, e sem culpa do vendedor, implica em prejuízo do adquirente. Inteligência do art. 234,
combinado com o art. 492, caput e parágrafos, do CC/02. Apelação não provida” ( TJRS - Acórdão
Apelação Cível 70028503571,17-9-2009, Rei. Des. Liége Puricelli Pires).
“Dano moral - Responsabilidade Civil - Bem móvel - Ação redibitória c. c. indenizatória Veículo zero quilômetro vendido com vícios ocultos (reparos de funilaria e pintura) - Dano moral
configurado - Impossibilidade de redibição, por perecimento do bem sem nexo com os vícios ocul­
tos - Recurso provido em parte” (T J S P - Ap. Cível 931.593-0/1,10-11-2008,25* Câmara de Direito
Privado - Rei. Antônio Benedito Ribeiro Pinto).
“Apelação d vel - Busca e apreensão - Alienação fidudária - Perecimento do bem - Força
maior - Perda superveniente do interesse de agir - Extinção da busca e apreensão - Cobrança do
crédito remanescente em ação própria - Revisão de dáusulas abusivas - Impossibilidade. O pere­
cimento do bem em decorrência de addente de trânsito configura hipótese de força maior, ante a
impossibilidade de devolução do bem ao banco, levando à extinção do feito em razão da perda su­
perveniente do interesse de agir. O crédito remanescente do credor fiduciário, bem como a revisão
das cláusulas que o devedor fidudário entende abusivas pode ser pleiteado nas vias ordinárias, em
ação própria” (TJMS - Ap. Cível 2006.020318-5/0000-00, 14-5-2007, 3* T\irma Cível - Rei. Des.
Rubens Bergonzi Bossay).

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

63

Verdadeiro divisor de águas quanto à responsabilidade na perda ou deterio­
ração é a existência ou não de culpa por parte do devedor. Sempre que houver
culpa, isto é fundamental, haverá direito a indenização p or perdas e danos.
O Código destingue a perda da coisa antes e depois da tradição.
Na forma do art. 234, se a coisa se perder “sem culpa do devedor, antes da
tradição, ou pendente condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as
partes”. Assim, se o devedor se obrigou a entregar um cavalo e este vem a falecer
por ter sido atingido por um raio, no pasto, desaparece a obrigação, sem ônus
para as partes, devendo ambas voltar ao estado anterior. Isto é, se o cavalo já fora
pago pelo comprador, evidentemente deve ser devolvido o preço, com atualiza­
ção da moeda. Contudo, como não houve culpa, não se deve falar em perdas e
danos. O fato de não ter havido culpa do devedor não pode significar um meio de
injusto enriquecimento de sua parte, ou, do outro lado da moeda, injusto empo­
brecimento do comprador, matéria que estudaremos mais adiante.
Continua o art. 234, em sua segunda parte: “se a perda resultar de culpa do
devedor, responderá este pelo equivalente, mais as perdas e danos” . Conforme o art.
402, “as perdas e danos devidos ao credor abrangem, além do que ele efetivamente
perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”. No novel Código: “A indenização
mede-se pela extensão do dano” (art. 944). Ocupar-nos-emos das perdas adiante.
Todavia, apenas para uma primeira compreensão, no exemplo apresentado, se o
devedor se obrigou a entregar um cavalo e este vem a falecer porque não foi devi­
damente alimentado, entra em operação o art. 234, segunda parte. Deve o deve­
dor culpado pagar o valor do animal mais o que for apurado em razão de o credor
não ter recebido o bem, como, por exemplo, indenização referente ao fato de o
cavalo não ter participado de competição turfística já contratada pelo comprador,
ou seu valor de revenda a que este comprador já se obrigara.
O art. 235 ocupa-se da deterioração da coisa (perda parcial): “deteriorada a
coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação ou aceitar,
abatido ao seu preço o valor que perdeu”. A deterioração da coisa acarreta sempre
uma depreciação. Não sendo o devedor culpado, abrem-se duas alternativas ao
credor: resolver a obrigação, recebendo a restituição do preço, se já tiver pago; ou
então aceitar a coisa, no estado em que ficou, abatendo-se em seu preço o valor
da depreciação. Essa disposição é conseqüência do disposto no art. 313, uma vez
que o credor não pode ser obrigado a receber outra coisa, que não a efetivamente
contratada. Com a deterioração, a coisa já não é a mesma e, portanto, não pode
o credor ser obrigado a recebê-la. Daí por que a solução alternativa do Código.
Assim, se o credor adquire um cavalo para corrida e o animal vem a contrair
moléstia que o impede de competir, servindo apenas para reprodução, o compra­
dor poderá dar por resolvida a obrigação, se não mais pretender a coisa, ou rece­
ber o semovente, abatendo-se o preço respectivo, levando-se em conta o valor de
um animal para reprodução e não mais para competições.

64

D ire ito Civil • V enosa

O art. 236 ocupa-se da deterioração da coisa com culpa do devedor:
“sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente ou aceitar a
coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro
caso, indenização de perdas e danos”.5
Como enfatizamos, sempre que houver culpa, haverá possibilidade de in­
denização por perdas e danos. Aqui, o credor terá a alternativa de receber ou
enjeitar a coisa, mas sempre com direito de haver perdas e danos. O valor da
indenização será apurado, geralmente, por intermédio de perícia.
Em todas essas situações, a orientação do presente Código é exatamente a
mesma do estatuto anterior.
Pelo que se descreveu, até a tradição da coisa, cabe ao devedor a obrigação
geral de diligência e prudência em sua manutenção, devendo velar por sua con­
servação e defendê-la contra o ataque de terceiros, valendo-se, também, se for
necessário, dos meios judiciais para atingir tal proteção. É exatamente no exame
da diligência do devedor que se vai apurar se houve culpa sua na perda ou dete­
rioração da coisa, para a aplicação dos dispositivos ora examinados.
A tradição da coisa faz cessar a responsabilidade do devedor. Se a coisa pere­
ce após a entrega, o risco é suportado pelo comprador. Não se trata aqui, porém,
de analisar os vícios redibitórios, cujo exame faz por concluir por outra solução,
como veremos em Direito civil: contratos em espécie e responsabilidade civil. É cla­
ro que, mesmo após a entrega, se houve fraude ou negligência do devedor, este
deve ser responsabilizado. Por outro lado, o credor pode ser colocado em mora,
quando a coisa for posta a sua disposição no tempo, lugar e modo ajustados, cor­
rendo por conta dele os riscos (art. 492, § 2Ô).
Portanto, antes da entrega da coisa, tem aplicação o princípio res perit do­
mino (a coisa perece com o dono), descrito nos arts. 234 e 235. Na obrigação de
restituir, a seguir estudada, veremos que, embora o mecanismo seja diverso, o
princípio é idêntico nos arts. 238 e 240. Havendo perda ou deterioração da coisa,
sem culpa do devedor, nas obrigações de entregar ou restituir, é sempre o dono
que arca com o prejuízo.
5 “Bem m óvel - Obrigação de fazer - Compra e venda de veículo automotor - Transferência do
contrato de financiamento e pagamento das parcelas vincendas do financiamento - Descumpri­
mento incontroverso - Retomada - Admissibilidade - Devolução do preço pago, deduzida taxa
devida pelo período de utilização do bem (motocicleta) - Ação parcialmente procedente - Recur­
so parcialmente provido. Restando incontroverso que o acionado não efetuou a transferência da
responsabilidade contratual junto à financeira, deixando, ainda, de pagar as parcelas do finan­
ciamento, tem-se por configurado o descumprimento do contrato de venda e compra que, ante a
impossibilidade de concretização da transferência, determina a devolução do veículo (CC/2002,
art. 236), nos termos pactuados. Natureza dúplice do pedido alternativo possessório que autoriza
a formulação de pedido de restituição do preço pago, descontada a taxa devida pelo período de
utilização do bem. Recurso parcialmente provido” (TJSP - Ap. 992.08.045733-8 - São Paulo - 35*
CDPriv. - Rei. Melo Bueno - DJe 3-11-2010 - p. 921).

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

65

6.2.2.2 Melhoramentos, acréscimos e frutos na obrigação de dar coisa
certa
Assim como a coisa pode perder-se, ou seu valor ser diminuído, pode ocor­
rer que, no tempo compreendido entre a constituição da obrigação e a tradição
da coisa, esta venha a receber melhoramentos ou acrescidos. São os cômodos na
obrigação. É o caso, por exemplo, da compra de um animal que fique prenhe
quando se der a tradição.
Esse fenômeno, sem dúvida, altera a situação jurídica da obrigação.
Enquanto não ocorrer a tradição, a efetiva entrega da coisa, esta pertence ao
devedor e, por conseqüência, os melhoramentos e acrescidos pertencerão a ele.
O princípio legal está no art. 237:
“até à tradição, pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e
acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço. Se o credor não anuir,
poderá o devedor resolver a obrigação”.
Assim como o devedor perde quando a coisa desaparece ou diminui de va­
lor, deve ganhar quando ocorre o oposto, quando há aumento no valor da coisa.
Deve ser lembrado, no entanto, que essa regra geral poderá comportar exceções:
se o devedor promoveu o acréscimo ou melhoramento com evidente má-fé, para
tumultuar o negócio, ou dele obteve maior proveito, é claro que o princípio, pela
lógica, não poderá prevalecer.
Por esse princípio, contudo, fica bem clara a distinção feita em nossa lei para
o momento em que nasce o direito real: enquanto não ocorrer a tradição, para os
móveis, e a transcrição para os imóveis, não há direito real. Até esses fenômenos só
existe direito obrigacional, pessoal; caso contrário, as regras aqui expostas dos ris­
cos e dos cômodos (melhoramentos e acrescidos) da obrigação não se aplicariam.
O citado art. 237, parágrafo único, trata dos frutos dizendo: “os frutos perce­
bidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes}\
Em Direito civil: parte geral, ao falarmos dos bens, tratamos dos frutos (seção
16.8.1). Como vimos, frutos são riquezas normalmente produzidas por um bem,
podendo tanto ser uma safra, como os rendimentos de um capital. No tocante às
obrigações de dar coisa certa, o Código atém-se aos frutos naturais. Os pendentes
são do credor e os percebidos são do devedor. Os frutos pendentes são acessórios
e acompanham o destino da coisa. Os percebidos já foram separados e já estão
com o possuidor.

6.2.2.3 Obrigações de restituir
A obrigação de restituir, abrangida pela lei dentro das obrigações de dar coi­
sa certa, é aquela que tem por objeto uma devolução de coisa certa, por parte do

66

D ire ito Civil • V enosa

devedor, coisa essa que, por qualquer título, encontra-se em poder do devedor,
como ocorre, por exemplo, no comodato (empréstimo de coisas infungíveis), na
locação e no depósito.
Na obrigação de restituir coisa certa, a prestação consiste na devolução da
coisa ao credor, que já era seu proprietário ou titular de outro direito real, em
época anterior à criação da obrigação.
Há diferença fundamental entre a obrigação de dar coisa certa e a obrigação
de restituir. Na obrigação de dar, a coisa pertence ao devedor até o momento da
tradição, recebendo o credor o que, até então, não lhe pertencia. Na obrigação
de restituir, pelo contrário, a coisa já pertencia ao credor, que a recebe de volta,
em devolução.
Em se tratando, portanto, de espécies diferentes, as regras no que concerne
aos riscos, melhoramentos, acréscimos e frutos são também diversas da obriga­
ção de dar coisa certa.

Ó.2.2.4 Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa na obrigação
de restituir
A hipótese de perda está disciplinada no art. 238:
“Se a obrigação fo r de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor,
se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolve­
rá, salvos, porém, a ele os seus direitos até o dia da perda.”
Vigora aí o mesmo princípio referido: “res perit domino”. Resolve-se a obriga­
ção porque desapareceu seu objeto. Ressalva, contudo, a lei os direitos do credor
até o dia da perda, tais como aluguéis, seguro etc.
Se, no entanto, a coisa se perder por culpa do devedor, vigorará o disposto no
art. 239. O atual Código preferiu ser mais explícito nesse artigo: “Se a coisa se per­
der por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.”6
O devedor, que tem coisa alheia sob sua guarda, deve zelar por ela. Caso, por
desídia ou dolo, a coisa se perca, deve repor o equivalente, com perdas e danos.
Não devemos esquecer o que se afirmou, com ênfase, anteriormente, que sempre
haverá direito a perdas e danos quando ocorrer culpa.
6 “Declaratória de inexistência de débito. Autora declara em juízo que era sua a responsabilida­
de em caso de subtração das joias que pertenciam à ré. Obrigação de dar coisa certa na modalidade
restituir. Na obrigação de restituir, a coisa pertence ao credor, mas se encontra temporariamente
com o devedor e perecendo a coisa por culpa deste último, ou assumindo ele o dever de ressarcir os
prejuízos ocorridos, inclusive em caso de subtração, compete ao mesmo devedor repor o valor equi­
valente à coisa perecida. Art. 239 do CC. Sentença de improcedênda mantida. Recurso não provi­
do” (TJSP - Acórdão Apelação Cível 991.09.038733-4,28-4-2010, Rei. Des. Roberto Mac Cracken).

C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s

67

Exemplo esclarecedor é o do comodato. O comodatário tem obrigação de
restituir a coisa emprestada e responderá pelo dano ocorrido, ainda que derivado
de caso fortuito ou força maior, se antepuser a salvação de seus próprios bens,
abandonando os bens emprestados (art. 583).
No caso de deterioração da coisa restituível, sem culpa do devedor, o credor
deverá recebê-la, tal qual se ache, sem direito à indenização (art. 240).7 Nesse
caso, não há razão jurídica para que ocorra qualquer indenização. Por outro lado,
se a deterioração ocorreu por culpa do devedor, a solução é a do art. 239. Res­
ponderá o devedor pelo equivalente, mais perdas e danos: o credor pode exigir o
equivalente ou aceitar a devolução da coisa tal como se encontra, com direito a
reclamar, em qualquer das duas hipóteses, indenização das perdas e danos.

6.2.2.5 Melhoramentos, acrésdmos e frutos na obrigação de restituir
Dispõe o art. 241: “Se no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acrés­
cimo à coisa, sem despesas ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de
indenização.”
Como a coisa pertence já ao credor, antes mesmo do nascimento da relação
obrigacional, aumentado de valor, lucrará o credor, uma vez que para o acrésci­
mo não concorreu o devedor. É o caso, por exemplo, do empréstimo de um objeto
de ouro. Se durante o empréstimo o ouro sofrer grande valorização, a vantagem
é do credor.
Por outro lado, se a coisa sofre melhoramento ou aumento em decorrência
de trabalho ou dispêndio do devedor, o regime será o das benfeitorias (art. 242).
Tratamos perfiinctoriamente das benfeitorias em Direito civil: parte geral (seção
16.8.2). Vimos que sua divisão é tripartida, de acordo com o art. 96 do Código.
Vimos que as conseqüências da classificação em uma das três categorias são gran­
des, na forma dos arts. 1.219 ss. Importa saber se o melhoramento ou acréscimo
decorreu de boa ou má-fé do devedor. Estando de boa-fé, tem o devedor direito
aos aumentos ou melhoramentos necessários e úteis. No que tocar aos voluptuá7 “Apelação dvel. Ação de indenização por danos materiais e morais. Addente de trânsito. ‘Denunciação da lide à empresa proprietária do veículo causador do addente e contratada da apelante
corretamente indeferida pelo juiz de primeiro grau.’ ‘Ilegitimidade ativa do condutor da motocideta para pleitear os danos causados a ela, tendo em vista que era mero possuidor do veículo na
ocasião do acidente (art. 240 do CC/2002, c.c. art. 6Qdo CPC).’ ‘Comprovação da culpa e responsa­
bilidade dos réus, bem como dos danos morais e lucros cessantes.’ ‘A indenização devida em razão
do afastamento do autor de suas atividades profissionais durante o período de convalescença deve
tomar por base o salário-mínimo vigente à época do arbitramento da indenização, sob pena de vio­
lação do art. 7o, iy in fine, da Constituição.’ ‘Indenização a título de dano moral reduzida para R$
16.000,00, valor considerado prudente, razoável, proporcional e equitativo em função dos danos
sofridos.’ ‘Sentença reformada, em parte. Apelo parcialmente provido”’ (TJSP - Acórdão Apelação
Cível 1.244.180-0/2, 5-8-2009, Rei. Des. Pereira Calças).

68

D ire ito Civil • V enosa

rios, se não for pago o respectivo valor, poderá o devedor levantá-los, desde que
não haja detrimento para a coisa.
De acordo com os princípios que regem as benfeitorias, o devedor de boa-fé
tem direito de retenção. O direito de retenção é uma faculdade negativa. O que
detém a coisa, legitimamente, pode manter essa retenção até que seja indeniza­
do das despesas e dos acréscimos que fez. São seus pressupostos, em primeiro
lugar, a legítima detenção da coisa sobre a qual se pretende exercer o direito; em
segundo lugar, que exista um crédito por parte do retentor e, em terceiro lugar,
que exista um acréscimo do retentor. A o estudarmos as garantias de execução
das obrigações neste volume, voltaremos ao assunto. Todavia, neste primeiro
enfoque, tendo em vista o tópico agora estudado, é importante que a noção já
seja fixada. Processualmente, o retentor pode opor embargos de retenção, na
forma do art. 745 do CPC (alterado pela Lei nfi 11.382/2006). O § 1° do art.
mencionado faculta ao exequente requerer a compensação de seu valor com o
dos frutos ou danos considerados devidos pelo executado. Existindo controvér­
sia quanto a apuração dos valores a serem compensados, pode-se valer o juízo
do trabalho de perito. Pela nova dicção legal persiste, o direito de retenção como
meio de defesa que se manifesta antes de qualquer medida judicial, por interesse
e iniciativa do detentor.
Por aplicação do art. 242, quando o melhoramento ou acréscimo decorreu
de atividade do devedor, para sabermos se ele tem direito de retenção, cumpre,
portanto, examinar se agiu com boa ou má-fé. Se, como vimos, o devedor de boa-fé é tratado com benevolência, o devedor de má-fé só terá direito à indenização
pelos acréscimos necessários, não devendo ser ressarcido pelos melhoramentos
úteis, nem podendo levantar os acréscimos voluptuários (art. 1.220).
Conforme o princípio do art. 1.221, o melhoramento ou acréscimo são com­
pensados com eventual dano e só haverá direito de ressarcimento se, no momen­
to do pagamento, ainda existirem.
O art. 1.222, também aplicável, por força do art. 242, dispõe que o credor,
ao indenizar as benfeitorias (no caso, trata-se de melhoramentos ou acréscimos),
tem direito de optar entre seu valor atual e seu custo. Mesmo levando em conta
que devemos corrigir os valores monetariamente, pode ocorrer diferença entre os
dois parâmetros facultados pela lei. O que a lei quer impedir é o enriquecimento
injustificado, tanto de uma, como de outra parte.
O parágrafo único do art. 242 dispõe que, quanto aos frutos percebidos, observar-se-á o disposto acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé: “Quanto aos
frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste Código, acerca do
possuidor de boa-fé ou de má-fé.”
Sobre frutos demos primeira noção em Direito civil: parte geral (seção 16.8.1).
O devedor de boa-fé tem direito, enquanto a boa-fé durar, aos frutos percebidos
(art. 1.214). “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituidos depois de deduzidas as despesas de produção e custeio” (art. 1.214, parágrafo

o problema não se põe. ainda não houve transmissão da propriedade. 1.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 69 único). deixou de perceber. após a constituição em mora do devedor. porém. porém. pode ser obrigado a fazê-lo. A execução específica ou in natura só deve ser banida.216 estipula que o devedor de má-fé responde (íp or todos os frutos colhidos e percebidos. ou se há meio de obrigar o devedor a entregar a coisa. quando a coisa já pertencia. 6. Em qualquer hipótese. Nas obrigações de dar coisa certa. ao credor. antes mesmo do nascimento da obrigação. por força do art. não se deve esquecer de que se trata de obrigação de restituir. às despesas de produção e custeio”. . recusando-se a entregar a coisa na obrigação de dar coisa certa. da atual Lei do Inquilinato. a obrigação de restituir é aquela que mais facilmente permite a execução em espécie. 47. tem direito. De qualquer forma.2. Todavia. No caso de cessão de imóvel para moradia em razão de relação de emprego. desde o momento em que se constituiu de má-fé. Reprimindo o dolo e a má-fé. v. "quando a execução direta fo r impossível ou dela resultar constran­ gimento físico à pessoa do devedor” (Rodrigues. desaparecendo a razão de permanência dela em poder do devedor. a ação para reaver o imóvel é a ação de despejo.6 Execução da obrigação de dar coisa certa Questão importante é saber se o devedor. razão não há para a recalcitrância e deve a lei munir o credor de instrumentos para havê-la. o Direito não pode tolerar a injusta recusa. por qualquer razão. É claro que a execução in natura é impossibilitada se a coisa não mais existe.2. bem como pelos que. é importante a dúvida quanto a se restará ao credor. Na obrigação de restituir. 1981. II. uma vez terminada a relação de emprego. substituindo-se por perdas e danos. 2:28). se a coisa está na posse e no patrimô­ nio do devedor. porém. o credor tem meios processuais para reavê-la. por exemplo. porque a coisa pertence ao próprio credor e. solução processual para todas as situações. Em todos esses casos. contra o devedor recalcitrante. tão só o pedido de indenização por perdas e danos. No caso de comodato. É do mesmo dispositivo o princípio de que os frutos colhidos com antecipação devem também ser restituídos. p or culpa sua. o credor poderá ingressar com ação de reintegração de posse. o art. A lei manda deduzir tais despesas para impedir o injusto enriquecimento. e do registro dos imóveis. Não é. como antes da tradição dos mó­ veis.

Posteriormente. a princípio de valor certo e imutável. abriram-se exceções para as obrigações contraídas no ex­ terior. Dessa forma. ou o pagamento em moeda estrangeira. nacional ou estrangeira.501. nos títulos de crédito. uma vez que este ainda inexiste. Nesse caso. permitindo e obrigando. dada sua fácil mobilidade.70 D ire ito Civil • V enosa Note que a ação. pois etimologicamente o vocábulo refere-se a pecus (gado). não versando sobre o domínio. Para distingui-la dessa modalidade. Diz-se “pecuniária”. porque na Antiguidade os animais desempenhavam papel das trocas. portanto. no vencimento. Daí por que o CPC. ao menos no capítulo ora estudado. trata da execução para entrega de coisa certa. nos arts. independentemente de uma cifra determinada e criada ab initio.899/81. mas uma sim­ ples medida de valor. pelo Decreto nQ23. Era lícita. era possível às partes estipular qualquer pagamento em dinheiro mediante certa e determinada espécie de moeda. em que o devedor se compromete a pagar quantia certa. Em 27-11-1933. 1979:32). seria o montante exato e necessário para satisfazer ao credor. O fato é que com a generalização da correção monetária. a convenção da chamada cláusula ouro. alguns autores arquitetaram a distinção entre as chamadas dívidas de valor e dívidas de dinheiro. proibiu-se qualquer estipulação em ouro. O que se levaria em conta. É o que ocorre­ ria. Incluíam-se entre as dívidas de valor aquelas derivadas de obrigações alimen­ tícias e as decorrentes de indenização por responsabilidade extracontratual. a regra do nominalismo regula todas as obrigações que tenham por objeto o pagamento em dinheiro. ou qualquer outra moeda que não a nacional. a obrigação pecuniária constitui-se em uma dívida de dinheiro. cominando a pena de nuli­ dade. temos que a distinção. Nesse diapasão. admitida legislati­ vamente para os débitos ajuizados pela Lei nQ6. a moeda não representaria exatamente o conteúdo da dívida. por exemplo.3 Obrigações Pecuniárias Obrigação pecuniária é a que tem como objeto certa quantia em dinheiro. 431 do Código Comercial de 1850. A obrigação de pagar dívida em dinheiro é obrigação de dar. . O Código Civil de 1916 não se ocupou especificamente dela. reclamando o cumprimento de uma obrigação. 621 ss. 6. a execução in natura. sempre que possível. ocorrendo o mesmo com o recém-chegado Código. é pessoal e não real. falou-se das dí­ vidas de valor: “em que o débito não é de certo número de unidades monetárias mas do pagamento de uma soma correspondente a certo valor” (Wald. em que entram fatores relacionados com países estrangeiros. Premidos pela problemática da desenfreada inflação que nos afligiu e sempre está latente. Na redação original do art. quando do adimplemento. bem como outros casos assemelhados.2.

porque os índices de inflação de­ correm do exame da flutuação dos valores de certos bens e serviços. Não resta dúvida.Possi­ bilidade . a citada Lei nô 6. às operações financeiras e aos contratos de fornecimento futuro de bens ou serviços. porém. as cláusulas específicas de correção monetária. Assim. tomando-se por base os valores de certos bens ou serviços no momen­ to do adimplemento. Felizmente.Arrendamento mercantil .899/81 determinou a correção dos débitos ajuizados. como queira encarar o leitor. Contudo. com exceções referentes aos reajustamentos salariais. que contratualmente as partes avençassem essa revalorização. A Lei nQ 6. Ocorre que. a exata desvalorização da moeda. deixou de ter a importância de que já gozou. Os tecnocratas deste país devem achar a solução. no caso. abrindo exceção para os contratos de trabalho. contudo.423/77 determinou que o índice a ser observado fosse aquele das extintas Obrigações Reajustáveis do Te­ souro Nacional (O R TN ). não cabe ao jurista averiguar.Comissão permanência . é verdade. Sempre se admitiu.Desequilíbrio contratual . Não deixam de ser uma espécie de escala móvel. A imposição estatal. não sem certa re­ sistência. quer aquelas entre particulares.Existem dois tipos de proibições no nosso ordenamento jurídico quanto a utilização da moeda estrangeira na seara contratual: (I) é vedado o pagamento em espécie.205/75 proibiu que se fizesse a correção monetária de acordo com as variações do salário-mínimo.Repartição equitativa entre as partes . embora com muito atraso. de nossos tribunais. que não seja a moeda cor- . não afasta a possi­ bilidade do injusto enriquecimento. A Lei nQ6. Foram e permanecem sendo vá­ rios os índices de revalorização dos débitos em face da diminuição do poder aqui­ sitivo da moeda de curso forçado. servindo para amparar o credor em face da inflação. quer aquelas que tenham como parte o Estado. ou não corrigimos nenhuma. porém. pondo fim à situação vexatória que tom ava o Poder Judiciário uma arma de moratória e do enriquecimento ilícito dos maus pagadores. Destarte. no afã de “dar a cada um aquilo que é seu”. A partir de 1975.Revisão contratual . embora com características próprias. com raras e honrosas exce­ ções.1 . ou para os economistas oficiais. ou corrigimos todas as dívidas. foram tomadas medidas legislativas para tolher a liberdade de escolha do índice de reajustamento pelas partes. Se o fenômeno da correção da moeda é bom ou mau. resta a consolação de saber que o problema não é só nosso. pouco a pouco a obrigação que era exclusivamente pecuniária achou denominador comum na dívida de valor. as denominadas cláusulas de escala móvel permitem estabelecer pre­ viamente possibilidade de revisão no valor dos pagamentos pecuniários a serem efetuados. É patente que os índices oficiais nunca refletem. com a desvalorização da moeda e a ferrenha defesa do princípio do nominalismo.8 8 “Ação ordinária . Trata-se de mais uma batalha que o Direito perde para a Economia. de que a teoria engendrada das dívidas de valor cumpriu efetiva­ mente sua missão.Indexação ao dólar . por uma série de razões.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 71 de certa forma artificial. mas atinge até mesmo as mais sólidas economias do mundo. em época na qual os juristas se mostravam perplexos perante as iniquidades que ocorriam.

Ap. para o fim de indexação das prestações devidas em reais. 4 .Comissão de permanência.Incompatibilidade dos encargos com o instituto do leasing por ausência de previsão contratual . Pedro Ablas).Prefaciai rechaçada . Silvério Ribeiro).Irregularidade não verificada .14* Câmara de Direito Privado .Rei.Rei.Código de Defesa do Consumidor .Rei. 10-8-2011. cabendo aos juristas encontrar soluções para os novos fatos sociais.Acréscimo de taxas.72 D ire ito Civil • V enosa A excessiva inflação.837-3. é direito do consumidor revisionar o contrato de forma a extirpar a abusividade . porém. em razão da natureza manifes­ tamente potestativa da respectiva cláusula contratual.Decisão que se atém aos limites da lide . contando-se os contratados em conta apartada. I o. 6o. inciso I da Lei Federal nfi 10. Não resta dúvida de que.Admissibilidade. No entanto.Tabela Price . (II) é vedada a utilização da moeda estrangeira como cláusula de escala móvel.Majoração do saldo devedor em progressão geométrica . dado em excesso ao paciente.Fator de correção monetária que deve ser substituído pelo INPC.4/0-00. Wagner Wilson). da mesma forma.Cédula de crédito comercial . porquanto inexiste segurança quanto ao efetivo percentual utilizado na atualização do débito” ( TJMG .Tendo havido manifesto desequilíbrio contratual.Preliminar .Inadmis­ sibilidade . sem que haja a realimentação do capital.830. devolução de VRG e cláusula de escala móvel . conforme orientação do STJ Recurso provido para julgar procedente a ação” (T J S P .Pactuação em moeda estrangeira .Não incidência da TR para a correção monetária das parcelas pós-construção e do saldo devedor .Ap. caímos exatamente na exceção legal.A estipulação da comissão de permanência com base em taxas flutuantes do mercado não pode ser admitida. encargos e juros.Recurso não provido” (TJSP . 5* Câmara de Direito Privado . o vedado anatocismo .Ap.192/2001 c/c art.Juros remuneratórios e capitalização . 16* Câmara . uma vez que também há no título o valor já convertido em moeda nacional e o pagamento se dará em Real .Rei. 6° da Lei nQ8.Credor que optou pela cobrança judicial de dívida . 9 “Compromisso de compra e venda .Possibilidade . onde é permitida a indexação pelo dólar. a solução adequada é repartir de forma equânime entre as partes.Ocorrênda . atualmente.Recurso não conhecido nos pontos .Sistema financeiro da habitação .Acórdão 1.161.Recurso parcialmente conhecido e parcialmente provido” (TJSC .880/94.Dação em pagamento que não se efetivou .Banco .Em se tratando de contrato de arrendamento mercantil. parágrafo único. B.531 do Código Civil de 1916 Alegação de coação não comprovada . o reajuste excessivo.25-4-2007.Revisão de contrato de arrendamento mercantil . 27-6-2007. causaria desequilíbrio contratual.Ofensa à Lei de Usura e à Súmula 121 do STF . 2* Câmara . 3 .05.296. assim. inciso V do CDC. “Apelação cível . substituir a indexação do dólar pelo INPC é transferir única e ex­ clusivamente ao arrendante todo o ônus da desvalorização da nossa moeda o que.9 rente do país. à semelhança do remédio que. desde que computados os juros pelo sistema de juros simples.Inci­ dência.Aplicabilidade . pode matá-lo. 12-2-2011.776431-8/001.076100-9. 5 .Inaplicabilidade do artigo 1.Restituição/ compensação do indébito . há necessidade de completa revisão do sistema.Inocorrência . “Cambial . Cível 1.Relativização .Ausência de interesse recursal . J. ressalvadas as exceções previstas em lei. nesta parte” (TJSP . Cível 192.Conta corrente inativa . Precedentes do STJ. .Art.Minoração dos honorários .Impossibilidade .Recurso da instituição financeira .Sentença ultra petita . Cível 1.Acórdão 2008.Recursos dos embargantes não providos. sem dentificação ao correntista .Análise prejudicada .Rei* Des* Rejane Andersen).Com vistas a reequilibrar a relação contratual.Anatocismo . 17-12-2008.0024. Franco de Godói). 2 . só que desta vez onerando a outra parte contratante. “Instituição financeira . pode fazer transbordar o mecanismo de defesa que é a correção monetária. evitando. conforme o disposto no art. 23* Câmara de Direito Privado .Princípios da autonomia da vontade e da força obrigatória dos con­ tratos .244-7.

2* Câmara de Direito Privado .Rei.Ap. o art.100-4/8. essa modalida­ de introduzida de revalorização da obrigação somente pode operar no momento da execução. Assim. Ariovaldo Santini Teodoro). em moeda corrente e pelo valor nominal. um risco para a estabilidade das convenções e para a economia e outorga poder amplo ao julgador.Expurgo determinado .Necessidade . exceções dos artigos seguintes.Consignatória procedente . o valor real da prestação. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e a moeda nacional. no art. . como expressa a lei. p or motivos imprevisíveis.Precedente do Superior Tribunal de Justiça” ( TJSP .Juros capitalizados . contudo.Tabela Price . O art.Fato que não lhe confere o direito de alterar unilateralmente o valor dos pagamentos . sem dúvida. 316 estabelece ser lícito convencionar o aumento progressivo de pres­ tações sucessivas. O art.Admissibilidade .Alegada teoria da imprevisão por parte da seguradora . em que não se aplica a cláusula de ‘escala móvel’ de revisão . aplicação específica dos princípios da excessiva onerosidade que buscam evitar o enriquecimento injusto. Somente o futuro nos dirá se o legislador andou corretamente nessa direção. Nunca houve dúvidas de que as partes pudessem fixar os paga­ mentos nos valores que acordassem. 317 instrumentaliza o juiz de molde a que possa ele conceder a corre­ ção do poder aquisitivo da moeda no caso concreto: “Quando.Bem imóvel . As prestações sucessivas majoradas podem. O dispositivo ressalva. 3* Câmara de Direito Privado . “Seguro saúde . de modalidade de intervenção judicial na vontade pri­ vada.Ilegali­ dade da cobrança . 318.Hipótese. Esse ar­ tigo representa.Intervenção do Judiciário . Cível 454. Beretta da Silveira). 315 dispõe a regra geral: as dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 73 O Código Civil disciplina as obrigações pecuniárias quando cuida do objeto do pagamento e sua prova (arts. De qualquer forma. poderá o ju iz corrigi-lo. Cível 418. reitera o princípio acerca da nulidade da chamada cláusula-ouro ou da convenção do pagamento em moeda estrangeira: “São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estran­ geira. excetuados os casos previstos na legislação especial ” “Compra e venda .Recurso não provido” (TJSP . embutir juros e outros acréscimos. 31-10-2006.Aplicabilidade à hipótese do Código de Direito do Consumidor .Onerosidade excessiva .Rei. ademais.Pretendida consignação das parcelas e revisão contratual . quanto possível. cuja validade deve ser estudada no caso concreto.Financiamento .” Trata-se.Excessiva onerosidade imposta ao consumidor Sentença de procedência mantida . sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. sem dúvida. de modo que assegure. A imprevisibilidade nos contratos de trato suces­ sivo é a pedra de toque para o reconhecimento da excessiva onerosidade. 14-2-2006. O Código de 2002. porém.350-4/0-00. a pedido da parte.Ap. 313 ss).Reajuste .Configuração de anatocismo .Mensalidade .

A coisa é indicada tão somente pelos caracteres gerais. por seu gênero. por exemplo. Na obrigação de dar coisa certa. ainda que p or força m aior ou caso fo rtu ito ” (art.74 D ire ito Civil • V enosa Desse modo. As normas que regem o mercado financeiro autorizam a contratação em moeda estrangeira nos contratos internacionais e assemelhados. A posição do devedor na obrigação ora tratada é mais favorável porque se desvencilha do vínculo com a entrega de uma das coisas ou de um conjunto de coisas compreendidas no gênero indicado.2. Daí dizer o art. O Projeto de Lei nQ 6. Na obrigação de dar coisa incerta. mas suscetível de oportuna determinação. mas uma deter­ minação genericamente feita. já vista. não há como se cobrar diferença de câmbio se lei especial não autorizar. como o gênero nunca perece. de acordo com o contratado. antes da escolha “não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. A obrigação de dar coisa incerta constitui uma obrigação genérica. entregando a coisa determinada que se obrigou.” A incerteza não significa propriamente uma indeterminação. ou conforme estabelece a lei (trata-se do que a lei denomina concentração).8). como se sugeria. Nesse sentido. No entanto.960/2002 propõe. sua substituição pela palavra espécie. sua responsabilidade pe­ los riscos será maior: vimos que na obrigação de dar coisa certa. 318 entrosa-se com a política financeira do país e deve ser vista sempre em consonância com as leis que regem esse mercado. será obrigação de dar coisa incerta a de en­ tregar café tipo Santos. 245: “Cientificado o credor da escolha. se esta se perder sem culpa do devedor. vigorará . 6. O que a lei pretende dizer ao referir-se à coisa incerta é fazer referência a coisa indeterminada. Voltaremos a esse tema ainda neste capítulo (seção 6. ao menos. Como vimos. Uma vez feita a escolha. São obrigações de dar coisa incerta: entregar uma tonelada de trigo. a obrigação passa a ser regida pelos princípios da obrigação de dar coisa certa. 246). Já na obrigação genérica. pelo gênero e quantidade. quando do adimplemento. nesse artigo. fica resolvida a obrigação. O termo gênero desse dispositivo sempre foi criticado por não expressar exatamente a compreensão buscada pela norma. enquanto a obrigação de dar coisa certa é específica. disciplina o atual Código no art. uma vez que esta está perfeitamente caracteri­ zada na avença. Assim. 243: “A coisa incerta será indicada.4 Obrigações de Dar Coisa Incerta A obrigação de dar coisa incerta tem por objeto a entrega de uma quantidade de certo gênero e não uma coisa especificada. livros jurídicos. um milhão de reais ou cem grosas de lápis. a obrigação de dar coisa incerta tem objeto que vem a ser deter­ minado por meio de um ato de escolha. automóveis de determinada cilindrada. A disposição do art. libera-se o devedor. há um momento precedente à entrega da coisa que é o ato de escolher o que vai ser entregue.

NCC. Art. Matéria de ordem pública que pode ser conhecida a qualquer tempo. Excesso de execução. 20* Câmara Cível . após a escolha. 2 . cabe tal direito (art. que também determina que ele deverá estabelecer o meio-termo. salvo se. é defeso a este Superior Tribunal de Justiça nos termos do óbice constante na Sú­ mula 5/STJ. caput. se sou credor de 100 cabeças de gado de corte. porém. Se as partes nada es­ tabelecerem. não 10 “Agravo regimental no recurso especial . mais da metade do lapso anterior já tiver transcorrido Com relação à multa de 10%. Min.Conversão para execução por quantia certa contra devedor solvente . porque o objeto da obrigação já se encontra plenamente determinado desde o nascimento da avença. 35/36. 13-6-2011. . assim como a prova de que se trata do único imóvel pertencente à entidade familiar. 3 .1 . A garantia dada pela Lei n° 8. 557. CPC)” (TJRS . 12* Câmara Cível . não prevendo valor prefixado em dinheiro. Ante a manifesta improcedência.Contrato de parceria rural . na falta de disposição contratual. Essa escolha. 244). não estando.Impenhorabilidade do bem de família. não há que falar em escolha.É objeto da presente execução acordo firmado entre as partes. aferível de ofício pelo magistrado. é negado seguimento de plano ao recurso (art. conta-se o lapso anterior até o início da vigência da nova lei e. não havendo falar em alteração do valor da cotação da saca. portanto. Impenhorabilidade do bem de família .AI 70024351967. Art.Entrega de reses Inadimplemento . Na obrigação de dar coisa certa. Luis Felipe Salomão).686 . o valor da arroba do boi a ser apurado deve ser aquele verificado na data da perícia e a partir daí passam a incidir juros e correção monetária’. “Apelação dvel. Rei. e que opção do credor foi o recebimento de semoventes. 2. a escolha ou concentração caberá ao devedor.Nos termos do acórdão. . os princípios aplicáveis são os da obrigação de dar coisa certa.Agravo regimental não provido” (STJ . ônus que não se desincumbiu a parte embargante. 244). Matéria pertinente a embar­ gos à execução.Rei.Ap.Con­ tagem dos prazos da lei nova a partir da sua entrada em vigor.AgRg-REsp 1. passa-se à contagem do novo. Apelo desprovido” ( TJRS . cuida-se da obrigação como de coisa certa.Rei. 244.059. ‘o contrato somente previa a entrega de gado ou equivalente em arroba. em que restou estabelecido o valor da saca de soja. até mesmo ex ojficio. Embargos do devedor.009/90 exige demonstração inequívoca da destinação residencial do bem.(2008/01118625). ela é devida. Rejeitada a preliminar. Decisão que rejeitou a exceção de pré-executividade. Soja. Embora a execução para entrega de coisa incerta tenha sido convertida em execução de dar.Execução para entrega de coisa incerta . sujeita ao Código de Defesa do Consumidor . Inviabilidade de discussão em sede de exceção de executividade que está limitada à matéria de ordem pública. 5-4-2007. Cotação do produto.Apuração do valor dos semoventes tomando em consideração a data da conversão com incidência dos juros moratórios e correção monetária a partir da referida data . a quem. a partir desta.028 do Código Civil. Ação de execução para entrega de coisa incerta com base em cédula de produto rural. não configura mero arbítrio do devedor. Cível 70017697228.10 Devem as partes estabelecer a quem cabe a escolha. Assim.028. “Agravo de instrumento. Aplicação da regra de transi­ ção. uma vez escolhido o gado e apontadas as cabeças. o devedor não poderá dar a coisa pior. 27-52008.Rever esse entendimento em sede de recurso especial. Dálvio Leite Dias Teixeira). permanece hígido o pacto firmado às fls. Em caso de redução de prazo. Rubem Duarte). a esse tempo. Execução para entrega de coisa fungível. Conver­ são para execução de quantia certa. de acordo com o art.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 75 o disposto na Seção a n te ce d e n te Ou seja. Prescrição. 2. nem ser obrigado a dar a melhor (parte final do art. visto que a relação que figurou não é de consumo e sim de compra e venda de soja. A lei estabelece que. no silêncio do contrato.

Já se o devedor se tivesse obrigado a entregar uma tela de pintor famoso. ou que parte ou o total delas se tenha perdido. 246 diz: “Antes da escolha. Cuida-se da hi­ pótese de coisas fungíveis de existência limitada. a perda da coisa. não existir com abundância su­ ficiente. 631). Dúvidas podem surgir no tocante à escolha do meio-termo. Processualmente. A í só restará ao juiz a nomeação de perito. O dispo­ sitivo é aplicação do princípio genus nunquam perit (o gênero nunca perece). o Projeto de Lei nQ6. poderá o devedor alegar perda ou deterioração. Para essas situações que por ve ­ zes causam certa perplexidade no caso concreto. ou cuja produção é controlada. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. 629 do CPC). E fato. impugnar a escolha feita pela outra. o gênero pode ser limitado. o CPC manda que sejam aplicadas as regras para entrega de coisa certa (art. como. v.” Sob esse aspecto. ou mediante a nomeação de perito. obrigação pecuniária. a entrega de coisa incerta vem regulada pelos arts. Quanto à execução específica para a entrega de coisa incerta. a obrigação converte-se em dar coisa certa. a responsabilidade do devedor é maior. sem sua culpa. 245 do Código Civil. desaparecida a coisa nessa situação. uma vez feita a concentração. disciplinado no art. podendo o juiz decidir de plano. a inviabilidade do atendimento da obrigação. Note que a obrigação de pagar.76 D ire ito Civil • V enosa entregando nem o pior nem sendo obrigado a entregar o melhor. um veículo que saiu de linha de fabricação. 630 e 631 do CPC. este a indicará na petição inicial (art. por exemplo. examinável em cada caso concreto. continuará obrigado a tal. isto é. porém. É lógica a determinação. da obrigação de entregar garrafas de vinho de determinada marca que não mais é produzido e que vai rareando com o passar do tempo. Se alguém se obriga a entregar mil sacas de farinha de trigo. que desempenhará as funções seme­ lhantes às de um árbitro. portanto. No caso do vinho exemplificado. 246: “salvo se se tratar de dívida genérica limitada e se extinguir toda a espécie dentro da qual a pres­ tação está compreendida”. acarretará a extinção da obrigação. resolveria a obrigação. O art. ainda que p or força m aior ou p or caso fo rtu i­ to. Ou o caso da obrigação de entregar certo material químico que não existe em grandes quantidades. como estudamos na parte geral. O devedor será citado para entregar as coisas individualiza­ das. Nada impede que a escolha seja cometida a um terceiro. 244. Nesses casos. um vinho raro.960/2002 acrescenta uma segunda parte à redação do mencionado art. 630 do estatuto processual faculta às partes. ainda que em seu poder não possua referidas sacas. por exemplo. se lhe couber a escolha. como também fala o art. É o caso. é regida pelos princí­ pios da obrigação de dar coisa incerta. em 48 horas. 629. “o princípio segundo o qual nunca perece o gênero é falível e comporta temperamen­ tos”. porque. isto é. mas se a escolha couber ao credor. Já vimos que existem coisas genéricas de existência restrita. cientificado da escolha o credor. 4:82). Como já nos referimos. . se o gênero é limitado. Como lembra Washington de Barros M onteiro (1979. o art.

O atual Código nada alterou a respeito no art. essa deverá ser a solução. Por outro lado. ou ainda. com toda propriedade. A respeito do art. que se perdeu’. 246 anterior. Imagine-se. Vejamos a hipótese de alguém se obrigar a entregar cavalos de determinada linhagem e quando se dá o adimplemento só existem dois ou três (cf. como coisas determinadas e os objetos insubstituíveis (cf. Von Tlihr. v. \queria dar tal rês. no que tem razão. “o devedor não poderá subtrair-se à prestação. por se estampar numa atividade do devedor. 1934:45). fazer um reparo em máquina. ou pereceu”’. O conteúdo da obrigação de fazer constitui uma “atividade” ou conduta do devedor. 246. se o gênero se reduz a número muito restrito de unidades. têm por objeto. a hipótese de perda de vinho de uma safra restrita. o devedor exonera-se da obrigação. que terá sempre diante de si a parêmia genus nunquam perit. embora houvesse redação anterior do Projeto que inserira nesse artigo a expressão salvo se se tratar de dívida genérica restrita. presente essa premissa no caso concreto. para se tom ar alternativa. quando o Código fala em antes da escolha.1 Obrigação de Fazer A obrigação de fazer. ou de dar coisa certa. número e medida. 4:83). 1934:41). Von Tuhr. é a que traz maiores transtornos ao credor. por exemplo. levantar . a perda da coisa deve reger-se pelos princípios da obrigação específica. dizendo.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 77 Pelo que podemos perceber até aqui.3 Obrigações de Fazer e de Não Fazer 6. ou. a obrigação deixará de ser genérica. Deve o devedor colocar a coisa à disposição do credor: só assim. De qualquer forma. são objeto das obrigações ditas genéri­ cas as coisas fungíveis que se podem determinar pelo peso. Diz que os vocábulos pecam por ambi­ güidade. como diz Monteiro (1979. p or exemplo: já ti­ nha escolhido tal saca de café. Washington de Barros Monteiro critica a dicção legal. posta à dis­ posição do credor. caso haja perda da coisa. por exemplo. que se extraviou. como veremos adiante. Melhor será que se qualifique o gênero restrito como coisa infungível. impossível a desoneração do devedor. Aliás. Por outro lado. as obrigações específicas. Nessa hipótese. como é de toda justiça. Enquanto a coisa não é efetivamente entregue. coisas não fungíveis que são individualizadas no comércio jurídico. quando se defronta com inadimplemento. no sentido mais amplo: tanto pode ser a prestação de uma atividade física ou material (como. pintar casa. existem muitos pontos de contato entre as obrigações genéricas e as obrigações alternati­ vas. 6. conforme está no artigo. Não basta que o devedor separe o objeto da obrigação para entregá-lo ao credor. pelo menos.3. quase sempre.

à luz do artigo 461. Multa por descumprimento de decisão judicial. sem resolução do mérito.192-4/9. É inadmissível. pode ser contraída. O credor pode escolher determinado devedor para prestar a obrigação. de Proc. Decisão mantida. mas cujo conteúdo é essencialmente jurídico. Ademais.78 D ire ito Civil • V enosa muro). . Identidade de ações. como uma atividade intelectual. Não há possibilidade jurídica de impor à ré o cumprimento coativo do contrato. Isto em razão de o devedor ser um técnico especializado. Cominatória de obrigação de fazer e de não fazer. Admissibilidade. pretendendo cumprimento coativo de contrato. de fixação de um valor máximo.12 É o caso do exemplo clássico da contratação de um 11 “Execução. previstas no Código Civil. 27-8-2011. como a obrigação de locar ou emprestar imóvel. Des. Não é lícito que o autor intente de novo a ação. 9* Câmara de Direito Privado . ao lado da obrigação de dar.AI 585. Des.Rei.Decisão reformada em parte .Obrigação de fazer . por exem­ plo.Possibilidade de revisão da medida de apoio.Liberação de hipoteca . a repropositura automática da ação. tendo em vista a figura do devedor. 2-12-2008. Composição que se resolve em perdas e danos. Teto. quando lhe tenha faltado interesse processual para a anterior.Ap. do CPC.Obrigação de fazer . Apelação não provida” (TJRS .11 A obrigação de fazer. não se prestan­ do para o mesmo fim a intimação publicada na imprensa oficial.Acórdão Apelação Cível 992. o conteúdo da atividade do devedor. Decisão mantida. “Apelação cível. ainda que impropriamente.Situação na qual a multa fixada não afronta o artigo 644 do CPC ou 920 do CC de 1916 (então vigente) . Necessidade. Rei.Rei. pertence à classe das obrigações positivas.Admissibilidade diante da constatação de sua insuficiência ou excessividade . Apelação não provida” (TJSP .Acórdão Agravo de Instrumento 994. Dálvio Leite Dias Teixeira). 13-5-2009. em atenção à proporcionalidade e razoabilidade . Cível 329. que deno­ minamos. “Cominatória .Ap.Descumprimento do comando judicial reco­ nhecido . Civil. não pode subsistir (tampouco a obrigação perante a massa falida da construtora) . tendo em vista os princí­ pios que albergam as liberdades de contratar e rescindir as avenças. escrever obra literária. Multa diária. Inadimplemento absoluto do deve­ dor. no prazo estipulado.049837-1. Romeu Ricupero). Vito Guglielmi). Execução de sentença.12» Câmara Cível . Obrigação de fazer. Cível 70016177800. partitura musical. que deve corresponder ao valor dos bens devidos.345660-0. por conta disso. não admi­ tindo substituição. na hipótese.261-4/2-00. Hipótese em que não houve ofensa ao art. 22-3-2007. na obrigação de fazer. Rei. 12 “Bem móvel. 20-8-2010. 8* Câmara de Direito Privado .Circunstância em que a hipoteca. Recurso improvido.Incontroversa a quitação da dí­ vida pelos autores (em abril de 1996) . “Cominatória . Impossibilidade. Inexigibilidade.Recurso parcialmente provido” (TJSP . Grava Brazil).Astreintes .Rei. Obrigação de dar coisa certa.09. Recurso improvido” (TJSP . “atividade” do devedor. no caso.Redução que se justifica tendo em vista o excesso a que chegou a multa . Ausên­ cia de intimação pessoal do destinatário da ordem. pode constituir-se numa atividade que pouco aparece externa­ mente. ou realizar experiência científica).Recurso não pro­ vido” (T J S P . ainda que o processo anterior tenha sido declarado extinto sem conhecimento do mérito.09. Salles Rossi). que. Indeferimento da inicial e extinção da ação. artística ou científica (como. no sentido o mais amplo possível. Inexistência de título executivo. entretanto. de realizar outro contrato etc. Em se tratando de procedimento que dispensa a citação do devedor e de obrigação intuitu personae. indispensável a intimação pessoal do destinatário da ordem dando ciência da penalidade imposta para o caso de descumprimento do comando judicial exarado. 268 do Cód. um artista ou porque simplesmente o credor veja no obrigado qualidades essenciais para cumprir a obrigação.

4:87). 247 do novel diploma. isto é. mercê do disposto anteriormente no art. de um cantor para uma apresentação etc. existe distinção entre as obrigações de dar e de fazer. com a habitual propriedade. Ambas as espécies constituem-se nas obrigações positivas. que a infungibilidade que ora tratamos pode decorrer. quer da própria natureza da obrigação (com o é o caso da pintura de retrato. ou de corpo de baile. todavia. na abertura do capítulo. primeiramente. Preocupam-se. daí. 878. quando a pessoa do devedor não admite substituição. o credor não admite a substituição (com o é o caso. o credor não é obrigado a aceitar de terceiro a prestação. “na obrigação de fazer. se.3. bem como de responder pela evicção e vícios redibitórios (um fazer). Na empreitada. dependerá. contudo. Na compra e venda. 878 do velho Código.2 Obrigação de Dar e de Fazer Nem sempre. Desse modo. a obrigação de indenizar nas obrigações de fazer no art. esclarece que o ponto crucial da diferenciação está em verificar “se o dar ou entregar é ou não conseqüência do fazer. por exemplo. em contraposição às obrigações negativas. das chamadas obrigações de fazer de natureza infungível. Tanto que o mais recente Código Civil não mais repete a dicção do antigo art. do exame de cada caso concreto verificar se a figura do devedor pode ser substituída ou não. 880. como estava exposto no art. intuitu personae. tem ele de confeccionar a . porém. as partes não estipulam expressa­ mente a infungibilidade da obrigação de fazer. v. Washington de Barros Monteiro (1979. Assim. se o devedor tem de dar ou de entregar alguma coisa. que são as obrigações de não fazer. Assim. e esta é a crítica costumeiramente feita. 6. quando fo r convencionado que o devedor afaça pessoalmente”. por exemplo. a obrigação é de dar. surge um aspecto que deve ser analisado: por vezes. Aqui. o vendedor contrai a obrigação de entregar a coisa (um dar. da contratação de advogado para fazer defesa no Tribunal do Júri. na nova lei. repe­ tido no art. Isso é importante para as conseqüências do inadimplemento. portanto. aqui. quer do contrato. 247: “Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. mas esta decorre das circunstân­ cias de cada caso. ou de engenheiro para acompanhar a realização de uma construção). O Código de 2002 preferiu definir imediatamente. tendo em vista a natureza e as circunstâncias da obrigação. É de notar. por exem plo). de fazê-la previamen­ te. embora existam muitas pessoas tecnicamente capacitadas para cumprir a obrigação. portanto).C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 79 pintor para executar um retrato. os doutrinadores em estabelecer critérios diferenciadores das duas espé­ cies de obrigações. o empreiteiro contrai a obrigação de fornecer a “mão de obra” (fazer) e de entregar os materiais necessários (dar). ou p o r ele exeqüível” Cuida-se. ou da exibição de orquestra. não tendo.

sem prejuízo da indenização cabível” Parágrafo único. “Em caso de urgência. há uma diferença na natureza delas: há obrigações de fazer para as quais existe um número indeterminado de pessoas hábeis a completá-las. Quando a obrigação é contraída tendo em mira exclusivamente a pessoa do de­ vedor. contrato pintor para recuperar um famoso quadro do Renascimento. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. numa mesma avença.3. Acentuamos. tendo de realizar algum ato. como é o caso do artista contratado para restaurar uma obra de arte ou da equipe esportiva contratada para uma exibição. porque levamos em conta as qualidades pessoais do obrigado. independente­ mente de autorização judicial. pode o credor. tecnicamente a obrigação é de fazer”. Contrato de prestação de serviço. Fios condutores de energia elétrica que expõem a perigo as pessoas residentes no local da instala­ . v.”13 13 “Obrigação de fazer. 249: “Se ofa to puder ser executado p or terceiro. Ademais. Tendo em mira essa situação. do qual será mero corolário o de dar. no entanto. havendo recusa ou mora deste. a execução coativa. Vemos. contrato pedreiro para levantar um muro. é costume enfatizar que a pessoa do devedor é preponderante no cumprimento da obrigação. 2:87) ainda acrescenta que. Instalações elétrica. contrato equipe espor­ tiva para realizar uma exibição. a tradição é imprescindível. Maria Helena Diniz (1983. que vezes haverá nas quais inelutavelmente. embora todas essas obriga­ ções sejam de fazer. na obrigação de dar. como examinaremos. A importância maior ocorrerá no m o­ mento da execução. 6. o atual Código traz solução no art. o que não ocorre na obrigação de fazer. As obrigações de dar autorizam. Pois bem. hidráulica e colo­ cação de forro que não apresentam qualidade esperada por não atenderam ao quesito segurança. executar ou mandar executar o fato. por não permitirem a intervenção direta na esfera de atuação da pessoa do devedor. na grande maioria das obrigações de fazer. sendo depois ressarcido. há outras obrigações de fazer que são contraídas exclusivamente pela fama ou habilidades próprias da pessoa do obrigado. a obrigação é intuitu personae.3 Obrigações de Fazer Fungíveis e Não Fungíveis Vejam esses exemplos de obrigação de fazer: contrato pintor para restaurar a pintura de uma residência. quando a pessoa do devedor é facilmente substituível. coexistirão as duas espécies. dizemos que a obrigação é fungível. As obrigações de fazer possuem apenas meios indiretos de execução coativa. como é o caso do pintor de paredes ou do pedreiro. o que não ocorre nas obrigações de dar. de plano. em geral.80 D ire ito Civil • V enosa coisa para depois entregá-la. que.

Poderá então o credor contratar terceiro para a tarefa. No entanto. Nada impede. sendo desnecessário qualquer outro comentário. Procedência do pedido e improcedência do contrapedido.4 Descumprimento das Obrigações de Fazer Pacta sunt servanda: as obrigações devem ser cumpridas. deverá o credor resguardar-se com a documentação necessária possível. contrato um artista plástico ou um ator para um trabalho específico). Nada impede. 6. ou ção. procedimento que requer tempo e época precisos. no caso concreto.Acórdão 71002164507. aguardar uma decisão judicial. requerendo posteriormente a devida indenização. aí. ou. sob pena de frustrar-se o posterior pedido de indenização. a novel lei introduz a possibilidade de procedimento de justiça de mão própria. Caracterizadas a recusa e a mora bem como a urgência. Recurso inominado do autor provido. Contudo. Inteligência do art. resumindo-se.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 81 É interessante notar que. porém. no que andou muito bem. ainda que liminar. sob o prisma da teoria tradicional: porque a prestação tomou-se impossível por culpa do de­ vedor ou sem culpa do devedor. exigir coercitivamente a prestação de fazer do devedor. porque não é possí­ vel. a coisa poderá chegar coercitivamente às mãos do credor. nos moldes do que comentamos no tópico seguinte. como é evidente.3. tendo em vista a liberdade individual. Contratação de terceiro para reexecução dos serviços e conclusão da parte faltante a custo do prestador/devedor. não poderá ocorrer quando se tratar de obri­ gação infungível (quando. Recurso inominado do réu improvido” (TJRS . fotografias etc. Essa solução. as obrigações de fazer podem ser descumpridas. embora nem sempre isso seja possível. como antes afirmamos. poderá causar prejuízo de difícil reparação. a obrigação em perdas e danos. que a sentença determine que um artista faça uma escultura ou uma pintura. 249 do CC. que uma obrigação de fazer. Carlos Eduardo Richinitti). Imagine-se a hipótese da contratação de empresa para fazer a laje de concreto de um prédio. sob outro aspecto. ou pelas pró­ prias circunstâncias do caso concreto. sem qualquer ingerên­ cia judicial. ordinariamente fungível. 29-4-2010. o aspecto é outro nas obrigações de fazer. Imaginemos. por exemplo. antes se aconselha. Sentença modificada. porém. . tais como notificações. Rei. se houver tempo razoável. porque neste último tipo de obrigação (dar) o devedor pode ser coagido a entregar a coisa. no parágrafo. por três classes de razões. O enfoque comparativamente com as obrigações de dar é diverso. constatação do fato por testemunhas. tome-se infungível por vontade do credor. ou então porque o devedor manifestamente se recusa ao cumprimento delas. Para a caracteri­ zação da recusa ou mora do devedor. seja obtida a autorização judicial. que.

busca e apreensão. credor de uma obrigação de fazer. de ofício ou a requeri­ mento das partes. 632 ss do CPC. remoção de pessoas e coisas etc. sob pena de pagar a multa contratual.Impossibilidade . O cumprimento coativo das obrigações de fazer e de não fazer está disci­ plinado nos arts. o devedor será dado por inadimplente a partir do mo­ mento em que realizar o ato do qual deveria se abster . havia a ação cominatória prescrita no art. Na sistemática do CPC de 1939.Demonstração . ou seja. 390 do CC/02 . pois os dispositivos dos artigos citados deveriam ser adaptados ao processo de conhecimento.A exigibilidade das astreintes depende da apuração.Obrigação de não fazer . determinar a imposição de multa.Retroação . liquidez e exigibilidade à multa coercitiva.A demonstração da exequibilidade das astreintes constitui ônus do credor. e pela Lei nô 10. 302. O juiz poderá. Desse modo. o que dava margem a dificuldades na prática.Em se tratando especificamente de obrigação de não fazer. inclusive com tutelas antecipatórias. se essas pessoas manifestamente demonstraram seu desejo de não fazê-lo.444.952. 273 e 461).14 A orientação do artigo 14 “Processo civil . com as novas redações trazidas pela Lei nQ 8. na prática. de 7-5-2002. 3 . 2 .fazendo surgir automaticamente o interesse processual do credor à medida coercitiva.Exigibilidade .Caráter indenizatório . de 13-12-1994. por dia de atraso no cumprimento da obrigação. para qual remetemos o leitor. no plano do direito material. talvez porque na sistemática anterior.Nos exatos termos do art. um pagamento em dinheiro. . 461 e 461-A do CPC.Descabimento . É na esfera das obrigações de fazer (e nas de não fazer) que se encontra campo para as denominadas astreintes. ou seja. O atual CPC aboliu esse procedimento da ação cominatória. Essa nova redação presente no CPC é aproximada reprodução do que já consta do Código de Defesa do Consumidor (art. Outorga-se amplo poder discricionário ao juiz no sentido de que a obrigação seja efetivamente adimplida. se nenhuma cláusula penal tivesse sido avençada. possibilitan­ do a sua cobrança. para obter o resultado específico.82 D ire ito Civil • V enosa que determinado pugilista adentre um ringue. O autor. uma disposição inicialmente voltada para as relações de consumo passou a regular de forma ampla a tutela das obrigações específicas. Logo. de índole pecu­ niária. 84). quer em seu substitutivo. com os contornos ora modernizados da antiga ação cominatória. a ação não tenha surtido bons efeitos. quer em espécie.Astreintes . vieram aclarar a situação. a prática do ato proibido confere certeza.Momento . Os atuais arts.Exequibilidade . A redação original do estatuto processual não era suficientemente clara a respeito desse processo. A execução das obrigações de fazer possui ins­ trumentos processuais efetivos. A função da cominação da multa era constranger o devedor a cumprir a obrigação. do inadimplemento do devedor no cumprimento da ordem judicial a ele dirigida. pedia a citação do réu para pres­ tar o fato.1 .Ônus . é importante examinar cada uma das hipóteses de descumprimento da obrigação de fazer. mercê das últimas alterações efetuadas no estatuto processual (arts. ou aquela pedida pelo autor. multa cominatória diária.

de concessão de prazo razoável para cumprimento da ordem . que conduza ao enriquecimento sem causa do credor. II . 5 . emprestou a melhor interpretação jurídica à espécie. essa constrição perderá seu sentido. não se constata esse defeito.00 (cento e vinte e seis mil reais) a título de astreintes por suposta desobediência à obrigação de fazer imposta na sentença (exclusão de ‘negativação’) . todavia. 634 do CPC). o credor pode obter seu cumprimento por meio de terceiro (art.Medida coercitiva e intimidatória .Rei* Min* Nancy Andrighi). já estipulem a multa e seu valor. contratualmente.000. de modo que alcancem obrigação imposta em decisão proferida anteriormente. ainda. não devendo jamais se prestar a compensar este pela inadimplência daquele.Recurso especial a que se nega provimento” (STJ .Imposição de multa diária (astreintes) .274/MS). § 4° e 644 do Código de Processo Civil . 644 do CPC.ademais. Paulo Ayrosa).não atendimento a pressuposto fundamental recursal .) tenha sido previamente intimada (pessoalmente ou por intermédio de advoga­ do) a cumprir tal medida a poder legitimar aludida cobrança.Não podem retroagir os efeitos das astreintes.A.Recurso provido para esse fim” (TJSP .REsp 1. sem estipulação de multa cominatória.Não se cogita de modificação da sentença. V .1O artigo 14 do regimento interno das turmas recursais fixa o error in procedendo como pressuposto básico da reclamação. seu valor reverterá sempre para o autor.Necessidade. 31* Câmara de Direito Privado .não foi excluída a multa diária ou a multa de 10% imposta na sentença (diferentemente do alegado pelo reclamante).957 . Nas obrigações fungíveis.AI 1. O princípio já constava do art. Nada impede que as partes.Não admite exegese que a faça assumir um caráter indenizatório. Essa multa deverá ter um limite temporal. II . 6 . “Cominatória . 10-6-2008.Rei. O escopo da multa é impulsionar o devedor a assumir um comportamento tendente à satisfação da sua obrigação frente ao credor. devendo a situação resolver-se em perdas e danos para se colocar um fim à demanda. independentemente de requerimento da parte. III .A natureza jurídica das astreintes . de que o campo de maior atuação da multa diária ou periódica é o das obrigações infungíveis. N o entanto. consoante exigência de consolidado entendimento jurisprudencial (Súmula 410 do STJ). 15 “Indenização . se a medida mais eficaz (e que deveria ter sido pleiteada há muito pelo interessado de ter o nome excluído do rol de inadimplentes) foi ex officio adotada: ofício dirigido ao SPC/Serasa à retirada da pecha. Lembremo-nos. 24-6-2011. 461. e sim verificado o termo a quo ao estabelecimento das “astreintes” (insuficiência da mera publicação da sentença ou de seu trânsito em julgado).15 4 .Sanção fixada considerada inexigível .C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 83 461 do CPC é permitir a imposição dessa multa tanto na tutela liminar. IV .Interesse oblíquo do reclamante em receber cerca de R$ 126. sob pena de transformar-se em obrigação perpétua.não se visualiza qualquer decisão ‘arbitrária ou altamente parcial’ da douta juíza que. 3* Tlirma . quan­ do se trata de execução de obrigações de fazer e de não fazer.047. mas caberá sempre ao juiz colocá-la em seus devidos parâmetros. embora a lei não o diga. a atual jurisprudência entende que à fixação da multa de 10% também urge específica comunicação (STJ . na fase de cumprimento da sentença.296-0/2. Decisão mantida por seus próprios fundamen­ . não notificada pessoalmente e por mandado para cumprir a determinação .Resp n° 940.Parte. Decorrido o prazo mínimo de imposição diária.(2008/0079258-7). A multa deve ser de montante tal que constranja o devedor a cumprir a obrigação. também.Possibilidade Arts. como na sentença.Obrigação de fazer . se não há prova de que a empresa (VIVO S.No caso concreto. porquanto atingido o objetivo da tutela jurisdicional.182. embora não seja excluída a imposição diária.

A sentença. 8-4-2009. A sentença procedente no pedido de declaração de vontade não representa nem maior nem menor garantia no tocante à possibilidade de transferir o domínio: “Registro de Imóveis . os efeitos dessa ação obrigacional podem atingir extensão que permite concluir pela transferência da coisa. a outra parte. com modificação introduzida pela Lei nQ 11.” Lembremo-nos.Sentença obtida em execução de obrigação de fazer .Liminar deferida em ação civil pública . Sem custas nem honorários (Lei 9. A sentença obtida na execução de obrigação de fazer eqüivale tal qual uma escritura pública.014. No entanto. valendo como título para a transcrição (§ 2Qdo art. Nesse caso. de que.Impossibilidade de registro Violação ao princípio da continuidade . que se sujeita. Ocorre quando existe um contrato preliminar e o devedor compromete-se a outorgar contrato definitivo. sendo isso possível e não excluído pelo título. não a transfere.232/2005. nessas premissas. a um título (art.Rei. permitindo que a sentença produza o mesmo efeito do contrato a ser firmado: “Se aquele que se comprometeu a concluir um contrato. tendo em vista a extensão do art.Recurso improvido” ( TJSP .Valor mantido .099/95.Indeferimento . pois adjudicará o imóvel ao compromissário. 16 do Decreto-lei n° 58/37. à observância dos princípios básicos que regem tos. a sentença. A propósito.889-4/3. no entanto. . por si só.Técnica de tutela coercitiva que tem por objetivo pressionar o réu a cumprir a ordem judicial . 221 da Lei n e 6.Ap. O art.Título judicial . como qualquer outro. no caso de procedência. Cível 20080110663259 . artigo 55)” (TJDFT . Fèrnando Antonio Tavemard Lima). existe uma obrigação de fazer que possui como conteúdo uma declaração de vontade. como por nosso sistema o contrato sim­ plesmente não tem o condão de transferir a propriedade. também. 639.Sujeição ao princípio do Direito Registrário .AI 623. poderá obter uma sentença que produza o mesmo efeito do contrato a ser firm ado. de 27-12-1973). com redação dada pela Lei nc 6. 17-2-2011. 7* Câmara de Direito Privado . consequen­ temente.Dúvida procedente. Não se confunde. mormente do bem móvel. não a transfere. Rei. Eldo Triijillo). 466-B do CPC. a ação que visa aos efeitos de emissão de vontade com a ação de adju­ dicação compulsória. mantém em síntese a dicção do revogado art. 461 do CPC. 22 do Decreto-lei n° 58/37.Pedido de redução da mul­ ta arbitrada .(480519). “Multa diária -Astreintes . deve ser lembrada a ação de obrigação de prestar declaração de vontade.84 D ire ito Civil • V enosa Interessante relembrar que entre nós o contrato tradicionalmente não tem o condão de transferir a propriedade. emergente do art. destarte. por si só.015/73). cujos efeitos são mais amplos. fazendo desaparecer a tênue fronteira entre os direitos reais e os direitos pessoais. Recurso improvido.

015/73” (Julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo. porém. ainda. por conta do contratante. que o autorize a concluí-lo. cumpri-la deficientemente.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 85 o Direito Registrário. 195 da Lei n e 6. pois o dano é irreversível. 247 a 249. entre os quais o da continuidade. só restará o recurso a perdas e danos. no prazo de dez dias. Assim.3. ou se o praticar de modo incompleto ou defeituoso. existe a dicção do art.” Parágrafo único. As disposições processuais acerca da obrigação de fazer são complemento do que dispõem os arts. 247). Enquanto nas obrigações de dar e fazer o devedor compromete-se a realizar algo. deve ser aplicado o princípio da execução específica do art. em razão disso. que houver dúvida acerca da recusa por parte do devedor e ain­ da houver possibilidade de a prestação ser útil para o credor.” 6. são obrigações de não fazer a obrigação do locador de não perturbar o locatário na utilização da coisa locada. que no caso de o cumprimento da obrigação ser impossibi­ litado. por exemplo. por exemplo. A solução de pedir perdas e danos também é a única quando de antemão já sabemos que o devedor não deseja. a obrigação contraída pelo locatário de não sublocar a coisa. ou não pode cumprir a obrigação (art. poderá o credor requerer ao juiz. As obrigações de não fazer são as obrigações negativas. “Ouvido o contratante no prazo de cinco dias. Um aspecto que não pode ser descurado e deve preocupar o credor é o fato de que o devedor obrigado a cumprir a obrigação dentro de um processo judi­ cial pode. a obrigação do artista de não atuar senão para . Os princípios presentes nos dispositivos processuais da obrigação de fazer devem ser aplicados. Assim. se não houver culpa do devedor. Sempre. se houver culpa do devedor. decidir se a obrigação deve ser considerada cumprida ou não. o ju iz mandará avaliar o custo das despesas necessárias e condenará o contratante a pagá-lo. Para tal. Cabe ao juiz. consubstanciado no art. de nada adianta essa orquestra comprometer-se a comparecer em outra data. ou repará-lo. Notemos. 461 do CPC. resolve-se a obrigação. Tal situação será verdadeira sempre que o cumprimento da obrigação de fazer não for mais útil para o credor. R T 582/89).5 Obrigações de Não Fazer As obrigações de dar e fazer são as obrigações positivas. contratada uma orquestra para um evento e não se apre­ sentando na data designada. 636 do CPC: “Se o contratante não prestar o fato no prazo. em qualquer caso. nas obrigações de não fazer o devedor compromete-se a uma abstenção.

por exemplo. A imposição de uma obrigação negativa determina ao devedor uma absten­ ção que pode ou não ser limitada no tempo. De qualquer forma. ou a de não trabalhar. se houver justificativa para tal. A obrigação de não fazer ora se apresenta como pura e simples abstenção. em determinada zona de influência. a obrigação de não casar com determinada pessoa. 2:44). ou para determinada empresa. estando ausente a proibição. não será. 6. ou seja. A abstenção pode ser .6 Modo de Cumprir e Execução Forçada da Obrigação de Não Fazer A obrigação negativa cumpre-se pela abstenção. Por tais razões. Na realidade. poderia fazer. ora como um dever de abstenção ligado a uma obrigação positiva. Há uma continuidade ou sucessividade em seu cumprimento. o objeto das obrigações de não fazer caracteriza-se por uma omissão autônoma. o Direito não lhes empresta a form a coercitiva” (Rodrigues.86 D ire ito Civil • V enosa determinado empresário. pela abstenção mais ou menos prolongada de um fato ou de um ato jurídi­ co. ou ligada a outra obrigação positiva. D a í p or serem imorais ou antissociais tais tipos de obrigação. como no caso do alienante de estabele­ cimento comercial que se compromete a não se estabelecer num mesmo ramo de negócios. o devedor compromete-se a não realizar algo que normalmente. Assim. isto é.3. porque o Estado repugna prestigiar um vínculo obrigatório que tem p or escopo alcançar resultado que colide com os fins da sociedade. Toda obrigação deve revestir-se de objeto lícito. nem todas as regras de cumprimento das demais obrigações podem ser carreadas às obrigações de não fazer. Pelo que vemos. é ilícita a obrigação de não casar. como é o caso do locador que se compromete a não obstar o uso pleno da coisa locada. v. pois “será licita sempre que não envolva restrição sensível à liberdade individual. a obrigação do alienante de estabelecimento comercial em não se estabelecer no mesmo ramo dentro de determinada região etc. negócio jurídico que é. Também a obrigação de não fazer pode surgir como simples dever de tolerância. no entanto. tal licitude reveste-se de um especial aspecto. nessa espécie de obrigação. 1981a. como o não realizar atos que possam obstar ou perturbar o direito de uma das partes ou de terceiros. ou a de não cultuar determinada religião. o devedor cumpre a obrigação todas as vezes em que poderia praticar o ato e deixa de fazê-lo. é o caso concreto que trará a solução ao juiz: se. como é o caso do artista que se compromete a exibir-se só para determinada empresa. a obrigação de não casar em geral é inválida. O cumprimento ou adimplemento dessa obrigação dá-se de forma toda especial. Na obrigação de não fazer.

Não sendo possível desfazer-se o ato.74 . respondendo o devedor por perdas e danos. Se. e vem a ser intimado pelo Poder Pú­ blico a fazê-lo. que se obrigou a não praticar”. o credor requererá ao ju iz que mande desfazer o ato à sua custa.Arbitramento que deve obedecer à tabela aprovada pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil .Município de Campos do Jordão . cuida também da tutela espe­ cífica das obrigações de não fazer. à época de cinco metros ao longo do Rio Capivari e que não foi atingida pela am­ . A imposição da municipalidade tem o condão de fazer desaparecer a obrigação de non facere. Da mesma forma. 461 do CPC. 250 do Código Civil. Pará­ grafo único. em mandamento similar ao do processo de conhecimento. para não tolher a visão do vizinho.Margem do Rio Capivari . deve ele indenizar o credor.Tütela específica de obrigação de não fazer .Recurso provido em parte” ( TJSP Acórdão Apelação Cível 994.Responsabilidade civil aquiliana .Obrigação de fazer e não fazer .Ação objetivando a demolição de construção e a recuperação ambiental . Rei. bem como a imposição de multa diária quando viável o desfazimento. ressarcindo o culpado das perdas e danos. fora da hipótese do art. 251 que o credor pode exigir dele que o desfaça. Embora possa parecer estranho à primeira vista. 642. no art.Infungibilidade do direito à reparação por perdas e danos em outra providência publicitária em jornal de circulação na região . se lhe tom e impossível abster-se do fato. Se a impossibilidade de se abster. “Cominatória . O exemplo clássico é do devedor que se compromete a não levantar muro. Salles Rossi). é possível a antecipação de tu­ tela.Inaplicabilidade da legislação consumerista .Inexistência de relação jurídica de direito mate­ rial.Vio­ lação do direito de propriedade industrial/comercial . ocorreu por culpa do devedor.Publicidade que se resolve pelo conhecimento do ato judicial na imprensa oficial . 250.Ação ambiental .16 16 “Apelação .Decreto de parcial procedência . com a mais recente redação. o estatuto processual. sob pena de se desfazer a sua custa. sempre levando-se em conta a licitude. diz o art.Medida inibitória que alcança a obtenção do resultado prático com o cumprimento da própria obrigação omissiva e a aplicação de multa. Na dicção do Código. no caso de eventual descumprimento .Majoração dos honorários advocatícios para R$ 2. representada por vínculo contratual de consumo .Existência de autorização do município e que não invadia a área de preserva­ ção permanente. 30-6-2011.Invasão de área de preservação permanente . Quando impossível voltar-se ao estado anterior. o devedor pratica o ato sobre o qual se abstivera. a obrigação converter-se-á em perdas e danos (§ 1Q).05. às vezes a abstenção prometida pelo devedor toma-se impossível ou extremamente gravosa. No tocante à execução dessas obrigações negativas.098554-5. 643: <ehavendo recusa ou mora do devedor.Construção em área de preservação perma­ nente feita em 1979 . extingue-se a obrigação. a obrigação resolve-se em perdas e danos”. por outro lado.Sentença reformada parcialmente . no campo da moral e dos bons costumes. Completa o art. O art. dispõe que o juiz assinará prazo ao devedor para desfazer o ato.Elaboração e distribuição de portfólio que veicula imagem de produto do qual não é o verdadeiro fornecedor . Como dispõe o art.666. porém. “extingue-se a obrigação de não fa ­ zer. Des.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 87 limitada ou ilimitada no tempo. desde que. sem culpa do devedor.

isto é. 252 a 256. provido parcialmente o recurso do corréu Walter. a prestação pode constituir-se de mais de um objeto.Ap.1 Obrigações Cumulativas e Alternativas As obrigações podem ter um objeto singular: vende-se um automóvel. Cível 726. o devedor apenas está obrigado a entregar uma das coisas objeto da obrigação. Trata-se aqui de uma obrigação conjuntiva ou cumulativa. tem um regime especial disciplinado pelos arts. Mais de uma prestação é devida conjuntamente. assim. As obrigações de objeto conjunto não possuem regime legal peculiar. a obrigação de não edificar.Aplicação do artigo 14. 6. de ampliar nem alterar a construção então feita.Proteção que não permite ao réu a ampliação da ilegalidade . obrigá-lo a não fazer pode representar uma violência contra sua liberdade individual e o direito de exercer profissão. que a obra não seja desfeita.Ação procedente .425-5/1-00. Essa espécie de obriga­ ção. porém.Impossibilidade. Nesse caso. Imagine-se. alguém se compromete a não revelar um segredo indus­ trial e o faz.Proteção constitucional ao ato jurídico perfeito . Se descumpre esse dever de abstenção. nem construir outra em seu lugar. mantida a procedência quanto aos demais. determinada a recomposição da área de preservação . Podem. se demolida Ampliação da construção feita em 1998 que não contou com autorização ambiental . A inde­ nização poderá ser o desaguadouro desse descumprimento.Rei. É de toda conveniência. ao contrário.Recursos oficial e voluntário da Municipalidade para julgar improcedente ação quanto à Prefeitura. resumindo-se o descumprimento em perdas e danos. quanto à multa cominatória e à multa por litigânria de má-fé” (TJSP . O objeto da obrigação é disjuntivo ou alternativo quando ligado pela partícula ou: pagaremos um cavalo ou um automóvel. que ampliou a área de preservação para trinta metros Demolição da área que sobejar. . Em determinadas circunstâncias. § I o da Lei Federal n° 6. tendo o credor o direito de exigir to­ das elas do devedor.88 D ire ito Civil • V enosa As hipóteses de impossibilidade de desfazimento do ato em geral são bastan­ te nítidas: por exemplo.4. ou um dano ainda maior. por exemplo. Outro exemplo é o de ator que se comprometeu a apresentar-se com exclusividade para uma empresa. estando regidas pelos princípios gerais aplicáveis às obrigações de dar.Necessidade de adaptação à legislação então vigente. O devedor descumpre o non facere e ergue custosa construção plenamente utilizável. ter um objeto composto ou plural. Torres de Carvalho). não há outra forma de reparar a situação senão por indenização de perdas e danos. O pliação para trinta metros da área de preservação em 1989 .938/81 . o cumprimento forçado da obriga­ ção de não fazer implica violência intolerável à pessoa do devedor. 16-4-2009. O objeto composto pode ser ligado pela partícula e: devemos um cavalo e um automóvel. porém. Câmara Especial do Meio Ambiente . um imóvel. em face da repercussão social.4 Obrigações Alternativas e Facultativas 6. um cavalo.

as obrigações alternativas possuem as seguintes características (cf. Como lembra o saudoso Antônio Chaves (1984. (b ) as prestações são independentes entre si. e (d ) feita a escolha. há necessidade de que os vá­ rios credores ou devedores se acertem sobre a escolha. portanto. Somente quando é feita a escolha. no sentido de que não poderá exigir a entrega desta ou daquela coisa. seguindo-se a oferta real. a quem cabe a escolha da prestação que vai ser executada.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 89 brocardo romano resumia esta obrigação numa frase: nas obrigações alternativas plures sunt in obligatione. De acordo com o art. pode haver uma pluralidade de credores ou devedores. basta uma simples declaração unilateral de sua vontade. 252. a obrigação concentra-se na prestação escolhida. o atual Código defere a solução ao juiz. mas uma só delas é que será realizada. Borda. se for o caso) para a entrega. uma vez que o objeto é múltiplo. 6. se outra coisa não se estipulou. do credor ou de um terceiro e enquanto este direito não for exercido pesa sobre a obrigação uma incerteza acerca de seu objeto. 253). s. Nesse caso. Questão importante é saber. v. devem valer-se de uma decisão judicial.4. o credor não terá qualquer di­ reito sobre os objetos. 252. una autem in solutione.: 222): (a ) seu objeto é plural ou composto.2 Obrigação Alternativa Denomina-se. Não é essa a nova solução legal. obrigação alternativa a que fica cumprida com a exe­ cução de qualquer das prestações que formam seu objeto. após este ter con­ cedido um prazo para deliberação (art. Quando a escolha cabe ao devedor. Enquanto não for efetivada a concentração. este não poderá pedir o pagamento parte de um e parte de outro dos objetos. 252. Também. as partes podem convencionar que a escolha (tecnicamente de­ nominada concentração) caiba ao credor ou mesmo a um terceiro. A lei. § 1Q). no silêncio das partes. a obrigação concerne a várias prestações. Da mesma forma. subsistirá o débito quanto à outra (art. Desse modo. Do fato de os objetos da prestação serem independentes entre si resulta que o devedor não pode obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra (art. Não havendo acordo unânime entre os interessados. é que o credor pode exigir o pagamento. por analogia à situação do condomínio. parece-nos que deveria prevalecer a vontade da maioria. Nessa situação. 2:96). se uma das prestações toma-se inexequível (ou for impossível). d. Se os credores não chegarem a um acordo. ou seja. a concentração. § 3o). tomando-se definitiva a execução da . No entanto. se a escolha cabe ao credor. prefere o devedor na escolha porque é a parte onerada na obrigação e deve possuir melhores condições de escolher os bens de seu patrimônio (ou de terceiro. (c ) concedem um direito de opção que pode estar a cargo do devedor. a escolha cabe ao devedor.

a escolha couber ao devedor. para não decair do pedido.À evidência.Cláusula contratual. Des. Não há como se modificar a decisão judicial atingida pela coisa julgada pela via da impugnação ao cumprimento de sentença. ficando cons­ tituído em mora.9055/4.Rei. Há necessidade do processo de conhecimento para alcançarmos o título executório.Inadmissibilidade . relativa a devolução. consagrando obrigação alternativa . a inexistência de direito de escolha do mutuante .Particular que empresta à Prefeitura um valor em dinheiro. o deve­ dor puder cumprir a prestação de mais de um modo. Cabral da Silva). em se tratando de escolha cabente ao devedor. Cível 595.Escolha cabe ao devedor. Franklin Nogueira). mesmo fazendo pedido determinado. 17 “Cumprimento de sentença.0024. É bem fungível a caçamba de caminhão basculante.”17 Se a escolha couber ao credor. o ju iz lhe assegurará o direito de cumprir a prestação de um ou de outro modo. . ainda que o autor não tenha formulado pedido alternativo. este indicará sua opção na inicial (art. caso não tenha havido fixação de prazo. diz: “Nas obrigações alternativas.Exigência do mutuante para que haja a devolução do valor mutuado em espécie . “Contrato .Ação de cobrança . Agravo provido” (TJMG .4-32011. na maioria das vezes. Ausência de oportuni­ dade de escolha do devedor. no contrato ou na sentença. A possibilidade de compensação deverá ser verificada se não exercida a opção pelo devedor.1* Câmara de Direito Público . Caçamba de caminhão. o autor deve mencionar. a existência da al­ tematividade. Porém. quando a escolha couber ao devedor.Recursos oficial e voluntário providos” ( TJSP .90 D ire ito Civil • V enosa prestação. 571. § 2C.Ap. Parágrafo único. no tocante à altematividade da obrigação.04. pela lei ou pelo contrato. este será citado para exercer a opção e a realizar a prestação dentro de dez dias. Quando. pela natureza da obrigação. a ser integralmente aplicado na expansão dos serviços telefônicos . deve ser levada em conta a pos­ sibilidade que o estatuto processual abre para o pedido alternativo (art. sustenta-se. no art. Rei. do CPC). 571.Acórdão Agravo de Instrumento 1. se o devedor não a exercitou no prazo marcado. Algo que deve ser observado é que estes dispositivos processuais estão inse­ ridos na parte atinente à execução do CPC. não há possibilidade de que o credor ingresse diretamente com o pedido executório. se outro prazo não lhe fo r determinado em lei.371836-0/001. Daí. o devedor deverá ser notificado. 288): “O pedido será alternativo. Coisa julgada. porque o juiz não pode dar prestação jurisdicional diversa daquela pedida na inicial. Se a sentença estabelece obrigação alternativa deve ser oportunizada ao devedor a escolha entre as obrigações de entregar coisa e a de pagar quantia certa. quando. Tal escolha deverá realizar-se no prazo estabelecido no pacto e.14-8-2007.” No entanto. ante a ausência de estipulação em contrário no ajuste (artigo 884 do anterior Código Civil) . Bem fungível. § 1 2 Devolver-se-á ao credor a opção. O CPC. Obrigação alternativa.

pode ser estipulada. pode representar abs­ tenções. Pode ocorrer. a partir daí.4. a obrigação con­ centra-se na prestação eleita. se há um único ou vários vínculos obrigacionais. isto é. Uma vez operada. v. 252. amparado em boa doutrina. Pode incluir os mais variados objetos na prestação.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 91 É fundamental lembrar mais uma vez que. 6. quer pelo devedor. § 1°). que a obrigação seja subjetivamente alternativa. A obrigação alternativa permite combinar as obrigações de dar. o devedor não pode desincumbir-se da obrigação dando parte de uma e parte de outra (art. sobre um dos objetos. o ponto obscuro deve resolver-se a favor do devedor. Esse princípio da concentração explica muitos dos efeitos desta classe de obrigações. as convenções são inter­ pretadas a favor do devedor. como se. os demais objetos que compunham a prestação possível deixam de estar sujeitos às pretensões do credor. mas efetuada a escolha. caso ocorra tal estabelecimento. As conseqüências jurídicas. seguindo a regra de que. por exemplo. Nada impede que a obrigação alternativa tenha mais do que dois objetos. fosse a única objetivada na obrigação Como regra geral. sem que haja solidariedade. Entende Washington de Barros Monteiro (1979. na dúvida. Ainda. Esse é o efeito fundamental da concentra­ ção. Da mesma forma. a concen­ tração é irrevogável. feita a escolha. tomando-se múltipla. também. quer pelo credor. que o devedor se libere da obri­ gação pagando a um ou a outro credor. Assim sendo. Como se percebe. ou seja. pas­ sam a ser de uma obrigação simples. individualiza-se a prestação e as demais ficam liberadas. aumentando as garantias do credor. o direito de escolha cabe ao devedor (art. que existe uma única obrigação: “as prestações são múltiplas. a obrigação alternativa de não se estabelecer comercialmente em determinada área. ou pagar quantia mensal. há uma concentração dos deveres do devedor sobre esse objeto. a grande utilidade da obrigação alternativa é aumentar a possibilidade de adimplemento por parte do devedor. mas nada impede que o credor reserve no contrato tal faculdade para si. isto é. 4:110). 252). Qualquer que seja a natureza das prestações ajustadas. o credor a quem cabe fazer a escolha deve limitar seu pedido .3 Concentração e Cumprimento da Obrigação Alternativa Discute-se se na obrigação alternativa há uma única obrigação ou tantas quantos sejam os objetos. fazer e não fazer. o que é conseqüência natural da conversão da obrigação alternativa em obrigação de coisa certa. desde o início. Se surge dúvida no contrato acerca de a quem cabe a escolha. converter uma obrigação alternativa em obrigação de coisa certa.

em “prestações periódicas”. no caso concreto. a não atuação do terceiro na eleição faz com que não ocorra o implemento da condição. Talvez o legislador da vigente lei civil tenha entendido que deferindo a solução ao juiz. § 3Ô. 252. 1979. estatui que “não havendo acordo unânime entre eles. quando a obrigação for em prestações periódicas anuais. alvitramos a solução a ser dada pelo magistrado: deve prevalecer a vontade da maioria. também. ela será deferida ao juiz. No atual Código. de que é representante. decidirá o ju iz . haverá direito de o devedor exercer em cada ano sua opção. coloca-se numa posição de mandatário dos sujeitos da obrigação. pelo vigente ordenamento. no caso de recusa ou impossibilidade de atuação do terceiro. não haverá nulidade da obrigação. quando cabe a escolha a terceiro ela é uma condição. se do con­ trário não resultar a avença (art. 252. que não é sujeito da obri­ gação. Mesmo na ausência dessa norma expressa. para cada caso concreto. que enfoca a situação de existir uma pluralidade de optantes. E. Contudo. Como acertadamente anota Washington de Barros Monteiro (1979. o direito do credor fica circunscrito às coisas restantes. 4:113). tomando-se. Melhor seria que essa so­ lução preconizada constasse da lei. § 2Q). Nada impede. que não completa­ rá a obrigação. “Sua opção eqüivale à efe­ tuada pelos próprios interessados. O art. A o que tudo indica. § 2°). Nesse caso. salvando-se parte de um e parte de outro. fala. 252. qualificada pelo valor das respectivas quotas-partes. essa poderia ser sempre a melhor solução. Desse modo. Interessante notar a posição jurídica desse terceiro.92 D ire ito Civil • V enosa a um dos objetos da dívida. O optante. no dispo­ sitivo correspondente (art. O Código acrescenta que. sem que tenha havido culpa do obrigado. substituindo ele a vontade dos interessados. ao efetuar a escolha. inicialmente. v. Já. tenha havido danos a ambos os objetos. que as partes optem pelo sorteio para o cumprimento da obrigação alternativa. § 4Q). O Código dispõe ainda acerca da hipótese de opção deferida a terceiro (art. es­ sencial ao ato jurídico que se agrega. O credor pede o cum­ primento de um dos objetos. segundo a atual lei. Decorreria daí a nu­ lidade. 252. Caso pereça ou não possa ser executada alguma das prestações. estariam satisfeitas certas peculiaridades típicas de obrigações que não podem ganhar uma solução geral ideal. sendo por isso obrigatória. coercitiva” (Monteiro. ainda que. findo o prazo p or este assinado para a deliberação” . portanto. O contemporâneo Código. não se referindo apenas às prestações anuais. o novel diploma permite que o juiz defina e conclua a condição. v. faz uma declaração unilateral de vontade. aliás acertadamente. mantendo hígida a relação jurídica. no caso de restar apenas uma das prestações. 4:113). por falta de um de seus elementos essenciais. o devedor deverá . quando este não quiser ou não puder exercer a escolha. com a complementação de uma indenização.

não há indenização. ou se tom ar inexequível. Acrescenta o art. Vários exemplos poderiam ser figurados: o devedor compromete-se a vender um imóvel ou a pagar quantia em dinheiro: vende o imóvel a terceiro (impossi­ bilidade voluntária) ou o imóvel sofre desapropriação (impossibilidade não vo ­ luntária). não competindo ao credor a escolha. há extinção da obrigação. 234. contrariando o disposto no ordena­ mento (ainda que mais valiosa a prestação. sempre. sem a ocorrência de culpa. estaria obrigando o credor a receber algo diverso do contratado. se ambas as prestações perecem sem culpa do devedor e antes de qualquer constituição em mora. extinguir-se-á a obrigação. não pode o devedor oferecê-la ofertando uma complementação em dinheiro: nesse caso. É regra geral de direito. Assim sendo. como se refere o atual Código). quer seja intencional. mais as perdas e danos que o caso determinar.” Essa disposição segue o mesmo princípio do já exa­ minado art. o fará por mera liberalidade. Se o credor aceitar sob tais premissas. haverá perdas e danos. mais perdas e danos. não sendo ao devedor permitido descartar-se da dívida oferecendo dinheiro em substituição à coisa que se perdeu ou se tornou de impossível entrega ou cumprimento. por falta de objeto. 253: “Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obri­ gação. A esse propósito. No caso de perecimento de todas as prestações. não importando o fator culpa e cabendo a escolha do devedor. quer seja involuntária a inexequibilidade. a impossibilidade de oferecer uma das prestações pode ser de natureza jurídica ou de natureza física. No caso de remanescer apenas uma das prestações. 256: “Se todas as prestações se tomarem impossíveis. a solução exposta no art. diz o art. à conclusão de que. subsistirá o débito quanto à outra.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 93 entregá-la. não se puder cum prir nenhuma das presta­ ções. não se pode fugir à obrigação. ainda que presumida. que não havendo culpa. continuará o devedor obrigado a pagar a quantia em dinheiro à qual se obrigou. já transcrito. na perda ou impossibilidade de to­ das as obrigações.” Chega-se. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que p or últim o se impossibilitou. 254: “Se p o r culpa do devedor. Se há di­ minuição do valor de uma das coisas em obrigação. a obrigação resume-se na remanescente. por outro lado. o que não altera a solução legal. portanto. O devedor continuará obrigado à prestação remanescente. porque é como se tivesse havido uma concentração por parte do devedor. uma vez que a obrigação se converte em pura e simples. mas vimos que ela pode ser múltipla. sem culpa do devedor. como já visto. sendo ele o encarregado da escolha.” O Código fala em duas prestações. 255. Se há culpa do devedor. é de obrigá-lo a pagar a que por último se impossibilitou. extingue-se a obrigação. É o que está exposto no art. Destarte. Sempre que houver culpa. A solução legal .

ou vice-versa. que se opera. pode a escolha pertencer ao credor. na obrigação alternativa. 255. mas o credor deve indenizar o devedor. antes da época do pagamento. v. 1. de orientação: “Quando a escolha pertence ao credor. no art. salvo se o credor preferir exigir a outra prestação. ele. a mesma solução pode ser aplicada ao devedor. evidentemente. a obrigação desaparece. que o perecimento das prestações ocorra p or culpa do credor. por culpa do devedor. automaticamente. o credor terá o direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da ou­ tra com perdas e danos (art. Assim. se uma das duas prestações se tom a impossível p or culpa do credor.” O devedor é liberado da obrigação. a obrigação concentrou-se na re­ . ainda. Serpa Lopes (1966. de uma concentração ficta. uma vez que dispõe o art. 1. no caso de perecimento das prestações. Nesses dois casos. ao contrário do que ocorreria normalmente. o devedor se libera da obrigação. em­ bora não seja fácil na prática. com perdas e danos. já que não tinha o direito de exigir as prestações. tolheu-se o direito de escolha cabente ao credor. 2:95). de outras situações que podem ocorrer: uma das prestações perece primeiramente p o r caso fortu ito e a segunda.280. sem dúvida. v. Embora não seja o mais comum. Nessa hipótese. abre-se ao credor a possibilidade de cobrá-la. 2:96) lembra.1 8 parte).94 D ire ito Civil • V enosa subentende que. decorrente de fato culposo do credor. Impossi­ bilitada esta. Quando o perecimento é de uma só das prestações e a escolha não cabe ao credor. Em segundo lugar. Trata-se. se a escolha couber ao credor e o perecimento for de ambas as prestações. 1966. Nossos Códigos não imaginaram a hipótese em que haja o perecimento de uma das prestações ou de todas. há a hipótese não enfocada pelo Código: pode ocorrer. Em primeiro lugar. abre-se um leque de situações. com perdas e danos. Em terceiro lugar.289 do Código italiano. Esta se mostra a solução mais segura na hipótese. libera o devedor da obrigação quan­ do este não preferir executar a outra prestação e pedir perdas e danos (Lopes. segun­ da parte). p or culpa do devedor. com o desa­ parecimento fortuito da primeira prestação. salvo se este preferir exigir a outra prestação e ressarcir o dano. terá o credor o direito de reclamar qualquer das duas. além da indenização pelas perdas e danos (art. 2 5 5 . se uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. servindo-nos. tendo perecido a primeira prestação por culpa do devedor. posteriormente. aqui. fez a concentração na última que se impossibilitou. o Código Civil italiano. No caso de a es­ colha caber ao próprio credor. Se ocorre a perda de todas as prestações por culpa do credor.

pois o objeto da prestação. perecendo a outra p or culpa do credor. v. não deve ser esquecido o que dissemos a respeito do “ interesse negativo” (ver Teoria geral. a obrigação alternativa toma-se simples. uma das prestações perece primeiramente por culpa do devedor e a outra. por culpa do credor. não se reveste de forma especial. Po­ rém. Se perecer a prestação remanescente. direito de indenização deste para com o credor. a obrigação concentra-se na restan­ te. não pode mais escolher a prestação primitiva que efetuou por erro. havia divergência entre os sabinianos e os proculeanos. posteriormente.4. ou vice-versa. cabendo a ele o direito de escolha. como se a tivesse cumprido.3. 6. uma vez que aí já fez a escolha. pode repetir o pagamento para fazer outro? No Direito Romano. supondo-se obrigado a uma única pres­ tação. Quando ocorre o perecimento de uma das prestações por culpa do deve­ dor. os primeiros admitindo a retratação e a repetição e os últimos. a concentração. a primeira desaparece p o r culpa do credor e a outra p or culpa do devedor. Numa última situação. efetuar o pagamento. primeiramente o desaparecimento de uma das presta­ ções por caso fortuito. 1. No Antigo Direito venceu a posição dos sabinianos. nesta ação. logicamente a obrigação do devedor desaparece. Pode ocorrer. . haverá penalização para o culpado. gerando. se o devedor ajuíza ação para repetir o pagamento.13). e como tal devem ser as conseqüências. ou ao contrário. em princípio. Com a perda de uma das prestações fortuitamente. Deve ser sempre lembrado. Perecendo a outra por culpa do credor. tomando-se simples. como se tivesse feito a concentração. que. havendo portanto di­ reito de escolha. essa culpa não atua sobre a obrigação alternativa da mesma forma que o faz para o devedor. este nada poderá exigir. para exercer posteriormente o direito de escolha. Em se tratando. Pode ser expresso pelo devedor até o pagamento e pelo credor até o momento da propositura da ação. também. lembrada pelo autor citado. mas sempre tendo-se em mira as hipóteses versadas. não. p or culpa do credor. cumpre acentuar que o ato de escolha. E essa opinião é vitoriosa até hoje. Por último. seção 22. qual seria a solução? A pergunta que aqui se faz é a seguinte: pode ele retratar-se. transformando-se em obrigação simples. desapareceu por sua própria culpa. Capítulo 22. isto é. Por outro lado. já concen­ trado. ignorando ser a obrigação alternativa. de anulação de negócio por erro.1 Retratabilidade da concentração O devedor que. porque a regra geral é a irretratabilidade da escolha e não poderia ser de outro modo. a repetição só pode ser admitida se a obrigação for cumprida com erro do declarante. em havendo culpa. Quando se trata de culpa do credor.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 95 manescente.

Nesse diapasão. A coisa. no entanto.5* Câmara . Por exemplo: o vendedor compromete-se a entregar 100 sacas de café. mas o con­ trato admite a possibilidade de liberar-se dessa obrigação entregando a cotação do café em ouro. se escolher a coisa de maior valor.Processo 545241-4/00 . e uma acessória ou subsidiária.). 6. Sílvio \fenosa -19-4-95 . pagar a diferença. poderá ele cumprir a obrigação entregando a de menor valor. o devedor pode dar como extinta a obrigação. Essa segunda prestação constitui um meio de liberação que o contrato reconhece ao devedor.4.Avença contratual que estabeleceu obrigação facultativa . como a maioria das legislações.5 Obrigações Facultativas Nosso ordenamento não regulou dessa categoria de obrigações. Cível .Interpretação favorável ao aderente. deverá ele contentar-se com a escolha da que não sofreu melhoramentos.Inexistência de cláusula de entrega exclusiva de veículos de um determinado fabricante . disciplina o fenô­ meno com detalhes: “obrigação facultativa é aquela que não tendo p or objeto senão que uma única prestação dá ao devedor a faculdade de substituir essa prestação p o r outra” (art. tendo por objeto apenas uma obrigação principal. De fato. se a escolha couber ao credor. através de notificação . há uma prestação principal. com a eventual indenização por perdas e danos a ser apurada em liquidação . 643). se não se chegar a esta solução. Nessas obrigações.Ap. então. ob­ jeto das prestações na obrigação alternativa.18 18 “Consórcio . após a avença.v. u. podem ser admitidos os seguintes aspec­ tos para os cômodos (acréscimos) na obrigação alternativa: a) se todas as coisas sofreram acréscimo. obrigação dita facultativa é aquela que. O Código Civil argentino. ou. confere ao devedor a possibilidade de liberar-se mediante o pagamento de outra prestação prevista na avença.4. que constitui o verdadeiro objeto da obrigação. com caráter subsidiário.\fclidade .Rei. b) se alguma das coisas aumentou de valor e a escolha couber ao deve­ dor. .Escolha do consordado de veículo de outro fabricante. a legislação argentina pode servir-nos de parâmetro. Por aplicação dos princípios gerais. o credor deve pagar o maior volume daquela que ele ou o devedor escolher.Ação declaratória de validade de cláusula contratual procedente” (J8TACSP .96 D ire ito Civil • V enosa 6.4 Acréscimos Sofridos pelas Coisas na Obrigação Alternativa O Código também não se ocupou desse fenômeno. podem sofrer acréscimos (cômodos) e aumentar de valor.Contrato de adesão . Outro exemplo: o contrato estipula o pagamento de um preço. ou as coisas. entretanto o comprador reserva-se o direito de liberar-se da obrigação dando coisa determinada.

foi visto que na obrigação alternativa a escolha pode compe­ tir ao devedor ou ao credor. todos os objetos se acham in obligatione e na obrigação facultativa apenas um objeto é devido. Destarte. na dação em pagamento. Guillermo A. podendo ser substituído por outro infacultate solutionis. como vemos. Trata-se de aplicação do princípio de que o acessório segue o principal. poderá exigir uma ou outra das prestações. Na realidade. enquanto na facultativa a faculdade é do próprio devedor e só dele. mas a nulidade da prestação acessória não tem qualquer influência sobre a principal (art. porque isso é inerente a esta classe de obrigação. entre a existência de uma obrigação alternativa ou de uma obrigação facultati­ va. Borda (s. A í está uma dife­ rença fundamental das obrigações alternativas. Contudo. Se a obrigação principal é nula. as duas ou mais prestações aventadas estão no mesmo nível e já vimos que o desaparecimento de uma não faz por extinguir a obriga­ ção.d. v. Nesta é imprescindível a con­ cordância do credor (art. o credor fará pedido alternativo. que é menos onerosa para o devedor. enquanto na obrigação facultativa existe unidade de objeto ao ser contraída a obrigação. Ao demandar a obrigação facultativa. a substituição do objeto do pagamento ocorre posteriormente ao nascimento da obrigação. o credor só pode exigir a obrigação principal. concluímos pela obrigação facultativa. 645 do Código Civil argentino). É a prestação principal que determina a natureza do contrato: “a na­ tureza de obrigação facultativa se determina unicamente pela prestação principal que form a seu objeto” (art. . na verdade. a maior semelhança aparente desta classe de obriga­ ção é com as obrigações alternativas. se a escolha couber ao devedor. na obrigação alternativa há pluralidade de objetos. embora aponte Washington de Barros Monteiro (1979. se a escolha couber a ele. No entanto. b ) as obrigações têm uma relação de dependência correspondente ao con­ ceito de principal e acessório.:228) elenca as seguintes características das obriga­ ções facultativas: a) são obrigações de objeto plural ou composto. Na obrigação alternativa. porém. Já nas obrigações alternativas. na dúvida. 644 do Código Civil argentino). fica sem efeito a obrigação acessória. a obrigação facultativa com a dação em pagamento. e c) possuem um direito de opção em benefício do devedor. Ademais. enquanto na facultativa a possibilidade de substituição participa da raiz do contrato. Anteriormente. Na obrigação facultativa há uma prestação principal e outra acessória. credor. a linha divisória entre ambas não é das mais nítidas e.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 97 Não se confunde. as duas categorias não se confundem. enquanto na obrigação facultativa a faculdade de escolha é exclusiva do devedor. Na obrigação alternativa. 4:128) que tal questão não é pacífica. como à primeira vista poderia parecer nos exemplos dados. 356).

como permite a lei argentina (art. a vontade das par­ tes ou então a lei. com ou sem culpa do devedor. o credor poderá reclamar perdas e danos. por erro. a nulidade da obrigação principal extingue também a acessória. a subsidiária. poderá repetir. pois esta é que dá a natureza da obrigação. extingue a obrigação.98 D ire ito Civil • V enosa São fontes de obrigações facultativas. sua disciplina básica deve ser vista à luz das obrigações singelas. entre nós. em nada influencia a obrigação principal. mas não o pagamento da prestação subsidiária.1 Conceito A obrigação mais singela é aquela que tem um único devedor e um único credor e apenas um objeto na prestação. Pelo que se examinou. 6. obrigação facultativa é uma obrigação comum. . 648). E o devedor pode optar pela prestação subsidiária até o efetivo cumprimento. Na obrigação facultativa não existe propriamente uma con­ centração (escolha) da obrigação. pois o que é obrigatório não pode ser facultativo. sem culpa do devedor. que a legislação argentina afastou-se da natureza mesma da obrigação facultativa. Se houve perecimento. Em nossa lei. sem dúvida. Na verdade.1 Efeitos d a o b rig a ç ã o facultativa A perda da coisa principal. Contudo. mas o exercício de uma opção. e. Melhor seria denominá-las obrigações com faculdade de substituição de objeto. que se mantém incólume. na prática.5. o que faria surgir tão só um direito de indenização para o credor. é justo que possa o credor exigir o pagamento da coisa acessória. essa solução. que tem por ob­ jeto uma só prestação.5. Foi por essa razão.4. no caso de erro. da coisa principal. em primeiro lugar. Se a perda ou a impossibilidade de cumprir ocorreu depois da constituição em mora. o cre­ dor pode pedir o preço da coisa que pereceu mais perdas e danos. v. nesse caso. Já a perda ou deterioração do objeto da prestação acessória. com uma faculdade atribuída ao devedor. Ao contrário das obrigações alternativas. poderá encontrar óbice se se examinar a natureza da obrigação facultativa. Ainda. 4:123) acerca da impropriedade de denominação obrigação facultati­ va.5 Obrigações Divisíveis e Indivisíveis 6. isso poderia ser inconve­ niente. Se a perda ou impossibilidade ocorreu por fato imputável ao devedor. é adequada a crítica de Washington de Barros M ontei­ ro (1979. Já se o devedor cumpre. se não quiser pedir a indenização. pela mesma razão pela qual pode repetir nas obrigações alternativas. não pode haver retratação se o de­ vedor cumpre a obrigação principal. 6.

É o que afirma. A indivisibilidade pode decorrer da própria natureza do objeto da prestação: se várias pessoas se comprometem a entregar um cavalo. eviden­ temente. estaremos perante uma obrigação conjuntiva. porém. Sob esse aspecto é que deve ser vista a prestação. as chamadas obrigações complexas possuem pluralidade de credores ou devedores. aliás. forem múlti­ plos. Já estudamos que. se assim não se ajustou. afirma-se que divisíveis são as obrigações possíveis de cum­ primento fracionado e indivisíveis são aquelas que só podem cumprir em sua integralidade. a obrigação de entregar uma tonelada de trigo. Da solidariedade nos ocuparemos mais adiante. Está aí. deve ficar compreendido que é o divisível ou indivisível é a prestação. nem o devedor a pagar. Desse modo. alternativa ou facultativa. como. mas podem as partes ter convencionado que a obrigação só poderá ser cumprida por inteiro. o art. Trata-se. Ademais. mas. por restrições de zoneamento. Normalmente. de indivisibilidade material. havendo mais de um credor. Algo é divisível quando as partes divididas mantêm as mesmas propriedades do todo. O atual Código acrescentou uma definição: . ou mais de um devedor. a indivi­ sibilidade por força de lei. a obrigação é indivisí­ vel. se múltiplo for o objeto da prestação. Sob o ponto de vista material. a lei pode proibir que um imóvel seja fracionado abaixo de determinada área. p or partes. então. não é esse o aspecto ora examinado. devemos observar a prestação: se ela for suscetível de cum­ primento fracionado. Em linhas gerais. portanto. o fenômeno da obrigação denomina-se divisibilidade ou solidariedade. caso contrário. Quando. ou ambos. pode ser o objeto da prestação perfeitamente divisível.C la ssific a ç ã o d a s O b rig a ç õ e s 99 Por outro lado. todo imóvel pode ser dividido. a indivisibilidade pode ser jurídica. A classificação das obrigações em divisíveis e indivisíveis não tem em mira o objeto. pois seu interesse reside e se manifesta quando ocorre pluralidade de sujeitos. estaremos perante uma obrigação indivisível. Ainda. por exemplo. tudo pode ser fracionado. o sujeito ativo ou o sujeito passivo. Para afastarmos qualquer mal-entendido. ou pluralidade de objetos na prestação. Contudo. 314: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível não pode o credor ser obrigado a receber. a obrigação é divisível.” Trata-se de corolário do princípio geral segundo o qual não se pode obrigar o credor a receber algo diverso do contratado.

porém. uma residência). mais propriamente. o critério sempre seguro para uma conceituação de obrigação divisível e indivisível é aquele ministrado pelos arts. não precisamos falar em divisibilidade. em geral. embora naturalmente divisíveis. Importa sempre examinar o objeto do negócio e a vontade das partes quanto à possibilidade de divisão da obrigação ou. é una e indivisível. numa atitude negativa do devedor. A obrigação de restituir é. principalmente os franceses. Consistem elas na entrega da coisa. v. p or natureza. Pereira. A obrigação de fazer pode ser divisível ou indivisível. Por outro lado. Destarte. A referência à indivisibilidade liga-se ao objeto da prestação. por exemplo. O fato é que a matéria não apresenta a dificuldade vista pelos juristas de antanho. se o objeto da prestação é corpo certo e determinado. que estabeleceram distinções artificiais e inexistentes na matéria (cf. como regra geral. formando cada qual um todo perfeito. móvel (como um automóvel. seja ele coisa ou fato.100 D ire ito C ivil • V enosa “A obrigação é indivisível quando a prestação tem p or objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. ainda que materialmente as coisas permitam fracionamento. Um trabalho a ser rea­ lizado pode ser cumprido por partes ou não. seção 16. indivisível. mas sempre que houver uma pluralidade de sujeitos. 87 e 88 do Código Civil.6). se trata de um conjunto de obrigações negativas. poderíamos dizer que o conceito de divisibilidade situa-se na possibilidade ou impossibilidade de fracionamento do objeto da pres­ tação. e indivisíveis são as que não podemos partir sem alteração em sua substância ou as que. as obrigações de dar podem ter por objeto pres­ tação divisível ou indivisível. Sob o ponto de vista objetivo. . em devolução. é geralmente indivisível. dependendo de sua natureza ou do que foi acertado entre os interessados. Será divisível quando cada uma das parcelas separadas guardar as características do todo. não sendo admissível o contrário. p or motivo de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio” (art. aquela que importa numa abstenção. A obrigação de não fazer. são consideradas indivisíveis. 2:49). não sendo possível o parcelamento. um animal) ou imóvel (um apartamento. 1972. por partes. 88) (cf. Sintetizando. 258). Direito civil: parte ge­ ral. por lei ou vontade das partes (art. deve entregá-lo perfeito e acabado. cada uma deve ser vista individualmente. da prestação. caso contrário não aflorará juridicamente o problema. pelo qual as coisas divi­ síveis são as que podemos dividir em porções ideais e distintas. a não ser que a avença disponha diferentemente. A indivisibilidade deve ser vista também quando o fracionamento faz com que as retiradas do todo percam parte considerável de seu valor econômico. Quem se compromete a pintar um retrato. uma vez que o credor não pode ser obrigado a receber a coisa. Quando. embora tenhamos agora uma definição de obrigação indivisível. A abstenção.

deve ser verificado se este tem poderes para dar quitação em nome dos demais.870/99.Recurso não provido” (TJSP .Ap. a prestação é realizada por completo. esta se divide entre tantas obrigações.2 Pluralidade de Credores e de Devedores Dispõe o art. não havendo solidariedade.Acórdão Recurso Especial 868. com o parcelamento do débito . Destarte. 257: “Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisí­ vel.Prestação de serviços . haverá obrigações distintas. 258 para conceituar a indivisibilidade. ou devedores. Resolução do negócio jurídico por culpa e retomo ao status quo ante. 27-3-2007.556 . 25* Câmara de Direito Privado .C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 101 6.Rei. . acrescentou o art. 5-11-2010. ou do devedor pagar. 257. Pagamento a um dentre os vários credores. . 265. o que não fez o estatuto de 1916. a obrigação divide-se. havendo mais de um credor. Nancy Andrighi). Pagamento errôneo que não quita a obrigação. a não ser que tenha havido convenção em contrário. O presente Código.”19 Como acentuado. Ao con­ trário. quantos os credores.Se o pagamento é feito a quem não é credor único nem tem poderes para representar os demais credores. 19 “Direito civil. iguais e distintas. Rei.Lei Fèderal n° 9. artigo 5® inaplicável . podendo haver resolução do negócio jurídico com o retomo das partes ao status quo ante. o interesse na classificação ora em estudo surge quando há pluralidade de sujeitos. CC/2002).Irrelevância .Impossibilidade do credor receber. A hipótese mais simples está.Obrigação que tem por objeto prestação divisível . a obrigação “divi­ de-se” em tantas quantos sejam os sujeitos ativos e passivos.Mandado de segurança .978-0/9. “Contrato . A dificuldade a ser transposta surge quando. recebendo cada credor de devedor comum ou pagando cada devedor ao credor comum sua quota na prestação. a pres­ tação for indivisível. . Inexistência de solidariedade. como vimos.A solidariedade não se presume (art. Feito a apenas um deles.Ausência de direito líquido e certo . Min. conforme artigo 889.Inapiicabilidade da teoria do fato consumado . Quando existe mais de um credor ou mais de um devedor. A í surgirá a necessidade de conceituação de divisibilidade e indivisibilidade. Recurso Especial não conhecido” (STJ . . quando há um só devedor e um só credor. deve cuidar para que o pagamento seja feito a todos os credores. Há negócios jurídicos que têm como essência a prestação una e indivisível. ou devedor.O devedor de obrigação divisível. na pluralidade de partes. iguais e distintas.Alegação de que o impetrado deveria aceitar a rematrícula. disciplinada no citado art. se assim não ajustou. em obrigação divisível.5. do Código Civil de 1916 .MS (2006/0155924-0).Inadimplência do impe­ trante . ainda que. pois. quanto os credores ou devedores. Alienação de imóvel. Antônio Benedito Ribeiro Pinto). há negligência do devedor. por partes.Ensino .Descabimento . Cível 932. esta presume-se dividida em tantas obrigações. Na plurali­ dade de sujeitos.

Sendo o minoritário que entrega e recebe o preço. deve dar.” E completa o art. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. com efeito extintivo da dívida até o montante pago (CC.102 D ire ito C ivil • V enosa Em se tratando de prestação indivisível. por exemplo) um só dos devedores poderá cumprir a obrigação. art. se dois devedores se obrigaram a entregar um cavalo. O mandato outorgado a mais de um advogado. mas ainda que coativamente (pela penhora e leilão. 672 . ocorrendo a sub-rogação ora examinada. simultaneamente. não deve o devedor pagar a um só dos credores. O devedor. Mas o devedor ou devedores se desobrigarão. ficando este com direito de cobrar o que for devido do outro devedor. Assim. nesta hipótese.Quitação. cada um dos devedores responde pela dívida toda. que merece um exame em cada caso con­ creto. pela pluralidade de cre­ 20 “Prestação de serviços advocatídos . razão porque o pagamento pode ser feito a qualquer dos credores solidários (CC/2002. é fonte de obrigação solidária (CC/2002. nos termos do parágrafo único do art. 672). cada um com poderes para atuar em conjunto ou isoladamente. como ocorre na solidariedade.20 Na verdade. 269.Credores solidários .Pluralidade de mandatários Pagamento . Figure-se o exemplo de dois proprietários de um mesmo cavalo. estará obrigado pela dívida toda. na forma do art. O contrato de prestação de serviços advocatícios ad exitum.Cobrança .a um. que fala em sub-rogação. pagando: I . matéria tratada adiante nesta obra. art. 70% do valor recebido ao outro vendedor. Sendo a obrigação indivisível. II.CC/2002. o credor pode e deve acionar todos os devedores para o cum­ primento de obrigação. Mas o devedor.Mandato . O devedor. Na falta de caução. arts. 268. onde as partes convencionando a remuneração em . aqui. deverá exigir caução do que recebe. Desse modo. 259. a prestação não fo r divisível cada um será obrigado pela dívida toda. um sendo detentor de 30% de seu valor e outro detentor de 70%. em havendo outros sujeitos passivos. que paga a dívida.” Portanto. poderá cada um destes exigir a dívida inteira. 259: “Se. não tem qualquer devedor a faculdade de solver parcialmente a obrigação. 260: “Se a pluralidade fo r dos credores. único). o semovente poderá ser entregue por qualquer um deles. Comprometeram-se eles a entregar o animal. depois. Os devedores podem ser responsáveis pela prestação em partes iguais ou em proporção fixada no negócio jurídico. Assim também no tocante aos credores. independente de nomeação. 267. dando este caução de ratificação dos outros credores. 261. I I . dispõe o art. havendo dois ou mais devedores.a todos con­ juntamente. 320. arts. não pagando aos dois credores. para garantir que o pagamento seja bem-feito. 260. p. Parágrafo único. 672).

a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no to ta l” Deve sempre ser examinado o negócio jurídico para se verificar qual a parcela de cada um na obrigação. de dívida solidária (cf. Na hipótese de remissão da dívida por parte de um dos credores. ao exigi-la.960/2002 substitui a dicção final do artigo. e 257)” (TJSP . Melo Bueno). 1979. como veremos a seguir. Des.Inconformismo . os demais credores não podem ser prejudicados: a dívida deve ser paga aos credores não remitentes. As conseqüências práticas são. novação. perderá o caráter de indivisível (art.Acórdão Apelação Cível s/ Revisão 1046241 .Execução . 262: “Se um dos credores rem itir a dívida. 262 aplica o mesmo princípio à transação. arts. já que esta é a parte correspondente ao credor remitente. Rei. obrigação de pagar derivada da proprie­ dade. 35* Câmara de Direito Privado . Monteiro.As des­ pesas de condomínio constituem obrigação propter rem. podendo ajuizá-la em face de qualquer um deles. parágrafo único. institu­ tos para os quais remetemos o leitor. mas estes só a poderão exigir.AI 1.Nos termos do artigo 275 do Código Civil. presume-se idêntico o direito de cada credor. mas estes. a esposa do agravado.” O cre­ dor que remi te a dívida abre mão de seu cumprimento. dispõe o art. “Condomínio .Despesas condominiais . v. . descontada a quota do credor remitente. Assim. 261: “Se um só dos credores receber a prestação p or inteiro. não se tratando de hipótese de litisconsórcio necessário . mas devem descontar 33. ficando o imóvel integralmente vinculado ao débito . estes devem ser considerados credores solidários. ainda que não seja parte nos autos . como coproprietária. Clovis Castelo). A indenização é feita em dinheiro. nos capítulos seguintes. Se nada dispuser o negócio. Anote-se que o Projeto nô 6. Esse desconto ou reembolso deve ser feito em dinheiro. Em se tratando de prestação indivisível. Contudo. a obrigação não ficará extinta para com os outros. A ideia de fundo do dispositivo continua a mesma.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 103 dores de prestação indivisível. a perdoa. de fato. Finalmente. não se confundem.Decisão que indeferiu a retificação da penhora para que recaia sobre a totalidade do bem imóvel . Um dos credores remite a dívida. modalidades de extinção de obrigações.33%. 4:138).0/0. 20-8-2011. também tem responsabilidade pelo pagamento das despesas rateadas entre os condôminos. embora com muitos pontos de contato. Da mesma forma. O parágrafo único do art. compensação ou confusão. que é bem valor fixo pelo trabalho. deve ser vista a responsabilidade de cada devedor. devem descontar a quota remitida. autoriza a presunção de que iguais as quotas de cada cocredor (CC/2002. não discriminam a quota parte cabente a cada um dos advogados. 263).238. Os dois credores remanescentes ainda podem exigir a coisa.Procedência . enquanto persistir a indivisibilidade. tratando-se de obrigação indivisível em razão da própria coisa.Rei. porém.Portanto.Recurso provido” ( TJSP . existem três credores de um apartamento. dizendo “reembolsando o devedor pela quota do credor remitente” . devido à solidariedade passiva existente entre os coproprietários da unidade autônoma. quando uma obrigação se resumir em perdas e danos.108-0/3. indenizando este valor ao titular do apar­ tamento. o condomínio não é obrigado a promover ação de cobrança contra todos os coproprietários. 2-3-2009. solidariedade e indi­ visibilidade. na pluralidade de partes no lado passivo. Consoante afirma o art. 658.

Assim sendo. Por isso. podemos dizer que a solidariedade é de origem técnica.3 Indivisibilidade e Solidariedade Embora esteja a seção da solidariedade colocada a seguir. decorre da técnica jurídica. e sim porque a natureza da prestação não permite o cumprimento fracionado.5. . na solidariedade cada devedor paga por inteiro porque deve por inteiro. Da mesma forma. mesmo que seja reconhecida a apenas um deles. entre outras.104 D ire ito C ivil • V enosa divisível por excelência. Por outro lado. Destarte. tendo em vista os vários pontos análogos entre a solidariedade e a indivisibilidade. Se a culpa for de um só. esta aproveita a todos os devedores. isto é. A causa da solidariedade reside no próprio título. resulta da natureza da prestação (há. que podem ser apontadas. Um ato defeituoso com relação a uma das partes danifica o ato com relação aos demais partícipes do negócio. 265). São as seguintes as diferenças. decorre da lei ou do título constitutivo (art. mas pelo valor da prestação. o credor pode exigir o cumprimento integral de qualquer dos devedores. porque qualquer um deles é devedor de toda a dívida. Se a culpa que motivou a indenização for de todos os devedores. não porque o demandado seja devedor do total (já que só deve uma parte). convencional). Na indivisibilidade. é importante que seja feito um paralelo entre ambos os institutos. decorre da natureza da prestação. o credor pode exigir de qualquer devedor solidá­ rio o pagamento integral da prestação. geralmente. na solidariedade. enquanto a indivisibilidade é de origem material. 6. Em matéria de prescrição. A solidariedade reside nas próprias pessoas envolvidas. a indivi­ sibilidade é objetiva. assim como sua suspensão ou interrupção aproveita ou prejudica a todos. enquanto. geralmente. a insolvência de um dos devedores não prejudicará o credor. enquanto na indivisibilidade o devedor paga por inteiro porque outra solução não é possível. responderão todos. que estará intitulado a exigir o cumprimento da obrigação dos demais. indivisibilidade que decorre da vontade das partes. a nulidade da obrigação declarada com relação a um dos devedores estende-se a todos. evidentemente. apenas este responderá por perdas e danos (§ 2Q). Afirma-se que a solidariedade é subjetiva. en­ quanto a indivisibilidade. como vimos. responderão todos por partes iguais (§ l s). integral­ mente. no vínculo jurídico. A solidariedade é artifício jurídico criado para reforçar o vínculo e facilitar a solução da dívida.

cada um com direito. Inexiste incompatibilidade entre a divisibilidade e a solidariedade.:241). os administradores serão obrigados pessoalmente e solidariamente pelo ressarcimento do dano. Sodedade limitada. Súmula 282/STE Reexame de fatos. mas da vontade das partes ou da lei. 265): “Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. 264). porquanto a indivisibilidade resulta da natureza da prestação (art. tal como ocorre com uma con­ denação em dinheiro. rejeitam-se os embargos de declaração. de modo que todos os devedores vão responder integralmente pela dívida. a solidariedade não se presume. perante a sociedade e terceiros prejudicados quando. Bor­ da (s. 535 do CPC. A solidariedade nas coisas divisíveis reforça o vínculo entre devedores. enquanto a solidariedade decorre de contrato ou da lei (art. 3. Quando a obrigação indivisível se conver­ ter em perdas e danos. ou mais de um devedor. O reexame de fatos em recurso especial é inadmissível. Todavia. servindo de garantia para favorecer o credor. Como afirma Guillermo A. Sócios administradores. a impossi­ bilidade de serem pagas por partes. As obrigações solidárias e indivisíveis têm conseqüência prática semelhante.6. 258 do CPC). Ausência. Embora existam nítidas diferenças. Solidariedade. 271). pode ocorrer a solidariedade de credores (ativa) e a solidariedade de devedores (passiva). na forma da responsabilidade dvil por ato ilícito. Divisibilidade. facilitando o cumprimento ou a solução da dívida. Prequestionamento. De fato. dentro de suas atribuições e poderes. 7. Em regra. 5. Ausentes os vícios do art. Embargos de declaração. A obrigação será solidária quando a totalidade de seu objeto puder ser re­ clamada por qualquer dos credores ou qualquer dos devedores. Responsa­ bilidade dvil por ato ilídto. Considerando-se que na hipótese dos autos ficou comprovado que todos os onze sódos eram administradores e que realizaram uma má-gestão da sodedade autora que lhe acarretou compro­ . Omissão. 1. mas nesse caso a possibilidade de reclamar a totalidade não deriva da natureza da prestação. 4. 6. Inadmissibilidade. Ação de indenização por danos materiais e compensação por danos morais.6 Obrigações Solidárias 6. Como vemos. 2. Não ocorrênda. como vimos. o administrador não tem respon­ sabilidade pessoal pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em decorrência de regulares atos de gestão.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 105 Quando a obrigação solidária se converter em perdas e danos. Nada obsta a existência de obrigação solidária de coisa divisível. A ausênda de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados impede o conhecimento do recurso especial. 263). nada im­ pede que se reúnam na obrigação as qualidades de indivisíveis e solidárias ao mesmo tempo. o efeito fundamental é o mesmo das obrigações indivisíveis. Recurso especial. ou obrigado à dívida toda” (art.1 Conceito A solidariedade na obrigação é um artifício técnico utilizado para reforçar o vínculo. qual seja. assim como pontos de contato. Compatibilidade.21 21 “Processual civil. de modo a facilitar a cobrança. mas são obrigações diferentes. agirem de forma culposa. os atributos da solidariedade permanecem (art. desaparece a primitiva indivisibilidade (art. 6. esta última a mais útil e mais comum. Neste último caso. contradição ou obscuridade. 265 do CC/02). resultando da lei ou da vontade das partes (art.d. a transformação da obrigação em dever de indenizar a transforma em obrigação pecuniária.

8. é inafasvados prejuízos de ordem material e que não há incompatibilidade qualquer entre a solidariedade passiva e as obrigações divisíveis. pois seus antece­ dentes históricos não são muito claros. por meio do qual um dos credores podia cobrar de cada um dos devedores. cada credor tem a faculdade de exigir a totalidade da coisa devida do devedor. cuja satisfação não extingue os deveres dos coobrigados. Quando os credores ou devedores desejavam evitar os inconvenientes da divisão da dívida. tendo estas últimas origem na lei. 6. No entanto. Para nós. Rei. determinar o cumprimento integral por parte dos recorridos da obrigação de reparar os prejuízos materiais sofridos pela so­ ciedade autora e reconhecidos por decisão judicial” (STJ . Isso foi sustentado por alguns romanistas alemães. ativos ou passivos. Como lembra Caio Mário da Silva Pereira (1972. reconhecendo a responsabilidade solidária dos sócios administradores.2 Antecedentes Históricos A noção fundamental da obrigação solidária é no sentido de que o codevedor que paga extingue a dívida. a solidariedade é modalidade especial de obrigação que possui dois ou mais sujeitos. enquanto a imperfeita (ou obrigações in solidum) produziria apenas os efeitos principais. com idênticas conseqüências. tendo em vista a existência de interpolações. o Direito Romano não conheceu essa distinção. a soli­ dariedade tem uma só natureza. Difícil se tom a explicarmos o porquê do fenômeno. pode cada credor demandar e cada devedor é obrigado a satisfazer à totalidade. e não os secundários. foi feita a distinção entre solidariedade perfeita ou correalidade e solidariedade propriamente dita ou imperfeita. 279 e 280 do Código Civil a serem examinadas. .Acórdão Recurso Especial 1. de acordo com nosso ordenamento. 6. Do lado ativo. embora possa ser divisível.6.6. Na verdade.3 Obrigações in Solidum Acentuamos no tópico anterior que. Min. tais como as situações dos arts.087. Sem grande utilidade prática.142. 2:59). tanto em relação a si quanto em relação aos demais devedores. os quais podem ser demandados em ação regressiva. v. 18-8-2011. Nancy Andrighi). A ideia da solidariedade teve origem no Direito Romano. com a par­ ticularidade de que o pagamento feito por um devedor a um credor extingue a obrigação quanto aos outros coobrigados. nessa matéria o recurso às fontes é difícil.106 D ire ito C ivil • V enosa Destarte. não havemos de fazer distinção. ligavam-se por um vínculo particular. A solidariedade perfei­ ta produziria todos os efeitos atuais da solidariedade e tinha sua origem na vontade das partes. A explicação do mecanismo dessa modalidade de obrigação não apresenta dificuldade. Recurso especial parcialmente provido para. sendo a solidariedade uma só. está o credor autorizado a exigir de qualquer dos devedores o cumprimento integral da obrigação. e.

pela totalidade. No caso do incêndio. compreensiva do credor e . como conseqüência. todos. causada por culpa de um terceiro.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 107 tável o fato de existirem situações em que vários agentes aparecem devendo a totalidade. temos as obrigações in solidum. sem serem solidários. O incendiário será responsável pelo valor integral do dano. O credor tem o direito de acionar qualquer obrigado indistintamente. como acenamos anteriormente. não existe solidariedade entre os devedores porque não existe uma causa comum. A vítima pode reclamar a indenização de qualquer um deles. 186 do Código Civil: o ato ilícito.4 Características e Fundamento da Solidariedade Como está atualmente estabelecido pela doutrina quase unânime. por exemplo. surge dupla responsabilidade: a do condutor do veículo e a de seu proprietário. in­ distintamente. e o agente. agindo com culpa. nas quais os liames que unem os devedores ao credor são totalmente independentes.6. Um motorista particular atropela e fere um pedestre. Alguns exemplos podem aclarar o que pretendemos expor. No caso da companhia seguradora. deve ser lembrado que. Assim sendo. Desse modo. Suponhamos um caso de incêndio de uma propriedade segurada. e o pagamento efetuado por um libera o outro devedor. Todavia. pode ocorrer nas obrigações in solidum que os devedores não sejam responsáveis. independentemente da perquirição de culpa. embora ligados pelo mes­ mo fato. a responsabilidade da companhia seguradora tem como fonte um contrato. Borda (s. o valor segurado pode ser inferior aos danos. Todos respondem pela totalidade do crédito. a obri­ gação solidária constitui relação obrigatória unitária. enquanto a dívida solidária é suportada por igual por todos os devedores. 6. pelo mesmo valor. No evento. a seguradora no limite do contrato. Bem apropriado é o exemplo ministrado por Guillermo A. Assim também no caso dos coobrigados em um título de crédito. a remissão da dívida feita em favor de um dos credores não beneficia os outros. Contudo. a responsabilidade do motorista funda-se em sua culpa. uma origem comum na obrigação. a interpelação feita a um dos devedores não constitui em mora os outros.d. No caso do acidente de veículo. mas a seguradora responde até o limite fixado no contrato. que responde por culpa indireta.:242). a responsabilidade do dono do automóvel resulta exatamente de sua condição de proprietário. Tanto a seguradora como o autor do incêndio devem à v í­ tima a indenização pelo prejuízo. enquanto a responsabilidade do incendiário decorre dos prin­ cípios do art. a prescrição referente aos devedores é independente. Ambos estarão obrigados pela totalidade da indenização.

conserva sua validade quanto aos demais. todas as relações obrigatórias singulares. c) um dos devedores pode ser exonerado de sua parte da dívida. caso em que haveria somente uma obrigação composta ou mancomunada. v. Antonio Ribeiro). pois caso contrário encontrar-nos-íamos perante uma obrigação in solidum e não uma obrigação solidária. o débito é sempre único) e a pluralidade e independência do vínculo. incluindo-se. Tal independência no vínculo dá margem a algumas conseqüências: a) a obrigação pode ser pura e simples para algum dos devedores e pode estar sujeita à condição. e nunca solidariedade. as obrigações solidárias têm uma pluralidade de credores ou de devedores e uma corresponsabilidade entre os interessados. 266). elementarmente. 22 “Cambial .Rei.Vínculo entre cheques emitidos e corré inexistente . duas importantes características: a unidade da prestação (qualquer que seja o número de credores ou devedores.Empréstimo .748-6. 48 do Código de Processo Civil . b) se uma obrigação é nula porque um dos credores é incapaz. Contudo.Hipótese em que o litisconsorte não pode ser prejudicado por ato do outro . quando a solidariedade for ativa) (cf.Documentos que não demonstram a participação da apelada e corré na constituição de possível dívida . N o entanto. cuja realização alcança sua finalidade de conformidade com a avença. por conseguinte.108 D ire ito C ivil • V enosa de todos os devedores solidários. o que solve a dívida pode reaver dos demais a quota-parte de cada um na obrigação. 24* Câmara de Direito Privado . 1958b.Cheques .Títulos emitidos em favor do corréu e filho do autor apelante.Recurso não provido” ( T J S P . do credor contra cada um dos devedores solidários (ou com maior razão. perma­ necendo a obrigação para com os demais. ressaltam-se. não devemos ver uma independência total de vínculos. Portanto.Solidariedade não se presume . Como conseqüência dessas características. assim. 1:504).Ação declaratória de existência de relação jurídica cumulada com condenatória julgada improcedente . Cada uma das relações entre o lado ativo e o lado passivo pode desenvolver-se até certo grau. Como conseqüência desta última caracte­ rística. Cível 1. por exem­ plo.Onus da prova . Toda­ via. portanto. como examinamos anteriormente. com cer­ ta independência com as demais.Autor que dele não se desincumbiu .181. o que recebe deve entregar aos demais credores o que cada um tem direito. enfatize-se.22 Sobre este último aspecto. que encerra uma pluralidade de créditos. da mesma forma.Parentesco entre as partes e separação do casal réu que impede a solução preconizada no apelo . Pontuamos também que a obrigação solidária tem uma unidade de causa.Utilização do cheques como início de prova . como já afirmamos. o recebimento por parte de um dos credores extingue o direito dos demais. nominais a ele . de plano. que a unidade de prestação não impede que o vínculo que une credores e devedores seja distinto e independente. mais uma vez.Ap. Larenz.Re­ conhecimento de dívida por corréu. 12-3-2009. todas essas relações obrigatórias permanecem unidas entre si por meio da unidade finalística da prestação. Do lado da solidariedade ativa.Art. . que não obriga apelada . ao prazo ou ao encargo para outros (art.

Ainda. isto é. que no caso de inadimplemento não fica obrigado a mover uma ação contra todos os devedores (o que não poderia ocor­ rer se a obrigação fosse simplesmente mancomunada). Des. 942 do CC)M(TJMG . Não estando presente o instituto.Responsabilidade solidária decorrente de lei . todos os devedores e todos os credores solidários estão em pé de igualdade. ou cada credor tendo direito a apenas uma parte. impõe-se o reconhecimento da responsabilidade solidária. . Após um dos devedores ter solvido a dívida é que ele vai entender-se com os demais companheiros do lado passivo. não se admitindo responsabilidade solidária fora da lei ou do contrato. Todas essas relações são irrelevantes para o credor. 23 “Agravo de instrumento . 265: “A solidariedade não se presume. embora sua utilização seja restrita.0701.055654-5/004. 5-10-2010. prevalece a presunção contrária à solidariedade. uma vez fixada a solidariedade. porque tinha direitos para com o credor etc. sob o aspecto externo. percebemos claramente que a finalidade da solida­ riedade passiva. os cre­ dores têm a vantagem de que qualquer um deles pode atuar no recebimento do crédito. por decorrer a mesma de texto expresso de lei (art. Rei. tem em mira assegurar a solvência. a mais comum. portanto.6. resultando da lei ou da vontade das partes.Fase de cumprimento de sentença .Inteligência do artigo 942 do Código Civil. . José Antônio Braga). O credor goza de uma situação de maior garantia. Na dúvida.Ato ilícito . desde o princípio. demandando o pagamento integral. resulta da lei ou da vontade das partes.03. é que as relações internas do vínculo entre os vários devedores é abso­ lutamente irrelevante para o credor. Assim é que um dos devedores solidários pode ter-se obrigado por mera liberalidade. Do que já foi exposto.”23 Manteve-se nosso ordenamento fiel à doutrina tradicional. Assim sendo. 6. em razão de um negócio de sociedade. pela inexistência de solidariedade. cada devedor sendo obrigado apenas a uma quota-parte.Desnecessidade .Ttatando-se de condenação decorrente de ato ilícito. .C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 109 O que deve ficar bem claro. não pode decorrer da sentença. não se ampliam as obrigações.Ausência de menção expressa na sentença ou acórdão . como à primeira vista em alguns casos pode parecer. não havendo expressa menção no título constitutivo e não havendo previsão legal. mormente na solidariedade passiva. A solidariedade. no art. A obrigação soli­ dária possui um verdadeiro caráter de exceção dentro do sistema. facilita a cobrança por parte do credor. No entanto. Portanto. reforçar o vínculo.5 Fontes da Solidariedade Dispõe o art. Do lado da solidariedade ativa.A solidariedade não se presume.Acórdão Agravo de Instrumento 1. Há um poder recíproco que facilita o recebimento. a obriga­ ção divide-se. interpreta-se a favor dos devedores. É fato que o Código Civil argentino. pelo simples fato de poder exigir de qualquer devedor o cumprimento de toda a obrigação.

Perda de voo . quando o valor do contrato o permitir (ver art.Rei.Desistência por um dos vendedores . 401 do CPC e art. Cível 1.Aplicação .Circunstância em que o consumidor tem o direito de receber informação adequada e clara . de que a solidariedade pode ser provada por testemunhas. O juiz.Corretagem . Virgilio de Oliveira Júnior). são criadas as obrigações solidárias. Não há necessi­ dade. a solução alemã não é a melhor. 427). Não há dúvida. No exemplo do in­ cêndio.Ocorrência . quem a alega solidariedade deve provar.Prestação de Serviços .Recurso improvido” (TJSP . A ideia de que a solidariedade não se presume se fundamenta na aplicação do princípio de que na dúvida se prefere a solução menos onerosa para o devedor. 25 “Contrato . contudo.Monitória . a presunção é de que cada qual contrai obrigação proporcional ao seu quinhão (art. 1. No entanto. 15-4-2009.255.Atraso em fila errada do balcão da TAM . no entanto. não há necessidade de prova.Reparação de danos materiais e morais . . 4:160) apanha alguns exemplos em pretérita jurisprudência: não induz solidariedade parentesco próximo dos coobrigados:24 não se pode admitir solidariedade por indícios e conjecturas. surgirá essa modalidade de condenação. então.Falha na prestação do serviço . v. na sentença. essa disposição sofre críti­ cas pelos juristas platinos. 35* Câmara de Direito Privado .Adoção da teoria unitária . que mencionamos. Notemos que isso não ocorre em todas as obrigações as legislações. em se tratando de obrigação assumida por sócios ou condôminos. com muito maior frequência.Cobrança . de palavras sacramentais. na verdade. mais ou menos verossímeis. uma obrigação in solidum.Embargos rejeitados” (T J S P . por decisão judicial. mas não a induzem.Admissibilidade . bastando que fique clara a vontade de se obrigar solidariamente. Na prática. II. de que a solidariedade seja expressa.TYansporte aéreo .Solidariedade passiva das corrés .059.Rei. Contudo.Proposta de promessa de venda e compra .Solidariedade passiva . Artur Marques). Como não existe presunção.Orientação no sentido de que os sujeitos da obrigação se acham ligados por um só vín­ culo .Ap.Atraso da autora para chegar ao aeroporto não significativo .Neces­ sidade .EI 7.25 Como acentua esse autor 24 “Comissão .Existência . 21* Câmara de Direito Privado . diz expressamente que a solidariedade pode também ser constituída. não faz senão por declarar o direito das partes e não pode condenar solidariamente os réus se a solidariedade já não preexiste num contrato ou na lei. Contudo. em caso de dúvida. Meras presunções e indícios podem reforçar a prova da solidariedade.Artigo 6. no entan­ to. independentemente da pluralidade de sujeitos .110 D ire ito C ivil • V enosa 700. Há necessidade.Responsabilidade objetiva do prestador de serviço . 227 do Código Civil). a solidarie­ dade é presumida. 14-5-2007. para apresentar melhores garantias para o credor. do CDC . se o autor move a ação contra a companhia segurado­ ra e contra o autor do dano.383-0/7. com força de coisa julgada. já vista anteriormente.Unidade do vínculo concentrado em um só objeto. não se infere solidariedade pelo simples fato de ter sido a obrigação assumida na mesma oportunidade.Embargos rejeitados . Provin­ do a solidariedade da lei.317). Washington de Barros Monteiro (1979.645-5/01 . não é sem frequência que surge. pois no Código alemão (art.

26 “Ilegitimidade ad causam . Amaral Vieira). Dever de indenizar. 30-5-2006. Esdras Neves).Legitimidade passiva . 1.6 Solidariedade Ativa Como afirmado de antemão. com a faculdade de operarem separadamente (art. Em verdade.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 111 com a costumeira acuidade: "em todos esses casos.Conta conjunta . 27a Câmara de Direito Privado .Rei. que não legitimam o reconhecimento da solidariedade”. nos termos do artigo 265 do Código Civil. 20080110243855 . Dano moral presu­ mido. a im­ portância ou os valores depositados. Beatriz Braga). Indevido. Devemos lembrar que entre nós.Cheque . efeito que se pode obter com o mandato típico. Sua importância prática é escassa. o débito se vincula ao título e não à conta. não se presume .Inserção do cotitular em cadastro do Banco Central .Rei.(508935). possui duas hipóteses. Des. “Contrato . quando duas ou mais pessoas podem movimentar livremente. Não se aplica a Súmula 385 do STJ.Emissão de cheque sem fundos .488-00/5. Cível 976. ainda que por equiparação. se na data em que foi efetuado o protesto indevido não havia outros protestos. 6. 28* Câmara de Direito Privado .Obrigação de fazer . 26 “Consumidor .Ausência dessas condições .Correta decisão que exclui a co-ré do processo.Relação de consumo . A relação jurídica havida entre as partes é de consumo.Inadmissibilidade .Inadmissibilidade .Fornecimento de água . portanto.Ap. Comprovado o ato ilícito.Corte em razão de inadimplência . tendo em vista que a ré é fornecedora de bens e serviços e a autora consumidora.839). do contrato.Recurso não provido” ( TJSP .Débitos referentes ao inquilino do imóvel . Rei.Solidariedade com o proprietário . 2-6-2011. com a conta conjunta que exige a presença de duas assinaturas.Responsabilidade de quem assina .Responsabilidade do emitente da cártula .6.280-0/0.Inexistência de solidariedade que.Entrega posterior ao comunicado . a sua responsabilização pelos danos causados é medida que se impõe. a solidariedade ativa é a que contém mais de um credor. “Cominatória . O direito italiano. eis que é qualidade que a lei atribui ou a vontade das partes . Não se confunde.031. pois não tem outra utilidade a não ser servir como mandato para rece­ bimento de um crédito comum. con­ forme admite o art. Apelação conhecida e provida” (J J D F T -Proc.Prestação de serviços . em seu Código Civil.854) e o aluguel de cofres de segurança (art. esses exemplos de solidariedade ativa devem decorrer da manifestação de vontade. O fato de a cártula estar vinculada a uma conta solidária não tem o condão de estender a todos os titulares a solidariedade pela dívida.Cotitular de conta-corrente conjunta detém apenas solidariedade ativa dos . que tradicionalmente nos servem de exemplos: a conta corrente bancária em nome de duas ou mais pessoas. qual seja o protesto indevido do nome da apelante levada a efeito pela apelada que não agiu com a cautela esperada pelos fornecedores de bens e serviços.Pedido de encerramento de conta-corrente e de suspen­ são no fornecimento de talões .Protesto em nome da corresponsável pela conta bancária. responsabilizando-se apenas o emissor da cártula. todos podendo cobrar a dívida por inteiro.AI 1. 1. há meras afinidades de interes­ ses. também.Recurso não provido” (TJSP . conjunta ou separadamente.Ação de indenização por danos materiais e morais .Solidariedade passiva que não se presume. a conta conjunta bancária. 17 do Código de Defesa do Consumidor. por ausência de legitimidade para figu­ rar no polo passivo da relação jurídica processual . 9-52006. Nossa lei não contém em princípio exemplos claros de solidariedade ativa.

seja um testamento. é o fato de que qualquer credor. assim. Cível 7. 5. com essa atitude. porém. a novação e a re­ missão da dívida feita por um dos credores a qualquer dos devedores extingue também a obrigação (art. prejudicar os demais credores.Recurso conhecido e improvido” (TJSP . 4. A renún­ cia da prescrição em face de um dos credores aproveitará aos demais.1 Efeitos da solidariedade ativa 1. recebendo a dívida toda. o direito livre de pagar dos devedo­ res sofre uma limitação de ordem processual: se um dos credores já acionou o de­ vedor.6. entre nós. a vantagem dessa modalidade é a de que qualquer credor pode exigir a totalidade de dívida. 201). Como vimos. 269). créditos junto à instituição financeira. A matéria vem regulada em nosso Código Civil nos arts. indiferentemente. este só poderá pagar àquele em juízo ou em razão dele. exonera o devedor.103-7. 269. Outro credor poderá ingressar na ação na condição de assistente (art. seja um contrato. 267) e cada devedor (ou o devedor. Complementando o art. pode o credor remitir. No entanto. 2. Portanto. O grande inconveniente da solidariedade ativa.Ação procedente . não se tomando. Qualquer credor poderá propor ação para a cobrança de crédito. 204. perdoá-la. sem depender da aquiescência dos demais credores (art. a origem da solidariedade ativa é a vontade das partes. diz o art. tendo então os demais credores que se entenderem com o credor que deu quitação. sob a alegação de que há outros credores. A interrupção da prescrição por um dos credores beneficia os demais (art. se for um só) poderá liberar-se da obri­ gação pagando a prestação a qualquer um dos credores (art. o devedor pretender pagar parcialmente. 54 do CPC). 269). abrir mão da cobrança da dívida. . por qualquer dos titulares.6. não podendo. devendo pagar-lhes a parte devida. 6. Já a suspensão da prescrição em favor de um dos credores solidários só aproveitará aos outros se o objeto da obrigação for indivisível (art. Matheus Fontes). a compensação.112 D ire ito C ivil • V enosa O contrato de cofres de segurança terá a solidariedade ativa desde que se permita sua utilização e abertura. parágrafo único.Ap.” Assim.001. § 1Q). mas não poderá. 22* Câmara de Direito Privado . 267 a 274. 267). isto é. 272: “O credor que tiver remitido a divida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. 3. A constituição em mora feita por um dos cocredores favorece a todos os demais. 2-12-2008. Cada credor pode reclamar de qualquer dos devedores (ou do devedor) a dívida por inteiro (art.Rei. responsável pelas cártulas emiti­ das pelo outro correntista . o que certamente é causa de seu desuso. O pagamento feito a um dos credores.

O pagamento p or consignação (arts. correndo em proveito de todos os credores os juros de mora (art. e o credor que receber deve prestar contas aos demais.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 113 6. e a transação que se caracteriza pela extinção do débito me­ diante concessões recíprocas (arts. A conversão da prestação em perdas e danos não faz desaparecer a soli­ dariedade. a relação interna. . É claro que. Como vimos. como já vimos. de acordo com o título de cada um.arts. 360 a 367). uma extinção recíproca de obrigações . todos. arts. O Código argentino possui regra es­ pecífica nesse caso (art. 7. riscos e deteriorações da coisa. os credores que dela participam não podem prejudicar os credores estranhos a essa forma de extinção. 840 a 850) extinguem os débitos. A constituição em mora do credor solidário. 268). 368 a 380) e remissão (em última análise. compensação (que é um encontro de dívidas. mesmo quando efetuado a apenas um dos credores.6. Na forma do art.2 Extinção d a so lid a rie d a d e ativa A solidariedade ativa não termina apenas pelo pagamento a qualquer dos credores. nessa hipótese. pela oferta de pagamento fei­ ta pelo devedor comum. 272). 270: “Se falecer um dos credores solidários. que terá direito à totalidade do crédito. cada um des­ tes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. pela parte que lhes caiba (art. deixando herdeiros. 703). o perdão da dívida. 271). 385 a 388). prejudicará a todos os demais. 272. o devedor pode pa­ gar a qualquer um dos credores (art. a confusão que se configura por ocorrer na mesma pessoa as qualidades de credor e devedor (arts. se a solidariedade ativa foi esta­ belecida apenas para outorgar um poder a outros para receber.6. 381 a 384). A incapacidade de um dos credores não obsta que a obrigação mantenha seu caráter solidário a respeito dos demais. assim como na transação. Quando há confusão. devendo receber suas quotas-partes. desaparece a solidariedade para os herdeiros. extinguindo-se a primeira. 10. 11. 9. haverá um único interessado no negócio. Igualmente. Os demais credores terão ação regressiva contra os accipiens. Havendo demanda. pelos juros. Enquanto não for cobrada a dívida por algum credor. que passarão a responder. salvo se a obrigação f o r indivisível ” Assim. arts. Os de­ mais credores continuarão solidários. haverá prevenção judicial e o devedor só poderá pagar em juízo. a natureza do débito e a quota de cada credor no débito é irrelevante para o devedor (trata-se de relação interna entre os credores). 6. Vimos que pode ocorrer por novação (conversão de uma dívida em ou­ tra. 334 a 345) também libera o devedor. 8. por aplicação do princípio do art.

275 uma das regras fundamentais da solidarie­ dade: “Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. como já acenado. Direito individual de persecução. De­ verão. até mesmo.114 D ire ito C ivil • V enosa 6. assim como a remissão.” .6. Nesse mesmo diapasão. o presente Código aponta no parágrafo único do art. que o credor demande a mais de um devedor em processos diversos. 6. aquela que obriga todos os devedo­ res ao pagamento total da dívida. Cada credor (se for mais de um) tem direito de reclamar de qualquer dos devedores a totalidade da dívida (art.7. é infinitamente maior do que a solidariedade ativa.” O pagamento parcial também pode ser efetuado. Sua aplicação. cada devedor poderá ser responsável por valores desiguais na obrigação ou. fica facilitada a conduta do credor. Para que o credor fique insatisfeito é necessário que todos os devedores fiquem insolventes. ter unicamente a responsabi­ lidade. desde que presente a solidarie­ dade. Lembre. Como vimos. como é o caso da fiança com equiparação solidária. Com essa tônica é que devia ser visto o art.7 Solidariedade Passiva Solidariedade passiva é. Segundo o art. concomitantemente. portanto. 277: “O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão p or ele obtida não aproveitam aos outros devedores. Dispõe o art. no entanto. que externamente todos os devedores são coobriga­ dos na solidariedade passiva. 275). salvo se a obrigação fo r indivisível. como acenado. pois processualmente é inconveniente. senão até à concorrência da quantia paga. Sua importância é enorme na vida negociai porque. ou relevada. de reforço do vínculo. se trata de meio muito eficiente de garantia.” 2. 276: “Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. ser reunidas as ações para um julgamento conjunto.6. Poderão ocorrer decisões contraditórias e não é isso que busca o sistema. A morte de um dos devedores solidários não extingue a solidariedade. Internamente. mais uma vez. portanto. mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.1 Principais efeitos da obrigação solidária 1. nenhum des­ tes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. uma vez que pode acionar qualquer um deles pela dívida toda. 910. facilitando o adimplemento. sem que haja débito. Não é aconselhável.

mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. dirigido principalmente ao iniciante da ciência do direito. desde que não ultrapassem as forças de herança (princípio do benefício do inventário). 399). Culpa. Cada herdeiro fica responsável por sua quota na parte do falecido. mas pelas perdas e danos só responde o culpado. 280: “Todos os devedores respondem pelos juros de mora ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. sem consentimento destes. ora em estu­ do. 3. a apenação de perdas e danos só será carreada ao culpado. Os atos descritos nesse artigo alteram a re­ lação obrigacional. condição. . a menos que a obrigação seja indivisível. 279 do atual Código mantém a ideia incólume. pode ocorrer que haja culpa de algum dos devedores. 270. não poderá agravar a posição dos ou­ tros. 908 (antigo). Se a obrigação se extinguir sem culpa dos devedores. Igual solução ocorrerá se a impossibilidade da prestação se deu quando o devedor já estava em mora. sem alteração de sentido. Porém.” Portanto. Poderão apenas obrigar o devedor que estipulou tais cláusulas. a não ser que concorde expressamente. 4. com o art. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente: mas pelas perdas e danos só responde o culpado. 276. Exceções pessoais e exceções gerais. prejudicando os devedores solidários. “Art. ou obrigação adicional. o princípio geral já estudado é que extinguirá a dívida para todos.}> O art. Impossibilitando-se a prestação p or culpa de um dos devedores solidários. Existe uma relação íntima do art. ” 5. modernizando a re­ dação: “Tomando-se inexequível a prestação p or culpa de um dos devedores so­ lidários. Esse aspecto deve ser examinado com maior detalhe. Este responderá pelos riscos. estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. A tal propósito acrescenta o art. De acordo com o art. 278: “Qualquer cláusula. caso em que se mantém a solidariedade por impossibilidade material.” O princípio geral é que ninguém pode ser obrigado a mais do que desejou. Tal se deve pelo fato de que os herdeiros respondem pelos débitos do de cujus. sem aquiescência dos demais. que diz respeito à solidariedade ativa.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 115 Essa disposição sofreu melhora de redação no vigente Código. mesmo que tenha havido caso for­ tuito ou força maior (ver art.

as pessoais a outro codevedor” Fixe-se. 6. e não os diversos vínculos. prescrição. porque o outro coobrigado laborou em erro. sem seu consentimento. ilicitude da obrigação. tudo isso fere diretamente a obrigação. e que nós preferimos deno­ minar gerais. um devedor solidário. cada devedor pode opor em sua defesa. não lhe aproveitando. A coisa julgada Pelo fato de o credor poder acionar quer um. porém. indi­ vidualmente. só poderá alegar este vício de vontade em sua defesa. Situações tais como inexistência da obrigação. Aí. qualquer cláusula. as exceções gerais (todos coobrigados podem fazê-lo). São as exceções pessoais. um devedor que se tenha obrigado por erro. podem existir meios de defesa. nos termos do art. como essa obrigação é subjetivamente complexa. que não atingem nem contaminam o vínculo dos demais devedores. exceções. Em apertada síntese. que o termo exceção significa forma e meio de defesa. há mul­ tiplicidade de vínculos motivada pela existência de mais de uma pessoa no polo passivo ou no polo ativo. as pessoais. bem como as exceções que lhe são próprias. só o devedor exclusivamente atingido por tal exceção é que poderá alegá-la. . atingir benefícios próprios e. que se comprometeu livre e esponta­ neamente. Destarte. nas obrigações solidárias. substituindo exceções. Porém. pois esses fenômenos colhem a obrigação em si. Assim. pode obter até mesmo a remissão da dívida. ausência de forma prescrita. 281: “O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe fo ­ rem pessoais e as comuns a todos. quer todos os devedores. particulares e próprias só a um (ou alguns) dos devedores. tudo que disser respeito à própria obrigação pode ser alegado por qualquer devedor demandado. na forma do artigo. que se obrigaram sem qualquer vício. 278. tentar invalidar a obrigação porque outro devedor entrou na solida­ riedade sob coação. Como vemos da dicção do art. Para melhorar o entendimento.7. não pode o coobrigado. extinção da obrigação.2 Aspectos processuais da solidariedade. são denominadas comuns ou reais. por isso.960/2002 propõe justamente que se utilize o termo defesas. Os outros devedores.6. Assim. 275. quitação. o Projeto nQ6. não podem alegar em sua defesa a anulabilidade da obrigação. condição ou obriga­ ção adicional não poderá agravar a situação dos demais. De acordo com o dispositivo estudado. de plano. exceções gerais são os meios de defesa que podem ser opostos por todos os codevedores da obri­ gação solidária. embora exista uma única prestação devida. uma vez que se procura modernamente simplificar a terminologia. há reflexos no processo que merecem ser vistos. nesse dispositivo. pode-se afirmar que as exceções pessoais são meios de defesa que podem ser opostos por um ou vários dos codevedores. pois. parágrafo único.116 D ire ito C ivil • V enosa O art. então. podendo. Essas exceções. Na obrigação solidária. ficando qualquer devedor intitulado para sua alegação. porque possibilitam a qualquer coobrigado alegá-las. quer alguns.

de 21-6-1945). que confundem os que dele se valem. Desse modo. além de pagar perdas e danos. sempre que for viável. sem violentar seu convencimento. 27 da Lei de Falências (Decreto-lei nQ7. A mesma solução das quebras. a moderna doutrina inclina-se em ver efeitos da coisa julgada apenas para os partícipes da ação. mas o fato é que para existirem os efeitos da coisa julgada deve haver a tríplice identidade (de objeto. 54 do CPC). Ocor­ rendo recebimento a mais. . que. como poder estatal. Muito discutiu a doutrina sobre o problema. já substituída: “O credor de obrigação solidária concorrerá pela totalidade do seu crédi­ to às massas dos respectivos coobrigados falidos. Assim sendo. em que se discute a mesma obrigação. embora não haja comunicação de coisa julgada.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 117 Questão interessante vinha inserida no art. pela totalidade do seu crédito. de causa de pedir e de pessoas). o julgador deve buscar uma decisão única. O princípio é sempre o mesmo. para decisão conjunta. ou con­ flitantes. N o­ temos. é uno. os demais podem intervir no pro­ cesso como assistentes. se a defesa do acionado é por exceção pessoal. Em relação à eficácia da coisa julgada. reunindo-se os processos.661. Devem os julgados.” Com o mesmo sentido. a assistência será simples. a questão deve ser vista pelo prisma processual. como é o caso da solidariedade. havendo culpa (porque eventualmente a culpa poderá inexistir). na figura de assistente qualificado (art. § 2 S O credor que. O julgado restringe-se às partes e só elas são atingidas por ele. haverá possibilidade de indenização por perdas e danos. até ser integralmente pago. Ninguém deve receber mais do que tiver direito. evitar decisões contraditórias. 127. fica obriga­ do a restituir em dobro. indevida e maliciosamente. Quando um devedor solidário é acionado. Tomando conhecimento de uma decisão. Qualquer pagamento parcial deve ser anotado no título. é evidente que o Poder Judiciário.101/2005: “ O credor de coo­ brigados solidários cujas falências sejam decretadas tem o direito de concorrer. quando da ação não participam todos os devedores solidários. os tribunais devem procurar sempre proferir decisões homogêneas. ou de um processo. sempre que possível. em cada uma delas. receber alguma quantia dos coobrigados solventes ou das massas dos coobrigados falidos. deve procurar o julgador decisão que seja homogênea àquela. na esfera mercantil. caput). deve ocorrer nos casos de insolvência civil. § 1 Q Os rateios distribuídos serão anotados no respectivo título pelos sín­ dicos das massas e o credor comunicará às outras o que de alguma recebeu. No entanto. causam instabilidade social e pre­ judicam a figura do magistrado. Quando já existe uma decisão. até recebê-la p or inteiro quando então comunicará ao ju ízo” (art. posiciona-se a Lei nô 11. porém.

não sendo mais obrigados pela dívida toda (cf.exclusão do apelado . Ao con­ trário. que permanecem vinculados à solução da dívida. Nancy Andrighi). art. Se o credor já recebeu parcialmente a dívida.556. 277: “O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. atinge toda a dívida e todos os devedores. Ocorre o contrário do que sucede na solidariedade ativa (art.Embargos de devedor . Da mesma forma operamos com a remissão parcial. Rei. 269). Monteiro. não havendo solidariedade. . Rei.7. deve ser verificado se este tem poderes para dar quitação em nome dos demais.A solidariedade não se presume (art. Resolução do negócio jurídico por culpa e retorno ao status quo ante. Min. por­ tanto. quanto os credores ou devedores. 265.6. Alberto Aluízio Pacheco de Andrade). Lopes. se já foi paga parcialmente. No entanto. ou relevada. entre outros). CC/2002).Acórdão Apelação Cível 434. Quando o credor perdoa a dívida em relação a um dos devedores solidários. 5-11-2010. 1979. a remissão ocorrer totalmente e sem ressalvas.Acórdão Recurso Especial 868. Des.27 6. mas apenas abater o que já recebeu. 196. porque a obri­ gação não é essa. Inexistência de solidariedade. isso não faz com que a dívida desapa­ reça com relação aos demais devedores.8 Extinção da Solidariedade A solidariedade ativa ou passiva. por iniciativa de um dos devedores e com a concordância do credor. contudo.MS (2006/0155924-0). . .118 D ire ito C ivil • V enosa 6. Alienação de imóvel.” Entenda-se a razão da regra. em obrigação divisível. havendo mais de um credor. ou devedor. não poderá exigir dos demais codevedores a totalidade. O credor pode exigir parcialmente a dívida apenas se desejar. 2:162. “Quitação parcial da dívida . . Se. senão até à concorrência da quantia paga. deve cuidar para que o pagamento seja feito a todos os credores. Feito a apenas um deles.30-11-2008.Se o pagamento é feito a quem não é credor único nem tem poderes para representar os demais credores. esta se divide entre tantas obrigações. do Código Civil de 1916.3 P agam en to p a r d a l Diz o art. pode desaparecer.homologação de acordo .anulação da sentença. Recurso Especial não conhecido” (S77 . Pagamento a um dentre os vários credores. Pagamento errôneo que não quita a obrigação. os demais devedores podem pagar o saldo.devedores solidários .177-9. que é a de o credor 27 “Direito civil. . a faculdade ínsita a essa modalidade de obrigação.O devedor de obrigação divisível. v. iguais e distintas. podendo haver resolução do negíkio jurídico com o retomo das partes ao status quo ante.6. 1979:41. 277 do Novo Código Civil). 4:188. Recurso provido” (TJMG . e Wald. 906. v. com abatimento daquela parte que foi dispensada pelo credor. há negligência do devedor. deixando de existir. senão até a concor­ rência da quantia paga ou relevada’ (art.‘O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores.

282. o credor só poderá pedir a quota de cada herdeiro na dívida. {inenhum destes não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. contudo. O devedor só deverá pagar a quota respectiva a cada credor. serão responsáveis apenas por sua quota na dívida. não podendo os co-herdeiros ser com­ pelidos a saldar a dívida toda. no entanto.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 119 exigir a dívida por inteiro de qualquer coobrigado ou de qualquer credor. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. Na solidariedade ativa. É a hipótese do art. a solidariedade só desaparece para os herdeiros do falecido cre­ dor. exigir a dívida toda. os herdeiros do credor falecido podem. 276). Parágrafo único. as situações de extinção são mais fre­ qüentes. Como assume a lei. pode exigir também a dívida toda do devedor. deixando herdeiros. podem todos eles. na qual o vínculo da solidariedade. o crédito pode ser exigido do monte-mor. qualquer um deles. Na hipótese de morte de um dos devedores solidários. convencionalmente: a partir de então. em conjunto. portanto. salvo se a obrigação f o r indivisível ” Nesse caso. que os herdeiros em questão. no caso de obrigação indivisível. Notemos.” . Tal decorre da natureza material da prestação e não do vínculo jurídico. Os herdeiros. exigir a dívida por inteiro. subsistirá a dos demais. fica irregular. Após a partilha. também a renúncia pode extinguir a solidariedade: “O credor pode renunciar à solidariedade em fa vor de um. de alguns ou de todos os devedores. são tratados como o credor falecido. os credores poderão abrir mão da solidariedade. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais de­ vedores. Em conjunto. Nos termos do art. Há uma hipótese legal. 270 do Código Civil: “Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. mas todos re­ unidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores” (art. em conjunto. Existe impossibilidade do cumprimento parcelado da obrigação. embora não desapareça. isto é. salvo se a obrigação fo r indivisível. persistindo essa espécie de vínculo para os credores solidários sobrevivos. No caso de solidariedade passiva. da mesma forma que a criaram. são considerados um único devedor. Enquanto não houver partilha. na solidariedade ativa. cada credor só poderá exigir sua quota-parte no crédito.

quando o credor declara que não deseja mais receber o crédito. Isso porque. abstrata ou concretamente.7 Outras Modalidades de Obrigações 6. sem qualquer reserva. 92: “Principal é a coisa que existe sobre si. aquela cuja existên­ cia supõe a da principal ” Completava ainda o art. se é dado ao credor abrir mão de seu direito. Pode ser expressa. ou recebe. Acessória. mesmo aqueles que tiveram a renúncia à solidariedade (art. 284). por exemplo. dispensar. Quando estabelecido convencionalmente pelas partes. são muitos os casos em que pode ocorrer extinção da solidarieda­ de. pagamentos parciais. no caso. para reembolso do deve­ dor que solveu a obrigação.7. como a fiança. A í o credor demonstra desinteresse em receber a integridade da dívida. os sujeitos ajustam uma obrigação a par da obrigação principal. Há outras que surgem unicamente para se agregar a outras. garantias reais. ainda que não descritos em lei. Podem estar presentes no mesmo instrumento ou em instrumento diverso. Há obrigações que nascem e existem por si mesmas. É o caso. tal não interfere no relacionamento entre os vários devedores. Na prática. isto é.120 D ire ito C ivil • V enosa Entretanto. reiteradamente. O caráter de acessório e principal pode emanar da vontade das partes ou da lei. garantia pessoal. de o credor receber parcialmente de um devedor e dar-lhe quitação. e o penhor e a hipoteca. Pode a obrigação acessória surgir concomitantemente com a principal ou pos­ teriormente. são obrigações acessórias. todos contribuirão. a coisa acessória segue a p rin cip a l” Transporta-se o princípio para as obrigações. A fian­ ça. O mesmo ocorre quando o credor demanda judicialmente apenas parte do crédito a um devedor. São comuns os direitos de garantia. abre mão da solidariedade. quando na falta de declaração ex­ pressa a atitude do credor é incompatível com a continuidade da solidariedade. . o penhor e a hipoteca (e a anticrese) constituem obrigações acessórias a uma obrigação principal. Todos aqueles ple­ namente capazes podem fazê-lo.1 Obrigações Principais e Acessórias A noção de acessório e principal já nos foi dada pelo art. ou que. Deve a renúncia ser cabal. Renunciar é abrir mão. independentes. 6. se houver rateio entre os codevedores. Pode ser tácita. E são acessórios. 59 do Código de 1916: “Salvo disposição especial em contrário. despojar-se de direitos. Sua existência está na razão de ser da obrigação principal e em tom o dela gravitam. Não se deve esquecer que mesmo os direitos reais de garan­ tia aqui referidos surgem originalmente como uma obrigação. porque nesse caso específico haveria agravamento da situação dos devedores em benefício de um (ou mais de um) deles.

Lembre-se. contudo.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 121 Não têm razão de ser sem a existência da obrigação principal. Na cláusula acessória há apenas uma cláusula a mais no contrato. quan­ tidade e natureza. de que os juros são obrigação acessória. Diferentemente ocorre quando as partes estipulam uma garantia extra para o cumprimento do contrato. quanto à sua existência. 100 sacas de cereal ou de entregar um automóvel especificado são obrigações líquidas. além da obrigação inerente à compra e venda. Destarte. desaparece a acessoriedade com o desapa­ recimento do principal. É cláusula do contra­ to. Esta observação deve ser vista com reserva.533 do Código de 1916: t(Considera-se líquida a obrigação certa. pois a fiança não admite interpretação extensiva. por exemplo. Como conseqüência do princípio geral. sendo baseada na confiança. Pelo princípio geral. sua qualidade. sendo nula a fiança. nessa hipótese. pois os juros são frutos civis. na verdade. como estava dito no art. mas podem ser demandados autonomamente.2 Obrigações Líquidas e Ilíquidas A distinção é importante. É o caso da cláusula de irretratabilidade num compromisso de compra e venda. de entregar a coisa vendida. por exemplo. A principal conseqüência da distinção é que a obrigação acessória segue a sorte da principal.00. mas nem por isso perde seu caráter de acessório. sem a criação de uma obrigação diversa. 2:83) lembra a distinção de cláusula acessória de obrigação acessória. portanto. 447). 6. Desaparecendo a principal. por incapacidade do agente. pode o contrato principal ser perfeito. no entanto. a recíproca não é verdadeira. com ela seguem os acessórios. quanto ao seu objeto. Porém. Como é o caso da evicção. . desaparece a acessória. não havemos de falar em fiança. É que. tendo em vista as conseqüências de uma e de outra. não tendo mais a fiança o que garantir. um reforço para o adimplemento da obrigação principal. é obrigado a resguardar o comprador contra os riscos (art. Constituem. as obri­ gações de pagar R$ 1. 60 do Código de 1916. N o entanto. Por vezes. nulo o contrato principal. Quando se transfere a obrigação principal. Nelas acham-se presentes os requisitos que permitem a imediata identificação do objeto da obrigação.000. Caio Mário da Silva Pereira (1972. pois na fiança. o fiador garante um primitivo devedor e só com sua anuência garantirá outro. se prescrita a obrigação principal. 1. porque desapareceu a efi­ cácia da obrigação principal. o juro ganha foros de obrigação autônoma. a acessoriedade decorre da própria lei.” Assim. porque sua existência depende da obrigação principal.7. Dispunha o art. v. estará também prescrita a acessória. pela qual o vendedor. Os juros também configuram uma obrigação acessória. e determinada.

A conversão ocorrerá em juízo (é claro.232/2005). te­ nham as partes avençado uma obrigação ilíquida e a liquidem judicialmente. na verdade. A liquidação por arbitramento pode decorrer também de determinação da sentença ou de convenção das partes. 475-B. por exemplo. não se pode discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou (art. inclusive. Nada impede.redação da Lei 11. que sempre será permitida a transação) por meio das regras do processo de liqui­ dação (arts. 475-G do CPC). houver necessidade de alegar e provar fato novo” (art. por arbitramento e por artigos. 475-D a esse aspecto. por vezes. A liquidação por arbitramento é aquela que depende de conhecimento téc­ nico para sua apuração. A sentença deve procurar sempre uma condenação líquida. porém. ante a simplicidade dos cálculos (art. 475-G). O art. A sentença que con­ dena o réu a pagar o valor de uma máquina que se perdeu. a necessidade de perícia na liquidação por artigos. por exemplo. Quando a sentença condenar de forma ilíquida. Há procedimentos inovadores a respeito da liquidação que devem ser estu­ dados no processo civil. Não se pode. A liquidação mais singela é aquela realizada por simples cálculo aritmético. também. “discutir de novo a lide. A liquidação por artigos ocorre "quando. A apuração do prejuízo dependerá de novos fatos a serem provados. não poderá o autor estipular na peça vestibular um pedido líquido. a qual. 475-A a 475-H . se for o caso.122 D ire ito C ivil • V enosa A obrigação é ilíquida quando depende de prévia apuração para a verificação de seu exato objeto. na liquidação. A fase de liqui­ dação de sentença poderá procrastinar desnecessariamente o deslinde da causa. Não é possível fugir ao pedido da petição inicial na liquidação da sentença. do contador. quando então se nomeará perito. A obrigação ilíquida tenderá sempre a se tomar líquida. . É o caso. No entanto. oca­ sião em que o próprio credor cuidará de fazer a memória discriminada dos valores atualizados. Pode ocorrer. Se se trata de apuração em dinheiro. uma vez que o montante do prejuízo não foi fixado na sentença. da fixação do prejuízo pela produção de um produto falsificado pelo réu. se embute no processo de execução. Somente quando o juiz não tiver efetivamente elementos para proferir uma sen­ tença líquida é que deverá deixar a apuração para a fase de liquidação. referindo o CPC no art. do CPC). porém. Prescinde-se. esse será o procedimento. para possibilitar. 475-C especifica que se fará a liquidação por arbitramento quando determinado na sentença ou assim convencionado pelas partes e quando a natureza do objeto exigir essa modalidade. contudo. ou modi­ fica r a sentença que a ju lgou ” (art. requer arbitramento. é seu exato montante que deve ser apurado. No entanto. a apuração poderá ser de outro objeto que não dinheiro. O estatuto processual erigiu tradicionalmente três formas de liquidação de sentença: por cálculo do contador. Em fase de liquidação. 475-E do CPC). a execução forçada. para determinar o valor de conde­ nação.

constitui de pleno direito o devedor em mora. para o que nos reportamos à seção 6. assim como do termo e do encargo. independendo do pedido. na parte geral.3) e a consignação em pagamento (seção 10. quer ilíquida. Lembremos tudo . para finalizar. Remetemos o leitor ao que foi exposto a respeito de condições em Direito civil: parte geral. 407: “Ainda que não se alegue prejuízo. decorrendo. constante de título que autorize a ação executiva. enquanto nas obrigações ilíquidas “a imprecisão não é originá­ ria. isto é. É a mora da própria coisa.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 123 Existe certa analogia entre as obrigações ilíquidas e as obrigações de dar coi­ sa incerta. Con­ tudo. O grande efeito da distinção é que o inadimplemento de obrigação positiva e líquida. 6. é obrigado o devedor aos juros da mora. há necessida­ de da prévia liquidação para a constituição em mora. 4:232). A princípio. do próprio objeto (ex re). em todos os negócios jurídicos.7. da natureza da relação obrigacional” (cf. porque podem elas ser apostas. Em matéria de compensação. considera-se falido. ao contrário de outras legislações. N o tocante aos juros. a incerteza da obrigação surge com a própria obrigação. Monteiro. ao contrário. com poucas exceções. No Direito de Família é que vamos encontrar a maio­ ria dos direitos puros.3 Obrigações Condicionais Nosso código. tratou das condições. 1979. O direito de obrigações é patrimonial por excelência.1). É. como. aqueles que não admitem condições. a questão da liquidez da dívida é relevante. Precisamos examinar o aspecto dos juros sob o prisma da mora. v. o objeto da prestação é desconhecido.” Nas obrigações ilíquidas. Os juros de mora serão sempre uma decorrência da sentença. como às prestações de outra natureza. por exemplo. uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário p or senten­ ça judicial. os juros de mora são contados desde a citação ini­ cial. arbitramento ou acordo entre as partes. nas obrigações de dar coisa incerta.8. em seu termo. o reconhecimento de filiação. quer a dívida seja líquida. o que veremos mais adiante. no campo patrimonial que encontramos espaço para as condi­ ções. diz o art. que se contarão assim às dívidas em dinheiro. assim como o é a imputação de pagamen­ to (seção 10. e não apenas em obrigações. Sempre é permitida a transação ou o simples acordo entre as partes para se atingir a liquidação. Na obrigação ilíquida. de acordo com o sistema falencial. Aqui apenas aviventamos algumas particularidades referentes às obrigações. o casamento. que quando o devedor comerciante não paga no vencimento obrigação líquida. com a máxima propriedade. Recorde-se. portanto.

Da mesma forma. Não havendo futuridade. enquanto não ocorrer o implemento. O credor possui um direito eventual (ver Direito civil: parte geral. resolutivas. Não existe a obrigação. sujeitando-a à deterioração. suspensivas. abandona a coisa. O direito eventual tem como característica principal o fato de seu titular po­ der exercer os meios assecuratórios para conservá-lo (art. Aqui reside a maior dis­ tinção com as obrigações a termo. 876). por exemplo. porque o cumprimento se toma impossível. a condição se tem por cumprida e se tom a exigível a obrigação (art. A morte do credor ou do devedor.1). tendo já ocorrido o evento. a divisão mais importante nessa matéria é a de condições sus­ pensivas e resolutivas. estas não terão valor. Assim sendo. se essa disposição é incompatível com a condição. a menos que se trate de fato personalíssimo da parte falecida. Assim. não corre prazo prescricional na obrigação pendente de condição sus­ pensiva (art. Como está disposto no art. não se trata de obriga­ ção condicional. não tendo ocorrido o evento e tendo o devedor cumprido a obri­ gação. porque se trata de pagamento indevido (art. fizer quanto àquela novas disposições. . realizada a condição. Note que sempre a condição subordina a obrigação a evento futuro e incerto. Não se esqueça. não há condição e a obri­ gação é exigível desde logo. porém. pendente ela.” O Código estipula que não vale disposição posterior ao estabelecimento da condição suspensiva. não podendo o credor exigir seu cumprimento. se alguém promete entregar coisa sob condição suspensiva e. pedir caução ou pleitear para si o depósito da coisa. 129).124 D ire ito C ivil • V enosa que foi dito a respeito de condições potestativas. “Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva. a obrigação deixa de existir. não há futuridade. pendente esta. da qual apenas não sabemos o resultado. Sem dúvida. nas quais o direito existe desde logo. e. Destarte. se subordinamos um pagamento a um resultado de uma competição esportiva que ocorreu ontem. impos­ síveis etc. pode o credor. antes de ocorrido o evento suspensivo. Capítulo 18). não há condição. 130). A questão que se levanta é sobre a situação jurídica da obrigação que está sob condição suspensiva antes do implemento. Ainda. 126. em nada modifica a situação jurídica criada pelo negócio condicional. assiste-lhe o direito de repetição. o mesmo artigo considera não verificada a condição ma­ liciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita seu implemento. 1 9 9 . de que sempre que a parte impede que o fato se realize. embora sua aparência o seja. Frustrada a condição. se com ela forem incompatíveis. e apliquemos o conceito e o conteúdo de obrigações. enquanto não ocorre o evento. por outro lado.

se o adquiren­ te já houvera pago em parte o preço. já que não há objeto. rege-se por seus princípios legais (ver Direito civil: parte geral. nada podendo exigir da outra parte na relação obrigacional. só resta a resolução em perdas e danos. se não constar da aven­ ça. imediatamente é exigível a obrigação (art. se a coisa perece (res perit domino). o encargo é coercitivo. o vín­ culo alcança terceiros. na condição resolutiva. A condição resolutória não proíbe a disposição da coisa para terceiro e. para o caso de descumprimento da avença de uma das partes. se diverso não resultar do negócio. Como conseqüência. A questão das benfeitorias. deve o possuidor entregar a coisa com seus acréscimos naturais. a condição que já era tratada como pura e simples assim permanecerá. No tocante às condições resolutivas. Não esqueçamos que nos contratos bilaterais sempre existe a cláusula reso­ lutória implícita. pois. para que os terceiros não possam alegar ignorância. tal aquisição não se diferencia das obrigações puras e simples. . o que não ocorre com a condição. Aqui.7. no fenômeno ora estudado. Na verdade. que adquirem uma propriedade resolúvel.4 Obrigações Modais O modo ou encargo é outro elemento acidental que pode ser agregado ao negócio jurídico. deve a resolução constar de registro. na realidade. tendo o adquirente a posse da coisa objeto da obrigação. 332). Se se tratar de imóveis. tendo isso ocorrido. porque ninguém pode ser obrigado a cumpri-la. o possui­ dor suporta a perda. invalida o vínculo. Capítulo 16). com o perecimento da coisa pode pedir a devolução ao alienante. Cabe ao credor provar que o devedor teve ciência do evento. dele nos ocupamos no Capítulo 27 de Direito civil: parte geral. e não sendo possível ir buscar a coisa com quem se encontre. quando da entrega. tem ele o poder de dis­ posição e o gozo. na condição resolutiva. perece para ele. Basilarmente.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 125 O alienante de coisa fixada sob condição suspensiva conserva a propriedade e gozo da coisa enquanto não ocorrer o implemento. deverão ser indenizadas pelo possuidor apenas se agiu com culpa. Se a coisa perece. quando se frustra o implemento. As diminuições ocorridas com a coisa. como o direito se adquire de plano. já fizemos a distinção do encargo e da condição. Ali. Ocorrendo o implemento da condição. 6. Daí concluímos que a coi­ sa continua consigo por sua conta e risco. não tendo. Por conseguinte. com perdas e danos caso tenha havido culpa por parte deste último. o alienante direito de exigir o cumprimento da obrigação da outra parte. O implemento da condição resolutiva. Com o implemento da condição resolutiva.

O atual esta­ tuto dispõe a esse respeito em dois artigos (136 e 137). só trazia a regra do art.:282) é que “o modo ou encargo é uma obrigação acessória que se impõe àquele que recebe uma liberalidade”. v. o instituidor pode optar entre a revogação e a execução. com o ônus de paga­ mento periódico a uma instituição filantrópica. a cessão de direitos autorais.126 D ire ito C ivil • V enosa À distinção já acenada com a condição. a não ser que assim seja expressamente disposto pelo declarante. Ali. o onerado não estaria vinculado a qualquer prestação. O modo. 588. na Parte Geral. do qual depende a existência ou a extin­ ção do direito. são encargos. tal não ocorre com o encargo. é verdade). por exemplo. pode objetivar uma ação ou omissão em favor do próprio disponente. porque seu interesse situa tão só na exigência dessa execução. porque não podemos ter na mesma pessoa a figura de credor e devedor. por analogia. do Código Civil). ou de dar. o pagamento de débito. aos terceiros beneficiados e ao Ministério Público só caberá ação para fazer executar o encargo. Assim. enquanto aos instituidores e seus herdeiros cabe ação para re­ vogar liberalidade. com a obrigação de o editor reservar um número de exemplares gratuitos ao cedente ou a terceiro. Borda (s. Enquanto a condição. v. O Código de 1916. que é a solução menos severa para o beneficiário. Enfatizemos que. colocada na lei argentina (art. se não existisse essa cláusula aces­ sória. suspende a aquisição do direito. expusemos que aos demais casos de encargo (poucos. solução. ficando o beneficiário onerado com a regu­ larização de documentação perante as repartições públicas. É fato que não se pode admitir o instituto fora dos atos de liberalidade. concluirmos pela existência do en­ cargo. de tal sorte que. A definição de Guillermo A. desprovido de sanção. Quanto ao inadimplemento da obrigação modal. Vezes haverá em que persistirá a dúvida se a disposição é de condição ou encargo. Observa Serpa Lopes (1966. em razão da natureza gratuita do ato”. 128. como faz a doutrina. Como ali afirmamos. a doação de bens. O encargo fica restrito aos negócios gratuitos. fazer ou não fazer alguma coisa. Serpa Lopes (1966. de um terceiro ou do próprio beneficiário. 2:103) acrescenta que “as obrigações modais são as que se encontram oneradas com um encargo. que impõe ao onerado o dever de empregar todos ou parte dos bens recebidos pela maneira e com a finalidade indicada pelo instituidor. agregado a uma obrigação. há de se aplicarem os mesmos princípios. se for suspensiva. A lógica manda. . já nos referimos na parte geral (doação com encargo). in fin e . o encargo é uma obrigação imposta ao beneficiário de um direito. acrescentemos que a condição é sem­ pre um acontecimento futuro e incerto. 2:103) que neste último caso o encargo se tom a uma espé­ cie de conselho. aliás.d.

daí. O termo. Portanto. cuja eficácia fica apenas em suspenso. definir se o encargo é o motivo determinante da liberalidade. Nas obrigações de direito público há o termo legal. O termo. já que não impede a aquisição do direito. O art. 137 do corrente Código não distingue as formas de impossibilidade. ao contrário. têm-se por inexistentes. . ao termo inicial. como aquele para pagamento de um tributo. ilícitos ou imo­ rais. a boa razão mandava que se aplicassem os princípios legais relativos às condições. salvo exceções principalmente sediadas no Direito de Famí­ lia (casamento. o direito é futuro. A questão maior passa a ser. 115 e 116.7. ilícito ou imoral (art. No processo há o termo judicial. por exemplo. A solução do Código de 1916 remetia à aplicação do art. 116: o encargo fisicamente impossível. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. mas não a aquisição do direito”. 564 do Códi­ go Civil argentino). no caso concreto. 135 determina que. 131 diz que "o termo inicial suspende o exercício.5 Obrigações a Termo Ocupamo-nos do termo e do prazo em Direito civil: parte geral. portanto. 137). pode o beneficiário usar de todos os meios acautelatórios para a preservação de seus direitos. aquele fixado pelo juiz. bem como os de não fazer coisa impossível.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 127 O Código de 1916 nada dizia acerca de encargos impossíveis. A solução da mais recente lei é boa. para o qual remetemos o leitor. apliquemos o disposto à condição suspensiva. reconhecimento de filiação etc. que depende do tempo. arts. Nas obrigações de direito privado estamos tratando do chamado termo con­ vencional. mas deferido. se frustra. o art. 6. fixado pela lei. O implemento pode não ocorrer. O termo inicial. O art. A condição. Já observamos a diferença entre termo e condição: na condição há um evento futuro e incerto. Dada a semelhança entre os fenômenos. que considera simplesmente nulo o negócio se o encargo imposto é impossível. uma vez aposto à obrigação. o disposto à condição resolutiva. Quase todos os negócios jurídicos admitem a fixação de um lapso temporal para o cumprimento. indica o momento em que sua exigi­ bilidade se inicia ou se extingue. e o termo fina l indica o momento em que deve cessar o exercício do direito. Já o vigente Código traz a regra: “Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. fixado pelas partes. a cujos comentários remetemos o leitor. e ao termo final.). indica o momento do início. N o termo. Por analogia. O evento é falível. pendente o termo. da lei argentina. os encargos juridicamente impossíveis invalidam todo o ato. é inexorável. caso em que se invalida o negócio jurídico” (art.

ou limitam-se em um prazo (termo resolutivo).Transação judicial em ação de dissolução de sociedade geradora de di­ versas obrigações principais e acessórias. do CPC . Por outro lado. pelas circunstâncias da avença. O que se pode dizer é que. resultar que se estabeleceu a beneficio do credor. por exemplo. cujo prédio para abrigá-lo só ficará pronto pouco antes da data da entrega da encomenda. com uma data exata ou prontamente fixável no calendário. que o cumprimento antecipado. dentre as quais a de contratação de seguro contra danos no imóvel locado . ou de ambos os contratantes”. nesse caso. A questão é importante porque se a lei presumisse sempre o prazo em favor do devedor (que é geralmente quem está em desvantagem na obrigação).Contrato particular de rescisão de compromisso de com­ pra e venda de fração ideal de terreno. em mora. o cumprimento de obrigações em dinheiro. nas extremidades dos prazos. O termo é sempre inexorável. Imagine. este poderia cumprir sempre a obrigação antes do advento do ter­ mo. de pleno direito. antecipadamente.Verba honorária fixada com a ressalva do artigo 12.Ausência de termo para a celebração do con­ trato de seguro . a existência de juros e correção pode demonstrar o contrário. GracieUa Salzman). O termo certo (ou determinado) constitui o devedor. Rei.Cláusula onde o executado obrigou-se a devolver ao exequente a quantia ali consignada por ocasião do ‘final do empreendimento’ . O termo é certo.Circunstância em que há mora expersona. pois. inciso I. pelo termo diferem-se direitos (termo suspensivo).28 28 “Execução de título extrajudicial . Existe aí uma pre­ sunção juris tantum. Os termos estão.Impossibilidade de introduzir-se discussão acerca de cláusulas abusivas por parte do exequente . mas apenas em suspensão da exigibilidade da cobrança. Destarte. da Lei 1. Essa é a intenção da lei. não poderia o termo ser fixado. em benefício do credor. 133 diz que os prazos. O art.Acórdão Apelação Cível 496.4/4-00.Nulidade da execução . pois. e somente será incerto quando não soubermos a data em que se cumprirá a obrigação. todavia. inciso III e 572.Descumprimento da obrigação . enquanto no termo incerto (ou indeterminado) é necessária a interpelação do devedor (art. do Códi­ go Civil . poderia ele exigir a qualquer momento o cumprimento da obrigação. O cumprimento antecipado para o devedor será muito gravoso para o credor. Des. é possível.3. do CPC e artigos 332 e 333. salvo “se do teor do instrumento. Recurso improvido” ( TJSP . geralmente. combinado com os artigos 614. O prazo é que pode ser certo ou incerto. a situação do credor que encomendou maquinário pesado para sua indústria.Inteligência dos artigos 586.1 de Direito civil: parte geral). seja inconveniente para o credor. o que será estudado em breve. presumem-se em proveito do devedor. contrato de construção e outras avenças . não havendo que se falar em isenção. Entretanto. nos contratos. Pode ocorrer.060. “'Transação judicial . com necessidade de prévia interpelação .15-12-2010.904.ocorrência do termo não comprovada .título inexigível .128 D ire ito C ivil • V enosa Já falamos que prazo é o lapso de tempo que decorre da declaração de vonta­ de à superveniência do termo e também o tempo que medeia entre o termo inicial e o termo final (seção 27. pois não terá o credor interesse jurídico em recusá-lo. ou das circunstâncias. em tese. 397).Inteligência do artigo 618.

Von Thur.d.se os bens. embora nada impeça a entrega de juros em espécie nas obrigações fungíveis que tenham por objeto outras coisas que não dinheiro (cf. com conseqüente imissão da agravante na posse do imóvel . . 571. Obrigações Pecuniárias 6.se cessarem. . é óbvio. tomando-se exigível judicialmente. Na incerteza do termo.AI 589.Situação na qual o descumprimento não gerou dano à agravante nem destruiu o equilíbrio do contrato. ou reais. hipotecados. Borda (s. Os juros são precipuamente em dinheiro e em retribuição de uma quantia em dinheiro.8.:279). se abrir concurso creditório. empenhados. Na verdade. 1:46). a obrigação converte-se em pura e simples. fidejussórias. no inciso I. antes do termo. Francisco Loureiro). e o devedor. dependendo do prazo de duração da obrigação. Na condição. Os juros retribuem o capital paulatinamente. sabemos que este ocorrerá. com a redação atual.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 129 Como faz Guillermo A. ou se tomarem insuficientes as garantias do débito. A regra é expressa no Código argentino (art. pagou dívida sua e existente. intimado. se negar a reforçá-las”.1 Obrigações de Juros O conceito de juros não se apresenta na lei.056-4/6.8 Obrigações de Juros. de forma que impossível a resolução automática do contrato. O art.se. executado o devedor. v. Juros são a remuneração que o credor pode exigir do devedor por se privar de uma quantia em dinheiro. 4* Câmara de Direito Privado . A matéria ainda voltará a ser examinada.Rei. Depois do vencimento. 1934. III .Agravo não provido” ( TJSP . I I . Aquele que solveu dívida antecipadamente não tem direito à repetição. forem penhorados em execução p o r outro credor. a incerteza reside no fato de que não sabemos se o evento ocorrerá ou não. O dispositivo refere-se corretamente. uma obrigação não pode ser exigida sofre algumas exceções. já que a dicção anterior dizia exatamente o oposto). ou dados em anticrese. é importante destacar a distinção entre a incerteza do termo e a incerteza que é própria da condição. à falência do devedor jun­ tamente com o concurso de credores. 6. A regra geral de que. o que não sabemos é apenas quando ocorrerá. 18-12-2008. 333 diz que “ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo esti­ pulado no contrato ou marcado neste Código: I .

É da tradição. A noção de juros remonta à Antiguidade. ser moratórios ou compensatórios. a noção de juros de mora vem ligada à de juros legais. mas seu nascimento é sempre acessório e assim será sua natureza. É possível acontecer que a obrigação de juros destaque-se da obrigação principal e tenha vida autô­ noma. Podem. ser fixados em outra proporção. uma obrigação acessória da dívida principal. por outro lado. contratados pelas partes. tentou combater os juros. 323). juros compensatórios que derivam da lei. O fato é que a taxa de juros não pode ficar ao sabor dos ventos da lei da ofer­ ta e da procura.1 Espécies de juros Podem os juros ser convencionais ou legais. A questão da fixação da porcentagem de juros é mais moral e ética. porque os juros de mora podem.8. Isso porque. O que se deve ter em mira é que os juros compensatórios surgem afastados de qualquer noção de culpa ou descumprimento da obrigação. a princí­ pio. mas acabou por revitalizar o instituto que veio a instalar-se na legislação civil (cf. ser fixados. perfeitamente. N o entanto. Podem. os juros são fixados em porcentagem. Ordinariamente. quando na quitação de capital a eles não se faz ressalva (art. Entende-se por compensatórios os juros que se pagam como compensação pelo fa to de o credor estar privado da disponibilidade de um capital. também. Os juros excessivos podem entravar o desenvolvimento econômico. os segundos provêm da lei. 6. 92). os juros compensatórios geralmente decorrem da vontade das partes. Os juros por demais baixos desestimulam a atividade financeira. portanto.1. Deve ser lembrado que a relação de dependência dos juros surge quando do nascimento da dívida. A ideia que deu origem aos juros moratórios é a de uma pena imposta ao de­ vedor pelo atraso no cumprimento da obrigação. pois. Os primeiros são pactuados. acessórios (art. Os juros (ou interesses) são. por mais que defendamos a livre iniciativa e a não intervenção na vontade das partes. Existem. Seguem a sorte desta. porém. mas não existe perfeita coincidência. . Já os juros de mora surgem pelo atraso no cumprimento. Costa. Tanto que se presumem pagos. 1984:508). A Igreja cristã sempre. Geralmente.130 D ire ito C ivil • V enosa Representam os chamados frutos civis do capital e são. A jurisprudência das desapropriações criou juros com­ pensatórios devidos pelo poder expropriante desde quando este se imite na pos­ se do imóvel. antes de ser jurídica. após o surgimento da dívida os juros podem-se autonomizar. excepcionalmente.

o que já fazia o art. a contagem de juros sobre juros. Min. O próprio Supremo Tribunal Federal passou a entender que o Decreto nô 22. o país tomou-se um grande cassino financeiro. persiste a vedação da capitalização dos juros em periodicidade mensal. Já em 1933. substituída que foi. Tomou-se evidente que. Mormente de 1964 para cá. no caso. sentindo os problemas advindos da liberdade percentual.626/33. quiçá com nosso próprio sacrifício. desde a refor­ ma financeira imposta pelo movimento daquele ano até o malfadado plano cru­ zado e planos subsequentes. É patente que. e posteriormente por resoluções complementares para os títulos não liquidados no vencimento.MP 2.Os juros remuneratórios não estão limitados à taxa de 12% ao ano. 2 . o governo. promulgou o Decreto nQ22. O fato é que poucos países ditos democráticos sofrem tanta intervenção que afeta diretamente a economia privada.1 .Atinente à liberação de parcela de financiamento . inexistente legislação específica que autorize o anatocismo. não é uma obra de Direito privado o local para maiores digressões de natureza econômica. 3» TUrma .(2005/0175719-1).Inexistência de descumprimento de obrigação contratuaL .Bancário .963-17/200. conhecidas por nós. 253 do Código Comer­ cial. nQ 1.AgRg-REsp 790. A história econômica recente deste país faz com que nos abstenhamos de tecer comentários sobre a aplicação das leis de usura. 9-6-2011. permissão essa concedida pela Circular nQ 82. com a inflação desmedida. como ocorre com as cédulas de crédito rural.Ação de anulação de contrato .Recurso especial .Não se reconhece ter havido inobservância das garantias constitucionais do devido processo legal e do contraditório por ter sido dada oportunidade à parte para se manifestar sobre prova documental juntada aos autos pela parte adversa e sobre o laudo de perícia realizada no processo.Revisão . contida no artigo 4o do Decreto 22. pois. 3 . de 5-1-1938. “Civil . pois não era au- .Rei. Paulo de Tarso Sanseverino).29 Quid ju ris l Pune-se 29 “Agravo regimental . esperando-se que o período de relativa estabilidade alcançada nos últimos anos seja mantido. 2 . nem mesmo no período anterior à EC 40/2003. a instabilidade e a incerteza sempre pairaram sobre o cidadão comum.Devido processo legal .C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 131 Inicialmente. comercial e industrial.1 .Agravo re­ gimental desprovido” (STJ .Contra­ ditório .Porque não houve desbloqueio do valor remanescen­ te em virtude de não ter a mutuária apresentado documentação exigida pelo agente financei­ ro (comprovantes de recolhimento de contribuição ao INSS. caiu por terra o pouco de eficácia que restava da lei de usura. 4o do primeiro decreto proibiu o anatocismo. nosso Código Civil de 1916 permitiu o ajuste a qualquer taxa.Para os contratos celebrados anteriormente à edição da MP 1.Capitalização mensal . O art. juros remuneratórios nas operações financeiras. Essa lei tentou limitar os juros a 12% ao ano. pela Lei dos Crimes contra a Economia Popular.Contratação anterior . de 15-3-1967. Essa lei erigiu em crime sua infração.521/51.626/33. de recolhimento de averbação da construção e de certidão de averbação da construção).No caso em exame não logrou a autora demonstrar ter havido descumprimento de obrigação contratual . com a permissão da cobrança pelas instituições ban­ cárias da taxa de permanência. o que foi confirmado posteriormente pelo Decreto-lei nQ182. nessa parte. de acordo com a Súmula 596.626/33 não se aplica às instituições financeiras.380 .Processual civil .170-36/2001 . De qualquer modo. porém. a chamada lei de usura.

626/33 .033654-5/BA. de forma linear .Súmula 596 do Supremo TYibunal Féderal .Sessão TYibunal Pleno Rei. p. que o disposto no § 3® do art. A cobrança de taxa de juros efetiva em decorrência de aplicação de taxa nominal não caracteriza anatocismo. do art. em parte” (JJRS .Abertura de crédito em conta-corrente e mútuo . Capitalização mensal.Súmula 648 do Supremo TYibunal Federal .Rei. a fim de que adote as providências necessárias para suprir a omissão” (STF . Apelação provida.Mútuo . calculada pela taxa média de mercado. 192.São Paulo .Ilegalidade do processo legislativo que produziu a Medida Provisória n® 2.Bem móvel . revogada pela Emenda Constitudonal 40/03 . do CPC. Rei.061. 17-8-2011. devidamente corrigido pelos índices da referida tabela prática. 4 . apurada pelo Banco Central do Brasil. não são obrigadas a limitar a cobrança de juros em 12% ao ano. sem que o Congresso Nacional haja regulamentado o referido dispositivo constitucional. que trataremos a seguir.Bancário .Revisional .595/64.Relação de consu­ mo caracterizada .Ap. 28-3-2007.285-6. contados da data do cálculo .Capitalização mensal de juros afastada . conforme as Súmulas n^ 596 do STF e 283 do STJ. Mandado de injunção deferido em parte.Nega-se provimento ao recurso de apelação” ( TRF .Esta Corte. regidas pela Lei n® 4. Umberto Guaspari Sudbrack).30 estabelecendo o limite anual de 12% para os juros (art. 46 do Código de Defesa do Consumidor). para que se comunique ao Poder Legislativo a mora em que se encontra.00. na forma do que a lei determina.Cláusula con­ tratual que prevê a comissão de permanênda. limitada à taxa do contrato . Cível 70015079726. 23a Câmara de Direito Privado . Revisional. da CF (Súmula 648 do STF).Súmula 294 do Superior TYibunal de Justiça .Inocorrênda de anatodsmo .Acumulação de comissão de permanênda e a correção monetária . 30 “Mandado de injunção .Súmula 30 do Superior Tribunal de Justiça .170-36/2001 .Inaplicabilidade . Entendimento conforme o acórdão da 2a Seção do STJ no Recurso Especial 1. autoriza-se o banco a cobrá-la? Na verdade. julgado segundo o rito do art. A Constituição de 1988 pretendeu dar outros rumos à matéria. Juiz Fed. 22440). Cível. 543-C.530-RS. a matéria deve ser examinada sob o prisma da correção monetária. Rizzatto Nunes).Inadmissibilidade .Rei. no caso. .§ 3° do art.046-0/0. 192. acrescido de juros de mora de 1% ao mês.DJ 4-8-1995.Inocorrênda . 5a Câmara Cível .Re­ curso provido em parte para julgar parcialmente procedente a ação” (TJSP .Legitimidade da revisão de todos os contratos . 4o do Decreto 22.132 D ire ito C ivil • V enosa o particular que cobra juros acima da taxa. A capitalização mensal dos juros é prática inaplicável ao negócio jurídico contratado.Juros remuneratórios livres e lineares. é caso de reconhecer que as instituições financeiras. Res­ salvado posicionamento anterior. 1109-2009.Alienação fidudária . ocorre. razão por que necessitava de regulamentação.Acórdão 2000. por maioria de votos. Admitida apenas a capitalização na periodicidade anual.Limitação da taxa de juros reais a 12% ao ano . 25a Câmara de Direito Privado .Incidência (após o vencimento da dívida) apenas da correção monetária pelos índices da Tabela Prática do TYibunal de Justiça. 192 da Constituição Federal não era autoaplicável. .Recurso improvido” (TJSP .626/33 veda expressamente o anatocismo. “Contrato . Rodrigo Navarro de Oliveira). Cível 1. n® 4.I a R.Ap. Juros remuneratórios.Ap.18-7-2006.33. sob pena de aplicação apenas dos juros de 1% ao mês.Inadmissibilidade da cobrança de comissão de permanência .Potestatividade .Norma do § 3®. Antônio Benedito Ribeiro Pinto). não há dúvida de que esta. 11-2-2009. desde que informado previamente a consumidora (art. da Constituição Federal.Hipótese em que eventual saldo credor a favor da autora deverá ser restituído de forma simples. e sendo certo que a simples tramitação de projetos nesse sentido não é capaz de elidir a mora legislativa. relatora Ministra Nancy Andrighi. ao julgar a ADIn.287. entendeu.Rei.Decreto 22. § 3Q).Aplicabilidade condidonada à edição de lei comple­ mentar . do artigo 192. Passados mais de cinco anos da promulgação da Constituição. 7.Juros reais . juros de mora de 1% ao mês e multa de 2% . Moreira Alves . “Contrato .Taxas de juros e outros encargos nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas que integram o sistema finan­ ceiro nadonal . “Apelação. pois o art. Contrato de mútuo. Essa toaplicável o revogado § 3o. 192 da Constituição .024.

ou quando provierem de determinação de lei. pontilham no país tenta­ tivas de ser aplicado esse teto constitucional para os juros. pre­ vista no art. tudo é no sentido de que as autorida­ des monetárias não se conformarão com a flutuação dos juros entre particulares com as mesmas taxas oficiais. o mais recente Código Civil no art. Os juros convencionados podem ser de até 12%. segunda parte. Pelo art. A Fazenda pratica a denominada taxa SELIC . serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. Ora e vez. O início da fluência dos juros é matéria não pacífica e encontra discussão na doutrina e jurisprudência. os juros serão certamente devidos desde o advento do termo. Ainda não temos uma linha segura a ser seguida para a interpretação do art. da Lei nQ9. quer sejam moratórios quer sejam compensatórios. 406. Serpa Lopes (1964. Como essa taxa embute uma série de elementos. § 4Q. os juros de mora foram fixados em 6% ao ano. Da mesma forma. as taxas de mora in­ cluem fatores que não se restringem unicamente a juros. descreve as várias situações: Para a obrigação líquida e certa. 39. mas sem prazo..Sistema Especial de Liquidação e de Custódia . Só resta a solução de deixar a norma em branco para que os luminares da economia fixem os juros de acordo com os ventos da conjuntura. 406: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. É o que faz. como princípio.” Como ressalta à primeira vista. ou o forem sem taxa estipulada.062 do Código de 1916. v. 3:76). a mora só poderá iniciar-se a partir da interpelação ou notificação de que trata o art. A experiência da ciranda financeira do país demonstrou que qualquer prefixação de taxa de juros é incoerente. Realmente.250/95. Para a obrigação líquida e certa. para os impostos devidos à Fazenda Nacional. é mais do que evidente que o estabelecimento da taxa de juros não pode depender exclusivamente da lei. De fato. quando tem início a mora do devedor. essa disposição legal esbarra nos interesses econômicos do país. no entanto. e dificilmente o Poder Executivo deixará que os juros sejam estipulados livremente. havemos de concordar com aqueles que não formulam uma regra uniforme. 1.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 133 disposição é polêmica e o mais alto Tribunal do país a entende não autoaplicável. Ainda. sendo os primeiros devi­ dos independentemente da prova de prejuízo do credor. é problemática sua atuação como taxa de juros. inclusive correção monetária. . 397. Não há clareza nas disposições do Código Civil. com a acuidade de sempre.

é vedada a capitalização de juros em qualquer periodicidade (REsp n° 200801474977. serão devidos os juros desde o momento em que o obrigado praticou o ato do qual deveria abster-se. portan­ to. no caso concreto.Sistema financeiro de habitação . O Decreto nô 22.comprometem. mas também diz. 1. para o fim de sofrerem apenas a incidência de correção monetária. 3 . Apelação da CEF não provida neste ponto. restará caracterizada a capitalização desses juros na medida em que tais valores. A aplicação legal desta última hipótese é a do art. por sen­ tença ou acordo.Atualização do saldo devedor . a contagem é a partir da citação inicial. publicado no DJE de 18-9-2009). no art. Luis Felipe Salomão. 2 . 405. mas que nele se transformam. considera-se o devedor em mora desde que o perpetrou. Nas obrigações ilíquidas. na realidade. não proíbe o fenômeno derivado da lei.Evolução da prestação mensal . Sendo essa a hipótese dos autos.626/33 não permite sua cobrança. Constitui-se na contagem de juros sobre juros (ana = repetição. todas as legislações que proíbem. Há exceções no ordenamento que permitem o fenômeno entre nós. 398 diz: “Nas obrigações provenientes de ato ilícito.Processual civil . não se devendo falar. um problema dentro de outro problema que são os juros. no § 3Q. Na lei de 1916. a palavra delito era usada como sinônimo de crime. sanar o desequilíbrio contratual apontado pelo autor.impostas pela aplicação do PES aos respectivos contratos . de rigor seja corrigida a distorção.Capi­ talização de juros . enfrentando a matéria nos aspectos essenciais para.Cumprimento do contrato . mesmo em se tratando de valor ilíquido.Anatocismo . verificando-se a sucumbência recíproca . Apelação da CEF não provida neste ponto. os juros fluam a contar da perpetração do delito. sofrerem a incidência de juros no mês seguinte. vê-se que cada um dos litigantes restou vencido e vencedor. tokos = juros).2 A n atocism o O anatocismo é.Legitimidade passiva . Não são. o magis­ trado analisou as questões trazidas na petição inicial. 560. que não só regulamenta. em julgamento ultra ou extra petita. 390). a seu ver.134 D ire ito C ivil • V enosa Para a obrigação negativa. a partir de um dado momento.544.” Aqui. como o do citado art.8. Para as obrigações que originariamente não eram em dinheiro. uma vez que não é possível cobrar o ônus da mora a quem ignora seu débito. Rei. forem novamente agregados ao saldo devedor consolidado e. a lei quer que. como acontece com o Código português. o art.1 .1. devendo os juros mensais não adimplidos serem apurados em conta separada. a partir do momento em que verificada. remanescentes. ali.Ao apreciar a causa.Revi­ são contratual .Cotejando os pedidos formulados na inicial com o provimento judicial obtido. a quitação integral dos juros mensais calculados sobre o saldo devedor. Verificando-se. no entanto. Para as obrigações decorrentes de ato ilícito. Min. porém.Nos contratos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação. Tal lei. só é possível a contagem de juros quando fixado o valor. que nem mesmo as restrições legais operam quando “forem contrárias a regras ou usos particulares do comércio”. que as distorções no valor das prestações . 6. É a partir desse momento que o devedor encontra-se em mora (art.Tabela price .SFH . Segunda Seção.31 31 “Civil .

018338-6 . O Código de 1916 não proibia a contratação em moeda estrangei­ ra.Recurso provido nesse sentido” ( TJSP . a obrigação pecuniária é uma obrigação de dinheiro. ou seja.Cobrança da comissão de permanência pactuada . o que importa é o valor do dinheiro. Fed. de coisas fungíveis. Des. Serão elas obrigações específicas ou de dar coisa certa. Lei posterior (n Q28. quando prevista a cobrança da comissão de permanênda” ( T J S P .Avença livremente pactuada e aceita .Súmula 294 do STJ .Mútuo . ou fora de circulação.Licitude.027. certamente a mais perigosa. Há mais recente orientação jurisprudencial permitindo a cobrança de juros sobre juros dentro do sistema financeiro. denominador comum da economia.Rei. Cível 1. ainda. Cível 1. “Contrato . Moura Ribeiro).Comissão de permanência pela taxa média de mercado .Ap. o valor estampado na moeda corrente.(471911/CE). Um pagamento a ser feito em moedas raras. Assim. 8-7-2011. Walter César Exner). § 3°. portanto.510-0/0.Inexistênda de prova de abusividade na fixação de juros .8.Possibilidade . Ora.2 Obrigações Pecuniárias A obrigação pecuniária é modalidade da obrigação de dar.986-4. desde que limitada à taxa contratualmente prevista .Elaboração unilateral de laudo visando configurar anatodsmo Inadmissibilidade . José Maria de Oliveira Lucena). sem determinação da espécie. Supondo que vivêssemos em uma economia absolutamente estável. Ou.Inocorrênda de anatocismo . da Constituição Federal Norma revogada pela EC n° 40/03 e que dependia de regulamentação por lei complementar não editada . far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação”. Apelação da CEF não provida neste ponto.308. Só será pecuniária a obrigação que tenha por objeto moeda corrente.Acórdão 2001. Para efeitos jurídicos. O art. Apelação improvida” (T R F -5*R .00. por exemplo.Rei.Rei. para colecionadores. o que se levaria em conta na obri­ gação aqui estudada seria tão só o valor da pecúnia. esse é o conteúdo da obrigação pecuniária. portanto. Pelo Decreto nQ23. fican­ do o devedor sujeito à cupidez do credor. Trata-se de uma obrigação gené­ rica. 947 do Código Civil de 1916 estipulava que “o pagamento em dinheiro. 6. de 27-11-1933. sem que houvesse qualquer alteração de preços e serviços (o que não ocorre na prática. estatui-se o curso forçado da moeda nacional. 1* T\irma . 32* Câmara de Direito Privado .Recurso parcialmente provido para afastar os encargos do período de inadimplemento. de 15-2-1935) abriu a justificar a aplicação do art. que tem por objeto o dinheiro.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 135 O anatocismo é uma das formas de usura.Bem móvel .81. o nominalismo na moeda. “Alienação fiduciária . do dinheiro. 11* Câmara de Direito Privado .501. Esse é o valor nominal. . 21 do Código de Processo Civil.Ação anulatória julgada parcialmente procedente para excluir a comissão de permanência .Provas suficientes ao deslinde da causa afastando o alegado cerceamento de defesa . na essência mais pura.Ap. .Artigo 192. 12-2-2009. não tem essa característica. cominando-se de nulidade qualquer estipulação de pagamento em ouro ou em determinada espécie de moeda. impresso nas cédulas ou moedas. nem mesmo nas mais adiantadas economias). 6-3-2008.

O que vimos. hoje. quando estas linhas são escritas. no presente. a distinção. ou não se corrige dívida alguma. intervindo o dinheiro apenas como meio de determinação do seu quantitativo ou da respectiva liquidação” (Costa. expressa numa quantia numérica. Existe uma flutuação do valor do dinheiro para a extinção da obrigação. com dívi­ . Assim é que o valor nominal de uma dívida. de construção civil. Há índices para pagamento de salários. em nosso país. das demais. A legislação econômica brasileira é um verdadeiro emaranhado. Não podemos mais sustentar que as dívidas de alimentos são diversas. Hoje. numa inflação maior ou menor. Na verdade. mas uma “prestação diversa. Exemplo tradicional de dívida de valor: prestação de alimentos. imutável. admitir. quando os preços aviltavam-se e os tribunais mostravam-se excessivamente tímidos para generalizar. com base em diversos índices. recheado de portarias e regulamentos. sempre para mais. de previdência etc. ainda que por via pretoriana. oficiosos e todos os mais que a in­ ventividade própria das dificuldades pode imaginar. A correção monetária é capítulo à parte na economia brasileira e continua a desafiar juristas e economistas. As várias formas de reavaliação das obri­ gações. não podemos mais. O que ocorreu no passado. após seu fracasso. é claro. a já clássica distinção entre dívidas de valor e dívidas de dinheiro adquire também uma mera conotação histórica. ou se corrigem todas as dívidas. a correção monetária. entre nós. foi uma escandalosa transformação do Poder Judiciário em instrumento de moratória de oportunistas e maus pagadores. geralmente. Para o jurista. 1984:500). oficiais. enunciativamente. a situação nunca pôde fugir daí. uma quantia numérica. A doutrina diz que a dívida de dinheiro é a autenticamente pecuniária.136 D ire ito C ivil • V enosa exceções a situações particulares. O aviltamento da moeda e o chamado “plano cruzado”. para fins práticos. Ou o credor de nota promissória também não necessita do valor de seu crédito para a subsistência? O fato é que a criação da teoria das dívidas de valor serviu para alterar e minorar as iniquidades que ocorriam. para serem executadas no Brasil. como vimos. nestas últimas décadas. Não podemos dizer que a dívida do credor de uma nota promissória possa sofrer deságio. Exemplo clássico de obrigação em dinheiro: a quantia estampada em um título de crédito. podemos assegurar. como moeda corrente. jogou por terra definitivamente qualquer esperança de mantença de obrigações puramente nominalistas no Direito brasileiro. Não cabe ao jurista e muito menos ao julgador corrigir os erros e desmandos do Esta­ do à custa. joga por terra o conceito nominal da moeda e da obrigação em dinheiro. que instituiu o “cruzado”. é meramente enunciativo. Já a dí­ vida de valor não expressa.899/81. por exemplo. referentes a contratos de importação e às obri­ gações contraídas no exterior. Ora. Nesse diapasão e no atual estágio de nossa triste história econômica. do hipossuficiente. que abrangeu com a correção monetária os débitos ajuizados. já há necessidade de uma especialização em siglas neste país. antes do advento da Lei nQ 6.

ninguém. difundiu-se plenamente a chamada indexação da economia. não podem deixar de figurar os representados pela depreciação ou pela perda de poder aquisitivo da moeda. mas apenas estudar o fenômeno. numa clara referência ao valor da moeda. meios para defender-se e locupletar-se da inflação. uma soma que nenhuma relação real terá com a que devia originalmen­ te. 315 dispôs: . também lá. no ato de contratar. E terminou p o r se im por na jurisprudência que qualquer dívida. se impusesse na jurisprudência a generalização da correção monetária. como conseqüência de seu descumprimento. sob a justificação eminentemente jurídica “entre os prejuízos não cobertos pelos juros moratórios. longe estamos de imaginar que o problema seja só nosso. seja de valor ou de dinheiro. a denominada cláusula móvel. nos contratos privados e públicos. poderá duvidar da justiça de serem eles suporta­ dos pelo devedor em mora” (cf. m aior era o benefício que obtinha o mau pagador. determinava o art. em virtude da tardança do devedor no cumprir sua obriga­ ção. Demo­ rou muito para que. 948 que “nas indenizações p or fato ilícito prevalecerá o valor mais favorável ao lesado”. que nosso Código Civil de 1916 não era totalmente alheio à revisão da moeda. tam­ bém. alterou o dispositivo originário e preferiu excluir referência dire­ ta à correção monetária. Campos Filho.:204) da mesma forma analisa a situação na Argentina. Quanto maior fosse a inflação e m aior a demora em cumprir a obrigação. estimulava a má-fé do deve­ dor. repetimos. Se hoje a situação é diversa e os vários índices de correção aviltam a economia. mas sofridos. ou estipular. não cabe ao jurista resolver. O art. esta solução está imposta definitivamente. Hoje. Fora do âmbito litigioso.d. Recordemos ainda. devia ser paga atualizada. foi brutal enriquecimento indevido. A redação definitiva do recém-chegado Código. o devedor logrará pagar ao cabo de vários anos.” De qualquer modo. E se esses prejuízos não tiverem sido levados em conta pelo primeiro. No entanto. ocorrida entre o momento de constitui­ ção da obrigação e o da sua execução pelo devedor. De fato. Guillermo Borda (s.C la ssific aç ã o d a s O b rig a ç õ e s 137 das ajuizadas e pagas após anos de seu vencimento. com o beneplácito legal. ao que nos parece. 1971:14). Pois lançando mão de recursos de lei ruim. Diz ele ao enfocar a insuficiência dos conceitos de dívida de valor e dívida de dinheiro: “Era evidente que liberar o devedor moroso de sua obrigação com somen­ te o pagamento da soma originalmente devida. fruto de situação econômica diversa no país. só com juros legais. pelo credor. Isso porque os poderosos sempre tiveram a seu dispor. deixando-se demandar e utilizando chicanas.

sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. quando do pagamento. 317 acrescenta: “Quando. salvo disposto nos artigos subsequentes.138 D ire ito C ivil • V enosa “As dívidas em dinheiro deverão ser pagas. dificilmente esse dispositivo passará incólume pelo Poder Executivo. que sempre entendeu ser inconveniente para o Judiciário imiscuir-se em política econômica de forma direta. aplicando-se claramente a teoria da imprevisão ou da excessiva onerosidade. p or motivos imprevisíveis. principalmente. os rumos da economia em um fu­ turo cada vez mais complexo e imprevisível. . Por via transversa. caberá aos tribunais no caso concreto definir quando e sob quais condições de­ verão ser alterados os valores nominais firmados pelas partes por motivo de in­ flação. o art. mas. desvalorização cambial. quanto possível. sob o ponto de vista objetivo. a pedido da parte. de modo que assegure. Como nos ensina o passado. Cabe-nos não só aguardar a vigência e aplicação do dispositivo. no vencimento. portanto. a possibilidade real e efetiva de intervenção judicial nos contratos. em moeda corrente e pelo valor nominal. poderá o ju iz corrigi-lo. pela nova norma. ou propria­ mente da execução (veja o Capítulo 22). alterações de condições de mercado etc. o valor real da prestação Introduz-se.” No entanto.

A cessão de posição contra­ tual não foi contemplada por qualquer dos dois diplomas civis. principalmente. em título dedicado à “transmissão das obrigações”.1 C e s s ã o d e C r é d it o 7. disciplinando a cessão de crédito nos arts. 299 a 303. A transmissão de direitos e obrigações pode verificar-se tanto por causa de morte. no final da parte geral das obrigações. da figura do credor.078. bem como o devedor sua dívida. A transmissão causa mortis deve ser estudada e disciplinada pelo direito das sucessões.Transmissão das Obrigações 7. Examinar-se-á a possibilidade de o credor transferir seu crédito a terceiro. Nosso Código de 1916 tratou de uma de suas modalidades. nos arts. 1.1 Introdução. nos capítulos anteriores. iremos agora nos ocupar da transferência das obrigações. No presente patamar de nosso trabalho. quanto por ato entre vivos. A Transmissibilidade das Obrigações Examinamos. da ces­ são de crédito. a assunção de dívida (o que já fora feito pelo projeto de 1975).1. por ato entre vivos. Na cessão de contrato (ou cessão de . A cessão de crédito enfoca a substituição. O que examinaremos neste tópico são as possibilidades de substituições subjetivas das obrigações pela vontade das partes. o pagamento e os diferentes ou diversos do pagamento. os meios de extinção de obrigações. O Código de 2002 cuida da matéria após as modalidades das obrigações.065 a 1. O Código revogado não disciplinou a substituição do devedor. ou seja. antes de disciplinar os contratos. 286 a 298 e a assunção de dívida nos arts.

Na cessão de crédito. Se examinado um contrato. intacto. Quando. Em qualquer situação.2 Conceito de Cessão de Crédito. Incluir-se-ia no texto desse artigo que também o crédito compensável fiscal ou parafiscal pode ser cedido. tal como contraído. O terceiro poderá ter tomado conhecimento da proibição de outra forma. por lei. Com essa alteração. O cedido é o devedor. no direito. A cessão de crédito é. possui um valor de comércio. na segunda parte do art. verificar-se-á que possui um valor no comércio jurídico. mas de valores materiais. estudaremos a possibilidade de ser transferido a um terceiro todo um complexo contratual. Ora. a cessão de crédito não é totalmente alheia ao cedido. doravante. a quem incumbe cumprir a obrigação. Se encarado pelo lado do devedor. toma o nome de cessão. aspecto que deverá ser examinado no caso concreto. mas. é verdade). O negócio jurídico tem feição nitidamente contratual. os quais. 7. de maneira geral. Por exceção. iniciando com a cessão de crédito. para que esse pacto im­ peditivo possa ser eficaz com relação a terceiro de boa-fé. um negócio jurídico pelo qual o credor transfere a um terceiro seu direito. pois. ou por convenção com o devedor (art. contido na obrigação. de uma alienação. Como veremos. Afinidades O crédito.140 D ire ito C ivil • V enosa posição contratual). sem dúvida. deve constar do ins­ trumento da obrigação.1. Trata-se. Essa regra lógica. 286). aqui não tratamos de meros valores axiológicos (que também estão presentes. trata-se de um valor no patrimônio do cre­ dor. o cessionário. o cedente é aquele que aliena o direito. o crédito é transferido íntegro. um outro credor assume a posição negociai. admitida pela doutrina. é doravante enfatizada no atual diploma. estando no comércio. Há apenas uma modificação do sujeito ativo. O crédito. Houve sugestão importante para acréscimo nesse dispositivo no Projeto de Lei nQ 6. Nesse negócio. a possibilidade expressa de cessão de crédito fiscal ou parafis­ cal passará a ser um elemento dinamizador importante no universo negociai. A lei permite a cessão de crédito. mas sua transformação em lei é dependente do beneplácito das autoridades fiscais. a alienação tem por fim bens imateriais. se não constar do instru­ mento da obrigação”. reportando-se ao pro­ blemático e revogado art. 374. o que lhe suprime a boa-fé. como integrante de um patrimônio. o contrato como um todo. É o exame des­ sas situações que passamos a fazer. O contrato pode proibir a cessão de crédito.960/2002. podem ser objeto de negócios jurídicos de transmissão. um valor ativo. não podem ser cedidos créditos inalienáveis por natureza. mantém-se o mesmo objeto da obrigação. 286: “a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. já examinado quando do exame da compensação. o que adquire. o débito é um valor pas­ sivo. de bens. há que se verificar se o terceiro teve ciência .

Ação cominatória. não há distinção na lei. No direito moderno. 5. a qual extinguia a obrigação primitiva e criava nova. O direito de crédito. salvo quando incompatível com a natureza da obrigação. 2. 2. 78 do ADCT e não teve honrado o pagamento da parcela na época prevista. Dever de indenizar por perdas e danos. para poder efetuar o 1 “Apelação cível. a teor do art. não admitia a cessão. oriundo de precatório de natureza alimentar. Veiculação de comercial. No processo de execução. Embora não diga a lei. A cessão pode ocorrer a título gratuito ou oneroso. mesmo perante a proibição.029386-4. de forma que a segunda não se apresenta incom­ patível com a sistemática dos precatórios. dava quitação e agia em seu próprio interesse. Em regra a cessão de crédito a tercei­ ro é permitida. A indenização por perdas e danos pode ser imposta ao devedor. como vimos. 1. nada impede que haja cessão parcial do crédito. Se não o teve. 41 e 42 do CPC. Des. havendo cessão da coisa ou do direito litigioso. 3. o devedor deve ser claramente informado da cisão e essa multiplicidade de credores no mesmo crédito não lhe deve causar maiores gastos. que agia em causa própria na cobrança da dívida. o direito comum criou a procuração em causa própria. como permite a lei portuguesa (art. sua situação não poderá ser agravada sem sua concordância. sendo inexistente em relação aos demais créditos consolidados em precatórios. a cessão será válida. o que fará desaparecer sua boa-fé. O Direito Romano.1 Deve ele apenas ter ciência de quem é o credor. Recurso provido em parte. o importante é estabelecer o conhecimento da proibição por parte do cessionário. 286 do Código Civil. 577 do Código Civil português). 1. antes de efetivada a cessão. 4. para evitar o problema do consentimento do devedor. ainda que essa ciên­ cia se dê por outros meios. não se confunde com os alimentos. 1. 7-6-2011. previstos no Direito de Família e que se submetem às restrições do art. na cessão de crédito. . ou por convenção do devedor. o adquirente ou o cessionário somente poderão ingressar em juízo com a anuência da parte contrária. prescinde-se. 287). tendo-se por ineficaz a cláusula proibitiva.707 do CC/02. a lei. Eduardo Mattos Gallo Júnior). impuseram como regra a estabilidade da relação processual e. o direito material já está certificado e o cessionário pode dar início à execução ou nela prosseguir sem que tenha que consentir o devedor.Acórdão Ape­ lação Cível 2007. quando ausente a cláusula proibitiva no próprio instrumento. Nesse caso. Posteriormente. Cessão. quando não cumprida a obrigação.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 141 da proibição de cessão.065 do Código Civil de 1916 e art. “Processo de execução. Os arts. 1. diferentemente. Nomeava-se um mandatário. salvo se as partes conven­ cionem em contrário (art. O exame da CF permite diferenciar ‘efeito liberatório’ de cessão de direitos creditórios e pagamento mediante compensação. Cessão que se opõe a natureza da obrigação. preservando o individualismo que lhe é intrínseco. Era indispensável o consenti­ mento do credor. que dizem respeito ao processo de conhecimento. do consentimento do devedor. Rei. Recorriam os romanos à novação subjetiva. Credora que encerrou as ativi­ dades e pretende ceder os créditos a terceiro. especialmente quando incontroverso que recebeu o pagamento por serviço que não prestar” (TJSC . O efeito liberatório é reservado ao crédito cujo preca­ tório foi parcelado pela moratória do art. isto é. Os respectivos efeitos não se alteram. Como apontamos. Os acessórios acompanham o crédito na cessão.

Cível 7. Enquanto inclusive os alimentares.Acórdão Agravo de Instrumento 823. Doutro lado. Na cessão.Rei. a cessão pode ter sempre caráter especulativo. Rei.Decisão mantida . Laerte Sampaio). seu efeito só ocorre a partir do momento em que se notifica o devedor da cessão. Tanto que o art. A cessão objetiva sempre direitos. Virgilio de Oliveira Junior). não há que se confundir a cessão de crédito com o “endosso”. tanto que o código francês cuida do instituto no mesmo capítulo. Dois institutos ou dois fenômenos jurídicos.Financiamento . caso contrário. o crédito pre­ serva-se.Recurso desnecessário e prejudicial ao interesse do próprio recorrente .Incidência do art. Assim é que. 304. o devedor cedido não é parte no negócio da cessão.14* Câmara de Direito Privado . Na cessão. não haveria necessidade de equipará-los.74 5-5/9-00. mas isso não quer dizer que há identidade. Código de Processo Civil. não existe essa limitação.Sentença de procedência . preservada a tradição romana. enquanto a cessão é ato voluntário. na compra e venda existe apenas um comprador e um vendedor. Vimos que. c.Ap. na cessão.574-3. O art. A cessão tem pontos de contato com a compra e venda. 7. . 27-2-2008.Contrato de gaveta .142 D ire ito C ivil • V enosa pagamento. Existe sub-rogação por força de lei. como veremos. No entanto. o devedor é estranho ao negócio. c. Já os pontos de contato da cessão de crédito com a sub-rogação são maiores.Compromisso de compra e venda . o art. É claro que ele deve tomar conhecimento do ato para efetuar o pagamento. A compra e venda objetiva sempre um bem material. são diversos. Isso em linhas gerais. não vamos encontrar a possibilidade de a avença ser­ vir de veículo para a aquisição da propriedade. que é peculiar forma de transferência dos títulos de crédito.151. partindo de outros postulados. Código Civil . há necessaria­ mente as três figuras já apontadas. 350 da sub-rogação limita o direito do sub-rogado até a soma que desembolsou para desobrigar o devedor.Preliminares de ilegitimidade de parte e falta de legítimo interesse afastadas . Na cessão.13-1-2010. pelo oposto. pois. Agravo provido em parte” (TJSP . Na cessão de crédito.Devedores que na condição de terceiros têm legitimidade e interesse na quitação do saldo devedor . “Ação consignatória . Des. o que não ocorre na sub-rogação. 348). assim entendidos bens imateriais.3 Posição do Devedor Como exposto.1. Essa situação é de equiparação de uma das hipóteses de sub-rogação à cessão de crédito. 890. porque equiparados. nela exis­ te uma forma de extinção de obrigações. como já vimos. embora se refira também à transferência de um crédito. 349 diz que quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos (art.Prestações em atraso . vigorará o disposto acerca da cessão de crédito.Recurso improvido” ( TJSP . uma vez que há particularidades que afetam a posição do devedor. Da novação já tratamos.

pois esta não é uma condição da cessão. Se o devedor já estiver em mora. O objetivo do legislador ordinário foi garantir ao cessionário o recebimento do valor. Esses terceiros. Exegese do art. Ausência do procedimento constante no art. 1. se declarou ciente da cessão feita . O equivalente no mais recente diploma é o art. Para ele. 1973:358). dispõe no art. Não se esqueça de que a cessão de crédito pode ser instrumento para tipificar fraude contra credores ou simulação. 290: “A cessão de crédito não tem eficácia em relação ao devedor. A lei não o diz. Acordo. A matéria. Pode ser promovida pelo cedente ou cessionário. 3 “Execução. se refere. Isso porque. 288. 290. estará pagando bem. pagando ao credor primitivo. o devedor fica desobri­ gado se. repetindo noção do Código de 1916. Eduardo Mattos Gallo Júnior). “são os que não intervém no contrato. do Código Civil. O art. Recurso desprovido” (TJSC . Efeito. pois. Cessão de créditos realizada após o protocolo da petição inicial. 2 “Apelação cível.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 143 não for notificado. Pagamento um dia após o prazo. mas que. a lei atual. antes de ter conhecimento da cessão. Não são quaisquer terceiros. 30-9-2011. e os do devedor” (cf. Chaves. Exceção de pré-executividade.”2 Da mesma forma. Des. do referido diploma legal. não o exonera da obrigação. nesse caso. bem como lhe assegure a garantia de que está pagando ao legítimo portador do título. à “ineficácia” em relação a terceiros. Sentença mantida. a fim de que o devedor saiba a quem pagar. a citação supre validamente a notificação. prevalecerá a prioridade da n o t if ic a ç ã o Há que se verificar em que momento a notificação foi efetuada.Acórdão Apelação Cível 2011. devem ter interesse no patrimônio das partes. que deve ser auto­ rizada pela lei. senão quan­ do a este notificada. mas apenas um ônus do próprio credor em assegurar o rece­ bimento do valor a que tem direito. é indiferente. a teor do art.012539-9. mas por notificado se tem o devedor que. Cessão de crédito. paga o credor primitivo. 292. I. se o devedor anuiu no próprio ins­ trumento da cessão. Rei. visa gerar efeitos erga omnes com relação à cessão. citados pela lei. Falta de notificação do devedor. O art. O vigente diploma. não sendo por escrito.071 do Código de 1916 era igualmente expresso no sentido de dar validade ao pagamento feito pelo devedor ao credor originário. O fato de o devedor não ter sido notificado da cessão de crédito. para tal. Essa notificação deve ser idônea. dentro do . corretamente. possuindo direitos anteriores à cessão. Efeitos da mora. Legitimidade do cessionário. mas é conveniente que seja por escrito. e com maior razão. Seria um contrassenso exonerar o devedor da mora. Consignação em pagamento. que acrescenta ao texto: “Quando o crédito constar de escritura pública. em escrito público ou particular. caso efetuasse o pagamento em cheque. 335. não valerá com relação a terceiros. se não tinha conhecimento da cessão. assim exige o art. 289 do presente estatuto permite que o cessionário de crédito hipote­ cário possa averbar a cessão no registro do imóvel. podem vê-los prejudicados em conseqüência dela: os credores do ce­ dente e do cessionário. Inexistência de justa causa para recusa de recebimento dos valores consignados. Aliás. 292 do CC.

pelo promitente vendedor. 19-11-2009. momento no qual este poderá ‘opor ao cessionário as exceções que lhe competirem.072 do diplo­ ma de 1916: "o devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão.Im­ pugnação do devedor . No Código de 2002. bem como as que. muito embora constitua direito real de fruição desde a devida averbação do título no registro de imóveis. 1. bem como as que. art. e condená-lo às penas contratuais. em dinheiro. se o devedor podia alegar erro ou dolo. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão.Acórdão Apelação Cível 2004. caso contrário estaria aberto um grande caminho para prazo acordado.020167-2. o devedor obrigado a pesquisar qual é o último cessionário.Contrato de promessa de compra e venda . CC/1916.069). 4 “Civil . art. poderá fazê-lo contra o cessionário. Rei. a transmissão a terceiro. 1. mas que somente disponibilizaria ao credor os valores dois ou três dias úteis após o depósito. 1 O contrato de promessa de compra e venda. tinha contra o cedente’ (CC/02. sendo de capital importância o art. art. Para o devedor. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão. art. por ter efetuado o depósito no primeiro dia útil se­ guinte ao vencimento.CC/1916. art.144 D ire ito C ivil • V enosa Nesse caso.072). mas não pode opor ao cessionário de boa-fé a simulação do cedente”. A tempestiva exceção consistente no direito de compensação prevista em contrato obriga o cessionário perante o devedor excepiente” (TJSC . Complementa o art. Não fica. Luiz Cézar Medeiros). têm caráter manifestamente obrigacional. Umberto Guaspari Sudbrack). A mesma disposição trata das cessões múltiplas: no caso de mais de uma cessão notificada. a obrigação para o devedor extingue-se.”6' Assim. apresenta-se o art. como já estudado. tal seria um ônus muito grande para ele. contra o ceden­ te. por exemplo. CC/1916. art. das obrigações e direitos dele decorrentes por intermédio de contrato de cessão. 1. prevalece a que se completar com a tradição do título cedido”. 294: “O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem. não obstante. Aplicação dos postulados da proporcionalidade e da vedação do enriquecimento ilícito” (TJRS . Se tiver fundadas dúvidas a quem pagar. . Isso porque o crédito se transfere com as mesmas características.Compensação . 291 dizendo que.Cessão de direitos e obrigações . portanto.Acórdão Apelação Cível 70009419276. o que toma possível. 19-8-2008. Rei. 294. tinha contra o cedente. 2 A cessão pelo promitente vendedor dos direitos e obrigações constantes de contrato de compra e venda só terá eficácia em relação ao devedor/promitente comprador a partir de sua cientificação (CC/02. a questão resolve-se entre eles. A questão passa ao âm­ bito entre cedente e cessionário. 290. deve o cedido pagar ao cessionário que se apresenta com o título da cessão. deve recorrer à consignação em pagamento. “ocorrendo várias cessões do mesmo crédito. não se rompem todos os vínculos que manti­ nha com o credor primitivo.072 (CC/02. portanto. 1. Se houver danos aos demais cessionários. Des. 294).Matéria oponível . Des.

mas por vezes a necessidade obrigará o escrito particular ou a forma pública. o cessionário de boa-fé. sob pena de perder o direito. O Projeto nQ 6. para melhorar o entendimento. Varella. com propriedade. como ocorre com o direito de alimentos. Por outro lado. não admitem cessão. assemelhando-se à compra e venda. Sobre as exceções já falamos ao tratar da solidariedade. Capacidade e Legitimação Em primeiro lugar.5 Requisitos.1. deve estar presente a possibilidade jurídica para a trans­ missão do crédito. As exceções enunciadas no art. lembre-se que as obrigações personalíssimas.4 Natureza Jurídica A natureza contratual do negócio é patente. suas conseqüências admitirão a interpretação peculiar desses atos. como transitamos no campo do direito disponível das par­ tes. É que geralmente o que é impenhorável é inalienável e daí decorre a impossibilidade da cessão (cf. no tocante à simulação. A cessão pode ser gratuita. alertar o cessionário que tem exceções a opor. os créditos impenhoráveis. isto é. Outros a lei proíbe expressamente. É nula a . assemelhando-se a uma doação. não impedem a trans­ ferência. A regra geral é no sentido de que os créditos em geral podem ser cedidos. utilizando a pa­ lavra defesas. pois esta passa a ser causa de nulidade do negócio jurídico no presente ordenamento e não mais de anulabilidade. Também.1. por si só. a qual é mais comum. e sem eles toma-se impossível sua respectiva transferência. De outro modo. uma vez que os termos clássicos do Direito cada vez mais caem no esquecimento das novas gerações. 7. Objeto. não tinha conhecimento da simulação. como é o caso dos direitos previdenciários. pela lei ou pela convenção das partes. contra o cessionário que não participou. podem elas avençar a intransferibilidade do crédito. como já anotamos. 286 devem ser examinadas em cada caso concreto. um contrato todo peculiar. A lei de 1916 ressalvava. “o momento em que tem conhecimen­ to” da cessão deve ser examinado. É. Gratuita ou onerosa. Exceção aí é empregada como um meio substancial de defesa. Tal pode ser obstado pela natureza da obrigação. no entanto. tão logo notificado.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 145 a fraude. A presente redação suprime a referência à simulação. A lei não fixa prazo. Há créditos que por sua natureza não admitem cessão. com prudente arbítrio do juiz. pois se trata de forma genérica de alienação. por sua natureza. tanto que fez bem o código em colocá-lo na parte geral das obrigações. 7.960/2002 propugnou pela substituição do termo no dispositivo. O cedido não pode alegar contra ele a simulação. em cada caso. ou onerosa. É um contrato simplesmente consensual. O devedor deve. Há créditos incorporados a documentos. contudo. 1977:313).

Mesmo os direitos litigiosos podem ser cedidos. ao contrato e à própria natureza da obrigação. V . ainda que não se responsabilize pela solvência do cedido. não pode. por se tratar de uma liberalidade. o risco da solvência do cedido corre por conta do cessionário. por exemplo. na cessão gratuita de crédito. É evidente que. III .146 D ire ito C ivil • V enosa cessão de um crédito que contrarie as exceções legais. de forma que as questões concernentes à relação jurídica material dizem respeito ao mérito da causa. não há falar-se em ineficácia da cessão de crédito em relação a este. por exemplo. é responsável pela existência do crédito ao tempo de cessão. do Decreto-lei nQ911/69. nos termos do art. O cedente só responde pela solvên­ cia do devedor se assim o fizer expressamente (art. Por outro lado.076 do Código de 1916).Verificada a existência de previsão expressa no contrato acerca da faculdade do credor em transferir seu cré­ dito a terceiros. Eficácia.Sabe-se que o credor detém a prerrogativa de transferir seu crédito. Ilegitimidade ativa. portanto. Cessão de crédito. basta a comprovação de . 7. do Código Civil de 2002. Já quando se tratava de transferência de crédito por força de lei. haveria burla e enriqueci­ mento injusto. só pode ceder um crédito seu titular. porque a lei subjeti­ vamente as impede. limitando nesse caso a res­ ponsabilidade do cedente àquilo que efetivamente foi por ele recebido e juros e despesas da cessão. Caso não houvesse objeto. Esse dispositivo estava deslocado e não mais se encontra no atual Código. II . taxas de correção monetária. 286. há questões de legitimação na cessão a serem observadas: o tutor. 1. é possível a realização da cessão do crédito e do bem dado em garantia (art.Para efeito de constituição em mora. direitos de garantia. Recurso conhecido e não provido. inclusive para fins de propositura da ação de busca e apreensão. 6o. a teor do disposto no art. a cessão abrange os acessórios. e comprovada a notificação do devedor. não existe tal responsabilidade. nem pela solvência do devedor (art. se esta se operou a título oneroso (art. se for o caso. não poderia ele aí ser responsabilizado. I . Como certas pessoas não podem adquirir certos créditos. A vontade do cedente não existiu nessa situação.5 5 “Processual civil. Como a cessão de crédito constitui ato de disposição. adquirir-lhe um crédito. assumindo o cessionário o risco.368. 295). juros. os créditos futuros também podem ser cedidos. Notificação devedor. 1. não se confunde com a pretensão deduzida em juízo. CC/02). não pode adquirir bens do pupilo. IV . O art. Questão de mérito.2. Análise da relação jurídica material. Alienação fiduciária em garantia.A análise das condições da ação é realizada abs­ tratamente. cláusula penal etc. Responderá somente no caso de dolo. a p rio ri. 296). o cedente não respondia pela realidade ou materialidade da dívida. No silêncio da avença. 297 completa a noção. O cedente. desde que venham a existir.No âmbito dos contratos de alienação fiduciária em garantia. nem subsidiariamente pelo pagamento. Todavia. isto é. desde que a cessão não implique ofensa à lei. requer por isso plena capacidade do cedente e poderes específicos na representação. Não havendo estipulação em contrário.6 Responsabilidade A responsabilidade do cedido é pagar a dívida. Comprovação da mora.

v. uma vez penhorado.>6 7. quando com a transfe­ rência o cedente deixa de ter qualquer responsabilidade pelo crédito. 298 do Código Civil de 2002 . a cessão de crédito pro soluto. lhe prestou perdas e danos.Determinação de anulação do título e sustação definitiva do protesto Admissibilidade . Cível 1.Cessão de crédito por operação de factoring .Recurso improvido” ( TJSP .Código Civil. operada por força de decisão do juiz. pagará validamente ao cessionário.Ausência de notificação do devedor da cessão havida . não podendo restituir a coisa.Acórdão Agravo de Instrumento 500 718-4/7.Prova dos autos no sentido de que houve quitação do débito junto ao credor originário .T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 147 O crédito penhorado não pode mais ser cedido (art. não tendo notificação dela.Crédito em questão que era objeto de penhora para garantia de dívida . a cessão que o possuidor de boa-fé de bens hereditários deve fazer de todas as ações ao herdeiro.05. quando um crédito do de cujus é atribuído a um herdeiro. mas se o devedor não tiver tomado conhecimento da penhora. Distingue-se. artigos 166. O Código determina que nesses casos o cedente fica isento de qualquer responsabilidade. 1. .Preliminares afastadas . “Cambial . J. fica exonerado. Bitencourt Marcondes).Cheque . Rei. a cessão que o locador deve fazer ao locatário em relação à coisa locada quando. Des..113370-3/001. 298 do atual estatuto: “O crédito.Ap. Pode ocorrer cessão de crédito judicial. É o que ocorre nas partilhas. Seu alcance prático é pequeno. 2:471) enumera os seguintes casos: os direitos acessórios do crédito.Ato jurídico praticado com infringênda ao disposto no art. caso o cedido não o faça. B.Acórdão Apelação Cível 1. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. l®-3-2009.1.Nulidade absoluta . por meio de Cartório de Títulos e Documentos” ( TJMG . afora sua existência real.080. José Geraldo de Jacobina Rabello).077). mas o devedor que o pagar. 6 “Cessão de crédito .157-9. Des. quando o cedente continua responsável pelo paga­ mento do crédito.Reconhetimento que pode ser feito nos próprios autos . e pro solvendo. quando que a notificação se efetivou no endereço fornecido pelo devedor.Agravo provido para esse fim” ( TJSP . Rei. 8-11-2007. 23* Câmara de Direito Privado .0701. 1-4-2009. Assim repete a mesma dicção o art. ademais. n® VII e 168 . Franco de Godói). Também quando numa execução existe penhora de um crédito que é adjudicado ao credor exequente ou arrematado por terceiro.Rei. Há outras situações nas quais a lei determina a cessão.Pagamento válido . a cessão que o reivindicante deve fazer ao possui­ dor de boa-fé que pagou o valor da coisa existente em poder de terceiro. Serpa Lopes (1966.Exdusão do pedido de assistênda litisconsorcial formulado pela cessionária . subsistindo somente contra o credor os direi­ tos de terceiro.7 Espécies Já vimos que a cessão pode ocorrer a título gratuito ou oneroso. Cuida-se da forma convencional.

de que tem conhecimento. 7. entre outros. se necessário. O cessionário recebe o crédito.8 Efeitos Nos tópicos anteriores. se o cedido não pagar.1. quando não houver disciplina legal. substituindo o cedente na relação obrigacional. Orlando Gomes (1978:257) acrescenta ainda outras obrigações inerentes à posição do cedente: a de prestar informações para o exercício do direito de cré­ dito. os efeitos já foram delineados. o cedente só responde pela existência do crédito se agiu com má-fé. O cedente não pode dificultar a atividade do cessionário. não havendo nenhuma prefe­ rência de recebimento por um ou por outro credor. aceita pela doutrina. que examinaremos a seguir. admite con­ dição e sujeita-se às vicissitudes de nulidade e anulabilidade dos atos jurídicos em geral. Portanto. 293. Já estudamos que a cessão pode ocorrer pro soluto ou pro solvendo. a existência do crédito. cessões de outros direitos. omitindo. Ainda. virtudes e defeitos. ao menos. ainda restará direito do cessionário de cobrar do cedente. sob pena de responder por perdas e danos. no que couber. A partir do momento da cessão. mas dela se distinguem. O Código de 1916 não tratou da assunção de dívida e da cessão de posição contratual. exonerando o cedente. como já é um valor que integra o patrimônio do cessionário. a existência de bens penhoráveis do deve­ dor. variando os efeitos. isto é. na cessão de crédito onerosa. uma vez que a cessão legal só existe quando prevista em lei. na cessão pro solvendo. na forma devida. O cré­ dito é transferido com todos os direitos e obrigações. Como vimos. mesmo hodiemamente. como todo negócio jurídico ordinário. O devedor deve pagar a parte de ambos. princípio básico de analogia que se mantém. Os efeitos da cessão legal produzem efeitos quase iguais aos da sub-rogação. Tal disposição. o cessionário dá plena quitação. art. quando solicitadas pelo cessionário. vem expressa no atual Código.078 do Código de 1916 determinava que se aplicassem a outras ces­ sões. 1. o crédito biparte-se. Nas cessões gratuitas. as disposições da cessão de crédito. tal como se encontra. a cessão de crédito. pode ele tomar qualquer medida conservatória de seu crédito. independentemente de seu conhecimento pelo devedor. a de entregar os documentos indispen­ sáveis para que o cessionário possa cobrar o crédito e a de fornecer documento comprobatório da cessão. devem ser aplicados os princípios da cessão de crédito. por exemplo. No caso de cessão parcial. Sempre é conveniente recordar que a má-fé não se presume e deve ser cabalmente provada. o cedente garante. O art. Na cessão pro soluto. se estiverem presentes seus .148 D ire ito C ivil • V enosa não estiver com todos os bens. Trata-se de direito muito semelhante à garantia da evicção.

pois o crédito é um valor do patrimônio ativo da pessoa. também a muito utilizada cessão de direitos hereditários. Não surpreende essa noção.2 Assunção de Dívida 7. Na chamada assunção de dívida (denominada cessão de débito por alguns.1 Conceito Como acabamos de ver na seção anterior. ficando exonerado o devedor primitivo. que substitui a parte ativa da obrigação. o credor pode alienar seu crédi­ to a um cessionário. Destarte. da cessão de posição contratual. com o consen­ timento expresso do credor. interpretando-se o seu silêncio como recusa. 299. mas nem por isso deixa de ter interesse prático. pode haver substituição da parte passiva da obrigação. pois a novel lei não cuida. art. Não é um fenômeno muito comum. com outro devedor assumindo-a. Contudo.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 149 pressupostos. por exem­ plo. encaixava-se no dispositivo. ao tempo da assunção. talvez porque já trate de outras formas de cessão.078.Desnecessária a produção de outras provas além daquelas já produzidas . ainda que mais abastado. O conceito vem delineado no Código de 2002. agora tratada expressamente no vigente Código. Parágrafo único.2. Há outras modalidades de cessão no universo jurídico que serão examinadas em nossas obras. a regra analógica continuará válida. era insolvente e o credor o ignorava. salvo se aquele. No entan­ to. Portanto. A questão é básica.111 7 “Embargos a execução contra devedor solvente . Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. não está o credor obriga­ do a aceitar outro devedor. denominação que realça uma forma de alienação. Embargos à execução . 7. for mera­ mente quirografário) o patrimônio do devedor.Ausência de ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa . Assim como o credor não é obrigado a receber coisa diversa do objeto da obrigação. a pessoa do devedor é importante para o credor. Isso faz a diferença básica para o início de seu estudo.Título que atende .Instrumento particular de confissão de dívida . O atual Código não repetiu a exortação do art. uma vez que a maté­ ria não foi tratada no Código de 1916: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor.Preliminar re­ jeitada. assim como a cessão de direitos sobre imóveis e de direitos de autor.Cerceamento de defesa não vislumbrado com o julgamento antecipado da lide . a primeira noção a ser enfocada é que ela não pode ocorrer sem a concordância do credor. O credor possui como garantia de adimplemento da obrigação (se não tiver privilégio. ainda que mais valiosa. não muito clara do fenômeno). Basta dizer que o devedor mais afortunado patrimonialmente que assume a dívida de um terceiro pode não ter a mesma disponibilidade moral para pagar a dívida. 1.

para evitar outra interpretação. 3* Câmara de Direito Privado . Como se trata de transferên­ cia de valor patrimonial negativo. Recurso não provido. ou seja. garantia hipotecária e confissão de dívida . Inadimplemento.Recurso negado” (TJSP . Comprovado que o locatário do imóvel assinou termo de confissão. Assunção de dívida. como a sucessão causa mortis e a venda ou cessão de todos os bens ( bonorum venditio e bonorum cessio). Os interessados podem obter de plano ou concomitantemente com o negócio essa concordância.Retenção. Ilegitimidade passiva.8.Embargante assumiu a obrigação do devedor originário devendo responder pelo seu pagamento .Acórdão Apelação Cível 658. Des. No entanto. “Apelação cível. de 40% a título de gastos próprios e em razão do tempo de ocupação do imóvel. Ação anulatória. Conseguiam os romanos atingir a finalidade da cessão. A transferência de dívidas pelo lado passivo é colocação dos códigos mais modernos.Ap. 299 do Código Civil de 2002 permite ao terceiro assumir dívida alheia. Rei.0701.Correção monetária cabível a partir do respectivo desembolso . Dívida assumida por locatário.582-6. apurável em liquidação .Vício de consentimento na formação do instrumento não demonstrado . Francisco Giaquinto). “Contrato . como o alemão. 299 do Código Civil. do CPC .Recurso parcial­ mente provido” (TJSP . mantida a sentença que acolheu a pretensão inicial.Possibilidade .Acórdão Apelação Cível 1. Caetano Levi Lopes).Inteligência do art. Des.Devolução das quantias pagas . Joatan Marcos de Carvalho). está ausente o suposto cerceamento. ficando exonerado o devedor primitivo. com a novação subjetiva passiva. . rejeitada uma preliminar” (TJMG . Obrigação inexigível do proprietário. Nunca se deve esquecer que o patrimônio e a pessoa do devedor interessam dire­ tamente ao credor e não lhe pode ser imposto novo devedor. 4. ao contrário da cessão de crédito.Rescisão contratual com reintegração de posse procedente .Admissibilidade . Cerceamento de defesa inocorrente. Sen­ tença mantida. seu silêncio representará pura e simplesmente sua negativa em admitir um novo devedor para sua obrigação.Inadimplência do comprador . O cerceamento de defesa ocorre se o órgão judicial impede a realização de prova necessária. 2-12-2008. 1.2010. como exposto. Energia elétrica.Cessão de direitos e transferência de financiamento com assunção de dívida. A assunção de dívida também é um negócio jurídico na acepção por nós exposta em Direito civil: parte geral. como adverte o texto legal no parágrafo. O art. Não comprovada a utilidade da prova requerida ou o prejuízo decorrente de sua negativa. l°-3-2011.Bem imóvel . há necessida­ de de manifestação de concordância expressa pelo credor. 585. salvo os casos incontomáveis de transmissão global de patrimônio. “Apelação cível.26. Inocorrência. Inteligência do art.Rei. 2. se houver expressa anuência do credor.Acórdão Apelação Cível 0035574 . Fatu­ ramento suplementar. Apelação cível conhecida e não provida.150 D ire ito C ivil • V enosa A redação apresenta-se na mesma esteira do código alemão. na novação existe a extin­ ção da dívida primitiva.Juros de mora contados da citação .46. a dívida é inexigível perante o proprietário do imóvel. Recurso desprovido” (TJPR .Reconhecimento do direito do comprador à indenização pelas benfeitorias e/ou acessões feitas no imóvel .08. aos requisitos do art. Beretta da Silveira). assumiu dívida decorrente de fraude no medidor e desvio de energia elétrica. Rei. o que não acontece nem na cessão. 28-9-2011. 299 do Código Civil . nem na assunção de débito.0451. Des. o suíço e o italiano atual. Essa noção nunca foi admitida no Direito Ro­ mano. ou assi­ nar prazo para que o credor se manifeste. Cível 605. 3. Ação de cobrança.993-4/6-00. Rei.247904-2/001. em favor da vendedora. Nessa hipótese. Não comprovado o consentimento expresso do credor. II.

a hipoteca dada por tercei­ ro deve desaparecer. o fiador não é obrigado a garantir um devedor que não conhece. o Projeto nô 6.19.0209. ou mantê-lo atado ainda à obri­ gação. no que couber. a fiança não admite interpretação extensiva (art. N o entanto. o que é peculiar a esse negócio é o fato de um terceiro assumir uma dívida que originalmente não foi contraída por ele. estranho ao negócio. Há sempre regras gerais de lógica jurídica das quais não se pode fugir. embora esta seja uma afirmação que requererá meditações. e pelas mesmas razões. devem permanecer as garantias dadas pelo devedor primitivo e ligadas a sua pessoa. Assunção da dívida perseguida na presente ação por terceiro com a anuência do credor. Também. pode até mesmo tão só o devedor conseguir um novo credor para sua dívi­ da. 557. A razão é visível. O ter­ ceiro ( assuntor) obriga-se pela dívida.2006. Cuida-se de contrato acessório. 300. 299 e 300 do Código Civil.8. Deve o fiador concordar ex­ pressamente com a substituição. embora a assunção conste apenas no atual diploma. 1. Cobrança de quotas condominiais. Pedro Raguenet).118O aspecto é diverso da cessão. consideram-se extintas. Manifesta ausência de interesse no prosseguimento da demanda e ilegi­ timidade do réu. Como esse artigo não foi suficientemente claro a esse respeito.960 sugere nova redação: “Com a assunção da dívida transmitem-se ao novo credor todas as ga­ rantias e acessórios do débito. uma escolha do credor. as garantias especiais p or ele originariamente dadas ao credor. trata-se de opção das partes. Sentença que se prestigia. No entanto. é no sentido de que as garan­ tias ditas especiais não subsistirão com a assunção se não houver menção expressa a esse respeito. Processual Civil. 5-9-2011. Ademais. Ademais. o contrato pode proibir a assunção de dívida. hipótese em que o interessado poderá opor-se a ela.Apelação Cível 0007800-25. que assume as dívidas do estabelecimento. como na cessão. do CPC” (TJRJ . As necessidades do comércio mostram a utilidade da assunção: alguém. a partir da assunção da dívida. Acordo extrajudicial realizado pelo condomínio e terceira pessoa versando sobre o mesmo débito objeto da ação. por exemplo. Extinção do processo sem julgamento do mérito. Rei. nada impedia sua aplicação antes de sua vigência. lembramos que o art. com exceção das garantias especiais origina­ riamente dadas ao credor pelo prim itivo devedor e inseparáveis da pessoa 8 “Cível. 819). Em todo o caso. não confia. diz: “Salvo assentimento ex­ presso do devedor primitivo. No mesmo diapasão. A assunção pode liberar o devedor primitivo. Extinção do débito em face do devedor originário.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 151 Entre nós. adquire um estabelecimento comercial. Apelação. O devedor apresenta um terceiro. A ideia. Se não for feita a ressalva. no art. E mais. . pois o campo obrigacional é o campo dis­ positivo por excelência do direito privado. é evidente. Se o credor e o devedor estão de acordo com a substituição. Recurso manifestamente improcedente. mas deseja-o isento de dívidas.078 do Código de 1916 determinava que se aplicassem os dispositivos da cessão de crédito à cessão de outros direitos. A obrigação. portanto. caput. nada obsta a substituição do devedor primitivo. Inteligência dos arts. mantém-se inalterada. o atual Código. Inteligência do art. Des.

1978:264).2. da mesma forma. Gomes. No entanto. ao mesmo tempo. é negócio bilateral.3 Espécies Por dois modos pode ocorrer a assunção: por acordo entre o terceiro e o credor. Não se trata de fiança. o novo devedor passa a responder “solidariamente com o novo obrigado” (art. A chamada expromissão do Código italiano é a forma típica de assunção de dívida. mas em um reforço. 7. transferida a dívida. Pode.152 D ire ito C ivil • V enosa deste. Os vícios possíveis são os dos negócios jurídicos em geral. podem dela ser objeto dívidas presentes e futuras. na ausência dessa dispo­ sição nos dispositivos respectivos. A ideia é de o terceiro assumir espontaneamente o débito de outra. Como qual­ quer negócio jurídico de disposição. Todavia. caso contrário a forma é livre. Por ela um terceiro (expromitente) contrai perante o credor a obrigação de liquidar o débito. exoneram-se o fiador e o terceiro hipotecante. Apelo . Falta de prova da anuência dos credores (CC.2. quer se faça somente entre credor e terceiro. vale o que dissemos a respeito da cessão: se o negócio exigir forma especial. As garantias do crédito que tiverem sido prestadas por terceiro só subsistirão com o assentimento deste. No tocante à forma. e por acordo entre o terceiro e o devedor. de ato de aquisição e disposição. ” Desse modo. 595 do Código português). A avença é entre o terceiro e o credor. a relação do novo devedor seria de garantia. No direito brasileiro. quer se faça com a intervenção expressa do devedor primitivo. art. de um reforço (cf.9 9 “Civil e processual civil.2 Características Também a assunção possui natureza contratual. porque esta é uma garantia de dívida alheia. tomamos emprestado a nomenclatura da doutrina estrangeira. por exemplo. Na falta de uma disposição legal. salvo manifestação expressa dos garantidores primitivos. 299). há que se examinar a capacidade das partes e a legitimação. Já dissemos isso na remissão. Como na cessão. Não se pode falar aqui em uma assunção típica de dívida. há que se dizer que o devedor pode ter interesse moral em pagar a dívida. 7. o que não ocorre neste fenômeno. Trata-se. Admitem também condição. nesse caso. Parágrafo único. ou garantia da obrigação existente. no caso concreto. Contrato de permuta de cotas de empresa por terreno. Assunção de dívida. permite a assunção sem declaração expressa do credor. valer-se da consignação em pagamento. Ação de obrigação de fazer. Trata-se de uma adesão à dívida. Lembre-se de que a legislação portuguesa. assim deverá ser feito.

entre nós. Apenas que. Em face do interesse moral do devedor em desejar pagar a dívida e não havendo dis­ posição legal. conforme prevê o artigo 299 do Código Civil” ( TJSC . ou mantendo-se o devedor cumulativamente responsável pela obriga­ ção. A assunção de dívida depende.Rei. Nestor Duarte). para deixar mais claras as situações de expromissão e delegação. que não possuímos em nosso direito. A solidariedade. res in te r a lio s . “Execução por título extrajudicial . aproximando nossa assunção do estatuto italiano. O Projeto nQ6. em relação da qual não participou. em contrapartida à assunção perfeita que ex­ clui totalmente o primitivo devedor. Sempre. há uma espécie de dele­ g a çã o. Mesmo aqui pode. só vai existir pela lei ou vontade das partes (art. na qual a primitiva dívida é extinta. 299 do mais recente estatuto.271). ocorrendo também uma assunção imperfeita ou de re fo rç o . 30-3-2011. cremos poder ele validamente se opor à assunção com terceiro. . É a situação de reforço assinalada anteriormente.053298-6.Despesas condominiais . A solidariedade só se existirá. Parece que nossos doutrinadores. 341 Câmara de Direito Privado . inclusive. Não há que se confundir com a forma de delegação que ocorre na novação. bem como definindo as possi­ bilidades de exoneração do credor primitivo: desprovido. a despeito da cláusula resolutória constante do acordo celebrado com terceiro . com a concordância do cre­ dor.Dívida assumida por inquilino . tentou reformular o conceito de assunção de dívida expresso no art. Luiz Carlos Freyesleben). Na ausência de sua aquiescência. sob qualquer modalidade: a concordância do credor. Trata-se. Na hipótese de contrato entre o terceiro e o devedor. Na falta de disposição expressa. que muito prematuramente já pretendera alterar o atual Código Civil. da dicção do art. as regras a serem seguidas são as das obrigações em geral.Acórdão Apelação Cível 2010.269 a 1. 28-2-2007.Expromissão . da figura de um garante. irrelevante para o credor. que nós poderíamos deno­ minar assunção de d éb ito im p e rfe ita . o negócio jurídico será outro. Des. Não há que se confundir com a delegação regulada no código italiano (arts.091. De qualquer modo. entusiasmados com o instituto no direito estrangeiro. Des. que cuidaram da matéria.Prosseguimento da execução atingindo bens do primitivo devedor que não prescinde de nova intimação deste. não se aperceberam dessa particularidade.Condomínio . também.073-0/4. se desejarem as partes. porque a solidariedade não se presume.960/2002.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 153 Essa expromissão pode ocorrer com a liberação do devedor (caso típico de assunção). inescusavelmente.AI 1. 299. como vimos. Rei. há um elemento inafastável na assunção. da anuência do credor. na manifestação expressa. como se trata de um benefício para ele. 265). já trans­ crito. contudo. continuar o devedor primitivo responsável pela dívida. É o que se infere. 1. o qual pode ser tácito. não há necessidade de seu consentimento expresso. entendamos aí a delega çã o que ocorre quando o deve­ dor transfere a terceiro sua posição de devedor.Agravo provido” (TJSP .

a assunção só exo­ nera o devedor prim itivo se houver declaração expressa do credor. regrado nos arts. 302 do CC/2002. ’no Não pode alegar compensação do devedor pretérito. É o que dispõe o vigente art. era insolvente e o credor o ignorava.Termo de confissão e assunção de dívida . com o consentimento expresso do credor.terceiro que se responsabilizou ante débito e encargos oriundos de cheques inadimplidos por sua irmã . Perei­ ra. A lei propõe ainda que. Com esse negócio. interpretando-se o seu silêncio como recusa. Do contrá­ rio.Por contrato com o devedor. 302: “O novo devedor não pode oporão credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. por exemplo. § 3 S Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. 302 do CC/2002) . não há necessidade de consentimento do devedor. § 1 Q Em qualquer das hipóteses referidas neste artigo. Na forma expromissória. saldo se aquele.. parecendo.sentença mantida . É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. à primeira vista. como se expôs. 10 “Apelação cível .” A razão dessa proposição reside no fato de o artigo ora vigente não ter dis­ posto sobre as modalidades de assunção. ‘Art. ao tempo da assunção. o novo devedor responderá solidariamente com o antigo. era insolvente e o credor o ignorava. pois é o credor que realiza o negócio com terceiro que vai assumir a posição do antigo devedor.2. ao tem­ po da assunção. § 4 2 Enquanto não f o r ratificado pelo credor. Na falta de estipulação expressa. 299 e seguintes do CC/2002 . salvo as exceções pessoais (cf. § 2 6 Mesmo havendo declaração expressa do credor. tem-se como insubsistente a exoneração do prim itivo devedor sempre que o novo devedor. v. 1972. Insurgência do devedor . o devedor é excluído da relação obrigacional. podem as partes livremente distratar o contrato a que se refere o inciso II deste artigo. I I .154 D ire ito C ivil • V enosa “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. salvo previsão em contrário no instrumento contratual.4 Efeitos A assunção pressupõe.inviabilidade de oposição de exceções pessoais relativas à devedora primitiva (art. ficando exonerado o devedor primitivo. independentemente do assentimento do devedor.Por contrato com o credor.Senten­ ça rejeitando o pedido. 7. podendo a assun­ ção verificar-se: I .recurso conhecido e desprovido.ajuste que corresponde ao instituto da assunção de dívidas. referir-se tão só à forma delegatória. com consentimento expresso do credor.pretensão almejando discutir a causa debendi e a formação do saldo devedor . é óbvio. uma relação obri­ gacional já existente. 2:260). O novo devedor . [. 299 do CC/2002.] Art. as exceções oponíveis pelo primitivo devedor transferem-se ao assuntor. a existência de uma dívida..Embargos à execução .

Art.06. Sentença que se mantém por seus próprios fundamentos.Sistema financeiro de habitação . Caracterizada e comprovada a alegada coa­ ção. 11 “Apelação cível . 303 apresenta sensível importância: “O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido.SFH .T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 155 “se a substituição do devedor vier a ser anulada. o art. 303 do CC. 12 “Ação revisional . as garantias prestadas p o r terceiros. Rei. em princípio. restaura-se o débito. Em face do princípio da supremacia da ordem pública. Ademais. Na utilização da tabela price.001157-5/0000-00. . entender-se-á dado o assentimento. 28-1-2011. O saudoso Antônio Chaves (1973:368) aponta como os casos mais freqüentes de assunção de dívida os de venda de estabelecimento comercial ou de fusão de duas ou mais pessoas jurídicas. quando um ou alguns dos sócios assumem dívidas da pessoa jurídica no próprio nome. A TR não serve como índice de correção monetária. Recurso improvido. porém. 3 0 1 ). Rei.8. Rei. 24-7-2008. o grande efeito da assunção é a substituição do devedor na mes­ ma relação obrigacional.Aplicabilidade do Código de De­ fesa do Consumidor .0000/0.11 No estágio de vigência do Código de 1916. Por fim. Atapoã da Costa Feliz). Des. primeiro se amortiza a prestação paga e somente após se atualiza o valor do saldo devedor. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação” (art. Des. A liberação do devedor originário pode ou não ocorrer. não podíamos falar.2001.Assunção particular de dívida . em renascimento ou ressurgi­ mento da obrigação do devedor originário com as respectivas garantias. o que não ocor­ re com a TR. devendo. Des. 14-8-2007. quando contratada. outra solução não há de ser tomada a não ser declarar nulo de pleno direito o supracitado contrato. A capitalização deve ser anual. salvo disposição expressa nesse sentido. Não se restauram.Ap 1135-74.Substituição da TR . com índices que retratem a perda do valor aquisitivo da moeda.Acórdão Apelação Cível 2006.Amortização precedente à atualização do saldo devedor . não nos esqueçamos de que o negócio só pode gerar efeitos entre as partes. nos termos do art. Francisco Suenon Bastos Mota). É válida a assunção particular de dívida quando a empresa credora for notificada extrajudicialmente e deixar de opor impugnação em 30 dias.Notificação extrajudicial do banco .Admissibilidade . não podendo prejudicar terceiros.Plano de equivalência salarial . se o credor notificado não impugnar em trinta dias a transferência do débito.050705-5. Unânime” ( TJCE . 303 do CC” (TJMS . Esclarecido por testemunhas os meios utilizados pelo banco apelante para assinatura do contrato de confissão de dívida.Ação ordinária tendo por objeto a anulação de contrato de assunção de dívida em face de coação.Tabela price . bem como os de dissolução de sociedades. Marco Aurélio Gastaldi Buzzi).>n2 não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo”’ (TJSC -Acórdão Apelação Cível 2007. com todas as suas garantias. perante a ausência de disposição nesse sentido. Na verdade. ser substituída. é possível alterar as cláusulas que foram pactuadas livremente pelas partes. como examinamos.

Os contratos. contratação de terceiros especia­ listas que opinam sobre a matéria. como instituto pleno de direitos e obrigações. para manutenção de seu devedor primitivo na relação obrigacional.3. Exemplifica-se: se vou adquirir um imóvel. não pode vir a preju­ dicar terceiros. por exemplo. Enfim. constitui um bem jurídico. situação em que deverá impugnar a trans­ ferência de crédito nos 30 dias de sua ciência. 299. Ilid o isso aliado a um desgaste psicológico de ambas as partes que. enfim. implicará concordância com a modificação subjetiva. . quanto ao crédito que sobejar à garantia real. forma-se primeiramente em meu psiquismo a necessidade dessa compra. nesse caso particular. no mundo atual. de tratativas longas. um impulso que me leva a contrair a obrigação. Passada essa fase. nem a possibilidade de assunção. passo a preocupar-me com a outra parte. N o entanto. Nessa premissa. em tese. viagens. de ingentes esfor­ ços. desgaste psicológico das partes. como credor quirografário. Contudo. assim como o crédito isoladamente. 7. o vendedor. há que se lembrar que ao credor pode não interessar a substituição do devedor se. marchas e contramarchas. A situação é bem diversa daquela descrita no art. de minutas. a posição do devedor primitivo não se altera. na maioria das vezes. possui um valor. o valor do bem hipotecado for inferior à dívida. mormente aqueles nos quais as partes têm plena autonomia de vontade em suas tratativas.156 D ire ito C ivil • V enosa O texto está bem colocado e traduz algo que ocorre com muita frequência. Nesse caso. seu conceito no comércio. Se este é notificado da aquisição e da assunção da dívida e não impugnar em 30 dias. adquire um valor que extravasa pura e simplesmente seu objeto. seu silêncio. o devedor continuará respondendo com seu patrimônio geral. daí por que necessito saber se não é insolvente. Como regra quase geral. sua posição financeira. sua vida financeira pregressa.3 Cessão de Posição Contratual (Cessão de Contrato) 7. como ora se enfoca. o acordo de vontades para gerar efeitos jurídicos. se há idoneidade na proposta de venda. por meio de um bem obtido por um contrato. se o negócio a ser realizado. como é óbvio. bem como o prazo de pagamento a que estarei adstrito. se veem mais e mais premidas pela pressão social de serem proprietários de algo. porque aqui a obrigação está garantida por bem hipotecado e assim permanecerá até a extinção da obrigação. se a alienação do bem hipotecado não for comunicada ao credor. tanto na acepção filosófica quanto na acepção material do termo. estudos preliminares. o contrato. Como tal. são frutos. cogito sobre minha possibilidade financeira de pa­ gá-lo. poderá não agradar ao credor o patrimônio do adquirente do bem hipotecado por ser insuficiente. como forma de estabilidade de vida. quem adquire im óvel hipotecado absorve no preço o valor da hipoteca e se compromete a liquidar o débito junto ao credor.1 Introdução O contrato.

sem alteração do conteúdo jurídico da avença. que só a posição de contratante. no que couber. do pacto. porém. Antônio da Silva Cabral. ainda que assim não fosse. mesmo porque existia a previsão legal do já citado art. No contrato. um verdadeiro know-how que aquele contrato custou. pode conferir. Não é de grande importância a pequena diferença de compreensão entre os dois vocábulos. O Código Civil português trata da matéria sob o título de cessão de posição contratual (art. 1987:66 ss). Tratando-se. ou seja. a posição contratual é tudo isso e muito mais. por vezes. mas os direitos e deveres emergentes da posição de contratante (cf. em princípio. muito mais do objeto em si do contrato idealizado. Afinal. 1. tendo sido olvidada também pelo Código de 2002. mas transfere também (e talvez o que é mais valioso que o próprio objeto imediato do contrato) toda aquela gama de esforços iniciais.406).078 do Código anterior. conseguiram as partes uma posição de privilégio em relação às outras pessoas da sociedade: lograram a posição de contratantes. como regra geral. ou um conjunto de créditos. 1. quiçá. E isso.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 157 Realizado o negócio. aplica-se o art. Alguns autores italianos também assim se referem. certo privilégio pelo acesso a determinado bem. a posição de parte em um contrato de execução continuada ou diferida. passa a ter um valor de mercado. as fichas cadastrais bancárias e os famigerados serviços de proteção ao crédito que o digam. ou um conjunto de dívidas. Preferimos falar em cessão de p o­ sição contratual. de direito eminentemente dispositivo. porque não é o contrato que é cedido. há uma complexidade de direitos. aplicando-se. exista qualquer proibição. 4Qda atual Lei de Introdução às . não é a qualquer pessoa que é dado figurar como contratante. em determinada situação. um valor agregado. No mais. não se diga que. Assim. vemos na transferência da posição contratual um plus em relação ao próprio objeto do con­ trato. Por isso. passa a outorgar uma posição de preeminência. ou um crédito. a substituição subjetiva no contrato. o que de plano queremos enfatizar é o conjunto de relações jurídicas que não se esgotam unicamente em créditos e débitos existentes no contrato. os princípios da cessão de crédi­ to. A matéria não vem tratada por nosso direito positivo. dependendo da profundidade do negócio. sem adentrar na celeuma da possibilidade de um direito sobre ou­ tro direito. na vida moderna. A expressão cessão de contratos figura no código italiano (art. Quem transfere sua posição contratual a um terceiro não transfere unicamente o bem de vida almejado em referido contrato. para outros direitos para os quais não haja modo especial de transferência. Nada impede que se utilizem indiferentemente as duas expressões. Não se trata pura e simplesmente de conceituar uma dívida. daí por que os institutos da cessão de crédito e assunção de dívida não são suficientes e satisfatórios para escalar a conceituação da transferência de uma posição contratual. aqui se examinará a mudança ou substituição de titularidade jurídica contratual. Destarte. muito mais que em tempos pretéritos. 424). as marchas e contramarchas das primeiras tratativas e. Desse modo.

a princípio havia verdadeira escravidão do devedor à obrigação. o conhecimento das formas civis de transmissão de obrigações extrapola o campo do Direito Civil. 1977:302). expusemos que os romanos encetaram um meio mais fácil de transfe­ rência de obrigação. então. não havia noção de transmissibilidade de obrigações. Temos de enfo­ car o aspecto do crédito em si. 121 e 428 do Código Comercial colocavam o Código Civil como aplicável subsidiariamente nas transmissões das obrigações. o direito de crédito não se esgota no poder que tem o credor de exigir o cumprimento da obrigação pelo devedor. No entanto. fazendo-se com que o devedor prometesse a outrem o pagamento da dívida.158 D ire ito C ivil • V enosa Normas do Direito Brasileiro. por meio do endosso. cumpre lembrar que os arts. forma dinâmica. portanto. 346 ss) e com o capítulo autônomo para a cessão de crédito (arts. 286 ss). principalmente levando-se em consideração a multiplicidade fática que nos cerca a vida moderna. tanto . sem ter que prestar contas ao mandante. na Idade Média. Nosso Código Civil de 1916 abordou de maneira dispersa a matéria referente à transmissão das obrigações. Entre os bens do devedor incluem-se seus créditos. Varella. foi que se firmou a ideia da transmissão do crédito (cf. tratando da sub-rogação no capítulo referente aos efeitos das obrigações (arts. ele mesmo podendo servir de causa para uma obrigação. Lei n° 12. como um bem. Por esse meio. não deixa de ser im­ portante. Não devemos nos ocupar das formas cambiais de transfe­ rências de créditos. Assim. 7. A transmissão das obrigações no campo do Direito Civil. caminho tortuoso. Como destacamos de início. sendo aplicável também no campo do contrato administrativo. a stipulatio era por demais trabalhosa e formal.2 Transmissão das Obrigações em Geral No Direito Romano. Não bastasse isso. integra o patrimônio. chegando ao mandato em causa própria (procuratio in rem suam). Ao analisarmos a cessão de crédito. embora tenha um caráter prático menor que no direito cambiário e mercantil. O vínculo obrigacional era estritamente pessoal. naquilo que não impedirem as normas de direito público. o credor continuava vinculado. Apenas com o surgimento das relações mercantis das repúblicas do Mediter­ râneo. cobrava a dívida. como um valor. Expusemos que o subter­ fúgio era o recurso ao meio indireto da novação. A disponibilidade do crédito quer de seu lado ativo quer de seu lado passivo. com a aplicação da analogia. como objeto do direito. A transferência de obrigação seguia. como já visto.3. por intermédio da stipulatio. dos costumes e dos princípios gerais de direito. que pertence a outro compartimento do direito. mas o procurador agia em seu próprio nome.376 de 30-12-2010.

antes ou depois da celebração do contrato. dizendo que qualquer parte pode substituir-se por um terceiro nas relações derivadas de um contrato com presta­ ções correspectivas. a italiana e a portu­ guesa. Vemos. com o consentimento do outro contratante (cedido).” Tais dispositivos devem servir-nos de base de estudo desse negócio atípico. em toda titularidade do complexo de relações que envolvia a posição do cedente no citado contrato. o crédito pode ser objeto de um negócio jurídico. devem servir de parâmetro. As legislações que primeiramente abordaram o tema. Como vimos. desde que a outra parte o consinta. Nesse negócio. en­ tre nós. que para o instituto há necessariamente o concurso de três vontades. na cessão de locação. vamos encontrar que uma das partes (cedente). consinta na trans­ missão. O Código português atual diz: “N o contrato com prestações recíprocas. por intermédio desse negócio jurídico.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 159 que podem eles ser objeto de penhora (art. 1. então. desde que o outro contratante. pois. A cessão de crédito substitui uma das partes na obrigação apenas do lado ativo e em um único aspecto da relação jurídica. se elas não foram ainda executadas. antes que tivesse sua consagração prática. do cedido. com a substituição de uma das partes da relação jurídica e a permanência do conteúdo objetivo dessa mesma relação. o que é perfeitamente válido. o consentimento do cedido é inafastável. Num e noutro estatuto estudados fica patente a noção. Acentua Messineo (1948:419) que a cessão de contrato. 671 do CPC).406. já existia no antigo código italiano. o mesmo ocorrendo pelo lado . trans­ fere sua posição no contrato a um terceiro (cessionário). transformando-se em contrato “à ordem”.3 Cessão de Posição Contratual. Por conseguinte. Assim. devemos denominar o contrato cuja posição é cedida de contrato-base. qualquer das partes tem a fa ­ culdade de transmitir a terceiro a sua posição contratual. de que a cessão da posição contratual tom a possível a circulação do contrato em sua inteireza complexa. O primeiro estatuto a tratar do assunto foi o Código Civil italiano de 1942. O contrato pode aprioristicamente autorizar de plano a substituição das partes. Conceito É indiscutível que a cessão de posição contratual é negócio jurídico e tem também características de contrato. Isso porque quem contrata tem em mira não apenas a pessoa do contra­ to. no art. sendo o principal deles a situação patrimonial da parte. salvo exceções expressamente autorizadas no contrato ou na lei. 7. É imprescindível para a atuação desse negócio o consentimento do outro contratante. mas também outros fatores. a exemplo do que ocorre na assunção de dívida. com nuanças que mencionaremos. há o ingresso de um terceiro no contrato-base. Para que não ocorra dubiedade de terminologia.3. ou seja.

é imprescindível. mas como elemento integrante do próprio negócio. ainda que a p rio ri. neste texto. de um modo ou de ou­ tro. ao transferir uma posição contratual. Consoante essa corrente. difícil de ser delimitado. a precípua finalidade de servir a uma função prática.160 D ire ito C ivil • V enosa passivo na assunção de dívida. preveem especificamente tal transferência). não como parte fulcral do negócio. no contrato de fornecimento. assume caráter específico por não prescindir do consentimento do cedido. a obrigação de que a transferência da posição contratual era nada mais nada menos do que um conjunto de cessões de créditos e assunções de dívidas. use­ mos. aquele afetado diretamente pelo pacto. análoga a um contrato de promessa de compra e venda de imóvel. Cabral. 1987:173). as disposições do sistema financeiro habitacional. por amor à simplicidade. Exige-se. Importante também é fixar que as citadas leis estrangeiras falam em cessão de contratos e cessão de posição contratual. Na transferência da posição contratual. com as exceções já referidas. . A teoria atomística é toda aquela que decompõe a cessão do con­ trato em tantas relações jurídicas quantas forem àquelas constantes do negócio (cf. na doutrina. deveres de abstenção etc. transporte. a nomenclatura dos legisladores alienígenas. financiamento para construção (aliás.3. uma operação triangular. Há transferência de po­ sição contratual com frequência no campo da venda em geral. O contrato. Todavia. então. obviando o longo caminho a ser percorrido por uma sucessão de contratos. O campo de ação é vasto. pois seu ordenamento também não descreve o instituto. sociedade. haveria negócios translativos que exauririam o conteúdo da transferência da posição contratual. os seguidores da chamada teoria atomística apresentam matizes próprios. portanto. como objeto do tráfico jurídico. 7. ambas para fixar um instituto que é mais amplo do que o rótulo faz imaginar. entre nós. A transferência da posição contratual possui. Como lembra Mota Pinto (1980:198 ss).4 Natureza Jurídica O fato de não terem as legislações em geral disciplinado o instituto criou. a chamada teoria atomística. decompondo o instituto em vários negócios autônomos. mas todos eles. empreitada. a exemplo da assunção de dívida. prestações em favor de terceiros. embora. créditos. Configurava-se. locação. defen­ dida originalmente por escritores tedescos. com maior ou menor profundidade. indiferentemente. acessórios. razão pela qual preferimos caracterizá-lo como transferência de posição contratual. portanto. seguro. há cessões de crédito (ou pode haver) e assunções de dívida. pois. na qual o consentimento do cedido. ou da decomposição. há um com plexo de relações que se transfere: débitos.

Há uma posição jurídica global que é transferida. como Pontes de Miranda. e Pinto. por conseqüência. débitos. Mota Pinto. Assim. Com seu linguajar peculiar. colocando-se em posição intermediária. tida como intermediária. Essas teorias têm. Miranda. Por essa corrente. 1971. Quando. Para este acorrem também todos . Antunes Varella. Isso nos faz lembrar o que pode conter uma relação contratual: complexo de direitos. A transferência de posição contratual. A cessão de posição contratual. bem como outras situações progressivamente desenvolvidas que form am um todo unitário. por vezes. nem sequer imaginados no objeto original da cessão. ainda não exaurido. 1980:206). explicação do fenômeno. tanto que as legislações portuguesa e italiana em vigor notaram a autonomia do instituto. Barbero. bem critica Pontes de Miranda (1971. 28:405. a cessão de todos os créditos e de todas as pretensões presentes e futuras e a assunção de todas as dívidas não esgotam o conteúdo jurídico do tema em estudo. dizendo que utal teoria debulha a espiga de milho. pode predeterminar até onde irão as conseqüências de um contrato. O que se transfere é uma relação jurídica fundamental. de vez que. enquanto o cessionário assume a obrigação. por exemplo. v. o negócio jurídico básico (uma compra e venda. portanto. que a transferência de posição contratual insere o ces­ sionário na confusão ordenada do conteúdo contratual. Os limites da cessão de crédito e assunção de dívida são bastante restritos. os autores propendem com clamorosa maioria para a teoria unitária. Ou seja. não se transfere apenas o direito de uso e gozo perante o locador.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 161 Alguns autores encontram ainda. Messineo. mas não se adverte que não pode debulhá-la toda”. na teoria da complexidade negociai. de deveres. se transfere a posição na locação. o ponto comum de ver a figura sob enfoque como uma coligação ou combinação de cessões e assunções. sem a intenção de confundir. na qual apa­ rece com seus caracteres definitivos. de pagar o aluguel. créditos. e não a soma de créditos e débitos. no entanto. 28:405) essa posição dogmática. Modernamente. de fato. Destarte. há uma interligação negociai entre as várias cessões e assun­ ções. Nenhum intérprete. o qual objetivamente permanecerá o mesmo. mas não chegam a dar autonomia unitária ao instituto (cf. emergirão direitos e obri­ gações para a nova posição assumida. Os direitos potestativos. v. concomitante. com certa mitigação ao entendimento extremo. Tal não é de ser acei­ to. Pode ser dito. uma locação. Sílvio Rodrigues e Antônio da Silva Cabral. nem sempre perceptível no primeiro impacto da cessão. por mais arguto que seja. por exemplo) ultrapassa o somatório dos direitos transferidos. possui como objeto (e é no objeto que devemos procurar a distinção) a substituição de uma das partes no contrato. extravasa os lindes acanhados de um negócio jurídico singelo ou um simples conjunto de negócios. deve ser entendido o instituto dentro da teoria unitária. também se trans­ ferem. dentro da posição atomística. emergentes do contrato-base. que eventual­ mente pode conter esses institutos em seu bojo.

o que foi corrigido pelo código português. cedente e cessionário. parte legítima para as ações de defesa da posse. a figura do devedor é importante para o credor. É o negócio jurídico pelo qual o credor transfere a terceiro sua posição no tocante a determinada relação obri­ gacional. ainda que direitos laterais. Vimos que a doutrina. ao denominar corretamente a “cessão da posição contratual” (arts. o novo locatário assume totalmente essa posição de possuidor direto e. Na cessão de posição contratual. Sua natureza é. da posição jurídica do primeiro para o segundo. Neste exemplo.162 D ire ito C ivil • V enosa os direitos emergentes do contrato cedido. suas disposições servem para a interpretação subsidiária da cessão de posição contratual.3. denominada na doutrina. unitária. Já estudamos que não dispomos de disciplina jurídica do fenômeno. eles visam obter uma transmissão global. geralmente vai ser encontrada uma su­ cessão passiva nas dívidas. na falta de melhor nomen­ clatura. à locação. 2. com a mitigação neces­ sária que requer um instituto diferente. A cessão de contrato poderia desavisadamente ser confundida com a no­ vação subjetiva. 1.046. Como dissemos na seção 7. Entretanto.1. Deve ser tratada como um fragmento da cessão de posição contra­ tual. Ainda é importante lembrar que a decompo­ sição da cessão de posição contratual em operações distintas não corresponde à real intenção das partes. contratual. ao definir o negócio como “cessão de contrato”. Na verdade. 424 ss). a cessão de crédito e sua disciplina jurídica são importantes para a interpretação de uma transferência de posição contratual. como reiterado. sem dúvida. De qualquer modo. É importante notar que a proibição de cessão de certos créditos estende-se também e atinge a cessão de posição contratual.078 do antigo diploma civil. conforme os princípios definidos no art. com liberação ou não do antigo devedor. a constituição de .2. como até as meras expectativas. 7. 3. disse menos do que pretendeu. que não digam respeito. Já a estudamos anteriormente. sendo imprescindível sua concordância na assunção. na cessão de posição contratual não haverá novação. como tal. O negócio tem também natureza contratual. Trata-se de negócio jurídico por meio do qual um terceiro assume a dívida contraída por um devedor originário. não temos a disciplina da ces­ são de posição contratual como figura típica. pois dela faz parte integrante. a princípio. especificamente. e vem disciplinada em nossos Código Civis. assunção de divida. 1. 1. mas também os direitos e deveres potestativos. Daí que a legislação italiana. porém. nos termos do art. É da essência desse instituto. forma de extinção de obrigação. A o efetuar a transmissão. definia a cessão de posição contratual como decomposição de várias cessões de crédito e assunções de dívida.5 Figuras Afins Em nosso direito positivo.

como a sublocação dependem de consentimento prévio. Incumbe a quem alega a cessão de posição contratual prová-la. por escrito do locador. o subcomodato. 50 ss). e não aos fenômenos de igual nome na assunção de dívida. 4. em que se prescinde da figura do terceiro. nem sempre a exata caracterização do negócio será indene de dúvidas. nesta hipótese. o novo devedor sucede o antigo (ou o novo credor). Também não se confunde a cessão de posição contratual com o chamado contrato derivado ou subcontrato. 13. utilizan­ do-se da posição que lhe foi conferida no contrato-base. concluindo que. parágrafo único do CPC). ocorrendo problema. que tanto a cessão da lo­ cação. aponta Messineo (1948:430-431) que. No contrato derivado. criando-se uma nova relação obrigacional. Nesta. porque pode este ser livremente em regra estipulado.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 163 uma nova obrigação e o animus novandi. Deve ser observado que tais espécies se referem especificamente à novação. sem a intervenção triangular do cedido. na inércia ou ineficiência deste. sem alteração da primeira. Aqui. quando então será considerado gestor de negócios (art.245/91) colocou em termos categóricos a diferença entre os dois fenômenos. Importa ressaltar que. o devedor contrai espontaneamente a obrigação que substitui a anterior. Em que pese ser fácil a diferença em tese dos dois institutos. o refinanciamento etc. A atual Lei do Inquilinato (Lei n° 8. a nova obri­ gação é contraída por ordem do devedor. mas com um novo titular. que Messineo (1948:427) denomina contrato-pai ou contrato-base. podendo. utili­ zando-se do instituto da assistência (arts. o cessioná­ rio. dizendo. constituição de nova dívida. Na expromissão. quanto maior for o âmbito do contrato derivado. Na delegação. e sugere que. na prática. Aqui. existe outro contrato que deriva de um contrato anterior. salvo estipulação em contrário. como fazia a lei anterior. menor será o gozo do sublocador na coisa locada com relação ao contrato com o locador. deve-se propender pelo subcontrato. e porque sua estrutura é mais simples e mais fácil de ser examinada. . Trata-se de contrato que alguém celebra com terceiro. Exemplo típico e corri­ queiro é o contrato de sublocação de imóveis. na dúvida do intér­ prete. De qualquer modo. menor será a possibilidade de participação do subcontratante duplo no contrato-base. havendo apenas um dos sujeitos que é titular de ambos os contratos. o contrato básico persiste em sua integridade. também há as figuras da expromissão e da delegação. agir autonomamente. No âmbito processual. mencionadas nos ca­ pítulos da novação e da assunção de dívida. inclusive. e quanto maior for o âmbito da sublocação. no subcontrato há um negócio jurídico separado. Há distinções fundamentais com a cessão de posição contratual. no art. 52. como também a subempreitada. devem ser examina­ dos o caso concreto e a vontade das partes. o subcontratante final poderá ser parte legítima para defender o direito do subcontratante duplo. Na novação subjetiva. surge uma segunda relação contratual.

Não podemos dizer que não . o aderen­ te toma-se corresponsável perante esse contratante. 8Q). Parte da doutrina italiana concorda com a restrição.164 D ire ito C ivil • V enosa 5. além do consentimento do cedido. interesse de terceiro assumir a posição no contrato de que ainda defluam conseqüências jurídicas. 6. mas não se limita apenas a elas.3. Aqui. depósito ou mútuo. não se presume (art. 1. que no curso do contrato de locação por prazo determinado aliena o imóvel. Assim. em tese. Se­ gundo a letra dessa lei. nessas condições. pois não haveria razão de permitir-se a cessão de posição no contrato de compra e venda. porém. desde que a natureza do contrato. como há na cessão do contrato. a distinção é sutil e dependerá também de exame da vontade das partes. O novo proprietário. Barbero (1967:301) entende arbitrária a restrição do alcance do instituto imposta pela lei. Entende o autor não ser devida a exigência de prestações cor­ respectivas. Antunes Varella (1977:381) lembra também a proximidade da cessão de posição contratual com a sub-rogação legal no contrato. Entendemos que. existir cláusula especial de vigência no caso de alienação e estar o contrato registrado no Cartório do Registro de Imóveis (art. Não se confunde. fornecimento ou locação e proibir-se a mesma cessão em um mandato. entre nós. mas não totalmente exaurido. O novo adquirente é obrigado a respeitar o contrato de locação. deve ser tida a relação jurídica como cessão de contrato. Figura ele a hipótese do locador-proprietário. A figura não se confunde com a cessão de contrato. tendo como pos­ sível a cessão tão só nos contratos de execução continuada ou diferida. e haverá. mas não o substituindo e sim coadjuvando-o. cessão de posição contratual com a chamada adesão ao contrato. não há necessidade de o contratante-cedido manifestar sua anuência. A atual Lei do Inquilinato subordina essa situação aos requisitos de o contrato ser por prazo determinado. Aqui. do mesmo modo. adquire os direitos e as obrigações emergentes do contrato de locação em curso. temos que o campo do instituto se situa basicamente nas relações a prazo. Um contrato pode ter sido executado. não temos de limitar a cessão dos contratos com prestações ainda não executadas. Forma-se uma solidariedade. com a anuência do contratante originário do contrato-base. duradouras. Ocor­ rendo isso. Tal sub-rogação nasce da lei e tem fonte diversa da cessão de posição contratual. a lei ou as partes não vedem a transferência. Desse modo. na dúvi­ da. 7. há um terceiro que assume a mesma posição jurídica de um contratante. pois a solidariedade.406 do Código Civil italiano subordina o que chama de cessão de contrato ao acordo de vontades que possua prestações correspectivas que não tenham sido ainda executadas. parece restrita a aplicação da transferência de posição contratual. A questão seria apenas referente aos meios práticos a serem utilizados e ao interesse prático da cessão. 265).6 Campo de Atuação do Instituto O decantado art.

dependendo sempre da necessidade econômica das partes. obrigatoriamente. 424) e da lei italiana (art. não há dúvida quanto à possibilidade de cessão. efeitos secundários e direitos potestativos. Essa concordância pode ser contemporânea ao negócio jurídico. . a aquiescência do cedido ocorrer após o acerto da cessão entre cedente e cessionário.3. Nem por isso se estará fugindo à natureza unitária do instituto. Tal requisito decorre aliás da letra da lei lusitana (art. como no mandato. como regra geral. Na mesma posição coloca-se Rodrigues Bastos (1977. prévia ou posterior. 407). a concordância do terceiro-cedido. Destarte. não querendo optar por nova operação de compra e venda. O caso concreto é que mostrará tal necessidade. Podem permanecer na relação jurídica. com maior ou menor limitação. entre cedente. é imprescindível para a formação da cessão de posição contratual.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 165 possa existir necessidade econômica na transferência de um contrato de trato não duradouro. como bem lembra Mota Pinto (1980:436). As relações contratuais de cunho instantâneo não se exaurem. porém terá ele de ser notificado. 7. Se. Mota Pinto (1980:440) refuta também que o contrato passível de cessão deva ser com prestações recíprocas. por cumprir. no momento da conclusão do contrato. há que se concluir que.7 Modos de Formação Como temos visto. Quando já o contrato estipula preventiva­ mente a possibilidade de cessão. pois deve saber a quem deve cumprir obrigações. enquanto um contrato não estiver comple­ tamente exaurido. Haverá concordância contemporânea ou simultânea quando uma das par­ tes endereça a proposta de cessão diretamente às outras duas. Nos contratos bilaterais imperfeitos. ou por suceder. haverá concordância posterior. Como também já é possível no contrato-base estipular a possibilidade de cessão. O importante é que não falte. mesmo que a coisa já tenha sido entregue. como inclusive fala do art. prescinde-se do concurso de vontade do cedido quando da transferência. o que não se confunde com contrato cumprido. Todavia. 1:89). Existirá aí uma trilateralidade. A falta de consentimento do cedido impede o aperfeiçoamento da cessão e o relacionamento entre cedente e cessionário fica no campo da responsabilidade pré-contratual. mas subsistem direitos potestativos ligados à relação contratual. pode existir a cessão. mesmo nos contratos unilaterais e nos tomados unilaterais pelo cumprimento de obrigações de uma das partes. v. porém. haverá pos­ sibilidade de cessão de posição contratual. 424 do Código português. tomando o contrato por assim dizer previamente transferível. pois não resta neles apenas um direito de crédito. Nada impede que em compra e venda uma das partes pretenda subs­ tituir outra. cessionário e cedido.

E o art. a cessão de posição contratual. na cessão de posição contratual. Muito dependerá da vontade das partes.8 Efeitos Como todo contrato.8. é inválido o contrato ou foi efetivado com pessoa diversa que não o cedente. podendo. Ainda que o negócio seja gratuito. 7. na forma de um trato trilateral. com ressarcimento da quantia acordada para a transferência da posição contratual. as partes ampliá-la. bem como das disposições legais. Mutatis mutandis. por força analógica e ainda com base no art. mesmo não se responsabilizando pelo crédito. Nos mesmos moldes é a disposição do art. o cedente garantir ao cessionário a existência da posição contratual. na cessão de crédito onerosa. caracterizador da função econômica do con­ trato. as disposições da cessão de crédito. A garantia decorrente da cessão onerosa independe de convenção. para esse negócio. Como não temos disposições legais. à do con­ trato cedido. a solução será uma indenização por perdas e danos. são importantes as manifestações dos interessados. geralmente. desencadeia entre os participantes uma série de conseqüências jurídicas. aliás. é a substituição de uma das partes do contrato-base. Deve. Surgem relações jurídicas entre os partícipes. no complexo negociai que gira em tom o do antigo contratante. Todo complexo contratual. como. evidentemente. 1.078 do Código Civil de 1916. O efeito característico da cessão. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito à época da cessão. podíamos aplicar. sob determinadas situações. va­ riando conforme haja exoneração do cedente ou não. constituindo o conteúdo do próprio contrato. por sua validade e pela posição que está cedendo. por exemplo. Caso não ocorram tais circunstân­ cias. sua forma obedecerá. no que coubesse.1 Efeitos entre cedente e cessionário É da essência do negócio o subingresso do cessionário na posição contratual do cedente. 1. Essa. Vigora o princípio segundo o qual ninguém pode transferir mais direitos que possui.3. isto é. a disposição do art. Por exemplo.3. 426 do Código português. 7. Aliás. Surgem interessantes questões a esse respeito. permanecendo este íntegro em suas disposições. o cedente é responsável pela existência do contrato.166 D ire ito C ivil • V enosa Se for um contrato inominado. pois. se referida po­ sição contratual presumivelmente cedida não existe. no caso de dolo por parte do cedente. como no direito brasileiro. 295 diz que o cedente. restringi-la ou extingui-la. direitos e obrigações provenientes do contrato transferem-se ao cessionário.410 do . poderá gerar direito à indenização.

devem as partes identificar clara­ mente o objeto do negócio. aí. pelo adimplemento das obrigações contratuais do cedido. restrita a determinado valor. nesse caso. que o cedente assuma perante o cessionário uma garantia. se não tiverem as partes o cui­ dado de descrever detalhadamente o tipo de garantia. Nada impede. quando se assume a garantia. Doutro lado. aí. na verdade. Já o Código português redige na segunda parte do art. o cedente não se responsabiliza pelo adimplemento do contrato. A responsabilidade do cedente será então pré-contratual. abram mão da garantia de existência do objeto do contrato. O direito português não especifica o tipo de garantia. havemos de entender que. Mesmo assim.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 167 Código italiano. não podemos permitir abuso de direito. porém. que é disposição genérica. Portanto. uma impossibilidade do negó­ cio por inexistência de objeto. Em se tratando de cessão onerosa. para o direito brasileiro. A culpa funcionará. que as partes. Entende Mota Pinto (1980:471) que no caso existe uma fiança. Na hipótese de inexistir o contrato cedido. É de suma conveniência que no mesmo instrumento. Pelo estatuto italiano. como um reforço para o quantum indenizatório.410 do Código italiano que. nada impedindo. no entanto. se não houver expressa menção do tipo de garantia. como estamos no campo do contrato atípico. há. 296) porque o sentido é diverso e a cessão de posição contratual tem diferente campo de atuação. 1. Como há substituição absoluta na posição contratual. ou de não existir. entendemos que a responsabilização independe de culpa.f. Pode ocorrer. não pode­ mos entender que assumir a garantia pela execução do contrato-base eqüivalha a responder pela solvência do devedor (art. pois não existe o objeto do contrato ou esse objeto é de tal modo viciado que eqüivale à inexistência. talvez. de forma que não permita a eficácia da cessão. embora a lei isto não autorize. então. Diz o art. contudo. podendo inclusive fazer um negócio aleatório. no campo da responsabilidade civil. que as partes coloquem a res­ ponsabilidade solidária total ou parcial. por cópia fiel. 295 de nossa lei. mesma do contrato-base. ou instrumento à parte. estará o cessionário plenamente ciente da situação contratual que . Entramos. dependendo das cláusulas do negócio. cedente e cessionário. conste o contrato-base. 426 que “a garantia do cumprimento das obriga­ ções só existe se fo r convencionada nos termos gerais. Assim. maior ou menor. ou mesmo restrita a uma só assunção de dívida do contrato-base. expressamente. em geral. De outro modo. O princípio é o mesmo da evicção. no entanto. o ce­ dente é um garante das obrigações do contratante cedido. Na transferência de posição contratual. em face dos termos do citado art. a lei expressamente tom a o cedente solidariamente responsável pelo adimplemento juntamente com o cedido. sempre que possível fazendo dar ciência o cedente ao cessionário de todas as cláusulas do contrato cedido. se bem que este fala apenas em garantia da validade do contrato. existirá uma caução fidejussória. as questões sobre o adimplemento passam a reger-se entre cessionário e cedido. como já acenamos.

por exem­ plo: informar sobre a existência de determinado documento em certo local. como é lógico e de justiça. Só se transferem as relações jurídicas ainda existentes. as partes estipular que há uma cessão de posição contratual. caso contrário haverá total liberação do cedente. o cedente dar todas as informações necessárias ao cessionário. O cedido só se liberará de suas obrigações contratuais com pagamento ao cessionário após tomar conhecimento e anuir na cessão. 7. no qual não há preceito expresso nesse tópico.2 Efeitos entre cedente e cedido Com a transferência de sua posição contratual. então. 1. sem sua anuência. como também no direito português. Nesse caso. de responsabilidade subsidiária do cedente. Impõe-se clareza entre os contratantes. ausenta-se o cedente da re­ lação jurídica. o dever de infor­ mação é essencial na esfera de direitos do consumidor e não refoge ao que ocorre nos contratos em geral.168 D ire ito C ivil • V enosa está assumindo. O caso aí será também.3. portanto. para que tenha ele condições de cumprir sua nova avença. dificultará sua movimentação como contratante. Há que se entender assim no tocante aos contratos de duração. A questão é a mesma da cessão de crédito por nós ex­ planada. O acordo preparatório entre cedente e cessionário não produz qualquer efeito quanto ao cedido. pois não há expectativa de surgimento de novas obrigações. por vezes. segundo nosso entendimento. Todos os acessó­ . outrossim. O cessionário toma o lugar do cedente nos direitos e obrigações. 7. É inelu­ tável que essa possibilidade também existe entre nós. isto é. fornecedores etc. parcialmente cumprido. a legislação italiana (art. Deve. Todavia. quando o cedente não se deso­ nera completamente do adimplemento contratual. as partes devem manifestar-se expressamente nesse sentido. sem liberação do cedente.3. ainda que posterior. N o negócio trilateral podem. No entanto. mas que o cedido pode agir contra o cedente em caso de inadimplemento do cessionário.3 Efeitos entre cessionário e cedido Ambos passam a ser as partes no contrato-base. informar acerca da freguesia. Há contrato trilateral. a posição contratual pode ser cedida. Salvo ressalva expressa. assumindo o cedente uma nova posição jurídica. O contrato pode ser cedido em trânsito. devem ser aplicados os princípios da fiança. temos de verificar a intenção das partes. pois a falta delas. Já vimos que.8. Já nos contratos de exe­ cução instantânea. Transfere-se a posição contratual no estado em que se encontra para o cedente. pois solidariedade não se presume.8.408) prevê a cessão de posi­ ção contratual. Há um negócio jurídico todo singular. dar esclarecimentos acerca de terceiros eventualmente interessados em interferir no negócio. nem por isso deixa de existir a cessão de posição contratual. se já houve cumprimento. Aliás. Sendo subsidiária a responsabilidade do cedente. pois esta poderá ser precipuamente de transmitir uma obrigação já vencida. não se transferem as obrigações já vencidas. desde que não exaurida.

427 de seu Código. É indubitável também que o cedido pode opor ao cessionário a invalidade do contrato de cessão. ao se inserir na relação. se o cessionário recebesse sua posição con­ tratual de um cedente menor. Todavia. ou. Tal anu­ lação terá o condão de repor as partes no estado anterior. entende que a resposta deve ser negativa. de apontar qualquer vício inquinador do contrato. por assim dizer. Contudo. penhor. 28:417). bastando a transferência do documento. ou de quem o endossante houve o que endossou. prestadas por terceiro. para opor ao cessionário exceções derivadas de outras relações jurídicas. porque o cessionário já recebe o contrato em sua fase executória. fiança. Essa é a regra do direito português.407). estipulando que o mero endosso do documento eqüivale à transmissão. devemos ter sempre em mente o fato de que só poderá alegar anulabilidade se tirar proveito dela. abre mão. igualmente no art. Nesse sentido entendemos que deva ser compreendida a posição do monografista português. Assim. surgindo aí eventual responsabilidade sua. Não se pode negar ao cedido tal direito. não poderia alegar tal vício para anular o contrato-base. “tal confusão com a figura do endosso tem inconvenientes graves. a situação é de suma complexidade e abrange a problemática das anulabilidades. De outro modo. com redação idêntica. o cedente pode anular o negócio jurídico de transmissão de posição contratual para com o cessionário. O cedente não tem nem mesmo o dever de comunicar o ato ao cedido. O Código italiano admite a cessão com assentimento prévio do cedido.f. ou funcionária. por meio da cláusula a ordem ou equivalente (art. Como os poderes de anulação estão ligados à fase do nascedouro do contrato. no art. e à obrigação do endossante pelo inadimplemento da prestação da parte do res­ ponsável originário. Quem fala de endosso alude à transferência p o r simples assinatura. o cedido valer-se da contingência desse negócio. para exemplificar. incapaz. nem tal legitimidade. para usar sua própria termi­ nologia. 1. formalmente. o que seria possível. mas pouco provável. A doutrina divide-se acerca da transmissibilidade do cessionário dos poderes de anulação do contrato-base. confessando ser minori­ tário. no Código italiano. proces­ sualmente falando. As garantias para o contrato. No entender de Pontes de Miranda (1971. hipoteca. 1. salvo consentimento expresso. v. . As relações do contrato em si podem ser opostas pelo cedido ao cessionário. As partes poderiam convencionar uma cláusula que abrisse válvula nesse sentido. Não pode.409.T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 169 rios dos direitos conferidos pelo contrato também se transmitem ao cessionário. Mota Pinto (1980:496). o cessionário. necessitam do consentimento deste para permanecerem íntegras. se houver algum vício. no entanto. Haveria como que uma ratificação da relação jurídica anulável. se tiver legítimo interesse para a anulação. inclusive sua posição subjetiva de parte processual. estranhas ao contrato-base.

Afaste-se. na pureza do instituto.3. previu-o expressamente. não há impedimento à transferência contratual. Não podemos confundir. observadas as normas gerais fixadas neste Código” (art. 13 dessa lei. na transferência do compromis­ so de compra e venda de imóveis. entre nós. v. sub-rogação legal na relação contratual. Assim como o Código de 1916. aí. calcado na monografia pioneira de Dimas de Oliveira César. colocada no Decreto-lei n° 58/37. terminologia mais adequada do que denominar a hipótese cessão imprópria de contrato (cf. temos de perceber que nosso legislador conhece o negócio jurídico e. É o que deflui do art. Como é entre os contratos de duração que encontramos maior possibilidade de cessão de posição. como dissemos. na hipótese de falta de consentimento do cedido. é muito grande a aplicação da cessão de posição con­ tratual: nos contratos de cessão de locação. 7. Azevedo Jr. empreita­ da e financiamento. já estudados. Até mesmo contra a vontade do cedido pode ocorrer a transferência. Existirá aí uma adesão ao contrato e não uma cessão do contrato. ainda. qualquer confusão com o contrato derivado e os outros negócios afins. 2:324). tal não se constitui uma verdadeira cessão de posição contratual. Há. com o endosso. entre outros. tamanha sua utilidade e necessidade prática. apriorístico. não há cessão de posição contratual. 13. Note. como aos não loteados. em determinadas situações. o consentimento prévio do cedido. Lembre-se de que o vigente estatuto faz referência expressa a essa possibilidade: “É licito às partes estipular contra­ tos atípicos. 425). art. na forma pura. Na prática. independentemente do consentimento do cedido. residencial e não residencial. é também freqüente o negócio nos contratos de fornecimento.. portan­ to. no que toca ao Decreto-lei n° 58/37. E tal situação se aplica tanto aos compromissos relativos aos imóveis loteados. no entanto.170 D ire ito C ivil • V enosa Tal regra seria inaplicável em nosso direito. Isto porque a lei permite o trespasse do compromisso. mesmo nos casos em que não existe a figura em estudo. nossa atual lei civil não proíbe a assunção de dívida e ambos nossos diplomas civis disciplinam a cessão de cré­ dito. Não havendo necessidade de anuência do contratante cedido. 1979:121 ss). A cessão de posição contratual entra para o campo dos contratos atípicos e situa-se no direito dispositivo das partes. o compromissário-vendedor. Devem servir de orientação ao intérprete os princípios da cessão de crédito e os direitos estrangeiros apontados. “mas tom a os adquirentes e os alienantes solidários nos direitos e obrigações contratuais” (§ I o).9 Cessão de Posição Contratual no Direito Brasileiro A falta de texto expresso não inibe o negócio de cessão de posição contra­ tual entre nós. figura permi­ tida canhestramente no direito italiano. . A o contrário do que aponta Sílvio Rodrigues (1981a. Não obstante.

A questão da cessão de posição con­ tratual estava a merecer solução legislativa. em geral. não trata da matéria. não existe cessão de posição con­ tratual típica. Ocorre. Nessas hipóteses. porém. tendo como conseqüência o trespasse da universidade toda de que se compõe o estabelecimento. 1969:207 ss).T ra n sm iss ã o d a s O b rig a ç õ e s 171 Quando se transfere um estabelecimento comercial. embora devesse fa­ zê-lo. Barreto Filho. como vimos. que por vezes há contratos em curso com o esta­ belecimento que obrigam a anuência do cedido. como faz com a assunção de dívida. à margem da transferência do estabelecimento comercial em sua totalidade. efetua-se um contrato único. . O presente Código. devem as partes valer-se do negócio de cessão de posição contratual para que haja uma total ex­ clusão do cedente das relações jurídicas referentes ao estabelecimento cedido (cf. Nesse caso.

Isto é. resolve-se. uma vez cumprida. A obrigação. logo temos em mente o cumprimento de uma obrigação em dinheiro. vulgar. O sentido comum. A obrigação tem caráter de efemeridade. de patológico. Destarte. no sentido estritamente técnico e tal como está nos arts. Vulgarmente. paga-se. contrapondo-se ao pagamento coativo. o termo pagamento. Tendemos a ver o termo solução da obrigação como o gênero. a dívida. Contudo. Quando nada existe de anormal. corriqueiramente. tem grande importância. solve-se. A obrigação cumpre seu papel de fazer circular a riqueza e. no cumprimento da obriga­ ção. entre as mesmas partes. técnicos do direito. ainda que outra obrigação idêntica venha a sur­ gir posteriormente. embora o pagamento tenha sentido de cumprimento normal ou or­ dinário da obrigação. não deve ser consi­ . o meio normal ou ordiná­ rio de extinção das obrigações. é toda forma de cumprimento da obriga­ ção. extingue-se pelo pagamento. do qual o pagamento (em dinheiro. O pagamento é. exaure-se. Essa é uma das diferenças das obrigações e do direito pessoal em relação aos direitos reais. Trata-se das solutio.Pagamento 8. Estes últimos possuem caráter de permanência. Imperceptivelmente ligamos o paga­ mento a uma transferência em dinheiro. Nada impede que continuemos a racio­ cinar assim. até entre nós mesmos. solução do velho direito. 304 ss do Código. pois. quando nos assoma a noção de pagamento. portanto) seria a espécie.1 Extinção Normal das Obrigações Dissemos com ênfase que a obrigação já nasce com a finalidade de se extinguir.

perscrutar as várias doutrinas que tentaram unificar sua teoria. 8. não haja possibilidade de pagamento. Tal fato reside na particularidade de que. O termo solução fica reservado para qualquer outra modalidade de cumprimento da obrigação. para ambas as partes: na compra e venda. na apresentação de uma atividade e até mesmo numa abstenção. Desnecessário. há obri­ gações recíprocas. o pagamento pode constituir-se na transferência de um numerário. segundo ensina Caio Mário da Silva Pereira (1972. como vimos. na compra e venda. mas com ele não se confunde. Substitui o pagamento. Paga-se. dação em pagamento. o que não lhe tira. Paga-se.2 Natureza Jurídica do Pagamento A doutrina expressa a dificuldade de se fixar a natureza jurídica do paga­ mento. Paga-se. Assim. abre-se à parte lesada a possibilidade de pedir perdas e danos. quando se termina a obra ou atividade encomendada. na forma e no lugar devido. no sentido ora tratado. . Nos contratos bilaterais. na obrigação de não fazer. novação etc. Quando houver culpa. Quando essa impossibilidade se der sem culpa do devedor. conceito que reúne as preferências dos escritores mais modernos”. contudo. Desse modo. mediante a prestação do obrigado. também. na obri­ gação de fazer. Enfocamos aqui. se utilizarmos as expres­ sões uma p or outra. na elaboração de uma obra. Devedor inadimplente é o que deixou de cumprir a obrigação no tempo. o comprador deve pagar “dinheiro”. quando se entrega a coisa vendida. há “pagamento”. a ideia de que o termo adimplemento substitui a expressão cumprimento da obrigação.174 D ire ito C ivil • V enosa derada impropriedade técnica restringi-lo tão só aos cumprimentos de obrigações em dinheiro. pois. sua característica básica. o pagamento deve ser visto nas obrigações de dar. nas quais o pagamento sofre perturbações. entregando-a ou colocando-a à disposição do comprador. Não se estranhe. Mantenhamos. que. Pode ocorrer. na entrega de uma coisa. tratadas especifi­ camente pelas legislações. A indenização pela inexecução culposa não é pagamento. outrossim. Portanto. na impossibilidade de cumprimento da obriga­ ção. o vendedor deve pagar a “coisa”. v. também. 2:111). como é o caso da consignação em pagamento. no entanto. fazer e não fazer. impossível compreender o pagamento como sendo de natureza una. Quando a obrigação se extingue com a intervenção judicial. por um tempo mais ou menos longo. o <fpagamento como form a de liberação do devedor. ora e vez para acostumar o leitor. Há também formas especiais de pagamento. quando o devedor se abstém de praticar o fato ou ato a que se comprometeu negativamente. a forma de extin­ ção será anormal. O cre­ dor pode ou não concorrer para o pagamento. a obrigação extingue-se.

0016. apenas a situação mais gritante das obrigações negativas. 5-4-2011. 20-6-2011. às vezes e apenas por vezes. isto é.Pagamento devido . em razão da quitação feita por terceiro interessado que buscava a liberação do imóvel penhorado. Isso deve ser visto em cada caso concreto. deve ter relação com a obrigação avençada. ou negócio jurídico. a questão é que. causa impeditiva da pretensão do autor. 81 do Código de 1916. nesse diapasão. Ora o paga­ mento é por vezes negócio jurídico. Veja-se.Possibilidade. inserindo-se no conceito do art.Penhora de imóvel alienado a terceiros . Esse fato jurídico se transforma em ato jurídico quando o pintor comunica o término do trabalho ao encomendante e o coloca a sua disposição. Pode ocorrer sem o concurso da von­ tade do accipiens (o que recebe o pagamento). O pagamento. Cap. o rigor não será esse (cf. o pagamento será sempre um fa to jurídico. pode-se assemelhar a um contrato.Pagamento da dívida visando liberar o bem da constrição . 2:24). Paulo Alfeu Puccinelli). portanto. Direito civil: parte geral. 1978:115). não se justifica o inconformismo do devedor contra sua extinção. isto é.98.Ação de cobrança . “ Compra e venda . Como. Des. de modo a afastar o débito nela cobrado. Será.Acórdão Apelação Cível 2005. anulável se ocorrerem vícios de consentimento. dependa do concurso do accipiens. como visto. se o pagamento se constituir em simples fa to.Prestações mensais caucionadas à instituição financeira em razão de dívida hipotecária contraída por construtora .005539-2/001. em decorrência de ter adquirido o bem através de compromisso de compra e venda rea­ lizado antes da constrição” ( TJMG . o pagamento estará malfeito.P a g a m e n to 175 Ora o pagamento é um fato jurídico: o pintor conclui o retrato encomenda­ do. Rei. Rei.Acórdão Apelação Cível 1. Não havendo matéria apta a ilidir a ação de execução ajuizada. como faz o sempre lembrado Antunes Varella (1977. Na prática. Em sentido amplo. em geral. ocorre que nem sempre tal concurso será necessário. ou descumprirá 1 “Execução . todavia. Contudo. Des. a co­ notação não será essa.Unidade imobiliária . uma vez que as partes fazem dele um meio de verdadeiramente extinguir a obrigação. porém. se bilateral. A questão não é meramente doutrinária. A efetivação do pagamento deve ser causai. nem sempre é bilateral. que é gênero do ato e do negócio jurídico (cf. A prova de quitação da dívida cabe ao devedor. nulo se efetuado por agente incapaz. De tudo isso. seus requisitos de validade e eficácia devem ser observados. Fato. Gomes. por exemplo. O pagamento poderá ser um ato unilateral do solvens.Ação de cobrança . até mesmo sem o conhecimento do credor. embora em muitas oportunidades o pagamento seja bilateral. o que importa no pagamento é a realização real da prestação.Bem imóvel .005255-4/0000-00.Crédito remanescente . 17).Obrigação de pagamento . se o pagamento consti­ tui negócio jurídico. como um recibo de sinal ou arras. na atividade de cumprimento da obrigação por parte do solvens (o que efetua o pagamento).Cessão de crédito . “Apelação cível . Duarte de Paula).Pagamento a terceiro estranho ao negócio . ad exemplum.Recurso improvido. o pagamento toma a forma de um ne­ gócio jurídico.Adquirentes do imóvel cientes da caução .1 Desviando-se da obrigação. v. A prova de pagamento a terceiro estranho ao negócio não o quita da dívida existente. permanecendo o crédito do credor” ( TJMS .Ausência de quitação .

dos meios conducentes à exoneração do devedor” (art. como nas obrigações personalíssimas em geral. 2 “Rescisão contratual. ainda que proveniente de terceiro. Convencimento racio­ nal do juiz.Responsabilidade solidária dos compradores por perdas e danos relativos às prestações que se obrigaram a pagar .Sentença mantida . tais exemplos são exceções para confirmar a regra. usando. mas também por terceiros que o representem. O representante ou o núncio efetuam tão só o ato material de pagar.387-8. Assim. 304). deve ele aceitá-lo. “Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la. No entanto. O princípio da persuasão racional do juiz.Rei.176 D ire ito C ivil • V enosa a obrigação. Não deve ser deixada de lado. a apresentação de um artista. Pode ocorrer. 18-2-2009. 964).3 De Quem Deve Pagar. do CC/1916 . Não é do interesse do devedor que a dívida se prolongue além do estipulado. O pagamento feito pelo devedor não constitui apenas uma manifestação de obrigação. Valoração das provas. Reconvenção.Quitação indevida dada pela constru­ tora . multa. trata-se de um direito seu. o fiador tem interesse em quitar a dívida do afiançado. mor­ mente aquele feito em dinheiro. 1. Tanto que a lei lhe confere meios coercitivos para jungir o credor a receber. 878 do Código de 1916). O pagamento. como no caso de mandato. o autoriza a valorar os elementos probatórios do processo de acordo com seu convencimento. o bom pagador desejará pagar na for­ ma contratada. que terceiros o façam. Cível 986. pura e simplesmente. não tem cor nem bandeira. Exceção ocorre quando se trata de obrigação em que a figura do devedor é im­ portante no desempenho da obrigação e assim foi convencionado (art. um pagamento sem causa dará direito à repetição do indébito (art. Ou naquelas em que a confiança desempenha papel primordial. o pagamento pode ser feito não só pelo devedor. correção monetária. também. a ideia do núncio e da representação. Como o pagamento é efetuado em benefício do credor. juros. O Solvens Normalmente será o próprio devedor obrigado a pagar ou quem efetivamen­ te paga. 794 e 795.Recurso não provido” (TJSP . 17* Câmara de Direito Privado . sob esse prisma.Arts. 8. pois. Arrendamento mercantil. Assim. O interessado na extinção da dívida de que a lei fala é aquele que tem inte­ resse jurídico. total ou parcialmente. afora os casos de obrigação personalíssima.2 das parcelas diretamente ao banco . O credor deve aceitar o pagamento. o que lhe legitima a ação de consignação. considerando a lei e as cir- . no entanto. É evidente que isso lhe trará maiores encargos. por exemplo.Previsão contratual . Carlos Luiz Bianco). se o credor se opuser.Ap.

assegura-se o direito ao reembolso do caput do art. por exclusiva responsabilidade da agravada. a reclamar o conhecimento de questões de alta indagação e refletido exame do alcance das cláusulas contratuais pertinentes ao tema . 26-62007. 305. distinção que a lei faz nos arts. que paga a dívida em seu próprio nome. 2. e o credor não poderá recusar o pagamento. Ao terceiro que paga dívida de outrem. Nessa qualidade.Rei. porém.Possibilidade de ser executado . “Fiança . 304. Seu interesse não é jurídico. 305 do Código Civil.Antecipação de tutela inconcessível.Expressa previsão legal contida no artigo 568. Não se sub-roga no direito do credor o terceiro não interessado.19-6-2007. nem mesmo autorização ou quiçá ciência do devedor. pena de supressão a prerrogativas consti- . Ênio Santarelli Zuliani). 20* Câmara de Direito Privado . de 2002.AI 7. Pagamento. se houver resistência. 273 e I do CPC . de intimação . deve ser aceito. Não há representação. o próprio devedor.Irrelevante o fato de não ter sido parte no processo de cognição que culminou com a condenação da afiançada a pagamento .Situações que afastam a verossimilhança da alegação inaugural da agravada. O pagamento. antes que se cogite de sua intimação para pagamento volun­ tário .Consignatória . todavia. utiliza-se do art. Des. Rei. Faz o pagamento com interesse altruístico. via comunicações unilate­ rais. agindo dessa forma para excluir o seu patrimônio de execução contra aqueles que lhes transmiti­ ram o domínio.3 cunstâncias constantes dos autos.135. aquele que paga.Sen­ tença de procedência .Ajuste es­ vaziado em seu conteúdo. contudo. por si ou por representante.143.Não provimento” ( TJSP .377-9.Decisão nesse sentido reformada” (TJSP . interessado ou não interessado. inciso iy do Código de Processo Civil .Fiador que tem direito de sub-rogar-se no débito pago.Sentença condenatória . não lhe acode o pleito reconvencionar (‘TJGO .Ap.P a g a m e n to 177 Temos assim três categorias de pessoas aptas a figurar como solvens. Cível 7. na exordial da consignatária ajuizada. 3 “Ttítela antecipada . até para evitar o enriquecimento indevido do devedor . embora tenha o direito de reembolso. “Civil. moral ou familiar. do CC. 304 e 305 para distinguir os efeitos.Recurso provido” ( TJSP . 26-11-2008.Ausência dos requisitos do art. Em primeiro lugar. à luz do que dita o art. tem a mesma legitimidade de consignar. 304 acrescenta que o terceiro não interessado tem o mesmo direito de pagar. Campos Mello). como já visto. Des. 30-9-2011. que obstem a outorga da antecipação da tutela no alvorecer da demanda e sem instalação do contraditório .Execução . fá-lo em nome e por conta do filho devedor.Acórdão Apelação Cível 400.Prestação de serviços de telecomunicações .Fiador que tem seu nome negativado em decorrência do não pagamento do débito pelo afiançado . o caso de um pai que paga a dívida de um filho. “se o fizer em nome e p or conta do devedory\ Citemos. Contudo.821-7/188 (200602379584).Necessidade.Rei.Fiador judicial . Rodrigo de Castro Carvalho). Alfredo Abinagem). Pode também pagar o terceiro. 131 do CPC. por exemplo.Banco de dados . assumindo todos os riscos do contrato inadimplido . como o citado fiador.Indenização também por danos morais pretendida . Inteligência do art. E o solvens. aqui. visto que concordou com a condição de devedor solidário.793-4/9. isto é.Reforma .113-0. 22* Câmara de Direito Privado . não faz jus à indenização a título de danos morais.Acórdão Apelação Cível 101. O terceiro interessado na dívida. com fundado interesse econômico. “Dano moral . Rei. O parágrafo único do art. caput.Determinada a inclusão do fiador judicial no pólo passivo da relação processual.

Parceria pecuária .Pagamento por terceiro.178 D ire ito C ivil • V enosa Se o terceiro não interessado pagar em seu próprio nome. 1979. que não o torna parte da avença contratual . 41 Câmara de Direito Privado . Rei.Pagamento feito por terceiro interessado. tem direito a reembolsar-se do que pagar. Des. A correção monetária e os juros de mora devem incidir a partir da data do vencimento da dívida.Inexistência de prova de confusão de personalidade jurídica entre as pessoas intervenientes no negócio .Protesto cancelado .070-9.Recurso provido” ( TJSP Ap.Ação de cobrança .Sociedade . como veremos no Capítulo 9. como o caso do pai que paga dívida do filho: “o fa z p or simples liberalidade.Saque . 4:249). com fundamento no artigo 515 do CPC . Thiers Fernando Lobo).Acórdão Agravo de Instrumento 7. Monteiro. 21* Câmara de Direito Privado .Recurso provido em parte. se o faz.Inviabilidade da sub­ sistência do ato cambial em face de alguém que não foi parte no negócio jurídico . 25-4-2007. como gestor de negócios.Contador que prestava serviços e recebia numerário de pessoa jurídica para pagar tributos . “Prestação de contas . 19-3-2009. para os quais tinha recebido recursos . .Sub-rogação . tucionais . 22-8-2006.Rei.Pagamento de dívida ao credor hi­ potecária . a não ser que o terceiro expressamente abra mão deste último remédio. sub-roga-se em todos os direitos do crédito (art.Rei.Verificação posterior de que os tributos não foram pagos . contudo.Julgamento desde logo da primeira fase da ação de prestação de contas.Incidência a partir da data do vencimento do contrato de parceria . em tese. O adquirente de imóvel hipotecado é terceiro interessado no pagamento da dívida do devedor com o credor hipo­ tecário. no caso de pagamento desinte­ ressado.Re­ curso provido” ( TJSP . Por outro lado.26-6-2010. Cível 7. Cível 491. independentemente da data do pagamento efetuado pelo terceiro interessado” (TJMS .Impossibilidade .Legitimidade do ex-sócio para exigir contas do contador .Ex-sócio que honra a obrigação tributária e paga os tributos devidos pela pessoa jurídica com recursos próprios . A ação de enriquecimento sem causa. Maurício Ferreira Leite). nada pode reaver.4/7-00. Rêmolo Letteriello).011811-6/0000-00. Cível 2006. deixou de pagar os impostos. é uma apli­ cação de regra de equidade. - “Cambial . Há direito a uma ação de cobrança singela do que foi pago.Ap.Ação procedente . .Terceiro interessado .128.049. mas não se sub-roga nos direitos do credor. Entendemos que sempre haverá pos­ sibilidade de ação de enriquecimento sem causa.Rei. sub-rogando-se nos direitos deste. terá então ação contra o devedor para reembolsar-se do que pagou” (cf. que se sub-roga nos direitos que tinha a pessoa jurídica contra o contador que. por ilegitimidade ativa . Quando é o interessado que paga. “Apelação cível .Operação efetuada em face de pessoa jurídica que não foi parte da relação negociai de compra e venda mercantil . Francisco Loureiro).Recurso provido” (TJSP .Duplicata .696.Correção monetária e juros de mora .Neces­ sidade de prestígio à boa-fé nas relações sociais . Des.Ap. ou p o r mero espírito de filantropia. interessado ou não. 4* T\irma Cível . se é o terceiro não interessado que paga em nome do devedor. 346). estipulado em escritura pública de parceria pecuária. v.056-7. A questão de saber se o pagamento ocorreu por mera filantropia ou não desloca-se para as circunstâncias do caso.Afastamento da carência de ação.

Rei.Acórdão Apelação Cível 1. Pode ocorrer. ou até mesmo para colocá-lo numa posição moralmente vexatória.Terceiro que paga dívidas em seu próprio nome. que o devedor tenha justo motivo para não pagar a dívida e se surpreende ao ver que terceiro se adiantou no pagamento.A oposição ou desconhecimento do devedor acerca do pagamento por terceiro. no tocante a pagamento antecipado da dívida: “se pagar antes de vencida a divida. Direito ao reembolso. estatuía o art. de a dívida não ser exigível por inteiro. Para tal situação. Pagamento de dívidas por terceiro. Recurso conhecido e não provido. Ima­ ginemos o exemplo de um devedor conhecido na comunidade que tem sua dívida paga pelo inimigo. Desse modo. de estar no todo ou em parte prescrita. O mesmo se diga quanto à intenção da lei. evidente­ mente. O terceiro solvens deve ter.199829-0/003. a ação de reembolso será singela e não de sub-rogação. III . a condenação do devedor à restituição das quantias pagas pelo terceiro é medida que se impõe” ( TJMG . Anuência do devedor. o solvens alardeia que Fulano não consegue nem mesmo pagar suas dívidas e mostra à sociedade a prova do pagamento efetuado.Au­ sente a comprovação da existência de exceções à obrigatoriedade de ressarcimento. I . Após o fato. de existir a possibilidade de exceptio non adimpleti contractus (exceção de contrato não cumprido) etc. Bitencourt Marcondes). nessa hipótese. por exemplo.Deve ser indeferido o pedi­ do de apreciação de agravo retido ante a inexistência de recurso. só poderá reembolsar-se até o 4 “Agravo retido. Inexistência. e inclusive agravar a situação do devedor. IV . O atual Código nos concede uma redação diversa a respeito do fenômeno. e este tinha motivo justo para não fazê-lo. Des. porque tal pagamento pode ter sido efetuado com intuito especulativo. não obstante. não será o devedor obrigado a reem­ bolsá-lo. . Se o terceiro pagou mal.”* O motivo da oposição deve ser justo.P a g a m e n to 179 Contudo. de promanar de negócio anulável. no entanto. com justo motivo. assumindo um risco. com desconhecimento ou oposição do devedor. parágrafo único). faz jus ao reembolso das quantias pagas. só terá direito ao reembolso no vencimento” (art. II . somente tem o condão de afastar a responsabilidade pelo reembolso quando o devedor comprova que possuía meios para ilidir o pagamento. senão até a importância em que lhe aproveite”. conhecimento da oposição pelo devedor. se o devedor tinha meios para ilidir a ação. não obriga a reembolsar aquele que pagou. se ele. 306: “O pagamento feito p or terceiro. Essa hipótese é enfocada pelo atual dispositivo. Questão importante pode ocorrer no caso de o terceiro pagar sem que o devedor tome conhecimento.0024. isto é. se efetuar. a lei não defere a esse terceiro a sub-rogação. Ação de cobrança. É o caso. ao pagamento de sua dívida p or outrem. 305. Pagará. A situação poderá até mesmo se deslocar para a esfera criminal. para se opor ao pagamento. no art. 932 do Código de 1916: “opondo-se o devedor. antes de pagar.06. no caso do terceiro não interessado que paga em seu próprio nome.

não é muito compreensível. Questão não erigida na lei é aquela na qual tanto o devedor como o credor se opõem ao pagamento por terceiro. invito vel prohibente debitore. já pode o devedor antecipar-se e comunicar sua resistência em pagar ao terceiro. 306.5 Para a transmissão do dom í­ nio deverão estar presentes todos os requisitos do negócio jurídico. em que pese a nova redação. O credor diz que não aceita a solutio por terceiro.AC 20093009870-9 . no caso concreto. é ineficaz. Em qualquer situação. A alienação a non domino. . O que se deve entender é que.Processual civil . Aqui a ideia já fica mais clara. não pode piorar a situação do devedor. A í não se pode negar a impossibilidade do pagamento. Obrigação de dar. 2:115). se tratar de coi­ sa fungível (parágrafo único). Aplica-se o princípio fundamental segundo o qual ninguém pode transferir mais direitos do que tem.. contudo. sob pena de ocorrer injusto enriqueci­ mento. sob pena de pagar mal. Se. atendendo a nossa crítica. Da mesma forma na hipótese de desconhecimento por parte do devedor: impõe-se que o solvens informe o devedor que vai pagar. O devedor informa ao terceiro que não deve pagar. dando margem a dúvidas. o pagamento feito por terceiro. se o devedor tinha meios para se opor ao pagamento. Aquele que pagou mal deverá repetir do credor que. já consumida. Complete-se que.960. recebeu mais do que lhe competia. como afirma Caio Mário da Silva Pereira (1972. portanto. em tese. A compra e venda gera a obrigação ao comprador de efetuar o pagamento do preço efetuado e ao vendedor a transmissão de domínio. O texto do art. pois o terceiro passa a ser absolutamente incon­ veniente numa relação jurídica que não lhe pertence. Rei* Des* Diracy Nunes Alves).(91412). v. 927 do CPC é ônus do autor de manutenção de posse comprová-la e a efetiva turbação e ao não se desincumbir deste mister deve ser julgado seu pedido improcedente. pelo credor.Anulatória de negócio jurídico e manutenção de posse . e mereceria melhor redação.180 D ire ito C ivil • V enosa total que aproveitou ao devedor. para o âmbito da prova. dependendo da situação. “em qualquer caso. porém. É um limite que não há de ser transposto nunca”. Recurso conhecido e não provido . por quem não seja o dono da coisa. O art. Um pagamento nessa situação abre à vítima a possibilidade de indenização.Se­ gundo o art. 306 do Código de 2002 procurou ser mais claro: o dispositi­ vo. 307 trata de pagamento que importe em transmissão de domínio. todavia. de boa-fé. Não comprovado o pagamento tal como determinado no contrato não há que se falar em validade do negócio jurídico. não se pode 5 “Apelação cível . O Projeto n° 6.Unânime” ( TJPA . 29-9-2010. se o devedor tinha meios para ilidir a ação do credor na co­ brança do débito”. estatuindo: ". Suponhamos a hipótese em que há dúvida se a obrigação é personalíssima ou não. complementa a redação do art. esse pagamento feito contra sua vontade ou sem o seu conhecimento não o obriga a reembolsar. A óptica se transplanta. há que se entender que mesmo antes da propositura da ação. o montante do pagamento que tenha sido útil para o devedor deve ser reembolsado. pois não lhe terá sido útil..

o accipiens. 1. é a do art. há necessidade de três condições: que o pagamento seja de coisa fungível. ‘O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente. para que não se veja obrigado a pagar novamente a mesma dívida. A questão resolver-se-á entre o terceiro que pagou e o devedor.6 Quanto à representação. ao comprador. O Accipiens A regra geral em matéria da pessoa que recebe.Recurso improvido. 308. 28-1-2011.Ausência de prova de reversão em proveito daquele que deveria reverter . Des. contudo. cada credor deve receber sua parte no crédito. em relação ao valor cobrado. Do credor. “Cobrança. pois somente aponta um suposto equívoco na atualização.P a g a m e n to 181 mais reclamar a coisa deste. o preço deve ser entregue ao vendedor.Depósito que não observou o contrato . 10-12-2007. Não havendo mais a coisa a ser reivindicada. 259). Enquanto não consumida. não encontra amparo. sem demonstrar como encontrou tal disparidade. Alegado pagamento efetuado a preposto da autora. não se pode reclamar. Ausência de prova acerca de eventual ajuste com a legítima credora. 308 do Código Civil. diante da ausência da necessária contraprova. o credor ori­ ginário já tenha sido substituído.Sentença confirmada . a situa­ ção é do substitutivo indenizatório. reportamo-nos ao explanado anteriormente (cf.Acórdão Apelação Cível 1142145-0/1. Recurso improvido” (TJRS . Pode suceder que. cercar-se das cautelas necessárias à validade da quitação. 308 dá como válido o pagamento feito ao representante do credor. como a cessão de crédito. que tenha havido boa-fé por parte do accipiens e que tenha sido consumida a coisa. em certas situações especiais. na hipótese de obrigação indivisível. No entanto. nos termos do disposto no art. podem ocorrer exceções. como na obrigação solidária. A insurgência do recorrente. pagar validamente a quem não seja credor. Cabe ao devedor. com as regras próprias do instituto (art. Dever de pagar reconhecido. Assim. Se a obrigação for divisível e não solidária. Rei. Tanto o credor poderá estar inibido de receber. Fernanda Carravetta Vilande). no momento de ser efetuado o pagamento. O mesmo art. ao contrário da autora. efetuando a entrega da prestação devida ao legítimo credor. da coisa. O pagamento deve ser feito ao credor. devendo este ser reputado correto. . Rei. que autorizasse a realização do pagamento ao terceiro. 2. como por ato de morte. Artur Marques). haverá direito à repetição. Ônus probatório desatendido. o pagamento a um só dos cre­ dores será válido. Ausência de prova capaz de infirmar a versão inicial. a coisa. quando o herdeiro ou legatário estará na posição de accipiens. como o devedor poderá. Para a exceção do parágrafo tratado. 8. que convenceu acerca do débito que pretende receber. Tal substituição pode ter sido tanto efetivada por ato entre vivos. ou de erro justificável.Pagamento . 3. no momento do pagamento. Se forem vários os credores.4 A Quem se Deve Pagar. 6 “Civil . no todo ou em parte. em sua parte inicial. Também. Compra de uniformes.Acórdão Recurso Inominado 71002833309. sob pena de só valer depois de por ele ratificado ou quando reverter em seu proveito’” (TJSP . qualquer um deles pode receber o pagamento.

É a regra do mesmo art. não temos necessidade 7 “Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento à apelação cível da au­ tora e deu provimento ao recurso da ré. Vale lembrar o brocardo genuíno. Provas constantes dos autos que corroboram a tese da defesa. impropriamente. Ação de cobrança c/c indenizatória. disseminado pelo povo. Assim é a situação. Agravo interno ao qual se nega provimento. A regra geral é ter em vista o padrão do homem médio. Rito sumário. de nomeação pelo juiz. Pagamento efetuado de boa-fé a credor putativo. É o caso do síndico da falência. 8. Re­ cebimento de importâncias por pessoa não reconhecida como representante da autora. por vezes. As circunstâncias ditadas pela lei dependerão de exame pelo juiz. As circunstâncias externas. será ineficaz. Acrescente-se. o direito gravita em tom o de apa­ rências.7 Para a estabilidade das relações negociais. Denomina-se o fenômeno. se houver ratificação do credor ou do representante. O pagamento. exceto se as circunstâncias contrariarem a presunção dai resultante” (art.4. Portanto. Correta a decisão. por exemplo. Notemos que nem sempre a pessoa intitulada ou qualificada a receber apresen­ ta-se com um mandato formalmente completo. de um administrador judicial de bens penhorados etc. Lá dissemos que o representante atua em nome do representado. 311). Assim. fornecida e concedida pelo credor. se o pagamento não for efetuado ao credor ou seu representante. mormente quan­ do celebra contrato inicial de prestação de serviço. que a repre­ sentação pode decorrer de via judicial. em cada caso concreto. eqüivale à situação do representante mencionado na lei. É portador da quitação. esse terceiro pode não ter nenhuma relação material com a dívida.” . pode ser feito a pessoa não intitulada e mesmo assim valer. Inteligência dos arts. Aplicação da teoria da aparência para considerar eficaz o pagamento efetuado a pessoa que se apresenta como representante da sociedade. De qualquer modo.1 Credor Putativo Já dissemos que o direito não pode prescindir da aparência. efetivamente cumprido. de quem se apresenta munido da quitação emitida pelo credor (art. quem paga mal paga duas vezes. no lugar do representado. Tais pessoas estarão. autorizadas a receber. a presunção é a de que quem se apresenta com um recibo firmado por terceiro possui mandato específico para receber. os contraentes podem estipular que o accipiens seja um terceiro. representação judicial. porém. enfim. isto é. Não se pode esquecer que a autori­ zação singela para receber. 308. Quando chega­ mos ao caixa de um banco e efetuamos um pagamento. tomam o pagamento válido: “considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação. Quando do nascimento da obrigação. 311).182 D ire ito C ivil • V enosa Direito civil: parte geral). 309 e 311 do Código Civil Brasileiro. mas estar intitulado a recebê-la. não denotando que o portador da quitação seja um impostor. também.

o princí­ pio da pacta sunt servanda e o correspondente direito do credor à prestação devida e. de pa­ gamento total ou parcial do valor segurado. ainda provando-se depois que não era credor” (art. paga a um assaltante. Correta a decisão. Patrícia Ribeiro Serra Vieira). conforme o caso.Sujeição a regras e princípios de ordem pública emanados de lei . muitas hipóteses podem ocorrer. Constantino Brahuna).Seguro obrigatório DPVAT . Inteligência dos artigos 309 e 311 do Código Civil Brasileiro.Anterior compra e venda representada por notas promissórias . de um lado. Trata-se do credor putativo.0 pagamento a credor putativo põe em plano de igual relevante valoração.Cambial . a credor putativo. inaceitável é. mormente quando celebra contrato inicial de prestação de serviço. contra o escopo da norma legal.2009. Contudo.Constituindo o múltiplo do salário-mínimo referencial de valor utilizado apenas para expressar o montante da condenação. pois o essencial. não encontra proibição na regra do art. Provas constantes dos autos que corroboram a tese da defesa. suscetível. 309). a realização. 7C. de outro lado. apurado por múltiplos do salário-mínimo contemporâneo ao evento danoso.P a g a m e n to 183 de averiguar se a pessoa que recebe é funcionária da instituição financeira.19.0001.Apelação conhecida e desprovida” (T JA P .8 O Projeto nô 6. efetivamente cumprido.8.Eficá­ cia . “Dano moral . será corrigido monetariamente a partir da data da sentença condenatória. ou a situação de um administrador de negócio que não tenha poderes para receber. Na verdade. que naquele momento se instalou no guichê de recebimentos. Dispõe o Código: "o pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido. que prestigia o ânimo sincero do devedor. por boa-fé. Não se trata apenas de situações em que o credor se apresenta falsamente com o título ou com a situação. de atualização pelos índices oficiais da correção monetá­ ria. porque derivados de lei. a aparência é uma forma de equilíbrio de toda vida social. Pode ocorrer o pagamento a pessoa que tenha a mera aparência de credor ou de pessoa autorizada. 2 . sob aparência de ser o efetivo credor. cujas regras e princípios são de ordem pública. dívida a quem. é obvio que o valor da indenização. pagar. não encerrando indexação econômica que possa atuar como fator de realimentação inflacionária.Ap 0003227-93. O exemplo mais marcante é a situação do credor aparente. Re­ cebimento de importâncias por pessoa não reconhecida como representante da autora. 12-12011. as regras das resoluções editadas pelo Conselho Nadonal de Seguros Privados. Rei. mas aparece aos olhos de todos como um efetivo gerente. Rito sumário. Rei.Pagamento a credor putativo .Processual civil .A previsão legal de pagamento do valor segurado por múltiplos do salário-mínimo.Invalidade . contra a lei.2007.Duplicatas Mercantis .0208. 3 . 6 . 5 Não prevalecem.Em matéria de seguro obrigatório. se apresenta para o recebimento. l°-6-2011. movido pelo legítimo interesse em exonerar-se da obrigação. “Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento à apelação cível da autora e deu provimento ao recurso da ré.960/2002 substitui o termo válido por eficaz. o respeito à boa-fé como regra de ouro da autonomia da vontade. IV da vigente Magna Carta Federativa. Agravo interno ao qual se nega provimento” ( TJRJ .Resolução do CNSP . mas de todas aquelas situações em que se reputa o accipiens como credor. Des. Supo­ nhamos o caso de alguém que. Pagamento efetuado de boa-fé a credor putativo. ao chegar a um estabelecimento comercial. de.Responsabilidade Civil .8. para validade do pagamento. é e será sempre o preenchimento da condição legal de beneficiário. 4 . Aplicação da teoria da aparência para considerar eficaz o pa­ gamento efetuado a pessoa que se apresenta como representante da sociedade. Ação de cobrança c/c indenizatória.Valor segurado estipulado a múltiplos do salário-mínimo .03. por erro escusável. conforme inúmeros precedentes do Colendo STF. 8 “Civil . que melhor se amolda ao efeito desse negócio jurídico.Acórdão Agravo Interno na Apelação Cível 0013312-84.Inconstitudonalidade inexistente 1 .Saque das duplicatas sem conhecimento do compra­ .

2. 931 do Novo Código Civil .Condenação do banco ao pagamento da verba honorária e das custas processuais de modo solidário . a prova será ônus do solvens. de que o pa­ gamento só valerá até o montante do benefício: a dívida é de 1. no entanto. Aplicação do artigo 309 do Código Civil. ocor­ reria locupletamento indevido (cf. aquela.175-1.Protesto das duplicatas considerado ilícito. pago à mulher do credor. julgada procedente a ação declaratória de inexigibilidade frente à autora. Moura Ribeiro).Ap. não seria possível a condenação ao paga­ mento.Art. Compra e venda de gado.Quantum relativo a verba indenizatória mantido. como já visto (art. Pagamento realizado pelo demandado ao representante do autor. Tlido. Mesmo se provasse após. devendo o banco endossatário ser condenado solidariamente . . 20a Câmara Cível . também dependerá das circunstâncias. por incapaci­ dor com base no mesmo negócio jurídico . “Embargos à monitória. 1983. por exemplo. 308). só entregou 500 a ele. Embargos procedentes. pelo credor. ou seja. aqui. José Aquino Flores). Por exemplo. 308).Rei. mediante endosso translativo . Apelo provido” (TJRS . O mesmo se diga a respeito do pagamento feito ao inibido de receber.Ap. Tal ratificação eqüivale a um mandato.Falta de notificação da autora acerca da cessão do crédito operada entre o pri­ meiro réu (cedente) e a instituição financeira cessionária . Credor putativo. Pagamento que é de ser tido como válido e regular.Autora que regularmente pagou as parcelas em aberto ao credor primitivo (sacador e primeiro réu) . de que se tratava de simples mandatária. terceira de boa-fé . Pago ao filho de credor e este posteriormente confirma o recebimento. 11a Câmara de Direito Privado . 26-3-2009. Só até esse montante valerá o pagamento. mantendo-se inalterada a relação cedente (sacador endossante) e cessionário (endossatário) . na hipótese de ratificação.4.Legitimidade e eficácia do pagamento feito de boa-fé ao credor putativo em face do cessionário . v. em três situações: 1.Rei.000.325. por parte desta última.Transferência destas ao Banco. ora apelado. 8. adaptando-os ao Novo Código Civil .Recurso parcialmente provido” (TJSP . Circunstâncias do caso concreto que evidenciam a boa-fé no pagamento pela aquisição de reses.Descabimento . Cível 7. doutro modo. provo que o pagamento reverteu em seu benefício. Cível 70019145838. 2:193). bem como o envio do nome da autora para o cadastro de maus pagadores.Correção de ofício do percentual dos juros da mora. Diniz. porém. na hipótese em que o pagamento reverte em benefício do credor (art.Alegação. efetuado diretamente à pessoa tida como representante do autor. Restará ao verdadeiro credor haver o pagamento do falso accipiens. 25-4-2007.2 Quando o Pagamento Feito a Terceiro Desqualificado Será Válido O devedor pode se exonerar mesmo pagando a terceiro não intitulado. que este não era o real credor.184 D ire ito C ivil • V enosa A lei condiciona a validade do pagamento ao fato de o accipiens ter a apa­ rência de credor e estar o solvens de boa-fé. Paguei o total à mulher do credor.Ausência de prova a respeito . do pagamento recebido. Lembre-se.

Responsabilidade civil. 1. O representante legal do credor terá legitimidade para impugnar o pagamento. Dívida da subcontratante ao subcontratado. Contrato administrativo. Cabe ao devedor. 312: “se o devedor pagar ao credor. acercar-se das cautelas neces­ sárias à validade da quitação. paga duas vezes. e quem paga a elas arrisca-se a pagar mal. Outra situação que inibe o credor de receber é a do art. paga duas vezes. porém. Subcontratação. que poderão constranger o devedor a pagar de novo. No caso. o pagamento não valerá contra estes. embora figurem na posição de credoras. a incapacidade inibe o agente para os atos da vida civil. Obra civil. são situações nas quais o sol­ vens tem pleno conhecimento da incapacidade do accipiens. ou da impugnação a ele oposta p or terceiros. se o que paga não tinha conhecimento dessa incapacidade. Ação ordinária de indenização por dano moral cumu­ lada com anulatória de títulos.P a g a m e n to 185 dade. mesmo quando há anuência. apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito. o caso de pagamento efetuado a um pródigo. considera-se que a ela foi tolerada.9 Note que a lei usa do termo cientemente. se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu”. a subcontratação. Ausência de comprovante de quitação. O devedor deve provar que o pagamento reverteu em benefício do incapaz (art. no momento do pagamento de seu débito. Nem sempre será prova fácil. 23-11-2010. 310). A lei também não distingue a incapacidade relativa ou absoluta. pode inclusive ensejar a rescisão. isto é. o último situação refere-se ao credor putativo descrito no tópico anterior. É a situação do menor. Dispõe o artigo: “não vale. Quem paga mal. entretanto. Persistência do dever de pagar. O já citado art. 10 “Apelação cível. Valerá o pagamento. por exemplo. Des. 3. há uma aplicação especial dessa incapacidade quanto ao pagamento. 180. todavia. Cobrança do subcontratado contra o contratante. que dolosamente oculta sua condição em um negócio jurídico.10 9 “Apelação cível. Cabe ao solvens provar que o resultado do pagamento reverteu no benefício do incapaz. porém. Apelo desprovido” (TJRS .Acórdão Apelação Cível 70011251055. Ney Wiedemann Neto). Imaginemos. Protesto devido. 310 refere-se ao pagamento efetuado ao incapaz de quitar. diligenciando para que efetue a entrega da prestação devida àquele que é o verdadeiro credor. ficando-lhe. Ora. sem anuência da Administração Pública.4. relativamen­ te incapaz. Lembre-se do art. De qualquer sorte. Alegação de impug­ nação mediante notificação judicial.3 Pagamento Feito ao Inibido de Receber Certas pessoas. estão inibidas de receber. Quem paga mal. Inteligência dos arts. . salvo o regresso contra o credor”. Portanto. Sentença mantida. 8. 308 e 310 do Código Civil. que reforça essa ideia. O contrato administrativo é personalíssimo. o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar. Pagamento da dívida. N o entanto. Rei. Ônus da prova por parte do devedor.

ain­ da que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. 25-4-2007. isto é. como objeto. ainda que mais valiosa (art. 938 do CC/1916. porém. caso em que a inobservância pode constrangê-lo a pagar de novo. confirmando-se a sentença pela conclusão” ( TJRS . seu pagamento. 3 1 3 ). o falido fica afastado de suas atividades.Acórdão Apelação Cível 70013652813. Rei. nem o devedor a pagar. para que a Notificação seja eficaz. Tal não se configurando à época da Notificação. quando houve sentença judicial reconhecendo o crédito do subcontratado face ao subcontratante. Por conseguinte. responderá pelo abuso ou má-fé.Recurso não conhecido em parte. nem menos. Na forma do art. Ao terceiro. Todavia. desde o momen­ to da abertura da falência. Fábio Maia Viani). o subcontratado impugnar o paga­ mento do contratante-devedor ao subcontratante-credor. . A lei equipara. Também estará inibido de receber e quitar o devedor falido. assumirá o risco. 75 da Lei nQ 11. por descumprimento do art. Na parte conhecida.11 E ainda que a prestação seja divisível. quanto a ciência por notificação ou interpe­ lação feita por terceiro. e dispõe o art. desmerece acolhida pedido de condenação do contratante. o crédito do subcontra­ tado face ao subcontratante deve estar devidamente certificado em título executivo. tanto a ciência da penhora. se assim não foi convencionado. não pode ser o credor obrigado a receber por partes ou em parcelas. não pode o credor ser obrigado a receber.101/2005. Se pagar ao credor. aquilo que foi acordado. Apelação desprovida. se tiver dúvi­ das quanto à validade do pagamento que efetuaria a terceiro. 312 do CC/2002. 11 “Locação de imóveis (finalidade residencial) . 938 do CC/1916. de mais a mais. por dívida deste àquele. impedindo ou retardando o recebimento do crédito pelo credor. de assim não se ajustou . É requisito. cabe depositar em juízo. Exegese do art. Antônio Benedito Ribeiro Pinto).O credor não é obriga­ do a receber prestação diversa da qual lhe é devida. então vigente. Tal incapacidade é conferida em benefício dos credores e da par conditio creditorum. estará a obrigação extinta. Des. ainda que mais valiosa. 8. 6-3-2009. Nem mais. para os efeitos. a fim de evitar práticas abusivas. mediante notificação judicial. Rei. do tratamento igual que merecem todos os credores.5 Objeto do Pagamento e sua Prova O pagamento deve compreender. dentro do âmbito de seus atos de comércio. ou nos autos em que foi efetivada a penhora. por partes.Acórdão Apelação Cível 1080981-0/7. não provido” ( TJSP . Des. Já vimos que o credor não pode ser obrigado a rece­ ber outra coisa. É imprescin­ dível certa parcimônia nessa forma de impugnação. nesse caso. Na hipótese desse terceiro ter agido de forma abusiva. 2.666/93. ou consignar em pagamento. 3. o pagamento feito a este pelo contratante foi bom. não se estabelece vínculo jurídico entre o contratante e o subcontratado. Trata-se de moda­ lidade de aplicação das garantias dos direitos de crédito.186 D ire ito C ivil • V enosa Essa situação também é de ineficácia do pagamento e não propriamente de validade. e sim apenas três anos e meio após. Recebendo o credor o objeto da prestação. que o solvens tenha tomado ciência da penhora ou da oposição de terceiro. É possível. 72 da Lei nfi 8. articulado pelo subcontratado. Assim dispunha o art.O locatário não ostenta legitimidade ad cau­ sam para requerer a extinção do contrato de fiança do qual não faz parte .

a des- . 3. tendo em vista que o valor das prestações a serem pagas ao recorrente não foi majorado. a novidade processual foi emitida em benefício exclusivo do devedor e. deixa de ser aplicado o paradigma do art. O credor deve necessariamente se manifestar e aquiescer. 745-A é. 745-A do CPC e arts. O credor teria. 745-A ao CPC. o critério cronológico. 745-A N o prazo para embargos. não toca nos princípios basilares obrigacionais do Códi­ go Civil. mantido o depósito. outros meios mais eficazes de obter seu crédito. também não incide sobre a hipótese dos autos: a uma.382/2006. ademais. Autonomia da vontade. 313 e 314 do Código Civil. como a penhora on line. seguir-se-ão os atos executivos. o exequente levantará a quantia depositada e serão suspensos os atos executivos.redução dos juros remuneratórios . O juiz “pode” deferir pedido nesse sentido. 478 do Código Civil. Já há quem defenda que com esse texto. trazida pela Lei nQ11.encontra-se inserido no pedido de revisão contido na inicial.12As nor­ 12 “Apelação cível. de pleno direito. pode-se afirmar que não há um desequilíbrio ínsito ao contrato que promo­ va um aumento de prestação em favor de um e em prejuízo de outro. poderá o executado requerer seja admitido a pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais. porque o furto do veículo não pode ser enquadrado como ‘acontecimentos extraordinários e imprevisíveis’. com o imediato início dos atos executivos. 2. enquanto a norma inserida no CPC é procedimental. que o valor do débito seja pago parceladamente. Art. a essa antinomia entre o art.P a g a m e n to 187 A nova dicção da lei processual. permitindo-se. Financiamento veículo. 313. Como se nota. a duas. uma vez que a determinação do magistrado de primeiro grau . 313 e 314 regulam as obrigações em geral. com a con­ cordância do credor. dando ensejo à declaração de nulidade e revisão de cláusulas contratuais em favor do consumidor. sem dúvi­ da. posterior ao Código Civil. a nosso ver. que adotou a Teoria da Imprevisão. Furto. A preponderância deve ser segundo o critério da especialidade. portanto. porquanto é público e notório a ocorrência diutuma de furtos e roubos de carros nesta cidade. Inocorrência de jul­ gamento extra petita. sediada na fase de execução. reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de 30% (trinta por cento) do valor em execução. acrescidas de correção monetária e juros de 1% (u m p o rce n to ) ao mês. Há que se dar homogeneidade e interpretação lógica. O art. pois os arts. No microssistema jurídico do Código de Defesa do Consumidor estão inseridas medidas tendentes ao resta­ belecimento da isonomia substancial entre aquele que necessita obter produtos e serviços e quem os fornece. Não pensamos assim. imposta ao executado multa de 10% (dez p or cento) sobre o valor das prestações não pagas e vedada a oposição de embargos. assim. A norma é de processo e há de se atender ao contraditório. dispondo. inclusive custas e honorários de advogado. pois esse art. § 2 * O não pagamento de qualquer das prestações implicará. 4. 1. o vencimento das subsequentes e o prosseguimento do processo. acrescenta o art. § 1 6Sendo a proposta deferida pelo juiz. Há que se dispensar. In casu. para isso. caso indeferida. e.

l ô que todas as estipulações pecuniárias devem ser em Real. só pode ser feito em m oe­ da corrente no país. estabeleceu expressamente no art.039. Doutrina e precedentes. O art. e ao art. isso é isento de dúvida de qualquer modo. na mesma senda da legislação anterior. A questão ainda está em aberto. mero instrumento. Nas obrigações de dar coisa certa. Só existirá solução da dívida. Nos termos do artigo 314 do Código Civil. 7.0204. o parcelamento não pode ser concedido. 17-3-2011. Nessa questão deve ser lembrado o que foi dito acerca das obrigações de dar coisa certa e de dar coisa incerta. por exceção. acresce o art. ventura sofrida pela recorrida não acarretou qualquer vantagem extra à instituição financeira.2008. visando com isso maior transparência nas relações comerciais. Precedentes. ora mencionada. O art. proibindo as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. e não pagamento. sub-rogação etc. Os negócios em moeda estrangeira somente são permitidos. o endereço e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do fornecedor do produto ou serviço corres­ pondente. antes da escolha. não se aplica a faculdade do art.19. com a entrega do objeto da prestação. como a transação. Recurso provido” (T J R J . dação. 318 do Código expressa-se no mesmo sentido. não se cumprirá a obrigação enquanto não atendidos todos. excetuados os casos da legislação especial. deve prevalecer o princípio da autonomia da vontade. no caso de inadimplemento. Rei. 5. nos contratos de compra e venda de câmbio e nos contratos celebrados com pessoa residente e domiciliada no exterior. para as situações de perda após a escolha. Nas obrigações genéri­ cas. uma vez deteriorada ou perdida a coisa. 246. trazida pela Lei nô 12. o nome. 947 do Código de 1916 reportava-se do pagamento em dinheiro.188 D ire ito C ivil • V enosa mas de direito das obrigações do Código Civil devem ser entendidas como nor­ mas especiais de direito material em relação ao CPC. de 1° de outubro de 2009. moeda corrente no País. A Lei nQ 10. Se a prestação é complexa. 235 e 236. como regra geral. . são substituição de paga­ mento. constante de vários itens. nos con­ tratos de importação e exportação. Fora da execução e das condições do art. V i­ mos que atualmente tal pagamento. 6. 745-A. distinguindo-se se houve ou não culpa do devedor. 42-A a fim de determinar que constem em todos os documentos de cobrança de dívidas a serem apresentados ao consumidor. Nesse diapasão. em que pese a função social do contrato. reportemo-nos ao art.Apelação Cível 0017528-37. Também não são pagamento os outros meios válidos de extinguir a obrigação. 245. incabível impor ao credor o parcelamento pretendido. A nova dicção do diploma consumerista. 745-A. as regras são aquelas dos já estudados arts. não cabendo ao Judiciário determinar a revisão das avenças livremente firma das ante a inocorrênda de desequilíbrio contratual. mas nossa conclusão é no sentido que sem manifestação favorável do credor.192/2001.8. como regra geral. As perdas e os danos. José Carlos Paes). proibida a moeda estrangeira.

249 havendo recusa ou mora do devedor. em princípio. per­ mite que o juiz corrija o valor do pagamento. alqueires podem variar de acordo com as regiões em que as obrigações houverem de ser cumpridas (art. deve ser indenizada pelo valor mais alto da cotação. O art. seus direitos e obrigações. hoje gene­ ralizada em sua aplicação. Assim.Pagamento a ser amortizado em parcelas mensais e sucessivas. “p o r motivos imprevisíveis. que eram expressamente admitidas na redação anterior. na qual as partes livremente pactuaram. 315. quando. nesse mesmo capítulo. de acordo com o art. quando o caráter da obrigação assim o permitir. à custa deste. o que nada tem de ilegal .Trata-se de avença celebrada entre particulares.Acórdão Apelação Cível 1188105-9. no período em que se viu privada de alienar os valores mobiliários. sobrevier desproporção manifesta entre o valor 13 “Ação declaratória de nulidade contratual c. Des. quando ocor­ rerem fatos imprevisíveis que proporcionem defasagem manifesta entre o valor original da prestação devida e o valor do momento da execução da prestação. Pedro Ablas).10-12-2008. Quando a vítima vem a recuperar o direito às ações. a pedido da parte. como já mencionamos. vimos que a obrigação pode ter mais de um objeto. Ou pode o credor optar diretamente pelo pedido de indenização. A abstenção é a do fato pro­ metido. como regra geral.P a g a m e n to 189 É importante lembrar também do citado art. Rei. no art. suponhamos o exemplo de um furto de ações com cotação em bolsa. Os termos arrobas. estatui que as dívidas em dinhei­ ro deverão ser pagas no vencimento em moeda corrente e pelo valor nominal. Como já mencionamos no capítulo anterior.c. que na obrigação de fazer pode o credor ser satisfeito pela atividade de terceiro. braças. Incluía-se a noção da correção monetária. no entanto. Vimos. como é o caso das obrigações alternativas e facultativas. repetição do indébito . Os pagamentos contratados em medida ou peso devem obedecer aos costu­ mes do lugar.Recurso improvido” ( TJSP . Nos capítulos anteriores. matéria estudada neste volume e que traz exceção ao tema quanto ao objeto do pagamento. .Admissibilidade . as modalidades de cláusula móvel e correção monetária. a lei mais recente admite a intervenção judicial com correção do valor no pagamento do preço. É oportuno lembrar que o corrente Código procurou atualizar o conceito de pagamento em dinheiro. Nas obrigações de fazer o pagamento se dá pela atividade exatamente con­ tratada. como acentuado.Alienação de Quo­ tas Sociais . em igualdade de condições. No entanto. Assim também na obrigação de não fazer. 948 do Código de 1916 estatuía que “nas indenizações p or fa to ilícito prevalecerá o valor mais favorável ao lesado”. 317.13 Afastam-se. entre as quais a atualização da obrigação com base na variação do dólar norte-americano. que. reajustadas de acordo com a variação cambial do dólar norte-americano . tratava-se de disposição que buscava dar a indenização mais completa possível no caso de culpa. Por outro lado. Cuida-se de aplicação específica da teoria da imprevisão. 326).

portanto cláusula móvel das prestações. causando desequilíbrio financeiro.Acórdão Apelação Cível 7134970-1. o acórdão recorrido examinou. a vinculação de correção monetária ao dólar americano ficou expressamente vedada.Cabimento .Indevida . Rei. atribui-se ao Judiciário.Onerosida­ de . Não pode o devedor pretender rever contrato de compra de insumos para lavoura sob a alegação de quebra na safra. o poder de revisão dos preços. sem dúvida. algo que diz respeito a índices de correção monetária.Agravo Regimental improvido” (STJ . 3 . 318 do presente estatuto civil estipula que serão nulas as con­ venções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. a conveniência da presença dessa norma de natureza eco­ nômica em um Código Civil.149. 3 1 7 ). motivadamente.880/94.Inadimplemento . 6 . de forma expressa.Súmula 5/STJ .Recurso especial . 6-12-2011. mesmo que se entenda tratar de relação de consumo.190 D ire ito C ivil • V enosa da prestação devida e o do momento de sua execução” (art.Interesse processual . 5 .Manutenção .Revisão contratual .Aplicação da teoria da imprevisão . 15 “Direito civil . 2 .A convicção a que chegou o Acórdão quanto à aplicação da teoria da imprevisão decorreu da análise do contrato. Não há que se falar. De qualquer forma.A C 2011.(6-1802/2011).Contrato de compra e venda de soja .Violação do art. pois todas as exceções a essa regra.Duplicatas . o valor real da prestação. Causa previsível ao homem médio. que sempre balouçará aos ventos da economia. algo que. 1-12-2011.Juros remuneratórios . Sobre esse tema. 4 .993 . e não são pou­ cas. Recurso improvido” (T J S P . pois os advogados e a sociedade desempenham papel importante nessas chamadas cláusulas abertas do atual código. salvo as exceções da legislação.Ação de cobrança prestação de serviços . . pretium et consensus). Rei.Súmula 83/STF . O citado art. não se pode rever o contrato sob este fundamento.Por não integrar a credora o Sistema Finan­ ceiro Nacional. todas as questões pertinentes.Embora rejeitando os embargos de de­ claração. “quanto possível”. Min.Recurso conhecido e não provido . 29-10-2007. não há que se falar em ofensa ao art. Sidnei Beneti).14 Nessa situação.AgRg-REsp 1. “Embargos à execução .É inadmissível o recurso especial.Com o advento da Lei n° 8. dentro da teoria da imprevisão ou excessiva onerosidade. . Rodrigo de Castro Carvalho).Decisão agravada . É difícil prever o alcance dessa norma. 316 permitiu que “é lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas”.1 .(2009/0139886-9). 535 do CPC . porém. contudo. bem como de eventual diferença cambial.Decisão unânime” (T JA L . logo. José Cícero Alves da Süva).Pagamento em moeda estrangeira. nesta e em outras disposições do mesmo alcance. que criou a URV como padrão de valor monetário. acrescente-se ainda que o art.Onerosidade excessiva .Correção monetária atrelada ao dólar . Rei.Não ocorrência .001221-2 . Des.15 A proibição da chamada cláusula-ouro vem de longa data em nossa legislação. além de abrir válvula à inclusão de juros compostos nas prestações. Presentes os elementos da compra e venda (res. como exposto.Indenização em desfavor do contratado . poderá o juiz corrigir o preço a pedido da parte interessada para assegurar. Discutível.Necessidade de conversão para a moeda nacional . 535 do Código de Processo Civil. em discricionariedade exclusiva do Judiciário. quando a decisão recorrida que examinou o tema do interesse pro­ cessual assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles (Súmula 83/STF). os juros remuneratórios devem ser estabelecidos no patamar de 12% ao ano. 14 “Agravo regimental . a atrair o óbi­ ce previsto na Súmula STJ/5.CDC.Teoria da imprevisão . salvo em hipóteses legalmente autorizadas. pertencem à legislação especial de natureza financeira.

227 do Código Civil.1 Prova do Pagamento Prova é a demonstração material. de­ pósito necessário ou hospedagem em hotel.16 Nesse diapasão. No entanto. 320. os dispositivos do estatuto proces­ sual admitem prova testemunhai. É uma evidência. A quitação. 1. instrumento da quitação. não isenta o devedor de apresentar . A í estão os requisitos do recibo. por exemplo. o tempo e o lugar do pagamento. Trata-se de prova cabal de pagamento. ou quem por este pagou. do CPC). 320 que a quitação 16 “Recurso de embargos infringentes . se o valor exceder ao teto legal (art.P a g a m e n to 191 converte-se em terreno pedregoso para os interessados e dependerá dos ventos da jurisprudência.Pagamento da primeira parcela à vista mediante a entrega de notas de clientes em atraso . designará o valor e a espécie da dívida quitada. O fato de constar no instrumento contratual de cessão de capital de empresa que o pagamento da primeira parcela se daria à vista. sem dúvida.Ação monitória . 320). como fala o Direito anglo-saxão. qualquer que seja sua forma.Necessidade de comprovação mediante recibo ou menção expressa no contrato .Acórdão não unânime que reformou sentença de pri­ meiro grau . que sempre pode­ rá ser dada p or instrumento particular. com a assinatura do credor. “O devedor. Um escrito particular pode.093 do Código de 1916. contendo os requisitos do art.Ausência de prova da entrega das notas . dizia que a quitação vale. o atual Código acrescentou no art. ato ou negócio jurídi­ co. o nome do devedor.5.Re­ curso conhecido e provido. 401 e 402. Tlido se deve. moral ou materialmente. não tinha condições de obter a quitação. ou do seu representante” (art. às experiên­ cias inflacionárias que tivemos em passado não muito distante. palpável de um fato. em documento emanado da parte contra quem se quer fazer valer o documento e nos casos em que o credor. ao tratar do distrato. O art. que paga. “A quitação. Nas obrigações de não fazer. exemplificando a própria lei (art. da quitação. Recibo é o documento idôneo para comprovar o pagamento das obrigações de dar e fazer. quando houver começo de prova por escrito. o ônus da prova é do credor. enquanto lhe não fo r dada” (art. que deve evidenciar se foi praticado o ato ou os atos. o texto da lei é meramente enunciativo. Quem paga tem direito a se munir de prova desse pagamento. tem direito a quitação regular.Contrato de cessão de capital de empresa . 402 do CPC) com o parentesco. portanto. e pode reter o paga­ mento. não necessita ter a mesma forma do contrato. 8. Contudo. Há. 319). todo um embasamento peculiar no pagamento quando este é estabelecido em dinheiro. valer como quitação para uma obrigação contraída por instrumento público. É manifestação externa de um acontecimento. porque em juízo não se aceitará prova exclusivamente tes­ temunhai para provar o pagamento.

Acórdão Embargos Infiringentes 90261/2010.773-4/7-00. que significa acalmar. Rei. aliás. Mendes Gomes).Quitação. l c-4-2009.157-9. basta que se refira claramente ao pagamento da obri­ gação.Ausência de notificação do devedor da cessão havida .Acórdão Apelação Cível c/ Revisão 1116175-0/9.13-8-2011. O recibo de pagamento é a única prova de que pode se valer o de­ vedor para demonstrar que adimpliu a obrigação. por não haver nos autos qualquer indício de prova da sua quitação” ( T J M S .Cobrança de impostos sobre o imóvel e pe­ dido contraposto de arbitramento de aluguel . A Lei do Inquilinato. pois de acordo com o art. Nada impede.Laudo pericial neste sentido. o que não se tem no caso em discussão . enquanto não lhe seja dada”. É um direito dele.080.Prova Pagamento . e pode reter o pagamento. 320 do Código Civil). é aplicação específica da exceptio non adimpleti contractus.245/91. Sanes Rossi).Pagamento válido .Incontroverso o condomínio havido entre as partes com relação ao imóvel descrito na inidal . . “Cambial . aquietar.Recurso improvido” (T J S P . Esse direito de negar o pagamento. 44.Ap. 319 do vigente Código Civil” (T J S P . cuja forma de prová-la é prevista na norma ínsita no artigo 320 do mesmo Diploma Legal. assim como Acórdão proferido nos autos da ação de alienação judicial envolvendo o mesmo bem .00 (dnco mil reais). 320 acrescenta: “Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo. erige como crime (art. “Pagamento . “Código Civil . Clarice Claudino da Silva). repetindo a dicção do velho art. se de seus termos ou circunstâncias resultar haver sido paga a dívida.Preliminares afastadas . É dever do cre­ dor dar a quitação. I) a recusa do fornecimento de recibo de aluguel nas habitações coletivas multifamiliares. Lei nô 8. Des. Dispõe o art. a prova do redbo de pagamento.Coisa comum .Termo inicial da obrigação . uma vez recebido o pagamento. aquele que paga tem direito a quitação regular. en­ tendeu não ter ficado provado o pagamento do débito no valor de R$ 5. como se vê.192 D ire ito C ivil • V enosa pode ser dada sempre por instrumento particular. que “o devedor que paga tem direito a quitação regular. 319 do Código Civil.Rei. entende-se que a quitação se refere a todo débito. É o que soa o art. contrariamente à douta maioria. Cível 1. J. o parágrafo único do atual art.Sentença mantida . que seja dada por instrumento público e. 23* Câmara de Direito Privado .Prova dos autos no sentido de que houve quitação do débito junto ao credor originário . apenas admitindo prova testemunhai quando se tenha um indício desse pagamento. porém. Rei. Nesse diapasão.Acórdão Apelação Cível 227. valerá a quitação. se fornecida por instrumento particular.Data da ciência do autor do pedido contraposto formulado na resposta .Determinação de anulação do título e sustação definitiva do protesto Admissibilidade . Des. 6-10-2011. 939. B. Se ressalva alguma for feita no instrumento. 27-5-2009. É uma forma de deixar tranqüilo o devedor.000. Deve prevalecer o voto vencido que.Correto o arbitramento de aluguel em favor dos requeridos na propor­ ção de 50% . 319 do atual Código. Rei.Utilização exclusiva pelo autor do bem comum . não exi­ girá palavras sacramentais. pode ser parcial.Prova do pagamento dos impostos que se faz mediante instrumento escrito (art.Imóvel que não comporta divisão cômoda .Cessão de crédito por operação defactoring .Cheque .Recursos desprovidos” (T J S P . o qual. Franco de Godói).” O termo quitação vem do latim quietare. Des.

Em tais casos. e a sentença substituirá a regular quitação (art. 320. 29-11-2006. declaração do credor. até prova em contrário. de indícios veementes da ocorrência do ilícito para a inversão do ônus da prova no caso de alegação de agiotagem . cumulada com indenização por danos morais . Rei.Incontroverso o condomínio havido entre as partes com relação ao imóvel descrito na inicial . 321: “nos débitos.P a g a m e n to 193 Se o credor se recusar a conceder a quitação ou não a der na devida forma. diz o art. 17a Câmara de Direito Privado .Acórdão Apelação Cível 1. 324. Trata-se de ação para obrigar o réu a uma manifestação de vontade. perdido este. a quitação da última estabe­ lece.Improvido . “Cambial . Daí a necessidade da declaração. 941). Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de prova testemunhai que objetiva comprovar o pagamento de dívida representada por título de crédito. por força de endosso .Ap.Cheque que é ordem de pagamento à vista . 19-11-2008. Se não existe prova do pagamento. Des. desproporcionais ao valor de emissão do cheque . retendo o pagamento. pode o devedor acioná-lo. representados por um título. 12a Câmara de Direito Privado . as quais. a presunção de estarem solvidas as anteriores”. Cível 7.261.Ap. do mesmo diploma legal).10.Conduta legal do oficial do tabelionato. a dívida persiste” (T JM G .Recurso não provido” (T J S P . portanto.Ação declaratória de inexigibilidade de título de crédito.Falta de prova de dolo e culpa .Cobrança de impostos sobre o imóvel e pedido contraposto de arbitramento de aluguel . 18 “Coisa comum .Prova do pagamento dos impostos que se faz mediante instrumento escrito (art. regida por lei específica .Responsabilidade objetiva apenas da Administração Pública . o Código passa a tratar de presunções de pagamento. São presunções relativas.516-0.0024.Necessidade .Recibo ou entrega do título . Há débitos literais.18 17 “Apelação .Prova desnecessária e imprestável para comprovar pagamento de título de crédito .Embargos do devedor .070. porém.Hipótese em que os documentos juntados não comprovam o empréstimo ou a quitação da dívida .852-2. Esse artigo diz que “quando o pagamento fo r em quotas periódicas. Marcelo Rodrigues). pelo devedor. 320 do . Tersio José Negrato).Recurso improvido.16-2-2011. Cerqueira Leite).Rei. A posse do título pelo credor é presunção de que o título não foi pago.Cheque . A sentença substituirá essa vontade renitente.Agravo retido .Presunção de que o título não foi pago Demonstração. É lícito ao devedor reter o pagamento enquanto não lhe for dada a quitação regular (art.Cheque .Esgota­ mento de diligências na intimação do autor anterior ao protesto . isto é. “Cambial .17 A partir do art.Honorários advocatícios. o pagamento deve ser provado pelo recibo (art.Posse do título pelo apelado . Cível 1. em se tratando de notas promissórias.Inoponibilidade das exceções pessoais ao novo portador.Recurso parcialmente provido” (T J S P . 322. que inuti­ lize o título desaparecido”.Posse do quirógrafo pelo credor que prova o inadimplemento .Testemunha contraditada .015599-3/001. p o­ derá o devedor exigir. do Código Civil de 2002). 319.Rei. cuja quitação consista na devolução do título. admitem prova em contrário. A prova testemunhai é a mais frágil de todas e. do Código Civil de 2002) ou pela entrega do título ao de­ vedor (art.

contudo.(2010/0103869-0). o que não se tem no caso em discussão . “Apelação cível. procedimento que encontra óbice na Súmula n9 7 do STJ. nas contas de fornecimento de energia elétrica ou de outros serviços essenciais ou semelhantes. estes se presumem pagos. a remessa do título pode ter sido efetuada por en­ Código Civil). segundo alguns.09. Ação de execução de título extrajudicial. Des. 1966.Utilização exclusiva pelo autor do bem comum . periódicos. Rei.15-32011. a qual se mantém por seus próprios fundamentos.Correto o arbitramento de aluguel em favor dos requeridos na proporção de 50% . Daí é costume.194 D ire ito C ivil • V enosa O mais lógico é entender que o credor não receberia a última prestação. Por conseqüência. Agravo Regimental improvido” (S T J . desta forma.8. Des. Min. que sempre poderá ser dada por instrumento particular. o que será tratado a seguir. alcançando. Comprovação do pagamento através de recibo ou documento equivalente. por exemplo. prova em contrário. extinção da obrigação de conceder alimentos ao filho. efetuado o pagamento.Imóvel que não comporta divisão cômoda . 323. O art. Lopes.773-4/7-00. inserir a declaração de que a quitação da última conta não faz presumir a quitação de débitos anteriores. Nos termos do art. 27-5-2009. Rei. ou quem por este pagou.Decisão agravada mantida .Termo inicial da obrigação . do Código Civil. 19 “Agravo regimental . Camargo Neto). presume-se credor aquele que se encontra na posse do título. o acessório. Não cabe. É defensável também a posição de que o credor pode opor-se ao recebimento nessa situação. ou do seu representante. em se tratando de prestações sucessi­ vas recusar-se ao recebimento da última. 320. Rei. o tempo e o lugar do pagamento.19 Esse artigo deve ser examinado em consonância com o art. 2.Acórdão Apelação Cível 227. II . se não recebeu alguma anterior: deve receber com ressalva. designará o valor e a espécie da dívida quitada.Improvimento . com a assi­ natura do credor. Salles Rossi). Sidnei Beneti).Reexame do quadro probatório .AgRg-AI 1.1 . Inexistindo prova do pagamento do débito não há falar em quitação ou desobrigação expressa do título cambiário.320. a quitação. no entanto.Data da ciência do autor do pedido contraposto formulado na resposta . À luz do princípio da cartularidade. Admite-se. 324). .491 . Nota promissória. v. ao credor. apenas admitindo prova testemunhai quando se tenha um indício desse pagamento.A quitação do capital sem reserva dos juros gera presunção de pagamento art. Apelo conhecido e desprovido. 21-2-2011. a fim de evitar a presunção legal (cf. 2:206).Laudo pericial neste sentido. “a entrega do título ao devedor firm a a presunção do pagamento” (art. naturalmente. Alegação de qui­ tação do débito não demostrada. 1. Rever esse enten­ dimento quanto à intenção das partes no momento do adimplemento depende do revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. Senten­ ça mantida” (TJGO . sem reservas de juros. se a anterior não tivesse sido paga.Execução de alimentos .O Agravante não trouxe qualquer argumento capaz de modificar a conclusão alvitrada.Acórdão: Apelação Cível 336314-22. 323 presume que na quitação dada ao capital. Ausência. tendo em vista que o devedor já está em mora. do Código Civil.Súmula 7 do STJ .Quitação do principal sem menção ao juros .Agravo de instrumento .Sentença mantida .Recursos desprovidos” (T J S P . 354 da imputação do pagamento.Impossibilidade de apreciação . cabe ao devedor a exigência da devolução da respectiva nota promissória. o nome do devedor.2000. A presunção é relativa porque o título pode ter sido obtido com violência.0105 (200093363141). assim como Acórdão proferido nos autos da ação de alienação judicial envolvendo o mesmo bem . Quando o título representa a obrigação.

o pagamento deve ser provado pelo recibo (art. a dívida é quérable. estabelecendo uma forma geral mais justa: “Se ocorrer aumento p or fa to do credor. Rei. esse prazo é decadencial.015599-3/001. a falta do pagamento.Acórdão Apelação Cível c/ Revisão 1019859 . A regra geral. A prova testemunhai é a mais frágil de todas e. 8. pois dispensada a penhora. em 60 dias. qualquer fato imputável ao credor que gere acréscimo de despesas deverá ser a ele imputado. sal­ vo estipulação em contrário (art. Marcelo Rodrigues).P a g a m e n to 195 gano.Agravo retido . repetindo a mesma regra anterior. Em geral. deixando herdeiros em lugares diferentes. 324 do CC) . do Código Civil de 2002) ou pela entrega do título ao de­ vedor (art.16-2-2011. nesse prazo decaden­ cial. o instrumento de quitação. Qualquer que seja o meio.0024. portanto. além de sua defesa poder ser exercida com maior amplitude .Acórdão Apelação Cível 1.O detentor de título executivo extrajudicial tem interesse para cobrá-lo pela via ordinária.Testemunha contradita .Litigância de má fé . 319. “Locação . porém. Se não existe prova do pagamento. suportará este a despesa acrescida. do mesmo diploma legal). 324 do vigente Código. o credor mudar de domicílio ou morrer. ou peso. “Se. 326 do Código repete regra anterior: “Se o pagamento se houver de fazer p or medida. O art. no silêncio das partes. pode o credor provar a falta de pagamento. Des. . Cabe ao credor procurar o devedor para a cobrança. a dívida persiste” (T JM G . Romeu Ricupero). o que enseja até situação menos gravosa para o devedor. é que não é justo que o devedor arque com despesas por fatos supervenientes para os quais não concorreu. Rei.Cobrança . que aceitaram os do lugar da execução. As despesas com o pagamento e a quitação correm por conta do devedor. É a regra geral do art.” O atual Código moderniza esta regra. 325).Recibo ou entrega do título . Dívidas Quérables e Portables No silêncio da avença. agora desprendida dos fatos típicos narrados no dispositivo anterior. O mais recente Código suprimiu regra que constava do dispositivo e vedava essa prova se a quitação fora dada por escritura pública.Apelação não provida” ( T J S P . reza que essa quitação ficará sem efeito se o credor pro­ var. entender-se-á. se não houver ressalva expressa.Pro­ va desnecessária e imprestável para comprovar pagamento de título de crédito . se as partes pactuaram o pagamento de terra em alqueires em Goiás.Improvido .” Assim.” Portanto.6 Lugar do Pagamento.Notas promissórias representativas do débito e em poder do cre­ dor .Recurso improvido. em se tratando de notas promissórias.20 O parágrafo único do art. É lícito ao devedor reter o pagamento enquanto não lhe for dada a quitação regular (art.Sentença mantida . Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de prova testemunhai que objetiva comprovar o pagamento de dívida representada por título de crédito. entende-se que a medida é a daquela região. Como se nota. Des.Embargos do devedor . 14-12-2007. correrá p o r conta do credor a des­ pesa acrescida. 324. 327. por exemplo. 20 “Apelação . do Código Civil de 2002). 320. o pagamento será efetuado no domicílio do devedor.0/3.10.Presunção de não pagamento (art.

Despesas condominiais .00.Ap.0023. ou devesse. que se arbitra em R$ 8. Ante a ausência de eleição de foro pelas partes. 4.Ausência de irregularidade .8. junto ao credor.SP para processar e julgar a causa sub judice” ( S T J . ain­ da que vencida a dívida no respectivo termo. Dano moral in re ipsa. que se arbitra em R$ 8. se não efetuada as diligências necessárias para consti­ tuir o devedor em mora.SR 7-4-2011. Nancy Andrighi). Recurso especial provido a fim de restabelecer a decisão interlocutória que reconheceu a competência do juízo do Foro Regional de Santo Amaro da Comarca de São Pau­ lo .196 D ire ito C ivil • V enosa Em caso de disposição contratual em contrário. Inconformidade recursal. que se acolhe. independentemente da comprovação da dor. 5. devem prevalecer sobre a regra geral. 26-8-2011. Segundo a norma do artigo 327 do Código Civil. Segundo a norma do artigo 327 do Código Civil. O CPC estabeleceu que. 2.072. a dívida é portable. Célia Maria Vidal Meliga Pessoa). Cível 924. quando o devedor deve procurar o credor em seu domicílio.2010. de modo que inexiste obrigatoriedade de se valer da via consignatória. em razão da especialidade.26* Câmara de Direito Privado .21 21 “Processual civil. que se afastam. o pagamento é em regra quesível. ou no local por ele indicado. se não efetuada as diligêndas necessárias para constituir o devedor em mora. sofrimento e humilhação pertinente à indevida negativação. Encargos moratórios do parcelamento. a competência territorial é determinada pelo domicílio do demandado. contudo. do CPC dispõe ser competente o foro do lugar onde a obrigação deve ser satisfeita para a ação em que se lhe exigir o cumprimento. Aplicação do art. iy ‘d’ do CPC.2010. com efeito liberatório da dívida. Sentença de improcedênda.Dívida de natureza portable . 3. Negativação indevida.000. . que se acolhe. 26-8-2011.318 . Sentença em confronto com jurisprudênda dominante do STJ e do TJRJ. Des.Apelação Cível 0000928-28. é competente para processar e julgar a ação de ar­ bitramento de honorários. que se afastam. iy ‘d’. Sentença de improcedênda. sofrimento e humilhação pertinente à indevida negativação. De tal sorte. o foro do lugar em que a obrigação deve. Min. Mora do credor. porquanto consentâneo com a razoabilidade e proporcionalidade. Quantum indenizatório. segue-se que a inércia do cre­ dor afasta a mora debitoris. com efeito liberatório da dívida. Rei. Negativação indevida. do CPC. muito comum aliás.Percentual de multa cobrado de acordo com a nova previsão legal . 1. ser satisfeita. Sentença em confronto com jurisprudência dominante do STJ e do TJRJ. Prevalência do foro em que a obrigação deve ou deveria ser satisfeita. a exemplo do envio de boleto de cobrança. Provimento do recurso” (T JR J . Encargos moratórios do parcelamento. 100. trazendo. independentemente da comprovação da dor.Afastamento da obrigação do devedor de quitar dívida certa.Impossibilidade . 2-6-2007. a ser feito no domicílio do devedor.00. Aplicação do art. 100.000.8. a ser feito no domicílio do devedor. § 1°-A.Boletos bancários insti­ tuídos como fadlidade ao pagamento . em eventual caso de extravio ou não emissão . Célia Maria Vidal Meliga Pessoa). ainda que vendda a dívida no respectivo termo. a exemplo do envio de boleto de cobrança. em processo de conhecimento. Rei.0023. Dano moral in re ipsa.Acórdão Recurso Especial 1.19.812-0/0. 557.Apelação Cível 0000928-28. “Responsabilidade dvil. nos termos do art. Recurso especial.Recurso improvido” (T J S P . Provimento do recurso” (T JR J . como regra bá­ sica. Ação de cunho eminentemente condenatório. Vianna Cotrim). §1°-A. Dívida quesível. uma série de normas específicas. as quais. não obstante a ausência de certeza acerca da existência da relação contratual também conferir-lhe carga declaratória. Art. O art. de modo que inexiste obrigatoriedade de se valer da via consignatória. segue-se que a inérda do credor afasta a mora debitoris.19. Indevida inscrição em cadastro de inadimplentes caracterizada. 94. “Condomínio . porquanto consentâneo com a razoabilidade e propordonalidade. Dívida quesível. A ação de arbitramento de honorários possui cunho eminentemente condenatório. Com­ petência. Mora do credor. “Responsabilidade civil. Rei. Inconformidade recursal. do CPC. Indevida inscrição em cadastro de inadimplentes caracterizada. Ação de arbitramento de honorários advocatícios.Rei. o pagamento é em regra quesível. De tal sorte. Quantum indenizatório. 557.

328 trata de pagamento consistente na tradição de um imóvel.Apontamento que se mostra legítimo e justo . sempre que a natureza da obrigação o permitir.Ap. mormente de costumes. por força de circunstâncias ou de sua natureza. Ou vice-versa. A habitualidade há de ser vista como intenção de mudar o lugar de pagamento.Autor que. O art. há animus de mudança de local de paga­ mento. quedando-se inerte. 327 acresce que. se forem designados dois ou mais lugares. mudança de servidão etc. 327. são supletivas da vontade das partes. improvido o do autor” (TJSP . se continuamente o devedor procura o credor para pagar. essa redação mais antiga. ademais. Se isso não for possível e o pagamento tiver que ser necessa­ riamente feito em outro local. manifestar sua escolha ao devedor. viagens etc. as partes poderão dispor diferentemente.P a g a m e n to 197 Sempre será o acordo das partes que prevalecerá. o vigente Código traz duas disposições novas.Sentença de procedência reformada. para que este possa efetuar o pagamento. O credor não pode ficar preso ao capricho do devedor. sem as onerações da mora e sem providenciar qualquer aviso sobre o pagamento feito em local diverso do ajustado. representada por um boleto bancário. O parágrafo único do art. em tempo hábil. caberá ao credor a escolha. mas são referentes a serviços só realizáveis no local do imóvel. Paulo Dias de Moura Ribeiro). Des.Inscrição do nome do consumidor em cadastro restritivo de órgão de proteção ao crédito . . paga mal. ao seu risco. Quem paga em lugar errado.Banco de dados . Esse artigo não guarda interesse prático de monta. ora no domicílio do devedor. não significam aluguéis. pois dava ideia de que o imóvel pode movimentar-se. No entanto. A grande importância na exata fixação do lugar do pagamento reside na ocorrência da mora.235-7. Em matéria referente ao lugar do pagamento. com razão. 329 dispõe: “Dano moral . A matéria é dispositiva. O corrente Código melhora a redação e se refere ao <(lugar onde situado o bem”. invertidos os ônus sucumbenciais . remeteu dinheiro para outra conta-corrente da ré.Recurso da ré provido. no novo domicílio do devedor. ditas na lei.Dívida portable. o mais lógico é que o credor opte por manter o mesmo local origi­ nalmente fixado. arcará este com as despesas acarretadas ao credor. A lei também pode fixar o lugar do pagamento.112. Há obrigações que. como foi dito.Gravame moral não evidenciado . 27-9-2006.Rei. devem ser executadas ora no domicílio do cre­ dor. Embora haja divergência na doutrina. Cível 1. O art. na grande maioria das vezes. v. Suas regras. quando do recebimen­ to de notificação de Cartório de Protesto . de acordo com o art. Washington de Barros Monteiro (1979. Embora o contrato possa fixar a dívida como quérable. e sendo a lei omissa. T\ido isso está no art. local e forma convencionados . tais como taxas de remessa bancária. 11* Câ­ mara de Direito Privado . 78. como reparações de cerca. salvo se as partes fizerem ressalva que a inversão do que consta no contrato é mera liberalidade. As prestações relativas a imóveis. 4:259) criticava. no entanto. que deixou de ser paga no dia. O credor deve. Problema surge quando o devedor muda de domicílio. retificações de curso de córregos. dizendo que far-se-á no lugar onde este se acha.

Inoponibilidade da exceção. regra clássica que desenvolveremos mais adiante (dies interpellat pro homine.” Essa presunção é relativa.Pagamento parcelado conforme acordo judicial .06. o caso fortuito e a força maior não autorizam indenização. como regra.7 Tempo do Pagamento A época.Notificação do devedor para constituição em mora .Embargos à execução . o simples dia do vencimento é uma interpelação).Recurso conhecido e improvido. 397). 330: “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. Lembre-se de que. o simples advento dessa data já constitui em mora o devedor (art. Imagine-se que o local do pagamento esteja isolado ou em esta­ do de calamidade pública: o devedor poderá efetuar o pagamento em outro local. A expressão “sem prejuízo para o credor” deverá ser entendida com reservas. o momento em que a obrigação deve ser cumprida. ainda que reiterado.101987-4/001. é feito por mera liberalidade. o juiz deve examinar a conduta dos contratantes sob o prisma da boa-fé objetiva e dos costumes do local. 331 do Código Civil. sem prejuízo de o credor exigi-lo no local apontado. Se o credor deve ou não ser ressarcido dos incômodos de receber em local diverso do combinado é matéria para ser examinada no caso concreto. Não se deve esquecer que neste caso. 8. um termo. poderá o devedor fazê-lo em outro. 397 do Código Civil .Confissão de dívida para saldo futuro . Ação executiva fundada em confissão de dívida que não prevê prazo certo para pagamento. O simples fato de o pagamento efetuar-se em outro local já acena com o descumprimento de uma obrigação. Rei. Des. Quando existe uma data para o pagamento. é de suma im­ portância. Nilo Lacerda). nos termos do art.Exceptio non adimpleti contractus .0518. o mais cômodo possível para o credor. certa e não exigível .22 Quando não existe data para o cumpri­ 22 “Embargos à execução .:” A regra ratifica o brocardo segundo o qual nada se pode fazer perante uma impossibilidade.Dívida líquida. sem prejuízo para o credor.Parágrafo único do art.198 D ire ito C ivil • V enosa “Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado.Inexistência de termo certo . como em qualquer situação contratual. “Apelação cível . 14-8-2007. A exceção do contrato não cumprido não pode ser alegada contra a parte que iniciou o adimplemento das suas obrigações exatamente como previsto no acordo” ( TJMG .Acórdão Apelação Cível 1. Inexistindo cláu­ sula no acordo que preveja condição ou prazo para o início da prestação de fazer nele prevista. conten- . Outra regra importante é trazida pelo contemporâneo estatuto no art. principalmente para estabelecer o inadimplemento total e a mora (ina­ dimplemento parcial). a obrigação é exigível imediatamente. pois pode o contrato ter assinalado que o recebi­ mento do pagamento em local diverso do indicado.Necessidade .Obrigação de fazer descumprida .

174-0/3. se por um lado pode ser cumprida antecipadamente. como no caso do empréstimo. visto decorrer da própria Convenção Condominial e em observância aos artigos 397 do atual Código Civil e 12 da Lei 4. a descontar os do a cláusula ‘a saldar futuramente’.Incidência a partir dos respectivos vencimentos. Há obrigações que. .P a g a m e n to 199 mento da obrigação.Cobrança . deve ser notificado o devedor para ser constituído em mora.Condomínio .Despesas condominiais . Não é muito comum. Rei. é cumprível pelo devedor desde sua constituição.Recurso improvido” ( T J S P . Se a obrigação consistir em obrigações periódicas. Quando as partes ou a lei não estipulam um prazo para o pagamento. O credor não pode exigir o pagamento antes do vencimento. por sua própria natureza. Des. o devedor pode antecipar o cumprimento.12-1-2010.070. certo e inexigível” ( T J M S . cada pagamento deve ser examinado de per si. Tal assertiva deve ser vista com a reserva necessária. não pode ser cumprida além do prazo marcado. 29-1-2007.Rei. Sendo um favor seu. de um lado.Condomínio . no art. o comprador de uma mercadoria que fixa um prazo de 90 dias para recebê-la. não pode ser o credor obrigado a receber antecipadamente. inclusive com medida judicial. Quando existe um prazo. necessita de prévia notificação do devedor para sua constitui­ ção em mora. ressalva­ das as situações de caso fortuito ou de força maior.Ap. Se. Suponhamos. 331.Rei. o credor pode exigi-lo imediatamente”.Aplicação da regra dies interpellat pro homine Incidência a partir do vendmento das parcelas e não da citação . “Juros . Nesse caso. sendo até então o débito líquido. da locação. salvo os casos examinados. A obrigação. mas já com os encargos de mora. sob pena de ficar obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento.Acórdão Apelação Cível 2007. se ain­ da for útil para o credor. Entre nós o prazo presume-se estipulado em benefício do devedor (art.Obrigação líquida e com prefixação do dia de vencimento . a obrigação em retardo pode ser cumprida. Diz o Código.123.029451-2/0000-00. não pode pedir dilação de prazo ao juiz. não podem ser exigidas de plano. O credor não pode exigir seu cumprimento. 133).Cobrança . nesses moldes. 26a Câmara de Direito Privado . por exemplo. porque o recebimento antecipa­ do lhe seria sumamente gravoso. Isto é. “Juros moratórios . a obrigação só pode ser exigida pelo credor com o advento do termo desse prazo. mas a obrigação pode ter um prazo fixado em benefício do credor. Renato Sartorelli). prevalecendo a regra dies interpellat pro homine. As obriga­ ções com prazo fixado são as obrigações a termo. do depósito. Joenildo de Sousa Chaves).887-0/6.Recurso não provido” ( T J S P .Ap. que. a pres­ tação pode ser exigida a qualquer momento: são as obrigações puras. nada impede que cumpra antecipadamente a obrigação. Mendes Gomes). porque nesse período estará construindo um armazém para guardá-la. mas a obrigação. Cada prestação periódica deve ser estudada isoladamente.Moratórios . 10-9-2007. Voltaremos a esse tema. O prazo foi instituído a seu favor. Cível 1.591/64 . 'Vido tendo sido ajustada época para o paga­ mento. Cível 1.Mora e x r e .Despesas condominiais . 35a Câmara de Direito Privado .

Há. . o credor pode interpelar o de­ vedor para que cumpra a obrigação num prazo razoável.200 D ire ito C ivil • V enosa juros correspondentes. no entanto. e o devedor. III . fidejussórias. que poderá ser fixado pelo juiz. solidarie­ dade passiva. porém. também. do Código Civil argentino). ou de concurso de credores. em benefício tanto do credor. e a pagar as custas em dobro (art. não pode exigir o pagamento antes do vencimento. Destarte. permitindo que o acesso às contas bancárias seja feito nas 24 ho­ ras. 939. tais como redução de juros ou de taxas. N o entanto. como vimos.se os bens. o art. O credor deve provar a ciência desse implemento pelo devedor. Terminado o expediente. 7 9 1 .se cessarem. intimado. em três situações: “I . hipotecados ou empenhados. a não ser que convencionado. o faz por sua conta e risco. portanto. horário bancário ou forense. dependem do implemento da condição. Nos casos deste artigo. no débito. As obrigações condicionais são tratadas pela regra do art. forem penhorados em execu­ ção p or outro credor. O credor. O devedor que se antecipa e paga antes do termo. se negar a reforçá-las. Quando a obrigação não possui termo certo. antecipação do cumprimento. Para seu cum­ primento.no caso de falência do devedor. Não é assim. há que se entender que ele pode ser feito até a expiração das 24 horas do dia. Lembremos que modernamente é possível o pagamento por via informatizada. 332. que se estabelecer regras mais flexíveis que possibilitem o pagamento a qualquer tempo até o decurso do último dia da data de vencimento. Parágrafo único. A í não se admite.1. não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes. frustra-se a possibilidade de se efetuar o pagamento naquela data. 333 faculta ao credor cobrar a dívida antes de vencido o prazo. O tempo na obrigação pode ser estipulado concomitantemente.” O atual Código manteve a redação anterior. as garantias do débito. a hipótese de falência. sem dúvida. termo final. quanto do devedor. cujo horário é fixado por norma administrativa. no inciso I. sob as penas do art. O direito argentino tem princípio expresso a respeito (art. No dia. ou reais. 939). já citado. não lhe trazendo qualquer vantagem a solução antes do tempo. ou se se tomarem insuficientes. não pode repetir a prestação. quando se trata de pagamento que dependa de horário de atividade do comér­ cio. I I . A jurisprudência tem entendido que essa pena do final do artigo só é im­ pingida nos casos de dolo do agente. na data do pagamento. acrescentando. embora estipulados. se houver.

Na terceira hipótese desse artigo. os bens dados em garantia sofrem penhora por outro credor.P a g a m e n to 201 Nas três situações. por exemplo. aqui. O concurso creditório é caracterizado pela insolvência civil. Ocorre a insolvência quando o passivo do devedor supera o ativo e ele não tem condições de alterar a situação. como nos demais casos. da morte do fiador. há uma diminuição na garantia pessoal ou real. A presunção é de que. é porque a situação do devedor é ruim. . como passa a periclitar o adimplemento da obrigação. quando há garantia real. o equivalente à falência do devedor comerciante. No segundo caso. em prazo razoável. a lei autoriza a cobrança antes do vencimento da dívida. ou desa­ parecimento da coisa caucionada. ou mesmo sua perda. Não há outros dentro do orde­ namento civil codificado. Os casos são taxativos. representada por hipoteca e pe­ nhor (a anticrese não mais existe na prática). Se não o fizer. O devedor deve ser intimado para reforçar a garantia. se esse outro credor não encon­ trou outros bens livres e desembaraçados. a do devedor executado permite um prognóstico de não cumprimento da obrigação. É o caso.

entre nós. ambos os fenômenos como fontes unilaterais de obrigações. portanto. dado seu relacionamento. ilícito ou injustificado. O pagamento indevido constitui mo­ dalidade de enriquecimento sem causa. tratado no título Dos Efeitos das Obrigações. encara os dois institutos como fonte autônoma de obrigações e. após disciplinar a promessa de recompensa e gestão de negócios. 884 a 886) entre os atos obrigacionais unilaterais. que acabamos de examinar. . o enriquecimento sem causa e o pagamento indevido. Mantemos o seu estudo nesta posição de nossa obra. ou melhor. para facilitação didática. vinha entre nós disciplinado nos arts. juntamente com as várias espécies e formas de pagamento. temos por oportuno seu estudo conjunto e contraposto. 876 a 883) e o en­ riquecimento sem causa (arts. O Código de 2002 disciplina o pagamento indevido (arts. A melhor doutrina. o pagamento indevido pertence ao grande manancial de obrigações que surge sob a égide do enriquecimento ilícito. não existia norma genérica para albergar a teoria do en­ riquecimento indevido. inelutavelmente uma das formas de enriquecimento sem causa. ao contrá­ rio de outras legislações. no sistema de 1916. 964 a 971 do Código Civil de 1916. porém. A novel legislação reconhece.1 Introdução Contrapõe-se a dualidade de matérias no título deste capítulo por serem. troncos da mesma cepa. O pagamento indevido.Enriquecimento sem Causa e Pagamento Indevido 9. A maior dificuldade no trato conjunto dos temas é que.

da necessidade de prévia elaboração de instru­ mento contratual e apresentação de orçamento pelo fornecedor de serviço. desprovido de conteúdo jurígeno. imoral 1 “Consumidor e processual civil. por um lado. 3. Incompatibilidade com o enriquecimento sem causa. A inversão do ônus da prova é instrumento para a obtenção do equilíbrio processual entre as partes. tal como uma doação. . em detrimento de outra. Instrumentário hábil a solucionar a lide. para se aplicar a terminologia do direito tributário. 1. Conteúdo É freqüente que uma parte se enriqueça. 9. 5.1Tais situações (e como vemos. 6-9-2011. O Código de Defesa do Consumidor contempla a reciprocidade. Aliás. sem fato gerador. esse enriqueci­ mento. Recurso especial parcialmente provido” (STJ . enquanto outras legislações. dado ser incompatível com a situação médica emergencial experimentada pela filha do réu. de um ato ou negócio jurídico válido. no campo dos contratos unilaterais é isso que precisamente ocorre. isto é. Relação de consumo. de plano. equivalência material e moderação impõem. suficientes ao afas­ tamento. boa-fé objetiva. Não há dúvida de que houve a prestação de serviço médico-hospitalar e que o caso guarda peculiaridades importantes. sem causa jurídica. na maioria das vezes. Contudo. Alguém efetua um pagamento de dívida inexistente. sofra um aumento patrimo­ nial. Min. Recurso especial. as codificações mais an­ tigas foram levadas a tratar os institutos de forma diferente. constituem instrumentário que proporcionará ao julgador o adequado arbitra­ mento do valor a que faz jus o recorrente. nunca foram negados os princípios do enriquecimento injustificado. Daí por que encon­ tramos legislações. preocupam-se tão só com o pagamen­ to indevido. que mesmo nas legislações como a nossa. ora decantado. englobando o pagamento indevido) configuram um enriquecimento sem causa. Necessidade de harmonização dos interesses resguardando o equilíbrio e a boa-fé. para o próprio interesse do consumidor. Atendimento médico emergencial.2 Enriquecimento sem Causa. no caudal do BGB. pode ocorrer que esse enriquecimento. código alemão. quer pelo que se denota em artigos e disposições esparsas. opere-se sem fundamento. por outro lado. prevista no artigo 40 do CDC. devendo sempre ser buscada a harmonização dos interesses em conflito. como a nossa. ou paga dívida a quem não é seu credor. Luis Felipe Salomão). Fixemos. não tendo por fim causar indevida vantagem. injusto.256. esse aumento patrimonial. um legado.SP. quer pelo trabalho jurisprudencial. 2. vedado pelo artigo 884 do Código Civil. seja reconhecido o direito à retribuição pecuniária pelos serviços prestados e. Princípios contratuais que se extraem do CDC. equidade e moderação. a ponto de conduzir o consumidor ao enriquecimento sem causa. provém de uma justa causa.204 D ire ito C ivil • V enosa Pelo fato de o assunto não vir sistematizado no Direito Romano e em razão de se divisar a causa nas obrigações de maneira diversa. ou. Todavia. regulando especificamente o enriquecimento ilícito. Os princípios da função social do contrato. ou constrói sobre o terreno de outrem. Rei.703 . se bem que na forma genérica que permite o instituto. Inversão do ônus da prova. mantendo a higidez das relações de consumo. 4.Acórdão Recurso Especial 1.

215.841-0/0. A classificação das fontes já foi por nós estudada.Bem móvel .Acórdão Apelação Cível 2005. a indevida apreensão pelo proprietário fidutiário. 26* Câmara de Direito Privado . sem base jurídica. “Alienação fiduciária . um credor. Vamos encontrar a classi­ ficação clássica de Justiniano. repudiados pelo direito . l 9-4-2009.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 205 e.Recurso parcialmente provido” (T J S P . Cível 1. contrário ao direito. é pre­ ciso a comprovação do erro do solvens. ensejando reflexos negativos à imagem do autor . de cunho específico da matéria tratada (pois obrigações existirão em outros campos do Direito Civil). adotada pelo Código Civil francês: as obrigações Apelação cível . Felipe Ferreira).Sentença mantida . do CPC . Nas situações sob enfoque. como fenômeno de adequação social. que devemos entender as fontes das obrigações. Para o nascimento desse liame. Para configurar o pagamento indevido.Indenização por danos morais devida . 333.Tendo em vista a natureza do fato e a capacidade das partes. evitando a insignificância da indenização.Ausência de comprovação quanto ao erro do solvens . 9.1.Cabimento . a estipulação do ressarcimento por dano moral deve ser acomodada no patamar de 10 salários mínimos. ato ou negócio jurídico. 965 do Código Civil de 2002)” (T J S C .Busca e apreensão .Adimplemento voluntário e espontâneo . Renato Sartorelli). O objeto da obrigação é a prestação.Indenização por danos materiais e morais . 333. atendendo ao princípio da razoabilidade. É nesse sentido. há um mínimo necessário: um devedor. pois.Hipótese em que restou configurada situação de constrangimento capaz de gerar dor ou desconforto passível de indenização. no termos do art. “Compra e venda . Des.Aquisição de veículo com chassi adulterado .Bem móvel .3 Enriquecimento sem Causa e Pagamento Indevido como Fonte de Obrigações Para a existência da obrigação.Deve ser assegurado ao autor o direito à devolução do valor da compra.Pretendida devolução de quantia depositada em conta-corrente . A função primordial do direito é justamente manter o equilíbrio social. do Código de Processo Civil e art.Pagamento devido . . que se transmuta em variadas formas. 26* Câmara de Direito Privado Rei.Recurso improvido” (T J S P . invariavelmente. Um patrimônio aumentou em detrimento de outro. entre duas partes.Vício que sequer está sendo questionado.Exegese do art.Se a prova carreada aos autos é no sentido de que os acessórios não integram o veículo e a eles não há qualquer menção no contrato de alienação fiduciária.216-0/1. é curial que ocorra um desequilíbrio patrimonial.1. Cível 973. há necessidade da existência de um fato. por meio de um liame psicológico e jurídico. posto que reconhecido através de perícia técnica . Rei. assim como o enriquecimento sem causa do ofendido .Recurso desprovido. P-7-2011. 4-2-2009.003913-0. com a posterior restituição do indébito.Ação de repetição de indébito .Rei. um vínculo adstringindo o primeiro ao segundo. Edson Ubaldo). ainda que somente sob aspecto da equi­ dade ou dos princípios gerais de direito. porquanto viciada a relação comercial .Ap. importa em apropriação indébita e enriquecimento sem causa. 877 do Código Civil de 1916 (art.Ap.

no entanto. Essa também é a conclusão a que podemos chegar em nossa lei. sem chegar à conclusão comum. Para nosso Código de 1916. a nova fonte de obrigações. incluiu no art. O vigente Código português. e pelas noções introdutórias expostas. como vemos pelo direito compa­ rado. assim como o código suíço das obrigações. Interessante é a maneira como posicionou o problema Julio Cesar Bonazzola (1955:55). o projeto do código ítalo-francês e o código mexicano. dos delitos e ex variis causarum figuris ( Digesto 44. cujo reconhecimento valoriza o direito. dizia que as obrigações provinham dos contratos. como uma necessidade social . tendo Pothier acrescentado a lei como outra fonte de obrigações. vendo a dificuldade de uma classificação abrangedora. que vê não propriamente no enriquecimento. isto é. ape­ sar de o pagamento ser forma de extinção de obrigações. a crítica de que a lei. criando uma nova obrigação. chegando a afirmar que pode haver empobrecimento de uma parte. Não nos incumbe aqui repisar o já exposto. O Código Civil alemão inclui o enriquecimento sem causa e o pagamento indevido como fonte das obrigações. O que se pretende enfatizar é que há obrigações que nascem de fatos ou atos que não se amoldam às fontes clássicas dos vários sistemas jurídicos. apresenta-se não só como uma necessidade moral. delitos e quase-delitos. o enriquecimento indevido é fórmula mais genérica. titulariza o solvens para a ação de repetição. Entre tais obrigações incluem-se o pagamento indevido e o enriquecimento sem causa. derivado do Projeto de 1975. o primeiro como parte integrante do segundo.206 D ire ito C ivil • V enosa nascem dos contratos. em qualquer hipótese. sem o equivalente enriquecimento da outra. Da mesma forma. pois não haverá obrigação que não seja albergada pela lei. o que mereceu encômios de Jacinto Fernandes Rodrigues Bastos (1972. 1). o pagamento indevido produz exatamente o inverso. tantos foram os mestres que o fizeram. v. Apliquemos. mas no empobrecimento sem causa. 473 o enri­ quecimento sem causa como fonte autônoma de obrigações. porque. Por outro lado Gaio. do século passado. 2:13): “Parece incontestável a justiça desta consagração. O nosso Código Civil. havia três fontes das obrigações: o contrato. nem tentar uma classificação de­ finitiva. exclusivamente sob a mira da parte empobrecida. quase-contratos. como vimos. 7. coloca o pagamento indevido e as disposições gerais do enriquecimento sem causa entre os atos unilaterais geradores de obrigações. a declaração unilateral de vontade e o ato ilícito. Esse autor constrói a teoria sob enfoque. A obrigação de restituir aquilo que se adquiriu sem causa. será sempre fonte imediata das obrigações.

dirigidas a cada caso particular. nas condictiones.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 207 no que significa de restabelecimento do equilíbrio injustamente quebrado en­ tre patrimônios e que de outro modo não poderia obter-se. o pagamento indevido. aparecem formas técnicas para evitar o enriquecimento sem causa. 6) enquadravam entre os quase-contratos a indebiti solutio. 6). para se evitar o enriquecimento ilícito. por neces­ sidades práticas. basicamente. o pretor concedia a condictio. que tinham em mira evitar o enriquecimento ilícito ( Digesto 30. não amparadas por lei. de enriquecimento sem causa foram reco­ nhecidas em Roma. Dessas várias ações. é. ou seja. ou sem causa jurídica. A finalidade. era combater situações injustas. De regra. sob a forma das condictiones. 27. Sentiram efetivamente o problema. As Institutos de Justiniano (III. Outras situações. porém. Para diminuir os rigores desse abstratismo geral dos contratos. sentiu-se logo necessidade de se encontrar soluções de equidade. Eram as denominadas condictiones. . sem sistema. ações abstratas e de direito estrito. como conseqüência lógica de seu sistema obrigacional. infere-se.” 9. sem dúvida. Vinha o direito pretoriano em socorro à parte menos favorecida: quando o caso particular merecia proteção. a forma adequada. 5. o contrato romano era abstrato. na obrigação de restituir o que foi recebido sem justa causa.4 Tratamento da Matéria no Direito Romano Em Roma. Para a transferência da propriedade. entre elas o enriquecimento indevido. René Foignet (1934:116) destaca que a obrigação de restituir o indevido. Tanto que seu sistema de ações concedia o remédio necessário. para corrigir desequilíbrios patrimoniais imprevistos e injustos. não lograram os romanos erigir uma teoria para o enriquecimento sem causa. o credor estava apenas jungido a provar que o contrato obedecera às inúmeras formalidades. a teoria do enriquecimento injusto. bastava verificar se a intenção das partes fora realmente aquela. uma das formas de enriquecimento sob estudo. no entanto. a mais antiga apli­ cação de uma teoria geral definitivamente estabelecida na época clássica. que proviam as necessidades práticas. Contudo.13. Daí deduzir-se nos textos do Digesto várias passagens com a aplicação das denominadas condictiones. das quais os romanos nunca se descuraram. Para exigir seu cumprimento. no Direito Romano. sem criar uma posi­ ção dogmática do instituto. o pensamento dominante no direito da época. Tais situações eram amparadas. e do ri­ gor dos princípios de aplicação no tocante aos atos patrimoniais.

art. só respon­ de ele pelo que efetivamente se enriqueceu com o pagamento indevido. mas também seus frutos. sempre. O enriquecimento por parte do accipiens pode ser superior ao empobrecimento. no intuito de liberar-se de uma obrigação. o accipiens deverá restituir não apenas a coisa. podendo-se então falar em um princípio genérico. ou seja. Por outro lado. Como decorrência da exigência de boa-fé por parte do accipiens. se estivesse de má-fé. passam a ser admitidas outras condictiones sine causa. que a princípio inexistia. 877. não sendo atacado por qualquer ação no período pré-clássico. segundo as fontes. 1:282283). o elemento erro escusável deveria estar presente na solutio (ver. v.4. o cumprimento de uma suposta obrigação. por exemplo. Ocorria quando alguém pagava por erro. e que essa solutio fosse indevida (quer porque o credor fosse outro.1 A Condictio Indebiti Era a principal e mais antiga condição. v. Para que se configurasse a condictio indebiti. para o fato de que o credor deveria estar de boa-fé. Apontamos. ainda.17. quer porque a obrigação na realidade não existisse). e. o accipiens vende a coisa obtida por preço inferior a seu valor. em somente algu­ mas hipóteses na época clássica e somente no tempo de Justiniano é que teriam surgido diversas condictiones. destaca duas correntes de opinião. Defendem então que. o enriquecimento pode ser in­ ferior ao empobrecimento. conforme a descrição de Gaio. 9. Essa noção é absolutamente válida para a . Tal condictio sancionava a obrigação do pagamento indevido. a ação seria outra (condictio furtiva). 206). como. Nesse caso. segundo a qual os contratos reais sempre foram garantidos por uma dessas ações. motivando crítica de Gaio (Inst. Pela segunda corrente. como hoje o co­ nhecemos. a princípio a condictio pressupunha unica­ mente a existência de um pagamento e que proviesse de um indebitum. por influência da moral cristã. A primeira. por exemplo. M onier e Iglesias. que exige a prova de erro por parte do solvens). era preciso que houvesse uma solutio. 91) sobre a velha classi­ ficação quadripartida das obrigações..208 D ire ito C ivil • V enosa Moreira Alves (1972. defendida por Pemice e Girard. E mais. o accipiens não terá de devolver mais do que o verdadeiro enriquecimento. Nem sempre o empobrecimento do solvens é igual ao enriquecimento do accipiens. 2:226). pode-se perceber que no direito justinianeu surgem possibilidades de se proporem ações fundadas no princípio geral do enriqueci­ mento indevido ( Digesto 50. defendida por Perozzi. contudo. quando a coisa produz frutos. Segundo a exposição de Alexandre Correia e Gaetano Sciascia (1953. houve longa evolução no instituto. ao analisar a evolução do enriquecimento sem causa no Direito Romano. pois. nosso Código Civil. A indebiti solutio era colocada na lista dos “quase-contratos” . a respeito.

com os escassos pormenores que o âmbito dessa exposição permite. 883.3 Síntese do Pensamento Romano Do estudo da matéria histórica. As soluções jurisprudenciais sempre se apresentaram como corretivos de equidade.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 209 doutrina hodiema. sobrevive ao donatário. 1934:120). art. v.d. 971 do Código Civil). Foignet. 9. de tal modo que não foi devidamente fixada a estrutura daquele instituto. quando o casamento não se realiza (cf.2 Outras Condictiones A par da condictio indebiti destacamos: 1. Moreira Alves. 1972. na qual. antigo. uma pessoa que recebe quantia em dinheiro para cometer um sacrilégio (cf. que visava à restituição daquilo conce­ dido por causa contrária ao direito. Arangio-Ruiz (1973:403) cita o exemplo de alguém que entrega a outrem ob­ jetos preciosos. ante o temor de uma morte iminente (doatio mortis causa) e.4. segunda parte).:21) resume com felicidade o que tentamos esclarecer: (1 Q) O preceito que condena o enriquecimento sem causa encontra-se disperso nos textos romanos. 473. A condictio ob turpem causam. O fato de a jurisprudência ter de invocar diferentes regras para condenar o enriquecimento dificultou os desenvolvimentos doutrinários. (2 Q) A datio . não se firmando a teoria geral. existente quando alguém tivesse obtido uma prestação com final imoral. mas podia também ser utilizada em situações que resultassem mero enriqueci­ mento sem causa. Seu campo de ação era o dos contratos inominados. importa sintetizar o tratamento do instituto em Roma. como no caso de recebimento de dote. art. 9. ou a restituição de uma soma recebida com violência. Tal condictio era concedida mesmo que o accipiens tivesse executado a prestação imoral (em nosso direito atual não existe essa possibilidade de repetição: art. 2:228). posteriormente.4. como. A condictio causa data non secuta que tinha por objeto a restituição de coisa dada em troca de outra que não o foi ou em troca de serviço não executado (a esse respeito há uma disposição no código português. afora uma forma diversa de tratamento legislativo. por exemplo. para resolver casos não previstos pela legislação vigente. 3. A condictio ob injustam causam. como. Valle Ferreira (s. 2. muito pouco se criou. por exemplo. juros além da taxa legal.

Tal diferença de enfoque. que muitas das ideias romanas expressas nos textos são hoje direito positivo em várias legislações. deve-se primordialmente à forma como é encarada a natureza dos contratos. no direito francês. a irrepetibilidade das obrigações naturais. encontrou tratamento dicotômico nas legislações que nos são próximas. Nas legislações do tipo causalista. sendo a causa ele­ mento essencial ao negócio jurídico (cf. na França. como. também.5 Direito Moderno. a evolução histórica foi diversa. pelo que se infere de duas passagens do Digesto. 2:73). ora espe­ cificando tal direito. Sistema Alemão e Sistema Francês O problema do enriquecimento sem causa. não há princípio expresso de enriquecimento. com embasamento na equidade e nos princípios gerais. por direito romano. v. cujo paradigma é o direito francês. se bem que tenha sempre sensi­ bilizado os aplicadores da lei. Lopes. por exemplo. excluía-se a condictio quando coubesse a vindicatio (reivindicação da coisa). De qualquer modo. de tal sorte que. o BGB lidera as legislações que dão contorno legislativo ao enrique­ cimento sem causa.210 D ire ito C ivil • V enosa que importasse em transferência da propriedade constituía requisito comum das condictiones. . 1966. mais do que na França e na própria Itália. Destarte. ao contrário do que ocorre nas legislações nas quais o contrato é abstrato. em detrimento alheio. é inafastável que o princípio do injusto enriquecimento sempre foi de noção romana. mas sempre reconhecendo seus princípios norteadores. a chamada teoria do enriquecimento sem causa esteve bem viva antes da codificação. jus­ tamente pela integração do elemento causa nos contratos. ou daquelas constituídas para fins imorais. por um lado. nunca negado pelos tribunais. É inegável. teve sempre um caráter geral. que em tradução livre tinham em mira a ninguém permitir que se locupletasse à custa alheia. 9. ora disciplinando normas gerais e esparsas no tocante ao enriquecimento. A técnica das condictiones que viemos expor teve maior influência na Alem a­ nha. com respaldo da jurisprudência. afora as situações de pagamento indevido. os direitos positivos atuais divergiram no tratamento legislativo da matéria referente ao enriquecimento sem causa e ao pagamento indevido. Se. Essa a razão pela qual a noção de enriquecimento sem causa. Todavia. colocando a regra geral do injusto enriquecimento na lei ou não. cujo paradigma é o direito germânico.

o princípio que comba­ te o enriquecimento sem causa sofre um alargamento maior que. nunca negado no período anterior à codificação moderna. embora permitidos pelo direito. 474). portanto. a saber: Tod o aquele que. trata de alguns casos particu­ lares. no art.” É a noção dada pelo art. Contudo. à custa alheia. a ação de nulidade do negócio jurídico. no Código Civil português. fizer. fenômeno esse produzido sem causa jurídica. não propiciassem o desequilíbrio nas relações jurídicas proporcionado pelo enriquecimento sem causa. tem o condão de alienar a propriedade.042. além de gerar obrigações. substituindo a enumeração das várias condictiones romanas. 886. um empobrecimento deste último. art. Isso significa que. 812 citado defluem três elementos: um enriqueci­ mento feito por alguém. ou de qualquer outro modo. entre nós. independente da perquirição da causa. o caráter de subsidiariedade. Do princípio geral do art. Como o contrato alemão.d. O contrato. no direito alemão. tanto que o primeiro projeto do código civil alemão procurou reproduzir integralmente as condictiones roma­ nas. ficará obrigado à restituição. sendo o contrato alemão desalentador do princípio da causa. como. outras havendo espalhadas pelo estatuto. procura o sis­ tema alemão suprimir-lhe os resultados”. o que não impede que o outro sistema (o nosso) alcance os mesmos resultados. O BGB anuncia. possa parecer ao jurista brasileiro. deveria o direito positivo engendrar uma forma pela qual os resultados de aquisições. é. ou quase sempre. no sistema germânico puro. uNa impossibilidade de anular o ato p or defeito de causa. não estão ali todas as hipóteses de enriquecimento sem causa. na matéria. conforme ensina Valle Ferreira (s. um ato abstrato. o princípio geral do enriquecimento sem causa. e nos artigos subsequentes (813 a 822).:74). Daí por que a ação de enriquecimento ilícito não tem. No en­ tanto. sofrendo críticas pelo evidente casuísmo. só sobrevirá a ação de enriquecimento ilíci­ to não havendo outro remédio no ordenamento processual. aplicáveis. Tal disposição é. uma teoria de conjunto. art. por exemplo. à primeira vista e desavisadamente. . por essência. no Código italiano. Objetivou-se um princípio geral. que vamos encontrar nas outras legislações (em nosso vigente Código Civil. uma aquisição. de fato. 2. Assim. as regras gerais serão sempre. corolário do sistema abstrato obrigacional alemão.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 211 O direito alemão criou. inclusive o pagamento indevido. cujos atos produzem efeito automaticamente. Tal princípio foi sempre imanente no pensamento jurídico germânico. portanto. sem causa jurídica. à causa de outrem. e. art. 812. 812 do Código Civil alemão. conseguir um aumento pa­ trimonial. p or uma prestação feita a outra pessoa.

em razão de a jurisprudência sempre a ter admitido. Alex W eill e François Terré (1975:882). e concluem: “trata-se de uma criação jurisprudencial elaborada graças à generalização de soluções legais particulares. pois. que já faleceu. dizem que o princípio do enriquecimento sem causa deve possuir uma teoria própria. seja em razão de ben­ feitorias executadas de boa-fé ou de despesas necessárias feitas em coisa alheia. A restituição é devida. se enriquece à custa de outrem e. v. São teorias do século passado. O tratamento recebido pelo enriquecimento sem causa no direito suíço é autônomo. portanto. 62). Essa regra está consagrada em nosso vigente estatuto civil: U A restituição é devida. sempre se admitiu o princípio do injusto enriquecimento. não só quando tenha havido causa que justifique o enriquecimento. Na esteira do código alemão está o código suíço das obrigações. nesse sistema obrigacional.381 do Código de Napoleão). todavia. Sempre houve. tanto do que recebeu sem causa jurídica como daquele que recebeu em razão de uma causa que não se realizou ou de uma causa que deixou de existir (art. E. E. mais modernamente. após rebaterem as vetustas teorias referentes à gestão de negócios e da responsabilidade civil. então representante legal e administradora dos bens do filho. Colin e Capitant (1934. São aplicações das condictiones. seja em razão de nulidade do ato. mas também se esta deixou de existir” (art. na França. 1. como fonte não contratual de obrigações. . ao mencionar os costumes.212 D ire ito C ivil • V enosa A ausência de causa jurídica. dizem referir-se à jurisprudência.376 a 1. 885). O código suíço circunscreve o campo de ação do injusto enriquecimento àquele que. é importante para a compreensão da posição legislativa. a par do específico pagamento indevido (arts. A noção de causa. como no Código brasileiro. de fato jurígeno ou gerador. uma construção jurídica autônoma. é o elemento mais importante a ser analisado. sem causa legítima. Por exemplo. um pai paga pensão alimentícia a um filho. v. deve restituir. Colin e Capitant (1934. 2:229) concluem por enquadrar a regra do enri­ quecimento ilícito como forma de aplicação da equidade de origem costumeira. Na França. 2:228) consideram em vigor a ação in rem verso. ou. A doutrina francesa tentou explicar o princípio do enriquecimento sem causa nos fundamentos da gestão de negócios imperfeita ou na teoria da responsabili­ dade civil fundada no risco. há importantes aplicações do princípio. particularmente. como fonte de obrigações. e repousando sobre o poder do ju iz de preencher as lacunas do direito”. mas quem recebeu foi a mãe. a noção de que se deve restituir o que se recebeu indevidamente. Apesar de não possuir o direito positivo uma regra geral. se não há texto expresso.

será obrigado a restituir o indevidamente auferido. tinha diante de si o modelo alemão e o francês. consagra. à custa de outros. 2. enquanto o pagamento indevido (arts. faz um alerta para que “os tribunais tenham presentes os verdadeiros fins do instituto e os limites em que ele se contém. 474).033 a 2. como veremos. . portanto. No dizer de Pietro Rescigno (1957:1:224). O atual Código português. também em Portugal a ação de enriquecimento é subsidiária (art. no art. 2:13) aplaude a inovação. No direito italiano. de 1966. Na verdade. seguia o modelo do vigente código francês. a aplicação dos princípios do pagamento indevido pela jurispru­ dência. sem justa causa. v. O código anterior. lá. Rodrigues Bastos (1972. não havendo por que a jurisprudência dar alargamento demasiado ao princípio geral. O atual Código Civil italiano coloca o pagamento indevido e o enriqueci­ mento sem causa como fontes de obrigações.040) tem quase os mesmos princípios de nosso direito. como fonte autônoma de obrigações. esparsamente. com a celebração de negócios válidos e o normal exercício de atividades lícitas”. quando da elaboração de seu projeto. 2. agiganta-se. Tratava-se do pa­ gamento indevido e. 473. o que consagra o princípio já exposto de que só operará na ausência de outro remédio jurídico. no Código revogado. abriu caminho para seu regulamento legislativo no Código atual. 9.6 Aplicação da Teoria do Enriquecimento sem Causa no Direito Brasileiro Clóvis Beviláqua (1977:111). v. 884). A jurisprudência. como focaliza Cunha Gonçalves (1951. o princípio geral do enriquecimento sem causa. hodiemamente. que definiu o instituto: “Aquele que. A formulação de uma teoria própria. feita a atualização dos valores monetários” (art. O mesmo se pode dizer de nosso legislador do corrente Código. de 1865. 2:560). o que poderia traduzir-se em lesão efetiva do direito. mas. A o tratar do pagamento indevido. se enriquecer à custa de ou­ trem.041 e 2. de procurar vantagens econômicas. ao mesmo tempo.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 213 A simples noção de equidade para a aplicação do princípio já se mostra insu­ ficiente para a doutrina e jurisprudência francesas. manifestou-se no sentido de ser reconhecida uma ação geral para coibir o enriquecimento sem causa. a exemplo de nosso atual. seguindo as legislações mais modernas. havia aplicações do princípio geral. O Código português de 1867 não continha regulamentação geral e sistemá­ tica do enriquecimento sem causa. como aqui. o en­ riquecimento sem causa é tido como forma subsidiária de fonte de obrigações (arts. seria bem perigosa a sua aplicação fora dos casos para que fo i admitido.042). que todos têm. porém.

A causa. Clóvis (1977:116) se pergunta: qual seria a melhor opção a ser seguida? Aduz que a sistematização do enriquecimento sem causa é difícil. como. porque a causa integra a própria noção de negócio jurídico.214 ss). 1. 359) (típica condictio romana). pela jurisprudência francesa. E o próprio Clóvis (1977:116) argumentava que a ação de enriquecimento deveria ser subsidiária. suprida no atual Código. Omissão essa. A conclusão é que o legislador pátrio desejou eliminar a causa como elemen­ to dos contratos. se não é francamente um elemen­ to essencial dos negócios jurídicos. Nosso ordenamento vinha regulando situações francamente de enriqueci­ mento sem causa. mesmo o autor do Projeto do Código de 1916 já admitia o prin­ cípio geral. no código espanhol. Analisando o tratamento dado à matéria pelos códigos da França e da Alem a­ nha. que a equidade sempre ditará o prin­ cípio geral melhor deixando à doutrina que elocubre os princípios do instituto. tanto que a matéria em questão foi reproduzida no código italiano revogado. concluindo que os romanos não conseguiram uma classificação satisfatória da matéria. se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento. um paga­ mento que se efetuou por erro. a restauração da obrigação extinta. segundo seu valor ao tempo da restituição do dote (art. ao elaborar nosso ordenamento. por outro lado. ficando sem efeito a quitação dada (art. se bem que com fundamentação diversa. portanto. causalista. sem porém fazê-lo. entre outros. colocando-o entre os quase-contratos. é substituída pela noção de objeto. Concluímos. chileno e boliviano. embora tivessem noção genérica do insti­ tuto. a indenização devida ao marido pelas benfeitorias necessárias e úteis. a situação do herdeiro excluído ou do . Outras legislações que não aceitaram a classificação dos quase-contratos co­ locaram o pagamento indevido como forma de solver uma obrigação. o Código argentino. emergindo apenas na ausência de outra tutela jurisdicional. Prossegue afirmando que o Código francês serviu de modelo para mui­ tas legislações. como fazem os franceses. Entendeu que o Código francês adotara a solução romana do pagamento indevido. portanto. hoje admitido o enriquecimento sem causa como fonte autônoma de obrigação. que à época já era seguido. O direito brasileiro é. daí por que não sentirmos falta de sua presença. citando o mesmo autor. não cabendo aqui entrar na disputa atinente aos que defendem posição diversa. em nosso sistema. 307 do Código de 1916). E conclui. aliás. que nosso sistema não se afasta do direito francês. o português (antigo) e o austríaco. foi plenamente intencional a omissão de um princípio geral em nosso código. expressão que hoje quase nada significa. Assim. 578).214 D ireito Civil • Venosa discorre sobre as condictiones. como ato unilateral. Como se nota. pois uma fórmula geral não conseguiria reunir todos os fenôm e­ nos. o direito do locatário em compelir o locador a indenizar as benfeitorias (art. por exemplo: a posição dos possuidores de boa ou má-fé com relação às benfeitorias (arts.

evitando assim o enriquecimento sem causa da apelante que está em posse do imóvel.Loteamento fechado .Comodato de fra­ ção ideal não pertencente ao comodante . Rei. o que ensejou o pedido de desfazimento do negócio .Omissão no julgado .Acórdão Apelação Cível 9079379-56.26.Recurso não provido” (T J S P .8. ficou obrigado a restituir.Alegação de que o bem adquirido junto à ré não foi entregue dentro do prazo previsto.Réu proprietário do imóvel beneficiário do serviço oferecido. que. parágrafo único). de forma simples. em detrimento de outrem. Natan Zelinschi de Arruda). Cada uma dessas hipóteses. Des. Rei. devidamente corrigido . segun­ do o princípio geral. 21-1-2010. não obstante o sinal pago. a entrega do bem em prazo razoável. inclusive valoriza a propriedade . 884 do atual Código: “Aquele que.Taxa de manutenção . com a restituição das partes ao estado anterior.Termo inicial da correção monetária . P-9-2010.Ação de rescisão contratual . “Apelação cível . que certamente não são as únicas. 1.6.Recurso não provido.1 Requisitos do Enriquecimento sem Causa Das noções já expostas.01.Recurso provido. .Ap.Prevalência do princípio da solidariedade .Imóvel em condomínio . com inversão dos ônus sucumbenciais” (TJSP . “Condomínio .2 Esse é o sentido do art. Com efeito. que o princípio não se confunde com indenização por perdas e danos. Rei.Re­ curso provido.Aplicação do art.0000.Ausência de prova do cumprimento do avençado. A noção de culpa é irrelevante para o princípio geral. conforme artigo 884 do Código Civil. será obrigado a restituir o indevidamente auferido. Ledr Manoel da Luz). concluímos que existe enriquecimento injusto sempre que houver uma vantagem de cunho econômico. Cível 531.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 215 herdeiro aparente que deve ser indenizado das despesas na conservação da coisa (art.2008. sem justa causa. Donde resulta que. Des.939-4/7-00.Devido processo legal observado .Impossibilidade .Rescisão contratual que se faz necessária.Descabimento .Ação de cobrança de alugueres . ora embargado.036638-3. O dispositivo foi omisso quanto ao termo inicial da atualização monetária do valor a que o apelado. Des. 9. vem imbuída do propósito de impedir o locupletamento sem causa. qual seja. por parte da ré. que preceitua o enriquecimento sem causa ou enriquecimento ilícito. haverá direito à ação de enriquecimento. Luiz Carlos Santini). Não se está no campo da responsabilidade civil. de plano.Ação que tem por objeto a rescisão contratual c. bem como a devolução do valor pago.1. ainda que o contrato previsse a possibilidade de eventuais atrasos .Condômino que faz jus ao recebimen­ to de aluguel desde a data da notificação . Observemos. do Código Civil . restituição de valor pago . No caso de utilização exclusiva da coisa por parte de um dos condôminos (no caso o coproprietário que deu a parte que não lhe cabia em comodato). se enriquecer à causa de outrem.817. faz o outro jus ao recebimento de aluguel. momento em que surgiu a obrigação de restituir o valor retirado indevidamente” (TJDF . Carlos Nunes). 884. não servindo de óbice para a cobrança da dívida .Enriquecimento sem causa .Eventual má administração da apelada que deve observar as disposições estatu­ tárias.Pagamento regular pelo réu .Acórdão Apelação Cível 2009. a atualização monetária é devida a partir da condenação.” 2 “Bem m óvel . 7-11-2011. sempre que houver prejuízo econômico sem causa jurídica. este previsto no artigo 884 do Código Civil” (TJMS . 22-4-2009. feita a atualização dos valores monetários. sem justa causa.Acórdão EDcl na Apelação Cível 2003.c.030969-9/0000-00.Rei. 7* Câmara de Direito Privado . “Embargos de declaração .Ação de cobrança .

é óbvio. mas. A causa poderá existir. de contratos. em maior escala. e. À noção de enriquecimento antepõe-se a noção de empobrecimento da outra parte. e também como de ato de terceiro.2 Aplicação do Instituto. seus atos deverão ser tidos como válidos até o momento em que se tom e conhecido o verdadeiro herdeiro. dispõe o parágrafo único desse dispositivo: “Se o enriquecimento tiver p o r objeto coisa determinada. fechará o círculo dos requisitos para a ação específica. de acordo com o revogado Decreto-lei . 9. Independe. como de negócio jurí­ dico. A ação de in rem verso objetiva tão só reequilibrar dois patrimônios. Deve ser entendido como sem causa o ato jurídico desprovido de razão al­ bergada pela ordem jurídica. A Jurisprudência Brasileira Não são muitas as situações de enriquecimento indevido levadas a nossos tribunais. nem sempre. sendo injusta. Pode promanar de uma omissão. ou até do solvens. o que mostra e confirma o já exposto: o sistema de nulidade dos atos jurídicos preenche as necessidades. que surgiu entre nós a aplicação da ação in rem verso. de indenização de ato ilícito e. desequi­ librados sem fundamento jurídico. São termos que se usam em sentido eminentemente técnico e não vulgar. a restituição se fará pelo valor do bem na época em que fo i exigi­ do. também. estará configurado o locupletamento indevido. A relação de imediatidade. O enriquecimento pode emanar tanto de ato jurídico. Com a presença de dispositivo expresso no vigente Código Civil. Este não pode deixar de indenizar o herdeiro aparente das benfeitorias feitas no patrimônio. o liame entre o enriquecimento e o empobreci­ mento. quem a recebeu é obrigado a restituí-la. Assim. Não diz respeito à noção de perdas e danos. se a coisa não mais subsistir. o enriquecimento. confluindo para a noção de causa em nosso direito. com boa-fé.6. lembramos mais uma vez a situação do herdeiro aparente: conduzindo-se como herdeiro.” A lei se refere ao valor da época em que o negócio foi formalizado e o bem saiu do patrimônio do interessado. Sempre foi admitida a ação de locupletamento indevido quando da obriga­ toriedade do registro de títulos de crédito.216 D ire ito C ivil • V enosa O enriquecimento pode ter como objeto coisas corpóreas ou incorpóreas. Como exemplo esclarecedor do enriquecimento injusto. a situa­ ção deverá alterar-se. Da vantagem de um patrimônio deverá resultar a desvantagem de outro. É no campo dos títulos de crédito. de um ato positivo do accipiens.

Duplicatas prescritas . 2 . é sempre subsidiária. Típica situação de enriquecimento indevido. à falta da ação cambial para ressarcirs e do prejuízo que sofreu e com o qual se houver locupletado o sacador ou o aceitante”. ex lege. Este é o recurso extremo que a lei lhe concede.Juros de mora . 48 da Lei nQ 2. como denomina a lei cambial. “não se confunde com a ação causai baseada nas relações fundamentais que deram origem ao título: compra e venda. a ação cambial contra todos os coobrigados. à ação de enriquecimento indevido no art. não poderá (nem lhe interessará) propor a ação de locupletamento.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 217 n° 427.452/129. no prazo de 15 dias da emissão. a desoneração da responsabilidade cambial por qualquer razão (falta de protesto obrigatório. de 22-1-69.Citação válida .Recurso improvido . Evidente que. embora perdida. mútuo etc.156. e. É curial que a ação se desvincule dos princípios cambiários. Nele permite-se a ação de rito ordinário contra o sacador ou aceitante de título de crédito que se tenha enriquecido indevidamente. entre os principais coobrigados do título nessa si­ tuação (R T 443/214. Tal norma cominava pena de nulidade às notas promissórias e letras de câmbio não registradas na repartição competente. p or qualquer motivo. e que podem fundamentar a ação que lhes é própria. como afirma João Eunápio Borges (1971:132). Pois bem. 440/164.3 3 “Recurso especial . a corrente majoritária.Objeto: o dano sofrido pelo portador do título e o ganho injustificado do devedor. mormente em São Paulo..ação de locupleta­ mento . E. o título de crédito que não fosse registrado seria “nulo”. de 1908. Há que se provar os requisitos expostos. estendeu a necessidade do registro a qualquer endosso aposto nos títulos. regendo-se pelos requisitos do enriquecimento sem causa.446/265. Mero es­ crito a ser utilizado neste procedimento ordinário como prova indiciária da existência do prejuízo. sob tal premissa.Termo inicial . Importante salientar que essa ação de locupletamento. no direito positivo. vedar a ação in rem verso é contrariar o princípio de equidade que rege o enriquecimento sem causa. 475/197).Ação de locupletamento ilícito . 474/198. prescrição) e que o prejuízo sofrido pelo portador do título corresponda a um efetivo enriquecimento por parte do aceitante ou sacador. 468/223. 441/134. passou a admitir a ação de rito ordinário de enriquecimento. relações que desapare­ ceram com a criação do título. que afrontava a doutrina tradicional do direito cambiário.044. na qual se sentiu a falta de um dispositivo genérico sobre o enriquecimento indevido. Aliás. falta de apresentação para aceite. levado ao pé da letra do citado decreto-lei. enquanto. que regulamentou a lei absurda. existe referência expressa.Título de crédito desprovido de executividade. ainda dispuser o portador daquela ação causai. não podendo ser cobrado de forma nenhuma. em matéria cambial.1 . Trata-se de ação subsidiária e tem como requisitos: a existência prévia de uma letra de câmbio (ou outro título de crédito).442/265. Quantum devido a ser apurado no bojo da ação.duplicatas prescritas . Em que pesem alguns julgados em contrário em nossa jurisprudência. O Decreto-lei nô 64. .

ser extinto sem resolução do mérito.Ação de locupletamento Ilícito Demonstração da causa subjacente . circunstâncias não aferidas na espécie.Deveras. sempre admitiram o remédio jurídico. 1 . . deve o proce­ dimento monitório.Título que. 16-3-2011.Adequação da via eleita Ação procedente . ausente o interesse de agir. a ação de enriquecimento a limites tão estreitos.268.Monitória . 4 .108-6. do RISTJ.9.In casu. Termo a quo para os juros moratórios. são necessários a similitude fática e o cotejo analítico entre os acórdãos confrontados. com exceção dos honorários advocatítios. “Cambial . III.Cheque prescrito .REsp 299. Perda de abstração da cártula.Pres­ crição anual . indispensá­ vel na configuração do dissídio jurisprudential. in fine.Rei. Célio de Almeida Mello). Rei. tão somente. incapaz de atender ao pressuposto da prova escrita.(2001/0004147-7). a indicação do dispositivo tido como objeto da divergência jurisprudential é imprescindível para a correta configuração do dissídio. apta a embasar a monitória.22. Necessidade. A ausência de tal informação faz com que as cártulas con­ figurem. parágrafo único. 3 . subsiste para o ma­ nejo da ação monitória com base no locupletamento indevido do emitente somente até dois anos do prazo de apresentação .Recurso desprovido” (T J S P . 3# T\irma .Apelo provido. 5-4-2011. ademais. VI do CPC). 61 da Lei n® 7. nossos tribunais. que não trata das particularidades do caso sub examine. da Constituição Federal.Ação causai .Recurso provido.Cheque prescrito além do prazo bienal da ação de locupletamento Uítito. motivo pelo qual vislumbra-se a incidência da Súmula n° 284 do STF. Ricardo Negrão). Precedentes deste egrégio TJDFT. do CPC” (T J S P . Vasco Delia Giustina). embora sem força executiva. cotejando-a sempre com a causa do negócio jurídico.218 D ire ito C ivil • V enosa Como vemos. Causa debendi. Sentença reformada” (T J D F T . início de prova.Rei. Extinção do processo sem resolução do mérito. 267. 105. seguindo a doutrina. conseqüência dire­ ta da decantada subsidiariedade. 162 do Código Civil de 1. Inadequação da via eleita.Direito processual civil . por carência de ação (art. “Monitória . nos termos do art.Cheque . cujo perdimento ao direito de recebimen­ to é aplicado nos termos do art. valendo a cártula apenas como início de prova do negócio subjacente . por inadequação da via eleita.Mensalidade escolar . do CPC e 255.19* Câmara de Direito Privado .Desnecessidade .Para a demonstração do dissídio pretoriano. impõe-se reconhecer a inexistência de similaridade. 7 . declinar a causa debendi da emissão das cártulas.Ausente a prova escrita. Amoldo Camanho de Assis).0 cheque prescrito além do prazo bienal da ação de locupletamento ilícito previsto em legislação especial perde a sua abstração. Min. 22. imiscuindo-se inclusive no direito público.477-8. 5 .Citação válida.Ap. para embasar o procedimento monitório.Necessidade de investigação da causa debendi evidenciada. 7-4-2006. Precedentes deste egrégio TJDFT. embasado em cheque prescrito. 6 .Art. é grande a ênfase que se dá à subsidiariedade da ação in rem verso.Possibilidade de reconhecimento em 2® grau. Não se restringe. e após decorrido o prazo de dois anos para o ajuizamento da ação de locupletamento ilícito. Contudo.Acórdão 20080111319199 .357/85 . ‘c’.Recurso improvido” (S T J . invertendo-se os ônus sucumbenciais.Apelação 1. Precedentes deste egrégio TJDFT. Des.Rei. esta circunstância não se verifica na espécie. 29-4-2008.(493339). Seu campo de ação é amplo. 14* Câmara ‘B’ de Direito Privado .827 . na forma exigida pelos arts. 541. Apesar da pobreza numérica de decisões sobre a matéria. “Apelação cível . Falta de interesse de agir. consoante dicção do art. 2 .Protesto por falta de pagamento . porém. entre o acórdão recorrido e o acórdão tomado pela recorrente como paradigma. 193 do Código Civil de 2002) .Natureza cambial da demanda . proposta dentro do biênio legal .Ação. Cível 1. §§ 1° e 2°. sendo imprescindível. 3 . Ausência que desconstitui a prova escrita.916 (atual art.

384 do TJSP). De outro. devendo ser observada como um critério de equidade e de princípios gerais de direito.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 219 Exemplifica o exposto a interpretação do art. 124. do contrário seria imoral e injurídico (nesse sentido. Como vemos.246 do Código Civil há de ser temperado pelo bom-senso. n* 174. Mesmo nulo.3 Objeto da Restituição A restituição deve ficar entre dois parâmetros. voto vencido). particularmente em sede de contratos administrativos. extravasando os limites do campo civilístico ou privatístico. Ap. provados os requisitos. Forense. .6. Quando se tra­ tou do confisco de bens obtidos ilegitimamente. similares à época da teoria abandonada há mais de um século no tocante à responsabilidade do Estado: T h e King can do no wrong!” No campo do direito administrativo. E o que é o bom-senso mencionado no acórdão. firmou-se corrente no Pretório Excelso de que “o confisco de bens. nas mais diferentes fronteiras de nossa ciência. a fim de que ele não se transforme em fonte de enriquecimento ilícito” (TACSÇ ap. 619 do Código Civil. nesse julgado. De um lado. 236/84. da qual está embebida a teoria do enriquecimento sem causa? Mesmo no período de exceção constitucional por nós suportado. como sanção que é do enriquecimento ilícito. O justo entendimento é o de se permitir o reajuste por via judicial. e o reembolso é uma exigência da equidade. Trata o dis­ positivo de matéria atinente ao reajuste do preço. vozes se levantaram no Supremo Tribunal Federal para. pelo que é de se devolverem os bens confiscados em valor superior ao do locupletamento” (Rev. 1. o mon­ tante em que o patrimônio sofreu diminuição. o contrato pode gerar efeitos patrimoniais (assim também no direito privado). 9. com o tempe­ ramento necessário para que não haja injusto enriquecimento de uma das partes: “O entendimento do art. a maioria concluiu ser insuscetível de revisão judicial o ato que determina o confisco de bens com fundamento na legislação excepcional. Tempos negros. não pode ultrapassar o empobrecimento do outro agente. Mesmo o ato administrativo nulo. nos contratos de empreitada. tolher pretensões fundadas em leis excepcionais. É de se observar que. não pode ultra­ passar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor. não deve excedê-lo. a aplicação da teoria do enriquecimento injustificado pertence à teoria geral do Direito. agindo com o bom-senso essen­ cial ao jurista.839). pode obrigar o Estado a reembolsar o particular. isto é. senão a aplicação da equidade. o privilégio da Administração e o princípio da prevalência do interesse público também não podem servir de óbice à aplicação da teoria de en­ riquecimento indevido.

Como vimos ressaltando. 1975:883): 1. concluindo que a ação de enriquecimento sem causa não é uma ação de indenização. é matéria de arguto exame pelo julgador em cada caso con­ creto. Importante lembrar que. É o princípio do art. intelectual e moral. de se fixar indenização. pela própria definição. A vantagem poderá tam­ bém ser imaterial. Se. ou seja. inclusive os frutos. Gerota (1923:228) lembra que a situação é análoga à do possuidor de boa-fé. pois. contudo.7 Ação de In Rem Verso A jurisprudência francesa sintetiza as seguintes condições para a ação de in rem verso (W eill e Terré.220 D ireito Civil • Venosa Outro aspecto importante a recordar é que o montante será calculado na data em que a restituição é efetivada. 182 de nosso código. que o enriquecimento exista quando a ação é exercita­ da. já que nos posicionamos no campo da equidade ao encarar tal problema. Aquele que pagou para custear os estudos de outrem. Gerota (1923:228) traz à colação o art. Já a situação do enriquecimento sem causa diverge. o efeito do enriquecimento sem causa difere do efeito de nulidade ou de resolução do negócio jurídico. nesse momento. A obrigação de restituir estende-se aos benefícios alcançados. mas por qualquer circunstância enriqueceu o patrimônio do beneficiado em apenas 5. o devedor do ilícito passa a responder pelas conseqüências dela e a ser tratado como devedor moroso. É necessário. As partes devem devolver reciprocamente tudo que receberam. ou diminuição . A questão. “o enriquecimento tem o mais amplo sentido.000. exemplo já por nós lembrado. 9. Como observa Agostinho Alvim (RT 259/19). também. uma vez constituído em mora. O enriquecimento pode resultar da aquisição ou do implemento de um direito. o enriquecimento já se esvaiu.000. o autor dela será carecedor. poderá haver enriquecimento por parte do accipiens. se tal fato não ocorreu. Não se trata. 818 do código alemão. Enriquecim ento É o elemento fundamental. Sua fi­ nalidade é restabelecer um equilíbrio de patrimônios por uma justa compensação ( Rechter Ausgeleich). A nulidade implica o desfazimento ex tunc das relações jurídicas derivadas. compreendendo qualquer aumento do patrimônio. será neste valor o montante objeto da restituição. Se a coisa obtida mediante enriquecimento valia 10. mas de uma reparação na medida do enriquecimento alcançado contra alguém. em espécie ou em valor. de uma herança.

037961-4. Ausência de dano efetivo à honra ou imagem da recorrida. “Contrato . “Agravo regimental no agravo de instrumento .Restituição de valores cobrados em excesso por escritório de advocacia por força de pacto verbal firmado com a sociedade civil Colégio Dante Alighieri. diante da aplicabilidade do princípio que veda o enriquecimento sem causa do credor. Rei.080-0/3. Incidência da Súmula 211/STJ.A despeito da parte adversa não ter impugnado não cabe o pleito da Administração. frente ao exercício regular de direito da credora.Ação de desapropriação . Veda­ ção legal.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 221 evitada. Preliminar de ilegi­ timidade passiva ad causam refutada.Ap. Súmula 7/STJ. enfim. Recurso improvido.880/1994. Des. Marcon­ des D’Angelo).Recurso não provido” (TJSP .5 4 “Apelação cível . Reparação indevida.Ap. Precedentes desta câmara e tribunal. Altamiro de Oliveira). Admissibilidade do prequestionamento implícito. Sentença que julga improcedentes os pedidos.4 numa remissão de dívida não desejada ou não procurada. em razão da impossibilidade de se aferir o valor exato dos da­ nos suportados no momento da propositura da ação. “Repetição de indébito . desde que estimáveis em d i n h e ir o Poderá consistir. O princípio da adstrição pode ser mitigado nas ações de repetição de indébito. 5 “Civil . independentemente da comprovação do erro.Pagamento voluntário . na deslocação de um valor de um patrimônio para outro. Irresignação do agente financeiro réu. Rei.180-5/4-00. Mandato. Improcedência.Inviabilidade repetir à Municipalidade na mesma demanda . Julgamento ultra petita. A compensação de valores e a repetição de indébito são cabíveis sempre que verificado o pagamento indevido. na trans­ missão errônea da posse.Indeferimento .Consumidor .Recebimento do contrato cheio . 7* Câmara de Direito Público . sendo que a quantia requerida pelo autor é meramente estimativa. que terá uma nova causa de pedir e um novo pedido . 9-3-2009.Ação de repetição de indébito c/c reparação por danos morais. Luis Felipe Salomão). até vantagens não patrimoniais. Sentença manti­ . Não ocorrência. Razoabilidade e proporcionalidade. Recurso conhecido e desprovido” (TJSC -Acórdão 2010. Emprego da variação cambial como vetor monetário.Inadmissibilidade Contraprestação pelo serviço prestado . Correção monetária. Cobranças irregulares constatadas pela consumidora que. sem a devida contraprestação. Parcial procedência do pedido. Repetição do indébito. como ocorre geralmente. Nítido o interesse processual da autora em obter a tutela jurisdicional do estado para fazer com que o mandatário promova a restituição de valores pagos a maior. 6° da lei nc 8.(2007/0091958-5). Impossibilidade. Demanda aforada contra banco integrante do mesmo conglo­ merado financeiro.Pagamento apenas das aulas efetivamente ministradas . Verificação do excesso.Rei. Incidência da Súmula 7/STJ . em repúdio ao enriquecimento ilícito de quem o receber. na incorporação ao patrimônio de um elemento material ou imaterial. Subst.246 . Cível 772. deixa de promover o pagamento de débitos legítimos. Precedentes. Repetição do indébito.Ação de revisão de contrato de compra e venda com pacto de reserva de domínio.Mantença . Cível 928. Possibilidade na forma simples. em conseqüência. Min.Sentença de procedência parcial mantida . Agravo regimental desprovido” (STJ .AgRg-AI 899.Recurso improvido” (TJSP . cuida-se de uma nova pretensão.Ensino .Prefeitura do Município que paga ao expropriado valor maior do que o devido .Prestação de serviços .Ação de repetição de indébito . Contrato de compra e venda que não está inserido nas exceções previstas no art.Rei.Repetição de indébito . Impos­ sibilidade de revolvimento de matéria fático-probatória.Responsabilidade civil . 14-6-2012. Honorários advocatírios. 26-6-2007. P-2-2011. 25* Câmara de Direito Privado . a depender de elaboração de laudos e verificação de outras provas. Nogueira Diefenthãler).Trata-se de novo direito que surge a favor do Município que deverá ser discutido em ação própria .Pretendida continuidade da ação para que houvesse a repetição do valor pago a maior . Ausência de prequestionamento de dispositivo. Típica aplicação da teoria da aparência.

Quan­ to à noção de causa nos negócios jurídicos.Contrato . entre o enriquecimento e o empo­ brecimento. que é espécie de enriquecimento sem causa). Juiz José Guilherme de Souza).Inexistência de irregularidade no contrato .747-5. no qual o accipiens deve devolver. Empobrecimento correlativo É necessário que exista uma pessoa que sofra o empobrecimento. Também não é necessário que o enriquecimento tenha sido direto. Basta que o nexo causai. A noção que sobreleva é a do enriquecimento. “Repetição do indébito .Improcedência da ação mantida . 3. necessidade de um nexo de causalidade entre o enrique­ cimento e o empobrecimento. na forma do artigo 46 da Lei n® 9. . Um caso típico é o do pagamento indevido. 24-11-2008. da por seus próprios e jurídicos fundamentos. como o ato jurídico que explica. que justifica a aquisição de um direito.Rei.Proc. Tal noção é de fácil apreensão quando o enriquecimento ocorre diretamente entre enriquecido e empobrecido.020. exista. com súmula de julgamento servindo de acórdão. Nexo causai é o fato originário do direito de reembolso: fato jurígeno ou fato gerador. Esse requisito dá margem a infindáveis discussões. A natureza do empobrecimento não importa. é tomada em seu sentido tra­ dicional.Inocorrência .Elaboração de perícia contábil sem a alegada constatação . o autor da demanda.Capitalização de juros . 20090710305029 . por­ que o termo foge ao conceito exclusivamente patrimonial. assim como por serviços prestados e não pagos (aqui não existe propriamente uma diminuição patrimo­ nial).222 D ireito Civil • Venosa 2. Há empobrecimento para quem pagou indevidamente (caso de pagamento indevido. apenas se exige que a perda seja apreciável economicamente. o liame (não confundir com a causa que pertence ao título do instituto).(492659). Podemos ver que o empobrecimento. estritamente. isto é. Há que se entender que a palavra causa. Ausênda de causa jurídica Também é da essência e da própria denominação a ausência de causa. Cível 1. Honorários advocatícios fixados em 10% do valor da causa.Ap. A transmissão de valores de um agente a outro pode ser feita por intermédio de um terceiro. 4-4-2011. uma correlação na passagem de um valor de uma pessoa a outra. 17a Câmara de Direito Privado .099/95. porque o pagamento que recebe não pode subsistir pela inexistência de causa. Erson Teodoro de Oliveira). pode até vir a faltar.Financiamento com cláusula de alienação fiduciária para aquisição de veículo .060/50” (TJDFT . ou seja. Nem sempre a questão do empobrecimento será nítida. isto é. Rei.Recurso não provido” (T J S P . aqui. proveniente de uma relação jurídica direta entre enriquecido e empobrecido. já a ela nos reportamos. ficando suspensa sua exigibilidade nos termos do artigo 12 da Lei 1. evidentemente. Há. a cargo da recorrente. mais custas processuais.

Não se está em sede de responsabilidade contratual. referente à pessoa do empobrecido. o empreiteiro se volta contra aquele que obteve o enriquecimento. irrelevante para as partes envolvidas. Não sobra dúvida de que houve um enri­ quecimento por parte do proprietário do im óvel e um empobrecimento por parte do empreiteiro. sem receber o pagamento. que não é elemento necessário para que ocorra o enriquecimento. Não pode haver noção de interesse pessoal. Contrato de arrendamento mercantil rescindido por inadimplemento do ar­ rendatário. com o serviço efetuado. ou de alguma regra legal que os unisse. devendo ser considerado parte legítima para a ação. Necessidade de res­ tituição do vrg diante do não exercício da opção de compra.028 do código civil/2002.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 223 Todavia. A tendência inevitável da jurisprudência é de considerar o ato res inter alios actdy isto é. A dúvida repousa em saber em que medida um ato praticado entre o empobrecido e um terceiro pode afetar o enri­ quecido. ainda que potencial. . que acre­ ditamos. por conta do locatário. o lo­ catário abandona o prédio e desaparece. Não se discute também a capacidade do credor e do devedor. Ausência de interesse pessoal do empobrecido O empobrecimento não pode derivar de um relacionamento contratual com o enriquecido. Inaplicabilidade da regra de prescrição prevista para a hipótese da preten­ são subsidiária de ressarcimento por enriquecimento sem causa. a avaliação do enriquecimento poderá variar. Artigo 2. Figure-se o exemplo de um empreiteiro que executa. nem sem­ pre será simples identificar a causa injusta. um melhoramento no prédio locado. . Incidência do artigo 205 do código civil/2002.A ação de in rem verso por expressa previsão legal (artigo 886 do Código Civil) possui caráter subsidiário. 9. Não podendo se voltar contra o contratante. Pretensão de restituição do montante pago a título de valor residual garantido.6 6 “Ação de cobrança. Cláusula contratual que prevê que tal montante deve permanecer com a arrendadora. Pergunta-se: haveria aqui possibilidade da ação in rem verso? Não temos dúvida da resposta afirmativa. ou seja.2 A Subsidiariedade da Ação Em várias passagens deste capítulo temos apontado o caráter subsidiário da ação de in rem verso. As obrigações decorrentes do enriquecimento sem causa nascem indepen­ dentemente da vontade dos agentes. 4. Pretensão de cobrança que encontra fundamento no próprio contrato entabulado entre as partes o qual originou o alegado enriquecimento ilícito. Contudo. Posteriormente. já está clara. se algu­ ma das partes for incapaz. mormente porque doravante temos princípio legal expres­ so: “Não caberá a restituição p o r enriquecimento. quando o enriquecimento ocorre por meio de um terceiro. 886 do atual C ódigo). Recurso provido. Regra de direito intertemporal.7. pois as regras que dizem respeito à incapacidade têm por finalidade proteger a vontade. mas no campo de uma diversa fonte de obrigações. Pouco nos resta acrescentar agora quanto à noção. se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido” (art.

ou. a subsidiariedade ressalta ainda mais a validade desse remédio. 886. como na legis­ lação. ao analisar a matéria de fundo que fundamenta o pedido do requerente. o autor só perdeu a posse.224 D ire ito C ivil • V enosa A ação é a última ratio de que se pode valer a parte. pode-se falar em indenização equivalente a prestações não cumpridas. “uma espécie de a ction passe-partout.Acórdão Apelação Cível 537. Na verdade. Daí concluir-se que a inexistência de qualquer outro remédio para o agente é um fator a mais a concluir pela existência de um injusto enriquecimento. também existir divergência doutrinária. nas outras. Contudo. no art. não há que se falar em empobrecimento. nosso atual diploma no art. A preocupação. Mesmo assim. restando-lhe ainda o domínio. a ação in rem verso não é subsidiária. a situação dos títulos de crédito. pois. observa Gerota (1923:220). com propriedade. os tribu­ nais são inclinados a negar subsidiariedade em duas situações: quando houver possibilidade de ação reivindicatória. na impossibilidade de uma ação derivada de um contrato.222-3. Assim. a justo título. ao contrário de diminuir-lhe a importância. Des. Roberto Mansur Arida). permitida pela lei). os efeitos da ação de enriquecimento serão sempre menores do que os da ação derivada de um contrato ou da responsabi­ lidade aquiliana. nem para remediar certos enriquecimentos devidos à inércia do em­ pobrecido”. tanto na doutrina. no dizer de Ferreira (1950:166). apenas o efetivo enriquecimento poderá ser con­ cedido.In casu. Rei. No direito alemão. na Alem a­ nha. de o prejudicado se ver ressarcido de seu empobrecimento. o português. na inexistência de qual­ quer outra no sistema jurídico. numa verdadeira condição de procedibilidade. no qual exsurgiu o enriquecimento injus­ tificado” ÇTJPR . entre nós. mas também como decorrência abstrata do negócio jurídico. ou simplesmente da ação de anulação ou nulidade de um negócio jurídico. que o caráter subsidiário da ação resulta de circunstâncias de fato.14-1-2010. no art. quanto na jurisprudência. enquanto não esgota o prejudicado todos os meios normais de ressarcimento. pois. . os novos códigos resolveram expressamente a controvérsia: o italiano. apesar de. como a última possibilidade. nesse caso. cláusula penal e perdas e danos. e quando houver possibilidade de uma ação contratual. ou por motivo de prescrição (afora. Na primeira. . 2. e definitiva. é evitar tom ar a ação de enriquecimento uma panaceia para todos os ma­ les.042. E lembra ainda. segundo Ferreira (1950:169). isto é. ou de um ato ilícito. identifica-se que a pretensão na verdade nasce do contrato firmado entre os litigantes. 474. Como deflui do que já vimos. atropelando as regras do direito positivo”. “a ação de enriquecimento não deve ser concedida para atender aos casos de impossibilidade de execução de contratos por falta de prova. somente pode ser utilizada quando inexistir outra pretensão para o ressarcimento. não só porque não existe dispositivo específico na lei a respeito da subsidiariedade.

O enriquecimento pode ter origem tanto de um negócio. Prescrição Antes de adentrarmos no estudo do pagamento indevido em nosso Código Civil. 9. porém. para se espraiar por todo o sistema. colocando sua aplicação nas fronteiras devidas. A despeito do caráter autônomo do conceito moderno de actio. sobre o alcance do instituto. longe de lhe dim inuir o valor. como forma de integração do sistema legal (cf. . Daí a conclusão de Antunes Varella (1977:194). quais tenham sido as cogitações de Clóvis. ao con­ trário. regula situações particulares típicas do enriqueci­ mento indevido. O pagamento indevido nada mais é do que a aplicação desse princípio. independentemente da nature­ za do ato donde elas procedem”. como de um ato jurídico. à custa de outrem. ao elaborar o projeto do Código de 1916. e como conclui Lopes (1966. Pouco importando. a ação de enriquecimento sem causa não pode. aumenta-o. A própria lei. impõem-se algumas ilações. 75 do Código Civil (antigo). nossa dou­ trina e o direito comparado já o solidificaram.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 225 Nossa doutrina sempre foi mais favorável ao subsidiarismo. Rodrigues. Mas seu caráter subsidiário. Como exaustivamente exami­ nado. como vimos. consoante o qual a todo direito corresponde uma ação que o assegura”. Sempre estivemos em torno da noção de que a ninguém é lícito aumentar seu patrimônio sem causa jurídica. com a indenização decorrente de responsabilidade contratual ou aquiliana. “para nós. 2:89). ainda continua princípio verdadeiro o constante no art. 2:163). Claro restou que não se confunde o que se concede a título de ressarcimento injustificado. ser franqueada a todos os casos concomitantemente com ações próprias ao direito disputado. 1981a. de que a noção de au­ mento patrimonial e diminuição patrimonial abrange “todas as situações p or virtude das quais uma pessoa obtém certa vantagem de natureza patrimonial a expensas de outra. v. v. tal noção transcende a medida acanhada do pagamento indevido posta em nossa legislação e nas que nos são assemelhadas. de um modo ge­ ral.8 Síntese Conclusiva do Enriquecimento sem Causa. agora. Deve-se evitar que tão alto remédio se converta em panaceia.

Ob­ servação do princípio da vedação ao enriquecimento sem causa (artigo 884 do Código Civil) . Compra e venda de automóvel. 927.341-8. por intermédio de uma ação in rem verso. este previsto no art. será dado pelos tribunais.Sentença reformada . ser considerada também a conduta negligente da adqui­ rente. Penhora. conforme se estabelece do conceito jurídico de condomínio . Cível 1. A adquirente do veículo deve ser ressarcida pelo valor que pagou referente às dívidas trabalhistas. “Apelação Cível . cabe à adquirente regularizar a documen­ tação.Sucumbência . § 3Ô. faz o outro jus ao recebimento de aluguel. na época em que f o i exigido. Recurso parcialmente provido” (TJDF .Ação in rem verso .054. Avulta aí a importância do trabalho pretoriano.Admissibilidade .Ação de cobrança de alugueres . 6-9-2011.Recurso provido” ( TJSP . pendentes em nome dos requeridos. No caso de utilização exclusiva da coisa por parte de um dos condôminos (no caso o coproprietário que deu a parte que não lhe cabia em comodato). deve restituir o valor atualizado (parágrafo único. Trata-se. Rei.Ap. visando à desconstituição da penhora sobre o bem então adquirido dos devedores 3. Rei.0000.Rateio das despesas de manutenção dos serviços de interes­ se comum dos associados . Luiz Carlos Santini). desde que não haja acordo em sentido diverso. demonstrando que o legislador não desejou ampliar em demasia a utilização dessa ação.Recurso não provido.Existência de relação de comunhão. exonerando os devedores da obrigação de pagar o saldo remanescente (Lei n° 5741/71) .Loteamento fechado . como se nota. 21-1-2010.* (20040110581062APC. que determinam ao causador do dano. p. na espécie. julgado em 27-9-2006. diante da inexistência de rescisão contratual .Imóvel em condomínio .Pretensão à devolução das parcelas pagas . estipulando a atualização dos valores monetários.Financiamento imobiliário .2001. na resti­ tuição (art. “Contrato .Ação de cobrança movida pela associação de moradores contra proprie­ tário não associado .14a Câmara de Direito Privado . “Civil. Impossibilidade de transferência. . 7 “Cobrança . 4 . DJ 9-11-2006.Impossibilidade . 18-2-2009. ambos do CC. também hoje.7 A o finalizar. em caso de restituição de coisa determinada. ‘se houve transferência de propriedade. O novo estatuto procurou traçar contornos à medida. 6* T\irma Cível.Comodato de fra­ ção ideal não pertencente ao comodante . a caracterizar a copropriedade de áreas comuns. Essa deve ser.Acórdão Apelação Cível 9049191-27.Desnecessidade de constituição de condomínio . evitando assim o enriquecimento sem causa da apelante que está em posse do imóvel.Rei. devendo.Acórdão Apelação Cível 20060510079678. a reparação do dano. Des. Rei. independente de existir ato administrativo que a obrigue. contudo. razão pela qual a indenização deve ser minorada.26. O equilíbrio das situações. Des. a tendência de nossos tribunais. Des.Inversão do ônus diante do provimento do recurso . e dispondo que. José Joaquim dos Santos). 1.Recurso improvido” (TJSP . art. quem a recebeu indevidamente. Por outro lado. na falta dela. Cruz Macedo). incide na espécie o art.Retomada do imóvel que decorreu de previsão legal. Indenização.Inviabilidade. de prazo exíguo. 884).13-6-2007. Relator Sandra de Santis. 186 combinado com o art. 884). 884 do Código Civil” ( TJMS Acórdão Apelação Cível 2009. por ato ilícito. cumpre lembrar que o atual Código estabeleceu o prazo prescricional de três anos para a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa (art.226 D ire ito C ivil • V enosa A verdadeira medida do enriquecimento e do empobrecimento nos dará o caso concreto.Condômino que faz jus ao recebimen­ to de aluguel desde a data da notificação . 159) 2.8.030969-9/0000-00. É obrigação do alienante entregar o bem ao adquirente livre e desemba­ raçado de quaisquer ônus ou constrição judicial.Adjudicação do bem financiado . para que. Melo Colombi). Concomitantemente à aplicação do instituto da evicção. 206. não se produza um novo enriquecimento.Efetiva fruição pelos moradores dos serviços prestados . Constrição judicial. IV).

Acórdão Apelação Cível 2007. art.Ap.1 Pagamento em Geral. no enriquecimento ilícito. . incabível a cobrança em discussão sequer devidamente esclarecida no curso da instrução processual .Evidentemente nenhuma de boa-fé . no que tange ao princípio geral do enriquecimento. II). a situação é geral e não há que se ter em mente a extinção pura e simples de uma obrigação. Erro demonstrado. comparecendo. Falta de advertência expressa da penalidade. Impossibilidade. o pagamento indevido era disciplinado nos arts. enquanto no pagamento indevido pressupõe-se sempre um pagamento. impeditivo ou extintivo do direito do autor é do réu. Ausência de prova de fato modificativo. do Código de Processo Civil” (TJSC . 5a Câmara de Direito Privado . se recuse a depor’ (Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery). o atual diploma rege a matéria entre os atos unilaterais. Pagamento feito a credor diverso. Rei.Inexistência do contrato probante de que a apelada era sócia do clube e que teria assinado instrumento hábil no sentido de sua titularidade junto à entidade .Incomprovada tal obrigação estatutária. não iria conformar e confortar-se com a situação incômoda em que se encontrou após o momento desencadeador do processo que se viu obrigada indevidamente .Qual é a pessoa idosa que não se veria sobressaltada.259-4/0.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 227 9. nos termos do artigo 333. Sentença mantida. 8 “Civil e processo civil. Pedido de declaração de confissão ficta.051594-2. a extinção de uma obrigação que poderia não existir.Autora atualmente com oitenta e cinco anos. 16-10-2010. isto é. 9. desconhecendo a dívida e a imposição de seu indevido pagamento .O principal objetivo da autora apelada foi solucionar a pendência através daquilo que julgou correto. Oldemar Azevedo).8 Ao lado do silêncio de nosso Código de 1916. há disposições específicas e de caráter próprio.9 Pagamento Indevido Por ser o pagamento indevido uma modalidade de enriquecimento ilícito.Dano configurado . II.Recurso improvido” (T J S P . Conteúdo De plano deve ser dito que. l°-4-2009. que pode englobar a maioria das situações de pagamento indevido.Indenização inalterada Sucumbência sem modificação . Em que pesem serem aplicáveis ao instituto muitos dos princípios do enrique­ cimento.Responsabilidade civil . O ônus de provar fato modificativo.Rei. Ônus do réu (CPC. “Dano moral . caso não compareça ou. extintivo ou impeditivo do direito da autora.9. Recurso desprovido. No pagamento indevido. a reparação de sua moralidade e credibilidade como pessoa humana . ou seja. 333. Intimação da parte em audiência. Como apon­ tamos. diante da sua simplicidade e singularidade do caso. Ação de repetição de indébito.Cobranças indevidas . por fas ou ne/as. É do man­ dado de intimação que deve constar que se presumirão confessados os fatos contra ele alegados. Luis Carlos Freyesleben). a ideia é também de reequilíbrio patrimonial. Des. no título Efeitos das Obrigações. op­ tamos para o estudo conjunto de ambos os fenômenos. desprestigiada e desonrada com tal aparato de cobrança. 964 a 971 dentro do capítulo pagamento geral. ‘É pressuposto para a aplicação da pena de confissão que a parte seja previamente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida do risco de aplicação da pena. Cível 451.

9 A origem do dispositivo está nas condictiones do Direito Romano. seja a de fazer e não fazer. seja a obrigação de dar. fora (extra petita). havendo débito a ser pago. se recuse a depor* (Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery). 333. Erro demonstrado. Arti­ go 876 do Código Civil. conscientemente. Pagamento indevido. 2. Como ocorreu no presente caso. caso não compareça ou. . deveria o pagamento ser dirigido a outra pessoa. a existência de quem paga (o solvens) e a existência de quem recebe (o accipiens). por peculiar motivo de conveniência. não tem direito à repetição: “improcede o pedido de repetição de pagamento efetuado voluntariamente. o adimplemento voluntário de qualquer obrigação. RTJ 112/373). pressupõe-se a existência de uma obri­ gação. sabendo que não deve. No pagamento inde­ vido é ínsita a noção de intenção de cumprir uma obrigação que não existe. Julgamento extra petita.733. comparecendo. do Código de Processo Civil” ( TJSC . Ônus do réu (CPC. Enriquecimento ilícito repeli­ do. Ausência de prova de fato modificativo. com todas as nuanças. Intimação da parte em audiência. embora convencida. Restituição obrigatória. Falta de advertência expressa da penalidade. Recurso desprovido. mostrando-se vedado ao julgador decidir aquém ^citra ou infra petita). ‘É pressuposto para a aplicação da pena de confissão que a parte seja previamente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida do risco de aplicação da pena. ou. em síntese. Nada mais do que a execução voluntária da prestação. o pagamento é o fím natural e normal de uma obriga­ ção. Impossibilidade. em dinheiro. Pagamento feito a credor diverso. o que. por meio do cumprimento do objeto da prestação. Para a existência de um pagamento. a intenção de pagar. extraordinário nQ 100. ou além ( ultra petita) do requerido na inicial.10 9 “Civil e processo civil. porque quer fazê-lo. II). diríamos. O direito de repetir o que se pagou emerge do fato de não existir débito a ser pago. O ônus de provar fato modificativo. a prestação jurisdicional deve-se. mas. Pagamento é. se o solvens paga. Desse modo. nos termos do artigo 333. O decisum configura corolário da exordial. art. Rei. vem a dar na primeira hipótese. Des. 1. Luis Carlos Freyesleben).’ É do man­ dado de intimação que deve constar que ‘se presumirão confessados os fatos contra ele alegados. impeditivo ou extintivo do direito do autor é do réu. de sua inexigibilidade ao tempo em que. Ação de repetição de indébito. o fím mais normal. Erro demonstrado. Sentença mantida. Eis o porquê de a decisão vincular-se à causa de pedir e ao pedido. a correlação entre pedido e sentença é medida que se impõe. a parte. Já vimos que o termo não se prende exclusivamente à expressão mais corriqueira de se ligar o pagamento à execução de uma obrigação.051594-2. já por nós referidas. 10 “Civil e processo civil. 876 estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido” e “àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição”. O art. Pedido de declaração de confissão ficta. II.228 D ire ito C ivil • V enosa Como já estudamos. Não ocorrência. na realidade. a possibilidade do cumprimento dessa obrigação. consentiu em pagar” (Rec.Acórdão Apelação Cível 2007. 16-10-2010. extintivo ou impeditivo do direito da autora. em conseqüência de erro.

085860-6. Cível 983. cuja unidade administra. 23a Câmara de Direito Privado . ocorreu por erro. Na situação em testilha. uma vez que é de se repelir a classificação dos quase-contra­ tos. sobretudo.Empresa ré. apesar de sua individualidade própria. por motivos alheios à sua vontade. do CC/1916 . . ao lado da gestão de negócios.9. conforme prescreve o ‘princípio da congruência’. o Código de 1916 preferiu apenas disciplinar sistematicamente o pagamento indevido. Surge. da impar­ cialidade do juiz e da igualdade processual entre as partes. em conseqüên­ cia de erro”. 3. 4.01.Empresa ré que se negou a restituí-las . que não sofreu prejuízo. portanto.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 229 Assim define Lopes (1966. E acrescenta que. José Marcos Marrone). 9. cabe o ressarcimento da quantia relativa às taxas condominiais. pois a causa geradora de tal obrigação é um pagamento. devendo aquele que recebeu quantia que não lhe era devida restituir o auferido.1. “Contrato .Acórdão Apelação Cível 2008.375-6. disposto nos arts. ademais. nos moldes da disciplina do artigo 877 do Diploma Civilista. uma obrigação imposta ao accipiens por lei e que se extingue com a restituição do indevido. pagas pela Autora a Condomínio dis­ tinto daquele.Rei. sob pena de ofender o princípio do contraditório. tendo em vista que sua marca não foi utilizada pelas autoras. 5. Rei. 6-12-2006.Autoras que. A nova lei atende aos reclamos mais atuais ao considerar o pagamento indevido e o enriquecimento sem causa como fontes de obrigações derivadas de atos unilaterais. tendo aplicado a teoria geral do enriquecimento em re­ gras esparsas. 2-3-2011. Fonte Autônoma de Obrigações Como vimos. A maioria da doutrina atual considera o pagamento indevido como moda­ lidade do enriquecimento sem causa.Franquia . tampouco lhes prestou os serviços de organização empresarial Taxa inicial de franquia’ que deve ser restituída às autoras.Taxa inicial’ . Des. Sendo o pagamento indevido uma espécie de enriquecimento sem causa. sob pena de enriquecimento sem causa da empresa ré . por sua crescente importância no direito moderno. a despeito de sua localização no direito positivo do Código de 1916. a teoria do enriquecimento sem causa merece uma exposição à parte.Recurso provido” (TJSP . ater ao pedido. 128 e 460 do Código de Processo Civil. Daí sua peculiaridade. justamente um fenômeno que deve ocorrer para extinguir uma dívida e não para criar outra. é forçoso concluir que também esse instituto é fonte autônoma de obrigações. A localização feita pelo Código de 2002 é a mais técnica. Repele-se o enriquecimento ilícito. Orlando Gomes (1978:45) classifica o pagamento indevido como uma das situações de fa to a que a lei atribui o efeito de suscitarem obrigações. Apelo não provido” (T J D F .2 Posição da Matéria na Lei. 2:102): “é o pagamento efetuado com a intenção de cumprir ( animo solvendi) uma obrigação inexistente ( indebitum). v. foram impossibilitadas de cumprirem a obrigação que lhes cabia Aplicação da primeira parte do artigo 879. previsto no artigo 876 do Código Civil. porque se provou que o pagamento indevido.Ap.Impossibilidade de prevalecer o princípio pacta sunt servanda . Flavio Rostirola). pois.

877. 1966. 2. como afirma Lacerda de Almeida (1934:180). O art. Há inexistência de débito tanto quando há uma dívida real. A obrigação existe. haverá pagamento indevido pelo simples fato de um pagamento sem causa. prevalecia o critério subjetivo. a aplicação da mais ampla condic­ tio sine causa. Comumente se denomina o indébito subjetivo de ex persona e o indébito objetivo de ex re. Como a condição pode não se realizar. não havendo que se falar de obrigação completa. 876 dá os contornos gerais do instituto: todo aquele que recebeu o que não era devido fica obrigado a restituir. Quando a obrigação é condicional (art. desnecessária a repetição dos pressupostos gerais já expostos. 965). trata-se apenas de adimplemento antecipado. o pagamento. daí por que o pagamento não pode ser repetido.230 D ire ito C ivil • V enosa 9. O pagamento indevido pode ser encarado sob dois aspectos: objetivo e sub­ jetivo. antes do implemento da condi­ ção. O vigente código italiano menciona ambas as formas nos arts. Pelo critério subjetivo. como veremos. em segundo lugar. Lopes. No Direito Romano. No critério subjetivo. ou apenas devedora em parte. Trata-se de aplicação da condictio indebiti. art. Adotou. respectivamente. 877 do atual Código. relativos ao indébito objetivo e subjetivo. para outras. Já no pagamento feito antes do termo. o es­ tatuto peninsular uma atitude eclética: para certas situações. exige o elemento subjetivo. 2:108).9. Pelo critério objetivo. mas da qual deixou de ser devedora. o animus solvendi. estamos diante de indébito ex re. pois. mas carente de requisitos indispensáveis para justificar o pagamento. como também quando o devedor dá em pagamento coisa diversa daquela que constituía o objeto da obrigação.3 Pressupostos do Pagamento Indevido Entendendo-se o pagamento indevido como modalidade do enriquecimento sem causa. como quando uma pessoa paga dívida que existia efetivamente. Nesses três casos. Essa é a solução de nosso direito positivo. 876). no mesmo sentido do Código de 1916.033 e 2. para que ocorra o pagamento indevido é necessário. . Haverá também pagamento indevido quando uma pessoa recebe o que era devido a outra (indébito ex persona) (cf. Destarte. enquanto. primeiramen­ te. a inexistência do débito ou o pagamento dirigido a pessoa que não o credor. no art. o pagamento seria indevido. v. exige-se como requisito o erro do solvens (art. o vínculo não se estabelece. o erro do solvens é essencial para a repetição.036. toma por base o caráter meramente objetivo.

a prova do erro do solvens lhe será ex­ tremamente gravosa. 2-6-2011.11 Ou.Pleito de devolução em dobro de pagamento indevido. o que traria soluções iníquas. 877 do Código Civil . 877 que “ao que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito p or erro” . mesmo sabendo não dever. Sebastião Carlos Garcia). recusar a repetição do indébito ao solvens. O erro não é uma condição sine qua non para a ação de repetição. manteve-se fiel à doutrina romana. além de da­ nos morais e materiais cumulados com declaração de inexistência de relação jurídica . Da redação do art. não deve provar erro. Não só quando houver coação.8. O que o autor deve provar na ação de repetição é o pagamento não devido. ou tendo dúvidas acerca da dívida. Importa notar que não se fala em pagamento voluntário. por vezes. Quem pagou à força. O que o Código adota é a teoria subjetiva apenas no tocante ao pagamento indevido e não quanto ao enriquecimento sem causa. Esse ressalte é importante. do mesmo modo.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 231 9.Pagamento voluntário de obrigação creditícia idônea .0100. é evidente. 2:111). Entende-se. subjetiva. v.Inteligência do art. o não pagamento acarretaria uma série de conseqüên­ cias nefastas para o contribuinte. coativamente.9. 877 defluem os dois requisitos para que haja a repetição: a não existência da dívida e o erro de quem voluntariamente pagou. como o caso de pagamento de tributos não devidos.Sustentação da autora de falsidade de sua assinatura em contrato de empréstimo bancário como fiadora da obri­ gação . mas também quando o solvens for colocado em uma situação na qual não tinha outra saída. aí. como esporádi­ ca e subsidiária.Pagamento a que se viu compelida de efetuar a fim de excluir seu nome do cadastro de ina­ dimplentes para não ser demitida de seu emprego em instituição bancária . ao contrário do que pensa parte da doutrina. Rei. No dizer de Lopes (1966. De qualquer modo. pois. não pode repetir.26.Acórdão Apelação Cível 0226081-18. O princípio deve ser entendido com a mitigação necessária. Neste caso. e não seria justo. Des. em geral. “a função do erro. Já vimos no acór­ dão do Supremo Tribunal Federal citado que quem paga voluntariamente. . excluiria qualquer outro elemento probatório. modernamente. em 11 “Responsabilidade civil . nesse setor.4 Erro do Solvens Dispõe o art.2008. no sentido estrito.Julgamento procedente da ação em 1® Grau . o erro é elemento do pagamento voluntário. estender-se-ia a teoria do erro a toda a teoria do enriquecimento sem causa. é considerada.Recurso exclusivo do correu Banco do Brasil . que. do contrário.Provimento para julgar im­ procedente a ação .Apelo provido” ( TJSP . Aduz Clóvis (1977) que o Código. mas adverte que a ausência desse fator não significa que não possa haver enriquecimento injusto. por mera liberalidade. aqui. de modo a espancar o particularismo da repetição do indevi­ do em face do enriquecimento sem causa”. outrossim. A prova do erro.

o elemento erro é indispensável. No pagamento indevido. Como bem observa Pontes de Miranda (1971. nem mesmo a dúvida em pagar. primeira alínea. tem que se utilizar da ação de consignação em pagamento. Nos negócios. é possível concluir que a legislação pátria não distingue a natureza do erro para possibilitar a repetição. em particular. 965: quem duvida se deve. quem paga prestação alimentícia que não deve. Não se trata. conforme expusemos no primeiro volume. terceira alínea. deixar de ser feito. por exemplo. No caso. não adere a conduta do solvens ao princípio do antigo art. 476. sem prejuízo para o devedor. v. em geral. Já. em sede de direito privado. Por outro lado. em determinados casos em que não pôde defender-se. o conceito de voluntariedade do Código é restrito. o erro situa-se no plano da execução de uma prestação. da mesma forma que o art.036 do Código italiano. ou quem paga dívida inexistente para não ver sua falência decretada. 2. Quando tais imposições resultam ilegais. e nos con­ tratos. Existindo. deve ser admitida a condictio. Os legisladores tinham outros exemplos se desejassem segui-los. no art. assumir o risco de pagar mal. não será o caso de se afirmar tenha sido voluntá­ rio o pagamento. Daí por que. O atual Código Civil português. pagando. ao lado do erro do solvens. 26:172). simples dúvida. Cinge-se a todo adimplemento que poderia. fala em erro desculpável. deve . Nossa mais recente lei civil repete a dicção no art. afasta-se do conteúdo desse vício de vontade na teoria geral dos negócios jurídicos. para a vontade da lei. sem se exigir o erro.232 D ire ito C ivil • V enosa outras palavras. de pagamento voluntário. sob pena de. para não ser preso. em resumo. o erro necessita de requisitos mais estritos. não se aplica o artigo em tela quando o pagamento ocorreu por constrição na pessoa ou no pa­ trimônio do solvens. pois voluntário não é o pagamento determinado pelo Poder Judiciário. Sua liquidação. Não se distingue também entre erro grosseiro e erro leve. o erro é irrelevante. Dessa forma. não pode repetir. bastando que o Estado tenha fixado uma imposição de pagamento. portanto. 877. como condição para a repeti­ ção do indevido. ainda que haja di­ vergência a respeito. se há pagamento consciente da inexistência de causa jurídica. é de se divisar um animus donandi e não um animus solvendi específico e direto. 477. A matéria é eminentemente fática. O direito brasileiro não presume o erro e cabe ao solvens o ônus da prova. A noção de erro sob enfoque. a involuntariedade do adimplemento. Também não se trata de se estreitar a dicotomia entre erro escusável e não escusável. além das situações mencionadas. pois. em tese. sempre que o devedor. pois há um pagamento constran­ gido. Se não provar. assim como no art. uma vez apurada. porém. em não pagando. é em perdas e danos. por exemplo. em que. por uma multa. sujeita-se a penalidades ou à constrição de seu patrimônio. por um tributo. ou a quem deve.

Pereira. segunda parte. não se extingue o vínculo. 206. . se for o caso. A restituição restringe-se ao excesso. íntegro o vínculo da obrigação. 9. pois o débito poderá vir a concretizar-se ou não. Enquanto meramente condicional. como acentua Lacerda de Almeida (1934:182). § 9°. de acordo com o art. nunca devemos esquecer que o pagamento pertence à teoria mais ampla e geral do enriquecimento sem causa. que. como de direito. contudo. Aqui. com a devo­ lução do objeto da prestação. toma-se responsável por uma repetição com perdas e danos. o credor de dívida tal não tem mais do que direito eventual. Trata-se de erro quantitativo. 2:249). pois quem recebe dívida condicional. E acrescenta que essa alínea do art. pois se trata de ação pessoal. Isso é. Ainda. beneficiado pelo erro do primeiro. É a situação do indébito objetivo. àquele que paga dívida inexistente. no chamado indébito absoluto (cf. É de se admitir. fica obrigado a restituir. O direito à repetição também aqui surgirá. também é cabível a restituição quando se paga mais do que se deve. cuja obrigação não foi solvida. M b. § 3°. é fundamentalmen­ te causai. não se adquire o direito visado. na qual tal diferença é irrelevante. em 20 anos. do Código Civil de 1916. O presente Código é expresso em limitar o exercício da ação de enriquecimento sem causa a três anos (art. Não tendo a nova lei se referido expressamente ao pagamento indevido. de acordo com o art.5 Pagamento de Dívida Condicional O pagamento de dívida condicional.9. de 10 anos (art. como o contrato. solvendo-a erroneamente. IV). enquanto a ação de repetição prescrevia no prazo geral do art. 1972. isto é. que o erro de que fala o dispositivo em tela pode ser tanto de fato. Aquele que paga dívida antes de reali­ zada a condição posiciona-se de forma idêntica à de quem paga por erro. dando uma coisa por outra. Logicamente. neste último caso. a contar da data da realização do contrato. com os requisitos da situação ora estudada. Subordinando-se o ato à condição suspensiva. Donde então a mesma conseqüência. Tal enquadramento é. prescritível em quatro anos. 876. entre nós. também. enquanto esta não se realiza. 177. entende-se que o prazo extintivo para a ação dele derivada seja o geral. em parte. nessa premissa. nada mais do que aplicação da condictio sine causa. em nosso primeiro volume). 178. só que. como já discorremos. 876 deixa bem clara a existência de uma causa em todas as relações jurídicas. 205). v.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 233 ser examinada a posição do accipiens. O erro pode ser atinente à existência da própria obrigação. é caso especial de pagamento indevido. o erro nele dá margem à ação de anulação. É também indébito objetivo aquele que se engana no tocante à prestação. A restituição mantém. antes do implemento do evento incerto. verdadeiro para a teoria do erro em geral (veja o capítulo a respeito do erro.

v. a que resulta de ato nulo por inobservância de formalidades externas). o vigente Código.234 D ire ito C ivil • V enosa Já a solução não é a mesma no tocante ao prazo. menciona “dívida judicialmente inexigível” e na situação em que se deu alguma coisa para obter fim ilícito. Quanto às segundas. convertendo-se a obrigação em civil. pois aquele que paga dívida antes do prazo solve obrigação existente e “supõe-se que renunciou ao benefício do prazo” (cf. imoral ou proibido por lei (art. 219. § 5Q.10 Casos em que Aquele que Recebeu não é Obrigado a Restituir A o tratar do pagamento indevido. a obri­ gação natural entre nós é tomada na concepção mais ampla. fiel à nomenclatura que adota.1 Dívida Prescrita e Obrigação Natural A dívida prescrita pertence à mesma classe das obrigações naturais. ao pagamento de obrigação natural. 591). e o pagamento de juros não estipulados (1. do CPC). 882). Beviláqua. pois. mas não o direito. Apenas o Código teve de mencioná-las expressamente. reconhecimento de dívida pelo devedor etc. feito a pessoa menor (art. O pagamento de dívida prescrita é verdadeira renúncia do favor da prescrição. Nas primeiras. 588). há outras situações no Código em que não se repete o que se pagou indevidamente. . Além dos casos enumerados nesse tópico. 9. conforme a distinção tradicional na doutrina. o mútuo. como o empréstimo para jo go ou aposta. seu único efeito é impedir a repetição do que foi pago. abrangendo tanto aquelas obrigações de causa tolerada (como. art. 1934. de qualquer modo. podendo. não conferem ação. No vigente Código. Não há direito de repeti­ ção. Como observamos. feito no ato de apostar (art.10. embora isso seja raro na prática. Mesmo prescrita a dívida. há possibilidade de ratificação e retificação do ato. 4:127). 971). Ademais. art. em três situações. judicialmente inexigíveis (já estudadas neste volum e). persiste a obrigação moral do devedor. da mesma natureza. antigo. a lei exclui o direito à repetição: no tocante ao pagamento de dívida já prescrita (art. direito de exigir seu cumprimento. 815). por novação. 883. nada mais. em certos casos. a prescrição extingue a ação.263 do Código de 1916). Nesse artigo. como as de causa reprovada. ser reconhecida de ofício pelo juiz (quando não se tratar de direitos patrimoniais. as denominadas obrigações natu­ rais. por exemplo. os juros no mútuo com fins econômicos presumem-se devidos (art. não obstante a existên­ cia de um pagamento sem substrato jurídico. cujo mais saliente exemplo é o da dívida de jo go (arts. Mesmo prescrita. Do mesmo modo que as dívidas prescritas. quem recebe dívida prescrita não se locupleta indevidamente. 814 a 817). a obrigação existe. 9.

E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 235 Nestas. havendo torpeza do solvens. . foi do solvens. cuja interferência deve ser limitada ao caso em que o autor haja participado cientemente da conclusão de um contrato imoral e tenha pretendido enriquecer-se p or tal meio. 883 que “não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito. Ao contrário. surgia a possibilidade de repetição. não lhe sendo concedido o direito de repetir. Já o nosso estatuto não socorre o empobrecido. sendo de perguntar. Essa também é a posição do código alemão. o vínculo é quase que exclusivamente moral e. em dispositivo de difícil aplicação.2 Pagamento para Fim Ilícito. juntamente com outro. 2:94): “o que se nos afigura indubitável é a necessidade de se não cercear a ação de in rem verso p or uma aplicação desmedida da máxima nemo auditur pro­ priam turpitudinem allegans. na hipótese. mesmo havendo torpeza bilateral. v. parágrafo único). 883. O atual Código. O art. pois há necessidade de que se atribua ao Ministério Público a legitimidade para a ação. embora. merece um tra­ tamento à parte. o direito de repetição é impedido pela aplicação do adágio in pari turpitudinis causa cessat repetitio. e não a responsabilidade. será irrelevante a torpeza do enriquecido. ou proibido p or lei”. Em síntese. punir o solvens. juridicamente. Prefere. só se reco­ nhece o débito. não há direito à repetição quando as duas partes se associam em causa torpe e a ninguém é dado alegar a própria torpeza. não haverá direito à repetição. não era na aplicação das condictiones ob turpem vel injustan causam do Direito Romano. portanto. É de se notar que tolhido estará o direito de repetir se a torpeza. Portanto. como vimos. Aqui.3 Outra Hipótese de Não repetição. Assim. Imoral ou Proibido por Lei Diz o art.10. Como encara Lopes (1966. sendo despiciendo indagar da torpeza do accipiens. segundo se depreende do dispositivo legal. nemo auditur propriam turpitudinem allegans. imoral. 9. Assim. se seria de se considerar uma compensação de culpas. É discutível tal solução. O atual Código manda que se reverta em favor de estabelecimento de beneficência (art. quando havendo a imoralidade de parte a parte. possa haver vanta­ gem para o accipiens. o afastamento da regra se impõe todas as vezes em que da parte do interessado não houver exis­ tido essa intenção de se enriquecer à custa de um contrato daquela espécie”. à primeira vista.10. 9. substitui a referência à obrigação natural por “obrigação judicialmente inexigível”. 880 Como a situação estatuída nesse dispositivo não se amolda teleologicamente às mesmas razões de impedimento de repetição dos casos vistos.

o prazo prescridonal. No entanto. 2-5-2009. segunda parte). Para o accipiens. aí. para ele resolvido. ambas as partes procederam sem má-fé. do mesmo modo se persisti­ rem as garantias ou a possibilidade da ação. deve ser contado a partir da entrada em vigor da nova codificação. 880. Assim.Prescrição afastada . quem recebe pagamento por conta de dívida verdadeira. Sebastião Pereira de Souza). há que se atentar aos requisitos para sua aplicação: a inutilização do título ou a perda das garantias ou a prescrição da ação e a boa-fé do credor accipiens. não tem nenhuma razão para manter o título e suas garantias.Restituição Isenção . Nem se poderia exigir tal conduta do mais diligente dos homens.11 Pagamento Indevido que Teve por Objeto um Imóvel O fato de o pagamento indevido referir-se a um imóvel não altera a incidên­ cia dos arts. Se o credor não inutilizar o título. ou deixa prescrever a ação cabível. Rei.Requisitos não comprovados . No preceito. volta-se ao estado anterior. 9. A finalidade do artigo não refoge ao princípio geral de garantia e segurança das relações sociais. Des. as três situações que entre nós estão equiparadas no mesmo dispositivo o estão bem apropriadas.236 D ire ito C ivil • V enosa Quem recebe de boa-fé. modificativos ou extintivos do direito do autor” ( TJMG .Acórdão Apelação Cível 1. no negócio. Desta sorte. por sua atitude natural e compreensível após o pagamento. aquele que transferiu um imóvel em paga­ mento indevido pode tê-lo de retom o. quando reduzido pelo Código Civil de 2002. 880 do Código Civil .12 Plenamente justo. ou inutiliza o título. o solvens não perde de todo sua possibilidade de ressarcimento. 876 e 877. 1. Quando. trata-se de dívida extinta. alcançando as três hipóteses. Incumbe ao réu a prova dos fatos impeditivos. pois a representação do crédito mantém-se íntegra. Na verdade.Art. O código francês só se refere à “supres­ são do título em conseqüência do pagamento” (art.Recurso não provido. Não trans­ corrido mais da metade do tempo fixado no Código Civil de 1916. referentemente a uma dívida verdadeira. com direito aos frutos percebidos e indeniza­ 12 “Ação de repetição de indébito . que a lei o proteja. persiste o direito à ação de in rem verso. sem tê-la alcançado a prescrição. portanto. e para que sejam evitadas grandes injustiças e insuportável ofensa à segurança jurídica.05. in fine. crendo-a verdadeira.000624-1/001. o accipiens é tratado como possuidor de boa-fé. ou abre mão das garantias do crédito. provando que incidiu em erro. na forma do art. A impossibilidade de repetição em questão. . é mais ampla do que no direito comparado.Pagamento indevido . não é obrigado a restituir.0205.377. não tem razão alguma para manter em seu poder o título ou as garantias de seu crédito. pois o credor que recebe dívida. ficando-lhe resguardada a via regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fia­ dor. pois se eqüivalem.

O antigo art. asse­ gurado o direito de retenção (art. cabe ao que pagou p o r erro o direito de reivindicação. 968. e valor da verba honorária dele resultante . no art. considerando válida a aliena­ ção.Cerceamento inocorrente Garante de empreendimento falimentar contra um dos acionistas da mesma . não tendo ocorrido. não obstante.11. além do valor do imóvel. Na verdade. enquanto ao terceiro só resta a perspectiva 13 “Julgamento antecipado . configura a hipótese de alienação do bem imóvel. mais uma vez. 17-12-2010. má-fé do accipiens.Prova eminentemente documental . Por con­ seqüência. Sendo a alienação gratuita. 879. já que o terceiro em nada colaborou para o erro do solvens.Recurso adesivo . ao obedecer-se regra geral do direito de seqüela. Des.Acór­ dão Apelação Cível 414. responde somente pela quantia recebida. mas se agiu de má-fé. o terceiro adquirente agiu de má-fé. 878). a non domino. O Código contemporâneo. 1934:189). 9. podendo levantar as voluptuárias. o solvens teria direito de reivindicar o bem do terceiro adquirente.11. já criticada pela doutrina (cf.Recursos improvidos” ( TJSP . resguarda a lei. o solvens procura evitar um prejuízo. fica o accipiens obrigado a entregar ao proprietário.Teoria da penetração .Decisão mantida . . o accipiens alienou coisa que não era sua.Verba honorária fixada no patamar mínimo do artigo 20 do CPC . ou se. bem como o tratamento.13 Parágrafo único. verificando-se que o pagamento foi indevido. Se o imóvel fo i alienado por título gratuito.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 237 ção por benfeitorias úteis e necessárias. em redação confusa.419-4/0-00. Rei. a aparência no direito.Valor da causa não impugnado no momento. o preço que recebeu do adquirente.2 Accipiens Aliena de Boa-fé por Título Gratuito A hipótese é diversa. oportuno.” São quatro as hipóteses a serem consideradas quando da alienação do imóvel indevidamente recebido em pagamento. responde p o r perdas e danos. dando valor à aparência.1 Accipiens Aliena de Boa-fé por Título Oneroso Nesse caso. Trata-se de mais um dispositivo em que o legislador visa proteger e dar estabilidade às relações jurídicas. 9. reformula a redação anterior mantendo idêntica orientação: “Se.Acerto .Inexistência de fundamento para tanto . isto é. Almeida. o solvens. Antonio Marcelo Cunzolo Rimola). p or título oneroso. igualmente. desdobrando as várias hipóteses de boa ou má-fé das partes e do ter­ ceiro adquirente. alie­ nado p or título oneroso. Agindo também o terceiro com boa-fé. aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé.

9. apesar de a matéria refugir ao tema.5 Síntese Clóvis Beviláqua (1934.4 Má-fé do Accipiens Nessa situação. aí. o tendo alienado a título oneroso. ainda. mantém-se o negócio e. Não tem validade aqui o princípio da boa-fé.3 Accipiens Aliena a Terceiro de Má-fé Nessa conjectura. a solução é a do tópico anterior. ou se deve ser estendido a todas as aquisições a non domino. não ficando o problema exclusivamente restrito à situação desse dispositivo legal. A hipótese da retificação mencionada na lei restringe-se . se ainda se acha em poder do accipiens. se este o alienou gratuitamente. pois o completava. o art. Se o terceiro es­ tiver de má-fé. O artigo estava mal colocado. ou se. de mero negócio unilateral. permitindo-lhe reivindi­ car o bem imóvel. os terceiros de boa-fé devem ser respeitados. Nessa circunstância. a solução dependerá do ânimo do terceiro. 4:130) resume esse dispositivo de maneira lapidar: “o solvente só tem direito de reivindicar o imóvel. antes do art. sempre que houver aparência de direito. uma vez que não há razão para proteger-se a má-fé. ainda que o adquirente a título gratuito esteja de boa-fé. 879 aplica-se exclusivamente ao pagamento indevido. 967 do Código de 1916.11. conforme o parágrafo único do art. em respeito. Washington de Barros Monteiro lembra que a doutrina diverge se o art. concluindo pela primeira hipó­ tese.11. Concluímos que. a lei protege o que teve empobrecimento indevido de seu patrimônio. com indenização por perdas e danos. 9. que determi­ nava que aquele que recebeu o imóvel indevidamente e o alienou deve assistir o proprietário na retificação do registro. em se tratando de liberalidade. também a reivindicação é autorizada. Se o terceiro adqui­ rente é sabedor do pagamento indevido. terá o accipiens que reembolsar o solvens. como em vários outros casos semelhantes do Código. incontestavelmente.11. Finalmente. tem ciência de que adquire a non domi­ no. 968. ademais.238 D ire ito C ivil • V enosa de um lucro. Merece ser recordado. se o accipiens estava de má-fé e o terceiro de boa-fé. à aparência. em razão de sua malícia. 9. v. É indiferente. o terceiro adquirente estava de má-fé”. 879. Porém. tendo plena apli­ cabilidade os princípios do domínio. se a alienação foi gratuita ou onerosa.

ser aplicada sem cuidados. ou quiçá por falta de intrepidez daqueles que vão a nossos tribunais. A teoria do enriquecimento é vasta. Talvez resida aí a verdadeira crise de nosso direito. com temperança. cumpre ao jurista colocá-los no devido lugar. espécie do enriquecimento sem causa.E n riq u e c im e n to se m C a u sa e P a g a m e n to In d e v id o 239 aos casos em que é possível a reivindicação pelo solvens. provenientes de leis que não resistem aos mais comezinhos princípios de direito. sem causa jurídica. a ninguém prejudicar e viver honestamente. É na aplicação do direito natural que encontramos o fundamento do dar a cada um aquilo que é seu. . Outrossim. Os exemplos podem multiplicar-se. no entanto. não pode ser tal a tomá-lo inoperante ou até inexistente. sua lenta evolução no campo doutrinário e legislativo. situações de desequilíbrio patri­ monial evidente. Importa conscientizar os aplicadores da lei que não são eles escravos do ordenamento positivo. tal como posto em nossa lei. é. Enfim. de molde que riscasse do ordena­ mento os outros institutos jurídicos. merecedoras de um reparo jurídico. há poucos exemplos de enriquecimento em nossa jurisprudência. porém com disposições próprias. Não deve. E se nos posicionarmos no direito público. no entanto. uma vez que só assim o domínio da coisa indevidamente alienada poderá voltar a suas mãos. fontes de obrigações. Talvez por falta de norma específica. veremos que o poder estatal hoje adotou várias filigranas jurídicas que causam evidente empobrecimento sem cau­ sa aos administrados. sem dúvida. mas com destemor. A própria corre­ ção monetária. extinção de obrigações etc. O cuidado na aplicação da teoria do enriquecimento injusto. modos de pagamento. Sempre que os valores mais altos da justiça forem esquecidos. Abrange todos os campos do direito. O pagamento indevido. A intervenção do Estado brasileiro na vida do cidadão tem sido desastrosa. 9. é inegável que a cada momento nos defrontamos com situações de injusto enriquecimento.12 Conclusão É na equidade e nos princípios gerais de direito que encontramos o nasce­ douro dos princípios do enriquecimento sem causa e do pagamento indevido. é aplicação do princípio.

Não pagando o devedor no tempo. respondendo por sua perda ou deterioração. Ainda. permite que. sujeitar-se-á aos ônus da mora. é instituto pertinente tanto ao direito material quanto ao direito processual. O objeto da consignação é um pagamento. § 1°. o devedor possui meio coativo de extinguir sua obrigação: a consigna­ ção em pagamento. Trata-se do depósito judicial em regra de uma coisa.1. em se tratando de obrigação em dinheiro.1 Interesse do Devedor em Extinguir a Obrigação O devedor. com frequência.951/94. local e forma devi­ dos. tais processos inserem questões prejudi­ ciais mais profundas: quando alguém pretende consignar um aluguel porque o réu recusa-se a receber. e não apenas o credor. A consignação. na procedência estar-se-á reconhecendo a existên­ cia de uma locação. se sua obrigação consistir na entrega de coisa. Se o credor não tomar a iniciativa de receber. o devedor .1 Pagamento por Consignação 10.Formas Especiais de Pagamento e Extinção de Obrigações 10. como exemplos. enquanto não houver a tradição. A decisão judicial é que vai dizer se o pagamento feito desse modo em juízo terá o condão de extinguir a obrigação. ou quando não for conhecido o paradeiro do credor. 890. o art. o devedor é responsável pela guarda. A nova sistemática. embora a finalidade da ação seja a extinção de uma dívida. introduzida no CPC pela Lei nc 8. ou pretender receber de forma diversa do contratado. também possui interesse no sentido de que a obrigação seja extinta. mas. por negar a relação locatícia. tendo muito de procedimento.

“será ele citado para este fim . não é obrigatório ao devedor recorrer à ação de consignação para conseguir esse efeito. sob cominação de perder o direito e de ser depo­ sitada a coisa que o devedor escolher. Se a coisa for corpo certo. Portanto. se a escolha competir ao credor.951/94. De acordo com o art. 341 que deve “ser entregue no mesmo lugar onde está.1. O estatuto processual traça outras normas a respeito. 243 a 246). No entanto. reconhecida essa situação. N o entanto. para que impute a mora creditoris. 10. sob pena de ser depositada”. . o autor requererá a consignação imediata. Qualquer coisa que seja objeto da obrigação pode ser consignada. A consignação é apenas uma forma de cumprimento colocada à sua dispo­ sição. Com as modificações processuais introduzidas pela Lei nQ8. 342). 334). reconhecida estará a mora do credor. Esse dispositivo tem que ser visto em consonância com o que examinamos a respeito das obrigações alternativas (arts. razões de ordem prática e de absoluta conveniência instam o devedor a mover a ação consignatória. foi suprimida a audiência prévia de oblação no processo de consignação. a consignação é considerada uma forma de pagamento. assinado o prazo de 10 dias para eventual recusa. extinguindo a obrigação com “o depósito judicial da coisa devida. o locador procura frustrar o recebimento do aluguel. 252 a 256) e com as obrigações de dar coisa incerta (arts. nos casos e form a legais” (art. feita a escolha pelo devedor. Não tem ele a obrigação de consignar. Destarte. cabendo ao devedor a escolha. ele ofertará a coisa. Quando. sua obrigação é de cumprir a obri­ gação. poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la. o objeto da consigna­ ção. A mora do credor pode ser reconhecida na ação que este move contra o devedor: se o devedor é cobrado judicialmente e alega que não paga porque o credor não cumpriu sua parte na avença. cessando a partir do depósito os riscos e os juros para o devedor. por exemplo. ou em sendo a obrigação alterna­ tiva. a fim de propiciar fundamento para a propositura de ação de despejo. nota-se que a consignação constitui uma faculdade às mãos do de­ vedor. aplicação da exceptio non adimpleti contractus (art. salvo se julgado improcedente o pedido.2 Objeto da Consignação Não é só dinheiro. 476). como veremos. 891 do CPC. que na grande maioria das vezes era infrutífera.242 D ire ito C ivil • V enosa ou terceiro possa optar pelo depósito em estabelecimento bancário. cientificando o credor por carta com AR (Aviso de Recebimento). A consignação em pagamento tem a ver com a imputação da mora ao credor. deve o locatário consignar. Na maioria das vezes. Quando a obrigação for de coisas fungíveis. como à primeira vista possa parecer. dispõe o art. como podem dispor as partes. proceder-se-á como no artigo antecedente” (art.

se o credor. A obrigação de não fazer será sempre incompatível com a medida. por sua natureza. Como tal. as obrigações puramente d e fazer ou não fazer.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 243 A consignação constitui uma modalidade de pagamento. ou dar quitação na devida form a ” (redação de 1916). para a figura do comprador. propõe a forma de pagamento e a empresa corretora reserva-se o direito de aprovar ou não a proposta (há uma série de re­ quisitos. tentando substituir a ação cabível pela consignação. também o im óvel não edificado pode ser objeto da consignação. por­ que o sinal foi dado sob condição suspensiva. enquanto não se tornarem líquidas. ou. admite-a expressamente. automatica­ mente não estará validado um contrato. que já recebeu todo o preço. a decisão sobre dúvida ou divergência entre as partes” (R T 480/126). em seu art. recusar receber o pagamen­ to. de 1937.3 Hipóteses de Consignação O art. O que é validado é o pagamento. o Decreto-lei nQ58. que trata dos compro­ missos de compra e venda. 335: “I . O vigente Código reduz as hipóteses para cinco no art. uma vez acolhido o pedido de consignação. Não pode o interessado comprador obrigar o réu a firmar o contrato. em princípio pode haver consignação da coisa. N o entanto. Aliás. por exemplo. recusar receber o pagamento. o imóvel pode ser consignado. mediante um recibo de proposta de compra de um bem. Na obrigação de fazer. Há forte tendência das partes em tentar alar­ gar o âmbito da ação de consignação. 10. Da mesma forma. Cada caso concreto merece exame acurado. seu ob­ jeto deve ser certo. mormente se há financiamen­ to). em favor do compromitente vendedor. O que não se pode fazer é utilizar a con­ signação “com a finalidade de antecipar ou desviar ação própria. se esta estiver aderida a uma obrigação de entregar. 17. tentar depositar o valor de um sinal de um contrato. não permitem a consignação. Por seu lado. Obrigações ilíquidas não podem ser objeto de consignação. 973 de 1916 descrevia seis incisos sobre hipóteses de consignação. sem justa causa. pelo qual não se comprometeu (R T 522/215). o interessado dá um sinal. Um exemplo: um corretor plantonista de imóveis recebe um sinal.1. Se a corretora se recusa a firmar o contrato e coloca o sinal à disposição do comprador. O depósito das chaves simboliza o de­ pósito da coisa consignada. ou dar quitação na devida form a. sem justa causa. Ainda. Não pode pretender o consignante. Geralmente. como se sabe. não pode este consignar o valor estampado no recibo-proposta. existe uma proposta impressa. se não houver qualquer contrato entre as par­ tes.” . O Código menciona: “Se o credor não puder.

244 D ire ito C ivil • V enosa Trata-se da situação mais corriqueira. 335. o credor não pode ou não tem condições de receber. Ação de consignação em pagamento. Entretanto.Temos que a boa-fé contratual e o cumprimento dos contratos. Unânime” ( T J R S .Recurso conhecido e provido” (TJCE . diante desse fato novo. qual seja a falta de assinatura. as situações nas quais. 2 .Recurso provido . na qual a apelada recebia os pagamentos em cheque. conforme acordado. por vido formal (falta de assinatura) e a parte apelada. aquelas estabelecidas no art. ainda que não ins­ critos. a expressão recusar receber deve ser entendida em sentido lato. e incorreu em recusa injusti­ ficada. Negaram . não logrando comprovar que o vazamento real­ mente não ocorreu em sua unidade condominial. Recurso de apelação desprovido. Analisando a questão em todos os seus detalhes. sua pretensão consignatória em nenhuma das hipóteses do art.Apelante e apelada mantinham relação mercantil reiterada.A ação de consignação em pagamento consiste numa forma indireta de o devedor se livrar do vínculo obrigacional independentemente da aquiescência do credor. 2:216). abrangendo a simples falta de aceitação do pagamento. do Código Civil.1. provimento o apelo.Recusa injustificada . como já consta do presente Código. Jucid Peixoto do Amaral). 4 . ou. Como lembra Serpa Lopes (1966. quais sejam. Manutenção da sentença que se impõe. 8-3-2012. ou dar quitação na forma devida’. ao não receber o cheque. meio de pagamento acordado entre as partes. como já admitia a jurisprudência. Acrescente-se. a situação se insere no dispositivo em exame.8.Art. em especial porque sequer alega a existência de recusa injustificada no recebimento do crédito. a apelada malferiu o contrato estabelecido entre estas. há ausência de justa cau­ sa. Rei. Não está o devedor obrigado a pagar sem a devida quitação. 335 do Código Civil. Pretensão não estribada em quaisquer das situações do art. segundo alega. 6 . a ação deve ser extinta sem resolução de mérito.2000. Pedro Celso Dal Prá). o cheque não foi compensado.Relação con­ tratual configurada . recusando sem justa causa o recebimento do título de crédito. 30-6-2011. então regular. 3 . 335 do Código Civil. sem justa causa. Rei. nas hipóteses previs­ tas em lei. sem justa causa. 5 . no antigo diploma. Des. A recusa do credor. por vício for­ mal. a falta de justa causa. o apelante ajuizou esta ação com objetivo de consignar o pagamento referente a compra de vales-transportes feito através de cheque. é medida que se impõe. Desta feita.1 Como enfoca 1 “Consignação em pagamento .Apelação Cível 736812-58. A quitação é um direito do devedor. impôs o recebimento em dinheiro. v. seria devido em razão do descumprimento de obrigação contratual por parte dos demanda­ dos. Consignatária. vemos que a parte apelada passou a agir de forma arbitrária. o pagamento seria feito mediante cheque. Condomínio.1 . coloca-o em mora. Se no processo se entender que está na posição de receber.No caso sob julga­ mento. descontado o valor da multa que. por exemplo. como já vimos. por qualquer motivo. o qual fora devolvido pelo Banco sacado. Nos termos do art. Não amparando. Pode o accipiens recusar o rece­ bimento por entender que não é credor.Acórdão Apelação Cível 70043292978. No caso.06. o autor. “Apelação cível. 335 do Código Civil não presentes. Requi­ sitos do art. Extinção do feito sem resolução de mérito. o réu apresentou recusa quanto ao recebimento de valores. porque quer mais do que é devido. Promessa de compra e venda. contudo. assim. porquanto a autora ofertou valor inferior à dívida. Código Civil . Só era considerada. 335 do Código Civil. “Apelação cível. Des.0001/1.Pagamento feito na forma acordada e corrigido monetariamente . não aceitando novo título de crédito. ‘a con­ signação tem lugar se o credor não puder. ou sim­ plesmente porque quer forçar uma rescisão contratual.A relação estabelecida entre as partes tem natureza contratual e. 335. agora regular e com o valor corrigido. Se o credor não recebe. As motivações do credor em não re­ ceber podem ser várias. Hipótese em que o autor pretende apenas consignar o valor faltante do preço do imóvel negociado. recusar receber o pagamento. merecendo.

Extinção da obrigação . provimento ao recurso.Rejeição . Min.Acórdão Apelação Cível 70037110301. 335. Essa situação pressupõe a hipótese em que a obrigação deve ser cumprida fora do domicílio do credor e este se mantém inerte. 14a Câmara de Direito Privado . §§ 1® e 2®). pois não trouxe aos autos o contrato de empréstimo . Recurso especial conhecido e provido” (S T J . desde logo.Não há se falar em nulidade da sentença.Mora do devedor que não o impede de saldar seu débito . Ari Pargendler).Acórdão Apela­ ção Cível 1.Rei. do CPC). 335. como também quando.Em não havendo comprovação nos autos da recusa ao recebimento do crédito pela parte credora. levantar a quantia depositada. 29-1-2009. Márcia de Paoli Balbino). não há se falar na ocorrência da prescrição da dívida. abre a possibilidade da con­ signação ao devedor. como sempre.Admissibilidade .Ajuizamento da ação antes do prazo de vencimento previsto na cédula de crédito rural hipotecária .Suficiente fundamentação . aponta quais foram as razões que o convenceram a decidir daquela forma.se o credor fo r desconhecido. ainda que insuficiente.Preliminar de nu­ lidade da sentença . Unânime” (T J R S . . caso de dívida quérable. que pode. Rei.Se a ação de consignação em pagamento foi ajuizada antes do vencimento da cédula de crédito rural hipotecária. aproveita imediatamente ao réu. 899. não puder fazê-lo. II). do CC/2002.Rei.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 245 a redação do mais recente Código.Instituição fi­ nanceira que não comprovou a existência de fato impeditivo. não tem o devedor de ingressar com a consignação para caracterizar a mora creditoris.Não comprovação . II. A hipótese trata da situação em que cabe ao credor receber a coisa.383-9. Cível 7. deve ser o de toda a obrigação. . servindo-lhe também de modo mediato porque a sentença proporcionará um título executivo para a cobrança do saldo remanescente (CPC. 3a T\irma .016553-8/001. A primeira situação já vista é caso de dívida portable. Se este se mantém inerte. com o pagamento antecipado. Aqui. “Ação de consignação em pagamento. “III . Pedro Ablas).Hipótese em que admitida a contratação nos moldes do documento apócrifo trazido aos autos. se o magistrado. .05.125.Ação de consignação em pagamento . “I I . abre-se a possibilidade da consignação não somente quando o credor se recusar sem justa causa a receber ou dar quitação.1.Recurso conhecido e não provido. ao prolatar sua decisão.Assim.Ap. modificativo ou extintivo do direito do autor (artigo 333. O conteúdo da consignação. Recurso conhecido e não provido” (T JM G .Prescrição da dívida . 17-5-2007.Inocorrência Recusa de recebimento de crédito .Sentença de procedência mantida Recurso não provido” (T J S P . inadmissível a pretensão de cobrança de juros . Des. tempo e condições devidos” (art.0487. Walda Maria Melo Pierro). não obstante ajuizada no interesse do autor. A ação de consignação em pagamen­ to. porém. . nos termos do art. estiver declarado ausente. ou residir em lugar incerto. Rei. nem mandar receber a coisa no lugar. Des. ou de acesso perigoso ou difícil” (redação de 1916). “ Consignação em pagamento . contudo. 25-7-2007. não há se falar em ajuizamento da ação de consignação em pagamento. por qualquer razão. 8-9-2010.Acórdão REsp 886823/DF (200602006267) RE 754821. até porque há coincidência dos valores do empréstimo total e das parcelas que vinham sendo pagas pela autora . Caráter dúplice.Apelação .se o credor não for. a ini­ ciativa deve ser do credor. Como já vimos. art. “Civil e processual civil .

há sempre que constar a parte passiva. 2 “Direito processual civil . Des. 22) (cf. dificultando de sobremaneira o pagamento do título de crédito (art. Rei. Admissibilidade do processo. Precedentes da casa mencionados no voto. 335. muitas vezes consubstanciada na entrega de uma coisa que está sob sua guarda e risco. v. não havendo quem por ele o faça.Credor desconhecido . do Código Civil c/c art.(597022). credor desconhecido. de credor falecido. 2:217). Não existe.Acórdão Apelação Cível 2010. Para a consigna­ ção. opta por depositar o valor devido. Apelo provido” (JJDF . pode tal medida ser efetivada. . fo r desconhecido. ou de acesso perigoso ou difícil. I. uma vez que o réu encontra-se em lugar incerto. É o caso. 20100110544118 . situações várias po­ dem tomá-lo tal. caberá a consignação. É claro que.01. O diploma civil inseriu a hipótese de incapacidade de receber nesse inciso. juridicamente falando. 890 do CPC). Na situação da ausência. suprimindo o inciso VI do Código antigo. em princípio. editalícia. ora autora. 335.2 No processo. O art.Consignação em pagamento . o curador poderá receber validamente. por meio da qual o devedor que não conseguir efetuar o pagamento. 335. Aqui. por exemplo. Como o incapaz não pode dar quitação. no entanto. Nesse caso. Não será obrigado. o devedor. ou não lograr efetuá-lo com segurança jurídica de plena eficácia. A questão fica restrita ao ausente que deixou procurador. A ausência é situação jurídica definida: é ausente quem declarado tal judicialmente. como preleciona o art. Credor desconhecido. quando o credor for desconhecido. declarado ausente. quando não se co­ nhecem os herdeiros.246 D ireito Civil • Venosa No Código de 2002: “Se o credor fo r incapaz de receber. como forma de livrar-se da dívida. em face de uma epidemia ou de uma inundação. 2 . liberar-se da obrigação representada pela cártula em exame. III). A questão do foro para a ação deve ser vista com o necessário temperamento. a dirigir-se ao domicílio do credor para entregar a res devida se o local foi declarado em ca­ lamidade pública. inciso III. Preliminar de nulidade da citação editalícia rejeitada por maioria. João Egmont). o ausente equipara-se àquele que está em local ignorado. 5.037616-9. do CPC. por exemplo. Não há necessidade da consignação.Admissi­ bilidade do processo . deve haver um curador nomeado para o ausente. Consignação em pagamento. fa­ talmente.1. Lopes. Negou-se provimento ao recurso unânime” {TJDFT Proc. III. 4. Todavia. 3. nessas situações. do Código Civil dispõe que o devedor poderá valer-se da consignação em pagamento. mas sem poderes de dar quitação (ver art. Nessas situações. 231. 1966.Recurso conhecido. Rei» Des» Leila Arlanch). 29-6-2012. ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil” (art. 2.1 . para ciência de todos os interessados. “Direito civil e direito processual civil. 5-8-2010. Sabedor de que a citação por edital poderá ser realizada em face de réu desconhecido e incerto. a citação será. nem mesmo a ação poderá ser proposta no domicílio do credor. o devedor não está obrigado a aguardar indefinidamente para liberar-se da obrigação. 1. A consignação em pagamento consiste em modalidade de extinção da obrigação.É possível o ajuizamento de ação de consignação em pagamento para a devedora. Ao menos o espólio deve figurar no polo passivo do processo.

335. A dúvida do consignante deve fundar-se em motivos relevantes. verificado a quem cabe o crédito. rejeita-se a consignação em pagamento se o devedor não observa o tempo do pagamento.0194. Credora que pretende a condenação da corré vencida ao pagamento dos ônus sucumbenciais. O credor originário faleceu e apresentam-se vários sucessores para receber. Rei. Recurso parcialmente provido. São muitas as situações em que. A questão fica para o caso concreto. Cível 992.” Já dissemos.Acórdão Apelação Cível 1. “Ação de consignação em pagamento. 21-9-2010. Sentença parcialmente reformada. na forma do art. Em um segundo momento. Realizado na sede da empresa imobiliária. Contrato de promessa de compra e venda de imóvel. 336 do Código Civil. Viúva casada em regime de separação de bens. No mais. Disputa a respeito de direito de recebimento de benefício securitário. para retardar o pagamento. ajuizando a ação após o vencimento da obrigação” (TJMG . Obrigação com termo certo.3 3 “Mediação . Rei. Necessidade de prosseguimento do feito. Ação de cobrança julgada improcedente. as rés devem ser condenadas ao pagamento dos ônus sucumben­ ciais em favor da devedora. por exemplo. .Ação julgada procedente . prosseguirá entre os postulantes. ao pagamento dos ônus sucumbenciais.073605-1. na prática. Dúvida infundada so­ bre onde ou a quem pagar o restante das parcelas. Generoso Filho). 335 e 336 do Código Civil.Reconhecimento da legitimidade da filha do de cujus para receber o valor depositado nos autos.Consignação em pagamento fundada em dúvida a quem pagar . 9-3-2009. então. filha do falecido. declarando afinal a quem pertence o depósito. Assinado pelo respresentante legal da empresa. Tal não pode servir de empecilho a que o devedor obtenha a quitação por via do pagamento.se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento. veremos o devedor em dúvida quanto a quem pagar. Impossível acolher o pleito de consignação em pagamento quando no contrato e pela maneira como realizado o negócio está claro onde e a quem se deve pagar. Apelação.08. para o caso em que não compareça nenhum dos demandados (quan­ do então o processo converte-se em arrecadação de bens de ausentes). e quando comparece mais de um pretendente (o juiz julgará efetuado o depósito.Credor originário falecido . de rigor a condenação do réu-vencido ao pagamento dos honorários do legítimo credor. com procuração da vendedora. fora do procedi­ mento). Ocor­ rência da hipótese disciplinada pelo art.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 247 “N . 28-3-2012.09. Improcedência do pedido.Dúvida justificada . quando comparece apenas um (então o juiz julgará de plano e não necessariamente será quitada a dívida com relação ao réu que compareceu).Ação de consignação em pagamento julgada procedente. Assistência judiciária gratuita. Arts. Entrada paga no ato. Contudo. Apelação parcialmente provida” ( TJSP Acórdão Apelação Cível 1244946-0/0. “Apelação d v e l . forjando situação de dúvida que não existe. Silveira). 898 do Código de Processo Civil. Benefício concedido à apelante e que deve permanecer. seguindo-se os termos da Lei n® 1.060/50. Des. Ação de consignação em pagamento que se divide em duas fases. que quem paga mal pagará duas vezes. iy do Código Civil. Acolhida a pretensão da autora. Condenação da credora. Sentença reformada em parte” (TJSP . e repete o povo. O art. 898 do CPC contempla o procedimento da hipótese.094440-9/001. ao referido procurador. Rei. Mario A. Des. isto é. com observância do rito previsto pelo art. bem como ao reem­ bolso do valor por ele pago ao autor da ação. Deve o ju iz ter a cautela de obstar o devedor que se serve da ação apenas com finalidade emulatória. Inconformismo acolhido em parte. extinta a dívida e o pro­ cesso. Consignação ajuizada após a data do vencimento. Francisco Occhiuto Júnior). o consignante fica. pelo rito ordinário.Ap.

do Código Civil. V CC . A questão estava.060/50.Depósito integral da parcela devida . III.Proibição . Distribuição da sucumbência. enquanto se discute judicialmente as cláu­ sulas do contrato. a ela cumpre arcar com os ônus da sucumbência.Consignação em pagamento . ora apelante. o que impõe.Agravo de instrumento provido” ( TJDFT-A1 20110020127005 . Deve o deve­ dor exonerar-se com a consignação. 344.Encerramento das atividades da pessoa jurídica (vendedora) e fechamento de seu estabelecimento .1 . Rei. tendo conhecimento do litígio. entre eles. melhor especificada no antigo art. 3 . Nos termos do art. Necessidade de prosseguimento do feito. coisa essa que está sendo reivindicada por terceiro.” O litígio aí mencionado é entre o credor e terceiro.Registro .(573761). “Apelação cível . Na espécie. se pagar a qualquer dos pretendidos credores. 335.Impossibilidade .Regimental improvido. Princípio da causalidade.Débito em discussão .Ap. a pendência.Depósito dos valores incontroversos . Contrato de locação comercial.Ação de consignação em pagamento julgada procedente. Des. 11-4-2007. inc. seja impossibilitado ao credor inscrever o nome do devedor em cadastros de inadimplentes. “Ação de consignação em pagamento. provocou dúvida fundada sobre quem deveria legitimamente receber o pagamento.0 depósito integral das parcelas devidas é hábil a afastar a mora contratual.Compra e venda . Vencida. o comportamento da empresa ré.” Esse inciso sob exame tem íntima ligação com o inciso anterior. Rei. Apelação parcialmente provida” ( TJSP . Maté­ ria de fato.Decisão mantida . Assistência judi­ ciária gratuita. Amoldo Camanho de Assis). Em face do depósito judicial das parcelas do contrato de alienação e consequen- .Manu­ tenção de posse deferida .Dentre outras hipóteses legais.Ap.Art. possível o depósito integral do valor devido. Mario A. Cível 70019032655. Sentença parcialmente reformada.Ação revisional . seguindo-se os termos da Lei n° 1.400-0/2. Vicente Barrôco de Vasconcellos). Disputa a respeito de direito de recebimento de benefício securitário. pois às vezes se confundirão as dúvidas objetiva e subjetiva acerca da dívida. mas.se pender litígio sobre o objeto do pagamento.248 D ireito Civil • Venosa “V . Ação de cobrança julga­ da improcedente. 28-3-2012. Ocorrência da hipótese disciplinada pelo artigo 335.Acórdão Apelação Cível 1244946 . 983. Apelo desprovido” ('TJRS .Ação procedente . IV. com observância do rito previsto pelo artigo 898 do Código de Processo Civil. 2 .4 “Consignação em pagamento .Ação revisional de contrato c/c consigna­ ção em pagamento .Recurso não provido” ( TJSP . Antônio Benedito Ribeiro Pinto).Veículo .0/0. Silveira). sendo. Benefício concedido à apelante e que deve permanecer.12-122008. assumirá o risco do pagamento. é plenamente possível ao devedor depositar mensalmente em juízo os valores incontroversos. 335. V do Código Civil. presentes os demais pressupostos estabelecidos pela consagra­ da jurisprudência firmada sobre o tema no egrégio STJ.Impossibilidade de pagamen­ to das prestações pelo autor . nos termos do art.Cadastros de inadimplentes . Cível 949. do Código revogado: “O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação. em razão disso. a consignação em pagamento é admissível quando pender litígio sobre o objeto do pagamento. 9-3-2009. Caso concreto. O credor e o terceiro é que resolverão. dando causa ao ajuizamento da lide. O devedor deve entregar coisa ao credor.Rei. 4 “Agravo de instrumento . 15* Câmara Cível Rei. “Agravo regimental em agravo de instrumento .Hipótese possibilitadora da consignatória . do Código Civil/916 .Efeito liberatório da mora . inclusive.Artigo 973. Des.25* Câmara de Direito Privado . do CC/02.Possibilidade .

8. planilha demonstrativa da evolução do débito.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 249 O Código de 1916 ainda trazia o inciso VI: “Se houver concurso de preferência aberto contra o credor. como dispõe o art. parágrafo único). Ação de cobrança de cotas condominiais. Des. 890 a 900 do CPC). 17. O próprio código traz outras situações (art. o curador está legitimado a receber. pelo que pretende ver reconhecida a quitação da obrigação diante da ausência de recusa formal pelo credor. No concurso de preferência. haverá vários credores do credor intitulados ao crédito. antes de sua citação nos presentes autos. assim como as vincendas. 336 do Código Civil para produzir efeito liberatório do devedor. A enumeração ora vista não esgota todas as possibilidades de consignação. Recurso improvido” ( TJMS . Inexistindo com­ provação de que o valor depositado corresponde ao quantum devido ao credor.1.4 Procedimento da Consignação Não é obrigatório ao devedor. merece ser mantida a sentença de procedência do pedido. Recurso manifestamente improcedente” ( TJRJ . como é o caso do Decreto-lei n° 58/37. No caso. Rei. Por essa razão. 336 do Código Civil já aponta que a consignação nada mais é que modalidade de pagamento. pelo rito sumário. A menção à incapacidade do credor está no inciso III do art. o legislador permitiu que o valor de obrigação em te descaracterização provisória da mora. Des.5 Excepcionalmente. O credor pode sofrer um processo de interdição. Tratam os autos de ação de cobrança de cotas condominiais. 5 “Apelação cível. 333. qual seja. sendo imperiosa a observância dos requisitos contidos no art.000265-4/0001-00. art.Apelação Cível 0012962-98. o réu não logrou êxito demonstrar a regularidade do depósito extrajudicial efetivado. O crédito integra o patrimônio do devedor. Se já há interdi­ ção decretada. 9-2-2009. 5-11-2010. Paulo Alfeu Puccinelli). No en­ tanto. Rei.Acórdão Apelação Cível 2009. proposta pelo apelado. Na verdade. 335. O réu efetuou depósito extrajudicial dos valores que entendia devidos. II do CPC. deve o devedor ser mantido na posse do bem. as questões materiais da consignação estão intimamente ligadas a seu processo (arts. maio de 2006 a setembro de 2006. O devedor consignante não pode arriscar-se a pagar mal. como vimos. Pode existir fundada dúvida sobre sua capacidade de praticar o negócio jurídico da quitação.2006. . se optar pelo procedimento. 535. Elisabete Füizzola). objetivando a condenação da ré ao pagamento do débito relativo às cotas condominiais vencidas de junho de 2005 a janeiro de 2006. 10.19.” A referência ao concurso de credores foi suprimida no Código deste século. recorrer à consignação. Leis extrava­ gantes também trazem a consignação. parágrafo único. O art. com todos os seus requisitos efetuados por via do processo. seguirá os ditames do estatuto processual. A consignação extrajudicial é uma modalidade de pagamento. ou se este fo r incapaz de receber o pagamento. o crédito já é um bem que per­ tence a terceiros e não mais ao credor da dívida. aí.0209.

todos os do Código Civil e os demais previstos em outras leis. o que permite o ajuizamento de reconvenção quando seu fundamento for conexo com o que se discute na consig­ nação (RT 548/161. Na maioria dos casos. § 1Q. o acolhimento da pretensão de consignação. o montante de­ . 899 do CPC). Trata-se de mera aplicação. que noticiem as partes ao juiz a existência das duas ações. no entanto. Evidentemente. evitando-se decisões conflitantes. nosso livro Lei do inquilinato comentada. 890. sob pena de ocorrer injusto enriquecimento. principalmente em se tra­ tando de mora ex persona. portanto. consequentemente. o débito consignado deve sofrer correção monetária. como ocorre na dúvida a quem pagar. e vice-versa. Se o depósito for insuficiente. permite-se ao autor que o complemente em 10 dias (art. A vigente Lei do Inquili­ nato (nQ8. uma vez alegada a insuficiência do depósito. Antes de vencida a dívida. Mesmo a propositura da ação de despejo não inibe a consignatória. para que obtenham julgamento conjunto. A lei não estabelece até quando. Deve ser tido como insuficiente o depósito efe­ tuado sem a devida correção (RT 613/119). ocorre o vencimento e a ulterior recusa de recebimento por parte do credor. sempre que possível. Nessa lei. como as examinadas anteriormente. Com a contestação. as duas ações devem correr pelo juízo que recebeu o primeiro processo.250 D ireito Civil • Venosa dinheiro seja depositado inicialmente em estabelecimento bancário oficial situa­ do no local do pagamento (art. imputando mora ao credor. A questão muito versada é a da consignatória de aluguéis. eficaz o depósito.899/81. prosseguindo-se o processo quanto à parte controvertida. A pretensão de consignar nasce no momento do vencimento da obrigação. É de toda cautela. ou não. (Ver. já era suprimida a audiência de oblação antes que a modificação constasse do CPC. A sentença decidirá se a consignação foi oportuna e. que a mora debitoris por si só não inibe a consignação. 597/155. não existia a pretensão de consignar. após o vencimento. 605/139). pode ser utilizada a consignação.245/91) disciplinou a ação de consignação em pagamento decorrente da relação locatícia em seu art. a ação segue o rito ordinário. Em outras situações. 67. a con­ trario sensu. fará desacolher o despejo por falta de pagamento. a respeito. não pode ser proposta substancialmente a consignação. Trata-se de inovação mais recente da lei processual que teve em mira aliviar a pletora de feitos do judiciário. se assim não se estipulou. não existirá o momento ulterior da recusa. O fato é que se ainda não está caracterizada a mora do devedor. o réu possa levantar desde logo a quantia ou coisa incontroversa. Ademais. da Lei nQ 6. Nem sempre a caracterização do vencimento será fácil. do CPC). A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará. O parágrafo primeiro desse dispositivo foi acrescido para permitir que. O art. 890 do CPC admite a consignação “nos casos previstos em lef\ isto é. Não pode o credor ser obrigado a receber antes do vencimento. Pela prevenção.) Vemos.

cabendo tal requerimento. 2003:160). Parágrafo único. art. § 2o). Entende-se. do CPC). pois pode não ter ocorrido a devida ciência ao credor ou pode esta ter-se processado de forma irregular. nos depósitos em dinheiro. 899. nesse caso. portanto. Ocorre presunção de quitação. 2. o depósito ficará sem efeito. § 2o). manifestada por escrito ao estabelecimento bancário. cientificando o credor por carta com aviso de recepção. V). O art. nesse prazo. Seguindo o exemplo de outras legislações. Se. ainda que a conta seja remunerada nominalmente de outra forma. a matéria está tratada no art. Quando a coisa devida fo r corpo que deve ser entregue no lugar em que está. A possibilidade de o devedor consignar o valor que entende devido não . 890. § I o. É possível o pedido consignatório quando pender litígio sobre o objeto do paga­ mento (CC.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 251 vido e valerá. § 3o). 891 do CPC é denso embora compacto: (trequerer-se-á a consignação no lugar do pagamento. como título executivo. Se não for proposta a consignação nesse trintídio. cessando para o deve­ dor. dentro de 30 dias. Se não houver ban­ co oficial no local. a ação de consignação em pagamento.Orientação do Superior Tribunal de Justiça. podendo a execução ocorrer nos mesmos autos (art. § 4o). nada impede que o depósito seja efetivado em estabelecimento privado (Gagliano e Pamplona Filho. não houver manifestação do credor. em conta com correção monetá­ ria. ficando à disposição do credor a quantia depositada (art. 890. assinado o prazo de 10 dias para manifestação de recusa (art. 1. tanto que se efetue o depósito. podendo levantá-lo o depositante (art. 890. A referência da lei à conta com correção monetária deve ser entendida no sentido de não sofrer o depósito a correção da inflação. nas ações em que são discutidas cláusulas contratuais. conforme a regra do art. optar por depositar a quantia devida em banco oficial no lugar do pagamento. poderá o devedor requerer a consignação no fo ro em que ela se encontra Em menor escala. 337 do Código Civil.Possibilidade de inscrição do nome do devedor em cadastros de restrição ao crédito . o devedor ou o terceiro poderá propor. instruindo a inicial com a prova do depósito e da recusa (art. 292 do CPC. Como se apontou. É claro que se trata de presunção relativa.Consignação de valores inferiores ao pac­ tuado . 335. nesse caso. salvo se fo r julgado improcedente. que o pagamento é perfeito e eficaz. Se houver recusa. o consignante pode. os juros e os riscos. somente nestes. reputar-se-á liberado o devedor da obrigação. o estatuto processual institui uma modalidade de consignação extrajudicial que substitui com vantagens a extinta audiência prévia de oblação em juízo. se assim entender oportuno e conveniente.Pedido de antecipação de tutela .6 6 “Agravo de instrumento . Note-se que a recusa é formulada ao estabelecimento bancário e não ao consignante. 3.Revisão contratual . 890. A ação de revisão de cláusulas pode ser cumulada com o pedido de consignação.

Acórdão Agravo de Instrumento 46543/2011. contados da data do vencimento”. porque se trata de incom­ petência relativa. Pela dicção do art. nos termos do art. 5. Nem sempre a coisa poderá ser depositada materialmente. Ele poderá optar pelo foro onde a coisa se encontra. Quando se trata de consignar coisa. Se assim não preferir. para o depósito. No interregno entre a citação e o depósito. d. . A partir de então. 341 do Código Civil. O importante é que se estabeleça data e local. por si ou por seus representantes. A consignação deve ser proposta no foro do lugar do pagamento. Não haverá reflexos de ordem material (Fabrício. na forma dos artigos 337 do Código Civil e 891 do Códi­ go de Processo Civil. O artigo em questão versa também sobre questões do foro. retroage à data da citação. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de não bastam o ajuizamento da ação revisional e o depósito para que a inscrição do nome do devedor seja automaticamente obstada. A mora do credor. contudo. 19-10-2011. ou se o processo for extinto sem julgamento do mérito. corpo certo. Destarte. a partir de então a responsabilidade pelos acrés­ cimos de juros e correção será da instituição financeira autorizada a receber tais valores. 891 do CPC. N. Recurso conhecido e parcialmente provido” ( TJMS . o depósito é subsistente. contudo. Marcelo Souza de Barros). a fim de que seja possível às partes comparecer. O depósito poderá ser simbólico. como se não tivesse ocorrido. com o depósito cessam as obrigações de juros e riscos com a coisa. neste tópico. Também o parágrafo único do art. a sentença procedente retroage seus efeitos a ele. Se a ação for julgada improcedente. traz uma regra de com­ petência. 1980. o depósito será ineficaz. no foro competente. Em se tratando de prestações periódicas. desde que os depósitos sejam efetuados até cinco dias. levando-se em conta a procedência do pedido. A responsabilidade do devedor termina nesse momento. Daí por que é insustentável não dever ele pagar cor­ reção monetária até o depósito. se a medida não for oportunamen­ te proposta. 891 do CPC retrata regra de foro que ultrapassa os limites estabelecidos no art. Prorrogar-se-á competência. v. a ação será proposta no foro em que ela se en­ contra. nem sempre é bem deslocável. O foro de eleição poderá dispor diversamente. considerando que a integralidade do depósito fica pendente de reconhecimento judicial. as que se forem vencendo. as responsabilidades persistem com o devedor. a recusa do credor em receber é justamente no tocante a esses acréscimos. o devedor “pode continuar a consignar. a partir do depósito. o ajuizamento da ação em foro diverso enseja a oposição de exceção de incompetência. O parágrafo único estatui uma faculdade ao devedor. ex tunc. com nomeação de depositário. 4. As despesas com a guarda e a conservação da coisa. Rei. no mesmo processo. em simetria ao art.252 D ireito Civil • Venosa Feito o depósito. 892 do CPC. Como os depósitos bancários judiciais devem ser sempre feitos com correção monetária. isto é. 100. Importa verificar se a dívida é quérable ou portable. O estatuto processual. no entanto. correm por conta do credor. 8:93). Por vezes. serão seguidas as regras gerais de foro. afasta automaticamente os efeitos da mora.

ou parte dele. que no caso é uma só.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 253 Como notamos. Não ocor­ rendo o depósito nesse prazo. . a obrigação será julgada extinta. é conveniente que o depósito. III . 560/142. tal não inibe que em outra ação venha a ocorrer. O art. Se o réu receber e der quitação. com todos os entraves da penhora. com possibilidade de decisões conflitantes ou contraditórias. não deve mais ser admitido qualquer depósito. A lei discorre que os depósitos sucessivos devem ocorrer até cinco dias após o vencimento. Permitindo-se que o réu levante o depósito integral antes de liquidar custas e honorários.951/94 acrescentou em pa­ rágrafo único que a alegação de depósito insuficiente somente será admissível “se o réu indicar o montante que entende devido”. A regra é de economia processual. do contrário fugir-se-ia à causa petendi. se após o trânsito em julgado persistirem as recusas pelo mesmo motivo. Depósito feito a destempo nessa hipótese não inibe a procedência da ação de consignação (R T 546/147. dificultará a execução. acertadamente. O que está em julgamento.f o i justa a recusa. requererá o depósito da quantia ou da coisa a ser efetivado em cinco dias contados do deferimento e a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer resposta (art. na petição inicial. atendendo a sua natureza no direito material. pois se não houvesse a permissão. 897 do CPC).o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. permaneça nos autos para atender aos consectários da sucumbência. trata-se de uma faculdade. 893 do CPC). Não existindo mais a audiência prévia de oblação do passado. o autor. Trata-se da mesma situação para a revelia (art. é o depósito inicial. Presentes os pressu­ postos para a continuidade dos depósitos. Não há necessidade de menção ou requerimento específico na inicial. nessa situação.não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida.o depósito não é integral ” Nesta última hipótese. em virtude das dificuldades procedimentais que adviriam. Após a sentença de primeiro grau. não é obrigatório que o devedor deposite as parcelas suces­ sivas no processo. I I . 896 do CPC procura limitar o âmbito da discussão na ação consignatória. é mister que pelo menos a primeira consignação tenha ocorrido. N o entan­ to. com cunho procrastinatório ou que visa confundir o juiz e a parte adversa. É prazo estatuído para superar os entraves burocráticos. 563/149). Sempre que o pe­ dido consignatório for procedente. IV . O réu poderá alegar que: “I . haveria necessidade de um processo para cada parcela. a Lei nQ8. a questão é de ser examinada em execução de sentença ou em novo processo. ficando ele condenado em custas e honorários de advogado. No entanto. as prestações devem ser da mesma natureza e pertencer ao mesmo título. De nada adiantará alegação vazia.

cessa para o depositante a obrigação de pagar juros. contempla outras hipóteses que certamente ampliam a matéria da contestação. se outro prazo não constar de lei ou contrato. Caberá ao réu pagar custas e honorários de advogado. Em cinco dias. como. 346 ss do Código faz substituir o sujeito da obrigação. 894 do CPC explicita o art. feito estará o pagamento e extinta a obrigação. A intenção do legislador sempre foi delimitar o alcance da discussão no âmbi­ to da consignatória. pela natureza da obrigação. O art. além da contestação. se hou­ ver compatibilidade com as situações do art. a obrigação pelos riscos com a guarda da coisa. 343). é evidente.2. quando a escolha couber ao credor.254 D ireito Civil • Venosa Convém não esquecermos que a resposta do réu. que as situações do art. bem como despesas atinentes à entrega da coisa em juízo (art. conforme já examinamos. estará caracterizada a mora creditoris. deverá exercer o direito de escolha. nas obriga­ ções facultativas. Em razão da mora do credor. por vezes. sob pena de. Mesmo assim. Aplica-se tudo que foi dito acerca das obrigações para dar coisa incerta e das obrigações alternativas. substituição. cercear a discussão do âmbito de direito material. 10. mormente em nossa ciência. O art. é muito difícil. após a citação. 898 do CPC cuida da consignação na hipótese de dúvida sobre quem deva legitimamente receber. Liberam-se também os fiadores da obrigação. A contestação pode aduzir que não há litígio (inciso V ). se se trata de depósito de coisa litigiosa. 335. Notemos. 896 referem-se basicamente à discussão sobre recusa no recebimento e qualidade ou quantidade da coisa depositada. O instituto contemplado nos arts. A sub-rogação não extingue propriamente a obrigação. porque. A citação do réu é única: para que escolha e para que se submeta ao processo de acordo com o capítulo da consignação. 335. acolhido o pedido na ação de consignação. já examinado. Na hipótese de se frustrar a consignação pela improcedência ou pela carên­ cia. por conseguinte. O ju iz deve fixar lugar. naquilo que se extinguiu. na prática. O termo pode . porém. assim também com base nos incisos II. Do que foi dito concluímos que.1 Conceito O termo sub-rogação significa. A questão não tem aplicação. Na maioria das hipóteses. por força das regras de processo. a escolha. é sempre do devedor. arcará com o ônus da sucumbência. riscos esses transferidos para o credor. que não estão obstadas na consignação. dia e hora para o depósito. não o fazendo.2 Pagamento com Sub-rogação 10. englo­ ba também a reconvenção e a exceção. por exemplo. IV e VI desse dispositivo. permanece o devedor na mesma posição anterior e. O art. a escolha passar ao devedor. nessa situação. 342 do Código Civil e diz respeito às obriga­ ções genéricas ou alternativas.

Rei.Apelação Cível 994. determinando-se o retomo dos autos à origem para apuração. com determinação” (T J S P . do saldo devido.Rei.Natureza da execução que não arreda o direito do agravante .Danos a mercadoria transportada.Adiantamento dos valo­ res da locação pela administradora à locadora . um de­ 7 “Apelação cível . Cível 986. Demonstração da existência de sub-rogação. Permite que.Anti­ go credor e executados.Presunção de culpa da transportadora não elidida . . Des.Registro do instrumento no cartório de registro de imóveis. “Contribuição e taxa de associado .F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 255 também ser empregado para a sub-rogação real.Inadimplência .2009. 22a Câmara de Direito Privado .0011. Rei. Ressalta evidente que. em razão de acidente de trânsito .Decisão de indeferimento reformada . não se extinguindo.227-3. 18-11-2008. Cível 7. de forma que passa a dispor de todos os direitos.Substituição.AI 7. § 2C). quando uma coisa de um patri­ mônio é substituída por outra. “Contrato . 346. É o que ocorre se substituem os vínculos restritivos de inalienabilidade. Embargada pretende executar valor no qual foram embutidos juros de mora e honorários advocatícios.988-6. Christine Santini).08.Acórdão Apelação Cível 0102738 .Ação de reparação de danos . e não o primitivo devedor.24.Recurso provido” (T J S P . deve pagar o devido a outro. Trata-se de um ins­ trumento jurídico muito utilizado na prática. mediante acordo homologado judicialmente entre credor original e embargada. José Tarciso Beraldo). “Contrato . ademais.216-0/8. um terceiro. 8-9-2011.084. impenhorabilidade e incomunicabilidade de um imóvel a outro (art. no que toca as despesas do loteamento (vencidas até a data da compra e venda) . “Execução Hipotecária . 24-1-2007. Não há prejuízo algum para o devedor.Inteligência do art. Erickson Gavazza Marques). Esse terceiro substitui o credor originário da obrigação.Rei. por ocasião da aludida transação. Matheus Fontes).c.199.Pagamento espon­ tâneo por parte da administradora não condiciona o pagamento dos demais encargos do contrato de locação . esta última. comprometeu-se expressamente ao pagamento de todos os débitos incidentes sobre o imóvel anteriores àquela data .Sub-rogação . Excesso de execução caracterizado.Sub-rogação . satisfazendo exigência constante de acórdão anterior .Ademais.Dívi­ da referente a período em que a requerida era a proprietária do bem .123639-0.Ocorrência . Recurso provido em parte.Sub-rogação legal .Declaratória c.Embargos à execução. do credor original por outrem.Ação regressiva procedente .Recurso improvido” ( T J S P .Recurso provido” (T J S P . muitas vezes. que não veiculam objeção .Procedência mantida .Reembolso .Acolhimento da lide regressiva circunscrita ao limite da apólice da de­ nunciante .Ap.7 O fato é que a dívida conserva-se.Ação regressiva proposta pelo atual proprietário do imóvel em face da vendedora. no polo ativo.Inteligência do disposto no artigo 293 do Código Civil . Salles Rossi). 9-12-2008.Procedência .Seguro .848. para o fim de reconhecer o excesso de execução. No pagamento com sub-rogação. ações e garantias que tinha o pri­ meiro. fique com o direito de reclamar do verdadeiro devedor o que foi pago e que esse crédito goze das mesmas garantias originárias. efetua o pagamento. que em vez de pagar o que deve a um.26.Admis­ sibilidade . 1. quando alguém paga o débito de outrem.8.12a Câmara de Direito Privado . inciso II.Recurso improvido” (T J S P . cobrança . do Código Civil .Natureza propter rem da obrigação . que qui­ tou a dívida com sub-rogação expressa dos respectivos direitos.Pedido contraposto de pagamento do imposto predial inoportuno . pelo contador judicial. 27* Câmara de Direito Privado .Ap.Ad­ missibilidade . Dá-se parcial provimento ao recurso de apelação. que inclui os da hipoteca .TYansporte rodoviário .Ressarcimento devido . Embargada que se sub-rogou em crédito existente contra o executado.Locação . 21-6-2012. postulan­ do nova incidência de juros e honorários nos autos da ação de execução. Rei.

045): o beneficium cedentarum actionum (benefício de cessão de ações) e a sucessio in locum creditoris (sucessão no lugar do credor). Sustentam alguns juristas que a sub-rogação é uma cessão de crédito operada por lei. colocando-se no lugar do mesmo e expressamente sendo detentor de todos os seus direitos. destarte. de forma mais acessível e com melhores condições de pagamento. W eill e Terré. A falta de citação im­ porta em nulidade do processo.Sub-rogação do crédito . o insti­ tuto em exame com a cessão de crédito. protegia-se aquele que pagava dívida do terceiro.0 litisconsórcio necessário está ligado mais diretamente à indispensabilidade da integração do polo passivo por todos os sujeitos. Não se confunde. 1975:1. A opinião não deixa de ter algum apoio. 2 . cujas relações jurídicas são atingidas pela sen­ .2 Origem Histórica Apontam-se dois institutos romanos como as formas embrionárias da moder­ na sub-rogação (cf. nas hipóteses do art.A sub-rogação é uma forma de pagamento. O Direito Romano não chegou a empregar o vocábulo sub rogar e.1 . impedindo o enriquecimento injusto. o comprador de um bem hipotecado que liquidava o débito hipotecário. 10. 10. 3 .Necessidade de citação de litisconsórcio passivo necessário .2. por último. Ocorre quando terceiro interessado paga a dívida do devedor. Transferiam-se-lhe o direito das ações do primitivo credor. 348) remete aos dispositivos da cessão de crédito uma das situações de sub-rogação convencional (quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos) (art. muitos encontrando aí sua natureza jurídica. uma vez que a própria lei (art. a sucessão in colum creditoris.Nulidade da sentença . 346.Agravo retido prejudicado Prejudicial de mérito . mantendo-se ao novo credor também as hipotecas do crédito primitivo. seja por conta da própria natureza desta relação jurídica. seja por imperativo legal.Quando a eficácia da decisão depender da citação de todos os sujeitos. Três catego­ rias de pessoas poderiam usufruir dessa vantagem: os credores hipotecários posteriores que pagavam o primeiro credor. 47 CPC .2. porém. a pessoa que emprestava uma im­ portância em dinheiro para liberar o devedor de credores hipotecários e. Ausência de citação comprovada nos autos.Art. por influência do Direito Canônico.3 Natureza Jurídica e Institutos Afins A sub-rogação possui muitos pontos de contato com a cessão de crédito. operando-se.256 D ireito Civil • Venosa vedor pressionado por credor mais poderoso tenha sua dívida paga por outrem. 3 4 7 .Civil e processual civil .8 8 “Apelação cível . Na primeira hipótese. O Direito Intermédio fundiu ambos os institutos para criar a sub-rogação atual.1).Revisional de contrato . Localiza-se aí o embrião de nossa sub-rogação legal. que passa a ser seu credor.

Recurso parcialmente provido para reconhecer o excesso de execução e limitar o valor exequendo à quantia efetivamente desembolsada. Des. Rei.0 ingresso do sub-rogado no feito. ambas as figuras não coincidem. para que o sub-rogado tenha direito de ação perante o devedor. mas não estender sua amplitude.Rei. do Código de Processo Civil). Na cessão.Acórdão Apelação Cível 992. uma vez titular de direitos relativos àquela lide. doravante. “Agravo de instrumento.010575-7. Para alguns. a operação é sempre do credor.ata da decisão). Fenômeno que ocorre tanto na sub-rogação legal como na convencional. Roque Joaquim Volkweiss). podendo ser efetivada por valor diverso da dívida originária. 5 . . “Locação de Imóvel. Recurso desprovido. cuja atividade não se subordina à do assistido. como um verdadeiro litisconsorte.07. deverá realizar o pagamento com eficácia liberatória. Embargos à execução. aproximando-se à compra e venda. desprovida que é de caráter especulativo. por traduzir a vontade livre das partes. relativamente ao valor do desembolso efetivamente efetuado. A notificação do devedor acerca da sub-rogação se presta apenas a deli­ mitar o conhecimento do devedor a quem. a cessão de crédito pode ter efeito especulativo. Credor originário que declara haver recebido os valores da imobiliária e transmite a ela seus direitos. admita restrição dos direitos do sub-rogado. a sua natureza ‘alimentar’. 2* Câmara Cível . a sub-rogação se efetiva apenas sobre seu valor. com o nascimento de outra obrigação. Francisco Bezerra Cavalcante). Embargos à execução. Falta de notificação que não im­ plica ilegitimidade ativa do sub-rogado.Acórdão 0726820-73. A sub-rogação contém como es­ sência o pagamento de uma dívida por terceiro e fica adstrita aos termos dessa mesma dívida. Locação de Imóvel. Cessão de direitos creditórios.2000. A cessão de crédito é uma alie­ nação de um direito.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 257 Contudo. havendo ou não inadimplência do locatário. Por maioria” ( TJRS . 290). com a sub-rogação. 12-9-2007. enquanto a sub-rogação pode operar mesmo sem anuência do credor e até mesmo contra sua vontade.Apelação conhecida e provida. Rei. Sub-rogação. há necessidade de que o devedor seja notificado para ser eficaz com relação a ele (art. 14-9-2010. porquanto a sentença interfere na relação jurídica que envolve o assistente e o adversário do assistido. porque essa qualidade somente é inerente à pensionista (cedente). Legitimidade ativa da credora. 4 . embora esta. não se estendendo a terceiros (cessionário). Na cessão de crédi­ to. Sub-rogação convencional. a ausência de convocação transforma a decisão em inutiliter data. Direito previdendário. Sub-rogação. Júlio Vidal. haveria extinção do crédito primitivo. privilégios e garantias do devedor satisfeito. acrescida de correção monetária e juros de mora a contar dos respectivos vencimentos” ( TJSP . Perda da natureza do caráter alimentar. não é vedado. na modalidade convencional (artigo 347. Limitação ao valor desembolsado. Sentença anulada” ( TJCE . de forma qualificada. TVatando-se de cessão de crédito alimentar. O credor sub-rogado sucede ao credor originário em todos os direitos.8. contudo. 9-5-2012. Precatório já expedido. o que não ocorre na sub-rogação. Excesso de execução. Desnecessidade da notificação a que alude o artigo 290 do Código Civil. Por outro lado. inciso I. tença. Instrumento particular de administração de imóvel em que a imobiliária se obriga a efetuar o pa­ gamento dos locativos ao locador. por isso que se o terceiro não for convocado para o processo restará configurada a nulidade do mesmo. ações. não lhe aproveita a alegação de falta de notificação. Não existe esse caráter de alienação na sub-rogação. por ter se sub-rogado no crédito. Direitos do sub-rogado que derivam do próprio pagamento e apenas a este montante se limita. perdendo o crédito. Nem todas as normas sobre a cessão de crédito são aplicáveis à sub-rogação convencional.AI 70020512406. Se o sub-rogado exige o pagamento e se o devedor não prova haver pago ao credor originário.06.0001.

. A hipótese se aplica.do credor que paga a dívida do devedor comum. Se quem cumpre a obriga­ ção é um terceiro. Pode ocorrer que esse credor tenha interesse em afastar o outro que tenha prio­ ridade no crédito. alguém poderia ser levado a adquirir o bem hipotecado. portanto. Na prática. A situação trazida é de justiça. O adquirente pode ter maior interesse em livrar-se ao menos da primeira hipoteca. por exemplo. a obrigação subsiste na pessoa desse terceiro. Alguém. bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel. “I I . 346 traz três situações em que a sub-rogação opera de pleno direito.” A situação pressupõe a existência de mais de um credor do mesmo devedor.4 Sub-rogação Legal O art. Não ocorre a hipótese da lei se é o próprio vendedor quem recebe o dinheiro do adquirente e paga a hipoteca. a sub-rogação é instituto autônomo. ao promissário adquirente de imóvel que paga dívida sobre o imóvel contraída e não paga pelo transmitente do direito. Não pode ser tratada sim­ plesmente como um meio de extinção de obrigações. a priori. preferindo ficar sozinho na posição de credor. que paga a credor hipotecário.2. 10. O adquirente desse bem tem o maior interesse em extinguir a hipoteca. prefe­ rência. o adquirente deseja que o bem alcance-lhe as mãos já livre e desembaraçado. porém. O Código em vigor introduziu importante acréscimo nesse dispositivo decla­ rando a sub-rogação de pleno direito também para o terceiro que efetiva o paga­ mento para não ser privado de direito sobre imóvel. excluindo-se a hipoteca.258 D ireito Civil • Venosa Na verdade. por exemplo. também. aguardando momento mais oportuno para cobrar a dívida. este se transfere ao terceiro por vontade das partes ou por força de lei. no entanto. pode aguardar com maior tranqüilidade o momento oportuno de. por exemplo. é credor quirografário juntamente com um credor trabalhista. Em vez de se extinguir o crédito. Geralmente. ” O imóvel. A própria relação jurídica sobrevive com a mudança do sujeito ativo. levar bem penhorado à praça e se ressarcir de toda a dívida. Uma razão de equidade apoia a existência da sub-rogação. quando inci­ de mais de uma hipoteca sobre o bem. A hipótese vale. para que não se veja privado dos direitos sobre o bem. a sua e a dívida trabalhista que pagou e nela se sub-rogou. mesmo hipotecado. Afastando o débito trabalhista. é muito raro que a hipótese ocorra. Em determinadas si­ tuações fáticas. o qual tem. é incentivada pela lei. em favor: *I . pode ser alienado. como vimos. Tratando-se de uma forma de facilitar o adimplemento.do adquirente do imóvel hipotecado.

Impossibilidade de produção de prova testemunhai para comprovação do alegado . por uma questão de equidade.4a R. como já estudamos no capítulo reservado ao pagamento. 305 do Código Civil. Se for terceiro não interessado. 29-2-2012. A finalidade pri­ mordial do inciso é colocar o devedor que paga a cobro de uma situação difícil e embaraçosa. Juiz Fed. 347. do pagamento realizado . o autoriza a valorar os elementos probatórios do processo de acordo com seu convencimento.Ação monitória . “Apelação d vel . Valoração das provas. Reportamo-nos ao que foi dito acerca da solidariedade. Cível 0439710-4. Alfredo Abinagem). para evitar-se o enri­ quecimento sem causa. v. . como ensina Washington de Barros Monteiro (1979. 305 do Código Civil. 26-2-2008.Rei. 4:282). O princípio da persuasão racional do juiz. Nessa qualidade. à luz do que dita o art. O fiador pode ter. 26-7-2010.Contrato bancário .2011.Ausência de provas mínimas a corroborar a alegação . 40. Da mesma forma. por exemplo. de acordo com a forma pela qual foi contraída a solidariedade. Esse autor lembra de duas outras situações do Direito Mercantil: a do interveniente voluntário que paga a letra de câmbio (art. no todo ou em parte.Disposição do art.Execução . Kruger Pereira). que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado.Título de crédito .Inexis­ tência .Sub-rogação convencional . 401 do CPC . não comportando apli­ cação analógica. pelo devedor. embora tenha o direito de reembolso. .Arguição de juros abusivos rejeitada . mas não à sub-rogação nos direitos do credor” (TRF .0000/RS.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 259 “III . Reconvenção. não lhe acode o pleito reconvencional. à unanimidade de votos” ( TJGO . Inteligência do artigo 131 do CPC.” Trata-se da questão mais comum e útil na prática. quando for expressa a norma.Pagamento efetuado por terceiro não interessado . Não se sub-roga no di­ reito do credor o terceiro não interessado.404.Sentença mantida . considerando a lei e as circunstâncias constantes dos autos.TYatando-se caso onde terceiro paga a dívida em nome do devedor.1e II.Cabimento da propositura de ação monitória . mas terá ocorrido substituição de credor. Sua sub-rogação.Inocorrência de sub-rogação em virtude do não conhecimento. o máximo interesse em não ver o afiançado acionado. mas o fenômeno só existirá se o ordenamento autorizar. 1. do Código Civil . é parcial ou total da dívida. Apelo conhecido e desprovido. Rei.Não configurada nenhuma das hipóteses de sub-rogação convencional do art. O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor (art.Negado provimento ao apelo” (TJPR .Ap.821-7/188 (200602379584). parágrafo único. Rei. O fiador paga a dívida do afiançado e sub-roga-se nos direitos do credor. 6a Câmara Cível .Acórdão Apelação Cível 101. Só terá este direito ao reembolso. Convencimento racio­ nal do juiz. a obrigação continua a existir para o devedor. João Pedro Gebran Neto). Des. “Rescisão contratual. do Decreto nQ 9 “Agravo de instrumento . Arrendamento mercantil. que reconhece seu direito ao reembolso do que foi pago. incide a previsão do art. A lei pode descrever outros casos de sub-rogação. não haverá sub-rogação. 2.d o terceiro interessado. que paga a dívida em seu próprio nome. Notemos que a lei reporta-se a terceiro interessado que paga.9 Em todos esses casos.Pagamento do débito pelos avalistas após a prescrição dos títulos .AI 0012819-34.Suficiênda de prova escrita sem força executiva . 305).Inocorrência do cerceamento de defesa . é o que ocorre quando um dos devedores solidários paga toda a dívida.

Júlio Vidal). havendo ou não inadimplência do locatário. que consegue alguém que lhe empreste o numerário para pagar a dívida e passa a dever. ações. há um acordo de vontades entre o credor e o terceiro. 14-9-2010. Rei. na modalidade convencional (artigo 347.2. há iniciativa do devedor. Locação de Imóvel. não lhe aproveita a alegação de falta de notificação.07. Legitimidade ativa da credora.quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida. ao mutuante. doravante. I I . O devedor não necessita aquiescer. Embargos à execução. A notificação do devedor acerca da sub-rogação se presta apenas a delimitar o conhecimento do devedor a quem. Fenômeno que ocorre tanto na sub-rogação legal como na convencional. embora esta.5 Sub-rogação Convencional O art. privilégios e garantias do devedor satisfeito. . mas não estender sua amplitude. Nem todas as normas sobre a cessão de crédito são aplicáveis à sub-rogação convencional.” Nessas hipóteses. Se o sub-rogado exige o pagamento e se o devedor não prova haver pago ao credor originário. a quem 10 “Locação de Imóvel. Desnecessidade da notificação a que alude o artigo 290 do Código Civil. por traduzir a vontade livre das partes. o credor vê-se satisfeito. que paga o dano ocorrido à coisa segurada (art. Sub-rogação convencional. Sub-rogação. desprovida que é de caráter especulativo. para que o sub-rogado tenha direito de ação perante o devedor. numa situa­ ção de adimplemento duvidoso. depois. o fenômeno pode ocorrer com ou sem seu conhecimento. ocorre iniciativa do credor. No primeiro caso. Ins­ trumento particular de administração de imóvel em que a imobiliária se obriga a efetuar o paga­ mento dos locativos ao locador. Excesso de execução. mais insistente. já revogado). Na primeira. Limitação ao valor desembolsado. do Código de Processo Civil). Sub-rogação. acrescida de correção monetária e juros de mora a contar dos respectivos vencimen­ tos” (TJSP . Ambas as figuras são úteis. Direitos do sub-rogado que derivam do próprio pagamento e apenas a este montante se limita. sob a condição expressa de fica r o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.044) e a do segurador. O credor sub-rogado sucede ao credor originário em todos os direitos.quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos. 720 do Código Comercial. 10. relativamente ao valor do desembolso efetivamente efetuado.260 D ireito Civil • Venosa 2. No segundo caso. Credor originário que declara haver recebido os valores da imobiliária e transmite a ela seus direitos. admita restrição dos direitos do sub-rogado. e poderá pagar.10 No segundo caso. deverá realizar o pagamento com eficácia liberatória. Embargos à execução. Des. com todos os direitos originários. Falta de notificação que não implica ilegitimidade ativa do sub-rogado. o devedor consegue talvez se afastar de um credor poderoso. Recurso parcialmente provido para reconhecer o excesso de execução e limitar o valor exequendo à quantia efetivamente desembolsada. inciso I.010575-7.Acórdão Apelação Cível 992. que recebe a importância de terceiro. 347 admite duas formas de sub-rogação convencional: “I . Não se exigem palavras sacramentais.

em princípio. contra o devedor principal e os fiadores” (art. Não configu­ ração. Difere da cessão de crédito. . Direito de regresso da seguradora do proprietário do veículo. sendo este.Fixada a premissa de que o furto e o roubo de veículos são eventos absolutamente previsíveis no exercício da atividade garagista. como vimos. Seguro. Da mesma forma. na perspectiva da seguradora sub-rogada nos direitos do segurado nos termos do art. privilégios e garantias do primitivo. Nesse contexto. quanto à sub-rogação convencional.Não há como considerar o furto ou roubo de veículo causa excludente da responsabilidade das empresas que exploram o estadonamento de automóveis. 349 do CC/02 . Nancy Andrighi). encontra-se a prestação deficiente do serviço pelo estacionamento. 11 “Direito dvil. fornecendo financiamentos em condições mais favoráveis. Não pode haver. conclui-se que. costumam liquidar os débitos de devedores com instituições privadas. pelo princípio do enriquecimento sem causa. Furto ou roubo de veículo em estacionamento. Evento previsível. inclusive para efeitos de interpretação da Súmula 288/STF. ainda que indireto. fica satisfeito o primitivo credor.o estacionamento deve ser visto como causador. quiçá em situação mais favorável. o sub-rogado não tem ação contra o sub-rogante no caso de o devedor ser insolvente. Min. tomando inconcebível que uma empresa que se proponha a depositar automóveis em segurança enquadre tais modalidades criminosas como caso fortuito.6 Efeitos da Sub-rogação No pagamento com sub-rogação.11 Esse artigo descreve a essência do instituto. a obrigação persiste: “a sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. ações. o que pagou tem direito ao reembolso. se a obrigação for nula ou não existir.Acórdão Recurso Especial 976. Rei. 988 do CC/16 . no mínimo. na linha de desdobra­ mento dos fatos que redundam na subtração do carro. As Caixas Econômicas. finali­ dade especulativa na sub-rogação. 10.cuja redação foi integralmente mantida pelo art.Os arts. Incidência. Tais princípios aplicam-se tanto à sub-rogação legal. A segunda hipótese ocorre com muita frequência nos financiamentos dos bancos ditos sociais. 988 do CC/16 e 349 do CC/02 não agasalham restrição alguma ao direito da seguradora. . Recurso especial provido” (STJ . inclu­ sive. um dos prindpais fatores a motivar a utilização dos estacionamentos. que.SP (2007/0188741-5). Agora. pois nesta há necessidade de ciência do devedor (art. O sub-rogado não recebe mais do que receberia o credor originário. Caso fortuito. . 349). sub-rogada. a ingressar com ação de regresso contra o estabelecimento garagista.2.531 . por exemplo. na medida em que a obrigação de garantir a integridade do bem é inerente à própria atividade por elas desenvolvida. em relação à divida. não agiu com a diligência necessária para impedir a atuação criminosa. Ambas as situações favorecem o adimplemento da dívida. Hodiemamente. 23-2-2010. 290). do dano. No entan­ to.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 261 lhe emprestou. Súmula 288/STF. . o furto e o roubo de veículos constituem episódios corriqueiros.

Quando da cobrança de seus 500. O devedor fica então a dever 500 ao credor origi­ nário e 500 ao sub-rogado. se não houver pacto expresso. não é dado receber mais do que receberia o credor primitivo. Satisfeito o crédito pelo pagamento efetuado por terceiro. 13 “Condomínio . 10-8-2006.Pagamento por sub-rogação .CC/2002.Cre­ dor primitivo ilegitimidade ativa ad causam . art. acreditando melhor na solução italiana que manda fazer um rateio entre sub-rogante e sub-rogado. 351 refere-se ao pagamento parcial ao credor originário: “O credor originário.Débito de responsabilidade do anterior proprietário Quitação do débito pelo comprador .Ação de cobrança .512291-8/001. Lucas Pereira). A adoção de outro entendimento.” Suponhamos que a dívida seja de 1. o credor originário não encontra bens suficientes para seu crédito de 500.13 12 “Apelação . O art. o que não ocorre na sub-rogação legal: “Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor. àquele que pagou a obriga­ ção de responsabilidade do devedor. 350). 350 .0024. não é dado a este postular em juízo. no que tiver. porém. estando a operação limitada ao valor efetivamente desembolsado para quitar o débito.04. Disso já tem ciência pelos termos expressos no artigo mencionado. se os bens do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a u m e outro dever. Alguns veem injustiça na solução. que se sub-roga em todos os direitos e ações do credor primitivo.Extinção do processo. nos termos do art. o qual assumiu os riscos da evicção. que ficará irressarcido. o . só em parte reembolsado. ensejaria ofensa ao princípio universal que veda o enriquecimento sem causa. Des. O terceiro interessado que quita dívida para fim de liberar constrição pendente sobre imóvel sub-roga-se no direito de demandar em face do alienante imediato do bem.Negócio jurídico de compra e venda de imóvel Posterior constrição judicial sobre o bem .Recurso parcialmente provido. antes do sub-rogado. terá preferência ao sub-rogado.262 D ireito Civil • Venosa Nada impede. em nome próprio. Rei.Despesas .Ação ordinária de cobrança . art.Interesse . tem plena aplicação o disposto no art. No entanto. Terá ele preferência.Responsabilidade do devedor primitivo limitada ao montante do débito . na cobrança da dívida restante. não permitindo que o comprador fosse ressarcido dos prejuízos advindos da penhora sobre o bem que adquiriu regularmente e de boa-fé.000. 85) .Ausência carência de ação .Interpretação do contrato (CCB. na sub-rogação convencional as partes podem dispor diferente­ mente. que tiver desembolsado para desobrigar o devedor” (art. re­ cebendo.Pagamento por terceiro (administradora de condomínios) sub-rogação pessoal convencional . quem se sub-roga na forma atualmente prescrita assume o risco da insolvência do devedor. Um terceiro paga 500 e sub-roga-se nos direitos dessa importância. Mas. 350. que as partes expressem sua vontade no sentido de alterar os valores da sub-rogação.12 Portanto. expressamente acolhido no direito pátrio nos artigos 884 a 886 do NCC. ou seja. que suportariam igualmente a insolvência do devedor. 350 do CCB/2002” ( TJMG . senão até à soma. Ao sub-rogado.Acórdão Apelação Cível 1.

para aferir suas reais vontades.São Paulo .Envio de mensa- . na falta de especificação do devedor. Perguntamos. vencidas. cada uma. com o pagamento da importância de 1. Ariovaldo Santini Teodoro .Relação cambial inexistente . é costume que uma infinidade de obrigações seja debitada automaticamente. Recurso a que se nega provimento para confirmar a sentença apelada” (T A P R . mediante singela autorização do cliente.Declaratória e medida cautelar procedentes . entre outras que se têm com o mesmo credor. em sua conta corrente. por falecer-lhe interesse e legitimidade. “Cambial . que se define a verdadeiro espírito do contrato e se o enquadra em determinada categoria.14 mesmo crédito.Processo 703400-0/00 . cabendo.7* Câmara . em re­ lação ao mesmo credor.Hipótese em que o terceiro está desobrigado de pa­ gar mais do que já pagou. A imputação de pagamento tem esse sentido no direito obrigacional. ao atual detentor dos direitos fazê-los valer em nome próprio. reconhecida a sua inexigibilidade em razão do negócio jurídico a que se vinculam . Independentemente do nome que deem as partes a um contrato. 988). em conta. não é ele destituído de aplicação prática. tendo o condomínio satisfeito seu crédito em face de pagamento com sub-rogação (CCB. Geralmente. 14 “Declaratória de inexistência de débito . Entretanto.Recurso improvido” (J * T A C S P .3 Imputação de Pagamento 10. Para que o exemplo fique de fácil compreensão. Modernamente.Curitiba .Juiz Conv. do mesmo devedor.Novação invocada desconfigurada . a doutrina não dá muita importância ao tema.Apelação Cível . e da análise de seus elementos essenciais e do comportamento dos contraentes. Trata-se da aplicação de um pagamento a determinada dívida (ou mais de uma). nesse nosso exemplo. ao fim de que dele se possa extrair os seus efeitos específicos e próprios.Rei.3* Câmara Cível .Promessa de pagamento com sub-rogação onde o credor con­ tratualmente consentiu no pagamento parcial . desde que sejam todas da mesma natureza.Decisão: Unânime). É forma de se quitar um ou mais débitos.10-12-1996 .000. são. Hipótese em que. Renato Lopes de Paiva . O devedor.000? A resposta implicará saber a qual obrigação estará o devedor atribuindo seu numerário. consoante se depreende de cláusulas contratuais. quando há vários. deve aluguel referente à locação mensal de um imóvel e deve valor representado por nota promissória. tomemos em conta que as três dívidas.Nota promissória . É freqüente o abuso das instituições financeiras a esse respeito. no valor de 1.000. remete ao credor a importância de 1. Se o correntista não tiver nume­ rário depositado em volume suficiente para débitos que vençam na mesma data.28-4-1998). por exemplo.1 Conceito Imaginemos uma situação esquemática na qual um devedor contraiu várias obrigações com um mesmo credor.3. líquidas e vencidas (art. Basta recordarmos os vários débitos auto­ rizados pelo correntista de um banco. Deve parcela vencida de um empréstimo. nada mais pode reclamar. imputando seu pagamento. mantida a preferência do credor ao devedor em receber o restante . art.Alegação de que a quantia se destinou a pagamento doutros cheques . qual das três obrigações estará ele adimplindo.Apelação Cível . devem ser aplicados os princípios da imputação de pagamento.115284100 .Au­ tonomia dos títulos carreados afastada. 352).Protesto de cheque Depósito de seu valor admitido pelo réu . em tese.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 263 10.

Des.Recurso parcialmente provido” ( T J S P Acórdão Apelação Cível 0034186-47. 991 e ss. Se for cabal a escolha pelo devedor. mormente porque a parte. “Ordinária declaratória de inexigibilidade de obrigação c/c anulação de título de crédito e cautelar de sustação de protesto . Des.264 D ireito Civil • Venosa A preferência na escolha da dívida a ser adimplida é do devedor.26. 353 do Novo Código Civil . Rei.2009.Presunção de quitação integral do débito em relação a um dos alunos matriculados .Demonstrado nos autos de que as duplicatas foram emitidas de forma regular.Recurso do Banco improvido. não justificando validamente a sua realização. do CC/1916 .Título formalmente perfeito . se aceitar a quitação de uma delas. 940 do CC .Ausência de demonstração. além dos ônus de sucumbência” (T J S P . líquido e vencido . “Cambial . tomada definitiva liminar nesse sentido . Vicentini Barroso).Omissão do devedor e do credor quanto à imputação do pagamento relativamente às dívidas vencidas na mesma data .Não caracterização .05. 15-8-2006.Direito de efetivação .Ap.A produção da prova deve ser pertinente ao deslinde da causa. aliado ao fato de inexistir comprovada falta de entrega ou vido de qualidade da mercadoria. da imputação do pa­ gamento. salvo provando haver ele cometido violência ou dolo’.729565-1/002. Contrato . 5-4-2006.Montante transferido que se revela muito superior à soma das quantias consignadas nos outros cheques .Descabida repetição dobrada de indébito . “Alimentos .Exis­ tência.Provisórios . ao caso.Ação de cobrança referente a débitos de mensali­ dades escolares de dois filhos dos réus . todavia. 21a Câmara de Direito Privado . não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor.Obrigação cambial devida .Pagamento realizado mediante depósito bancário e judicial .Protesto indevido . no momento oportuno. não pode ser recusada pelo gem eletrônica com comprovante da transferência bancária e imputação do pagamento (art.Condenação que representaria prêmio ao devedor .Protesto .Art.Validade .Quitação da dívida de maior valor .Aplicação.Mesma natureza e credor idêntico .‘Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento.Inteligência dos arts. .Artigos 352 e seguintes do Código Civil .Mercado­ ria fora das especificações . Manoel Justino Bezerra Filho).Impossibilidade deste atribuir a quantia a outras cártulas .Acór­ dão Apelação Cível 1. Osmando Almeida). Cível 7.Inexistência de qualquer estipulação da destinação do depósito bancário realizado Notificação extrajudicial enviada ao executado informando-a da imputação do pagamento (parte do aluguel devido) .Ap.Rei. 352 é claro a esse respeito: cabe à pessoa obrigada. 320 e 355 do Código Civil .Inaplicabilidade da sanção prevista no art. Des.0024.Existência de mais dum débito.Má-fé não caracterizada .Atraso no pagamento de alugue­ res verificado .Parcial procedência reconhecida . ou quem lhe faz as vezes.Pagamento .Agravo retido .Realização de perícia .Emissão de recibo sem ressalvas quanto à parcialidade do pagamento .Necessidade .Cabimento . 35a Câmara de Direito Privado . 352 do Código Civil) .0224. prevista nos arts. Cível 966.313-4/0-00.Inexistência do débito declarada . de modo que se mostra correta a decisão que indeferiu a produção de prova pericial.Indeferimento .Recurso parcialmente provido para reconhecer a quitação quanto aos débitos relativos à filha dos apelantes.AI 454.Prestação de serviços . não há como se declarar a nulidade dos títulos ou determinar o cancelamento do respectivo protesto” (T JM G . 27-2-2010. . Silveira Paulilo).Anotação de que o valor se destinava a quitação do cheque protestado .Inaplicabilidade do art.Rei.Ingresso de dinheiro na conta-corrente .210-0/1.8. O art. Rei. por não restar comprovada a má-fé da autora apelada .Rei.Uso de limite . Luiz Antonio do Godoy).Cer­ ceamento de defesa .Ensino . dando-se parcial provimento ao recurso adesivo” (T J S P .Necessidade . 8-11-2011.Desti­ nação para a cobertura do saldo devedor .057.597-8. I a Câmara de Direito Privado . 940 desse diploma legal. não declinou o objeto da pretendida pe­ rícia.Recurso desprovido” (T J S P . . fazer a imputação. de contrato de locação celebrado entre as partes . 13-4-2009. sendo mantida a conde­ nação em relação aos débitos relativos ao filho dos requeridos.Cheque especial .Ausência de prova de abuso de direito . .Total procedência da cautelar de sustação de protesto.Sucumbência recíproca .

por exemplo. Não se constituem débitos diversos.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 265 credor. quanto ao seu objeto”. integrar a problemática da imputação. Se nenhuma das partes se manifestar oportunamente. mas não atingir o débito de maior valor? Entende-se sem dúvida. a lei dá os parâ­ metros para fixar qual dos débitos foi pago (art. Se uma obrigação deve ser paga em dinheiro e outra em cereais. p or dois ou mais débitos da mesma natureza. quanto à sua existência. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento. Uma dívida que dependa de apuração. Não são compatíveis obrigações de dar com obrigações de fazer e não fazer. a menos que ele aja com violência ou dolo. este princípio é conseqüência da regra geral. que o pagamento refere-se à dívida de menor valor. Se um débito refere-se a um pagamento em dinheiro e outro à feitura de uma obra. . se todos forem líquidos e vencidos. contraída para paga­ mentos a prazo. 1. Se o devedor se mantiver silente e não se manifestar oportunamente. no último caso. como também não é certa.2 Requisitos Vamos encontrar os requisitos dessa forma de pagamento no próprio art. uma parte ativa e uma parte passiva da obriga­ ção. Ou. não é líquida. Não só não é líquida. 10. da imputação legal. 352: “A pessoa obrigada. O pagamento pode ser suficiente para uma (no mínimo) ou mais de uma dívida. porém independentes entre si. somente surgirá o fenômeno se houver pluralidade de débitos: mais de um débito. deve existir compatibilidade no objeto do pagamento. De acordo com o art. Trata-se. E se a quantia ofertada for supe­ rior ao débito de menor valor. isto é. Os débitos devem ser da mesma natureza. porque se trataria de pagamento parcial. como já vimos. 353). melhor dizendo. Uma vez que o credor não está obrigado a receber parcialmente. Para a imputação devem concorrer também as pessoas de um só credor e um só devedor. a um só credor. os pagamentos mensais da mesma obrigação. não pode o credor ser obrigado a receber parcialmente.533 do Código de 1916. também não há compatibilidade. não há compatibilidade. o direito de escolha passa ao credor (art. A definição é definitiva. quer extrajudicial. no entanto.” Portanto. (tconsidera-se líquida a obrigação certa. O excedente não deverá necessariamente ser aceito pelo credor para amortizar a dívida de maior valor. Não se confunda com o fenômeno da solidariedade. Pagamentos de dívidas em dinheiro são sempre com­ patíveis. e deter­ minada. que pode. As dívidas também devem ser líquidas. 355). afora acordo entre as partes. Tal situação é da essência do instituto. quer judicial. Em um só débito. O pagamento ofertado pelo devedor deve ser suficiente para quitar ao menos uma das dívidas.3.

Código de defesa do consumidor. 2:243). só se faria a imputação a uma dívida ilíqui­ da ou não vencida com o consentimento do credor (art. qualquer que seja. no que se refere aos períodos anterior e posterior à medida provisória. Tarifas bancárias. Adequação da imputação do pagamento nos termos do art.038023-4. segunda parte). Soares Levada).07. nos termos do art.266 D ireito Civil • Venosa Por fim. 1966. se o devedor oferece regularmente o pagamento a uma das dívidas.Não há cerceamento de defesa quando o julgamento da lide independe de dilação probatória.A capitalização dos juros em periodicidade inferior a um ano é vedada em contratos firmados antes da Medida Provisória n® 1963-17/2000. § 3° do CPC.2 . Juros remu­ neratórios.12-9-2011.Os contratos bancários. a escolha na imputação é do devedor. Presume-se que o credor não queira rece­ ber. que não tinha maior alcance. Capitalização dos juros em periodicidade inferior a um ano. que deriva dos princípios gerais do pagamento.Possibilidade (STJ. vez que o autor possui saldo devedor com a instituição finan­ ceira. sempre que possível. Lopes. afirmava o Código de 1916. porém.3 Imputação de Pagamento Feita pelo Devedor Se não houver avença em contrário. 20. Capitalização de juros permitida somente após a Medida Provisória 196317/2000. regra geral. Apelo provido” ( T J S P . de 31 de março de 2000. 354). o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos (art. Por igual modo. porque o campo é de direito dispositivo. 4 . não é absoluto.Saldo devedor incorporado naturalmente ao capital. 10. 354 do CC.Ação revisional de contrato bancário cumulada com repetição de indébito. no caso. Cheque especial. 3 .Lesão enor­ me.014134-8. 991. A tradição dessa posição já vem das fontes romanas (cf. Não é dado ao devedor im­ por o pagamento nessas condições.06. atual art. 2 . 15 “Exame de contratos bancários quitados . Ratificados os fundamentos da decisão recorrida. v. Possibilidade diante da previsão na avença em discussão.Ap 991. Eduardo Gouvêa). Não configuração. a imputação do pagamento primeiramente aos juros (artigo 354 do Código Civil de 2002).Ap 991. o devedor valer-se da consignação. nem o devedor pagar. nesse caso. são regidos pelo CDC. Parcial procedência. Pode.3. 354) . é tratado de forma mais benigna pelo Código.1 . O credor recebe dívida não vencida. 993. Contudo. Taxa de juros praticadas pelo mercado financeiro incidente no período de prorrogação contratual. 24-2-2011. não pode o credor recusá-lo. porém. Sucumbência recíproca bem aplicada. assim como a fixação de honorários. Cálculo bem definido no laudo pericial. A ausência desse dispositivo no Código. “Ação de cobrança. se desejar. as instituições financeiras não estão sujeitas a limitação de juros remuneratórios.Imputação de pagamento aos juros (CCivil de 1916. “Apelação cível . Facilita a lei sua posição de onerado.A . 5 . Contrato de abertura de crédito em conta-corrente (lis portfólio). Deve o devedor declarar oportunamente qual débito deseja quitar. não altera a regra. Se houver capital e juros. Não há valores a repetir.Anatocismo . decorrente de julgamento de processo repetitivo. o que não afasta a incidência de princípios de direito e de outras leis pertinentes. sob pena de incidir em mora creditoris. Rei. Tal direito. Rei. conforme art.15 Pode haver. Este. sendo possível. a dívida deve ser vencida.Se­ gundo a Orientação n® 1 do Superior Tribunal de Justiça. antes de a dívida vencer e tomar-se exigível. súmula 286) . sofre mitigação.Não caracterização . 252 do RITJSR Recursos desprovidos” ( T J S P . sem composição usurária. 3 . Cerceamento de defesa .

a ju­ risprudência desta Corte tem admitido a incidência da regra de imputação do pagamento.Rei. Rei. Afora isso. atualizadas todas as parcelas que o integravam. condenando-se o recorrido a efetivar a repetição do indébito .086-2.Precató­ rio complementar .Imputação do pagamento .060644-0.Contratuais . Recurso espe­ cial não conhecido” (S T J .Alegação de que não se aplica ao caso o método de imputação do pagamento primeiro aos juros e depois ao capital . a qual dispõe que.Administrativo . Ademais. em razão da sistemática anterior à edição da EC 30/2000.Recurso especial . Em circunstâncias normais. Por outro lado. Todavia. 2. Se aceitar tal cobrança de tarifas bancárias é autorizada pelo Banco Central do Brasil. prevista no art. confor­ me a maciça jurisprudência deste Tribunal e da Corte Suprema. salvo concordância do credor. se o valor depositado pela Fazenda Pública não for suficiente sequer para cobrir o valor requisitado. concordar em quitar parte do capital. não pode haver pagamento parcial de uma das dívi­ das. a p rio ri. . o devedor escolhe a dívida que paga e não pode o credor opor-se.24-8-2010. 354 do CC). 1. Min. Eliana Calmon). observando-se apenas as diferenças apuradas no período em que o montante do crédito permanecia sem qualquer atualização monetária. assim o fará. Recurso parcialmente provido” (T J S P .Ap 991. Rei. havendo capital e juros. 5. 354 do Código Civil.Art. Com a atualização do valor do precatório. 10. não incidirão novas parcelas de juros. o devedor escolherá por pagar a primeira.Acórdão Recurso Especial 986. o credor dará quitação naquela que lhe aprouver. “Juros . o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. abrangendo todas as parcelas que integraram a condenação (prin­ cipal. 29-9-2011. pois nessas hipóteses a requisição complementar não ficará adstrita à simples diferença de atualização monetária. diante da necessidade de análise das planilhas elaboradas pela Contadoria Judicial. honorários etc. Rubens Cury).3.041. a atrair o óbice da Súmula 7/STJ. E não pode o credor esquivar-se.Execução de sentença . se desejar. Hipótese em que as instâncias or­ dinárias não deixaram bem delineada qual é a situação dos autos. o que exclui a aplicação da mencionada regra . tal não pode ocorrer caso o devedor deseje pagar dívida ainda não vencida. não havendo motivo para separar o principal dos juros. juros. Cível 7. 3.).Capitalização .06.4 Imputação de Pagamento Feita pelo Credor Se ofertar o pagamento a uma ou mais dívidas e o devedor não disser qual sua imputação. Ademais.Desapropriação . 18* Câmara de Direito Privado . sobre o valor obtido no cálculo do valor complementar. Também.Ap.050. Ação parcialmente procedente. por conseqüência.Cabimento . podendo ser exigida se­ gundo tabela afixada na agência. 354 do Código Civil . sejam moratórios ou compensatórios.Aplicabilidade em si­ tuações excepcionais.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 267 no entanto. e depois no capital.Hipótese em que a dívida em questão é ilíquida. se puder pagar a dívida mais onerosa. estarão. 6.Artigos 352 e 354 do novo código civil Ação procedente. Itamar Gaino). 4. é claro que. “Civil . não tem o devedor direito de imputar por sua exclusiva vontade o pagamento no capital. É claro que.Recurso provido para esse fim” (T J S P . ou quando houver erro material no cálculo originário. 30-11-2006. uma vez que decorre de contrato de abertura de crédito em conta corrente. como já vimos. estipulação em contrário e pode o credor. não havendo sentido falar em aplicação da regra de imputação do pagamento (art. e outra com juros menores e sem multa. o montante a ser corrigido para a expedição do precatório complementar é único. Entre uma dívida com juros superiores e multa.

de contrato de locação celebrado entre as partes .Exis­ tência. 16 “Alimentos . a imputação far-se-á na mais onerosa” (art. essa é a vontade da lei. embora não de forma absoluta. A prova incumbe ao devedor. quitação de um débito quirografário. mantendo inadimplente um débito garantido por hipoteca. no exemplo que demos na abertura deste capítulo. 353).Provisórios . a imputação pelo credor deve ocorrer no momento do pagamento. Como a lei menciona dois vícios de vontade (violência e dolo). Des. 10. Luiz Antonio de Godoy). e a quitação fo r omissa quan­ to à imputação.5 Imputação de Pagamento Feita pela Lei Se restarem inertes ambas as partes da obrigação e surgir posteriormente a problemática. cláusula penal e correção monetária.16 Assim.Atraso no pagamento de alugue­ res verificado . não poderá mais o devedor reclamar dessa imputação feita pelo credor (art. Dará. . a lei diz como se fará a imputação: “se o devedor não fizer a indicação do art.Validade . O art. Destarte. A lei não menciona o erro. pagaria primeiramente a dívida com ven­ cimento mais antigo. os princípios serão da imputação legal.Rei. Isso porque. cabe ao banco escolher as dívidas a serem quitadas. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. O devedor. O devedor perde seu di­ reito quando aceita a quitação. Mesmo que assim não fosse. esta sefará nas dívidas líquidas e vencidas em prim eiro lugar. pela solução que lhe é mais favorável. 15-8-2006. que a dívida vencida em primeiro lugar possua maiores acréscimos de juros. quando da quitação. se as duas partes forem omissas. que não é elemento para anular a imputação. por exemplo. 1* Câmara de Direito Privado .3. em tese. 353 diz que tal imputação pelo credor só não terá valor se cometida por violência (coação) ou dolo. é fato que optará o credor. Presume-se. A lei procura facilitar a situação do devedor. Feio que vemos da dicção do art. evidentemente não desejou que se aplicas­ sem os três vícios de vontade da parte geral (erro.Art. não notifica a instituição financeira acerca de qual ou quais débitos deseja o pagamento. nesse caso.313-4/0-00. no silêncio das partes.Recurso desprovido” ( TJSP . todavia. dolo e coação). É ônus decorrente da desídia do devedor. não tendo saldo para quitar todos os débitos. 353 do Novo Código Civil .AI 454.Pagamento realizado mediante depósito bancário e judicial . 352. se há os chamados débitos automáticos em conta de um cliente de banco e o correntista. 355).268 D ireito Civil • Venosa quitação.Inexistência de qualquer estipulação da destinação do depósito bancário realizado Notificação extrajudicial enviada ao executado informando-a da imputação do pagamento (parte do aluguel devido) . 353. Preferir-se-ão as dívidas vencidas em primeiro lugar porque parece lógico o fator temporal.

que não estava originalmente na obrigação. haverá preferência de imputação na dívida com garantia real ou fiança à dívida exclusivamente quirografária. o devedor.Pretensão de reexame da matéria . A melhor solução é de se imputar àquela que primeiro se venceu porque tomou-se exigível em primeiro lugar. como também de uma coisa por outra (rem pro re). v. 356 fala da substituição da prestação: “o credor pode consentir em rece­ ber prestação diversa da que lhe é devida”.4 Dação em Pagamento 10. Como a questão é de privilegiar. a obrigação pode ser resolvida substituindo-se seu ob­ jeto. Serpa Lopes (1966. A dação em pagamento. mesmo valor.Inexistência . Esse é o sentido da datio in solutum. Como vemos. Seu efeito é de extinguir uma ou mais dívidas. é forma especial de pagamento.4. Dúvida surge se a obrigação contraída em primeiro lugar é mais antiga ou se aquela que primeiro se venceu. seus efeitos são os do pagamento em geral. 313). aplicar-se-ão as regras da imputação de paga­ mento. assim como a substituição de uma coisa por uma obrigação de fazer. no caso. Basta que se substitua. Na verdade. É o que manda fazer o Código francês (art. O art. a lei diz que a imputação far-se-á na mais onerosa. costuma a doutrina dizer que se preferirá a mais antiga. 223). 379). Se os débitos são rigorosamente iguais. com base em fontes romanas. difícil seria qualquer outra solução. Pode consistir na substituição de dinheiro por coisa (rem pro pecuni). 2:244) entende. não se restringe. Cabe ao juiz o exame da dívida mais onerosa. quando a mesma pessoa for obrigada por várias dívidas compensáveis. que a imputação se deve fazer proporcionalmente. o objeto original dela. preferir-se-á o débito com multa maior etc. à substituição de dinheiro por coisa. Trata-se de um acordo liberatório que só pode ocorrer após o nascimento da obrigação.17 17 “Embargos de declaração em apelação cível . pois ele não está obrigado a receber nem mesmo coisa mais valiosa (art. A compensação.Alegação de omissão .1 Conceito Se o credor consentir. mesma data de nasci­ mento e mesma data de vencimento. Estas não entram na imputação legal. Dá-se algo em pagamento. 10.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 269 É claro que não surgirá o problema de imputação se houver dívidas ilíquidas e não vencidas. como a princípio demonstrava a lei de 1916. como se verá. Na compensação (art. como se nota.Impossibilidade .Súmula n° 18 .Ação de dação em pagamento . não existe nada de muito especial ou excepcional nas regras de imputação de pagamento. Preferir-se-á a dívida com juros de 12% ao ano àquela com juros de 6%. em relação a todos os débitos iguais. Já se todas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo. quando do cumprimento da obrigação. embora a doutrina possa traçar os pilares da vontade da lei. Só pode ocorrer com o consentimento do credor. Se as dívidas forem iguais.

Reconhecimento da dação em pagamento em favor da sacadora cedente considerado inócuo. Evangelina Castilho Duarte). É de se notar que se a obrigação for alternativa. Ministro Paulo Gallotti. É mais conveniente para o credor. 2 . até o ajuizamento da cobrança ou do protesto.’ 3 . “Civil.Duplicatas .723/RS. obscuro ou contraditório.270 D ireito Civil • Venosa Quando existir entrega de uma coisa. uma das hipóteses previstas no artigo 535 do Código de Processo Civil. a ação que o art.Declaratória de existência de relação jurídica julgada improcedente . O vigente Código atualiza a compreensão da definição de dação em pagamento.EDcl 74466436.Inteligência da Súmula 18 TJ/CE: ‘São indevidos embargos de declaração que têm por única fi­ nalidade o reexame da controvérsia jurídica já apreciada. conforme art. Honorários advocatícios excessivos.Hipótese em que o pagamento feito ao credor primitivo após a ciência inequí­ voca da cessão do crédito.18-8-2010. 9-1-2012. Código Civil.Preenchimento poste­ rior . Apelo conherido e provido parcialmente.Consentimento do credor. pois não tem qualquer eficácia liberatória perante o cessionário.06. o esclarecimento de ponto omisso. Assim. Des.Cheques . e sim uma prestação totalmente estranha ao pacto original. Rei. depende do consentimento do credor. Caso o devedor emita o título com omissões ou em branco.‘Os embargos de declaração somente são cabíveis quando presente. daí porque sua analogia com a compra e venda. ainda que opostos com o objetivo de prequestionamento visando à interposição do apelo extraor­ dinário. Prescreve em seis meses. 4 . 356 do CC.Embargos declaratórios conhecidos.Emissão sem data . A dação em pagamento.08. que é o único legitimado a providenciar a baixa do protesto dos títulos . em princípio. não podem ser acolhidos quando inexistentes omissão. Des. Dação em pagamento.0001/2. que constitui entrega de bem em pagamento de dívida por forma diversa da ajustada. Re­ dução. Cível 7. cabendo ao devedor o ônus de provar a má-fé no preenchimento.Alegação de que os títulos foram pagos em razão de dação em pagamento em favor da ré sacadoras e que em razão desta circunstância os protestos devem ser baixados .Má-fé .1 . . ou mesmo facultativa.2000.030. caracterizada pela notificação de protesto.077. Rei. Possibilidade. 9-3-2009. porém.Títulos transmitidos a terceiro por endosso translativo .Possibilidade . “Cambial . Recurso não pro­ vido” (T JM G . todavia. 20a Câmara de Direito Privado . Não comprovado.Ônus da prova .0103. o ob­ jeto da prestação.Os embargos declaratórios não têm o condão de instauração de novo debate sobre o thema decidendum. somente. 2-4-2009. mas. haverá alienação. Francisco Giaquinto). Direito do credor de receber ou não pres­ tação diversa da devida. com aquiescência do credor.Rei. decantada pelo art.Acórdão Apelação Cível 2008.8. realizada após a cessão de crédito . mormente quando há falta de numerá­ rio por parte do devedor ou escassez de mercadoria originalmente prometida. em substituição. Vivaldo Pinheiro). “Embargos à execução . rejeitados” (T JC E . Sua utilidade é grande no comércio jurídico.Recurso desprovido” (T J S P . Sexta Tlirma.Dação. Inteligência do art. DJe 5/3/2009). Alegado direito de compensação. Ação ordinária com pedido de tutela antecipada. contradição ou obscuridade na decisão recorrida. 357.Dação em pagamento . quando se substitui. só haverá a datio in solutum se nenhuma das prestações originalmente avençadas for cumprida.006639-4/001.114-5. Apelação dvel. 356. Rei.Acórdão Apelação Cível 1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que os embargos de declaração. Manoel Cefas Fonteles Tomaz). ocorre a dação. do TJCE .Ap. conforme nossa observação.357/85 assegura ao portador. Reforma do decisum a quo” (T J R N . Prejudicial rejeitada. receber coisa diversa do que nada receber ou receber com atraso. ao menos.005511-9. não exonera o devedor da obrigação perante o cessionário credor dos títulos .Prescrição . pode o credor de boa-fé completar seus termos.’ (EDcl no AgRg no REsp n° 1. contados da expiração do prazo de apresentação do cheque. 47 da Lei 7.

19-4-2011.Honorários de sucumbência . 358) (cf. Os honorários advocatídos devem atender ao princípio da sucumbência. bem como de prolação da sentença com efeito de escritura pública. Sendo incontroversa a respon­ sabilidade da parte pelo pagamento de despesas incidentes sobre imóvel desde a data em que lhe cabia tomar posse do bem. não tendo dinheiro suficiente. Primeira apelação parcialmente provida e segunda apelação não provida.02.Entrega de bem imóvel . Propriedade de bem imóvel transferida por meio de dação em pagamento de débito relativo a um título de crédito avalizado pelo autor. 2:151). 20. 20. outorga conjugal etc.Voto vencido. no caso. há necessidade de (a ) uma obrigação previamente criada. Litigância de má-fé não caracterizada. Tem legitimidade ativa a parte que figura em contrato de dação em pagamento de bem imóvel em construção. v. CPC. Cível 994.Art. . ha­ verá cessão de crédito (art. parte do pagamento ajustado. Pereira. por fím. CPC .Nulidade de ato jurídico .4. pois implica a entrega de uma coisa (salvo se a prestação substituída seja de fazer ou não fazer.Documentos necessá­ rios para escritura pública . seguir-se-ão todas as regras aplicadas às alienações de imóveis: necessidade de escritura pública se superior ao valor legal. assim também o pagamento feito por cartão de crédito. oneroso e real. Sentença mantida. tem a mesma parte obrigação de apresentar comprovantes de quitação das despesas incidentes sobre o imóvel. Se a coisa entregue for imó­ vel. Da leitura do Termo de Acerto de Dívidas Mediante Dação em Pagamento.Ap.Julgamento antecipado da lide que não implicou em cerceamento de defesa.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 271 10.2 Requisitos e Natureza Jurídica Para que ocorra a dação. O devedor.Dação em pagamento . Negócio jurídico realizado através de procuração com poderes especiais. não há necessidade de equivalência de valor na substituição.Legitimidade ativa . como veremos.Rei. pois. o problema transfere-se para o instituto da novação. Admissibilidade. Aquele que concorda em receber bem imóvel em dação em pagamento deve comprovar os motivos em que se funda sua recusa ao recebimento. Erickson Gavazza Marques). sendo pertinente a cominação de multa pecuniária. (b ) um acordo posterior.Atraso na entrega do bem .Ausência de compro­ vação . porque. Recurso não provido” (TJSP . indispensáveis para que se lavre a escritura de transferên­ cia. Procurador que não excedeu os limites do mandato. Nesta hipótese. Pode a dação ser parcial: apenas parte do conteúdo da obrigação é substituído. (c) a entrega da coisa diversa com a finalidade de extinguir a obri­ gação. Se houver substituição de título de crédito. Na dação em pagamento. no sentido de obrigar o apelado a vir receber as chaves do imóvel de sua propriedade.18 18 “Declaratória . Não existe dação no pagamento com títulos de crédito. Tão só que manifestem sua intenção de extinguir a dívida com a entrega. Não há nem mesmo necessidade de que as partes expressem um valor. “Ação cominatória . 1972. de negócio jurídico bilateral. dá parte em dinheiro e parte em espécie. há necessidade de se explicitar o valor que fica em aberto. O pagamento com cheque é pagamento e não dação. pura e simples). W : Ação cominatória não é via adequada para satisfazer a pretensão dos apelantes. 5* Câmara .062737-3. em que o credor concorda em aceitar coisa diver­ sa e. Sua finalidade é extinguir a dívida. Trata-se. sendo adequada àquela fixação que atende o disposto no art. por exemplo. Pode também o credor concordar em receber parcialmente in solutum remanescendo parte da dívida na obrigação originária. Ação julga­ da improcedente. Sentença que preenche os requisitos do artigo 458 do Código de Processo Civil.

verifica-se que o Apelado não assumiu a obrigação cobrada. O representante necessita de poderes especiais para dar esse tipo de quitação.005942-1.Ap. 992.:356). isto sim. Com frequência. Rei. não podem ser prejudicados pela ineficácia da dação em pagamento. O mandatá­ rio com poderes gerais não poderá aceitá-la (cf. em que as partes estipulam valor no ne­ gócio.02. O art. . Tratando-se de negócio jurídico oneroso.272 D ireito Civil • Venosa A aceitação da dação em pagamento depende de plena capacidade do credor. que foge ao exato cumprimento da obrigação. Lembre-se de que equiparação não é identidade. por fraude à execução.d. de que a fraude inicial foi sendo” (TJSP . Os terceiros. após o reconhecimento da ineficácia da dação. de apresentar a quitação de todo o débito de IPTU e taxas de condomínio do imóvel dado em pagamento” (TJMG . Daí por que a equiparação ora tratada tem maior aplicação quando da entrega de imóvel. 10. Cível 1. suas questões de nulidade e anulabilidade. Se o credor for incapaz. as re­ lações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda. 20-6-2006. Ação indenizatória . pois possibi­ litará acarretar prejuízo.3 Equiparação da Datio in Solutum à Compra e Venda Dispõe o art. aplicam-se todas as regras atinentes ao negócio. Des. 357: “Determinado o preço da coisa dada em pagamento.Rei.”19 A contrario sensu. Essa é a opção de nosso legislador: “se o credor f o r evicto da coisa recebida em pagamento. sem autorização judicial não poderá fazê-lo. ao final: “ressalvados os direitos de terceiros”. portanto. O terceiro protegido. O que é equiparado não é igual. no caso concreto. levando à firme crença. ficando sem efeito a quitação dada”.Execução . 359 do vigente diploma. No caso de perda da coisa pela evicção. Há que se analisar os pressupostos desses institutos. 19 “Acidente de veículo. Dação em pagamento sucedida por duas vendas. ao menos para fins fiscais. qual seja.869776-1/001. 998.08. que repete a redação do antigo art. da parte geral do Código.0024. Trata-se de efeito semelhante à condição resolutiva. é o de boa-fé. Embar­ gos de terceiro adquirente do bem. não havemos de chamar à baila os dispositivos da compra e venda.Penhora de bem imóvel da executada em pagamento dado. 357 incide tanto se o bem objeto da dação for móvel quanto se for imóvel. O art. Remetemos o leitor para o estudo da evicção que fazemos nesta obra. A questão tem importância na dação de imóvel porque deve constar um valor. Perfis das transações que não convencem acerca da sua efetividade. sob pena de instabilidade nas relações negociais.Ap. pode ocorrer fraude contra credores e simulação na dação em pagamento. repristina-se a obrigação originá­ ria. no caso. Apelação do embargante. 8-8-2011. restabelecer-se-á a obrigação primitiva. 10* Câmara Cível . acrescenta.4. Sentença de improcedência. Roberto Borges de Oliveira). A evicção aflige a dação em pagamento tal qual na compra e venda. porém. s. se não fo i determinado o preço da coisa que subs­ titui a obrigação. Palma Bisson). Borda.

20 “Correção monetária . conforme veremos ao estudar o contrato de compra e venda. como é expresso o atual estatuto civil de 2002. no entanto.Contrato administrativo .Ap. Não são todas as legislações que adotam essa solução. permanecem. Se a evicção ocorre quando já estava liberado o imóvel no registro de imóveis. A existência dessa nova obrigação é condição de extinção da anterior. contudo. como também de seus efeitos. Vigoram aí os princípios dos vícios redibitórios. plena e rasa quitação em relação à correção monetária .5 Novação 10. Notemos. onde a contratante deu geral. 533) e não com a compra e venda. As garantias reais.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 273 O mesmo não deve ocorrer no tocante a vício redibitório na coisa entregue. . aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar. que a fiança não se restabelece por disposição expressa de lei: o fiador ficará desobrigado.Renegociação da dívida . 496 do Código. também será nula quan­ do feita pelo ascendente ao descendente (art. 10. Contudo. a jurisprudência vinha mais recentemente entendendo que é nula a dação de todos os bens do devedor quan­ do não houver consentimento de todos os descendentes. não podem ser preju­ dicados os terceiros de boa-fé.132 do Código de 1916). Cível 667. bem como a dação realizada no período suspeito da falência e em fraude contra cre­ dores.Dação em pa­ gamento. Se o objeto não for pecuniário e houver substituição por outra coisa. dentre os quais a mora . III). Já no caso de perda pela evicção. ou apenas o credor. O credor e o devedor. O legislador a ele não se referiu. total ou parcial.Artigo 999 do Código Civil de 1916 e artigo 360 do atual . a situação é como se não tivesse havido quitação. O art. em benefício da aparência no Direito. de imóvel que já se liberara da hipoteca pela dação em pagamento da dívida. determina que essa venda descendente é anulável. Pires de Araújo). dão por extinta a obrigação e criam outra.20 Na aplicação dos princípios da compra e venda. 838. que substitui o antigo art. por exemplo.A renegociação da dívida implica a extinção e a substituição da dívida anterior. finalizando polêmica.9-3-2009. “se o credor.Recurso provido” (T J S P . devem ser protegidos os terceiros de boa-fé.11* Câmara de Direito Público .255-5/6. 1. a analo­ gia será com a troca (art. a obrigação mantém-se tal como contraída originalmente. adquirentes. em pagamento da dívida.Rei.5.132.Novação . ainda que depois venha a perdê-lo p or evicção” (art.1 Conceito e Espécies A novação constitui na operação jurídica por meio da qual uma obrigação nova substitui a obrigação originária. 1.

Como no velho direito as obrigações não podiam ser transmitidas. O Direito Romano servia-se da novação para substituir a figura do credor e do devedor. Um fornecedor deveria entregar 1.Pretensão de inexigibilidade fundamentada em alegação de novação . que o código alemão dela não mais se ocupa. pela assunção de um novo débito. É meio extintivo.Acórdão Apelação Cível 9136698-84. quando se substituem o devedor (exonerando-se o devedor primitivo) ou o cre­ dor (liberando-se o devedor em face do antigo credor). do Código de Processo Civil. Rei. Vem ela descrita no art. nasce outra. o devedor entrega duplicata de seu comércio e extingue-se o débito representado pelo cheque. como se pagamento não houvesse. na falta dos pães. Cobrança efetuada na pes­ soa do antigo devedor. Ação indenizatória. Des. Artigo 252 do regimento interno desta corte recurso improvido” ( TJSP . Modernamente.000 pães a um mercado. mas sob as vestes de uma nova obrigação. Ocuparemo-nos dessas modalidades a seguir. II. do Código Civil: “dá-se a novação quando o devedor contrai com o credor nova dívida. Paga­ mento de parte do débito com cheques desprovidos de fundos. “Cambial . Inocorrênda de qualquer das hipóteses previstas no artigo 360 do Código Civil.2007.8. Como o animus. do Código Civil).2005. a importância da novação diminuiu consideravelmente.Inadmissibilidade . Interessante notar que na novação não existe a satisfação do crédito. Ausência de responsabilidade pela dívida (art. em que. Honorários. Inscrição nos órgãos de proteção ao crédito. 360 e 361 do Código Civil . 23-3-2011. Seu declínio tanto é notado. ocorre confusão não só . como nos exemplos cita­ dos. Quantum. por força de lei. Dano moral.274 D ireito Civil • Venosa Alguém deve um valor representado por cheque. Frandsco Casconi). a vontade dos interessados é essencial ao instituto. Caso em que há novação da dívida perante a em­ presa demandada. Cadastro nos órgãos de proteção ao crédito que se mostrou indevido. a novação preencheu essa necessidade. porque a obrigação pretérita desaparece. de regra.Ônus da prova que compete à autora. 3 6 0 . Cobrança efetuada em nome da antiga devedora. Trata-se da novação objetiva. Inova-se a obrigação. Sérgio Shimura).0000. cessão de posição con­ tratual.Novação da dívida que não se presume .8. Dano moral in re ipsa.21 21 “Embargos à execução de título extrajudicial contrato de locação de imóvel comercial . não existe novação automática. para extinguir e substituir a anterior”. Recurso desprovido” (TJSP .Intenção de novar não comprovada .Acór­ dão Apelação Cível 0062009-57. Sentença mantida.Duplicatas mercantis . Os incisos II e III desse artigo tratam da novação subjetiva. A novação pode referir-se ao objeto da prestação.1. 360. com a anuência da ré. Passa a existir apenas a obrigação representada pela duplicata. não tem a novação a importância que lhe atribuía o direito romano.26. convencionam as partes que entre­ gará o fornecedor 100 sacas de café. Des. Novação de dívida.Novação. inciso I. Art.Eventual redefinição da forma e condições de pagamento que serve apenas para confirmar a obrigação anterior . Cabimento. TYatando-se de firma individual.0000.26. assunção de dívida e sub-rogação. com a possibilidade da cessão de crédito. 31-5-2011. 360. “Responsabilidade dvil. Extingue-se a obrigação representada pelos pães. II. Rei.arts. do Código Civil. por força do artigo 333. daí a terminologia. sendo a responsabilidade pelo débito repassada a terceiro. Modernamente. Débito e crédito persistem.

destinada a extinguir a precedente. caracterizado este último pela manifestação de vontade das partes em substituir a dívida. levando à firme crença. Perfis das transações que não convencem acerca da sua efetividade. citado na abertura desta exposição. Valor majorado.005942-1. “Apelação cível. artigos 114. Embar­ gos de terceiro adquirente do bem. Sentença de improcedência.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 275 Enquanto o Direito Romano utilizava-se da novação para fugir à problemá­ tica da intransmissibilidade das obrigações. 1.Execução . conforme o exemplo ora citado: o de­ vedor deveria um aluguel. Apelação do embargante.Novação . uma condição ou um termo na obrigação nova. a que se realiza pela mudança da causa deben­ di. Vale aqui falar da novação objetiva. contudo. João Mariosi). substituindo-a. as partes resolvem extinguir a dívida e essa mesma pessoa passa a dever 1. não caracteriza o instituto da novação” (T JM G .22 É de maior importância ressaltar. 3* Tlirma Cível .08. Rei.Penhora de bem imóvel da executada em pagamento dado. como também a própria causa do débito.Ap.08. Recurso provido parcialmente” ( T J D F . passou a dever um empréstimo. Não configuração. a fixação do montante indenizatório ao dano extrapatrimonial está adstrita ao prudente arbítrio do juiz. 2. Não apenas o objeto da obrigação pode ser outro.Recurso provido parcialmente. “no direito moderno. Cível 20070410116186. .0910862/001. Verba honorária fixada em percentual sobre a condenação. admite-se a novação causai. Des. 2.Processo civil . Proveram em parte o apelo da autora. 366 e 819). isto é.Moratória . 360. Ausência dos requisitos. após o reconhecimento da ineficáda da dação. de que a fraude inicial foi sendo” (TJSP .6-7-2011. 3. a moderna novação permite que uma obrigação ab­ solutamente nova surja: alguém deve 1. por fraude à execução. 8-8-2011. mas também do patrimônio da pessoa física com a pessoa jurídica. Des. Palma Bisson). se o credor concede ao devedor principal moratória. viável a possibilidade de pleitear danos morais. A emissão de cheques pré-datados para antecipar o pagamento da dívida. Novação. por exemplo.000 em razão de empréstimo. é necessário o preenchimento dos seguintes requisitos: capacidade das partes. Cível 992. Rei. É muito comum aos devedores alegar novação do nome. aquela referida no inciso I do art. O instituto da novação tem por escopo criar nova obrigação. 21-1-2009. Wagner Wilson). Jorge Alberto Schreiner Pestana). Como bem lembra Orlando Gomes (1978:166). Unânime” ( T J R S . Na novação objetiva. Ausente sistema de tarifamento. Mera substituição do objeto da obrigação é o caso do exemplo da substituição do fornecimento de pães por café. existên­ cia de obrigação anterior e surgimento de obrigação nova.Desobrigação da responsabilidade . 360 e seguintes do Código Civil. Negaram provimento ao recurso da ré. 1. “Addente de veículo. pode ser alte­ rada também a natureza do débito: acrescenta-se. 27-10-2011. isto sim.Acórdão Apelação Cível 1. fazendo com que. conforme se extrai do art. per­ sistisse a mesma obrigação. 22 “Civil . Embargos à execução.Rei. que alteração de prazo ou condi­ ção não importam em novação. concomitância entre ambas as obriga­ ções e o anim us novandi . O fiador fica exonerado da responsabilida­ de assumida no contrato de fiança. Dação em pagamento sucedida por duas vendas.0439. em síntese. Para que se caracterize o instituto.Acórdão Apelação Cível 70043941095. Ação indenizatória . por si só. quando esses elementos acidentais primitivamente não existiam. Rei.000 em razão de um aluguel. não permitida no direito romano”. em virtude de novação subjetiva sem a prévia anuência daquele (CC.Ausência de anuência do fiador .Ap.

Restando comprovado que o devedor indicou terceira pessoa para assumir o seu débito e que o credor. II . com a entrega de outro objeto.Ação monitória .Valores que não se identificam .Proc.Mérito Compensação de dívidas . 20). 2 . a substitui­ ção de um título representativo da dívida (o que vulgarmente ocorre com a subs­ tituição de cheques que mascara empréstimos). a vontade de novar das partes deve ser expressa. assegurando à parte contrária a ciência prévia acerca das testemu­ nhas que serão ouvidas em juízo. O devedor pode ser subs­ tituído pela delegação e pela expromissão. II E 363). determinar a quantia dos honorários advocatícios.Cerceamento de defesa . consequentemente. Rei* Des* Leila Arlanch). embora não se exijam palavras sacramen­ tais. mas não nová-la. a modificação pura e simples do valor da dívida. A novação subjetiva pode ocorrer por mudança do credor ou do devedor.Cédula de produto rural .Ação monitória . e mais importante. consoante sua apreciação equitativa. Na expromissão.Expromissão .Rol de testemunha juntado na véspera da audiência .Ônus de terceiro . a fim de dar cumprimento às providências prévias para o comparecimento das testemunhas ao ato processual.Recurso conhecido e provido .23 23 “Civil . receber parcelas com atraso não implica novação.A novação subjetiva passiva disciplinada pelo inciso II do art.Ocorrência Obrigação primitiva extinta .O benefício da gratuidade judiciária tem por objetivo isentar a parte para qual é concedido das despesas decorrentes do processo. 20 do código de processo dvil (CPC. conclui-se pela ocorrência de novação subjetiva passiva por delegação. Dificilmente a provam. 12-4-2012. 360 do novel estatuto civil pode ocorrer por delegação ou por expromissão.Abusiva . III .:360).C.1. ação regressiva contra o primeiro (C. que o aceitou.Recursos conhecidos e não providos” ( TJDFT . aceitou a substituição. 20100110129447. segundo os parâmetros fixados nas alíneas do § 3° do art.(578030). uma vez que cabe ao julgador. “Apelação cível . Todavia.Pedido de justiça gratuita cassada em sentença . Isso pode tão só modificar a obrigação. a obri­ gação primitiva. extinguindo-se. expressamente.Inaplicabilidade .Preliminar de deserção prejudicada .Benefído deferido . pois.Inadmissibilidade . mesmo que o novo título passe a ter força executiva.Requisitos . nunca se pode esquecer que. por exemplo. Há alguma aproximação da novação objetiva com a dação em pagamento.Novação . A segunda. 4 . tendente ao respeito ao direito fundamental ao contraditório. Borda.A necessidade do depósito em cartório ou secretaria do rol de testemunha atende à dupla finalidade. é da essência da dação em pagamento que se extinga a dívida. 360. contudo. o aumento ou a diminuição de garantias. clara e indubitável.Recursos conhecidos e não providos . s.Sentença reformada . porém. A novação subjetiva passiva pode ocorrer de dois modos. dando aquele quitação ao devedor primitivo. Não a livra. quando antes não tinha.d. e vice-versa (cf.Requisi­ tos presentes .Ausência de animus novandi . 3 . Da mesma forma. de even­ tual sanção imposta em face de litigância de má-fé.276 D ireito Civil • Venosa em embargos à execução de título extrajudicial. 5 . § 4° do art. Na novação.No direito obrigacional compensar significa um acerto de . ARTS. não tem o credor.É abusiva a cláusula contratual que estipula o pagamento de 20% de honorários advocatícios. A primeira de ordem operacional.Na delegação há o consentimento do devedor ao indicar uma terceira pessoa para assumir o seu débi­ to. O fato de o credor. em sendo o novo devedor insolvente. no caso de cobrança judicial ou extraju­ dicial. porque o benefício da gratuidade não pode re­ presentar um bilhete de isenção ao cumprimento dos deveres éticos no processo.. não implicam novação a mudança de lugar do cumprimento.1 . cria-se uma nova obrigação.Afastado .Pagamento por interesse próprio . um terceiro se dirige ao credor e se responsabiliza pela dívida. Ademais.Cláusula contratual estipulando 20% de honorários advocatícios .

3 . Deve expressamente excluir o outro.Pedido improcedente . 1983. Apud Novo Código Civil comentado. Há que se investigar se houve animus novandi. 2002. sem abrir mão de seus direitos contra o primitivo devedor. O novo devedor. 20. ao mesmo tempo.Apelação adesiva . um amigo do primitivo. M. As re­ lações entre o primitivo devedor e o novo são irrelevantes para o credor e para o instituto da novação. uma conta de chegada. que aceitará um devedor em melhores condições de adimplir. Coordenador Ricardo Fiúza. revelam-se legítimos os protestos de tais duplicatas.Expulsão do devedor originário.Recursos principal e adesivo desprovidos . Não há necessidade de concordância do primeiro devedor: “a novação. É essa mesma a noção da origem latina do vocábulo.Acórdão 2011.24 O devedor indica um novo sujeito passivo. desde aquela oportunidade. quando não evidenciado o animus novandi” (TJMS .Provas dos autos que não demonstram a aquies­ cência do credor . com o que concorda o credor. não é senão um novo contrato. São Paulo: Saraiva. evidentemente. É uma for­ ma que se pode dizer de expulsão do devedor originário. pode ser efetuada independente de consentimento deste” (art. É o que se chama de delegação imperfeita (cf. 360.Con­ sentimento do credor que deve ser expresso . 362). a condição recíproca de credor e devedor. em benefício do credor.Ação ordinária de cancelamento de protestos . pode haver delegação com novação e sem ela. IV . 24 “Apelação cível . Código Civil interpretado. A expromissão é a outra modalidade de novação subjetiva passiva. § 4®. Existe apenas delegação quando o cre­ dor aceita o novo devedor. em síntese. p. Deve existir. Não há aqui novação. Só haverá novação na delegação quando o primitivo devedor é excluído.1 . a intenção de novar. p o r substituição do devedor. . l®-7-2011. II). em sentido mais vulgar. 330). em última análise.Honorários advocatícios fixados em patamar razoável . A legislação francesa e outras regulam o instituto da delegação autônoma juntamente com a novação. Marco André Nogueira Hanson). No entanto. v. do Código de Processo Civil nas causas em que não houver condenação” (T J E S . 2:250). do CPC) e com observância ao disposto nas alíneas do § 3® do mesmo artigo 20.Assunção de dívida . Carvalho de Santos. Não se inova. sem renunciar. ser o responsável pelo débito.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 277 Na delegação.Acórdão 48010004173. Dair José Bregunce de Oliveira). 14-10-2011. deve existir liberação de responsabilidade do primeiro devedor.O consentimento do credor na novação subjetiva passiva por delegação é obrigatório. Os débitos extinguem-se até onde se com­ pensam. Há liberação do devedor primeiramente constituído.015772-9/0000-00. Des. Da mesma forma que ocorre na delegação. o débito e crédito entre duas pessoas que têm. em que todos os interessados precisam dar o seu consentimen­ to’ (J. chega até o credor e diz que deseja.Inaplicável ao caso o instituto da expromissão . extinguindo-se a dívida primitiva. já que ‘a delegação. Rei. Existe novação por delegação quando um terceiro (delegado) consente em tomar-se devedor perante o credor (delegatório). existe consentimento do devedor originário (art. Diniz. 2 .Não havendo prova de que a credora apelada aquiesceu com a cessão de débitos representados por duplicatas mercantis sacadas em face da devedora. Não basta que o credor concor­ de com a assunção do novo devedor. Rei. Um terceiro assume a dívida do devedor originário. A situação vem. em que um terceiro assume a dívida do devedor originário.A verba honorária deve ser arbitrada mediante apreciação equitativa do juiz (art.

do Código de Processo Civil. 999.Despesas condominiais .Prosseguimento da execução atingindo bens do primitivo devedor que não prescinde de nova intimação deste.Rei. 17-4-2007. po­ dendo ser também reconhecida em razão da evidente incompatibilidade da nova obrigação com a anterior.Ap. no qual o executado assume débitos primitivamente atribuídos a terceiros. serve à execução o ajuste contratual subscrito pelo devedor e duas testemunhas.014027-1. Um novo credor substitui o antigo.Embargos à execução .Exegese do disposto nos arts. Roberto Camargo Costa). II e 1.AI 1. ao menos. III. Escritura pública de confissão e assunção de dívidas com garantia pignoratícia e hipotecária.073-0/4. Rei. Nestor Duarte). pode haver mudança do credor. tudo de acordo com o disposto no inc.Pretensão de produção de prova testemunhai . prescindindo à sua validade. passando a terceiros a responsabilidade pelo débito.(. 999. II e 362 do Código Civil (arts. 34* Câmara de Direito Privado .Possibilidade . I.001 do Código Civil de 1916) .Não pode ser excluída a possibilidade de a novação ocorrer por meio da emissão de títulos de crédito. Ilegitimidade ativa ad cau­ sam. 3 . Novação. com animus de extinguir a primeira obrigação contraída. não constitui cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide. 401 e 402.Débito relativo a mensalidades escolares . 2 . Apelo desprovido. renegociados em confissão de dívida. 4 .. Substituição do devedor. 2-9-2010. em razão das obrigações renegociadas” ( TJSC .Desse modo. 999 do Código Civil de 1916. 28-2-2007. 1* Câmara Especial Cível .Sem impugnação pelo autor . II.Novação .. mediante acordo. exclui-se o credor primitivo. é requisito essencial que o deman­ dado acoste aos autos. precedente anuência daqueles originalmente obrigados com o credor.Afas­ tamento . ‘mediante a emissão da nota promissória houve novação do débito. “Execução por título extrajudicial .Condomínio .Assim. desde que os elementos trazidos pelas partes sejam suficientes para formar o seu convencimento no sentido de pôr fim à demanda. Ação revisional de contrato e acertamento de débito. Cível 70017424227.Agravo provido” ( T J S P .demonstrando a celebração de acordo entre as partes. resultando na extinção da obrigação anterior e que. I do art.1 . sendo necessária a análise das circunstâncias e eventuais elementos do caso para verificação quanto a sua incidência. 360.Insurgência inacolhida . Não é parte legítima para promover ação revisional de contratos.Julgamento antecipado da lide Alegação de cerceamento de defesa . Novação subjetiva.Nulidade inocorrente .) No limite de cognição que um exa­ me preambular de admissibilidade da tutela executiva admite. a preexistência de obrigação e a criação de nova obrigação. 360 do Código Civil de 2002’.Preliminar afastada . I do art. não é cabível a análise a respeito da . correspondente ao inc. Art.Rei.Apelo da embargante . do Código Civil de 1916. representando o instrumento de confissão uma novação subjetiva passiva por expromissão.Emissão de notas promissórias . aquele que cedeu seus direitos. relativa à obrigação anterior . Sentença mantida” ( T J R S .Instrumento particular de confissão de dívida .Para autorizar a instrução do processo com depoimentos pessoal e testemunhai. “Apelação cível.Acórdão 2007.Recurso especial .Análise a respeito da ocorrência da prescrição. conforme preceituam os arts.Configuração de novação subjetiva passiva por expromissão . inc. a despeito da cláusula resolutória constante do acordo celebrado com terceiro .26 Por exemplo: tenho * “Apelação cível . do mencionado estatuto. I.Assunção pela embargante de débitos de terceiro . po­ dendo o juiz fazê-lo. Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira).091. nos moldes do art. 330. 26 “Direito civil . Des. Preliminar de ilegitimidade passiva . sendo consignado que há documento colacionado aos autos pela ré .Descabimento .Dívida assumida por inquilino . 360.Expromissão .278 D ireito Civil • Venosa credor dá quitação ao devedor primitivo e contrai nova obrigação ao amigo que se apresentou. início de prova escrita acerca do que alega. É o que dispõe o art.25 Do lado ativo. o acórdão da Corte local aponta o animus novandi. Caso contrário.Os requisitos essenciais à configuração da novação são: a intenção de novar.

a qual procura quase sempre mascarar novações e transações nem sempre imbuídas da melhor boa-fé. inciso I do Código Civil. Requer maior cuidado quando elaborada no âmbito do direito do consumidor.1. redução etc. § 4° do Código de Processo Civil. demonstrando apenas a entrega das chaves com a respectiva rescisão da locação . 5 . Honorários advocatícios. como também devo a um terceiro. no entanto. tão a gosto dos financistas. Luis Felipe Salomão).01.Anotação de nome do recorrido em cadastros de inadimplentes .Rei. é importante que o intérprete verifique se a no­ vação não atenta contra os direitos do consumidor.Ilidtude . se não há abuso. Emanuel Oliveira). é evidente.(2007/0144019-5). mais do que em outras esferas. mormente as instituições financeiras. que assume a posição de credor. § 4° do CPC. Apelação conhecida e não provida” (T J D F .Recurso da embargante desprovido” (T J S P . Ana Maria Duarte Amarante Brito). 1) trata-se de titulo extrajudicial emitido em 2004 .454-0/8.179397-3.Protesto de titulo prescrito .Locação . 26* Câmara de Direito Privado . “alongamento” e “securitização” de dívidas. substi­ tuindo-a por uma nova .REsp 963. 34* Câmara de Direito Privado . Fico liberado da posi­ ção ativa da obrigação.A segunda obrigação está simplesmente a confirmar a primeira . Sua utilidade é de pouco alcance uma vez que a cessão de crédito a substitui com vantagem. I. 2-3-2011.088.Requisitos . geralmente. na dúvida. Nesse sentido devem ser vistos os negócios que as partes..Hipótese em que não ocorreu uma modificação substancial da obrigação antiga.Não caracterização . 27 “Civil . Nessa seara.Ausência do desejo inequívoco de novar . “Direitos civil e processual civil.Consumidor .F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 279 um devedor. mas tão somente em mera facilitação de pagamento . o tempo despendido e o trabalho dos patronos.Rei. Frequentemente é fruto da pressão psíquica que o credor exerce sobre o devedor. Novação. do CC. acerto com meu devedor para que pague a esse terceiro.Hipótese que não caracteriza a forma indireta de extinção de obrigação. não são elementos aptos a demonstrar a ocorrência do instituto da novação . é a mesma obrigação que persiste. Nos termos do art. Rei. 360.472 . Cível 1.Cuja pretensão executória.ED 1. Artigo 360. em benefício do aderente.Manutenção das obrigações da fiadora . Demanda desprovida de condenação. 14-5-2008.Documento firmado. não merece alteração o valor fixado a título de honorários advocatícios quando em consonância com o grau de zelo.27 alegada prescrição da obrigação anterior. Art. prescreve .Acórdão Apelação Cível 2008. Des. Rei. A novação é. mas desprovidas ainda de conteúdo jurídico conhecido.Embargos rejeitados” (T J S P . deno­ minam “renegociação”. nos termos do artigo 20.Recurso conhecido e provido parcialmente. “Novação . Vianna Cotrim). 29-11-2011. Nas demandas desprovidas de condenação. sem a anuência da fiadora.Valor indenizatório reduzido . o lugar da prestação do serviço e a natureza e importância da causa. fruto de um acordo ou transação. “Novação . dá-se a novação quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior. mormente quando vem estampada em um contrato de adesão. de modo que a faça extinguir.041.745-2/3. bem como dilação de prazo.Bem imóvel . O novo credor deve concordar expressamente. Min.Simples facilidade para o pagamento de parte da dívida em presta­ ções.Ap. Nesta.Contrato .Dano moral configurado .Circunstância que não implicou qualquer alteração dos ônus previamente assumidos por ela no contrato . porque extinta em conseqüência da novação objetiva. 20.Recurso especial não provido” (S T J . hipótese na qual a interpreta­ ção deve ser sempre. em relação ao sacado. 15-12-2008. terminologia atécnica.Sentença parcialmente reformada .

Juros remuneratórios: não estão limitados em contratos bancários. Redução do valor indenizatório.Rei. A esta altura. se presta a reger o valor devido. prescreve em 05 anos. Inexistência. caso quisesse validar novação. Diante da inexistência de qualquer vício na nova contratação.Prazo ânuo . José Tarciso Beraldo).Rei. Unânime” ( TJRS . Como persiste o débito na obrigação natural e o pagamento feito em 03 anos. Extensão da revisão: a renegociação do contrato ou confissão de dívida não impede a revisão de cláusulas tidas como ilegais.1. é oportuno perguntar se as obrigações naturais podem ser obje­ to de novação. Não há falar em abusividade da taxa avençada. inafastável a responsa­ bilidade pelo que nela está pactuado. vedada a sua cobrança. . Alexandre Mussoi Moreira). fl. Re­ negociação. Embargos à execução.Ocorrência de prescrição .170-36. “Apelação cível.2 Requisitos Do exame prévio já feito. Recurso não provido” (TJDF .(563813). Na hipótese em tela. 17* Câmara Cível . quando não demonstrado que a mesma desgarra da média adotada pelo mercado. do CC de 1916.738-9. 3. contados da data do vendmento do título. 3) o valor da condenação merece redução. Precedentes do STJ. vigente nas datas da contratação e da propositura e não alterado pela Lei n® 9. Flavio Rostirola). 14* Câmara de Direito Privado .Acórdão Apelação Cível 20030110669887APC.Ap. Novação. No caso dos autos. Comissão de permanência: a comissão de permanência. houve novação. 4) recurso conhecido e provido parcialmente. 5° da MP 2. Rei» Wilde Maria Silva Justiniano Ribeiro). 1. artigo 55 da lei 9099/95” (TJDFT . até porque extinta a anterior. Cria-se uma obrigação nova ( obligatio novanda). Cível 7. Impossibilidade. tendo os devedores contraído com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior. Sentença confir­ mada por seus próprios fundamentos nos demais aspectos. desde que não cumulada com correção monetária ou juros remuneratórios. neste caso.280 D ireito Civil • Venosa 10. Há uma dívida anterior que se extingue. Contrato de promessa de compra e venda. Repetição de indébito. considerando-se que o protesto deu-se em abril de 2010. porquanto mantidos os juros moratórios e a multa pactuados.Proc. Adequação do valor aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 2. 2) pagamentos parciais da dívida não representa novação.870/99 . 8-2-2012. 20110310177407 . 4. Deram parcial provimento ao apelo. 87. a ação de cobrança. Incorre o recorrente em ato ilícito quando de forma abusiva inscreveu o nome do recorrido no cadastro de inadimplentes. de modo a justificar a inaplicabilidade da prescrição. Discussão do contrato original. é possível a capitalização mensal dos juros nas operações realizadas por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. podemos inferir os requisitos da novação.Sentença de extinção mantida . Capitalização mensal: por força do art. inviável o argumento de que o contrato original haveria sido qui­ tado. Sem honorários à falta de recorrente vencido. “Civil.Ação de cobrança de mensalidades escolares .Recurso não provido” (TJSP . Repetição/compensação: são institu­ tos de direito civil que não se confundem com a conseqüência legal decorrente da revisão judicial do contrato. Destarte. Incidência da Súmula 286/STJ. Capitalização. 178.Enquadramento da cedente do crédito no conceito de casa de educação ou ensino . Cível 70019489343.Ap. conforme apu­ rada pelo Banco Central. desde que pactuada nos contratos bancários celebrados após 31 de março de 2000. 14-1-2009. Restrição retirada em setembro de 2011. Operada a novação. “Prescrição . De igual modo. Inteligência do artigo 3 6 0 . Devia o credor ter provi­ denciado a formalização de outro título. Novação. Vícios na segunda contra­ tação. Comissão de permanência.Aplicação do disposto no art.5.17-42008.Confissão da dívida aos apelantes com ressalva expressa de não se tratar de novação . colacionando regras do CDC. VII. resta ao devedor impugnar a nova obrigação. Precedentes do STJ. Juros. Des. mas o pedido só foi ajui­ zado em junho de 2011 inferindo-se que dessa data teve início o abalo de crédito.Ajuiza­ mento da execução reconhecidamente efetivado além do prazo . Saldo devedor. § 6®.311. do Código Civil de 2002. 18-2-2009. Rei. Revisão de contrato bancário.

79 (primeira parcela do acordo) e de compensação por danos morais. quem inova obrigação sabendo-a anulável está. este modo de extinção das obrigações não constitui óbice à revisão dos contratos anteriores .Admissível a revisão de contratos novados ou extintos . § único. isto é. 1966.Can­ celamento do protesto em tempo razoável após a confissão da dívida . Ino­ corrência de dano moral. enquanto não anu­ ladas. novação. portanto. pois. as obrigações simplesmente anuláveis permitem novação. inadvertidamente. embora com redação um pouco diversa. Na forma da dicção do art. a prescrição. A sentença não carece de retoque em relação aos pedidos de indenização improcedentes acertadamente” (T J R J . de res­ tituição de R$ 89. plena. o débito mencionado no acordo de parcelamento celebrado em 22/10/09 (fls. 202. substituindo a anterior . Nada impede sua novação. que vem a ser protestada por falta de pagamento.Art. A sentença julgou improcedentes os pedidos. § 5®. sendo inaplicável. contrato de parcelamento de dívida prescrita. o disposto no art. Recurso inominado interposto pelo autor que merece parcial provimento. Prescrição. portanto. Parcelamento da dívida.Acórdão 0264152-47. ainda que tenha o condão de fazer nascer outra.Serviço bancário .19. 367 não admite a novação de obrigações nulas ou extintas. a causa de interrupção da prescrição do art.Acórdão Agravo de Instrumento 7. de certa forma. e teria ele feito expressa menção à dívida prescrita no art. o art. “Dano moral .57 (fls. permanecem hígidas e eficazes.Protesto indevido . O vigente Código manteve o mesmo sentido do diploma anterior. Rei.Autor que alega ter celebrado. 26-12011. A celebração de acordo de parcelamento de dívida prescrita além de não se confundir com novação não tem o condão de afastar a sua característica de obrigação natural.8. 367 do atual CC” (T J S P . do Código Civil. a dívida prescrita. Não se pode novar algo que já deixou de projetar efeitos no mun­ do negociai. ao caso. Ele formula.0004. meio de extinção da obrigação . A nova obrigação passa a ser civil. De outro modo.Nova avença. equiparada à obrigação natural. também pode ser objeto da novação. A validade da obrigação é também. Relação de consumo . 367.Ainda que se reconheça a ocorrência de novação. Rei. requisito para a novação. em outras palavras. Fosse outra a intenção do legislador. dando-se posterior confissão de dívida. 202. pedidos de reconhecimento da prescrição. Assiste razão ao autor apenas no que concerne à prescrição. Des. 06) em R$ 1. 08/11) tem origem na fatu­ ra do cartão de crédito do recorrente vencida em 08/07/01 e na conta mantida inativa por vários anos. destituída de pre­ tensão. por isso. v.Necessidade .159.035. mas não há óbice para que se reconheça a prescrição. porque não é possível reiniciar prazo já expirado.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 281 é válido e não enseja a repetição. garantido por nota pro­ missória. Com efeito. Tiago Holanda Mascarenhas). Reconhecimento.Contrato de abertura de crédito. com fundamento no art.Viável a revisão negociai existente entre as partes em sua globalidade .28 28 “Fatura de cartão de crédito.96 (fls. ratificando-a. do Código Civil. ao contrário do que entendeu Clóvis Beviláqua (cf. 08/11). “Contrato bancário . Lopes.Contrato que não está imune ao exame dos critérios adotados para a for­ mação do débito nele expresso . 29-8-2010.Existência . portanto. Sob esse aspecto. 206. ou. 2:260). José Marcos Marrone).Abusividade . pois a prescrição pode ser renunciada. É forçoso reconhecer. Con­ tudo.Súmula 286 do STJ . Não se aplica. não se pode extinguir o que já fora extinto.2009. O pagamento voluntário não pode ser repetido. Não se esqueça de que a novação é modalidade de extinção de obrigações. 3Ô7. a conclusão é pela possibilidade de novação de obrigação natural. iy do Código Civil. que transformou um débito de R$ 156. cujo valor teria sido constituído de modo arbitrário e unilateral pelo banco. ademais.917-0.

Cambial. para não se inviabilizar o acesso àjustiça” (T J S P . Aplicação de penalidade por litigância de má-fé que só é possível se ficar evidenciado o dolo processual da parte. a segunda obrigação confirma simplesmente a prim eira.282 D ire ito C ivil • V enosa Para ser criada uma nova obrigação. ou ter havido confirmação da obrigação.Inteligência do artigo 1. sendo imprescindível o animus novandi . Art. Cada caso concreto merece cuidadoso exame. “Novação . Waldir de Souza José). Não se presume a intenção de novar.Contrato . 29 “Monitória . Rezava o art. originário do Projeto de 1975. Cambial. a parte interes­ da manutenção dos registros com referência à dívida originária . pois não vislumbrado. Impossibilidade de se reconhe­ cer que se verificou a extinção do vínculo obrigacional original. “Contrato .Cambial .” Desse modo. II do Código Civil de 1916 .14* Câmara de Direito Privado . com a sua substituição pela nova obrigação supostamente contraída inviabilidade de se admitir a inexigibilidade dos 16 cheques ob­ jeto da ação.Cancelamento do protesto tirado determinado . expressa deliberação nesse sentido .Gastos hospitalares . .Ap 991.Indenização . “não havendo ânimo de novar. Francisco Giaquinto).Rei. Inexistência de nova­ ção quando se emite cheque para resgatar outros títulos de crédito. modificativos ou extintivos do direito da autora-embargada.031094-0. Cível 1. 15-12-2008.Alegação de novação da dívida . há que se entender não ter ocorrido novação. no art. 22-8-2006. há necessidade de um novo elemento e de caráter essencial.000 do diploma anterior que.Rei. o que os tornaria inexigíveis.Ap. 20* Câmara de Direito Privado . Pedro Ablas).07. a segunda obrigação confirma simplesmente a prim eira”.Prestação de serviços . 999.432-7. O Código. de cláusula contratual onde ela passou a ser a única responsável pela quitação dos encargos despendidos .Recurso provido em parte” ( TJSP . Cheque. Cível 7.Novação . Junto com esse requisito. 896 do Código Civil de 1916 .Recurso pro­ vido para esse fim” ( TJSP . A novação não se presume. 333. do CPC. Apelo desprovido.187.14-3-2012.Ratificação das cláusulas da obrigação anterior . deve estar presente o animus de novar. Resposta a tal indagação que é negativa .Nova avença desta com a genitora da paciente realizada após a sua alta médica Presença.189.000.Não caracterização . Já vimos que meras alterações de elementos acidentais das obrigações não operam novação. expresso ou tácito mas inequívoco.Intenção de novar caracterizada .Rei. caso contrário haverá mera confirmação da obrigação sob exame.203-0. Cheque. Rei.29 Na grande maioria das oportunidades nas quais se alega novação. Na dúvi­ da.Recurso provido” (TJSP .Art. Pode-se então denominar este requisito de “essencialidade na modificação”. É o aliquid novi que deve existir. Condutas tipi­ ficadas nos incisos I a VII do art. II. José Marcos Marrone).15* Câmara de Direito Privado . é ainda mais enfático ao se referir ao ânimo de novar. Para se isentar do pagamento dos cheques.Declaratória de inexistência de relação jurídica cumulada com pedido de inexigibilidade da cambial procedente . 7-5-2008.Substituição do primeiro contrato evidenciada . ainda que não com palavras sacramentais.Art.Abertura de crédito em conta corrente e confissão de dívida .Ap. a ré-embargante tinha de desqualificar a força que emanava deles. Não caracteriza­ ção. neste segundo pacto. Des. do Código Civil de 1916 . Cível 7.Art. 361 do atual CC. o que não fez. 1.029.Cheque .Alegação de solidariedade afasta­ da. Litigância de má-fé. Ré-embargante que não se desincumbiu do ônus da prova dos fatos impeditivos. no caso concreto.Novação da dívida que não se presume.Assunção da internação pela apelante . Sentença mantida. 361: “Não havendo ânimo de novar. deve ser concluído que houve inequívoca intenção de novar.Ne­ cessidade . neste documento. inc. Questão discutida que se cinge em saber se houve novação da obrigação representada pelos cheques prescritos em exame. deve vir expressa. Não atestado o intuito malicioso por parte da ré-embargante. ou se criado uma nova obrigação.Ocorrência .914-8. 17 do CPC que devem ser interpretadas com cautela.Ap.

008753-9/0001-00.Relação de consumo .Desacolhimento. . Se a nova obrigação for inválida. 359).Não caracterizada . por exemplo. da ocorrência de novação. Cível 1. necessitam de seus representantes legais. Como se cria um novo vínculo. Sideni Sondni Pimentel). parcelamento e composição que inovou substancialmente o débito .Redução da mul­ ta de 10 para 2% . ou novo devedor. 496 na venda de ascendente a descendente.236-0/0. em sede de embargos. 5-3-2010. Como nossa lei é omissa. pois a novação requer mesmo essa intenção específica que deve ser declinada pelas partes.Ap. de boa-fé. Não caracteriza novação o contrato que. Mendes Gomes).Rei.Possibilidade de cobrança pela via regressiva afastada . há legislações estrangeiras que ressalvam a posição de terceiros garantidores da primitiva dívida. o que resulta em simples renegociação. “Agravo regimental em apelação cível . que o princípio é o mesmo da dação em pagamento (art.Novação reconhecida .Acórdão Apelação Cível 2007. “Execução por título executivo extrajudicial . Como lembra Antunes Varella (1977.Embargos à execução . Geralmente o devedor busca alegar novação como tábua de salvação no processo de conhecimento para cobrança ou de execução. Reporta-se ao que se disse no primeiro volum e desta obra a respeito. A aplicação é da parte geral do Código.Sub-rogação não admitida. Cível 858. se a obrigação novanda for a do art. 10.310-4.Pagamento parcial.5. ante os termos da composição realizada sem anuência do devedor . a título de substituir outro. ou há novo objeto. renasce a antiga obriga­ ção. há necessidade de consentimento dos demais descendentes.Ap. em decorrência de aumento dos valores dos aluguéis. Des. e com razão.Possibilidade de revisão contratual .Alegação.Manutenção . Antonio Ribeiro). 12-3-2009.Termo aditivo celebrado pelo avalista . nula ou anulável. só podendo resultar de declaração expressa . e conse­ qüente extinção da fiança prestada pelo embargante . uma vez que novação não se presume. v. entende o autor. a multa não pode ultrapassar 2%” ( TJMS . Na nova obrigação. Essa é uma situação que enfren­ tamos em dezenas e dezenas de processos.Rei. Rei.Recurso improvido” ( TJSP .Preliminar afastada” (TJSP . Continuará em vigor a obrigação originária. mantém as mesmas partes e mesma natureza da obrigação. Assim. um novo negócio jurídico deve existir para a nova obrigação capacidade e legitimação para o ato. 35a Câ­ mara de Direito Privado .3 Efeitos Como dissemos.Cédula de Crédito Rural . o principal efeito da novação é extinguir a dívida primitiva. os incapazes não poderão pura e simplesmente criar o novo vínculo. ou novo credor. Poucos conseguem prová-la. 17-4-2006. Nos contratos regidos pelo CDC. Do mesmo modo. ainda que não com pa­ lavras sacramentais. Em se tratando de representação voluntária. 24a Câmara de Direito Privado . 2:220). há necessidade de poderes especiais.Não pagamento do débito pelo devedor origi­ nário .Novação .Contrato de locação .F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 283 sada não consegue provar o ânimo de novar. “Cambial . há necessidade de transigir.Título executivo .Aval .Hipótese que cuida de mera atualização monetária dos locativos .184.Improvido.Honorários advocatícios . Aplicam-se as disposições do CDC aos contratos de compra e venda mercantil de insumos agrícolas. Des.

sentença mantida .284 D ire ito C ivil • V enosa Com a criação da nova obrigação.954969-5/002. Se há garantias ofertadas por terceiros.Homologação judicial . devidamente homologado. efetivamente. Eduardo Mariné da Cunha). dispõe o art. in verbis : ‘O fiador na locação não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu”’ ( TJSC . de previsão contratual de extensão da garantia até a efetiva entrega das chaves . os outros ficam exonerados (art. impossível o prosseguimento da execução das notas promissórias. o outro fica exonerado. Do mesmo modo.31 Só persistirá a obriga­ ção para eles se concordarem com a nova avença. verifica-se que a intenção das partes foi. nos termos do que dispõe o art. 31 “Execução de título extrajudicial . ademais. Rei. Des.Ttansação . Rei. Des. . 20-3-2007.Contrato de locação entabulado por prazo deter­ minado .Execução de alugueres . “a obrigação não se extingue para os outros. 4-6-2009. consistente na transação homo­ logada judicialmente. 364). No entanto. questão omis­ sa na lei.Prosseguimento da execução . mas estes somente poderão exigi­ da. o que manterá intacta a obrigação principal. entende Orlando Gomes (1978:171) que. os outros ficam desobrigados”. (art. Feita a novação por um dos credores solidários. de substituir a dívi­ da anterior. Em casos de novação do contrato de locação pre­ valece o verbete da Súmula 214 do Superior Tribunal de Justiça. Nas obrigações solidárias. se um dos credores novar.30 Não pode o fiador ficar obrigado a uma dívida que não assentiu. os demais credores que não participa­ ram do ato se entenderão com o credor operante. N o tocante à obrigação indivisível. extingue-se a dívida. 30 “Processual civil . segunda parte). 366 que “importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal”. só com o consentimento deles é que persistirão as garantias (art. descontada a quota do credor que novou. Se a novação se opera somente entre o credor e um dos devedores solidários. Marcus TUlio Sartorato). extínguem-se os acessórios e garantias da dívida “sempre que não houver estipulação em contrário” (art.08. uma vez ocorrida a novação.0024. do CC” (TJMG . Em se tratando de solidariedade ativa. se a novação se opera entre o credor e um dos de­ vedores solidários.Caracteri­ zação . Se forem vários os devedores e o credor comum fizer novação com um deles. Isso se aplica entre as partes contratantes.Novação . 366 do Código Civil de 2002). 365. 2. 365).000514-6. 1. Destarte. pelo título judicial. mediante instrumento autônomo e desvinculado do contrato originário subscrito pelos fiadores Ausência. ‘Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal’. Se houver reservas de garantia.Impossibilidade. representada por notas promissórias. 366 do novo código civil e da súmula 214 do STJ .Acórdão Apelação Cível 1.Possibilidade na hipótese . Pelos termos do acordo realizado nos autos dos embargos do devedor. só garantirão a dívida os bens do devedor solidário que novou.Exceção de executividade acolhida pela magistrada singular para declarar a extinção da execucional por ilegitimidade passiva ad causam dos fiadores . não podendo coexistir ambas as obrigações. pode ser a própria fiança a obrigação nova. 364. Segue-se o princípio geral da solidariedade ativa.recur­ so desprovido. A novação é meio de cumprimento.Acórdão Apelação Cível 2005. na medida em que a dívida originária foi substituída pelo acordo realizado nos autos dos embargos do devedor.Inteligência do art. de acordo com os princípios da extinção da solidariedade ativa.Pacto locatício que expressamente condiciona a renovação da avença à ocorrência de novação.

paralisam-se os juros e a correção monetária. equilibrar. 1978:172). Tal conclusão é im­ portante. desaparecem as garantias. Com esse procedimento. Não terá ação re­ gressiva contra este último no caso de insolvência deste. haverá o direito de regresso. não existindo mais a obrigação anterior. é difícil. como citam alguns autores (cf. O caso não é raro na prá­ tica.6 Compensação 10. como falamos anteriormente. no tocante à dívida extinta. 2:254. No direito obrigacional. 363 trata da insolvência do novo devedor. deve ser incentivada e facilitada pela lei. que verdadeiramente não existe. Terá o credor de provar que a novação subjetiva passiva foi obtida justamente com o fito de não ser saldada a nova dívida. 1983. sim. Contrapesam-se dois créditos. uma vez que. em sentido mais vulgar. isto é. O credor assume o novo devedor por sua conta e risco. exonera o primitivo devedor. diferente de pa­ gamento. até onde se compensarem” (art. não se trata de revi­ ver a obrigação anterior. Com a compensação evita-se uma dúplice ação. Nesse caso. pode ter ocultado maliciosamente o estado pré-falimentar do novo devedor. de início não conheciam a compensação. As obrigações extinguem-se por via oblíqua. v. significa um acerto de débito e crédito entre duas pessoas que têm. uma conta de chegada. Tal situação criava problemas sob o aspecto da equidade. É a noção pri­ meira dada pela lei: “se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. 368). Se a própria lei fala em ação regressiva. com ela. A lei abre exceção no caso de má-fé. 10. apegados ao individualismo e à autonomia extrema da vonta­ de.6. Por isso. a condição recíproca de credor e devedor. contrapesar. O devedor primitivo. caso não exista contrapeso do mesmo valor a ser sopesado. Os débi­ tos extinguem-se até onde se compensam. Como a novação extingue. Trata-se de uma forma indireta de extinção de obrigações. Diniz. Tinham eles por independentes os débitos recíprocos. se contra­ põem e se reequilibram. É um encontro de contas. e Gomes. se eventualmente existisse. 10. por exemplo. a obrigação. cessa o estado de mora. as duas obrigações extinguem-se. se contrabalançam. podem ambos os créditos deixar de existir.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 285 O art. ao mesmo tempo.6. Caso a obrigação anterior fosse repristinada. Um . renasci­ da. a prova. colocando-se cada um em um dos pratos da balança. não haveria necessidade de a lei falar em ação regressiva. mas mero direito de regresso. facilita-se.2 Compensação em sua Origem Romana Os romanos. ou seja. ou pode subsistir parcialmente um deles.1 Conceito Compensar é contrabalançar. o adimplemento. em síntese. estabelecer ou resta­ belecer um equilíbrio.

operando-se. Tal necessidade resultava da própria prática dos bancos. O Direito Medieval desconheceu a compensação. Expunha-se desnecessariamente o crédito à insolvência. O remédio sempre admitido foi a compensação convencional. Era realizada de forma facultativa pelo magistrado. Era também de conhecimento no Direito Romano a petição recíproca. este. Não . automa­ ticamente.6. Quem tivesse um crédito para com seu credor deveria mover contra ele uma mutua petitio (reconvenção). O bonorum emptor era o comprador em bloco de todo um patrimônio. 10. a exceção de dolo. era obrigado a compensar o crédito e a não cobrá-lo. geralmente de pessoa insolvente. Seria contra a honestidade não se compensar dívidas recíprocas. Uma das hipóteses mais antigas era a compensatio argentari (cf. por sua vez. ou seja. apenas com Justiniano é que se chega a uma generalização do instituto. acertada entre as partes. O senhor feudal recebia uma parcela sobre os litígios. No entanto. em um seu rescrito.286 D ire ito C ivil • V enosa devedor pagava ao seu credor. por meio de uma forma de defesa. incompatível com o sistema feudal. Numa época mais moderna do Direito Romano. estendendo-se a compensação a todas as ações desde que o crédito do réu fosse líquido e vencido. 1976:315). Outra forma de compensação romana era a deductio do bonorum emptor. Já se entendeu a compensação como um pagamento fictício. O Direito Canônico fez reviver o instituto com sua inspiração originária. No Direito Romano. então. Giffard e Villers. O fato é que. extinguindo-se os débitos do alienante porventura existentes. foi muito demorada a aceitação da ideia de compensação no Di­ reito Romano. já se encontram formas de compensação fora do campo da vontade das partes. também se conhecia a compensação resultante de ações de boa-fé. A deductio foi ampliada na época de Marco Aurélio. o débito compensado poderia ter causa diferente uma vez que todo um patrimônio era alienado. deixava de pagar ao devedor recíproco. daí dizer-se que se tratava de uma compensação judicial (cf. somente na diferença dos seus créditos. só possí­ vel por dívidas vencidas. no Direito Romano. no final da República. Giffard e Villers. O magistrado concedia a bonorum ao comprador cum deductione. a equidade. O banqueiro. operava-se a compensação. 1976:316).3 Natureza Jurídica De pouco adianta hoje a controvérsia dos autores acerca da natureza jurídica do fenômeno. Aqui. Admitia-se a compensação mes­ mo de dívidas provenientes de causas diversas. que tivesse uma conta corrente com um cliente. isto é. cujas contas dos correntistas deviam estar sempre atualizadas. Se esse comprador fosse também credor do falido. A compensação deveria ter por conteúdo o mesmo objeto.

estando a ação em curso.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 287 existe. como já referimos. Por ela. a compensação opera-se por força de lei. É a compensa­ ção típica e mais importante. se identifique o polo ativo e o polo passivo da relação obrigacional. em face da litispendência. Cabível. na qual é necessário que. Seu verdadeiro caráter é de meio extintivo de obrigações. o da compensação legal. a compensação judicial decorre . que os processos corram paralelamente pelo mesmo Juízo.000. No sistema do Código francês. como dissemos a princípio. o réu diz que deve mas que só paga R$ 500. A compensação. no Código português (arts. 537/110). deverá deduzir sua pretensão em lide autô­ noma. como está. a ação simplesmente declaratória para a extinção da dívida (R T 573/133. A contestação não é meio técnico que permita ao ju iz condenar o autor em pedido substancial. O credor pede R$ 1. A compensação será judicial quando decretada em reconvenção. opera independentemente da iniciativa dos interessados e até mesmo contra a vontade de um deles. Se a alegação do demandado limitar-se à defesa. Se o réu não ingressou com reconvenção e tiver crédito superior ao autor.4 Modalidades A compensação legal já referida é aquela tratada no art. os efeitos devem ficar na paralisação da pretensão do credor até o montante da compensação. quando as partes concordam. se o procedimento for sumário. não se confunde com o instituto da confusão. deve deduzir pe­ dido em juízo. tendo em vista os princípios processuais do nosso CPC. entre nós. A improcedência do pedido apenas paralisará a ação de cobrança. porque também é credor do demandante em R$ 500. podendo até compensar dívidas ilíquidas e não vencidas. Geralmente. pois esta­ mos em sede de atos dispositivos. se o processo permiti-la. perde atualidade a controvérsia acerca de a compensação apenas poder ser oposta por meio de reconvenção. Deverá fazê-lo por reconvenção. 368. na mesma pessoa.6. apenas é conveniente. Contudo. A questão resolve-se pelos princípios de processo. na prática. 10. 847 ss). Pelo sistema legislativo filiado ao Código alemão. por exemplo. como está no art. não está inibido de cobrá-lo por ação autônoma. Caso contrário. Da mesma forma. 368. a compensação só se opera quando oposta por um dos interessados. Porém. e não de direito material. Destarte. a compensação pode ser voluntária. Deve haver uma declaração de compen­ sação. Nosso Código filia-se a esse sistema. pagamento. 535/121. contudo. como uma exceção substancial. a compensação opera por força da lei. por exemplo. se o demandado tiver um crédito superior ao que lhe é cobrado. Pode ser invocada pelo demandado em sua defesa ou em embargos à execução. ou numa ação autônoma. também. Questão de realce é o fato de a compensação poder ser oposta como meio de defesa. ou se tratar de uma execução (em que se defende por meio de embargos).

10.6. A poderia fazê-lo. Não pode compensar dívida de outrem. 837). 372 estampa: “Os prazos de favor. de A ser credor de alimentos de B. no entanto. pode depender de liquidação judicial.5. a homogeneidade das prestações. Os requisitos de ordem objetiva dizem respeito às obrigações compensadas em si. não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever”. por terceiro se obrigou. concedido graciosamente pelo credor. a liquidez. O requisito da reciprocidade. O art.6. Tem a ver com o chamado . mas pode ocorrer que a dívida venha a tomar-se líquida no processo judicial. embora consagrados pelo uso geral. 1. Na verdade. 376 do Código de 2002: “A pessoa que. não se incluindo obrigações de terceiros. a lei reconhece a possibi­ lidade de o fiador arguir compensação contra o credor. e B ser credor de uma nota promissória de A. pelos problemas práticos que levanta. O devedor só pode compensar com o credor o que este lhe dever.288 D ire ito C ivil • V enosa dos princípios da compensação legal. II). certeza e exigibilidade e a existência e validade do crédito compensante.5 Compensação LegaL Requisitos É a mais importante de todas.” Prazo de favor possui sentido ético.1 Reciprocidade de créditos A compensação só pode extinguir obrigações de uma das partes ante a outra.019 do Código anterior: uObrigando-se p or terceiro uma pessoa. unicamente. não obstam a compensação. E aquele que o uso generalizou. está firmado no art. Trata-se de uma exceção substan­ cial à mão do fiador. é a sentença que vai ope­ rar a compensação. por exemplo. Essa regra deve ser interpretada em consonância com o art. pois. O corolário lógico dessa afirmação es­ tava no art. 371. que são de ordem objetiva e subjetiva. no mesmo sentido é colocado o art. Não nos esqueçamos que a fiança cria obrigação acessória à obrigação principal. por ser estranha àquele que eventualmen­ te pretendesse compensar.” A dívida contraída em nome de terceiro é estranha à compensação. B não pode ale­ gar compensação (proibição do art. Alguns autores referem-se à compensação facultativa. Devem ser referidas: a reciprocidade de créditos. Ocorre quando apenas uma das partes pode opor compensação. 373. 371: o devedor somente pode compensar com o credor aquilo que este diretamente lhe dever. por exemplo. esse mesmo dispositivo abre uma exceção ao princípio: umas o fia d or pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado”. da mesma forma que o devedor principal poderia fazê-lo (art. não pode compensar a dívida com a que o credor lhe dever. O pedido reconvencional. Importa examinar seus requisitos. No caso. No entanto. Aí. 10.

Essa regra aplicava-se. até ao equivalente da parte deste na dívida comum” (art.Levantamento .Danos materiais . As questões atinentes ao fiador e à cessão de crédito dizem respeito aos re­ quisitos subjetivos da compensação. A obrigação é toda ela devida pelo obrigado principal.Inadimplemento contratual .F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 289 “dia de graça” . Essas situações. Paulo. Se o devedor não for notificado. O devedor deve ser notificado da cessão do crédito. será sustentável opinião no sentido de que a regra não mais prevaleça. nesse mesmo diapasão. se for o caso. No tocante à obrigação solidária. Trata-se de aplicação antecipada do direito de regresso. Também é subjetiva a situação examinada no art. Deve ser lembrada também. 376. 1. O avalista de favor. é credor de João pela importância de R$ 40.Requisitos não preenchidos .000 cada um. a todo o crédito. Dessa forma. toma-se discutível sua possibilidade. por ser essa a parte de responsabilidade de Paulo na dívida solidária.Veículo danificado em estacionamento de universidade particular 1 . que é o cessionário. mantém o direito de compensar seu crédito com um terceiro.Impossibilidade . Prazo dessa natureza não obsta a exigibilidade da dívida vencida e. A lei não esclarece a forma pela qual deve-se opor à cessão.000. Paulo e Antônio sejam devedores solidários de João pela importância de R$ 30. Se ele não se opõe à cessão. excepcionalmente. que permite que a dívi­ da seja solvida um dia depois do vencimento. O art. Nos termos da dicção legal. por exemplo. Em sua ausência no novo estatuto.Dever de guarda . Pedro ou Antônio podem compensar contra João apenas até o limite de R$ 10. embora digam respeito às personagens da compensação. Isso deve ser examinado com cautela no caso concreto. 377 reporta-se à cessão de crédito. para preservar seu direito de compensação.Compensação . consagrado em alguns setores mercantis. Quebra-se.Sentença não transitada em julgada . há situações em que os devedores solidários não têm a mesma responsabilidade dentro da obrigação. Deve notificar incontinenti o cessionário de que tem direito compensatório na dívida objeto desse negócio jurídico.Riscos na pintura do automóvel .020). dizia a lei anterior: “O devedor solidário só pode compensar com o credor o que este deve ao seu coobrigado.Mero dissabor . de acordo com os princípios gerais da solidariedade. No entanto. nem a compensação. O devedor deve fazê-lo em tempo hábil.000. por sua vez. Caso ele não tenha sido notificado da cessão.Danos morais . persistirá com tal direito.4 . tem sua situação semelhante à do fiador. por conseqüência. inserem-se na problemática da reciprocidade de créditos. por isso.3 .2 .32 32 “Responsabilidade civil . não pode ser prejudicado em seu direito. não poderá posteriormente opor ao cessionário direito de compensação que tinha com o credor originário (ceden­ te). 669 proíbe o mandatário de compensar os prejuízos a que deu causa com os proveitos que tiver obtido para seu constituinte.Súmula nQ 130 do STJ . O art. de certa forma. a situação do mandato. assim. poderá o avalista opor-se por compensação. tendo o legislador preferido ser expresso a esse respeito. a regra geral da solidariedade. Suponha-se que Pedro.

Jurandyr Reis Junior). Embargos à execução de título judicial. Recurso (1) conhecido e desprovido. Sociedade de fato.0 inadimplemento contratual não é hábil. 4 .Interposição objetivando a compensação judicial de cheques .Ausência de força executiva Hipótese . Recurso (2) conhecido e parcialmente provido” (TJPR .Por não ter a parte interessada formulado o pedido de levantamento dos valores depositados em nenhuma de suas manifestações não se re­ leva possível referida autorização de ofício. deixa de apontar qual seria o requisito de admissibilidade recursal ausente na hipótese. a liquidez da dívida. 368. . “Apelação d vel .1* Câmara Cível . com as dívidas tributárias pendentes sobre o bem imóvel. Cível 1. Compensação de crédito com débito. não acolhida. por exemplo. Quando duas pessoas forem. ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. a acarretar danos morais por gerar meros aborrecimentos e dissabores decorrentes da vida em sociedade. vencidos e de coisa fungível.290 D ire ito C ivil • V enosa 10. “Embargos à monitória . Mérito.Compensação de créditos .Acórdão Agravo de Instrumento 0041778-67. “Apelação cível. Negado provimento ao recurso” (TJPR . com observação” ( TJSP . Reciprocidade de créditos e débitos entre as partes. Sentença mantida. Des. fica inviabilizada a compensação legal amparada no art. certeza e exigibilidade É indispensável que o crédito a ser oposto pelo devedor a seu credor permita exigibilidade imediata. responde pela reparação dos danos que tenham ocorridos quando o bem estava sob sua guarda. Des. Cível 024079009536. necessária a presença dos requisitos contidos nos artigos 368 e 369.Possibilidade. Recurso não provido” ( ‘TJMG . 2 . Rei. Embargos à execução. Graciella Salzman). Deve. Crédito do devedor incerto e ilíquido.Acórdão 0852646-5. Rei. a exi­ gibilidade atual do crédito e a fungibilidade do débito.1 . Des. Um crédito que necessite de apuração de valor não é líquido. ser certo.Ação de execução . 2® do CPC.33 Um crédito subordinado à condição não é certo. certas e exigíveis . Natan Zelinschi de Arruda). 21* Câmara de Direito Privado . Pereira da Silva). extrínseco ou intrínseco. Rescisão de compra e venda. por si só. 1 . Arnaldo Santos Souza). Decisão reformada. bem como que ambas as dívidas sejam líquidas. 10-4-2006. 26-5-2011.5.26. Rei. Rei. ‘ex vi’ do art. sendo indiferentes as vias processuais escolhidas pelos litigantes para a satisfação dos créditos. em atenção ao princípio da inércia.Acórdão Apelação Cível 1.Acór­ dão Apelação Cível 523. as duas obrigações extinguem-se até onde se compensarem. que eles sejam líquidos.052/3.Ap. a despeito de ter sido produzida sem lógica jurídica. 3 .A instituição de ensino superior particular.336-3. Impossibilidade. 2 . Os agravantes comprovaram o pagamento das dívidas pendentes sobre o bem. ainda que a título gratuito. Preliminar de rejeição liminar do recurso por falta de pressuposto de admissibilidade.8. Interlocutória que não autorizou a compensação dos valores a serem devolvidos em razão da rescisão.Há de ser rejeitada a preliminar recursal que. do Código Civil de 2002 .15-4-2008. Para o reconhecimento da compensação de créditos. líquido e exigível. Sentença mantida.05. Stewalt Camargo Filho). Não é exigível um crédito ainda dos depósitos . Recurso improvido.264. 3 . Direito de compensação.Recurso improvido” ( TJSP .Dívidas líquidas. Se não for provada a existência do crédito compensável.Para a compensação legal é necessário além da reciprocidade das obrigações.Inad­ missibilidade . nos termos do disposto no artigo 368 do Código Civil.Rei.Ausênda de pedido da parte interessada . 25-6-2012. Requisito do artigo 369 do código civil não preenchido. 33 “Apelação cível. Crédito compensável não comprovado.Re­ curso conhecido e improvido” ÇTJES .Para que seja possível a com­ pensação é necessário que exista reciprocidade de débitos e créditos entre as partes e. a qual assume o dever de guarda de veículo de seus alunos.Necessidade . ainda.Ação monitória . “Agravo de instrumento.0000. Agravo provido. Des.2011.0521.6.Rei.043514-3/001.Presença dos requisitos do artigos 368 e 369.Ap. do Código Civil. estejam vencidas e que se trate de coisas ftingíveis. desse modo. do CC/2002.14-1-2009.2 Liquidez.

Atente-se para o fato de que o Projeto nc 6. O requisito da certeza encontra-se dentro do conceito de exigibilidade do crédito (cf. Alegação de violação ao art. 1966. Dinheiro compensa-se com di­ nheiro. Des. mas que não confere àqueles personalidade jurídica própria. Recurso desprovi­ do” (T J R J . não se compensa gado de raças diferentes. que enquanto ambas as dívidas não estiverem vencidas. II. reconhe­ cendo-se a compensação. Há que se atentar. 1977. mas. consistente na compensação. verificando-se que diferem na qualidade. não se compensarão. 2:233). quando especificada no contrato. de acordo com o art.2009. 1972. Por exemplo. porém.” 34 34 “Direito Civil. que os vencimentos sejam simultâneos.960/2002 tentou acrescentar no art. Pereira. 2:166. Diversidade de planos de benefícios que decorre da natureza jurídica da apelante. v. ainda que algum texto nesse sentido venha a se tom ar lei.010 do Código Civil de 1916 e atual artigo 369 .Ação de cobrança de aluguéis . objeto das duas prestações.Benfeitorias realizadas no imóvel . v. 333. diante da cobrança de verba pecuniária. se os dois créditos coe­ xistiram antes de se escoar o prazo de prescrição.Acórdão Apelação Cível 0001502-18. houve compensação de pleno direito. de entidade fechada de previdência complementar multiplano. porém. uma vez que não se determinou o pagamento privilegiado de qualquer crédito da ré. do CPC. Ré que é devedora de um dos planos da ré e credora de outro. que se refuta.6. No tocante à obrigação prescrita. Rei. inscrito no quadro geral de credores do plano em questão.8. Inocorrênda de ofensa ao princípio do par conditium creditorium. A compensação pode ser oposta.19.5. No entanto. 370: “Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis.Pretendida compensação . v. pela alegação de fato extintivo do direito do autor. Determinada mercadoria compensa-se com mercadoria da mesma espé­ cie. Embargos acolhidos. não poderá haver compensação. Lopes. por força da Lei Complementar n° 109/01. porque lhe falta o requisito da exigi­ bilidade. não havendo exigibilidade. Não há necessidade. 10. mesmo que o crédito tenha-se vencido posterior­ mente ao crédito cobrado do devedor. 370 do Código Civil que não prospera. ao contrário.F o rm as E sp ecia is d e P a g a m e n to e E x tin ç ã o d e O b rig a ç õ e s 291 não vencido. Coisas compensáveis são aquelas da mesma natureza. é a regra do art.Exegese do artigo 1. porque há inexigibilidade e porque a prescrição extingue a pretensão. Não se compensam objetos da mesma natureza. 369 que as dívidas compensáveis podem ser vencidas ou vincendas. Alexandre Freitas Câmara). Previdência Privada Complementar. mas de qualidade diversa.0207. salvo se assim concordarem as partes.3 Homogeneidade das prestações Deve haver fungibilidade das prestações. Ofensa ao art. “Locação .Critérios - . se a prescrição operou antes da coexis­ tência das dívidas. Cabe ao ju iz tão somente declará-la (cf. Varella. 30-6-2010. Monitória. o aludido crédito restou reduzido por conta da compensação. 2:282). 369. não pode a dívida ser compensada. admitindo-se o vencimento no curso da demanda. A obrigação natural não é compensável.

. 373: “A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação. 378). Quando o local de pagamento das duas obrigações é diverso. é que este poderá efetuar a compensação.s e uma provier de esbulho. exigibilidade e fungibilidade . Com maior razão. ou anulado o crédito. não é possível a compensação.Benfeitorias realizadas. Cível 1. Artur Marques). 1. fu rto ou roubo.5.6. não há que se falar em compensação nas obrigações negativas (de não fazer). Como já se mencionou.6 Obrigações não compensáveis Dispõe o art.6. Uma vez estabelecida a nulidade ou inexistência. ou a um deles como devedor de uma das obriga­ ções e credor de outra. quando a escolha pertence aos dois credores. exceto