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Sociedade e economia na Grécia Antiga

Iniciaremos uma incursão na Grécia Antiga, especialmente em dois períodos, a saber
no período micênico, a partir de Homero e no período Arcaico, o que possibilitará uma ampla
visão de épocas distintas e com grandes particularidades.
Os poemas homéricos – a Íliada e a Odisséia – são as primeiras obras literárias após a
queda do mundo micênico, tendo como primeira característica a ausência da pólis, no sentido
clássico. O papel essencial no mundo homérico é desempenhado pelo oikos aristocrático, uma
espécie de organização dirigida por um nobre guerreiro. Este detinha poder sobre bens e
dependentes. Era o tomador das decisões e o gestor. A ele era dado a responsabilidade de
conduzir toda a produção e repartir à sua maneira.
Esses heróis homéricos eram, antes de tudo, proprietários rurais. A terra, por sua vez,
era explorada de todas as formas: agricultura, culturas arbustivas, culturas hortícolas e
economia pastoral, de forma que a comunidade pudesse ser conduzida de forma autárcica.
Entretanto, para se obter escravos e metais, os heróis ou recorriam a guerra e se
valiam das pilhagens do inimigo (o que não era visto como algo ruim e sim uma proeza) ou
pelas trocas, já que a guerra comportava seus riscos. Encontram-se na Odisséia numerosos
exemplos de uma técnica de trocas, a do dom e do contra-dom, onde aquela fundia a
obrigação desta. Funcionavam da seguinte maneira: os heróis recebiam seus hóspedes e
ofereciam toda sorte de presentes, esperando sistematicamente uma retribuição.
Essas trocas não se constituíam um comércio, pois não visavam lucro e era revestida
por uma ética aristocrática. A atividade comercial no mundo homérico era representada
basicamente pelos emporos, que designará mais tarde o comerciante marítimo por excelência,
mas por ora não significa mais do que passageiro (de um navio). Os especialistas do ramo eram
estrangeiros, em particular os fenícios, que tinham má reputação e portanto não contribuía
para a valorização da atividade.
O comércio na época não visava ascensão social, até por que, o critério essencial para
estabelecer o estatuto de um homem no mundo não era a posse, nem mesma a liberdade
pessoal, mas a distância em relação ao oikos. Já o termo inferior não é a situação do escravo,
mas a do teta: homem livre, mas que nada possui e que se vê obrigado para viver, a vender
seus serviços a outrem, colocando-se assim na sua dependência sem sequer poder ter a
certeza de receber salário estipulado.
Já a situação do escravo podia ser bastante variado. Haviam os que não faziam mais do
que desempenhar as tarefas que eram ordenadas e também os que gozavam de inteira
confiança e estima de seus senhores, que chegavam a participar da gestão da oikos.
Havia também um grupo à parte: os demiurgos, homens livres que ofereciam serviços
que não se exerciam no quadro do oikos, como os ofícios de profeta, médico e arquiteto. Suas
habilidades conferiam-lhes uma posição bastate especial.
Era nítido que todas essas classes sociais giravam ao redor do oikos, e esta refletia
culturalmente e socialmente as cidades gregas da época. Não se sabe como se deu o declínio
dessa organização para o surgimento da pólis, que remodelaria toda a sociedade grega.

Nela. A colonização conseguiu resolver. houve uma exploração insuficiente do solo. Antes houve uma revolução econômica com a expansão da produção artesanal. o que se evidenciou numa demasiada desigualdade de repartição de terra. inclusive. em diversas crises. antes de tudo. as leis começaram a ser codificadas e a sociedade passou a viver sob normas. Essas mesmas colonização pôs cidades gregas em contato comercial com outras civilizações. haviam escravos que gozavam de benefícios invejáveis à qualquer homem “livre”. istoé a do escravo. a partir dos símbolos expostos na cunhagem. Paralelamente a noção de cidadão. trigo do Egito. Aqueles que não detinham posse de terra. o que unificou o título de cidadão. o que permitiu a prática de importação e exportação. . além de um crescimento econômico e social. período de surpreendente crescimento econômico e expansão do território grego. uma oposição a esses avanços. uma unidade política. no período arcaíco isso não mais existia. Devido ao sobrepovoamento. Se no mundo homérico. As moedas também serviam para o financiamento dos exércitos e no desenvolvimento do papel fiscal do Estado. reforçou a independência da cidade. Todavia. mas antes de tudo. Essa prática visava a procura de novos mercados para uma produção excedentária. se sujeitavam aos grandes proprietários. auge nos avanços econômicos em todo esse período . A atividade não era mais revestida de de uma visão maculada. esse problemas em muito territórios. A revolução econômica e a vida em comunidade possibilitou também o surgimento da moeda. o que possibilitou a expansão dos territórios a partir da colonização. O período arcaico encontrou. Em Atenas.um salto da nobre pilhagem à diplomática troca comercial. até que na insolvência. Importava-se. que primeiramente serviam-lhes como credores. tomavam-lhes como escravos. que facilitou as trocas comercias. manufatureira e comercial. desenvolvem-se também as do não cidadão. os cidadãos passaram a viver sobre leis comuns e não sobre os ditames de um nobre aristocrata. privado de liberdade e sem direitos. em parte. A pólis grega era. O comércio passa a ter posição inversa também nesse período. já algumas cidades aderiram a tirania.Fato é que o desenvolvimento da pólis marcaria a época arcaica. se criou leis que impediam a escravização de cidadãos atenienses.