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NUNO FERREIRA SANTOS ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA EDIÇÃO Nº 9017 DO PÚBLICO E NÃO PODE SER VENDIDO

SEPARADAMENTE

Qatar Maaemo Leopold Leira de Cima Audi TT Coupé 2.0

Vale do Loire

Cenas da vida palaciana
no coração de França

FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014

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Aprende com
o Papa Bergoglio,
o construtor
de pontes


,95
+6
DOMINGO, 21 DEZ
COM O PÚBLICO

Bergo
Bergoglio
B
tem conseguido com a sua humildade,
s
erviç aos outros e simplicidade unir as mais
serviço
d
ivers pessoas, religiões e países.
diversas
O seu sorriso e semblante tranquilo, a sua
a
fecti
afectividade
próxima especialmente às crianças
e aos doentes e a rejeição ao luxo são alguns
dos
d
os p
pontos da vida deste papa que vais poder
descobrir
d
esco
neste livro.
U
ma b
Uma
biografia escrita em discurso directo
e iilustrada
lust
para crianças, com citações
de
d
e fra
frases ditas pelo próprio Bergoglio.

Limitado ao stock existente. Implica a compra do jornal.

Na ponta da língua
Miguel Esteves Cardoso

Que mal fizeram as maçãs
reinetas aos restaurantes
deste país para se recusarem
obstinadamente a assá-las?
m dos maiores
mistérios da restauração
portuguesa é a dificuldade de
encontrar, entre os variadíssimos
doces e bolos que se oferecem, a
deliciosíssima sobremesa que é a
maçã assada.
Depois de muito matutar, pude
fazer uma lista das principais razões
que explicam a raridade desta
iguaria:
1) As maçãs (reinetas e outras) são
caríssimas e difíceis de encontrar,
ao contrário das papaias indonésias
e das mangas peruanas.
2) É difícil e moroso assar maçãs.
Requer uma receita complicada
e dispendiosa (envolvendo
especiarias exóticas como a canela e
genuíno açúcar de cana) e há pouco
pessoal especializado capaz de dar
conta de uma tão monumental
tarefa.
3) As maçãs assadas têm a
desvantagem de só saberem bem
acabadinhas de fazer. Podem pôr-se
no frigorífico mas só duram meia
hora. Caso se descobrisse uma
variedade de maçã que se pudesse
assar e deixar uma semana inteira
ao relento sem apodrecer (o que só
acontece com todas as maçãs que
crescem neste planeta) seria outro
galo a cantar.
Quando eu era novo (saltem este
parágrafo caso não suportem estes
estonteantes saltos cronológicos),
todos os restaurantes tinham
maçãs assadas. Assavam uma
cabazada delas uma vez por
semana e iam para o balcão fazer
vista. As maçãs assadas, sabe-se
lá por que alquimias, melhoram
com a passagem do tempo. As
envelhecidas são mais saborosas
do que as recém-assadas. Assim,
perguntava-se “Estas maçãs foram
assadas hoje?” e, caso a resposta
fosse positiva, contra-atacava-se
logo: “Então não quero, obrigado.
Prefiro esperar.”
As maçãs assadas, aliás, eram tão

REGINA COELHO

U

baratas e fáceis de fazer e guardar
que havia a expressão “restaurante
de maçã assada” para designar os
estabelecimentos preguiçosos em
que havia escabeches e torresmos
e outros víveres que o tempo tem
dificuldade em destruir.
Hoje, quando aparece um
restaurante que tenha maçãs
assadas — a preços que chegam a
atingir os 2 euros por maçã, aviso
já — segreda-se entre amigos. Mas
como é Natal e é tempo de maçãs
reinetas vou indicar duas casas que
de vez em quando fazem.
A melhor área para a maçã
reineta no concelho de Sintra é em
Fontanelas. Para espreitá-las ponha
“Maçã Reineta de Fontanelas” no
Google e vá parar à entrada de 15 de
Outubro do indispensável blogue de
Pedro Macieira, Rio das Maçãs. Por
alguma razão são tantas maçãs!
Muitas maçãs reinetas são
vizinhas de videiras de chão de

areia. As mais famosas são as das
castas Ramisco e Malvasia, que são
usadas para fazer os maravilhosos
vinhos de Colares, tinto e branco
respectivamente. Recomenda-se
a leitura de um artigo de Pedro
Garcias na Fugas de 2 de Agosto de
2014: ponha “Colares e Darwin” no

RESTAURANTE ADEGA
DAS AZENHAS
Av. Comissão dos Melhoramentos,
1-3, Azenhas do Mar
Tel.: 219 281 357

RESTAURANTE O ZÉ
Avenida Nossa Sra.Esperança
190, Fontanelas
Tel.: 219 292 209

Google.
Ir comer uma maçã assada ao
restaurante O Zé em Fontanelas é
como ir beber um copo de Colares à
famosa Rua do Chão Verde, onde se
podem espreitar as heróicas hortas
onde as videiras e as macieiras
sobrevivem.
O Zé é um restaurante muito bom
e bem disposto onde toda a gente
é amiga de toda a gente e recebem
visitas como se também fossem
amigas.
Os preços também são de amigo.
Foi durante mais de 30 anos o
restaurante aonde ia o escritor
Vergílio Ferreira, que tinha casa
em Fontanelas e escreveu coisas
bonitas sobre o sossego e a bondade
daquela terra. Tem lá um cantinho
em memória dele.
A última vez que lá fomos
comemos duas seguidas. No Zé
usam as maçãs mais verdinhas
para ficarem mais aciduladas e

No Porto,
o Restaurante
Antunes é
um dos que
costuma
ter maçãs
assadas como
sobremesa

o resultado é irresistível. No Zé a
oferta de pratos apetitosos é grande
e generosa.
Por isso, aviso já que é preciso
guardar lugar para a maçã assada...
É na sempre excelente Adega
das Azenhas que também se
comem maçãs de perfeita assadura
e condimento. Como fica a três
quilómetros do Zé, pode até dar-se
ao luxo de fazer uma dupla. É cá um
sacrifício!
Na Adega das Azenhas, a grande
cozinheira que é a dona Lurdes Dias
faz também as mais deliciosas pêras
bêbadas que já provei.
Também são difíceis de
encontrar, pelas mesmas razões:
Portugal, como se sabe, é um país
onde escasseiam o vinho tinto e as
pêras. Então as pêras Rocha, que
são praticamente impossíveis de
encontrar e, caso se tenha a sorte de
localizar uma, não custam menos
de 70 euros por fruto...

FICHA TÉCNICA Direcção Bárbara Reis Edição Sandra Silva Costa e Luís J. Santos (Online) Edição fotográfica Miguel Madeira e Manuel Roberto (adjunto) Design Mark Porter, Simon Esterson Directora de Arte Sónia Matos
Designers Daniela Graça, Joana Lima e José Soares Infografia Ana Fidalgo, Cátia Mendonça, Célia Rodrigues, Joaquim Guerreiro e José Alves Secretariado Lucinda Vasconcelos Fugas Praça Coronel Pacheco, 2, 4050-453
Porto. Tel.: 226151000. E-mail: fugas@pu bli co.pt . fugas.publico.pt Fugas n.º 761

FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 3

Capa
Vale do Loire

Entre reis e rainhas
no coração de França
Palácios e palacetes há mais de mil, dizem. Mais de
uma centena dos quais abertos a visitas. É o Vale do
Loire, Património Mundial da UNESCO desde o ano
2000, património histórico da França desde tempos
imemoriais, com destaque para os séculos XV e XVI,
em que foi a capital do reino. Joana d’Arc, Francisco I,
Catarina de Médicis e… Leonardo Da Vinci andaram
por aqui. A Fugas também, mas mais recentemente.
Sérgio C. Andrade (textos) e Nuno Ferreira Santos (fotos)

O

s dicionários
dizem que o Loire é o maior rio de
França, com mais de mil quilómetros de extensão, nascendo no sudeste do Maciço Central e desaguando a oeste, no Atlântico.
Naquilo que aqui nos interessa,
o rio Loire é o veio de um vale com
280 quilómetros de comprimento,
que a UNESCO classificou em 2000
como Património Mundial da Humanidade, destacando a importância
desta região na “interacção entre os
homens e a paisagem durante mais
de 2000 anos de História”…
Mas a Fugas não foi tão longe,
nem no tempo, nem no espaço. Em
cinco dias, percorremos o mapa da
centena de quilómetros que distam
entre Tours e Orléans, visitando estas cidades e cinco dos mais famosos châteaux (um termo que designa
um palácio no campo, de maior ou
menor dimensão) do conjunto de
perto de um milhar — mais de uma
centena deles abertos ao público —
que pululam como cogumelos patrimoniais nesta região.
E bem se pode dizer que este é o
coração de França, não apenas pela
localização geográfica, como pela
sucessão de figuras e episódios históricos que viriam a consolidar o país,

principalmente desde o século XV.
Neste roteiro histórico-turístico
que aqui propomos, algumas personagens se destacam, de Joana d’Arc
(1412-1431) a Francisco I (1494-1547),
de Catarina de Médicis (1519-1589)
a… Leonardo Da Vinci (1452-1519),
que viveu os seus últimos três anos
na pequena cidade de Amboise.

4 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014

O próximo ano, 2015, vai ser, de
resto, uma data redonda e festiva
para esta região: passam 500 anos
sobre a Batalha de Marignan (13 e 14
de Setembro de 1515), a vitória sobre
o Reino de Milão com que Francisco
I “inaugurou” o seu reinado, cuja
coroação tivera lugar em Janeiro
desse ano em Amboise, quando ti-

nha apenas 20 anos. As duas datas
irão naturalmente ser aproveitadas
para potenciar o apelo turístico e patrimonial de uma região que oferece
múltiplas razões para uma visita.
Chegados a Amboise, ouve-se falar, em primeiro lugar, de Francisco
I, dito o Rei Cavaleiro e Guerreiro —
recorde-se que foi contemporâneo

de Carlos V, imperador castelhano e
romano-germânico, e de Henrique
VIII de Inglaterra —, mas que deixou
também, e principalmente, a sua
marca como introdutor do Renascimento em França. E a mais marcante das suas decisões, neste domínio, ainda que sobretudo simbólica,
talvez tenha sido mesmo o convite

Na sala que detém o nome deste monarca. “Donzela [La Pucelle] de Orléans”. principalmente na cidade de Orléans… Voltando a avançar no tempo. o visitante pode admirar as salas dos guardas — por onde passou o famoso D’Artagnan. em toda a França. a rainha e regente mais poderosa da época. do Porto e Funchal (esta só nos meses de Verão). com apenas 27 anos. por Fontainebleau e Versalhes Na página ao lado. de Marselha e Marraquexe. Recuando cerca de um século na História. Mas aí ouviremos também falar de figuras posteriores. que nos conduz a um pátio amplo.. e morreu. em cada esquina. castelos e histórias da época do Renascimento que viajamos no Vale do Loire. que guarda os restos mortais de Da Vinci (ver caixa). depois de ter batido com a cabeça na ombreira de uma porta quando se divertia com os seus pagens. como Luís XIV e D’Artagnan. mas também dos seus dois antecessores Luís XII (1462-1515) e o infortunado Carlos VIII (1470-1498). temos Catarina de Médicis. a dos músicos. Este episódio funesto será explicado e romanceado pelo guia da visita. Entra-se pela Porta dos Leões. rainhas. É dela que aqui permanentemente se fala. de onde podemos admirar a fachada gótica da edificação de quatro pisos. pagando a ousadia com a vida. que nos mostrará também como aí terá nascido um antecessor do actual jogo de ténis — vem de “tenez” = “toma”. por exemplo. uma pequena cidade na margem sul do Loire que foi capital do reino no tempo de Francisco I feito a Leonardo Da Vinci para se radicar nas margens do Loire. Percorrendo os dois pisos de exposição. palavra de ordem de uma espécie de “jogo da pela” que os fidalgos praticavam no fosso do castelo.. consorte daquele e depois do seu sucessor Henrique II. encimados por chaminés e janelas profusamente decoradas. a do escanção. da China a Amboise. o passeio pode começar pelo Château d’Amboise. Château d’Amboise Chegados ao pequeno aeroporto de Tours. astrónomos como Ruggieri e Nostradamus. estamos no tempo de Joana d’Arc. que foi capital do reino no tempo de Francisco I. a heroína adolescente que libertou o seu país do domínio dos ingleses. pela localização geográfica e pelas figuras e episódios históricos que consolidaram o país O Palácio Nacional de Chambord é o maior e mais monumental palácio da região do Loire — só suplantado. o Château d’Amboise foi bastante maior do que é hoje — esta evolução está documentada numa maqueta que nos mostra que a edificação chegou a ter mais de duas centenas de divisões!. antes de Amboise ter FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 5 . Mas as marcas da sua monumentalidade e estética gótica mantêm-se. E também os aposentos e o mobiliário gótico da época de Carlos VIII e de Ana de Bretanha — que viria a ser duas vezes rainha de França. e a mais notória das “Cinco Damas” que habitaram e construíram o Château de Chenonceau. capitão dos mosqueteiros de Luís XIV —. É assim. decorada com belas tapeçarias flamengas. que aí nasceu. de Londres e Dublin…. o Palácio de Amboise. entre reis. o mais belo da região. que testemunha a importância que este tecido teve na época. transformado pela Ryanair em placa de confluência de rotas vindas. é possível ver a exposição documental Um fio de seda. e é ela que se vê.Este é o coração de França. uma pequena cidade na margem sul do Loire. E ganham especial expressão na exuberância flamejante da Capela de St. escritores como François Villon e Madame de Staël. mas conquistando a imorta- lidade (e a santidade). Hubert. Nesses tempos em que foi corte real. com uma inovadora mesa de sala de jantar “à italiana”. artistas como a actriz Sarah Bernhardt ou o arquitecto Jean Nouvel.

e também as rainhas Margot e Isabel de França. Tintoretto. Château de Chambord Neste ziguezague pelos châteaux na margem sul do Loire. com alguns dos instrumentos utilizados pelo cientista. uma vez mais. a “Dama das Luzes” — Voltaire chamou-lhe “Deusa da beleza e da música” —. Chenonceau Tel. Também o edifício do palácio dedica um dos seus três pisos abertos ao público a exposições de arte contemporânea — na altura da visita da Fugas. Inglaterra. já que. este palácio começou por ser uma espécie de “presente” do rei Henrique II à sua “favorita” Diana de Poitiers. este é o parque florestal fechado maior da Europa. Isabel de Áustria e Luísa de Lorena. O palácio propriamente dito. depois da morte de Henrique II. ao tempo da ocupação nazi. E outra área da propriedade é palco anual de um Festival Internacional de Jardins — que na edição do corrente ano. por Fontainebleau e Versalhes. respondendo a forte pressão pública nesse sentido. além de Abd el-Kader. É com estes nomes (e respectivos retratos) que o visitante se depara em cada uma das divisões do palácio. Entre os aposentos reais — e por aqui passaram. O parque e as instalações adjacentes ao castelo são utilizadas como cenários para intervenções e exposições temporárias de arte contemporânea. que no seu palácio acolhia os enciclopedistas. com uma área equivalente à de Paris (e recebe. Também aí viveu a escritora iluminista Madame De Staël. a rainha que encontraremos bem mais presente no Château de Chenonceau.com Aberto todos os dias do ano. Henrique IV. Rússia e EUA.Capa Vale do Loire Palácio de Chenonceau: vista exterior junto ao rio Cher. Louis-Philippe. que o mandou construir como um faustoso couto de caça — com os seus 5440 hectares. as duas galerias do palácio sobre o Cher foram palco das mais faustosas festas da época. Quando residência da corte. no século XVIII. tendo sido via de escape de muitos resistentes ao nazismo. para além de Diana. Itália. Sem dúvida um dos mais belos da região. a escassos 15 quilómetros de Amboise. Na visita. nomeadamente quando. Murillo.: +33 (0) 247 234 406 www. o chefe tribal e religioso argelino que liderou a luta contra a dominação francesa em meados do século XIX. Chenonceau tem a particularidade de ter sido ampliado — primeiro por Diana. É conhecido como o “Château das Damas”. e o Reino de Vichy. o nome de Catarina de Médicis (e também o de Diana de Poitiers). aí habitou Madame Dupin. de onde se tem uma vista sumptuosa sobre o Loire. além de Maria Stuart. : +33 (0) 254 209 922 www. Do lado da História. A sua história tem igualmente a assinatura de Francisco I — também dito “O Príncipe Arquitecto” —. No interior do palácio.chenonceau. dedicado ao tema Pecados Capitais. nele habitaram Catarina.chateau-amboise. anualmente 750 mil visitantes).com/pt-br Aberto todos os dias do ano. a Regressando às bordas do rio. que foi perceptor do seu filho. que o comprou para residência real em 1560. Chenonceau foi transformado em hospital militar (onde foram tratados 2254 feridos) e. Hans Zischler e Bae Bien-U (fotografia) e Sarkis (vitrais). com destaque para a Biblioteca e o Gabinete Verde de Catarina de Médicis. nota o guia. com uma vista magnífica sobre o Cher e o jardim da sua “concorrente” Diana. Jean Jouvenet ou Henri Sauvage — que em 1901 retratou Catarina de Médicis. com a abóbada gótica flamejante da capela.: +33 (0) 247 570 098 www. a sua ponte fazia a fronteira entre a França ocupada. fugida da perseguição de Napoleão Bonaparte. depois por Catarina — através de uma ponte-galeria (de dois pisos) sobre o Cher. Amboise Tel. à época “consideradas as melhores da Europa”. Bassano. Château de Chaumont-surLoire tóricas. E assim continuou 6 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 a acontecer pelo tempo adiante. além dos reis já citados. em toda a França. e que esteve aprisionado no Château d’Amboise durante quatro anos. o palácio é também um autêntico museu de Arquitectura e Belas-Artes. e aposento interior perdido para Tours e Lyon a disputa do seu comércio. e em especial JeanJacques Rosseau.domaine-chaumont. excepto 1 de Janeiro e 25 de Dezembro. Durante a I Grande Guerra.fr Aberto todos os dias do ano. e aí acolheu figuras como os astrónomos Nostradamus e Ruggieri — uma das salas mantém mesmo o nome deste último. que no conjunto justificam uma visita de dia inteiro. mais um passo para Chambord. Chaumont-sur-Loire Tel. passamos sucessivamente pelos quartos de cada uma das damas e rainhas que o palácio acomodou. Do lado de fora deste palácio. no percurso da visita ao château avulta. aí se podiam ver trabalhos de artistas como Gabriel Orozco (pintura). Château de Chenonceau Construído durante a primeira metade do século XVI. Para além das ressonâncias his- norte. cujo arquitecto permanece desconhecido. podemos também ver o aposento de Catarina de Médicis. na II Guerra. associa o património (aqui monumental) de uma edificação com raiz medieval mas cujo perfil actual remonta à recuperação realizada no século XIX com um jardim “à inglesa”. há ainda para visitar as cavalariças do século XIX. afluente do Loire. chegamos ao Château de Chaumontsur-Loire. Holanda. casa a nova estética do Renascimento italiano com uma estrutu- . uma propriedade de 32 hectares — quase o dobro do Parque de Serralves — e que. Van Dyck. até ser libertado por Napoleão III. afluente do Loire. como a fundação portuense. aquele que é o maior e mais monumental palácio desta região — só suplantado. contou com intervenções de três dezenas de artistas e arquitectos paisagistas de França. que o fez rodear de um dos mais belos jardins da época. as tapeçarias dos quartos das rainhas e um impressionante espólio de pintura que reúne telas de mestres como Correggio. Rubens. na margem do rio Cher. Luís XIII e XIV. que daqui governou o reino. chamando a atenção para a curiosidade de ter uma cozinha própria com água aquecida para os cavalos — e o desenvolvimento da agora famosa empresa de couros Hermès também passou por aqui. Francisco II.

.

. Em 1930. no palacete Clos Lucé. incluindo talheres e copos sobre a mesa. 282 chaminés. Francisco I e outros —. mais do que um pintor. a 2 de Maio de 1519 (há um quadro famoso de Ingres sobre este momento. Mas não enjeitou os seus dotes de artista. evocando um homem de quem Francisco I disse ser impossível que a vida viesse “a produzir alguém comparável”. por denotarem uma paralisia do braço esquerdo. onde viveu os seus últimos anos e onde viria a morrer e a ser sepultado. uma das “atracções” no Château d’Amboise. e que desde meados do século XIX lhe está dedicado do ponto de vista museológico. estava a Mona Lisa… Francisco I atribuiu-lhe uma tença anual e nomeou-o “primeiro pintor. “PRIMEIRO PINTOR DO REI” Nem toda a gente saberá que Leonardo Da Vinci (1452-1519) foi um dos mais famosos habitantes de Amboise. tape- çarias. Para além da inevitável viagem à História — por aqui passaram Joana d’Arc. Hubert. Ironias da História: Francisco I só aí morou 72 dias. esta com a particularidade. em baixo. algumas das suas máquinas espalhadas pelo parque. seu incondicional admirador. a monumentalidade continua a ser a nota dominante. Convidado por Francisco I. de Luís XIV a Carlos X… Incluindo o Marechal Berthier. e onde está reconstituída a sala das torturas medievais. entre as quais avulta a principal. desde Itália até ao Loire. monarcas como Henrique II e… Luís XIV. Meung-sur-Loire 16. Da Vinci chegou a Amboise no final de 1515. a quem Napoleão ofereceu o palácio após a vitória na batalha com este nome contra o Império Austríaco. 426 divisões. foram identificadas como sendo de Da Vinci — de quem não são conhecidos descendentes e.: +33 (0)238 443 647 chateau-de-meung. num dos topos do jardim. dentro e fora do palácio. As outras divisões do edifício — onde. não permitindo a investigação pelo ADN. um conselheiro. Mas o templo foi demolido no início do século XIX. Chambord Tel. por essa razão. das perucas e perfumes. Numa lápide de mármore no chão. do teatro. no total. em contrapartida. Mas a identificação dos restos mortais de Da Vinci é algo que não está isento de dúvidas. uma delas medieval e outra do século XVIII. Escavações realizadas em 1863 permitiram recuperar entre as ossadas umas que. escreve o próprio no guia da visita. o Château de Chaumont-sur-Loire. Dela tiraram proveito. de estar pintada de cor-de-rosa. mas possui. a residência dos bispos de Orléans. Actualmente propriedade de Xavier Lelevé. É o centro de uma pequena cidade fundada pelos romanos no século V. E também a sala dos licores e de jantar — onde se aprende que o serviço “à russa”. como as escadas em caracol de Chambord). há inúmeros festivais de todas as artes (música. este empresário do turismo admite que o seu palácio “não tem o brilho dos châteaux que acolheram os reis de França. o Estado francês voltou a adquirir a tutela do palácio e transformou-o em património nacional. A sepultura foi depois refeita na capela de St. Sabe-se que o pintor morreu em Amboise.com e da Ryanair DA VINCI. rara. dos doentes. a norte. de resto. atravessando o Loire para a margem direita. além de outras exposições temporárias. Château de Meung-sur-Loire Finalmente. como um leão autómato.org Aberto todo o ano. Uma exposição permanente sobre as relações de Da Vinci com a França. Hubert. a escassos metros do palácio real. que libertou o palácio dos ingleses. no decorrer de uma das sucessivas alterações do palácio. Meung-sur-Loire é conhecido como “o castelo das duas faces”. que foi. a residência dos bispos de Orléans. que aí fazia as suas caçadas em estadias animadas com a música de Luly e o teatro de Molière. e que se diz ter sido inspirada em desenhos de Da Vinci. Mas. onde em 1461 foi aprisionado o poeta François Villon (1431-1463). quando tinha já 64 anos — diz-se que entre os três quadros que transportou na sua viagem. de burro. e foi. encomendando-lhe projectos de arquitectura (são-lhe atribuídas as torres do Château d’Amboise. uma propriedade de 32 hectares que associa o património com raiz medieval com um jardim “à inglesa” ra de fortaleza medieval (um torreão central com quatro torres em volta resguardadas por muralhas). fazem a programação deste museu. para ver mais bem documentada a estadia de Da Vinci em Amboise. engenheiro e arquitecto do rei”. no perímetro do château. o Château de Meung-sur-Loire. excepto dias 1 de Janeiro. das mulheres. primeira terça-feira de Fevereiro e 25 de Dezembro. incluindo a equestre. o Château de Meung-sur-Loire oferece-se como uma experiência assumidamente pedagógica. Há a sala das armas. faianças e uma também notável colecção de retratos de muitos dos monarcas e outros inquilinos.: +33 (0)254 504 000 chambord. entrou nos hábitos da aristocracia francesa só no século XVIII. além de uma casa de banho com exemplares de banheiras desde o século XIV até ao XIX. com o pintor ladeado por Francisco I). duas escadas em caracol que nunca se encontram. um medalhão em bronze feito em 2004 por de Jean Cardot imortaliza o perfil do mestre italiano. urbanismo e até de festas e de artefactos. e não chegou sequer a ver a obra concluída. há mais de dois mil objectos expostos — estão organizadas para dar a conhecer e perceber os costumes de cada época histórica. tendo sido colocado um busto do pintor no sítio da antiga igreja. place du Matroi Meung-sur-Loire Tel.com Aberto todo o ano (actualmente fechado até Março de 2015. que podem ir de uma a três horas –. depois de uma visita do embaixador russo em Paris. Há os aposentos reais. A Fugas viajou a convite da Rendezvousenfrance. didáctica e mesmo interactiva: é possível perceber a sua evolução no tempo através de um filme exibido na cave do século XIII. te- 8 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 mos o Château de Meung-sur-Loire. localizado na capela gótica flamejante de St. para obras). um poder temporal e espiritual marcado pelos bispos de Orléans”. Já Napoleão fez do palácio a sede da Legião de Honra. No interior do Château de Chambord — em visitas guiadas. literatura…). príncipe de Wagran. desde o século XIII e até à Revolução Francesa. onde a monumentalidade é uma obsessão: tem uma fachada com mais de 150 metros de comprimento e 50 de altura. Via nele. desde o século XIII e até à Revolução Francesa. O seu túmulo é. de Francisco I a Maria Antonieta. com lareiras. depois. 200 capitéis esculpidos e 77 escadas. Kourakine. teatro. transformado em percuso lúdico-didáctico para as famílias. além de jornadas nacionais de caça e pesca. E que foi sepultado na Igreja de Saint-Florentin. é preciso visitar o Clos Lucée (na foto acima).Capa Vale do Loire Em cima. mobiliário. Ao longo de todo o ano. o palacete à entrada da cidade onde habitou.

.

O edifício é rodeado por um belo jardim. o santo fundador da cidade e que. O equipamento inclui um restaurante absolutamente recomendável. nunca muito largo. com Kafka — um roteiro turístico dedicado à heroína. toda a França acabou por adoptar Joana d’Arc como heroína nacional. De resto.: + 33 (0)618 093 570 É um antigo moinho. um relógio e um friso de baixos-relevos no átrio. além de toda a gama de legumes que se cultivam nas hortas à margem do Loire. após o ziguezaguear entre os châteaux das duas margens do Loire. de duas incaracterísticas torres “coroadas”. como pelas suas castas Pinot Noir e Romorantin (introduzida na região por Francisco I). Mas é no interior que Joana d’Arc consegue o pleno da atenção: uma capela. Virgem soberana?/ Onde estão as neves de então?”. E há ainda. de autoria de Nicolas Michelin. foi um dos principais pólos de peregrinação cristão. Tem ainda apenas dois quartos (Le Foulon e La Meule). há todo um percurso entre a catedral. mas brevemente terá três. renovado e ampliado há dois anos a partir de um velho hotel de estrada. Tem 12 quartos. nascido precisamente no ano da morte de Joana d’Arc (1431). viria a consagrar como padroeira do país. E se há uma cidade a que Joana d’Arc está intimamente ligada. com Pessoa.ryanair. Começa no átrio do Hotel Groslot. É terra de caça e de peixes do rio. que associa os estilos românicos com o gótico e renascença até à Basílica de São Mar- Tours foi capital do reino nos séculos XV-XVI tinho. Cabernet Franc e Sauvigon Blanc.: +33 (0)950 057 122 Um Bed&Breakfast em pleno centro histórico de Tours. ONDE COMER O Vale do Loire é também património gastronómico de França. mesmo que aí tenha permanecido pouco mais de uma semana./ Onde estão eles. ou o novo Théâtre Olympia – Centro Dramático Regional de Tours. com) voa do Porto para Tours com preços a partir de 49. é julgada por um tribunal eclesiástico e queimada viva em Rouen. em salas dos museus de Belas Artes e de História e Arqueologia… e até nos pavimentos de ruas do centro histórico. E que associa as marcas da História (foi capital do reino nos séculos XV-XVI) com a modernidade. Henrique IV e Francisco II. E também o centro da “movida” da cidade no bairro pedonal de Plumereau. A parte mais nova da cidade está simbolizada no metro futurista que percorre a Rue Nationale (uma avenida com extensão idêntica à da Boavista. e cujo fluxo de turismo naturalmente aumentou a partir do ano 2000. Daquelas. numa porta (de Bourgogne. com a monumental estátua em bronze. COMO IR A Ryanair (http://www. na margem sul do Loire. este é o típico palacete senhorial de província transformado em hotel de charme. O Hotel Groslot é um palacete que já foi paços de concelho. construção iniciada no século XIII.. é em Orléans que mais se celebra a sua figura. chega a uma Orléans cercada. onde. E. Há ainda as casas medievais em madeira (Passage du Cour Navré) e a casa onde Joana d’Arc foi armada cavaleira. são muitas as escolhas de alojamento naquela que é uma das regiões mais visitadas de França. concentração de cafés e restaurantes igualmente rodeados de casas centenárias em tijolo. Os nove quatros têm todos dimensão king size. Rue Jules-Gautier Saint-Ouen-les-Vignes Tel.: +33 (0)247 301 529 É um pequeno hotel rural a uma dezena de quilómetros de Amboise. L’Aubinière **** 29. Rue des Combatants en Afrique du Nord Contres Tel. mas também de queijos de cabra (Pouligny Saint-Pierre é uma das marcas classificadas há mais tempo) e de foie gras. O resto da história de Joana d’Arc é conhecido: é capturada no ano seguinte pelo Duque de Borgonha. recentemente transformado em hotel de charme por uma jovem família numa pequena localidade a meia dúzia de quilómetros de Orléans. Muito provavelmente foi François Villon. num confortável complexo de cinco quartos. reivindica rivalizar com estes. nota a guia. Há mesmo — à imagem de Lisboa. construído sobre as ruínas de um teatro romano. Outro lugar de visita obrigatória em Orléans é a catedral gótica (na foto abaixo) — mesmo se Proust a classificou como “a catedral mais feia de França”. o primeiro poeta a “cantar” a heroína da Guerra dos Cem Anos e a mártir que a França. o filho de Catarina de Médicis que aí morreu com apenas 16 anos. salvas e recuperadas a seguir à II Guerra Mundial. Mas se. não tendo a fama dos Bordéus ou dos Borgonha. mas também pelas marcas e memórias da passagem de reis como Carlos IX. Manoir de Contres *** 23. agora de outra perspectiva. cópia de um original em mármore esculpida pela princesa Maria de Orléans em meados do século XIX. em 1920. Tem a elegância burguesa dum edifício do início do século XIX (1818). Rue de la Reine Blanche Olivet Tel. cujas linhas foram desenhadas pelo artista conceptual francês Daniel Buren. desde a canonização. armada cavaleira em Tours poucos dias antes. este palacete é uma das visitas obrigatórias na cidade. pelas tropas inglesas. que transformou um palacete (hotel particulier) do século XIX na sua residência e simultaneamente. não apenas por ser a denominação (AOC) mais extensa do país. onde a sua efígie assinala os limites das esplanadas dos cafés! 10 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 F inalmente. perto do edifício da câmara e da catedral. como monumentos inscritos numa paisagem que dificilmente se esquecerá. reconstituição daquela por onde a donzela-guerreira entrou em 1429). com 10 sítios assinalados no mapa da cidade. No dia 29 de Abril de 1429. estas levantam o cerco. ONDE FICAR Como se adivinha. há vários meses. É a aposta de uma família. aliado dos ingleses. E continuaremos a ver os palácios. e um mês mais tarde o exército liderado por Joana d’Arc e Carlos VII esmagam o exército britânico na Batalha de Patay. vale a pena regressar de Orléans a Tours pela margem direita do rio. onde um pavilhão foi transformado em suite para deficientes. com uma vista fabulosa sobre uma represa do Loiret. ela é normalmente nomeada “A Donzela de Orléans”. com a classificação como Património da Humanidade. Le Moulin St. Tours é uma cidade com 135 mil habitantes e uma forte presença de população estudantil. ida e volta. no século XIX. numa casa. Aqui ficam quatro sugestões. de autoria de Paul Belmondo (pai do célebre actor de cinema). Aí se verá que se trata de um curso de águas calmas. e mantêm o mobiliário de época. Chenin e Gamay… . É ainda a rota da mostarda e do açafrão. e que no interior evoca ainda Joana d’Arc com outra estátua e um vitral copiado de um original de Ingres. desde o século V. B&B La Maison Jules 45. sendo o rei coroado em Reims. num edifício autónomo separada por um jardim. ainda que tardiamente.99€. na área da arquitectura contemporânea. a 30 de Maio de 1431. como nos casos de Chaumontsur-Loire e Amboise. uma estátua.Capa Vale do Loire Regresso a Tours Orléans é… Joana d’Arc Guia prático “E Joana. não apenas pela arquitectura do belo edifício em calcário e tijolo que começou a ser construído no século XVI e ganhou o figurino actual em meados do século XIX. no Porto). A 8 de Maio. a acompanhar o percurso feito pela Fugas. ardósia e madeira. o Centro de Congressos projectado pelo “Pritzker” Jean Nouvel. Joana d’Arc tem ainda o nome numa rua. logo a seguir a Roma e a Jerusalém. numa cama que ainda hoje é exibida como testemunho desse momento fatídico. Talvez o escritor se tenha referido ao acrescento. é Orléans — de resto. a jovem chefe militar.. um conjunto de vitrais de Jacques Galland e Esprit Gibelin. e que foi adaptado a hotel há um par de anos. nos vinhos. ou de Praga. Julien 1303. Na cidade. e ainda de mel e de tarte de maçã caramelizada. Rue Jules Simon Tours Tel. a boa Lorena/ Que os ingleses queimaram em Rouen. Henrique III. afluente do Loire. : + 33 (0)254 784 539 A leste de Amboise.

numas férias em Aveiro. pombo assado. o visitante pode optar entre um prático self-service (Pergola) instalado nas antigas cavalariças — com o prato do dia.50 euros —. Rue du Géneral De Gaulle Chargé. Diz que foi o contacto com a gastronomia portuguesa que fez despertar nele a vocação da cozinha. ou supremos de aves com legumes (com preços entre os 12. a empresa comercializa um sumo de uva sem álcool tratado pelo método champanhês.pt/ Caves Domaine des Huards 32. Le Pavillon Bleu 351.Veja a fotogaleria de Nuno Ferreira Santos em fugas.: +33 (0)247 619 382 Benoît Pasquier visitou Portugal quando era adolescente.: +33 (0)238 661 430 Este “Pavilhão Azul” fica na outra margem do rio Loiret relativamente ao hotel Le Moulin St. com menus a 30 e 38..com PUBLICIDADE Le Saint Honoré 7.: +33 (0)247 239 197 Nos serviços de apoio ao château. e que está na família desde 1508.rendezvousenfrance.: +33 (0)254 799 790 Propriedade familiar de Jocelyne e Michel Gendrier. por exemplo. ou mesmo escolher programas temáticos (com observação de aves. peixe do Loire.: +33 (0) 247 305 517 Mathieu e Guillaume são os proprietários desta quinta que fica a escassa meia dúzia de quilómetros de Amboise. com preços entre os 18 e os 48 euros/ pessoa). com piquenique. Place des Petites Boucheries Tours Tel. ou o mais sofisticado. tudo acompanhado com os legumes e as ervas finas que o próprio cultiva na sua horta junto ao Loire. com a ementa escrita numa lousa e várias inscrições humorísticas na parede. Entre a variedade de colheitas que aí é possível adquirir. Tem uma decoração informal e imaginativa.50 euros) são algumas das sugestões.publico. música e degustação de vinhos. que foi desactivada no século XIX com FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 11 . L’Orangerie + Pergola Château de Chenonceau Chenonceu Tel. Julien. usando cortiça portuguesa). Treinou a profissão num cruzeiro em volta de África e. com predomínio da casta Romorantin. foi retomada para fins turísticos. NA INTERNET pt. caracóis. pode sempre acontecer que Benoît convide o cliente a descer à cave para lhe oferecer um espumante da região.. maioritariamente das castas Cabernet Sauvignon. foie gras da Touraine. gere. mas é também a expressão de “um grande amor pelo rio”. a 11. 35 anos. desde há seis anos. Trata-se da adaptação de uma velha pastelaria numa acolhedora sala de jantar. E contou-nos histórias do rio. etc. âncoras…). como confessou. No final de Novembro. Desde há alguns anos. É o dia-a-dia da sua profissão. Gamay e Malbec.: +33 (0) 236 209 244 “O Escanção” é um pequeno restaurante que é simultaneamente loja de vinhos e de produtos regionais. remos. restaurante l’Orangerie. com a sua mulher Isabelle este pequeno restaurante junto à catedral de Tours.: +33 (0)674 543 661 (Serviço de Abril a Novembro) Os Passeurs de Loire são uma profissão ancestral no rio. e mais caro. Restaurantes L’Echanson 5.50 e os 16. por exemplo. Entradas de queijos e/ou enchidos. escalopes de rim de vitela. da variedade de peixes que aí se pescam. e serve menus entre 27 e 36 euros. “para compensar o tempo” em que o seu trabalho não permitia fazer-lhes a companhia devida. Coelho confitado com foie gras. No final da refeição. Rue de La Reine Blanche Olivet Tel.. no seu Loigrette (o nome do barco que ele próprio construiu com um sócio). conduziu a Fugas num passeio de hora e meia. Jean-Philippe. filetes de raia e cordeiro assado são alguns dos itens do menu. Tem uma sala decorada com motivos náuticos (canoas. onde serve. funcionando entre a Primavera e o início do Inverno. o turista pode escolher também fazer um piquenique nos tradicionais toues (barcos planos). cordeiro assado com caviar de Auvergne. ALEMANHA BÉLGICA Paris Orléans Tours OCEANO ATLÂNTICO FRANÇA SUÍÇA ITÁLIA ESPANHA a construção de novas pontes ligando as duas margens. Voie communale des Huards Cour-Cheverny Tel. Domaine Plou et Fils 26. Jean-Philippe ia interromper o seu trabalho e passar o Inverno com a família. Além dos passeios (balades) pelo rio.50 euros. o tradicional e normalmente seguro boeuf bourguignon. fora a bebida. e que se transformou num produto muito procurado para festas para todas as idades. da vida dos castores nas margens. Um piquenique no Loire Passeurs de Loire Embarcadouro de La Tuillerie Sigloy (Tours) Tel. Rue d’Orange Amboise Tel. Amboise Tel. tem 38 hectares de vinhas plantadas (que produzem 200 mil garrafas/ano.

uma ementa preparada por nutricionistas. um deles destinado apenas às mulheres. cada um é obrigado a uma grande ginástica para gerir da melhor maneira uma verba que terá de cobrir as despesas com a alimentação. uma realidade para qualquer desportista (o futebol não é exclusi- 12 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 vo) que já começa a dar resultados. na maior parte dos casos. como atesta o facto de o país se ter sagrado. com os transportes e com o telemóvel. apreciam a panorâmica sobre a cidade onde os prédios crescem mais do que os cogumelos nos campos. o minúsculo emirado não possuía uma única escola ou um hospital. dentro de poucos anos. são nove campos de treino. muitos destes homens estão habituados. um hotel que ameaça tocar o céu. jardins bem tratados. Para trás.Todos falam do Mundial de futebol. no coração da velha Doha. hoje nada falta e são mais os prédios em construção do que aqueles que já foram erguidos. em 2019.Não te lembras? É o Estádio Khalifa! Assistimos a jogos do Mundial de Sub-20 sentados na bancada de imprensa! A minha memória recua até 1993 mas não alcança memórias. acrescenta este imigrante indiano que assume uma expressão nostálgica quando evoco as paisagens de Kerala. desde o dia em que chegaram ao Qatar carregando na mala pouco mais do que a esperança de uma vida melhor. tão intenso é o calor durante as restantes. fiéis aos seus cadernos onde vão apontando as dívidas dos clientes. parte importante do enorme complexo desportivo que é hoje conhecido como Aspire Zone. o Mundial de Voleibol. À primeira vista. por vezes trabalhando a temperaturas próximas dos 50 graus. Um país que não se alimenta das memórias mas que mostra ainda lugares charmosos como o Souq Waqif. o pequeno comércio. à conversa. Mais tarde. em voz baixa. habitada maioritariamente por imigrantes provenientes da Índia. mais um boné de uma marca desportiva) percorrem às primeiras ou às últimas horas do dia. de onde os clientes. uma academia que oferece aos jovens recrutados um pouco por todo o mundo as melhores condições para se tornarem. como uma língua. trilhos que homens e mulheres (por vezes estas de abaya. do Nepal e do Sri Lanka.Viagem Qatar Tão longe do passado e tão perto do futuro Se. com uma piscina a 80 metros de altura. campos relvados por todos os lados. uma situação que se foi tornando comum para os proprietários. após receberem os seus ordenados. qualquer calamidade — sou capaz de jurar que são mais os edifícios em construção do que aqueles cujas obras já foram concluídas. sente-se. aos poucos. é verdade! Deixo o olhar vaguear enquanto caminho sob um sol abrasador. em 2022. na Birmânia. admite. passeando indolentemente por Doha. Sousa Ribeiro (texto e fotos) - E stivemos aqui juntos. a comer e a dormir”. no início da década de 1950. Num emirado onde não há partidos políticos e muito menos oposição. para a família —. de inércia). jornalista tunisino que viveu no país por essa altura antes de se mudar. todos os meses. na companhia de um chá que custa pouco mais de 20 cêntimos de um euro. saindo para o exterior. Longe das famílias. uma proeza inédita na história do futebol do minúsculo emirado. especialmente tendo em vista o Mundial de 2022. piscinas olímpicas. futebolistas de elite. este ano. erguendo-se acima de tudo e de todos. No total.Que grande transformação sofreu o Qatar. acolherá os Mundiais de Atletismo. depois de enviado dinheiro para a família. À minha frente desenha-se uma nave com o tecto pintado de azul. À minha direita ergue-se uma estrutura bizarra. nem de nada em Doha. facilmente se chega à conclusão de como é difícil o dia-a-dia destas gentes. a pagar as suas contas no início de cada mês. Nasih Chatholi. uma metamorfose intimamente ligada a uma qualidade de vida quase sem paralelo no mundo. e Dafrallah Mouadhen. não te recordas? Olho uma vez mais e abano a cabeça em sinal negativo. mas a maior parte ignora que o Qatar já organizou. Nesta zona. não tendo mais . do Bangladesh. Auferindo salários que dificilmente ultrapassam os 500 euros — e desta verba cerca de 70% é enviado. o vestido negro. nos Emirados Árabes Unidos. como a capital está a mudar radicalmente a sua face. de onde é natural. vai desaparecendo. campeão asiático de sub19. assumindo a dimensão de uma formiga à distância a que me encontro. em Musherib. “Com o pouco que resta ao fim do mês. com o aluguer da casa. do Paquistão. inteligentemente renovado nos últimos anos. errando pela Al Diwan Street. mais do que em qualquer outro lado. entregando-se ao exercício físico antes ou depois de mais um dia de trabalho (ou. Para a maioria dos imigrantes. fico com a impressão de que a capital do Qatar foi vítima de qualquer catástrofe. o véu. e hijab. . no próximo ano será o de Andebol e. cursos de computador — mais do que um sonho. umas bancadas rodeadas por dezenas de gruas que se recortam contra o céu sem uma única nuvem. as lojas baratas de roupa e de comida do Sul da Ásia. em Outubro de 2014. para Sharjah. nem do estádio. no sul da Índia. o medo de dar a cara e o nome impera mas. a vida no Qatar resume-se a trabalhar. anos mais tarde. . “E muitos deles vivem em casas que abrigam mais de 20 pessoas”. concorda comigo: .

onde se cobra vinte vezes mais. assim como a verdadeira identidade árabe. 90 quilómetros a norte de Doha. uma delas. o bazar permanece como um local admirável para se deambular sem pressas pelas suas vielas labirínticas. muitos destes imigrantes não sentiram dificuldade para se adaptarem à vida de Doha. uma separação que. esse sentimento e a distância”. com muitas das obras já terminadas. No exterior. os cheiros. a Área Industrial Sul e. ao Cairo. quando Musherib nada mais tiver a ver com a imagem de um passado recente. Para tornar o espaço mais confortável. Karachi. com sucesso. serão muito menos os imigrantes a ter vontade de viver em Barwa. Cairo. observando o vaivém de clientes e a indolência daqueles que. onde os costumes ainda estão bem presentes. demasiado cara para os imigrantes viverem ou alugarem um espaço onde possam continuar a desempenhar a sua actividade nos moldes em que estavam habituados. FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 13 . a Dhaka ou a Thiruvananthapuram. que não se diferenciava muito daquela com que estavam familiarizados. O arquitecto procurou. todo um modo de vida que não provocava qualquer tipo de choque cultural nos recém-chegados. de certa forma. enfatiza Nasih Chatholi. ao início do dia ou ao final da tarde. ainda. num hotel. no meio de um trânsito caótico). assim como a verdadeira identidade árabe da qual os qataris. algumas delas originais. também o Souq Waqif esteve quase condenado à demolição mas. uma pequena loja com cheiros fortes e preços acessíveis por um hipermercado inodoro e caro. sendo cliente habitual. troca-se um barbeiro por um cabeleireiro. permanece como um lugar onde turistas e locais se misturam. Uma quarta. Naturalmente. com elegantes casas caiadas. ao longo de 20 estações que irão ligar Messaieed a Al Khor e. sentiam saudades da mulher. chegava ao Qatar. estabelecerá conexão com cada uma das outras e. contrariamente a alguns parques temáticos espalhados pelo Golfo Pérsico. em 2018. escutando os sons. Talvez porque eles já não se revêm na cidade. muito mais os que partiram de regresso a Peshawar. a Linha Azul. Perante o cada vez maior número de estrangeiros a viver em Doha. Doha assemelhavase a uma pequena cidade. um lugar de trabalho. não abdicam. graças à visão de alguém que viu nesta área enorme potencial turístico. um pequeno restaurante onde se serve comida deliciosa por quatro euros por ou- tro. a despeito de um novo modelo de vida ocidental. bebendo o seu chá e fumando guedou. Em pouco tempo. tendo como principal objectivo inverter o processo de delapidação das suas estruturas históricas e remover adições ou alterações inapropriadas. baseou-se num minucioso estudo da existência do Souq Waqif e dos seus edifícios. esculpidas com delicados motivos arabescos e as suas traves de madeira. um lugar de lazer mas também de compras na sua forma mais ancestral — enfim. vindos de outros quadrantes. a Ras Laffan. ligadas por camadas de barro e de palha. No mesmo ano. talvez porque a cidade já não precisa deles. os restaurantes. também com início em Musherib. a Linha Dourada. com uma atmosfera. esperam pacientemente que alguém lhes entre pela porta. no interior das lojas. “Para quem. como em tempos imemoriais. Por isso. da família e dos amigos mas o ambiente que os rodeava atenuava. com ar condicionado. com um total de 32 estações. tem o seu próprio cachimbo de água. principalmente aqueles que aqui trabalham há mais tempo. quando as obras estiverem concluídas. onde os costumes ainda estão bem presentes. coloca um ponto final numa relação de amizade que se foi fortalecendo ao longo dos anos. a velha Musherib não será mais do que uma área residencial destinada à classe média-alta. a Linha Vermelha. metade de Musherib foi demolida e da outra pouco ou nada resta nos dias de hoje. a norte. os seus pequenos cafés. com as suas barbearias. Em 2018. com uma extensão de 174 quilómetros. a imagem do progresso do país Admirável Souq Waqif do que um ou dois amigos com quem conversar nas poucas horas livres que lhe são proporcionadas (e só eles sabem quantas horas perdem. servirá a Cidade da Educação. o narguilé dos persas — e cada um deles. Umm Salal. sentindo prazer em reunir-se nos cafés tradicionais.O Souq Waqif é o coração social de Doha. outra. rasgando Doha de oriente a ocidente. foram reintroduzidas técnicas tradicionais para isolar os edifícios contra as altas temperaturas que se fazem sentir e criado um sofisticado sistema eléctrico que ilumina e torna ainda mais charmosas as ruas e vielas de um souq que. tem vindo a ser inteligentemente renovado para dar a ideia de um bazar do século XIX. igualmente com passagem por Musherib. Como Musherib. outra. sentindo os cheiros. Musherib será a estação de metro onde todas as linhas se irão cruzar. dos filhos. O Souq Waqif é o coração social de Doha. como Musherib. da responsabilidade de Mohamed Ali Abdullah. ligará o Aeroporto Internacional Hamad à cidade de Al Waab. a Linha Verde. há 20 anos. Dhaka ou Thiruvananthapuram. uma pequena cidade-satélite situada a uns dez quilómetros da velha Doha para onde hoje começam a ser evacuados. a Karachi. rejuvenescer a memória do espaço. com a demolição dos prédios modernos e a substituição das folhas de metal por madeira e bambu nos tectos. pelo menos em certas zonas. O projecto de revitalização. por essa altura. sendo pouco mais do que um dormitório ou um conjunto de bocas de onde sai gente apressada do metro. em simultâneo — tanto é o tempo que se desperdiça em transportes públicos —. correndo ao longo de 128 quilómetros. a despeito da proximidade da Manhattan de Doha. vindo de cidades como Peshawar. obrigando os seus habitantes a dispersarem-se por outras zonas.

o Fanar está longe de corresponder ao modelo de arquitectura qatari para os locais de culto (é uma réplica da Grande Mesquita de Mutawwakil. Das pérolas viveram. até 1930. aberto em 2006 para mostrar o Islão como modo de vida para o mundo. a leccionar numa qualquer escola do emirado. precursora da actual companhia estatal Qatar General Petroleum Corporation. onde se pode comprar ou vender (às vezes por milhares de riais) um falcão (e não muito longe daqui está situado um hospital — o Falcon Hospital —. embora aberto à oração. à minha direita recorta-se contra o céu o majestoso Centro Cultural Islâmico (mais conhecido por Fanar. pratos gastronómicos. o souq dos pássaros. por isso. uma vez requisitados pelos vendedores (a troco de cinco euros). contrariando os hábitos de uma sociedade altamente patriarcal.Viagem Qatar Verdadeiro ícone. crescendo em espiral. verdadeiramente equipado. Aceito o conselho e mergulho num cenário que. ainda assim. assumiu a direcção da Fundação Qatar para “a educação. em Samarra. quiçá distorcida. há uma semana não se conseguia aguentar o calor.Não perca a oportunidade de visitar. também abarca cursos de árabe. as mulheres estão presentes em todos os sectores da economia e representam já mais de um terço da população activa do Qatar. A chegada das primeiras prospecções petrolíferas e o estabelecimento. na verdade. é cada vez mais reconhecida a capacidade de Mozah para promover o desenvolvimento do mundo árabe no estrangeiro. a ciência e o desenvolvimento comunitário”. que em árabe significa farol e. sete anos mais tarde. Mas se recuarmos mais um pouco — e mesmo se avançarmos outro tanto — a vida da população foi. inaugurado em 2003 numa área que se estende ao longo de 1500 hectares. os qataris. manifestam por ela um enorme sentimento de gratidão. agora. a pouco e pouco. Na base desta mudança está o trabalho desenvolvido pela sheikha Mozah bint Nasser al-Missned. No Qatar. de computador. na medida em que a olham como alguém que teve uma importância determinante na mudança de mentalidades. No mesmo ano. após os ataques de 11 de Setembro de 2001 — e. uma forma de repor a imagem. durante dez anos. no poder entre 1995 e 2013. pelo eclodir da II Guerra Mundial. se aventuram sozinhas. foi retardada. jogos para crianças e joalharia feita com pérolas. à uma da tarde. Da minha testa escorre o suor. outros estão sempre atentos a um papel ou a uma ponta de cigarro que um turista possa lançar para o chão. e as mulheres locais. de iniciação à religião. não é preciso ir mais longe: a primeira escola abriu em 1952 e o primeiro hospital. uma realidade insustentável há menos de dois decénios. Da areia brotou Manhattan Deixo o Souq Waqif para trás. ora avançam. tem todas as 14 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 semelhanças com um farol). não sem antes passar pelo souq do ouro e por um outro. É um espaço muito interessante. ano em que o mercado entrou em queda. a temperatura chega. de cultura e jurisprudência islâmicas. marcaram o início de uma nova era que. Num emirado com poucas mesquitas. a segunda e de longe a mais mediática das mulheres do emir Hamad Bem Khalifa Al Thani. A modernização do país . no Iraque) e é um lugar onde os não-muçulmanos são bem-vindos. com um orçamento anual estimado em 11 milhões de euros. por que razão as filhas não podem trilhar os mesmos caminhos? Actualmente. o The Torch contrasta com a arquitectura tradicional da capital de um emirado com poucas mesquitas indianos ou paquistaneses continuam fiéis às suas pequenas bancadas onde consertam relógios. de caligrafia árabe. o programa cultural também engloba. na direcção do Fanar. esta mulher empreendedora percorreu o mundo na tentativa (bem sucedida) de convencer universidades internacionais prestigiadas a instalarem-se no ultra-moderno campus da Cidade da Educação. mais ruidoso. Verdadeira embaixatriz. outros ainda conduzem. muito arreigados ao passado e às suas rotinas. durante muito tempo caracterizada pela pobreza. quando muito. o centro do edifício. bem como exposições que. as filhas têm hoje legitimidade para perscrutar no horizonte um futuro muito mais brilhante — se a sheikha o faz. . mediante as necessidades e as incursões dos compradores. Com os olhos atrás da objectiva. . da Petroleum Development Qatar. Mozah. entre outros. a má nutrição e as doenças. que trata exclusivamente dos ferimentos ou de qualquer doença que afecte estas aves tão intimamente ligadas à imagem do país). mais do que procurarem converter ao Islão. outrora remetidas a uma vida caseira ou. têm como objectivo apresentar a religião na sua verdadeira essência. em 1935. nem me apercebo da presença de um qatari com as suas roupas de um branco imaculado que me incentiva a seguir em frente. pequenos carrinhos de mão que ora se detêm. Para os pais. aos 38 graus. altura em que foi substituído por Tamim bin Hamad Al-Thani. frequentemente na lista das mulheres mais bem vestidas segundo a Vanity Fair. muitas das vezes mulheres que.Está com sorte. Para se ter uma ideia das condições de vida do emirado.

o Qatar é o terceiro produtor. o mar murmura. têm uma boa relação com a qualidade. uma viagem ao longo de 13 séculos por três diferentes continentes. Uma vez no Qatar. na maior parte vezes. na lista de Património Mundial da UNESCO desde 2003. QUANDO IR O Qatar. rasgando os céus. Não é apenas a produção de petróleo. entre os séculos XVIII e XIX. as noites mais frescas e ocasionalmente ocorre precipitação. A uma centena de quilómetros de Doha. por outro lado. swbh. com os seus quatro milhões de metros quadrados. no 47.com). a Manhattan de Doha. os imigrantes deitam-se à sombra de uma palmeira no intervalo para o almoço e os qataris conduzem os seus potentes carros.É o poder do dinheiro! A frase de Hlaim Jablaoui. Outra opção passa pelo Agora. para já. no Grand Heritage Doha Hotel & Spa.Guia prático avançava. fica o sítio arqueológico de Al Zubarah. as temperaturas durante o dia atingem facilmente os 50 graus. mas este a viver em Doha. daqui. ou. entre Novembro e Abril. onde uma população maioritariamente constituída por jovens se encontra para descobrir as diferentes culturas do mundo. decidiu acabar com as extravagâncias da família real e colocar o Qatar na lista dos países como exemplo de bem-estar. o maior projecto cultural e multidimensional da capital do Qatar. a Doha. ainda assim. os famosos dohws. resume a realidade actual do Qatar. com 51 andares e uma panorâmica de 360 graus — assim é o The Torch (www. com uma elevada percentagem de humidade. enquanto Doha e outras cidades e zonas costeiras beneficiam da proximidade do Golfo. Caminho de encontro às águas do golfo. um conjunto de prédios construídos num terreno onde não há muito tempo nada mais havia do que areia. para a direita. no segundo. batendo todos os máximos mundiais. o clima é mais suave (mesmo assim as mínimas são de 13 graus e as máximas podem chegar aos 30). complexidade e diversidade das artes no mundo islâmico. em direcção à ilha artificial. vale a pena experimentar as delícias persas do Shebestan Palace. um forte militar em bom estado (neste momento alvo de obras de restauro) e ruínas do que foi. a moeda local. De passagem. no souq. com uma curta escala em Londres. no total. com preços que. Um pouco mais cara e com a inconveniência de uma longa escala no voo de ida é a Emirates. pouco frequentes. um restaurante giratório com uma vista soberba sobre a cidade. no The Torch. outro jornalista tunisino. não deixe de parar em Al Khor. já que os transportes públicos são demorados e. no outro extremo da baía. o hotel mais alto e já um ícone em Doha. Roma ou Madrid (em voos operados pela TAP ou a Ibéria). IRAQUE IRÃO QATAR Doha ARÁBIA SAUDITA OMÃ FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 15 . ou. até que. um vento forte que normalmente provoca tempestades de areia e. recomenda-se o Al Mirqab (www. um grande número de bonitos barcos de madeira (muitos deles construídos em Sur. franquear a porta de um dos muitos hotéis espalhados pela capital. a excelente gastronomia do libanês Al Terrace. Mais para lá. pelo menos em certas zonas do emirado. ainda no mesmo hotel. A língua oficial é o árabe mas o inglês é também corrente. mas os próximos anos encarregar-se-ão de colocar o emirado no primeiro lugar da lista. o Qatar é por vezes afectado pelo Shamal. um boutique-hotel (são nove. No Inverno. com um preço de 925 euros. é como se nunca tivesse estado. na Al Huqoul Street (Cidade da Educação). ONDE DORMIR Imagine uma torre que se eleva nos céus a 300 metros. depois do Paraíso surge o Qatar. é também o gás. com os seus ordenados cuja média chega aos 8500 euros. em Doha. Para os locais. mesmo ao lado do Hotel Al Mirqab. uma herança dos beduínos. exposições e bons restaurantes. tem um clima quente e seco.thetorchdoha. o Three Sixty. que liga a capital portuguesa ao Dubai e. uma plataforma aberta aos debates e às novas tendências com exposições temporárias. com INFORMAÇÕES ÚTEIS Os cidadãos portugueses necessitam de um passaporte com uma validade de seis meses para visitar o Qatar. COMO IR Uma das formas mais práticas de viajar entre Lisboa e Doha passa por recorrer à Qatar Airways. destino incontornável da cidade que reflecte toda a vitalidade. uma urbe mais antiga do que Doha. Mas há excepções e alternativas culinárias para todos os gostos. Um serviço gratuito de autocarro liga este espaço ao Museu de Arte Islâmica. teatros. A VISITAR Em Doha. funcionando entre as 11 e as 17h de quartas a domingos e entre as 15 e as 20h às sextas. no Aeroporto Internacional Hamad. No primeiro nunca estive. após um golpe militar de mestre. no Sultanato de Omã). Um euro equivale a 4. o ideal é alugar um carro (ou um veículo todo-o-terreno. em perfeito contraste nesta cidade de contrastes. No Verão. num ambiente refinado (sob um tecto decorado com elegantes tapetes).com). localizado na Al Waab Street e com um preço de 220 euros para um quarto duplo. principalmente entre a população mais jovem. É um cenário das Mil e uma Noites. todos nesta zona histórica) com 32 quartos (preços entre os 150 e 175 euros) e duas suites (300 euros). com o ar condicionado no máximo. Khalifa bin Hamad bin Abdullah bin Jassim bin Muhammed Al-Thani. À minha frente. não sendo em conta. avisto o moderno Museu Islâmico. para norte. o Museu Árabe de Arte Moderna. depois da Rússia e do Irão.55 riais. Particularmente interessante é também o Mathaf. é importante ter em conta que o clima é ainda mais tórrido no interior. fora dos hotéis. Na primeira modalidade — e atendendo somente à minha experiência — recomenda-se o Flying Carpet. de uma marina. de várias vivendas e de elegantes jardins) e praias com águas transparentes — se bem que estas existem um pouco por todo o lado num país com uma costa que se estende ao longo de 700 quilómetros. . A Pearl já se desenha no horizonte. que vai de Maio a Outubro. vale a pena errar pela aldeia de Katara. tantas são as diferenças em pouco mais de 20 anos. na Al Sadd Street. e por todo o lado há caixas de multibanco e casas de câmbio. No Souq Wakif. uma importante cidade sustentada pelo negócio do cultivo de pérolas. Ainda no Verão.º andar. imprescindível se estiver nos seus planos uma experiência no deserto e nas dunas). ONDE COMER Almoçar ou jantar em Doha implica. com um ambiente relaxante (há um projecto que prevê para muito breve a construção de dois hotéis. podendo obter o visto (mediante o pagamento de 20 euros e de preferência com cartão de crédito para acelerar o processo) à chegada. com um território plano e desértico. de forma lenta. a imagem do progresso de um país que vive mais no futuro do que no passado. um crescimento económico anual de 20% e uma taxa de desemprego quase nula. A Corniche estende-se ao longo de sete quilómetros. em 1972. por uma tarifa a rondar os 850 euros.

a indi- car um futuro como a literatura e o cinema o têm idealizado na cidade com maior índice de crescimento urbanístico da Europa. do Grand Café. sinónimo de “mãe natureza” segundo os dicionários. Um cubo de vidro experimental. Aí só há vidro a separar interior e exterior. tão selvagens quanto possível. que reabilitou para a capital uma zona anteriormente deserta. o que parecem ser frutos em calda. Modos de produzir. O nome foi escolhido para ser uma espécie de statement: nada do que se serve ali 16 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 TUUKKA KOSKI Reflecte o lugar onde se insere: cosmopolita a desafiar convenções. na Oslo em construção. no chão. raízes. cultivar. preservar. frases a marcador na parede de vidro com notas . a que contrasta com a Karl Johans Gate. Dúvidas sobre essa intenção do Maaemo? Deixe-se a sala de refeições. o imenso edifício da autoria do arquitecto norueguês Tarald Lundevall. a rua histórica da cidade de Ibsen onde Knut Hamsun andou como vagabundo. vista total para o cinzento. passadeiras para peões a desafiar vertigens e a fazer de cada um que as atravessa personagens de um jogo de consola. Não é nada por acaso que é nessa cidade nova que está um restaurante a desafiar convenções. onde se ensaia sobre a natureza para a servir 100% biológica numa experiência que pode ser radical. 1967 e um futuro imaginado em 1982 reunidos em 2014. da zona portuária envelhecida que a Opera House veio transformar em 2009 numa das mais modernas do Norte da Europa. os frigoríficos. um dinamarquês que só trabalha com 95% de produtos noruegueses. nórdica. num restaurante que. Play Time e Blade Runner. Prédios de fachadas cinzentas. biológicos. recebeu duas estrelas do Guia Michelin. Chama-se Maaemo. Isabel Lucas contraria as leis que ditam o modo de vida de um dos países mais extensos e de maiores recursos da Europa. abriu há quatro anos. Essa é a fronteira. e suba-se ao “laboratório”. marcada no vidro da porta. do Teatro. tem à frente da cozinha o chef Esben Holmboe Bang. uma biblioteca de manuais de cozinha e de alimentos. Apenas um cubo de vidro no cimo de um prédio que culmina numa passagem aérea para peões a atravessar a maior estação de comboio de Oslo e a palavra “Maaemo”.Gastronomia Maaemo A paisagem da Noruega à mesa J acques Tati e Ridley Scott. linhas rectas. ruas em quadrícula num bairro cruzado por comboios que passam num silêncio em conformidade com as mais exigentes regras ambientais. um mini-atlas para consulta imediata. com paredes decoradas com fotografias de rostos e corpos. de Esban Holmboe Bang como ele o conta aqui. e cadeiras de madeira clara. 14 meses depois de inaugurar. ramos secos. Um menu único assinado por um chef que prefere ter o nome atrás do restaurante que idealizou: o Maeemo. assim se chama o espaço que medeia a sala e o lugar onde estão os fornos. boiões com cogumelos em conserva. Não há holofotes. o maior espaço de artes da Noruega. nenhuma placa com o nome iluminado. os fogões. Estamos na Oslo moderna.

geleias. a a francesa. Serve-se uma viagem pela paisagem norueguesa. Quando os encontrávamos. pesso- ais. literalmente. “Mesmo quando os espaços tinham uma identidade renovada. afirma Esben. do lado de fora. um dinamarquês. A conversa vai quase sempre por aí: ser 100% norueguês com regras. “É uma zona muito diferente. continua. o próprio Esban. com a história que se seguiu. até pelo lado menos exposto que tem: o de um restaurante que. quase fórmulas para atingir o ponto óptimo de qualquer experiência. dois sócios. mas isso também faz parte do caminho. mais fiel às tradições num lugar que desafia o convencional. quem sabe. Ninguém nos conhecia. Agora são eles que nos vêm bater à porta. podemos fazer o que quisermos”. Não nos conheciam. ironiza. o sommelier finlandês Pontus Dahlström . identificável. E a localização não foi o menos em toda esta génese. Por outro lado. Isso PUBLICIDADE FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 17 . mas é o mote. o grande desafio: fazer uma cozinha inovadora com produtos “100% noruegueses”. que quiseram levar para Oslo um lugar que rompesse com a tradição francesa clássica que dominava. Pode ser vago. Mas se queríamos um produto não desistíamos.“Claro que há uma cozinha nórdica. Quase tão arriscada quanto o projecto de servir a Noruega como ela nunca se viu. com paladares e produtos que a definem” sobre as últimas conclusões. a dificuldade era convencê-los a produzirem para nós. de terça a domingo. Acham que estar aqui é estar associado ao prestígio. Foi um longo processo para conquistar a confiança de muitos deles. a execução reflectia essas referências”. “Quando conquistámos duas estrelas Michelin tudo mudou. “Queria algo que reflectisse o que sou e onde estamos”. o que poderíamos oferecer?”. contemporânea. Isso virá com a experimentação nas mais de 12 horas diárias que passa na cozinha com cerca de 15 pessoas. dúvidas. A filosofia Na frase que escreve a marcador azul na parede de vidro Esben lembra o que é preciso apurar na fermentação do morango silvestre. O Maaemo é um projecto pessoal. continua numa espécie de exclusividade discreta. “Antes de abrir passámos seis meses a percorrer o país à procura dos produtores certos. todas as hipóteses são possíveis. mais do que contemporâneas. que se limitavam a produzir para consumo próprio. olhando para o sócio. como a mediterrânica. Ao abrirmos aqui. Queríamos algo novo. havia produções muito pequenas. quando Esben escreve mais uma nota naquele quebra-cabeças para os poucos que passam? Provavelmente nada. outras apenas particulares. apesar do traba- lho que faz. A ideia de transparência funciona para quem está no interior e dá ao espaço a ilusão de abertura total à cidade onde os dois proprietários do Maaemo quiseram dizer com aquele restaurante que se pode ser diferente e. Se tivéssemos aberto por ali as pessoas teriam uma ideia do que este restaurante poderia ser que não seria fiel. queríamos poucas quantidades. fazendo um resumo do que têm sido quatro anos de vida a assistir. Vai servir para fazer caldas. Não queríamos que estivesse na posh west side da cidade onde está todo o dinheiro e onde estão os restaurantes de fine dining. justifica Esben sem menosprezar um único ponto no que é a identidade do Maaemo. à mudança na cidade onde escolheram viver. que definisse o que estamos e o que queríamos fazer. O que será que os poucos que passam conseguem ler. ainda não sabe bem em que prato.

mas que no momento da prova revela um sabor que convoca memórias muito antigas e pessoais. “O paladar somos nós que o manipulamos a partir de uma base e é ele quem dita tudo. o cinema e a música que se faz. Talvez seja mesmo isso que queremos servir. Em tudo há a supervisão de Esben. sempre a pensar no restaurante. não são os postais que nos vendem em guias turísticos. a italiana. isso activa a minha criatividade. ou uma pop-star. fazer alterações. toda essa experiência se foi revelando e foi sonhando com um lugar onde pudesse pôr em prática esse ideal de cruzar o que poucos se atreviam. Partilha a prova. não tem escolha. Mas esse lado negro traz uma identidade muito forte. Um paladar que a identifica e que pode ser leve e fresco. uma nova dinâmica à gastronomia. juntar novos pratos. tal andar de cima.” Como se um e outro fossem separáveis.” A opção pelos produtos orgânicos. acerca daquele paladar adocicado com uma nota de acidez mais ou menos acentuada de acordo com cada prova. acha que faz sentido falar em exótico para definir este sentido. Oslo Tel. pelo respeito pelo lado selvagem é uma filosofia de vida que Esben aprendeu com o pai e com a mãe. mas somos nós quem continua a escolher com quem trabalhamos. Cada um é trabalhado com pinças. É um modo de ser nórdico que tem ganho cada vez mais adeptos também na cozinha. com um custo de refeição por pessoa que ultrapassa os 600 euros. ao modo como é construída a imagem (desde o site à promoção do Maaemo).Gastronomia Maaemo MAAEMO ABDUL-JAUWAD orgulha-nos.” Sem nomear chefs ou restaurantes. Quem vem aqui poderia estar a fazer qualquer coisa de muito especial na vida e escolheu sentar-se e provar o que faço”. Paisagem com sabor. em cada uma. tudo é reflexo dos gostos pessoais. completamente transparente para as luzes da cidade. apesar de saber que de vez em quando tenho de aparecer. diz Esben Holmboe Bang. num processo de fermentação que segue as regras usadas pelos antepassados de um país que durante cerca de seis meses tem de consumir o que a natureza lhe forneceu ao longo de outros seis. termo que usa para definir um estatuto recente associado a quem tem o protagonismo numa cozinha. sobretudo de Esben. para Esben e para o seus sócios. 15b 0191. numa referência ao preço que faz deste um dos restaurantes mais caros do mundo.” E a maior parte dos produtos com que trabalham. No centro do tal laboratório de vidro. divulgada. desafia as boas maneiras locais. baseadas numa cultura de discrição — mas o facto de cerca de metade da clientela ser norueguesa ao fim destes quatro anos. E a da Noruega tem pouco de solar. Eu sou um cozinheiro e é na cozinha que gosto mais de estar. continua. a imagem de uma Noruega contemporânea. “Sei do que falo. mas que trouxe. onde se ensinavam regras da vivência em comum. de um perímetro de 100 quilómetros da cidade de Oslo. Tenho muito cuidado com o que faço. acrescentar produtos de acordo com a época”. Quando se fala de Maaemo. o nome de Esben nunca vem na mesma linha em que é colocado o restaurante. Tem vindo a ser muito trabalhada. preservando um sabor o mais próximo do original. fora do provincianismo a que esteve associada durante séculos.no maaemo. mas trabalhados de outra forma. louro. Como guardar pato para o ano inteiro: com uma cura de seis meses. “Este novo já não faz sentido”. “Talvez se chame paisagem a isso. atlético. É algo extremado. fotografia. alto. Esben tira uma colher e prova o conteúdo de cada uma. Ou os lagostins com sabor a pinho. a francesa. Veja o que se escreve por aqui. pela biodinâmica. “Não é por aí. prefere falar em palato. A ambição pessoal. “Claro que há uma cozinha nórdica. húmidos. o do paladar. À entrada. Quando quis trabalhar numa cozinha. pouco sujeitos a revisão. a que muitos se referem como a nova cozinha nórdica. Um norueguês pode olhar para todo este quadro. cosmopolita. a música escolhida como fundo. “Só que são os dias escuros. que o torna estranho a outra. Da apresentação dos pratos à decoração do espaço. mas talvez os que têm experiências mais emocionantes com o que servimos sejam os noruegueses”. quero esses sabores. como forte e complexo. São onze da manhã e acaba de chegar da cidade onde foi avaliar a qualidade de umas folhas JIMMY LINUS Schweigaardsgt. pergunta. Mas tento encontrar o equilíbrio. mais uma com vista aberta para a cozinha. conta o chef. identificável. passando pelo preço. que se serve em pequenas tiras. Os pratos e o vinho são da total responsabilidade do chef e do sommelier. mas antes de outras exuberâncias: as tais da natureza e da sua conservação. com sabores como o pinho ou o mar. reveladora de uma mudança de atitude.: +47 919 94 805 Email: booking@maaemo. apenas uma pergunta: tem alergias? “O objectivo é oferecer uma experiência marcante. “embora haja dias de sol”. reconhece. perfiladas num tabuleiro e. ao longo dos tempos. o processo laboratorial pára e se passa para o próximo desafio. incluindo na cozinha. como arriscado.no de pinheiro. único em relação a uma determinada geografia. Viver aqui não é fácil. O caminho está encontrado. o nome por detrás de um dos restaurantes que oferece aos seus clientes uma das experiências gastronómicas mais surpreendentes de fine dining. “Que acha?”. mas falar em novo nórdico já não é válido. quando se fala deste tipo de restaurantes dirigidos a um público que vê a comida como experiência mais do que alimento? “Eu preciso chamar-lhe cozinha. É disso de que se fala. Todas essas artes se fundem no Maaemo. vêm. ainda em trajes informais. a exibição de “riqueza”. arquitectura. Ele fala em cruzar cozinha com paisagem. brinca. É preciso continuar a refiná-lo. está um balcão de pedra que às refeições serve de mesa onde se sentam uns happy few. por exemplo. uma possibilidade que nunca termina. em todas as suas facetas antes de ser servido. Não se fala do culto dos insectos ou larvas em algumas destas cozinhas. um líquido rosado. onde os toques de sofisticação eram importados e foram. numa conversa onde fala das duas faces da moeda que é ser chef de um restaurante reconhecido internacionalmente sem querer ser vedeta. Há um nórdico. participar em eventos. “Qualquer coisa que nos estimula como seres humanos define-nos no que fazemos e. Quem se senta numa das nove mesas da sala. ir a 18 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 festivais.” Por tudo isso. é. a cozinha das experiências. continua. conseguir surpreender”. um dos pratos mais emblemáticos do Maaemo. em cima estão agora doze taças transparentes. “Temos clientes de todo o lado. o que pode ser visto no limite como uma aposta pretensiosa. Só quando se atingir o ponto ideal. Queroos o mais aproximados possível da sua essência.” E aqui já passou as fronteiras da Noruega.” . no meu caso. música. desde a proposta à imagem. um amante de cinema.” Um artista? Sorri. além de serem 95% noruegueses. em grande parte. o da confecção num menu que nunca muda por completo — “Apesar de estarmos sempre a fazer ajustes. com quem passou temporadas em comunidades na zona de Copenhaga. como a mediterrânica. com as carnes e as leveduras. semelhantes às de um laboratório de pesquisa científica. foi a essas memórias que fui buscar muita da minha inspiração. sublinha Esben. não sou eu”. falando de “quase-lágrimas” à mesa sempre que é servido um prato com uma apresentação muito diferente da tradicional. “O restaurante é o tema. São doze possibilidades de como conservar morangos silvestres. frios. com paladares e produtos que a definem.

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Válido até 31 de Março de 2016 Estado Líquido Sushi Lounge Válido até 31 de Março de 2016 Oferta de segundo prato na compra de outro no valor igual ou superior Oferta de segundo prato na compra de outro no valor igual ou superior Reserva com o parceiro Sujeito a marcação e disponibilidade. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante. além de pratos da cozinha típica mexicana.96’’N / 9º 9’ 16. sempre pronta a surpreendê-lo com o cuidado e requinte que afinal nada mais é do que aquilo que merece! Descrição: Localizado na zona Sul do Tejo. No exterior dispõe de jardins.www. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante. 5230-286 Vimioso Portugal 41º 35’ 3. ou se saboreiam as especialidades do restaurante com um fundo musical que se expande pelas trilhas sonoras do Jazz ou Soul. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante. Viseu. Carnaval. piscina para adultos.Estrada Via Falperra.www. essencialmente alsacianos e portugueses. Espetada de Gambas.hotelruralvimioso. num ambiente rústico e com o som da música ao vivo. num antigo convento restaurado do século XVIII. Tels.com . Cancelamentos com 48h.: 216 040 375 storikchiado@gmail. Junte-se a esta fiesta! A decoração. podendo apreciar as várias espécies de fauna e flora existentes. poderá desfrutar dos sabores da cozinha mexicana. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Hotel. 1200-808 Lisboa 38º 42’ 26.www. Situado em pleno Chiado. Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa (sem desconto): 20€.8’’W Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Descrição: Algo de novo chegou a Lisboa! Surgiu um espaço moderno. 3510-839 Viseu 40º 39’ 25.58’’N / 8º 23’ 20. encontrar um espaço acolhedor que prima pela variedade gastronómica e por um serviço de excelência. nunca perdendo o encanto e a beleza da paisagem natural. Peixe Fresco.14’’N / 7º 54’ 45.47’’W Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Descrição: Mesmo no centro de Rio Maior.pt .facebook.: 243 241 189 / 967 925 837 reservas@palhinhasgold. Tem 63 quartos e suites.com . Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. Na diversificada ementa.: 913 592 787 lacubata@hotmail. 4. Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. La Cubata Válido até 31 de Março de 2016 Cerrado da Loba Válido até 31 de Março de 2016 Oferta de segundo prato na compra de outro no valor igual ou superior Oferta de segundo prato na compra de outro no valor igual ou superior Reserva com o parceiro Sujeito a marcação e disponibilidade. decerto. 2040-250 Rio Maior 39º 20’ 9.: 273 518 000 / 933 190 047 info@hotelruralvimioso. Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. Reserva com o parceiro Sujeito a marcação e disponibilidade. Deixe-se cativar pelo restaurante que combina o melhor da gastronomia e da cultura brasileira. Cancelamentos com 48h. encontra o La Cubata. polvilhada com bacon fumado de inspiração alsaciana e com fusão mediterrânica. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante. Reserva com o parceiro Restrição de datas: Fim de Ano.pt Rua do Alecrim.www. uma massa fininha com queijo. Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa (sem desconto): 30€. Entre no verdadeiro país dos sabores.: 232 407 968 / 910 932 466 azucar.com Lugar de Pereiras . são algumas das sugestões. Cancelamentos com 72h. este Restaurante promete-lhe verdadeiros sabores brasileiros! Mas tem neste restaurante mais da cozinha de terras de Vera Cruz para provar. A especialidade da casa é a «Flamme».º 30B-30D (Terraços de Bragança . um restaurante com cozinha de influências Franco-Alemãs que agrega sabores nacionais. a música e todo o colorido envolvente transformam o Azucar num espaço onde a boa disposição coexiste com uma cozinha de excelência. Tels. Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. Descrição: No Estado Líquido Sushi Lounge.: 213 972 022 mail@estadoliquido. sauna. Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa (sem desconto): 36€. ginásio e rituais de relaxamento/estética. com pequeno-almoço (tarifa de balcão) Reserva com o parceiro Sujeito a marcação e disponibilidade. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante.º 5. Tem à sua disposição o Golden Sense SPA. Irá. sempre com a cor e alegria que caracterizam o povo brasileiro.08’’W Tel. Válido apenas para o prato principal com valor superior ou igual a 20€ por pessoa. n. intensamente. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante.estadoliquido. jacuzzi.com . Cancelamentos com 48h. Azucar .14’’W Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Descrição: Num ambiente acolhedor e divertido.www. Fernão Ferro. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante. Tlm.Estrada Nacional 219.22’’W Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Reserve com a maior antecedência possível para garantir várias datas disponíveis Descrição: Em pleno coração da cidade de Aveiro e na emblemática Praça do Peixe onde todas as ruas vão dar.: 253 240 700 bookings@goldentulipbraga. única! Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa (sem desconto): 13€. Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante. Arroz de Marisco.com/pages/Cerrado-da-Loba Avenida 23 de Julho de 1833 Lt. Prepare-se para dar início a esta aventura verdadeiramente gourmet e sublime o seu paladar de forma. Válido até 31 de Março de 2016 Restaurante do Hotel Rural SRa.72’’N / 6º 31’ 45. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante.com . Todas as reservas estão sujeitas à apresentação do respectivo voucher e à disponibilidade do Restaurante. N. Este espaço procura a sua satisfação através do bom serviço e da qualidade do que lhe apresenta à mesa: Lombos de Bacalhau. encontrará outras sugestões resultantes de uma fusão perfeita com a cozinha latina. Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. Sabores mexicanos num ambiente descontraidamente alegre e muito festivo.www. Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa (sem desconto): 15€.46’’W Tel. realize esta intensa viagem ao mundo dos sabores. Outras Informações PVP médio indicativo por pessoa: consultar o parceiro.38’’N / 8º 39’ 19.Chiado). As refeições são acompanhadas por uma selecção cuidada de vinhos. Valor pago de acordo com o valor definido pelo Restaurante. Oferta não acumulável com quaisquer outras ofertas ou promoções em vigor. piscina para crianças.com/restaurantelacubata Largo da Praça do Peixe. court de ténis e campo de paintball. 3800-243 Aveiro 40º 38’ 32.85’’N / 9º 8’ 35. numa diversidade de cores que se altera de estação para estação.

Sim. a forma como os vinhos são tratados e acarinhados ao longo do seu longo e lento processo de educação nas caves dos produtores. muito poucos. audácia. os cuidados. Para terminar em beleza. um vinho de cor ambarina alaranjada e brilho intenso. a visão conjunta para a sua região. Se aceitamos que uma obra musical. alegria e um fim de boca simplesmente interminável. Fazer vinho é muito mais que repetir uma fórmula única até à exaustão. é verdade que existem alguns vinhos. As notas aromáticas deixam-nos muito perto da sensação de perdição num vinho simultaneamente sensual e combativo. São vinhos de criação humana e não de terroir. na crença que os vinhos são consumados exclusivamente pela graça e bondade da natureza. saber escolher um destino e um estilo. enriquecido com apontamentos cativantes de avelã. saber interpretar as vinhas e as circunstâncias. caramelo e mel. vinhos do Porto como o Graham’s Ne Oublie ou o Taylor’s Colheita 1863. um Madeira de bonita cor ambarina. vinhos que se encontram entre os verdadeiramente grandes vinhos do mundo. interpretação e execução do enólogo ou produtor? Por isso é tão importante perceber a filosofia e o sonho do produtor. Viscoso. apesar da dimensão qualitativa e sensorial quase sobrenatural de qualquer um destes vinhos. Vinhos que em muitos casos anunciam idades vetustas. a perspectiva conjunta que é permitida pelo local e pela acção humana. Mas. Vinhos únicos como o Porto. que se anuncia numa tonalidade ambarina de ligeiros laivos avermelhados. aprecie o JMF Moscatel 20 Anos. a perspectiva e ideologia de cada enólogo. a interpretação da natureza pelo enólogo ou produtor. vinhos da Madeira como o Barbeito Mãe Manuela 40 Anos ou o Blandy’s Bual 1920. O que poderia parecer um contra-senso ou um aproveitamento do trabalho alheio é apenas uma consequência dos processos de elaboração e envelhecimento deste grupo muito reduzido de vinhos. muito mais que a repetição de um conceito universal que possa ser repisado ou que possa ser adaptado a todas as circunstâncias. a arte e a capacidade humana de quem os fez e de quem os educou ao longo das décadas que passaram na cave do que o local de origem. A boca confirma a elegância e sedução do nariz. ao invés do que a idade poderia fazer pressupor. Olhe-se para o Ramos Pinto 30 Anos. vinhos fortificados de que Portugal é tão pródigo. Seria fácil tipificar esta interpretação com exemplos de vinhos sublimes provenientes de cada uma destas regiões. que se celebrizaram pela frontalidade quase cândida como reflectem o local de nascença. O papel de quem tem de tratar da educação destes vinhos. acabam por aconselhar a sugestão de exemplos mais terrenos e mais fáceis de acomodar. acrescentando uma tensão.Vinhos que contam histórias Rui Falcão Mestres na arte da educação e envelhecimento ADRIANO MIRANDA P or vezes exageramos na noção de origem e terroir. apresentase brilhante e viçoso. para entender que os vinhos também podem ser a obra do homem em lugar do triunfo da natureza. É fácil gostar do encanto do vinagrinho e da casca de laranja. da massa de padeiro e da incrível frescura que oferece. aquilo que determina a saúde futura. Entender o vinho é muito mais que provar de forma desapaixonada e cerebral. alegre e radiante. dimensão e volume que o conduzem a uma dimensão superior. Para entender o que a lenta passagem do tempo e o génio do homem podem fazer. casca de laranja cristalizada. Fazer vinho é saber tirar partido do que se tem. vinhos que reflectem mais o carinho. Uma premissa que poderia até parecer não aplicável aos vinhos generosos muito velhos. o perfil e o génio dos vinhos fortificados é a forma como os vinhos envelhecem em madeira. terminando fresco face a uma acidez muito bem medida. Admire-se igualmente o extraordinário Henriques & Henriques Terrantez 20 Anos. é muito mais que uma simples prova fria e analítica que esquece ou que simplesmente desconhece as circunstâncias de cada vinho. agudeza e processos empregues estabelecem de forma decisiva a evolução de cada pipa e o carácter de cada vinho. o modo e subtileza como esse envelhecimento é efectuado. Muito mais que os procedimentos enológicos no momento da vinificação. e a raridade extrema que os torna quase impossíveis de Fazer vinho é muito mais que repetir uma fórmula única até à exaustão. vinhos que em muitos casos foram elaborados há dezenas de décadas… mas que frequentemente se apresentam como fruto da geração actual da casa. o preço muito elevado. glicerinado e gordo. num hino à casta que não deverá deixar passar ao lado sob qualquer pretexto. Volumoso e poderoso. vinhos Moscatel de Setúbal como os JMF Moscatel de Setúbal Superior 1911 ou o Bacalhôa Moscatel de Setúbal 1983 20 Anos. tabaco. Belíssimo para final de dia ou para meditar nas grandes decisões da vida. por que motivo sentimos tanta dificuldade em aceitar que o resultado material de uma vinha dependa igualmente da visão. é um Terrantez gigante de travo ligeiramente amargo. bolacha. A acidez estruturante dá-lhe vivacidade. transmite uma sensação salina e de maresia a que se associam os frutos secos e um leve toque de casca de laranja cristalizada. basta olhar para vinhos que nos estão mais próximos e que se encontram disponíveis em grande parte das boas garrafeiras nacionais. Madeira ou Moscatel de Setúbal. embora inteiramente justificado. que o terroir onde nasceram e que lhes deu origem. os vinhos fortificados de envelhecimento muito prolongado em pipa. FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 23 . Mas a maioria dos grandes vinhos traduz não só o seu berço natural como equitativamente a visão do homem. que se caracterizam por exprimir o terroir de forma especialmente transparente. é passível de diferentes interpretações por parte de diferentes maestros e que essa interpretação é tão fundamental como a obra em si própria. uma grande sinfonia. muito mais que a repetição de um conceito universal que possa ser repisado ou que possa ser adaptado a todas as circunstâncias encontrar em garrafeiras. saber usar a natureza e ter capacidade para aceitar os compromissos que ela impõe. Profundamente iodado. aos vinhos com idades que rondam ou que por vezes ultrapassam o primeiro século de vida.

Sem pretender ser um vinho de grande complexidade.85€ Wine Ventures. também já não se encaixa nos Tawny datados. que sugere doçura e perfil internacional.Vinhos Provas a Mau mmmmm Razoável mmmmm Bom mmmmm Bom Mais mmmmm Muito Bom mmmmm Excelente Um Porto velho e especial N ão é o vinho do Porto mais antigo que a Sogrape tem nas suas caves.C. o Sandeman Porto Tawny Muito Velho Cask 33 que a empresa liderada por Salvador Guedes lançou recentemente é um Porto especial e distinto. ficou de olho no casco 33. Só difere dos vinhos de antigamente por ter mais álcool e ser mais “grosso”. que vão dos 10 aos 40 anos (os anos correspondem à idade média dos vinhos utilizados no lote). diz. numa edição luxuosa e limitada. Arraiolos Castas: Nero d’Avola Graduação: 13. O vinho também tem algo de saudosista. bem como frutos secos. Quando o cheirar e levar à boca não vai precisar de o dissecar. O tempo e o refrescamento foram-no apurando e em 2013 já não levou nenhum refresco. Um vinho de lote. A. bem ilustrativo do nome (aplicado popularmente a uma criança endiabrada e travessa). despretensioso e fácil. “A Ferreirinha”. Fizeram-se 2700 garrafas e quem aceder a alguma. Luís Sottomayor encontra nele “aromas balsâmicos a caixa de tabaco e madeiras exóticas. se tiver ocasião de o provar. Ferreira. A Fugas recebeu amostras dos produtores e provou-as de acordo com os seus critérios editoriais.G.99€ Em comparação com a colheita de 2010. Touriga Nacional Graduação: 14.5% vol Região: Regional Alentejano Preço: 50€ Proposta da semana MONTE DA RAVASQUEIRA NA 2012 mmmmm Monte da Ravasqueira. e detecta-lhe ainda “notas especiadas a pimenta. com classe e finesse que nasceu bem e ao qual 18 meses de madeira e um ano e pouco de garrafa refinaram a personalidade. Remete-nos para os ambientes dos lagares. Bom volume de boca. Desse casco foram cheias este ano 685 garrafas. Mas.º 2. gengibre. O que nem sempre é fácil de conseguir. taninos polidos que só revelam a sua exacta dimensão no final de boca. O Furtiva Lágrima é um vinho assertivo. amora e framboesa.G. era mais mineral”. Na garrafeira da A. aproveite. novidades que chegaram recentemente ao mercado. Em resumo: está noutro patamar. M. Aroma de fruta vermelha madura. Alicante Bouschet. de preferência na companhia de quem mais gostamos. M. De aroma muito vivo e balsâmico. Não sendo um Colheita (vinho de um só ano). Há uns anos. na sua maioria. o responsável enológico de todos os vinhos do Porto da Sogrape. a sua harmonia e voluptuosidade e o seu vigoroso frescor tornam fútil esse exercício. Um tinto guloso e muito consensual. “Sobressaía em relação aos outros. Tinha mais impacto. é simples mas muito bonito. no meio de 40 cascos com vinhos antigos. mesmo tendo pouco mais de 50 anos. Quinta da Romeira Castas: Merlot e Touriga Nacional Graduação: 14. fruta vermelha madura no aroma. Praça Coronel Pacheco. Pedro Garcias SANDEMAN PORTO TAWNY MUITO VELHO CASK 33 mmmmm Sogrape Castas: Várias Graduação: 20% vol Região: Douro Preço: 630€ MAFARRICO TINTO 2012 PRINCIPIUM 2012 FURTIVA LÁGRIMA 2010 mmmmm mmmmm mmmmm Álvaro Martinho. É um vinho que reflecte a verdadeira essência do vinho “fino” do Douro. Mas não se esforce por descobrir tudo isso. tem um sabor ao mesmo tempo delicado e vigoroso. este Monte da Ravasqueira NA (NA é a abreviatura da casta tinta italiana Nero d’Avola) possui menos álcool.C. Se a marca deste alentejano do Monte da Raposinha lhe sugerir um vinho lamechas. e darmos graças por isso. pois um dos defeitos da Nero d’Avola é ser pouco ácida. que deixa um rasto de fruta e se prolonga deliciosamente no palato. Os vinhos aqui apresentados são. P. P. couro. 3. surge menos marcado pela madeira e é mais ácido. Este vinho entrou no pleno da sua forma e mais anos de estágio podem comprometerlhe o balanço. mostrando taninos de grande finesse e uma acidez soberba. por exemplo. ainda há muitos vinhos do Porto das primeiras décadas do século XIX. Traz-nos à memória toda a imagética dos livros da antiga escola primária. O rótulo deste vinho.º 4050-453 Porto 24 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 . Basta desfrutá-lo. que é quase um mistério. n. noz-moscada e caril”. As amostras podem ser enviadas para a seguinte morada: Fugas . é um tinto elegante. É um magnífico Porto velho que foi sendo refrescado com vinhos mais novos e envelhecendo na mudez da cave. Notas fumadas. o Principium da Wine Ventures cumpre com eficácia a sua vocação para ser directo. porque a enorme complexidade e riqueza do vinho. Luís Sottomayor. Enche a boca sem a enrugar. desenganese. de diferentes lugares e exposições. dominado pelas notas de cereja. porque provém de vinhas velhas com castas misturadas e é muito vinoso de aroma e sabor. a amêndoa e avelã”.45€ Monte da Raposinha. com toda a certeza também de diferentes produtores.Vinhos em Prova.5% vol Região: Alentejo Preço: 19. contemporâneos da lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira.5% vol Região: Lisboa Preço: 4. Montargil Castas: Syrah. Uma das melhores surpresas do ano. bem desenhado e com um óptimo balanço. Cumieira Castas: Várias Graduação: 14% vol Região: Douro Preço: 6. com um final seco e fresco.

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broa e cogumelos shitake” (10 euros). recordome de existirem depuradores electrostáticos próprios para quando não há condutas de extracção e de a legislação obrigar os restaurantes a terem extracção de fumos para exercer actividade. um pedaço de queijo de cabra banal.Crítica gastronómica Leopold “Foodielogia do gosto”. A cobrir o ovo em redor da saborosa gema temperada com folhas de tomilho vinha trigo-sarraceno crocante (uma das vezes amargava por ter torrado de mais). Persegue uma utopia. Por outro lado. Recorrendo a um aparelho que cozinha os alimentos em sacos a vácuo imersos em água com temperatura controlada. Nome vago para o conceito de cozinha que os dinamarqueses fabricaram nos últimos anos com a ajuda de subsídios estatais. menos de metade da servida na primeira visita. nome inusitado para o que na realidade é um biscoito seco pouco adocicado (bolos económicos). ser foodie é mais abrangente e não se resume à ida a um local “tendência” com a “missão” de ver e ser visto. a juntar aos vários e pouco usuais que se usam no Leopold. Foi aplicada a primeira vez por Gael Greene. mas tropeça em entropias. ousada e discutível O Leopold é uma loja cheia de boas intenções. num menu semelhante em que a única novidade foram as “castanhas e chouriço doce” (8 euros). “glutão”. congelado e de meia cura. um quadradinho do dito em porção ajustada a uma entrada. um regresso à tradição que surgia como a grande novidade do momento… para alguns. Nas duas visitas efectuadas provouse sempre a totalidade da carta. No seu tom mordaz. conhecida por ser sempre fotografada a usar uma capelina que lhe ocultava parte do rosto. O serviço executado por Ana é amável. ao ter lapsos na limpeza do tampo da mesa. Nos antípodas disto estavam os epítetos de “comilão”. revelando-se também um chamariz para atrair clientes. que custou na altura 15 euros. a proposta mais desconcertante e partilhar tudo na Net para não ficar fora do “mundinho” num instante. A 26 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 O casal Tiago e Ana abriu o Leopold em Fevereiro numa antiga padaria da Mouraria impossibilidade de fazer a extracção de fumos “forçou” o chef Tiago Feio a cozinhar sem forno ou fogão. O espaço. A nova tendência era a cozinha burguesa. É pena que não exista tanto rigor ao serem retirados os pratos da mesa para os enxaguar brevemente em água fria. “um lambão”. Lisboa. Conjunto feliz. apenas avivado de sabor por um fio de azeite e raspas de limão. o marketing também pode ser um “ingrediente”. onde um creme de nabo ligeiramente amargo vinha coberto com “terra” de cacau e alfarroba. procura pela next big thing da cozinha tem a vantagem de dar a conhecer projectos arriscados e pouco consensuais. mas pouco original. Um gastrónomo exigente não sairá daqui cliente. “barrado” no prato. mas não é um restaurante. tradução polida do pensamento interior de que tal cavalheiro era. com menos de dez itens a preços errantes servidos em copos de marca vínica. mas denotava um sabor intrusivo (embora invisível) a pimenta preta. hoje talvez acrescentasse às suas meditações um capítulo sobre a “foodielogia do gosto”. A guarnecer o trio. O Leopold. a ser anulado pelo sabor adstringente do leitelho. Seguiu-se um “ovo cremoso com cogumelos” (5 euros). também aplicada nos cogumelos shitake. Para um foodie. o chef mais arrojado. Gael Green referia um novo restaurante de ambiente “funerário” frequentado por “foodies de ar grave”. autor da obraprima Fisiologia do Gosto (1825). num convite implícito a que se partilhe o gamelório. ou. a importância da comida pode sair mais reforçada se puder conhecer o chef (mais que os cozinheiros) e a sua “filosofia”.50 euros). Esta respeitável. de sonoridade infantil e traiçoeira. Tal como nos devotos de uma banda musical. Brillat-Savarin. e ainda uma deslocada flor de curgete fora de época que não acrescentava nada ao prato. para usar uma sinédoque politicamente correcta. Surgiram-me dúvidas. feito com azeite e aguardente. Sem comentários. mas um pouco desajeitado. os amantes dos prazeres da mesa de forma regrada e exigente eram denominados de “conhecedores”. para um iconoclasta é a experiência ousada que basta. ávidos para serem vistos na morada em voga entre a elite parisiense. Hoje. Tem comida interessante. “V. e pontinhos de miso branco em gel (pasta de soja fermentada). prestigiada crítica da New York Magazine. a produtos ou espaços. a ligar na perfeição com um bom e delicado puré de castanhas. mas em que a prioridade da visita é a comida. que serve para adjectivar tudo. A lista de vinhos é exígua. A ligação e o contraste entre ingredientes estavam muito agradáveis. num gesto quase metódico antes de cada prato servido na bela faiança Bordallo Pinheiro ser colocado no centro. saem pratos de cozedura precisa e sabores mais puros e intensos. Descobrir a última ousadia gastronómica da cidade. numa linha mais elitista os “gastrónomos” e o ultravulgarizado termo “gourmet”. Cinco pratos na primeira vez (não havia uma das únicas duas sobremesas). Cada garfo é disposto na mesa (não há outros talheres ou toalha). Nas sugestões aparentadas de prato principal há um “bacalhau. folhas de mostarda japonesa (mizuna). ou a falhar na abertura de duas garrafas ao partir a rolha. tem apenas quatro mesas e algum equipamento de cozinha assentado nas bancadas de pedra originais da loja. Exa. e sete mais de um mês depois. para serem reutilizados quase de imediato por outros clientes. quase intocado. ou até cultivar o lado icónico e de endeusamento do acto de cozinhar. dando origem a pratos em que o jogo de sabores é o principal atributo para surpreender. desde pessoas. é… um bom garfo”. mas com a função de servirem água. sendo o prato uma espécie de réplica da erradamente chamada “nova cozinha nórdica”. “apreciadores”. Pedaços de um peculiar enchido transmontano que junta mel e amêndoa às carnes. surgiu a bizarra palavra foodie. no fundo. Mais recente. um deles de Chaves e uma broa alentejana — ambos de boa qualidade — e “pão económico de Trás-os-Montes”. instalado desde Fevereiro numa antiga padaria da Mouraria. quase veludo graças à cocção a temperatura controlada. a célebre “senhora do chapéu” reflecte acerca do fim da nouvelle cuisine após uma viagem a Paris. O bacalhau. que reflecte de forma filosófica acerca da gastronomia. ainda que por vezes obsessiva. e que tem apenas duas pessoas é um desses casos. Fortunato da Câmara (texto) e Daniel Rocha (fotos) E m tempos. descobrir a “irreverência” da cozinha praticada. provavelmente devida à “cura” caseira que o cozinheiro referiu fazer após a demo- . No artigo “O que há de novo? A cozinha burguesa” ( Junho de 1980). embora a caminho do quarto de século de existência. Ali “enterradas” vinham cenouras bebé ainda com rama e de textura crocante. há um pouco de groupie em cada foodie. e que em parte se inspira em alguns princípios da nouvelle cuisine. Depois vieram os “legumes na terra” (8 euros). cujo sabor foi avivado no grill de um miniforno. A refeição abre com “pão e queijo fresco de cabra” (3. exibia a sua untuosidade intersticial. como foi visto por duas vezes. Dos tempos em que estudei hotelaria.

A dedicação do casal Tiago e Ana é quase enternecedora na ideia de fazerem de diversas limitações uma experiência ousada e memorável. PUBLICIDADE FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 27 . Para os mais incautos. o que fica mais forte na memória é a loiça. suaves e delicadas. Numa das vezes a trazer picles de pêra. Sobre uma base “neutra” de puré de feijão branco. mas rosadas no centro da peça. O Leopold tem a filosofia de um supper club onde se paga em dinheiro vivo (aqui é inevitável) por uma refeição ousada e sem grandes regras à espera de ser surpreendido.LEOPOLD Rua de São Cristovão. como o pó de clorofila. nem doce nem salgado. lha inicial. A de “banana e queijo de São Jorge” (5 euros) Preço médio: 30€. Não fumador Estacionamento difícil (parque pago a 100 metros) Pouco prático para crianças era um convénio insular inspirado no prazer infantil de comer uma sandes de queijo com banana. sendo sempre preciso escavar para se sentir vagamente alguns elementos. a terem de permeio uma “areia” feita com biscoitos de melaço e canela. um pouco de miso muito salgado e alguns pezinhos de cogumelos shitake. e intercalados com uns estaladiços beijinhos das Caldas da Rainha. 918 426 715 Horário: De quarta a domingo. Um jogo simples e eficaz entre produtos de referência dos dois arquipélagos. Encerra às segundas e terças. A de “feijão doce e maçã ácida” (5 euros) quase podia ser vista como uma equação química.: 218 861 697. Para já. a trazerem a doçura que é a “base” de uma sobremesa. o aroma discreto de alguns pratos também não favoreceu a criação de uma “imagem sensorial dos sabores” que os fizesse perdurar na memória gustativa. Engenho nas sobremesas As sobremesas são simples. pelo facto de se cozinhar a vácuo. noutra o curtimento era de cebola. Este Leopold evidencia uma forma diferente de pensar a cozinha e mostra um trabalho desafiante na conjugação de sabores. e ao lado folhas de agrião. onde um puré do fruto madeirense revelou o seu sabor intenso e inequívoco após ser salteado em manteiga. mas engenhosas ao nível do sabor. O lado pragmático é que essa ideia utópica se perde quando a espera entre pratos é em média de 20 minutos. Ao contrário do esperado. agradará muito a uma espécie de “foodielogia do gosto” de quem busca o que é exclusivo e irreverente para poder anunciar que esteve ali presente. broa esfarelada. é provável que exista um certo acanhamento de cobaias. A parca quantidade de alguns ingredientes faz com que quase desapareçam no meio das nervuras que a textura da loiça tem. arrastando a refeição durante cerca de 2h30 por porções minimalistas que aniquilam a ideia equilibrada do que é ter o “prazer da mesa”. das 19h às 23h. vinham cravados pequenos discos “ácidos” de maçã Granny Smith (fruto que contém ácido málico) salpicados com limão. Na base. A “mizuna com carne dos Açores” (10 euros) era uma pequena floresta do vegetal a tapar fatias da vazia. mas que não poupava na hora de tecer sonoras e complexas loas. e também gel de soja e pedacinhos de manteiga de ovelha a derreter sobre as fatias carnais. ambas muito boas. como foi visível num casal de clientes estrangeiros. O Leopold pode vir a ser o princípio de alguma coisa. que contrastava com um pequeno grupo que atacava o prato centrado contendo uma porção que mal satisfaria duas pessoas com a alegria de quem só vagamente provou o que veio. para receber a deliciosa e picante confrontação do queijo açoriano de cura superior a sete meses. Apenas dinheiro (sem pagamento com cartões). marcadas no exterior estilo naco de atum. 27 1100-236 Lisboa Tel. De momento.

Vila Nova de Cerveira ou Ponte de Lima.pt Bar doce lar FOTOS: ADRIANO MIRANDA H á petiscos dos bons. “Isto parece muita coisa mas é preciso não esquecer que os petiscos são diferentes todos os dias”. onde estamos. Cláudia Carvalho . não tem mãos a medir. conta. Não. leitecreme ou arroz doce ou fatia de bolo ou rabanada 1€ tempo entre amigos. as pataniscas.” E agora um segredo: além do espaço comum com várias mesas. explicando que a vantagem LEIRA DE CIMA Rua Conselheiro Miguel Dantas. “O que está a acontecer de engraçado é que as pessoas vêm cá e querem também trazer-me coisas antigas que têm em casa. Depressa percebeu que o futuro passaria por aqui.50€. servidos desta forma e até fora de horas. numa zona em que devia haver”. sexta-feira das 14h às 4h. de loiça antiga a fotografias ainda a preto-e-branco. há moelas ou até dobrada.80€. quase a qualquer hora. Bárbara não esconde que as moelas.publico. que já começa a conhecer os tempos das pessoas de Coura. que abriu a Leira de Cima em Setembro no espaço que era de um antigo notário e que estava fechado há anos. esse. Um prato disto. a Leira de Cima está aberta até às 4h e até essa hora é possível comer. Vai um copo de vinho maduro a acompanhar ou uma malga de verde? Não se preocupe porque no fim há um doce para desenjoar: leite-creme ou arroz doce? Quanto ao café. as favas estufadas com chouriço. continua Bárbara Moreira. acompanhados também pelo vinho da zona ou por uma outra bebida qualquer. Também há sempre uma sopa.50€. Pensou a Leira de Cima como uma tasca antiga.40€. há rabanadas ou um bolo. desde notas a garrafas antigas. conta. portanto se eventualmente não houver um pratinho de favas estufadas com chouriço. mas há sempre alguma coisa em substituição. “Isso e o café de cafeteira. o fígado de cebolada. conta a responsável.: 251 788 288 Horário: De segunda a quinta-feira das 14h às 22h. não é um restaurante. diferente todos os dias. que quer dar a conhecer a gastronomia courense. tal como se fazia antigamente nas tascas. Bárbara é que destaca o vinho: “Gosto 28 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 da ideia de servirmos o vinho em copos e malgas. Paredes de Coura Tel. Aqui só se servem ingredientes frescos. é de cafeteira e vem servido com um biscoitinho de milho. contando ser procurada já não apenas por aqueles que vivem em Paredes de Coura como também por pessoas de concelhos vizinhos como Valença. onde cabe sempre mais um e nunca falta nada. Às sextas-feiras e aos sábados. “Há outros sítios por aqui onde é possível comer mas só coisas como hambúrgueres. É um bar — ou devemos chamar-lhe a nossa casa fora de casa? Uma casa à boa maneira minhota. moelas ou favas estufadas com chouriço 1. cachorros ou bifanas”. porque quis manter a traça que ali existia. e ganhando forma ao longo deste ano. daquelas onde os nossos avós passavam algum Preços: Café de cafeteira com biscoito de milho 0.75€ e queijo e presunto 3€. patanisca 0. garante. “Queria que fosse algo tradicional mas ao mesmo tempo moderno”. um prato daquilo. Assim como o doce também varia — se não houver um leite-creme ou um arroz doce. Eu não peço nada. acrescenta Bárbara. As obras que fez no espaço foram poucas. então.60€. fazendo um balanço “muito positivo” dos primeiros meses de portas abertas. vinho maduro a copo 1€. pratos. Ao fim-de-semana. fígado de cebolada 2€. a responsável pela Leira de Cima. são antes pequenas histórias que está a contar. há muito tempo que este bar ganhava forma na sua cabeça. é das coisas que mais gosto de ter e que faz todo o sentido aqui. Deu uso também às coisas antigas que tinha em casa. diz à Fugas Bárbara Moreira. longe dos recreios infantis. daqueles caseirinhos.” Foram essas tascas a inspiração de Bárbara. pimentos Padrón 1€. “Somos conhecidos pela nossa comida mas depois se alguém quer provar estas iguarias ou vai a um restaurante àquelas horas certas ou já não dá”. 33. chouriça ou morcela ou ceboleira assada 4€. molduras. diz Bárbara Moreira. Não é uma moda vintage que está a seguir. até pode faltar.50€. Se tiver de sugerir. diz a responsável. com petiscos regionais. e do qual também faz parte. os pimentos Padrón e as tostas em pão saloio são os seus favoritos.Bar aberto Leira de Cima Mais bares em fugas. ao final do dia já se nota uma certa mistura para o copo e petisco antes de jantar e à noite são os jovens que lhe enchem a casa. malga de verde 0. há uma sala interior que pode ser reservada para grupos. queijo tomate e orégãos 2. o bar que fica exactamente do outro lado da rua. sopa 1. À tarde o público é mais velho. a novidade de Paredes de Coura por estes dias. Quer dizer. Até parece que estamos em casa mas é na Leira de Cima. sábado das 16h às 4h. as pessoas é que me trazem”. “Nunca imaginei que viesse tanta gente aqui”. domingo das 16h às 22h da Leira de Cima é poder provar-se exactamente um bocadinho de tudo. tostas em pão saloio: queijo 2. courense com certeza. O “bicho” foi crescendo no Xapa’s. Educadora de infância de formação. “A verdade é que não há nada deste género. a chouriça assada. Afinal. isto é um bar.

responsável por uma viragem notável no setor. Peter Jefrey Mackie. bem como os logos associados. apenas alguns apelidos escoceses conseguiram preservar os segredos da produção artesanal do whisky tradicional. Doca de Alcântara Norte. seleccionadas pelo júri. numa relação que não encontra paralelo em nenhuma outra bebida ou cultura. Logan assinala a data com o lançamento do Logan Heritage Blend. A sua criatividade pode ser a premiada pelo júri do Público. que se transformaria num dos mais famosos whiskies escoceses do seu tempo. no mesmo horário. entre as 10:00h e as 17:00h. 2014. As garrafas devem ser levantadas no Público. BEBA COM MODERAÇÃO. É no seio de uma das mais antigas e prestigiadas famílias escocesas que nasce este whisky excecional. . 1350-352 em Lisboa. Inspire-se. No dia 29 de Dezembro. Envie a(s) sua(s) frase(s) para o e-mail passatempo. 2.pt A palavra LOGAN HERITAGE BLEND. que transforma cada momento de consumo numa experiência solene. originário da ilha de Islay.logan@publico. SEJA RESPONSÁVEL. No ano em que se comemoram os 111 anos da criação da marca. um whisky que regressa às origens de uma tradição ancestral para recuperar o sabor autêntico da emblemática bebida escocesa. E tal como os mais autênticos whiskies só podem ser escoceses. originário da ilha de Islay. na morada: Edifício Diogo Cão. ao decidir usar o malte de Lagavulin. ou no Porto na morada Praça Coronel Pacheco. A Escócia foi desde sempre reconhecida como a terra-mãe do whisky. Como participar: Escreva uma frase onde conste. sabor e história. a palavra Logan. os autores das frases vencedoras serão informados. pelo júri do passatempo. ganha três garrafas de whisky Logan. 4050-453 Porto. www.PASSATEMPO LOGAN De 12 a 27 de Dezembro de 2014 Participe no Passatempo Logan e ganhe garrafas de whisky Logan. e associe a uma destas palavras à sua escolha: whisky. ganhe e saboreie. onde a tradição e o sabor se fundem. obrigatoriamente. Cada um dos autores das 4 frases mais criativas.pt entre o dia 12 e o dia 27 de Dezembro e pode ganhar as garrafas de whisky Logan que temos para si. participe. © DIAGEO. por e-mail. são marcas registadas. fruto da mestria do Master Blender James Loga. para criar o seu próprio blend.bebacomcabeca. A FAZER HISTÓRIA DESDE 1903 Logan nasceu em 1903.

Pelos proprietários. que não conseguem desprender o olhar do pequeno robot. as pedrinhas. que acumula funções de bar e de loja. tudo remete para o silêncio. televisor com canais premium. os jarrinhos com flores do campo. Nada que nos faça falta quando um mega-terraço nos aguarda no exterior. distrito de Setúbal. Assim que chegamos percebemos que depois de quilómetros e quilómetros sem ver vivalma — são apenas 25km desde Alcácer. como nos referem. minibar e acesso livre à Internet. Mas. ao mesmo tempo. o quarto Standard não tem vista sobre a barragem. cheio de charme. Numa das paredes. As diferenças entre os três tipos de aposentos começam pelas vistas e incluem alguns serviços. Ao centro. A decoração em qualquer um dos quartos é básica. ficamos no piso térreo. totalmente dissonante com a multiplicidade de estímulos decorativos que se experiencia tanto no deck exterior como no salão de convívio. por fim. mas isso não significa que ainda não tenhamos sido recebidos. Do amor à primeira vista nasceu um hotel que. esta acaba por se tornar prazenteira — afinal. onde a televisão foi estrategicamente colocada. Além do mais. feita de roupas alvíssimas. O soalho é em madeira flutuante. os bules. onde ficámos. uma cama espaçosa e macia. não resistimos e embrulhamo-nos numa das grossas e fofas mantinhas que nos vão buscar para ver o cair do dia sobre a barragem. Com casa cheia. sem grandes luxos. na freguesia do Torrão. que depressa entra para a lista de presentes a pedir para o Natal para os miúdos. onde nos refugiamos durante um fim-de-semana. Todos como se nos estivessem a acolher na própria casa. ainda antes do check-in. pelos funcionários e até mesmo pelos dengosos cães que fazem as delícias dos mais pequenos. Mas. Assim. E só isso faz do Vale do Gaio Hotel uma espécie de esconderijo. no pequeno hotel espera-nos uma casa cheia. também em madeira. Tudo parece ter sido posto ao acaso: as velinhas. se por um lado se estranha a diferença. quando este espaço era . um aparador. e volta a sê-lo quando finalmente nos dirigimos ao interior do pequeno hotel para darmos o nome da reserva em troca da chave do quarto. apela ao romantismo ao mesmo tempo que vive de verdadeiros momentos familiares. compreende-se o empenho para que toda a decoração tenha esse efeito: romântico e nostálgico. mas depressa o ambiente proporciona a que as conversas se cruzem.Dormir Vale do Gaio Hotel Refúgio romântico em família Era uma vez um casal que se apaixonou por uma velhinha pousada à beira de uma barragem alentejana. Uma esplanada coberta que se estende para um deck com vistas panorâmicas funciona como um íman. ou mesmo no pequeno balcão de check-in. engloba ainda cofre. o View. não há nada nos alojamentos que desagrade. mas as curvinhas e o asfalto parecem querer fazer-nos acreditar que são muitos mais —. Há três tipos de quartos. As casas de banho também primam pelo espaço. ar condicionado e secador. ao mesmo tempo que vamos sendo postos a par das conversas que se concentram nas manobras de filmagem de um drone. Até mesmo a disposição dos distintos e cómodos sofás ou das cadeirinhas. Carla B. Ainda não fizemos check-in. Assim. São todos hóspedes que nunca se conheceram antes. e. que junta às ofertas do anterior uma varanda sobre a barragem. À frente desta. mas 30 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 também não há nada que nos impeça de sair. com a tranquilidade do manto aquático da barragem Trigo de Morais a marcar o ritmo e com todo o verde do Alto Alentejo. além da vista do piso térreo. Apenas três apontamentos parecem querer romper com o básico: uma cadeira e mesinhas de cabeceira brancas design e uma mantinha colorida a rasgar o branco da cama. A simpatia e a amabilidade é a nota dominante. mas só lá chega quem o tem como destino — até porque a estrada esburacada não convida a grandes passeatas. à excepção do televisor. um aparelho voador comandado remotamente. com almofadas flo- ridas e mantas em patchwork. mas ao mesmo tempo descontraído. em madeira. o roupeiro em madeira escura. cuja cabeceira. Ribeiro É fácil de lá chegar. e uma pequena mesa apoiada por dois maples. Por isso. o que mais se quer para uma noite repousada é mesmo uma envolvência tranquila. a compor o cenário. sem direito às varandas que servem os quartos do primeiro andar. todos equipados com cama de casal. embora certos detalhes ainda nos remetam para o passado. o Superior View. se estende por toda a parede.

conversar. no início do milénio. na mesinha do canto. da velha pousada pouco sobrou. concelho de Alcácer do Sal. servida por um pequeno bar de apoio. Vasco Gallego tem dúvidas se a expansão do espaço é o que se pretende — afinal. sublinhe-se. dar uso aos binóculos e ir espreitar os pássaros. uma criança mais pequena percorre os jardins. os View e Superior View. aventuras em canoa. Entre as especialidades a não perder. acusava os anos de vida (abriu originalmente no fim da década de 1970) e o cansaço dos serviços. rendidos aos sabores do Alentejo. Uma noite reserva-se desde 90€. menor será o nível de intimidade. se a paciência for a nota dominante. mas também à margem da barragem. Ou então. não basta crescer em número de quartos.com O hotel oferece comodidades de quatro estrelas. duas crianças em idade pré-escolar pintam desenhos sob a guarda da mãe. Talvez por isso o hotel é cada vez mais aquilo que Vasco Gallego ambicionou um dia: a casa de fim-desemana para si e para hóspedes que já se tornaram amigos. A cor do fogo e o calor à sua beira volta a ser uma boa desculpa para nos esgueirarmos para fora do quarto e ficarmos ali pela rua antes de decidirmos se ficamos para jantar ou se vamos em busca de algo pela região. O restaurante é à carta. além do investimento que envolve. COMO IR O Vale do Gaio Hotel fica na freguesia de Torrão. de espaços pouco iluminados. pequeno-almoço incluído. De carro. simplesmente. A então Pousada Vale do Gaio. “Como é que depois sento toda a gente para o pequeno-almoço? E a piscina? Dará para todos?” Além disso. estando aberto aos almoços e jantares também a quem não esteja hospedado na unidade. cuja frente envidraçada voltada para a paisagem deixa entrar todo o verde. totalmente diferente do que é hoje. Vasco não resiste em mostrar fotografias desse tempo de pesados reposteiros. Os que não dispensam algum movimento ao fimde-semana têm passeios de bicicleta e de barco. há que fazê-lo depois em todas as outras valências. A sobremesa é que será mais difícil de escolher: uma mesa com todos os doces disponíveis convida a que os comensais se deleitem. sendo a maioria confeccionada pela cozinha do hotel. como nos explicaria mais tarde o proprietário. havemos de acabar por sucumbir ao menu proposto pelo hotel. daí. numa espécie de salamandra em barro. bacalhau confitado em azeite e alho com lombardo e bochechas estufadas em bôrras de vinho tinto com migas de espargos. lá fora. No entanto. quanto mais gente.: 265 669 610 www. A primeira refeição do dia é pautada por uma farta diversidade e produtos frescos. casando-o com uma decoração em que impera a natureza numa vertente que oscila entre o romantismo e uma certa rusticidade nostálgica. mas acabaria por se concretizar anos mais tarde. treinos de tiro com arco e flecha. com as setas ou com os jogos de vídeo. Já os amantes da natureza podem aproveitar a ausência de ruído visual à noite para observar estrelas ou. o XL. VALE DO GAIO HOTEL Barragem Trigo de Morais Torrão 7595-034 Alcacér do Sal Tel. da decoração. subindo e descendo a escadaria que nos pode conduzir à zona da piscina. ver filmes e dormir mais. Para o comprovar. FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 31 . A aquisição da unidade não foi imediata. foi tanto para Gallego como para a mulher um caso de amor à primeira vista. Mas. A comprová-lo. de camas velhinhas. há sempre a possibilidade de se entreter em jogos de mesa. E se a chuva não der tréguas. exibe-se no hall de entrada para os quartos a maquete de um estudo que aproveitaria o declive natural para construir mais quartos. As actividades à volta do Vale do Gaio são muitas e não há aborrecimento que vingue. para apreciar a rica e farta gastronomia da zona. seguir as indicações para a localidade de Torrão. numa secção separada da casa principal. fazer nada: dormir. E depressa viram naquele espaço. alheira com o ovo na galinha. cerca de oito anos depois. o melhor caminho será ir directo a Alcácer e. ou não fosse o proprietário deste hotel também dono de um bem afamado restaurante lisboeta. gerida pela Enatur. da estrutu- ra. para aproveitar a calmaria alentejana.valedogaio. comer (muito bem). E para receber amigos. explica-nos. Cerca de 25km depois. que aproveita a manhã para pôr a leitura em dia. um entrocamento para a direita aponta a direcção do hotel.” Ao mesmo tempo que o sol se vai escondendo. “E esta é acima de tudo uma casa para receber amigos. E. aromatizada pelo rosmaninho e pelo alecrim colhido dos jardins. têm vindo a fazer-se aos poucos e o hotel é uma espécie de work in progress. patanisca de nada com salmão fumado e nata azeda. aquilo que poderia vir a ser: uma casa de fim-de-semana para fugir ao rebuliço da cidade. disponibilizando 14 quartos entre os Standard. Na mesa de apoio ao centro dos confortáveis sofás. Mas continuava a ser um espaço de sonho. Escrutinamos as imagens do passado enquanto nos sentamos ao seu lado num amplo salão. De pousada a hotel A primeira visita ao Vale do Gaio. reforça-se a lenha. um casal prepara-se para uma partida de dominó. com os matraquilhos. sobretudo pela sua localização. onde algumas canoas empilhadas desafiam a entrar pela água adentro.Guia prático uma pousada Enatur — os trabalhos de remodelação.

textos de Rita Sousa Tavares e outros escritores convidados. O resultado é o primeiro Top 100 Global de Destinos Sustentáveis.com A Green Destinations. e um documentário de 52 minutos. que dão à capital portuguesa “o que o resto do mundo já perdeu”. dedicado ao Rio de Janeiro. divide-se entre os temas que. sem esquecer a poesia. enquanto a modelo Ana Sofia Martins mostra a noite mais étnica.Zoom Mais notícias em fugas. Incluindo na Fugas. escondida nos altos e baixos das sete colinas.com 32 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 O objectivo. . plataforma internacional dedicada ao turismo sustentável. Depois. de diferentes gerações e profissões. agora. a gastronomia. poemas de Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner Andersen (avó da autora). Que. não só porque d são e estes quem a conhece melhor mas também porque acredita que “as próprias pessoas são a cidade [onde vivem]”. greendestinations. a serra do Socorro e Archeira (Torres Vedras) e Sintra também entraram no ranking.9 (em 10 possíveis). bar e lounge. o livro lançado este mês reserva as páginas finais FOTOS: DR O para um guia turístico. E acima de tudo. A região Oeste.grandeturismo. além do “turístico e do mainstream”. os santos populares e as fachadas. Ao longo da obra vão desfilando dezenas de fotografias de João Pina. preço base de 19 euros e contém 170 páginas. ainda em Agosto. definem Lisboa: desde chegar à cidade ao ser lisboeta. vilas e aldeias e lugarejos. Rui Pelejão e Jorge Flores. tradições (e modernidades) nipónicas. por nascimento ou por opção. E. foram semanas e semanas a calcorrear o país de norte a sul. é. que revele a cidade através de quem a habita e que vai.holidayinnexpress. num retrato “muito mais rico e variado”.. Tanto serpentearam que. com referências a pormenores só captados por quem os vive. Tal como a obra inaugural do projecto Show Me Cities.pt/ (Re)descobrir Lisboa pela mão de guias muito especiais O estilista Manuel Alves é uma das personalidades que nos guia por Lisboa estilista Manuel Alves leva-nos pela “verdade de Lisboa”. prestes a fazeremse ao caminho. a IHG. escreviam. conta a escrit tora e jornalista portuguesa. O Show Me Lisbon. Este bairro de São Paulo é um coração urbano japonês. pontuação final de 8. pela A23 Edições. duas salas de reunião. entoando uma canção de Jorge Palma. Não é apenas mais um quatro estrelas: ocupa um edifício marcante. E promete preços que “rondam os 80/90 euros”. como “as tasquinhas. é que o livro “reflicta a cidade dos lisboetas”. Esta edição de luxo. Tem 108 quartos. com directório de moradas e mapa. visitas e conversas. antes de mais. Fotogaleria: Siga aquele Natal! Venha connosco pelo mundo e surpreenda-se com as melhores e mais impressionantes fotos natalícias de todo o planeta. “A gente vai continuar” a Volta a Portugal — em livro “Enquanto houver estrada para andar. a cantora Carminho revela a cultura do fado e o olisipógrafo José Sarmento de Matos e a actriz Maria de Medeiros contam a história de Lisboa. “Será como entrar dentro livro. de novos amigos e muitas fotos e textos. em capa mole e com um preço de cerca de 23€. canções de Amália Rodrigues. um retrato da capital portuguesa feito através do olhar de quem nela vive: 13 conhecidos lisboetas. quilómetros de histórias.. onde somos guiados pela mão destes lisboetas”. Em Fevereiro será lançado uma “edição de bolso”.info Vídeo: Grande Japão do Brasil Onde vive a maior comunidade japonesa fora do Japão? Na Liberdade. acabam de publicar tudo em livro. no cruzamento de vidas e estatutos sociais. resultado da parceria da gestora e promotora hoteleira Palminvest com o grupo hoteleiro com mais quartos no mundo. custa 30 euros e está à venda nas principais livrarias. contém 14. nos jogos de sombra e de luz das ruas tortuosas. a escritora espera que o livro os leve a “voltar a viver alguns temas e locais” esquecidos na azáfama do quotidiano e descobrir sítios e perspectivas novas da cidade. no texto de apresentação da viagem. destino turístico Esta semana mais sustentável do mundo na Fugas online A Holiday In Express inaugurou esta semana o seu quarto hotel em Portugal. À venda a partir de terça-feira. fez contas às mais-valias ambientais e turísticas de várias regiões no mundo. na Alexandre Herculano. a gente vai continuar”. assim como excertos das entrevistas feitas e dos encontros com populares. feito de detalhes. www. os sons ou o fado.publico. onde publicaram uma crónica semanal sobre esta odisseia chamada Volta a Portugal em 80 dias. Mara Gonçalves Carlos Matos). O livro Show Me Lisbon. segundo a auto- Há mais quatro estrelas à Avenida da Liberdade Açores. Passeio em vídeo por Ricardo Rezende ao Japão mais brasileiro (e vice-versa). nenhuma região bate os Açores em “turismo verde”: contas feitas a todos os critérios. a obra tem capa cartonada. com mais de 300 páginas e capa dura. Aos lisboetas. Cascais-Estoril e Lagos (ambos com 8 pontos). edição Café Pessoa e distribuído pelo Clube de Autor. Um Insider’s Guide que vem igualmente numa versão em desdobrável. das “camadas da História” ao 25 de Abril. Tudo em versão bilingue: português e inglês. neste. “enquanto houver estrada pra andar”. que estará à venda nas lojas e será transmitido na RTP. das sete colinas ao Tejo e à luz. No top 10 europeu encontram-se ainda dois pesospesados do turismo em Portugal. O músico Rodrigo Leão guia-nos antes pelos sons que caracterizam a cidade. por isso. fotos e ilustrações (estas por ra e os entrevistados. a noite. a própria maneira de viver a cidade.123 km de país real. com cerca de uma centena de dicas reveladas pelos entrevistados. em zona classificada do centro histórico e empresarial de Lisboa. para os jornalistas João Ferreira Oliveira. www. de Rita Sousa Tavares. Aos turistas. do início do século XX. a importância da luz e do Tejo”.

no Convento de Cristo sobressai em local de destaque a famosa Janela Manuelina. Foi depois dado lugar ao descanso dos “guerreiros”. Estando a pouco mais de uma hora de Los Angeles. é leitor no Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia em Santa Barbara há ano e meio. 5 A consciência ambiental Para além das praias.. Além da Porta da Vila. o branco da arquitectura de estilo colonial espanhol. apresenta um clima homogéneo ao longo do ano. familiar de uma das integrantes deste grupo. nas livrarias e nos bares nos tratem pelo nome ao fim de pouco tempo ou para encontrarmos por acaso os amigos na rua. Dessa oferta turística tivemos então a oportunidade e o privilégio de visitar locais de encantar. porque todos gostam de saborear o mel que estas viagens proporcionam. agradame a sensibilidade quanto à relação com o contexto natural: a separação dos resíduos domésticos. o uso das bicicletas (e skates) é maioritário. só pela vista imponente que proporciona. 26 anos. dos verdes da montanha ao azul-forte do céu e do Pacífico. o que convida todos os dias a um passeio pela praia. a que chamam a da Traição ou dos Campos. partindo do Porto. Este ponto. porção sul e entrada) . para além da sua beleza arquitectónica. publicados nesta página. após o repasto. Assinalo a diversidade dos alunos. Quem visita o Médio Tejo não fica indiferente ao seu clima ameno. assinalado por um marco geodésico. que apresenta uma abertura dupla em cotovelo. “mergulhámos” na cidade dos estudantes. no complexo Aquapolis. O interesse dos estudantes pelo Português é um estímulo: da língua à literatura. sempre aliados a um ambiente empreendedor e dinâmico. das palmeiras. No dia seguinte. à cultura (património histórico. o Castelo de Almourol é um chamamento à sua “reconquista”. ou a invasão de lilás dos jacarandás ao longo das principais avenidas. são vários os que escolhem Português como área de especialização.. acompanhados preferencialmente por uma foto. Já pensamos no próximo. todo ele virado para o leito do rio Tejo. cultural e natural). pese embora o facto de estarmos já no período outonal. uma grande vantagem.publico. das fogueiras no deserto. o que denota a influência da tradição muçulmana na fortificação portuguesa dos fins da Idade Média. antes do almoço. Nas proximidades — Vila Nova da Barquinha —. mais do que um simples e reconfortante acto biológico.em Santa Bárbara Pedro Almeida. 4 A cidade Santa Bárbara é uma cidade suficientemente pequena para que nos cafés. visitámos o castelo. MARK RALSTON/AFP As fugas dos leitores À descoberta da região do Médio Tejo Mais viagens em fugas. permite vistas deslumbrantes para aqueles que têm a capacidade de subir os 84 degraus das várias escadas em bom estado de conservação. então nós temos por hábito fugir dela para manter a mente activa. fachada sul da igreja e janela manuelina. Estava uma verdadeira tarde de Verão. A Fugas reserva-se o direito de seleccionar e eventualmente reduzir os textos. seguimos viagem ao encontro do centro histórico da vila de Constância. monumento classificado. a qualidade e a facilidade de acesso aos recursos oferecidos é A diversidade A poucas horas da fronteira com o México. deve existir para criar relação com os outros. são premiados com um dos produtos vendidos juntamente com o PÚBLICO. Para além disto. encontra-se no cume da serra da Milriça. Foi uma ideia fantástica! Visitámos então o centro geodésico de Portugal. da alimentação orgânica. à atmosfera hospitaleira. Depois de uma noite reconfortante seguimos para Torres Novas. Foi gratificante. muitos de famílias socialmente desfavorecidas. Chegámos depois ao local do “refrescamento”. A primeira consequência deste cruzamento de culturas é o quase total bilinguismo do dia-a-dia: o castelhano é aqui tão natural quanto o inglês. Desde logo não devemos fazer como alguns: detestando as abelhas. Iniciámos a visita ao Castelo de Penela. mas. e então avançámos para uma pequena visita a locais de referência da cidade. às paisagens. Iniciámos a visita de acesso à ilha (o castelo foi construído no leito do rio) e ao castelo numa embarcação com capacidade para 20 pessoas. então tomada aos mouros.pt Tenho para mim que a ingratidão é um mal que tem remédio. Erguido num afloramento de granito a 18m acima do nível das águas do rio. Miguel Caetano Os textos. No seu interior tem a Igreja de São Miguel. Rumámos depois à cidade do Nabão. muitos filhos de imigrantes. ainda tivemos tempo para um pequeno passeio na margem direita do rio Tejo — o guia turístico local aconselha a visita à Capela de Santana e à Casa do Tejo. 2 A universidade A Universidade da CalifórniaSanta Barbara tem vindo a ser contada entre as melhores escolas públicas dos EUA. para uma curta visita ao património histórico-cultural conimbricense.pt. torna fácil ir ver um concerto ou uma exposição durante o fim-de-semana. tem uma outra porta. Este artigo pretende narrar de uma forma singela uma viagem que um grupo de amigos. Já na parte final da viagem partimos na direcção da Mealhada para selar esta fantástica “aventura” com um almoço num dos restaurantes que diariamente servem o afamado leitão da Bairrada. 3 1 A paisagem Santa Bárbara tem uma frente voltada para o Pacífico e outra para as montanhas de Santa Ynez. Mais informações em fugas.publico. tendo a sua construção data do século XI. o que contribui para o encanto deste lugar. claustro principal. fortaleza árabe do século XII. ao cinema ou à história. que observámos com satisfação. conjunto urbano em forma de teia de aranha. à cultura. refrescandose todos eles numa das muitas cervejarias da cidade. Tomámos um café matinal numa das esplanadas da cidade. Porque a comida. janela manuelina (detalhe) e refeitório.. Os melhores textos. integrada numa torre. mais concretamente à região do Médio Tejo. almoçámos em Penela depois de uma visita ao Castelo e instalámo-nos num dos hotéis de referência junto ao grande lago criado pela barragem de Castelo de Bode no leito do rio Zêzere. Viajar é fuga à rotina. bem como adaptá-los às suas regras estilísticas. Os relatos devem ter cerca de 2500 caracteres e as dicas de viagem cerca de 1000.. o zelo pelos espaços públicos é irrepreensível. O campus fica numa praia sobre o Pacífico. Confrontados com alguma indecisão. FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 33 . Seguimos para Abrantes. cujas primeiras origens se prendem ao século XII. receber elogios unânimes dos companheiros de viagem quanto ao sucesso cultural e gastronómico do passeio.pt . o simpático casal aconselhou-nos a seguir para Vila de Rei. onde o “basófias” corria lenta e inexoravelmente para a foz. A coexistência de diferentes culturas cria um ambiente enriquecedor. dormitório grande. Tomar. Santa Bárbara é uma das áreas com maior presença de imigrantes sul e centro americanos. devem ser enviados para fugas@publico. que marca o centro geodésico de Portugal Continental. quando questionados com o regresso ao hotel.As 5 coisas de que eu mais gosto. onde fomos simpaticamente recebidos por um casal. charolas (porção norte. onde. Recomenda-se a visita dos seguintes locais: sacristia nova e seu magnífico tecto. a reciclagem e a compostagem são praticados quase e sem excepção. Sempre a correr. A cidade desdobra-se numa magnífica paleta de cores. realizou ao Centro do país. do surf. contudo deliciam-se a saborear o mel.

a Audi trabalhou no sentido de aproximar esta terceira geração ao bem-sucedido original de 1998. por isso. O sentimento de segurança também é potenciado pela posição que o condutor consegue ter aos comandos. O bloco é reactivo o suficiente para criar algumas borboletas na barriga. como opcionais. que concentra todas as funções no visor por trás do volante. sobretudo se accionado o sistema mais agressivo de condução.1 segundos e atingindo uma velocidade máxima de 241 km/h. inovação do cockpit virtual dos lugares t Inutilidade traseiros. sempre com uma excelente visi- bilidade garantida. Pontos positivos. De frisar. Nenhuma crítica de peso. O apoio ao condutor chega com o novo Audi Virtual Cockpit. bem como todos os serviços disponíveis a partir do Audi Connect. não é difícil pô-lo à prova em curva e contracurva — a verdade é que o condutor sente que está sempre no controlo da viatura. em viagens mais longas. que cresceu 37mm para 2505mm. a imagem desportiva é acentuada pelo spoiler que se ergue da tampa da bagageira. será o mais cobiçado. conforto dos lugares dianteiros. Já na sua aparência. pode ter um efeito ligeiramente claustrofóbico. não serve bem sequer crianças pequenas. sendo útil apenas para uma qualquer aflição. Não deixa. materiais de qualidade. é certo. Além do mais. de série. residindo a maior diferença na distância entre eixos.0 TDI 184cv Um desportivo com (alguma) vontade de ser poupado Os puristas dirão que um Audi TT deverá ser sempre servido a gasolina. assim que se atinge uma velocidade de 120 km/h. favorecendo a sua sensação de segurança. exibe todas as informações: desde os tradicionais velocímetro e conta-rotações até às funções de telefone. mas de um 2 + 2. E. as escolhas recaem sobre o modelo a diesel — menos potente. tirando partido de uma suspensão firme (que. servidas por faróis com Xénon Plus. com 230cv ou. a forma em 34 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 BARÓMETRO precisão da s Agilidade. ainda que em apenas 13 litros. sublinhese. Na dianteira. o projecto parece ter sido pensado no sentido de limpar todos os ruídos visuais. somando agora 305 litros. desconforto em grandes viagens devido à suspensão dura V sobre o capot — em cuja dianteira se encontram bem visíveis os quatro anéis da marca —. as linhas horizontais reforçam a sensação de largura e.2 l/100km. Ribeiro (texto) e Miguel Manso (fotos) N ão temos quaisquer dúvidas: o bloco 2. Tanto o condutor como quem se senta ao seu lado podem ter a certeza de que vão poder usufruir de espaço mais do que suficiente para se sentirem numa espécie de lounge — apenas o corte do vidro dianteiro. Sem querermos discordar. . devido à altura do carro de apenas 1353mm (a mesma do modelo anterior). quer à frente quer atrás — no banco traseiro até se pode ir apertado. A Audi defende que esta nova posição do painel de info-entretenimento facilita a vida ao condutor. Mas na hora de decidir. Atrás. As semelhanças com a geração anterior no que diz respeito às medidas começam e acabam na altura do carro.Motores Teste Audi TT Coupé 2. o novo Audi TT destaca-se pela agilidade. É como se o carro estivesse colado ao asfalto. porém. a quantidade de informação pode tornar-se excessiva e a sua leitura pode não ser a mais fácil. Mas este é demasiado apertado para que essa situação se verifique com frequência. mais tarde. com 310cv. pudemos comprovar que o espírito desportivo deste carro também pode ser saboreado a diesel. de multimédia ou de navegação. O único senão seria o vidro traseiro no caso de haver passageiros no banco de trás. diz a marca. com uma média de 4. ou com tecnologia LED ou Matrix LED. mas bem instalado. para os materiais usados nos estofos.3 polegadas. numa operação que a marca classificou de “reinterpretação”. No entanto. no entanto. anuncia a Audi. Afinal não se trata de um quatro lugares. Carla B. muito por causa da sua capacidade de travagem. que não tem de tirar tanto os olhos da estrada como quando tinha de consultar o ecrã localizado ao centro do tablier. que o facto de ser menos potente que os manos a gasolina não significa que a classificação desportivo não lhe caia que nem uma luva. um ecrã LCD de 12. Todo o tablier apresenta-se agora como um painel praticamente despido. Este pai- nel de instrumentos. sobressai a grelha de um único friso. Também o volume da mala viu a sua capacidade aumentada. pode deixar um amargo de boca) e de uma direcção muito precisa. mas bem mais comedido nos consumos. uma realidade completamente díspar. No interior. aproximando o Audi TT de um verdadeiro desportivo. O banco traseiro. direcção. e as ópticas rasgadas. acelerando dos 0 aos 100 km/h em 7. No banco dianteiro.0 TFSI. de ser um passo em frente que compensa o estudo necessário dos comandos do volante para que se consiga tirar partido do mesmo.

É uma das grandes mudanças face aos modelos anteriores. Ou seja. eixo de 4 braços e barra estabilizadora tubular. há espaço de sobra. que se desenha no contorno do capot. revelando um comportamento adaptável ao que se deseja quando se tira partido dos diferentes modos de condução. atrás Dimensões Comprimento: 4177mm Largura: 1832mm Altura: 1353mm Distância entre eixos: 2505mm Peso: 1265kg Pneus: 225/50 R 17’’ Capac.590€ (viatura ensaiada. As ópticas dianteiras estão muito mais estreitas e menos “quadradonas”. está o tradicional painel de instrumentação (digital e que pode ser aumentado. mala: 305 litros Prestações Veloc. claro. Agora. 56.2 litros/100 km Emissões CO2: 110g/km Preço 47. mais agressivo. à frente Auxílio ao arranque em subida: Sim Distribuição força de travagem: Sim Monitorização da pressão dos pneus: Sim Sistema de fixação Isofix para cadeiras de crianças: Opção Aviso de colocação do cinto de segurança: Sim Vida a bordo Comando à distância: Sim Fecho central: Sim Vidros eléctricos: Sim. claro. Aí. misto: 4.MAIS TECNOLOGIA DIESEL ANIMADO EQUIPAMENTO Foi designado por Audi Virtual Cockpit e é uma nova maneira não só de prestar informação ao condutor como de redesenhar todo o tablier. com sistema de injecção directa Tracção: Dianteira Caixa: Manual de 6 velocidades Suspensão: tipo McPherson. depósito: 50 litros Capac. Sendo um diesel. a assinatura luminosa é sublinhada por um contorno criado pela faixa de separação nos faróis. com braços triangulares transversais de alumínio e barra estabilizadora tubular. Os faróis chegam de série com tecnologia Xénon Plus.850€) * Dados do construtor O banco traseiro está lá e pode ser usado. o banco traseiro funciona melhor como uma prateleira de apoio para quem vai à frente. há que escolher este extra mas apenas com o 2. máx. todas as informações passaram a estar concentradas no sítio onde habitualmente se encontra o ecrã da instrumentação.: 241 km/h Aceleração 0-100 km/h: 7. proporcionado também pela qualidade dos materiais seleccionados pela marca para este coupé. também iluminada. em altura e profundidade Volante em cabedal: Sim Volante multifunções: Sim Bancos com apoio lombar: Opção.96m Travões: Discos ventilados à frente. discos. sim. mas é possível equipar a viatura com tecnologia LED ou com Matrix LED — em ambas as opções. com protecção antirreboque OLHAR (BEM) ILUMINADO SEM ESPAÇO FICHA TÉCNICA Mecânica Cilindrada: 1968cc Potência: 184cv@3500/4000rpm Binário: 380 Nm@1750/3250rpm Cilindros: 4. menos pesado e mais rasgado. além de todas as outras funções de info-entretenimento que antes se encontrava no ecrã ao centro do tablier. O direccionamento das luzes em curva é extremamente preciso e uma ajuda muito útil em estradas menos iluminadas. atrás Direcção: Eletro-mecânica Diâmetro de viragem: 10. Mas o comportamento da caixa. eléctrico Comandos de rádio e telefone no volante: Sim Rádio/CD com MP3: Sim Bluetooth e USB: Sim Audi sound system: Opção Ar condicionado: Sim Bancos dianteiros ajustáveis em altura: Sim Limitador de velocidade: Sim Cruise control: Opção Computador de bordo: Sim Jantes em liga leve: Sim. em linha Alimentação: Gasóleo. com launch control. manual de seis velocidades. Segurança ABS: Sim Controlo electrónico de estabilidade: Sim Airbags dianteiros: Sim Airbags laterais: Sim. quase faz esquecer o facto. Para uma caixa automática S tronic. à frente. Na prática. 18’’ (Pacote desportivo S Line) Alarme: Não Sensores de estacionamento: Não Sistema de navegação plus com MMI touch: Opção Alarme: Opção. Mas não mais do que para um percurso mínimo e quase exclusivamente por crianças pequenas — de preferência com um comprimento em que as pernitas ainda não saiam da cadeirinha. A inovação já trouxe frutos: o Audi TT acaba de vencer o prémio Connected Car 2014 atribuído pelas publicações alemãs especializadas Auto Bild e Computer Bild. Além de. no mesmo sítio. à frente Vidros traseiros escurecidos: Opção Direcção assistida: Sim Espelhos retrovisores com regulação eléctrica: Sim Espelhos retrovisores rebatíveis electricamente: Opção Retrovisor interior com antiencandeamento automático: Opção Volante regulável: Sim.1s Cons. num painel LCD. FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 35 . é certo que a garra desportiva não é tão agressiva como os congéneres a gasolina. O resultado é um olhar. É precisa e ágil. além de conforto. diminuído ou escondido).0 TFSI – neste caso.

. criando novos produtos de preços reduzidos mas com a chancela de qualidade da Mabor e da Continental. Mas os pneus da Mabor. a Mabor iniciou uma aposta no desporto automóvel em Portugal.000 pneus/ ano. garantem durabilidade e qualidade a preços reduzidos. João Palma A Mabor. proporcionam menor resistência ao rolamento (com a decorrente redução de consumos). destacando-se pela qualidade dos seus produtos. Na década de 50 do século XX. que se processa de forma uniforme (aumento da durabilidade e vida útil do pneu). só em Portugal. embora incluída no universo de marcas budget. não comprando produtos baratos. é o modelo de topo de uma gama que inclui pneus para SUV. O envolvimento da Mabor nas competições automóveis prolongouse até aos anos 80 do século passado. Este Jet Sport 3 é uma excepção: é verdade que em situações extremas de condução muito exigente tem um desempenho inferior ao pneu premium equivalente da Continental. para usos geral (Street Jet 2) e comerciais ligeiros (Van Jet 2). tinha uma parceria com o fabricante norte-americano General Tire & Rubber Company. o que lhe granjeou prestígio e notoriedade só comparáveis ao de marcas premium. sai muito caro no que se refere a acidentes por fraco desempenho dos pneus. que vem tomar o lugar do Sport Jet 2 de 2008. que se destina ao mercado de substituição (não equipa de origem qualquer veículo). blocos largos com canais circunferenciais profundos e utilização de compostos de sílica de última geração. a Mabor vende 200. uma marca de futuro Os pneus budget são em geral produtos de baixo custo e baixa qualidade. para jantes de 15’’ a 18’’ ções de condução tem uma resposta ao nível do requerido. O novo pneu. Isto é. mas premium no desempenho. uma das marcas mais prestigiadas em Portugal no século passado e que desde 1993 faz parte do grupo Continental. no começo. o grupo Continental. seu amigo pessoal. respondemos que deve comprar pneus com a medida que consta no livrete do seu veículo e de marcas reconhecidas. mulher do conde da Covilhã. Apesar de ser considerado um pneu budget pelo preço (25% a 30% inferior ao da marca premium Continental). a marca Mabor é uma sigla de Maria Borges. cuja produção é destinada maioritariamente à exportação). acaba de lançar o Sport Jet 3. Os compostos usados no seu fabrico. o barato. bem como o desenho da banda de rodagem. Timisoara (Roménia). em geral. menores vibrações e ruído com acréscimo do conforto de condução. 36 | FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 em termos de segurança. está disponível em 27 medidas (4 para SUV). que era muito pobre e carenciada. que. mas foi produzido com recurso às mais modernas tecnologias e materiais utilizados pelo grupo em que a Mabor se insere. A fábrica do Lousado nasceu de um pedido de Salazar ao conde da Covilhã. o Jet Sport 3 é um pneu budget no preço. mas a marca passou a fronteira e internacionalizou-se. Depois de a Mabor ter passado por um certo período de penumbra. fundador da empresa. o Sport Jet 3 tem características técnicas e performances que o situam num nível muito superior à generalidade dos pneus de baixo custo. Com desenho assimétrico da banda de rodagem. maior resistência ao desgaste. que actualmente detém a 100% a marca (e a fábrica. o Sport Jet 3 tem resposta rápida em curva e oferece maior estabilidade para um desempenho preciso e desportivo com aumento da segurança tanto em piso seco como molhado. que lhe prestava apoio tecnológico. Aachen e Korbach (Alemanha). Puchov (Eslováquia) e Otrokovice (República Checa). está disponível em 27 medidas. como um pneu destinado a veículos de alta performance. quando alguém nos pergunta quais os pneus que deve adquirir para substituir os do seu carro. que se destina ao mercado de substituição. ombros exteriores sólidos e fechados. A Mabor não é um qualquer fabricante de pneus obscuro de origem duvidosa e. Sarreguines (França). nas séries 40 a 65 (altura da secção do pneu em percentagem em relação à largura) e índices de velocidade de H (até 210 km/h) a Y (até 300 km/h). concebido para equipar veículos de média/alta a muito alta performance. porque.Motores Novidades Pneu Mabor Sport Jet 3 Uma marca com passado. Hoje em dia. uma marca budget do grupo Continental mas com uma história de prestígio em Portugal. para criar postos de trabalho na região. Normalmente. O Sport Jet 3. decidiu injectar-lhe sangue novo. sendo produzida em sete fábricas do grupo Continental: Lousado (Portugal). pelo que para 99% dos condutores e em 99% das situa- O novo pneu. para jantes de 15’’ a 18’’. tem um nome a defender. Nascida em 1938.

O que se passa é que têm câmaras de vídeo incorporadas. Há sensores que detectam o ligeiro virar de cabeça do condutor na direcção do pilar e é nesse momento que este se torna “transparente”. Assim. o pilar B (onde se encontram as portas da frente e de trás). Como? Tornando “transparentes” os pilares do carro. em terceiro lugar. a divisão de Investigação & Desenvolvimento do grupo Jaguar Land Rover concebeu um sistema de navegação que inclui a projecção de um holograma. dando-nos a sensação de que o pilar não está lá ou que é transparente Isto não funciona em permanência. Além deste “Follow-me ghost car navigation”. um “carro-fantasma” à nossa frente. se virarmos a cabeça para a esquerda. Foi feita uma comparação entre a duração das viagens com o TomTom Traffic e os serviços da concorrência mais direta. Trata-se do “360 Virtual Urban Windscreen” que. como uma saída da rotunda onde nos encontramos. neste caso. que apenas precisamos de seguir para chegar ao nosso destino. para o GPS. Dezembro de 2011 e Agosto de 2013 FUGAS | Público | Sábado 20 Dezembro 2014 | 37 . Basta seguir o carro virtual à nossa frente. Mas o “360 Virtual Urban Windscreen” ainda faz mais: se houver um obstáculo à nossa frente. É um truque. Por reconhecer que é assim. nunca será tão eficiente ou prático como termos um carro à frente conduzido por um amigo que conhece bem o caminho e que nos limitamos a seguir. deixa de estar lá a estorvar-nos e o mesmo vale para o painel A (entre a porta e o párabrisas).Jaguar-Land Rover cria “carro-fantasma” que nos mostra o caminho P or muito bom que seja um sistema de navegação. Álvaro Vieira PUBLICIDADE TOMTOM TRAFFIC O MAIS RÁPIDO A LEVÁ-LO AO SEU DESTINO OS NOVOS * * Testes de condução independentes realizados em Berlim pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e em Londres pela Blauw Research. e deixamos de nos preocupar em saber se aquele beco estreito na cidade está a ser considerado pelo sistema de navegação ou se aquele caminho particular conta. o grupo Jaguar-Land Rover apresentou na semana passada outra inovação destinada a tornar a condução mais confortável e. E um peão que saia do passeio para atravessar à nossa frente há-de surgir-nos emoldurado num rectângulo vermelho. A Jaguar-Land Rover não revelou quando é que estas soluções vão passar à produção nem os modelos candidatos a incorporá-las. com a sua opacidade natural. Além de sustentarem o tecto do carro. que captam o campo visual que um pilar tradicional tornaria inacessível ao condutor. sobretudo mais segura. por exemplo. que nunca perdemos de vista Os pilares “transparentes” são outra inovação: exibem as fatias do campo visual que os outros escondem na confusão do trânsito. Sem precisarmos de desviar o olhar da estrada para o ecrã de um tradicional painel de navegação nem de contar o número de saídas de uma rotunda para obedecermos à habitual indicação sonora de que devemos seguir pela que surge. os pilares são necessários para dar segurança ao habitáculo — têm muitas vezes airbags no interior — e estão sempre lá. se continuarmos a olhar para o veículo que passa por nós. O pilar só se torna “transparente” quando necessário. e servem de tela de projecção dessas fatias de imagem antes inacessível. que ligam o tejadilho do automóvel ao corpo principal da carroceria. ele é assinalado no nosso “pára-brisas-display” por um sinal de perigo vermelho. que o acompanha até ele sair da nossa direcção. claro. para ver o carro que nos está a ultrapassar. na prática. consiste em proporcionar ao condutor uma visão periférica quase total.

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