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Rosas Brancas

Rosas Brancas

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Texto que se insere numa modalidade de Ensaio de Romance. Onde se pode seguir as venturas e desventuras de personagens que não deixam ninguém indiferente seja pelo comportamente, educação ou ausência de...
Texto que se insere numa modalidade de Ensaio de Romance. Onde se pode seguir as venturas e desventuras de personagens que não deixam ninguém indiferente seja pelo comportamente, educação ou ausência de...

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09/27/2012

Imersa no seu trabalho, Marta, quase não se apercebeu que alguém
estava a tocar à campainha. E enquanto se levantava ia dizendo de si para si:
– Quem quer que seja escolheu uma má altura, interrompeu-me
completamente o raciocínio e agora vou ter que voltar ao início. – E a contra
gosto lá se foi arrastando para a porta pensando: – agora vou ter que confirmar,

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pela segunda vez, todos os dados desde o início, o que já é cansativo fazer-se
uma vez, mas, como diz o povo “o que não tem remédio remediado está”.

Vasco esperava que Marta lhe abrisse a porta e pensava entusiasmado
em como era fácil conquistar uma mulher. Com Marta optou por utilizar uma
estratégia diferente que consistia em se aproximar aos poucos e agora já se
sentia pronto para a surpreender.

Marta constatou, através do óculo da porta que era Vasco e pensou:
– Mas o que é que este quererá? – e entreabriu a porta.
– Boa tarde Vasco. O que o traz por cá?
– Então hoje não é dia de caça? – e de si para si, pensou: Ah! Ah! Que
piada. Caça pois sim… e tu és a caça. Esta teve mesmo piada Ah! Ah! Ah!
– Talvez, não sei… – Marta olhando para a perdiz que Vasco segurava
nas mãos, perguntava a si mesma que mal teria feito o pobre animal para
merecer tal fim. – E pensava: – Que desporto mais sangrento.
– Sabe eu gosto de caçar. Para mim é um desporto de que saio sempre
vencedor, trago sempre alguns troféus para casa. Como esta bela perdiz que lhe
venho oferecer e que espero saiba apreciar devidamente…
Agora, se me dá licença retiro-me. Estou cheio de pressa, sabe como é,
ainda tenho que me ir vestir decentemente, tenho uma reunião inadiável daqui
a pouco mais de uma hora.

Dizendo isto voltou costas a Marta, e afastou-se tão rapidamente que ela
ficou boquiaberta com o comportamento de Vasco. Enquanto fechava a porta de
casa pensou:

– Este tipo é mesmo louco. E agora o que faço com isto?!… Nem esperou

que eu lhe agradecesse.

Mais um dos meus estranhos vizinhos. O que é que é que moverá este
indivíduo para além de, obviamente, gostar de viver de aparências.
Possui a casa maior das redondezas, o melhor carro da aldeia, pratica
um desporto que está na moda…

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Será que gosta de ler um bom livro quando está em casa? Tanto quanto
sei é divorciado e vive só, nunca o vi acompanhado… Será um desses criativos
excêntricos de que tanto se fala?
Mas o que é isto Marta? A vida dos outros não te diz respeito!
Nem me reconheço, logo eu que nunca me interessei pela vida dos
outros, nos últimos tempos, surpreendo-me a pensar nos vários vizinhos…
Será que agora além de divorciada também sou cusca? Teria a sua graça,
aos trinta e nove anos estou a revelar-me… Ah! Ah! Nada como uma boa dose
de humor para aligeirar as tristezas da vida…

E, bem disposta, depois de colocar a perdiz no congelador, voltou ao

trabalho.

É cada vez mais frequente, Vasco parar junto aos muros do Monte Giesta
para meter conversa com Marta.

Dois meses após a sua primeira grande aproximação, Vasco tomou
coragem para a convidar a ir a sua casa. Parou junto à casa de Marta e logo que
a viu fez-lhe sinal com a mão para que ela se aproximasse.

Marta está a fazer a sua meditação. Enquanto cuida dos seus canteiros
aproveita para colocar os pensamentos em ordem, como tal não se apercebe da
aproximação de Vasco, e que este está a tentar chamar a sua atenção,
gesticulando.

É arrancada da sua introspecção, por Vasco, que buzina e aos gritos a

chama e lhe pergunta:

– Olá Marta! Então já não fala com os vizinhos? – e sem esperar pela

resposta de Marta, continua:

– Apenas a quero convidar para vir conhecer a minha casa. Já nos
conhecemos há algum tempo e a Marta ainda não desfrutou da vista
espectacular que eu possuo sobre a Serra. Garanto-lhe que dali, usufrui da
melhor panorâmica da Serra, que há na aldeia.

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Apanhada de surpresa, Marta demorou alguns segundos a reagir e, um
pouco reticente Marta acabou por aceitar.

– Bom… OK. Posso visitá-lo, na próxima quarta-feira – dali a dois dias –
às quatro da tarde? Está bem para si?
– Está perfeito Marta. Fico ansiosamente à espera da sua visita – e de si
para si dizia: – Nem sabes quão ansiosamente sua gostosa…

Enquanto Vasco se afasta, Marta tenta perceber porque é que hesitou em
aceitar um convite apresentado de forma tão gentil. Chegou à conclusão que,
apesar de Vasco ser simpático e educado, este lhe inspira, intuitivamente,
alguma desconfiança.

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