10º ano - resumos

Programa

I - A geologia, os geólogos e os seus métodos

II - A Terra, um planeta muito especial

III - Compreender a estrutura e a dinâmica da geosfera

I - A geologia, os geólogos e os seus métodos.

Terra e os seus subsistemas

Conceito de Sistema – Qualquer porção do Universo, constituída por massa e energia,
com diferentes componentes em interacção de um modo organizado. Neste contexto
podemos considerar a Terra um sistema.

E Quais as características do sistema Terra?

Temos vários tipos de sistemas:

 Sistema isolado – não existe permuta de matéria e energia através das suas
fronteiras. Na Natureza não existem sistemas completamente isolados.
 Sistema fechado – ocorre intercâmbio energético através dos seus limites, mas
não há permuta de matéria.
 Sistema aberto – ocorre intercâmbio de energia e de matéria através das
respectivas fronteiras.

Terra é um sistema fechado pois não existe troca de matéria com o exterior. Por sua
vez recebe energia do Sol e liberta energia proveniente da desintegração de elementos
radioactivos e do calor interno remanescente da origem da Terra.

E Subsistemas terrestres
No sistema Terra podem considerar-se 4 subsistemas:
 Hidrosfera
 Atmosfera
 Geosfera
 Biosfera

 A hidrosfera é constituída pelos reservatórios de água no estado liquido que
existem na Terra: oceanos, lagos, rios…
 A Atmosfera é constituída por gases dispostos em camadas
 A biosfera é constituída pelo conjunto de seres vivos que povoam a Terra
integrados nos seus respectivos meio abiótico
 Geosfera é constituída pela parte sólida da Terra como as rochas e minerais.



E Como explicas o aparecimento de oxigénio na atmosfera?

A capacidade de alguns seres fotossintéticos realizarem a fotossíntese deverá ser a
origem do aparecimento do oxigénio. As bactérias cianobactérias foram os primeiros
seres vivos a realizar este processo.
Sabe-se que o ozono (O3) constitui uma das camadas da atmosfera actual que é
essencial para a vida na Terra.
Tendo em atenção que 4 O2 2 O3 + O2, fomula uma hipotese explicativa para o
aparecimento desta camada.
Quando a atmosfera atingiu uma concentração suficientemente elevada de oxigénio
livre (cerca de 10% da actual) foi possivel formar-se a camada de ozono (O3).

Os sistemas considerados são enormes reservatórios de matéria e de energia, que
interagem e permanecem em equilíbrio – são sistemas abertos. Qualquer alteração
provocada num destes subsistemas afectará os outros desencadeando mudanças até
que um novo equilibrio seja estabelecido.

Conceito de Ecossistema – É um conjunto formado por seres vivos, pelo meio que
aqueles ocupam.

Exemplos de interacções entre subsistemas
Subsistemas Ex. de interacções
Atmosfera Biosfera Fotossíntese – as plantas retiram da atmosfera CO2 e
libertam O2
Respiração celular
Hidrosfera Ciclo da água
Geosfera Erupções vulcânicas
Desintegração dos elementos radioactivos
Hidrosfera Biosfera Ciclo da água
Acção do Homem – emissão de poluentes para os rios
Geosfera Ciclo da água – infiltração da água nos subsolos
Biosfera Geosfera Formação do carvão mineral


A Terra é um Sistema Fechado

Tem implicações: a quantidade de matéria é finita e limitada.
Os materiais poluentes resultantes da actividade h humana acumula-se com
consequências Catastróficas.
Qualquer alteração num dos subsitemas afecta necessariamente todos os outros.





E Rochas

Rochas importantes

Rocha Minerais importantes Minerais acessórios
Granito Quartzo, feldespato potássico e plagioclase Mica branca e preta
Basalto Tiroxina e plagioclase Olivina e anfibula
Calcario Calcite
Mármore Calcite




E Rochas sedimentares

Conceito de rocha – unidade estrutural da Geosfera constituída por um ou vários
minerais associados.
Conceito de Mineral – é um corpo sólido, natural, inorgânico, de estrutura cristalina e
com composição química fixa ou variável dentro de certos limites.

Na génese das rochas sedimentares ocorrem fundamentalmente duas fases:
 Sedimentogénese
 Diagénese
A sedimentogénese é um conjunto de processos que intervêm na formação de
sedimentos.

Processos que ocorrem na sedimentogénese
 Meteorização – alterações das rochas por acção de agentes externos
Física – havendo desintegração mecânica das rochas
Ou
Química – havendo transformação de minerais noutros, mais estáveis.
 Erosão – Remoção pela água ou pelo vento dos materiais resultantes da
meteorização das rochas.
 Transporte – Os materiais resultantes da meteorização são, em regra,
transportados pela água ou pelo vento para outros locais.
 Sedimentação – ocorre quando o agente transportador perde energia e os
sedimentos se depositam.

Diagénese – conjunto de processos físico e químicos que intervêm após a
sedimentação e pelos quais os sedimentos se transformam em rochas sedimentares
coerentes e consolidadas.

Processos que ocorrem durante a diagénese
 Compactação – compressão de sedimentos pelas camadas superiores.
 Cimentação – preenchimento de espaço entre os sedimentos por novos
minerais que resultam da precipitação.


E Rochas Magmáticas

Conceito de magma – São misturas complexas de rochas fundidas. Normalmente o
magma é menos denso do que as rochas existentes. Quando o magma solidifica origina
rochas magmáticas.

Há 2 tipos de rochas magmáticas:
As rochas intrusivas são aquelas em que o magma solidifica no interior da Terra.
Ex. Granito.
As rochas extrusivas são aquelas que o magma solidifica á superfície ou próximo
dela. Ex. o Basalto.
Nas rochas Magmáticas, a formação de minerais resulta do arrefecimento do
Magma:
 Arrefecimento rápido – não há condições para se formarem cristais bem
desenvolvidos.
 Arrefecimento lento – há condições para se formarem cristais bem
desenvolvidos.

Tipos de magmas

 Basálticos
 Andesíticos
 Riolíticos


O Basálticos - Expelido nos riftes.
 Quando solidifica em profundidade - Gabro
 Quando solidifica à superficie - Basalto

O Andesíticos - Forma-se em zona de subducção (oceanica - continental)
 Quando solidifica em profundidade - diorito
 Quando solidifica à superficie - Andesito

O Riolíticos - Fusão parcial do crosta (continental - continental)
 Quando solidifica em profundidade - Granito
 Quando solidifica à superficie - riólito

E Textura das rochas magmáticas

 Tem textura granular é quando os minerais distinguem-se uns dos outros,
em cristais relativamente desenvolvidos. Características das rochas
intrusivas.
 Textura agranular são quando não se destinguem os minerais e os cristais
são microscópicos. Características das rochas extrusivas.

As rochas Magmáticas podem fornecer informações sobre como se formaram,
quais os materiais que a constituem e se solidificam à superfície ou em
profundidade.


E Rochas Metamórficas

Conceito de metamorfismo – é um conjunto de processos geológicos que leva a
formação de rochas metamórficas. Esses processos envolvem transformações físicas e
químicas sofridas pelas rochas quando são submetidas a altas temperaturas e
elevadas tensões. Estas alterações ocorrem no estado sólido, pois a pressão é superior
à temperatura.

Factores de metamorfismo – Temperatura, pressão, fluidos e tempo.

A textura das rochas metamórficas podem ser não foliadas ou foliadas.

O xisto, o gnaisse e a ardósia são tipo de rochas foliadas enquanto o mármore é não
foliada.
As rochas metamórficas podem se formar em diferentes realidades. Podem-se formar
a partir do metamorfismo regional ou metamorfismo de contacto.

Conceito de metamorfismo regional – ocorre quando as rochas estão submetidas a
tensões e temperaturas muito elevadas. Estas regiões correspondem a zonas de
colisão de massas continentais. Ex. O gnaisse e o Xisto.
Conceito de metamorfismo de contacto – quando uma intrusão magmática se instala
entre rochas preexistentes, e o calor proveniente do magma pode metamorfizar as
rochas encaixantes.ex. calcário em contacto com o magma forma calcário.

E Ciclo das Rochas (pag.30)

Conceito de ciclo das rochas – conjunto de transformações do material rochoso no
descurso das quais as rochas são geradas, destruídas e alteradas por processos devidos
à dinâmica interna e externa da Terra.

E Datação da idade das rochas pela idade relativa
Conceito de idade relativa – processo de datação que permite avaliar a idade de uma
rocha em relação à outra.
Exemplos:
 Fosseis de idade – são aqueles que existiram durante um curto espaço de
tempo e teve uma ampla distribuição geográfica.
 Principio da sobreposição – Numa sequência não deformada de rochas
sedimentares o estrato mais antigo é o que está por baixo. – Lei de stenon.
 Princípio da identidade paleontológica – Estratos com o mesmo tipo de
fosseis apresenta a mesma idade.
 Princípio da intercepção ou corte – Estruturas geológicas que intersectam
outras são mais recentes do que estas.
 Principio da inclusão – Um fragmento incorporado num outro é mais
antigo que este.

E Datação absoluta

Conceito de datação absoluta – consiste em determinar a idade de uma rocha através
da desintegração regular de isótopos radioactivos naturais.
O tempo necessário para que se dê a desintegração de metade dos nº de átomos
iniciais - isotopos pais - em átomos mais estáveis - isotopos filhos- designa-se por
semivida.
A datação radiométrica é só utilizada em datação de rochas magmáticas pois os outros
tipos de rochas existem a partir de outras já existentes.
Este método e difícil uma vez que as concentrações de isótopos radioactivos presentes
nas rochas são mínimas e difíceis de avaliar com precisão.
Outro e que o isótopo pai pode se juntar a outro isótopo após a sua formação.

E Eras da Terra

 Pré-câmbrico
 Era paleozóica
 Era mesozóica
 Era cenozóica

A terra deve ter aparecido à 3800 M.a.
Os dinossauros desapareceram no fim da era mesozóica.

E A terra, um planeta em mudança

"Como explicas a extinções em massas como a dos dinossauros?"

As explicações podem ser:
Catastróficas – as grandes alterações ocorridas à superfície da Terra foram provocadas
por catástrofes não cíclicas, pontuais e dirigidas.
Uniformitaristas - são fenómenos que actuaram no passado e que actuam
presentemente.

Os uniformitaristas têm os seguintes princípios:
 Princípio do actualismo ou das causas actuais;
 As leis naturais são constantes no tempo e no espaço;
 As mudanças geológicas são cíclicas;
 Principio do gradualismo.

Neocatastrofismo – Aceita os pressupostos do Uniformitarismo, mas atribui também
um papel importante aos fenómenos catastróficos.

E Mobilismo geológico

A teoria da deriva continental foi descoberta por Wegener em 1912. Este apoiava a
hipótese de os continentes estiveram unidos, a cerca de 225 M.a. num super
continente chamado Pangeia e rodeado só por um oceano chamado Pantalassa.

Os argumentos para esta teoria são:
Geológicos – na semelhança de algumas camadas rochosas com a mesma idade em
certas regiões de vários continentes actualmente distantes;
Paleontológicos – testemunho de fosseis, como o glossopteris, que aparecem
exclusivamente em África, na América do Sul, na Índia, na Austrália e na Antárctida.
Geográficos – o traçado complementar das costeiras de continentes hoje separados,
por exemplo, a África e a América do Sul;
Paleoclimáticos – a existência de vestígios de depósitos glaciários na África do Sul e
Índia.

Wegener não conseguiu explicar:
 A razão da fractura de Pangeia;
 O movimento dos fragmentos resultantes.

E Correntes de convecção

As investigações prosseguiram e anos mais tarde, por Holmes, sugere uma solução em
que no manto existe correntes de convecção.
Células de convecção é um circuito de subida de fluido quente e descida de fluido
frio.

Conceito de litosfera – zona rígida constituída pela crosta terrestre e pelo manto rígido
da astenosfera. Ex. crosta oceânica é constituída por basalto.
No Rift que é uma zona divergente, existe formação de crosta enquanto nas
zonas de subducção existe destruição de crosta.

Existe três tipos de limites:
Limite divergente – situa-se nas dorsais oceânicas e são zonas onde é gerada crusta
oceânica, originando a expansão dos fundos oceânicos.
Limite convergente – Corresponde a zonas de fossas em que a placa oceânica
mergulha sobre a outra e aqui se verifica destruição de crosta.
Limite conservativo – situa-se nas falhas onde as placas litosféricas deslizam
lateralmente uma em relação à outra, sem acréscimo e sem destruição de crusta.

II - A Terra, um planeta muito especial

E Composição do sistema Solar

O sistema solar é constituído pelo Sol e pelos corpos que se movem em torno deste
incluindo planetas e cometas.




E Origem do Sol e dos planetas

Temos várias teorias:
A Teoria de Buffon em que acreditava que um cometa teria chocado com o sol.
A teoria de Chamberlain que apoiava a intervenção de uma estrela intrusiva que atraia
pela força gravítica parte do sol e que o material ter-se-ia condensado e formado os
planetas, mas foi abandonada pois era pouco provável passar outra estrela perto do
Sol.
No caso da teoria nebular a velocidade da rotação do sol deveria ser maior e os gases
deveriam ter se espalhado pelo Universo e não condensando formando planetas.
Na teoria nebular reformulada verificamos que houve colisões entre partículas, que se
juntaram e teriam formado corpos rochosos como os planetesimais. Os cometas e
asteróides são restos dos planetesimais.
O aumente destes corpos fez com que pudessem reter uma atmosfera. Os planetas
telúricos teriam aparecido nas zonas mais densas do disco-planetário, isto é, mais
próximo do sol.
Os grandes planetas encontram-se mais afastados do sol e isto devido às radiações
solar. Devido ao afastamento destes planetas os gases como o Hidrogénio e o hélio
passaram ao estado sólido.
Os planetas que se encontram mais próximos do sol são constituídos por materiais
com ponto de fusão mais elevado por isso são mais pequenos e formados por silicatos
e ferro e possuindo uma atmosfera pouco densa.
Os planetas mais afastados do sol, os planetas gasosos, condensam-se a baixas
temperaturas e são ricos em elementos voláteis. São formados por materiais pouco
densos, pobres em silicato e ferro sendo a sua constituição parecida com a do Sol.

A teoria nebular reformulada é valida pois:
 Observamos uma idade idêntica para todos os corpos do sistema solar;
 A regularidade das orbitas planetárias em que são quase complanares, formando um
disco;
 os movimentos dos planetas nas suas orbitas são todos no mesmo sentido;
 o sentido da rotação entre planetas é igual excepto Vénus e úrano;
 e que os planetas mais perto do sol são mais densos que os planetas afastados assim
apoiando esta teoria.


E Composição do sistema solar

O sistema solar é composto pelo sol, por planetas, cometas, asteróides e outros corpos
de pequenas dimensões.
O sistema solar encontra-se na galáxia Via Láctea, no enxame local e super enxame
virgem.

Planeta clássico – é um corpo celeste com orbita em volta do sol. Tem massa suficiente
para que a sua gravidade seja suficiente para que o corpo assuma uma forma quase
esférica e que atraia corpos celestes para a sua superfície.
São chamados planetas telúricos àqueles que têm semelhanças com a Terra.

Planetas anões – são aqueles que tem massa suficiente e gravidade suficiente para que
o corpo tenha uma forma quase esférica mas não tem gravidade suficiente para atrair
corpos celestes para si.

Asteróides – são corpos de pequenas dimensões. Têm normalmente um diâmetro de 1
km em que os maiores asteróides são asteróides diferenciados. Geralmente movem-se
na orbita entre Marte e Júpiter.

Cometas – são corpos de pequenas dimensões com orbitas muito excêntricas
relativamente ao sol. Deve-se á influência dos planetas. São os corpos mais primitivos
do sistema.

Um cometa é formado por um núcleo constituído por gases congelados que ao
passar pelo sol, a radiação solar faz sublimar o gelo da superfície do núcleo
formando uma cabeleira. Forma-se ainda uma cauda que é constituída pelos
gases e pelas poeiras libertadas do núcleo.

Meteoróides que ao caírem na superfície terrestre chamam-se meteoritos. Estes
podem-se classificar em três formas:
 Sideritos que são constituídos por elevadas percentagens de ferro níquel.»7.
 Aerólitos são também conhecidos por pétreos pois são constituídos por minerais
que podemos encontrar nas rochas terrestres. São constituídos por baixas
percentagens de ferro e é formado essencialmente por silicatos. Densidade
cerca de 3,4.
 Sedirólitos – formados por 50% de ferro e 50% de silicatos. Densidade cerca de
5,5.


E A Terra e a acreção/ diferenciação

Acreção é um processo em que os planetesimais se aglutinam para formar planetas.

A diferenciação é quando há uma divisão do interior do planeta em camadas
concêntricas. Os materiais mais densos afundam-se para o interior do planeta e os
menos densos afloram onde arrefecem e dão origem à crusta.

E A Terra e os outros planetas telúricos

Os planetas telúricos são formados por materiais sólidos, núcleo metálico, têm um
diâmetro inferior ou igual ao da terra, as atmosferas são pouco extensas
relativamente ao respectivo planeta, possuem poucos satélites.
Os planetas gasosos são formados essencialmente por gases, têm diâmetros maiores
que os telúricos, têm um pequeno núcleo, têm muitos satélites.
A Terra é um planeta geologicamente activo pois apresenta dinâmica interna e
externa.

Dinâmica interna - a energia provem da energia proveniente da origem do planeta (
acreção e compressão) ; desintegração dos elementos radioactivos; contracção
gravitacional.
Exemplo: sismos, vulcões e placas litosféricas

Dinâmica externa: a energia provem do sol; queda de meteoritos; actividade
vulcânica.
Exemplo: pelo vento, erosão, correntes marítimas.

Marte e Mercúrio são planetas geologicamente inactivos.

E A Lua

A lua é constituída por mares e continentes. Os continentes são as áreas mais claras
com um relevo mais acidentado, apresenta mais crateras e é constituído
essencialmente por feldspatos.
Os mares são de cor mais escuros, tem um relevo mais plano, tem muito poucas
crateras de impacto e constituído por basalto. Os continentes reflectem mais luz do
que os mares.

Os mares lunares são originários de impactos meteoriticos que consequentemente
resultam fenómenos de vulcanismo. Com a subida de lava que preencheu as
depressões resultantes do impacto, a lava solidificou formando os mares.
A lua e formada por rególitos que são materiais soltos e de cor acinzentada
juntamente com esférulas resultante s do arrefecimento de rocha fundida após o
impacto meteorítico.

Na terra existe rochas que têm cerca de 3800 milhões de anos. Como o sistema poderá
ter-se formado à 4600 anos e a Terra não tem resisto desse tempo pois a terra está em
constante actividade e apagou entre “” . A lua por sua vez que preserva marcas
ocorridas antes da formação dos continentes constitui um instantâneo fotográfico
daquilo que a terra seria naquele determinado tempo.

E Face da Terra – continentes e fundos oceânicos

Áreas continentais
Escudos – são vastas extensões em que afloram rochas muito antigas desgastadas pela
erosão.
Plataformas estáveis – correspondem a zonas dos escudos que não afloram. Estão
cobertas por sedimentos de origem marinha que foram depositados no decurso de
subida do nivel das águas do mar.
Cinturas orogenias recentes – enormes cadeias montanhas alongadas resultantes de
colisões continente - continente ou continente - oceânica.

Áreas oceânicas
No domínio continental
Plataforma continental - faz parte da crosta terrestre continental e prolonga-se sob o
mar .
Talude continente – representa o limite da parte imersa do domínio continental.
No domínio oceânico
Planícies abissais – vastas planícies no fundo oceânico.
Dorsais oceânicas - lava que se eleva e que no meio se encontra o rifte.
Rifte - De onde se expele o magma.


E Intervenções do Homem nos subsistemas terrestres

A interferência humana tem vindo a produzir efeitos cada vez mais vastos e com
impactos ambientais cada vez mais profundos no planeta, tanto a nível local como a
nível global.

Uma das preocupações que actualmente inquieta a Humanidade são as altas taxas de
crescimento populacional. O cenário de um aumento crescente da população humana
no planeta implica o aumento da procura de alimento, água, energia, ou seja, de todos
os recursos naturais que a Terra dispõe o que leva a um aumento do impacte humana
ao nível do ambiente.

A geosfera é um dos subsistemas em que os efeitos são particularmente visíveis, visto
ser aí que o ser humano vai procurar muitos dos seus recursos naturais de que
necessita. Entende-se por recurso natural qualquer bem com utilidade para o
desenvolvimento, sobrevivência e bem estar da sociedade extraído da Terra.

O aumento da população mundial e o desenvolvimento tecnológico e económico são
factores que influenciam a degradação ambiental, que significa perda de espaços
naturais. As sociedades humanas recorrem a um vasto conjunto de materiais
geológicos que se encontram no subsolo ou à superfície, denominados recursos
minerais.

As actividades humanas originam, a um ritmo crescente, novos produtos necessitando
de matéria prima e de uso de energia. Como resultado da exploração e da utilização
dos recursos, surge a poluição. A poluição é uma alteração indesejável ao nível dos
diferentes subsistemas terrestres, provocada por acção humana, através da introdução
directa ou indirecta de substancias, vibrações, calor ou ruído no ar, na água ou no solo,
susceptíveis de prejudicar a saúde humana ou a qualidade do ambiente.

Os efeitos globais da poluição detectados recentemente são o efeito de estufa e a
redução da camada de ozono que podem originar impactes que afectam o clima e o
equilíbrio global do planeta.

Os recursos naturais podem se classificar como renováveis e não renováveis. Entende-
se por recurso renovável o que é ciclicamente reposto no meio num intervalo de
tempo compatível com a vida humana. Enquanto que o recurso não renovável tem um
processo que demora milhões de ano, sendo gasto mais rapidamente pelo homem do
que é reposto pela natureza.

Apesar de a água ser um recurso renovável, ela é escassa e está sujeita a enormes
pressões antrópicas.
Da água doce disponível cerca de 30% pertence ao domínio das águas subterrâneas. A
formação de onde é possível extrair água de forma economicamente rentável designa-
se aquífero. Uma elevada extracção de água em aquíferos costeiros pode provocar o
avanço da água salgada, transformando a água doce contida no aquífero em água
salobra, tornando-a imprópria para consumo humano.

Considera-se risco geológico a um sistema complexo de processos geológicos cujas
alterações são susceptíveis de acarretar prejuízos directos ou indirectos a uma dada
população.
A geomorfologia é a ciência que estuda e interpreta as formas de relevo terrestre e os
processos responsáveis pela sua modelação.

O ordenamento do território é, fundamentalmente, a gestão da intervenção homem/
espaço natural.

Desenvolvimento sustentável é um modelo que satisfaz as necessidades do presente
sem comprometer a possibilidade de gerações futuras satisfazerem as suas próprias
necessidades.
O modelo de desenvolvimento sustentável tem como base as seguintes premissas:
 Dependência do fornecimento externo contínuo de energia solar;
 Uso racional da energia e da matéria, privilegiando a conservação em oposição ao
desperdício;
 Controlo da poluição, diminuindo a produção de resíduos que são absorvidos pelo
ambiente;
 Promoção da reciclagem e da reutilização dos materiais;
 Controlo do crescimento populacional, com perspectivas de estabilização da
população;
 Ordenamento do território.

Actualmente, um dos problemas que enfrentam as sociedades dos países mais
desenvolvidos é o grande aumento da produção dos resíduos sólidos urbanos.

A reciclagem é uma forma de valorização dos resíduos na qual se recuperam ou
regeneram diferentes matérias para a produção de novos produtos.

Conservação do património geológico consiste na implantação de estratégias que
permitam a conservação de elementos geológicos que possuem inegável valor
cientifico, pedagógico, cultural, turístico chamado geossítios.

Recurso não renovável – tipo de recurso natural em que o processo de reposição
na natureza demora milhões de anos.
Recurso natural – tipo de recurso em que o processo de reposição ocorre num
curto espaço de tempo.
Combustível fóssil – foram formados a milhões de anos a partir de restos de
seres vivos que sofreram transformações em condições particulares.
Desenvolvimento sustentável – modelo de desenvolvimento em que consiste
que as sociedades humanas devem satisfazer as suas necessidades no
presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem
as suas necessidades.










III - Compreender a estrutura e a dinâmica da geosfera


E Métodos para o estudo do interior da geosfera


Existem métodos directos e métodos indirectos.

E Métodos directos

 Estudo da superfície visível - conhecimento mais ou menos das rochas e minerais
que afloram ou que é possível ver directamente em cortes de estradas, de túneis, etc.

 Exploração de jazigos minerais efectuada em minas e escavações - fornece
dados directos até profundidades que oscilam entre os 3 a 4 km.

 Sondagens - perfurações que envolvem equipamentos adequados que permitam
retirar colunas de rochas (carotes) correspondentes a milhões de anos de história.

 Magmas e xenólitos - Os vulcões lançam para o exterior materiais oriundos de
profundidades horrendas que podem atingir os 200km ou mais. São como janelas para
o interior do planeta. Embora a composição do magma não seja igual à do manto que a
originou podemos concluir outros componentes como referir as condições a que são
sujeitos.
Xenolitos são rochas magmáticas com fragmentos que foram transportados a quando o
magma subiu e ficaram implantados na rocha.

E Métodos indirectos

 Planetologia e astrogeologia - O estudo de meteoritos podem determinar a
composição interna dos planetas e visionar através dos satélites o diâmetro da Terra e
de outros planetas

 Gravimetria - é determinada pela força que a Terra exerce sobre um corpo. Pode ser
calculada através de gravimetros. A superfície da Terra não é regular levando a
diferentes dados de zona para zona.

Para compararmos a força da gravidade em diferentes pontos da Terra é necessário
introduzir correcções relativas:
_ latitude
_ altitude
_ presença de acidentes topográficos

Após a introdução destes dados seria de esperar que a força gravítica fosse igual para
toda a superfície. Quando tal não acontece, as variações são designadas como
anomalias gravimétricas.

Aplicando o método gravítico sobre a superfície terrestre é possível identificar a
presença de materiais mais ou menos densos no interior da crusta, pois eles são as
causas das anomalia gravimétricas.

Quando existe rochas salinas ou domas salinos incrustados nas rochas encaixantes,
regista-se como uma anomalia negativa pois o sal tem uma baixa densidade. Aos
domas salinos estão associados jazigos de petróleo.
Quando pelo contrário se encontra um jazigo mineral mais denso que as rochas
encaixantes, regista-se uma anomalia positiva.


 Densidade e massa volúmica - esta é calculada indirectamente por aplicação de leis.

 Geomagnetismo - A terra tem um campo magnético natural que é responsável pela
orientação da agulha magnética da bússola.

Linhas de força do campo magnético passam através do planeta e estendem-se de um
pólo magnético para o outro. Um corpo magnetizado fica alinhado paralelamente às
linhas de força do campo magnético e orienta-se de acordo com a direcção dos pólos
magnéticos.

Certas rochas, como o basalto, são ricas em minerais ferromagnéticos, como, a
magnetite. Durante o arrefecimento do magma, os cristais podem ficar magnetizados
instantaneamente quando a temperatura desce abaixo de um certo valor, chamado
ponto de Curie ( 585° C para a magnetite).
Os cristais de magnetite funcionam como imanes, com uma polaridade paralela à do
campo magnético terrestre na altura da sua formação, conferindo à rocha uma
polaridade idêntica. Mesmo que o campo magnético mude , posteriormente, os cristais
ferromagnéticos incluídos na rochas conservam a sua polaridade.

Este campo magnético que fica registado designa-se por campo paleomagnético e o
estudo dos campos paleomagnéticos designa-se paleomagnetismo.

O estudo das propriedades magnéticas de lavas solidificadas mostram que o campo
magnético tem mudado periodicamente a sua polaridade, ou seja o Pólo Norte
magnético, que está actualmente próximo do pólo Norte geográfico - polaridade
normal - já esteve, no passado, próximo do pólo Sul geográfico - polaridade inversa.
A mudança de uma polaridade normal para uma polaridade inversa designa-se por
inversão do campo magnético terrestre.

O campo magnético medido sobre os fundos oceânicos resulta do campo magnético
actual e do campo fossilizado no basalto. Nas zonas com polaridade idêntica à actual
há sobreposição de dois campos magnéticos, o da Terra actual e o fossilizado na rocha,
o que faz surgir uma anomalia positiva. Nas zonas com polaridade inversa surge uma
anomalia negativa.

Conclusão: Pode-se considerar que o paleomagnetismo fornece inúmeras informações
sobre o passado da Terra:
_ regista inversões da polaridade do campo magnético terrestre;
_ apoia a hipótese da deriva continental e da formação dos fundos oceânicos a partir
do eixo das dorsais.

 Sismologia - estudo do comportamento das ondas sísmicas.

 Geotermismo - A Terra é uma gigantesca máquina térmica. A principal fonte de
energia interna é a desintegração de elementos radioactivos que se encontram nas
rochas. Além desta ainda existe no interior da Terra energia térmica remanescente da
formação do planeta.

Determinações feitas em minas e em sondagens mostram que a temperatura terrestre
aumenta com a profundidade. Denomina-se gradiente geotérmico a quantificação da
variação da temperatura com a profundidade, ou seja, o aumento da temperatura por
quilometro de profundidade.

O numero de metros que é necessário aprofundar para a temperatura aumente 1° C
denomina-se grau geotérmico. O gradiente geotérmico, porém, não é uniforme. Este
vai diminuindo com a profundidade, ou seja, o aumento da temperatura faz-se de
modo mais lento. Se assim não fosse, o núcleo encontrava-se a altas temperaturas
onde estas fundiam todo o tipo de material fazendo com que o núcleo não fosse
sólido.

O calor interno da Terra é o motor da actividade do nosso planeta e vai-se libertando
continuamente através da superfície. A dissipação de calor é permanente e denomina-
se fluxo térmico (quantidade de energia térmica libertada por unidade de tempo).
Porem, não nos apercebemos dessa libertação do calor interno devido à baixa
condutividade térmica da crusta terrestre, que determina uma dissipação
extremamente lenta.

E Vulcanologia

O vulcanismo é uma manifestação do geodinamismo interno, constituindo mecanismo
central da evolução da Terra.
Uma erupção vulcânica é caracterizada, geralmente, pela extrusão de materiais no
estado de fusão ígnea, a lava, pela emissão de gases e, muitas vezes, pela expulsão de
materiais sólidos de dimensões variadas.
Um vulcão é uma estrutura natural através da qual materiais com origem no interior
do planeta, são libertados à superfície.

A vulcanologia é a ciência que estuda as actividades vulcânicas.

Podemos considerar dois tipos de vulcanismo:
 Vulcanismo tipo central
 Vulcanismo fissural

E Vulcanismo do tipo central

Este tipo de vulcanismo está associado a vulcões de tipo cónico em que a libertação de
materiais ocorre numa zona restrita.

Devido às elevadas temperaturas, o magma é menos denso do que as rochas e sobe,
acumulando-se em espaços no interior da crusta que constituem as câmaras
magmáticas.

Constituição de um vulcão tipo central




 O cone vulcânico é o resultado da acumulação de materiais em torno da abertura pela
qual foram expelidos o que faz com que o cone vulcânico vá adquirindo dimensões
cada vez maiores.

 Como se formam as caldeiras vulcânicas?

As caldeiras vulcânicas formam-se quando ocorre um abatimento das rochas que
suportam o vulcão, na sequência de fortes erupções em que grande quantidade de
materiais é rapidamente expelida, originando-se assim uma depressão,
aproximadamente circular, onde se pode acumular águas das chuvas e formar
posteriormente lagoas.

E Tipos de lavas

Classificação da lava segundo:
 Percentagem de sílica (SiO
2
)
Lava básica  SiO2 < 50%
Lava intermédia 50% < SiO2 < 70 %
Lava ácida SiO2 > 70 %
Grau de viscosidade
Lava Viscosa Fluida
Temperatura T - 800°C
Prox. De
solidificação
T - 1500° C
Sílica Grande quantidade
De sílica ( ácida)
Pequena quantidade de
Sílica ( básica)
Gases elevada dificuldade em
Libertas gases
Facilidade em libertar
gases


A viscosidade da lava determina as características da erupção vulcânica.

 Lavas fluidas - permitem que os gases se escapem suavemente e deslocam-se
rapidamente formando rios de lava. Estão associados a erupções efusivas.
 Lavas viscosas - retêm os gases, fluem mais lentamente podendo mesmo solidificar na
própria cratera/ chaminé formando uma espécie de rolha que impede a libertação de
gases, pelo que a pressão aumenta no interior do aparelho vulcânico desencadeando
explosões. Estão associadas a erupções explosivas.

Tipo de solidificação de lavas fluidas

 Lavas encordoadas ou pahoehoe - lembra cordas e está contorcida em pregas ou
dobras.
 Lava escoriáceas ou aa - esta é extremamente rugosa, irregular e formada por
fragmentos porosos.
 Lavas em almofada ou pilow-lava - formam-se nas erupções subaquáticas. Tem um
aspecto em forma de almofada.

Tipo de solidificação de lavas viscosas e fenómenos associados

 Agulhas vulcânicas - lava que solidifica na chaminé
 Doma ou cúpula - lava que solidifica na cratera.
 Nuvens ardentes - cinzas mais gases.

E Materiais expelidos durante uma erupção vulcânica

 Piroclastos (materiais sólidos) - são fragmentos de lava solidificada/ rocha encaixante
que são projectados durante a erupção.
O Piroclastos de fluxo - deslocam-se ao longo das vertentes do
cone, envoltos em gás.
O Piroclastos de queda - projectados para o ar que acabam por
cair.
+ Cinzas - diâmetro < 2mm
+ Lapilli ou bagacina - 2 mm _ 64 mm
+ Bombas - > 64 mm

 Gases - Monóxido de carbono, dióxido de carbono, vapor de água e compostos de
enxofre
 Lava.

E Tipo de erupções vulcânicas

 Explosivas
Lavas ácidas e viscosas;
Formação de nuvens ardentes;
Formação de domas/ agulhas;
Ausência de escoadas de lava ou muito curtas;
Cone alto de vertentes íngremes.

 Efusiva
Lavas básicas e fluidas (pobre em sílica);
Escoadas de lava/ rios de lava;
Cones baixos de base larga;
Normalmente não há emissão de piroclastos.

 Mista
Alternância de uma fase explosiva com uma fase efusiva
Cone com camadas alternadas de lava e piroclastos.

E Vulcanismo fissural

Este tipo de vulcanismo está associado à expulsão da lava através de fendas
alongadas, que, por vezes, atingir vários quilómetros de comprimento. As
erupções fissurais estão caracteristicamente associadas a magmas basálticos.
Quando ocorrem ao nível dos continentes, a lava espalha-se, formando mantos
basálticos.

E Vulcanismo residual

Fenómenos de vulcanismo residual:
¬ nascentes termais ( fonte de libertação de águas rica em minerais)
+ Origem _ arrefecimento e consequente condensação do vapor de
água;
_ infiltração e acumulação de água em rochas purosas em
elevadas temperaturas

¬ Fumarolas (emissão de gases)
+ Sulfataras - emissão de gases ricos em enxofre
+ Mofetas - predomínio de CO2 e CO

¬ Geiseres - repuxos intermitentes de água quente sob pressão, que se observa em
zonas vulcânicas, muitas das vezes acompanhados de ruídos.

E Vulcanismo e tectónica de placas

A distribuição do globo não e uniforme. Há zonas de grande actividade que contrastam
com outras, na actualidade não há manifestações vulcânicas.

A consulta de uma carta de distribuição dos vulcões evidencia dois factos:
+ A actividade vulcânica coincide essencialmente com a zona de fronteiras entre
placas.
+ O tipo de actividade vulcânica depende do contexto tectónico.

L Tipos de vulcanismo em função da localização tectónica

Vulcanismo de subducção - A colisão de duas placas ( oceânica/ oceânica) ou (
oceânica/ continental) obriga ao mergulho da placa mais densa, originando uma zona
de subducção. A partir de certa profundidade, as condições de pressão e de
temperatura induzem à fusão de alguns materiais da placa em subducção, formando-
se o magma. O magma pode ascender originando erupções vulcânicas.
Este tipo de vulcanismo representa cerca de 80% dos vulcões activos actualmente.
Exemplo: Ao longo do pacifico encontra-se o "anel de fogo", que é a cintura do
pacifico.

Vulcanismo de vale de rifte - O afastamento das placas tectónicas originam
sistemas de fissuras na crusta, com milhares de km, através dos quais o magma
ascende à superfície. Geralmente estes magmas originam erupções mistas ou efusivas.
Este tipo de vulcanismo representa 15% dos vulcões activos.
Exemplo: Crista média-oceânica; Rift Valley Africano

Vulcanismo intraplacas - Explica a existência de ilhas vulcânicas no interior de
placas oceânicas (ex. Havai) e de alguns vulcões isolados no interior dos continentes
(ex. África continental).
Este tipo de vulcanismo representa 5% dos vulcões activos.

L Vulcanismo intraplacas

A este tipo de vulcanismo estão associados os pontos quentes. Os pontos quentes são
centros de actividade vulcânica frequente, passada ou presente, que está relacionada
com as plumas térmicas. As plumas térmicas são longas colunas de material quente e
pouco denso, provavelmente oriundas da zona de fronteira entre o manto e o núcleo
que sobem até à base da litosfera. Em sequência da subida, o material experimenta um
descompressão, o que pode levar à sua fusão, originando uma fonte de magma que vai
penetrar através da litosfera e derrama a superfície formando grandes mantos
basálticos. Devido ao movimento da placa sobre o ponto quente pode originar um
vulcão activo pois o magma continua a sair. Como a placa está sempre a mover-se,
esse vulcão vai-se afastando do ponto quente até extinguir-se e formar-se outro vulcão
sobre o ponto quente. Forma-se uma cadeia de ilhas.
Exemplo - Cadeia do imperador e a cadeia do Havai.

E Minimização de riscos vulcânicos - prevenção e previsão

Não é possível evitar uma erupção vulcânica mas pode-se por vezes, prever-se.
A vigilância de um vulcão permite detectar fenómenos precursores que põem de
sobreaviso em relação a uma erupção iminente.

Diferentes maneiras que permitem fazer a vigilância de vulcões:
 Detectar deformações no cone vulcânico, através de aparelhos que medem a
inclinação.
 Detectar a variação da distância entre dois pontos específicos.
 Determinar variações do campo magnético.
 Registar sismos utilizando uma rede se sismógrafos.
 Registar a variação da temperatura das fumarolas, de fontes termais, da água e de
lagos próximos.
 Detectar variações súbitas da temperatura do solo nas proximidades.
 Analisar a composição química dos gases libertados.
 Detectar variações das forças gravíticas.




E Vulcanismo, fonte de recursos naturais

Apesar dos desastres e da destruição que um vulcão pode causar, o vulcanismo
também tem os seus aspectos positivos. Em primeiro lugar fornecem dados
importantes do interior da Terra, e pode ter contrapartidas económicas que se vão
diversificando:
O Utilização agrícola dos solos, que são muito férteis devido a deposição de cinzas
vulcânicas;
O Explorações de vários produtos mineiros, como o enxofre, cobre, ferro, platina e
diamantes.
O Interesse turístico, atraindo todos os anos centenas de milhares de pessoas.
O Aproveitamento da energia geotérmica.

Nas regiões de vulcanismo activo podem existir aquíferos e nascentes termais que
podem ter variadas utilizações:
C Aquecimento de habitações, piscinas ou estufas.
C Produção de energia eléctrica através do vapor de água.

E Sismologia

A sismologia estuda os fenómenos relacionados com os sismos.

Sismo - Movimento vibratório brusco, causado por ondas que se geram na maioria das
vezes devido a um libertação súbita de energia em zonas instáveis da Terra - na crosta
ou na parte superior do manto.

¬ Causas dos sismos

_ sismo de colapso - devem-se ao abatimento de grutas ou de desprendimento de
massas rochosas.
_ sismos vulcânicos - estão relacionados com o movimento de massas magmáticas
normalmente antes de uma erupção vulcânica.
_ sismos tectónicos - estão relacionados com o movimento de placas litosféricas.

¬ Efeitos dos sismos

Efeitos directos - Falhas, deslizamentos, vibrações

Efeitos indirectos - Tsunamis, deslizamentos, inundação, incêndios.

Frequentemente um sismo é precedido por uma sucessão de pequenos abalos,
designados por abalos premonitórios, que poderão querer anunciar a possível
ocorrência de um sismo violento. Após o abalo principal, considerado como o mais
forte, ocorrem sismos de menor magnitude, designados por réplicas.

E Sismos tectónicos

Os sismos tectónicos são gerados pela rotura das rochas quando estas estão sob acção
de fortes tensões tectónicas devido ao movimento das placas litosféricas.

+ Teoria do ressalto elástico

A teoria que melhor explica a ocorrência de sismos. Segundo esta teoria, as rochas
estão permanentemente sob a acção de forças tectónicas. As tensões que se
acumulam , deformam os materiais rochosos, enquanto a sua elasticidade o permitir.
Quando a tensão ultrapassa a capacidade de resistência/ deformação das rochas, elas
fracturam libertando a energia acumulada que se propaga sob a forma de ondas
sísmicas, originando um sismo.

+ Tipo de forças

Compressivas - os materiais são comprimidos (a distância entre as partículas tende a
diminuir).
Distensivas - levam ao alongamento dos materiais aumentando a distância entre as
particulas.
Cisalhamento - os materiais são sujeitos a esforços que provocam alongamentos numa
direcção e compressão noutra, ou seja, perpendicular à anterior.

E Conceitos sísmicos



Sismogramas - um sismograma é, na ausência de qualquer vibração, constituído por
duas rectas, contudo, estas quase nunca são obtidas pelo facto da Terra estar em
constante movimento.

E Ondas sísmicas

Ondas P - Primárias
Caracterizam-se pela vibração das partículas que se dão paralelamente à direcção de
propagação, produzindo-se uma serie de impulsos alternados de compressão e de
distensão através das rochas ocorrendo como tal uma variação de volume.
Propagam-se quer nos sólidos, quer nos líquidos e são mais rápidas que as ondas S.

Ondas S - Secundárias
As partículas vibram num plano perpendicular à direcção de propagação, ocorre uma
alteração na forma dos materiais mas não no volume e apenas se propagam em meios
sólidos. São um pouco mais lentas do que as ondas P.

Ondas superficiais
As ondas L não se propagam nos líquidos tal como as S, varrem a superfície terrestre
horizontalmente da direita para a esquerda com movimentos de torção que atacam os
alicerces dos edifícios; as ondas de rayleigh agitam o solo segundo uma trajectória
elíptica semelhante à das ondas do mar e propagam-se nos sólidos e líquidos.

V Factores que condicionam a velocidade de propagação das ondas sísmicas

Se o interior da Terra fosse homogénea, a energia sísmica propagar-se-ia com a mesma
velocidade em todas as direcções. Não sendo o caso, na geosfera a velocidade de
propagação das ondas sísmicas internas ( P,S) depende das propriedades físicas das
rochas que atravessam nomeadamente da:
_rigidez
_densidade
_imcompressibilidade

A velocidade das ondas (P e S) calcula-se aplicando as seguintes formulas:

VP = √ k+4/3 r VS = √ r
d d

r = rigidez - propriedade que confere à matéria uma forma definida
d = densidade - concentração de matéria num dado volume ; d = m/ v
k = imcompressibilidade - avalia a resistência de um corpo sólido à variação de volume
em função da pressão.

Da análise das formas conclui-se:

_ Quanto maior for a rigidez dos materiais maior é a velocidade de propagação das
ondas sismicas e vice-versa.
_ Quanto maior for a densidade, menor a velocidade das ondas sísmicas, e vice-versa.
_ No caso das ondas P a sua velocidade depende ainda, na razão directa do valor da
imcompressibilidade.

A rigidez de um meio liquido é nula por isso substituindo o r por zero, verificamos que
a velocidade da onda S nos líquidos é zero, ou seja, não se propaga nos líquidos.
Como também verificamos na formula para as ondas P, a passagem destas por um
meio liquido faz com que a velocidade diminua, e vice-versa.

E Determinação do epicentro de um sismo

E Intensidade sísmica e magnitude

¬ Intensidade de um sismo

A intensidade do sismo é um parâmetro qualitativo correspondendo aos efeitos
produzidos e sentidos à superfície (construções, nos terrenos, nas pessoas).
A intensidade do sismo depende, entre outros factores:
_ Material rochoso (litologia)
_ Tipos de construção
_ A distância epicentral
_ Quantidade de energia libertada
_ Material de construção (anti-sísmico ou não)
_ pânico das pessoas

Para avaliar a intensidade de um sismo numa determinada área recorre-se entre
outros à escala de Mercalli modificada.

Isossistas - linhas que unem pontos de igual intensidade sísmica.

¬ Magnitude de um sismo

O valor da magnitude de um sismo representa a ordem de grandeza da energia
libertada no hipocentro.
Para avaliar a magnitude recorremos à escala de richter. Esta escala é aberta, portanto
não é possível determinar um limite máximo de graus.




E Sismos e tectónica de placas

Os limites das placas tectónicas são os locais mais propícios para a ocorrência de
sismos.

Sismos intraplacas - Estes ocorrem no interior das placas tectónicas, sendo muitas
vezes consequentemente da existência de falhas activas.

Sismos interplacas - São os que ocorrem nas zonas de fronteira de placas, verificando-
se uma maior ocorrência nas zonas de colisão.

As grandes zonas sísmicas no Globo Terrestre

´ Cintura mediterrâneo - asiática
´ Zona de dorsas oceânicas
´ Cintura circumpacífica

w Tsunamis

Quando o epicentro de um sismo com o foco pouco profundo se localiza no oceano,
pode originar uma onda marinha gigante, designada por tsunami ou raz de maré.
No momento em que ocorre a libertação de energia, o fundo oceânico é sacudido
devido ao movimento ao longo da falha e ocasiona a compressão da massa de água,
fazendo com que o nível do mar suba e originando uma vaga designada por tsunami.








E Ondas sísmicas e descontinuidades internas

Superfícies de descontinuidade - interface no interior da geosfera que separa duas
zonas cujos materiais constituintes apresentam composição e propriedades físicas
distintas.

Como já foi referido a energia libertada no hipocentro gera ondas sísmicas que se
propagam em todas as direcções através do globo terrestre.

Quanto mais distante estiver a estação sismológica do epicentro mais profundamente
mergulham as ondas a que a ela chegam.
Estudos indicam que a velocidade das ondas internas S e P aumentam com a
profundidade.

Como explicar essa variação de velocidade?

A pressão a que os materiais terrestres estão sujeitos, tanto mais elevada quanto
maior for a profundidade, provocando rearranjos dos materiais que determinam um
aumento da densidade e da rigidez.

À semelhança dos raios luminosos as ondas sísmicas também se reflectem e refractam.

Podemos assim definir 3 formas de desenvolvimento de uma onda sísmica:
Onda directa - onda inicial com origem no hipocentro; não interage com nenhuma
superfície de descontinuidade não sofrendo nem reflexões nem refracções
significativas.
Ondas reflectivas - onda que se propaga a partir de um superfície de descontinuidade
em sentido contrário e no mesmo meio que a onda inicial se estava a propagar.
Ondas refractadas - onda que se propaga a partir de uma superfície de
descontinuidade para um segundo meio podendo alterar a sua trajectória e
velocidade.

Descontinuidade de Mohorovicic - separa a crosta do Manto
Astenosfera - zonas de baixas velocidades sísmicas.
Descontinuidade de Gutenberg - faz a separação entre o manto e o núcleo externo
Descontinuidade de Lehmann - faz a separação entre o núcleo externo e o núcleo
interno.














E Modelo segundo a composição química

Este modelo está de acordo com a composição da Terra.






Zonas composição Espessura /
limites
Densidade
média
Crusta




Continental



Oceânica
Diversidade de rochas:
magmáticas, sedimentares e
metamórficas formando a zona
superficial

Zona mais superficial: basalto
Zona mais inferior: gabro
Da superfície à
descontinuidade de
mohorovicic - 30 a
40 km.


Fundos oceânicos até
a descontinuidade de
mohorovicic - 5 a 10
km
2.7



3.0


Manto Superior




inferior



Essencialmente peridotito, rocha
ultrabásica rica em olivina e
piroxenas.



Minerais mais densos do que a
olivina e a piroxena.
Desde a
descontinuidade de
Mohorovicic até cerca
de 660 km.


Desde 660 km até
2883 km(
descontinuidade de
Gutenberg)
3,3




5,5
Núcleo Externo



Ferro e cerca de 12 % de níquel,
sílica, enxofre, potássio


Desde a
descontinuidade de
Gutenberg até a
descontinuidade de
9,9 a 12,2



Interno

Ferro e 10% a 20% de níquel
Lehmann(5140 km)

Desde a
descontinuidade de
Lehmann até ao
centro

12,6 a 13,0

E Modelo segundo as propriedades físicas

Este modelo está de acordo com as propriedades físicas.

Zonas Propriedades físicas
(rigidez)
Limites/Espessura (média)
Litosfera Continental


Oceânica
Materiais sólidos e rígidos


Materiais sólidos e rígidos
Espessura entre a superfície até cerca de 250
km


Desde os fundos oceânicos até 100 km.
Astenosfera Materiais globalmente sólidos,
mas menos rígidos, com
comportamento plástico e
deformável
Desde a base da litosfera até uma
profundidade ainda discutível. Consideram
até 660 km.
Mesosfera Materiais sólidos e rígidos Desde a base da astenosfera até 2883 km
Endosfera Núcleo
externo


Núcleo
interno
Materiais líquidos


Materiais sólidos e rígidos
Desde 2883 km até 5140 km


Desde 5140 km até ao centro

E Camada D

Na transição do manto para o núcleo admite-se a existência de uma zona muito activa,
ainda enigmática.

A camada D tem espessura variável, podendo atingir, em algumas zonas, uma
espessura de 100 km a 200 km e marca a interface entre zonas.

Actualmente algumas investigações admitem que a camada D será a fonte das plumas
térmicas.