A VERDADE

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Nº 9 Abr/2008

Editorial: Um homem é o que come!
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Ludwig Andreas Feuerbach foi um pensador alemão nascido em Landshut, Baviera, Alemanha, cujo pensamento representou a transição entre o idealismo Figura 1 - Ludwig Andreas Feuerbach hegeliano e o materialismo (Pensador alemão ) histórico. 1804 - 1872 Estudou teologia protestante em Berlim, com Georg continuar produzindo seus textos, marcados Hegel, e tornou-se docente da Universidade por uma crítica radical à religiosidade. de Erlangen (1829-1836). Adepto de um materialismo espiritual, Muito impopular no meio académico o seu conceito de alienação influenciou por causa de seus primeiros textos de muitos pensadores socialistas e teólogos filosofia, resolveu recolher-se à aldeia de protestantes posteriores como Karl Marx, Bruckberg e depois a Rechenberg, para Sören Kierkegaard, Karl Barth e Rudolf

Bultmann. Morreu em Rechenberg, Alemanha, e entre suas obras principais destacaram-se Pierre Bayle (1838), Beitrag zur Kritik der hegelschen Philosophie (1839), Das Wesen des Christentums (1841), Vorläufige Thesen über die Reform der Philosophie (1842), Das Wesen der Religion (1845) e Theogonie (1857). Num ensaio escrito em 1863, Über Spiritualismus und Materialismus, Ludwig Andreas Feuerbach escreveu uma frase que ficou famosa: "Der Mensch ist, was er ißt." Ou seja “Um homem é o que come”. Ora sem dúvida que uma das transformações mais recentes da nossa sociedade nos últimos trinta anos, foi a perda de auto-suficiência alimentar por parte das pessoas. A alimentação sofreu uma verdadeira revolução, silenciosa e gigantesca, que alterou completamente o modo como uma parte substancial dos portugueses passou a alimentar-se. Ainda há poucos anos atrás, no início da década de 1980, apenas vinte por cento da população portuguesa era urbana. Os restantes oitenta por cento viviam em agregados urbanos inferiores a 10 000 habitantes, e a maioria cultivava mesmo os seus vegetais, criava e abatia os animais que consumia, produzia vinho para consumo de casa, bebia água da fonte e cozinhava as suas refeições. Quando necessitavam de adquirir alimentos, o mais usual era efectuarem a compra aos vizinhos, também produtores, ou então adquirirem-nos nos mercados locais, onde a maior parte dos vendedores era também produtores que vendiam os seus excedentes. A regra nesses tempos era a da proximidade, com o local de consumo a coincidir com o local de produção. A maioria dos alimentos era vendida nos mercados locais imediatamente após a colheita, sem sofrer qualquer transformação, sem embalagem, sem marca, sem corantes para lhe darem uma cor diferente da original, e sem conservantes que impedissem a sua decomposição natural. Ora entre 1980 e 2000 a situação inverteu-se. Durante esse período de vinte

anos ocorreu um êxodo rural sem precedentes neste país, com 50% da população nacional a migrar do campo para a cidade. Foram cerca de 5 000 000 (cinco milhões!!) de pessoas que abandonaram o campo, segundo as estatísticas do INE, levando a que em 2000 a proporção rústicos/urbanos pendesse para o lado dos urbanos com um rácio de 30%/70%. Estes urbanos perderam a ligação com o campo deixando progressivamente de produzir os seus alimentos. Inicialmente ainda compravam nos mercados locais, mas com o aparecimento das grandes redes de distribuição passaram a efectuar as compras nas grandes superfícies. Os hábitos alimentares modificaramse também. Muitas pessoas passaram a optar por comprar alimentos já confeccionados ou pré-confeccionados (conservas e congelados), outras compram refeições prontas nos take-aways e parte da novas gerações até já nem sequer sabe cozinhar. Uma parte substancial das novas gerações citadinas não tem qualquer ligação com o campo e ignora mesmo qual a proveniência e o método de produção dos alimentos que consome. Apenas sabe que gosta de ir ao hipermercado comprar alimentos coloridos, brilhantes e baratos. Nos últimos cinco anos surgiu ainda um elemento novo. Para evitar uma alegada “contaminação” dos alimentos criou-se legislação a impor o consumo de “alimentos certificados” nos restaurantes, cantinas, lares, infantários etc. Em nome da saúde pública os pequenos agricultores “não certificados” foram impedidos de fornecer os vegetais por si cultivados ao comércio e restauração, mantendo-se (por enquanto) apenas a possibilidade de os venderem ao consumidor final nos mercados tradicionais. Ovos, leite ou carne é que nem pensar. Simultaneamente criou-se a polícia da “descontaminação”, a ASAE para impedir os pequenos produtores de “contaminarem” os consumidores com as suas hortaliças “não certificadas”. Já esclarecemos n’A VERDADE nº 8 que uma parte desses alimentos era produzida em cultura hidropónica. Mas afinal como é que a hidroponia produz esses “alimentos certificados”? A VERDADE fez uma pequena pesquisa, e veja só

o que descobrimos!

Um homem é o que come!
História da hidroponia

A hidroponia é um sistema de cultivo, dentro ou fora de estufas, onde as plantas não crescem fixadas ao solo. Os nutrientes que a planta precisa para seu desenvolvimento e produção são fornecidos somente por intermédio da água da rega. As plantas são colocadas em canais ou recipientes por onde circula uma solução nutritiva, composta de água pura e de nutrientes dissolvidos em quantidades individuais que atendam a necessidade de cada espécie vegetal cultivada. Esses canais ou recipientes podem ou não ter algum meio de sustentação para as plantas, como pedras ou areia. A solução nutritiva tem um controle rigoroso para manter suas características. Periodicamente são feitas medições de pH e da concentração de nutrientes. Assim as plantas crescem artificialmente sob as melhores condições possíveis.

Figura 3 - John Woodward (01/05/1665 - 25/04/1728) Naturalista e geólogo inglês. Figura 2 - Jan Baptist van Helmont (12/01/1577 – 30/12/1644)

O estudo da hidroponia tem uma longa história, tendo-se já conhecimento de estudos hidropónicos desde o ano de 382 A.C. Contudo a primeira informação escrita data do séc. XVII, quando o belga Jan Baptist van Helmont documentou uma experiência onde mostrou que as plantas obtém substâncias nutritivas a partir da água.

Em 1699 o naturalista inglês John Woodward cultivou plantas em água contendo diversos substratos e descobriu que o crescimento das plantas era o resultado de certas substâncias contidas na água e obtidas a partir do solo. As investigações continuaram até que o naturalista suíço Horace-Bénédict de Saussure propôs a teoria que as plantas eram compostas por elementos químicos obtidos da água do solo e do ar. A VERDADE 009 Abr/2008 | 3

Figura 4 - Horace-Bénédict de Saussure (17/02/1740 - 22/01/1799)

Naturalista suíço.

Figura 5 - Julius von Sachs (02/10/1832 - 29/05/1897) Botânico germânico

Os cientistas germânicos Julius von Sachs e Wilhelm Knop demonstraram na segunda metade do séc. XIX que as plantas podiam cultivar-se num meio inerte humedecido com uma solução nutritiva e isto deu origem à hidroponia. Nos anos seguintes desenvolveram-se várias fórmulas básicas para o estudo da nutrição vegetal em 1915 por Hoagland, em 1919 por Trelease e em 1925 a indústria das culturas em estufa começa a interessar-se por esta técnica devido à necessidade que havia de substituir a terra utilizada para os cultivos com frequência para evitar problemas de estrutura, fertilidade e doenças. No início da década de 1930 o professor catedrático da Universidade de Berkeley na Califórnia, W. F. Gericke, chamou a este sistema Hidroponia palavra derivada dos vocábulos gregos Hidro (água) e Ponos (trabalho). Esta técnica pode ser definida como a ciência do crescimento das plantas sem utilizar o solo ainda que utilizando um meio inerte como a areia, gravilha, lã de rocha, etc. A primeira aplicação prática da hidroponia ocorreu durante a 2ª Guerra Mundial, onde foi utilizada pelos militares a partir de 1940 para cultivar vegetais frescos para as tropas estacionadas nas ilhas inférteis do Pacífico. Depois da 2ª Guerra Mundial os militares continuaram a utilizar a técnica e estabeleceram um projecto de 22 hectares na ilha japonesa de Chofu, para alimentar com hortaliças frescas as forças de ocupação. No entanto, o uso desta técnica sobre circunstâncias normais provou não ser comercialmente viável. Uma vez que Chofu fechou, apenas restaram um punhado de pequenas unidades comerciais disseminadas ao redor do mundo, totalizando menos de 10 hectares. Em 1955 foi fundada a Sociedade Internacional de Cultivo Sem Solo (ISOSC) por um pequeno grupo de dedicados cientistas. Naqueles primeiros anos, frequentemente estiveram sujeitos ao ridículo por perseguirem uma causa que comercialmente foi considerada inútil e irrelevante. O primeiro uso comercial significativo não ocorreu até a metade da década de 1960, no Canadá. Existia uma sólida indústria de A VERDADE 009 Abr/2008 | 4

estufas de vidro na Columbia Britânica, principal produtor de tomates, que chegou a ser devastado por enfermidades do solo. Eventualmente, a única opção para sobreviver foi evitando o solo, pelo uso da hidroponia. A técnica que usaram foi rega por gotejamento em bolsas de serradura. Os avanços técnicos também ajudaram especialmente ao desenvolvimento da indústria de plásticos e fertilizantes. No decorrer desta década, houve um aumento de investimento na investigação e desenvolvimento de sistemas hidropónicos. Também houve um pequeno aumento gradual na área comercial que estava sendo utilizada. O impulso seguinte veio como resultado do impacto da crise do petróleo sobre o custo do aquecimento da indústria de estufas em rápida expansão na Europa. Devido ao enorme incremento nos custos de aquecimento, os rendimentos chegaram a ser ainda mais importantes, levando os produtores e investigadores a começarem a ver a hidroponia como um meio para melhorar a produção. Na década de 1970, o cultivo em areia e outros sistemas floresceram e logo desapareceram nos Estados Unidos. O sistema NFT (Nutrient Film Technique) foi desenvolvido, assim como o meio de crescimento em lã de rocha. Em 1979, o grande volume de produção em estufas continuou aumentando. A nível mundial a área hidropónica rondava apenas os 300 hectares. A detecção de níveis significativos de substâncias tóxicas nas águas subterrâneas em

regiões da Holanda em 1980, resultou na esterilização do solo em estufas. Isto levou a um rápido abandono do solo como meio de cultivo, passando as culturas a serem feitas através da hidroponia. A técnica mais popular foi a lã de rocha alimentada por regas gota a gota. Seguindo os evidentes êxitos na Holanda, houve uma rápida expansão na produção hidropónica comercial em muitos países em todo o mundo. Utilizando sistemas que diferem amplamente de país a país, a área mundial hidropónica aumentou para cerca de 6.000 hectares no ano de 1989. A hidroponia agora passou de “curiosidade irrelevante” a técnica hortícola significativa, principalmente nos segmentos de floricultura e de hortaliças para saladas. Durante a década de 1990, a expansão continuou ainda que a taxa de crescimento tenha diminuído notávelmente no norte da Europa. Segundo os seus promotores, o cultivo sem solo utilizando apenas uma solução líquida artificial, associada ou não a substratos não orgânicos naturais, proporciona um bom desenvolvimento das plantas, bom estado fitossanitário, além das altas produtividades quando comparado ao sistema tradicional de cultivo no solo. Graças à hidroponia, muitas zonas desérticas e estéreis do ponto de vista botânico tornaram-se grandes produtores hortícolas, e inundaram os mercados mundiais com hortícolas de baixo custo.

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Afinal como são efectuadas as culturas hidropónicas?

A hidroponia é uma técnica alternativa de cultivo protegido, na qual o solo é substituído por uma solução aquosa contendo apenas os elementos minerais indispensáveis aos vegetais. A Hidroponia é uma técnica bastante difundida em todo o mundo e o seu uso está crescendo em muitos países. A sua importância não é somente pelo facto de ser uma técnica para investigação hortícola e produção de vegetais. Ela também está sendo utilizada como uma ferramenta para resolver um amplo leque de problemas, que incluem tratamentos que reduzem a contaminação do solo e da água subterrânea, a manipulação dos níveis de nutrientes no produto e a produção massiva de alimentos de baixo custo.

Figura 6 - Técnica de fluxo laminar de nutrientes Os sistemas utilizados Os tipos de sistema hidropónico determinam estruturas com características próprias, entre os mais utilizados estão: O sistema NFT (Nutrient film technique) ou técnica do fluxo laminar de nutrientes é o sistema hidropónico mais conhecido actualmente, e muitas pessoas, quando se referem à hidroponia, imediatamente a relacionam com ele. No Sistema N.F.T. normal, existe um fluxo constante de solução nutritiva, e assim sendo, não existe nenhum controlador de tempo para ligar ou desligar a bomba de circulação de nutrientes. A solução nutritiva é bombeada de um depósito para um canal de cultura, e flui constantemente no seu fundo, na forma de um filme muito fino (5 a 10 cm). Parte das raizes, fica submersa neste filme de solução, onde são banhadas constantemente, e outra parte fica em constante contacto com o ar húmido acima do filme líquido, de onde absorvem oxigénio. Após percorrer o canal, a solução nutritiva retorna ao seu depósito. Na cultura de plantas de pequeno porte, o canal é geralmente substituido por um tubo A VERDADE 009 Abr/2008 | 6

de secção retangular. Neste sistema, normalmente não existe meio de cultura, e as plantas, geralmente, ficam apoiadas em vasos ou redes de germinação, de onde as raizes ficam suspensas no ar, com as pontas mergulhadas no filme de solução nutritiva.

O grande problema deste sistema, é a falta eventual de energia elétrica e falhas nas bombas, o que provoca a interrupção do filme de solução nutritiva, e como consequência, rápido ressecamento das raizes, e morte das plantas.

Figura 7 - Cultura hidropónica em substrato e com sistema de gotejamento. No sistema com substratos utilizam-se materiais inertes para a sustentação de hortaliças frutíferas, de flores e outras culturas, cujo sistema radicular e cuja parte aérea são mais desenvolvidos. Neste caso utilizam-se canaletas ou vasos cheios de material inerte, como areia, pedras diversas (seixos, brita), vermiculita, perlita, lã-de-rocha, espuma fenólica ou espuma de poliuretano. A solução nutritiva é percolada através desse material e drenada pela parte inferior dos vasos ou canaletas, retornando ao tanque de solução. O Sistema de Gotejamento, provàvelmente, é o sistema hidropónico mais utilizado em todo o mundo. A sua operação é muito simples. A solução nutritiva é retirada do depósito por uma bomba, cujo funcionamento é comandado por um controlador de tempo, e conduzida através de tubos e micro-tubos até ao colo de cada planta, onde é descarregada na forma de gotas, por meio de pequenos dispositivos chamados gotejadores. Existem dois sistemas de gotejamento normalmente utilizados: O Sistema a Solução Perdida, e o Sistema com Recuperação de Solução. O sistema a solução perdida, exige menos trabalho de manuseamento, uma vez que os excessos de solução nutritiva utilizada, são descartados, geralmente por infiltração no sub-solo, através de um sumidouro. Assim sendo, as plantas são irrigadas sempre com uma solução nutritiva nova, e não há necessidade de controle constante do seu pH e da sua Condutividade Eléctrica. Basta fazer-se o controle destes parâmetros, quando se prepara a solução e se A VERDADE 009 Abr/2008 | 7

Materiais dos Substratos A maioria das plantas têm o solo como o meio natural para o desenvolvimento do sistema radicular, encontrando nele o seu suporte, fonte de água, ar e minerais necessários para a sua alimentação e crescimento. As técnicas de cultivo sem solo substituem este meio natural por outro substrato, natural ou artificial, sólido ou líquido, que possa proporcionar à planta aquilo que, de uma forma natural, ela encontra no solo. Existem diversos tipos de sistemas de cultivo sem solo variando de acordo com a estrutura, substrato e fornecimento de oxigênio

Figura 8 - Murcha provocada por falha na energia eléctrica enche o depósito. Convém salientar no entanto, que a descarga da solução perdida para o solo, poderá causar problemas de poluição ambiental, atingindo as águas subterrâneas e podendo também provocar, a médio ou longo prazo, a acidificação localizada do solo onde se monta o complexo hidropónico. Alguns paises, como a Holanda, já proibiram este tipo de irrigação. No sistema com recuperação de solução, os excessos desta são reconduzidos ao depósito, e reciclados para o sistema.

Sistemas com meios Inorgânicos Lã de Rocha (57%). É um substrato fabricado fusão de lã de rocha, o qual é transformado em fibras e usualmente prensado em blocos e pranchas. A sua principal característica é que contém muitos espaços vazios, usualmente 97%, isto permite absorver níveis muito altos de água, enquanto que também um bom conteúdo de ar. A lã de rocha também é usada frequentemente como pequenos blocos iniciadores para ser transplantados em outros substratos ou em sistemas baseados em água. Areia. Chegou a ser popul ar co m o meio hidropónico no início dos anos 70, especialmente nos USA, onde f o r a m desenvolvidas camas compridas e profundas de cultivo de areia. Um grande p r o b l e m a experimentado com a técnica foi manter sobre c o n t r o l e A VERDADE 009 Abr/2008 | 8

Figura 9 - Berçário em lã de rocha

enfermidades de raízes, motivo pelo qual agora é raramente usado. Perlita. Feita por aquecimento de lã de rocha em água, a qual se expande muito para dar partículas porosas. Foi usada inicialmente na Escócia em torno de 1980, mas o seu uso difundiu-se por vários países especialmente onde é fabricado localmente. É muito popular na Coréia onde a sua utilização alcança 112 hectares ou seja, 41% da área hidropónica coreana. Escória. É uma rocha ligeiramente porosa, natural conhecida com vários nomes: “tuff” em Israel e “picón” en Ilhas Canárias. Como é pesada (800 kg/m3) só é usado onde é um recurso local. Pumecita. É uma rocha vulcânica natural, leve e porosa, a qual é um bom meio de crescimento. Normalmente é usada onde existe em quantidade disponível, como na Nova Zelândia. Existem grandes depósitos na Islândia e recentemente estão sendo exportados para a Europa continental. Argila Expandida. É relativamente cara e tem sido usada principalmente em

hidrocultivo e por estudiosos. Recentemente existe algum uso comercial limitado na Europa para plantas de crescimento alto, como as rosas. Vermiculita. Foi anunciada anos atrás mas agora não se usa comercialmente, só em poucas misturas. Sistemas com Meios Orgânicos Serradura. Foi um dos primeiros meios usados comercialmente, ainda é usado no Canadá, onde recentemente, só tem sido ultrapassado em popularidade pela lã de rocha. Também é o principal meio no Sul da África e Nova Zelândia e é usada em certo grau em outros países, incluindo Austrália. A serradura usada é grossa, não descomposta, de origem conhecida e se cultiva só para uma estação. Musgo. Foi um dos primeiros meios tratados e não é considerado por alguns como meio hidropónico. É usado em certo grau em muitos países que possuem uma quantidade disponível de qualidade, e é o principal método usado na Finlândia e Irlanda. A sua utilização é elevada dentro da indústria. Fibra de Coco. Recentemente tem sido adicionado favoravelmente como meio hidropónico. Existe uma quantidade significativa usada na Holanda e um pequeno uso em outros países. Produtos de Espuma. Têm-se utilizado vários tipos e marcas de espuma, freqüentemente com bom resultado e alguns por mais de 20 anos, mas seu uso ainda está limitado. Têm sido vistos pelos produtores como muito caros. Alguns destes meios ainda têm potencial. Produtos de Madeira Processada. Tem-se produzido e vendido este produto mas o seu uso não dá resultado em extensões significativas. Gel. Tem-se produzido, provado e promovido um determinado número de polímeros de gel mas a maioria tem desaparecido do mercado sem ter sido aceite pelos produtores. A VERDADE 009 Abr/2008 | 9

Figura 10 - Alfaces cultivadas em substrato de argila expandida

Aeroponia : as plantas que se alimentam do ar!

Figura 11

- As plantas criadas em aeroponia são alimentadas através da pulverização das raízes com um cocktail de produtos químicos dissolvidos em água. muito curtos, desde alguns segundos, a alguns minutos. Como o sistema N.F.T., o sistema aeropónico é muito susceptível às falhas de energia eléctrica e falhas nas bombas. Quando houver interrupção de energia, ou falhas nas bombas, as raízes das plantas secarão rapidamente, com perdas totais. A aspersão da solução de nutrientes, pode ser feita por aspersores de média ou alta pressão, por nebulizadores de alta pressão, por nebulizadores ultra-sónicos, e por nebulizadores centrífugos. A sua grande utilidade, é na produção de plantas para muda por enraizamento de estacas e de rebentos comestíveis.

O Sistema Aeroponico, é provavelmente o sistema hidropónico de mais alta tecnologia. Digamos que é o state of the art em hidroponia. Até certo ponto similar ao sistema N.F.T.,o meio de cultura utilizado é o ar húmido. Neste sistema, as raízes das plantas ficam suspensas no ar e imersas numa Câmara de Cultura, ou Câmara de Cultivo, onde são aspergidas com uma névoa de solução nutritiva, a intervalos de tempo muito curtos, geralmente de alguns minutos. Como em quase todos os sistemas hidropónicos, a solução nutritiva é retirada de seu depósito por uma bomba, comandada por um controlador de tempo de grande precisão, e com capacidade de regulagem para ciclos

Percentagem estimada da área total para os diferentes sistemas hidropónicos.
Sistemas Percentagem

Lã de rocha Outros meios inorgânicos Substratos orgânicos NFT Cultivo em água Técnicas em cascalho

57% 22% 12% 5% 3% 1%

Total
Fonte: Donnan (2003).

100%
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As vantagens da hidroponia

Segundo os produtores, as culturas hidropónicas apresentam uma série de vantagens em relação às culturas naturais. Para as conhecer A VERDADE fez uma ronda pelas associações industriais de produtores de vegetais hidropónicos. Eis o que conseguimos apurar.

Uniformização de produtos: pois as plantas crescem em um ambiente controlado, procurando atender as exigências da cultura e com isso o tamanho e a aparência de qualquer

produto hidropónico são sempre iguais durante todo o ano. • Menos operações: já que o cultivo é feito longe do solo e não são necessárias operações como lavrar, frezar, coveamento, sachar, etc. • Menor quantidade de mãode-obra: diversas práticas agrícolas não são necessárias e outras, como irrigação e ad u b a ç ã o , s ão automatizadas. Monocultura: como a hidroponia se cultiva em meio artificial, pode-se explorar, sempre, a mesma es péci e veget al s em necessidade de efectuar rotação de culturas. Alta produtividade e colheita precoce: como se fornece às plantas boas condições para seu desenvolvimento não ocorre competição por nutrientes e água, e além disso, as raízes nestas condições de cultivo não empregam demasiada energi a para crescer antecipando o ponto de colheita e aumentando a produção. Menor uso de pesticidas: como não se emprega solo, os insectos e microorganismos de solo, os nematóides e as plantas daninhas não atacam as

Figura 12

As maravilhas dos adubos foliares e hormonas de crescimento: morangos “certificados” criados artificialmente em tubos de plástico sem qualquer solo, alimentados por um cocktail químico dissolvido em água, com produções elevadas, tamanho gigante, cor viva, aspecto brilhante e de sabor insípido.

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culturas, reduzindo a quantidade de pesticidas defensivos utilizada. • Desperdício mínimo de água e nutrientes: já que o aproveitamento dos insumos em questão é mais racional. Maior higienização: além do cultivo ser feito sem o uso de solo, todo produto hidropónico tende a ser vendido embalado, não entrando em contato directo com mãos, caixas, veículos, etc. Melhor apresentação: graças aos adubos foliares e hormonas de crescimento com que os vegetais são alimentados eles irão adquirir uma

aparência melhor, com um tamanho grande e cores vivas e brilhantes. Mesmo a meterem-se pelo olho do comprador citadino. • Menor custo de transporte: A cultura hidropónica pode ser efectuada em qualquer local. Uma vez que a sua produção é totalmente industrial e artificial, o cultivo em hidroponia não necessita de terra, podendo ser implantada mais perto do mercado consumidor.

Conforme o leitor pode verificar são só vantagens financeiras para os industriais de hidroponia. Para o consumidor, excluindo o baixo preço dos vegetais, não foi apresentada nenhuma.

Quais os vegetais hidropónicos que já se encontram no mercado?

Figura 13 - Produção hidropónica de alface roxa com técnica NFT

A alface é a mais cultivada, mas podese encontrar: brócolos, feijão-verde, repolho, couve, salsa, melão, agrião, pepino, berinjela, pimentão, tomate, arroz, morango, forrageiras para alimentação animal, mudas de árvores,

plantas ornamentais, entre outras espécies hortícolas. Teoricamente, qualquer planta pode ser cultivada no sistema hidropónico.

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A hidroponia já chegou a Portugal

Figura 14

A fruta que comemos não nasce toda da terra: no Algarve, há estufas com morangos empoleirados em prateleiras que se alimentam apenas de água misturada com adubos químicos.

(Notícia original em http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=180670&visual=26) Os agricultores do Algarve foram os primeiros do País, há cerca de 10 anos, a desenvolver culturas hidropónicas, ou seja, plantas que crescem sem estar em contacto com o solo e que são sustentadas apenas por água com nutrientes e substratos à base de casca de pinheiro ou fibra de coco. Actualmente existem milhares de morangos a crescerem ao longo do ano no Algarve através do sistema de "cultura sem solo". A inovadora técnica, além de permitir que a produção triplique em relação à agricultura tradicional, por se fazerem duas culturas por ano, tem a vantagem de rentabilizar a água das regas com tecnologia avançada e combater os desperdícios em período de seca severa na região. "Um hectare com morangueiros assentes na terra é capaz de produzir 30 toneladas de fruta, mas por hidroponia consegue produzir-se 90 toneladas", disse Pedro Mogo, engenheiro técnico no centro de hidroponia do Algarve, realçando que a hidroponia é amiga do ambiente. As culturas hidropónicas do Algarve morango, tomate, meloa, feijão verde ou pepino - são produtos mais biológicos que os da agricultura tradicional, que necessita de mais adubos e pesticidas por estar em contacto com solos mais desgastados e com doenças. Segundo explicou à Lusa o responsável pela Direcção Regional de Agricultura do Algarve (DRAA), José Paula Brito, o controlo da qualidade com alta tecnologia traduz- se em menos pragas e, consequentemente, em menos adubos e pesticidas. Há cerca de 25 por cento da área de estufas no Algarve coberta com o sistema de hidroponia e quase meia centena de agricultores a dedicarem-se a esta inovação, mas alguns produtores diminuíram as colheitas A VERDADE 009 Abr/2008 | 13

em relação a anos passados. A abertura das fronteiras, a entrada de frutas exóticas no País a preços acessíveis e a crise económica generalizada são alguns dos fundamentos para explicar que há dez anos havia 1.200 hectares de estufas e hoje restam 400 hectares. Há, no entanto, casos de sucesso como a Madrefruta, a única organização de produtores de "culturas sem solo" no Algarve que comercializa meloa, tomate e morangos hidropónicos tanto no mercado regional e nacional, como além fronteiras. "Exportamos morangos para França, Inglaterra e Holanda e este ano para Itália", disse Lídia Agrela, da Madrefruta, lembrando que o clima algarvio foi o trunfo para conquistarem um nicho de mercado. As plantas desenvolvem-se melhor por haver mais luminosidade e, assim, consegue-se levar morangos vermelhinhos em Dezembro ou Janeiro a países que não conseguem produzir

nessa altura. Lídia Agrela refere ainda que o produto português é mais requisitado do que o espanhol. A explicação pode relacionar-se com o facto de Portugal estar a ser mais rigoroso com as normas adoptadas por pedido dos compradores, ao contrário do consumidor espanhol. As características do produto não são adulteradas com o sistema de hidroponia e o morango, por exemplo aguenta-se perfeitamente uma semana no frigorífico, disse Pedro Mogo, lembrando que aquela fruta, por ser muito frágil, só é apanhada por mulheres, "que têm mais tacto". As culturas hidropónicas são uma grande alternativa para ter agricultura sustentável em determinadas zonas do Algarve", pois permite conseguir produções consideráveis em terrenos de pequena extensão e gerir melhor os gastos de água e pesticidas.

Transforme o seu sonho em realidade e torne-se agricultor!

Se o leitor sempre teve o sonho de ser agricultor mas nunca o conseguiu realizar por não dispor de terreno onde efectuar as plantações, tem agora a oportunidade de concretizar o seu sonho. Tudo sem sair de casa. Na varanda ou no terraço do apartamento, ou ainda na marquise ou em qualquer local onde entre a luz do Sol. Basta dispor de uns tubos de plástico e água, que nós damos a receita para alimentar as plantas em cultivo hidropónico. Evita assim de se deslocar ao campo, de se sujar com terra, de apanhar sol e vento, e pode ainda poupar dinheiro cultivando para consumo da família, no conforto do seu apartamento, vegetais moles, coloridos, inodoros e insípidos. Como o cultivo é feito sem contacto com o solo, as plantas não irão ter contaminantes desse meio, como bactérias, fungos, lesmas, insectos e vermes. As plantas obtidas são exactamente iguais aos tais vegetais “certificados” que os inspectores escolares e os inspectores da ASAE querem à viva força que tanto as crianças das creches como os velhinhos dos centros de dia comam.

Para iniciar uma cultura hidropónica, comece por adquirir um recipiente impermeável. Pode ser um vaso ou um tubo plástico com aberturas para as plantas. De seguida encha-o com um substrato inerte - por exemplo argila expandida. Para começar a produzir vegetais hidropónicos, basta inserir a semente no recipiente e começar a irrigá-la com uma

solução aquosa de adubos químicos. Quanto ao adubo a dissolver na água tem duas possibilidades: ou adquire a mistura já feita e pronta a utilizar numa casa especializada em produtos para hidroponia, ou então pode optar por efectuar a mistura, utilizando por exemplo a fórmula seguinte.

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Figura 15 - Cultivo de alface hidropónica em tubos de plástico

Fórmula de adubo para culturas em hidroponia Fazer 3 soluções intermediárias concentradas dos seguintes nutrientes com as concentrações indicadas: Solução A Fosfato monopotássico (KH2PO4) ........................... 26,3 mg/Lt Nitrato de potássio (KNO3) ...................................... 583 mg/Lt Sulfato de magnésio (MgSO4.7H2O) ....................... 513 mg/Lt Solução B Nitrato de cálcio (Ca(NO3)2.4H2O) ......................... 1003 mg/Lt EDTA-Fe ([CH2.N(CH2COOO)2] 2FeNa) ............... 74 mg/Lt Solução C Sulfato de manganês (MnSO4.H2O) ......................... Ácido bórico (H3BO3) .............................................. Sulfato de cobre (CuSO4.5H2O) ............................... Molibdato de amônio ( (NH4)6Mo7O24.4H2O ) ...... Sulfato de zinco (ZnSO4.7H2O) ................................

6,1 mg/Lt 1,7 mg/Lt 0,39 mg/Lt 0,37 mg/Lt 0,44 mg/Lt

Adicionar 150 ml de cada solução a 4,5 Lts de água para obter a solução diluída a ser usada na hidroponia.

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Poderão as culturas hidropónicas encerrar perigo para o consumidor?

Figura 16 - Tomate cultivado em lã de rocha numa das modernas fábricas de alimentos

Apesar de as associações de produtores de vegetais hidropónicos assegurarem que eles são saudáveis, não conheço nenhum produtor individual que os consuma. Todos os que conheço vendem os saudáveis vegetais “certificados” para os restaurantes e comércio e têm uma pequena horta onde cultivam para consumo próprio vegetais adubados apenas com estrume. E comem-nos sem receio de serem contaminados pelas bactérias do solo. Uma pesquisa recente concluiu que o teor de nitrato nas folhas de alface é maior no cultivo hidropónico que no convencional, sendo que o cultivo orgânico apresenta a menor taxa de concentração de nitrato. Isto devido ao uso de fertilizantes com baixo teor de nitrogénio, como estrume de bovino e composto orgânico.

A pesquisa conduzida por pesquisadores do IAPAR (MIYAZAWA et. al., 2001) mostra que alfaces cultivadas em sistema hidropónico apresentam um teor de nitrato extremamente elevado: 70% das amostras tinham entre 6.000 a 12.000 mg/kg e apenas 3% das amostras tinham teor inferior a 3.000 mg/kg. No cultivo hidropónico, o fertilizante nitrogenado é fornecido nas formas nítrica e amoniacal facilmente absorvidos pela raiz em

quantidades muito acima da capacidade da planta assimilar, acumulando, assim, o excedente no tecido vegetal. No organismo humano, o nitrato ingerido passa à corrente sanguínea podendo reduzir-se a nitritos que são ainda mais venenosos. Quando combinados com aminas, formam as nitrosaminas, substâncias cancerígenas.

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Figura 17

Frequência de concentração de nitrato nas folhas de alface segundo os diferentes métodos de cultivo. Valores em 10-3 mg/kg, base seca.

A monitorização dessas substâncias é essencial para garantir a qualidade dos alimentos. De acordo com a FAO, o índice de máxima ingestão diária admissível (IDA), de nitrato é de 5 mg/kg de peso vivo e, 0,2 mg/kg, para o nitrato. A ingestão admissível para uma pessoa de 70 kg seria de 350 mg de nitrato por dia. Assim, se considerarmos que quatro cabeças de alface pesam aproximadamente 1 kg e tem em média 160 folhas, concluí-se que uma pessoa de 70 kg comendo entre 4 e 9 folhas de alface hidropónica por dia, já estará atingindo a dose diária máxima de nitrato permitida. No caso de crianças, a quantidade de folhas ingeridas é proporcionalmente menor. Esta mesma pessoa poderia comer em média mais de 50 folhas de alface produzida no sistema orgânico (utilizando apenas estrume como adubo), para atingir o mesmo nível de nitrato. Sendo assim, o consumo de alface cultivada no sistema hidropónico deve ser cauteloso, pois pode trazer riscos à saúde humana. O estudo do Dr. Miyazawa abarcou apenas as alfaces, mas atendendo á similaritude do metabolismo das restantes plantas, os resultados da concentração de nitratos nessas culturas não deve diferir muito do obtido para a alface. De facto diversos estudos realizados na Europa corroboram os resultados da pesquisa

do IAPAR, mostrando que as taxas de nitratos nos legumes orgânicos são largamente inferiores a legumes obtidos por métodos convencionais (SILGUY, 1998). Um estudo realizado por LECERF (1994) do Instituto Pasteur de Lille, na França, fez uma síntese de vários trabalhos sobre a qualidade de alimentos orgânicos. Todos os estudos mostraram reduções de nitratos de 69 a 93% para vários legumes cultivados organicamente. Resultados semelhantes foram obtidos em outros países como Áustria, Holanda, Suíça e Alemanha, para cultivos de espinafre, cenoura e alfaces. Dos estudos efectuados resulta que dos três sistemas de cultivo utilizados em termos de qualidade os resultados são largamente favoráveis ao orgânico: Cultivo orgânico - As plantas encontram-se no solo absorvendo o alimento deste através das raízes. Os únicos adubos utilizados são o estrume e o composto orgânico. Os vegetais obtidos apresentam maior valor nutritivo e auxência de toxicidade. Cultivo tradicional - As plantas encontram-se no solo absorvendo o alimento deste através das raízes. Além de se poder utilizar estrume e composto orgânico também se utilizam adubos compostos químicos. Os vegetais obtidos apresentam maior tamanho, menor A VERDADE 009 Abr/2008 | 17

valor nutritivo e toxicidade reduzida. Cultivo hidropónico - As plantas são cultivadas fora do solo e alimentadas exclusivamente por uma solução aquosa de adubos químicos. Os vegetais obtidos são grandes, coloridos, brilhantes, inodoros e insípidos. O valor nutritivo é reduzido e apresentam, quando consumidos com regularidade, toxicidade devida à elevada

concentração de nitratos. Não querendo aqui alongar mais a análise dos efeitos do método de cultivo dos vegetais sobre saúde do consumidor, para não transformar esta newsletter num documento excessivamente técnico e ininteligível pelos leitores sem conhecimentos na área, recomendo aos mais interessados em aprofundar os seus conhecimentos sobre o assunto a leitura dos sites listados a seguir.

http://wwwbibli.vet-nantes.fr/theses/1999/salbreux9906/Partie1_2.pdf http://www.planetaorganico.com.br/trabdarnut1.htm http://www.acopa.org.br/orga.htm http://www.planetaorganico.com.br/trabEwa.htm
http://redeagroecologia.cnptia.embrapa.br/biblioteca/impactos-da-agricultura-convencional/conv%20X%20org.pdf/

http://www.dag.uem.br/gaama/agrcvn1.htm http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0304/Nitrosaminas/nitrosaminas.htm http://www.spq.pt/boletim/docs/BoletimSPQ_085_049_09.pdf http://europa.eu/scadplus/leg/pt/lvb/l21115k.htm

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Há mais fraudes cometidas na indústria alimentar!

É verdade caros amigos e nós vamos aqui revelar duas delas, feitas às claras, com o conhecimento e conivência das autoridades competentes.

Omeletes sem ovos É o leitor apreciador do famoso Queijo da Serra produzido na região demarcada da Serra da Estrela? A maioria dos portugueses é. Todos os anos se vendem toneladas e toneladas do afamado queijo em Feiras do Queijo, nas casas de artigos regionais e nas grandes superfícies. Tudo certificado, tudo com selo de garantia DOC (Denominação de Origem Controlada). E esses queijos certificados custam bem caro a quem os compra, porque a genuinidade do produto tem o seu preço. Contudo, uma coisa que durante anos me intrigou era o facto de sempre que ia passar alguns dias de férias na região demarcada não conseguir avistar um único rebanho de ovelhas (e a maioria das vezes nem sequer uma única ovelha) da famosa raça bordalesa. É que o Queijo da Serra com certificado DOC, por lei, só pode ser fabricado com o leite destas ovelhas criadas em liberdade e alimentadas nas pastagens. Decidido a esclarecer o mistério, questionei um dirigente de uma cooperativa agrícola local. A resposta foi surpreendente: • Já praticamente não existem pastores nem ovelhas na serra. Os poucos que ainda existem na sua esmagadora maioria estão proibidos pela legislação vigente de vender o queijo de produção própria fabricado pelos processos ancestrais e arriscamse mesmo a ser autuados pela ASAE se infringirem a lei. Ainda se consegue encontrar Queijo da Serra genuíno nalguns produtores sobreviventes. A maioria destes não está autorizada a comercializar o queijo que produz. Por isso é sempre vendido a medo e às escondidas, que as coimas da ASAE para a

comercialização de produtos genuínos e caseiros são a doer. 4. E agora vem o mais irónico da situação. Segundo a nossa fonte, o grosso da produção de “Queijo da Serra” é fabricado na região por queijarias industriais que utilizam como matéria prima leite de ovelha importado de Espanha, de ovelhas estabuladas em produção intensiva.

E tudo isto caros amigos com o conhecimento e o beneplácito das autoridades responsáveis pela certificação DOC do referido “Queijo da Serra” e da ASAE responsável pela fiscalização das fraudes alimentares. Toda estes factos são conhecidos dos habitantes locais, e o leitor, se assim o desejar, poderá confirmar os mesmos quando se deslocar à região.

Simplesmente inchados Para os leitores criados no campo e habituados a ver os animais demorarem meses ou mesmo anos até atingirem o tamanho ideal para o abate, sempre constituiu um mistério saber como é que os animais “certificados” aumentavam de peso em poucos meses ou semanas. Isso aliado à constatação de que a carne dos referidos animais “certificados” se desfazia em água quando era grelhada. Ora segundo informação que nos foi prestada pelo proprietário duma pocilga industrial, entre outras, uma das técnicas utilizadas para promover o crescimento rápido dos animais consiste em ministrar-lhes medicamentos inibidores do funcionamento do rim. Assim o animal bebe e como não consegue urinar incha devido à retenção de líquidos no organismo. A VERDADE 009 Abr/2008 | 19

Livres para escolher!

Figura 18 - Os pimentos são dos frutos mais produzidos em cultura hidropónica

Alguns dos maiores atropelos aos direitos dos cidadãos portugueses têm sido feitos no sector da agricultura e da indústria alimentar. E estas violações são particularmente graves, por envolverem a saúde e em casos mais extremos a própria vida dos consumidores. As pessoas têm o direito de consumir alimentos saudáveis e qualquer legislação a proibir o seu consumo deve ser denunciada como criminosa por ser atentatória contra um dos direitos mais fundamentais de todo o ser humano: o direito à saúde e a uma vida saudável.

O desconhecimento da situação Na sequência do alerta efectuado n’A VERDADE número 8, em que denunciámos a proibição por parte dos fiscais que visitaram o infantário e o centro de dia da utilização de alimentos naturais e a sua substituição compulsiva por alimentos “certificados”, atendendo ao desconhecimento da generalidade da população do que se está a passar actualmente no sector agro-alimentar, decidimos dedicar este número à hidroponia. Para quem ainda o não sabia, estamos a caminhar para uma agricultura sem agricultores e para culturas sem solo. Para muitos dos leitores citadinos com uma visão idílica da agricultura e que imaginavam as pessoas a cultivarem vegetais saudáveis nos campos, a revelação de que uma parte significativa dos vegetais frescos, verdinhos e luzidios que compram nos supermercados não provém do campo mas de culturas hidropónicas totalmente artificiais em autênticas fábricas de alimentos deve ter constituído uma surpresa.

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O direito à informação Os consumidores têm direito a saber o que compram para comer e isso não está a acontecer. A maioria dos consumidores desconhecia e desconhece ainda que uma parte dos vegetais expostos nas prateleiras dos hipermercados é produzida em meio totalmente artificial e alimentados exclusivamente com fertilizantes químicos, porque essa informação não lhes é prestada nos locais de venda. Efectivamente nas bancas de hortícolas encontram-se vegetais de cultivo hidropónico expostos a par com vegetais de cultivo tradicional. Nada os distingue no aspecto exterior, se bem que a composição química a nível de nitratos e de valor alimentar seja completamente distinta. A indicação no local de venda do método de cultivo deveria ser obrigatória, bem como a indicação dos riscos para a saúde do consumo dos alimentos de cultura hidropónica. As pessoas estão a comprar e a levar para casa vegetais frescos convictas que está ali um cocktail de vitaminas e tal não acontece. De acordo com os estudos efectuados por vários investigadores e que podem ser consultados nos endereços web indicados, os vegetais de cultivo hidropónico são pobres em vitaminas e ricos em nitratos potencialmente cancerígenos. O seu consumo por períodos de tempo prolongado ou em quantidades significativas pode levar ao aparecimento de cancros em quem os consome.

Esta prática é lesiva do direito à liberdade de escolha dos cidadãos. As pessoas têm o direito de consumir os alimentos que quiserem. Mesmo que sejam provenientes de produtores locais não certificados. A muitos de nós se calhar inspira-nos mais confiança comprar uma hortaliça num produtor local onde possamos deslocar-nos à sua horta e comprovar in loco os métodos de cultivo, do que adquiri-la proveniente de uma grande companhia de estufas a centenas de quilómetros de distância e onde é vedado o acesso aos consumidores. E além disso porque a “certificação”, conforme exemplificámos no acima citado caso do Queijo da Serra, em muitos casos é apenas uma farsa de que algumas companhias agroalimentares com a conivência dos responsáveis políticos se servem para enganar os consumidores. A certificação em Portugal, é tal e qual como os nossos responsáveis políticos: nem inspira confiança nem merece credibilidade.

O direito à saúde e à vida Apesar da inexistência de casos de infecção causadas pelo consumo de vegetais provenientes de produtores não certificados, assistiu-se nos últimos anos uma sanha persecutória sem precedentes contra os produtores locais, com a alegação de que os seus produtos ao não estarem “certificados” poderiam ser uma fonte de “contaminação” com reflexos na saúde pública. Ironicamente contudo, desde que nos últimos anos se procedeu à substituição dos produtos locais pelos alimentos ditos “certificados”, assépticos, descontaminados e seguros que a mortalidade por cancro não deixa de crescer. Em particular os cancros do aparelho digestivo. Só o cancro do cólon aumentou 80% em 20 anos (http://www.apn.org.pt/apn/index.php?option =news&Itemid=2&topid=2# )! Os gráficos seguintes ilustram a evolução das mortes por cancros do aparelho digestivo entre os anos de 2002 e 2005 (gráficos originais em http://downloads.officeshare.pt/expressoonlin e/PDF/cancro_web.pdf ): A VERDADE 009 Abr/2008 | 21

O direito à liberdade de escolha Se a introdução dos alimentos hidropónicos no início foi feita gradualmente e consentida pelos consumidores (apesar da quase totalidade deles ignorar a procedência, os métodos de produção subjacentes, e os efeitos sobre a saúde), agora está-se a tentar obrigar as pessoas a consumir alimentos artificiais através da proibição de restaurantes, cantinas, escolas, infantários, lares, etc. adquirirem os seus vegetais nos produtores locais não certificados.

Os dois fenómenos são concomitantes, o que indicia algum tipo de correlação entre eles. Uma das causas poderá residir no excesso de nitratos dos vegetais de cultura artificial. A conclusão óbvia que se tira é que quando se comiam apenas produtos locais não existiam infecções. Com a substituição dos produtos locais pelos “certificados”, continuamos a não ter infecções e passámos a ter muito mais cancros. Por isso quando o Dr. António Nunes vier para os media todo babado vangloriar-se da grande ajuda dada à saúde pública com a retirada pela ASAE de alimentos não certificados do circuito alimentar, haja algum jornalista que tenha a coragem de lhe atirar com estes números à cara, e lhe pergunte porque é que pessoas sem comportamentos de risco estão agora também a contrair cancros do aparelho digestivo?

Salvemos as crianças e os idosos Quando um adulto consciente compra alimentos artificiais ele sabe que está a correr um risco. Mas assume-o de livre vontade. Já o caso das crianças e dos idosos é diferente uma vez que são grupos muitas vezes sem vontade própria nem opção de escolha. O caso das crianças é de muita delicadeza. Aquilo que comem nos primeiros anos pode-lhe afectar o desenvolvimento e a saúde para o resto da vida, e ninguém tem o direito de os forçar a substituir alimentos saudáveis por alimentos “certificados” de A VERDADE 009 Abr/2008 | 22

cultura hidropónica. Muito menos um inspector qualquer do Ministério da Educação. Concomitantemente também com a substituição dos alimentos naturais por alimentos “certificados” o número de casos de cancro em crianças duplicou nos últimos 15 anos ( leia a notícia original em http://sic.sapo.pt/online/noticias/sic+tv/report agem+sic/O+Mundo+ao+contrario.htm). Algumas destas crianças terão contraído a doença devido à alimentação de risco fornecida nas creches e infantários, e foram ignobilmente condenadas a uma vida de sofrimento. Infelizmente a maioria nunca desfrutará a vida na sua plenitude nem conseguirá sequer sobreviver até à idade adulta. E mereciam melhor sorte! Fica aqui o apelo aos pais: salvaguardem a saúde e o futuro dos vossos filhos. Não permitam que lhes sejam retirados os alimentos naturais. Não tenham medo dos alimentos não certificados. E não permitam que um qualquer inspector comprometa a sua saúde e desenvolvimento. Também os idosos nos lares e centros de dia são pessoas vulneráveis. Mas são também adultos com capacidade jurídica. Por isso têm o direito de escolher os alimentos que pretendem ver confeccionados. E não é legítimo que pessoas já debilitadas pela idade vejam o seu estado de saúde agravar-se ainda mais ao serem impedidos de consumir alimentos naturais. Nem podem ser impedidos de aceitar ofertas de alimentos da população. E têm ainda direito a uma alimentação saudável no final da vida.

comércio os matadouros estão a cobrar menos de 50,00 € pelo abate de um vitelo, aos agricultores que pretendem abater um vitelo para consumo familiar, o preço cobrado é de 300,00€, ou seja 600,00% mais caro pelo mesmo serviço! E esta diferença de preço não tem qualquer justificação do ponto de vista económico. O objectivo declarado mas não confesso é o de favorecer as grandes redes de distribuição (a tal mão amiga!!!), tornando economicamente inviável a criação de animais para consumo próprio e obrigando os agricultores a comprarem aquilo que poderiam produzir.

Condenados à miséria! Até há poucos anos atrás os pequenos agricultores portugueses viviam bem. A agricultura de subsistência praticada permitialhes ser auto-suficientes e com a venda dos excedentes de produção não só obtinham dinheiro para as despesas do dia-a-dia como ainda conseguiam aforrar excedentes. De há quinze anos a esta parte foi montado um cerco tenaz e persistente destinado a estrangular os pequenos produtores em duas frentes, a da produção e a do escoamento. Na produção foram exigidas condições a nível de instalações e de equipamento que não tinham qualquer justificação técnica nem racionalidade económica. A maioria dos pequenos produtores, nem tinha dinheiro para as satisfazer, nem produção em quantidade suficiente para as rentabilizar. Logo foram impedidos de continuar a comercializar os seus produtos, por não lhes ser concedido o famoso “alvará” que os transformava em produtores certificados. Relativamente ao escoamento da produção têm sido fechados sucessivamente os vários canais de distribuição existentes, com o impedimento legal de venda das produções particulares a instituições ou ao comércio. O único canal que ainda lhes resta são as feiras e mercados, alguns dos quais estão em vias de extinção. Este estrangulamento dos canais de escoamento está a levar mesmo ao A VERDADE 009 Abr/2008 | 23

O direito à auto-suficiência Um dos direitos fundamentais que assiste a qualquer ser humano é o de produzir os seus próprios alimentos. E esse direito está a ser negado em Portugal. Um dos exemplos é o da criação de animais para consumo doméstico. Há alguns anos atrás que o abate de animais na residência dos agricultores foi proibido. Com a alegação dos interesses da “saúde pública” os agricultores são agora obrigados a levar as reses para serem abatidas num matadouro com alvará. O imoral da situação reside nos preços praticados: é que enquanto às redes de

esmagamento dos produtores certificados pelos intermediários. Para o leitor ter uma ideia do ponto a que as coisas estão a chegar, a maçã que compra nas grandes superfícies a 1,00€, 1,50€ ou mesmo a 2,00€ o quilo, está a ser paga aos produtores da zona de Pinhel na Beira Alta apenas a 0,08€ / kg (é isso mesmo caro leitor, 8 cêntimos por kg) deixando uma margem bruta superior a 1250% para o circuito de distribuição! Ao contrário daquilo que muitas pessoas pensam, incluindo lamentavelmente alguns opinion makers que escrevem para os jornais sem saber daquilo que falam, a agricultura portuguesa é rentável, desde que os agricultores não sejam escorraçados e impedidos de vender directamente os seus produtos. Porque quando 70 % da distribuição a retalho está concentrada na mão de três ou quatro grandes grupos, cria-se uma situação de monopólio em que do preço a que no exemplo dado a maçã chega ao consumidor final, ficam 92% para a distribuição e apenas 8% para a produção. Este é o principal motivo para o abandono dos campos e o êxodo rural: a retirada de meios de subsistência a quem lá vive. Se calhar também esta política faz parte da famosa justiça social para os mais desfavorecidos que os nossos governantes tanto apregoam. Fomentando o êxodo rural sempre ficam mais uns hectares livres para os grupos económicos com interesses no turismo poderem continuar a construir resorts e campos de golfe nas herdades abandonadas. Agora até com a ajuda do instrumento legal criado pelos famosos PIN (Projectos de Interesse Nacional) que permitem ultrapassar as restrições do PDM e autorizar a construção de hotéis onde os camponeses foram impedidos de construir as suas casas.

E-mails
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Queremos aqui agradecer publicamente a amabilidade e gentileza das muitas e muitas pessoas que nos têm contactado via e-mail. Lamentavelmente para nós devido ao grande volume de correspondência recebida não conseguimos responder com a rapidez que desejáveis e mereceis. Daí algum atraso nas respostas. Mas fica prometido que iremos tentar responder a todos! Desde já o nosso MUITO OBRIGADO. Bem-hajam pelo interesse e continuem a enviar os vossos comentários!

2.

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Lisboa, 13/Abr/2008 Manuel Rodrigues Cunha mrc008@gmail.com

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