METODOLOGIA DA PESQUISA

ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

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MARIA DAS GRAÇAS VILLELA RODRIGUES



METODOLOGIA DA PESQUISA
ELABORAÇÃO DE PROJETOS, TRABALHOS ACADÊMICOS E DISSERTAÇÕES
EM CIÊNCIAS MILITARES

2ª Edição

Colaboração e ampliação:
José Fernando Chagas Madeira
Luiz Eduardo Possídio Santos
Clayton Amaral Domingues

Rio de Janeiro
EsAO
2005


4
© 2004 by Maria das Graças Villela Rodrigues

Diagramação:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Revisão:
José Fernando Chagas Madeira – Maj Com
Luiz Eduardo Possídio Santos – Cap MB
Clayton Amaral Domingues – Cap Art

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)



Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
Avenida Duque de Caxias, 2071
Rio de Janeiro/ RJ - CEP 21615-220
R 696 Rodrigues, Maria das Graças Villela.
Metodologia da pesquisa: elaboração de projetos, trabalhos
acadêmicos e dissertações em ciências militares / Maria das
Graças Villela Rodrigues. colaboração e ampliação José Fernando
Chagas Madeira, Luiz Eduardo Possídio Santos, Clayton Amaral
Domingues - 2. ed - Rio de Janeiro: EsAO, 2005.
127 p.; il. ; 30 cm.
ISBN 85 - 98116 - 01 - 7
1. Pesquisa – Metodologia.I Título.
CDD 001.4


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SUMÁRIO


PREFÁCIO............................................................................................ 11
INTRODUÇÃO...................................................................................... 13
UD I – TÉCNICAS DE ESTUDO........................................................... 15
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA.................................... 16
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR...................................... 16
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO................................................................... 17
1.3 A LEITURA............................................................................................ 18
1.4 O ESTUDO DO TEXTO........................................................................ 19
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA....................................................... 21
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO............................................................ 22
UD II – A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO................. 25
2 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO............................................... 26
2.1 A CIÊNCIA............................................................................................ 26
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS.................................................................... 28
2.2.1 Os Métodos de Abordagem............................................................... 29
2.2.1.1 O Método Dedutivo............................................................................... 30
2.2.1.2 O Método Indutivo................................................................................. 30
2.2.1.3 O Método Hipotético Dedutivo.............................................................. 31
2.2.1.4 O Método Dialético................................................................................ 31
2.2.1.5 O Método Fenomenológico................................................................... 32
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos......................................................... 32
2.2.1.1 O Método Histórico............................................................................... 32
2.2.1.2 O Método Comparativo......................................................................... 33
2.2.1.3 O Método Estatístico............................................................................. 33
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso............................................................... 34
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 34


6

UD III - PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA..............................................

35
3 PESQUISA CIENTÍFICA...................................................................... 36
3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS............................ 36
3.1.1 Classificação quanto à natureza....................................................... 37
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema............ 37
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais....................................... 37
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos......................... 38
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................. 41
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica.......................... 41
3.2.2 Neveis de Pós-graduação na EsAO.................................................. 41
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu......................................... 42
3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu............................................ 42
UD IV - PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU..... 45
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU............................................... 46
4 1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 46
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 47
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO......................... 49
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 49
2 REFERENCIAL CONCEITUAL........................................................ 50
2.1 TEMA.............................................................................................. 50
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 51
2.2.1 Antecedentes do Problema....................................................... 53
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 53
2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico. 53
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 56
2.3 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 56
2.4 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 57
3 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................... 57


7
3.1 REVISÃO DE LITERATURA........................................................... 58
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS................................................ 58
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO.................................................. 59
4.1 OBJETIVO...................................................................................... 60
4.1.1 Objetivo geral............................................................................. 60
4.1.2.Objetivos específicos................................................................ 62
4.2 HIPÓTESE...................................................................................... 63
4.3 VARIÁVEIS..................................................................................... 65
4.3.1 Definição conceitual das variáveis........................................... 66
4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis................................................ 67

4.3.1.2 Correlação entre variáveis........................................................
68
4.3.2 Definição operacional das variáveis........................................ 69
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................... 71
4.4.1 População................................................................................... 71
4.4.2 Amostra....................................................................................... 72
4.4.3 Método de pesquisa................................................................... 72
4.4.4 Tipo de pesquisa........................................................................ 73
4.4.5 Técnica de pesquisa.................................................................. 74
4.4.5.1 Coleta documental.................................................................... 74
4.4.5.2 Questionário.............................................................................. 75
4.4.5.3 Entrevistas................................................................................ 79
4.4.5.4 Observação............................................................................... 80
4.4.5.5 Análise de conteúdo.................................................................. 81
4.4.6 Instrumentos.............................................................................. 82
4.4.6.1 Escalas para medir atitudes...................................................... 83
4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos...................................................... 86
4.4.7 Análise dos dados..................................................................... 88
5 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 88


8

5.1 PLANILHA DE CUSTOS ................................................................
89
5.2 CRONOGRAMA.............................................................................. 89
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 89
5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS ................................................... 90
5.1.1 Categorização dos dados.......................................................... 90
5.1.2 Codificação dos dados.............................................................. 91
5.1.3 Tabulação dos dados................................................................ 92
5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas............................................ 92
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas.............................................. 93
5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS ...................................................... 94
5.2.1 Análise estatística...................................................................... 95
5.2.2 Avaliação das generalizações.................................................. 95
5.2.3 Interpretação dos dados........................................................... 96
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES........................................... 97
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO............................ 98
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação............................................................ 99
4.4.2 Considerações finais.......................................................................... 100
UD V - PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU.......................................... 101
5 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU......................... 102
5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................... 102
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA................................................................ 102
5.3 A ESTRUTURA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO....... 104
1 INTRODUÇÃO.................................................................................. 105
2 CONCEITOS E MÉTODOS.............................................................. 105
2.1 TEMA.............................................................................................. 105
2.2 PROBLEMA.................................................................................... 106
2.2.1 Antecedentes do Problema ...................................................... 107
2.2.2 Formulação do Problema.......................................................... 108
2.2.3 Alcances e Limites..................................................................... 108


9
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO.............................................................. 109
2.4.OBJETIVOS.................................................................................... 110
2.4. 1 Objetivo Geral............................................................................ 110
2.4. 2 Objetivos Específicos............................................................... 110
2.5 JUSTIFICATIVA.............................................................................. 111
2.6 CONTRIBUIÇÃO............................................................................. 112
3 REFERENCIAL OPERATIVO.......................................................... 113
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS..................... 113
4 CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES.............................................. 114
5.4 MONTAGEM DO TCC.......................................................................... 114
5.4.2 Considerações finais.......................................................................... 115
REFERÊNCIAS.................................................................................... 117

Apêndice A – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e DM......................................................................................

120
Apêndice B – Elementos textuais obrigatórios da DM......................... 121

Apêndice C – Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de
Pesquisa e TCC....................................................................................
122
Apêndice D – Elementos textuais obrigatórios do TCC....................... 123

Apêndice E – Exemplo de Planilha de Recursos Humanos, Materiais
e Serviços.............................................................................................
124

Apêndice F – Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de
Pesquisa...............................................................................................

125
Apêndice G – Modelo de Ficha............................................................ 126



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11
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO
A primeira edição deste livro recebeu boa acolhida dos estudantes de pós-graduação
no âmbito da EsAO. Foi com prazer que publicamos esta segunda edição, a fim de atualizar
algumas partes e incluir novos conceitos, em resposta aos estímulos dos leitores e tendo em
vista novas práticas e conceitos em metodologia da pesquisa científica no âmbito das Ciências
Militares.
Neste sentido, aproveitando os modernos conceitos abordados pela autora, coube aos
colaboradores redistribuir os conteúdos da Unidade Didática I, e adequar o item “A prática do
fichamento” aos aspectos relevantes aos Programas de Pós-Graduação em Operações
Militares. Na Unidade Didática II foram destacados e ampliados conceitos relativos à Ciência,
e aos Métodos Científicos, incluindo-se exemplos inerentes às Ciências Militares.
Na Unidade Didática III foram definidos os diversos conceitos de pesquisa científica,
segundos suas classificações quanto à natureza, a forma de abordagem do problema, aos
objetivos gerais e aos procedimentos técnicos, procurando-se destacar através de conceitos e
exemplos, as principais diferenças entre os programas de pós-graduação lato sensu e stricto
sensu. A partir deste momento, o leitor passou a ser incentivado a optar por um dos
programas, os quais foram bem definidos na Unidade Didática IV e V.
A Unidade Didática IV foi remodelada pelos colaboradores, de forma que o leitor
pudesse acompanhar o processo de produção científica por meio da dissertação de mestrado.
Neste sentido a estrutura da dissertação, com seus referenciais, foi inicialmente apresentada
em forma de fluxograma, passando-se a definir detalhadamente cada etapa de pesquisa, e
seu(s) referenciais afetos. O mesmo processo foi apresentado na Unidade Didática V, onde os
conceitos relativos à produção do Trabalho de Conclusão de Curso foram apresentados.
Foram ainda criados novos Apêndices ao livro, de forma que o leitor pudesse verificar
as partes obrigatórias a serem apresentadas nas propostas de projeto de pesquisa, nos projetos
de pesquisa e nos relatórios finais de pesquisa, bem como apresentados em forma de mídia
digital (CD), exemplos didáticos de Trabalhos Acadêmicos em suas respectivas fases.


DOMINGUES, C. A.; MADEIRA, J. F. C.; SANTOS, L. E. P.


12

13
INTRODUÇÃO


Os programas de pós-graduação, conduzidos pelas instituições de
ensino de nível superior, exigem a apresentação de trabalhos acadêmicos,
dissertação ou tese como requisito parcial para a obtenção dos certificados e títulos
correspondentes. Estes trabalhos são desenvolvidos mediante pesquisa sobre tema
relevante de determinada área, obedecendo à metodologia própria para iniciação
científica, preceitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regras
ortográficas e gramaticais da língua portuguesa.
Este manual foi elaborado com a intenção de proporcionar ao postulante dos
Programas de Pós-Graduação em Operações Militares ferramentas que viabilizem a
elaboração de projetos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e dissertações,
facilitando o estudo de problemas inerentes a esta área do conhecimento.
Inicialmente desenvolver-se-ão algumas idéias e conceitos relativos à
metodologia da pesquisa, seguindo orientações de renomados autores brasileiros
que descrevem claramente o assunto, inferindo conceitos próprios da metodologia
em Ciências Militares.
A seguir, serão abordadas noções subjacentes aos métodos e tipos de
pesquisa científica afetos às Ciências Militares, passando a apresentação de um
raciocínio lógico e coerente, necessário à construção de projetos de pesquisa nos
níveis stricto sensu e lato sensu.
Finalmente, este manual esclarece como o resultado final da pesquisa,
realizada através das ações propostas no projeto de pesquisa, será descrito em
forma de Trabalho de Conclusão de Curso (no nível lato sensu) ou de Dissertação
de Mestrado (no nível stricto sensu).


14

15




TÉCNICAS DE ESTUDO
1 METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR
1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO
1.3 A LEITURA
1.4 O ESTUDO DO TEXTO
1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA
1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO



16
1 METODOLOGIA DA PESQUISA

A palavra Metodologia vem do grego; meta que significa ao largo; odos,
caminho; logos, discurso, estudo. Consiste em estudar e avaliar os vários métodos
disponíveis e suas utilizações. Corresponde a um conjunto de procedimentos que
auxiliam na obtenção do conhecimento.
De acordo com Minayo (1999), entende-se por metodologia o caminho do
pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. Neste sentido, a
metodologia ocupa um lugar central no interior das teorias e está referida a elas. Já
a pesquisa é entendida como a atividade básica da ciência, buscando questionar e
construir a realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza
frente à realidade do mundo. Embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula
pensamento e ação. Ou seja, nada pode ser intelectualmente um problema, se não
tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da
investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e circunstâncias socialmente
condicionadas.

1.1 A METODOLOGIA E O ENSINO SUPERIOR

A importância da Metodologia reside no fato de ser uma disciplina que possui
características investigativas, relacionadas com a busca de caminhos necessários à
obtenção de conhecimentos, auxiliando o aluno no aprendizado da pesquisa e na
sistematização dos conteúdos. Esta instrumentação é importante para o trabalho
científico, porque colabora com o crescimento intelectual do postulante e com a
formação de um compromisso científico frente à realidade empírica, buscando o
conhecimento da verdade e a formação de um espírito crítico para a análise e para a
reflexão científica.
Desenvolver o conhecimento científico é fundamental para a educação
superior que tem como objetivo ensinar e divulgar procedimentos científicos, levando
em conta o estímulo ao pensamento produtivo, ao conhecimento sistemático, à
criatividade e ao desenvolvimento do espírito crítico. A Metodologia estrutura-se,

17
portanto, de forma a contribuir para que o ensino superior desenvolva as funções
que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes.

1.2 A DINÂMICA DE ESTUDO

O ensino superior deve propiciar o desenvolvimento do espírito científico
aliado à prática de trabalhos acadêmicos de qualidade. Para tanto, é importante que
os alunos adquiram hábitos de estudo, buscando informações a respeito de
procedimentos que possam auxiliá-los na execução de tarefas acadêmicas.
A atividade do estudo compõe-se de alguns elementos que são considerados
muito importantes para o aprendizado. Severino (1991) destaca como elementos
principais à leitura e a escrita, pois para aprender, é necessário ler ou ouvir as
mensagens que nos são transmitidas; como, também, é necessário registrar por
escrito o conteúdo, para posteriormente retomar a essa mensagem, pensá-la e/ou
reescrevê-la. Adverte, ainda, que o ensino superior exige dos universitários
maior autonomia no processo de aprendizagem e postura de auto-atividade
didática rigorosa, crítica e criativa, bem como um projeto de trabalho intelectual
individualizado, apoiado em material didático e científico que se constitui
basicamente na bibliografia especializada.
Com estas afirmações o autor citado nos leva a refletir sobre a necessidade
de preparação do estudante por meio da consulta bibliográfica afim com as suas
necessidades de aprendizagem. É necessário que o estudante utilize, com a devida
freqüência, as bibliotecas disponíveis. A leitura de livros indicados na bibliografia do
curso, de revistas especializadas, de jornais e outras fontes de consulta facilita a
apreensão dos conteúdos e permite uma visão ampliada do assunto, oferecendo
outras referências que ajudam a ampliar seu horizonte.
A autonomia do processo de aprendizagem requer do aluno um esforço
disciplinar, uma programação das atividades de estudo, uma divisão adequada do
tempo que propiciem a periodicidade de leituras, a participação em seminários,
palestras, etc. O ensino superior requer, além do estudo habitual, a participação em
eventos e acontecimentos que promovam a reflexão e ampliação dos
conhecimentos. A auto-atividade didática é, portanto, imprescindível e deve
estar presente na vida do estudante preocupado com a sua performance.

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Um dos objetivos de um curso de pós–graduação é formar nos alunos o
espírito científico que busca a obtenção de conhecimentos novos, aprimorando-os
como seres ativos e participantes da história.
A proposta deve ser a de aprender, isto é, não adianta apenas uma série de
informações, é preciso aprender a fazer e aprender fazendo. As atividades de
estudo como a leitura analítica, o estudo da documentação e a elaboração de
trabalhos científicos têm de ser efetivamente praticados. Estas atividades são
desenvolvidas com o auxílio do instrumental de trabalho, utilizando técnicas de
leitura, condensação de textos, etc.

1.3 A LEITURA

Ler é assimilar idéias, interagir com o autor, absorvendo o sentido da
mensagem, conhecer, interpretar, decifrar, ampliar os conhecimentos e aprofundar o
saber em determinado campo cultural ou científico. Segundo Salvador (1980), ler é
"distinguir os elementos mais importantes daqueles que não o são e, depois, optar
pelos mais representativos e mais sugestivos”.
Numerosas idéias são transmitidas em diferentes obras, sendo necessário
que o leitor compreenda a idéia-mestra do texto, que é aquela que corresponde a
tudo aquilo que o autor quer comunicar. Para tanto, a utilização de técnicas de
sublinhamento, resumo e esquematização facilitam o entendimento do sentido do
texto através das idéias de cada parágrafo, auxiliando o leitor no entendimento do
pensamento do autor no contexto da obra.
Ao ler um texto, devemos primeiro prestar atenção em seu conteúdo
informativo fundamental, ao qual se subordinam, de modo articulado, vários
enunciados. A maioria das frases possui uma palavra-chave, que pode ser
percebida diretamente ou com a ajuda de outras palavras que a substituem.
Posteriormente, devemos identificar, nos diversos parágrafos, as idéias secundárias
que articulam o entendimento final do texto.
É importante fazer boas leituras porque esta prática enriquece o vocabulário,
possibilitando ao leitor progredir cientificamente; adquirir experiência, melhorar a
comunicação e, principalmente, a redação. A leitura amplia e desperta a inteligência
para um aprofundamento cada vez maior no conhecimento, clareando as idéias,

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permitindo uma abordagem do tema sob diferentes perspectivas, e fornecendo
opções de soluções para os problemas de pesquisa, de acordo com os modelos
teóricos de outros autores/pesquisadores.
A leitura é imprescindível na elaboração de trabalhos de investigação
científica. É importante consultar os autores, os livros e as revistas, que possam
fornecer as informações necessárias. Devemos examinar sumariamente os
componentes físicos dos livros cujos títulos nos interessam. Verificar o nome do
autor, seu currículo, ler a orelha do livro, o sumário, a documentação ou as citações
ao pé das páginas. Investigar a referência, assim como verificar a editora, a data, a
edição e ler rapidamente o prefácio. A convergência desses vários elementos nos
ajuda a identificar o texto e a selecionar as obras de interesse.

1.4 O ESTUDO DO TEXTO

Segundo Galliano (1986), há várias maneiras de se estudar um texto, mas
todas dependem sempre do propósito do estudo. Assim, um estudo profundo,segue
sempre um processo semelhante, um método. Devemos recordar que não se estuda
um texto como quem lê um romance, por puro entretenimento. Os textos de estudo,
mormente aqueles de cunho científico ou filosófico, requerem sempre o emprego da
razão reflexiva por parte de quem estuda. E isso pressupõe uma certa disciplina
intelectual, um método de abordagem para o objeto do estudo.
Assim, o estudo do texto deve ser realizado em várias etapas, sendo
necessário para o desenvolvimento deste, o domínio de algumas técnicas que vão
contribuir para o entendimento do autor e da obra, quais sejam: sublinhar, resumir
e esquematizar.
Sublinhar é a arte que ajuda a colocar em destaque a idéia-mestra, as
palavras-chaves e os pormenores importantes de um texto. Dentre as normas para
sublinhar é importante destacar que o leitor deve "marcar” apenas as idéias
principais e os detalhes importantes. O leitor deve reconstruir o parágrafo a partir
das palavras sublinhadas para depois formar um texto com as idéias-chave. Ao final,
deve ser possível ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de sentido. O
texto fica condensado como em um telegrama, mas continua com o mesmo sentido.

20
É interessante sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal
e com um único traço os pormenores importantes. Assinalar com linha vertical, à
margem do texto, as passagens mais significativas; ou fazer um retângulo. Os
pontos de discordância devem ser assinalados com um ponto de interrogação à
margem do texto. Há autores que ainda aconselham o uso de cores diferentes para
sublinhar.
Após sublinhar o texto, é necessário condensar as idéias destacadas. O leitor
deve escolher a maneira mais adequada de se condensar o texto, a que mais se
identifique com o propósito de sua leitura. De acordo com a forma de apresentação
do conteúdo sublinhado o leitor pode integrar as idéias através de um resumo ou
esquema.
O resumo é a condensação de um texto capaz de reduzir seus elementos. É
a apresentação concisa e, freqüentemente, seletiva do texto, destacando-se os
elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da
obra. É útil quando se necessita, em rápida leitura, recordar o essencial do que se
estudou e a conclusão a que se chegou. Segundo Galliano (1986), resumir por
escrito a leitura é conveniente quando se coleta material de obra rara e de difícil
consulta quando se prepara um trabalho de maior fôlego e profundidade, como a
defesa de uma tese ou a elaboração de uma monografia ou dissertação, e quando
se necessita fazer exercícios de redação clara e concisa.
Para tanto, é necessário observar algumas normas para se fazer um bom
resumo, tais como: não pretender resumir antes de ler o texto todo; esclarecer os
pontos obscuros; e sublinhar as palavras desconhecidas. É preciso ser breve, porém
compreensível. Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e anotações à
margem do texto. Nos casos de transcrição textual (“ao pé da letra”), usar aspas e
fazer referência completa à fonte. Juntar, principalmente ao final, idéias
integradoras, referências bibliográficas e críticas, pertinentes e oportunas, de caráter
pessoal.
O esquema é a linha mestra seguida pelo autor no desenvolvimento de seu
escrito. Para Galliano (1986), o esquema é a representação gráfica e sintética do
que se leu. A elaboração de um esquema fundamenta-se numa seqüência lógica
que ordene claramente as principais partes do conteúdo e que, mediante divisões e
subdivisões represente a hierarquia das palavras, frases, parágrafos-chave que,

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destacados após várias leituras, devem apresentar ligações entre as idéias
sucessivas para evidenciar o raciocínio desenvolvido.
Algumas normas se fazem necessárias para a elaboração de um bom
esquema, uma delas é a fidelidade ao texto, captando e compreendendo o tema do
autor, destacando títulos e subtítulos que o guiaram ao escrever o texto.
Por fim, o esquema deve:
a) ser claro, simples e distribuído organicamente;
b) subordinar as idéias e fatos;
c) ter estrutura lógica, mantendo um sistema uniforme;
d) ser flexível e funcional para o uso; e
e) destacar o propósito da leitura, facilitando a captação do conteúdo e
permitindo uma melhor reflexão sobre o texto.

1.5 A TRANSPOSIÇÃO DA LEITURA

Para auxiliar a transposição da leitura, é necessário que o leitor faça uma
análise do texto. O estudo e a interpretação do texto vão depender dos objetivos do
leitor e do fim a que se destina. Os textos de estudo de caráter científico, por
exemplo, requerem, por parte de quem analisa, um método de abordagem e certa
disciplina intelectual.
Galliano (1986) e Severino (1982) elaboraram modelos de análise que
abrangem alguns itens comuns aos dois autores que são chamados de análise
textual, análise temática e análise interpretativa.
A análise textual é a primeira forma de aproximação com o texto e tem a
finalidade de apresentar o texto e o pensamento do autor. O leitor deve assinalar os
vocábulos desconhecidos, os pontos que requerem posterior esclarecimento e as
dúvidas que possam interferir na captação do pensamento do autor. É importante
esclarecer as dúvidas através de consulta aos dicionários, enciclopédias, manuais,
enfim, às obras de referência que se façam necessárias.
Ao terminar esta análise, o leitor passa a ler com o objetivo de compreender
profundamente o texto. Inicia-se então a análise temática onde o leitor vai
processar a leitura para apreender o conteúdo, sem discutir com o texto, sem
debater os conceitos ou idéias; a intenção é a descoberta e a reflexão da idéia

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central. É necessário captar na exposição do tema o problema que motivou o autor,
as idéias secundárias, os temas complementares, enfim, a estrutura de sustentação
do texto. A análise temática é considerada completa quando o leitor estabelece, com
segurança, o esquema do pensamento do autor apreendendo o conteúdo do texto.
A terceira etapa da leitura visa à interpretação do texto. O leitor passa a
inferir e interpretar o que foi apreendido. Ao iniciar a análise interpretativa o leitor
deve relacionar as idéias expostas pelo autor com o contexto da cultura científica
e/ou filosófica recorrendo, se necessário, a outras fontes, complementando-as
sempre que o estudo assim exigir.
Ao terminar a análise interpretativa, o nível de conhecimento do leitor ter-se-á
consolidado e ampliado. E para continuar desenvolvendo este conhecimento,
Galiano (1986) aconselha ao leitor levar sua posição pessoal, seu juízo crítico, ao
confronto da discussão em seminários, grupos de estudo, ou reuniões com colegas.
Para ele, o debate é importante porque algumas conclusões tidas como sólidas e
inabaláveis podem revelar sua fragilidade, enquanto outras ganharão maior vigor,
estimulando novas reflexões e abrindo um novo ciclo de aprofundamento de
análises.
Concluindo adequadamente a leitura de um texto, o leitor mais experiente,
passa a produzir conhecimento e/ou a fazer proposições. São nessas condições que
ocorre a transposição da leitura. É através da ampliação dos aspectos que a
análise do texto suscitou e das proposições apoiadas na retomada de pontos
relevantes que o leitor pode ir além, ultrapassar a leitura e produzir o
conhecimento; o que é muito importante, na medida em que o leitor/pesquisador
necessite transmitir significados ou fazer alguma comunicação a respeito de
determinadas conclusões.

1.6 A PRÁTICA DO FICHAMENTO

Em face da necessidade de realização de um trabalho de pesquisa é preciso
que o estudioso execute um levantamento bibliográfico que lhe permita:
a) conhecer a origem do problema;
b) identificar o que já foi pesquisado acerca do problema;
c) avaliar as soluções já experimentadas;

23
d) colher opiniões de especialistas e participantes do processo;
e) compreender tudo aquilo que irá embasar a formulação de uma possível
solução para o problema pesquisado.
Segundo Eco (1989), a situação ideal seria dispor de todos os livros de que
se tem necessidade. Entretanto, verifica-se que essa condição ideal é muito rara,
mesmo para um estudioso profissional. Assim, o armazenamento das informações
coletadas em bibliotecas, repartições públicas, centros culturais, sites de busca na
Internet, etc, poderá ser realizado através de um arquivo de fichas ou um arquivo de
computador.
É oportuno destacar que os fichamentos são extremamente importantes na
fase de coleta de informações, pois auxiliam no registro de resumos, opiniões,
citações, enfim, tudo o que possa servir como embasamento para a redação do
texto do trabalho de pesquisa.
Tenha em mente que os esforços empreendidos durante a elaboração
dos fichamentos serão altamente recompensados no momento da redação
final da pesquisa, revertendo em ganho de tempo.
A EsAO adotou um modelo básico de ficha (Apêndice G), que deverá ser
preenchido e apresentado por ocasião da entrega do projeto de pesquisa, isto é, no
início da fase presencial do Curso de Aperfeiçoamento. A ficha é composta pelas
seguintes partes: cabeçalho, referências, resumo da obra, citações,
contribuições em relação ao assunto em estudo e recursos ilustrativos de
interesse.
O campo destinado ao cabeçalho solicita informações que facilitarão a
identificação futura do seu trabalho: a linha de pesquisa, o tema, o nome do
postulante, a data do fichamento e o número referência da ficha.
O campo destinado às referências deve ser preenchido conforme as normas
da ABNT (descritas no Manual de Apresentação de Trabalhos Acadêmicos e
Dissertações), isto facilitará a composição do trabalho no momento da redação.
O campo destinado ao resumo da obra, embora simples, deve permitir ao
pesquisador identificar quais são os assuntos tratados, bem como as principais
conclusões do autor.
O campo destinado às citações poderá ser preenchido com citações diretas
ou indiretas, tendo por finalidade destacar as idéias que irão sustentar o seu
raciocínio lógico, durante a confecção do Referencial Teórico (capítulo que traduz

24
tudo aquilo que já foi publicado sobre o tema em estudo) de sua pesquisa. As
citações não devem aparecer no seu trabalho como uma simples cópia do
pensamento de outros autores, elas devem conter subsídios que lhe permitirão a
sustentação de hipóteses (DM) ou a discussão de questões de estudo (TCC)
O campo destinado às contribuições em relação ao assunto em estudo
deve conter o seu parecer acerca do pensamento do autor, visando facilitar a
construção do seu raciocínio lógico durante a confecção do trabalho; anote quantas
idéias puder acerca do que foi lido e estudado, este é o melhor momento para
apreender idéias que contribuam para a sustentação da sua posição em relação ao
problema de estudo.
O campo destinado aos recursos ilustrativos de interesse deve conter
tabelas, gráficos, figuras ou outros recursos que enriqueçam e/ou facilitem o
entendimento do leitor acerca do seu trabalho.

25



A CIÊNCIA COMO FORMA DE CONHECIMENTO
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
2.1 A CIÊNCIA
2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS
2.2.1 Os Métodos de Abordagem
2.2.1.1 O Método Dedutivo
2.2.1.2 O Método Indutivo
2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo
2.2.1.4 O Método Dialético
2.2.1.5 O Método Fenomenológico
2.2.2 Os Métodos de Procedimentos
2.2.1.1 O Método Histórico
2.2.1.2 O Método Comparativo
2.2.1.3 O Método Estatístico
2.2.1.4 O Método de Estudo de Caso
2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


26
2 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Os consideráveis progressos nos meios de comunicação têm permitido que
os avanços científicos se expandam rapidamente nas distintas comunidades
mundiais e estejam ao alcance de um número cada vez maior de pessoas.
O processo do conhecimento necessita da presença de três elementos: o
objeto, o sujeito e uma relação entre os dois. O conhecimento se dá quando o
sujeito apreende o objeto e, relacionando-se com ele, forma uma imagem.
Independentemente das distintas teorias existentes para explicar o processo
do conhecimento, faremos referência a dois tipos especiais que são: o conhecimento
ordinário ou vulgar (senso comum) e o conhecimento científico.
Segundo Galliano (1986), o conhecimento vulgar (senso comum) também
denominado “empírico” é o que todas as pessoas adquirem na vida cotidiana, ao
acaso, baseado apenas na experiência vivida ou transmitida por alguém. Em geral
resulta de repetidas experiências casuais de erro e acerto, sem observação
metódica ou verificação sistemática, e por isso, carece de caráter científico. Pode
também resultar de simples transmissão de geração para geração ou fazer parte das
tradições de uma coletividade.
Ao contrário, o conhecimento científico é uma aquisição intencional,
consciente e sistemática; é um processo que chegou ao máximo de seu
desenvolvimento com a aplicação do método científico. De acordo com Galliano
(1986), o conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da
realidade. Ele transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para
descobrir suas causas e concluir as leis gerais que os regem.

2.1 A CIÊNCIA

Variados autores apresentam o que entendem por ciência através de
conceitos que são permanentemente ampliados, uma vez que suas idéias não são
definitivas.
O conceito apresentado por Ander-Egg (1978), define ciência como um
conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente,

27
sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma
natureza.
Para Trujillo (1974), ciência é uma sistematização de conhecimentos, um
conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de
certos fenômenos que se deseja estudar. Um conjunto de atitudes e atividades
racionais dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser
submetido à verificação.
Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por
objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada (se possível com o
auxílio da linguagem matemática), leis que regem os fenômenos.
Neste sentido, o conhecimento deve ser:
a) objetivo, porque descreve a realidade independente dos caprichos do
pesquisador;
b) racional, porque se vale, sobretudo, da razão e não da sensação ou
impressões, para chegar a seus resultados;
c) sistemático, porque se preocupa em construir sistemas de idéias
organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades
cada vez mais amplas;
d) geral, porque seu interesse se dirige fundamentalmente à elaboração de
leis e normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo;
e) verificável, porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das
informações; e
f) falível, porque ao contrário de outros sistemas de conhecimento elaborados
pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar.
Segundo Gil (1999), há conhecimentos que não pertencem à ciência, tais
como: o conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico. A partir
destas características torna-se possível, em boa parte dos casos, distinguir entre o
que é ciência e o que não é.
Segundo Lakatos e Marconi (2000), não existe um consenso na apresentação
da classificação das ciências; o que é ciência para alguns autores, ainda permanece
como ramo de estudo para outros, e vice-versa. Mas, baseando-se em Bunge
(1976), as autoras adotam a seguinte classificação: ciências formais e ciências
factuais.

28
As ciências formais se encarregam do estudo das idéias, dividindo-se em
lógica e matemática. Por não terem relação com algo encontrado na realidade, não
podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas,
utilizando a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas. Os resultados
alcançados pelas ciências formais demonstram ou provam hipóteses.
As ciências factuais se encarregam do estudo dos fatos, dividindo-se em
naturais e sociais. Referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em
conseqüência, recorrem às observações e às experimentações para comprovar ou
refutar suas hipóteses. Os resultados alcançados pelas ciências factuais verificam,
comprovam ou refutam hipóteses que, em sua maioria, são provisórias.
A grande diferença entre as ciências formais e factuais é que a
demonstração (formal) é completa e final, ao passo que a verificação (factual) é
incompleta e, por este motivo ela é temporária.
Parra Filho (2000), ao referir-se à classificação atual dos vários campos da
ciência, ressalta que as classificações da ciência devem ser provisórias, devido a
sua constante evolução. A classificação é importante porque mostra a unidade e ao
mesmo tempo a variedade do conhecimento humano, assinala o domínio próprio de
cada ciência, patenteia as relações lógicas que as unem entre si e revelam a ordem
em que as ciências devem ser estudadas. De acordo com este autor, Ciência
Militar e Defesa, estão no campo das ciências sociais.

2.2 MÉTODOS CIENTÍFICOS

Para que um conhecimento possa ser considerado científico, faz-se
necessário identificar as operações mentais e as técnicas que permitam a sua
verificação, ou seja, determinar o método que possibilite chegar ao conhecimento.
Assim, Gil (1999), define método científico como um conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento.
Lakatos e Marconi (2000) descrevem o desenvolvimento histórico do método
relatando que a preocupação em descobrir e explicar a natureza existe desde os
primórdios da humanidade.

29
Nas ciências militares, assim como em outras ciências, o método é
fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa e sua escolha se dá de
acordo com a proposta de trabalho do pesquisador.
A adoção de um ou de outro método depende, portanto:
a) da natureza do objeto de pesquisa;
b) dos recursos materiais disponíveis;
c) do nível de abrangência do estudo; e
d) sobretudo, do pesquisador.
Neste sentido, vários sistemas de classificação podem ser adotados.
Segundo Gil (1999), que apresenta uma classificação semelhante a outros autores
como Trujillo, Ferrari (1982), e Lakatos (1992), há dois grandes grupos: os métodos
de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação científica; e os
métodos de procedimentos que esclarecem acerca dos procedimentos técnicos a
serem empregados.

2.2.1 Os Métodos de Abordagem

Os métodos de abordagem esclarecem acerca dos procedimentos lógicos
que deverão ser seguidos no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da sociedade; são métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de
abstração, que possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua
investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas
generalizações.
Podem ser incluídos neste grupo os métodos: dedutivo, indutivo,
hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Cada um deles vincula-se a
uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o
conhecimento da realidade. O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo, o
indutivo ao empirismo, o hipotético-dedutivo ao neopositivismo, o dialético ao
materialismo dialético e o fenomenológico à fenomenologia.




30
2.2.1.1 O Método Dedutivo

Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz que
pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O
raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por
intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (análise do geral
para o particular) para chegar a uma conclusão. Usa o silogismo, construção lógica
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira, logicamente decorrente das
duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993).
Veja um exemplo de raciocínio dedutivo:
Premissa maior As unidades de uma Bda CMec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°R C Mec faz parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão O 121°R C Mec tem grande mobilidade
Quadro 1 – Exemplo de raciocínio dedutivo.
A dedução pressupõe o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da
conjectura, que serão testados pela observação e/ou experimentação.

2.2.1.2 O Método Indutivo

Método proposto pelos empiristas Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Considera
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta os
princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo a generalização deriva de
observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à
elaboração de generalizações (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um
exemplo de raciocínio indutivo:
Observação 1 O 121°R C Mec tem grande mobilidade.
Observação 2 O 122°R C Mec tem grande mobilidade.
... ...
Observação n O 123°R C Mec tem grande mobilidade.
Premissa menor O 121°, 122°,...123°R C Mec fazem parte da 1ª Bda C Mec.
Conclusão A 1ª Bda C Mec tem grande mobilidade.
Quadro 2 – Exemplo de raciocínio indutivo.

31
Segundo Wricht (apud HEGENBERG, 1976, p. 174), a indução pode ser
caracterizada da seguinte forma: o fato de que algo é verdade, relativamente a certo
número de elementos de uma dada classe, permite concluir que o mesmo será
verdade, relativamente a elementos desconhecidos da mesma classe. Se em
especial, a conclusão se aplica a um número ilimitado de elementos não
examinados, diz-se que a indução leva a uma generalização.
O método indutivo propõe que, em primeiro lugar, está a observação dos
fatos particulares e depois a hipótese a confirmar. Há, portanto, uma inversão de
procedimentos em relação ao método dedutivo.

2.2.1.3 O Método Hipotético-Dedutivo

Proposto por Popper, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da
seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o
problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são
formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas
as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se
procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao
contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p.30).
O método hipotético-dedutivo se inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos, acerca da qual se formulam hipóteses, e pelo processo de influência
dedutiva, testa-se a predição da ocorrência dos fenômenos abrangidos pela
hipótese.

2.2.1.4 O Método Dialético

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se
transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É
um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Admite que os fatos
não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc.
O método dialético penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre

32
na natureza e na sociedade. O conceito de dialética equivale a uma argumentação
que faz a distinção dos conceitos envolvidos na discussão.

2.2.1.5 O Método Fenomenológico

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é dedutivo nem
indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da experiência, tal como ela é. A
realidade é construída e entendida como o compreendido, o interpretado, o
comunicado pelo resultado da pesquisa. Então, a realidade não é única: existem
tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito/ator é
reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (GIL,
1999; TRIVIÑOS, 1992).

2.2.2 Os Métodos de Procedimentos

Segundo Lakatos (2000), os métodos de procedimentos seriam etapas mais
concretas da investigação, com a finalidade mais restrita em termos de explicação
geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem uma atitude mais concreta em
relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular.
Gil (1999), expõe que os métodos que esclarecem acerca dos procedimentos
técnicos a serem utilizados, proporcionariam ao investigador os meios adequados
para garantir a objetividade e a precisão no estudo de ciências sociais.
Este manual reforça a conceituação adotada por Gil (1999), referindo-se à
conceituação de método, enquanto conjunto de procedimentos suficientemente
gerais, para possibilitar o desenvolvimento de uma investigação científica.
Assim, os principais métodos de procedimentos utilizados nas ciências
sociais, são: histórico, comparativo, estatístico e estudo de caso.

2.2.2.1 O Método Histórico

O método histórico se dá a partir do estudo dos conhecimentos, processos e
intuições passadas, procurando identificar e explicar as origens contemporâneas.
Muitos dos problemas contemporâneos podem ser analisados e entendidos a partir

33
de uma perspectiva histórica. E a partir da análise, evolução e comparação histórica
se podem traçar perspectivas.

2.2.2.2 O Método Comparativo

O método comparativo desenvolve-se pela investigação de indivíduos,
classes, fenômenos ou fatos, com vistas a ressaltar as diferenças e similaridades
entre eles. Sua utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possibilitar o
estudo comparativo de grandes grupamentos separados pelo espaço e pelo tempo.
O método comparativo tem como objetivo estabelecer leis e correlações entre
os vários grupos e fenômenos sociais, mediante a comparação que irá estabelecer
as semelhanças e/ou as diferenças.

2.2.2.3 O Método Estatístico

Segundo Gil (1999), o método estatístico fundamenta-se na aplicação da
teoria estatística da probabilidade e constitui importante auxílio para a investigação
em ciências sociais. As explicações obtidas mediante a utilização do método
estatístico não podem ser consideradas absolutamente verdadeiras, mas dotadas de
boa probabilidade de serem verdadeiras. Mediante a utilização de testes estatísticos,
torna-se possível determinar, em termos numéricos, a probabilidade de acerto de
determinada conclusão, bem como a margem de erro de um valor obtido.
O método estatístico, apesar das dificuldades para medir os fenômenos,
auxilia o pesquisador no que diz respeito à quantificação matemática dos numerosos
fatos que, reduzidos a números, permitem o estabelecimento de relações e
correlações existentes entre eles, prestando-se tanto para que sejam inferidas como
para que sejam deduzidas as conseqüências dos fatos analisados. É também
utilizado quando, pela variedade e complexidade dos fenômenos, torna-se
impossível um conhecimento mais profundo dos fenômenos e de suas relações sem
uma quantificação.
Em ciências sociais não se entende a estatística como uma simples coleção
de dados, mas sim, como define Fisher, a estatística é a matemática aplicada à
análise dos dados numéricos de observação, pois, tão importante quanto o aspecto
qualitativo do fenômeno é o seu aspecto quantitativo, com as suas possíveis

34
utilizações; daí ser um importante instrumento utilizado pelas ciências sociais.
Quando, a partir de uma amostragem ou de um caso particular, são definidas
algumas generalizações, tem-se a probabilidade e não a certeza da ocorrência de tal
fenômeno.

2.2.2.4 O Método de Estudo de Caso

O método de estudo de caso ou método monográfico permite, mediante a
análise de casos isolados ou de pequenos grupos, entender determinados fatos.
De acordo com Gil (1999), este método parte do princípio de que o estudo de
um caso em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros, ou
mesmo de todos os casos semelhantes. Esses casos podem ser indivíduos,
instituições, grupos, comunidades etc.

2.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme o método escolhido pelo pesquisador, utiliza-se um ou outro
procedimento de coleta de dados. O procedimento de coleta de dados requer do
pesquisador uma definição do delineamento da pesquisa, ou seja, como irá proceder
para obter as informações necessárias à resolução do problema investigado. O
delineamento da pesquisa exige do pesquisador uma definição prévia do ambiente e
das circunstâncias em que serão coletados os dados, e as formas de controle das
variáveis envolvidas no problema.

35



PRODUÇÃO E TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PESQUISA CIENTÍFICA
3 PESQUISA CIENTÍFICA
3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS
3.1.1 Classificação quanto à natureza
3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema
3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais
3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos
3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica
3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO



36
3 PESQUISA CIENTÍFICA

Pesquisa, num sentido amplo, é um conjunto de atividades voltadas para a
busca de um determinado conhecimento. Neste sentido, qualquer trabalho escolar
que o aluno busque adquirir e/ou ampliar os conhecimentos passa a ser considerado
um trabalho de pesquisa.
Segundo Gil (1999), pode-se definir pesquisa como um processo formal e
sistemático de desenvolvimento do método científico. A pesquisa tem um caráter
pragmático; é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método
científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos”.
De acordo com Barros e Lehfeld (2000), a pesquisa científica é o produto de
uma investigação, cujo objetivo é resolver problemas e solucionar dúvidas mediante
a utilização de procedimentos científicos. Consiste em investigar a realidade,
utilizando processos (métodos) e técnicas específicas. Aplicar atentamente os
sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Observar e
examinar atentamente, sondar, inquirir, ouvir com atenção, ler e analisar
documentos.
Para a EsAO, a pesquisa científica é um conjunto de ações metodicamente
organizadas, baseadas em procedimentos racionais e sistemáticos; realizada com o
objetivo de solucionar um problema de cunho doutrinário, administrativo ou de
instrução; e relatada através de um discurso autêntico, coerente e lógico, ausente de
contradições.

3.1 CLASSIFICAÇÕES DAS PESQUISAS CIENTÍFICAS

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de
classificação serão apresentadas a seguir, levando em consideração: a natureza, a
forma de abordagem do problema, os objetivos gerais e os procedimentos
técnicos.



37
3.1.1 Classificação quanto à natureza

Pesquisa Básica (ou Pura): objetiva a produção de novos conhecimentos,
úteis para o avanço da ciência, sem uma aplicação prática prevista inicialmente.
Envolve verdades e interesses universais.
Pesquisa Aplicada: objetiva a produção de conhecimentos que tenham
aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais específicos. Envolve
verdades e interesses locais.

3.1.2 Classificação quanto à forma de abordagem do problema

Pesquisa Quantitativa: admite que de tudo pode ser quantificável, isto é, que
é possível traduzir em números as opiniões e as informações para, posteriormente,
classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas
(percentagem, média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação,
análise de regressão, etc.).
Pesquisa Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo
real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação
dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa
qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural
é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É
descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente.

3.1.3 Classificação quanto aos objetivos gerais

Pesquisa Exploratória: visa proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. É usada para
conhecer variáveis que são desconhecidas completamente, e cuja informação será
básica para poder desenhar uma investigação mais específica e profunda que
alcance o verdadeiro conhecimento da variável. A pesquisa exploratória tem como
principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em
vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para

38
estudos posteriores. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema
escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas
e operacionalizáveis. Muitas vezes as pesquisas exploratórias constituem a primeira
etapa de uma investigação mais ampla (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Descritiva: visa descrever as características de determinada
população/fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. É utilizada
para aumentar os conhecimentos sobre as características e magnitude de um
problema, obtendo desta maneira uma visão mais completa. Para este tipo de
pesquisa é necessário que o pesquisador detenha algum conhecimento da variável
ou das variáveis que influenciam o problema. Algumas pesquisas descritivas vão
além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo
determinar a natureza dessa relação (Selltiz et al., 1967).
Pesquisa Explicativa: visa identificar os fatores que determinam ou
contribuem para a ocorrência dos fenômenos, aprofundando o conhecimento da
realidade por explicar a razão, o “porquê” das coisas. Uma pesquisa explicativa pode
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação dos fatores que
determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e/ou
detalhado. Nem sempre é possível a realização de pesquisas rigidamente
explicativas em ciências sociais.

3.1.4 Classificação quanto aos procedimentos técnicos

Pesquisa Bibliográfica: quando elaborada a partir de material já publicado,
constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e, atualmente, de material
disponibilizado na Internet. Dependendo da pesquisa, percebe-se que muitas são
desenvolvidas quase que exclusivamente a partir de fontes bibliográficas, tais como:
livros de leitura corrente, livros de referência, dicionários, enciclopédias, impressos
diversos, publicações periódicas, revistas e jornais etc.
A pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente;
principalmente quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo
espaço. A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos históricos, pois não há

39
outra maneira de conhecer os fatos passados se não com base em dados
bibliográficos.
Pesquisa Documental: quando elaborada a partir de materiais que não
receberam tratamento analítico. As fontes, consideradas documentais, podem ser
documentos conservados em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas,
tais como: associações científicas, igrejas, sindicatos etc. Incluem-se outros
inúmeros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações,
memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. Há documentos também, que de
alguma forma já foram analisados, tais como relatórios de pesquisa, relatórios de
empresas, tabelas estatísticas, etc, que podem ser incluídos no rol da pesquisa, em
face da sua importância documental.
Pesquisa Experimental: consiste em determinar um objeto de estudo,
selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável pode produzir no objeto. De
modo geral, o experimento representa um excelente exemplo de pesquisa científica
em determinados campos do conhecimento. Contudo, em boa parte dos casos, a
pesquisa experimental torna-se inviável, quando se trata de objetos sociais, por
exigir previsão de relações e controle das variáveis a serem estudadas.
Quando os objetos em estudo são entidades físicas, tais como porções de
líquidos, bactérias ou ratos, não se identificam grandes limitações quanto à
possibilidade de experimentação. Quando, porém, se trata de experimentar com
objetos sociais, ou seja, com pessoas, grupos ou instituições, as limitações tornam-
se bastante evidentes. Considerações éticas e humanas impedem que a
experimentação se faça eficientemente nas ciências sociais, razão pela qual os
procedimentos experimentais se mostram adequados apenas a um reduzido número
de situações.
Levantamento: caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas que
possam estar envolvidas com o objeto cujo comportamento se deseja conhecer.
Basicamente procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de
pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise
quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da
população estudada. Antes da pesquisa de campo, seleciona-se mediante
procedimentos, uma amostra significativa de todo o universo tomado como objeto de

40
investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a
totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida por
meio de cálculos matemáticos (verifique o Anexo II do Manual de Estatística, v.1).
Os levantamentos gozam de grande popularidade entre os pesquisadores
sociais, pois proporcionam: conhecimento direto da realidade, economia e rapidez
na obtenção de grande quantidade de dados num curto espaço de tempo, permite
que os dados sejam agrupados em tabelas, possibilitando a sua visualização e
análise por quantificação.
Estudo de Caso: caracterizado-se pelo estudo profundo e exaustivo de um
ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado
conhecimento. É recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas
complexos, auxiliando a construção de hipóteses ou reformulação do problema.
Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é
suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado como um tipo ideal,
possibilitando avançar na pesquisa.
Pesquisa Ex-post-facto: quando o “experimento” se realiza depois dos fatos
ocorridos. A pesquisa ex-post-facto, é a pesquisa que se realiza depois que fatos ou
situações se desenvolveram espontaneamente. Não se trata rigorosamente de um
experimento, posto que o pesquisador não tem controle das variáveis. Todavia, os
procedimentos lógicos de delineamento desta pesquisa são semelhantes aos dos
experimentos propriamente ditos. Neste tipo de pesquisa são tomadas como
experimentais as situações que se desenvolveram naturalmente e trabalha-se sobre
elas como se estivessem submetidas a controle.
Pesquisa-Ação: exige o envolvimento ativo do pesquisador e ação por parte
das pessoas ou grupos envolvidos no problema. Segundo Thiollent (1985), esta
pesquisa é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
resolução de um problema coletivo no qual os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo.
Pesquisa Participante: quando se desenvolve a partir da interação entre
pesquisadores e membros das situações investigadas. A pesquisa participante,
segundo Thiollent (1985), assim como a pesquisa-ação caracteriza-se pela interação
entre pesquisadores e membros das situações investigativas. Há autores que
empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação
geralmente supõe uma forma de ação planejada, de caráter social, educacional,

41
técnico ou outro. A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre
ciência popular e ciência dominante.

3.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pesquisa é a construção de conhecimento original de acordo com certas
exigências científicas. Para que seu estudo seja considerado científico você deve
obedecer aos critérios de coerência, consistência, originalidade e objetividade. É
desejável que uma pesquisa científica preencha os seguintes requisitos:
a) a existência de uma pergunta que se deseja responder;
b) a elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta; e
c) a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida.

3.2.1 Pesquisa científica versus metodologia científica

Pesquisa científica é a realização concreta de uma investigação planejada e
desenvolvida de acordo com as normas consagradas pela metodologia científica.
Metodologia científica é um conjunto de etapas ordenadamente dispostas
que devem ser executadas na investigação de um fenômeno, que inclui a escolha
do tema; a exploração do problema; a construção de um modelo de análise e
solução do problema; a coleta e a tabulação de dados; a apresentação dos
resultados; a análise e discussão dos resultados; a elaboração das conclusões
e recomendações; e a divulgação de resultados.

3.2.2 Níveis de Pós-graduação na EsAO

Após compreender os conceitos de metodologia, ciência, métodos de
pesquisa e tipos de pesquisa científica, é importante que o discente entenda alguns
princípios que regem os programas de pós-graduação. Ao término desta Unidade
Didática, espera-se que o postulante esteja em condições de optar pelo programa de
pós-graduação que melhor lhe convier. Para tanto, serão apresentados alguns
conceitos importantes acerca das modalidades stricto sensu e lato sensu.


42
3.2.2.1 Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu

O nível stricto sensu refere-se a um conhecimento particular e aprofundado
acerca de determinado tema, exigindo uma visão detalhada e específica do mesmo.
Ao término do programa o postulante deverá apresentar uma Dissertação de
Mestrado como relatório final de sua pesquisa científica, fazendo jus, caso
aprovado, ao grau de Mestre em Operações Militares.
Como veículo da execução do programa de mestrado, a apresentação de
dissertação busca contribuir na qualificação de pessoal para o exercício de
atividades ligadas ao Sistema de Ensino Militar Bélico e para a execução das
atividades de pesquisa no campo das Operações Militares.
Ao pretendente do titulo de mestrado será exigida a apresentação de um nível
maior de conhecimento a respeito do tema, de tal forma que seja possível o
levantamento de hipóteses para a solução do problema científico proposto.

3.2.2.2 Programa de Pós-Graduação Lato Sensu

O nível lato sensu refere-se a um conhecimento geral acerca de determinado
tema, exigindo um aprofundamento relativo e uma abordagem mais genérica em
relação ao mesmo. Ao término do programa o postulante deverá apresentar um
Trabalho de Conclusão de Curso como relatório final de sua pesquisa científica,
fazendo jus, caso aprovado, ao grau de Aperfeiçoamento em Operações
Militares.
Ao pretendente do titulo de aperfeiçoamento será exigida a apresentação de
um conhecimento compatível com o tema em estudo, de tal forma que seja possível
descrevê-lo sem a necessidade de uma investigação mais detalhada das relações
de causas ou conseqüências do problema analisado. O trabalho deverá constituir-se
em aprofundamento dos estudos realizados ao longo da carreira e aprimorados
durante o CAO, evidenciando pesquisa científica. Observe que o TCC pode ser
concluído sem necessariamente apresentar algo novo sobre o tema pesquisado.
O Quadro 3 apresenta, de uma maneira geral, as principais diferenças entre
os níveis de Pós-Graduação, por meio de uma abordagem lato e stricto sensu de um
mesmo tema.


43

Nível Lato Sensu Stricto Sensu
Tema
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Treinamento cardiopulmonar e
performance de militares
Delimitação do
tema
Sessões cardiopulmonares de treinamento
físico militar na preparação do Sd EV
para o TAF.
Uma comparação entre os efeitos
fisiológicos produzidos pela corrida
intervalada e pela corrida contínua,
voltados para a performance de Sd EV no
TAF.
Antecedentes do
problema
O pesquisador sente a necessidade de
pesquisar acerca de como os diversos
tipos de treinamento cardiopulmonar
poderiam otimizar a performance
cardiopulmonar do Sd EV.
Estudos comparativos têm indicado que a
corrida intervalada provoca mudanças
fisiológicas que a corrida contínua não é
capaz de realizar.
Problema
Como melhorar a performance
cardiopulmonar de Sd EV, visando uma
preparação para o TAF?
Que método de treinamento produz
maiores benefícios fisiológicos voltados
para o TAF?
Aprofundamento
exigido
Abordagem genérica de todas as sessões
de treinamento cardiopulmonar, capazes
de melhorar a performance do militar,
concluindo acerca de suas vantagens e
desvantagens.
Abordagem profunda e detalhada da
fisiologia do exercício, para comparar os
efeitos dos treinamentos, concluindo
acerca de qual produz maiores benefícios
fisiológicos voltados para o TAF.
Quadro 3 – Diferenças entre os níveis de aprofundamento da pesquisa científica.

A Tabela 1 apresenta algumas características que, genericamente, permitem
distinguir as principais diferenças e semelhanças entre uma Dissertação de
Mestrado (DM) e um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Tabela 1- Principais diferenças entre a DM e o TCC
Características DM TCC
Quanto ao programa de pós-graduação stricto sensu lato sensu
Formulação do problema sim sim
Referencial Teórico (nível de abrangência) maior menor
Formulação de questões de estudo não sim
Formulação de hipóteses sim não
Variáveis duas ou mais pelo menos uma
Testes de variáveis sim não
Aprofundamento do conhecimento. maior menor
Pesquisa de campo sim não
Análise estatística sim não
Defesa perante Banca Examinadora sim não
Fonte: Os autores.

A partir deste momento o postulante deve decidir acerca do nível de
aprofundamento que pretende empreender em seu trabalho. Caso opte pelo
programa stricto sensu (Mestrado), siga para a Unidade Didática IV. Se optar
pelo programa lato sensu (Aperfeiçoamento), siga para a Unidade Didática V.

44


45



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
STRICTO SENSU

4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU
4 1 INTRODUÇÃO
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 REVISÃO DE LITERATURA
3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
5.1 PLANILHA DE CUSTOS
5.2 CRONOGRAMA
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO




46
4 PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

4.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação stricto sensu exige a apresentação de
dissertações conforme as orientações do Conselho Federal de Educação e a
normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR
14724:2002.
É importante compreender neste momento que a dissertação é o relatório
final de uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente
planejada e aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade
traduzir um perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre
ambos e a linha de pesquisa a qual estão vinculados, visando atender os interesses
do postulante e da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para
que o postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente
alinhados, o programa exige o cumprimento das fases progressivas a seguir
relacionadas:
Escolha do Tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Qualificação dos Capítulos Iniciais da Dissertação de Mestrado;
Depósito da Dissertação de Mestrado; e
Defesa da Dissertação de Mestrado perante Banca Examinadora.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice A), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que a Dissertação de Mestrado é o relatório do que foi planejado e
executado, apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca
do que foi pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada
fase.



47
4.2 AS ETAPAS DA PESQUISA.
O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 7 etapas distintas, que são
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (a Dissertação de Mestrado).
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
AS 7 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DA
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
1ª Etapa Seção 1
Introdução
- Visão Geral
Seção 2
- Tema
- Problema
- Justificativa
A pergunta de partida
Referencial
Conceitual
- Contribuição
2ª Etapa Seção 3
A exploração do problema

Revisão de
Literatura


Entrevistas
exploratórias


Referencial
Teórico
Apresentação dos
pressupostos teóricos
que irão sustentar a
tese formulada.
3ª Etapa Seção 4
- Objetivos
- Hipóteses
- Variáveis
Referencial
Metodológico
- Procedimentos
metodológicos
- Cronograma
A construção de um modelo de
análise e solução do problema

Referencial
Operativo*
- Planilha de custos
4ª Etapa Seção 5
A coleta dos dados
5ª Etapa
Análise dos dados
Apresentação e Análise
dos Resultados
6ª Etapa Seção 6
Conclusões

Conclusões e Recomendações
7ª Etapa
Redação do relatório final de pesquisa
(Montagem da Dissertação de Mestrado)

DEFESA PERANTE BANCA EXAMINADORA
(fase presencial do CAO)

*O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa (ver os Apêndices A e B)

Figura 1 – As sete etapas da construção de uma Dissertação de Mestrado.


48
A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. A pergunta de partida irá desencadear uma breve
revisão de literatura e uma série de raciocínios lógicos que culminarão com
apontamentos acerca de um problema que se queira solucionar, das justificativas
para se empreender um estudo científico para resolvê-lo, e das contribuições que
esta pesquisa poderá produzir. Depois de reunidos, o Tema, o Problema, as
Justificativas e as Contribuições constituirão o chamado Referencial Conceitual.
Durante esta 1ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a) a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b) a pergunta de partida deve ser reformulada.
Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do problema (2ª
Etapa), por meio de uma revisão de literatura (bem mais aprofundada) e de
entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema (hipóteses de estudo), bem como ,
uma maneira de se testar, metodologicamente, esta solução (Referencial
Metodológico). Após serem convenientemente organizados, os resultados da
exploração do problema constituirão o chamado Referencial Teórico
Concluída a elaboração do Referencial Teórico o pesquisador passará a
construção de um modelo de análise e solução do problema (3ª Etapa), onde
serão definidos o(s) objetivo(s) de estudo, a(s) hipótese(s), as variáveis, e os
procedimentos metodológicos adotados para testar (comprovar ou rejeitar) a solução
formulada. Estando definida a hipótese, o postulante passa: a estabelecer os
objetivos da pesquisa, que apresentam os passos a serem dados para aceitação ou
rejeição da hipótese; a definir as suas variáveis; a estabelecer os procedimentos
metodológicos a serem seguidos; e, somente durante a elaboração do projeto de
pesquisa, a criar um cronograma de trabalho e a apresentar uma planilha de custos.
Após convenientemente organizados, o(s) objetivo(s) de estudo, a(s)
hipótese(s), as variáveis, e os procedimentos metodológicos constituirão o chamado
Referencial Metodológico. O cronograma de trabalho e a planilha de custos
constituirão o Referencial Operativo a ser apresentado no projeto de pesquisa.
Definida a forma como será(ão) testada(s) a(s) hipótese(s), deve-se realizar a
Coleta de Dados (4ª Etapa), que consiste na execução do que foi planejado no
Referencial Metodológico. Segue-se a esta, a Análise dos Dados (5ª Etapa), que

49
culminará com a redação da seção Apresentação e Análise dos Resultados, onde
os resultados da coleta de dados serão apresentados e discutidos de forma a
fornecerem subsídios que permitam ao pesquisador chegar a uma conclusão acerca
da aceitação ou rejeição da hipótese de estudo. Durante esta etapa, pode-se
verificar a necessidade da realização de uma nova coleta de dados, ou até mesmo
de se reformular o Referencial Metodológico para tratar algum aspecto que não
tenha ficado claro durante a análise.
Finda a análise e apresentação dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (6ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa, verificando
se a(s) hipótese(s) de estudo soluciona(m), ou não, o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração da dissertação é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (7ª Etapa), quando todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega da Dissertação de Mestrado, para que, no momento determinado, seja
executada a defesa perante a Banca Examinadora.

4.3 A ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final da DM, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa e na DM. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve ser breve, visando preparar o leitor para a questão
funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma visão
clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema de
pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma visão
panorâmica acerca do assunto pesquisado.

50
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. Pode-se redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progride.

2 REFERENCIAL CONCEITUAL (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária tem por finalidade colocar o leitor à parte da
problemática que envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado;
o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema propriamente
dito e os seus alcances e limites); a justificativa da importância de execução da
pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá dar para a área específica do
conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deverá abordar o tema e a delimitação do tema.
De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Encontrar um objeto que mereça ser investigado
cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da
pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado tanto aos fatores
externos, quanto aos fatores internos (pessoais).
É importante que o tema escolhido demonstre o interesse do pesquisador e
esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo Dencker (1998), para
desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é necessário que o
pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes de consulta
bibliográfica.
Nesta fase do trabalho você deverá responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger

51
uma determinada parcela de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa em um curso de pós-graduação está
relacionada à linha de pesquisa à qual se está vinculado ou à linha de seu
orientador. Para a escolha do tema, deve-se levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Para um maior aprofundamento nas
questões relativas à escolha do tema consulte o impresso “Lista de Assuntos para
Trabalhos Acadêmicos”. Após a definição do tema, deve-se levantar e a analisar
as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária você deve refletir sobre o problema que pretende
resolver através da pesquisa científica que irá empreender, apresentando os
antecedentes do problema, a formulação do problema e os alcance e limites.
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução.
Mas... você sabe o que é um problema científico?
Toda pesquisa se inicia com uma pergunta de partida (o problema). Segundo
o dicionário Aurélio, um problema é uma questão não resolvida e que é objeto de
discussão, em qualquer domínio do conhecimento.
Abordaremos brevemente algumas questões que, intuitivamente, nos fazem
pensar que estamos diante de com um problema de natureza científica, mas que, na

52
verdade, se tratam de problemas de engenharia ou problemas de valor, isto é
não são problemas científicos.

Problemas de engenharia
Alguns problemas, ditos “de engenharia”, indagam acerca de como fazer as
coisas, eles não são problemas científicos pois não questionam como as coisas
são, suas causas e conseqüências. A ciência pode fornecer sugestões e inferências
acerca de possíveis repostas aos problemas de engenharia, mas não responder
diretamente a eles.
Exemplos:
1. O que pode ser feito para melhorar a qualidade da instrução?
2. Como melhorar a produtividade da Seção?
3. Como se confecciona um determinado documento?

Problemas de valor
Os problemas "de valor" também não são passíveis de verificação. Tais
questionamentos indagam se uma coisa é boa ou má, desejável ou indesejável,
certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra. São problemas cuja resposta
depende de opinião, e estas sofrem o efeito de diversas variáveis intervenientes que
são difíceis ou impossíveis de serem controladas (maturação, nível escolar, moral,
ética, etc...), não se constituindo, portanto, em problemas científicos.
Exemplos:
1. Os recrutas devem ser punidos na primeira semana de instrução?
2. Qual é o melhor pelotão na Ordem Unida da Brigada?
3. É desejável conceituar o subordinado com menos de 8?

Problema científico
Pode-se dizer que um problema é de natureza científica, quando envolve
variáveis que podem ser tidas como testáveis (suscetíveis à observação ou à
manipulação).
Exemplos
1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?
2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

53
3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

2.2.1 Antecedentes do Problema (Proposta, Projeto e DM)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema do problema, portanto, pressupõe a apresentação do que já está
disponível a respeito dele. Como a investigação tem o propósito de estabelecer de
alguma maneira as características desconhecidas das variáveis do problema ou a
provável relação que pode haver entre duas ou mais variáveis, torna-se necessário
identificar como surgiu o problema, mencionando autores que já pesquisaram a
respeito do assunto ou investigações relacionadas ao problema. As experiências
anteriores referentes ao enfoque central do tema devem ser utilizadas neste
referencial como ponto de partida para o início da pesquisa.

2.2.2 Formulação do Problema (Proposta, Projeto e DM)

O problema deve ser formulado como uma pergunta. Esta é a maneira mais
fácil e direta de formulá-lo, além de facilitar a sua identificação e a confecção do
relatório final. Muitas vezes o pesquisador inicia o processo pela escolha de um
tema, que por si só não constitui um problema específico.

2.2.2.1 Regras básicas para a formulação de um problema científico

A experiência acumulada pelos pesquisadores possibilitou o desenvolvimento
de certas regras práticas para a formulação de um problema científico, tais como:
a) ser formulado em forma de uma pergunta inicial;
b) ser claro e preciso;
c) ser empírico (testável) e não fruto de valores; percepções pessoais e/ou
senso comum (“achismos”);
d) ser suscetível de solução, ou seja, suas variáveis devem permitir
observação ou manipulação;
e) ser delimitado a uma dimensão viável (recursos disponíveis);

54
f.)ser formulado de uma forma que não permita dar um simples sim ou não
como resposta; e
g) evitar a adoção de uma posição moral ou ética.
A seguir passaremos a explorar os exemplos de problemas científicos
mencionados na seção secundária 2.2.

Problema 1. A utilização de técnicas de dinâmicas de grupo influencia o
rendimento escolar?

O problema 1, tem início na observação de que existe pouca interação entre
os alunos na execução de trabalhos em grupo, e isto pode diminuir o rendimento
escolar.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são as técnicas de dinâmica de grupo mais indicadas (pela
literatura e por especialistas em ensino);
b) aplicar as técnicas levantadas em trabalhos escolares; e
c) verificar se, após a aplicação das técnicas, houve alteração no rendimento
escolar.
Caso a alteração seja positiva poder-se-á induzir que a utilização de
técnicas de dinâmica de grupo aumenta o desempenho escolar (para a
população estudada). Note que a afirmação em negrito consiste em uma hipótese
de estudo.

Problema 2. A privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?

O problema 2 tem início na observação empírica de que a privação de sono
dificulta o desempenho de determinadas tarefas que requerem atenção prolongada
ou realização de tarefas complexas.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar quais são os trabalhos publicados sobre o tema em questão para
buscar indícios de mecanismos de cognição afetados pela privação de sono (pela
literatura e por especialistas em neurofisiologia);

55
b) aplicar testes cognitivos com diferentes tratamentos relacionados ao sono
(um grupo em privação total de sono, um grupo que poderá dormir apenas 4 horas
por noite, e um grupo que poderá dormir 8 horas por noite); e
c) verificar se existem diferenças significativas entre as respostas aos testes
cognitivos, apresentadas pelos diferentes grupos testados, após a aplicação dos
tratamentos.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á induzir que a privação de sono afeta negativamente o desempenho
cognitivo de militares (para a população estudada). Note que a afirmação em
negrito consiste em uma hipótese de estudo.

Problema 3. As recompensas previstas no RDE interferem na produtividade do
militar?

O problema 3 tem início na observação de que militares freqüentemente
elogiados tem um desempenho produtivo otimizado, e que militares que são
freqüentemente punidos tendem a relaxar em suas obrigações.
Logo, é perfeitamente possível:
a) levantar uma grande quantidade de militares (pela análise documental de
suas alterações) e dividi-los em dois grupos distintos: os elogiados freqüentemente e
os punidos freqüentemente;
b) aplicar questionários e entrevistas aos militares analisados e consultar
seus chefes imediatos a respeito do seu desempenho produtivo, e aplicar um teste
correlacional para verificar a relação entre as variáveis recompensa/punição versus
desempenho produtivo; e
c) verificar se existe correlação positiva ou negativa entre as variáveis.
Caso existam diferenças significativas entre as respostas dos grupos poder-
se-á deduzir que as recompensas previstas no RDE influenciam positivamente a
produtividade dos militares (para a população estudada). Note que a afirmação
em negrito consiste em uma hipótese de estudo.
Pode-se notar que todo o delineamento da pesquisa estará voltado para a
resolução do problema, ou do levantamento de indícios que permitam que outros
pesquisadores resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema
pesquisado.

56
As hipóteses de estudo são baseadas em indicadores levantados através da
revisão de literatura e/ou nas entrevistas com especialistas sobre o tema, e devem
pré-dizer uma solução para o problema de estudo, respondendo à pergunta inicial
que originou o problema de pesquisa.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e DM)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir a sua realização.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde vai a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto, o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
Ainda que a definição do problema seja clara, precisa e concisa, faz-se
necessário especificar o alcance da investigação, relatando os aspectos do
problema a serem incluídos, e aqueles que devem ficar de fora.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa e o campo de ação que
não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da pesquisa,
procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a sua
importância relativa. A justificativa deverá convencer o leitor acerca da necessidade
e da relevância da pesquisa proposta.

57
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente do projeto de dissertação . É onde se
apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que justifica,
academicamente, a realização de uma pesquisa. É a existência de um problema real
que determinará a necessidade do equacionamento de uma solução. O investigador
deve estabelecer, convincentemente, que a problemática exposta merece uma
solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.4 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, nos seus resultados.
É importante destacar o valor que terá o estudo do problema formulado e
como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?

3 REFERENCIAL TEÓRICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar os chamados “pressupostos teóricos”
que embasarão a questão a ser estudada, a formulação do modelo de análise e

58
solução do problema, e conseqüentemente, a construção da(s) hipótese(s) de
estudo, valendo-se das idéias de autores reconhecidos através de citações (diretas
ou indiretas). O pesquisador deve citar aquelas idéias imprescindíveis à
compreensão do caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo,
evitando perder-se em divagações que não contribuirão para a sustentação do
pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias devem ser realizadas para que seja possível o
aprofundamento nas questões que envolvem o problema, transformando a pergunta
de partida na questão central da investigação. Este procedimento tem fundamental
importância no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que sustentarão a
formulação de hipóteses.

3.1 REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura tem por objetivos: identificar o “estado da arte” (última
palavra no assunto); proceder a uma revisão teórica; desenvolver uma revisão
empírica ou ainda realizar uma revisão histórica. A revisão de literatura é
fundamental porque fornecerá elementos para que se evite a duplicação de
pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema (repetidas). Uma boa revisão de
literatura permitira ainda a definição de contornos mais precisos do problema a ser
estudado.
Neste momento o pesquisador deve procurar responder, dentre outras, às
seguintes questões:
O que já foi publicado sobre o assunto?
Quem já escreveu a respeito?
Que aspectos já foram abordados?
Quais as lacunas existentes na literatura?
Existem teorias que sustentem a formulação de hipótese?

3.2 ENTREVISTAS EXPLORATÓRIAS

As entrevistas exploratórias buscam ampliar os conhecimentos do
pesquisador sobre o tema. O pesquisador, ao invés de procurar validar as suas

59
próprias idéias, deve ter uma atitude filosófica, ou seja, procurar adquirir novas
informações, e verificar outros pontos de vista em relação ao problema, a fim de
complementar lacunas em seu próprio conhecimento acerca do assunto, o que irá
corroborar para a construção de um raciocínio lógico e coerente acerca do problema
de pesquisa e de como solucioná-lo. Nesta fase, é desejável apresentar-se o
resultado das entrevistas exploratórias realizadas com os especialistas,
testemunhas ou interessados no tema pesquisado, enfim, com pessoas que
possam elucidar pontos que não se apresentaram perfeitamente claros por meio da
revisão de literatura. Tais entrevistas não são simples reuniões de opiniões sobre o
assunto; caracterizam-se por contribuições que realmente somam ao conhecimento
adquirido.
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
ampliarão os conhecimentos sobre o tema, permitindo avaliar se a pergunta de
partida foi bem definida. Através desta avaliação, a pergunta de partida poderá ser
mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada, exigindo um
reinício da pesquisa.
O referencial teórico deve ser dividido em quantas seções se fizerem
necessárias para apresentar o embasamento do tema e do problema, cada uma
com seu título. Os títulos devem ser impressos de forma a destacar a hierarquia
utilizada nas subdivisões.

4 REFERENCIAL METODOLÓGICO (Proposta, Projeto e DM)

Esta seção primária deve apresentar detalhadamente como se pretende
realizar a pesquisa e solucionar o problema. A metodologia deve ser exposta de
modo suficientemente claro e detalhado, para que o leitor seja capaz de reproduzir,
se necessário for, o aspecto essencial do estudo.
Nessa etapa, devem ser especificados os procedimentos necessários para se
chegar aos participantes da pesquisa, obter as informações de interesse e analisá-
las. Mais que uma descrição formal dos métodos e técnicas a serem utilizados,
indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico.
A metodologia contempla não só a fase de exploração de campo, como a
escolha do espaço da pesquisa, a seleção do grupo de pesquisa, o estabelecimento

60
dos critérios de amostragem e a construção de estratégias para entrada em campo,
como também a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados.
Uma boa definição da metodologia da pesquisa irá economizar tempo na
realização do trabalho e evitar problemas sérios, que poderiam ser parcialmente
previstos antes da coleta e da análise dos dados. É comum, por exemplo, a previsão
de realização de entrevistas e não se ter idéia de como serão analisadas.
Esta etapa é definitiva para caracterizar uma pesquisa científica, pois o
pesquisador deve apresentar claramente o(s) objetivo(s) do estudo, a hipótese,
a(s) variável (eis) definindo a dimensão e os indicadores que serão avaliados, e os
procedimentos metodológicos necessários ao encaminhamento da investigação
tais como: o método, tipo e técnica de pesquisa adotado; a população (ou universo)
e a amostra (sfc); os instrumentos de coletas de dados; e o modelo de análise dos
dados.

4.1 OBJETIVOS (Proposta, Projeto e DM)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação, devendo ser apresentados: o objetivo geral, que
descreve a finalidade principal da investigação, e os objetivos específicos, que
descrevem o caminho lógico a ser percorrido para solucionar o problema.

4.1.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e DM)

Nesta subseção você deve apresentar sua intenção ao propor a pesquisa, isto
é, deverá sintetizar o que pretende alcançar com a pesquisa a ser desenvolvida. Os
objetivos devem estar coerentes com a justificativa e o problema propostos. O
objetivo geral será a síntese do que se pretende alcançar, e os objetivos específicos
explicitarão os detalhes, constituindo os desdobramentos do objetivo geral.
Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo que
indique uma ação passível de mensuração. Tomando por base o problema 2. (A
privação de sono altera o desempenho cognitivo de militares?) anteriormente

61
apresentado, listaremos a seguir alguns exemplos dos verbos mais utilizados na
formulação dos objetivos:
a) para determinar o estágio cognitivo de conhecimento: apontar, arrolar,
definir, enunciar, inscrever, registrar, relatar, repetir, sublinhar e nomear.
Ex.: Definir a partir de que momento a privação de sono exerce seus efeitos
mais severos sobre o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas.
b) para determinar o estágio cognitivo de compreensão: descrever,
discutir, esclarecer, examinar, explicar, expressar, identificar, localizar, traduzir e
transcrever.
Ex.: Identificar as principais atividades/ações operacionais afetadas pela
privação de sono.
c) para determinar o estágio cognitivo de aplicação: aplicar, demonstrar,
empregar, ilustrar, interpretar, inventariar, manipular, praticar, traçar e usar;
Ex.: Demonstrar que uma determinada técnica de meditação é capaz de
minimizar os efeitos da privação de sono sobre o desempenho cognitivo de militares
em operações continuadas.
d) para determinar o estágio cognitivo de análise: analisar, classificar,
comparar, constatar, criticar, debater, diferenciar, distinguir, examinar, provar,
investigar, verificar e experimentar.
Ex.: Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas.
e) para determinar o estágio cognitivo de síntese: articular, compor,
constituir, coordenar, reunir, organizar e esquematizar.
Ex.: Esquematizar um modelo de gerenciamento de sono que permita a
manutenção dos níveis de desempenho cognitivo de militares em operações
continuadas.
f) para determinar o estágio cognitivo de avaliação: apreciar, avaliar,
eliminar, escolher, estimar, julgar, preferir, selecionar, validar e valorizar.
Ex.: Avaliar o desempenho cognitivo de militares em privação de sono.

62
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo, e isto é feito através de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa.

4.1.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos são descritos através de metas a serem atingidas,
das quais depende a consumação do objetivo final. Indicam o que se tem de
alcançar para chegar ao objetivo geral. Devem ser redigidos com o verbo no
infinitivo. Os objetivos específicos tentam descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e mensuradas.
A especificação dos objetivos é feita pela identificação de todos os dados a
serem recolhidos e das hipóteses a serem testadas.
Tomando por base o objetivo geral “Identificar as principais atividades/
ações operacionais afetadas pela privação de sono”, listaremos a seguir alguns
exemplos de objetivos específicos que poderiam nortear a resolução do problema:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica e entrevistas com especialistas em
privação de sono, para levantar e elucidar os principais conceitos relativos à
privação de sono e ao desempenho cognitivo em operações continuadas.
b) encaminhar à Seção de Instrução Especial da AMAN, um questionário a
ser preenchido pelos estagiários da SIEsp de Selva, onde os mesmos deverão
apontar as principais atividades geradoras de dificuldade para a manutenção da
atenção seletiva, do estado de alerta e vigília, bem como da execução de tarefas de
cunho cognitivo.
c) após identificar aquelas atividades que apresentaram maior incidência,
confrontar as respostas obtidas pelos testados com o descrito na literatura e com o
parecer dos especialistas;
d) concluir a cerca das principais atividades/ ações operacionais afetadas
pela privação de sono.


63
4.2 HIPÓTESES (Proposta, Projeto e DM)

Após conscientizar-se do seu problema de pesquisa, e ter realizado a revisão
de literatura, o pesquisador provavelmente já terá condições de delinear possíveis
soluções para o problema de pesquisa. Segundo Laville, (1999, p.123), este é um
dos principais momentos do itinerário de pesquisa.
Quando uma pessoa confronta-se com um problema, trata de adivinhar,
sugerir ou especular uma resposta. Esta resposta sugerida chama-se hipótese.
Pode-se dizer que a hipótese é uma suposição pertinente, uma especulação ou uma
conjectura sobre as diferenças, as relações e as causas do problema. Assim sendo,
ela é a base para o raciocínio do problema, é o ponto de partida para se encontrar
um caminho que chegue ao conhecimento e a solução do problema. É uma
suposição derivada de teorias anteriormente demonstradas, que justificam sua
pertinência/validade.
A hipótese é o ponto de partida para se resolver o problema inicialmente
proposto, derivando diretamente de sua definição. É uma conjectura a respeito da
relação entre as variáveis do problema, ou seja, é uma possível resposta ao
problema, que se submete a uma averiguação para a sua comprovação ou
desconsideração (que pode ser total ou parcial). A desconsideração total significa
que a hipótese não procede, o que não deixa de ser uma resposta à pesquisa.
Portanto, este fato não invalida a investigação realizada e não significa que ela
careça de importância. Significa apenas que a hipótese não é verdadeira.
Segundo Viegas (1999), as hipóteses pressupõem, em primeiro lugar, a
existência de causas e, em seguida, que elas possam ser conhecidas e deduzidas
logicamente. Sob a ótica da Matemática, a hipótese é algo aceito ou suposto para
continuar a argumentação. Epistemologicamente, é algo a ser verificado.
Segundo Fachin (2001), não se conhecem normas específicas para a
elaboração das hipóteses, contudo, salienta que além do conhecimento bibliográfico
sobre o assunto, o pesquisador deverá formular hipóteses que possam servir como
orientação no decorrer da pesquisa científica, a fim de não conduzir o seu estudo à
mera divagação e à acumulação de dados superficiais.
Gil (1999), afirma que as hipóteses devem estar relacionadas com as técnicas
disponíveis e adequadas para a coleta dos dados exigidos para a sua comprovação.

64
Caso este procedimento não seja possível, recomenda reformular a hipótese para
ajustar-se às técnicas disponíveis.
Existem duas formas principais de hipóteses: a forma direcional (também
chamada de hipótese de estudo, de trabalho ou de investigação) que é a afirmação
da suposição indicada; e a forma nula (também chamada de hipótese nula ou
estatística) que indica a negação da suposição.
A hipótese de estudo reflete o resultado esperado da pesquisa, devendo ser
expressa de forma clara, concisa e gramaticalmente correta. Normalmente o
pesquisador espera que um tratamento seja melhor do que os outros, ou antecipe
um relacionamento entre as variáveis, oferecendo uma conjectura sobre as relações
entre duas ou mais variáveis. Deve ser enunciada de modo que se possa comprová-
la, isto é, afirmar se é verdadeira ou falsa. Diferentemente do problema, ela deve ser
redigida na forma afirmativa.
A hipótese nula é usada primordialmente em testes estatísticos para verificar
a confiabilidade dos resultados, e significa que não há diferenças entre tratamentos
e/ou nenhuma relação entre as variáveis, confirmando que qualquer diferença ou
relacionamento observado entre as variáveis, é devido ao acaso e não ao
tratamento realizado. Segundo Thomas & Nelson (2002, p. 62), a hipótese nula não
é usualmente a hipótese de pesquisa, sendo utilizada quando existem evidências de
que os tratamentos apresentem resultados muito semelhantes.
Tomando por base o problema 2. “A privação de sono altera o
desempenho cognitivo de militares em operações continuadas?” e o objetivo
geral “Verificar se 48 horas de privação de sono alteram o desempenho
cognitivo de militares em operações continuadas”, listaremos a seguir exemplos
de hipóteses que poderiam ser a solução para o problema de pesquisa.
H1: O desempenho cognitivo de militares, expostos a 48 horas de
privação de sono, diminui durante operações continuadas. Note que esta
hipótese de pesquisa é uma possível solução ao problema.
H2: Não existem diferenças significativas entre os desempenhos
cognitivos apresentados por elementos privados e não privados de sono
durante 48 h de operações continuadas. Note que esta hipótese de pesquisa
também é uma resposta ao problema.

65
No caso de pesquisas que utilizam o método estatístico, caso quiséssemos
comprovar H1, teríamos que demonstrar que H2 é falsa, logo dizemos que H2 é a
hipótese nula de H1
Dependendo do alcance e dos limites da pesquisa, poder-se-ia formular,
dentre outras, as seguintes hipóteses:
H3: 48 horas de privação de sono prejudicam o desempenho cognitivo
de militares em operações continuadas.
H4: 48 horas de privação de sono prejudicam a análise e tomada de
decisões de elementos de Estado Maior em operações continuadas.
H5: 48 horas de privação de sono prejudicam o estudo de situação do
Comandante de PELOPES em operações continuadas
H6: 48 horas de privação de sono prejudicam o entendimento da ordem
à patrulha em operações continuadas
É possível notar que podem haver inúmeras soluções para o mesmo
problema. Logicamente, o delineamento de pesquisa irá depender do contexto em
que o problema estiver inserido. Desta forma, é imprescindível identificar e definir os
conceitos que facilitem a compreensão da problemática; o que será feito por meio
das variáveis que compõe o problema de pesquisa.

4.3 VARIÁVEIS (Proposta, Projeto e DM)

A variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou
diferentes aspectos, segundo casos particulares ou circunstâncias, estando sujeita à
medição. Constitui-se no elemento central da investigação. Qualquer que seja o
problema ou a hipótese que se queira demonstrar faz-se necessária à identificação
das variáveis, isto é, a tradução dos conceitos e das noções que as relacionam e
que se pretende explicar. Para tanto, é necessário apresentar uma definição
conceitual das variáveis (explicando o que significa cada variável no contexto da
investigação) e uma definição operacional das variáveis (tornando-as
mensuráveis, através de suas dimensões, componentes e indicadores).



66
4.3.1 Definição conceitual das variáveis (Proposta, Projeto e DM)

Conceituar teoricamente a variável exige que se faça uma definição e
enumeração de suas dimensões para o tipo de investigação a ser executada. Definir
significa exprimir o que uma coisa é, explicar o significado de um termo a partir de
sua denominação ou conceituação dentro de um quadro teórico definido; explicar o
que se entende pela variável apresentada, abordando como este conceito poderá
ser mensurado e quais os parâmetros serão avaliados.
Ao analisarmos a hipótese de estudo “48 horas de privação de sono
prejudicam o desempenho cognitivo de militares em operações continuadas”
podemos verificar a existência de duas variáveis distintas:
a) variável I: “Privação de sono”; e
b) variável II: “Desempenho cognitivo”.
Note que o termo “militares” está relacionado à população que será
investigada, e que o termo “em operações continuadas” está relacionado com o
ambiente/contexto em que o estudo será abordado.
Ao definir-se conceitualmente as variáveis de estudo, deve-se atentar para a
objetividade e pontualidade das informações, de modo a ser preciso na definição
evitando divagações que poderiam gerar dúvidas acerca do que aquelas variáveis
significam no contexto do trabalho. O exemplo abaixo é uma das possíveis
definições das variáveis de estudo supracitadas:

Variável I: Privação de sono

No contexto desta pesquisa, esta variável pode ser entendida como uma
situação em que serão manipuladas as horas de sono permitidas aos testados,
assumindo-se que a privação de sono varie de acordo com o tempo, medido em
horas; podendo variar de uma condição de “ausência de privação” até a “privação
total de sono”, conforme as situações comumente encontradas em combate
continuado.



67
Variável II: Desempenho cognitivo.

Para a presente pesquisa, desempenho cognitivo deve ser entendido como o
resultado obtido pelos sujeitos, em testes cognitivos que exijam atenção sustentada,
memória, atenção seletiva e raciocínio lógico; dimensões do desempenho cognitivo
elencadas como características de atividades desenvolvidas durante os estudos de
situação, planejamentos e condutas durante operações militares continuadas.

Quanto à forma de medição, as variáveis classificam-se em quantitativas e
qualitativas.
As variáveis quantitativas são aquela cujos valores são representados por
números ou medidas.
Ex.: diâmetros, número de soldados, altura, peso, idade, etc...
As variáveis qualitativas são aquelas cujo domínio é representado por
categorias, modalidades ou atributos.
Ex.: cor, sexo, conceito militar (liderança, zelo, responsabilidade, ...), escalas
de medição (E, MB, B, R, I), etc...
Como dito anteriormente, um dos grandes objetivos da pesquisa é verificar as
relações entre as variáveis, isto é, como uma influencia a outra (relação de
causalidade) e como ambas interagem no resultado de um determinado fenômeno
(correlação).

4.3.1.1 Relacionamento entre variáveis

Através da pesquisa científica espera-se determinar a relação de
dependência (como as variáveis se relacionam) e/ou interveniência (como outras
variáveis interferem nestas relações) entre as variáveis. Quanto ao aspecto
relacionamento, as variáveis podem ser classificadas em: independente,
dependente e interveniente.
A variável independente é aquela que, manipulada, causa ou contribui para
a ocorrência de algum efeito na variável dependente.

68
A variável dependente é aquela que se modifica (total ou parcialmente) em
função da variável independente.
A variável interveniente é aquela que se interpõe entre as variáveis
dependentes e independentes, alterando de alguma forma a influência esperada
entre elas, devendo ser meticulosamente controlada, para que se possa estabelecer
a relação de causa/efeito hipotetizada.
Ex.: Espera-se que a privação de sono (variável independente) provoque
modificações no desempenho cognitivo (variável dependente). Parece lógico que
o desempenho cognitivo não provoque mudanças na privação de sono.
Neste exemplo, deveriam ser controladas as variáveis intervenientes que
poderiam contaminar o estudo, tais como: a alimentação fornecida (alimentos
pesados induzem ao sono), esforço físico exigido (um esforço mal controlado
poderia levar o sujeito à fadiga antes mesmo de completar as 48 horas de privação
de sono), formação (elementos de diferentes armas e/ou turmas possuem
formações e comportamentos desiguais que poderiam contaminar algumas
dimensões do desempenho cognitivo) etc...

4.3.1.2 Correlação entre variáveis

No caso das correlações, temos uma variação interdependente, ou seja as
variáveis modificam seus comportamentos uma em função da outra, e vice-versa.
Exemplo 1: analisando-se o treinamento intervalado aeróbico (vide o C 20-
20), espera-se que quanto maior for o volume do treinamento (número de vezes que
o militar percorrer um determinada distância), menor deva ser a intensidade (tempo
para a realização de cada repetição), neste caso dizemos que existe uma correlação
negativa entre as variáveis, pois quando o volume aumenta, a intensidade diminui, e
vice-versa.
Exemplo 2: ainda analisando-se o treinamento intervalado aeróbico, verifica-
se que quanto maior for a intensidade, maior deverá ser o intervalo para a
recuperação, neste caso dizemos que existe uma correlação positiva entre as
variáveis, pois quando uma aumenta, a outra também aumenta, e quanto uma
diminui a outra também diminui, e vice-versa.

69
Existem diversos testes estatísticos, para determinar a existência e a força da
correlação entre as variáveis, que são utilizados na comprovação de hipóteses de
estudo.

4.3.2 Definição operacional das variáveis (Projeto e DM)

Definir operacionalmente uma variável é torná-la passível de observação e de
mensuração. Isto é feito através das dimensões da variável e de seus indicadores.
As dimensões são características que permitem que a variável seja medida,
enquanto os indicadores são os aspectos a serem verificados em cada dimensão.
Os conceitos teóricos formulados devem ser traduzidos em unidades
passíveis de mensuração, ou seja, em elementos empiricamente observáveis que
constituem o conjunto de indicadores das dimensões de uma variável.
Nesta subseção deverá ser apresentada a forma de medição dos
indicadores elencados em suas respectivas dimensões.
Uma forma de apresentação esquemática de como operacionalizar uma
variável é apresentada nos quadros 4 e 5. Note que as variáveis “privação de
sono” e “desempenho cognitivo” estão operacionalizadas em dimensões que
permitem as suas respectivas mensurações.
O quadro 4 apresenta a definição operacional da variável I Privação de sono.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Privação total de sono
O pelotão A deverá
permanecer 48 horas sem
dormir
Privação parcial de sono
O pelotão B deverá dormir
entre 01:00hs e 05:00hs
Privação
de sono
Tempo de
privação
Sono normal
O pelotão C poderá dormir
entre 22:00hs e 05:00hs
Quadro 4 – Definição operacional da variável I - Privação de Sono.



70
Percebe-se que a variável I “Privação de sono” foi operacionalizada através
da dimensão tempo de privação, o que permitiu sua mensuração.
Nota-se também que a variabilidade desta variável, ocorre em função do
tempo que cada pelotão poderá dormir, o que reflete a privação de sono.
O quadro 5 apresenta a definição operacional da variável II Desempenho
cognitivo.
Variável Dimensão Indicadores Forma de medição
Atenção
Desempenho na oficina
de patrulha de
reconhecimento
(Observação em um PO)
Relatório a respeito
dos eventos que
foram apresentados
no terreno*
Pergunta 1 e 2 do
questionário**
Desempenho na oficina
de criptografia e
decriptografia
Número de acertos
na criptografia e
decriptografia de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 4
do questionário **
Desempenho na oficina
de autenticação de
mensagens
Número de acertos
na autenticação de
mensagens*
Perguntas 1, 3 e 5
do questionário**
Raciocínio
lógico
Desempenho na oficina
de locação de pontos
Número de acertos
na locação de
pontos por diversos
processos*
Pergunta 1, 3 , 6 e 7
do questionário**
Desempenho
cognitivo
Memória
Desempenho na oficina
de mensageiro
A cada início de
oficina será
distribuída uma
mensagem
alfanumérica que
deverá ser decorada
e apresentada ao
término da mesma*
Pergunta 1 e 8 do
questionário**
* Os respectivos protocolos (modo como serão coletados os dados) deverão ser
descritos detalhadamente quando da descrição dos instrumentos de pesquisa.
Serão comparadas as médias de acertos de cada pelotão.
** As perguntas do questionário pretendem medir o estado de alerta dos sujeitos.
Quadro 5 – Definição operacional da variável II Desempenho Cognitivo.


71
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (Proposta, Projeto e DM)

Nesta seção secundária deve-se definir onde, quando e como será realizada
a pesquisa por meio dos seguintes tópicos: população (universo da pesquisa);
amostra (e método de amostragem, sfc); método de pesquisa; tipo de pesquisa;
e técnicas de pesquisa utilizadas no delineamento da solução do problema;
instrumentos de coleta de dados; bem como o modelo de análise (forma como se
pretende tabular e analisar os dados).

4.4.1 População (Proposta, Projeto e DM)

Uma população ou universo, no sentido geral, é um conjunto de elementos
com pelo menos uma característica comum. Essa característica deve delimitar,
inequivocamente, quais elementos pertencem ou não à população.
Assim, por exemplo, podemos estar interessados em realizar uma pesquisa
sobre a idade dos militares do Comando Militar do Leste. Logo, a população física
que nos interessa examinar é aquela constituída pela totalidade dos militares
existentes no Comando Militar do Leste. Embora pareça extremamente simples, na
verdade, ainda não se tem exatamente caracterizada a população que nos
interessa. Será ela constituída apenas por aqueles que, atualmente, estão na ativa?
Ou se tem o interesse de incluir também os que já estão na reserva?
Além disso, é preciso definir a característica comum que distingue
perfeitamente cada um dos elementos da população de interesse para a pesquisa
(Observe que ainda caberia o seguinte questionamento: do Efetivo Profissional ou
do Efetivo Variável?).
Uma vez perfeitamente caracterizada a população, o passo seguinte será o
levantamento de dados acerca das características de interesse no estudo em
questão. Grande parte das vezes, porém, não é conveniente, ou mesmo possível,
realizar o levantamento dos dados referentes a todos os elementos da população.
Devemos então limitar nossas observações a uma parte da população, isto é, a uma
amostra proveniente dessa população.


72
4.4.2 Amostra (Projeto e DM)

A amostra é um subconjunto, necessariamente finito de uma população, no
qual todos os elementos serão examinados para efeito da realização do estudo
estatístico desejado. É intuitivo que, quanto maior a amostra, mais precisas e mais
confiáveis serão as induções realizadas sobre a população. Levando esse raciocínio
ao extremo, conclui-se que os resultados mais perfeitos seriam obtidos pelo exame
completo de toda a população, o que se denomina censo ou recenseamento.
A determinação correta do tamanho da amostra é muito importante. Segundo
Gil (1999), esse procedimento conta com fatores que são determinantes como: a
amplitude do universo, o nível de confiança estabelecido, o erro máximo permitido e
a percentagem com que o fenômeno ocorre.
O Capítulo 3 do “Manual Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa
Científica, para Temas Militares” apresenta as orientações necessárias à seleção
da amostra e do método de amostragem
O quadro 6 apresenta, resumidamente, a quantidade de elementos (n) que
deverá conter uma amostra, de acordo com a população estudada (N), considerando
uma margem de erro de 10% entre a média amostral e a média populacional, e 5%
probabilidade de que os resultados encontrados na pesquisa devam-se ao acaso,
isto é, que não ocorrem em função do tratamento dispensado às variáveis.
N n N n N n N n
10 10 80 66 350 183 4000 351
20 19 90 73 400 196 5000 357
30 28 100 80 450 207 6000 361
40 36 150 108 500 217 7000 364
50 44 200 131 1000 277 8000 367
60 52 250 152 2000 322 9000 368
70 59 300 169 3000 341 10000 370
Quadro 6 - Tamanho amostral (n) em função do tamanho populacional(N).

4.4.3 Método de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

Neste item devem ser apresentados o método de abordagem e o método
de procedimento utilizados na construção do modelo de análise e solução do
problema de pesquisa. É necessário que, de acordo com os conceitos apresentados
na UD II deste Manual, o pesquisador justifique a opção pelo método adotado.

73
Cabe ressaltar que a validade de suas conclusões tem íntima relação com a
adequação do método de pesquisa utilizado; portanto, antes de escolher um
método, deve-se verificar se as teorias que envolvem o problema possibilitam a
abordagem e o raciocínio que se pretende empreender.
O quadro 7 apresenta um resumo dos métodos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
De Abordagem (lógicos)
Dedutivo
Indutivo
Hipotético-dedutivo
Dialético
Fenomenológico Método
De Procedimentos (técnicos)
Comparativo
Histórico
Estudo de caso
Estatístico
Quadro 7 - Resumo dos principais métodos de pesquisa científica.

4.4.4 Tipo de pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

A pesquisa científica pode ser classificada quanto: à natureza, à forma de
abordagem, ao objetivo geral e aos procedimentos técnicos. Nesta subseção o
pesquisador deve justificar, obrigatoriamente, sua opção pelo (s) tipo (s) de
pesquisa(s) adotado(s), quanto ao objetivo geral e quanto aos procedimentos
técnicos, de acordo com os conceitos apresentados na UDIII deste Manual.
O quadro 8 apresenta um resumo dos tipos de pesquisa científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Quanto à natureza
Básica (Pura)
Aplicada
Quanto à forma de abordagem
Quantitativa
Qualitativa
Quanto ao objetivo geral
Exploratória
Descritiva
Explicativa
Bibliográfica
Documental
Tipo
Quanto aos procedimentos
técnicos
Experimental
Levantamento (de campo)
Estudo de caso
Ex-post facto
Pesquisa-ação
Pesquisa participante
Quadro 8 - Resumo dos principais tipos de pesquisa científica.

74
4.4.5 Técnica de Pesquisa (Proposta, Projeto e DM)

As técnicas que serão empregadas na coleta de dados estão diretamente
ligadas ao tipo de instrumento que será utilizado. Segundo Martins e Lintz (2000)
existem diversos instrumentos de medida, tais como: coleta documental,
questionário/formulário, entrevista, observação, análise de conteúdo e escalas
para medir atitudes.
O quadro 9 apresenta um resumo das principais técnicas de pesquisa
científica.
Pesquisa Classificação Modalidade
Técnica Quanto à obtenção de dados
Coleta documental
Questionário/Formulário
Entrevista
Observação
Análise de conteúdo
Escalas para medir atitudes
Quadro 9 - Resumo das principais técnicas de pesquisa científica.

4.4.5.1 Coleta documental

A técnica de coleta documental faz parte de praticamente todos os tipos de
pesquisa, sendo utilizada durante a revisão de literatura, na construção do
Referencial Teórico, e se for o caso, durante a etapa de coleta de dados (vide
pesquisa bibliográfica e pesquisa documental, na UD III deste Manual).
Uma volumosa documentação proveniente de diversas fontes documentais
(reportagens, editoriais, discursos, enunciados de políticas governamentais, cartas,
e-mail, etc...) pode orientar o caminho a percorrer na busca do entendimento do
fenômeno.
Os documentos devem ser organizados (fichados conforme o Apêndice G),
seguindo a seguinte ordem:
a) transcrever os dados extraídos dos documentos para o modelo de ficha;
b) realizar um breve apanhado de seu conteúdo;
c) anexar à descrição do material, notas (comentários) sobre a natureza e a
fonte de cada documento; e
d) organizar o material em uma lista cronológica dos documentos.

75
A finalidade deste procedimento é facilitar o uso do material, permitindo um
fácil acesso durante a etapa de Análise dos Dados, em função do problema e dos
objetivos de estudo.
Mesmo após esta organização, o material continuará bruto e não permitirá
ainda a obtenção/extração de tendências claras e/ou mesmo de uma conclusão,
sendo necessário, portanto, a utilização dos princípios da análise de conteúdo
(conforme o item 4.4.5.5.)

4.4.5.2 Questionário

Por questionário entende-se um conjunto ordenado e consistente de
perguntas a respeito das variáveis e/ou de situações que se deseja medir ou
descrever. Os questionamentos podem ser redigidos em forma de perguntas
abertas, fechadas e/ou mistas, devendo ser respondido por escrito sem a
necessidade da presença do pesquisador (quando o pesquisador se faz presente e
lê as questões ao informante e anota as respostas no questionário, esta técnica
recebe o nome de formulário).
As perguntas abertas são aquelas que permitem ao informante responder
livremente, usando linguagem própria. Possibilitam investigações mais precisas e
profundas, porém apresentam alguns inconvenientes, pois dificultam o processo de
tabulação, o tratamento estatístico (sfc) e a interpretação das respostas. Sua análise
é difícil, complexa, cansativa e demorada, sendo necessário o estabelecimento de
critérios para a codificação de respostas similares, porém apresenta a grande
vantagem de permitir que o pesquisador identifique o pensamento/posicionamento
do informante acerca do que foi questionado.
Ex.: Para mensurar o efeito da variável “privação de sono” na dimensão
“memória” da variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta
aberta conforme o quadro 10:
Pergunta 8. Durante a execução da ordem à patrulha foram abordados aspectos
relativos à segurança na posição e no deslocamento. Cite abaixo todos os aspectos
que o senhor puder lembrar sobre este assunto:
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
Quadro 10 – Exemplo de pergunta aberta.

76
As perguntas fechadas são aquelas em que o informante deve responder a
pergunta através de respostas pré-definidas. Este tipo de pergunta facilita
sobremaneira o trabalho de tabulação dos resultados, embora restrinja a liberdade
das respostas, tendo em vista o caráter objetivo do modo de questionamento.
As perguntas fechadas podem ser classificadas de acordo com o número de
respostas disponíveis para o informante, conforme o quadro 11:

Pergunta Quanto às respostas Exemplo
Dicotômicas Admitem somente duas respostas
( ) Sim
( ) Não
Tricotômicas Admitem três respostas
( ) Sim
( ) Não sei
( ) Não
Múltipla escolha
Apresentam uma série de
possíveis respostas
( ) Excelente
( ) Muito Bom
( ) Bom
( ) Regular
( ) Insuficiente
Quadro 11 – Tipos de perguntas fechadas.

Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, podem ser formuladas diferentes tipos de
perguntas fechadas conforme os exemplos abaixo:
Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor sentiu sono?
a.( ) Sim
b.( ) Não
Quadro 12 – Exemplo de pergunta fechada dicotômica
Pergunta x (aos especialistas). Com relação à afirmação: “o tempo médio de sono
contínuo considerado normal nos países ocidentais varia entre 06 e 07 horas por
noite”:
a.( ) Concordo
b.( ) Não concordo nem discordo
c.( ) Discordo
Quadro 13 – Exemplo de pergunta fechada tricotômica


77

Pergunta 1 (aos testados). Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar :
a.( ) Permaneci o tempo todo atento
b.( ) Tive pequenos lapsos de atenção
c.( ) Tive grandes lapsos de atenção
d.( ) Foi impossível permanecer atento
Quadro 14 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

Pergunta X (aos especialistas). Com relação ao tempo mínimo de sono
necessário para recompor o estado de alerta de um indivíduo empregado em
operações militares continuadas com 7 dias de duração, o senhor recomendaria:
a.( ) 01 a 02 horas de sono por jornada de 24 horas
b.( ) 02 a 03 horas de sono por jornada de 24 horas
c.( ) 03 a 04 horas de sono por jornada de 24 horas
d.( ) 04 a 05 horas de sono por jornada de 24 horas
e.( ) 05 a 06 horas de sono por jornada de 24 horas
Quadro 15 – Exemplo de pergunta fechada de múltipla escolha

As perguntas mistas são a combinação de perguntas fachadas e abertas.
Elas podem ser utilizadas nos casos em que se deseja obter uma justificativa,
contribuição ou parecer do informante, além da resposta fechada padrão. Esta forma
de pergunta facilita a tabulação dos dados e ainda permite uma
manifestação/complemento por parte do informante. Conforme o Exemplo abaixo:
Ex.: Para mensurar o efeito da privação de sono na dimensão “atenção” da
variável “desempenho cognitivo”, formulou-se uma pergunta mista que pretendia
medir o nível de sonolência do testado e seus efeitos sobre a atenção e estado de
alerta, conforme descrito no quadro 16 (observe que esta pergunta pode ser repetida
para os outros indicadores apresentados no quadro 5):

78
Pergunta 1. Durante a execução da tarefa, o senhor pode afirmar que a privação de
sono prejudicou seu desempenho em que nível:
a.(
)
A privação de sono não surtiu nenhum efeito sobre a minha atenção, eu
estava totalmente alerta
b.(
)
A privação de sono surtiu um mínimo efeito sobre a minha atenção, eu tive
mínima dificuldade em permanecer alerta
c.( ) A privação de sono surtiu um pequeno efeito sobre a minha atenção, eu tive
pequenos lapsos de atenção e pequena dificuldade em permanecer alerta
d.(
)
A privação de sono surtiu um efeito relativo sobre a minha atenção, eu tive
lapsos de atenção e dificuldade em permanecer alerta
e.(
)
A privação de sono surtiu um grande efeito sobre a minha atenção, eu tive
grandes lapsos de atenção e foi muito difícil permanecer alerta
f. ( ) A privação de sono surtiu um enorme efeito sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui manter a atenção e tive momentos de sono
g.(
)
A privação de sono surtiu um efeito definitivo sobre a minha atenção, eu
praticamente não consegui permanecer acordado
O espaço abaixo é destinado às observações que o senhor julgue
interessante.
______________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________ .
Quadro 16 – Exemplo de pergunta mista

Não existem normas rígidas a respeito da elaboração de um questionário.
Todavia, é possível observar algumas regras práticas que dizem respeito à sua
elaboração:
a) redigir perguntas preferencialmente fechadas;
b) permitir ao questionado complementar sua resposta, se assim desejar;
c) formular alternativas que abriguem respostas lógicas e possíveis;
d) incluir apenas perguntas relacionadas ao problema.
e) elaborar perguntas que facilitem os procedimentos de tabulação e análise
de dados.
f) elaborar perguntas claras, concretas e precisas;

79
g) elaborar perguntas que não induzam às respostas, e que evitem penetrar
na intimidade das pessoas.
h) verificar se o questionado possui um determinado nível de formação e
informação, que lhe permita responder as perguntas.
i) elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do questionário
j) assegurar a confidencialidade das informações prestadas
k) propor mais de uma pergunta para avaliar a mesma variável, e assim obter
indicadores de consistência para os resultados colhidos
O questionário deve ser previamente submetido a sessões de pré-teste, isto
permite a realização de correções de rumo e/ou reformulação de perguntas que não
tenham sido bem entendidas/estruturadas.
O pré-teste serve também para verificar três importantes elementos:
a) fidedignidade (qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos
resultados);
b) validade (os dados recolhidos são necessários à pesquisa); e
c) operatividade (vocabulário acessível e de significado claro).
Verificadas as falhas, deve-se reformular o questionário, conservando,
modificando, ampliando, eliminando itens, explicando melhor alguns ou modificando
a redação de outros.

4.4.5.3 Entrevistas

A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas,
"face a face", em que uma delas formula questões e a outra responde. Seu objetivo
básico é compreender o significado que os entrevistados atribuem a questões e
situações, com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.
Quando orientadas por um questionário (roteiro de entrevista) previamente
definido as entrevistas são denominadas estruturadas. Contrariamente, através das
entrevistas não estruturadas ou semi-estruturadas, o pesquisador busca obter
informações, dados e opiniões mais relevantes por meio de conversação objetiva.
Segundo Martins e Lintz (2000), o pesquisador deve planejar a entrevista,
delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; buscando algum
conhecimento prévio sobre o entrevistado; atentando para os itens que o
entrevistado deseja esclarecer, sem, contudo, manifestar suas opiniões. Deve ainda,

80
criar condições favoráveis ao bom desenvolvimento da entrevista; obtendo a
confiança do entrevistado; ouvindo mais do que falando; evitando divagações; e
registrando os dados e as informações durante a entrevista.

4.4.5.4 Observação

A técnica de observação é um instrumento de medida, sob algum aspecto,
imprescindível em qualquer processo de pesquisa científica, pois ela tanto pode
conjugar-se a outras técnicas de coleta de dados como pode ser empregada de
forma independente e/ou exclusiva. A observação é o exame minucioso, um olhar
preciso e atento sobre um fenômeno no seu todo ou em algumas de suas partes; é a
captação clara do objeto examinado.
A observação torna-se uma técnica científica na medida em que serve a um
objetivo formulado de pesquisa, é sistematicamente planejada, registrada e ligada a
proposições mais gerais e, em vez de ser apresentada como conjunto de
curiosidades interessantes, é submetida a verificações e a controles de validade
e precisão.
Segundo Richardson (1999), a observação apresenta muitas nuances em
face de sua flexibilidade, pois seu objeto de estudo, bem como o objetivo da
pesquisa que a utiliza, determina seu tipo e sua metodologia. Portanto, há
momentos importantes para um rendimento positivo da observação: a decisão pela
forma de observação; o preparo do seu desenvolvimento; o desempenho de seu
emprego; e o seu registro.
Segundo ele, a observação é classificada, tradicionalmente, como um método
qualitativo de investigação. Vale destacar que ela é também quantificável, estando
na dependência, sob este aspecto, da direção que lhe for dada na pesquisa. Para
que a observação seja quantificável, não se deve apenas olhar e ver o fenômeno
objeto de estudo, mas também estabelecer, previamente, algumas condições para
seu desenvolvimento, dentre as quais: saber o que observar e como quantificar.
De acordo com Martins e Lintz (2000), o pesquisador precisará da permissão
dos responsáveis para realizar a sua pesquisa para não ser confundido com
elementos que avaliam, inspecionam e supervisionam atividades. Seu principal
problema é conseguir a aceitação e a confiança dos indivíduos observados. Estar
consciente do que se deseja levantar é básico, pois, do contrário, não se consegue

81
ganhar a confiança, tampouco elementos que permitam análises e reflexões
coerentes.
A significância de um trabalho dessa natureza é evidenciada pela riqueza,
profundidade e singularidade das descrições obtidas. Para eles, esse é o grande
desafio intelectual aos pesquisadores que buscam avaliações qualitativas, sob o
risco de produzir um relatório do cotidiano sem acrescentar nada de novo e,
geralmente, especulativo.
O pesquisador deve ter cuidado com as impressões, vagas sensações, e
projeções psicológicas que são características próprias do senso comum;
distanciada, portanto, da ciência.

4.4.5.5 Análise de conteúdo

A análise de conteúdo trata-se de uma técnica para estudar e analisar as
variáveis de maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Buscam-se inferências
confiáveis de dados e informações com respeito a determinado contexto, a partir dos
discursos escritos e orais de seus autores. A análise de conteúdo pode ser aplicada
virtualmente a qualquer forma de comunicação: artigos de imprensa, livros, poemas,
conversas, discursos, cartas, regulamentos, rádio, televisão etc. O pesquisador pode
analisar, por exemplo, a personalidade de alguém, avaliando seus escritos; ou
avaliar as intenções, pela análise dos conteúdos das mensagens; pode desvendar
as ideologias dos dispositivos legais, descrever tendências no conteúdo das
comunicações, auditar conteúdos de comunicações e compará-los com padrões, ou
determinados objetivos etc (LAVILLE, 1999, p. 214).
Existem algumas etapas do processo de análise de conteúdo que devem ser
observadas.
a) realizar uma pré-análise onde o pesquisador coleta e organiza o material a
ser analisado (semelhante ao descrito na coleta documental),
b) realizar um estudo minucioso do conteúdo coletado, das palavras e frases
que o compõem, procurar-lhes o sentido, captar-lhes as intenções, comparar,
avaliar, descartar o acessório, reconhecer o essencial e selecioná-lo em torno das
idéias principais, sempre orientado pelas hipóteses e pelo referencial teórico.
c) executar uma escolha das unidades de análise que podem ser a palavra, o
tema, a frase, os símbolos, etc;

82
d) agrupar as unidades segundo algum critério;
e) definir as categorias ou unidades de medida, e
f) proceder o tratamento estatístico conveniente.
Um discurso pode, por exemplo, ser classificado como otimista ou pessimista,
liberal ou conservador. As categorias devem ser exaustivas e mutuamente
excludentes (utiliza-se para tal as escalas para medir atitudes, conforme o item
4.4.6.1).
Das análises de freqüências das categorias surgem quadros de referências.
Através de interpretação inferencial dos quadros de referência, os conteúdos
manifestos ou latentes são revelados em função dos propósitos da investigação.
Assim como qualquer técnica de levantamento de dados e informações, a
análise de conteúdo adquire força e valor mediante o apoio de um referencial teórico
adequado para a construção e embasamento das categorias de análises.

4.4.6 Instrumentos (Projeto e DM)

Segundo Richardson (1999), ao iniciar um trabalho de pesquisa o
pesquisador deve estar atento à escolha dos instrumentos de coleta de dados e das
técnicas a serem adotadas no desenvolvimento do estudo.
Neste item deve ser apresentada a forma como os dados serão coletados,
sendo descrito, detalhadamente: o modo como o instrumento será aplicado; “para
que” servirá cada item/fase do instrumento; bem como, a que indicador das
dimensões das variáveis está relacionado. O instrumento (questionário, entrevista...)
deve ser apresentado em apêndices ao relatório final.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem alguns procedimentos que devem
ser observados para a construção de um instrumento de medida. O pesquisador
deve listar as variáveis que pretende medir ou descrever, revisar o significado e a
definição conceitual de cada variável listada e como cada variável foi definida
operacionalmente. Em outras palavras, o pesquisador deve:
a) definir como as variáveis serão medidas, ou descritas;
b) escolher a (s) técnica (s) de pesquisa pertinente (s); e
c) iniciar a construção do instrumento de coleta de dados.

83
Particularmente em relação às entrevistas, questionários e formulários,
existem algumas escalas previamente definidas que podem auxiliar na estruturação
dos questionamentos, são as escalas para medir atitudes.

4.4.6.1 Escalas para medir atitudes

As escalas para medir atitudes pressupõe que a atitude é uma predisposição
aprendida pelo sujeito para responder consistentemente, de maneira favorável ou
desfavorável, acerca de um objeto ou representação simbólica.
A atitude está relacionada com o comportamento do sujeito em relação ao
objeto, símbolo ou situação que lhe é apresentada.
Ex.: Se minha atitude em relação ao carnaval é desfavorável, provavelmente
eu não participarei de bailes carnavalescos.
As atitudes são indicadores de condutas. Elas possuem diversas
propriedades; entre elas, destacam-se a direção (positiva ou negativa) e a
intensidade (alta ou baixa), e tais propriedades constituem o objeto das medições.
Dentre as principais escalas para medir atitudes pode-se citar: o
escalonamento tipo Likert, o diferencial semântico, a escala de importância e a
escala de avaliação.

4.4.6.1.1 Escalonamento tipo Likert

O Escalonamento tipo Likert é um método que foi desenvolvido por Rensis
Likert no início dos anos trinta. Consiste em um conjunto de itens apresentados em
forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos que externem
suas reações, escolhendo um dos cinco (ou sete) pontos de uma escala. A cada
ponto, associa-se um valor numérico. Assim, o sujeito obtém uma pontuação para
cada item. O somatório desses valores (pontos) indicará sua atitude favorável, ou
desfavorável, em relação ao objeto ou a uma representação simbólica que está
sendo avaliada.
Ex.: Tendo o serviço militar obrigatório como o objeto de atitude a ser
medido e a afirmação “o serviço militar é um dever de todo o cidadão”; a partir
deste objeto e desta afirmação, solicita-se que as pessoas externem suas reações.

84
As alternativas de respostas, pontos da escala, indicam o quanto se está de
acordo com a afirmação correspondente. Podem ser utilizadas muitas variações da
escala tipo Likert. O quadro 17 apresenta 2 exemplos desta escala.

Escala de concordância Escala de afirmação
( ) concordo totalmente ( ) sim
( ) concordo ( ) provavelmente sim
( ) nem concordo, nem discordo ( ) indeciso
( ) discordo ( ) provavelmente não
( ) discordo totalmente ( ) definitivamente não
Quadro 17 – Exemplos de escalas tipo Likert

As afirmações podem ter direção favorável (positiva) ou desfavorável
(negativa). A direção é fundamental para saber como se codificam as alternativas de
respostas. Comumente, quando as afirmações são positivas, utilizam-se os valores
em ordem decrescente de um a cinco pontos
O quadro 18 apresenta exemplos de pontuações para afirmações positivas e
negativas.

Afirmações
O serviço militar é um dever de todo o cidadão! Não deve haver serviço militar obrigatório!
5 concordo totalmente 1 concordo totalmente
4 concordo 2 concordo
3 nem concordo, nem discordo 3 nem concordo, nem discordo
2 discordo 4 discordo
1 discordo totalmente 5 discordo totalmente
Quadro 18 – Exemplos de pontuações para escalas tipo Likert

Há casos em que pesquisadores utilizam valores de zero a quatro ou outros
valores observando, é claro, o sentido das afirmações. Uma pontuação é
considerada alta, ou baixa, segundo o número de itens, ou afirmações. Se uma
escala contém dez afirmações que foram codificadas de um a cinco, a pontuação
mínima possível será dez e a máxima será cinqüenta. Nesse caso, as atitudes
favoráveis a determinado objeto seriam marcadas por somas próximas de cinqüenta,
enquanto atitudes desfavoráveis estariam próximas de dez.
Segundo Martins e Lintz (2000), existem duas formas básicas para aplicar
uma escala tipo Likert. A primeira é auto-administrada, ou seja, entrega-se a escala

85
ao respondente e este assinala a opção que melhor descreve sua reação ou
resposta. A segunda maneira é a entrevista ou formulário, em que o entrevistador lê
as afirmações e alternativas de respostas e anota as opções do entrevistado. Para
se chegar à versão final de uma escala Likert, é preciso realizar algumas sessões de
pré – teste, a fim de se aperfeiçoar o instrumento elaborado.

4.4.6.1.2 Diferencial semântico

A escala de diferencial semântico foi desenvolvida por Osgood, Suci e
Tannenbaum (1957) para explorar as dimensões do significado de determinado
conceito. Atualmente, porém, consiste em uma série de adjetivos extremos que
qualificam um objeto de atitude, ante a qual solicita-se a reação do respondente. Isto
é, o informante tem que qualificar o objeto de atitude em um conjunto de adjetivos
bipolares, indicadores de valorização, potência ou atividade.
Ex.: Tendo como objeto de atitude o serviço militar, os entrevistados deveriam
colocar um X em uma das sete opções que são codificadas de + 3 a – 3 ou de sete a
um. Inicia-se com a pontuação maior (+3 ou 7) para o adjetivo favorável e vai
decrescendo até chegar próximo ao adjetivo desfavorável (-3 ou 1). A apuração da
atitude favorável, ou desfavorável, é semelhante à utilizada na escala Likert,
somando-se os pontos de cada par de adjetivos. Para chegar à versão final de uma
escala de diferencial semântico, será preciso realizar algumas sessões de pré–teste,
ou piloto, com um conjunto de respondentes, a fim de se proceder às correções e
ajustes necessários.
O quadro 19 apresenta um exemplo de escalonamento que contém conceitos
inerentes ao Serviço Militar Obrigatório.

Conceito favorável +3 +2 +1 0 -1 -2 -3 Conceito desfavorável
justo injusto
barato caro
seguro perigoso
útil inútil
responsável irresponsável
educa deseduca
Quadro 19 – Exemplos de pontuações para diferencial semântico.


86
4.4.6.1.3 Escala de importância

A escala de importância também é um tipo de escala para medir atitudes.
Trata-se de uma variação da escala tipo Likert que classifica a importância de algum
atributo. Por ser uma variação da escala Likert, o cômputo das questões obedece ao
mesmo padrão de pontuação.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo operacionalidade, e perguntando-se ao
entrevistado acerca da “importância do serviço de manutenção de viaturas
efetuado por um B Log, para a operacionalidade da Bda”, poderiam ser
levantadas as opções apresentadas no quadro 20.
Escala de importância Pontuação
( ) Extremamente importante 5 Extremamente importante
( ) Muito importante 4 Muito importante
( ) Importante 3 Importante
( ) Pouco importante 2 Pouco importante
( ) Sem importância 1 Sem importância
Quadro 20 – Exemplos de pontuações para a escala de importância.

4.4.6.1.4 Escala de avaliação

A escala de avaliação também é uma variação da escala tipo Likert que avalia
algum atributo.
Ex.: Tomando por exemplo o atributo “segurança na reserva de
armamento”, o entrevistado deve dar seu parecer, classificando a segurança de
acordo com o escalonamento sugerido no quadro 21.
Escala de avaliação Pontuação
( ) Excelente 5 Excelente
( ) Muito bom 4 Muito bom
( ) Bom 3 Bom
( ) Regular 2 Regular
( ) Insuficiente 1 Insuficiente
Quadro 21 – Exemplos de pontuações para a escala de avaliação.

4.4.6.2. Pré-teste dos instrumentos

Após a elaboração do instrumento, o pesquisador deve preocupar-se com a
sua aplicação (coleta de dados). Esta fase é muito importante, pois, com o

87
instrumento redigido, passa-se, obrigatoriamente, à aplicação de seu pré-teste
(estudo piloto), ou seja, à aplicação a um número reduzido de participantes da
amostra ou população (n=30), com a intenção de:
a) verificar possíveis falhas na apresentação das questões;
b) garantir a validade e a fidedignidade (externa) do instrumento; e
c) auxiliar na estimação da amostra necessária. (Vide o Capítulo 3 do “Manual
Estatística Aplicada à Metodologia da Pesquisa Científica, para Temas Militares”).
Para garantir que o instrumento não contém falhas de elaboração, as quais
poderiam influenciar o resultado da investigação, o pesquisador deve realizar uma
entrevista com os elementos pré-amostrados, a fim de verificar se houve dúvidas
durante a execução do instrumento, e se os itens estavam claros. Desta forma
diminui-se o risco de se cometer erros ao avaliar as respostas.
Este procedimento também auxilia a melhorar a validade do instrumento,
tendo em vista a possibilidade de se corrigir os itens que, equivocadamente
confeccionados, não atendam àquilo que se pretende medir ou avaliar.
A entrevista serve também, para garantir a fidedignidade externa do
instrumento, haja vista que, se o instrumento for precisamente corrigido (calibrado),
aumenta-se a probabilidade de fornecer sempre uma mesma resposta. Em outras
palavras, é possível garantir que não haverá distorções nas respostas em função de
interpretação ou inadequação de determinado item do instrumento.
Caso não haja correções a fazer, as respostas adquiridas no pré-teste
poderão ser incorporadas/contabilizadas ao cômputo total da amostra ou população.
Uma adequada aplicação do instrumento exige que se considerem as
recomendações referentes à sua elaboração e que o pesquisador, sempre que
possível, esteja presente durante a aplicação do instrumento. Procura-se, desta
forma, assegurar a validade da aplicação. Este cuidado é importante para que não
se coletem dados errôneos que possam prejudicar toda a análise e a interpretação
de resultados, interferindo na validade e na credibilidade da pesquisa.
Qualquer que seja o instrumento utilizado, convém lembrar que as técnicas de
interrogação possibilitam a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos
pesquisadores. No entanto, Selltiz (1987), acrescenta que as técnicas mostram-se
úteis para a obtenção de informações acerca do que o pesquisado "sabe, crê ou
espera; sente ou deseja; pretende fazer; faz ou fez; bem como a respeito de suas
explicações ou razões para quaisquer dos itens/ações precedentes".

88
Ao iniciar a construção de um instrumento para coleta de dados, dependendo
do objeto de estudo, o pesquisador poderá dar mais ênfase à avaliação
quantitativa ou à avaliação qualitativa. Geralmente, as pesquisas comportam tanto
uma avaliação quantitativa, quanto uma avaliação qualitativa (não confundir
avaliação com o conceito de variável; pode-se realizar avaliações qualitativas de
variáveis quantitativas e vice-versa).
Na avaliação quantitativa, procura-se mensurar ou medir variáveis.
Na avaliação qualitativa, busca-se descrever comportamentos das variáveis
e das situações.
Para investigações nas áreas de Ciências Sociais, existem diversos tipos de
instrumentos para se medir as variáveis de interesse. Uma construção correta e
adequada dos instrumentos de pesquisa garantem, em grande parte, o sucesso da
investigação.

4.4.7 Análise dos dados (Projeto e DM)

Neste item deve ser descrita a forma como os dados serão apresentados e
analisados. Com relação à apresentação dos dados deve-se citar como os dados
serão categorizados, codificados e tabulados, bem como os recursos gráficos
que serão utilizados para a apresentação dos resultados (tabelas, quadros, gráficos,
etc...). com relação à análise dos resultados, deve-se descrever o tipo de estatística
a ser empregada (descritiva e/ou inferencial), justificar a opção pelo teste de
hipótese escolhido, bem como apresentar de que forma os dados serão
generalizados e interpretados. Os procedimentos para apresentação e análise dos
resultados serão descritos mais detalhadamente a partir do item 5. (página 85).

5 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

O referencial operativo tem como objetivo a previsão dos passos que serão
dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as técnicas de coleta de
dados, realizar o trabalho de campo e processar a informação. Essa previsão refere-
se às ações de apoio para alcançar o desenvolvimento coerente e efetivo da
investigação (este Referencial é o último a ser apresentado no Projeto de
Pesquisa).

89
O controle do projeto é um aspecto essencial a ser detectado neste
referencial; o que requer uma adequada previsão de recursos (planilha de custos) e
de tempo (cronograma) para a realização das diferentes tarefas ou atividades do
projeto.

5.1 PLANILHA DE CUSTOS

A planilha de custos (vide o Apêndice E) tem por finalidade auxiliar a
apresentação dos recursos financeiros, materiais e humanos que serão utilizados na
investigação. Tal planejamento é importante, porque auxilia na estimativa dos custos
dos serviços e materiais a serem utilizados, tais como: gastos com correspondência,
telefone, impressão, fotocópias, compra de livros e equipamentos, gastos com
transportes e materiais de escritório, dentre outros. Se a investigação é de
responsabilidade única do pesquisador, cabe a ele verificar antecipadamente os
recursos e certificar-se de que a execução da pesquisa é viável.

5.2 CRONOGRAMA

O cronograma (vide o Apêndice F) tem por finalidade auxiliar o
planejamento de uma adequada distribuição de tempo e de esforços, especificando
as diferentes etapas do trabalho por meio de uma escala temporal (mensal,
trimestral ou anual), e permitindo a realização de ajustes, sempre que ocorrer a
necessidade de adaptação do tempo estimado em função do realmente necessário.

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente na DM)

Esta seção deverá conter a apresentação e a análise dos resultados
obtidos na etapa de coleta dos dados. Os dados fornecem informações a respeito
dos indicadores das variáveis de estudo, e devem ser tabulados para serem
apresentados de forma a facilitar o entendimento do que se pretende analisar e
discutir. Gil (1999), explica que nos delineamentos experimentais ou quase
experimentais, assim como nos levantamentos ou estudo de campo, constitui tarefa
simples identificar e ordenar os passos a serem seguidos. Já nos estudos de caso
não se pode falar num esquema rígido de análise e interpretação.

90
A apresentação e análise dos dados constituem processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que na apresentação o pesquisador prende-
se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido mais amplo
dos resultados através da interpretação dos dados.

5.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Normalmente os dados são apresentados em forma de tabelas e gráficos
(vide o Cap 2 do Manual de Estatística, v.1) uma vez que permitem um fácil e rápido
acesso à informação, facilitando a análise dos resultados.
Após a pesquisa de campo propriamente dita (de acordo com o delineamento
de pesquisa), será preciso tabular (organizar) e apresentar os dados colhidos,
podendo-se lançar mão de recursos manuais ou computacionais para organizar os
resultados da pesquisa. Atualmente, com o advento da informática, é natural que se
utilize os recursos computacionais para dar suporte à elaboração de índices e
cálculos estatísticos, tabelas, quadros e gráficos.
A despeito da variação das formas que podem assumir os processos de
apresentação e análise, é possível afirmar que, em boa parte das pesquisas sociais,
são observados os seguintes passos para facilitar o trabalho de apresentação dos
resultados:
a) categorização dos dados,
b) codificação dos dados; e
c) tabulação dos dados.

5.1.1 Categorização dos dados

Para que as respostas possam ser adequadamente analisadas, faz-se
necessário organizá-las. Isto é feito por meio do agrupamento de respostas
semelhantes (ou com mesmo sentido) em um certo número de categorias.
Para que essas categorias sejam úteis na análise dos dados, devem atender
a algumas regras básicas, assim definidas por Selltiz et al. (1967, p. 441):
a) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de
classificação (favorável/neutro/desfavorável; E/MB/B/R/I, grau de escolaridade,

91
etc...), permitindo o agrupamento de um grande número de respostas em um
pequeno número de categorias;
b) o conjunto de categorias deve ser exaustivo (suficiente para incluir todas
as repostas); e
c) as categorias do conjunto devem ser mutuamente exclusivas (uma
mesma reposta não pode ser enquadrada em mais de uma categoria).

5.1.2 Codificação dos dados

De acordo com Gil (1999), a codificação é o processo pelo qual os dados
brutos são transformados em símbolos/legendas que podem ser tabulados. Pode ser
feita anterior ou posteriormente à coleta dos dados.
A pré-codificação ocorre em levantamentos cujos questionários são
constituídos por perguntas fechadas, cujas alternativas são associadas a códigos
impressos no próprio questionário e em pesquisas desenvolvidas com o auxílio da
técnica da observação sistemática. Segundo Gil (1999), a forma mais prática de
proceder à pré-codificação em questionários padronizados consiste em imprimir no
espaço à direita do enunciado de cada alternativa o código correspondente, como
aparece quadro 22.

Item Categoria Código Item Categoria Código
1. Sexo: 3. Escolaridade
Masculino ( )01 Nunca foi à escola ( )06
Feminino ( )02 1º grau incompleto ( )07
1º grau completo ( )08
2. Idade: 2º grau incompleto ( )09
de 18 a 20 anos ( )03 2º grau completo ( )10
de 21 a 23 anos ( )04 Superior incompleto ( )11
mais de 23 anos ( )05 Superior completo ( )12
Quadro 22 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

A pós-codificação é feita após a coleta dos dados e facilita a identificação da
categoria a que pertence o dado a ser tabulado.


92

Pergunta: Defina seu parecer sobre o Serviço Militar Obrigatório:
Nr Respostas dos informantes: Código
1 “Penso que não serve pra nada, só ocupa o tempo do cidadão.” D
2 “Não tenho nada a dizer, pois não servi.” O
3 “Recomendo a todos pois lá se aprende a ser um homem de verdade.” F
4 “Penso que deveria ser voluntário, pois atrapalha os estudos.” D
5 ‘Penso que é a melhor maneira de se ensinar disciplina.” F
6 ”Lá se aprende a ser cidadão.” F
7 ”Tem seus prós e contras.” N
8 ”Serve para ensinar ao jovem o patriotismo; acho válido.” F
F 4
N 1
D 2
TOTAIS
O 1
Código Descrição
F Parecer favorável
N Parecer neutro
D Parecer desfavorável
LEGENDA
O Não respondeu, não soube responder ou respondeu outra coisa.
Quadro 23 – Exemplo de pré-codificação dos dados.

5.1.3 Tabulação dos dados

A tabulação é o processo de agrupar e contar os itens que estão nas várias
categorias de análise. A tabulação pode ser simples ou cruzada. A tabulação
simples consiste na contagem das freqüências das categorias de cada conjunto. A
tabulação cruzada consiste na contagem das freqüências que ocorrem juntamente
em dois ou mais conjuntos de categorias.

5.1.3.1 Tabulação de perguntas fechadas

Tomando por exemplo a pergunta 1 (Quadro 16), aplicada a 90 cadetes (30
de cada pelotão), é preciso anotar as respostas (uma a uma) em uma tabela de
distribuição de freqüências conforme o exemplo abaixo:



93
Tabela 2 - Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Respostas*
f % f % f %
a 0 0,00 0 0,00 10 33,33
b 0 0,00 0 0,00 15 50,00
c 1 3,33 2 6,67 5 16,67
d 3 10,00 4 13,33 0 0,00
e 4 13,33 12 40,00 0 0,00
f 15 50,00 10 33,33 0 0,00
g 7 23,33 2 6,67 0 0,00
Total 30 99,99 30 100,00 30 100,00
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.
Legenda: ¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 01 (quadro 16)
Uma outra forma de apresentação dos dados é através de gráficos.
Eles permitem uma rápida visualização das diferenças entre as classes das
categorias das variáveis de estudo. A figura 1 apresenta os resultados da tabela 2.
Percepção de sono e seus efeitos sobre a atenção
0 0
1
3
4
15
7
0 0
2
4
12
10
2
10
15
5
0 0 0 0
0
2
4
6
8
10
12
14
16
a b c d e f g
Respostas à pergunta 1
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 1 – Gráfico descritivo das resposta à pergunta 1.
5.1.3.2 Tabulação de perguntas abertas
No caso das perguntas abertas, deve-se estabelecer uma forma de agrupar
as respostas, de acordo com um gabarito, escala, ou categorias de respostas
(favoráveis, desfavoráveis ou neutras), para que seja possível quantificar as
respostas obtidas pelo instrumento adotado.
Tomando por exemplo a pergunta 8 (Quadro 10), poder-se-ia estabelecer um
gabarito de acertos possíveis para os itens segurança na posição (de 1 a 3) e
segurança no deslocamento (de 4 a 6), para a obtenção de uma média de acertos

94
dos estagiários de cada pelotão, possibilitando uma comparação intergrupos dos
efeitos da privação de sobre a memória, conforme a tabela 3.
Tabela 3 - Itens memorizados após a ordem a patrulha.
Pelotão A¹ Pelotão B² Pelotão C³
Itens verificados*
f % f % f %
1 18 60,00 25 83,33 28 93,33
2 18 60,00 23 76,67 25 83,33
3 17 56,67 23 76,67 25 83,33
4 18 60,00 26 13,33 30 100,00
5 16 53,33 18 60,00 23 76,67
6 19 63,33 23 76,67 29 96,67
Total Média 106 58,89 138 76,67 160 88,89
Fonte: os autores deste Manual

Obs.: A pontuação máxima de possível
é 6X30 = 180 itens.

Legenda:
¹ privação total de sono (00hs de sono)
² privação parcial de sono (02hs de sono)
³ sono normal (07hs de sono)
* de acordo com a pergunta 08 (quadro 10)
A figura 2 apresenta a representação gráfica dos resultados da tabela 3:
Itens memorizados após a ordem à patrulha
18 18
17
18
16
19
25
23 23
26
18
23
28
25 25
30
23
29
0
5
10
15
20
25
30
35
1 2 3 4 5 6
Itens a serem memorizados
Pel A
Pel B
Pel C

Figura 2 – Gráfico descritivo de acertos por item na pergunta 8.

5.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Após a apresentação dos resultados é preciso realizar uma análise
estatística, uma avaliação das generalizações obtidas e uma interpretação dos
dados coletados, à luz do Referencial Teórico que embasou a formulação da
hipótese de estudo. A análise dos resultados obtidos permitirá o estabelecimento de
um raciocínio lógico que embasará as conclusões.


95
5.2.1 Análise estatística

Após a tabulação dos dados, procede-se à sua análise estatística. Esta deve
ser desenvolvida em dois níveis: a descrição dos dados e/ou a inferência
estatística (vide o Cap 1 do Manual de Estatística).
Uma vez computados os dados obtidos na pesquisa, deve-se passar à sua
descrição que, geralmente, é feita para atender a objetivos como:
a) caracterizar o que é típico no grupo;
b) indicar a variabilidade dos indivíduos no grupo;
c) verificar a distribuição das variáveis em relação às medidas de tendência
central (média, mediana e moda) e em relação a outras variáveis; e
d) mostrar a força e direção da relação entre as variáveis estudadas.
A análise inferencial dos dados constitui matéria especializada e os
procedimentos correspondentes são integralmente descritos em manuais de
estatística, que poderão ser consultados para a execução apropriada desta tarefa.
Seu princípio encontra-se no fato de que: se existem diferenças significativas,
ou não, entre as características de determinada variável, somente descrever estas
diferenças (Estatística Descritiva) não comprovará uma hipótese. É necessário
verificar se estas diferenças aconteceram ao acaso ou devido a um tratamento (ou
uma variável independente), e, para isto, existem vários testes estatísticos capazes
de determinar a associação ou correlação entre as variáveis de um estudo (uma
abordagem objetiva sobre a Estatística Inferencial pode ser encontrada a partir do
capítulo 1 do Volume 2 do Manual de Estatística).

5.2.2 Avaliação das generalizações

Segundo Gil (1999), a avaliação das generalizações obtidas com os dados
em pesquisas sociais, na maioria dos casos refere-se a amostras, mas o interesse
dos pesquisadores é generalizar os resultados para toda a população de onde foi
selecionada a amostra. Segundo ele, para tratar as questões desta natureza
procede-se ao teste de hipóteses que procura verificar a existência de diferenças
reais entre as populações representadas pelas amostras.
Para se verificar qual a probabilidade de que as diferenças entre duas
amostras tenham sido devidas ao acaso, foram criadas várias técnicas estatísticas

96
conhecidas como testes de significância. Existe uma grande variedade de testes
de significância. A adequada aplicação de cada um deles exige conhecimento prévio
do tipo de distribuição, do nível de mensuração alcançado e do formato das
tabelas. Os testes de significância podem ser classificados em paramétricos e não
paramétricos. Uma explicação detalhada acerca da aplicabilidade de cada um
desses testes pode ser encontrada vastamente em livros específicos de estatística
(uma abordagem objetiva sobre os testes paramétricos e não paramétricos pode ser
encontrada respectivamente a partir dos capítulos 2 e 4 do Volume 2 do Manual de
Estatística).

5.2.3 Interpretação dos dados

Segundo Gil (1999), não existem normas que indiquem os procedimentos a
serem adotados no processo de interpretação dos dados e sim recomendações
acerca dos cuidados, que devem tomar os pesquisadores, para que a interpretação
não comprometa a pesquisa. O que se diz a respeito da interpretação, em pesquisa
social, refere-se à relação entre os dados empíricos e a teoria.
Goode e Hatt (1969), enfatizam a importância da teoria para o
estabelecimento de generalizações empíricas e de sistemas de relações entre
proposições. Dizem que, mediante uma teoria, é possível se verificar que por trás
dos dados existe uma série complexa de observações, um grupo de suposições
sobre o efeito dos fatores sociais no comportamento e um sistema de proposições
sobre a atuação de cada grupo.
Gil (1999), diz que quando a interpretação dos dados se apóia em teorias
suficientemente confirmadas, lançam-se “raios de luz no obscuro caos dos
materiais”. Mas, quando as teorias não apresentam mais que um ligeiro grau de
comprovação, as explicações que se seguem produzem uma falsa sensação de
adequação à realidade, o que pode servir para inibir a realização de investigações
apropriadas.
Em resumo, deve-se procurar, sempre que possível, analisar os dados
obtidos comparando-os com o que está descrito na bibliografia revisada. A análise
deve ser feita para atender aos objetivos da pesquisa e para comparar e
confrontar dados e provas, a fim de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s).


97
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente na DM)

Segundo Laville (1999), ao concluir, o pesquisador deve voltar ao início da
pesquisa, lembrando sumariamente o problema inicial, as intenções da pesquisa e o
trabalho realizado.
Embora não exista um consenso literário acerca da forma e do roteiro a
seguir, para se redigir as conclusões e recomendações, é adequado sumariar alguns
procedimentos que devem ser observados ao escrever, conforme listado abaixo:
a) relembrar o objetivo geral da pesquisa;
b) discutir os resultados obtidos (não o que o pesquisador deseja que eles
fossem, mas o que são), relacionando-os com a literatura anterior e as hipóteses;
c) sintetizar os resultados, procurando explicá-los e interpretá-los de acordo
com a teoria;
d) explicitar se os objetivos foram atingidos e se a(s) hipótese(s) foram
confirmadas ou rejeitadas;
e) ressaltar a contribuição da pesquisa para o meio acadêmico ou para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia;
f) sugerir ou recomendar aplicações para as descobertas; e/ou
g) sugerir, para futuras pesquisas, assuntos ou tópicos relacionados que
deixaram de ser investigados.
A conclusão é um novo título e só deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e a análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara
e ordenada, as deduções obtidas dos resultados do trabalho ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto. Não devem ser apresentadas idéias novas que
não constem do desenvolvimento, e não é recomendável a apresentação de
descrições detalhadas de dados quantitativos (tabelas e gráficos) e de resultados
comprometidos e/ou passíveis de novas discussões.
Recomendações e sugestões para outros estudos podem ser feitas,
destacando o que não pôde ser estudado e o que os dados mostraram haver a
necessidade de novas verificações.
Segundo Lakatos (2003) “as recomendações consistem em indicações, de
ordem prática, de intervenções na natureza ou na sociedade, de acordo com as

98
conclusões da pesquisa”, ou seja, consistem na apresentação de idéias (propostas),
obtidas durante a pesquisa para modificar algo que esteja em uso. Por sua vez, as
sugestões “apresentam novas temáticas de pesquisa, inclusive levantando novas
hipóteses, abrindo caminho a outros pesquisadores”, ou seja, apresentam idéias
para a realização de novos estudos.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, devem ser escritas somente
se o pesquisador sentir-se em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema, auxiliando o aprimoramento de novos estudos
sobre o tema.

4.4 MONTAGEM DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Os resultados das pesquisas precisam ser comunicados, logo, é necessário
preocupar-se com a sua apresentação formal. Como as pesquisas diferem entre si,
não pode haver um modelo fixo para a redação da dissertação. Contudo, é possível
definir um esquema capaz de abranger a maioria dos elementos que habitualmente
aparecem nos projetos de pesquisa. Os aspectos relativos à estrutura do texto, ao
estilo e à apresentação gráfica devem ser necessariamente considerados pelo
pesquisador no momento da redação.
A comunicação científica da pesquisa que foi desenvolvida gera um
documento denominado dissertação. Este documento deve seguir as normas da
ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, elementos textuais e
elementos pós-textuais.
Foi definido neste manual, um esquema de dissertação capaz de abranger a
maioria dos elementos que aparecem nos projetos de pesquisa. É importante
reafirmar na dissertação a presença das etapas que foram seqüencialmente
desenvolvidas no decorrer do trabalho de pesquisa. Desta forma, uma estrutura
viável que envolve a apresentação das etapas e dos elementos de uma dissertação
está esquematizada no Anexo B.


99
4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação

Uma Dissertação de Mestrado deve ser apresentada de modo que a
“comunidade científica” possa conhecer os caminhos percorridos pelo autor, e, se
necessário, refazê-los, passo a passo, pois, cartesianamente, só serão aceitas
idéias claras e distintas das quais não se possa duvidar.
O texto deve conciliar a elegância acadêmica com a linguagem simples e
acessível capaz de prender a atenção do leitor, acadêmico ou leigo, mantendo um
saudável equilíbrio entre a precisão terminológica e a clareza vocabular, entre o rigor
científico e o bom senso.
Todavia, mesmo sem falhas de ortografia ou de gramática, é preciso observar
as diferenças entre a linguagem literária, com a qual os escritores escrevem com
o coração, ressaltando a subjetividade e a sensibilidade do estilo literário, e a
linguagem científica, com a qual os cientistas escrevem e descrevem a realidade,
chamando atenção para o caráter objetivo e racional da redação científica.
Na literatura, busca-se a criatividade e a imaginação do autor. Cobram-se
atitudes éticas valorativas e engajamento político. Na redação científica, busca-se a
objetividade, a isenção do autor, a fidelidade ao fato, a descrição, a neutralidade
sem posicionamentos subjetivos, ideológicos ou éticos.
Em escritos científicos nada deverá ficar subentendido ou por conta da
imaginação do leitor. Segundo Barrass (1991), o pesquisador deve seguir um
caminho árduo, convencendo os leitores com base em provas, apoiando-se em
verdades claramente formuladas e em argumentações lógicas.
Um recurso simbólico indicativo de objetividade e de distância do pesquisador
em relação ao objeto é o emprego da linguagem impessoal. Em textos técnicos, o
pesquisador trata o tema como quem está de fora, descrevendo o que se passa. Em
português, logra-se a linguagem impessoal com a terceira pessoa do singular e
a partícula apassivadora se, com verbos impessoais, essenciais ou acidentais, e
com a voz passiva. Convém escrever “conclui-se”, ou “cabe concluir”, ou “é lícito
supor que” utilizando-se assim, a linguagem impessoal.
Segundo Viegas (1999), de um texto literário, espera-se brilho, elegância e
originalidade o que não impede que os textos científicos também tenham estas
características prevalecendo a clareza, a correção e a sobriedade.
A diferença é que a obra literária prende o leitor pela forma da expressão e
pela trama do enredo objetivando provocar a emoção e o prazer estético. A obra
científica também deve atrair o leitor, mas o faz pela clareza da argumentação e pelo

100
conteúdo do texto que lhe move a inteligência e o estimula ao raciocínio.
Em resumo, o estilo de redação varia de pesquisador para pesquisador, e de
trabalho para trabalho, porém, é possível identificar algumas características comuns
que devem ser observadas na redação do relatório final de uma pesquisa científica:
a) o texto deve ser escrito em linguagem direta, evitando-se que a seqüência
seja desviada com considerações;
b) a argumentação deve apoiar-se em dados e provas e não em
considerações e opiniões pessoais;
c) as idéias devem ser apresentadas sem ambigüidade, para não originar
interpretações diversas, utilizando-se vocabulário sem verbosidade, sem expressões
com duplo sentido, evitando palavras supérfluas, repetições e detalhes prolixos;
d) cada expressão deve traduzir com exatidão o que se quer transmitir, em
especial no que se refere a registros de observações, medições e análises;
e) indicar com precisão como, quando e onde os dados foram obtidos;
f) evitar usar adjetivos que não indiquem claramente a proporção dos objetos
e advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o modo e o lugar como, por
exemplo, os advérbios recentemente, provavelmente, lentamente, antigamente; e
g) por fim, as idéias devem ser apresentadas numa seqüência lógica e
ordenada, partindo de frases simples, expostas com poucas palavras, contendo uma
única idéia que envolva completamente a frase.

4.4.2 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

101



PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU

5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
5 1 INTRODUÇÃO
5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA
5.3 A ESTRUTURA DO TCC
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVOS
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL OPERATIVO (somente no projeto de pesquisa)
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES
5.4 MONTAGEM DO TCC



102
5 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

5.1 INTRODUÇÃO

O programa de pós-graduação lato sensu exige a apresentação de Trabalhos
de Conclusão de Curso (TCC) conforme as orientações do Conselho Federal de
Educação e a normalização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
através da NBR 14724:2002.
É importante compreender, neste momento, que o TCC é o relatório final de
uma pesquisa científica, e que esta pesquisa deve ser criteriosamente planejada e
aprovada antes de ser realizada. Tais providências têm por finalidade traduzir um
perfeito sincronismo, entre o postulante e o seu orientador, e entre ambos e a linha
de pesquisa à qual estão vinculados, visando atender os interesses do postulante e
da Escola, bem como economizar tempo e recursos preciosos. Para que o
postulante, o orientador, e a linha de pesquisa estejam perfeitamente alinhados, o
programa exige o cumprimento das fases progressivas abaixo relacionadas:
Escolha do tema;
Apresentação da Proposta do Projeto de Pesquisa;
Apresentação do Projeto de Pesquisa;
Depósito do TCC; e
Avaliação do TCC pela Comissão de Avaliação.
Estas fases estão perfeitamente definidas nas Instruções de Pós-Graduação
da EsAO, e, devido ao caráter progressivo do estudo (Apêndice C), não será difícil
perceber que a Proposta do Projeto de Pesquisa evolui para o Projeto de
Pesquisa, e que o TCC é o relatório do que foi planejado e executado,
apresentando ainda os resultados, as análises e as conclusões acerca do que foi
pesquisado. O CD anexo apresenta os modelos correspondentes a cada fase.

5.2 AS ETAPAS DA PESQUISA

O planejamento e a execução de uma pesquisa científica fazem parte de um
processo sistematizado que normalmente compreende 5 etapas distintas, que são

103
traduzidas em referenciais, cujos elementos constitutivos formam as seções do
relatório final da pesquisa científica (o TCC).
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

AS 5 ETAPAS DA
PESQUISA CIENTÍFICA
SEÇÕES DO TRABALHO DE
CONCLUSÃO DE CURSO
1ª Etapa Seção 1
Pergunta de partida Introdução - Visão geral
3ª Etapa Seção 2
2ª Etapa - Tema
- Problema
A exploração do problema - Questões de estudo
Revisão de literatura - Objetivos
- Justificativa
Entrevistas exploratórias
Conceitos e
Métodos
- Contribuição

- Cronograma
Pesquisa Bibliográfica
Referencial
Operativo* - Planilha de custos
Pesquisa Documental Seção 3

Pesquisa de Campo (sfc)

Apresentação e Análise
dos Resultados
4ª Etapa Seção 4
Conclusões Conclusões e Recomendações
5ª Etapa


Redação do relatório de pesquisa
(Montagem do Trabalho de Conclusão de Curso)

ENTREGA DO TCC À COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
(fase presencial do CAO)


* O Referencial Operativo faz parte apenas do Projeto de Pesquisa


A pesquisa se inicia com a definição do tema. A partir daí, é formulada uma
pergunta de partida (1ª Etapa), procurando destacar os aspectos do tema que
serão abordados na pesquisa. Esta pergunta irá desencadear uma breve revisão de
literatura para que o pesquisador possa tomar consciência da problemática que
envolve o seu tema. Na seqüência, o pesquisador deve realizar a exploração do
problema (2ª Etapa), por meio de uma revisão de literatura (mais aprofundada) e
de entrevistas exploratórias, com o objetivo de colher subsídios que permitam
formular uma possível solução para o problema, e uma série de raciocínios lógicos.
Estes culminarão com apontamentos acerca das questões de estudo, dos

104
objetivos a serem atingidos, das justificativas (“porquês”) para se empreender um
estudo científico, e das contribuições que a pesquisa poderá produzir. Depois de
reunidos, o Tema, o Problema, as Questões de Estudo, os Objetivos, as
Justificativas e as Contribuições constituirão a seção chamada Conceitos e
Métodos.
Durante a 2ª etapa o pesquisador poderá chegar às seguintes conclusões:
a. a pergunta de partida está bem elaborada, prosseguindo no estudo; ou
b. a pergunta de partida deve ser reformulada.
Definida a forma como será conduzido o raciocínio lógico para a solução o
problema, deve-se passar à etapa da pesquisa propriamente dita, que pode ser de
natureza Bibliográfica ou Documental (3ª Etapa). Esta etapa também pode ser
chamada Coleta, Apresentação e Análise de Dados, na qual os resultados da
coleta de dados serão apresentados e discutidos nas diversas seções de
Apresentação e Análise dos Resultados, de forma a fornecerem subsídios que
permitam alcançar as respostas às questões de estudo, cumprindo os objetivos
traçados na seção Conceitos e Métodos, e permitindo ao pesquisador organizar
logicamente seus argumentos para que possa chegar a uma conclusão.
Finda a apresentação e análise dos resultados chega-se à etapa das
Conclusões (4ª Etapa), quando o autor deve apresentar, na seção Conclusões e
Recomendações, os principais aspectos verificados durante a pesquisa,
respondendo as questões de estudo e solucionando o problema de pesquisa.
Encerrando o processo de elaboração do TCC, é realizada a Redação do
Relatório de Pesquisa (5ª Etapa), onde todo o trabalho deve ser organizado e
formatado de acordo com as Normas da ABNT, executando-se a sua impressão e a
entrega à Comissão de Avaliação.

5.3 A ESTRUTURA DO TCC

A seguir, serão apresentados conceitos acerca de cada uma das seções que
compõem a estrutura final do TCC, sendo referenciadas, ao lado do título de cada
seção, a necessidade de sua apresentação na Proposta de Projeto, no Projeto de
Pesquisa ou no TCC. A numeração apresentada a seguir corresponde àquela que

105
deve constar no corpo do trabalho, sendo obrigatória a apresentação dos itens
referenciados.

1 INTRODUÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção deve ser breve, visando preparar o leitor para o contexto da
questão funcional do trabalho, situando-o no tempo e no espaço, e fornecendo uma
visão clara dos caminhos a serem percorridos para se chegar à solução do problema
de pesquisa. Deve ainda apresentar uma idéia geral do trabalho, fornecendo uma
visão panorâmica acerca do assunto pesquisado.
Segundo Martins (2000), a introdução deve conter idéias básicas que
respondam às indagações sobre a temática, o porquê da escolha do tema, qual a
contribuição esperada e qual a trajetória desenvolvida para a construção e
desenvolvimento do trabalho empreendido. É comum redigir uma introdução inicial,
que será continuamente reescrita à medida que o trabalho progrida.

2 CONCEITOS E MÉTODOS (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção tem por finalidade colocar o leitor à parte da problemática que
envolve o estudo, devendo ser apresentados: o tema selecionado (e sua
delimitação); o problema (antecedentes do problema, a formulação do problema
propriamente dito, e os alcances e limites da pesquisa); as questões de estudo,
o(s) objetivo(s) do estudo (geral e específicos); a justificativa da importância de
execução da pesquisa; e a contribuição que a investigação poderá fornecer à área
específica do conhecimento em questão.

2.1 TEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Nesta seção secundária deverão ser abordados o tema e a delimitação do
tema. De acordo com Lakatos e Marconi (1999), tema é o assunto que se deseja
estudar e pesquisar. Escolher o tema significa selecionar um assunto de acordo com
as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a
elaborar um trabalho científico. Consiste em encontrar um objeto que mereça ser
investigado cientificamente e que tenha condições de ser formulado e delimitado em

106
função da pesquisa. O assunto escolhido deve ser exeqüível e adequado aos
interesses acadêmicos.
O mais importante é que o tema escolhido demonstre o interesse do
pesquisador e esteja situado em seu campo de conhecimento, pois, segundo
Dencker (1998), para desenvolver de maneira adequada um tema de pesquisa, é
necessário que o pesquisador domine o assunto e esteja apto a manejar as fontes
de consulta bibliográfica.
Nesta fase do trabalho procure responder à seguinte pergunta: “O que
pretendo abordar?”
A delimitação do tema é um aspecto ou uma área de interesse acerca de um
assunto que se deseja provar ou desenvolver. Delimitar um tema significa eleger
uma parcela específica de um assunto, estabelecendo limites ou restrições para o
desenvolvimento da pesquisa pretendida.
Segundo Barros & Lehfeld (1999), a definição do tema pode surgir com base:
a) na observação do cotidiano;
b) na vida profissional;
c) em programas de pesquisa;
d) em contato e/ou relacionamento com especialistas;
e) no “feedback” (realimentação/retomada) de pesquisas já realizadas; e
f) no estudo da literatura especializada.
A escolha do tema de uma pesquisa, em um curso de pós-graduação lato
sensu, está relacionada à linha de pesquisa à qual o pesquisador pretende
vincular-se. Para a escolha do tema, é preciso levar em conta a relevância e a
atualidade do problema, seu conhecimento a respeito, sua preferência e sua aptidão
pessoal para lidar com o tema escolhido. Após definir o tema, o pesquisador deve
passar a levantar e a analisar as literaturas já publicadas sobre o assunto escolhido
(para um maior aprofundamento nas questões relativas à escolha do tema vide o
impresso “Lista de Assunto para Trabalhos Acadêmicos”).

2.2 PROBLEMA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve abordar o problema que pretende resolver
através da pesquisa científica, apresentando os antecedentes do problema, a
formulação do problema, e os alcances e limites.

107
Em primeiro lugar, é preciso verificar se realmente você está diante de um
problema científico, e concluir se será compensador tentar encontrar uma solução
para ele. A pesquisa científica depende fundamentalmente da formulação adequada
do problema, isto porque objetiva buscar a sua solução (um estudo pormenorizado
sobre problemas científicos é apresentado na UD IV, a partir da página 51).

2.2.1 Antecedentes do Problema (Projeto e TCC)

Os antecedentes indicam a origem, ou seja, um breve histórico de como
surgiu o problema. Nesta subseção devem ser apresentados os chamados
“pressupostos teóricos” que embasarão a formulação do problema, a elaboração
das questões de estudo e, conseqüentemente, os objetivos de pesquisa. Deve-se
utilizar idéias de autores reconhecidos (por meio de citações diretas ou indiretas),
mencionando-se apenas àquelas que forem imprescindíveis à compreensão do
caminho a ser percorrido para a solução do problema de estudo, evitando
divagações que não contribuirão para a sustentação do pensamento científico.
Uma revisão de literatura (pesquisa bibliográfica e/ou documental), bem
como entrevistas exploratórias (sfc) devem ser realizadas para que se possa
aprofundar nos questionamentos que envolvem o problema, transformando a
pergunta de partida na questão central da investigação. Tal pesquisa e a
colaboração de especialistas sobre o tema tratado serão de fundamental importância
no sentido de alicerçar os pressupostos teóricos que auxiliarão na formulação das
questões de estudo (um estudo pormenorizado acerca da revisão de literatura e
entrevistas exploratórias pode ser encontrado na UD IV, a partir da página 58).
A realização de uma boa revisão de literatura e de entrevistas exploratórias
(sfc) ampliará o conhecimento do pesquisador acerca do tema, permitindo avaliar se
a pergunta de partida foi bem definida. Por meio desta avaliação a pergunta inicial
poderá ser mantida, redefinida (enfocando o cerne da pesquisa) ou abandonada,
exigindo um reinício da pesquisa.





108
2.2.2 Formulação do Problema (Projeto e TCC)

A formulação do problema tem origem em seus antecedentes e deve ser
escrito na forma interrogativa. Esta é a maneira mais fácil e direta de estruturá-lo,
além de facilitar a sua identificação e a confecção do relatório final (um estudo
pormenorizado sobre a formulação de problemas científicos é apresentado na
UD IV, a partir da página 53).
Todo o delineamento de pesquisa deve estar voltado para a resolução do
problema ou do levantamento de indícios que permitam que outros pesquisadores
resolvam questões relevantes ligadas intrinsecamente ao problema pesquisado.
Nesta fase da pesquisa, a pergunta inicial transforma-se em problema
científico de acordo com a revisão de literatura e entrevistas exploratórias (suporte
para os antecedentes do problema). Desta forma, torna-se necessário questionar-se
acerca de uma série de perguntas que norteiam o problema de pesquisa, são as
chamadas questões de estudo, tratadas no item 2.3.

2.2.3 Alcance e Limites (Projeto e TCC)

A pesquisa deve ser delimitada no tempo e no espaço, especificada e
reduzida de modo a permitir sua realização. Ainda que a definição do problema seja
clara, precisa e concisa, faz-se necessário especificar o alcance da investigação,
relatando os aspectos do problema que foram incluídos, e os limites, ou seja,
aqueles aspectos que ficaram de fora da investigação.
A delimitação do alcance consiste em determinar até onde irá a pesquisa, a
quem está dirigida, o universo de conhecimento a respeito do assunto e o que deve
ser especificado de forma a tornar acessível à investigação.
A definição dos limites consiste em especificar as áreas da investigação que
não serão abordadas, definindo a exclusividade da pesquisa, e o campo de ação
que não foi possível abarcar.
Os limites da investigação referem-se às restrições impostas sobre as
possibilidades de generalização dos resultados a outras populações e a possíveis
ameaças sobre a validade e a confiabilidade do estudo. Duas limitações são: o
tamanho da amostra e a duração do estudo.

109
A dimensão do problema deve estar dentro dos limites da capacidade do
pesquisador, com relação ao domínio de conhecimentos necessários, e da
existência de recursos materiais e humanos suficientes para que seja possível a
realização da pesquisa.

2.3 QUESTÕES DE ESTUDO (Proposta, Projeto e TCC)

As questões de estudo são o ponto de partida para se encontrar um caminho
que leve ao melhor conhecimento acerca do problema, o que é fundamental para se
chegar a uma solução para o mesmo. A adoção das questões de estudo se dá em
substituição ao processo de formulação de hipóteses, ainda desconhecido e muitas
vezes complicado para o pesquisador inexperiente (vide a página 63 na UD IV).
Em síntese, as questões de estudo são perguntas que norteiam a solução
do problema de pesquisa. Quando solucionadas, cada questão de estudo fornecerá
uma solução parcial e os indícios necessários para uma melhor compreensão e
solução do problema.
Cabe destacar a diferença entre objetivo e questões de estudo. Um
objetivo de investigação indica o que o investigador pretende alcançar; uma
questão de estudo é um lapso no conhecimento que se pretende elucidar.
Ex.: Caso o objetivo geral de um estudo seja “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM.”, poderiam ser elaboradas as seguintes
questões de estudo:
a) como ocorre o processo de envelhecimento?
b) quais são as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento?
c) como ocorre o processo de formação do stress?
d) em que medida o stress pode afetar o desempenho cognitivo?
e) em que medida o desempenho cognitivo pode afetar o processo decisório?
f) em que medida a manutenção do condicionamento físico pode auxiliar na
preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento?


110
2.4 OBJETIVO (Proposta, Projeto e TCC)

Os objetivos são elementos que identificam e detalham as distintas ações a
serem realizadas para dar resposta à pergunta que o pesquisador formulou como
problema de investigação.

2.4.1 Objetivo Geral (Proposta, Projeto e TCC)

Esta subseção deve-se apresentar a intenção do pesquisador ao iniciar o
estudo, isto é, sintetizar o que se pretende alcançar com a pesquisa. O objetivo geral
deve estar de acordo com a justificativa e o problema propostos (um estudo
pormenorizado sobre o enunciado dos objetivos é apresentado na UD IV, a
partir da página 60).
Se o objetivo geral indica uma direção a seguir, faz-se necessário construir
um caminho coerente e lógico para alcançá-lo. Isto é feito por meio de metas
intermediárias que redefinem, esclarecem, delimitam e decompõem a trajetória a ser
seguida em objetivos específicos de pesquisa. Estes, por sua vez, pretendem
buscar a solução para cada uma das questões de estudo, e conseqüentemente do
problema de pesquisa como um todo.
Para as questões de estudo descritas no item 2.3, poder-se-ia enunciar o
objetivo geral de estudo da seguinte forma:
Verificar se a manutenção do condicionamento físico diminui as
influências do stress sobre o desempenho cognitivo dos comandantes de OM.

2.4.2 Objetivos Específicos (Projeto e DM)

Os objetivos específicos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo e
representam as metas a serem seguidas, das quais depende a consumação do
objetivo final, ou seja, indicam o que há de ser feito para se alcançar o objetivo geral
de pesquisa. Os objetivos específicos procuram descrever, nos termos mais claros
possíveis, o que será obtido em cada passo da pesquisa, referindo-se às
características que podem ser observadas e ou mensuradas.

111
Tomando por base o objetivo geral “verificar se a manutenção do
condicionamento físico diminui as influências do stress sobre o desempenho
cognitivo dos comandantes de OM”, listaremos a seguir alguns exemplos de
objetivos específicos que poderiam nortear a consecução do objetivo geral de
estudo:
a) realizar uma pesquisa bibliográfica para levantar e elucidar os principais
conceitos relativos ao processo de envelhecimento, alterações fisiológicas
decorrentes do processo de envelhecimento, processo de formação do stress;
desempenho cognitivo, e processo decisório (verifique a correlação com as questões
de estudo);
b) realizar entrevistas exploratórias com especialistas em condicionamento
físico, psicólogos e geriatras a fim de elucidar dúvidas acerca das relações entre a
manutenção do condicionamento físico e a preservação dos níveis de desempenho
cognitivo durante o processo de envelhecimento;
c) descrever como ocorre o processo de envelhecimento;
d) descrever como ocorrem as alterações fisiológicas decorrentes do
processo de envelhecimento;
e) descrever como ocorre o processo de formação do stress;
f) descrever como o stress pode afetar o desempenho cognitivo;
g) descrever como o desempenho cognitivo pode afetar o processo
decisório; e
h) verificar em que medida a manutenção do condicionamento físico pode
auxiliar na preservação dos níveis de desempenho cognitivo durante o processo de
envelhecimento.
Após uma análise criteriosa dos objetivos específicos, é possível verificar sua
estreita relação com as questões de estudo.

2.5 JUSTIFICATIVA (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “porquê” da realização da
pesquisa, procurando identificar as razões da preferência pelo tema escolhido e a

112
sua importância relativa. A justificativa deverá convencer ao leitor acerca da
necessidade e da relevância da pesquisa proposta.
Este é um dos itens mais importantes a ser considerado no momento da
elaboração da proposta e, conseqüentemente, do projeto de dissertação . É a parte
onde se apresenta a razão de ser da pesquisa. A existência de um problema é o que
justifica, academicamente, a realização de uma pesquisa para que se possa
equacionar uma solução para o mesmo. O investigador deve estabelecer,
convincentemente, que a problemática exposta merece uma solução.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
O tema é relevante? Procurando responder por quê.
Quais aspectos positivos podem ser destacados na abordagem proposta?
Quais são as inovações esperadas? Elas justificam a realização do estudo?

2.6 CONTRIBUIÇÃO (Proposta, Projeto e TCC)

Esta seção secundária deve apresentar o “para que” servirá o resultado da
investigação, uma vez concluída. A contribuição deverá demonstrar ao leitor a
serventia dos resultados a serem colhidos.
Um trabalho de investigação é considerado importante quando seus
resultados podem ser traduzidos em novas descobertas ou quando podem contribuir
para o conhecimento de problemas significativos. Em outras palavras, a importância
de uma investigação está na sua originalidade, e nos seus resultados.
Faz-se necessário destacar o valor que tem o estudo do problema formulado
e como poderá contribuir ou ampliar os conhecimentos anteriores. Uma pesquisa é
relevante na medida em que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, isto
é, na medida que o faz avançar.
Para tanto, o pesquisador deve perguntar-se:
Quais vantagens e benefícios a pesquisa irá proporcionar?
A quem (ou que) se destinam os resultados do seu estudo?
Quem será o real beneficiário da investigação?


113
3. REFERENCIAL OPERATIVO (somente no Projeto de Pesquisa)

Este referencial está descrito na UD IV página 88.

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS (somente no TCC)

Após a coleta de dados deve-se proceder a apresentação e a análise dos
resultados obtidos na pesquisa bibliográfica e/ou documental (campo,sfc). Os
dados fornecem informações a respeito das questões de estudo, e podem ser
apresentados (divididos) em quantas seções de fizerem necessárias, fornecendo o
embasamento necessário para a solução do problema de pesquisa.
A apresentação e análise dos dados é formada por processos estreitamente
relacionados. Alguns autores ressaltam que, na apresentação, o pesquisador
prende-se unicamente aos dados, ao passo que na análise, procura um sentido
mais amplo.
Os resultados devem ser apresentados e discutidos em um discurso
autêntico, coerente e lógico. A estrutura abaixo representa ma das possíveis
organizações das seções de apresentação e análise dos resultados para as
questões de estudo apresentadas na subseção 2.3:
3 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
4 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DECORRENTES DO ENVELHECIMENTO
5 A FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
6 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO STRESS
7 STRESS E DESEMPENHO COGNITIVO
8 DESEMPENHO COGNITIVO E PROCESSO DECISÓRIO
9 EFEITOS FISIOLÓGICOS DO TREINAMENTO FÍSICO MILITAR
10 MÉTODOS DE TREINAMENTO FÍSICO PARA COMBATER O STRESS
Obs.: As seções de apresentação e análise de resultados são numeradas a partir da seção 2
CONCEITOS E MÉTODOS (3, 4, 5, ...), neste caso a seção “CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES”
receberia o número 11.
É comum, embora não obrigatório, a utilização de conclusões parciais ao
longo das seções de apresentação e análise dos resultados. Este procedimento
facilita a leitura do trabalho, e permite ao leitor antecipar conclusões e entender as
estratégias utilizadas pelo autor na solução do problema de pesquisa.

114
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES (somente no TCC)

Esta seção primária deve sintetizar os resultados obtidos através da pesquisa;
explicitar se os objetivos foram atingidos, se as questões de estudo foram
respondidas e se o problema de estudo foi resolvido; ressaltar a contribuição da
pesquisa para o meio acadêmico ou para o desenvolvimento da ciência e da
tecnologia, e/ou ainda, sugerir assuntos relacionados, que deixaram de ser
investigados, para servirem de base para as pesquisas futuras.
A conclusão é um novo título e deve ser elaborada e descrita após a
apresentação e análise dos resultados. O pesquisador deve incluir, de forma clara e
ordenada, as deduções tiradas dos resultados do trabalho e/ou levantadas ao longo
da discussão em torno do assunto.
As conclusões constituem a seção que finaliza a parte textual do documento.
Dependendo da extensão, as conclusões podem ser subdivididas em várias
subseções, tendo em vista manter a objetividade e a clareza.
Não é recomendável que descrições detalhadas de dados quantitativos
(tabelas e gráficos) apareçam na conclusão, tampouco resultados comprometidos e
passíveis de novas discussões. Um dos cuidados que se deve ter, diz respeito à
extensão e divulgação dos resultados que vão figurar na conclusão. Estes tanto
podem ser verdadeiros, como gerarem erros em virtude de generalização
precipitada do pesquisador, o que fatalmente compromete os resultados da
investigação.
As sugestões e recomendações são declarações concisas de ações,
julgadas necessárias a partir das conclusões obtidas. São ações propostas que
podem ser utilizadas no futuro. Não são obrigatórias e, somente devem ser escritas
se o pesquisador estiver em condições de propor linhas de ação que visem
minimizar as causas do problema.

5.4 MONTAGEM DO TCC

A comunicação científica da pesquisa desenvolvida gera um documento
denominado Trabalho de Conclusão de Curso. Este documento deve seguir as

115
normas da ABNT levando em consideração os elementos pré-textuais, os
elementos textuais e os elementos pós-textuais (os elementos pré-textuais e pós-
textuais estão descritos detalhadamente no “Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações”). Uma estrutura viável que envolve a
apresentação das etapas e dos elementos de um TCC está esquematizada no
Apêndice D.
Esta Unidade Didática procurou definir um esquema de TCC capaz de
abranger a maioria dos elementos que constituem os projetos de pesquisa e os
relatórios finais. É importante reafirmar no TCC a presença das etapas que foram
desenvolvidas seqüencialmente no decorrer do trabalho de pesquisa.
Com relação ao estilo de redação, deve-se observar as recomendações
constantes da subseção “4.4.1 Quanto ao Estilo de Redação” na UD IV a partir da
página 99.

5.4.1 Considerações finais

Os aspectos gráficos do texto envolvem a digitação, a paginação, a
organização das partes e titulações, a disposição do texto em si, as citações, notas
de rodapé, referências, tabelas e figuras, bem como os elementos pré-textuais,
textuais e pós-textuais, que foram detalhados no Manual de Apresentação de
Trabalhos Acadêmicos e Dissertações editado pela EsAO.
As normas de confecção de documentação da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), também expressas no manual citado, deverão ser
consultadas visando à padronização das indicações bibliográficas e à apresentação
gráfica do texto. Da mesma forma, as normas e as orientações constantes das
Instruções de Pós-Graduação (IPG/EsAO) também deverão ser consultadas e
observadas.

116

117


REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Atlas, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, Rio de Janeiro. NBR14724:
Informação e documentação: trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro,
2002.
BARROS, Aidil J.da S; LEHFELD, Neide A de S. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Makron, 2000.
CERVO, Amado L; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall,
2002.
COSTA, A. F. G. da. Guia para elaboração de relatórios da pesquisa. Rio de Janeiro:
Unitec, 1998.
COSTA, Sérgio F. Método Científico: Os caminhos da investigação. São Paulo:
Harbra, 2001.
DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Pesquisa e construção de conhecimento, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro,
1997.
DENCKER, Ada de F. M., VIÁ, S. C. Pesquisa empírica em ciências humanas. São
Paulo: Futura, 2001.
FACHIN, O. Fundamentos de metodologia. São Paulo: Atlas, 1996.

118
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996.
____.Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
GOODE, William J., HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. São Paulo:
Nacional, 1969.
HEGENBERG, Leônidas. Etapas da investigação científica. São Paulo: E.P.U.:
EDUSP, 1976. 2 v.
KERLINGER, F.N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento
conceitual. São Paulo: EPU / Edusp, 1979.
LAKATOS, E. M., MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. São
Paulo: Atlas, 1996.
____. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2001.
____. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1999.
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber. Porto Alegre: Ed. da UFMG, 1999.
MARTINS, G. de A. Manual para elaboração de monografias e dissertações. São
Paulo: Atlas, 1996.
MINAYO, M. C. de S. (Org.). Pesquisa social. Petrópolis: Vozes, 1999.
OLIVEIRA, C. dos S. Metodologia científica, planejamento e técnicas de
pesquisa.São Paulo: Ed. LTR, 2000.
PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, J. A; Metodologia científica. São Paulo: Futura,
2000.
RICHARDSON, Roberto Jarry; Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. São Paulo:
Atlas, 1999.

119
RODRIGUES, M. das G. Informe de metodologia da pesquisa. Brasília: Ed. do Autor,
2000.
SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2000.
SCOTT, Patrick B. Introducción a la investigación y evaluación educativa.
Guatemala: Ed. da USAC, 1997.
SELLTIZ, Claire et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder,
1967.
SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 21. ed. rev. e ampl. São
Paulo: Cortez, 2000.
SILVA, Edna Lúcia da, Menezes, Estera Muszkat. Metodologia da pesquisa e
elaboração de dissertação. 3. ed. Florianópolis: UFSC, 2001.
QUIVY, R., CAMPENHOUDT, L. V. Manual de investigação em ciências sociais.
Lisboa : Gradativa, 1998.
TACHIZAWA, T; MENDES, G. Como fazer monografia na prática. Rio de Janeiro:
FGV, 2001.
THOMAS, J. R., NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed.
Porto Alegre: ARTMED, 2002.
TRIVINOS, A. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em
educação. São Paulo: Atlas, 1996.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração.
São Paulo: Atlas, 2000.

120
Apêndice A - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e DM.
ELEMENTOS Prop Proj DM
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 REFERENCIAL CONCEITUAL X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 JUSTIFICATIVA X X X
2.4 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL TEÓRICO X X X
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO X X X
4.1 OBJETIVO X X X
4.2 HIPÓTESE X X X
4.3 VARIÁVEIS X X X
4.3.1 Definição conceitual das variáveis X X X
4.3.2 Definição operacional das variáveis X X X
4.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS X X X
4.4.1 População X X X
4.4.2 Amostra X X X
4.3.3 Método de pesquisa X X X
4.3.4 Tipo de pesquisa X X X
4.4.5 Técnica de pesquisa X X X
4.4.6 Instrumentos X X X
4.4.7 Análise dos dados X X X
5 REFERENCIAL OPERATIVO X
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X
TEXTUAIS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase

121
Apêndice B - Elementos textuais obrigatórios da DM.

1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL CONCEITUAL
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 JUSTIFICATIVA
2.4 CONTRIBUIÇÃO
3 REFERENCIAL TEÓRICO
4 REFERENCIAL METODOLÓGICO
4.1 OBJETIVO
4.2 HIPÓTESE
4.3 VARIÁVEIS
4.3.1 Definição conceitual das variáveis
4.3.2 Definição operacional das variáveis
4.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.3.1 População Método de pesquisa
4.3.2 Amostra
4.4.3 Método de pesquisa
4.3.4 Tipo de pesquisa
4.4.5 Técnica de pesquisa
4.4.6 Instrumentos
4.4.7 Análise dos dados
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

122
Apêndice C - Elementos Constitutivos da Proposta, Projeto de Pesquisa e TCC.
ELEMENTOS Prop Proj TCC
Capa X X X
Lombada X
Folha de rosto X X
Errata X
Folha de aprovação X
Dedicatória X
Agradecimentos X
Epígrafe X
Resumo na língua vernácula X
Lista de ilustrações X
Lista de tabelas X
Lista de abreviaturas X
Lista de siglas X
Lista de símbolos X
PRÉ-TEXTUAIS
Sumário X X
1 INTRODUÇÃO X X X
2 CONCEITOS E MÉTODOS X X X
2.1 TEMA X X X
2.2 PROBLEMA X X X
2.2.1 Antecedentes do Problema X X X
2.2.2 Formulação do Problema X X X
2.2.3 Alcances e Limites X X X
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO X X X
2.4 OBJETIVO X X X
2.5 JUSTIFICATIVA X X X
2.6 CONTRIBUIÇÃO X X X
3 REFERENCIAL OPERATIVO X
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS X X
TEXTUAIS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES X
Referências X X X
Glossário X X
Apêndice(s) X X
Anexo(s) X X
PÓS-TEXTUAIS
Índice(s) X X

X Obrigatório
X Opcional
Não faz parte desta fase



123
Apêndice D - Elementos textuais obrigatórios do TCC.

1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITOS E MÉTODOS
2.1 TEMA
2.2 PROBLEMA
2.2.1 Antecedentes do Problema
2.2.2 Formulação do Problema
2.2.3 Alcances e Limites
2.3 QUESTÕES DE ESTUDO
2.4 OBJETIVO
2.5 JUSTIFICATIVA
2.6 CONTRIBUIÇÃO
3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES


124
Apêndice E - Exemplo de Planilha de Custos.
Itens do
Orçamento
Elemento do
Orçamento
Especificações do
Elemento de Despesa
Quantidade
Solicitada
Valor
Unitário
Valor
Total
Gravador 1 200 200
Máquina fotográfica 1 100 100
Grampeador 1 11 11
Perfurador de papel 1 9 9
Microcomputador 1 2.000 2000
Capital
Equipamento
e material
permanente
Impressora 1 600 600
Caixa com 10 disquetes
HP
1 12 12
Fita para vídeo TDK 2 8 16
Fita cassete 90 2 5 10
Caneta esferográfica. 10 1 10
Papel A4 500 10
Rolo de filme 2 8 16
Material de
Consumo
Cartucho de tinta para
impressora
1 80 80
Fotocópias 100 20
Digitação 90 2 180
Remuneração
serviço
pessoal
Encadernação 1 1 20
Correios 150
Revelação de filmes e
montagem de slides
2 40 80
Custeio
Outros
serviços e
encargos
Outras Despesas 200
T O T A L 3724,00


125
Apêndice F - Exemplo de Cronograma de Execução do Projeto de Pesquisa.
Atividade Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago
Início do projeto 11 -
Revisão
1
do referencial conceitual
feito na proposta de projeto
25 -
Revisão
1
do referencial teórico feito
na proposta de projeto
X 15
Revisão
1
do referencial metodológico
feito na proposta de projeto
X 22
Revisão
2
do projeto para revisão do
Orientador
29
Elaboração e apresentação dos
instrumentos
6
Elaboração da análise a ser utilizada 8
Revisão
2
do projeto de pesquisa pelo
Orientador
11
Revisão do projeto X X 08
Apresentação do projeto de pesquisa
e dos fichamentos
09
Preparação das Seções iniciais da DM
para a Qualificação
3

X X 22
Qualificação das Seções iniciais da
DM
3

23 a 25
Coleta de dados X X X 15
Tabulação dos dados
4.
X X X 22
Apresentação e análise dos resultados X X X 25
Conclusões 27
Redação parcial das seções do
trabalho
X X X X X X X X X X 01
Revisão do trabalho X X X X 01
Entrega do trabalho pronto 02

Fase de confecção do Projeto de Pesquisa
Fase de Qualificação das Seções Iniciais (somente para a DM)
Fase de execução da pesquisa propriamente dita e confecção dos relatórios.
Obs.: as datas apresentadas devem estar de acordo com os PAPPG EsAO.

1
Os referenciais apresentados na fase do projeto de pesquisa resultam do
aprofundamento daqueles apresentados na proposta de projeto.
2
Estas datas de controle devem ser estabelecidas em íntima conformidade com o
seu orientador, podem ser marcadas quantas datas forem necessárias.
3
Somente para a DM
4
Obrigatório para a DM e, se for o caso, para o TCC

126
Apêndice G – Modelo de Ficha.

MINISTÉRIO DA DEFESA
EXÉRCITO BRASILEIRO
DEP - DFA
ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM OPERAÇÕES MILITARES
LINHA DE PESQUISA: INSTRUÇÃO MILITAR
TEMA: O CONDICIONAMENTO FÍSICO E A OPERACIONALIDADE
DAS OM
POSTULANTE: FULANO DE TAL – Cap Inf
FICHA Nr: 001 DATA: 22 de janeiro de 2004.
REFERÊNCIA (obrigatório)
BRASIL. Exército. Estado-Maior. C 20-20: Treinamento Físico Militar. 3. ed.
Brasília,DF,2002.
RESUMO DA OBRA (obrigatório)
O resumo tem por finalidade facilitar futuras consultas à (s) obra (s), apresentar o
foco central e as principais idéias tratadas pelo autor. É importante manter sempre em mente
que as obras revisadas devem ter estrita relação com o tema de sua pesquisa, isto é, devem
apresentar idéias que sustentem o seu pensamento em relação ao problema pesquisado.
Deverão ser apresentados os principais pontos da obra em estudo, que têm relação
com a sua pesquisa. Cite as idéias com suas próprias palavras.
CITAÇÕES (opcional)
Página Texto

As citações podem ser redigidas na forma direta, quando as frases são
transcritas de forma idêntica às apresentadas na obra revisada, ou na forma
indireta, quando o leitor/pesquisador apresenta o pensamento do autor com suas
palavras.
Acrescente neste campo tantos comentários quantos julgar pertinente. Seja
oportuno, isto é, não deixe para tentar lembrar-se no futuro do que trata a citação
que pretende colher agora. Tenha em mente que o objetivo deste fichamento é
facilitar o desencadeamento lógico de suas idéias, portanto, as citações devem
tratar de assuntos que sustentem o seu ponto de vista em relação ao problema em
estudo.
1-1
Exemplo “ilustrativo”:
“São conhecidas as dificuldades que se antepõem ao treinamento físico
ideal, as quais vão desde a falta de tempo, em face das inúmeras outras atividades
prioritárias da OM, até a carência, ou mesmo inexistência, de áreas, instalações e
materiais apropriados.” (BRASIL, 2002 p. 1-1). (citação direta: transcrição “ipse
litteris” do manual)
O manual C 20-20 apresenta algumas dificuldades para a manutenção dos

127
padrões de atividade física, que poderiam afetar a manutenção da
operacionalidade das OM ... (comentário oportuno do pesquisador)
1-2
Exemplo “ilustrativo”:
Segundo BRASIL, 2002 (p. 1-2) o treinamento físico militar deve estar
voltado para a operacionalidade, a fim de atender aos interesses da Força e ao
cumprimento da sua missão institucional, portanto... (citação indireta: reedição do
pensamento do autor com as próprias palavras do pesquisador)
Veja a seguir o que consta originalmente no manual:
“O enfoque do treinamento na operacionalidade da tropa visa atender
fundamentalmente ao interesse da Força e ao cumprimento da sua missão
institucional.” (BRASIL, 2002 p. 1-2).
3-3
Exemplo “ilustrativo”:
“O treinamento regular e orientado provoca, naturalmente, diversas
adaptações no funcionamento do organismo humano. Estas adaptações trazem
benefícios para saúde e propiciam condições para a eficiência do desempenho
profissional.” (BRASIL, 2002 p. 3-3).
CONTRIBUIÇÕES EM RELAÇÃO AO TEMA (obrigatório)
Apresente a relação existente entre a obra estudada e a sua pesquisa.

Exemplo “ilustrativo”:
A obra demonstra a necessidade de manutenção e do desenvolvimento dos padrões de
desempenho físico da tropa como um fator de aquisição de eficiência operacional em
combate.
Apresenta a preocupação do Exército Brasileiro com a regularidade e a
uniformização dos exercícios físicos a serem administrados aos efetivos regulares
incorporados nas diferentes organizações militares.

(acrescente tantos comentários quantos julgar pertinente ao seu trabalho de pesquisa)
RECURSOS ILUSTRATIVOS DE INTERESSE (opcional)
Página Ilustração (tabela/gráfico/figura/etc)
3-5 Tabela 3-1 Freqüência Cardíaca de Esforço (FCE)
B1 Anexo B - Programa Anual de TFM OM Não Operacional - 4 Sessões Semanais
E1 Anexo E - Programa Anual de TFM OM Operacional - 4 Sessões Semanais


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