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Carreira profissional feminina, família e educação – lições do

cinema
Os relatos aqui não são de uma crítica de cinema, apenas alguém que
aprendeu a apreciá-lo em suas imagens e diálogos como forma de
acessarmos outros mundos, outras culturas. Certa vez perguntei a uma
artista plástica como analisar uma obra de arte e saber se era bela; ela me
respondeu que a arte seria bela se eu a apreciasse. Então, levo esta
resposta para o cinema também: um filme é bom, quando o telespectador o
avalia como bom. Assisti recentemente a um filme do diretor norueguês Erik
Poppe, intitulado Mil vezes boa noite (Tusen ganger god natt, 2013) com a
grande atriz francesa Juliette Binoche. Um filme profundo, sensível, desses
que saímos do cinema pensativos, pois toca em questões muito centrais de
nossas vidas, como carreira profissional feminina, família, educação, luta
por ideais, amor, enfim, cada um vai sair de lá com uma mensagem ou com
algo a refletir. São temas que se convergem a todo o momento, a carreira
profissional feminina porque coloca justamente a mulher nesse dilema;
Juliette Binoche, no papel de Rebecca mostra a dificuldade de lidar com as
duas coisas quando ambas parecem ter muita importância. Algumas vezes,
essa luta por ideais a domina e a faz agir dando peso a mais uma coisa do
que outra. É a paixão pelo que faz que a permite viver temporadas longe
das filhas e do marido. O marido, por sua vez, mostra seu engajamento nas
lições práticas de biologia que dá aos colegas de sua filha caçula. Quer
chamar a atenção para desastres ambientais que trazem grande impacto à
fauna e flora. Esta ênfase na educação também é dada por Rebecca. Há um
trecho onde a mãe, uma das melhores fotógrafas em zonas de guerra do
mundo mostra alguns de seus trabalhos à filha e vai lhe contando o que
eram aquelas fotos, muitas fotos de pessoas mutiladas, em condições
degradantes, com ferimentos graves, e explica porque faz esse trabalho.
Nota-se no olhar atento da filha, as descobertas acerca das coisas que lhe
são contadas, a miséria do mundo e a morte de pessoas inocentes,
suscitando um questionamento interno. Vê-se nessa cena, a possibilidade de
aprendizado a partir da apreensão do significado e do impacto das fotos. É o
poder da educação dos pais, num momento em que se espera tanto da
educação dos filhos que é dada na escola, esses são exemplos fortes de que
a educação vem de casa. O que torna o filme belo, é essa combinação de
temas tão diversos, que todos nós vivemos diariamente. Seja na decisão de
ter um trabalho que nos dê satisfação mas nos afasta daqueles que
amamos, seja na educação que desejamos para nossos filhos, que os
proteja dos males do mundo ou que os coloque como protagonistas desse
mundo. As imagens do filme são impactantes no sentido de trazer esses
opostos, quando mostra a vida idealizada de uma classe média alta, com
uma bela casa, num local privilegiado, com natureza ao redor, em
contraposição à miséria de certas regiões do mundo, ao mostrar os campos
de refugiados em países africanos com pessoas inocentes e crianças
morrendo em meio a paisagens áridas e sem nenhuma estrutura. Vale a
pena conferir!

Andrea Kanikadan – professora do curso de Administração Pública – Campus Arapiraca .

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