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Balseiros do Rio Uruguay - Noel Guarany

Oba! viva! veio a enchente
O Uruguai transbordou
Vai dar serviço pra gente
Vou soltar minha balsa no rio
Vou rever maravilhas
Que ninguém descobriu
Amanhã eu vou me embora pros rumo de Uruguaiana
Vou levando na minha balsa cedro, angico e canjerana
Ao chegar em são Borja, dou um pulo a Santo Tomé
Para ver as la correntina e pra bailar um chamamé
Oba! viva! veio a enchente
O Uruguai transbordou
Vai dar serviço pra gente
Vou soltar minha balsa no rio
Vou rever maravilhas
Que ninguém descobriu
Ao chegar ao Salto Grande, me despeço deste mundo
Rezo a Deus e a São Miguel e solto a balsa lá no fundo
Quem se escapa desse golpe, chega salvo na Argentina
Mas duvido que se escape do olhar das correntinas
Oba! viva! veio a enchente
O Uruguai transbordou
Vai dar serviço pra gente
Vou soltar minha balsa no rio

De Pulperias - Noel Guarany
Um payador que se preza
Mesmo rodando não cai
Recorre a vida cantando
Aos pés do Eterno Pai,
E depois volta de novo
Cantar pra o povo e se vai.
Conheço as penas do mundo
De tanto que já andei
Diz que existem sete penas
Sete mistérios também,
As minhas perdi a conta
Mistérios não encontrei.
Sou payador e me agrada
Esse ofício de cantor
Mesmo sofrendo no mundo
As penas de um cantador
Sou cantor e guitarreiro
Lá na mi'a querência flor.
Jamais me perdi no trilho
Quando canto opinando
Sempre falei as verdades

Os amores que eu já tive Nunca falei a ninguém Vivo cantando no mundo Amando e querendo bem Sou payador missioneiro Diga a importância que têm.A quem tiver escutando Humilde pra um peão d'estância E touro pra um contestando. a vida inteira. Vou rever maravilhas Que ninguém descobriu . São manhas dos payadores Da minha terra missioneira Mais ou menos são iguais Na minha pátria campeira Touros. Às vezes meio macio. Às vezes com turbulência Às vezes calma de rio Desses que embalam estrelas Em claras noites de estio. quando em seu rodeio Touraços. Às vezes duro de queixo.