O mercado financeiro e seus segmentos

1. Divisão do mercado financeiro
Se você for à feira, irá reparar que há uma organização no agrupamento das
barracas: num setor, você encontra as frutas; em outro, as verduras e os
legumes. Carnes estão de outro lado. Um pouco mais além, você encontra as
barracas de peixes e mariscos. Essa organização tem por objetivo facilitar o
processo de compra do consumidor.
No mercado financeiro não é diferente. Ele também é dividido em setores, ou
segmentos, de acordo com o tipo de produto e de cliente (embora você não
consiga enxergar muros ou cercas). Para fins didáticos e conceituais, o grande
mercado financeiro costuma ser dividido em 4 grandes segmentos:
a) mercado monetário;
b) mercado de capitais;
c) mercado cambial; e
d) mercado de crédito.
2. Mercado monetário
O mercado monetário é o segmento do mercado financeiro onde são efetuadas
operações de curto e curtíssimo prazos, destinadas a atender necessidades
imediatas, principalmente das instituições financeiras.
É nesse mercado que os agentes econômicos e os próprios intermediários
financeiros suprem suas necessidades momentâneas de caixa, por meio das
operações com reservas bancárias. É também o mercado onde se concentram
as operações para controle da oferta de moeda e das taxas de juros de curto
prazo, com vistas a garantir a liquidez da economia, através da colocação,
recompra e resgate de títulos da dívida pública de curto prazo.
Os principais participantes do mercado monetário, além do Banco Central do
Brasil, são as instituições financeiras captadoras de depósitos à vista. As
demais instituições autorizadas a emiti e/ou adquirir depósitos
interfinanceiros também participam do mercado monetário.
Em decorrência do recolhimento compulsório imposto pelo Banco Central do
Brasil sobre os depósitos à vista e a prazo, as instituições detentoras de conta
de reservas bancárias são obrigadas a manter um nível mínimo de recursos
nessa conta. Para atender à exigibilidade do compulsório, as instituições
financeiras trocam reservas bancárias por meio de operações compromissadas
com títulos públicos federais ou por meio da negociação de depósitos
interfinanceiros (DIs). Se por um lado os bancos não podem apresentar saldo

na conta de reservas bancárias insuficiente para atender ao recolhimento
compulsório, por outro também não é interessante manter saldos excessivos,
uma vez que esse excesso normalmente não é remunerado pelo Banco Central
e representaria a perda da possibilidade de direcionamento desses recursos
para operações lucrativas. Dessa forma, tanto as instituições com reservas
insuficientes quanto as que apresentam reservas excedentes têm interesse em
participar do mercado monetário.
O Banco Central atua no mercado monetário para ajustar a liquidez da
economia, valendo-se de três instrumentos: recolhimento compulsório,
operações de assistência de liquidez (redesconto) e operações de mercado
aberto (open market). Nas operações de mercado aberto, o Banco Central
opera diretamente com 22 instituições credenciadas, os chamados “dealers”
do mercado aberto, que intermedeiam o relacionamento da autarquia com as
demais instituições do mercado. Os “dealers” são selecionados por critérios
de desempenho nos mercados primário e secundário de títulos públicos.
Atualmente, há 12 dealers, dos quais dez são bancos e dois são corretoras ou
distribuidoras independentes. O desempenho de cada instituição é avaliado a
cada seis meses, e aquelas com o pior desempenho são substituídas.

INSTITUIÇÕES CREDENCIADAS – DEALERS
Período de Avaliação: 10/02/2012 a 31/07/2012

Banco Bradesco S.A.

Banco BTG Pactual S.A.

Banco Citibank S.A.

Banco do Brasil S.A.

Banco J. P. Morgan S.A.

Banco Santander (Brasil) S.A.

Banco Votorantim S.A.

Caixa Econômica Federal

CM Capital Markets Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Ltda.

HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo

Itaú Unibanco S.A.

Renascença Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.

Tabela 1 – Instituições credenciadas para atuar como dealers do Banco Central e do
Tesouro Nacional

3. Mercado de capitais
O mercado de capitais é um sistema de distribuição de valores mobiliários que
visa proporcionar liquidez aos títulos de emissão de empresas e viabilizar seu
processo de capitalização. O mercado de capitais tem como objetivo canalizar
recursos de médio e longo prazo para empresas, através das operações de
compra e venda de títulos e valores mobiliários, efetuadas entre empresas,
investidores e intermediários. A maior parte dos recursos financeiros de longo
prazo é suprida por intermediários financeiros não bancários.
No mercado de capitais, os principais títulos negociados são os
representativos do capital de empresas (as ações) ou de empréstimos
tomados, via mercado, por empresas (debêntures conversíveis em ações,
bônus de subscrição e “commercial papers”), que permitem a circulação de
capital para custear o desenvolvimento econômico. O mercado de capitais
abrange ainda as negociações com direitos e recibos de subscrição de valores
mobiliários, certificados de depósitos de ações e demais derivativos
autorizados à negociação.
As bolsas de valores são a face mais visível do mercado de capitais. A
Comissão de Valores Mobiliários é o órgão responsável pela fiscalização e
controle deste mercado.
4. Mercado cambial
O mercado cambial é composto pelo conjunto de operações de compra e
venda de moedas conversíveis de diversos países. Podem ocorrer operações a
prazo para suprimento de necessidades momentâneas de moeda estrangeira,
como, por exemplo, para fechamento de câmbio de importações.

Inversamente, podem ser adquiridas divisas por antecipação, como é o caso
de exportadores que trocam reais por as moedas estrangeiras que receberão.
As operações nesse segmento de mercado são feitas sob a intermediação de
instituições financeiras autorizadas, bancárias e não bancárias. O Banco
Central do Brasil é o órgão responsável pela administração, fiscalização e
controle das operações de câmbio e da taxa de câmbio atuando através de sua
política cambial.
5. Mercado de crédito

O mercado de crédito é o conjunto de transações realizadas pelos agentes
econômicos e instituições financeiras, de prazo curto e médio, destinadas ao
suprimento de recursos para atender às necessidades dos indivíduos e
empresas, tais como financiamento de consumo das pessoas e de capital de
giro das empresas. É o mercado onde se desenvolve a intermediação
financeira.
Esse mercado também é denominado de mercado bancário, e abrange as
operações de empréstimo e financiamento. O mercado de crédito é dito
organizado porque os agentes econômicos envolvidos atuam por meio de
estruturas definidas e regulamentadas em que a oferta e a demanda de
recursos possuem fluxos regulares. O Banco Central do Brasil é o órgão
responsável pelo controle, normatização e fiscalização deste mercado.
O grau de complexidade do mercado de crédito está diretamente relacionado
ao tamanho das economias e à velocidade de ocorrência das transações. O
mercado de crédito é fundamental para alimentar a economia de liquidez,
através do financiamento das vendas ou compras das empresas e dos
empréstimos para os projetos de investimentos. Uma medida importante no
mercado de crédito é a relação entre operações de crédito e o PIB de um
país. Essa medida consegue avaliar o nível de intermediação existente em um
país, e mostra o grau de endividamento global dos agentes econômicos
tomadores. Podemos observar o elevado percentual de operações de crédito
em relação ao PIB nos países mais desenvolvidos (Quadro 1). Esse fato
demonstra a existência de fontes de financiamento para o consumo e para os
investimentos que estimulam a economia. O caso do Brasil, onde a relação
crédito/PIB é baixa, pode ser explicado pela escassez de poupança interna e
pelas elevadas taxas de juros que inibem a tomada de crédito.

Quadro 1 – Relação percentual entre ativos de crédito e Produto Interno Bruto