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Os títulos executivos

Títulos executivos são aqueles que estão previamente definidos em lei. Esse é o
chamado princípio da tipicidade legal do título executivo. Significa que cabe exclusivamente ao
legislador conferir o caráter de título executivo a determinados documentos ou fatos. Eles são
numerus clausus. Não podem as partes convencionar a esse respeito através de cláusulas que
conduzam à execução forçada. Essa regra encontra fundamento na gravidade dos atos
executivos, onde praticamente não há espaço para o contraditório. Portanto, as partes não
podem pretender conferir a qualidade de título executivo a outros atos que não os estabelecidos
pela lei.
Os títulos executivos dividem-se em judiciais ou extrajudiciais. Trata-se de uma divisão
entre atos estatais e afirmação feita pelo próprio devedor. Basicamente, não haverá diferença
entre a execução por títulos judiciais ou extrajudiciais. A eficácia executiva é idêntica para todos
os títulos. Entretanto, a conseqüência mais notória da distinção reside no grau de limitação das
matérias suscetíveis de serem argüidas nos embargos, em se tratando de execução fundada em
título judicial ou extrajudicial. As matérias suscetíveis de defesa do devedor na hipótese de
execução baseada em título executivo judicial estão elencadas nos art. 741, ao passo que na
execução baseada em título extrajudicial a amplitude é bem mais ampla, conforme estabelece o
art. 745.

Títulos executivos judiciais
Títulos executivos judiciais são formados com a participação de órgão do Poder
Judiciário, traduzindo-se em ato estatal. Entretanto, há que se observar que o CPC não andou
bem na discriminação dos títulos executivos, não observando esse critério básico para distinguir
entre as duas espécies de títulos executivos.
Assim, temos a sentença arbitral no rol dos títulos judiciais, quando é sabido que ela é
emanada do órgão de fora do Poder Judiciário. Por outro lado, temos como títulos extrajudiciais
o crédito por custas, emolumentos e honorários assim considerados os que forem aprovados por
decisão judicial. Mas, nesse último caso, há mero controle e não provimento do juiz,
condenando a parte a pagar.
A despeito da aludida problemática, alguns autores costumam falar em títulos mistos
como aqueles em que a norma jurídica individualizada tem seus elementos integrativos
representados por documentação em parte de origem extrajudicial e em parte já com certificado

º. são títulos executivos judiciais os estampados no art. Quando a obrigação for de fazer. cumpre esclarecer. 162. apenas as obrigações de pagamento de valor por quantia certa ainda são objeto da execução tradicional. por isso mesmo. não foi parte na respectiva ação penal. §1. que a absolvição no crime. entende-se que as sentenças declaratórias e constitutivas também comportam eficácia condenatória e podem ser executadas. se for o caso. uma vez que a sentença penal deve estar transitada em julgado. A eficácia executiva da sentença penal condenatória se dá em favor da vítima e de seus herdeiros e em face do condenado e do seu espólio ou de seus herdeiros. Por outro lado. razão pela será necessário prévio processo de liquidação de sentença. portanto. O primeiro caso seria o da sentença condenatória proferida no processo civil. Com relação à comunicabilidade das instâncias penal e civil. Entretanto. ou seja. Note-se que apesar da lei não se referir. Entretanto. de acordo com a divisão do CPC. do empregador pelo empregado. não será considerada título executivo judicial. E relativamente a tais verbas de sucumbência. bastando a liquidação do valor devido. A sentença penal condenatória transitada em julgado vale como título executivo em eventual indenização pelos danos causados pelo crime a ser buscada no juízo cível. etc. Após todo o processo de conhecimento não há espaços para questionamentos acerca do mérito da causa e a norma jurídica a ser executada está completa. pois veiculam condenação do vencido ao pagamento das custas judiciais e dos honorários do advogado do vencedor. Assim. não tem responsabilidade penal e. por ausência de culpa. terá eficácia mandamental e executiva lato sensu nos moldes dos arts. a sentença de procedência será executada num incidente do processo de conhecimento. Temos que contra este terceiro será necessário ajuizar ação de conhecimento nas vias ordinárias normais. 584. há hipóteses em que falte liquidez à sentença condenatória. Em uníssono. não alcançando o terceiro que. aquelas sentenças funcionam como título executivo. não fazer ou de entrega de coisa. não será necessário novo processo. O que se obsta é que se debata no juízo cível. para efeito de responsabilidade civil. Nesses casos. não se impede o ajuizamento da demanda executória a revisibilidade pro reo a qualquer tempo da sentença criminal nos termos do art. Seria a situação do pai em relação aos danos causados pelo filho. em síntese. Importante observar que após a reforma do CPC. Importante salientar também que nessa seara não existe espaço para execução provisória.judicial. sentença é o provimento decisório pelo qual o juiz extingue o processo. 622 do CPP. do CPC. De acordo com o art. embora possa ter responsabilidade pelos atos praticados pelo criminoso. não veda a ACTIO CIVILIS EX DELICTO. a doutrina afirma que a sentença condenatória proferida no processo civil é o título executivo por excelência. . 461 e 461-A.

31 da Lei da Arbitragem. I. 584. até o advento da Emenda Constitucional 45/2004. mas atribui eficácia aos atos negociais realizados pelas partes.307/96 e consiste no procedimento em conflitos que versem sobre direitos disponíveis sejam resolvidos por terceiros particulares escolhidos de comum acordo pelos contratantes. O sexto e último inciso do Art. 109. De acordo com o parágrafo único do art. ainda que realizados fora de qualquer processo. I. De acordo com o art. inc. É representada pelo formal ou certidão. O quarto título executivo judicial é a sentença estrangeira. essa tarefa ficou a cargo do STJ na nova redação conferida ao art. A nova redação do dispositivo foi dada pela Lei 10. Desde que compatível com o ordenamento jurídico brasileiro e não atentando contra os bons costumes e a soberania nacional. os acordos extrajudiciais de qualquer natureza ou valor. Após a chamada "Reforma do Judiciário". quando tais questões tiverem sido decididas no juízo criminal. 102. CF). letra i. aos herdeiros e aos sucessores a título universal ou singular. a . ainda que verse sobre matéria não posta em juízo. Excluem-se àquelas que impliquem somente em renúncia ao direito. 584 inclui como o título executivo judicial a sentença arbitral. daí a razão de estar entre os títulos executivos judiciais. da Carta Magna. se tais bens estiverem em poder de terceiro. homologada pelo Supremo Tribunal Federal. É importante observar que essas sentenças homologatórias só terão eficácia executiva desde que resulte para uma das partes um dever de realizar uma prestação. A intenção do legislador foi a de incentivar as formas amigáveis de composição dos litígios. Trata da transferência de bens em virtude de sucessão causa mortis. Outro título executivo judicial é a sentença homologatória de conciliação ou de transação. inc. Essas sentenças não contêm julgamento acerca do mérito da demanda. A partilha de bens. a força executiva só tem eficácia em relação ao inventariante. toca ao herdeiro propor ação reivindicatória (processo de conhecimento).358. A arbitragem foi instituída pela Lei 9. se homologa por sentença. em inventário ou arrolamento. A homologação dessas sentenças era tarefa do STF de acordo com o previsto no art. A competência para a execução das sentenças estrangeiras homologadas é dos juízes federais de primeiro grau (art.sobre a existência do fato e sua autoria. a sentença estrangeira é passível de ser executada no Brasil. 57 da Lei 9. letra h.099/95. são suscetíveis de serem homologados pelo juiz competente e possuem eficácia de títulos executivos judiciais. Portanto. X. Também de acordo com o art. O inciso V traz como título executivo o formal e a certidão de partilha. 105. de 27/12/2001. A reforma aumentou o alcance desse dispositivo ao afirmar que a transação homologada é título executivo ainda quando verse sobre pretensão não posta em juízo.

o conteúdo da sentença arbitral é vulnerável à analise do Poder Judiciário sobre os aspectos da sua regularidade. 2) Nota promissória: é promessa de pagamento emitida pelo próprio devedor em favor do credor. o grau de eficácia desse tipo de título diminui consideravelmente na medida em que se amplia a matéria de defesa permitida ao devedor através de embargos. Em razão disso. A doutrina cita como exemplo a decisão no procedimento monitório que concede o mandado de cumprimento caso não haja embargos ou se estes forem rejeitados. Os títulos de crédito são instrumentos criados para facilitar a circulação de riquezas. Note-se que o título extrajudicial prescinde de prévio processo de conhecimento. 1) Letra de câmbio: é uma ordem de pagamento em que alguém chamado sacador (credor) se dirige a outrem denominado sacado (devedor) para pagar a terceiro (beneficiário da ordem). Já o cheque é regido pela Lei 7. . Como diz ARAKEN DE ASSIS. o primeiro inciso do art. Inicialmente. Importante tratarmos de alguns conceitos iniciais antes de analisar as peculiaridades desses títulos executivos extrajudiciais. Entretanto. Conforme afirmou PONTES DE MIRANDA. Os títulos cambiais são dotados de características próprias que os diferenciam dos demais títulos extrajudiciais. ele "não tem antecedência.474/68. a abstração e a circulação. mas antecipa-se à sentença de cognição".357. Outros dispositivos legais esparsos também podem criar títulos executivos judiciais. é a ordem dirigida ao devedor para que pague a dívida em favor de terceiro. A duplicata é regulada pela Lei 5. os títulos executivos extrajudiciais "são os atos da vida privada aos quais a lei processual agrega tal eficácia e assim também são as inscrições de dívida ativa". competência. "larga é a casuística em torno dos pressupostos de exeqüibilidade. Em outros termos. O rol dos títulos executivos extrajudiciais está no art. no que se refere às letras de câmbio e notas promissórias. 3. 585 do CPC.sentença arbitral será título executivo quando contiver eficácia condenatória. Títulos executivos extrajudiciais O título extrajudicial prescinde de prévia ação condenatória. 585 trata dos títulos cambiais ou de crédito. visto que possui características como a literalidade. de 02/09/1985. a autonomia. legitimidade passiva. o formalismo. ônus da prova e profundidade da cognição nos embargos". De acordo co o pensamento de DINAMARCO.

pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. Por fim. Na realidade. expandindo seu capital. Passando para o inciso II. O protesto será necessário apenas para tornar a promissória exigível frente a endossadores e respectivos avalistas. da nota promissória e da duplicata ocorre em três anos da data do vencimento. 4) Debênture: é título de crédito emitido por sociedade anônima a fim de obter empréstimos junto ao público. pela redação atual desse dispositivo.102 e ss. Gozam de privilégio geral em caso de falência. Para DINAMARCO. insta lembrar que se faltar algum requisito essencial aos títulos de crédito não é permitido ao credor a via executória em face da característica da literalidade e do formalismo dos títulos cambiais. é importante frisar que a reforma ampliou sensivelmente o alcance deste de forma a abranger várias espécies de documentos. A prescrição da letra de câmbio. afinal.). desde que presentes os requisitos da liquidez e da certeza. mas desde já se abre o caminho da tutela monitória (arts. o crédito cambiário deixa de existir. O primeiro seria a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor. O documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas também tem força executiva. A duplicata é circulável via endosso. O inciso II ainda trata da executividade do instrumento de transação referendado pelo Ministério Público. dando oportunidade para a execução por quantia certa. 1. São os chamados atos referendados em que estão incluídos todos os atos pelos quais os litigantes se compõem para a solução de uma situação conflituosa. Já o cheque prescreve em seis meses após o termo do prazo de apresentação que é de 30 dias quando pagável na mesma praça e de 60 dias quando emitida numa praça para ser pago em outra. o CPC condicionou a eficácia executiva de tais documentos à assinatura de duas testemunhas. valendo-se da cártula como documento que autoriza essa via diferenciada. o legislador enumerou oito figuras de títulos executivos. O cheque e a nota promissória independem de protesto. 5) Duplicata: trata-se de título de crédito emitido em favor do vendedor ou prestador de serviço contra o adquirente da mercadoria ou do serviço. o inciso III é um "aglomerado heterogêneo de negócios jurídicos". podemos considerar como títulos executivos extrajudiciais todos os atos jurídicos documentados por escrito. Ocorrendo a prescrição. em um só dispositivo.3) Cheque: é uma ordem de pagamento à vista em favor do credor emitido por uma pessoa (devedor) contra uma instituição bancária. Cada debênture é título executivo pelo valor que indica. trata-se do ato praticado pelo devedor assumindo uma obrigação e a promessa de cumpri-la. Na realidade. conforme se verá. Entretanto. Os contratos de caução ou de garantia previstos nesse dispositivo configuram o ajuste que visa dar ao credor .

Distrito Federal. as despesas de condomínio também encontram sua força executiva no largo espectro da lei processual civil brasileira desde estejam devidamente documentados pelo síndico. penhor e anticrese são direitos reais de garantia sobre coisas alheias previstos no Código Civil. Entretanto. Entretanto. Trata dos créditos dos auxiliares da justiça aprovados por decisão judicial. manutenção de elevadores. como alerta WAMBIER. §1. Entretanto. A hipoteca tem como garantia um bem imóvel. essa decisão "é dada incidentalmente no curso do processo em que esses auxiliares da justiça trabalharam: não é provimento resultante de discussão em contraditório. Estado. Território e Município. São meios do credor da obrigação assegurar a responsabilidade patrimonial de certos bens do devedor. o inciso III deixa claro que os contratos de seguro também dão ensejo à execução forçada. o porteiro. bem como o perito. esse credor quirografário tem o ônus de intimar o credor preferencial sob pena de ineficácia da penhora. O devedor das custas será a parte vencida no processo.º). intérprete e tradutor. Note-se que a hipoteca. o Novo Código Civil proibiu expressamente a figura da enfiteuse (art. de intérprete. a liquidez desses títulos extrajudiciais pode ficar condicionada a documentos ou declarações posteriores à celebração do contrato. o inciso IV contempla as chamadas "rendas imobiliárias" e o "encargo de condomínio". despesas de condomínio são aquelas necessárias à administração das áreas comuns. O inciso V aborda sobre o crédito de serventuário de justiça. os oficiais de justiça. o penhor e anticrese não impedem a penhora do bem por outro credor que não o com garantia real. equipamentos em geral. etc. e a anticrese consiste na entrega ao credor um imóvel para que este perceba os frutos e rendimentos dele provenientes para compensação da dívida. Auxiliares da justiça são os serventuários. como a certidão de óbito ou o atestado médico. quando as custas. 2. Por fim. Hipoteca. ou de tradutor. de perito. o contador. caput). no penhor se dá em garantia um objeto móvel mediante a efetiva entrega ao credor. O inciso VI traz a figura da certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União. o avaliador. Desdobram-se em duas classes: os de garantia real e os de garantia pessoal. nem necessariamente homologatório do consenso entre os envolvidos" . Nesses casos.038. Por fim. De acordo com a lei do inquilinato. Para ARAKEN DE ASSIS. O foro é a verba anualmente paga pelo enfiteuta ao proprietário como prestação pelo domínio útil do imóvel na enfiteuse da lei civil. sejam eles de vida ou de acidentes pessoais.uma segurança de pagamento. (art. 23. o distribuidor. correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. como o escrivão. De acordo com Teori Albino ZAVASCKI. "considera-se dívida ativa da Fazenda Pública . Os valores a cobrar serão somente aqueles que já não foram adiantados no curso do processo. emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial.

. ao Distrito Federal. resta reafirmado o princípio da tipicidade dos títulos executivos. à União. por lei. aos Municípios ou às suas autarquias.qualquer valor cuja cobrança seja atribuída. Entretanto. conforme visto no início. independentemente de se tratar de dívida tributária ou não" O inciso VII fecha o estudo dos títulos executivos extrajudiciais remetendo à legislação extravagante. aos Estados.