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OAB 2ª FASE – XV EXAME

Direito do Trabalho
Aryanna Manfredini

SEGUNDO EXERCÍCIO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA
Murilo Fininho foi contratado, na data de 15 de outubro de 2008, pela empresa Heart Attack
Grill Ltda., para trabalhar na cidade de Florianópolis/SC, como garçom, mediante salário de R$
1000,00. O empregado afirma que uma das especialidades da Lanchonete era o sanduíche
denominado quadruple bypass com 4 hambúrgueres: 1 quilo de carne e 8000 calorias. Alega que
recebia dos clientes cativos, em média, R$ 200,00 mensais de gorjeta, as quais não eram
computadas para o cálculo das verbas trabalhistas.
Desde o início do contrato de trabalho, a empresa servia diariamente aos empregados, no
horário do lanche, o que chamava de “vale-infarto”, ou seja, um quadruple bypass e um
refrigerante ou um sanduíche natural e um suco, sendo a escolha deste, o que correspondia a R$
150,00 mensais. A supervisora da lanchonete sempre ressaltava que tal vantagem não
correspondia ao salário, mas sim a um agrado aos funcionários para que divulgassem os
produtos da empresa. Com base nesse argumento, em outubro de 2009 o empregador resolveu
unilateralmente suprimir tal benefício
A jornada de trabalho semanal do reclamante ocorria de segunda a sexta-feira, das 8h00
às 16h40min, com 40 minutos de intervalo para descanso e alimentação. Aos sábados, laborava
das 19h00 às 22h52min, horário em que normalmente o último cliente ia embora conduzido ao
seu carro em uma cadeira de rodas por uma das garçonetes vestida de enfermeira. A empresa,
então, era fechada, sendo que o último ônibus que servia o local de trabalho passava nas
proximidades da mesma às 22h00. A empresa, então, colocava à disposição do reclamante um
veículo para conduzi-lo até sua casa, o que demorava em média 45 minutos.
O Senhor Fininho relata que foi descontado do seu salário um dia de trabalho e o descanso
semanal remunerado relativo à uma semana do mês de novembro de 2010, em razão de ter
faltado ao trabalho para comparecer em juízo como parte no processo em que estava litigando
contra seu antigo empregador, muito embora tivesse apresentado certidão da Justiça do Trabalho
confirmando suas alegações.
Em 09/03/2012, quando carregava uma mesma bandeja cheia de lanches, uma criança
atravessou correndo à sua frente e ele caiu no chão. Antes mesmo de conseguir se levantar, sua
supervisora, Patrícia Carrask, saiu do caixa e se dirigiu a ele gritando que era um incompetente,
afirmando que foi um erro ter contratado um empregado tão magrinho e fraco para trabalhar na
empresa. Furiosa, demitiu-o na frente de todos por justa causa alegando desídia e exigindo que
antes de sair da empresa, ele limpasse toda aquela sujeira. Sentindo-se humilhado na frente de
todos aqueles clientes, o empregado começou a chorar, fez a limpeza como ela mandou e saiu
da empresa. Apesar de tudo, não recebeu suas verbas rescisórias até o momento.
Passados mais de 30 dias do episódio, o reclamante pede que você o represente nesta
ação. Ele relata que recebeu as férias relativas aos períodos aquisitivos 2008/2009 e 2009/2010 e
os décimos terceiros salários dos anos anteriores ao da rescisão. Admite ainda que recebia
adicional noturno.
Na qualidade de advogado do reclamante, apresente a medida processual cabível para a defesa
de seus direitos.

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