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Manual de
Fotografia Digital
Por D e n n i s PAA30470C
. C u r t i n - S egunda E dição

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€ 50, é a altura de experimentar uma nova abordagem, à altura da era digital
– colorida, animada e disponível na integra em PDF eTexts™, que pode ser
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negócios editorial e de impressão de várias formas, incluindo as seguintes:
• Actualização. Desde que não sejam necessárias actualizações de fundo,
os conteúdos podem ser revistos e actualizados sempre que necessário, e
não apenas nos prazos previstos de 2 ou três anos. Numa área em rápido
crescimento como a fotografia digital, estas revisões frequentes são muitas
vezes necessárias para manter os conteúdos actualizados.
• Distribuição e impressão. As editoras de manuais funcionam com base
num sistema de impressão e distribuição. Isso significa que correm grandes
riscos, investem milhões de dólares em marketing, promoção, armazenamento,
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texto pode aceder às animações, em Inglês, em
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Este texto dá-lhe a conhecer o panorama completo da fotografia digital e inclui
os seguintes tópicos:
• Câmaras e imagens digitais (Capítulo 1)
• Fluxo de trabalho digital (Capítulo 2)
• Controlos da câmara e fotografia criativa (Capítulo 3–6)
• Flash e iluminação de estúdio (Capítulo 7-8)
• Partilhar e visualizar imagens digitais (Capítulo 9–10)
• Explorar para além das convencionais imagens estáticas (Capítulo 11)

Este livro tem o apoio da iii


Prefácio

Prefácio

N
inda há pouco tempo, um curso de “Fotografia Digital”, por
Experimente norma, implicava um curso de Photoshop. À medida que as
com filme! câmaras se tornaram cada vez mais populares, o curso de
• No Verão de 2003, introdução tornou-se à partida digital, uma vez que, actualmente,
a Associated Press a aprendizagem da fotografia começa com a utilização de uma câmara
noticiou que um digital. Com o amadurecimento desta nova era da fotografia digital, não
rapaz de 15 anos
denunciou um
tardará até que o termo “digital” na “fotografia digital” acabe por se tornar
rapto utilizando redundante. Ele será assumido à partida, já que esse será o meio pelo qual
o seu telemóvel a grande maioria da fotografia será obtida. Uma das principais razões para
para captar fotos
do indivíduo e da
esta rápida passagem da imagem em película para o digital deve-se ao facto
matrícula do seu de a fotografia estar inserida num mundo que se tornou digital. Para tirar o
carro. O homem máximo partido deste mundo digital onde vivemos, os fotógrafos também
foi detido no dia
seguinte.
precisam de ser “digitais”. Por enquanto, captar imagens em filme e depois
digitalizá-las é uma solução. No entanto, este processo é caro e moroso. As
• Um homem
encalhado numa
câmaras digitais acabam com essas limitações e captam à partida imagens
massa de gelo num formato digital universalmente reconhecido, o que torna mais fácil a
flutuante, durante sua visualização e partilha. Pode inserir fotografias digitais em documentos
uma expedição ao
Polo Norte, tirou
do Word ou em apresentações em PowerPoint , imprimi-las praticamente
uma fotografia digital em qualquer suporte, enviá-las por e-mail, integrá-las num slide show para
à pista de mil pés serem vista na TV, publicá-las numa página Web onde qualquer pessoa no
que tinha escavado à
mão e enviou-a por
mundo pode vê-las – e até mesmo gravá-las a laser em vidro ou em granito.
e-mail à equipa de Uma câmara digital, um computador e uma ligação de alta velocidade à
salvamento aéreo, Internet tornam cada um de nós um membro de uma rede, ou comunidade
mostrando-lhes que
era possível uma
em expansão, de fotógrafos e visualizadores.
aterragem.
Da mesma forma que as imagens digitais tornam mais simples a integração
de fotos em muitas outras coisas que fazemos, a tecnologia digital torna
mais fácil combinar câmaras com outros dispositivos. Uma das tendências
actuais, consiste em integrar câmaras em telemóveis e outros dispositivos
móveis. Através de apenas alguns botões, pode captar uma imagem e enviá-
la imediatamente por e-mail ou publicá-la numa página Web. Não demorará
até haver câmaras digitais em qualquer lado, e a qualquer hora. Que impacto
isso terá nas fotografias, ainda não sabemos ao certo, mas se a história não
“mente”, em breve as pessoas vão descobrir formas práticas, criativas e até
artísticas de utilizar estas novas ferramentas.
A evolução tecnológica sempre abriu novas oportunidades e apresentou
diferentes abordagens que alteraram a forma como as imagens são vistas e
utilizadas. Por exemplo, a introdução de uma câmara Leica de 35 mm, em
1930, representou uma mudança revolucionária, que facilitava a captura
de objectos em movimento. As imagens tornaram-se mais espontâneas
As tabuletas das e fluidas, bem diferentes das imagens de poses formais conseguidas com
lojas de fotografia câmaras grandes e incómodas. As câmaras mais pequenas permitiram aos
rapidamente passaram
a anunciar a impressão
fotógrafos captar discretamente a vida nas ruas e as pessoas em movimento,
de ficheiros digitais em sem interferir no curso da acção com a sua simples presença. A realidade
vez da revelação de pôde então ser captada inalterável e sem encenações. Num futuro próximo,
rolos. “A partir de hoje,
a pintura está morta!”
com câmaras incorporadas em praticamente todos os telemóveis, isso terá
proferiu o pintor Paul um impacto ainda maior. Apesar de ter sido quer a disponibilidade imediata
Delaroche, quando viu o quer a flexibilidade da fotografia digital a tornar o sistema tão popular, há um
primeiro daguerreótipo,
em 1839. Estava
aspecto que raramente é mencionado: a nova liberdade que isso nos dá para
enganado, mas explorar a fotografia criativa.
poderemos reformular a
sentença para “A partir Em 1870, quando William Henry Jackson transportava, numa mula,
de hoje, o filme está negativos de vidro de 20 x 24 cm ao logo do West americano, a sua hesitação
morto!”

iv Este livro tem o apoio da


Prefácio

antes de tirar uma fotografia era natural. Ele tinha de montar uma câmara
escura, sensibilizar a placa de vidro, expor a imagem, revelar o negativo e
depois desmontar e voltar a empacotar todo o material. Nós podemos não
carregar placas de vidro do tamanho de uma janela, mas continuamos a
hesitar antes de captar uma imagem. Fazemos sempre a mesma pergunta
mentalmente “valerá a pena?”. Subconscientemente avaliamos os custos,
A Leica original mudou o tempo, o esforço e por aí fora. Durante esse “momento decisivo”, muitas
a forma como os vezes perdemos a oportunidade para registar “aquela” imagem ou somos
fotógrafos captavam as incapazes de experimentar coisas novas.
suas imagens e agora,
com a M8, isso também Perdemos a oportunidade de evoluir criativamente e optamos por ficar por
se aplica ao digital. algo que nos é familiar e já fizemos anteriormente. Surpreendentemente,
Jackson teve uma grande vantagem que perdemos durante algum tempo.
Se uma imagem não saísse, ou se não tivesse mais placas de vidro, podia
simplesmente raspar a emulsão de um negativo já exposto, voltar a
A vantagem de sensibilizar a placa e tentar novamente. A fotografia digital, para além de
uma câmara não se eliminar a velha questão “será que vale a pena?”, também nos faz retomar
resume ao seu poder
em transformar essa era em que o suporte podia ser continuamente reutilizado (e nem
o fotógrafo num precisamos de uma mula para carregar o material). Entregue a câmara a
artista, mas no uma criança, aborde ângulos insólitos e originais, dispare sem olhar pelo
impulso que esta lhe
dá para continuar a
visor e ignore todas as ideias preconcebidas sobre como fotografar. Poderá
olhar, e a olhar. surpreender-se com as suas fotos ao explorar esta nova era dos disparos sem
limites.
Brooks Atkinson
Once Around the Sun As câmaras digitais surgiram apenas há alguns anos e estamos apenas no
despontar desta nova era. Onde ela nos pode levar, ninguém sabe ao certo,
mas é inevitável o entusiasmo de participar neste mundo em constante
mutação. Assim que começar a explorar o terreno, já estará rodeado desta
linguagem técnica, mas, na verdade, grande parte dela pode obviamente ser
ignorada. Para demonstrar que na verdade há coisas que nunca mudam, aqui
fica algo que Jacob Deschin, o fotógrafo editor do New York Times, escreveu
em 1952 sobre a nova era, quando a Leica veio revolucionar a fotografia:
“Quando o 35 mm atingiu o auge, os fotógrafos de prestígio transformaram-
se, de um dia para o outro, em autênticos “peritos” do novo suporte – falando
com à vontade do grão pequeno e das grandes ampliações possíveis. Na
verdade, eles precisavam de o fazer, em legítima defesa, pois, para quem
tinha dominado anteriormente a técnica de miniaturas, parecia importante
ser tecnicamente entendido, pelo menos nas conversas. As imagens não
interessavam realmente! Mas apesar desse vazio, muitas coisas boas vieram à
superfície e exerceram uma influência benéfica na fotografia em geral.”

http://www.photocourse.com/itext/glossary/glossary.pdf

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Conteúdos

Contents

Capa...I Quando Ignorar a Exposição Automática...104


Publicações ShortCourses e PhotoCourse...II Como Funciona a Prioridade à Exposição
Utilização deste texto numa sala de aulas...III Automática...108
Prefácio...IV Como avaliar a Exposição Automática...109
Conteúdos...VI
Lista de Animações e Extensões...VIII Capítulo 4
Controlar a Nitidez...112
Capítulo 1 Eliminar o Desfoco Provocado pelo Movimento da
Câmaras e Imagens Digitais...9 Câmara...113
No Início...10 Estabilização de Imagem...115
O que é uma Fotografia Digital...11 Aumentar a Sensibilidade (ISO)...116
Fotografia Digital – O Passado e o Futuro...12 A nitidez não é tudo...117
Porquê o Digital? ...14 Como fotografar Movimento com Nitidez...118
Tipos de Câmaras Digitais...15 Focagem – O plano de foco principal...120
O começo – Tirar fotos em Modo Automático...19 Focagem – Áreas de Foco...121
Os Controlos da Câmara...21 Foco - Técnicas...122
Enquadrar Imagens...22 Profundidade de Campo...125
Capturar Imagens...25 Círculos de Confusão...126
Fotografia Contínua...26 Controlar a Profundidade De Campo...127
Modo de Reprodução...27 Utilizar a Profundidade de Campo Máxima...128
Quando as coisas correm mal...28 Utilizar uma Profundidade de Campo Curta...130
Sensores de Imagem - Introdução...29 Captar a Expressão do Movimento...131
Sensores de Imagem - Tipos...30
Sensores de Imagem – Tamanho da Imagem...31 Capítulo 5
Sensores de Imagem – Tamanhos e Proporções (Aspect Captar Luz e Cor...132
Ratios)...35 De Onde Vem a Cor?...133
Sensores de Imagem – Sensibilidade e Ruído...37 Balanço de Brancos...134
Sensores de Imagem – Afinal é tudo a Preto e O Balanço de Brancos e a Hora do Dia...138
Branco...38 Nascer e Pôr-do-sol...139
Sensores de Imagem – Limpeza...41 Condições Meteorológicas...141
Fotografar à Noite...143
Capítulo 2 A Direcção da Luz...145
Fluxo de Trabalho Digital ...42 A Qualidade da Luz...147
Fluxo de Trabalho Digital...43
Formatos de Imagem...44 Capítulo 6
Dispositivos de Armazenamento da Câmara...48 Compreender as Objectivas...149
Como são armazenadas as Imagens na Câmara e no Introdução às Objectivas...150
Computador...50 Compreender a Distância Focal...151
Transferir Imagens...53 Objectivas Zoom...154
Armazenar Imagens – No seu Sistema...56 Distância Focal Normal...155
Armazenar Imagens — Na Rua...59 Distância Focal Curta...156
Organizar os seus Ficheiros de Imagem...60 Distância Focal Longa...158
Gestores de Imagem...61 Retratos e Distância Focal...160
Avaliar as suas Imagens — Básico...66 Modo Macro e Objectivas Macro...161
Avaliar as suas Imagens — Histogramas...69 A Perspectiva numa Fotografia...163
Edição Fotográfica — Edição Geral...73 Acessórios para Objectivas...164
Edição Fotográfica — Edição Local...78
Gestão de Cor – Modelos de Cor e Espaços de Cor...80 Capítulo 7
Gestão de Cor — O Fluxo de Trabalho...82 Fotografia Com O Flash Da Câmara...165
Potência e Alcance do Flash...166
Capítulo 3 Sincronização do Flash e Velocidades de
Controlar a Exposição...85 Obturação...167
A Importância da Exposição...86 Flash Automático...168
Como é que a Exposição afecta as suas Imagens...87 Redução de Olhos Vermelhos...169
Controlos de Exposição – O Obturador e a Abertura...88 Utilizar o Flash de Enchimento...170
Controlos de Exposição – Porquê tantas opções?...89 Flash Desligado...171
Modos de Exposição...90 Utilizar o Flash de Sincronização Lenta...172
Usar os Modos de Cena...91 Controlar a Exposição do Flash...173
O Obturador Controla a Luz e o Movimento...92 Utilizar um Flash Externo...175
A Abertura Controla a Luz e a Profundidade de Flash Externo e Acessórios...177
Campo...95
Utilizar a Velocidade do Obturador e a Abertura em Capítulo 8
Simultâneo...97 Fotografia de Estúdio...178
Como Funciona o seu Sistema de Exposição...99 Utilizar a Iluminação Contínua...179
Quando a Exposição Automática Resulta...103 Utilizar a Iluminação do Flash...181

vi Este livro tem o apoio da


Conteúdos

Ligar a Câmara às Luzes de Estúdio...182 Mapear as suas Fotos...238


Compreender a Luz Dura e Suave...183
Utilizar Cartões de Enchimento e Reflectores...185
Utilizar Difusores...187 Capítulo 10
Outros Controlos de Iluminação...189 Exibir e Partilhar Fotos Impressas...241
Colocar tudo junto – Exposição e Balanço de Como são Impressas as Fotos a Cores...242
Brancos...190 Imprimir — Online...244
Escolher um Plano de Fundo...192 Imprimir — Na loja...246
Posicionar a Câmara...194 Imprimir — Localmente...247
Retrato e Fotografia de Produto - Introdução...197 Imprimir — Faça você mesmo...248
A Luz Principal...198 Jacto de Tinta — Papéis de Impressão...252
A Luz de Enchimento...199 Jacto de Tinta — Tinteiros...257
A Luz de Fundo...200 Jacto de Tinta — Durabilidade...258
A luz de Recorte...201 Emoldurar e Montar de Impressões...259
Pensar a sua Fotografia...202 Emoldurar, Pendurar e Arquivar Impressões...261
Livros de Fotografia — Faça você mesmo...263
Livros de Fotografia — Mandar Fazer...265
Capítulo 9 Álbuns Ilustrados...268
Exibir e Partilhar Fotos no Ecran ...204 Fotos em Tecido...269
Enviar Fotos – E-mail...205 Fotos em Superfícies Lisas...271
Enviar Fotos – Mensagens Instantâneas...207 Presentes Fotográficos e Originalidade...272
A luz de Recorte...201 Gravação Laser e Cerâmica...274
Slide Shows - Na TV...209
Slide Shows – No Ecrã do Computador...212
Slide Shows — Edição e Arranjo...213 Capítulo 11
Formatos de Ficheiros — O ajuste final...217 Para Além da Imagem Estática...275
Slide Shows — Projectores Digitais...218 Fotografia Panorâmica...276
Slide Shows — Molduras Digitais...220 Fotografia Estereoscópica...279
Publicar as Suas Fotos — eBooks...224 Animações...282
Publicar as Suas Fotos — Páginas de Partilha de Captar vídeos...284
Fotos...227 Efeitos de Panning e Movimento com Zoom...285
Publicar as Suas Fotos — A Sua Própria Página Metamorfose…286
Web...231 Fotografia Lenticular — Impressões em movimento...287
Publicar as Suas Fotos — Blogs Fotográficos...233 Livros de Imagens Animadas — Animações
Publicar as Suas Fotos — RS...235 Portáteis...289
Entretenimento Pessoal — Gestores de Wallpapers e Fotografar a Preto e Branco e com Infravermelhos...290
Fundos do Ambiente de Trabalho...236 Visão Nocturna...292
Entretenimento Pessoal — Protecção do Ecrã...237 Fotografia Pin Hole (Estenopeica)...294

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viii Este livro tem o apoio da
Capitulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Capítulo 1
Câmaras e Imagens Digitais

A
s imagens digitais são formadas por minúsculos pontos de cor.
Esses pontos, que normalmente existem aos milhões numa
imagem, são tão pequenos e estão tão juntos que se combinam e
transformam nos tons suaves e contínuos que estamos habituados
a ver nas fotografias captadas em filme. As imagens digitais podem ser
captadas directamente com câmaras digitais, ou através da digitalização
de transparências, negativos, ou provas impressas. O resultado final é uma
imagem num formato universalmente reconhecido, que pode ser facilmente
manipulado, distribuído e utilizado. Este formato digital de imagem, e em
particular o desenvolvimento da Internet, abriram novas portas para a
fotografia, como mostraremos neste texto. Vamos começar por dar uma vista
de olhos às câmaras e imagens digitais. Neste capítulo encontrará as bases
para a compreensão da fotografia digital.

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Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

No Início

Muito antes da descoberta da fotografia, os artista já utilizavam câmaras escuras


http://www.photocourse.com/itext/boxcamera/
(ou “camera obscuras”, em Italiano). A luz entrava na câmara através de uma
pequena abertura, chamada pinhole (buraco de agulha ou orifício estenopeico),
Clique para ver como é projectando uma imagem de uma cena na parede oposta.
que todas as câmaras
são caixas escuras. Inicialmente, estas câmaras especiais eram desenhadas apenas para demonstrar
este fenómeno “mágico” mas, no século XVI, os artistas italianos diminuíram o
tamanho das enormes câmaras e criaram caixas portáteis, substituindo os buracos
de agulha por uma objectiva, adicionando um espelho para inverter a imagem e
uma superfície de vidro translúcido onde a imagem era projectada e visualizada.
Desta forma podiam desenhar manualmente as imagens projectadas.
Mas Henry Fox Talbot pretendia captar directamente as imagens e, foi esse
impulso que, mais tarde, levou à invenção da fotografia. No entanto, apesar das
As câmaras foram enormes evoluções tecnológicas ao longo dos anos, a caixa escura e as objectivas
descobertas antes da continuam a ser as bases da fotografia moderna.
fotografia. Centenas
de anos antes de
conseguirem registar
directamente as
imagens, as pessoas
já viam as imagens
projectadas.

Abu Ali Hasan Ibn


al-Haitham, também
conhecido Alhazen,
que vemos nesta nota
de 10.000 dinares
iraquianos, apresentou
a primeira explicação
correcta sobre a visão,
demonstrando que a
luz é reflectida para os
olhos a partir de um
objecto. Ele afirmou ter
“inventado” a camera
obscura.

Esta é a vista de uma


câmara fotográfica.
Com os seus foles
flexíveis removidos,
podemos ver o vidro,
que funciona como o
plano de focagem e
que, quando se tira a
fotografia, é substituído
por película ou por
um sensor digital. A
objectiva projecta a
cena invertida nesse
plano. Imagem cortesia
HP.

10 Este livro tem o apoio da


O que é uma Fotografia Digital

O que é uma Fotografia Digital

Este livro é sobre fotografia digital e pretende ajudar a compreender o


http://www.photocourse.com/itext/dots/
produto final, logo, a questão emergente é: saber o que é uma fotografia digital
Clique para ver como propriamente dita. Basicamente, tudo se resume a pontos. As fotografias
é que os píxeis são sempre foram compostas por minúsculos pontos, quer se trate dos sais de prata
impressos através de
pontos de tinta com
da película, quer dos pontos de tinta de uma página impressa. As câmaras
diferentes cores. digitais simplesmente levaram este princípio a um novo nível, convertendo
electronicamente uma cena em milhões de pontos quase instantaneamente, e
utilizando depois o poder do computador para os organizar, editar, melhorar,
armazenar e distribuir.
Nas fotografias digitais, os milhões de pontos captados pela câmara são
chamados de “pictures elements” (elementos da imagem) – comummente
conhecidos por píxeis. Tal como os Pontilhistas pintavam belíssimas cenas com
pequenas gotas de tinta, o seu computador e a sua impressora utilizam estes
píxeis minúsculos para apresentar ou imprimir fotografias. Para as apresentar,
o computador divide o ecrã numa grelha de píxeis, em que cada um desses
píxeis é composto por um ponto vermelho, um verde e um azul – chamados
subpíxeis. Depois, utiliza os valores contidos na fotografia digital para especificar
o brilho de cada um dos três subpíxeis, e essa combinação dá-nos a percepção
do píxel como uma cor única. As provas impressas são obtidas por um processo
semelhante, mas utilizam diferentes definições de cores, e por cada píxel são
misturados mais pontos. Para ver estes pontos com os seus próprios olhos, utilize
uma lupa para examinar o monitor do seu computador ou uma fotografia a cores
numa revista, livro, ou jornal. Em alternativa utilize um programa de edição
fotográfica para ampliar uma imagem no ecrã até que os píxeis apareçam.

Aqui, temos uma


fotografia de um globo
ocular (em cima), com
os píxeis visíveis (ao
centro) e como na
impressão (em baixo).
Imagem cortesia
webweaver.nu.

Esta reprodução da
famosa pintura “The
Spirit of’ 76”, foi feita
com gomas jelly beans.
Imagine cada uma
dessas gomas como um
pixel, e verá que é fácil
perceber como é que
os pontos ou os píxeis
podem formar imagens.
Jelly Bean Spirit of ’76,
cortesia de Herman
Goelitz Candy Company,
Inc - Fabricante de
gomas (jelly beans)
Jelly Belly.

Este livro tem o apoio da 11


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Fotografia Digital – O Passado e o Futuro

Não foi há muito tempo que muitos de nós ficaram ao corrente da existência
da fotografia digital (cerca de 1995). Esse foi o ano em que a Apple QuickTake
100 e a Kodak DC40 foram lançadas para o mercado, com preços relativamente
acessíveis. Estas câmaras, ainda parecidas com as de filme, captavam imagens
muito pequenas, mas foram um sucesso imediato. Algumas pequenas
empresas, agentes imobiliários e de seguros, e outros consumidores ávidos
por novidades, rapidamente se interessaram por elas. Elas tornaram-se de tal
Esta ilustração mostra
o tamanho proporcional forma populares que, a estes modelos iniciais, logo se seguiu o lançamento de
das fotografias captadas câmaras de outros fabricantes como a Casio, a Sony, a Olympus, entre outros.
com as primeiras A corrida continuou e esta “enchente” de novas câmaras está cada vez mais
câmaras digitais
(pequena) e com os acelerada. As coisas evoluíram tão rapidamente que, pelo mesmo dinheiro que
modelos mais recentes anteriormente podíamos comprar uma daquelas novidades, agora é possível
(grande). comprar câmaras com um rol infindável de características e especificações,
como vídeo, som e controlos de nível profissional, que captam imagens vinte
vezes maiores.
Estas primeiras câmaras de consumo não evoluíram isoladamente. As câmaras
profissionais, baseadas nas câmaras de filme, mas com sensores de imagem
para captar imagens digitais, cresceram em popularidade no meio profissional.
No entanto, os preços eram demasiado elevados, o que as tornava acessíveis
apenas a uma elite. A Kodak lançou também o Photo CD, permitindo aos
fotógrafos digitalizar as suas colecções de negativos e diapositivos a baixo
custo. O processo fez sucesso entre os profissionais mas entre os amadores
não foi tão bem aceite como a Kodak previra. Entretanto, as áreas editorial,
da publicidade, da medicina, e muitas outras, adoptaram o digital. As
A câmara digital Canon imagens digitais rapidamente conquistaram esses ramos, por poderem
EOS DCS 3, foi lançada ser instantaneamente visualizadas, enviadas por e-mail, ou inseridas em
em Julho de 1995 e documentos. Inicialmente, foram sobretudo os profissionais que conduziram
captava imagens de 1,3
megapíxeis. Custava à mudança da película para o digital, mas não tardou até que a maioria dos
cerca de 17 000 consumidores seguissem a mesma direcção. Actualmente, a indústria de
dólares. película já não está no seu auge, ao invés, está a esmorecer continuamente.
Mas, dada a escala desta mudança, como é que tudo isso passou a pertencer ao
passado?

A câmara digitalCanon
PowerShot 600, foi
lançada em Julho de
1996 e captava imagens
com 500 píxeis. Custava
mais de 1 000 dólares.

Willard Boyle (à
esquerda) e George
Smith (à direita).
Cortesia da Lucent
Technologies.

12 Este livro tem o apoio da


Fotografia Digital – O Passado e o Futuro

George Smith e Willard Boyle, do Bell Labs, foram os co-inventores do sensor


CCD (chage-coupled device) e os grandes responsáveis pela mudança mas, na
verdade, nunca tiveram o merecido reconhecimento público. Na altura estavam
a tentar criar um novo tipo de memória semicondutor para computadores.
Secundariamente, havia a necessidade de desenvolver uma câmara com circuito
integrado para utilizar em serviços de vídeo-telefone. No espaço de uma hora, a
17 de Outubro de 1969, fizeram o esboço da estrutura básica do CCD, definindo os
seus princípios operacionais e aplicações gerais, incluindo a formação da imagem e
a memória.
Por volta de 1970, os investigadores dos Bell Labs incorporaram o CCD na
Agora, com as
primeira câmara de vídeo com circuito integrado. Em 1975, deram a conhecer a
câmaras integradas primeira câmara CCD com uma qualidade de imagem suficientemente boa para
em telemóveis, como o emissão televisiva. Os sensores CCD rapidamente viriam a revolucionar o fax, o
Apple iPhone, é possível scanner, as fotocopiadoras, os códigos de barras e os campos da fotografia médica.
captar fotos e enviá-las Uma das aplicações mais representativas e exigentes foi a astronomia. Desde
a um amigo, ou
publicá-las numa página 1983, quando os telescópios foram pela primeira vez equipados com câmaras de
Web. Imagem cortesia circuito integrado, os sensores CCD permitiram aos astrónomos estudar objectos
da Apple. mais aperfeiçoadamente. Com eles, era possível obter uma nitidez milhares de
vezes superior à das chapas fotográficas mais sensíveis, bem como, capturar em
segundos imagens que levariam horas a ser registadas em película.
http://www.photocourse.com/itext/dc40/DC40.pdf
Actualmente, todos os observatórios ópticos, incluindo o Hubble Space Telescope,
contam com sistemas de informação digital, construídos com base nos mosaicos
dos sensores CCD.
Os investigadores de outras áreas integraram os CCD em aplicações tão diversas
como na observação de reacções químicas em laboratórios e no estudo da fraca
luminosidade emitida pelos jorros de água quente, expelidos pelas aberturas da
crosta oceânica. As câmaras CCD também foram utilizadas na observação da Terra
via satélite, para controlo ambiental, inspecção e vigilância.
Crédito
A qualidade de imagem foi incrivelmente melhorada ao longo dos anos e,
O material desta actualmente, a maioria das pessoas está satisfeita com a qualidade e com a nitidez
secção, relativo das suas fotos. Por esta razão, a batalha do marketing, sobretudo no que respeita
a Willard Boyle
e George Smith, às câmaras de apontar-e-disparar ou câmaras de bolso, centra-se sobretudo nas
é adaptado dos características e especificações. Visto que as câmaras digitais são semelhantes a
conteúdos escritos computadores, os fabricantes podem programá-las para fazer todo o tipo de coisas
por Patrick Regan, que as antigas câmaras mecânicas jamais poderiam fazer. Elas são capazes de
do Departamento
de Comunicação dos
identificar rostos numa cena para focá-los, detectar e eliminar olhos vermelhos,
Bell Labs. ou permitir ao utilizador ajustar as cores e os tons das suas imagens. Algures
na infindável lista de possíveis características, haverá um ponto de viragem em
que a complexidade das funcionalidades será tal que ultrapassará a utilidade
das mesmas, tornando-as
desnecessárias. Provavelmente
já chegamos a esse ponto, ou
A fotografia digital até já o tenhamos ultrapassado.
começou por ser
aplicada em astronomia, Quando se informa sobre
e continua a ser o rol de funcionalidades,
utilizada nessa área. experimente perguntar a si
Aqui está uma imagem mesmo se usará realmente
fantástica das colunas
de gás, em Eagle
essas funções e qual o grau
Nébula. O pilar maior de controlo que pretende ter
(à esquerda) está a sobre a sua câmara. Ao avaliar
cerca de quatro anos- as funções, tenha em mente
luz de distância da que muitas das fotografias
base. No interior estão
a formar-se estrelas mais marcantes da história
embrionárias. Crédito: da fotografia foram registadas
Jeff Hester e Paul com câmaras que apenas
Scowen (Universidade permitiam controlar o foco,
do Estado de Arizona)
e NASA
a abertura do diafragma e a
(http://hubblesite.org). velocidade do obturador.

Este livro tem o apoio da 13


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Porquê o Digital?

Neste livro assume-se que, ou já é, ou decidiu tornar-se um fotógrafo digital.


Se ainda não está completamente convertido e se se pergunta porque é que a
fotografia digital substituiu o filme quase totalmente em menos de uma década,
aqui estão algumas razões. Poderiamos assumir que é por causa da qualidade da
imagem, já que as imagens digitais são equivalentes, e por vezes melhores do que
as imagens realizadas em filme. Todavia, a verdadeira razão para a mudança vai
noutro sentido: no facto de que, logo que são capturadas, as fotografias digitais
estão já num formato que as torna incrivelmente fáceis de partilhar e usar. Por
exemplo, podem-se inserir fotografias digitais em documentos, imprimi-las num
quiosque, enviá-las por e-mail aos amigos ou publicá-las numa página Web,
onde podem ser vistas por qualquer pessoa no mundo. Na maioria das câmaras,
é possível visualizar imediatamente as imagens num monitor LCD na parte
de trás da câmara, ou ligá-las a um televisor e ver as imagens em slide show.
Algumas câmaras podem até ser ligadas a um telescópio ou microscópio para
mostrar imagens radicalmente ampliadas num televisor com ecrã de grandes
dimensões. É esta possibilidade de partilhar constantemente fotografias com
qualquer pessoa, em qualquer lugar, que torna a fotografia digital tão atractiva.
Muitas das lojas têm Aqui estão mais algumas razões pelas quais esta mudança foi tão radical:
quiosques que lhe
permitem imprimir as • Optar pelo digital possibilita-lhe poupar dinheiro a longo prazo, já que não tem
fotografias no local.
que comprar rolos de filme e pagar pela sua revelação e impressão.
• Não é obrigado a perder tempo a deslocar-se duas vezes à loja para deixar
e depois levantar as imagens (se bem que pode fazê-lo com um cartão de
memória).
• As câmaras digitais mostram instantaneamente o aspecto das fotografias, pelo
que, pode poupar-se à desilusão um ou dois dias depois do filme ser revelado.
• Pode visualizar as imagens antes de as imprimir e, caso não lhe agradem, pode
melhorá-las, ou então poupar dinheiro e não imprimi-las ou apagá-las.
• A fotografia digital (pelo menos no caso do consumidor) não usa os químicos
tóxicos que geralmente acabam por desaguar nos nossos cursos de água, rios e
lagos.
• Não é necessário esperar para acabar um rolo para revelá-lo (ou desperdiçar
filme quando não se pode esperar).
• Muitas das câmaras digitais são capazes de capturar não só imagens estáticas,
mas também som e vídeo – têm tanto de gravadores multimédia como de
Podem colocar‑se câmaras.
imagens em mapas
interactivos, • Pode usar-se um programa de edição de imagem para melhorar ou alterar
simplesmente imagens digitais, por vezes directamente na câmara. Por exemplo, é possível
arrastando-as e
soltando-as aí.
reenquadrar, remover os olhos vermelhos, mudar as cores ou o contraste, e até
adicionar ou eliminar elementos. É como usar uma câmara escura com as luzes
ligadas e sem os químicos.
• É possível publicar imagens numa página Web, para que outras pessoas
possam vê-las ou mesmo imprimi-las.
• As imagens podem ser impressas nas páginas de um livro encadernado,
semelhante aos que se vêem nas livrarias.
É possível imprimir e
encadernar as imagens • Podem criar-se slide shows e gravá-los num DVD, para reproduzir num
num álbum digital. televisor, com música de fundo ou narração.
Imagem cortesia de
PhotoWorks.com.

14 Este livro tem o apoio da


Tipos de Câmaras Digitais

Tipos de Câmaras Digitais

Na altura de escolher uma câmara há uma série de características de design,


tamanho e funcionalidades a considerar. As câmaras de “tamanho de bolso”
normalmente não têm todas as funcionalidades dos modelos maiores, mas
são mais fáceis de transportar. A boa notícia é que, não obstante as suas
enormes diferenças, a maioria das câmaras conseguem captar imagens
com óptima qualidade, especialmente para os formatos de impressão mais
vulgares.

Este antigo slogan


da Kodak é agora
inteiramente aplicado à
fotografia digital. Com
quiosques de impressão
por toda a parte, é fácil
disparar e imprimir
imagens sem recorrer
ao computador.

http://www.photocourse.com/itext/buying/buying.pdf

As câmaras de apontar-e-disparar normalmente têm menos controlos que


outras câmaras digitais mas, a grande maioria, também são mais pequenas,
ou quase minúsculas. Com uma câmara que pode guardar no bolso, sabe que
pode tê-la sempre à mão quando precisar.
A qualidade dos
telemóveis com
câmara integrada
tem melhorado,
com modelos de
10 megapíxeis já
disponíveis em
alguns países. Estas
câmaras poderão até
vir a competir com os
modelos de apontar-
e-disparar. Este Nokia
N95 tem uma câmara
de 5 MP e sistema GPS.

De entre os modelos digitais de apontar-e-disparar, as mais procuradas


pelo consumidor são as incorporadas nos telemóveis. O grande problema
destas câmaras é o facto de a qualidade de imagem ter sido melhorada muito
lentamente, não correspondendo à obtida com uma câmara estritamente
As câmaras descartáveis fotográfica.
conseguem imagens
surpreendentemente
boas e muitas até têm
um ecrã onde pode
visualizar os resultados.

A fotografia digital amadureceu ao ponto de já haver câmaras de apontar-e-


disparar descartáveis.

Este livro tem o apoio da 15


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

As câmaras de objectiva
fixa têm óptimos zoom
e captam imagens
grandes.

A Canon TX1 tem


um design vertical
exclusivo, capta
imagens com 7 As câmaras topo de gama, de objectiva fixa, normalmente têm um zoom e
megapíxeis e vídeos de muitos dos controlos de exposição e focagem que podemos encontrar nas
alta definição (HDTV).
câmaras reflex.

As câmaras reflex dos


principais fabricantes
são compatíveis com
mais objectivas que
as que algum dia vai
precisar.

As câmaras reflex são


as mais flexíveis, mas
também as mais caras.

Um dos tipos de câmaras mais populares no meio profissional e amador


avançados é as SLR (single-lens refex). Estas câmaras são caras mas oferecem
vantagens relativamente a outros tipos de câmaras, como:
• Pode trocar as objectivas.
• Normalmente focam com maior rapidez e precisão e captam imagens com
menos ruído.
http://www.photocourse.com/itext/canonlenses/canoneflenses.pdf
• O enquadramento é feito através da objectiva, por isso, o que vê é aquilo
que irá registar.
• Tem disponíveis vários acessórios, entre os quais poderosos flashes
externos.

16 Este livro tem o apoio da


Tipos de Câmaras Digitais

A Minox produziu uma


Leica M3 em miniatura,
com um sensor
de imagem de 3,2
megapíxeis. Imagem
cortesia da Minox
(www.minox.com).

As câmaras telemétricas, como a Leica, dominaram as áreas do jornalismo


e da fotografia de autor durante décadas. Elas eram silenciosas, pequenas
e os seus visores grandes e luminosos tornavam mais fácil a focagem e a
composição da imagem. Ainda não há muitas câmaras telemétricas digitais
mas, no seguimento da tradição das suas câmaras de filme, a Leica lançou a
primeira – a M8. O mais interessante na designação do modelo é que se trata
do seguimento numérico da câmara de filme M7, e não propriamente de um
nome digital. É obvio que a Leica encara o digital como o caminho a seguir.
Dificilmente se Parece que alcançamos um ponto em que, quando se trata de câmaras, o
esquecerá da câmara sistema digital já é assumido sem ter de ser mencionado.
se a trouxer no
porta-chaves.

http://www.photocourse.com/itext/cases/cases.pdf

O tamanho
da câmara
Quando se trata de As câmaras de vídeo muitas vezes oferecem também opções de imagem
câmaras digitais, estática (fotografia). As imagens são mais pequenas que as conseguidas por
o tamanho não câmaras exclusivamente fotográficas, mas é bom ter esta opção quando se
importa tanto quanto
possa crer. As está a gravar um evento. Grande parte das câmaras digitais também têm
pequenas câmaras um modo de vídeo que permite captar vídeos curtos. Para muitos de nós, o
de bolso podem segredo para conseguir vídeos interessantes é mantê-los curtos. Uma câmara
captar imagens
tão boas quanto as de vídeo pode ter a capacidade de gravar uma autêntica “longa metragem”,
câmaras maiores. mas, quem quererá vê-la? Os pequenos vídeos de pouco mais de um minuto
A única diferença é podem captar os momentos mais importantes e ser partilhados por e-mail ou
que normalmente
têm menos publicados em conhecidas páginas da Internet, como YouTube.com.
funcionalidades e
uma resolução mais
baixa.

Este livro tem o apoio da 17


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Tal como a maioria de nós, os fotógrafos profissionais utilizam câmaras


http://www.photocourse.com/itext/care/care.pdf
reflex e até de apontar-e-disparar. No entanto, quando vão para o estúdio,
ou exploram determinadas áreas especializadas, muitas vezes usam outras
câmaras. Isso deve-se sobretudo ao facto de precisarem de sensores de
imagem maiores e com mais píxeis.

Algumas câmaras profissionais, incluindo esta Hasselblad de médio formato,


funcionam da mesma forma que a sua câmara digital. Quando o obturador é
premido a fotografia é captada automaticamente.

Outras câmaras profissionais, com esta Linhof que vê na imagem, são


convertidas para digital através da simples adição de um back digital, que
substitui o tradicional carregador de filme. Alguns backs funcionam por
varrimento, como os scanners. Quando o obturador é disparado, o back
“digitaliza” uma linha da imagem de cada vez, até construir a imagem na
totalidade, linha a linha. Algumas registam a imagem num único passo e
outras em três passos – um para a luz vermelha, outro para a luz azul e outra
para a luz verde reflectidas pelo objecto. Estas câmaras são lentas, por isso
não podem ser utilizadas para captar objectos em movimento ou cenas com
luz estroboscópica.

18 Este livro tem o apoio da


O começo – tirar fotografias em modo automático

O começo – tirar fotografias em modo automático

Todas as câmaras digitais têm um modo Automático que define o foco e a


exposição. Com a câmara neste modo, tudo o que tem que fazer é enquadrar a
imagem e carregar no botão do obturador. Vai perceber que este modo é ideal
na vasta maioria das situações, porque lhe permite concentrar-se no objecto e
não na câmara. Aqui estão algumas coisas que deve fazer quando usa o modo
Automático, em quase qualquer câmara digital.
• Preparar a câmara. Ligue a câmara e coloque-a em modo Automático.
Sempre que possível, desligue o monitor e enquadre a imagem no visor. Se a
câmara tem uma tampa na objectiva, certifique-se que a retira. A primeira vez
Muitas câmaras digitais
têm um disco selector
que usar a câmara ou se as baterias foram retiradas ou descarregadas por um
de modos de cena, período longo, deverá introduzir a data e a hora. Quando a data e a hora estão
que pode rodar para correctamente gravadas nas imagens, isso pode ajudá-lo a organizar, localizar
seleccionar vários
modos, incluindo o
e identificá-las mais tarde.
Automático.
• Verificar os parâmetros. Verifique sempre os parâmetros da câmara antes
de uma sessão. Confirme quantas fotografias pode captar com os parâmetros
estabelecidos, e o estado da bateria. Aprenda o significado dos ícones, porque
é usual mudar um parâmetro e mais tarde esquecer-se que o fez. Alguns
destes parâmetros mantêm-se alterados mesmo quando desliga e volta a ligar
a câmara e vão afectar todas as fotografias seguintes.
• Segurar a câmara. Quando tira fotografias, segure a câmara com a mão
direita e a objectiva com a mão esquerda. Certifique-se que ao segurar a
câmara não bloqueia o flash, o sensor ou a objectiva com as mãos.
• Enquadrar a imagem. Use o monitor, ou o visor, se a sua câmara tiver, para
compor a cena que pretende capturar. Se a câmara tiver uma objectiva zoom
pode aproximar e afastar a imagem, carregando no botão ou alavanca, ou
rodando o anel da objectiva. Fazer zoom out alarga o ângulo de visão, e fazer
zoom in estreita-o. Se a imagem no visor estiver pouco nítida, verifique se a
câmara tem um regulador de dioptrias, para ajustar a imagem aos seus olhos

Algumas câmaras
digitais têm mais que
uma área de foco, e
aquela que está a ser
usada acende-se ou
pisca quando pressiona
o botão do obturador
até meio (seta em
cima). Quando o foco
se fixa, é habitualmente
mostrada uma luz
indicadora (seta em
baixo) e é possível que
a câmara emita um som
de aviso.

Este livro tem o apoio da 19


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

• Foco automático. Componha a imagem de forma a que o objecto que


pretende que fique mais nítido, esteja coberto por uma das áreas de foco no
visor ou no ecrã. Algumas câmaras têm mais que uma área de foco opcional
e focam a imagem que está mais próxima. Outras têm apenas uma área de
foco, mas permitem que as mova de forma a apontar para qualquer parte da
cena. Estas opções facilitam o foco num objecto que não esteja no centro do
enquadramento – basta focar, bloquear o foco e voltar a reenquadrar.
• Exposição automática. O sistema de exposição mede a quantidade de
luz reflectida por várias partes da cena e usa essas leituras para calcular e
estabelecer a melhor exposição possível. Isto acontece ao mesmo tempo em
que o foco se fixa – quando pressiona o botão do obturador até meio.
• Flash automático. Se a luz for demasiado fraca, o sistema de exposição
automática, vai geralmente fazer disparar o flash integrado da câmara, de
modo a iluminar a cena. Se o flash vai disparar, este abre-se, ou ilumina-se
uma lâmpada de flash quando carrega no botão do obturador até meio. Caso
a lâmpada de flash pisque, significa que o flash está a carregar. Solte o botão
do obturador por alguns segundos e tente de novo.
• Balanço de brancos automático. Como a tonalidade de uma
fotografia é afectada pela cor da luz que ilumina a cena, a câmara ajusta
automaticamente o balanço de brancos, de modo a que os objectos brancos
da cena apareçam da mesma cor na fotografia.
• Tirar a fotografia. O botão do obturador tem duas fases. Quando o
pressiona até meio, a câmara estabelece o foco e a exposição e acende-se uma
luz indicadora, ou é emitido um som de aviso. (Caso a luz indicadora fique
intermitente, significa que a câmara está a ter dificuldades em focar). Depois,
basta pressionar o botão do obturador até ao fim para tirar a fotografia. As
fotografias capturadas são inicialmente armazenadas na memória temporária
(buffer) da câmara. Quando esta está cheia, terá que aguardar até que uma
ou mais fotografias sejam transferidas para o cartão de memória, para poder
tirar mais fotografias.
Quando tira uma
fotografia, não carregue
com demasiada força
no botão do obturador.
Pressione-o suavemente
até meio e aguarde
até que a câmara
estabeleça o foco e a
exposição. Só aí deverá
tirar a fotografia,
pressionando-o
delicadamente até ao
fim. • Revisão das imagens. Muitas das câmaras mostram brevemente a
imagem assim que é capturada. Isto permite-lhe decidir se a imagem está
suficientemente boa ou se é melhor captá-la de novo.
• Aumente as probabilidades de obter uma foto excelente,
capturando o máximo de imagens que conseguir imaginar de uma qualquer
cena - altere o seu posicionamento, a distância, e os ângulos. Pode vir a
surpreender-se mais tarde com os resultados obtidos.
• Parar. Quando terminar a sua sessão fotográfica, desligue a câmara para
conservar a carga da bateria. Se uma imagem está a ser armazenada quando
desliga a câmara, esta será totalmente armazenada, antes que a câmara se
desligue.

20 Este livro tem o apoio da


Controlos da Câmara

Controlos da Câmara

Existem duas maneiras de mudar os parâmetros numa câmara – usando os


comandos do menu ou uma combinação de botões. Os comandos do menu
são normalmente mais lentos e podem ser de difícil leitura no caso de a luz
ambiente ser tão forte que impossibilita a visualização do monitor. Os botões
são mais rápidos, porque pode familiarizar-se com eles o suficiente para
usá-los sem olhar para eles, mas no princípio, as suas funções são difíceis de
decorar.
A Kodak Easyshare
possui um ecrã táctil A maioria das câmaras usa ambos os métodos, colocando o controlo das
onde se podem fazer funções mais utilizadas nos botões, e as menos usadas nos menus. Uma
selecções nos menus
com um estilete. recente adição à família dos botões/discos selectores, é um botão ou disco de
direcção. Ao pressionar qualquer um dos pontos, ou em alguns casos rodando
o disco, move a selecção de um menu para cima, para baixo ou para os lados,
ou visualiza as imagens em modo de reprodução. Um botão ou joystick no
centro deste “botão” actua como a tecla Enter de um computador, activando os
http://www.photocourse.com/itext/icons/iconography.pdf
comandos.
Em muitas câmaras, os ícones indicativos dos parâmetros em curso são
mostrados num painel LCD separado. Alguns modelos recentes abdicam deste
segundo ecrã e exibem os ícones no monitor.
Ao alterar os parâmetros, é por vezes fácil esquecer aquilo que fez, ou é moroso
repor os valores originais de uma só vez. Por esta razão, algumas câmaras
têm um botão ou comando no menu que lhe permite regular a câmara para os
parâmetros originais de fábrica.
Os botões ou discos selectores variam de câmara para câmara, mas aqui são
mencionados aqueles que são mais ou menos comuns em todas as câmaras,
à excepção dos modelos de apontar-e-disparar mais simples. Em alguns
casos, o mesmo botão executa funções diferentes nos modos de disparo e de
reprodução de imagens.
• As alavancas ou botões de zoom permitem ajustar a distância focal da
objectiva. (Em câmaras reflex ajusta-se a distância focal rodando o anel de
zoom).
• O botão do obturador estabelece a exposição e o foco quando é
pressionado até meio, e tira a fotografia quando é pressionado até ao fim.
Muitas câmaras • O botão de modo de disparo contínuo/temporizador leva a
possuem um painel câmara a captar sequências de imagens umas atrás das outras, ou acciona o
LCD que exibe os
parâmetros e um
temporizador.
monitor LCD que mostra
as imagens e menus.
• O disco selector de modo selecciona vários modos de cena, tais como
Automático ou Programa. A mesma alavanca ou botão alterna entre modos de
disparo e de reprodução de imagens.
• O botão ou alavanca ON/OFF liga e desliga a câmara.
• O botão do flash selecciona os modos de flash.
• O botão de macro liga e desliga o modo macro.
• O botão MENU mostra ou apaga o menu.
Algumas câmaras
mostram os parâmetros
• O botão Imprimir/Partilhar permite-lhe imprimir ou transferir imagens,
no monitor quando são quando a câmara está ligada a uma impressora ou a um computador.
usados
os botões ou discos • O botão Apagar ou Eliminar elimina a imagem seleccionada no modo de
selectores. reprodução.

Este livro tem o apoio da 21


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Enquadrar Imagens

Para escolher uma câmara digital, uma das primeiras coisas a decidir é se pretende
um modelo com ecrã e visor. Muitas das câmaras pequenas mais recentes
abdicaram do visor, em parte para terem mais espaço disponível para ecrãs
maiores. Isso é uma espécie de “presente envenenado”, uma vez que o papel de
cada um deles é bastante diferente, embora tenham coisas em comum. Se a sua
câmara não tiver um visor, será forçado a compor todas as suas imagens através
Os ecrãs mostram-lhe do ecrã. Isso significa que terá de lidar com luminosidade excessiva em dias de
como ficará a imagem sol forte e encontrar uma forma de evitar o desfoco causado pelo movimento da
vista a partir da
objectiva. câmara enquanto a segura de braços esticados.
Ecrãs
Os monitores são pequenos ecrãs LCD a cores incorporados na maioria das
câmaras. O seu tamanho, normalmente entre 1,5 e 4 polegadas, é definido a partir
da medida diagonal. A maior parte deles permitem-lhe fazer ajustes de brilho
Os melhores ecrãs são manualmente, ou então a câmara faz os ajustes para as diferentes condições de
flexíveis (giratórios iluminação automaticamente. Estes ecrãs são utilizados para apresentar menus e
e inclináveis sobre
qualquer ângulo),
reproduzir as imagens que captou. No entanto, em muitas, mas não em todas as
chamados ecrãs de câmaras, pode também enquadrar a imagem através do monitor. Grande parte das
ângulo variável. câmaras reflex não o permite, porque utilizam um espelho para reflectir a imagem
formada pela objectiva no visor. O sensor de imagem apenas gera a imagem
quando o espelho levanta e o obturador abre. Algumas câmaras reflex utilizam um
segundo sensor no visor para que a imagem seja apresentada continuamente no
ecrã LCD – um processo chamado live view (visualização directa). Isso, para além
de lhe permitir enquadrar a imagem a partir do ecrã, pode ser utilizado para gravar
vídeos, algo que as outras reflex não conseguem. Só o tempo poderá dizer se esta
funcionalidade será amplamente adoptada.
• O modo de revisão da imagem apresenta uma fotografia no ecrã durante
Com um ecrã giratório, alguns segundos, imediatamente após a captura. Algumas câmaras permitem-
pode colocar a câmara lhe manter a imagem no ecrã durante mais tempo para que possa apagá-las, ou
no chão e levantar
o LCD para ver o
executar outras funções de controlo da imagem. Algumas câmaras integram em
enquadramento, tal simultâneo os modos de revisão e reprodução da imagem, por isso, depois de rever
como aconteceu com a foto que captou pode percorrer as outras e utilizar os comandos disponíveis no
este tritão. modo de reprodução.
• Os histogramas são gráficos que mostram a distribuição de brilhos na sua
imagem, para que possa verificar se a exposição está correcta. A maioria das
câmaras com esta funcionalidade permitem-lhe apenas ver o histograma depois
de captar a fotografia, mas algumas permitem aceder ao histograma durante o
enquadramento.
Se a sua câmara permitir enquadrar a imagem a partir do ecrã (nem todas o
permitem), a imagem apresentada provém directamente do sensor de imagem,
O modo de paisagem
mostra a imagem na ou seja, trata-se de um sistema de visualização TTL (trough-the-lens – ou através
horizontal. da objectiva). No entanto, há alturas em que pode não querer utilizar o ecrã para
compor a imagem, pelas seguintes razões:
• Poupar a bateria. Os ecrãs grandes consomem rapidamente as baterias, por
isso, o melhor é mantê-los desligados sempre que possível e utilizar o visor para
enquadrar as fotografias.
• O brilho dos dias de sol intenso torna difícil a visualização da imagem no ecrã.
• A estabilidade diminui quando segura a câmara de braços esticados. Desta
forma, a trepidação da câmara pode fazer com que a imagem fique tremida.
O modo de retrato
mostra a imagem na Apesar dos inconvenientes, há várias situações em que utilizar o ecrã para
vertical. enquadrar é muito útil.

22 Este livro tem o apoio da


Enquadrar Imagens

• Close-ups. Quando capta planos fechados (close-ups) o ecrã é a opção ideal


para enquadrar e focar a imagem, uma vez que a cena que vê é precisamente igual
à imagem que irá obter. Um visor óptico não permite essa visualização, porque está
descentrado relativamente à objectiva.
• Ângulos invulgares. Ao fotografar acima de uma multidão, ao nível do chão,
ou a partir de uma esquina, uma câmara com ecrã rotativo e inclinável permite-lhe
Os visores das câmaras compor a imagem sem que tenha de ter o olho no visor.
reflex (SLR) mostram as
áreas de focagem e os
Relativamente ao ecrã deve ter em conta os seguintes aspectos:
parâmetros da câmara. • O ecrã recebe a imagem directamente a partir do sensor, por isso a imagem
resultante é vista através da objectiva (TTL). A maioria mostra a imagem na
íntegra.
• Os ecrãs normalmente permitem-lhe verificar de a imagem ficará sub ou
sobreexposta. Assim pode usar o flash ou ajustar a exposição para conseguir
melhores resultados.
http://www.photocourse.com/itext/SLR/
• Os ecrãs rotativos e inclináveis (de ângulo variável) permitem-lhe fotografar a
partir de ângulos diferentes.
Clique para ver o • O tamanho e a resolução do ecrã são importantes não só para avaliar as imagens,
percurso da luz dentro
de uma reflex digital. como também para as partilhar com outros.
• Uma visualização mais ampla permite-lhe ver as suas fotos com um grupo de
amigos.
• Uma protecção transparente mantém o seu ecrã livre de riscos. São baratas e
fáceis de colocar.
• Algumas câmaras podem ser ligadas ao televisor enquanto fotografa, por isso
poderá ver tudo num ecrã muito maior.
• Uma superfície anti-reflexos, combinada com os ajustes de brilho do ecrã,
permite-lhe ler os menus e visualizar as imagens mesmo debaixo de sol forte,
Um ícone comum do quando muitos ecrãs praticamente se transformam em espelhos.
ecrã.
Visores
Os visores oculares são a solução ideal para seguir objectos em rápido movimento
para conseguir captar o momento decisivo. Uma das vantagens de alguns, mas
não todos, é que não consomem bateria, por isso ela dura mais. Por outro lado, a
maioria dos visores são conjugados com a objectiva zoom e mostram a mesma área
que será registada na imagem final. Há três tipos de visores e muitos fotógrafos
consideram o visor telemétrico o melhor, seguido do tipo de visor utilizado nas
reflex.
• Os visores utilizados nas reflex digitais permitem visualizar a imagem através
da objectiva (TTL). Um espelho reflecte a luz proveniente da objectiva para um
prisma que a direcciona para o visor ocular. Quando tira uma fotografia o espelho
levanta e o obturador abre, para que a luz atinja o sensor, criando a imagem.
Com este tipo de visores aquilo que o fotógrafo vê corresponde ao que a objectiva
“vê” e, por isso, ao que ficará registado. Algumas câmaras têm ecrãs de focagem
intermutáveis para que possa adaptá-las às suas preferências. Por exemplo, para
a fotografia de arquitectura ou de produto pode ser útil ter uma grelha com linhas
no visor para manter as coisas alinhadas. Algumas câmaras também permitem
Uma vez que um visor adicionar essa grelha digitalmente, através dos parâmetros da câmara.
óptico está descentrado
relativamente à • Os visores ópticos das câmaras de apontar-e-disparar e das telemétricas mostram
objectiva, o que vê a cena numa janela separada, ligeiramente descentrada relativamente à objectiva.
através dele (em cima)
não corresponde à Essa visualização não representa problema nenhum, excepto na fotografia de
imagem que regista close-up onde o chamado erro de paralaxe gera uma visualização ligeiramente
(em baixo). diferente da que a objectiva “vê”, por isso, um assunto que apareça centrado no
visor não ficará centrado na imagem final. Os visores letemétricos, como os da
Leica, têm uma área mais luminosa que enquadra a área da cena que será captada
http://www.photocourse.com/itext/parallax/
por objectivas de diferentes distâncias focais.
Clique para explorar a
forma como o erro de É possível que veja sempre mais que o que a objectiva vai captar, por isso pode
paralaxe afecta a sua
visualização do assunto. fazer ajustes precisos no enquadramento e antecipar os desvios no fotograma.

Este livro tem o apoio da 23


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

• Os visores electrónicos utilizam um pequeno ecrã LCD incorporado no visor,


que apresenta o mesmo tipo de visualização TTL (através da objectiva) registada
pelo sensor de imagem. Muitas destas câmaras permitem-lhe escolher entre
o ecrã e o visor, e ambos mostram exactamente a mesma cena e a mesma
informação. Uma vez que estes visores são electrónicos é possível ver os menus
e alterar os parâmetros sem tirar a câmara do olho. Isto é extremamente útil
O visor da Leica tem em dias muito luminosos, em que a leitura do ecrã é dificultada pelo brilho.
linhas que indicam a Estes visores também são óptimos para quem usa óculos, uma vez que têm um
cobertura de objectivas controlo de ajuste de dioptrias para o ajudar a focar os menus e as imagens,
de 24 mm e 35 mm.
mesmo sem óculos. As maiores lacunas destes visores são a sua taxa de
refrescamento e a resolução. Uma taxa de refrescamento lenta significa que
quando move a câmara visualização no ecrã da cena para onde está a apontar a
câmara é retardada. Ao fazer panning, o ecrã parece saltar entre fotogramas. Em
algumas câmaras o refrescamento é interrompido quando o obturador é premido
até meio para fixar o foco, por isso a imagem que capta pode ser diferente da
imagem que viu. A baixa resolução destes visores tornam difícil ter uma noção
exacta daquilo que está a fotografar. Não é possível ver os pequenos detalhes, as
cores e os tons como eles são realmente.
Colocar uma protecção
ocular sobre o visor Relativamente ao visor, estes são alguns aspectos que deverá considerar:
bloqueia a entrada da
luz quando utiliza o • Com a excepção dos visores telemétricos em que é possível ver uma área maior
temporizador ou um que a que será captada, a maioria dos visores mostram apenas 95% da cena.
controlo remoto - assim
não afecta a exposição. • As protecções oculares são necessárias nas reflex, para impedir que a luz entre
pelo visor quando utiliza o temporizador ou um controlo remoto e não está a
bloquear a luz ao olhar pelo visor.
• Os visores das câmaras de apontar-e-disparar não mostram informações
importantes como os parâmetros de focagem e exposição.
• As câmaras com objectivas fixas e visores electrónicos diferem das reflex na
Os visores electrónicos medida em que não utilizam um espelho móvel para direccionar a luz para o
são pequenos ecrãs
planos colocados dentro visor.
do visor. Imagem
cortesia da Zight. • Algumas câmaras podem ser conectadas ao televisor enquanto fotografa,
permitindo partilhá-las com outras pessoas à medida que as vai captando. Isto
facilita a interacção entre um grupo que esteja a acompanhar as suas sessões
fotográficas.

Algumas câmaras de
apontar-e-disparar
não têm visor, por isso
tem de enquadrar as
imagens no ecrã.

Nesta vista em corte de


uma reflex da Canon
podemos ver o espelho
que direcciona a luz
para o visor, através de
um prisma. O espelho
levanta quando tira
a fotografia. Imagem
cortesia da Canon.

24 Este livro tem o apoio da


Capturar Imagens

Capturar Imagens

Henri Cartier-Bresson é famoso pelas suas fotografias que captam o “momento


decisivo”, em que acções não relacionadas se interceptam num único instante,
o que produz uma imagem inesquecível. A sua coordenação entre o olho e a
mão não encontrou rival e ele conseguiu obter tais resultados porque estava
sempre preparado. Nunca hesitou na utilização dos controlos da câmara, ou no
aproveitar das oportunidades.
A maior parte das câmaras digitais têm sistemas de exposição e foco
automáticos, que o libertam da preocupação com os controlos. No entanto, estas
câmaras têm outros problemas que tornam os momentos decisivos difíceis de
capturar. Muitos destes problemas foram resolvidos nas câmaras mais caras,
mas permanecem nas mais económicas.
Uma das coisas que desorientou os fotógrafos é o tempo de espera entre o
pressionar do obturador e o momento em que a imagem é realmente captada.
Este e outros tempos de espera inerentes às câmaras digitais, afectam a
capacidade de captar expressões fugazes ou dar resposta a acções rápidas quando
se tiram fotografias.

• O tempo de arranque é o tempo que demora a poder tirar uma fotografia


depois de ligar a câmara. As câmaras digitais costumavam ter um tempo de
arranque muito longo, mas agora, a maioria arranca quase instantaneamente.
É importante ter bons
reflexos quando se • O atraso do obturador é o tempo de espera entre o pressionar do botão
fotografam objectos em do obturador e a real captação da imagem. Este compasso de espera acontece
movimento.
porque a câmara demora tempo a desimpedir o sensor da imagem, estabelecer o
balanço de brancos correcto e focar a imagem, antes de disparar o flash (quando
é necessário) e tirar a fotografia. As melhores câmaras quase não têm atraso do
obturador.
• O tempo de processamento ocorre quando uma imagem é processada
e armazenada, especialmente quando é usada a função de redução de ruído.
Este atraso foi reduzido significativamente através da introdução na câmara de
uma memória interna ou intermédia (buffer). As imagens são temporariamente
armazenadas na memória interna enquanto aguardam o processamento, já que
podem ser armazenadas mais rapidamente na memória intermédia do que no
cartão de memória. É possível fotografar até encher a memória interna, e depois
continuar a fotografar assim que algumas imagens tenham sido transferidas daí
para o cartão de memória.
• O tempo de reciclagem do flash ocorre quando se captura uma sequência
de imagens com flash. Enquanto o flash está a carregar, geralmente não é
possível tirar uma fotografia, ou quando é possível, esta fica subexposta. Em
ambos os casos é necessário aguardar que o flash carregue para tentar de novo.
• Escurecimento do visor. Quando se tira uma fotografia com uma câmara
Quando se antecipa reflex, o seu espelho levanta-se para permitir que a luz incida sobre o sensor.
a acção, compõe-se Enquanto o espelho está levantado não é possível ver através do visor. Este
a cena e foca-se a bloqueio deve ser o mais curto possível. Todos estes atrasos afectam a velocidade
imagem. Assim que com que se liberta da primeira fotografia, ou com que se captura uma série
a acção acontece,
é possível captar a
de imagens (designado comummente como intervalo entre disparos). Se os
imagem imediatamente. atrasos forem demasiado longos, podem-se perder oportunidades de fazer boas
fotografias.
Para reduzir estes atrasos quando captura fotografias de acção, pode compor a
imagem e pressionar o botão do obturador até meio para estabelecer os valores
de foco e exposição. Esta posição deve ser mantida até que a acção antecipada
aconteça, e então o botão deve ser premido até ao fim para tirar a fotografia.
(Este procedimento gasta a bateria mais rapidamente). A câmara dispara
imediatamente porque o foco e a exposição tinham já sido calculados.
Em algumas câmaras também se pode pressionar o botão do obturador até ao
fim, de uma vez, mas haverá um compasso de espera até a fotografia ser tirada e
é possível que fique desfocada.

Este livro tem o apoio da 25


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Fotografia Contínua

Na maioria das situações, só se tira uma fotografia de cada vez, mas esta
não é a única forma de fotografar. Também é possível captar sequências
de fotografias. No modo Contínuo, basta manter a pressão no botão do
obturador e as imagens são captadas sequencialmente até se soltar o botão.
O número de imagens que é possível capturar de uma só vez está limitado
pela capacidade da memória intermédia da câmara (buffer) – um tipo de
memória que é capaz de armazenar rapidamente as imagens capturadas
A velocidade com que
é possível capturar
sequencialmente. Nas câmaras mais económicas, com memória intermédia
imagens em modo pequena ou sem memória intermédia, é possível que a câmara use uma
de disparo Contínuo imagem de menores dimensões para capturar sequências, já que isso reduz o
é especificada em
fotogramas por segundo
tempo de processamento e de armazenamento.
(fps). A velocidade
normal encontra-se
Depois de fotografar uma sequência, pode escolher a melhor imagem, usar
entre os 3 e os 5 fps. a totalidade das imagens para criar uma animação exibindo a sequência
rapidamente como fotogramas num filme, ou juntar uma série de sequências
O modo Contínuo de forma a realizar um pequeno filme.
permite capturar uma
série de imagens
semelhantes às de um
filme. Depois, pode
escolher a melhor
para imprimir, usá-las
todas para criar uma
animação ou utilizar
uma série para analisar
uma acção, como o
movimento de um
taco de golfe ou de um
bastão de basebol.

http://www.photocourse.com/itext/G-continuous/

Clique para ver como


é possível usar o modo
Contínuo de uma forma
criativa.

Ícones dos modos de


disparo Contínuo (em
cima) e disparo Único
(em baixo).

A câmara é capaz Sensor de imagem Buffer Cartão de Memória


de armazenar as
imagens na memória
intermédia (buffer)
mais rapidamente que
no cartão de memória.
Uma memória interna
de grande capacidade
permite-lhe captar
mais imagens no modo Transferência Transferência
Contínuo. Rápida Lenta

26 Este livro tem o apoio da


Modo de Reprodução

Modo de Reprodução

Quase todas as câmaras digitais possuem um ecrã LCD e um modo de reprodução,


para exibir e percorrer as fotografias tiradas. Apesar de ser muito útil, é difícil fazer
“decisões de guardar ou apagar” imagens, porque a dimensão e resolução destes
monitores está muito longe da dos monitores de computadores de qualidade.
Apesar desta limitação, aqui estão algumas das características mais úteis do modo
de reprodução.
• A edição da imagem directamente na câmara permite-lhe remover olhos
vermelhos, ajustar tons e cores, reduzir o tamanho de uma imagem, adicionar
A Kodak Easyshare
permite arrastar
margens e usar efeitos especiais. Todas as alterações são realizadas numa
imagens para álbuns cópia, para que a imagem original se mantenha inalterada. Esta característica
fotográficos usando um relativamente nova torna-se cada vez mais importante, na medida em que as
estilete. câmaras possibilitam o envio de fotografias directamente para páginas de partilha
na Web, impressoras e endereços electrónicos.
Metadata?
• Os slide shows exibem as imagens em sequência no monitor da câmara, mas
A informação muitas câmaras digitais têm uma saída de vídeo (NTSC ou PAL) que permite
metadata consiste
em dados que se
ligá-las a um televisor usando uma entrada padrão ou terminais de video-in.
referem a outros Algumas câmaras usam efeitos especiais tais como o Dissolve (transição suave
dados. Em fotografia entre as imagens), e alguns modelos permitem até acompanhar o slide show com
digital é a informação música. Todavia, a não ser que se copiem imagens mais antigas novamente para
associada a um a câmara, esta é apenas uma vantagem momentânea. A partir do momento em
ficheiro de imagem,
que descreve os
que se apagam imagens, para se obter mais espaço para novas fotografias, deixa
seus conteúdos, de de ser possível exibi-las na câmara. No entanto, é possível usar um programa no
onde vieram e o que computador para criar slide shows e gravá-los em DVD para reproduzir num leitor.
fazer com eles. Já Muitas câmaras permitem reproduzir som ou vídeo anteriormente capturados.
está familiarizado
com dois exemplos: • Álbuns fotográficos. Se a câmara permite armazenar uma selecção de
o nome do ficheiro fotografias num álbum fotográfico, é possível rever as imagens nesse modo.
da imagem e a
data e hora em • A gestão de imagens permite-lhe percorrer as imagens captadas e eliminar,
que foi criada. rodar, renomear, imprimir, proteger, copiar ou geri-las de qualquer outra forma.
Outras informações Muitas câmaras também permitem a visualização de grupos de imagens em
metadata incluem os
dados Exif, criados mosaico, de forma a localizar e seleccionar rapidamente as imagens que procura.
pela maioria das Muitas permitem até ampliar a imagem para ver os detalhes – uma óptima forma
câmaras, e que de confirmar a nitidez, as cores e os tons. Algumas câmaras recentes possuem um
informam sobre qual ecrã táctil permitindo gerir as imagens com um estilete em vez de botões ou discos
o modelo de câmara selectores.
usado, quais os
valores de exposição, • A impressão directa das imagens permite usar o monitor da câmara para
e se foi usado ou não
o flash.
seleccionar as imagens a imprimir, quando se dispensa o computador para
imprimir directamente a partir da câmara.
• Um sensor de orientação, usado em várias câmaras, detecta o movimento
de virar a câmara na vertical para tirar uma fotografia, e inclusivamente reconhece
a orientação correcta da imagem. Quando a imagem é reproduzida, esta aparece
girada no ecrã para que não tenha que rodar a câmara para vê-la ou virar a cabeça
para o lado quando a visualiza no ecrã do televisor. (A rotação automática não
funciona correctamente quando a câmara é disparada directamente para cima ou
para baixo, pelo que pode escolher desligar esta função). As imagens podem ou não
aparecer viradas no computador, porque isso depende do programa que é usado.
Também é possível usar um comando Rodar no menu de reprodução para rodar
apenas imagens específicas captadas anteriormente.
• A informação sobre uma imagem pode ser exibida em muitas câmaras. Esta
informação, chamada de metadata Exif, é guardada no ficheiro de imagem no
momento em que tira a fotografia. Pode incluir a data e a hora em que a imagem
foi captada, o tempo de obturação e a abertura, e uma imagem em miniatura.
É possível tirar uma Alguns modelos também realizam um histograma e um aviso de altas luzes
fotografia em modo
de Retrato (em cima)
(sobreexposição). Algumas câmaras permitem também seleccionar a quantidade
ou de Paisagem (em de informação a ser mostrada, de forma a aceder a todos os dados quando revê as
baixo). imagens, ou desligar essa função quando visualiza as imagens em slide show.
Este livro tem o apoio da 27
Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Quando as coisas correm mal

De acordo com a lei de Murphy, se há alguma coisa que possa correr mal, isso
acontecerá certamente. Aqui estão algumas das barreiras que terá de enfrentar
com uma câmara digital.
• Se a câmara parecer estar desligada, pode simplesmente estar em modo de
descanso. Quando não utiliza nenhum controlo durante determinado espaço de
tempo, a câmara entra nesse modo para poupar a bateria. Para a reactivar basta
premir o botão do obturador até meio. Após um longo período de inactividade,
Os ícones do painel algumas câmaras desligam-se completamente e terá de ligá-las novamente. É
de controlo ou do ecrã possível alterar o intervalo de tempo necessário para que qualquer uma destas
da câmara indicam o acções ocorra.
estado da bateria. Esses
ícones, muitas vezes • Não conseguir ligar a câmara, as baterias estiveram descarregadas ou forem
semelhantes aos aqui removidas, ou não tiver inserido o cartão de memória.
apresentados, indicam
quando a bateria • Se a sua bateria acaba rapidamente, pare de utilizar o ecrã para enquadrar e
está completamente reproduzir fotografias. Se estiver frio, mantenha as baterias ou a câmara dentro do
carregada (à esquerda)
e fraca (à direita).
casaco.
• Quando ligar a câmara, aparece um ícone no painel de controlo que indica se a
Dicas bateria está totalmente carregada, a ficar fraca, ou quase descarregada e a precisar
Antes de cada sessão de ser substituída imediatamente. É aconselhável levar sempre baterias suplentes
verifique que: com a carga completa.
• A objectiva está • Quando liga a câmara pode ser apresentada uma mensagem de erro se houver
limpa. algum problema com o cartão de memória ou com a câmara.
• A bateria está
carregada. • Se não conseguir captar imagens, isso pode dever-se ao facto de o cartão de
• O cartão de
memória está na
memória estar cheio. Para libertar espaço para novas fotografias, transfira as
câmara e tem espaço imagens para um computador e formate o cartão de memória, apague algumas
suficiente. fotos que não quer, ou mude para um tamanho de imagem inferior.
• Todos os Muitas câmaras também não disparam até que a imagem esteja focada.
parâmetros estão em
conformidade com o • Para controlar qual a parte da cena que a câmara deverá focar, leia o manual do
que pretende. utilizador da sua câmara para perceber como funciona o foco nos vários modos de
exposição.
• Se a luz auxiliar de focagem piscar quando pressiona o obturador até meio, a
câmara pode estar com dificuldade em fixar o foco.
• Se a luz do flash piscar quando prime o botão do obturador até meio, o flash está
a carregar. Liberte o obturador por alguns segundos e tente novamente.
• Se as fotografias com flash ficarem escuras, provavelmente estará demasiado
distante do assunto. A maioria dos flashes incorporados só consegue iluminar
assuntos a cerca de três metros de distância, não têm potência suficiente para
iluminar assuntos demasiado distantes.
Pense bem antes de • Se as fotografias ficarem demasiado claras quando utilizar o flash, pode ter de
apagar ficheiros ou reduzir a potência do flash.
formatar o seu cartão
de memória. É fácil • Se as suas fotografias ficarem desfocadas, pode não ter a câmara firme quando
perder ficheiros. Se dispara o obturador. As maiorias das imagens desfocadas deve-se ao impulso
alguma vez apagar demasiado brusco quando dispara o obturador. Mas também pode estar muito
fotos ou formatar um
cartão por engano,
próximo do assunto, ou o motivo pode estar a deslocar-se demasiado rapidamente.
a única alternativa • Nunca tire fotografias ao sol ou a outras fontes de luz intensa. Isso pode
é tentar recuperar
as imagens com um prejudicar os seus olhos ou danificar o sensor de imagem da câmara.
software - basta fazer
uma pesquisa na
• Se os resultados não forem os esperados, isso pode dever-se ao facto de a
internet por “digital câmara estar a assumir parâmetros que definiu anteriormente. Algumas câmaras
image recovery”, para memorizam as alterações de parâmetros que fez, mesmo depois de a desligar e
os encontrar online. voltar a ligar. Verifique se a sua câmara tem uma opção que reponha os parâmetros
predefinidos de origem.

28 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem - Introdução

Sensores de Imagem - Introdução

As origens da fotografia digital estendem-se a cerca de 200 anos. Começando


pela primeira câmara, que não era mais que uma caixa preta com uma
objectiva para focar a imagem, uma abertura para determinar a intensidade
da luz e um obturador para definir durante quanto tempo a luz entrava.
A grande diferença entre uma câmara de filme tradicional e uma digital é
a forma como captam a imagem. Em vez de película, as câmaras digitais
utilizam um dispositivo de circuito integrado chamado sensor da imagem.
Em algumas câmaras digitais utiliza-se um sensor CCD (charge-coupled
device), enquanto noutras é aplicado um sensor CMOS. Ambos os tipos de
sensor permitem óptimos resultados. Na superfície destes pequenos chips de
silício, do tamanho de uma unha, há milhões de díodos sensíveis à luz, cada
um dos quais capta um único pixel da imagem.
Um sensor de imagem
assenta sobre um fundo
ampliado dos seus
píxeis quadrados, cada
um dos quais tem a
capacidade de capturar
um píxel da imagem
final. Imagem cortesia
da IBM.

Um CCD é semelhante a
uma sanduíche de três
camadas. A camada
inferior contém os
fotodíodos. Sobre ela
está uma camada de
filtros coloridos que
determinam qual a cor
que cada um dos díodos
regista. Por fim, a
camada do topo contém
lentes microscópicas
que concentram a luz.
Imagem cortesia da
Fujifilm.

http://www.photocourse.com/itext/exposure/
Quando tira uma fotografia, o obturador da câmara abre por instantes e
Clique para explorar
como a exposição cada píxel do sensor da imagem grava a intensidade da luz que o atinge,
determina o quão acumulando fotões. Quanto maior a quantidade de luz que atinge um pixel,
escuras ou claras mais fotões serão gravados. Os píxeis que captarem as altas luzes de uma
ficarão as imagens.
cena terão muitos fotões e os que captarem as sombras terão menos.
No final da exposição, quando o obturador fecha, os fotões de cada píxel são
contabilizados e convertidos para valores digitais. Estas séries de números
são depois utilizadas para reconstruir a imagem, definindo a cor e o brilho da
combinação dos píxeis num ecrã ou numa prova impressa.

Este livro tem o apoio da 29


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Sensores de Imagem – Tipos

Com as câmaras de filme era possível utilizar qualquer tipo de película. Era
a película escolhida que dava ao fotógrafo determinado tipo de cores, tons e
grão. Se um tipo de película registava imagens com cores demasiado frias ou
quentes, bastava mudar para outro tipo. Com as câmaras digitais a “película”
é uma parte permanente da câmara, e comprar uma câmara assemelha-se
em muito à escolha da película a usar. Tal como na era do filme, os diferentes
sensores da imagem também “interpretam” as cores de formas diferentes, e
o mesmo acontece com o “grão”, com a sensibilidade à luz e por aí fora. Só
poderá avaliar esses aspectos examinando algumas fotografias captadas com
determinada câmara ou lendo artigos de revistas da especialidade.
Esta imagem mostra
uma ampliação dos Inicialmente os CCD eram os únicos sensores de imagem utilizados em
píxeis de um sensor
de imagem. Imagem câmaras digitais. Já tinham sido desenvolvidos eficazmente para aplicar
cortesia da IBM. a telescópicos astronómicos, scanners e câmaras de vídeo. No entanto
actualmente há uma alternativa bem implementada, o sensor de imagem
CMOS. Tanto o sensor CCD como o CMOS captam a luz através de uma
grelha de pequenos fotodíodos colocada na sua superfície. Diferem apenas na
forma como processam a imagem e são fabricados.
• O sensor de imagem CCD. O CCD (charged-couple device) recebeu esta
designação devido à forma como as cargas nos píxeis são lidas depois da
exposição. As cargas da primeira fila são transferidas para um local do
sensor chamado “read out register”. A partir daí são encaminhados para um
amplificador e depois para um conversor analógico-para-digital. Cada vez
que uma fila é lida e as suas cargas no read out register” são eliminadas, a
Uma “bolacha” de
silício, utilizada para próxima fila é introduzida e todas as outras acima descem uma fila. Desta
fazer sensores de forma, com cada fila “associada” à fila superior, cada uma das filas de píxeis é
imagem. lida – uma de cada vez.
•O sensor de imagem CMOS. Os sensores de imagem são produzidos em
fábricas chamadas “wafer foundries”, onde os minúsculos circuitos e os
http://www.photocourse.com/itext/CCD/
dispositivos são introduzidos em chips de silício. O maior problema dos CCD
Clique para ver de reside no facto de serem criados em fundições que recorrem a processos
onde provém o nome
“charge-coupled especializados e caros, que apenas podem ser utilizador para fabricar outros
device”. CCD. Por outro lado, as fundições maiores adoptaram um processo diferente,
chamado CMOS (Complementary Metal Oxide Semiconductos) para produzir
milhões de chips para processadores de computadores e memórias. O CMOS
é de longe o mais comum e mais rentável processo de produção de chips
a nível mundial. A utilização dos mesmos processos e equipamentos para
produzir os sensores de imagem CMOS, permitiu baixar incrivelmente os
custos de produção, pois os custos fixos da instalação fabril são cobertos por
um número muito maior de dispositivos. Como resultado desta economia,
os custos de fabrico de uma “bolacha” (wafer) CMOS são significativamente
mais baixos que os do fabrico de uma “bolacha” semelhante através do
processo especializado do CCD. Os custos tornam-se ainda mais baixos
porque no mesmo chip de um sensor de imagem CMOS é possível incluir
circuitos de processamento. Com os CCD, estes circuitos de processamento
têm de ser criados num outro chip.
Apesar das diferenças, estes dois tipos de sensores são capazes de produzir
excelentes resultados e ambos são utilizados pelas principais marcas de
câmaras. A Canon e a Nikon utilizam sensores CMOS nas suas reflex digitais
topo de gama, tal como muitos outros fabricantes.

30 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem. Tamanho da Imagem

Image Sensors—Image Size

Quando capturamos uma imagem, o número de píxeis usados para o fazer (às
http://www.photocourse.com/itext/pixels/pixels.pdf
vezes referidos como resolução ou contagem de píxeis (pixel count)), tem uma
enorme influência na dimensão da imagem impressa ou exibida no ecrã. Quanto
maior o número de píxeis utilizado maior será o detalhe e nitidez dos contornos.
Como os números importam, o melhor é fotografar à partida com a melhor
qualidade de imagem disponibilizada pela câmara. É sempre possível diminuir o
tamanho da imagem num programa de edição, mas não aumentá-lo sem interferir
na qualidade original.
Os píxeis quadrados são
organizados para formar
linhas e contornos
curvos numa imagem.
Quanto mais píxeis
forem usados, mais
suaves serão essas
curvas. Aqui, o mesmo
círculo vermelho está
representado por 4, 12
e 24 píxeis. Quando
são adicionados mais O tamanho em píxeis de uma imagem é especificado de duas formas – pelas suas
píxeis, os contornos são dimensões em píxeis, ou pelo número total de píxeis que contém. Por exemplo,
redefinidos e a forma podemos dizer que uma imagem tem 4368 × 2915 píxeis (em que “×” significa
começa a parecer-se
mais com o original.
“por”, ou seja “4368 por 2912”), ou 12,7 milhões de píxeis (4368 multiplicado por
2912). Como o termo “megapíxel” é usado para indicar um milhão de píxeis, uma
imagem com 12 milhões de píxeis pode ser designada como uma imagem com 12
megapíxeis.

As dimensões das
imagens são expressas
em píxeis (4368 ×
2912) ou em número
total de píxeis (12 719
616).

Não importa quantos píxeis tem uma imagem, quando demasiado ampliada ela
começa a perder nitidez e eventualmente, começamos a ver os píxeis – um efeito
chamado pixelização. É como as impressões tradicionais com emulsão de sais de
prata, em que se começa a ver o grão quando a imagem é ampliada a partir de
um certo tamanho. Quanto maior for o número de píxeis de uma imagem maior
pode ser a sua dimensão no ecrã ou no papel antes de ficar pixelizada. No entanto,
mesmo com câmaras acessíveis de 6 e 8 megapíxeis, a maior parte das imagens
dificilmente chegará a esse ponto, mesmo quando ampliadas para 20 × 25 cm.
http://www.photocourse.com/itext/pixelresolution/
Ao nível da edição também é vantajoso ter imagens de tamanhos superiores.
Clique para ver como
um número maior
Não só porque assim é possível reenquadrá-las, mas também porque é mais fácil
de píxeis forma uma trabalhar o balanço da cor, as matizes, a saturação, o brilho e o contraste, pois há
imagem mais nítida. mais informação na imagem.

Este livro tem o apoio da 31


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Quando uma
imagem digital é
exibida ou impressa
com o tamanho
correspondente ao
seu número de píxeis
(esquerda), aparece
como uma fotografia
normal. Quando é
demasiado ampliada
(direita) os píxeis
começam a aparecer.

http://www.photocourse.com/itext/pixelzoom/
Clique para ver os
efeitos da pixelização ao
ampliar uma imagem.

http://www.photocourse.com/itext/pixels/pixels.pdf

Depois de realizar estes ajustes, é possível reduzir o ficheiro para o tamanho


desejado.
Como seria de esperar, o custo da câmara aumenta em proporção com o tamanho
do sensor de imagem. Apesar dos sensores maiores poderem obter imagens mais
nítidas e melhores ampliações, também criam ficheiros de imagem mais pesados.
Esses ficheiros não só ocupam mais espaço de armazenamento, como também
demoram mais a transferir, processar e editar, e são geralmente demasiado
grandes para enviar por correio electrónico ou publicar numa página Web. As
imagens mais pequenas, com 800 x 600 pixeis são perfeitas para publicação na
Web, anexos de correio electrónico, pequenas impressões ou para inserir em
documentos e apresentações.
Para estas funções, as resoluções maiores apenas vão aumentar o tamanho do
ficheiro, sem melhorar significativamente a qualidade das imagens.

Escolher Tamanhos de Imagem


A câmara utilizada determina o tamanho máximo possível para as imagens, mas
também permite escolher tamanhos inferiores. Aqui estão algumas regras sobre o
tamanho da imagem necessário para determinados objectivos:
• Na Internet, as imagens publicadas têm dimensões de 1280 x 1024, 1152 x 864,
1024 x 768, 800 x 600, ou 640 x 480. Há alguns anos atrás, um monitor de 1024
x 768 era invulgar, portanto a maior parte das pessoas assumiram que o menor
denominador comum para a resolução de monitores era de 640 x 480 ou, no
máximo 800 x 600. Por esta razão, as imagens para enviar por correio electrónico
ou publicar na Web, deverão ter uma resolução semelhante ou inferior a estas
– não mais de 800 píxeis de largura. Isso assegura que as imagens serão exibidas
correctamente na maioria dos computadores. Se a imagem for demasiado grande,
os utilizadores não poderão visualizá-la de uma vez e serão obrigados a percorrê-la
no monitor. Se a imagem for demasiado pequena, perderá pormenores.
O tamanho também afecta a velocidade com que as imagens “viajam” na Web.
Com imagens menores (e mais comprimidas) o processo é mais rápido, pelo que as
Uma das vantagens de pessoas poderão vê-las mais depressa.
uma imagem maior é
que dá a liberdade de • Para impressoras a laser ou de jacto de tinta são necessárias imagens
a reenquadrar e ainda com dimensões entre os 200 e os 300 píxeis por polegada. Se a câmara capturar
assim ficar com um imagens com mais de 2400 píxeis de largura, pode-se esperar um bom resultado
tamanho razoável.
em impressões com até 30 cm de largura.

32 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem. Tamanho da Imagem

• Quando a imagem é impressa numa gráfica, como por exemplo,


para um catálogo, os píxeis da imagem serão impressos como pontos numa
página.

O número de píxeis
de uma imagem, por
vezes referido como
resolução, determina
o tamanho da imagem
exibida no ecrã ou o
tamanho máximo para
uma impressão nítida.

Resoluções
do Ecrã
CGA 320 x 200
EGA 640 x 350
VGA 640 x 480
SVGA 800 x 600
XGA 1024 x 768
SXGA 1280 x 1024
WXGA 1366 x 768
SXGA+ 1400 x 1050
UXGA 1600 x 1200
WSXGA+ 1680 x 1050
WUXGA 1920 x 1200
QXGA 2048 x 1536
QSXGA 2560 x 2048
QUXGA 3200 x 2400
WQUXGA 3840 x 2400

http://www.photocourse.com/itext/imagesize/

Aqui estão os tamanhos


relativos das imagens
impressas ou exibidas
em 10 x 12 cm. A maior
(1500 x 1200 píxeis) é
impressa a 300 pontos
por polegada (dpi). A
mais pequena (360 x
288) é exibida num
ecrã a 72 pontos por
polegada. Apesar de
terem tamanhos muito
diferentes em píxeis,
as diferentes saídas
irão apresentá-las do
mesmo tamanho.

As fotografias impressas numa gráfica são primeiramente “filtradas” para


separar a imagem em pontos. Se alguma vez imprimir uma imagem através
deste processo, a gráfica dar-lhe-á as especificações para as suas imagens.

Este livro tem o apoio da 33


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Resolução Interpolada

Esteja atento às especificações da resolução das câmaras, pois há dois tipos


de resolução; óptica e interpolada. A resolução óptica de uma câmara é um
número absoluto, porque os píxeis ou fotodíodos de um sensor de imagem
são unidades físicas que podem ser contadas. Todavia, a resolução óptica
pode ser aumentada através de um processo chamado resolução interpolada,
que adiciona píxeis a uma imagem para aumentar o seu tamanho. Para isso,
o software considera os píxeis contíguos a cada novo píxel para determinar
qual será a sua cor. Por exemplo, se todos os píxeis em torno de um novo
píxel forem vermelhos, o novo pixel terá essa cor. O mais importante a
reter é que a resolução interpolada não adiciona mais informação à imagem
– apenas cria píxeis e torna o ficheiro maior. Isto também se pode fazer
num programa de edição de imagem, como o Photoshop, redimensionando
a imagem. Esteja atento aos fabricantes que promovem ou enfatizam os
Se uma imagem for seus equipamentos com resolução interpolada (ou melhorada). Pode estar
demasiado grande para a levar para casa menos que aquilo que pensa. Verifique sempre a resolução
um ecrã (no topo), óptica dos equipamentos. Se ela não for fornecida, pode estar a lidar com
o espectador tem
que a percorrer. Mas campanhas de marketing que não privilegiam os interesses do consumidor.
quando correctamente
dimensionada (em
baixo) é possível Um termo – dois significados
vê-la na íntegra. A
maioria dos programas Em fotografia, o termo “resolução” tem dois significados. Originalmente
de fotografia digital ele está relacionado com a capacidade do sistema de uma câmara para
redimensiona separar pares de linhas finas, como num teste gráfico. Para este fim, está
automaticamente as
imagens para integrar sobretudo relacionada com a nitidez e não com o tamanho da imagem. Com
nos espaços disponíveis, o aparecimento das câmaras digitais o termo começou a ser utilizado para
a menos que indicar o número de píxeis que a câmara pode registar. Dois significados para
especifique um tamanho
o mesmo termo, não costuma ser uma boa opção, seja em que área for.
http://www.photocourse.com/itext/biglie/
diferente.

http://www.photocourse.com/itext/resolution/
Clique para conhecer o
significado original de
“resolução”.

Os testes gráficos
têm pares de linhas
com diferentes
afastamentos.

34 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem - Tamanhos e Proporções

Sensores de Imagem - Tamanhos e Proporções

O sensor de imagem de uma câmara tem duas características importante e


relacionadas – o tamanho e as proporções (aspect ratio).
Tamanho do sensor
Os sensores de imagem têm diferentes tamanhos consoante são integrados em
câmaras de apontar-e-disparar ou em reflex profissionais. As reflex de consumo
normalmente utilizam sensores de tamanho correspondente a um fotograma
de película APS. As reflex profissionais por vezes utilizam sensores de tamanho
equivalente ao filme de 35 mm – chamados sensores full-frame (de tamanho
A gama de tamanhos integral). As câmaras de médio formato têm sensores ainda maiores. Os sensores
dos sensores da
imagem varia entre
de imagem maiores geralmente têm também fotodíodos maiores, permitindo
os minúsculos e os de captar mais luz e menos ruído. O resultado é imagens mais limpas, brilhantes e
tamanho equivalente nítidas. Uma vez que o tamanho dos fotodíodos é tão importante, um sensor de 6
ao 35 mm – chamados megapíxeis maior que um outro de 8 megapíxeis normalmente consegue melhores
sensores full frame. imagens. O ruído não é o único problema, os sensores mais pequenos também
requerem objectivas melhores e mais caras, sobretudo para uma definição de
http://www.photocourse.com/itext/sensor/
grande-angular. Estes são alguns dos tamanhos de sensores mais comuns:
Tamanho (pol) Larg. (mm) Altura (mm) Usada em

1/4 3.2 2.4 Câmaras de apontar-e-disparar


1/3 4.8 3.6 Câmaras de apontar-e-disparar

http://www.photocourse.com/itext/pixels/pixels.pdf
1/2 8 6.4 Câmaras de apontar-e-disparar

2/3 11 8.8 Câmaras de apontar-e-disparar


1 16 12.8 Câmaras de apontar-e-disparar
APS-C 22.2 14.8 Reflex de consumo
Full frame 36 24 Reflex Profissionais

Proporções (Aspect ratios)


Os sensores de imagem têm diferentes proporções ou aspect ratios – o rácio ou
proporção entre a altura e a largura do sensor. A proporção de um quadrado é
de 1:1 (largura e altura iguais) e a do filme de 35 mm é de 1,5:1 (a largura é 1,5
vezes maior que a altura). A maioria dos sensores de imagem varia entre estes
dois extremos. O aspect ratio de um sensor é importante, porque determina
o formato e a proporção da imagem que cria. Quando uma imagem tem uma
proporção diferente da do equipamento onde a visualiza ou imprime, tem de ser
reenquadrada ou redimensionada para corresponder a esse formato. A opção
será cortar uma parte da imagem ou desperdiçar uma área de visualização ou de
papel. Para ter uma noção melhor, experimente imprimir uma imagem quadrada
numa folha rectangular de forma a que a imagem seja impressa na integra, como o
A proporção de um
sensor de imagem original, mas também de forma a ocupar toda a área do papel.
determina o formato da
sua impressão. Imagem Largura x Altura Proporção
Filme 35 mm 36 x 24 mm 1.50
Ecrã do computador 1024 x 768 pixéis 1.33
Canon 5D 4368 x 2912 pixéis 1.50
Canon S3 IS 2816 x 2112 pixéis 1.33
Papel fotográfico 20x30 cm 1.50
Dica Papel de impressão 10x15 cm 1.29

Um ecrã panorâmico HDTV 16 x 9 1.80


de 16:9 permite
captar imagens e Para calcular as proporções (aspect ratio) de qualquer câmara, divida o valor da
vídeos para ver resolução maior pelo valor da resolução menor. Por exemplo, se um sensor tiver
no seu televisor uma resolução de 4368 x 2912, divida o primeiro pelo segundo valor. Neste caso o
panorâmico ou no aspect ratio é de 1,5, o mesmo que o do filme de 35 mm, mas diferente do de uma
monitor do PC.
folha de papel de 21 x 28 cm.

Este livro tem o apoio da 35


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Estes exemplos ilustram


diferentes aspect racios.
A imagem do topo foi
dimensionada para
corresponder com o
formato de uma folha
de 21 x 28 cm. Ficam
margens brancas nas
áreas superior e inferior
da folha. A imagem de
baixo foi dimensionada
para cobrir essas áreas
da página, mas há
partes da imagem que
excederam os limites e
não foram impressas.

Aqui temos um sensor


de 39 megapíxeis (36 x
48 mm) da Hasselblad
(em cima)
comparado com
um sensor de 11
megapíxeis de tamanho
correspondente ao 35
mm (24 x 36 mm) de
uma reflex. Repare nas
diferenças de tamanho
e de proporção.
Imagem cortesia da
Hasselblad.

Os sensores de imagens
das câmaras integradas
em telemóveis são
muito pequenos.
Cortesia da OmniVision.

36 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem – Sensibilidade e Ruído

Sensores de Imagem – Sensibilidade e Ruído

Em algumas situações, as imagens não são tão limpas como deveriam ser. Parecem
Dica irregularmente granuladas com píxeis de cores que afectam as áreas suaves.
Para ver um dos Este efeito é conhecido por ruído e tem três causas principais:
tipos de ruído, deixe
a objectiva tapada e • Os fotodíodos do sensor são muito pequenos. Não há resolução possível para este
capte uma imagem. problemas, mas ele agrava os que se seguem.
Uma longa exposição
vai criar ruído, tal • Uma velocidade de obturação longa permite que a luz entre na câmara por um
como poderá verifi- longo período de tempo e é ideal para condições de luz fraca. Mas também deixa
car depois, abrindo e “entrar” o ruído.
aumentando a ima-
gem num programa • Uma definição de sensibilidade ISO alta permite-lhe utilizar uma velocidade
de edição fotográfica. de disparo mais rápida para evitar que a imagem fique tremida, mas também
aumenta o ruído.
Muitas câmaras têm um ou mais modos de redução do ruído para atenuar este
O ruído aparece na efeito.
imagem sob a forma de
píxeis de cor aleatórios,
sobretudo quando
utiliza velocidades de
obturação lentas ou
definições de ISO altas.

http://www.photocourse.com/itext/ISO/
Clique par ver os efeitos
do aumento do ISO.

http://www.photocourse.com/itext/noise/
Clique par ver os efeitos
do ruído numa imagem.

Com velocidades
de disparo lentas (à
esquerda) a exposição,
tal como os pingos
de água, é tão lenta
que há a possibilidade
de se formar ruído
na imagem. Com
velocidades mais
rápidas (ao centro e
à direita) o ruído é
controlado, devido à
rapidez da exposição da
imagem.

Este livro tem o apoio da 37


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Afinal é tudo a Preto e Branco

Pode parecer estranho, mas os píxeis dos sensores da imagem apenas capturam
luminosidade e não cor. Eles registam a escala de cinzentos – uma série de tons
desde o branco até ao preto puros. A forma como a câmara cria uma imagem a
cores a partir da luminosidade registada é uma história interessante, que provém
de um passado distante.
A escala de cinzento
é perceptível nas
fotografias a preto e
branco e é formada
por uma gama de tons
desde branco puro até
preto puro.

O sistema RGB usa


cores aditivas. Quando
as três são misturadas
em quantidades iguais
formam o branco.
Quando o vermelho e Quando a fotografia foi inventada, em 1840, só era possível registar imagens
o verde se sobrepões a preto e branco. A procura de um processo a cores foi longa e árdua e, no
formam o amarelo, e
por aí fora. intermédio, muitas foram as imagens coloridas à mão (levando os fotógrafos
a afirmar “Então também é preciso saber pintar”). Uma das revelações mais
importantes veio da parte de Clerk Maxwell, que, em 1860, descobriu que as
fotografias a cores podiam ser criadas através da película a preto e branco e dos
filtros vermelho, verde e azul. Ele levou o fotógrafo Thomas Sutton a fotografar
três vezes uma fita tartã, cada uma das quais com um filtro de cor diferente na
objectiva. As três imagens a preto e branco foram depois projectadas sobre uma
tela com três projectores diferentes, cada um dos quais equipado com o mesmo
filtro de cor usado na captura da imagem que projectava. Quando alinhadas, as
três imagens projectadas formavam uma fotografia a cores. Mais de um século
depois, os sensores de imagem funcionam praticamente da mesma forma.
As cores de uma imagem fotográfica normalmente são baseadas nas três cores
primárias – vermelho, verde e azul (RGB). Este é o chamado sistema de adição
da cor, porque todas as cores são criadas a partir da mistura das três primárias.
O sistema RGB é utilizado para formar as cores quando a luz é projectada, tal
como num ecrã (ou no olho humano). Um outro sistema de cores utiliza o azul
ciano, o magenta, o amarelo e o preto (CMYK) para criar as restantes cores.
Este, é usado em praticamente todas as impressoras, uma vez que é o sistema de
Maxwell (e cima) e a cores utilizado com a luz reflectida. É designado por subtractivo, porque absorve
sua fotografia da fita
tartã, tirada em 1861 ou subtrai as cores de forma a que apenas o vermelho, o verde e o azul sejam
(em baixo). reflectidos.
Uma vez que a luz natural é formada por luz vermelha, verde e azul; se colocar
http://www.photocourse.com/itext/RGB/
os filtros vermelho, verde e azul sobre os píxeis individuais de um sensor da
imagem ele pode criar imagens a cores, tal como aconteceu com as fotos de
Clique para ver como Maxell, em 1860. Recorrendo a um processo chamado interpolação, a câmara
o vermelho, o verde e
o azul criam imagens a
avalia a cor efectiva de cada pixel combinando a cor que é captada directamente
cores. pelo seu próprio filtro com as outras duas cores captadas pelos píxeis contíguos.

38 Este livro tem o apoio da


Afinal é tudo a Preto e Branco

Uma vez que cada


píxel do sensor tem
um filtro de cor que
apenas deixa passar
uma cor, a imagem
capturada regista a
luminosidade dos píxeis
vermelhos, verdes e
azuis separadamente.
(Normalmente a
quantidade de filtros
verdes corresponde ao
dobro dos fotodíodos,
porque, uma vez
que o olho humano é
mais sensível a essa
cor, é importante que
seja registada com
precisão.) Ilustração:
cortesia da Foveon
(www.foveon.com).

Cada píxel do sensor


da imagem tem os
filtros vermelho, verde
e azul misturados
com os fotodíodos e
dispostos em padrões
especialmente pensados
para produzir imagens
nítidas e cores reais. Os
padrões variam, mas os
mais comuns são estes
em mosaico, da Bayer.

Para criar uma imagem


a cores, o processador
da imagem da câmara
calcula ou interpola
a cor real de cada
píxel, analisando a
luminosidade da cor
gravada por esse e
pelos píxeis contíguos.
Aqui, a cor real de
alguns píxeis verdes
está a ser interpolada
pelas cores dos oito
píxeis que o rodeiam.

Este livro tem o apoio da 39


Capítulo 1. Câmaras e Imagens Digitais

Cada cor (vermelho,


verde e azul) pode
capturar pelo menos
256 tons. Nos extremos
opostos da gama de
tons (sombras e altas
luzes) há apenas um
tom puro em cada um
deles (preto e branco, Cada vez que tira uma fotografia são feitos milhões de cálculos em apenas
respectivamente). Estes alguns segundos. São estes cálculos que permitem à câmara interpolar,
não têm quaisquer prever, capturar, comprimir, filtrar, armazenar, transferir e exibir a imagem.
detalhes.
Todos estes cálculos são executados na câmara através do processador
de imagem - semelhante ao de um computador, mas específico para esta
tarefa. A forma como o processador executa estas funções é essencial
para a qualidade das suas imagens, mas não é fácil avaliar a qualidade a
partir dos anúncios publicitários dos fabricantes. Para muitos de nós estes
processadores não passam de enigmáticas caixas pretas, sobre as quais os
publicitários podem afirmar o que bem entenderem. Só as fotografias podem
dar mostras da sua qualidade.

As câmaras com processadores de imagem programados recentemente


podem ser definidas pelos fabricantes para executar um número infindável
de funções. Actualmente, entre essas funções pode estar incluída a edição
de imagem e efeitos especiais na própria câmara, como: remoção de olhos
vermelhos, melhoramento da imagem, margens, modo panorâmico, remoção
de desfoco provocado pelo movimento da câmara, entre outras.
Quando um fabricante de câmaras programa os seus processadores, o
objectivo não é exactamente reproduzir as cores de uma cena. Em vez disso,
através de um processo chamado gestão de cor, a sua finalidade é criar
aquilo que os programadores acreditam ser uma reprodução apelativa.
Frequentemente o contraste e a saturação da cor são aumentados, sobretudo
nos meios tons, e as altas luzes mais intensas são comprimidas para obter
melhores impressões e uma boa apresentação nos meios de exibição mais
comuns. O processamento de imagem pode ser tão marcante que para
algumas pessoas é possível distinguir uma imagem captada com uma câmara
da Nikon ou da Canon, por exemplo.

40 Este livro tem o apoio da


Sensores de Imagem - Limpeza

Sensores de Imagem - Limpeza

Quando se substitui a objectiva de uma câmara reflex digital, ou em ambientes


http://www.photocourse.com/itext/dust/
ventosos e poeirentos, o pó pode entrar na câmara e ultrapassar o filtro
protector do sensor da imagem. Estas partículas de pó formam pontos escuros
Clique para ver os
efeitos das partículas de em qualquer imagem que capte posteriormente. Uma das formas de verificar se
pó numa imagem. tem sujidade no sensor consiste em captar algumas fotos de um céu luminoso
ou de um cartão branco. Depois, abra a imagem no seu programa de edição
fotográfica e aumente-a para ver se há algum ponto de pó escuro nas áreas
luminosas, que deveriam ser uniformes.
Este problema é de tal forma sério que os fabricantes de câmaras fazem todos
os possíveis para o evitar, incluindo o seguinte:
• Reduzindo o pó, minimizando as partículas produzidas pela própria
câmara. Para isso adoptam materiais para a construção do corpo e do
obturador que não criem poeiras ou outras partículas durante o desgaste
normal.
• Dificultando a entrada de pó através do filtro de protecção (low-pass),
com revestimentos mais resistentes. (O filtro low-pass está em frente ao sensor
da imagem e foi projectado para eliminar o efeito moiré e conseguir cores mais
exactas.)
• Repelindo as poeiras através da aplicação de uma carga anti-estática ao
filtro low-pass que cobre o sensor, para prevenir que a electricidade estática
atraia o pó.
• Removendo as poeiras, colocando uma unidade vibratória ultra-sónica
junto ao filtro low-pass, para que as poeiras sejam afastadas antes de se
fixarem. O pó expulso é depois agarrado por um material adesivo que evita que
volte para o ar. Estas vibrações podem ocorrer automaticamente quando liga e
desliga a câmara, ou manualmente através da selecção dos menu.
• Colocando o pó fora de foco. O filtro low-pass - normalmente uma única
unidade - pode ser dividido em duas camadas, uma frontal e outra traseira. A
camada frontal, onde o pó ficará acumulado, é colocada suficientemente longe
do sensor para que os pontos de pó fiquem fora de foco e menos visíveis na
imagem.
• Processamento de limpeza. Basta fotografar uma parede ou uma
folha branca (ou retirando a objectiva da câmara, mas por um curto espaço
de tempo) e a câmara regista o tamanho e a posição das partículas de pó
no sensor. Isso cria um “mapa” que depois pode ser associado a todas as
imagens como metadados. Quando as imagens e o “mapa” de dados anexo são
transferidos para um computador, o software fornecido com a câmara pode
Estes são os cinco utilizar a informação do “mapa” para remover o efeito dos pontos na imagem.
passos, recomendados
pela Photographic • Limpar o sensor manualmente. Quando tudo o resto falha, a sua única
Solution, para limpar o opção é enviar a sua câmara aos serviços centrais do fabricante (o que ao fim
seu sensor de imagem
com os seus cotonetes de algum tempo se pode tornar incómodo) ou limpá-lo você mesmo. Se a sua
para sensores e o opção for esta última, utilize o comando do menu para bloquear o espelho, que
liquido de limpeza ficará levantado e fora do seu “caminho”, e abra o obturador para alcançar a
Eclipse. Imagem
cortesia photosol.com. superfície do sensor. Depois deve limpar o sensor (aliás o filtro low-pass) com
cotonetes e um líquido de limpeza desenvolvidos especificamente para o efeito.
Nunca utilize ar comprimido ou outros produtos de limpeza no sensor. Os
produtos para limpeza de sensores são disponibilizados por fornecedores como
a B&H ou Calumet. Para mais informações faça uma pesquisa no Google por
“cleaning image sensor”, mas não se esqueça que está “por sua conta”.

Este livro tem o apoio da 41


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital AA30470C

Capítulo 2.
Fluxo de trabalho digital

C
Capturar uma fotografia digital é apenas um dos passos de um processo
chamado fluxo de trabalho digital. Cada fotógrafo personaliza o seu
fluxo de trabalho digital até um certo ponto, mas todos os fluxos
integram os mesmos passos, após a captura das imagens e a sua
transferência: rever, organizar e classificar, e depois ajustar, publicar e arquivar.
Muitos destes passos, sempre foram realizados através do uso de uma variedade
de aplicações, incluindo aquelas que fazem conversão de ficheiros RAW, e as
de gestão e edição de imagem. No entanto, a primeira geração de aplicações
verdadeiramente inovadoras, tais como o Aperture, da Apple e o Lightroom
da Adobe, estão a dar uma nova forma ao trabalho digital. Estes programas
integram quase todos os passos do fluxo de trabalho numa única aplicação,
tornando o trabalho em fotografia digital, depois da captação das imagens,
mais fácil, rápido e eficiente. Estes programas também tornam o trabalho com
ficheiros RAW tão fácil como com ficheiros JPEG. Neste capítulo exploraremos
os passos do fluxo de trabalho digital, desde a captação de imagens até à sua
organização e edição no computador. A ênfase dada ao Adobe Lightroom,
deve‑se ao facto de este poder ser executado tanto no Mac OS, como no
Windows. O Aperture da Apple é um programa muito conceituado e partilha
muitos dos mesmos objectivos e características.

42 Este livro tem o apoio da


Fluxo de Trabalho Digital

Fluxo de Trabalho Digital

http://www.photocourse.com/itext/scan/scan.pdf
Quando realizamos a mesma tarefa inúmeras vezes, o mais provável é que
tenhamos desenvolvido uma rotina – uma série de passos que eliminam do
processo as variações e os problemas. Em fotografia digital chamamos a esta
rotina, fluxo de trabalho. A criatividade está confinada à captação e edição da
imagem. O resto do processo, pelo contrário, é bastante estruturado. Apesar de
cada fotógrafo personalizar o seu fluxo de trabalho de maneira a satisfazer as
suas necessidades, todos incluem uma variação dos passos seguintes – os quais
podem ser divididos numa série de “sub-passos”. Aquilo que é excitante no
Apeture e no Lightroom é o facto de conseguirem lidar com todos esses passos,
proporcionando uma solução para a totalidade do fluxo de trabalho.
1º Passo. Capturar fotografias

Quando pegamos na câmara no início de uma sessão, os primeiros passos


relacionados com o fluxo de trabalho incluem verificar se a objectiva está limpa,
se a bateria está carregada, se o cartão de memória está na câmara e se tem
espaço suficiente para o número de fotografia que pretendemos tirar, e se todos
os parâmetros da câmara estão correctos.
Dica
2º Passo. Armazenar e Organizar Fotografias
O Lightroom e o
Aperture são uma Depois de capturadas, as fotografias são geralmente transferidas para um
classe de aplicações computador, de forma a serem armazenadas permanentemente. É necessário
tão novas que ainda
não têm designação. transferi-las de uma maneira organizada, para que possam ser facilmente
No entanto, como encontradas mais tarde. Os mais recentes programas de gestão de imagens
abrangem duas proporcionam várias ferramentas que tornam a organização das imagens mais
outras classes
– gestão e edição fácil, tais como a capacidade de as classificar, adicionar palavras-chave e separar
de imagem, estes as imagens com base em diferentes critérios.
programas podem
ser designados como 3º Passo. Editar fotografias
aplicações de gestão
e manuseamento Quando uma fotografia está em formato digital, é possível editá-la ou manipulá-
de imagem (IMAP – la com um programa de edição de imagem. Em alguns casos, melhora-se a
Image Management
and Processing). imagem ao eliminar ou reduzir os seus defeitos, ajustando os tons, cores e
nitidez. Noutros casos, ajusta-se a imagem para um uso específico, por exemplo,
torná-la mais pequena para enviar por e-mail ou publicar numa página Web. Os
programas mais recentes tais como o Aperture da Apple e o Lightroom da Adobe
tornam o melhoramento das imagens muito mais fácil e todas as mudanças são
não-destrutivas, de maneira a que possam ser desfeitas em qualquer altura.
4º Passo. Partilhar Fotografias
Assim que a edição da fotografia termina, verificamos que há muitas maneiras
de exibi-la e partilhá-la, incluindo a impressão (em qualquer coisa, desde papel
artístico até canecas), a inserção num documento, a publicação numa página
Web de partilha de imagens, ou num blog, o envio por e-mail, a inclusão num
livro impresso, ou num slide show que pode ser reproduzido num leitor de DVD
ligado a um televisor, numa drive de DVD num computador, ou ainda numa
moldura digital.
A página Web 5º Passo. Arquivar e Proteger Fotografias
ImageStation da Sony
permite projectar um Quando temos fotografias para as quais não há uso imediato, mas que é
livro de fotografias
AlbumPrint e imprimi-lo
necessário guardar, ou fotografias importantes que não queremos perder, é
e encaderná-lo, tanto possível copiá-las para CD/DVD, ou mesmo para outro disco rígido. Se depois
na vertical como na disto, apagarmos as imagens do disco duro do sistema principal, os ficheiros
horizontal.
restantes são referidos como ficheiros de arquivo. Se as mantivermos no sistema
principal, chamamos cópias de protecção aos duplicados. (back-up copies).

Este livro tem o apoio da 43


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Formatos de Imagem

Na captação de imagens, uma das decisões relacionadas com o fluxo de trabalho


http://www.photocourse.com/itext/RAW/
digital mais importantes é a escolha do formato do ficheiro. Todas as câmaras
permitem o uso de ficheiros JPEG, mas muitas permitem também o uso de
Clique para explorar ficheiros RAW, de qualidade superior. Algumas oferecem formatos alternativos,
as diferenças entre
ficheiros RAW e JPEG.
tais como TIFF e DNG

Formatos
Como a maioria das câmaras digitais oferecem mais do que um formato de
imagem, aqui estão algumas informações que ajudam na escolha do melhor
formato para as necessidades de cada um.
• JPEG é o formato usado pela totalidade de câmaras digitais. Designado à
semelhança do seu criador, o Joint Photographic Experts Group, este formato
permite-lhe quase sempre especificar o tamanho e a compressão da imagem.
No momento em que uma imagem é capturada neste formato, um chip de
processamento, baseando-se nos parâmetros usados na câmara, irá comprimir
e reduzir o tamanho da imagem. As alterações feitas à imagem não podem ser
desfeitas, visto que é a imagem final alterada que é gravada no ficheiro. Alguma da
informação original é perdida permanentemente.
• O RAW é um formato que está disponível em muitas câmaras, em especial nas
Dica câmaras reflex. Uma das expressões mais conhecidas de Ansel Adam, tirada da sua
experiência como pianista é “O negativo é a pauta, a impressão é a performance”.
O facto de existirem
inúmeros formatos Em fotografia digital, o ficheiro de imagem é a nossa pauta e a performance é
RAW no mercado feita num programa de edição de imagem. Para obter a maior qualidade possível,
está a tornar-se um é necessário começar com a melhor pauta possível – um ficheiro RAW. Estes
problema. Aqui estão ficheiros contêm toda a informação sobre a imagem capturada pelo sensor
apenas algumas ex- da câmara sem ser processada ou ajustada de nenhuma forma. Isto permite a
tensões de ficheiros interpretação da informação por parte do utilizador e não por parte da câmara.
RAW que indicam
formatos diferentes e Quando se pretende ter o controlo total sobre a exposição, balanço de brancos e
incompatíveis: outros parâmetros, este é o formato a usar, já que há apenas quatro parâmetros
que afectam um ficheiro RAW permanentemente – a abertura, o tempo de
• Nikon—NEF obturação, a sensibilidade e o foco.
• Olympus—ORF
• Fuji—RAF Os outros parâmetros da câmara são guardados como metadados e afectam a
• Sony—SRF aparência das miniaturas ou apresentação das imagens, mas não o ficheiro RAW
• Canon—CR2 em si.
• Pentax—PEF Em muitas câmaras é possível capturar imagens RAW sozinhas ou acompanhadas
• Generic—DNG de um ficheiro JPEG, o que faz com que tenhamos um ficheiro RAW idêntico,
de alta qualidade, e um ficheiro de imagem mais pequeno e mais facilmente
ordenável.
Tanto o ficheiro RAW, como o JPEG têm nomes iguais, mas extensões diferentes.
As aplicações mais recentes, tais como o Lightroom tornaram o trabalho com
ficheiros RAW tão fácil que esta opção deixa de ser necessária, já que os JPEG só
ocupam espaço.
Uma das informações a reter é que nem sempre se nota à partida uma qualidade
superior nas imagens RAW. Estas são brilhantes quando têm problemas na
exposição ou no balanço de brancos.
Capacidade de Como as imagens RAW contêm muito mais informação com a qual podemos
armazenamento trabalhar, é possível iluminar áreas de sombra, recuperar detalhes perdidos nas
altas-luzes e fazer ajustes óptimos nas cores.
O número de
fotografias que é • DNG (Digital Negative). Os fabricantes de câmaras introduziram muitos
possível armazenar formatos RAW diferentes, que são frequentemente alterados. Há uma fonte que
usando determinados indica que existem mais de 140 formatos RAW, sendo que continuam a aumentar.
parâmetros, está Alguns deles são específicos de apenas um modelo de câmara. Ainda por cima, os
normalmente
identificado no ecrã
fabricantes são geralmente reservados no que diz respeito às suas especificações,
ou no painel de de maneira que há quase sempre ficheiros RAW que um determinado programa
controlo da câmara. não consegue ler, pelo menos até alguém os manipular de forma a serem aceites.
Estes inconvenientes e demoras são da responsabilidade dos fabricantes de
câmaras.
44 Este livro tem o apoio da
Formatos de Imagem

A continuidade destes ficheiros RAW com direitos de propriedade, está em risco a


longo prazo, já que hoje em dia, tanto as empresas como os interesses económicos
são muito voláteis. Uma solução para este problema crescente é um novo formato
da Adobe chamado Digital Negative (Negativo Digital) – DNG. Este ficheiro, que
está publicamente definido e que é partilhado abertamente, é uma tentativa de
assegurar no futuro, a possibilidade de aceder a qualquer imagem.

Logótipo do DNG
Sempre que uma câmara não captura imagens RAW neste formato, é sempre
possível convertê-lo usando um programa como o Photoshop ou o Lightroom. Ao
fazê-lo também é possível escolher armazenar o ficheiro RAW original dentro do
ficheiro DNG, caso seja necessário extraí-lo mais tarde.
O formato DNG é suportado pelo Photoshop e pelo Lightroom, bem como por
outros produtos da Adobe, alguns programas de outras empresas e uma série de
fabricantes de câmaras. Como acontece com todas as coisas na informática, apenas
o tempo dirá se este formato será universalmente aceite ou se vai gradualmente
desaparecendo.
• TIFF (tagged image file format) é um formato usado regularmente para
o intercâmbio de imagens entre aplicações e plataformas. É suportado por
virtualmente todos os programas de pintura, edição de imagem e paginação. Os
Ícone universalmente ficheiros TIFF tendem a ser maiores que os JPEG ou RAW e podem ser gravados
reconhecido referente a
Qualidade de Imagem. usando tanto 8, como 16 bits por cor.

Compressão de Ficheiros
http://www.photocourse.com/itext/compression/
Os ficheiros de imagem são enormes, quando comparados com outros tipos de
ficheiros. Por exemplo, ficheiros capturados por uma câmara de 12 megapíxeis,
Clique para ver os
efeitos da compressão podem chegar aos 18 megabytes. Ao aumentar a resolução de uma imagem,
aumenta também o tamanho do ficheiro. Para tornar os ficheiros de imagem
mais pequenos e manejáveis, as câmaras digitais usam um processo chamado
compressão.
Durante a compressão, a informação que está duplicada ou que tem pouco valor é
eliminada ou gravada de uma forma mais curta, reduzindo o tamanho do ficheiro.
Por exemplo, se uma grande área de um céu tem o mesmo tom de azul, só é
necessário gravar o valor para um único píxel, assim como a localização dos outros
píxeis com a mesma cor. Quando a imagem é aberta num programa qualquer,
o processo de compressão é invertido, dependendo da forma como foi usada a
compressão: com ou sem perdas de informação.
• A compressão sem perdas de informação comprime uma imagem, de
forma que, quando o processo é invertido, ao abrir a imagem, a sua qualidade é
igual à da fonte original – nada foi perdido. Apesar de a compressão sem perdas de
informação parecer ideal, o seu grau de compressão é baixo, pelo que as imagens
permanecem bastante grandes. Por esta razão, este tipo de compressão só é usada
nos ficheiros de maior qualidade, nomeadamente TIFF e RAW.
• A compressão com perdas de informação, é capaz de reduzir radicalmente
o tamanho de um ficheiro. Todavia, este processo arrasta consigo algum grau de
degradação da imagem, sendo que quanto mais um ficheiro é comprimido, mais
Aqui são mostradas degradado se torna. Em muitas situações, tais como a publicação de imagens na
duas versões da mesma
imagem. A de cima é o Web, ou na impressão de pequenas dimensões, a degradação da imagem não é
ficheiro JPEG original. óbvia. No entanto, se imã imagem for ampliada o suficiente, a degradação será
A de baixo mostra o apreciável. O formato que utiliza a compressão com perdas de informação é o
que acontece quando
se grava uma imagem
JPEG, e muitas câmaras permitem escolher o grau de compressão. Por exemplo,
várias vezes com o a maioria das câmaras permite escolher compressões entre Fine (1:4), Normal
parâmetro de menor (1:8) e Basic (1:16). Esta é uma característica importante, visto que há uma ordem
qualidade escolhido.
Cortesia de webweaver.
inversa entre a compressão e a qualidade da imagem. O uso de uma compressão
nu. menor oferece imagens melhores, que podem ser impressas em formato maior.

Este livro tem o apoio da 45


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Profundidade de Cor
Dica
Quando olhamos para uma cena da Natureza, conseguimos distinguir milhões de
Quando os
fotógrafos falam
cores diferentes. Uma imagem digital é capaz de se aproximar desta realidade, mas
de profundidade de a qualidade da aproximação depende da câmara e dos seus parâmetros.
cor, eles referem-se A quantidade de cores de uma imagem é referido como profundidade de cor e é
apenas ao número
de bits por cor, ou
determinado pelo número de bits usados para armazenar cada uma das três cores
ao número total de de um píxel – vermelho, verde e azul. Ficheiros de imagem JPEG usam 8 bits por
bits, e ambas as cor. Para calcular a quantidade de cores que podem ser capturadas ou mostradas,
formas de expressão
significam a mesma
eleva-se o número 2 à potência do número de bits usados no seu armazenamento.
coisa. Por exemplo, Por exemplo:
ao dizer “imagens
com 8 bits” ou • Por cada cor, com uma profundidade de 8 bits, são capturados 256 níveis de
“imagens com 24 luminosidade, porque 28 = 256.
bits”, subentende-se
imagens JPEG e não • Com as três cores combinadas, temos 24 bits (8 bits por cor, vezes 3), e o número
imagens RAW.
total de cores obtidas é superior a 16 milhões (224 = 16 777 216).
As imagens RAW possuem uma maior profundidade de cor, o que proporciona
gradações mais suaves de tons e um número superior de cores, com as quais se
trabalha ao fazer ajustes à imagem. A superioridade do número é astronómica.
As imagens RAW são inicialmente capturadas pelo sensor de forma analógica, e
um conversor analógico-digital converte-as em imagens de 10, 12 ou 14 bits por
cor. Este número é aumentado para 16 nas imagens RAW e diminuído para 8 nas
http://www.photocourse.com/itext/pixels/pixels.pdf
JPEG.
• Por cada cor, com uma profundidade de 16 bits, são capturados 65 536 níveis de
luminosidade (216 = 65 536).
• Com as três cores combinadas, temos 48 bits (16 bits por cor, vezes 3) e o número
total de cores obtidas é superior a 281 biliões (248 = 281 474 976 710 656).
Estas cores adicionais não são usadas por ecrãs, impressoras ou outros
dispositivos, mas existem para optimizar as gradações na edição e ajuste da
imagem.
Aqui está uma tabela que resume estes factos:

Nome Bits por Total Fórmula Nº de Cores


cor bits de cores
JPEG 8 24 224 16,777,216
RAW 16 48 248
281,474,976,710,656

Escolher um Formato
Quando escolhemos entre os formatos RAW e JPEG, há alguns factos a considerar
sobre cada um deles. Como não é fácil aumentar o número de píxeis e reter a
qualidade da imagem, ou remover os efeitos da compressão, depois de realizada,
é normalmente aconselhável usar o maior tamanho JPEG disponível e o menor
grau de compressão. Se for necessário reduzir qualquer um deles, é possível fazê-lo
mais tarde, num programa de edição. Quando se fotografa uma imagem com um
parâmetro de qualidade inferior, não é possível melhorá-la muito, ou obter uma
impressão de grandes dimensões e nitidez. O único problema desta abordagem é
que as imagens de maior qualidade produzem ficheiros maiores.
As imagens RAW são sempre captadas com o tamanho de ficheiro maior, e a sua
compressão é sempre feita sem perdas de informação.
Até agora, as imagens neste formato necessitavam de um passo adicional no pro‑
cessamento, mas como programas como o Aperture e o Lightroom foram projecta‑
dos de base após os ficheiros RAW terem sido introduzidos no mercado, lidam
com estes tão facilmente como com ficheiros JPEG.
46 Este livro tem o apoio da
Formatos de Imagem

Há várias vantagens no uso do formato RAW:


• Este formato permite decidir sobre o uso de vários parâmetros da câmara
depois de captar a imagem e não antes. Por exemplo, quando se fotografa
uma imagem JPEG com iluminação fluorescente, a câmara ajusta a imagem,
removendo a tonalidade amarelo-esverdeada. Qualquer alteração posterior, é
feita sobre este parâmetro inicial. Se a imagem for captada em formato RAW,
a câmara capta a imagem tal como está, e o utilizador decide mais tarde, qual
o balanço de brancos a usar. É inclusivamente possível criar várias versões da
mesma imagem, com balanços de brancos diferentes.
• As imagens RAW podem ser processadas de novo, quando aparecerem novas
e melhores aplicações. A imagem original não fica permanentemente alterada
pelos programas de edição de imagem da geração actual, mesmo que estes não
suportem edição não-destrutiva.
• É possível criar versões alternativas de uma mesma imagem RAW. Por
exemplo, muitos fotógrafos ajustam as áreas de altas-luzes e de sombras e
salvam estas alterações separadamente. Depois, usando um programa de edição,
combinam as duas imagens como camadas, e ao apagar partes da imagem do
topo, fazem aparecer partes da imagem de baixo, para que todas as áreas da
fotografia tenham valores de exposição correctos.
Há, no entanto, desvantagens reconhecidas no uso de imagens RAW.
• Os ficheiros RAW são bastante grandes. Ao usar permanentemente este
formato, é necessário mais espaço de armazenamento na câmara, e os tempos de
processamento do computador podem ser ligeiramente superiores.
• Ao captar imagens, é possível que o tempo de espera entre duas fotografias
aumente, visto que a memória intermédia fica cheia mais depressa e a câmara
demora mais tempo a processar a última fotografia tirada, e a transferi-la para o
cartão de memória.
• Como as imagens RAW não são processadas na câmara é necessário processá-
las num computador e exportá-las para um formato utilizável para enviá-las por
e-mail, publicá-las na Web, imprimi-las, ou importá-las para outro programa
para criar um slide show. Mesmo quando a sessão fotográfica acaba, continua a
haver muito trabalho a fazer.
• Como cada empresa definiu o seu próprio formato RAW, muitos sistemas
operativos ou mesmo programas de edição de imagem não são capazes de
reconhecer alguns desses ficheiros. Por esta razão, os fabricantes, disponibilizam
sempre com as câmaras, um programa para o processamento dos ficheiros RAW.
Antigamente era difícil
trabalhar com imagens
RAW, visto que estas
requeriam alguns
passos adicionais no
seu processamento. Os
programas de edição de
imagem mais recentes,
tais como o Aperture e
o Lightroom, tornam o
uso de imagens RAW
tão fácil como o de
qualquer outro formato.

Este livro tem o apoio da 47


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Dispositivos de Armazenamento da Câmara

Nas câmaras tradicionais, o filme grava e armazena a imagem ao mesmo tempo.


Nas câmaras digitais estas tuas funções são desempenhadas por dois dispositivos
diferentes. A imagem é captada pelo sensor, e depois é armazenada por um
qualquer tipo de dispositivo de armazenamento integrado na câmara. Estes
dispositivos são projectados para um armazenamento temporário. Em uma dada
altura, as imagens são transferidas para o computador e o dispositivo é apagado
e reutilizado. A maior parte das câmaras, à excepção das mais baratas, usam
algum tipo de armazenamento amovível, tais como cartões de memória flash, ou
A Kodak EasyShare também por vezes pequenos discos duros.
possui 256 MB de
armazenamento O número de imagens que é possível captar numa única sessão fotográfica
interno onde podem
ser gravadas até 1500
depende de uma variedade de factores, tais como:
imagens, facilmente
partilháveis. Este
• O número de dispositivos de armazenamento e a respectiva capacidade
dispositivo mantém (expressa em Kilobites, Megabites ou Gigabites).
separadas estas
imagens, e as • A resolução e o formato do ficheiro de imagem utilizados.
imagens fotografadas
e transferidas para o • O grau de compressão usada.
computador. É possível
organizar as fotografias O número de imagens que é possível armazenar é importante, porque assim
num álbum digital que é atingido o limite, é necessário transferi-las para um computador, parar
usando o estilete e o
ecrã táctil.
de fotografar ou apagar algumas das imagens existentes, para arranjar espaço
para novas fotografias. A capacidade de armazenamento necessário depende dos
factores mencionados acima e do quão prolífico é o fotógrafo.
Sobre esta questão, existem boas e más notícias. A boa notícia é a própria
existência dos cartões de memória, e os preços a que são vendidos. A má notícia é
que existe uma grande variedade de formatos, que não são intermutáveis. Assim
que é feito um investimento razoável em cartões de memória de um determinado
tipo, estamos presos ao uso de câmaras que suportem esse formato, ou somos
forçados a adquirir um novo conjunto de cartões.
Chips flash. Imagem No passado, vários tipos de cartão de memória apareceram e desapareceram.
cortesia de ST.com
Hoje em dia, existem dois formatos cujo uso foi generalizado: o Compact Flash
(CF) e o Secure Digital (SD). Estes cartões guardam os ficheiros de imagem em
chips semelhantes aos chips de RAM usados no computador, mas com uma
diferença importante. As fotografias são retidas indefinidamente no cartão sem
o uso de nenhum tipo de energia. Os chips são embalados dentro de uma caixa
equipada com conectores eléctricos, e a esta unidade selada chamamos cartão de
memória. Estes consumem muito pouca energia, ocupam muito pouco espaço
A Samsung desenvolveu e são muito robustos. São também muito convenientes, visto que se podem
a tecnologia que torna transportar vários cartões e mudá-los quando é necessário.
possível a existência de
cartões CompactFlash • Os cartões CompactFlash (CF) foram desenvolvidos pela SanDisk Corp e são
de 64 GB.
mais ou menos do tamanho de uma carteira de fósforos.
• Os cartões Secure Digital (SD) são mais pequenos e estreitos que os
CompactFlash e são usados em muitas câmaras de pequenas dimensões.
• Os cartões MultiMedia (MMC) são ainda mais pequenos e são usados em
algumas câmaras de bolso.

A maioria das câmaras


digitais armazena as
imagens em cartões
de memória amovíveis
que se inserem numa
ranhura na câmara.
Cortesia da Kodak.

48 Este livro tem o apoio da


Dispositivos de Armazenamento da Câmara

• Os cartões MemoryStick®, um formato exclusivo da Sony Corporation, têm


mais ou menos o formato de um stick de pastilha elástica. Estes cartões são
usados unicamente em produtos da Sony.
• A Microdrive da Hitachi e o Compactvault da Sony são discos duros de alta
velocidade e capacidade. Estas drives são tão estreitas que podem ser ligadas
numa ranhura de CompactFlash Tipo II de uma câmara ou de um leitor de
cartões (Os cartões CompactFlash Tipo I são mais estreitos).
• Cartões de memória descartáveis foram introduzidos no mercado com a ideia
de que a memória flash é tão barata, que é possível simplesmente deixar as
imagens no cartão ao invés de as transferir para o computador. Estes cartões não
A Hitachi fabrica a
Microdrive, um disco são recomendáveis para fotógrafos “a sério”. Uma das questões a considerar é a
duro muito pequeno, de velocidade dos cartões. Muitas empresas vendem versões de alta velocidade mais
alta capacidade. caras. A não ser que estejam a ser perdidas fotografias devido ao tempo de espera
do buffer, o melhor é investir noutra parte do sistema, especialmente porque o
“engarrafamento” pode estar na câmara e não no cartão.
Quando um cartão de memória é usado pela primeira vez, ou numa câmara
diferente, deverá ser formatado. Todas as câmaras que aceitam estes cartões têm
um comando para formatar o cartão, algures no menu. A formatação prepara
o cartão para ser usado numa câmara, e a sua reformatação quando o usamos
pela primeira vez numa câmara diferente, assegura que a informação será
correctamente gravada e lida nessa câmara. Também é possível que a formatação
conserte um cartão que tem tido problemas. É necessário ter sempre em atenção
que o comando “Formatar” apaga todas as imagens gravadas num cartão.
Quando um cartão é formatado por engano, é possível recuperar as imagens
com um programa específico. Para o encontrar, basta pesquisar “digital photo
recovery” no Google.
Algumas câmaras têm um programa que permite que esta seja ligada e operada
a partir de um computador (chamado tethering, alusivo às cordas de uma
marioneta). Ao fotografar desta maneira, as imagens serão armazenadas no disco
duro do computador e não no cartão de memória. Apesar desta abordagem ser
normalmente usada em estúdio, é também usada ocasionalmente por fotógrafos
de paisagem quando estes pretendem avaliar as imagens no ecrã do computador,
que é substancialmente maior que o da câmara.

Quando usamos mais


que um cartão, podem-
se proteger os cartões
suplentes numa caixa
própria. Imagem
cortesia de InAnyCase.

Este livro tem o apoio da 49


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Como são armazenadas as Imagens na Câmara e no Computador

As fotografias são armazenadas como ficheiros no dispositivo de armazenamento


DCF
da câmara segundo uma variedade de critérios adoptados pelos fabricantes de
A DCF (Design câmaras. Estes critérios asseguram a mobilidade de ficheiros e dispositivos de
Rule for Camera
File System) Regra armazenamento, entre câmaras e outros equipamentos digitais e programas.
de Concepção do Como o armazenamento de ficheiros é tão importante, é necessário compreender
Sistema de Ficheiros de que forma drives, pastas e ficheiros se relacionam entre si. Quando trabalha
de Câmaras, define
todo o sistema de em fotografia digital sem antes dominar estes conceitos simples, é possível que
ficheiros de câmaras mais tarde não encontre as fotografias que deseja, ou não consiga organizá-las de
digitais, incluindo a forma a poder trabalhá-las rápida e facilmente.
atribuição de nomes
e organização de
pastas, métodos
de nomeação de
ficheiros, caracteres
permitidos em
nomes de ficheiros
e respectivos
formatos.

Dica
É possível encontrar
em informática os
termos directório Um disco duro novo (1), tal como uma gaveta de arquivo vazia, não tem ficheiros
e pasta, que nem organização. Dividir um disco duro em pastas (2) é como dividir uma gaveta
têm o mesmo de arquivo com pastas suspensas. Acomodar sub-pastas dentro de pastas (3) é
significado. Quando como colocar pastas de cartão dentro das pastas suspensas da gaveta. Os ficheiros,
os computadores incluindo imagens, podem ser arquivados em qualquer uma das pastas ou sub-
eram usados quase pastas (4) - ou ainda na gaveta, fora das pastas, no chamado directório de raiz da
exclusivamente por drive.
profissionais, foi
introduzido o termo
directório. Quando o
Drives
uso de computadores Quase todos os computadores possuem mais que uma drive. De forma a
se generalizou, o
termo foi substituído
distingui-las, são-lhes atribuídas letras ou nomes tais como Macintosh HD,
por um de mais fácil e o seu tipo é identificado por ícones. Por exemplo, a já moribunda drive de
utilização – pasta. disquetes era identificada como drive A ou B, pelo que estas letras também
Na partilha de caíram em desuso. A drive que o computador escolhe para o sistema operativo,
fotografias também
se podem encontrar quando é ligado, é a drive C. Drives adicionais variam de computador para
os termos álbuns e computador, mas muitas vezes incluem outros discos duros, e drives de
galerias usados para CD ou DVD. Quando ligamos uma câmara, um leitor de cartões ou mesmo
designar a mesma
coisa. uma moldura digital ao computador, estes também passam a ser drives.
Muitos dispositivos são reconhecidos automaticamente quando são ligados
ao computador, mas alguns requerem a instalação de pequenos programas
chamados drivers, para que o computador os reconheça.
Pastas
As pastas são utilizadas para organizar ficheiros numa drive. Imagine que
trabalha num banco de imagens e lhe pedem para encontrar uma foto do
“Yosemite” (parque natural da Califórnia), sabendo que todas as fotografias
Ícone do disco duro da adquiridas pelo banco foram arquivadas desorganizadamente em caixas. Teria
Apple Macintosh.
que procurar em todos os lados até conseguir reunir aquilo que pretende.
Agora compare este exemplo com o de um banco que usa um arquivo bem
organizado, com pastas suspensas bem identificadas, agrupando imagens que
estejam relacionadas umas com as outras. Por exemplo, pode existir uma pasta
suspensa com o nome Parques Naturais da Califórnia. No caso de ser necessária
uma subdivisão de um tema, pastas de cartão podem ser inseridas dentro das
pastas suspensas – basicamente, trata-se de colocar pastas dentro de pastas.
50 Este livro tem o apoio da
Como são armazenadas as Imagens na Câmara e no Computador

É provável que haja uma pasta identificada com o nome Yosemite, que
http://www.photocourse.com/itext/G-folders/
contenha imagens deste parque. Quando tudo está correctamente identificado
e organizado, é fácil localizar as imagens que se pretende. O mesmo é
verdadeiro em relação aos cartões de memória e às drives do sistema do seu
computador. Ambos são equivalentes aos armários arquivadores vazios,
cheios de espaço para armazenamento, mas sem organização. A organização
necessária para encontrar alguma coisa no dispositivo de memória da câmara
(do qual falamos aqui) é criado pela própria câmara, mas no computador, a
organização tem que ser criada pelo utilizador (como veremos mais tarde).
Quando usa as ferramentas ou aplicações do sistema operativo, para visualizar
um dispositivo de armazenamento da câmara ou de um leitor de cartões,
verifica que está organizado da mesma maneira que as outras drives do
sistema. Quando esta contém mais que uma pasta, aquela que interessa aos
fotógrafos tem o nome DCIM (Digital Camera IMages). Se eliminar esta pasta,
a câmara criará uma nova (mas não recupera as imagens que a pasta continha).
O propósito desta pasta, chamada directório de raiz da imagem, é manter
agrupadas as fotografias captadas pela câmara. Quando usa o mesmo cartão
em dispositivos diferentes, é possível aparecerem pastas com ficheiros de
música MP3 ou outros.
A câmara digital cria e nomeia automaticamente sub-pastas dentro da pasta
DCIM, onde são guardadas as fotografias (como colocar pastas de cartão
dentro de pastas suspensas). Os três primeiros caracteres do nome de um
ficheiro, designados por número de directório, são números entre 100 e
999. Os cinco caracteres seguintes são conhecidos como caracteres livres e
podem ser quaisquer caracteres alfanuméricos escolhidos pelo fabricante da
câmara. Quando é criada uma nova pasta, ou quando outra pasta fica cheia,
é-lhe atribuído um número com mais um dígito do que o da pasta anterior.
Algumas câmaras permitem criar e nomear novas pastas, ou escolher entre as
pastas criadas por ela. Isto permite encaminhar novas imagens para uma pasta
específica e também reproduzir as imagens de apenas uma pasta, ao invés de
todas as imagens guardadas no cartão.

Nomes dos Ficheiros


Os ficheiros de imagem Quando uma imagem é guardada, a câmara atribui-lhe um nome e armazena-
têm um nome com 8 a na pasta corrente. Os nomes dos ficheiros têm duas partes, um nome com 8
caracteres seguidos
de um ponto e de
caracteres e uma extensão com três. São como nomes próprios e apelidos. Cada
uma extensão com 3 nome é único em cada pasta, e a extensão, separada do nome por um ponto,
caracteres. identifica o formato do ficheiro. Por exemplo, uma extensão JPG significa que
se trata de um ficheiro de imagem JPEG, e TIF, significa que se trata de um
ficheiro de imagem TIFF.
As extensões desempenham outra função importante. Uma extensão pode
estar associada a um programa no sistema, para que, quando clica duas vezes
no ficheiro, o programa associado abra, abrindo consigo o ficheiro escolhido.
Quando, por outro lado, usa o comando Ficheiro > Abrir de um determinado
programa, é habitual serem mostrados os ficheiros cujas extensões podem ser
lidas pela aplicação. (É possível listar outros tipos de ficheiros, mas isto requer
mais um ou dois passos). Se alterar a extensão, é possível que o sistema deixe
de saber o que fazer ao ficheiro. Os primeiros quatro caracteres do nome de um
ficheiro de imagem, chamados caracteres livres, só podem ser letras maiúsculas
de A a Z. Os últimos quatro caracteres formam um número entre 0001 e 9999 e
são designados como número de ficheiro. A Canon usa “IMG_” para os quatro
primeiros caracteres, seguidos do número de ficheiro, a Nikon usa “DSC_” e a
Sony “DSC0”. Depois de transferir as imagens para o computador, ou mesmo
ao transferi-las, elas podem ser renomeadas com nomes mais descritivos.

Este livro tem o apoio da 51


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Árvores
Uma maneira de ilustrar a organização das pastas numa drive é exibi-las em
forma de árvore. Nesta perspectiva, todas as pastas se ramificam a partir da
drive, algo semelhante a um diagrama de organização. Se qualquer uma das
pastas contiver sub-pastas, estas são mostradas como um segundo braço, que
parte do primeiro. Quando usamos uma árvore, podemos expandir ou fechar
toda a árvore, ou apenas um dos ramos. Isto permite-lhe alternar entre um
resumo dos conteúdos do computador, e os detalhes de uma drive ou de uma
pasta.

Caminhos
Quando os ficheiros são armazenados em pastas de um disco, é especificado
Uma árvore exibida
um caminho para chegar a eles. Por exemplo, se um ficheiro com o nome
no Windows Explorer IMG_4692.JPG está dentro de uma sub-pasta chamada 146CANON, que está
identifica as drives e inserida numa pasta com o nome DCIM, na drive H, o caminho para esse
as pastas com ícones
e etiquetas. Os sinais
ficheiro é H:\DCIM\146CANON\IMG_4692.JPG. Os elementos chave de um
+ e – indicam se uma caminho – drive, pasta, sub-pasta e nome do ficheiro – são separados por
determinada pasta ou backslashes (\). É possível que esteja mais familiarizado com os caminhos
drive está expandida
(–), mostrando as sub-
mostrados pelo browser da Web, que usa uma abordagem semelhante. Por
pastas, ou fechada (+), exemplo, o URL…
escondendo-as.
http://www.shortcourses.com/index.html
…é o caminho para uma página Web específica. Normalmente, não se digitam
os caminhos, os ficheiros são abertos ao clicar nas drives ou nas pastas. No
entanto, muitos programas mostram no ecrã os caminhos, como uma ajuda
à navegação, facilitando a identificação da localização de um ficheiro no
sistema.

Aqui é mostrado o
caminho para o ficheiro
IMG_4692.JPG, da
sub-pasta 146CANON,
que se encontra na
pasta DCIM, na drive
H. A drive, a pasta,
sub-pasta e o nome do Directório Pasta Nome da imagem
ficheiro estão separados de Raiz
por backslashes. da Imagem

Aqui é mostrada a
forma como o Lightroom
exibe o caminho para
uma determinada
imagem.

52 Este livro tem o apoio da


Transferir Imagens

Transferir Imagens

O armazenamento na câmara é apenas temporário. Quando pretende usar


ou editar as imagens, ou arranjar espaço para imagens novas, as imagens são
transferidas do cartão para um computador.
Quase todas as câmaras digitais vêm com um programa que transfere as suas
imagens, assim como os programas de edição e gestão de imagem.
Os leitores de cartões Por muito úteis que estas ferramentas sejam, é conveniente saber também como
são geralmente ligados
a um computador por usar as ferramentas do sistema operativo. As razões pelas quais devemos saber
uma porta USB, ou usar o sistema operativo são:
podem estar integrados
no próprio computador. • Disponibilidade. As ferramentas do sistema operativo são do mesmo tipo em
Os cartões inseridos todos os computadores, em qualquer parte do mundo.
numa ranhura para
cartões são tratados • Mudança. Se mudar de aplicação, aquilo que aprendeu sobre as ferramentas
como se fossem discos
amovíveis. Os cartões do sistema operativo continua a ser útil. Aquilo que aprendeu sobre a aplicação
variam em tamanho e anterior pode até ser esquecido.
ligações, por isso muitos
leitores possuem várias • Controlo. Muitos programas têm vontade própria e renomeiam e armazenam
ranhuras. Imagem ficheiros de uma maneira indesejável. As ferramentas do sistema operativo
cortesia da
PQI atpqi1st.com. permitem o uso do seu próprio sistema de gestão de ficheiros.
Indiferentemente da forma como transfere os ficheiros, é necessário escolher
entre copiá-los ou movê-los.
• Se mover ficheiros a partir do dispositivo de armazenamento da câmara,
estes são primeiramente copiados para o computador e depois são apagados
do dispositivo. Se alguma coisa correr mal durante a transferência, é possível
perderem-se ficheiros de imagem.
Quando um cartão é
mais pequeno que a • Se copiar os ficheiros, estes não são automaticamente apagados no dispositivo
ranhura, ou se o seu de armazenamento. É possível eliminá-los usando os comandos da câmara ou do
computador portátil computador. Apesar do facto de eliminar as imagens depois de as transferir ser
tem uma ranhura
ExpressCard, é possível um passo adicional, este procedimento é mais seguro do que mover os ficheiros,
encontrar um adaptador porque se alguma coisa correr mal, as imagens originais continuam no cartão.
que ajuste o cartão à
ranhura disponível. Aqui
é mostrado o adaptador Leitores de cartões e Ranhuras para Cartões
Delkin que permite
ler cartões CF numa Uma das formas mais comuns de transferir imagens para o computador é
ranhura ExpressCard. através do uso de um leitor ou de uma ranhura para cartões que aceite o tipo
Alguns adaptadores
aceitam vários tipos de de cartão, com ou sem um adaptador. As ranhuras para cartões estão a ser
cartão. Imagem cortesia integradas nos próprios computadores, impressoras e até televisores. Mesmo
http://www.photocourse.com/itext/folders5/
da Delkin que o seu sistema não possua uma ranhura para cartões, existem leitores baratos
que se ligam através de uma porta USB.

Algumas impressoras,
kiosks de impressão
e até televisores têm
ranhuras que aceitam
os cartões directamente
retirados da câmara, de
maneira a que possa
visualizar ou imprimir as
suas imagens sem um
computador. Imagem
cortesia da HP.

Este livro tem o apoio da 53


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Conexões por cabo


Outra maneira muito usada para transferir fotografias é por meio de cabos.
As ligações mais conhecidas de momento são a USB 2.0 e a Firewire 800
(IEEE 1394b).
Quase todas as câmaras
vêm com um cabo USB
ou Firewire (IEEE 1394),
que permite ligá‑las
a um computador ou
impressora. Imagem
cortesia da Canon.

Os logótipos e as
ligações para cabos USB
e Firewire (IEEE 1394),
na parte de trás do Mac
Mini da Apple, são aqui
assinaladas a vermelho.
Imagem cortesia da
Apple.

As estações para
câmaras permitem ligar
facilmente a câmara
a uma impressora
ou mesmo carregar
as suas baterias.
Infelizmente cada
estação é específica do
modelo da câmara, por
isso quando adquirir
uma câmara nova, vai
necessitar de outra
forma de fazer as suas
ligações. Imagem
cortesia da Kodak.

54 Este livro tem o apoio da


Transferir Imagens

Os cabos USB têm


uma ficha igual para
todos os computadores,
mas as fichas que
ligam às câmaras não
estão estandardizadas.
Isto é uma fonte de
frustração para quem
possui mais que uma
câmara. Felizmente
existem conjuntos
de adaptadores, que
resolvem esta situação.

A Sandisk fabrica um
cartão SD, que tem Ligações sem Fios
um conector USB, que
aparece quando se
Uma das últimas tendências do mercado é o uso de ligações sem fios entre
dobra o cartão. Este a câmara e o computador ou impressora, e entre a câmara e uma rede, de
cartão SD pode ser forma a ser possível partilhar as imagens imediatamente, usando o e-mail,
ligado sem o uso de
um leitor ou de uma
páginas de partilha, ou blogs de fotografia. Existem três abordagens básicas:
ranhura para cartões.
• Os infra-vermelhos ligam dispositivos em linha de vista, quando o raio não
é bloqueado.
• O WiFi faz ligação com impressoras sem fios, kiosks de impressão e redes
WiFi, tais como as redes domésticas e os hot spots públicos. Vem integrado
em algumas câmaras e é possível adquiri-lo em separado, para outras. Os
telemóveis com câmara enviam fotografias através da rede do operador, mas
estes praticam preços demasiado elevados. Felizmente, alguns telemóveis
permitem também a ligação a redes WiFi, cortando os custos da transferência
de imagens. Estas câmaras aderiram ao padrão DLNA (Digital Living
Network Alliance), que trabalha com rede WiFi 802.11b/g. Isto permite-
lhes comunicar entre si, bem como com uma rede WiFi, ou com outros
dispositivos de entretenimento.
A compatibilidade WiFi
da Kodak EasyShare
• O Bluetooth recebeu inexplicavelmente o seu nome, de Herald Bluetooth,
One permite a um rei dinamarquês do século X. É relativamente lento, muito mais que o
publicação de imagens WiFi. Apesar de ter sido inicialmente concebido com o intuito de substituir
numa página Web, ou
o seu envio por e-
todos os cabos suspensos numa secretária, o bluetooth está a encontrar
mail, usando uma rede actualmente, o seu espaço na fotografia, porque usa muito pouca energia,
doméstica ou um hot preservando a duração das baterias, e, ao contrário dos infra-vermelhos,
spot público. Imagem
cortesia da Kodak.
os dispositivos bluetooth não necessitam de estar em linha de vista para
transferir informação. Os kiosks de impressão costumam estar equipados
com bluetooth para que seja possível transmitir as fotografias para a
impressora. Com uma câmara digital e um telemóvel, que estejam ambos
equipados com buetooth, é até possível tirar uma fotografia com a câmara, e
enviá-la através do telemóvel. Existem também adaptadores USB e PC Cards
que permitem o uso do bluetooth para transferir imagens do telemóvel para o
computador.

Câmara Nikon com


ligação WiFi.

Este livro tem o apoio da 55


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Armazenar Imagens – No seu Sistema

Quando transfere as sua imagens para um computador, normalmente grava-as


num disco duro. A partir daí pode copiá-las ou movê-las para CD/DVD ou até para
outro disco duro

Discos duros
Quando transfere imagens de um dispositivo de armazenamento para o disco
A Maxtor fabrica uma duro de um computador, torna-se possível a sua organização, edição e partilha.
linha económica de
discos duros de alta
Os discos duros têm-se tornado tão baratos, e a sua capacidade é tão elevada, que
capacidade, ideais para é quase possível ter uma reserva infindável de espaço em disco duro. Hoje em dia,
fotógrafos digitais. discos duros com preços acessíveis têm capacidades até 500 Gigabytes – espaço
Imagem cortesia suficiente para armazenar mais de 33 000 imagens de 15 Megabytes. Se estas
Maxtor. fossem imagens de filme, a 50 cêntimos a imagem, o disco duro seria uma pequena
caixa de fotografias com um valor superior a 16 000 euros. Uma das formas de
conceber esta capacidade impressionante é pensar no tempo que demoraria a
enchê-la. Se fotografasse 100 imagens de 15 Megabytes por dia, poderia fotografar
durante quase um ano inteiro até usar todo o espaço de um disco de 500
Gigabytes. Fazer cópias de segurança destes discos está fora de questão, Seriam
necessários 106 DVD, ou mais de 700 CD para copiar um disco como este. Até
as cópias de segurança em cassete ficaram para trás. A única forma acessível de
copiar colecções inteiras de fotografias é fazê-lo noutro disco duro.
Os discos duros
agrupados numa Discos Ópticos
configuração RAID
(Random Array of Além dos discos duros, o único dispositivo de armazenamento disponível são os
Inexpensive Devices), discos ópticos tais como os CD ou DVD. Estas drives existem em quase todos os
não só armazenam sistemas recentes de computadores e os discos são usados frequentemente para
informação, como guardar e proteger imagens importantes, partilhá-las com outras pessoas, ou
realizam cópias de
segurança automáticas. para gravar slide shows que podem ser reproduzidos num computador ou num
Se um disco falhar, este televisor ligado a uma leitor de DVD. (Quando um dispositivo de DVD está ligado
pode ser substituído e a um televisor, chama-se leitor ou gravador. Quando está ligado a um computador,
os ficheiros danificados chama-se drive ou gravador).
são automaticamente
reconstruídos pelos Estes discos, têm, no entanto, vários problemas – a sua capacidade de
dispositivos restantes. armazenamento é relativamente baixa, a sua qualidade de arquivo é questionável e
nem sempre são compatíveis.
• Capacidade. Um CD pode armazenar, no máximo 700 Megabytes de
informação. Numa era em que são comuns cartões de memória de 4 Gigabytes,
e câmaras que criam imagens RAW ou TIFF com 15 Megabytes, 700 Megabytes
podem ser pouco espaço. Actualmente, os DVD têm 4.7 Gigabytes de capacidade,
mais do que 7 vezes a capacidade de um CD. A capacidade de um DVD aumenta
para 9.4 Gigabytes quando falamos de discos com dois lados. Dispositivos mais
recentes, que funcionam com laser azul (ao contrário do habitual laser vermelho),
irão alargar os limites de capacidade dos DVD para lá dos 30 Gigabytes. Assim,
os DVD têm um futuro prometedor, no que se refere ao armazenamento das suas
fotografias.
Os CD-R Gold da Mitsui • Qualidade de arquivo. Tanto os CD como os DVD são formas de
são considerados um armazenamento relativamente recentes. Ainda não há certezas em relação ao
dos melhores CD de
armazenamento, por tempo que demorará até se perder informação gravada num destes dispositivos.
causa do ouro que é A maioria dos testes usam técnicas de envelhecimento acelerado que pode ou não
adicionado à camada reflectir com precisão o futuro das condições de armazenamento. É mais ou menos
reflectora – os outros consensual, que se forem fabricados e armazenados correctamente, podem durar
discos usam prata,
que não tem as
algumas décadas. Mas como não há certezas, o melhor é comprar CD e DVD de
mesmas propriedades marca e guardá-los em bolsas de materiais livres de ácidos, num local bem seco
de arquivo. Imagem e protegido da luz, tal como uma gaveta ou um álbum. Os discos que têm uma
cortesia do Diversified camada de gravação dourada duram supostamente mais que os que têm a mesma
Systems Group.
camada prateada.
56 Este livro tem o apoio da
Armazenar Imagens – No seu Sistema

Surpreendentemente, uma empresa executou um teste de resistência à luz,


que demonstrou que os discos de ouro conseguem aguentar apenas 100 horas
de exposição contínua ao sol, sem sofrer danos. Os discos mais comuns,
de coloração azul começam a deteriorar-se após apenas 20 horas e falham
totalmente após 65 horas de exposição.
• Compatibilidade. O grande problema dos discos ópticos está resumido na
palavra “compatibilidade”, definida no dicionário como “coexistir em harmonia”.
Os CD e DVD são
mais baratos quando No caso dos CD, os problemas são mínimos. É possível escolher entre CD
são comprados em
caixas com grandes
graváveis (CD-R), que podem ser gravados apenas uma vez, e CD regraváveis
quantidades. Podem (CD-RW), que podem ser gravados, apagados e reutilizados, tal como um disco
depois ser guardados duro.
em envelopes ou bolsas.
No caso dos DVD, os problemas são mais complexos. Até agora era possível
escolher entre os formatos DVD+ e DVD- . Como estes formatos são
incompatíveis, a indústria resolveu o problema, fazendo-o pagar pelos dois,
na forma de uma drive de DVD dual, ou multiformatos. Agora, estão a ser
introduzidos mais dois formatos incompatíveis, o HDDVD e o DVD Blu-ray. Só
com o tempo se poderá dizer se algum deles se vai impor ou se o problema será
Drive de CD.Imagem
resolvido de novo através da criação de uma drive combinada.
cortesia de LaCie.

Programas de gravação de CD/DVD


Para copiar ficheiros para um CD/DVD, é necessário um programa de gravação.
O acesso a estes programas é fácil – por exemplo, os sistemas operativos mais
recentes do Windows ou do Mac, permitem gravar em CD directamente, sem
recurso a outros programas. Por outro lado, existem programas, tais como o
Roxio’s Easy Media Creator, criado especialmente para executar essa tarefa.
A capacidade de gravar CD/DVD está a ser cada vez mais integrada noutras
aplicações. Por exemplo, tanto o iPhoto e o Aperture, da Apple, como o
Lightroom da Adobe, permitem fazer uma selecção de imagens e gravá-la num
CD/DVD sem ter que sair da aplicação. Muitas aplicações também permitem a
Existem inúmeros criação de um slide show e a sua gravação num DVD, que pode ser reproduzido
computadores portáteis
que têm drives de DVD
no computador, num leitor de CD, ou ainda uma leitor de DVD de última
integradas, tal como geração, ligado a um televisor.
este computador ultra
leve da Sony.
Identificar os CD/DVD
Quando grava um disco, é criado, por si, ou pelo programa, um título que será
mostrado pelo computador, quando acede ao mesmo disco numa drive do seu
sistema.
O nome também será usado por programas de gestão de imagem, de forma
a estar a par da localização das suas imagens. Por exemplo, na maioria dos
programas, quando clica sobre uma imagem que não está disponível, o nome
que deu ao disco é mostrado, e é-lhe solicitada a inserção desse disco na drive.
É possível adicionar o seu próprio título descritivo ao disco, tal como “Viagem
à Florida”, ou deixar que o programa lhe atribua um título automaticamente,
baseado na data e na hora. Por exemplo, o número 070412_0849 indica que o
disco foi gravado a 12 de Abril de 2007, às 8:49.
Mesmo que seja atribuído um título ao disco no momento em que este é gravado,
continua a ser necessário identificar o objecto em si. Geralmente, a informação
deve estar no disco e não num envelope ou numa bolsa, já que é demasiado fácil
haver enganos. Uma maneira de identificar um disco é escrever a identificação
no lado oposto ao da gravação, com um marcador cuja tinta não desapareça com
o uso. Por questões de duração, a melhor escolha é um marcador que use tinta à
base de água.

Este livro tem o apoio da 57


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Alguns marcadores, tais como os Sharpie, usam tinta à base de solventes e devem
ser evitados. É fácil identificar os marcadores que não se devem usar, pelo odor a
dissolvente. Estes solventes podem atacar a camada protectora do disco, mesmo
quando escreve apenas no lado correcto. Ao longo do tempo, possivelmente
medido em décadas, é possível que a informação seja afectada.
Para um aspecto mais profissional, pode adquirir etiquetas circulares
autocolantes para CD/DVD, que podem ser impressas numa impressora de jacto
Quando copiamos de tinta e coladas à superfície do disco. Um dos problemas destas etiquetas é o
imagens entre alinhamento, uma vez que, quando a etiqueta cola, já não é possível descolá-la.
dispositivos, as pens
USB são muito úteis. Para o ajudar a colar as etiquetas correctamente à primeira, existem mecanismos
Podem-se transferir que as centram, enquanto as cola ao disco. Quando usar estas etiquetas, aplique-
ficheiros de um as apenas após gravar o CD/DVD. Se a aplicar antes, esta pode ficar descentrada
computador para a
pen, através de uma e afectar assim a gravação.
porta USB e depois
transferi‑los de novo Muitas aplicações de gravação de CD/DVD, incluem programas usados para
para outro computador. dispor e imprimir etiquetas e até mesmo capas para caixas de CD/DVD. Algumas
aplicações e programas têm várias imagens de fundo à escolha (ou permitem o
uso das suas próprias imagens como fundo), e caixas, onde pode digitar o seu
texto. Não é necessário ter muitos conhecimentos técnicos ou artísticos para
obter um design decente.
Se pretender comercializar os seus CD/DVD, o próximo passo é uma impressora
de rótulos. Estas impressoras imprimem em discos especiais que têm uma
camada permeável num dos lados. Se um disco não tiver esta camada especial,
a tinta vai formar gotas na superfície do disco e não vai agarrar. Os discos para
impressão a jacto de tinta são produzidos por várias das maiores empresas e
estão à venda em lojas de material informático e de escritório e em retalhistas
A Neato fabrica um on-line. Várias impressoras fotográficas da Epson têm a capacidade de
aplicador que centra
o CD e a etiqueta,
imprimir rótulos directamente neste tipo de discos. Se o mercado aguentar
de forma a aplicá- esta funcionalidade, esta tornar-se-á mais comum. Estas impressoras incluem
la correctamente à programas que são usados para projectar e imprimir os seus rótulos. Quando
primeira. Imagem
cortesia da Neato.
estes estão prontos a imprimir, coloca-se o CD ou DVD especial num tabuleiro
que o protege, e o CD percorre na impressora o mesmo caminho que o papel.
Também existem impressoras que foram criadas com o único objectivo
de imprimir rótulos em discos, e até robots que vão inserindo os discos na
impressora, de forma a imprimirem uma série de discos sozinhos.
Quando precisar de grandes quantidades de um mesmo disco, é aconselhável
mandá-lo duplicar e rotular por profissionais. Também é possível apenas rotular
As drives que usam
tecnologia Lightscribe profissionalmente os seus discos, deixando um espaço para escrever o nome ou o
rotulam discos título mais tarde.
Lightscribe ao mesmo
tempo que estes são
gravados. Imagem
cortesia de Lightscribe.

58 Este livro tem o apoio da


Armazenar Imagens — Fora de Casa

Armazenar Imagens — Fora de Casa

Armazenar imagens em casa é fácil. Quando é tempo de fotografar fora de casa,


começam os problemas. Com câmaras tradicionais, basta encher a mochila com
rolos e fotografar até estes chegarem ao fim. Se quiser, pode ainda comprar mais
rolos. Com as câmaras digitais não é assim tão fácil. Quando tira muitas fotografias
ou está muito tempo em viagem, vai chegar eventualmente a um ponto em que
todos os seus cartões de memória estão cheios e é obrigado a mover imagens para
outro dispositivo de armazenamento. Esta situação verifica-se especialmente
quando captura imagens de alta resolução ou usa formatos tais como o RAW ou
o TIFF, que proporcionam a melhor qualidade de imagem, mas criam ficheiros
Alguns iPods permitem gigantescos – 15 Megabytes e mais. Aqui estão algumas alternativas para uma
o armazenamento, bem sessão ou expedição fotográfica mais extensa:
como a visualização das
suas imagens. • Encontre uma loja que grave CD/DVD. Quase todas as lojas de fotografia
o fazem, no entanto, muitas vezes ignoram o procedimento correcto (Há lojas que
usam um programa que reconhece e copia apenas os ficheiros JPEG, deixando os
ficheiros RAW no cartão, onde os podemos eventualmente apagar, ao assumirmos
que já foram copiados).
• Compre mais memória. Esta é uma solução comum, mas pode ser cara,
quando se fotografa muito ou se está muito tempo em viagem.
• Leve consigo um computador portátil. É possível que já possua um
computador portátil. O seu ecrã de maiores dimensões e a possibilidade de
executar as aplicações que preferir, faz com que este computador seja uma versão
móvel do seu computador de secretária. Todavia, este tipo de computadores nem
sempre constituem o dispositivo portátil ideal devido ao seu tamanho, peso, curta
duração da bateria, e longo tempo de arranque. Numa viagem de carro é perfeito,
O iPod Camera especialmente porque o pode ligar à bateria do carro, através de um inversor de
Connector proporciona voltagem. Numa viagem de avião ou numa excursão ao ar livre, é muito difícil usar
uma maneira fácil e o computador portátil, se não mesmo impossível. Em viagens ao estrangeiro pode
rápida de transferir precisar de usar adaptadores de corrente. Se usar um disco duro externo ligado ao
imagens da sua câmara
para o iPod. Basta computador portátil, pode depois ligá-lo ao seu computador de secretária quando
ligar o iPod à estação chegar a casa. É possível transferir ou editar as imagens directamente no disco
conectora, ligá-la por externo.
cabo USB à câmara, e
esperar que as imagens • Adquira um dispositivo de armazenamento portátil com um
sejam transferidas. disco duro ou uma drive de CD/DVD. Alguns destes dispositivos têm
ranhuras para cartões de memória, ou ligam-se directamente à câmara. Depois
de transferir as imagens, pode formatar o cartão, obtendo assim mais espaço
para novas fotografias. As imagens podem depois ser copiadas do dispositivo
de armazenamento para o computador, para serem editadas, impressas ou
distribuídas. Muitos dispositivos de armazenamento portáteis tais como alguns
modelos de iPod também permitem visualizar (no ecrã do próprio dispositivo
ou num televisor) as imagens armazenadas, bem como rodá-las ou aumentá-
las. Alguns dispositivos podem ser ligados a uma impressora e combinam o
armazenamento de fotografias digitais, vídeos e ficheiros MP3. Com dispositivos
destes é possível criar slide shows com transições especiais entre fotografias,
acompanhados com músicas, e que podem ser reproduzidos em qualquer lugar.
O Epson P-5000 é
Se considerar a compra de um destes dispositivos, assegure-se que ele reconhece
um dispositivo de os formatos de imagens que costuma utilizar, já que alguns destes dispositivos não
armazenamento e suportam muitos formatos de ficheiros, tais como o RAW.
reprodução portátil
com um disco duro de • Use um serviço de transferência de ficheiros. Existe um serviço chamado
80 GB e um ecrã de 4 GoToMyPC, que é muito usado por pessoas que pretendem aceder ao seu
polegadas. computador de casa ou do escritório, a partir de outro computador em qualquer
parte do mundo, incluindo os computadores das bibliotecas e dos cyber-cafés.
Se assinar este serviço, pode transferir ficheiros e pastas entre computadores, ou
de uma câmara ou cartão de memória, simplesmente “arrastando e largando” os
ficheiros. Existem ainda sistemas de transferência de ficheiros peer-to-peer.

Este livro tem o apoio da 59


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Organizar os Seus Ficheiros de Imagem

Quando transfere imagens da câmara para o computador, e depois para


um CD/DVD, é necessário fazê-lo de uma forma organizada. Não é preciso
muito tempo para ter demasiadas imagens, e todas elas com nomes sem
significado aparente. Felizmente, com algum planeamento, combinado com o
conhecimento e as ferramentas correctos, é possível trabalhar com milhares
de imagens sem se perder. Antes de transferir as imagens da câmara para o
computador, deverá desenvolver um sistema que lhe permita encontrá-las
facilmente mais tarde. As pastas são o cerne de qualquer sistema de gestão
de imagens. A melhor forma de organizar as imagens no seu computador
é criando uma ou mais pastas, e depois sub-pastas que identifiquem as
imagens, de uma forma que faça sentido. O que deve ter sempre presente é
que o objectivo de organizar imagens não é arquivá-las, mas sim encontrá-las
quando quiser.
Pergunte-se a si mesmo qual seria o sítio mais provável onde iria procurar
imagens de interesse, daqui a um ano, muito depois de se ter esquecido
onde as guardou.Existem várias maneiras de organizar e identificar pastas,
dependendo do tipo de fotografias que tira, ou da forma como as usa.
• Uma organização cronológica usa pastas cujos nomes são datas, escritas
Esta é uma árvore no seguinte formato: aaaa-mm-dd. Quando usa datas para nomear pastas,
criada pelo Lightroom,
onde são mostrados certifique-se que adiciona um zero aos dias e meses que têm apenas um
dois projectos – um algarismo, se não, as pastas não ficarão ordenadas correctamente.
sobre Manchester, e
outro sobre borboletas • Uma organização por assuntos usa pastas cujos nomes identificam objectos,
monarca. eventos, projectos ou experiências. Por exemplo, uma pasta com o nome
“Natal_2008” conteria imagens desse dia. A pasta “Aniversário_Emily_
2008” conteria imagens dessa festa de anos.
Estas duas abordagens não são incompatíveis entre si. Por exemplo, se
Dica organizar as imagens cronologicamente, pode adicionar um comentário,
depois da data, que identifique o assunto dessas imagens. Apesar de
As abreviaturas das
datas variam de não ser aconselhável usar imagens duplicadas, também pode criar um
país para país, (na sistema cronológico, e depois copiar as imagens desejadas para pastas
ordem e separação separadas, identificadas com o assunto ou projecto. As pastas organizadas
dos dias, meses e
anos). No entanto, cronologicamente funcionam como um arquivo das imagens originais, e as
a organização pastas organizadas por tópicos contêm as imagens que edita, imprime ou
por datas num distribui.
computador, funciona
melhor se as Como vai poder verificar brevemente, os programas de gestão de imagem
abreviaturas forem
do tipo aaaa-mm-dd. mais recentes, oferecem as mesmas vantagens, recorrendo ao uso de
colecções ou álbuns (baseado no mesmo conceito das playlists do iTunes),
e edição não-destrutiva, de maneira a que nunca precise de mais do que
uma cópia da imagem original, visto que esta pode ser exportada em várias
versões.
Assim que tenha desenvolvido o seu sistema de organização pessoal, é
necessário decidir quais as pastas que devem ser transferidas para CD/DVD,
ou para outra forma de armazenamento a longo prazo. Mesmo que alguma
vez venha a precisar delas, estarão sempre acessíveis.
As ferramentas que utiliza para criar pastas, e ver, transferir e gerir imagens
podem ser as que estão incluídas no seu sistema operativo. No entanto, as
aplicações de gestão de imagens armazenam miniaturas e descrições das
fotografias, numa base de dados, onde poderá sempre localizar os ficheiros
que estão guardados em CD/DVD.

60 Este livro tem o apoio da


Gestores de Imagens

Gestores de Imagens

Se as suas pastas são organizadas sistematicamente, não é difícil localizar


Dica fotografias captadas numa certa data ou período. No entanto, é necessário
A miniatura da ver todas as imagens para escolher aquelas que lhe interessam. Isso pode
imagem é criada no ser feito por qualquer programa que mostre as suas imagens em miniatura.
momento em que a
fotografia é tirada. A visualização de miniaturas tornou-se uma característica tão importante,
Numa imagem JPEG, que esta já foi integrada em sistemas operativos e quase todas as câmaras e
é guardada como programas de fotografia.
metadado no próprio
ficheiro da imagem. Todavia, as miniaturas não são o único recurso oferecido por programas
concebidos especificamente para gerir grandes colecções de imagens. Estes
programas de gestão de imagem permitem não só visualizar miniaturas e
informações sobre as imagens, como também armazená-las permanentemente
numa base de dados conhecida como biblioteca. O que é uma base de dados?
Resumidamente, é apenas uma colecção de factos. Interagimos diariamente
com bases de dados, sem sequer nos apercebermos. Por exemplo, quando usa
o Google para fazer uma pesquisa sobre a expressão “câmaras digitais”, está
a procurar as páginas da base de dados do Google, onde aparece essa mesma
expressão. Outra base de dados familiar é o iTunes, onde são armazenadas
músicas e informações a seu respeito. Numa base de dados, os dados (factos)
O Windows XP tem um são armazenados de uma forma muito estruturada, recorrendo ao uso de linhas
tipo de visualização de e colunas, tais como as de uma tabela. Apesar de a base de dados em si nunca
imagens que permite
ver as miniaturas, ao
ser vista, ela tem uma linha ou registo para cada imagem da biblioteca. Cada
mesmo tempo que uma registo contém um determinado número de colunas ou campos que contêm
ampliação da miniatura factos específicos sobre a imagem. Alguns dos campos mais comuns são a
seleccionada.
data, a câmara usada, o tamanho da imagem em píxeis e o nome do ficheiro.
Todos os registos, de todas as imagens, contêm os mesmos campos, e é isto
que torna a base de dados uma ferramenta tão poderosa. É possível seleccionar
as imagens com base no conteúdo de um campo qualquer. Por exemplo, pode
seleccioná-las pela data em que foram tiradas, pelo seu tamanho ou formato.
Também pode realizar uma pesquisa na base de dados, especificando o campo
e o facto a procurar. Por exemplo, podem-se pesquisar as fotografias tiradas ou
modificadas numa determinada data. Serão então mostradas todas as imagens
cujo registo contenha a mesma data, no mesmo campo. É possível também
O Windows Vista
trouxe mais formas de
visualizar informações de uma base de dados, de maneiras diferentes. Podem
visualização e gestão de ser exibidas apenas as miniaturas, ou as miniaturas juntamente com o nome e
imagens. tamanho do ficheiro. Pode também incluir na visualização a informação Exif,
para saber qual o tempo de obturação ou a distância focal da objectiva, usados
para tirar as fotografias.
O Lightroom cria um
registo para cada
uma das imagens da
sua base de dados,
chamada Library
(bibioteca). Depois,
é possível usar
o programa para
visualizar informações
sobre as imagens, tais
como miniaturas ou
informações Exif.

Este livro tem o apoio da 61


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Numa base de dados


de imagens, existe
um registo para cada
ficheiro de imagem
(linha vermelha), e
um certo número de
campos (coluna azul).

Muitas aplicações de gestão de imagem também classificam e catalogam outro


http://www.photocourse.com/itext/assets/
tipo de ficheiros tais como filmes, sons e outros. Por esta razão estes programas
são designados, de uma forma mais abrangente, como gestores de bens (assets),
que incluem qualquer ficheiro do seu sistema, desde um documento Quark, até
uma imagem digital.
Os gestores de imagens, sustentados por bases de dados, são usados na
gestão de colecções de imagens de qualquer extensão. A importância das suas
características aumenta, na medida em que se acumulam fotografias no seu
sistema. Aqui são referidas as características mais importantes:

Bibliotecas
A base de dados onde são guardadas as informações das imagens, é designada
como biblioteca ou catálogo. Assim que uma imagem lhe é adicionada, podem-
lhe ser aplicadas todas as ferramentas de gestão e edição. Algumas aplicações
mais antigas, forçavam-no a copiar o ficheiro original para a biblioteca, por isso,
esta nunca podia ocupar mais espaço do que aquele que tinha disponível no
disco, e, à medida que aumentava de tamanho, a aplicação tornava-se mais lenta.
As aplicações mais recentes permitem copiar ou mover fotografias para as
suas bibliotecas, mas também permitem referenciar fotografias que estão em
qualquer parte do seu sistema, ou armazenadas fora dele. Por exemplo, é possível
adicionar o conteúdo de um CD/DVD a uma biblioteca e voltar a arquivá-lo.
Depois, pode ver as miniaturas ou até pré-visualizações maiores das imagens,
apesar de estas não se encontrarem no sistema (off-line). Isto porque aquilo que
está a ver são as miniaturas e pré-vizualizações que foram guardadas na base de
dados quando adicionou as imagens à biblioteca.
Todas as miniaturas ou pré-vizualizações de uma biblioteca estão ligadas, ou
apontam para a sua imagem correspondente. Se clicar numa miniatura ou pré-
vizualização de uma imagem que esteja guardada no sistema, esta é aberta no
seu tamanho real. Se clicar numa miniatura de uma imagem que esteja guardada
num CD/DVD ou num disco externo, o programa indica o nome do disco no qual
a imagem está guardada.
Se a sua biblioteca crescer demasiado ou se tornar demasiado lenta, é possível
criar outras bibliotecas – uma para trabalhos profissionais e outra para pessoais,
por exemplo. Todavia, não é possível trabalhar nas duas bibliotecas ao mesmo
tempo, pelo que esta abordagem é algo limitada.

Localização
Os fotógrafos têm por hábito mover, renomear e apagar as suas fotografias.
Se efectuar estas operações através do gestor de imagens, este vai registar
correctamente essas alterações.
No Lightroom, é
possível assinalar uma Pastas Vigiadas
imagem com uma
determinada cor, e É possível manter certas pastas sob vigia, para que, quando algum ficheiro lhe
depois localizar todas for adicionado sem o uso do gestor de imagens, este seja automaticamente
as imagens que foram acrescentado à biblioteca. Assim, os conteúdos da pasta e da biblioteca mantêm-
assinaladas com a
mesma cor. se sincronizados.

62 Este livro tem o apoio da


Gestores de Imagens

Selecção
É possível seleccionar as suas imagens de variadas formas, incluindo por datas,
nomes ou extensões dos ficheiros. As selecções podem ser ordenadas de forma
crescente ou decrescente.

Classificação
Menu de selecção de Muitas vezes, as fotografias que tiramos são uma desilusão, por isso, focamos
imagens do Adobe a nossa atenção em apenas algumas imagens. Por esta razão, os programas
Lightroom. permitem a realização de uma classificação das imagens. Pode atribuir uma
classificação de 5 estrelas às melhores fotografias, 4 estrelas às imagens de
qualidade imediatamente inferior e por aí adiante. Existem outras formas de
classificar imagens, tais como adicionar marcadores que indicam as imagens
No Lightroom é possível escolhidas e as rejeitadas, ou etiquetas de cor às quais são atribuídos significados.
atribuir classificações A partir do momento em que são classificadas é possível mostrar, seleccionar ou
de 1 a 5 estrelas a uma
imagem. Quando essa pesquisar as imagens, usando estes critérios.
imagem é seleccionada,
a sua classificação é
exibida. Palavras-chave
É possível atribuir uma palavra-chave a uma ou mais imagens, para facilitar
a sua localização. Estas palavras podem referir-se a um lugar, um tópico, uma
pessoa, etc. Se usar as palavras-chave de uma forma consistente, conseguirá
encontrar facilmente todas as fotografias de “Emily”, tiradas em “Santa Bárbara”
ao longo dos anos.
Marcadores de selecção
e rejeição de imagens.
Filtros
Quando tem um elevado número de imagens na sua biblioteca, é provável
que queira trabalhar com um pequeno subconjunto. Para determinar quais
as imagens que deseja trabalhar pode usar filtros. Por exemplo, pode dizer ao
programa para mostrar apenas as imagens que foram tiradas esta semana,
este mês, ou em qualquer outro dia. Também pode escolher apenas as que
têm uma classificação de 5 estrelas, ou todas as fotografias que obtiveram uma
classificação até 3 estrelas, por exemplo. Os filtros variam de programa para
programa, mas todos têm a mesma função – filtrar as fotografias que não têm
importância, para poder concentrar-se apenas naquelas que lhe interessam.

Metadados
Quando fotografa uma determinada cena, a câmara guarda informações sobre
O cabeçalho (header) a imagem juntamente com o ficheiro. Também é possível acrescentar mais
é uma área do ficheiro
separada dos dados da informações usando aplicações de edição ou gestão de imagem. Quanto mais
imagem. extensa for a informação sobre uma determinada imagem, mais fácil será
encontrá-la mais tarde.
• A informação do tipo Exif (Exchangeable Image File Format) refere-se à
informação sobre uma imagem JPEG e é guardada no mesmo ficheiro que a
imagem em si. Esta informação inclui uma miniatura e apresenta os parâmetros
usados pela câmara na captura da fotografia, e até a localização da imagem, se
a câmara suportar um sistema GPS (Global Positioning System). As câmaras
digitais guardam esta informação como metadados, numa área do ficheiro da
imagem designada por cabeçalho (header). Esta informação não se destina
apenas à gestão de imagens, pode também ser usada por algumas impressoras
para obter melhores resultados. Basicamente, qualquer controlo automático
da câmara pode ser manipulado pela impressora, ou outro dispositivo, para
melhorar os resultados. Os ajustes manuais são considerados como uma escolha
deliberada e não serão manipulados. Ao abrir um ficheiro e guardá-lo noutro
Visualização da formato podem perder-se metadados. No entanto, actualmente, a maioria das
informação Exif de uma
imagem seleccionada no aplicações preserva esta informação, apesar dos fabricantes de câmaras por vezes
Lightroom. armazenarem secretamente metadados, que se podem eventualmente perder.
Este livro tem o apoio da 63
Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

• IPTC. É possível acrescentar várias informações a uma imagem, tais como


Metadados? palavras-chave, notas de direitos de autor ou legendas. No entanto, quando a
A informação de imagem é enviada para outro computador a informação não é enviada juntamente
Metadados consiste com ela, visto que está armazenada na base de dados e não faz parte do ficheiro
em dados que se
referem a outros da imagem, como a informação Exif. (Como iremos verificar brevemente, a
dados. Em fotografia solução para este problema é um ficheiro xmp). Para resolver esta questão, o
digital é a informação IPTC (International Press Telecommunications Council), definiu um formato
inserida no cabeçalho que permite a troca deste tipo de informação. Os programas que reconhecem este
(header) de um
ficheiro de imagem, formato, permitem-lhe adicionar, editar e visualizar esta informação, que fica
que descreve os incorporada no ficheiro, tal como a informação Exif.
seus conteúdos, de
onde vieram e o que
fazer com eles. Já Pré-visualizações
está familiarizado
com dois exemplos: As miniaturas das imagens são geralmente demasiado pequenas quando se
o nome do ficheiro pretende ver as imagens em detalhe. Por outro lado, as imagens em tamanho real,
da imagem e a demoram demasiado tempo a abrir. Por esta razão, os programas de gestão de
data e hora em que
foi criada. Outros
imagem normalmente geram pré-visualizações do tamanho do ecrã das imagens
metadados incluem que estão guardadas na base de dados. De facto, em algumas aplicações, são as
os dados Exif, pré-visualizações que são exibidas e editadas. A imagem original só é vista quando
criados pela maioria se aumenta a pré-visualização para um tamanho superior ao do ecrã. Como a pré-
das câmaras, que
informam sobre qual
visualização da imagem é muito mais pequena do que a imagem original, trabalhar
o modelo de câmara com ela acelera o tempo de resposta da aplicação.
que foi usado,
quais os valores de
exposição, e se foi Colecções
usado ou não o flash.
Uma das regras das bases de dados, é que uma dada imagem só deve ser
armazenada uma vez. Quando é necessário que essa imagem apareça em mais
do que um projecto não são criados duplicados. Em vez disso, é possível criar
colecções, por vezes chamadas de álbuns ou projectos, de imagens com alguma
relação entre elas. Uma determinada imagem pode aparecer em inúmeras
colecções ao mesmo tempo, apesar de existir apenas uma cópia no sistema. (Se
está familiarizado com o iPod, repare como as playlists funcionam exactamente
da mesma maneira). Quando atribui uma imagem a uma colecção o programa
copia apenas a miniatura e a informação respeitante a essa imagem, e acrescenta
uma ligação à imagem original. Por exemplo, se tiver uma imagem que pretende
ter num livro e num calendário, deverá criar uma colecção para cada um deles e
adicionar a imagem a ambas as colecções.

Pilhas de Imagens
As pilhas de imagens são conjuntos de imagens relacionadas entre si, tais como
imagens fotografadas em modo contínuo ou onde foi usado bracketing. Ao
agrupar imagens em pilhas pode visualizar apenas a imagem que escolher como
representativa das outras, ou expandi-la para ver e comparar todas as suas
imagens.
A criação de pilhas de imagens ajudam a arrumar a desordem no seu ecrã, porque
deixa de ser obrigado a percorrer todas as imagens da pilha, a menos que tencione
fazê-lo. A aplicação usará informações (metadados), tais como o quão perto umas
Metadados IPTC de uma das outras as imagens foram tiradas, para criar pilhas automaticamente.
imagem seleccionada no
Lightroom
Mesa de Luz
Dica Quando trabalha num projecto (slide show, página Web ou publicação), chega a
Edição não um ponto em que deseja visualizar as imagens agrupadas mais ou menos da forma
destrutiva significa em que vão aparecer no trabalho final. Os fotógrafos de filme faziam-no, colocando
que é possível, em
qualquer altura, os slides numa mesa de luz, para experimentar várias combinações de imagens que
eliminar qualquer criassem efeitos visuais diferentes. Num programa de gestão de imagem, o ecrã
alteração feita a uma proporciona o equivalente digital a uma mesa de luz. Uma “tela” em branco onde é
imagem. possível, colocar, alinhar, redimensionar e agrupar imagens livremente.

64 Este livro tem o apoio da


Gestores de imagens

Exportar
Tanto nas imagens RAW, como na edição não-destrutiva, o ficheiro original nunca
sofre alterações. Estas são aplicadas no momento em que a imagem é exportada
para outro formato, para outra pasta, ou para um ficheiro com nome diferente. Ao
exportar a imagem é possível também redimensioná-la, atribuir um espaço de cor,
especificar o formato e a compressão do ficheiro.

XMP
Os programas de fotografia mais recentes usam aquilo a que chamamos de edição
não-destrutiva, para que o ficheiro original nunca seja modificado. Assim, as
alterações feitas à imagem são guardadas na base de dados e de aplicadas apenas
quando o ficheiro é aberto.
Sempre que uma imagem editada é enviada ou copiada para outro sistema, as
alterações permanecem na base de dados. Para poder partilhá-las em conjunto
com a imagem, os programas tais como o Aperture e o Lightroom usam a
plataforma XMP (Adobe’s Extensible
Metadados Platform), de forma a integrar os metadados da edição no próprio
ficheiro da imagem, ou num ficheiro anexo, com o mesmo nome da imagem, mas
com a extensão xmp. Os metadados podem incluir a lista de alterações feitas à
imagem, bem como informações Exif e IPTC. Outras aplicações que suportem
a plataforma XMP, são capazes de aceder e usar os metadados para mostrar as
alterações em outros sistemas.

Arquivar
Quando a edição da imagem está terminada é necessário arquivar os metadados
referentes a essa imagem em conjunto com o seu ficheiro. As imagens podem ser
facilmente seleccionadas e gravadas num CD/DVD, ou num disco, permanecendo
listadas na base de dados, onde é possível ver as miniaturas, pré-visualizações e
metadados. Quando uma imagem que foi armazenada fora do sistema (off-line) é
seleccionada, o programa incita-o a inserir o disco no qual foi gravada.
Se pretender ter cópias de segurança fora do seu sistema, para que um mesmo
acidente não afecte todas as cópias da mesma imagem (incluindo a original),
o armazenamento on-line pode ser a resposta. É possível copiar imagens para
páginas Web, tais como a Carbonite e a Mozy.com. Cada uma delas instala um
pequeno programa no sistema. Cada vez que alguma imagem é alterada ou
adicionada, esta é assinalada, e a cópia de segurança é feita ao mesmo tempo de
trabalha noutros projectos. O único problema com este tipo de arquivo é que pode
ser muito lento, mesmo com uma ligação à Internet muito rápida. No entanto,
após a realização cópias de segurança mais importantes, as cópias das alterações
realizar-se-ão muito mais rapidamente.

Usar todas as funcionalidades – o fluxo de trabalho


Quando um fotógrafo termina uma sessão, o seu objectivo é processar as imagens
o mais rapidamente possível. Aqui são descritos alguns dos passos do fluxo de
trabalho que muitos fotógrafos seguem, num programa como o Lightroom.
1. Adicionar as fotografias à biblioteca.
2. Atribuir uma nota de direitos de autor a todas as imagens
3. Atribuir palavras-chave às imagens
4. Classificar as imagens com estrelas, cores ou marcadores de selecção ou rejeição.
5. Apagar as imagens rejeitadas e editar e exportar as imagens para uso imediato.
6. Partilhar ou publicar as imagens

Este livro tem o apoio da 65


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Avaliar as suas imagens – básico

A primeira vez que uma imagem digital é realmente visualizada é quando


Dica é aberta no computador. A imagem do ecrã da câmara é tão pequena, que
Mesmo sem se a é difícil avaliar a sua qualidade. Visto isto, quais são as características a
aperceber, a sua ter em atenção para decidir se determinada imagem pode ser melhorada?
câmara realiza
alterações aos
Nesta secção tentaremos iniciá-lo nesta capacidade de decisão. À medida
ficheiros JPEG e não que conseguir identificar as características de uma imagem que podem ser
há forma de eliminá- melhoradas, vai perceber que há mais do que uma forma de fazê-lo. Muitas
las. Estas alterações
incluem a nitidez, o
pessoas começam por utilizar os ajustes automáticos, por serem simples.
balanço de brancos Todavia, não vai demorar muito tempo até descobrir ferramentas de edição
e o contraste. Para muito mais poderosas. Apesar de necessitar de mais prática para as utilizar,
controlar estes
parâmetros, deve
o esforço adicional vale bem a pena. Para poder avaliar correctamente as
usar o formato imagens é necessário usar um sistema de gestão de cor, do qual falaremos
RAW, sempre que a mais tarde. Também é aconselhável ampliar as imagens a 100% (por vezes
câmara o permitir.
referido como 1:1 ou Tamanho Real), ou usar uma lupa digital, para examinar
os detalhes.
http://www.photocourse.com/itext/tonalrange/
Aqui são referidas algumas das características a ter em conta quando avalia as
suas imagens;

Avaliar o tamanho e a orientação


O tamanho e orientação originais de uma imagem são determinados pela
câmara. Existem situações em que pode pretender alterar estas características.
http://www.photocourse.com/itext/pixels/pixels.pdf
• É possível redimensionar uma imagem de duas maneiras – alterando o seu
número de píxeis, através de um procedimento chamado interpolação. Este
processo adiciona ou remove píxeis de forma a aumentar ou reduzir a imagem
e é útil, por exemplo, para enviar imagens por e-mail ou publicá-las na Web.
Também é possível ampliar o tamanho da imagem quando se pretendem
fazer grandes impressões. No entanto, acrescentar píxeis a uma imagem nem
sempre a torna melhor. De facto, costuma até ter o efeito inverso. Também
é possível alterar o tamanho da imagem, sem alterar o número de píxeis
(tamanho do documento) ao especificar um determinado número de píxeis por
polegada. Este procedimento é utilizado no momento de imprimir ou exportar
as imagens para outras aplicações.
• É possível remover partes da imagem através da ferramenta Reenquadrar.
Pode-se reenquadrar uma imagem de forma a caber num formato específico,
tal como um envelope ou um postal.
• Pode ser necessário rodar uma imagem, caso esta tenha sido tirada numa
posição vertical, ou se a linha do horizonte estiver inclinada.

Avaliar a gama tonal


Dynamic range in music is the range between the faintest and loudest sounds
Reenquadrar (em cima) Em música, a gama dinâmica é o intervalo entre o som mais fraco e o mais alto,
uma imagem é uma
maneira de enfatizar reproduzíveis sem a ocorrência de distorção. Em fotografia, a gama dinâmica,
as suas partes mais chamada gama tonal, indica o intervalo de luminosidade de uma fotografia,
importantes, ou de entre o branco e o negro puros.
fazê-la caber num
determinado formato, Existem duas maneiras de avaliar a gama tonal de uma imagem – através da
como por exemplo,
numa revista. sua visualização, ou com recurso a um histograma (referenciado na próxima
secção do livro). É aconselhável usar sempre ambas as abordagens. Por
exemplo, é possível analisar visualmente uma imagem e depois confirmar as
razões que a levam a ter determinado aspecto no histograma.

66 Este livro tem o apoio da


Avaliar as suas imagens – básico

Visualmente, as imagens que apresentam uma gama tonal completa têm um


aspecto rico e vivo, com cores vibrantes e transições suaves entre os tons. Às
imagens que não apresentam uma gama tonal completa, falta profundidade
de cor e têm normalmente um aspecto monótono e sem relevo.
Uma das formas de As áreas de altas luzes ou de sombras não apresentam detalhes, e a imagem
avaliar a gama tonal é pode estar demasiado clara ou escura. Nestes casos, deve-se ajustar ou
com um histograma de expandir a sua gama tonal.
mostra os vários níveis
de luminosidade de uma
imagem.
Avaliar as cores
O olho humano distingue as cores com base em três características – matiz,
brilho e saturação, existe um modelo de cores baseado nestas características
designado por HSB (hue, saturation, brightness). O monitor usa um modelo
de cor diferente chamado RGB (red, green, blue), porque as cores são
exibidas usando diferentes intensidades de luz vermelha, verde e azul. Ao
avaliar as imagens, deve pensar-se em ambos os modelos, um para avaliar as
cores e outro para procurar por dominantes de cor.
Para avaliar as cores de uma imagem, pense em termos de matiz, brilho e
saturação, visto que os três aspectos podem ser ajustados.
• No que respeita à cor real, o matiz é independente das outras pois a
medição é feita através do seu comprimento de onda, enquanto que as
outras duas características (saturação e brilho) modificam sempre o matiz
Os matizes podem ser
de alguma forma. O matiz pode ser vermelho, laranja, amarelo, verde, azul,
organizados num círculo violeta, ou de qualquer cor intermédia.
ou roda de cor.
• A saturação refere-se à intensidade ou pureza de uma cor. Quando ajusta a
saturação em toda a sua gama, as cores vão desde um aspecto rico e vibrante
até a um tom cinzento-escuro.
À medida que diminui
a saturação (em cima),
as cores tornam-se
monótonas, e por fim
ficam cinzentas. À
medida em que diminui
o brilho, as cores ficam
mais escuras e por fim
tornam-se pretas.

http://www.photocourse.com/itext/hue/

• O brilho, também designado como luminância, refere-se à luminosidade


relativa da cor. Esta é reduzida pela adição de preto e aumentada pela adição
de branco. Quando ajusta o brilho usando toda a sua gama, as cores vão do
Dica branco ao negro. Este é o único dos três atributos, comum às imagens a preto
Uma cor neutra tem e branco.
quantidades iguais
de vermelho, verde Uma dominante de cor é normalmente causada, quando uma ou mais
e azul e tem uma componentes de cor (vermelho, verde e azul) estão demasiado altas ou baixas
aparência cinza. numa imagem. Isto pode ocorrer quando o balanço de brancos não foi usado
correctamente, quando a cena é iluminada por fontes de luz de diversos tipos, ou
mesmo quando uma superfície colorida é reflectida no objecto.
Este livro tem o apoio da 67
Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

As dominantes de cor são bastante perceptíveis em imagens do pôr ou do


nascer do sol – mas nesses casos, o efeito é geralmente agradável. É fácil
identificar uma dominante de cor olhando para as áreas da imagem que
deveriam ser brancas ou de um cinza neutro.
Se houver, nestas áreas, alguma cor misturada, quer dizer que a imagem tem
uma dominante de cor que deve ser removida. As áreas de branco puro devem
ter um valor de 255 para as três cores RBG (vermelho, azul e verde). Os valores
RGB nas áreas cinzentas devem ser todos iguais, por exemplo, de 128 para as
Quando aponta, com a três cores, no caso de um cinzento médio. Nas áreas de preto puro, todos os
ferramenta de ajuste
de balanço de brancos,
valores devem ser de 0. Independentemente da cor neutra que está a examinar,
para um determinado sempre que um dos valores RGB seja mais alto ou mais baixo que os outros
píxel de uma imagem, dois, quer dizer que existe uma dominante de cor.
o Lightroom mostra a
sua mistura de cores. Avaliar os detalhes
Se clicar nesse píxel,
tanto esse, como todos Ao examinar uma imagem, devem procurar-se pequenas imperfeições que
os outros píxeis iguais podem ser retocadas. O sensor pode ter partículas de pó, que aparecem na
a ele, adquirem uma imagem como pontos escuros. É possível haver uma pequena imperfeição na
tonalidade neutra.
pele da pessoa retratada, que se torna demasiado visível quando a imagem é
ampliada. Pode também haver reflexos ou até fios de telefone que pretende
remover. Algumas pequenas áreas podem sair beneficiadas se as tornar mais
claras ou escuras que o resto da imagem. O modelo de um retrato pode ficar
com olhos vermelhos, causados pelo uso do flash numa sala escura.
Avaliar a nitidez

A nitidez aparente de uma imagem depende muito da quantidade de contraste


que existe ao longo dos contornos e das linhas. Se uma imagem está demasiado
A função sharpening suave, pode ser melhorada ao usar a função sharpening, que adiciona contraste
(à direita), aumenta aos contornos. Muitos fotógrafos aplicam esta ferramenta a quase todas
o contraste entre
áreas claras e escuras, as imagens, ignorando-a apenas em algumas imagens, tais como cenas de
de forma a que os nevoeiro, que são naturalmente suaves.
contornos apareçam
mais nítidos.

http://www.photocourse.com/itext/sharpen/

Avaliar o ruído
Quando é usado um tempo de obturação muito longo, ou uma sensibilidade
(ISO) muito alta, é possível que a imagem fique com ruído. Verifique se
nas áreas escuras da imagem aparecem píxeis com cores arbitrárias, que se
parecem com o grão de uma fotografia de filme.
Edição global ou local

O ruído pode degradar Alguns dos ajustes abordados nesta secção afectam a imagem inteira, e outros
significativamente os apenas partes específicas. Estes ajustes, aos quais chamamos edição global ou
tons suaves. local, serão abordados nas secções seguintes.
68 Este livro tem o apoio da
Avaliar as suas imagens – histogramas

Avaliar as suas imagens – histogramas

Os programas de edição de imagem mais profissionais permitem o uso de um


histograma como um guia, na edição das suas imagens. No entanto, como a maior
parte das correcções de uma imagem podem ser diagnosticadas ao olhar para
Existem dois tipos de
o histograma, é mais útil usá-lo quando ainda estamos numa situação em que
histograma. A maioria podemos recapturar a imagem. É por esta razão que muitas câmaras mostram o
das câmaras dispõe histograma, logo na primeira visualização da imagem ou no modo de reprodução.
de um histograma
que mostra apenas
Algumas câmaras permitem até a visualização do histograma enquanto compõe a
os valores gerais da cena, para que o possa usar como guia para seleccionar os parâmetros da câmara.
luminosidade. Algumas
criam histogramas RGB,
que mostram o nível de Avaliar histogramas
brilho de cada uma das
três cores – vermelho, Como já vimos, qualquer pixel de uma imagem pode ter um de 256 níveis de
verde e azul. brilho, desde o negro puro (255) até ao branco puro (0). O histograma mostra
quais os níveis de brilho que existem na imagem e de que forma estão distribuídos.
O eixo horizontal do histograma representa a escala de brilho, de 0 (sombras),
à esquerda, a 255 (altas luzes) à direita. Este eixo é como uma linha com 256
espaços, em cada um dos quais são empilhados píxeis com a mesma luminosidade.
Como estes são os únicos valores que podem ser capturados pela câmara, a linha
horizontal, também representa o potencial máximo da gama tonal.

Mais
pixéis

Mais luminosidade

O eixo vertical representa o número de píxeis existentes em cada um dos 256


valores de luminosidade. Quanto mais alta for a linha que parte do eixo horizontal,
mais píxeis existem nesse nível de brilho.
Ao ler um histograma, está a olhar para a distribuição dos píxeis. Aqui estão alguns
aspectos que deve ter em conta:
• As fotografias são melhores quando têm alguns píxeis em todas as posições, visto
que a gama tonal está a ser abrangida na sua totalidade.
• Em muitas imagens, os píxeis estão agrupados, ocupando apenas uma parte da
gama tonal disponível. Estas imagens têm pouco contraste, porque a diferença
entre as partes mais claras e mais escuras da imagem não é tão grande quanto
poderia ser. No entanto, esta situação pode ser corrigida num programa de edição
de imagem, ao usar comandos que espalham os píxeis, para que estes cubram a
totalidade da gama tonal. Estes controles permitem ajustar as áreas de sombras,
meios-tons e altas luzes independentemente, sem afectar as outras áreas da
imagem. Isto permite escurecer ou iluminar áreas seleccionadas de uma imagem
sem perda de detalhes. Os únicos píxeis que não podem ser ajustados desta
maneira são os que têm um dos valores de brilho extremos – branco ou preto
puros.
Este livro tem o apoio da 69
Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Aqui estão algumas questões a considerar quando ajusta o histograma ao


tirar uma fotografia.
• Se o histograma tem mais píxeis no lado esquerdo (sombras) do gráfico,
deve aumentar-se o valor de exposição, através da sua compensação
(abordada no próximo capítulo).
• Se o histograma tem mais píxeis no lado direito (altas luzes) do gráfico, deve
usar a compensação da exposição para a reduzir.
A imagem original (em
cima) é monótona e o
seu histograma indica
que apenas uma parte
da gama tonal está
a ser utilizada. Na
imagem de baixo, foi
usado um programa
de edição de imagem
para expandir a gama
tonal. É possível ver
a mudança tanto na
imagem como no
histograma.

http://www.photocourse.com/itext/histogram/
Clique para explorar os
histogramas

Aviso de altas luzes


Uma das situações a evitar é sobre-expor as altas luzes de tal maneira, que
a imagem perca informação ou detalhes. Para o ajudar, muitas câmaras
http://www.photocourse.com/itext/highlight/
mostram um aviso de altas luzes quando reproduzem as imagens. As áreas
que estão tão sobre-expostas, que não têm detalhe, piscam ou são delineadas
Clique para verificar
de que maneira são
com cor.
assinaladas as áreas
sobreexpostas de uma
imagem.

70 Este livro tem o apoio da


Avaliar as suas imagens – histogramas

Píxeis sem informação


Quando um histograma mostra píxeis nos extremos da escala de luminosidade
(nas posições 0 e 255), quer dizer que os detalhes que existiam nessas áreas
foram perdidos, e estas ficaram sem informação.
Estes extremos só se devem apresentar em reflexos (altas luzes) e pequenas
Na imagem de topo zonas de sombra. A qualidade da imagem diminui quando existem extensas
podemos ver através do áreas sem informação.
histograma que alguns
dos pixéis são branco
puro, e como tal não
têm informação. Não
pode fazer mais nada
para recuperar estes
pixéis. No entanto, se
fotografar uma nova
imagem, com uma
exposição diferente,
consegue recolocar o
histograma na zona
central e assim evitar
este problema. Repare
na imagem de baixo.

Para evitar a perda de informação, e melhorar a distribuição dos valores tonais


em próximas fotografias, usa-se a compensação da exposição. Aumentar
a exposição faz com que os píxeis se movam para a área das altas luzes do
histograma (extremo direito). Diminuir a exposição faz com que os píxeis se
movam no sentido contrário. A menos que pretenda obter áreas de brancos
ou negros puros, deve usar a compensação da exposição para que não existam
píxeis sem informação (com valores 0 ou 255) na imagem. Isto dá-lhe depois a
oportunidade de corrigir a imagem no seu programa de edição.

Estas fotografias foram tiradas usando uma diferença de um stop entre elas, usando
a compensação da exposição. À medida que o valor de exposição aumenta, os píxeis
movem-se para o lado direito do histograma. É possível ver as alterações no tempo
de obturação, feitas na compensação da exposição, no movimento das lâminas da
ventoinha. A imagem em que o tempo de obturação foi mais curto, está mais escura
e as lâminas parecem paradas. À medida que se aumentou o tempo de obturação,
para aumentar o valor da exposição, as imagens vão ficando mais luminosas e é
visível o movimento das lâminas.

Este livro tem o apoio da 71


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Amostras de histogramas
O aspecto de um histograma depende da cena fotografada e na forma de
expor. À excepção dos histogramas que mostram áreas sem informação, não
existem bons ou maus histogramas. A qualidade de um histograma depende
daquilo que pretende obter. De facto, pode preferir confiar na sua reacção
visual à imagem, em vez de na informação demasiado numérica mostrada
num histograma. No entanto, mesmo que nunca o utilize, é possível aprender
muito sobre fotografia digital, ao compreender aquilo que um histograma
pode dizer sobre uma imagem. De seguida são mostrados alguns histogramas
referentes a boas fotografias, bem como um pequeno resumo daquilo que nos
revelam.
A maioria das
tonalidades desta
imagem de uma traça
castanha colocada sobre
um cartão cinzento são
de um valor médio. É
esta a razão pela qual
existem muitas linhas
verticais agrupadas no
meio do eixo horizontal
do histograma.

Esta traça castanha


sobre um cartão
cinzento tem a maioria
dos seus tons no centro
do histograma.

Esta cena de nevoeiro


em high-key (dominada
por tons luminosos) tem
uma maioria de tons na
zona das altas luzes. Na
realidade, não existem
tonalidades escuras
nesta imagem. Esta
usa apenas pouco mais A linha vertical à esquerda da área
que metade da gama dos cinzentos médios, mostra a
dinâmica da câmara. quantidade de píxeis que existem na
moldura cinzenta uniforme, que foi
adicionada num programa de edição
de imagem.

A maioria dos tons


desta cena em low-
key (dominada por
tons escuros) situa-se
na área de sombras,
existindo também outro
grande agrupamento
perto do cinzento
médio. Existem muitos
valores de luminosidade
que têm apenas alguns
píxeis.

72 Este livro tem o apoio da


Edição Fotográfica – Edição Geral

Edição Fotográfica – Edição Geral

Em 1932, um grupo de jovens fotógrafos, incluindo Ansel Adams e Edward


Weston, intitulado de f/64 defendeu a fotografia sem manipulação, em
oposição à fotografia fortemente editada, tão em voga na época. O movimento
cresceu e quando Edward Steiglitz publicou, na sua revista – Camera Work,
o trabalho de Paul Strand, um fotógrafo adepto deste género de fotografia,
escreveu: “…O trabalho é brutalmente directo. Desprovido de subterfúgio,
desprovido de truques e de quaisquer “ismos”; desprovido de qualquer
O painel do histórico do tentativa de iludir um público ignorante, incluindo os próprios fotógrafos.
Lightroom, no Módulo
“Develop” (Revelar).
Estes fotógrafos são a própria expressão dos dias de hoje…” Este movimento
ficou conhecido como “fotografia pura” (straight photography) e ainda hoje
persistem ecos dos argumentos que gerou. Os pictorialistas de hoje são
aqueles que usam o Photoshop para manipular as suas imagens de tal modo,
que estas saem do campo da fotografia, entrando no reino das artes gráficas.
Existe uma indústria criada por estas pessoas, que oferece a revistas, páginas
http://www.photocourse.com/itext/editimprove/
da Web, workshops, convenções, vídeos e livros, a conversão a técnicas
obscuras de edição de imagem. Para muitos destes gurus, o conteúdo de
Clique para ver uma
animação que mostra uma imagem é menos importante que a sua manipulação. Passam tanto
o mudar de uma tempo a manipular as imagens que já têm, que quase deixam de capturar
fotografia em algo novas imagens. É útil compreender estes argumentos, porque o Aperture e
muito diferente.
o Lightroom são realmente ferramentas de fotografia pura, que o ajudam
a colocá-la no seu contexto histórico. A expressão “fotografia pura” não
quer dizer que não se possa tentar melhorar o aspecto de uma imagem.
Na verdade, é raro existir uma fotografia digital que não precise de alguns
http://www.photocourse.com/itext/editreality/
ajustes. No entanto, o Photoshop tornou-se tão complexo, e tem tantas
funcionalidades ligadas às artes gráficas, que houve uma abertura para a
criação de programas que fossem ao mesmo tempo mais simples e mais
“fotográficos” na sua filosofia. Os amadores avançados necessitaram de um
programa mais intuitivo e fácil de aprender. Os profissionais necessitaram
de um programa que lhes permitisse trabalhar mais eficientemente,
Os Bons Velhos especialmente ao lidar com um grande número de imagens. Assim nasceram
Tempos? o Aperture e o Lightroom, programas que enfatizam os procedimentos de
edição global, que afectam toda a imagem.
Nos dias do filme,
o controlo sobre Um aspecto interessante do Lightroom e do Aperture, é que quaisquer
as impressões
no laboratório alterações feitas à imagem não modificam os píxeis originais, para que seja
era limitado. Era possível desfazer qualquer edição em qualquer altura. Este tipo de edição
possível controlar o não-destrutiva é conseguida através do armazenamento das alteraçõea na
contraste através da
escolha de papéis base de dados, em conjunto com a própria imagem. Quando uma imagem
ou filtros diferentes, é aberta no Lightroom, este usa essa lista armazenada para reaplicar as
ou fazer alterações alterações, para que estas sejam usadas quando exibe, imprime ou exporta a
locais, iluminando
ou escurecendo as imagem. Basicamente, estes programas tratam as imagens como negativos
áreas pretendidas. digitais, e preservam-nos como tal. Sempre que pretender voltar a imagem à
Ao fazer impressões sua forma original, basta escolher a opção “Zero’d” no painel de predefinições
a cores, era possível
ajustar o balanço do Lightroom.
das cores, através do
uso de filtros. Antes O Lightroom e o Aperure foram projectados para fazer com que o trabalho
de se entusiasmar com imagens RAW seja tão simples quanto com imagens JPEG. É possível
com aquilo que se mostrar, redimensionar, ajustar, adicionar palavras-chave, imprimir, e
pode realizar numa
imagem hoje em dia, criar layouts de páginas Web, usando ambos os formatos, sem conversões
lembre-se que as intermédias. Ambos os programas permitem também trabalhar da mesma
melhores fotografias forma com outros formatos de imagem, incluindo TIFF e formato nativo do
da história, foram
feitas apenas com Photoshop, o PSD.
estes ajustes.

Este livro tem o apoio da 73


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Dica
Uma das melhores
qualidades do
Aperture e do
Lightroom, é a forma
como eles retêm
o seu espaço de
trabalho, quando
termina uma sessão.
Não há necessidade
de guardar o
seu trabalho. É
tudo guardado
automaticamente e,
da próxima vez que
abrir a aplicação,
tudo estará igual. Se
estiver a editar 100
fotografias para um
livro, estas estarão
todas lá, não há
necessidade de abrir
cada uma delas
antes de começar o A anatomia do Lightroom.
trabalho.
Quando abrir o Lightroom, vai reparar que este é dividido em secções.
1. O menu do topo do ecrã dá acesso a vários comandos. Os comandos mudam
consoante os módulos escolhidos.
2. O seleccionador de módulos na parte superior direita do ecrã, é onde se
seleccionam as várias opções – A opção Library (Biblioteca) serve para para
Arrastar o ponteiro
das miniaturas
importar, organizar e escolher imagens para editar, a opção Develop (Revelar),
(thumbnails), na grelha para realizar ajustes nas imagens, a opção Slideshow para criar apresentações
de visualização, ajusta o para visualizar no ecrã ou exportar para PDF, a opção Print (Imprimir) para
tamanho das imagens. ajustar as definições de impressão, e a opção Web, para criar galerias em Flash
ou HTML. No lado esquerdo do ecrã, aparece uma placa de identificação e um
monitor de progresso.
3. A área de visualização de imagens no centro do ecrã é onde são exibidas as
imagens seleccionadas em todos os módulos.
4. Os painéis à esquerda e à direita da área de visualização de imagens, contêm
ferramentas, layouts, e informações usadas no trabalho com imagens. Os
painéis disponíveis mudam consoante os módulos escolhidos, para que tenha
sempre acesso apenas às ferramentas necessárias à realização da tarefa em
Para exibir imagens
para comparação, na curso. Na maioria das situações, os painéis à esquerda mostram os conteúdos e
vista geral, deve-se os navegadores de predefinições, enquanto que os painéis à direita mostram as
clicar nas imagens e ferramentas necessárias à realização da tarefa em curso. É possível esconder ou
premir a tecla Ctrl em expandir um painel, clicando no seu cabeçalho.
simultâneo.
5. A barra de ferramentas tem botões onde pode clicar para aceder a
diferentes funções, em diferentes módulos. Pode exibir e ocultar esta barra de
ferramentas, usando a tecla T. Ao clicar na seta que aparece na parte direita
desta barra de ferramentas, nos Módulos Library (Biblioteca) e Develop
(Revelar), pode especificar quais ou botões a exibir.
7. A tira de negativos no fundo do ecrã mostra as fotos contidas numa
determinada pasta, colecções, colecções rápidas, ou conjunto de palavras-
chave, mantendo-se no mesmo lugar, mesmo quando muda de módulo. A
única forma de mudar as imagens mostradas é voltar à Biblioteca (Library).

74 Este livro tem o apoio da


Edição Fotográfica – Edição Geral

O Módulo Library
Na primeira vez que usar o Lightroom, deverá abrir a Biblioteca e importar
Ícones usados para
mudar a área de fotografias das drives do seu sistema, ou directamente de uma câmara ou cartão
conteúdos para de memória. Tem a opção de deixar as imagens guardadas no mesmo local
grelha, lupa, vista (o que deverá fazer, quando importa fotografias de pastas guardadas no seu
geral e comparação de
imagens. sistema), ou de as mover para uma pasta específica.
A grelha de visualização ou área da imagem, tem quatro módulos, que são
acedidos através dos botões da barra de ferramentas (em baixo): grelha para as
miniaturas, lupa para ampliar a imagem e comparar duas imagens lado a lado,
e vista geral para comparar uma fotografia com um qualquer número de outras
imagens. Na grelha de visualização, as miniaturas podem ser reguladas para
vários tamanhos. Para comparar duas ou mais imagens na grelha, pode clicar
sobre as suas miniaturas e premir a tecla Ctrl em simultâneo.

• A barra de ferramentas no Módulo Library (Biblioteca) apresenta


botões que mudam a visualização na área dos conteúdos, estrelas para classificar
Módulos nos painéis à
as imagens, marcadores de selecção e rejeição, e botões de rotação de imagens.
esquerda (em cima) e
à direita (em baixo) do
• Os botões de filmstrip acima das miniaturas mudam a vista na área
ecrã. dos conteúdos, navegam entre as imagens e accionam filtros para estrelas,
marcadores e cores. As fotografias que não vão de encontro dos critérios
escolhidos, são filtradas e não são mostradas.

• O painel Navigator (Navegador) permite percorrer as imagens ampliadas.


Navegador de
metadados. • O painel Library (Biblioteca) permite especificar se todas as imagens
estão listadas, ou apenas as que pertencem à colecção rápida ou à importação
anteriores.
• No painel Find (Encontrar), é possível pesquisar fotografias, usando texto ou
data como critérios de procura.
Usar o histograma é
uma boa forma de
• As fotografias importadas são listadas no painel Folders (Pastas).
localizar os pontos
brancos, ou negros de
• O painel Collections (Colecções) permite agrupar fotografias relacionadas
uma fotografia. entre si, para um projecto.
• O painel Keyword Tags (Etiquetas com palavras-passe) é onde selecciona as
palavras-chave que atribuiu às imagens, de forma a serem mostradas apenas as
Botões do painel
Navigator (Navegador) fotografias com uma palavra-passe comum.
que permitem
escolher o tamanho de • O painel Metadata Browser (Navegador de Metadados) permite encontrar
visualização da imagem facilmente imagens com metadados condizentes, tais como a câmara usada.
que está a ser editada.
• O painel Histogram (Histograma) mostra a distribuição de tons da imagem
seleccionada e alguns dos parâmetros de câmara usados. É possível ajustar a
gama tonal através dos ponteiros ou arrastando o próprio histograma.
As ferramentas Red- • O painel Quick Develop (Revelação Rápida) permite ajustar as imagens. As
eye (olho vermelho) e escolhas possíveis são descritas na secção sobre “O Módulo Develop (Revelar)”.
remove spots (remover
manchas) são as únicas • O painel Keywording (Atribuir paravras-chave) permite atribuir palavras-
ferramentas de edição
local do Lightroom. chave a fotografias seleccionadas.
Todas as outras são
ferramentas de edição • O painel Metadata (Metadados) mostra os dados Exif e IPTC da imagem
global. seleccionada e permite também adicionar-lhe metadados IPTC.
Este livro tem o apoio da 75
Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

O Módulo Develop (Revelar)


Para uma abordagem completa de todas as características do Lightroom,
é necessário um livro dedicado apenas a este programa. No entanto, aqui
abordaremos os procedimentos que aparecem na lista da secção de edição
básica do Lightroom - os procedimentos em que todos os fotógrafos pensam
para quase todas as imagens.
• O painel Navigator (Navegador) permite especificar o tamanho da imagem
e percorrer toda a área das fotografias de dimensões superiores às do ecrã.
• O painel Presets mostra parâmetros armazenados que podem ser aplicados
às imagens. É possível criar e salvar as suas próprias predefinições e estas são
adicionados à lista de predifinições existentes.
• O painel Snapshots (Instantâneos) permite nomear e guardar uma
Painel Basic do fotografia em qualquer altura do processo de edição, para que possa voltar
Lightroom, no Módulo mais tarde a esse ponto, clicando no nome que lhe atribuiu.
Develop (revelar).
• O painel History (Histórico) regista as alterações feitas às imagens, para
que estas possam ser desfeitas mais tarde.
• O painel Histogram (Histograma) mostra a distribuição de tons na
imagem.
• O painel Basic (Básico) contém ponteiros que podem ser usados para
ajustar as cores e outras características das imagens (Esta secção é abordada
em detalhe mais à frente)
• O painel Tone Curve (Curva de tons) permite ajustar os tons de uma
imagem: das altas luzes às sombras.
Tanto os presets que
vêm com o Lightroom, • O painel HSL/ Color/ Grayscale (Matiz, brilho, saturação/ cor/ escala de
como os que são
posteriormente criados
cinzas) permite ajustar o matiz, brilho, saturação, as cores, e a escala de cinzas.
podem ser aplicados a
todas as imagem, com
• O painel Split Toning (separar tons) permite ajustar independentemente o
um simples clique. matiz e a saturação nas altas luzes e nas sombras.
• A opção Detail (detalhe) tem controlos para dar nitidez, suavizar e remover
ruído de uma imagem.
• A opção Lens Correction (correcção da objectiva) reduz os efeitos de
franja e controla a vinhetagem.
• A opção Camera Calibration (calibração da câmara) permite calibrar a
sua câmara se verificar que o perfil genérico do Lightroom não vai de encontro
às suas necessidades.
O selector de balanços
de brancos do Revelar Imagens (Developing Images)
Lightroom mostra as
cores dos píxeis para os A maior parte das alterações que realiza numa imagem é feita usando a secção
quais aponta. Basic no Módulo Develop (revelar), portanto vale a pena abordá-lo com mais
pormenor. Aqui estão descritas as funções de cada controlo.
Dica • Color/Grayscale (cor/ escala de cinzas) converte as fotografias
Ao premir a tecla Alt seleccionadas para escala de cinzas, e de novo para cores.
e arrastar os sliders
das opções Exposure • A ferramenta White balance (balanço de brancos) é um selector (ícone
e Blacks, para aju- conta-gotas) que permite seleccionar um píxel de tom neutro, para corrigir
star a gama tonal, é
possível ver os níveis cambiantes de cor em toda a imagem. À medida que passa o ícone pela
em que a informa- imagem, os píxeis que estão em baixo e à volta do selector, são ampliados e os
ção dos brancos ou valores RGB do píxel central são exibidos, para que possa escolher um píxel de
negros começa a
emergir. tom neutro.

76 Este livro tem o apoio da


Edição de Fotografias – Edição Global

• As opções White balance (balanço de brancos), Temp (temperatura de cor)


e Tint (tonalidade) permitem ajustar as cores de forma a que as áreas brancas ou
cinzentas não tenham uma dominante de cor. A opção Temp (temperatura de
cor) ajusta as cores entre amarelo e azul, e a opção Tint (tonalidade) entre verde
e magenta. O menu drop-down da opção White balance (balanço de brancos)
permite a escolha entre uma selecção de várias predefinições padronizadas de
balanços de brancos. A predefinição que aparece por defeito designa-se por As
Shot (como o original).
• O botão Auto ajusta automaticamente os ponteiros para maximizar a gama
tonal e minimizar a perda de informação nas altas luzes e sombras da imagem.
• A opção Exposure (exposição) ajusta a gama tonal ou contraste da imagem,
alterando o ponto branco, de forma a iluminar ou escurecer uma imagem. O
ponto branco é onde os tons atingem o branco puro, sem informação (255). Ao
ajustar a exposição, observe o histograma.
• A opção Recovery (recuperar) permite recuperar a informação perdida nas
altas luzes sem escurecer o resto da imagem.
• A opção Fill light (luz de enchimento) permite iluminar apenas as áreas de
sombra, sem afectar o resto da imagem.
• A opção Blacks (negros) permite ajustar a gama tonal, alterando o ponto
Modelos de galerias negro, de forma a iluminar ou escurecer a imagem. O ponto negro é onde os
Web. São ordenados tons atingem o negro puro, sem informação (0). Ao ajustar os negros, observe o
alfabeticamente, e histograma.
quando selecciona
um modelo no menu, • A opção Brightness (luminosidade) ajusta os meio-tons (por vezes
é mostrada uma
pré‑vizualização. designados por gamma) para iluminar ou escurecer toda a imagem sem afectar
os tons brancos e negros e os seus detalhes. O ponteiro desta opção tem, por
defeito, um valor de +50.
• A opção Constrast (contraste) permite ajustar simultaneamente os pontos
branco e negro para aumentar o contraste da imagem.
• A opção Vibrance (vibração) permite ajustar a saturação das cores
primárias, não afectando os tons de pele e outras tonalidades secundárias. Isto
permite fortalecer a saturação sem alterações irrealistas do matiz.
• A opção Saturation (saturação) permite ajustar a saturação de todas as cores
da imagem.

Outros Módulos
Além dos módulos Library (biblioteca) e Develop (revelar) abordados
anteriormente, o Lightroom dispõe de outros módulos dedicados à produção de
imagens em vários formatos,
• A opção Slideshow permite criar apresentações para visualizar no ecrã, ou
exportar para PDF.
Os botões Sync
(sincronizar) permitem • A opção Print (imprimir) permite criar disposições de imagens seleccionadas,
copiar alterações feitas e imprimi-las.
a uma imagem ou os
seus metadados, para • A opção Web permite criar galerias HTML ou Flash, utilizando modelos
outras imagens.
fornecidos com o Lightroom.

Exportar
Quando edita imagens no Lightroom, as suas alterações não as afectam
permanentemente. No entanto, essas alterações tornam-se permanentes em
versões exportadas da imagem. Quando exporta imagens existem várias opções:

Este livro tem o apoio da 77


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Edição de Fotografias – Edição Local

A edição local permite alterar áreas seleccionadas de uma imagem. Os programas


mais recentes, tais como o Aperture e o Lightroom concentram-se em alterações
globais, por isso, para realizar a maioria das edições locais, é necessário exportar
as fotografias para o Photoshop ou outro programa similar. É possível especificar
As ferramentas red
eye (olho vermelho) e o formato em que uma fotografia é exportada. Por exemplo, para exportar
remove spots (remover uma imagem para o Photoshop, é aconselhável fazê-lo no formato nativo deste
manchas) são as únicas programa, o PSD. É neste ficheiro PSD que são feitas as edições locais. Quando o
ferramentas de edição
local do Lightroom. trabalho está terminado, é possível reimportá-lo para o Lightroom.
Todas as outras são
para edição global. Quando é usado um programa tal como o Photoshop, existem várias operações
que não são possíveis de executar no Aperture ou no Lightroom:
• Seleccionar. Quando é seleccionada uma área da imagem, é possível editar
apenas essa área, sem afectar o resto da fotografia. Também é possível, copiar,
mover ou eliminar áreas seleccionadas para criar colagens ou eliminar fundos,
http://www.photocourse.com/itext/transform/
por exemplo.
• Montagem. É possível cortar uma parte seleccionada de uma fotografia e
colá-la noutra imagem para criar uma montagem.
• Healing e Cloning (recuperar e clonar). Muitas imagens têm pequenas
imperfeições, tais como uma pequena mancha num retrato, reflexos, ou mesmo
fios telefónicos que é necessário remover. Algumas áreas da imagem poder ser
beneficiadas de forem mais luminosas ou escuras que as áreas envolventes. O
modelo de um retrato pode ter ficado com olhos vermelhos, causados pelo uso
do flash numa sala escura. A ferramenta Healing Brush (pincel recuperador)
funciona misturando a área de amostra com o fundo, de uma forma em que
textura, brilho, transparência e sombras não são alterados. É possível pintar com
píxeis retirados de uma amostra da própria imagem, ou com qualquer outro
padrão. No Lightroom, a ferramenta Remove Spots (remover manchas) permite
reparar uma área seleccionada da imagem, com uma amostra retirada de outra
área. A ferramenta Clone (clonar) copia uma amostra de uma fotografia para a
área seleccionada. A ferramenta Heal (recuperar) copia apenas textura, brilho e
sombras da área da amostra para a área seleccionada.
• Dodging e burning (iluminar e escurecer). Estas ferramentas que, como
o nome indica, servem para iluminar ou escurecer uma parte da imagem, são
equivalentes às duas mais populares técnicas de laboratório, desde as primeiras
impressões, realizadas a partir de negativos.É possível usar um pedaço de cartão
para bloquear a luz de certas partes de uma imagem, para torná-las mais claras
(dodging). Por outro lado, é possível usar um cartão com uma abertura cortada a
meio, que permitia que a luz passe, para escurecer apenas essa área da imagem
(burning). No Photoshop é possível fazê-lo, passando um pincel específico na
área da fotografia a ajustar.
• Adicionar texto a imagens é normalmente uma tarefa mais ligada aos
designers gráficos, do que aos fotógrafos. No entanto, é aconselhável saber como
A caixa de ferramentas fazê-lo, para conseguir adicionar títulos ou notas de direitos de autor às imagens,
do Photoshop contém ou inventar maneiras de combinar texto e imagem de forma criativa.
muitas das ferramentas
usadas para realizar • Layers (camadas). Quando uma fotografia digital é aberta no computador,
ajustes locais, incluindo
healing (recuperar), ele tem apenas um layer – a camada de fundo (backgound), que contém a
dodging (iluminar), imagem. Quaisquer alterações feitas a esta camada afectam os seus píxeis
burning (escurecer), permanentemente. Para evitar alterações permanentes, adicionam-se layers
cloning (clonar) e
painting (pintar). onde são realizadas as edições. É como se estivesse a cobrir a fotografia original
com folhas de acetato, nas quais faz ajustes à imagem que está por baixo,
adiciona texto ou cores, pinta e desenha.

78 Este livro tem o apoio da


Edição de Fotografias – Edição Local

• Blending modes (modos de mistura). Esta opção determina a forma


como uma cor que é aplicada com uma ferramenta, interage com as cores dos
layers inferiores.
• Transformations (transformações). Permitem dimensionar, rodar,
inclinar, distorcer e dar perspectiva às áreas seleccionadas.
• Effects (efeitos). Esta opção permite adicionar sombras a um texto ou biselar
os contornos de uma imagem. É possível combinar efeitos, usando primeiro um
e depois o outro. Por exemplo, pode-se suavizar um retrato, para tornar a sua
aparência mais romântica, vinhetá-lo e adicionar-lhe uma moldura.
• Masking (adicionar máscaras). Esta opção permite restringir os ajustes
a apenas uma área seleccionada da imagem. Ao contrário de uma selecção,
uma máscara é uma imagem em escala de cinzas, tal como outra qualquer.
Isto significa que é possível editá-la normalmente: usando pincéis, borrachas,
filtros e quase todas as técnicas e ferramentas que existem. Dispor de todas
estas ferramentas significa que é possível criar selecções mais complexas do
que com as ferramentas de selecção. Como as máscaras tornam possível a
realização de selecções precisas, estão no núcleo da montagem – a criação de
uma nova imagem através da junção de partes de outras imagens. Pode-se
cortar e colar áreas seleccionadas, ou tornar algumas áreas transparentes para
mostrar os layers inferiores. Assim que dominar algumas ferramentas básicas, as
O fundo da imagem possibilidades são infinitas.
do monstro foi
seleccionado e removido • Animações GIF. É possível criar uma animação, adicionando imagens,
(em cima), uma nova como layers, em cima umas das
fotografia foi aberta outras. Depois de serem guardadas
(no meio), e depois o em formato GIF, as imagens são
monstro foi copiado (à
direita) para criar uma reproduzidas como fotogramas de
montagem. um filme.
• Stitching (coser). Esta opção
permite “coser” uma série de
imagens tiradas em série, ao
lado umas das outras, para criar
panorâmicas que captam uma
extensa vista da paisagem.

O fundo da imagem
original (à esquerda) foi
seleccionado e removido
(à direita).

Este livro tem o apoio da 79


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Gestão de Cor – Modelos de Cor e Espaços de Cor

Como já foi referido anteriormente, o sensor de uma câmara digital capta


http://www.photocourse.com/itext/colorspace/
apenas luz vermelha, verde e azul (RGB). O RGB é aquilo que chamados modelo
Clique para explorar de cor, e é baseado na forma como o olho humano capta imagens a cores, ao
as diferenças entre os misturar várias proporções de luz vermelha, verde e azul. O modelo RGB usado
espaços de cor sRGB e nos vários tipos de ecrã, cria uma imagem, transmitindo luz vermelha, verde
Adobe RGB, em termos
do número de cores e azul. O modelo CMY (cyan, magenta, yellow) usado nas impressoras cria a
que são capazes de mesma imagem, usando tinta azul ciano (cyan), magenta e amarela (yellow),
capturar. que absorvem as cores de forma a que apenas o verde, o vermelho e o azul sejam
http://www.photocourse.com/itext/RGB/
reflectidos.

Clique para explorar a


forma como as luzes Modelos de Cor
vermelha, verde e Os modelos de cor são bastante básicos – aquilo que nos dizem é a quantidade de
azul conseguem criar
imagens cheias de cor. cada cor primária usada na mistura das outras cores.
http://www.photocourse.com/itext/CMYK/
• O modelo RGB especifica a quantidade de cada cor em unidades entre 0 e 255.
• O modelo CMY especifica a quantidade de cada cor em percentagens, entre 0 e
Clique para explorar a
forma como as cores
100%.
azul ciano, magenta
e amarelo também
Por exemplo, começando com um vermelho puro, o seu valor RGB seria R:255
conseguem formar G:0 B:0, indicando que a componente vermelha é 256 (lembre-se, contamos
imagens plenas de cor. a partir do 0, não do 1), e ambas as componentes verde e azul são 0. Isto pode
parecer uma descrição detalhada de uma cor, mas não é, porque não se refere
a uma cor, tal como a captaríamos, mas sim, à comunicação a um dispositivo,
tal como um ecrã ou impressora, para gerar o máximo de vermelho possível.
(Um perito chamaria a estes valores RGB “input signals” – sinais de entrada).
O vermelho muito saturado mostrado num dispositivo pode equivaler a um
Se alinhar as letras vermelho pouco intenso, quando mostrado noutro dispositivo. É como se um
CMY por baixo das manual de condução indicasse que, para atingir determinada velocidade, é
letras RGB, obtém
um guia rápido sobre
necessário pressionar o pedal do acelerador até 3 centímetros. No entanto, se
o funcionamento do esta instrução é seguida num Ford, este atinge os 60 km/h, enquanto que se
sistema CMY. O azul for seguida num Ferrari, este pode atingir os 200 km/h. Em fotografia digital, é
ciano cria o vermelho
(directamente por cima
necessário encontrar uma maneira de fazer com que os valores se refiram a uma
deste), ao absorver as cor muito específica, e é assim que chegamos ao conceito de espaços de cor.
outras duas cores, azul
e verde; O magenta cria
o verde, ao absorver o Espaços de Cor
vermelho e o azul; e o
amarelo cria o azul ao Um espaço de cor localiza cada uma dos milhões de cores possíveis, num gráfico
absorver o vermelho e tridimensional, de tal maneira a que as suas posições mostrem de que forma se
o verde.
relacionam umas com as outras (designado normalmente por scaling). Cada cor
pode ser especificada ou localizada num espaço, através das suas coordenadas.
Uma das características chave dos espaços de cor é a sua gama – a escala de
cores que ele representa. Espaços de cor, assim como dispositivos diferentes,
têm gamas diferentes. Não é invulgar acontecer que uma determinada cor de
uma imagem, esteja dentro da gama de cores do ecrã, mas não dentro gama da
impressora, e vice-versa. Quando uma cor está fora da gama de um espaço, não
pode ser reproduzida e é chamada de out-of-gamut (fora da gama). Na próxima
Esta imagem mostra
o espaço de cor sRGB secção, veremos como um sistema de gestão de cores pode trazer cores out-of-
sobreposto ao Adobe gamut para a gama de um determinado dispositivo.
RGB (mostrado em
transparência). É É preciso lembrar que uma gama mais vasta não significa um número maior de
possível verificar o quão cores. A única forma de o obter é capturando as imagens em RAW, e não em
mais pequena é a gama
do sRGB em relação ao JPEG. Uma gama mais vasta apenas alarga as cores disponíveis.
Adobe RGB.

80 Este livro tem o apoio da


Gestão de Cor – Modelos de Cor e Espaços de Cor

Em fotografia digital, é possível encontrar uma referências a uma variedade de


Dicas espaços de cor RGB. Os mais comuns são:
• Na linguagem da
gestão de cor, o
• sRGB. Este espaço de cor possui a gama mais pequena de todos os que
termo “espaço” é tão abordámos anteriormente, mas é ideal para imagens que serão projectadas
utilizado, que perdeu ou mostradas num ecrã. Quase todas as câmaras o usam, por defeito, para as
qualquer outro
significado que não
imagens JPEG. A maioria dos browsers e ecrãs estão preparados para exibir este
seja a distribuição espaço de cor da forma mais precisa possível.
das cores RGB ou
CMYK num gráfico • Adobe RGB. Este espaço de cor tem uma gama mais vasta que o sRGB e é
tridimensional, que normalmente usado, quando o objectivo é a obtenção de impressões de alta
mostra as relações qualidade. Uma das suas desvantagens é o facto de que as imagens que o usam,
entre elas.
vêm as cores subjugadas quando são mostradas num ecrã, já que a maioria
• O modelo de cor usa o espaço sRGB. No entanto, se usar o espaço Abobe RGB, o Photoshop, o
CMY é normalmente
referido como CMYK, Lightroom e outros produtos são capazes de o converter para sRGB sem perda de
sendo que o K qualidade da imagem.
designa o preto. É
necessário adicionar • ProPhoto. Este é o maior espaço de cor usado hoje em dia, em fotografia
o preto a este digital, e é o único que possui uma gama que inclui todas as cores que uma
modelo, visto que a
cor obtida a partir da câmara é capaz de captar. Este espaço de cor pode gerar problemas quando é
mistura a 100% das usado em imagens JPEG de 8 bits. Este tem um número tão inferior de níveis de
cores CMY, não é o tons (256, contra os 65536 das imagens RAW), que se realizar um ajuste maior,
preto puro, mas sim,
um cinzento-escuro.
pode aparecer o banding – transições visíveis, em vez de gradações suaves.
• CIE LAB. O espaço de cor CIE LAB e o seu parente próximo CIE XYZ são
espaços de cor diferentes, mas muito importantes, apesar de não se trabalhar
directamente com eles. Ao contrário de outros espaços de cor, o CIE LAB
distribui as cores, baseando-se na forma como as captamos, e não da forma
como são captadas por diferentes dispositivos. Por este motivo, este espaço de
cor é independente de dispositivos. Ele contém quase todas as cores que o olho
humano é capaz de captar. (Curiosamente, o CIE LAB não pode ser impresso
ou mostrado de forma precisa porque não existem dispositivos que reproduzam
a totalidade das suas cores). Na secção seguinte, sobre gestão de cores, será
abordada a forma como este espaço de cor desempenha um papel importante, no
A gama do espaço sRGB envio de imagens da câmara para o ecrã e depois para a impressora, mantendo
sobreposta à gama do as cores constantes em todos esses dispositivos.
espaço CIE LAB, que é
muito maior. • Working space. As aplicações de edição de imagem permitem seleccionar um
working space de forma a que as cores sejam as que esperamos, tanto no ecrã,
como numa impressão. O working space pode ser sRGB, Adobe RGB, Pro-Photo
RGB, ou qualquer outro espaço de cor suportado pela aplicação.
Apesar de a câmara integrar um determinado espaço de cor nas imagens JPEG
que capta, existem duas maneiras de o alterar:
• Anexar um novo espaço de cor altera a aparência e as cores de uma imagem,
sem alterar os valores das cores de cada píxel.
• Converter a imagem para outro espaço de cor mantém a aparência da
imagem, mas converte os valores das cores de cada píxel, de forma a enquadrar
O modelo CMYK usa o as cores no novo espaço.
azul ciano, o magenta
e o amarelo (e preto) Quando usa o Photoshop, pode atribuir perfis diferentes e observar as mudanças
para formar todas as
outras cores. na aparência da imagem. Esta é uma boa maneira de descobrir qual o espaço que
funciona melhor para uma imagem em particular. A gama mais vasta possível
nem sempre é a melhor escolha. Uma gama mais pequena, tal como a sRGB tem
espaços menores entre as cores, o que proporciona que as gradações suaves, tais
como as que encontramos nos tons de pele, sejam reproduzidas de uma forma
mais precisa. No entanto, se o interesse de imagem é um cone de trânsito cor de
laranja fluorescente, muitas das suas cores podem encontrar-se fora da gama do
sRGB, pelo que o ProPhoto seria uma escolha mais acertada.

Este livro tem o apoio da 81


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

Gestão de Cor — O Fluxo de Trabalho

Os resultados das imagens obtidas através de combinações de câmaras, ecrãs


e impressoras, podem ter uma qualidade surpreendente, mesmo quando
a cor não é controlada de forma nenhuma. Mesmo que as cores não sejam
precisas, são pelo menos agradáveis, principalmente porque a maioria das
câmaras e outros dispositivos foram projectados para mostrar e imprimir
imagens dentro do espaço sRGB. De facto, a reprodução exacta de todos
os tons para além dos tons de pele, não é importante para a maioria das
Uma das questões pessoas. Se a flor amarela que foi retratada, permanecer amarela no ecrã e
frequentemente
esquecida é a na impressão, isso é suficiente – ninguém se importa, ou é capaz de dizer
visualização das que não é o mesmo tom de amarelo. No entanto, a fotografia é uma arte
imagens. Uma boa visual, e quando começar usar o formato RAW e outros espaços de cor, cedo
alternativa é uma
cabina de visualização. começará a notar em características das cores, das quais nunca antes se tinha
Imagem cortesia de apercebido. Para muitas pessoas, a precisão de reprodução das cores torna-se
Just-Normlicht. muito importante.
À medida que prepara as imagens para serem exibidas em ecrã ou impressas,
elas são movidas ao longo do fluxo de trabalho. Ao fazê-lo, raramente as
cores de mantêm previsíveis e constantes. A imagem no ecrã é diferente
da cena original, e a prova impressa é diferente das outras duas. Quando,
Dicas mais tarde, partilhar as imagens com os seus amigos, elas também serão
diferentes das suas, tanto no ecrã, como no papel. Para poder confirmar este
• Os perfis de cor
são limitados porque facto, pode deslocar-se a uma loja de electrónica e reparar nas montras com
existem vários os televisores, todos eles exibindo cores ligeiramente diferentes. Se publicar
dispositivos, tais as suas imagens na Web, a sua aparência variará igualmente quando forem
como televisores,
telemóveis e exibidas noutros ecrãs.
molduras digitais,
que não os Os sistemas de gestão de cor (CMS – Color Management Systems) são
reconhecem. Isto projectados para ajudar a manter a consistência e a previsibilidade das cores,
também é verdade à medida que as imagens percorrem os vários passos do fluxo de trabalho.
para aplicações tais
como browsers da Apesar de não ser possível controlar os dispositivos das outras pessoas
Web. (ou mesmo os nossos próprios dispositivos, tais como o ecrã do televisor),
• As impressoras é possível assegurar que as cores de uma imagem sejam, tanto quanto o
da maioria dos possível, próximas da perfeição. Para conseguir esta consistência, um sistema
laboratórios de gestão de cor, ajusta as cores entre as várias gamas dos dispositivos. Por
comerciais,
incluindo aquelas exemplo, as cores de uma imagem original, da sua reprodução num ecrã e da
que imprimem sua impressão podem pertencer a gamas distintas. É, no entanto, muito mais
para muitas das fácil usar os sistemas de gestão de cor, do que entendê-los, ou pagar por eles.
páginas de partilha
de imagens, usam a Existem apenas dois passos – criar os perfis dos seus dispositivos e usar esses
luz, e o tradicional perfis para exibir ou imprimir imagens.
papel fotográfico
com emulsão à base
de prata, para criar Começar a gerir as cores – criar perfis
as suas impressões.
Estas funcionam O primeiro passo da gestão de cores é medir o desvio dos seus dispositivos,
melhor com imagens da norma ou padrão. Essas diferenças são medidas e guardadas em ficheiros
sRGB.
de texto, chamados perfis, com a extensão .ICC ou .ICM. O sistema de gestão
• As impressoras de cores usa a informação guardada nesses perfis para determinar os ajustes
de jacto de tinta
e as impressoras necessários para tornar precisas as cores no ecrã e na impressão. Existem
das gráficas criam vários tipos de perfis de dispositivos:
imagens com tinta,
por isso funcionam • Os perfis de imagens foram desenvolvidos para o sRGB ou outros
melhor com espaços espaços de cor. Estes perfis definem as cores de uma imagem de forma
de cor de gamas
mais vastas, tais genérica e são integrados na imagem quando esta é capturada. Em alguns
como o Adobe RGB e casos, estes perfis (ao contrário dos perfis de entrada discutidos mais à
o ProPhoto. frente) são usados pelos sistemas de gestão de cor.

82 Este livro tem o apoio da


Gestão de Cor — O Fluxo de Trabalho

• Os perfis de entrada (input profiles) para câmaras digitais específicas estão


Dica repletos de complicações porque a câmara manipula fortemente as imagens JPEG
Os perfis de cor não e conversores RAW fazem o mesmo às imagens desse formato. A menos que
são permanentes. É esteja a fotografar numa situação muito controlada (num estúdio, por exemplo), é
necessário refazê‑los
periodicamente,
preferível usar o perfil de cor da imagem e não o perfil para a câmara.
porque as cores
dos equipamentos
• Perfis para ecrãs CRT ou LCD. Para criar um perfil para um monitor,
se degeneram, à é colocado, no ecrã, um dispositivo de medição de cor chamado espectro-
medida de o tempo fotómetro ou colorímetro. O programa de atribuição de perfis exibe então, no
passa. Também é
necessário refazê-los
ecrã, várias cores conhecidas, enquanto o dispositivo de medição de cor lê cada
se algum parâmetro um dos valores dessas cores. As diferenças entre os resultados conhecidos e os
for alterado. resultados da medição são guardados no perfil do ecrã. Alguns sistemas de gestão
de cor permitem a criação de um perfil para o ecrã, visualmente, sem recurso a
dispendiosos disposivos de medição de cor. Estes programas acompanham-no no
ajuste de brilho, contraste e balanço de cores, para criar um perfil passo a passo.
Apesar de não ser tão rigoroso como um perfil feito com um instrumento, é melhor
que nada.
• Perfis de saída para dispositivos, tais como impressoras e projectores. Para
atribuir um perfil a uma impressora, é aberta uma imagem de um gráfico de cor,
com valores de cores previamente conhecidos, que depois é impressa. Depois, é
usado o colorímetro para ler cada uma das cores dessa impressão. O programa de
criação de perfis compara os valores conhecidos e os valores obtidos na leitura de
cada uma das cores e armazena os valores das diferenças no perfil do dispositivo.
As impressoras novas têm geralmente vários perfis criados pelo fabricante,
para vátios tipos de papel. Como estes perfis são genéricos, aqueles que criar
O Artisan Color especificamente para a sua impressora serão muito mais rigorosos. No entanto,
Reference System da terá que criar um perfil para cada combinação que usar de tinta e papel. Apesar
Sony atribui perfis de inconveniente, este processo garante-lhe os melhores resultados que a sua
de cor integrados
em equipamentos e impressora pode obter, sempre que use um papel ou uma tinta de outro fabricante.
programas.
Para simplificar o uso dos perfis, o ICC – International Color Consortium
(Consórcio Internacional da Cor), definiu um formato amplamente aceite para
que possam funcionar todos juntos. Isto torna possível mover imagens com perfis
ICC integrados entre aplicações, equipamentos e sistemas operativos diferentes,
mantendo a fidelidade da cor. Se uma determinada imagem não tem um perfil ICC
integrado, é possível atribuir-lhe um perfil em aplicações como o Photoshop.
Uma maneira interessante de usar os perfis é num processo chamado soft
proofing (pré-visualização da impressão). O objectivo deste teste é mostrar num
ecrã a aparência que uma imagem terá, quando impressa num tipo de papel
específico. Quando realiza este processo, o programa usa o perfil da impressora,
O sistema PrintFix, da normalmente usado como perfil de saída, como um perfil de entrada. Depois de
ColorVision, disponibiliza este ser equiparado ao perfil de saída do ecrã, é obtida uma imagem que é uma
um alvo, que é aberto aproximação à aparência que a fotografia terá quando for impressa.
no computador, e
impresso. Depois,
a impressão é
digitalizada, e as Gestão de Cor – Usar os perfis
cores apresentadas Quando uma imagem é transferida de um dispositivo para outro, são necessários
são comparadas às
cores originais do um perfil de entrada e um de saída. Um perfil sozinho descreve um dispositivo,
alvo. As diferenças mas não o afecta. Os perfis que podem ser usados aos pares podem ser os
são guardadas no seguintes:
novo perfil de cor da
impressora. • O perfil de cor de uma imagem, ou de entrada, é integrado na imagem
pela câmara, ou pode ser integrado posteriormente numa aplicação de edição de
imagem. Muitos programas de edição permitem também escolher um perfil de
espaço de cor, que depois é associado ao perfil do ecrã.

Este livro tem o apoio da 83


Capítulo 2. Fluxo de trabalho digital

• O perfil de cor do ecrã pode ser alterado, através do sistema operativo.


• O perfil de saída, geralmente referente a um tipo de papel, é especificado na
caixa de diálogo de impressão, do programa de edição de imagem.
Assim que tiver especificado alguns perfis, o sistema de gestão de cor:
1.Procura, no perfil de entrada, cada um dos valores das cores existentes na
imagem, e ajusta-os consoante as suas especificações.
2. Procura a cor ajustada num CMM – Color Matching Method (Método de
Correspondência de Cores), que inclui um espaço de cor independente de
dispositivos, tais como o CIE LAB, designado por espaço de conexão de perfis
(profile connection space). Isto atribui-lhe um valor de cor independente de
dispositivos, para usar no próximo passo.
3. Procura o valor da cor independente de dispositivos do CIE LAB, no perfil de
saída e usa o ajuste para determinar o valor de cor a enviar para o dispositivo de
saída.
Este processo em três passos, chamado rendering (rendição de cor), converte os
valores das cores encontradas na imagem inicial, para os valores necessários para
obter cores rigorosas na saída. Quando isto se processa, podem existir cores que
um dispositivo pode reproduzir, que outro não consiga, por se encontrarem fora
da sua gama. Quando isto acontece, o valor da cor de entrada é alterado para uma
cor que exista na gama do dispositivo de saída. As regras que determinam este
ajuste, quando são usados perfis ICC são conhecidas como objectivo de rendição.
rendering intent. Pode ser escolhida uma de quatro rendering intents:
• O objectivo (intent) perceptual é o mais usado em fotografia digital e é baseado
no facto de que os valores de cor relativos são mais importantes para o utilizador,
do que os valores absolutos. Este objectivo (intent) ajusta toda a gama de cor de
uma imagem, para corresponder à gama do dispositivo de destino. Até as cores
Os sistemas de gestão que estavam dentro da gama são ajustadas, para que as relações entre as cores se
de cores usam um perfil mantenham e a aparência geral da imagem seja preservada.
de entrada, um espaço
de correcção e um perfil • O objectivo (intent) colorimétrico vem em duas versões – relativo e absoluto
de saída para ajustar (a diferença reside no facto do ponto branco ser ajustado, ou não). Em fotografia
as cores à medida que digital é usada por vezes a versão relativa, e o ponto branco do espaço de cor de
estas são transferidas
de um dispositivo para
origem é alterado para o mesmo tom de branco do papel, para que os brancos
outro. da imagem original, se mantenham brancos na saída. Isto pretende manter uma
relação exacta entre cores dentro da gama, mesmo que exclua as cores fora da
gama. Em contraste, a rendição de cor perceptual, tenta preservar alguma relação
entre as cores fora da gama, mesmo que disto resultem algumas incorrecções
nas cores dentro da gama. Se usar a rendição colorimétrica para fazer conversões
para espaços de cor mais pequenos, pode ocorrer banding, posterização ou outros
efeitos indesejáveis.
• O objectivo (intent )de saturação está projectado para produzir cores saturadas
sem tentar ser preciso na sua reprodução. Este objectivo nunca é usado em
fotografia digital, mas é a melhor opção quando se imprimem gráficos circulares e
outras cores sólidas presentes em gráficos empresariais.
Os perfis de cor no Photoshop
Quando o perfil de cor de uma imagem que é aberta no Photoshop não
corresponde ao perfil definido no computador, são-lhe dadas várias opções:
• Usar o perfil de cor integrado (em vez do perfil do computador)
• Converter para o perfil de cor do computador.
• Descartar o perfil de cor integrado e não gerir a cor.
Em vez de escolher um perfil de cor às cegas, pode seleccionar a última opção de
descartar o perfil integrado. Quando a imagem é aberta, é possível usar o comando
Edit (editar)> Assign Profile (atribuir perfil) para lhe atribuir outros perfis, e
verificar qual é que obtém o melhor efeito nas cores. Quando por fim, guardar a
imagem, pode integrar o novo perfil de cor na imagem.
84 E livro tem o apoio da
ste
Capítulo 3. Controlar aAA30470C
Exposição

Capítulo 3
Controlar a Exposição

O
controlo automático da exposição é uma das funções mais úteis de
uma câmara digital. O facto de ser a câmara a definir a exposição
enquanto o fotógrafo se concentra apenas na imagem é uma
grande vantagem. Isso é uma ajuda preciosa, sobretudo quando
fotografa cenas de acção, em que não há tempo suficiente para primeiro
avaliar o cenário e depois definir a exposição manualmente.
No entanto, não deve deixar sempre a exposição no sistema automático. Por
vezes, as condições de luz podem levar a exposição automática a produzir
imagens subexpostas (demasiado escuras) ou subreexpostas (demasiado
claras). Mesmo que possa fazer ajustes a uma imagem mal exposta num
programa de edição fotográfica, há informação nas sombras e nas altas
luzes que perdeu à partida e não poderá recuperar. Em algumas situações,
o melhor é deixar de parte o sistema de exposição automática na altura em
que tira a fotografia, sobretudo em ambientes com uma luz interessante
e invulgar. Por exemplo, terá de tomar o controlo quando fotografa em
contraluz, capta um pôr-do-sol cheio de cor, uma paisagem coberta de neve
ou regista a ambiente melancólico e escuro de uma floresta. Neste capítulo
vai aprender a utilizar os controlos da sua câmara para conseguir a exposição
que pretende.

Este livro tem o apoio da 85


Capítulo 3. Controlar a Exposição

A importância da Exposição

A fotografia começa com medição da exposição quando carrega no botão do


http://www.photocourse.com/itext/exposure/
obturador. O obturador abre e a luz reflectida pela cena entra pela objectiva
e atinge o sensor, criando a imagem. Ao controlar a quantidade de luz que
Clique para explorar a
forma como a exposição o sensor recebe, controla também o quão escura ou clara a imagem irá ficar
determina o quão clara – este é um dos aspectos mais importantes da fotografia. Quando a cena tem
ou escura uma imagem em simultâneo áreas muito luminosas e muito escuras, conseguir a exposição
será.
perfeita assemelha-se à tentativa de estacionar um carro grande num parque
pequeno – não há grande espaço de manobra. O objectivo é reter os detalhes
quer nas áreas mais claras, quer nas áreas mais escuras, por isso, o branco
puro aparecerá apenas nas altas luzes mais intensas, como os reflexos, e o
preto puro nas poucas áreas da cena em que há preto sem detalhes.
Nesta cena, a existência
de detalhes em todas
as áreas brancas dá
textura e volume à
imagem. O pequeno
quadrado branco foi
criado para que tenha
uma referência do efeito
do branco puro na
imagem.

Uma das coisa que


fazia de uma impressão
do Ansel Adams algo
tão perfeito era a sua
capacidade para manter
os detalhes quer nas
áreas mais escuras,
quer nas mais claras,
de uma imagem. Para
conseguir isso com
película ele desenvolveu
o Sistema de Zonas,
que lhe servia de
referência para fazer os
ajustes da exposição
e dos tempos de
revelação necessários
para obter os melhores
resultados. Actualmente
os ajustes podem ser
feitos num programa de
edição fotográfica.

Nesta imagem há
detalhes nas sombras
mais intensas. O
pequeno quadrado preto
foi criado para que
tenha uma referência do
efeito do preto puro na
imagem.

86 Este livro tem o apoio da


Como é que a exposição afecta as suas imagens

Como é que a exposição afecta as suas imagens

Quando tira uma fotografia, a exposição não é uniformemente distribuída


pela superfície do sensor – a menos que esteja a fotografar um assunto
com um tom totalmente uniforme. As altas luzes (áreas mais luminosas)
da cena reflectem a maior quantidade de luz, e as áreas do sensor que lhe
correspondem recebem uma grande quantidade de luz. As zonas mais
escuras, como as sombras, reflectem uma menor quantidade de luz, por
isso, por isso as áreas do sensor onde estão focadas recebem uma menor
exposição. Uma exposição perfeita retém os detalhes quer nas sombras,
quer nas altas luzes. Se o tempo de exposição for excessivo, a imagem ficará
demasiado clara e os detalhes das altas luzes perdem-se. Se o tempo de
exposição for demasiado curto, a imagem ficará escura e não haverá detalhes
nas sombras. Como terá a oportunidade de ver, uma forma de assegurar
a melhor exposição consiste em registar três vezes a mesma cena – um
processo chamado de bracketing. A primeira é captada com os parâmetros
recomendados, a segunda será mais clara e a terceira mais escura.
Nesta série de
fotografias pode ver
o efeito da exposição
numa imagem. A
fotografia de cima está
correctamente exposta.
A de baixo, à esquerda,
está subexposta e por
isso demasiado clara. A
de baixo, à direita, está
sobreexposta e muito
escura.

Este livro tem o apoio da 87


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Controlos de Exposição – O Obturador e a Abertura

Os controlos de exposição mais importantes numa câmara são a velocidade


do obturador e a abertura do diafragma, porque ambos influem sobre a
quantidade total de luz que atinge o sensor de imagem. No entanto, eles
não se limitam a controlar a exposição. Como verá, eles podem também ser
controlos criativos.
• O obturador abre no início de uma exposição e fecha quando ela termina.
As definições da velocidade do obturador determinam o tempo que o
obturador permanece aberto para expor o sensor de imagem.
Não são apenas as
câmaras mais antigas • A abertura do diafragma é o orifício por onde a luz entra na câmara. O
que utilizam as seu diâmetro pode ser alterado para controlar a quantidade de luz que chega
chamadas lâminas/
placas de abertura até ao sensor de imagem.
(waterhouse stops).
A Lensbaby, uma Se deixar de parte as tecnologias modernas e der uma vista de olhos às
“objectiva de foco câmaras mais antigas, vai encontrar os mesmos controlos em versões mais
selectivo para câmaras simples e, quem sabe, até mais fáceis de entender.
reflex”, vem com quatro
lâminas de abertura
que pode inserir na
objectiva.

Nos primórdios da
fotografia, inseria-
se uma lâmina/placa
(chamada waterhouse
stop) numa ranhura
da objectiva. A escolha
de uma abertura
correspondia á escolha
de um número/ f
actualmente. A tampa
da objectiva era
removida e colocada
novamente para iniciar
e terminar a exposição
– esta era uma versão
primitiva do obturador.
Esta câmara clássica
está rodeada por
aberturas (waterhouse
stops) e encostada a
ela está a tampa da
objectiva (obturador).

Uma menor quantidade


de luz cria uma
imagem mais escura
(à esquema) e uma
maior quantidade uma
imagem mais clara (à
direita).

88 Este livro tem o apoio da


Controlos de Exposição – Porquê tantas opções?

Controlos de Exposição – Porquê tantas opções?

A maioria das câmaras digitais permitem-lhe definir a velocidade do obturador


e a velocidade para uma gama de diferentes parâmetros. Uma vez que só é
necessária uma única combinação desses parâmetros, porque haverá tantas
opções disponíveis? Isso acontece, porque elas lhe dão controlo criativo.
Seleccionando a combinação certa pode tornar o fundo de um retrato nítido ou
desfocado, bem como congelar ou arrastar o movimento numa cena.
Uma abertura pequena
aumenta a profundidade
de campo, de forma a
que o primeiro plano
e o fundo fiquem
nítidos (em cima) e
uma abertura grande
diminui a profundidade
de campo tornando o
primeiro plano e o fundo
desfocados (em baixo).

Neste livro e nas suas


animações, o diafragma
é representado por
estes ícones realistas,
com uma pequena
abertura (à esquerda) e
uma grande (à direita).

Neste livro e nas


suas animações,
as velocidades do
obturador estão
representadas por estes
ícones simbólicos, com
um disparo mais lento
(à esquerda) e um mais
rápido (à direita). O
recorte da figura em
forma de “tarte fatiada”
indica o percurso
necessário a um
ponteiro dos segundos
imaginário.

Umas velocidade do
obturador mais rápida
congelou o movimento
giratório das lâminas
do moinho de vento
(à direita) e uma mais
lenta arrastou o as
mesmas (á esquerda).

Este livro tem o apoio da 89


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Modos de Exposição

As câmaras digitais normalmente oferecem mais que uma forma de controlar a


http://www.photocourse.com/itext/modedial/
abertura e a velocidade do obturador – são os modos de exposição. Todos esses
modos permitem bons resultados na maioria das situações. No entanto, em
situações específicas, cada um deles pode ter determinadas vantagens. Estes são os
modos que pode encontrar:
• O modo totalmente Automático define a velocidade de obturação e a
abertura sem a sua intervenção. Isso permite-lhe fotografar sem se preocupar com
as definições, para que possa concentra-se na composição e na focagem. Neste
modo não é possível alterar muitas das definições da câmara.
• Os modos de Cena, que podem ter várias designações, ajustam
automaticamente as definições para condições específicas, como paisagem, retrato,
retrato nocturno, desporto, ou close-up. Em algumas câmaras a quantidade de
opções disponíveis tornou-se de difícil acesso, já que a selecção é feita a partir do
menu.
• O modo Programa AE (auto exposição) é semelhante ao modo totalmente
automático, que define a velocidade e a abertura, mas permite-lhe alterar muitos
dos parâmetros da câmara. Neste modo muitas câmaras também lhe permitem
escolher uma série de combinações de abertura/velocidade que garantem a
mesma exposição recomendada pela câmara. Isso dá-lhe um maior controlo sobre
a profundidade de campo e sobre o registo do movimento. Uma das grandes
vantagens deste modo é o facto de o fotógrafo ser avisado quando os parâmetros
da exposição excedem a gama da câmara.
Os modos de exposição
e as suas designações
• O modo de Prioridade ao Obturador AE permite-lhe escolher a velocidade
variam de câmara do obturador e a câmara selecciona automaticamente a abertura necessária para
para câmara. Os que uma boa exposição. Opte por este modo quando a representação do movimento
lhe dão um maior for o mais importante. Por exemplo, quando fotografas cenas de acção, como
controlo costumam as registadas pelos fotógrafos de vida selvagem, de desporto ou fotojornalistas,
estar indicados por
letras. Os que são o modo de Prioridade ao Obturador pode ser o ideal. Assim assegura-se que a
totalmente automáticos, velocidade do obturador é suficientemente rápida para congelar a acção, ou assaz
normalmente chamados lenta para a arrastar.
Modos de Cena, estão
identificados por • O modo de Prioridade à Abertura AE permite-lhe escolher a abertura e
ícones como estes, a câmara define automaticamente a velocidade do obturador indicada para uma
apresentados num disco exposição correcta. Deve escolher este modo sempre a o controlo da profundidade
de modos da Canon.
de campo seja essencial. Para se certificar que toda a imagem ficará nítida, como
numa paisagem, escolha uma abertura pequena. O mesmo deve acontecer com a
fotografia de close-up (planos fechados) em que a limitada profundidade de campo
é sempre uma preocupação. Para desfocar o plano de fundo, evitando que ele se
torne distractivo num retrato, escolha uma abertura grande.
• O modo Manual permite-lhe escolher tanto a velocidade do obturador como a
abertura. Neste caso esses dois parâmetros não são conjugados automaticamente
como nos outros modos. Normalmente este modo é utilizado apenas quando
nenhum dos outros permite o resultado desejado. Algumas câmaras têm a opção
Bulb neste modo, o que permite capar tempos de exposição muito longos quando
fotografa com iluminação nocturna, por exemplo. No modo Bulb o obturador
permanecerá aberto enquanto pressionar o botão do obturador.
• O modo Personalizado existente nas câmaras mais avançadas e permite-lhe
guardar definições pessoais. Isso é tão simples quanto definir a câmara da forma
que quer e depois seleccionar o comando do menu que lhe dá acesso às definições
personalizadas. Algumas câmaras permitem-lhe salvar uma ou mais definições
para que posteriormente possa aceder directamente a elas através do disco de
Em algumas câmaras modos. Se utiliza as mesmas definições constantemente, esta é uma óptima
a selecção dos modos forma de as guardar. Por exemplo, pode salvar um conjunto de parâmetros para
de exposição é feita
através de botões ou do
a macrofotografia e usar qualquer modo de exposição normal para captar outras
menu. cenas.

90 Este livro tem o apoio da


Usar os Modos de Cena

Usar os Modos de Cena

Os modos de cena funcionam como modos os totalmente automáticos, mas cada


um deles recorre a uma série de definições para situações específicas. Por exemplo,
no modo Retrato a câmara selecciona parâmetros que garantam uma reduzida
profundidade de campo, para que o fundo fique suave. No modo Paisagem,
acontece o oposto, é seleccionada uma abertura pequena para maximizar a
Ícones dos modos profundidade de campo. (Para saber mais sobre o conceito de Profundidade de
Retrato e Paisagem. Campo, veja o Capítulo 4). Estes são os modos que lhe poderão ser mais úteis:
• O modo Retrato define a câmara para a profundidade de campo mínima
para que o retrato tenha um fundo suave e menos distractivo. Para maximizar o
efeito aproxime o assunto com o zoom ou utilize uma objectiva com uma distância
focal longa (teleobjectiva) para que o motivo preencha praticamente todo o visor.
Certifique-se também que há uma grande distância entre o assunto principal e o
Ícones dos modos fundo.
Close-up e Desporto.
• O modo Paisagem define a câmara para a máxima profundidade de campo,
para que a imagem fique nítida desde o primeiro plano até ao plano do fundo. Se
for necessário utilizar uma velocidade de obturação baixa terá de apoiar a câmara.
Este modo funciona melhor com uma objectiva de distância focal curta (grande-
angular) e o flash da câmara deve ser desligado para que não dispare.
• O modo Close-up é utilizado para fotografar flores e outros objectos pequenos,
Ícones dos modos mas nas câmaras reflex esse modo não substitui uma objectiva macro. Este modo
Retrato Nocturno e funciona melhor com assuntos a uma distância correspondente à distância de
Paisagem Nocturna.
focagem mínima.
• O modo Desporto é ideal para desporto de acção ou outros assuntos em rápido
Dica movimento, pois a definição da velocidade do obturador é a mais rápida possível
para congelar a acção. Em algumas câmaras, o modo de focagem automática é
Seria bom que definido automaticamente para manter o motivo em movimento focado, e o modo
os fabricantes
fornecessem mais de disparo Contínuo é seleccionado para que possa captar uma imagem a seguir
informações sobe as à outra enquanto tiver o dedo no obturador. Para obter os melhores resultados
especificações que utiliza uma objectiva de distância focal longa.
associam a estes
modos de cena, • O modo de Retrato Nocturno ou Crepúsculo foi concebido para fotografar
mas, que seja do pessoas ou assuntos próximos ao crepúsculo, noite ou madrugada. O flash é
meu conhecimento,
nenhum deles o faz. disparado para iluminar os assuntos em primeiro plano e a definição da velocidade
do obturador é suficientemente baixa para iluminar o plano de fundo. Uma vez que
é utilizada uma velocidade de obturação precisa de apoiar a câmara. O obturador
também poderá permanecer aberto depois do disparo do flash, por isso mantenha
a câmara estável até ele se fechar e se houver pessoas no fundo peça-lhes peça-lhes
para ficarem imóveis durante alguns segundos depois do flash disparar.
• O modo de Paisagem Nocturna não dispara o flash e utiliza uma velocidade
lenta para captar uma paisagem, sobretudo cenas urbanas ao amanhecer, ao
anoitecer ou à noite. Como será utilizada uma velocidade de obturação lenta,
precisa de apoiar a câmara. Se a cena incluir assuntos no fundo, pode optar
também por usar o modo de Retrato Nocturno.
• Os modos de Preto e Branco e Sépia captam imagens em escala de
cinzentos. No modo Sépia as imagens adquirem um tom castanho avermelhado
semelhante ao das antigas impressões em albumina.
• O modo Panorâmico, também chamado de “assistente de junção”, ajuda a
alinhar séries de imagens de forma a que possam ser unidas no seu computador
através de um programa de junção panorâmica. Algumas câmaras conseguem
O modo Sépia mesmo fazer essa junção na própria câmara. Mas se pretende os melhores
produz uma imagem resultados e imagens maiores, o melhor é fazê-lo no seu computador.
semelhante a uma
impressão em albumina, • Outros modos de cena disponíveis podem ser: Festa/Interiores, Praia/
em 1800. Neve, Nascer do sol/Pôr-do-sol, Museu, Fogo-de-artifício, Cópia e Contraluz.
Este livro tem o apoio da 91
Capítulo 3. Controlar a Exposição

O Obturador controla a Luz e o Movimento

O obturador normalmente está fechado para impedir que a luz entre na


câmara, mas abre-se durante a exposição, por isso, a luz chega até ao sensor
de imagem. Considerando apenas a exposição, as velocidades de obturador
mais rápidas deixam entrar menos luz para o sensor, logo, as imagens ficam
mais escuras. As velocidades mais lentas deixam passar mais luz, por isso, a
imagem fica mais clara.
À medida que a
velocidade do obturador
fica mais lenta, a
imagem fica mais
clara. A razão pela
qual normalmente
não verifica isso nas
suas imagens, deve-
se ao facto de na
maioria dos modos de
exposição, quando o
fotógrafo ou a câmara
mudam a velocidade
do obturador, a câmara
muda também a
abertura para manter a
exposição constante.

http://www.photocourse.com/itext/speedseries/

Dicas
• Dependendo da luz
disponível, pode ter
acesso a apenas a
algumas velocidades
de obturador da
câmara. Para poder
utilizar velocidades
mais rápidas,
aumente o ISO.
Para fotografar com
velocidades mais
lentas use um filtro
de densidade neutra.
• O termo “stop”
remonta aos
primórdios da
fotografia. Quando Além de controlar a exposição, a velocidade do obturador é o controlo mais
havia demasiada importante sobre a quantidade de movimento captada numa fotografia.
luz, as lâminas Quanto mais tempo o obturador estiver aberto, mais o movimento do assunto
com aberturas
eram inseridas nas ficará arrastado e desfocado. No entanto isso significa também que a maior
objectivas para é probabilidade de a obter fotografias tremidas devido à oscilação câmara.
impedir que parte da Apesar de normalmente ser preferível evitar o desfoco nas suas imagens, por
luz entrasse.
vezes pode querer utilizá-lo criativamente.

92 Este livro tem o apoio da


O Obturador controla a Luz e o Movimento

Uma velocidade rápida


(em cima) abre e
fecha o obturador
rapidamente e o objecto
desloca-se pouco
durante a exposição.
Uma velocidade lenta
(em baixo) permite
que os objectos se
desloquem o suficiente
para desfocar ou
arrastar a imagem.
http://www.photocourse.com/itext/shutterspeed/

Clique para ver como


a velocidade do
obturador afecta o
registo de assuntos em
movimento.

Com velocidades de
obturador lentas,
sobretudo com câmaras
de apontar-e-disparar,
o ruído pode aparecer
e degradar os tons da
imagem.

Velocidades do Obturador

1 0”8 0”6
0”7
1/2 0”4 0”3
0”3
1/4 1/5 1/6
1/6
1/8 1/10 1/13 Velocidades do Obturador
1/10 Apesar de as câmaras digitais poderem definir qualquer fracção de segundo
1/15 1/20 1/25 para uma exposição, há uma série de parâmetros tradicionalmente utilizados
1/20 quando é o próprio fotógrafo a defini-las (o que não é possível fazer na maioria
1/30 1/40 1/50
das câmaras de apontar-e-disparar). Estas definições da velocidade do obturador
– chamadas “stops” – estão dispostas numa sequência, em que cada uma delas
1/45
permite a entrada de metade da luz da definição seguinte (quando se trata de
1/60 1/80 1/100
uma velocidade superior) e o dobro (quando se trata da próxima mais lenta).
1/90
Algumas das velocidade do obturador mais vulgares são apresentadas na
1/125 1/160 1/200 primeira coluna da tabela à esquerda, embora algumas câmaras tenham em
1/180 simultâneo velocidades mais rápidas e mais lentas.
1/250 1/320 1/400
• As velocidades inferiores a 1 segundo são fracções de segundo e muitas câmaras
1/350
apresentam-nas sem o numerador. Por exemplo, ½ de segundo aparece como 2.
1/500 1/640 1/800
1/750
• As velocidades de 1 segundo ou superiores são valores inteiros e muitas
câmaras apresentam-nas com o sinal indicativo de aspas ou de polegadas (“). Por
1/1000
exemplo, 2 segundos são apresentados como 2”.

Este livro tem o apoio da 93


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Muitas câmaras avançadas oferecem um ou dois parâmetros entre os


convencionais. Isso permite fazer ajustes de exposição em incrementos de um
meio ou um terço de “stop” para exposições mais exactas. Na tabela da página
anterior esses valores (um meio e um terço de “stop”) são apresentados na
segunda e na terceira coluna, respectivamente.

Tipos de Obturadores
Há três diferentes tipos de obturadores utilizados em câmaras digitais
– de lâminas, electrónicos e de plano focal ou de cortinas. Os obturadores
Um obturador de de lâmina e de plano focal/de cortinas são mecânicos e têm partes movíveis
lâminas. – lâminas ou cortinas.
• Os obturadores de lâminas, únicos ou combinados com um obturador
http://www.photocourse.com/itext/G-shutters/
electrónico, são utilizados em algumas câmaras de apontar-e-disparar. Em
algumas câmaras baratas, o obturador também funciona como o diafragma
variando a sua abertura.
• Os obturadores electrónicos limitam-se a ligar e a desligar o sensor
para captar a exposição. É como ligar um aspirador para começar a juntar
o pó e desligá-lo para parar. Podemos encontrar estes obturadores nas
câmaras mais baratas, mas também, ironicamente, nas mais caras. Quando
concebidos com rigor podem ser excepcionalmente exactos.
• Os obturadores de plano focal ou de cortina, que encontramos em
todas as reflex digitais, abrem uma cortina para começar uma exposição
e fecham outra para a terminar. Nas câmaras mais recentes as cortinas
correm na vertical. Isso torna-as mais rápidas que as cortinas mais antigas
que corriam na horizontal, porque têm uma distância menos para percorrer.
Estas velocidades mais rápidas tornam possível utilizar velocidades de
sincronização do flash mais rápidas.

Com velocidades
de obturação mais
lentas (no topo) a
primeira cortina abre
completamente para
expor o sensor antes
que a segunda cortina
feche para terminar.
Com uma velocidade Shutter
do obturador mais
rápida (fila de baixo), Speed Readout
a segunda cortina
começa a fechar 30 seconds 30”
antes da primeira
estar completamente 4 seconds 4”
aberta, por isso há uma
abertura entre as duas 2 seconds 2”
cortinas a passar ao
longo do sensor. 1/2 second 2
1/4 second 4
1/30 second 30

94 Este livro tem o apoio da


A Abertura Controla a Luz e a Profundidade de Campo

A Abertura Controla a Luz e a Profundidade de Campo

O diâmetro da abertura pode ser ajustado para controlar o brilho da luz que
atinge o sensor da imagem. A abertura pode ser aumentada para permitir
a entrada de uma maior quantidade de luz, ou fechada para deixar entrar
menos luz. Quando se trata de exposição propriamente dita, as aberturas
mais pequenas deixam entrar menos luz para o sensor, logo, as imagens
ficam mais escuras. As aberturas maiores deixam passar mais luz, por isso, a
imagem fica mais clara.

Nas câmaras de melhor


qualidade, a abertura é
formada por uma série
de lâminas sobrepostas
situadas entre os
elementos de vido da
objectiva.

Á medida que o número


da abertura fica mais
pequeno (por exemplo,
de f/16 para f/11)
a abertura torna-se
maior e a imagem mais
luminosa. A razão pela
qual normalmente este
efeito não é visível
nas suas imagens,
deve-se ao facto
de na maioria dos
modos de exposição,
quando o fotógrafo
ou a câmara altera a
abertura, a câmara
muda a velocidade do Tal como acontece com as velocidades do obturador, a abertura também
obturador para manter afecta a nitidez das fotografias, mas de uma forma diferente. A alteração da
a exposição constante.abertura transforma a profundidade de campo - a profundidade de uma cena,
desde o primeiro plano ao plano de fundo, que ficará nítida numa fotografia.
As aberturas pequenas aumentam a profundidade de campo, enquanto as
http://www.photocourse.com/itext/G-apertures/
pequenas a diminuem. Em algumas imagens – por exemplo, uma paisagem
– pode optar por uma abertura mais pequena para maximizar a profundidade
de campo, tornando nítidas todas as áreas, desde o primeiro plano até ao
longínquo plano de fundo. Mas provavelmente num retrato o melhor é optar
por uma abertura grande que diminua a profundidade de campo, tornando o
modelo nítido mas o fundo suave e desfocado.
Este livro tem o apoio da 95
Capítulo 3. Controlar a Exposição

Uma abertura pequena


aumenta a profundidade
de campo, por isso o
primeiro plano e o fundo
ficam nítidos (em cima)
e uma abertura grande
diminui a profundidade
de campo, para que o
fundo fique suave (em
baixo).

http://www.photocourse.com/itext/DOF/
Clique para ver como
a abertura afecta a
profundidade de campo.

Dica
Consoante a luz
disponível, pode ter
acesso a apenas
algumas aberturas
da câmara. Para
utilizar aberturas
mais pequenas,
aumente o ISO.
Para fotografar com
aberturas maiores,
use um filtro de
densidade neutra.
As definições de abertura designam-se por números/f e indicam o diâmetro
da abertura. Cada número/f deixa passar metade da luz da maior abertura
seguinte e o dobro da anterior (menor). Desde a maior abertura possível até
à mais pequena, os números/f normalmente incluem os valores apresentados
na primeira coluna da tabela apresentada à esquerda, com as larguras
Aberturas maiores no topo. Nenhuma objectiva oferece a gama total; por exemplo, as
f/1.4 f/1.6 f/1.7
objectivas standard de uma câmara digital costumam ter uma gama de f/2 a
f/16. Lembre-se que à medida que o número/f se torna maior (f/8 para f/11,
f/1.8
por exemplo), o diâmetro da abertura torna-se mais pequeno. Isto pode ser
f/2.0 f/2.2 f/2.5
mais facilmente relembrado se pensar nos números/f como uma fracção:
f/2.6
1/11 é menor que 1/8, logo o diâmetro de uma abertura f/11 numa objectiva
f/2.8 f/3.2 f/3.5 é menor que o de uma abertura f/8. Muitas câmaras avançadas oferecem um
f/3.5 ou dois parâmetros entre as aberturas tradicionais. Na tabela à esquerda são
f/4.0 f/4.5 f/5.0 apresentados valores de um meio e um terço dos números/f (na segunda e
f/4.5 terceira coluna, respectivamente).
f/5.6 f/6.3 f/7.1 O maior diâmetro que pode utilizar depende da abertura máxima da objectiva
f/6.7 – a maior abertura. O termo “objectiva rápida ou luminosa” é normalmente
f/8.0 f/9.0 f/10 aplicado a modelos que podem utilizar uma abertura máxima grande. Por
f/9.5 exemplo, uma objectiva cuja máxima abertura é f/1.8 será mais rápida ou
f/11 f/13 f/14 luminosa que uma cuja abertura máxima seja f/2.6. As objectivas mais
f/13 luminosas são adequadas para fotografar com pouca luz ou para assuntos em
f/16 f/18 f/20
rápido movimento. Com a maior parte, mas não todas, as objectivas zoom
a abertura máxima muda à medida que altera a distância focal. Ela será
f/19
maior nas definições de grande-angular e mais pequena nas definições de
f/22
teleobjectiva, quando utiliza o zoom para aproximar o assunto.
96 Este livro tem o apoio da
Utilizar a Velocidade do Obturador e a Abertura em simultâneo

Utilizar a Velocidade do Obturador e a Abertura em simultâneo

Como viu, as aberturas e as velocidades do obturador estão definidas de forma


a que a alteração de um valor (stop) em qualquer uma delas permita a entrada
de metade ou do dobro da definição seguinte. Esta correspondência significa
que a alteração de uma pode ser compensada com a alteração da outra. Isto é
precisamente o que acontece nos modos de Prioridade à Abertura e ao Obturador,
em que a alteração de um parâmetro é compensada com a alteração do outro. Se
escolher uma velocidade do obturador 1 stop mais lenta (deixando 1 stop de luz
Quando pressiona o em excesso), e a câmara definir automaticamente um número/f abaixo (1 stop de
obturador até meio,
muitas câmaras menos luz), a exposição não é alterada. No entanto, a imagem pode ficar diferente.
apresentam as Estas alterações interferem na profundidade de campo e na possibilidade de captar
definições de abertura e imagens temidas, devido às oscilações da câmara, ou com desfoco por movimento.
velocidade do obturador
que está a usar - no Vamos fazer duas analogias.
ecrã, no visor, ou num
painel LCD separado.
Exposição – Analogia com uma torneira e com um balde
Uma forma de encarar a relação entre as aberturas e as velocidades do obturador
consiste em fazer uma analogia entre uma torneira e a abertura e entre um
cronómetro e a velocidade do obturador.
• Quando abre a torneira completamente, a água corre de forma a encher um
balde rapidamente. Isto corresponde à utilização de uma abertura grande e de
uma velocidade do obturador rápida para que a luz exponha num curto espaço de
tempo.
• Quando abre pouco a torneira, tem apenas um fio de água e por isso demora
a encher o balde. Isto corresponde a utilizar uma abertura pequena com uma
velocidade lenta, para deixar que a luz exponha durante mais tempo.
Independentemente da combinação que escolher, o balde será enchido na mesma
medida. Do mesmo modo, uma imagem pode ser exposta na mesma quantidade
variando as combinações da abertura e da velocidade do obturador, utilizando os
seus efeitos para controlar o registo do movimento e a profundidade de campo.
Dicas
• Para se certificar
que está a utilizar
a velocidade mais
alta possível, defina
a câmara para o
modo de Prioridade
à Abertura e escolha
a abertura adequada
à profundidade de
campo que pretende.
A câmara irá adoptar
sempre a velocidade
mais alta possível.
• Para se certificar
que está a utilizar
a maior abertura
possível, defina
a câmara para o 1. Vamos assumir 2. Quando aumenta a 3. Quando aumenta
modo de Prioridade que começa com uma abertura um número/f, a abertura em mais
ao Obturador e abertura de f/16 e uma para f/11, a velocidade um stop, para f/8, a
escolha a velocidade velocidade de obturação do obturador tem de velocidade do obturador
que precisa para de 1/30 de segundo. diminuir para 1/60 seg., tem de diminuir mais um
congelar ou arrastar para manter a mesma incremento, para 1/125
o movimento. A exposição. Esta alteração seg. Esta alteração diminui
câmara irá sempre diminui ligeiramente a ainda mais a profundidade
definir a maior profundidade de campo de campo e permite
abertura possível. e congela melhor o congelar ainda melhor o
movimento. movimento
Este livro tem o apoio da 97
Capítulo 3. Controlar a Exposição

http://www.photocourse.com/itext/seesaw/
Exposição – A analogia do baloiço
Outra das formas de pensar na exposição é compará-la a um baloiço.
Enquanto uma criança sobe determinada distância, a outra desce uma
distância igual, mas a distância média ao chão de ambas permanece a
mesma. Em fotografia, quando o fotógrafo ou a câmara altera a abertura ou
a velocidade do obturador para deixar entrar mais ou menos luz, o outro
parâmetro terá de ser ajustado na direcção oposta, para manter a exposição
constante. A ilustração abaixo mostra de que forma uma alteração da
abertura tem de ser compensada com uma alteração da velocidade e vice-
versa. Quando estas alterações de compensação são aplicadas a exposição
mantém-se, mas a profundidade de campo muda ligeiramente e os assuntos
estão mais ou menos expostos ao desfoco por movimento.
1. Aqui a abertura a
abertura é de f/4 e a
velocidade do obturador
de 1/25 seg.

2. Se reduzir a abertura
em um incremento,
para f/5.6, a velocidade
do obturador também
tem de diminuir em um
incremento, para 1/60
seg., para manter a
mesma exposição.

3. Se reduzir a
abertura em mais
um incremento, para
f/8, a velocidade do
obturador também tem
de diminuir em mais um
incremento, para 1/30
seg., para manter a
mesma exposição.

98 Este livro tem o apoio da


Como Funciona o seu Sistema de Exposição

Os sistemas de exposição das câmaras digitais funcionam todos com base nos
http://www.photocourse.com/itext/frostedglass/
mesmos princípios gerais. O fotómetro mede continuamente a luz reflectida
pelo assunto e utiliza essa medição quando o botão do obturador é premido
até meio para calcular e definir a abertura e a velocidade do obturador.
O fotómetro da sua câmara mede, em parte ou na íntegra, a luz reflectida pela
área da cena enquadrada no visor ou no ecrã. A cobertura do fotómetro (a
quantidade da cena que é incluída na sua medição) muda em concordância
com as alterações do enquadramento consoante altera a sua distância ao
assunto ou define uma distância focal diferente na objectiva. Supondo que
se acerca do assunto ou o aproxima através do zoom para enquadrar apenas
um detalhe no visor, esse pode ser mais escuro ou mais luminoso que outros
assuntos à volta. As definições da abertura e da velocidade do obturador
sugeridas para os detalhes e para a cena em geral serão diferentes.

Medição média e cinzento médio


O fotómetro não “vê” uma cena da mesma forma que nós vemos. O que ele vê
assemelha-se mais à visão que teríamos de uma cena através de um vidro fosco.
O seu fotómetro “vê”
uma cena como se
estivesse a olhar
através de um vidro
fosco. Não reconhece
detalhes, apenas calcula
a média dos tons.

Cada cena que fotografa assemelha-se um pouco ao que acontece com o padrão
quadriculado desta construção (à esquerda), mas talvez mais complexa. Algumas
partes de uma cena são completamente pretas, brancas ou de qualquer um dos
tons possíveis entre estes extremos. O fotómetro e os controlos do sistema de
exposição da câmara não podem “pensar”. Indiferentes à cena propriamente
dita, ao seu assunto fotográfico, cor, brilho, ou composição, o fotómetro tem
apenas uma função – ele mede a luminosidade geral, ou o quão clara ou escura é
uma cena. Depois, o sistema de exposição automática calcula e define a abertura
Ao posso que nós e a velocidade do obturador para transformar esse nível de brilho num “cinzento
vemos um padrão médio” na fotografia. Na maioria das situações isso funciona bem, pois, grande
quadriculado (no topo), parte das cenas têm uma luminosidade média correspondente a um cinzento
a câmara reconhece
apenas uma média de médio. Mas em algumas cenas e situações não isso não acontece e aí a exposição
tons cinzentos (em automática pode deixá-lo ficar mal. Vamos ver porquê.
baixo).

Este livro tem o apoio da 99


Capítulo 3. Controlar a Exposição

A maioria das cenas são formadas por uma gama continua de tons, desde preto
puro numa das extremidades, até branco puro na outra – a escala de cinzentos.
Quando fotografa em JPEG há 256 tons na escala (28) e quando capta imagens
em RAW há mais de 65 536 (216). O tom situado no centro destas gamas é o
cinzento médio, que reflecte exactamente 18% da luz que incide sobre ele.
A escala de cinzentos
captada nesta imagem
corresponde a uma
gama de tons desde
preto puro até branco
puro.

Quando fotografa um assunto, o sistema de autoexposição da sua câmara define


a exposição de forma a que a luminosidade geral da imagem seja vista como
um cinzento médio. Como resultado, sempre que fotografa uma cena com uma
luminosidade geral mais clara ou mais escura que um cinzento médio, a imagem
final ficará mais clara ou mais escura que a cena. Por exemplo, se fotografar um
cartão branco, um cartão cinzento e um cartão preto, tendo em atenção que cada
um deles preenche o enquadramento no visor quando faz a leitura da exposição,
cada um desses cartões será de um cinzento médio na imagem capturada.
Devido ao
funcionamento do seu
sistema de exposição,
se fotografar um cartão
cinzento, um branco e
um preto (fila de cima),
o sistema de exposição
define a câmara para
captar cada um deles
como um cinzento
médio (fila de baixo).

Para registar realisticamente uma imagem que não seja de um cinzento


médio, tem de recorrer às compensações da exposição ou a qualquer outra
forma de controlo da exposição para clarear ou escurecer a fotografia.

100 Este livro tem o apoio da


Como funciona o seu Fotómetro

Tipos de Medição
Nem todas as áreas de uma cena são igualmente indicadas para determinar
a melhor exposição para a sua imagem. Numa paisagem, por exemplo, a
exposição do plano de fundo normalmente é mais importante que a exposição
do céu. Por este motivo, algumas câmaras oferecem mais que um método de
medição, incluindo os seguintes:
• A medição Matricial, por vezes chamada avaliativa, divide as áreas da
imagem numa grelha e compara o padrão de medição com uma série de
cenas típicas para seleccionar a melhor exposição possível par a imagem em
questão. Este modo muitas vezes está programado para ignorar algumas
secções da grelha, como os reflexos de um espelho, que de outra forma
poderiam “enganar” o fotómetro.
• A medição Ponderada ao Centro avalia a imagem na íntegra, mas dá maior
importância ao centro do fotograma, onde normalmente estão os objectos
principais.
• A medição Pontual, ou parcial, avalia apenas uma pequena área da cena.
Os modos de medição Isto permite-lhe basear a sua exposição numa zona específica da cena, em
incluem a Matricial (em vez de fazer uma leitura geral. Este modo é o ideal para fotografar assuntos
cima), Ponderada ao
Centro (ao centro) e contra fundos claros ou escuros. Em algumas câmaras o ponto de medição
Pontual (em baixo). Os encontra-se no centro do visor ou do monitor. Noutras pode deslocá-lo por
pequenos quadrados outras áreas da cena.
representam as áreas
de foco que pode • A medição Pontual AF utiliza para a medição a mesma área que seleccionou
escolher.
para a focagem. Uma vez que muitas câmaras avançadas permitem escolher
uma de entre várias áreas de focagem, isto dá-lhe a possibilidade de definir a
leitura da exposição e o foco para um assunto descentrado.
A medição centrada pode causar alguns problemas. Por exemplo, um objecto
escuro colocado descentradamente sobre um fundo muito luminosos pode
não ficar bem exposto, porque a sua localização não corresponde com a
área que o fotómetro está a enfatizar. Ou, em alguns casos, quando utiliza a
câmara na vertical, o fotómetro pode dar mais ênfase apenas a uma parte da
imagem. Estas situações não são comuns, mas quando ocorrem pode utilizar
o bloqueador ou as compensações da exposição para conseguir uma boa
Controlando a leitura,
a exposição desta cena leitura. Estas técnicas serão abordadas neste capítulo.
centrou-se no aquário e
por isso as pessoas no
primeiro plano ficaram
subexpostas.

Este livro tem o apoio da 101


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Zonas Encontrar o valor


0 Preto puro Se já teve a oportunidade de ver uma impressão de Ansel Adams,
I Preto com detalhes provavelmente ficou maravilhado com a forma como ele usava a gama tonal
completa para captar detalhes quer nas altas luzes quer nas sombras. As suas
II Preto com textura
provas reflectem o controlo incrível que tinha sobre as suas imagens, através
III Cinzento muito escuro do Sistema de Zonas, que desenvolveu. Expondo e revelando correctamente
IV Cinzento escuro a película, ele podia expandir ou restringir a gama tonal de um negativo para
V Cinzento médio que coincidisse com a gama tonal de uma cena. Apesar de o sistema de Ansel
VI Cinzento claro Adams ser científico e muito técnico muitos dos resultados que conseguiu
podem ser obtidos com uma câmara digital e um programa de edição
VII Cinzento muito claro
fotográfica, como o Lightroom ou o Photoshop. O Sistema de Zonas baseia-se
VIII Quase branco
num princípio geral que consiste em expor para as sombras e revelar para as
IX Branco puro altas luzes. Em fotografia digital, a exposição normalmente é feita de forma a
que os píxeis mais luminosos não fiquem sem informação, e muitas câmaras,
Para servir de guia incluindo as reflex, mostram um histograma para verificar se o conseguiu.
aos fotógrafos de
filme, o sistema de
Depois basta usar um programa de edição de imagem para ajustar os tons
Zonas dividia a gama para que coincidam com a zona pretendida.
de cinzentos em nove
zonas, desde preto Para começar, deve utilizar as compensações da exposição para “encontrar
puro a branco puro. o valor”. Para isso, seleccione a área mais importante da cena e faça uma
Cada zona era exposta
mais ou menos um
leitura aproximada ou utilize o modo de medição Pontual. O segredo para
incremento (stop) que encontrar uma leitura específica consiste em preencher a área de medição
as anterior ou posterior, da câmara com a parte da cena que se pretende medir, Depois tem de
respectivamente. Uma
exposição normal da
decidir que tom quer que esta parte adquira na imagem final. Uma vez que
câmara corresponde à a autoexposição a vai transformar em cinzento médio, terá de alterar a
Zona V. exposição para a colocar numa outra zona. No modo Manual pode fazê-lo
através da alteração da velocidade do obturador ou da abertura. Nos outros
modos utilize a compensação da exposição para a colocar em duas zonas
diferentes em cada direcção (negativa e positiva).

Cartões Cinzentos
Tendo em conta que o sistema de exposição foi concebido para definir
a exposição de forma a captar um cinzento médio (Zona V), em muitas
situações, é possível conseguir exposições perfeitas utilizando um cartão
cinzento. Quando preenche o enquadramento ou utiliza a medição pontual
com um destes cartões e prime o obturador até meio, a sua câmara irá indicar
a melhor exposição sem ter em consideração o quão clara ou escura é a cena.
Depois, pode utilizar o bloqueador da exposição (AE Lock) para capturar a
imagem com estas definições.
Quando preenche o
visor ou as áreas de
medição com um cartão
cinzento e prime o
obturador até meio,
a câmara indica a
melhor exposição, sem
considerar o quão clara
ou escura é a cena.

102 Este livro tem o apoio da


Quando a Exposição Automática Resulta

Quando a Exposição Automática Resulta

A maioria das cenas que fotografa têm uma luminosidade geral de cinzento
médio. Algumas áreas da cena podem reflectir 90% da luz e outras 5%, mas
no geral a quantidade média de luz reflectida pela cena é 18% - o equivalente
à reflectida por um motivo cinzento médio.
Sempre que fotografa uma cena normal com esta luminosidade geral, o seu
sistema de exposição automática expõem-nas correctamente. Entre as cenas
de cinzento médio mais comuns estão:
• Cenas em dias de sol forte cuja luz está por trás de si quando está voltado
para a cena.
• Cenas em dias nublados ou sob luz difusa, como à sombra ou em exteriores
com luz uniformemente distribuída.

Esta paisagem, do
Canyon de Chelly, foi
captada numa manhã
nublada utilizando a
exposição automática.

Este retrato, captado


sob um céu luminoso
e nublado, está
perfeitamente exposto
usando o modo
automático.

Este livro tem o apoio da 103


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Como Avaliar a Exposição Automática

Nem todas as cenas perfazem uma média de cinzento médio. Vamos ver
algumas das situações mais comuns em que o seu sistema de medição
automática pode ter problemas e terá de pôr de parte as definições de
exposição indicadas.

Cenas mais luminosas que um cinzento médio


As cenas mais claras que um cinzento médio, como na praia, ou paisagens
cobertas de areia brilhante ou neve, reflectem mais que 18% de luminosidade.
O sistema de autoexposição não “sabe” que a cena deveria parecer luminosa,
por isso calcula uma exposição para um cinzento médio, tornando a imagem
demasiado escura. Para tornar a imagem tão clara como o original, terá de
ignorar o sistema automático da câmara e aumentar a exposição.

Esta cena de neve é um


exemplo de situações
em que a imagem é
mais luminosa que um
cinzento médio. Grande
parte dos tons mais
importantes da imagem
está na extremidade
mais luminosa da
gama de cinzentos. O
tom “médio” geral da
imagem será cerca de
um incremento mais
luminoso que o cinzento
médio. Para conseguir
uma boa fotografia
tem de aumentar a
exposição em um
incremento (+1), para
a clarear. Se não o
fizer, a neve na imagem
ficará demasiado
cinzenta (em baixo).

104 Este livro tem o apoio da


Como Avaliar a Exposição Automática

Cenas mais escuras que um cinzento médio


As cenas mais escuras que um cinzento médio, como sob sombras intensas,
folhagem escura, cenas nocturnas, ou roupas pretas, reflectem menos que 18%
de luminosidade. Se fotografar esse género de cenas utilizando a exposição
automática, elas ficarão demasiado claras. O fotómetro não consegue avaliar se
a imagem é originalmente escura ou apenas uma cena vulgar com menos luz.
Em ambas as situações ele aumenta a exposição para registar a imagem como
um cinzento médio. Para captar uma imagem com um tom geral mais escuro
que um cinzento médio, precisa de ignorar a leitura automática dada pela
câmara e diminuir a exposição.
Este gato preto está
entre um a dois
incrementos mais
escuro que um tom
de cinzento médio.
Para escurecer a
cena, para que o gato
não fique cinzento
médio, a exposição
tem ser diminuída em
um (-1) ou dois (-2)
incrementos.

Assuntos contra Planos de Fundo Muito Luminosos


Os assuntos contra fundos muito luminosos, como um retrato contra um
céu brilhante, areia clara ou neve, podem enganar o sistema de exposição,
sobretudo se o assunto ocupar uma área relativamente pequena da cena. O
plano de fundo pode ser de tal forma predominante que o sistema de exposição
automática reduz a exposição para transformar a luminosidade geral num
tom de cinzento médio. O resultado é uma imagem subexposta, com o motivo
principal demasiado escuro. Para a captar realisticamente precisa de aumentar
a exposição.
Esta cena foi
subexposta para criar
a silhueta das pessoas
contra o fundo. Para
mostrar detalhes nas
pessoas, a exposição
teria de ser aumentada
em dois incrementos
(+2).

Sem uma compensação


da exposição, os
assuntos escuros
contra planos de fundo
luminosos ficarão
subexpostos.

Este livro tem o apoio da 105


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Assuntos contra Planos de Fundo Muito Escuros


Quando um assunto claro e pequeno se encontra contra um fundo escuro, o
seu sistema de exposição automático aumenta a exposição para registar um
tom de cinzento médio. Uma vez que este tom é mais luminoso que a cena,
o assunto principal também é mais claro. Para captar a imagem da mesma
forma que a vê, tem de diminuir a exposição para a tornar mais escura.

O sol do início da manhã


iluminou este íbis
pernalta, num lago. Se
a exposição não tivesse
sido reduzida, o fundo
seria demasiado claro,
tal como a ave branca.
Numa cena como esta o
mais indicado é utilizar
uma medição Pontual.

Cenas com alto contraste


Muitas cenas, especialmente as que têm altas luzes brilhantes e sombras
intensas, têm uma gama de luminosidades que excede a gama que um sensor
de imagem pode captar. Perante estas condições, tem de decidir qual a área
mais importante (a das sombras ou a das altas luzes), e depois definir a
exposição de forma a que essa área seja registada correctamente na imagem
final. Em situações de alto contraste como esta, deve:
• Medir e basear a exposição na área mais importante e deixar o resto da
imagem sub ou sobreexposta.

A arcada estava na • Iluminar as sombras utilizando o flash de enchimento ou um reflector


sombra e a catedral branco. Por exemplo, um retrato iluminado por trás ou lateralmente pode
iluminada pelo sol. Não tornar-se melhor e mais interessante do que com uma iluminação frontal.
era possível captar
correctamente os dois Mas quando a luz da cena é contrastada, grande parte do rosto do modelo
elementos, por isso, pode estar na sombra.
a arcada foi registada
como um sólido preto. • Nas definições de alto contraste, algumas câmaras permitem-lhe diminuir o
contraste na altura em que capta a fotografia.

106 Este livro tem o apoio da


Como Avaliar a Exposição Automática

Cenas difíceis de Medir


Ocasionalmente pode deparar-se com cenas cuja medição é pouco conveniente
ou até impossível. Anúncios luminosos nas ruas, espectáculos com projectores,
fogo-de-artifício, cenas ao luar, e outras situações semelhantes, são difíceis e
por vezes até impossíveis de medir. Nestes casos, o melhor é fazer experiências
com os controlos de exposição da câmara. Por exemplo, depois de captar uma
imagem com a exposição apontada pela câmara, utilize compensações ou
bracketing da exposição automática para captar outras exposições, quer mais
claras quer mais escuras que as indicadas pelos parâmetros iniciais.
Esta cena tem um céu
claro e um pescador
iluminado contra um
fundo escuro. Uma
cena deste género
é difícil de medir
devido à variedade da
iluminação.

Um assunto
relativamente pequeno
contra uma grande
extensão de céu, na
maioria das vezes
ficará subexposto,
a menos que utilize
as compensações da
exposição.

Este livro tem o apoio da 107


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Como Avaliar a Exposição Automática

Quando uma cena é mais escura ou mais clara que um cinzento médio é
necessário ajustar a exposição para captar a cena de forma realística. Para
isso, os modos de exposição automática de muitas câmaras permitem
aumentar ou diminuir a exposição em dois incrementos ou mais. Aqui
apresentamos as definições mais comuns.
• +2 é utilizado quando a luz é extremamente contrastada e as áreas de
sombra mais importantes são demasiado escura relativamente às áreas mais
iluminadas.
• +1 é o mais apropriado para assuntos com luz lateral ou em contraluz, cenas
de praia ou neve e para o pôr-do-sol ou outras situações que incluam uma
fonte de luz intensa. É também o ideal para objectos muito luminosos.
Uma subexposição
de dois incrementos • 0 (o valor predefinido) é mais indicado para cenas uniformemente
manteve o fundo escuro iluminadas e quando as áreas de sombra importantes não são muito mais
e expos correctamente escuras que as áreas luminosas.
as áreas iluminadas
pelo projector. • -1 deve ser utilizado quando o fundo é bastante mais escuro que o assunto,
como em cenas nocturnas, ou retratos em frente a uma parede muito escura.
• -2 é aplicado a cenas com contraste invulgar, como em cenas nocturna
em que um fundo extremamente escuro ocupa grande parte da imagem e
importa reter os detalhes das áreas mais luminosas.
1. Estes três cartões
foram enquadrados de
forma a preencher o
visor quando a foto foi
captada.

2. O sistema de
exposição da câmara
fez com que todos os
cartões aparecessem
a cinzento na
fotografia. Apenas
o cartão cinzento
médio, ao centro, está
correctamente exposto.

3. Aumentando a
exposição do cartão
branco e diminuindo
a do cartão preto
permitiu captá-los

+2 0
de forma realística.
Para o cartão cinzento
médio, ao centro, não
foi necessário qualquer
-2
ajuste manual.

108 Este livro tem o apoio da


Como Avaliar a Exposição Automática

Como Avaliar a Exposição Automática

A maioria das câmaras digitais facultam formas de ignorar o sistema de


Dica exposição para conseguir a exposição pretendida. As opções mais comuns são
Muitas câmaras a compensação da exposição, o bloqueador da exposição e o bracketing da
digitais permitem
seleccionar 1/3 ou ½
exposição automática.
de incremento (stop)
para os parâmetros
da exposição. Compensação da Exposição
Defini-las para 1/3
permite um controlo
Pode tornar uma imagem mais clara ou escura alterando a velocidade do
mais preciso sobre aobturador ou a abertura, mas apenas no modo manual. Nos outros modos,
exposição. quando muda um dos parâmetros o outro é automaticamente alterado,
para manter a exposição constante. A opção de compensação da exposição
é utilizada para captar uma imagem mais escura ou mais clara que a que
seria produzida automaticamente pela câmara. Para clarear uma foto,
deve aumentar a exposição; para escurecê-la, deve diminuir a exposição. A
Este é o ícone
universalmente
quantidade em que o faz é especificada em incrementos. Se escolher um valor
reconhecido para positivo (+) a imagem ficará mais luminosa. Se seleccionar um valor negativo
a compensação da (-) ficará mais escura. É fácil utilizar as compensações da exposição, já que a
exposição.
maioria das câmaras apresenta uma escala para guiar o fotógrafo e é possível
http://www.photocourse.com/itext/expcomp/
pré-visualizar o efeito dessas alterações no monitor, se a câmara permitir
enquadrar aí as imagens. Pode também verificar a imagem no modo de
Clique para explorar revisão ou de reprodução e até, em muitas câmaras, verificar o histograma.
a compensação da
exposição.

+ Escuro + Claro

Muitas câmaras digitais


apresentam uma
escala quando utilize
a compensação da
exposição.

Quando ajusta a compensação da exposição pode fazê-lo em incrementos


inteiros ou em ajustes mais minuciosos – normalmente um meio ou um terço de
incremento. Na maioria das câmaras, quando acede a este comando é apresentada
uma escala. O “0” indica a exposição definida pela câmara. À medida que ajusta a
exposição ao longo da gama positiva (+) a imagem fica mais clara; e à medida que
percorre a gama negativa (-) ela fica mais escura. Aqui pode ver os resultados com
ajustes desde +2 (à esquerda) a -2 (à direita). Os efeitos das alterações na imagem
são notórios.

O histograma à
esquerda mostra
que a imagem está
sobreexposta e os
píxeis na extremidade
direita (as altas
luzes) estão sem
informação. A utilização
da compensação da
exposição na captura
da imagem deslocou
o histograma para a
esquerda (em baixo, à
esquerda). Com este
ajuste os detalhes das
sombras e das altas
luzes foram registados.

Este livro tem o apoio da 109


Capítulo 3. Controlar a Exposição

Bloquear a Exposição Automática (AE Lock)


Pode ajustar a exposição bloqueando exposição automática (AE Lock). Para
isso, aponte a câmara para a área da cena em que quer fazer a leitura (a
Premir o obturador medição Pontual funciona melhor), prima o obturador até meio para calcular
até meio bloqueia a
exposição e premi-lo
a exposição (e focar) e bloqueie-os. Enquanto continua a premir o botão do
completamente capta a obturador, reenquadre e capte a imagem utilizando essas definições.
imagem.
Algumas câmaras têm uma função AE Lock que permite bloquear a exposição
independentemente do foco. Primeiro prima o obturador até meio para
http://www.photocourse.com/itext/explock/
medir a exposição, depois prima o botão AE Lock para a manter bloqueada
enquanto capta a imagem. Depois pode soltar o obturador, reenquadrar a
Clique para explorar o imagem e premir o obturador até meio para definir o foco.
bloqueio da exposição.

1. Aponte a câmara
para a área onde quer
fazer a leitura – neste
caso ela está no centro.
Prima o obturador até
meio para bloquear a
exposição e o foco.

Um ícone comum para o


botão AE Lock.

Sem soltar o obturador,


componha a imagem
como pretender e prima
totalmente o obturador
para tirar a foto.

Se a imagem fosse
captada sem antes
bloquear a exposição,
ficaria demasiado
escura, porque o
fundo influenciaria a
exposição.

110 Este livro tem o apoio da


Como Avaliar a Exposição Automática

Bracketing da Exposição Automática (AEB)


http://www.photocourse.com/itext/AEB/
Para se certificar que consegue a melhor exposição utilize o bracketing da
Clique para explorar o exposição automática (AEB) para captar uma série de fotos – cada uma das
bracketing da exposição quais com uma exposição ligeiramente diferente. Este processo funciona
automática.
como uma variante automatizada da compensação da exposição. Algumas
câmaras permitem especificar o número de exposições, entre 3 e 5, e a
alteração da exposição entre cada imagem. Há câmaras que captam as
O bracketing faculta-lhe imagens todas com um único disparo do obturador, outras captam uma de
uma série de imagens
com exposições
cada vez que carrega no obturador. Alguns modelos de câmaras utilizam o
diferentes. mesmo método para controlar a balanço de brancos e até a focagem.

Algumas câmaras
permitem seleccionar
o número de disparos
e o incremento de
exposição entre
cada uma delas.
Aqui, a escala não
tem bracketing (em
cima), e, nas imagens
seguintes, está
definida para um, dois
e três incrementos
de diferença entre as
exposições.

O ícone standard para o


bracketing de exposição
automática.

Este livro tem o apoio da 111


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Capítulo 4
Controlar a Nitidez

U
ma das primeiras coisas que repara imediatamente numa
fotografia é se ela está ou não nítida. As fotografias muito nítidas
revelam detalhes ainda mais ricos que aqueles que poderia notar
na cena original. Se a imagem não estiver toda nítida, o olhar
do observador é imediatamente conduzido para a área que está. Se as suas
imagens não estiveram tão nítidas quanto gostaria, pode analisá-las para
identificar o que está mal.
• Foco. Se a imagem parecer completamente suavizada, ou se o assunto
principal estiver desfocado mas as outras partes da imagem nítidas, a
focagem da câmara estava incorrecta ou provavelmente estava demasiado
próximo do motivo principal.
• Profundidade de campo. Se a área central da imagem estiver mais nítida do que
o fundo ou do que o primeiro plano não, não tem profundidade de campo suficiente.
• Movimento da câmara. Se a imagem está toda tremida e desfocada, sem
qualquer área nítida, a câmara oscilou durante a exposição. Alguns pontos
aparecem como linhas e os contornos não estão definidos
• Movimento do assunto. Quando parte da imagem está nítida mas um objecto em
movimento aparece desfocado, a velocidade do obturador estava demasiado lenta.
Neste capítulo vamos ver como assegurar que as suas imagens ficam nítidas,
quando assim o pretende, e como usar criativamente o desfoco.

112 Este livro tem o apoio da


Eliminar o desfoco provocado pelo movimento da câmara

Eliminar o desfoco provocado pelo movimento da câmara

http://www.photocourse.com/itext/tripods/tripods.pdf
Quando o obturador está aberto, o movimento indesejado da câmara é uma das
principais causas das fotografias desfocadas. Com luz brilhante e quando utiliza
o flash, pode reduzir este problema bastando para tal segurar a câmara com
firmeza e premir o botão do obturador com suavidade – mantendo-o a meio
curso enquanto o foco se fixa. Com velocidade de obturação mais lentas, como
as que utiliza com luz escassa, sobretudo com objectivas longas ou com uma
aproximação do assunto com o zoom, precisa de um suporte para a câmara.
A câmara estava fixa
na foto à esquerda e
em movimento na da
direita.

Segurar a câmara
Á medida que aproxima um assunto com o zoom, aumenta a distância focal
da objectiva. Ao recuar o zoom, ela diminui. Numa câmara reflex pode fazer o
mesmo optando por uma teleobjectiva ou por uma objectiva grande-angular.
Prima o obturador muito Á medida que a distância focal da objectiva muda, o mesmo acontece com a
suavemente – nunca velocidade do obturador mínima para conseguir uma imagem nítida quando
com demasiada força. segura a câmara à mão. A regra é nunca fotografar com a câmara na mão
Pare quando carrega
até meio até que o foco com uma velocidade menor que a sua distância focal. Por exemplo, com uma
se fixe. objectiva de 35 mm pode utilizar uma velocidade de 1/50 seg. Com uma 200 mm
deve aumentar a velocidade para, no mínimo, 1/250 seg.
Quando capta uma imagem sem um apoio, encoste bem a câmara ao rosto. No
momento imediatamente anterior a tirar a foto inspire profundamente, depois
expire e sustenha a respiração enquanto prime suavemente o obturador.
DICA
As câmaras reflex
digitais têm um Apoiar a câmara
espelho que levanta Em situações de pouca luz, quando não utiliza o flash, precisa de apoiar a câmara
para que a luz atinja
o sensor quando
para evitar o desfoco nas suas imagens. Uma forma de o fazer é encostar-se
capta a imagem. a uma parede ou a uma árvore e apoiar os cotovelos ao corpo. Pode também
Por muito leve que utilizar uma mesa, um tronco ou um muro para colocar a câmara. Para uma
seja o espelho, pode estabilidade maior, muitas câmaras têm um encaixe que permite colocá-las num
provocar vibrações
quando levanta. Par tripé quando quer imagens mais nítidas.
evitar isso, algumas
câmaras têm uma
função de bloqueio Utilizar o temporizador ou o controlo remoto
do espelho.
Praticamente todas as câmaras digitais têm um temporizador e algumas um
controlo remoto. Apesar de ser muito utilizado para permitir que o fotógrafo
fique também na fotografia, o temporizador é uma excelente forma de reduzir
o desfoco em situações de luz fraca. Coloque a câmara numa superfície firme,
enquadre a imagem e utilize o temporizador ou o disparador remoto para captar
a foto. Não permaneça em frente à câmara quando carrega no obturador para
começar a contagem. Se o fizer, pode impedir a câmara de focar correctamente.
Se utilizar o temporizador para um auto-retrato, aponte-a para algo que esteja
à mesma distância que ficará quando se colocar na posição certa e prima o
Um ícone do
temporizador. obturador para focar e activar o temporizador.

Este livro tem o apoio da 113


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Quando utilizar o visor,


quer na horizontal
quer na vertical, prima
o obturador com o
indicador direito e apoie
a câmara com a mão
esquerda.

Quando utiliza o ecrã


(à esquerda), segure
a câmara com ambas
as mãos e encoste os
cotovelos ao tronco.

Se o seu ecrã rodar e


levantar (à direita),
pode colocar a câmara
no chão para fotografar
flores e outros assuntos
pequenos.

Os monopés são leves,


expansíveis e fáceis de
transportar. Imagem
cortesia da Gitzo.

Há muitas situações
em que pode encontrar
suportes no ambiente
que o rodeia. Apoie-
se numa parede ou
numa árvore, com os
cotovelos encostados
ao corpo. Pode ainda
procurar um tronco,
um muro, uma mesa
ou outra superfície para
colocar a câmara.

114 Este livro tem o apoio da


Estabilização de Imagem

Estabilização de Imagem

Se a câmara se mover durante a exposição a imagem ficará tremida e


http://www.photocourse.com/itext/antishake/
desfocada. Isto acontece sobretudo quando utiliza uma velocidade de
obturação lenta, quando capta planos fechados ou fotografa com uma
objectiva de distância focal longa. Par reduzir este efeito, algumas câmaras
têm um sistema de estabilização. Estes sistemas utilizam um sensor,
normalmente um giroscópio, para identificar os movimentos da câmara e
compensá-lo através de várias técnicas. O processo adquire diferentes nomes
incluindo: estabilizador de imagem (IS), redução da vibração e anti‑vibração.
Os fabricantes garantem que os sistemas permitem a utilização de 4
incrementos (stop) acima, antes que o desfoco provocado pelo movimento da
câmara seja perceptível na imagem. Isso significa que se pudesse utilizar uma
velocidade segura de 1/60 de segundo sem o estabilizador de imagem, com
ele pode ir até 1/8 seg.
• Os estabilizadores baseados nas objectivas fazem oscilar um prisma
na câmara, ou um elemento na objectiva, que redirecciona o percurso da luz
para compensar os movimentos indesejados.
• Os estabilizadores de imagem baseados no CCD fazem oscilar o CCD
para compensar o movimento da câmara.
• Os estabilizadores digitais ou electrónicos fazem oscilar a imagem
O tripé é necessário no sensor para compensar o movimento. Quando é utilizada esta técnica,
para alguns géneros de
fotografia. nem todos os píxeis do sensor podem ser utilizados na imagem. Alguns dos
píxeis das extremidades têm de ser reservados para a oscilação da imagem
projectada pela objectiva. Outra técnica consiste em tentar remover o desfoco
de uma imagem depois de ela ser captada, através de processamento digital.
• A pseudo-estabilização de imagem limita-se a aumentar o ISO
permitindo à câmara seleccionar uma velocidade de obturação mais rápida.
Quando a câmara tem uma objectiva fixa, não interessa qual a abordagem
adoptada. No entanto, em câmaras de objectivas intermutáveis isso
é importante. Se o sistema de estabilização for integrado no corpo da
câmara funciona com qualquer objectiva, se for colocado na objectiva, só
funciona com as objectivas que tiverem essa funcionalidade. Relativamente
à estabilização de imagem, lembre-se pode sempre optar por um tripé,
Utilizar um saco de
monopé, saco de feijões, ou uma superfície lisa para apoiar a câmara. Pode
feijões, como este Pop, ainda aumentar a estabilidade utilizando o temporizador ou um controlo
para apoiar a câmara remoto para disparar a câmara, e o bloqueio do espelho para reduzir as
e o temporizador é
uma boa forma de
vibrações.
estabilizar a imagem.
Imagem cortesia da Pop
Multimedia.

A estabilização de
imagem da Nikon,
chamada VR, de
Vibration Reduccion
(redução da vibração),
e o sistema IS da Canon
fazem oscilar um grupo
dentro da objectiva,
para contrariar o
movimento da câmara.

Este livro tem o apoio da 115


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Aumentar a sensibilidade (ISO)

Uma forma de melhorar a nitidez em situações de pouca luz é aumentar a


http://www.photocourse.com/itext/ISO/
sensibilidade da câmara. Isto funciona em lugares como teatros e ginásios
em que os assuntos estão demasiado distantes para utilizar o flash e precisa
Clique para ver os
efeitos do aumento do
de uma velocidade de disparo rápida para eliminar o desfoco. É também um
ISO. bom meio de captar imagens sem flash em concertos ou museus, em que a
sua utilização não é permitida.
A sensibilidade normalmente é especificada como parâmetros ISO, tal como
acontecia com a velocidade da película. (ISO é uma definição standard
da International Standards Organization que designou as velocidade
das películas. Não há nenhum standard para as câmaras digitais, mas a
sensibilidade do sensor à luz é definida como um ISO equivalente. Aumentar
a sensibilidade da câmara ou o ISO significa que é preciso menos luz para
captar correctamente uma imagem, por isso, pode utilizar uma velocidade do
Normalmente muda-se obturador mais rápida para congelar a acção ou reduzir o desfoco provocado
o ISO através de um
disco ou do menu. pelas oscilações da câmara. A sensibilidade de uma câmara pode ir de 50
a 6400, uma gama de 8 incrementos (stops), mas a maioria oferece escala
de definições menor. O preço a pagar por utilização das sensibilidades mais
altas - é o aparecimento de ruído – píxes de cores aleatórias espalhados pelas
áreas mais escuras da imagem. Quanto mais aumenta a sensibilidade, maior
é a probabilidade de aparecer ruído. Isso acontece porque o aumento do ISO
nas câmaras digitais é feito através da amplificação dos sinais captados pelos
fotodíodos do sensor – semelhante a aumentar o volume do rádio. Desta
forma, a luz fraca pode tornar-se mais luminosa mas, infelizmente, amplificar
a imagem também aumenta o ruído.
Muitas câmaras têm um ou mais modos de redução do ruído, concebidos
para diminuir ou eliminar o ruído causado por sensibilidades ISO altas ou
exposições longas. Algumas permite-lhe ligar esses modos ou defini-los para
Automático para que sejam aplicados apenas a imagens que precisem.

Há filmes de várias
sensibilidades ISO,
como este de ISSO 100
e 800, da Samsung.

Esta foto foi captada


do topo do Empire
State Building, sem
um tripé. Para que isso
fosse possível, o ISO
foi aumentado até que
fosse possível utilizar a
velocidade do obturador
mais rápida. Na imagem
original há muito ruído
visível, sobretudo nas
áreas mais escuras.

116 Este livro tem o apoio da


A Nitidez Não é Tudo

A Nitidez Não é Tudo

As suas fotos nem sempre têm de ser nítidas para serem eficazes. Em
muitos caso, o melhor é ter uma área da imagem mais nítida que as outras.
A sua fotografia pode ter vários tipos de nitidez e desfoco. O primeiro está
relacionado com a forma como o movimento é transmitido e é determinado
por factores como a sensibilidade do sensor da imagem, a luminosidade
geral da cena, a distância focal da objectiva, bem como a velocidade,
direcção e distância a que está o assunto. Um outro tipo está relacionado
com profundidade de campo, que define que quantidade da imagem, desde
o primeiro plano até ao plano de fundo, ficará focada. Mesmo que esteja a
fotografar uma cena estática, parte da imagem pode não ficar nítida se não
tiver profundidade de campo suficiente. No entanto, uma profundidade
de campo limitada pode fazer com que um fundo confuso se torne menos
distractivo, colocando-o fora de foco.
Numa cena, o
movimento pode
ser arrastado ou
desfocado dependendo
da velocidade do
obturador, entre
outros factores. A falta
de nitidez pode ser
utilizada criativamente
para dar expressão ao
movimento, como nesta
foto de uma queda
de água, no Yosemite
National Park.

Uma profundidade de
campo reduzida permite
chamar a atenção do
observador para o
assunto em primeiro
plano, mantendo o
fundo pouco definido.

Este livro tem o apoio da 117


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Como Fotografar o Movimento com Nitidez

A nitidez das diferentes áreas de uma imagem ajudam a direccionar o olhar


Dicas do observador, que tende a fixar-se na área mais focada. Para além disso,
• Para captar a nitidez, ou a falta dela, pode ser parte da mensagem de uma fotografia. A
assuntos em rápido imobilidade de uma figura estática pode ser realçada desfocando as pessoas
movimento, aponte
a câmara para o sítio em movimento noutras áreas da imagem.
onde a acção vai
ocorrer e prima o Numa imagem, o desfoco por movimento deve-se ao facto de o assunto
botão do obturador focado no sensor se deslocar enquanto o obturador está aberto. Para captar
até meio para nitidamente um objecto em movimento, é necessário que obturador abra e feche
definir o foco e a
exposição. Mantenha antes que a imagem focada se desloque significativamente. Mas quão rápido
o obturador é suficientemente rápido? A resposta depende de vários factores que tornam
premido até que a difícil prever a quantidade de movimento será registado na imagem final. Para
acção aconteça e
conseguirá captar a garantir bons resultados, o melhor é utilizar diferentes definições e captar várias
imagem muito mais fotos. Experimente fotografar de um ângulo diferente, esperar por uma pausa na
depressa. acção, ou acompanhe com a câmara o movimento do assunto. Terá muito mais
• Para conseguir possibilidades de conseguir uma boa foto se tiver várias por onde escolher. Mas
a velocidade de tenha atenção ao facto de ser difícil de avaliar a nitidez ou desfoco de uma imagem
obturação mais
rápida possível no pequeno ecrã da câmara.
em determinada
situação, utilize o
modo de Prioridade Velocidade do assunto
à Abertura e escolha
a abertura maior, Quanto mais rápido for o movimento do assunto, mais rápida terá de ser a
ou a que permita velocidade do obturador para produzir uma imagem nítida. No entanto, não é
a profundidade de propriamente a velocidade do assunto que determina o desfoco. É a velocidade
campo desejada.
a que ele se move no sensor de imagem enquanto faz a exposição. Isso depende
não só da real velocidade do assunto, mas também da direcção em que se move,
da distância a que está da câmara e da distância focal da objectiva.
A velocidade do
obturador congelou o
bailarino central mas foi
suficientemente lenta
para desfocar os outros.
Isto torna o bailarino
central o centro das
atenções na fotografia.

Direcção do Movimento
Quando o obturador está aberto, um assunto que se mova paralelamente ao
sensor da imagem irá passar por mais píxeis do sensor e por isso ficar mais
desfocado do que um motivo que se mova na direcção ou na direcção oposta da
câmara. É por essa razão que é possível utilizar uma velocidade mais lenta para
Foi utilizada uma os assuntos que se dirijam ou afastem da câmara do que para os assuntos que
velocidade do obturador
alta para congelar este percorram a cena de um lado ao outro – estes ficarão mais desfocado se utilizar
salto da Emily. as mesmas definições

118 Este livro tem o apoio da


Como Fotografar o Movimento com Nitidez

http://www.photocourse.com/itext/distance/
Distância ao Assunto e Distância Focal das Objectivas
http://www.photocourse.com/itext/distance/
Se o assunto estiver próximo da câmara, o mais pequeno movimento é o suficiente
para causar desfoco. Um motivo – ou parte dele – longe da câmara pode deslocar-
se consideravelmente antes que a imagem no sensor se mova muito. A distância
focal das objectivas também influi sobre isso porque determina a distância
aparente a que está o assunto. Aumentar a distância focal da sua objectiva – para,
por exemplo, aproximar o motivo com o zoom – produz o mesmo efeito dos
assuntos próximos. Quanto mais aproximar um assunto com o zoom, menos ele
terá de se deslocar para que o movimento da imagem no sensor seja o suficiente
para a imagem ficar desfocada. Para ver os efeitos da distância no desfoco da
imagem, olhe pela janela de um carro em alta velocidade (mas não quando está
A velocidade do
a conduzir). Os objectos do primeiro plano parecem voar ao passo que os do
obturador necessária horizonte não parecem mexer-se.
para controlar a
nitidez de um objecto Velocidade Rápida Lenta
em movimento é do Obturador
determinada pela
velocidade do assunto, Necessária
pela direcção do
movimento e pela
distância.

http://www.photocourse.com/itext/shutterspeed/
Velocidade do
Assunto

Direcção do
Movimento

Nesta imagem de
um comboio a alta
velocidade, as áreas
mais próximas da
câmara são as mais Distância Focal
desfocadas, ao passo da Objectiva
que as áreas mais e Distância ao
distantes parecem
mais nítidas. Uma vez Assunto
que todo o comboio
se desloca à mesma
velocidade, a foto
mostra em que medida
a distância afecta o Para aumentar a nitidez de assuntos em movimento, aqui estão algumas
desfoco.
coisas que pode fazer:
• Fotografar assuntos em rápido movimento que se desloquem na sua ou na
direcção oposta.
• Deslocar-se para longe do assunto ou utilizar uma objectiva de distância
focal abrangente.
• Optar pelo modo de Prioridade ao Obturador e escolher uma velocidade
rápida, como 1/500 seg.
• Aumentar o ISO, mas isso faz aparecer algum ruído na imagem.

Este livro tem o apoio da 119


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Focagem – O Plano de Foco Principal

O foco é apenas um dos factores que afectam a nitidez das suas imagens,
mas é fundamental, já que determinar que áreas da imagem ficarão mais
nítidas. Para perceber como, imagine a área da cena que foca como um plano
horizontal, semelhante a um vidro, que atravessa a imagem de um lado ao
outro e que fica paralelo à superfície frontal do sensor da imagem – chamado
plano do filme. As áreas dos objectos interceptadas por este plano imaginário
serão abrangidas pelo foco principal - as áreas mais nítidas da fotografia.
O plano de foco principal é pouco profundo e inclui apenas as partes da
cena que estão à mesma distância da câmara. Quando foca, manual ou
automaticamente, objectos mais próximos ou mais afastados, o plano focal
move-se em concordância. Consoante o plano muda, os objectos a diferentes
distâncias da câmara podem ficar focados ou fora de foco. Nas câmaras
reflex, o plano de foco principal corresponde ao que normalmente aparece
mais nítido no visor ou coincide com a área de foco activa.

A
Aqui, o plano de foco
principal mudou da
águia (em cima) para a
rede (em baixo).

http://www.photocourse.com/itext/criticalfocus/
Clique para ver como a
focagem altera o plano
de foco principal.

Imagine a área da cena para onde definiu o foco (A) como um plano horizontal,
semelhante a um vidro, paralelo ao sensor da imagem. Os objectos que coincidam
com este plano imaginário estarão no foco principal e serão as áreas mais nítidas
da sua imagem. Este plano de foco principal tem muito pouca profundidade e inclui
apenas as áreas da cena localizada a uma distância idêntica da câmara.

Aqui o plano de foco


principal mudou das
flores no primeiro plano
(à esquerda) para a
torre (à direita).

120 Este livro tem o apoio da


Focagem – Áreas de Foco

Focagem – Áreas de Foco

As câmaras mais antigas e mais baratas, focam em qualquer área da cena


http://www.photocourse.com/itext/focuszone/
que esteja no centro do visor ou do monitor. Mas há câmaras que oferecem
mais do que uma área de foco (também chamada de zona de foco ou ponto de
Clique para ver como
as áreas de foco foco), normalmente indicadas no ecrã ou no visor através de rectângulos ou
funcionam. parêntesis rectos. Outros modelos têm uma área de foco que pode mudar para
qualquer ponto da cena. Ambas as abordagens facilitam a focagem em assuntos
descentrados. Se a câmara apresentar múltiplas áreas de focagem, normalmente
vai focar na do centro ou na zona da cena mais próxima da câmara que coincida
com uma das áreas. As áreas de focagem múltipla são especialmente úteis se a
câmara permitir seleccionar manualmente a que quer utilizar. Quando utiliza a
focagem manual, muitas câmaras acendem uma das áreas de foco quando foca a
parte da imagem que coincide com ela. É uma boa forma de saber a localização
do plano de foco principal.
Aqui, estão identificadas
tês áreas de foco, com
a utilizada para definir o
foco a verde. A câmara
normalmente escolhe
a área de foco que
coincide com a parte
da cena mais próxima,
mas pode seleccioná-la
manualmente.

Parece que quanto


mais cara é uma
câmara, mais áreas
de focagem temos por
onde escolher. As onze
apresentadas aqui, são
de uma reflex da Nikon.

Algumas câmaras
permitem mover a
área de foco pelo ecrã.
Pode também ser
possível fazer coincidir a
medição Pontual com a
área de focagem.

Este livro tem o apoio da 121


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Foco – Técnicas

As câmaras podem ter quatro tipos de foco – Foco Automático, Foco Manual, Foco
Fixo e selecção de modos de Cena.

Autofoco
O sistema de autofoco (AF) de uma câmara ajusta automaticamente o foco para que
a área central do visor, ou a área coberta pela área de foco activa, pareçam muito
nítidas. Quando prime o botão do obturador até meio e o foco se fixa pode acender-
se a luz verde do autofoco no ,ou perto do visor. A área utilizada para o foco pode
piscar ou mudar de cor e a câmara pode emitir um sinal sonoro.
Quando opta pelo autofoco, o plano de foco principal da imagem será o que estiver
coberto pela área de foco activa. A maior dificuldade do foco automático é fixar-
se no lado direito da cena. Se o assunto principal for muito pequeno ou estiver
descentrado, a câmara pode focar para o fundo. Se houver mais do que um item na
cena, o ponto de foco pode não ser o pretendido. Se a câmara tiver múltiplas áreas de
focagem, experimente seleccionar apenas a do centro para saber exactamente onde é
que a câmara está a focar.
Se tiver dificuldade em focar, certifique-se em primeiro lugar que não está
demasiado próximo do assunto, já que todas as objectivas têm uma distância de
focagem mínima. Depois, verifique se está no modo Macro está ou não activo e se é
isso que pretende (é fácil esquecer-se que essa opção está activa). O autofoco também
costuma ter dificuldades com:
• Cenas com pouco contraste.
• Quando o assunto que está na área de foco é mais luminoso que o resto da imagem.
• Quando um objecto está mal iluminado.
• Quando tanto os objectos próximos como os mais distante coincidem com a área de
foco.

Algumas câmaras
• Quando o assunto está em movimento.
mostram mais do
que uma área de
Se a câmara não conseguir focar, em alguns casos emite um sinal sonoro ou
foco no visor. Aqui, luminoso (luz a piscar). Se isso acontecer, use o foco Manual ou a função de bloqueio
estão indicadas cinco de mesmo.
áreas por parêntesis
rectos. Desta forma Uma vez que a focagem é tão importante, muitas câmaras têm várias opções de
pode seleccionar focagem, incluindo as seguinte:
manualmente qual a
área a utilizar para focar • AF Único. Foca apenas quando prime o botão do obturador até meio.
a câmara.
• AF Contínuo. Mantém sempre a câmara focada.
• Foco Servo. Normalmente, quando prime o botão do obturador até meio, o foco
fica bloqueado. Se o objecto se deslocar na direcção ou no sentido oposto da câmara
http://www.photocourse.com/itext/servofocus/
fica fora da área de foco principal. Se a sua câmara tiver o modo de foco Servo, um
Clique para explorar o assunto em movimento permanece focado desde que coincida com uma das áreas
efeito do modo de foco AF e o botão do obturador continue premido até meio. Este modo é óptimo para
Servo.
desportos e fotografia de natureza, ou qualquer situação que envolva fotografar
assuntos em movimento.
• Foco de Seguimento (Predictive). É uma extensão do modo Servo e encontra-
se em algumas câmaras reflex avançadas. Quando um assunto se move na direcção
ou para longe da câmara, numa proporção constante, ela prevê onde o motivo estará
quando o obturador abrir. Esta é opção ideal para fotografar eventos desportivos,
ou outras situações em que o assunto se desloque rapidamente, como quando uma
criança a correr na sua direcção.
122 Este livro tem o apoio da
Foco – Técnicas

• Auxiliar do Foco. As câmaras têm grandes dificuldades em focar em situações


de luz fraca. Por essa razão, algumas utilizam o flash ou uma luz auxiliar de
focagem. Isso permite iluminar a cena por instantes, mas apenas a uma curta
distância. Não obstante a sua utilidade, essa função auxiliar de focagem não é
indicada para quando pretende ser discreto, já que o denuncia projectando um
feixe luminoso sobre o assunto. Para evitar ser indiscreto ou perturbador, muitas
http://www.photocourse.com/itext/focuslock/
câmaras permitem desligar esse feixe luminoso.
Clique para explorar o • Bloqueador do Foco. Funciona de uma forma semelhante ao bloqueio da
bloqueio do foco.
exposição e permite-lhe alterar a posição do plano de foco principal. A maioria
das câmaras digitais tem um botão do obturador de duas posições. Quando
o prime até meio é definido o foco (e a exposição), sendo possível mantê-lo
bloqueado. Algumas câmaras emitem um sinal sonoro ou acendem uma luz
quando as leituras são fixadas.
1. Quando fotografar
um assunto
descentrado, coloque
a área de foco (neste
caso o centro do visor)
sobre o motivo e prima
o botão do obturador
até meio para bloquear
o foco.

2. Sem soltar o
botão do obturador,
componha a imagem da
forma que quer e prima
completamente o botão
para captá-la. Se isso
não tivesse sido feito
nesta imagem a câmara
teria focado a parede.

Este livro tem o apoio da 123


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Se não libertar o botão do obturador, pode depois recompor a imagem, enquanto


as definições permanecem inalteráveis. Isso permite-lhe focar em qualquer parte
da cena e controlar em simultâneo o foco e a profundidade de campo. Quando
utiliza o bloqueio da focagem, o foco fixa-se no assunto abrangido pela área
seleccionada. Algumas câmaras têm um botão AE Lock que pode premir para
bloquear o foco e a exposição separadamente. Primeiro pressione o botão do
obturador até meio para bloquear a exposição, depois prima o botão AE Lock
para a manter enquanto não capta a fotografia. Pode então libertar o botão do
obturador, reenquadrar a cena e premir novamente o obturador até meio para
bloquear apenas o foco.
Bracketing de focagem
Apesar de raras, algumas câmaras alternam o foco para o ajudar a conseguir
imagens mais nítidas. Captam uma imagem com as suas definições de foco e
outras duas: uma com o foco numa área à frente e outra com o foco atrás da
distância calculada.
Foco Manual
O foco Manual, pode ser encontrado nas reflex e em algumas câmaras de objectiva
fixa avançadas e permite-lhe focar rodando o anel da objectiva. Nos modelos de
apontar-e-disparar muitas vezes é necessário usar botões ou discos – um processo
no mínimo lento e pouco prático.
Foco Fixo
A definição de focagem mais simples, encontrada nas câmaras mais acessíveis, é o
foco fixo - por vezes chamado de foco-livre para finalidades de marketing. Algumas
câmaras baratas oferecem várias definições de foco fixo como Infinito, Retrato,
O ícone universal Grupo, entre outros. Estas definições, especialmente a Infinito, são tão úteis que
para o modo de foco
Paisagem/Infinito.
até as câmaras mais avançadas podem oferecê-las. Uma das suas vantagens é o
facto de a câmara não precisar de tempo para focar, uma vez que a distância está
predefinida. Isso permite fotografar mais facilmente.
Modos de Cena
Muitas câmaras de apontar-e-disparar, e até algumas reflex, têm um modo de cena
Paisagem que define o foco para a distância hiperfocal.

Quando foca, deve


também estar atento
à composição. Muitas
vezes esquecemo-nos
de verificar como é que
o assunto principal se
integra no fundo.

124 Este livro tem o apoio da


Profundidade de Campo

Profundidade de Campo

Quando analisa uma fotografias, facilmente se apercebe que há uma área


considerável da imagem que parece nítida. Apesar de, teoricamente, apenas um
único plano estar realmente focado, há partes da cena à frente e atrás desse plano
que parecem aceitavelmente nítidas. Essas partes em que tudo parece nítido
designam-se por profundidade de campo. As zonas da imagem fora da área da
profundidade de campo disponível tornam-se cada vez menos nítidas, consoante
estão mais afastadas do plano de foco principal. Eventualmente elas ficam tão
Uma abertura
pequena permitiu uma desfocadas que não se distinguem. Os pontos mais próximo e mais distante com
profundidade de campo uma nitidez aceitável, definem os planos de foco mais próximo e mais afastado.
suficiente para manter Estes limites normalmente não são visíveis como fronteiras definidas. E, também
as figuras do primeiro
plano e do fundo não é possível encontrar o plano de foco principal simplesmente observando
nítidas. uma fotografia, já que as áreas nítidas misturam-se imperceptivelmente com as
desfocadas. Normalmente a profundidade de campo não é dividida em partes
iguais pelo plano de foco principal. A uma distância de captura normal, cerca
Dicas
de um terço da profundidade de campo está à frente do plano de foco principal
• Para controlar a (mais próximo da câmara), e dois terços estão atrás dele (sempre a partir da
profundidade de
campo opte pelo câmara). Quando a câmara foca um objecto muito próximo, como na fotografia
modo de Prioridade de close-up, a profundidade de campo torna-se mais uniformemente dividida.
à Abertura e
seleccione uma Muitas vezes o mais importante não é exactamente o que foca, mas sim se as
abertura pequena áreas que quer nítidas ficam dentro da profundidade de campo disponível.
para maximizar a
profundidade de Quando pretende que grande parte da imagem fique nítida tem de aumentar a
campo, ou uma profundidade de campo e, quando preferir focar apenas alguns pormenores pode
grande para a diminui-la. Em algumas cenas pode aumentar ou diminuir a profundidade de
minimizar.
campo alterando o ponto de focagem ou a abertura do diafragma.
• Algumas reflex da
Canon têm um modo
A-DEP, que verifica a
distância das partes B A C
mais próximas e
mais afastadas da
cena cobertas pelas
áreas de foco, e
define a abertura
adequada para
que ambas fiquem
nítidas.

Os limites mais próximo e mais afastado da profundidade de campo estão


representados aqui como dois planos (B e C), paralelos ao plano do foco principal (A).

As reflex digitais adoptam a abertura máxima para que o visor fique mais
luminoso quando compõe a imagem. Quando prime o botão do obturador até
meio a abertura é alterada para a que será usada na exposição. Para verificar
a profundidade de campo algumas câmaras têm um botão de antevisão. Ao
Normalmente o
diafragma está premir este botão a abertura da objectiva é fechada para o número/f que
completamente aberto seleccionou, para que através do visor possa ter uma ideia do que ficará ou
para compor a imagem não nítido. No entanto, quando utiliza aberturas pequenas a imagem no visor
(em cima) e fecha
quando tira a fotografia é muito escura. Quando a abertura máxima é seleccionada, como acontece
(em baixo). frequentemente em ambientes com pouca luz, não verá diferenças.

Este livro tem o apoio da 125


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Círculos de Confusão

A profundidade de campo é o resultado da focagem de diferentes partes da


Dica imagem em diferentes pontos da câmara. Aqui mostramos como funciona.
Apesar da abertura • Os pontos de uma cena que são interceptados pelo plano de foco principal são
mais pequena
permitir a maior projectados como pontos no sensor.
profundidade de
campo, a abertura • A luz que forma estes pontos é em forma de cone, por isso qualquer ponto da
mais nítida é cena em frente ou atrás do plano focal são projectados no sensor como círculos -
normalmente um chamados círculos de confusão. Estes, aumentam de diâmetro consoante aumenta
ou dois números/f
maior. a sua distância ao plano de foco principal. As áreas em que os pontos nítidos se
expandem e passam a ser círculos fora de foco definem os planos de foco mais
próximo e mais afastado, entre os quais está a profundidade de campo disponível.

Quando é utilizada uma abertura grande (em cima), o cone de luz é mais largo e os
círculos de confusão rapidamente aumentam, tornando a profundidade de campo
limitada. As aberturas mais pequenas (em baixo) formam cones mais estreitos por
isso, os círculos não aumentam tanto e a profundidade de campo é maior.

126 Este livro tem o apoio da


Controlar a Profundidade de Campo

Controlar a Profundidade de Campo

A nitidez – ou a falta dela – é imediatamente evidente quando olhamos para uma


fotografia. Por exemplo, numa imagem captada num jardim, pode ter apenas uma
parte de uma flor focada ou a flor inteira incluindo as folhas à volta. A partir do
momento em que perceber como controlar a profundidade de campo, sentir-se-á
muito mais confiante quando quiser certificar-se que algo fica – ou não – nítido.

Aqui foi utilizada a Para controlar a profundidade de campo, tem de considerar três factores.
maior profundidade de
campo possível para • O diâmetro da abertura. Quanto mais pequena for a abertura, maior será a
manter tudo nítido, profundidade de campo; e quanto maior a abertura, menor ela será.
desde a parte da frente
do avião até ao plano • Distância da câmara ao assunto. Á medida que se afasta de um assunto
de fundo. para focá-lo, aumenta a profundidade de campo; e á medida que se aproxima,
diminui.
• Distância focal da objectiva. Utilizar uma objectiva grande-angular ou
afastar o assunto utilizando o zoom, aumenta a profundidade de campo; e utilizar
uma objectiva longa ou aproximar o assunto com o zoom, diminui-a.
Cada um destes três factores afecta por si só a profundidade de campo, mas o seu
efeito será maior se os combinar. Pode conseguir a menor profundidade de campo
com uma teleobjectiva, quando está próximo do assunto, utilizando a abertura
máxima; ou a maior profundidade de campo, quando está afastado do assunto,
com a objectiva definida para grande-angular, com a abertura mínima.

Esta foto da página


de um livro mostra o Profundidade Longa Curta
quão curta pode ser a de Campo
profundidade de campo
quando fotografa muito
próximo do assunto.

http://www.photocourse.com/itext/DOF/
Abertura
Clique para ver como
a abertura influencia a
profundidade de campo.

Distância da
câmara ao
assunto

Aqui, a profundidade
de campo da câmara
foi definida de forma
Distância
a manter apenas o focal
pássaro focado. As
partes da imagem
mais próximas e mais
afastadas da câmara
tornaram-se cada vez
menos focadas.

Este livro tem o apoio da 127


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Utilizar a profundidade de Campo Máxima

Muitas vezes precisa da maior profundidade de campo possível porque as


Dica partes importantes de uma cena que quer nítidas estão perto e longe da câmara.
Para conseguir A profundidade de campo máxima é particularmente importante para os
a abertura mais fotógrafos de paisagens e de outras cenas em que o horizonte distante faz parte
pequena possível
em determinada
da imagem. É também essencial com objectivas de distância focal longa e em
situação, utilize o close-ups e fotografia macro, onde a profundidade de campo é sempre reduzida.
modo de Prioridade Quando a cena se expande até uma grande distância, muitos fotógrafos focam
ao Obturador e
escolha a velocidade
irreflectidamente no ponto mais distante. Quando isso acontece, tudo o que esteja
mais baixa para além desse ponto ficará nítido. Mas, uma vez que um terço da profundidade
necessária para de campo está à frente do ponto de focagem e dois terços estão atrás dele,
captar uma imagem
nítida. A câmara
estará a desperdiçar dois terços da profundidade de campo. Como resultado,
depois selecciona algumas partes do primeiro plano da cena podem não estar incluídas no terço da
a abertura mais profundidade de campo que restou e, consequentemente, não estarão nítidas.
pequena possível.
Em vez de focar na parte mais distante da cena, foque um ponto que se encontre a
um terço da distância entre a câmara e essa área. Isso fará avançar o plano de foco
principal e o plano de foco mais próximo, aumentando a profundidade de campo
no primeiro plano da imagem. O plano de foco mais afastado também avança,
mas continua a incluir o ponto mais longínquo da cena. O novo ponto de focagem
Um ícone típico
designa-se por distância hiperfocal. Pode utilizar esta técnica não apenas para
do modo de foco paisagens, mas quando quer que a profundidade de campo inclua áreas próximas e
Paisagem/Infinito. Estes afastadas da câmara.
modos tiram partido da
distância hiperfocal para
que a cena fique nítida
desde o primeiro plano
até ao plano de fundo.

Quando foca a área


mais afastada da
cena (neste caso, as
montanhas), toda a
profundidade de campo
à direita do ponto de
foco é desperdiçada.
Como resultado, o
centro e o primeiro
plano não ficam
focados, porque não
estão incluídos na
profundidade de campo
disponível.

Ao definir o foco para


a distância hiperfoca a
área mais distante da
cena permanece nítida,
mas o plano de foco
mais próximo avança
no sentido da câmara. A
cena está integralmente
nítida.
Para aumentar a profundidade de campo pode:
• Fotografar com luz do sol forte para diminuir a abertura necessária.
• Utilizar a definição grande-angular da sua objective zoom ou afastar-se do
assunto.
• Definir o modo de Prioridade à Abertura e escolher uma abertura pequena,
como f/11, ou optar pelos modos de foco Paisagem ou Infinito.

128 Este livro tem o apoio da


Maximizar a profundidade de campo

Compreender a distância focal tem várias vantagens. Uma delas é poder


escolher a abertura que garanta a maior nitidez possível, enquanto mantém a
profundidade de campo desejada. As aberturas mais pequenas podem facultar
uma excelente profundidade de campo, mas também têm configurações que
suavizam a imagem. Para conseguir a imagem mais nítida possível, deve usar a
abertura maior que permita a profundidade de campo que quer.
Algumas objectivas grande-angular têm uma escala de distância focal que lhe
permite focar na distância hiperfocal. Quando o faz, a profundidade de campo
estende-se desde um ponto intermédio até ao infinito. Para paisagens, isso
permite-lhe obter a profundidade de campo mais profunda possível com a
abertura e a distância focal da objectiva que está a usar.
Aqui, o símbolo de
infinito da escala de
distâncias foi alinhado
com f/11 (a abertura
escolhida), no lado
direito da escala. No
lado esquerdo, lendo
os valores por cima de
f/11, verifica-se que
tudo a partir de 2,5 pés
(0,7 m) até ao infinito
está focado.
Para a fotografia de acção, pode recorrer a uma variante desta técnica, chamada
zona de focagem, para focar antecipadamente e definir a profundidade de campo
de forma a que uma gama específica fique sempre focada. Tudo o que aconteça
dentro dessa gama pode ser rapidamente captado sem ter de focar.
Aqui o valor de 6 pés
(2m) da escala de
distância foi alinhado
com f/11, no lado
direito da escala. Do
lado esquerdo, lendo o
valor por cima de f/11,
verifica-se que tudo a
partir de cerca de 1,75
pés (0,6 m) até 6 pés
(2 m) está focado.

As marcas de
profundidade de campo
de uma objectiva Leica.

Este livro tem o apoio da 129


Capítulo 4. Controlar a Nitidez

Utilizar uma Profundidade de Campo Curta

Uma profundidade de campo limitada, por vezes referida como foco selectivo, é
http://www.photocourse.com/itext/selectfocus/
ideal para isolar um assunto de um primeiro plano ou fundo confuso. Quando
Clique par explorar o
a imagem tem uma nitidez constante, o observador presta a mesma atenção
foco selectivo. a todas as partes da foto. Mas, se algumas partes estiverem focadas e outras
não, o olhar do observador é conduzido para a área mais nítida. Pode focar
selectivamente a câmara e atrair a atenção do observador para determinada
parte da cena, limitando a profundidade de campo. Para isso deve focar apenas o
ponto principal e deixar o primeiro plano e o fundo fora dos planos de foco mais
próximo e mais afastado – ou seja, desfocados.
Apenas a bola de
pastilha elástica está
nítida, o primeiro plano
e o fundo não.

Aqui, a atenção é
direccionada para a
lagarta da borbotela-
monarca que está
nítida. O rosto da
criança está desfocado
e menos distractivo,
mas suficientemente
nítido para vermos a
expressão.

Dica
As câmaras de
apontar-e-disparar
têm uma grande
profundidade de Para diminuir a profundidade de campo pode tentar:
campo, por isso
terá mesmo de • Fotografar com pouca luz para aumentar a abertura.
adoptar os limites
para obter o efeito • Utilizar uma objectiva longa ou aproximar o assunto com o zoom.
do foco selectivo.
Aproxime—se, faça • Aproximar-se do assunto.
zoom in e escolha
uma abertura • Optar pelo modo de Prioridade à Abertura e seleccionar uma abertura grande,
grande.
como f/4.

130 Este livro tem o apoio da


Captar a Expressão do Movimento

Captar a Expressão do Movimento

A utilização criativa do desfoco pode originar fotografias muito interessantes


– especialmente quando capta a expressão do movimento. A velocidade do
obturador pode ser utilizada para desfocar a imagem na íntegra ou apenas
objectos que se deslocam a alguma velocidade. Por vezes, pode não fazê-lo
deliberadamente, mas acaba por tirar benefícios de um acidente feliz. De dia,
ou de noite, todos os assuntos em movimento são sérios candidatos ao desfoco
criativo. A única limitação é conseguir utilizar uma velocidade do obturador
suficientemente lenta com luz intensa.
Uma forma de usar o desfoco criativamente é fazendo com que a câmara se
desloque na mesma direcção de um assunto em movimento (panning). Assim
pode criar uma imagem com o assunto relativamente nítido contra um fundo
A técnica de panning desfocado ou arrastado. Para dominar a técnica deve seguir o assunto com a
permitiu arrastar o câmara num movimento suave e controlado, depois carregar no obturador
fundo e criar uma cuidadosamente ao mesmo tempo que mantém o assunto na mesma posição no
imagem impressionista
desta coruja. visor. Esta técnica exige prática, por isso tire todas as imagens que conseguir.
Os resultados são um pouco imprevisíveis, porque o movimento do seu corpo
Aqui, uma velocidade funciona como outra variável que influencia o resultado final.
de obturação rápida
permitiu congelar tudo,
excepto a bola.

Aqui, uma velocidade


do obturador rápida
foi suficientemente
lenta para desfocar as
pessoas em movimento
e manter o resto da
imagem focada.

Para captar o movimento pode tentar:


• Desfocar as imagens em condições de luz escassa. Com luz forte, o obturador
vai abrir e fechar demasiado rapidamente.
• Optar pelo modo de Prioridade ao Obturador e escolher uma velocidade lenta.
• Em algumas situações, pode preferir desligar o flash e tentar desfocar assuntos
próximos.
• Utilizar um filtro de densidade neutra para conseguir uma velocidade do
obturador mais lenta.
Este livro tem o apoio da 131
Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Capítulo 5
Captar Luz e Cor

O
s sensores de imagem das câmaras digitais estão projectados para
produzir cores que correspondam às cores da cena original. No
entanto, existe um grande leque de variações entre sensores e entre
os circuitos e os programas que processam as imagens cruas até
fotografias finais. Os resultados obtidos dependem, em parte, da exactidão
com que a imagem é exposta e da correspondência entre o balanço de brancos
do sensor e a tonalidade da cor que ilumina o sujeito. Mas as diferenças de
resultados podem ser ainda mais subtis.
Com câmaras de filme, os fotógrafos exploravam uma grande variedade de
filmes, antes de escolherem aqueles que mais lhes agradavam. Isto porque cada
tipo de filme tem características únicas. Em alguns o grão é muito pequeno,
noutros é maior. Um determinado filme pode reproduzir cores mais quentes que
outros, ou ligeiramente mais frias. Estas variações subtis entre filmes são muito
ligeiras, mas mesmo assim perceptíveis, e com o tempo os fotógrafos tendiam
para o uso de um único filme. O “filme” em forma de sensor de imagem, está
integrado no corpo da câmara. Quaisquer que sejam as suas características, serão
aquelas com que vai ter que lidar até adquirir uma câmara nova.
Neste capítulo, exploraremos o mundo da cor e a forma de a gerir nas suas
imagens.

132 Este livro tem o apoio da


De Onde Vem a Cor?

De Onde Vem a Cor?

Porque é que vemos cores? A luz do sol ou de uma lâmpada parece não ter
http://www.photocourse.com/itext/color/
uma cor particular. Parece ser apenas luz “branca”. No entanto, se passarmos
a luz por um prisma, é possível vermos que ela na realidade contém todas
as cores, o mesmo efeito que ocorre quando gotículas de água na atmosfera
transformam a luz num arco-íris. Um objecto colorido, tal como uma folha
parece ser verde porque quando é atingido pela luz, reflecte apenas os
comprimentos de onda de luz verde, absorvendo todos os outros. Um objecto
branco, tal como um bem-me-quer, reflecte a maioria dos comprimentos de
onda que o atingem, absorvendo apenas alguns. Um objecto preto absorve a
maioria das cores, e reflecte apenas algumas. Tintas, corantes ou pigmentos
em impressões a cores também absorvem e reflectem selectivamente certos
comprimentos de onda de luz, produzindo assim o efeito de cor
Apesar da luz do Sol
parecer incolor ou
“branca”, ela contém
realmente uma escala
de cores semelhante
ao arco-íris. É possível
ver estas cores, com
recurso a um prisma.

Os objectos brancos
reflectem a maioria dos
comprimentos de onda,
da luz que os ilumina.
Quando todos esses
comprimentos de onda
são combinados, nós
vemos branco. Por outro
lado, quanto todos eles
são absorvidos, vemos
preto.

Um objecto verde,
como uma folha,
reflecte apenas os
comprimentos de onda
que criam o efeito visual
do verde. As outras
cores presentes na luz
são absorvidas pela
folha.

Este livro tem o apoio da 133


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Balanço de Brancos

Apesar de a luz do Sol, ou de uma lâmpada parecer ser branca, ela realmente
http://www.photocourse.com/itext/whitebalance/
contém uma mistura de todas as cores, sendo que as suas proporções
afectam a cor da cena que é iluminada. Normalmente não conseguimos ver
Clique para explorar de
que maneira o balanço as diferenças, porque os nossos cérebros as compensam automaticamente.
de brancos afecta a No entanto, há situações em que o efeito é tão intenso, que não podemos
forma como as imagens deixar de o notar. Por exemplo, quando o nascer ou o pôr-do-Sol projectam
são capturadas.
um brilho quente e avermelhado sobre tudo aquilo que iluminam. A cor da
luz com a qual fotografamos é especificada pela sua temperatura em graus
Kelvin, assim como a temperatura ambiente é especificada em graus Celsius.

Temperatura Tipo de
de cor iluminação

Céu limpo e neve

Sombra
A luz fluorescente tem
várias temperaturas de
cor, dependendo do tipo
de lâmpadas. Algumas Céu nublado
são equilibradas para a
luz de dia.

Flash electrónico

Luz de dia média

A luz “branca” contém,


na realidade, luz de
cores diferentes. A
projecção geral das
cores muda consoante
as mudanças das suas
proporções. À medida
que a temperatura
de cor aumenta,
passa pelas cores
vermelho, laranja,
amarelo, branco, e
branco azulado, por
essa ordem. Para o
visualizar, imagine um
ferreiro a aquecer uma Nascer e
barra de ferro. Primeiro pôr-do-sol
fica vermelha, depois,
à medida que a sua
temperatura aumenta,
torna-se branca e Lâmpada
depois azulada. A doméstica de
luz de dia contém 100 watt
proporcionalmente mais
radiações do extremo Luz de vela
azul do espectro. A luz
incandescente contém
mais radiações do
extremo vermelho.

134 Este livro tem o apoio da


Balanço de Brancos

O brilho quente que ilumina uma cena durante o pôr ou o nascer do Sol é
Dicas geralmente bem-vindo, e até mesmo procurado pelos fotógrafos. No entanto,
• Se gosta do brilho as dominantes de cor introduzidas por outras fontes de luz são geralmente
quente das luzes
incandescentes, pode
inconvenientes, porque as cores das fotografias não se assemelham àquelas que
captá-lo, mudando o nos lembramos. Para eliminar as dominantes de cor e capturar imagens com
balanço de brancos cores que parecem ter sido captadas ao meio-dia, é usado o sistema de balanço
para Daylight.
de brancos da câmara. Este sistema ajusta as imagens para que as cores sejam
• A temperatura de captadas da maneira que as vemos, independentemente da fonte de luz. Por
cor da maioria das
lâmpadas muda
exemplo, o parâmetro para luz fluorescente compensa a luz esverdeada das
com a passagem do lâmpadas fluorescentes e o parâmetro para luz de tungsténio compensa a cor
tempo, e à medida mais quente e avermelhada das lâmpadas de tunsténio.
que aquecem.
Assegure‑se que Muitas câmaras digitais oferecem vários parâmetros de balanço de brancos, a
verifica o balanço
de brancos
maior parte deles para situações de iluminação específicas.
periodicamente
durante uma sessão
• Automático (geralmente usado por defeito). Funciona numa grande
mais longa. variedade de condições de iluminação.
• Daylight (luz de dia). É usado para fotografar em exteriores, com luz
do Sol. Quando fotografa em interiores, se gosta do brilho quente das luzes
incandescentes, pode captá-lo com este parâmetro.
• Cloudy (nublado). É usado para fotografar em exteriores com céu com
nuvens, ou totalmente encoberto.
• Incandescent ou tungsten (incandescente ou tungsténio). É usado
para fotografar em interiores, sob iluminação incandescente.
• Fluorescent. É usado para fotografar em interiores, sob lâmpadas
fluorescentes.
• Flash. É usado para fotografar com o flash. Como o a luz do flash é
equilibrada para luz de dia, também é ideal para eliminar dominantes de cor de
certas situações de iluminação
• Color temperature (temperatura de cor). Permite usar um parâmetro
específico da escala de Kelvin. Num estúdio, onde conhece a temperatura de
Ícones típicos de cor das luzes, é possível ajustar a câmara para que a sua temperatura de cor
balanço de brancos corresponda exactamente à das luzes. Noutros parâmetros é possível usar um
(no sentido dos colorímetro para determinar o valor da temperatura a usar.
ponteiros do relógio,
a partir de cima): • Manual. Permite ajustar manualmente o balanço de brancos, ao apontar a
Auto (AWB), manual,
flash, fluorescente, câmara para uma folha de papel branco ou um cartão cinzento.
tungsténio, nublado,
sombra e luz de dia. À medida que altera o balanço de brancos, pode verificar os resultados no
monitor, durante a sessão, se a sua câmara permite usá-lo para compor imagens,
ou no modo de reprodução, depois de capturar a imagem. Se examinar as
imagens com cuidado, é possível verificar que algumas áreas brancas têm alguma
dominante de cor. (Pode ampliar a imagem para ver melhor os detalhes).
Se as suas imagens tiverem uma dominante de cor, é normalmente fácil eliminá-
la em alguns programas de edição de imagem. Por exemplo, no Lightroom, basta
clicar numa área de cor neutra com o selector de balanço de brancos.
O selector de balanço de
brancos do Lightroom.

Este livro tem o apoio da 135


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Os ajustes de balanços
de brancos da câmara
podem afectar em larga
escala as cores obtidas.
Aqui, o mesmo objecto
foi fotografado com
dois ajustes diferentes
– daylight, ou luz de dia
(em cima, à esquerda),
que proporciona tons
mais quentes, e auto ou
tungsténio (em baixo,
à direita), que reproduz
as cores de uma forma
mais realista.

Estas duas fotografias


foram tiradas com a
mesma iluminação, mas
com câmaras diferentes.
Tanto o cinzento do
fundo, como o amarelo,
são significativamente
diferentes

Uma maneira de
assegurar a obtenção
de cores perfeitas
numa fotografia, é
através do uso de um
colorímetro, que mede
a temperatura de cor
exacta para cada cena.

136 Este livro tem o apoio da


Balanço de Brancos

Idealmente, todas as fontes de luz deveriam ter a mesma temperatura de cor,


para que o sistema de balanço de brancos da câmara pudesse captar as cores de
uma forma perfeita. Isso é o que se passa num estúdio. No entanto, a situação
mais comum é uma cena ser iluminada por várias fontes de luz diferentes. Por
exemplo, em interiores, é habitual termos luz ambiente vinda de uma janela e luz
directa de lâmpadas de tungsténio ou fluorescentes. Em exteriores, um objecto
pode ser iluminado de um lado pela luz do sol, e do outro pela luz reflectida por
uma parede colorida.
Quando é escolhido um balanço de brancos específico, este só está preparado
para equilibrar a cor de um dos tipos de luz que iluminam uma cena. As outras
fontes de luz causarão dominantes de cor, especialmente em áreas de sombra, ou
partes do objecto mais afastadas da fonte de luz mais clara, para a qual o balanço
As luzes de tungsténio de brancos da câmara está ajustado. Por exemplo, se a luz reflectida do céu azul
criam um poço de está a iluminar áreas de sombra, estas áreas terão uma tonalidade azulada. Em
luz, que o balanço de
brancos é capaz de
conjunto com a selecção de um ajuste de balanço de brancos, algumas câmaras
captar com exactidão. oferecem alternativas para assegurar que se captam as cores desejadas.
No entanto, a luz que
entra pelas janelas vai • O bracketing de balanço de brancos permite tirar uma fotografia,
fazer com que as áreas que depois é processada com uma série de ajustes de balanços de brancos.
de sombra tenham uma
dominante de cor azul.
Pelo menos uma das imagens tem o ajuste especificado, e as outras são mais
avermelhadas ou mais azuladas.
• O comando de ajuste rigoroso permite ajustar manualmente o balanço de
brancos para tornar as cores mais quentes ou frias
• A saturação controla a intensidade da cor de uma imagem. Algumas câmaras
permitem aumentar ou diminuir a saturação.
• O modo RAW não usa um balanço de brancos específico, excepto para as pré-
visualizações ou miniaturas. O balanço de brancos desejado é seleccionado mais
tarde, quando a imagem é editada no computador. Esta situação é ideal, visto
que torna possível mudar o balanço de brancos, ao mesmo tempo de se observa a
imagem, e todos os efeitos de cada alteração. Se o resultado não for satisfatório, é
possível experimentar outros ajustes.
• O uso do flash é uma maneira de eliminar dominantes de cor, porque ele tem
a mesma temperatura de cor, que a luz de dia.

Uma forma de eliminar


problemas de balanço
de brancos é usar o
flash, já que este tem a
mesma temperatura de
cor do que a luz de dia.

Com recurso a um
programa como o
Lightroom, é possível
determinar o balanço
de brancos de uma
imagem RAW, depois
de esta ter sido
fotografada.

Este livro tem o apoio da 137


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

O Balanço de Brancos e a Hora do Dia

Em fotografia, existe uma expressão que designa um tipo de luz – “daylight” ou


“luz de dia”. No entanto, durante o curso do dia, a luz varia de uma tonalidade
quente e avermelhada ao nascer do sol, para um azul frio ao meio-dia, e depois
volta aos tons quentes ao pôr-do-sol. Quando falamos genericamente da
temperatura de cor da luz de dia, falamos da luz do sol entre as 10 e as 14 horas
num dia de céu limpo. Durante essas horas, as cores são captadas pela câmara de
forma precisa e têm uma aparência clara e brilhante.
Antes de depois do meio do dia, a luz do sol é modificada pela distância adicional
que percorre através da atmosfera da Terra. Alguma da radiação azul é filtrada,
fazendo com que a luz tenha um tom mais avermelhado, do ao meio-dia. Este
fenómeno é facilmente visível de madrugada, ou ao final da tarde, quando
a luz tem um tom muito vermelho-alaranjado. A alteração da cor irá afectar
fortemente as fotografias, mas esta dominante vermelha é uma iluminação
maravilhosa para as suas imagens.
Nos momentos
que antecedem a
madrugada, e durante
o crepúsculo, as cores
parecem veladas e
monocromáticas.
Durante estas horas,
enquanto a luz é
relativamente fraca,
é habitual o uso de
tempos de exposição
muito longos.

A luz do meio-dia de
um dia de sol, produz
cores naturais, que
são reproduzidas com
exactidão.

A luz do início da manhã


e do final da tarde
produz um balanço de
cor mais avermelhado
do que a do meio-dia.

138 Este livro tem o apoio da


Nascer e Pôr-do-Sol

Nascer e Pôr-do-Sol

O nascer e o pôr-do-sol são relativamente fáceis de fotografar porque a exposição


não é tão crítica como em outro tipo de cenas. Se a imagem for ligeiramente
subexposta, as cores serão um pouco mais escuras e ricas. Uma ligeira
sobreexposição fará com que a mesma cena seja apenas um pouco mais clara.
Quando o sol nasce,
costuma ter uma
aparência plana.
Quando é parcialmente
suavizado pela neblina
matinal, o seu brilho
quente e avermelhado
ilumina o primeiro plano
da imagem.

O nascer e o pôr-do-sol,
são pouco interessante
por si só. São os
objectos em primeiro
plano, tais como a linha
do horizonte, ou efeitos
atmosféricos pouco
comuns, tais como esta As cores do céu são mais ricas na meia hora que antecede o nascer do sol e
nuvem negra, que lhes na meia hora depois do crepúsculo. Ser paciente compensa, quando observa
dão algum ímpeto.
as mudanças do céu durante esses períodos. Pelo menos, o facto de o sol se
encontrar abaixo do horizonte, reduz bastante os problemas de exposição.
Por outro lado, é comum algumas nuvens se iluminarem, reflectindo a luz
Aviso! para outras nuvens, criando uma fantástica abóbada de cor reflectida.
Nunca olhe directa-
mente para a luz do
sol através do visor
da câmara. Pode
danificar seriamente
os seus olhos.

Com a inclusão do
disco solar na fotografia
de um nascer ou
pôr-do-sol, os seus
elementos chave podem
ficar subexpostos e
mais escuros do que
o esperado. Para
resolver este problema,
aumenta-se a exposição
em um ou dois valores.

Este livro tem o apoio da 139


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Cada nascer e pôr-do-sol é único e as variações podem ser realmente


surpreendentes. Não é de todo verdade, que se já viu um nascer ou pôr-do-sol, é
como se já os tivesse visto todos. Se pretender ter o sol dentro do enquadramento
da fotografia, é preferível, que este esteja suavizado por uma bruma ou neblina.
Se o sol se apresentar como uma bola amarela, encontre outro objecto para
fotografar, ou vire-se para o lado inverso e fotografe a cena que o sol está a
Aqui, a câmara foi iluminar. É tentador tirar todas as fotografias ao nascer ou ao pôr-do-sol, mas
posicionada de forma muitas vezes compensa, virar-se para o lado oposto. A luz quente e rica, altera
a que o sol nascente
ficasse por trás de um
as cores de tudo aquilo que ilumina. Estes são momentos mágicos para se tirar
dos elevadores, para fotografias que realmente se destacam das outras. As cores captadas nesse brilho
que a imagem não quente e suave não podem ser encontradas em nenhuma outra altura do dia.
ficasse queimada pelo
seu brilho ofuscante.
Quando planear integrar o sol ou a lua numa imagem, é útil saber o horário da
aurora e do crepúsculo, bem como a fase da lua. Esta informação está disponível
em qualquer almanaque, e em páginas Web de meteorologia.

Uma objectiva com uma


distância focal mais
longa, amplia o disco
solar, fazendo com que
este se torne uma parte
mais importante da
fotografia. Os objectos
do primeiro plano,
que aparecem como
silhuetas contra o céu,
adicionam interesse à
imagem.

Em vez de apontar
a câmara para o sol,
fotografe com o sol
nas suas costas, para
capturar as cores
quentes das cenas
banhadas pela sua luz.

140 Este livro tem o apoio da


Condições Meteorológicas

Condições Meteorológicas

Não existe necessidade de deixar a câmara em casa só porque o sol não


apareceu. De facto, a chuva, a neve, o nevoeiro ou a neblina podem adicionar
interesse às suas fotografias. Com este tempo, os objectos distantes aparecem
normalmente difusos e acinzentados, e os objectos do primeiro plano mais
claros do que o habitual, porque são vistos contra um fundo adulterado.
Lembre-se de ser um pouco mais cuidadoso, quando está mau tempo,
evitando a exposição excessiva da sua câmara à humidade.
As cenas cobertas
de neve, não só são
agradáveis à vista,
como fazem óptimas
fotografias.

Uma das características


que tornam as câmaras
reflex mais caras, é a
vedação contra o pó
e a água. Cortesia da
Pentax Imaging.

Uma ligeira névoa


suaviza as cores e os
objectos no plano de
fundo da imagem.

Uma névoa muito ligeira


pode enfraquecer a
luz do sol, o suficiente
para o incluir no
enquadramento da Os arco-íris proporcionam sempre boas fotografias, O problema está no
fotografia. Se não
estivesse parcialmente facto de nunca os encontrar onde e quando são desejados. Para melhorar as
escondido pelo oportunidades de captar um arco-íris convém saber como se formam, para
nevoeiro, apareceria poder antecipá-los. Os arco-íris aparecem quando a luz do sol é reflectida
como um ponto branco
contra um plano de por gotas de chuva. É comum encontrar a combinação de sol e chuva, nos
fundo muito escuro. momentos imediatamente antes ou depois de uma tempestade de Verão.
Este livro tem o apoio da 141
Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Não é possível ver arco-íris a toda a hora. Para o compreender, observe a


Cuidar da forma como a formação de arco-íris funciona.
Câmara
Com o frio, o
monitor da câmara
pode demorar mais
tempo a ligar, ou as
cores podem mudar
subitamente. As
baterias também
se gastam muito
mais depressa.
Para prevenir
estes problemas,
mantenha a câmara
por baixo do casaco.

Se estiver de costas para o sol, enquanto observa um arco-íris, imagine uma


linha que passa pelo sol, através do seu olho e da Terra, em direcção ao espaço
(chama-se a isto o ponto anti-solar). O arco-íris forma um círculo completo à volta
desta linha imaginária, no entanto, a partir da linha do solo, parte do arco-íris está
sempre abaixo do horizonte. Uma linha tirada do nível dos olhos até ao topo do
arco-íris, forma um ângulo de 42º com a linha imaginária que parte do sol, e passa
pelo seu olho. (Se existir um arco-íris secundário, este forma um ângulo de 51º).
Como estes ângulos determinam a posição do arco-íris no céu, este descerá quando
o sol sobre e vice-versa. Em alguns pontos, todo o arco-íris, e não apenas a sua
metade inferior estarão abaixo da linha do horizonte. É por isso que não existem
arco-íris durante o meio-dia, no Verão.

Um arco-íris faz uma


aparição dramática
numa paisagem
marítima de New
Engand.

142 Este livro tem o apoio da


Fotografar à Noite

Fotografar à Noite

É possível fotografar inúmeras cenas à noite, em exteriores, por isso não pouse
Dicas a sua câmara só porque o sol já se pôs. Fontes de luz (candeeiros de rua, faróis
À noite, desligue o de carros, letreiros de néon) ou áreas muito iluminadas (edifícios iluminados
flash, a não ser que
pretenda iluminar
ou áreas por baixo de candeeiros de rua) dominarão as fotografias nocturnas,
objectos que se porque se destacam contra os planos de fundo escuros. Componha as suas
encontrem perto de cenas de maneira a que estas áreas mais claras sejam uma parte dominante
si. Mantê-lo ligado
pode estragar a sua
da fotografia. O uso de um tripé para suportar a câmara durante as exposições
fotografia. longas, previne que a fotografia fique tremida devido a qualquer movimento da
câmara, que ocorra enquanto o obturador está aberto.
As cidades estão cheias
de luzes que podem ser
usadas para iluminar
cenas nocturnas,

Algumas câmaras têm


um botão para iluminar
o painel de controlo à
noite.

Muitas câmaras possuem um modo de retrato nocturno, que usa o flash para
iluminar um objecto em primeiro plano contra um céu ou horizonte nocturnos.
Muitas câmaras têm O modo de paisagem nocturna, também é usado para fotografar de noite, mas
modos de paisagem ou não dispara o flash.
retrato nocturnos.
Para captar imagens interessantes de fogo-de-artifício, coloque pessoas ou
água em primeiro plano. Os objectos identificáveis numa imagem, tais como
um edifício ou monumento iluminados ajudam a dar à pessoa que olha para a
fotografia, uma noção de espaço. Fotografe contra o vento, porque o fogo-de-
artifício produz muito fumo, o que constitui um problema, se estiver a favor
do vento. Tente fotografar uma série de imagens de explosões diferentes, para
aumentar as probabilidades de obter uma boa imagem. Também pode usar
o flash em modo de sincronização lenta, para iluminar as figuras do primeiro
plano. Prepare a exposição para o fogo-de-artifício, seleccionando o modo de
prioridade à abertura ou ao obturador, e use valores de exposição de f/2.8,
a 1/30. Também pode tentar aumentar a sensibilidade, usar a compensação
da exposição, e várias combinações de aberturas de diafragma e tempos de
obturação, para além daquelas que são aqui mencionadas.
O fogo-de-artifício pode
ser dramático, mas É habitual usar exposições longas à noite, e, para isso algumas câmaras têm a
difícil de capturar. É opção bulb, no modo de exposição manual. Nesta opção, o obturador mantém-
necessário experimentar
muito, e as câmaras se aberto enquanto estiver a carregar no botão. Esta é uma óptima forma de
digitais são ideais para capturar trilhos de luz, mas de o obturador estiver aberto mais do que 1 segundo,
estas situações porque pode aparecer ruído na fotografia, na forma de píxeis brilhantes e coloridos,
permitem a visualização
dos resultados dispostos de forma aleatória. Para reduzir o ruído em tempos de obturação mais
instantaneamente. longos, use a redução de ruído da câmara.
Este livro tem o apoio da 143
Capítulo 5. Captar Luz e Cor

A lua, especialmente quando está cheia, dá mais interesse a uma imagem. A


melhor altura para capturar a lua é quando está próxima do horizonte. Como
está perto dos objectos do primeiro plano, parece muito maior, do que quando
Um típico ícone Bulb.
se encontra mais alta. Lembre-se que a luz da luz é relativamente fraca e
normalmente requer exposições longas.
Como a lua se move em relação à Terra, exposições muito longas podem na
realidade turvar a sua imagem, dando-lhe uma forma oblonga. Para reduzir as
probabilidades de isto acontecer, fotografe imediatamente antes do nascer do
sol, ou depois do crepúsculo, quando ainda existe alguma luz solar na atmosfera.
Exposições longas em
noites iluminadas pelo
luar podem ser muito
atractivas. Lembre-se
apenas que a Lua, na
realidade se move, e
que exposições mais
longas que 1 minuto
podem fazer com que a
Lua pareça alongada.

A luz das velas


proporciona um brilho
quente a tudo aquilo
que ilumina.

O navio U.S.
Constitution atracado
no Porto de Marblehead,
iluminado por
projectores.

Há um momento ao nascer e ao
pôr-do-sol, em que existe luz
suficiente no céu fazendo que este
seja do mesmo valor tonal que o
primeiro plano.
Esta fotografia de Chicago foi tirada da janela
de um avião, logo após o pôr-do-sol. Alguns
O ruído aparece numa minutos mais tarde, a cena seria demasiado
fotografia, como grão escura para fotografar sem o aparecimento de
ou píxeis aleatórios arrastos, decorrentes de tempos de exposição
multicoloridos. muito longos.

144 Este livro tem o apoio da


A Direcção da Luz

A Direcção da Luz

A direcção da luz, relativamente à posição da câmara é muito importante


porque afecta as sombras presentes na fotografia. Quatro tipos principais de
iluminação serão aqui abordados: luz de lado, de frente, de cima, e contraluz.
Repare na posição das sombras nestas fotografias e forma como elas afectam
os objectos.
A direcção da luz também pode afectar a sua exposição automática. A
contraluz, por exemplo, pode fazer com que o objecto apareça em forma de
silhueta, contra um fundo tão claro, que o sistema de exposição automático
vai assumir que o objecto é muito mais claro do que na realidade, e por isso,
subexpor a cena e tornar o objecto ainda mais escuro. Esta situação é óptima
se pretende obter uma silhueta. Se não, é necessário usar a compensação de
exposição ou o flash para iluminar o primeiro plano da imagem.

A luz vinda de um
dos lados da imagem,
aumenta a sensação
de textura e volume,
porque este tipo de
iluminação produz
sombras visíveis, que
enfatizam os detalhes
das superfícies. Os
fotógrafos de paisagem
costumam preferir
trabalhar ao início da
manhã, ou ao final da
tarde, porque o sol se
encontra mais baixo e
pode iluminar de lado as
cenas, proporcionando
texturas interessantes
às superfícies.

A luz de frente diminui


as sombras visíveis
numa imagem,
minimizando os
detalhes das superfícies,
assim como a textura
da pele. Também tende
a minimizar o aspecto
redondo ou o volume
dos objectos.

Este livro tem o apoio da 145


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

A contraluz faz com


que a face dos objectos
que está virada para
a câmara esteja à
sombra. A exposição
automática costuma
escurecer as cenas em
contraluz. É possível
usar este efeito de
forma criativa, ou
aumentar o valor da
exposição para iluminar
a figura, especialmente
as partes que se
encontram à sombra.

A iluminação vinda
de cima ocorre no
exterior, ao meio-dia,
e no interior, quando
a iluminação de
tecto predomina. Se
fotografar uma pessoa
nestas condições, vai
reparar que este tipo
de iluminação projecta
sombras por baixo dos
olhos, do nariz e do
queixo. Para evitar esta
situação pode tentar
levar o modelo para a
sombra. A iluminação
de topo pode iluminar
selectivamente os
objectos, tais como a
bandeira no bolso deste
indivíduo, que estaria
à sombra, com uma
luz vinda de um ângulo
inferior.

146 Este livro tem o apoio da


A Qualidade da Luz

A Qualidade da Luz

A direcção ou a intensidade não são as únicas características da luz. Esta pode


http://www.photocourse.com/itext/lightquality/
também ser directa ou difusa. A luz directa, vinda principalmente de uma única
Clique para explorar
direcção, produz contrastes relativamente altos entre as altas luzes e as sombras.
o efeito da luz dura e A luz difusa é reflectida para o objecto, vinda de múltiplas direcções, diminuindo
suave. o contraste. Por sua vez, o contraste afecta o brilho das cores, a representação das
texturas e detalhes e outras características visuais.
Numa situação de luz directa, é possível que seja a obrigado a escolher entre
a correcta representação das altas luzes ou das sombras, visto que os sensores
de imagem conseguem captar com exactidão apenas uma escala de contraste
limitada. Se esta situação constituir um problema, porque ambas as áreas são
importantes, é possível resolvê-la com o uso de flash de enchimento ou de um
reflector que iluminem as sombras, diminuindo assim o contraste, ou ajustando
o parâmetro de contraste da câmara. Com a luz difusa, as cores são mais suaves,
bem como as texturas, porque os contornos das sombras são indistintos.
A luz directa vem de
fontes de luz pontuais,
tal como o sol, num
dia claro. Este tipo de
luz produz sombras
escuras, de contornos
bem definidos, que
delineiam os detalhes
de uma forma mais
nítida. Nesta imagem,
as luzes e sombras
quase criam uma
abstracção.

A luz difusa vem de


uma fonte de luz de
dimensões superiores
relativamente às do
objecto, e ilumina-
o a partir de várias
direcções. Num dia de
nevoeiro ou encoberto,
a iluminação vem de
toda a cúpula do céu,
e não directamente do
sol, que é mais claro,
mas mais pequeno.
Em interiores, a luz
reflectida por uma
sombrinha reflectora,
numa parede ou no
tecto, cria uma fonte
de luz abrangente que
envolve os objectos.

Este livro tem o apoio da 147


Capítulo 5. Captar Luz e Cor

Num dia de nevoeiro


ou neblina, os objectos
do primeiro plano,
tendem a destacar-
se nitidamente de um
fundo parcialmente
ocultado pela luz
reflectida pela
atmosfera. É possível
enfatizar este efeito,
aumentando um pouco
a exposição, em relação
ao valor recomendado
pelo sistema de auto-
exposição da câmara.

Quando o céu está


encoberto, mas ainda
assim, bastante claro,
os interiores são
inundados por uma luz
suave e uniforme.

148 Este livro tem o apoio da


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Capítulo 6
Compreender as Objectivas

M
uitas câmaras digitais vêm equipadas com uma objectiva zoom
para que possa aproximar (zoom in) ou afastar (zoom out) um
assunto e abordar as oportunidades fotográficas de diversas
formas. Aproximar um motivo com o zoom permite-lhe captar
planos fechados (close-up) de um retrato, ou a acção à distância em eventos
desportivos. Ao afastar um motivo com o zoom pode captar vista abrangentes
(grande-angular) de um grupo, de um espaço interior, ou uma paisagem
extensa. A capacidade de mudar o seu ângulo de visão quando enquadra
a imagem é um dos seus controlos criativos mais poderosos. Nas câmaras
reflex digitais e telemétricas, pode utilizar uma objectiva zoom, mas também
há muitas objectivas de distância focal fixa disponíveis, algumas das quais se
destinam a situações específicas, como a fotografia de close-up.
As objectivas modernas foram concebidas em computadores, revestidas
quimicamente para melhorar a transmissão de luz e depois montadas com
precisão em corpos do tipo barril com sistemas de montagem específicos.
A sua função principal é receber a luz reflectida por uma cena e focá-la da
forma mais nítida possível no sensor de imagem da câmara. Uma objectiva
de alta qualidade faz isto de uma forma muito precisa, mas para tirar o
máximo partido das suas potencialidades tem de conhecer um pouco as suas
características e o seu efeito nas imagens.
Neste capítulo vamos abordar as objectivas e a sua utilização na fotografia
digital, para que fique com as bases necessárias para utilizar as objectivas de
forma mais eficiente e mais criativa.

Este livro tem o apoio da 149


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Introdução às Objectivas

A maioria das câmaras digitais têm uma objectiva zoom fixa que não pode ser
removida ou trocada. Uma das grandes vantagens disso é o facto de a câmara estar
fechada, o que impede a entrada de poeiras para o sensor da imagem. As câmaras
reflex digitais têm objectivas intermutáveis, por isso pode mudá-las consoantes
as circunstâncias, mas a câmara fica exposta às poeiras. Muitas objectivas
apresentam informações que podem ser úteis para as suas fotografias. Tenha -as
em consideração quando escolhe uma objectiva e dispense algum tempo para a
leitura de informações que venham com qualquer modelo que compre.

As câmaras de
apontar‑e-disparar
normalmente têm uma Gama de distância
objectiva com zoom de focal como
3x, mas podem ter uma
gama muito maior. Esta multiplicador (12x).
câmara da Canon está
equipada com um zoom
de 12x.

Gama de aberturas
Gama de máximas quando
distância faz zoom de
As câmaras reflex dos focal em mm. grande-angular para
principais fabricantes
permitem-lhe escolher teleobjectiva
uma vasta gama de A informação em torno da objectiva pode incluir:
objectivas. Esta é a
gama disponibilizada • A distância focal da objective ou a gama do zoom em mm. A gama do
pela Canon.
zoom da objectiva é muitas vezes apresentada como um multiplicador. Por
exemplo, 6.0-72.0 mm corresponde a 12x (72 dividido por 6).
http://www.photocourse.com/itext/canonlenses/canoneflenses.pdf
• A abertura máxima determina o quanto a objectiva abre. Isso está
indicado nas objectivas como um rácio, por exemplo 1:2.8-3.7. Na maioria
das objectivas zoom são dados dois valores máximos, porque a abertura
muda consoante utiliza a maior ou menos definição do zoom. No entanto,
algumas objectivas não alteram a abertura ao longo da gama total do zoom.
Isso permite-lhe definir a exposição e utilizar qualquer gama focal do zoom
sem alterar a abertura ou a velocidade do obturador. Uma abertura máxima
grande é melhor, porque permite utilizar uma profundidade de campo mais
curta, uma velocidade de obturação mais rápida para congelar a acção, e
aumentar a gama do flash. Uma objectiva com uma abertura máxima de f/1.4
é três incrementos (stops) mais rápida que uma objectiva com uma abertura
máxima de f/5.6. Isso significa que em vez de utilizar uma velocidade
do obturador de 1/15 seg. pode utilizar 1/125 seg. Os inconvenientes das
objectivas com uma abertura máxima grande são: o preço, o tamanho e o
peso. A abertura máxima de uma objectiva é determinada através da divisão
As objectivas com do diâmetro real do diafragma aberto pela distância focal da objectiva. Esta
aberturas máximas é a razão pela qual a abertura da maior parte (mas não todas) das objectivas
grandes permitem zoom muda à medida que percorre a gama do zoom e altera a distância focal.
usar velocidades de
obturação rápidas • O tamanho dos filtros ou de outros acessórios que possam ser
e designam-se por
objectivas rápidas ou encaixados na parte frontal da objectiva. O diâmetro é muitas vezes
luminosas. apresentado com o símbolo φ, como φ85 mm.

150 Este livro tem o apoio da


Compreender a Distância Focal

Compreender a Distância Focal

A distância focal da objectiva tem influência sobre as suas imagens e é uma


ferramenta criativa importante. Nas câmaras com objectiva fixa a distância focal
é alterada através do zoom. Nas câmaras reflex digitais também é possível fazê-lo
mudando de objectiva. Os diferentes tipos de objectivas são designados por vários
sinónimos que podem criar confusões.
• Grande-angular, distância focal curta, objectiva curta e zoom out (afastamento
com o zoom) referem-se à mesma coisa – objectivas que captam uma grande
extensão de uma cena.
• Teleobjectiva, distância focal longa, objectiva longa e zoom in (aproximação com
o zoom) também se referem ao mesmo – objectivas que aproximam assuntos
distantes.
A distância focal que escolhe é uma opção criativa porque tem dois efeitos nas suas
imagens:
• O ângulo de visão refere-se à quantidade da cena que a objectiva cobre. As
objectivas olho-de-peixe - as mais abrangentes de todas - podem captar 180 graus.
Á medida que faz zoom in, ou muda de objectiva para aumentar a distância focal, o
campo de visão fica mais pequeno e pode isolar pormenores de uma cena sem ter
de se aproximar do assunto.
• A Ampliação/Magnificação está relaciona com o ângulo de visão da objectiva.
A distância focal de uma Quando utiliza uma objectiva de distância focal curta, ou faz zoom out para incluir
objectiva determina o uma área extensa da cena, todos os objectos são diminuídos para caberem na
seu ângulo de visão. imagem. Ao fazer zoom in, ou quando utiliza uma objectiva de distância focal
longa, consegue uma ângulo de visão mais apertado, por isso os objectos na cena
parecem maiores.
http://www.photocourse.com/itext/focallength/
A distância focal das objectivas baseia-se em características físicas, por isso são
Clique para ver como a valores absolutos. No entanto, determinada distância focal pode corresponder
distância focal de uma a uma objectiva grande-angular numa câmara e uma teleobjectiva noutra. Isso
objectiva determina o deve-se ao facto de a designação “grande-angular” ou “teleobjectiva” depender
ângulo de visão. do tamanho do filme ou do sensor da imagem utilizado. Á medida que esses
se tornam mais pequenos, a distância focal é aumentada. Nas câmaras digitais
actuais utilizam-se vários tamanhos de sensores de imagem. Por essa razão, são
necessárias diferentes distâncias focais para projectar um círculo da imagem que
cubra por completo o sensor das diferentes câmaras. Devido à confusão que isto
http://www.photocourse.com/itext/light/lights1.html
causa, a maioria dos fabricantes de câmaras atribuem a distância focal efectiva
das suas objectivas e depois uma distância focal equivalente que corresponda ao
formato de 35 mm. Por exemplo, uma câmara pode ter uma objectiva de 7.7 mm
(equivalente a 50 mm numa câmara de 35 mm). Uma vez que os equivalentes
digitais variam muito, neste livro adoptamos as distâncias focais correspondentes
http://www.photocourse.com/itext/light/lights2.html
ao formato 35 mm, porque são mais familiares.
A influência do tamanho do sensor na distância focal não se aplica apenas às
câmaras com objectiva fixa. As reflex digitais também são adaptadas ao formato
35 mm e utilizam objectivas concebidas para projectar um círculo de imagem
suficientemente grande para cobrir um fotograma de filme 35 mm. Quando estas
http://www.photocourse.com/itext/light/lights3.html
objectivas são utilizadas em câmaras digitais o ângulo de visão captado na imagem
depende do tamanho do sensor que se encontra neste círculo de imagem.
• Quando o sensor tem um tamanho correspondente a um fotograma de película
de 35 mm, chamado sensor full-frame ou de tamanho integral, o ângulo de visão,
e consequentemente a distância focal, é igual à que seria na versão de uma câmara
de filme.
• Quando o sensor da imagem é mais pequeno que um fotograma de filme, como
muitos são, captura uma área mais pequena do círculo, diminuindo a distância
focal da objectiva para um factor de 1,5 x ou mais comparativamente á distância
focal indicada na objectiva. Dessa forma, uma objectiva de 100 mm numa câmara
de filme será de 150 ou 160 mm na versão digital. Nas câmaras digitais esta
Este
multiplicação funciona com
livro tem toda adagama de objectivas, tornando as objectivas 151
o apoio
grande-angular menos amplas e as teleobjectivas mais abrangentes.
Capítulo 6. Compreender as Objectivas

http://www.photocourse.com/itext/imagecircle/

Clique para ver como o


tamanho do sensor da
imagem determina a
distância focal de uma
objectiva.

Uma objectiva projecta


a imagem como um
círculo. O tamanho da
película ou do sensor
da imagem determina
a dimensão da área
que será captada.
Aqui, os fotogramas
(desde o mais pequeno
ao maior) mostram a
área captada por uma
película de 35 mm, ou
um sensor de tamanho
equivalente, mas
também por um sensor
APS-H e um APS-C,
respectivamente.

Um sensor mais
pequeno penaliza-o
quando o utiliza com
uma objectiva de
distância focal mais
pequena (em cima, à
esquerda). O sensor
capta uma parte mais
reduzida do círculo
da imagem (a linha
exterior a branco) que
uma câmara com um
sensor de tamanho
equivalente ao 35
mm, ou de filme, que
tem uma distância
focal efectiva mais
abrangente.

Um sensor menor dá-


lhe um bónus quando
utilizado com uma
objectiva de distância
focal longa ou objectiva
macro (em baixo, à
direita). O sensor de
imagem mais pequeno
capta uma parte do
círculo da imagem
menor (a linha exterior
a branco), ampliando o
assunto.

152 Este livro tem o apoio da


Compreender a Distância Focal

http://www.photocourse.com/itext/antishake/

Grande parte dos fabricantes de câmaras que utilizam sensores de imagem


mais pequenos nas suas reflex digitais disponibilizam objectivas especialmente
criadas para esses sensores. Por criarem um círculo de imagem mais pequeno,
essas objectivas podem ser mais leves e mais baratas. No entanto, se trocar a
sua câmara por outra com um sensor de tamanho equivalente ao 35 mm não
poderá utilizar essas objectivas, porque o círculo da imagem será demasiado
pequeno para abranger todo o sensor. Os fabricantes de câmaras tornam isso
evidente, desenhando sistemas de montagem de objectivas incompatíveis com
câmaras de sensor equivalente ao 35 mm.

Escalas de profundidade de campo


Algumas objectivas grande-angular têm uma escala de profundidade de campo
que lhe permite definir o foco para a distância hiperfocal e utilizar a “zona de
focagem” (ver capítulo 4).

Distância de focagem mínima


A distância de focagem mínima de uma objectiva determina o quão próximo
pode estar de um assunto para poder focá-lo. Normalmente as objectivas de
distância focal mais curta permitem-lhe aproximar-se mais. Por exemplo, a
objectiva de 14 mm da Canon permite-lhe aproximar-se até cerca de 30 cm e a
de 600 mm até cerca de 5,5 m. Estas informações costumam estar disponíveis
no manual ou nas especificações das objectivas.

OEM e fabricantes terceiros de objectivas


A Canon e a Nikon fabricam as suas próprias séries de objectivas para as suas
As câmaras reflex câmaras, o que as coloca em vantagem relativamente a outros fabricantes
digitais utilizam ligações de reflex digitais. Uma vez que desenvolver uma linha de objectivas é
electrónicas para definir extremamente dispendioso, há apenas duas formas de as companhias mais
a abertura da objectiva
e ajustar o foco.
pequenas ultrapassarem esta questão.
• A forma mais fácil consiste em licenciar o sistema de montagem das
objectivas de um dos fabricantes principais, para que essas objectivas
funcionem com as suas câmaras. A Fujifilm fez isso com a Nikon, por isso
pode comprar uma câmara Fujifilm e utilizá-la com objectivas Nikon. A Sony
também adquiriu a Minolta e utiliza o seu sistema de montagem de objectivas
em várias câmaras e objectivas novas.
• Uma forma mais dispendiosa é juntar-se a outros fabricantes para partilhar
os custos do desenvolvimento dos produtos. A Olympus (juntamente com
outros fabricantes como a Kodak, a Fuji Photo Film, a Panasonic, a Sanyo e a
Sigma) fez isso com o sistema QuatroTerços.
Há também fabricantes terceiros independentes que produzem objectivas.
Para reduzir os custos, as suas objectivas podem ser utilizadas em mais do
que uma câmara adaptando o sistema de montagem - por vezes através de um
Parece ficção científica,
mas as lentes líquidas
adaptador. Muitas destas objectivas são bastante boas e normalmente mais
que focam alterando baratas que as dos fabricantes das câmaras.
a forma, estão a ser
utilizadas em alguns
telemóveis com câmara. Objectivas antigas
Cortesia da Varioptics.
As câmaras reflex digitais têm ligações electrónicas para definir a abertura do
diafragma e ajustar o foco. Quando passa para o digital pode assumir que as
suas objectivas antigas vão funcionar com a câmara nova, mas isso depende de
quão antiga ela é. As objectivas de montagem mecânica não são compatíveis
com as câmaras digitais e mesmo objectivas mais antigas com ligações
electrónicas podem não funcionar ou perder algumas das suas funcionalidades.

Este livro tem o apoio da 153


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Objectivas Zoom

A maioria das câmaras com objectiva fixa têm uma objectiva zoom incorporada.
http://www.photocourse.com/itext/G-zoom/
As objectivas zoom também são muito populares entre os utilizadores de
câmaras reflex. Este género de objectivas permite escolher qualquer distância
focal da gama do zoom, o que as torna muito práticas. Essa gama é indicada em
mm e, em algumas câmaras com objectiva fixa, como um multiplicador. Por
exemplo, uma câmara com uma gama de 28-90 mm é também designada por
zoom de 3x (90 dividido por 28 dá cerca de 3). Uma objectiva com uma gama de
6-72 mm será designada por um zoom de 12x (72 dividido por 6 é 12).
O zoom pode ser de tês tipos: óptico, digital e de corte (cropping):
• O zoom óptico altera realmente a quantidade da cena que cabe no sensor da
imagem. Cada pixel na imagem contém os dados originais, por isso a imagem
final é nítida e tem qualidade.
• O zoom digital, encontrado em muitas câmaras com objectiva fixa, considera
uma parte da imagem reflectida no sensor da imagem e aumenta-a para que
preencha todo o sensor. Para isso acrescenta novos píxeis à imagem através da
interpolação. A imagem interpolada não tem a mesma quantidade de píxeis
originais que uma foto captada com um zoom óptico, por isso a qualidade é
inferior. Na verdade, esta função do zoom é desnecessária, já que pode conseguir
precisamente os mesmo resultados reenquadrando uma imagem num programa
de edição fotográfica e depois aumentando-a. Ignore a publicidade sobre o zoom
Se a sua câmara tiver
um anel do zoom na
digital e zoom total e considere apenas o zoom óptico. Se este último termo não
objectiva pode rodá-lo for utilizado nas campanhas publicitárias, tenha cuidado.
durante uma exposição
lenta, para criar uma • O zoom de corte (Cropping), designado por Smart Zoom pela Sony, funciona
espécie de explosão de como o zoom digital mas não adiciona novos píxeis à imagem. A imagem é
luzes na imagem.
reenquadrada e ele utiliza apenas uma parte dos píxeis originais, não aumenta
a imagem. O efeito é precisamente igual ao reenquadramento da imagem num
programa de edição fotográfica.
Para fazer zoom out na maioria das câmaras com objectiva fixa tem de pressionar
uma alavanca em determinada direcção, ou premir o botão de zoom out, para
Fazer zoom através da encurtar o ângulo de visão. Usar a alavanca na direcção oposta, ou carregar no
objectiva assemelha-
se a afastar-se ou a botão de zoom in, permite aproximar os assuntos. Nas reflex digitais, e algumas
aproximar-se de uma câmaras com objectiva fixa avançadas, pode fazê-lo rodando o anel da objectiva.
cena. Esta casa foi
fotografada a partir
do mesmo ponto,
utilizando uma objectiva
zoom com definições
desde grande-angular
até teleobjectiva.

154 Este livro tem o apoio da


Distância Focal Normal

Distância Focal Normal

Numa câmara de 35 mm uma objectiva “normal” corresponde a uma distância


focal fixa de 50 mm, ou uma objectiva zoom definida para um ângulo ligeiramente
superior à sua definição de grande-angular. Quando utilizamos uma objectiva com
esta distância focal, a cena assemelha-se àquilo que vemos a olho nu. Com uma
distância focal mais longa tudo parece mais aproximado que o que realmente está.
Com uma distância focal mais curta tudo parece demasiado afastado.
Uma objectiva de distância focal normal (50 mm) não é necessariamente aquela
que os fotógrafos usam mais. Muitos fotógrafos preferem o ângulo de visão mais
abrangente e a profundidade de campo maior das distâncias focais ligeiramente
mais curtas.

É difícil olhar para uma


fotografia e descobrir
com que distância focal
foi captada. No entanto,
os objectos de uma
imagem captados com
uma objectiva normal
apresentam entre si
uma relação espacial
normal.

Uma objectiva é designada por “normal” quando capta uma cena tal como o
olho humano a vê. Isto parece um contra senso, porque o ângulo do olhar é
mais abrangente que qualquer objectiva normal. No entanto, pode demonstrar
a si próprio porque é que uma distância focal específica é normal para a sua
câmara. Durante uma viagem de carro experimente utilizar o zoom, ou uma
objectiva longa, enquanto visualiza o tráfego através do ecrã. Uma distância
focal longa faz com que os carros distantes apareçam mesmo ao seu lado; se
olhar com os seus próprios olhos verá que os carros não estão de forma alguma
tão próximos como lhe parecia. Com distâncias focais mais curtas os carros
parecem distantes, mesmo que estejam relativamente próximos. Uma distância
focal normal faz com que os carros pareçam estar à mesma distância que os vê
normalmente.
Outra forma de o demonstrar consiste em colocar duas fotografias de tamanhos
bastante diferentes numa parede. Olhe para cada uma delas separadamente
através do ecrã da câmara, com a objectiva definida para uma distância focal
normal (ligeiramente superior ao seu limite de grande-angular). Aproxime-
se o suficiente para que cada uma delas preencha o ecrã, depois utilize uma
distância focal mais longa e verá que parece estar demasiado próximo; e uma
distância focal mais curta que lhe dará a sensação de estar demasiado próximo.

Este livro tem o apoio da 155


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Distância Focal Curta

Utilizar uma objectiva de distância focal curta ou a menor definição do zoom


dá-lhe um ângulo de visão grande-angular, que lhe permite captar uma
grande extensão da cena. Este ângulo é ideal para espaços apertados, como
paisagens ou em salas pequenas em que não pode colocar a câmara muito
distanciada do assunto.
Se não se aproximar
demasiado dos seus
assuntos, um zoom
grande-angular é o mais
indicado para retratos
em interiores em que
seja importante incluir o
ambiente.

http://www.photocourse.com/itext/panorama/

Para melhorar a
qualidade de imagem
a Kodak criou uma
câmara com duas
objectivas - uma Uma objectiva grande-angular também oferece uma extensa profundidade
para uma cobertura de campo. Isso torna-a ideal para a fotografia de rua e de acção. Quando sair
grande‑angular. para captar situações que acontecem rapidamente mantenha a objectiva na
definição grande-angular do zoom, ou utilize uma objectiva grande-angular,
para ter o máximo de profundidade de campo quando responde rapidamente a
Fazer zoom out uma oportunidade fotográfica.
aumenta a profundidade
de campo e abre o
ângulo de visão, sendo
ideal para fotografias
em interiores. A maior
profundidade de campo
também facilita a
focagem e permite
captar momentos
fugazes, que de outra
forma poderia perder.

As objectivas garnde-
angular podem distorcer
os objectos mais
próximos das margens
do fotograma – a
chamada “distorção de
barril”.

156 Este livro tem o apoio da


Distância Focal Curta

As objectivas curtas também permitem focar muito próximo do assunto e


o efeito que isso pode ter na perspectiva das suas imagens pode ser muito
As objectivas grande-
angular oferecem expressivo. Os objectos muito próximos da câmara vão parecer muito
imensa profundidade maiores que os que aparecem no fundo. Esta distorção do tamanho aparente
de campo. Aqui foi dos objectos pode ser deliberadamente enfatizada e, quando levada ao
utilizada uma para
fotografar através de extremo, atribui um aspecto irrealista à cena.
um brinquedo, o que
fez com que a criança Se a sua câmara tiver uma objectiva fixa pode utilizar um conversor de
parecesse um gigante. objectiva grande-angular para expandir ainda mais o seu ângulo de visão.

As objectivas
grande-angular são
propensas a distorções.
Normalmente as
verticais convergem
quando a câmara não
está perfeitamente
nivelada.

Captar retratos a
partir de um ponto de
vista alto faz com que
as cabeças pareçam
muito maiores do
que o que realmente
são, pois estão mais
próximas da câmara
e da sua objectiva
grande‑angular.

Este livro tem o apoio da 157


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Distância Focal Longa

Uma objectiva de distância focal longa assemelha-se a um telescópio que amplia


o seu assunto. É especialmente útil quando não pode (ou não quer) aproximar-se
do assunto. As objectivas longas são as mas indicadas para vida selvagem, retratos
e apanhados, ou sempre que a sua aproximação ao assunto possa incomodá-lo.
À medida que a distância focal da objectiva aumenta a profundidade de campo
diminui, por isso, tem de focar mais cuidadosamente. Uma objectiva longa
também comprime visualmente o espaço, fazendo com que o objectos de uma
cena pareçam mais próximos entre si do que o que realmente estão. O principal
inconveniente das objectivas longas é o facto de muitas (mas não todas) terem
uma abertura máxima pequena. Isto pode obrigá-lo a adoptar uma velocidade do
obturador mais lenta. Uma vez que uma objectiva longa amplia o movimento - tal
como amplia o assunto - pode ter de usar um tripé em vez de segurar a câmara
na mão. Se a sua câmara tiver uma objectiva fixa pode utilizar um conversor para
teleobjectiva para conseguir uma distância focal ainda maior.
Uma objectiva longa
faz com que os
objectos distantes
pareçam comprimidos
na imagem. Aqui foi
utilizada uma objectiva
longa para “condensar”
uma cena de rua, nas
montanhas Rocky, em
Colorado.

Uma objectiva longa


não comprime o espaço
(em baixo), apenas O alinhamento de camiões de cimento (em baixo, à direita) foi captado frontalmente
capta a compressão com uma objectiva longa (em cima, à esquerda), dando a sensação de estarem
existente nas áreas muito mais próximos entre si do que realmente estão. Isto deve-se também à
distantes de uma cena distância ao assunto e não apenas à distância focal da objectiva, mas é fácil obter o
(em cima). mesmo resultado com uma objectiva longa.

158 Este livro tem o apoio da


Distância Focal Longa

Uma objectiva longa fez


com que o sol pareça
maior em relação aos
objectos do primeiro
plano.

Uma objectiva longa é


essencial para muitas
cenas de fotografia de
natureza.

Estas duas fotos foram


captadas com a mesma
câmara. Uma foi tirada
com o zoom óptico (à
esquerda) e a outra
com o zoom digital a
partir de um ponto mais
afastado (à direita). A
que foi captado com o
zoom óptico está muito
mais nítida.

Este livro tem o apoio da 159


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Retratos e Distância Focal

Uma distância focal longa é ideal para retratos, pois permite-lhe manter-se
longe do assunto e mesmo assim preencher o visor com o rosto ou enquadrar
apenas a cabeça e os ombros. Manter-se a afastado evita a perspectiva
exagerada resultante de abordagens muito próximas quando utiliza uma
objectiva de distância focal curta. Também ajuda o seu modelo a descontrair
caso fique apreensivo (como a maioria das pessoas) quando se aproxima com

Uma objectiva longa


permite-lhe captar
retratos sem se
aproximar demasiado
do modelo, o que
permite captar
expressões mais
naturais.

Aproximar-se do
assunto com uma
objectiva de distância
focal curta cria algumas
distorções nos retratos,
mas o resultado
funciona. Talvez não
seja a abordagem mais
lisonjeira – a imagem
provavelmente será
mais interessante para
os outros do que para o
modelo.

http://www.photocourse.com/itext/distortion/
Clique para explorar
como é que as
objectivas grande-
angular distorcem os
assuntos.

160 Este livro tem o apoio da


Modo Macro e Objectivas Macro

Modo Macro e Objectivas Macro

Dica Na fotografia de close-up e de pequenos objectos as câmaras digitais têm uma


enorme vantagem relativamente às tradicionais câmaras analógicas, porque
Para uma ampliação
máxima siga estes
permitem visualizar os resultados e fazer ajustes enquanto fotografa. Se uma
quatro passos: fotografia não sair como esperava, basta apagá-la e tentar de novo. Os fotógrafos
1.Utilize o modo
de filme tinham de esperar que a película fosse revelada pelo laboratório para
Macro ou uma verem os resultados e fazer os ajustes. Enquanto isso, a oportunidade tinha
objectiva macro. passado e provavelmente não poderiam voltar ao local. Tire partido dessa resposta
2.Utilize a definição instantânea e aproveite para experimentar e aprender.
de distância focal
mais longa da sua Quando fotografar objectos pequenos a distância focal da sua objectiva e a
objectiva zoom. distância de focagem mínima afectam o tamanho do assunto captado. Por
3.Defina o foco exemplo, se fotografar uma moeda pequena, provavelmente não quer captar
para a distância de uma grande quantidade do plano de fundo, mas antes preencher a imagem com
focagem mínima.
a moeda para que ela pareça grande. Em muitos casos aproximar o assunto com
4.Olhe através o zoom da objectiva será o suficiente. No entanto as objectivas macro ou com um
do visor ou use o
ecrã á medida que
modo Macro permitem-lhe aproximar-se ainda mais do motivo, tornando-o muito
foca o assunto, maior na imagem final. Se não poder aproximar-se o suficiente de um objecto para
aproximando e preencher a área da imagem pode sempre reenquadrá-la posteriormente e cortar
afastando a câmara
do mesmo para ver
as áreas que não quer. No entanto, quanto mais cortar menor ficará a imagem.
os resultados.
A forma como capta planos aproximados (close-up) depende em parte da câmara:
http://www.photocourse.com/itext/macromag/
• As câmaras de apontar-e-disparar e outras de objectiva fixa normalmente
têm um modo Macro que lhe permite aproximar-se do assunto. Quando utiliza
Clique para explorar os uma destas câmaras deve enquadrar a imagem no ecrã, especialmente se estiver
factores de ampliação
de uma objectiva mais próximo que 90 cm. Se não o fizer, um assunto centrado na cena não estará
macro. centrado na imagem, a menos que utilize uma câmara com um visor electrónico
para visualizar a cena através da objectiva. Com muitas destas câmaras é difícil
focar de forma precisa em situações de close-up.
• As câmaras reflex digitais mostram a cena a partir da objectiva e há
objectivas macro, ou com um com um modo Macro, que lhe permitem aproximar-
se mais do que o normal. Se reparar em algumas fotografias macro verá que
raramente parecem estar nítidas desde o primeiro plano até ao plano de fundo,
porque a profundidade de campo na fotografia de close-up tende a ser diminuta.
É possível aumentar a profundidade de campo utilizando uma abertura pequena,
Um carril de focagem mas quando se aproxima demasiado não espere obter grande profundidade de
permite-lhe fazer
ajustes precisos na
campo – talvez pouco mais de um centímetro. O melhor é compor a cena de forma
distância entre a a que os objectos mais importantes coincidam com o mesmo plano. Dessa forma,
câmara e o assunto. se um estiver focado todos os outros estarão. Outra alternativa a experimentar
uma objectiva mais curta, com um ângulo de visão mais abrangente. Isso vai
dar-lhe uma profundidade de campo maior e incluir mais do plano do fundo para
contextualizar a cena.
Quando foca objectos muito próximos, lembre-se que a profundidade de campo
inclui o plano de focagem e uma área à frente e outra atrás desse plano. Irá
perceber que na fotografia de close-up metade da área mais nítida está à frente do
plano de foco e outra metade atrás dele.
O ícone universal para o
modo Macro. Uma profundidade de campo limitada tem os seus benefícios, por isso, não tem
necessariamente de encarar isso como um problema.

Este livro tem o apoio da 161


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

As objectivas macro
permitem-lhe
aproximar-se muito do
assunto, mas têm uma
profundidade de campo
muito curta. Aqui focou-
se o olho do tritão para
que fosse a área mais
nítida da foto.

Um flash anelar dispara


um circulo de luz,
embora dispara os dois
lados separadamente
ou com intensidades
diferentes.

Um plano de fundo desfocado pode ajudar a isolar um assunto pequeno,


http://www.photocourse.com/itext/parallax/
mantendo-o nítido.
Clique para ver o efeito
do erro de paralaxe Muitas fotografias de close-up abordam motivos pequenos que não preencham
quando fotografa completamente o visor. O sistema de exposição automática pode ser induzido
próximo do assunto. em erro se a luminosidade do assunto for diferente da do extenso plano
de fundo. A medição avalia a quantidade de luz reflectida pela cena e pode
adoptar uma exposição que torne o assunto principal demasiado claro ou
escuro. Nesses casos, utilize o modo de medição Pontual ou a compensação da
exposição para ajustar a luminosidade do plano de fundo. Se uma imagem for
demasiado escura aumente a exposição e, se for demasiado clara diminua-a.
Dica Quando quiser aumentar a profundidade de campo na fotografia de close-up,
Quando capta close- deve tentar:
up com uma câmara
de apontar-e-dis- • Aumentar a iluminação do assunto para diminuir a abertura.
parar, sem um visor
electrónico, utilize • Não se aproximar demasiado do motivo.
o ecrã para compor
a imagem. Nestas • Focar para algo ao centro da cena (entre o primeiro plano e o fundo), pois
câmaras o visor está na fotografia de close-up a profundidade de campo está metade à frente e
descentrado relati- metade atrás do plano de foco principal.
vamente à objectiva,
por isso a área no • Passar para o modo de Prioridade à Abertura e escolher uma abertura
visor difere da área
incluída na imagem. pequena, como f/11.
• Utilizar um flash anelar.

162 Este livro tem o apoio da


A Perspectiva numa Fotografia

A Perspectiva numa Fotografia

Numa fotografia o espaço pode parecer comprimido e os objectos mais


próximo do que seria normal, mas também é possível fazer com que na
mesma cena o espaço dê a sensação de expandir-se e os assuntos pareçam
estar mais afastados que o que realmente estão. Estas aparentes distorções
da perspectiva – a sensação de profundidade numa fotografia – são muitas
vezes atribuídas à distância focal da objectiva utilizada, mas, na verdade, são
causadas pela distância do fotógrafo ao assunto.
Tal como a imagem
demonstra, alterar
a distância entre a
câmara e o assunto
modifica também a
perspectiva. À medida
que a câmara se
aproxima do assunto
do primeiro plano (em
baixo), esse parece
maior em relação ao
fundo. Isso altera a
relação de tamanhos
entre os motivos do
primeiro plano e do
fundo, provocando
diferenças na
perspectiva.

http://www.photocourse.com/itext/perspective/
Clique para explorar a
perspectiva.

Quando se aproxima e
escolhe uma distância
focal com um ângulo
mais abrangente o
tamanho do assunto
mantém-se, o ângulo de
visão abre-se e o fundo
diminui em termos de
proporção.

Este livro tem o apoio da 163


Capítulo 6. Compreender as Objectivas

Acessórios para Objectivas

Muitas objectivas têm uma rosca na parte frontal que permite encaixar filtros
e outros acessórios. O problema de alguns acessórios é que eles alteram
permanentemente a imagem que capta. Se utilizar um programa de edição
fotográfica para obter o mesmo efeito, pode ter sempre a versão original da
imagem e aplicar todos os efeitos desejados durante a pós produção. Estes são
alguns dos acessórios que pode encaixar:
• As objectivas intermutáveis estão disponíveis para todas as câmaras reflex digitais
e telemétricas.
• Os conversores para objectivas permitem aumentar a gama do zoom de câmaras
com objectiva zoom fixa (que não pode ser removida). Estes conversores encaixam
Esta lente de conversão no zoom da objectiva. O problema destas lentes é que são desenhadas para
para grande-angular câmaras específicas. Podem ser bastante caros e se comprar uma câmara nova, ou
foi aplicada na mesmo uma versão mais recente do mesmo modelo, os conversores podem não
câmara através de um
adaptador na objectiva. funcionar com a nova objectiva.
• Os colares de tripé (lens collars) rodeiam a objectiva e têm um apoio de tripé. Isso
permite-lhe montar a objectiva, em vez do corpo da câmara, num tripé, de forma
a que a combinação corpo/objectiva fique equilibrada. Quando coloca a objectiva
no tripé pode desapertar o colar para rodar a câmara para a posição vertical ou
horizontal, enquanto a mantém centrada. Isto elimina a necessidade de tombar a
câmara para captar fotos na vertical.
• O pára-sol protege o elemento frontal da objectiva de pancadas e evita que a
luz dispersa atinja a objectiva, para não provocar brilhos indesejados ou efeitos
fantasma nas imagens.
• As tampas protegem a parte frontal e traseira da objectiva quando não está a
utilizá-la. Uma tampa para o corpo protege a câmara quando não tem nenhuma
objectiva encaixada. Nas câmaras de anpontar-e-disparar a objectiva por vezes está
protegida por uma tampa deslizantes quando não está a utilizá-la.
• Os filtros de protecção mantêm a parte frontal da objectiva livre de riscos e
sujidade.
• Os filtros polarizadores circulares eliminam os reflexos de vidros, água e outras
superfícies reflectivas, escurecem céus azuis e melhoram a saturação das cores. Se
optar por um filtro polarizador linear não pode utilizar o foco automático. Uma vez
que estes filtros bloqueiam uma parte da luz, as exposições aumentam em cerca de
2 ou 3 incrementos (stops) – trata-se do factor do filtro.
• Os filtros Skylight reduzem as dominantes azuis que normalmente aparecem
quando fotografa assuntos à sombra ou em dias luminosos.
• Os filtros UV absorvem a luz ultravioleta e reduzem o efeito do nevoeiro quando
fotografa paisagens ou planos aéreos.
• Os filtros de densidade neutra (ND) diminuem a quantidade de luz que entra
na câmara para que possa utilizar velocidade de obturação longas, ou aberturas
maiores, em condições de luz intensa. Isso ajuda-o a obter fundos mais suaves em
retratos e a capturar melhor quedas de água. Algumas câmaras têm uma função
que permite obter o mesmo efeito digitalmente, sem recorrer ao filtro.
Um filtro polarizador • Os filtros de focagem suave suavizam o foco para tornar os retratos mais
(em cima) escureceu
o céu e removeu os lisonjeiros e para esbater paisagens ao estilo romântico.
reflexos das folhas,
tornando as cores mais
• As lentes para close-up ampliam o assunto sem afectar as definições de abertura.
intensas. Em baixo • Os filtros de conversão de cores permitem-lhe controlar com precisão a forma
está a mesma imagem
captada sem o filtro. como captura as cores. Tornam-se desnecessários em câmaras que permitem um
controlo rigoroso do balanço de brancos.
164 Este livro tem o apoio da
Capítulo 7. Fotografia com o FlashAA30470C
da Câmara

Capítulo 7
Fotografia com o Flash da Câmara

O
flash automático integrado na câmara é tão conveniente e fácil de
usar, que por vezes nem reparamos que ele dispara. Quando o flash
está em modo automático, está sempre pronto a disparar, sempre
que o sistema de exposição automática decida que é necessário.
Mas a luz proveniente deste tipo de flashes tem certas características que
podem fazer a diferença na aparência das suas imagens. Por exemplo, as
fotografias em que o flash integrado é disparado, têm uma iluminação sem
profundidade, porque este tipo de flash não cria sombras projectadas por
iluminação lateral, que revelam texturas e volumes. Abordagens alternativas,
tais como o uso de um flash externo, de flash de sincronização lenta, ou de
nenhum tipo de flash, podem produzir resultados mais interessantes. De
qualquer forma, à medida que se for familiarizando com as características
do flash, será capaz de as usar de forma cada vez mais proveitosa. Neste
capítulo, abordaremos a fotografia com o flash da câmara, incluindo os
modos e técnicas do flash, unidades de flash externas, e acessórios.

Este livro tem o apoio da 165


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

Potência e Alcance do Flash

Todos os flashes têm um alcance máximo e a intensidade da sua luz diminui


http://www.photocourse.com/itext/inverse/
com a distância. A intensidade do flash, quando atinge o objecto, depende da sua
Clique para explorar a
potência e da distância que a luz tem que percorrer.
lei do quadrado inverso.

Alcance do Flash
http://www.photocourse.com/itext/guidenumbers/guidenumbers.pdf
Já alguma vez reparou em pessoas que usam o flash para fotografar a lua, uma
paisagem urbana, um concerto, ou evento desportivo, mesmo das bancadas? Qual
o efeito que pensa que o flash tem nestas fotografias? Não muito, porque não existe
nenhum flash com um alcance tão grande. Na realidade a maioria dos flashes
integrados têm alcances que vão até aos 3 metros. Existem apenas três maneiras
de aumentar o alcance do flash:
• Usar uma abertura de diafragma maior para deixar entrar mais luz
• Aumentar a sensibilidade (ISO) para que seja necessária menos quantidade luz
para obter uma boa exposição.
• Usar um flash externo com um número guia superior (número que indica o
alcance do flash).

Diminuição da intensidade da luz do flash


Independentemente da potência do flash, quando ele dispara, um feixe de luz
expande-se à medida que se afasta da unidade de flash, por isso, a sua intensidade
diminui à medida que vai percorrendo uma distância maior para alcançar o
objecto. Como resultado, os objectos mais próximos do flash são iluminados com
Como a luz do flash
uma luz mais intensa que aqueles que encontram mais distantes.
diminui com a distância,
os objectos mais
A proporção a que a luz diminui é descrita pela lei do quadrado inverso. Esta lei diz
próximos ficarão mais que se a distância entre o flash e o objecto for duplicada, apenas um quarto a luz
iluminados do que os alcançará o objecto, porque a mesma quantidade de luz estará distribuída por uma
objectos mais distantes.
Esta situação pode ser
área maior. Inversamente, se a distância diminuir para metade, a luz que atingirá o
usada para beneficiar as objecto será quatro vezes mais intensa.
imagens; por exemplo,
à noite, é possível Quando os objectos de uma imagem estão dispostos a distâncias diferentes da
destacar os objectos de câmara, a exposição só será correcta para aqueles que estejam a uma determinada
um plano de fundo mais
escuro.
distância – normalmente aqueles que estão mais próximos da câmara ou dentro
da área medida pelo sistema de exposição automática. Os restantes objectos irão
escurecendo à medida que a distância do flash aumenta.

A luz de um flash
diminui com a
distância. Quando uma
determinada distância é
duplicada, a quantidade
de luz é reduzida
para um quarto. Esta
relação chama-se Lei do
Quadrado Inverso.

166 Este livro tem o apoio da


Sincronização do Flash e Velocidades de Obturação

Sincronização do Flash e Velocidades de Obturação

Quando tira uma fotografia o obturador numa câmara reflex está totalmente aberto
http://www.photocourse.com/itext/flashsync/
apenas por um período muito curto, mesmo em velocidades de obturação mais
Clique para explorar
lentas. Se uma determinada velocidade de obturação é demasiado alta, as duas
a velocidade de cortinas do plano focal formam uma pequena abertura que percorre o sensor de
sincronização do flash. imagem. Como resultado, a explosão de luz do flash pode não conseguir expor todas
as partes do sensor, e por isso parte da cena não é capturada numa imagem. O
tempo de obturação mais rápido no qual o sensor é totalmente exposto é chamado
de velocidade de sincronização do flash, e encontra-se geralmente entre os 1/125
e os 1/500 de segundo. Se escolher directa ou indirectamente uma velocidade de
obturação maior, muitas câmaras irão ignorar a sua escolha, e baixar a velocidade.
O flash pode disparar assim que o obturador fica todo aberto, ou mesmo antes de
começar a fechar.
• A sincronização à primeira cortina (o modo usual) significa que o flash
Os obturadores centrais, dispara quando a primeira cortina do obturador abre completamente para expor o
ou de lamelas, comuns sensor de imagem.
em câmaras “apontar
e disparar” permitem • A sincronização à segunda cortina significa que o flash dispara
velocidades de imediatamente antes da segunda cortina começar a fechar o obturador,
sincronização do flash
superiores, porque não terminando a exposição.
usam cortinas.

Um obturador de plano focal abre uma cortina para iniciar a exposição e fecha uma
segunda cortina para terminá-la. A velocidades de obturação superiores (em cima),
a segunda cortina começa a fechar antes da primeira cortina ter percorrido todo o
sensor, formando assim uma abertura que o percorre. A luz do flash só consegue
expor a área descoberta pela abertura das duas cortinas que se movem muito
rapidamente. À velocidade de sincronização do flash, ou velocidades inferiores (em
baixo), a segunda cortina não começa a fechar enquanto a primeira não estiver
completamente aberta. É quando o obturador está totalmente aberto que o flash
dispara.
A sincronização à
primeira cortina dispara
o flash no início da
exposição, e depois
regista a luz ambiente.
Como resultado, a faixa
de luz do objecto em
movimento aparece à
sua frente.

A sincronização à
segunda cortina dispara
o flash no fim da
exposição, depois da
luz ambiente ter sido
registada, por isso a
faixa de luz é um rasto
atrás do objecto.

Este livro tem o apoio da 167


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

Flash Automático

Quase todas as câmaras digitais têm um flash electrónico integrado, que está
ligado ao sistema de exposição automática. Quando liga algum flash externo
à câmara, este também fica integrado no sistema de exposição. Tanto o flash
integrado, como o flash externo são controlados por ajustes que realiza na câmara,
um dos quais é o flash automático. Neste modo de flash, o flash dispara quando a
luz que ilumina a cena é fraca. Algumas câmaras também reconhecem as situações
em que o sujeito está em contraluz, e disparam o flash automaticamente para que
o objecto não apareça como uma silhueta contra o plano de fundo iluminado.
Usar o flash automático é muito conveniente, no entanto, deve estar ciente das
seguintes questões:
• Muitas câmaras têm um indicador LCD que acende quando pressiona o botão
do obturador até meio. Quando a luz do indicador é constante, quer dizer o flash
ver ser disparado quando tirar a fotografia. Se a luz do indicador for intermitente,
significa normalmente que o flash está a carregar. Liberte o botão do obturador,
As unidades de flash
integradas abrem-se
espere alguns segundos, e tente de novo.
quando são necessárias
(em cima), ou são fixas
• O alcance do flash integrado na câmara é muito curto, geralmente por volta
no corpo da câmara dos 3 metros. Usar um flash deste tipo numa divisão extensa, ou em exteriores,
(em baixo). para fotografar um objecto igualmente grande, não funciona. Uma solução é o
recurso a um flash externo mais potente. Outra é desligar o flash e ver que tipo de
imagens obtém usando a luz disponível, ou usar o flash de sincronização lenta para
combinar a luz ambiente com a luz do flash.
• Quando se aproxima demasiado de um objecto, a objective de algumas câmaras
bloqueia a luz do flash e projecta uma sombra. Uma solução é distanciar-se do
objecto, e talvez usar uma distância focal maior para compensar.
• Alguns flashes sobreexpõem os sujeitos do primeiro plano, quando estes se
encontram demasiado próximos, Algumas câmaras permitem variar a intensidade
O ícone do botão do flash quando isto acontece.
do flash, que é
universalmente • Apesar de alguns flashes integrados se abrirem, muitos estão tão perto do eixo
reconhecido. da objectiva que as pessoas fotografadas em divisões mal iluminadas, aparecem
normalmente com os olhos vermelhos. Para reduzir este problema, muitas
câmaras têm um modo de redução de olhos vermelhos.
• Como o flash integrado é tão pequeno, ele emite uma luz dura e directa e não
pode ser rodado para que a sua luz seja reflectida numa parede ou no tecto, para a
difundir e suavizar. A luz frontal directa projecta poucas sombras que aumentem a
aparência de textura ou volume do objecto. Como resultado, as fotografias podem
parecer insípidas, e no seu pior, podem assemelhar-se a fotografias de polícia ou
de cartas de condução. Uma solução é usar um flash externo, que permita reflectir
a luz numa parede, no tecto, ou até mesmo numa sombrinha.
• Por causa da posição frontal do flash, a sua luz produz sombras por trás do
sujeito, quando existe um fundo próximo. As soluções possíveis incluem o uso do
flash reflectido, ou afastar o sujeito da parede.
As unidades de
flash integradas • Em situações de luz fraca, o fundo pode ficar totalmente negro, porque a
no telemóveis são exposição é calculada para o objecto em primeiro plano, iluminado pelo flash.
geralmente LED, que Para captar alguns detalhes no plano de fundo, é necessário usar o flash de
ainda não têm potência
suficiente para boas sincronização lenta.
fotografias de flash.
Para alterar o modo do flash, normalmente existe um botão com o símbolo de
um relâmpago, que permite percorrer todos os outros modos de flash da câmara.
À medida que os percorre, geralmente aparece um ícone no painel de controlo a
indicar o modo de flash em curso.
168 Este livro tem o apoio da
Redução de Olhos Vermelhos

Redução de Olhos Vermelhos

http://www.photocourse.com/itext/redeye/
É comum encontrar fotografias em que as pessoas aparecem com os olhos
vermelhos. A luz do flash entra pela pupila do modelo, e é reflectida pelo fundo
Clique para explorar
do seu olho (a retina) de novo para a câmara. Como a retina é irrigada por muitos
o fenómeno dos olhos vasos sanguíneos, a luz que ela reflecte é vermelha. Para reduzir este fenómeno,
vermelhos a câmara tem um modo de redução de olhos vermelhos que dispara um pequeno
“pré-flash” ou acende uma lâmpada de redução de olhos vermelhos, para fechar
a íris do modelo, imediatamente antes do flash ser disparado. Esta solução
nem sempre funciona. Para eliminar os olhos vermelhos é necessário um flash
externo que esteja posicionado mais longe do eixo da objectiva. Se o único flash
disponível for o da câmara, use uma distância focal mais curta, peça ao modelo
O ícone universalmente para olhar directamente para a câmara, aproxime-se, aumente a iluminação
http://www.photocourse.com/itext/redeye/
reconhecido, para o geral da divisão, ou coloque o modelo perto de uma janela iluminada. É possível
modo de redução de remover os olhos vermelhos num programa de edição de imagem, mas é sempre
olhos vermelhos.
mais fácil evitar essa situação. Em muitas câmaras é possível desligar o modo de
redução de olhos vermelhos.
. Em várias situações, ele não é necessário, e introduz um pequeno tempo de
espera entre o pressionar do botão do obturador e a captação da fotografia, por
causa do “pré-flash” ou da lâmpada de redução de olhos vermelhos.
Os olhos vermelhos
podem ser sinistros,
e a menos que seja
muito bom a usar um
programa de edição de
imagem, o melhor é
evitá-los.

Um cabo de extensão
permite o uso do
flash mais afastado
do eixo da objectiva,
para reduzir os olhos
vermelhos.

Para reduzir os olhos


vermelhos, algumas
câmaras levantam o
flash, para que este
fique mais afastado do
eixo da objectiva.

Este livro tem o apoio da 169


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

Utilizar o Flash de Enchimento

Quando fotografa pessoas ou outros objectos com luz lateral, as áreas de


http://www.photocourse.com/itext/fillflash/
sombra podem ser tão escuras, que não têm detalhe. Quando o motivo está
em contraluz, ou contra um plano de fundo iluminado, pode ficar subexposto.
Clique para explorar o
flash de enchimento Para resolver estes problemas é usado o flash de enchimento. Quando
este modo é usado, o flash é disparado mesmo quando existe luz ambiente
suficiente para fotografar sem ele. O flash de enchimento também é uma
boa maneira de obter um balanço de cor preciso em condições de luz
pouco comuns. Algumas câmaras ajustadas para flash automático também
disparam o flash para iluminar sombras, quando reconhecem que o motivo
Sem o flash de
está em contraluz.
enchimento (à
esquerda), fundo
iluminado causou
a subexposição do
modelo. Ao usar o
flash de enchimento (à
direita), o modelo fica
correctamente exposto.
Cortesia de Tim Connor.

Ícone universalmente
reconhecido, para o
flash de enchimento

Uma das razões


para usar o flash em
exteriores é iluminar
os olhos do modelo,
fazendo-os brilhar.

170 Este livro tem o apoio da


Flash Desligado

Flash Desligado

Em muitas câmaras, quando pressiona o botão do obturador até meio, acende-


se um indicador que o avisa que o flash vai disparar quando tirar a fotografia. É
necessário estar atento a este aviso, para não ser surpreendido pelo disparo do
flash. A luz do flash pode chamar atenções indesejadas, especialmente em galerias
de arte ou museus, onde o uso do flash é normalmente proibido. Para prevenir
que o flash dispare, é possível desligá-lo. Mas também o pode desligar por razões
Ícone universalmente criativas. Pode haver situações em que a luz é fraca, mas em que pretende captar
reconhecido, para o as cores únicas que ela produz. Por exemplo, pode pretender captar o brilho
flash desligado.
romântico de um espaço interior, ou a escuridão taciturna de uma fotografia à
noite.
Noutros modos, o flash expõe correctamente o motivo em primeiro plano, mas
mantém o plano de fundo demasiado escuro. O uso da luz disponível pode
proporcionar imagens muito melhores.
A maneira de desligar o flash varia de câmara para câmara. Nos flashes externos,
existe geralmente o botão de ligar/desligar, ou pode-se seleccionar o modo de
flash desligado, por vezes chamado cancelamento do flash (flash cancel) ou
luz disponível pode flash proibido (flash prohibited) que desliga tanto os flashes externos, como os
proporcionar cores integrados. Em algumas câmaras, basta fechar o flash.
muito agradáveis a uma
fotografia. Quando fotografa em condições de luz fraca, sem usar o flash, há algumas questões
a ter em atenção, pata obter melhores resultados e evitar que a fotografia fique
tremida devido ao movimento da câmara.
• Aumentar a sensibilidade (ISO) da câmara, apesar de isto adicionar ruído à
imagem.
• Usar um tripé para suportar a câmara, colocá-la numa prateleira ou numa
vedação, ou encostá-la a uma árvore ou outro suporte sólido.
Nesta fotografia, foi
usado o zoom da • Colocar a câmara numa superfície estável e usar o temporizador, controlo
objectiva durante uma remoto, ou cabo disparador para desencadear a obturação, de forma a não mover a
exposição longa. A câmara, como acontece quando pressiona o botão do obturador com o dedo.
câmara estava apoiada
numa grade.

Podem-se obter cores


muito mais naturais em
retratos fotografados
em interiores, com o
flash desligado.

Este livro tem o apoio da 171


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

Utilizar o Flash de Sincronização Lenta

As fotografias tiradas com flash mostram geralmente objectos em primeiro


plano bem expostos, contra fundos completamente negros. O uso do flash
de sincronização lenta, minimiza este problema, porque este usa o disparo
do flash para iluminar o primeiro plano, mantendo o obturador aberto
mais tempo que o normal para iluminar o plano de fundo. Muitas câmaras
Ícones de retrato
nocturno (à esquerda)
usam-no, seleccionando o modo de prioridade ao obturador e velocidades
e retrato diurno (à de obturação tais como 1/20. No entanto, é sempre necessário experimentar
direita). porque é difícil prever os resultados.
O flash foi usado em
modo de sincronização
lenta, fazendo com
que a noiva apareça
imobilizada, enquanto
que as luzes no plano
de fundo apareçam
turvas e arrastadas.

http://www.photocourse.com/itext/G-sync/

Em muitos casos, a velocidade de obturação utilizada neste modo, permite que


apareça um arrasto em objectos em movimento, ou que a imagem fique tremida
devido aos movimentos da própria câmara. Para o evitar, use um tripé e fotografe
motivos estáticos. Ou então use criativamente este efeito. Uma explosão de luz de
flash, combinada com um tempo de obturação muito longo pode proporcionar
efeitos interessantes. O flash imobiliza nitidamente os objectos, e os movimentos
da câmara ou dos objectos iluminados por uma luz fraca turvam a imagem,
criando faixas, durante o tempo em que o obturador está aberto.
Quando usa o flash de sincronização lenta, algumas câmaras permitem a
escolha entre a sincronização à primeira ou à segunda cortina. A sua escolha
determina se o flash dispara imediatamente após a abertura da primeira cortina,
O flash de sincronização
ou imediatamente antes do aparecimento da segunda. As diferenças podem ser
lenta usado ao surpreendentes. Por exemplo, ao fotografar o movimento de um carro à noite,
pôr‑do‑sol capturou a sincronização à primeira cortina vai fazer com que o rasto de luzes apareça à
as gaivotas em pleno
voo, com efeitos
frente do carro, enquanto que a sincronização à segunda cortina faz com que
interessantes. apareça atrás do carro em movimento.

172 Este livro tem o apoio da


Controlar a Exposição do Flash

Controlar a Exposição do Flash

Com uso do flash, por vezes o objecto principal da fotografia fica muito escuro, ou
demasiado iluminado, ou o flash de enchimento não proporciona os resultados
esperados. Estas situações acontecem por uma variedade de razões. É possível que
o objecto esteja demasiado próximo ou afastado da câmara, pode ser demasiado
pequeno ou estar demasiado descentrado, ou pode ser muito escuro ou claro contra
um fundo com a tonalidade oposta. Como já foi abordado anteriormente, é possível
O flash proporciona usar a compensação, o bracketing, e o bloqueio para controlar a exposição. Com
geralmente boas algumas câmaras é possível ter o mesmo tipo de controlo, quando utilizar o flash.
exposições, mas
se o sensor for
bloqueado, é possível
obter resultados Bloqueio da Exposição do Flash
estranhos, tais como O bloqueio da exposição do flash (FE-L – Flash Exposure Lock) funciona de uma
esta sobreexposição
grosseira do objecto forma muito semelhante ao bloqueio da exposição automática (AE Lock). Quando
principal. escolhe esta opção e pressiona o botão do obturador, é disparado um “pré-flash”
e o sistema de exposição lê e armazena temporariamente os valores da exposição
do flash. Depois é possível recompor a cena, realizar ajustes de exposição ou foco,
e então tirar a fotografia, usando os valores armazenados. O bloqueio da exposição
do flash é extremamente útil quando o objecto principal da cena está descentrado
Ícone típico de
no enquadramento. Também torna possível a eliminação de potenciais erros de
compensação do flash. exposição causados por reflexos indesejados de superfícies altamente reflectoras,
tais como espelhos ou janelas.

http://www.photocourse.com/itext/flashcomp/
Compensação da Exposição do Flash
Clique para explorar Se o objecto fotografado com flash fica demasiado escuro ou iluminado, é possível
a compensação da
exposição do flash. usar a compensação da exposição do flash. Este modo funciona exactamente da
mesma forma que a compensação da exposição, ajustando a potência do flash, sem
alterações na abertura do diafragma ou no tempo de exposição. Esta é uma forma
ideal de equilibrar a luz do flash e a luz natural ao usar o flash de enchimento, e

+2 +1 0 -1 -2

As cinco fotografias de expor correctamente cenas ou objectos que são mais escuros ou claros que o
foram tiradas com
flash. A diferença de
normal. A função de compensação da exposição permite geralmente a variação das
exposição do flash é de exposições do flash em mais ou menos 2 stops, em incrementos de 1/3 de stop.
1 valor de exposição
entre cada uma delas.
Compensação da Exposição e do Flash
Também é possível utilizar a compensação da exposição do flash em conjunto
com a compensação de exposição da câmara. A compensação da exposição da
câmara ilumina ou escurece o plano de fundo, que é iluminado com luz natural,
e a compensação da exposição do flash ilumina ou escurece o objecto iluminado
pelo flash. Esta é uma combinação eficaz de controlos de exposição que lhe permite
captar imagens exactamente como pretende.

Este livro tem o apoio da 173


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

Na imagem da
esquerda, foi usado o
flash para fotografar a
flor. Na direita, o valor
de compensação da
exposição foi ajustado
para -2, para escurecer
o plano de fundo.

Bracketing da Exposição do Flash


O bracketing da exposição do flash (Flash Exposure Bracketing - FEB) é uma
forma de compensação automática da exposição do flash. Este modo capta
uma série de imagens com flash, com valores ligeiramente diferentes, acima
e abaixo da exposição recomendada pelo sistema de exposição automática. A
É possível utilizar um
potência do flash altera-se em cada imagem, enquanto o nível de exposição
flashmeter para verificar do plano de fundo permanece o mesmo.
os valores de exposição
com o uso de flash.
Cortesia da Sekonic. Sincronização de Alta-Velocidade
Numa câmara com obturador de plano focal, é possível utilizar tempos de exposição
mais curtos que a velocidade de sincronização do flash, se o flash usado tiver
uma função chamada sincronização de alta velocidade (Também chamada de
http://www.photocourse.com/itext/fpflash/
sincronização de plano focal). Este modo é capaz de expor totalmente uma imagem,
porque o flash dispara repetidamente, ao mesmo tempo que a abertura das cortinas
do obturador se vai deslocando ao longo do sensor de imagem. A única desvantagem
deste modo é que a intensidade do flash é reduzida, e por isso o objecto não pode
estar tão afastado, como poderia com um disparo normal. Quanto mais curto for o
tempo de exposição, mais próximo o objecto tem que estar.
Como esta função torna possível o uso de flash em tempos de exposição muito
curtos, ela aumenta as oportunidades da utilização do flash em exteriores, com luz
natural muito intensa.
Aqui são apresentadas algumas situações em que esta função é útil.
• Imobilizar uma acção, usando um tempo de obturação mais curto, ou obter um
plano de fundo desfocado, utilizando uma abertura de diafragma maior.
• Captar os reflexos do flash, que fazem brilhar os olhos do modelo de um retrato.
O flash estroboscópico
imobilizou
(catchlights)
repetidamente
o movimento da
• Iluminar as sombras da imagem.
cabeça do pássaro do
brinquedo
Flash Estroboscópico
http://www.photocourse.com/itext/strobe/
A função de flash estroboscópico dispara o flash várias vezes a alta velocidade, para
capturar múltiplas imagens do mesmo objecto, na mesma fotografia. Existem vários
exemplos deste tipo de utilização do flash em fotografia de desporto, o que torna
possível demonstrar ou analisar a oscilação de um taco ou bastão, por exemplo.
174 Este livro tem o apoio da
Utilizar um Flash Externo

Utilizar um Flash Externo

O flash integrado é muito conveniente, porque o acompanha aonde quer que


vá. No entanto, estas unidades de flash não têm muito alcance e é impossível
afastá-lo da câmara para eliminar os olhos vermelhos. As imagens captadas
com este tipo de flash também costumam ter uma iluminação monótona e
sem sombras, que minimiza os volumes e as texturas das superfícies. Para
ultrapassar estes problemas é necessário um flash externo.

Ligações de Flashes Externos


Uma sapata ou conexão
de sincronização Existe mais do que uma maneira de ligar um flash externo a uma câmara:
permite a ligação de
uma unidade externa de • Uma sapata para flash (hot shoe) segura um flash externo no topo da câmara e
flash à câmara. Imagem providencia as ligações eléctricas entre o flash e a câmara. Basta deslizar a base
cortesia da Olympus. do flash para dentro da sapata e apertar uma roda para segurá-lo no seu lugar.
Também há cabos de extensão com sapata que permitem montar o segurar o
flash longe da objectiva para obter uma iluminação lateral mais dramática, e
eliminar os olhos vermelhos. Estes cabos também podem ser utilizados para ligar
uma potente unidade de flash de punho.
• O terminal PC (Prontor-Compur) é usado para ligar luzes de estúdio, usando
um conector de rosca para uma ligação segura. Este tipo de ligação também
permite ligar uma unidade de flash separada com um cabo de sincronização. Este
cabo de sincronização faz a mesma ligação eléctrica que a sapata, mas permite
Flash de punho com retirar o flash da câmara. Muitas câmaras possuem aquilo que parece ser uma
controlo remoto.
sapata sem ligações eléctricas. A única função destas sapatas é segurar o flash
no topo da câmara, enquanto as ligações eléctricas são feitas com um cabo de
sincronização ligado a um terminal PC.
• Ligação sem fios. Se a sua câmara não possuir uma sapata ou outra ligação
para flash, tal como acontece com muitas câmaras de bolso, é possível usar uma
unidade escrava de flash. Estas unidades têm um sensor que dispara o flash
sempre que é disparado o flash integrado da câmara. Como muitas câmaras
digitais disparam o flash duas vezes por cada fotografia (o primeiro disparo é
usado para determinar o balanço de brancos, e por vezes, o foco), estas unidades
escravas estão projectadas para disparar apenas quando acontece o segundo
disparo do flash da câmara.

Ken Kobre, autor de


um texto best seller
sobre fotojornalismo,
desenvolveu o
Lightscoop, que amplia
a superfície do flash
integrado, para suavizar
a sua luz. Cortesia de
www.lightscoop.com.

Uma pequena unidade


escrava de flash pode
ser ligada a uma
câmara de bolso, para
aumentar o alcance do
flash.

Este livro tem o apoio da 175


Capítulo 7. Fotografia com o Flash da Câmara

http://www.photocourse.com/itext/tilthead/
Unidades de Flash Dedicadas
As unidades externas de flash são disponibilizadas por várias fontes diferentes,
mas as melhores são as chamadas unidades de flash dedicadas, que são geralmente
disponibilizadas apenas pelo fabricante da câmara. O termo “dedicadas” significa
que a unidade de flash está projectada para funcionar com um modelo de câmara
específico. Apenas o flash dedicado é completamente integrado no sistema de
exposição automática da câmara, oferecendo funções adicionais para expandir
as capacidades da câmara. As unidades de flash não dedicadas têm que ser
normalmente utilizadas em modo manual. Uma das vantagens do flash dedicado
é que o sistema de exposição da câmara isola o flash quando é atingida a exposição
correcta, tal como acontece com o flash integrado. As unidades de flash que não são
projectadas especificamente para o modelo da sua câmara, disparam normalmente
a potência máxima, e a exposição tem que ser controlada através dos parâmetros
da câmara. Os flashes dedicados também fazem zoom, para cobrir a cena inteira,
de forma a acompanhar o zoom ou a troca das objectivas. Assim como ao afastar
o zoom, aumenta o ângulo de visão, o flash expande o seu feixe de luz de forma a
cobrir toda a área. Ao aproximar o zoom, ou trocar de objectiva para uma distância
focal mais longa, o feixe de luz do flash estreita-se, aumentando o seu alcance.
Uma das maiores vantagens de muitas unidades externas, é que permitem
rodar a cabeça do flash, para reflectir a sua luz em paredes, tectos, ou reflectores
próprios. Isto permite difundir e suavizar a luz, iluminar as sombras e distribuir
Ring-Lite, da Canon
desenhado para
a luz sobre uma área muito maior. Os objectos de fundo ficam muito mais
fotografia de close-up. iluminados do que com o flash directo. A luz reflectida percorre uma distância
muito maior, pelo que o alcance do flash é menor. É possível verificar que
algumas divisões são demasiado grandes para que o flash reflectido funcione
eficientemente, a menos que haja outro objecto grande e claro, que não as
paredes ou o tecto, onde reflectir a luz do flash. Usar o flash desta forma também
consome mais energia, pelo que o tempo de reciclagem se torna maior.

Flash Anelar
Existem duas importantes razões para usar o flash em fotografia de close-up.
Com o uso de um flash, é possível usar aberturas menores para obter uma
maior profundidade de campo, e explosões de luz muito curtas, a pequenas
distâncias, evitam que a imagem fique tremida devido a movimentos do
objecto ou da câmara.
Uma nova variação do Também é possível reflectir a luz do flash num reflector para iluminar o objecto
flash anelar é o Twin
Lite da Canon, que tem
de outro ângulo, para obter um melhor efeito de luz. Um tipo de flash especial
duas cabeças de flash para esta utilização é o flash anelar. Estas unidades de flash, que encaixam
ajustáveis. Funciona em volta da objectiva e disparam um circulo de luz para o objecto, são ideais
quase como um estúdio
montado na câmara.
para fotografia de close-up, nos ramos da medicina, medicina dentária e
fotografia de natureza. Como este tipo de flash não produz sombras, é possível
determinar o disparo de apenas um dos lados do anel, ou que um dos lados
dispare com mais intensidade que o outro, para que sejam formadas sombras
que revelem a textura e modelação do objecto. A Canon fabrica o flash Macro
Twin Lite, projectado para fotografia de close-up profissional. Existem também
outras empresas que fabricam unidades de flash semelhantes a esta. Nestas
unidades de flash, as cabeças podem ser rodadas independentemente à volta
da objectiva, apontadas separadamente e até mesmo removidas do suporte e
montadas fora da câmara.

176 Este livro tem o apoio da


Flash Externo e Acessórios

Flash Externo e Acessórios

Existe uma variedade de acessórios para flashes externos, tanto para uso geral,
como para fotografia de estúdio.
• Os alimentadores para flash contêm grandes baterias recarregáveis que se
ligam ao flash por cabo, e são suficientemente compactos para transportar no
cinto. Eles não só possibilitam a realização de sessões fotográficas mais longas,
Os alimentadores como também reduzem o tempo de reciclagem da carga do flash (o tempo que
aceleram os tempos de demora o flash a recarregar para estar pronto para a próxima fotografia). Com
reciclagem e permitem
a realização de sessões
um acessório deste tipo, nunca vai falhar uma fotografia por causa da falta
fotográficas mais de bateria ou porque o flash não reciclou suficientemente depressa. Quando
longas. acontece, numa série de fotografias, aparecer uma que é muito mais escura que
as outras, quer dizer que foi tirada antes do flash ter tido tempo para recarregar.
• Os suportes para flash, muitas vezes utilizados pelos fotógrafos de casamentos,
elevam o flash para que fique mais afastado do eixo da objectiva. Isto não só
elimina os olhos vermelhos, como também permite iluminar a cena de um
ângulo que produza algumas sombras. Estes suportes são montados na câmara
através do encaixe para o tripé. O flash é encaixado numa sapata sem ligações e
estas são feitas através de um cabo de sincronia.
Suporte para flash.
• Os reflectores de flash reflectem a luz emitida pelo flash, suavizando-a, porque
usam uma maior superfície reflectora. Uma das versões destes reflectores usa
aberturas para permitir que alguma da luz seja reflectida pelo tecto, enquanto
que o resto é reflectido na direcção do objecto.
• Os difusores de flash são como caixas de luz translúcidas que espalham a luz do
flash, de forma a suavizá-la.
• Os cabos de extensão (mostrados abaixo) permitem ligar o flash à câmara
sem ter que o montar na sapata. Isto permite usar o flash a alguma distância
da câmara, através do uso de um tripé. O flash integrado na câmara está muito
perto do eixo da objectiva, e dispara ao longo desse mesmo eixo. Afastar o flash
da objectiva usando um cabo de extensão permite obter efeitos de luz mais
interessantes e projectar sombras que mostram a textura e o relevo dos objectos.

Reflectores de flash.

Difusor de flash.

Este livro tem o apoio da 177


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Capítulo 8
Fotografia de Estúdio

A
luz que necessita para fotografar é muitas vezes proporcionada pela
Natureza. No entanto, há alturas em que não existe luz suficiente,
ou o tipo certo de iluminação, para a realização dos seus objectivos.
Nestas alturas, os fotógrafos usam flashes electrónicos ou luzes de
estúdio, acompanhados de reflectores, difusores e outros dispositivos que
ajudam a controlá-los. Os estúdios profissionais gastam pequenas fortunas
em equipamento de iluminação, mas nem toda a gente precisa de um estúdio
profissional. Ruth Bernhard, que recebeu parte dos seus conhecimentos de
Edward Weston, fez fotografias fantásticas de conchas, com o equipamento mais
simples e barato que se possa imaginar. Em 1945, escreveu: “Antes de fotografar,
eu dedico muito tempo ao estudo da iluminação. Gosto de utilizar projectores
pequenos e pouco potentes em combinação com espelhos de toilette – do tipo
das “lojas dos 300”. Raramente direcciono a luz directamente para a superfície,
prefiro usá-la tangencialmente. Se alguma sombra mais dura interfere com a
delicadeza da composição, uso ecrãs de difusão, mesmo nos espelhos. Com uma
luz suave e pouco abundante, e um planeamento cuidado, a lindíssima forma
plástica da concha pode ser recriada.” Por causa do custo e dos conhecimentos
requeridos, a fotografia de estúdio tem estado reservada aos fotógrafos
profissionais. No entanto, com o aparecimento das câmaras digitais e a enorme
expansão de publicações baseadas na Internet e de leilões on-line, este tipo de
fotografia é realizado hoje em dia por milhões de fotógrafos amadores.

178 Este livro tem o apoio da


Utilizar a Iluminação Contínua

Utilizar a Iluminação Contínua

Umas das coisas que o uso de câmaras digitais fez renascer é a iluminação contínua
em estúdio, semelhante aos candeeiros de pé ou de mesa, que temos em casa. Este
tipo de luz desapareceu, quando a iluminação de flash foi introduzida na fotografia
de filme. Era necessário utilizar filtros na objectiva ou no projector, para fazer
corresponder a luz com o tipo de filme utilizado. A escolha dos filtros certos requer
muitos conhecimentos e experiência, já que só se podem conferir os resultados
depois do filme ser revelado. No entanto, com as câmaras digitais, o balanço de
brancos elimina esta preocupação, e por isso a iluminação contínua voltou a ser
popular, especialmente em estúdios domésticos, ou de pequenos negócios. Uma
das grandes vantagens da luz contínua é que torna possível visualizar o seu efeito
directamente, ou através do visor da câmara. Quando muda as luzes de posição,
consegue ver as alterações nas altas luzes e nas sombras. Isto permite-lhe interagir
directamente com a montagem da iluminação, fazendo com que pareça que está a
pintar com luz.
Suporte de luz O único problema deste tipo de iluminação é o calor que é gerado por alguns tipos
desmontável.
Imagem cortesia de de lâmpadas, especialmente as de tungsténio e as de halogénio. A utilização de
Smith‑Victor. lâmpadas mais recentes, muito mais frias, elimina ou reduz dramaticamente este
problema. Existem três componentes a ter em conta neste tipo de iluminação:
suportes, reflectores e lâmpadas.

Suportes
Existem suportes de variados estilos e preços. O seu objectivo é servir de apoio
a projectores, sombrinhas, difusores, caixas de luz, e outros dispositivos de
iluminação com posições fixas. Geralmente são desmontáveis, para facilitar a sua
arrumação, e têm pernas seccionadas para permitir o ajuste da altura. Também é
possível adicionar um braço extensor (boom) para aumentar a distância a que se
encontram as luzes, os reflectores, difusores e outros dispositivos. Para a maioria
Os reflectores para das finalidades, os suportes não precisam de ser muito altos, basta que tenham
projectores e outro entre 1,8 e 2,5 metros.
tipo de lâmpadas estão
disponíveis para quase
todos os suportes de Reflectores
luz. Imagem ortesia de
tabletopstudio.com Existem vários tipos de reflectores, desde os que se encontram em lojas de
ferragens, a dispendiosos reflectores profissionais. Há várias características a
considerar ao escolher reflectores:
• A forma como são montados nos suportes que planeia usar. Se a montagem não
for segura, o reflector pode sair de posição a qualquer altura.

Um braço de extensão • O tamanho e o ângulo da luz que o reflector projecta. Alguns projectam feixes de
montado num suporte luz mais estreitos que outros. Alguns são mesmo classificados como pontuais ou
de luz permite amplos por causa dos seus ângulos de cobertura.
posicionar o projector
por cima do objecto • A voltagem para a qual estão projectados.
sem que o suporte
apareça na fotografia.
Imagem cortesia de Lâmpadas
Smith-Victor.
A lâmpada é a parte mais crítica do sistema de iluminação contínua.
• As lâmpadas de tungsténio, especialmente os projectores para fotografia,
geram uma enorme quantidade de calor. Algumas têm durações muito curtas
(até 3 horas). Como eram o único tipo de lâmpada disponível quando uso deste
tipo de iluminação era mais popular, são responsáveis pelo nome alternativo da
iluminação contínua – hot lights (luzes quentes).

Lâmpada compacta • As lâmpadas HMI (Halide Metal Oxide) são lâmpadas em arco, pequenas e
fluorescente. dispendiosas, que geram 4 ou mais vezes luz que as de tungsténio, com menor
emissão de calor. A temperatura de cor da sua luz é semelhante à da luz de dia.
Este livro tem o apoio da 179
Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

• As lâmpadas fluorescentes são baratas, geram menos calor, gastam 90% menos
energia e duram 100 vezes mais do que as lâmpadas de tungsténio (até 10000
horas). A sua potência também pode ser descida até 3% do total, proporcionando
uma temperatura de cor mais consistente. Um novo género de lâmpada
fluorescente, chamada lâmpada fluorescente compacta (CFL) está disponível em
várias temperaturas de cor. A lâmpada de 6500ºK emite luz branca, geralmente
chamada de Cool Daylight (luz de dia fria), as de 5000ºK equiparam-se à luz do
O Tri-Lite da Calumet meio-dia. Como estas lâmpadas têm tão boas características, são a melhor opção
usa três lâmpadas para a fotografia digital.
fluorescentes que quase
não geram calor. Isto O sistema de balanço de brancos da câmara é capaz de captar correctamente
permite posicionar a as cores sob qualquer tipo de iluminação. No entanto, é preciso lembrar que
luz perto do objecto,
para obter o nível
tipos de luzes diferentes projectam cores diferentes numa composição. É por
máximo de iluminação isso que as fotografias tiradas dentro de casa têm normalmente uma dominante
sem o danificar devido avermelhada, e as que são tiradas sob luzes fluorescentes têm uma aparência
à exposição a calor esverdeada. Quando escolher luzes ou lâmpadas para o estúdio, especialmente
intenso.
de iluminação contínua, deve investigar dois termos relacionados com a cor,
usados para as descrever – temperatura de cor e índice de reprodução de cor
(color rendering index)
• A temperatura de cor descreve o quão fria ou quente é a fonte de luz. Por
exemplo, as lâmpadas incandescentes têm uma tonalidade mais quente e
mais avermelhada do que as HMI, que são mais frias. A temperatura de cor é
expressa em graus Kelvin (K). A luz de dia, num dia sem nuvens, ronda os 6500º
Kelvin, uma mistura da luz do sol a 5500ºK com a luz do céu a 9500ºK. As
luzes com temperaturas de cor mais baixas são mais avermelhadas, as de maior
temperatura têm tonalidades azuis. Para medir a temperatura de cor, é possível
Os projectores mais usar um colorímetro. Este dispositivo é bastante dispendioso, e apesar de ser
baratos para fotografia
digital são os candeeiros
crucial em fotografia de filme, não é tão necessário em fotografia digital, por
de mesa com braço causa do sistema de balanço de brancos.
articulado. Combinam
suporte e lâmpada em • O índice de reprodução de cor (CRI – Colour Rendering Index) é uma medida
apenas uma unidade. relativa que indica a forma como as cores mudam, quando iluminadas por um
género de lâmpada particular, quando comparada com uma fonte de luz de
referência, como a luz de dia. A luz de dia tem um CRI de 100, o máximo valor
possível.
Quanto mais perto o CRI de uma fonte de luz estiver dos 100, mas exactamente
reproduz as cores. A potência da luz contínua é geralmente expresso em watts, e
ocasionalmente em lúmen.
Para verificar se os seus • Os watts descrevem o consumo da potência, e não a quantidade de luz emitida.
fusíveis ou disjuntores Por exemplo, pode haver vários sistemas de iluminação que usem lâmpadas de
vão aguentar as luzes
que pretende usar, 100 watts, mas a sua eficiência de rendimento pode variar até 100%, ou mais.
adicione todas as
voltagens e divida-as • Os lúmenes indicam a intensidade da luz contínua e são a medida da potência
por 110, para calcular total de uma lâmpada. Uma lâmpada fluorescente compacta de 27 watts tem
o número de amperes. 1750 lúmenes, o mesmo que uma lâmpada de tungsténio de 100 watts.
Se o resultado for um
número superior ao • A eficiência do reflector assegura que a luz disponível seja direccionada para
dos fusíveis ou dos o objecto a ser fotografado, e não para áreas fora do campo de visão da câmara.
disjuntores, use menos
potência ou ligue as Geralmente, quanto mais brilhante for uma luz, menor é a abertura de diafragma
luzes em circuitos necessária, ou maior pode ser a distância entre o objecto e os projectores. No
diferentes entanto, para fotografar sobre uma mesa, quase qualquer tipo de luz funciona.
Alguns projectores de luz contínua vêm equipados com um interruptor
regulador de potência. Isto permite ajustar a luminosidade da lâmpada sem
alterar a distância entre o projector e o objecto. No entanto, é preciso lembrar
que a alteração da luminosidade de uma lâmpada, afecta a temperatura de cor
da sua luz. Ajuste sempre o balanço de brancos da câmara depois de alterar a
luminosidade de uma lâmpada.

180 Este livro tem o apoio da


Utilizar a Iluminação de Flash

Utilizar a Iluminação de Flash

As cabeças de flash são a força de trabalho de um estúdio profissional, e são


basicamente versões maiores e mais potentes do flash da câmara. Geram
menos calor que muitas luzes contínuas, principalmente porque disparam
“relâmpagos” de luz muito curtos. Estes relâmpagos têm uma duração tão
curta, que também imobilizam a acção. Como a lua luz não está sempre ligada,
as cabeças de flash têm geralmente luzes modeladoras de baixa intensidade,
para que consiga ver de que maneira a luz ilumina o sujeito. As cabeças de flash
são óptimas, mas custam centenas, e às vezes milhares de euros. Um estúdio
normalmente tem uma ou mais cabeças de flash leves, que contêm as lâmpadas
de flash, ligadas por cabos de alta voltagem a um alimentador externo que
controla a luz. As chamadas “monolights”, por outro lado têm todo o circuito
eléctrico necessário integrado na própria cabeça de flash.
A potência destas unidades de flash é normalmente especificada em watts
por segundo. Quanto maior for o valor, mais potente é o flash. Outro atributo
importante é o tempo de reciclagem. Quanto mais curto for, mais rapidamente
se liberta, de modo a tirar a próxima fotografia. A potência de um flash é
importante em relação ao tamanho do objecto. Para fotografar objectos
As unidades de flash de pequenos, não necessita de tanta potência como para fotografar grandes
estúdio são constituídas composições. No entanto, quanto maior for a potência utilizada, menor
pela cabeça do flash,
pelos suportes,
pode ser a abertura de diafragma, proporcionando às imagens uma maior
que as seguram, e profundidade de campo, especialmente importante em fotografia close-up.
alimentadores que
providenciam a potência Muitas câmaras digitais com objectivas fixas, têm uma abertura mínima
necessária para as relativamente grande, de valores aproximados de f/11. É possível que o
disparar. Imagem
cortesia de Bogen Photo
diafragma não feche o suficiente para prevenir a sobreexposição do objecto,
Corp. quando fotografa com iluminação de flash mais potente. Isto força-o a afastar
a cabeça de flash do objecto, dificultando a tarefa da iluminação. Demasiada
As “monolights” são potência nem sempre é uma coisa positiva.
unidades de flash
com todo o circuito Algumas cabeças de flash usam o zoom, para ajustar o cone de luz. Para que
eléctrico necessário as especificações sejam consistentes, a largura deste cone é normalmente
ao seu funcionamento
integrado na
determinada a 3 metros (aproximadamente 10 pés) de distância da lâmpada.
cabeça, para que
não seja necessária
a utilização de um
alimentador externo.
Imagem cortesia de
Smith‑Victor.

Não é possível usar o


fotómetro normal para
determinar o valor
de exposição de uma
imagem captada com
cabeças de flash. É
possível determiná‑lo
por tentativa e erro,
ou utilizando um
flashmeter.

Este livro tem o apoio da 181


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Ligar a Câmara às Luzes de Estúdio

Para fotografar com iluminação de flash, é necessário ligar as cabeças à câmara,


de modo a que estas disparem quando pressiona o botão do obturador. (A
iluminação contínua não precisa de ser ligada à câmara). Para isso, existem
vários tipos de ligação.

Sapatas
câmaras têm uma
sapata, na qual pode Muitas câmaras têm uma sapata na qual pode ser ligado um flash externo,
ser introduzido um flash que está projectado para funcionar com a câmara. As ligações eléctricas para o
externo.
obturador e para o sistema de exposição automática são feitas automaticamente
assim que o flash é colocado no seu lugar. Existem adaptadores para estas
sapatas que permitem a ligação de cabeças de flash de estúdio.

Terminal PC
Um terminal PC (Prontor-Compur) localizado no corpo de algumas câmaras
permitem a utilização de cabos para ligar as unidades de flash. O cabo que se liga
Terminal PC a um terminal PC chama-se cabo de sincronização, ou cabo PC. Quando tira uma
fotografia, é enviado um sinal, a partir da câmara e ao longo do cabo, que faz o
flash disparar. Quando uma determinada câmara não possui um terminal PC,
mas tem uma sapata, é possível usar um adaptador que permita a utilização de
um cabo de sincronização.
Quando uma unidade de flash é ligada a uma câmara pode ser aconselhável o
Cabo de sincronização. uso de um regulador de voltagem. Estes dispositivos reduzem a voltagem de
Cortesia de Paramount sincronização para os 6 volts, protegendo a câmara de picos de voltagem, que a
Cords.
danificariam.

Flash remoto sem fios


É possível transformar várias unidades de flash externas, em mini cabeças de
estúdio, através da utilização de disparadores de flash remotos. Estes dispositivos
económicos (integrados em algumas unidades de flash), transformam qualquer
Lâmpada escrava. flash numa unidade escrava, disparando-o, sempre que detecta o disparo de
Imagem cortesia de
Smith-Victor. outro flash. Isto permite obter efeitos de iluminação que não são possíveis com
a utilização de apenas uma unidade de flash. Algumas unidades mais avançadas
atingem o mesmo objectivo utilizando sinais ópticos ou de rádio. É montado um
flash principal, ou um transmissor na sapata da câmara, que transmite sinais
sem fios para as unidades escravas, indicando-lhes os parâmetros a utilizar e
quando disparar. O flash principal da câmara pode ser activado ou desactivado,
transmitindo na mesma o sinal para as unidades remotas de flash.
Com unidades mais dispendiosas, a relação das potências de diferentes unidades
escravas pode ser estabelecida para afinar as exposições. Esta situação é ideal
para a iluminação do fundo, quando se fotografa num cenário de estúdio.
Quando é utilizado um flash remoto sem fios, é possível recorrer a uma luz
Disparador de flash piloto, ou modeladora, que ilumina o objecto por um curto período de tempo,
remoto. Dispara o flash para ajudar a prever os efeitos do flash, tais como as sombras e as altas luzes.
ao qual está ligado
quando o flash principal
é disparado. Imagem
cortesia de Vivitar.

182 Este livro tem o apoio da


Compreender a Luz Dura e Suave

Compreender a Luz Dura e Suave

A luz que ilumina as cenas em interiores ou exteriores, pode variar de luz


suave a luz dura. O facto que faz com que a luz que ilumina um objecto
seja dura ou suave depende de uma coisa apenas, os tamanhos relativos
do objecto e da fonte de luz. Uma fonte de maiores dimensões envolve um
pequeno objecto com a sua luz. Uma fonte mais pequena que direcciona a luz
para um maior objecto, cria sombras duras e um contraste muito elevado.
Para imaginar este conceito, pense na luz que ilumina uma paisagem num
dia de sol. O sol é pequeno comparado com a paisagem, e por isso a sua luz
é dura. As fotografias ficam com sombras negras ou altas luzes queimadas.
Agora imagine uma fina camada de nuvens ou nevoeiro a cobrir o céu. O sol
bate nas nuvens ou no nevoeiro, transmitindo assim a sua luz a partir de toda
a área do céu. A fonte de luz tornou-se dramaticamente maior, e a sua luz
difusa suaviza as sombras e baixa o contraste das imagens.
Existem duas maneiras de suavizar a luz em interiores, além de a aproximar
do objecto – utilizando reflectores e difusores. Para obter uma luz mais dura,
afaste a fonte do objecto, ou use uma lâmpada ou um flash desprotegidos.
Quando uma lâmpada é montada num reflector, este passa a ser a fonte de
luz a considerar, que é muito maior. Usar uma lâmpada sem reflector, torna
A Smith-Victor fabrica
um dispositivo de luz a fonte de luz muito mais pequena. Como pode ser considerada quase como
suave que esconde a uma fonte pontual, ela projecta uma luz dura no objecto. No entanto, como
lâmpada e reflecte a luz lhe falta um reflector, para fazer convergir a luz, o seu alcance também é
num grande reflector
curvo. menor do que o de outros tipos de luz.

A luz dura é criada


quando a fonte é
pequena em relação ao
objecto.

http://www.photocourse.com/itext/lightquality/
Clique para explorar a
luz dura e suave.

Luz Objecto
Uma caixa de luz cria
um banco de luz suave
quando é posicionada
perto de um objecto. As
caixas de luz também
são equilibradas para
luz de dia.

Este livro tem o apoio da 183


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

A luz suave é criada


quando a fonte de luz é
extensa em relação ao
objecto.

Luz Objecto
A bola de basebol
foi fotografada com
luz dura (em cima, à
esquerda) e com luz
suave (em baixo, à
direita). As diferenças
são flagrantes. A luz
suave “envolve” a bola,
porque a sua fonte é
muito maior. A luz dura
tem um efeito mais
dramático na textura da
superfície da bola.

A Smith-Victor fabrica
um ecrã difusor que
alarga o tamanho da
fonte de luz. Este ecrã
reduz a influência da
luz directa da pequena
lâmpada montada no
reflector.

184 Este livro tem o apoio da


Utilizar Cartões de Enchimento e Reflectores

Utilizar Cartões de Enchimento e Reflectores

Os cartões de enchimento e os reflectores executam duas tarefas importantes


– suavizam a luz ao aumentar a dimensão da sua fonte, e redireccionam-na para
abrir as sombras e baixar o contraste.
Uma luz posicionada de um dos lados de um objecto, vai deixar o outro lado à
sombra. Ao colocar um reflector – por vezes chamado de cartão de enchimento
– no outro lado, é possível reflectir alguma da luz de novo para o objecto, abrindo
desse modo as sombras com a luz reflectida. Uma pequena luz reflectida por
um grande reflector, não só é redireccionada, mas também é suavizada, já
Os LiteDiscs da que o reflector passa a ser considerado a fonte de luz – este é o mesmo efeito
PhotoFlex são flexíveis. causado pela luz de um flash reflectida numa parede ou num tecto. É possível
Dobram-se para serem
facilmente arrumados,
adquirir reflectores com superfícies lisas ou enrugadas, numa extensa variedade
e expandem-se para de formas e cores, incluindo branco, preto, prateado ou dourado. Quanto mais
serem utilizados. enrugada for a superfície de um reflector, mais difusa é a luz por ele reflectida. A
Imagem cortesia de
PhotoFlex.
utilização de um reflector dourado proporciona uma luz de tons mais quentes.
É possível fazer reflectores a partir de placas de k-line, disponíveis nas lojas de
arquitectura ou belas-artes, ou cortando uma caixa de cartão, cobrindo-a depois
com folha de alumínio. Também é possível amachucar a folha de alumínio e
voltar a alisá-la para obter um efeito de luz mais difusa. Quando cortar as caixas
Este par de fotografias
mostra o impacto de cartão, aproveite as dobras para fazer grandes reflectores desdobráveis.
dramático que um Também pode considerar usar os reflectores usados para os pára-brisas dos
cartão de enchimento automóveis em dias de sol. O tipo de reflector mais portátil e de mais fácil
pode ter. Na imagem
de cima, o carro está arrumação é o tipo que se torce e dobra, ficando com dimensões suficientemente
iluminado por trás, reduzidas para caber dentro de uma pequena bolsa.
e por isso a parte da
frente está à sombra.
Na imagem de baixo,
foi utilizado um cartão
de enchimento para
reflectir a luz de novo
para o automóvel.

O suporte de bolso para


reflectores da LastoLite
permite colocar um
pequeno reflector em
qualquer lado. Imagem
cortesia de Bogen Photo
Corp.

sistema reflector
TableTop da LumiQuest.

Este livro tem o apoio da 185


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Um tipo muito popular de reflector é a sombrinha. O flash dispara na


direcção da sua parte interna, que está virada para o objecto. Este é
iluminado por uma luz suave, que é reflectida pela superfície de grandes
dimensões da sombrinha.
Como a superfície da
sombrinha é maior
do que a da lâmpada,
esta reflecte uma luz
mais suave no objecto.
Imagem cortesia de
Smith-Victor.

Um simples espelho de
toilette pode ser um
prático reflector.

As sombrinhas estão
disponíveis em vários
formatos, desde as de
montar na câmara, às
de tamanho jumbo.
Imagem da sombrinha
Jumbo, cortesia de
Bogen Photo Corp.
Imagem da sombrinha
de montar na câmara,
cortesia do BKA Group.

186 Este livro tem o apoio da


Utilizar Difusores

Utilizar Difusores

Num estúdio digital, as cabeças de iluminação têm geralmente pequenas


lâmpadas posicionadas perto do cenário. Por isso, a menos que o objecto
seja muito pequeno, a luz obtida é muito dura. Para suavizar a luz, coloca-se
um difusor entre a lâmpada e o objecto. A luz dura proveniente da lâmpada
passa pelo reflector, que passa a ser a fonte de luz. Como este é maior do
que a lâmpada, e está mais perto do objecto, projecta uma luz que envolve
o objecto e suaviza as sombras. Algumas empresas disponibilizam difusores
As estruturas de telas que têm o mesmo tamanho que as cabeças de flash, mas têm uma superfície
são baratas e podem
ser encontradas em
translúcida, o que dá a sensação que a luz é suavizada. No entanto, isto não é
qualquer loja de artigos verdade. O único factor que conta é o tamanho. Um difusor maior que a fonte
de belas artes, assim de luz original suaviza-a, mas se for do mesmo tamanho, apenas diminui a
como as folhas de papel
vegetal do mesmo
sua intensidade.
tamanho.
Um difusor pode ser feito utilizando a estrutura de uma tela de pintura, e
uma folha de papel vegetal de engenharia, ambos disponíveis em qualquer
As estruturas de
telas são montadas
sem ferramentas, e é
possível aplicar-lhes
papel vegetal com fita-
cola.

Difusor de tecido
montado num suporte.

loja de artigos de belas-artes. As estruturas para telas são muito úteis porque
podem ser adquiridas desmontadas, aos pares, e depois montadas em
diversos tamanhos. Estes difusores podem parecer simples, mas são usados
até por profissionais.

A Lastolite fabrica a
Ezybox, uma caixa
de luz desmontável
e de fácil arrumação.
Imagem cortesia de
Bogen Photo Corp.

Este livro tem o apoio da 187


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Uma caixa de luz de


grandes dimensões
proporciona uma
iluminação muito suave.
Imagem cortesia de
Smith-Victor.

O exCube permite
fotografar pequenos
objectos com luz difusa.

Um pequeno difusor
pode ser montado
numa unidade de flash
externo para suavizar
a luz.

Para fotografar o busto


da esquerda foi usado
um difusor, ao contrário
do busto da direita, que
foi fotografado com o
flash desprotegido.

Uma garrafa de plástico


translúcida pode ser
um óptimo difusor para
fotografar objectos de
pequenas dimensões.
Basta recortar o
gargalo, para colocar
a objectiva, e o fundo,
para colocar o objecto.

188 Este livro tem o apoio da


Outros Controlos de Iluminação

Outros Controlos de Iluminação

Existe uma variedade de dispositivos usados para direccionar ou controlar a


iluminação de estúdio, que podem ser adquiridos ou improvisados. Na maioria
dos casos, os acessórios são desenhados especificamente para uma marca, e nem
sempre estes são compatíveis com outras marcas. Normalmente, quanto mais
popular for a marca, mais acessórios são disponibilizados para os seus produtos.
• As cabeças zoom permitem ajustar a largura do feixe de luz.
Palas. Imagem cortesia • As palas são placas ajustáveis de metal preto que controlam a largura do feixe
de Smith-Victor.
de luz.
É possível posicioná-las de forma a evitar que a luz chegue a pontos onde não é
desejada. Quando uma luz está apontada para a câmara, pode-se ajustar uma das
palas para prevenir o aparecimento de reflexos indesejados (flare).
• Os cones são montados nas cabeças de flash para estreitar o feixe de luz e
direccioná-lo para o objecto, não afectando as áreas circundantes.
Cone. Imagem cortesia • As gelatinas são filtros coloridos que podem ser colocados à frente da cabeça
de Smith-Victor. de flash para alterar a cor da luz projectada. Para obter o máximo efeito, ajuste
o balanço de brancos da câmara para o tipo de luz utilizada antes de montar o
filtro. Para montar as gelatinas, são usados suportes que se prendem à parte
frontal da cabeça do flash.
• Os ecrãs de tela são utilizados para reduzir a potência da luz, sem afectar a
temperatura de cor. Podem ser empilhados para obter variações de intensidade
de luz.

Ecrãs de tela. • As lentes Fresnel são utilizadas para fazer convergir o feixe de luz.
Imagem cortesia de
Smith‑Victor. • Os ecrãs difusores feitos de plástico, papel ou tecido translúcido, são colocados
à frente de uma fonte de luz para suavizá-la.
• As grelhas de favos tornam fazem com que a luz adquira um efeito mais
direccionado e menos difuso. Os raios de luz obtidos com este dispositivo são
mais paralelos e não suavizam as sombras nem os contrastes, como acontece
com a maioria dos difusores.
• Os gobos ou bandeiras são painéis colocados entre a fonte de luz e o objecto.
Estes bloqueiam a luz recebida pela objectiva ou por certas partes da cena, ou
Grelha de favos. criam padrões de sombras no plano de fundo ou no objecto. Uma forma de
Imagem cortesia de
Smith-Victor os utilizar é posicioná-los entre a luz e a parte mais iluminada do objecto para
reduzir o contraste e eliminar reflexos.
Ecrã difusor. Imagem
cortesia de Smith-Victor

Gelatinas (Snappies).
Imagem cortesia de
Smith-Victor

Este livro tem o apoio da 189


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Colocar tudo junto – Exposição e Balanço de Brancos

A maior vantagem de fotografar com uma câmara digital, é a possibilidade de


visualizar imediatamente a imagem captada, e realizar ajustes enquanto fotografa.
Quando a fotografia parece perfeita no monitor, é necessário transferi-la para o
computador para a ver ampliada e analisá-la correctamente. No entanto, quando
fotografa uma série de objectos, como por exemplo, para inserir num catálogo, é
necessário desenvolver um sistema que torne o processo mais rápido e consistente.
A sua câmara tem geralmente uma saída de vídeo que permite a sua ligação a um
televisor. Desta forma, cada imagem que captar no estúdio, é instantaneamente
mostrada. O ecrã do televisor, além de ser muito maior que o da câmara, é
ajustável. (Alguns ecrãs de câmaras também são ajustáveis. A maioria permite
o ajuste do brilho, e alguns permitem ajustar o matiz e a saturação.) Outra das
vantagens da visualização das fotografias no televisor, é que a sua densidade não é
alterada com o ângulo de visão, o que acontece com a maioria dos monitores das
câmaras. Este sistema também pode ser utilizado para fazer retratos e permitir que
os modelos os revejam à medida que cada fotografia é tirada. Isto faz com que as
sessões fotográficas se tornam mais interactivas.
Existem também alguns procedimentos que lhe permitem verificar se os valores
Cartão cinzento. de exposição e balanço de brancos que está a utilizar são os melhores. Apesar
poder visualizar os resultados das fotografias no monitor e fazer ajustes enquanto
fotografa, existem maneiras de tornar o processo mais eficiente e preciso. Estes
procedimentos envolvem fotografar cartões estandardizados que contêm escalas
de cinzas e amostras de cor.
• Fotografar um cartão cinzento ajuda-o a determinar com precisão o cinzento
O histograma da médio, colocando-o exactamente no meio do eixo horizontal do histograma.
fotografia do cartão Quando fotografa o cartão cinzento sob a mesma iluminação que vai ser utilizada
cinzento deve mostrar para fotografar o objecto, o histograma da imagem deveria mostrar um pico
um pico de informação
exactamente no meio de informação exactamente no meio do eixo horizontal. Se este pico estiver na
do eixo horizontal do parte esquerda do histograma, quer dizer que a imagem está demasiado escura, e
histograma. portanto, deverá usar a compensação da exposição para movê-lo para a direita, e
vice-versa.
Se nem todas as suas
fontes de luz têm a
mesma temperatura de
cor, é possível ajustar
o balanço de brancos
para uma situação,
mas não para todas as
combinações possíveis.
Nesta imagem, o
rapaz é iluminado
por luzes vermelhas,
verdes e azuis.
Quando uma delas é
bloqueada, é formada
uma sombra, que é o
resultado da mistura
das outras duas. Este
é o efeito obtido nas
áreas iluminadas
por fontes diferentes
daquelas para as quais
estabeleceu o balanço
de brancos.

190 Este livro tem o apoio da


Colocar tudo junto – Exposição e Balanço de Brancos

A partir do momento em que determinou o cinzento médio, pode verificar a gama


tonal e o balanço de brancos da câmara ou do televisor, para se certificar que as
cores mostradas são as melhores possível. Para o fazer, pode usar o mesmo valor
de exposição para fotografar os Guias de Separação de Cor da Kodak, e as escalas
de cinzas, disponibilizadas pela Calumet e pela B&H Photo. Deve começar por
fotografar estes cartões com a mesma luz que vai utilizar para fotografar o objecto.
Também pode colocá-los ao longo das margens das suas fotografias, para poder
utilizá-los mais tarde para assegurar uma reprodução exacta das suas cores.

Mapa de cores Macbeth. • A Escala de Cinzas da Kodak é utilizada para verificar se está a capturar todos
os valores tonais possíveis. A escala tem 20 passos, em incrementos de uma
décima da densidade, entre o branco 0.0, e o 1.90, um tom muito próximo do
preto. Quando fotografa esta escala, deverá ser capaz de ajustar os controlos de
brilho e contraste do monitor ou do televisor, até conseguir visualizar os 20 tons.
Se a imagem mostrar vários dos tons mais claros, todos brancos, quer dizer que a
imagem está sobeexposta. Se o mesmo acontecer nos tons mais escuros, a imagem
está subexposta.
O Guia de Separação
de Cor (em cima) e a • O Guia de Separação de Cor da Kodak oferece-lhe um termo de comparação entre
Escala de Cinzas (em a cor do objecto e cores impressas conhecidas. É possível usá-lo como um guia
baixo), ambos da Kodak
são disponibilizados em
para ajustar o balanço de brancos, o matiz e a saturação da sua câmara. Se enviar
dois tamanhos: 35 e 20 uma fotografia para uma gráfica, para ser incluída num catálogo, o guia ajuda a
cm. criar as transparências necessárias para a impressão. O cartão contém 9 parcelas,
com dois valores de saturação para cada uma. Quando fotografa estas parcelas de
cor, o seu objectivo é que as cores mostradas no ecrã se pareçam o mais possível
com as originais.

A saída de vídeo da
câmara pode ser
utilizada para ligar
um televisor durante
as suas sessões
fotográficas. Isto
permite a visualização
imediata da imagem,
em grandes dimensões.
(A folha usada no
projector previne que a
luz ilumine o plano de
fundo).

Este livro tem o apoio da 191


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Escolher um Plano de Fundo

Os objectos fotografados têm uma aparência melhor quando são colocados


sobre um plano de fundo apropriado e bem iluminado. O objectivo é ter um
plano de fundo que não retire a atenção do motivo principal. Se possível, ele
deve valorizar o objecto, mas até certo ponto, deve ser neutro.

Materiais
Um dos materiais mais usados para fazer planos de fundo são as cartolinas
disponíveis em variadíssimas cores em qualquer papelaria. Para um assunto de
É possível colocar rolos maiores dimensões, os fotógrafos profissionais usam um rolo de papel próprio,
de papel de todas as cuja largura pode ir até aos 3,5 metros. Existem suportes próprios para estes
cores num suporte
para planos de fundo.
rolos, que facilitam a renovação do plano de fundo, com papel novo e limpo.
Cortesia de Smith-Victor Os planos de fundo estão disponíveis numa grande variedade de cores e até
padrões, mas o branco, o cinzento e o preto são boas escolhas para quase todos
os objectos. Também pode usar cartolinas coloridas, ou colocar filtros na luz do
fundo para adicionar cor a um fundo branco. Se usar cores, considere a forma
como a cor do plano de fundo se relaciona com a cor do objecto fotografado.
Também é possível utilizar materiais invulgares para fazer planos de fundo.
Materiais tão variados como tecido, ardósia, azulejos ou madeira podem
funcionar bem, se complementarem o motivo e estiverem bem iluminados. Em
alguns casos, podem-se adicionar outros elementos ao cenário, para invocar
um determinado estado de espírito. Por exemplo, uma caneta requintada
pode ser mostrada num cenário rico, com madeira de grão fino e livros
encadernados com cabedal.

As papelarias têm
restos de cartolinas, Iluminação
que são ideais para
cenários de dimensões
A iluminação do plano de fundo é tão importante como a do objecto em si. As
reduzidas. técnicas mais comuns utilizam iluminação uniforme, em gradações, ou sem
sombras.
• A iluminação em gradações é criada quando se curva o plano de fundo,
que depois é iluminado a partir de cima. Isto projecta mais luz na parte inferior
do plano de fundo, o que resulta numa gradação entre um tom mais escuro no
topo, e um tom mais claro, na base.

Para obter um plano de Se necessário pode aplicar um fragmento de folha de alumínio na parte de trás
fundo sem sombras, do projector para evitar que a luz ilumine a parte superior do plano de fundo.
pode-se usar uma caixa Também é possível elevar o objecto, colocando-o sobre um suporte de vidro ou
de luz.
acrílico, para que a luz lhe passe por baixo.
• A iluminação sem sombras permite-lhe fotografar o objecto contra um
fundo branco ou colorido, de forma a parecer que ele flutua. Uma das maneiras
de o fazer, é sobreexpondo o plano de fundo. Algumas pessoas são da opinião
que uma sombra projectada à frente do objecto, lhe confere “peso”. Para a
obter, coloca-se a luz principal por cima e atrás do objecto. É possível usar
uma luz de enchimento ou reflectores para iluminar a frente da cena. A forma
mais fácil de obter uma iluminação do plano de fundo sem sombras, no caso de
um objecto de dimensões reduzidas, é colocá-lo sobre um suporte de vidro ou
acrílico iluminado pela parte inferior. Se publicar as imagens na Internet, pode
usar este conceito para fazer com que os objectos “flutuem” no plano de fundo.
Com um plano de fundo branco na imagem, e um plano de fundo branco na
A Bogen fabrica planos página Web, parece que os objectos “flutuam”. Também é possível converter
de fundo desdobráveis. a imagem para o formato GIF, tornando o seufundo transparente, para que o
Cortesia de Bogen Photo
Corp. objecto flutue em planos de fundo de qualquer cor.

192 Este livro tem o apoio da


Escolher um Plano de Fundo

Nestas imagens,
os planos de fundo
utilizados foram uma
cartolina cinzenta (em
cima) e um pedaço de
ardósia (em baixo).

Uma fotografia antiga


pode ser colocada
junto à folha de rosto
de um livro escrito
pela pessoa nela
retratada. Isto adiciona
interesse à fotografia, e
contextualiza o objecto.

Para criar o efeito da


fotografia da direita,
o objecto é colocado
sobre uma placa de
acrílico, com uma
iluminação vinda
de baixo, tal como
é demonstrado na
imagem da esquerda.

Esta câmara foi


fotografada sobre
um plano de fundo
sobreexposto, e por isso
está recortada.

Este livro tem o apoio da 193


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Posicionar a Câmara

A posição da câmara em relação ao objecto e ao plano de fundo é uma das


muitas decisões que tem que tomar. Aqui são apresentadas algumas situações a
considerar:
• As objectivas grande-angular são mais propícias ao aparecimento de reflexos
indesejados (flare), e por isso, o posicionamento das luzes é mais crítico,
especialmente quando apontam na direcção da câmara.
• Todas as objectivas têm uma distância de foco mínima, que determina o quão
perto pode estar do objecto. Para se aproximar mais, tem que mudar a objectiva
para modo macro. Se aproximar mais a câmara de qualquer parte do cenário,
não vai ser capaz de focar essa área.
• Se a câmara estiver inclinada para cima ou para baixo, especialmente quando
usa uma grande-angular, quaisquer linhas verticais presentes na imagem
irão convergir. Existem objectivas especiais para câmaras de 35mm que lhe
permitem corrigir este fenómeno, mas são bastante dispendiosas. Para a maioria
das pessoas, a solução é usar um nível para se certificar que o plano do sensor de
imagem está paralelo à face vertical do objecto.

Na imagem da
esquerda, a câmara
foi inclinada, fazendo
as linhas paralelas
convergir. Na fotografia
à direita, o plano
focal da câmara
estava paralelo ao
objecto, reproduzindo
correctamente as linhas
verticais.

Se a câmara estiver demasiado perto do cenário, a sua objectiva pode


bloquear totalmente ou em parte, a luz que ilumina o motivo.

194 Este livro tem o apoio da


Posicionar a Câmara

• A distância focal afecta a perspectiva. Uma cena fotografada de perto


com uma objectiva grande angular vai ter uma aparência diferente daquela
que terá, se for fotografada a mais distância, com uma objectiva de distância
focal superior.
A fotografia de cima
foi tirada com uma
objectiva grande-
angular montada a
pouca distância da
composição. A imagem
de baixo, foi tirada com
a câmara mais afastada,
e com a objectiva zoom
numa distância focal
superior. A imagem
captada pela objectiva
grande-angular faz
com que os bustos que
estão mais afastados
pareçam muito mais
pequenos. A imagem
captada pela objectiva
de maior distância focal
reproduz com exactidão
as dimensões relativas
dos bustos.

• Ao usar uma objectiva grande-angular, é difícil fazer com que os


bordos do cenário não apareçam na fotografia. Por vezes, só existe um ângulo
do qual podemos fotografar. Aproximar o zoom, ou usar uma objectiva com
maior distância focal, mais afastada do objecto, reduz este problema e dá-lhe
mais flexibilidade para escolher um ângulo.
• Decida se a câmara deve ter uma orientação horizontal ou
vertical, quando fotografa um determinado objecto.
• Decida o ângulo da câmara, escolhendo entre fotografar de frente, de
cima ou de baixo, em relação ao motivo.

Este livro tem o apoio da 195


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

• Se a câmara estiver muito perto de objectos tridimensionais, vai


distorcê-los. Qualquer parte do objecto mais aproximada da câmara vai parecer
maior do que é na realidade.

A fotografia da
esquerda foi tirada
de muito perto,
com uma objectiva
grande‑angular. A
imagem da direita foi
tirada de uma posição
mais afastada e com
uma maior distância
focal. As imagens são
muito diferentes uma da
outra, sendo que a da
direita é muito mais fiel
à realidade.

• Se a câmara estiver demasiado perto de um objecto plano, e é usada


uma grande-angular, este vai sofrer uma distorção cilíndrica. Isto é mais óbvio
em objectos com linhas direitas próximas das margens da fotografia. Distâncias
focais maiores reduzem, ou eliminam esta distorção, bem como a utilização de
uma abertura de diafragma mais pequena, já que este tipo de distorção não é
tão problemático quando se usa apenas o centro da objectiva.

Ambas as fotografias
mostram objectos com
margens rectas. No
entanto, ambas foram
captadas com objectivas
grande-angular e
sofrem de distorção
cilíndrica.

196 Este livro tem o apoio da


Retrato e Fotografia de Produto – Introdução

Retrato e Fotografia de Produto – Introdução

Em fotografia de estúdio, são usadas várias unidades de flash para iluminar um


retrato ou um produto. O objectivo é criar uma iluminação semelhante à luz
natural. Pode ser utilizada luz contínua ou de flash, combinada com reflectores e
difusores. Em algumas situações, este objectivo pode ser atingido usando apenas
uma ou duas fontes de luz, mas o uso de luz principal, de enchimento, de fundo
e de recorte, forma a composição clássica da iluminação de estúdio para retratos,
que é adaptada para outros assuntos.
• A luz principal é colocada numa posição ligeiramente lateral e superior em
relação ao objecto.
• A luz de enchimento é colocada na direcção oposta à luz principal, mas mais
perto do nível do objecto.
Muitos fotógrafos • A luz de fundo é usada para controlar a iluminação do plano de fundo,
usam unidades
de luz contínua,
posicionado atrás do objecto principal.
constituídas por três
partes – suportes,
• A luz de recorte é colocada acima e atrás do motivo, de forma a realçar os
lâmpadas e reflectores. contornos e separar o objecto do plano de fundo.
Imagem cortesia de
tabletopstudio.com. Para a maioria das finalidades, o uso da luz principal e de enchimento é
suficiente. De facto, é possível até substituir a luz de enchimento, usando
reflectores que fazem a luz principal reincidir no objecto. A posição relativa da
fonte de luz é muito importante.
• Afastar o projector do objecto, reduz a luz que sobre ele incide. Como a
cena recebe menos luz, é necessário utilizar aberturas de diafragma maiores, o
que reduz a profundidade de campo.
Aqui são usadas duas • Afastar a cabeça de flash do objecto, faz com que a luz projectada
luzes e um difusor seja mais dura, e menos intensa. O posicionamento das fontes de luz a várias
para fotografar um
brinquedo. distâncias do motivo, permite obter várias intensidades de iluminação. A
diferença de intensidade entre duas luzes é designada por rácio de iluminação.
• Posicionar a fonte de luz diagonalmente em relação ao objecto,
faz com que a sua intensidade não seja uniforme ao longo da cena. Assim, a
exposição só estará correcta para uma parte da imagem. As partes do cenário
mais afastadas da fonte de luz, ficarão mais escuras à medida que a distância
aumenta.

Este livro tem o apoio da 197


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

A Luz Principal

A fonte de luz mais intensa disponível em exteriores é o sol. No estúdio, o


seu papel é desempenhado pela chamada luz principal. Tal como a luz solar,
esta é fonte de luz mais intensa, que projecta as sombras mais duras. Existem
dois aspectos a considerar quando se posiciona a luz principal – a sua posição
relativa ao eixo da objectiva e a sua distância ao objecto.
• Quando a luz principal está perto do eixo da objectiva, as sombras são
minimizadas. Elas estão lá, mas encontram-se ocultadas pelo objecto.
À medida que a fonte de luz é afastada do eixo da objectiva, as sombras
Tal como o sol, a luz
principal da iluminação
expandem-se e tornam-se mais proeminentes.
de estúdio, costuma
estar acima o objecto,
• Quando aproxima a luz principal do objecto, a sua intensidade aumenta e
incidindo ligeiramente é possível utilizar aberturas de diafragma menores. A sua dimensão relativa
de lado. Este também aumenta, pelo que a luz se torna mais suave. Esta projecta sombras
posicionamento cria um
jogo de luz e sombras
com contornos menos definidos e reduz os contrastes. Tal como o sol, esta
que nos é familiar. luz é posicionada acima e ligeiramente de lado em relação ao objecto. Isto
cria um efeito de iluminação e de sombra que nos é familiar. Quando é
posicionada em baixo do objecto, a luz principal cria um efeito misterioso,
http://www.photocourse.com/itext/main/
como aquele que vemos em filmes de terror. No entanto, a posição da luz
depende do objecto. Se pretender realçar a textura de uma bola de golfe,
Clique para explorar a deverá colocar a luz mais afastada e iluminar o objecto diagonalmente. Para
luz principal. um retrato, poderá fazer exactamente o oposto, aproximando a luz do motivo,
iluminando-o de frente.

Nestas imagens, a
luz principal está
posicionada à esquerda,
acima e à direita do
busto.

A iluminação vinda
de baixo, pode dar
um efeito misterioso
aos retratos e outros
objectos. Não é a forma
que estamos habituados
a ver as cenas serem
iluminadas.

198 Este livro tem o apoio da


A Luz de Enchimento

A Luz de Enchimento

Para além da luz principal, muitas fotografias são tiradas com uma luz de
enchimento que, em exteriores, corresponde àquela que incide sobre o objecto,
num dia de céu aberto. Em estúdio, esta luz é posicionada na direcção oposta
da principal. O objectivo não é eliminar as sombras, mas antes suavizá-las,
ao iluminar apenas o suficiente para revelar os pormenores. Em algumas
situações é utilizado um cartão de enchimento em vez de uma unidade de
iluminação. Este reflecte a luz principal, fazendo-a incidir sobre a parte do
objecto que está à sombra. É possível alterar a posição da luz de enchimento
A luz de enchimento, para obter diferentes efeitos. Ao posicioná-la perto do eixo da objectiva, reduz
oposta à luz principal, a possibilidade de aparecerem sombras confusas que não favorecem o objecto.
ilumina as sombras que
esta cria no objecto.
Como a luz de enchimento tem menos intensidade que a luz principal, ela pode
ser mais facilmente dominada pela luz ambiente vinda dos candeeiros ou das
janelas. Esta luz ambiente não é necessariamente nociva, desde que tenha
em mente o seu efeito no balanço de brancos. Para eliminar ou reduzir a luz
Dica
ambiente, basta apagar os candeeiros ou fechar as persianas das janelas.
Cada alteração de
um stop duplica a A luz de enchimento tem normalmente metade da intensidade da luz principal.
intensidade da luz, A sua intensidade relativa pode ser controlada de várias maneiras. Por
e as proporções de
iluminação são ex- exemplo, pode ser afastada do objecto, podem ser usados difusores, ou pode-
pressas da seguinte se usar uma unidade de luz menos potente. Na luz de flash, também é possível
forma: ajustar as proporções de iluminação entre as luzes, especificando a diferença
• 0 stops = 1:1 entre os valores de exposição obtidos. Algumas luzes contínuas possuem um
• 1 stop = 2:1 interruptor regulador de potência.
• 2 stops = 4:1
• 3 stops = 8:1 Quando usa duas ou mais fontes de luz para iluminar uma cena, as diferenças
• 4 stops = 16:1
de intensidades são expressas como uma proporção. Por exemplo, se duas
fontes de luz têm a mesma intensidade, a proporção é de 1:1. Se uma das luzes
for mais intensa que a outra, as proporções podem ser de 2:1, 3:1, 4:1, etc. O
http://www.photocourse.com/itext/fill/
primeiro número da proporção é o número de stops de diferença entre os dois
níveis de iluminação. Quanto maior for a proporção, mais contrastada será a
Clique para explorar a
luz de enchimento imagem. Em proporções muito elevadas, as altas luzes e as sombras perdem
informação.

A luz de enchimento,
posicionada à direita do
objecto, está cada vez
mais próxima.

Este livro tem o apoio da 199


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

A Luz de Fundo

A luz de fundo é utilizada para controlar a iluminação do plano de fundo da


imagem. Um plano de fundo mais escuro, ou mais iluminado, pode ajudar
a destacar o objecto. Também ilumina as sombras projectadas pelas outras
luzes no plano de fundo. De facto, de a luz de fundo for suficientemente
intensa, pode criar no objecto, um efeito de recorte.

A luz de fundo
está posicionada
lateralmente e ilumina
o plano de fundo, sem
iluminar o objecto.

http://www.photocourse.com/itext/background/
Clique para explorar a
luz de fundo.

A luz de fundo pode


variar, de maneira a
criar vários efeitos.
Quando o plano
de fundo é apenas
iluminado por uma luz
dispersa, este apresenta
uma cor cinzenta
uniforme (em cima, à
esquerda). Quando não
é de todo iluminado,
fica negro (em cima,
à direita). Quando é
iluminado por uma luz
pontual, o cinzento
apresenta gradações
(em baixo, à esquerda),
e quando é iluminado
por uma luz muito
intensa, fica totalmente
branco (em baixo, à
direita).

200 Este livro tem o apoio da


A Luz de Recorte

A Luz de Recorte

Uma luz de recorte pode ser colocada por trás do objecto, em direcção da
câmara, para iluminar os contornos e separá-lo do plano de fundo. Em
fotografia de retrato, esta luz é utilizada para iluminar os cabelos, mas
também é utilizada em muitos outros assuntos. A luz de recorte é geralmente
posicionada atrás do objecto, num plano mais elevado que as restantes.
Como aponta na direcção, é importante que seja totalmente bloqueada pelo
objecto, ou fora do campo de visão para reduzir a possibilidade da criação de
reflexos indesejados (flare) e de redução de contraste. Se algum destes efeitos
A luz de recorte é aparecer, utilize uma bandeira para bloquear a luz da objectiva.
geralmente montada
atrás do objecto, num
plano mais elevado que
as outras luzes.

http://www.photocourse.com/itext/rim/

A imagem final está


agradavelmente
iluminada e o objecto
está bem destacado do
plano de fundo. É uma
imagem visualmente
interessante.

Este livro tem o apoio da 201


Capítulo 8. Fotografia de Estúdio

Pensar a sua Fotografia

Antes de montar o cenário de uma sessão fotográfica, deve reflectir sobre aquilo
que pretende captar – a iluminação é um meio, não um fim. O fim é obter uma
imagem que é não só um registo descritivo do aspecto de um objecto, mas que
também seja visualmente interessante. As pessoas devem gostar de observar
uma imagem porque esta lhes captou a atenção. No mínimo, a imagem deve ser
profissional e mostrar alguma perícia.
Antes de mais nada, deve respirar fundo, e lembrar-se que ser paciente
compensa. O objectivo é tirar uma boa fotografia, não interessa o tempo que
Transparência possa demorar. No final de contas é muito mais rápido acertar na primeira
sessão, do que ter que repetir tudo de novo. E não se deixa atrair pela ideia de
que qualquer imagem pode ser aperfeiçoada no Photoshop. É possível salvar
uma má imagem, mas nenhum programa vai tornar uma má fotografia numa
imagem perfeita.
Assim que estiver no estado de espírito certo, pergunte-se o que é que
pretende transmitir sobre o objecto. Uma maneira de começar é identificar as
características que pretende realçar. A maioria dos objectos apresentará uma ou
mais das características seguintes:
• A transparência é uma característica que permite que a luz atravesse o
Superfície reflectora
objecto. Quando fotografar um motivo com esta característica, tal como uma
peça de vidro, minerais, ou joalharia, tente colocar uma luz por trás do objecto.
• Um objecto com uma superfície reflectora, tal como a prata, precisa de ser
fotografado de maneira a que reflicta apenas objectos neutros, tais como cartões
pretos, que revelam a sua modelação e melhoram a sua aparência.
• Um objecto de superfície plana, tem apenas duas dimensões a considerar, a
altura e a largura. Este tipo de objectos, tais como impressões, mapas ou gráficos
precisam de ser iluminados uniformemente.
Superfície plana.
• Para captar um objecto com profundidade, ou tridimensional, a iluminação
deve ser irregular, para criar sombras e criar a ilusão de volume. A profundidade
de campo também é importante, para captar nitidamente todas as partes do
objecto.
• Alguns objectos são caracterizados por terem pormenores que precisam
de ser evidenciados. Quando fotografa um item usado, é necessário mostrar os
danos feitos com o tempo, ou outros detalhes, tais como etiquetas interessantes,
ou outros. Uma maneira de enfatizar os detalhes é aproximar-se o objecto. Outra
maneira é através da utilização de uma iluminação que os destaque.
Assim que tiver tomado as decisões que se referem ao objecto em si, terá que
reflectir sobre o cenário onde o quer fotografar. Este cenário, é essencialmente, o
plano de fundo onde ou vai colocar.
• Em muitos casos, os planos de fundo mostram apenas uma cor ou um tom,
Profundidade ou mesmo a ausência de ambos. Alguns objectos podem ser valorizados se forem
colocados sobre um fundo que evoque um determinado estado de espírito. Por
exemplo, uma peça de prata dos índios Navajo pode ficar melhor se for colocada
sobre uma pedra, do que sobre um fundo branco. Pense em maneiras de utilizar
superfícies, cores, tons e até reflexos que valorizem o motivo principal da
fotografia.
• A escala pode ser importante, e pelo menos um dos objectos representados
deve ter uma dimensão facilmente reconhecível por todos, para demonstrar a
Pormenor. escala dos outros objectos.

202 Este livro tem o apoio da


Pensar a sua Fotografia

Veja o facto de não ter despesas com filme e poder visualizar imediatamente
os resultados, como um convite à experimentação. Mude as luzes e os reflec-
tores de posição, experimente diferentes fundos e difusores. O único limite é
a sua imaginação, e a sua vontade de inovar.

A escala é importante.
Na imagem da
esquerda, o pin
apresenta detalhes
suficientes, mas não
apresenta nenhuma
indicação do seu
tamanho. Quando
é incluída uma
pequena moeda na
imagem, determina-
se imediatamente a
dimensão do pin.

Dica
• Ficaria
surpreendido
com a quantidade
de fotógrafos
famosos que
expunham suas
imagens com base
na informação
disponibilizada
com o filme que
usavam. Não há
nada de errado Quando tira fotografias em estúdio, considere os seguintes aspectos:
em determinar
a exposição das • Mantenha a luz ambiente a uma fraca intensidade, para controlar a ilumi-
suas fotografias,
através de nação sem interferência e contaminação de outras fontes de luz.
tentativa e erro,
utilizando o • Utilize o adaptador de corrente da câmara (se o tiver), para deixá-la perma-
monitor. nentemente ligada.
• Lembre-se que • Desligue a função de desligar automático, para que a câmara não se desligue
o seu visor ou
monitor podem a todos os minutos.
mostrar apenas
95% da área • Se possível, use o monitor para compor e analisar as suas fotografias. No en-
da imagem. tanto, não confie demasiado na sua imagem. É muito difícil avaliar a nitidez,
Podem aparecer a exposição e o balanço de brancos num ecrã tão reduzido.
elementos
inesperados nas
margens das
fotografias.

Este livro tem o apoio da 203


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Capítulo 9
Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

D
esde os primórdios da fotografia que as imagens têm uma forma sólida
e concreta. Uma foto tinha de ser colocada num lugar público ou
passada fisicamente de pessoa em pessoa para que todos pudessem vê-
la. Foi com a invenção do televisor que as fotos adoptaram um formato
electrónico. Mas a TV não era uma boa forma de os fotógrafos partilharem as suas
imagens porque ninguém tinha um estúdio, um transmissor, autorização ou a
restante parafernália necessária. Actualmente, o que nos permite trazer a fotografia
para o televisor é o formato digital. E há uma lista variada de tipos de ecrã para
exibir as suas imagens, desde os integrados nos telemóveis, aos monitores do
computador, passando até por sistemas de cinema em casa.
Há também muitos meios de exibir as suas fotos, desde simples anexos de e-
mail a elaborados slide shows com transições profissionais e música de fundo ou
narração. Independentemente do ecrã que escolhe ou da distribuição das suas
imagens, é fácil partilhar as suas fotos com os outros. Aliás, é tão fácil partilhar
imagens digitalmente que muitos acreditam que o mercado da impressão
fotográfica “tem os dias contados”. As fotos estarão por toda a parte, mas em
dispositivos electrónicos e não em papel. Podemos are imprimir uma foto
ocasionalmente e não uma centena delas todos os anos, como provavelmente até à
pouco tempo faria.
Neste capítulo vamos explorar essa área. Vamos abordar o envio de fotos por
e-mail, ou pró mensagem instantânea; ver como criar e exibir slide shows, criar e-
books de fotografia; colocar fotos em sites de partilha de imagens ou conceber o seu
próprio site ou blogue; criar protectores de ecrã e ou mapear as suas fotos.

204 Este livro tem o apoio da


Enviar Fotos – E-mail

Enviar Fotos – E-mail

Uma das formas mais vulgares de partilhar imagens é através do e-mail. Basta
escrever uma mensagem, anexar ou inserir o ficheiro da imagem, e enviá-lo para
um ou mais destinatários. Os e-mails tornaram-se de tal forma universais que os
telemóveis e PDA já incluem esta função. Até já se fizeram tentativas de integrar
esta funcionalidade em algumas câmaras para que pudesse enviar imagens
directamente. Certamente veremos isso alastrar-se a muitas outras.
1. Abra um novo e-mail Há três formas básicas de incluir uma fotografia numa mensagem, como anexo
e seleccione o comando ou inserida no corpo da mensagem.
Inserir > Imagem para
pesquisar no sistema
a imagem que quer
enviar. Anexar fotos
Nos primeiros dias da computação, os e-mails eram extremamente básicos.
Uma mensagem poderia conter apenas letras, números e alguns símbolos,
como pontuação. Por serem tão básicos, a única forma de enviar fotos ou outros
ficheiros era anexando-os à mensagem – da mesma forma que coloca uma
fotografia dentro do envelope da carta que envia. Quando o e-mail chegava ao
destinatário, tinha de se abrir o anexo para o visualizar. Praticamente todos
os programas de e-mail ainda têm algures no menu um comando de Anexo.
2. Depois de seleccionar Quando usa este comando, depois insere o nome do ficheiro de imagem que
uma imagem, ela é quer anexar, ou faz uma pesquisa para o encontrar no sistema. Depois de anexar
inserida no e-mail e
pode enviá-la para a foto, basta clicar no comando Enviar e a mensagem com o anexo é enviada.
quem quiser. Quando um e-mail com um anexo chega ao destinatário ele pode abrir o anexo
para ver a foto. Aí também é possível guardar a imagem para ser visualizada
como qualquer outra no sistema do destinatário.
O maior problema com os anexos é que podem ser utilizados para difundir vírus,
por isso, muitas pessoas deixaram de os abrir e alguns sistemas de firewall ou
filtros bloqueiam-nos.

3. O destinatário vê Inserir fotos


a imagem inserida Em vez de anexar uma foto, pode inseri-la directamente no corpo da mensagem.
no e-mail e depois
pode guardá-la no seu Quando o destinatário abre o e-mail, a imagem é exibida juntamente com o
próprio computador texto, por isso, não há necessidade de abrir nenhum anexo. Para criar esta
para a imprimir. forma melhorada de e-mail, o programa de correio electrónico utiliza o formato
HTML, a mesma linguagem utilizada para desenhar e formatar página Web. Se
introduzir uma fotografia não for suficiente pode criar e-mail mais elaborados
utilizando fundos e comandos de fontes disponíveis no seu programa de e-
mail, e os programas são desenvolvidos para tornar isso ainda mais fácil. Eles
permitem-lhe criar e enviar o equivalente a uma página de um álbum fotográfico
ou postais coloridos. Os fundos, normalmente designados por estacionários
(stationary), são normalmente ficheiros de imagens em GIF ou JPEG criados
seccionando um modelo incluído no programa. Claro que, nada garante que o
destinatário veja a mensagem precisamente da mesma forma que a formatou.
Desde que esta forma de e-mail melhorado se tornou num meio tão popular de
enviar fotos está função é muitas vezes integrada nos programas que utiliza para
editar e organizar as suas imagens, bem como criar postais, álbuns e slide shows.
Por exemplo, o Photoshop Elements permite-lhe criar postais, álbuns e slide
shows e depois imprimi-los, gravá-los num CD/DVD ou enviá-los por e-mail
como um ficheiro PDF.
Pode criar um e-mail
melhorado utilizando
os comandos de
formatação do seu
programa.

Este livro tem o apoio da 205


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Regras do E-mail
Dica
Há algumas regras a considerar quando envia fotos por correio electrónico,
Para partilhar uma
colecção de fotos sobretudo no que respeita ao tamanho e ao formato. Muitas pessoas ainda
por e-mail tem de utilizam sistemas de ligação por modem. Quando envia uma foto para uma
a comprimir em destes endereços certifique-se que é suficientemente pequena para não obstruir o
ZIP através de um
programa, como o sistema à chegada. Muitos ficheiros de imagem têm mais de 1 megabyte e levam
WinZip ou o Stuffit, demasiado tempo a serem guardados num computador com ligação à Internet
que transforma por modem. Estas imagens são também demasiado grandes para serem exibidas
todas as imagens
num único ficheiro na maioria dos ecrãs, por isso o utilizador tem de as arrastar e percorrer. Não só
que pode depois ser é incorrecto enviar uma imagem demasiado grande (ou demasiadas imagens),
descomprimido pelo como também podem ser bloqueadas durante o envio do e-mail ou pelas
destinatário.
definições do computador do destinatário. Elas podem também exceder o espaço
disponível da conta de utilizador do destinatário e bloquear outros e-mails. Para
tornar uma imagem mais pequena utilize um programa de edição fotográfica
para reduzir o tamanho para cerca de 640 x 480 píxeis e aumente a compressão
do ficheiro. Uma imagem mais pequena continuará a parecer óptima no ecrã. Se
utilizar o Windows XP, o Wndows Vista ou o OSX da Aplle, pode redimensionar
uma imagem quando a quiser enviar. Certifique-se que envia as imagens num
formato suportado pela maioria dos programas de e-mail, como JPEG. Se
enviar ficheiros do Photoshop (PSD), RAW ou TIFF, o destinatário não poderá
Quando clica com o
botão direito sobre uma
visualiza-los, a menos que tenha um programa que suporte esses formatos.
imagem no Windows XP
e escolhe Enviar para>
Para transferir ficheiros de imagem grandes que estejam a ser bloqueados
Destinatário de Correio, pelo portal do e-mail ou pelas limitações da caixa do correio, experimente
uma caixa de diálogo transferência peer-to-peer ou cliente/servidor, que iremos abordar neste
questiona-o se gostaria
de tornar a imagem
capítulo.
mais pequena.

Cartões de felicitações
Uma variante de enviar fotos por e-mail é enviá-las como um postal on-line ou
cartões de felicitações, por vezes designados por postais electrónicos ou eCards.
Pode enviar um postal com uma mensagem e uma foto para qualquer pessoa que
tenha um endereço de e-mail e um navegador da Internet. Os sites de cartões
também costumar ser livres de encargos ou têm uma cota de subscrição anual.
Estes sites oferecem uma grande variedade de postais, com diferentes temas por
onde escolher, mas também pode adicionar as suas fotos e mensagens pessoais
a um postal. Por exemplo, em bluemountain.com, basta clicar em Add-a-Photo
O Photoshop Elements (Adicionar uma foto) para pesquisar entre as imagens do seu computador
permite-lhe criar
facilmente postais para e escolher uma para o seu postal electrónico. Quando envia um postal pode
enviar por e-mail. acontecer uma de duas situações: alguns sites exibem-no no ecrã do destinatário
quando ele abre o e-mail, mas a maioria envia apenas uma mensagem de e-mail
com instruções para ver o postal. Esse aparecerá como uma hiperligação para
a página da Internet onde o postal está armazenado. Se a hiperligação estiver
sublinhada, o destinatário só tem de carregar sobre ele. De outro modo, tem de
copiar e colar a hiperligação na caixa de endereços do navegador da Internet.
Alguns sites enviam-lhe uma notificação quando o destinatário visualiza o cartão.
Se, depois de enviar o postal, se arrepender, muitos sites permitem-lhe apagá-lo
– com alguma sorte antes de o destinatário o ver.
Se não quiser utilizar um serviço online, há muitos programas de edição
fotográfica que permitem criar postais para enviar pelo correio ou por e-mail.
Por exemplo, o Photoshop Elements disponibiliza modelos e permite enviar os
postais como um ficheiro PDF.

206 Este livro tem o apoio da


Enviar Fotos – Mensagens Instantâneas

Enviar Fotos – Mensagens Instantâneas

As mensagens instantâneas, muitas vezes designadas por IM permitem-lhe


conversar em privado com outra pessoa, normalmente digitando mensagens
curtas, mas também complementadas por voz ou vídeo. Por norma, o seu
programa IM envia-lhe um alerta quando alguém da sua lista de contactos está
online para que possa começar uma conversa com qualquer pessoa da lista.
Inicialmente disponível apenas em computadores, o IM agora está também
disponível em dispositivos wireless, incluindo PDA (Personal Digital Assistant) e
telemóveis. A fotografia digital e o IM podem ser combinados de várias formas. Por
exemplo, pode utilizar uma foto para se identificar perante os outros utilizadores,
mas o melhor de tudo é que pode trocar fotos ou slide shows enquanto conversa.
Os nomes mais sonantes dos serviços IM são: Windows Messenger, Yahoo!
Messenger, ICQ,AOL’s AIM, Jabber, MySpace, Google Talk e iChat. Todos eles são
gratuitos, mas a compatibilidade não é universal, por isso pode apenas contactar
com pessoas que utilize o seu serviço e todos os que o suportem. Por exemplo,
a Microsoft e o Yahoo interagem entre si, tal como o iChat da Apple e o AOL’s
Quando selecciona da AIM. A aplicação de mensagens instantâneas Trillian, da Cerulean Studio, é
um comando para uma excepção. Permite conversar com os utilizadores dos principais sistemas
enviar uma foto ou de mensagens instantâneas utilizando a mesma interface. Apesar de os detalhes
partilhar um ficheiro, o
sistema de mensagens variarem um pouco, pode partilhar fotos e outros ficheiros com outro utilizador.
instantâneas AOL’s (em Por exemplo, com a maior parte destes programas pode abrir a foto que está a
cima) e o Windows Live ver no ecrã e arrastá-la e largar para cima da janela para que possa ser vista por
Messenger (em baixo)
abrem uma janela para outros utilizadores. Em alguns sistemas, se arrastar e largar mais do que uma
a qual pode arrastar e imagem elas serão apresentadas como pequenas miniaturas numa espécie de
largar imagens. tira de provas de contacto com a imagem seleccionada maior que as outras. Há
também programas que lhe permitem exibir todas as imagens como um slide
show. O tempo que demora a partilhar imagens depende dos seus tamanhos e da
velocidade da ligação dos utilizadores de ambas as partes. Aqui são aplicadas as
mesmas regras apresentadas na primeira secção.
Muitas vezes pode enviar imagens maiores, uma vez que elas são enviadas
directamente entre dois computadores e não através de um serviço de mensagens.
Desde que os dispositivos não tenham custos associados à transferência de
ficheiros, normalmente também não estabelecem limites de tamanhos de ficheiros
ou esses são bastante grandes. Esta é uma boa forma de enviar ficheiros grandes
para impressão. O iChat da Apple tem o iChat Theater (em baixo) utilizado para
partilhar fotos a partir do iPhoot, vídeos QuickTime, slide shows do Keynot,
ou conteúdos de qualquer aplicação de conversação online. Esta componente
funciona com qualquer utilizador iChat ou AOLAIM.

O iChat Theater da
Apple.

Este livro tem o apoio da 207


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Enviar Fotos – Partilha peer-to-peer (Cliente/Servidor)

Se alguma vez precisou de partilhar uma colecção com os amigos e com a


família certamente sabe o desafio que isso representa. Pode fazer upload das
mesmas para um serviço de partilha online, ou para o seu próprio Web site,
enviar uma de cada vez por e-mail ou colocá-las em CD e distribui-los. Todos
estes métodos são morosos e permeáveis a potenciais problemas – sobretudo
com imagens grandes com qualidade de impressão. Com o sistema de partilha
de fotos peer-to-peer (P2P) pode evitar todos esses problemas. A transferência
de ficheiros peer-to-peer é aquilo que faz quando partilha ficheiros através de
sistemas de mensagens instantâneas (IM) ou quando utiliza o Photocasting
da Apple. No entanto, há aplicações especificamente desenvolvidas para esse
fim. A maior diferença entre as transferências peer-to-peer e outras formas de
partilha de fotos é que a P2P não utiliza um serviço central. Dois computadores
são conectados directamente, mas as imagens podem ser armazenadas
temporariamente num servidor até serem transferidas. Por causa da utilização
de diferentes tecnologias, o conceito de partilha de imagens está a evoluir da sua
forma mais restrita, definida pela transferência entre computadores (máquinas),
para uma ideia mais alargada de transferência entre utilizadores. Há variações
na forma como estes programas funcionam. Por exemplo, o Pando permite
pesquisar no seu sistema as imagens a enviar e adiciona aquelas que seleccionar
a uma lista, designada por Package (pacote). Depois basta especificar um ou mais
endereços de e-mail e clicar no botão Send (enviar) e o Pando envia um e-mail
com um pequeno ficheiro em anexo para os seus destinatários e carrega (upload)
o conteúdo integral do seu pacote para a rede Pando. Quando o destinatário abre
o e-mail e clica na miniatura da imagem, os ficheiros são transferidos a partir do
seu computador e do Pando, em simultâneo. Ninguém, incluindo o Pando, tem
acesso aos seus ficheiros, excepto o próprio utilizador e o destinatário do e-mail.
A partilha de fotos peer-to-peer é um sistema novo, por isso há grandes
diferenças nas funcionalidades de cada programa. Por exemplo, o Hello protege-
o de vírus confirmando automaticamente que todos os ficheiros JPEG são
imagens válidas antes de permitir o acesso a elas. O Pixpo permite-lhe transmitir
vídeo, da mesma forma que partilha fotos a partir do seu computador. Os
GoToMyPc e Mionet foram desenvolvidos para lhe permitir o acesso às suas
fotos e aplicações a partir de outro computador.
O Pando permite
pesquisar (Browse)
as imagens no seu
sistema e adicionar as
que seleccionou a uma
lista chamada Package.
Depois deve especificar
um ou mais endereços
de e-mail e clicar no
botão Send.

208 Este livro tem o apoio da


Slide Shows – Na TV

Slide Shows – Na TV

Qual é o melhor local para exibir as suas imagens? A família e os amigos


normalmente reúnem-se na sala de estar e é aí que normalmente está o maior
televisor da casa. Ver as suas imagens no grande ecrã é muito mais agradável
que amontoar toda a gente em torno do monitor da câmara. A TV é perfeita para
slide shows, tomando o lugar do projectos de slides, na era do filme.

Directamente a partir do cartão


O monitor da sua câmara permite-lhe percorrer automaticamente as imagens
O Photo Album da
SanDisk permite
que captou – oferecendo-lhe, a si e mais algumas pessoas, um slide show
reproduzir fotos na TV personalizado. Para uma audiência maior, pode dar o mesmo espectáculo
directamente a partir do utilizando o cabo de ligação à TV que veio com a sua câmara. Esta é uma
seu cartão de memória.
Cortesia da SanDisk.
excelente forma de rever ou partilhar as suas fotos. Pode ainda gravar o seu
slide show num gravador de vídeo digital e fazer o relato à medida que reproduz
as fotos. O único inconveniente desta forma de visualização é que a qualidade
da imagem em muitos televisores é muito inferior à do ecrã do computador.
Algumas câmaras permitem-lhe ocultar determinadas fotos que não queira
exibir durante a mostra. Muitos modelos de apontar-e-disparar também lhe
permitem reduzir os olhos vermelhos, aplicar outros ajustes às imagens e depois
criar slide shows com efeitos de transição entre as imagens, efeitos especiais e
até música. Algumas câmaras trazem ainda um controlo remoto para que possa
passar as imagens, rodá-las e fazer zoom. Algumas têm também adaptadores
AC para que não esgote a sua bateria. Exibir imagens a partir da câmara é tão
A Livingstation TV da habitual que há leitores de cartões que podem ser ligados à TV permitindo-
Epson integra uma lhe apresentar slide shows directamente a partir do cartão de memória da sua
ranhura para cartões,
uma impressora e uma câmara. Alguns leitores de DVD e também televisores integram ranhuras para
drive de CD-R/RW. cartões para que não precise de outros dispositivos. Uma vantagem deste tipo de
solução sobre reproduzir as fotos a partir da câmara é o facto de dispositivo estar
ligado à electricidade, por isso não gasta a bateria da câmara. Estes dispositivos
têm também comandos à distância por isso pode reproduzir as suas fotos a partir
do conforto do sofá. Podem ainda incluir funções como rodar, reenquadrar,
panning, fazer zoom e acrescentar fundos. No entanto podem ter o inconveniente
de não suportar todos os formatos de imagem da sua câmara. Certifique-se que
lê as especificações cuidadosamente. Pelo menos a sua câmara pode reproduzir
aquilo que captou. Um problema de reproduzir slide shows directamente a partir
da câmara é que ela só funciona com fotos guardadas no seu cartão de memória.
Não há possibilidade de incluir as fotos das férias do ano passado. No entanto,
A maioria das câmaras se procurar nas pastas do seu computador, pode editar as imagens, copiá-las
digitais têm uma
conexão de saída vídeo novamente para o cartão e mostrar uma versão mais interessante das suas fotos.
e um cabo AV.

Utilizar DVD
Com o constante decrescer do preço dos leitores de DVD, já é habitual
encontrarmos um destes dispositivos em qualquer sala de estar. Os DVD
podem ser gravados no seu computador e têm uma capacidade suficiente para
armazenar slide shows de alta qualidade. Para criar uma destas mostras utilize
um programa de slide show (abordaremos este tema posteriormente) que
faça a conversão para um formato compatível com a TV e depois grave-a num
DVD. (Pode utilizar também Video CD (VCD) e Super Video CD (SVCD) mas a
qualidade de imagem apresentada por estes formatos é menor que a facultada
Algumas câmaras
incluem um controlo
pelo formato de DVD e pode desapontá-lo. Se tiver apenas um gravador de CD,
remoto para que possa pode fazer uma ostra com apenas algumas imagens, gravar o disco e tentar
passar as imagens, reproduzi-lo antes de perder demasiado tempo com isso.)
rodá-las ou fazer zoom.

Este livro tem o apoio da 209


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

As consolas de jogos representam uma área cada vez mais importante. O Xbox
Music Mixer foi um dos primeiros “jogos” a permitir descarregar fotos, vídeos e
música do PC para a Xbox, para criar slide shows com a sua música favorita como
som de fundo. Podemos esperar que muito mais soluções deste género sejam
lançadas para o mercado. A PlayStation 3 da Sony reproduz os discos Blu-ray (BD)
mais recentes, com capacidade para 25 e 50 GB.
A Sony e outros
fabricantes
disponibilizam Ligações sem fios
pequenos leitores de
DVD portáteis que lhe Uma das mais recentes formas de ligar o computador à TV é através de um
permitem exibir os seus servidor multimédia (home media server) que se liga à TV ou ao sistema de
slide shows onde quer entretenimento em casa, que comunica com outros dispositivos na rede Wi-Fi
que esteja. da casa. Quando pensar em adquirir um destes dispositivos certifique-se que se
informa bem sobre as características, sobretudo no que diz respeito aos formatos
de imagem suportados. Todos eles são compatíveis com JPEG, mas podem não
o ser com ficheiros TIFF, RAW ou do Photoshop. Pode utilizar apenas um home
media server num espaço coberto por uma mesma rede. Como a rede pode ser
conectada utilizando fios – uma rede Ethernet, mas a maioria dos sistemas são
wireless (sem fios), com emissão do sinal pelo ar até determinada distância. Com
uma tecnologia sem fios tem a liberdade de estar em qualquer parte da casa, ou
até no pátio, e mesmo assim mantém o acesso à Internet e a outros dispositivos
em rede, incluindo os dispositivos de entretenimento sem fios que tem em casa.
Todos esses dispositivos novos ou em fase de lançamento utilizam um standard
designado por 802.11 – actualmente802.11g. há diversos tipos, incluindo o mais
Os computadores recente e mais rápido. Estes dispositivos estão integrados no standard Digital
portáteis com drive de Living Network Alliance (DLNA), que funciona com transmissão em rede Wi-Fi
DVD são plataformas 802.11b/g. Isso dá-lhes a capacidade de comunicar entre eles, mas também com
ideais para apresentar
slide shows para uma rede Wi-Fi e outros dispositivos de entretenimento em casa.
pequenos grupos. Para criar uma rede sem fios de entretenimento em casa, comece com os
componentes necessários a uma rede Wi-Fi e adicione-lhe um servidor
multimédia:
• Um router ligado por cabo a um modem ou a outro dispositivo que utilize
para o acesso à Internet. O router tem ligações por cabo para fazer a ligação a
computadores próximos. Pode também ligá-lo num ponto de acesso wireless
através de unidades recentes que combinam estas duas funções num “router
wireless”.
• Os pontos de acesso wireless têm antenas para receber e enviar sinais a
partir das partes remotas da rede. Em alguns sistemas elas são unidades separadas
que se ligam ao router, noutros sistemas são combinados no router como uma só
unidade.
• Os adaptadores de rede sem fios são utilizados por cada uma das
A Xbox corre programas componentes da rede, incluindo: computadores, impressoras, discos rígidos e
gravados da TV, vídeos,
filmes, música e fotos a
servidores multimédia. Eles assumem diferentes formas, incluindo cartões que se
partir de um PC ou de inserem numa ranhura ou dispositivos que se ligam através de USB ou conexões
uma TV. FireWire. Grande parte dos computadores mais recentes e dispositivos portáteis
têm Wi-Fi.
• Um servidor multimédia liga-se ao televisor por cabo e acede à rede sem fios,
por isso é possível aceder a aplicações e a ficheiros armazenados no computador
através da TV. Embora outros fabricantes já tivessem tentado difundir este tipo
de dispositivos, o servidor multimédia Apple TV foi o mais bem sucedido porque
extrai os seus filmes e conteúdos da TV do famoso iTunes, e exibe fotos através
do iPhoto, quando se trata de um Macintosh, ou a partir do Adobe Photoshop
Elements ou Adobe Album, num PC Windows. As imagens são fantásticas, porque
o sistema requer definição melhorada ou uma TV panorâmica de alta definição.
Utilizando o comando à distância incluído, pode ver as suas imagens a uma
distância de cerca de nove metros. A Apple TV também tem um disco de 40GB
O Location Free Portable para armazenar mais de 50 horas de vídeo, 9 000 músicas e centenas de fotos em
Broadband TV, da Sony. alta resolução; e tem uma capacidade de saída de alta definição de 720p.

210 Este livro tem o apoio da


Slide Shows – Na TV

As consolas competição a aumentar, é de esperar que sejam lançados


produtos semelhantes pela Sony, pela Microsoft e outras marcas lideres nesta
área.

Um router wireless.
Cortesia da Linksys.

Um ponto de acesso
wireless. Cortesia da
Linksys.

A Apple TV (em baixo,


à direita) utiliza uma
ligação sem fios para
conectar a sua TV aos
conteúdos iTubes, ou
do seu Mac ou PC,
para que possa exibir
filmes, programas de
TV, música, fotos e
podcasts. A interface
da Apple TV (direita)
permite-lhe ver a sua
colecção de ficheiros
digitais a partir de
qualquer lugar da sala,
utilizando o comando à
distância.

Este livro tem o apoio da 211


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Slide Shows – No Ecrã do Computador

Apesar da TV ser ideal para slide show, muitas não têm uma resolução
Dica equivalente à de um bom ecrã do computador ou a variedade de aplicações
Os sistemas disponíveis no computador. Também pode exibir qualquer slide show gravado
de mensagens num DVD novamente no computador, mas com outros formatos isso nem
instantâneas e
de partilha de sempre é possível. Vamos ver algumas alternativas:
fotos peer-to-peer
tendem a permitir
colocar slide Sites de Partilha de Fotos
shows na Internet
directamente a partir Os sites de partilha de fotos são claramente a opção mais simples. Basta publicar
do seu disco rígido. a sua imagem num destes sites, depois os utilizadores clicam no botão de slide
Abordamos esse show para ver as imagens sequencialmente. Há alguns websites que agrupam as
tema neste livro.
suas imagens num slide show em Flash que pode depois publicar em qualquer
website, incluindo sites sociais como o MySpace.

Animações GIF
Os ficheiros de animação GIF são provavelmente os géneros mais simples
http://www.photocourse.com/itext/gif/naturelog.htm
de slide shows na web. Quando vista através de um browser, a imagem
é reproduzida directamente na página a intervalos especificados pelo
autor. A apresentação pode estar definida para terminar ou para reiniciar
constantemente. O utilizador nem sequer precisa de clicar em nenhum botão
pois a reprodução é automática. A capacidade de agrupar uma série de imagens
como uma animação GIF está integrada em vários programas de edição
fotográfica, mas também há aplicações específicas para isso. Quando utiliza estes
programas, defina um tamanho idêntico para todas as imagens, bem como a
mesma proporção e orientação antes de as integrar numa animação GIF.

Apresentação cuidada
As apresentações em DVD que podem ser vistas na TV também podem
ser reproduzidas num computador com um leitor de DVD e um programa
como o Windows Media Player, o DVD Player do Mac, ou o RealPlayer. O
programa que utiliza para criar slide shows para gravar em DVD também
pode opções para guardar a apresentação noutros formatos, que na maioria
podem ser reproduzidos num browser. Alguns formatos criam apresentações
suficientemente pequenas para enviar por e-mail. Outros criam apresentações
mais pesadas que podem ser publicadas num website ou distribuídas em CD.

Quando cria um slide


show no Photoshop
Elements, organiza
as imagens segundo
determinado time line
e pode adicionar texto
ou narração. Quando
terminar pode gravá-lo
em diferentes formatos,
mas precisa da edição
Premier para criar DVD
de alta qualidade.

212 Este livro tem o apoio da


Slide Shows — Edição e Apresentação

Slide Shows — Edição e Apresentação

Independentemente da forma como partilha as suas imagens no ecrã, uma


apresentação interessante ajuda sempre. Antigamente, os nossos pais e avós
tinham de recorrer ao projector de slides e a uma tela desmontável para apresentar
as suas imagens de uma forma tradicional – os slide shows narrados. Introduzidos
pela lanterna mágica, em 1800, os projectores tornaram possível a apresentação
narrada de slide shows, para grupos grandes e pequenos. O requintado processo de
apresentação de imagens através de um projector e de uma tela desapareceu de um
dia para o outro. No mundo dos negócios ele foi substituído pelas apresentações
em PowerPoint/Keynote e nas nossas casas deu lugar as slide shows exibidos
Opções que permitem no computador ou na TV. Há grandes diferenças entre os métodos actuais e os
seleccionar efeitos de mais antigos de apresentar imagens. Mos mãos antigos, a audiência tinha de se
transições entre as juntar em determinado local onde o equipamento estivesse disponível. Agora já é
imagens, cores, fontes, possível enviar o slide show para quem quiser. Outra grande diferença é o facto de
e por aí fora. as aplicações que utiliza para criar um slide show facilitam a inclusão de música de
fundo, títulos, legendas e sofisticados efeitos de transição entre as imagens.
As aplicações de slide shows normalmente são muito fáceis de usar. Por norma,
importa as fotos que quer integrar na apresentação. Geralmente as imagens
aparecem numa área do ecrã, que funciona como uma espécie de mesa de luz, ou
numa barra cronológica pela ordem que as seleccionou. Se não estiverem nessa
barra, pode arrastar e largar as imagens seleccionadas para cima dela e ordená-
las segundo a ordem em serão apresentadas. Depois pode especificar efeitos de
transição entre cada dupla de imagens e arrastar ficheiros de som para a barra
cronológica. Quando terminar, pode antever a apresentação no ecrã e depois
gravá-los em formatos compatíveis com websites, e-mail, ou gravá-los para um
Os ícones de ilustração CD/DVD para que possam ser reproduzidos noutros computadores, leitores de
dos efeitos de transição DVD ou televisores.
do Movie Maker, da
Microsoft, são muito
eficazes. Esta imagem
mostra apenas alguns
Música de Fundo – o Toque Final
dos disponíveis. Uma das dificuldades habituais quando cria slide shows é encontrar músicas sem
direitos de autor ou de domínio público para acompanhar as suas apresentações.
A menos que tenha vivido isolado do mundo nos últimos anos, certamente está
ciente da generalizada apropriação ilegal de músicas, muitas vezes referida como
“partilha de ficheiros”. Até pode acreditar que há produtoras e alguns artistas às
quais isso não fará diferença, mas isso torna o acto legal. Se quiser reproduzir
os seus slide shows com músicas da Madonna no leitor de DVD da sua sala de
estar, nenhuma produtora lhe vai bater à porta. Provavelmente também será
seguro exibir as suas apresentações em casa de amigos chegados. Mas as coisas
podem complicar-se quando distribui cópias pelos amigos, as disponibiliza para
angariações de fundos para escolas ou igreja ou apresenta conferência de uma
empresa.
Para criar uma
apresentação seleccione
as imagens ou arreste-
as e solte-as sobre a
barra cronológica.

Este livro tem o apoio da 213


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Quando faz duplicações, torna o produto público ou tem lucros com isso, está
a desrespeitar a lei. A cópia e distribuição generaliza de música MP3 tornou
as pessoas menos sensíveis aos direitos de autor, mas, utilizar o trabalho de
alguém sem a sua permissão representa sempre falta de ética e normalmente
é ilegal. Há apenas dois tipos de música que pode utilizar sem permissão
– livre de direitos de autor (royalty free) e de domínio público:
• A música livre de direitos de autor é paga e gravada por determinada
entidade, ou retirada do mundo das gravações de domínio público. A
utilização desta música é livre, mas é paga uma taxa uma única vez à
produtora pelo tempo e trabalho dispendido na recolha e publicação de uma
colecção. Algumas fontes permitem-lhe experimentar as músicas na Internet
para escolher e comprar online apenas as que quer.
• A música de domínio público é de livre utilização porque já não é
abrangida pelos direitos de autor (copyright), ou o seu autor ou qualquer
outro interveniente na sua criação disponibilizou-a para domínio público.
Seria bom que houvesse uma forma fácil de avaliar que algo é de domínio
público, mas não há. Há todo um segmento da área jurídica dedicado aos
vários aspectos da propriedade intelectual, que muitas vezes são pouco
claros. A melhor opção é procurar uma fonte de música fidedigna que possa
utilizar e deixar essa questão ao seu cuidado.
Geralmente existem pequenos excertos musicais ou faixas completas. Os
trechos de músicas são curtos e repetem-se consecutivamente durante as
suas apresentações. Par slide shows mais longos, precisa de músicas inteiras
que acompanhem as apresentações, mas não tenham demasiado impacto.
Tenha o cuidado de ler a licença de utilização antes de comprar uma
música. Na Shockwave-Sound.com obtém o que designam por Total Buyout
Synchronization License. Isso significa que a música pode ser sempre
utilizada com imagens, texto ou outros conteúdos gráficos/áudio, desde que a
O Garage Band, da música esteja em segundo plano e não como conteúdo principal do produto.
Apple, permite-lhe Esta licença permite-lhe utilizar a música quantas vezes quiser, em diferentes
compor as suas próprias projecto, sem ter de pagar mais por isso. Mas está limitado a um máximo de
músicas. Contém
mais de 2000 Apple 499 cópias físicas de qualquer produto que contenha a música. Para fazer
Loops (excertos) de mais cópias precisa de uma Mass Production Licence.
vários instrumentos e
géneros musicais, com Se divulgar o seu slide show numa estação de televisão pública local, precisa
uma vasta selecção de de direitos adicionais. Poderá ser mais fácil compor a música directamente
performances pré-
gravadas. É como ou pedir à assistência para cantarolar.
ter o seu próprio
acompanhamento
musical. Há mais Escolher um Programa de Slide Show
de 100 softwares
de instrumentos Houve uma autêntica avalanche de programas de slide show – são tantos que
e, com um teclado é impossível avaliá-los todos. Estão disponíveis como aplicações específicas
USB ou MIDI, pode para criar slide shows, ou sob a forma de funcionalidades integradas noutros
produzir e gravar som
utilizando centenas de programas. Mesmo que não tenha noção, pode até já ter uma no seu sistema.
instrumentos, incluindo Os programas de slide shows apresentam-se de várias formas:
um piano, guitarras de
12 cordas, vibrafones, • As aplicações de edição de vídeo permitem criar slide shows sofisticados
instrumentos de e dar-lhe o máximo de controlo, sobretudo quando sincroniza música e usa
percussão, órgãos,
pianos electrónicos, efeitos especiais. Um slide show assemelha-se a um filme mas os fotogramas
sintetizadores e baixos. são reproduzidos mais devagar.

214 Este livro tem o apoio da


Slide Shows – No Ecrã do Computador

• As aplicações exclusivas para slide shows, como o PowerPoint/Keynote, o


http://www.photocourse.com/itext/flashslideshow/
Ulead DVD PictureShow e o FlipAlbum oferecem a maioria das funcionalidades e
normalmente são fáceis de utilizar.
• As funcionalidades de slide show integradas estão disponíveis em muitos
programas de edição fotográfica, como os Photoshop Elements, iPhoto, Aperture
e Lightroom. O Acrobat Reader tem também a capacidade de exibir páginas de
ficheiros PDF como um slide showe tem também o comando Read Out Loud que
lê automaticamente legendas e outros textos. Relativamente às aplicações de slide
show disponíveis actualmente, deve ter em consideração:
http://www.photocourse.com/itext/pdfslideshow/pdfslideshow.pdf
• Formatos de entrada. Os formatos de imagem suportados por um programa
determinam o tipo de imagens, som e vídeo que pode utilizar. Se ele não suportar
os formatos que utiliza, terá o trabalho adicional de converter os ficheiros para um
formato compatível.
• A selecção das imagens pode ser complicada se o programa apresentar
miniaturas difíceis de visualizar e avaliar. Um programa que permita aumentar o
tamanho das fotos seleccionadas será útil durante a montagem da apresentação. Se
esta opção não estiver disponível, comece por escolher as imagens num programa
que permita aumentá-las e copie-as para uma pasta separada antes de as importar
para o programa de slide show.
• Criar a sequência das imagens pode ser mais fácil se o programa permitir
arrastar as fotos seleccionadas para um storyboard ou para uma barra cronológica,
onde são apresentadas pela ordem pretendida.
• Música. Pode sincronizar a apresentação das imagens com a batida? É possível
fazer reiniciar a música para que não termine antes da apresentação? Pode fazer
com que as imagens apareçam e desapareçam progressivamente (fade in e fade
out)?
• A transição entre as imagens pode ir desde simples efeitos de
desvanecimento a efeitos especiais expressivos, como uma imagem a estilhaçar-se,
como se fosse de vidro, para revelar a foto seguinte. Alguns programas obrigam-
no a utilizar as mesmas transições ao longo da apresentação. Outros permitem
especificar as transições em qualquer ponto, para que possa variar. A recriação do
acto de folhear um livro é um tipo de transição interessante. À medida que clica
numa página ela vira-se no ecrã, assemelhando-se a uma página real.
• O fundo é a área que rodeia a sua imagem no ecrã. Eles podem ser
simplesmente pretos ou brancos ou apresentar imagens temáticas. Não querendo
ser desmancha-prazeres, o preto, cinzento, ou branco normalmente são boas
opções, porque destacam as imagens sem se tornarem distractivos.
Duas representações • Os títulos permitem-lhe identificar o início de uma apresentação ou as várias
de títulos – uma só de
texto e outra com ma secções da mesma – tal como a página de identificação de cada capítulo num livro.
imagem captada numa Alguns programas disponibilizam efeitos especiais para animar, desvanecer ou
viagem. arrastar os títulos.
• As legendas permitem introduzir texto para identificar ou descrever cada foto.
• As narrações permitem-lhe inserir voz para descrever a apresentação,
utilizando um microfone ligado ao computador.
• Os modelos (templates) do programa oferecem composições consistentes e
incluem elementos como fundos, botões e menus.
• Se houver funções de edição integradas, pode reenquadrar, rodar ou
remover olhos vermelhos à medida que monta a apresentação.
• As funções de panning e zoom permitem adicionar movimento a imagens
estáticas, ao estilo dos documentários de Ken Burns. Ele fá-lo de forma tão
eficiente, que muitas vezes estas funcionalidades são designadas por efeitos “Ken
Burns”.

Este livro tem o apoio da 215


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

• O redimensionamento das imagens, por norma, é feito automaticamente,


Dica por isso, pode utilizar imagens de diferentes dimensões que a aplicação ajusta
Com o Apple iLife o tamanho, se necessário.
pode criar um slide
show no iPhoto ou • As opções de saída permitem escolher a forma como a apresentação final
no iDCD. Para aplicar será distribuída e visualizada. Ma maioria dos casos, isso implica gravá-la num
efeitos mais sofisti-
cados, como panning CD/DVD. Quando faz uma destas escolhas, na verdade está a seleccionar um dos
e zoom, pode utilizar formatos de ficheiros - que iremos abordar na próxima secção.
o iMovie.
• Arquivar as imagens originais, em tamanho integral, no mesmo DVD que
o slide show evita perdas e permite ao destinatário imprimir ou utilizar as fotos
noutros projectos.

Criar um Slide Show


A tecnologia facilita a criação de slide shows, mas não é o suficiente para os
tornar interessantes.
• Decida que história pretende contar. Qual o tema comum a todas as imagens?
• Mantenha a apresentação curta – não mais de 20 minutos. Se cada uma das
imagens for visualizada durante 5 segundos, com 2 segundos de transição entre
cada foto, pode exibir cerca de 170 fotografias em 20 minutos. Até o Ansel Adams
teria dificuldade em apresentar mais.
• Utilize imagens que contenham um título. Ao fotografar, lembre-se que as
imagens com títulos podem ser úteis, por isso, capte placas de indicação, sinais
de boas-vindas ou cenas típicas que identifiquem determinado lugar.
• Utilize as melhores fotos para começar e para terminar a apresentação.
• Integre sequências que contem mini-histórias.
• Não utilize demasiados tipos de transições. Isso pode confundir os
espectadores. Uma transição suave entre as imagens funciona bem.
• Utilize um fundo para destacar as imagens.
• Adicione música de fundo, mas mantenha o volume baixo e certifique-se que
ela combina bem com a apresentação.
• Pode acrescentar uma narração, mas a maioria dos slide shows funciona
melhor se fizer a apresentação oral pessoalmente. Para emissões ou exibições à
distância é preferível gravar uma narração a partir de um texto preparado do que
improvisado.

Uma coisa a ter em


mente quando cria um
slide show é a diferença
de proporções (aspect
ratio) dos ecrãs em que
possa ser visualizado.
Aqui comparamos as
proporções de um ecrã
de computador típico
(XGA 1024 x 768) com
todos os formatos de TV
possíveis.

216 Este livro tem o apoio da


Formatos de Ficheiros – O Ajuste Final

Formatos de Ficheiros – O Ajuste Final

Quando escolhe uma aplicação de slide show, uma das características chave a
ter em conta é os formatos de saída suportados. Isso determina quer a forma
de distribuição da apresentação quer a sua visualização. O ideal é poder gravar
versões que possam ser publicadas na Web, enviadas por e-mail aos amigos,
exibidas num iPode ou gravadas num DVD. Se o formato de saída já estiver
implementado e for largamente utilizado, o espectador deverá estar informado
sobre actualizações necessárias e novos sistemas disponíveis. Os formatos
novos, ou menos generalizados, normalmente requerem um leitor ou um
plug-in que o utilizador deve a instalar a primeira vez que os usar. Estes são os
formatos mais habituais:
• MPEG (Moving Picture Experts Group) é um standard para vários formatos
de compressão. O MPEG-1 é utilizado para a Vídeo CD e para a compressão
do conhecido formato de áudio MP3. O MPEG-2 é adoptado para o formato
de qualidade de emissão em televisores, televisão digital e DVD. O MPEG-3
foi originalmente criado para HDTV, mas entretanto foi descontinuado (não
confunda com MP3). A última versão, MPEG-4, é a primeira versão criada para
o fluxo de trabalho digital – captura, elaboração de documentos multimédia,
codificação, edição, distribuição e exibição. Este formato é compatível com
Digital Rights Management, HD-DVD e Blu-Ray e é reproduzível na maioria
dos dispositivos incluindo leitores Quicktime, telemóveis, Apple iPode, Sony
PSP e Pocket PC.
• O QuickTime (.MOV) é uma estrutura multimédia desenvolvida pela Apple.
Este formato tem semelhanças com o MPEG-4.
• Os ficheiros Flash Video (FLV) podem ser enviados por e-mail ou puvlicados
O iPode pode reproduzir na Web e visualizados com o Adobe Flash Player. Este formato é suprtado pelo
slide shows gravados no
formato MPEG-4.
YouTube, Google Video, Reuters.com e MySpace. Os ficheiros Flash (SWF)
não são considerados formatos de vídeo e são semelhantes aos utilizados em
animações gráficas de vectores para a Web.
• Os ficheiro Adobe PDF (PDF) pode ser exibidos como slide shows em
qualquer sistema com o Acrobat Reader 5.1, ou posterior, instalado.
• As apresentações em PowerPoint (PPT) podem ser visualizadas por qualquer
pessoa que tenha o Power-Point ou o visualizador gratuito PowerPoint no
computador. O Keynote da Apple tem o seu próprio formato de ficheiros,
que pode ser lido noutro Macintosh. A aplicação gratuita em OpenOffice.org
permite exportar as apresentações para Adobe Flash (SWF) e PDF, bem como
abrir e guardar ficheiros PowerPoint.
• Os ficheiros EXE são programas que contêm quer as imagens, quer o
software necessário para as visualizar. Uma vez que este tipo de formato pode
ser utilizado para transmitir vírus, pode ser bloqueado por algumas firewall
ou sistemas de segurança da Internet, e alguns utilizadores têm grandes
desconfianças relativamente a ele.
• O Motion JPEG (M-JPEG) considera cada fotograma de um filme como uma
imagem JPEG. Já foi largamente utilizado pelos modos de vídeo das câmaras,
mas foi substituído pelo MPEG-4.
•O WMV (Windows Media Video) é utilizado na distribuição de vídeo na
Internet, bem como num formato de DVD standard que utiliza uma variante
designada por WMV HD. Os conteúdos em WMV HD podem ser reproduzidos
em computadores ou leitores s de DVD compatíveis.
• O formato AVI (Audio Video Interleave), introduzido pela Microsoft, é
considerado ultrapassado, mas continua popular devido à sua compatibilidade
com softwares de edição e reprodução de vídeo existentes, bem como com o
Windows Media Player.

Este livro tem o apoio da 217


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Slide Shows – Projectores Digitais

O mais irónico da fotografia digital é que à medida que torna mais fácil e mais
acessível exibir imagens para milhões de pessoas isoladamente ou pequenos
grupos em frente ao televisor, mais dispendioso se torna apresentar as
imagens para um grupo reunido numa sala. Os dias dos projectores de
lanterna já lá vão e os slide shows de 35 mm também já saíram de cena.
Os slide shows são agora apresentados através de projectores digitais (por
vezes designados como projectores multimédia) sobre ecrãs. Se nunca se
A luminância da cor é aborrece com as apresentações em PowePoint , isso deve-se à tecnologia
um novo critério para
avaliar a qualidade de utilizada. A sua apresentação pode ser guardada em qualquer dispositivo de
um projector. Para a armazenamento do computador e reproduzida a partir daí, ou disponibilizada
calcular, os lúmenes através de uma TV ou leitor de DVD para o projector. Aqui estão alguns
das três cores primárias
(vermelho, verde e aspectos a considerar quando escolhe um projector.
azul) são medidos em
nove áreas, três de
cada cor. A avaliação
dos lúmenes é somadas
e depois é calculada a
média para determinar
o rácio da luminância
da cor.

Um projector da Epson.

• Tecnologia do projector. Actualmente são utilizadas duas tecnologias


principais. Os projectores LCD (liquid crystal display) constroem a imagem
num painel do LCD e projectam a imagem na tela utilizando uma lâmpada e
a lente do projector. Os projectores Digital Light Processing (DLP) utilizam
um chip com circuitos integrados, com centenas de milhares ou de milhões
de espelhos articulados na sua superfície. A luz que atinge os espelhos com
determinada inclinação é reflectida pela projecção da lente para o ecrã. A
luz que atinge os espelhos com uma inclinação oposta é reflectida para um
absorvente de luminosidade. Um filtro de cor giratório, colocado entre a luz e
os espelhos, permite projectar as imagens a cores no ecrã.
• Resolução e aspect ratio. A resolução dos projectores, especificada em
píxeis, determina o tamanho e a nitidez da imagem. A maioria apresentam
resoluções de 800 x 600 (VGA), 1024 x 768 (XGA) ou 1280 x 1024 (SXGA)
Os espelhos articulados
projectam uma imagem – todos eles têm uma aspect ratio de 4:3. No entanto, algusn projectores foram
no ecrã. Imagem criados com base no formato HDTV (16:9) e têm resoluções de 1280 x 720
cortesia da Texas (designados por 720p) e 1929 x 1080 (designados por 1080p). Geralmente, as
Instruments. resoluções mais altas são as mais indicadas para a fotografia. Todavia, se as
suas imagens não tiverem o mesmo aspect ratio do ecrã, irão preencher o ecrã
numa das dimensões e formar margens brancas na outra.
• O rácio de contraste é o valor correspondente à diferença entre as áreas
mais luminosa e mais escura da imagem projectada. Um contraste elevado
mostra a subtileza da transição das cores e as sombras intensas fazem com que
a imagem pareça mais rica. Uma luz ambiente fraca contrasta com salas bem
iluminadas, por isso é necessário um rácio de contraste muito elevado para dar
resposta a estas situações.
• A luminosidade é especificada numa gama de lúmenes ANSI, cujos valores
mais elevados são mais claros e mais adequados para fotografias. Com gamas
Um dispositivo digital mais baixas pode ter de escurecer a sala ou projectar a imagem a uma distância
SXGA, de espelhos menos, o que a torna mais pequena. Nos projectores essa gama varia entre 700
microscópicos, com
1 310 720 espelhos.
(baixa) e cerca de 5000 lúmenes (alta). Uma vez que a luminosidade de alguns
Imagem cortesia da projectores diminui nos cantos do ecrã, a sua uniformidade é avaliada segundo
Texas Instruments. a percentagem que cobre completamente a área da imagem.
218 Este livro tem o apoio da
Formatos de Ficheiros – O Ajuste Final

Uma percentagem de uniformidade igual ou superior a 85 porcento indica uma


distribuição regular da luz por toda a imagem.
• Lâmpadas. Os projectores normalmente utilizam lâmpadas Metal Halide ou
UHP (“Ultra-High Performance”) – de melhor qualidade. Elas têm tendência a
manter a sua intensidade luminosa durante o seu “tempo de vida” e uma menor
mudança de cor ao longo do tempo. A duração máxima estimada de uma lâmpada
A Rollei ainda fabrica é definida em horas de funcionamento. Este valor na verdade representa a duração
projectores de slides média da lâmpada – o ponto em que a sua intensidade diminui para metade.
com a funcionalidade de
dissolução incorporada. • Qualidade da cor. A qualidade da cor de um projector é determinada por
vários factores e só é possível fazer uma avaliação por comparação. No entanto, o
número de bits por cor é um indicador. Por exemplo, um projector de 10 bits por
cor pode exibir 1024 níveis de vermelho, verde e azul; enquanto um de 8 só pode
apresentar 256.
• Lentes. Alguns projectores têm uma lente zoom e foco manual. A gama do
zoom determina o quão grande ou pequena será a imagem projectada a uma
Esta é uma distorção
determinada distância entre o ecrã e o projector. Alguns modelos permitem-
típica quando o lhe corrigir as distorções que ocorrem quando o projector está apontado para a
projector não está área superior do ecrã. Sem este controlo a imagem ficará mais larga em cima do
centrado no ecrã.
que em baixo. Alguns ecrãs têm também uma função de ajuste da lente que lhe
permite deslocar a imagem para cima/baixo ou esquerda/direita. Isso permite-lhe
projectar a imagem mesmo com o projector descentrado do ecrã, em qualquer
Projectores direcção.
de Slides
Tradicionais • Rácio da distância de projecção. Quando faz uma apresentação
Os projectores
para um grupo, tem de se certificar que a imagem projectada cabe no ecrã
de slides tradicio- e é suficientemente grande para ser vista. O tamanho da imagem no ecrã é
nais são quase uma determinado pelo rácio da distância da projecção – a proporção entre a distância
raridade – a Kodak
deixou de os produzir
entre o projector e o ecrã (distância a que a luz é projectada) e a diagonal da
em 2004. Para utili- imagem projectada. O rácio é constante, excepto se o projector tiver uma lente
zar um pode querer zoom.
transformar imagens
digitais em slides. • Ruído. A ventoinha utilizada para manter a lâmpada do projector fria provoca
Para isso precisa
de ter acesso a um
algum ruído, incluído nas especificações em decibéis (dB). Um número menor
gravador de filme. indica menos ruído.
Estes dispositivos
são extremamente • Controlo remoto. Se gosta de andar às voltas pela sala, ou de ajustar o
caros, por isso talvez foco e o zoom a partir do sofá, precisa de comando à distância, de preferência
seja mais indicado
procurar um lugar
wireless. Alguns controlos remotos têm ponteiros laser incorporados para que
que ofereça esse possa apontar para partes específicas das fotos; e controlos de rato para operar o
serviço. projector e os dispositivos de alimentação das imagens da apresentação.
Outra forma de fazer
uma apresentação de
• Ranhuras para cartões. Alguns projectores têm uma ranhura para cartões de
fotos para um grupo memória para que possa apresentar imagem sem recorrer ao computador.
é utilizar um retro-
projector. Basta im-
primir as fotografias
em acetatos e utilizá-
las como qualquer
outra transparência.

Em breve será possível


projectar imagens
directamente a partir da
câmara.
A Microvison.com está
a desenvolver esse
sistema.

Este livro tem o apoio da 219


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Slide Shows – Molduras Digitais

Uma das conjecturas de 1950 baseava-se na ideia de que teríamos televisores


ultra-finos pendurados nas paredes, como se fosses quadros. Durante décadas
isso não aconteceu e, na verdade, os televisores foram-se tornando cada vez
mais espaçosos. Recentemente as previsões do passado começaram a tomar
forma, com o aparecimento das molduras digitais, que permitem exibir slide
shows e vídeos, com ou sem áudio. Talvez sejam suficientemente finas, mas
não são propriamente baratas. Todavia, se quer ter um slide show contínuo das
A PhotoVu produz suas fotos, estes dispositivos podem interessar-lhe. Alguns modelos permitem
molduras digitais numa até alterar as imagens em exibição a partir de qualquer parte do mundo. Se
gama de tamanhos procurar informações sobre estes dispositivos, irá perceber que os guias de
de 10 a 19 polegadas.
Todas permitem alterar utilizador online, normalmente em PDF, permitem-lhe conhecer realmente
o caixilho, por isso, bem os produtos. Se o fabricante não disponibilizar o guia online, deverá pelo
combinam qualquer menos encontrar especificações detalhadas. Os sites que não lhe fornecerem
decoração.
este tipo de informações devem ser evitados ou encarados com mais cuidado.
Relativamente às molduras digitais deverá ter em conta os seguintes aspectos:

Características do ecrã
A qualidade do ecrã é a características mais importante e é difícil avaliá-la sem
ver as imagens directamente. Isso implica que vá até uma loja, no entanto, a
maioria não tem molduras em funcionamento expostas. Irá perceber que os
géneros variam muito, mas todas foram desenhadas para se assemelharem, em
maior ou menor grau, a uma moldura tradicional e muitas até têm caixilhos
muito familiares. Encontra molduras com um design elegante e sofisticado,
mas também há modelos semelhantes às de madeira cuidadosamente
trabalhada. Os fabricantes parecem querer tornar estes dispositivos mais
apelativos adicionando molduras grandes a pequenos ecrãs.
• O tamanho e resolução são duas características determinantes para a
qualidade da imagem apresentada, mas também para o preço da moldura. As
especificações exactas são difíceis de obter e por isso é praticamente impossível
avaliar por comparação, mas a relação entre estas duas características é
Esta moldura de 40 essencial. As resoluções disponíveis são semelhantes às encontradas noutros
polegadas, da Digital dispositivos digitais: 640 x 480, 800 x 600, 1024 x 768 e 1280 x 1024. Com
Picture Frame, tem cada uma destas resoluções a qualidade de imagem irá diminuir à medida que
uma resolução de 1280
x 1024. Uma vez que o ecrã for maior, pois os píxeis disponíveis são expandidos por uma área maior.
o ecrã tem 34 x 29
polegadas, a densidade Para calcular a densidade de píxeis do ecrã, primeiro tem de calcular a área de
de píxeis é de 1 329 por visualização do ecrã e a resolução. Por exemplo, se o ecrã tiver 4 x 6 polegadas
polegada quadrada, ou e a resolução for de 640 x 480; 4 x 6 = 24 polegadas quadradas; e 640 x 480
36 píxeis por polegada.
equivale no total a 307 200 píxeis. Depois tem de dividir o total dos píxeis pelas
polegadas quadradas para encontrar o número de píxeis por polegada quadrara
– 307 200/24 = 12 800 píxeis por polegada quadrada. A raiz quadrada desse
número dar-lhe-á o valor de píxeis por polegada, neste caso 113. Os valores
superiores oferecem mais qualidade, mas a comparação só pode ser feita entre
ecrãs com aproximadamente o mesmo tamanho.
• A expressão “píxel por polegada” refere-se à distância entre o cento dos
píxeis e os números menores apresentam vantagens. Esse valor permite-lhe
ter uma ideia da densidade de píxeis e será mais elevado num ecrã de maiores
dimensões com baixa resolução.
• O número de cores tem um grande impacto na qualidade de visualização
das suas fotografias. Os ecrãs de baixa qualidade terão um valor na ordem dos
milhares (normalmente 256 000) e os de alta qualidade na ordem dos milhões.

220 Este livro tem o apoio da


Slide Shows – Molduras Digitais

• A tecnologia de apresentação tem um efeito importante na qualidade


de visualização das suas imagens. Actualmente a melhor tecnologia de ecrãs
disponível designa-se por TFT (Matrix Thim Film Transistor).
• A luminosidade ajustável, sobretudo se aplicada automaticamente, melhora
a visualização das suas imagens à medida que as condições de luz mudam.
• O ângulo de visualização indica o ponto de vista ideal para que cada imagem
possa ser apreciada horizontal e verticalmente. Os valores maiores oferecem mais
qualidade.
• O rácio de contraste é definido pela diferença de luminosidade entre o branco e o
As molduras com preto puros no ecrã. Os valores maiores oferecem mais qualidade.
portas USB podem ser
carregadas com novas • O estilo, ou o “look” destas molduras varia muito. No entanto, não estará limitado
fotografias através a um único género se a sua moldura permitir mudar os caixilhos.
de um dispositivo de
armazenamento USB, • Exibição e montagem. Muitas molduras podem ser colocadas quer em cima
como este Cruzer Micro. de uma mesa, quer numa parede. (Lembre-se que as molduras colocadas numa
Imagem cortesia da
SanDisk.
parede continuam a precisar de uma ligação eléctrica, por isso, conte com fios
inestéticos).
• A orientação pode ser alterada para horizontal ou vertical e, quando roda a
moldura a foto também deve rodar. Quando a moldura está no modo de paisagem
(horizontal), as imagens verticais vão aparecer mais pequenas e, quando está no
modo retrato (vertical), o mesmo acontece com as horizontais.
• O aspect ratio normalmente determina se uma imagem tem as proporções certas
para ser exibida. (O ideal será a moldura não reenquadrar as suas imagens ou,
no mínimo, dar-lhe a opção de apresentar uma imagem na integra.) Nos ecrãs
que aplicam um reenquadramento em imagens com proporções diferentes, são
cortados dois lados da imagem de forma a que a área central preencha o ecrã. Se
quer ter um controlo total sobre este processo pode reenquadrar as suas fotos
num programa de edição fotográfica antes de as enviar para a moldura. Algumas
molduras podem exibir imagens no formato HDTV (16:9) mas a maioria adopta as
proporções da TV (4:3) ou do filme de 35 mm (1:1,5). Esteja atento a este aspecto.
Esta moldura da Philips As molduras de formato HDTV podem ser agradáveis à vista mas têm uma
tem design simples e resolução de apenas 480 x 234. Se exibir imagens na vertical elas ficarão muito
moderno e vem com pequenas ou demasiado cortadas.
caixilhos intermutáveis.
• Analógico ou digital. Os ecrãs digitais são melhores, por isso os fabricantes que
utilizam as mais antigas tecnologias analógicas normalmente omitem esse facto
nas especificações das molduras. Normalmente é possível identificar os painéis
analógicos, porque a sua resolução difere dos tamanhos standard utilizados nos
dispositivos digitais – 640 x 480, 800 x 600, 1024 x 768 e 1280 x 1024.
• Analog or digital. Digital screens are better so companies that use older
analog technology usually omit any reference to it in their frame’s specifications.
Em vez disso deverão apresentar resoluções como: 960 x 234 ou 480 x 234.

Adicionar imagens à moldura


Para que as imagens sejam exibidas na moldura esta tem de lhes aceder.
Encontrará várias formas de adicionar imagens a uma moldura, muitas das quais
permitem convidar outras pessoas para incluir fotos na apresentação a partir de
qualquer parte do mundo.
• Os cartões de memória são o método mais comum de fornecer imagens a uma
moldura. O ideal é que a moldura aceite o mesmo tipo de cartão da sua câmara,
para que possa introduzi-lo e partilhar as fotos do dia. Se o seu cartão não for
compatível, talvez possa utilizar um adaptador. A quantidade de fotos que pode
exibir normalmente é limitada apenas pelo número de fotos que pode guardar no
cartão.
Aqui esta moldura da
Philips é apresentada na • A memória interna permite armazenar uma colecção permanente das suas
orientação horizontal (à fotos favoritas na moldura. Desta forma estarão sempre disponíveis quando
esquerda) e vertical (à
direita). troca ou remove o cartão.

Este livro tem o apoio da 221


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

O software pode reduzir as imagens armazenadas para o tamanho optimizado


da moldura, permitindo guardar mais fotos na memória. (As imagens originais
permanecem inalteráveis). Normalmente pode escolher quais as imagens que
são transferidas para a memória interna, mas algumas molduras também
armazenam imagens transferidas ou enviadas por e-mail, RSS ou outros
sistemas. A quantidade de fotos que pode armazenar na memória interna é
determinada pela capacidade de armazenamento da moldura.
• As ligações USB de uma moldura permitem conectá-la por cabo a um
computador. A moldura pode depois ser aparecer no seu computador como
uma unidade de disco para onde pode copiar imagens.
• Uma ligação de linha telefónica permite-lhe ligar uma moldura
através de um cabo telefónico para utilizar o acesso à Internet por modem
e descarregar qualquer foto, sua ou de outros utilizadores, colocada em
determinado álbum. Esta é uma óptima forma para partilhar fotos com a
sua família ou grupo de amigos. Normalmente é aplicada uma taxa mensal,
mas esta tecnologia pode ser a melhor solução quando oferece uma moldura
a alguém avesso a computadores. (Espera mesmo que o seu avô e a sua avó
lidem com distribuição de conteúdos via RSS ou com uma moldura Wi-Fi?)
• A funcionalidade Wi-Fi permite-lhe colocar uma moldura em rede, em
casa ou no escritório, para que funcione como qualquer outro dispositivo.
Se tiver uma câmara com Wi-Fi que seja compatível com a moldura, pode
descarregar fotos directamente a partir da câmara, ou mesmo visualizar as
imagens na moldura à medida que as capta. Pode ser necessário um cartão
É possível enviar fotos
para uma moldura óptico de rede (optional network card).
Ceiva, carregando-
as para um website.
• Um feed de e-mail permite-lhe criar uma conta de e-mail gratuita para
A moldura é depois que tenha um endereço de e-mail específico para a moldura. Assim pode (ou
ligada periodicamente qualquer outra pessoa) enviar fotos para o dispositivo.
a uma linha telefónica
para descarregar novas • Funcionalidade RSS (Really Simple Syndication) permite-lhe descarregar
imagens. as fotos seleccionadas de um website, como o Flicker ou o Google Picasa
Web Albuns, para uma moldura. Para o fazer, o serviço de partilha de fotos
disponibiliza o conteúdo RSS e a moldura serve como leitor. A funcionalidade
RSS é abordada posteriormente neste capítulo.
• A compatibilidade Bluetooth permite-lhe transferir fotos para uma
moldura a partir de outro dispositivo bluetooth, como um telemóvel.

Exibição de slide shows


Apesar de muitas pessoas se limitarem a inserir o cartão de memória na
moldura, também é possível editar as suas fotos no computador e depois
transferi-las. Quando as copiar para um cartão, o nome ficheiro (e por vezes
a pasta para onde os copia) deve manter certos requisitos, como a extensão.
O nome do ficheiro pode também ser importante se a moldura apresentar as
imagens por ordem alfabética.
As funções multimédia permitem-lhe apresentar vídeos com som e
acompanhar os seus slide shows com música de fundo, normalmente no
formato MP3. Uma moldura pode exibir qualquer conteúdo desde que esteja
A Ality fabrica algumas num formato compatível. Por exemplo, pode visualizar uma apresentação
das molduras mais em PowerPoint utilizando o comando Save As>JPEG (guardar como>JPEG)
apelativas. O seu dessa aplicação, para guardar cada slide como um ficheiro JPEG separado.
modelo Pixxa integra Depois pode ajustar as definições de intervalo na moldura, para passar uma
um relógio e um
calendário, bem apresentação automatizada, ou os slides manualmente através do controlo
como uma superfície remoto.
espelhada quando
as fotos não estão • Os dispositivos de ligação e cabos de áudio e vídeo permitem-lhe exibir
a ser exibidas. Tem a sua apresentação noutro sistema, como na TV. Se reproduzir música na
também um ecrã táctil moldura, a qualidade das colunas integradas é importante.
exclusivo para alterar as
definições.

222 Este livro tem o apoio da


Slide Shows – Molduras Digitais

• Os formatos de ficheiros compatíveis variam, por isso certifique-se


que a moldura é compatível com o formato da imagem, vídeo ou áudio que
quer utilizar. Todas as molduras exibem imagens JPEG e algumas suportem
PNG, BMP e TIFF. Há molduras que suportam formatos de vídeo comuns,
como MPEG-1, MPEG-2, MPEG-4, Motion JPEG, AVI, 3GP (formato dos
telemóveis) e os formatos áudio MP3 e WMA. Algumas molduras têm limites
no que respeita ao tamanho dos ficheiros e nenhuma suporta formatos RAW.
Reproduzir convenientemente ficheiros de vídeo pode exigir um cartão de
alta velocidade e mesmo assim, pode ficar desapontado com a qualidade de
imagem.
• As funções de gestão da imagem permitem rodar, copiar,
reenquadrar e eliminar imagens. Algumas molduras permitem adicionar
máscaras e margens e aplicar efeitos especiais, por exemplo para mostrar
uma imagem a sépia ou a preto e branco. Algumas permitem-lhe ainda
organizar fotos em álbuns ou pastas de forma a que possa seleccionar as
definições da imagem para as exibir em qualquer altura.
•O modo de Browse permite-lhe percorrer as imagens manualmente.
• A visualização de miniaturas disponibiliza algumas imagens ao mesmo
tempo, para que possa localizar rapidamente uma determinada foto.
• O slide show automático começa a exibir as fotos assim que liga a
moldura ou insere um novo cartão. Uma definição de passagem aleatória
evita que seja apresentada a mesma imagem sempre que liga a câmara ou
insere o cartão.
• O slide show personalizável permite-lhe especificar que imagens são
integradas numa apresentação e a ordem pela qual aparecem.
• As definições permitem-lhe especificar os efeitos de transição e os tempos
de exibição.

Outras funções
• Um controlo remoto permite-lhe alterar as especificações e controlar
o slide show em curso. Os botões de zoom e pan permitem-lhe explorar
detalhes nas fotos.
• O software pode permitir-lhe adicionar legendas, sons, efeitos especiais e
Uma moldura Memento, de transição, ou rodar as imagens.
com um controlo
remoto, da A Living • As actualizações do software podem ser descarregadas a partir do
Picture. website do fabricante, para melhorar a sua moldura.
• Em alguns modelos, uma bateria recarregável permite-lhe ligar a
moldura por algum tempo, sem recorrer a fios, para que possa passá-la a
outras pessoas enquanto exibe as suas fotos.
• Um relógio integrado liga e desliga a sua moldura consoante as suas
definições. O melhor será definir horários diferentes para os dias da semana
e para os fins-de-semana. Pelo menos uma moldura (Philips) permite-lhe
especificar uma data, como um aniversário, quando determinada foto é
exibida.

Este livro tem o apoio da 223


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Publicar as suas Fotos – EBooks

Quando a fotografia surgiu, a única forma de incluir fotos em livros era fazer
impressões e depois colocá-las nas páginas. A primeira obra ilustrada desta
forma foi o livro “Pencil Nature”, da autoria de Henry Fox Talbot, publicado em
partes entre 1844 e 1846.
Durante muito tempo, o único método de reproduzir fotos em massa era
gravá-las numa pedra ou chapa que depois se cobria de tinta e pressionava
contra o papel para transferir a imagem. O método funcionava, mas a imagem
era convertida para linhas desenhadas durante o processo. À medida que
as tecnologias de impressão foram evoluindo, tornou-se possível imprimir
fotografias acompanhadas por texto, como se faz actualmente. No entanto,
a impressão de alta qualidade sempre foi muito dispendiosa e só se justifica
quando se produz um grande número de cópias para comercialização. Isso
Uma gravura em aço tornou a indústria de publicação praticamente impenetrável - com todos os seus
feita a partir de uma
fotografia. No detalhe editores, agentes e outros ramos associados. Na verdade, é um privilégio viver
aumentado pode ver os numa era em que a auto-publicação não só é possível, como, em alguns casos,
pontos e linhas usados preferível. As bibliotecas foram repensadas e os fundos redireccionados para os
para recriar a foto. materiais digitais, enquanto os livros impressos foram relegados para segundo
plano e a sua procura diminuiu. Esta grande mudança ainda tem um grande
caminho a percorrer, mas já é possível usufruirmos das suas vantagens.
Os fotógrafos profissionais encontraram apenas duas saídas, as exposições em
galerias e as monografias (livros com as suas fotos). As mostras em galerias não
são acessíveis a todos e, por norma, não têm muitos visitantes, mas continuam
a ser uma boa forma de dar a conhecer o trabalho do autor. As monografias não
têm um grande volume de vendas, porque acaba por ser mais barato folheá-las
nas livrarias. (Um editor de livros fotográficos afirmou que tentar vender um
livro de fotografias é como convencer um cliente a ir ao cinema assistir a um
filme que já tenha visto). Actualmente, com a criação de eBooks que podem
ser facilmente enviados por e-mail ou descarregados da Internet, os fotógrafos
podem expor o seu trabalho a uma audiência muito mais vasta. Uma das grandes
vantagens de utilizar o formato PDF é o facto de possivelmente não precisar de
aprender a dominar um novo programa. Pode utilizar qualquer programa com
o qual esteja familiarizado para criar um álbum fotográfico, um jornal, uma
ilustração, ou qualquer outro documento com fotos e, na fase final, utilizar o
mesmo programa para criar ficheiros PDF. Feita a conversão para PDF, pode
distribuir o eBook digitalmente (como explicamos nesta secção), ou imprimi-lo
(como mostramos no próximo capítulo).
Criar um eBook exige três passos – desenho das páginas, conversão para PDF e
distribuição.
Quando exibidos,
os ficheiros PDF
apresentam uma tabela
de conteúdos onde
pode clicar, e muitos
outros elementos
de navegação como
miniaturas de capa
páginas.

224 Este livro tem o apoio da


Publicar as suas Fotos – EBooks

Planear um Livro
O processo de criação de um eBook é igual ao de criação de qualquer livro
impresso.
O primeiro passo é criar um esquema do livro, juntando o texto, as legendas e as
fotografias. Existem vários programas que pode utilizar para compor um livro. Os
mais conhecidos na indústria editorial são, por exemplo, o InDesign e o Quark. No
entanto, estes programas custam centenas de euros e aprender a dominá-los não
é nada fácil. Se não tiver acesso a nenhum programa deste tipo, pode obter cópias
de programas tais como o Aperture da Apple e o Publisher da Microsoft, que são
muito mais económicas. Todas estas aplicações incluem modelos predefinidos
com elementos gráficos, tipos de letra e cores fáceis de escolher. É possível utilizar
estes modelos tal como são disponibilizados nos programas, ou adaptá-los à
medida que ganha experiência, mas também é possível criar as suas composições a
partir do zero, utilizando quaisquer elementos que deseje, incluindo tipos de letra,
fotografias ou outras ilustrações.
Um programa de edição não é o mesmo do que um processador de texto. Num
programa de edição, é possível criar caixas nas quais digita o texto, arrastar os
cantos ou os lados da caixa para mudar-lhe o tamanho ou a forma, mudar a caixa
de posição e até rodá-la para fazer com que o texto fique na diagonal. As fotografias
são colocadas numa página e também é possível mover, rodar e redimensioná-las.
As caixas de texto e as fotografias mantêm-se no mesmo lugar, mesmo que o texto
seja apagado. O texto pode correr de uma caixa para outra, como num documento
de várias páginas, ou estar contido numa única caixa, como num cabeçalho ou
numa legenda.
Uma imagem pode valer mais do que mil palavras, mas é surpreendente como
uma legenda ou outro texto podem ajudar a contextualizá-la. Pense em imagens
num diário de viagem, com uma introdução que prepara o leitor, e com legendas
que explicam quem e o quê está representado em cada fotografia, bem como
onde e quando foi tirada. Junte algumas histórias interessantes, e um conjunto de
fotografias que só tinha significado para as pessoas que participaram na viagem,
transforma-se num diário ou num livro com significado para toda a gente.
Para compor fotografias numa página, é possível arrastar os cantos para as ampliar
ou reduzir, sem alterar o seu número de píxeis. Quando uma imagem é reduzida, o
número de píxeis por polegada (ppi – pixel per inch) aumenta porque são reunidos
numa área mais pequena. Pelo contrário, quando a imagem é ampliada o número
de píxeis por polegada diminui, porque são distribuídos por uma área maior.
Geralmente, uma imagem deve ter pelo menos 100 ppi para visualização no ecrã, e
200 ppi para fazer cópias impressas, por isso tente não usar imagens com números
muito inferiores a estes.

Converter para PDF


Assim que terminar a composição do livro, o próximo passo é convertê-lo para
PDF. Ao fazê-lo, o livro vai manter todo o seu design intacto. Uma das melhores
partes deste processo é que é possível colocar imagens com resolução integral
no documento original, e depois variar a sua resolução à medida que cria os
documentos PDF. Por exemplo, pode reduzir os ppi para 100, para um eBook,
para 200 para um livro impresso a jacto de tinta, e para 300 no caso de um
livro impresso numa gráfica profissional. Para criar um ficheiro PDF a partir de
qualquer outra aplicação, é necessário instalar primeiro o Adobe Acrobat, ou outra
semelhante. (A versão gratuita Reader não permite a criação de ficheiros PDF,
apenas a sua leitura.) Como o Acrobat pode ser dispendioso, existem várias versões
de outras marcas. Para encontrar alguns, visite a página download.com e pesquise
o termo “PDF”. A partir daqui, os passos a dar dependem da aplicação que foi
usada para criar o livro. Algumas podem ter um comando para exportar ficheiros
em formato PDF.

Este livro tem o apoio da 225


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

No entanto, é possível, em todas as aplicações, escolher o comando imprimir, e


seleccionar a impressora Adobe PDF na caixa de diálogo, em vez da impressora
normal. (Alguns programas adicionam a opção Adobe PDF ao menu de impressão,
para que não tenha que a seleccionar na caixa de diálogo). Esta opção não é
verdadeiramente uma impressora, mas funciona como tal, à excepção de um
aspecto – ela imprime o documento num ficheiro PDF. Ao realizá-lo, todos os
caixa de diálogo do comandos de formatação são interpretados, tal como numa impressora. Mas com
comando Imprimir, com esta opção, o documento totalmente formatado, é armazenado no disco. Depois
a opção Adobe PDF
seleccionada. de ter criado o ficheiro PDF, é possível adicionar-lhe ligações, para que sempre
que alguém clique no botão respectivo, seja aberto o ficheiro externo desejado. Por
exemplo, é possível ligar uma imagem estática num eBook, ao YouTube, e sempre
que alguém clique na ligação, o vídeo é reproduzido. Também é possível ligar o
eBook a um formulário de encomenda, ou a uma página de comércio electrónico,
para que as pessoas possam encomendar uma das suas fotografias. É até possível
criar um sistema de segurança para prevenir alterações ao documento, proibir a
cópia de informações, ou mesmo a sua impressão. Caso escolha dar permissão
para imprimir, pode escolher a qualidade de impressão permitida.

Ler um eBook
Os eBooks em PDF podem ser lidos e impressos por qualquer pessoa cujo sistema
tenha a versão gratuita do Acrobat da Adobe (Acrobat Reader) instalada. (A
http://www.photocourse.com/itext/ebooks/mewoods.pdf
maioria dos sistemas têm este programa, e se não tiverem, é possível descarregá-lo
gratuitamente a partir da página da Adobe.)
Quando abre o documento no Acrobat Reader, ele é exactamente igual àquele que
criou noutro programa – tem os mesmos tipos de letra, a mesma formatação, os
mesmos elementos gráficos e cores que o original. Esta é a razão pela qual este
formato é tão utilizado na criação de eBooks e outras publicações com muitas
ilustrações e excelentes designs. O Acrobat Reader disponibiliza os controlos
http://www.photocourse.com/itext/ebooks/monarchs.pdf
utilizados para “folhear”, percorrer ou ampliar o documento, ou até pesquisar
palavras-chave contidas no texto.
As miniaturas de todas as páginas do documento, a tábua de conteúdos e as
ligações tornam a tarefa de navegar num documento PDF extremamente fácil. Até
é possível fazer o texto ser lido em voz alta e apresentar as páginas em slideshow.
Para ver algumas das possibilidades, são disponibilizados excertos de dois eBooks,
aos quais pode aceder através dos botões das Extensões mostrados à esquerda.
Um dos excertos pertence a um livro de fotografias tiradas ao longo de um ano
num bosque. O segundo é retirado de um livro sobre a criação de borboletas
monarca.

Um dos programas de
depende fortemente
do PDF é o Photoshop
Elements. Ele usa-
o para reproduzir
sons, vídeos e efeitos
de transição, em
slideshows e cartões
electrónicos.

226 Este livro tem o apoio da


As Suas Fotos — Páginas de Partilha de Fotos

Publicar as Suas Fotos — Páginas de Partilha de Fotos

Quando pretende partilhar as suas fotografias com o maior número de pessoas


possível, a melhor opção é publicá-las na Internet. Existe uma variedade de
maneiras de o fazer, desde as páginas de partilha de fotos, até blogs e elaboradas
galerias on-line. Antes de colocar as suas imagens na Web, deve fazer a si próprio
as seguintes questões:
• Quanto esforço está disposto a fazer?
• Está disposto a aprender sobre HTML – software de apoio à elaboração de
documentos multimédia?
• Quanto dinheiro pretende gastar em programas e taxas mensais?
• Quais os conteúdos que pretende ter na sua página?
Se não está interessado em gastar muito tempo e dinheiro, as páginas de partilha
de fotos são provavelmente a melhor solução. Tudo o que tem a fazer é abrir
uma conta e fazer o upload das suas imagens. Alguns serviços permitem-lhe
personalizar o aspecto da página, mas o seu controlo é mínimo.
Geralmente, a utilização de páginas de partilha de fotos é gratuita, mas algumas
cobram uma subscrição mensal ou anual. No caso destas, é geralmente
disponibilizada uma versão limitada gratuita. As páginas de utilização livre
usam a partilha de fotografias como um meio de fazer com que os utilizadores
encomendem impressões ou merchandising com as suas fotografias, tais como
tapetes de rato ou canecas. Estas páginas também são sustentadas pela publicidade
apresentada nas suas galerias, e através da realização de ofertas não solicitadas
aos seus utilizadores. As páginas pagas não utilizam estes subterfúgios e, aquelas
que disponibilizam impressões e outros serviços e produtos têm normalmente um
acordo com grandes empresas de impressão de fotografias, tais como a Shutterfly,
a Kodak ou a Snapfish. Como estas páginas não dependem do lucro das vendas
de impressões, também permitem que os visitantes descarreguem imagens em
tamanho integral, para imprimirem em casa.

Carregar imagens
Depois de criar uma conta numa destas páginas, pode colocar as suas imagens
num álbum ou galeria, que podem ser públicos ou protegidos com palavra-passe.
Neste caso, a galeria só pode ser acedida pelas pessoas com quem partilhou a
palavra-passe. Como o processo de carregar as fotografias é aquele que exige mais
interacção da sua parte, este deve ser o mais simples possível. Existem vários
métodos de carregar imagens, e alguns serviços disponibilizam mais do que um.
• Programas no ambiente de trabalho. Alguns serviços disponibilizam
gratuitamente programas que pode utilizar para organizar e editar as imagens no
seu ambiente de trabalho, que depois serão transferidas para as suas galerias. Esta
é a melhor opção se pretende partilhar um grande número de fotografias, ou usar
regularmente o mesmo serviço.
• Pesquisadores. Muitos serviços têm um botão de pesquisa na página que se
clica para carregar as imagens. Quando encontra o ficheiro que pretende carregar
basta seleccioná-lo e carregar no botão Upload.
• Applets. Alguns serviços disponibilizam um plug-in do pesquisador. Este é
utilizado para seleccionar no seu sistema as imagens que pretende carregar. Em
muitos casos, estes apresentam-se em forma de janela, para a qual arrasta os seus
ficheiros de imagem. Estas applets permitem-lhe transferir várias imagens sem ter
que descarregar e instalar programas no seu sistema.
Este livro tem o apoio da 227
Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

A página de partilha
de subscrição
paga Phanfare
lidera o mercado,
porque sincroniza
automaticamente as
suas galerias Web com
pastas específicas do
seu sistema.

• Parcerias. Alguns programas de edição de imagem estabeleceram


parcerias com páginas de partilha de fotos, para que possa carregar imagens
sem ter que sair da aplicação. Por exemplo, o Photoshop Elements permite-
lhe carregar imagens para a sua galeria, a Kodak EasyShare Galley, ou
SmugMug.
• Sincronização. Muitos fotógrafos criam uma pasta para cada uma das
galerias que pretendem publicar na página de partilha de fotos, e depois
seleccionam-na para carregar automaticamente todos os ficheiros que ela
contém. Se pretenderem adicionar mais imagens à galeria, devem guardá-
las numa pasta do seu próprio sistema. Ao carregarem estas fotos devem
especificar a galeria de destino. Se, por outro lado pretenderem apagar uma
imagem, deverão entrar na página de partilha para o fazer. Todo este esforço
é desnecessário, quando as páginas de partilha de fotos sincronizam as suas
galerias com pastas específicas do seu computador. Sempre que copiar,
adicionar ou apagar fotografias nestas pastas, as alterações são reflectidas nas
galerias da página Web. O conceito é similar àquele que o iTunes utiliza para
sincronizar os conteúdos com o iPod. Neste momento, existem pelo menos
duas páginas Web que exploram este conceito – Phanfare e Sharpcast.
Independentemente página de partilha utilizada, todas as imagens devem
tem um perfil de cor sRGB.

Dica
Métodos de classificação
Não utilize as
páginas de Quando publica as suas imagens numa página de partilha, estas costumam
partilha de fotos ser agrupadas em pastas. Esta organização é feita segundo um método de
como o único
armazenamento classificação. Algumas páginas permitem que os utilizadores e os visitantes
das suas imagens. classifiquem imagens através de etiquetas. Este método de classificação pode
Mantenha os ser restrito ou alargado. O método utilizado no Atpic é alargado, porque não
originais em sua
posse, para o caso existem restrições no que diz respeito às etiquetas utilizadas. Pelo contrário, a
de algo acontecer classificação de imagens no Flickr é restrita. No Atpic, as etiquetas associadas
com a página. às galerias e aos artistas são mostradas com as imagens.

228 Este livro tem o apoio da


Publicar as Suas Fotos — Páginas de Partilha de Fotos

O SmugMug é um
dos sistemas pagos
de partilha de
fotografias preferido
dos utilizadores. Tem
um design excelente
e características
inovadoras, tais como
a inclusão das suas
fotografias num mapa.

O espaço de partilha
de fotografias do Flickr
lidera o mercado de
páginas gratuitas.
Introduziu o conceito de
classificar as imagens
com etiquetas, e
tem uma legião de
utilizadores leais.

Este livro tem o apoio da 229


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Escolher uma Página


Quando escolher uma página de partilha de fotos, há alguns aspectos a
considerar.
• Os visitantes são massacrados com ofertas pelo proprietário do site, devido
ao registo obrigatório?
• O design da página e das suas galerias tem qualidade?
• No caso das páginas de subscrição paga, é oferecido um período de
experimentação gratuito?
• O serviço disponibiliza um endereço único para cada utilizador, como
por exemplo denny.smugmug.com, para que os visitantes possam aceder
directamente às suas galerias? Se este não é o caso, qual o grau de dificuldade
que os outros vão ter para encontrar as suas imagens?
• É possível alterar o desenho ou o tema da página?
• É fácil gerir as suas galerias? Os controlos são intuitivos?
• Os visitantes podem comentar uma galeria ou fotografias individuais?
• É possível mostrar as imagens em slideshow?
• O serviço reduz o tamanho das suas imagens? Os visitantes podem
visualizar e descarregar imagens de tamanho integral?
• O serviço corta as suas imagens?
• É possível carregar clips de vídeo? O YouTube popularizou os vídeos curtos,
e a maioria das câmaras fotográficas digitais tem um modo de captura de
vídeo.
• É possível adicionar legendas às imagens?
• A página permite fazer edições on-line, por exemplo, remover olhos
vermelhos, rodar, reenquadrar, iluminar ou escurecer as suas imagens?
• A página disponibiliza serviços de impressão de fotografias a si e aos
visitantes?
• É possível organizar imagens em galerias, e especificar se estas são públicas
ou privadas? Qual o grau de dificuldade de reorganizar, adicionar e apagar
imagens?
• A página coloca anúncios ou janelas pop-up nas suas galerias?
• É possível os utilizadores registados e os visitantes associarem etiquetas às
imagens para facilitar a sua pesquisa?
• O serviço disponibiliza dados estatísticos sobre o número de pessoas que
visualizam as suas imagens?
• É possível carregar imagens a partir do telemóvel?
• O serviço é actualizado regularmente com a adição de novas características,
tais como a atribuição de etiquetas, a introdução de fotografias em mapas, e
distribuição de conteúdos via RSS?

230 Este livro tem o apoio da


Publicar as Suas Fotos — A Sua Própria Página Web

Publicar as Suas Fotos — A Sua Própria Página Web

Quando pretende ter o controlo absoluto da página Web onde publica as suas
Dica imagens, a melhor opção é criar a sua própria página Web. As únicas coisas
que precisa são um domínio, um serviço de hospedagem, e uma ferramenta de
Quando publica
imagens na Internet,
elaboração de documentos multimédia. Aqui são analisadas algumas das opções.
é fácil serem • Contas gratuitas. É possível que o seu serviço fornecedor de Internet lhe
roubadas. Existem ofereça uma ou mais contas gratuitas. Ao disponibilizar modelos de páginas que
serviços, tais como
picscout.com que
têm a aparência geral pré-estabelecida, facilitam ao máximo a construção de uma
marcam as suas página Web. É quase tão fácil como preencher impressos. Os visitantes entram na
imagens digitalmente página através de um URL, tal como http://johndoe.home.comcast.net (comcast
e procura é o nome de um fornecedor de Internet). Também é possível utilizar ferramentas
continuamente essas de elaboração de documentos multimédia mais poderosas para criar as suas
marcas na Web. páginas no computador, e depois copiá-las para a sua página Web, dispensando os
Quando as encontra, modelos e outras ferramentas. Alguns serviços oferecem este tipo de ferramentas
o serviço informa- com download gratuito.
o, para que possa
tomar as devidas • O seu próprio domínio (nome). Se a sua intenção é ter uma página Web
providências. mais profissional, o melhor é registar o seu próprio nome de domínio, tal como
www.oseunome.com e depois encontrar um local na Internet onde hospedar a sua
página. Empresas como a Pair.com ou a Network Solutions fornecem ambos os
serviços. Apesar de ter de pagar uma taxa anual para registar o domínio, e taxas
mensais para o serviço de hospedagem na Internet, o seu bónus é geralmente
obter um endereço de e-mail gratuito. Por exemplo, como registei o nome de
domínio shortcourses.com para a minha página Web, agora posso utilizar o
endereço de e-mail denny@shortcourses.com. O meu serviço de hospedagem na
Internet não guarda as mensagens enviadas para esse endereço, antes reenvia-
as imediatamente para a conta de e-mail do meu serviço fornecedor de Internet
(Comcast). Sempre que eu mudar de conta de e-mail, basta aceder ao serviço
de hospedagem e indicar o novo endereço. Enquanto mantiver o domínio
shortcourses.com activo, tenho um endereço de e-mail permanente.
Quando escolher o seu serviço de hospedagem, há vários aspectos a considerar:
• Qual é o limite de transferência de dados? Existe normalmente um limite
mensal da quantidade de dados que podem ser transferidos a partir da página
Web, para os visitantes. Os ficheiros de imagem podem ser bastante pesados, e
se tiver a sorte de ter um grande número de visitantes, isso pode significar um
aumento de custos. Como são calculados esses aumentos?
• Quanto espaço de armazenamento é disponibilizado? É necessário
armazenar as suas imagens e outros ficheiros na página, e normalmente existe um
limite.
• Que tipo de ferramentas são disponibilizadas on-line para ajudar
a construir a sua página? É possível usar outras ferramentas, tais como o
Dreamweaver para carregar as informações? O tipo de ferramenta que precisa
para construir a sua página depende do seu objectivo.
• Construtores integrados de galerias. Quando pretende apenas publicar
imagens na sua página, vai verificar que muitos programas de edição de imagem,
tais como o Aperture, o Lightroom e o Picasa criam galerias em formato HTML
automaticamente, completas com hiperligações e botões de navegação. Quando
as páginas são geradas, deverá carregar todos os ficheiros para uma pasta na sua
CuteFTP permite-lhe página Web. Quando um visitante da galeria seleccionar qualquer miniatura, a
transferir ficheiros para imagem será mostrada em dimensões superiores. Estas páginas também têm
a sua página Web, todos os botões de navegação e outros dispositivos que permitem a um visitante
como se fosse uma percorrer as imagens. O Aperture disponibiliza um formato de diário, que lhe
qualquer drive do seu permite adicionar legendas ou textos às suas galerias.
sistema. As pastas e
ficheiros do seu sistema • Construtores independentes de álbuns, tais como o JAlbum foram
são mostrados no painel projectados especificamente para o ajudar a criar páginas de galerias que depois
da esquerda, e os da são copiadas para a sua página Web. Estes programas incluem modelos que
sua página Web, no da lhe permitem estabelecer o estilo da galeria e dos controlos da navegação, e cria
direita. Basta “arrastar automaticamente miniaturas e as ligações destas às imagens maiores. Quando a
e largar” os ficheiros
do computador para a criação do álbum está terminada, o programa copia todos os ficheiros necessários
página Web para a sua página Web.

Este livro tem o apoio da 231


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Os modelos pré-
definidos permitem-
lhe publicar as suas
imagens na Internet de
forma quase imediata.
Imagem cortesia de
Web Gallery Wizzard.

As aplicações de elaboração de documentos multimédia


completas, tais como o Dreamweaver, o Expression Web ou o iWeb
permitem projectar e desenhar visualmente a sua página Web, baseada num
modelo ou num documento em branco.
Os programas que lhe permitem criar a sua página Web, tornam possível a
transferência de todos os ficheiros para um CD ou uma pen. A página pode
então ser visualizada localmente em qualquer sistema, com recurso a um
browser. Esta é uma boa maneira de mostrar as suas imagens quando não
pretende publicá-las na Internet.

Um dos modelos
de galerias Web do
Lightroom.

Alguns termos
• HTML significa
Hypertext Markup
Language e é a
linguagem usada
para criar páginas
Web.
• FTP significa File
Transfer Protocol e é
usado para carregar
os ficheiros da
página Web para a
Internet.

A maioria de nós
evita ter que
escrever em código
HTML (à esquerda).
Normalmente
preferimos trabalhar
visualmente (à direita).
Programas tais como
o Dreamweaver
permitem-lhe trabalhar
de ambas as maneiras.

232 Este livro tem o apoio da


Publicar as Suas Fotos — Blogs Fotográficos

Publicar as Suas Fotos — Blogs Fotográficos

Um blogue (contracção da expressão Web log) é uma página que permite uma
actualização cronológica fácil e rápida. É a publicação instantânea na Web,
no seu melhor. Tipicamente constituído por entradas breves, como um diário
pessoal, as informações publicadas mais recentemente, são mostradas no topo
da página, “empurrando” as mais antigas para o fundo, e eventualmente para
um arquivo. Os conteúdos deste tipo de diários públicos é tão variado como as
pessoas que os criam, e alguns blogues tornaram-se extremamente populares.
Visite, por exemplo, um blogue muito conhecido sobre gadgets, em engadget.
com. Além de publicarem os seus próprios conteúdos, muitas pessoas publicam
ligações a outras informações interessantes na Web, incluindo outros blogues.
Com o tempo, os blogues dividiram-se em várias categorias. Por exemplo,
um blogue fotográfico é apenas um blogue cujo único, ou mais importante
componente, são as fotografias. Uma variante deste tipo é um moblog, ou um
blogue criado com sons, fotografias e texto, feito para dispositivos sem fios, tais
como os telemóveis com câmaras. Para muitas pessoas, os blogues fotográficos
são como diários pessoais, de viagens ou outros. Alguns até permitem que os
http://www.shortcourses.com/naturelog/
visitantes comentem os seus conteúdos. Esta é uma forma fantástica de partilhar
as suas fotos com um grupo e obter as reacções às imagens ao mesmo tempo.
Para criar um blogue, é necessário seleccionar um serviço de weblogging. Alguns
são baseados na Web e, depois de abrir uma conta, sempre que visitar o seu site,
aparece um formulário no seu browser. Depois, basta clicar na janela de edição, e
começar a digitar e formatar texto, adicionar imagens, e clicar no botão Publicar
para enviar a sua nova entrada para o seu servidor Web.
Este processo não só é simples, como lhe permite fazer novas entradas em
qualquer lugar com acesso à Internet – até a partir de um cybercafé em Istambul.
Também existem serviços que lhe permitem instalar um programa no seu
computador, ou mesmo colocar o blogue na sua própria página Web, mas estes
requerem algum entendimento sobre a forma como funciona uma página Web.
Se não tem experiência em criar páginas, será mais fácil trabalhar com aqueles
que usam formulários on-line para fazer as suas entradas, porque estes realizam
todo o trabalho por si. Assim que o seu blogue estiver criado, pode convidar
pessoas a visitá-lo, enviando-lhes o endereço. Também pode fazer com que as
outras pessoas criem ligações para o seu blogue, ou promovê-lo em algumas
listas de blogues on-line, tais como o www.photoblogs.org.

Fazer uma nova entrada


num blogue é tão
simples quanto, digitar
o texto, seleccionar
uma imagem e clicar no
botão Publicar.

Este livro tem o apoio da 233


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

A criação dos blogues é tão recente, que só agora a sua utilização se está
a tornar verdadeiramente generalizada. Ainda não há muitas grandes
empresas envolvidas (do tipo da Microsoft), apesar de o Google já ter
lançado o Blogger.com. Com um campo tão novo e tão vasto, as inovações
ocorre a todo o momento, por isso deve visitar páginas de criação de blogue
frequentemente para se informar sobre as variações em oferta.
Quando procurar um serviço de hospedagem de blogues fotográficos, há
várias questões a ter em atenção:
• Modelos. É possível criar uma página visualmente atractiva através da
Aqui estão alguns dos
modelos de blogues escolha de um dos muitos modelos predefinidos, fornecido pelo seu serviço
disponíveis no ou outros. Estes modelos oferecem não só os gráficos, como também o
blogger.com. esquema de apresentação das entradas e ligações entre outros.
• Gratuito ou pago? Muitos serviços oferecem ambas as versões. Os
serviços gratuitos são bastante básicos, muitas vezes têm publicidade, e não
lhe permitem publicar imagens. Para ultrapassar a versão básica, pode ter
que pagar uma pequena taxa.
• O serviço redimensiona automaticamente as imagens? Para que
tamanho?

234 Este livro tem o apoio da


Publicar as Suas Fotos — RSS

Publicar as Suas Fotos — RSS

Normalmente, as pessoas publicam as suas imagens na Internet, na esperança


Dica que alguém as veja. Para atrair um público, pode enviar e-mails a todas as
O processo de pessoas que pensa poderem estar interessadas. Mas se estas gostarem do que
sincronização de viram na sua página, como é que faz para atraí-las de novo de cada vez que
conteúdos de pastas
diferentes não é feito
publica mais fotos? Uma das maneiras de o fazer é permitir que elas subscrevam
exclusivamente via a sua galeria ou blogue, para que sejam automaticamente informadas sempre
RSS, mas também que publicar novas informações. Isto não só poupa o seu tempo e o dos
pode ser executado
por sistemas peer-
visitantes, como é provável que aumente a frequência com que as suas fotografias
to-peer e páginas de são visualizadas.
partilha de fotos, que
sincronizam os con- Se tiver um iPod, é provável que esteja familiarizado com os Podcasts. Uma
teúdos de uma pasta página Web tal como a Wired, publica clipes audiovisuais on-line, para que possa
do seu ambiente de
trabalho, com a sua
subscrever os conteúdos oferecidos através do iTunes. Quando o Wired publica
galeria Web. novos Podcasts, o iTunes acrescenta-os à sua lista, e estes são copiados para o
seu iPod quando o ligar, para poder ouvi-los mais tarde.
A tecnologia que torna isto possível chama-se RSS (Real Simple Sindication), e é
uma das normas que define a “canalização” para este processo. (A outra norma é
a Atom). Para que o processo funcione, tanto o extremo que recebe, como aquele
que envia informações devem ter programas que cumpram as mesmas normas.
O extremo emissor é chamado syndicator e o extremo receptor, reader, ou leitor.
• O syndicator. O syndicator é normalmente uma página de partilha de
imagens que suporta RSS e lhe possibilita a atribuição de etiquetas em imagens
ou galerias, que as outras pessoas podem subscrever. Algumas páginas permitem
a escolha entre RSS e Atom. Outros, funcionam com apenas uma das opções.
• O leitor. Como existem vários tipos de leitor (também chamado agregador),
este extremo do processo pode tornar-se um pouco mais complicado. Cada
leitor é projectado de maneira diferente, mas todos ajudam a encontrar,
subscrever, e ler conteúdos via RSS. Já mencionámos o iTunes, mas a maioria
dos browsers mais recentes também incluem um leitor, ou este pode-lhes
ser adicionado. Também vêm integrados em páginas tais como o My Yahoo!
e o Google. Até estão a ser adicionados a molduras digitais para que possa
transferir-lhes imagens a partir de qualquer parte do mundo. Os telemóveis e os
videogravadores TiVo também incorporam leitores. Os leitores mais actualizados
suportam ambas as formas de partilha de informações, via RSS ou Atom.
Um ícone cor de laranja é usado para as ligações a conteúdos via RSS públicos.
Até recentemente existia uma grande variedade de logótipos, com as iniciais
XML ou RSS. Neste momento, existe uma tentativa de os estandardizar. Em
muitos browsers Web, basta clicar no logótipo, mas algumas vezes é necessário
copiar e colar o endereço de ligação no seu leitor de notícias.
A versão Apple da distribuição de conteúdos via RSS, para fotos, chama-se
Photocasting. Para o utilizar, basta colocar as imagens que pretende partilhar
num álbum, no seu computador, através do iPhoto. Depois, clica no botão
Apesar de existirem “Photocast this Album” e o iPhoto publica o álbum em .mac para que outros
vários ícones, este está possam subscrevê-lo, clicando numa ligação enviada por si num e-mail.
a ser adoptado em larga
escala, como o ícone
Assim que o façam, as fotografias em resolução integral são automaticamente
padrão para distribuição descarregadas num álbum, na biblioteca do iPhoto. A partir daí, podem ser
de conteúdos via RSS. feitos livros, calendários, postais e slideshows, ou podem utilizar as imagens
como protector do ecrã. Sempre que adicionar fotos ao álbum, elas aparecerão
no álbum das pessoas que o subscreveram automaticamente. Os utilizadores de
PC podem subscrever os seus Photocasts, usando um browser compatível ou um
leitor RSS.

Este livro tem o apoio da 235


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Entretenimento Pessoal — Gestores de Wallpapers e Fundos do Ambiente de Trabalho

Se está cansado de olhar para o mesmo ecrã do seu computador dia após dia,
pode animá-lo um pouco, usando uma das suas fotografias para o fundo do ecrã,
chamado Wallpaper ou fundo do ambiente de trabalho.
Qualquer imagem pode servir, mas uma que seja mais ou menos da mesma
dimensão, e que tenha a mesma proporção do monitor, resulta melhor. Assim
que descobrir a resolução do seu ecrã, por exemplo 1024 x 768, também pode
utilizar o seu programa de edição de imagem para a redimensionar para o formato
exacto. Alguns programas gestores de wallpapers fazem esse dimensionamento
automaticamente. Alguns até permitem a utilização de imagens mais pequenas
que o ecrã, e permitem fazer opções tais como Center (Centrar), Tile (Mosaico) ou
Stretch (Esticar) para especificar o esquema de apresentação do seu ecrã.
Como a personalização do wallpaper é tão popular, muitos programas integraram
esta função.
Para assinalar uma imagem como wallpaper com qualquer um destes programas,
basta seleccionar um comando ou clicar num botão. Alguns programas levaram
este processo mais à frente, e permitem a criação de um slideshow, para que o
fundo do ecrã mude em intervalos de alguns segundos. As suas imagens podem
ser mostradas numa ordem específica ou aleatória e podem ser mudadas todos os
dias, sempre que reiniciar o seu computador. Por exemplo, o Stardust Wallpaper
Control, é uma barra de ferramentas acessória que lhe permite alterar o wallpaper
Uma imagem de com um único clique, alterá-lo automaticamente de cada vez que o computador
wallpaper nas opções
Tile (em cima), Center
é reiniciado, ou segundo um horário previamente especificado. Quando escolher
(no meio), e Stretch uma imagem, lembre-se que pormenores complexos colidem com os ícones do
(em baixo). ambiente de trabalho. As fotografias mais minimalistas, como por exemplo, cenas
de nevoeiro ou paisagens funcionam melhor.

O Google Screensaver
cria uma montagem
com as imagens de uma
pasta que especificar.

236 Este livro tem o apoio da


Entretenimento Pessoal — Protecção do Ecrã

Entretenimento Pessoal — Protecção do Ecrã

Nos primórdios dos computadores, se deixasse o monitor ligado durante


muito tempo, uma imagem fantasma daquilo que estivesse no ecrã, ficaria nele
queimada. Mesmo depois de desligar o computador, era possível continuar
a ver a imagem queimada nas células luminosas do ecrã. Para prevenir esta
situação, foi introduzida a protecção do ecrã. Quando o computador não era
utilizado durante um período predeterminado, uma série de imagens eram
apresentadas no ecrã, umas depois das outras, para que o ecrã fosse queimado de
forma uniforme. Um dos primeiros êxitos que se viram em todo o lado, durante
algum tempo, era uma protecção de ecrã com torradeiras voadoras coloridas.
A protecção do ecrã tinha não só uma função utilitária, como também dava
personalidade ao computador das pessoas. Apesar de já não serem necessárias
No Windows XP é para prevenir que o ecrã se queime, as protecções do ecrã permanecem no
possível usar as mercado, pelo seu valor de entretenimento. Elas também escondem informação
fotografias gravadas confidencial e são mais agradáveis que um processador de texto, ou que uma
numa pasta específica tabela. Uma das vantagens da fotografia digital, é que é possível usar as suas
como uma protecção do
ecrã em slideshow. Para
imagens como protecção de ecrã, ou agrupá-las para partilhar com amigos e
saber como, pesquise clientes. Também é possível utilizá-las para uma angariação de fundos para uma
na ajuda do Windows escola ou organização. Estes são os dois géneros de protecção do ecrã:
a expressão “screen
saver”. • Integradas no seu sistema. Existem aplicações, incluindo as que estão
integradas no seu sistema operativo, ou disponibilizadas gratuitamente pelo
Google, que exibem imagens no seu sistema, como protecção do ecrã. Estes
programas permitem especificar uma pasta no seu sistema, e fazem uma
apresentação das imagens contidas na pasta, tal como num slideshow, quando o
computador não é utilizado durante algum tempo. Para alterar as fotografias da
protecção do ecrã, basta mudar os ficheiros da pasta que especificou, ou escolher
outra pasta.
• Integradas noutros sistemas. Existem aplicações que criam protecções
de ecrã para distribuição. Geralmente, uma protecção de ecrã é criada como
um slideshow. Basta especificar a ordem da apresentação das imagens, o seu
tamanho e o tempo que cada uma fica no ecrã, as transições, etc. Depois, o
Em Phanfare.com programa converte as imagens para um formato de protecção de ecrã armazena-
pode descarregar um o, no Windows como um ficheiro com extensão .scr e no Mac, com a extensão
programa que reproduz .dmg. É possível então instalar a protecção do ecrã no seu computador, ou
as imagens da sua partilhá-la com outras pessoas. Quando procurar por uma aplicação deste tipo,
galeria como protecção
do ecrã. Quando altera deve concentrar-se nos seguintes aspectos:
as imagens da galeria,
o slideshow também é
• O programa permite-lhe distribuir ou vender versões livres de direitos de
modificado. autor? Se não, quanto é que tem que pagar por esses direitos?
• Que tipos de formatos de imagens é que a aplicação suporta?
• É possível incluir vídeos, e sincronizar música?
• O programa cria versões com as resoluções de ecrã desejadas (640 x 470, 800
x 600 ou 1024 x 768)? Lembre-se que algumas pessoas usam as resoluções mais
baixas.
• Quais os efeitos de transição utilizáveis?
• É possível adicionar legendas ou outro tipo de texto?
• É possível inserir ligações para a sua página Web?
• O programa cria protecções de ecrã que se instalam automaticamente num
computador?
• É possível mover as imagens para estabelecer o esquema de apresentação?
• O programa publicita-se a si mesmo nas protecções de ecrã que cria? É
necessário pagar para remover a mensagem?

Este livro tem o apoio da 237


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Situar as Suas Fotografias Num Mapa

Quando descobre uma imagem interessante, é normal ficar curioso sobre


quando e onde foi tirada. Imagine uma viagem pela famosa Route 66, e a
possibilidade de situar as suas fotografias num mapa, mostrando onde cada
uma delas foi tirada. A boa notícia é que é que a informação que necessita para
o concretizar pode ser guardada em conjunto com a sua imagem, como dados
Exif. Por exemplo, a latitude, longitude e a altitude a que a câmara se encontra
podem ser gravadas, com geo-etiquetas e geo-códigos. Com esta informação num
ficheiro de imagem, é possível transferi-la para um mapa interactivo, que mostra
onde a fotografia foi tirada e a direcção em que a câmara estava apontada. A má
notícia é que esta informação é raramente guardada em ficheiros de imagem,
O Global Positioning
System é uma rede
quando elas são capturadas. Tanto as câmaras digitais convencionais, como os
de 24 satélites. Os telemóveis com câmara, salvo algumas excepções ainda não usam tecnologia
receptores GPS usam GPS (Global Positioning System). Numa situação ideal, as câmaras deveriam
informação transmitida integrar um sistema GPS, ou pelo menos, dar a possibilidade de as ligar a uma
por, no mínimo, três unidade GPS externa. Infelizmente, só algumas câmaras têm esta característica,
destes satélites para
calcular a localização
e mesmo assim, os receptores de GPS não funcionam muito bem em interiores.
exacta do utilizador. Mesmo que a câmara tivesse essa tecnologia, muitas fotografias podiam não ter a
Cortesia de Garmin. informação sobre a localização, como seria expectável.
No entanto, foram desenvolvidos sistemas que lhe permitem contornar a falta
de um dispositivo GPS, integrado ou externo, até os fabricantes de câmaras os
disponibilizarem. A localização exacta do sítio onde a fotografia foi tirada pode
ser determinada com um receptor GPS, através da pesquisa das coordenadas
para um determinado endereço, ou simplesmente, seleccionando a localização
num mapa. O número de imagens que pretender identificar com geo-etiquetas,
Unidade GPS Garmin influencia a sua escolha do método a usar. Colocar etiquetas em algumas
que gera um registo de imagens é fácil, mas torna-se demasiado cansativo se tiver que repetir o processo
percurso.
para um grande número de imagens.
Nesta secção abordaremos a forma como estas técnicas podem ser utilizadas,
concentrando a nossa atenção no Google Earth e no Picasa2, um programa
relacionado.

Latitude e Longitude – refrescar a memória


Para relacionar uma fotografia a uma localização, é necessário saber ao menos a
latitude e longitude a que foi tirada. Aqui, ajudamo-lo a refrescar a sua memória:
A Ricoh 500SE tem
tecnologia GPS e é • A latitude é determinada em graus, a Norte e a Sul, que vão desde os 0º no
vendida principalmente equador, até os 90º N para o Pólo Norte e -90º S para o Pólo Sul.
para indústrias e outros
profissionais. • A longitude determina a localização em orientação este/oeste, partindo de
uma linha imaginária vertical, que para por Greenwich, Inglaterra, chamada
Meridiano Principal. A sua escala vai desde os 0º neste meridiano, até +180º
este e -180º oeste.
Cada grau de longitude e latitude é subdividido em 60 minutos, que é por sua vez
dividido em 60 segundos. Assim, uma longitude pode ser expressa como 123º 27’
30’’E, e a latitude em 35º 17’40’’N.

Encontrar localizações – “arrastar e largar”


Uma das maneiras mais fáceis de situar fotografias que não contenham
informação sobre a sua localização, num mapa, é usar uma página de partilha
de imagens como o Flickr. Nesta página, deve abrir uma galeria com as suas
imagens, e seleccionar o comando Organize (organizar) > Map (situar no mapa)
para apresentar uma prova de contacto das imagens e um mapa. É possível
aproximar o mapa para o nível de detalhe desejado e “arrastar e largar” as
O Nokia N95 inclui
uma unidade de GPS
imagens no local onde foram tiradas. São adicionados marcadores ao mapa, e
integrada e uma câmara de cada vez que alguém clicar em qualquer um deles, é apresentada a imagem
de 5 megapíxeis. captada nesse local.

238 Este livro tem o apoio da


Situar as Suas Fotografias Num Mapa

Finding locations—manual geotagging


O Photoshop Elements 5 usa uma abordagem diferente. As imagens são
“arrastadas e largadas” num mapa que é mostrado no programa, e depois carrega
as imagens e o mapa para uma página Web.
Encontrar Localizações – Asoociar geo-etiquetas manualmente
Através de páginas, tais como o Flickr e o SmugMug, ou de programas como o
Picasa2, é possível adicionar as coordenadas às imagens, utilizando etiquetas,
ou integrando-as nos dados Exif dos ficheiros. (Esta opção é melhor porque
acompanha permanentemente a imagem). O primeiro passo é determinar as
coordenadas do local onde a fotografia foi tirada. Se ainda se lembra bem do
local onde tirou a fotografia, pode encontrar as coordenadas desse sítio através
do sistema de mapas do Google Earth ou do Flickr. Por exemplo, em Google
Maps (www.googlemaps.com), deve cllicar na localização para centrá-la no mapa
e depois clicar no botão Link. A ligação ao centro do mapa é apresentada na linha
de endereço do browser e a porção depois de ll refere-se à latitude e longitude. É
apresentado da seguinte forma:
ll=48.169749,-102.859497
A maneira menos “tecnológica” de guardar as coordenadas é usar uma unidade
GPS e tirar-lhe uma fotografia de cada vez que capta uma imagem. Desta forma,
mantém um registo, ao qual pode recorrer quando estiver a classificar as suas
imagens com geo-etiquetas.
• No Flickr pode adicionar geo-etiquetas usando o seguinte formato:
geotagged geo:lat=51.618017 geo:lon=2.48291
• No SmugMug, seleccione uma ou mais imagens e selecciona o comando
Edit Geography do menu Photo Tools (ferramentas fotográficas) e digite as
coordenadas. Também pode pesquisar a informação da localização de um
determinado endereço.
• No Picasa, seleccione uma ou mais imagens e depois seleccione os comandos
Tools (ferramentas) > Geotag (atribuir geo-etiquetas) > Geotag with Google
Earth. Quando o mapa aparece, aproxime-o e desloque-o para centrar o
ponto desejado e depois clique o botão Geotag ou Geotal All para incluir as
coordenadas nos dados Exif da imagem.

Encontrar localizações – fazer corresponder o tempo e o percurso.


O Sony GPS-CS1 Existem várias maneiras de adicionar as coordenadas de uma localização aos
determina a sua dados Exif de um ficheiro. Isto é feito através da utilização de programas que
localização de 15 fazem corresponder a data e hora guardados na informação Exif do ficheiro da
em 15 segundos, imagem com a data e a hora guardadas num registo de percurso, criado por um
de maneira a que o
GPS Image Tracker receptor GPS que leva consigo nas sessões fotográficas. Quando o programa
consiga adicionar a encontra informações iguais, ele procura no registo de percurso a localização
informação sobre a da fotografia tirada nesse dia e a essa hora, e guarda as coordenadas nos dados
hora e a localização no Exif da imagem. Se uma fotografia estiver entre dois pontos do registo, ou o GPS
ficheiro da imagem. O
Picture Motion Browser,
perder o sinal por algum tempo, a posição da imagem é estimada, usando os dois
disponibilizado com pontos do registo mais próximos. É desta forma que funciona o Sony GPS-CS1.
algumas câmaras Para que este procedimento funcione com precisão, é necessário acertar a data
Sony, mostra as suas e a hora da câmara com as do GPS. Lembre-se que o relógio da câmara não
fotografias num mapa actualiza automaticamente quando passa por fusos horários diferentes.
on-line.

Adicionar imagens a um mapa


Depois da informação da localização da imagem ser guardada no seu ficheiro, é
fácil adicioná-las a um mapa. Em algumas páginas, basta carregar as imagens
e quando esta encontra a informação da localização, adiciona-as ao mapa.
(Algumas páginas são capazes de as colocar no mapa, se tiverem etiquetas com o
nome do local).

Este livro tem o apoio da 239


Capítulo 9. Exibir e Partilhar Fotos no Ecrã

Na maioria dos mapas, os ícones representam a posição de cada fotografia


http://www.photocourse.com/itext/gps/gps.htm
e basta passar o cursor sobre o ícone ou clicar nele, para ver a imagem.
• Situar imagens num mapa no SmugMug é tão simples como
seleccionar as imagens desejadas e clicar no botão “Map This”. O mapa
aparece com ícones que mostram os locais onde podem ser encontradas as
imagens.
• Para situar imagens num mapa, no Flickr, basta seleccionar os
Dica comandos Organize > Map, para apresentar as suas imagens num tabuleiro
Uma das abordagens
e um mapa. Depois basta aproximar o mapa para qualquer nível de detalhe e
à identificação de “arrastar e largar” as imagens na localização desejada. Por fim, o Flickr coloca
imagens com geo- automaticamente as suas imagens no mapa em;
etiquetas parece
prometedora. O www.flickr.com/account/geo/exif/
sistema swGPS
da NXP grava • Situar as imagens num mapa, directamente no Google Earth. No
informações cruas
sobre as localizações
Picasa2, seleccione as suas imagens identificadas com geo-etiquetas e use o
ao mesmo tempo comando Tools > Export > Export to a Google Earth File. Depois, guarde as
que tira as suas imagens num ficheiro KMZ com um nome descritivo. Abra o Google Earth
fotografias, e
armazena-as no
no seu sistema e use o comando File (ficheiro)> Open (abrir) para abrir o
ficheiro da imagem, ficheiro KMZ. O Google Earth mostrar-lhe-á então a localização das suas
mas não processa imagens. É possível enviar o ficheiro KMZ põe e-mail, ou publicá-lo numa
de imediato a
informação. Quando
página Web.
se liga à sua página
Web, a informação
é convertida em
coordenadas. Esta
abordagem é mais
rápida e barata, e
gasta menos energia
que a captura e
processamento da
informação feita na
câmara.

Uma fotografia do
marcador US Geologic
Survey no Montecito
Peak, perto de Santa
Barbara, situado no
mapa do Google Earth
através do SmugMug.

O Photoshop Elements
5 permite “arrastar e
largar” imagens num
mapa e depois carregá-
lo para uma página
Web. Os visitantes vêm
o mapa e os clicam nos
ícones para ver as suas
imagens.

240 Este livro tem o apoio da


Capítulo 10. Exibir e Partilhar Fotos Impressas

Capítulo 10
Exibir e Partilhar Fotos Impressas

A
nsel Adams abservou uma vez “O negativo é a partitura e a prova
o concerto”. As provas finais sempre foram muito apreciadas
e emoldurar impressões fotográficas sempre foi usual. Aliás, o
fotógrafo que mais vendeu até hoje provavelmente foi Wallace
Nutting, cujas fotos coloridas à mão estavam penduradas em praticamente
todas as casas da burguesia Vitoriana, do início do século XX. Na era digital,
também pode imprimir fotos para expor ou colocar em álbuns, mas não
precisa de se limitar a isso. É fácil utilizar o computador para desenhar livros
ilustrados, calendários, ou outros materiais e depois imprimi-los a cores
na sua impressora a jacto de tinta. Também pode utilizar serviços locais
ou online para imprimir livros com as suas fotos, ou colocá-las em t-shirts,
chávenas de café, tapetes de rato, calendários, postais, bijutarias e até em
bolos. Pode ainda gravá-las a laser em vidro, pedra ou madeira – dando um
novo significado ao termo “impressão a laser” e “materiais de arquivo”, Neste
capítulo vamos explorar as diversas opções disponíveis para a impressão das
imagens. Apesar de algumas se aproximarem muito do kitsch, todas oferecem
oportunidades criativas para quem queira explorá-las artisticamente, ou
pretenda apenas apreciar e partilhar as suas imagens.

Este livro tem o apoio da 241


Capítulo 10. Exibir e Partilhar Fotos Impressas

Como são Impressas as fotos a cores

Para criar imagens, as impressoras a cores dividem a página numa grelha com
http://www.photocourse.com/itext/CMYK/
milhares, ou até milhões, de minúsculas células, cada uma das quais tem de ser
reconhecida pelo computador. A impressora depois pulveriza ou usa pontos de cor
Clique para ver como se
pode combinar o ciano,
disposto em padrões para criar a imagem.
o magenta e amarelo
para criar todas as
cores. Cores CMYK
Como já viu, os monitores a cores utilizam três cores transmitidas (vermelho, verde
e azul - RGB) para criar imagens a cores no ecrã. Trata-se do chamado processo
aditivo da cor, porque adiciona quantidades variáveis criar todas as cores. As
impressoras utilizam luz reflectida e três cores (ciano, magenta e amarelo – CMY)
para criar imagens no papel. Trata-se do processo subtractivo da cor, porque as cores
impressas subtraem a luz absorvida por elas de forma a que apenas o vermelho,
o verde e o azul sejam reflectidos para os nosso olhos. Quando as três cores são
misturadas em quantidades iguais formam o preto – chamado preto composto. As
impressoras incluem um tinteiro preto adicional porque o preto composto tende a
ser demasiado monótono e sem brilho para imprimir caracteres e os pretos ricos das
fotos. Estas quatro cores dão o nome ao processo CMYK (C de cyan, M de magenta,
Y de yellow e K para black).
A mistura visual das
três cores básicas
cria outras cores.
A combinação do
magenta e do ciano
cria o azul (esquerda),
a do amarelo e do
ciano cria o verde (ao
centro) e a do amarelo
e do magenta cria o
vermelho (direita). A
impressora não imprime
branco – é criado pela
cor do papel vista
através das camadas de
tinta. Se não imprimir
em papel branco, não
obterá tons brancos.

Impressoras de tons contínuos


As fotografias são imagem de tons contínuos, o que significa que têm gradações
suaves entre os tons mais claros e mais escuros, não sendo visível a transição entre
eles. Estas imagens são diferentes dos caracteres, linhas desenhadas e xilogravuras,
que têm áreas definidas por cores sólidas, em gradações. A finalidade de uma
impressora fotográfica é reproduzir os tons contínuos das fotos com precisão.
Os únicos processos de impressão capazes de produzir tons contínuos são: de
sublimação (dye-sublimation ou dye-sub), thermo-autochrome, zink e impressoras
como as Lightjet e Lambda que expõem papel de prata-halide. Todos estes processos
serão abordados neste capítulo.
Noutras impressoras, incluindo a jacto de tinta, normalmente cada ponto impresso
tem o mesmo tamanho e densidade da cor. Para reproduzir os milhões de cores de
uma fotografia de tons contínuos, estas impressoras utilizam um processo, chamado
sombreado (dithering), para criar um padrão de pequenos pontos que os olhos
misturam para formar a cor e a forma desejada. Este processo produz uma ilusão
As imagens Line-art têm
apenas cores sólidas.
de cores que na verdade não existem isoladamente. Este sistema digital equivale à
técnica de meios tons (halftoning) largamente adoptada pela industria de impressão
convencional – utilize uma lupa para ver o seu efeito em fotos de revistas e jornais.

242 Este livro tem o apoio da


Como são Impressas as fotos a cores

A certa distância aparentam ser tons contínuos mas, quando ampliados aparecem
como vários pontos de cores diferentes. Criar softwares de impressoras que
permitam gradações suaves assemelha-se mais a um trabalho artístico que
cientifico. Como resultado, há grandes variações que nos métodos utilizados quer
nos resultados obtidos. Quando as gradações suaves das cores do original parecem
igualmente suaves na impressão e as mudanças de tons do original e da prova
correspondem à mesma gama, está comprovada a competência do sistema de
sombreado. Se o processo não for eficaz, as transições suaves estarão deslocadas,
A saturação e a formando faixas de cor, e podem originar efeitos moiré ou pontilhados. Este processo
densidade é controlada
pelo número de
consiste em ordenar pontos de impressão em grupos de grelhas, chamadas células de
pontos impressos em meios tons ou de tela, para depois utilizar esses pontos maiores como uma unidade
cada célula. Menos única para imprimir os píxeis. Os pontos impressos em cada célula controlar a cor e a
pontos significa menos
saturação. Imagem
intensidade da mesma.
cortesia da Tektronix.
• Para controlar as cores, em cada célula são impressas várias combinações de
pontos a partir das cores disponíveis. Por exemplo, para imprimir a cor púrpura a
impressora utiliza uma combinação de pontos magenta e ciano.
• Para controlar a densidade, a impressora varia o número de pontos impressos em
cada célula. Quanto maior a área coberta, mais escura será a célula. Para matizes
menos saturados, a impressora deixa alguns pontos por imprimir, para que a cor do
papel, normalmente branca, apareça através deles. Nas impressoras mais recentes
são utilizadas tintas diluídas para as cores mais claras.
As formas são criadas
variando os padrões de Programas de controlo das impressoras
pontos em cada célula.
As formas impressa Todas as impressoras vêm com um software que controla a conversão de dados
à esquerda são RGB para CMYK. O programa de controlo da sua impressora normalmente está
produzidas por píxeis
quadrados, como se vê disponível através da caixa de diálogo da impressão (Imprimir/Print), e apresenta
nos objectos do lado 0 botão Propriedades (Properties) ou Definições (Setup). A partir dessa caixa de
direito. Imagem cortesia diálogo pode especificar parâmetros como: tipo, tamanho e orientação do papel, a
da Tektronix.
qualidade de sida deseja e o número de cópias. Aí define também o perfil de saída,
normalmente especifico para os tipos de papel. Com base nas suas definições, o
programa determina a forma mais eficiente de aplicar os pontos de tinta na página.

Dica
Não confunda os
pontos por pole-
gada (dpi) de uma
impressora, com o
sistema de píxeis por
polegada (ppi) de
uma imagem. Cada
pixel é reproduzido
por vários pontos
impr