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CAPÍTULO 1
FILOSOFIA DE PROTEÇÃO DOS SISTEMAS
Prof. José Wilson Resende
Ph.D em Sistemas de Energia Elétrica (University of Aberdeen-Escócia)
Professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica
Universidade Federal de Uberlândia

1.1) Introdução:
Todos se interessam por um bom produto quando no ato da compra e,
como não poderia deixar de ser, o consumidor de energia elétrica também exige
que ela seja de alta qualidade, ou seja, sem variações na tensão ou freqüência,
quer seja por oscilações, quer seja por interrupções.
Para atender a exigência e necessidade dos consumidores, os sistemas se
armaram de diversos recursos e métodos.
Uma solução que amenizou os
problemas de falta de energia em diversas áreas foi a interligação dos sistemas
elétricos, onde desta forma, na interrupção de uma estação geradora, outras
suprirão sua saída.
Outra solução é o projeto e manutenção de cada
componente, evitando que qualquer falha possa impedir a sua utilização dentro
do sistema. E, por, último, controlar e minimizar os efeitos de quaisquer faltas
que possam ocorrer. É aqui que os relés de proteção são utilizados nos
sistemas de potência.
A função da proteção é a de causar rápida retirada de operação de
qualquer elemento de um sistema, quando ele sofre um curto-circuito, ou
quando operar sob condição anormal que possa causar dano ou interferir na
operação do restante do sistema.
O elemento de proteção que sente a anormalidade no sistema e que
comanda a retirada do elemento defeituoso é o relé.
Os relés são complementados pelos disjuntores, que vão isolar o elemento
defeituoso quando chamados a fazê-lo pelos relés. Os disjuntores devem ter
capacidade suficiente de suportar momentaneamente a máxima corrente de
curto-circuito que fluir através deles e, então interromper essa corrente.
Uma função secundária de uma proteção é dar indicação da localização e
do tipo de falta.
De uma maneira geral, a exploração de um sistema de energia elétrica

requer:

• Programas de geração
• Esquemas de interconexões adequados
• Utilização de um Conjunto Adequado de Proteções

resguardar a rede e o equipamento atingido. Utilização de um conjunto adequado de proteções a) Após uma falha.3. perdas de sincronismo. 30 KA em 220 KV). os relés devem ser vários (não só na quantidade mas. Esquemas de interconexões adequados para: a) limitação do valor da corrente de curto FASE/FASE a um valor suportável pelo equipamento (40 KA em 380 KV. b) evitar transferência indevida de carga para as linhas e equipamentos. Para atingir esses objetivos o sistema de proteção deverá: • Retirar ou não de serviço o sistema.3 min/ano .2 1. Fios 29% 1 falta / 80 Km 1 falta / 450 MW 1 falta / 15 MW 1 falta / 40 MW 1 falta / 150 MW b) Sistema EHV típico: • Desligamento por descargas atmosféricas: 10 – 20% do total • Tempo médio de interrupção. proteção errada. Programas de Geração: a) Para utilização mais econômica dos grupos geradores disponíveis. nos tipos) 1.2. principalmente. sobretensões.. Isso poderia provocar.1.1. em caso de falhas em outros locais. 1. • Alertar o operador • Para detecção de curtos. .2 – A Estatística dos Defeitos a) Seja um sistema 132/275 KV típico: Linhas de Transmissão 33% Equipamentos Manobra 10% Transformadores 12% Geradores 7% TC.1. Relés.Para tempestades: 2. b) Para evitar sobrecargas permanentes em LT’s e transformadores 1. TP. por exemplo: sobreaquecimentos. deve-se assegurar a continuidade de alimentação ao maior número de usuários. perda de sincronismo entre os sistemas interligados. etc.Pelo total de defeitos: 12 min/ano • Defeitos passageiros: 95% dos casos (85% dos defeitos passageiros são(F-T).1. em 10 anos: .

Limitação dos defeitos devido às falhas 1.3-Limitação dos Defeitos • Colocando reatores limitadores do valor das correntes de curto • Os equipamentos devem ser projetados para suportar os efeitos mecânicos e térmicos das correntes • Existência de circuitos duplos e geradores de reserva • Existência de observação humana e por aparelhos. No entanto. cálculos de curtos) ⇒ reajustes nos relés. 1.2-Prevenção Contra Falhas • Isolamento adequado • Uso de cabos pára-raios e baixa resistência de pé-de-torre • Adequadas instruções de operação e manutenção. Operação normal 2.3. • Existência de releamento: observe que esta é apenas uma providência a mais . 1. variações nas instruções operativas. do cumprimento das medidas preventivas. • Análise constantes sobre mudanças no sistema (LOAD – FLOW.1.3.3. para a fase de planejamento.3 – Aspectos Considerados na Proteção 1. • Inexistência de erros do pessoal de operação 1.Operação Normal • Inexistência de falhas do equipamento.3 c) Distribuição normalmente esperada para as falhas • Devidas à natureza elétrica diversa • Má atuação de relés • Erros de pessoal → 73% → 12% → 15% Observações: As estatísticas não são perfeitamente confiáveis devido: • às displicências nas anotações • porque as faltas dependem muito da localização do sistema. Prevenção contra falhas elétricas 3. os dados estatísticos ajudam.

a um custo de 2% a 5% daquele do equipamento protegido.Proteção: • Contra incêndio • Pelos relés e fusíveis • Contra descargas atmosféricas e surtos de manobra 1. Se não há defeito.Principais considerações de um Estudo de Proteção: • Elétricas: Tipos de faltas. O Relé aciona o disjuntor e este é que abre o circuito: . • Econômicas: Custo do equipamento a ser protegido x custo do sistema de proteção. Nota: O releamento.4 1. filtros.5 – Características Gerais dos Equipamentos de Proteção Regras Básicas : 1. a proteção não atua: desligamentos desnecessários serão evitados. ou quando ele começa a operar anormalmente. as ordens devem ser precisas. minimiza: • O custo de reparação dos estragos • A probabilidade de que o defeito possa se propagar e envolver outro equipamento • O tempo que o equipamento fica inativo (reduzindo as reservas) • Perda de renda e o descontentamento público. estabilidade. Caso haja defeito na zona de controle do relé.4.2.1. Distância entre pontos de releamento. 2. características gerais e regime de operação dos equipamentos. Funções da Proteção por Releamento: a) Função principal: promover uma rápida retirada do elemento que sofre a falta. 1.4 – Análise Geral da Proteção 1. • Físicas: Facilidade de manutenção dos relés. TC’s e TP’s.4.

significa que uma dentre várias coisas pode acontecer e impedir a eliminação de uma falta no sistema. o socorro necessário. realmente. A proteção principal constitui a primeira linha de defesa. • Disjuntores são colocados na conexão de cada dois elementos • Superposição de zonas: visa socorrer em caso de falha de uma proteção (prejudica à seletividade) • Superposição sobre disjuntores: desta forma se tem. • no disjuntor. etc. • na alimentação DC no circuito de trip. Quando dizemos que a proteção principal falha. • Nos TC’s e TP’s. Há dois grupos de tais equipamentos.5. um denominado principal e outra de retaguarda (back-up).5 Figura 1 b) Função secundária: localiza o defeito e descobre o tipo de defeito 1. enquanto que a de retaguarda atua quando falha a proteção principal. Isto pode acontecer devido a falhas: • na alimentação de corrente e tensão. . Princípios Fundamentais dos Relés Consideremos inicialmente somente a proteção contra curto-circuito. a) Relés principais ou primários: Uma zona de proteção é estabelecida ao redor de cada elemento do sistema.1. • nos relés de proteção.

não haveria desligamento de disjuntores. A segunda observação é que uma determinada zona de proteção é estabelecida em torno de cada elemento do sistema.6 Figura 1. Porém. a primeira observação é que os disjuntores são localizados em conexão a cada elemento do sistema de potência. mais disjuntores serão desligados do que o número mínimo necessário para desconectar o elemento defeituoso. se não houvesse essa superposição. desligamento de todos os disjuntores dentro desta zona e somente destes. Ocasionalmente. isto é.1: Zoneamento da proteção Referindo-se a figura 1. pode-se omitir um disjuntor entre dois elementos adjacentes. para faltas dentro da região onde duas zonas de proteção adjacente se sobrepõem. significando que qualquer falta que ocorra dentro dessa região ocasionará trip. É evidente que. uma falta na região entre as zonas poderia situar-se em nenhuma delas e. portanto.1. isto no caso em que ambos elementos devam ser desconectados para uma falta em qualquer um deles. fato que torna possível desconectar somente o elemento faltoso. .

. estando distantes do equipamento que falhou (E). Estes. a mesma deve ser localizada de maneira a não empregar ou controlar qualquer coisa em comum com a proteção principal. etc. Relés Auxiliares: usados para sinalizar. multiplicador de contatos. I. falhando o disjuntor E. • Para faltas na LT “BD” os relés de retaguarda estão em A e F. uma maior parte do sistema é desconectada. não serão tão afetados. B e F fornecem proteção de retaguarda para faltas na substação “K”. Os relés de retaguarda devem ser localizados. para o qual servirá de retaguarda. • Quando a proteção de retaguarda atua. • Os relés de retaguarda em A. Isto é. Figura 1. freqüentemente. Para isso. J. Uma segunda função da proteção de retaguarda é. como temporizador. os relés de retaguarda desligarão A.7 b) Relés de Retaguarda: A proteção de retaguarda deve ser arranjada de maneira que o motivo causador de falhas na proteção principal não o faça na proteção de retaguarda.2 • Para curtos na linha EF. de preferência. prover proteção quando o equipamento principal estiver fora de serviço para manutenção de reparo. os disjuntores A e B devem abrir. como talvez o sejam C e D. Quando atuados provavelmente o equipamento protegido terá sido forçado acima de sua capacidade: uma boa manutenção no mesmo é recomendada. em subestação diferente daquela dos relés principais. B.

Isto é: quando ocorre um curto. 2. sem ter tido tempo para completar sua atuação. A proteção de retaguarda então rearmará. partem normalmente as proteções principal e de retaguarda. 3 3 2) Não havendo superposição de zonas: Para curtos em P e Q ⇒ a proteção não será acionada. . EXEMPLOS: 1) Falta A B C Disjuntores Abertos 1. 3 1. Os relés principais deverão desligar os disjuntores necessários para remover o elemento em curto. pois estes pontos não pertencem a nenhuma zona de proteção. de maneira que os relés principais tenham tempo suficiente para atuar.8 A proteção de retaguarda deve operar com suficiente temporização. 2.

6 – Características Funcionais do Releamento As características funcionais exigidas dos equipamentos de proteção são: • rapidez de operação • sensibilidade. • seletividade.9 3) • Curto no trecho 3-7: Proteção principal: disjuntor 3 e 7 abrem Proteção retaguarda: disjuntor 8 e 4 abrem ou não • Curto na substação 2-7: Proteção principal: disjuntor 2 e 7 devem abrir Proteção retaguarda: disjuntor 8 e 3 1. • confiabilidade (exatidão e segurança) a) • • • • • Velocidade ou Rapidez de Ação Diminuem a extensão do dano ocorrido (≈ RI2t) Auxiliam a manutenção da estabilidade das máquinas em paralelo Melhoram as condições para re-sincronização de motores Mantém as condições normais de operação das partes sadias. Diminuem o tempo de paralisação dos consumidores devem ser Relés Rápidos ⇒ associados a disjuntores Rápidos .

K > 1. desde que eles sejam rápidos. sem perda de sincronismo. Alguns tipos de relés podem operar uma vez em vários anos (Os relés de linhas operam mais freqüentemente). d) Confiabilidade: É a probabilidade de um componente. normalmente mín c) Seletividade: É a capacidade da proteção: I) Em reconhecer uma falta e desligar o número mínimo de disjuntores para eliminar a falta. A condição de mínima geração é. tem-se a mínima corrente de curto através do relé.⇒ aumentando-se a velocidade de operação. b) Sensibilidade Os relés e o sistema devem ser suficientemente sensíveis. . exigida pelo fabricnate do relé. para a qual ele deve ser suficientemente sensível para operar e remover efetivamente a falta. K = I cc / I pp = fator de sen sibilidade mín I cc = mínima corrente de curto Ipp = corrente mínima de acionamento ou de “pick-up”. nas anormalidades. os relés permanecem inoperados a maior parte do tempo. o critério que decide a sensibilidade do relé: nesta condição. Isso requererá do relé: simplicidade e robustez (empregando-se matériaprima e mão-de-obra especiais).5 a 2. maiores cargas podem ser transportadas. II) Selecionar as condições em que uma imediata operação é requerida e aquelas em que nenhuma operação ou retardo de atuação é exigido. geralmente. de maneira a operarem os relés. um equipamento ou um sistema satisfazer à função prevista: atuar corretamente sob as condições esperadas e não operar incorretamente devido a causas estranhas. Ao contrário da maioria dos outros elementos de um sistema. os relés de proteção podem aumentá-la. 10 Onde a estabilidade é um problema.

5.7 – Relação entre Relés de Proteção e Operadores Em certas ocasiões. Exercícios Para o sistema abaixo. 5. os relés detectam a falta e sua localização. 4. Para cada tipo e local das falhas há algumas diferenças e. 8 3. vários tipos de equipamentos de proteção existem. 5. 8 4. 5. 6 . 6 4. direção.11 1. 7. 5. Através de mudanças individuais ou relativas de I e V. 6 1. forma de onda. ângulo de fase. Isso ocorre quando as condições anormais se desenvolvem lentamente e o operador tem tempo de perceber o ocorrido e corrigir a situação (ex. 7. determine: • Local do curto • Algum disjuntor deixou de abrir • Assumir uma falha por vez CASO a b c d e f DISJUNTOR QUE ABREM 4. 4. 8 3. 1. um operador alerta e habilidoso poderá evitar a remoção de serviço de um importante elemento do sistema. assim.8 – Operação dos Relés de Proteção Todos os relés para proteção de curto e vários outros tipos de relés operam pela eficácia da corrente e/ou tensão vindas de TC’s e TP’s. Diferenças Possíveis: Magnitude.: uma sobrecarga num gerador). Cada um é projetado para reconhecer uma diferença particular e operar em resposta a isso. freqüência. duração.

.12 2) Exemplo número 1 da página 10 – Caminha.