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Introdução aos Estudos literários II:

Literatura, Correntes teórico-críticas

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Flávia Azevedo de Mattos Moura Costa Diretor do Departamento de Letras e Artes Prof. Adélia Maria Carvalho de Melo Pinheiro Pró-reitora de Graduação Profª. Antonio Joaquim da Silva Bastos Vice-reitora Profª.Universidade Estadual de Santa Cruz Reitor Prof. Samuel Leandro Oliveira de Mattos Ministério da Educação .

[2010]. volume 2 / Elaboração de conteúdo: Sandra Maria Pereira do Sacramento. CDD 809 . anexos. 148 p. ISBN: 978-85-7455-194-4 1. correntes teórico-críticas : Letras Vernáculas. . 2. – [Ilhéus. Estruturalismo. volume 2. Inclui bibliografias.Ficha Catalográfica I61 Introdução aos estudos literários II : Literatura. II. Sandra Maria Pereira do. Título: Letras Vernáculas : módulo 3. I. BA] : UABUESC. 3. : il. Sacramento. módulo 3. Literatura – História e crítica. Literatura – Estética.

Drª. Drª. de Mattos Chagouri Ocké João Luiz Cardeal Craveiro Capa Sheylla Tomás Silva EAD . Julianna Nascimento Torezani Diagramação Jamile A. Msc. Msc. Maridalva de Souza Penteado LETRAS VERNÁCULAS Coordenação UAB – UESC .UESC Profª. Dr. Marileide dos Santos de Olivera Profª. Sandra Maria Pereira do Sacramento Instrucional Design Profª. Rodrigo Aragão Elaboração de Conteúdo Profª.Coordenação do Curso de Licenciatura em Letras Vernáculas (EAD) Prof. Drª. Gessilene Silveira Kanthack Revisão Profª. Msc. Sylvia Maria Campos Teixeira Coordenação de Design Profª.

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......................................................................................................................... ARISTÓTELES..................... FORMALISMO RUSSO........................ A LIBERDADE ROMÂNTICA ................................... 79 ANEXO II........................................................................................................47 ANEXO..........55 2 ESTILÍSTICA.................................................................. 71 2........................................................... 15 2.........................................45 RESUMINDO........................................................................................................................................................................................................................................................62 LEITURA RECOMENDADA..................................... 17 4...... 18 5............62 REFERÊNCIAS................................................................................................ INTRODUÇÃO......................................................................................................................................................................................... INTRODUÇÃO............. 69 1....................................................................................................................... 13 1............................................................................................................................................... 80 .........30 3........... 22 LEITURA RECOMENDADA.............................................................................................................................................................63 ANEXO 2............................................................................................... 78 REFERÊNCIAS.......................................................................................................................... 16 3................................................................................... INTRODUÇÃO....................61 RESUMINDO.................................................................................................................... 23 AULA II A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX.....................................................62 ANEXO 1. LONGINO...................................................................................27 1..................................................................................... 72 ATIVIDADE..............................................................................................................................66 AULA IV O formalismo russo: a autonomia do literário ........ 21 RESUMINDO.............................46 LEITURA RECOMENDADA............................................................................................... A VISÃO HISTORICISTA DAS TEORIAS CRÍTICAS DO SÉCULO XIX.......................................................................................................................................................................................................................... 21 REFERÊNCIAS............................................................................ .53 1 INTRODUÇÃO... 79 ANEXO I........................................................... 19 ATIVIDADE...................................... PLATÃO................................... 77 RESUMINDO.............................................................................................................................................................................................................................. 22 ANEXO........................................................................................................ ................................................................................................................................56 ATIVIDADE......................29 2.....................42 ATIVIDADE........................................................Sumário AULA I A concepção clássica do artístico........................................................................................48 AULA III A estilística da langue e a da parole................................................................................................................ HORÁCIO................... 78 LEITURA RECOMENDADA..........................................................................45 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................................

............ 145 ANEXO.................................................................. INTRODUÇÃO. 136 ATIVIDADE.................................................................... 117 2................................... 128 AULA VIII A estética da recepção................................................106 ANEXO I.......................................... 127 ANEXO.................................87 2 NEW CRITICISM.........................................................................................................................................................................................................AULA V O new criticism: a visão imanentista da obra literária..................................... 97 2......................... 98 ATIVIDADE............................... 146 ................................ 144 RESUMINDO................................................................................................................................... ESTRUTURALISMO........107 ANEXO II..............................92 ANEXO I.................91 RESUMINDO...................................... 135 2............................................................................................................105 RESUMINDO..................................................................................................................................................................... INTRODUÇÃO............................................................................ 125 RESUMINDO.................................................................................................................................................................................................................................................... 144 LEITURA RECOMENDADA.................................................. 118 ATIVIDADE.. 133 1....................................... INTRODUÇÃO.........................................................................................................................................................................................................................................88 ATIVIDADE...................................................92 REFERÊNCIAS .................................................................................................93 AULA VI O estruturalismo........................................................................... 115 1...111 AULA VII A estética da recepção...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... PÓS-ESTRUTURALISMO.....................................................................85 1 INTRODUÇÃO.............105 REFERÊNCIAS.............................................................. ESTÉTICA DA RECEPÇÃO.................. 144 REFERÊNCIAS................................................................................................................................................................................................................................................................................... 95 1.............................................................................................106 LEITURA RECOMENDADA.......................... 126 LEITURA RECOMENDADA................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 126 REFERÊNCIAS................................................................

Sandra Maria Pereira do Sacramento . CORRENTES TEÓRICOCRÍTICAS Profª. Drª.DISCIPLINA INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS II: LITERATURA.

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a partir da tradição clássica. Ao final desta Aula I. Longino e Horácio. Aristóteles. . Aristóteles.1 aula Meta A CONCEPÇÃO CLÁSSICA DO ARTÍSTICO Objetivos Mostrar os conceitos básicos que digam respeito à Literatura. você deverá identificar as várias concepções acerca do artístico à luz de Platão. Longino e Horácio. com Platão.

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• • • • • o capítulo 2 de Gêneros Literários. UESC Letras Vernáculas 15 ATENÇÃO Antes do início desta Aula I. Aristóteles. Aristóteles. prega a autonomia do artístico. mais especificamente.1 Aula AULA 1 A CONCEPÇÃO CLÁSSICA DO ARTÍSTICO 1 INTRODUÇÃO Você. Longino*. * As referências das obras encontram-se no final da Aula I. Bellodi. você deverá ter lido: . da harmonia perfeita do absoluto.para o último a literatura é capaz de despertar. toda a obra A poética clássica de Aristóteles. de Teoria da Literatura “ Revisitada”. ainda que tenha sido discípulo do primeiro e procure superá-lo.se aproximam da visão conteudística da literatura. em grande medida. ao longo da Aula I. de Magaly Trindade Gonçalves e Zina C. no leitor. 23 à p. terá acesso às várias concepções clássicas acerca do artístico. Platão. o capítulo 3. isto é. entretanto. da p. do mundo das essências. ainda que encerre seu pensamento. o êxtase do sublime . de Teoria da Literatura. de Roberto Acízelo de Souza. vinculado à procura do êidos. toda a obra Arte Retórica e Arte Poética de Aristóteles. Longino e Horácio . 28. aliás. como os outros. Horácio. o capítulo 3. de Angélica Soares.

enquanto que o produto elaborado pelo artesão ocuparia o segundo estágio. Fonte: http://greciantiga. é utilizada como um princípio de imitação que o poeta faz da chamada realidade: Por outro lado.3). em diálogo com Íon. a humanidade conheceu. fraterna. e sobre a poesia.asp?num=0337 um ser inspirado por um dom divino.. em Íon e em A República. como a matriz inspiradora de todas as utopias aparecidas e da maioria dos movimentos de reforma social. Trata-se do diálogo “A República” (Politéia).com. feita pela poesia. somente ao filósofo. pois a poesia. defende a opinião de que o rapsodo. já aparece a preocupação de formulação de alguns postulados sobre a arte. entretanto.A concepção clássica do artístico Introdução aos estudos literários II: literatura. em seguida.C. enganar. Platão faz concessão ao poeta desde que esse Módulo 3 I Volume 2 EAD . cabendo.C. BELLODI. em geral. contagia os ouvintes com alucinações.org/arquivo. escrito por Platão. correntes teórico-críticas 2 PLATÃO Platão. ao declamar versos. sugere que o poeta deve ser considerado um ser inspirado. 2005. como ΙΩΝ — Íon — pertence ao primeiro grupo dos diálogos de Platão e relata a conversa entre Sócrates e Íon de Éfeso.htm artístico de Platão. filósofo do período clássico da Grécia Antiga. em Fedro. por outro lado. um rapsodo muito conhecido em Atenas. pergunta a Íon: Quem poderá julgar melhor se Homero tratou corretamente da arte da guerra. desde então. SAIBA MAIS Em Íon. Para a literatura.terra. Nos Diálogos. o rapsodo. A palavra simulacro guarda o significado de simular. Em Fedro. só alcançaria o terceiro estágio da verdade. surgiu em Atenas a primeira concepção de sociedade perfeita que se conhece. sendo simulacro. o alcance do mundo das ideias. mas. um rapsodo ou um general? Defendendo. Basicamente a poesia é produto de um conhecimento falho. possesso. 16 Em A República. Não sabemos a data exata da composição. Para ele. As ideias expostas por ele . que.br/ voltaire/politica/platao. que dominasse para sempre o caos da realidade . porque este se encontra mais próximo da natureza reproduzida. em particular. para justificar o conceito A República: no século IV a. é possível situá-la entre 394 e 391 a. o simulacro. refutando. vê o poeta. tendo Sócrates como personagem. De algumas de suas obras. a imitação da chamada realidade. fora da racionalidade filosófica. uma vez que o artista não conhece a natureza e mesmo a utilização das coisas. A questão do simulacro foi estudada por Platão. constitui imitação da aparência e não da realidade. é que conseguimos retirar ensinamentos pertinentes ao artístico.o sonho de uma vida harmônica. em data imprecisa. a imitação artística usa o lado ‘inferior’ das faculdades humanas. não deixou um tratado específico sobre literatura.servirão. a partir de diversas informações contidas no texto. emprega as faculdades inferiores da alma humana e estimula exatamente o que há de ‘desprezível’ no espírito do público (GONÇALVES. o mais brilhante e conhecido discípulo de Sócrates. em favor do general e não do rapsodo. quando fala em A República sobre o problema do conhecimento na literatura. e quando ela se dirige ao público é essa parte inferior que ela procura estimular. Esse. assim. Sócrates. como nos Diálogos. p. ao longo dos tempos. Fonte: http://educaterra.

UESC Letras Vernáculas 17 . que serão provocados pelo mestre. 3 LONGINO Não se sabe se o pensador grego Longino. aparece um grupo de amigos: Sócrates. o êxtase do sublime. através de técnica artística adquirida SAIBA MAIS Glauco: em A República. p. a ele atribuída. concessão ao belo. Fala-se de um “pseudo-Longino” . à república e aos particulares para o governo da vida. ainda que esteja vinculada ao pensamento platônico. assim. viveu. no que diz respeito à função utilitarista da literatura. pois. A razão. admitindo somente a poesia que se adequasse à lei e à razão humana.blogspot. Longino destaca a importância na ênfase dada. através de posições contraditórias. portanto. que.403). a noção de “diálogo”). p. Na República ideal. já não haverá um verdadeiro sublime. uma passagem. nem deixa no seu pensamento matéria para reflexões além do que dizem as palavras. A dialética platônica é um processo indutivo.html pelo trabalho e afinco do escritor. devia conter a emoção. entretanto. impossível resistência e forte lembrança. Ao colocar. O diálogo vai tratar de assuntos relacionados à organização da sociedade e à natureza da política. E o princípio utilitarista da literatura ganhou acolhida entre os romanos e influenciou a cultura ocidental posterior. Esse procedimento consiste em apreender a realidade. é necessário ser útil à sociedade grega na formação de seus concidadãos. 1994. de fato. a obra Do sublime. ao uso das palavras capazes de empreender a reflexão no leitor: Quando. afirma: Quanto a seus protetores. bem examinada sem interrupção. no texto. sem fazer versos. contrária a qualquer manifestação do desejo. e. Em diálogo com Glauco. antes. amam a poesia. se nos puderem provar que aí se junta o útil ao agradável (PLATÃO. até que uma delas é finalmente entendida como verdadeira e a outra como falsa. porque com isso só temos a lucrar. da ideia do bem e da justiça. na sua origem. não dispõe a sua alma a sentimentos elevados. mas também útil. ao bom e ao justo. A investigação platônica utiliza o método dialético (palavra que tem. fazendo. perde em apreço. De bom grado os ouviremos. o literário a serviço do ideológico. dois irmãos de Platão Glauco e Adimanto . quando o artístico deve estar em comum acordo com a ética.com/2009/08/ os-dialogos-de-platao. através de hinos aos Aula deuses e em louvor aos homens famosos. abriu uma nova concepção do literário. Verdadeiramente grande é o texto com muita matéria para reflexão. pois dura apenas o tempo em que é ouvida. concebida por Platão. difícil de apagar (1981. com o propósito de ter existência reconhecida. que são aqueles mais próximos da verdade.76-7). o governo deve estar nas mãos dos filósofos.1 esteja a serviço da educação do povo grego. permitiremos que defendam em prosa e nos mostrem que não só é agradável. no leitor. de árdua ou. que vai da parte para o todo. escutada muitas vezes por um homem e sensato e versado em Literatura. Fonte: http://filosofandoehistoriando.e vários outros personagens. Do sublime encerra a virtude da literatura como capaz de despertar. entretanto.

afirma “a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história. por princípio. com harmonia e perfeição. Aristóteles. que usa o método dedutivo e normativo para falar da arte. uma vez que essa é capaz de criar um mundo coerente em sua universalidade. [. correntes teórico-críticas A concepção clássica do artístico Assim. destaca a autonomia do artístico. então. mas podem igualmente derivar do arranjo dos fatos. que nos chegou de forma incompleta.. na medida em que o vê como uma unidade. o conceito de cópia. para definir a purificação dos sentimentos: temor ou piedade. Aristóteles. distancia-se do mestre em suas colocações acerca do artístico. O autor propõe que: [O] terror e a compaixão podem nascer do espetáculo cênico. p. Por isso.Introdução aos estudos literários II: literatura. o que é preferível e mostra maior habilidade no poeta. ao contrário de Platão. 1964. é antes ontológico e indutivo. capaz de despertar o êxtase sublime. de mímesis. 4 ARISTÓTELES Aristóteles. na tragédia e na comédia. segundo a verossimilhança ou a necessidade. em transcendência com a realidade evocada. é evidente que essas emoções devem ser suscitadas nos ânimos pelos fatos (ARISTÓTELES. p. ao mesmo tempo em que se dinamiza a potencialidade do artístico. e não com o que aconteceu como o faz o historiador. como um todo orgânico.] Como o poeta deve proporcionar-nos o prazer de sentir compaixão ou temor por meio de uma imitação. Neste sentido. Para quem a literatura é verdadeira e séria. ela ocorre de modo indireto. pela mediação 18 Módulo 3 I Volume 2 EAD . em seus escritos. 588). experimentados pelo expectador. a leitura de uma obra bem elaborada. diante da tragédia. A catarse é outro conceito utilizado por Aristóteles. discípulo de Platão. deve ser entendido como uma espécie de recriação não assujeitada aos princípios da racionalidade. Na poesia. E o princípio de imitação aristotélico liga-se às formas literárias na poesia épica e na poesia em geral. No capítulo IX da sua Arte Poética. não encerra. a obra de arte desperta o prazer e faz melhorar o espírito. faz-se ecoar por muito tempo na mente do leitor atento. porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular “(ARISTÓTELES. uma vez que o poeta ocupa-se do que poderia ter acontecido. 278).. nenhum preceito a ser seguido pelo artista. 1964.

por exemplo. isto é. mas a discernir os meios a serem utilizados a propósito de uma questão. melhores que seus contrários. Aula 1 narrativa.C) ganhou destaque.dos atores. e dinamizador das ideias do filósofo grego em toda a Europa. Logo. sinédoque. a Retórica. E a teoria desenvolvida durante o período clássico renascentista deve-se ao que foi codificado por Horácio. chamada de “filosofia primeira” por Aristóteles. por natureza. para ele. Quintiliano. Etimologicamente. p. com o princípio de Docere cum delectare. no sentido serviço da democracia. a doutrina do Ser supremo ou divino. de modo direto. socrático. muitas vezes. em que a forma é valorizada em detrimento do conteúdo. em que são colocadas questões atinentes à persuasão no texto literário. p. Horácio altera em grande medida os preceitos aristotélicos. 270). 1964. p. A Retórica é útil porque o verdadeiro e o justo o são. é comparável à Dialética. à Dialética e sua tarefa não se resume a persuadir. isto é. UESC Letras Vernáculas 19 SAIBA MAIS Quanto à epopéia. Aristóteles inaugura uma concepção do literário. não é má. Donde se segue que. p. através do uso de tropos como metáfora. Ágora: praça das antigas cidades gregas. alegoria. 1964. escreveu Instituições oratórias já no século 1 da Era Cristã. na tragédia e na comédia. através da ação . 1964. A tendência para a imitação é instintiva do homem. A Retórica teve seguidores no mundo clássico e. 266). 5 HORÁCIO Horácio é considerado o grande codificador das ideias platônicas de cunho extraliterário. hipérbole e outros. as assembleias do povo. mas só daquela parte do ignominioso que é ridículo. na Roma de Cícero. O ridículo reside num defeito e numa tara que não apresentam caráter doloroso ou corruptor (ARISTÓTELES. por sua aptidão muito desenvolvida para a imitação (ARISTÓTELES. afirma que Ontológico: que diz respeito à ontologia. Neste ponto distingue-se de todos os outros seres. Ensinar deleitando. poeta da Roma antiga. por seu estilo corre parelha com a tragédia na imitação de assuntos sérios. significa a “ciência do ente”. (séc.305. o filósofo nos deixou a Arte Retórica. 20). portanto. p. na qual se fazia o mercado e onde se reuniam. mas sem empregar um só metro simples e a forma narrativa. a arte do diálogo. a Fonte: Dicionário de Filosofia. denominada. metonímia. bem usada na ágora. em si. A comédia é imitação de maus costumes. Em resposta a Platão. não contudo de toda sorte de vícios. se as decisões não forem proferidas como convém. Nisto a epopéia difere da tragédia (ARISTÓTELES. fora do contexto judiciário. A Retórica. 1969. de metafísica (pura ou geral). em que disserta sobre eloquência. antes. posteriormente. o verdadeiro e o justo serão necessariamente sacrificados: resultado este digno de censura (ARISTÓTELES. desde a infância. ironia. em que a literatura tem algo a ensinar para o seu leitor. I a. É a parte da filosofia. Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa . 269). isto é. Além da Arte Poética.Aurélio Buarque de Holanda Ferreira Assemelha-se. deve ser. 1964.

ufsc. 2002. (SAMUEL. com vocábulos recémcriados e formar palavras nunca ouvidas [. o último pé do verso não é um dactílico. o literário é consequência de um fazer trabalhoso. A atenção dada à ordem e à coerência no uso das palavras. deverás também ser útil e cauteloso e magnificamente dirás se. http://www. pelos preceitos pragmáticos horacianos de conceber o artístico.. Sugere àqueles. lugar e ação. uma linguagem e um metro apropriado se tornou doutrina central na crítica dos séculos XVII e XVIII”. com parcimônia. Em sua ars poetica. Tipicamente.org/ arquivo. É tradi- interesse pelas artes e.br/986ED7F3-3F3A-4BC2-BBE3 Veja que. séculos mais tarde.Introdução aos estudos literários II: literatura.latim. que se iniciem neste ofício. de forma mais detida. Portanto. Se por ventura for necessário dar a conhecer coisas ignoradas. entre talento e arte. Um dáctilo é uma sequência de três sílabas poéticas. a Ilíada e a Odisséia de Homero e a Eneida de Virgílio.asp?num=0161 O período clássico. a penúltima sílaba é sempre longa e a última sílaba pode ser breve ou longa. sobremodo. transformares em novidades as palavras mais correntes. já se encontra de forma rudimentar em seus escritos.19). p. p. Horácio afirma: No âmago das palavras. Desde que a tomes com discrição. tanto grega quanto latina. porém. a primeira longa e as duas seguintes breves. a Idade Média e o Neoclassicismo. correntes teórico-críticas A concepção clássica do artístico A ars poetica horaciana está encerrada na Epistola ad Pisones. Sua importância começou a ser reconhecida por Quintiliano – algumas gerações mais tarde -. A literatura aí é concebida como resultado de um domínio técnico. Fonte: http://greciantiga. em especial. portanto. 49). inclusive. cunhado pelo estruturalista Roman Jakobson. a humildade para receber críticas e o uso do tempo para que o texto possa ser guardado e avaliado posteriormente. O conceito de conotação. E Rogel Samuel confirma a afirmação: “E a idéia horaciana de que cada gênero deve ter um único assunto. preceptor dos infantes. carta escrita em hexâmetros dactílicos ao Cônsul romano Lúcio Pisão e a seus filhos sobre teoria literária. bem como à unidade de tempo. ao qual se submete a inspiração. em breve terão ganho crédito se. um caráter.] podes fazêlo e licença mesmo te é dada. palavras há pouco forjadas. esta epístola é um verdadeiro código de preceitos a serem seguidos pelos que pretendiam produzir uma obra-de-arte literária. para o romano. fizeram-no ponto de referência para os neoclássicos. forem tiradas da fonte grega. que altera o sentido das palavras usadas na linguagem corrente. tendo sido. com Boileau serão influenciados. pela literatura. Segundo Pires: cionalmente associado à poe- Com sentido altamente normativo..) (PIRES... mas sim um espondeu ou um troqueu. cada um sendo um dactílico. sia épica. por engenhosa combinação. pois esses manifestavam grande SAIBA MAIS Hexâmetro Dactílico: é uma forma de métrica poética ou esquema rítmico. como. 20 Módulo 3 I Volume 2 EAD . por exemplo. (. hexâmetro o verso dactílico ideal consiste em seis (do grego hexa) pés.. 1989. Assim. ou seja. na junção.

na Europa. seus seguidores. Por que. para Aristóteles. O que significa a expressão Docere cum delectare? 5. em Fedro. enquanto Aristóteles se distancia de seu mestre. pelo viés do conteúdo. faz que colocações? RESUMINDO Você foi apresentado. nesta Aula I. do preceito clássico acerca do artístico. O que Platão fala acerca da poesia n’Os Diálogos. responsável pela disseminação. Deve atentar para o fato de que Platão inaugura o enfoque do literário. tendo em Longino e em Horácio. Em que medida Longino se aproxima das ideias platônicas acerca do artístico? 7. em Íon e n’A República? 4. ao valorizar a autonomia do artístico. da tradição romana. UESC Letras Vernáculas 21 .Aula 1 ATIVIDADE 1. Em que aspecto Aristóteles se distancia da concepção artística platônica? 3. às várias concepções clássicas acerca do artístico. Quais os pressupostos teóricos de Platão apresentados nesta aula? 2. Horácio se aproxima das ideias platônicas acerca do artístico? 9. a Retórica se assemelha à Dialética socrática? 8. O que são mímesis e verossimilhança para Aristóteles? 6. Boileau.

São Paulo: Cultrix/EDUSP. LONGINO. 2004. Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. vol. REFERÊNCIAS ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética. São Paulo: Melhoramentos. 2000. 1964. 1964. 2005. São Paulo: Difusão Européia do Livro. 1994. Coimbra: SOARES. LEITURA RECOMENDADA ARISTÓTELES. São Paulo: Ática. Tradução de Jaime Bruna. SILVA. BELLODI.Introdução aos estudos literários II: literatura. Manual de Teoria e Técnica Literária.15. Angélica. Maria Magaly Trindade. SOUZA. 2002. Angélica. A poética clássica. São Paulo: EDIPRO. SAMUEL. Orlando. SOARES. Larousse. Roberto Acízelo de. ENCICLOPÉDIA Barsa. HORÁCIO. Maria Magaly Trindade. ARISTÓTELES. HORÁCIO. Rio de Janeiro: Presença. 2000. de A. Petrópolis: Vozes. GONÇALVES. Tradução de Jaime Bruna. GONÇALVES.1975. Tradução de Jair Lot Vieira. A República. Teoria da Literatura “revisitada”. correntes teórico-críticas A concepção clássica do artístico ARISTÓTELES. São Paulo: Ática. PLATÃO. São Paulo: Ática. 1966. Vitor Manuel Almedina. PIRES. Petrópolis: Vozes. Paris: 1998. Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. Gêneros Literários. 1981. São Paulo: Cultrix/EDUSP. Roberto Acízelo de. BELLODI. LONGINO. Arte Retórica e Arte Poética. Novo manual de teoria literária. Petrópolis: Vozes. SOUZA. 2005. Zina C. 2004. 1981. A poética clássica. Teoria da Literatura “revisitada”. Zina C. Le Petit Larousse Illustré. Gêneros Literários. 22 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Teoria da Literatura. São Paulo: Ática. Roger. Teoria da Literatura. 1989. São Paulo: Difusão Européia do Livro. Teoria da literatura.

Fonte: Enciclopédia Barsa.C. em que defende.columbia.consciencia.) poeta latino. e lá ingressou na Academia. Na sua juventude. pai de Felipe. que o acompanhou durante a vida toda.. Dono de estilo puro e rigoroso.Fonte: http://www.html HORÁCIO: (65-8 a. Fonte: http://www. ali se falava um dialeto jônico.aspx UESC Letras Vernáculas 23 . e. onde se tornou discípulo de Platão. Ao seu temperamento artístico deu.mundodosfilosofos. Sua obra exerceu influência na literatura ocidental. em 428 ou 427 a. Fonte: hLttp://www.pt/icm/icm99/icm21/images/images/Plato. foi para Atenas.248. Aristóteles foi criado junto com um grupo de médicos. amigos de seu pai. o que marcaria profundamente sua biografia.fc. Suas obras até hoje são objeto de análise e apreciação. alia-se à surpreendente economia verbal. nasceu em Venúsia. onde a brevidade da metáfora. O nome do pai de Aristóteles era Nicômaco.gif ARISTÓTELES: (384-322 a. é A República.1 Aula ANEXO PLATÃO: nasceu em Atenas. Ilustração . governado pelos intelectuais.htm Ilustração .edu/Publications/Projects/digitexts/aristotle/bio_aristotle. aos dezoito anos. a mais conhecida.org/aristoteles. teria jogado fora seu patrimônio e. p. entretanto.shtml Ilustração . um modelo aristocrático de poder.Fonte: http://www. na mocidade. futuro rei. Nicômaco chegou a servir a corte macedônica. a fim de aperfeiçoar sua espiritualidade. de antiga e nobre casta.Fonte: http://www.C. na forma de diálogo. de pais aristocráticos e abastados. um médico. Macedônia.15. distante 320 quilômetros de Atenas.educ.C) foi um filósofo grego nascido na cidade de Estagira.ilt. a serviço do rei Amintas. na Calcídica.carpegeel.be/hora. Essa cidade foi por muito tempo colonizada pelos jônicos. em virtude disto. vol.com.br/platao. livre curso. manifestando-se na expressão estética de seus escritos.ul. 1966.

escritor francês.org/wiki/File:Nicolas_Boileau. Fonte: Le Petit Larousse. Ilustração . mais tarde. e faleceu em Roma. abriu uma escola de Retórica. Foi o primeiro professor a ser pago pelo Estado. 1617. correntes teórico-críticas A concepção clássica do artístico Quintiliano: nasceu em Calahorra.(1636-1711).Fonte: http://commons. no ano de 35. filólogo conceituado e advogado. 1190. 1998.JPG Boileau: Nicolas Boileau .Fonte: http://commons. Ilustração .wikimedia.org/wiki/File:Calahorra.jpg 24 Módulo 3 I Volume 2 EAD ._estatua_de_Quintiliano. Recebeu toda a sua educação em Roma. Foi professor de retórica. autor de uma célebre Arte Poética (1674). que contribuiu para disseminar o ideal literário do classicismo em todo o Ocidente.wikimedia. 1998. p.Introdução aos estudos literários II: literatura. no ano 96. historiador de Luís XIV. Fonte: Le Petit Larousse. p. onde.

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

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na busca do entendimento da poética e da liberdade românticas. Objetivos Brunetière e Lanson. espera-se que você esteja dominando teorias tributárias ao historicismo do século XIX e seus representantes mais significativos que Romantismo e pelo Realismo-naturalismo. de acordo com Immanuel Kant e Victor Hugo. Hyppolyte Taine.aula 2 A LIBERDADE ROMÂNTICA E A VISÃO HISTORICISTA DAS TEORIAS CRÍTICAS DO SÉCULO XIX Meta Apresentar os conceitos básicos que digam respeito à Literatura. Ao final desta Aula II. bem como mostrar a influência da História nas teorias críticas do século XIX. respondem pelo . com Sainte-Beuve.

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2
Aula

AULA 2
A LIBERDADE ROMÂNTICA E A VISÃO
HISTORICISTA DAS TEORIAS CRÍTICAS
DO SÉCULO XIX

1 INTRODUÇÃO

Nesta Aula II, vamos trabalhar com conceitos básicos que

digam respeito à Literatura, bem como a influência da História nas
teorias críticas do século XIX, com os conceitos de arte para Hegel,
Immanuel Kant e Victor Hugo, na busca do entendimento da poética
e da liberdade românticas; bem como a realista e a naturalista, com
Sainte-Beuve, Hyppolyte Taine, Brunetière e Lanson.





os capítulos 7 e 8, de Períodos Literários, de Lígia Cademartori;
os capítulos 8 e 11, de Introdução à filosofia da arte, de Benedito Nunes;
o capítulo 6, especificamente, da p. 74 à p. 98 de Teoria da Literatura “revisitada”, de Maria
Magaly Trindade Gonçalves e Zina Bellodi;
O capítulo 3, especificamente, da p. 28 à p. 33, de Teoria da Literatura, de Roberto Acízelo
de Souza;
os capítulos 1, 2 e 3 de O Caráter Social da Ficção do Brasil, de Fábio Lucas*.

* As referências das obras encontram-se no final da Aula II.

UESC

Letras Vernáculas

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ATENÇÃO

Antes do início desta Aula II, você deverá ter lido:

Introdução aos estudos literários II:
literatura, correntes teórico-críticas

A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX

2 A LIBERDADE ROMÂNTICA
O Romantismo foi um movimento artístico, político e
filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII, na Europa,
que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como
uma visão de mundo contrária ao racionalismo, que marcou o período
neoclássico, e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os
estados nacionais na Europa. E o princípio historiográfico da época
significou uma grande mudança de perceber o mundo, ao dar destaque
à vida coletiva e aos seus modos de atribuir sentidos comuns, pois
o homem percebeu que vive em comunidade, que lhe dá sentido de
existência. É o que diz Victor Manuel de A. Silva, em sua Teoria da
Literatura (1975):
Logo no dealbar do século XIX, Mme. de Staël demonstrou
na sua obra intitulada De la Littérature, que a literatura
é intimamente solidária com todos os aspectos da vida
coletiva do homem, verificando-se que cada época possui
uma literatura peculiar, de acordo com as leis, a religião e
os costumes próprios dessa época (SILVA, 1975, p. 444).

A partir do Romantismo, o homem percebe-se um ser histórico,

tendo a História e a Crítica literárias condicionadas a uma perspectiva
historicista de ver o fenômeno literário. A História Literária, por
exemplo, estará ligada à filologia em busca da reconstituição e
compreensão dos textos literários do passado e a crítica, por sua vez,
valorizará tudo o que diga respeito ao passado e à sua herança como
justificativa do presente.

Para Paul Valéry, não há possibilidade de definir o Romantismo,

sob pena de prejudicar o rigor lógico, pois o mesmo é multifacetado
em seus temas e motivos. Segundo Alfredo Bosi, em História Concisa
da Literatura Brasileira (1976), trata-se de um momento de definição
alinhada aos valores burgueses no Ocidente, a partir da Revolução
Francesa de 1789, ainda que essa tenha vários desdobramentos
posteriores no século seguinte. Para o estudioso, ocorre uma série
de mudanças, até então nunca vista na Europa, diante de uma nova
classe em ascensão. Neste momento, então:
Definem-se as classes: a nobreza, há pouco apeada
do poder; a grande e a pequena burguesia, o velho
campesinato, o operariado crescente. Precisam-se as
visões da existência: nostálgica, nos decaídos Ancien
Regime; primeiro eufórica, depois prudente, nos novos
proprietários; já inquieta e logo libertária nos que vêem
bloqueada a própria ascensão dentro dos novos quadros;

30

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

imersa ainda na mudez da inconsciência, naquele para os
quais não soara em 89 a hora da Liberdade-IgualdadeFraternidade (BOSI, 1977, p.99).

por um lado, endossará as ideias correntes
burguesas

e

estará

também

disponível

para compor as comunidades imaginadas
(ANDERSON, 2008), não tarda a expor as
fraturas advindas da impossibilidade de
implementação
(2004),

em

sua

da utopia social. Weber
análise

clássica

sobre

a modernidade, vai dizer que essa já
nasceu sob a égide da crise, uma vez que
oportuniza a alteração da visão tradicional
do mundo, amparada sobremodo na religião,
substituída pela racionalização, colocando o
homem em três esferas, enquanto pai de

SAIBA MAIS

Mundo Reificado: para Marx e Engels, em A
Ideologia Alemã (1986), ao falarem na divisão do
trabalho, afirmam que, na produção mecanizada,
o operário serve à máquina, tornando-se
simples apêndice desta e o princípio subjetivo
da divisão do trabalho desaparece, em face da
objetivação do complexo de produção. Neste
momento, ocorre a alienação, o trabalhador é
distanciado daquilo que produz e o produto do
seu trabalho se torna reificado, isto é, coisa (do
Latim res,rei), porque passa a valer pela própria
realidade. Assim, a crise do artesanato, graças à
Revolução Industrial, com a produção em série,
traz desdobramentos para o social, o econômico
e o ideológico; estendendo-se, dessa sorte, à
arte e ao artista. Um exemplo do processo de
reificação, de objetificação do trabalhador, que
se torna um autômato, encontramos no filme
Tempos Modernos (1931), dirigido e encenado
por Charles Chaplin.

família, trabalhador e cidadão. Göethe, ao

Fonte: SACRAMENTO, 2004, p.45.

se referir à literatura do período, advoga para o clássico a saúde e,
para o romântico, a doença. Nesse processo, a ânsia de totalização
vai-se colocar para o artista que detém a noção de finitude, em uma
sociedade capitalista cada vez mais burocratizada.
A obra de arte, fruto de um olhar crítico ao que a circunda,
encarna a busca de totalidade, denunciadora de um mundo reificado,
uma vez que o eu não se encontra integrado a ele próprio e ao que
o cerca. A poética que marca o período romântico faz-se estruturada

Símbolo: aquilo que, por
um princípio de analogia,

sobre o símbolo, enquanto a pós-romântica é condicionada pela pre­

representa ou substitui

sença da alegoria. Tanto o símbolo, quanto a alegoria são tropos, isto

Fonte: Novo Dicionário

é, figuras de linguagem, que refletem um ideal de unidade, reivin­
dicado por uma época.

outra coisa.
Aurélio da Língua
Portuguesa - Aurélio
Buarque de Holanda

O símbolo estrutura-se, ainda, em uma dimensão analógica de
continuidade, enquanto a alegoria já indicia toda a impossibilidade

Ferreira
Alegoria: exposição de

reclamada pela busca de inteireza. Essa mostra as fraturas de uma

um pensamento sob forma

realidade que não foi capaz de gerar o bem-estar apregoado pelo

Fonte: Novo Dicionário

telos revolucionário, sintetizado na tríade Igualdade – Liberdade –
Fraternidade. Vale destacar que o processo revolucionário francês
estendeu-se por dez anos, sendo visto, por historiadores, em fases:

figurada.
Aurélio da Língua
Portuguesa - Aurélio
Buarque de Holanda
Ferreira

moderada (1789-1792), radial (1792-1794) e conservadora (17941799). Essa última abriu espaço para o golpe do 18 Brumário, em
alusão ao segundo mês do Calendário Revolucionário Francês, que
esteve em vigor na França de 22 de setembro de 1792 a 1831, com

UESC

Letras Vernáculas

31

2

A literatura do período romântico, se,

Aula

e que. para. Teleológico: diz-se de argumento. uma vez que esta é univer­ sal. conhecimento Para Kant.. detentor dos “fins ideais da ordem ética” (NUNES. experimentado pelo homem. em sociedade. à busca da vida boa. ficam sob o signo do como se. como fator transcendental. 1991. nesta realidade. de um modo geral. na arte ou na virtude. por sua vez. isto é. o Belo tem um fim em si mesmo. vivendo Módulo 3 I Volume 2 EAD . implicando a interação dos homens “como criaturas limitadas à Terra. Assim. visto aguardar a afirmação Figura 1: Reprodução da pintura de Delacroix La Libertè guidant le peuple. em si mesmo. O ser humano é capaz de fazer um juízo para qualificar determina­do objeto de Belo ou não. 943. ou juízos reflexionantes.).com.Fraternidade: trilogia atribuída ao filósofo Jean-Jacques Rousseau. ou explicação que relaciona uma vez que. uma ditadura. quando se inicia um longo período de convulsões políticas. enquanto para o segundo.mundodosfilosofos. 50). a liberdade se instala. o juízo estético ou de gosto está em conexão com o comunal. uma monarquia constitucional e dois impérios. a partir de 1789.br/lea4. por isso mesmo. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX a posterior SAIBA MAIS ascensão do General Bonaparte. isto é. E o prazer estético só ocorre devido ao jogo de imaginação. em Crítica da faculdade do juízo (1993). pairando acima dos nexos de causa-efeito. resultando na perfeição. 1728. remete à ideia de felicidade. ainda que se encontre. de uso corrente durante a Revolução Francesa. capaz de ser comunicá­vel. Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa . p.htm gundo as exigências da razão. um fato com sua causa uma concor­dância das sensações do que seja Belo e harmonioso. é ativado o sensus communis. com a dimensão intersubjetiva (= política). aparecem as classes sociais. Fonte: Dicionário de Filosofia. final. no mesmo. O mesmo que finalismo (v. Fonte: http://www. a partir daí. aliás. na excelência. que é considerado como o grande responsável Telos: significa fim (finalidade). porém universal. é o fim a que todo ser aspira. em suspenso. unidas por uma única causa: a Liberdade. a detenção da Beleza.Aurélio Buarque de Holanda Ferreira 32 e que depende do discurso para a sua comunicação.. Neste quadro. Kant. pela consolidação dos ideais burgueses e que expandiu o militarismo da França e mesmo o da Europa. Teleologia foi um termo criado por Wolff para indicar “a parte da filosofia natural que explica os fins das coisas” ( Log. o objeto está relacionado a um fim subjetivo. dos fins objetivos naturais. voltado para um objetivo. O Bem. parte de dois tipos de finalidades para a arte: a finalidade estética e a finalidade teleológica. acontece com todos os seres humanos. e. do pensamento hipotético das possibilidades. Todo ser dotado de razão aspira ao Bem como fim que possa ser justificado pela razão. Kant (1993).Introdução aos estudos literários II: literatura. de acordo com o sentimento de eficácia. e o faz desinteressada e contemplativamente. sendo um prazer subjetivo. interiorizada em cada um de nós.wikipedia. Este institui-se vindo do sin­gular. 1998.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix do Espírito. Estas finalidades. p. com desdobramentos de várias repúblicas. Disc. conceito firmado pelo Liberalismo. Fonte: http://pt.§ 85). tentar extrair uma regra universal. isto é. advogava para a ideia. prael. O juízo ou finalidade teleológica diferencia-se do estético porque aquele age se­ Igualdade – Liberdade . como era idealista.

em relação ao papel do filósofo ­e extensivo a qualquer pensante. Mônada: por ter significado diferente de Unidade (v. porque está sustentado sob a relativização do pensar. como objeto estético. Para Arendt.) cada qual precisando da companhia do outro. o Absoluto. 12). aparentemente contrários. quanto do objeto cultivado. envol­vendo mesmo a própria poiésis artística. como vida e espírito.fcsh. concebendo a M. que o diferencia de outros. de maneira geral. sendo. nem por isso pretende-se portador de uma ver­dade contemplada [. genérico e individual. isto é. Romantizar e Bildung complementam-se. lembrar devaneio.unl.. Ator e espectador são manei­ ras de estar no mundo. os traços característicos de um grupo. Kant insurge-se contra a tradicional distinção hierárquica que opõe a maioria filosofante à maioria ignorante. que ganha uma amplitude de investigação. Assim. do criticar. em termos de ação. tornan­do-se este ideal romântico uma espécie de religião secularizada. hábitos e harmonia. Porque o ator é também espectador. ética. visto ambos serem capazes de dispor da mente pensante. a palavra ethos significava. cons­ titui aquele ser superior que é capaz de apreender. p. da totalidade harmoniosa. o poeta. 114). a morada do homem. E. o termo prende-se a Romantisieren.37). em formas. Fonte: http://www2. nos limites da legalidade da imaginação. 1994. O Romantizar está condicionado a um conceito que o irmana a todo o ethos do período chamado Romantismo. para os gregos antigos. 1591). portanto espiritual. Assim. tendem a se fundir num todo uníssono e orgânico. parte de um todo. É o “conjunto de hábitos e ações que visam o bem comum de determinada comunidade”. a prin­cípio. do ponto de vista social e cultural.. se permanece alheio ao engajamento. porque vale por si mesma.em comunidades. 1591. p. na qual se inscreve. A palavra ethos tem origem grega e significa valores. p. a obra como mônada. alucinação. lembrando-nos a estreiteza desenvolvida entre o jardinei­ro e seu jardim. sem que a categoria de sujeito fique esquecida. como unidade indivisível que constitui o elemento de todas as coisas (De minimo. como ele­mento de formação. é uma espécie de síntese dos costumes de um povo. Ainda mais especificamente. esse termo designa uma unidade real inextensa. A obra de arte constitui aquilo que Walter Benjamin (1993) cha­mou de princípio monadológico. No cerne desta questão.htm Novalis o tem “como a habilidade característica do gênio que vincula os objetos exteriores às idéias ao manipular os objetos exteriores como se fossem idéias” (apud SCHLEGEL. Giordano Bruno foi o primeiro a empregar esse termo nesse sentido. O termo indica. Assim. uma vez que o último vem de bilden (= cultivar).). mas não pode ser prescindida da reflexão social. para o Romantismo. natureza e cultura. tanto daquele que cultiva.] (1993. a natureza. mesmo para o pensamento” (ARENDT. Como o minimum.. (. De Monade.680-690. redefinindo-a nos termos da distinção entre o ator engajado na ação e o espectador crítico e imparcial que. Fonte: ABBAGNANO. ampli­tude durante o Romantismo. pt/edtl/verbetes/E/ethos. E aspectos. 1998. 1993. isto é. Ethos: na Sociologia. UESC Letras Vernáculas 33 2 O conceito de juízo reflexionante estético alcança uma Aula . apesar de. p. que detém toda a sabedoria. encontramos um afã inerente à busca do contínuo. portanto..

E as regras aplicadas à arte. ao representar uma determinada realidade. e a noção de belo. o artista é espectador porque as decisões mais concretas não de­ pendem de si. a arte deve ser vista na dimensão do mundo das ideias e não entendida presa a uma circunstância: Correspondendo a ela. Para Walter Benjamin. o Ideal enquanto o a priori do conteúdo agregado. apreender aquilo que o cerca e ansiar o absoluto. p. isto é. pelo seu juízo crítico. na finitude do provisório. pela sua to­mada de posição. como medium-de-reflexão. como possibilidade. na esfera da natureza verdadeira. o in­divíduo abandona qualquer modelo interpretativo anterior. altera papéis até então auto-delimitantes. Neste processo. livre de todo interesse e potenciar sempre novamente esta reflexão e multiplicá-la como série infindável de espe­lhos” (1993. além e acima das leis que faz. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX Quando esta possibilidade não é alcançada.. sobremodo. uma forma de reflexão: “melhor flutuar pelas asas da reflexão poética no intermédio.Introdução aos estudos literários II: literatura. porque esta. ao expor sua subjetividade na polis. segundo Kant. ao mesmo tempo. munido de seus próprios aparatos intelectuais.72). isto é. entre o dado geral. um meio. do fragmento.]. p. via particular.]. 1993. Hannah Arendt aproxima o gênio do ator político. Estriba-se o poeta romântico nos juízos reflexionantes estéticos. portanto. sobressaindo a autonomia do ego. como elemento especulativo. O fragmento vale-se da reflexão estética. são fornecidas pelo gênio. expõe acerca da poesia. ainda que aquele paire na possibilidade de concretização.72). em O Conceito de Crítica de Arte no Roman­tismo Alemão. universal. reproduzindo o famoso fragmento 116 das lições da Atenuam de Schlegel. tendo como princípio o dado sentido pelo sujeito. A Idéia é a expressão da infinidade da arte e de sua unidade. entre o exposto e o expositor. Neste senti­ do. fruto do livre-jogo.. Como Idéia entende-se neste con­texto o a priori de um método. E aí. do ensaio. [. [. ao tentar a viabilização do geral. 34 Módulo 3 I Volume 2 EAD . anterior à obra realizada. em sua obra O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão. como índice do que Schiller chama de beleza lógica. para. que é um modo de interposição do sujeito cognoscente. Particular o geral. arte e filosofia imbricam-se.. firmado no conceito. O artista gênio. Os românticos utilizaram-se. Walter Benjamin. é vista em trajeto de mão dupla de sensibilização do espírito e espiritualização do sensível. em seu ato investigativo. do inacabado concreto. diante da vida. de espectador e ator. surge a ironia. que possui talento (= dom natural).. eis a audácia romântica. De um tal a priori parte a filosofia da arte de Göethe (BENJAMIN. é ator.

Göethe aproxima-se do Ideal musal de arte dos gregos. isto é. pois a obra de arte. no sentido do dever. presos 2 possuidor dos puros conteúdos. o bildung (= educação). à representação do real. sedimentam dados que nos autorizam Revolução Industrial. uma vez que até as relações interpessoais viram mercadoria.htm objeto artístico dá ao conteúdo. Arendt. como cultivo. de um lado. só é intuível. o poeta como o gênio. insere-se em uma dimensão utópica. Fonte: http://www. Está identificar.br/ apolo. e. deusa mais importantes e multifacetados deuses do Olimpo. Era um dos conteúdos puros não podem ser unidos com a natureza mesma. no qual não existe qualquer possibilidade de integração e harmonia. ao status quo. Neste sentido. porque era estreita a aproximação en­tre produtor e produto. Apolo: filho de Zeus e a preceitos naturais de origem e harmonia. em que as relações interpessoais eram próximas. a princípio. ao longo da Modernidade. calcado o primeiro no necessário racional e o segundo. na Antiguidade Clássica. a poiesis e a política encon­ tram-se no movimento da descontinuidade. o de Ártemis. Estas constantes não guardam uma inteireza que. Portanto. na fase pré-capitalista. sendo as únicas depositárias. fato só possível. tem domínio nos seus próprios conteúdos. com a soma dos conteúdos puros. superando-se. ao contrário do juízo do entendimento ou do imperativo categórico. e irmão gêmeo alcançados pela obra de arte. constituindo-se na possibilidade de reconciliação da alma com a essência e o sentido da vida. somente intuíveis. aí. mundodosfilosofos. não Leto. um processo contínuo de com o desenvolvimento do dilaceramento da alma humana. sendo enquadra­do. em Lições Sobre a Filosofia Política de Kant (1993). Assim. Fonte: http://base. paradoxalmente. e havia a noção de totalidade. em consonância com a ação de Apolo. Modernidade: costuma ser entendida como um ideário ou visão de mundo que está relacionada ao projeto de mundo moderno. na esfera de mudanças. limitados e harmônicos.info/ pt/fiches/premierdph/fichepremierdph-3602. no entanto. para Benjamin. deixando abertura ao inusitado utópico. como Letras Vernáculas 35 Aula Estes puros conteúdos seriam arquétipos invisíveis. por ser desinteressada. uma forma comparável a ela mesma. à procura de uma or­dem social mais humanizada.html O juízo de gosto ou estético kantiano. qualquer forma de ex­clusão entre religião e ateísmo. quando estes atribuíam às musas a fonte de inspiração. Esses da caça. Esta visão dialética de Aufhebung (= superação) não deixa de considerar todo o ganho da filosofia das Luzes. abre uma possibilidade ao juízo político. Apesar de a natureza verdadeira não aparecer na obra. ao vislumbrar a realidade criticamente. . para Lukács (1974). normalmente relacionada Capitalismo. à qual se acrescenta a possibilidade romântica. e espiritualismo e materialismo­.com. de acordo com o posicionamento de H. de outro.Desse modo. diante de um mundo reificado. imageticamente. UESC Neste sentido. visto transitarem pela doxa do contingente. assim. empreendido em diversos momentos ao longo da Idade Moderna e consolidado com a poderia parecer.d-p-h.

que passa a ceder espaço a uma arte participação. religião (representação) e filosofia (conceito). em busca do contínuo. estabelece a passagem da consciência imersa em si. os paradigmas passados foram questionados e a arte começa por refletir a instabilidade do gênero humano. a qual pretendem re­formar. o Marxismo. impossibilitando-o de alterar o devir. de recusa. a missão de guias da sociedade. na revelação histórica do Espírito Absoluto. encontramos um afã inerente ao próprio homem. o Ludismo. o Anarquismo. será utilizado como uma forma de alcançar o outro. o Cartismo. colocando-o em constante conflito entre os valores anteriores e aqueles que traziam ares de conquista e emancipação. entre outros. por conta de movimentos sociais de libertação. a partir dessa última. p. rumo a uma “história conceituada.1991. chegando. sem que a categoria de sujeito fique esquecida.” Entretanto. há uma espécie de reversão da mímesis. na dimensão do históricocultural. aquele capaz de conhecer. no fim da obra. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX autoentendimen­to. ainda no século XIX. ou entre conceito e história. em Fenomenologia do Espírito (1992). assim. Dizemos isso. da totalidade harmoniosa. A partir dessa.Introdução aos estudos literários II: literatura. No cerne desta questão. como apregoavam os líderes revolucionários da aurora da Liberdade. a Comuna de Paris. Hegel. alcançando as três formas de estar no mundo: arte: (intuição). subsume o sujeito cognoscente. enquanto mediador. Ele destaca a possibilidade de homologia entre o espírito e a cultura. por transitar pelas representações da imaginação. assumindo os artistas. como o Socialismo Utópico. destacando a inserção do humano. algo aventado como precípuo para a modernidade. uma vez que esses detêm “o conhecimento dos segredos da Natureza” (NUNES.52). ao espírito absoluto. porque. ao mesmo tempo em que a obra encontra-se livre de regras externas no seu processo artístico em si. distantes do conhecimento ob­jetivo do Entendimento. uma vez que o ideário de racionalidade não foi capaz de gerar o bemestar esperado. de entender. portanto. 36 Módulo 3 I Volume 2 EAD .

De um modo geral. O nome vem da obra Utopia de Thomas More (1478-1535). preconizam os tipos de organizações libertárias. Fonte: http://www. trazida pela Revolução Industrial.15. e enviada ao Parlamento Inglês.15. Fonte: http://www. mais tarde. anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita e. por oposição.htm Anarquismo: é uma filosofia política que engloba teorias. Adaptado aos dias de hoje. p. e durou 72 dias: de 18 de março a 28 de maio de 1871. se autodenominavam socialistas “científicos”). ocorrido entre 1836 e 1850.htm Cartismo: caracteriza-se como um movimento social revolucionário inglês. o que diferencia os homens dos outros animais e possibilita o progresso de sua emancipação da escassez da natureza. em Paris. Fonte: Enciclopédia Barsa. na guerra contra a Prússia (1870-1871). o que proporciona o desenvolvimento das potencialidades humanas. 1966. assim. vol. A causa direta do surgimento da Comuna de Paris consistiu no agravamento das contradições de classe entre o proletariado e a burguesia decorrente da dura derrota sofrida pela França.com/industrial/ludismo. geralmente. vinculadas ao movimento anarcoprimitivista. 1966.com. Comuna de Paris: foi a primeira experiência de ditadura do proletariado na história.mundoeducacao.br/historiageral/socialismo-utopico. métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório.24. vol. intitulada Carta do Povo.100 Ludismo: é o nome do movimento contrário à mecanização do trabalho. econômicas. governo revolucionário da classe operária criada pela revolução proletária. p.15. por outros seguidores. A Comuna de Paris foi resultado da luta da classe operária francesa e internacional contra a dominação política da burguesia. Louis Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858). O marxismo compreende o homem como um ser social histórico e que possui a capacidade de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho. Fonte: Enciclopédia Barsa. vol. Marxismo: é o conjunto de ideias filosóficas. Fonte: Enciclopédia Barsa. interpreta a vida social conforme a dinâmica da base produtiva das sociedades e das lutas de classes daí consequentes. mais tarde. Baseado na concepção materialista e dialética da História. O empenho do governo reacionário de Thiers da fazer recair o fardo dos gastos da guerra perdida sobre os amplos setores da população originou um poderoso movimento das forças democráticas. denominado de socialismo utópico por seus opositores marxistas (os quais.suapesquisa. Charles Fourier (1772-1837). e vem do fato de seus teóricos exporem os princípios de uma sociedade ideal sem indicar os meios para alcançá-la. o termo ludita (do inglês luddite) identifica toda pessoa que se opõe à industrialização intensa ou a novas tecnologias.marxists. 1966.SAIBA MAIS Aula 2 Socialismo Utópico: o pensamento socialista foi primeiramente formulado por SaintSimon (1760-1825). voto secreto e elegibilidade para os não proprietários.htm UESC Letras Vernáculas 37 . políticas e sociais elaboradas primariamente por Karl Marx e Friedrich Engels e desenvolvidas. O socialismo defendido por estes autores foi. Nesta. encontram-se as seguintes reivindicações políticas: sufrágio universal. tendo como base a carta escrita pelo radical William Lovett. p.org/portugues/dicionario/verbetes/c/comuna_paris. Fonte: http://www. eleições anuais. 315.

entendeu-se até hoje um tecido de acontecimentos quiméricos e frívolos. assim.br/burguesia. radicada na França: Por um romance. de que não há possibilidade 38 Módulo 3 I Volume 2 EAD . que é também uma verdade e uma natureza (HUGO. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX Guardadas as discussões teóricas acerca da origem do SAIBA MAIS O Terceiro Estado: na França do Antigo Regime (Ancien Régime) e durante a Revolução Francesa. Digamo-lo.19). iniciada em 1840 e esteve. uol. e as leis especiais que. os tempos antigos. que tocam a alma. surge o drama. resultam das condições de existência próprias para cada assunto. publicado em 1827. No famoso prefácio do drama Cromwell. de primeiros encantos com o mundo. do grotesco com o sublime. ou melhor. Victor Hugo coloca toda a sua verve condoreira em defesa da inspiração e da autonomia do artista. que respiram por todos os lados o amor do bem. Para a teórica búlgara. Na linha de raciocínio de Paul Valéry. com a produção estética daquele anterior. no teatro. quando ocorre a dissolução da comunidade europeia sustentada em uma economia natural fechada e dominada pelo cristianismo (1970. e à inspiração. durante a Restauração. [. por sua vez. não identifica qualquer vínculo entre o romance publicado. análogo ao Parlamento britânico. que seriam líricos e teriam nas odes e hinos suas formas de expressão. cerca de quatro mil romances. que seriam dramáticos. durante o império napoleônico. com a luz. pois. anualmente.] Não há regras nem modelos.sites. Diderot. que educam o espírito.. ou antes. Fonte: http://www. États Généraux). Gostaria muito que se encontrasse um outro nome para as obras de Richardson. pois pedir conselho senão à natureza. em seus temas. 2002. Fonte: http://variasvariaveis. 29). exceto no que há de mais nativamente livre no mundo. e. não deve. e que são chamadas de romance (KRISTEVA. romance. mas sem tradição constitucional dos poderes parlamentares: a monarquia francesa reinava absoluta. após a Revolução Francesa. a três idades do mundo: os tempos primitivos.. veio o nome medieval da assembleia nacional francesa: os Estados Gerais (fr.com. encontrase na narrativa pós-épica medieval. essa narrativa foi considerada como a “revolução literária do Terceiro Estado”. nesta época. br/046/46coliveira. Chegou o tempo disso. Tiers État) indicava as pessoas que não faziam parte do clero (Primeiro Estado) nem da nobreza (Segundo Estado). que o romance tomou. as coisas do pensamento. e seria estranho que.Introdução aos estudos literários II: literatura. insistamos neste ponto. penetrasse por toda a parte. [. representando uma dinâmica cultural antes nunca vista no país! Enquanto. mistura da tragédia com a comédia. para cada composição. a partir do século XVIII. em que já haveria grandes impérios e acontecimentos narrados em poemas épicos. E Kristeva identifica a mudança. na França. não há outras regras senão as leis gerais da natureza que plainam sobre toda a arte..html Cromwell: segundo Hugo. por fim.htm Napoleão via o romance como uma forma de ter os pés no chão. o termo Terceiro Estado (fr. ousadamente. à verdade. a liberdade. p. os tempos modernos. Hugo realiza uma espécie de síntese histórica em que filia as formas de arte poética a três momentos do desenvolvimento histórico da humanidade. Para chegar até seu objetivo principal. p.. para Julia Kristeva de Le texte du Roman. p. espacoacademico.] O poeta.com.1970. cuja leitura era perigosa para o gosto e para os costumes. Foram publicados.30). Desses termos. entre as mais publicadas. seria uma nova forma de poesia fruto dos tempos modernos que deveria superar por completo as velhas manifestações clássicas que se prendiam em demasia a regras fixas.

“. Os conteúdos puros. “seio palpitando”.. mais bela”. sobre o alcance dos puros conteúdos. o poema em UESC Letras Vernáculas 39 .. “. Tal atitude romântica coloca o ser amado em uma dimensão do sublime e da divindade.de definir o Romantismo. De forma não definida. meu anjo lindo!”. “Sobre o leito de flores ela dormia”. que representam a visão multifacetada do romantismo. Nesta perspectiva.”... presos a preceitos naturais de origem e harmonia.. alcançados pela obra de arte. “ . Aula Sobre o leito de flores reclinada. confirmando-se em: “. nos sonhos morrerei sorrindo!”. difusa e inatingível: “lâmpada sombria”. à luz da lâmpada sombria. Formas nuas no leito resvalando. o ser amado ganha uma dimensão mais próxima possível de identificação. Como a lua por noite embalsamada. dão à arte uma dimensão desinteressada. assim. “ . constante de Lira dos Vinte anos (1994): Pálida.. concentrada. anjo entre nuvens embalada”. meu anjo lindo! Por ti – as noites eu velei chorando. “Pela maré das águas embalada!“.. Não te rias de mim. Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar! Na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d’ alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! O seio palpitando. Apesar de os tercetos colocarem a mulher mais concreta. analisar textos. “escuma fria”. “Formas nuas no leito resvalando”. nas estrofes seguintes... pois tudo não passou de um sonho... Negros olhos as pálpebras abrindo. etérea. “Não rias de mim. as noites eu velei chorando!”.. “Entre as nuvens do amor ela dormia”. ela continua inacessível e distante. vamos agora. em sonhos se banhava e se esquecia”. “lua por noite embalsamada”.. o que já foi dito acima. porque essa não deve remeter à realidade mais imediata. Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo! A imagem evocada pelo eu lírico é da mulher amada em um sonho. O primeiro deles é um soneto do poeta brasileiro 2 Álvares de Azevedo. “Negros olhos as pálpebras abrindo.. sob pena de prejudicar o rigor lógico. Por outro lado.. nas duas primeiras estrofes do poema. em Crítica da faculdade do juízo (1993). essa mulher é descrita como estando mais distante... confirmando. “virgem do mar”.. de que fala Kant.

em uma coordenada do espírito revolucionário de 1789. Em Écrit. o poeta saúda as revoluções. que chegam a confundir o leitor. universalizadas para todo o gênero humano. com possibilidade de um futuro glorioso para a França. et les sommets qui deviennent écueils. deveriam ser utilizados como índices de referência e 40 Módulo 3 I Volume 2 EAD . com o uso de apóstrofes e hipérboles. Walter Benjamin (1993) e. se confirma o anseio de Romantisieren (romantizar) e de Bildung (cultivo) do eu poético e daquilo que ele enaltece.. vistas como solução para os males da sociedade de então. no quinto livro. bem como de hipérbatos. carta em versos. tiveram grande influência na poética de Castro Alves. [ As revoluções que vêm vingar tudo. 1971. que. assim como Lamartine. marés monstruosas. les deuils./Oceanos feitos dos prantos de todo o gênero humano] (apud PEYRE. frente aos problemas. entre outros. uma opção pelo embate. desesperados. Océans faits des pleurs de tout le genre humain. A travers les rumeurs. a figura feminina. Tal sinal foi repetido muito depois./ Da espuma e dos cumes que se tornam escolhos. Assim. No sexto canto.. Victor Hugo encerra. como já vimos acima. désespérés. les cadavres. isto é. de 1846./Fazem um bem eterno no seu mal passageiro. L’écume. o eu poético consegue empreender um embate crucial com os símbolos nacionais e históricos. como Álvares de Azevedo. A causa maior defendida por Castro Alves (1964) é a Liberdade e atreladas a essa a Igualdade e a Fraternidade. p. ainda que o Romantismo tenha se oposto ao modelo clássico. de acordo com o seu antecessor Victor Hugo./ Através dos rumores./As revoluções. considerado como fiel herdeiro desses mestres. alinhado à linha platônica de poetar.87). do poema./ Os séculos empurram na sua frente. dos lutos. O poemeto épico O navio Negreiro do baiano guarda o tom condoreiro.. ao contrário dos poetas do ultraromantismo. mas sim do Marxismo. por um Carlos Drummond de Andrade. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX questão alcança o chamado princípio monadológico. com inversões tão bruscas. dos cadáveres. de A Rosa do Povo. Victor Hugo. a princípio. da mesma sorte. O baiano traz para a Literatura Brasileira o espírito de combate. não mais à luz do Liberalismo. opta pelo enfrentamento revolucionário: Les Révolutions qui viennent tout venger. outro artista francês. Les siècles devant eux poussent. monstrueuses marées. Contemplations. Font un bien éternel dans leur mal passager. que encerram a indignação do eu poético. no caso. de cunho escapista..Introdução aos estudos literários II: literatura. todos. Les Révolutions.

ganharia a dimensão de enaltecimento e não de repulsa. Especificamente... Para.. ao mesmo tempo... em uma epopeia clássica. através de vocativos. Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta. a instância poética se refere ao fato de o país ter-se sagrado vencedor da Guerra do Paraguai. heróis do Novo Mundo. em nome do lucro.. Como um íris no pélago profundo!. sendo um símbolo nacional.. E deixa-a transformar-se em uma festa 2 Em manto impuro de bacante fria!.. patrono da Independência do Brasil. Silêncio!.. há pouco extinta em março de 1870. Musa! Chora. .o tráfego dos navios negreiros rendia grandes somas – muitos viviam deste comércio repugnante... E as promessas divinas da esperança... na África.. Foste hasteado dos heróis na lança. como no Brasil.. vindo a condenar a própria descoberta da América. a tomar uma providência efetiva contra a escravidão e. tanto.. Aula Que impudente na gávea tripudia?!. A bandeira. mas são rechaçados. Tu. E existe um povo que a bandeira empresta P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!. Auriverde pendão de minha terra.. na estrofe seguinte.. ocorre a abominação ao próprio pavilhão nacional. Estandarte que a luz do sol encerra. Na estrofe seguinte. nas Américas. na Europa. em tom de imprecação.. pelo que significam. Mas é infâmia de mais.. chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto.distinção. Andrada! Arranca este pendão dos ares! Colombo! Fecha a porta de teus mares! UESC Letras Vernáculas 41 . quando diz: Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu na vaga. que da liberdade após a guerra.. Que a brisa do Brasil beija e balança. exortar José Bonifácio de Andrade e Silva. Antes te houvessem roto na batalha. Que servires a um povo de mortalha!. Da etérea plaga Levantai-vos. Tal negação se justifica porque são nações que. ..

. ocorre a figura de Hyppolyte Taine (1828-1893). pois toda raça vive em um meio natural e sociopolítico. crescimento e morte. p. portanto.23). trazendo à luz textos europeus do passado ainda não estudados. são colocados também em xeque. quando viu os gêneros literários como organismos vivos. fundada em dados igualitários para toda a humanidade. semelhante ao filológico. uma vez que o Liberalismo acenava então com outra coordenada histórica. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX Consequentemente. na busca do entendimento da obra. seu perfil psicológico e moral. em um momento da evolução histórica. que motivaram a expansão marítima europeia. quando via a História em uma coordenada de progresso. por sua vez. com nascimento. porque para ele. Logo. em Teoria Literária (1991): A concepção literária de Taine exerceu uma larga influência por seu caráter tão claro quanto racionalista e como se depreende facilmente. Taine passa a ver a obra artística como produto do meio. Lanson (1857-1934). se volta para o meio. ao negar a dimensão histórica do feito de Colombo em 1492. 3 A VISÃO HISTORICISTA DAS TEORIAS CRÍTICAS DO SÉCULO XIX Entre outros teóricos. da raça e do momento histórico. A par de Sainte-Beuve. que institui o método biográfico de análise literária. Esteve muito comprometido com o Positivismo de Augusto Comte. destaca-se Sainte-Beuve (1804-1868) como um dos principais críticos europeus do século XIX. e os estende à crítica da Literatura. rumo ao estágio positivo da matematização da vida. estabeleceu seu método de História Literária. em seu determinismo racionalista.1991. Mas há ainda outros teóricos vinculados ao historicismo evolucionista como Brunetière. o regime feudal do Absolutismo. O método biográfico. Fortemente influenciado pelas ciências naturais e seus métodos. que age sobre a mesma. Nas palavras de Eduardo Portella et al. 42 Módulo 3 I Volume 2 EAD . é impossível avaliar uma obra sem conhecer seu autor. com seus valores e crenças. o método literário científico parte da obra como pretexto para se concentrar no autor e sobretudo no homem e seu meio social. Predomina ainda o historicismo em detrimento do literário (PORTELLA et al.Introdução aos estudos literários II: literatura.

o romance faz menção à sociedade parisiense do século XV. Ethan Hawke Sobre uma escola conservadora dos Estados Unidos dos anos 50 do século passado. Os filmes indicados abaixo se vinculam. Com Robin Williams. Com Anthony Quinn e Gina Lollobrigida. o corcunda Quasímodo e o pároco Claude Frollo. respondem pela ânsia de liberdade romântica em relação aos clássicos. quando se reuniam em cavernas. Aula 2 SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (1989) Direção: Peter Weir. para lerem poesias. Além da atenção ao enredo. quando a obra foi escrita. Tais opções de enfoque. se centra em torno de três personagens: a cigana Esmeralda. Robert Sean Leonard. ao conteúdo estudado nesta Aula II. por suas temáticas. Schiller. durante o Império alemão do século XVIII. UESC Letras Vernáculas 43 . publicada em 1831. E reproduz bem a ambiência vivida pelos poetas do romantismo: Göethe. O CORCUNDA DE NOTRE DAME (1956) Direção: Jean Delannoy. com a presença de destaque o rei Luís XI. utilizadas por Victor Hugo. cujo professor de literatura persuade seus alunos a lerem poesia como forma de libertação. mas ainda presente no século XIX. Baseado na obra homônima de Victor Hugo. Trata-se de uma temática que expõe as mazelas socias de uma época. em uma espécie de confraria. Novalis e Schlegel.

Obra e filme estão muito comprometidos em interpretar a realidade à luz do Naturalismo. O CORTIÇO (1977) Direção: Francisco Ramalho Jr. Mário Gomes Baseado na obra homônima do escritor maranhense Aloísio de Azevedo. Com Nastassja Kinski e Rodolf Hoppe. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX SINFONIA DE PRIMAVERA (1983) Direção: Peter Shamony. do século XVIII. Baseado na vida do compositor romântico Robert Schumann.Introdução aos estudos literários II: literatura. da raça e do momento histórico.Com Betty Faria. sem uma perspectiva de subjetividade. bem próximo ao animal. reflete a ambiência da sociedade do Império alemão. Armando Bógus. 44 Módulo 3 I Volume 2 EAD . em que o homem é visto como produto do meio.

5 Qual a concepção de arte em Fenomenologia do Espírito de Hegel? 6 É possível estabelecer um elo entre os puros conteúdos e o desinteresse artístico defendido por Kant? 7 De que modo as teorias de Sainte-Beuve.ATIVIDADE Aula 2 1 Por que. em A Crítica da faculdade do juízo (1993). feita durante a Aula II: A poética que marca o período romântico faz-se estruturada sobre o símbolo. para Paul Valéry. não há possibilidade de definir o Romantismo? 2 Kant. 3 Como Kant define o Belo. Explique. Estes refletem um ideal de unidade. enquanto a pós-romântica é condicionada pela pre­sença da alegoria. a Beleza? 4 Disserte acerca da seguinte afirmação. bem como a influência da História nas teorias críticas do século XIX. afirma que a arte possui dois tipos de finalidade: a finalidade estética e a finalidade teleológica. ao final da Aula II. os conceitos de arte para Immanuel Kant e Victor Hugo. na busca do entendimento da poética e da liberdade românticas. Lanson e de Taine estão em sintonia com a época em que surgiram? 8 Por que o romance foi considerado a “revolução literária do Terceiro Estado”? 9 Por que Victor Hugo insurge-se contra o modelo clássico? 10 De que forma o historicismo do século XIX influencia a crítica literária daquele momento? RESUMINDO Espera-se que você. tenha apreendido os conceitos básicos que digam respeito à Literatura. reivin­dicado por uma época. Brunetière e Lanson. UESC Letras Vernáculas 45 . Brunetière. Hyppolyte Taine. com Sainte-Beuve.

2002. HUGO. Grande Dicionário Delta Larousse. Paris: J. Enciclopédia Barsa. São Paulo: Herder. 1993.1997. BOSI. O Caráter Social da Ficção do Brasil. 1973. Fábio. 1998. Editora Delta: Rio de Janeiro. São Paulo: Martins Fontes. C. The Hague: Mouton. São BRUGGER. São Paulo: Companhia das Letras. Paulo: Cultrix. HEGEL. Tradução de Valério Rohden e Antonio Marques. Tradução de André Duarte de Macedo. Immanuel. BENJAMIN. Do grotesco e do sublime: tradução do “Prefácio de Cromwell” Tradução de Celia Berretini. LUKÁCS. Júlia. São Paulo: Ática. Victor. Georg. Walter. KANT. Lígia. Maria Magaly Trindade. 1974. O Conceito de Crítica de Arte no Romantismo Alemão. São Paulo: Ática. Iluminuras. 1966. Tradução de Denise Bottman. Teoria da Literatura “revisitada”. Fenomenologia do espírito. Denis. Lições Sobre a Filosofia Política de Kant. 1976. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Petrópolis: Vozes. ARENDT. CADEMARTORI. LUCAS. F. História Concisa da Literatura Brasileira. Nicola. GONÇALVES. 1992. Zina. Dicionário de Obras Filosóficas. 1985. Lira dos vinte anos. de Gigord. Le texte du roman. Álvares. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX ABBAGNANO. 1970. Walter. Comunidades Imaginadas. São Paulo: Martins Fontes. Hannah. São Paulo: Perspectiva. São Paulo: Melhoramentos. 1966. Rio de Janeiro: Garnier. 1969. HUISMAN. Dicionário de Filosofia. 1993. REFERÊNCIAS ANDERSON. CALVET. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. 2008. Benedict. 46 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Crítica da faculdade do juízo. 2000. Tradução de Marcio Seligmann-Silva. Dicionário de Filosofia. Paris: Gallimard. Alfredo.Introdução aos estudos literários II: literatura. Períodos Literários. Manuel illustré d’histoire de la littérature française.15. Jean. Tradução de Paulo Meneses. vol. 2005. BELLODI. L’âme et les formes. Petrópolis: Vozes. 1993. KRISTEVA.1994. AZEVEDO. São Paulo: EDUSP.

2004. Zina. Teoria da Literatura “revisitada”. BELLODI. Friedrich. LEITURA RECOMENDADA CADEMARTORI. Tradução de Roberto Schwarz. Eduardo. A educação estética do homem.NUNES. Tradução de Victor-Pierre Stirnimann. Coimbra: Almedina. 1985. GONÇALVES. Rio de Janeiro: Caetés. Fábio. São Paulo: Iluminuras: 1995. São Paulo: Ática. SCHILLER. et al. 2 PEYRE. Petrópolis: Vozes. 1997. Benedito. Teoria da literatura. Conversa sobre a poesia e outros fragmentos. SUP. São Paulo: Ática. 2004. Identidade e Gênero na Literatura Brasileira. numa série de cartas de Friedrich Schiller. 1971. SOUZA. 1975. 2005. 1991. Márcio Suzuki. 2004. Sandra. UESC Letras Vernáculas 47 Aula REFERÊNCIAS PORTELLA. Qu’est-que c’est le Romantisme? France: Presses Universitaires de France. Lígia. São Paulo: Ática. 1991. Nação. Teoria da Literatura. São Paulo: Ática. Roberto Acízelo de. São Paulo: Iluminuras: 1995. Henri. col. SILVA. SCHLERGEL. LUCAS. Introdução à filosofia da arte. Teoria Literária. Introdução à filosofia da arte. São Paulo: Ática. SOUZA. NUNES. Vitor Manuel de A. Roberto Acízelo de. Teoria da Literatura. Benedito. C. 1991. O Caráter Social da Ficção do Brasil. Períodos Literários. . Friedrich. São Paulo: Ática. SACRAMENTO. Maria Magaly Trindade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

htm Ilustração . mas também o da finalidade que aparece notadamente na organização harmoniosa dos seres vivos.com/Quotes/QuotePaulValery. entre outras obras.ts4. Autor de Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1905).php/2009/max-weber/ Arendt: Hannah Arendt (Linden.mundodosfilosofos.com.br/kant2. A natureza talvez não seja apenas o domínio do determinismo.jpg Paul Valéry: Paul Ambroise Valéry (Sète 1871 – Paris 1945) foi um filósofo. escritor e poeta francês da escola simbolista. 22 de abril de 1724 — Königsberg. Ilustração . já que afirma simultaneamente a necessidade da natureza (na Crítica da Razão Pura) e a exigência de uma liberdade absoluta (na Crítica da Razão Prática).ocoruja. Kant se esforça por mostrar a possibilidade de uma reconciliação entre o mundo natural e o da liberdade. 1973. Emigrou para os Estados Unidos. Ilustração .blogspot. geralmente considerado como o último grande filósofo dos princípios da era moderna. Ensaios sobre a Teoria da Ciência (1965).com/index. de Le Jeune Parque (1917) e Charmes (1922).Fonte: http://filosofiaportal. 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo alemão. Fonte: http://www.Fonte: http://commons. p.com/ 48 Módulo 3 I Volume 2 EAD .Fonte:http://www. 2014. Fonte: Grande Dicionário Delta Larousse.Introdução aos estudos literários II: literatura. 14 de outubro de 1906 — Nova Iorque. durante a ascensão do nazismo. 2000. filosofia e música. Entre suas obras de mais destaque estão Origens do Totalitarismo (1951) e A condição humana (1959). 21 de abril de 1864 — Munique. indiscutivelmente um dos seus pensadores mais influentes. p. A Crítica do Juízo.htm Ilustração .mundodosfilosofos.Fonte:http://www. A filosofia de Kant nos surge como uma filosofia essencialmente trágica.html Weber: Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt. cujos escritos incluem interesses em matemática. na Alemanha.wikimedia. 14 de junho de 1920) foi um intelectual alemão. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX ANEXO Kant: Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg. economista e considerado um dos fundadores da Sociologia. muitas vezes descrita como filósofa. Cientista e o Político (1921). autor de.br/a-condicao-humana-hannah-arendtt. Fonte: HUISMAN. 609. Fonte: http://www. apesar de ter recusado essa designação. jurista.org/wiki/File: Immanuel_Kant_%28painted_portrait%29.com. 4 de dezembro de 1975) foi uma teórica política alemã. Em sua terceira grande obra.

wikipedia. mais conhecido pelo pseudônimo Novalis. filha do filósofo judeu Moses Mendelssohn.org/wiki/File:Friederich_von_Schlegel.com/pesquisa/goethe. Sua amizade com Göethe rendeu uma longa troca de cartas que se tornou famosa na literatura alemã. 1969.br/biografias/friedrich-schlegel.wikimedia. Fonte: BRUGGER.Fonte: http://en. mais conhecido como Friedrich Schiller. p. Ilustração . em 1823. cujo gosto literário o fortaleceu nas convicções românticas.uol. e juntamente com Göethe. Schiller foi um dos grandes homens de letras da Alemanha do século XVIII. dramaturgo e filósofo alemão. enobrecido em 1802 (10 de novembro de 1759 em Marbach am Neckar — 9 de maio de 1805 em Weimar).Fonte: http://commons.Fonte: http://commons. 1995. o quarto movimento de sua nona sinfonia. editado juntamente com August Wilhelm Schlegel. Apresentou também um grande interesse pela pintura e desenho.498. Fonte: http://educacao. Fonte: http://www. como por exemplo. Fonte: SCHILLER.org/wiki/File:Johann_Wolfgang_von_Goethe_%28Josef_ Stieler%29. 2 de maio de 1772 — Weißenfels.org/wiki/File:Friedrich_schiller. Interpretações e críticas. foi um poeta. de Göethe. Ilustração .suapesquisa.jpg Göethe: Johann Wolfgang Von Göethe (1749-1832) foi um importante romancista.jpg Schiller: Johann Christoph Friedrich von Schiller.wikimedia. Suas críticas magistrais do Wilhelm Meister. 11-26. Harz.htm Ilustração . a Ode à Alegria (An die Freude).jpg Schlegel: Friederich von Schlegel foi influenciado pela filosofia de Fichte.org/wiki/File:Novalis-1. que inspirou Ludwig van Beethoven a escrever. foi um dos mais importantes representantes do romantismo alemão de finais do 2 século XVIII e o criador da flor azul.Fonte: http://commons. Juntamente com Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang. Fez parte de dois movimentos literários importantes: romantismo e expressionismo. Freiherr (Barão) von Hardenberg. Em 1798 tornou-se companheiro (casado só em 1804) de Dorothea Veit (1763-1839). Sua poesia também é famosa.Novalis: Georg Philipp Friedrich von Hardenberg (Oberwiederstedt. p.wikimedia.jhtm Ilustração . um dos símbolos mais duráveis do Aula movimento romântico. Wieland e Herder é representante do Romantismo alemão e do Classicismo de Weimar. e é tido como o mais importante dramaturgo alemão. e de peças de Shakespeare foram incluídas no volume. 25 de março de 1801). filósofo e historiador alemão.jpg UESC Letras Vernáculas 49 .com.

Fonte: http://commons.jpg Diderot: Denis Diderot. Fonte: http://www2. Pensées philosophiques (1746). Ilustração .htm Ilustração .org/wiki/File:Luk%C3%A1cs_Gy%C3%B6rgy. assim como pela Revolução Francesa. entre outras obras. Muitos consideram que Hegel representa o ápice do idealismo alemão do século XIX.) a qual reportou todo o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. reunindo conhecimentos enciclopédicos.unl. foi o primeiro leigo a se dedicar à técnica da pintura. escritor francês (Langres. em Sófia.org/wiki/File:Denis_Diderot_%28Dimitry_Levitzky%29. o percurso da filosofia clássica alemã: inicialmente um crítico influenciado por Kant.org/wiki/File:Julia_Kristeva_p1200568. Era fascinado pelas obras de Spinoza. p.jpg 50 Módulo 3 I Volume 2 EAD . ou Szegedi Lukács György Bernát.Introdução aos estudos literários II: literatura. foi a Encyclopédie (1750-1772. Seu nome completo era Georg Bernhard Lukács von Szegedin.fcsh.org/wiki/File:Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel00. em sua acidentada trajetória. p. em húngaro. em alemão. Publicando. Ganhou a vida com trabalhos literários subalternos.unicamp. correntes teórico-críticas A liberdade romântica e a visão historicista das teorias críticas do século XIX Lukács: Lukács György foi um filósofo húngaro de grande importância no cenário intelectual do século XX.jpg Julia Kristeva: linguista e crítica literária de expressão francesa nascida em 1941. Estudou a literatura a partir de elementos da linguística e da psicanálise. sua obra prima. Segundo Lucien Goldmann. Ilustração . depois o encontro com Hegel e. sem escolher profissão determinada. 498 .wikimedia. Seu ensaio sobre a arte de atuar constitui a primeira contribuição de valor à crítica do teatro moderno.Fonte: http://commons.htm Ilustração .Fonte: http://commons. finalmente. que teve impacto profundo no materialismo histórico de Karl Marx.pt/edtl/verbetes/E/estruturalismo. Lukács refez.jpg Hegel: Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 —1831) foi um filósofo alemão. a adesão ao marxismo. Fonte: Grande Dicionário Delta Larousse.br/cemarx/marianorma. Fonte: BRUGGER.499. como materialista e ateu. Fonte: http://www.wikimedia. 1713 – Paris 1784).wikimedia.wikimedia.Fonte: http://commons. 1973. Kant e Rousseau. Filho da pequena-burguesia abastada. tornou-se suspeito às autoridades. entretanto. Como crítico de arte. estudou em Londres e Paris.2184. 1969. na Bulgária. Recebeu sua formação no Tubinger Stift (seminário da Igreja Protestante em Wurttemberg).

o meio e o momento histórico. Suas obras mais importantes são: De l’ intelligence (1870) e Philosophie da L’ Art (1882). De 1817 a 1830. Foi o filósofo do naturalismo. se conhecemos a raça.wikimedia. p. Odes et poésies diverses. que Em 1841. Em 1827. e Les Misérables.jpg UESC Letras Vernáculas 51 . 3423. 770-771. p. Entre suas obras estão coletâneas líricas. historiador e filósofo francês. podemos saber seu pensamento e seus sentimentos. Publica em 1822.Fonte: http://commons. é um jovem poeta de carreira. Ilustração . bem pensante e monarquista. de 1830. de 1862. Ilustração . publica o drama 2 Cromwell. bem dotado. a ligação amorosa com Jouliette Drouet (1833) determinam se afirma cada vez mais chefe do movimento romântico. Fonte: Grande Dicionário Delta Larousse.Fonte: http://commons. em que o homem foi criado.org/wiki/File:Victor_Hugo_001. quatro meses antes de se casar com Adèle Fouchet. Fonte: CALVET.Victor Hugo: escritor francês (Bersançon 1802 – Paris 1885).wikimedia. com destaque para o drama Hernani. Os acontecimentos políticos de 1830. Aula profundamente mudanças nas idéias e na sensibilidade do escritor. é eleito para a Academia Francesa de Letras. o desentendimento conjugal.org/wiki/File:Hippolyte_taine. o romance Notre Dame de Paris. de 1831. peças de teatro e romances. 1966. Para ele. 1973.jpg Hyppolyte Taine: foi crítico.

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

Ao final desta Aula III.aula 3 Meta A ESTILÍSTICA DA LANGUE E A DA PAROLE Objetivos Enfocar os conceitos que envolvem a Estilística ligada à langue e aquela que prioriza a parole. . você deverá conhecer os pressupostos teóricos da corrente de abordagem do literário: Estilística.

3

AULA 3

Aula

A ESTILÍSTICA DA LANGUE A A DA PAROLE

1 INTRODUÇÃO

Nesta Aula III, vamos estudar a corrente teórica Estilística.

Os teóricos Charles Bally, Eugenio Coseriu, Jules Marouzeau
ênfase, em seus estudos,

dão

à abordagem que privilegia a langue;

ao contrário de Benedetto Croce, Karl Vossler, Leo Spitzer, Dámaso
Alonso e Amado Alonso que veem a parole como princípio explicativo
em suas análises.

• a obra A Linguagem Literária, de Domício Proença Filho;
• o capítulo 15 de Teoria da literatura, de Victor Manuel de A. Silva;
• o capítulo 1, especificamente, da p. 28 à p. 30, de Teoria Literária de Eduardo Portella, et al;.
• o capítulo 7, especificamente, da p.171 à p.178, de Teoria da Literatura “revisitada” de Maria
Magaly Trindade Gonçalves e Zina Bellodi.*

* As referências das obras encontram-se no final da Aula III.

UESC

Letras Vernáculas

55

ATENÇÃO

Antes do início desta Aula III, você deverá ter lido:

Introdução aos estudos literários II: literatura, correntes teórico-críticas

A Estilística da langue e a da parole

2 ESTILÍSTICA
SAIBA MAIS

Langue e Parole: língua
versus fala (discurso) é a
dicotomia basilar da linguística saussuriana. Fundamenta-se na oposição
social/individual, extraída
da Sociologia: a língua é
da esfera social, ao passo
que a fala é da esfera individual. Para o mestre
genebrino, linguagem é a
faculdade que o indivíduo
tem de falar uma língua.

O termo estilística, em outra acepção, já havia sido empregado

no século XVIII pelo filósofo alemão Novalis, como sinônimo de
retórica. No século XX, porém, na esteira do Estruturalismo de
Ferdinand de Saussure, Charles Bally, seu aluno e genro, a partir do
curso de férias ministrado pelo mestre, na Universidade de Genebra,
institui a Estilística moderna, centrada na langue, enquanto expressão
de sentimentos, ao contrário do enfoque linguístico, que se preocupa
somente com a parte intelectual do nosso ser pensante. Para Bally:
A estilística estuda, portanto, os fatos de expressão
da linguagem organizada sob o ponto de vista do
seu conteúdo afetivo, i. e., a expressão dos fatos
da sensibilidade através da linguagem e a ação dos
fatos de linguagem sobre a sensibilidade (BALLY, s/d,
p.16).

Fonte:
http://www2.fcsh.unl.pt/
edtl/verbetes/L/lingua.htm

Por fato estilístico, se entende como a menor unidade do texto.

O autor, ao fazer determinadas escolhas, entre as previsíveis no código
linguístico, opta por um determinado fato estilístico. Entretanto, Bally
não se dedicou ao texto literário, suas análises descritivas centraramse apenas nos recursos estilísticos, em seu sistema de expressão,
colocados pela língua, de modo geral, à disposição dos falantes como
expressão de sentimento.

A Estilística, como a entende o suíço, está para a língua e não

para a fala e, neste sentido, para a norma, previamente, estabelecida
para o usuário da língua. Nas palavras de Eugenio Coseriu:
[Trata-se do] estudo das variantes normais com
valor expressivo-afetivo [no] estudo da utilização
estilística normal das possibilidades que oferece um
sistema daqueles elementos que são normalmente,
na língua de uma comunidade portadores de um
particular valor expressivo (1962, p.105).

Com Jules Marouzeau, ainda que seu enfoque permanecesse

no nível da língua e não da fala, a Estilística moderna passa a incidir
suas análises, em certa medida, no texto literário. Em uma perceptiva
generalizante, de cunho científico, não se detém em um autor, mas
em obras referentes a uma época de uma determinada literatura,
a fim de apreender aspectos do estilo, como o uso de expressões,
que remetem a questões concretas ou abstratas, de clichês, de
construções frasais ou mesmo o vocabulário que aparente imitações
de autores ou supostas influências, entre outros.

56

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

que condiciona a arte ao meio. Benedetto Croce teve o grande mérito de ter tirado a Estética do âmbito da Filosofia. Quer dizer. espiritual. alcançada pela intuição individual. moralísticos. Dámaso Alonso e Amado Alonso. A arte não está. que apenas podem ser convenientemente estudados se se considerar a natureza poética (SILVA. de caráter social e comunitário – a langue de Saussure -. sociológicos. que deve se colocar entre a obra e o leitor. Em lugar de estudos biografistas. Karl Vossler. não existe qualquer realidade lingüística objetiva. visto que a linguagem é primordialmente poesia. que passa a existir na sua expressão verbal. a obra poética exige o estudo do seu texto. por sua vez. independentemente dos indivíduos singulares: existem. Logo. Humboldt e Croce. atos lingüísticos individuais. de cunho filológico. sim. de filiação linguístico- positivista. somente. da sua linguagem e da história do idioma em que está escrita. como a família platônica entende. fortemente influenciada pela linguística idealista de raiz romântica. Por apresentar a linguagem como atividade espiritual e criadora. Sua percepção idealista vê a linguagem como atividade intuitiva. como deve acontecer com a obra de arte. ainda que nem toda fala seja digna de ser preservada para a posteridade. a estilística representa para Vossler o fundamento de toda a lingüística. foi aquele que instituiu a estilística literária ou crítica estilística. a Estilística opõe-se também à visão naturalístico-positivista. porque a língua aparece como a matriz que UESC Letras Vernáculas 57 . Para quem a arte constitui um conhecimento intuitivo. como viu Taine na segunda metade do século XIX. a partir dos estudos de Vico. cuja linguagem sofreu modificação. Karl Vossler. uma vez que o ato de fala está pleno de criatividade. além da expressão. a serviço 3 Aula da moral. etc. p. ou de uma utilidade. Portanto. Sendo o crítico um mediador. já que a poesia é essencialmente linguagem. e constitui igualmente o fundamento dos estudos literários. pois seus objetivos são intrínsecos a ela mesma. fora da esfera intelectual. Entre seus grandes representantes estão: Benedetto Croce. a língua é sempre artística. à raça e ao momento histórico. da crítica estético-literária. 1975. surge a Estilística da parole. Na linha oposta à Estilística da langue. Leo Spitzer. E só pode ser considerada arte aquela obra.601). livres criações do espírito.

2005. Evidenciando as interrelações firmadas entre significante e significado. Metodicamente a análise pode partir do significado para o significante ou de maneira inversa (PORTELLA et al. Cada fato estilístico. ao estabelecer métodos de análise. para ele. estudados por Freud. entretanto. O método de análise literária genética spitziano fez escola e segue um processo que vai do autor à obra e da obra ao autor. ainda que sua essência seja de impossível apreensão. no sentido psicanalítico.. 603).. Foi influenciado por Freud. em seu enfoque do fenômeno literário. constituindo-se como uma ponte entre a Lingüística e a Literatura. 1991. Por ser uma Estilística da parole. Damaso Alonso propõe um método fundamentado de análise. Restringe-se. é pleno de gesto. A Estilística de Spitzer valoriza o papel do artista. o conhecimento da Psicanálise proporcionou-lhe instrumentos para compreender certos problemas de Literatura (GONÇALVES.175). Spitzer considerva a Lingüística como algo sem alma e a Estilística. 1975. entre outros. o afetivo e o imaginário. além de propor tipologias de estilos: o conceitual. a Estilística. Alonso critica Charles Bally porque esse se deteve na langue. à análise psicológica e não psicanalítica.Introdução aos estudos literários II: literatura. Vossler. não deixou de privilegiar as circunstâncias culturais que precedem ao artístico. p. foi influenciado por Vossler e o segue na concepção da arte destituída do contexto histórico ou de qualquer juízo de valor. (1991) assevera: Como entre o significante e o significado há inúmeras relações. veio a 58 Módulo 3 I Volume 2 EAD . causadores das neuroses. seu método recria a intuição do poeta no texto. ainda que visse o objeto estético como autônomo ao contexto. deveria estabelecer uma ponte com a alma do artista. Eduardo Portella. p.) (SILVA. Leo Spitzer.29). que indicia um estado de alma. p. et al. para Spitzer. Portanto. por sua vez.. Com uma visão não formalista da obra. uma vez que não chega a investigar os complexos. BELLODI. correntes teórico-críticas A Estilística da langue e a da parole alimenta a potencialidade artística do escritor (. presente no texto literário. a finalidade da Estilística consiste na análise dessas interrelações. em que enfoca a figura do crítico e a do leitor comum. Entre seus seguidores estão os espanhóis: Dámaso Alonso e Amado Alonso.

UESC Letras Vernáculas 59 . acrescentar algo de pessoal. 2009. a sua inquietação.Karl Bühler. também comprometida com as questões ecológicas. tenha acesso às camadas mais profundas do seu ser. está-se levando em conta a capacidade expressiva constante na própria língua. leva às últimas conseqüências o seu compromisso com as gerações futuras. 3 na 1ª. Neste tipo de análise.Onde estão as áreas verdes? Fonte: http://ocaosemvenancioaires. hoje em dia. mais racional em suas colocações. a saber: função de Aula exteriorização psíquica. Trata-se o texto. em evidência. com a preocupação constante ecológica. 2ª e 3ª pessoas. de fato. ou ainda se refere ao mundo representado pelo código.ocupar tarefas outrora restritas ao campo da Retórica.html Vivemos. blogspot. da qual o falante se utiliza. isto é. um dos personagens da charge reproduzida ao lado. diante de um tema tão sério para o ser humano. são consideradas somente as três funções da linguagem. no caso. enquanto sujeito da enunciação. o falante. set. respectivamente. O referido personagem. posteriormente.centradas. Revista Veja. seu guarda. a seguir. sem. o guarda que o interpela.com/2009/09/meio-ambientepor-cristian-deves. O Planeta Terra pede socorro! Entretanto. ao contrário do nosso personagem da charge.”. que age movido somente pela emoção. Essas elencam a previsão de uso do código lingüístico. de . Vejamos esses usos. de uma propaganda. ao se utilizar da 1ª pessoa do singular: “Eu estou apenas assegurando meus 15m² de área verde. em exemplos abaixo: Figura 1 . ampliadas para seis com Roman Jakobson . função apelativa e função de representação. Quando se fala em Estilística da langue. ou extravasa um sentimento. pondo. deixa que o seu receptor. ou interfere sobre o receptor de sua mensagem.

em destaque. abaixo reproduzido. de Vinicius de Moraes: Ó minha amada Que os olhos teus São cais noturnos Cheios de adeus São docas mansas Trilhando luzes Que brilham longe Longe nos breus. e faz a recomendação de como encaminhar o lixo doméstico para a reciclagem.Edição 2129. do que se fala. “O banco”.2009 . presente em Poesia Completa e Prosa (1980). Revista Veja. a mensagem se utiliza da 3ª pessoa. Leia. 60 Módulo 3 I Volume 2 EAD .. Faz diferença ter um banco que é do Brasil.5-6. Nesta propaganda. “Ser forte é do Brasil. a partir das escolhas expressivas utilizadas pelo eu poético. set. ou seja. aquele com quem se fala. Em uma análise estilística de um texto literário.Introdução aos estudos literários II: literatura. volta-se para o receptor da mensagem “você”. correntes teórico-críticas A Estilística da langue e a da parole Veja que o texto. sobre o receptor da mensagem. p. agora. O banco que aumentou o crédito para o País enfrentar a crise também.” Ainda que haja um forte apelo. implícito. para que se torne cliente do BB e usuário de seus produtos. o fragmento do Poema dos olhos da amada.. o emissor se detém em relatar algo que diz respeito ao mundo exterior comentado. deve-se atentar para o uso das imagens sugeridas.

Leo Spitzer. No ANEXO 1.centopeia. de que o poeta se vale. com uma relação de dependência sintática. Que os olhos teus/ São cais noturnos/São docas mansas. essas são antes coordenadas entre si: trilhando luzes (= que trilham)/ que brilham longe.. Dámaso Alonso e Amado Alonso? 4. Da . antes opta pelo extravasamento de emoções. veremos que ocorre apenas um par de rimas: teus/adeus. Estabeleça a diferença entre a estilística da langue e a da parole. isto é. pelo texto em prosa.. Parataxe: é um recurso estilístico muito comum na poesia. principalmente. no caso. Explique o avanço dos estudos estilísticos vistos por Benedetto Croce. no mesmo. Há que ser chamada a atenção para o uso da parataxe. com a repetição de consoantes nasais. em um ancoradouro. UESC Letras Vernáculas 61 3 mesma sorte que o uso da assonância. isto é. Do ponto de vista do conteúdo. de sons. no uso da camada fônica. isto é. respectivamente. Fonte: http://www.centopeia.Se nos voltarmos para os recursos utilizados pelo poeta. mesmo com a presença de orações subordinadas. Explique o vínculo da Estilística de Charles Bally ao Estruturalismo. produzindo o mesmo efeito de previsibilidade do movimento da água. à aliteração. predominantes na lírica. talvez pela própria obviedade de seus efeitos. Karl Vossler. No poema em questão.. reproduzimos uma análise estilística feita sobre um soneto do poeta português Luís de Camões. estão: a antítese e a metáfora. entre os recursos estilísticos. Qual a importância dos estudos de Jules Marouzeau para a Estilística? 3. com a reincidência de vogais SAIBA MAIS Aula para o leitor a sensação do balanço do mar próximo a um cais. de orações coordenadas: os olhos da amada/são cais noturnos cheios de adeus/ são docas. capazes de trazer iguais. são /o/ e /a/. objeto de maior atenção da crítica especializada. luzes/breus. Fonte: http://www. que. facilmente identificável e que não tem sido.net /secoes/?ver=87&secao=ensaios &pg=5 Hipotaxe: trata-se de uma conexão de frases por subordinação. desta Aula III. 2. enquanto a hipotaxe requer um grau de racionalidade esperado principalmente pela narração. entretanto. ocorre devido. que não está preocupada em relatar o mundo. Consiste na conexão de constituintes linguísticos (frases ou categorias sintáticas) por coordenação. longe nos breus. a sonoridade. presentes ao longo do poema: /m/ e /n/. net/secoes/?ver=87&secao=e nsaios&pg=5 ATIVIDADE 1.

SILVA. Vitor Manoel de A. você estudou a corrente literária Estilística. 1992. 2000. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Eugenio Coseriu. 1991. Zina. Madrid: Gredos. correntes teórico-críticas A Estilística da langue e a da parole RESUMINDO 3 RESUMINDO Nesta Aula IV. Vinicius de. Teoria da Literatura “revisitada”. Heidelberg: Winter. Carlos. Teoria Literária. com os teóricos da langue Charles Bally. Teoria da Literatura “revisitada”. Leo Spitzer. Zina. Poesia completa e Prosa. PORTELLA. HUISMAN. Dámaso Alonso e Amado Alonso. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Coimbra: Almedina.1976. São Paulo: Ática. 2005. LEITURA RECOMENDADA GONÇALVES. Teoria da literatura. BELLODI. MORAES. C. s/d. REFERÊNCIAS COSERIU. REIS. São Paulo: Ática. Eugeniu. Traité de stylistique française. 1992. 1991. Domício. PROENÇA FILHO. Coimbra: Almedina. A Linguagem Literária. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Aguilar. SILVA. Charles. Eduardo et al. Petrópolis: Vozes. A Linguagem Literária. PROENÇA FILHO. Karl Vossler. Domício. Teoria Literária. Coimbra: Almedina. Eduardo et al. Dicionário de Obras Filosóficas. 2005. C. São Paulo: Martins Fontes. Teoria da literatura. Denis. 62 Módulo 3 I Volume 2 EAD . 1975. GONÇALVES. BELLODI. Maria Magaly Trindade. Vitor Manuel de A. 4 REFERÊNCIAS BALLY. PORTELLA. Maria Magaly Trindade. Jules Marouzeau e os da parole: Benedetto Croce. 1975.1962.Introdução aos estudos literários II: literatura. Técnica de Análise Textual. Teoria del lenguaje y linguística general. 1980.

1976. Coimbra: Almedina. In. Análise estilística de um soneto de Camões.164-171.ANEXO 1 Aula 3 CARLOS. Reis. UESC Letras Vernáculas 63 . p. Técnicas de Análise Textual.

Introdução aos estudos literários II: literatura. correntes teórico-críticas 64 Módulo 3 I A Estilística da langue e a da parole Volume 2 EAD .

3 Aula UESC Letras Vernáculas 65 .

fcsh. portanto.org/es/node/128 Benedetto Croce: foi um historiador. segundo Coseriu. 2000. sobretudo estético e teoria/filosofia da história.edu. cidade onde ficou até sua morte.asp Ilustração . Iniciou-se como lente da Universidade de Heidelberg (1902). Falantes do Português e do Espanhol podem entender-se relativamente.br/biografias/KarlVoss. catedrático de literatura românica na Universidade de Munique. ganhou fama com tratados metodológicos.ufcg. seriam dialetos. em que expressou sua convicção de que a evolução de uma língua reflete as transformações internas da sociedade que a usa.jpg 66 Módulo 3 I Volume 2 EAD . juntamente com o suíço Charles Bally. Fonte: HUISMAN. no início do século XX. são considerados fundadores da estilística como uma ciência. estão: Filosofia da Prática Econômica e da Ética (1908). 583.Croce.Fonte: http://www. filósofo e político italiano (1866-1952).Introdução aos estudos literários II: literatura. é ainda uma estilística da langue. escritor. Fonte: http://www2. É considerada uma das personalidades mais importantes do liberalismo italiano no século XX.Fonte: http://www. desenvolveu estudos sobre literatura românica centrados na análise das formas estilísticas dos grandes autores e sua relação com os modelos linguísticos de seu tempo. correntes teórico-críticas A Estilística da langue e a da parole ANEXO 2 Eugenio Coseriu: linguista romeno que propôs o chamado critério da intercompreensão.unl. Ilustração .html Marouzeau: Jules Marouzeau (1878-1964) propõe que se volte a estilística para a literatura. numa época.jpg Vossler: Karl Vossler. Influenciado pelos princípios idealistas de Benedetto Croce. segundo o qual.de/akademie/kalender/biog-pic-020-vossler.com. Em Munique. dois falares podem ser considerados dialetos da mesma língua se seus falantes conseguem compreender-se mutuamente.dec. Entre suas obras mais importantes. mas buscando.de/kabatek/coseriu/hauptseite.Fonte: http://www. Fonte: http://www.bbaw. Sua estilística. p.anphil. caso contrário.org/wiki/Ficheiro:B. Os seus escritos giram em torno de um largo espectro temático. não de autores isolados. por duas vezes (1911-1937 e 1945-1947). Teoria e História da Historiografia (1912) e Ensaios de Estética (1991). como a de Bally.br/artigo52.Fonte: http://pt. linguista alemão nascido em Hohenheim.htm Ilustração .html Ilustração . Stuttgart. cujos trabalhos deram notável impulso aos estudos de estilística literária. os processos que determinem o estilo.pt/edtl/verbetes/E/estilistica. onde também foi reitor. Fonte: http://www. e assim.uni-tuebingen. teremos duas línguas diferentes.wikipedia.aldobizzocchi. ensinou em Wurzburg (1909) e foi.

a superar o divórcio entre linguística e literatura levado a efeito pela filologia positivista. consistiria numa sucessão temporal de sons e num conteúdo espiritual. e o da análise científica. por ser científica. Fichte e Schleiermacher.pdf Ilustração . Ele lançou. Fonte: http://revistaensinosuperior. Fonte: http://dromossudoeste. migrou para a Turquia e. 22 de outubro de 1898 — 25 de janeiro de 1990) foi um poeta. não atingiria a essência na obra.ac. através de uma intuição totalizadora. fugindo do nazismo.wikimedia.Fonte: http://sapiens.ufmg. capaz de exprimir artisticamente as intuições profundas. desde o início da carreira. como uma imagem acústica. que poderia trazer as mais altas percepções da Renascença para dentro da metodologia dos primeiros investigadores modernos. somente acessível à intuição. que sua formação em filologia românica lhe proporcionou. num conjunto de significantes e de significados. que reproduziria a intuição do autor. o do crítico. isto é.609.jpg Vico: Giambattista Vico (1668-1744) foi historiador.Spitzer: Leo Spitzer.letras. filólogo e crítico literário espanhol.com. segundo Dámaso Alonso.vwi. Foi autor de princípios de uma ciência nova acerca da natureza das nações ou Princípios da Filosofia da História (1725).pdf Ilustração . em 1936. tarefa da estilística.asp?codigo=11047 UESC Letras Vernáculas 67 . p. Concebe a existência de três graus de conhecimento da obra: o do leitor. O poema. Fonte: http://www. 2000.br/textos. em 1887. Ilustração .uol. como um leitor excepcional.net/pdf/literatura/o_estudo_da_literatura. nascido em Viena. Isso marcou o início da reforma do sistema educacional alemão. nítidas e totalizadoras da obra.jpg Aula Dámaso Alonso: Dámaso Alonso y Fernández de las Redondas (Madrid. e sob a influência marcante da psicanálise freudiana. Faleceu em 1960. Municiado da vasta erudição. Discerniu a explosiva mistura da razão com a mecânica e percebeu.Fonte: http://upload.br/poslit/08_publicacoes_txt/er_11/er11_sap. jurista e filósofo italiano.Fonte: http://www. as bases para a fundação da universidade de Berlim. O significante seria tanto um fenômeno físico. Entende por estilo o que é peculiar e diferencial numa fala.org/wikipedia/commons/7/7a/GiambattistaVico. que. lecionou em universidades alemãs de 1920 a 1933. onde passou os 24 anos seguintes como professor da Universidade Johns Hopkins. da qual se teria originado a obra.at/vierte-wiesenthal-lecture/img/VWI-Event_2009-05-26_02_SWL-004_ 3 Leo-Spitzer.jpg Humboldt: foi o filósofo alemão Guilherme Humboldt o primeiro a refletir sobre o papel da universidade.ya.com/narci3012/dama2. em 1809. Spitzer devotou-se. quando. Fonte: HUISMAN.educacional. para os Estados Unidos. cujo modelo propunha que a universidade voltasse a ser independente e produtora de conhecimento por meio da pesquisa. através da nova ciência. Tais fundamentos também se basearam nas reflexões dos pensadores alemães Hegel.

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

você deverá estar familiarizado com o Formalismo Russo. . em detrimento do contexto de onde essa se origina. Ao final dessa Aula IV.aula 4 Meta O FORMALISMO RUSSO: A AUTONOMIA DO LITERÁRIO Evidenciar os pressupostos teóricos do Formalismo Russo e Objetivos de seus colaboradores. enquanto corrente teórica. que privilegia sobremodo a obra.

.

estudaremos a teoria do Formalismo Russo. você deverá ter lido: capítulo 7. especificamente. tendo como principais integrantes: Roman Jakobson. Bellodi. de ATENÇÃO • *As referências das obras encontram-se no final da Aula IV. • capítulo 1. UESC Letras Vernáculas 71 . Tynianov. Antes do início desta Aula IV. N.S. Wladimir Propp. de Teoria Literária de Eduardo Portella. de Teoria da Literatura “Revisitada” Magaly Trindade Gonçalves e Zina C. • capítulo 2 de Teoria do Conto de Nádia Battella Gotlib. Trubetzkói e Victor Chilovski. da p.26 à p. I.28. que prega a autonomia do literário. Boris Eikhenbaun. B. • livro O Enredo de Samira Nahid de Mesquita*.122. 122 à p. et al. da p. Tomachevski. especificamente.AULA 4 Aula 4 O FORMALISMO RUSSO: A AUTONOMIA DO LITERÁRIO 1 INTRODUÇÃO Ao longo desta Aula IV.

p. B. influenciado europeias. seus elementos não se somam – integram-se.htm como um fenômeno autônomo. Tomachevski. I. Aí. o eu poético. Mas a alma. em gotas mansas. Esses se opunham ao regime dominante da antiga União Soviética. Opojaz. O meu semblante está enxuto. na Rússia. 1989. A princípio. sua origem. Sob a palavra de ordem “voltar a Kant”. o estranhamento. Chora. Lênin apresentou uma crítica de todos os aspectos da filosofia neokantiana no livro Materialismo e Empiriocriticismo (1909). Os neokantianos repetiam as teses mais reacionárias e idealistas da filosofia de Kant e rejeitavam os elementos do materialismo que nela havia. que fornece o 72 Módulo 3 I Volume 2 EAD . seja em relação ao contexto sócio-histórico. com um todo representativo da obra. constante de Poesia completa e prosa (1977). Boris Eikhenbaun. correlacionam-se (PIRES. e a Associação para estudos da Linguagem Poética. capital da antiga Tchecoslováquia. que necessita ser explicada por seus componentes internos. de singularização dos objetos. N. abismada no luto Das minhas desesperanças. Em seus estudos. seja em relação à vida do escritor. 69). Trubetzkói e Victor Chilovski. do livro Cinza da Horas. criando um conceito dinâmico de forma. publicado inicialmente em 1917. S. pela estética das vanguardas Teve como principais integrantes Roman Jakobson. na medida em que contestavam o dirigismo exigido pelo partido no tratamento do literário. do escritor pernambucano Manuel Bandeira.Introdução aos estudos literários II: literatura. sendo taxados de neokantianos por Trotsky. Tynianov.. Wladimir Propp. em Praga. intrínsecos e não por sua gênese. diferente do uso comum da língua em seu cotidiano. “alma”. correntes teórico-críticas O formalismo russo: a autonomia do literário 2 FORMALISMO RUSSO O Formalismo Russo surge no início do século XX.. a partir de duas associações: O Circulo Linguístico de Moscou. Uma das principais contribuições do Formalismo Russo foi acabar com a dicotomia fundo/forma. os Formalistas centraram suas análises no texto poético e definiram como função da ciência da literatura. em seu processo de automação. veem a literatura Fonte: http://www. de cunho extrínseco. os neokantianos conduziam a luta contra o materialismo dialético e histórico.org/portugues/dicionario/ verbetes/n/neokantianos. que a identifica com a unidade da obra. características não elencadas na unidade.marxists. seu traço distintivo. É o que ocorre na quadra abaixo do poema Cartas de meu avô. Trata-se daquilo que confere ao poema a sua característica própria. o estudo da literariedade. ao atribuir aos substantivos “semblante”. e foi muito SAIBA MAIS Neokantianos: representantes de uma corrente reacionária na filosofia burguesa que surgiu nos meados do século XIX na Alemanha. a obra existirá enquanto forma.

perto de Deus. antes “torto” se refere a anjo. “Gauche” vem da expressão adverbial francesa “à gauche”. somente do poético. “gauche na vida”. porque vive na “sombra”. instaura a desautomação. Logo. Então. as variações rítmicas obtidas. no nível. abaixo de Deus. fazendo com que a camada fônica do poema esteja a serviço do conteúdo veiculado. No terceto. o eu poético. assim. que habita o mundo dos espíritos. muito menos. ao que é encontradiço extraliterariamente. ao usar as expressões: “anjo torto”. antes rechaçada. semantema ou lexema. na coluna vertebral. não quer dizer que o ser. ao contrário de “à droit”. fazendo com que ocorra. Neste caso. o eu poético obtém a literariedade de um Aula modo bastante engenhoso. encerra um fim em si mesma. que quer dizer. “fraco”. nem. por exemplo. quando deveria encontrar-se na luz. Na poesia a palavra não é percebida simplesmente como forma transparente que remete a um objeto (denotação). na ausência de luz. Vejamos: Quando nasci. um anjo torto Desses que vivem na sombra Disse: Vai. entretanto. retirado de Poema das Sete Faces do poeta de Itabira. constante 4 de Poesia e Prosa (1979). “mal acabado”. A arte. Então. “à direita”. em português. “que alguém chora pela morte de um ente querido” ou “que esse mesmo alguém está desesperançado. A idéia básica do Formalismo. “confinada em abismo. digamos. “vivem na sombra”. porque A ≠ B. em sua evolução. isto é. “à esquerda”. abaixo reproduzido. sem esperança”. o poeta a utiliza para justificar a sua má sorte e não para se referir a uma localidade situada à esquerda.significado a essas palavras. a relação de sentido. não comparado esse. uma vez que “semblante” não pode apresentar-se “enxuto”. nem é simples explosão UESC Letras Vernáculas 73 . Como já sabemos. é passível de ficar “abismada no luto.” Pode-se dizer. no máximo: “que alguém está com o rosto enxuto. é a proposição da ‘palavra poética’. tenha algum problema. para os católicos. no uso cotidiano da língua. a partir das escolhas feitas pelo poeta de elementos lexicais ou a disposição dos vocábulos no verso. Carlos Drummond de Andrade. instaura o estranhamento. que previu o futuro do eu poético “Carlos” e que habita um lugar pouco afortunado. o uso da literariedade. chamada na gramática normativa de radical. o princípio da literariedade diz respeito ao processo de desautomação do uso cotidiano do código linguístico. Carlos! Ser gauche na vida. da mesma forma que “alma não chora”.” isto é. o conteúdo só é importante porque se tornou forma.” “que as lágrimas normalmente caem em gotas”.

constitui a possibilidade de um elemento entrar em correlação como elementos do mesmo sistema e. A obra para ele é um sistema e a Literatura é um sistema também. consequentemente. seu arranjo com outras palavras no discurso) uma realidade que tem peso e valor próprios. por exemplo. Contrário a essa chave. do Círculo Linguístico de Praga. Tynjanov traz uma visão esquecida pelos formalistas. uma obra literária que pertença a um determinado estilo de época entra em correlação com outras do mesmo estilo. 1991. trabalhou pela especificação da literariedade.120). em uma perspectiva sincrônica. não se repitam. Roman Jakobson. seja individual. para Tynjanov. no código. como o sistema inteiro. mantendo relações de interdependência e que se ordenam para a consecução de determinada finalidade.Introdução aos estudos literários II: literatura. mas vale também em si mesma. A primeira está centrada no referente. p. serve para remeter a um conceito. ainda que não exclusiva. BELLODI. E a substituição de sistema é que faz com que os estilos de época. a segunda. Em tais sistemas cada elemento tem uma função (PORTELLA et al. como sendo ela própria uma realidade (GONÇALVES. Para o estudo da evolução literária. seja ocidental. ela é (pelo seu significado. ampliou as três funções da linguagem. pois funciona em termos de ‘signo’. adquirindo um aspecto quase de ‘substância’. Assim. estabelecendo 74 Módulo 3 I Volume 2 EAD . centrada no contato. 2005. no emissor. p. os formalistas voltaram-se para a análise da poesia. Para tanto. função apelativa e função de exteriorização psíquica. seja em relação a uma literatura nacional. Jakobson a estas acrescentou a função fática. o conceito fundamental vai ser o de substituição de sistemas. já desenvolvidas pelo alemão Karl Bühler: função representativa. Por exemplo. isto é. A palavra poética tem dois valores. finalmente. e. no receptor e a terceira. quando pensa sobre a complexidade da História Literária e opõe-se à investigação da obra literária como um sistema reduzido ao seu microcosmo. isto é. a função metalinguística. sendo essa última a dominante no texto literário. à sua suposta independência em relação a um contexto. Função. através de determinados mecanismos. mas essas estão inseridas em um sistema maior. Em um primeiro momento. Tynjanov coloca questões ligadas à diacronia. seja histórico. destituída da noção de contexto literário e sócio-histórico. 29). a função poética centrada na mensagem. que é a da evolução histórica da literatura. correntes teórico-críticas O formalismo russo: a autonomia do literário de emoções.

principalmente. A função é definida em termos de finalidade. Nesta. Os Formalistas. No ANEXO II. p. mas a intriga não. teve de se extinguir em 1930. que. quando observou uma espécie de invariância corrente nos mesmos. de forma detalhada. você encontrará. Deram muita importância à noção de tempo para a narrativa. logo UESC Letras Vernáculas 75 .136). pressionado pelos marxistas. suas ideias se disseminaram pela Europa e pelo Ocidente. voltaram-se para a análise do texto narrativo.unl. Entretanto. pela publicação em francês por Tzvetan Todorov de seus estudos. 4 em suas unidades básicas funcionais. Vladimir Propp dedicou-se a estudar a morfologia dos contos populares da Rússia. não pelas personagens nem pelos ambientes. Filmes Os filmes indicados abaixo vinculam-se. sobre a qual o escritor dá forma artística e plasma. a proposta de análise do texto narrativo. em atenção à autonomia do fenômeno artístico. ele estabeleceu 31 funções. E foram Inspirados nas vanguardas européias e na linguística estrutural. em cada conto. assim. acentuou o papel do crítico. tirando. além de distinguirem a fábula da intriga. Segundo Gonçalves e Bellodi: Aula Através da observação de 100 contos maravilhosos. depois de algum tempo. mas por papéis que se estruturam dentro da economia narrativa. munido de método adequado. propostas por Vladimir Propp. a literatura da dimensão isolacionista formal. deveria percorrer a obra em sua literariedade. ao conteúdo estudado nesta Aula IV.fcsh. baseada no uso das funções. mas as que o fazem. As 31 funções explicitam todos os contos fantásticos russos. Nem todas as funções aparecem em todos os contos. que desenvolvem seu método crítica literária. desenvolvendo uma teoria inédita estruturalista. A fábula vem a ser a matéria bruta.correlações entre a série literária e as outras séries sociais. como forma de compreender a substituição de sistemas. chamamos atenção. por suas temáticas. obedecem à seqüência rígida (2005.htm fábula pode ser resumida em poucas palavras. O Formalismo Russo. Em outras palavras. novela e conto.pt/ edtl/verbetes/C/convencao_ literaria. unidades básicas definidas. através LEITURA RECOMENDADA da intriga. Propp estabelece que tais funções aparecem sempre na seqüência por ele descrita. o seu universo ficcional. artístico. em que se encarregou de perpetuar a importância do arranjo da fatura estética e. a Saiba mais sobre Tynjanov em: Fonte:http://www2. nas modalidades: romance. ao mesmo tempo.

mas os recursos de que se valeram o artista. no expressionismo alemão. que privilegiou não a realidade evocada. e até mesmo os realistas foram os verdadeiros pioneiros das transformações artísticas. Os expressionistas.blogspot. uma das vanguardas européias das mais importantes e Um cão andaluz (1928) baseia-se em um sonho do pintor do surrealismo Salvador Dali. esteticamente. mas radicado na França. http://www. todos os recursos próprios do artístico. que abriram caminho para as gerações seguintes. os filmes O gabinete do Doutor Caligari (1919) centra- se. que marcariam a arte moderna. Roteiro: Salvador Dalí. O GABINETE DO DOUTOR CALIGARI Direção: Robert Wiene.webcine. isto é. os pós-impressionistas. Espanha. Com Luis Buñel. visando ao encontro da literariedade. Assim. dando total autonomia ao artista. http://anamorfoses. para o fato de os formalistas russos terem sofrido influência das vanguardas. Com Werner Krauss e Conrad Veidt. os impressionistas.html 76 Módulo 3 I Volume 2 EAD . modo de representar. O desenvolvimento das vanguardas europeias do século 20 está intimamente relacionado aos artistas da geração anterior. com/2006/08/um-co-andaluz-1928. pensou em um método de análise.htm UM CÃO ANDALUZ Direção: Luis Buñel.com. O grupo da Rússia. correntes teórico-críticas O formalismo russo: a autonomia do literário no início. na medida em que essas revolucionaram a mímesis.br/filmessc/drcaliga. ao pregar a autonomia da fatura estética.Introdução aos estudos literários II: literatura. Salvador Dali e Jeanne Rucas. como os fônicos. nascido na Catalúnia. sintáticos e semânticos. os surrealistas. a chamada realidade.

Identifique funções da linguagem nos fragmentos abaixo reproduzidos. Explique o princípio de literariedade. vai abafando as queixas implacáveis.” (Vinicius de Moraes) c) “Porém já cinco Sóis eram passados Que dali nos partíramos. Os formalistas hoje são criticados pelo excesso de formalismo na abordagem do literário. ao meu amor serei atento Aula Antes. seja de cunho individual. Por que a abordagem feita por Vladimir Propp dos contos populares russos pode ser considerada estruturalista? 7. pelo amor de Deus! Helena: Lucília! (Jorge Andrade) 4 b) “De tudo. da alma o profundo e soluçado grito. em sua abordagem do fenômeno literário. seja coletivo. e sempre.ATIVIDADE 1. Não fique assim! Não fique assim. devido ao fato de desprezarem o conteúdo veiculado na obra. e com tal zelo. Qual a diferenças entre fábula e intriga para os formalistas? 5. dos outros formalistas russos? 6. Em que medida Tynjanov se distancia. grite. Isto procede? 8. e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. O que é a literariedade? 3. estando descuidados Na cortadora proa vigiando. Ua nuvem que os ares escurece Sobre nossas cabeças aparece. fale alguma coisa. cortando Os mares nunca d’ outrem navegados. Quando ua noute. na estrofe abaixo: UESC Letras Vernáculas 77 . de estranhamento.” (Cruz e Sousa) 4. Como a literatura é vista pelos formalistas russos? 2. Prosperamente os ventos assoprando. de acordo com Jakobson: a) Lucília: (Avança na direção do pai) Não! Isso não! Papai! Proteste.” (Luís de Camões ) d) “ Com a lâmpada do Sonho desce aflito e sobe aos mundos mais imponderáveis.

Obra composta. MORAES. Rio de Janeiro: Agir. CAMÕES. Teoria Literária. que privilegia a obra como uma fatura estética autônoma. 1994. Samira Nahid. 78 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Seus principais integrantes Roman Jakobson. Boris Eikhenbaun.Introdução aos estudos literários II: literatura. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 2005. Lisboa: Rei dos Livros. vulcanizadas (Cruz e Sousa) 9. Volúpias dos violões. CRUZ E SOUSA. em detrimento do contexto de onde essa se origina. Volume único. vãs. GOTLIB. ANDRADE. veludosas vozes. Tomachevski. Poesia completa e prosa. Nádia Battella. BELLODI. vozes veladas. GONÇALVES. PIRES. 2002. Volume único. 1977. Manual de Teoria e Técnica Literária. Poesia e Prosa. Volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Maria Magaly Trindade. REFERÊNCIAS ANDRADE. Zina. vivas. O Enredo. MESQUITA. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.S. Vinicius de. 2000. C. Poesia completa e Prosa. estudamos a teoria Formalismo Russo. 1999. 1995. 1989. I. Luís de. Os Lusíadas. Wladimir Propp. correntes teórico-críticas O formalismo russo: a autonomia do literário Vozes veladas. 1979. Teoria do Conto. PORTELLA. São Paulo: Ática. Carlos Drummond de. Teoria da Literatura “revisitada”. Orlando. Trubetzkói e Victor Chilovski. 1991. 1980. Eduardo et al. B. BANDEIRA. São Paulo: Ática. A moratória. Manuel. Qual a importância de Tzvetan Todorov para os estudos formalistas? RESUMINDO Ao longo desta Aula IV. Tynianov. N. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Jorge. Rio de Janeiro: Presença. Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos. Petrópolis: Vozes.

Nádia Battella. Fonte: http://www. em Paris.files.com/2009/02/tzvetan-todorov. Publicou um número considerável de obras. na área de pesquisa linguística e da teoria literária. Teoria do Conto. 2005. ministrados por Roland Barthes.LEITURA RECOMENDADA Aula 4 GONÇALVES.com. Petrópolis: Vozes. além de Diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris (CNRS). um dos grandes teóricos do Estruturalismo.Fonte: http://ilmestieredileggere.wordpress. PORTELLA. Atualmente. ANEXO I Tzvetan Todorov: é um filósofo e linguista búlgaro. São Paulo: Ática. Teoria Literária. Após completar seus estudos. Todorov foi professor da École Pratique de Hautes Études e na Universidade de Yale. que estão traduzidas em vinte e cinco idiomas.jpg UESC Letras Vernáculas 79 . Eduardo et al. Zina. GOTLIB.br/nossos-autores/tzvetan-todorov Ilustração . Teoria da Literatura “revisitada”. desde 1963. 1991. Samira Nahid. 1994. São Paulo: Ática. C. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1999. O Enredo. radicado na França. é Diretor do Centro de Pesquisa sobre as Artes e a Linguagem da mesma cidade. Maria Magaly Trindade. passou a frequentar então os cursos de Filosofia da Linguagem.editorabarcarolla. BELLODI. MESQUITA.

80 Módulo 3 I Volume 2 EAD . p. Análise da Narrativa. correntes teórico-críticas O formalismo russo: a autonomia do literário ANEXO II PANDOLFO.131-139. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.Introdução aos estudos literários II: literatura.1991. Maria do Carmo. Teoria Literária. In: Eduardo Portella et al.

4 Aula UESC Letras Vernáculas 81 .

Introdução aos estudos literários II: literatura. correntes teórico-críticas 82 O formalismo russo: a autonomia do literário Módulo 3 I Volume 2 EAD .

4 Aula UESC Letras Vernáculas 83 .

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

como o Formalismo Russo. . que. Ao final desta Aula V. imanentista. valoriza a obra literária em uma perspectiva autônoma.aula 5 Meta O NEW CRITICISM: A VISÃO IMANENTISTA DA OBRA LITERÁRIA Objetivos Evidenciar a corrente teórica New Criticism. você deverá apreender os pressupostos teóricos do New Criticism.

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como o Formalismo Russo. valoriza a obra literária em uma perspectiva autônoma. de Teoria da Literatura “revisitada”. Kibédi Varga. 82. da p. C. especificamente.* *As referências das obras encontram-se no final da Aula V.47 à p. você deverá ter lido: capítulo 5. vamos abordar a corrente teórica New Criticism.129.81 à Samuel. de Roger capítulo A Teoria Literária no século XX. da p. UESC Letras Vernáculas 87 ATENÇÃO capítulo 7. especificamente. . p.AULA 5 Aula 5 O NEW CRITICISM: A VISÃO IMANENTISTA DA OBRA LITERÁRIA 1 INTRODUÇÃO Nesta aula. de Maria Magaly Trindade Gonçalves e Zina. Bellodi. imanentista. especificamente. Antes do início desta aula. que. de Novo manual de teoria literária.49. de Teoria da Literatura de A. da p. 122 à p.

portanto. Os ‘monumentos’ em si permanecem intactos. apesar da adição referida. enquanto sujeito autoral. por outro lado. S. o eu poético. Nesta concepção de Eliot. o New Criticism combateu a visão extrínseca de abordar o fenômeno literário. principalmente em jornais. voltado para a obra crítica dos poetas T. prioriza dados históricos. àquele encontradiço na esquina. Mas o ato criador do poeta também é 88 Módulo 3 I Volume 2 EAD . p. sem um método específico de análise. por exemplo. p. biográficos e sociológicos encontráveis no artístico. em Teoria da Literatura “revisitada” (2005). por ter levado às últimas consequências a autonomia do literário. a obra não é documento. o que vai alterar levemente a tradição no seu conjunto. mas monumento. I. na década de 30 do século passado. espera-se que vá à rua. faça compras e as pague. de cunho positivista. Quanto ao papel do leitor. bem próxima. defendem que: A análise é um processo de exploração dentro do poema. ora impressionista. A chave para o entendimento do New Criticism é a estrutura. The new criticism (1941). como um bom cidadão. uma instância ficcionalizada.Introdução aos estudos literários II: literatura. a partir da publicação da obra do poeta e crítico John Crowe Ransom. deste mesmo século. 50) à qual uma obra nova pode ser adicionada. E Maria Magaly Trindade Gonçalves e Zina Bellodi. 1920.49). Eliot faz a distinção entre documento e monumento. Na poesia. isto é. praticada. s/d. ainda que do poeta. Eliot. a partir da obra em sua totalidade. do Formalismo Russo. Richards e Yvor Winter. que não corresponde. quantificável. comprometida. ora com o historicismo. A abordagem extrínseca. Como as correntes críticas: Estilística e o Formalismo Russo. A leitura crítica defendida deve ser de modo imanentista (close reading). correntes teórico-críticas O new criticism: a visão imanentista da obra literária 2 NEW CRITICISM O New Criticism surgiu nos Estados Unidos. de fato. a literatura consiste numa série de ‘monumentos’ (Eliot. cria um mundo evocado. Eliot não o considera (VARGA. ela vale por si mesma. converse com os amigos. indutiva. A. mas se consolidou somente nos anos 40 e 50. ao defender o primeiro como característica da obra de arte: Na concepção de Eliot. A obra literária não precisa se voltar para o mundo empírico.

para o prazer experimentado pelo crítico ou pelo leitor. Na valsa. como. Tranqüila. por exemplo. Então. Tão falsa.uma atividade exploratória. Sem pena. até compreensível. UESC Letras Vernáculas Close reading: ou leitura analítica minuciosa do texto. a partir da obra em sua totalidade. com suas características peculiares. Contente. Esse pouco importa para a fruição estética. Corrias. Na dança 5 Que cansa. cujo processo artístico de construção pode ser revelado pela análise técnica. que é próprio de algo. Voavas Aula Co’as faces E rosas Formosas De vivo. o New Criticism. tratase da crítica que vê a literatura como capaz de produzir sentido. e é ela que o crítico deve investigar. A Valsa Tu. volta-se para a criação do poeta. não é aquele marcado pelo calendário gregoriano. é possível falar de monumento. Em relação ao texto literário. uma certidão de nascimento ou de casamento. ontem. ao contrário.htm 89 . não a que é descrita no poema (2005. Fugias. Serena. com número de registro. indutiva. de As primaveras (1972). O poema é uma experiência total.fcsh. de fatura estética plena de autonomia. como consta do poema abaixo reproduzido do poeta romântico brasileiro Casimiro de Abreu. O “ontem”. não se trata de um documento. Há aí um radicalismo.125-126). Logo.unl. seja aquele evocado na obra. (close reading). p. de que o eu poético fala. Lascivo Carmim. de forma autônoma. E a leitura crítica defendida deve ser de modo imanentista. de quando algo aconteceu. A velha idéia que se tinha de que o poeta era um comunicador. Ardente. E o papel do crítico é fazer a sua exploração. focalizando exclusivamente a ela. que é assumido como um meio de realização linguística autônomo em relação a quaisquer fatores extrínsecos. seja o das condições de leitura. mas evidente. pt/edtl/verbetes/E/escola_ cambridge. Fonte: http://www2. o movimento de valsa. Imanentista: que diz respeito ao imanentismo. sem depender do contexto.

com seus temas. ainda que defenda a utilidade da literatura. Módulo 3 I Volume 2 EAD . a literatura consiste numa instituição social que utiliza. defende a autonomia da literatura. Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa 90 mais recentes. o Formalismo Russo e o Estruturalismo. como meio de expressão. empreendendo mudanças significativas nos currículos dos cursos de Letras. a harmonia. correntes teórico-críticas O new criticism: a visão imanentista da obra literária Por isso é que Renée Wellek defende que a literatura se utilize. A literatura representa a vida social.]. criando estruturas que não se identificam com quaisquer outras (PORTELLA et al. bem ao gosto do New Criticism e das teorias Extrínseco: que é exterior. utilizando para isso a língua de uma maneira própria. confirmando a posição do primeiro: Para Wellek. A Literatura é um fenômeno estético. e outras são antes. da sua função estética. além da vida subjetiva (que também é social). a expressividade no nível fonológico. sua predileção voltou-se para a poesia lírica. 82). a arte da palavra. morfológico e sintático. a obra literária só exercerá a sua função específica porque se utiliza. E Roger Samuel. p. afirma. as técnicas de composição de um romance. a instituição social lingüística. de uma instituição social linguística. em primeiro lugar. o ritmo. com a sistematização do conteúdo pertinente a essa área de conhecimento. são convenções e normas sociais.: intrínseco. Wellek. O próprio poeta é membro da sociedade e possui uma condição social específica. doutrinar. pregar. o uso conotativo das palavras. Em suas Notas de Teoria Literária (1977). que recebe um certo grau de consideração e recompensa (SAMUEL. elementos sociais e utilizados pelo artista em função de uma comunidade. na década de 50 do século passado. Não visa ensinar.Introdução aos estudos literários II: literatura. trouxe para o Brasil o New Criticism. A Literatura é autônoma porque realiza uma forma própria de conhecimento que não se confunde com as demais. por sua dimensão de cultura. Como o New Criticism despreza a historicidade da obra literária. [Antôn. É uma arte. Ou seja. 1991. que o antecederam. como a métrica e os símbolos. como meio de expressão. Afrânio Coutinho. não pertencente à essência de uma coisa. em Novo manual de teoria literária (2005). as instituições estéticas: categorias gramaticais. como a Estilística. 31). ou do drama. muito mais susceptíveis ao histórico. não vê a sua existência explicável pelos dados extrínsecos que lhe dão origem. a imagística. a caracterização dos personagens. por exemplo. em detrimento do romance. Assim. têm natureza social. O Prof. Os próprios processos literários. que serviu de base para a sistematização da disciplina acadêmica Teoria da Literatura. 2005 p.

em questão: Introdução aos Estudos Literários II: Literatura. fascinado Com tanta luz e brilho e pompa e galas. componentes de sua estrutura. no que aconteceu. Teoria da Literatura.] Mas o seu valor e significado residem não neles.. Petrópolis: Vozes. A. além notando Uma pedra. Evidentemente que hoje. Aplique o conceito acima desenvolvido nos fragmentos do poeta maranhense Gonçalves Dias: Minha Vida e Meus Amores Mon Dieu. no seu aspecto estético-literário. pode conter história. Vi o mundo sorrir-me esperançoso: . Os escritos teóricos do poeta Eliot serviram de base para as propostas do New Criticism. para quem a literatura se detém naquilo que poderia ter acontecido. com os ganhos do Pós-Estruturalismo. Petrópolis: Vozes. Tradução de Tereza Coelho. o close reading. C. em linhas gerais? 2. VARGA. Maria Magaly Trindade. Roger. fais que je puisse aimer! Quando. BELLODI. Kibédi. Aula 5 Críticas. O que é a leitura imanentista. SAMUEL. que é o sentimento estético (COUTINHO. secundariamente. Um seixo da corrente. [. LEITURA RECOMENDADA Este raciocínio de Afrânio Coutinho é tributário de Aristóteles. Novo manual de teoria literária. uma conchinha À beira-mar colhida! UESC Letras Vernáculas 91 . 2002. uma flor. Quanto é bela esta vida assim vivida!Agora. logo. 2005. É possível atribuir à noção de monumento. Acidentalmente. ATIVIDADE 1. uma lindeza. no albor da vida. como algo ligado à transcendência do literário? 3. filosofia. mas em outra parte. Teoria da Literatura “revisitada”. Correntes Teórico- GONÇALVES. dos Estudos Culturais.. ciência. do Pós-Colonialismo. e pela finalidade precisa de despertar no leitor o tipo especial de prazer. s/d. Zina. defendida por Eliot. o sentido de verdade passou a ser revisto. aqui.documentar. enquanto a história.Meu Deus. De acordo com o que foi visto na Aula VII. que lhe é comunicado pelos elementos específicos. quais foram essas. para o New Criticism? 4. ela pode fazer isso. Lisboa: Editorial Presença. p. religião. Algumas dessas teorias serão abordadas na Aula VIII desta disciplina. 8). do Feminismo e Pós-feminismo e da Análise do Discurso. 1976. disse entre mim! Oh! Quanto é doce.

2005. Afrânio. As Primaveras. Roger. imanentista. Notas de Teoria Literária. O Prof. 1976. Teoria da Literatura “revisitada”. Poesias Completas. A partir do que foi dito na unidade.julguei-o ao menos. E esta era linda. 92 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Aquela tinha um quê de anelos meigos Artífice sublime. como o Formalismo Russo. Tradução de Tereza Coelho. por exemplo.amemos. em detrimento do romance. C. BELLODI. Zina. REFERÊNCIAS COUTINHO. 6. VARGA. na década de 50. 2002. do século passado e defende a autonomia do literário. correntes teórico-críticas O new criticism: a visão imanentista da obra literária Foi esta a infância minha. Petrópolis: Vozes. Maria Magaly Trindade. valoriza a obra literária em uma perspectiva autônoma. nesta unidade: Como o New Criticism despreza a historicidade da obra literária. DIAS. Casimiro de. muito mais susceptíveis ao histórico. Rio de Janeiro: Edições de Ouro. Kibédi. Instituto Nacional do Livro. 3 RESUMO RESUMINDO Nesta Aula V. sua predileção voltou-se para a poesia lírica. 1972. Petrópolis: Vozes. GONÇALVES. a juventude Falou-me ao coração: . 4 REFERÊNCIAS ABREU. Feiticeiro sorrir dos lábios d’ela Prendeu-me o coração. estudamos a corrente teórica New Criticism. 1968. que. como é linda a aurora No fresco da manhã tingindo as nuvens De rósea cor fagueira. ou do drama. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Novo manual de teoria literária. São Paulo: Martins. Lisboa: Editorial Presença. disse. disserte acerca desse posicionamento. s/d. Teoria da Literatura.Introdução aos estudos literários II: literatura. A. Porque amar é viver. Afrânio Coutinho trouxe para o Brasil o New Criticism. Gonçalves. . SAMUEL. 5. Explique a seguinte afirmação feita anteriormente.

destacando-se ainda por sua intensa atividade cultural. Seus ensaios iniciam uma militância em prol da renovação da crítica literária brasileira.ucm. Inc.culturapara. Euclides. Descendentes de emigrantes ingleses que. Da Crítica e da Nova Crítica (1957). Antologia Brasileira de Literatura (1965). aperfeiçoando-se em crítica e história literária. Richards é considerado um dos fundadores do comparativismo da literatura de inglesa. os Eliot estiveram desde sempre fundamente vinculados às tradições da Igreja Unitária. Conceito de Literatura Brasileira (1960). se estabeleceram em Massachusetts. traça os aspectos mais relevantes do New Criticism. ministro da Igreja Congregacionalista e quase reitor da Universidade de Harvard. John C. dispensando a improvisação e o amadorismo reinantes._Richards Ilustração . e. em 1951. Entre suas produções.Fonte: http://www. Estados Unidos. transcorreram até que . Crítica e Teoria Literária (1984).exe/sys/start. Na Faculdade de Filosofia do Instituto Lafayette.org. avô do poeta e fundador da Igreja Unitária de St. introduzindo uma nova compreensão da literatura. enquanto a crítica autêntica deve preocupar-se com o objeto._A.babylon. Cerca de dois séculos. The Meaning. Crítica e Críticos (1969). Missouri. Em 1942. Foi empossado em 1962 na cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras. que deixa de ser o mero comentário de livros isolados e se torna uma disciplina de aspirações científicas e metodológicas.art. Louis. William Greenleaf distinguiu-se ainda por seu papel na Guerra de Secessão.com/definition/John_Crowe_Ransom/ Ilustração . e pelos diversos opúsculos didático-morais que publicou.nndb.htm?infoid=3733&sid=531&tpl=printerview Ilustração . de 1941. Propagador das novas idéias do New Criticism norte-americano e do movimento formalista eslavo. ligado às tradições sulistas dos EUA.jpg UESC Letras Vernáculas 93 Aula o primeiro dos Eliot se transferisse para o Missouri. de que se tornou depois presidente. 5 Eliot: Thomas Stearns Eliot nasceu em Saint Louis.Fonte: http://www. com 76 anos de idade. e faleceu em Londres.com/poets/john_crowe_ransom Fontes: http://www.br/abl/cgi/cgilua. quando pugnou pelos ideais federativos dos Estados do Norte. estão: Por uma Crítica Estética (1953). cargo que não assumiu por deliberação voluntária. bem como da Universidade de Washington. Apesar de ser inicialmente contestada. Capistrano e Araripe (1965). Enciclopédia da Literatura Brasileira (1990). a cadeira de Teoria e Técnica Literária.2000). Foi ele o Reverendo William Greenleaf Eliot (1811-87). a obra de Afrânio Coutinho representa um verdadeiro marco no pensamento crítico brasileiro. A literatura no Brasil (Org.es/info/especulo/numero41/coutinh1. Nova Inglaterra. foi para os Estados Unidos e. freqüentou cursos na Universidade de Columbia e em outras universidades norteamericanas. O Processo de Descolonização Literária (1983). Ransom. Principles of Literary Criticism e Philosphy of rhetoric têm forte influência do New Criticism. Fonte: http://www. Suas principais obras são Chills and fever.Fonte: http://famouspoetsandpoems. em 1965.1979) foi crítico literário e de retórica. Fonte: http://www. Caminhos do Pensamento Crítico (1974).) (1955). criou. de 1924 e The new criticism.academia. primeira iniciativa do gênero no Brasil. durante cinco anos.worldlingo. pois o impressionismo preocupa-se com o efeito da obra sobre o sujeito. A Tradição Afortunada (1968).br/opoema/tseliot/tseliot_db. a 26 de setembro de 1888. a Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.com/ma/enwiki/pt/I.ANEXO 1 John Crowe Ransom: foi um poeta e ensaista norte-americano representante do New Criticism e membro do grupo Fugitive Group.htm Richards: o inglês Ivor Armstrong Richards (1893 .com/people/047/000117693/ Afrânio Coutinho: (1911 . Seus livros. em seu ensaio intitulado Criticism. em meados do século XVIII. especialmente The Meaning. literário moderno. Fonte: http://www. ele propõe uma completa reformulação da atividade crítica. Rejeita completamente todo tipo de crítica impressionista. Do Barroco (1984). O mais notável dentre tais antepassados foi o Reverendo Andrew Eliot ( 1718-78). a 4 de janeiro de 1965. O Erotismo na Literatura (1979).

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

quando transposto para o entendimento da obra literária.aula Meta O ESTRUTURALISMO Apresentar 6 a corrente teórica Estruturalismo. que. prioriza a sua rede de Objetivos significância. . você deverá identificar os pressupostos teóricos do Estruturalismo. oriunda do suíço Ferdinand de Saussure. Ao final desta Aula VI.

.

que segue a tendência do cientificismo corrente. Roger Samuel*. C. ATENÇÃO • de Novo manual de teoria literária de *As referências das obras encontram-se no final da Aula VI. de Terry Eagleton. • o capítulo 5.129 à p. você deverá ter lido: o capítulo 3. Antes do início desta Aula VI. vamos nos deter no Estruturalismo. J. da p. em sua abstração coletiva de uso. Greimas. Bellodi. 83. de Maria Magaly Trindade Gonçalves e Zina.AULA 6 Aula 6 O ESTRUTURALISMO 1 INTRODUÇÃO Nesta Aula VI. quando reduz o texto a uma rede de significância e prioriza a langue. da p. de Teoria da Literatura: Uma Introdução. Tzvetan Todorov e Gérard Genette. UESC Letras Vernáculas 97 . • o capítulo 7. estão A. de Teoria da Literatura “revisitada”. especificamente. 82 à p. 144. Entre os principais representantes. especificamente.

quando reduz o texto a uma rede de significância e prioriza a langue.Introdução aos estudos literários II: literatura. e. O Estruturalismo segue a tendência do cientificismo corrente. para haver linguagem é necessário que o significante (cadeia fônica) e o significado (conteúdo) do signo estejam em relação de interdependência. Bellodi em Teoria da Literatura “revisitada”(2005). Saussure vai dizer que o código linguístico. Maria Magaly Trindade Gonçalves e Zina C. 2005. sob a justificativa de se debruçar sobre a estrutura do próprio signo para que esse fosse melhor observado. as relações instituídas entre os vários elementos componentes de um dado texto literário e que configuram especificamente a estrutura desse texto. uma estrutura. 131). etc. a crítica estruturalista será aquela crítica empenhada em descrever. a um elemento qualquer de um romance significa alteração na obra toda (GONÇALVES. em 1916. Mukarovsky vê o texto literário como signo. do Curso de linguística geral. p. um sistema de relações. “estruturas sintáticas” e “estrutura de conteúdo”. e parole de uso individual. ao mesmo tempo. assim. a partir da publicação. correntes teórico-críticas O estruturalismo 2 ESTRUTURALISMO O Estruturalismo começa com Ferdinand Saussure. tornando. ignorando propositadamente problemas de história literária. como uma estrutura de signos e se distingue em dois aspectos: como artefato (significante) e como objeto estético (significado). de interpretação psicologista. quando se fala de texto literário: No que se refere à Literatura está mais ou menos claro que a obra é uma estrutura. enquanto sistema coletivo. (SILVA. de modo imanente e com rigor analítico. dividido entre langue. constitui um sistema. BELLODI. Em consonância com a noção de estrutura literária de Mukarovsky e outras noções coincidentes ou afins. muitas vezes. cujos elementos só significam na relação estabelecida com o todo. Mas é com o Circulo Linguístico de Praga que o vocábulo estrutura ganha destaque com Mukarovsky. em sua abstração coletiva de uso. de erudição bibliográfica. de tal forma que qualquer alteração imposta. um todo orgânico. “estruturas fônicas”. chamam a atenção para a noção de estrutura. “estruturas rítmicas”. por exemplo. 655). 1975. compilado por seu genro e discípulo Charles Bally. p. quando fala de “estrutura melódica”. O estruturalismo padece do extremo cientificismo a que se impõe. a análise de uma obra literária 98 Módulo 3 I Volume 2 EAD .

é um sistema de regras. sacudia alegre Uma chuva de pétalas no seio..154). E o ramo ora chegava...Ó flor. reproduzida a seguir. ‘Stava aberta a janela. E ao longe.. Quando ela ia beijar-lhe.. tornam-se bastante elucidadas. num pedaço do horizonte. Era um quadro celeste. Quase aberto o roupão.. E de leve oscilando ao tom das auras.. Um cheiro agreste Exalavam as silvas da campina. a flor fugia . A brisa. Quando ela serenava. nem é a expressão de um sujeito individual. e o que resta....beijá-la. Adormecida Uma noite. Eu.... Na análise estrutural. A cada afago. UESC Letras Vernáculas 99 . Ela dormia Numa rede encostada molemente. E o pé descalço do tapete rente. Esse sistema possui existência autônoma... repetia Naquela noite lânguida e sentida: . Aula De um jasmineiro os galhos encurvados. Fazia-lhe ondear as negras tranças. reproduzidas acima..... Pra não zangá-la.. solto o cabelo.. Mas quando a via despertada a meio. fitando esta cena. p.. empreendia por Anazildo Vasconcelos da Silva. ambos são eliminados. constante de sua obra Lírica Modernista e Percurso Literário Brasileiro (1978).. eu me lembro... Dir-se-ia que naquele doce instante Brincavam duas cândidas crianças. a flor beijava-a . 1997. que agitava as folhas verdes. tu és a virgem das campinas. e não se inclinará às intenções individuais (EAGLETON. 6 Via-se a noite plácida e divina.como se fosse uma intervenção cirúrgica à procura de uma base de significância encontrável em todas as obras. as palavras de Terry Eagleton. ora afastava-se.. Iam na face trêmulos . É o que afirma Terry Eagleton em Teoria da Literatura: Uma Introdução: A obra não se refere a um objeto... Mesmo em sonhos a moça estremecia. pendendo no ar entre eles. Indiscretos entravam pela sala.

marcada pelo dentro e pelo fora. além da distinção espacial dos elementos. enquanto o fora permanece visualmente velado pela “noite”. quatro. pela última estrofe. Só o dentro aparece no campo visualizado. tu és a flor de minha vida. possibilitando a percepção de detalhes mínimos (“quase aberto o roupão/ pé descalço”). Para facilitar a análise. o eu lírico propõe os elementos ainda dissociados em seus contextos. mediante o afastamento espacial referenciado por “janela” que permite distinguir o dentro (Mulher) e o fora (Natureza).. vamos dividir o poema em três segmentos.. cinco e seis. 100 Módulo 3 I Volume 2 EAD . há também a distinção em relação ao campo visualizado.Introdução aos estudos literários II: literatura. e o terceiro. marcando a presença de seus elementos olfativamente (“Um cheiro agreste/exalavam as silvas da campina”). velamento/ fora x desvelamento/dentro. correntes teórico-críticas O estruturalismo Virgem. No primeiro segmento. Assim. considerando o primeiro segmento constituído pelas duas estrofes iniciais o segundo constituído pelas estrofes três.

o elemento “flor” e visualizado numa relação de equivalência ao elemento mulher. dando início a um processo de desvelamento que vai de “silvas”. A identificação flor/mulher ocorre em função da combinação de elementos no espaço contextual dentro. o dentro. O desvelamento se faz pela penetração da natureza no campo visualizado (“De um jasmineiro os galhos/indiscretos entravam pela sala”) da sala. E a combinação dos elementos se faz mediante a neutralização da 6 distinção espacial dentro/fora (“Era um quadro celeste”). em gradação.No segundo segmento. desse modo. em que se acentua o traço da unidade “um quadro” e da plenificação combinatória UESC Aula “celeste” Letras Vernáculas 101 . os elementos do espaço fora penetram o espaço dentro e. Assim. que vai permitir ao observador aproximá-las: (“dirse-ia que naquele doce instante/brincavam duas cândidas crianças”). ingressam no campo visualizado. o espaço dentro. até “pétalas”: silvas → jasmineiro → flor → pétala Como o desvelamento se faz no espaço da mulher. o processo de aproximação/afastamento (“quando serenava a flor beijava-a/quando ela ia beijar-lhe a flor fugia”) referencia tanto o desvelamento quanto a combinação contextual dos elementos.

Introdução aos estudos literários II: literatura. em função de desvelamento da identificação flor = virgem (‘”eu fitando esta cena”). A combinação contextual dos elementos é que permite a equivalência dos contextos. flor e virgem no contexto campinas e virgem é flor no contexto minha vida. Recolhendo agora os dados obtidos mediante a análise proposta. verificando-se então a identificação do eu lírico com a natureza: Vejamos graficamente o terceiro movimento: O eu lírico. identificando-se com a Natureza. isto e. o eu lírico assume o processo de desvelamento (“Eu fitando esta cena”) e o de combinação (“repetia naquela noite”). De modo que a visualização/desvelamento da cena flor = mulher. conduz à combinação dos espaços campinas = minha vida e estabelece a identificação do eu lírico com a Natureza. em função da equivalência dos elementos (“Ó flor. e se permite então aproximar os espaços ou contextos. correntes teórico-críticas O estruturalismo No terceiro segmento. tu és a flor de minha vida”). podemos concluir sobre o processo lírico de estruturação 102 Módulo 3 I Volume 2 EAD . combina então os espaços campinas = minha vida (“repetia naquela noite”). tu és a virgem das campinas/Virgem.

Fábio Lucas procura sintetizar as características básicas do Estruturalismo e de sua vertente no campo da crítica literária. Que os elementos sentimentalizados valem como significantes duma expressão subjetiva. muitos teóricos. visando à apreensão minuciosa de suas partes constitutivas. em atenção à estruturação e à estrutura do mesmo. são sentimentalizados. o francês Roland Barthes. Greimas. como significação do eu lírico. voltados para a noção estrutural de ver o texto literário. a natureza constitui uma expressão subjetiva. ao ser sentimentalizada. em que o texto é esmiuçado em suas lexias. segmentou-o. entre eles. marcam a presença do eu lírico. Em Fronteiras imaginárias (1971). pensamos que 6 a análise do texto de Castro Alves comprova a concepção de lirismo romântico proposta. a que havia chegado a crítica. No primeiro segmento. desde o início do poema.do poema de Castro Alves. sustentada na adjetivação. E. em que há uma certa objetividade ou um certo sentido objetivo em “noite” e “Naquela noite lânguida e sentida”. tendo a França como a grande disseminadora. unidades de significação. torna-se agora pura expressão subjetiva. No texto teórico S/Z (1970). assim (“os galhos indiscretos/que iam na face trêmulos. J. estão: A. de Castro Alves.. por se tratar de uma atividade intelectual que não dispensa o sensual. UESC Letras Vernáculas 103 . antes de mais nada. tornados significantes estruturantes duma expressão subjetiva no Espaço Lírico.. em que a “noite”. os elementos ainda são propostos de forma mais objetiva. A equivalência verificada no último segmento entre o Eu e a Natureza. os elementos de fora são sentimentalizados e passam a valer como significantes do eu lírico. A partir do segundo segmento. beijá-la”). p. propõe a substituição da análise estrutural pela análise textual. Desse modo. tentam resgatar o prazer da leitura de um texto literário. Entre outros teóricos. enquanto elemento capaz de despertar no leitor prazer. o (“ora chegava/ ora afastava-se”). que a análise feita no poema Adormecida Aula (In: Lírica Modernista e Percurso Literário Brasileiro. permite-nos dizer que. De modo que o processo de desvelamento observado em relação à Natureza. pela sentimentalização. Tzvetan Todorov e Gérard Genette. Barthes propõe-se a apreender o texto em sua corporeidade. está bem claro na comparação de dois versos que aparecem no início e no fim do poema: “Via-se a noite plácida e divina”. pois. Os elementos do Espaço Externo aqui representados pelo fora.24-28). pode ser tomado como processo de desvelamento do desejo do eu lírico. Vê-se. em reação ao reducionismo.

Introdução aos estudos literários II: literatura, correntes teórico-críticas

O estruturalismo

De modo geral, podemos dizer que o Estruturalismo tem
contribuído, no pensamento contemporâneo, para deixar
estabelecidos os seguintes princípios:
a) o primado da totalidade;
b) o interrelacionamento dos fatores. Nesse entrelaçamento,
predomina a interdependência, pois a estrutura constitui
um todo formado de elementos solidários;
c) uma rede de relações se estabelecendo, torna-se
prioritário estudá-la, mais do que as partes, os elementos
ou as substâncias correlacionadas, que formam o todo;
d) além de uma articulação no plano da consciência,
reconhece-se uma articulação no plano do inconsciente,
fundamental, pois estabelece a continuidade da história
ou do discurso, interceptados por hiatos ou mentiras
(símbolos);
e) o conhecimento deve afeiçoar-se a jogos de oposições
do tipo sincronia-diacronia (o mais difundido), língua-fala,
chave da lingüística saussuriana), significante-significado,
som-sentido (Valéry já dizia que o poema não passa de uma
‘hesitação entre o som e o sentido’), expressão-conteúdo,
sociedade-indivíduo, ciência-ideologia (vale dizer: ‘saber
rigoroso’ e ‘consciência deformada’), sintagma-paradigma
(LUCAS,1971, p.47-48).

Saussure, ao afirmar que o sujeito falante faz o recorte da
realidade, não se ateve, entretanto, ao fato de que atribuía, ao mesmo
tempo, ao código linguístico, isto é, à soma de todos os signos desse
código, o qualificativo natural.
Assim, o Estruturalismo acabou por reforçar uma perspectiva, de
certa sorte, idealista, quando enfatiza que o significado encontra-se
preso a uma essência de origem primeva, sem levar em conta as
condições enunciativas de sua realização; reduzindo a enunciação
a um leque universal de estruturas. Da mesma sorte, quando
transposto para a análise literária, acabou por expôr a literatura a
uma espécie de previsibilidade, retirando o sujeito racional cartesiano
de seu pedestal, supostamente detentor da prerrogativa de fazer o
recorte da realidade.
No anexo desta Aula VI, você tem à sua disposição o modelo
de análise da narrativa, de acordo com o modelo de A. J. Greimas,
feita por Maria do Carmo Pandolfo, constante da obra organizada por
Eduardo Portella, Teoria Literária (1991).

104

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

ATIVIDADE
1. Por que Mukarovsky vê o texto literário como signo e, ao mesmo tempo, como
estrutura de signo?
2.

Por que o Estruturalismo acaba esquecendo-se da noção de subjetividade e
de referente?

3. Use as suas palavras para comentar a citação feita durante a aula, retirada da
obra Fronteiras imaginárias (1971), de Fábio Lucas:
4. Pesquise as críticas feitas na atualidade ao Estruturalismo?
5.

Comente a seguinte citação:
O Estruturalismo mantém um certo

parentesco com

outras correntes críticas, principalmente o Formalismo,
na medida em que volta sua atenção para a obra em si
e não seus condicionamentos genéticos (GONÇALVES;
BELLODI, 2005, 130).

6. Por que Roland Barthes se distancia dos estruturalistas na abordagem do texto

Aula

6

literário?

RESUMINDO
Nesta Aula VI, tratamos da corrente teórica Estruturalismo, que

segue

a tendência do cientificismo corrente, quando reduz o texto a uma rede de
significância e prioriza a langue, em sua abstração coletiva de uso. Entre
os principais representantes, nos detivemos nos estudos de A.J. Greimas,
Tzvetam Todorov e Gérard Genette.

UESC

Letras Vernáculas

105

Introdução aos estudos literários II: literatura, correntes teórico-críticas

O estruturalismo

BARTHES, Roland. S/Z. Tradução de Maria de Santa Cruz; Ana
Mafalda Leite. Lisboa: Edições 70, 1970.

REFERÊNCIAS

EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Tradução
de Walter Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
GONÇALVES, Maria Magaly Trindade; BELLODI, Zina. C. Teoria da
Literatura “revisitada”. Petrópolis: Vozes, 2005.
LUCAS, Fábio. Fronteiras imaginárias. Rio de Janeiro: Cátedra/
MEC, 1971.
PORTELLA, Eduardo; et al. Teoria Literária. Rio de Janeiro: Tempo
Brasileiro, 1991.
SAMUEL, Roger. Novo manual de teoria literária. Petrópolis:
Vozes, 2002.
SILVA, Anazildo Vasconcelos da. Lírica Modernista e Percurso
Literário Brasileiro.Rio de Janeiro: Editora Rio, 1978.
SILVA, Vitor Manuel de A. Teoria da Literatura. Coimbra: Almedina,
1975.

LEITURA RECOMENDADA
EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Tradução de Walter Dutra. São Paulo: Martins
Fontes, 1997.
GONÇALVES, Maria Magaly Trindade; BELLODI, Zina. C. Teoria da Literatura “revisitada”. Petrópolis:
Vozes, 2005.
SAMUEL, Roger. Novo manual de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 2002.

106

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

Análise da Narrativa. In: Eduardo Portella et al. UESC Letras Vernáculas 107 . Maria do Carmo.1991.ANEXO I Aula 6 PANDOLFO.Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. p-144-152. Teoria Literária.

Introdução aos estudos literários II: literatura. correntes teórico-críticas 108 Módulo 3 I O estruturalismo Volume 2 EAD .

6 Aula UESC Letras Vernáculas 109 .

Introdução aos estudos literários II: literatura. correntes teórico-críticas 110 Módulo 3 I O estruturalismo Volume 2 EAD .

dialogocomosfilosofos. semiólogo e filósofo francês. crítico literário.Fonte: http://www. fez parte da escola estruturalista. sociólogo. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique .net/catalog/autores. Fonte: http://www. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50.br/wp-content/uploads/2009/11/Roland-Barthes. influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure.jpg UESC Letras Vernáculas 111 .CNRS.6 Aula ANEXO II Roland Barthes: foi um escritor.com.php?autores_id=383 Ilustração .almedina. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris.

pt/authors/detail/id/16389 Ilustração .wordpress. um dos grandes teóricos do Estruturalismo. Greimas: Algirdas Julius Greimas.static. além disso. Sua influência internacional não é tão grande como a de alguns outros identificados com o estruturalismo. que estão hoje traduzidas em vinte e cinco idiomas.Fonte: http://www.Paris. termos como Tropo e metonímia.files.Fonte: http://teratoblog.wordpress.jpg 112 Módulo 3 I Volume 2 EAD .Introdução aos estudos literários II: literatura. correntes teórico-críticas O estruturalismo Tzvetan Todorov: é um filósofo e linguista búlgaro radicado na França desde 1963 em Paris. seu trabalho é mais frequentemente incluído em seleções ou discutido em obras secundárias do que estudado em seu próprio direito.fcsh.Fonte: http://ak2. Fonte: http://www2.J.unl. que contribuiu para a teoria da Semiótica e da narratologia. 27 de fevereiro de 1992). Atualmente é Diretor do Centro de Pesquisa sobre as Artes e a Linguagem da mesma cidade.dailymotion. Rússia. além de ter empreendido diversas pesquisas sobre mitologia lituana. produziu vastíssima obra na área de pesquisa linguística e teoria literária. É um dos responsáveis pela reintrodução do vocabulário em uma retórica crítica literária.com/2009/08/tzvetan-todorov.lt/user_img/9291_GREIMAS. Publicou um número considerável de obras. Adicionalmente seu trabalho sobre narrativa.com/static/video/183/296/15692381:jpeg_preview_large.com/2009/12/16/leitura-de-a-literatura-como-tal-de-gerard-genette/ Ilustração . em Paris) é um crítico literário francês e teórico da literatura que construiu a sua própria abordagem poética a partir do cerne do estruturalismo. Fonte: http://deztreze. foi um linguista lituano de origem russa. como Roland Barthes e Claude Lévi-Strauss. tem sido de importância. por exemplo.anyksta. Todorov foi professor da École Pratique de Hautes Études e na Universidade de Yale e Diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris (CNRS).pt/edtl/verbetes/M/modalidade. mais conhecido em Inglês através da seleção Narrativa do Discurso: um ensaio em Método. passando a frequentar então os cursos de Filosofia da Linguagem ministrados por Roland Barthes.jpg A.jpg Gérard Genette (nascido em 1930. Fonte: http://www.wook.htm Ilustração . 9 de março de 1917 . ou Algirdas Julien Greimas (Tula. Após completar seus estudos.

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

.

. você deverá ter apreendido os conteúdos referentes à Estética da Recepção. o leitor. que se opuseram às abordagens anteriores de ver o artístico. Ao final desta Aula VII. Objetivos por não levarem em conta. Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser.aula Meta A ESTÉTICA DA RECEPÇÃO 7 Focalizar os grandes representantes da corrente teórica Estética da Recepção.

.

criticou as correntes teóricas anteriores pelo caráter imanentista e sincrônico de ver a obra literária e pelo desprezo em relação ao leitor. entre seus grandes representantes. em linhas gerais. • capítulo O Prazer Estético e As Experiências Fundamentais da Poiesis.AULA 7 A ESTÉTICA DA RECEPÇÃO 7 1 INTRODUÇÃO Aula A Estética da Recepção teve. de Horst Steinmetz. de Teoria da Literatura: Uma Introdução. de Regina Zilberman. Aishesis e Katharsis. de Hans Robert Jauss. • capítulo 2. de Terry Eagleton. • capítulo Recepção e Interpretação. você deverá ter lido: . • capítulo A Interação do Texto com o Leitor. UESC Letras Vernáculas 117 ATENÇÃO Antes do início desta Aula VII. • livro Estética da recepção e história da Literatura. de Wolfgang Iser. * As referências das obras encontram-se no final da Aula VII. Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser e.

e à função conativa. Fonte: ABBAGNANO. a estética da recepção elegeu o leitor para objeto da teoria literária. de fato. ao ser levado em conta a produção. que lhe dão sentido. a Estética da Recepção coloca por terra a crença em possíveis interpretações corretas do fenômeno literário. Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser e. quando propõe uma nova historiografia para a literatura.G. que pode ser 118 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Nesta proposta. desinteressando-se da figura do autor e da produção do próprio texto. Para tanto. 2ª) leitura refletida. A crítica imanentista já foi vista na Aula V: O New criticism: A visão imanentista da obra literária. 1989. Teve. do século passado. diante do texto literário. Gadamer. a figura do receptor ficou restrita à catarse. criticou as correntes teóricas anteriores pelo caráter imanentista e sincrônico de ver a obra literária e pelo desprezo em relação ao leitor. seja o das condições de leitura. do formalista russo Jakobson. o leitor deve estar atento a estratégias de leitura a serem adotadas e. sem depender do contexto. sem que o responsável pela completude de sentido. o mensageiro dos deuses. Adotou. que permite distinguir os horizontes passados do atual. autorobra-leitor não podem ser vistos sem uma relação dinâmica. Em investigações anteriores. seja aquele evocado na obra. de um modo geral. em Aristóteles. reflexiva (interpretação). na Universidade de Constância. ao mesmo tempo em que é indispensável o domínio do repertório de temas pertinentes ao artístico e de um certo protocolo de leitura. p. 497. que é próprio de algo. como fundamento básico.103). Na verdade. p. 1998. Essa corrente crítica está ligada às Hermenêutica: é um ramo da filosofia que se volta para a compreensão e interpretação da Bíblia e de textos escritos. e muito tributária da Hermenêutica SAIBA MAIS de H. com suas características peculiares. em linhas gerais. fosse valorizado em relação ao texto lido. a unidade triádica do processo hermenêutico (Gadamer). comunidades interpretativas pensadas por Stanley Fish. imediata (compreensão). de forma autônoma. Ao trazer o leitor para o primeiro plano. interpretação. 3ª) leitura pesquisadora do horizonte histórico determinante da gênese e do efeito da obra. Imanentista: Que diz respeito ao imanentismo. a recepção e a comunicação. A palavra deriva do nome do deus grego Hermes. correntes teórico-críticas A estética da recepção 2 ESTÉTICA DA RECEPÇÃO A Estética da Recepção ou Teoria da Recepção surge na década de 60. na Alemanha.hauridos através de três leituras: 1ª) leitura perceptiva. trata-se da crítica que vê a literatura como capaz de produzir sentido. entre seus grandes representantes. pelo confronto da leitura contemporânea com todas as outras merecidas até então (aplicação) (PIRES. Em relação ao texto literário.Introdução aos estudos literários II: literatura. aplicação . a quem os gregos atribuíam a origem da linguagem e da escrita e considerado o patrono da comunicação e do entendimento humano. ou seja. o entendimento na confluência de três momentos – comunicação. na medida em que a leitura de um texto literário depende das condições sócio-histórica.

por um lado os textos literários. como na parábola. 1993. Logo. é possível. através de personagens inanimadas. proceder às duas leituras: não-pragmática e pragmática. no entanto. por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim. usada nos textos sagrados. no caso. em Teoria da literatura. 223). e falarei sempre que me der na cabeça. ao mesmo tempo. — Decerto que sou. a Agulha e a Linha.154). o leitor procura ligá-la ao cotidiano. Um apólogo – texto narrativo de natureza alegórica – visa a ensinar. reproduzido. em parte. presta-se à leitura nãopragmática e. do escritor brasileiro Machado de Assis. UESC Letras Vernáculas 119 . sem dificuldade. Pois o comportamento. que teriam formas de funcionamento diferentes”. toda cheia de si. — Que a deixe? Que a deixe. antes a fruição estética impede tal uso. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. concreto. ou pragmática. toda enrolada. os textos pragmáticos. que tem Aula o mesmo procedimento diante da vida Era uma vez uma agulha. é agulha. senhora?  A senhora não é alfinete. — Que cabeça. na não-pragmática. enquanto. não ocorre essa aplicação automática. por outro. Isto é. 7 de cada uma das personagens. ou nos apólogos. que disse a um novelo de linha: — Por que está você com esse ar. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. e a título de analogia. Em textos. só é narrado a título de exemplo especial (HEGEL. para fingir que vale alguma cousa neste mundo? — Deixe-me. abaixo. encontramos a seguinte definição para o mesmo: Pode-se considerar o apólogo como uma parábola que não utiliza apenas. obra organizada por Kibédi Varga “As teorias da recepção consideram muitas vezes que existem. nas fábulas. II. senhora. um caso particular a fim de tornar perceptível uma significação geral de tal modo que ela fica realmente contida no caso particular que. p.lido de forma não-pragmática. — Mas você é orgulhosa. de Um Apólogo. respectivamente. pode ser estendido para um grupo maior de seres humanos. que tomam forma humana. Para Steinmetz (s/d. p. na leitura pragmática. e.  Agulha não tem cabeça. de Hegel. Na Estética. pragmática.

indo adiante. o espaço.Introdução aos estudos literários II: literatura. 1997. mas que vale isso? Eu é que furo o pano. a leitura eficiente é aquela que força o leitor a sair dos hábitos convencionais de leitura.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama. — Você é imperador? — Não digo isso. Vol. prendo um pedaço ao outro. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu? — Você fura o pano. ajunto.. por exemplo. o posicionamento do alemão de confirma em: Para ler. 555-556).. (In: Obra Completa. eu é que coso. em uma leitura pragmática. vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. — Também os batedores vão adiante do imperador. não necessita de referências externas para produzir sentido. parabólica. precisamos estar familiarizados com as técnicas e convenções literárias adotadas por determinada obra. senão eu? — Você?  Esta agora é melhor. p. isto é. nada mais. 107).. dou feição aos babados. o texto se justifica pelos dados extra-textuais evocados. devemos ter certa compreensão de seus ‘códigos’.. vividas no cotidiano das pessoas do II Império no Brasil. — Sim. quem é que os cose. logo. Por outro lado. o fato de a Agulha e a Linha estarem sempre discutindo. 1985. vou adiante. Tais falas refletem as posições antagônicas de classe social. Wolfgang Iser chama a atenção para certa necessidade de instrumentalização do leitor no ato de fruição estética. ou do indireto etc. o uso do discurso direto. onde ocorre o enredo. Eu é que prendo. Para Iser. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno. puxando por você. que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando. Em uma leitura não-pragmática. o texto vale por si mesmo. por se sentirem uma superior à outra. o uso do tempo. que viola os modos normativos 120 Módulo 3 I Volume 2 EAD . Nas palavras de Terry Eagleton. como. II. entendendo-se por isso as regras que governam sistematicamente as maneiras pelas quais ela expressa seus significados (EAGLETON. sendo uma narrativa. p. em suas ações.. correntes teórico-críticas A estética da recepção — Mas por quê? — É boa!  Porque coso. Por isso. os seus elementos é que seriam objeto de análise como: a composição dos personagens.. vai só mostrando o caminho. ligo.

ao leitor a tomada de consciência. Em suma. Ainda nas palavras de Iser: Dois pontos precisam ser enfatizados. o vazio no texto ficcional induz e guia a atividade do leitor (. rumo a uma nova consciência e à aquisição de novos códigos de entendimento. Outro filósofo influente do início do século XX. em sua possibilidade mais alargada de sentido. da intriga. 1. a mudança do vazio assinala o caminho a ser percorrido pelo ponto de vista do leitor. guiado pela seqüência auto-regulada a que se entrelaçam as qualidades estruturais do vazio (p. o integrante da Escola de Constância afirma: Como atividade comandada pelo texto. às posições tomadas. em torno do qual se realiza a participação do leitor no texto. subconscientes ou inclusive UESC Letras Vernáculas 121 .. carência. que acionam a sua imaginação com projeções de sua fantasia pulsional. por sua vez.de ver e sentir. portanto. A carência constitui os implícitos textuais. não conhecidos pelo leitor. A mudança de lugar do vazio não será compreendida se 7 pensarmos que as suas diferentes ‘cunhagens’ decorrem da existência de um arsenal de diferentes tipos de vazio. Em A Interação do Texto com o Leitor (1979). O campo responde ao ponto de vista assumido pelo leitor diante da diegese.) (p.. a leitura une o processamento do texto ao efeito sobre o leitor. Neste sentido. Aula Ao contrário. campo e figura de relevância são termos que estabelecem uma estrutura de comunicação entre o leitor e o texto. os hiatos.130). ao preencher os vazios. A figura de relevância. significa aquilo que o texto encerra. Assim. Karl Popper. isto é. proporciona. fala de uma espécie de horizonte de expectativa: Com esta expressão aludo à soma total de nossas espectativas [sic] conscientes. indispensável para a compreensão.83). Esta influência recíproca é descrita como interação (p. Precisamos compreender a estrutura do vazio como um tipo ideal.131). O tema. então. o domínio de um ponto de vista. a ideia recorrente no mesmo. 2. O vazio textual chama o leitor a preencher espaços de sentido à luz de sua experiência anterior à leitura atual. vazio. de modo que a sua variação de posição assinala a necessidade definida de indeterminação. Esta estrutura faz com que o vazio mude de lugar. E esse sempre gravita em torno de um horizonte. tarefa a ser realizada pela atividade de constituição do leitor. o vazio derivado do campo referencial é preenchido por meio da estrutura de tema e horizonte.

I. o leitor ainda não apreendeu o conteúdo textual em toda a sua extensão. o leitor já possui um ponto de vista acabado acerca do personagem que foi capaz de fazer mau uso do que lhe foi ensinado na Universidade. uma vez que não fez grande coisa na vida.. Campo: o leitor pode vir a atribuir ao comportamento de Brás. o vocabulário.. Carência: neste momento da leitura. de alguma forma. tema e horizonte de expectativa. o leitor assume um ponto de vista sobre o conteúdo textual que lhe dá suporte para prosseguir em sua leitura. o horizonte de espectativa [sic] desempenha a função de um quadro de referência: nossas experiências.. Vazio: o leitor começa a acionar. dois de Horácio. o esqueleto. mais a obra é passível de interpretações. Figura de relevância: já de posse de um ponto de vista. (.. Em todos os casos. 1989. PIRES. mas alegre” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. mas também pelo seu conteúdo. porém.).) Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma. Tema: os problemas da Educação Horizonte: educação 122 Módulo 3 I Volume 2 EAD . em sua memória. 545). Colhi de todas as coisas a fraseologia. e. quanto mais cheia de indeterminações. muito menos. potencializa o caráter de multissignificação do texto literário. Paradoxalmente. p. a casca. pelo Brasil. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. campo. (1985. Os diversos horizontes de espectativas [sic] diferem não só pelo seu maior ou menor grau de consciência.. a potencialidade da obra a leva a várias interpretações. tomado a partir do campo. p. aplicando: vazio. figura de relevância. Tratei-a como tratei o latim: embolsei três versos de Virgílio. uma dúzia de locuções morais e políticas. Portanto. tomemos um excerto do Capítulo XXIV: “Curto. Neste momento. para as despesas da conversação. a ornamentação. ações e observações só adquirem significado pela sua posição nesse quadro (apud. mas eu decorei-lhe só as fórmulas.105).. à sua personalidade pouco comprometida com os compromissos. O horizonte de expectativa. v. nem por ele próprio. correntes teórico-críticas A estética da recepção enunciadas explicitamente numa linguagem (.Introdução aos estudos literários II: literatura. que podem ajudá-lo a preencher o vazio do sentido textual. outras leituras feitas. Como exemplo. até mesmo conflitantes. carência.

ou ainda. ornamentação. que. de: (. em uma leitura não-pragmática.Portanto. Colhem-se flores... ninguém embolsa (= colocar no bolso) versos ou locuções.) mas eu decorei-lhe só (. um texto. Por outro lado. muito menos. não frases. A leitura pragmática de um texto literário fez com que o escritor do realismo francês Gustave Flaubert acabasse indo às barras do tribunal porque. Em uma primeira instância.. UESC Letras Vernáculas 123 .) Como o mestre. percebe-se toda a crítica feita à sociedade brasileira do II Império. casca. de coração. em uma leitura pragmática. seus juízes o condenaram. em Estética da recepção e história literária (1989). ou. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência.. sua defesa predileta na luta intelectual contra as correntes teóricas indesejadas (ZILBERMAN. Além de Wolfgang Iser. tece críticas à 7 sociedade francesa de então. Brás quis dizer que foi um aluno medíocre. na linguagem do cotidiano. para as despesas da conversação. a ornamentação. em Madame Bouvary. parabólica. ainda que se tenha diplomado na Universidade de Coimbra.) o esqueleto. que ficou somente com a superficialidade do que lhe foi ensinado na Universidade. p. frutos. Regina Zilberman. uma dúzia de locuções morais e políticas. uma lição. destaca a importância do papel do leitor no ato da leitura: (. v. passa a valorizar também a História para os estudos literários e vê a obra como forma e resposta às indagações do leitor. bacharelesca e pouco séria. trata-se alguém de certa maneira. igual ao outro. 1989. pesquisa seu caminho por uma via que permite trazer de volta o intérprete ou o leitor. traz-se de cor. 545). mas não um esqueleto. dois de Horácio. isto é. devido à leitura feita em seu alcance de Aula aplicabilidade.. entretanto. a história. conversação não constitui nenhuma despesa. e. Colhi de todas as coisas a fraseologia. Ou ainda. Em linhas gerais. recupera a história como base do conhecimento do texto. (1985. I. em Portugal.. não a Universidade. O leitor é levado a perceber a desautomação no uso de expressões. a casca. a jurisprudência.. Decorase. não caberiam. 12). embolsei três versos de Virgílio.. Tratei-a como tratei o latim. o teórico Hans Robert Jauss. devido à possibilidade de leitura não-pragmática. da mesma forma. por seu turno. p. superficial. na esteira de Gadamer. só conseguiu se livrar da condenação.

explicado por Aristóteles pela dupla razão do prazer ante o imitado. mais do que tudo. já na abertura da estética como disciplina autônoma. ao considerar a literatura como um sistema. unindo-se a determinação de Górgias com a de Aristóteles. A aisthesis designa o prazer estético da percepção reconhecedora e do reconhecimento perceptivo. ela se coloca com o significado básico de um conhecimento através da experiência e da percepção sensívies. que se define na produção. o prazer ante a obra que nós mesmos realizamos. a aisthesis corresponde assim a determinações diversas da arte: como ‘pura visibilidade’ (Konrad Fiedler). como. acaba por relacionar autor. quando afirma em A Literatura e o Leitor: Textos de Estética da Recepção (1979). filósofo alemão. sem conceito ou através do processo de estranhamento (Chklovski).. em Aristóteles. como ‘pregnância perceptiva complexa’ (Deter Henrich). o legado platônico está presente na Estética da Recepção. encontradas em uma retrospectiva sobre a história do prazer estético: Poiesis. na estética aristotélica. E Luís Costa Lima. Aishesis e Katharsis. obra organizada por Luiz Costa Lima: Designamos por poiesis. em suma. Sartre). desde o Renascimento. obra e leitor. como uma visão renovada. que corresponde à recepção prazerosa do objeto estético como uma visão intensificada. do século XVIII. Designa-se por katharsis. na recepção e na comunicação. ao trazer de volta a noção de que a verdade está no belo e no bem. compreendida no sentido aristotélico da ‘faculdade poética’. Tais categorias fundamentais da fruição estética encontramse respaldadas na tradição crítica anterior. quanto à libertação de sua psique (. foi cada vez mais reivindicada como distintivo do artista autônomo (p. desta maneira. como experiência da ‘densidade do ser’ (J. Jauss estabelece três categorias fundamentais para a fruição estética. mas..) (p. em Teoria da Literatura em 124 Módulo 3 I Volume 2 EAD .80). aquele prazer dos efeitos provocados pelo discurso ou pela poesia. Legitima-se. como ‘contemplação desinteressada da plenitude do objeto’ (Moritzer Geiger).Introdução aos estudos literários II: literatura.P. capaz de conduzir o ouvinte e o expectador tanto à transformação de suas convicções. por exemplo. Enquanto experiência estética receptiva básica. o conhecimento sensível. face à primazia do conhecimento conceitual.7980). E. correntes teórico-críticas A estética da recepção É. a palavra aisthesis não é empregada propriamente neste sentido. em Kant e em Baumgarten. pai da estética. com Baumgarten. que Agostinho ainda reservava a Deus e que.

Estavam de pé. vorazmente (QUEIRÓS. mas. com um movimento brusco. assim como a teológica ou jurídica. deve chegar à aplicação. Mas Basílio.Não te vás! Basílio! Os seus olhos profundos tinham uma suplicação doce. 2. que o leitor substitua a pergunta “O que o texto disse?” por “O que o texto me diz e o que eu digo sobre o texto?” Só assim seria possível a aplicação daquilo que foi lido.E para que queres tu estar só comigo? – disse ela. esta aplicação de um lado pode desembocar numa ação prática. [. p. Leia o fragmento. um pouco 7 nervoso. tem que venha gente? – E arrependeu-se logo daquelas palavras. – Que . Regina Zilberman. prendeu-lhe a cabeça.. a partir do que era pregado pela sociedade burguesa da época. em que a obra foi escrita. partindo da compreensão e passando pela interpretação. pode satisfazer um interesse não menos legítimo. ele passa para o leitor. de outro. o ‘Terceiro Estado’. o de medir e ampliar. mais especificamente sobre o conceito usado por Jauss para se referir ao leitor. na comunicação literária com o passado. porém não menos 125 Aula . e beijou-lhe na testa. em Estética da recepção e história literária (1989). ATIVIDADE 1. isto é. passou-lhe o braço sobre os ombros.suas fontes (1983). reproduzido abaixo de O Primo Basílio do autor do realismo português Eça de Queirós.. na citação abaixo. o horizonte da experiência própria. mordia o bigode. 44).313). Jauss sugere. 2.] a estética da recepção apresenta-se como uma teoria em que a investigação muda de foco: do texto enquanto estrutura imutável.]. nos cabelos. no meio da sala. em um parágrafo de no máximo dez linhas. e proceda às duas leituras: não-pragmática e pragmática. Basílio pousou o chapéu sobre o piano. . [. Comente a afirmação. uma voltada para uma dimensão parabólica de ver o artístico e outra de cunho aplicativo na realidade.. a partir da experiência de outros (v. nos olhos. p.. 1979. argumenta: Se a hermenêutica literária. fala acerca da Estética da Recepção. UESC seguidamente Letras Vernáculas marginalizado. então.

Denis. A Literatura e o Leitor: Textos de Estética da Recepção. O Prazer Estético e As Experiências Fundamentais da Poiesis. Rio de Janeiro: Paz e Terra. que passaram a valorizar a recepção do artístico. ISER. Peter Naumann. 126 Módulo 3 I Volume 2 suas fontes EAD . Estética II. Revisão de Heidrum Krieger. Fontes. nesta Aula VII. Dicionário de Obras Filosóficas. Tradução de Walter Dutra. São Paulo: Martins Fontes. 1993. Teoria da Literatura em 2. Dicionário de Filosofia. 10-11). Tradução de Luiz Costa Lima. Hans Robert. utilizando a argumentação do texto da Aula VIII. Peter Naumann. 83-132. 2000. LIMA. 1997. Lisboa. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Luiz Costa. já que é condição de vitalidade da Literatura enquanto instituição social (1989. Wolfgang. correntes teórico-críticas A estética da recepção importante. 1998. A Literatura e o Leitor: Textos de Estética da Recepção.). p.).63-82. 1979.Introdução aos estudos literários II: literatura. Por que Wolfgang Iser chama a atenção para certa necessidade de instrumentalização do leitor no ato de fruição estética? 5. 2c. Aishesis e Katharsis. Tradução de Luiz Costa Lima. chamando o leitor para a cena. Teoria da Literatura: Uma Introdução. p. 2 vol. Rio de Janeiro: Francisco Alves. HUISMAN. 3. aos grandes representantes da corrente teórica Estética da Recepção: Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser. Terry. In: Luiz Costa Lima (Org. 1983. JAUSS. quando se aborta o referido teórico: RESUMINDO Você foi apresentado. In: Luiz Costa Lima (Org. p. Refute a afirmação ou reforce-a. 1979. A Interação do Texto com o Leitor. ABBAGNANO. São Paulo: Martins REFERÊNCIAS EAGLETON. HEGEL. Nicola. Qual é o processo hermenêutico triádico de leitura para Gadamer? 4. Hans Robert Jauss valoriza a História para os estudos literários e vê a obra como forma e resposta às indagações do leitor. São Paulo: Martins Fontes. Lisboa: Guimarães Editores.

São Paulo. ZILBERMAN. Lisboa: Editorial Presença. UESC Letras Vernáculas Aula ZILBERMAN. Rio de Janeiro: Presença. Orlando. Tradução de Luiz Costa Lima. 1989. Ática. São Paulo: Martins Fontes. Horst. Eça de. O Primo Basílio. O Prazer Estético e As Experiências Fundamentais da Poiesis. Lisboa: Editorial Presença. ISER. 83-132. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Obra Completa. LEITURA RECOMENDADA EAGLETON.). Tradução de Luiz Costa Lima. p. JAUSS. A Interação do Texto com o Leitor. In: Luiz Costa Lima (Org. Estética da recepção e história da Literatura. 7 STEINMETZ. Tradução de Walter Dutra. 1989. Recepção e Interpretação. A Literatura e o Leitor: Textos de Estética da Recepção.149-165. Manual de Teoria e Técnica Literária. Ática. Wolfgang. 1985.). STEINMETZ. Terry. 1989. São Paulo. Kibédi Varga (Org. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. São Paulo: Abril Cultural. Aishesis e Katharsis.). Horst. Peter Naumann.63-82. Tradução de Tereza Coelho. p.MACHADO DE ASSIS. Estética da recepção e história da Literatura. 127 . 1979. PIRES. Teoria da Literatura. 1979. Vols. In: A. In: Luiz Costa Lima (Org. 1979. p. II e II. A Literatura e o Leitor: Textos de Estética da Recepção. Regina. p. Revisão de Heidrum Krieger. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Kibédi Varga (Org. Hans Robert. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Teoria da Literatura. In: A. Tradução de Tereza Coelho. s/d. Recepção e Interpretação. Peter Naumann. 1997. Regina.149-165.). s/d. QUEIRÓS.

correntes teórico-críticas A estética da recepção Anexo Fish: Stanley Fish nasceu em 1938. por isso. Ingarden. mas varia ao longo dos tempos. Escreveu 10 livros e se descreve como um “anti-fundacionalista”. Sendo cético em relação à objetividade do texto da crítica formalista. auto-reflexivamente. Fonte: http://www2. realçando o centro da mesma na investigação de significados. Fish propõe a estética não como sendo a especificação definitiva de propriedades literárias e não literárias.pt/edtl/verbetes/E/estetica_recepcao.Introdução aos estudos literários II: literatura.” (Is There a Text in This Class?. Hoje.fcsh. mas de comunidades interpretativas que são responsáveis tanto pela configuração das atividades do leitor como pelos textos que essas atividades produzem. o tipo de questões teóricas que pré-ocupam o estudioso do fenômeno literário tende a concentrar-se. Gadamer. nos conceitos que dominam num dado momento histórico e nos conceitos que sempre dominaram a própria história da linguagem. Iser privilegia a experiência da leitura de textos literários como uma maneira de elevar a consciência ativamente.com/2008/01/stanley-fish-on-value-or-lack-thereof.htm 128 Módulo 3 I Volume 2 EAD . 1980).htm Ilustração .unl. a literatura não pode conter propriedades formais pretensamente definidoras do que é ou não é a literatura: “A literatura é o produto de um modo de ler. Como propõe Stanley Fish.blogspot. É um importante teórico da literatura e professor universitário nos Estados Unidos.” Fonte: http://www2. em Rhode. O “modo de ler” não é fixo. que leva os membros da comunidade a prestar um certo tipo de atenção a criarem literatura.fcsh.html Wolfgang Iser: junto com o colega teórico Hans Robert Jauss. vincularam-se ao pósmodernismo. o principal divulgador da reader-response criticism norte-americana.Fonte: http://liternet.Fonte: http://humanitiesalaska. Dedicou-se a estudar a obra do poeta inglês John Milton e seus ensinamentos.htm Ilustração . mas sim “uma descrição do processo histórico pelo qual tais propriedades emergem”. que fundamenta suas bases na própria crítica literária alemã e sua teoria vê o texto como um local de produção e proliferação de significados.bg/iser/gallery2. O estudo da fenomenologia de Husserl. de um acordo comunitário acerca daquilo que deverá contar como literatura.unl. Poulet influenciaram e contribuíram para o seu trabalho. Iser é o maior expoente da estética da recepção. O conceito de “comunidade interpretativa” surge então como coroamento deste conhecimento relativo da natureza da literatura: “Os sentidos não são propriedade nem de textos fixos e estáveis nem de leitores livres e independentes. na Islândia.pt/edtl/verbetes/E/estetica_recepcao.

re-criada ou “concretizada”. indícios familiares ou referências implícitas. O melhor indicador para determinarmos o horizonte de expectativas é a recepção da obra por parte do leitor. logo. através de informações. foi membro da Escola de Constance e um dos mais inflexíveis dos críticos da estética da  recepção. desde o início. relegando para plano secundário o trabalho do autor e o próprio texto criado.vernix. sinais mais ou menos manifestos. sobretudo. é necessário descobrir qual o horizonte de expectativas.htm 7 Ilustração . nascido em 1900. Para isso. quando o leitor a legitimar como tal.files. o problema hermenêutico é colocado em relação à teoria do conhecimento. filosófica. Autor de Verdade e em que desenvolve as grandes linhas da Hermenêutica na qual aborda o problema da verdade. “A Literatura como Provocação” (1970). nas décadas de 1970 e 1980. Hermenêutica e tradição filosófica (1982).org/marcel/images/people/hans-robert-jauss. discípulo da hermenêutica de Gadamer.Fonte: http://erichluna.com/2009/09/gadamer1. que envolve essa obra. reorientadas ou ainda ironicamente desrespeitadas. assim definido. se pertencerem ao mesmo gênero literário. A descoberta de uma obra de arte é um fato histórico que pertence à história. Fonte: http://www2. pp. coloca o leitor numa determinada situação emocional. Qualquer obra de arte literária só será efetiva. Uma crítica imediata ao conceito de horizonte de expectativas.pt/edtl/verbetes/E/estetica_recepcao.unl. num vácuo de informação. nem mesmo no momento em que aparece. expectativas a respeito do ‘meio e do fim’ da obra que.Fonte: http://www. 2000. Veja. podem ser conservadas ou alteradas.66-67). predispondo antes o seu público para uma forma bem determinada de recepção. que leem. em virtude de estarem condicionados por outras leituras já realizadas.wordpress. No seu ensaio nuclear. pois todos os leitores investem certas expectativas nos textos. de Teresa Cruz. consiste no fato de se apresentar como uma espécie de instrumento único de análise estética de uma obra literária. como uma absoluta novidade.fcsh. cria. procurou ultrapassar os dogmas marxistas e formalistas que não privilegiam o leitor no ato interpretativo do texto literário e reforçou o conceito de horizonte de expectativas como impulsor da interpretação: “Uma obra não se apresenta nunca. com o decorrer da leitura. Em A arte de compreender. Lisboa. Aula Gadamer: Hans Georg Gadamer. numa perspectiva não científica.jpg UESC Letras Vernáculas 129 . trad.18 e p. 1993. segundo determinadas regras de jogo relativamente ao gênero ou ao tipo de texto. A análise da experiência revelada pela arte permite descobrir um modelo que tem valor para toda a experiência histórica.JAUSS: Hans Robert Jauss.565. p.png método (1960).” (A Literatura como Provocação. Ilustração . Fonte: HUISMAN. Ela evoca obras já lidas. É o grande responsável pela divulgação da Estética da Recepção.

bg/iser/gallery2.Fonte: http://liternet. sendo mais da ordem da conjetura. para depois derivar para a metafísica e física. como uma gnoseologia inferior (= gnosiologia inferior). desenvolveu o estudo do que também denominou estética. filósofo e epistemólogo austríaco. Tratando do conhecimento e apreciando o conhecimento sensível. enquadrando-o embora como um conhecimento sensível. Ilustração .cfh. Fonte: HUISMAN. o filósofo propõe a elaboração de uma teoria objetiva (ou objetivista) do conhecimento que rompa definitivamente com o ponto de vista subjetivista tradicional. Tem Baumgarten o mérito de haver tratado em separado o sentimento da apreciação da arte e do belo. leis que lhes permitiriam prever com exatidão o futuro da história humana. entende que o historicismo constitui uma doutrina. 348 e p. Neste plano da sensibilidade. nascido em Berlim. foi nomeado professor de filosofia da Universidade de Frankfurt. p. onde permanece por 22 anos. E.de/files/images/popper. como um estágio inferior. Em Miséria do Historicismo (1957). nascido em 1902. Na divisão dos temas. Popper desenvolve a tese de que. em geral. é necessário correr o risco de que a teoria científica só é científica. Em 1740. em que coloca que a hipótese científica está longe de corresponder ao registro passivo de dados experimentais. com o racionalismo cartesiano e com o empirismo de Locke. 2000.htm Popper: Karl Raimund Popper. ao modo de idéia confusa.jpg 130 Módulo 3 I Volume 2 EAD . por último. em Conhecimento Objetivo (1972). o interpretou ainda ao modo de Descartes. Enquadrouse no esquema filosófico de Wolff.Introdução aos estudos literários II: literatura. 377. segundo a qual as ciências sociais tem por missão descobrir as leis gerais do desenvolvimento histórico. o ordenador didático do pensamento de Leibniz. filósofo e esteta alemão. Autor de Lógica e Pesquisa Científica (1934).htm Ilustração . se puder ser invalidada por um teste de experiência. ou seja. para a ética. Em Conjecturas e refutações (1963). p. para distinguir a ciência da pseudociência. de fato.Fonte: http://www. Hume ou Berkeley.br/~simpozio/novo/2216y605. inicia claramente pela gnosiologia.77.bfg-muenchen. Estudou na Universidade de Halle. O primeiro curso de estética o ministrou em 1742 naquela universidade. 76. correntes teórico-críticas A estética da recepção Baumgarten: Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762).ufsc. falecendo relativamente cedo. finalmente. p. Fonte: http://www.

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .

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você deverá conhecer os conteúdos referentes ao Pós-Estruturalismo. . Ao final desta Aula VIII.aula Meta O PÓS-ESTRUTURALISMO Trabalhar com os conceitos da corrente teórica 8 Pós- estruturalismo. em sua crítica ao modelo binário da metafísica Objetivos ocidental.

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p. desde a Grécia antiga. nesta Aula VIII. na medida em que esse é visto como tributário do modelo binário de ver o mundo. p. que. p.AULA 8 A ESTÉTICA DA RECEPÇÃO 1 INTRODUÇÃO Estudaremos. *As referências das obras encontram-se no final da Aula VIII. em pares dicotômicos. As metanarrativas. a princípio. estão o franco-argelino Jaques Derrida e os franceses Michel Foucault e JeanFrançois Lyotard. que balizaram a História do Ocidente. a filosofia. 200 e p. foram postas a serviço do Ocidente. você deverá ter lido: . Entre os principais representantes. em que o dissenso e a fragmentação tornaram-se banidos em nome da ordem e da exclusão.205 de Teoria da Literatura “revisitada” de Maria Magaly Trindade Gonçalves e Zina. • os capítulos 4 e 11 de As Idéias Filosóficas Contemporâneas na França de Christian Descamps. na esteira da metafísica ocidental. • o capítulo 9. C. UESC Letras Vernáculas 135 ATENÇÃO Antes do início desta Aula VIII. tal desiderato.193. especificamente. • o capítulo 3 de Teoria da Literatura: Uma Introdução de Terry Eagleton. como os grandes balizadores comportamentais a 8 prescreverem e a encerrarem a melhor maneira de dar sentido ao Aula mundo.191. as p. Bellodi. como o próprio nome sugere.192. sistemas discursivos de legitimação. p. 190. O relato mítico. e impuseram a absolutização dos lugares enunciativos. • capítulo 8 de Novo manual de teoria literária de Roger Samuel. a corrente teórica Pósestruturalismo. e a literatura encerraram. vai criticar o Estruturalismo. • os capítulos 6 e 8 de A Condição Pós-moderna de Jean-François Lyotard.

veremos que. como os de cunho religioso judaicocristãos. são discursos . Se recorrermos ao discurso da ciência. entre gêneros: homem/ mulher. entre classes sociais: hegemônica/não-hegemônica e entre etnias: branco/negro. 2 PÓS-ESTRUTURALISMO Há muito que o radicalismo do Estruturalismo vinha sofrendo fortes restrições. à luz da noção de Saussure. quase sempre. Subsidiários desses. que trata o texto literário em uma estrutura delimitada. por outro lado. que disfarçam arbitrariamente os cortes e são incapazes de redimensionar algumas escalas. E. que estabeleceram relações entre nações: centro/periferia. podemos acrescentar ainda os paradigmas dicotômicos. em Teoria da Literatura: Uma Introdução (1997). Barthes. por outro lado. a crítica é uma forma de metalinguagem. na medida em que. e não sua representação parcial. de forma autônoma. A esses se somaram outros. Barthes em S/Z (1970). quando se refere ao código linguístico capaz de fazer representar o chamado real. para a sua naturalização. tece comentários sobre a pretensão de a palavra ser a própria coisa. nem autor. em vez de se caracterizar o signo como natural. dever-se-ia vê-lo em sua intervenção sobre a realidade. é preciso que significante e significado se remetam de forma arbitrária. isto é. passa da obra ao texto e flagra a pretensão representativa da atitude natural da literatura chamada realista. isenta de qualquer interesse. legitimadas em valores perenes. para haver linguagem. correntes teórico-críticas Os referidos relatos O pós-estruturalismo ancoraram-se em uma perspectiva monística. tanto de direita. uma vez que qualquer obra é produto da intertextualidade com outros escritos que a antecedem. mais do que tudo. Assim. ao analisar o conto Sarrasine de Balzac. trazendo para a análise literária.Introdução aos estudos literários II: literatura. esse deve ser tratado enquanto escrita. no processo interpretativo da realidade sócio-histórica. a noção de representação é questionada e Terry Eagleton. em sua produtividade. entre outras formas de interpretar o mundo. na esteira do Iluminismo francês. indaga-se sobre a possibilidade de o signo ser neutro. pois. 136 Módulo 3 I Volume 2 EAD . o Colonialismo/ Imperialismo e as grandes ideologias. quanto de esquerda. para quem. em que a hortodoxia constitui a pedra de toque a velar por sua manutenção e. não há originalidade.amparados em uma racionalidade constitutiva -. na literatura. assim. e o leitor é chamado a fazer parte dessa estruturação em aberto. respaldados no judaísmo e no catolicismo.

no Estruturalismo. na medida em que esse é visto como tributário do modelo binário de ver o mundo. o fato de o mundo ser complexo e múltiplo. tanto a filosofia. 8 Derrida lança as bases da teoria da desconstrução. respectivamente. calcado na metafísica. a partir dos verbos de língua francesa différer e diférer. ao tentar Aula desconstruir o pensamento logofonocêntrico. 2002. 187). como o conceito de verdade (logo) e da palavra viva (fono). as palavras são tidas como ligadas aos pensamentos ou objetos que veiculam de maneira certa e incontroversa: a palavra torna-se a única maneira adequada de se ver tal objeto. em seu funcionamento como linguagem. Em A escrita e a diferença (1967) e em Gramatologia (1973). mais do que tudo. a escrita não deve ser vista como uma sujeição servil à fala. pós-criticismo (Frederic Jameson) e desconstrução (Jacques Derrida). Pós-estruturalismo não é uma escola unificada de pensamento ou mesmo de movimento. de certa sorte. e trabalham sempre para tornar a ambiguidade como injunção da verdade. em pares dicotômicos. 125-126). nega a sua própria condição de produtividade e. O Pós-estruturalismo. quando essa vincula a retórica à lógica e o estilo ao significado. 1997. neutro em sua nomeação. e confessa não compartilhar nenhuma doutrina ou método único (SAMUEL. O Pós-Estruturalismo já estava sendo gestado. Para Derrida. em substituição a essa última. Jean François Lyotard). na esteira da metafísica ocidental. junto com pós-modernismo (Jean Baudrillard. mas o termo é muito usado no discurso da crítica.Na ideologia do realismo ou da representação. vai criticar o Estruturalismo. A maioria dos autores freqüentemente etiquetados pela palavra pósestruturalismo (Jacques Derrida. p. como o direito e a literatura constituemse enquanto linguagens figuradas. isto é. pois toda linguagem é metafórica e. ou de se expressar tal pensamento (EAGLETON. O termo pós-estruturalismo entrou em uso teórico-crítico em 1970. Michel Foucault e Roland Barthes) raramente caracteriza seu trabalho como tal. querem dizer UESC Letras Vernáculas 137 . do signo como representação ou reflexo. p. como se esse estivesse imune aos efeitos da escrita. como o próprio nome sugere. isto é. que. amparado em monismos. Tal pretensão. quando esse se voltou para a explicação do código linguístico. Derrida cria o neologismo différance.

cuja existência é encontradiça nos telhados das casas ou em seus porões). a chamada dupla articulação. só existe porque se opõe. em As Idéias Filosóficas Contemporâneas na França (1991). que balizaram todos os centros excludentes dos pares dicotômicos ocidentais: centro/periferia. na pauta da metafísica ocidental.de ‘diferança’. da origem. ainda que simule a presença. se diferencia. a desconstrução centra sua crítica aos monismos. que remete a um outro significado. A crítica desconstrucionista procura demonstrar como os textos podem ser abalados em seus sistemas lógicos dominantes e o faz assinalando os pontos somáticos – os aporia ou impasse de significado – onde a significação textual se torna vulnerável. ao qual Derrida chama de suplemento. consequentemente. 1991. presença/ausência. destroem a linha régia da presença em si. quando incide suas análises em textos. elucida-nos como ocorre essa condição do signo. 111). precisa definirse pelo que não é. branco/negro. é desconstruir as oposições seculares entre natureza/cultura. isto é. precária: Os mecanismos de auto-afetação. sempre em um processo de adiamento da perfeita articulação entre significante e significado. em sua condição vicária. Deslocar as figuras da identidade. p. Tais monismos encontram-se em qualquer área. ao pluralismo. em piadas. e significado (evocação mental de um ser. entre significante (cadeia fônica). diferir e citar. pela sua ausência. enquanto significante. /g/ /a/ /t/ /o/. está sempre no lugar de algo. que não foi incluído. sujeito/objeto. inteligível/sensível. 1989. por exemplo. de /s/ /a/ /p/ /o/. o signo gato só se torna linguagem quando há a relação de significância estabelecida. assim. Logo. em outras palavras. não se encontra representado no código linguístico e. correntes teórico-críticas O pós-estruturalismo adiar. deferir. que não o primeiro. em todo o sistema de atribuição de sentido. perde coesão e se abre a contradições (PIRES. p. em seu processo de significação. visando evidenciar a vulnerabilidade de significação.Introdução aos estudos literários II: literatura. que se opõem ao dialogismo. de certa sorte. E Descamps. 138 Módulo 3 I Volume 2 EAD . para justificar sua existência. à diferença.130). composto por seus fonemas. A tarefa é imensa já que esses rochedos não param de freqüentar os grandes textos (DESCAMPS. Portanto. La différance vem a ser a constituição mesma do signo. por exemplo. O signo. homem/ mulher etc. Restando sempre um componente de significado.

tem um grande registro nas histórias da literatura. que. incapaz de problematizar o que já está instituído na sociedade. Na literatura brasileira. E ajuntou ouro para me comprar três vezes. de aporias ou impasses de significado. Cristóvão Estimo que sejam felizes. disse D. na introdução de sua obra Origem da Geometria. traduzida. disse. ao pai e ao pretendente escolhido pelo primeiro. destituído da Aula razão. Logo. A questão das relações de gênero.. o desconstrucionismo centra sua crítica aos monismos. E Adélia Prado coloca.condicionada. em sua poesia. tornam-se passíveis de revisão: Enredo para um tema Ele me amava. mas não tinha dote só os cabelos pretíssimos e uma beleza de príncipe de estórias encantadas. em última instância. visando evidenciar a vulnerabilidade de significação. 8 em que o segundo par foi sempre visto como menor.ela nunca fala . que. para o francês. que não se sustentam. ao pluralismo. do Romantismo alemão. por exemplo. O melhor do amor é sua memória. abaixo reproduzido. em 1968. esse silenciamento posto sobre a mulher . em propagandas. quando incide suas análises em textos. que se opõem ao dialogismo. no caso. disse meu pai. mas a possibilidade de ler aquilo que o texto esconde em suas partes significativas. a primeira vista. um preconceito velado. pregado pelo racionalismo. espere. Na literatura. encerrando. Negando assim o livre arbítrio. UESC Letras Vernáculas 139 . Através de pontos somáticos. É bom que se diga que desconstrução não significa destruição. falou a meu pai.. pode passar despercebida. Cristóvão. Só eu não disse nada. nem antes. Foi-se com um bandeira. ocorre quando a figura do negro é colocada como subalterna ou da mulher sempre em um papel de dependência em relação ao homem. calcadas no patriarcalismo legitimase em um dos pares dicotômicos da tradição ocidental homem/mulher. No poema. Na volta me achou casada com D. que é. necessitando da intervenção do primeiro para existir. nem depois. foi quem usou pela primeira vez. para escolher o seu amor. O filósofo E. o termo desconstrução. da poeta Adélia Prado (1991).em novelas televisivas. se é por isto. Husserl. encontramos um questionamento aos papéis pré-determinados. quando questionados. Não tem importância. Demoraste tanto.

à não adesão ao que o outro diz. 140 Módulo 3 I Volume 2 EAD . de que os seres não são perenes mas mutáveis. que estabelecem o tolerado e o intolerável (DESCAMPS. A arqueologia do saber (1997) e Vigiar e Punir (1977) e todas elas. muito antes do Pós-Estruturalismo. p. em síntese. Entre suas obras mais famosas. rumo ao pluralismo. o que é aceito. mas de forma difusa na estrutura social. ao pensamento democrático. uma vez que não somos autores dos nossos discursos. encerram a concepção de que o cidadão encontra-se atravessado por discursos que o precedem. sem o embate de visões ideológicas. o poder não se encontra em instâncias fechadas. adverte. questionou não a relação da verdade com as coisas. em obras publicadas no início do século XX. guardadas as temáticas de cada uma. As palavras e as coisas (1999). o russo Mikhail Bakhtin. Para Foucault. em última instância. estão História da Loucura (2003). a pluralidade dos fenômenos. mas a forma como os discursos são instituídos como princípio de verdade. em Ciência e Saber: A trajetória da Arqueologia de Foucault (1981). Roberto Machado estudioso da teoria foucaultiana. em geral. aquele que se diz racional. isto é. seja na sociedade. Ele apregoa. não pode ser considerado fora de seu uso. já havia detectado. o que é tolerável é aquilo que foge às normas da exclusão. o monismo está para a tradição.Introdução aos estudos literários II: literatura.40). isto é. 1991. fruto do seu livre arbítrio. Por isso. dissidente do Formalismo Russo. a morte do sujeito cartesiano. que convive com variadas opiniões. organizados socialmente. Logo. grande conhecedor da filosofia de Nietzsche. Michel Foucault. seja na medicina. porque esse pode levar à discórdia. negando. mas meros veículos para aqueles que estão legitimados por instâncias sociais. Decifrar a história das idéias não é tanto visar um estabelecimento do verdadeiro e sim perceber arranjos que articulam jogos de verdade e de exclusão. correntes teórico-críticas O pós-estruturalismo Nesta perspectiva. e se fecha ao diálogo. que o sentido atribuído aos fenômenos. para aquela concepção de mundo que se opõe à multiplicidade da vida. em instituições. que a linguagem. portanto. chamando atenção para como os jogos de verdade e exclusão são engendrados. como Problemas da poética de Dostoiévski (2005) e A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. O Contexto de François Rabelais (2008).

Em Vigiar e Punir. seja político-ideológico. no final da década de 70 do século passado. vindo desde a Antiguidade Clássica. aquilo que não é percebido. Então. que. Justificando. assonâncias. 1981. versos decassílabos. colocaram o mundo sempre balizado em Aula pares dicotômicos. Alerta-nos. que asseguram a sujeição constante de suas forças e lhes impõem uma relação de docilidade-utilidade (FOUCAULT. 1977. p. começaram a ser questionadas. Por exemplo. UESC Letras Vernáculas 141 . porque se embasam em pares que se opõem: alto/baixo. sem que suas fronteiras sejam delimitadas. através de: Métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo. p. dessa forma. em rimas cruzadas e emparelhadas. de demérito. entretanto. natureza/cultura. Foucault vai nos dizer que as disciplinas atravessam o corpo social e a realidade mais concreta do ser humano – o próprio corpo – como uma rede. entre outras microfísicas. o seu sistema patriarcal corrente. isto é. ao mesmo tempo. essas sempre numa perspectiva de totalidade.139). cujo segundo elemento da díade é sempre visto em posição de falta. abaixo reproduzidos de Os Lusíadas (2002) do poeta português Luís de Camões. o avanço sobre continentes. para se manterem. seja de cunho religioso. as regras de sujeição disciplinar vão determinar as fronteiras do permitido e do não permitido. Jean-François Lyotard. as narrativas que respaldaram crenças e comportamentos da tradição do mundo ocidental. mas que coage para a manutenção de uma verdade. o foco absoluto que estaria na origem de todo tipo de poder social e de que também se deveria partir para explicar a constituição dos saberes nas sociedades capitalistas (MACHADO.O Estado não é o ponto de partida necessário. que o poder do Estado instituído em uma sociedade também exerce sua coerção. outro pós-estruturalista francês. homem/mulher. entre os cidadãos.190). centro/periferia. A condição Pós-moderna (1988). à tradição socrático-platônica e às religiões judaico-cristãs. claro/escuro. A crítica feita por Lyotard ao continuísmo historicista pretende colocar por terra toda uma hegemonia que legitimou o próprio conceito de razão. em que elenca as metanarrativas. Vejamos como o pós-estruturalismo incide sua crítica nos valores ocidentais tidos como sagrados e plenos de verdade. em uma leitura próxima do que faziam os formalistas e os estruturalistas. presa ao mundo das 8 Ideias. que. após a Segunda Guerra Mundial. podem ser analisados do ponto de vista da cadeia fônica: rimas. ecos. isto é. a partir da década de 50. fragmentos do canto I. o imperialismo europeu e. escreve.

tem engenho (inteligência) e arte (domina seus versos.Introdução aos estudos literários II: literatura.  Passaram além da Trapobana. por esse povo ter contornado a África e chegado às Índias. com o objetivo primeiro de expandir a fé cristã e levar aos colonizados a chamada civilização. que remete a uma série de predicações. sabe escrever a sua literatura). E entre gente remota edificaram: E também as memórias gloriosas Daqueles Reinos que forma dilatando A Fé.  O eu poético. os versos se estruturam em uma rede de significação. têm condições de se libertarem da lei da Morte. Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana.  São guerreiros com superioridade aos humanos.  Têm memórias gloriosas do Reino português. o império e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando. 142 Módulo 3 I Volume 2 EAD . E aqueles que por obras valorosas Se vão da lei da Morte libertando: ( Luís de Camões) Os portugueses encerram a positividade:  Alcançaram mares nunca X dantes Os habitantes da África e da Ásia encerram a negatividade:  Habitam terras viciosas (cheias de navegados.  Dilataram a Fé. Por mares nunca dantes navegados Passaram ainda além da Trapobana.  Entre gente remota edificaram/Novo Reino.  Suas obras são valorosas. correntes teórico-críticas O pós-estruturalismo conforme o esquema ABABABCCC. As armas e os Barões assinalados Que. da Ocidental praia Lusitana. sempre alusivas à qualificação positivada do feito luso.  Como são heróis. vícios). como é o porta-voz da nação lusa. Em relação ao conteúdo.

1997.unl. por exemplo. A colonização de povos ditos primitivos há algum tempo vem sendo revista. Por isso que Derrida atribui à metafísica qualquer sistema que dependa de base inatacável. os estudos culturais ou o pós-colonialismo. a entrada dos filhos do operariado em Universidades Abertas. PARA CONHECER Veja mais sobre as teorias pós-estruturalistas em: • http://revistacult. a invasão das tropas soviéticas na Hungria. as duas grandes guerras do século XX. como. seja ao status quo. A crítica. p. Caso se opte por uma análise mais de cunho conceitual. teremos muito a dizer. como. que se propuseram a rever o racionalismo ocidental. a descolonização de domínios europeus em outros continentes.foram postas a serviço do Ocidente. sobre o qual se pode construir toda uma hierarquia de significações (EAGLETON. na Europa. de quem a faz. isto é. nesta linha de ação. em forma de agência.htm Letras Vernáculas 143 . Tais fatos constituem elementos desencadeadores do que veio depois em termos de crítica. e impuseram a absolutização dos lugares enunciativos. Portanto. em Paris. a dissolução de 8 conflitos. isto é. seja ao texto literário.uol.182). nos anos 50 do século passado. a partir de acontecimentos que marcaram o mundo ocidental.br/website/dossie. do ponto de vista do conteúdo. em performace insidiosa.fcsh. de um princípio primeiro de fundamentos inquestionáveis. requer. o movimento estudantil de 1968. As teorias críticas então ganham uma dimensão muito mais ampla. com o apoio das feministas. com forte vínculo com o pós-estruturalismo. o pós-colonialismo e a crítica feminista.pt/edtl/verbetes/M/micronarrativa. na medida em que o teórico não pode mais se eximir do mundo e.asp?edtCode=A0CEA9A1-CE22-4AC5-AB1BA9D302E460AB&nwsCode=9B76170A-0C06-44C7-8A53-D71166EA8B33 • UESC http://www2. estão os estudos culturais. à luz das leituras. o pós-estruturalismo.com. para que o dissenso e a fragmentação se tornassem banidos Aula em nome da ordem e da exclusão. mais do que um empreendimento. em 1956. uma postura política. e a denúncia de atrocidades cometidas contra a população local. desde a Grécia antiga. legitimação as metanarrativas - sistemas discursivos de balizadores comportamentais a prescreverem e a encerrarem a melhor maneira de dar sentido ao mundo .

Lisboa: Rei dos Livros. Tradução de Maria de Santa Cruz. Jacques. estruturado em pares dicotômicos. Tradução de Yara Frateschi Vieira. como entender a noção de suplemento usada por Derrida? 5. Problemas da poética de Dostoiévski. São Paulo: Perspectiva.Introdução aos estudos literários II: literatura. DERRIDA. 2002. Qual a crítica feita pelo Pós-estruturalismo ao Estruturalismo? 2. BAKHTIN. DESCAMPS. Mikhail. ao pluralismo. O monismo se opõe ao dialogismo. Lisboa: Edições 70. Luís de. enquanto o segundo encontra-se representado a partir daquele. Jacques. Se a relação entre significante e significado. 1967. como em textos de propagandas. O que ele quer dizer com isso? 4. Faça uma pesquisa em ditados populares. 6. Roland. REFERÊNCIAS BAKHTIN. correntes teórico-críticas O pós-estruturalismo ATIVIDADE 1. Paris: Seuil. L’écriture et la différence. Os Lusíadas. é sempre arbitrária. nesta Aula VIII. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. S/Z. 2005. reveem todo o aparato do edifício ideológico da tradição ocidental. 1970. como fala Saussure. BARTHES. Derrida critica o pensamento logofonocêntrico. Tradução de Paulo Bezerra. cujo elemento participante do primeiro deles é sempre o balizador de ver o mundo. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Mikhail. DERRIDA. É possível vincular o Pós-estruturalismo ao Pós-modernismo. RESUMINDO Estudamos. Tradução de Miriam Schnaiderman e Renato Janine Ribeiro. em obras literárias ou em outras produções de cultura. Ana Mafalda Leite. ao Pós-criticismo e à desconstrução e quais os seus representantes? 3. Gramatologia. em seus princípios epistemológicos. 2008. Dê exemplos de como ocorre um e outro. 1973. que trazem em seus conteúdos os impasses de significados de que fala Derrida. São Paulo/ Hucitec/Editora Universidade de Brasília. CAMÕES. que. Christian. o Pós-estruturalismo. As Idéias Filosóficas Contemporâneas na 144 Módulo 3 I Volume 2 EAD .

FOUCAULT. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 1988. São Paulo: Martins Fontes. Petrópolis: Vozes. Tradução de Walter Dutra. GONÇALVES. 2000. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. Teoria da Literatura: Uma Introdução. 2003. Adélia. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. REFERÊNCIAS FOUCAULT. Denis. Tradução de José Bragança de Miranda.1991. Maria Magaly Trindade. Rio de Janeiro: Presença. Roger. Tradução de Arnaldo Marques. Teoria da Literatura “revisitada”. SAMUEL. A Condição Pós-moderna. Jean-François. C. FOUCAULT. Novo manual de teoria literária. Paulo: Martins Fontes. MACHADO. História da loucura. Petrópolis: Vozes. Orlando. 1991. BELLODI. GONÇALVES. HUISMAN. Maria Magaly Trindade. Coelho. A Condição Pós-moderna. Christian. PRADO. Tradução de Lygia M. Petrópolis: Vozes. Teoria da Literatura “revisitada”. 1999. São Paulo: Martins Fontes. Zina. Tradução de Walter Dutra. EAGLETON. São Paulo: Perspectiva. 2005. Pondé Vassalo. Zina. 1977. Novo manual de teoria literária. BELLODI. Terry.França. As palavras e as coisas. Lisboa: Gradiva. 1991. As Idéias Filosóficas Contemporâneas na França. Tradução de Luis Felipe Baeta Neves. Terry. Dicionário de Obras Filosóficas. 1997. A Arqueologia do Saber. Petrópolis: Aula 8 Vozes. 1997. LYOTARD. São. LYOTARD. 1988. 1991. Poesia reunida. Jean-François. Tradução de Salma Tannus Muchail. Tradução de Arnaldo Marques. Tradução de José Bragança de Miranda. Manual de Teoria e Técnica Literária. Tradução de José Teixeira FOUCAULT. Roger. Vigiar e Punir. Michel. São Paulo: Martins Fontes. LEITURA RECOMENDADA DESCAMPS. SAMUEL. EAGLETON. 2002 UESC Letras Vernáculas 145 . São Paulo: Siciliano. 2005. Michel. Roberto. Rio de Janeiro: Graal. PIRES. Michel. 2002. 1989. Ciência e Saber: a trajetória da arqueologia de Michel Foucault. C. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Michel. 1997. Lisboa: Gradiva.

Introdução aos estudos literários II: literatura, correntes teórico-críticas

O pós-estruturalismo

Anexo
Derrida: Jacques Derrida nasceu em El-Biar, Argélia, em 15 de julho de
1930. Os anos de infância e de adolescência foram passados numa Argélia
marcada pela colonização e pela guerra.

Em 1949, mudou-se para Paris

e ingressou no curso preparatório para a École normale supérieure, sendo
admitido ali três anos mais tarde. Completou seus estudos superiores com a
dissertação O problema da gênese na filosofia de Husserl. Em 1956, é aceito,
na agrégation e recebe uma bolsa de special auditor para a Universidade
de Havard, em Cambridge, para consultar ali microfilmes dos inéditos de
Husserl, de quem começa a traduzir L’ Origine de la geométrie. Em junho
de 1957, casa-se com Marguerite Aucouturier, com quem terá dois filhos:
Pierre, em 1963, e Jean, em 1967. Publica, em 1967, seus três primeiros
livros: Gramatologia, A Escritura e a Diferença e A Voz e o Fenômeno. A
partir de então, se avolumam as publicações e sua atuação como professor
palestrante se estende a várias universidades na Europa e fora dela. A partir
de 1975, nos Estados Unidos, depois de ter dado seminário na Universidade
Johns Hopkins, passa a ensinar, algumas semanas por ano, em Yale, junto
com Paul de Man e Hillis Miller. Intensifica-se, nessa época, sua relação com
os Estados Unidos, quando grande parte de sua obra começa a ser traduzida
ali. Jacques Derrida esteve no Brasil por duas ocasiões. Em 1995, num evento
organizado pela USP e PUC-SP, o Professor profere, no grande auditório do
MASP, a palestra   História da Mentira: prolegômenos, cuja tradução foi feita
por Jean Briant e publicada em Estudos Avançados 10 (27), pela Edusp
em 1996.  Em junho de 2001, participou junto com René Major, no Rio de
Janeiro, dos Estados Gerais da Psicanálise. Os principais temas discutidos
foram: 1. Derrida e a Psicanálise; 2. Hospitalidade e Amizade; 3. Crueldade
e Soberania; 4. O Futuro do Homem Face à Tecnologia. Faleceu, em Paris, 8
de outubro de 2004.
Fonte: http://www.unicamp.br/iel/traduzirderrida/biografia.htm
Ilustração - Fonte: http://www.religion.ucsb.edu/projects/irreconcilabledifferences/Derrida.jpg

Husserl: Edmund Husserl (1859-1938), filósofo alemão fundador da
Fenomenologia, um método para a descrição e análise da consciência,
através do qual a filosofia tenta alcançar uma condição estritamente
científica. Para ele, a base filosófica para a lógica e a matemática precisa
começar com uma análise da experiência que está antes de todo pensamento
formal. Isto o obrigou a um intenso estudo dos empiristas ingleses John
Locke, George Berkeley, David Hume, e John Stuart Mill, e a familiarizar-se
com a terminologia da lógica e da semântica derivadas daquela tradição,
especialmente, a lógica de Mill. Husserl é autor de Investigações Lógicas
(1900-1901), Filosofia como ciência rigorosa (1911), Idéias para uma
Fenomenologia e uma Filosofia Fenomenológica Puras (1913), Lições para
uma Fenomenologia da Consciência Interna do Tempo (1928). Lógica Formal
e Lógica Transcendental (1929) e Meditações Cartesianas e Conferências de
Paris (1931).
Fonte: HUISMAN, 2000, p. 125, p.147, p.183, p. 319, p.320 e p. 540.
Ilustração - Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Edmund_Husserl_1900.jpg

146

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

Bakhtin: Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895 - 1975) nasceu em Orel, ao
sul de Moscou, mas cresceu entre Vínius e Odessa, cidades fronteiriças
com grande variedade de línguas e culturas. Mais tarde, estudou Filosofia e
Letras na Universidade de São Petersburgo, abordando em profundidade a
formação em filosofia alemã. Dedicou a vida à definição de noções, conceitos
e categorias de análise da linguagem com base em discursos cotidianos,
artísticos, filosóficos, científicos e institucionais. Em sua trajetória, notável
pelo volume de textos, ensaios e livros redigidos, esse filósofo russo não
esteve sozinho. Foi um dos mais destacados pensadores de uma rede de
profissionais preocupados com as formas de estudar linguagem, literatura
e arte, que incluía o linguista Valentin Voloshinov (1895-1936) e o teórico
literário Pavel Medvedev (1891-1938). Um dos aspectos mais inovadores da
produção do Círculo de Bakhtin, como ficou conhecido o grupo, foi enxergar
a linguagem como um constante processo de interação mediado pelo diálogo
e não apenas como um sistema autônomo, como via a linguistica estrutural.
Fonte: revistaescola.abril.com.br/.../filosofo-dialogo-487608.shtm/
Ilustração - Fonte: http://linguisticadeldiscurso.blogspot.com/

Foucault: Michel Foucault (1926- 1984) foi professor de História dos
Sistemas de Pensamento no Collège de France de 1970 a 1984. Autor das
seguintes obras, nas quais analisa a construção da verdade – os biopoderes
e as disciplinas - para o Ocidente: História da Loucura (1961), As Palavras e
as coisas, uma arqueologia das ciências humanas (1966), A Arqueologia do
saber (1969), Vigiar e Punir (1975) e História de sexualidade (1976).
Fonte:

HUISMAN, 2000, p.16, p. 270, p. 271, p.422, p. 568.

Ilustração - Fonte: http://www.phillwebb.net/History/TwentiethCentury/continental/%28Post%29Structuralisms/
Foucauldian/Foucault/Foucault.htm

Nietzsche: Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão (1844 - 1900), que

8

teceu duras críticas à modernidade, por isso se justifica sua influência entre
os pós-estruturalistas. Para Nietzsche, a verdade se tornou uma multidão

Aula

de metáforas e metonímias, ou seja, relações humanas. Mas elas parecem
objetivas e incriadas. O homem só conhece o efeito das leis da natureza,
e não elas mesmas. A atividade do conhecer é um meio de se atingir a
potência. Para se contrapor à ilusão em que vivemos, devemos desenvolver
uma força artística. O mundo que percebemos é uma obra de arte dos sentidos
e do intelecto da concepção de conhecimento deriva a noção kantiana do
conhecimento com atividade constituinte e legisladora. Nietzsche é contra a
humanização do mundo. Entre suas obras, estão: Nascimento da tragédia
(1872), Humano, Demasiado Humano (1878-1886), Assim falava Zaratustra
(1813-1815), Gaia Ciência (1883-1887), Além do bem e do mal (1886),
Genealogia da moral (1887), Vontade de Poder (1901) e Ecce homo (1908).
Fonte: http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm
Ilustração - Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nietzsche187c.jpg

UESC

Letras Vernáculas

147

Introdução aos estudos literários II: literatura, correntes teórico-críticas

O pós-estruturalismo

Lyotard: Jean-François Lyotard (1924 -1998) foi um filósofo dos mais
importantes filósofo francês que pensou a sobre a pós-modernidade.
Lecionou filosofia no ensino secundário, na Argélia, e no superior, como na
Universidade de Sorbonne, de Nanterre e de Vincennes, por mais de trinta
anos. Recebeu o título de professor agregado em filosofia, em 1958, e o título
de doutor em Letras, em 1971. Dedicou-se durante longos anos a trabalhos
teóricos e práticos no grupo “Socialismo ou Barbárie” e em Pouvoir ouvrier.
Em 1979, deu aulas na Universidade de São Paulo. Foi membro do Collège
International de Philosophie, professor emérito da Universidade de Paris,
professor de francês na Universidade da Califórnia (Irvine). Mudou-se para a
Emory University, Atlanta,Estados Unidos, em 1995, onde lecionou francês
e filosofia. É autor de: Economia Libidinal (1974), A condição Pós-moderna
(1979) e O Litígio (1983).
Fonte:http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/lyotard.htm
Ilustração - Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jean-Francois_Lyotard_cropped.jpg

148

Módulo 3

I

Volume 2

EAD

Suas anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ _________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ .