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Concreto Protendido
Fundamentos Iniciais

Hideki Ishitani
Ricardo Leopoldo e Silva França
Escola Politécnica – USP
Departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações
2002

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Conceitos Básicos
CONCRETO PROTENDIDO

1. Introdução
O concreto resiste bem à compressão, mas não tão bem à tração.
Normalmente a resistência à tração do concreto é da ordem de 10% da
resistência à compressão do concreto. Devido à baixa capacidade de resistir à
tração, fissuras de flexão aparecem para níveis de carregamentos baixos. Como
forma de maximizar a utilização da resistência à compressão e minimizar ou até
eliminar as fissuras geradas pelo carregamento, surgiu a idéia de se aplicar um
conjunto de esforços auto-equilibrados na estrutura, surgindo aí o termo
protensão.

Figura 1. Fila de livros.

Na figura 1 temos um exemplo clássico de como funciona a protensão.
Quando se quer colocar vários livros na estante, aplicamos forças horizontais
comprimindo-os uns contra os outros a fim de mobilizar as forças de atrito
existente entre eles e forças verticais nas extremidades da fila, e assim,
conseguirmos colocá-los na posição desejada.
Tecnicamente o concreto protendido é um tipo de concreto armado no qual a
armadura ativa sofre um pré-alongamento, gerando um sistema autoequilibrado de esforços (tração no aço e compressão no concreto). Essa é a
diferença essencial entre concreto protendido e armado. Deste modo o

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elemento protendido apresenta melhor desempenho perante as cargas externas
de serviço.

(a) Concreto Simples

(b) Concreto Armado

(c) Concreto Protendido

Figura 2. Diferença de comportamento de um tirante
Na figura 2 observamos o comportamento do gráfico Carga-Deformação de
um tirante tracionado sem armadura e com armaduras protendida (Concreto
Protendido) e com armaduras sem protensão (Concreto Armado). A précompressão, decorrente do pré-alongamento da armadura ativa do tirante,

Ambas têm a mesma capacidade última (Mu ).4 aumenta substancialmente a capacidade de resistir ao carregamento externo necessário para iniciar a fissuração. Carga deslocamento em peças fletidas de concreto armado e concreto protendido. para um mesmo nível de carregamento. Na figura 3. mas a peça protendida tem um momento de fissuração (Mr”) muito maior que a viga de concreto armado. Devido a contraflecha inicial da viga protendida. suas deformações iniciais são menores do que a viga de concreto armado. Figura 3. mostra-se a diferença da curva carga-flecha em uma viga de concreto armado (CA) e em uma viga com armadura de protensão (CP). .

as tensões extremas valem: σ q. lança-se mão da “protensão” para alterar o diagrama de tensões normais tornando-o mais apropriado à resistência do concreto.max  −h  M q. Viga com carregamento permanente (g) e variável (q).max 100 × 10 −3 .5 1.max M q. seguramente. = = = = 12MPa bh 3  2  bh 2 Winf 0. No concreto armado.inf = M q. A tensão máxima de tração vale 12 MPa junto à borda inferior e a de compressão.52 − − 12 6 6 e σ q.max  h  M q. a ruptura da seção transversal por tração. Para o material concreto. a resistência da seção é obtida pela utilização de uma armadura aderente posicionada junto à borda tracionada. tensões desta ordem de grandeza provocam. em regime elástico linear.sup = M q.max M q.2 kN/m.max I ⋅ y inf = Mq. No concreto protendido. 3 os sinais atribuídos aos módulos de resistência Wsup e Winf permitem compatibilizar as convenções clássicas adotadas para momento fletor e tensões normais.1.max ql 22. A esta carga corresponde o momento fletor máximo 2 M q. .52 12 6 6 Conforme mostra a fig.2 × 0. Nesta seção. = = = = −12 MPa bh 3  2  bh 2 Wsup 0.max I ⋅ ysup = M q. Noções Preliminares Considere-se a viga esquematizada na figura 4. -12 MPa junto à borda superior.max 100 × 10 −3 .m 8 8 no meio do vão.2 × 0. a) Considere-se a atuação isolada da carga acidental q = 22.2 × 6 2 = = = 100 kN. Figura 4.

σsup = σcpsup + σqsup = −12 + ( −12 ) = −24 MPa σ inf = σ cpinf + σ qinf = −12 + (12 ) = 0 . em condições de utilização. Através de macacos hidráulicos apoiados nas faces da viga.3a. aplique-se à armadura a força de protensão P = 1200 kN. a seção de concreto estará comprimida com a força P = -1200 kN. quando agirem simultaneamente com as demais ações impeçam ou limitem a fissuração do concreto. com exceção da borda inferior onde a tensão normal é nula. Após o endurecimento do concreto introduz-se uma armadura nesta bainha. decorrente desta protensão. Para isso. eliminação) das tensões normais de tração na seção.1. fig. as forças de protensão são obtidas utilizando-se armaduras adequadas chamadas armaduras de protensão. Entende-se por peça de concreto protendido aquela que é submetida a um sistema de forças especial e permanentemente aplicadas chamadas forças de protensão tais que.5 Onde se desprezou a redução da área Ac devido ao furo (vazio correspondente à bainha). Acrescentando-se o efeito do carregamento do item a).2 × 0. imagine-se que a viga seja de concreto com uma bainha metálica flexível e vazia posicionada ao longo de seu eixo. b) Considere-se a aplicação da força de protensão P = 1200 kN centrada na seção mais o efeito da carga acidental do item a). O diagrama de tensões normais na seção do meio do vão será inteiramente de compressão. A tensão de compressão uniforme. Esta pré-compressão aplicada ao concreto corresponde ao que se denomina de protensão da viga. vale: σcpsup = σcpinf = P P −1200 × 10 −3 = = = −12MPa Ac bh 0. Naturalmente.6 Figura 5 A idéia básica da protensão está ligada à redução (eventualmente. Normalmente.

6. se a posição da bainha for deslocada paralelamente ao eixo da viga de 8.33 cm. Observa-se que a tensão máxima de compressão corresponde ao dobro da tensão devida à carga acidental q.0833 = −50 kN.33 cm. as seções da viga ficam submetidas à força normal Np = -600 kN e ao momento P.ep  1 0. Desta forma a tensão normal de tração foi eliminada. pois o momento fletor aumenta de zero nos apoios ao valor máximo no meio do vão. conforme mostra a fig.5   A c Wsup  . mais o efeito da carga acidental do item a) De maneira análoga ao que foi visto no item b). O diagrama de tensões normais ao longo do vão da viga varia entre os valores esquematizados nas figuras fig. 7.0833 × 6  + = P + p  = −600  − =0 2    A c Wsup  0. c) Considere-se a protensão P = 600 kN aplicada com excentricidade e p = 8.2 × 0.5 0.b e fig.7 Figura 6 A tensão máxima de compressão vale -24 MPa junto à borda superior da seção e a tensão mínima será nula na borda inferior.d. 6.2 × 0.ep: M p = Pep = −600 × 0.m As tensões normais extremas devidas a protensão passam a valer: σcpsup = e  1 e  P P.a.

pois o momento fletor aumenta de zero junto aos apoios ao valor máximo no meio do vão.d.2 × 0.b e 5.ep 1 0. havendo apenas troca das bordas. A tensão máxima final de compressão foi reduzida à metade do caso b). o diagrama resultante de tensões normais. d) Acrescente-se ao caso do item c) o efeito da carga permanente total g = 14.22 kN/m. Momento fletor máximo vale: . A máxima tensão de compressão final coincide com a máxima tensão de compressão devido apenas a protensão. Figura 7 Se for acrescentado o carregamento do item a).0833 × 6   + = P + + = −12 MPa  = −600  2  A c Winf  0. será triangular e inteiramente de compressão.2 × 0. mostrando a indiscutível vantagem desta solução sobre a anterior.8 σcpinf = ep   1 P P.5   A c Winf  Resultando um diagrama triangular de tensões normais de compressão. σ sup = σ cp sup + σ q sup = 0 + ( − 12 ) = −12 MPa σ inf = σ cp inf + σ q inf = −12 + (12 ) = 0 A tensão máxima de compressão vale -12 MPa junto à borda superior da seção e a tensão mínima será nula na borda inferior. na seção do meio do vão. O diagrama de tensões normais ao longo do vão da viga varia entre os valores esquematizados nas figuras 5.5 0.

19.e p  1 0.68 ) = 7. portanto.68 MPa = 7.68MPa Figura 8 Nota-se o aparecimento de uma tensão de tração de 7.2 × 0. o diagrama de tensões normais na seção mais solicitada passa a ser o indicado na fig.68 MPa na borda 1.19 × 6   + = P + + = −19.22 × 6 2 = = 64 kN. e a tensão máxima de compressão aumenta.5 0. O aumento de excentricidade vale exatamente e g = -Mg / Np = -64 / (-600) = 0. De fato.68 MPa junto à borda 2. as novas tensões normais devidas a protensão valem: σcpsup =  1 e  P P.e p 1 0.5   A c Winf  E.19 m.19 × 6  + = P + p  = −600  − = 7.m 8 8 e as tensões normais extremas: σgsup = σginf = Mg Wsup Mg Winf = −7.68 MPa 2    A c Wsup  0. atingindo .2 × 0.7.5   A c Wsup  e σcpinf = ep   1 P P. É importante observar que a tensão de tração resultante pode ser eliminada simplesmente aumentando a excentricidade da armadura de protensão para ep = 0.68 MPa Superpondo-se o efeito deste carregamento à situação do item c).9 Mg = gl 2 14.2 × 0.68 ) = −19. .68 MPa  = −600  2  A c Winf  0.68MPa σ inf = σ cpinf + σ qinf + σ ginf = −12 + ( 12 ) + ( 7.2 × 0. pois σ sup = σ cpsup + σ qsup + σ gsup = 0 + ( −12 ) + ( −7.107 m.5 0.

pode-se observar que nas proximidades dos apoios aparecem tensões de tração. Desta forma. isto pode ser obtido. Este continua sendo o ponto de passagem da armadura na seção transversal.33 cm. Da análise do diagrama de tensões normais ao longo da viga. Figura 9 O perfil parabólico procura acompanhar a variação da excentricidade eg = -Mg / Np ao longo da viga. pois é necessário manter um cobrimento mínimo de proteção desta armadura. 9. pr = P r Onde r é o raio de curvatura local.68 + ( 12 ) + ( 7. também. Particularmente. com base na fig. Para anular esta tensão. esta compensação apresenta um limite.68 + ( −12 ) + ( −7. de maneira aproximada. . Conforme mostra a fig. As cargas atuantes na armadura isolada agem.10 σsup = σcpsup + σqsup + σ gsup = 7. alterando-se o perfil reto da armadura ao longo da viga por um perfil curvo (em geral parabólico). Em estruturas isostáticas. Naturalmente. a excentricidade da força de protensão deve reassumir o valor ep = 8. o esforço resultante na seção transversal é. De fato.7. o equilíbrio separado da armadura (suposta flexível) exige a presença da força P junto à seção analisada e. 1. As reações de apoio são nulas.68 ) = −12 MPa σ inf = σ cpinf + σ qinf + σ ginf = −19. o trecho parabólico pode ter o seu início no meio do vão e passar pelo ponto A junto ao apoio. pois a estrutura é isostática (a estrutura deforma-se livremente sob ação da protensão). aplicado no ponto de passagem da armadura na seção transversal e com a inclinação do cabo neste ponto. o efeito do peso próprio foi compensado simplesmente pelo aumento da excentricidade da força de protensão (aumento da distância da armadura de protensão em relação ao CG da seção) sem gasto adicional de material. na seção do apoio esta tensão atinge 7.68 MPa. o fato da armadura de protensão ser curva não altera o ponto de aplicação da força correspondente a protensão. Na prática. como carregamento de sentido contrário. sobre a viga de concreto. exatamente -P.68 ) = 0 Assim. da pressão radial.

Contudo. por sua vez. o ângulo α é pequeno pode-se admitir Np ≈ . mesmo sendo admitida a constância da força de tração (P) na armadura de protensão. as análises podem ser efetuadas com o “cabo equivalente” (ou “cabo resultante”).P. Vale observar. também. pois. Figura 10 Convém observar que. a protensão pode gerar reações de apoio (reações hiperestáticas de protensão) que geram esforços (hiperestáticos) adicionais de protensão nas seções. o aparecimento da força cortante equivalente. Este cabo virtual tem a força de protensão P e o seu ponto de passagem é dado pelo centro de gravidade das forças de protensão de cada cabo na seção. . pelo menos para efeito de pré dimensionamento das seções. a força normal equivalente é variável no trecho curvo desta armadura. a força de protensão é obtida pela utilização de um grupo de cabos que. Normalmente. Vp = − Psenα Na realidade. como será visto mais adiante.11 Em estruturas hiperestáticas. são constituídos de várias cordoalhas. N p = −Pcos α como. em geral. Cada cabo tem um desenvolvimento longitudinal próprio. a força normal de tração na armadura de protensão também varia um pouco ao longo do cabo por causa das inevitáveis perdas de protensão.

m ηb =1. seriam necessários Ap = 12 cm2 de armadura de protensão. de valor aceitável) f) Considere-se. e) Considere-se a viga constituída de concreto armado Admita-se que a viga faça parte do sistema estrutural para uma biblioteca com carregamento constituído de g = 14.438 d Mg+q = 164. a protensão obtida com armadura CA60 (apenas para efeito de análise comparativa. Admitindo-se a atuação do .12 < 0.22 kN/m e q = 22. o que acontece com o valor da força de protensão ao longo do tempo. se for admitida uma tensão útil no aço de 50 kN/cm2 (500 MPa). conduz aos seguintes resultados: Estado Limite Ultimo (momento fletor): ξlim=ξ34= x 34 =0.0 kN.7Mq = 134. Veja-se. admitindo-se fissura admissível de 0.m → ξ = 0.56 cm ≈ l/270 (flecha no estádio II. Para se obter a força de protensão de 600 kN.12 Figura 11 De qualquer forma. segundo a NB1-2000. contudo.42 < ξ lim As = 12 cm2 (6φ16) Estado Limite de Utilização. aparentemente. O dimensionamento como concreto armado.3 ( OK.3 a = 1. para a Combinação Freqüente com ψ 1=0. Desta forma. a utilização adequada de cabos curvos permite eliminar as tensões normais de tração nas seções transversais ao longo do vão. pois não se utiliza protensão com aço CA 60).7: MCF = Mg + 0. admitindo-se fck= 35 MPa e aço CA50. agora. ter-se-ia atendido às condições vistas nas análises dos itens c) e d).4 kN.5 mm) → w = 0.22 kN/m.

00053=-0. após as operações de protensão.g+p=-0.36. as bainhas são injetadas com nata de cimento garantindo-se a aderência entre a armadura e o concreto.13 carregamento utilizado no item e). a armadura de protensão passa a ter a mesma deformação adicional que o concreto adjacente. tem-se uma queda de tensão na armadura de: ∆σ p ≅ Ep ε co =-2.54 × 12 = 161.15ºC de queda de temperatura. Desta forma.00174 Normalmente.g+p ≅ -10.74 × 10 -3 =-365.00015-3 × 0. Sabe-se que.g+p =-10. a deformação imediata provocada pela carga permanente pode chegar a triplicar devido ao fenômeno da fluência. isto é: ε cs=-10 -5 × 15=-0.00015 Onde se admitiu o coeficiente de dilatação térmica α t = 10-5 ºC-1. a retração do concreto em ambiente normal é equivalente à cerca de . Essa redução na tensão normal de tração na armadura provoca a queda da força efetiva de protensão para Pef = 600 .56 MPa Que corresponde a uma deformação imediata da ordem de ε ic.56 =-0.52 kN. . σc. 12. Figura 12 Devido a protensão e à carga permanente.1 × l0 5 × 1. Assim. a tensão normal no concreto junto à armadura vale. resulta o diagrama de tensões normais indicado na fig.00053 20000 Onde se admitiu E c = 20 GPa. Para a deformação de encurtamento estimado anteriormente. Por outro lado.1 × 10 5 MPa.4 MPa Onde se adotou para o módulo de elasticidade da armadura o valor E p = 2. pode ocorrer ao longo do tempo uma deformação total de encurtamento da ordem de: ε co ≅ ε cs +3ε ic.

a fissuração é praticamente inexistente e a flecha é substancialmente reduzida. agora. a viga de concreto armado utilizando armadura de protensão (aço de alta resistência).14 É inviável. ambas. Figura 13 A fig.5 cm (≈ l/170). Este caso particular. as perdas de protensão mencionadas são perfeitamente assimiladas resultando em tensões efetivas de cerca de 1000 MPa. ou seja. praticamente. onde não se consegue deformar a armadura de modo a permitir a exploração de sua elevada resistência. . considere-se a viga protendida com armadura de alta resistência. g) Considere-se. 13 apresenta. resultou inclusive em peça super armada. o clássico diagrama de Goodman. assim. A protensão através de armaduras de alta resistência permite a utilização de tensões de protensão da ordem de 1300 MPa. esquematicamente. o efeito da protensão na peça. Um outro aspecto. considerar esta redução da protensão no dimensionamento.6 décimos de mm (φ16) e flecha da ordem de 3. anulam o efeito de protensão. é o fato da oscilação de tensão na armadura devida à atuação da carga acidental ser percentualmente pequena reduzindo o efeito da fadiga. Neste nível de solicitação da armadura. na prática. também de importância. pois a rigidez à flexão corresponde ao momento de inércia da seção não fissurada. seguramente. nos estados limites de utilização tem-se fissuras de cerca de 3.32 cm2. pode-se afirmar que armaduras usuais de concreto armado com resistências de escoamento limitadas a cerca de 600 MPa ficam automaticamente excluídas para uso como armadura de protensão por causa das perdas inevitáveis que. Garante-se. Como conclusão. A solução em armadura simples é obtida no domínio 4 com As = 6. A conclusão é de que as armaduras de alta resistência não são apropriadas para o uso em concreto armado. h) Finalmente. Admita-se a situação do item d) com armadura de alta resistência de Classe B com fyk = 1500 MPa. além dos limites aceitáveis. sem a pré-tensão.

fez as primeiras aplicações práticas do concreto protendido com aderência inicial utilizando fios de alta resistência. A primeira ponte protendida foi a de Aue. projetada por Freyssinet. consegue-se eliminar as tensões de tração e.3. b) Eliminação das tensões de tração. Breve histórico Datam do final do século passado. além disso. hoje. Desta forma tem-se. Inicialmente. Hoyer. 1928) utilizou arames refilados de alta resistência resolvendo o problema gerado pela perda progressiva de protensão. No Brasil. . Santa Catarina. De qualquer forma.15 1. portanto. Ulrich Finsterwalder. existe a tendência em utilizar a protensão parcial onde. Estes aços não são viáveis no concreto armado devido à presença de fissuras de abertura exagerada provocadas pelas grandes deformações necessárias para explorar a sua alta resistência. na Alemanha. ela elimina os problemas citados. Atualmente. as tensões normais de tração com a protensão (protensão completa).2. 1. constitui um meio eficiente de controle de abertura de fissuras quando estas forem permitidas. Vantagens do concreto protendido a) Emprego de aços de alta resistência. em certas situações existem dificuldades para se conseguir estas deformações. Eugene Freyssinet (França. desenvolveu a aplicação do protendido às pontes construídas em balanços sucessivos. Com os equipamentos e ancoragens de protensão (fabricados inicialmente por Freyssinet na França em 1939 e Magnel na Bélgica em 1940). em situações de combinações extremas de ações. projetada por Dischinger (1936) com protensão sem aderência (cabos externos). Havendo necessidade. na Alemanha. procurava-se eliminar totalmente. divulgou-se o uso do concreto protendido nas obras. as primeiras experiências de uso do concreto protendido. Este processo foi originalmente utilizado por Emílio Henrique Baumgart no projeto e construção da ponte de concreto armado sobre o Rio do Peixe em Herval. permite-se a fissuração da peça como ocorre no concreto armado. a primeira ponte protendida foi construída no Rio de Janeiro em 1949. Ao mesmo tempo em que a alta resistência constitui uma necessidade para a efetivação do concreto protendido (por causa das perdas progressivas). a fissuração do concreto. a unificação do concreto armado com o concreto protendido constituindo o concreto estrutural. Foram tentativas fracassadas provocadas pelas perdas provenientes da retração e fluência do concreto que praticamente anularam as forças iniciais de protensão.

2. quando o esforço no cabo é transferido do macaco para a placa de apoio. Por este motivo à armadura protendida deve ser muito protegido. que ocorrem durante vários anos: b. Problemas com armaduras ativas e desvantagens do concreto protendido. d) Diminuição da flecha. redução da flecha por eliminar a queda de rigidez a flexão correspondente à seção fissurada. quando ancoradas nas extremidades. . Como nos aços de concreto armado as armaduras de protensão também sofrem com a corrosão eletrolítica.2) Perdas retardadas. A protensão permite criar sistemas construtivos diversos: balanço sucessivos. denominado corrosão sob tensão (stress-corrosion) fragilizando a seção da armadura. assim. praticamente. O emprego obrigatório de aços de alta resistência associado a concretos de maior resistência permite redução das dimensões da seção transversal com redução substancial do peso próprio. A protensão. a protensão favorece a resistência ao cisalhamento. estruturas mais leves que permitem vencer maiores vãos.2. além de reduzir a força cortante efetiva. sob tensão elevada. b. a) Corrosão do aço de protensão. Tem-se. que se verificam durante a operação de estiramento e ancoragem dos cabos: b. elimina a presença de seções fissuradas.1. b.1) Perdas imediatas. b. Produzidas por encurtamentos retardados do concreto.16 c) Redução das dimensões da seção transversal. e) Desenvolvimento de métodos construtivos.3) Perdas por encurtamento elástico do concreto.2) Perdas por relaxação do aço. Têm-se. São todas as perdas verificadas nos esforços aplicados nos cabos de protensão. Provocadas por movimentos nas cunha de ancoragem. 1. pré-moldados e etc. b. assim.1. b) Perdas de protensão. decorrentes das reações químicas e do comportamento viscoso. Também. No entanto nas armaduras protendidas apresentam outro tipo de corrosão.1) Perdas por atrito.2) Perdas nas ancoragens. durante a protensão. produzidas por atrito do cabo com peças adjacentes. produzidas por queda de tensão nos aços de alta resistência.1. além de propiciar a ruptura frágil.1) Perdas por retração e fluência do concreto.4. b.

(ambiente agressivo – concreto pouco permeável) .5 Exemplos de aplicação da protensão em estruturas da construção civil. Edifícios: Vigas mais esbeltas Lajes com vãos maiores Pontes Estaiadas Arcos Reservatórios: (minimizar fissuras) Obras marítimas.17 c) Qualidade da injeção de nata nas bainhas e da capa engraxada nas cordoalhas engraxadas. d) Forças altas nas ancoragens. 1. f) Cuidados especiais em estruturas hiperestáticas. e) Controle de execução mais rigoroso.

18 Barragens Elevação de reservatórios. Muros de arrimo .

impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no ELU”. Armadura de protensão. “Aqueles nos quais partes das armaduras são previamente alongadas por equipamentos especiais de protensão com a finalidade de. 2. na qual se aplica um pré-alongamento inicial.1. cordoalha ou feixe)). A resistência usual do concreto (fck) varia de 24 MPa a 50 MPa. Figura 14 . Normalmente.1. A resistência usual de ruptura (fptk) varia de 1450 MPa a 1900 MPa. barra.1. Elementos de concreto protendido. 14 ilustra os diferentes tipos de aço para protensão. em condições de serviço. Aquela constituída por barras. A fig. (O elemento unitário da armadura ativa considerada no projeto pode ser denominado cabo. 2. as forças de protensão são obtidas utilizando-se armaduras de alta resistência chamadas armaduras de protensão ou armaduras ativas.1 Definições (conforme o projeto de norma NB1-2000Projeto de Estruturas de Concreto).2. qualquer que seja seu tipo (fio.19 2 Materiais e sistemas para protensão DEFINIÇÕES 2. por fios isolados. isto é. ou por cordoalhas destinada à produção de forças de protensão.

5% σpi Os aços de protensão são designados conforme ilustram os exemplos seguintes: CP 170 RB L Concreto Protendido f ptk Resistência característica de ruptura em kN/cm2 RB Relaxação Baixa RN Relaxação Normal L – Fio liso E – Fio entalhe Figura 15 Conforme a NBR-7482 têm-se os fios padronizados listados a seguir onde fpyk é o valor característico da resistência convencional de escoamento. apresentadas em forma de barras rosqueadas com nervuras laminadas a quente. considerada equivalente à tensão que conduz a 0. As cordoalhas são constituídas de 2. denominada relaxação do aço. Uma bitola típica é a barra DYWIDAG φ 32. Deste ponto de vista os aços de protensão são classificados em aços de relaxação normal (RN) quando ∆σpr pode atingir cerca de 12% da tensão inicial (σpi) e aços de relaxação baixa (RB) onde: ∆σpr ≤ 3. . 3 ou 7 fios de aço de protensão e são padronizadas pela NBR-7483. geralmente. costumam apresentar uma perda de tensão (∆σpr) sob deformação constante. Os fios de aço para concreto protendido são padronizados pela NBR-7482.20 As barras de aço para protensão são. e o módulo de elasticidade é admitido como sendo de E p = 210 GPa.2% de deformação permanente. Nessas condições. As armaduras de protensão são submetidas a tensões elevadas de tração em geral acima de 50% da sua resistência de ruptura (fptk).

(kg/km) CP 145RBL 9.9 302 1.8 21.700 170 1.0 6.8 99 154 222 1.0 5.5 37.3 6.6 62.6 39.450 145 5.3 12.8 154 222 1. 6.5 54.0 5.5 9.0 12.8 7.0 CORD CP 190 RB 3x4.730 168.3 18.390 3.5 55. 7 As cordoalhas são padronizadas pela NBR-7483.φ 5.5 12.4 312 74.5 37.0 38.6 46.6 19.3 19.450 145 1. 8 (mm) / CP 160 RN . (mm) (mm 2) (mm 2) (kg/km) (kN) (kgf) (kN) (kgf) (%) 6.0 FIOS (MPa) (Kgf/mm 2) (MPa) (kgf/mm2) ALONG.310 131 6.2 27.0 5.9 500 1.6 7.φ 5.750 1.580 1.7 520 124.9 fptk): CP 160 RB .350 135 6.5 9.0 238 57.5 CORD CP 190 RB 3x5.3 11.0 CP 175RBE CP 175RBE CP 175RBE 4.4* 26.5 46.4 98.0 CP 170RNE 7. 7 / CP 170 RN .6 39.0 5.130 3.0 5.126 265.770 78.750 1.490 1. 7.480 67.0 CP 150RBL 8.6 14.0 CP 170RBL 7.7 792 187.0 12.0 CP 175RBL CP 175RBL 5.5 11. Fios de aço de relaxação normal (fpyk = 0.7 101.0 5. Tabela 2 Características físicas e mecânicas das cordoalhas produzidas pela Belgo Mineira.750 175 175 1.920 3.0 1.9 7.8 4.21 ÁREA APROX.5 74.470 3.580 1.530 153 5.0 19.3 10.6 28.9 9.9 302 1.5 171 40.5 CORD CP 190 RB 3x4.580 239.0 CORD CP 190 RB 3x3.0 63.3 19.0 CORD CP 190 RB 7 CORD CP 190 RB 7 CORD CP 190 RB 7 CORD CP 190 RB 7 CORD CP 190 RB 7 CORD CP 190 RB 7 ÁREA MASSA CARGA CARGA MÍNIMA A ALONG.5 37. APÓS RUPTURA (%) DIÂMETRO NOMINAL (mm) Tabela 1.8 99 154 222 1.8 26.3 5.580 158 158 5.5 12.890 3.8 441 104.2 27.1 6.2 23.5 15.700 170 1.710 3. O módulo de deformação E p = 195.230 3.85 fptk) CP 150 RN .6 19.460 67.7 8.490 1. Características físicas e mecânicas de fios produzidos pela Belgo Mineira.8 39.5 11.1 %.5 .500 150 1.5 140.650 3. MÍNIMA .6 16.0 CP 170RBE 7.φ 4.0 38.1 66.5 7. 6.530 153 5.480 112.7 4.0 6.080 36.5 8.5 21.5 6.0 6.5 65.7 3.2 27.2 143.6 28.0 5. CORDOALHAS CORD CP 190 RB 3x3.730 3.750 175 175 175 1.060 126. DIÂM ÁREA APROX APROX MÍNIMA DE 1% DE APÓS NOM.6 394 1.490 149 149 149 5. 5. tais como.6 28. RUPTURA ALONGAMENTO RUPT.3 313 74. A resistência característica de escoamento é considerada equivalente à tensão correspondente à deformação de 0.2 590 140.750 1. (mm2) ÁREA MÍNIMA (mm2) MASSA APROX.2 210 49.2 366 87.000 MPa.750 175 175 175 1.0 50.3 30.0 5.7 4.5 26.3 49.750 1.3 19. 6. TENSÃO MÍNIMA DE RUPTURA TENSÃO MÍNIMA A 1% DE ALONGAMENTO Dependendo do fabricante outras bitolas de fios são encontradas.5 7.430 93.0 75.0 38.970 44.0 CP 175RNE CP 175RNE CP 175RNE 4.580 1.700 51.670 3.φ 4 Fios de aço de relaxação baixa (fpyk = 0.3 12.8 12.700 170 1.580 158 158 158 5.860 3.6 30.9* 39.9 302 1. .750 1.

2.0 .0 .2). 2. 12.φ 6. sendo a ligação da armadura de protensão com os referidos apoios desfeita após o endurecimento do concreto.5 .3 × φ (2. 12 cordoalhas de 15.0 . armaduras construtivas. eventualmente. 3. 15.7 mm . 2. Usualmente.φ 6.5) CP 180 RN .2 CP 190 RB . a ancoragem no concreto realiza-se só por aderência. 2. “Qualquer armadura que não seja usada para produzir forças de protensão.2 Normalmente.2 mm. 11. isto é.2 Cordoalhas de 7 fios de relaxação baixa (fpyk = 0. (fig.5 .9 . armaduras de pele.0 .φ 9.0 . que não seja previamente alongada”.4 . 3. Cordoalhas de 2 e 3 fios (fpyk = 0. tais como.0 . 2.7 . 7. 12. 12 cordoalhas de 12. 11. 15.7 . 15.φ 9.1. 3 cordoalhas de 12.85 f ptk): CP 175 RN .4 . Concreto com armadura ativa pré-tracionada (protensão com aderência inicial). 12. etc. 7. 15.85 fptk): CP 180 RN . Normalmente são constituídas por armaduras usuais de concreto armado padronizadas pela NBR-7480 (Barras e fios de aço destinados à armadura para concreto armado). por exemplo.1. Aquele em que o pré-alongamento da armadura (ativa de protensão) é feito utilizando-se apoios independentes da peça. 9. 12.2 CP 190 RN . pode-se ter cabos de: 2 cordoalhas de 12. 9.3.5 . armaduras para garantir a resistência última à flexão.9 fptk): CP 175 RB . armaduras de controle de aberturas de fissuras e.0 . 11.5) Cordoalhas de 7 fios de relaxação normal (fpyk = 0.7 . .4.7 . 3. antes do lançamento do concreto.5 . a armadura passiva é constituída de estribos (cisalhamento). os cabos de protensão são constituídos por um feixe de fios ou cordoalhas.9 .22 Dependendo do fabricante outras bitolas de cordoalhas são encontradas. Assim.5 .7 mm. complementando a parcela principal correspondente à armadura de protensão.5 . 3.2 × φ (2. 11.7 mm.0 . Armadura passiva.

• Colocação da armadura • Aplicação da protensão • Fixação da armadura estirada (ancorada) • Injeção de nata de cimento (graut). através da injeção das bainhas. • Concretagem com embutida na peça. Pista de protensão.1. Aquele em que o pré-alongamento da armadura (ativa de protensão) é realizado após o endurecimento do concreto. 2.5. Figura 17. Concreto com armadura ativa pós-tracionada (protensão com aderência posterior). estabelecendo aderência entre armadura e concreto. utilizando-se. a bainha .23 Figura 16. como apoios. criando-se posteriormente aderência com o concreto de modo permanente. Viga com protensão a posteriori. partes da própria peça.

1. mas em que. Concreto com armadura ativa pós-tracionada sem aderência (protensão sem aderência) Aquele obtido como em (2. Níveis de protensão “Os níveis de protensão estão relacionados com os níveis de intensidade da força de protensão.6. após o estiramento da armadura ativa. Figura 19.2.1. não é criada aderência com o concreto.24 Figura 18. 2. 2. Bainhas para protensão. Cordoalha não aderente. ficando a mesma ligada ao concreto apenas em pontos localizados. que por sua vez é função da proporção de armadura ativa utilizada em relação à passiva”.5). Deste modo. usualmente pode-se ter três níveis de protensão: .

onde se levará em conta a agressividade do meio ambiente e ou limites para a sua utilização. 2. Estado limite de descompressão (ELS-D): Estado no qual toda seção transversal está comprimida. calculada no estádio I.1. 2.1. conforme a situação de não se exceder os Estados Limites Descritos a seguir. . Estado limite de formação de fissuras (ELS-F): que se caracteriza em ter-se a máxima tensão de tração. conforto do usuário e boa utilização funcional da mesma.1. aparência. quando posta em serviço.2.2. não havendo tração no restante da seção (exceto junto à região de ancoragem no protendido com aderência inicial onde se permite esforço de tração resistido apenas por armadura passiva. 2.2. respeitada as exigências referentes à fissuração para peças de concreto armado). calculada no Estádio I (concreto não fissurado e comportamento elástico linear dos materiais) não atingir a resistência à tração. Estados Limites de Serviço (ou de utilização): “Estados limites de serviço são aqueles relacionados à durabilidade das estruturas. e em apenas um ou mais pontos da seção transversal a tensão normal é nula. A garantia do atendimento destes Estados Limites de Serviço (ELS) se faz com a garantia.1.25 § Nível 1 – Protensão Completa § Nível 2 – Protensão Limitada § Nível 3 – Protensão Parcial Figura 20 A escolha adequada do nível de protensão em uma estrutura irá depender de critérios preestabelecidos.2. seja às máquinas e aos equipamentos utilizados”. seja em relação aos usuários.

admite-se que a razão entre os módulos de elasticidade do aço e do concreto tenha os valores α e = 15 para carregamentos freqüentes ou quase permanentes e α e = 10 para carregamentos raros. Estado em que as fissuras se apresentam com aberturas iguais aos máximos especificados na tabela 4.26 A resistência à tração na flexão é dada por fct.21 ( f ck ) 2/3 2.2. conforme se indica na fig. fl = 1. os quais não são levados em conta no cálculo da fissuração). fl = 1. Isto será feito para cada elemento ou grupo de elementos das armaduras passivos e de protensão (excluindo-se os cabos protendidos que estejam dentro da bainha ou cordoalha engraxada.1. inf para peças de seção retangular.5 fctk. 5. fctk. A verificação da segurança aos estados limites de abertura de fissuras deve ser feita calculando-se as tensões nas barras da armadura de tração no estádio II (concreto fissurado à tração e comportamento elástico linear dos materiais). Nos outros casos a influência da protensão no controle de fissuração é desprezível. Será considerada uma área Acr do concreto de envolvimento.3.inf = 0.2 fctk. Nos estados limites Estado limite de descompressão (ELS-D) de formação de fissuras (ELS-F) na falta de valores mais precisos. do ponto de vista da aderência. Figura 21 . constituída por um retângulo cujos lados não distam mais de 7 φ i do contorno do elemento da armadura. Sendo. Estado limite de abertura de fissuras (ELS-W). inf para peças de seção T e. Esta postura é tomada devido ao controle da fissuração ser propiciado pela aderência da armadura passiva e da ativa (Pré-tração) com o concreto que o envolve. igual a fct.

σs é o acréscimo de tensão. A NB1-2000 . calculada no Estádio II.75) ES fct φi σS 1 10 ( 2ηi − 0. φ i. considerando toda armadura ativa.27 A grandeza da abertura de fissuras. E si. ρri definidos para cada área de envolvimento em exame.2. no centro de gravidade da armadura. inclusive aquela dentro de bainhas. A cri é a área da região de envolvimento protegida pela barra φi φ i é o diâmetro da barra que protege a região de envolvimento considerada ρ r é a taxa de armadura passiva ou ativa aderente ( que não esteja dentro de bainha) em relação à área da região de envolvimento (Acri) σs é a tensão de tração no centro de gravidade da armadura considerada. Combinações de carregamento Na determinação das solicitações referentes a estes estados limites devem ser empregadas as combinações de ações estabelecidas em Normas. O cálculo no Estádio II (que admite comportamento linear dos materiais e despreza a resistência à tração do concreto) pode ser feito considerando a relação α e = 15. é dada pela menor dentre aquelas obtidas pelas duas expressões que seguem: 1 φi σ S 3σ S 10 ( 2ηi − 0. Figura 22 2. determinada para cada parte da região de envolvimento. entre o Estado limite de descompressão e o carregamento considerado. Deve ser calculada no Estádio II. Nas peças com protensão.75) ES 4   + 45   ρr  Sendo σsi. w.2.

6 0. arquivos. Assim.2.2.4 0. Combinação quase permanente (CQP): Fd = Fgk + Fpk + F(cc + cs + te)k + ψ 2 ∑ Fqik i >1 2. Fpk → protensão (incluindo os “hiperestáticos de protensão”). Tabela 3.2. nem de elevadas concentrações de pessoas.1. Biblioteca. Combinação rara (CR): Fd = Fgk + Fpk + F(cc+ cs +te)k + Fqlk + ψ 1 ∑ Fqik i >1 2.4. oficinas e garagens.28 consideram as seguintes combinações nas verificações de segurança dos estados limites de utilização: 2. excetuando-se a força de protensão e as coações. ou de elevada concentração de pessoas.2.2.2.2 Nas verificações. Combinação freqüente (CF): Fd = Fgk + Fpk + F(cc+ cs+ te)k + ψ 1Fqlk + ψ 2 ∑ Fqik i >1 2. Fqlk → ação variável escolhida como básica. Cargas acidentais de Pontes ψ1 ψ2 0. Os valores de ψ 1 e ψ 2 dependem do tipo de uso. Fd = Fgk + Fpk As ações parciais são as seguintes: Fgk → peso próprio e demais ações permanentes.2. Situação de protensão. Ações Cargas acidentais de edifícios Locais em que não há predominância de pesos de equipamentos que permaneçam fixos por longos períodos de tempo. Locais em que há predominância de pesos de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo.4 0. fluência e temperatura.2.3 0.6 0. Fqik → demais ações variáveis (i> 1) concomitantes com Fqlk. as NB1-2000 estabelece graduação de níveis de protensão mínimos para que se observem valores característicos (wk) das aberturas de fissuras.2 0. e são dados por. por .7 0. F(cc+cs+te) → retração.3. Estes valores são definidos em função das condições do meio ambiente e da sensibilidade das armaduras à corrosão (tabela 4).2.

3mm ELS-W ωk ≤ 0.2 mm e deve ser verificado pela combinação de ações do tipo freqüente. § Muito agressivo.Abertura de fissuras. Tabela 4. ELS-D – Estado Limite de Serviço – Descompressão. Como no interior dos edifícios em que uma alta umidade relativa pode ocorrer durante poucos dias por ano. Classes de agressividade ambiental e exigências relativas à fissuração excessiva e a proteção da armadura ativa Tipos de concreto estrutural Classe de agressividade ambiental Concreto simples (sem protensão e sem armadura) I a IV Concreto armado (sem protensão) Concreto protendido nível 1 (protensão parcial) I II a IV Pré-tração ou Pós-Tração I I e II Exigências relativas ao E. Freqüente NOTA . exposição prolongada a intempéries ou a alto teor de umidade.3. Escolha do tipo de protensão A escolha do tipo de protensão deve ser feita em função do tipo de construção e da agressividade do meio ambiente. Como nos casos de contato com gases ou líquidos agressivos ou com solo e em ambiente marinho.2mm Freqüente Freqüente Freqüente Quase permanente ELS-F Freqüente Concreto protendido nível 2 Pré-tração ou Pós-Tração Quase (protensão limitada) II III e IV ELS-D permanente Pré-tração ELS-F Rara Concreto protendido nível 3 (protensão completa) III e IV ELS-D. Como no interior de edifícios em que uma alta umidade relativa pode ocorrer durante longos períodos. e nos casos de contato da face do concreto próxima à armadura protendida com líquidos. pode adotar-se a seguinte classificação do nível de agressividade do meio ambiente: § Não agressivo.29 exemplo. . o valor característico da abertura da fissura é de 0.4mm ELS-W ωk ≤ 0. de ações a considerar fissuração excessiva Não há ELS-W ωk ≤ 0.ELS-W – Estado Limite de Serviço . Combinação de L. ELS-F 2. § Pouco agressivo. e em estruturas devidamente protegidas. ELS-F – Estado Limite de Serviço – Formação de fissuras. Na falta de conhecimento mais preciso das condições reais de cada caso. para meio ambiente pouco agressivo com protensão parcial nível 1.

Deve-se tem em mente que a protensão em elementos com cordoalhas não aderentes pode admitir protensão parcial. § Para as combinações freqüentes de ações (CF).3. § Para as combinações raras de ações (CR). 2. com w k = 0.2.3. Protensão parcial (Ambientes pouco agressivos) Existe protensão parcial quando se verificam as duas condições seguintes: § Para as combinações quase permanentes de ações (CQP). Protensão limitada (Ambientes medianamente agressivos) Existe protensão limitada quando se verificam as duas condições seguintes: § Para as combinações quase permanentes de ações (CQP). é respeitado o estado limite de descompressão (ELD). é respeitado o estado limite de formação de fissuras (ELF).2.2 mm. . Nas pontes ferroviárias e vigas de pontes rolantes só é admitida protensão com aderência.1. é respeitado o estado limite de descompressão (ELD). é respeitado o estado limite de formação de fissuras (ELF). previstas no projeto. previstas no projeto. é respeitado o estado limite de aberturas de fissuras (ELW). previstas no projeto. como será visto mais adiante em maiores detalhes. previstas no projeto. Concreto protendido sem aderência só pode ser empregado em casos especiais e sempre com protensão completa. a escolha do tipo de protensão deve obedecer às exigências mínimas indicadas a seguir: 2. 2. § Para as combinações freqüentes de ações (CF).30 Na ausência de exigências mais rigorosas feitas por normas peculiares à construção considerada. Protensão completa (Ambientes muito agressivos) Existe protensão completa quando se verificam as duas condições seguintes: § Para as combinações freqüentes de ações (CF).3. quando previstas no projeto. é respeitado o estado limite de descompressão (ELD). previstas no projeto.