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APLICABILIDADE DO PCN MEIO AMBIENTE NO ENSINO FUNDAMENTAL

Américo Ribeiro
RESUMO
O objetivo deste trabalho é um breve estudo e análise dos Parâmetros Curriculares Nacionais
para o Meio Ambiente (PCN), esclarecendo primeiramente o conceito de Educação Ambiental
e suas implicações tanto teóricas quanto práticas, em especial sobre sua aplicabilidade a
realidade dos alunos do Ensino Fundamental.
Palavras-chave: Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação ambiental. Meio ambiente.
INTRODUÇÃO
Em muitas escolas, principalmente no Ensino Fundamental quando falamos em
Educação Ambiental, os alunos logo pensam que se trata apenas de campanhas de
preservação, coleta seletiva de lixo, visitas a parques ecológicos ou reservas indígenas, plantio
de árvores etc. Ou ainda que são atividades na escola em datas comemorativas como Dia do
Meio Ambiente, Dia da Árvore ou Dia do Índio, bem como um assunto apenas do professor
de Ciências ou de Biologia. Frente aos vários problemas ambientais provocados pelo homem,
as crianças precisam ser conscientizadas de maneira mais permanente e não de forma
provisória, uma vez que todos nós contribuímos para danos a natureza e nem sempre temos
exata consciência do impacto que causamos. Para que essa prática seja mais duradoura e
eficaz, o papel do professor do ensino fundamental na escola assume importância cada vez
maior: transmitir o ensinamento adequado em relação à Educação Ambiental passa por uma
redefinição tanto dos valores quanto do comportamento do aluno em relação com esta. Neste
sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Meio Ambiente tornam-se a ferramenta
mais indicada de orientação do professor, por sua adaptabilidade à especificidade de cada
região o que permite ao professor o uso da criatividade na transmissão dos conhecimentos.
Para isso, partiremos de duas questões básicas a nosso ver: Como a Educação Ambiental é
abordada no PCN? Esse conhecimento possibilita realmente a prática ou é meramente
teórico? Para responder a essas perguntas, utilizamos a pesquisa bibliográfica fundamentada
em livros e alguns materiais da Internet. Portanto, o objetivo a ser alcançado nesse artigo, é

 Graduado em História pela Universidade Estadual do Maranhão – Centro de Estudos Superiores de Caxias
(CESC-UEMA) e Pós-Graduado em História do Brasil pelo Instituto de Ensino Superior Franciscano (IESF).

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apresentar e discutir o PCN de Meio Ambiente, no que compreende a Educação Ambiental,
seus problemas, a forma como é abordada no documento e como deve ser posta em prática
pelos professores na escola.

2 O QUE É EDUCAÇÃO AMBIENTAL?
Para Marcos Reigota (2004) existiria hoje uma confusão entre Educação
Ambiental, ecologia e meio ambiente, este último, o mais difundido tanto entre a mídia,
quanto entre políticos, militantes ecologistas, literatura, artes plásticas, música, cinema etc.
Para o autor, o conceito mais adequado ao nosso estudo é de que o meio ambiente
seria um lugar determinado e/ou percebido de relações dinâmicas e constantemente interativas
de aspectos naturais e sociais e que estas acarretam tanto processos de criação culturais e
tecnológicos como históricos e políticos de transformação da natureza e da sociedade.
Sendo assim, a Educação Ambiental não seria sinônimo de ensino de ecologia,
que é a relação apenas entre os seres vivos e o seu ambiente físico e natural, mas um conceito
que vai além do meio natural. Partindo desta perspectiva convém assinalar que
Embora a ecologia, como ciência, tenha uma importante contribuição a dar à
educação ambiental, ela não está mais autorizada que a história, o português, a
química, a geografia, a física etc. A educação ambiental, como perspectiva
educativa, pode estar presente em todas as disciplinas, quando analisa temas que
permitem enfocar as reações entre a humanidade e o meio natural, e as relações
sociais, sem deixar de lado as suas especificidades. (REIGOTA, 2004, p. 25)

Para Naná Medina (2001, p.17-18) este ponto de partida é fundamental para entendermos do
que se trata a Educação Ambiental:
A Educação Ambiental como processo que consiste em propiciar às pessoas uma
compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e desenvolver
atitudes que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa a respeito
das questões relacionadas com a conservação e a adequada utilização dos recursos
naturais, para a melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e
do consumismo desenfreado. A Educação Ambiental visa à construção de relações
sociais, econômicas e culturais capazes de respeitar e incorporar as diferenças
(minorias étnicas, populações tradicionais), à perspectiva da mulher e à liberdade
para decidir caminhos alternativos de desenvolvimento sustentável, respeitando os
limites dos ecossistemas, substrato de nossa própria possibilidade de sobrevivência
como espécie.

Para que uma educação possa ser considerada genuinamente ambiental o
individuo deve ser estimulado à ação e a reflexão: deve reconhecer que seus atos com o meio
ambiente tem implicações coletivas. A educação tem o papel de levar o aluno a uma

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compreensão plena do problema, não sendo um “adestramento”, mas levando-o ao
compromisso ético com o meio ambiente. Enfim, a educação ambiental como ponto de partida
para a mudança de pensamento, deve provocar um repensar de atitudes pessoais com
impactos no meio ambiente que é coletivo. (EVARISTO, 2010).

3 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - MEIO AMBIENTE
Os Parâmetros Curriculares Nacionais tiveram seu processo de elaboração
iniciado a partir do estudo de propostas curriculares de Estados e Municípios brasileiros, da
análise realizada pela Fundação Carlos Chagas sobre os currículos oficiais e do contato com
informações relativas a experiências de outros países.
Nos anos de 1997 e 1998 foram publicados documentos pelo Ministério da
Educação e do Desporto (MEC), com objetivo de oferecer propostas ministeriais tendo como
objetivo orientações para as escolas formularem seus currículos, ou seja, “para a construção
de uma base comum nacional para o ensino fundamental brasileiro”. Estes documentos foram
denominados Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de 1ª a 4ª séries (BRASIL. MEC,
1997a) e de 5ª a 8ª séries (BRASIL. MEC, 1998).
O PCN do Meio Ambiente, que é nosso objeto de estudo começa apresentando os
objetivos gerais do ensino fundamental, colocando alguns objetivos voltados ao meio
ambiente que são necessários e fundamentais na aprendizagem dos alunos, de forma que essa
seja significativa e social, ou seja, que ele possa não somente assimilar conceitos, mas
conseguir trazê-los para sua realidade e interferir de alguma forma para sua mudança.
Essa parte do documento ainda traz atributos pessoais que o aluno deve adquirir,
isto é, um autoconhecimento, onde o mesmo se reconheça parte integrante da sociedade e do
meio ambiente bem como cuidados com o próprio corpo e responsabilidade com sua saúde e a
saúde do coletivo.
Em seguida contém uma breve apresentação do quem vem a ser a questão
ambiental e sua importância para o meio social sendo necessário, portanto que se adote a
temática Meio Ambiente nos currículos escolares. Esta apresentação traz ainda um resumo de
como estão expostos os temas relacionados e a organização do documento que se inicia com
um breve histórico da questão ambiental trazendo a importância da Educação Ambiental e que
esta aborde todos os aspectos tanto sociais, econômicos, físicos e biológicos. Ainda nessa

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primeira parte do documento encontram-se os objetivos gerais do tema para o ensino
fundamental.
A segunda parte, de acordo com a apresentação, refere-se aos conteúdos, critérios
de avaliação e orientações didáticas todas direcionadas as quatro primeiras séries. Ao final da
apresentação é ressaltada que ao escolher os temas a ser abordado, o professor os aborde
relacionando-os com todas as áreas do conhecimento reafirmando a necessidade de trabalhar
os conteúdos de maneira interligada tanto entre as matérias como entre os contextos históricos
e sociais no quais as escolas estão inseridas.
Após essa breve descrição do PCN de Meio Ambiente é necessário esclarecer que
pela proposta de nosso trabalho, nos limitamos somente quanto a sua aplicabilidade no Ensino
Fundamental o que será feito no próximo e último item deste artigo.

4 ANÁLISE SOBRE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PCN
O objeto de reflexão desta análise foi o PCN para o Ensino Fundamental, onde
serão apresentadas algumas observações em relação à orientação e como estão expostas no
documento, procurando apresentar suas prioridades e compromissos na orientação ao
educador dando ênfase a Educação Ambiental, para que este possa transmitir de forma
adequada ao educando e a comunidade.
Para o desenvolvimento deste estudo, além de analisar o PCN, foram também
apresentadas as opiniões de alguns autores a respeito do assunto em estudo, onde através desta
leitura procuramos compreender o conteúdo e identificar as ideias principais, a coerência com
que se propõem suas práticas.
O PCN favorece o professor no sentido de ofertar sugestões sobre como proceder
com os alunos, isto é, sobre como desenvolver atividades tanto relacionadas aos assuntos
quanto ministradas de acordo com as necessidades. “Assim, verifica-se que o PCN visa à
orientação, não em passar as coisas mastigadas para os educadores, o professor precisa
procurar crescer e desenvolver suas atividades, bastando seguir as orientações, que em minha
opinião estão bem claras no PCN.” (EVARISTO, 2010, p. 37).
O PCN considera que “o rádio, a TV e a imprensa, constituem a grande fonte de
informações que a maioria das crianças e das famílias possui sobre o meio ambiente”.
Segundo o documento, “As notícias de TV e de rádio, de jornais e revistas, programas
especiais tratando de questões relacionadas ao meio ambiente têm sido cada vez mais

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frequentes”. Complementando, “é importante que o professor trabalhe com o objetivo de
desenvolver, nos alunos, uma postura crítica diante da realidade, de informações e valores
veiculados pela mídia e daqueles trazidos de casa” (PCN, 1997, p. 25).
A principal função do trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a
formação de cidadãos conscientes “aptos para decidirem e atuarem na realidade
socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem estar de cada um e da
sociedade, local e global” (PCN, 1997, p. 25).
Mas para outros autores a realidade de sua aplicação é bem diferente como
podemos notar neste comentário de Dias (2001, p. 72),
Nas secretarias municipais de educação, o empobrecimento ainda é maior. Uma
mescla de desqualificação profissional, desmotivação, salários cronicamente baixos
e frequentemente atrasados, instalações escolares precárias e prefeitos corruptos
formam uma mistura explosiva e colocam a Educação Ambiental fora de foco. Por
outro lado, o esforço de qualificação é mínimo. Quando ocorre, frequentemente
qualifica alguns professores de cada escola. Estes, quando retornam às suas unidades
escolares, passam a ser encarados como “rebeldes”, indesejáveis pela coordenação e
pela direção. Até mesmo o diálogo com os colegas se torna difícil. A estratégia de
qualificação de professores desacompanhados dos seus demais colegas, inclusive da
administração, tem-se mostrado ineficiente. Quando os alunos saem para atividades
extraclasse (caminhadas interpretativas socioambientais, por exemplo), os pais
reclamam (lugar de estudante é na escola), o porteiro reclama, a merendeira reclama,
os coordenadores e a direção logo acham que a professora “está enrolando, não quer
dar aula”.

Outra crítica que se pode fazer é sobre a questão da transversalidade em que “os
conteúdos de Meio Ambiente serão integrados ao currículo através da transversalidade, pois
serão tratados nas diversas áreas do conhecimento, de modo a impregnar toda a prática
educativa e, ao mesmo tempo, criar uma visão global e abrangente da questão ambiental.”
(PCN, 1997, p. 36).
A concepção de educação ambiental, aqui apresentada, porém, permite afirmar
que ela ultrapassa as dimensões de um tema transversal e acaba por se apresentar como uma
visão de mundo com implicações, não só em toda a atividade pedagógica, mas na própria vida
das pessoas e das sociedades.
A partir disso é possível perceber a complexidade do processo de
desenvolvimento da educação ambiental, que não é algo que se possa estabelecer por decreto.
A multiplicidade de elementos envolvidos exige que os avanços se façam de modo seguro,
para que se mantenha a necessária solidez e segurança.
A mudança de paradigma, mencionada anteriormente, na maioria das vezes é
difícil e consequentemente, encontra resistência que não é vencida com facilidade.

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Pensar Educação Ambiental nestes termos é um permanente exercício que todos
nós, educadores, devemos fazer para não deixar que as marcas de uma concepção ultrapassada
se infiltrem, sem que percebamos, no nosso discurso e na nossa prática. Quantas vezes não
falamos e agimos, ainda, como se Educação Ambiental pudesse ser tratada como mais uma
“disciplina” da grade curricular? Quando isso acontece “fica configurado um equivoco que
não beneficia [...] o desenvolvimento da educação ambiental, tampouco, e o que é mais grave,
a compreensão e a atuação dos alunos junto aos problemas ambientais” (REIGOTA, 2004, p.
57).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se que a história da educação é marcada pela transformação de valores
válidos para cada sociedade. O que a atual crise ambiental necessita é de novas posturas
diante da natureza e das relações humanas, de novos comportamentos e conceitos.
A crise ambiental é gerada muitas vezes pela falta de conhecimento das pessoas,
com relação às leis naturais do meio ambiente. Neste contexto, verifica-se que ela se relaciona
com a educação, pois para que haja conscientização das pessoas torna-se necessária uma boa
instrução, ou seja, fazer com que tenham acesso a esses conhecimentos científicos.
A Educação Ambiental se torna um dos principais instrumentos para esse sujeito,
ao prepará-lo a partir de informações que farão com que haja corretamente com relação ao
meio ambiente.
Foi possível perceber que, no PCN, a ênfase está na transmissão de valores e no
desenvolvimento de atitudes cuja intenção é encontrar o equilíbrio harmônico entre homem e
meio ambiente.
Há outros componentes que vêm se juntar à escola nessa tarefa, a sociedade é
responsável pelo processo como um todo, mas os padrões de comportamento da família e as
informações veiculadas pela mídia exercem especial influência sobre as crianças.
É importante que o professor trabalhe com o objetivo de desenvolver, nos alunos,
uma postura crítica diante da realidade, de informações e valores veiculados pela mídia e
daqueles trazidos de casa e ainda, que o professor procure se atualizar, se inteirando dos fatos
e acontecimentos relativos ao meio ambiente. O PCN, não indica atividades prontas, ele
explica o que o professor deve fazer e como fazer para aplicar estas instruções. É neste
sentido que acreditamos que o PCN pode ser utilizado como sendo um ponto de partida para a

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realização das reflexões sobre os compromissos e prioridades cumpridos pela prática
pedagógica e pela escola, tendo como base o documento, porém adaptado a realidade local.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais (1ª a 4ª séries). Brasília: MEC/SEF,
1997 a., 10 volumes.
______. Parâmetros Curriculares Nacionais (5ª a 8ª séries). Brasília: MEC/SEF, 1998.
DIAS, Genebaldo Freire. Situação da Educação Ambiental no Brasil é fractal. In:
Panorama da educação ambiental no ensino fundamental / Secretaria de Educação
Fundamental – Brasília : MEC ; SEF, 2001. 149 p.: il.
EVARISTO, Jéssica Andrade. Um estudo sobre a educação ambiental proposta no PCN.
2010. 44 fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia). Universidade
Estadual de Londrina, 2010.
MEDINA, Naná. A formação dos professores em Educação Ambiental. In: Panorama da
educação ambiental no ensino fundamental / Secretaria de Educação Fundamental – Brasília :
MEC ; SEF, 2001. 149 p. : il.
REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. São Paulo: Brasiliense, 2004. (Coleção
Primeiros Passos).