DanganRonpa/Zero – Livro 1, Capítulo 3A

Um gatinho amarelo espiava a calçada de dentro do mato.
Ele lentamente saiu da grama balançante para a estrada, mexendo sua longa cauda
enquanto virava seu olhar ansioso para mim. Mas sua expressão logo mudou para de alerta,
e então medo. O gato, me vendo alegremente descer a estrada em sua direção, deve ter
pensado que eu estava prestes a pisar nele. Em pânico, escapou de volta para dentro dos
arbustos.
Mas eu não dei importância. Banhei-me na luz do sol quente, deixei o vento agitar minha
saia e continuei meu obsceno saltitar estrada abaixo. Eu estava no quadrante leste da
Academia Hope’s Peak, próxima ao pátio. Várias instalações recém-construídas estavam
alinhadas à minha volta, assim como muitas outras que ainda estavam em construção.
Enquanto eu saltitava ao longo da estrada que serpenteava entre elas, não dei atenção
especial a nenhum outro gato sujo ou dos meus colegas, estudando e se reunindo por todo
o lugar. Nem sequer adquiri nenhuma felicidade em particular do toque da luz do sol depois
de um longo tempo dentro de um lugar fechado. Não, eu descia a estrada com nada mais
do que meu destino em mente.
Não que eu seja o tipo de garota que saia pulando por aí sem nada na cabeça. Eu tinha um
motivo.
Eu vou me encontrar com o garoto de quem eu mais gosto no mundo!
Sabendo disso, minha razão pode ser sim uma boa, mas nenhum aluno em seu juízo
perfeito deveria sair saltitando estrada abaixo no campus de uma escola de linhagem tão
elevada quanto a Academia Hope’s Peak. Logo, não me surpreendia que outros estudantes
que passavam por mim me olhassem torto, mas... isso realmente não tem nada a ver
comigo.
Nada no mundo iria parar meu saltitar. Nenhuma garota chorando. Nenhum casal brigando.
Nenhum aluno cadeirante que encontrou um obstáculo instransponível. Nem mesmo um
aluno anêmico que desmaiou. Apenas um pensamento me movia: eu quero me encontrar
com ele, eu o amo demais. Eu pulava de forma tão indecente que ninguém provavelmente se
surpreenderia se eu criasse asas e de repente saísse voando em direção ao céu.
Continue descendo a estrada, mas...
- Hã?
De súbito parei.
- Por onde devo ir?
Olhei em volta confusa, e percebi que não reconhecia nenhum dos pontos de referência ao
meu redor. Meu coração começou a bater mais alto.
Não, está tudo bem. Me acalmei e tirei um caderno da mochila que eu carregava. Na página
de trás, a seguinte frase estava escrita:

“Você está procurando o laboratório de Neurologia no terceiro andar do prédio de Biologia
do quadrante leste na Academia Hope’s Peak.”
Senti um refrescante sopro de alívio passar por meu corpo. Sim, é isso! O prédio de Biologia!
...Uh, mas onde é esse prédio de Biologia, mesmo assim?
Meu coração voltou a tumultuar.
Está tudo bem. Não preciso me preocupar. Nervosamente corri as folhas do caderno como
de instinto, e meus olhos pararam numa página com um malfeito desenho de um mapa.
Sobre ele, o seguinte estava escrito:
“Isto é um diagrama do quadrante leste da Academia Hope’s Peak”
Muito bem, eu! Sem nem mesmo pensar, fiz uma pose vitoriosa.
Logo, eu estava parada na borda superior da fonte que decorava o centro do pátio,
comparando os prédios à minha volta com o mapa. Prédio de Literatura, prédio de Ciências,
prédio de Física, prédio de Artes, prédio de Matemática, prédio de Educação Física, prédio
de Línguas, prédio da Administração... enquanto as frias gotas da fonte atingiam minhas
coxas, eu procurava pelo meu destino, o prédio de Biologia, como se eu nunca o houvesse
visitado.
- Ah, ali está!
Finalmente encontrei o prédio quadrado, identificável pelas paredes verde-claras.
Exatamente como descrito na nota sobre o prédio de Biologia contida no meu caderno.
- Isso!
Pulei da borda da fonte e comecei a correr. Alguns garotos por ali olharam para mim,
surpresos. Talvez minha saia tenha voado por um segundo durante meu vigoroso salto –
mas não tenho nada a ver com isso.
Ainda assim, tenho que chegar ao meu destino antes que eu esqueça!
Minha feroz corrida me levou para dentro do prédio de Biologia, onde logo descobri um
lance de escadas na parte de trás do lobby. Não perdi minha velocidade por um segundo
sequer enquanto subia as escadas rapidamente para o terceiro andar. Quando o alcancei,
atravessei o corredor, chegando às placas do lado das portas, alinhadas às paredes.
Finalmente, no final, achei a placa que dizia “Laboratório de Neurologia”.
Rapidamente cessei o impulso.
Depois de respirar fundo, dei uma olhada no meu cabelo e no meu sorriso com um
espelhinho de mão. Sim, fofa como sempre! Exibindo esse mesmo maravilhoso sorriso e
gritando “Bom dia!” na minha voz mais radiante, eu abri a porta do laboratório... e então
aconteceu.
Algo voou ao lado da minha orelha, fazendo um som rápido e cortante.

- Aiii!
Virei minha cabeça em pânico, e vi uma pequena lâmina enganchada na parede atrás de
mim, ainda vibrando do impacto. Pulei para trás.
- Porque tem um bisturi voando pelo ar?! – guinchei.
- Não grite – uma voz esbravejante respondeu de dentro do laboratório.
No momento em que ouvi essa voz, meu coração começou a bater mais forte. Tump, tump,
fazia ele, enquanto eu virava para olhar para dentro. Um garoto estava deitado sobre uma
cama instalada no centro da sala.
- Está atrasada. Um tanto inconveniente para alguém tão feia quanto você.
Uma camisa branca suja estava desleixadamente o vestindo. Ele estava deitado olhando
para cima, com seu rosto concentrado num grosso mangá que ele segurava em suas mãos.
Não olhou pra mim uma vez sequer.
- Você também está barulhenta demais para alguém tão feia quanto você. Falando nisso,
alguém tão feia quanto você com medo de bisturis voadores também é estranho.
- E-Espera um segundo! – eu o interrompi, minha voz dando sinais de pânico. – Eu posso
denunciá-lo por discriminação se continuar me chamando de feia, ouviu!?
- Pra quem vai me denunciar? A Associação Nacional Japonesa de Pessoas Feias? Esse tipo
de organização já seria culpada de discriminação somente por existir.
O garoto leitor de mangás que continuava a me chamar de feia era a pessoa no comando
deste laboratório de Neurologia. O doutor encarregado do meu tratamento. Meu amigo de
infância. O garoto de quem eu mais gosto no mundo.
Ele é o Super Neurologista de Nível Colegial, Yasuke Matsuda. Eu acho.
- Ah, entendi. Você é membro dessa associação, não é. É por isso que está zangada?
- N-Não sou! Eu nem mesmo sou feia!
- Pensando melhor, você está certa. Você não é feia.
Meu peito se encheu de orgulho e eu respondi com um satisfeito sorriso.
- Sim, está certo! Eu mesmo chequei com meu espelho agora e—
- Você é super feia.
- Super feia?!!
Meu choque foi considerável, mas não me levou muito tempo para que eu me recuperasse
o bastante para rebater com uma resposta perspicaz.
- M-Mentiroso! Eu não sou super feia! Se é assim, eu sou fofa a nível mundial!

Matsuda continuou a ignorar meu chilique, sem tirar os olhos da revista.
- Eu não ligo pro que o mundo pensa. Feiura é subjetiva e eu estou livre para julgar como eu
quiser – disse ele, como se o assunto não o importasse nem um pouco.
- Bem, então, diga-me onde você acha que eu sou feia! Eu vou fazer uma cirurgia e
consertar! – disse, desesperada. – São meus olhos? Meu nariz? Talvez minha boca? Que tal
minhas sobrancelhas?
- Esqueceu de mencionar a mente.
- Mas eu não posso consertar minha mente numa cirurgia!
- É mesmo? Pobre coitada. Honestamente, é impossível te ajudar – tanto seu rosto quanto
seu cérebro não são de valia alguma. Eu acho que você pode obter algum sucesso se
resolver se tornar um objeto de simpatia entre as pessoas, talvez. Vá pedir esmola na frente
de uma estação ou algo assim. Vai ganhar muito dinheiro, tenho certeza.
Derrubei meus ombros, cabisbaixa. Então deixei que minhas mãos caíssem em direção ao
chão e que meu corpo todo se curvasse molemente. Fui derrotada.
- No fim das contas, quem é você?
- Hein? – levantei minha cabeça, surpresa pela pergunta inesperada.
- Não consigo distinguir apenas pela voz.
- Está me dizendo que não sabia com quem estava falando até agora?
- É culpa sua. Você nunca me disse quem era.
- E-Eu não disse, mas você pode me reconhecer olhando pra mim, não pode? Olha! Sou eu!
- Não tenho tempo pra olhar pra sua cara – disse Matsuda, ainda absorvido pelo seu livro. –
Acabei de chegar na parte mais interessante.
- Não tem tempo...? Isso não é só um mangá?
- E daí? Se vai perguntar “quem é mais importante, eu ou o mangá” a resposta é a mesma
de sempre. O mangá.
- Eu sei! Se a resposta “é a mesma de sempre”, então quer dizer que o mangá sempre foi
mais importante pra você do que eu! Isso é cruel! Eu não precisava saber disso!
- Ótima observação, mas apenas responda a pergunta.
- O-Okay... – pressionada, tomei o caderno da minha mochila outra vez, e observei a capa.
“Caderno de Memória da Ryouko Otonashi”. Assim que vi o título, me lembrei. Me lembrei
do meu próprio nome.
- Uh... Parece que meu nome é... Ryouko Otonashi?

- Eu conheço apenas uma pessoa burra o bastante para não ter certeza do próprio nome.
- ...Ah. Acho que está falando de mim. Provavelmente.
Matsuda soltou um longo suspiro.
- Hmm. Então você não era ninguém suspeito, afinal.
- Está tentando me dizer que jogou aquele bisturi naquela hora porque me confundiu com
alguém suspeito... ou algo assim?
- Exatamente. Não sou do tipo de pessoa que joga objetos afiados em conhecidos, afinal.
- Mentiroso! – apontei meu indicador direto para Matsuda. – Quer dizer que, antes de
confirmar quem eu era você me disse que eu estava atrasa e que eu era barulhenta demais
pra uma pessoa tão feia quanto eu! Isso significa que você sabia!
Smack!
Matsuda ruidosamente fechou seu mangá. Ele empurrou o encosto da cama para saltar
dela, e andou curiosamente até mim até não haver quase nenhuma distância entre nós.
- Hein? Quê? O que foi?
Ele olhou diretamente nos meus olhos. Meu corpo esquentou rapidamente.
- Você... se lembra disso?
- Hã?
Matsuda agarrou meus ombros fortemente com suas duas mãos. Empurrou sua face contra
a minha.
- Você se lembra de eu ter te chamado de feia quando chegou aqui? – ele perguntou,
lentamente.
Ver Matsuda ficar tão próximo assim de mim com uma expressão tão séria no rosto fez meu
coração ir a mil.
- Hmm... Acho que sim? Hehe, acho que estou bem melhor hoje.
Assim que o tom da minha voz se tornou mais caloroso, ele largou meus ombros e virou-se
de costas para mim. Então, ainda olhando pra longe, sussurrou como que para si mesmo.
- Você está realmente melhor... ou está piorando...?
- Hein? O que quer dizer?
- Nada – Matsuda balançou a cabeça, e começou a falar numa voz autoritária. – Deite-se na
cama. Vamos iniciar o tratamento de hoje.

Com minha mente ainda vibrando junto com as batidas do meu coração, tirei minha mochila
e a coloquei de lado. Então, me deitei na cama que estava sendo ocupada pelo Matsuda até
alguns minutos atrás. Enquanto deixava meu corpo se ajustar ao colchão macio, minhas
narinas se encheram do amor das cobertas. O aroma do Matsuda. Aspirei esse aroma
enquanto sentia o restante do calor do corpo dele envolver o meu, e me senti tão feliz
quanto ele estando deitado ao meu lado, me abraçando suavemente—
- Hehehehehehehehe – instintivamente soltei uma gargalhada feliz. – Hehehehehehe.
- Algo engraçado por aqui? – Matsuda arqueou as sobrancelhas, me olhando duramente. –
Me ocorre que é assim que besouros rola-bosta riem, e isso é simplesmente nojento. Não
pode tentar rir de forma normal?
- Huehuehuehuehuehuehuehue.
- O que isso tem de normal? É ainda mais nojento! – chocado, Matsuda puxou um
barulhento carrinho do centro do laboratório. Em seu topo haviam várias complicadas e
aparentemente importantes máquinas. Ele arrastou o carrinho até próximo da cama, disse
“aí vamos nós” e começou a operar uma das máquinas com uma tensa expressão no rosto.
Me peguei encarando ele a trabalhar. Cabelo sedoso e suave. Longos olhos amendoados,
observando através dele. Longos e femininos cílios. Uma mandíbula pontuda. Pequenos e
pálidos lábios. Longos e brancos dedos—
- Pare de olhar pra mim, Feia. Me dá medo.
...E língua afiada.
Isso mesmo. Esse é meu Matsuda. Me virei para o lado e escrevi uma nova nota no meu
caderno.
- Você não precisa escrever tudo que vê, rola-bosta.
- Mas se eu não escrever, eu vou esquecer!
Matsuda deixou escapar um suspiro forçado.
- Honestamente, seu cérebro é como um balde furado.
Um balde furado. Não era outra piada cruel dele. Era verdade. Eu me esqueço de tudo que
vejo e escuto depois de pouquíssimo tempo. Não sei o motivo. Se já soube, devo ter
esquecido.
Mas qualquer que seja a razão, meu esquecimento não é normal. Disso eu tenho certeza.

DanganRonpa/Zero – Livro 1, Capítulo 3B

“Mas, não é como se eu esquecesse coisas porque eu quero. Tem uma doença no meu
cérebro, certo? Eu não posso curá-la, então seja legal comigo!”
“Não, eu não acho que nós podemos simplesmente chamar isso de ‘doença’ e ignorar isso”,
Matsuda-kun sacudiu sua cabeça de leve. “A memória humana é uma coisa complicada e há
muitas coisas que não sabemos sobre isso. Ainda é muito mais uma caixa preta. Sua
situação não é uma simples doença que pode ser encarada como outra qualquer”. Como
ele explicou, ele grudou ventosas em toda minha cabeça e meu rosto. As cordas que saiam
das ventosas eram presas na máquina que estava no carrinho. “Há uma parte da memória
humana que nós chamamos ‘memória episódica’. Isso armazena suas experiências pessoais,
o que você vê e ouve. A área do cérebro responsável por isso é chamada de hipocampo. Se
algo acontece de errado lá, o cérebro encontra dificuldade em criar e armazenar novas
histórias. Há um famoso e velho exemplo sobre um paciente que teve o hipocampo
removido em uma cirurgia e perdeu toda a habilidade de formar novas memórias. Depois
desse ocorrido, houve muitas pesquisas feitas sobre o exato papel do hipocampo em
relação à memória. Dito isso, mesmo se seu hipocampo está funcionando mal, você não
perderá sua habilidade de lembrar ou aprender ‘memória de procedimento’ de tarefas
como andar de bicicleta ou manusear ferramentas. Porém, você não se lembrará de
eventos relacionados a essas tarefas. Por exemplo, você pode se lembrar de como andar de
bicicleta, mas não se lembrará como você aprendeu... É isso em poucas palavras.”
“Entendi... É por isso mesmo que eu sou muito esquecida, eu ainda sei como ler e escrever
no meu caderno.”Eu segurei o caderno em questão em ambas minhas mãos, e assenti
pensativa.
“Caderno de memórias de Ryouko Otonashi”
Aquele caderno era a memória em si para mim. Meu primeiro e único indispensável objeto
de confiança. Enquanto eu tiver isso, eu provavelmente poderei viver uma vida normal. Dito
isso, parece que essa escola está um pouco atrasada em acomodar os desafiados em
memória, as quais fizeram minhas notas caírem e de ser suspensa de –
“O que? Eu fui suspensa da escola?!”, gritei, procurando pelo caderno. “Só porque não
tenho boas notas? Isso não é justo!”
“Você deveria estar orgulhosa deles não terem te expulsado. Eu tive que negociar com a
escola para isso não acontecer”
“Eh? Você levantou-se por mim?” Meu coração pulou uma batida. “Estou tão feliz! Heh Heh.
Você realmente gosta de mim, não é?”
Matsuda-kun bufou. “...Eu apenas preciso de você aqui para uma pesquisa”
Não obstante, Matsuda-kun me ajudou, e isso já é bom o suficiente!
“O seu caso parece envolver uma falha na recuperação da memória de longo prazo. Eu
acho que algo deu errado com as sinapses conectando com os neurônios em algum lugar

de seu cérebro, mas eu preciso de mais tempo para investigar o problema mais a fundo
antes que eu possa entender o que realmente está acontecendo.”
“Eu não entendi a maior parte do que você disse, mas... ao menos eu não fui expulsa! Se eu
fosse expulsa agora, para onde eu poderia ir?” Eu não tenho nenhum lugar para ir a não ser
essa escola. Eu me esqueci de tudo. Eu nem me lembro de minha família, ou de nenhum
velho amiga que eu poderia ou não ter. “Se eu for expulsa, eu também vou acabar longe de
você, Matsuda-kun...”
Ser separada de Matsuda-kun era a coisa que eu mais temia. Meu corpo tremeu um pouco
apenas de dizer essas palavras um pouco mais alto.
“Você não deveria se preocupar tanto.” Matsuda-kun virou-se para mim e disse
brutamente. “Você é um objeto de pesquisa valioso e eu não planejo perder você... pelo
menos não no momento”
“Mas, você pode mudar de ideia depois!”
Estou feliz, mas eu tenho que me lembrar de não ser um fardo de agora em diante!
“Não lamente. Você deveria estar honrada de estar participando de uma pesquisa tão
importante.” Matsuda-kun me repreendeu, e então continuou sua explicação. “A fim de
entender porque a perca de memória ocorre, nós precisamos entender os elementos
centrais do nosso aparato do cérebro de estoque. Uma vez que fizermos avanço nessa
área, isso abre as portas para um grande leque de possibilidades, como melhorar a
qualidade e a longevidade da memória humana, ou fazer remédios para prevenir a perca de
memória. No futuro, nós poderemos até mesmo ser capazes de tratas memórias como nós
fazemos com dados em um disco rígido – nós seremos capazes de criar dispositivos que
reduzem (?) esse problema ou destrói parte deles livremente. Já há pesquisas no exterior.
Eles gerenciam a memória de longo prazo de ratos para apagá-las manipulando a enzima Mzeta quinase.”
“Entendi!”
Na verdade, não entendi muito bem, mas, por enquanto, eu teria que ser agradável. “De
qualquer modo, eu estou muito feliz que eu posso ajudar meu amado Matsuda-kun”
“Seu cérebro está vazio, assim como as palavras que você produz. Você realmente é uma
mulher vazia”
Eu não entendi se ele estava falando sério ou apenas zombando de mim.
Mas, é assim que o Matsuda-kun é.
Ele sempre insistiu que eu deveria tomar cuidado comigo mesma. Ele pode ser frio comigo,
e ele pode ser direto, mas ele não me trata com uma falsa simpatia. É depressivo quando as
pessoas tratam, então sou agradecida por essa atitude.
“Eu posso ser vazia, mas ainda sim estou super feliz!” Eu ergui minha voz, negando ser
desencorajada, mas a resposta de Matsuda-kun foi quase um sussurro.

“Bem, eu não posso negar que você está me ajudando. É difícil estar em contato com algo
tão raro.”
“Você disse raro?! Eu gosto do som da palavra!” I me senti feliz como se eu estivesse sendo
elogiada. “Então o que é raro sobre mim? Diga-me! Diga-me! Diga-me!”
“Pare de agir como uma criança.”, Matsuda-kun deu um longo suspiro. “Eu não quero te
contar. Você ficaria muito irritantemente animada.”
“Qual o problema disso? Diga-me! Diga-me!”
Minha insistência finalmente funcionou. “...Você não vê frequentemente alguém com esse
esplêndido talento cerebral como você, afetada pela perda de memória. Por isso você é um
caso tão raro.”
“Talento cerebral?” Nada veio a minha mente.
“Não tem problema se você não se lembrar disso... Foi realmente irritante quando você
usou seu talento. Estou te avisando – nunca tente usar isso em mim. Entendeu, rola-bosta?”
Eu não entendi muito bem o que ele disse, mas ser comentário sobre o rola-bosta picou um
pouco meu coração que eu não pude fazer nada, apenas acenar em concordância. ”Bem, Eu
realmente não me importo contanto que eu possa passar esses momentos íntimos com
você, Matsuda-kun. Eu deveria ser agradecida que há essa doença em meu cérebro!”
“Eu te disse, não é bem uma doença...” Matsuda-kun colocou ainda mais ventosas em
minha cabeça, como se ele estivesse tentando esconder minha cara sorridente. “Porém, é
admirável que você esteja levando isso tão facilmente. Sua condição não é algo para se
sorrir. Você não deveria estar pelo menos um pouco preocupada?”
“...Eh? Ficar preocupada com o quê?”
“Quer dizer”, disse Matsuda-kun em espanto, “você não está preocupada se esses
sintomas vão embora algum dia?”
“...Eh?” Suas palavras me surpreenderam. Não era como o Matsuda-kun, perguntando algo
em um tom de voz sério. “Ahahaha! Eu não estou absolutamente preocupada!”, eu ri,
tentando aliviar o humor. “Quer dizer, o único eu que me lembro é o eu que está deitada
nessa cama nesse exato momento. Eu não consigo me lembrar de nada antes de perder a
memória, então eu não tenho para comparar com agora. Por isso não vejo o esquecimento
como uma desvantagem... é apenas parte de quem sou.”
“Você não vê isso como desvantagem... mas você não está preocupada em como isso
começou, ou em quando isso vai terminar?”
“Não totalmente. Na verdade, eu estou muito mais preocupada em me curar e nunca mais
te ver, Matsuda-kun”
A sala ficou quieta de repente.

Depois de o silêncio continuar por um tempo, Matsuda-kun quebrou-o com um sussurro.
“Você não precisa se preocupar”, ele disse, sua voz ficou pesada de repente. “Eu não
deixarei esse tratamento acabar.”
Eu olhei para cima. O rosto a espreita através do cabelo negro estava rígido. Perdido em
pensamentos.
“Matsuda-kun?”
Assim que eu o chamei, ele se endireitou e virou-se para mim
“Não, não é nada...” Ele balançou sua cabeça, como se estivesse tentando suavizar as
coisas. Então, ele virou para a máquina e continuou trabalhando como se nada tivesse
acontecido. “Bem, nada de bom pode vir de ser tão pessimista sobre seus sintomas. Este é
um caso onde sua animação é, na verdade, útil.”
“Sim! Meu pensamento é bem flexível apesar de tudo!”
“Sua cabeça é flexível, isso é certeza. Você não pode se lembrar de sua família ou amigos
antes de perder a memória, e mesmo ainda você não está nem um pouco desconcentrada.”
“Mas, esquecendo eles é como se eu nunca tivesse tido eles mesmo! É por isso que todos
que eu esqueço – eles realmente não têm nada a ver comigo mais!”
“Essas palavras novamente.” Matsuda-kun piscou por um tempo horrivelmente longo. “Se
você continuar dizendo que eles não têm nada a ver com você, você acabará vazia, sem
nada restando por dentro.”
“Oh, eu ficarei bem! Eu sempre terei você, Matsuda-kun!”, eu enchi meu busto com
orgulho. “Você é a única pessoa da qual me lembro, então enquanto você estiver aqui, eu
não estarei sozinha.”
“...Você provavelmente me conecta com o processo de vir até aqui para receber esse
tratamento em sua memória processual. É por isso que você se lembra de mim”
“Não, não é isso ao todo –“
“Sim, sim, eu sei”, disse Matsuda-kun, tentando me acalmar depois de eu ficar muito
afobada. Ele continuou a colocar ventosas em meu rosto, parando de tempos em tempos
para coçar seu peito, o qual eu podia ter um vislumbre através de uma abertura em sua
blusa branca e suja. Ele entendeu o que eu realmente quis dizer? Ele provavelmente só
disso aquilo para me fazer calar a boca. Eu ainda acho que ele nem acreditou quando eu
disse que eu me lembrava dele.
Mas é verdade.
Eu não me lembro dele no sentido normal da palavra “lembrar”, claro. Mas eu não menti
quando disse que lembrava.
Eu me lembro de Matsuda-kun.

Eu me esqueci dele, mas mesmo assim eu me lembro.
Eu não estou falando de nossas conversas, ou do que fizemos juntos. Para esses tipos de
memórias eu preciso ler em meu caderno. Não, o que eu me lembro é de algo muito mais
especial e importante!
Não são memórias, mas sim sentimentos, Não usando minha cabeça, mas sim meu coração.
O que eu me lembro de Matsuda-kun é pura emoção. Toda vez que eu o vejo, eu sinto meu
coração bater mais forte antes mesmo de minha cabeça entender o que está acontecendo.
Essa batida me diz algo muito importante.
Para mim, sua existência é preciosa. Ímpar.
É por isso, não importa o quanto esquecida eu fique, eu nunca me esquecerei dele. Há uma
conexão mais profunda que as memórias entre nós dois. Para mim, Matsuda-kun é especial.
Ele é extraordinário. Ele é um milagre –
“Cale já a boca, ok?
“Eh?”, eu recuperei meus sentidos, confusa. “V-você me ouviu?”. Eu estava prestes a pular
da cama, mas Matsuda-kun prendeu minha cabeça novamente.
“Você acabará desconectando o cabo. O que você é, desperdício humano?”, ele disse
cruelmente, como se eu tivesse tentado desconectar o cabo de propósito.
“M...Mas, eu nem sequer disse uma palavra... Ah, você estava dizendo de quão alto a batida
do meu coração é? Eu não posso ajudar nisso! Se meu coração parar, eu poderia morrer!”
“...Eu não estava falando de você. Eu estava me referindo ao barulho lá fora.”
“Eh? Lá fora?”
Matsuda-kun levantou seu queixo, e apontou para a janela. Quando eu ouvi atentamente,
eu poderia de fato ouvir um barulho estranho vindo de fora.
Vozes rudes, vozes bravas, vozes vaiando. Vozes reacionárias cheias de raiva. O tipo de
vozes que poderiam fazer a terra tremer. Era uma reunião de vozes desagradáveis que
poderiam fazer seu rosto franzir instintivamente.
“...O que é isso?”
“É o ‘Desfile’. Eles estão ficando mais alto todos os dias...”
“Um desfile? Você não quer dizer, aquele desfile?”
“Mentira, eu não me lembro muito bem.” Matsuda-kun beliscou minha testa, e continuou a
explicar. Seu rosto estava sério. “É essencialmente uma demonstração. Mas o
ensinamento, ou talvez eu deveria dizer os velhotes do governo, não gostaram do som
daquela palavra, então eles decidiram dar um nome estúpido, como ‘Desfile’”.
“...Mas, não é um desfile o oposto exato de uma demonstração?”

“É exatamente por isso que eles escolheram esse nome”
“Mas, por que um desfile...?”
“É o pessoal da escola preparatória.”
“Escola preparatória...?” Eu nunca escutei algo desse tipo. Ou já escutei?
“Você não se lembra, claro. Bem, sua cabeça está grande demais, então eu acho que isso
não pode ser ajudado.”
“Espere! Chamar uma garota de ‘grande demais’ é abuso sexual! Se fosse o período Edo
você poderia ser decaptado – eep!” Minha cabeça, a qual estava se levantando da cama, foi
empurrada para baixo novamente.
“A Academia Hope’s Peak não é um instituto de aprendizagem como outras escolas. Eles
dão educação para os talentosos, mas ao mesmo tempo eles procuram esse talento. O
grupo de professores não são simples educadores. Eles também são que procuram por
talento humano. ...Mas, cientistas são um bando de incômodos. Quanto mais eles
pesquisam, mais eles querem pesquisar mais fundo. Porém, há algo do qual eles nunca
tiveram bastante. Você sabe o que é?”
“Um... Provavelmente é...”
“É dinheiro”
“Ah, certo!” Minha chance de descobrir a resposta por mim mesmo havia partido, então
isso era o mínimo que eu poderia dizer.
“Até recentemente, a Academia Hope’s Peak era uma estrutura de pequena escala que
sobrevivia de subsídios do governo doações dos formados. Porém a pesquisa deles era
constantemente bloqueada por falta de recursos. Mas o governo não estava satisfeito com
o estado da pesquisa, então eles intitularam de Escola Preparatória para trazer mais
dinheiro.
Eu assenti com entusiasmo para mostrar que estava escutando.
“A essência disso é que nós, de Super Nível Colegial, somos afiliados com a escola principal,
mas agora há ima facilidade educacional anexada a isso, chamada de Escola Preparatória.
Essa escola está localizada no quadrante oeste do campus, enquanto a escola principal fica
aqui no quadrante leste, então nós normalmente não nos misturamos muito. Eu ouvi dizer
que lá não é muito diferente daqui – eles não vigiam seus alunos, e dependem de uma
prova de entrada para escolher entre os candidatos. A equipe de professores também é
escolhida do mesmo jeito. Nossos professores são os cientistas que trabalham e moram na
escola, enquanto eles têm professores normais vindos de fora.”
“Então é apenas um Ensino Médio normal, não?”
“Exatamente. Porém, lá houve muito candidatos. Um grande nome é algo poderoso.”
Matsuda-kun quase cuspia as palavras. “Pessoas não ligavam para o fato que aquilo era

apenas uma escola preparatória. A prestigiada Academia Hope’s Peak havia finalmente
aberto as portas para o público. Pessoas são ovelhas. Elas são atraídas por um nome, e a
escola tomou vantagem disso para ganhar mais dinheiro. Graças a isso, a escola passou um
grande e repentino crescimento. Nós de repente tínhamos prédios de pesquisa que pode
deixar qualquer universidade com ciúme. Ninguém estava preparado para isso – em apenas
um ano ou dois, a Academia Hope’s Peak virou uma escola de uma escala totalmente
diferente. O poder do governo também cresceu de acordo.”
“Mas isso quase se parece com uma fraude...”
“Isso apenas não parece uma.” A boca de Matsuda-kun se torceu em um pequeno sorriso
amargo. “Agora mesmo, a Academia Hope’s Peak está configurada como uma pirâmide
social de um país de terceiro mundo. A multidão de alunos na escola preparatória existe
apenas para ajudar os poucos Super Níveis Colegiais na escola principal. Parece que eles
têm um falso sistema que diz pegar os alunos excepcionais e levá-los a escola principal,
mais eu nunca nem ouvi falar de alguém que conseguiu. Nossos professores provavelmente
acham que eles não merecem isso.”
“Eh? Não é assim que educadores deveriam agir!”
“Você tem razão, mas é exatamente assim que os cientistas fazem. Eles não se importam
com nada além de seu material de pesquisa. Eu faço o mesmo, na verdade. Mas é que o
material deles é ‘talento humano’.”
“Mas é tão injusto!” Eu inflei minhas bochechas.
“Obviamente é. Se não fosse, não haveria nenhuma necessidade para demonstração, teria?
Mas, ainda...”
Matsuda-kun rapidamente interrompeu seu discurso. Seu tom de voz mudou para um tom
mais cauteloso.
“Eu não acho que eles estabeleceram isso sozinhos. Isso deve ser o resultado do esquema
de alguém. É assim que eu me sinto...”
“Eh?”
Matsuda-kun estreitou seus olhos e olhou pela janela. Seu olhar estava tão severo que eu
hesitei a falar.
“Ei, feia,” depois de algum tempo ele olhou novamente para mim, como se tivesse se
lembrado de algo. “Escreva essa conversa devidamente no seu caderno. Não mascare
como se você não tivesse nada a ver com isso. Os estudantes dessa escola preparatória não
pensa muito sobre nós. Eu não acho que eles atacaram você ou algo do tipo, mas... é
melhor ter cuidado.”
“Ok, entendo.”, enquanto respondia, percebi que as ventosas presas em minha cabeça e
em meu rosto estava dificultando o movimento da minha boca.

“Eu preciso que você fique parada por um tempo. Não me importo que durma.” Matsudakun saiu de meu campo de visão.
“Mas, eu não estou com tanto sono...” Eu respondi em uma voz insegura. A voz de
matsuda-kun me respondeu do outro lado da sala.
“Eu posso te dar pílulas para dormir. Uma dúzia seria suficiente, provavelmente.”
“Eh? Isso não seria uma dose letal? Você tem certeza que isso é certo?
Assim que minha inquietação começou a crescer cada vez mais, Matsuda-kun apareceu em
minha frente novamente. Agora ele estava usando um casaco escolar por cima de sua
camisa suja.
“Se algo acontecer com minhas máquinas enquanto eu estiver fora, você está morta.”
“...Você está indo para algum lugar?”
“Eu tenho um pequeno negócio para cuidar. De qualquer maneira, se algo acontecer com
minhas máquinas, você está morta.” Ele estava falando sério o suficiente para repetir a
advertência.
“Eu não me importaria em ser morta se fosse você que me matasse...”
“Seria problemático para mim, eu odeio sangue.”
Eu não achei que aquele fosse um grande atributo para alguém que estuda o cérebro
humano, mas eu fiquei quieta.
“Ah! Nesse caso, se eu ficar aqui e esperar aqui como uma boa garota, vamos ver um filme
mais tarde!”
“...Um filme?”
“Ah... Você sabe, como aquele lá...”
Eu folheei meu caderno, procurando a minha memória sobre filmes.
“Aqui tem um! É sobre dois ladrões, Harry e Marv, entrando na casa da família McAllister...”
“Você está falando de Esqueceram de Mim? Parece que você esqueceu, mas você me
encheu o saco para ver isso com você, e nós vimos.”
“Sério? Um, nesse caso...” Eu continuei folheando o caderno, mas não pude encontrar
qualquer outra menção a filmes. Parece que eu estava particularmente interessada nesse
filme. Eu poderia me culpar o dia todo, mas não me levaria a lugar algum.
“B...Bem, é uma obra prima, então eu tenho certeza que ainda é interessante mesmo se
assistido novamente!”
“Certamente não é um filme ruim, mas não é o tipo de filme que eu queira ver de novo e de
novo...”

“Então, que tipo de filme você –“
“Por favor não me faça perguntas para o diário de uma garota do Ensino Médio”
Eu senti seu olhar desagradável caindo em mim. Mas eu não desisti. “Vamos fazer isso! Se
você fingir que está assistindo pela primeira vez, será divertido!”. Eu li um pouco mais de
meu caderno. “Ah! De acordo com isso, eu achei que o garotinho que fez o protagonista,
Wacooly Culkin, é muito fofo! Tem um garoto fofo nesse filme! Isso não é animador?”
“E por que, exatamente, você acha que isso seria animador para mim? E também, o nome
desse ator não é como se ele fosse uma marca de lingerie. É Macaulay Culkin.”
“Há há, aqui diz que eu achei ele tão fofo que eu queria adotar ele!”
“Você só diz isso porque não sabe como ele está hoje. Ele passou por uma transformação.”
“Uma transformação, huh...”
Matsuda-kun estreitou seus olhos amendoados mais que o normal, e tirou a franja da testa.
“Apenas seja uma boa garota e vá dormir;”
Parece que ele estava cansado de eu tentando atrasar sua saída.
“Espere, não vá!” Porém, agora em pânico, eu tentei para ele novamente. “Eu não quero
que você vá” Eu ficaria sozinha! Não me deixe aqui sozinha! Nós não nos vemos há muito
tempo, não?”
“...Há muito tempo?” Matsuda-kun parou de andar. “Por que você acha que nós não nos
vemos há muito tempo?”
“...Eh?”
“Eu estou perguntando por que você acha que nós não nos vemos há muito tempo.”
Matsuda-kun virou o rosto para o outro lado enquanto falava comigo. Sua voz estava
colorida com dor, e fez eu me sentir ansiosa.
“Um... Eu posso dizer pela escala que meu coração estava batendo... Eu acho...”
“Então, se você me ver todo dia, seu coração não bate tão depressa como se estivéssemos
pertos?”
“N...Não! Essa não é –“
“Nós nos encontramos ontem, você sabe.”
“...Eh? Nos encontramos?”
“Não é surpreendente que você tenha esquecido...” As costas de Matsuda-kun se curvaram
para frente, como se ele tivesse deprimido. “Eu acho que você estava mentindo quando
disse que eu era o único que quem você conseguia se lembrar.”

“E...Espere! Eu vou me lembrar em um segundo!”
Com pressa, eu folheei as páginas de meu caderno. Eu fui do começo ao fim, mas não
encontrei nenhuma memória de Matsuda-kun e eu nos encontrando no dia anterior. Foi um
fracasso total.
Quando eu tirei os olhos de meu caderno, Matsuda-kun já havia ido.
“...feh!” Eu fracassei. E não havia mais nada que eu poderia fazer sobre isso.
Suspiro. Eu acho que não tem nada que eu possa fazer além de dormir.
Não que isso seja algo ruim.
No mínimo, enquanto eu estiver dormindo eu posso me perder em sonhos. Eu posso
escapar desse mundo solitário em que o Matsuda-kun não está. Eu posso até mesmo
encontrar o Matsuda-kun nos meus sonhos!
Com esse pensamento fundo em meu coração, eu rolei para o meu lado, com cuidado para
não perturbar os cabos em minha cabeça, e cheirei o travesseiro que ainda tinha traços do
cheiro do Matsuda-kun. Eu cheirei como se eu fosse um filhote, e esfreguei minhas
bochechas no travesseiro, ronronando feliz. Então, eu fechei meus olhos.
Assim que minha visão escureceu, meus outros sentidos se aguçaram. Logo, a única coisa
que restava em meu mundo era o cheiro de Matsuda-kun...
Não, essa não era a única coisa.
Eu também podia ouvir vozes, interferindo com meu mundo privado do Matsuda-kun. Uma
reunião de vozes emocionadas e inquietas. A ansiedade tomou conta de meu corpo apenas
por ouvi-las, então eu cobri meus ouvidos em pânico.
...Não tinha nada a ver comigo mesmo.
Porém, eu não consegui dormir. Eu senti como se meu corpo se esquecesse como dormir.
Eu quero cair no sono.
Eu quero dormir e arrimar esse mundo que não tem o Matsuda-kun.
Eu quero me encontrar com ele novamente.
...Matsuda-kun Matsuda-kun Matsuda-kun Matsuda-kun Matsuda-kun Matsuda-kun
Matsuda-kun Matsuda-kun
Então, enquanto eu sonhava sobre sonhar com Matsuda-kun, eu vagarosamente caí em um
sono feliz.

Tradução e Revisão: Pedro Henrique Silva, Aiko Shimizu, Ikaro Vinhas, Alec Paiva.
Apoio: Grupo Dangan Ronpa Fãs – PT/BR.