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INDICE

Introdução..................................................................................................................... 2
1.1.Requísitos................................................................................................................. 3
1.2.efeitos sucessórios....................................................................................................... 3
1.2.1.Lugar da abertura da sucessão...................................................................................... 5
1.2.2.Tempo ou momento da abertura da sucessão....................................................................5
1.2.2.1.Importância do tempo da abertura da sucessão................................................................7

INTRODUÇÃO

Direito das Sucessoes

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MORTE PRESUMIDA 1.REQUÍSITOS Direito das Sucessoes Page 2 .1.1.

A afirmação regra de que o direito das sucessões tem a ver. aparecesse logo o novo titular desses direitos. portanto aqui. Tudo se passa como se no momento da abertura da sucessão. o novo sucessor neste caso tivesse sido chamado e simultaneamente aceitado. podemos afirmar com precisão que ela pode funcionar como factor determinante de um processo sucessório. Porque é que se diz que na grande generalidade das situações da vida real a transição de sujeitos (titulares) se opera rápida e quase insensivelmente?  Porque o Direito acentua esta rápida transição fazendo retroagir os diversos momentos do processo sucessório à abertura da sucessão. evitar que os direitos que ficaram sem sujeito pelo falecimento deste. Lições de direito de família e sucessões. se mantenham numa situação de direitos vazios de sujeito. se entretanto o ausente houver completado oitenta anos de idade. se esta produz os mesmos efeitos que a morte. 1. uma situação que a lei assim o faz aproximar na sua configuração jurídica. porém.Nos termos do artigo 114°/1 do Código Civil: decorridos 10 anos sobre a data das ultimas noticias. podem os interessados a que se refere o artigo 100° requerer a decleração de morte presumida. 115° Código Civil: “a declaração de morte presumida produz os mesmos efeitos que a morte”. O direito das sucessões está confinado ao estudo das consequências jurídicas provocadas pela morte física. Efeitos sucessórios Nos termos do art. com a morte em sentido físico.2.1 Vejamos o seguinte exemplo para melhor se perceber: 1 Diogo Leite Campos. ou seja. ou seja. há. ou passados cinco anos. a transição de sujeitos ou titulares de direitos se opera rápida e quase insensivelmente. 493 e 494pp Direito das Sucessoes Page 3 . Neste caso fala-se da morte presumida esplanada no art. 114° Código Civil. Pretende-se. do seu titular. Por esta razão que se diz que na generalidade das situações da vida real. Logo. como se no momento em que os direitos ficam sem sujeitos. fundamentalmente.

2. ou ainda na falta de residência habitual. tem-se domiciliado em qualquer deles. Tempo ou momento da abertura da sucessão Direito das Sucessoes Page 4 .A+ B C A. fossem de imediato chamados seus sucessíveis B e C e simultaneamente aceitado.2. Segundo a alínea a) do número 1 do art. tal deverá poduzir-se no lugar do último domicílio do seu autor ou do “de cujus”. 82° a 88° todos do Código Civil. no momento em que A morreu. considera-se domiciliado no lugar da sua residência ocasional. dizíamos que. 1. se residir alternadamente em diversos lugares. possuidor de vários bens patrimoniais de alto valor. Quanto à fixação do domicílio remetemos para os princípios gerais do art. 2031° Código Civil. a sucessão deve ser aberta no lugar do último domicílio do seu autor ou defunto conforme dispõe o art. Logo. Em outras palavras. B e C correspondem ou fazem parte da primeira classe de sucessíveis. ou ainda se esta não puder ser determinada. esteve muito doente e faleceu . Deixou como herdeiros os seus filhos B e C. 2133° do Código Civil. no lugar onde se encontrar 1. A lei tomou aqui o domicílio como critério.1. Lugar da abertura da sucessão A determinação do lugar onde esse início se devera verificar é um elemento integrante do arranque do processo sucessório. A lei é expressa quando dispõem que: “a pessoa tem domicílio no lugar da sua residência habitual” ou que. esta transição de titulares de direitos se opera rápida e insensivelmente porque é como se. preferindo-o à residência ou ao lugar do falecimento.2.

C e D. nomeadamente: 1. tem efeito para o passado. havendo como sucessíveis os seus filhos B. conforme resulta do disposto no número 1 do art. 2058° do Código Civil: “se o sucessível chamado à herança falecer sem a haver aceitado ou repudiado. A segunda consequência jurídica verifica-se “quando os primeiros sucessíveis não quiserem ou não puderem aceitar a herança”. Por forca da lei. isto é. A título de exemplo. conforme dispõe o número 1 do art. porque a devolução do referido direito retroagiu à data da 2 N°2 do art. e tendo em conta que F já não existia. se a devolução do direito de aceitar a herança incidisse sobre o quadro de sucessíveis existentes na data em que se verificara a impossibilidade de aceitação por parte de B (que faleceu no dia 01/01/2001). Neste caso. conforme dispõe o art.O momento da abertura da sucessão é o momento da morte. transmite-se aos seus herdeiros o direito de aceitar ou de repudiar a herança. 2033° do Código Civil 2. C e D. no momento da sucessão. e por forca deste mesmo artigo. Como se depreende. porque no momento em que se da a abertura da sucessão a ela se ligam consequências jurídicas da maior relevância. 2031° Código Civil Nos termos do art. se considerarmos que F também havia falecido em 25/06/2000. ou seja. a devolução do direito de aceitar a herança não vai incidir sobre o quadro de sucessíveis existentes a data em que ocorreu a impossibilidade da aceitação. 2031° do Código Civil. aberta a sucessão. 2032° do Código Civil. no primeiro momento de ausência de vida. quando se diz que. Antes de se ter pronunciado.” Entretanto. A vocação sucessória. a devolução retroage. mas sobre o quadro que prevalecia no momento em que se abriu a sucessão. Mas. abriu-se de imediato a sua sucessão. transmite-se aos seus herdeiros o direito de a aceitar ou repudiar. então os sucessíveis de A seriam E.2 Entretanto. quando tal acontecer. B faleceu 01/01/2001. devolvese o direito a aceitação aos sucessíveis subseqüentes. 2032 do Código Civil Direito das Sucessoes Page 5 . tal facto resultam conseqüências jurídicas no que diz respeito à possibilidade de se ser chamado à sucessão de uma pessoa falecida. pela morte de A que ocorreu em 01/01/2000. “quid juris”? Ora. serão chamados à titularidade das relações jurídicas do falecido aqueles que gozam de prioridade na hierarquia dos sucessíveis deste que tenham a necessária capacidade nos termos do art. A lei teve o cuidado de se precisar e fazer coincidir a abertura da sucessão com a própria morte do autor da herança.

em caso de um bem se achar na posse de terceiro. 2050 do Código Civil que estes retroagem também ao momento da abertura da sucessão. sobretudo nos vários pontos de vista. e porque F já não estava vivo. Importância do tempo da abertura da sucessão Qual será então a importância deste momento?  Este momento é muito importante. No âmbito do repudio da herança ou do legado. serão chamados os subsequentes. C e D. por força do preceituado no número 2 do art. e assim sucessivamente. Isto tem grande importância jurídica.1. serão chamados os subsequentes. Outra consequência diz respeito à partilha. o mesmo se verifica. Assim. no que toca aos efeitos da aceitação da herança. 3. que se verificou em 01/01/2000. a título de exemplo. como é o caso do número 2 do art. ao sucessível passa a ser reconhecida a titularidade de direitos relativamente aos bens que recebeu. A lei faz retroagir todo o fenômeno sucessório ao momento da abertura da sucessão. quer do repudio. desde a abertura da sucessão. 4. Outra consequência jurídica se relaciona com os efeitos decorrentes quer da aceitação. efectuada a partilha.2. 2032° do Código Civil: “se os primeiros sucessíveis não quiserem ou não puderem aceitar. F. 2032° Código Civil. que se recuse a entregá-lo. O art.abertura da sucessão de A. nomeadamente para efeitos de reconhecimento do direito de propriedade. o quadro de sucessíveis passava a ser constituído por E. Assim sendo. se os primeiros sucessíveis não quiserem ou não puderem aceitar. no que toca aos efeitos da aceitação da herança (como por exemplo. com efeitos a partir da abertura da sucessão. e Direito das Sucessoes Page 6 . estabelece o número 2 do art. a aquisição de bens e a responsabilidade dos encargos da herança). 1. cada um dos herdeiros é considerado. sucessor único dos bens que lhe foram atribuídos sem prejuízo do disposto quanto aos frutos”.2. a devolução a favor dos últimos retrotrai-se ao momento da abertura da sucessão”. 2119 do Código Civil que dispõe que: “feita a partilha. Assim. conforme dispõe os artigos 2062 e 2249 ambos do Código Civil.

a devolução a favor dos últimos retrotrai-se ao momento da abertura da sucessão. 2133° do Código Civil).Último domicílio do Page 7 .  Uma grande importância deste momento tem a ver com a questão da verificação da sobrevivência dos sucessíveis (os que constam do art. um sucessível só poderá efectivamente ter direito a sucessão se sobreviver ao autor dela. Observemos o seguinte esquema referente à abertura da sucessão para uma melhor percepção: Morte natural Momento Morte presumida -A abertura da sucessão -Chamamento dos sucessíveis Processo -Aceitação e repúdio Direito das Sucessoes Lugar. É preciso provar que a sua morte foi posterior à morte do autor da sucessão.assim sucessivamente.

109pp Direito das Sucessoes Page 8 . fala-se deste como sendo um processo através do qual se verifica o ingresso de um novo sujeito na titularidade das relações jurídicas do falecido. 1.Chamamento dos herdeiros e legatários Conforme dispõe o art. Observando rigorosamente. no último domicílio do seu autor conforme dispõe o art. cit. Ora. seguido das suas diversas fases. porque o primeiro momento deste processo (sucessório) é justamente a abertura da sucessão. Op. temos em primeiro lugar o processo sucessório. ou seja.2. Não obstante a lei também exige que o lugar da abertura da sucessão seja no último domicílio do “de cujus”.3 quando se fala em fenômeno sucessório. e este processo tem várias fases.sucessório -Administração dos bens hereditários “de cujos” -Satisfação dos encargos -Partilha Neste esquema.3. no que refere ao momento da abertura da sucessão a lei assim o exige que este momento coincida com a morte do titular dos respectivos bens em causa. podemos verificar que a abertura da sucessão está ou encontra-se situada acima dos demais momentos ou fases. Inicia-se com a morte do autor da herança e culmina com a aceitação dos bens deste pelos seus sucessores. Tal como dissemos anteriormente. 2032cc no seu número 1: “aberta a sucessão. o primeiro momento deste processo é a abertura da sucessão. ou seja: este momento de abertura da sucessão situa-se em primeiro lugar dos restantes. 2031° Código Civil. serão chamados a titularidade das relações jurídicas do falecido aqueles que gozam de prioridade na hierarquia dos sucessíveis deste que tenham a necessária capacidade” Ora vejamos o seguinte exemplo: A 3 Luis Filipe Sacramento.

que neste caso será B. e o mesmo acontecera se este também não puder ou não quiser aceitar. Dispõe ainda no seu número 2: “se os primeiros sucessíveis não quiserem ou não puderem aceitar. serão chamados os subsequentes da classe de sucessíveis.B+ C B faleceu. se por acaso C não quiser aceitar. É preciso perceber que ambos os exemplos acima dado. a devolução a favor dos últimos retrotrai-se ao momento da abertura da sucessão” Apoiando-se no exemplo anterior. Mas. serão chamados os subseqüentes. correspondem ao chamamento por ordem legal. C goza de prioridade na classe de sucessíveis desde que este tenha a necessária capacidade sucessória. ALIENAÇÃO DA HERANÇA Direito das Sucessoes Page 9 . temos também o caso de indicação pelo “de cujus” por via testamentária ou contratual como se verifica no esquema abaixo: Ordem legal (art 2133° cc) Chamamento Testamento Indicação pelo “de cujus” Contrato 2. 2133° do Código Civil. O ultimo momento retrotrai-se ao momento da abertura da sucessão. e assim sucessivamente. serão chamados os subsequentes. Segundo a alínea a) do número 1 do art. como não tivessem sido chamados os primeiros que eram privilegiados em relação a estes.

.1. pois ainda não se liquidou e nem se partilhou o património do De cuius quer naglobalidade ou quer em quota-parte a herança. MODO DE ALIENAÇÃO A alienação pode ser feita por negócio jurídico oneroso e negócio jurídico grátuito.2. sendo apenas esse bens que o de cuius disounha ate a data da morte como património. quer em quota-parte. 2. passando assim a ter ou a deter um direito de propriedade abstracto. Ideia Geral Falar de alienacao da heranca.É necessario que seja aberta a sucessao. No entanto existem requisitos que a lei confere aos demais para que o patrimonio do de cujus se torne possivel a alienação.3. Existem na alienação da herança situações de estado de necessidade em que se pode alienar bens. podem ser alienados os bens do de cuius antes da liquidação e partilha desde que sejam chamados os possíveis herdeiros e estes terem respondido afirmativamente. 2. . IMPOSSIBILIDADE DE OBJECTO DE ALIENAÇAO O objecto de alienação será impossivel quando desapareçam ou mesmo quando quando sejam destruidos todos os bens que integram no património hereditário.Ter sido aceite a sucessao. estaremos de sobre como tornar os bens direitos concretos. Os requisitos primordiais que determinam a alienacao de bem hereditario do de cujus sao: .E por ultimo a liquidacao e partilha da heranca. aceitando a herança. quer quando nos encargos da herança nada tenha restado ou quando os bens tiverem sido consumido pelo incêndio. Direito das Sucessoes Page 10 .2. quer no seu todo ou na globalidade antes da liquidação e partilha da herança hereditaria ou seja.

Deve se considerar que quando a alienaçãestiver sugeita a forma especial.art. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA Direito das Sucessoes Page 11 .2126º CC determina que deverá se alienar por escritur pública a herança que sempre tiver bens cuja transmissão é imperativa que se obedeça aquela forma de documento.Negócio jurídico grátuito é um atribuição patrimonial a favor de outrem sem a contraparte ou seja. Segundo o art. 939º CC.874º CC. a luz do disposto no art.220º CC.2126º. Exemplo: um contrato de compra e venda. FORMAS DE ALIENAÇÃO No tocante a forma de alienação.a luz do art.nº 2 CC. ou seja. as partes terão vantagens das prestações.4. 3. pretende-se debruçar sobre o formalismo documental eficaz para a tramitação ou transmissão legal de um bem heraditário para a esfera jurídica de outrem ou de um novo titular. o seu incumprimento implica sansões de nulidade de negocio juridico. Doação em pagamento segundo o art. 2. Trocas e outras formas de testamentos como negócio jurídico de forma onerosa de alienação. Negócio jurídico oneroso é quando as partes fazem uma atribuição patrimonial que considera retribuido ou contrabalançada pela atribuição da contraparte. Mas se no património da herança a alienar. existir bens cuja sua transmissão não se exige escritura publica. sem nenhum sacrifício correspondente nos termos do artigo 940º CC.art.837º CC. tal alienação devera obedecer a forma de documento particular.

. de um “único centro de interesses”. na medida em que. define-se o testamento como sendo “o acto unilateral e revogável pelo qual uma pessoa dispõe.Confessar .Designar tutor . de todos os seus bens ou de parte deles”. CARACTERES DO TESTAMENTO De seguida. a qual legítima a afirmação de que o testamento é uma “disposição de última vontade 3.Nomear testamenteiro . . 2311º segs. mas também de direitos ou coisas não patrimoniais. como se pode concluir. por meio do testamento. da propria nocao legal de testamento . Significa que nao precisa de retorno do objecto testado a luz do art. CC). a) O Testamento é um Negocio Unilateral Não Recepticio Esta caracteristicas retiramo-la. . iremos precisar os principais caracteres do testamento.No art. dessa definição legal que é da essência do testamento. 2179º/1 CC.artigo 23412º CC. se pode dispôr não só de bens. como também a livre revogabilidade (arts. Civil. para depois da morte.nº 1 do artigo 2038º CC.n˚ 1 do artigo 2179˚do C. ou seja.artigo 2320º CC.Perfilhar .Reabilitar um indigno . Tenha-se presente que. Trata-se. de uma noção imperfeita. 2179˚/1 CC. Resulta pois.nº 4 do artigo 358º CC. .1. .Revogar o testamento . a existência de “uma única parte”. o autor da sucessão pode nomeadamente: . Direito das Sucessoes Page 12 . por testamento.(alínea c) do artigo 1830º CC. desde logo. tendo naturalmente em consideração que se esta em presença de um negocio juridico unilateral. não só a unilateralidade.nº 3 do artigo 1928º CC.

quer pelo que toca à instituição de herdeiros ou nomeação de legatários. dessa definição legal que é da essência do testamento. c) O Testamento é um Negócio Individual Diz-se que o testamento é um negocio individual. com isso nao se opoem ao testador de expressar integralmente a sua vontade no documento que constiui o testamento. Deste carácter resultam duas grandes grandes consequências: A primeira prende-se com a figura da representação. a existência de “uma única parte”. ao contrário da grande maioria dos restantes negócios jurídicos. Neste caso do testamento enquanto negocio jurídico que é. Ou seja. no artigo 2181˚ CC não permite a existência de testamento de mão comum. Direito das Sucessoes Page 13 . quer pelo que pertence ao cumprimento ou não cumprimento das suas disposições (art. na feitura do testamento não se permite que o seu autor se faça representar por outrem. quer pelo que respeita ao objecto da herança ou do legado. b) O Testamento é um Negocio Pessoal Esta outra característica do testamento acha-se expressamente referida no n˚1 do artigo 2182˚ CC. não é admitida a figura da representacao ou seja. porque a lei. que no caso do testamento. de um “único centro de interesses”. A segunda consiste em impor ao testador. enquanto negocio jurídico que é. 2182º/1 CC). ao contrário dos outros negocios juridicos. Civil. O testamento é ainda um negócio pessoal.n˚ 1 e 2 do artigo 2182˚ do C.Resulta pois. nao é admitida. “insusceptível de ser feito por meio de representante ou de ficar dependente do arbítrio de outrem. não só a unilateralidade. a feitura do testamento nao se permite que o seu autor se faça representar por outrem. que expresse integralmente a sua vontade no documento que constitui o testamento . ou seja. como regra.

o coloca no plano da hierarquia dos factos designativos negociais.é aquele em que se intervem duas ou mais pessoas. após a designação contratual. fazendo disposicoes em proveito reciproco ou em favor de terceiros. ou seja. como tambem os seus beneficiarios (herdeiros e legatários). os testamentos serão naturalmente revogáveis expressa ou tacitamente por um acto designativo (arts. 1701º/1 CC). mais de uma pessoa. nomeadamente através de testamentos ulteriores. Quando se fala num negocio juridico que apenas produz efeitos alêm da morte. Os pactos sucessórios não podem ser unilateralmente revogados (art. e que ao testador nao lhe é permitida estabelecer qualquer clausula que ponha em causa o principio da livre revogabilidade do testamento. 2312º e 2313º CC). d) O Testamento é um Negócio Mortis Causa Trata-se assim de um negocio juridico para produzir efeitos para depois da morte. A livre revogabilidade do testamento como negócio jurídico unilateral. na medida em que abrange nao so o testador.Testamento de mão comum . segundo o artigo 2179˚/ 1 CC. e) O Testamento é um Negocio Livremente Revogavel Trata-se de um negocio juridico cuja sua natureza é livremente revogavel. f) O Testamento é um Negocio Formal Direito das Sucessoes Page 14 . tem-se presente um duplo sentido. Por seu turno.

3. .1. e as formas especiais acham-se tratadas nos artigos 2210˚ e segs CC. o testamento pode ser As formas comuns (testamento publico e testamento cerrado).2. FORMAS DO TESTAMENTO 3. Formas Comuns: . 2205º CC). porque dele não se extrai qualquer oposição entre os interesses do declarante (o testador) por um lado.quando feito pelo testador ou por outrem a seu rogo e por ele assinado e sujeito a uma aprovação notarial de índole meramente formal (art.Testamentos de militares e pessoas equiparadas (2210 º CC). . g) O Testamento é um negócio Estranho ao Comércio Jurídico É um estranho estranho ao comercio jurídico. Direito das Sucessoes Page 15 . com efeito.O testamento envolve determinadas formas que devem ser seguidas para que seja legal. .2.Testamentos militar publico. acham-se reguladas nos artigos 2204˚ e 2209˚ CC.testamento publico .testamento cerrado . (2212º CC). Formas especiais: .Testamento militar cerrado. e com os próprios interesses gerais da contratação.quando é escrito pelo notário no seu livro de notas.2. (2211º CC). formalismo que ainda surge como garantia da expressão livre e “última” da vontade. e os interesses do declaratório (herdeiro ou legatário) por outro.2. 2206º CC 3. dando azo nomeadamente à intervenção testemunhal (art.

Direito das Sucessoes Page 16 . já que a indisponibilidade se cinge à sucessão testamentária. para o caso do filho falecer sendo menor (substituição pupilar) ou em situação de interdição por anomalia psíquica (substituição quase-pupilar). entretanto. se o filho adquirir ou readquirir capacidade testamentária (arts. aplicável à situação prevista no art. 2192º segs. 2297º e 2298º CC). uma capacidade de exercício e não de gozo. 2192º/3 CC.3. parece acentuar que o que está fundamentalmente em causa são as circunstâncias conexas com a facultas agendi por morte do testador. ex vi do art. 2188º CC). 2298º/2 CC) e ainda se o substituído falecer deixando descendentes ou ascendentes. colaterais até ao terceiro grau ou o cônjuge do testador. 2297º/2. A lei admite (arts. também aponta para a incidência no lado activo da sucessão testamentária da indisponibilidade relativa na medida em que ela não operará nesses casos. 2194º CC.3. determina a lei a nulidade. apesar da identidade da facti species normativa. que o progenitor. CC. O art. A própria expressão legal “indisponibilidade relativa”. Reportada a pessoas singulares (“indivíduos”). Diversa é a figura da indisponibilidade relativa recortada nos arts. se for caso disso. que não estiver inibido do poder paternal substitua aos filhos os herdeiros ou legatários que bem lhe aprouver. TESTAMENTARIAS INCAPACIDADES. CAPACIDADE. 2195º-b CC. a capacidade testamentária é. INABILIDADES E ILEGITIMIDADES ACTIVA A regra no tocante à capacidade testamentária é a de que “podem testar todos os indivíduos que a lei não declare incapazes de o fazer” (art. por se estar ante descendentes. A substituição pupilar e quase-pupilar caducam. por exemplo. por sucessão legítima. As pessoas relativamente às quais a lei cria situações de indisponibilidade podem ser chamadas. ascendentes. entretanto.

o conceito lacuna importa a existência de uma situação que nem a letra da lei. 2187º CC). 1º O intérprete deve procurar o sentido mais ajustado à vontade do testador. 10º CC). 239º CC). ao contexto do testamento. e sendo o sentido deste a vontade real do testador (art. 2187º CC). no acto dispositivo qua tale (art.3. 2182º/1 CC). aos elementos exteriores à declaração testamentária. 4º Na parte final do art. a lacuna não pode deixar de se situar sempre no campo de uma vontade real do testador (art. São quatro as coordenadas fundamentais através das quais a lei define a interpretação da disposição testamentária. não apenas o texto da respectiva cláusula. 2187º/2 CC abre declaradamente as portas à prova complementar. ainda que em conjugação com a relevância de aspectos formais. Transplantada para o campo negocial. manda considera. nem o sentido daquela comportariam (art. ou seja. 2187º CC. 2187º/2 CC. mas todo o contexto do testamento 3º O art. crêse. na interpretação de cada disposição. estabelece o limite de que o carácter formal do testamento não prescinde para a relevância da última vontade do testador Direito das Sucessoes Page 17 . Acresce que a lacuna não pode incidir.5. 2º Manda-se entender. devendo circunscrever-se a aspectos instrumentais ou secundários do mesmo. na interpretação de cada disposição. ainda que em conjugação com a relevância de aspectos formais. e do testamento em especial. mas capazes de auxiliar a determinação da vontade real do testador. É por virtude do carácter global que o testamento tende a assumir que o art. ASPECTOS GERAIS DO REGIME DO NEGÓCIO TESTAMENTÁRIO Reportado à lei. a lacuna não pode deixar de se situar sempre no campo de uma vontade hipotética (art.

CONCLUSÃO Direito das Sucessoes Page 18 .

Vol. Direito das sucessões. 1997. 2ª edição. Lex • SACRAMENTO. 2007 Direito das Sucessoes Page 19 . Maputo. • Código Civil.BIBLIOGRAFIA • CORTE-REAL. Carlos Pamplona:Direito da Família e das Sucessões. 109-116 pp. II. Maputo. Luis Filipe. Plural Editores.