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LITERATURA BRASILEIRA II (2015

)
PROF. IVAN MARQUES
PRIMEIRA AVALIAÇÃO

Escrever um breve ensaio sobre as poéticas de João Cabral de Melo
Neto e Orides Fontela, tomando por base os poemas abaixo
reproduzidos.
O aluno pode tanto desenvolver uma análise contrastiva centrada na
escolha de dois únicos poemas, um de cada autor, como também
produzir uma reflexão mais abrangente, considerando todo o
conjunto de poemas.
Utilizar como apoio a bibliografia sobre os poetas indicada no curso.

POEMAS DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO:
- “Pequena ode mineral” (O engenheiro)
- “Psicologia da composição”, partes I e II (Psicologia da composição)
- “Poema” (Museu de tudo)

POEMAS DE ORIDES FONTELA:
- “Mãos” (Transposição)
- “Rosa” (Transposição)
- “Poema” (Alba)
- “João” (Teia)

Tamanho: 2 páginas (5 mil caracteres com espaços)
Valor: 4 pontos
Prazo: 14 de setembro

1

Tua alma foge como cabelos. Procura a ordem que vês na pedra: nada se gasta mas permanece. Essa presença que reconheces não se devora tudo em que cresce. unhas. palavras ditas que não se sabe onde se perdem e impregnam a terra com sua morte. Procura a ordem desse silêncio que imóvel fala: silêncio puro. humores. Desordem na alma que de ti foge. informe nuvem que de ti cresce e cuja face nem reconheces. pesado sólido que ao fluido vence. Tua alma escapa como este corpo solto no tempo que nada impede. que sempre ao fundo das coisas desce. Nem mesmo cresce pois permanece fora do tempo que não a mede.POEMAS DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO PEQUENA ODE MINERAL Desordem na alma que se atropela sob esta carne que transparece. vaga fumaça que se dispersa. 2 .

como a um pássaro. como não há fonte cessa toda fuga. (O engenheiro. como não há fuga nada lembra o fluir de meu tempo. voz de silêncio. côncava. me incita ao verso nítido e preciso. ao vento que nele sopra o tempo. Como não há noite cessa toda fonte. 1945) PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO I Saio de meu poema como quem lava as mãos. Talvez alguma concha dessas (ou pássaro) lembre.. Algumas conchas tornaram-se. que despi.. Talvez. como a camisa vazia. que o sol da atenção cristalizou. (. o corpo do gesto extinto que o ar já preencheu. II Esta folha branca me proscreve o sonho. 1947) 3 . Eu me refugio nesta praia pura onde nada existe em que a noite pouse.de pura espécie. mais do que a ausência que as vozes ferem. alguma palavra que desabrochei.) (Psicologia da composição.

sem contar. no contato das coisas que apenas coisas via. riso súbito abria. grave. esse sol de palavra é natureza fria. Ora. 1975) 4 . descobria: não a claridade imóvel da praia ao meio-dia. no rosto que. Mas à floresta de gestos que nos povoa o dia. nova espécie de sol eu. (1947) (Museu de tudo. na calma segurança de quem tudo sabia. no andar decidido que os longes media. de aérea arquitetura ou de pura poesia: mas o oculto calor que as coisas todas cria.POEMA Trouxe o sol à poesia mas como trazê-lo ao dia? No papel mineral qualquer geometria fecunda a pura flora que o pensamento cria.

Porém se unicamente a palavra FLOR — a palavra em si é humanidade como expressar mais o que é densidade inverbal. viva? (A ex-rosa. (Transposição. arestas da subjacente unidade as mãos desenterrando luzesfragmentos do anterior espelho Com as mãos nuas lavrar o campo: desnudar a estrela essencial sem ter piedade do sangue. Saber seu peso seu signo — habitar sua estrela Impiedosa. (Transposição.POEMAS DE ORIDES FONTELA MÃOS Com as mãos nuas lavrar o campo: as mãos se ferindo nos seres.) Eu assassinei a palavra e tenho as mãos vivas em sangue. 5 . o crepúsculo o horizonte. 1969) POEMA Saber de cor o silêncio diamante e/ou espelho o silêncio além do branco. 1969) ROSA Eu assassinei o nome da flor e a mesma flor forma complexa simplifiquei-a no símbolo (mas sem elidir o sangue).

dissolvê-lo em palavras. IV O duro impuro labor: construir-se. V O canto é anterior ao pássaro A casa é anterior ao barro O nome é anterior à vida. II O pássaro-operário madruga: construir a casa construir o canto ganhar — construir — o dia. III O pássaro faz o seu trabalho e o trabalho faz o pássaro.Saber seu centro: vazio esplendor além da vida e vida além da memória. Saber de cor o silêncio — e profaná-lo. (Alba. (Teia. 1983) JOÃO De barro o operário e a casa (de barro o nome e a obra). 1996) 6 .

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