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Os egípcios não distinguiam entre o simbolismo e a participação, se afirmava

que o rei era Horus, não queria dizer que o rei desempenhava o papel de
Horus, sim, precisamente, que o rei era Horus, que o deus estava efetivamente
presente no corpo do rei durante a atividade de que se tratava. A compreensão
do governo supremo, o apoio do povo, a proteção e o castigo eram atributos do
rei, o rei era cada um deles, e como cada um destes atributos se manifestava
em um deus ou em deuses, o rei era cada um destes deuses ou deusas.
Levando o principio de substituições um passo mais adiante, se considerava
que se o rei podia representar a um deus, também era verdade que o rei podia
ser representado por um homem. Neste caso, devemos advertir que se trata de
uma representação algo diferente, o sacerdote ou o funcionário atual para o rei,
não como o rei. Mas queremos antecipar que, em nossa opinião, não se trata
de um só deus, sim da natureza única dos fenômenos observáveis no universo,
com a manifestação possível de troca e substituições. Com respeito aos
deuses e aos homens, os egípcios eram monofisitas: muitos homens e muitos
deuses, mas todos eles, em ultimo extremo, de uma só natureza. Os três
deuses que tinham importância suprema em um período histórico formam em
conjunto uma só divindade. Os três deuses formam um só, mas, por outra
parte, os egípcios nunca deixaram de insistir na identidade própria de cada um
deles em particular. Consideravam que havia seres diferentes, mas crê que
estes seres estavam formados de uma só substância essencial, uma espécie
de arco-íris, na qual dominavam outros quando as condições se modificavam.
Uma personalidade completa inclui muitos aspectos diferentes. Os egípcios
consideravam que o universo estava composto por uma substância continua,
sem nenhuma linha de demarcação entre suas partes. O governo deve ser
amável, mas terrível, do mesmo modo que o Nilo é amável, mas terrível em
seu poder efetivo. Trata-se, simplesmente, de que o deus supremo, Rá, confia
esta terra a seu filho, o rei. Por isso, desde o Antigo Império, um dos títulos do
faraó era o de “filho de Rá”. Na mitologia, o único filho de Rá era o deus-aire
Shu, mas o faraó se convertia em filho de Rá de acordo com o propósito
especifico de governar o domínio principal de Rá, ou seja, o Estado egípcio. Os
egípcios afirmam sempre que o rei era o filho nascido, fisicamente, do deus sol
Rá. Hatshepsut era filha de Tutmosis I, mas o relato de sua origem divina, que
a permite chegar a reinar, afirma que ouve uma substituição e que seu pai
efetivo era Amón-Ra. A relação de títulos com que se designava formalmente o
rei do Egito pode dividir-se em três grupos. Já aviamos dito que se chamava
filho e sucessor do deus-sol, agora vamos considerar como representação das
responsabilidades das duas partes do Egito, depois, expor sua identificação
com o deus Horus. Assim, uma das funções do governo era fazer do Alto e do
Baixo Egito uma só nação. Mas ele se conjugava a autoridade e a
responsabilidade dos dois territórios em uma só figura: o rei-deus. A única lei
suprema dos dois territórios residia na pessoa do faraó, quem participava da
divindade da ambos os territórios em uma proporção justamente equilibrada.
Em todos os períodos através da história egípcia, sempre houve um só rei para
as Duas Terras. O terceiro grupo de títulos com que se designava formalmente
o faraó fazia dele a personificação do deus Horus, um falcão cujo território
divino se encontrava nos céus. O certo é que os mitos falam que Horus lutou e
obteve o governo de seu pai morto, o deus Osiris. Horus se converteu no rei
vivente que sucedeu o rei morto, Osiris. Todo soberano reinante era Horus e
todo rei que morria era Osiris. De qualquer maneira, Horus regia sobre todo o
território e não em uma só região. Um mortal ordinário não podia falar “ao” rei,
sem que falasse “em presencia dele”. Os serventes do rei eram escolhidos
entre as classes elevadas e tinham parentesco sangüíneo com o rei. O rei era
quem erigia os templos e as cidades, quem ganhava as batalhas, quem
formulava as leis, quem cobrava os tributos ou quem costeava as tumbas de
sua nobreza.