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Convite à Nova Igreja

Convite à Nova Igreja

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Convite à Nova Igreja, obra póstuma de Emanuel Swedenborg.
Convite à Nova Igreja, obra póstuma de Emanuel Swedenborg.

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Emanuel Swedenborg

I.

II.

III. IV.

V. VI. VII.

Não há verdadeiramente Igreja, exceto se houver um só Deus, e que esse Deus seja Jeovah-Deus sob uma forma humana. E, por conseguinte, exceto se esse Deus for homem, e esse Homem, Deus. Os doutrinais que se contém na Verdadeira Religião Cristâ concordam com os doutrinais da Igreja católica romana, e com os doutrinais dos Protestantes que reconhecem a união pessoal no Cristo, e que se dirigem ao Cristo, e tornam as duas espécies na eucaristia. Agora pela primeira vez esses veros da Igreja, e não antes; e isso, por diversas razões, entre as quais esta, que uma Nova Igreja não é instaurada antes da consumação da precedente. Providência Divina: sobre ela, por causa das heresias: propagadas depois do tempo dos Apóstolos. – Porque a Igreja Romana, __ porque a separação de junto dela, causas; e porque não digna de sua Mãe. Porque a separação da Igreja Grega de junto da Romana. Dos Milagres; eles destruíram a Igreja; diversas provas, e segundo as palavras do Senhor, L. Mateus, XXIV. Todas as coisas tenderam a que os homens, que foram considerados santos fossem invocados. Esta Igreja foi instaurada e está aberta não por milagres, mas pela revelação do Sentido Espiritual, e pela introdução de

meu espírito e ao mesmo tempo de meu corpo no mundo espiritual, para que lá eu conhecesse o que é o céu e o inferno, e que eu exaurisse imediatamente na luz procedendo do Senhor as verdades da fé, pelas quais o homem é conduzido à vida eterna. VIII. Da Vinda do Senhor segundo o Verbo e segundo os símbolos. IX. Convite à Nova Igreja, para que se vá ao encontro do Senhor, segundo o Apocalipse, XXI, XXII, segundo o Capítulo I etc e etc. X. De hoje em diante não deve haver Evangélicos, Reformados, ainda menos Luteranos e Calvinistas, mas Cristãos. XI. Muitas coisas sobre os milagres. 1. Em Jesus-Cristo o Homem é Deus e Deus é Homem, como se vê muito claramente pelas palavras do Senhor a seu Pai: “Todas as coisas tuas, minhas são e todas as minhas (são)” tuas. Por Todas as coisas tuas minhas são vê-se que o Homem ‘’e Deus, e por “Todas as minhas (são) tuas” vê-se que Deus é homem, __João, XVII. 10, 11. 2. Enquanto o homem é regenerado, na luz natural está inserta a luz do céu, e ao mesmo tempo o calor do céu, que fazem como uma nova alma, pela qual o Senhor forma o homem. Essa luz e esse calor são enxertados pela mente superior que é denominada mente espiritual; por esse enxerto o homem se torna uma nova criatura, e fica mais esclarecido e inteligente nas coisas da Igreja, e na leitura da Palavra. E esse é o novo entendimento e a nova vontade: por intermédio dessa luz e desse calor o homem é depois conduzido pelo Senhor, e de natural ele se torna espiritual. 3. Há uma luz e um calor ainda superior ou inferiores, que são denominados celestes; eles estão enxertados e insertos na luz e no calor precedentes que são espirituais; nessa luz e nesse calor superiores estão os anjos do terceiro céu, que são chamados celestes. 4. Pode-se tratar da inserção por comparação, comparando-a com um enxerto das árvores, no fato que o enxerto recebe interiormente nele segundo a sua forma, etc. 5. Demonstrar claramente que sem a vinda do Senhor ninguém pode ser regenerado, nem, por conseguinte, ser salvo, e que é isso que é significado quando se diz que o “Cordeiro tira os pecados do mundo”.

Isso pode ser evidente segundo o estado do mundo espiritual, antes da Vinda do Senhor, estado que era tal que nenhum vero da fé, nem bem da caridade podia chegar do Senhor ao homem. Ilustrar isso pelo influxo do vero e do bem nos maus espíritos, em seu occiput, etc. 6. Os milagres fecham o homem interno, e arrebatam todo o livre arbítrio, pelo qual, e no qual o homem é regenerado; e o livre arbítrio pertence particularmente ao homem interno. Este homem estando fechado, o homem torna-se o homem externo e natural, que não se vê vero algum espiritual; os milagres são como cortinas e ferrolhos para que nada entre, mas esse ferrolho ou essa tranca sucessivamente se rompe e dissipa todos os veros. 7. A Igreja de hoje diz que a fé entra pela audição da Palavra, segundo Paulo, e alguns agregam uma certa meditação segundo a Palavra. Cumpre, porém, entender que as Verdades devem ser tiradas do Verbo, e que se deve viver segundo essas Verdades; e então o homem se dirige ao Senhor que é o Verbo e a Verdade, e ele recebe a fé porque todas as verdades, em geral e em particular, vêm do Verbo, que deve ser a luz espiritual; assim se adquire a fé, pois a fé pertence ao vero, e o vero à fé, e que não se deve crer em outra coisa além do vero. 8. Há inúmeros males dentro do homem, e até os há em grande número em cada concupiscência; cada concupiscência que se manifesta ao conhecimento do homem é um grupo, um acervo de males, de muitas sortes, o homem não os vê, mas vê unicamente o grupo, por isso enquanto o homem o afasta pela penitência, o Senhor, que vê os interiores e os internos dos homens, o afasta; por conseguinte, se o homem não se dirigir ao Senhor, ele debalde trabalha para reparar o dano que ele experimentou; dá-se com isso como com que foi descrito no Memorável sobre as Tartarugas (Verdadeira Religião Cristã, nº 462). 9. O homem que se confirmou interiormente na fé e na doutrina da Igreja de hoje pode considerar como nada a penitência, a lei do Decálogo, pois ele considera as obras e a caridade como sem nenhum valor. Com efeito, dizer eu não posso fazer o bem por mim mesmo, as obras e a caridade estão na fé, de onde elas saem separadas, sem que eu o saiba; além de muitas outras coisas; daí vem também o naturalismo que reina hoje. 10. A plenitude do tempo significa também a consumação e a

desolação; e isso, porque o tempo significa o estado da Igreja, como vemo-lo no Apocalipse X. 5, e em Ezequiel, e por um tempo, tempos e a metade de um tempo. Os tempos no mundo são a primavera, o verão o outono, sua plenitude é a noite, etc. É isso que se entende pelo fato que o Senhor deve vir na plenitude do tempo, ou dos tempos, isto é, quando não houver vero algum da fé nem bem algum da caridade. Sobre a plenitude do tempo, Romanos XI. 12, 25. Gálatas IV. 4, principalmente Efésios I. 9, 10, Gênesis XV. 16. 11. A presença do amor do Senhor está nos que se acham na fé n'Ele; pode-se compreender claramente por isso que o lugar não pode ser dito do amor nem da fé, pois tanto um como o outro são espirituais. O Senhor mesmo está presente, por isso que evidentemente o espiritual não tem lugar; nunca ele esteve em mim, todas as vezes que eu estive na idéia do lugar. Em uma palavra, no mundo espiritual há presença segundo o amor; por isso ele está onipresente, não está mostrando o lugar, ele está no lugar, mas não pelo lugar, e no espaço mesmo estendido, mas não pelo espaço nem pela extensão. 12. A desolação do vero da Igreja pode ser comparada as consumações sobre as terras, nisto que o calor e todas as coisas que se ligam ao calor são consumadas pelo inverno e que então chega a primavera, e no fato que a luz nas terras é consumada pela noite, e que então chega a manhã. Por isso o Senhor disse no Apocalipse, aos que estavam debaixo do altar: Que repousassem ainda um tempo breve, até que se completassem (o número) dos conservos seus e seus irmãos, que deviam ser mortos como eles. VI. 9, 10, 11. Referir muitas passagens do Apocalipse, para mostrar que a Igreja foi devastada até os últimos. 13. Hoje a união da alma e do corpo não é conhecida, por causa das hipóteses dos eruditos sobre a alma, principalmente de Descartes e outros; é uma substância distinta do corpo, em união com ele enquanto o coração desempenha as suas funções; quando o homem é assim ela é o homem intimo, portanto ela é o homem da cabeça aos pés, de onde resulta que ela está no todo do homem e em cada uma de suas partes, segundo os antigos, e que em uma parte onde a alma não está intimamente não há a vida que pertence ao homem. É por essa união que todas as coisas da alma pertencem ao corpo e que todas as do corpo pertencem à alma, assim como o Senhor disse de seu Pai; que tudo que é do Pai é Dele e que tudo que é Dele é do Pai. Daí vem que o Senhor

quanto à carne também é Deus, Romanos IX. 5. Colossensses II. 9; depois O Pai (está) em Mim e Eu no Pai; somos um (João, XIV. 10, 11). A mente humana é de três graus, que são celeste, o espiritual e o natural. No primeiro grau está a alma, no segundo está o espírito ou a mente, no terceiro está o corpo. É o mesmo que dizer que a mente do homem é de três graus, ou dizer que o homem mesmo é dos três graus; porque se chama mente a coisa do corpo que está nos princípios, assim onde está o seu primeiro, as outras coisas são as suas propagações e continuações. Que seria mente se ela estivesse somente na cabeça, senão uma sorte de coisa separada ou diferente, da qual a não mente não procederia por continuidade? A autopia põe isso em evidência. As origens das fibras são glândulas assim chamadas substâncias da pele, daí procedem as fibras, e estas ligadas em feixes nos nervos, descem e passam por todo corpo, elas o enleiam e o constroem. O grau celeste, em que está a alma o homem intimo, pertence especialmente ao amor; o grau espiritual, em que está a mente ou o espírito, que é o homem médio, pertence especialmente a sabedoria segundo o amor; o terceiro grau, no qual está o corpo, que é o homem ultimo, são os continentes dos dois outros; sem este grau os dois primeiros não subsistiriam. Estas coisas podem ser além disso demonstradas pelos três céus, o celeste, o espiritual e o natural, e esses céus estão dentro do homem, por isso os anjos dos céus superiores não são visíveis para os anjos dos céus inferiores, quando de seus céus eles se ausentam . 15. Sendo assim pode-se também ver com clareza que o corpo existe pela alma como a árvore pela semente; daí também a árvore tira da semente a sua qualidade. Por conseguinte a alma do Cristo sendo da Divina essência segue-se que o corpo também é. 16. Todos os teólogos falando em publico nada sabem dos falsos de sua religião; eles dizem, com efeito, publicamente que Deus é um, que o salvador deve ser adorado, que, por conseguinte, o homem deve crer na palavra e nas prédicas, que ele deve exercer a caridade, fazer a penitência, afastar-se do mal, e então é que eles não se lembram mais dos três deuses, de sua fé mística, de sua falta de poder nas coisas espirituais, nem de todo resto. Saibam, porém, que os falsos recebidos nas escolas adere interiormente, e que as coisas que eles dizem estão unicamente na boca, e que depois da morte eles entram nos interiores do espírito; por isso tais falsos devem ser inteiramente desarraigados; mas as coisas que

estão unicamente no exterior só aderem como a barba ao queixo e depois que esta é cortada fica-se imberbe. 17. Todas as coisas que os sacerdotes pregam publicamente segundo o Verbo sobre a fé, que se deve crer em Deus, obre a caridade para com o próximo, sobre a conversão, a penitência e sobre a vida pia e espiritual, caem como um balde, quando a ortodoxa entra e as explica; então tais coisas desmoronam como quando se destrói um templo ou uma casa até que fique completamente arruinada, eles dizem que elas não são veros salvo si se crê que a caridade não produz efeito algum, nem a penitência, etc, a própria palavra cai, etc. e tudo se esboroa como quando se derriba uma parede cavando covas por baixo. 18. Dar um exemplo. (2). Uma lacuna e um estrago no texto do numero 18 não nos permitiu traduzir este numero que encerra seis linhas. 19. Dar também um exemplo continente segundo a verdadeira ortodoxa sobre a fé, sobre a caridade, sobre o Livre Arbítrio, exemplo segundo o qual ver-se-á claramente que o que eles dizem é absurdo. 20. Os espirituais do céu influem em todo homem, e influi pelo mundo; assim confirmado na luz, de sorte que os espirituais e os naturais influem conjuntamente. O homem mau, porém, os aniquila em sentido contrário, pois o que está por dentro ele põe para fora em sua mente, e o que está por fora ele põe por dentro, de modo que o céu não está por cima, ou o céu não é oposto aos infernos. Ao contrário o homem pio e bom os recebem na ordem que eles influem, a saber, os espirituais pelo céu, por cima na mente, e os naturais pelo mundo por baixo. Tal homem se conserva direito sobre seus pés, mas o outro é como virado com os pés para baixo. 21. Toda teologia de hoje não é outra coisa senão a onipotência divina, a saber,1º que ela dá a fé onde e a quem ela quer; 2º ela sem ele e os pecados; 3º ela regenera; 4º ela santifica; 5º ela imputa e salva; 6º ela levantará os cadáveres dos sepulcros, vivificará os esqueletos, e nele porá as almas que eles tiveram precedentemente; 7º ela destruirá o mundo com o sol, os astros, os planetas, as terras e criará um mundo novo; 8º. Com a onipotência há tudo, e a ordem que é Deus ou por Deus está no mundo inteiro; daí vem que o homem da Igreja pode inventar qualquer outro dogma, e elevar-se até acima nos ares, isto é, acima da razão, e em toda parte onde ele quiser contra a razão e dizer: “A razão deve ser posta sob a obediência de nossa fé; não é Deus Onipotente? Quem pode ou

ousa arrazoar contra a Onipotência?” Tais são todas as coisas da fé de hoje. 22. Não pode o homem achar um só divino vero, exceto se ele vir imediatamente ao Senhor; e isso é porque se o Senhor é o Verbo, e a Luz Mesma, e a Verdade Mesma, e que o homem só no Senhor é que se torna espiritual. Mas o homem é natural, e o homem natural vê todas as coisas de um modo inverso nos espirituais. Que tal seja assim, sabemo-lo por Paulo; é por essa razão que não há mais um resto de vero na Igreja e, por conseguinte, há consumação, desolação, decisão e plenitude. Como, porém, o Senhor não está morto, por isso resta sempre na terra uma raiz que sobrevive, segundo Daniel; e que o homem ainda que queira morrer, contudo não o pode segundo o Apocalipse; por conseguinte sobrevive a faculdade de poder compreender o vero e o poder querer o bem, é esta a raiz que sobrevive. 23. Os que estudam a ortodoxa de hoje objetam que a fé, a caridade, as boas obras, a penitência, a remissão dos pecados, etc. não podem existir no homem, antes de ele obter o Espírito Santo. Mas, como já se mostrou, há continuamente presente em qualquer individuo, tanto nos maus, como nos bons, o Espírito Santo, e o Divino procedente do Senhor e o Senhor; sem a presença do Senhor ninguém pode viver e o Senhor continuamente age, urge e faz esforços para ser recebido, por isso o Espírito Santo está continuamente presente. Esse fato foi provado no mundo espiritual sobre um diabo; para confirmação, a presença do Senhor lhe foi arrebatada, e esse diabo caiu estendido como morto absolutamente como um cadáver; milhares de espíritos e de eclesiásticos foram testemunhas do fato e ficaram estupefatos. É pois pela presença do Senhor que o homem tem a faculdade de pensar, compreender e querer, faculdades essas que vem unicamente do influxo da vida procedentemente do Senhor. Melanchton e Luthero achavam-se presentes, e a esse respeito não puderam abrir a boca. 24. Se a reforma foi feita, foi unicamente para que a Palavra, que estava sepultada, tornasse a entrar no mundo. Ela estivera no mundo durante muitos séculos, mas foi afinal posta no túmulo pelos católicos romanos e, por conseguinte, nenhuma verdade da Igreja pôde ser descoberta; o Senhor não podia ser descoberto e o papa era adorado como Deus em lugar do Senhor. Quando, porém, a Palavra (ou o Verbo) foi retirado de seu túmulo, o Senhor pôde ser reconhecido, a Verdade

pôde ser retirada dela e a conjunção com o céu realizar-se. É por isso que o Senhor suscitou ao mesmo tempo tantos varões que atacavam, excitou a Suécia, a Dinamarca, a Holanda, a Inglaterra a recebê-la, e para que não fosse abafada na Alemanha pelo papa. Ele excitou Gustavo Adolfo que se levantou contra os papistas. 25. Se este opúsculo não for agregado à obra precedente, a Igreja não pode ser curada, pois seria apenas como um remédio paliativo, uma chaga em que a sanie fica e corrói as partes vizinhas; a ortodoxa é essa própria sanie e a doutrina da Nova Igreja traz, é verdade, uma cura, mas unicamente para o exterior. 26. As origens de todos os erros na Igreja consistiram no fato de que o homem vive por si próprio ou por sua própria vida; mas a vida que nele está é incriada, interna, e ele não passa de um órgão da vida, e ele se acha no meio entre o céu e o inferno, e assim no equilíbrio ou livre arbítrio. 27. Ninguém pode ver a desolação do vero na Igreja, antes de estarem na luz, as verdades tiradas da Palavra; o herege não pode deixar de crer que todos os seus conhecimentos sejam verdades; cada um pode jurar pelas suas. Há uma luz fátua que tira sua origem das confirmações, luz em que está o homem natural, quando o homem espiritual o esclarece. Ainda mais, o naturalista ateu pode jurar que Deus não existe, que Ele é certamente uma coisa vã para o povo, pois em seu coração se mofa os doutores da Igreja. 28. Sabe-se na Igreja, que ela é o corpo de Cristo, mas até agora não se soube de que modo ela o é. Ela é o corpo de Cristo porque o céu inteiro é como um só homem diante do Senhor, e que esse homem se distingue em sociedades, cada uma das quais representa um membro, ou um órgão. No homem, nesse homem ou nesse corpo, o Senhor é a alma ou a vida. Quando o Senhor inspira os homens e quando Ele está presente, Ele está presente pelos céus, como a alma por seu corpo. Dá-se o mesmo com a Igreja na terra, porque ela é o homem externo, por isso cada um depois da morte é recolhido para os seus nesse corpo, etc. 29. As coisas que são referidas a meu respeito não são milagres, mas testemunhos de minha introdução pelo Senhor no mundo espiritual, para fins que......Hoje não se fazem milagres (dar as razões disso)... depois, segundo as palavras do Senhor, Mateus.XXIV. Milagres de Antônio de Pádua, e de muitos outros que são adorados como santos; os mosteiros estão cheios de seus milagres; milagres do Diácono Pavir, dos quais há

dois volumes. 30. Senhor deve vir na plenitude do tempo e pilgar, isso se entende pelas palavras do Senhor, Mateus. XXIV: “Quando vier o filho do homem na glória sua, e todos os santos anjos com Ele, então se assentará sobre o trono da glória sua e serão congregadas todas as nações diante dele e as separará umas das outras como um Pastor separa as ovelhas de junto dos bodes, etc.__vers. 31, 32. Essa vinda do Senhor se entende por estas palavras do Símbolo, dos Apóstolos sobre Jesus Cristo: Subiu aos céus, assentou-se à direita de Deus Pai Onipotente, de onde virá julgar os vivos e mortos. Isto se acha também no símbolo de Nicéa sobre o Senhor Jesus Cristo: Subiu aos céus, está assentado à direita do Pai, e virá de novo na glória julgar os vivos e os mortos; o Seu Reino não terá fim. 31. E também no símbolo de Atanásio: Subiu aos céus, está assentado à direita de Deus Pai Onipotente, de onde virá julgar os vivos e os mortos, e terão de dar conta de seus próprios atos; e os que fizeram boas ações irão para a vida eterna, mas os que tiverem feito más irão para o fogo eterno. Form. De Concórdia. Pág. 1, 2, 4. Além disso os Artigos de Isnalkalde ensinam que “Jesus Cristo subiu aos céus, está assentado á direita de Deus, e deve vir julgar os vivos e os mortos;” assim a mesma coisa que os símbolos dos apóstolos, de Nicéa, de Atanásio, Lutero no pequeno Catecismo, pág. 371. a Conf. De Augsburgo, pág. 10, 14, e o nosso catolicismo, ensinam também a mesma coisa, pág. 303. Igualmente segundo a Confissão de Augsburgo: Ele subiu aos céus para se assentar à direita do Pai, reinar perpetuamente e dominar sobre todas as criaturas: assim também, o Cristo deve voltar, manifestamente para julgar os vivos, os mortos, etc. segundo o símbolo dos apóstolos, pág. 10. 32. Que não é para o juízo a fim de destruir o céu e a terra, vê-se-o claramente por muitas passagens da Escritura, onde o Senhor fala de Sua Vinda; por exemplo onde Ele diz: “Quando o Filho do Homem vier, acaso encontrará fé na terra?” Lucas, XVIII. 8__ Ver muitas outras passagens referidas na Verdadeira Religião Cristã, nº 765; depois no fato que Ele deve vir não para destruir o céu visível e a terra habitável, nº 768 e seguintes, mas para separar os maus dos bons, nº 772 e seguintes; além de muitas outras explicações na mesma obra. A mesma coisa se diz na Fé Simbólica que foi inserta em cada livro

dos Salmos em todo o mundo Cristão, quando Símbolo Apostólico é somente exposto, igualmente, por conseguinte, nos Salmos, aí pelos vivos devem ser entendidos os que estão na caridade e na fé e são chamadas ovelhas pelo Senhor, mas pelos mortos os que não estão na caridade e na fé e são chamados bodes pelo Senhor. Agregue-se a isso Apoc. XI 13, e XX. 12. 33. Título: Da consumação do século e então da abominação da desolação. Referir o que o Senhor disse: 1º- Da abominação da desolação. 2º- O que da vastação. 3º- O que o Senhor disse da aflição. 4º- Que nenhuma carne poderia ser salva. 5º- Do escurecimento do sol e da lua. 6º- O que o Senhor diz no Apocalipse, I. 18: “Eis vivo e fui morto, e eis vivo estou nos séculos dos séculos”, depois II. 8 V-6; e o que o Senhor diz que “virá à noite, quando ninguém pode trabalhar”__João, IX. 4; que “naquela noite dois estarão em uma mesma cama”, Lucas, XVII. 34; depois o que o Senhor diz de Pedro, João, XXI 18; depois o que Paulo diz dos últimos tempos, I Tim. IV. 1 a 3; II Tim. 1 a 7. II Tim. IV 3, 4. Explicar que o que o Senhor diz Mat. XXIV. 27, foi assim feito no dia do juízo final,__ que o que Ele diz, vers. 30, 31, foi também assim feito. Ver nº 791 na Verdadeira Religião Cristã. 34. A vinda do Senhor é conforme a ordem, em que a primavera vem somente depois do inverno, a manhã depois da noite, o alívio e a alegria de uma mulher grávida só depois da dor; as consolações vêm somente depois das tentações, o homem só viverá de modo são depois da modificação, como o Senhor também o disse, exceto se morrer. O Senhor Mesmo se ofereceu como o modelo dessa ordem, deixando-se crucificar e matar, e que depois Ele ressuscitou; esse modelo significa o estado da Igreja. Também isso é significado pela estátua que Nabucodonosor viu em sonho, no fato que afinal a Pedra se tornou uma grande Rocha, depois, pelas quatro bestas do mar, a respeito de uma nação horrenda, o que será explicado; pelas quatro idades como da Antigüidade, as idades de ouro, de prata, de cobre e de ferro; pelas idades de cada homem desde a infância até a velhice, é então o fim da vida do corpo, mas o começo da vida do espírito, que é a introdução no céu para os que bem viveram; o mesmo também para o céu no fato que o precedente céu será dissipado, __ Apoc. XXI. 1, 2; igualmente para a Igreja.

35. Se as chaves do reino dos céus foram dadas a Pedro, é porque ele representou o Senhor quanto ao Divino Vero, e este vero se entende pela Pedra em toda a Escritura Santa. Assim sobre esta Pedra, isto é, Sobre este Divino Vero edificarei a minha Igreja, é a saber, sobre este Vero, que o Senhor é o Filho do Deus vivo. Mostrar pelo Verbo, que a Pedra ou a Rocha tem essa significação. A Pedra no Verbo, Êxodo, XVII. 6, XXXIII. 21, 22; Num. XX, 8 a 11; Deut. VIII. 15, XXXII 4 a 37; I Sam. II. 2; II Sam, XXII. 2, 3, 32, 47. XXIII 3 – Sal. XVIII 3, 32, 47. Sal. XXVIII. 1. XXXI. 2, 3, 4. XL. 2, 3. XLII. 9, 10. LXII. 2, 3, 7, 8. LXXVIII. 16, 20, 35. LXXXIX. 27, 28. XCII. 16. XCIV. 22. XC. 1 CV. 41. Is. II 10. XXII 16. XLII 11. LI. 1. Cor. X . 4. As fendas da pedra são os veros falsificados, Apoc. V. 15, 16. Isaias, II 19. Jerem. XVI. 16. Cant. II 14. Isaias, XLVIII. 21. Jerem.XXIII 29. XLIX 16. Obad. 3, e além disso nos Evangelistas. Alguns padres o explicaram também do mesmo modo (veja-se Firm. De Concord. Pág. 345). 36. Como o Filho Só foi feito Homem, e não toda a Trindade, a Essência Divina, que é um e indivisível trino, não foi assim separada, ou desunida e dividida? 37. Toda a Oração Dominical desde o começo até o fim visa este tempo, a saber, afim de que Deus Pai seja adorado em uma forma humana; isso é evidente se essa oração for convenientemente explicada. 38. Se as Igrejas caíram em tantas heresias, e se hoje só há falsas Igrejas, é porque não se tem dirigido ao Senhor, quando, entretanto, o Senhor é o Verbo, é a Luz mesma que esclarece o mundo inteiro; e então é impossível segundo o Verbo ver um só Vero real, salvo um vero ençado e imbuído de falsos, e coerente com os falsos; como também é impossível navegar para as Plêiades ou arrancar o ouro que está no centro da terra. Para que pois a Verdadeira Religião Cristã fosse posta em evidência, foi necessário que alguém fosse introduzido no mundo espiritual, e que pela boca do Senhor ele tirasse do Verbo os veros reais. O Senhor não pode ilustrar pessoa alguma com a Sua Luz, exceto se se dirigir imediatamente a Ele, e se O reconhecer como o Deus do Céu. 39. Hoje não se fazem milagres; os motivos foram dados na Verdadeira Religião Cristã, nº 501; é por isso que, em Mat. XXIV. 24, Deus diz que eles seduzirão. E que há de mais comum, entre os católicos

romanos, que de encherem de milagres os monumentos dos santos e as redes dos mosteiros? Quantas placas de ouro e prata no monumento de Antonio de Pádua? Quantas não há em Praga onde se diz que estão sepultados os três Sábios? Quantas não há em outros lugares? Que resulta de tudo isso senão dolos? Muito superior a esses milagres é o fato de eu falar no mundo espiritual com os anjos e os espíritos, é também que descrevi os estados do céu e do inferno, e da vida depois da morte, e que o sentido espiritual do Verbo me foi desvendado, além de muitas outras coisas. Ora, essa introdução no outro mundo, não foi, que eu saiba, concedida anteriormente pelo Senhor a ninguém; mas são indícios que isso foi para a Nova Igreja, que é a coroa de todas as Igrejas, e que deve durar na eternidade. Achar-se no mundo espiritual, ver as coisas admiráveis do céu e as coisas lastimáveis do inferno, e lá se achar na luz mesma do Senhor, em que estão os Anjos, isso excede todos os milagres; os testemunhos de que eu lá estou, enchem profundamente os meus livros. 40. Se a Igreja se imergiu em tão grandes falsos que não resta mais um só vero, e que ela é como um navio naufragado de que só se avista a ponta do mastro, é unicamente porque até agora não se tem dirigido imediatamente ao Senhor, e quando se não dirige imediatamente a Ele, nenhum vero pode manifestar-se em sua luz, pela razão que o Senhor é o Verbo, isto é, todo Divino Vero no Verbo, e Ele Só é a Luz que esclarece a todos, como Ele Mesmo o ensina, e que todo Vero do Verbo brilha, unicamente pelo Senhor Só. É essa Luz que se entende pelo espiritual, por conseguinte, quando essa Luz não está nele não há no entendimento do homem espiritual algum, há unicamente o natural, e o homem natural só vê às avessas todas as coisas que encerram os espirituais; ele vê o falso em vez do vero, por isso quando ele lê a Palavra, ele vira tudo para o seu falso, e assim os falsos tornam-se veros, e ele encontra neles as suas delícias, pois a mente natural humana está nas coisas que pertencem ao mundo e a si próprio, e nelas unicamente ele põe os seus deleites. Se nas coisas da Palavra não há luz espiritual, ele as transporta para as que pertencem ao mundo e a si próprio, ele põe estas em primeiro lugar e assim não só ele foge dos espirituais e as oculta como até mais tarde zomba deles. A fé não é espiritual ou não pode ser chamada espiritual, senão tanto quanto as verdades que ela encerra estão pelo Senhor na Luz, de outro modo é uma fé natural que não conjunge e não é salvifica.

41. No mundo espiritual não se conhece uma outra pessoa só pelo nome, mas se a conhece pela idéia de sua qualidade. Esta idéia faz que outra pessoa se ache presente e seja conhecida; é assim e não de outro modo que os pais são conhecidos pelos filhos e os filhos pelos pais; os próximos, os aliados, os amigos pelos próximos, os aliados e os amigos; igualmente os eruditos pelos seus escritos e pela fama de sua erudição; os grandes e os príncipes pela reputação de suas façanhas; como também os reis, os imperadores, os papas, todos por essas coisas sós. Concedeu-se-me falar com eles, mas não se me concedeu falar com os outros. O próprio espírito não é outra coisa senão a sua qualidade; é por isso que também naquele mundo não se pronuncia o nome de batismo nem o nome de família, mas cada um é nomeado segundo a sua qualidade. Daí é que o “nome” no Verbo não significa o nome, mas a qualidade, como diz o Senhor no Apocalipse: “Tens poucos nomes em Sardes” III. 4 e Conheço pelo nome; além de milhares de passagens onde se fala do nome. De tudo isso é evidente que ninguém tem o Senhor presente em si, exceto se souber a qualidade do Senhor; as verdades do Verbo a põem em evidência, pois tantas são as verdades do Verbo, quantos são os espelhos e quantas as idéias a respeito do Senhor, pois Ele Mesmo é o Verbo e Ele Mesmo é a Verdade, como em Pessoa Ele o diz. As qualidades são de dois gêneros, o primeiro gênero se refere ao conhecimento do Senhor, que Ele é o Deus do Céu e da Terra, o Filho de Deus Pai, um com Ele; que todas as coisas do Pai estão Nele, que em uma palavra Ele é o Humano de Deus Pai; o segundo gênero se refere aos conhecimentos, que procederão Dele, e que procedem segundo Ele; eles são Ele Mesmo; por exemplo, o que Ele ensina sobre a caridade, o Livre Arbítrio, a Penitência, a Regeneração, os Sacramentos, e sobre muitos outros pontos. Tais coisas formam também uma idéia do Senhor, porque vem Dele. 42. Um arcano do mundo espiritual, é que aquele que não tem uma idéia Dele diretamente e imediatamente por Ele, não se mostra presente, e então não pode com mais forte razão tornar-se uma comunicação recipiente, mas é como alguém que se conserva de lado e aparece na escuridão, nem pode falar com alguém, exceto se olhá-lo diretamente; mas há comunicação quando há inspeção recíproca. Assim e não de outra forma as

idéias de um entrarão no outro, e se então há amor, a conjunção se fará. Se alguém não vir, pois, o Pai imediatamente, então ele fica como de lado, e assim (o Senhor ou o Pai que está no Senhor) não pode dar nem conceder a redenção, isto é, não pode regenerá-lo nem, por conseguinte, salvá-lo. 43. A manifestação do Senhor em Pessoa, e a introdução no mundo espiritual, tanto quanto à vista, como quanto ao ouvido e à linguagem pelo Senhor, são mais do que todos os milagres, pois em parte nenhuma se lê nas histórias, que um tal comércio com os anjos e os espíritos tenho sido concedido desde a criação do mundo, pois estou lá cada dia com os anjos como no mundo com os homens, e isso agora desde vinte e sete anos. Os testemunhos desse comércio são os livros por mim publicados sobre o Céu e o inferno, e também os memoráveis contidos na última obra intitulada A Verdadeira Religião Cristã ; depois, o que aí referi a respeito de Lutero, Melancton, Calvino e dos habitantes de um grande número de reinos, além de diversos testemunhos no mundo conhecidos; e de outros muitos que não são tão conhecidos. Ora, quem jamais anteriormente sonhe alguma coisa do céu e do inferno? Quem, a respeito do estado do homem depois da morte? Quem, a respeito dos espíritos e dos anjos? Etc. 44. Alem disso, os testemunhos mais evidentes são que o Senhor revelou por mim o sentido espiritual do Verbo, que nunca foi desvendado antes, desde que o Verbo foi revelado pelos escritos dos Israelitas; e esse sentido é o Santuário mesmo da Palavra, o Senhor Mesmo está nesse sentido espiritual com o Seu Divino, e no sentido natural com o Seu Humano. Não há sequer um iota que possa ser aberto exceto pelo Senhor Só. Isto ultrapassa todas as revelações que se tem realizado até agora desde a criação do mundo. Por esta revelação a comunicação dos homens com os Anjos do Céu foi aberta, e a conjunção dos dois mundos foi feita, pois quando o homem está no sentido natural, os anjos estão no sentido espiritual. Ver a respeito desse sentido o que foi escrito no Capítulo

sobre a Escritura Santa. 45. As correspondências, pelas quais a Palavra foi escrita quanto a tudo que constitui em geral e em particular, possuem uma tal força e tal virtude, que se pode dizer que é a força e a virtude da Onipotência Divina, pois por essas correspondências está em ação o natural conjunto com o espiritual, e o espiritual com o natural, assim tudo que pertence ao céu com tudo que pertence ao mundo; daí vem que os dois Sacramentos são correspondências dos espirituais com os naturais, daí a sua virtude e o seu poder. 46. Que são os milagres em confronto com essas coisas? Hoje não se fazem mais milagres; eles seduzem os homens e os tornam naturais; eles fecham os interiores da mente, em que a fé deve ser arraigada; deles não procedem outra coisa senão falsos, ver Mateus, XXIV. 24. Qual foi o resultado dos milagres dos santos e dos simulacros entre os católicos romanos? Por tais milagres eles se tornaram naturais, e o homem natural rejeita ou perverte todo vero espiritual. Que produziram os milagres no Egito entre os filhos de Israel, os milagres no deserto perante eles, os milagres quando eles entraram na terra de Canaã, os milagres feitos por Elias e por Eliseu, os milagres feitos pelo Senhor Mesmo? Acaso alguém se tornou espiritual? Que produziram entre os católicos romanos os milagres de Antônio de Pádua, dos três sábios de colônia, e os inúmeros milagres nos mosteiros, que estão repletos de quadros, placas e donativos? Alguém se tornou espiritual? Não tornaram-se por esse modo naturais a ponto de não haver neles vero algum da Palavra, e de só terem um culto externo que provem dos homens e das tradições? 47. Que em Cristo Deus seja Homem e que o Homem seja Deus, isso foi confirmado três vezes na Fórmula de Concórdia; e também pelo Símbolo de Atanásio, onde se diz “assunção em Deus”; pela Palavra, Romanos. XIV.11. Col. II. 9. I João, V. 20, 21; depois também pelo Senhor em Pessoa: Que o Pai e ele são um; que o Pai está nele, e ele no Pai; que tudo que é do Pai é Dele; que Ele tem a vida em si mesmo, que

Ele é o Deus do céu e da Terra, etc. 48. Que a alma é o homem íntimo e, por conseguinte, segundo os Antigos, está em todo corpo e em cada parte do corpo, é porque o princípio da vida reside na alma; uma parte do corpo, na qual a alma não está intimamente, não vive. É por isso que há união recíproca e, por conseguinte, o corpo atua segundo a alma e não a alma pelo corpo. Tudo que procede de Deus é de forma humana, porque Deus Mesmo é Homem; daí principalmente a alma que é o primeiro do homem. 49. Nada é mais comum no céu inteiro e no mundo inteiro; do que este fato, que um está por dentro do outro, e assim há o íntimo, o médio e o extremo, e que este três comunicam entre si, e que a força do médio e do extremo vem do íntimo. Que há esses três, um dentro do outro, vemolo por tudo que constitui em qual e em particular o corpo humano. Ao redor do cérebro há três túnicas, denominadas dura-matre, pia-matre e aracnóide, e sobre elas há o crânio. Ao redor de todo corpo há túnicas, uma por dentro da outra, que juntamente são denominadas cutes. Ao redor de outra artéria e de cada veia há três túnicas, como também ao redor de cada músculo e de cada fibra; do mesmo modo ao redor de todas as outras partes. Igualmente no reino vegetal. De que modo essas coisas se comunicam entre si, de que modo o íntimo penetra no médio e o médio no último, a anatomia o demonstra, etc. Daí é evidente que o mesmo acontece com a luz, pois a luz espiritual, que em sua essência é a verdade, está interiormente na luz natural; igualmente o calor espiritual que em sua essência é o amor, e o calor natural; pelo calor natural se entende o amor natural, porque este amor tem calor e este calor é recoberto pelo calor do sangue. 50. Todas as coisas que são ditas do Espírito Santo caem, quando se crê que o homem não é a vida, mas somente um órgão da vida, e que assim Deus está continuamente no homem, e que em tudo Ele age e atua, para que sejam recebidas as coisas que pertencem à religião e igualmente as que pertencem à Igreja, ao Céu e a Salvação, porque então o que se diz do Espírito Santo dado ou perdido é nulo, por isso que o Espírito Santo é simplesmente o Divino procedente do Senhor, do Pai, e esse Divino faz a vida do homem, e também o seu entendimento e o seu amor, e a presença desse Divino é perpétua. O homem, sem a presença do Senhor ou do Espírito Santo, não seria sequer como um bruto, mas não haveria nele mais vida do que há no sal, em uma pedra, em um tronco de pau. E isso,

porque o homem não nasce com um instinto como os brutos; por isso uma cria de um animal mesmo de um único dia conhece melhor a ordem de sua vida do que uma criança. 51. É permitido confirmar as verdades da Igreja, pela razão ou pelo entendimento tanto quanto apraz, e também por diversas coisas tomadas em a natureza, e quanto mais essas verdades forem confirmadas, tanto mais elas se arraigam e brilham; também é permitido confirmar as verdades pelo Verbo, em toda a parte onde apraz, como também fazer com elas muitas aplicações, e então o Verbo não é falsificado. As expressões da Escritura pelas quais as verdades são confirmadas, sobem ao céu, como a fumaça do incenso; se, porém, as falsidades são confirmadas segundo o Verbo, elas não sobem ao Céu, mas são rejeitadas, e em caminho são despedaçadas com grande ruído. Eu ouvi esse ruído milhares de vezes. 52. Que a manifestação do Senhor e a introdução no mundo espiritual sejam mais do que todos os milagres, é o que se pode ver no fato, que desde a criação, isso não foi concedido a pessoa alguma como a mim. Os homens da idade de ouro falaram, é verdade, com os anjos; mas não lhes foi concedido senão de estarem unicamente na luz natural, enquanto que se me concedeu estar ao mesmo tempo na luz espiritual e na luz natural. Por esse modo se me concedeu ver as coisas admiráveis do céu, estar no meio dos anjos como um deles, e ao mesmo tempo ouvir as verdades na luz e assim percebê-las e ensiná-las, por conseguinte, ser conduzido pelo Senhor. Quanto ao que diz respeito aos milagres, eles não seriam outra coisa senão armadilhas para seduzir, como o Senhor diz em Mateus XXIV. 24; e assim se conta de Simão o Mágico, que “pusera em demência em Samaria os que tinham crido que seus milagres tinham sido feitos por uma grande virtude de Deus”, Atos dos Apóstolos VIII. 9 e seguintes. Que são os milagres entre os Papistas senão armadilhas e laços? Que ensinam eles senão adorar como divindades os que os fazem, e para que se afastem do culto do Senhor? Acaso os simulacros milagrosos fazem outra coisa? Os ídolos ou os cadáveres dos santos em todo o papismo, de Antônio de Pádua, dos três sábios de colônia, e todos os outros cujos milagres entulham os mosteiros, fazem outra coisa? Que ensinaram eles sobre o Cristo, sobre o Céu e sobre a vida eterna? Nem uma única Palavra.

É impossível que exista alguma Igreja, e alguma religião que tenham coerência, se não se crer em um só Deus. Conseqüentemente, quando se crê na Divina Trindade dividida em três Pessoas, como o termo metafísico, Essência, pode fazer de três Um, em tanto que as propriedades de cada pessoa são diferentes, de tal modo diferentes que eles são todos como incomunicáveis, e quando as pessoas iguais subsistem propriamente por si mesmas, e que uma não tem parte nem qualidade se a outra pessoa ou pertencente à outra pessoa. Quando, porém, se crê que um só Deus é não só Criador, como também Redentor e Operador, então temos um só Deus, e então pela primeira vez a Igreja existe e subsiste, e a religião vive; e essa união de três só pode existir como em cada homem a alma, o corpo e o procedente. Esses três fazem um só homem, porque não em relação a Deus, que é o Homem Mesmo desde o primeiro grau até aos últimos? No livro sobre o Amor e a Sabedoria, mostrou-se, como é possível vê-lo, que assim sucede a Deus-Homem, e que Ele não é um éter, nem um ar ou um vento. Daí segue que a alma de cada homem é o próprio homem. Como temos agora na Igreja um só Deus, que é DeusHomem e Homem-Deus, esta Igreja é denominada a coroa de todas as Igrejas. 54. Que em Cristo o Homem é Deus, segundo a fórmula de Concórdia em três lugares; segundo Paulo, Rom.XIV. Coloss. II. 9; 2º João, I. Efés. V. 20, 21; segundo as palavras do Senhor: 1º Que Deus era o Verbo, e que o Verbo se fez carne. 2º Que tudo que é do Pai é Dele. 3º Que todas as coisas do Pai vêm a ele. 4º Que como o Pai tem a vida em Si Mesmo, o Filho também a tem (a vida em si mesma é Deus) 5º Que o Pai e Ele são Um. 6º Que Ele está no Pai e que o Pai está Nele. 7º que quem O vê, vê o Pai. 8º Que Ele é o Deus do Céu e da Terra. 9º que Ele governa o universo (segundo o símbolo). 10º Que Ele é chamado Jeovah-Redentor. 11º Que Ele é chamado Jeovah Justiça. 12º Que se diz que Jeovah deve vir ao mundo. 13º Que Ele é o Primeiro e o Último (Apocalipse 1). 14º Que em uma Palavra Ele é Deus Pai, que é invisível,

53.

no Humano que é visível perante as mentes. Assim, como há um só Deus na Igreja, a Igreja é Igreja, etc. Segundo o símbolo de Atanásio, Deus e o homem em Cristo são uma só Pessoa como a alma e o corpo; e que a natureza humana foi recolhida em Deus.

Dos milagres
55. Segundo os filhos de Israel Segundo as palavras do Senhor sobre o rico e o Lazaro. Segundo as palavras do Senhor, Mateus XXIV. 24. Dos milagres dos papistas, de que se fará uma enumeração. Eles só servem para seduzir e nada ensinam, senão invocar como divindades os que os fizeram, e isso, para amontoarem nos mosteiros o ouro e a prata, ou com o fim de se apossarem dos tesouros do mundo inteiro. Os milagres de muitos dentre eles, como os de Antônio de Pádua, os dos três sábios da colônia, as imagens milagrosas, para as quais se recolhem em toda parte tesouros nos mosteiros, onde as paredes estão cobertas com as pinturas dos milagres de seus santos e ídolos, os livros dos milagres do diácono Paris e dos outros, que ensinam eles senão a invocação dos seus autores, e isso para se recolherem as oferendas? Mas quem dentre eles ensinou até hoje o caminho que conduz ao céu, e as verdades da Igreja segundo a Palavra? Por isso aprouve ao Senhor preparar-me desde minha primeira mocidade a perceber a Palavra, e introduziu-me no mundo espiritual; e ilustrou-me de mais perto com a luz de sua Palavra. Daí resulta evidentemente que isso ultrapassa todos os milagres. Belzebu fez mais milagres do que os outros deuses dos gentios, como se vê no Antigo Testamento; o mesmo se deu com Simão o Mágico. 56. O Senhor fez Divino Nele o Homem natural; e isso, a fim de ser o Primeiro e o Último, assim poder entrar nos homens até em seu homem natural e instruir esse homem segundo a Palavra e conduzi-lo. Com efeito, Ele ressuscitou com o homem natural ou externo todo inteiro, e

nada deixou dele na sepultura, por isso Ele disse que tinha os ossos e a carne que os espíritos não teem, e comeu e bebeu alimentos naturais com os discípulos e na presença deles. Ele mostrou que era Divino passando através das portas e tornando-se invisível, o que não teria de forma alguma sucedido, se o homem natural não tivesse também sido feito Divino Nele. 57. Todas as coisas que os outros deuses dizem hoje sobre o envio do Espírito Santo caem quando se sabe que o Senhor está continuamente presente em cada homem e lá faz com que ele viva como homem, e que resida no homem, a fim de que o homem vá diante do Senhor e mesmo se ele não vai adiante, contudo tenha a racionalidade que não é dada sem a presença do Senhor. Se o Senhor estivesse ausente do homem, este nem mesmo seria um bruto, mas seria uma sobra de cadáver que se dissiparia. É isto que se entende no Gênesis por: Deus soprou nele uma alma viva. 58. Mostrar segundo a Palavra que o Senhor é o Reino, assim o Céu e a Igreja. 59. Mostrar que há nas correspondências a maior força, pois nelas o Céu e o mundo, ou o espiritual e o natural, estão juntos, e que é por isso que a Palavra foi escrita por puras correspondências, por isso ela é a conjunção do homem com o céu, por conseguinte, com o Senhor. Ela é assim o Senhor nos últimos; é por isso que pelas correspondências foram instituídos os Sacramentos, nos quais há, por conseguinte, o Divino poder.

Fim
Nota: Começada em 14 de novembro e concluída em 30 do mesmo mês. (1921).

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