UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA E QUÍMICA

A REDUÇÃO DA POLUIÇÃO DO AR E A QUEIMA DE PNEUS NAS INDÚSTRIAS CIMENTEIRAS

ACADEMICOS: VILMAR ARMANDO KONAGESKI JUNIOR LUCIANA DAGOSTINI QUIMICA AMBIENTAL REGIME ESPECIAL 1° SEMESTRE DE 2008

Trabalho sobre redução dos poluentes do ar atmosférico em Indústrias Cimenteiras do RS A poluição do ar atmosférico A nível nacional destacam-se, pelas suas emissões, as Unidades Industriais e de Produção de Energia como a geração de energia elétrica, as refinarias, fábricas de pasta de papel, siderúrgicas, cimenteiras e indústria química e de adubos. A utilização de combustíveis para a produção de energia é responsável pela maior parte das emissões de SOx e CO2 contribuindo, ainda, de forma significativa para as emissões de CO e NOx. O uso de solventes em colas, tintas, produtos de proteção de superfícies, aerossóis, limpeza de metais e lavanderias é responsável pela emissão de quantidades apreciáveis de Compostos Orgânicos Voláteis. Existem outras fontes poluidoras que, em certas condições, se pode revelar importantes, tais como:

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A queima de resíduos urbanos, industriais, agrícolas e florestais, feita muitas vezes, em situações incontroladas. A queima de resíduos de explosivos, resinas, tintas, plásticos, pneus é responsável pela emissão de compostos perigosos; Os fogos florestais são, nos últimos anos, responsáveis por emissões significativas de CO2; O uso de fertilizantes e o excesso de concentração agropecuária, são os principais contribuintes para as emissões de metano, amoníaco e N2O; As indústrias de minerais não metálicos, a siderurgia, as pedreiras e áreas em construção, são fontes importantes de emissões de partículas.

As fontes móveis, sobretudo os transportes rodoviários, são uma fonte importante de poluentes, essencialmente devido às emissões dos gases de escape, mas também como resultado da evaporação de combustíveis. São os principais emissores de NOx e CO, importantes emissores de CO2, além de serem responsáveis pela emissão de poluentes específicos como o chumbo. A Indústria Cimenteira no Rio Grande do Sul Neste trabalho iremos retratar a indústria cimenteira, como objeto de estudo principal; uma vez que a alguns anos estas empresas estão filiadas a ANIP - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos e esta associação por sua vez incentiva os municípios a montarem um ecoponto, que tem sua função ambiental ao retirar das cidades os pneus velhos que estão causando problemas ambientais com a proliferação de insetos, e por outro lado a coleta dos pneus rende as empresas o cumprimento da lei que estabelece que estas empresas fabricantes tem de tirar de circulação de cada cinco pneus novos, três devem ser “reciclados”. Segundo a Anip: “A ANIP implantou um programa de coleta e destinação de pneus inservíveis, que são aqueles que não podem mais rodar em veículos automotivos. Pneus usados (ainda não inservíveis): 2

Podem ser levados para casa pelo cliente, podem ser vendidos no comércio de pneus usados ou podem ser reformados. Este segmento prolonga a vida do pneu usado, impedindo a disponibilidade para a destinação final. Pneus inservíveis: Laminadores com seus circuitos próprios de coleta destinam o equivalente a 7% do mercado de reposição. - Centrais de recepção (Ecopontos) recebem pneus inservíveis das revendas, dos borracheiros, dos sucateiros, dos laminadores e dos circuitos de coleta urbana. Todo pneu que entra neste circuito tem uma destinação final ambientalmente correta.”

O convênio da Anip com os municípios prevê que os municípios ficam responsáveis pela coleta e armazenamento em um ecoponto, que deve seguir as normas estabelecidas na legislação ambiental, e então comunicar a Anip quanto houverem pneus em quantidade suficiente para serem levados de caminhão até as empresas responsáveis pela reciclagem destes pneus – que em geral são empresas cimenteiras do sul do estado, aqui no rio grande do sul, o destino final dos pneus é os fornos das cimenteiras. O destino dos pneus do ecoponto de Ijuí é Candiota, que pode-se ressaltar: Candiota tem 933,84 km² de extensão territorial e, limita-se ao norte com os município de Pinheiro Machado e Bagé; ao sul com Hulha Negra, Pinheiro Machado e Herval do Sul; a leste com Pinheiro Machado e Pedras Altas e a oeste com Hulha Negra e Bagé. A BR-293 corta o município, sendo fácil o seu acesso. Candiota fica a 45 km de Bagé, 140 km de Pelotas e 420 km de Porto Alegre. E segundo o mapa:

A Combustão dos Pneus A combustão de pneus inteiros tem encontrado aplicação em fornos de cimento e em usinas dedicadas à produção de energia a partir de resíduos. As altas temperaturas dos fornos de cimento (2000°C nos gases e 1450°C na carga) criam um ambiente propício para a oxidação do material ferroso presente nos pneus.

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Isso provê ao forno de uma quantidade de energia adicional e ainda substitui parte do minério de ferro utilizado como matéria prima. O óxido de zinco, sempre presente, age como um mineralizador na produção do clínquer reduzindo a temperatura de clinquerização. Entretanto, tem-se encontrado freqüentemente problemas na eficiência de conversão do carbono. Apenas uma limitada quantidade de dados na literatura tem relatado as emissões destas usinas, principalmente as emissões de poluentes orgânicos tóxicos. O Clínquer O clinquer pode ser definido como cimento numa fase básica de fabrico, a partir do qual se fabrica o cimento Portland, habitualmente com a adição de sulfato de cálcio, calcário e/ou escória siderúrgica. Conforme figura ao lado. A Filtragem O sistema de filtragem dos resíduos gerados foi encontrado no site comercial da empresa fabricante Bernauer: BERNAUER já forneceu filtro de mangas para filtragem dos gases do forno de clínquer, com utilização de mangas especiais (P-84), resistentes a altas temperatura e com presença de gases ácidos, bem como diversos sistemas de aspiração e filtragem dos particulados do resfriador de clínquer, onde são utilizados trocadores de calor ar/ar para reduzir a temperatura para aproximadamente 120 ºC, permitindo a aplicação de filtros com mangas de poliéster. Ressalta-se também nessa aplicação o fornecimento de ventiladores de tiragem de gases do forno de clínquer, operando com elevada temperatura 400/500ºC e alta carga de particulados, ventiladores para resfriador de clínquer com tubo piezométrico, ventiladores axiais para resfriamento do casco do forno e ventiladores após filtros de mangas/filtros eletrostáticos, além do fornecimento de equipamentos à prova de explosão, filtros de mangas e ventiladores, para a área de carvão/coque.”
“A

Segundo o fabricante as recomendações para a aquisição de um filtro:

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Acima e a direita, as longas mangas que recolhem a poeira do clínquer que será levada para outro processo de filtragem. No centro o sistema de exaustão dos fornos.

Vista mais ampla com a torre de resfriamento das poeiras do clínquer e mangas recolhedoras.

Vista por outro ângulo da fábrica do sistema de resfriamento e desempoeiramento do clínquer.

Sabemos que existem muitos carros no Brasil, certo! Sabemos também que um pneu não dura muito tempo no automóvel se comparado com o tempo que permanece na natureza, certo! E, além disso, ainda temos outros problemas:

Pneu velho, problema novo!
sexta-feira 30 de junho de 2006 por Marluza Mattos

UE não poderá mais depositar pneus em aterros e quer exportá-los para o Brasil
Os aterros sanitários da União Européia (UE) recebem, em média, 80 milhões de pneus triturados anualmente. A partir de 16 de julho deste ano, os países da UE terão de encontrar outro destino para esses resíduos. A legislação da UE, por meio da norma técnica Diretiva sobre Aterros 1999/31/CE, passa a proibir o depósito de pneus triturados em aterros sanitários. Esse é um dos motivos que levou a UE a pressionar o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) para liberar a importação de pneus reformados. Detentor da maior frota de veículos dos países em desenvolvimento, o Brasil é um destino em potencial para os pneus usados europeus. E pneus de automóveis só podem ser reformados uma única vez. Isso significa que os pneus reformados importados da Europa têm uma vida a menos do que o pneu novo e se transformarão em lixo no Brasil. Se o governo brasileiro for obrigado por decisão da OMC a permitir a entrada de pneus reformados, os europeus encontrarão no território brasileiro uma alternativa para os seus aterros sanitários.

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Os marcos regulatórios da UE demonstram que esses países estão cientes dos problemas do acúmulo de pneus no meio ambiente e para a saúde, aspectos que são amplamente abordados na defesa brasileira. Estão crescendo cada vez mais as restrições para o tratamento desses resíduos gerados nos países desenvolvidos. Desde 2003, os países da UE não podem mais depositar pneus inteiros nos aterros sanitários e, agora, não podem mais depositar nem pneus picados. A partir de dezembro deste ano, a legislação determina que os europeus deverão reutilizar e revalorizar 85% do peso de cada veículo (e nesse percentual incluem-se os pneus). Em 2008, a lei torna-se ainda mais restritiva para a emissão de gases na atmosfera, o que vai interferir na queima de pneus como combustível em fornos de cimenteiras ou fábricas de papel.

Ou seja, não basta os pneus que temos aqui no Brasil, as leis internacionais de comercio exigem que nosso pais seja depósito de lixo dos paises europeus para que possamos vender nossos produtos – em sua maioria agrícolas – naquele mercado, e o pior é que procurei no site do governo mais informações sobre este assunto e não havia nada sobre pneus no ministério do ambiente, e o que é pior a ministra do meio ambiente já desistiu do cargo pois, de que adianta ser ministra do meio ambiente e não ser consultada para decisões que abrangem a área no país? Assim foi com os transgênicos, com o uso da Amazônia, com a sobreposição do rio São Francisco e assim por diante. Mais uma vez um país do terceiro mundo que busca o crescimento econômico deixa de lado o meio ambiente em pró de recursos que, se analisados a fundo, não são demonstrativos de grandes avanços como o governo diz que é. A indústria cimenteira por outro lado, e as empresas fabricantes de pneus deram uma volta e com a Anip, resolvem problemas de ambas, As cimenteiras precisam de combustível para seus fornos, e combustível hoje esta ficando cada vez mais caro, resolvem então este fato com a queima de pneus que pode substituir uma boa percentagem de coque. As indústrias de pneus através da Anip não precisam sujar as mãos com pneus velhos, coisa esta que eu já fiz, carregando e catando pela cidade pneus velhos para carregar um caminhão, isto que é feito braçalmente, pois não há máquina que erga pneus nos caminhões conforme foto abaixo, ou seja, mais uma vez a criatividade prevaleceu e as empresas não se responsabilizam individualmente por estas ações se mascarando por trás da Anip, que por sua vez contrata empresas de frete terceirizado para o transporte ficando também intocada uma vez que os funcionários que realizam o trabalho não são da Anip, mas de fretes. Finalizando, podemos esperar que o governo faça sua parte fiscalizando estas indústrias que queimam pneus, e conferindo se os filtros estão em boas condições, e assim por diante...

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Referências Bibliográficas http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article407 http://www.anip.com.br/ http://www.bernauer.com.br/PDFNewsList.aspx http://www.cimento.org/CimentoRS.htm www.candiota.rs.gov.br http://www.upf.br/cepeac/download/rev_n20_2003_art5.pdf http://caponero.googlepages.com/ICTR2003-Emissoes.pdf http://www.midiaindependente.org http://www.cimpor.com.br/fabrica_candiota.htm Sites acessados em 13/05/2008.

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