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http://dn.sapo.pt/2008/05/16/sociedade/professores_superior_7_dias_a_marian.html

Professores do superior dão 7
dias a Mariano Gago

CÉU NEVES

Alexandre Magrinho é professor de engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Setúbal há 14 anos.
Fez todas as habilitações que lhe eram exigidas, mas não teve a correspondência em termos de
progressão na carreira, continuando como professor-adjunto equiparado, o que, na prática significa:
poder ser dispensado a qualquer hora. É contra este tipo de situações que os sindicatos protestam e que
os leva a dizer: "Esgotou- -se a paciência". E dão sete dias a Mariano Gago para os receber. Caso
contrário, ameaçam com formas de luta mais duras, incluindo a greve.

"Acabou a paciência relativamente à forma como o ministro Mariano Gago nos tem tratado. A última
reunião foi em Julho, pedimos uma reunião urgente no dia 1 de Abril e ainda não recebemos resposta. O
ministro tem até ao final da próxima semana para nos responder", protesta João Cunha Serra, dirigente
da Federação Nacional de Professores (Fenprof). Ontem, deu uma conferência de imprensa, em conjunto
com Paulo Peixoto, do Sindicato Nacional do Ensino Superior ( SNESup), para anunciar o endurecimento
da luta se o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior não os receber. Querem discutir a
precariedade e o bloqueio das carreiras.

"Admitimos todas as formas de luta legais, incluindo a greve, porque sentimos que é este o apelo feito
pelos colegas. Há um grande descontentamento", explica Paulo Peixoto.

Mariano Gago respondeu ao DN que "está sempre disponível para dialogar com as estruturas sindicais
sempre que exista matéria para tal". Não explicou porque é que ainda não deu resposta ao pedido de
audiência urgente dos sindicatos. Os sindicalistas recusam-se a deixar que a situação se arraste até ao
período de férias e que tudo seja decidido sem a sua participação.

"O ensino superior foi ultrapassado por uma convulsão legislativa e que, dada a sua especificidade, fica à
margem do novo enquadramento legal. A legislação criada para a função pública está desajustada da
realidade do ensino superior e há problemas concretos por resolver", justifica Paulo Peixoto.

Um dos exemplos diz respeito ao fim dos contratos administrativos de provimento (lei 12 A/2008). Estes
têm a duração de um ano na generalidade da função pública (período probatório), facto que levou a que
ao adiamento da aplicação das novas regras para Janeiro de 2009, para que todos passassem a
definitivos. No ensino superior, esses contratos podem ser de cinco, oito, nove e 15 anos. Os professores
temem que fiquem eternamente provisórios, por não se terem criado critérios para as universidades e
politécnicos.

Paulo Peixoto é professor desde 1993 na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e tem um
contrato de nomeação provisória por cinco anos. "Também me considero precário. E, como a lei vai
mudar, nunca poderei ter um vínculo efectivo", argumenta.

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Existem 25 mil professores no ensino superior público, dos quais praticamente metade estão numa
situação de precariedade: dez mil têm contratos administrativos de provimento e dois mil estão
contratados através de uma nomeação provisória. A Fenprof e a SNESup também querem reunir com os
reitores e com os responsáveis dos politécnicos. Isto porque consideram que outro dos problemas tem
sido os cortes orçamentais do Estado e que dizem ser responsável pela não abertura de concursos
públicos para que se possa progredir na carreira.

Seabra Santos, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, não comenta a
decisão dos docentes, salientando que já se manifestaram contra os cortes orçamentais.|

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