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PORTFOLIO REFLEXIVO DE

APRENDIZAGEM
no processo de RVCC

Encontro interCNOs -
nível secundário
Novas Oportunidades
Novos Desafios

7 Abril 2008
Isabel Ferreira Martins
O que nos traz aqui…
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 Conhecer mais sobre o PRA no contexto do RVCC
 Partilhar práticas e experiências
 A problemática da formação de adultos e a
compreensão dos mecanismos/processos que
determinam e facilitam a aprendizagem nos
adultos
 Reflectir sobre estratégias que facilitem ao adulto
em processo de formação, o controlo do seu
processo de aprendizagem e a explicitação dos
pressupostos que estiveram na origem dessas
mesmas aprendizagens
Competência
Um saber agir responsável
 Que é reconhecido pelos outros.
 Num determinado contexto, saber como
mobilizar, integrar e transferir conhecimentos,
recursos e habilidades, que agreguem valor
económico à organização e valor social ao
indivíduo (Le Boterf, 1995)
 Implica uma abordagem cognitiva - uma
inteligência prática, que associa conhecimentos
formalizados e saberes de acção - compreender
a situação para poder agir de forma pertinente;
 Inscreve-se a maior parte das vezes numa rede
de comunidades de acção nas quais se
desenvolve um pensamento estratégico -
construir, manter, fazer evoluir essa cooperação
e esse conjunto de competências (Zarifian, P, 1999)
Conquistar as palavras para

dizer a acção
 Ter êxito no que diz respeito ao procedimento é
exprimi-lo de modo a que seja reprodutível por
outros
 Tomar consciência da organização da acção e
explicitá-la numa linguagem adequada
 Mudar de registo, ultrapassar as simples
abstracções empíricas e entrar no domínio da
abstracção reflexiva
Os adultos em formação têm de aceder ao
saber do seu
saber-fazer. Os formadores têm de investir o
seu saber no fazer.
Da acção à cognição -
produto de um saber
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combinado
 Tomar consciência dos instrumentos
cognitivos, postos em acção de maneira
implícita, a fim de os tornar mobilizáveis
 Requer uma centração nos mecanismos,
nos actos e nos objectos e a
identificação das etapas e passos
significativos da acção
 Reinvestir nos adquiridos anteriores,
(re)combinado-os para resolver
problemas novos
PRA – Um processo de formação

individual e social
auto-eficácia percurso ao longo da formação

evidências...
teoria e prática
APRENDIZAGEM

DIMENSÕES:
um perfil pessoal, expectativas,
projecto balanço do dia, trabalhos….
PRA – um processo de reflexão sobre
a acção

Saber experiencial Saber teórico

PRÁTICA

Construção da aprendizagem

REFLEXÃO
Tipos de aprendizagem
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 Não-aprendizagem – presunção
(preconceito); indiferença; rejeição
 Aprendizagem não-reflexiva –
aprendizagem pré-consciente ou
inconsciente; aprendizagem de
habilidades (skills); memorização (P. Freire
– educação ‘bancária’)
 Aprendizagem reflexiva – reflexão,
introspecção; aprendizagem reflexiva de
habilidades (skills); aprendizagem
experiencial, inovadora
(Adapt de Jarvis, 1995)
Aprendizagem
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(transformativa)
É o processo…
 ... que transforma experiência em conhecimento,
competências, atitudes, valores, sentimentos. Modifica o
quadro de referências, afectando assim a forma como se
passam a confrontar novas experiências (Jarvis, 1995)

 ... de (re)atribuição de sentido às experiências resultantes
do conhecimento prévio; uma (re)interpretação da
experiência à luz de novas perspectivas.

 ... de aprendizagem através da auto-reflexão crítica, que
conduz à reformulação de representações e a uma
perspectiva mais inclusiva e integradora da experiência
pessoal. Reflecte-se na acção.
  (Adapt. de Mezirow ,1990)
PRA- suporte à aprendizagem e ao
desenvolvimento de competências

Aprendizagem Desenvolvimento

Transformação Transformação Transformação
pessoal profissional contexto de
trabalho
Auto-conceito / auto-eficácia
 Auto-conceito é uma apreciação
cognitiva de nós próprios, uma avaliação
do valor que nos atribuímos, tem a ver
com a nossa auto-imagem.
 Auto-eficácia pressupõe uma avaliação
de competência num determinado
contexto, traduz confiança na sua
competência....
 ....Forma-se a partir de...
- Experiências de sucesso
- Observação de acções bem sucedidas
- Comunicação / persuasão
- Controle emocional (a ansiedade...)
Auto-eficácia/Auto-conceito
Auto-eficácia Auto-conceito

- uma questão de confiança - uma questão de auto-
- ligada ao contexto avaliação
- ligada à tarefa
- independente do contexto
-avaliada em função de
- independente da tarefa
algum tipo de metas -auto-apreciação cognitiva
- ligada a uma área independente de metas
-uma questão de SER
-pode estar ligado a uma
CAPAZ área
(Sou capaz de fazer?)
-uma questão de
SER/SENTIR
(Quem sou eu? O que
(Adaptado de www.emory.edu/EDUCATION/mfp/self-efficacy.html)
sinto?)
Condições que facilitam a
aprendizagem
 Participação voluntária e envolvimento
no “que”, “porquê” e “como”
 Articulação e contextualização na
experiência
 Adequação aos níveis de
desenvolvimento
 Consistência entre grau de autonomia e
método
 Clima de aprendizagem
 Respeito e atenção aos estilos de
aprendizagem

Formar- se…
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 ... é uma actividade mais fundamental,
mais ontológica do que educar-se …
 … é reconhecer que não existe à priori
nenhuma forma acabada que nos seja
dada do exterior
 Esta forma sempre inacabada depende da
nossa acção. A sua construção é uma
actividade permanente
 O sentido deste termo implica o
desaparecimento da visão do adulto como
ser acabado (Pineau, 1983)
Do ensino à formação
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 O termo formação entrou tardiamente na
reflexão educativa
 A sua entrada fez-se pela porta da
formação profissional
 Formação implica uma mudança
conceptual…uma intervenção muito
completa e profunda e global em que ser
e forma são indissociáveis
 Compreende uma unidade de sentido…
pôr em conjunto, em relação , em
contacto, elementos diferentes
(Pineau, 1983)
Formação- instrumento de
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mudança
 Visa a capacidade de se distanciar, a
descoberta de outras lógicas, a
desimplicação de si mesmo e da sua
história
 Processa-se num quadro de
interactividade entre as várias instâncias
do saber e do estar em que o adulto está
implicado
 Vai e vem, avança e recua,
construindo-se num processo de relação
ao saber e ao conhecimento, cerne da
identidade pessoal (Dominice, 1986)
Formação- uma acção
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sistemática
 Não pode ser pontual mas antes
sistemática, contínua e integrada
nas várias dimensões e níveis de
vida do adulto, onde pretende
operar.
 Implica que o adulto/formando

seja ele próprio também
agente/formador na utilização e
transformação do seu saber.
Diferenças individuais
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 Aprendemos coisas diferentes, em
momentos diferentes, de forma diferente
e com ritmos e envolvimento diferentes…
 Quando um adulto se confronta com uma
situação
de aprendizagem que vai de encontro ao
seu estilo
de aprendizagem aprende melhor do que
quando
isso não acontece
Mudanças cognitivas nos
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adultos

Memória
 Inteligência
 Processamento de informação
 Valores
 Estratégias de aprendizagem
 Interacções sociais
Outros factores que afectam o
desempenho
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 Educação e experiência (auto-conceito)
 Mudança de papeis
 Fadiga
 Acontecimentos da vida
 Mudanças no desenvolvimento biológico
 Ansiedade
 Memórias de escola
 Expectativas
 Motivação
Estilos de aprendizagem
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 O conjunto de características e
tendências individuais de cada
pessoa no que diz respeito
ao processamento de informação,
aos sentimentos e ao
comportamento em situação de
aprendizagem
(Smith, R. ,1993)
A diversidade dos estilos de
aprendizagem
 Activo / passivo
 Assimila/ acomoda a informação
 Concreto/ abstracto
 Convergente/ divergente
 Dependente de campo /independente de campo
 Focaliza a informação /aborda-a em detalhe (scanning)
 Holístico / serialista
 Reflexivo /impulsivo
 Rígido / flexível
 Orientado para o programa / autónomo do programa
 Orientado para o desempenho da tarefa / sem
expectativa sobre o desempenho da tarefa
Todos os adultos são únicos
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 A experiência do adulto constitui o seu
principal recurso de aprendizagem.
 A experiência implica a pessoa na sua
globalidade... comporta sempre as
dimensões sensíveis, afectivas e
conscienciais (Josso, 2002)
 O adulto/aprendente é o mais
competente para auto-orientar e gerir o
seu processo de aprendizagem.
 O PRA- um projecto de (auto)formação-
coerente e significativo, para a vida
pessoal e profissional dos
adultos/aprendentes.
Processo de reflexão crítica
 O objectivo é desenvolver competências cognitivas de nível
superior, processos metacognitivos que são centrais para
planeamento, resolução de problemas e avaliação...
 ...procurar, indagar rationale, questionar, explorar
hipóteses, planear, prospectivar cenários alternativos,
argumentar e contra-argumentar, confrontar assunções,
prever consequências
 O objecto de raciocínio é o próprio raciocínio.
 Implica ligar experiências recentes a experiências
anteriores, de forma a promover processos mentais
complexos e interrelacionados.
 Contrastar com outros relatos (do mesmo evento)
 Conduz a formas alternativas de ver a realidade, à
compreensão, à negociação interpessoal de sentido.
Coleccionar, seleccionar, reflectir e
relacionar
 uma colecção de documentos vários, que revela
o progresso na aprendizagem;
 é representativo do processo e do produto de
aprendizagem;
 documenta experiências significativas fruto de
uma selecção pessoal;
 contém necessariamente uma reflexão sobre um
percurso e facilita o (auto-)controle da
aprendizagem;
 identifica o fio condutor da selecção, os critérios
de evidência de aprendizagem e os
conhecimentos adquiridos.
O que aprendi e como
aprendi?
 O que é que eu sei hoje, como resultado da
participação na formação, que não sabia a
semana passada?

 O que é que posso fazer hoje, como resultado da
participação na formação, que não podia fazer a
semana passada?

 O que é que eu hoje poderia ensinar a um
colega, como resultado da participação na
formação, que não poderia ensinar a semana
passada?
PRA- Check- list
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 O portfolio retrata o percurso de aquisição de competências do
candidato
 Os elementos a inserir são escolhidos de acordo com critérios
predeterminados e acordados entre o candidato, técnicos RVC e
formadores
 Os elementos representam, de forma clara as competências
adquiridas pelo candidato
 Os elementos são escolhidos, de modo regular, a partir de
situações significativas de aprendizagem e avaliação.
 O candidato produz reflexões e estabelece objectivos, desafios e
estratégias.
 Existe uma ligação entre os diferentes trabalhos. A reflexão sobre
desafios estabelecidos previamente é obrigatória.
 O portefólio é um documento de avaliação em constante
reformulação.
 Instrumentos de mediação (o meio).
Dimensões a avaliar no PRA

 Capacidade de problematização (equacionar as situações
no contexto de problemáticas mais amplas, formulando questões
e hipóteses)
 Reflexão sobre a experiência/prática (aplicação de
conceitos)
 Capacidade de reflexão sobre o percurso de
aprendizagem (relacionando com a acção)
 Coerência interna e organização lógica (relação entre os
processos evidenciados e os produtos apresentados e objectivos e
competências enunciados na formação)
 Capacidade de fundamentação/evidenciação (traduzida
na justificação dos artefactos e instrumentos seleccionados)
 Capacidade de repensar a intervenção (numa
perspectiva de investigação-acção)
 Qualidade e adequação da bibliografia (e sua utilização
contextualizada)
 Capacidade de organização e de resposta (dentro dos
prazos estabelecidos)
 Qualidade da apresentação (nível de investimento na
qualidade e produção do portfolio)
Bibliografia
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 Brookfield, S. & Preskill, S. (1999). Discussion as a
way of teaching. Buckingham: SRHE & Open
University Press.
 Freire, P. (1987). Pedagogia do Oprimido. São Paulo:
Editora Paz e Terra.
 Freire, P. (1997). Pedagogia da autonomia. Saberes
necessários à prática educativa. São Paulo: Editora
Paz e Terra.
 Malglaive, G. (1995). Ensinar Adultos. Porto: Porto
Editora
 Mezirow, J. & Assoc. (2000). Learning as
Transformation. San Francisco: Jossey-Bass.
 http://www.nwlink.com/~donclark/hrd/development/re
flection.html