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O culto é passado de forma Oral, de geração em geração, pois acredita seus

sacerdotes que a palavra verbalizada possui um “alto valor” no poder de
transmitir o “Asé”, força contida nos ensinamentos herdados de seus
antepassados. Mitologicamente as Ìyàmì são conhecidas como “ÈLÈYÈ”
(mulher pássaro), aquelas que usaram mal seu poder mágico e por isso
tiveram de entregar para Òrìsàálà o seu Igba-Nla (cabaça mágica recipiente
que guarda o poder), para que ele fizesse um bom uso do poder da criação.
Enquanto elas estão com energia positiva elas são chamadas e tratadas
como ÌYÀMÌ (Grande Mãe), mas quando estão na forma negativa são
aplacadas e chamadas ÀJÈ (Bruxas). A energia das Ìyàbá são energias tão
complexas que chegam ter criticas na sociedade onde há culto à elas. O culto
de Ìyàmì Òsòròngá é comum nas comunidades Yorubanas entre as mulheres
idosas que depois passam para as mulheres mais jovens a fim de ter
continuidade do culto. Existem tipos de Ìyàmì Òsòròngá, como por exemplo:
Ìyàmì Òsòròngá – Awo Shefun ou Funfun – São mulheres que usam tudo
branco inclusive os animais para sacrifício, Elas são mais Positivas do que as
outras Iya. Ìyàmì Òsòròngá – Awo Dudu – São Iyà que usam tudo Preto e que
carregam tanto o positivo quanto o negativo depende da invocação. Ìyàmì
Òsòròngá – Awo Pupa – São Iya que usam tudo vermelho. Elas como as Iya
Dudu têm tanto o poder positivo quanto o negativo, dependendo da
invocação. Ìyàmì é frequentemente denominada Èlèyè (donas de pássaros). O
pássaro sempre foi o emblema do poder da “feiticeira”; é recebendo-o que
uma mulher se torna uma Ìyàmì-Àjè (Mãe que possui o poder sobrenatural). É
simultaneamente que um Espírito e o Pássaro (sobrenatural) vão fazer os
trabalhos benéficos ou maléficos, isso depende da moral do praticante. De
forma que durante as expedições do pássaro, o corpo da “Feiticeira (o)”
permanece imóvel em casa, ou seja, ela fica inerte (dormindo) na cama até o
momento do retorno da Ave sobrenatural (poder). Toda mulher iniciada com
culto das Ìyàmì “possui uma cabaça que contém o pássaro chamado”,
akalamabo, considerado o Pássaros mais Sagrado. A força do Pássaro é o que
conduz o Espírito de uma “Feiticeira” até seus destinos. Citemos um OfoÌyàmì-Àjè,esse processo iniciatico é longo, A INICIADA LEVA 9 ANOS DE
APRENDIZADO ARDUO,DEPOIS DESSE PERIODO PODE SE SER CHAMADA DE
SACERDOTISA DO CULTO, é importante que tenha humildade, discernimento
e muita sabedoria pois as ajés atacam muito neste período para testa las ,é
fundamental o acompanhamento de sua Sacerdotisa para direcionar neste
período.... Akalamabo é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos
tetos das casas, e é silencioso. “Mas, se a pessoa diz que é pra matar, eles
matam, se ela diz pra devorar os intestinos de alguém, “devoram". O pássaro
envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam
embora os olhos (visão = Inteligência) e os pulmões das pessoas, Produz
dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem, e não deixa
as grávidas darem à luz. Durante o período de uma iniciação que pessoa
passa ao lado das Àjè, ela entende qual é o verdadeiro sentido de ser uma

“perita neste assunto”, porque todo ensinamento é dado oralmente por meio
de Cânticos e cada verso de saudade, opressão, liberdade, cada um simboliza
uma história. As Ìyàmì têm participação ativa nos três mundos. 1º Do ÒRUN
(todos os mitos relatam a vinda do Òrun, mundo espiritual) para o ÀIYÉ. 2º
Mundo dos vivos, elas participam de tudo e fazem de tudo, elas se
transformam em qualquer coisa ou ser, se transformam se passando até por
um Egungun ou Orisa. Normalmente que tem não sabe. 3º No Ori Inu, na
MENTE de cada individuo, é por isso que facilitam o poder de atrair ou afastar
o mal, até a morte. Mas é no ÀIYÉ que essa força tem acesso pleno ao mundo
invisível e permanente, trazendo sua ação e resultados no presente, embora
o Poder controlador venha de fora. Para existir um Poder que neutralize a
força negativa, é preciso que alguém as manipule. Então, possessão pela
força física não é possível, porque elas se transformam em pássaros, da
mesma forma que ficam em cima de Árvores, essas forças também pousam
sobre a cabeça do ser humano e podem se transformar em qualquer coisa,
desde um Egun até em Orisa, se passando por tal durante toda uma vida,
manipulando aquele que desconhece tal possibilidade. A relação dessas
forças (Ajè) com os Pássaros é tão inerente, por isso, Elas não entram em
conflito com os Iwins (Espíritos das árvores), de tal forma que o Pássaro é seu
meio de comunicação em todos os sentidos. As mulheres Sacerdotisas de
Ìyàmì se reconhecem pelo olhar, pelo cheiro, como também se transformam
para o encontro com as iguais. Elas não mandam nos Pássaros porque Elas
são os próprios Pássaros. Quando uma Pessoa adquiriu ou recebe esta forma,
ela passa a ter duas almas, dois corações: a primeira é a de ser humano com
seus desejos e sentimentos normais, a segunda é a que permite sua
transformação, porque sua aquisição altera a estrutura mental da pessoa. A
pessoa passar a ser um(a) ATIBÈYÈ ,“Aquela que recebeu o Pássaro (poder)”,
e com o pássaro ela irá conviver dentro dela. Isso só é possível através da
iniciação. Existem duas formas de se trabalhar com as Ìyàmì: a primeira é
criar/gerar essa força, e para isso existem encantamentos e os próprios
feitores desse Poder sabem disso; a segunda é usar essa força no cotidiano
para a cura, prosperidade e para soluções de problemas até mesmo àqueles
mais complicados. Para tanto é preciso conhecer sua própria natureza, os
meios para se chegar até ela, e colocar em pratica sua ação. Nuca se sabe
como esta o humor das grandes mães, por conta disso todo cuidado é
pouco.As Ìyàmì não são comparadas nem cultuadas por intermédios de Òrìsà
femininos, por exemplo, pois os poderes de Iyami são formas impessoais
muito diferentes. Geralmente as mulheres que cultuam os Òrìsà femininos
fazem isso com muito carinho, envolvidas emocionalmente exaurindo sua
força. Mas pode-se dizer que as Ìyàmì são Orisa, e ao mesmo tempo não são
Òrísà, somente seres, forças. Os encantamentos das Ìyàmì, utilizados no
Culto, fazem referencias às características e forças instintivas que existem
nos animais, na natureza. Todo animal pertence ao Universo sobrenatural, e o
ser humano não vive o mesmo mundo deles: sua lógica e sua realidade, tanto

espiritual quanto física, são bem diferentes. Poderes sobrenaturais são
formas de aproveitar tudo o que existe na Natureza. As Ìyàmì têm domínio e
acesso a tudo isso, mas do que quaisquer outros seres.

Quando uma oferenda é feita ao Pé de uma árvore (Igí), as Ìyàmì são
chamadas de Onile-Origi e quando elas se alimentam do Èbò pegam o
problema da pessoa para elas. Ao pedir para tirar a morte do caminho, não
se trata apenas de morte física, mas sim evitar o fim de alguma coisa. Uma
pessoa que tenha esse poder, se não tiver conhecimento dele, pode estar
sendo manipulada para o Bem ou para o Mau. As ÀJÈ têm seu próprio
Universo, e quando são requeridas são as únicas forças que respondem de
imediato. O que vem formar um conceito muito complexo. Quando a pessoa
possui ou passa a adquirir essa força, ela tem de tomar muito cuidado para
ser Feliz na Vida, seja com amigos, com família, profissão, filhos, amor, com
sua própria vida em sua totalidade. Principalmente através das palavras. Ifá
diz que a palavra é como um ovo atirado ao chão, que se quebra revela a sua
riqueza, (poder de construção). Ou ainda, palavra é como um ovo que ao cair
se quebra e jamais se reconstitui, (poder de destruição). Invocar o poder das
Ajè não é como chamar uma pessoa ou entidade ,mas sim a força que elas
representam. Sempre haverá defesa para um Mal que tenha sido feito contra
quem a cultua. As sequelas e consequência irão recair sobre quem primeiro
deflagrou o processo “mau”. Existe uma relação intrínseca entre Òrúnmìlà-Ifá
e Ìyàmì-Òsòròngá. No culto de Ifá existe o Odu Òsà-Mejì, que conta como o
Odu das Iyami. É este o Odu que revela aos humanos os problemas
turbulentos com as Ìyàmì e também mostra os caminhos para solucionar tais
problemas. O mesmo Odu que fala de pessoa que tem grande necessidade
de Assentar ou Cultuar Ìyàmì Òsòròngá quando elas favorecem ou perturbam
a pessoa, isso ocorre porque as vezes a pessoa tem a energia delas sem
saber e, assim não podem controlar o positivo ou o negativo que elas
irradiam, seja através da mente, atitudes ou palavras. As vezes este poder é
tanto, que acaba fazendo mal a si mesma, normalmente autodestrutivo.
Iyámi é a forma aglutinada do culto da ancestralidade feminina. Esta imensa
massa energética que representa o poder feminino é cultuada na Sociedade
Geledé. Assim como Orô e Egungun que somente podem ser cultuados por
homens, Iyámi somente pode ser cultuada por mulheres.