Projeto de Máquinas

Prof. Romeu Fontana Jr.

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Projeto de Máquinas
Transmissões por Correias

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Introdução

Correias, correntes e outros elementos similares, elásticos ou flexíveis, são usados
em sistemas de transporte e na transmissão de potência para distâncias grandes.
Com frequência, esses elementos podem ser utilizados para substituir
engrenagens, eixos, mancais e outros dispositivos relativamente rígidos de
transmissão de potência.
Em muitos casos, seu uso simplifica o projeto de uma máquina e substancialmente
reduz o custo.

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4 . A maioria dos elementos flexíveis não dispõe de uma vida infinita. envelhecimento e perda de elasticidade. é importante estabelecer um programa de inspeção. a fim de protegêlos contra desgaste.Introdução • • Elementos elásticos como correias ocupam uma posição importante no que diz respeito a absorver cargas de choque e a amortecer e isolar os efeitos de vibração. Ao serem utilizados.

uma polia intermediária ou de tensão pode ser usada para evitar ajustes na distância de centro que são necessários pelo envelhecimento ou pela instalação de correias novas. • Polias abauladas são usadas para correias planas.Correias . assim. com algumas de suas características. para correias redondas e em V. a razão de velocidade angular entre os eixos motores e movidos não é constante nem exatamente igual à razão dos diâmetros de polias. existe algum escorregamento e deformação. e polias ranhuradas ou roldadas.Características • Os quatro principais tipos de correias são mostrados. Correias sincronizadoras requerem rodas dentadas. para operar apropriadamente. 5 . – Exceto para as correias sincronizadoras. – Em alguns casos. dependendo do tipo de correia e do tamanho. os eixos devem ser separados por uma certa distância mínima. • Em todos os casos. na tabela da pagina seguinte. • Outras características das correias são as seguintes: – Podem ser usadas para longas distâncias de centro. ou catracas.

: correias de tempo = sincronizadoras 6 .Correias .Características Características de alguns tipos comuns de correia Obs.

Correias .Geometria Geometria de transmissão de correia aberta sem reversão 7 .

a tração da correia é tal que o afundamento ou abaixamento é visível quando a correia está em movimento Geometria de transmissão de correia aberta sem reversão 8 .Geometria Para uma correia plana com esta transmissão.Correias .

Geometria Geometria de transmissão de correia cruzada com reversão 9 .Correias .

dessa forma.Geometria Obs.: ambos os lados da correia contatam as polias. Geometria de transmissão de correia cruzada com reversão 10 . tais transmissões não podem ser usadas com correias em V ou com correias sincronizadoras.Correias .

Correias .: ambos os lados da correia contatam as polias. dessa forma. Geometria de transmissão de correia aberta com reversão 11 .Geometria Obs. tais transmissões não podem ser usadas com correias em V ou com correias sincronizadoras.

Correias .Geometria As polias devem ser posicionadas de modo que a correia deixe cada polia no plano médio da outra face de polia Geometria de transmissão de correia com torção de um quarto. 12 . uma polia-guia intermediária deve ser usada se o movimento for em ambas as direções.

Geometria Essa transmissão elimina a necessidade de uma embreagem. pelo uso de um garfo. A correia plana pode ser mudada. para a esquerda ou para a direita. 13 .Correias .

Correias . (b) pode também ser usada para correias em V e correias redondas mediante a utilização de polias ranhuradas.Geometria Transmissões de velocidade variável. 14 . (a) comumente utilizada apenas para correias planas.

• Duas ou mais correias planas funcionando lado a lado. • Normalmente.Correias planas . para absorver a carga de tração. ou cordas de náilon. sendo as extremidades unidas mediante a utilização de materiais fornecidos pelo fabricante.Materiais • As correias planas são feitas de uretano e também de tecido impregnado de borracha reforçado com fios de aço. uma ou ambas as superfícies podem ter um revestimento superficial de atrito. 15 . • Essas correias são silenciosas e eficientes a altas velocidades. e podem transmitir alta potência por grandes distâncias entre centros. são frequentemente usadas para formar um sistema de transporte. em vez de uma única correia larga. a correia plana é adquirida por rolo e cortada.

mas algumas delas podem ser utilizadas em uma única polia.Correias em V . e impregnada com borracha. realizando. assim. geralmente de algodão. e a distâncias mais curtas de centro. 16 . as correias em V são usadas em polias com ranhuras. • As correias em V são produzidas somente em certos comprimentos e não têm juntas. uma transmissão múltipla. • Além disso. raiom ou náilon. são um pouco menos eficientes que as correias planas. • Em contraste com as correias planas.Materiais • Uma correia em V é feita de tecido ou corda.

Uma delas é que nenhuma tensão inicial é necessária. • O fato de ser dentada fornece várias vantagens sobre as correias ordinárias. consequentemente. • Uma outra vantagem é a eliminação da restrição nas velocidades. na necessidade de sulcar a roda dentada e nas presentes flutuações dinâmicas causadas nas frequências de engrenamento dos dentes da correia.Materiais • As correias sincronizadoras são feitas de tecido emborrachado e fio de aço. 17 . e têm dentes que se encaixam nos sulcos cortados na periferia da roda dentada. de modo que transmissões de centros fixos podem ser usadas. os dentes permitem funcionar a praticamente qualquer velocidade.Correias sincronizadoras . • As desvantagens estão no custo da correia. transmite potência a uma razão de velocidade angular constante. • A correia sincronizadora não alonga ou escorrega.

• As transmissões de correia plana produzem pouco barulho e absorvem mais vibração torcional do sistema que qualquer das duas transmissões de correia em V ou de engrenagens. valor que corresponde aproximadamente ao de uma transmissão de engrenagem. a eficiência de uma transmissão de correia V varia de cerca de 70 a 96%. 18 .Transmissões de Correias Planas • As transmissões modernas de correias planas consistem em um forte núcleo elástico rodeado por um elastômero e apresentam distintas vantagens sobre as transmissões de engrenagem ou de correia em V. • Uma transmissão de correia plana conta com uma eficiência de cerca de 98%. • Por outro lado.

Transmissões de Correias Planas D = diâmetro da polia grande d = diâmetro da polia pequena C = distância entre centros Θ = ângulo de contato L = comprimento da correia Transmissão por correia aberta 19 .

Transmissões de Correias Planas D = diâmetro da polia grande d = diâmetro da polia pequena C = distância entre centros Θ = ângulo de contato L = comprimento da correia Transmissão por correia cruzada 20 .

r v V = πdn (m/s) V = velocidade da correia n = rotação (rev / s) ω = velocidade angular 21 .r r V = 2πn .Transmissões de Correias Planas ω V=ω.

Transmissões de Correias Planas Peso (w) de um metro de correia: w = ϒbt (N/m) Onde: ϒ = densidade (N/m³) b = largura (m) t = espessura (m) 22 .

Transmissões de Correias Planas Forças e torque em uma polia Fi = tração inicial Fc = tração circunferencial causada pela força centrífuga ΔF' = tração causada pelo torque transmitido T D = diâmetro da polia 23 .

Transmissões de Correias Planas Fc = w . V² / g w = peso de um metro de correia V = velocidade da correia Forças e torque em uma polia 24 .

Ks .Transmissões de Correias Planas Fator de serviço: Ks = utilizado para afastamentos da carga em relação ao valor nominal Fator de projeto: nd = coeficiente de segurança Potencia corrigida: Torque: Hd = Hnom .n (Hnom = potencia nominal) (n = rotação (rev / s) H = (F1 – F2). nd T= Potencia transmitida: Hd 2. V 25 .π.

Transmissões de Correias Planas (F1)a = b . Fa . Cv (F1)a = máxima tração admissível (N) b = largura da correia (mm) Fa = tração admitida pelo fabricante (N/mm) Efeitos na vida útil da correia: Cp = fator de correção de polia (severidade do flexionamento com a polia) Cv = fator de correção de velocidade (para V > 3 m/s) 26 . Cp .

espessura = 3. F2 e Fi.1 é apropriado. 27 . Calcular os valores permissíveis de F1. Cp = 0. – Dados da correia fornecidos: • • • • a) b) largura = 150 mm . A polia motora tem diâmetro de 150 mm e gira a 1750 rpm.4 m.25 e um fator de segurança igual a 1. A polia movida tem diâmetro de 450 mm (ver ilustração na página seguinte).3 mm densidade do material = 11 kN/m³ Tração admitida pelo fabricante : Fa = 18 kN/m Fatores de correção: Cv = 1 .Transmissões de Correias Planas • Exercício 1: – Uma correia plana A-3 de poliamida é utilizada para transmitir 11 kW sob condição de choques leves em que Ks = 1.70 Calcular a tensão centrífuga Fc e o torque T. de tal forma que o lado com folga é o de cima. Os eixos de rotação das polias são paralelos e estão no plano horizontal. A distancia entre eixos é 2.

Transmissões de Correias Planas Exercício 1 (continuação) 150 mm 450 mm 2400 mm 28 .

mais a placa de montagem e parte do peso da correia. Há várias maneiras de controlar a tração inicial: – Uma delas é colocar o motor e a polia motora em uma placa de montagem pivotada. induzam a tração inicial correta e a mantenham. 29 . de modo que o peso do motor e da polia.Transmissões de Correias Planas Tração inicial (Fi) • A tração inicial é a chave para o funcionamento da correia plana do modo desejado.

Transmissões de Correias Planas Tração inicial (Fi) – Uma segunda maneira de controlar a tração inicial é utilizar uma polia intermediária carregada por mola e ajustada à mesma tarefa. Ambos os métodos acomodam estiramentos temporários ou permanentes da correia. 30 .

e sua deflexão pode ser medida contra uma linha esticada. Isso fornece uma maneira de medir e ajustar a deflexão. A correia estática deflete-se a uma curva semelhante à catenária. C deflexão Deflexão = C².w 8.Transmissões de Correias Planas Tração inicial (Fi) – Uma vez que as correias planas sejam usadas para distâncias longas de centro a centro.Fi Sendo: C = distância entre centros (m) w = peso por metro de correia (N/m) Fi = tração inicial (N) 31 . o peso da correia em si pode prover a tração inicial.

Transmissões de Correias Planas

Diagrama de
variação das
trações em
correias
planas
flexíveis

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Transmissões de Correias Planas
• Um conjunto de decisões para uma correia plana pode ser:
– Função: potência, velocidade, durabilidade, redução, fator de serviço,
distância entre centros.
– Fator de projeto: nd
– Manutenção da tração inicial
– Material da correia
– Geometria de transmissão: d, D
– Espessura de correia: t
– Largura de correia: b

• Dependendo do problema, algumas ou todas as últimas quatro
poderiam ser variáveis de projeto.
• A área transversal de correia é realmente a decisão de projeto, mas
as espessuras e larguras disponíveis de correias são escolhas
discretas. As dimensões disponíveis são encontradas nos catálogos
dos fornecedores.
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Transmissões de Correias Planas
• Exercício 2:
– Projetar uma transmissão de correia plana para conectar eixos horizontais com
distância entre centros de 4,8 m. A razão de velocidade deve ser de 2,25:1. A
rotação da polia motora menor é 860 rpm, e o diâmetro é 400 mm.
– A potência nominal transmitida deve ser de 60 hp (44760 W) sob condição de
choques bem leves (fator de serviço Ks = 1,15). O fator de projeto
recomendado é nd = 1,05.
– Calcular as forças e torque na polia.
– Dados da correia disponível:




Correia A-3 de poliamida
Largura b = 250 mm; espessura t = 3,3 mm
Fatores de correção: Cp = 0,94; Cv = 1
Densidade do material: ϒ = 11,4 kN/m³
Tração admitida pelo fabricante: Fa = 18 kN/m

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2 – 7.5 75 0.7 – 18.5 B 16 11 135 0.Transmissões de Correias em V Seção de Correia Largura “a” (mm) Espessura “b” (mm) Diâmetro mínimo de polia (mm) Faixa de Potência (kW) para 1 ou mais correias A 12 8.5 C 22 13 230 11 – 75 D 30 19 325 37 – 186 E 38 25 540 75 e acima Seções de correias em V padronizadas 35 .

• Para qualquer seção de correia. 36 . seguida pela medida de circunferência interna.Transmissões de Correias em V • As dimensões transversais das correias em V foram padronizadas pelos fabricantes. • A especificação de uma correia em V consiste na letra da seção. • Os cálculos das razões de velocidade são efetuados utilizando-se os diâmetros primitivos de polias. os diâmetros declarados costumam ser entendidos como sendo os diâmetros primitivos. o comprimento primitivo é obtido ao se adicionar um valor dimensional à circunferência interna (ver tabela na próxima página). por isso. • Os cálculos envolvendo o comprimento de correia são geralmente baseados no comprimento primitivo.

para obter o comprimento primitivo) 37 .Transmissões de Correias em V Seção da Correia A B C D E Valor dimensional adicionado 32 45 72 82 112 Dimensões de conversão de comprimento (adicionar os valores dimensionais listados à circunferência interna.

do diâmetro de polia e do ângulo de contato. • Se ele for feito muito menor que a correia. 38 . • O valor exato desse ângulo depende da seção de correia. assim. aumentando. o atrito. • Valores ótimos são fornecidos na literatura comercial.Transmissões de Correias em V • O ângulo de sulco de uma polia é feito um pouco menor que o ângulo da seção da correia. • Isso faz com que esta introduza a si mesma no sulco. a força requerida para que esta seja sacada para fora do sulco à medida que deixa a polia será excessiva.

Transmissões de Correias em V Sendo: Lp = comprimento primitivo D = diâmetro primitivo da polia maior d = diâmetro primitivo da polia menor C = distância entre centros de polias 39 .

uma vez que a excessiva vibração do lado com folga encurtará a vida da correia. uma correia em V deve trabalhar rapidamente: 20 m/s é uma boa velocidade. e consequentemente podem ser usadas com distâncias mais longas de centro a centro. As correias em V segmentadas apresentam menor vibração.Transmissões de Correias em V • • • • • Longas distâncias de centro a centro não são recomendadas para correias em V. Em geral. e tampouco menor que o diâmetro da maior polia. Para melhores resultados. Problemas podem ocorrer se essa correia trabalhar a uma velocidade muito mais rápida que 25 m/s. devido ao melhor balanço. ou muito mais devagar que 5 m/s. a distância de centro a centro não deve ser maior que três vezes a soma dos diâmetros das polias. 40 .

000. de comprimento moderado. e transmitindo uma carga estável. • Tal base pode consistir em um número de horas (24. • A classificação.Transmissões de Correias em V • A base para a estimativa de potência das correias em V de alguma forma depende do fabricante (tabelas). refere-se a uma correia girando em polias de igual diâmetro (180° de contato). por exemplo). 41 . ou na vida estimada em número de voltas da correia. quer seja em termos de horas ou de voltas de correia. • Desvios dessas condições de ensaio de laboratório são corrigidos por ajustes (coeficientes) multiplicativos.

Htab (ajuste do valor tabelado de potencia) Sendo: Ha = potencia admissível (por correia) K1 = fator de correção de ângulo de contato (tabelado) K2 = fator de correção de comprimento de correia (tabelado) Htab = estimativa de potencia (tabelado) Hd = Hnom .K2 . Ks .Transmissões de Correias em V Ha = K1. nd Sendo: Hd = potencia de projeto (corrigida) Hnom = potencia nominal Ks = fator de serviço nd = fator de projeto Nb = número (inteiro) de correias 42 .

S.716 D 642 3.288 Fonte: Gates Rubber Co. (V / 2. (U.498 E 1226 5.561 B 65 0.965 C 180 1.4)² Sendo: Fc = tração centrífuga (N) (para correias em V) Kc = coeficiente (tabela anexa) V = velocidade da correia (m/s) Seção da correia Kb Kc A 25 0.A) 43 .217 8V 546 3.041 3V 26 0.Transmissões de Correias em V Fc = Kc .425 5V 124 1.

Transmissões de Correias em V Ft1 Ft2 Diagrama de variação das trações em correias em V 44 .

n ΔF = F1 – F2 nfs = Ha . Ks (fator de segurança) 45 . Nb Hnom .Fc Sendo: f = 0.5123 (coeficiente de atrito efetivo) Ф = θd = ângulo de contato ΔF = Hd / Nb π.d. Ф) F2 .Transmissões de Correias em V F1 – Fc = exp (f .

Ft1 Ft2 46 . • A correspondente tração de correia que induz a máxima tração é (Fb)1 na polia motora e (Fb)2 na movida.Transmissões de Correias em V • A flexão induz tensões flexionais na correia.

1 por causa do requisito de trabalho contínuo. uma polia grande de 280 mm e três correias B 2800.Transmissões de Correias em V • Exercício – Um motor de 7.2 foi aumentado em 0. – O fator de serviço de 1.965 47 . – Um engenheiro especificou uma polia pequena de 188 mm. – Dados (tabelas): • Htab = 3.5 kW • K1 = 0.99 • K2 = 1.05 • Kb = 65 • Kc = 0.46 kW funcionando a 1750 rpm é utilizado para acionar uma bomba rotativa que opera 24 horas por dia. – Analisar os esforços na transmissão.

(Obs: o diâmetro primitivo da polia é maior que a distância diametral medida ao longo do topo dos dentes) 48 .Transmissões de Correias Sincronizadoras Transmissão de correia sincronizadora mostrando detalhes da polia e da correia.

• Elas possuem dentes que se encaixam em ranhuras cortadas na periferia das polias. elas constituem uma solução atrativa para requisitos de transmissões de precisão. 49 . • Não requerem lubrificação e são mais silenciosas que as transmissões de corrente. consequentemente transmitem potência a uma razão constante de velocidade angular.Transmissões de Correias Sincronizadoras • As correias sincronizadoras são feitas de um tecido emborrachado revestido de tecido de náilon. Ao contrário destas últimas. • Podem operar em um intervalo amplo de velocidades. • Desta forma. que possui em seu interior fios de aço para aguentar a carga de tração. • As correias sincronizadoras não se alongam demasiadamente e nem deslizam. • Nenhuma tração inicial é necessária. não há variação de velocidade cordal. • Têm eficiência no intervalo de 97 a 99%.

e com número de ranhuras de 10 a 120. • O processo de dimensionamento e seleção para correias sincronizadoras é similar ao de correias em V. • Assim. independentemente da espessura do reforço. 50 . • Os comprimentos primitivos padronizados estão disponíveis em tamanhos de 150 a 4500 mm. o comprimento primitivo da correia é o mesmo. com suas designações por letra. • Polias também estão disponíveis em tamanhos de 15 mm até 900 mm de diâmetro primitivo. e está localizado na linha primitiva da correia.Transmissões de Correias Sincronizadoras • O fio de aço é o elemento que suporta a tração em uma correia sincronizadora. • Os cinco passos padronizados disponíveis de série estão listados na tabela da página seguinte.

Transmissões de Correias Sincronizadoras Tipo de serviço Designação Passo “P” (mm) Extra leve XL 5 Leve L 10 Pesado H 12 Extra pesado XH 22 Duplamente extra pesado XXH 30 Passos padronizados de correias sincronizadoras 51 .

52 .Transmissões de Correntes Dimensões principais de uma corrente de rolos de fileira dupla.

pela ANSI (American National Standards Institute). – Vida longa. 53 . • Essas correntes são manufaturadas em fileiras única. – Habilidade de acionar vários eixos a partir de uma única fonte de potência. quanto aos tamanhos. • As correntes de rolos foram padronizadas. dupla. visto que nenhum escorregamento ou deformação estão envolvidos. tripla e quádrupla.Transmissões de Correntes • As características básicas das transmissões de corrente incluem: – Razão de velocidade angular constante.

Transmissões de Correntes Peso médio Dimensões de correntes de roletes padronizadas (Fonte: ANSI) 54 .

Transmissões de Correntes p = passo da corrente ϒ = ângulo de passo ϒ/2 = ângulo de articulação D = diâmetro primitivo N = número de dentes da roda dentada Acoplamento de corrente e roda dentada 55 .

Transmissões de Correntes Por trigonometria: ϒ = 360°/N 56 .

• Pode ser visto que a magnitude desse ângulo é uma função do número de dentes. é denominado ângulo de articulação. por meio do qual o elo oscila à medida que entra em contato.Transmissões de Correntes • O ângulo ϒ/2. • Na medida em que a vida de uma transmissão propriamente selecionada é uma função do desgaste e da resistência superficial de fadiga dos rolos. • O número de dentes da roda dentada também afeta a razão de velocidade durante a rotação pelo ângulo de passo ϒ. é importante reduzir o ângulo de articulação o tanto quanto possível. • A rotação do elo através dele causa impacto entre os rolos e os dentes da roda dentada. Lembrando que: V=ω. bem como desgaste na junção da corrente.r 57 .

Transmissões de Correntes • Na posição mostrada na figura anterior. • Podemos considerar a roda dentada como um polígono no qual a velocidade de saída da corrente depende de a saída ser de um vértice ou de uma aresta do polígono. a corrente AB é tangente ao círculo de passo primitivo da roda dentada. tudo resultando em uma velocidade inconstante de saída da corrente. • Isso significa que essa linha de corrente está se movendo para cima e para baixo. 58 . e que o braço de alavanca varia com a rotação através do ângulo de passo. a linha de corrente AB move-se para mais perto do centro de rotação da roda dentada. quando tal roda gira a um ângulo de ϒ/2. • O mesmo efeito ocorre quando a corrente entra em acoplamento com a roda dentada. • Contudo.

n = π.n Sendo: N = número de dentes da roda dentada p = passo da corrente (m) n = rotação da roda dentada (ciclos/s) A máxima velocidade de saída da corrente é: vmax = π.p sen (ϒ/2) A mínima velocidade de saída ocorre a um diâmetro “d”.Transmissões de Correntes • • A velocidade da corrente (V) é definida como o número de metros saindo da roda dentada por unidade de tempo. temos: vmin = π.n = π.n.D.n.d. cos (ϒ/2) sen (ϒ/2) 59 . cos ϒ 2 Assim. Por geometria da figura: d = D. menor que D.p. a velocidade da corrente é: V = N.p. Assim.

conforme mostra a figura abaixo: 60 . e é afetada pelo número de dentes.Transmissões de Correntes Substituindo: ϒ/2 = 180°/N Utilizando as equações de vmax e vmin. encontramos a variação de velocidade: ΔV é conhecida como a variação da velocidade cordal.

com menos ruído de corrente. 19 ou 21 proporcionarão uma melhor expectativa de vida. sacrificando-se a expectativa de vida da corrente. • Onde as limitações de espaço forem muitas. e isso requer uma roda com pouca quantidade de dentes. considera-se boa prática utilizar uma roda dentada motora com pelo menos 17 dentes. ou para velocidades muito baixas. menos dentes podem ser usados. em uma situação usual é vantajoso obter uma roda dentada tão pequena quanto possível. uma devida consideração deve ser feita quanto a essas variações. • Ainda que uma grande quantidade de dentes seja considerada desejável para a roda dentada motora.Transmissões de Correntes • Quando transmissões de corrente são usadas para sincronizar componentes de precisão ou processos. • Para uma operação suave a velocidades moderadas e altas. • Tais variações podem também causar vibrações dentro do sistema. 61 .

mas razões mais elevadas podem ser usadas à custa do sacrifício da vida da corrente. • As correntes de rolo raramente falham por falta de resistência à tração. • As transmissões mais bem-sucedidas apresentam razões de velocidade de até 6:1. mas sim se submetidas a muitas horas de serviço. 62 .Transmissões de Correntes • As rodas dentadas movidas não são feitas em tamanhos padronizados com mais de 120 dentes. • A verdadeira falha pode ser decorrente do desgaste dos rolos nos pinos ou da fadiga das superfícies desses rolos. • Os fabricantes de correntes de rolo desenvolveram tabelas que fornecem a capacidade de potência correspondente a uma expectativa de vida de até 15 mil horas para várias velocidades de roda dentada.

Transmissões de Correntes • As capacidades de correntes apresentadas em tabelas são baseadas no seguinte: – – – – – – – – – 15 000 h à carga completa Fileira única Proporções ANSI Fator de serviço unitário 100 passos no comprimento Lubrificação recomendada Máxima elongação de 3% Eixos horizontais Duas rodas dentadas de 17 dentes 63 .

(n1) .p/25. [p/25.8 (kW) (kW) Sendo: N1 = nº dentes na roda dentada menor n1 = rotação da roda dentada (RPM) p = passo da corrente (mm) Kr = fator de correção (tab.5 Hnom = min (H1 .4) • E a potência nominal limitada pelo rolete é: 1.4] 3 – (0. Para correntes de fileira única.4] 1.Transmissões de Correntes • • A resistência de fadiga das placas de elo (conectoras) define a capacidade a baixas velocidades. (N1) 0.5 H2 = 746 .9 . [p/25. H2) 0.) 64 . a potência nominal limitada pela placa de elo é definida como: 1.07.003 . Kr . (N1) (n1) Obs: .08 H1 = 0.

. 19. O comprimento aproximado da corrente L em passos é • • A distância de centro a centro é: Sendo: 65 ..Transmissões de Correntes • E preferível ter um número ímpar de dentes na roda dentada motora (17. para evitar um elo especial.) e um número par de passos na corrente..

• A distância entre centros para uma corrente de comprimento L = 1000 mm. 66 .5 mm Número de dentes da roda dentada maior: N2 = 34 Fator de correção: Kr = 17 – Determinar: • A potência nominal.Transmissões de Correntes • Exercício: – Uma transmissão de corrente tem os seguintes dados: • • • • • Número de dentes da roda dentada menor: N1 = 17 Rotação da roda dentada: n1 = 1000 RPM Passo da corrente: p = 12.

Projeto de Máquinas Transmissões por Engrenagens 67 .

que afetam o eixo e seus mancais. as relações cinemáticas e as forças transmitidas. • As forças transmitidas entre engrenagens aplicam momentos torcionais a eixos. 68 .Transmissões por Engrenagens • Este capítulo abordará a geometria das engrenagens. para gerar movimento e transmissão de potência.

Tipos de Engrenagens • Engrenagens cilíndricas de dentes retos (ECDR) – Têm dentes paralelos ao eixo de rotação e são utilizadas para transmitir movimento entre dois eixos paralelos. sendo por essa razão utilizada para desenvolver as relações cinemáticas primárias da forma de dente. 69 . – É o tipo mais simples.

os quais não estão presentes em se tratando de dentes retos. – Algumas vezes. – Podem ser utilizadas nas mesmas aplicações que as ECDR. as engrenagens helicoidais são empregadas para transmitir movimento entre eixos não-paralelos. – O dente inclinado também cria forças axiais e momentos fletores. porém sem ser tão barulhentas devido ao contato mais gradual dos dentes durante o engrenamento.Tipos de Engrenagens • Engrenagens cilíndricas de dentes helicoidais (ECDH) – Têm dentes inclinados em relação ao eixo de rotação. 70 .

Engrenagens cônicas de dentes retos 71 .Tipos de Engrenagens • Engrenagens cônicas de dentes retos – Têm dentes formados em superfícies cônicas e são utilizadas para transmitir movimento entre eixos que se interceptam.

formando um arco circular Engrenagens cônicas espirais Engrenagens cônicas de dentes retos 72 .Tipos de Engrenagens • Engrenagens cônicas espirais – São cortadas de forma que o dente deixe de ser reto.

Exemplo de aplicação: coroa e pinhão do diferencial da transmissão de automóveis 73 .Tipos de Engrenagens • Engrenagens hipóides – São bastante parecidas com as engrenagens cônicas espirais. exceto pelo fato de os eixos serem deslocados e não concorrentes.

Tipos de Engrenagens • Engrenagens sem-fim – Representam o quarto tipo básico de engrenagem. 74 . – Os conjuntos de sem-fim são mais utilizados quando as razões de velocidade dos dois eixos são bastante altas (3 ou mais). – Como mostrado. o pinhão sem-fim assemelha-se a um parafuso. – A direção de rotação da coroa sem-fim depende da direção de rotação do parafuso e de serem seus dentes cortados à direita ou à esquerda.

Nomenclatura ECDR 75 .Engrenagens .

• O passo circular p é a distância. A maior é frequentemente denominada coroa. • Os círculos primitivos de um par de engrenagens engrenadas são tangentes entre si. é um círculo teórico sobre o qual todos os cálculos são geralmente baseados. é o recíproco do módulo. Logo. • Assim.Engrenagens . de um ponto de um dente ao correspondente ponto no dente adjacente. ou de passo. O módulo é o índice de tamanho de dente no SI. • O pinhão é a menor das duas engrenagens. A unidade habitual de comprimento é o milímetro. • O módulo m é a razão entre o diâmetro primitivo e o número de dentes. medida no círculo primitivo.Nomenclatura • O círculo primitivo. o passo circular é igual à soma da espessura de dente e da largura do espaçamento. 76 . • O passo diametral P é a razão entre o número de dentes da engrenagem e o diâmetro primitivo. seu diâmetro é o diâmetro primitivo.

77 . • O círculo de folga é um círculo tangente ao círculo de adendo da engrenagem par. • A altura completa h é a soma do adendo e do dedendo. em uma dada engrenagem. é expresso como dentes por polegada. • A folga c é o quanto o dedendo.Nomenclatura • Uma vez que o passo diametral é utilizado somente com unidades americanas.Engrenagens . • O dedendo b é a distância radial do fundo de dente ao círculo primitivo. • O adendo a é a distância radial entre o topo do dente e o círculo primitivo. excede ao adendo da sua engrenagem par.

Engrenagens – Relações úteis Sendo: P = passo diametral (dentes por polegada) N = número de dentes d = diâmetro primitivo (polegadas) m = módulo (mm) d = diâmetro primitivo (mm) p = passo circular 78 .

Engrenagens – Ação conjugada Ponto P (ponto primitivo): Todas as linhas de ação. Linha ab (linha de ação): representa a direção da ação das forças. O ponto de contato ocorre onde as duas superfícies são tangentes entre si As forças em qualquer instante têm a direção da normal comum às duas curvas Came A e seguidor B em contato. para cada ponto instantâneo de contato. a ação conjugada resultante produz uma razão constante de velocidade angular. Quando as superfícies em contato têm perfis de evolvente. devem passar pelo mesmo ponto P. 79 .

Engrenagens Propriedades da curva evolvente Corda def A linha geradora (de) é normal à evolvente em todos os pontos da intersecção. e é sempre tangente ao cilindro A O ponto b irá traçar a curva evolvente ac. à medida que a corda é enrolada e desenrolada ao redor do cilindro Cilindro A (circulo de base) 80 .

provendo movimento uniforme 81 .Engrenagens Propriedades da curva evolvente O ponto g na corda descreverá as evolventes: cd na engrenagem 1 ef na engrenagem 2 A porção ab da corda é a linha geradora. sempre tangente aos círculos de base. e sempre normal à evolvente no ponto de contato g.

Engrenagens Propriedades da curva evolvente Construção de uma curva evolvente de círculo 82 .

Engrenagens .Fundamentos Ângulo de pressão Relação entre raios e velocidades 83 .

Fundamentos rb = r . cos Ф Relação entre raio primitivo de raio de base 84 .Engrenagens .

roda a 1120 rpm e aciona uma coroa à velocidade de 544 rpm. 85 .Engrenagens – Exercício 1 • Um pinhão cilíndrico de dentes retos com 17 dentes tem um passo diametral igual a 8. Encontre o número de dentes da coroa e a distância teórica de centro a centro.

Encontre a velocidade da engrenagem acionada. 86 . A coroa dispõe de 60 dentes.Engrenagens – Exercício 2 • Um pinhão cilíndrico de dentes retos com 15 dentes tem um módulo igual a 3 mm e roda a 1600 rpm. o passo circular e a distância teórica de centro a centro.

Encontre o número de dentes da engrenagem acionada.Engrenagens – Exercício 3 • Um par de engrenagens cilíndricas de dentes retos apresenta um módulo de 4 mm e uma razão de velocidade igual a 2. 87 . os diâmetros primitivos e a distância teórica de centro a centro.80. O pinhão tem 20 dentes.

Engrenagens – Fundamentos O contato inicial ocorre quando o flanco do dente do pinhão entra em contato com a ponta do dente da coroa (o circulo de adendo da coroa cruza a linha de pressão) O ponto final de contato ocorre onde o circulo de adendo do pinhão cruza a linha de pressão Ângulo de ação é a soma dos ângulos de aproximação e afastamento Interação entre dentes 88 .

pb = pc .Engrenagens – Fundamentos Podemos imaginar a cremalheira como uma ECDR com diâmetro primitivo infinitamente grande. cos Ф Pinhão de dentes com perfil de evolvente e cremalheira 89 . Os lados dos dentes da cremalheira são linhas retas formando um ângulo com a linha de centros igual ao ângulo de pressão Ф.

Engrenagens – Fundamentos Os círculos primitivos devem ser tangentes entre si no ponto primitivo Engrenagem interna e pinhão 90 .

91 . O passo diametral vale 2. a distância entre centros e os raios dos círculos de base. e o adendo e o dedendo são 1/P e 1. Calcular os novos valores do ângulo de pressão e os diâmetros de círculo primitivo. – Ao montar essas engrenagens. respectivamente. a distância entre centros foi incorretamente aumentada em ¼ pol. – Calcular o passo circular.25/P. As engrenagens são cortadas com um ângulo de pressão de 20°.Engrenagens – Exercício 4 • Um par de engrenagens consiste em um pinhão de 16 dentes movendo uma coroa de 40 dentes.

na região de perfil do flanco que não é de evolvente.Engrenagens – Interferência Os pontos inicial e final de contato são AeB Interferência: Os pontos C e D de tangência da linha de pressão com os círculos de base estão localizados entre A e B. O contato ocorre abaixo do circulo de base da engrenagem 2. 92 .

Engrenagens – Interferência • Para que não exista interferência em um engrenamento de pinhão e coroa cilíndricos de dentes retos.sen² Ф ) Sendo: Np = número mínimo de dentes do pinhão Nc = número máximo de dentes da coroa k = 1 para dentes de altura completa k = 0. deve-se observar o número possível de dentes através das seguintes expressões: Np = 2k . sen² Ф .Np.sen² Ф r = Nc / Np r² + (1 + 2r).k² 4.2. (r + (1 + 2r).4.sen² Ф Nc = Np² .8 para dentes de altura reduzida r = razão (relação de transmissão) Ф = ângulo de pressão 93 .k .

deve-se observar o menor número possível de dentes do pinhão através da seguinte expressão: Np = 2.8 para dentes de altura reduzida Ф = ângulo de pressão 94 .Engrenagens – Interferência • Para que não exista interferência em um engrenamento de pinhão cilíndrico de dentes retos e cremalheira.k sen² Ф Sendo: Np = número mínimo de dentes do pinhão k = 1 para dentes de altura completa k = 0.

razão de engrenamento de 4:1. razão de engrenamento de 1:1.5°. d) ECDR (pinhão) e cremalheira com dentes de altura completa. ângulo de pressão de 20°. razão de engrenamento de 1:1. nos seguintes casos: a) ECDR (pinhão e coroa) com dentes de altura completa. ângulo de pressão de 20°.Engrenagens – Exercício 5 • Calcular o número possível de dentes para que não exista interferência. c) ECDR (pinhão e coroa) com dentes de altura completa. 95 . ângulo de pressão de 14. b) ECDR (pinhão e coroa) com dentes de altura completa. ângulo de pressão de 20°.

Engrenagens – Conformação de dentes • Processos: – Fundição – Metalurgia do pó – Extrusão (uma única barra de alumínio pode ser fabricada e então “fatiada” em engrenagens) – Cortadores de forma ou de geração . são geralmente feitas de aço e cortadas. em comparação com seus tamanhos. – Podem também ser acabados por: • rebarbação. 96 . policarbonatos e acetal são bastante populares e facilmente manufaturadas por injeção em molde. brunimento (engrenagens ainda sem tratamento térmico) • retifica ou lapidação (após tratamento térmico) • Engrenagens de termoplásticos como náilon. • Usinagem: – Os dentes de engrenagens podem ser usinados por fresagem.as engrenagens que suportam altas cargas.

) 97 . (Cortesia da Boston Gear Works. Inc.Engrenagens – Conformação de dentes Geração de uma engrenagem cilíndrica de dentes retos com um pinhão cortador.

Engrenagens – Conformação de dentes Fresagem de uma engrenagem 98 .

Engrenagens cônicas de dentes retos Tan τ = Nc/Np Tan ϒ = Np/Nc 99 .

Engrenagens helicoidais de eixos
paralelos
O ângulo de hélice é o mesmo
em cada engrenagem, sendo
uma com a regra da mão direita
e outra com a regra da mão
esquerda.

Geração de uma evolvente helicoidal
100

Engrenagens helicoidais de eixos
paralelos
pn = passo circular normal

Ψ = ângulo de
hélice

px = passo axial

pt = passo circular transversal

Nomenclatura de engrenagens helicoidais
101

Engrenagens helicoidais de eixos
paralelos
Sendo:
pn = passo circular normal
pt = passo circular transversal
px = passo axial

Pn = passo diametral normal
Pt = passo diametral transversal

Ψ = ângulo de hélice
Фn = ângulo de pressão na direção normal
Фt = ângulo de pressão na direção transversal
102

Engrenagens – Exercício 6

Uma engrenagem helicoidal de estoque tem um ângulo de pressão normal de 20°,
um ângulo de hélice de 25° e um módulo transversal de 5 mm, tendo 18 dentes.
Calcular:
a) O diâmetro primitivo
b) Os passos axial, normal e transversal
c) O ângulo de pressão transversal

103

Engrenagens - Interferência

Para que não exista interferência em um engrenamento de pinhão e coroa
cilíndricos de dentes helicoidais, deve-se observar o número possível de dentes
através das seguintes expressões:

Np =

2k. cosΨ
(1 + 2r).sen² Фt

. (r + r² + (1 + 2r).sen² Фt )

Nc = Np² . sen² Фt - 4.k². cos²Ψ
4.k. cosΨ - 2.Np.sen² Фt
r = Nc / Np

Sendo:
Np = número mínimo de dentes do pinhão
Nc = número máximo de dentes da coroa
k = 1 para dentes de altura completa
k = 0,8 para dentes de altura reduzida
r = razão (relação de transmissão)
Фt = ângulo de pressão transversal
Ψ = ângulo de hélice
104

deve-se observar o menor número possível de dentes do pinhão através da seguinte expressão: Np = 2.k.Interferência • Para que não exista interferência em um engrenamento de pinhão cilíndrico de dentes helicoidais e cremalheira. cosΨ sen² Фt Sendo: Np = número mínimo de dentes do pinhão k = 1 para dentes de altura completa k = 0.8 para dentes de altura reduzida Фt = ângulo de pressão transversal Ψ = ângulo de hélice 105 .Engrenagens .

ângulo de hélice de 30°. ângulo de hélice de 30°. 106 . ângulo de pressão normal de 20°. ângulo de pressão normal de 20°. nos seguintes casos: a) ECDH (pinhão e coroa) com dentes de altura completa.Engrenagens – Exercício 7 • Calcular o número possível de dentes para que não exista interferência. razão de engrenamento de 1:1. b) ECDH (pinhão) e cremalheira com dentes de altura completa.

nesse caso.5° era utilizado anteriormente nesses padrões. para evitar problemas de interferência. 107 . tinham de ser comparativamente maiores. porém com o mesmo ângulo de pressão e passo. • O ângulo de pressão de 14. mas hoje já é obsoleto. as engrenagens.Engrenagens – Sistemas de dentes • Um sistema de dentes é um padrão que especifica as relações envolvendo: – – – – – Adendo Dedendo Profundidade de trabalho Espessura de dente Ângulo de pressão • Os padrões foram originalmente pensados para atingir a intercambiabilidade das engrenagens de quaisquer números de dentes.

Engrenagens – Sistemas de dentes Sistema de dentes para engrenagens cilíndricas de dentes retos 108 .

Engrenagens – Sistemas de dentes Tamanhos de dentes em usos gerais 109 .

Engrenagens – Sistemas de dentes Sistema de dentes para engrenagens helicoidais 110 .

O passo diametral é de 3 dentes/pol. Calcular: – – – – – – – adendo dedendo folga passo circular espessura dos dentes diâmetros dos círculos de base passo de base 111 . e o ângulo de pressão é 20°.Engrenagens – Exercício 8 • • • Um pinhão cilíndrico de dentes retos com 21 dentes engrena com uma coroa de 28 dentes.

Trens de Engrenagens Coroa (3) (engrenagem movida) Sendo: n = rotação (RPM) N = nº de dentes d = diâmetro primitivo Pinhão (2) (engrenagem motora) 112 .

np nu = rotação da última engrenagem np = rotação da primeira engrenagem e = produto de nº de dentes motores produto de nº de dentes movidos e (+): a última engrenagem gira no mesmo sentido que a primeira e (-): a última engrenagem gira no sentido oposto ao da primeira 113 .Trens de Engrenagens nu = e .

Trens de Engrenagens Trem de engrenagens composto de dois estágios • Uma relação de transmissão até 10:1 pode ser obtida com um par de engrenagens • Um trem de engrenagens de 2 estágios como o da figura ao lado pode produzir uma relação de transmissão de até 100:1 114 .

Considerar Ф = 20° (ECDR). 115 . Especificar números de dentes apropriados.Engrenagens – Exercício 9 • É necessária uma caixa de engrenagens que proporcione um aumento de velocidade de 30:1 (+/-2%). com minimização simultânea de tamanho geral de caixa.

Engrenagens – Exercício 10 • É necessária uma caixa de engrenagens que proporcione um aumento exato de 30:1 em velocidade. com minimização simultânea de tamanho geral de caixa. Considerar Ф = 20° (ECDR). Especificar números de dentes apropriados. 116 .

Trens de Engrenagens • Requisito: eixo de entrada e eixo de saída alinhados • Condição básica: d2/2 + d3/2 = d4/2 + d5/2 ou N2 + N 3 = N 4 + N 5 Trem de engrenagens composto com reversão 117 .

ECDR Nomenclatura Pinhão: engrenagem 2 (motora). montada no eixo “a” Coroa: engrenagem 3 (movida). montada no eixo “b” Ângulo de pressão: Ф 118 .Análise de Força .

e o efeito destas interações foi substituído pelos seguintes elementos: Fb3 = força exercida pelo eixo “b” sobre a engrenagem 3.ECDR Nesta figura. Tb3 = torque exercido pelo eixo “b” sobre a engrenagem 3. Ta2 = torque exercido pelo eixo “a” sobre a engrenagem 2. 119 . F32 = força exercida pela engrenagem 3 contra o pinhão. o pinhão foi isolado da coroa e do eixo. F23 = força exercida pela engrenagem 2 contra a coroa.Análise de Força . Fa2 = força exercida pelo eixo “a” sobre a engrenagem 2.

Análise de Força . Definimos agora a carga transmitida: O torque aplicado é: 120 .ECDR Diagrama de corpo livre do pinhão: As forças foram resolvidas em termos das componentes radial (r) e tangencial (t).

d. H π.ECDR • A potencia H transmitida através de uma engrenagem em rotação é expressa pela seguinte relação: Wt = 60000 .n (sistema inglês) Sendo: Wt = carga transmitida (kN) H = potência (kW) d = diâmetro da engrenagem (mm) n = rotação (RPM) Sendo: Wt = carga transmitida (lbf) H = potência (HP) d = diâmetro da engrenagem (ft) n = rotação (RPM) Obs: 1 ft = 12 pol 121 . H π.Análise de Força .d.n (sistema internacional) Wt = 33000 .

Os dentes são cortados segundo o sistema de 20° de profundidade completa e têm um módulo m = 2. calcular todas as forças que atuam sobre a mesma.5 kW à engrenagem intermediária 3. Considerando o diagrama de corpo livre (b) da engrenagem 3.Engrenagens – Exercício 11 (ECDR) • O pinhão 2 na figura (a) abaixo roda a 1750 rpm e transmite 2.5 mm. 122 .

Análise de Força – Engrenagens Cônicas Sendo: W = força resultante Wr = força radial Wa = força axial Wt = força tangencial (carga transmitida) T = torque rav = raio primitivo no ponto médio do dente 123 .

Por simplicidade. As distâncias de montagem. Os mancais A e C devem escorar os esforços axiais. 124 . e transmite 5 hp à engrenagem. Calcular as forças dos mancais no eixo de engrenagens. a localização de todos os mancais e os raios primitivos médios do pinhão e da coroa são exibidos na figura.Engrenagens – Exercício 12 • O pinhão cônico na Figura abaixo gira a 600 rpm na direção indicada. os dentes foram substituídos pelos cones primitivos.

Engrenagens – Exercício 12 (continuação) Diagrama de corpo livre do eixo CD (dimensões em polegadas) 125 .

Análise de Força – Engrenagens Helicoidais Sendo: W = força total Wr = componente radial Wt = componente tangencial (força transmitida) Wa = componente axial 126 .

127 .Engrenagens – Exercício 13 • Na Figura abaixo. O esforço axial deve ser suportado em A. Fixado ao eixo do motor por meio de chaveta. bem como as reações de mancal em A e B. um motor elétrico de 1 hp roda a 1800 rpm em sentido horário. há um pinhão helicoidal de 18 dentes com ângulo de pressão normal de 20°. ângulo de hélice de 30° e um passo diametral normal de 12 dentes/polegada. como visto a partir do lado positivo do eixo “x”. Faça um esboço tridimensional do eixo do motor e do pinhão e mostre as forças atuantes nesse último. A mão de hélice é mostrada na figura.

Dimensionamento ECDR / ECDH • Critérios de dimensionamento: – Resistir à falha por flexão nos dentes. ou ao limite de resistência à fadiga por flexão (Se). • A falha por flexão ocorrerá quando a tensão nos dentes se igualar ou exceder a resistência ao escoamento (Sy). • A falha superficial acontecerá quando a tensão de contato se igualar ou exceder o limite de resistência à fadiga superficial (Sc). – Resistir à falha por formação de cavidades nas superfícies dos dentes. 128 .

t² 6 Equação de flexão de Lewis 129 . L F . Wt .Dimensionamento ECDR / ECDH Wt t L σ= M Sendo: W = força total Wr = componente radial Wt = componente tangencial (força transmitida) F = face ou largura do dente t = espessura do dente W σ = 6 . L W = F . t² F M = Wt .

P 3 Sendo: Y = fator de forma de Lewis P = passo diametral Valores do fator de forma de Lewis para ângulo de pressão normal de 20° e dentes de altura completa 130 .Dimensionamento ECDR / ECDH Y = 2.x.

e a 250 lbf quando operando à velocidade V. • Exemplo: Se um par de engrenagens falha a 500 lbf de força tangencial quando parado. • Fator de velocidade (Kv) – Calculado com base na velocidade de operação do par de engrenagens. então para esta condição. e quando é produzido ruído.Dimensionamento ECDR / ECDH • Efeito Dinâmico – Ocorre quando um par de engrenagens é movido a velocidades moderadas ou elevadas. 131 . Kv = 2.

: V = velocidade no circulo primitivo em pés / minuto 132 .Dimensionamento ECDR / ECDH • Equações do fator de velocidade (Kv) – Sistema Inglês Obs.

Dimensionamento ECDR / ECDH • Equações do fator de velocidade (Kv) – Sistema Internacional Obs.: V = velocidade no circulo primitivo em metros / segundo (m/s) 133 .

Wt F . P F. Y (Sistema Internacional) Sendo: σ = tensão (kpsi) Kv = fator de velocidade Wt = componente tangencial de carga (lbf) F = face (largura) do dente (polegada) P = passo diametral (dentes/polegada) Y = fator de forma Sendo: σ = tensão (MPa) Kv = fator de velocidade Wt = componente tangencial de carga (N) F = face (largura) do dente (mm) m = módulo (mm) Y = fator de forma 134 . temos: σ = Kv . Wt . m.Dimensionamento ECDR / ECDH • Introduzindo o fator de forma e o fator de velocidade na equação de flexão de Lewis.Y (Sistema Inglês) σ= Kv .

na condição de saída da laminação. 16 dentes e ângulo de pressão de 20°. com dentes de profundidade completa.Engrenagens – Exercício 14 • • • Uma engrenagem cilíndrica de dentes retos disponível em estoque tem um passo diametral de 8 dentes/polegada. face de 1. correspondente a uma rotação de 1200 rpm e aplicações moderadas.5 polegadas. utilizando a resistência ao escoamento como critério de falha. As características mecânicas do material são: Resistencia à tração: Sut = 55 kpsi Resistencia ao escoamento: Sy = 30 kpsi 135 . Utilizar um fator de projeto nd = 3 para calcular a capacidade em potência na saída da coroa. O material utilizado é aço 1020.

Projeto de Máquinas Parafusos 136 .

Parafusos Dimensões Principais L Comprimento (L): 137 .

Parafusos Cabeças Típicas Cabeça de fenda Cabeça plana Cabeça de encaixe hexagonal 138 .

chanfrada em ambos os lados (d) porca de travamento com face de arruela (e) porca de travamento chanfrada em ambos os lados 139 .Porcas Tipos Principais Porcas hexagonais: (a) vista de extremidade. geral (b) porca regular de arruela frontal (c) porca regular.

Junções Carga de prova: É a força máxima que um parafuso pode suportar sem adquirir uma deformação permanente Resistência de prova: É o quociente entre a carga de prova e a área de tensão de tração Conexão de parafuso de porca carregada em tração pelas forças P. e também como as roscas se estendem no corpo da conexão (recomendável). LG é o alcance da conexão 140 . Observar o uso de duas arruelas.

Resistência do Parafuso (especificações SAE) 141 .

Resistência do Parafuso (especificações ASTM) 142 .

Resistência do Parafuso (especificações para categoria métrica) 143 .

O coeficiente de atrito de uma junta parafusada é determinado por: – – – – – – Tipos de Materiais utilizados Acabamento das superfícies de contato Tratamento das superfícies de contato Pressão de contato Velocidade de aperto Número de apertos realizados Torque convertido em força de aperto Torque absorvido pelo atrito da rôsca Torque absorvido pelo atrito da cabeça 144 .Esforços nas juntas • • O projeto de uma junta requer o cálculo do torque de aperto.

Esforços nas juntas • • • A relação entre torque. ângulo e força torna-se evidente conforme a evolução do projeto da junta. 145 . Uma junta parafusada é um meio para se criar uma força de aperto para unir duas ou mais partes de uma estrutura. A escolha dos parafusos é feita de modo a evitar a separação ou o escorregamento dos componentes da junta.

Esforços nas juntas (torque de aperto) (torque de remoção) Sendo: Db = diâmetro de atrito da cabeça (mm) μth = coeficiente de atrito da rosca F = força de aperto do parafuso (kN) T = torque (Nm) d2 = diâmetro de atrito da rosca (mm) P = passo da rosca (mm) μb = coeficiente de atrito da cabeça 146 .