As ideias fora do lugar e o lugar fora das ideias

Planejamento urbano no Brasil
Frase cunhada por Francisco de Oliveira, integrante da banca do concurso para professora titular da
USP, ao qual foi submetida a autora.
O planejamento urbano ou o urbanismo brasileiro tem comprometimento apenas com uma parte da
cidade, para os mais privilegiados, deixando de lado a cidade ilegal ou os menos privilegiados (favelas,
loteamentos ilegais e cortiços)
A matriz modernista/funcionalista
O planejamento modernista ganhou especificidades durante os anos do welfare-statre – 1945 a 1975 - ou
trinta gloriosos e anos dourados, segundo alguns autores.
O período foi marcado por grande crescimento econômico, uma significativa distribuição de renda e por
investimento em políticas sociais.
O Estado era a figura central; a ocupação do território - estratégia do desenvolvimento
Celso furtado tentou colocar em prática suas proposta – planejamento no Nordeste;
Durante o regime militar, o planejamento urbano conheceu seu período de maior desenvolvimento que
se inicia com a elaboração da PNDU (Política Nacional de Desenvolvimento Urbano) integrante do PND (Plano
Nacional de Desenvolvimento) de 1973.
Planejamento modernista/funcionalista nos países centrais: congressos internacionais de arquitetos,
ocorridos nas primeiras décadas do século XX, definiram os elementos fundamentais do urbanismo moderno.
A primeira fase dos CIAMS (1928/33) foi mais comprometida com as questões sociais, principalmente
ao problema de habitação. Os arquitetos inovaram com propostas de mudança no design das unidades
habitacionais, na tipologia dos blocos, nos novos padrões dos serviços, na hierarquia da circulação, buscando
diminuir custos e garantir um mínimo de qualidade.
2º CIAM: movimento de arquitetos na questão da qualidade de vida dos trabalhadores, evolução da
família e da sociedade, a mulher passa a ter novo papel, novos produtos industriais domésticos aparecem; nova
célula residencial, novos desenhos para a cozinha.
Anos 1940: os países capitalistas centrais fizeram uma “reforma urbana”. Para tanto, fizeram a
regulação entre o salãrio e o preço da moradia, através do aumento do poder de compra dos assalariados, da
produção massiva de moradia e da infraestrutura urbana.
O colapso do planejamento urbano estatal
O advento da globalização trouxe uma restruturação internacional do poder. O Estado não é mais o
protagonista, mas sim as grandes corporações e os países mais ricos, como Japão, Alemanha e EUA. Há um
“gap” entre os países pobres e ricos.
Ideologia neoliberal (1980 e 1990): desregulamentação, maior liberdade do mercado, maior eficácia,
fim da burocrotização e intervencionismo estatal.
Sistema horizontal de redes, imersas na interação local/global em qualquer de seus pontos. Cidades
mundiais – concentração de poderes.
Rede arquipélago dos grandes pólos, monopoliza os centros de decisões.
Crescente importância e autonomia das cidades; Bibliografia: retorno das “Cidades-Estado”
Agenda Habita II, OCDE e Banco Mundial: demandas, reivindicações, descentralização e a afirmação
do poder local
Peter Marcuse, urbanista, indaga: Por que esperar mudanças urbanas? Há mudanças em toda a parte na

em torno dos anos 1930. inutilidade da maioria dos planos. que foi cumprido à risca. comprometendo a cidade com dívidas São Paulo. sem recursos para fazer até a limpeza regular das ruas. Os efeitos desse plano foram vários: congestionamentos. especialistas pouco engajados com a relida de sociocultural local. Depois foi criada a Comissão Nacional de Política Urbana e Regiões Metropolitanas. presença das mega empreiteiras de construção. Proliferaram-se nesta época (décadas de 70 e 80) cursos. Gestão de Maluf (1993/96) e Pitta (1997): proposta do Plano Diretor para a cidade de São Paulo ignorou a cidade ilegal e a relação entre circulação e uso do solo questão do congestionamento de veículos. Período em que as grandes cidades mais cresceram. plena de símbolos pós-modernos. a preocupação social surge no texto. A partir de 1930. entre outros. 11 obras viárias a prefeitura gastou 7 bilhões de dólares.. Regime militar: construção de sujeitos autônomos: fim da prática de cooptação. Além do plano diretor.. No Brasil: A matriz postiça ou o “Plano Discurso” Conforme Vilaça. mas que foi engavetado. ainda que somente na proposta viária. transferido depois para a EBTU. eficácia ideológica e restrita. Maluf se firmou como o grande empreendedor (“tocador de obras”). cidade mundial (ilha cercada pela não cidade). o plano não é mais cumprido Para fugir do desprestígio: Plano Diretor. evasão escolar. aumento da pobreza. Período de inconsequência. Plano Urbanístico Básico. Esta por sua vez controlou o FNDU e o FNTU. como objeto. Até 1980 o Brasil acumulava nº inédito em Planos Diretores. nas relações de trabalho. e não a evolução do espaço e da praxis social. “foi sob a égide do embelezamento que nasceu o planejamento urbano brasileiro”. SERFHAU (controlava o fundo de Financiamento ao Planejamento). se restringiu à pesquisa das ideias. Foram produzidos até mesmo super planos. o sistema de saúde piorou. há menos mobilidade social. Prefeitura sem dinheiro. dissertações. . foram também cumpridos. População não era ouvida. teses. SAREM (controlava o Fundo de Participação dos Municípios). Consenso de Washington: dirigir os destinos dos chamados “países emergentes. A história do urbanismo brasileiro: existência de um pântano entre sua retórica e sua prática. foi feito apenas um projeto de lei para flexibilizar a lei de zoneamento. os Planos Agache também do Rio de Janeiro e Prestes Maia para São Paulo.tecnologia de produção. na mobilidade do capital. obras superfaturadas e a promoção da valorização fundiária e imobiliária para uma região segregada. a eficácia e a técnica começam a substituir os conceitos de melhoramento e embelezamento.fora da lei. PNDU (Política Nacional de Desenvolvimento Urbano). Entre 1875 e 1906 a elite brasileira desenvolveu vários planos: Plano Pereira Passos de 1903 no Rio de Janeiro. Planejamento Integrado. congressos. reuniões e uma bibliografia extensa sobre o tema. seminário internacional em julho de 1994 manual de reformas políticas baseadas em propostas de política econômica ideia de privatização dos serviços públicos. a eficiência. como no Rio feito por um escritório grego e o Plano Urbanístico de São Paulo (1969) feito por um consórcio de escritórios brasileiros e norte americanos. maior concentração de poder privado e maior segregação. Plano Municipal de Desenvolvimento. completar a merenda das creches e fazer a manutenção da pavimentação asfáltica.