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FREUD PARA HISTORIADORES

PETER GAY
GAY, Peter. Freud para historiadores. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.
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A psicanálise é uma ferramenta legitima para ajudar na compreensão do
passado? Muitos historiadores tradicionais têm respondido
a esta questão com um enfático não, saudando a introdução de Freud no estudo
histórico
com respostas que variam desde um ceticismo ponderado até uma raiva manifesta.
Agora Peter Gay, ele próprio um dos historiadores mais renomeados dos Estados
Unidos, argumenta eloqüentemente a favor de uma "história instruída pela
psicanálise" e oferece uma
réplica impressionante às acusações feitas por
um contingente numeroso de antifreudianos.
Gay argumenta que todos os historiadores
- na verdade, todos os cientistas sociais e humanistas que se ocupam com a
tarefa da interpretação~ sejam economistas, cientistas políticos ou críticos
literários - são psicólogos
amadores. Em lugar de atribuírem motivos negligentemente, argumenta, precisam
refletir
sobre eles. Gay mostra que muito da hostilidade contra a psicanálise decorre de
ignorância, de leituras inadequadas ou de cuidados excessivos. Em Freudpara
historiadores, ele considera os argumentos, um por um, da oposição, lutando todo
o tempo para lidar construtivamente com as dificuldades genuínas que
um método hermético como o da psicanálise
cria para o historiador. Sua discussão lúcida,
inteligente, abarca um grande número dequestões: das dificuldades do complexo de
Édipo
até a influência do interesse privado nos negócios humanos, das ligações entre
biografia
e história até os perigos do reducionismo no
uso do método psicanalítico. Gay não desconsidera os críticos de Freud e acha
que muitos
dos seus argumentos são lúcidos e compreensíveis - sem, contudo, serem v lidos.
No final do livro, assinala brevemente a sua visão
de uma "história total", que se utiliza dos discernimentos da psicanálise mas
sem se limitar a eles. Mostra que a psicanálise pode ser
aplicada a todos os ramos da pesquisa histórica sem substituir outras abordagens
interpretativas.
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Freud para
historiadores
Peter Gay
Freud para
historiadores
2.a EDIÇãO
Tradução de
Osmyr Faria Gabbi Junior
PAZ E TERRA
Copyright by Oxford University Press, 1985
Traduzido do original em inglês
Freud for historians
Capa de Isabel Carballo,
sobre pintura "O rapto das sabinas" de Rubens
Copydesk fulano
Revisão
Carmen Tereza S. da Costa

Ana Maria de O. Barbosa
Edson de Oliveira Rodrigues
Dados de Catalogação na Publicação (CIP) Internacional
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Gay, Peter, 1923 Freud para historiadores / Peter Gay ; tradução de
Osmyr Faria Gabbi Júnior. - Rio de Janeiro : Paz e
Terra, 1989.
Bibliografia.
1. Psico-história 1. Título.
89-0863
Indices; para catálogo sistemático:*
1. Psico-história 901.9
Direitos adquiridos pela
EDITORA PAZ E TERRA S/A
Rua do Triunfo, 177
01212 Santa Ifigênia, São Paulo, SP
Tel.: (011) 223-6522
Rua São José, go - 11,0 andar
20010 Centro, Rio de Janeiro, RI
Tel- (021) 221-4066
se reserva a propriedade desta tradução
Conselho Editorial
Antonio Candido
Fernando Gasparian
Fernando Henrique Cardoso
1989
Impresso no Brasil/ Printed in Brazil
CDD-901-9
Para
Ernst Prelinger
e para uma outra pessoa
por falarem, e por escutarem
Atos e exemplos permanecem
William james
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Abreviaturas adotadas
Int, 1. of Psycho-Anal.: International journal of Psycho-Analysis
Amer. Psychoanal. Assn.: journal of the American Psychoanalytic
Association
PSC: Psychoanalytic Study of Child
Ed.stand.: edição standard (Standard Edition). As obras completas
de Freud em português estão referidas com base na Edição stan dard brasileira
das obras psicológicas completas de Sígmund
Freud, 24 v., trad. de José Octávio de Aguiar Abreu, trad. e rev.
técnica de jayme Salomão, 1 a ed., Rio de janeiro, Imago, 1975.
Ed. est.: edição para estudo (Studienausgabe).
Índice
Prefácio .............................
o argumento: defesas contra a psicanálise ............
1 .
As necessidades secretas do coração ................
1. Psicólogos sem psicologia ....
Insultando Freud ......
Uma arena para amadores ...

2. As alegações freudianas ...
1. Uma aparência de convencimento
Recordando o fundador
Uma teoria controvertida ....
3.

Natureza humana na história ......

1 . Contra os historicistas .........
2. As pulsões e suas vicissitudes ...
3. Anatomia do interesse privado . .
4. Razão, realidade, psicanálise e o historiador
1 . Dois mundos em tensão ........
2. A procura de representações .......................
3, Uma escala de adequação .........................
5. Do divã para a cultura ..............121
1. Além da biografia . .
2. A partilha social
3. O self obstinado ...
..139
6. 0 programa em pr tica ...............147 Pref cio
1 . Pensamentos acerca de registros
2. Modos e meios . .
3. A história total . .
Notas
Bibliografia
Agradecimentos
índice remissivo
PREFÁCIO
Este livro é o volume que conclui uma trilogia que eu não pretendia escrever.
Quando, em 1974, publiquei Sty1e in history, pensei
que havia pago meu tributo ... historiografia. Naquela expedição de
descoberta através dos recursos estilísticos de quatro mestres da retórica Gibbon, Ranke, Macaulay e Burckharur---M:-procurei situar 3In rt~oria entre as
ciências humanas---._Min-Wa-co`RIruoslão, que confio seja
menos trivial em um argumento extenso do que em um simples resumo, era a de que
a velha e estrita divisão entre arte e ciência é insustentÁvel para a história:
nas formas em que procurei demonstrar no
livro, a história é ambas,
#*/*

e,
ÉmObo`ra,la"pInl=eira. vista, não haja nada de muito surpreendente
neste julgamento, minha formulação particular suscitou muitas questões a
respeito das intenções fundamentais de meu ofício a que Sty1e
in history não podia se dirigir, muito menos resolver. Propus que a
arte do historiador -constitui parte da sua ciência; , sua forma não é
nem a de um enfeite nem ídiossincr tica, mas est indissoluvelmente
ligada ... sua matéria. Em poucas palavras, o estilo ajuda a sustentar

o peso e a definir a natureza da substância. Isso naturalmente me conduziu do
modo pelo qual o historiador expressa-se para as questões
que se inclina a considerar como as mais críticas. Escrevi dois anos
mais tarde: "Durante o seu trabalho, o historiador realiza muitas coisas, mas a
tarefa mais difícil e acredito que a mais interessante é a
de explicar as causas dos eventos históricos". Descobri que pensar
iõbtre causas é entrar em um debate profissional ininterrupto no qual
o historiador participa com vontade, e onde as apostas são as mais
altas possíveis. E é encontrar as insistentes reivindicações da psicologia pela
atenção do historiador.
11
#

Como Sty1e in history, sua seqüência sobre causação, Art and
act, estava mergulhada numa experiencia concreta: sempre me senti
mais confort vel, como a maioria dos historiadores, com exemplos
específicos. Enquanto que, no primeiro livro, construí meu caso através do exame
de quatro grandes historiadores, no subseqüente concentrei-me sobre três
artistas influentes - Manet, Gropius e Mondrian - para encorajar uma atitude
pluralista mas segura em relação
... causação histórica. No capítulo introdutório, discorri sobre a teoria
que apoiava esses exercícios em biografia cultural e diagramei as
relações entre três aglomerados de causas: as que se originam do dominio
particular, do ofício e da cultura. É na sua sutil interação, no
encontroamento pela supremacia, que a psicologia reivindica pelos
seus direitos especiais.
0 parentesco intelectual entre esses dois livros est na superfície.
mbos são explorações em epistemologia histórica; ambos, enquanto
argumentam a favor da enorme variedade de modos possíveis de se
#expressarem e de se atingirem as verdades históricas, são relativamente
otimistas sobre o alcance e a compreensão do historiador. É curioso: quando
historiadores decidem refletir sobre a sua profissão uma aventura
autoconsciente, nem sempre feliz, em ruminação filosófica para a qual são
freqüentemente seduzidos após terem atingido
os cinqüenta anos - tendem a declarar-se como acentuados subjetivistas.
Provavelmente insistirão que todos os dem"nios pessoais ou as
aspiraçoes sociais do historiador ditam uma perspectiva extremamente
limitante sobre o passado, e que nunca nenhuma quantidade de autopercepção
permitir que ele se furte ...s pressões inescap veis do partidarismo. Nessa
concepção, o estilo do historiador é um depósito de
vieses/ e a sua percepção das causas inclina-se a ser comprometida
pelo peso das mesmas mutilações ideológicas. Ao discordar, argumentei que o
estilo pode ser também uma passagem privilegiada para o
conhecimento histórico e que a visão particular do historiador sobre
o que fez com que o mundo passado se movesse, não importa quão
distorcida ela possa ser pela sua neurose, pelas suas deformaçoes profissionais
ou pelos seus preconceitos de classe, pode, ainda assim,
ajud -lo a ter firmes discernimentos sobre o seu material que ele não
teria obtido na ausência deles, Por exemplo, a ironia imponente de
Gibbon, uma espécie de maldade grandiosa que impregnava o seu car ter, foi o
instrumento perfeito para dissecar os motivos políticos
dominantes da Roma imperial, com suas confissões elevadas e motivos
12
torpes; ou para dar outro, a existência celibat ria e reprimida de
Burckhardt deu lugar a fantasias luxuriantes de crueldade e de poder

simultaneamente uma advertência -contra o _~Essimismo f cil dos céticos e contra as simplificações igualmente f ceis dos dogm ticos. desenvolvo.9 m"nocausal. destes grandèÍs-aux-fliares da explícaçãoMistórica.. em um argumento abrangente. oferecendo alvos f ceis para resenhistas abaterem. da psico-história como era então praticada. com explicações genéticas. neste. apenas assinalei que enquanto a psico-história tem dado lugar 13 # a reduções injustificadas e a especulações extravagantes.ãn.' Vi-a então. essas afirmações concisas e apodíticas. mas acres centei imediatamente que i-psico-história não pode ser to:a =aó ~r. razoavelmente rigorosa. 3UMURe MMObrem qualq%MroTip"o de-rito. pois todos invadem e ajudam a modelar as mentes dos homens. ou com proposições radicais sobre a sexualidade infantil e . não tem s d~ =ae propor que oÍs--historiadorw---Rubstitu-am Marx qmo DorrigW seus rituars-monoreistas. não ofereci casos concretos. como uma disciplina auxiliar e gratificante em que a profissão histórica até aqui confiou insuficientemente e que com certeza est longe de dominar. "reivindicam muito pouco do que propriamente em excesso". Os desastres bastante discutidos da psico-história. em particular com a psicanálise. uma história que.gãUrafia. e vejo-a agora mais ainda. apoiava-se fortemente. tem também sofrido de uma certa timidez. ~ga tecriologia. O-estudo da refigiao. são motivo mais para precaução do que para desespero ou para desdém. eMSbocoffieMazoes pelas quans a psicarogiã-não poderia gozar. como j sugeri. Disse que enquanto seus praticantes "explicam excessivamente a partir de muito pouco 11 . Não tenho nenhuma inclinação -para juntar-me ao campo dos histor"'11'1"o?Ms"q"u"e unc=1U11LU ---"2 IgIgam_que atídedí~no sobre as causas # umff--q-ui era.fiar na psicanálise não precisa_ muli" uma teoria da história ipILênu~. De forma atípica. ao mesmo tempo. P. Afinal de contas.-rete-ff.5 da exl:)eríêncía histórica ao Únitorme clâ"to de. Mintia intenção. dg. Geralmente se limitam . nos quais seus detratores encerraram-na com uma espécie de júbilo maldoso. no meu comprometimento com a psicologia. iWdi n=1. psicobiografia ou a irrupções de psicoses coletivas.. requeri uma "psico-história de uma espécie que não havia sido ainda explorada. Minha justificativa para a história como uma ciência elegante. Os ivro-s~Toraffi. No capítulo introdutório de Art and act ofereci uma crítica breve. da pica. Freud para historiadores finaliza a tarefa deixada incompleta pelos seus dois predecessores. Ao contr rio..uglãbdluint 1Es--e dominante de impulsões. "sem se comprometer com a orientação biológica freudiana. de um monopólio sobre a explicação causal. ou-aque es que reduzem a veste Briinante MI~551.altamente apropriadas para apreciar a mentalidade dos extraordin rios condottieri comandando as guerras da It lia renascentista. da cultura. Neste livro. em princípio. muito menos praticada". um tanto inespecífica.-Tõ 2 a sua validade independente. nagueies dois voluinus. para mi~n-. Eu disse em Art and act que -TõdatOrL&-e-= ni-ma medid _psico-história".

Mas o concebi e o escrevi em íntima conexão*çom um empreendimento histórico de grande alcance com o qual estou comprometido atualmente: um estudo da cultura burguesa do século XIX a partir de uma perspectiva psicanalítica. Meu interesse na psicanálise enquanto um sistema de idéias e uma disciplina auxiliar vem de três décadas atr s.. o biÁafo eso fad&do &. onde questões de método histórico continuamente encontraram e atraíram substância histórica. . Tudo de que me recordo é que naqueles anos era um devoto dos 14 w.o volumes associados sobre o amor. Diferente de Sty1e in history e Art and act. Poderia ser plausível objetar que estou somente.Mã. Realmente. -d-ecomIj-p-9r'14arx ud. projetei um livro que se intitularia "Love. 0 primeiro v 1 oitime. Por volta de 1950. ATe-m-(Fis-so. como seus principais materiais. osas para amUõ-s.Mi E. Freud disse uma vez -que.Isto foi . a crítica le From---in a Freud. estaria ainda assim firmemente envolvida com a realidade. estão em elabora0.~ItoMeMp'rO'Mim a reconhecer que gualguer estor~o ra -ilnir--VAaTx e-Fre-u-Zr so oJeria conduzir a um casament acio--com. coni&"u nc as ca ami. principalmente em meus livros sobre Voltaire e sobre o Iluminismo. quando era ainda estudante de pós-iraduação e iniciava-me como docente em ciencia política. mais do que as realidades passadas. j apareceu. anterior mesmo ao início da minha carreira como historiador. maneira dos autobiógrafos. não foi isso que ocorreu. como-iF-via então. Mas nagueles dias estava desenvolvendo storin W. essas controvérsias # encorajaram-me a fazer uma série de leituras sobre Freud. registrando com sensibilidade as pressões do mundo externo que tão vigorosamente atingem todos os indivíduos. na sua ~~n~iva.. Nunca escrevi o livro ali s nem posso me lembrar do que planejava dizer nele.pontos de vista psicanalítiSWs revisiWnistas "rich . a agressão. work. Quero que sejam vistos como aplicações de um método e de uma ambição que estou aqui simplesmente recomendando e tentando justificar teoricamente. a dominação e o conflito cultural. de forma não sistem tica e informal. o presente volume é um argumento corroborado no qual tomei as pr ticas contemporâneas.. que lida com a sexualidade. 0 leitor atento pode encontrar traços daqueles estudos em meu trabalho a partir do final de 1950. que cresceu em estridência com a passagem dos anos. min. and politics"..a .--. ~St 6 ~ri 7 -SO c. Ainda assim. muito antes de publicar Sty1e in history. tornou-se cada vez menos convincente para-mim. Escrevi este livro para dirigir-me em detalhe a problemas que suscitei inicialmente em 1974 e que esbocei como programa dois anos mais tarde. afastando os obst culos e endireitando os desvios nas trilhas que tive de tomar de modo a apresentar um sentido espúrio de consistência e continuidade. tímidos como ainda o eram no início.com estratégias psicológicas".. i a 7 A partir da perspectiva dos anos em que segui a história social das idéias mais intensamente. minha atual preocupação com os usos da psicanálise na história pode parecer bastante longínqua e um deslocamento dr stico de interesses.

~ébidos tanto nas . apenas uma evolução vagarosa e orgânica. sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. história total. Meu interesse nas recompensas ainda amplamente desconsidera das da psicanálise para o historiador simplesmente se volta para o Wu velho programa de ap eender as idéias em todos os seus contex ~Õ S.e-s-s S o ins in ua s. a reall raMe. minha an lise did tica e fazer todos os cursos que me transformariam. As duas décadas ou tanto em que me empenhei numa história social das idéias. unia decisão militar--e todos os outros incont veis disfarces que as idéias tomam estão. foram tentativas de romper com o que percebia como sendo uma prisão autoconstruída pelo historiador das idéias na qual um pensador isolado combate. Em 1976.s antecipaço bran rodutas----Mentaisemergem COMO COMDrO a história psicanalítica das ideias e a contraEarte da ht d i_ra -erecíprocaffe-n-Le"71~ai elas. TrF Wuções de =nec: .OZerativo morãl-.originaram-se e puderam definir a sua forma sob a impressão de realidades sociais.Çr . como as coisas realmente ocorreram.. uma apreciação esteTi-cn~ u cien IlicaiU 0 estratagema político. esperava. Era o meu sentido sobre o débito que a mente deve ao mundo que me permitiu ler Voltaire como um animal apaixonadamente político. políticas e estéticas . 7. dolorosa e divertida em proporções quase iguais.. e imensamente esclarecedora.. e os debates políticos apaixonados do século XVIII.. ciência da memória.. penso que ela não registra nenhuma ruptura dr stica.. dos meados dos anos 50 até os meados dos anos 70. Ela revelou ser uma experiência fascinante. Como \-4 ~r . de um amador informado sobre o instrumental freudiano em uma espécie de profissional. com outros pensadores igualmente isolados. no mínimo em Darte. passos tomados um após o outro na estrada que leva . --do meu argumento. Mas são também respostas a pres %0 soes internas sendo. as defensiva es ans--4este sentido 1.PaixonaUssa PejasE n-Epti-. vizinhanças culturais particulares e imediatas como nas mais gerais.. o ano em que publiquei Art and act. na trilha de Ranke. trabalhosa.as idéias. como os produtos mentais . Mas enquanto não posso me colocar como o último juiz da minha própria história intelectual. e colocar os princípios do fluminismo no seu meio natural.. a construção do Estado.. para submeter-me . as duas so como acredito se tornar óbvio.. apefias raramente est isento dessa paixão.a revolução científica. no curso são realmente a mesma espécie de história entrevista a partir de posi ções distintas. Um ma df.lia.. uma completando a ou . Seria . as posturas religiosas. entrei no Western New England Institute for Psychoanalysis como membro candidato. Quis descobrir.speito. .. os ideais. a i 15 # inovação médica.o juí-lo iógrafo.

ler di riSs--e so-nhos. em material utiliz vel. Ainda assim. como também um sentido razoavelmente bem definido de suas limitações. artefatos intrigantes. 0 historiador psicanalítico deve estar preparado para enfrentar quase tanto ceticismo dos seguidores de Freud quanto de seus detratores.io . invadem e distorcem. sou tentado a dizer. mais instruti . cart s e ras. ação. Minha an lise e meus cursos não geraram a imaginação histórica que eu possa ter. a percepção objetiva. aprendi em meus anos como candidato. quando entrei naquele treinamento. descobri Que técnicas psicanalíticas como a livre associação ou a a inter de sonhos~.-e-~[escobertas psicanalíticas coíno o roman ce familiar ou o complexo de Édipo. opacos. que foi sempre cordial e nunca indulgente. se dar em mais de uma direção. na mesma direção. decorrem da preocupaJção quase exclusivamente clínica de seus praticantes. minha recepção pelo meu próprio instituto. Aguçou 7~Mlia sensiblIRTade para Tântasias inconscient 3: cos* guçou in =texti s COMD cos. pela primeira vez. pagam dividendos inesperados no estudo de material aparentemente familiar. estou persuadido. pela organização matriz. durante os anos de meu treinamento. a partir dos princípios da sua forte convicção sobre a interioridade.. Mas estou satisfeito que ela_tenha me ensinado muito: maneiras novas. espontâneo e natural. Os lucros advindos de Freud vieram inesperadamente.longo alcance. os discernimentos psicanalíticos trabalham de uma forma mais tortuosa do que essa. de forma não dram tica. E a maior parte dos psicanalistas dificilmente consegue suprimir as suas suspeitas sobre o que pensam. na estrada para Damasco. adquiri não apenas um respeito saud vel pelos instrumentos para diagnóstico que minha profissão podia emprestar da psican lise. e para os fluxos poderosos e amplamente encobertos das pulsões sexuais e agressivas que dão energia . e parece-me que o hi. com um pouco de aversão..W--s artiços. como "an lise aplicada".. A u ou in I tes compar~tiÇadasg que subjazeín a estilos culturais. tornaram-se nao exatamente um vício. como também transformam. construindo sobre o que j estava ali. Ao contr rio. conhecida pela sua abreviação como "the American". novelas e text Zin: cos. ou. os psicanalistas provavelmente sejam tão impacientes com as realidades "objetivas" que encantam o historiador quanto os historiadores desconfiam dos materiais misteriosos e indefiníveis do analista. 0 processo de aprendizagem a que se submete o historiador en quanto vai dominando o instrumental psicanalítico deveria. Depois de um tempo. Algumas delas. A psicologia sp lig. portanto.impossível para mim fazer uma lista das lições que. É bastante justo acrescentar que. na ~Darti irtiv ícita em. enquanto historiador. como convidado do New York Psychoanalytic Instittite. deixada -Por Freud. Não estou insinuando que o treinamento psicanalítico tenha atuado em mim como uma série de experiências luminosas de conversão.. e fazem com que as psicologias baseadas em interesses racionalistas apa# reçam como ingênuas. mas algo confort vel. devo registrar. estimularam-na. Ra`snem Freud nem se-us-discípulos cl~e-garam a desenvolvê-la completamente. Não quero dramatizar em demasia a resistência dos psicanalistas a pessoas qualificadas de fora que lavram as suas idéias. tem um Doder exDIicativo de . Não estava. Além disso. como totalmente desprovidas de recursos. com gratidão.

um plagiador. os trabalhos dos mecanismos de defesa . quando comparada . ambos têm sido perseguidos com um vigor sem precedentes e através de alguns subterfúgios imaginativos. ele era um mentiroso.' A tentativa de desacreditar a psicanálise. e até . escreveu. no começo dos anos 80.. idealização.. mais ainda. A efic cia da psicanálise enquanto terapia. através do questionamento de seus usos como terapia. ou a de outras terapias ou placebos. Mas desde o início dos anos 70 e. Histórica e psicológica ao mesmo tempo: isto expõe o meu programa com uma economia admir vel. um pesquisador relapso. no capítulo 2. permanece uma questão aberta a debates intensos. elas aparecem-me como sendo muito mais vulner veis do que as alegações freudianas que procuram desacreditar. um machista chauvinista. de seu curso. tão velhas quanto a própria psicanálise... Mas. de suas origens. não é nova.. um adúltero. quantificação. um estudo ao qual Freud dedicou muita energia e muitas horas de trabalho. mesmo que se pudesse mostrar que o tratamento psicanalítico não merece nenhum estatuto privilegiado.) 0 mesmo e importante argumento vale para o car ter de Freud. a presente onda de denúncia pode ser uma resposta inevit vel. e (pelo # . idolatria. .o determinismo psicológico. ausência de tratamento. o inconsciente dinâmico. Obviamente. em alguma amplitude. Irei elaborar esses pontos em alguma extensão. não se seguiria de nenhuma maneira que os princípios centrais da teoria psicanalítica . uma fraude.. quero generalizar e retirar as implicações da observação freudiana sobre o totemismo: sua explicação.. deveria ser "histórica e psicológica ao mesmo tempo. de seus conflitos irreprimíveis. tão fascinante quanto possa ser. Pensei em encerrar o assunto aqui. Mas velhas controvérsias girando em torno de Freud. a sexualidade infantil. em que incorreram os admiradores de Freud no passado (ver capítulo 2). (Tratarei dessa questão. Mas a evidência empírica e experimental não oferece nenhuma boa razão para aceitar os veredictos devastadores dos oponentes mais inflexíveis de Freud. Nem é o esforço para arranhar a reputação de Freud. Nestas p ginas. De fato. De acordo com os advers rios mais exagerados de Freud. alcançaram um tal grau de excitação e de injúria nos meses em que estava preparando este livro para publicação que não posso ignor Ias. não importa quão bem-vindos possam ser para aqueles que estão ansiosos para erradicar as idéias freudianas de nossa cultura.teriam sido assim compro 18 metidos.ãã particularmente bem preparado para fazer essa psicologia 17 # social trabalhar para o estudo da cultura. um autorit rio. para dar informação sob que condições essa instituição peculiar se desenvolveu. est fora do alcance deste trabalho. as curas que a psicanálise pode alegar são altamente resistentes .. De certo modo. Mas uma exploração sobre o que precisamente o psicanalista poderia aprender do historiador. embora desagrad vel. e a que necessidades humanas deu expressão". muito menos refutados.riador est Y 8 ^. um covarde.

Outras acusações rodeiam essa recusa: os estudiosos do passado orientados pela psican lise violam o bom senso. Se ele for obrigado a render-se ao inimigo na muralha mais externa.. as nações não são pacientes no divã. até o centro da fortaleza.' Por que. mais recentemente. ofendidos pelas alegações freudianas. duvido que algum dia ela possa vir a ser substanciada. atropelam devido . nem mesmo em um divã imagin rio. os grupos. as classes. Alguns historiadores. P. pode-se realmente psicanalisar os vivos. o programa que desenvolvo neste livro não depende da demonstração de que a psicanálise seja o melhor método de cura para as desordens neuróticas. Os sujeitos históricos. onde o his 21 # toriador espera trêmulo pelo invasor.s exigências de estilo. Pretendo levar a sério essas defesas agressivas contra a psican lise e organiz -las numa seqüência que espero seja lógica e lúcida. pode recuar para um segundo conjunto de basfiões e oferecer uma nova resistência. desconsideram o peso das provas (ou não respeitam a sua ausência). a erudição honesta e a experiencia amadurecida têm sido suficientes e se.. têm até ultrapassado a sua esfera habitual para conjecturar em voz alta se. arruinarão a segunda. para iniciar. permitir que uma especulação infundada subverta * processo explicativo que tem servido tão bem durante tanto tempo * historiadores. e assim por diante. se puderem arruinar o primeiro. o bom senso. Mas mesmo que Freud se transformasse no vilão mais acabado e consistente. o historiador deveria se preocupar com qualquer tipo de psicologia formal se.1 Não reconheço Sigmund Freud nessa caricatura. De qualquer modo. Naturalmente. Mas irrelevância. por séculos. 19 # 1 0 argumento: defesas contra a psicanã1ise Historiadores gostam de rejeitar --.menos na sua mente suja) um pedófilo. além da incapacidade de psicanalisar os mortos. exageram na credulidade. embora provavelmente não fosse um pederasta. algumas noções psicanalíticas se tornaram um lugar tão comum que se pode .G. se a segunda cair. seu trabalho se manteria por si mesmo. e em vista do que sabemos fidedignamente sobre ele. irresponsabilidade e vulgaridade permanecem sendo as ' principais denúncias do acusatório contra o historiador psicanalítico.como uma disci a Rlina au"xl'Toiãr com uma recusa radical e breve: _gão se pode psicanalisar---j -mortos. ou de que Freud fosse um cavalheiro impec vel. os polemistas mais engenhosos tentaram vincular o car ter de Freud com a sua teoria e parecem acreditar que. a terceira permanece. Tent -lo seria introduzúir tecnicas inapropriad s tia pes4u-isa" =istorica. Estou imaginando as manobras defensivas do historiador como seis anéis concêntricos de fortificações intelectuais mobilizadas contra o assalto freudiano. e reduzir o buquê maravilhoso e multicolorido de pensamento e ação a uma psicopatologia depressiva e cinzenta.

genérico e padrão. que ele pode sentir-se pronto para incorpor -la aos seus Métodos de investi 1. ut ffimenir.pilh -las com segurança como se faz com um texto que caiu em domínio público? Então... idéia de natureza humana. aquela da impraticabilidade: não importa quão crível. como supusemos durante tanto tempo. dado que a psicologia fretidiana é de todas a mais incuravelmente individualista? É apenas após o reconhecimento do historiador pelo que a psicanálise tem de potencial para explicar o comporta# mento grupal e a interação contínua entre mundo e mente.s noções freudianas. suponha que as credenciais do pensamento psicanalítico tenham sido aceitas. tecnicamente difíceis.= r~ e m v e a psic Tise não Rarece desprezaelizmente. de empregar os pronomes "ele(s)" ou "seu(s)" e os substantivos "homem" ou "homens" para denotar toda a humanidade. Não e a psicanalise na sua propria essencia a-histórica com seus postuWcio-ssoU-r-euma at:u:ré2averIquL--se o`poe ao coniF-fomisso do-Sist lador jrftr~anã =a nifã com Uma natur me L evol. aquele da conduta irracional ou da distorção neurótica? Quinto.. na melhor das hipóteses. por que o historiador deveria recorrer . pode no m ximo iluminar um estreito segmento da experiência histórica. a sua visão da humanidade. pouco menos instrutiva sobre a razão do que o é sobre o irracional. o historiador não est justificado em restringir o seu eniprego.. riência humana: o interesse pri o 7 e Treud ti 5e a men do7 E~esmo que eud tivesse sido defendido -ta-Mo nõWu" tratamento do interesse privado como na sua percepção sobre as questões humanas. não é uma transcrição de um tipo puramente local . não permanece verdadeiro que a psicanálise. e não se valer de sistemas psicológicos concorrentes que parecem ser muito mais plausíveis e digeríveis? Em seguida.o da virada do século em Viena? Quarto. quão instrutiva a psicanálise possa ser.. 22 4 gação e integr -la . e que a história não é igualmente tão hostil . suponha que a psicanálise tenha se revelado como uma psicologia geral. Mesmo assim. se for reconhecida a necessidade de uma psicologia. ainda permanece uma defesa. sua visão do passado. ela é realmente útil pa rto=ssta-. ra o historiador praticante? Pode-se psiçaUlisar os mojâ4. e de alguma precisão no seu uso. Adotei neste livro o velho uso.~jã" são as questoes-We-rradeiraS e difíceis a que olilgrei ri ~ me cânl"pr .. subjugada pelas suas preocupações clínicas. pressupondo que a psicanálise não é assim tão a-histórica...õ"u"n~ic"o Ple e a Eaise não enE te est vi to aue ~ retil sic ls o ente est vel ri st v smo U men 9 1.

ãiiiúg. Mesin-5-M truto-res de sistemas que sujeitam indivíduos .--eTe opera com uma-rebria soS~re ~qa" =um na.e a que~retendo me dirigir-no m-eu úhi-mQ e PiMiU 23 # o 1 1 As necessidades secretas do coracão 1 . ou de pura raiva. Certamente. os historiadores têm relutado em discut' r da sicolo ia na sua dis -Na verdade.cia. seu-Ue-s-CUirrõrto aumen ~j~colo~ia na tiu-. mais ainda a partir do momento em que a psicanálise insinuou-se na profissão e tornou-se a psicologia preferida para uma minoria impetuosa. Saiba isso ou não. as suas idéias precisam de argumentos mais fortes do que este para que se possa recomend -las para o estudioso sério: foram-se os dias em que os seguidores de Freud podiam desacreditar críticas racionais através de uma psicanálise do crítico. Entre todas as ciências auxi ajuilante -BrincipaiJemBo a nãQ reconhecida. elapermanece não reconhecida. geraMIr -inclui os _~tos mentais---. isolada e censur vel. de uma ansiedade mal disfarçada. enquanto devo tos do senso comum. admitem e declaram que entendem o papel desempenhado pela mente. Para a enorme maioria dos historiadores. Uma t tica característica dos velhos freudianos.nejo menos Je tr v e lidã cõm-as suas expe . re lo h assinalou a obrigação do o . atribui motivos.. e a sua descoberta lien ias. Psicólogos sem psicologia 0 histo ador Drofissional tem sido sempre um psicórõgo"a"=maor. alguns modos predizívii. analisa irracionalidades e constrói o seu trabalho a vartir dâ. em geral.s pressões inevit veis das condições históricas. seria a de interpretar os atos de rejeição carregados de afeto dos historiadores como resistências e feli 25 # cit -las distorcidamente enquanto demonstrações não tencionadas das idéias freudianas.--.Descobre causas. tentadora mais ilícita.ãiilLde que os seres humanos eAip&m algumas caract rísticas est veig e díscerníveis. estuda paixões. No início da década de 40.. a emergência de Freud como um guia possível para os mistérios das mentes do passado ensejou a manifestação de um ceticismo ponderado. Mas.&on .vísiveIR`METe nas últi-mas-Mecadas.

G. no seu livro ampla 26 # mente lido. Ainda assim me sinto seguro ao supor que mesmo aqueles que. Stephen Gottschalk. as confusões e as contaminações da consciência humana são. 0 historiador trêmulo a que me referi e continuarei a fazê-lo é uma construção. era o indicado para ressegur -los. poderiam reconhecer que lucrariam com uma psicologia sofisticada. para a história. Carr. história e .f( do coração" dos homens. estudante de Christian Science. Isso dificilmente parece ser uma contribuição heróica para uma ciência do homem sobre a qual os historiadores poderiam apoiar-se.. o consenso do ofício histórico. É uma condensação de muitos praticantes ansiosos.' Essa espécie de concessão relutante evidentemente parece ser muito generosa para a maior parte dos historiadores. é por demais prudente. A maior parte dos historiadores profissionais não se compromete com a publicação de seus pontos de vista sobre a psicologia em geral ou sobre Fretid.s alegações fretidianas do que a depreciação franca e típica de seus colegas.. embora decididamente trivial. que personificam. As inter-relações. 0 falecido E. sua perspectiva. Mas a exploração qu"e"Tfe"relTMff"T"ol'rr~evista par re~rm~o~a~rnã suYerfície da consciência: ele escreveu no seu livro póstumo e inacabado Historían's craft que.havia i Tampouco o 1 . oferecido por Freud.. nos Estados Unidos e em outros lugares. "em última an lise. biografia" . Muitos historiadores que saúdam Marc Bloch como um mestre acham a sua proposta muito temer ria. e principalmente os biógrafos". e portanto hostis. . Carr avalia o trabalho freudiano como uma aquisição negativa de alguma importância. Quero mostrar que. são provavelmente mais danosos .' Embora poucos historiadores pudessem preocupar-se em negar que o homem é o tema verdadeiro de sua disciplina. em geral vagos e condescendentes. embora não seja um boneco de palha. a consciência humana é o objeto da história. embora ela seja formulada admiravelmente. de forma bem apropriada . UÁV... observou.guia para elas. H. a própria realidade". rejeitariam o instrumental freudiano como sendo inadequado para fornecê-la.. que 11 em geral. os historiadores tendem a ser extremamente céticos sobre a aplicação de conceitos psicanalíticos . atribuiu a Freud uma dupla relevância para os historiadores: ele concentrou a sua atenção sobre os nossos preconceitos e desconsiderou a "antiga ilusão" de que os motivos ostensivos dos homens são "adequados para explicar a sua ação".rc 1?e dades secretas 1( CÂ UQL historiador de explorar o que chamou e "ã"s"nectC. Aqui e ali algum historiador destacado tem mostrado algum interesse e simpatia pela psicanálise. sentem-se inquietos diante dessas "necessidades secretas do coração" . mas seus elogios. ao resenhar negativamente uma psicobiografia de Mary Baker Eddy. What is history?.. R.. em particular.2 0 seu parecer é o da minha profissão. Refletindo a respeito de como estudiosos do passado lidam com a influência de impulsos irracionais sobre os atores históricos.llÁã secretas ainda do aue Bloch. uma confissão cristã.~ advertiu em 1967 que "alguns historiadores...

em alguma medida. rejeita a história psicanalítica como sendo "mais um beco sem saída do que uma trilha promissora". procura resgatar . assim. H. recorda com aprovação que "Arthur M. afinal de contas. a pesquisar como esses ditados. uma vez que se persuadiram de que ele não tem nada para ensinar-lhes. das limitações do método psicanalítico". Nos seus artigos presunçosos sobre ciência histórica e psico-história.com consider vel arrogância . mas Hexter decididamente recusou-se a retornar a elas porque achou o próprio Freud deficiente e não as traduções de Brill. têm sido os mais deletérios. além do mais. " est preocupada com todos os ditados. informou-me . com a conseqüência de que com muita freqüência se encontram alguns fragmentos bastante ruins de lugares-comuns freudianos ou pós-fretidianos na an lise". os atos e os sofrimentos humanos que ocorreram no passado e deixaram depósitos no presente " ~4 o historiador é chamado. citarei alguns fragmentos bastante ruins desse tipo nas p ginas que se seguem. est em questão. Ainda assim. na versão defeituosa de A. Talvez devêssemos agradecer a essa inocência obstinada. Jacques Barzun. os humores mut veis do público em geral com as convicções sérias dos psicólogos acadêmicos que. em 1978. Hexter contou a seus leitores que "embora anos atr s tenha lido a maior Parte das obras freudianas na velha edição da Modern Library Giant. Lynn. Mestres consagrados como Schlesinger e Hexter aparentemente se orgulham em desconhecer Freud. pensamentos. em um ensaio divertido e vigoroso. como sendo as refutações definitivas de qualquer razão pela qual os historiadores deveriam aprender psicanálise. e ostentar a sua ignorância como um símbolo de sabedoria profissional.que nunca lera Freud e que não pretendia fazê-lo". em geral receptivo a inovações metodológicas. Isso parece ser bastante justo. outros historiadores. Brill. o historiador social alemão HansUlrich Wehler. J... A. Entretanto Elton não é um fretidiano ansioso em proteger um legado precioso e delicado. têm se tornado um pouco mais receptivos . no mínimo. saltei sobre algumas e nunca voltei a elas". dois historiadores tentaram envergonhar a psicanálise tão completamente para que ela nunca mais mostrasse a sua face diante dos historiadores. parece que quando a mente humana. psicanálise. E.passaram a acreditar "que um conhecimento de psicologia (especialmente de psicologia patológica) é indispens vel. De nenhuma forma ele é o único. Alguns alcançaram o que consideram. Clio and the doctors. Aquelas obras não identificadas na velha Modern Library Giant. Kenneth S.' A incursão de David Hackett Fischer pelas fal cias dos historiadores arrola "cinco fracassos substanciais" da teoria freudiaria. Na verdade. de fato obrigado. como Elton colocou com justeza. geralmente sem uma bússula e ignorando o idioma. no mínimo. atos e sofrimentos podem ser investigados mais efetivamente e compreendidos com maior sensibilidade. se a história. no mesmo momento em que os psicólogos afastam-se em massa de Fretid" confundindo. e julga que "os fracassos da historiografia freudiana" provavelmente "decorrem. Ele comenta: "Às vezes ainda nos pedem que recorramos a Freud quando estudamos pessoas na história. Schlesinger Sr. após uma r pida incursão pelo país de Freud. os pensamentos. alguns historiadores procuram refugiar-se numa hipocrisia deliberadaniente cultivada. especialmente a sua mente inconsciente. h muito foram superadas por tra 27 # duções melhores.

pouca psicanálise nele. Um guarto de século mais tarde. mas também devem ser procura 11 7 das "na política. pelas suas met foras religiosas. Disse que o historiador. de charlatães de toda espécie. falei para os meus ouvintes. nas idiossincrasias ou nas necessidades inconscientes deles..Clio. pode ver os atos deles mas deve inferir os seus motivos". passa. e. Por sua vez. sua execução como tendo os contornos e produzindo os sentimentos de culpa do parricídio. em que chamei o historiador de psicólogo amador. David E. diante de "um # desfile de personagens históricos. para concluir que não h nada que recomende a psico-história porque não h nada que recomende a psicanálise. Somente ao final. "h épocas em que um homem anseia por uni charuto simplesmente porque deseja fumar". rotulando-a de "mais especulativa ainda". em lógica. nos eventos cotidianos . sua musa. pela sua sinceridade e pelo seu modo de falar bomb stico. Meu artigo era uma tentativa modesta de fundamentar as atividades expressivas dos jacobinos e de seus rivais na realidade. em construção teórica e em percepção cultural.. Então passei a examinar como os historiadores da Revolução Francesa trataram os discursos de Robespierre. minha própria experiência. o "doutor em psicologia". assinalei que 11 respostas a questões psicológicas como estas não podem ser encontradas apenas através da psicologia". é uma figura ameaçadora quando não est sendo ridícula. pelas alusões cl ssicas e pelas citações de Plutarco e de Rousseau. poderia ter sido uma forma de atuação de uma sequencia mortal na qual a frustração traduz-se em raiva e é mitigada pela vingança. Stannard convida o historiador a procurar em outro local: "Chegou a hora de mudar". As palavras de abertura deste capítulo. Starinard. ao prescrever para a sua "paciente. de nenhuma maneira atípica. com uma espécie de raiva imponente. na tradição retórica e na pressão dos eventos mais do que nas convicções. Eu pretendia que a minha frase concludente suavizasse mais do que alarmasse: como Sigmund Freud disse certa vez. E sugeri.. a História". o artigo parece-me coninleta e~ menteconvenrin-21nn-111-At-1 ---------Dres .. que poderíamos ver a sucessão de eventos que levam da fuga do rei para Varennes . A maior parte das minhas observações guiava-se pela experiência manifesta: pela conduta verbal dos oradores e de sua tradição retórica. sugere que a injeção da psicanálise na história suscitou uma oposição maciça praticamente desde o seu início na década anterior ou pouco antes. são uma par frase muito próxima das sentenças iniciais de um artigo que apresentei diante da Society of French Historical Studies em 1960. e analisei brevemente as próprias falas. Especulei que a notória ansiedade e suspeição. 11L4W10 su=101 . Para evitar equívocos.' 28 Embora os textos citados datem do final dos anos 60 para a frente. em Shrinking history. apresentada por Robespierre na primavera de 1794. Minhas advertências não foram ouvidas e minhas precauções foram vãs. entre os grupos de novidadeiros e tecnocratas.' Ainda 29 . de to Dan 1 n e de seu contemporâneos de tribuna em uma época oratória. aventurei-me a "brincar" nas guas profundas da psicologia. dos fracassos da psicanálise na historiogrpfia para os seus fracassos na terapia.

` Contudo. entre os quais. que desfigura. escreveu Kenneth S. como se sabe. sujeitos aos modismos. a julgar pela ferocidade de Barzun e a de Stannard. de Erik Erikson. em 1958. três anos mais tarde. talvez uma epidemia incur vel que invadiu o seu ofício. dois otimistas entre os estudiosos que deram boas-vindas ao instrumental freudiano. a psicanálise acabara de irromper na profissão a partir de uma conjunção espetacular de eventos: a coincidência entre o discurso presidencial. gerou alguns debates apaixonados. era ainda mais perturbador porque o seu autor fizera a sua reputação através de obras sobre a história da diplomacia.' 0 discurso de Langer. 30 Acredito que. Dois anos antes. Agora é a psicanálise. Mas isso também ir passar". que deu a Freud uma notoriedade grande e instantânea entre os historiadores. é no mínimo algo ZãO-. o seu nome question vel. psicanálise têm sido os que se sentem mais alarmados com a sco istóri . . Inevitavelmente. Depois foi a sociologia. Atualmente. de William Langer para a American Historical Association. certamente. de forma indignada.# assim. Platt. Fred Weinstein e Gerald M. Marcus Cunliffe avaliou. Juntos resultaram em congressos regiamente financiados e em um clã fervoroso de imitadores. segundo ele. tivesse sido convidado para apresentar uma comunicação em um encontro de uma sociedade médica. no mínimo em duas outras trimestrais e. cresceu como "um cancer que est em met stase por todo o corpo da profissão histórica". mas sobre a ameaça que uma disciplina alienígena e esotérica colocava para os estudos históricos. 0 "psicologizar descuidado" de "homens e mulheres confusos que se autodenominam psico-historiadores". a minha apresentação causou o que se poderia somente qualificar de um "motim bem-comportado". 0 livro de Erikson. por alguma gafe social terrível.. impec veis pela sua documentação e conservadoras pela sua técnica. Disse: "Eu os vi vir e ir.4ist~ó ~i. e o livro Young Man Luther. Em 1973. 0 debate que provoquei involuntariamente não foi sobre a substância de minha apresentação. a psicanálise era apenas o mais recente. Outro. os mais hostis . Lymi em # 1978." Na verdade. consideraram como evidente que "tanto historiadores como sociólogos pretendem fazer um uso sistem tico da teoria psicanalítica". queria saber se os historiadores no futuro teriam que estudar psicologia como seu domínio conexo aparentemente uma perspectiva agourenta. que se apresentava como um "Estudo em Psican lise e História". de uma forma mais cordial e muito mais perceptiva.. Um historiador eminente levantou-se para denunciar os historiadores como seres volúveis. Era a antropologia. amplamente citado. a psico-história assegurou-se de todos os estigmas de permanência na profissão histórica: participação no programa anual da American Historical Association e nas p ginas da sua revista oficial. que pedia aos seus colegas que empregassem as idéias psicanalíticas na pesquisa histórica. muito pouco tenha ocorrido. Senti-me como um bruxo que. muitos historiadores competentes temem que o e£ uso sistem tico da teoria psicanalítica" torne-se demasiadamente familiar no trabalho do historiador. Para eles. na realidade.

Os psico-historiadores estavam começando a aceitar que o complexo de Édipo é. sua linguagem freqüentemente b rbara. e crentes proeminentes estavam publicamente se tornando apóstatas. uma estranha.. ele arrolou nomes previsíveis desde Erik Erikson até Christopher Lasch. cercada de desconfiança. Críticos do que ocorre na forma freudiaria de historiografia podem encontrar bastante material no modo como tem sido escrita." Isso define para mim.. teve uma acolhida muito favor vel . da história social e da psicanálise. Mas quaisquer que sejam o seu desempenho ou as suas possibilidades.. e . o ardor incans vel dos contraataques é mais um sintoma do que uma resposta necess ria. como uma recém-chegada exótica e provavelmente contagiosa. ocupara o seu lugar de ciência mais aberta a abusos".. mas apenas um -pouco. Alemanha ou It lia. a psicanálise permanece. datado. Kitson Clark j havia prevenido os seus colegas historiadores vidos em emprestar as idéias ou os métodos de outras disciplinas que.. algo de sua notoriedade é o resultado indesejado dos defeitos que comprometem a maior parte do seu trabalho . como David Starinard.. sua maneira descuidada em relação . que os resenhistas acharam confusa ou infeliz. parte psicanalítica. psicologia freudiana. As publicações competentes. França. enquanto Lawrence Stone chamara a psico-história de " rea de calamidade pública". A penetração freudiana nas fortificações defensivas do historiador permanece marginal. .. De fato. um estudo ambicioso e bem-feito. Entertaining Satan: witchcraft and the culture of early New England. enquanto em tempos passados a zoologia e a antropologia haviam fornecido alguns "exemplos um tanto desagrad veis" de "absurdos inqualific veis".. Cunliffe concluiu. da sociologia. Ao resenhar duas biografias psicanalíticas. uma inacessibilidade ainda mais marcante fora dos Estados Unidos entre os historiadores da Inglaterra. provavelmente." Sem dúvida. em ampla medida. Em 1967. haviam expressado um "ceticismo acentuado". o humor dominante e permanente da profissão histórica. na companhia dos historiadores. "historiadores respeit veis".s provas.a situação. soando um pouco.. A invasão freudiana foi contida..s fontes da biografia tradicional.` Em poucas palavras. com bastante adequação. a psico-história é bastante visível. 31 -1 # A resposta ao livro de John Demos sobre bruxaria em Massachusetts no século XVII serve como um exemplo instrutivo de toda essa defensiva triunfante. ele estava pensando nos psico-historiadores. o mais esclarecedor de tudo.s vezes impressionantes. armadura de seus colegas. como exemplos da atividade psico-histórica. de historiadores que reconhecem abertamente o seu débito para com a psicanálise têm causado pouco dano . que a 11 psico-história começa a aparecer como uma idéia que teve a sua época e acabou".exceto em relação . como Jacques Barzun e Geoffrey Stone.. A partir dessa perspectiva.. que procura apreender o seu fascinante tema recorrendo .a sua tendência para um reducionismo. G. e. todos esses endossos ardorosos e repúdios furiosos não conseguem esconder a inacessibilidade essencial do ofício . mas principalmente como alvo. que a reputação de Erikson estava em declínio. só para acrescentar que via um recuo acentuado na "arrogancia sigmundiana". um elemento constitutivo e indispens vel do argumento de Demos. portanto. agora "a psicologia. Sem dúvida.

i o . meio século mais tarde. historiadores ou não. recalque. Pode-se argumentar que a última tem sido a mais prejudicial. mesmo entre os historiadores que se sentiriam chocados ao descobrirem que de alguma forma devem algo a Freud. quando incorporaram as leis de Newton ao seu trabalho científico. medievais. os s bios franceses inicialmente zombaram dele porque recorria . a descobrir coisas sobre nós mesmos que provavelmente gostaríamos de ignorar. embora não seja certamente idêntica. a difusão .s qualidades ocultas.. nem possui o monopólio das categorias psicológicas como a de desejo de morte ou a de inconsciente dinâmico. descuidado. a ver a mente e o seu funcionamento a partir de uma nova visão. "freqüentemente vulgarizadas a ponto de não serem reconhecidas.. Naquela época. e de que as idéias freudianas.. Mas sua profecia permanece como um alerta. h muito ultrapassadas.tornaram-se quase lugarescomuns.s atitudes e aos pressupostos "inconscientes" do historiadorY Certamente Freud não foi o primeiro a descobrir. penetrantes que eles incorporavam foram aplainados ou convenientemente esquecidos. Com isso.Não compromete de nenhuma forma o meu argumento que o vocabul rio freudiano tenha se tornado uma moeda corrente em nossa época. R.. entraram. Essa conquista do discurso culto tem sido um ganho problem tico para a psicanálise. mas o modo f cil. a maioria achou que elas eram tão óbvias e h tanto tempo estabelecidas que agora se inclinavam a questionar a originalidade newtoniana.da psican lise tem sido menos inflexível. na consciência coletiva e tornaram-se parte do que a maioria de nós vê como 'senso comum' ". Os termos menos técnicos do vocabul rio psicanalítico conflito.. Elton refere-se com candura . Se Freud nos obriga a todos. a de Newton nos meados do século XVIII. Ele disse que quando Newton formulou as leis naturais sobre a gravitação nos seus Principia.. Aceit -las significa adot Ias completamente. teve mais sorte do que Freud: não havia nenhum modo de enfraquecer as suas descobertas formid veis. Mesmo um historiador tão impaciente com qualquer tipo de teoria como Richard Cobb pode falar do "desejo de morte" de Robespierre sem sentir a necessi 1 32 dade de explicar o termo. e mesmo ambivalência . sem dúvida. A recepção . provavelmente o newtoniano mais conceituado da França. os significados precisos.ou. mesmo G. Newton. os entendimentos radicais. Freud profetizou uma vez que os americanos tomariam conta da psicanálise e iriam arruin -la. habitamos atualmente. queixava-se da obtusidade de seus contemporâneos em relação ao maior cientista que j existiu.s dúvidas. a hostilidade. d'Alambert. o pagamento recebido por ele é o silêncio. a apreensão err"nea. Pois a moeda est adulterada. a viver em seu mundo. certamente. com maior ou menor relutância. Nenhuma dessas predições realizou-se completamente. projeção. Ninguém pode questionar a observação de Keith Thomas de que conceitos psicanalíticos "tornaram-se parte do discurso culto atual". . A posição freudiana no final do século XX lembra de algum modo. com que historiadores como Cobb e Elton utilizam a terminologia psicana# lítica sugere quão seguro é o lugar deles no universo freudiano que todos nós. melhor.

e psicanalítico . em geral. e. alguns deles proeminentes e destacados. Trumbach prefere a "teoria do vínculo" de John Bowlby. a confissão de ach -lo em parte relevante. excessivamente citado de Words 34 worth. "de certas vantagens técnicas". ]É dramatizada. Trumbach aceita que Freud tenha produzido "algumas informações úteis sobre a história da i nfância. Freud. que parecem conhecer algo sobre o instrumental freudiano. ao contr rio. pela sua própria natureza. aquilo que o historiador encontrar descrito em suas fontes". Finalmente. um pouco paradoxalmente. "o historiador é um sociólogo e não um biólogo". para Bowlby é o comportamento social".2 Insultando Freud 0 fracasso da psicanálise em atrair a imaginação dos historiadores é suficientemente evidente. sentiuse compelido a discutir o tipo de psicologia sobre o qual iria basear-se. no trabalho de historiadores. Melhor ainda. e decidiu que "sempre que senti a necessidade de uma teoria p! lógica. Tratar Freud como um fisiólogo é desconsiderar o esforco que durou toda a sua vida em encontrar explicações psicológicas para fen"menos psicológicos. descobriu e celebrou a riqueza. longe de ser indulgente com o jovem. de que a Criança é o pai do Adulto. Em vez dela. a excitação e a diversidade freqüentemente dolorosa de sua vida interior. Bowlby "observa comportamento externo. acima de tudo. acrescenta. e argumentar que Freud se interessou por pulsões inobserv veis sem acrescentar que passou anos descobrindo meios para torn # . Trumbach. anal e sexual". não apenas devido ao grande volume 33 # de historiografia feita sem o seu auxílio ou contra as tendências freudianas. "penso que. Freud "interessava-se por pul 11 sões instintuais internas e não observ veis .. não devemos nos comprometer com uma estrela cadente" .. A teoria freudiana aparece a Trumbach como . para o historiador. é puro absurdo. ao pretender decodificar os materiais mais íntimos. para ser conciso. uma doença". forneceu provas científicas para o ditado poético. Antes de mais nada. mas". especialmente inapropriada" para estudar a educação infantil "desde que é profundamente indulgente na sua atitude em relação . teoria das relações objetais e não se utiliza da noção freudiaria de que a intimidade com os outros seres humanos surge 11 como uma conseqüência secund ria da satisfação das pulsões oral. embora o modelem voluntariamente de acordo com os seus próprios objetivos. o que afronta uma argumentação séria. Bowlby "nunca pressupõe que o estado desordenado de um adulto é o reflexo de um estado anterior". conscientemente ignorei os modelos freudiano. que recorre .s crianças". Sem dúvida: "Para Freud o fundamental era a fisiologia.. Deixando de lado o floreio retórico de Trumbach de que Freud viu a infância como uma doença. Conclui que para Freud a infância "é. as idéias de Bowlby gozam. Considerem o estudo altamente apreciado e interessante de Randolph Trumbach sobre as relações de parentesco e domésticas dentro da aristocracia inglesa do século XVIII. Mas não é tudo. Mais do que qualquer outro psicólogo na história." Tudo isso. enquanto..

mas sobre história social e cultural. "se alguém segue." Às vezes a adulteração de Freud é visível.` j é suficientemente ruim agredir Freud com fragmentos mal compreendidos de seus próprios escritos. vendo-o praticamente como um comportamentalista. afirmam de forma infatig vel. não importa que idéias 11 não ortodoxas" possam ter. mas insiste numerosas vezes. Ao lidar. A compreensão de Trumbach a respeito de Bowlby não é melhor do que a que tem sobre Freud.as teorias freudianas". e suas concepções tornaram-se propriedade da história moderna das idéias. que "meu referencial ao longo desta pesquisa tem sido o da psicanálise". 0 livro é particularmente pertinente. justamente sobre o mundo das pr ticas com o qual os historiadores sentem-se mais confort veis. se é que o pode na literatura histórica. Além disso. Podem defender o historiador contra as doutrinas desagrad veis da psicanálise. na história da percepção burguesa de Donald Lowe. E utiliza-se de proposições psicanalíticas em alguns de seus argumentos.. indubit vel . quase deliberada. Quando lemos. esse erro crasso. poderia argumentar que esses fen"menos "poderiam levar . o historiador que as trata sem rigor suscita questões embaraçosas a respeito da sua capacidade de obter outras corretamente. o referencial freudiano est patente em todos os capítulos do seu trabalho. sincera e precisa o seu débito em relação a Sigmund Freud.` De fato. a partir dos escritos daqueles que. Stone descobre a impossibilidade de deixar Freud de lado. como o faz.s neuroses que tão freqüentemente se abateram sobre as tranqüilas universidades . Fretid. Stone. Entre as instâncias mais reveladoras na literatura moderna. observa a título de tentativa que. mas não contra a crítica motivada pela sua falta de precisão. Esses erros são relevantes.a maior parte do ego e do superego são também inconscientes para Freud . Bowlby pressupõe explicitamente que um estado adulto de desordem é um reflexo de estados anteriores. mas é talvez pior fazê-lo. com a conduta social. Ninguém poderia ser mais preciso do que John Bowlby ao especificar os seus acordos e desacordos com o freudistrio ortodoxo: ele rejeita principalmente o modelo freudiano de energía psíquica e a sua teoria dos instintos. porque Stone é um historiador social respeit vel e profícuo em uma rea em que a psicanálise presumivelmente poderia reivindicar um lugar. nas suas v rias obras sobre privação materna. Para tornar o caso mais esclarecedor: não se trata de um trabalho sobre o método histórico.. ao considerar os casamentos tardios e a baixa taxa de uniões ilegítimas no século XVI na Inglaterra. Ela violenta Bowlby ao desloc -lo do seu contexto natural dentro do espectro do pensamento psicanalítico.Ias observ veis é recorrer a um enunciado verdadeiro com o objetivo de distorcê-lo. o estudo # monumental de Lawrence Stone sobre a vida familiar inglesa do século XVI ao XIX parece ser o caso mais ilustrativo para se explorar. que "Freud insistiu em que não havia nada inconsciente além do id dentro da pessoa". a autoridade paterna e a educação infantil.faz com que o leitor imagine se Lowe era realmente o homem talhado para lidar com um tópico tão difícil assim.

na sua introdução. Stone acha f cil explorar essas noções a-históricas: "Mas de fato a pulsão sexual não é em si mesma uniforme"... É.o id . nas suas p ginas sobre James Boswell. seria o de que 11 sexo . entre os 16 e os 29 anos. anais e sexuais da infância são decisivas para modelar o car ter. não são relevantes aqui. especialmente das convenções religiosas". Duas delas. Stone trata a psicanálise com desdém. Mas não é o que ocorre. "sabemos que o superego . contra o jogo e a bebida?' Poderíamos esperar que um historiador tão pródigo . . que têm "paralisado" o "estudo histórico sério da família".. desconsiderar.s vezes recalca. a constituição biológica.com o vocabul rio técnico fosse grato a Freud. eternamente repetido...s # influências contínuas da cultura.pelo menos para Stone . apesar das antecipações assistem ticas de outros pesquisadores. poderia ajudar a explicar o alto grau de agressão grupal existente por baixo da violência extraordinariamente expansionista dos Estados-nações ocidentais daquela época". as outras duas são . "bloqueia qualquer estudo sobre o crescimento da personalidade e da evolução através da vida em resposta . Stone.` 0 segundo pressuposto freudiano que obstrui uma história séria da família.de Oxford e de Cambridge naquele período. que duram treze anos. Ela também varia enormemente de indivíduo para indivíduo".. certamente. um truísmo que Freud rastreava o car ter e a neurose do adulto até os est gios sexuais do desenvolvimento mental e as constelações emocionais da infância.. ego e superego permanece fora da história e não é afetado por ela". A sexualidade infantil é antes de tudo. Aqui Stone recruta Freud para servir como psicólogo social. quatro teorias emprestadas das ciências sociais. Uma delas é "o pressuposto freudiano de que as experiências orais. e de outro. ao enfatizar a experiência inicial. usa Freud para escrever psicobiografia. Stone argumenta. parcialmente err"neas ou aplicadas inadequadamente. 0 pobre Boswell é transformado em um narcisista e em um melancólico. do conflito entre id.. 0 drama freudiano. Mas Freud não pretendia. de um lado. oprimido por uma "psicose maníaco-depressiva heredit ria" e por sentimentos de culpa adquiridos. prossegue Stone. esforça-se bravamente para chegar a um esboço de diagnóstico. E esse pressuposto. ao lutar contra uma "crise de identidade complexa". gonorréia. Cita. Insistiu na constituição heredit ria e no acaso que entendia como sendo praticamente tanto o mundo adulto . a experiência do adulto.é a mais poderosa de todas as pulsões e que não se altera no tempo .teorias 36 inconfundivelmente psicanalíticas.s vezes libera essa pulsão de acordo com os ditames das convenções culturais. da família e da sociedade". que uma vez estabelecido só pode com grande dificuldade ser mais tarde modificado".21 Isso é uma leitura err"nea e problem tica. ao reunir os artigos de Boswell em uma antologia patética e imunda de 'pecadilhos sexuais cometidos por ele e ao contar o número de vezes que Boswell ficou fora de ação devido . Disse-o de forma articulada e com freqüência. Mas. uma descoberta decisiva da psicologia psicanalítica. o funcionalismo de Parsons e as extrapolações da biologia. Além do mais. uma vez que depende em grande parte de "uma dieta adequada de proteínas e do grau de exaustão física e de tensão psíquica..para não dizer impreciso ..

adaptação. entre as pulsões ou entre elas e as defesas. os pontos de vista freudianos. enquanto organização mental mais primitiva da criança. Mesmo o recalque do complexo de Édipo. Para começar. na definição psicanalítica abrangente. Isso é o que torna o grande 38 i.. Pela mesma razão. Portanto. das leituras realizadas". funciona. enquanto o prazer preliminar na relação sexual é uma elaboração de impulsos sexuais infantis. que marcaram época. como não sendo de nenhuma maneira unilaterais. na forma restrita. que atividades mentais como o c lculo racional ou as angústias da consciência . contrariamente ao que Stone pensa. A leitura de Stone sobre as teorias freudíanas das pulsões sexuais não é menos imprecisa. como Stone parece acreditar. de fato insistiu firmemente. freqüentemente não resolvidas. . explorou as influências ambientais que atuavam sobre a criança. 41 o prazer terminal é algo novo"." Freud sempre esteve comprometido com uma espécie de compensação: para ele. no início bastante difusa.sexualidade e 37 # agressão . o id abriga todas as pulsões. muito precoces. enquanto cresce. Nunca abandonou a sua orientação biológica: a sua ênfase sobre as principais pulsões . através de uma an lise longa e sem dúvida dolorosa. repito. contra tais visões que estavam na moda. utilizada por Stone. Isso. recorreu a essas mesmas influências. tirada do senso comum. não significa que ele concebeu o desenvolvimento sexual infantil como uma camisa-de-força da qual só os adultos poderiam escapar. sob a "influência da autoridade. e. da sua constituição heredit ria.. diante de teorias dogrn ticas sobre características "raciais" inalter veis ou sobre as desordens preestabelecidas da adolescência. Mas. sin"nimo de id. as teorias psicológicas e antropológicas existentes enfatizavam excessivamente o poder modelador do que é inato no homem.atestam isso de forma suficiente. se é que alguém podia. cuja família de impulsos. Dão ao adulto tanto a história como a abertura psicológica de que precisa . o seu resultado não est de nenhuma forma predeterminado. não é sin"nimo de energia erótica. Freud nunca foi um pansexualista. A libido também não é.` A criança est aberta. Além do mais. assinalando que. Tão cedo quanto 1905.estão sob a pressão contínua do que chama simplesmente de "exigências da realidade". nos Three essays on sexuality. do ensinamento religioso. passou da natureza para a formação. viu as interações.25 0 que falta na descrição de Stone é a da psicanálise como uma psicologia dinâmica do desenvolvimento. provavelmente Iigado a circunstâncias que não surgem até a puberdade". longe de inibirem. o mais pessoal dos esforços. para contrabalançar o que via como sendo a paixão intensa dos traumas de adolescentes ou adultos. que Freud apreendeu sob o nome de libido. Nunca duvidou. da educação. estimulam intensamente "o estudo sobre o crescimento da personalidade". descreveu as novidades radicais que a puberdade traz para a vida sexual.o trabalho do ego e do superego . 11 sexo". ele coloca. .como o infantil: "0 acaso determina o destino do homem". Freud considera como sendo tão potente quanto a sexualidade.

Essa sensibilidade receptiva . de uma grande variedade de pacientes . Stone vê-se em dificuldades com a definição freudiana de sexo. dentro do instrumental psicanalítico. escritos com vistas a detalhar o repertório das neuroses. a ambivalência. um absurdo. como a fome. Freud não era um historiador. que Stone preza tanto. exigindo uma satis# fação muito mais r pida e direta do que as necessidades eróticas. male veis. qualquer tentativa de especificar a possível contribuição freudiana para a profissão histórica seria. Se Stone estivesse certo ao afirmar que Freud tratou o instinto sexual como imut vel entre os diferentes indivíduos. nesta forma particular. cl ssicos. Mas Stone est errado. que est no fundo da maior parte da atividade mental: "A experiencia mostra que a ambivalência exibida varia enormemente entre os indivíduos. variedade humana também revela o tratamento freudiano para com o arsenal das defesas psicológicas que o homem utiliza para repelir os desejos irresistíveis ou as ansiedades intoler veis: os mecanismos de defesa são. os grupos ou as raças". nitidamente. tão fascinante e tão impredizível. mesmo as suas mentes inconscientes. Antes de mais nada.psicodrama freudiano que é a civilização tão tenso. modificavam-se ao longo do tempo e diferem de acordo com a classe."' A preocupação com a individualidade. assim agem as pulsões contra as quais se defendem. por razões que acreditou que poderia explicar. tudo menos imut veis. como se Freud não tivesse incorporado firmemente a sexualidade pré-genital ao seu esquerna desenvolvimentista. Não estou assinalando esses pontos apenas para mostrar os seus erros. para com os seus pares. como vimos. "atua de uma forma altamente individualizada". Freud pretendeu ter descoberto os determinantes psicológicos gerais. Assim. pré-genital da sexualidade. russos e americanos. documentam o reconhecimento freudiano. . de "experiências orais. então as teorias psicanalíticas não teriam nenhuma relevância para o historiador. domina todos os escritos freudianos. da diversidade dos impulsos e comportamentos sexuais. Cada indivíduo permanece. e assim. "Re 39 # calque". flexíveis. o impulso mais negligenciado por estudiosos da mente. a própria celebração. é uma desordem que se origina de uma fase muito precoce. muito simplesmente.homens e mulheres. tanto os seus artigos metodológicos como os seus casos clínicos. são muito mais imperiosas do que o anseio sexual. impossivel de ser duplicado. em todas as semelhanças inevit veis de família. Enquanto médico que tratou. princesas e donas-de-casa . A linha de desenvolvimento de uma pessoa equipara-se a todas as outras apenas naquilo que cada uma delas partilha da constituição geral que chamamos de natureza humana. anais e sexuais". classes e épocas. unico. mas sabia que as mentes humanas.. também. exatamente isto: individual.' nos conta. o narcisismo de Boswell. Mas então. interessante.não é preciso contar para ele que as pulsões sexuais variam amplamente entre os diversos indivíduos. Seus casos clínicos. pode falar..' na sua pr tica clínica. Era apenas. que distingue o historiador. equiparando inadvertidamente "f lico" ou "genital" com "sexual". Certamente Freud pensou que algumas das pulsões. Assim também o fazem as outras defesas.

em anos recentes. procurou demoli-lo. Um olhar sobre o próprio estudo." '9 É verdade que. retornou ao ataque: "Nada no registro histórico infirma a teoria freudiana'a respeito de como os diferentes est gios do desenvolvimento infantil das diferentes zonas erógenas tornam-se focos da estimulaçao sexual".o desmame. 40 28 portanto. "inapropriados historicamente". Procurou esses traumas e os descobriu "entre os seus pacientes. com bastante ousadia.eram decisivos para toda a humanidade. anotados fielmente pelo reverendo Ralph Josselin no seu di rio. invulgar. e uma discussão sobre eles parece ser v lida". Mas Stone enfraquece. sintomas de estados ansiosos subconscientes ou desejos subliminares. usou qualquer uma das inúmeras p ginas de que dispunha para comentar a forma pela qual Stone tratou Freud. psicólogos formularam algumas alternativas possíveis . i Numa coleção de artigos que reunia quase duas décadas de resenhas. Os traumas freudianos são. teoria freudiana sobre os sonhos. mas foram peculiares . foi rapidamente alvo de controvérsias. sex and marriage in England não resultou de alguma irrupção repentina. que em uma resenha extensa. 0 anseio em ensinar a Freud o que ele j sabe parece ser algo difícil de ser contido. Mas qual a teoria onírica que se deveria adotar? Macfarlane é agnóstico sobre o assunto. Nem mesmo Alan Macfarlane. "apontam para as preocupações da mente. fascinante e meticuloso. Ele acredita que Freud era a-histórico porque alegou que quatro traumas . mas .27 Um historiador não poderia ter dito melhor. qualquer generalização coloca o pesquisador "em perigo de esquecer a coloração multivariada .. Sonhos. de um ânimo antifreudiano.. como Freud sustentava. classe média urbana e culta da Europa no final da época vitoriana". Quando o livro de Stone sobre a família inglesa apareceu em 1977.Buntheit .. Mas.enquanto cientista da mente não podia aspirar a menos. quase que anula completamente tal possibilidade. embora eu não tenha visto nenhuma resenha que tenha optado por criticar esse aspecto # particular do seu método. a masturbação e o conflito de gerações na adolescência . Macfarlane observa. ou do funcionamento inconsciente através da dinâmica secreta que lhe é própria". cerca de trinta p ginas. Ao analisar o "mundo rnental" do seu homem. "dependem de experiências particulares que não ocorrem na grande maioria das pessoas na maior parte do que registramos sobre o passado.. na realidade. como nos advertiu em Civilization and its discontents. e que sempre o foram. Pode-se ler isso como um esforço significativo e sincero em aproximar a história da psicanálise. e daí pressup"s que eram universais". de Macfarlane. o treino de toalete. nem h qualquer tipo de registro que "diminua a importância da sublimação.do mundo humano e de sua vida mental" . A forma com que Lawrence Stone lida com as idéias psicanalíticas no seu Family. sobre o mundo externo e interno do clérigo inglês do século XVII revela que essa omissão um tanto marcante deve ter resultado de sua perplexidade em relação a Freud. mas o resultado de um tipo de computador que 'processa' as atividades mentais de modo a descarregar o supérfluo. Ainda assim. "Os estudos modernos sobre o tema dos sonhos sugerem que não são. Macfarlane tenta apreender o sentido de seus sonhos.

mas um esforço mental para se manter dormindo. Mare Bloch. e resistiu a elas com toda a violência que havia . Mas as percepções de tais historiadores são.Elie Halévy.. Uma outra. E todos nós admiramos alguns historiadores . Evidentemente. bastante diferente. Macfarlane descobriu que Freud era um tratante e decidiu evit -lo. não analisado. são impenetr veis". regra fundamental freudiana de que os sonhos são condensações disfarçadas e distorcidas de desejos e experiências recentes. Por conseguinte. Uma coisa é rejeitar um instrumental metodológico porque não se tem a oportunidade de conhecê-lo.a descrição de Macfarlane dela est errada em todos os seus pontos.para os quais poderia parecer impertinente. mais de um historiador consagrado encolhe os ombros. Um mero olhar para uma estante de trabalhos históricos revela uma lista exaustiva de temas e tratamentos.. seus escritos permanecem mais como modelos a serem imitados do que como esforços a serem vistos com condescendência. freqüentemente. Estou longe de pedir que todas as histórias sejam psicanalíticas. Arthur Link. quando era presidente da Princeton University. segundo Freud. intransitivas. ele experienciou as atividades de West como uma tentativa de domin -)o.. dominação posta em funcionamento na sua infância? Poderia parecer que Wilson tomou a insistência de West sobre a validade de seu próprio ponto de vista como um desafio irritante . Todos estes exemplos ... não estou questionando ou de alguma maneira minimizando a capacidade de um historiador competente... em resignação.e eu poderia multiplic -los facilmente resultam numa enorme recusa. e mais uns poucos . dependem mais do acaso do talento individual do que do auxílio de uma psicologia fidedigna. prosseguem e perguntam: "A batalha frenética de Wilson com Dan West não se torna mais penetr vel se ela é considerada em termos de uma busca pelo poder e pela liberdade em relação . E. 0 trabalho deles possui luz própria. coletiva. em apreender a ambigüidade e as complexidades das situaçoes históricas ou os motivos mistos e misteriosos dos atores históricos. eles não têm nada a ver com a sublimação. Esses historiadores tornam as coisas f ceis para eles: ao transformarem Freud em algo absurdo. A historiografia é uma atividade social. não são sintomas. Mas Alexander e Juliette George. provavelmente o estudioso que mais sabe a respeito de Wilson no mundo. Além do mais. imaginar que teriam realizado mais na sua profissão se tivessem tido a boa sorte de se submeter a uma an lise ou a um treinamento psicanalítico. é rejeit -lo depois de distorcê-lo. não têm nenhuma dificuldade para demons 41 i # trar que Freud est dizendo coisas absurdas. Os sonhos. em algum nível West evocou em Wilson a imagem paterna. admite a sua derrota: "As divagações da sua mente . coin Dean West a respeito da Princeton Graduate School. Ao procurar solucionar as controvérsias malévolas que embaraçavam Woodrow Wilson. que citaram essa observação no seu "estudo da personalidade" de Woodrow Wilson e o Coronel House. longe de experimentar a teoria freudiana e ach -la deficiente. sua autoridade.. no mínimo absurdo. por assim dizer. uma vez que mesmo esses sonhos conforniam-se . Não são a expressão de estados de ansiedade. freqüentemente aberta a discussões e ainda assim a cooperações. quando um mapa psicanalítico poderia ter permitido que prosseguissem.

ou na ausencia. Elie Halévy rejeita. De fato. a moral. as divagações de Wilson tornam-se penetr veis. uma série de explicações disponíveis: o projeto melhor dos navios ingleses. Por que era assim? Qual era o segredo de sua força? Era que tinham o país atr s de si e sabiam disso". Pois. ver como poucos historiadores têm se ocupado com Freud. e em seções posteriores e analíticas do livro dos George. a principal questão para a maioria tem sido a da sobrevivência. Os oficiais da marinha e as suas tripulações desfrutavam de uma "popularidade universal" no seu país. sua interação: confiança por parte da população inglesa. Halévy não se detém em analisar as origens desses sentimentos. e repetindo sempre. nenhuma delas tem nada a ver com Trafalgar e com as batalhas gloriosas que a antecederam. Uma arena para amadores É interessante. almirantes. e não ameaçavam a liberdade de ninguém. 3. Aqui. e a injustiça . esse francês conhecedor consumado da Inglaterra do século XIX. em sucessão. Apesar de toda a incompetência dos oficiais. ao falar das atitudes públicas em relação . depois que todas as outras se revelaram desapontadoras. da brutalidade do recrutamento forçado e da espantosa freqüência dos motins. embora um pouco mais consolador. velhas batalhas e traumas não resolvidos. Ao refletir sobre os triunfos da marinha inglesa sobre Napoleão. é um estilo instruído de pes# quisa. dominação massacrante de seu pai". não é um remédio milagroso ou uma senha m gica. De novo. não estou dizendo que os historiadores fracassem em formular questões pertinentes ou profundas antes. uma disciplina mais estrita entre os marinheiros ingleses. Em um mundo onde ricos e pobres parecem prescritos por uma ordem predeterminada e inalter vel.. atri# bui dessa forma um resultado material sólido .a vitória no mar a um par de sentimentos e . mas que nunca havia se aventurado a expressar em resposta . É igualmente interessante. repito. Registra-os e prossegue. que fornece respostas que antes se pensava que não eram disponíveis ou o que é mais importante ainda -. conclui Halévy. inconscientemente.. Protegiam a segurança de todos. a superioridade numérica da frota inglesa. e evocam mais uma vez a raiva impotente da criança edípica. apos a sua pesquisa. orgulho por parte da sua marinha. Pois. A psicanálise. apenas a moral. carregada de culpa pelo seu ódio. embora um pouco desalentador.. sugere questões. da psicanálise. que deu aos ingleses as suas vitórias. que ninguem havia pensado em formular.sentido uma vez. ver o quanto conseguem sem se ocupar com ele. ExplicaçOes psicológicas cruciais surgem como uma espécie de último recurso.. Mas a forma de lidar com motivações ou causas psicológicas em geral tem sido freqüente e notavelmente descuidada..-" Essas sentenças con 42 duzem o leitor de volta aos capítulos iniciais do estudo deles. que foi uma coisa intangível. e homens reconciliavam-se e caíam sobre os navios inimigos 'como um falcão sobre a sua presa'. "na hora da batalha. Eugen Weber assinala: "A sensibilidade pública aumentou junto com o crescimentó do nível de vida. nunca é demais enfatizar.." Elie Halévy. oficiais. pobreza dos camponeses franceses no final do século XIX. Mas eles constituem a sua explicação.

Tempo. raramente d lugar seja a um radicalismo 1 . Sonhos de melhorar a propna sorte não surgem automaticamente. Ele parece pressupor que h uma certa quantidade de energia que um ser humano pode investir em suas fantasias. . pela escolaridade e.antes que uma mudança dr stica para melhor possa ser até acolhida. Tal -visão" . surge o tempo de reivindicar-se mais: melhores condições em geilal e de trabalho. no geral. naquilo que veio a ser conhecido como consciência social. mas poderia ter aguçado as suas percepções e tornado seu argumento devidamente mais complexo.econ"mica no sentido moderno não afeta a consciência coletiva. um sentido de abertura. pesquisa sociológica e legislação reformadoraP A mobilização da esperança. pelos partidos polítiCOS11. sobre esse fen"meno provavelmente não teria alterado as conclusões de Weber. Requerem um fundamento otimista. 0 século sobre o qual Weber escreve viu um aumento crescente no exercício público dos sentimentos de culpa. Thomis sobre as respostas . foi parte de um fen"meno mais amplo. Foi uma noção" . Uma vida de trabalho penoso. A maior parte do que chamei de mobilização da esperança funcionou fora do domínio da consciência. sobretudo. para considerar possibilidades até então insuspeitadas. Ele escreve. um superego cultural traduzido em criticismo cultural. Não estou sugerindo que Weber esteja errado. ao discutir a convicção presente entre os manufatureiros ingleses de que os problemas gerados pelo sistema industrial poderiam ser resolvidos através de um hurrianismo paternalista: Isto foi uma idéia ou ideal que continuou a perseguir a imaginação e a sugerir um modo possível de sair do dilema da disputa trabalho-capital.aqui Thomis insere sua an lise .. desde que as circunstâncias as tornem disponíveis. vindos do nada. acredito que esteja. Um ponto de vista influen 44 ciado pela psicanálise. mas os processos psicológicos implícitos na descrição de Weber não são de nenhuma maneira evidentes por si sós.e aqui est 34 o veredicto de Thomis . uma mistura de uma responsabilidade recentemente sentida e de expectativas solidamente fundamentadas. Os empregadores poderiam ter gestos mais gentis em relação aos seus trabalhadores e de um modo ou de outro estabelecerem com sucesso uma relação de trabalho tão harmoniosa que todos os problemas poderiam ser solucionados no local. certamente."não era justificada". informalmente. Uma vez que as necessidades elementares começam a ser satisfeitas. e alguma corporificação verbal concreta .3' Essas generalizações parecem ser suficientemente plausíveis. certo. algumas das suas formas de psícologizar exibem um grau de an lise informal. Um exemplo instrutivo é o livro de Malcolm 1."que se apoiou firmemente para a sua realização em uma visão otimista sobre a natureza humana e na boa vontade e no altruísmo dos indivíduos para agirem generosamente sem coerção legal. ao contr rio. que começam a ser sugeridas pela cidade. tanto na sua formulação religiosa como secular.. seja a esquemas utópicos. e o Estado nunca precisaria intervir. ou pelo menos de uma abertura futura. pelo menos. Revolução Industrial. realista. nem todos os historiadores são completamente inconscientes sobre os motivos e sentimentos dos atores históricos. descrita por Weber.urna especie de divisa ou programa em torno do qual as fantasias desejantes possam ser aglomeradas . sem descanso. # Naturalmente.

ligadas a uma boa porção de denegação . a concentração quase fan tica sobre os prazeres familiares em relação aos quais o entretenimento público ou a vinculação de qualquer espécie eram apenas uma distração se não fossem um perigo . Certamente. o que ela exibe é a psicologia de senso comum funcionando na história. de fato suprimido." A conclusão de Olsen é dificilmente inesperada: "Tédio era o preço que se pagava de boa vontade por uma suspensão das tensões urbanas. poderia ter tornado a descrição de Olsen menos divertida. Sem dúvida. Mas uma psicologia mais penetrante poderia ter moderado. com o menor número de instituições culturais ou sociais. publicidade para as classes trabalhadoras e segregação entre ambas. amplamente oculto deles próprios. gasto e crenças: fazia-se simplesmente o que os vizinhos estavam fazendo". como o resto do livro de Olsen. defesas mobilizadas não apenas para engordar as suas bolsas mas também para aliviar as suas consciências. Esta dupla face aparece na descrição de Donald 1. mais uniformes. "Os subúrbios que tiveram maior sucesso foram aqueles que eram mais suburbanos. no 45 li # século XIX. um conflito entre as exigências culturais e o relaxamento doméstico. Ainda assim: enquanto visão psicanalítica desses burgueses. A segregação social simplificava os problemas de comportamento. instrutiva.Supondo por um momento que essa generalização seja adequada. tão perigoso para o historiador que o manipula quanto o é para o desaventurado tema histórico sobre o qual é testado. Pois poderia ter levado Olsen a preocupar-se com a desordem subterrânea dessas pessoas medianas.ambas são defesas contra as realidades diaflemente presentes diante dos próprios olhos dos industriais. este retrato é esclarecedor e pelo menos em parte verdadeiro. a ansiedade que espreitava por tr s dessas escolhas filistéias aparentemente livres. isto é. mas poderia tê-la feito . Ali a respeitabilidade burguesa podia florescer ao m ximo. detectado por Thomis. "0 que os vitorianos desejavam era privacidade para a classe média. o patético. medíocres: poderia ter sido o alto preço a ser pago pelo funcionamento de sua rotina. uma vez que assim ofereciam as menores oposições para aqueles ligados ao lar. Olsen d -se conta de um contraste entre o alvoroço da cidade e a quietude do subúrbio. que gera uma disposição para pagar o preço do conformismo a fim de se ter a recompensa da segurança. desesperadamente respeit veis." Isso é psicologia como s tira. de procurarem segurança entre os que pensavam de forma igual. espirituosa e. Olsen sobre os subúrbios de Londres. a psicologia é um instrumento inseguro. a an lise baseia-se em pressupostos não testados.em poucas palavras. mais-insípidos." Era a espécie costumeira de respeitabilidade: um espet culo desalentador. 0 otimismo resoluto. 0 meio ideal para a privacidade individual e familiar era a vila suburbana ocupada por uma única classe. parece-me ter sido um composto formado por desejos e ansiedades parcialmente inconscientes: por noções auto-indulgentes que desfilam como expectativas complacentes. Mas a inter-relação entre a an lise histórica e as implicações polêmicas torna-se um duelo no qual a polêmica deixa de lado a an lise. Talvez seja uma pena para a s tira. infundado. em grande parte as suas características satíricas.

Os revolucion rios construíram heróis e vilões. que gerou uma reação defensiva. elabora a sua percepção dos motivos e das conduías humanas a partir de sociólogos como Émile Durkheim e Maurice Halbwachs.. Lefèbvre construiu uma sequencia invariante de incentivos para a ação.literalmente mais humana. uma figura p lida e esquem tica que. que por sua vez despertou uma necessidade irresistível de se vingar nos 11 outros". mergulhado nas riquezas empoeiradas e escondidas dos arquivos das províncias. especialmente. cujo trabalho muito freqilentemente replicou as supersimplificações e as caricaturas que o período revolucion rio tão facilmente provoca. e de uma leitura dili# gente. predestinada. introspectiva. em épocas de ebulição emocional. dada a sua posicão política e os votos concedidos . Lefèbvre certamente viu esses atores mais viva e perfeitamente do que qualquer um dos seus precursores. idealizaram uns e os dotaram de 47 # todas as virtudes. de atitudes mentais. Embora a sua visão não fosse completamente imparcial. Isso não significa que todos os historiadores tenham sido ingenuos ou inconscientes sobre a sua psicologia. o ganho inerente para a psicologia histórica foi marcante na sua visão emp tica e esclarecida. Foi apenas em um artigo famoso sobre as multidões revolucion rias que Lefèbvre refinou essa seqüência e introduziu algumas nuances observadas agudamente. no artigo. 0 produto necess rio foi o "tipo humano . Na procura da "mentalidade revolucion ria coletiva" Lefèbvre notou que ela era formada inicialmente por atos mentais de generalização.de simplificação da expe 11 riência. Ela começou com o medo. Os psicanalistas chamam essa modificação tão dr stica e conveniente de "cisão" e a vêem como um afastamento . de abstraçao ou . os camponeses a saquearem os castelos. um 46 1 dos autodidatas mais not veis entre os historiadores e um dos mais destacados estudiosos sobre a Revolução Francesa. reverberam ecos fracos que poderiam ter-se originado do instrumental fretidiano.. serve como um substituto para a própria percepção. testemunhos que Lefèbvre conhecia tão intimamente como ninguém o fizera antes. Aquela sucessão de impulsos que Lefèbvre descobriu era uma progressão simples. relutante em denegrir os atores mais debochados e excêntricos do est gio revolucion rio. Simpatizante da esquerda. os provincianos exaltados a difundirem boatos sobre uma invasão ameaçadora de salteadores. multidões e líderes da França revolucion ria. das massas de testemunhos que deixaram camponeses. Inseriu-o adequadamente nas suas an lises sobre os motivos que impulsionaram os parisienses a tomarem a Bastilha. Terceira República deixarem traços na sua forma de lidar com os construtores da Primeira. Georges Lefèbvre. que se assemelha em muito com o conhecido esquema frustração-ódio. Mas foi incompleta. vilipendiaram outros e os transformaram em exploradores desavergonhados.o que é equivalente . aqui e ali.

Dodds enfaticamente declara sua independência em relação ." Os grupos. 'São espero que essa . qu'est-ce que c'est la 'mentalité collective révolutionnaire'?". Essas proposições confi veis sugerem uma explicação psicológica abrangente.as devastações produzidas por revoltas. em poucas palavras. Como j sugeri. Na margem do seu ensaio sobre "Foules révolutionnaires" na Yale Library. Estudiosos que se utilizam de Freud não produzem sempre 48 grandes desastres. d origem a comportamentos que parecem inconsistentes mas que obedecem a sua lógica interna. onde se amalgamam o ódio e a fome de vingança". peWicado inicialmente em 1951. como Dodds demonstrou adequada# mente.*Onal. dispersas mas encorajadoras . pelo menos ofereceu observações que servem como preliminares indispens veis pata tal explicação. Era o que ocorria aqui: o humor que Lefèbvre detectou e um composto de esperança. pragas.'. precisa-se apenas suprimir a classe opositora". pelo menos parcialmente. perguntou um pouco desamparado.pelo menos para aqueles historiadores que dão boas-vindas e abraçam a psicanálise -..inquiétude. Dodds. a psicanálise pode instruir sobre o estudo dos imperativos morais dominantes.de modos mais adultos de se perceber o mundo. sobre o passado 11 no~mal ". Parece ser uma pergunta v lida. alguém escreveu uma pergunta queixosa e impaciente: "Mais. no meio de uma agressividade assassina. então o inimigo deve ser destruído: "Para alcançar o bem-estar social e assegurar a felicidade da humanidade. se não for também generosa. A emergência de Freud como um guia possível do passado gerou diversos tipos de pesquisa histórica: psicobiografias altamente densas. e psicóticos em escala mundial. 0 uso por Dodds de Freud totalmente bem-informado e astutamente simp tico é também. an lises de situações e de personagens excepcionais . se chegarem a traduzir os seus desejos em realidades. E um deles. de idealismo e de uma grande dose de ansiedade . Não é. são vítimas de suas paixões. e embora fracasse em explicar a ligação que converte indivíduos em famílias em celebração e em estado de inocência coletiva.. Mas. The greeks and the ir!-a. de que agora se tornou possível ir além dessas preliminares. mas de uma perspectiva mais ampla e recompensadora do que a anterior. Mas. psicanálise. Assim convidou os historiadores a continuarem a escrever a história. Lefèbvre confessou que ele mesmo estava perplexo com o fen"meno da mentalité collective. no final. produziu uma obra-prima. Grandes expectativas são insepar veis do jugo de convicções apaixonadas que. dos estilos culturais mut veis. h provas. de forma previsível. um modelo de como pode ser uma história psicanalítica. A partir da sua an lise sugestiva de como a cultura grega moveu-se da vergonha para a culpa. pois embora Lefèbvre não consiga rastrear o comportamento da multidão revolucion ria até as raízes inconscientes. não importa quão justa seja a sua causa. própria e rígida.. E. completamente adoutrin rio. Lefèbvre reconheceu que um otimismo e um idealismo tão impetuosos produzem o "desejo de punir. R. um produto "de uma espécie de magnetismo fisiológico"? Não é de se admirar que os leitores de Lefèbvre também tenham ficado perplexos. Longe de sentimentalizar a mentalidade da multidão. manteve a sua autoridade durante décadas. das convicções religiosas difundidas.

o mapa mental dado pelo psicanalista per i 51 # manece muito semelhante ao que Freud desenhou e redesenhou." '7 Ainda assim. Para o psicanalista. o instrumental freudiano é totalmente convincente. esse modo cuidadosamente ref inado de absorver mensagens e de combin -las.s outras pessoas. assustadoras. ou completar um ponto ou outro na agenda que o mestre prop"s mas deixou somente assinalado. na conduta dos políticos. seja econ"mica ou psicológica. por que se deveria aceitar Freud como guia? A resposta para esta questão inconveniente é muito mais problem tica do que os devotos da psicanálise estão dispostos a reconhecer. ressaltam o conhecimento prévio e documentam o gênio do fundador. anibivalência e transferência e o resto do seu vocabul rio profissional. Mas nos seus contornos essenciais. Dodds e de alguns outros tem a força persuasiva do exemplo. o psicanalista tem acesso a experiências que.. R. elaborar as suas próprias descobertas.. guiada por Marx ou por Freud. abra todas as portas. até agora. enquanto descrições precisas dos próprios atos mentais reais. mas acrescentou: "Ele ajudou-me muito a compreender a mim mesmo e um pouco mais . que a maioria dos outros historiadores considera intrag veis. recusa. ousadamente. Vê os termos da sua ocupação. Afinal de contas. mas acima de tudo nos seus analisandos a partir de seus sonhos e associações. na apresentação de seus casos. ou qualquer outra. na sua pr tica. mas a alegação sobre o que a psicanálise pode fazer pelo historiador merece tanto uma exploração teórica quanto exemplos concretos. Assim . como gosta de dizer. nas suas leituras e releituras de casos can"nicos. e Dodds respondeu que não tinha a intenção de fazê-lo. Pode voltar-se para problemas. É um benefício que os historiadores em geral preferiram rejeitar: pelo menos. que Freud só sugeriu. irrelevantes. mergulhado no seu treino. mas isto é um benefício que partilho com milhões de outras pessoas". como o das relações objetais primitivas. como regressão. Ao ouvir os seus pacientes com a atenção livremente flutuante. recalque. Devemos resistir . tentação de simplificar o que não é simples.chave particular. uma apos outra. A evolução de uma cultura é uma coisa muito complexa para ser explicada sem resíduos em termos de qualquer fórmula simples. Uma aparência de convencimento Admitindo-se que a história possa tirar proveito da psicologia. a sua ciência. projeção. Não muito antes de sua morte em 1979. mesmo no lugar e no momento em que não estiver procurando por elas: nos seus filhos. as idéias do psicólogo. 0 trabalho de E. Ele descobrir provas corroborativas por todos os lados. escrevi-lhe perguntando se ele pretendia redigir algo a respeito da influência que Freud tivera sobre o seu trabalho... é ainda muito jovem. cujo prenúncio est certo de detectar nos artigos freudianos. 49 # As alegações freudianas 1 . Pode corrigir detalhes marginais na teoria psicanalítica. silêncios e atos falhos. esse comprometimento com um pluralismo tanto metodológico quanto explicativo não impede Dodds de adotar.

As exigencias por mais provas do que aquelas que têm sido tão freqüentemente dadas atingem-no como perversões. afastadas de suas pesquisas sobre o passado. sociologia da religião de Max Weber.Karen Horney. Harry Stack Sullivan . Por que Freud? Por que não Jung. Ele exige da psicologia um consenso e uma precisão que nenhuma outra ciência do homem pode dar.. uma tribo de verdadeiros crentes. não importa quão bem fundamentada. socio 52 logia. raramente est preparado para aceitar essas alegações de grande alcance. com a suspeita crescente de que os freudianos não são melhores do que religiosos fan ticos. e suas proposições. cujas psicologias se alimentam de experimentação e geram a espécie de informação quantificada que os historiadores passaram a apreciar ou com a qual pelo menos aprenderam a conviver? Essas não são questões neutras ou inocentes. Lê a literatura psicanalítica..é tentado a tratar os céticos como ignorantes ou obtusos.. reduziu acentuadamente a escolha da psicanálise pelo historiador. ele não est preparado para optar pela psicanálise como sua psicologia favorita. Jacques Barzun observou que 11 a questão 'Sim. No m ximo. compreensão.mas. mas freqüentemente os psicanalistas aparecem como sendo especialmente não cooperativos. parecem ser codificações do óbvio. atingem-no como uma seqüência bizarra de especulações artificiais e profecias autojustificadoras.estão atoladas em controvérsias. se chegar a fazê-lo. a sua escolha é fortemente carregada de emoção.que. 0 historiador que estuda industrialização no século XIX compromete-se com um tipo de explicação em voga na economia e rejeita as alternativas.1 Mesmo que o historiador admita para a psicologia um lugar proeminente entre as suas vias de acesso . Mas a hesitação do historiador em relação . que se propõe a explicar as fantasias coletivas e os mitos umversais? Por que não o batalhão de revisionistas . e exige provas que os psicanalistas relutam em fornecer: A relutância deles. Não est tudo na Standard edition of the complete psychological works of Sigmund Freud com ligeiras emendas feitas aqui e ali por comentadores? 0 historiador. certamente como pessoas que se defendem. ou pelo menos ambivalentes a respeito do uso da psicanálise por não iniciados que se aventuram a desvend -la ou adot -la. psicologia é muito mais tensa do que a indecisão normal do estudioso que enfrenta uma disciplina que não # lhe é familiar. mas que psicologia?' é importante" . como uma forma de obsessão e angústia. para colocar numa forma caridosa. para espanto e desalento do psicanalista.' A irrupção da psicanálise no campo de visão do historiador fez com que o seu embaraço diante da psicologia se tornasse mais agudo. com suas psiquiatrias sociais. todas levam o historiador a escolher uma escola em detrimento de outras.. irrespondível. Eles podem não estar totalmente conscientes disso.antropologia.. em geral.. estão numa posição conveniente. economia . 0 historiador que impõe Freud a seus colegas deve concordar desde o início que as . Todas as disciplinas a que os historiadores modernos recorrem . Provavelmente achar as pr ticas psicanalíticas esotéricas. numa proximidade quase tranqüilizadora com o mundo que os historiadores gostam de pensar que eles habitam? Por que não os comportamentalistas ou os teóricos da aprendizagem. de algum modo. segundo ele. a sua linguagem deplor vel. Erich Fromiti. seu colega que investiga a ascensão do protestantismo posiciona-se em relação .

publicado dois anos antes.s proposições psicanalíticas. ainda que pouco mencionadas.a validade da teoria freudiana sobre os sonhos. ao observar que a li nova maneira de estudar experimentalmente a formação dos sonhos" de Põtzl diferia decisivamente da "técnica anterior.5 Sua desconfiança em relação ao laboratório era certamente a posição freudiana característica. são significativas e mostram que ele estava longe .. muito menos persuadem. impressionado pelas descobertas freudianas memor veis. a carta de Freud para Rosenzweig.apresentações psicanalíticas são tudo menos acessíveis. . d boas-vindas a 11 observações feitas com sensibilidade" e aos 11 exemplos felizes". Com o passar dos anos.s "contribuições importantes" que o misterioso esportista. místico. monografias e conferências psicanalíticas que enriqueceram ainda mais a estrutura do apoio empírico. em poucas palavras. desde que "a riqueza de observações sobre as quais se baseavam essas asserções tornava-as independentes de comprovação experimental. de Otto Põtzl. e raramente fazem concessões ao discurso culto em geral. a maior parte dos analistas permaneceu confortavelmente satisfeita com a sessão analítica enquanto a situação mais apropriada. que era grosseira11. Freud citou com aprovaçao um artigo. pois normalmente aparecem em periódicos técnicos altamente especializados. hipnose de modo a estimar . em 1919. para testar as proposições freudianas que eles aplicam diariamente. Mas Freud não era consistente em suas reservas. Silberer. balonista. o psicólogo austríaco Herbert Silberer. psicanálise. um destacado psicólogo acadêmico de Viena. Algo mais problem tico ainda.. as proposições psicanalíticas são impressionantes. agora cl ssico. mas as passagens que acabei de citar. Freud tinha algumas razões para o seu ceticismo: mais de um experimentador. os inúmeros discernimentos que seus partid rios publicaram em periódicos analíticos soaram-lhe como demonstra 53 # ções satisfatórias dos princípios psicanalíticos.. e totalmente adequada. um pouco ingênuo em relação . eliciou respostas e ofereceu interpretações que tinham. o historiador profissional.e afirmar .. mas não alcançam... com polidez. freqüentemente citada. As provas empíricas e experimentais que apoiam. o material clínico empilhou-se nas revistas. que se inicia com o próprio Freud. Nas últimas edições da sua Traunideutung. esses brilhantes casos clínicos e as vinhetas iluminadoras que comunicava em seus artigos. é que os psicanalistas têm sido qualquer coisa menos receptivos . havia feito para uma interpretação científica dos sonhos. bem antes de Freud ter atingido uma notoriedade geral. Um pouco mais tarde. Na sua grande maioria. eles não podiam prejudic -las". espécie de comprovação pública que as outras disciplinas admitem como algo pacífico. realizou investigações. mesmo para o amador mais benevolente.. não importa o que pudesse concluir. prejudicou em muito a causa freudiaria. Isso foi antes da Primeira Guerra Mundial. Assim.' Essas milhares de incont veis horas que Freud passou ouvindo os registros de analisandos... Freud reconheceu.' Mesmo assim. apenas uma relevância muito tênue com respeito . Mesmo assim. algum interesse nos testes experimentais das asserções psicanalíticas. mas então bruscamente abandonou a sua cortesia ao acrescentar que via pouco valor neles. treinou sistematicamente a si mesmo em auto-observação e posteriormente sujeitou outros . os analistas posteriores concordaram com ele: acharam que a confirmação experimental era simultaneamente gratificante e desnecess ria.. Ao escrever para o psicólogo americano Saul Rosenzweig em 1934.

Os experimentos pioneiros de Silberer e de outros não foram. Esse respeito excessivo pela autoridade obscureceu o fato de que algumas alas e anexos gozam de uma certa independência em relação ao resto. depois de ter despertado. numa versão um pouco diferente.têm permanecido necessariamente como tentativas e têm feito com que os seus veredictos não sejam completamente unânimes. mas aqueles que mostravam o trabalho do sonho que torna idéias inaceit veis em aceit veis ofereceram. por diversas décadas. Experimentos posteriores foram muito menos primitivos do que esse. e onde um experimento essencial ossa test -la de forma conclusiva. mais. afinal de contas. que abrira uma mala que estava carregando para retirar uma banana . planejaram sessões de hipnose na qual uma mulher era instruída a sonhar que o seu empregador tinha ido vê-la e a violara. As proposições que se aventuram a examinar lidam com fen"menos mentais tão inteinos. tão distantes de uma manipulação grosseira. junto com alguns psicanalistas. decidiram seguir esse Freud. Algo. Na sua Trautndeutung.ou. demonstrações anedóticas de que havia algo. Eles têm realizado alguns experimentos fascinantes e"descobriram que o trabalho é recompensador. após o que ela relatou. Fixaram-se sobre a manifestação mental mais espetacular para a qual Freud havia chamado a atenção: a apariçãe de símbolos sexuais nos sonhos. solidamente ligada. mas os primeiros experimentadores acharam que eles seriam mais acessíveis a teste do que algumas das teorias freudíanas mais intrincadas sobre a mente. nas idéias estranhas e subversivas de Freud. adaptaram refletidamente suas inovações ao estilo anterior. embora seja # muito difícil. bem-informados e interessados nas suas descobertas.de ser antip tico a psicólogos experimentais arrojados. um Freud relativamente disposto e aberto aos procedimentos 54 i v da psicologia acadêmica. projetado por um arquiteto de tamanha estatura que os seus sucessores. mas o quê? 0 corpus freudiano não é uma teoria abrangente. muito esotéricos. certamente. ao acrescentarem alas ou ao escorarem paredes inseguras. uma família de alegações intimamente concatenadas que freqüentemente se apóiam entre si e variam desde enunciados empíricos até teorias globais sobre a mente. no mínimo. esparramado. na qual leis gerais podem ser deduzidas a partir de proposições empíricas.' É. que suas comprovações Ou infirmações . passando por generalizações limitadas. saíra da mala uma cobra serpeante. de medições quantitativas e mesmo de observação direta. de modo que um incêndio que causasse danos em uma seção desse complexo poderia deixar o 9 ~ # . 1 Agora. Freud tinha atribuído aos símbolos um lugar secund rio no trabalho de interpretação. 0 todo da teoria psicanalítica é algo como um castelo imponente. que sonhara com uma visita inesperada de seu patrão. um número consider vel desses experimentadores. Conseqüentemente.

resto incólume. embora.receberam um apoio experimental bastante impressionante. assim como os mecanismos de defesa inconscientes. a ubiqüidade dos desejos. É de fato no domínio das defesas inconscientes que os psicólogos experimentais realizam algumas investigações elegantes e conhecidas. não importa quão sugestivas. o inconsciente dinâmico . Algumas delas. Esta poderia ser a natureza do raciocínio a partir do teste experimental das proposições psicanalíticas: amplamente indireto. irão sempre se furtar ao escrutínio experimental. o sujeito deveria ser capaz de ler as palavras inócuas mais rapidamente. as provas experimentais têm sustentado a descoberta freudiana da sexualidade infantil . como estudos em defesa perceptual. 0 experimentador (trabalhando com um taquistoscópio. com igual comprimento e com a mesma familiaridade. exigindo uma menor exposição pelo taquistoscópio do que aquelas que evocam sentimentos eróticos. como "pente" ou "garfo". testes projetivos. 0 edifício que Freud construiu ainda est de pé. tão cuidadosamente quanto for possível. possivelmente incitam ou provocam ansiedade. um sugerindo homossexualidade e o outro os irmãos Grinim.o trabalho da fRntasia. Freqüentemente. ou ambos. embora provisórias. de sofisticação crescente. estão carregadas de afeto. um sucesso. a transferência e a ansiedade . somos levados a algumas conclusões de grande alcance. Ainda assim. enquanto outras. provavelmente estão livres de conotações emocionais. dada a ousadia dos pressupostos subjacentes. fortemente inferencial.ou têm sido beneficiados com o teste experimental ou têm gozado de uma certa plausibilidade enquanto subprodutos de experimentos que testam outras coisas. esses experimentos têm sido. agressivos ou de culpa. o teste experimental das proposições freudianas nunca é definitivo para nenhum dos lados. após literalmente centenas de experimentos engenhosos. Mas os fundamentos da sua estrutura teórica . De acordo com a teoria do recalque. Em suma. na época altamente escandalosa e ainda hoje algo controvertida.o determinismo psicológico. desde que Jerome Bruner e Leo Postman a batizaram em 1947. De modo similar. especialmente o trabalho do recalque. entrevistas controladas e instrumentos de precisão. Os psicólogos até descobriram traços do excessivamente mencionado complexo de . # Outros aspectos do corpus freudiano . que empregam sugestão pós-hipnótica. e algumas vezes question vel. como a sua teoria sombria e posterior das pulsões. como "veado" ou "corno". E é certo que grandes reas da teoria psicanalítica requerem uma atenção maior e melhor por parte dos experimentadores do que a que têm recebido até agora. a partir da perspectiva psicanalítica. É prov vel que algumas das especulações metapsicológicas mais radicais. que pode expor palavras e medir o tempo de exposição até uma fração de segundo) mostra aos sujeitos um conjunto de palavras escolhidas. Uma variante desse procedimento parte de uma palavra ambígua como "boneca" e a coloca em dois contextos lingüísticos bastante distintos. os seus resultados não pos 56 i -1 sam reivindicar um estatuto de degma.

para o historiador. seria uma posição mais conveniente do que a de auto-satisf ação. "Em v rios cultos da psicologia profunda. de fato. 0 acesso aos seus ritos é ciosamente restrito: os psicanalistas têm a postura autoprotetora e abusiva de que o único caminho possível para a compreensão do seu sistema é a própria experiência psicanalítica. que Marcus Cunliffe chamou de "arrogância sigmundiana". as estruturas que afirmam muito imprecisas e muito especulativas para um teste sem ambigüidades. "Ninguém tem o direito de se intrometer com a psicanálise se não tiver passado por certas experiências". como j sugeri. escreveu em 1932. de que o seu divã é o seu laboratório. Você pode acreditar em mim". Através da sua carreira profissional. os sentimentos de dúvida resultam em conselhos de desesperança: ao lastimar o que chama de apelo aos "freudismos metafóricos". algo manifestamente anticientífico minimiz -la ou ignorã-la. o historiador estar melhor servido se permanecer leal . o Fundador Freud. " Se não se podia ser . Conkin. "os.Êdipo em alguns experimentos elegantes que delinearam o seu contorno tão amplamente quanto a teoria de Freud poderia prever. incluindo aí muitos historiadores. aparentemente tão convencida. A sua crença jovial. Mas continuou impenitente. Recordando o fundador Os descrentes acham que o estilo da argumentação psicanalítica não é menos suspeito do que a sua substância.. homens tentaram isolar a estrutura geral da psique. acrescentou. e ele queria dizer experiências no divã. É "difícil". ele sugere firmemente que "mais do que oferecer ingenuidade anunciada como sofisticação. pelo menos. começando com Freud". Freud sugeriu que. A maior parte das pessoas cultas que não foram analisadas (o que inclui a quase totalidade dos historiadores) vê a psicanálise como a guardiã de mistérios enigm ticos presidida por um sumo sacerdote autorit rio. Para esse historiador. os psicanalistas também a ignoram. tem irritado os observadores da psicanálise. Na sua impaciência. "dar a alguém que não seja psicanalista um discernimento a respeito da psican lise.. muito liter rios e muito fenomenológicos para outros usos além dos vagamente clínicos ou especulativamente sugestivos". ' Um historiador seria ingênuo e crédulo se alegasse que toda essa atividade intensa e ainda fragment ria constitui uma prova segura da psicanálise como sistema. 1 57 # 2. e os seus conceitos muito metafóricos. quase mas não de forma completamente apologética. Ora. não havia outra possibilidade. importando para essas guas escuras pelo menos a forma dos conceitos físicos. ou pelos seus acólitos escolhidos que falam em seu nome. em lugar da ofuscante lanterna de uma psicologia profissional que alega possuir uma iluminação que realmente não possui. eles sugerem. Modéstia. "nós não gostamos de dar a impressão de que somos uma sociedade secreta. sabedoria do senso comum. Mas os seus termos são indefinidos. Conkin tem o apoio da maioria de seus colegas. por paroquial e ambígua que ela seja". Mas seria. ' Conkin parece achar preferível explorar as cavernas do passado com a luz tremulante de uma vela. praticando uma ciência oculta". escreveu o historiador Paul K.

se aplicada.` Como um historiador das idéias. H . afirmou taxativamente que tinha mais direito do que qualquer um para saber o que era a psicanálise. as palavras do fundador . afinal de contas.. em um raciocínio teológico. seja ele ou ela.. como essas afirmações e esses h bitos retóricos poderiam implicar. Pode recordar aos historiadores o célebre aforismo de Alfred North Whitehead. Ele proferiu conferências acessíveis.não para embelezar um argumento ou para acrescentar uma dimensão histórica. sensível . Na realidade. Mas permanece plausível. ao denunciar o egotismo intelectual de Freud: "Quando em 1914 ele escreveu a história do movimento psicanalítico. uma literatura maciça de popularização da psicanálise. para a qual o próprio Freud contribuiu diligentemente durante toda a sua vida. conclusão de que a psicanálise perdeu-se enquanto ciência quase que desde o seu princípio. animadas com descrições vivas e instâncias reveladoras. A primeira é lida como uma reminiscência daquela m xima tendenciosa e infeliz # de que "é preciso ser um. os historiadores comprometem-se com o mundo do outro. não importa quão distante no tempo. acabaria com a atividade do historiador. ele podia iniciar as suas exposições a partir de experiências comuns como lapsos da fala . transgridem as convicções mais caras da profissão histórica. em grande parte porque as estratégias públicas dos psicanalistas têm feito pouco para revertê-las. mas para servir como um apoio poderoso. 11. para reconhecer outro".um analista. o estigma de pedantismo profissional invencível..12 não confirmaram a sua megalomania para ele? E os discípulos servis de Freud A alusão de Masur a Luís XIV é tão inapropriada quanto a sua caracterização da presumível ascendência de Freud sobre os seus discípulos é incendi ria.. E enquanto a dependência servil dos psicanalistas em relação . ao levar .. Gerhard Masur uma vez disse.. uma vez que a partir dos primeiros discípulos de Freud criou-se o h bito de decidir debates pela recitação de uma passagem relevante de seus textos.. se não for como uma prova conclusiva. o fato de os artigos e monografias psicanalíticos invocarem. e nunca indulgente. que. 'La psychoanalyse (SiC) CIeSt Moi. É totalmente consistente com essa postura de exclusividade.s citações do mestre possam ser aceit veis numa disputa escol stica ou talmúdica. e com trat -lo nos termos do próprio indivíduo. de seu descobridor. est totalmente deslocada em uma disciplina dedicada . no espaço ou nos h bitos culturais.s dúvidas que os seus ouvintes poderiam formular. A sua aparente certeza de que o conhecimento pode ser 58 encontrado apenas na situação psicanalítica hermética. o instrumental psicanalítico não tem sido nem tão inacessível nem tão autorit rio.s questões e . e de que os pronunciamentos de Freud gozam de uma autoridade privilegiada.. quase invariavelmente. pelo menos se deveria ser analisado para poder falar com alguma autoridade.. afinal de contas. procura científica da verdade. elas são convites para refletir sobre problemas e proposições da psicanálise na companhia genial. "uma ciência que hesita em esquecer os seus fundadores est perdida". Como um sedutor benigno..

A obra a que Freud consagrou sua vida.s críticas mais severas. Ao mobilizar todos os seus extensos recursos liter rios para ilustrar o funcionamento da mente sem trair a sua complexidade e ao apresentar o lado desagra 1 59 # d vel da natureza humana sem perder a sua audiência.. lida cronologicamente. Freud encontrou tempo nos seus dias atarefados para escrever artigos lúcidos para enciclopédias. Ainda assim. era um esboço da psicanálise . Freud foi um argumentador not vel. antes de partir para a sua teoria das neuroses. Sem dúvida. Ele sabia melhor do que qualquer um..s suas apresentações mais populares a forma do di logo.ou esquecimento de nomes para estabelecer que a mente é governada por leis e que o inconsciente exerce uma grande influência sobre a atividade mental. que Freud iniciou de uma forma poderosa. mas poderia colocar o historiador dentro dos limites de reconhecimento do que Freud e seus seguidores pensaram sobre o funcionamento da 60 1 1 . não importando quão desagrad vel ou implausível as suas idéias Pudessem parecer . o que nas suas idéias era ofensivo. Ele não teria devotado tanto esforço a tais exposições se tivesse pensado que a autoridade científica da situação psicanalítica era tão exclusiva e conclusiva como algumas vezes ele alegou que ela era. enquanto as hesitações públicas e os pedidos de paciência freudianos tivessem seus usos na propagação de sua mensagem.. nunca poderia servir como um substituto completo da experiência íntima e distinta de se submeter a uma psicanálise. ele dramatizou o espet culo de uma procura.. como para os seus colegas psicanalistas. ele era um advogado de gênio. pois havia experienciado todas essas dúvidas em si mesmo. como um mapeamento feito e refeito de um terreno pouco familiar. pequenos livros de texto e apresentações abrangentes para um público maior. de uma pesquisa contínua e sedenta por novas descobertas e receptiva a uma revisão dr stica. Tanto para o público culto. e dificilmente deixaria de notar que a sua mistura altamente pessoal de sabedoria. as suas estratégias de persuasão teriam dado fama ao advogado criminalista mais completo.uma coda adequada para os trabalhos de uma vida. A literatura did tica psicanalítica. chamando a atenção para as reas de incerteza e de pura ignorância. em cada instância. Não é por acaso que deu . improv vel. é grande a freqüência e a seriedade com que Freud marcou seus artigos metapsicológicos e clínicos com infirmações. e mesmo inacredit vel. revela a psicanálise como uma ciência jovem em fluxo... Seu último livro. mais difícil. A psicanálise tem sido submetida . que ele não viveu para terminar. registravam fielmente. o estado da disciplina que ele passaria décadas refinando e transformando. homens e mulheres. entre as quais a do dogmatismo e a da incoerência são as mais persistentes. que Freud sabia que permaneceriam afastados do divã analítico. Mas a primeira delas é injusta e a segunda exagerada. eram mais do que meros recursos t ticos de manipulação. eficiência e prudência científica era uma instância de recurso que não poderia prejudicar a sua causa. Por outro lado. primeira vista.

Einstein havia feito o seu trabalho na companhia de gigantes científicos que vinham desde Newton. e a maior parte dos materiais com que a construiu. com relutância. que Einstein era afortunado: afinal de contas. como se poderia esperar. " No entanto. Mas. sonhos. Freud uma vez disse a Marie Bonaparte. eram ampla e espantosamente dele mesmo. na verdade. com dor. em si mesmo. A sugestão cativante de H. treinados para reconhecer e respeitar o que é distinto em cada indivíduo. não sem uma ponta de inveja. Encontrou o seu caminho pela observação intensa de seus pacientes. É difícil para o mais frio dos historiadores defrontar-se com esses anos heróicos da vida de Freud sem cair em hipérboles. o inconsciente. romancistas. Os historiado 61 # res.mente humana. fazer combinações e antecipar objeções. mesmo que de uma forma rudimentar. embora seja uma idéia imaginativa e muito exigente. As condições sob as quais Freud fez as suas descobertas memor veis são completamente diferentes e bastante inauspiciosas: um neurologista ambicioso que falhou mais de uma vez em ficar famoso. Não dispunha de nenhum modelo para a exploração corajosa dos seus estados internos. Stuart Hughes de que pelo menos alguns jovens historiadores se submetam a uma an lise ou realizem algum trabalho em um instituto psicanalítico não tem. o recalque e mesmo a sexualidade infantil haviam sido vislumbradas. requerendo um investimento em tempo. Ele retirou muito dos outros. um médico respeit vel que tinha diversas curas para recomend -lo afastou-se. Fortemente contra a sua vontade. tanto em relação aos seus colegas psicólogos como aos seus precursores. por . associações. mas tinha de invent -los e prosseguir. Portanto. até de psicólogos. para longe das suas perspectivas médicas de partida. Siginund Freud superestimou um pouco o seu isolamento. Mas a arquitetura de sua teoria. finalmente se deram conta de que a estatura de Freud difere daquela de outros gênios científicos. Freud poderia ter testado o estratagema da resistência. desejos e medos. e ao assimilar os seus resultados fez uma descoberta aterradora após outra.'5 Como sabemos agora. o seu dom sem paralelos para encontrar provas. solitariamente. como o são as técnicas que ela utiliza. que lhe ensinaram muito. mesmo o historiador que aprende sobre a psicanálise apenas a partir da literatura não pode deixar de constatar o espantoso alcance da percepção freudiana. o as hipóteses aceitas sobre a doença mental em favor das suas proposições escandalosas. 14 E atravessou a cortina de fumaça das boas razões para olhar de relance para as razões reais através de uma auto-an lise sem precedentes. enquanto ele fora obrigado a trabalhar nas trevas. dinheiro e energia a que poucos historiadores estariam dispostos a se aventurar. H boas provas de que não se sentia bem nem com a etiologia sexual das neuroses nem com a disposição sexual das crianças. é obrigado a reconhecer que a posição ocupada por Freud na disciplina que fundou é excepcional. de poetas. é perfeitamente racional. encontrado praticamente nenhuma ressonân# cia na profissão. sobre o qual falaria tanto mais tarde nos seus artigos clínicos. desconsiderou as interpretações fisiológicas dominantes sobre os eventos mentais.

escreveu mais de uma vez. das relações objetais. Mas a atmosfera médica e psicológica da época. 0 tema amplo. A sua atitude também não foi a de um profeta religioso ou a de um líder carism tico. como sempre ocorre. Alguns dos psicanalistas reviram os pontos de vista . sobre a natureza dos instintos. em uma justaposição fértil. deveria ir para Josef Breucr. de Grabow. o débito freudiano para com médicos luminares como Ernst Brücke ou jean-Martin Charcot foi sempre óbvio .. quatro e até de três anos de idade". o "mito" de Freud como o fundador. Adolf Patze. " Nos seus artigos retrospectivos. idéias que exploradores anteriores tinham vislumbrado apenas de forma vacilante e separadamente. perto de Stettin. o seu Three essays on sexuality arrola. observou em uma nota de rodapé que "a pulsão sexual j se manifesta entre as crianças de menos de seis.teve a coragem de suas descobertas. " De fato. mesmo que tenha se permitido alguns exageros question veis. assim ouviu a sua própria experiência e a de seus seguidores: a história da psicanálise é. em todos os aspectos generosa. tanto filósofos como psicólogos.s alegações freudianas têm documentado a sua dependência em relação aos sexólogos de sua época e ao seu amigo Fliess. 17 Na verdade.a próprio cat logo da sua suscetibilidade a materiais e a meios novos de ver materiais familiares. Freud com gratidão imortalizou esses débitos. Os biógrafos ansiosos em p"r fim . não altera em nada a posição de Freud como fundador solit rio de uma ciência eminentemente subversiva. o seu livro sobre chistes assinala quatro escritores sobre humor cujas publicações foram importantes para a sua própria. apesar daquilo em que alguns dos seus epígonos tentaram transform -lo. nas suas quatro primeiras décadas.e sempre reconhecido.. que em 1845. desde a morte de Freud em 1939. antecipou-se a eles. Colocou juntas. na primeira p gina. o crédito por tê-la concebido. a história de Freud modificando os seus pontos de vista sobre a estrutura da mente. em um panfleto a respeito dos bordéis. um composto: incluiu reconhecer as implicações do trabalho de seus predecessores e segui-Ias até o # fim . Foi um leitor insuper vel da literatura científica: o capítulo de abertura da Interpretation o] dreams é uma revisão bibliogr fica abrangente. germinação da psicanálise. Os vidos em encontrar antecessores podem consultar o dr. Sua originalidade foi. "a coragem e a possibilidade de comprometer-se com este ensaio". sobre a ação terapêutica. estava preparado para qualificar a sua reivindicação de se intitular fundador da psicanálise.. Freud. Freud era um gigante apoiando-se sobre os ombros de homens altos. Como ouvia os seus pacientes. em grande medida. nos próprios nomes 62 que deu aos seus filhos.. sobre a sexualidade feminina e sobre a ansiedade . imensamente importante.alguns contemporâneos. em particular o filósofo Theodor Lipps. tanto da antiga quanto da recente. cujo estudo recente sobre o chiste lhe havia dado. talvez mais caridosamente descrita como não inospitaleira . E fez algumas descobertas originais proprias. não menos do que nove estudiosos contemporâneos da sexualidade cujos escritos estudou. floresceram." Além disso. mas têm sido incapazes de erradicar. um obscuro Wundarzt de primeira linha. 'ele reconhecia generosamente. sem objeções por parte dos "ortodoxos". essas experiências primitivas anteriores ao advento da fase edipiana. ou mesmo de comprometer.

freudianos sobre a sexualidade feminina, outros questionaram a utilidade de se
tratar a agressão como uma pulsão fundamental, mesmo
assim não foram excluídos do clube psicanalítico. ` É em ampla
medida a partir de uma visão externa e através do tom defensivo que
alguns psicanalistas adotam - uma defesa que condiz com a atitude
dos seus advers rios mais renitentes - que a psicanálise ganhou a
reputação imerecida de um culto múriolitico.
Também é verdade que ao mesmo tempo ela exibe uma continuidade inflexível.
Isto não se deve apenas ao fato da persistência de
Freud em manter as mesmas idéias fundamentais da psicanálise durante
toda a sua vida; no corpus de seus escritos ele antecipou dificuldades
e sugeriu soluções que continuam a interessar psicanalistas cuidadosos
até hoje. Dou como exemplo os maravilhosos artigos sobre a técnica
que datam de antes da Primeira Guerra Mundial. Retornar e explorar
o trabalho de Freud é uma experiência memor vel. Isso não justifica
63
#

o h bito dos psicanalistas de citarem Freud como a autoridade definitiva. Mas
coloca o h bito dentro do seu contexto. 0 que eles devem
fazer com um pai assim, o gênio que parece ter inventado tudo? É
impossível esquecê-lo ou neg -lo como seria impossível mat -lo. Qualquer um
desses atos, embora seja psicologicamente compreensível, seria
um sinal de ingratidão e uma pura estupidez do ponto de vista científico. A
única solução possível foi entrar em acordo com ele e
reconhecer a sua importância. 0 historiador que observa esse espet culo
comovente e repensa a posição freudiana deve reconhecer com
candura que na história da mente moderna, por improv vel que possa
parecer, ela é virtualmente única.
3. Uma teoria controvertida
A estatura monumental de Freud não é unia garantia da valida e
do seu sistema. As acusações de arrogância contra o fundador e e
subserviência contra os seus discípulos (os dois lados, diriam, de uma
mesma moeda viciada) são suficientemente graves. E, por outro lado,
potencialmente muito mais prejudiciais são as críticas que pairam no
ar, prontas para entrar em ação. Por mais de meio século, tem-se
negado ao sistema freudiano de idéias o estatuto de científico. A
teoria psicanalítica, insistem seus detratores, é meramente um conglomerado
elegante de noções que se reforçam mutuamente, tão corruptas
e autom ticas quanto o é uma m quina política crivada de nepotismo;
é equivalente a proposições autovalidadas e imunes a teste, e proclama
as suas "descobertas" numa linguagem tão vaga, tão imprecisa
e nebulosa, que qualquer experiência humana se ajusta a ela. E dar
conta de tudo com facilidade é não dar conta de nada, É nesse sentido
depreciativo do termo que a psicanálise tem sido chamada de religião,
de um compêndio de mitos grandiosos e poéticos.
A julgar pelos pronunciamentos das décadas de 70 e 80, esse
argumento, embora esteja longe de ser novo, não perdeu nada do
seu apelo. Por exemplo, David Starmard avaliou "partes importantes"
da teoria psicanalítica como sendo "quase-míticas". De forma significativa, mas
não surpreendente, quando esses críticos desembaraçamse de Freud, retiram as
suas met foras mortíferas da religião. "A
história da psicanálise freudiana", escreve Jacques Barzun, com uma
especificidade af vel mas deslocada, "passou pelo menos por três fases

em oitenta anos, finalmente para ramificar-se em tantas seitas quantos
são os seus teóricos e praticantes" . 2 1 Essas censuras e recusas retro
64
cedem até os dias um pouco posteriores ... Primeira Guerra Mundial,
quando o jovem filósofo austríaco Karl Popper - ele tinha então
dezessete anos - colocou a psicanálise entre as "pseudociências" para
chamar a atenção da Viena revolucion ria. 0 colapso do Império Austro-Húngaro e
os levantes que convulsionavam a sua capital geraram
uma atmosfera de inovação intelectual, "0 ar", recordaria Popper mais
#

tarde, "estava cheio de slogans revolucion rios, de idéias e de teorias
novas e freqüentemente extravagantes"; na efervescência daquele
turbilhão, uma mente fria, crítica, exigindo provas aceit veis - uma
mente como a de Popper - era tão necess ria quanto rara. A construção
intelectual mais impressionante sob discussão acalorada era
a da teoria da relatividade de Einstein, mas três outras teorias, todas
no campo das ciências humanas, também provocavam um grande entusiasmo: o
marxismo, a "psicologia individual" de Adler e a psican lise. Ora, essas três,
assinalava Popper, não tinham qualquer
carência de provas. Ao contr rio, para o iniciado, tinham um "poder
explicativo" not vel; a psicanálise, junto com as outras, parecia "ser
capaz de explicar qualquer coisa ocorrida". Uma vez que alguém havia se
convertido, "via instâncias confirmadoras, em todos os lugares: o
mundo estava cheio de comprovações da teoria", Mas essa condição
afortunada desqualificava decisivamente as suas pretensões científicas,
"Confirmações deveriam contar apenas quando resultam de predições
arriscadas. Uma teoria que não é refut vel por qualquer evento concebível não é
científica, A irrefutabilidade não é uma virtude da
teoria (como as pessoas geralmente pensam) mas um vício." Em
poucas palavras, a psicanálise violava o principio científico fundamental da
falseabilidade. Popper concordava com prazer - alguns
dos seus admiradores não têm sido tão generosos - que Freud tinha
visto corretamente algumas questões importantes; além disso, ele
acreditava que as ciências verdadeiras originam-se precisamente de
mitos como os freudianos. Mas, entretanto, insistiu de forma bastante
severa que "as 'observações clínicas' que os analistas ingenuamente
tomam como confirmações da sua teoria não são melhores do que as
confirmações di rias que os astrólogos encontram na sua pr tica". No
mesmo ano, 1919, em que Popper chegou a essa conclusão fatal,
Sidney Hook leu Freud e formulou o seu próprio princípio de falseabilidade. Ele
se dirigiu aos psicanalistas e perguntou-lhes sobre as
provas que tinham para isentar uma criança de ter um complexo de
Édipo. As respostas evasivas e indignadas que recebeu convenceram
65
#

no de que a psicanálise é um " dogma monista ", e de que Freud est
entre os 11 m itólogoS poétiC(S". 2-1
Considerando o ceticismo que o critério de Popper para conhecimento fidedigno
tem suscitado crescentemente entre os filósofos da
ciência, qualquer consideração sobre eles poderia parecer desnecess ria. 0 seu
teste de falseabilidade, pelo menos na forma exigente que
Popper lhe deu, aparece agora como sendo logicamente question vel
e psicologicamente não convincente. '1 As ciências e os cientistas não

trabalham dessa maneira. Uma prova positiva e sólida, se obtida através de
observação confi vel ou de experimentos controlados, continua
sendo o apoio mais qualificado que as alegações científicas podem ter.
Se acabo por me referir a Popper nas p ginas que se seguem, na
companhia de outras acusações contra as alegações dos psicanalistas
de que procuram fazer uma ciência humana, faço-o porque os historiadores que
procuram argumentos contra Freud continuam a dar
muito valor ... argumentação popperiana que eles supõem devastadora.
Starmard recorre a ela com vontade e sem hesitação. E em 1984, ao
resenhar um estudo psicanalítico sobre Ronald Reagan feito pelo
historiador americano Robert Dallek, o jornalista político Robert
Sherril usou-a de novo: "0 que est errado na teoria de Dallek de
que a infância de Reagan modelou a presente administração? Talvez
nada. De qualquer maneira, não é uma teoria que se possa mostrar
11 24
que est errada . Pelo seu próprio vAlor, algumas das outras críticas
feitas aos procedimentos psicanalíticos - aproveitar-se da sugestionabilidade do
paciente, recusar-se a submeter as conclusões analíticas a
um exame independente - são suficientemente sérias. Ao serem combinadas com as
restrições popperianas, têm satisfeito a muitos críticos
de Freud como sendo definitivas.
É verdade que as asserções dos psicanalistas - leis da mente,
leituras em profundidade de novelas ou pinturas, interpretações oferecidas
durante a sessão analítica - devem estar abertas ... crítica
racional, ... ratificação e ... revisão através de mais pesquisa experimental,
experiência clínica e reflexão lógica. Por outro lado, se se
adequam sem dificuldades a todas as situações concebíveis e explicam
todas as condutas concebíveis, então deveriam elevar - ou degradar
- a psicanálise ... posição de uma profetisa inspirada. Popper então
poderia estar certo: o analista não seria melhor do que o astrólogo,
que se sente, de forma totalmente previsível, reforçado nas suas crenças
pseildocientíficas em cada horóscopo que faz. A via real para o
66
1
e
1
#

conhecimento psicanalítico se transformaria em uma trilha traiçoeira
para superstições complacentes. Felizmente, não precisamos escolher
entre esses pontos em disputa através de pura adivinhação: o corpus
dos artigos fretidianos, o registro da pr tica analítica posterior e os
experimentos das últimas décadas oferecem oportunidades sem
igual para avaliar a caracterização de psicanálise como o papado da
psicologia.
A prova experimental que citei anteriormente serve para colocar
em dúvida essas apreciações que a desconsideram irrefletidamente.
Além disso, a sessão psicanalítica, como foi registrada nos casos
clínicos e em pequenas vinhetas, oferece um material adicional para
refut -las. Na verdade, a escuta de Freud das comunicações de seus
analisandos, longe de exemplificar ou de deixar de lado o problema

lógico da comprovação na psicanálise, acaba por exp"-lo explicitamente e oferece
sugestões preciosas para a sua resolução. Aos olhos de
Popper ou de Starinard, as respostas do paciente só podern confirmar
as conjecturas do analista. 0 seu sim, para eles, significa sim, mas o
mesmo ocorre com o seu não - uma forn-ia conveniente de testemunhar o que Freud
uma vez resumiu, dentro da sua precaução costumeira contra objeções, através de
um ditado inglês mordaz: "Cara eu
ganho, coroa você perde". A maneira pela qual "nossos pacientes
expoem suas idéias durante o trabalho analítico", assim Freud descreve esse
procedimento suspeito, "nos d a oportunidade de fazer
algumas observações interessantes. 'Agora você ir pensar que eu quero insult
-lo, mas não tenho essa intenção'. Reconhecemos que isso
é a rejeição, através de uma projeção, de uma idéia que acabou de
emergir ... superfície. Ou: 'Você vai perguntar quem pode ser essa
pessoa no sonho. Não é a minha mãe'. Nós corrigimos: 'É a sua
mãe'. Na interpretação tomamos a liberdade de desconsiderar a
25
denegação e de selecionar o conteúdo puro da própria idéia",
Essa insensibilidade arrogante a respostas negativas, insistiram os
críticos de Freud, estende-se a toda a atividade interpretativa do psicanalista,
assegurando aos seus pronunciamentos a dimensão invej vel
da irrefutabilidade absoluta. Se o analisando aceita a interpretação do
analista, isso garante a sua exatidão: mas se a rejeita, isso também é
uma garantia dela. Freud enfrenta essa acusação com honestidade,
"Se o paciente concorda conosco", escreveu em um artigo tardio sobre
interpretações, parafraseando algum cético an"nimo, "então ela est
correta; mas se ele nos contradiz, então isso é apenas um sinal da
67
#

sua resistência, o que faz com que acertemos de novo. Dessa forma,
estamos sempre certos contra um pobre indivíduo indefeso que estamos analisando,
não importando a atitude que ele possa ter em
relação ...s nossas colocações". 26 Isso coloca a questão de Popper com
a lucidez costumeira de Freud. Profundamente educado nos métodos
e pressupostos da ciência positivista, dificilmente se precisaria contar
a Freud que as proferições dos analisandos oferecem obst culos tanto
empíricos quanto lógicos para sua comprovação.
Contudo, eram obst culos que Freud acreditava que a psicanálise
poderia superar. Sua refutação ...s objeções que ele próprio havia
colocado é bastante marcante tanto pela sua maneira pacífica como
pela apreensão aguda das preocupações do seu crítico. A recusa
freudiana em entregar-se a contra-argumentos prolixos ou ... pura irri 1
taçao e uma medida da sua autoconfiança. A sua posição é, bastante
simplesmente, a de afirmar que todas essas depreciações plausíveis
distorcem drasticamente o procedimento psicanalítico. Os analistas,
observa, são tão céticos com as afirmações quanto o são com as
negações; uma discordância de um paciente em relação a uma interpretação não é
sempre um material que confirma indiretamente a
conjectura do analista, mas pode perfeitamente ser uma refutação
v lida e convincente daquela conjectura. De fato, como os psicanalistas que
escrevem sobre a técnica assinalaram repetidas vezes, o assim chamado "bom
paciente" pode realmente ser o mais intrat vel dos
analisandos. 0 paciente que nunca perde uma sessão, sempre chega
na hora, oferece livres associações sem parar, preenche a hora com
sonhos significativos e, acima de tudo, aceita sem hesitação todas as

não deve julgar com precipitação. para citar o clichê favorito do psicanalista. o que o psicanalista est ouvindo não é uma docilidade insinuante. aliados .s suas revelações confidenciais. 0 consentimento do paciente sobre uma interpretação pode mostrar que se alcançou o fundo. nos seus artigos sobre a técnica como nos seus casos clínicos.. geralmente involunt rias. sem hesitação e correções. A partir das revelações fragment rias. Freud insistiu com propriedade que o psicanalista é capaz de tudo.. As raras intervenções do analista. que conseguem se furtar .zombar não faz parte do arsenal psicanalítico -. porque de forma muito mais sutil. postura adotada pelo analisando e .. do que a de um analisando cuja resistência se manifesta mais abertarnente. Ao mesmo tempo. Mas reconhece com freqüência que. Como sabemos. tudo o que lhe ocorrer. permanecer atentos aos seus significados. e é geralmente sugestivo." Afinal de contas. feitas no vazio. ou que ele est sonegando informação problem tica. mas mensagens. a psicanálise é a ciência da suspeição. Portanto.. Tanto o analista como o paciente. Como o historiador. de um erro ao preencher o cheque mensal .ou a maneira de aceitar ou rejeitar as interpretações do analista. de uma associação. ele espera que. a de ouvir é a mais valorizada. no término. o psicanalista deve admitir que a vida mental é excessivamente compli# cada. de um gesto. devem ler as pistas indefinidas e devem. Freud h muito permaneceu . e que a maior parte do tempo est longe de ter certeza. contudo. vive da convicção de que as coisas não são o que parecem ser. Podem tomar a forma de um lapso. mas sempre muito difícil e tortuosa.. e a sua capacidade para disfarçar tão altamente desenvolvida. censura inconsciente do paciente e atingem o nível da proferição e. certamente. Entre todas as habilidades do analista. " A vida interior de um analisando é tão rica. que o diagnóstico mais incontroverso pode estar incompleto e revelar-se falso ao final. durante longos meses. menos de se furtar a erros.interpretações do analista pode estar defendendo a sua neurose mais tenazmente. como é tão freqüente. É por isso que. oferecido com toda a boa-fé . que o psicanalista treinado resume como tendo tocado um ponto sensível ou como estando longe de tê-lo feito. que. o processo de descoberta psicanalítico é uma aventura conjunta.. escreveu Freud no seu pequeno artigo contra o que chamou de psicanálise "selvagem". sem importar a forma que possam assumir. a relutância do paciente em revelar os seus segredos e em desistir de sua doença interfere com a sua intenção mais sincera e manifesta de revelar. são planejados para favorecer o modo confessional. que o psicanalista. mesmo quando fracassa. uma vez que ele tenha sido iniciado nos mistérios. do mesmo modo que o historiador. e aqui. de um sonho. as coisas também são o que parecem ser. "é gua para o moinho". o psicanalista progressivamente constrói a sua compreensão sobre a neurose do paciente e decifra a 68 dinâmica do seu car ter. a sua negação. 2' Tudo isso significa. "Tudo isso". Uma interpretação é um pequeno experimento. A situação psicanalítica é simultaneamente um foro de franqueza e urna arena de resistência. "nós adivinhamos erradamente e nunca estamos em posição de descobrir tudo". na sua forma confusa. não se perde. e mesmo o seu tom. "Às vezes". de um atraso habitual. o da inteligibilidade.

serve como antídoto contra os ataques de infalibilidade. Embora essa conjunção de característiças possa variar em intensidade e em proporção relativa. é uma asserção atordoante. acima de tudo. aspira. isto indica uma fixação anal. avarentos e obstinados. Pode recebê-lo porque o pensamento psicanalítico. a situação psicanalítica não é uma competição esportiva onde se visa marcar pontos. Tomou essa constelação como prova de uma experiência infantil comum: uma capacidade excessiva em manter a retenção anal ligada com um prazer excessivamente incomum decorrente da retenção. incompletamente superadas. a preencher as condições exigentes de uma comprovação fidedigna.. mas. então. "A constância dessa tríade de propriedades em seu car ter". Concluiu que "os traços permanentes de car ter" desses pacientes eram "continuações inalteradas de pulsões originais ou de sublimações ou de formações reativas contra elas". sua reputação. mas uma exploração conjunta e planejada para fazer descobertas. 0 diagnóstico freudiano de erotismo anal. A proferição denegativa ocupa um lugar visível e inseguro na psicanálise. entre outras. Freud parece 70 i 1 estar afirmando nada menos do que se o analisando é asseado. Frau Emmy von N. 31 Isso. j documentam a sua passividade produtiva. dentro dos limites da psicologia profunda. se é sujo. e a pacientes que exibem as suas transformações engenhosas. Considerem o artigo pequeno e importante de Freud sobre Xar ter e Erotismo Anal". o psicanalista pode receber um não como resposta. em 1895 .. de 1908. admito. apesar das características que possa receber. Afinal de contas. contr ria .. ensinaram-no a arte de ouvir. menos coerentes.64 # como modelo para sua profissão. Freud suspeitou. e. a ter a suficiente liberdade interna para se espantar com o que estavam lhe contando . generoso e # dócil. o herdeiro de certas fixações infantis. por parte de seus pacientes. no qual ele relata que descobriu que muitos dos seus clientes eram simultaneamente metódicos. "pode estar relacionada com o enfraquecimento do seu erotismo anal": o car ter do adulto era.30 Manter esse sentido de espanto vivo é o ganho técnico mais valorizado pelo psicanalista. a pacientes que exibem exatamente o oposto delas. aplica-se a pacientes que exibem uma tríade de características observ veís. Isto é verdadeiro a despeito de todas as aparências. Freud acreditou que 11 era incontest vel que de algum modo as três se relacionavam". e se é feliz o suficiente para . uma capa vermelha diante dos partid rios da falseabilidade. e Frãulein Elisabeth vort R. Os próprios casos iniciais que publicou com Breucr. também vale o mesmo diagnóstico.os primeiros exercícios de psican lise -. Elas instruíram Freud em esperar os contos mais enfadonhos. mesquinho e teimoso. a racionar as suas intervenções.

Muitos indivíduos superam adequadamente o seu erotismo anal no decurso de um desenvolvimento mais ou menos saud vel. na medida em que é libídinoso e irracional na sua natureza. o presidente de uma caixa econ"mica ou um corredor persistente da maratona de Boston. A lógica da caracteriologia freudiana. é a medida das emoções presentes nos motivos. escreveu ele no seu famoso caso clínico sobre o "homem dos lobos". prevê muitas ocasiões em que um diagnóstico de erotismo anal poderia ser por demais simplista ou err"neo.. " Onde h fumaça. o diagnóstico de erotismo anal nunca pode estar errado. luz da exposição de mais material clínico. Por outro lado. embora o diagnóstico cubra uma grande rea e se aPlique a um conglomerado de sintomas. apesar da sua capacidade duvidosa de abarcar manifestações contraditórias. 0 car ter é um resultado. uma 71 !i # espécie de predição oculta de que este é o padrão que a an lise ir revela~. Nesta versão. uma das possíveis estruturas de car ter. como de Outros.inscrever o seu padrão de car ter em esferas mais dignas de atividade como se tornar um projetista dos hor rios das ferrovias. muito mais variada e menos óbvia do que uma doença definível como a tuberculose ou a hipertensão. E se não o pode nunca. outros exibem apenas traços dele. Pode-se entrar numa carreira banc ria ou tornar-se um corredor fan tico pelas mais diversas razões. o diagnóstico de "erotismo anaV. Se o pequeno Hans (para explorar um dos casos mais conhecidos de Freud) é afeiçoado ao seu pai. no prazer fecaU. A constelação é.. e que as regulem de acordo com considerações realistas 11. pensamentos e ações do paciente. é false vel. De fato. Urna conjectura inicial no decurso de uma an lise. principalmente fora do campo psicanalítico. e acrescentou. Ele tem interesse para o diagnóstico somente se se for incapaz. pode mostrar-se simplesmente insustent vel . não pretende ser nem universal nem infalível. é sem sentido. "a rastrear o interesse por dinheiro. É apenas "a medida excessiva e o car ter compulsivo da ternura" que "nos revelam" que o amor e o ódio lutam pela primazia no inQonsciente de Hans. com uma história própria. isto sozinho não é suficiente para despertar a suspeita do analista de que o amor demonstrado pelo pequeno esconde um ódio que o contradiz. que recuam diante de outros mais proeminentes. nem sempre h fogo. "Um curso normal de pensamento". nem mesmo est de acordo com a honra duvidosa de que o car ter anal seja o traço organizador do capitalismo moderno. Freud não propoe que o car ter anal esteja presente em todo mundo. "Estamos acostumados". todas essas adaptações adultas servem somente para documentar a sua incapacidade em superar os resíduos da sua resistência infantil ao treino de toalete e o seu prazer excessivo em reter as suas fezes. para ele. pode ser dominado no fim". de "dissolvê-lo ou de se desembaraçar dele". A pedra de toque desse diagnóstico. . com aquele senso comum resoluto que lhe é freqüentemente negado: "Presumimos que as pessoas normais mantenham as suas relações com dinheiro totalmente livres de influências libidinais. portanto. como Freud OxPÔs unia vez. algo com múltiplas camadas. "não importa quão intenso. a despeito de todo esforço consciente e da vontade do pensamento". diferente de alguns de seus discípulos mais entusiastas. 3' Freud nunca negou as pressões exercidas pelas realidades externas.

mas. aberta . ou com que força. Mas são tão precisas e reveladoras como pode ocorrer numa psicologia que trabalha com materiais mentais relevantes.e . falsificação .. na qual um desejo agressivo ou erótico proibido foi encoberto por uma conduta exagerada que aponta para a direção oposta. dois h bitos culturais valiosos. Isto é como as pessoas são: sacudidas por conflitos. na qualidade e na extensão com o que o sujeito se ocupa emocionalmente. mais do que a necessidade de corrigir as caricaturas sobre a teoria e os procedimentos fretidianos. a sua relevância para o trabalho do historiador. os traços de um passado inicial muito similar. A chave para essas questões. ou nada. mas o antivivissQccionista furioso desperta a suspeita de que alguma vez ele abrigou o mais cruel sadismo infantil. GOethe forçou-se seriamente a subir a espiral da catedral de Estrasbur90 e realizou a subida não para ter uma visão gloriosa e aprazível da ciclade e de suas cercanias. Assim esse a-to manifesto esconde o que o psicanalista Otto Fenichel chamou de atitude contrafóbica.. com ela. uma irritabilidade inaproPriada. cada um . precisamente porque Goethe ocupou-se nesse ato de bravata com uma intensidade apaixonada e incompatível com uma procura simples de prazer.. procurando reduzir tensões através de estratagemas defensivos. sua maneira.de por que sabotam as suas proprias carreiras. 0 que est em questão é nada menos do que a visão psicanalítica da experiência humana e. e na maior parte vagamente. paixão do historiador por complexidade. com a sija sinceridade. dificilmente poderiam surgir. objeto de uma reprovação: sem eles. comprovação . ao contr rio. amam e odeiam com uma paixão que nos momentos de sobriedade simplesmente não compreendem.. um esboço de neurose escondida que poderia 72 despertar a atenção de um psicanalista ou de um historiador treinado em psicanálise. são aliados na luta contra o reducíonismo. É bastante inofensivo sentir compaixão pelos animais.. conscientes do que sentem e de que agem como o fazem . uma aversão que pesava para ele como uma reprovação . e os julgamentos podem diferir. est na presença ou ausência de excitação irracional. para curar-se de uma 'vertigem. portanto. esses estratagemas entram em operação vai depender da veemência e da obsessão com que se sustentam tais crenças e se defendem tais convicções. Um exemPIO nftido do que Freud chamou "a medida excessiva e o car ter compulsivo" de uma emoção é a manobra defensiva da formação reativi~t. sua masculinidade e que diminuía a sua auto-estima. ambivalentes em suas emoções. na dimensão da diferença entre o gasto real de energia e o que seria racional# mente necess rio. São precisamente a ausência aparente . para Freud.. um fanatismo que a cultura em torno não autoriza. Mas se.. Essas não são medidas muito exatas. os psicanalistas e os historiadores.como as observaçoes mais comuns. -E~i limpeza ou a modéstia. As descobertas da psicanálise falam diretamente . Tais estratAgemas não são. Minha an lise da lógica da pesquisa psicanalítica e a minha exploração dos estilos psicanalíticos de pensar objetivam. As Pistas psicológicas de que o cheiro de fumaça possa de fato indicar um fogo abafado são uma agitação intensa. repetem casos desastrosos. inclinados a terem diversas causas e a conterem diversos significados?` Como descobridores e documentalistas da sobredeterminação. 0 pacifista belicoso exibe.h lugar para uma indignação ou para uma admiração apaixonada.. Os sentimentos e as ações humanas são em grande medida sobredeterminados.. contra as explicações mortocausais ingenuas e pouco elaboradas..

é uma criatura com contradições e segredos. estou convencido. que devem lidar com pessoas -indivíduos ou grupos . Todos esses tributos . 0 menino ama e odeia o seu pai ao mesmo tempo.em ação todos os dias de sua vida. como Freud disse.. singularmente apropriados para os historiadores. Mas isso é apenas urna defesa contra ter que lidar com o entrelaçamento sutil de motivos e coerções. Amor e ódio. No m ximo.para registrar as superfícies fragmentadas e o som das profundezas ínexploradas da naturcía hurnana. "An It títeses . a mãe que ela queria ver morta a tarde. . os profissionais mais realizados e com maior sensibilidade histórica apreciaram e procuraram reter a enorme diversidade da conduta hurinana. Natureza humana na história A 1 . Freud.de lógica nas observações psicanalíticas e a proeminência que dão .É esse encontroamento de contr rios. a tecnologia. repito. "É. coniudo. são. os encontros do homem com o poder. tem sido tratado como freqüentemente ocorre com tais mensageiros. Certamente. para ele.. têm sido elegantes. desejos conscientes e obstruções inconscientes. "estão sempre intimamente ligadas e freqüentemente aparecem aos pares de tal forma que se um pensamento 7 ~) # é muito intensamente consciente. ainda difícil de ser aplicado e ainda assim. a menina abraça ternamente.. o melhor que temos no presente . que desprezam a clareza e parecem ofender o princípio da parcim"nia. Contra os historicistas . inconveniente que as pessoas devam abrigar conflitos... ser recalcada e inconsciente". de emoções irreconcili veis que torna o complexo de Édipo um paradigma da existência hurnaria. especialmente a partir da insistência dos psicanalistas sobre o fato de que as batalhas mais interessantes ocorrem no inconsciente e que deixam apenas traços fragment rios. 0 homem.falível. complexidade. o que torna a comprovação uma ocupação corajosa e arriscada. como j disse antes. As posturas mais firmes e as convicções mais doutrin rias mascaram dúvidas e ansiedades. realidades objetivas e representações mentais que constituem a vida menial daqueles que o historiador tem a tarefa de compreender. comoventes e penetrantes. Mas a história pede explorações mais profundas até do que a deles. a ânsia de destruir e a necessidade de preocupar-se coexistem em todos.. a sua contrapartida.s tensões não resolvidas que transformaram Freud no geógrafo supremo da mente. Muitos historiadores têni ouvido a música do passado mas a têm transcrito para um simples assobio. a natureza . Don Juan teme a impotência. 0 que a psicanálise pode trazer para a determinacão do passado é um conjunto de descobertas e um método .e consigo mesmo. o mensageiro das m s notícias. :'. testado de forma incompleta. teme talvez o fato de ser um homossexual recalcado. noite. como se as tivesse inventado.

Eles concordariam que Freud era um homem obsedado. Embora os historiadores tenham aderido e propagado avidamente a lenda da judia vienense como a analisanda típica. alimentou o seu pensamento e a sua teorização com as revelações dos pacientes que vinham consult -lo. Lawrence Stone apenas na aparência é inenos severo. A "dependência tem-. e apenas para ela . Mas. mas duvidariam que a psicanálise pudesse projetar algurna luz sobre a natureza humana. rica e recalcada. E para David Hackett Fischer. a judia vienense Hausfrau. mais tarde.e eles falam em nome de um consenso . ou mesmo para os europeus nos três séculos anteriores.Ao descobrir Sigmund Freud no final de sua vida. Ele acredita que o "discurso científico" freudiang baseia-se sobretudo nos "problemas altamente específicos da burguesia austriaca do fin-desiècle".exceto talvez para a sua irmã americana "Freud". a primeira das 1. é estreitamente dependente da cultura". James desejou-lhe sucesso. suas teorias valem (se é que são v lidas) para o paciente psiconcurótico arquetípico. e em especial nos primeiros anos de sua pr tica. Certamente projetarão alguma luz sobre a natureza humana". ou ainda para todas as classes no final da sociedade vitoriana" 2 Para esses historiadores . ele amplia a apreensão freudiana de Viena para a classe média européia no século XIX apenas para quase suprimir totalmente a sua relutante concessão: "Nada poderia ser mais falso". . "para que possamos apretidê-las. em 1909. cuidadosamente demarcado de validade. na sua condição origin ria. a sua relação com o estado de coisas verdadeiro é tênue. com uma teoria incompreensível sobre os sonhos. o historiador da psicologia profunda. escreveu. Freud necessariamente. entedíada. argumenta. "era vienense até a raiz dos seus cabelos". bastante irrelevante fora da sua esfera definida e altamente restrítiva. no seu modo de ser caracteristicamente aberto.' Os historiadores têm sido geralmente menos generosos.loral" do 11 mundo das idéias" freudianas tem sido freqüenternente "subestimada". os historiadores concedem ao instrumental freudiario um domínio confinado. apesar do seu forte enraizamento. William Iames achou que ele era uni "hornern obsedado" com "idéias fixas . i # Wehler. A psicanálise nascida e desenvolvida em Viena parece-lhes ser a quintessência vienense. Outros historiadores têm retirado as implicações dessa percepção. `Espero que Freud e seus discípulos levem as suas idéias até os seus limites mais extremos". Na medida em que vêem alguma plausíbilidade nela. como coloca Henri Ellenberger.Freud preside um território diminuto. "do que afirmar que as experiências e as respostas sexuais dos europeus da classe média no final do século XIX seriam típicas para toda a humanidade no passado. segundo a queixa do historiador social alemão FlansUrich i. com noções perigosas sobre simbolismo e com uma incompreensão preconceituosa so# bre religião. cinco falhas substanciais da teoria freudiana" é a de que "ela. Não h nenhuma razão para ser conivente com a liquidação do império freudiano.

colocou durante todo o século XIX.não era nem entediado. distorcem e selecionam tendenciosamente características que todo ser humano possui. na maioria dos seus aspectos. Além do que. não é por si só uma garantia ou uma segurança da # aplicabilidade do instrumental psicanalítico . não temos nada parecido com um cat logo exaustivo dos pacientes em an lise com Freud. ou sobre os quais se instruiu. os gentios igual ao de judeus. Uma psicologia que alega iluminar a natureza humana deve ter relevância para toda a profissão histórica. seus antecessores do . ao coletar material a partir de seus casos. Infelizmente. como os entendeu. Ranke e seus seguidores. Schreber um juiz alemão. em um repertório relativamente grande. e Sigmund Freud . Certamente. H muito tempo eles descobriram que era necess rio refletir sobre a questão de como poderiam defini-Ia. A questão pode parecer abstrata. Dora a irmã de um amigo. Mas a idéia de natureza humana não é. casos especiais. Mas desde o início. vieram a representar um corte razo vel das camadas média e alta da civilização ocidental: os adultos em número não inferior ao de jovens. um põeta americano. sobre seres humanos afastados no tempo e no espaço. existe algo assim. são. puderam contribuir para a rede do conhecimento psicanalítico... como j assinalei. Marie Bonaparte uma princesa francesa. Apenas isto. H. Freud teve analisandos mais diferenciados do que os indicados pela lenda. mas os seus casos mais citados demarcam os horizontes amplos da miséria mental: o pequeno Hans era um menino de cinco anos.D. como Hans Sachs relatou. Eu disse no início que os historiadores trabalham com urna teoria sobre a natureza humana. os pacientes de que tratou. Mais tarde.. de disposições universais bastante est veis que se poderiam apreender sob a rubrica muito usada e abusada de natureza humana. inocente e mais-como um ato agressivo e polêmico contra os filósofos. nem rico.Só p"de ampliar a sua base de prova quando a sua reputação difundiu-se e ele passou a ter seguidores que. sabemos o suficiente para dizer que ele p"de basear-se. Freud analisou mais em inglês do que em alernão. a questão se a natureza humana existe foi uma que a escola historicista. os homens tanto quanto as mulheres.3 Embora a nossa informação a respeito da pr tica freudiana seja fragment ria. de fato. a partir da sua experiência clínica. o homem dos lobos um aristocrata russo. Mas Freud acreditava que poderia fazer inferencias justas.tão semelhantes a elas que certamente pode-se duvidar da própria noção de normalidade. nem uma 76 mulher nem muito judeu. mas tem sido totalmente familiar .certamente o seu paciente mais instrutivo --. certamente. profissão histórica. e isso por duas razões: os neuróticos. uma psicologia v lida apenas para alguns vienenses da virada deste século seria interessante só para alguns poucos especialistas que estivessem escrevendo histórias sobre como era a cidade por volta de 1900.s diversas culturas e epocas. de modo que através disso dramatizam de forma conveniente as suas operações. Após a Primeira Guerra Mundial. pessoas normais .mesmo para eles. se. menos como uma interrogação. de nenhuma maneira uma idéia satisfatória. os leigos ingleses e os médicos americanos. para as suas idéias. essas características são. ou derivados.. Eles exageram. para Freud. Obviamente. mas que muito do seu funcionamento é secreto . para os historiadores.

Mas isso é um pressuposto. tinha causado . a obra Entstehung des Historismus. própria idéia de natureza humana que.. Essa denúncia aos historiadores do Iluminismo mostrou ser mais do que apenas uma plataforma do século XIX em defesa de um novo início para uma velha disciplina. . o Ródano para o sul. "Sei que a natureza essencial do homem é imut vel no tempo e no espaço". enquanto crítica e postulado. em todos os lugares e em todas as épocas. os filósofos tinham recontado aquela suprema ficção que chamavam de natureza humana.. mas que sobreviveu.século XVIII. G. eram os de individualidade e de desenvolvimento. The decline and lall of the Roman Empire. só h homens." ' A história cl ssica dessa postura. Para ele. ou Le siècle de Louis XIV.. sem valor para o historiador. escreveu sarcasticamente Lucien Febvre em 1925. o que ele tem é história. até o nosso século. de uma distância necess ria e de uma identificação igualmente necess ria com os seus materiais humanos. Voltaire e Hume. Mas insistiu que esse ponto de vista "fracassou em compreender as transformações profundas e a multiplicidade de formas a que são submetidas a vida mental e espiritual de indivíduos e comunidades. Nos seus escritos históricos. todos difundiram a mesma boa nova: ~o homem (para recordar Ortega) não tem natureza. as de Gibbon. o homem não existe. ainda assim ambos originam-se na mesma montanha. fatalmente ausentes de todas as histórias que trabalham com uma teoria sobre a natureza humana. de acordo com a argumentação dos rankeanos. historiografia um prejuízo significativo ao frustrar qualquer percepção verdadeiramente histórica do passado. Benedetto Croce na It lia. apareceram-lhes como bidimensionais. R. era um repúdio categórico . Essa invenção. Os dois princípios históricos que Meinecke consagrava na visão e no pensamento historicista. carecendo. e atua também sobre eles. ou History of England não eram para eles histórias mas (como diríamos atualmente) exercícios de sociologia retrospectiva.. de Friedrich Meinecke. Ortega y Gasset na Espanha. Foi um ato necess rio de parricídio intelectual. Collingwood na Inglaterra.. era qualquer coisa menos uma avaliação desvinculada e neutra.. 77 i # os hístoricistas insinuaram sombriamente. de imediato. e posso acrescentar. Aquelas obras que tinham sido famosas. um conjunto fixo de paixões e motivos que declaravam que tinham observado em funcionamento em todas as épocas e em todas as civilizações. "Conheço essa ladainha. como para o geógrafo . Lucien Febvre na França. E de novo: "0 Reno vai para o norte. havia obstruído h muito tempo o pensamento histórico. com aquela veemência que o caracterizava. Meinecke lançou mão de duas declarações de David Hume: "A humanidade é de tal forma a 1 78 mesma. que a história nãU nos informa sobre nada de novo ou de estranho nesse particular". publicada em 1936. Meinecke tinha certeza. apesar da persistência das qualidades humanas b sicas". Meinecke admitia "um núcleo de verdade" no que chamou de "ponto de vista generalizador das forças histórico-humanas" dos filósofos. Para exibir os vieses anti-históricos do Iluminismo em todo o seu nivelamento funesto.

e então dêem o veredicto". De forma ir"nica. os filósofos. Ao contr. virou as costas para essa injunção por tolerância em momentos críticos. o próprio Meinecke. o discípulo de Zenão ou de Epicuto". Ele menosprezou os filósofos.` Em essência. causam todas as # diferenças entre os seus cursos". a partir de "um est gio mais elevado de compreensão" que. para eles. Meu prop¢sito não ‚ promover a reputa‡ão dos historiadores que trabalharam no s‚culo XVIII. que atingiram "o est gio mais alto na compreensão das questões humanas que j havia sido alcançado".conexão entre imparcialidade e empatia a seu priA(lplo supremo. Os homens do Iluminismo festejaram o drama cl ssico e instrutivo que. que ele entendia no sentido de espírito histórico. romano. livremente o transgrediram. E foi conquistada. E David Hume. de forma bastante curiosa. Uma leitura dos escritos históricos dos filósofos 79 i 1 1 ÑZfreud2. enquanto os hístoricistas elevaram-a. constituía o passado.txt535353revelar que tais manifestos não eram meramente uma fala piedosa ou simples boas inten‡ões. pois.. podia ser cultivado pelo "h bito de se tornar alternadamente grego. o mesmo filósofo que insistiu em ligar o Reno e o Ródano.rio.nas suas direções opostas. A paixão deles pelos arquivos era uma que não era partilhada com os filósofos. e respondeu: "Ouçarnno defender-se a si mesmo com as suas próprias m ximas. Essa mentalidade tinha de ser vencida antes que a disciplina histórica pudesse realmente se estabelecer.' 0 que Ranke quis dizer foi que o historiador deve tratar cada evento e cada epoca como Índuplic vel e deve permitir a cada uma os seus próprios valores. tão próxima de Deus quanto a sua própria. naturalmente pelos pensadores alemães. Os historicistas. Gibbon acre ditava que o "espírito filosófico". quase literalmente. Certamente a justificativa de Meinecke do historicismo documenta involuntariamente algumas de suas promessas não cumpridas. As diferentes inclinações no terreno. mas como deveria ter sido julgada a partir dela mesma. o sistema historícista é um coment rio da célebre m xima de Ranke: Toda época relaciona-se imediatamente com Deus. de toda sua auto-satisfa‡ão. um tanto complacentemente.. afinal de contas. sobre o qual correm.-. acreditou que havia atingido: a época deles não estava. fizeram avan‡os profissionais substantivos no m‚todo e na pr tica hist¢rica em relação aos do Iluminismo. perguntou: "Você julgaria um grego ou um romano de acordo com a lei consuetudin ria da Inglaterra?". apesar da ingratidão. e . o mesmo princípio da gravidade. Voltaire recomendava insistentemente que "devemos estar em guarda contra o h bito de julgar tudo de acorde com os nossos costumes". embora fossern Èe~Iiiens dotados com uma missão. no seu orgulho. julgando não a partir do ponto de vista superior da posteridade. algumas vezes realizaram exatamente aquele princípio. em detrimento daqueles do s‚culo XIX.

o sumo sacerdote historicista do desenvolvimento e da singularidade. algumas vezes ter dado apoio eloqüente a uma postura anti-historicísta. A Voltaire. induzida por um desfile sedutor de vampiros eróticos e dem"nios femininos. é um dem"nio.nuidade e mudança". # Es ist ein altes Buch zu bldtiern: Von Harz bis Hellas immer Vettern! 0 porta-voz de Goethe aí. algumas vezes até a invisibilidade. ele faz com que Mefistófeles queixe-se de que tinha ido . "conti. A . Os historicistas tendem a iluminar essas semelhanças fundamentais. Mas o compromisso profisãonal do historiador com a mudança não precisa ceg -lo para a universalidade da estrutura . mas é preciso que se diga mais uma vez: as agitadas correntes da mudança recobrem. é claro. se defrontado com parentes próximos. sarc stico.. Elliot uma vez colocou de forma conveniente. as mudanças lentas e profundas dos desejes... que os historicistas consideram como o seu santo padroeiro. de Goethe até Freud.assim falharam em fazer justiça . uma qualidade necessaria em qualquer poeta. é "urn sentido tão atemporal quanto temporal". que tristeza.. uma velha 80 estória das Montanhas Harz na Alemanha para a Grécia distante nada além de primos: Hier dacht ich lauter Unbekannte Und finde ich leider Nahverwandte. a reconhecer algo semelhante em suas concessões um tanto relutantes a um 11 núcleo verdadeiro" na concepção do Iluminismo sobre o passado. sentiu-se impelido.. Era. variedade completa da experiência humana. nem o mais devoto dos discípulos de Ranke negar a realidade da permanência: o clichê gasto. gratificações e frustrações persistentes do ser humano...s fantasias noturnas para encontrar estranhos e só tinha. "faltou a alma compreensiva.s tragédias de Voltaire. atesta isso. É por isso que todos os seus personagens assemelham-se entre Si". como diz Stendhal. sugere uma verdade geral que os estudiosos da humanidade. Soa quase banal dizê-lo. Na Noite Cl ssica de Valpúrgia. entediado. 0 historiador que iguala o seu ofício ao de contador de estorias e um praticante tão unilateral quanto o historiador impaciente com o que ele chama de Phistoire événementielle. disse. "0 sentido histórico".' Mesmo Meinecke.mais do que o seu culto pela individualidade pode eliminar a necessidade de fazer comparações ou generalizações... têm estado bastante conscientes: as manifestações prementes e insaci veis das fantasias sexuais. apesar de suas formas individuais. no Fausto." Mas sua observação. afinal de contas. como T. cansado deste mundo. e assim a uma certa "persistência" das "qualidades humanas b sicas". geralmente usado para funcionar como um cesto /que abriga coleções de ensaios heterogêneos. constituem uma família de desejo. H lugar na profissão histórica seja para aqueles que como Namier ou Braudel analisam estruturas.que de qualquer maneira progride de uma forma regular . H uma justiça poética no fato de Goethe. poderia ter dirigido a mesma crítica .s histórias de Voltaire. seja para a maioria que narra seqüências. 0 mais enf tico dos historiadores sociológicos certamente não negara a realidade do movimento. S. 8 Ele estava referindo-se .

o historiador que admite abertamente que est tra balhando com a idéia de natureza humana invoca entre a maioria dos PI apil mm seus colegas a visão intrag vel de classificações anêmicas. a mudança é um conjunto de variações sutis que o mundo executa de acordo com temas indefinidos e persistentes. é educ vel para o bem ou para o mal. A aprendizagem realiza o trabalho sobre instintos programados com precisão.. como se poderia dizer. parte do legado partilhado com outros seres sensiveis .é parcialmente previsível e ainda assim invariavelmente fascinante. 0 homem entra na vida como o mais incompleto dos animais. insistentemente destrinchada. Mas enfatizar produz uma diferença.maior parte dos historiadores não pode deixar de fazer ambos. As pulsões e suas vicissitudes As experiências do historiador e do psicanalista com os seus materiais humanos convergem e se sobrepõem.momentos mais ou menos antecip veis.. obviamente. a natureza humana constrói uma variedade dram tica e inesgot vel a partir de poucos elementos e regras.e í~i-IÉas--farí~i-liares. necessitando pateticamente de alimentação e proteção por parte dos outros. a questão é de ênfase. A natureza humana faz muito a partir de pouco. Muito da informação que outros animais-trazem . Sua relevância tem de ser. não parece ser útil para as preocupações do historiador. A asserção de David Hume de que "a história não nos informa sobre nada de novo ou de estra 81 i 1 # nho" a respeito das paixões e das condutas humanas parece ser indevidã`Me-nte---pessimista:para o pra ticante experiente como para o psicanalista tarimbado . que torna a história possível. Mas ela-s se movem ao longo . Se é a mudança. É por isso que a história . 2. Afinal de contas. Freud escreveu no seu grande artigo de 1915 sobre o tema. e é capaz de desenvolvimento". Ainda assim as discriminações devem ser feitas e são possíveis. portanto. com toda a sua tenacidade.--õc-orréii-dõ em . 0 inconsciente.como a psicanálise .. A base sobre a 1 qual a teoria psicanalítica se apóia para afirmar a continuidade da i experiência é a alegação de que todos os homens partilham de algumas precondições inevitavelmente universais.. "est vivo. Mas de fato a natureza humana tem a sua própria história. Certa ente. Como o jogo de xadrez._Ei-sí~ó ias de vida retêm a sua capacidade para gerar o novo e o esfranh~õ-. nasce com poucas pulsões instintuais cuja plasticidade. em desenvolvimento e intermin vel.. e de reiterações est ticas e monótonas que violam a experiência do passado como algo diversificado. é a persistência que fundamenta a compreensão histórica.e e por isso que o homem é um animal preponderantemente cultural. ainda assim a percepção do psicanalista da natureza humana.

0 que Freud chama de "a longa dependência e desamparo da infância" ` é uma realidade biológica inescap vel com conseqüências psicológicas variadas mas previsíveis.. classes e mesmo. ou sensibilidade . combinadas. pretensa rigidez freudiana.. que "a pulsão sexual não é uniforme". é uma região "na qual lutamos laboriosamente por discernimentos e direções". Mas a necessidade de cuidados e de tutela durante anos é comum a todos os homens. A seguir. Elas fazem a história. disse-o com freqüência e com clareza. o indígeria kwakiut]..Coíhd todos nós sabemos. Freud postulara dois conjuntos de instintos . afirmou em 1932. esplêndidas na sua indefinição" . o egípcio antigo. disfarçadas. o homem não é um todo sem as pulsões instintuais. j citei Lawrence Stone. feitos a partir de desejos freqüentemente discordan . posição prec ria que as pulsões instintuais ocupavam na biologia e na psicologia de sua época. o outro. E essas duas pulsões. numa crítica severa . os psicanalistas consideram que as pulsões não são simples. estimulação.. meros impulsos manifestando uma necessidade simples e única. e atribui algumas de suas dificuldades .. no início da década de 20. mas "var ia enormemente de indivíduo para indivíduo".12 Ele escreveu isso uma década após ter exposto a sua teoria estrutural na qual revisou a sua concepção sobre as pulsões e deu ao seu dualismo final uma forma tão decisiva que muitos psicanalistas recusaram-se a segui-lo em todas as suas conseqüências. Entre essas pulsões. embora seja muito mais livre do que outros animais nas adaptações que ele possa construir e nas defesas que possa desenvol# ver. Pulsões. embora menos acentuadamente. a sexualidade e a agressão ocupam um lugar central para o psicanalista. Freud disse o mesmo e melhor. assinalam as semelhanças de família que a sua tutelagem prolongada acabou por impor a ele em primeiro lugar. confrontou as poderosas eneregias criadoras de Eros com energias igualmente poderosas e destrutivas. e estas. disse. mas conglomerados. entre famílias." Freud reconheceu que a constituição biológica varia de criança para criança: suas dotações inatas de força pulsional. a criança a sorve te---seuíã-e-UO-. ou sua predisposição .um a serviço da perpetuação da raça humana. os modos alimentares e de treinamento variam drasticamente entre culturas. A região dos instintos. Seria ocioso alegar que a teoria freudiaria dos instintos est totalmente livre de obscuridades. regiões. "são entidades místicas. ansiedade. em primos. Nos anos iniciais. a teoria dos instintos era a "nossa mitologia". Transforma o historiador moderno. Mas de nenhuma maneira a confusão foi feita por ele. male veis como são. as do instinto de morte. servem como combustível para a ação humana. Além do mais. da do indivíduo.. Na realidade. 82 1 1 1 Mas.. são peculiares a cada uma..sexuais e egóicos . Não é um problema para a teoria psicanalítica que existam bebês serenos e bebês agitados: analistas infantis j exploraram muito esse fato. para ele. 0 próprio Freud nunca se satisfez com ela. arnadurecidas.E-sorve ( --em seus genes. De fato. para retornar ao mundo de Goethe. que assinalou.

Situados na linha limítrofe " entre o mental e o som tico". a atribuição de objetos eróticos.. seus objetos. o objeto.revela um repertório ainda mais amplo de campos possíveis para ação do que a pulsão sexual. e inclina-se a tratar a vida como uma tragicomédia de desejos insatisfeitos e realizações arriscadas. 11 pode freqüentemente ser alterado . 0 grupo de pulsões conhecido coletivamente como agressão . sua própria sobrevivência. mas lhe é atribuído na medida em que se mostra adequado para tornar possível a satisfação".. acima de tudo. Freud argumenta enfaticamente. . "é a coisa mais vari vel a respeito de uma pulsão. É uma constante da vida humana . 0 psicanalista...o amor por si mesmo ou pela mãe.. boa opinião que ela tem de si mesma .. nos casos mais extremos. vê a fuga.. a atenuação de conflitos que nunca são completamente dominados. 0 ponto de vista psicanalítico das pulsões d conta tanto da sua uniformidade como da sua variedade..que a criança veja pelo menos alguns de seus desejos como ameaças .um termo um pouco menos solene através do qual a maioria dos psicanalistas traduziu o instinto de morte freudiano . Neste ponto a teoria psicanalítica e a experiência do historiador sobre a natureza humana podem convergir de maneira proveitosa. De fato.. como suas vicissitudes . sem ocultar completamente a sua origem comum.s suas necessidades de amor e de aprovação pelos outros. e. as pulsões instintuais diferem de acordo com a sua origem. ao refletir sobre o funcionamento da mente. A mesma mistura de plasticidade e similaridade caracteriza os mecanismos de defesa.s pulsões em particular. vontade"." Assim.. seu objetivo e. a proposição de que as pulsões formam um conglomerado unido em uma família de impulsos que busca satisfação oferece boas razões para que o historiador reconheça e analise motivos humanos de indivíduos e sociedades longínquas sem os reduzir a cópias p lidas de seus próprios traços culturais.outra experiência comum articulada em uma variedade impressionante de formas embora não ilimitada . na sua origem ele não est ligado a ela. 0 que eu disse anteriormente sobre a natureza humana em geral aplica-se .83 i # tes que lutam por satisfação. e pela mesma razão: elas têm a sua história. de advertências ansiosas e restrições 84 Á 1 i defensivas problem ticas. por um colega ou pela esposa -. sua pressão. No curso da sua história de vida. é em larga medida o trabalho da cultura traduzido em representações mentais no indivíduo. A natureza humana em ação parece con# .

Psicanalistas posteriores não prezaram menos esse triângulo. mas é também a sua forma mais primitiva: "Se o pequeno selvagem" esta é a forma pitoresca com que Diderot se refere ao filho do primo de Rameau . quase com a mesma freqüência. P. que a forma em que é resolvido ou recalcado depende fortemente da "influência da autoridade. a que torna o homem humano." Com um convencimento perdo vel.17 Contudo. ao preservar toda a sua tolice e ao acrescentar. lingWoOd esFaVrmuito---PrUdimo de-endossar~)_".~-&e-te-c-tar algo na história.vidar. o que significa para ele uma idéia ridícula . das leituras feitas". como resultado d-o-pro-cesso histórico. "Se não existisse uma coisa o a-le( como natureza humana (uma doutrina que f leci-Jõ-p~rofessor Col. eÍcréveu uma vez o historiador i_ngI:U Ri-c-hãr"ares e 1 M um ensaio criterioso sobre a profissão histórica. se evadem a acomodações fr geis entre as facções em luta na mente."fosse deixado a si mesmo.não h nada no enunciado de Pares que constitua uma exceção para o psicanalista. Em poucas palavras. não tinha nada de ridícula. Freud não viu nenhuma versão simples e dominante do complexo mesmo entre os seus contemporâneos ou entre os seus compatriotas austríacos. A instância mais reveladora (e a mais problem tica) sobre o funcionamento da natureza humana é provavelmente a do complexo de Édipo. de fato impor.a sua consciência e a panóplia de seus sentimentos de culpa . suas voltas e reviravoltas quase desconcertam pela sua engenhosidade. Ainda assim historiadores não hesitam em ridiculariz -lo. Freud alegou que se sentia orgulhoso pela descoberta. Era apenas bastante complicada. e pensou.. Aquela incredulidade que Sidney Hook encontrou quando pedira a psicanalistas que imaginassem uma criança sem o complexo. Estendendo-se através das épocas e das culturas. tanto no momento como nos anos seguintes." Variedade na uniformid de-. embora fosse uma idéia brilhante. como sabemos. ao pequeno sentimento de uma criança no berco. e não trat -lardess---a f"rma torna a história sem vida". é altamente instrutiva: o complexo de Édipo é. estrangularia o seu pai e dormiria com a sua mãe".. da educação. Taylor. nada poderia ser previsto. a experiência crítica do desenvolvimento. para eles. por exemplo. as violentas paixões de um homem de trinta. As conseqüências dessa irrupção na vida juvenil são monumentais. Para A.-u-niformidade-por tr s da variedade . a atividade propositada das defesas e o drama do desenvolvimento. nem se poderia até mesmo chegar . o complexo de Édipo foi somente uma das idéias "brilhantes" de Freud. 0 superego do menino ._ _"não se poderiam estabelecer com segurança quaisquer leis gerais. o triângulo edípico que Diderot descreveu toscamente em Le neveu de Rameau (uma descrição que Freud 85 # citou mais de uma vez com prazer) pode ser o mais familiar. e que o tinha irritado tanto. o menino descobre desejos apaixonados pela sua mãe e um sentimento igualmente apaixonado de rivalidade em relação ao seu pai. Ainda assim a próp~ia _natureza hum fia varia no teffipd. do ensinamento religioso."' Esse é o complexo de Êdipo /~sobre o qual as pessoas ouvem falar: no curso do desenvolvimento psicossexual. pois exibia com força excepcional as vicissitudes das pulsões. compromissos inst veis que estabelecem repetidamente e. que imagina em voz alta "Como alguém pode levar Freud a sério?". 1.

e cometer assassinato ou incesto em pensamento é tão imperdo vel quanto fazêlo na cama paterna. ao deixar os seus traços de ambição e resignação. Tudo o que se sente. não incestuosos. até os tabus mais energicamente protegidos pela cultura. E ramifica-se pelo campo da vida mental desde os anos da infância.s dificuldades do destini humano desde um marco muito precoce da sua vida. mas é . Não é f cil sentir a presença malcasada de desejos eróticos veementes com desejos destrutivos. desiste de buscar a mãe. Para o freudiano profissional. A criança não apenas odeia o seu rival sexual. 86 1 1 uma fase do desenvolvimento que serve não apenas para gerar neuroses. se os desejos forem satisfeitos. internaliza o ódio e as proibições do pai. ou seja. Mas isso não diminui os riscos.se tiver sorte . p ra por aqui. verbais ou físicos.o desapontamento ser agudo. que leva a fase edipiana . Simultaneamente expoe a criança as suas paixões e ensina-a a lidar com elas. contudo. Pois se est vagamente consciente de que. 0 complexo de Édipo tem sido chamado de maneira sensível de uma escola para o amor. Freud expandiu e tornou o seu funcionamento complicado em todas as direções. essa versão do complexo é somente o seu começo.a coexistência freqüentemente insolúvel de amor e ódio. expõem a criança . se forem frustrados o resultado mais prov vel . quando ela est mal preparada para a violência de tais ataques. em uma caudal de sentimentos prementes e conflitivos. para gratificar as suas necessidades eróticas. e. com igual pertinência. demasiadamente pequenas e fracas. amedrontado pela veemência de seus desejos e ameaçado pelas fantasias (e talvez pela realidade) da retaliação adulta. Não o limitou aos meninos: as meninas também passam pela fase edipiana. de uma escola para o ódio. A fase edipiana pode ser uma escola. Ambas as formulações enfatizam apropriadamente a sua função pedagógica: o complexo de Êdipo é no m ximo uma escola. o complexo é um exemplo poderoso da ambivalência fundamental e inerradic vel do homem . assim como seus alvos. A maioria dos não analistas que define o complexo de Édipo. desejar e fazer são idênticos. quando crescer .vai procurar objetos mais adequados. esse é o esforco. sua pungência. não podem traduzir emoções incipientes em ações explícitas. se forem detectados. Sua energia.. a criança na maioria das vezes exercita os seus violentos crimes de paixão apenas na sua mente ou em gestos ocasionais e patéticos. Nem duvidou que as diferentes classes e culturas o experienciavam de uma forma distinta. quer o aceite como um fato razo vel. mas o ama ao mesmo tempo. tão difícil de ser manejado pelos jovens. as conseqüências serão catastróficas.." Para ele. Mencionou explicitamente que o "complexo de Édipo simples" não é "de nenhum modo o mais freqüente".é o herdeiro do complexo de Édipo. a punição ser terrível. Ao perquirir e ao clarificar esse impressionante encontro doméstico. 20 pode ser chamado. ao adorarem os seus pais e ao antipatizarem com as suas mães.. quer o rejeite como uma ficção extravagante. 2om certeza. é a probabilidade ...o proprio desejo da derrota. mas também para domesticar emoções e canaliz -las para for# mas legítimas. para a criança.

" Ele tem razão. Ao considerar a proeminência que Freud deu ao complexo de Édipo.2' 9-7 # Mas o ponto em questão aqui é que Freud. parece ser não a de que se tenha mostrado que o "conflito pai-filho" é incorreto. "Se tomado seriamente".. Freud sublinhou a sua variabilidade através da sua comparação sugestiva entre Oedipus Rex e Hamiet: "0 tratamento diferente do mesmo material" nessas duas peças. e assim passa para os filhos a sabedoria dos pais. Enquanto que em Oedipus Rex "a fantasia desejante fundamental da criança é trazida . não é de se espantar que ele tenha'gerado um debate veemente além de alguma pesquisa sofisticada. P. Um dos aspectos mais proeminentes e ainda assim menos considerados do complexo de ]Édipo é a sua interação contínua com a cultura: desde os primeiros anos de suas descobertas em diante. "revela toda a diferença na vida mental dessas duas épocas culturais tão amplamente separadas: o avanço secular do recalque na vida emocional da humanidade". Assim. De novo. escreve. contrariando a sua reputação de ser um ponto fixo ou rígido. nunca desprezou o seu possível campo de expressão ou as suas dimensões sociais.." A leitura freudiana de Sófocles e de Shakespeare permanece aberta a discussões. mas tal reducionismo viola o espírito não apenas da história mas também da psicanálise. pois "a história escrita é em sua essência o esforço para passar para os filhos a sabedoria dos pais. j citei A. e só ficamos sabendo da sua existência . esse próprio complexo. um itiner rio invariante que todos os homens em todas as épocas devem atravessar. luz do dia e realizada como em um sonho". o historiador popular americano Page Smith deu precisamente o complexo de Édipo como "uma importante razão pela qual a teoria psicanalítica é basicamente antitética com a história". dado que Freud não oferece nada mais do que "um processo eterno e agonizante de rejeição". como a entendo. e suas lições podem nunca ser absorvidas de uma forma completa ou feliz. . o complexo de Êdipo "destruiria a história". Tampouco é espantoso que a controvérsia pública tenha ocorrido com um completo desprezo pela literatura técnica. em "Hamlet permanece recalcada. Mas o registro das respostas dos historiadores não d muita razão para ser otimista. Taylor. e assim preservar. David Hackett Fischer tem uma objeção um pouco mais sólida. embora insista sobre a persistência e a proeminência do complexo de Édipo através da experiência humana. Realmente a experiência edipiana faz exatamente o que Smith parece desejar: gera o tabu do incesto e as aflições da consciência na criança. descobre uma falha no antropólogo inglês Geoffrey Gorer por ver "a relação histórica entre a Anglo-América e a Europa em termos de um complexo de Êdipo nacional".uma escola difícil. no seu ataque sobre as fal cias de outros historiadores. Sua objeção. mais do que destruir. e rejeita como excessivamente peculiares as tensões político-familiares que Gorer desenterrou. assinalou antes de 1900. mas que é deprimente. a continuidade entre as gerações".semelhante ao que ocorreria em uma neurose a partir das operações inibidas que decorrem dela". Este r pido esboço sobre um dos discernimentos freudianos mais controvertidos deve corrigir leituras familiares e inadequadas. testemunha a orientação essencialmente histórica de Freud. J. Deve afastar de uma vez por todas o mito popular de que ele é a encarnação da Viena do final do século XIX.

o desempenho de diplomatas durante negociações. Mas mesmo aí.24 Aqui 88 quero apenas assinalar que a evidência predominante originada da psicologia experimental. 0 interesse privado não invoca nada da artilharia pesada do complexo de Êdipo. esse esplêndido laboratório natural dos # antropólogos no Sul do Pacífico e que gerou tanta controvérsia entre os cientistas sociais. dos conflitos ocultos ou do resto do arsenal freudiano. uma boa adequação entre a teoria freudiana e a experiência humana . As met foras familiares que escritores têm utilizado durante séculos para caracterizar a natureza da autoridade governamental. são pistas esplêndidas para um aspecto universal do funcionamento da natureza humana. pelo menos para a satisfação da maioria dos historiadores. os especuladores imobili rios passam com o trator sobre lugares históricos. e deixa suas marcas tanto nos locais esperados como nos exóticos: na política e na religião. estou convencido. as companhias químicas sabotam os inspetores de sq # saúde. 3. gastas pela passagem do tempo e depreciadas por desvalorizações freqüentes da moeda retórica.'5 0 complexo de Édipo parece ser o destino do homem em todos os lugares. a responsabilidade dos donos de f bricas para com os "seus" empregados e uma série de outras misturas de poder. 0 impacto do amor ilícito e do ódio profundo no tabu do incesto tem sido um tema proeminente nos mitos antigos e nos romances modernos. amor e crueldade são mais do que tropos liter rios. 0 debate sobre a onipresença e a centralidade do complexo de ]Édipo é tudo para o historiador. da sociologia e da antropologia sugere fortemente. 0 interesse privado explica. incluindo o alcance do drama doméstico ambivalente que Freud descobriu inicialmente em si mesmo. 0 triângulo edipiano aparece em todas as culturas registradas. para que os historiadores tenham resistido . na educação e na literatura. as . talvez principalmente aí. mesmo no mercado. dos desejos inconscientes. Anatomia do interesse privado Uma razão poderosa.Reducionismo é sem dúvida uma das tentações constantes da psico-história. e terei oportunidade de coment -la mais tarde . os editores de revistas são favor veis a tarifas postais mais baratas ou os almirantes criam grupos de pressão para aumentar o orçamento naval. mesmo nas ilhas Trobriand. e testemunha a vitalidade das paixões meio enterradas da criança em relação aos seus pais na vida posterior e no mundo em geral. atração da versão psicanalítica da natureza humana é o seu comprometimento com o domínio do interesse privado nas questões humanas. As met foras podem tornar-se marcas lingüísticas aviltadas..em todos os lugares. o movimento de tropas através de fronteiras. embora não prove de forma conclusiva. as relações de Deus para com o homem. nada disso parece necess rio para explicar por que os industriais clamam por tarifas mais altas.. menos uma questão acadêmica.

o homem é um animal desejante. e a política de status. mas da interpretação do empres rio sobre as forças e tendências do mercado". os trabalhadores entram em greve e os do campo estabelecem padrões sazonais de migração: a sobrevivência também é um interesse. a "pequena nobreza presunçosa 11 que. o choque entre as v rias racionalizações projetivas que surgem de aspirações a status e de outros motivos pessoais". como "grupos de interesse".26 Um historiador da economia.manobras políticas de grupos que competem ferozmente entre si. de forma bastante significativa." # Alguns historiadores estão agora aceitando. têm razões suficientes para saber que o homem não vive apenas de um planejamento centrado sob ele mesmo. mas que nunca esteve. Em outras. que se especializou sobre o lado apaixonado da política americana. Eles encontraram e procuraram extrair o sentido da autoridade do costume e da lealdade. orientadas pelo mercado' não dependem de uma reação autom tica. como estando "dividida entre a defesa de interesses corporativistas (acima de todos. como ponto pacífico. ele é. para a psicanálise. reconheceu que é precisamente enquanto historiador da economia que deve ultrapassar os limites tradicionais de sua disciplina: "Cada cultura tem as suas próprias formas de irracionalidade ou inconsistência econ"mica. essa psicologia discriminativa. que "as decisões econ"micas ou . disposto a ver a polí 90 tica simplesmente como um teatro: "Em todas as épocas existem 11 . Georges Lefèbvre. 0 modo pelo qual a pequena nobreza definiu o seu interesse privado estava longe de ser grosseiro. não é um estranho solit rio na sua profissão . ressentimento e vingança. Em um ensaio esclarecedor a respeito do desenvolvimento econ"mico durante a Monarquia de Julho. como nos Estados Unidos. para Cochran. "duas espécies de processo ocorrendo em íntima conexão um com o outro: a política de interesses. Explica por que os príncipes protegeram Lutero e Bismarck adulterou despachos. conhecidos. Os dois não são idênticos: o primeiro luta para reduzir as suas tensões sob a pressão contínua do seu inconsciente.o adjetivo "presunçosa" oculta uma variedade de manobras defensivas das quais não est ausente a ansíedade. Certamente os historiadores. e podem reunir exemplos impressionantes a qualquer momento de como os políticos querem ter poder. o segundo vive sob o controle do egotismo consciente. Se. aversa a especulação. Christopher Johnson menciona. Torna-se explícita nos ensaios originais de Richard Hofstadter. é uma responsabilidade excessiva para a família do empres rio. sofisticado como Thomas Cochran. Em algumas. decidiu não arriscar nada e além do mais reduzir a incerteza . Ficaram intrigados com a força dos sentimentos religiosos e nacionalistas. "procurou principalmente rendas est veis e prestígio social a partir de suas propriedades fundi rias". uma forma pode ter sido a de um otimismo exagerado e persistente". A necessidade de uma psicologia est implícita nessas afirmações. o choque entre objetivos materiais e necessidades dos diferentes grupos e blocos. um animal egoísta. De novo. de passagem. para o historiador. os executivos empresariais ganhar dinheiro e os generais guerrear. Segue-se. ao mesmo tempo. Johnson descreve outra força social poderosa. h muito. Os historiadores sabem. "Ia haute banque de Paris". do fervor suicida do fan tico e do ódio tenaz do sect rio. escreveu. com os seus ciclos de pânico. o do Banco da França) e os lucros a serem obtidos a partir de investimentos em transporte e .

iinham adotado a idéia de progresso econ"mico. o ensaio de Johnson recorre . Assim.. para não falar dos outros. de ilusório nela: numerosas vezes o interesse espreita. verdadeiro que a confiança. cantão após cantão " . da diplomacia e da guerra são. Não estou propondo que nos sintamos tristes por esses magnatas financistas atormentados." Re q 1 # petidas vezes. é filha do c lculo. Sem dúvida foi por isso que Johnson escolheu como sua epígrafe uma observação do influente banqueiro Émile Péreire. "em toda a França. no seu julgamento. estimulam . a dose de interesse privado em ação. que durante os anos de 1840 os financistas. acham irresistível o interesse privado. a maioria dos "empregadores como dos empregados. aparentemente. mas é marcante como. pelo menos em parte. em grande parte porque os recursos pelos quais os interesses competem são quase sempre escassos. os investidores. Certos historiadores. enquanto motivos torpes não reconhecidos que aparecem como preocupações elevadas.. c'est Ia confiance". Os mundos do comércio e da indústria. como Johnson faz. e é.. que liga os sentimentos . ao se defrontarem com sinais incertos e contraditórios. Em poucas palavras.ao contr rio. naquela região ampla e limite onde a política e a economia misturam-se e fundem-se. selvas hobbesianas. a sua an lise do interesse privado tem geralmente algo de ir"nico. linguagem do interesse privado. os industriais e os comerciantes franceses redefiniram o que percebiam como sendo do interesse deles é convidar a uma an lise da motivação e da conduta que vai além do mero interesse privado. mesmo entre eles. Mas é um efeito que se torna uma causa.embora também o fos sem. suas estratégias de investimento não são simplesmente decisões racionais sobre a vantagem m xima -. E as apostas na verdade tornam-se muito altas. menos se oculta..s percepções.na indústria".2' Qualquer que seja a política do historiador. contudo. São também o produto de debates privados nos quais a vontade de jogar se opunha ao medo de fracassar. tanto rurais como citadinos... Mas muitos. mal concebido. acima de tudo. onde gladiadores batem-se aberta e continuamente. têm aperfeiçoado completamente as suas idéias simplistas sobre o primado da motivação autocentrada na história. embora seja suficientemente óbvio que os fatos forçosamente impõem-se . Os sentimentos manifestamente morais ou patrióticos não podem afastar . na maioria dos livros de história. 0 interesse privado. altera as coisas. Uma espécie de mania de melhorar parecia ter dominado a nação". Podemos ler o ensaio de Johnson como um psicodrama. vicioso e possivelmenie autodestrutivo. Charles Beard argumentou que o nível elevado do debate a respeito . mesmo quando se mostra.s finanças. 0 que reforça o seu racionalismo é sem dúvida encontrarem uma influência mais imperiosa do interesse privado naquelas esferas que assomam mais no seu trabalho: na política e na economia e. na sua dissecação célebre sobre os interesses que governavam os Pais da P tria. o historiador é levado a reconhecer. as percepções contam mais do que os fatos. certamente. "Le crédit. Dizer. Quanto mais altas as apostas em termos de lucros e poder. no qual o assumir riscos triunfa no final sobre a timidez: "Mais importante do que a forma de fazer política e legislação foi a imagem de uma monarquia burguesa". No final da década de 1840.a curiosidade crítica do historiador a respeito do seu conteúdo latente: a paixão por levar vantagem. caem vítimas de um conflito.

o dissidente radical e historiador alemão Eckart Kehr descobriu h mais de meio século as maquinações de interesses domésticos por tr s da campanha enérgica. desencadeada na década de 1890. os psicanalistas . divisões de classe e de grupo baseadas na propriedade estão na base do governo moderno. uma vez que o tenham exibido. em votarem a favor do orçamento naval em troca do apoio dos industriais a taxas alfandegarias protetoras 11."originam-se de sentimentos e de pontos de vista que a posse de v rias espécies de propriedades cria nas mentes dos propriet rios. ao transformar o exército em uma "força reacion ria 11 e. que antes tinham sido hostis ou indiferentes. Edward Gibbon teve o prazer indisfarç vel de desmascarar os motivos ocultos dos estadistas romanos. seu estudo influente a respeito da Alemanha nazista e de seus antecedentes: o Imperio Alemão fundado em 1871 foi um projeto imperialista que mobilizou suas forças ao expulsar os liberais da burocracia. Franz Neurrianti. Esse programa ambicioso foi travestido na linguagem do patriotismo. "Urn acordo histórico". na trilha de Kehr. o Partido Conservador Prussiano. a feia realidade política por tr s da retórica constitucionalY Essa gratificação levemente lasciva. ao reconciliar os interesses do "capital rural e do industrial". apesar 9-5 # de toda a fascinacão pelo interesse privado. nessa questão crucial. Propriet rios de terra exigiam taxas alfandeg rias para melhorar a sua condição prec ria. "Diferentes níveis e espécies de propriedades existem inevitavelmente na sociedade moderna". os historiadores raramente preocupam-se em analisar o seu estatuto psicológico ou investigar a sua incidência real na vida humana.de um instrumento como a Constituição dos Estados Unidos era um disfarce para proteger investimentos. "acaba com o conflito. resumiu o caso em Behemoth. Os grupos industriais estavam impulsionando um grande programa naval e os terraterientes. Preciso acrescentar que.31 Essa postura crítica não é de nenhuma forma nova para os historiadores: dois séculos antes. Kehr acusou.e Beard coloca "prin 92 cípios" entre aspas para sublinhar a sua distância ir"nica em relação aos heróis do folclore americano .30 De forma muito semelhante. afirmou Beard: "doutrinas partid rias e 'princípios' " . era na verdade uma série de manobras sórdidas planejadas para ganhar dinheiro e influência." Ainda assim. e a lei política e a constitucional são inevitavelmente um reflexo destes inte# resses em choque". de forma nua. concordaram através do seu orgão principal. quase voyeurista de descobrir o oculto continua a desfrutar de uma prosperidade not vel entre os historiadores. Mas. do orgulho pelo lugar da Alemanha no mapa estratégico e da preocupação com os esforços da Inglaterra para isolar o Imperio Alemão. finalmente. conclui Neumann. industriais exigiam um mercado livre para manter as matérias importadas baratas e os sal rios baixos. para financiar a expansão da marinha imperial. Não e por acidente que gostam de ver o interesse privado.

muitos sofrem daquilo que Lenin argumentou a respeito da classe trabalhadora. produzerri c lculos. seja nesse arti 34 " go ou em outro para repara Ia. estender o interesse privado até um motivo universal # é torn -lo. nesta definição. pois h muito poucas adaptações. a presunção" entre as "funções do ego". o cientista político . definido de uma forma abrangente. Uma exploração sobre como os historiadores podem legitimamente utilizar a idéia de interesse privado e como os psicanalistas podem contribuir para ela com os seus estudos dos impulsos e conflitos inconscientes est . Mas enquanto reconhece que "a importância dessas tendências tem sido uni pouco negligenciada". têm tudo a ganhar com a criação e a perpetuação da falsa consciência: . o moralista. Homens . devem sofrer sempre de falsa consciência.tem sido totalmente negligenciado.. especialmente relevantes para os cientistas sociais. . que. o mercador que maximiza os seus lucros. Assim. deve discriminar se deseja explicar. e sugere de passagem que são atividades importantes. Em um dos seus artigos sobre a psicologia do ego. desde o início. certamente. Freud refere-se de forma casual ao interesse.e mulheres . o interesse privado é atormentado por um dilema. Afinal de contas.têm sido de pouca valia. ou revelam involuntariamente como sendo a partir de suas ações.. Esses interesses. por fazer h muito tempo. Heinz Hartmann enumera os 11 esforços pelo que é 'útil'. desse tipo. deixados sem a liderança de uma elite capaz. De qualquer maneira. como recurso explicativo geral. embora pareçam contrariar o interesse privado. sem adulterações. como uma adaptação puramente racional de meios para atingir fins materiais. Ele est falando a respeito da busca pelo interesse privado. c lculos a sangue-frio que modelam ações são menos interessantes (e freqüentemente a longo prazo menos importantes) do que as paixões que. quase o identifica. nem a literatura psicanalítica revela mais do que algumas alusões perfunctórias .." Definido de forma estreita. é notório que nem todo mundo percebe o seu verdadeiro interesse privado claramente.quilo que o homem comum. e o liga. 0 preconecítuoso que incita mas 94 1 sacres contra judeus. são na verdade exemplos disfarçados dele. o santo que procura o martírio. Interesse" ou "interesse privado" ou mesmo "interesse do ego" não aparecem no índice remissivo da antologia de artigos de Hartinarin. enquanto diagnóstico.. Para começar com as próprias superfícies da percepção. sem utilidade para o historiador.. tudo que os indivíduos ou os grupos afirmam ser. como observou Hartmann . Altruísmo ou masoquismo. portanto. o interesse privado é pouco mais do que uma tautologia: é. libido ou ao investimento de energias mentais. seu alcance é bastante restrito. Por outro lado.têm tratado como o mais potente dos impulsos humanos. todos estão perseguindo o seu interesse privado. como qualquer outro estudioso e analista das questões humanas.podem estar cegos aos seus benefícios autênticos porque h muito habituaram-se ..e o historiador . submissão e são mantidos afastados de apreenderem e persegui-los devido a "interesses" suficientemente vidos em mantê-los desinformados e passivos." 0 interesse privado não tem sido algo negligenciado. mas nunca deu andamento a essa sugestão fértil. Em alguns dos seus artigos metapsicológicos. não faz nada. o egoismo.

0 que o psicanalista tem para oferecer nessa exploração do interesse privado.. é explicar como os indivíduos e os grupos internafizarti.. os hístoriadores modernos aventuramse a analisar essa espécie de manipulação política. Pode ser absoluta. uma obsessão como a que perseguia o velho Grandet de Balzac. pode lamentar "a danada da falta de vontade dos pobres". clarifica aquilo a que realmente equivalem. o historiador desloca-se para o domínio que o psicanalista transformou em seu. certamente. por sua vez. Realizar um interesse é. um estudíoso da ação coletiva na história europeia moderna. A consciência falsa e a verdadeira são iguais. permitem que o historiador orientado pela psicanálise descubra a sua rvore genealógica. em mais de um aspecto. Charles Tilly. Junto com sociólogos e cientistas sociais. esses logros e os tomam como sendo as suas próprias idéias. é uma informação histórica que ele não tem condições de ignorar. uma atividade econ"mica. somam-se ao interesse privado de indivíduos ou de grupos. Mas esses programas organizados de desejos são um resultado. Ao desejar que a classe oper ria seja rebelde. social e comercial. pode-se esperar. e a longo prazo". um emblema de potência sexual. particulariza. pode ser funcional. na própria articulação das pessoas a 95 # respeito dos seus interesses como uma explicação do seu comporta " 37 u acrescentaria que o historiador deve fazer mento a curto prazo . um meio para facilitar a aquisição de poder. pode gratificar . Ainda assim. arte ou amantes. para os olhos críticos e. ou de construir. certamente. na média. ele est preocupado em resistir . Obviamente. A indústria publicit ria est essencialmente construída em torno da intenção de despertar. tanto quanto for possível. Na extensão em que os historiadores exploram desejos que. Mas o que os homens pensaram como sendo os seus interesses. antecipam resistências. suficientemente próximos de seus genitores inconscientes. e planeja os meios para atingir os fins visados.. sugeriu que o historiador deve "tratar as relações de produção como previsores sobre os interesses que as pessoas irão perseguir. procura despender a menor quantidade possível de energia que obter o resultado mais favor vel possível. traduzidos racionalmente em planos de ação. Neste ponto. mobilizam recursos. Pode manifestar-se indiretamente: a paixão pelo poder (como os historiadores argumentaram com freqüência e razão). pode ser um instrumento para aquisição de dinheiro que. com sabedoria ou com tolice. De forma inevit vel. o vetor de muitas forças. tentação de ser condescendente com os seus objetos. são suficientemente fortes e afastados de suas origens para derrotar a censura. Todos os exemplos históricos que ofereci incluem ações racionais com vistas a fins que envolvem planejamentos. o ego desempenha um papel dominante na formação e nas formulações dos interesses: disfarça.sejam homens que procuram persuadir as mulheres a permanecerem domésticas e devotadas ou senhores que insinuam que a escravidão é uma instituição boa. "basearse. genuíno ou artificial. mas ao mesmo tempo. Pode ser um derivado de fixações anais de retenção. tanto palp veis quanto obscuras. desejos que finalmente serão integrados na estrutura social do coletivamente desej vel. orquestra sentimentos incompletos de necessidade até que amadureçam. Mas mesmo a cobiça pelo ouro est longe de ser simples. 1 E ainda mais: deve rastrear a percepção do interesse até as suas fontes variadas e freqüentemente conflitivas. um triunfo edipiano tardio. imparciais do historiador. lidam com manifestações conscientes.

De forma muito semelhante a um sintoma neurótico. lêem erroneamente as informaçoes que recebem.. "Algumas atitudes do ego. # 0 psicanalista pode dizer mais ainda. observou Otto Fenichel. 0 interesse privado. podem constituir uma tentativa de manter afastada a ansiedade . e perseguido consistentemente. Contudo. o interesse privado é uma formação de compromisso. É bastante óbvio que os interesses podem ser restritos ou amplos. É por isso que a idéia de um interesse privado totalmente racional. como Reinhold Niebuhr mostrou muitos anos atr s. não é uma ficção. contudo.ou podem. para coloc -lo numa linguagem psicanalítica. Mas também planeja para assegurar satisfação. e .a extensão do interesse privado. pelo menos nesse aspecto. em proporções indefinidas. As expressões 'instinto' e 'defesa' são relativas". o interesse privado torna-se na verdade muito complicado. é também um desejo. e uma razão para a sua complexidade est nas formas muito peculiares em que o ego funciona como um advers rio das pulsões instintuais. são m quinas para realizar interesses privados . que parecem ser instintuais". o superego (que emite recordações desagrad veis de que os outros também têm reivindicações legítimas e de que as próprias são no mínimo suspeitas). demasiadamente humanas. de 147 # . "servem. incluindo a de aliviar a angústia.uma variedade ampla de necessidades. Essa visão do interesse privado implica notoriamente uma inte i ração contínua entre necessidade e controle. Os dois estão relacionados mas não são os mesmos. o reconhecimento e a reconciliação possível entre interesses conflitivos.s vezes também entram em colapso. acham a procura desapiedada de vantagens por uma organização muito menos problem tica de que a sua própria: instituições como grandes empresas são literalmente desalmadas. Podem decorrer de pulsões eróticas ou agressivas que visam alvos amorosos ou vítimas indefesas. um interesse deve enfrentar três forças geralmente hostis: o mundo externo (o depósito dos interesses em competição). se possível 96 um nível mais elevado do que aquele disponível para o desejo primitivo não atenuado. e. superficiais ou profundos. em suma. Uma vez analisado. contra a sua inabilidade em tolerar postergação. Servidores de uma organização. decorrer de uma mistura de ambas. Procurar o interesse privado inclui tanto obter como manter as gratificações. e o id (que gera incessantemente desejos)." Uma defesa.. do princípio do prazer. entram em pânico. é o produto do princípio da realidade a serviço. é em ampla escala uma abstração. como o ego. Tudo isso aponta para os domínios que o historiador precisa conhecer mais .embora mesmo essas m quinas. 0 ego trabalha contra as exigencias excessivas delas por uma descarga imediata. enquanto o enfrenta. a uma função defensiva. Os desejos que resultam no interesse privado podem ser instintuais ou defensivos na sua origem. percebido com clareza.

De fato. sua duração. para sua dimensão social: sua extensão.curto ou longo prazo. finalmente. integrativo e sintético do ego. que permitisse a indivíduos. que regulam o impulso para a ação. substancia a mistura de utopismo racionalista que espreitava as suas esperanças de uma ciência da sociedade. nenhum modo racional de compar -los. que a reflexão racional pode prever e possivelmente evitar. Bentham viu o homem como um animal governado pelo princípio do prazer que poderia ser educado para obedecer . E os impulsos ocultos podem descarrilar. Enquanto servidor público. acredito. pode ser a resposta a uma exigência moral. A sua lealdade prin# cipal é para com o seu empregador. Segundo Bentham. os planos mais cuidadosamente elaborados. mas é objeto de um c lculo: uma mudança que o psicanalista chama de passagem do processo prim rio de pensamento para o secund rio. ao contr rio. Isso não era certamente para Beritfiam . Na virada para o século XIX. mas o seu desejo privado pode ser por um cargo em um dos fornecedores que est avaliando. enquanto cidadão privado.um convite para o ascetismo. Jererny Beritfiam tentou até imaginar um padrão de medida. deveria olhar para o trabalho analítico. sua certeza. bastante razo vel. Bentham pode ter sido ingênuo. São pressionadas em larga 98 medida porque os interesses não expanciern ou se contraem simplesmente. sua propínqüidade. 0 c lculo da felicidade de Bentham sugere que o que deveria ser a preocupaçao maior do historiador orientado psicanaliticamente é a qualidade do teste de realidade tanto em situações de quietude como de efervescência. Certamente.. consciente e inconsciente.. o Estado.em poucas palavras. uma pessoa poderia calcular o valor do prazer (ou da dor) ao atentar para a sua intensidade.. A mudança de um desses modos para o outro.. para expandir a percepção de alguém para o seu "verdadeiro" interesse. o seu esquema tem recebido nomes mais severos do que esse. não h nenhum modo fidedigno para quantificar elementos individuais de prazer. Freqüentemente e de forma decisiva conflitam entre si. sua fecundiffiade e sua pureza. era um pedido para que se dosasse o prazer em benefício de um prazer maior. para essas capacidades que são pressionadas ao m ximo pelas exigências que o interesse privado puro impõe sobre elas. Um exemplo da pr tica ordin ria pode esboçar as dimensões do problema. Mas a idéia geral de Bentham era. A situação é despida de ambigüidades e o seu dever é claro. A indulgência negligente em prazeres acarreta uma dor posterior.9 0 c lculo critica a si mesmo. pode desejar simplesmente acumular riquezas. grupos e governos aumentar o rendimento geral de prazer pela descoberta das combinações de benefícios e malefícios que cada curso de ação poderia acarretar . e para aceitar algum desprazer de modo a evitar um desprazer maior. Um conflito de interesses e uma experiência familiar para um funcion rio do governo que precisa opinar sobre o pedido das empreiteiras e a qualidade do serviço oferecido. o seu difamadíssimo c lculo da felicidade. ou mesmo estragar. para servir aos interesses de todos através da compreensão dos interesses de cada um. Em poucas palavras. e.s injunções mais sóbrias do princípio da realidade. mas o seu apetite . sua obrigação é a de ser desinteressado. de julgar sem medo ou favorecimentos. e os mecanismos.

e a 99 # sua hierarquia de importância não é sempre evidente. Mas nesses exemplos. o sentimento de insegurança é altamente subjetivo. Esse conflito privado de interesses é uma batalha subterrânea entre o superego cultural do funcion rio. um apaixonado colecionador de selos. em suma. Essa vinheta pode servir.de nenhuma forma consciente . Mas suas raízes estão alojadas em uma batalha em grande parte oculta entre desejos e inibições. a energia amorosa não é uma quantidade predeterminada. 0 superego cultural do funcion rio cavalga. ou podem produzir tensões severas. podem anular as suas obrigações profissionais. Certamente o próprio domínio dos interesses humanos é uma fonte contínua de hesitações e incertezas. atraente ou mesmo concebível? Afinal de contas. embora também possam tornar-se causas de decisões desagrad veis. por assim dizer. de uma noite insone. sua mulher a ama em detrimento de seus filhos. um mestre no jogo de bridge e um soldado habilidoso. como um modelo para interesses que se chocam que todos os seres humanos precisam reconciliar. Na superfície. na pessoa ou na família. o conflito j est resolvido. 0 que torna a falta de cumprimento do dever imperativa. ou colocado de lado: o marido que ama a sua esposa a ponto de negligenciar os seus filhos fez uma escolha . sem ser forçado a escolher entre esses interesses embora suspeite que uma interação feliz assim represente a resolução de esforços anteriores. pode-se ser um bom marido. o superego que ele formou quando era um menino. é necess rio recordar. Tais escolhas podem gerar nada além de pontadas ocasionais de um ciúme manej vel ou de arrependimentos menores. uma decisão para moderar as exigências de alguns prazeres em benefício de experimentar todos eles. a necessidade de dinheiro não e uma quantidade fixa.entre os objetos em que investe a sua libido. em parte abaixo do limiar da consciência pensante. tem muito mais a contribuir para a anatomia do interesse privado do que . mais raramente. tem componentes em grande parte inconscientes.. com as liberdades tomadas pelas idiossincrasias pessoais. no qual o seu passado continua a desempenhar a sua parte oculta. um ser humano é uma antologia de ligações. Uma demonstração marcante de tais conflitos endêmicos de interesses est nas reivindicações incompatíveis do amor. Lealdades diversas podem coexistir pacificamente lado a lado. A psicanálise. que. tudo ao mesmo tempo. Como o apetite por dinheiro. fantasias e refle o xÕes.ou sua ansiedade podem fazer com que a balança pese para um lado ou para o outro. Afinal de contas. o ajustamento a exigências conflitivas de tempo e atenção de diversas paixões. e. os valores da probidade e a objetividade com que é caucionado e o ego racional cheirando a perspectiva de lucros. Tudo isso. o chauvinista ama o seu país em detrimento de outros países. o seu ego é um composto de desejos e julgamentos. um católico devoto. 0 narcisista ama a si mesmo em detrimento dos outros: o marido extremamente afeiçoado . Mas isto é muito claro: é impossível amar tudo e todos com o mesmo fervor. esse dilema parece pertencer totalmente ao domínio da consciência moral. no final.. pode-se esperar que ele pague o seu tributo ao conflito inconsciente sob a forma de dores de cabeça. Qualquer que seja a decisão que finalmente tome.

distorções e delírios.. nas confissões escan# dalosas de suas pacientes. e de sentimento.. É como se a psicanálise devesse desfazer-se da mais alta aquisição do ego: a . de pessoa. Dois mundos em tensão Por todas as suas reverências . Os pacientes de Freud haviam imaginado em grande escala esses assaltos cometidos pelos pais. loi # Daí ínfere-se corri muita naturalidade que a razão.. e que reconhecia que não sabia mais o que permanecia de pé na sua exploração ousada e solit ria. Além do mais.. eliciados pela sítuação psicanalítica. no início dos anos 1890. civilidade.s forças do irracional liberadas no passado. são em todos os seus disfarces deslocamentos no tempo. Ele fiava-se. a transferência. A regra fundamental deve ser lida como um insulto deliberado e provocativo . A psicanálise preocupa-se com paisagens de violações fantasiosas e de assassinatos mentais. sua psicologia uma fundamentação teórica muito mais extensa do que as revelações mais sensacionalistas que j havia oferecido. que essas estórias tornaram-se inacredit veis para ele.embora não maior do que até agora. Freud avançou vagarosamente na direção de uma psicologia abrangente sobre as neuroses. Supõe-se que o paciente relata não apenas todas as trivialidades e obscenidades que os seres humanos sensatos geralmente filtram do seu discurso. uma após outra relatava-lhe que havia sido seduzida na infância pelo pai. 11 Perdera-se". de sonhos. de fantasias incontrol veis e de sintomas floreados. ao que parece. Parece apropriado que o momento mais heróico na carreira freudiana tivesse de ilustrar simbolicamente esse ponto de vista sobre a mente como uma construtora de ficções.. são pontos de tensão. Aqui est um bom exemplo de uma podem pedir um auxílio explieativo dos sido dado até aquele que poderiam dar. "o solo da realidade". os sentimentos de amor e ódio pelo analista. Os pontos onde se tocam. 100 Razão~ realidade. Foi sobre o solo da fantasia que se construiu o edifício da psicanálise. impressão de que (a sua disciplina habita um território estritamente separado daquele da psicanálise... recordava mais tarde.os psicanalistas têm reconhecido situação em que os historiadores analistas maior do que o que tem agora -. e a compreensão freudiana da atividade imaginativa deles p"de dar . em grande parte. mas também as sinuosidades mentais mais absurdas e menos conseqüentes.. psicanálise e o historiador . Ao paciente no divã ordena-se que siga o único preceito fundamental do tratamento: permitir que todas as associações tenham livre acesso .. Wilhelm Fliess.' 0 que se havia ganho em seu lugar era o solo da fantasia. Durante alguns anos. não possa ser vista como alguém bem-vindo na situação psicanalítica. a companheira da realidade. Mas no outono de 1897 Freud disse ao seu amigo e único confidente. sua consciência e que as partilhe com tão poucas revisões e correções quanto for humanamente possível. o historiador dificilmente escapa .. e com freqüência dos seus pensamentos.

capacidade para organizar e governar a massa desregrada de impulsos
e idéias que estão por baixo da superfície da consciência humana.
Esta não é a paisagem mental com a qual o historiador sente-se mais
confort vel.
A incompatibilidade entre os mundos do psicanalista e do historiador parece
ser tão mais gritante que qualquer pedido de reconciliação tem de soar utópico,
Diferente do psicanalista, o historiador
lida com realidades sólidas: escassez de alimente, aglomerações urbanas,
inovações tecnológicas, territórios estratégicos, instituições religiosas.
Ouando estuda conflitos em que a mente desempenha um papel - antagonismos ou
conflitos de classe - acha-os tão palp veis,
tão materialistas, que chegam a ser quase tangíveis. 0 historiador
marxista, também, vive em um mundo ... luz do dia, firmemente delimitado. É
certo que o seu esquema, no qual as classes e os iiidivíduos, ao procurarem
servir apenas a si mesmos, sei-vem inconscientemente ... astúcia da história,
assinala um espaço visível para o funcionamento de forças que operam por tr s
dos atores. Mas confia
que poder elucidar essas forças enquanto d específicidade ... situação
histórica concreta na qua) esses atores devem atuar. Argumentei
que os historiadores não têiyi sido negligentes a respeito de poderosas
irracionalidades no passado. Mas quando são impelidos a lidar com
k) submundo sombrio de emoções escondidas e contraditórias, o p tio
de recreio favorito do psicanalista, fazem-no com uma aversão vísível, e
desviam-se após alimentarem os seus leitores com alguma~
102
observações emprestadas da psicologia do senso comum. É significativ, que a
influente escola de historiadores franceses agrupada em
torno da sua célebre revista, os Anuales, tenha ficado totalmente
satisfeita com citações de seu psicólogo favorito Lucien Febvre, que
não era psicólogo, e tenha catalogado os estados mentais coletivos sob
o nome ressonante de mentalités, sem se preocupar em rastrear esses
estados até ...s suas raízes na mente inconsciente. Os mundos do
#

historiador e do psicanalista mantêm-se separados.
H uma forma de retiní-los através de uma pitada de filosofia ao
assinalar que uma fantasia ou um delírio é uma realidade para aqueles
que os experienciam - certamente os indivíduos agem a partir deles.
Como o sociólogo W. 1. Thomas observou uma vez em um aforismo
muito citado: "Se os homens definem situações como reais, elas são
reais nas suas conseqüências". Essa definição ampla de realidade pode
soar como simplória, mas não é trivial. Sublinha a parte que o misterioso e o
inesperado desempenham nas questões humanas; ela tenta
o historiador a parafrasear o refrão inevit vel de Hainfet e dizer que
h mais coisas no céu e na terra do que as que são soriliadas por
nossas histórias. Freud, que certamente conhecia bem Shakespeare,
gostava dessas linhas, embora tenha escolhido, para expressar o sentimento, as
palavras de Leonardo da Vinci.- a natureza, escreveu, "est
cheia de inúmeras causas que nunca ocorreram na experiência". ' A
histeria de conversão, na qual os afetos bloqueados e os desejos recusados
expressam-se através de sintomas físicos, é apenas a demonstração mais clara de que os sentimentos e desejos são suficientemente
reais.
Temos uma oportunidade ampla, dentro e fora da psicanálise, para

apreender essas incont veis causas em ação. 0 analisando, ao procurar
que o seu ego auto-observador assista e ...s vezes antecipe o seu analista ao
oferecer interpretações, e c historiador, que tenta afastar os
seus preconceitos e transcender ...s suas perspectivas grupais, procuram
dar sentido a atividades psicológicas ardilosas.' Mas enquanto essa
promoção de eventos mentais obscuros a realidades internas compreensíveis e
impressionante, não é em si mesma suficiente, pois falha
em atingir o vasto arranjo de fatos objetivos e de condutas racionais
que, juntos, são a principal ocupação do historiador. As concepções
desenvolvidas por Freud sobre os processos inconscientes parecem a
primeira vista bastante intransigentes, visando a frustrar todos os
esforços de ecumenismo. Nas suas profundezas, o domínio ineonscien
Tos
#

te, como ele o descreve, é. estranho ... moral e ... lógica, reservado e
defensivo, com uma paixão terrível pela privacidade, Freud estava
totalmente atento para o fato de que a sua teoria do inconsciente havia
despertado na comunidade filosófica e científica um certo escândalo,
e durante toda a sua vida, enquanto advogado enérgico da psicanálise,
nunca deixou de defendê-la contra aqueles filósofos e psicólogos obstinados e
obtusos que persistiam em tornar a consciência igualada ...
mente. Sua defesa era mais do que uma aptidão defensiva. Para Freud,
como ele definiu numa met fora um pouco estranha, o inconsciente
é "a única lanterna na escuridão da psicologia profunda". ' Certamente, por
volta de 1915, quando publicou o seu artigo metapsicológico
"0 Inconsciente", adotou a concepção de que as regiões inacessíveis
da mente são mais numerosas, e sem dúvida mais importantes, do
que aquelas com as quais estamos em contato direto e íntimo. ' Não
era o inconsciente, mas a consciência que era preciso explicar.
0 historiador deve concordar que a consciência necessita de uma
explicação, mas não da maneira que Freud pretendia dar. Se Freud
chegou a achar que a própria existência da atividade consciente era
um pouco surpreendente, é prov vel que o historiador ficar tão
surpreendido, e não menos frustrado, pela posição privilegiada que a
teoria psicanalítica confere aos processos mentais mais esotéricos e
não comunicativos - frustrado e pronto para consultar outras escolas
psicológicas mais acessíveis. Mas a psicanálise não é apenas o estudo,
e muito menos a glorificação, do inconsciente. Freud, é verdade, viu
o centro do inconsciente não apenas como extraordinariamente poderoso, mas
também como afastado do mundo; só os seus representantes,
ou derivados, podem vir ... luz do dia. Ele tinha certeza de que alguém
somente pode abordar o id (que em 1920 chegou a chamar de "parte
sombria, inacessível de nossa personalidade") "através de analogias 11 ;
ele e os seus colegas analistas pensaram o id como "caótico, um caldeirão cheio
de excitações borbulhantes". ` Mas daí não se segue que
para Freud todos os eventos mentais que estão além dos olhos observadores da
consciência estão igualmente distantes dela ou relutantes
em se expressarem. H muita atividade mental, segundo ele, que est
muito mais perto do campo de visão da consciência do que a que
é capaz de ser . trazida ... lembrança". Além disso, mesmo essas energias que
borbulham caoticamente no caldeirão devem pela sua natureza
forçar de alguma forma um caminho para a consciência, Seria um puro
antropomorfismo retrat -las como clamando por expressão. As neces
104
sidades som ticas do homem - fome, fadiga, luxúria - são surdas,
cegas e exigentes; é o seu porta-voz psicológico que chama a atenção

ao exigirem, em geral de forma altamente específica, gratificação. Assim Freud
reconhece a pressão irresistivel para o mundo que resulta
dos recessos mais secretos da psique. Os homens enganam a si mesmos e procuram
conforto nos sonhos. Mas é amplamente na realidade
que a satisfação dever ser procurada e pode ...s vezes ser encontrada.
#

2. À procura de representações
Freud também viu um movimento recíproco, da realidade para a
mente. Os estímulos físicos que penetram na psique, as injúrias
emocionais feitas pelas figuras amadas, os problemas não resolvidos
postos pela sociedade, todos apresentam-se e devem ser dominados,
sujeitos a compromissos, adaptados ou negados. Estas forças externas,
em cooperação ou em conflito com os impulsos internog, modelam os
estilos fundamentais eróticos e agressivos do indivíduo, suas escolhas
críticas, estratégias e fugas no amor, nos negócios e na guerra. Mesmo
o complexo de Édipo, como j mostrei, deve sua história tanto ...s
oportunidades oferecidas e ...s proibições que resultam dos outros
como as pulsões instintuais e ...s ansiedades. Em geral, o que as gerações
atuais de psicanalistas vieram a chamar de "relações objetais"
não são, apenas fontes de perigo, de informação inadequada e de
confusão, mas também, e significativamente, mestres da verdadeira
mundanidade. Do mesmo modo que a mente procura a realidade, a
realidade invade a mente.
0 esboço psicanalítico da atividade mental, embora ancore firmemente a mente
no mundo, dificilmente é atraente. A mente humana
aparece nele como uma ditadura militar moderna: desconfiada além
do limite, viciada em segredos, insaci vel em suas exigências, armada
até os dentes, e não muito inteligente. Emprega batalhões de censores
para impedir que notícias locais vazem, e patrulhas na fronteira para
impedir que idéias hostis cheguem ao alcance do seu povo e possivelmente o
subvertam. Ainda assim, com freqüência, nem os censores
nem as patrulhas têm a inteligência ou a agilidade para desempenhar
adequadamente as suas tarefas, Especialmente ... noite, mas também em
momentos em que a guarda est baixa durante o dia, mensagens,
disfarçadas como sonhos, lapsos de fala ou sintomas neuróticos esca
105
#

1
pam; e as percepções, disfarçadas em roupagens inocentes, adentram.
Contudo, ambas pagam um preço pela sua penetração intrépida através
de fronteiras defendidas energicamente: são em grande parte distorcidas,
traduzidas traiçoeiramente, algumas vezes deformadas ao ponto
de não terem mais salvação. No mínimo são pesadamente mascaradas,
de forma semelhante ... dos libertinos de um carnaval em Veneza , que
só são reconhecidos (se o forem de algum modo) pelo intérprete treinado e
sensível. Na verdade, foi somente depois que Freud de~,cobriu que essas
mensagens erani mensagens que se começou a
decifr -las sistematicamente, apenas quando ele entendeu as injúrias
que as percepções sofriam nas mãos das defesas mentais que cs.--lecemos com
confiança e a sua relação desviante e oblíqua em relaçãu
... realidade.

Pior do que ser somente sem atrativos, essa realidade é um;í
noite de Valpúrgia, deprimente, obscena e enganosa, onde nada e o
que parece ser. Só pode
repelir o historiador cujo personagem, não
importa quão vilão, vive geralmente de acordo com o código legível
dos motivos egoístas ou das pressões claras da necessidade mundana.
As atividades mentais, valorizadas por Freud, soam suficientemente
desconfort veis como desvarios de psicóticos ou balbucios de crianças
pequenas.
A literatura psicanalítica diariamente enriquece essa triste conta.
0 inconsciente da teoria freudiana, que não foi questionado pelos
seus sucessores, é um depósito bastante desarrumado que guarda
materiais infantis vol teis que nunca penetraram na consciência, e
muitas outras coisas de safra recente ou antiga. Inclui explosivos como
os desejos eróticos e as prescrições morais, as fantasias sexuais mais
selvagens e as auto-reprovações mais severas. Uma vez que o inconsciente não tem
sentido de ordem, guarda de vez em quando pensamentos contraditórios um ao lado
do outro; dado que não tem o sentido do tempo, os resíduos infantis são tão
novos como os acréscimos
feitos ontem. E grande parte dos resíduos são, na verdade, muito
infantis. ' As teorias fretidianas das neuroses e dos sonhos podem ser
lidas como explicações dessa asserção. As neuroses adultas são retornos
posteriores e altamente distorcidos de quesiões emocionais não resolvidas, e os
sonhos são produções cuja origem última pode ser rastreada
até os desejos infantis, Mas se o grande amante est apenas seduzindo
a sua mãe repetidamente, se o valentão musculoso testa eternamente
a sua pequena masculinidade pré-púbere, se o cientista racional acha
106
se assaltado por superstições que preservou intactas desde os est gios
mais primitivos da sua organização mental - ou mais diretamente
#

ainda: se os políticos gratificam apenas as suas próprias fantasias infantis
enquanto suscitam estas em outros, então a história não é nada
além de uma regressão infinita, cruel, com uma extensão intermin vel,
onde pequenos meninos e meninas envelhecidos jogam nova e solenemente os jogos
dos primeiros anos. ' Realidade e razão, nesse pesadelo freudiano, parecem ser
continuamente filtradas por camadas
quase impenetr veis de memórias não fidedignas e, mais insidiosamente, por
material recalcado. Estas, mais uma vez, seguramente não são
as realidades, certamente não as realidades principais, que o historiador
encontra e deseja recontar e explicar.
A psicanálise tem uma réplica favorita para o cético que procura
desacreditar o seu reducionismo através da exemplificação das glórias
da arte e das sutilezas da filosofia: o fruto, dirão, não se assemelha ...s
suas raízes; jardineiros dedicados não cuidam menos de suas ador veis
flores porque crescem no estrume, É verdade que h um axioma freudiano segundo o
qual o artista, o estadista - qualquer adulto - carrega para sempre, ... sua
volta, as suas necessidades e terrores infantis,
e que o car ter não é muito mais do que um agrupamento organizado
de fixações. Mas isso não implica de forma alguma que o psicanalista
considere a descoberta das origens remotas como o equivalente de urna
explicação exaustiva em psicanálise ou, no caso em questão, em história. Pois
est consciente de que a realidade externa, cada vez mais,

sem dúvida.coloca-se ao longo da trilha que leva . o inconsciente progride metodicamente desde as . Isso . Freud assinala que muitos dos investigadores iniciais tinham visto pouco ou nada sobre o conteúdo objetivo do sonho haviam-' o contr rio. As auto-revelações repentinas e drarri ticas do inconsciente são ilusões. Quero enfatizar contudo. ao coritr rio. " A teoria psicanalítica dos sonhos é demasiadamente conhecida para requerer uma discussão extensa: o sonho manifesto . guardando uma pequena relação com os eventos externos e não recebendo qualquer auxílio dos poderes intelectuais mais elevados do homem. Mas os resíduos diurnos têm uma importância ainda maior: evidenciam o que foi habilmente denominado de procura mental por material representacional. São os "resíduos do dia". mas achou-o no mundo natural e. seja na quietude da cama ou em um hospital para doentes mentais.o sonho que a pessoa sonha e do qual se recorda parcialmente ao despertar dramatiza. no encontro entre o sonhador com as suas próprias paixões e o seu meio imediato. que acredita que os sonhos na verdade têm sentido..não me interessa aqui. em particular. Na pesquisa exaustiva e competente sobre a literatura científica com a qual principia o seu trabalho magistral sobre a interpretação dos sonhos. decisivamente diferente. maturidade. considerado como uma produção no.. retirados da vida comum de quem sonha. 107 # invariavelmente recorriam ao que o cientista deve reconhecer como peculiar . vagarosa ao longo de uma cadeia associativa firmemente soldada . ` Mesmo nos sonhos e nas psicoses. quase insignificantes.` A mente humana não é nem um atleta nem um místico: não pode saltar grandes distâncias ou prescindir de modos realistas de expressão. mais "real". onde os poderes da razão e da realidade são débeis e as suas faces encobertas. estes têm uma autoridade surpreendente. através da an lise. A própria teoria freudiaria dos sonhos era. na qual o sonho torna-se um mensageiro sobrenatural ou um agente profético misterioso. a sua utilização de memórias recentes e indiferentes é um recurso político para assegurar a difusão de idéias que são tudo menos indiferentes. Suas inversões mais brilhantes e os seus saltos mais acrob ticos testemunham. que Freud e seus colegas analistas descobriram a presença insuspeita de ambos. Suas invenções mais bizarras não são totalmente derivadas da imaginação. De fato. Os intérpretes oníricos. Partilhava da convicção da empregada doméstica mais analfabeta. foi precisamente na vida noturna da psique. "realidade" da superstição.. que ligam os desejos mais distantes ao passado mais imediato.uma cadeia em larga medida invisível apenas porque alguns dos seus elos estão recalcados.. haviam afirmado que os sonhos tinham um significado. a sua tese de que os pensamentos latentes do sonho encontram um lugar no sonho manifesto apenas através da utilização de materiais recentes.. de uma forma altamente distorcida.. censura. que. são versões e fragmentos de experiências. uma progressão solene.o núcleo da teoria freudiaria . um desejo oculto que foi corrigido drasticamente de modo a furtar-se . quase invariavelmente do dia anterior. a mental de uma espécie inferior.'-' A utilidade t tica dos resíduos diurnos é patente: são os meios através dos quais os pensamentos proibidos e os desejos recalcados iludem o censor.

em uma Weltanschauung coerente. era um excêntrico culto e um educador neurótico que regularmente colocava o seu filho. os materiais mentais comuns que colhe ao longo do caminho. Mais de uma vez. um testemunho disso é a maquina miraculosa. Quando se compara a petição por livramento de Schreber. completamente insana. de uma lógica espantosamente comovente e superlativa com os tratados ilustrados graficamente de seu pai. a Kopi=sammenschnürungsmaschine. Schreber desenvolveu uma intrincada teoria sobre o universo.profundezas até a luz diurna da consciência. uma missão messianica que requeria que ele sofresse uma transformação sexual radical. a investigação psicanalítica do apelo revela que o seu sistema religioso e aquelas m quinas aterradoras repercutem as experiências infantis de Schreber. August Hollingshead e Frederick Redlich relataram que "alguns pacientes japoneses mudaram os seus delírios paranóicos 109 i # de serem o imperador Hirohito para serem o general MacArthur . distorceu quase tudo. estão suficientemente documentados na literatura psiqui trica. Ainda assim. com freqüência apenas levemente.` Mas estão longe de desdenhar a realidade ao se afastarem dela. médico e pedagógico". " em outras palavras.. em aparelhos mecânicos planejados para melhorar a postura infantil.s suas invenções kaffiarias. atesta com eloqüência essa interação indireta. tem sido chamado de "reforrnador social. quão irreconhecível. No seu memorando exaustivo. Assim. 0 modo de proceder de Schreber est longe de ser incornum entre os pacientes de hospitais mentais. não importa quão desfigurado.. Schreber imaginou relativamente pouco. o manual cl ssico do paranóico. realidade. Daniel Paul. e instrumentos engenhosos de tortura aos quais tinha sido obrigado a se submeter. cuja fuga da realidade é muito mais arrebatada. o mundo est sempre presente neles. um pedido para ser libertado da instituição mental em que estava confinado. Nada poderia parecer mais afastado da vida real do que isso. fica-se menos impressionado com a inventividade de Schreber e mais com a engenhosidade de sua mente para incorporar e reconstruir todas as suas atribulações.. embora irracional. planejada por Schreber para manter a sua cabeça conectada. # 0 mundo est presente até nos psicóticos. Apenas a aglutinação da língua alemã pode fazer justiça . Freud definiu os neuróticos como 108 aqueles que. e para os quais Freud forneceu explicações importantes tanto teórica como clinicamente. Os tributos que os psicóticos pagam . por acharem o mundo insuport vel. contudo.. Daniel Paul Schreber. . e usa. com uma atenção pedante pelo detalhe. um ortopedista e na época uma celebridade. desviam-se da realidade. completada com uma teologia madura. e seus outros filhos. "pouco depois da Segunda Guerra Mundial". 1 -. excessivamente reais. " Seu pai.

as . por muito tempo. As pessoas tornam-se neuróticas. embora torcidas. a precisão e a nitidez pictórica. de desprezos e de vozes reais. incerta sobre os limites que a separam do mundo. segundo a formulação freudiaria sucinta. incapaz de diferenciar entre pensamentos e atos. são remendadas com uma costura in bil e retratam cenas fant sticas. a mente humana necessita e avidamente procura re presentaçoes realistas que favoreçam a visibilidade. descoloridas. deveria estar claro agora que as vidas mentais dos neuróticos e dos psicóticos são tapeçarias que. Ainda assim. Aqueles japoneses megalomaníacos. Seja demente.e encontra o que precisa nas suas vizinhanças imediatas. auto-ilusão.. ela passa. gradualmente e através de numerosos retrocessos. a completa racionalidade com que os loucos podem escolher" as formas que os seus sintomas tomarao. do princípio do prazer para o principio da realidade. Nunca são assaltadas por alguma neurose geral ou fobia indefinida. e com isso tentar realizar os seus desejos através da modificação daquele. Muito ao contr rio. menos distorcida.. 0 animal humano não amadurece através de um desdobramento suave c coordenado de suas potencialidades. através de desapontamentos dolorosos e repetidos. Esta é a lição dada pelo princípio da ~realidade que a criança aprende com tanta relutância. incidentes vistos. em uma situação específica. como em outros lugares. tecidas com fibras significativas tiradas da vida. Enquanto as habilidades motoras e as capacidades mentais da criança descrivolvem-se. neurótica ou esteja apenas adormecida.. No início. e mais tarde. mas tecem seus sintomas a partir de histórias ouvidas. ao que parece. 110 . Assim. No começo. " Aqui. A longo # prazo e melhor enfrentar verdades desagrad veis do que gozar ilusões agrad veis. Freud subscreveu a m xima baconiana de que conhecimento é poder. Certamente. todas expressas através de um vocabul rio pictórico e verbal que partilham com os seus contemporâneos mais afortunados. ou seja.s vozes que ouve não podem sobriamente ser chamados de realistas.k o aparelho psicológico da criança decide por fim ver o mundo externo como ele é realmente.Essa importância patética. Não é de admirar que muitos adultos recorram . ou loucas. e comum.tatuto que o psicótico d . E tanto a situacão como o vocabul rio são o ingresso do historiador para entrar no mundo psicanalítico. enquanto corporificações de seus impulsos e ansiedades . 0 que é verdadeiro para os neuróticos e os psicóticos necessariamente é ainda mais verdadeiro para aqueles cuja relação com o seu meio humano é menos perturbada. é levada a descobrir. ignorante.. que os desejos não se traduzem automaticamente em realidade e que a auto-suficiência mental é uma ilusão. o peso que o neurótico confere ao desprezo sofrido ou o e~. e. Freud postulou que a criança procura satisfação ao alucinar os seus desejos imperativos. ansiedades sentidas. ao escolherem para suas personificações delirantes um conquistador americano que realmente havia vencido o seu próprio imperador divino testemunham de forma impressionante o realismo invulgar.

" 0 historiador não tem nenhuma razão para ser sentimental. Os prazeres.. A experiência dos historiadores com essas imperfeições inevit veis são mais agudas no seu próprio trabalho. Freud escreve que o artista "modelar suas fantasias em novas especies de verdades que encontram abrigo entro os homens enquanto reflexões valiosas sobre a realidade". A educacão apóia essa busca pelo real ao postular objetivos e ao estabelecer limites. desviam suas intenções amorosas do self e procuram satisfação com e através dos outros. finalmente podem assimilar o mundo externo com seus recursos mentais e físicos completos. Além disso.um ensaio pr tico para a ação exibem todos a sua ligação crescente com uma apreensão racional da realidade. o refúgio h bil da realidade. a pessoa completamente analisada. retorna ao oferecer uma nova visão da própria realidade. ao impor um reconhecimento compulsório dos outros. Pior.... imparcialidade e empatia. Ele endossaria a observação de T.s exigências da realidade e da socialização. Seus desejos sexuais. Mesmo a arte." A criança na sua situação doméstica normalmente trocar os prazeres da ação independente e do conhecimento acurado por aqueles que os pais prezam e têm aceitação social. pensamento . no início claramente auto-eróticos e que então se organizam em torno do amor narcisista. as realidades que o 111 1 i # indivíduo toma como suas podem ser terríveis como podem ser as razões que o levam a assimil -las desde o início. S. mais do que Freud teria. Não é de se espantar que Freud fosse um pessimista.s ameaças (ou pelo menos ao medo) de castração. ligada . como argumentou Heinz Hartinarin.. é "um incitamento". ` Ainda assim. Talvez o mais impressionante: ao desenvolver todas essas capacidades. Nunca são puros mas sempre comprometidos por fracassos parciais. mais do que a psicanálise chega a realizar totalmente o seu ideal. uma apreensão cuidadosa da realidade externa pode gerar t ticas problem ticas assim como problemas éticos. o filho de pais preconceituosos descobre que é recompensador crescer corno um preconceituoso. o filho de autorit rios crescer como um conformista. juízo.linhas de seu desenvolvimento emocional e intelectual estão defasadas da maneira mais problem tica possível. A resolução do complexo de Êdipo est . como sabemos. a respeito desses pequenos triunfos. mas sabem que nunca podem atingi-los. uma adaptação comprometida apenas pelas coerçoes impostas pela sua neurose. recordação. o princípio da realidade ensina a criança a pospor as gratificações. Eliot de que a humanidade suporta apenas um pouco de realidade. como Freud colocou literalmente. a vencer o princípio do prazer. ao desabrocharem os seus poderes de atençao. as pulsões sexuais resistem em abandonar o princípio do prazer. em especial. mas estão igualmente disponíveis se esse conformismo significa a aceitação pela criança de pontos de vista err"neos e distorcidos que os pais têm a respeito da realidade". Dar aos pequenos sonhadores um pouco de juízo sobre os prazeres maculados pelo conhecimento mundano é em larga medida o trabalho . colocam-se os ideais recomend veis de objetividade. guardados para a criança que se conforma . são .

na sua maior parte. também não tomou como tais "normal" e "racional". Ouando eu disse que os historiadores senicm-se 112 . É a base da razão. coloca em sérias dúvidas a percepção convencional de como as suas idéias podem servir para a investigação histórica.s possibilidades impostas pela pressão do mundo sobre ele. com os seus esforços propositais para adequar o meio aos seus desejos. # Portanto é importante ter claro o que implica e o que não implica uma psicologia do ego psicanalítica.são funçoes egoicas quase totalmente inconscientes e não racionais. a psicologia do ego não se limita de nenhuma forma . tecem padrões afastados do mundo. Uma escala de adequação A ambição dominante de Freud. que o ego fornece sua lista de materiais para o historiador. mais ainda. e cada vez mais próximos. com fazer as coisas em obediência . Mas. que estão no pice da atividade racional. Os estratagemas defensivos . uma atividade freqüentemente ponderada e sempre conturbada.. razão. articulam-se com o resto da investigação psicanalítica para trabalhar na direção de uma teoria abrangente da mente.2' Isto somente sublinha o ponto de que as pesquisas dos psicólogos do ego.. 0 seu nome é em alguns sentidos infeliz.. evidência empírica. a experiência. 3. sua insistência em detectar componentes neuróticos ocultos no mais frio dos c lculos. Poderia parecer que o senso comum dita uma . vontade com as realidades toscas. não deveria obscurecer o seu acesso as leis que governam o funcionamento normal. Assim como Freud nunca tomou como equivalentes "mental" e I( consciente".. do princípio da realidade é o que Freud chamou de "teste da realidade". Mas realidade e razão são amigos íntimos sem serem companheiros insepar veis: o raciocinio matem tico ou a meditação lógica. controle. 0 ego reage ao mundo externo.ao separar o que se deseja daquilo que se vê. Foi na sua última grande fase.. acatar as pistas objetivas. Embora considere o funcionamento da razão corno o seu domínio. Não posso deixar nunca de enfatizar (e isto é importante para o historiador) que Freud.... é isto o que quero dizer: quando lidam com a mente. ele confiava. o cientista. É na sua mediação. corrigir convicções. o médico e. em aceitar o universo. ou nada. a racionalidade desempenha a tarefa de confrontar realidades de uma maneira que não é feita pelo pensamento irracional: obedecer . e outros . Psicologia do ego não faz jus ao realismo sombrio de Freud. ligada ao seu modelo desenvolvimentista do conflito e . ao ser capaz de ver o que se vê. objetivou desde o início uma psicologia geral.projeção. em suma. freqüentemente levam pouco em conta.. formação reativa. a construção de juízos imparciais que diferenciam fantasias de realidades ao comparar as idéias com as percepções . c lculo. é seu agente e representante na mente e .. durante a década de 1920. que Freud dirigiu a sua atenção para a instituição que realiza esse teste.do ego.. 0 procedimento que as crianças desenvolvem enquanto circulam em torno. lidam principalmente com as funções egóicas com o reconhecimento humano de uma necessidade inescap vel. Que as suas teorias tenham se originado dos seus encontros clínicos com uma diversidade variegada de neuróticos foi um acidente histórico que.. recalque. não é de modo algum psicanálise sem psicanálise.s vezes o seu mestre.

quaisquer que sejam. não apenas porque a vêem emaranhada continuamente com o não racional mas.. Oprimido por úlceras. impondo um monopólio virtual de competência explicativa. a psicanálise deveria permanecer muda. Os psicanalistas declaram com firmeza a sua competência em explicar a racionalidade. Que medida de racionalídade histórica d -se a certos atos históricos . esse tipo muito citado goza de um lugar privílegiado no folclore do masoquismo capitalista. Freud em 1914 repudiou. como é tão freqüente. Portanto. 2'... as ídéías mais sensíveis e o comportamento de "pessoas normais". desastrosa.s condutas não racionais. muito menos aposentar-se..4 Isso é um fator revigorante e estratégico de modéstia. Freud estaria no seu meio próprio principalmente com a irracionalidade. Mas aqui. dividindo as honras de uma disciplina auxiliar com a antropologia e a 113 i . como a teoria psicanalítica poderia ter ensinado a Freud. citarei apenas o do comerciante obsedado de Max Weber. É encontrado na literatura sobre o burguês que pune a si mesmo enquanto gerente obsessivo cuja conduta no escritório ou na f brica é impecavelmente controlada. isolado por . com as fontes irracionais da ação.Napoleão invadindo a Rússia em 1812 ou a Ing aterra abandonando o padrão ouro em 1931 . no mínimo.deve depender do ponto de vista a partir do qual é feito o julgamento sobre eles: se a partir da percepção imediata do agente ou de seus objetivos a longo prazo. Em relação aos sentimentos e . o senso comum erra. Essa própria encarnação da ética protestante pensa apenas no seu negócio e em ganhar dinheiro. acima de tudo. vasta região de h bitos sociais e culturais que chamamos de costume ou tradição. ainda que simples e gentil. gestos impulsivos e estratagemas ponderados. são muito mais parecidos com sonhos manifestos ou sintomas neuróticos: formações de compromisso compostas de desejos arcaicos e resíduos diurnos. mas. não pode dar a si mesmo um descanso. se a partir do impacto que o seu ato causar no seu círculo íntimo ou em campos mais vastos de implicação. a da cobiça pelo lucro: "Esperamos de pessoas normais 11 . 1 i # sociologia. mas cujas horas longas e intensas de trabalho são pontuadas com ansiedade e cuja vida privada é prova 114 velmente. "que mantenham a sua relação com o dinheiro totalmente livres de influências libidinais e a regulem por considerações realistas" . Na verdade. . como a sociedade ou a posterídade. ela teria idéias esclarecedoras para contribuir. Entre os muitos exemplos que ilustram o lugar problem tico da racionalidade na ação humana. escreveu.` Na versão do século XX. de forma suficientemente signíficativa quando falava sobre aquela paixão tão interessante psicanaliticamente. também devido ao seu interesse no funcionamento do ego que objetiva tornar a humanidade mestra da natureza e de si mesma.escala de adequação: na esfera da racionalidade.

freqüentemente serviu como prova da desumanidade do capitalismo. não racional e irracional. Pois os valores que as intenções corporificam. a aplicação de qualquer conhecimento ou informação disponível para resolver um problema ou realizar um desejo. que o cega para as conseqüências delas até para si mesmo. técnica. mas é também. de acordo com Max Weber. pode somente se originar de necessidades e ansiedades que escapam a qualquer consciência de si que possa ter. podem em si mesmos não ser totalmente racionais. aponta para a sua natureza complexa. Tal avaliação não oferece ponto de apoio para explicações psicanalíticas. indiferente a todas as outras espécies de apuração externa. 11 racionalidade" é um nome geral. diplomacia. 0 fracasso da sua razão em justificar-se. mesmo para os seus benefici rios. rico e miser vel. Atividades como essas convidam a urna avaliação interna. demasiadamente indeterminado. ao isolar a sua caça por lucros e poder do resto da sua economia mental.. a distinção cl ssica entre Zweckrationalitãt e Wertrationalitãt pelo menos começa a estabelecer diferenças salutares. para discriminar entre operações mentais divergentes que se pretendem descrever. É não racional em seus objetivos: falha em examinar os seus fins em grande parte porque eles reativam h bitos e imitam escolhas de outrOs que ele admira. é apenas mascarado pelo aplauso dos seus pares.. entrando assim no terreno da racionalidade com vistas a valores. tinha de ocorrer nos dias do capitalismo maduro) é que. lucidamente. racionalidade com vistas a propósitos. sua disposição.toda a sua sociabilidade compulsiva. Certamente. econ"micas. 0 que ocorreu (e. e do mesmo modo. Os únicos julgamentos relevantes para avaliar a racionalidade com vistas a propósitos são se as intenções do agente têm uma oportunidade razo vel de ser corciadas de sucesso ou se foram atingidas na sua execução. oculto por tr s de uma exibição ostensiva de esquemas observados e alvos atingidos. sem amigos nos momentos em que sofre reveses. É irracional nas suas origens: a 115 i # simplicidade fan tica do seu planejamento. que a psicanálise adquire uma função mais visivelmente explicativa. É quando o historiador começa a envolver-se com as intenções em si mesmas. Do mesmo modo o diplomata que astutamente engana seu par durante negociações ao oferecer concessões altissonantes mas vazias. realmente não avance na an # lise do cen rio emocional onde tais ações presuntivelmente racionais são desempenhadas. 0 que . concentra-se exclusivamente na adaptação dos meios ao fim. fins que não acha necess rio questionar. É racional em seus métodos: persegue. sejam sociológicas. preocupada exclusivamente com os padrões que governam o ofício em questão: arrombamento. com todos os recursos . É bastante óbvio que a conduta do negociante weberiano é simultaneamente racional. Um ladrão de bancos que carrega o conjunto mais avançado de ferramentas e toma as mais cuidadosas precauções est exercendo a sua racíonalidade com vistas a propósitos na sua forma mais pura. políticas ou éticas. A aprovação deles é um sintoma cultural. Embora essa tendência moralizante. A primeira. ele contaminou as suas percepções e corrompeu os seus ideais.

Em si mesmos. Esses "automatismos" culturais. desafiados pela insatisfação e pela inovação. são conservadoras por sua própria natureza. e pode gerar. afinal de contas. sua recusa axiom tica em examinar as suas origens e questionar as suas operações. os entusiasmos auto-ilusórios. amenizam e moderam as ansiedades. para tomar emprestado um termo de Heinz Hartmann.se exibe como racional pode ser profundamente irracional. Afinal de contas. os confrontos aumentam e diminuem. superego .nas respostas desordenadas dos homens . # Durante esses momentos alegres e assustadores. outras épocas. por alguns historiadores) como sendo quase ilimitadas. uma classe.s cat strofes econ"micas . o ego é o inimigo do id. legais . ego.morais. 0 que é adaptativo para uma pessoa.que William Langer em seu famoso discurso presidencial elaborou o seu pedido para que a profissão histórica encontrasse usos para a psicanálise no seu trabalho. A conduta impulsiva. Até historiadores inclinados a serem céticos em relação . mais do que controlar ou resolver.s idéias freudianas têm relutantemente reconhecido nelas uma certa eficiência no campo da " psicopatologia social". Não criam e raramente modificam o seu mundo.. De uma maneira que não surpreender o psicanalista. É aqui que as oportunidades de desempenho para os psicanalistas enquanto especialistas têm sido reconhecidas (pelo menos. As pulsões. que o historiador h muito considera tão absorventes. essas repetições organizadas. pode não ser para outras pessoas. 0. tornam-se ainda mais interessantes. Os homens. entram em conflito com os objetivos das outras. e é freqüentemente superado pelo irracional. a partir de um contexto específico. Muito semelhante ao que ocorre com o comportamento racional. conflitos. momentos quando o conjunto dos costumes começa a se desagregar.s epidemias devastadoras. por sua vez. as aparências não são completamente enganosas. dispensam o pensamento de muita fadiga.. como Freud sustentou consistentemente. na maior parte da sua vida.que conservam e preservam o que tem sido. aos líderes carism ticos ou . os h bitos institucionalizados oferecem ao historiador um semfim de materiais interessantes.id. mudança. uma época..tem objetivos próprios que muitas vezes. e ocupam estruturas . as ansiedades . 0 velho lugar-comum psicanalítico.. outras classes. com demasiada freqüência.costume e a tradição. agem a partir de pistas familiares e orientam-se por indicadores habituais. 0 psicanalista pode dissolver esse paradoxo aparente: cada uma das instituições fundamentais da mente . o governado pelo 116 costume pede para ser julgado. foi na irracionalidade coletiva . é propensa a suscitar ansiedade. '5 Muito da história pessoal é a somatória de tais conflitos. Em tempos de insurreição.. o não-racional projeta a sua sombra. com a sua monotonia tranqüilizante. através de experiências concretas. simplifica em excesso uma cena complexa de combate na qual as alianças se modificam. religiosas. apresenta ao historiador um número muito menor de enigmas intelectuais e um pedido muito mais premente para a utilização do psicanalista. A esfera não racional. " Excepcionalmeilte. mesmo para melhor. essas soluções sociais para problemas individuais tornam a vida mais f cil.. a recusa em reformar estilos de pensamento e padrões de autoridade pode favorecer o pânico ou a raiva.

. Afinal de contas. mobilizou vingativamente o vocabul rio psicanalítico. As fantasias luxuriantes dos metodistas. um "culto ao 'Amor' que teme a expressão efetiva amorosa. P.s vezes um senso de realidade tão falho como aquele do mais quiliasta". "0 que não devemos fazer". ` Analistas. E. o "o 'ajustamento' abjeto a sofrimentos e carências pode indicar . permitem-se esse jogo destrutivo. escreveu em 1922 para um correspondente americano. a psicanálise de políticos 117 1 # odiados. No estudo psicológico notório e póstumo sobre Woodrow Wilson. Mas .endêmicas parecem ser o domínio de competência próprio do psicanalista. contra uma comunidade religiosa que ele detesta. e uma "preocupação com a sexualidade" obsessiva que 11 revela em si mesma um erotismo perverso das imagens metodistas". de forma suficientemente ponderada. ` Ainda assim. na sua sombra. tornou-se uma pequena indústria inferior e irritante. em seu brilhante e extremamente influente Making of the englisli working class. fato que ele deplora quando usado por outros contra radicais que aprecia. Thompson. ele permitiu que a sua aversão ao Messias auto-intitulado e intruso do Ocidente superasse a sua neutralidade analítica cuidadosamente cultivada. É verdade que Freud advertiu enfaticamente contra a convocação da sua disciplina para esses"atos de agressão. Aqui nos acenam discernimentos excitantes. cujo impacto anti-revolucion rio sobre as classes trabalhadoras inglesas despertou a sua ira. Mas essa precaução sensível contra a redução de injustiças sociais reais a desordens psicológicas acaba por se revelar politicamente prestativa para o autor. assinala. algumas vezes. 0 mesmo ocorre com historiadores.. uma vez suficientemente enfurecido. escreve.da Babil"nia e do exílio no Egito e a Cidade Celestía1 e a luta com Satã ---.. "a psicanálise nunca deveria ser usada como uma arma em polêmicas liter rias ou políticas". Na verdade. "é confundir 'excêntricos' puros e aberrações fan ticas com as imagens -. mesmo Freud podia não corresponder aos seus rigorosos ideais profissionais. Mas. escrito na sua maior parte por William Builit mas com a aprovação de um Freud idoso. seja corno amor sexual ou qualquer forma social que possa irritar as relações com a Autoridade".s imagens metodistas sã o suficientemente corretas. vivos ou mortos. "Em minha opinião". pois Thompson deixa de estendê-la aos metodistas."' H boas razões para supor que tanto a advertência de Thompson contra o reducionismo. "porque as imagens luxuriantes algumas vezes apontam para objetivos o claramente ilusórios. os que manejam o bisturi freudiano têm muito freqüentemente sucumbido a uma confiança inapropriada e a diagnósticos apressados: as tentações são pelas mesmas razões tão intensas quanto as promessas que assomam. quanto a sua an lise das origens eróticas subjacentes . precisamente nessa conjuntura promissora. Desde então.através das quais os grupos minorit rios articularam sua experiência e projetaram as suas aspirações por centenas de anos". isto não significa que possamos concluir apressadamente que indicam um 'senso de realidade' cronicamente defeituoso". mostram "meios-tons de histeria e de sexualidade prejudicada ou frustrada".. uma "preocupação mórbida com o pecado e com a confissão do pecador".

sua resistência conservadora e o planejamento cuidadoso que caracterizou as percepções e as políticas de seus participantes. não menos do que os radicais. sob o impacto da psicanálise.. um animal social que povoa o seu inconsciente. Mas o lucro que o # historiador pode ter ao explorar psicanaliticamente a razão e seus inimigos faz com que os riscos valham a pena. não de fornecê-los. mais do que serem sujeitos a urna intensa procura pela psicopatologia. . Mostrei como Georges Lefèbvre lutou para dar sentido ao lado psicológico da Revolução Francesa. realidade psicológica das fantasias e das representações mentais. Freud especulou sobre as maneiras através das quais a sua psicologia individual poderia contribuir para a exploração da experiência coletiva. ampliar e enriquecer o seu sentido sobre a realidade histórica. nem menos "perversas" que as presentes nos metodistas. Mas isto merece um capítulo próprio. para o analista. merecem ser estudados com simpatia. os psicanalistas. ao fazer um levantamento sobre as contribuições que a sua disciplina j havia dado ao estudo da cultura. sua contríbuição para o historiador que visa a objetividade é a de auxili -lo a detectar e a desarmar os seus preconceitos. A psicanálise aplicada corretamente não 118 favorece padrões duplos desse tipo. Sabemos que.. a situação analítica. "Psican lise". A pertinêncía para o historiador da forma psicanalítica de lidar com a realidade externa é menos definida.a utilização imparcial de conceitos psicanalíticos e de métodos históricos teria revelado que o quiliasmo dos radicais apresenta raízes eróticas não menos ocultas. Mas do mesmo modo que o historiador pode. são mundos diferentes. constrói os seus sonhos. Mesmo o indivíduo isolado que o psicanalista encontra na situação clínica é. atentos ao que os historiadores têm descoberto sobre os eventos passados. podem ampliar e enriquecer o seu sentido sobre a realidade psíquica. Eles devem e irão permanecer assim. dotadas de múltiplas camadas e mais adequadas para a sua natureza composta e intrigante do que as grandes simplificações que a maioria dos historiadores setite-se levada a acatar como satisfatórias. com o seu emaranhado sutil de idealismo fan tico. é uma tarefa arriscada. e que eles. eu disse no inicio do capítulo. Os mundos da psicanálise e da história. Não se pode negar que arrancar a psicanálise da sua esfera habitual. 1 1 q i # Do divã para a cultum Em 1913. essa realidade é claramente secund ria em relação . afinal de contas. 0 instrumental fretidiarto poderia ter amenizado as suas perplexidades. alimenta as suas ansiedades com experiências que retira do mundo que habita. pois expõe os produtos mentais a partir de explicações dinâmicas.

este capítulo deveria ser menor. Mas a dúvida do historiador se. em alguma extensão. no seu sentido extenso. um objeto. ao mesmo tempo. para este propósito é essencial ter um domínio sobre o mundo real". embora aqui restrita especificamente ao toternismo. ele somente extrai as implicações do que eu j disse sobre a concepção psicanalítica da natureza humana. De direito e de fato. Mesmo de forma mais geral. Uma parte desta tarefa pode ser realizada através da obtenção de satisfação no mundo externo. Persuadido de que a psicanálise j tinha projetado brilhantes fachos de luz sobre as origens da religião e da moralidade. uma psicologia social". ainda mais modificados pelo progresso tecnológico. "na vida mental do indivíduo.. Freud sustenta enfaticamente que o contraste "entre individual e social ou psicologia das massas". mas totalmente justificado. em Totem and Taboo. Em um dos seus últimos ensaios. provavelmente o mais citado a respeito da cultura. "0 guardião" do ego ideal foi iní(-ialmente transmitido pela "influência crítica" dos pais. acrescida. argumentou Donald B.s discontents.. "perde muito de sua agudeza após um exame mais acurado". Meyer. penso. sociologia e outras ciências sociais são parasit rias da psicologia. De forma bastante concreta. Essas são proposições audaciosas. desde o início e. j havia argumentado que a explicação completa de um problema "deveria ser histórica e psicológica ao mesmo tempo". Essa passagem. Novamente. no limite. ' 121 # Existem outros em abundância nos escritos freudianos. significativamente. "A história psicanalítica". sobre as dimensões sociais do complexo de Édipo e sobre o homem enquanto animal cultural em geral. o Outro é com bastante regularidade tomado como um modelo. pelos "educadores. "deve ser biogr fica na . a de encontrar algum outro modo de liberar os impulsos não satisfeitos". Freud conclui que "toda a história da cultura demonstra apenas os métodos que a humanidade adotou para dominar os seus desejos insatisfeitos sob condições mut veis. estão certos impulsos afetivos 11. professores". reivindica validade para todo um campo da experiência humana que precisa ser explicado. Parte da idéia fundamental de que a função principal do mecanismo mental é a de aliviar a pessoa de tensões criadas nela pelas necessidades. para não falar do "enxame" intermin vel das influências culturais que incluem 11 os homens. acrescenta. é nada menos do que um programa ambicioso para historiadores. "a realidade regularmente frustra a satisfação de outra parte destas necessidades. Assim a psicologia individual é. mais tarde. entre as quais. a idéia de um superego cultural. ele desenvolveu. Freud pensou a consciência como um legado social que o indivíduo internaliza e portanto o torna próprio. da justiça e da filosofia.-' Para Freud. mas o leitor destas p ginas não pode ach -las particularmente inesperadas. Afinal de contas. a psicanálise pode mesmo aplicar-se a mais do que a vida individual justifica uma exploração mais extensa sobre o meu tema. o animal humano confronta-se com uma "segunda tarefa. um convite cujas implicações nem psicanalistas nem historiadores começaram ainda a explorar. Sua proposta. um auxiliar e um advers rio. desejos algumas vezes admitidos. Mas desde que. aparentemente tão intransponível. "estabelece uma conexão íntima" entre as "aquisições psico16gicas de indivíduos e de coletividades ao postular a mesma fonte dinâmica para ambas. ao abrir a sua monografia sobre a psicologia das massas.escreveu. algumas vezes frustrados pela realidade". a opinião pública". Civilization and .

tão antiga quanto Platão de que o indivíduo é a cultura escrita em letras minúsculas.. ou para apreender uma época ao rotul -la de época do narcisismo. e a cultura. comprometida apenas pelas publicações ocasionais de materiais clínicos em artigos científicos. Moore. Portanto. os últimos esboços de noções freudianas sobre a mente "racial" ou sobre as disposições psicológicas e coletivas heredit rias que freqüentam o seu trabalho têm sido extirpados pelos seus su(-ssores como redundantes. durante os scus en contros de outono em 1977. A idéia freudiarta central de que todo ser humano est contínua e inextricavelmente envolvido com outros e de que a psico logia individual e a social são no fundo a mesma é uma versão moderna e sofisticada da velha idéia .. quase invariavelmente ampliem as met foras retiradas da terminologia psicanalítica e originariamente planejadas segundo propósitos mais estreitos e muito menos el sticos. Mas as suas proposições relativas .' Nem é um acidente que quando historiadores utilizam-se de Freud para analisarem a conduta coletiva. a sua resistência a experimentos com grupos terapêuticos. Usada sem precau ção. seu coordenador. a sua paixão devotada .tudo centraliza a atenção continuamente para o paciente isolado.s meticulosas. sozinho consigo mesmo. o indivíduo escrito em letras maiúsculas. De qualquer maneira. levemente dis farçados. não é um acidente que tenha sido um sinal de raridade o fato de a American Psychoanalytic Association. Nas mãos do psicanalista.. As portas duplas do psicanalista que protegem o seu consultório. Burness E. confidencialidade. essa assimilação imaginativa de duas entidades muito diferentes pode levar a simplificações excessivas e patéticas. Freud não era um i pensador simplório. vestígios quase embaraçantes de 122 superstições científicas do século XIX a respeito de urna "alma grupal". Afinal de contas. demonstrações mais sólidas do que aquelas feitas até agora . encerrou-o com a tênue esperança de que analistas pode riam doravante "discutir processos grupais com mais freqüência do que uma vez em cada 21 anos". na qual um parceiro fica calado quase todo o tempo. Isso foi o que Richard Hofstadter fez no seu ensaio sobre o estilo paranóico na política americana. bem verdadeiro que qualquer ambição freudiana em fornecer uma iluminação mais ampla suscita algumas questões difíceis.incluindo as freudianas.sua orientação". 123 i 1 # . ter oferecido um painel sobre o "conhe cimento psicanalítico de processos grupais". com seu inconsciente e # com seu analista.. generalizações extensas sobre "a" experiência de toda uma classe ou cultura provavelmente se dissolvem em asserçoes cuidadosas e discriminativas sobre experiências no plural. isso é o que alguns outros historiadores têm feito nos seus esforços para le rem revoluções diretamente como combates edípicos. 1. ' É. totalmente disfarçados . o di logo entre o analista e o analisando é uma espécie de conversa consigo mesmo. psicanálise da cultura requerem an lises ma.

uma nação em guerra .Hippolyte Taine. é freqüentemente tensa. embora florescente. de Freud. mas.. os ataques felinos dele contra os figurões vitoríanos teriam sido mais justos para com os seus objetos.. amplia de forma significativa o campo de pesquisa ao explorar os fundamentos ocultos da conformidade coletiva em uma organização tão disciplinada como o é a Igreja Católica Romana. Gustave LeBon. Ainda assim.. e a sua interação. É quase proverbial que todo historiador tem algo de biógrafo. h divergências marcantes entre as duas ocupações. a1gumas propostas informais bem-vindas que podem servir para melhorar as relações não totalmente safisfatórias entre a biografia e a história. algo de historiador. quando não desfrutam da presença envolvente de outras pessoas com a mes ma crença . provavelmente repudiariam. se Lytton Strachey tivesse sido um pouco mais historiador.a turba em revolta. Gabriel Tarde. Observadores sociais inquietos como Thomas CarIyle ou Matthew Arnold.. solução racional de problemas sociais.5 Seus resultados eram provisórios e parciais. medida pela # alocação relativa de espaço. inquieta ram-se com a democratização da cultura moderna enquanto uma ameaça crescente . sua volta. outras não. as explosões se vagens e A an lise freudiana... Isto não é uma questão de qualidade. Por razões evidentemente políticas.. Parece um exagero sugerir que.submetem-se a impulsos que os seus mem bros normalmente controlariam. cont6m. ao ligar convincentemente o indivíduo aos seus parceiros em emoção. Tão mal definidas como possam ser as fronteiras entre elas. encorajados por um pequeno grupo de historiadores tendenciosos e "psicólogos das massas" . Nunca deixaram de oferecer como evidência as paixões odientas desencadeadas pelas journées exaltadas e sanguin rias da Revolução Francesa como um aviso sombrio contra 1irracionais de massas oprimidas e furiosas. e todo biógrafo. um comprometimento com o meio social relevante. a conduta impredizível e inquietante do "rebanho" humano começou a ser estu dada com intensidade e preocupação a partir da metade do século XIX. embora comece coir t b lho de LeBon que fora anteriormente 124 Teriam sido menos caricaturais se ele tivesse sido um pouco mais biógrafo. uma sensibilidade informada e . A distinção é mais sutil do que esta: o historiador traz para a vida sobre a qual est escrevendo. ou para as passagens biogr ficas que ajusta . Group psychology and the analysis of the ego. algumas biografias são inequivocamente o trabalho de um historiador. um coment rio sobre o ra a a maior autoridade sobre a psicologia das massas.1 ~ Além da biografia Sigmund Freud não foi de nenhum modo o primeiro a observar que os corpos coletivos . conduta ordeira dos negócios públicos e . Nem a diferença entre história e biografia é. sua narrativa ou an lise.. e mais tarde Wilfred Trotter -. um exército em batalha.

embora menos arrebatadamente.. é tudo menos isso. de Tolstoi. luz da sua psicologia posterior do ego não foi apenas encontrar um novo vocabul rio para cenas familiares. embora as vezes possa ser pensada assim. os indivíduos podem retornar a estados primitivos da mente. sujeitar a sua vontade a líderes. é bastante explícito sobre as emoções de Rostov: "Ele estava realmente apaixonado pelo czar e pela glória das armas russas e pela esperança de um triunfo futuro". o mesmo sentimento que todos os outros homens no exército: um sentimento de perda de si. cometeria crimes. Ainda assim.treinada sobre os mundos nos quais o seu objeto viveu. Espera-se que possua. uma consciência orgulhosa de poder e uma atração apaixonada por aquele que era causa desse triunfo".. Estar perto do imperador era a felicidade real para o jovem entusiasta. desaparecem todas as inibições individuais. Os estudiosos da sociedade. que ilustram alguns desses mecanismos de forma perfeita: o jovem conde Nicholas Rostov. permitem aos grupos imporem laços sólidos que tornam os seus membros submissos. na iminência daquela palavra". Nem . morreria ou realizaria façanhas do mais alto heroísmo. Esses apenas. sem excluir os escritores imaginativos. acreditou. história a partir dos materiais humanos mais fundamentais: amor e ódio. e os instintos cruéis. Freud construiu as trilhas que ligam a biografia .era "o único a ter aquele sentimento durante os dias memor veis que antecederam a batalha de Austerlitz.. um sentido firme. Mas a psicologia psicanalítica. adormecidos em cada um . pelo seu czar e pela glória das armas russas". sugeriu Freud. 125 i # "Estava feliz como um amante para quem chega o momento de um encontro h muito ansiado. a certos discernimentos psicológicos que lhe tomavam anos para extrair de seus pacientes.." Pode-se entender por que Freud teria dito que invejava os romancistas e os poetas por chegarem." Tolstoi. através de pura virtuosidade. primeira vista pelo czar Alexandre 1: "Rostov que estava nas linhas de frente do exército de Kutuzov. cada nove homens em dez no exército russo estavam apaixonados. profissionalmente disciplinado sobre o espaço e o tempo.. e portanto tremia. junto com os seus companheiros. Ele explicou-as. H p ginas em Guerra e paz.e isto é o mais significativo . têm. desconsiderar restrições e o ceticismo sensível que a educação cultivou neles tão dolorosamente. com o coração parado. "Na reunião dos indivíduos na massa. mas fracassou em detectar as causas de sua coesão. experienciou. o que Freud fez ao analisar esses fen"menos . sobre as possibilidades e coerções públicas. quase fora de si. certamente. em grupos. ativos e intolerantes. havia observado habilmente e descrito de forma inteligente as características comportamentais de multidões. visitado pelo czar em primeiro lugar. não se pode usar uma psicologia que o deixaria atolado nos domínios esotéricos de pulsões fantasm ticas e em dramas mentais misteriosos que devem ser decifrados. Rostov. apaixona-se . "sentiu que a uma simples palavra daquele homem toda aquela vasta massa (e ele mesmo era nela um tomo insignificante) atravessaria ferro e fogo. LeBon. Obviamente.. de fato. e exiba. sabido h bastante tempo que. brutais e destrutivos.

apesar de todos os seus prazeres sedutores. pois esse ego ideal. "permanece indecidível quanto o pensador indi# vidual ou o poeta devem aos estímulos da multidão na qual vivem. ou a música popular. escreveu. esse feriado moral carregado de afeto raramente é destinado a se tornar permanente. os laços libidinosos que mantêm a multidão coesa podem enfraquecer-se. com o líder. Freud considerou a total dificuldade de seu material.. ligados por laços invisíveis de lealdade amorosa e fé inquestion vel. "levando em conta as descrições mutuamente complementares dos escritores sobre a psicologia da multidão. Mas. Pertence . "uma trilha significativa leva . de uma nação". Isto não é invariavelmente um retorno a formas completamente primitivas de sentimento e conduta: o líder não precisa ser uma pessoa. tinha 19 também. são despertados para procurar uma livre satisfação pulsional. desde que "é igualmente o ideal comum de uma família.como relíquias de unia era mais primitiva. "todo indivíduo é uma parte composta por muitas multidões. Anteriormente. no seu artigo sobre o narcisismo. além do seu componente individual. sua nação e a grupos est veis.. pode ser uma idéia.. envolve dois conjuntos de identificações inconscientes: os membros do grupo identificam-se entre si e. um social". os grupos. mas não menos significativas para a sua formação mental. que trabalha solitariamente. Afinal de contas. nos tempos modernos. acrescentou. que ele chamaria mais tarde de superego. coletivamente.. Além disso".' As ligações intensas que constroem esses agrupamentos. Freud escreveu. . escreveu ali. . Diferente de outros psicólogos sociais de sua época. Freud entendeu esse abandono das perspectivas e controles adultos como uma orgia luxuriante e regressiva. gera um sentimento de segurança e diminui o perigo de colocar-se em oposição com o poderoso. "Se se pesquisa hoje a vida individual do homem". ao considerar as complicações que surgem aí. Mas mesmo a mente da massa é capaz de criações mentais geniais. perder a coragem para fazer uma exposição abrangente". ligado de diversas maneiras através de identificações. o folclore.. a psicologia individual com a social.. sua religião. a própria linguagem. sua raça. Freud j havia exposto a mesma tese a partir de uma perspectiva diferente. de novo. 11 permanece certamente verdadeiro que as maiores realizações intelectuais. argumenta Freud. E 11 na medida em que se trata de desempenho intelectual". e que construiu o seu ego ideal a partir dos modelos mais variados".. e o grupo pode então fragmentar-se ou desintegrar-se. se não são mais do que os aperfeiçoadores de um trabalho mental no qual outros participaram simultaneamente".. talvez menos proeminentes do que aquelas multidões espetaculares muito mais barulhentas.. A formação grupal. sua classe.. quase resignado em fracassar. . acima de tudo. de um estamento. menores . podem viver de acordo com padrões morais mais elevados do que aqueles que os seus membros atingiriam individualmente. Além disso. em um daqueles apartes ponderados no qual reúne. compreensão da psicologia da multidão". as descobertas importantes e as soluções de problemas 126 são possíveís apenas para o indivíduo. como comprova. "A partir do ego ideaV. e outros." 7 A caça grupal fornece a espécie de prazer que a supressão das inibições geralmente favorece. Depois de prolongados reveses ou em momentos de pânico. pode-se.

em 1901. escreve Freud. o ódio inicia-se no lar e não termina nele. mais de duzentos anos atr s. pagavam um terço dos impostos diretos na Prússia elegiam tantos deputados quanto aqueles que pagavam o segundo terço . The visible hand. A . As brigas familiares podem tornar-se tão amargas quanto as que ocorrem entre clãs." A contribuição peculiarmente freudiana foi a de fornecer as razoes psicológicas para essa percepção um tanto triste do homem em sociedade e da sociedade em relação ao homem. para a busca científica. Isso significava que M Dona h Early victor an g v I 128 aqueles que. para o ganho de dinheiro.. sórdida. os historiadores marxistas não foram os únicos a assinalar que as instituições podem ser presas de interesses especiais. cuidadosamente sepultadas. "Toda religião". o perspicaz economista inglês e crítico social 1.. Ainda assim. e decisivamente. onde cada cultura realiza a sua forma própria de defesa e adapta o seu estilo a condições mut veis. uma defesa coletiva contra o assassinato e o incesto. corrompidas pelas classes dominantes.' Como o amor.. hostilidades íntimas. emancipam-se de suas origens primitivas em necessidades psicológicas inconscientes para adquirirem uma dinâmica única e servirem a interesses próprios. é uma multiplicidade de coisas: uma arena para a criação artística. e investiu contra 11 a condição dissoluta de homens sem mestres" em uma guerra civil an rquica. Thomas Hobbes. o mais decididamente coerente dos seus antecessores intelectuais. as instituições não podem permanecer imunes . irrompem com ressentimento e raiva. pobre. j havia argumentado. equivalem ao ódio que freqüentemente estimula um grupo que se defronta com estranhos. que "o homem nunca pode estar livre de um inc"modo ou outro". Civilização. crueldade e . e distorcidas por uma retórica criada para servir aos seus próprios propósitos. intolerância para aqueles que estão excluídos dela".s pressões do tempo e do poder. Só se necessita ler o instrutivo livro de Oliver ac 9 1 i o emment ou a esplêndida história da administração americana. como a entendeu. uma condição que Hobbes descreveu com uma série de adjetivos incompar veis e potentes como "solit ria. Hobson p"de reafirmar essa triste determinação numa linguagem que revela quão de perto as idéias psicanalíticas podem corresponder ao pensamento sociológico avançado de sua época: "o objetivo principal da civilização e do governo é reprimir" os "anseios de sangue e de crueldade física".ou maiores. é "uma religião de amor para aqueles que a adotam. para o cultivo das paixões.. Na própria época de Freud. Mas é também. para reconhecer que elas continuamente tateiam por novas soluções. Em 1850. 127 # Ao propor uma teoria social tão pessimista. brutal e breve".. como os historiadores têm razões particulares para reconhecer. Freud estava escrevendo dentro de uma grande tradição de teóricos sociais que antes dele havia entrevisto essas verdades monumentais. a busca de tini interesse privado racional tem componentes não racionais. corno mostrei. e inclinada . a nova constituição da Prússia continha a notória lei eleitoral das três classes que agrupava os votantes de acordo com o valor dos impostos diretos devidos individualmente por elas. Pois. juntos..

e sensíveis . dando lugar a essas variaçoes impressionantes na conduta e na cultura.e não são. Com o seu humor amargo e diabólico. A partilha social A descoberta de quão profundamente as emoções privadas estão investidas na vida pública é apenas uma das formas através das quais as teorias freudiarias podem levar a história para além da pura biografia. Essa economia fundamental mantém-se. e proclamando-se "Miss Suécia". foi "um sistema abertamente plutocr tieo". o cartunista Peter 1 -)q 1 i i # Arrio registrou uma vez essa unidade na diversidade humana ao mostrar um pequeno grupo de beldades curvilíneas. As conseqüências. No capítulo anterior sobre a natureza humana j indiquei algumas das outras. as experiências humanas. apesar de as pulsões componentes. tradicionalmente assegurados. ou "Miss Tasmânia".é empobrecer indevidamente a percepção que se pode ter do passado. Ora.s intimidações das democracias externas e da revolução interna. embora ricas e . Negligenciar a política para concentrar-se na ansiedade é reduzir indevidamente a história a um mero psicodrama. individualizadas atravês de quadrinhos. esse fragmento de sofisma eleitoral elevado a princípio constitucional foi.. elas apresentam-se em traje de banho diante de juízes lascivos. como o eminente historiador alemão Hajo Holborn exp"s taxatívamente. como a dos impulsos libidinais.e os que pagavam o terço restante. ao mesmo tempo. 2. Um modo de vida. praticamente garantindo para os grupos que tinham interesses próximos e comuns todas as recompensas que um sistema político pode fornecer.que. irem juntar-se em cada pessoa de acordo com o seu ritmo particular e com a sua força de coesão distinta.. Os ingredientes b sicos que constroem a experiência possível. um artifício defensivo astuto.. Não é suficiente desconsiderar esse estratagema político como uma defesa totalmente consciente de privilégios estimados. pareceu estar em perigo. prazeres domésticos e sociais. Sensíveis . Em poucas palavras. negligenciar a ansiedade para concentrar-se na política .. e de uma consciência política que surgia vagarosamente nas classes trabalhadoras urbanas. Cada uma delas sofre uma evolução única. os autores das três leis eleitorais ajudaram a exorcizar as ansiedades de prussianos ricos e influentes. de longe. simultaneamente encantadoras e assustadoras.s possíveis ameaças de cidadãos da classe média. que estão longe de serem predizíveis e que formam o material da história. é o que mais ocorre entre os historiadores ." Assegurou quase que o mono# pólio do poder político para os Junkers e outros propriet rios de terra. estão estritamente limitados. confiantes em si mesmos. disse ali. um dos quais diz confidencialmente para o outro: "Uma coisa como esta mostra como as pessoas são as mesmas em todos os lugares São .

uma filha do zelador. outras instituições encarnam sentimentos em regras. e seus jogos assumem logo uma feição erótica. "inexplic vel".ou entraram involuntariamente". independente da sua carreira definitiva. a pequena burguesa e a pequena prolet ria. Mas. Mas depois disso as histórias sexuais das duas amigas irão diferenciar-se. Ao contr rio. exatamente idêntico a todos os outros sob a mesma rubrica. contudo. então o historiadoi tem rebeldes interessantes diante de si. Todo historiador trabalhando com ordens hier rquicas. brincam livremente uma com a outra. amplos. 130 1 Uma f bula instrutiva. com freqüência canoas furadas que devem sei. "de qualquer maneira. A classe é uma experiência que massas de homens sofrem a partir das "relações produtivas" nas quais "nasceram . amplamente citado. apenas para adquirir. lutar com o seu "vício". Classe.':' E. realizar a sua vida sem danos causados pela atividade prematura da sua sexualidade. como a classe. a outra filha do propriet rio. Est certamente consciente de que nomes coletivos 11 ~ 11 11 como católicos romanos" ou "burguês ou norueguês" são. sem neuroses". é destinada a transformarSe em masturbação. A classe "ocorre quando alguns homens. Se não o fazem. A filha do propriet rio. geralmente iniciada pela filha do zelador. como E. Ele acha salutar recordar que todo católico. demonstra que não h nada na psicanálise que obstrua o reconhecimento de experiências coletivas deste tipo nas histórias de vida dos indivíduos. burguês. enquanto . enquanto resultado de experiências comuns (herdadas ou partilhadas). noruegues não é. e provavelmente se desviar de informações sexuais. que j viu mais da vida do que a sua companheira. do seu Makíng the english working cíass. todos esses rótulos são enunciados abreviados de probabilidade: os indivíduos identificados como membros de qualquer entidade provavelmente partilham convicções morais e. A excitação gerada pela sua intensa fantasia. nem uma caixa apertada na qual se espremem homens e mulheres apenas para esquecer a sua individualidade. P. Thompson colocou no pref cio. abastecidas com cuidado e com um sentimento agudo sobre a sua utilidade limitada. cheia de culpas. crenças religiosas. e a divergência é predizível para qualquer um familiarizado com a natureza classista da moralidade. tanto entre eles mesmos como contra outros homens. expectativas de sucesso e temores de fracasso. Freud # imaginou duas meninas pequenas que vivem numa mesma casa. que Sigmund Freud contou nas suas Lições Introdutórias na Universidade de Viena em 1917. emblemas. corn os seus colegas. cujos interesses são diferentes (e geralmente opostos) aos seus". tendem a observar certos padrões terriporais de desenvolvimento que apresentam semelhanças marcantes um em relação aos outros. A jovem proletaria continuar a masturbar-se sem sentimentos de culpa e mais tarde abandonar a pr tica. casar com um aristocrata. podemos acrescentar. construções. No m ximo. classe é uma relação que "deve sempre corporificar-se em pessoas reais e em um contexto real". provavelmente se tornar uma artista. com as diferentes igrejas cristãs ou culturas completas reconhece implicitamente que pode permitir-se agrupar os conglomerados que estuda enquanto conglomerados sem necessariamente violar a individualidade de seus membros. As duas. não é uma coisa. com uma repulsa real. ter uma criança ilegítima.fascinantes. sentem e articulam a identidade de seus interesses.

moldando materiais vivos e male veis em formas reconhecíveis como pequenos aristocratas. Sua maneira de educar os seus rebentos é..s massas de experiência social que se chocam com a criança desde o início. amamentação. o modo do treino de toalete. A criança.s vezes.. Pode ser conveniente. em geral a influência dominante na construção do car ter. togados ou de terno. para todos os propósitos pr ticos. inicialmente um mero feixe de necessidades. e isto por sua vez leva-me a fazer uma breve incursão pelo modelo psicanalítico do desenvolvimento humano. uma neurose completa. o próprio progresso da crianca em relação ..` A reputação da psicanálise como respons vel.. da confiança na persistência das pessoas amadas.. Corredeiras culturais caem torrencialmente sobre ela.sua aquisição gradual da motilidade. certamente. são todos mensagens enérgicas do mundo externo. que modelam os ingredientes da natureza humana em configurações dram ticas. aprende a separar-se de seus pais.s vezes um tanto desdenhosos sobre a relevância do mundo externo para o seu trabalho. que se alarga e se aprofunda na medida em que vai recebendo os tribut rios ao longo do seu curso. sofre um "desenvolvimento especial". a severidade do desmame. da fala. e o faz "sobre a influência do mundo externo . protestantes ou espanhóis. recitando as mesmas linhas tediosas sobre amores ilícitos e ódios inconscientesi é totalmente imerecida. . Mas esse recuo da fantasia para um certo realismo não implica uma diminuição da sua ligação com as suas vizinhanças. totalmenté devotada ao sono.. Esse reconhecimento reforça o argumento freudiano de que a psicologia individual e a social são.. competência . irmãos. embora atraente. ... a experiência é governada pela passagem do tempo.jovem adulta.. 0 "ego". algo como uma diminuição de suas fronteiras pessoais. Os pais da criança. afinal de contas. De forma relutante e com sucesso parcial. a recompensa patética pelos seus recalques de classe média. corno Freud resumiu o seu pensamento no seu último livro. nunca completamente repetidas. por um modelo est tico e indiferenciado da natureza humana.s suas dimensões reais. comparar a história da vida humana a um rio que nasce como um fino filete.. não faz justiça .. e uma série de pistas sutis. vendo os atores. e h muito tem sido usual. das paixões tempestuosas pelos outros e as defesas contra a dor envolve-a com realidades externas mais irrevog veis do que nunca. o estilo dos pais de manifestarem aprovação e desaprovação. eliminação. Mas a met fora.. a teoria psicanalítica reconhece firmemente que na construção da história mental do indivíduo a experiência cultural deve sempre reivindicar um lugar importante. Não é segredo que desde o momento do seu nascimento a crianca est em interação contínua com o mundo dos outros. . em uma criança. Embora os psicanalistas sejam . seja de tanga.. modelada sem consciência pelos seus i maior h bitos e neuroses pessoas: a . desiste do seu sentido quase alucinatório de onipotência em favor de uma autopercepção que grosseiramente se assemelha ..'5 A extensão da amamentação. dia a dia. Mas então o infante pateticamente dependente transforma-se.. não tem nenhum modo de libertar o seu pequeno self de seus protetores. idênticas. estranhos. não são eremitas. Ao contr rio. nossa volta". pelo estigma da classe e pelos acidentes dos eventos. que assinala aquele trabalho da cultura ao longo da trilha da maturação 131 # pessoal. Para Freud. mês a mês.

. Ao mesmo tempo. sua sociedade através de diretivas autorit rias no lar.parte da educação. aprendendo. Se os pais cantam para a sua criança ou ficam em silêncio. o modo pelo qual os pais lidam com as emoções imoderadas e freqüentemente intrigantes de seus filhos est no fundo de uma decisão social feita em ampla medida por forças que estão por tr s dela. ditou as normas sociais. como Freud insistiu. sem se darem conta. Mas o principal é a sobriedade da escola da vida. ou talvez mais.. propna obediência torna-se um valor. E o superego emerge de uma interação ainda mais visível entre um indivíduo em crescimento. 133 # . a infância tem os seus prazeres intensos: a ternura do amor materno. Freud pintou um quadro um tanto sombrio a respeito do preço que custa ao jovem essa socialização. o seu estilo de pedagogia deve tanto. A 1 . a segurança dada pelo cuidado paternal. social e cultural no qual estiveram mergulhados durante toda a sua vida. A criança absorve os comandos e as proibições paternas. quando por 132 sua vez eram i~naturos. Sem dúvida. 0 triângulo familiar é uma pequena sociedade em ação. depende em grande parte das lições que eles mesmos absorveram. que se propaga com tanta afeição no mundo" " de Gibbon. a alegria da descoberta do poder efetivo e real. sem importar o quão incompreensíveis ou mesmo injustas elas possam parecer. completa com afirmações de autoridade e tentativas de rebelião. cultura. A fase edípica adequa-se perfeitamente a esse padrão. bastante involuntariamente. escola. vizinhos e companheiros de brincadeira ocupam naturalmente. e as forças sociais que o pressionam sob a forma de substitutos adultos. e não ilusório. Poderia endossar cordialmente o "protesto contra o louvor comum e excessivo da felicidade de nossos anos infantis. sobre os elementos do meio. a família nuclear atuou como um agente preferencial da cultura. é a repercussão de um inconsciente sobre outro. e normalmente a decisiva. nos jogos. seus pais. Representa tanto o parentesco essencial a toda experiência humana privada como a sua natureza essencialmente social. Na época em que as crianças entre um a três anos cornecarn a ir para a escola. e os traduz em exigencias estritas de conformidade e de padrões aceit veis de conduta. na igreja inicia-se cedo e somente se intensifica quando os pais julgam que os seus rebentos estão prontos para o controle e a disciplina. transmitiu e distorceu # imperativos sociais. e com freqüência antes. lidam com ela de forma consistente ou ao acaso. É a primeira. uma fonte de recompensas e uma proteção contra punições. aos mundos religioso. definiu os limites do permissível. a mais jovem entre elas j est totalmente aclimatada ao espaço social que ela. Adequar a criança . seus desejos e ansiedades freqüentemente inconscientes. estado e religião da criança. Nos tempos modernos. admitem-na em seu quarto ou a interditam. pelo menos.

talvez como uma forma de ir para o inferno e de se perder. fantasias aterradoras ou sentimentos de culpa impiedosos. É por isso que seus desejos..e história . Para tornar sua realização ainda mais aborrecida e repulsiva. para não dizer nada sobre'os padres e políticos. para a maioria das crianças.. abandonar a sensação prazerosa de tocar os próprios genitais. embora sejam manobras 134 psicológicas profundamente pessoais. mas é parte integrante da própria definição de sua humanidade. significa a perda do amor dos pais. para estudar quando se deseja brincar são derivados . para ficar em silêncio quando os adultos falam." Sem dúvida. vers teis. adiar a alimentação até o hor rio estabelecido para as refeições. as ansiedades eliciadas pelos outros. embora não sem protestos. Desenhei esse esboço do desenvolvimento para sublinhar a minha convicção de que uma sociologia do inconsciente é agora uma possibilidade realista.. profissional ou política.s realidades coletivas externas.. 17 Tal sociologia . A criança é forçada a internalizar a cultura. As autoridades externas fazem exigências sobre a criança que se opoem ao seu desejo natural por uma gratificação imediata e sem restrições. despertam de novo . Civilizar uma criança é constatar isso a cada momento. aprende muito cedo que o que mais anseia é proibido." Localizadas no ego. abrindo o caminho para as suas dificuldades posteriores na sua vida erótica. ou a elidir. memórias intoler veis.cheia de desapontamentos. regras que ela aprende a assimilar. inventivos. e permanecem em contato íntimo e contínuo com elas. A exigência firme para a obediência. as defesas # protegem contra a dor ou o perigo de fontes externas e mais ainda das internas. que ela os recalca e armazena.sofisticados de regras essenciais que cercam a criança quase que desde o momento do seu nascimento. moderar a paixão por um dos pais são apenas algumas. desenvolvem-se principalmente corno uma resposta . provavelmente ruim. todos atuando sobre ele. esses estratagemas inconscientes tornam a civilização possível e suport vel. suas concupiscências e raivas são submersos no inconsciente. para uma armadura quase impenetr vel. os materiais de construção mais interessantes para uma história desse tipo são o que Arma Freud chamou de mecanismos de defesa. São interessantes assim porque. das privações que pais amorosos ou bab s são levados a impor e a fazer respeitar. renúncias e conflitos. como justo e correto. após alguns anos. embora certamente as piores. irmãos. As defesas afastam da consciência . criança apenas que adie ou fique sem gratificações acalentadas.não negligenciar aquelas seduções e terrores que bombardeiam o indivíduo quando se confronta com seus pais.` Atuam de modo a reduzir. insistem que aceite o seu cârion com boas maneiras. o que. que despertam ou melhor. Meu esboço deveria confirmar que a cultura não é uma roupagem superficial no homem. Ubíquos. os adultos não pedem . colegas de escola. 0 repertório de estratégias defensivas evolui.impulsos proibidos. amigos de trabalho. e que veja a sua transgressão como uma ofensa. pelas situações ou eventos. aumentando em tamanho e em efetividade enquanto a criança vai crescendo na sua cultura. Reter a urina e as fezes até que se chegue ao local apropriado que uma vez atingido exige que não se retenha mais. 0 Sim do seio materno que alimenta é insepar vel do Não da mão materna que pune.

ao tratar impulsos eróticos normais ou agressivos como se fossem c-rimes reais e horrendos. domesticam as ansias primitivas de modo que sirvam a atividades culturais mais elevadas. Certamente. Freud. Como Freud nunca se cansou de dizer. advers rias e opressoras do indivíduo. Mais de uma vez. aperfeiçoadas para trabalhar em seu benefício. Mais positivamente. entre desejos ininterruptos e os temores gerados por esses desejos.e é esta a tarefa apropriada das defesas culturais . através da criação de universidades e laboratórios. e assim alcançar o núcleo da experiência humana. Procuram garantir a integridade. as defesas podem erigir muralhas protetoras que se tornam prisões que confinam fobias. a própria sobrevivência do indivíduo.é obter compromissos sustent veis. a de "aliviar a pessoa das tensões criadas pelas suas i -las é certamente 23 necessidades" .2' Ao responder a alarmas desnecess rios. mobilizam criei-gias para assegurar dominação e manter sob controle rivais queixosos. costumes matrimoniais e forças policiais. essas instituições defensivas permitem paixões que poderiam. Mas também fornecem uma cobertura defensiva para facilitar as vidas dos que vivem sob a sua égide ao construir as fortificações proibidas da honra e da indignação. Mas. são também planejadas e. De fato. tréguas tempor rias mas renov veis. o modo mais satisfatório de aliv controlar o mundo. uma fonte de desconforto contra a qual o indivíduo se defende são as exigências estritas da cultura. no sentido exato da palavra. injunções morais. embora protejam a vida e a integridade do sujeito. geram mais problemas do que resolvem: a maior parte do sofrimento mental pode ser atribuída a defesas que se tornaram selvagens . postulou uma única "fonte dinâmica" para as aquisições tanto individuais quanto sociais. em si mesmo e as defesas culturais constroem códigos legais. As mesmas inconsistências problem ticas perseguem as defesas que se desenvolvem na e através da cultura. como sabemos. sem o seu benepl cito. são também um aliado bastante inconveniente e inconstante.conflitos e desconfortos potenciais ou negam a sua existência. abrem espaço para excêntricos . Outro modo . convertem agressão em afeição. As instituições sociais são agentes de satisfação. extrair dele as gratificações almejadas pelos indivíduos. gestos obsessivos ou inibições paralisantes. ritos religiosos. habitualmente.um sem-número de estratagemas que servem para conter a invasão de paixões desordenadas possivelmente destrutivas. ser grandes geradoras de ansiedade. e en 135 i # controu essa fonte no que considerou como a tarefa principal do aparelho mental.22 Mas as instituições. planejamento de sistemas banc rios e de leis de concessão de patentes. fornecem interpretações do mundo que lhe emprestam uma aparência resseguradora de ordem e estabilidade. as defesas são mobilizadas pelos indivíduos e a serviço deles. atribuem sentimentos feios que não se ousa confessar a outros. inundando os rios da vergonha e da autoreprovação . que o pressionam a realizar tarefas desagrad veis e a adiar ou a desistir de seus desejos mais caros. "todo indivíduo é virtualmente um inimigo da cultura 11. com o passar do tempo.

traçar as suas origens. natureza animada e inanimada. racionais ou irracionais. analisar as suas transformações pessoais e sociais. possuidor privilegiado e dirigente de toda a natureza. Também propõe uina série de causas: a difusão do conhecimento científico. A pr tica defendida anteriormente de torturar e matar animais por esporte. sem serem psico-historiadores. em grande parte ocorrida entre os séculos XVII e XIX. tornou-se gratuita. apropriadas ou inapropriadas. nos outros Com esse objetivo 136 É impressionante ver quão poucos historiadores. originado no século XVIII.. a religião recompensa o êxtase. Mas. Thomas traça essa impressionante reorientação da sensibilidade inglesa tradicional ao oferecer uma série de exemplos esclarecedores. Esses impulsos para o humanitarismo. prisioneiros. Escolho. Essa mudança nos sistemas de defesa social. A instituição da guerra torna o assassinato digno de mérito. suspeito fortemente. eram bastante irrefletidas. permitidas não apenas pela convicção orgulhosa de um domínio inquestion vel. Poderia ser uma tarefa nobre a de escrever uma história sobre as defesas. Aos poucos. um estudo sobre as mudanças nas atitudes inglesas em relação aos animais. as arvores e . As crueldades mais devassas em relação aos animais. como Thomas demonstra. os sistemas defensivos sociais e culturais podem preencher a sua atribuição demasiadamente bem e exacerbar as próprias ansiedades que p re sumivelrn ente foram criadas para desarmar. a emergência do culto aos sentimentos.. indecente e inumana. alocar para cada época e classe as defesas que achou mais adequadas. posso espreitar (para falar como William Langer) a próxima atribuição do historiador. o livro Man and the natural World.da postura arrogante de que o homem. os ingleses aprenderam a discriminar as suas agressões legítimas contra animais: somente os que fazem parte da dieta humana ou estão em galinheiros podem ser assassinados sem remorsos. Thomas esboça uma mudança marcante de um estilo cultural para outro . a secularização incipiente das visões de inundo. todos reunidos .. significa uma ampliação progressiva da responsabilidade humana em relação . Inevitavelmente. maravilhosamente documentados. vulgar. como na luta de galo ou na caça de ursos com cães. as cadeias de comando simultaneamente controlam e liberam a ânsia de exercei o poder sobre os outros. mas também pela conveniente noção de que animais e p ssaros não tinham sentimentos e assim não podiam sofrer. para um sentido mais modesto e generoso de si mesmo enquanto administrador de tudo que examina. como o melhor exemplo que conheço. pode fazer com seres inferiores o que quiser.. aos seres humanos. Em meia dúzia de capítulos fascinantes. estigmatizar como criminosos ou loucos. as defesas culturais trabalham constantemente para definir e redefinir as reas de liberd. de Keíth Thomas. uma diminuição no limiar de repulsa e um sentimento mais preciso de compaixão. têm de fato começado a discutir a atividade defensiva como # pistas valiosas sobre o passado. crianças e nativos remotos.2' Aqui. como as defesas dos indivíduos.que seus contemporaneos poderiam. grama.de dentro das quais os indivíduos encontram o seu caminho. que chegou a incluir animais ao lado de homens famintos. na ausência de tal refúgio.

A industrialização tornou mais desnecess rio do que jamais havia ocorrido antes o trabalho animal: o aumento da autoconfiança e da maturidade política da laboriosa classe média inglesa deu um forte impulso . 1 -~ 7 # No século XIX. mas Thomas sai-se muito bem nessa moradia que não escolheu. aquele esporte privilegiado e cruel de ricos indolentes. Além disso. e a resposta suscitar problemas mais amplos do que os deste capítulo..em um abraco lacrimoso de simpatia. A exploração moderna da natureza produziu uma civilização desconfort vel consigo mesma e com uma inventividade tecnológica que gera bens e difunde prosperidade. e a sua ciência auxiliar. É tentador sugerir que o ganho ao introduzir as categorias psicanalíticas nesse estudo solidamente construido seria no m ximo marginal e provavelmente contrabalançado por urna certa perda de elegância e clareza. culpa e defesa. propaganda antiaristocr tíca dirigida contra a caça. a qual j tinha usado de forma inspirada no seu Religion and the decline oi magic. Thomas nessa obra esteve falando de Freud sem conhecê-lo. e as categorias freudianas podem servir como muitos outros indicadores para 1 J8 realizar diagnósticos em profundidade de indivíduos ou de grupos sociais. Todos nós vivemos nesse domínio... dos refúgios de vida selvagem. "Uma mistura de compromisso e de ocultamento".como Thomas conclui .26 Mas h em Thomas evidências dispersas de que est muito familiarizado com o domínio freudiano. a época dos bichos de estimação. são pistas para dimensões ocultas de motivos inconscientes e conflitos recalcados.. do vegetarianismo estava . h uma diferença entre visitar o país psicanalítico e tornar-se cidadão dele.s atrações manifestas dessa ave belicosa. Emprega conceitos psicanalíticos.2-. Um historiador que se ocupa da psicanálise ao trabalhar com os materiais que Keith Thomas revelou iria além ao seguir a trilha analítica onde Thomas j deu os primeiros passos. analisa o medo simbólico presente na luta de galo ao reconhecer o double entendre sexual subjacente .. não é a psicanálise mas a antropologia.1~` Ainda assim.sem deixar de colocar para os ingleses um dilema que ainda pesa sobre nós atualmente. Ao descrever a civilização corno um dilema permanente no qual não h soluções definitivas e onde cada avanço tem o seu preço. Realmente (e acredito não estou sendo indulgente sobre um trabalho histórico magistral). Tal historiador se questionaria e tentaria descobrir provas ao detalhar . questão e pode-se estar certo de que ela retornar " .. "como reconciliar os requisitos físicos da civilização com os novos sentimentos e valores que a mesma civilização havia gerado". explicitamente negou que tivesse recorrido conscientemente ao instrumental p si canal ítiCO. "tem até agora impedido este conflito de ser totalmente resolvido. mais ou menos.. Keith Thomas parece-se demais com Sigmund Freud 0 livro de Thomas teria sido diferente se ele tivesse aceito Freud mais explicitamente do que o fez? A questão transcende a si mesma. disposição mas . 0 leitor atento não ter deixado de riotar que o vocabul rio freudiano que introduzi possibilita uma série de redescrições. como mostrei.. sabemos. foram apoiados por desenvolvimentos pr ticos. observa Thomas. Mas as descrições podem conter explicações. como obsessividade e projeção. Cita Freud apenas uma vez. publicado em 1971.. Mas não se pode escapar completamente .

.no antivivisseccionista virulento e intolerante..# fantasias como a de alunos jovens ingleses que atam um galo a uma estaca. Ele suspeitaria da posição cortês e indulgente com que os ingleses bem-nascidos tratavam os povos coloniais como exibindo os traços de estratagemas psicológicos primitivos. é uma época na qual a sublimação torna-se tanto possível quanto necess ria.. nessa visão. Seus argumentos em defesa de um sell obstinado têm sido questionados energicamente em décadas recentes em alguns ensaios destacados. mas. transposta para o século XIX.provocatíva . . que Thomas explorou tão habilmente ." Tais paralelos. melhor exemplificada pelos escritos de Talcott Parsons.. Os psicanalistas nunca desviaram sua 1 -5C) # atenção da singularidade do indivíduo. e eu os defendi na minha discussão sobre as pulsões e os seus que os historiadores têm permanecido . A idade da violência e da crueldade ingênua assemelha-se . da sua brava luta pela integridade. indica suficientemente o argumento que ele apresenta de forma tão persuasiva: enquanto existiram alguns dissidentes competentes da ortodoxia. margem destinos. não contém toda a verdade. que ve a natureza não como uma serva do homem mas como totalmente indiferente a ele. a manobra defensiva da formação reativa recusa inconsciente e enérgica do sadismo através da pr tica exagerada do oposto .0 self obstinado 0 argumento que apregoa a natureza cultural do homem encerra uma importante verdade. que acrescentou um termo ao vocabul rio da ciência social contemporânea. e o apedrejam até a morte... fase na qual os impulsos agressivos são liberados em parte porque muitos vivem . margem da subsistência e assim não se dão ao luxo de sublimar os seus ódios. procurou explicar a existência da ordem social através da capacidade do homem para internalizar as normas da sua cultura. desdeios. cada vez mais influente. Seu título.. enquanto poucos que vivem soberbamente como guerreiros não precisam sublim -los. e o processo doloroso da maturaçao psicológica na qual a criança cresce ao aprender a separar-se dos seus protetores e ao afastar-se do seu sentido de onipotência precioso e totalmente fant stico. quando a afluência é difundida e os valores aristocr ticos estão em questão. a teoria sociológica reinante em nossa época. ou a de caçadores que abatem veados domesticados que guarda-caças colocam ao alcance de suas armas.s ambig üidades do desenvolvimento humano) as semelhanças significativas entre uma visão científica do mundo. Poderia detectar (espera-se com prudência e com o devido respeito . Mas. teriam encorajado o historiador psicanalista a refletir sobre a partilha das forças sociais nas representações mentais. é apropriado repetir aqui a sua do debate motivado por esses ensa.e para argumentação. sumamente utiliz vel -.. sua própria maneira 3 .entre as que buscam uma apreensão justa sobre a natureza humana na cultura " apareceu em um artigo de 1961 do sociólogo Dermis Wrong sobre a concepção hipersocializada do homem" que ele constatou entre os seus colegas. Descobriria. sem dúvida. A época de uma humanidade e de uma gentileza maiores. Provavelmente a abordagern mais os historiadores. 0 homem.. como Freud afirmou mais de uma vez..

Eles vêem o indivíduo que se conforma sentindo-se bem.. a 'plasticidade' da natureza humana sobre a qual os cientistas sociais insistem. 0 "discernimento mais fundamental" da psicanálise é o de "que o desejo. esse conflito é de importância crucial.. quase que voluntariamente. e não negando." '1 0 que torna a leitura sociológica da natureza humana err"nea e tão particularmente irritante é o fato de ela fazer uma leitura err"nea da psicanálise. e não se revelariam no comportamento sem a moldura social". Por esta razão a ubiqüidade do conflito tanto na sociedade como no indivíduo deve permanecer um mistério para eles. e não a anomalia. são totalmente sujeitos a serem canalizados e transformados socialmente.s normas societ rias. é que o conflito é a norma.s forças externas. . 11 30 140 Essa realidade sociológica sombria. Ao insistir sobre a maleabilidade humana. o que Freud viu. mais do que isso. a emoção e a fantasia são tão importantes quanto os atos na experiencia dos homens". a política de poder das autoridades que lhe inspiram medo e o compelem para a submissão. argumenta Wrong.. Mas as diferenças entre a concepção freudiana e a da maioria dos sociólogos permanece profunda. mas. ou mesmo ao de 'formação de h bito' no sentido mais trivial". "quando Fretid definiu a psicanálise como o estudo das 'vicissitudes dos instintos'. então se sentiria culpado.. se fosse desobedecê-las... Wrong queixa-se de que o processo psicológico de "iriternalização foi igualado sub-repticiamente ao de 'aprendizagem'.a tensão entre impulsos poderosos e controles do superego". muito mais próximo da experiência humana do que a defendida pelos sociólogos criticados por Wrong.s impertinências do princípio do prazer. "Para Freud o homem é um animal social sem ser um animal inteiramente socialiZado. Eles fecham os # olhos. Wrong conclui. o mais torturado pela culpa e pela ansiedade. Para Freud. que a maioria desses cientistas sociais acha que estudou . ser negada ou deixada de lado. E assim. contestador. "Segundo Freud. A sua natureza social é em si mesma a fonte de conflitos e antagonismos que criam resistências . internaliza as regras sociais.. socialização através de normas de qualquer sociedade que possa ter existido no curso da história humana. Não h dúvida de que para a "psicanálise o homem é na verdade um animal social.. na sua fome por aprovação dos outros. responde . ir"nica é inacessível para os cientistas sociais que se impressionam indevidamente com a capacidade da cultura para integrar os seus diversos componentes. a maior parte dos cientistas sociais desconsiderou o self obstinado.. sua natureza social est profundamente refletida ria sua estrutura corporal". mas os psicanalistas demonstraram que tal indivíduo pode sofrer muito mais fortemente do que o dissidente não conformista. . e o que aqueles sociólogos não vêem. Na verdade." Mas nessa concepção hipersocializada de homem. Naturalmente. estava confirmando. As pulsões ou 'ins tintos' da psicanálise não são disposições fixas para comportar-se de uma forma particular. o que internalizou mais completamente e que se conformou .s pressões das necessidades inconscientes. Assim..é totalmente modelado pelas instituições que o cercam e o oprimem. Essa simplificação excessiva e desastrosa desconsidera "a ênfase completa" da psicanálise 11 nos conflitos internos . e mostrou-se muito mais sutil. uma violação de Freud em nome dele. é precisamente o homem que tem o superego mais severo.

de julgar a cultura. a sua necessidade consurnista de sermos "todos juntos não conformistas . "longe de ser unia idéia reacion ria. ancorada na sua constituição essencial. "h no que diz sobre a cultura um acento firme de exasperação e resistência". a insistência freudiana na procura ininterrupta de prazer. Sugere que h um resíduo da qualidade humana para além do controle cultural". deve ser corrigida por uma resistência firme a essa onipotência cultural". Sua "concepção de cultura é marcada" por uma "consciência adversa" poderosa. Propõe para nós que a cultura não é totalmente poderosa. "ern algum lugar na criança. eles eram ao mesmo tempo vítimas dos outros e de si mesmos.3' Em poucas palavras. est totalmente correta. que a cultura não pode alcançar e que se reserva o direito.s mesmas conclusões por via liter ria. Freud achou que valia a pena escrever igualmente sobre as experiências que eram deles mesmos e sobre as que eram amplamente partilhadas. uma 11 percepção indignada". Trilling escreve.. Precisamente como os psicanalistas. h um núcleo duro. Liortel. por um "tr gico arrependimento". a cultura é indispens vel e sufocante ao mesmo tempo. sendo considerada quase literalmente como o leite materno". Isso é algo mais do que elegante e enf tico. lutando contra ela. em algum lugar no adulto. Com certeza. A sede pela comunidade que fascina até as pessoas cultas.. Embora o self para Freud seja "formado pela cultura". é realmente uma idéia libertadora. Trilling aplaudiu o comprometimento de Sigmund 141 # como um conjunto Freud com a biologia. enquanto Freud descreve a pessoa como invadida pela sua cultura até os ossos. enquanto uma exposição sobre as convicções firmes de Freud a respeito da interação dialética entre indivíduo e sua cultura. e o exercer mais cedo ou mais 33 tarde.com cuidado e proveito. írredutível. Não importa quão incerto um 142 . ele "também vê o se11 contra a cultura. obstinado de razão biológica. Trilling chegou . Basta ler os casos clínicos freudianos para reconhecer a legitimidade das avaliações de Lionel Trilling e de Dennis Wrong sobre o pensamento freudiano a respeito da natureza humana: para todos os seus analisandos. 0 que pode resgatar o indivíduo do seu abraço fatal são os impulsos instintuais. Essa resistência retira a sua força da reflexão freudiana de que. relutante desde o início em entrar nela". embora por razões profissionais próprias. Cerca de seis anos antes de Dennis Wrong publicar o seu protesto argumentado e altamente eficaz contra uma teoria do hornem que simplesmente mergulhava o indivíduo no seu ambiente social. Ao meditar sobre o papel destacado de Freud na definição da idéia moderna de cultura. Freud "deixou claro como a cultura difunde-se até as partes mais remotas da mente individual. de resistir e de revis -la". que ele vê como algo que oferece uma ajuda incompar vel ao indivíduo ameaçado. Mas. os historiadores encontram-se traçando o fio da individualídade na tapeçaria da sociedade.

dir . Crenças compart ilhadas.` Mesmo o historiador da história comparada. parece estar além de qualquer desmentido: a voga atual do termo francês mentalité. classes pesa continuamente sobre ele. Seria muito tentador desconsiderar essas preocupações historiogr ficas como uma brincadeira com questões banais que todo historiador resolve quase intuitivamente consigo mesmo ao recorrer .é a sua descoberta de conflitos ocultos e de pressões invisíveis na construção das mentes humanas. ao mesmo tempo. e não menos prementes para serem ignorados em geral.entre os indivíduos que constroem a coletividade e a própria coletividade. testemunha isso. amoldando o seu olhar abrangente e treinado sobre os diversos materiais diante de si.uma generalização notavelmente abrangente . que explica a coerência e as ações grupais através de identificações mútuas. que é apenas o ZeUgeist atualizado. profissões. sua experiência profissional. um tanto rudimentar. o psicanalista dir . ilusões e fantasias compartilhadas. que quero passar em revista os modos através do quais os cientistas humanos e sociais podem -realizar com vantagem o ir 143 i i # e vir entre a psicologia social e a individual.e passível de ser descoberta . natureza e destino.. ele tende a comprometer-se com o individualismo. uma interação contínua . de supor e de exibir a realidade de entidades mais amplas .clãs. em cada época histórica. Tudo # mais. 0 historiador pode elaborar e clarificar a psicologia social freudiana. Mas se são mais do que artifícios retóricos.. o historiador considera as generalizações uma conveniência. são no mínimo. a realidade difundida pelas noções dominantes sobre homem. Sem dúvida. Com certeza. poupam trabalho na pesquisa e facilitam a comunicação dos resultados. e o seu impacto transgressivo sobre os homens que as têm absorvido enquanto disposições culturais desde os primeiros momentos que as sentiram. Surgem com particular insistência na an lise das crenças comuns ou dos ideais prevalecentes. Mas os problemas são suficientemente genuínos. em parte.historicista da história moderna possa ser. a sua necessidade de generalizar." As questões que essa discussão suscita são tão delicadas e tão importantes. deve estar tão preocupado com o que os v rios elementos em comparação têm em comum quanto com o mostrar o que os diferencia. A contribuição peculiar da psicanálise ao estudo da mentalité . É neste momento que as experiências partilhadas sobre as quais falei exigem ser reconhecidas e descritas coletivamente. mesmo identidades parciais. em cada evento histórico. é sociologia. Mas o seu individualismo est sob um desafio permanente. a procurar o que é único em cada personagem histórico. e. e pelo modo que . pelo efeito liberad 1 or que a pura existencia coletiva tem sobre os impulsos normalmente colocados em xeque. devem estar baseados na convicção de que capturam similaridades substantivas.

. no meu julgamento. reflete e articula as tensões mais profundas de sua época e do temperamento subjacen(e de seus contemporâneos com uma lucidez exemplar ou com uma intensidade neurótica porém ins trutiva.. Pode. Pode. assim permitindo ao historiador predizer . o autor pressupor . Pode. da medicina e da psicoterapia". pelo menos para um intelecto incans vel e inquisitivo como o de Weber.. Tão cedo quanto 1912. perspectiva psicanalítica sobre a natureza humana que vê a natureza como oferecendo um repertório impressionantemente variado mas estritamente limitado de desejos. sentimentos e ansiedades possíveis. Uma das perspectivas mais arrojadas é. escreveu.como as coletividades estão propensas a pensar e a agir em conjunto. sua pequena autobiografia. cada vez maior. fornece direções para as suas pulsões cruas. autoridade que o pune sem piedade. ao 144 explorar as defesas que o ajudam. agindo principalmente através da mediação do que lhe é mais próximo. também. no qual o historiador lê a cultura através de um indivíduo. Esse estilo eriksoniano de an lise. e podia olhar retrospectivamente para quase meio século de pensamento original sobre o homem na sua cultura. de que os eventos da história . recordou. a de Arthur Mitzman em Iron cage. as crenças e as proibições sociais. que realiza uma interpretação histórica e psicanalítica de Max Weber.36 Citei Freud. a atravessar a vida. seguindo o esquema desenvolvimentista freudiano que analisa como o indivíduo internaliza os costumes. prosseguira o seu trabalho em The future of a illusion e Civilization and its discontents. o historiador psicanalítico . no pós-escrito que acrescentou em 1935 . publicada dez anos antes. "meu interesse retornou .os grupos liberam-se de seus propósitos originais para perseguir objetivos próprios. e a sua cultura.. em seguida. investigara as origens da religião em Totem and Taboo a partir de uma perspectiva psicanalítica. procura de uma psicologia social pode rastrear a cultura do indivíduo e o indivíduo em sua cultura.. sua efic cia depende muito mais de uma exploração histórica cuidadosa do mundo social de grandes personagens do que do diagnóstico de sua estrutura de car ter. confiante de que as suas descobertas abrem o caminho para uma compreensão da sociedade ao oferecerem explicações # sobre o funcionamento das mentes individuais. Disse-o de novo perto do final da sua vida. De acordo com a leitura de Mitzman sobre a vida psíquica atormentada de Weber. que inclui uma dolorosa rebelião contra o seu pai e um surto psicótico duradouro. sempre alerta em relação aos desvios . Tinha sido ajudado pelo "reconhecimento. recorrer . seguir os procedimentos inicialmente delineados e popularizados por Erik Erikson no seu Young Man Luther: concentrar-se no car ter e acasos de um personagem influente que... nos anos 1920.. e como a sua cultura. Tinha quase oitenta anos. seus dilemas mais internos refletem os dilemas da sua cultura rígida e repressora que. Finalmente.queles problemas culturais que haviam fascinado o jovem apenas despertado para o pensamento". além disso.prudentemente. desejos ocultos e ansiedades flutuantes.. "Depois de um desvio ao longo de uma vida através das ciências naturais.. tem seus riscos e suas vantagens. convida imediatamente a uma desobediência radical .

frustrante. Pensamentos acerca de registros Ainda é preciso disparar. não e um paciente. i ~I 145 # 0 PrOgrama em pr tica 1 . psicanalisar os mortos. longe de ser frustrante. ao refazer os passos freudianos. tradição e ao irracional. mas est obrigado a acrescentar que a psicanálise o deixou com muito trabalho para ser feito. de um lado. 0 historiador simpatizante. o id e o superego que a psicanálise estuda no indivíduo. Ele pode reconhecer que a sua disciplina pode lucrar com uma psicologia fidedigna. Certamente. individual ou coletivo. ele pode persistir ao recordar mais uma vez a sua reserva favorita e (segundo ele) devastadora: não se pode. é ineg vel que os registros que os historiadores . Freud nunca duvidou de que a estrada que leva do divã para a cultura est aberta. concordar . o desenvolvimento cultural e os precipitados das experiências primevas . as interações entre a natureza humana. do outro. impratic vel. 0 que o historiador tem . no assalto freudiano. Ela est apenas ali.. tendo concedido tudo isso.'-. usando as suas próprias habilidades. Ainda assim..s interpretações nem de senvolve transferências em relação ao seu analista.. Clio no divã não responde . a psicanálise preocupou-se em manter um balanceamento saud vel entre a parte social da mente do indivíduo. no fim das contas. na difícil rea fronteiriça onde se encontram a psicologia individual e a social... conduta ligados .a partir de cujos representantes a própria religião é impulsionada para a frente .são apenas o espelho de conflitos dinâmicos entre o ego.humana. 0 passado. que a psicanálise pode aguçar a sua sensibilidade não apenas em relação ao pensamento e . Sua estrada não est completamente pavimentada nem mapeada adequadamente. sua disposição é um esboço sugestivo que deve ser preenchido com as suas próprias pesquisas.. e o sell único e obstinado. e que o individualismo proverbial da psicanálise. afinal de contas.a proposta de inserir a psicanálise na pesquisa e na interpretação histórica pode ser. Mesmo o historiador que se confessa totalmente persuadido pelos capítulos anteriores tem boas razões para ter reservas em relação a esta dúvida derradeira. sobre um bravo bolsão de resistência. pode instruir a investigação histórica a respeito de fen"menos coletivos.. Desde o início acreditei que isso é mais do que apenas uma objeção perspicaz e obstrutiva. os mesmos eventos repetidos em uma escala mais ampla". mas também ao egoísmo racional. Nó d passividade obstinada.. após terem sido vencidas todas as fortificações defensivas dos historiadores e invadida a sua fortaleza do senso comum. espalhadas pelas p ginas dos escritos psico-históricos. que a percepção psicanalítica da natureza humana é em última an lise compatível em grande medida com os seus próprios pontos de vista t citos. Talvez seja suficiente para a sua moral saber que o instrumental freudiano forneceu-lhe o mapa e os meios e que..

. não era um abutre. embora atraente. maternidade e . A psicobiografia de Lutero por Erik Erikson. psicanálise .ao ensaio de Freud sobre Leonardo da Vinci. um p ssaro associado na mitologia egípcia . "Leonardo da Vinci e uma Memória Infantil" não se propõe a ser uma psicobiografia. o milhafre era somente um p ssaro.. a energia inte lectual e o seu dom para uma exposição elegante... batendo nos seus l bios repetidas vezes. a partir da perspectiva de um analista profissional culto e dedicado que procura aliviar os tormentos e inspirar uma série de jovens dotados e profundamente perturbados.2 Além disso. Certamente o programa para uma aliança que funcione entre o psicanalista e o historiador é um modelo do tipo que Erikson propõe no seu capítulo de abertura. história interna. Freud fez mais do que traduzir erroneamente uma palavra-chave. aconteceram do modo como foram registrados posteriormente.. e como observei antes. Mas. E ao fazer inferências biogr ficas íntimas da aparência jovem de Santa Ana na célebre pintura da Virgem com a mae e a criança. o jovem Lutero.. 0 p ssaro que. Os defeitos desse artigo explicitamente exploratório j foram expostos: ao analisar uma memória única e aflitiva da primeira infância de Leonardo narrada por ele em suas anotações. têm compilado não inspi a escOI)rimos as implicações desalentadoras da sua 147 # ram muita confiança. mas um milhafre..e . Martinho Lutero era uma escolha pouco feliz. Tampouco as últimas aventuras feitas pelos psicanalistas são indicadas para silenciar todas as dúvidas. e assim est longe de poder ser um teste conclusivo sobre os usos que o historiador pode dar . androginia. na sua maior parte. para exemplificar o programa: não podemos ter certeza de que os episódios 148 críticos de Lutero. # . viera até ele quando era ainda uma criança de berço. Esta parte isolada do intrincado novelo do raciocínio freudiano sobre o desenvolvimento psicológico de Leonardo: o abutre. faltou aos inúmeros epígonos de Erikson... a começar pelo próprio Freud. que serviu como modelo. psico-história . como Freud sup"s. sobre os quais principalmente se baseou o seu biógrafo psicanalítico. David Starmard astutamente devotou o capítulo de abertura do seu ataque .. ou mesmo se realmente ocorreram . ele não levou em conta a convenção artística da época de Leonardo de rejuvenescer Santa Ana. Erikson ofereceu reflexõe s maduras sobre um adolescente. enquanto Freud tinha a sua curiosidade despertada para escrever um artigo sobre Leonardo devido . levou Freud a algumas especulações de longo alcance. Leonardo recordou muitos anos mais tarde. abrira a sua boca com a cauda. não é um começo promissor. seus impulsos originais decorrem do seu interesse sobre a formação do car ter e sobre as origens da homossexualidade. realmente estabeleceu a psico-história nos meados da década de 50.. é uma obra comovedora de erudição liter ria. psicanálise.' Entretanto. Ao mesmo tempo..freudianos. fascinante e misteriosa de um artista que ele admirava muito. Tudo isso forneceu aos críticos da psico-história uma munição muito bem-vinda.

as expedições não convincentes dos psicanalistas na história psicanalítica forarn combinadas com as incursões dos historiadores no mesmo terreno sombrio e perigoso. Mas o reducionismo é mais um acidente da história psíceraensalíntiteas do que a sua essência. seja um procedimento científico totalmente respeit vel. Na sua leitura preconceituosa. a história psicanalítica é singularmente suscetível aos flagelos dos entusiastas. que ensina ao cientista que ele não deve multiplicar as leis e as teorias sem necessidade. Embora a redução. Por sua vez. mas limpar o terreno. so podemos decidir se uma interpretação cruzou a linha que separa uma . uma forma racional de dissolver uma teoria em uma outra mais ampla. como uma falha inerradic vel e fatal. como aquelas perpetradas em outros domínios da história. É a mais palp vel entre as aflições de uma disciplina que tem sido jovem j h algum tempo mas que pode continuar a solicitar a tolerância devida a uma disciplina que est ainda numa fase exploratória. e manter o ceticismo dos historiadores céticos. er indulgente) exige Essa afirmação confiante (alguns poderiam diz alguma qualificação.Para tornar o trabalho dos historiadores freudiatios ainda mais problem tico. os historiadores deleitam-se em achar essa literatura suficientemente provocadora para manter viva a sua resistência. abrangente. um termo ofensivo. completamen= te desanimadoras. eles somam realizações muito variadas e não são. Mesmo quando os psico-historiadores desaprovam seriamente qualquer comprometimento com o reducionismo. Não h grande proveito em se fazer uma crítica dos escritos psicanalíticos desde os meados da década de 50. como os críticos têm insistido com justiça mas não sem malícia. Entre 149 1 # tanto. a navalha de Occam. Na medida em que os pensamentos conscientes e os eventos palp veis podem ser exaustivamente explicados através de vontades ou conflitos em grande parte inconscientes. Reconhecidamente.. A questão é totalmente concreta: na pr tica histórica. temos antídotos teóricos e pr ticos para imunizar o historiador contra tais engodos.1 suas monografias e sínteses freqüentemente acabam por sucumbir a essa tentação. aos fiascos da psicohistória não é ceder. Aludir. Na realidade. um numero exagerado de psico-historiadores tem cedido . Mas. a redução psicanalítica não é um reducionismo. Os seus produtos mais infelizes têm muitas causas. mesmo rapidamente. ou de degradar mudanças significativas nas relações familiares a orgias do combate edipiano. essas psico-histórias raramente são tão espalhafatosas. como sabemos.s atrações da simplicidade e da simetria a seduções que historiadores que lidam com um instrumento interpretativo novo e excitante têm achado peculiarmente irresistíveis. 0 reducionismo parece ser um defeito tão constante dos psico-historiadores que os historiadores o vêem entrelaçados com a sua própria estrutura. os psico-historiadores são culpados de interpretar teorias políticas cuidadosamente organizadas como reflexos puros de identificações sexuais ambíguas. "Reducionisnio" é. tão vulgares como os seus resenhis tas irritados e impacientes gostam de se queixar. em suma..' Ele deriva sua legitimidade de uma regra de parcim"nia.

2. não é nada mais do que 150 um reconhecimento sensato de que uma variedade de causas . numa vaguidade resplandecente de uma causação múltipla. cuidadosamente cultivado. afinal de contas. Modos e meios Em momentos de autodepreciação. os psicanalistas algumas vezes maldosamente previnem-se contra fazer inferências apressadas: "Não generalize a partir de um caso apenas".economia aceit vel do terreno proibido da ingenuidade depois que a elaboramos. a literatura histórica recente oferece mais do que dois exemplos de como as percepções psicana líticas podem atuar como auxiliares para descobrir e interpretar. ao trabalhar com uma riqueza de agentes causais sutis e grosseiros. procurar a complexidade e dom -la.e não uma infinidade # de funções. Longe de destruii a celebração da variedade humana e da especificidade histórica. e para degradar os atores históricos adultos a um feixe de sintomas infantis não resolvidos e persistentes. de fato. Não h nada que seja inerentemente implausível em uma explicação histórica que dê primazia aos fatores psicológicos. e insensível ao trabalho.uma variedade e não uma infinidade . "ge neralize a partir de dois-. Como outros cientistas . os críticos lêem este princípio psicanalítico fundamental como urna fuga prudente . só pode colocarse de acordo e aplaudi-Ia. deliberadamente primitiva. Algumas vezes. e isso apesar do comprometimento do historiador. de testar a realidade. a sexualidade. historiador e psicanalista podem dizê-lo em uníssono. a família. de se refugiar. imediatos e remotos. Sobredeterminação. Tem sido a sua procura por um esquema explanatório preciso e claro que dirige os psico-historiadores para uma psicologia do id. o historiador anseia por oferecer urna explicação no lugar onde antes existiam duas. pela diversidade.os programas escondidos que quase imper ceptivelmente dominam a infância. ao mesmo tempo. eles têm atuado contra o s bio conselho de Whitchead para o investigador: procurar a simplicidade mas desconfiar dela. responsabilidade. Uma vez que eles não têm escrúpulos em acus -lo de ser uma mente simples e unilateralmente dogm tica que recomenda um agente causal predizivelmente ubíquo. uma gradua ção fina e uma versatilidade not vel. aqueles que querem encontrar um defeito em Freud irão encontr -lo. ele teria trazido mais champanhe para contemor -la. e a cultura como um .atua na construção de todos os eventos históricos. Freud não estava persuadido como eles: ele objetivava submeter o car ter e a conduta individuais a leis psicológicas que os subsuiniam e ao mesmo tempo estabelecer a singularidade de cada pessoa. Felizmente. e ao pretender não suprimir nenhum deles e ao sujeit -los a uma ordem. tê-lo-ia ieito em nome da sobredeterminação. Mas então..5 0 historiador. 0 elenco de instrumentos freudianos tem. e. Em poucas palavras. na sua confusão sobre o drama humano. benevolente. e de que cada ingrediente na experiência histórica pode ser contado como tendo uma variedade . dirão.. feito pelo ego. Procurar a complexidade. e caso a caso. Aprendi em meu próprio traba lho que o historiador pode agrupar as percepções freudianas de modo a descobrir temas sobre fatores críticos embora h muito marginali zados no estudo histórico .

tanto piedosas quanto leigas. na ausência de i suas teorias. que deixam seus traços nos jogos e ngs festivais e que vão desde a hostilidade grosseira dos charivaris até as mensagens oblíquas dos ritos de iniciação. não teria me dado conta da ação da fantasia de recuperação. Para o historiador psicanalítico. a fantasia de recuperação. a sonhos e lapsos e a outros atos sintom ticos. A psicanálise oferece idéias e. fiquei impres meu estudo sobre o amoundido de salvar as . Alerta o historiador para documentos que. nem encontrado a sua altíssima utilização em urna cultura pronta para ter compaixão.todo. o cachorro que não ladra durante a noite pode ser chamado a depor enquanto teste munha relutante mas informada. mais notoriamente.ler as referências em di rios privados como se fossem cadeias de associações . são inúteis. Estimulou a formação dos reformistas. Mas convenci-me de que elas tiraratri muito da sua energia de uma idéia inconsciente. Outros discernimentos e praticas psicanalíticas permitiram-nie seguir pistas que não teria reconhecido.mulheres sionado corri o desejo largamente dife respeit vel. Além disso. monopolizou as simpatias imediatas de Charles Dickens e. Pode ficar atento . com as suas próprias restrições auto-impostas. silenciosos e despidos de sentido i 151 # i Ao analisar as campanhas ansiosas contra a prostituição para o r na cultura do século XIX. as de William Ewart Gladstone .. até algumas técnicas que podem dar acesso inesperado a fantasias popu lares. Pode observar os ódios apai xonados. que atravessava as ruas noturnas de Londres para abordar jovens prostitutas com panfletos.cidades em toda a civilização ocidental no especialistas nas grandesrido anteriormente com os orga f inal do século XIX.s me t foras que colorem o discurso cultural.urna espécie de ziguezaguear desimpedido que se pede a todo analisando que realize no divã . e os fluxos libidinosos e agressivos que em segredo mas irresis tivelmente invadem a vida social e política. para a mai decaídas"rometimento com essa reabilitação e de cornissoes de intenso o COMI? consciente.. discursos bern-intencionados e convites para visitar a sua esposa no lar. Se não tivesse estudado Freud. corno havia oCor brigos para prostitutas arre nizadores de casas de recuperação e de a pendidas. uni disfarce para uni desejo bem mais potente de restaurar a pureza materna que.vi-me tratando os saltos abruptos de um terna para outro . embora oficialmisteriosas e terríveis com o pai mente fosse um anjo. como para Sherlock Holmes. pode analisar os silêncios reverberativos e reveladores da sociedade. sem o seu auxílio. seguidamente escondidos. e a t ticas defen sivas que indivíduos e instituições utilizam de forma bastante invo lunt ria. na situação adequada. Foi r para elas uma vida pura oria e de reivindica . e confiar em interpretações que não teria imaginado. fazia coisas por tr s das portas trancadas do quarto de dormir. Todos esses esforços benevolentes estão de acordo com a mentalidade mais assistencial das classes médias do século XIX.. AO. o desejo de reabilitar estranhos.

De modo similar. também. Mas além disso. Manter um di rio e escrevê-lo. podem tornar-se sintomas reveladores de uma sociedade preocupada excessivamente corri o estado mental e do Corpo. encontrou por acaso um jovem que olhava para as mesmas esculturas mas . do que o próprio escritor poderia revelar intencional # 152 1 mente. para conflitos mais gerais mas pouco percebidos. pude extrair dos seus sonhos latentes pensamentos eróticos bem camuflados e material agressivo de que as superfícies suaves de outros testemunhos que sobreviveram não deixaram qualquer traço.s mulheres.. se não houvesse se utilizado de Freud enquanto escrevia a sua dissertação sobre a vida familiar puritana na Massachusetts do século XVII. ou pinturas . saúde.. para dar um outro exemplo. h muito tinha as suas convenções. Além disso. Dodds inicia o seu livro com uma descrição intrigante. ou o medo das mulheres em relação aos homens. o clima e os pensamentos profundos sobre o amor e a religião eram temas quase que obrigatórios. alguns biógrafos e histuriadores integraram com sucesso esse modo de leitura aos seus métodos costumeiros. e servem para organizar as percepções sobre as experiências passadas e trazer de novo . Dodds recorda. os conglomerados de símbolos no sonho manifesto ou de outros detalhes que parecem ocorrer com maior freqüência em certas culturas em dados momentos deram-me pistas valiosas. mas COMO padrões de processos mentais coerentes. Ou recusa-se a reconhecer. os perigos e as promessas do corpo humano exposto. Um dia. questões que acha muito delicadas para discutir francamente. através das suas conexões inconscientes. sob as lentes psicanalíticas. tornei-me consciente de como os documentos estéticos acessíveis em uma sociedade . vida conhecimentos eruditos empoeirados. ao olhar para as esculturas do Parterion no Museu Britânico. A inclinacão demasiadamente humana para o incesto.. algo apreciado. De novo. tudo gua para o moinho do analista. teria escrito um livro bastante diferente 7 Às vezes. em alguns casos irreplic veis. Eles.revelam. especialmente no século XIX. o medo subjacente dos homens (enquanto diferente do manifesto) em relação . as mudanças curiosas e freqüentes na sucessão das observações e confissões particulares revelaram até mais. testados pelo tempo. Edmund Morgan sugeriu que. o débito tem sido reconhecido explicitamente. algo tendenciosa. Dodds The greeks and the irrational. mas são disponíveis para o pré-consciente. interpretarem. por pais e professores. Nem sempre mencionaram o nome de Freud: por exemplo.' Nas décadas mais recentes. contudo.' Vale a pena examinar aqui tanto o seu procedimento quanto os seus resultados.não estava nada . R. surpreendentemente legíveis. sobre o modo que o levou a escrevê-lo: uma exploração sistem tica na qual as proposições freudianas não funcionam como objetos decorativos e elegantes.seus romances. pode tornar-se um material esclarecedor para historiadores.ao contr rio de Dodds . Nada é mais instrutivo de que o livro magistral de E. a maneira pela qual aquela sociedade procura resolver.não como uma digressão casual ou como desvios acidentais da atenção. poemas.. a partir da sua própria maneira amadora. ao estudar os sonhos que os memorialistas e os escritores de cartas pensaram que eram suficientemente interessantes para registrarem e.

s suas noçoes mais valorizadas e aos seus epigramas mais meticulosamente afiados. Levou-o a pensar: "Seriam os gregos assim tão cegos para a importância dos fatores irracionais sobre a experiência e o comportamento humanos como supuseram tanto os seus apologistas como os seus críticos?". Os mais eminentes estudiosos do classicismo. Mas sustento que o esplêndido estudo de Dodds sobre a experiência grega não surgiu apenas a partir de uma questão . Existiu uma história consider vel por tr s dela. e algumas idéias sobre as controvérsias de ponta na sua disciplina.. estava l . Os dois comecaram a conversar. Felizmente.'0 0 investigador profissional. e Dodds 1-53 # perguntou ao jovem se ele podia explicar o seu desinteresse. definiram para Dodds "a questão a partir da qual surgiu o livro"~ 0 livro foi a resposta que ele deu. acompanhou a sua carreira: um fascínio pelo lado irracional da experiência humana. esse encontro ao acaso. colegas de Dodds. ele ir fantasiar sobre a descoberta de um novo fato. afinal de contas. Um dem"nio exigente. dinheiro e o amor de mulheres maravilhosas. mesmo para si próprio. talvez criando uma nova teoria que lhe trar senão fama. se você entende o que eu quero dizer". acarretou algumas conclusões que ele desenvolveu. pelo menos. ele aprendeu . e de confront -los com a evidência quando ela A explicação de Dodds.tudo isto é posterior. ele aventurou-se. como a formulou após o seu encontro casual. de compreender alguns dentro daquele vasto campo de fen"menos peculiares que ocupam o terreno i e reitetir um Pouk` surge . o h bito de colocar dúvidas vagas . 0 estímulo para a autodisciplina. Na sua maravilhosa autobiografia . aborda a tarefa escolhida com técnicas testadas. tendiam a desconsiderar a irracionalidade dram tica da religião grega como uma pura galhofa.. 154 # disputado entre a ciência e a superstição". "Bem". afinal de contas. incluindo Gilbert Murray e Maurice Bowra. publicada em 1977. dois anos antes de sua morte. informações abundantes. pontos de vista articulados. É sempre arriscado para os leitores substituírem as suposições do autor a respeito da gênese pelas suas . Assim. após décadas de trabalho sobre textos antigos. pelo menos a atenção de seus pares. embora de nenhuma forma malévolo. se possível. com a paciência e a base informativa de um estudioso. acrescido da recusa dos estudiosos de levar a sério a religião grega. ele descreve esse "elemento recorrente" que governou a sua vida "por mais de sessenta anos como um fio de cor distinta em um trabalho de remendo". ela não se colocou no início da investigação.ele. depo s d "é tudo tão terrivelmente racional. sobre o desenvolvimento de uma nova linha de raciocínio. Não importa quão provisoriamente possa coloc -la. Dodds achou que entendia. como mera literatura.ou. como "a tentativa de observar e.inipressionado com elas.

ao reconhecer a tradução de impulsos indesej veis em intervenções perniciosas de deidades caprichosas como um mecanismo de defesa. pr ticas e modos de conduta que colegas racionalistas desconsideravam como superstições. 0 fato de Dodds valer-se de uma terminologia técnica permitiulhe avançar duas teses intimamente relacionadas. De forma muito parecida com a de Freud.a usar o oculto sem que o oculto o usasse. responsabilidade. com menor treino em formas psicanalíticas de pensar. essa projeção.s sublevações sociais disseminadas que podem ter "encorajado a reaparição de velhos padrões culturais". intervenção divina.. ele não se aventurou a dar uma completa explicação para essa mudança de uma "cultura da vergonha para uma cultura da culpa".. Permitiu que ele reconhecesse o h bito grego de atribuir os seus estados mentais . a uma certa -íriternalização' da consciência"... a loucura e o transe. e os atos resultantes deles. definiu-se corno um "investigador psíquico.. "não é o de glorificar o 'oculto'.se vissem algo . Tomou a atividade projetiva antiga como uma pista para estilos arcaicos de pensamento. fortuito. não como uma desculpa estereotipada ou uma fuga . em algum ponto no final do século V a. Dodds considerou seriamente os sonhos.Dodds p"de interpretar como uma atividade mental quase totalmente inconsciente na sua natureza. e teve sucesso em revelar aspectos da mente grega que seus antecessores de forma bastante literal não haviam visto. como um bom freudiario. De forma muito parecida com a dele. Mas. Dodds exibe um interesse apaixonado pelas crenças. tenderam a ser excluídos do self e atribuídos a uma origem alheia" gradualmente deu lugar a uma "exigência nascente de justiça social". para abrigar os seus novos fatos com um mínimo de perturbação para a planta original da construção-. não racionais. mas como um tipo de projeção. pode colocar-se acima de uma postura moralista. assinalou Dodds. 0 que outros estudiosos. depositados nos deuses.. 15 _) # i li i Com a sua prudência costumeira. pelo menos provisoriamente. porque "acredita que podem e deveriam ser explicados como fazendo parte da natureza tanto como quaisquer outros fatos-. . "a expressão pictórica de uma advertência interna". teriam visto como uma peça arquitetada de sofística . Citou a teoria de Malinowski segundo a qual as crenças irracionais ocupam um espaço no qual o controle racional humano não se aventura.` Essa passagem poderia ter sido escrita por Sigmund Freud. e refere-se . Então. ou do qual ele se retira. Longe de desejar derrubar o edifício imponente da ciência. E. mas de aboli-lo ao trazer para a luz o seu verdadeiro valor e ao ajust -lo ao seu lugar em uma visão coerente do mundo. foi a partir de tais sentimentos internos..cauteloso atraído por fatos inexplicados. que "se desenvolveu a maquinaria divina". na qual "os impulsos não sistem ticos. a sua ambição maior é construir um modesto anexo que servir .C. como sintomas de perturbações ou como um jogo imaginativo que pitorescamente esconde por baixo de si o pensamento racional. e não como um tique misterioso. 0 "objetivo a longo prazo" do "irivestigador psíquico".

fórmulas encantatórias consistindo em pragas m gicas planejadas para destruir inimigos. Dionísio "oferece liberade". um exemplo de "inversão de afeto". era um exemplo de "elaboração secund ria". Dodds sugere.acha que tais explicações são incompletas. envolve um retorno . De vez em quando. "raramente # 156 i desfaz por completo o anterior: ou o antigo sobrevive como um elemento do novo ." Por outro lado. A biografia de Ludwig van Beethov por Maynard Solomon é um exemplo desse tipo de trabalho detetives e imaginativo..s fases iniciais da organização mental. mas em dezembro de 1772. certamente. de outras maneiras decisivas.. um par onde um é igualmente necessario ao outro: "cada um administra .. .. e Dodds aceita a met fora freudiana que descreve a mente como um depósito geológico que preserva a camada mais antiga sob as mais recentes. e sugere que os historiadores considerem mais de perto a vida doméstica grega. "Um padrão novo de crença". Freud deu a Dodds um modo de ver e de fazer leituras surpreendentes a partir de textos familiares. enquanto fonte de sentimentos de culpa." "Os psicólogos" aguçaram..` Regressão. fazendo eco tanto a Gilbert Murray como a Freud. reconhece no Eros de Platão um "Precursor da libido freudiana". mas aceitos contemporaneamente por indivíduos diversos ou até pelo mesmo indivíduo-. Ou interpreta tanto a razoabilidade dos sonhos relatados.1 promete segurança". desejos excluídos da consciência exceto nos sonhos e nos devaneios. Completando o argumento. Ele vê os ritos dionisíacos e o culto a Apolo como opostos. seja através de exemplos concretos como de interpretações gerais..e por "os psicólogos" leia-se "Freud e seus seguidores" . o que acarretou no final regressões ainda mais primitivas.. uma 14 filiação que Freud comentara antes. sua maneira as ansiedades características de uma cultura da vergonha". "os psicólogos nos ensinaram" . o recurso desesperado. da era cl ssica. e ainda assim capazes de produzir no self um sentido profundo de 1 desconforto moral". explica a renovação de superstições antigas durante o declínic. incompatíveis Jogicamente. como a espantosa impropriedade do sentimento recordado. enquanto Apolo . "A situação familiar na Grecia antiga" deu lugar ao "surgimento de conflitos infantis cujos ecos prolongam-se na mente inconsciente do adulto".ou os dois persistem lado a lado.` Portanto. escreve Dodds."quão potente é a pressão de desejos desconhecidos.. com um vocabul rio e percepções retirados da Interpretação dos sonhos: a primeira. assinala como o Zeus de Homero era 11 proximo" do "rnodelo dado pelo pater familias homérico".. a percepção de Dodds sobre os gregos e o irracional. . pois. Afinal de contas. a psicanálise não apenas tem solucionado m térios históricos mas descoberto que o mistério é intrigante e ple de possibilidades explicativas. Beethoven passou a sua vida acreditando obstinad mente. cura m gica. Finalmente.s vezes um elemento inconfessado e meio consciente . novo embora tão antigo. a segunda. e despendendo uma energia valiosa para tentar provar que nã havia nascido em dezembro de 1770. através da regressão.

Solomon. tudo para ganhar a guarda de Karl.. Esse estranho duelo familiar arrastouse durante anos e foi pontuado pelas fugas de Karl do seu sufocante tio até culminar. que é adorado. Mas Beethoven recusava-se a aceita a evidência cabal posta diante dele. declarava inequivocadamente a data ant rior. é dar um aval aos impulsos agressivos da criança e. desoz nestidade e alcoolismo de seu pai. parcialmente incons ciente. Mas sua fantasia. extremamente intrigante que obscureceu os últimos anos de Beethoven: os seus esforços infatig veis para garantir a guarda. em especial entre o jovens. exp"s-se no processo a interrogatórios embaraçosos e penosos. equipado para a tarefa com instrumentos intelectuais mais aguçados. como se através da repetição pudesse converter a verdade metafórica em literal. tendo o seu filho decididamente ao seu lado.s vezes uma mulher impudica. as percepções fretidianas de Solomon dão um sentido agudo ao que havia parecido aos seus precursores um delírio estranho ou uma mistificação egois ica.. a m5e do menino. filho do seu falecido irm5o Caspar. 1770. muito menos relacionada do que o seu famoso cunhado.seu certificado de batismo. recorreu aos tribunais diversas vezes. arruinada pela irresponsabilidade. principal mente quando a vítima é um dos pais. e experimentaram uma série de explicações superficiais e implausíveis. do mesmo sexo que a criança permitir o acesso ao outro. não muito antes da morte de Beethoven. Johanna van Beethoven. que ele pediu aos seus amigos que enco trassem mais de uma vez. referia-se a si mesmo como se fosse o pai do menino. . como sendo a correta. resolveu enigma através de um discernimento psicanalítico chamado romanc familiar. que se tornou um ingrediente permanente e ativo em seu car ter. ligou a defesa obstinada de Beethoven de sua fantasia a uma infância desalentadora. Solomon. o o pai como sendo o padrasto. foi além de urna crítica racional ou de um desapontamento..17 Com igual penetração. A função psicológica dessa ficção. para ligar-se a desejos e ódios ocultos que Beethoven nunca p"de satisfazer ou exorci# i 157 # zar. amplamente difundida. Os biógrafos anteriores de Beetho ven certamente não desconsideraram o seu empenho irracional em estabelecer uma data de nascimento imagin ria para si mesmo. Ele difamou Johanna van Beethoven. pode-se pensar. vulner vel a acusações de uma morafidade que deixava um pouco a desejar. contra-atacou. e o verdadeiro pai como alguém impor tante e nobre. mesmo que apenas ri imaginação amplamente recalcada.s autoridades. um music logo totalmente treinado na forma freudiaria de pensar. Repetidamente. Ern 1977. numa tentativa de suicídio. quase raptar o seu sobrinho Karl. junto aos seus amigos e . Esta fantasia. imagina um dos pais como sendo apenas um pai postico. tirilba boas razões conscientes para detestar o seu pai. Solomon teve sucesso em solucionar um drama doméstico desagrad vel. Beethoven. e . Assim..

enriquecem consideravelmente o nosso sentido sobre a vida interior e tempestuosa de Beethoven. e de Sandor Ferenezi. simultaneamente culturais na forma e pessoais na origem. Mas nos d um Beethoven mais digno de que os seus biógrafos que o idolatram. Karl Abraham. ele argumenta. Crews permanece fiel aos textos de fiawthorne e clarifica muito daquilo que intrigou outros estudiosos. de Johanna van Beethoven como mae. 0 Hawthorne de Crews é assaltado pela "mania da dúvida" e perseguido pela -ambivalência". utilizada em grande medida para transformar Hawthorne em um moralista respeit vel. publicado em 1966. e habilmente vão além da sua surdez para exibir algumas das causas obscuras que o tornaram impredizível. acrescenta. mais verdadeiramente humano # es o os mais eruditos. inversamente. e do Erik Erikson de Young Man Lulher.. Essas propostas. tem sido visto corno uma prova da inadequação. Embora seja um escritor demasiadamente escrupuloso para cair no jargão e use a linguagern técnica parcimoniosamente. como um sintoma tr gico do colapso mental de Ludwig van Beethoven. Isso é a biografia . principalmente de Freud. Solomon. "chato" ou em um crente piedoso. não é alguma explicação ímplausível e transcen dental. mas o fato de ele ser "meio dividido. atormentado". Outra biografia psicanalítica que pertence ao meu cat logo de sucessos é o estudo de Frederick Crews sobre HawthornearTguhmeesnintos . Solomort é modesto o suficiente para nunca afirmar que fez mais do que tocar no segredo supremo de Beethoven." retira as suas armas intelectuais inteiramente do arsenal psicanalítico..o.l the fathers." Crews lê o esmero e piedade. como um bom freudiano. sua cunhada e que mascarou a hostilidade em relação ao seu sobrinho. ---obiógrafo é respons vel tanto pelas contradições de seu sujeito como pelos seus enunciados elevados-. li! i 158 crédito. rude. e outras que aparecem na biografia de Solomon.Esse caso desagrad vel gerou uma quantidade enorme de um firme moralismo ao lado de um número não inferior de firmes apologias. e tinham dado antes dele. Mas. desorganizado. trabalhando a partir do ditado psicanalítico de que uma paixão excessiva assinala um conflito subjacente no qual urna paixão oposta est operando em segredo. ou. a sua genialidade enquanto compositor. argumenta persuasivamente que Beethoven estava defendendo-se contra os seus fortes desejos eróticos em relação . Ele admite que se possam citar passagens em apoio ao "que se poderia chamar de cristianismo rudimentar". Crews explícita o seu repreendendo" os biógrafos anteriores de Hawthorne por confiarem em---umapsicologia simplista que olha apenas para a superfície". 0 que torna Hawthorne interessante. uma pessoa desleixada bastante familiar para os seus contemporâneos indulgentes e atemorizados. 0 ganho com essa forma de leitura é acentuado. a aparente inocência nas superfícies liter rias de Hawthorne como estratagemas defensivos.

. Hawthorne acabou por expor principalmente a si mesmo. Esta é outra contribuição freudiana.2" Descobre precisamente o que ~thorne tinha em mente quando chamou a si mesmo um escritor "que se refu gia. com enredos sadornasoquistas. que explora quase todos ---osconflitos . Afasta a interpretação geralmente aceita sobre Hawthorne como um celebrante. Longe de ser "banal" ou "óbvio". nas profundezas da nossa natu reza comum. de seus antepassados da Nova Inglaterra. Crews trabalha esses discernimentos com uma impressionante ousadia.. "Sua penetração na culpa secreta e comprometida não apenas pelas suas ambigüidades célebres em relação . sem desprezar nada.Não poderia ser de outra maneira: apoiando o seu trabalho "em ampla medida na sua própria natureza" e "perturbado pelo que descobriti'*. Assim equipado. na verdade. Ele demonstra a preocupação dominante de Hawthorne com o incesto entre irmão e irmã assim como com o incesto com conotações levemente lésbicas. "configuração secreta" que instrui as suas tramas. um "dos contos mais familiares e aparentemente mais superficiais de Hawthorne".. enquanto a -superfície narrativa permanece convencionalmente 'pura"'. só que aflorado. com os propósitos do romance psicológico".. 22 definíveis de desejo. Reconhecemos nesse cl ssico conflito nada mais do que o drama familiar freudiano submerso no inconsciente.. Nos últimos capítulos.` É instrutivo constatar a freqüência com que Crews proclama a sua intenção de levar a sério os textos que explora. levando "a sério as teorias psicológicas modernas".. na ficção de Hawthorne. cl ssicos' ." Ao procurar expor os seus ancestrais. no qual "o elemento negado reaparece sub-repticiamente em imagens e alusões". Crews mostra. um conto inundado por "sugestões de impotência e castração". com a . as suas descobertas aterradoras. Crews reinterpreta o "The Maypole of Merry Mount".'-" 1 ~) q i # Hawthorne sentia-se compelido a resistir.freudíana no seu esplendor . Sua preocupação com a Massachusetts colonial "é somente um caso particular do seu interesse em pais e filhos. reestilizado. revela-se na an lise de Crews como um conto erótico bastante inc"modo. Os "puritanos são o lado repressivo de Hawthorne". culpa e castigo. é "o sentido de um conflito familiar simbólico escrito em maiúsculas". instinto e inibição". que pretende 11 alcançar o núcleo terrível do ser humario-. e com as suas paixões dísfarçadas. Uma questão crítica que Crews não despreza é o fato de que Hawthorne estava muito ansioso para poder realizar u seu programa sem hesitações e prevaricações freqüentes. 0 que permeia os seus contos históricos. Portanto. Crews investiga o ato constantemente repetido por Hawthorne de expor-se em uma an lise cronologicamente aproximada de seus contos e romances. ou a suavizar. suavemente crítico mas em grande medida chauvinista. técnica mas pela sua relutância e desgosto. essa estória bem-conhecida e inócua d acesso . no limite das suas capacidades. aplicada com sensibilidade: olhar de perto.ou as menores pistas que Hawthorne deixou para os seus leitores refletirem.

esses domínios público e privado. psicologia. de suas vítimas e de seus juízes estavam assentados em bases sociais. Ainda assim os conflitos mentais que deram lugar a suspeitas. um estudo sobre a bruxaria no século XVII na Nova Inglaterra. confissões. Os delírios das bruxas. 25 Tudo isso em uma atmosfera de ambigüidade. A visão de Crews do homem enquanto animal cultural equipado tanto com um potente inconsciente. Demos trabalha habilidosamente para separar. deve combatê-los permanentemente até a M(rte. e." 0 estudo de Demos apóia-se solidamente no seu controle seguro sobre as formas tradicionais de escrever a história colonial americana. mas do seu próprio mundo interno de desejos frustrados-. é congruente com a teoria psicanalítica da mente que desenvolvi nestes capítulos?' A tentativa mais sistem tica. e simultaneamente combinar. para assinalar a cronologia dos eventos mentais e públicos como a ascensão e o declínio de uma curva de perseguição. quanto com uma capacidade igualmente potente para aprender do mundo e tentar domin -lo. como Freud colocou. a mente e a cultura. mais qualificada intelectualmente. em grande parte. e que. história. Esses conflitos inconscientes. de John Putriam Demos. e baseavam-se em crenças gerais e raramente questionadas. permite uma leitura muito similar. durante todo o tempo. as marcas respectivas da neurose particular e das tensões comunit rias. Hawthorne deixa os seus leitores "com um conto de paixão através do qual vislumbramos" uma verdade tr gica. que Crews acha que é dominante nos perde Hawthorne durante toda a sua carreira liter ria. Isto não quer dizer que Crews despreza o cultural em favor do mundo psicanalítico: o que o interessa sobremaneira quando relata os elementos ocultos na arte de Hawthorne é de fato ---aconjunção dos temas sexuais e sociais". sonagens 160 A Obra-prima duradoura de Hawthorne. no final. coexistindo com sentimentos de culpa. de curiosidade sexual e de anseios refreados pelo medo sexual. Demos dividiu o seu livro em quatro seções: biografia. habilmente entre a biografia e a história. Ele se move. não da imposição de uma sociedade puritana de ideais sociais falsos sobre os três personagens principais. é provavelmente a obra Entertaining Satan. o ego não é o mestre na sua própria casa".procura de um pai idealizado. insiste na sua particularidade e na sua abrangência. "a terrível certeza de que. 16 1 # . The scarlet letter. sociologia. foram experiências individuais. não estão casualmente lado a lado. que pune desejos de morte ínipios. para tornar convincente o uso da psicanálise na história.27 The scarlei letter "resultou. a atos de vingança e expiação. Crews a vê como um romance em # que o desejo libidinal. impiedoso. que juntos constituem o seu tema.". Para exibir e dramatizar essa multiplicidade necess ria de perspectivas. em expressões intitucionalizadas. certamente. ao mesmo tempo. São ingredientes essenciais do triângulo edipiano. com o funcionamento compulsivo de um superego vingativo. acusações.

raiva narcisista. experiência coletiva através do espaço e do tempo. que alterna ecleticamente as diversas escolas psicanalíticas. pelo menos. psicologia. Demos joga sobre eles os seus holofotes psicanalíticos. 3. estas irão determiriar os contornos da sua história total e os materiais que. psicologia apenas uma seção em quatro. ele acha que merecerão ser incluídos nela.queles fragmentos da cultura simultaneamente únicos e típicos. Uma história total da Batalha de Waterloo que registre os . gira essas luzes para as vítimas das bruxas e de seus perseguidores. e mais relevante e que. são pistas atraentes e prudentes na direção de uma ambição apropriada para a história psicanalítica.. merece ser incluído no seu rico 162 cen rio. quatro perspectivas que examinam um único campo da experiência passada.. A história total ma história total é mais antiga. por v rios séculos. a experiência da história total aparece no horizonte: "Ver tudo isto a partir de lados diferentes é mover-se. Em um aspecto. pelas pressões do inconsciente. .Mas é.. mas juntos." Isso. certamente. Com certeza. devotadas . ao conceder . sua luz.... Pode-se argumentar que ele poderia ter encontrado uma solução formalmente mais elegante. história". que sintetizasse as descobertas circunscritas de estudiosos a partir de muitas monografias e muitos arquivos.. como histeria de conversão. E. Se ele crê que o mundo é movido principalmente pela mão da Providência. o seu comprometimento inovador com a psicanálise. projeção ou defesas correlatas contra impulsos problem ticos. naturalmente varia de acordo com a definição que cada historiador d sobre o que ela é e sobre o que . o todo". e elas são de particular interesse para estas p ginas. conflitos adolescentes. tendências exibicionistas. porém de nenhuma maneira. mas o que importa é que a psicologia instrui todos os quatro aspectos da história antiga de Massachusetts que ele escolheu para examinar. parece-me. enquanto sua contribuição potencial para a busca do historiador pelo todo. e nas duas últimas. As duas primeiras contêm perfis psicológicos substanciais e minuciosos das bruxas. em todos os aspectos de seu meio e em todas as suas precondições que recuam até as brumas de tempos imemoriais. . assim ele conclui suas observações program ticas. Nunca se afastando do elenco de seus personagens. em última an lise. os ingredientes de qualdo que a sua primei quer programa para apoderar-se da essência completa do passado. para dar conta do comportamento que aparece aos contemporâneos como sendo desviante e muito perigoso. pela força da inovação tecriológica. de alguma maneira rumo a uma compreensão completa e definitiva". com grande efic cia. "Biografia. "os quatro lados da bússola do estudioso. A aspiração . que se sobressai e que causou as discussões mais intensas. o ideal não pode racionalmente implícar # uma apresentação exaustivamente detalhada de cada minuto que compoe um evento ou uma epoca. sociologia. a estratégia imparcial de Demos trabalha contra ele. embora as conexões estejam longe de ser suaves e a tarefa seja "penosa".. a u ira forinulação expressa. Demos conscientemente retorna aos casos individuais. Cada um deles captura urna parte.

estava seguindo o seu 1 . . muito menos a uma inteligível. como viemos a us -lo. enquanto instava os historiadores a se afastarem da hagiografia. dos seus colegas historiadores. em especial naquelas que ele devota . o reriascimen to da erudição. as ações e os destínos de todos os soldados (mesmo pressupondo que tal descrição fosse fisicamente possível) cairia nos absurdos típicos de um colecionador obsessivo: um cat logo. Voltaire. Ao contr rio. a resignação impassível e os momentos devastadores de descontentamento explosivo. ao argu mentar que "uma eclusa em um canal que junta dois mares. uma pesquisa empolgante a respeito dos h bitos culin rios e de viagem dos ingleses em 1685.. dias de concen tração exclusiva em datas e dinastias acabaram definitivamente. ofereceu. . e nela a história psicanalítica tem muito a realizar.. política. na sua exploração maciça sobre o Languedoc desde o início do século XVI até o começo do século XVIII. Mas enquanto o seu trabalho tem forcado novos materiai-. nstinto para a substancia lidade da vida. Sua trilha havia sido suavizada por dois poderosos exemplos.. uma ótima tragédia" são "um milhão de vezes mais preciosos do que todos os anais da corte e todos os relatos de campanha juntos".sentimentos. os padrões de migração e as mudanças populacionais.. Em 1966. us histo riadores sociais que dominaram a profissão por bem mais de um quarto de século demonstraram forcosamente que o-.. A procura por uma história total prossegue.. "a fazer a aventura de uma história total". 0 seu contemporâneo próximo. das atitudes em relação aos pobres. dos letreiros nas estala gens.. não equivale a uma história abrangente. poi mais de dois séculos. a riqueza rara e a pobreza endêmica. uma pintura de Poussin.. o pedido por uma história total tem sido. .. cuja influência sobreviveu a ambos através de heranças admir veis como os trabalhos de Fernand Braudel e os da revista... as fantasias da personalidade.. no célebre terceiro capítulo da sua History of England.s superfícies brilhantes e not veis dos eventos. da saúde pública. Com certeza.s vidas dos grandes homens. os de Marc Bloch e Lucien Febvre.s vezes irrompe entre os camponeses do Languedoc após .. 0 grito de guerra por uma história total. que haviam fundado três décadas antes. 1 32 na "psicanálise histórica' ~ ao aludir . rebelião sangüin ria de 1580. uma crítica da pr tica histórica oficial. Le Roy Ladurie até chega a tocar. o Carnaval de Romans. da genealogia e das fofocas de salão. Jacob Burckhardt achou espaço no seu retrato exemplar da It lia reriasceritista para o comportamento dos festivais. atencãe séria . Emmanuel Le Roy Ladurie deu uma ampla circulação a esse grito program tico. um pedido por luz e ar em uma atmosfera pedante e abafada..s fontes inconscientes da sel vageria que . Annales.:" Um século depois dele. expressa uma certa impaciência com os historiadores que conti 1 nuam apegados . Ele "arriscou-se". da etiqueta.. Thomas Babington Macaulay. diplomacia e . a posição das mulheres. as carreiras dos literatos. sem esquecer o clima prevalecente e as principais colheitas regionais. seria um erro alegar que em consequen1 cia todos nós somos agora historiadoros totais Uma transferência 16-3 # nas preocupações não é o mesmo que a sua expansão. Le Roy Ladurie pretendia que a sua tese expusesse "o referencial circunscrito de um grupo hurnano" em todos os seus mundos. escreveu. não importa quão exaustivo.. levemente. Em algumas p ginas inspiradas.

essa síntese insuper vel. mais de um historiador poderia mergulhar aí.uma provocação prolongada.. Mas as guas. muito distante de ser promissor para uma monografia (presumiase que os reis ingleses e franceses tinham o poder de curar escrófula ao tocarem o enfermo). o seu sentido peculiar sobre a história 164 e o tempo. in# timidava os seus colegas com uma persistência admir vel. mas definiu-as como necessidades alojadas na "consciência humana". maneira dos novos historiadores sociais. um historiador total esboçou uma ampla rede. o parceiro polêmico neste par harmonioso de historiadores criativos. embora turbulentas e fortificantes. Se tivessem vivido para ler o seu livro. melodram tico." Esse é o ponto onde a história psicanalítica pode entrar para expandir a nossa definição de história total decisivamente ao incluir o inconsciente. sempre um lutador autoconsciente por uma nova história. em uma história absorvente sobre os estilos mentais. muito . Lucien Febvre. 0 historiador da historiografia deve registrar a sua gratidão em relação a Bloch e Febvre e . história freudiana. Emotivo. a an lise é compatível com a narrativa. a nossa profissão nunca ser a mesma. Entrementes. Febvre queria que a sua profissão se banhasse no passado. não serem tão profundas quanto os seguidores intrépidos de Febvre haviam suposto. 'segundo ele. pelo menos naqueles dias. revelaram-se. o seu folclore como foi preservado na poesia épica. impediam a compreensão da experiência do passado. apenas alterado os horizontes da profissão sem ampli -los de forma apreci vel. em suma. que pediu ao historiador que explore "as necessidades secretas do coração". de parentesco. . Mais tarde. eles não chegaram l . no território legítimo de pesquisa do historiador. Afinal de contas. escola dos Annales que fundaram: após as suas expedições ousadas. e extraiu uma informação rica e ínsuspeitada a partir dos h bitos lingüísticos e dos nomes de lugares. crueldade e alegria. ele astuciosamente coloca em funcionamento o seu cadre limité para delinear o seu relato de acordo com a série temporal. em La société léodale. de Marc Bloch... Certamente. Le Roy Ladurie não partilhava o desprezo dos seus colegas por Phistoire événementielle: a estrutura não exclui o desenvolvimento. Ao guiar-se pela esplêndida Société Modale. os pais intelectuais de Le Roy Ladurie teriam achado que ele era a realização de seus desejos mais caros.. Marc Bloch j se havia aventurado em domínios da experiência estreitamente an logos: em Les rois thauniaturges. Lamentava o fracasso de sua profissão em escrever histórias de amor e morte. Ainda assim. de piedade. para que desprezassem especialidades históricas paroquiais que. Pois eles têm.. sé. Em Les paysans de Languedoc. o que um historiador saúda como uma realização admir vel da história total outro pode qualificar de um exercício em prudência comparada." De acordo com o seu convite. Negligenciar o ego eni favor do id é semelhante a negligenciar a burguesia pelo proletariado. Afinal de contas. deixou para tr s os medievalistas a respeito das convenções políticas e legais ao reconstruir o mundo feudal em seus ensaios concisos acerca do seu sistema.. Uma das conseqüências mais infelizes do reducionismo que segue os passos de muitíssimos psico-historiadores é a de ter obscurecido a promessa inerente . tudo dito. havia transformado um tema especializado em mitologia me dica. j citei Marc Bloch. e o incessante tr fico entre a mente e o mundo.

a estatística. Pois a maior ambição da teoria psicanalítica é ser uma orientação e não uma especialidade. é uma série de compromissos nos quais as pulsões irrecalc veis. as perseguições do superego. para irrupções de preconceitos ou comportamentos autodestrutivos. mas. econ"mico. intelectual . a diplomacia. mais do que uma dança de sintomas. paradoxalmente. cabeceira do passado apenas quando todos os outros diagnósticos revelaram sua incapacidade em extrair um sentido do quadro clínico. outras técnicas. chamado . A história é mais do que um monólogo o inconsciente." Precisamente por ligarem-se . 0 historiador que persiste em cri fatizar o impacto causal dos motivos econ"micos. das inovações tecnológicas. dada a sua reputação. A vida. de caminharem em direçao a uma psicologia geral. Mesmo historiadores relutantes em reconhecer o valor da psicanálise como uma disciplina auxiliar encontraram. a paleografia. deixaram de lado a oportunidade única. Nunca é demais reiterar que a psicanálise não oferece um livro de receitas mas um estilo de ver o passado. sem problemas. a reconstrução familiar. pior ainda. ele tem credenciais para aspirar a coisas maiores do que a de sua posição apropriada de especialista. Mas enquanto o historiador que foi aprender com Freud poderia grosseiramente recusar assistência em adequar o que os seus colegas pensaram como algo confuso e impenetr vel. todos desempenham um papel de lideranca sem serem exclusivos. em eventos singulares ou em longas extensoes de tempo. Os psico-historiadores têm sido criticados com justiça por saltarem diretamente para as conclusões.. so pocieria comprometer as contribuições características . deveria enriquecer. os sinais indicativos de ansiedade. dada pelo trabalho freudiano. como o historiador estuda seja no indivíduo ou em grupo. Inevitavelmente ir provocar conflitos apenas com historiadores que abertamente desconfiam dos discernimentos freudianos ou que se comprometem com psicologias comportamentais. têm sido menos culpados de arrogância do que de modéstia imerecida. Tampouco é preciso ser reducionista. usos para ela quando falliaram em 16i # descobrir causas racionais para situações de pânico ou de motim.assim como com a maior parte de seus métodos. não proponho que se desconte ou de qualquer maneira se minimize a qualidade radical da forma de pensar psicanalítica com a sua perspectiva única e subversiva.. Mergulhar em Freud não obriga os historiadores a verem somente a criança no homem. podem também observar o homem desenvolver-se a partir da criança. Qualquer tentativa de assimil -la.. quando se fornece um alívio emergencial em momentos de perplexidade. H aqueles que vêem o historiador freudiano como um especialista a que se recorre em último caso. psicopatologia..Nem se tem avançado a causa da história psicanalítica. A psicanálise deveria instruir outras ciências auxiliares. por converterem seus sujeitos em espécimes neuróticos. os estratagemas defensivos. É por isso que a história fretidiana é compatível com todos os generos tradicionais: militar. ou das lutas de classe não precisa deixar de lado a ação dessas influências objetivas pelo argumento duvidoso de que são fen"menos triviais e superficiais. de misturar o mundo psicanalítico com 166 o nistorico. ou. Ao dizer tudo isto.

0 historiador. de forma dr stica. analogias entre a psicanálise e outras disciplinas. ]C . as perspectivas de fracasso agourentas. recalques e conflitos. da totalidade da experiência humana. "coleta e no m ximo corrige a memória pública".~ 0 . Ao contr rio.. assim. '~%. destinadas a colaborar em uma pesquisa fraternal pela verdade no passado. sem garantias.'6 Nessa tarefa assustadora. fraternidade. Ainda assim. pelo menos razoavelmente seguro dentro dos domínios do analista. Tanto a história como a psicanálise são ciências da memória. # senão confort vel. onde se tem pouca certeza. a questão é facilitar o trânsito entre eles. ambas rastreiam as causas no passado. mais sólida do que nunca. as promessas de recompensa incertas. não é identidade.. um pouco diferentes dela. É um mundo de ambivalências.que cada um tem para oferecer. ambas estão profissionalmente comprometidas com o ceticismo. Nada é mais sedutor do que fazer. A história e a psicanálise parecem. 0 ~P . pois não apenas analisa o que as pessoas escolhem para recordar. . o modo pelo qual fazem a história. ir forç -los a abandonar convicções estimadas e a revisar as suas conclusões preferidas. lho de Wehler sobre Freud ^torical thought ~-1 0. Ser persuadido por Freud necessariamente forçar os historiadores a mudarem. Os riscos são imensos. onde ainda se é menos seguro e tudo é imune a uma prova conclusiva e é aberto a interpretações contraditórias. 11 5o ' -nto-history oí. 7. a esquecer. A ansiedade que invade os historiadores que se vêem de frente com a presença fretidiana é perfeitamente justific vel. Notas Pref cio o -fernoso por virtualmente afogar W o .% o 1 % 'Ç. mas revela o que elas foram compelidas a distorcer. . ambas procuram penetrar por tr s de confissões piedosas e evasões sutis. é necess rio insistir.-4 the % 0. a psican lise pode prestar uma ajuda monumental. escrevi em 1976. Mas o que acena ao final da jornada perigosa pode revelar-se merecedor de tudo: uma apreensão. desfazer as barreiras de desconfianca e de ignorância auto-impostas que têm impedido o historiador e se sentir. Eles têm exce--lentes razoes para suspeitar que abraçar as idéias psicanalíticas é mergulhar em um mundo estranho.. ~ :. Ó 0 :P e. 167 # 2. freqüentemente.

cit. representam um caso menos nítido. mas uma disciplina que evolui em pesquisa e em teorização. pouco adormecida. por um período breve e tumultuado. op. do contingente antifreudiano. nunca pensaram que esti vessem fazendo outra coisa além de elaborarem aquelas idéias sobre a estrutura mental que Freud começara a explorar no início dos anos 20. n. ampliou a an lise das relações objetais. Especialmente Fairbairn. W. certamente fazem parte do seu campo. mas despertou a matilha. 1984). um pesquisador amador realizando apaixonadamente um trabalho detetivesco sobre Freud e o seu mundo. e In the Freud arcídves [ 19841 ). Winnicoti. Fairbairn e D.inglesa. mais notoriamente W. e assim complicou sem alterar materialmente o campo de visão freudiano. os psicanalistas do ego. que diverge de algumas das formulações freudiarias. que por "psicanálise" entendo mais do' que o conjunto de trabalhos realizados apenas por Sigmund Freud e por seus discípulos imediatos. ambas admiradoras desapontadas com Freud: primeira. particularmente com a sua mãe. Sua auto-avaliação parece-me ser essencialmente correta. Frank Cioffi. mais tarde transformados em livros (Psychoanalysis: The impossible profession E 19811. Malcolm combinou # uma introdução lúcida e informal sobre a teoria e a técnica psicanalítica com um perfil penetrante. Em alguma medida. a psicanálise não é uma coleção fixa de doutrinas. Deixando de lado os princípios sobre os qüuais não é pos=ve transigi-r. The new criterion (jun. "The cradle of neurosis". como Heinz Hartmann.t % 1 . R. relate. OU um btõ-2-rarõ -RUe-in COMO Phyllis Gmsskurth. Ernest Kris e Rudolph Loewenstein. Mas ao se concentrar sobre as relações pré-edipianas da criança com o seu mundo íntimo. a de Jeffrey Moussaieff Masson. No primeiro. Não tenho nenhuma intenção de excluir uma historiadora psicanalítica como Judith Hue es. um caminho próprio e tendo experiências clínicas não disponíveis para Freud.Gostaria de assinalar enfaticamente.1 4240 (6-7-1984). Incluo também o dos seus sucessores que. o guardião dos papéis de Freud. tornou um amplo público 169 # familiarizado com duas personalidades extravagantes. a de Peter Swales. sobre Masson e Swales. 0 tratamento de Malcolrn da psicanálise e das suas espetaculares vicissitudes é tão genial quanto informativo. no segundo. Frederick Crews. The assault on truth: Freud's supression of the seduction theory (1984). sobre a política no New York Psychoanalytic Institute. em alguns aspectos. a segunda. . que est longe de ser antip tico. o alvoroço dos meados da década de 80 é "culpa" de alguns ensaios brilhantes de Janet Malcolm em The Neu~ Yorker. que se apóia fortemente na escola. 7-25. desde o início. "The Freudian way of knowledge". The Times Literary Supplement. embora tomando. Enfatizo isso aqui porque alguém poderia enganar-se devido ao título do meu livro e ao enfoque necess rio sobre as idéias freudianas durante todo o texto. e especialmente Jeffrey Moussaief Masson. D. A escola inglesa das relações objetais.. In the Freud archives. e seu encontro com Kurt Eissler.Ver Malcolm. diretor de projetos do Freud Archives. Certamente. 3.

CCV11 (1969). lnnsbrucker Historische Studien. 2 . 189. 213."Rhetoric and politics in the French Revolution". "History's reckless psychologizing.Elton. "Deve existir uma grande parte de adivinhação na história social.Bloch. Embora seja famoso por virtualmente afogar os seus leitores com notas de rodapé."Mrs.Freud.. Shrinking history: On Freud and the failure of psychohistory (1980). 283-304. 5. The practice of history (1967). 81. The Chronicle of Higher Education (16-1-1978). 25. ver também seu "Zum Verhãitnis von # Geschichtswissenschaft und Psychoanalyse". 85-123. um historiador um tanto diferente. 1964).) Os que não acreditam nem na integridade frendiana nem na nobreza de sua causa podem consolar-se pela futilidade de curta duração de suas tenta tivas de colocar as coisas em ordem a partir de uma reflexão do próprio Mestre: 'A voz da razão é suave mas é insistente. um perjuro justificado por uma causa nobre. What is history? (1961). 1958). quanto-history & history (1974). 3 (abr. procura da verdade'. "H uma relutância compreensível". 9. . 4. 48. Capítulo 1 1. 1954 (org. LXIII. Elton. Young Man Luther: A study in psychoanalysis and history (1958). Peter Putnam.William L. extensão do oportunismo freudiano. conclui Cioffi em sua resenha. 1 (1978). pp 193-4. Stannard. "Ihe next assignment". Eddy through a distorted lense". o infatig vel investigador . Carr. Jr. Historian's fallacies: Toward a logical of historical thought (1970). 156.. resenha de Julius Silberger. 64. o trabalho de Wehler sobre Freud é bastante discutível. 170 Wehler.743-4. "em se dar crédito . 529-54. utilizou de urna met fora admiravelmente semelhante.. 117. The history primer (1971). É como tornar seguro o que é inseguro e penetrar nos segredos do coração humano. Barzun. Clio and the doctors: Psycho-history." Paris and its provinces. American Historical Review. "Geschichtswissenschaft und 'Psychohistorie"'.).(p. de Stannard.Fischer. 2 (jan. Para mais detalhes a respeitc. Historische Zeitschrift. "Rhetoric and politics". 5. 3. The historian's craft (1949.. Curiosamente. portanto ser necess rio que passe algum tempo para que paremos de ouvir 'Freud. Mary Baker Eddy. Practice of history. Richard Cobb. 6. um pouco revisado no Geschichte als Historische Sozial wissenschaft (1973). Langer.. (Embora alguns de seus mais sofisticados admiradores j estejam preparando um'abrigo mais ade quado e alternativo . 676. Erik Erikson. 24. 744). trad. Lynn. 7. American Historical Review. 1792-1802 (1975). no Christian Science Monitor (2-7-1980). 1961). LXVI. ver bibliografia. 185. 674-5. 151. 2. 17. 8. Hexter.

Liortel.isto contra um dos estilistas mais perceptivos e sensíveis do ofício histórico. A sua natureza social é em si mesma a fonte de conflitos e antagonismos que criam resistências . Ao meditar sobre o papel destacado de Freud na definição da idéia moderna de cultura. de acordo com Lynn. "Para Freud o homem é um animal social sem ser um animal inteiramente socialiZado. Trilling aplaudiu o comprometimento de Sigmund . que a maioria desses cientistas sociais acha que estudou com cuidado e proveito. uma cunhagem viva e esclarecedora que Hofstadter desde o início cercou com as mais elaboradas precauções.Fred Weinstein e Gerald M. sua natureza social est profundamente refletida ria sua estrutura corporal".. Mas as diferenças entre a concepção freudiana e a da maioria dos sociólogos permanece profunda. 493. Não h dúvida de que para a "psicanálise o homem é na verdade um animal social. provocante e legível". embora se aventurasse a esperar que Hofstadter final mente iria livrar-se de todos esses absurdos .10. de acordo com Lynn. são totalmente sujeitos a serem canalizados e transformados socialmente. 12. de narcisismo e projeção realmente tintos' da psicanálise não são disposições fixas para comportar-se de uma forma particular. The critical historian (1967)."History's reckless psychologizing". uma violação de Freud em nome dele. Custer and the Little Big Horn: A psychobiographical inquiry. que tinha. em The Times Lilerary Supplement (23-10-1981).. Byrnes. . chama-o "de um livro interegante. 48." '1 0 que torna a leitura sociológica da natureza humana err"nea e tão particularmente irritante é o fato de ela fazer uma leitura err"nea da psicanálise. 1241. resenha de Joseph F. The Chronicie of Higher Education (16-1-1978). Hofling. ao resenhar Entertaíning Satan em The Times Literary Supplement (13-5-1983). Platt. 21. Isso. não fez mais do que "empanar as reputações de certos grupos de americanos de que ele desconfiava ou que temia".s mesmas conclusões por via liter ria. 0 que despertou particular mente o desprazer de Lynn foi a aplicação por parte de Hofstadter do termo "estilo paranóico" para descrever as convicções e a retórica de alguns homens irados da política americana. Cerca de seis anos antes de Dennis Wrong publicar o seu protesto argumentado e altamente eficaz contra uma teoria do hornem que simplesmente mergulhava o indivíduo no seu ambiente social. Psychoanalytic sociology: An essay on the interpretation of historical data and the phenomena of collective behavior (1973). Trilling chegou . Kitson Clark.. mas imagina se o fato de Demos "falar de afetos e defesas. G. 1. de analidade e oralidade.. Podemos julgar a profundidade do comprometimento afetivo de Lynn pela sua met fora desagrad vel e pelo ataque intempestivo que ele lança numa mesma e única p gina de diatribe contra o historiador americano Richard Hofstadter. e não se revelariam no comportamento sem a moldura social". e de Charles K. descido por volta dos meados da década de 60 a manipulações "irrespons veis" do "jargão psicológico"."From the Facts to the Feelings". # Assim Alan Macfariane. socialização através de normas de qualquer sociedade que possa ter existido no curso da história humana. de The Virgin of Chartres: An intellectual and psychological hisiory of the work of Henry Adams. 11.

Basta ler os casos clínicos freudianos para reconhecer a legitimidade das avaliações de Lionel Trilling e de Dennis Wrong sobre o pensamento freudiano a respeito da natureza humana: para todos os seus analisandos. é sociologia. Mas. dir . a procurar o que é único em cada personagem histórico. Sua "concepção de cultura é marcada" por uma "consciência adversa" poderosa. e o exercer mais cedo ou mais 33 tarde. deve ser corrigida por uma resistência firme a essa onipotência cultural".3' Em poucas palavras. Com certeza. a cultura é indispens vel e sufocante ao mesmo tempo. írredutível. a insistência freudiana na procura ininterrupta de prazer. Não importa quão incerto um 142 historicista da história moderna possa ser. os historiadores encontram-se traçando o fio da individualídade na tapeçaria da sociedade. de julgar a cultura. em cada evento histórico. obstinado de razão biológica. Freud achou que valia a pena escrever igualmente sobre as experiências que eram deles mesmos e sobre as que eram amplamente partilhadas. est totalmente correta.141 # como um conjunto Freud com a biologia. Mas o seu individualismo est sob um desafio . por um "tr gico arrependimento". Trilling escreve. Embora o self para Freud seja "formado pela cultura". em algum lugar no adulto. Isso é algo mais do que elegante e enf tico. Tudo # mais. Freud "deixou claro como a cultura difunde-se até as partes mais remotas da mente individual. embora por razões profissionais próprias. que ele vê como algo que oferece uma ajuda incompar vel ao indivíduo ameaçado. h um núcleo duro. lutando contra ela. relutante desde o início em entrar nela". enquanto uma exposição sobre as convicções firmes de Freud a respeito da interação dialética entre indivíduo e sua cultura. eles eram ao mesmo tempo vítimas dos outros e de si mesmos. "ern algum lugar na criança. ele "também vê o se11 contra a cultura. 0 que pode resgatar o indivíduo do seu abraço fatal são os impulsos instintuais. é realmente uma idéia libertadora. de resistir e de revis -la". A sede pela comunidade que fascina até as pessoas cultas. sendo considerada quase literalmente como o leite materno". Propõe para nós que a cultura não é totalmente poderosa. em cada época histórica. a sua necessidade consurnista de sermos "todos juntos não conformistas . Essa resistência retira a sua força da reflexão freudiana de que. uma 11 percepção indignada". ele tende a comprometer-se com o individualismo. "h no que diz sobre a cultura um acento firme de exasperação e resistência". enquanto Freud descreve a pessoa como invadida pela sua cultura até os ossos. Precisamente como os psicanalistas. Sugere que h um resíduo da qualidade humana para além do controle cultural". ancorada na sua constituição essencial. que a cultura não pode alcançar e que se reserva o direito. "longe de ser unia idéia reacion ria.

e passível de ser descoberta . amoldando o seu olhar abrangente e treinado sobre os diversos materiais diante de si. Seria muito tentador desconsiderar essas preocupações historiogr ficas como uma brincadeira com questões banais que todo historiador resolve quase intuitivamente consigo mesmo ao recorrer .é a sua descoberta de conflitos ocultos e de pressões invisíveis na construção das mentes humanas.prudentemente.` Mesmo o historiador da história comparada.. recorrer . uma interação contínua . em seguida. o psicanalista dir . devem estar baseados na convicção de que capturam similaridades substantivas. perspectiva psicanalítica sobre a natureza humana que vê a natureza como oferecendo um repertório impressionantemente variado mas estritamente limitado de desejos. Mas se são mais do que artifícios retóricos.. em parte. ao mesmo tempo. o historiador considera as generalizações uma conveniência.. sentimentos e ansiedades possíveis. que quero passar em revista os modos através do quais os cientistas humanos e sociais podem -realizar com vantagem o ir 143 i i # e vir entre a psicologia social e a individual. e pelo modo que os grupos liberam-se de seus propósitos originais para perseguir objetivos próprios. e o seu impacto transgressivo sobre os homens que as têm absorvido enquanto disposições culturais desde os primeiros momentos que as sentiram. A contribuição peculiar da psicanálise ao estudo da mentalité . Surgem com particular insistência na an lise das crenças comuns ou dos ideais prevalecentes. sempre alerta em relação aos desvios . ilusões e fantasias compartilhadas. um tanto rudimentar. pelo efeito liberad 1 or que a pura existencia coletiva tem sobre os impulsos normalmente colocados em xeque. É neste momento que as experiências partilhadas sobre as quais falei exigem ser reconhecidas e descritas coletivamente. seguindo o esquema desenvolvimentista freudiano que analisa como o indivíduo internaliza os costumes. classes pesa continuamente sobre ele. natureza e destino. de supor e de exibir a realidade de entidades mais amplas . que explica a coerência e as ações grupais através de identificações mútuas. Mas os problemas são suficientemente genuínos. deve estar tão preocupado com o que os v rios elementos em comparação têm em comum quanto com o mostrar o que os diferencia. Pode. 0 historiador pode elaborar e clarificar a psicologia social freudiana.permanente. e não menos prementes para serem ignorados em geral. Sem dúvida. parece estar além de qualquer desmentido: a voga atual do termo francês mentalité. Com certeza. Pode.clãs.uma generalização notavelmente abrangente . profissões. Crenças compart ilhadas.. mesmo identidades parciais. que é apenas o ZeUgeist atualizado. são no mínimo. a realidade difundida pelas noções dominantes sobre homem. poupam trabalho na pesquisa e facilitam a comunicação dos resultados. as . sua experiência profissional. testemunha isso. também." As questões que essa discussão suscita são tão delicadas e tão importantes.entre os indivíduos que constroem a coletividade e a própria coletividade. assim permitindo ao historiador predizer . a sua necessidade de generalizar.como as coletividades estão propensas a pensar e a agir em conjunto. e.

.. fornece direções para as suas pulsões cruas. procura de uma psicologia social pode rastrear a cultura do indivíduo e o indivíduo em sua cultura. tem seus riscos e suas vantagens. publicada dez anos antes.. De acordo com a leitura de Mitzman sobre a vida psíquica atormentada de Weber. Pode. de que os eventos da história humana. a de Arthur Mitzman em Iron cage. além disso.. reflete e articula as tensões mais profundas de sua época e do temperamento subjacen(e de seus contemporâneos com uma lucidez exemplar ou com uma intensidade neurótica porém ins trutiva. sua efic cia depende muito mais de uma exploração histórica cuidadosa do mundo social de grandes personagens do que do diagnóstico de sua estrutura de car ter. no qual o historiador lê a cultura através de um indivíduo. autoridade que o pune sem piedade. no meu julgamento.. sua pequena autobiografia. Tão cedo quanto 1912. o autor pressupor . prosseguira o seu trabalho em The future of a illusion e Civilization and its discontents. ao 144 explorar as defesas que o ajudam. "meu interesse retornou . Tinha quase oitenta anos. Uma das perspectivas mais arrojadas é. a atravessar a vida. pelo menos para um intelecto incans vel e inquisitivo como o de Weber. confiante de que as suas descobertas abrem o caminho para uma compreensão da sociedade ao oferecerem explicações # sobre o funcionamento das mentes individuais. Esse estilo eriksoniano de an lise..crenças e as proibições sociais. desejos ocultos e ansiedades flutuantes. agindo principalmente através da mediação do que lhe é mais próximo. que realiza uma interpretação histórica e psicanalítica de Max Weber. Finalmente.queles problemas culturais que haviam fascinado o jovem apenas despertado para o pensamento". ao refazer os passos freudianos.'-. seus dilemas mais internos refletem os dilemas da sua cultura rígida e repressora que. no pós-escrito que acrescentou em 1935 .a partir de cujos representantes a própria religião é impulsionada para a frente . escreveu.. o historiador psicanalítico . o id e o superego que a psicanálise estuda no indivíduo.36 Citei Freud. que inclui uma dolorosa rebelião contra o seu pai e um surto psicótico duradouro. "Depois de um desvio ao longo de uma vida através das ciências naturais. Tinha sido ajudado pelo "reconhecimento. 0 historiador simpatizante. convida imediatamente a uma desobediência radical . os mesmos eventos repetidos em uma escala mais ampla". e a sua cultura.. o desenvolvimento cultural e os precipitados das experiências primevas . e como a sua cultura. recordou. nos anos 1920. Freud nunca duvidou de que a estrada que leva do divã para a cultura est aberta. seguir os procedimentos inicialmente delineados e popularizados por Erik Erikson no seu Young Man Luther: concentrar-se no car ter e acasos de um personagem influente que. cada vez maior. as interações entre a natureza humana. da medicina e da psicoterapia". e podia olhar retrospectivamente para quase meio século de pensamento original sobre o homem na sua cultura. investigara as origens da religião em Totem and Taboo a partir de uma perspectiva psicanalítica. mas est obrigado a acrescentar que a psicanálise o deixou com muito trabalho .são apenas o espelho de conflitos dinâmicos entre o ego. Disse-o de novo perto do final da sua vida. concordar .

que a percepção psicanalítica da natureza humana é em última an lise compatível em grande medida com os seus próprios pontos de vista t citos. e o sell único e obstinado. longe de ser frustrante. Talvez seja suficiente para a sua moral saber que o instrumental freudiano forneceu-lhe o mapa e os meios e que. Clio no divã não responde .. Ele pode reconhecer que a sua disciplina pode lucrar com uma psicologia fidedigna. Nó d passividade obstinada. de um lado. usando as suas próprias habilidades.. Certamente.. individual ou coletivo. no assalto freudiano.. i ~I 145 # 0 PrOgrama em pr tica 1 . mas também ao egoísmo racional. Mesmo o historiador que se confessa totalmente persuadido pelos capítulos anteriores tem boas razões para ter reservas em relação a esta dúvida derradeira..a proposta de inserir a psicanálise na pesquisa e na interpretação histórica pode ser. têm compilado não inspi a escOI)rimos as implicações desalentadoras da sua 147 # ram muita confiança. ele pode persistir ao recordar mais uma vez a sua reserva favorita e (segundo ele) devastadora: não se pode. é ineg vel que os registros que os historiadores freudianos. sobre um bravo bolsão de resistência. David Starmard astutamente devotou o capítulo . frustrante. Ela est apenas ali... Sua estrada não est completamente pavimentada nem mapeada adequadamente. não e um paciente. conduta ligados . tendo concedido tudo isso. do outro. após terem sido vencidas todas as fortificações defensivas dos historiadores e invadida a sua fortaleza do senso comum. tradição e ao irracional. na difícil rea fronteiriça onde se encontram a psicologia individual e a social. e que o individualismo proverbial da psicanálise. Pensamentos acerca de registros Ainda é preciso disparar.. psicanalisar os mortos. espalhadas pelas p ginas dos escritos psico-históricos.s interpretações nem de senvolve transferências em relação ao seu analista. 0 passado.. Ainda assim. 0 que o historiador tem . impratic vel. que a psicanálise pode aguçar a sua sensibilidade não apenas em relação ao pensamento e . pode instruir a investigação histórica a respeito de fen"menos coletivos. Desde o início acreditei que isso é mais do que apenas uma objeção perspicaz e obstrutiva. afinal de contas. no fim das contas.para ser feito. a começar pelo próprio Freud. sua disposição é um esboço sugestivo que deve ser preenchido com as suas próprias pesquisas. a psicanálise preocupou-se em manter um balanceamento saud vel entre a parte social da mente do indivíduo.

mas um milhafre. é uma obra comovedora de erudição liter ria. realmente estabeleceu a psico-história nos meados da década de 50. para exemplificar o programa: não podemos ter certeza de que os episódios 148 críticos de Lutero. androginia. não era um abutre.. as expedições não convincentes dos psicanalistas na história psicanalítica forarn combinadas com as incursões dos historiadores no mesmo terreno sombrio e perigoso. enquanto Freud tinha a sua curiosidade despertada para escrever um artigo sobre Leonardo devido . 0 p ssaro que. levou Freud a algumas especulações de longo alcance. Leonardo recordou muitos anos mais tarde.. seus impulsos originais decorrem do seu interesse sobre a formação do car ter e sobre as origens da homossexualidade. Erikson ofereceu reflexõe s maduras sobre um adolescente. sobre os quais principalmente se baseou o seu biógrafo psicanalítico. faltou aos inúmeros epígonos de Erikson. # Para tornar o trabalho dos historiadores freudiatios ainda mais problem tico. em suma... Martinho Lutero era uma escolha pouco feliz. embora atraente. como Freud sup"s. Os defeitos desse artigo explicitamente exploratório j foram expostos: ao analisar uma memória única e aflitiva da primeira infância de Leonardo narrada por ele em suas anotações. e como observei antes.e .. Freud fez mais do que traduzir erroneamente uma palavra-chave. Mas. abrira a sua boca com a cauda.. psicanálise. fascinante e misteriosa de um artista que ele admirava muito. Tudo isso forneceu aos críticos da psico-história uma munição muito bem-vinda. a partir da perspectiva de um analista profissional culto e dedicado que procura aliviar os tormentos e inspirar uma série de jovens dotados e profundamente perturbados. Tampouco as últimas aventuras feitas pelos psicanalistas são indicadas para silenciar todas as dúvidas.de abertura do seu ataque . A psicobiografia de Lutero por Erik Erikson. e assim est longe de poder ser um teste conclusivo sobre os usos que o historiador pode dar .. "Leonardo da Vinci e uma Memória Infantil" não se propõe a ser uma psicobiografia. Esta parte isolada do intrincado novelo do raciocínio freudiano sobre o desenvolvimento psicológico de Leonardo: o abutre. ele não levou em conta a convenção artística da época de Leonardo de rejuvenescer Santa Ana. não é um começo promissor. e manter o ceticismo dos historiadores céticos. completamen= . psico-história . eles somam realizações muito variadas e não são. Certamente o programa para uma aliança que funcione entre o psicanalista e o historiador é um modelo do tipo que Erikson propõe no seu capítulo de abertura. história interna. que serviu como modelo.' Entretanto.2 Além disso. maternidade e . a energia inte lectual e o seu dom para uma exposição elegante. aconteceram do modo como foram registrados posteriormente... na sua maior parte. Não h grande proveito em se fazer uma crítica dos escritos psicanalíticos desde os meados da década de 50.. E ao fazer inferências biogr ficas íntimas da aparência jovem de Santa Ana na célebre pintura da Virgem com a mae e a criança..ao ensaio de Freud sobre Leonardo da Vinci.. o jovem Lutero. viera até ele quando era ainda uma criança de berço. psicanálise . ou mesmo se realmente ocorreram . o milhafre era somente um p ssaro. Ao mesmo tempo. batendo nos seus l bios repetidas vezes. um p ssaro associado na mitologia egípcia .

tão vulgares como os seus resenhis tas irritados e impacientes gostam de se queixar. e isso apesar do comprometimento do historiador. Na sua leitura preconceituosa. . Os seus produtos mais infelizes têm muitas causas. aos fiascos da psicohistória não é ceder. como sabemos. Não h nada que seja inerentemente implausível em uma explicação histórica que dê primazia aos fatores psicológicos. como uma falha inerradic vel e fatal. Reconhecidamente.te desanimadoras. que ensina ao cientista que ele não deve multiplicar as leis e as teorias sem necessidade. um numero exagerado de psico-historiadores tem cedido . o historiador anseia por oferecer urna explicação no lugar onde antes existiam duas. Na medida em que os pensamentos conscientes e os eventos palp veis podem ser exaustivamente explicados através de vontades ou conflitos em grande parte inconscientes. a navalha de Occam. Mesmo quando os psico-historiadores desaprovam seriamente qualquer comprometimento com o reducionismo. Entre 149 1 # tanto. pela diversidade. como aquelas perpetradas em outros domínios da história. Aludir. Na realidade. abrangente. temos antídotos teóricos e pr ticos para imunizar o historiador contra tais engodos. Mas o reducionismo é mais um acidente da história psíceraensalíntiteas do que a sua essência. cuidadosamente cultivado.. mas limpar o terreno. ou de degradar mudanças significativas nas relações familiares a orgias do combate edipiano. 0 reducionismo parece ser um defeito tão constante dos psico-historiadores que os historiadores o vêem entrelaçados com a sua própria estrutura. a redução psicanalítica não é um reducionismo.1 suas monografias e sínteses freqüentemente acabam por sucumbir a essa tentação. Como outros cientistas . Tem sido a sua procura por um esquema explanatório preciso e claro que dirige os psico-historiadores para uma psicologia do id. uma forma racional de dissolver uma teoria em uma outra mais ampla. seja um procedimento científico totalmente respeit vel. so podemos decidir se uma interpretação cruzou a linha que separa uma economia aceit vel do terreno proibido da ingenuidade depois que a elaboramos. A questão é totalmente concreta: na pr tica histórica. um termo ofensivo.' Ele deriva sua legitimidade de uma regra de parcim"nia. Embora a redução. mesmo rapidamente. er indulgente) exige Essa afirmação confiante (alguns poderiam diz alguma qualificação. essas psico-histórias raramente são tão espalhafatosas. É a mais palp vel entre as aflições de uma disciplina que tem sido jovem j h algum tempo mas que pode continuar a solicitar a tolerância devida a uma disciplina que est ainda numa fase exploratória. como os críticos têm insistido com justiça mas não sem malícia. e caso a caso. Por sua vez..s atrações da simplicidade e da simetria a seduções que historiadores que lidam com um instrumento interpretativo novo e excitante têm achado peculiarmente irresistíveis. a história psicanalítica é singularmente suscetível aos flagelos dos entusiastas. Mas. "Reducionisnio" é. os historiadores deleitam-se em achar essa literatura suficientemente provocadora para manter viva a sua resistência. os psico-historiadores são culpados de interpretar teorias políticas cuidadosamente organizadas como reflexos puros de identificações sexuais ambíguas.

benevolente. Além disso. e ao pretender não suprimir nenhum deles e ao sujeit -los a uma ordem. Algumas vezes. Felizmente. de testar a realidade. tê-lo-ia ieito em nome da sobredeterminação. a literatura histórica recente oferece mais do que dois exemplos de como as percepções psicana líticas podem atuar como auxiliares para descobrir e interpretar. seguidamente escondidos. Pode observar os ódios apai xonados. 2.. que deixam seus traços nos jogos e ngs festivais e que vão desde a hostilidade grosseira dos charivaris até as mensagens oblíquas dos ritos de iniciação. afinal de contas. e os fluxos libidinosos e agressivos que em segredo mas irresis tivelmente invadem a vida social e política. os psicanalistas algumas vezes maldosamente previnem-se contra fazer inferências apressadas: "Não generalize a partir de um caso apenas". dirão. não é nada mais do que 150 um reconhecimento sensato de que uma variedade de causas . de fato.. pode analisar os silêncios reverberativos e reveladores da sociedade. Modos e meios Em momentos de autodepreciação. Procurar a complexidade. e de que cada ingrediente na experiência histórica pode ser contado como tendo uma variedade . o cachorro que . ele teria trazido mais champanhe para contemor -la.s me t foras que colorem o discurso cultural. ao mesmo tempo.. na sua confusão sobre o drama humano. Mas então. Aprendi em meu próprio traba lho que o historiador pode agrupar as percepções freudianas de modo a descobrir temas sobre fatores críticos embora h muito marginali zados no estudo histórico . como para Sherlock Holmes. historiador e psicanalista podem dizê-lo em uníssono. procurar a complexidade e dom -la. Em poucas palavras. a sexualidade. Longe de destruii a celebração da variedade humana e da especificidade histórica.. "ge neralize a partir de dois-.atua na construção de todos os eventos históricos. Uma vez que eles não têm escrúpulos em acus -lo de ser uma mente simples e unilateralmente dogm tica que recomenda um agente causal predizivelmente ubíquo. e a cultura como um todo. uma gradua ção fina e uma versatilidade not vel. de se refugiar. e insensível ao trabalho.5 0 historiador.deliberadamente primitiva. eles têm atuado contra o s bio conselho de Whitchead para o investigador: procurar a simplicidade mas desconfiar dela.os programas escondidos que quase imper ceptivelmente dominam a infância. Sobredeterminação. os críticos lêem este princípio psicanalítico fundamental como urna fuga prudente .e não uma infinidade # de funções. numa vaguidade resplandecente de uma causação múltipla. e. Pode ficar atento . só pode colocarse de acordo e aplaudi-Ia. e para degradar os atores históricos adultos a um feixe de sintomas infantis não resolvidos e persistentes.uma variedade e não uma infinidade . responsabilidade. ao trabalhar com uma riqueza de agentes causais sutis e grosseiros. imediatos e remotos. Para o historiador psicanalítico. aqueles que querem encontrar um defeito em Freud irão encontr -lo. feito pelo ego. Freud não estava persuadido como eles: ele objetivava submeter o car ter e a conduta individuais a leis psicológicas que os subsuiniam e ao mesmo tempo estabelecer a singularidade de cada pessoa. a família. 0 elenco de instrumentos freudianos tem.

com as suas próprias restrições auto-impostas. não teria me dado conta da ação da fantasia de recuperação. Todos esses esforços benevolentes estão de acordo com a mentalidade mais assistencial das classes médias do século XIX. algo apreciado. na situação adequada. a fantasia de recuperação. corno havia oCor brigos para prostitutas arre nizadores de casas de recuperação e de a pendidas. h muito tinha as suas convenções. Foi r para elas uma vida pura oria e de reivindica . Manter um di rio e escrevê-lo. por pais e professores. surpreendentemente legíveis. fiquei impres meu estudo sobre o amoundido de salvar as . podem tornar-se sintomas reveladores de uma sociedade preocupada excessivamente corri o estado mental e do Corpo. também. tanto piedosas quanto leigas. a sonhos e lapsos e a outros atos sintom ticos. discursos bern-intencionados e convites para visitar a sua esposa no lar.mulheres sionado corri o desejo largamente dife respeit vel. Mas além disso. Mas convenci-me de que elas tiraratri muito da sua energia de uma idéia inconsciente. Estimulou a formação dos reformistas.não ladra durante a noite pode ser chamado a depor enquanto teste munha relutante mas informada. Alerta o historiador para documentos que. fazia coisas por tr s das portas trancadas do quarto de dormir. Outros discernimentos e praticas psicanalíticas permitiram-nie seguir pistas que não teria reconhecido. para a mai decaídas"rometimento com essa reabilitação e de cornissoes de intenso o COMI? consciente. na ausência de i suas teorias. monopolizou as simpatias imediatas de Charles Dickens e. Eles. mais notoriamente. saúde. e a t ticas defen sivas que indivíduos e instituições utilizam de forma bastante invo lunt ria. o clima e os pensamentos profundos sobre o amor e a religião eram temas quase que obrigatórios.ler as referências em di rios privados como se fossem cadeias de associações . até algumas técnicas que podem dar acesso inesperado a fantasias popu lares.vi-me tratando os saltos abruptos de um terna para outro não como uma digressão casual ou como desvios acidentais da atenção. mas COMO padrões de processos mentais coerentes. sem o seu auxílio. nem encontrado a sua altíssima utilização em urna cultura pronta para ter compaixão. A psicanálise oferece idéias e. e confiar em interpretações que não teria imaginado. embora oficialmisteriosas e terríveis com o pai mente fosse um anjo. as de William Ewart Gladstone . as .. o desejo de reabilitar estranhos. são inúteis. uni disfarce para uni desejo bem mais potente de restaurar a pureza materna que. especialmente no século XIX. Se não tivesse estudado Freud.cidades em toda a civilização ocidental no especialistas nas grandesrido anteriormente com os orga f inal do século XIX.urna espécie de ziguezaguear desimpedido que se pede a todo analisando que realize no divã . silenciosos e despidos de sentido i 151 # i Ao analisar as campanhas ansiosas contra a prostituição para o r na cultura do século XIX. que atravessava as ruas noturnas de Londres para abordar jovens prostitutas com panfletos. AO.

s mulheres.. ao olhar para as esculturas do Parterion no Museu Britânico. poemas.seus romances. testados pelo tempo. através das suas conexões inconscientes. encontrou por acaso um jovem que olhava para as mesmas esculturas mas . contudo.. Dodds The greeks and the irrational. teria escrito um livro bastante diferente 7 Às vezes.não estava nada inipressionado com elas. alguns biógrafos e histuriadores integraram com sucesso esse modo de leitura aos seus métodos costumeiros. ao estudar os sonhos que os memorialistas e os escritores de cartas pensaram que eram suficientemente interessantes para registrarem e. questões que acha muito delicadas para discutir francamente. ou o medo das mulheres em relação aos homens. Nada é mais instrutivo de que o livro magistral de E. A inclinacão demasiadamente humana para o incesto. "Bem". Um dia. a partir da sua própria maneira amadora. Além disso. tornei-me consciente de como os documentos estéticos acessíveis em uma sociedade .. pude extrair dos seus sonhos latentes pensamentos eróticos bem camuflados e material agressivo de que as superfícies suaves de outros testemunhos que sobreviveram não deixaram qualquer traço. De novo. interpretarem.mudanças curiosas e freqüentes na sucessão das observações e confissões particulares revelaram até mais. R. .ao contr rio de Dodds .' Nas décadas mais recentes. Nem sempre mencionaram o nome de Freud: por exemplo. tudo gua para o moinho do analista. Dodds recorda. para dar um outro exemplo. Edmund Morgan sugeriu que. De modo similar. a maneira pela qual aquela sociedade procura resolver. vida conhecimentos eruditos empoeirados.. o débito tem sido reconhecido explicitamente. do que o próprio escritor poderia revelar intencional # 152 1 mente. em alguns casos irreplic veis. sob as lentes psicanalíticas. os conglomerados de símbolos no sonho manifesto ou de outros detalhes que parecem ocorrer com maior freqüência em certas culturas em dados momentos deram-me pistas valiosas. se não houvesse se utilizado de Freud enquanto escrevia a sua dissertação sobre a vida familiar puritana na Massachusetts do século XVII. algo tendenciosa. para conflitos mais gerais mas pouco percebidos. o medo subjacente dos homens (enquanto diferente do manifesto) em relação . Os dois comecaram a conversar. ou pinturas . os perigos e as promessas do corpo humano exposto. e Dodds 1-53 # perguntou ao jovem se ele podia explicar o seu desinteresse. mas são disponíveis para o pré-consciente. Dodds inicia o seu livro com uma descrição intrigante.' Vale a pena examinar aqui tanto o seu procedimento quanto os seus resultados. e servem para organizar as percepções sobre as experiências passadas e trazer de novo . sobre o modo que o levou a escrevê-lo: uma exploração sistem tica na qual as proposições freudianas não funcionam como objetos decorativos e elegantes.revelam. pode tornar-se um material esclarecedor para historiadores. Ou recusa-se a reconhecer.

cauteloso atraído por fatos inexplicados. ele aprendeu a usar o oculto sem que o oculto o usasse. 0 estímulo para a autodisciplina. acarretou algumas conclusões que ele desenvolveu. mas de aboli-lo ao trazer para a luz o seu verdadeiro valor e ao ajust -lo ao seu lugar em uma visão coerente do mundo.. pontos de vista articulados.. 0 "objetivo a longo prazo" do "irivestigador psíquico". e de confront -los com a evidência quando ela A explicação de Dodds. 154 # disputado entre a ciência e a superstição".ele aventurou-se. Longe de desejar derrubar o edifício imponente da ciência. o h bito de colocar dúvidas vagas . acompanhou a sua carreira: um fascínio pelo lado irracional da experiência humana. É sempre arriscado para os leitores substituírem as suposições do autor a respeito da gênese pelas suas . publicada em 1977. como mera literatura. depo s d "é tudo tão terrivelmente racional. definiram para Dodds "a questão a partir da qual surgiu o livro"~ 0 livro foi a resposta que ele deu. Felizmente. a sua . embora de nenhuma forma malévolo. como a formulou após o seu encontro casual. como "a tentativa de observar e. definiu-se corno um "investigador psíquico.ou. Não importa quão provisoriamente possa coloc -la. esse encontro ao acaso. Dodds achou que entendia. com a paciência e a base informativa de um estudioso. pelo menos. Mas sustento que o esplêndido estudo de Dodds sobre a experiência grega não surgiu apenas a partir de uma questão . "não é o de glorificar o 'oculto'. e algumas idéias sobre as controvérsias de ponta na sua disciplina. de compreender alguns dentro daquele vasto campo de fen"menos peculiares que ocupam o terreno i e reitetir um Pouk` surge . porque "acredita que podem e deveriam ser explicados como fazendo parte da natureza tanto como quaisquer outros fatos-. Na sua maravilhosa autobiografia . Os mais eminentes estudiosos do classicismo. Um dem"nio exigente. sobre o desenvolvimento de uma nova linha de raciocínio. se possível. ele descreve esse "elemento recorrente" que governou a sua vida "por mais de sessenta anos como um fio de cor distinta em um trabalho de remendo". talvez criando uma nova teoria que lhe trar senão fama. estava l . pelo menos a atenção de seus pares. após décadas de trabalho sobre textos antigos. assinalou Dodds.ele.s suas noçoes mais valorizadas e aos seus epigramas mais meticulosamente afiados. tendiam a desconsiderar a irracionalidade dram tica da religião grega como uma pura galhofa. Existiu uma história consider vel por tr s dela. dinheiro e o amor de mulheres maravilhosas. acrescido da recusa dos estudiosos de levar a sério a religião grega. Levou-o a pensar: "Seriam os gregos assim tão cegos para a importância dos fatores irracionais sobre a experiência e o comportamento humanos como supuseram tanto os seus apologistas como os seus críticos?". colegas de Dodds. mesmo para si próprio. se você entende o que eu quero dizer". aborda a tarefa escolhida com técnicas testadas. ela não se colocou no início da investigação. dois anos antes de sua morte.tudo isto é posterior. afinal de contas. informações abundantes. afinal de contas. Assim. incluindo Gilbert Murray e Maurice Bowra.'0 0 investigador profissional. ele ir fantasiar sobre a descoberta de um novo fato.

ambição maior é construir um modesto anexo que servir . "A situação familiar na Grecia antiga" deu lugar ao "surgimento de conflitos infantis cujos ecos prolongam-se na mente inconsciente do adulto". essa projeção. em algum ponto no final do século V a. intervenção divina. ou do qual ele se retira. a loucura e o transe. "os psicólogos nos ensinaram" . Tomou a atividade projetiva antiga como uma pista para estilos arcaicos de pensamento. De forma muito parecida com a de Freud.. ao reconhecer a tradução de impulsos indesej veis em intervenções perniciosas de deidades caprichosas como um mecanismo de defesa. foi a partir de tais sentimentos internos. e não como um tique misterioso. a uma certa -íriternalização' da consciência". enquanto fonte de sentimentos de culpa. que "se desenvolveu a maquinaria divina". na qual "os impulsos não sistem ticos. Afinal de contas. 0 fato de Dodds valer-se de uma terminologia técnica permitiulhe avançar duas teses intimamente relacionadas.` Essa passagem poderia ter sido escrita por Sigmund Freud. e sugere que os historiadores considerem mais de perto a vida doméstica grega.s sublevações sociais disseminadas que podem ter "encorajado a reaparição de velhos padrões culturais"..C. Citou a teoria de Malinowski segundo a qual as crenças irracionais ocupam um espaço no qual o controle racional humano não se aventura. fortuito. e ainda assim capazes de produzir no self um sentido profundo de . Mas. teriam visto como uma peça arquitetada de sofística .. Dodds considerou seriamente os sonhos. depositados nos deuses.. Permitiu que ele reconhecesse o h bito grego de atribuir os seus estados mentais . Então.. 15 _) # i li i Com a sua prudência costumeira. pode colocar-se acima de uma postura moralista. 0 que outros estudiosos. Dodds exibe um interesse apaixonado pelas crenças. tenderam a ser excluídos do self e atribuídos a uma origem alheia" gradualmente deu lugar a uma "exigência nascente de justiça social". e teve sucesso em revelar aspectos da mente grega que seus antecessores de forma bastante literal não haviam visto.e por "os psicólogos" leia-se "Freud e seus seguidores" . pelo menos provisoriamente. para abrigar os seus novos fatos com um mínimo de perturbação para a planta original da construção-."quão potente é a pressão de desejos desconhecidos. desejos excluídos da consciência exceto nos sonhos e nos devaneios.se vissem algo . ele não se aventurou a dar uma completa explicação para essa mudança de uma "cultura da vergonha para uma cultura da culpa". acha que tais explicações são incompletas. com menor treino em formas psicanalíticas de pensar. mas como um tipo de projeção. De forma muito parecida com a dele. e os atos resultantes deles.Dodds p"de interpretar como uma atividade mental quase totalmente inconsciente na sua natureza. responsabilidade. e refere-se . como um bom freudiario.. como sintomas de perturbações ou como um jogo imaginativo que pitorescamente esconde por baixo de si o pensamento racional. não como uma desculpa estereotipada ou uma fuga . E. não racionais. pr ticas e modos de conduta que colegas racionalistas desconsideravam como superstições.. "a expressão pictórica de uma advertência interna".

` Portanto. e Dodds aceita a met fora freudiana que descreve a mente como um depósito geológico que preserva a camada mais antiga sob as mais recentes.. cura m gica. certamente. em especial entre o jovens. um par onde um é igualmente necessario ao outro: "cada um administra .. da era cl ssica..s vezes um elemento inconfessado e meio consciente .. com um vocabul rio e percepções retirados da Interpretação dos sonhos: a primeira. seja através de exemplos concretos como de interpretações gerais. A biografia de Ludwig van Beethov por Maynard Solomon é um exemplo desse tipo de trabalho detetives e imaginativo.` Regressão.. como sendo a correta. Freud deu a Dodds um modo de ver e de fazer leituras surpreendentes a partir de textos familiares. Ele vê os ritos dionisíacos e o culto a Apolo como opostos. escreve Dodds. a percepção de Dodds sobre os gregos e o irracional. fórmulas encantatórias consistindo em pragas m gicas planejadas para destruir inimigos. imagina um dos pais como sendo apenas um pai postico. amplamente difundida. enquanto Apolo .s fases iniciais da organização mental. declarava inequivocadamente a data ant rior. De vez em quando. pois.. novo embora tão antigo. como a espantosa impropriedade do sentimento recordado. incompatíveis Jogicamente. 1770. assinala como o Zeus de Homero era 11 proximo" do "rnodelo dado pelo pater familias homérico". Dodds sugere. e despendendo uma energia valiosa para tentar provar que nã havia nascido em dezembro de 1770." Por outro lado. a psicanálise não apenas tem solucionado m térios históricos mas descoberto que o mistério é intrigante e ple de possibilidades explicativas. uma 14 filiação que Freud comentara antes. Dionísio "oferece liberade". explica a renovação de superstições antigas durante o declínic. através da regressão. o .. .. envolve um retorno . Solomon. Completando o argumento. sua maneira as ansiedades características de uma cultura da vergonha". mas aceitos contemporaneamente por indivíduos diversos ou até pelo mesmo indivíduo-.1 promete segurança". Ou interpreta tanto a razoabilidade dos sonhos relatados. Mas Beethoven recusava-se a aceita a evidência cabal posta diante dele. um music logo totalmente treinado na forma freudiaria de pensar. mas em dezembro de 1772. um exemplo de "inversão de afeto"." "Os psicólogos" aguçaram. "Um padrão novo de crença". Beethoven passou a sua vida acreditando obstinad mente. Esta fantasia. Ern 1977. o que acarretou no final regressões ainda mais primitivas.. seu certificado de batismo. de outras maneiras decisivas. era um exemplo de "elaboração secund ria".1 desconforto moral". que ele pediu aos seus amigos que enco trassem mais de uma vez. Finalmente. resolveu enigma através de um discernimento psicanalítico chamado romanc familiar. a segunda.ou os dois persistem lado a lado. reconhece no Eros de Platão um "Precursor da libido freudiana". fazendo eco tanto a Gilbert Murray como a Freud. "raramente # 156 i desfaz por completo o anterior: ou o antigo sobrevive como um elemento do novo . o recurso desesperado.

a m5e do menino. pode-se pensar.. contra-atacou. tirilba boas razões conscientes para detestar o seu pai. é dar um aval aos impulsos agressivos da criança e.s autoridades.o pai como sendo o padrasto. ligou a defesa obstinada de Beethoven de sua fantasia a uma infância desalentadora. A função psicológica dessa ficção. parcialmente incons ciente. como se através da repetição pudesse converter a verdade metafórica em literal. tudo para ganhar a guarda de Karl.. junto aos seus amigos e . referia-se a si mesmo como se fosse o pai do menino. Beethoven.. Esse estranho duelo familiar arrastouse durante anos e foi pontuado pelas fugas de Karl do seu sufocante tio até culminar. e o verdadeiro pai como alguém impor tante e nobre. Solomon. Esse caso desagrad vel gerou uma quantidade enorme de um firme moralismo ao lado de um número não inferior de firmes apologias. desoz nestidade e alcoolismo de seu pai.s vezes uma mulher impudica. filho do seu falecido irm5o Caspar. foi além de urna crítica racional ou de um desapontamento. muito menos relacionada do que o seu famoso cunhado. Ele difamou Johanna van Beethoven. e experimentaram uma série de explicações superficiais e implausíveis.. arruinada pela irresponsabilidade. para ligar-se a desejos e ódios ocultos que Beethoven nunca p"de satisfazer ou exorci# i 157 # zar. não muito antes da morte de Beethoven. numa tentativa de suicídio. e . inversamente. de Johanna van Beethoven como mae. equipado para a tarefa com instrumentos intelectuais mais aguçados. que é adorado. recorreu aos tribunais diversas vezes. exp"s-se no processo a interrogatórios embaraçosos e penosos. do mesmo sexo que a criança permitir o acesso ao outro. Johanna van Beethoven. vulner vel a acusações de uma morafidade que deixava um pouco a desejar. trabalhando a partir do ditado psicanalítico de que uma paixão excessiva assinala um conflito subjacente no qual urna paixão oposta est operando em . ou. extremamente intrigante que obscureceu os últimos anos de Beethoven: os seus esforços infatig veis para garantir a guarda. mesmo que apenas ri imaginação amplamente recalcada. Repetidamente. quase raptar o seu sobrinho Karl. Assim. Mas sua fantasia. as percepções fretidianas de Solomon dão um sentido agudo ao que havia parecido aos seus precursores um delírio estranho ou uma mistificação egois ica. Solomon. Solomon teve sucesso em solucionar um drama doméstico desagrad vel. Os biógrafos anteriores de Beetho ven certamente não desconsideraram o seu empenho irracional em estabelecer uma data de nascimento imagin ria para si mesmo. tem sido visto corno uma prova da inadequação. principal mente quando a vítima é um dos pais. que se tornou um ingrediente permanente e ativo em seu car ter.17 Com igual penetração. como um sintoma tr gico do colapso mental de Ludwig van Beethoven. tendo o seu filho decididamente ao seu lado.

argumenta persuasivamente que Beethoven estava defendendo-se contra os seus fortes desejos eróticos em relação . não é alguma explicação ímplausível e transcen dental. utilizada em grande medida para transformar Hawthorne em um moralista respeit vel. e outras que aparecem na biografia de Solomon. e do Erik Erikson de Young Man Lulher. Crews explícita o seu repreendendo" os biógrafos anteriores de Hawthorne por confiarem em---umapsicologia simplista que olha apenas para a superfície".l the fathers. rude. desorganizado. Essas propostas. sua cunhada e que mascarou a hostilidade em relação ao seu sobrinho. e habilmente vão além da sua surdez para exibir algumas das causas obscuras que o tornaram impredizível. 0 ganho com essa forma de leitura é acentuado.. ---obiógrafo é respons vel tanto pelas contradições de seu sujeito como pelos seus enunciados elevados-. Outra biografia psicanalítica que pertence ao meu cat logo de sucessos é o estudo de Frederick Crews sobre HawthornearTguhmeesnintos . Ele admite que se possam citar passagens em apoio ao "que se poderia chamar de cristianismo rudimentar"." retira as suas armas intelectuais inteiramente do arsenal psicanalítico.ou as menores pistas que Hawthorne deixou para os seus leitores refletirem. principalmente de Freud. atormentado". e tinham dado antes dele. a aparente inocência nas superfícies liter rias de Hawthorne como estratagemas defensivos. ele argumenta. Crews permanece fiel aos textos de fiawthorne e clarifica muito daquilo que intrigou outros estudiosos.o. com os propósitos do romance psicológico". publicado em 1966.2" Descobre precisamente o que ~thorne tinha em mente quando chamou a si mesmo um escritor "que se refu gia. mais verdadeiramente humano # es o os mais eruditos.. enriquecem consideravelmente o nosso sentido sobre a vida interior e tempestuosa de Beethoven. uma pessoa desleixada bastante familiar para os seus contemporâneos indulgentes e atemorizados. . mas o fato de ele ser "meio dividido. Mas. Mas nos d um Beethoven mais digno de que os seus biógrafos que o idolatram. que pretende 11 alcançar o núcleo terrível do ser humario-. acrescenta. 0 que torna Hawthorne interessante.` É instrutivo constatar a freqüência com que Crews proclama a sua intenção de levar a sério os textos que explora. Esta é outra contribuição freudiana. Solomort é modesto o suficiente para nunca afirmar que fez mais do que tocar no segredo supremo de Beethoven." Crews lê o esmero e piedade. Embora seja um escritor demasiadamente escrupuloso para cair no jargão e use a linguagern técnica parcimoniosamente. no limite das suas capacidades.segredo. simultaneamente culturais na forma e pessoais na origem. li! i 158 crédito. a sua genialidade enquanto compositor. como um bom freudiano. nas profundezas da nossa natu reza comum. 0 Hawthorne de Crews é assaltado pela "mania da dúvida" e perseguido pela -ambivalência". "chato" ou em um crente piedoso. Isso é a biografia freudíana no seu esplendor .. e de Sandor Ferenezi. Karl Abraham.

. essa estória bem-conhecida e inócua d acesso . reestilizado. não estão casualmente lado a lado.. suavemente crítico mas em grande medida chauvinista. Reconhecemos nesse cl ssico conflito nada mais do que o drama familiar freudiano submerso no inconsciente. Ele demonstra a preocupação dominante de Hawthorne com o incesto entre irmão e irmã assim como com o incesto com conotações levemente lésbicas. de curiosidade sexual e de anseios refreados pelo medo sexual. é "o sentido de um conflito familiar simbólico escrito em maiúsculas". certamente. 0 que permeia os seus contos históricos. revela-se na an lise de Crews como um conto erótico bastante inc"modo. e com as suas paixões dísfarçadas. levando "a sério as teorias psicológicas modernas". um conto inundado por "sugestões de impotência e castração". que Crews acha que é dominante nos perde Hawthorne durante toda a sua carreira liter ria. com a procura de um pai idealizado. Crews reinterpreta o "The Maypole of Merry Mount". Portanto. com o funcionamento compulsivo de um superego vingativo.". sem desprezar nada. Afasta a interpretação geralmente aceita sobre Hawthorne como um celebrante. instinto e inibição". que pune desejos de morte ínipios. no qual "o elemento negado reaparece sub-repticiamente em imagens e alusões"." Ao procurar expor os seus ancestrais. 22 definíveis de desejo. Longe de ser "banal" ou "óbvio". Sua preocupação com a Massachusetts colonial "é somente um caso particular do seu interesse em pais e filhos. ou a suavizar.. Crews investiga o ato constantemente repetido por Hawthorne de expor-se em uma an lise cronologicamente aproximada de seus contos e romances. impiedoso. "Sua penetração na culpa secreta e comprometida não apenas pelas suas ambigüidades célebres em relação . as suas descobertas aterradoras. "configuração secreta" que instrui as suas tramas. um "dos contos mais familiares e aparentemente mais superficiais de Hawthorne".. Crews trabalha esses discernimentos com uma impressionante ousadia.'-" 1 ~) q i # Hawthorne sentia-se compelido a resistir. que explora quase todos ---osconflitos . Crews mostra. na verdade. só que aflorado.. enquanto a -superfície narrativa permanece convencionalmente 'pura"'. de seus antepassados da Nova Inglaterra. Nos últimos capítulos.aplicada com sensibilidade: olhar de perto. Esses conflitos inconscientes.Não poderia ser de outra maneira: apoiando o seu trabalho "em ampla medida na sua própria natureza" e "perturbado pelo que descobriti'*. Assim equipado. São ingredientes essenciais do triângulo edipiano. Os "puritanos são o lado repressivo de Hawthorne". cl ssicos' . na ficção de Hawthorne. com enredos sadornasoquistas. técnica mas pela sua relutância e desgosto. culpa e castigo. Uma questão crítica que Crews não despreza é o fato de que Hawthorne estava muito ansioso para poder realizar u seu programa sem hesitações e prevaricações freqüentes. . 25 Tudo isso em uma atmosfera de ambigüidade. Hawthorne acabou por expor principalmente a si mesmo.

Ainda assim os conflitos mentais que deram lugar a suspeitas. mas do seu próprio mundo interno de desejos frustrados-. quanto com uma capacidade igualmente potente para aprender do mundo e tentar domin -lo. confissões. e que. certamente. e baseavam-se em crenças gerais e raramente questionadas. Isto não quer dizer que Crews despreza o cultural em favor do mundo psicanalítico: o que o interessa sobremaneira quando relata os elementos ocultos na arte de Hawthorne é de fato ---aconjunção dos temas sexuais e sociais". Ele se move. o seu comprometimento inovador com a psicanálise. para tornar convincente o uso da psicanálise na história. é congruente com a teoria psicanalítica da mente que desenvolvi nestes capítulos?' A tentativa mais sistem tica. A visão de Crews do homem enquanto animal cultural equipado tanto com um potente inconsciente. deve combatê-los permanentemente até a M(rte. foram experiências individuais. ao mesmo tempo. que se sobressai e que causou as discussões mais intensas. "a terrível certeza de que. não da imposição de uma sociedade puritana de ideais sociais falsos sobre os três personagens principais. Para exibir e dramatizar essa multiplicidade necess ria de perspectivas. e simultaneamente combinar. Hawthorne deixa os seus leitores "com um conto de paixão através do qual vislumbramos" uma verdade tr gica. de John Putriam Demos. o ego não é o mestre na sua própria casa". é provavelmente a obra Entertaining Satan. The scarlet letter. psicologia. história. a atos de vingança e expiação. como Freud colocou. permite uma leitura muito similar. as marcas respectivas da neurose particular e das tensões comunit rias. mais qualificada intelectualmente. de suas vítimas e de seus juízes estavam assentados em bases sociais. insiste na sua particularidade e na sua abrangência. no final. para assinalar a cronologia dos eventos mentais e públicos como a ascensão e o declínio de uma curva de perseguição. Nunca se afastando do elenco . em grande parte. e elas são de particular interesse para estas p ginas. que juntos constituem o seu tema. sociologia. 16 1 # Mas é. Os delírios das bruxas. e.sonagens 160 A Obra-prima duradoura de Hawthorne. um estudo sobre a bruxaria no século XVII na Nova Inglaterra. coexistindo com sentimentos de culpa. durante todo o tempo. em expressões intitucionalizadas." 0 estudo de Demos apóia-se solidamente no seu controle seguro sobre as formas tradicionais de escrever a história colonial americana. habilmente entre a biografia e a história.27 The scarlei letter "resultou. acusações. Demos dividiu o seu livro em quatro seções: biografia. Demos trabalha habilidosamente para separar. Crews a vê como um romance em # que o desejo libidinal. a mente e a cultura. esses domínios público e privado. que alterna ecleticamente as diversas escolas psicanalíticas.

o pedido por uma história total tem sido. Ao contr rio. "os quatro lados da bússola do estudioso. 3. psicologia. que sintetizasse as descobertas circunscritas de estudiosos a partir de muitas monografias e muitos arquivos. raiva narcisista. pelo menos. por v rios séculos. psicologia apenas uma seção em quatro. sociologia. Em um aspecto. quatro perspectivas que examinam um único campo da experiência passada. assim ele conclui suas observações program ticas. E.. história". embora as conexões estejam longe de ser suaves e a tarefa seja "penosa". em última an lise. em todos os aspectos de seu meio e em todas as suas precondições que recuam até as brumas de tempos imemoriais.. . não equivale a uma história abrangente. o ideal não pode racionalmente implícar # uma apresentação exaustivamente detalhada de cada minuto que compoe um evento ou uma epoca. não importa quão exaustivo. com grande efic cia. conflitos adolescentes.. os ingredientes de qualdo que a sua primei quer programa para apoderar-se da essência completa do passado. poi mais .. . o todo". merece ser incluído no seu rico 162 cen rio. a u ira forinulação expressa. mas o que importa é que a psicologia instrui todos os quatro aspectos da história antiga de Massachusetts que ele escolheu para examinar. "Biografia. porém de nenhuma maneira. de alguma maneira rumo a uma compreensão completa e definitiva". a experiência da história total aparece no horizonte: "Ver tudo isto a partir de lados diferentes é mover-se. para dar conta do comportamento que aparece aos contemporâneos como sendo desviante e muito perigoso. a estratégia imparcial de Demos trabalha contra ele. devotadas . A aspiração .de seus personagens. e mais relevante e que. gira essas luzes para as vítimas das bruxas e de seus perseguidores. como histeria de conversão.queles fragmentos da cultura simultaneamente únicos e típicos. sua luz.. pela força da inovação tecriológica. Uma história total da Batalha de Waterloo que registre os sentimentos. as ações e os destínos de todos os soldados (mesmo pressupondo que tal descrição fosse fisicamente possível) cairia nos absurdos típicos de um colecionador obsessivo: um cat logo. Com certeza. Pode-se argumentar que ele poderia ter encontrado uma solução formalmente mais elegante. A história total ma história total é mais antiga. Demos conscientemente retorna aos casos individuais. estas irão determiriar os contornos da sua história total e os materiais que. parece-me. Se ele crê que o mundo é movido principalmente pela mão da Providência. Demos joga sobre eles os seus holofotes psicanalíticos. projeção ou defesas correlatas contra impulsos problem ticos. são pistas atraentes e prudentes na direção de uma ambição apropriada para a história psicanalítica.. naturalmente varia de acordo com a definição que cada historiador d sobre o que ela é e sobre o que . muito menos a uma inteligível. Cada um deles captura urna parte. As duas primeiras contêm perfis psicológicos substanciais e minuciosos das bruxas. tendências exibicionistas. ao conceder .. experiência coletiva através do espaço e do tempo. ele acha que merecerão ser incluídos nela. e nas duas últimas. pelas pressões do inconsciente.." Isso. mas juntos. enquanto sua contribuição potencial para a busca do historiador pelo todo.

. Em Les paysans de Languedoc. a riqueza rara e a pobreza endêmica.. e nela a história psicanalítica tem muito a realizar. as carreiras dos literatos. o reriascimen to da erudição. seria um erro alegar que em consequen1 cia todos nós somos agora historiadoros totais Uma transferência 16-3 # nas preocupações não é o mesmo que a sua expansão. Le Roy Ladurie pretendia que a sua tese expusesse "o referencial circunscrito de um grupo hurnano" em todos os seus mundos. escreveu. Em 1966. Jacob Burckhardt achou espaço no seu retrato exemplar da It lia reriasceritista para o comportamento dos festivais. A procura por uma história total prossegue. 1 32 na "psicanálise histórica' ~ ao aludir . no célebre terceiro capítulo da sua History of England. Com certeza. "a fazer a aventura de uma história total". um historiador total esboçou . . cuja influência sobreviveu a ambos através de heranças admir veis como os trabalhos de Fernand Braudel e os da revista.. expressa uma certa impaciência com os historiadores que conti 1 nuam apegados .. dos seus colegas historiadores. os padrões de migração e as mudanças populacionais.. Em algumas p ginas inspiradas.. atencãe séria . dias de concen tração exclusiva em datas e dinastias acabaram definitivamente. as fantasias da personalidade. Mas enquanto o seu trabalho tem forcado novos materiai-. da etiqueta. da saúde pública. rebelião sangüin ria de 1580. a posição das mulheres. levemente..s fontes inconscientes da sel vageria que . de Marc Bloch..:" Um século depois dele..s vezes irrompe entre os camponeses do Languedoc após uma provocação prolongada. dos letreiros nas estala gens.. . a resignação impassível e os momentos devastadores de descontentamento explosivo. 0 grito de guerra por uma história total.s vidas dos grandes homens. uma ótima tragédia" são "um milhão de vezes mais preciosos do que todos os anais da corte e todos os relatos de campanha juntos". da genealogia e das fofocas de salão. Certamente. uma crítica da pr tica histórica oficial.. os de Marc Bloch e Lucien Febvre. 0 seu contemporâneo próximo. . ele astuciosamente coloca em funcionamento o seu cadre limité para delinear o seu relato de acordo com a série temporal. como viemos a us -lo. estava seguindo o seu 1 . Annales. Emmanuel Le Roy Ladurie deu uma ampla circulação a esse grito program tico.. o Carnaval de Romans. nstinto para a substancia lidade da vida.. na sua exploração maciça sobre o Languedoc desde o início do século XVI até o começo do século XVIII. ofereceu. em especial naquelas que ele devota . um pedido por luz e ar em uma atmosfera pedante e abafada. ao argu mentar que "uma eclusa em um canal que junta dois mares. que haviam fundado três décadas antes. Voltaire. enquanto instava os historiadores a se afastarem da hagiografia. política...s superfícies brilhantes e not veis dos eventos. Le Roy Ladurie até chega a tocar. us histo riadores sociais que dominaram a profissão por bem mais de um quarto de século demonstraram forcosamente que o-. Sua trilha havia sido suavizada por dois poderosos exemplos. das atitudes em relação aos pobres. uma pintura de Poussin. Ele "arriscou-se". Ao guiar-se pela esplêndida Société Modale. Le Roy Ladurie não partilhava o desprezo dos seus colegas por Phistoire événementielle: a estrutura não exclui o desenvolvimento. uma pesquisa empolgante a respeito dos h bitos culin rios e de viagem dos ingleses em 1685.. Thomas Babington Macaulay.de dois séculos. diplomacia e . pelo menos naqueles dias. sem esquecer o clima prevalecente e as principais colheitas regionais. a an lise é compatível com a narrativa.

. que pediu ao historiador que explore "as necessidades secretas do coração". sé. os pais intelectuais de Le Roy Ladurie teriam achado que ele era a realização de seus desejos mais caros.uma ampla rede.. história freudiana. Afinal de contas.. chamado . em uma história absorvente sobre os estilos mentais. Lucien Febvre. em La société léodale.. de piedade. dada a sua reputação. Febvre queria que a sua profissão se banhasse no passado. Negligenciar o ego eni favor do id é semelhante a negligenciar a burguesia pelo proletariado. revelaram-se. embora turbulentas e fortificantes." De acordo com o seu convite. Mais tarde. Lamentava o fracasso de sua profissão em escrever histórias de amor e morte. Emotivo. para que desprezassem especialidades históricas paroquiais que. Se tivessem vivido para ler o seu livro. eles não chegaram l . muito . Uma das conseqüências mais infelizes do reducionismo que segue os passos de muitíssimos psico-historiadores é a de ter obscurecido a promessa inerente .. Marc Bloch j se havia aventurado em domínios da experiência estreitamente an logos: em Les rois thauniaturges. Pois eles têm. a nossa profissão nunca ser a mesma." Esse é o ponto onde a história psicanalítica pode entrar para expandir a nossa definição de história total decisivamente ao incluir o inconsciente. Afinal de contas. sempre um lutador autoconsciente por uma nova história. cabeceira do passado apenas quando todos os outros diagnósticos revelaram sua incapacidade em extrair um sentido do quadro clínico. Mesmo historiadores relutantes em reconhecer o valor da psicanálise como uma .. escola dos Annales que fundaram: após as suas expedições ousadas. Nem se tem avançado a causa da história psicanalítica. H aqueles que vêem o historiador freudiano como um especialista a que se recorre em último caso.. em suma. j citei Marc Bloch. deixou para tr s os medievalistas a respeito das convenções políticas e legais ao reconstruir o mundo feudal em seus ensaios concisos acerca do seu sistema. apenas alterado os horizontes da profissão sem ampli -los de forma apreci vel. e o incessante tr fico entre a mente e o mundo. muito distante de ser promissor para uma monografia (presumiase que os reis ingleses e franceses tinham o poder de curar escrófula ao tocarem o enfermo). maneira dos novos historiadores sociais. no território legítimo de pesquisa do historiador. Ainda assim. não serem tão profundas quanto os seguidores intrépidos de Febvre haviam suposto. essa síntese insuper vel. o parceiro polêmico neste par harmonioso de historiadores criativos. Entrementes. quando se fornece um alívio emergencial em momentos de perplexidade. de parentesco. mais de um historiador poderia mergulhar aí. mas definiu-as como necessidades alojadas na "consciência humana". e extraiu uma informação rica e ínsuspeitada a partir dos h bitos lingüísticos e dos nomes de lugares.. in# timidava os seus colegas com uma persistência admir vel. o seu sentido peculiar sobre a história 164 e o tempo. o seu folclore como foi preservado na poesia épica. impediam a compreensão da experiência do passado. crueldade e alegria. 0 historiador da historiografia deve registrar a sua gratidão em relação a Bloch e Febvre e . melodram tico. o que um historiador saúda como uma realização admir vel da história total outro pode qualificar de um exercício em prudência comparada. Mas as guas. havia transformado um tema especializado em mitologia me dica. tudo dito. 'segundo ele.

a diplomacia. ele tem credenciais para aspirar a coisas maiores do que a de sua posição apropriada de especialista.assim como com a maior parte de seus métodos. é uma série de compromissos nos quais as pulsões irrecalc veis. A vida. deixaram de lado a oportunidade única. Qualquer tentativa de assimil -la. não proponho que se desconte ou de qualquer maneira se minimize a qualidade radical da forma de pensar psicanalítica com a sua perspectiva única e subversiva. os estratagemas defensivos. Ao contr rio. como o historiador estuda seja no indivíduo ou em grupo. Mas enquanto o historiador que foi aprender com Freud poderia grosseiramente recusar assistência em adequar o que os seus colegas pensaram como algo confuso e impenetr vel. das inovações tecnológicas. de caminharem em direçao a uma psicologia geral. têm sido menos culpados de arrogância do que de modéstia imerecida. a estatística. Nunca é demais reiterar que a psicanálise não oferece um livro de receitas mas um estilo de ver o passado.disciplina auxiliar encontraram. sem problemas. intelectual . desfazer as barreiras de desconfianca e de ignorância auto-impostas que têm impedido o historiador e se sentir. A história é mais do que um monólogo o inconsciente. A psicanálise deveria instruir outras ciências auxiliares. deveria enriquecer. mais do que uma dança de sintomas. por converterem seus sujeitos em espécimes neuróticos. # . Inevitavelmente ir provocar conflitos apenas com historiadores que abertamente desconfiam dos discernimentos freudianos ou que se comprometem com psicologias comportamentais. ou das lutas de classe não precisa deixar de lado a ação dessas influências objetivas pelo argumento duvidoso de que são fen"menos triviais e superficiais. usos para ela quando falliaram em 16i # descobrir causas racionais para situações de pânico ou de motim. mas.. Os psico-historiadores têm sido criticados com justiça por saltarem diretamente para as conclusões. 0 historiador que persiste em cri fatizar o impacto causal dos motivos econ"micos.. Tampouco é preciso ser reducionista. a questão é facilitar o trânsito entre eles. Mergulhar em Freud não obriga os historiadores a verem somente a criança no homem. todos desempenham um papel de lideranca sem serem exclusivos. dada pelo trabalho freudiano. so pocieria comprometer as contribuições características que cada um tem para oferecer. para irrupções de preconceitos ou comportamentos autodestrutivos. econ"mico. outras técnicas. paradoxalmente. podem também observar o homem desenvolver-se a partir da criança. em eventos singulares ou em longas extensoes de tempo. os sinais indicativos de ansiedade. Pois a maior ambição da teoria psicanalítica é ser uma orientação e não uma especialidade. É por isso que a história fretidiana é compatível com todos os generos tradicionais: militar. a reconstrução familiar." Precisamente por ligarem-se . de misturar o mundo psicanalítico com 166 o nistorico. a paleografia. as perseguições do superego. pior ainda. Ao dizer tudo isto. psicopatologia. ou.

Incluo também o dos seus sucessores . Tanto a história como a psicanálise são ciências da memória. onde se tem pouca certeza. sem garantias. Eles têm exce--lentes razoes para suspeitar que abraçar as idéias psicanalíticas é mergulhar em um mundo estranho. 7.senão confort vel.'6 Nessa tarefa assustadora. um pouco diferentes dela. A história e a psicanálise parecem. analogias entre a psicanálise e outras disciplinas.-4 the % 0. destinadas a colaborar em uma pesquisa fraternal pela verdade no passado. '~%. Ainda assim. ir forç -los a abandonar convicções estimadas e a revisar as suas conclusões preferidas.. não é identidade. ~ :. Os riscos são imensos. a esquecer.% o 1 % 'Ç. de forma dr stica.. Notas Pref cio o -fernoso por virtualmente afogar W o . a psican lise pode prestar uma ajuda monumental. ]C 0 . É um mundo de ambivalências. da totalidade da experiência humana. assim. "coleta e no m ximo corrige a memória pública". . desde o início. . onde ainda se é menos seguro e tudo é imune a uma prova conclusiva e é aberto a interpretações contraditórias. fraternidade. escrevi em 1976. Mas o que acena ao final da jornada perigosa pode revelar-se merecedor de tudo: uma apreensão. ambas procuram penetrar por tr s de confissões piedosas e evasões sutis. 0 historiador. mais sólida do que nunca. lho de Wehler sobre Freud ^torical thought ~-1 0. pois não apenas analisa o que as pessoas escolhem para recordar.~ 0 . 167 # 2. recalques e conflitos..Gostaria de assinalar enfaticamente. Nada é mais sedutor do que fazer. ambas estão profissionalmente comprometidas com o ceticismo. as promessas de recompensa incertas. o modo pelo qual fazem a história. ~P t % 1 . freqüentemente. 11 5o ' -nto-history oí. pelo menos razoavelmente seguro dentro dos domínios do analista. Ó 0 :P e. Ser persuadido por Freud necessariamente forçar os historiadores a mudarem. A ansiedade que invade os historiadores que se vêem de frente com a presença fretidiana é perfeitamente justific vel. as perspectivas de fracasso agourentas. ambas rastreiam as causas no passado. mas revela o que elas foram compelidas a distorcer. é necess rio insistir. que por "psicanálise" entendo mais do' que o conjunto de trabalhos realizados apenas por Sigmund Freud e por seus discípulos imediatos.

Fairbairn e D.inglesa. Em alguma medida. 743-4. D. e assim complicou sem alterar materialmente o campo de visão freudiano. um perjuro justificado por uma causa nobre. um pesquisador amador realizando apaixonadamente um trabalho detetivesco sobre Freud e o seu mundo.. "The cradle of neurosis". Malcolm combinou # uma introdução lúcida e informal sobre a teoria e a técnica psicanalítica com um perfil penetrante. ambas admiradoras desapontadas com Freud: primeira. que diverge de algumas das formulações freudiarias. um caminho próprio e tendo experiências clínicas não disponíveis para Freud. "em se dar crédito . como Heinz Hartmann. "The Freudian way of knowledge". Mas ao se concentrar sobre as relações pré-edipianas da criança com o seu mundo íntimo. conclui Cioffi em sua resenha. W. sobre Masson e Swales. Frank Cioffi. relate. certamente fazem parte do seu campo. do contingente antifreudiano. particularmente com a sua mãe. "H uma relutância compreensível". n. a de Jeffrey Moussaieff Masson. que est longe de ser antip tico. R. A escola inglesa das relações objetais. e seu encontro com Kurt Eissler. Enfatizo isso aqui porque alguém poderia enganar-se devido ao título do meu livro e ao enfoque necess rio sobre as idéias freudianas durante todo o texto. o alvoroço dos meados da década de 80 é "culpa" de alguns ensaios brilhantes de Janet Malcolm em The Neu~ Yorker. The assault on truth: Freud's supression of the seduction theory (1984). ampliou a an lise das relações objetais. 0 tratamento de Malcolrn da psicanálise e das suas espetaculares vicissitudes é tão genial quanto informativo. 1984). Não tenho nenhuma intenção de excluir uma historiadora psicanalítica como Judith Hue es. a psicanálise não é uma coleção fixa de doutrinas. no segundo. op..que.Freud. The new criterion (jun. por um período breve e tumultuado. extensão do oportunismo freudiano. procura da verdade'. Frederick Crews. cit. portanto ser necess rio que passe algum tempo para que paremos de ouvir 'Freud. mas despertou a matilha. 7-25. mas uma disciplina que evolui em pesquisa e em teorização.. embora tomando. OU um btõ-2-rarõ -RUe-in COMO Phyllis Gmsskurth. e especialmente Jeffrey Moussaief Masson.Ver Malcolm. e In the Freud arcídves [ 19841 ). mais notoriamente W. Winnicoti. No primeiro. nunca pensaram que esti vessem fazendo outra coisa além de elaborarem aquelas idéias sobre a estrutura mental que Freud começara a explorar no início dos anos 20. pouco adormecida. diretor de projetos do Freud Archives. o infatig vel investigador . In the Freud archives. sobre a política no New York Psychoanalytic Institute. a de Peter Swales. que se apóia fortemente na escola. Ernest Kris e Rudolph Loewenstein. em alguns aspectos. Certamente. Especialmente Fairbairn.. 3.) Os que não acreditam nem na integridade frendiana nem na nobreza de . a segunda. The Times Literary Supplement. os psicanalistas do ego. Sua auto-avaliação parece-me ser essencialmente correta. representam um caso menos nítido. o guardião dos papéis de Freud. tornou um amplo público 169 # familiarizado com duas personalidades extravagantes. mais tarde transformados em livros (Psychoanalysis: The impossible profession E 19811. (Embora alguns de seus mais sofisticados admiradores j estejam preparando um'abrigo mais ade quado e alternativo . Deixando de lado os princípios sobre os qüuais não é pos=ve transigi-r..1 4240 (6-7-1984).

185. Historian's fallacies: Toward a logical of historical thought (1970)."Mrs. 7. 5. 1. "Rhetoric and politics".(p. 1 (1978)."History's reckless psychologizing". Mary Baker Eddy. The history primer (1971). Shrinking history: On Freud and the failure of psychohistory (1980). Erik Erikson. Psychoanalytic sociology: An essay on the interpretation of historical data and the phenomena of collective behavior (1973). 17.Elton. 156. 1954 (org. Embora seja famoso por virtualmente afogar os seus leitores com notas de rodapé.Fred Weinstein e Gerald M. Clio and the doctors: Psycho-history. É como tornar seguro o que é inseguro e penetrar nos segredos do coração humano. 9. 48. Elton. lnnsbrucker Historische Studien. 1961). 676. 24.). The practice of history (1967). ver bibliografia. Jr.sua causa podem consolar-se pela futilidade de curta duração de suas tenta tivas de colocar as coisas em ordem a partir de uma reflexão do próprio Mestre: 'A voz da razão é suave mas é insistente. ver também seu "Zum Verhãitnis von # Geschichtswissenschaft und Psychoanalyse". 2. utilizou de urna met fora admiravelmente semelhante."Rhetoric and politics in the French Revolution". Podemos julgar a profundidade do comprometimento afetivo de Lynn pela sua met fora desagrad vel e pelo ataque intempestivo . LXVI. "Geschichtswissenschaft und 'Psychohistorie"'. Peter Putnam. Carr. 48. 189. 283-304." Paris and its provinces. 8. 5. pp 193-4. 25. o trabalho de Wehler sobre Freud é bastante discutível. Richard Cobb. Barzun.. um pouco revisado no Geschichte als Historische Sozial wissenschaft (1973).William L. What is history? (1961). trad. 85-123. 529-54. "Deve existir uma grande parte de adivinhação na história social. 6. 64. Capítulo 1 1. Practice of history. The Chronicle of Higher Education (16-1-1978). 2 . Young Man Luther: A study in psychoanalysis and history (1958). Eddy through a distorted lense". 81. no Christian Science Monitor (2-7-1980). Hexter. "History's reckless psychologizing. quanto-history & history (1974). um historiador um tanto diferente. American Historical Review. Platt. American Historical Review.Bloch. Langer. LXIII. 1792-1802 (1975). 744). de Stannard. Stannard. 151. Curiosamente. 117. Para mais detalhes a respeitc.Fischer. 4. The Chronicie of Higher Education (16-1-1978). CCV11 (1969). resenha de Julius Silberger. 170 Wehler. The historian's craft (1949. 1958). 674-5. 3 (abr. Lynn. 11. 3. 2 (jan. "Ihe next assignment". 213. 1964). 10. Historische Zeitschrift.

manejado com seriedade e cuidado. 16. afasta-nos de especulações obscuras e abstratas para o centro da dinâmica psicológica. para especulações abstratas. Comunicação pessoal. Hexter [19801. ao negar que o seu artigo sensivel e inclusivo sobre "Anxiety and formation of early modern culture" (em Barbara C. 88. William J. Practice of history.. chama-o "de um livro interegante. 215-46).). acrescenta que "Freud é agora em geral parte da nossa cultura comum . certa mente. Cobb. The critical historian (1967). Malament (org. que tinha. H. After the Reformation: Essays in honor of. após vinte anos de trabalho intenso na obra . Ver também. descido por volta dos meados da década de 60 a manipulações "irrespons veis" do "jargão psicológico". Minha tese. e mais uma vez.Thomas. de The Virgin of Chartres: An intellectual and psychological hisiory of the work of Henry Adams. em The making and breaking of affectional bonds (1979). de acordo com Lynn. J. comunicação pessoal. que a sua presença no fundo do meu pensamento foi impor tante". 2.Trumbach. "Effects on behaviour of disruption of an affectional . provocante e legível". uma cunhagem viva e esclarecedora que Hofstadter desde o início cercou com as mais elaboradas precauções.. qual consagrou a sua vida: "0 ponto-chave de minha tese é o de que h uma relação causal forte entre as experiências de um indivíduo com os seus pais e a sua capacidade posterior para contrair laços afetivos". resenha de Joseph F. XV. 493.. Attachment and loss (da qual Attachment é o primeiro).Bowlby afirma-o extensamente durante a série de quatro volumes. Isso. em relação a esse "ponto-chave". 1241. e de Charles K. The rise of the egalitarian family: Aristocratic kinship and domestic relations in eighteenth-century England (1978)."From the Facts to the Feelings". 9-10. 135. Hofling. # Assim Alan Macfariane. Elton. 1982). 30-4-1984.isto contra um dos estilistas mais perceptivos e sensíveis do ofício histórico. 81.. Custer and the Little Big Horn: A psychobiographical inquiry. 31-3-1984. mas imagina se o fato de Demos "falar de afetos e defesas.que ele lança numa mesma e única p gina de diatribe contra o historiador americano Richard Hofstadter.txt148148148 --ma ---aului-uuN e ue seus contextos. Byrnes. é a oposta: projeção e defesa. tenha sido influenciado diretamente pela psicanálise. . e o resto do arsenal freudiano. ao resenhar Entertaíning Satan em The Times Literary Supplement (13-5-1983). 21. 58. 17. "The making and breaking of affectional bonds" (1976-77).a ed. Reactions to the French Revolution (1972). em The Times Lilerary Supplement (23-10-1981). Kitson Clark. no mesmo volume. 6. 18. embora se aventurasse a esperar que Hofstadter final mente iria livrar-se de todos esses absurdos . 15. Attachment (1969. de analidade e oralidade. obscuras e em última an lise insatisfatória". não fez mais do que "empanar as reputações de certos grupos de americanos de que ele desconfiava ou que temia". 0 historiador americano da Renascença. G. Bowlby. 0 que despertou particular mente o desprazer de Lynn foi a aplicação por parte de Hofstadter do termo "estilo paranóico" para descrever as convicções e a retórica de alguns homens irados da política americana. de narcisismo e projeção realmente ÑZfreud3. Bouwsma. 12. de acordo com Lynn..

Das Ich und das Es (1923). Das Unbehagen in der Kultur (1930). 216-7. 14). Thret essays on the theory of sexuaíity.. XVII. ed. 15. com o seu aparente lapso casual...Stone.Ver meu ensaio "Freud and freedom". Alexander Mitscherlich et alii (1969-1975). XIX. resenhado por Stone em The past and the present (1.)... 159n. John Bowlby disse: "Talvez nenhum outro campo do pensamento contemporâneo mostre mais claramente a influência do trabalho freudiano do que o da educação infantil. não o tratou como sin"nimo de "inconsciente". ed stand. "Psychoanalysis and Child Care" (1958). 21. VIII. "Die Verdrdrigung" (1915). 76. ed. XII. Ibidem. est.. 26. sex and marriage in England.. "From lhe history of an infantíle neurosis".Freud. 572-99. Ver adiante. ed. "Instincts and their vicissitudes". Erg. est. "The dynamics of transference" [Standard edition of the complete psychological works of Sigmund Freud]. Embora tenha sempre existido aqueles que saibam que a criança é o pai do adulto e que o amor materno d algo indispens vel para a criança em crescimento. est. Quando um historiador comenta as idéias freudianas sobre "subconsciente". stand. XXI. geralmente revela. 72. 172 24. Como outros historiadores. p. nos quais o próprio termo aparece apenas no início e com extrema raridade. The family. 210-1. ed.. 150. Lowe também usa os termos "inconsciente" e "subcons ciente" alternadamente (p. 20..bond" (1967-1968). tr."Children and the family" (196). 23. "Aus der Geschichte einer infantilen Neurose" (1918). e org. Making and breaking of affetional bonds. 111. 27.. # Ibidem. 1500-1800 (1977). cap. James Strachey et alii. XIV. 1. ed.'25. 25. 197. ed. 34. 15-6.Donald M. 94. .Freud.. 64. ed. 94. in Alan Ryan (org. Freud. em Bowlby. 24 v. 19. stand. antes de Freud essas verdades antigas não eram objeto de uma investigação científica% um veredicto com o qual eu concordo. Drei Abhandlugen zur Sexualtheorie (1905). est. VII. 22. IX. Lowe. XIV. stand. est. Civilization and its discontents. que falhou em aprender. stand. V. 302. 111. Ver adiante. 111. 111. 188. ed. "Zur Dynamik der Ubertragung" (1912) [Studienausgabel 11 v. "Repression". e "Separation and loss within the family" (1968-1970). History of the bourgeois perception (1982). 5.~nzungsband.. 115. (1953 1975). ou mesmo em olhar de relance para os escritos psicanalíticos. 99n. 28. 52-3. ed. Numa confer6ncia que festejava o centen rio do nascimento de Freud em 1856.981). The ego and the id. est. stand. E quando Freud usou-o.. The idea of freedom: Essays in honour of Isaiah Berlin (1979). "Triebe und Triebschicksale" (1915). ed. ed.

37. 503. 49. Ernest R.. David L. 23. 11. reeditada no original em David Shakow e David Rapaport. pp. 1964). quanto-history & history (1974). 33. ibidem. est. stand. 130n.). 28-2-1934. Sills (org. ver adiante. England in 1815 (1913. (1968). E. E ver "Le meurtre du comte de Dampierre (22-7-1791). de Lefèbvre. 5. 43. Para Silberer e P"lzl.29. Clio and the doctors: Psycho-history. Barker. 2. 30. Hilgard. Para uma discussão mais detalhada. in John M.Dodds. "Foules révolutionnaires" (1934). XIII. 32. Education of the senses (1984). 102n.Barzun.Lefèbvre. e qualquer tentativa de selecionar choca-se com uma oposição feroz. "Psychoanalysis: Experimental studies". história. 73n. The faWily life of Ralph Josselin: A seventeenth-century clergyman (1970). 140. 47.Hav6ly. ed. Consciousness and class eyperience in nineteenth-century Europe (1979).Freud.). 122n. 277. mais apropriada aos adeptos de uma seita do que aos representantes de um domínio científico ainda em vias de elaboração".. Ver bibliografia. . Responses lo industrialization 1780-1850 (1976). 173 # Capitulo 2 . Notar novamente o ubiquo "subconsciente". 6. History and psychoanalysis: An inquiry into the possibilities and limits of psycho-hístory (1975. Traumdeutung (1900). Merriman (org. 483. trad. ed. Woodrow Wilson and colonel House: A personality study (1965. A. 193-4.George e George.0 historiador Saul Friedilinder. 187-203. Peasants into frenchmen: The modernization of rural France # 1870-1914 (1976). 1. 129n."Freud para Rosenzweig". pp. 35.Weber. Susan Suleiman. 49n. 17 v. observou que "a grande maioria dos psicanalistas independente da 'escola' a que pertençam . International encyclopedia of the social sciences. 34. 1. 31. Thomis. ver adiante. V. in Lefèbvre. The influence of Freud on american psychology (1964). 153-7. 1949). 36. Olsen. 198. ed. trad. simpatizante da aplicabilidade da psican lise . 6.. 65. IV. Ver comentdrios detalhados. 288-97.Ver Peter Gay. "On the bourgeoisie: A psychological interpretation". 183n. Études sur la Révolution Française (1954) 278-82. v. The greeks and the irrational (1951). 1978).Macfarlane. p. The growth of victorian London (1976).consideram sua interpretação do pensamento freudiano como um conjunto inatac vel e monolítico. 39. The interpre tation of dreams. 3. e The bourgeois experience: Victoria to Freud. Watkin e D.. ibidem.

ver Fred Weinstein . History as art and as science: Twin vistas an the past (1964). observou o eminente psicanalista Mark Kanzer em 1990. uma vez que senha pensado em suas implicações. psycho logícal íssues.6. est. 165. obedecendo ao princípio da sobredeterminação. est de acordo com a forma do historiador profissional de dominar as suas disciplinas auxiliares e. ed. 210-28.Sobre o complexo de Édipo. 429. reeditado em On the early development of mind (1956). cap. 8. Hughes. 12. 42-67. 507. e David Rapaport. Experienciar a situação psicanalítica.. que foi o de explorar. "Conclusion" em Mark Kanzer e Jules Glenn (orgs. seu material em geral.Paul Conkin e Roland N. New introductory lectures on psycho-analysis. do historiador das viagens de Colombo que atravessa as mesmas rotas. embora ainda mais difícil. é semelhante . mesmo atualmente". XXII. 69./ ed. um simples conglo merado de causas pode ter uma variedade de efeitos.. sob as mesmas condições encontradas por Colornho . pp. "Freudian theory and scientific method". A previsão desem penha um papel relativamente modesto na comprovação psicanalítica desde que. 150-1. Stromberg.). é um convite para garantir a espécie de competência que ele considera completamente sem objeções se outras disciplinas estivessem em questão. uma tentativa audaciosa e sugestiva de reduzir as leis e observações multif rías do instrumental psicanalítico a um sistema. 2. o filósofo cético inglês B. Farrell argumentou. Fact and fantasv. 170. menos exigente.Masur não tem escrúpulos em chamar o pequeno grupo de seguidores íntimos que Freud reuniu ao seu lado de "urna espécie de comitê central psicanalítico". espec. 1. Freud and hís patients (1980). 174 i 11. "Research methods in psycho-analysis" (1952). The structure of psychoanalytic theory: A systematizing attempt. ver Mine.Ver espec. 7. Sua descrição geral das idéias freudianas est no mesmo nível. stand.. A. "History and psychoanalysis: The explanation of motive". The heritage and challenge of history (1971). Paul Kline. Neue Folge der Vorlesungen zur Einfiihrung in die Psychoanalyse (1933). Para uma perspectiva diferente. 298-317. 312. Fact and fantasy in freudian theory (1972. ver adiante. De fato. inovar e tomar decisões próprias sem se deixar intimidar nem pela tradição nem.. que os estudos em defesa perceptual não são de nenhuma maneira sobre o recalque."Não é incomum. 9. a proposta de uHghes.a ed. "descobrir unia veneração que corrompe o verdadeiro legado freudiano. 390-405. por exemplo. Provavelmente a autocrítica mais severa dessa atitude dentro do ofício psicanalítico que encontrei é a de Edward Glover. na mesma direção.semelhante. 1981). 13.. 85-9. pelas opiniões anteriores". Prophets of yesterday: Studies in european culture.Freud. Monograph 6 (1960). 1. espec. neste sentido.No seu The standing of psychoanalytic theory (1981). para uma réplica. com a sua relação carregada entre analista e anali sando e a sua pressão por urna regressão. Ver adiante. # 10. 391-2. pp. 1890-1914 (1961).

enquanto um grupo de psicanalistas e de psicólogos de orientação analítica respeitados tem pedido insistentemente a eliminação da metapsicologia do corpus dos trabalhos freudianos aceit veis. dois dos seus colegas mais velhos. "Six Narnes in Search 175 # of an Interpretation: A Contribution to the Debate over Sigmund Freud's Jewishness". espec. Barzun.Para esse ponto. 1919-1939: The last phase (1957). em Klein. 176 20. Freud. "Philosophy of science: A personal report". que. Lill (1982). Psychoanalytic theor .e Gerald M. 48n. 16. first series [19531. # 18. a despeito da sua alta insistência sobre a dependência de Freud em relação a Fliess (talvez por causa dela) achei pouco convincente. 33. 14. est.s instituições psicana líticas permanece forte. 87. Ver Peter Gay. Ernest Jones. v: An exploration of essentials [19751.. 17. . 4171. 29-92. jews and others germans: Masters and victims in modernist culture (1978). em Collecied papers of Otto Fenichei. Hebrew Union College Annual. ed. 11-1-1927. A. Patze. 295-307. 1971]. 13n. SuIloway. 131. 22. cuja autoridade junto . XL [abril. tais como "Two Theories or One?" [19701. ver Peter Gay. Otto Fenichel. levantou sérias questões a respeito da teoria dualista freudiana dos instintos ("A critique of lhe death instinct" [19531. The Psvehoanalytic Quartel . em C. IV. Platt. v . e a outro o de Martin devido a Jean-Martin Charcot.Freud para Bonaparte.. 15. 19. bOlogisi of the mind: Beyond the psychoanalytíc legend (1979).Freud. e aqueles reunidos por Merton M.. (Assinado em especial alguns dos artigos de George S. 0 eminente psicanalista Leo Stone tem questionado a categoria de "agressão" enquanto unia idéia unit ria ("Reflections on the Psychoanalytie Concept of Aggression". que ele mais admirava. Karl R. "Sigmund Freud: A german and his discontents". Psychology versus metapsNlçhology [19761). stand. 21'Stannard. Ueber Bordelle und die Sittenverderimiss unserer Zeit (1845). Shrinking history: On Freud and the failure of psycho-historv (1970). VIII. In. Popper.. 82-8. 9n. Psychoanalytic sociology: An essay on the interpretation of historical data and the phenomena of coilective behavior (1973). em Freud. Holzman em memória de Klein. Clio and the doctors. 195-244). The life and work of Sigmund Freud. 363-72). ed. anteriormente. Der Witz und seine Beziehung zum Unbewussten (1905). Jokes and lheir relation to the unçonscious. Klein.Freud deu a um de seus filhos o nome de Ernst por causa de Ernst Briicke. Gil] e Philip S.A mais recente discussão sobre os débitos freudianos é a de Frank J.

Mace (org.), British philosophy in mid-century (1957), 156-8, confer6ncia
de 1953, tamb6m reeditada em Conjectures and refulations: The growth
of scientific knowledge (1963; 2.a ed. 1965), 33-65; Sidney Hook, "Science
and mythology in psychoanalysis", in Hook (org.), Psychoanalysis, scientifc
method and philosophy: A symposium (1959). 214-5, 223. Popper nunca
alterou a sua posição. "Nenhum tipo de descrição", escreveu ele mais
recentemente, "de qualquer comportamento logicamente possível pode ser
dada que se revele incompatível com as teorias psicanalíticas de Freud.
Adler ou Jung". Objective knowledge., An evolutionary approach (1972).
36n. 0 seguidor mais enf tico de Popper nessa questão (fora David
Stannard) 6 Sir Peter Medawar, que tem zombado muito das asserg6es
freudianas; ver o seu The art of the soluble (1967), 14-5, 62-4. e Induction
and intuition in scientific thought (1969). 6-7, 49-50,
A questão é complicada; isso é testemunhado pelo coment rio competente
de Ernst Nagel, filósofo da ciência, dificilmente um partid rio da psican lise:
"Dr. Medawar aparentemente endossa a alegação popperiana de
que enquanto nenhuma teoria científica pode ser verifícada de forma
conclusiva, as teorias são definitivamente refut veis. Sem dúvida, h uma
assimetria formal entre os enunciados universais que verificam e os que
refutam. Mas é ir além do ponto sustentar que as teorias são portanto
conclusivamente false veis. Pois enquanto uma simples instância que entra
em contradição com uma teoria a refuta, se um fato aparentemente
recalcitrante é realmente incompatível com a teoria só pode ser decidido
#

... luz de v rios pressupostos aceitos como sólidos (de qualquer modo no
contexto de uma dada investigação)". "What is true and false in seience".
Encounter, XXIX (set. 1967), 70. Para uma refutação esclarecedora da
visão popperiana no contexto da argumentação psicanalítica. ver Clark
Glymour, "Freud, Kepler, and the clinical evidence" (1974), in Richard
Wollheirn e James Hopkins (orgs.), Philosophical essays on Freud (1982),
12-31, e B. R. Cosin, C. F. Freeman e N. H. Freeman, "Critical empiricism
criticized: The case of Freud", ibidem, 32-59.
24.Sherrill, "How Reagan got that way", resenha de Dallek, Ronald Reagan:
The politics of symbolism (1984), The Atlantic' CCLIII, 3 (mar.
1984). 130.
25.Freud, "Konstruktion in der Analyse" (1937), ed. est., Erginzungsband,
395, "Constructions in analysis", ed. stand., XXIII, 257; "Die Verneinung"
(1925), ed. est., 111, 373, "Negation", ed. stand., XIX, 235.
26.Freud, "Verneinung", ed. est., Ergiinvingsband, 395; "Negation", ed.
stand.,
XIX, 235.
27.0 artigo cl ssico desse tipo, que ainda merece ser lido, é o de Karl
Abraham, "Uber eine besondere Form des neurotischen Widerstand gegen
die psychoanalytische Methodik (1919), Abraham, Gesammelle Schriften
in zwei Bünden, Joharmes Cremerius (org.), (1971; ed. 1982), 1, 276-83.
28.Ver espec. Marshall Edelson, "Is testing psychoanalytic hypotheses in the
psychoanalytic situation really impossible?" PSC, XXXVIII (1983), 61-109,
29."Uber 'wilde' Psychoanalyse" (1910), ed. est., Ergãnzungsband, 140; "'Wild'
psycho-analysis', ed. stand., XI, 226. Esse pequeno artigo é altamente

recomendado como um remédio contra diagnósticos irrespons veis e apres sados.
Ver também Freud, "Konstruktion", ed. est., Erg nzungsband, 400;
"Constructions", ed. stand., XXIII, 262.
30.As passagens mais reveladoras estAo em, Freud e Breuer, Studies on hysteria
(1895), ed. stand., 61, 63, 129, 138, 172, e Freud, "The neuro-psychoses
of defense" (1894), ed. stand., 111, 52-3.
31.Freud, "Charakter und Analerotik" (1908), ed. est., VII, 25, 26, 30.,
"Character and anal erotism", ed. stand., IX, 169, 170, 175.
32.Freud, "Aus der Geschichte einer infantilen Neurose ("Der Wolfsmann")"
(1918), ed. est., Vill, 188; "From the history of an infantile neurosis",
ed. stand., XVII, 72. Os grifos sdo meus.
33.Freud, "BruchstUck einer Hysterie-Analyse" (1905), ed. est.. VI, 128,
"Fragment of an analysis of a case of hysteria", ed. stand. VII, 54;
"Hemmung, Symptoms und Angst" (1926), ed. est., VI, 247, "Inhibitions,
symptoms, and anxiety", ed. stand. XX, 102. Sobre a questdo da causagao
#

m(illipla ern hist6ria e sua anfilise, ver Peter Gay, Art and act: On causation
in history - Manet, Gropius, Mondrian (1976).
34.Algumas dessas causas e significados são sociais: não estou argumentando
que os motivos e atos individuais sozinhos determinem o curso da historia,
ou que os conflitos em que o historiador est especialmente interessado
#

sejam precisamente os conflitos que o psicanalista encontra diariamente.
Sobre o significado social das proposições freudianas, ver adiante, cap. 5.
35.Freud,"Bruchstück einer Hysterie-Analyse" (1905), ed. est., VI, 129:
"Fragment of an analysis of a case of hysteria", ed. stand., VII, 55.
Capítulo 3
1.William James nara Theodore Flournoy, 28-9-1909, Henry James (org.),
The letters of William James, 2 v. (1920), 11, 327-8.
2.Henry F. Ellenberger, The discovery of the unconscious: The history and
evolution of dynamic psychiatry (1970), 464-5; Hans-Ulrich Wehler,
"Geschichtswissenschaft und 'Psychohistorie"', Innsbrucker Hístorische
Studien, 1 (1978), 201-13; David Hackett Fischer, Historians' fallacies:
Toward a logic of historical thought. (1970), 189; Lawrence Stone, The
family, sex and marriage in England 1500-1800 (1977),'15-6. Na pol6mica
história do seu rnovimento, numa passagem sarc stica, Freud confrontou
a si mesmo com esta asserção: "Todos nós ouvimos falar a respeito da
tentativa interessante de explicar o aparecimento da psicanálise a partir
do ambiente vienense. Janet, tão recentemente quanto 1913, não teve
escrúpulos em us -la, embora certamente ele se orgulhe de ser parísiense,
e Paris dificilmente Pode alegar que seja uma cidade com uma moral
mais severa do que a de Viena. De acordo com o seu apperçu, a psicanálise,
especialmente na sua asserção de que as neuroses decorrem de perturbações
na vida sexual, só poderia ter surgido numa cidade como Viena, numa
atmosfera de sensualidade e imoralidade estranha a outras cidades, e que
simplesmente representa o reflexo, por assim dizer, a projeção em uma

teoria, dessas condições específicas de Viena. Ora, não sou mesmo bairrista,
mas essa teoria sempre me pareceu excepcionalmente absurda, tão absurda
que algumas vezes inclinei-me a supor que a reprovação de ser vienense
é apenas um eufemismo que substitui outro, daquele tipo que não se
gosta de tornar público. Se as premissas fossem as opostas, então talvez
valesse a pena ouvi-Iaõ ... Os vienenses não são nem mais abstinentes
nem mais neuróticos do que outros que vivem em cidades grandes, As
relações sexuais são um pouco menos embaraçosas, o recato é menos
acentuado do que nas cidades do Oeste e do Norte, que se orgulham de
sua castidade'!. "Zur Geschichte der psychoanalytischen Bewegung" (1914),
Gesammelte Werke, X, 80-1; "On the history of the psycho-analytic
movernertC, ed. stand., XIV, 39-40.
3.Peter Gay, "Sigmund Freud: A german and his discontentC, Freud, jews
and others germans: Master and viclims in modernist culture (1978), 29.
Mesmo se as provas freudianas tivessem sido retiradas de uma antostragem
tão pequena como a que seus detratores gostam de afirmar, a verdade de
suas alegações permaneceria incólume, embora certamente fosse menos
plausível. De fato, como ocorre, a variedade de seus casos é impressionante.
178
#

A impossibilidade de estabelecer um completo recenseamento dos casos
freudíanos é, certamente, devida ...s restrições de acesso aos arquivos
encontradas pelos pesquisadores.
4.Lucien Febyre, Life in Renaissance France, org. e trad. Marian Rothstein
(1977), 2.
5.Friedrich Meinecke, Die Entstehung des Historismus, 2 Y. numerados
continuamente (1936), 2-3, 203-3, 4.
6.

Peter Gay, Style in history (1974), cap. 2.

7.Ver Peter Gay, The enlightenment: An interpretation, v. 11, The science
of freedom (1969), 380-5.
8.

Geoffrey Strickland, Stendhal: The education of a novelist (1974), 28.

9.Eliot, "Fradition and the individual talent" (1919), Selected essays
(1932), 14.
10.

Goethe, Faust, Der Tragidie Zweiler Teil, ato 11, linhas 7740-3.

Il.Freud, "Dits Unbewusstc" (1915), ed. est., 111, 149, -rhe Unconscious",
ed. stand., XIV, 190; Das Ich und das Es (1923), ed. est., 111, 302,
The ego and the id, ed. stand., XIX, 35. Para mais informaç"es a respeito
do desenvolvimento, ver adiante, pp. 129-34.
12.Freud, Neue Folge der Yorlesungen zur Einfiihrung in die Psychoanalyse
(1933), ed est., 1, 529; New introductory lectures on psycho-analysis, ed.
stand., XXII, 95.
13.---Temosde tornar claro para nós mesmos que todo ser humano adquiriu
uma forma específica, própria [eine bestimmie Eigenart], de conduzir a
sua vida erótica a partir do trabalho combinado de disposições inalas
e influências sofridas durante os primeiros anos da infância". "Zur Dynamik

der Obertragung" (1912), ed est., Ergiinzunsband, 159 (ver a longa nota
de rc9ap6 na mesma pfigina); "The dynamics of transference", ed. stand.,
XH, 99 (e 99n).
14.Freud, "Triebe und Triebschicksale" (1915), ed. est. 111, 86; "Instincts
and their vicissitudes", ed. stand., XIV, 122.
15.Pares, "The historian's business" (1953), in The historian's business and
others essays, R. A. e Elizabeth Humphreys (orgs.), (1961), 7.
16.Em um artigo convincente,---ne waning of the Oedipus complex" (1979),
o eminente psicanalista Hans W. Loewald argumentou que enquanto lem
ocorrido um certo "declínio no interesse ps canalítico pela fase edipiana
e pelos conflitos edipianos" em favor dos "primeiros est gios da diferen ciação
entre o self e objeto, da separação-índividuação, das origens primi#

tivas das relações objetais" uma "compreensão crescente das questões
pré-edipanas, -longe de desconsiderar as edipianas, pode, no final das contas,
ajudar a obter um discernimento maior a respeito delas". Loewald, Papers
179
#

on psycho-analysis (1980), 384-404. A passagem citada est nas paginas
386-7. Essa formulação cautelosa é congruente com a minha própria visão
(ver acima, p. 13) de que a escola das relações objetais permanece
firmemente dentro do meio freudiano.
17,Resenha de William Bullitt e Sigmund Freud, Thomas Woodrow Wilson:
A pSYchological view (1967), em The New Statesman and Nation,
12-5-1967, 653-4.
18.Ver, a respeito da passagem de Diderot, Freud, Introductory lectures on
psycho-analysis (1916-1917), ed. stand., XVI, 338; "The expert opinion in
the Halsmann Case" (1931), ed. stand., XI, 251; An outline of psycho analvsis
(1940), ed. stand., XVIII, 192.
19.Freud, Das Ich und das Es (1923), ed. est., 111, 300, The ego and the id,
ed. stand., XIX, 33.
20.Devo essa feliz formulação ao Dr. George Mahi (comunicação pessoal
em 1977).
21.Freud, Die Traumdeutung (1900), ed. est., 11, 268-9; The interpretation
of dreams, ed. stand., IV, 264.
22.Ver E. R. Dodds, "The misunderstanding of 'Oedipus complex'" (1966),
in The ancient concept of progress and other essays on greek literature
and belief (1973), 64-77.
Smith, The historian and history (1964), 130-1; Fischer, Historians'
fallacies, 192.
24.

Ver adiante, p. 13.

David Stannard deu grande importância aos artigos que parecem lançar
dúvidas sobre o complexo de Êdipo e trata de forma cética um que o

3-6. 27. Reactions to the French Revolution (1972). American Historical Revie 1: # LXXIV (jun. "Economic history. cap. 0 debate continua. Merriman (org. ligado . 15-6.defende. 1. 1933-1944 (1942. 1969). Oedipus in the Trobriands (1982) que demonstra de forma conclusiva que Malinowski leu muito erroneamente os seus materiais.Ver Freud. 180 28.. 31. . ou. passim.Beard.Cochran. 1830 in France (1975). H. Hofstadter. Beard. 2. bau Ver Peter Gay.. ed. Como os historiadores marxistas o vêem. Behemoth: The structure and practice of national socialism. ed. Essa palavra infeliz "inglesa" cathexis que tem sido usada para traduzir o termo freudiano perfeitamente comum Besetzung .Neumann. in Essays on ego psychology: Selected problems in psychoanalytic theory (1964). 35. "Repression" (1915). History of the First World War (1930. in John M. Johnson. Shrinking history: On Freud and the failure of psychohistory (1980).Hartmann. fome. The progressive historians: Turner. Spiro.Christopher H. Liddell Hart condensar as "causas fun darnentais" da Primeira Guerra Mundial "em três palavras .carga.. 177. estes os têm. ibidem'. Style in history. 1. talvez mais precisamente.Ver. Parrington (1968). 34.Assim Richard Cobb: "As pessoas não estão dispostas a confessar franca mente nem as vantagens do seu puro interesse privado". mas são interesses que eles têm. "On narcissism: An introduction" (1914). como sabemos. 29.e o seu car ter sugestivo para o historiador. os agentes mais exaltados do processo histórico dominante têm os interesses que devem ter. mas a descoberta freudiana mantém a sua autoridade .medo. An economic interpretation of the Constitution of the United States (1913). "Comments on the psychoanalytic theory of the ego" (1950). in The paranoid style in american politics and other essays (1963). 1972). "The Revolution of 1830 in french economic history".. 82. ver Richard Hofstadter.a ed. Não omite (e sente satisfação em citar) a crítica muito debatida de Bronislau Malinowski a respeito desse complexo freudiano nuclear entre os trobriandeses.). old and new". 85-93. 1944). 150. stand. 139-89.s suas relações com os meios de produção e com a sua posição na época. 30. 53. 32. 135. no capítulo 4. 1567. para os quais o interesse privado de indivíduos ou de grupos est . XIV. corno outro exemplo. "Instincts and their vicissitudes". B. 33. 26. ibidem. 134-5. e que esses mesmos materiais oferecem fortes razões para atribuir o complexo de Êdipo aos trobriandeses. Mas considerem o ensaio brilhante de Meiford E. Tratarei dessa questão adiante. 0 volume de Kehr 6 Schlachtfloiten und Parteipolitik. orgulho". "The pseudo-conservative revol~t (1954). 1894-1901 (1930).Essa confiança no interesse privado como a mais potente das fontes para a ação não se debilita mesmo entre os marxistas. 207-45.

poderia (como o psiquiatra Dr. drafts and notes: 1887-1902. pp. menos ofensiva.Ver Jeremy Bentham. 190-1). por uma teoria mais segura. 134-8. a polêmica subseqüente e uma introdução esclarecedora. The origins of psycho-analysis. criasse um certo alvo roço com o seu polêmico e sensacionalista The assault on truth: Freud's suppression of the seduction theory. Não fui o único resenhista a salientar que essa leitura da teoria psicanalítica 6 uma coleqâo de absurdos (ver Peter Gay. ele enfaticamente assinara que. 475.Letters to Wilheim Fliess. Ernst Prelinger sugeriu perfeitamente transmitido por "interesse".. espec. no início de 1984. Ver Fred Weinstein. e trad. 39. Utilitarian logic and politics (1978). 18 v. Marie Bonaparte (org. no qual denunciou Freud por ter covardemente abandonado a sua teoria correta de que as neuroses são causadas por atentados sexuais feitos pelos pais contra os filhos. trad. A perda seria mínima e o ganho significativo. sem referência . XIV.investimento . The complete letters of Sigmund Freud to Wilhelm Fliess. VII. Ver também Freud para Fliess. Mary Morris. Eric Mosbacher e James Strachey. Arma Freud (org.) et alii (1950. i ne psvcnoianaiyítc ineory ai neurosis (1945). org. stand. Gesammelte Werke. 17.. para mencionar apenas um lugar entre os v rios presentes nos seus escritos. J havia feito um rascunho do presente capítulo muito antes que Jeffrey Moussaieff Masson. 61. Freud. 1887 1904. especialmente para meninas (ed.). 5-2-1984). nunca abandonou a idéia de uma sedução pelos pais: nos Three essays on sexuality. "The problem of subjecti vity in sociology" (artigo inédito. Tilly define "interesse" concisamente. n. certamente. Ver adiante. 215-8. 96-7. Intyoduction to the principles of morals and legisla tion (1789).O XCVII (mar.. 21-9-1897. ela per maneceu uma ameaça muito real. por Masson (1985) apareceu quando eu estava lendo as provas do presente livro. ver a devastadora resenha de Macaulay. 0 capitulo perfunct"rio de Georges Duby sobre "Histoire des mentalités" . 2-5. Capítulo 4 1. de que esses relatos eram fantasias. 1980). pp.. para mais a respeito de defesa. e Elie Hal6vy. reimpressa oportunamente em Jack Lively e John Rees (orgs. 55. me) ser 36. "Jarnes Mill's essay on govern ment: Utilitarian logic and politics". The growth of philosophic radicalism (1901 1904. stand. trad. 1829). 181 # ia -~umunci.) et alii. 1954). From mobilizalion to revolution (1978). The Philadelphia Inquier.Para uma exploração fascinante sobre as confusões inerentes a essa idéia. como "as vanta gens partilhadas ou desvantagens propensas a acumularem-se na população em questão como uma conseqüência de v rias interações possíveis com outras populações" (54).7ur Geschichte der psychoanalytischen Bewegung". que também inclui o ensaio original de Mill. 26-30. "On the history of the psycho-analytic movement". 1928). enquanto exagerou a sua importância para a evolução da constituição sexual do indivíduo. # 37. ed.s dimensões semânticas. ver adiante.Tilly. (1940-1968). X.. Edinburgh Review.

.. de Richard Sterba. work.Freud.Georges Devereux. ed. ed. stand. mas as impressões posteriores da vida falam suficientemente alto na an lise através da boca dos pacientes. The greeks and the irrarional (1951). esi. A child is being beaten'. 148-9. XIX. o seu aspecto permanece índefinível e misterioso. New introductory lectures on psycho-analysis. 111. XI.. p. X. Time.---Ein Kind wird geschlagen' (Beitrag zur Kenntnis der Entstehung sexueller Perversionen)" (1919). "Stages in the development of the sense of reality" (1913).Freud. stand. Entre os historiadores franceses recentes. est. A res peito de projeções de primitivos em sonhos. "The fate of the ego in analytic therapy". psychoanalysis (1952) 213-39.. 11. livro que discuto em detalhes. Neue Folge der Forlesungen zur Einfiihrung in die Psychoanalyse (1933). espec. 5. ed. ed. ed."Eine Kindheiterinnerung des Leonardo da Vinci" (1910). 287.A respeito do ego observador. adiante pp.. 7.. 394-9). VII 235. 1. com justiça. Ver Freud. e Roy Schafer. est. 73. 18.. Mas também para eles.."0 inconsciente na vida mental é o infantil".mas promissoras p. ed.. nos seus ensaios em Histoire et expérience du moi [1971] sâo excepcionais. ver o artigo famoso. 201-4. . "Leonardo da Vinci and a memory of his childhood". 214. "The unconscious". est. ed.no volumoso L'histoire et ses méthodes. Interprelation of dreams.. 1... 153. ed. espec. 1 (1900).ssico Les paysans de Languedoc. R.. 165-88. 9. E. 210. stand. and culture in the Middle Ages (trad. IV. urn tomo da Encyclopédie de la Pléiade. cap. 1. e Alain Besançon espec. Charles Samaran (org. stand. é urn. em The id and the regulatory principles of mental functioning (1966). XV (1934). ed. est. 6. XXII. 937-66. Freud. (1961). 117-26. 3. Psycho-Anal.). 1980). stand.. stand.. 12. XVIL 183-4. Freud. 2 v. stand. espec. stand. First contributions to.Freud.ginas sobre sonhos de Jacques Le Goff. Introductory lectures on psycho-analysis. 10. Dodds. Mas ver também recentemente as poucas . The inierprelation of dreams. XIX. e Sandor Fe renczi. assim o médico deve aumentar a sua vx)z a favor das reivindicações da infância".""Nenhuma depreciação a respeito da influência das experiências poste riores é requerida pela ênfase [dos psicanalistas] nas mais primitivas. 159-215.. J. ed. Int. ed. Emmanuel Le Roy Ladurie (ver o seu cl. 137. IV. 511. ed. E ver adiante. assinalararn uma certa estrutura incipiente e fluida no id. ern Aspects of internalization (1968). XV. 159. ver espec. Arthur Goldhammer. 8. 167. Das Ich und das Es (1923). Vorlesungen zur Ein führung in die Psycho-Analyse (1916-1917).. Os dois eminentes psicanalistas Max Schur. exemplo revelador. que de nenhuma maneira se voltaram para Freud. Dreams in greek tragedy (1976). ed. 153-7. Freud. The ego and the id. [1966]. 182 # 4. XIV. A contribution to the study of the origin of sexual perversions".

"From the history of an infantile neurosis". XII. Hollingshead and Frederick C...Williara Niederland. publicada em 1918). XVIII."0 ciúme est entre os estados afetivos que. "Sorne neurotic mechanisms :n jealousy. 72. Ernst Prelinger. um fragmento da realidade é evitado através de uma espécie de fuga. pode-se descrever como sendo normal. . stand.. A tese revisionista de Han Israels.. ed. 20. cap. originado a partir de condições reais". trad." Mas. Devo essa percepção e a frase ao dr.. est. ed. ed. ed. 256. 17. est.August B. 3-83.Ver Freud. XVII.Freud."Na neurose. ed. The protestant ethic and the spirit of capitalism (1904-1905.. VIII. 359. 14. 23. 219. stand. 111. "Psychoanalytic notes on an autobiographical account of a case of paranoia" (1910). ed. est. 1930). "On beginning the treatment-. VII. Cecil Baines.. The ego and the mechanisms of defense (1936. Talcott Parsons. stand. X11. 131. 18.. father and son (1981) fornece um material novo e fas cinante e corrige numerosos equívocos.. mas ele sustenta que fatores sexuais poderosos participam na valo rização do dinheiro". stand. 18. est. 21. stand.. 1937). ed." Freud. de forma semelhante ao luto.-stand.. 219. 22. ed. Schreber.Freud. XIX. trad. 19. na psicose ele é reQonstruído. 111. Social class and mental illness (1958). -0 locus classicus é Max Weber. ed. 11. 23.13. ed.. 111. Paranoia und Homosexualitat" (1922). "The loss of reality in neurosis and psychosis". 185. ed. "embora o chamemos de normal . # 183 # 16. The Schreber case (1974). "Zur Einleitung der Behandlung" (1913). "Formulations on the two principles of mental functioning". "Aus der Geschichte einer infantilen Neurose" (1914. "t)ber einige neurotische Mechanismen bei Eifersucht. XII. in Essays on ego psy chology: Selected problems in psychoanalytic theory (1964). Ao discutir os honor rios do analista. 224. XII. ou seja. ciúme não é de nenhuma forma totalmente racional. est. stand. ed. Freud. Ergünzungsband.Freud. 15. "Formulierung Liber die zwei Prinzipien". "Der Realitãtverlust hei Neurose und Psychose" (1924). 188.Ver Anna Freud. "Notes on the reality principle" (1956). Redlich. 191. 359.Hartmann. ed. 223. paranoia and homos sexuality".. est. "Formulierung fibei die zwei Prinzipien des psychischen Geschehens" (1911). Freud oferece uma síntese descomplicada e concisa sobre os domínios mistos do pensa mento racional e não racional através de um exemplo a respeito da forma de os homens lidarem com dinheiro: "0 analista não nega que o dinheiro seja em primeiro lugar um meio de autopreservação e de assegurar-se do poder.. "Formu lations on the two principles".

14. Robert K. David Hackett Fischer citou esse ponto de vista mas adaptou-o a uma advert~ncia severa. 1. The New York Review of Books.. IX. 2. 193. Merton assinala que Freud não foi completamente justo com o desígnio de LeBon (embora não com a sua aspiração). 11".. Narcissim: An introduction. em Philosophical essays on Freud (1982). Moore.. IX. Totem und Tabu (1912-1913). A obra Ificida de Robert Bocock. Psychoanal. Amer. The bourgeois experience: Victoria to Freud. History and theory. ed. XXVII (1979). 6 congruente com os meus pontos de vista.Ill.As resenhas mais perspicazes (e compreensivas) de uni trabalho feito con tra Freud. 65. S. consistem em um par de ensaios de Erik Erikson e Richard Hofstadter. 1960). Zur Einfiihrung des Narzissmus (1914). Assn. est. Das Unbehagen in der Kullur (1930). Cópia datilografada de uma carta não publicada dos Manuscritos de William Harlan Hale. Toteni and taboo.)5. stand. VIII. stand. 3 (1961). ed. XVIII. Bullit. X111. 18 v.Na sua introdução criteriosa ao The crowd de LeBon (1895."Das Interesse an der Psychoanalyse" (1913). "The claims of psycho-analysis to scientific inte rest".. est.. est. não inteiramente injusto. Group psychology and the analysis of the ego. Historians' fallacies: Toward a logic of historical Ihoughi (1970). (1940-1968). 26. Distorting mirrors: Visions of the crowd in late nineteenth-century France (1981). "The strange case of Freud. 185-6. 156. ed. A respeito dos psicólogos das massas.Thompson. Richard Wollheim e James Hopkins (orgs.Freud para William Bayard Hale. Civilization and its discontents.. 415. 266-9. v. Sou grato neste pardgrafo e nesta segdo como urn todo a urn artigo pequeno e estimulante. 184 28. History as social science (1971). ed stand. ed. 370. Gesammelte Werke. The making of the english working class (1963). ed. est. 96. stand. XXI.).. 29. stand. ed. 70. 3-8. 1896.). J. "Paradoxes of irrationality". de Donald Davidson. Freud and modern society: An outline and analysis of Freud's sociology (1976). . 108.Freud. 1. 2-1-1922. 4. VIII. XIII. na Biblio teca da Universidade de Yale. 2 9-2-1967). Massen psych oiogie und Ich-Analyse (1921). 49-50. ed. IX.Meyer.. Landes e Charles Tilly (org.. 27. 289-305. 291-7. 141-4.. ver Susanna Barrows. 394. Education of the senses (1984). 69 3.. trad. . XIV. and Woodrow Wilson: 1. 40. ed.. Peter Gay. 62. na mais simpitica de todas as resenhas sobre Erikson. Freud usou o pequeno cl ssico de LeBon como um estímulo para o seu próprio pensamento. Capítulo 5 1. ed. # David S.

1. IX."0 bebê e a criança.. 120 ed. publicado em dois volumes. XXIII. IX. 29.). XVIII. trad. 79. 120. ed. ed. confronta-se crescentemente com as condições externas de natureza extre mamente complexa. Introductory lectures on psych o-a nalysis. 98.aquele projeto de pesquisa nost lgico que remonta a Heródoto e que resultou numa fascinação amplamente difundida com "garotos sel vagens" ou "meninos-lobos" mesmo na era freudiana. 11. est.6. é o cl ssico de Anna Freud. 18. Essas condições externas complexas .. stand. ed. The ego and the mechanisms of defense (1936. ed. cultural. Discutirei mais tarde o sistema cultural de defesas. The psychology of Jingoism (1901). mas eventos de diferentes ordens de integração que chamamos de psicológica. Autobiography. 9. stand. 1922-1923. 1840-1945 (1969). Michael Oakesthott (org. 256. v. (1961). "Narzissmus". 346. 68.. 68. "The problem of defense and the neurotic interpretation of reality" . cd. 185 # 9. est. pigina. Arno. Group psychology.Tolstoi. 8. XVII. The man in the shower (1944). The making of the english working class (1963).Freud.Ibidem. stand. 111. 268 (livro. 1983). Gibbon. est. 17. 3534 15. ed * est. equipados no nascimento apenas com alguns meca nismos autom ticos para manter a si mesmo em equilíbrio com o meio.. stand.. Cecil Baines. 68. Vorlesungen zur Einfiihrung in die Psychoanalyse (1916-1917). 1937)... Freud and modern society. pp. 8-17. 79. 20. Leviathan (1651. numerados continuamente. IX. Loe wald. XVI. Saunders (org.Isso explica o profundo fracasso de toda tentativa de isolar a quintessência da natureza humana antes que a pintura indelével da cultura tenha sido aplicada ..A síntese mais lúcida. Ibidem. 10. 129.Freud. stand. A history of modern Germany. Hobson. War and peace (1868-9. Thompson.0 pedido foi feito inicialmente pelo excêntrico psicanalista Wilheim Reich. "Narcissism". est. XIV. Dero A.Freud. 16.. 19.. Masse npsy ch ologie. trad. ed. e ainda a mais citada. ed. ed. 78. Holborn. social. An outline of psychoanalysis. Louise e Aylmer Maude. sem ind." Hans W.L par-te 3). 12.). XVIII.. 101.Hobbes. 135-7.. 93.. 83. # 7. 82. 1. não são apenas conjuntos de eventos 'biológicos'. Abriss der Psychoanalyse (1940). ed. stand. 265. 111. 13. 73. Gesammelle Werke. 14. 1947). XVIII. 145. Ver p ginas valiosas em Bocock.

Melanie Klein et alii. e um folheto esplêndido de Isabel E. 21.(1952). Melford E. 183. que examina o modo pelo qual uma instituição (as regras sob as quais. embora atuem como um estímulo poderoso para a imaginação.Freud. cd. através de formas de que dificilmente tenho cons ciência . Senti que ele era um produto da sua época e nunca me convenci de que os seus discerni mentos tivessem validade universal. 2 v. em Spiro (org. 6. The future of an illusion. 23. 26. Ver também. . 21-2.. 11. Isso não quer dizer que eu não tenha sido influenciado. P. 27. est."Nunca procurei aplicar conscientemente os conceitos psicanalíticos . '*Os mecanismos de defesa do ego" são "instrumentos protetores contra ruptura e desorganização. ao interferir com a organização posterior do self e do mundo de objetos". # 22. Die Zukunft einer Illusion (1927). trad. Ver Elliott Jaques. o trabalho de Norbert Elias sobre o desenvolvimento dos costumes modernos. New directions in psych~nalysis (1955). proteções que freqüentemente ultrapasam o seu objetivo ou continuam a funcionar quando não são mais necessarias e assim tornam-se patológicas.). The development of manners [19781. The function of social systems as a defense against anxiety: A report on a study of the nursing service of a general hospital (1970). Context and mea ning in cultural anthropology (1965). stand. 25. The civilizing process. v. Spiro. 303. certamente. Edmund Jephcott. IX. Menzies. "Religious systems as culturally constituted defense mechanisms". "Ego-organization and defense".Thomas. Papers on psychoanalysis. Enquanto um tratamento sobre os fatores culturais e individuais.. Mas a minha admira ção pelo próprio Freud sempre foi muito condicional. escrito inicialmente na década de 30 mas que só teve uma acolhida geral nos meados da década de 60. Loewald. Man and the natural world. 50. 121.0 elenco de trabalhos mais interessante a respeito dos mecanismos cultu rais de defesa foi até agora o realizado pelos kleirrianos ingleses. 31-3-1984. (1976. Um texto importante. 301.. XXI. 1. "Social systems as defense against persecutory and depressive anxiety: A contribution of the psycho-analytical study of social proces ses". em parte.. Ver acima. p. Power and civílity [19821). 100-13. Mas o meu uso consciente da teoria psicanalítica tem sido mínimo. 177. 186 24. muito mais dentro do ambiente psicanalítico. é.." Comunicação pessoal. esse ensaio é exemplar. 140-. Papers on psychoanalysis (1980). histó ria.. Man and the natural world. a partir de uma pers pectiva bastante diferente.. Changing attitudes in England 1500 1800 (1983). as enfermeiras lidam com os pacientes) pode na verdade atuar para estimular ansiedades que ela é pla nejada para amenizar. 478 98. ed. Quando era jovem li bastante Freud (penso que Civilization and its discontenis foi o livro que mais me interessou) ..

nenhuma razão pela qual ele não deveria acolher a difusão de decência e humanidade.Ao refletir sobre a questão. Para uma descrição demolidora do determinismo que Spiro conseguiu superar. 45.Ibidem. 48. Autocontrole e preocupação com o sofrimento dos outros exigiu que se pagasse o seu preço através de um certo estado de censura. Trilling. em George D. Wrong assinalou um pouco triste que o primeiro desses ensaios. em Skeptical sociology (1976). chamou mais a atenção do que qualquer coisa que ele j escre veu. 36. "Culture and human nature". 33.Dennis H. na 37. 55-70. no qual. 30. Starr. Spiro. certamente. que Charles Dickens em Bleak house chamou 187 # jocosamente de filantropia telescópica .a profusão de atenções caridosas e pias para com tribos distantes. 38-9. que a maturidade seja menos atraente do que a juventude. como Thomas não deixa de observar. 31-46. qualquer que seja o lugar apropriado do # historiador na indagação ética. 47-54. ibidem. Wrong. The making of psychological antropology (1978). geralmente indiferentes. 34. 53-4. uma medida de puritanismo. escreveu: "Quando se liga uma massa de eventos de diferentes . A mudança nas atitudes inglesas em relação aos animais não foi de nenhuma maneira uma bênção despida de ambigüidades. 31. um determinismo que d um papel proeminente e na verdade indelével aos elementos permanentes na natureza humana. ver a dissecação informada embora um tanto vigorosa do trabalho de campo de Margaret Mead feita por Derek Freeman em Margaret Mead and Sanioa: The making and unmaking of an anthropological myth (1983). 29. 32. Ibidem.Essas especulações psicanalíticas não são tencionadas como apoios para autocontentamento. que a sublimação pode fracassar. Ibideni. 0 historiador não é um juiz moral.). que não era inimigo nem da civilização nem da sublimação das pulsões instintuais. embora não haja. Os psicanalistas só podem concordar: Freud.e historiador. "The oversocialized conception of man in modern so ciology" (1961). acreditava firmemente que a cultura da classe média do século XIX havia de fato levado o seu autocontrole e ascetismo sexual até o ponto da doença neurótica . Spiro relata a sua saída gradual de um determinismo cultural dogm tico. 330-60. 52. enquanto se negligenciava o pobre da esquina. com o seu título atraente. Mas. 36. Spindler (org.um argumento que qualifico no meu Education of the senses. Ver também o ensaio autobiogr fico de Melford E. é sempre verdadeiro. o eminente historiador da Antiguidade. Ver tam b6m o "Postscript 1975" de Wrong e o seu ensaio associado "Human na ture and the perspective of sociology" (1963).28. Chester G. H alguma razão para essa (sem dúvida irritarte) escolha: o seu artigo sobre a concepção hipersocializada do homem é um corretivo signi ficativo para todo sociólogo -. Freud and the crisis of our culture (1955). 37. em moda entre os antropólogos. para um determinismo muito mais sutil que ele encontrou em Freud.

59-62. As suas conclu sões falsas não implicam que a teoria psicanalítica esteja errada. que foi aplicada aqui defeituosamente". The iron cage: An historical interpretation of Max Weber (1970). Para urn esforgo ainda mais ousado e assim mais vulner vel de deduzir a política estrangeira a partir da personalidade dos políticos que a governam. Kaiser Wilhelm II: New interpretations (1982). entre outros artigos.Freud.Ver D. como a praticamos. Winnicott.). G. Para um outro exemplo. "Transitional Objects and Transitional Phenomena" (1951). o livro sobre Leonardo. Emotion and high politics: Personal relations in late nineteenth-century Britain and Gerniany (1983). XVII. ed. 143-79. foi em parte porque ele ignorou ou leu inadequadamente certos fatos. Para uma discussão lúcida sobre o artigo de Freud. Leonardo da Vinci: Psycho analytic notes on the enigma (1961) do psicanalista Kurt Eissler. 0 leitor não pode ser culpado de ficar imaginando se . ver Tho# mas A. ver Judith M. Johnson (org.. "An autobiographical study. ent Louis Gott schalk (org). Nachschrift 1935" (1936).. 2 (abr. que inclui. XVI. Psychoanal. pois a generali zação só é possível se pudermos estabelecer a presença de uma similaridade vilida". ed.Arthur Mitzman. de modo algum impertinente apesar de excessivamente raivosa (e assim ansiosa). 35. "Psychoanalysis and historical biography". em Through paediatrics to psycho-analysis (1958. "Kaiser Wilhelm 11 and his parents7 an inquiry into the 188 psychological roots of German policy towards England before the First World War". Freud interpretou erroneamente Leonardo. J. ver a "Editor's Note" ao "Leonardo" em Freud. A crítica brilhante e respeitosa de Schapiro provocou uma réplica substanciosa. stand. e a psico-história. não é um teste real para essa teoria. Assn. 8. Mack. Meyer Schapiro. Amer. 3. 1956). em John C. "Reflections upon the Problem of Generalization". 2. E Bruce Mazlish. XI (1957). W. um brilhante Jeu d'esprit. Psychohistory and religion: The case of "Young Man Luthei` (1977). XX. Gesammelte Werke. Postscript (1935)". ed. 1975). Hughes. a personalidade e o pensamento social de Burke". 178. 72 Capítulo 6 1. desse procedimento. 3. 32."Onde. e ele admite mais de uma vez em seu livro quão especulativa era a sua tentativa. "Selbstdarstellung. 229-42. a resenha extensa e devastadora de Roland Bainton sobre o livro de Erikson.Ver Roger A. Kohut. insiste: "John Stuart Mill não é um paciente. no pref cio ao çf-ii The rage of Edmund Burke: Portrait of an anibivalenf conservative (1~77): "Ser estudada aqui a relação entre a vida.). prudente. "Leonardo and Freud: Art Art-Historical Study".lugares e épocas através de um tecido conjuntivo de generalização. A questão é discutida de forma geral por John E. 36. ao introduzir o seu. Journal of the History of Ideas. não deseja trat -lo como tal". 63-89. XIX (1971). James and John Stuart Mill: Father and son in the nineteenth century (1975). incluindo o desastre milhafre-abutre. Generalization in the writing of history (1963). 37. R6hl e Nicolaus Sombart (orgs. stand. a singu laridade destes eventos históricos é desse modo limitada.Assim Isaac Kramick escreve.

Mas enquanto os resenhistas de Dodds admiraram prodigamente a sua obra-prima. Ernest Nagel. 44-5. ou para um primitivismo que se furtaria . 1. 97-8.) 4.. As resenhas foram altamente elogiosas e extre mamCnte numerosas. o paralelismo de diversas significações para um mesmo fen" menel J. Education of senses (1984).Para a formulação mais conhecida e mais convincente dessa tese. 47. Pontalis. ed. 11.Ver acima. The bourgeois experien ce: Victoria to Freud.Dodds. Vocalbulaire de Ia psychanalyse (1967). 48-9. 6. 12. 218. disse a respeito de Freud que "ele não via nenhuma utilidade em comemorar forças irracionais. The structure of science: Proble"is in the logic of scientific explanation (1961). 41. em relação a essa questão. Comunicação pessoal em 15-10-1983. 14. Vienna 1938. e Group psyshology and the .. "Preface to the fourth edition" (1920) Three essays on sexuality. Berggasse 19: Sigmund Freud's home and offices. não descera ao esgoto da natureza humana para rolar naquilo que descobrira ali". S. mesmo quando alguém demonstra que ela pode ser bem-feita. Ele não trabalhara na enfermaria da mente humana para tomar o partido da doença.Ibidem. tanto em revistas sobre estudos cl ssicos como históricas.e (1962). 14. 134. Conjectures and refutalions: The growth of scientific knowledg. ver Freud. 336-7. história psicanalítica.essas intenções meritórias são levadas até o fim. The greeks and the irrational (1951). The greeks and the irrational. 213. Ibidem. 17. ver Karl Popper. 468.. a seu exemplo. 465. VII. 76-8. e v. 32. 189 # 5.. Dodds pertence a essa escola de pensamento." Nem. que "a sobredeterminação implique a inde pendência. 9. Dodds. Dodds. 11.Redução é "uma característica ineg vel e freqüente na história da ciência moderna. 7. "Introduction: Freud For the Marble Tablet". 13. v. Têm-se todas as razões para supor que a redução continuar # a ter urn lugar no futuro"."É conveniente assinalar que a sobredetermi nação não implica que o sintoma OU 0 sonho prestem-se a um número indefinido de interpretações. The tender passion (1986). pp. B.. Um ano antes de sua autobiografia ser Publicada. stand. Missing persons (1977). revelaram pouco interesse em seguir. 10.Encontram-se aplicaq6es detalhadas em Peter Gay. The photographs of Edmund Engelman (1976). um outro caso de como a nossa profissão resiste . 1. dialética da civilização através do abandono definitivo da civilização. 37. (Ver o meu Education of the senses. Laplanche e I.

revelou-se como uma lenda ou corno um acidente único. Além disso. New England (1982). stand. Ver Ibidem. 28. 193-4. A história posterior da relação de Crews corri a psicanálise é curiosa e para mim um pouco triste. "ansiedade". Ibidení. Beethoven (1977). 34.. IV.Ver Soloimon. 153. 142. 29. 60. Dodds. 21. Para uma admir vel # tentativa de alcançar as fontes da criatividade. 190 li 1 18. 114. 1.Assinalo entre outros. 123. 46. "censura". "retorno do recalcado". VII. p. "What ough to be and what was: Women's sexuality in the nineteenth century". 20. nem a cultura dos ~thorne tão falsa e puritana: a lenda freqüentemente repetida de que as senhoras americanas acortinavam as pernas de seus pianos com bainhas pequenas e recatadas (uma lenda que ele aceita sem contestar [ver p. "pro jeção". 16. 16. 1974). 23. 15. American Historical Review.Demos. XII. Crews.Ibidem. ver acima. 22. 21-2. 24. 180. 211-3. VII. VI. 25. 5 (dez. 19. 32. Picasso: Art as autobiography (1980). 10-1. XVIII. A respeito da recepção do livro de Demos. e Peter Gay.analysis of the ego (1921). Só é preciso ler o livro de Demos apos o ensaio . Ibidem. ver Mary M.Frederick C. The bourgeois experience: Victoria to Freud. Ibidem. 29. Ibideni. The greeks and the irrational. Gedo. caps. 141.sins of the fathers não est isento de erros. 11. "deslocamentos" e "subli tril ibidem. 17. 1467-1490. 111.Na ordem. 24. A fluência de Crews tenta-o com deduções precipitadas. 17. espec. ele revela uma certa credulidade a respeito da cultura "vito. 3 1. 74. ed. 91. 30. 15. 3-6. V. Sol não era nem tão angélica nem tão asséptica quanto ele a faz parecer. VI. Education of the senses (1984). Ibidem. 179. "ego". 6-10. caps. "inibição". Ver Carl N. 24-26. 26. Degler. . 150. 27. LXXIX. Ver adiante pp.Ibidem. "recalque". 79. riarl A esposa de Hawthorne. The sins of the fathers: Hawthorne's psychological themes (1966). 17-20. v. e a desprezar algumas pistas psicanalíticas. Ibidem. Entertaíning Salan: Witchcraft and the culture of earl~.

an interpretation. p. Não preciso acrescentar que este rol não pretende ser completo. espec. Brumfitt. 46. a necessidade de fazer inimigos. agrupei os títulos nesta bibliografia por capítulos. 32. 11. 26. Voltaire historian (1958). The Science of Freedom (1969). Stuart Hughes. 393. ele associa a "bruxaria-insanidade" a numerosas causas psicossociológicas como a miséria geral. R. Gropius. the Reformation and social change and other essays [1967]. (1966). 90-192) para reconhecer a vaniagem da mentalidade psicanalítica em explicar o fen"meno esquivo da caça . um mal-estar social. espec. Trevor-RoDer sobre "The european witch-craze of the sixteenth and seventeenth centuries" (Religion. 31. e reconhece que não era apenas a tortura que eliciava aquelas confissões horrendas. freqüententente obscenas. 34. 21-32.. 36. pp. Ele escreve com um sentido do que o estudo da psicopatologia pode contribuir para uma compreensão dessas perse 191 # guições. 2 v. Capítulo 1 AS NECESSIDADES SECRETAS DO CORAÇãO . com poucas exceções. geralmente ausente. 192 1 i Bibliografia Para efeitos de clareza e conveniência. "The historians and the social order". com as quais os queintadores de bruxas elaboravam a sua acusação. The enlightenment. Trevor-Roper é no mínimo sofisticado. Ibidem. 44.Manet. Mondrian (1976). na sua apresentação de Trevor-Roper. Le Roy Ladurie..# conciso e bem-conhecído de H. arrolando.J. 60. v. a firme apreensão da dinâmica interna.Neste par grafo e no próximo. 35. Mas a precisão. 2. 11. que caracteriza o estudo psicanalítico de Demos est apenas vagamente presente. The obstructed path: french social thought in the years of desperation 1930-1960 (1968). ver H. Acrescentei alguns outros títulos interessantes que não tive a oportunidade de comentar no texto. cap.Para uma breve descrição da escola dos Annales e de seus dois fundadores. cada item no capítulo em que ele apareceu pela primeira vez. estou recorrendo a idéias e formulações que apresentei inicialmente alguns anos atr s em Art and act: On cause in history . 33. 2. Les paysans de Languedoc.s bruxas. 399. Ver acima. ver Peter Gay.

137. 0 esforço dos historiadores em relação . Bem adequado pela sua economia de expres são. o livro de David E.s complexidades da pesquisa e experimentação psicanalítica.como se fosse algo mais respeit vel para Wilson ter .Na literatura rapidamente crescente que contesta Freud.. o seu esforço para destruir a criação de Freud é. ao apoiar-se sobre essa crítica. Agora.. Klein. carreira problem tica de Woodrow Wilson é altamente esclarecedor. mas o dualismo de Descartes.. Stannard explicitamente diz que Ryle 11 referiu-se . Ndo se pode esperar das p ginas de Stannard nenhuma tentativa equilibrada que faça justiça .. numa repetição quase patética. INOVaITICrILC.. 15) sem integr -lo . e esquivam-se deliberadamente de usar uma linguagem técnica (ver p. ed. como o ensaio iongo e simpatizante de Anne Parsons sobre o complexo de Êdipo e refere-se a ele como um 'Iratamento bastante perspicaz" (Starinard. 0 conceito de espírito. e de fato ele chama Freud de "o único Psicólogo de gênio" (Ryle. 172.. sem informar aos seus leitores que a passagem que ele cita no contexto original não é de nenhuma forma uma crítica a Freud. Ávidos em negar qualquer etiologia psicológica pelo menos para os fracassos parcialmente auto-induzidos por Wilson quando era reitor da Princeton University e. comprome tido pela sua tenden cios idade. 55). mais tarde. Contudo Ryle não visava a concepção psicanalítica do incons ciente. Lisboa. p. ed. 1964) de Alexander L. George e Juliette L. desde que ele modelou a forma de pensar e falar dos historiadores sobre a psican lise enquanto disciplina auxiliar. No seu livro engenhoso # The concept of mind (1949. pode-se inferir que temperam a sua abordagem freudiaria cl ssica com uma pitada das idéias adIeriarias sobre compensação devido a um sentimento de inadequação. psicanálise qualquer base científica.. motives and personality (1976)). 324). corno presidente dos Estados Unidos. A respeito da controvérsia em torno de Woodrow Wilson.. ao tentar negar . contudo. Luíza Nunes. De novo. Warinaru cita artigos. trad. 0 material motificante que apresentam poderia permitir uma leitura psicanalítica mais radical do que aquela que eles fizeram.. Stannard apóia-se na autoridade de George Klein. Stannard cita uma passagem substancial do influente filósofo inglês Gilbert Ryle para desacreditar o inconsciente freudiano. port. n. idéia psicanalítica de inconsciente".. Ele não é confi vel nas suas citações de texto: assim. ver George S. Stannard Shrinking history: On Freud and the failure of psychohistory (1980) merece uma atenção particular. sua argumentação ou contar aos seus leitores o que Parsons de fato disse. Ry-le certamente atacou o tradicional dualismo mente-corpo ao criticar o que ele chamou "o dogma do Fantasma na M quina". Moraes. os mais eminentes estudiosos de Wilson descobriram que era necess rio carregar o homem com uma série de derrames . M. 317) o que torna difícil a identificação precisa de sua visão psicanalítica.. Perception. ver antes de mais nada Woodrow Wilson and colonel House: a personality study (1956. mas certamente teria aumentado o risco de rejeição por parte da irmandade histórica. George. fluência de estilo e uma abstenção criteriosa de qualquer difamação pessoal. um tributo que não se espera a partir das 193 # paginas ue warmarti. e inscreve Ryle como adepto da sua própria causa ao rejeitar tudo isso como uma "aberração lógica" !i (Stannard. 1970). tanto o homem como a sua obra. Os George sdo precavidos e um poucos ecléticos. ou que Klein era um destacado psicólogo freudiano (Starinard.

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ed. v. pp.. ed. Manuel de Ia Escalera. bras. 3-12. e a deixar a questão em aberto. "Problems of infantile neurosis. A probabilidade é alta de que essa hipótese (o complexo de Êdipo freudiano). The scientific evaluation of Freud's theories anal therapy (1978). v. Sobre agressdo na fase edipiana. v. Fact and phantasy in freudian theory (1972. Oedipus aind historical perspective". 2~a ed. Lill (1972).. 0 artigo espirituoso e penetrante de Hans W. 0 ego e o id. ed. pp. Os seis artigos que Seyrnour Fischer e Roger P. PSC. Fondo w de Cultura Econ"mica. iniciando corn The interpretation of dreams. bras. XIX) 6 provavelmente o mais importantc. in Essays on ego psychologY: Selected PrOblems in PsYchoanalytic theory (1964).. 11 (1950).).Entre os numerosos textos freudianos sobre o complexo de P-dipo. v. Marco Aurélio de Willíam N. e pp. of Psycho-anal. Psychoanalysis and the social sciences. 3-149. deliberadamente feito para representar um espectro de opiniões tendem a contradizer-se entre si. tanto sobre o decrescente interesse sobre o complexo na profissão psicológica (injustific vel) como sobre o desenvolvimento individual (desej vel). "Aggression. Melford E.. trad.. Moura Matos. The dissolution of the Oedipus Complex. Greenberg selecionaram para o seu livro eclético. stand. 1. v. v. The ego and the id (ed. XIX. destaco "Autoeroticism . pp. magic and culture" i . M. ed. pp. IV. The Oedípus Complex: Cross-cultural evidence (1962) é um ensaio cuidadosamente ponderado e documentado em antropologia cultural comparada que conclui que. Loewald. Ver tamb6m o caso do Pequeno Hans. stand. de Ren6 Spitz e K. seja aproximadamente v lida" (p. hd Leo Rangell. III-IV (1949). A questão do interesse privado merece um exame maior a partir de uma perspectiva psicanalítica do que o que j foi feito. Int. "a evidência maciça não deixa margem para muitas dúvidas. Imago. ed. v. stand.. de Heinz # 202 Hartmann. 0 tratamento psicanalítico de crianças: Preleções. ed. Mas em seu ótimo exame. Para as variar. E ver tamb6m G6za R6heim. v.Some empirical findings and hypotheses on three of its manifestations in the first year of life". Ensaios sobre Ia psicologia del yo. de leituras. é indispens vel.. I-z R6heim (org. 85120. Oedipous in the trobriands (1982) é uma brilhante refutação da alegação de Malinowski de que os trobriandeses não revelam o complexo de Édipo. México. 185). incorporando diversos dos pressupostos centrais da teoria psicanalítica. e uma série de coment rios em numerosos artigos de Anna Freud. pp. 173-2?9.. 207-14. stand. mex. "The Oedipus complex. pp. 173-9. 1945-1956 (1969).. trad. 2903). em Papers on psychoanalysis (1980). XIX. reunidos em Indications for child and other papers.6es que c' COMplexo assumiu no pensamento freudiarto. 1981). Rio de Janeiro. Wolf.. X. 261-6. Stephens. pp. A interprelaCdo de sonhos. 1971. pp. ed. passim. "T'he waning of the Oedipus complex" (1979). v. Spiro. H . Paul K1ine conclui que h uma evidência muito forte para a teoria freudiana (especialmente o capítulo 6. l~hentro da numerosa literatura psicanalítica sobre o "complexo nuclear". técnicas e ensaios. 3-62. além do artigo de . pp. 384-404. IV e V. ver especialmente o pequeno artigo de 1924. bras. Analysis of a phobia of a five-yeaJI-old boy (1909). apesar da natureza em geral indireta da prova etnogr fica.

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17).12. 3 (jul. Brawn sobre a psicanálise. Out of my systems (1975).. pp. embora coni algumas . no qual ele calunia Freud. pp. 5. V. em 1984. Devo assinalar que compartilho totalmente essas objeções. The New Criterion (junho). Journal of the History of the Behavioral Sciences..reservas. como ocorreu comigo mesmo" (p. ele ratificou os seus compromissos com Freud. Ele questionou o que chama "relativamente 'ideológico. A exploração psicanalítica de Crews sobre a ficção de Hawthorne mantém o seu valor de estudo por si só. muito menos antifreudiana do que aquela que Crews usa . como o Crews de 1984 resenharia o Crews de 1966. dificuldades e precauções. Ainda assim. 167).totalmente razo veis . mesmo nesse último artigo. Não posso deixar de imaginar. pp. 7-25. datando de 1967 a 1975. Voltaire historian (1958). ele permanece firme e explicitamente um "critico freudiano" (p. 775-8(W. Carl N.enquanto oposto a "relativamente científico como colocando obst culos ao pensamento psicanalítico".fazem com que sinta saudade da elegância e da racionalidade # 212 i presente nos escritos iniciais. e declara firmemente que est entre aqueles que acreditam que "os princípios da psicanálise freudiana podem ser aplicados utilmente . Dekker.para não falar nas suas interpretações inadequadas .. v.é demasiadamente fortuita para dar conta de mais de uma década e meia de publicações comprometidas com a psican fise. na atmosfera moral confusa de nosso século. a sua tendência para interpretar além do permitido . 17) e que os estudiosos psicanalíticos de literatura têm realizado algum trabalho problem tico.. viciado. com ataques maiores e mais violentos. um assalto veemente contra a psicanálise enquanto terapia nas P ginas de Comentary (julho). Crews publicou "Analysis terminable".1974. e conclui que ele tem a esperança de que uma nova geração possa ser "capaz de entender mais completamente como. chamando-o de mentiroso. ele inclui "reductíonism and its discontents" com toda a sua prudência. e. 166). Via problemas na versão apocalíptica de Norman 0. Então algo aconteceu. Mas. e Herman W. Em 1980. 24) . VIII. 1972). maluco. pp. ao qual Crews recorre. Roodenberg. A estridência de seus ataques. Degler. contudo. mas que nos conta uma estória bastante diferente. American Historical Review. Nem a ida de Crews a Canossa desacredita o seu Sins of the falhers (1966) mais do que o repúdio por Tolstoi de seus trabalhos liter rios pode diminuir a estatura de Guerra e Paz ou de Anna Karerina. LXXIX. XII (1983). Em uma coleção agrad vel de ensaios parcialmente confessionais."As pessoas caem presas de encantamento. crítica líter ria" (p. 24). Brumfitt.) A única alusão de Crews ao seu próprio e extenso passado freudiano . Theory and Society. Ele não mudou de postura durante anos. sensibilidade e precaução contra "os perigos do reducionismo" (p. chegamos a embriagar-nos com o insólito e com os delírios conseqüentes do pensamento freudiano" (p. (Incidentalmente é muito instrutivo ler o artigo de Henry F. "The freudian way of knowledge". 1467-90. Rudolf M.ou abusa. v. Ellenberger '-fhc story of 'Ann 0': A critical review with new data". 1970 ou 1975.. e como uma prova em favor da psicanálise aplicada. "A suitable case for treatment? A reappraisal of Erikson's Young Man Luther". "What ought to be and what was: women's sexuality in the nineteenth century". 267-79. monomaníaco. o vigor de suas acusações. J.(P. .

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214
Agradecimentos
Desde que comecei a trabalhar neste livro, intermitentemente, a partir
de 1974, em conexão íntima com The bourgeoís experience: Viciaria to Freud
(vol. 1, 1984, vol. 11, 1896), tenho acumulado débitos com instituições e
indivíduos, que eu assinalo com gratidão em meus agradecimentos nessas obras.
Eles me dedicaram tempo e atenção, fomeceram-me material, comentaram os
meus argumentos e estilo.
Minha primeira tentativa em exercitar-me em alguns dos temas que
aparecem em Freud para historiadores, sem contar as minhas aulas de graduação
e pós-graduação em Yale, vem de uma comunicação a respeito de sobredeterminar,Ao
que apresentei na New York Association of European Historians no
Ithaca College, lthaca, Nova York, em 1967. Em 1974, dei duas conferências
na Universidade de Cincinnati sobre historiografia e causalidade e, no mesmo
ano, falei na Universidade Hamline, St. Paul, Minnesota, sobre a questão
delicada da representatividade. No ano seguinte, em 1975, discursei no Colorado
College, Colorado Springs, sobre história cultural, enfatizando a possível
relevância da psicanálise. Em 1977, participei da comemoração de uma nova
#

presidência no College of Wooster, Wooster, Ohio, com um discurso sobre
o historiador enquanto cientista da memória, e no mesmo ano dei uma conferência
a respeito de sobredeterminação para-o Karizer Seminar em Yale, no
Hunger College, cidade de Nova York, e diante do Berkeley College Fellowship,
em Yale. Então, em 1978, aproveitei a realização da Gallatin Lecture no
Institute for the Humanities, em Nova York, para falar a respeito de "Um
arsenal para amadores", uma primeira versão daquilo que se tornou o primeiro
capítulo, No mesmo ano, fiz um esboço inicial que desenvolvi no capítulo 4
deste livro em Kenyon College, Gambier, Ohio, falando sobre "Razão, realidade,
o psicanalista e o historiador". Mais tarde, naquele ano, ampliei o foco ao
falar sobre história e psicanálise no Smith College, Northarnpton,
Massachusetts,
e sobre "Natureza humana na história", um esboço do capítulo 3, no Antioch
College, Yellow Springs, Ohio. Na conferência Benjamin Rush que proferi
para a American Psychiatric Association cm Chicago sobre "Reducionismo",
na primavera de 1979, enumerei os problemas que o psico-historiador tem
ao lidar com materiais humanos intrat veis. Uma versão revisada daquele tema
#

1
transformou-se na minha palestra na Stetson University, Deland, Flórida. En,
abril de 1979, passei um final de semana muito agrad vel no Colgate University,
Hamilton, Nova York, discutindo sobre as relações tensas entre psicanalistas
e historiadores com interesses comuns. Finalmente, no final daquele ano, falei
na Syracuse University no interior de Nova' York, sobre "Da biografia para
a história", uma versão experimental do que veio a ser o capítulo 5.
A New York Psychoanalytie Society providenciou um fórum para as
minhas idéias, com críticas bem-vindas e excitantes, em janeiro de 1980,
quando apresentei um artigo sobre "Objections to psychohistory". As conferências
Ena H. Thompson que iniciei em abril e maio de 1980 no Pomona
College, Claremont, Califórnia, foram principalmente sobre a substância da
história da burguesia do século XIX, mas contêm numerosas passagens sobre
metodologia que sobreviveram neste livro. Em junho, proferi o discurso program
tico para a conferência sobre liderança no Michael. Reese Hospital e Medical
Center, Chicago, novamente sobre objeções ... psico-história. No mês seguinte,
tive a honra de ser o conferencista do Jessie and John Danz Lecturer, na
Universidade de Washington, Seattle; minhas três apresentações foram a minha
primeira tentativa de elaborar um argumento abrangente e coerente. Receberam
o título ressonante de "Psychoanalytie Perspectives on lhe Past: Freud for
Historians", cujo subtítulo, certamente, por fim tornou-se o título deste livro.
As quatro conferências sobre Freud que proferi em Yale no outono de 1980
sob os auspícios do Western New England Institute for Psychoanalysis e do
Humanities Centre em Yale, como as minhas conferências no Ena H. Thompson
Lectures, em Pomona, foram um misto de substância e método, embora sobre
temas bastante diversos.
Em 1981 fiquei profundamente comovido ao ser escolhido para ser o
primeiro conferencista do Arthur M. Wilson Mernorial Lecturer, em Dartmouth;
recordei o meu velho amigo o melhor que pude ao juntar os seus interesses
centrais com os meus em "Experíence of a Life: Psychoanalytic Thoughts on
Biography". Mais tarde, nesse mesmo ano, aventurei-me mais uma vez entre
os psicanalistas, falando no New York Hospital -C ornell Medical Center,
Westchester Division, em White Plains, sobre "Psychoanalysis and History".
Em março de 1982, falei na Universidade do Arizona Tempe, Arizona, sobre
o mesmo tema. No mês seguinte, participei de uma conferência sobre psicohistória
(e psicoliteratura) em Swarthmore, onde examinei um objeto, agora
familiar, de um outro ponto de vista, com um artigo sobre "History
Psychohistory, and Psychoanalytic History". Em maio, variei ambos os tópicos na
Universidade Stanford e no San José State College, Califórnia, retornando ...
psicanálise e ... história. No mesmo mês, tive a excelente oportunida e de
exercitar as minhas capacidades críticas - que espero não sejam hipercríticas
na sexta conferência anual 0. Meredith Wilson in History, na Universidade
de Utah, Salt Lake City, com uma conferência intitulada "The Historian as
Psychologist". incorporei muito dessa comunicação, ainda que de uma forma
diferente, no meu primeiro capítulo.
Passei a maior parte do ano acadêmico de 1983-1984 no Wíssenschafts#

kolleg zu Berlin -- Berlim Ocidental, certamente - subintitulado Instituto
216
para Estudos Avançados, um "reservatório para o pensamento" hospitaleiro,
onde consegui dar algumas aulas, para os meus colegas, para o Karl Abraham
Institute, de psicanálise, e para um grupo mais eclético, 43 Arbeitsgruppe
Berlin

der Deutschen Psychoanalytischen Gesellschaft, sobre os v rios aspectos da
psicanálise na história. Em junho de 1984, expus as minhas idéias, durante
todo um dia de conferência-debates no Max Planck Institute, de Gõttingen.
Em julho, tive a oportunidade de fazer o mesmo na Universidade de Amsterdã. As
condições de trabalho no Kolleg eram ideais, mas quero mencionar em
particular dois bibliotec rios que encontraram materiais muito difíceis para
mim - Frau Gesine Bottomley e Frau Dorte Meyer-Gaudig, e minha secret ria, Frau.
Andrea Herbst, que fez prodígios decifrando uma língua que não
era a dela.
Na parte final, nas últimas revisões, continuei a experimentar minhas
idéias com estudantes e faculdades. Sou grato ao Queens College por ter-me
escolhido como o seu primeiro visiling scholar em um programa novo e ambicioso
para a rea de humanas, que me deu uma semana rica de discussões
e apresentações formais. Como na conferência Ida Beam na Universidade de
lowa, lowa City, em novembro, explorei mais uma vez os temas que me
ocuparam por tantos anos. Finalmente, no início de 1985, proferi o discurso
de abertura no encontro da Indiana ffistorical Society sobre "Human nature
in history: Bridges between history and psychoanalysis", e dirigi-me a seqdo
psicanalitica da American Psychological Association em Nova York sobre "Do
divã para a cultura: psicanálise para o historiador". Quando olho para tr s,
para todas essas ocasiões, com gratidão, torno-me agudamente consciente, uma
vez mais, de quantas platéias eu tive e o quanto eu devo a elas todas.
Expressei em outro lugar e quero enfatiz -lo mais uma vez que dificilmente
poderia ter sido capaz de escrever este livro - com certeza não desta
maneira - sem o trabalho que fiz como rescarch candidate no Western New
England Institute for Psychoanalysis.
Betty Paine transformou meu texto em um texto que um editor pudesse
ler. Naney Lane, na Oxford University Press, foi uma ajuda imensa, e Rosemary
Wellner organizou o livro com cuidado.
Uma série de amigos, colegas e conhecidos - espero não ter esquecido
nenhum deles! - mostrou ser extremamente paciente com as minhas indagações;
fizeram observações e levantaram objeções que encontraram o seu lugar
no texto, emprestaram-me livros inacessíveis, enviaram-me obras esgotadas que
eu não podia encontrar facilmente, responderam generosamente a minhas cartas,
e acima de tudo falaram comigo - tanto para me apoiar como para me criticar.
Agradego ern particular a Peter Bieri, Martin e Ridi Bergmann, William
Bouwsma, Judy Coffin, Clifford Geertz, Hank Gibbons, Cyrus Hamlin, Jackie
e Gaby Katwan, Otto Kernberg, Thomas A. Kohut, Dick e Peggy Kuhns (como
sempre), Weston LaBarre, Carl Landauer, Emmanuel Le Roy Ladurie, Peter
#

Loewenberg, Janet Malcolm, John Merriman, Jerry Meyer, Marc Micale, Arthur
Mitzman, Richard Newman, Hank Payne, Ernst Prelinger, Keith Thomas,
Henry Turner, e ao men eterno leitor Bob Webb.
217
#

Guardei os meus leitores para o final. Carl ("Peter") Hempel emprestou-me a sua
perspicacia insuperavel no difícil capítulo 2. Stefan Collini, John
Demos, Harry Frankfurt, Quentin Skinner e Vann Woodward examinaram
todo o manuscrito, p gina por p gina, argumento por argumento, adjetivo por
adjetivo, com o cuidado afetuoso que se reserva para o trabalho de si mesmo.

116 Bainton. arriscado como possa parecer o argumento. 28. 172n Bowlby. 157-58 Biografia # e hist"ria. 26. Karl. 186n Born paciente. como sempre. não permitiu que o manuscrito fosse para a impressão sem lhe dedicar a leitura mais cuidadosa. 185n Barzun. 100 e laços grupais. Freud a respeito dos. 52. é muito melhor pelo sentido apropriado de discriminação desses leitores. James. 164 Bocock. 103. 127 Animais. 72 Autornatismos. 82 Arrio. 122-25 psicanalitica. pelo seu tato comigo e com a minha linguagem. Ansiedade. Robert. 33 Ambivalência. Roland. 57 Aprendizagem. 174n. 3 5 sobre a influência freudiaria sobre . 63. Stone sobre. 83-84 d'Alembert.. 164-65 Les rois thaumaturges. Marc. 37-38 Adler. Charles. Beard. 176n Agressão. 158 Beethoven. John. Minha gratidão a esses leitores. 36 Bouwsma. 125 e religião.164-65. 64 Clio and the doctors. 31. 192n. é a mais justa. 157-62 Bloch. a biografia de Solomort de. 218 Peter Gay Indice remissivo Abraham. 111 Atitude contrafóbica. escola dos. mudança nas atitudes inglesas em relação aos. Peter. 111 Artistas. e a vontade de serem severos quando necess rio sem inibir o meu entusiasmo pelo meu projeto. Jean le Rond. 129-30 Arte. Geoffrey. 177n Acaso e desenvolvimento. 137-39. Alfred. 189n Barraclough. Ludwig van. 86 Amor e conflitos de interesse. 68 Boswelt. 164-65 La Société féodale. 40. Susanna. 188n-89n Annales. Johanna van. 31 Barrows. 34-35 o esquema de referência freudiano.Meu livro. William J. 92 Beethoven. Jacques. 149n. culturais. espero. Minha esposa Ruth. 38.

The Virgin of Chartres. falseabilidade. The Sins of the Fathers. Grupo(s) Conflito. 140-41 Conformidade. 173n Bowra. 88 evidência do. 71-72 "Car ter e erotis Bentham. 128 219 # Charcot. Ernest. 112 e cultura. 62. 44-45 Costume. 26 Car ter. 140-41 Conduta coletiva. 180n Burckhardt. E. 175n-76n Ciência(s). 57 Consciência. 135-36 Freud sobre a. R.a educação infantil. William. 38. o c lculo da feli. Paul K. Josef. 40. Jerome. Jeremy. 181n cidade. 122-23. Frederick. 163 Byrnes. 171n Carr. 56 Bullitt. 145 Classe. 116-17 Crews. 122 Consciência social. Alfred. 87-88 debate sobre. 89 Conceito de Hipersocialização do ho mem. 192n Bruner. J. Alain. Ver também Psicologia das Massas.. 154 Braudel. 49 exigências da. 74. 63. 78. 57. 181n Cochran. 129-31 C09b. G. Tho~as.. 78 Cultura. e conflito. 48 Civilização. Richard 32-33.Cathexis. na sociedade e no indivíduo. 65-66 Cisão. an lise da. 121-22 . 85-87. Dodds a respeito da. 85 Complexo de Édipo. 164 Breuer. Benedetto. 117 Woodrow Wilson. 170n. 90 Collingwood. Joseph F. Jacob. Voltaire Historian.. 119n Chandler. 128. 159-61 Croce. H~. Fernand. 70 Brücke. 134-35 evolução da. 138 Civílization and íts Discontenis. 122.. Jean-Martin. Maurice. 140-41 Conkin. 98 Besançon. 175n Brumfitt. The Visible Hand.

96-97 Ego ideal e a psicologia das massas. 84-85. 184n Da Vinci. 72. 182n Edelson. 183n Di6rio.balhos sobre as. 144. 114. 66 Davidson. 62 Eissler. 130 Desejos. Leonardo. S. 85-86 Dinheiro. 191n Demos. 31 Young Man Luther. tra . 127 Ego observador. 132-33 Educação infantil. 153-57 Duby. 80 Ellenberger. 142 lido através do indivíduo. The Civilizing Process. 187n-88n Diderot. 56 Defesas culturais. estudos em. 131-33 Devereux.. no interesse privado. 110-12 Influência do mundo externo real. 96-97 Desenvolvimento. 131-32 na formulação de interesses. 48-49. 152-53 Dickens.e o complexo de Édipo.. Charles. Albert. 112-13. T. a influência freu diana sobre a. George.. 71. 136-37. 37-38. 32.. 122-24. Donald. Freud sobre. Freud sobre. E. 87-88 e o indivíduo. o ensaio de Freud sobre. 189n Elias. 144-45 Curíliffe. 180n. Georges. 190n The Greeks and the Irrational. Marshali. 134-35 desenvolvimento. Erik. 187n # 220 Degler. 103 Einstein. . 82-83. Freud sobre o. 35. Entertaining Satan. Denis. 152. Kurt. Norbert. Robert. Ver também Defesas culturais Defesa perceptual. 27-28 Erotismo anal. Marcus. 134 35. R. sintomas individuais e sociais revelados em. 173n Ego. Ver também Ego observador defesas do. 110-12. 187n Eliot. 75 Elton. John. Ronald Reagan. 57 Dallek. 97. Carl N. 183n Missing Persons. 111-12. 30. 184n Dodds. R. Henri. 186n. 31. 177n Educação. 148 Defesa(s). 70-72 Erikson. 40. Freud sobre o. 56. G. Le neveu de Rameau.

191n The Enlightenment. 188n. 110-12 Gay. 37 sobre a sua obra sobre o homem e a cultura. 188n. 178n. 29 . 181n. 164-65 Fenichel. A.148-49 Êtica protestante. 134 Freud. # . 176n Ferenczí. 179n. 173. 103. 189n. 145 variedade dos casos de. 76-77 débito em relação aos predecesso res. Wilhelm. 62-63 obras. The (Fretid). B. 175n Formação reativa. 130-31 continuidade da. 192n. 101 Fantasia de recuperação. 57. 187-88n Fischer. Margaret Mead and Samoa. 28. "Rhetoric and Politics in the French Revolution". Mary M. 175n. 185n. 73-74 Experiência coletiva nas vidas indiduais. relevância para a pesquisa histórica. 78. 192n. Sandor. Lucien. 145 Funcionamento mental. 179n. Derck. Sigmund auto-an lise. Otto. 190n Generalizagdo. 62. 143. 138-39 Freeman. 61. 174n. David Hackett. 76. Picasso. 72. 152 Farrell. Education of the Senses. The Standing of Psy choanalytíc Theory. Fase edipiana. 88. 101. Peter. 97. 30 Gedo. 114 Experiência coletiva e individual. 130-31 Fantasia. 132-33 Febvre. Ver também obras especificas orientação biológica. 72. Saul. 188n Freud. Anna. 129-30 visão psicanalítica. 177n. princípios. 82 # cultural e individual. 182n Art and Act.. 131-32 e o desenvolvimento indiivdual. 183n Filantropia telescópica. 174n Future of an illusion. 76-77 Friedlãnder.. 185n Fliess.

116 Hawthorne. 162-67 Historiador(es) atividade do. 72-73. 26 Gregos. 80-81 Gorer. 159-61 "The Maypole of Merry Moutit% 160 The Searlet Letter. 27-28 História psicanalítica utilidade. B. Ver Dodds. J. Freud sobre. William Ewart. J. H. 161 Hawthorne. 125-27 Halévy. 79. 103 marxista. Liddell. Merton M.. 151-62 História total. 112. 124 Grupo(s). 43-44 Hamlet. 58-59. Yer tambim Multiddo(6es) formagdo de. 77-80 História. e o irracional. 87 Hart. Woodrow Wilson and Colonel House. 73-74 como psicólogo. 152 Glover.George. an lise da marinha bri tânica sobre Napoleão. Thomas.. A. 128 Hobson. 176n Gladstone. Ver também História psicanalítica. Edward. 94. Heiriz. 142-43 francês. história total Hobbes.. comprometimento com o indivi dualismo. Sophia. 180n Hartmann. R. 42-43 Gibbon. Alexander e Juliet. 128 # 221 # 1 ~ t . 191n Hexter. Stephen. Elie. 88 Gottschalk. psico-história. Edward. Johann Wolfgang von. Geoffrey. 136-37 Historicismo. Nathaniel a biografia de Crews sobre. E. 93 Gill. Group Psychology and the Analysis of the Ego (Freud). 58-59. H. 165-67 o uso exitoso da. 175n Goethe. 25-26 obras sobre atividades defensivas. 102 paixão pela complexidade.

97-98 formulação do. 94 Investimento. H. 78 Infância · an lise de Stone sobre. Sidney. 35. 108-09 ld.Hoffing. 135-36 Individualidade. 37-38 · ênfase de Bowlby sobre a im portância da.. 106-07 a socialização na. Philip S. 69-70 Inconsciente. 35. 123. 189n Hume. 95 visão psicanalítica do. Freud sobre as. 94 definição. 82-83 sociologia do. 34 Instinto de morte. 181n Holborn. 103-05 Freud sobie. 37-38. conflituosos. 104 Indivíduos. Ver também interesse privado. David. 129 Hollingshead. 83-84 Interesse(s). 81 Iluminismo. Emotion and High Politics. 22 # alcance do. 132-34 as teorias freudianas sobre.. o papel do ego em. Stuart. August B. 78-79. 106 a teoria freudiaria sobre o. 109 Holzman. 97 percepção do. 94 exigências do.. Hajo. 172n uso do material representacional. Richard. 85 The Obstructed Path. 171n. 192n Hughes. Custer and the Little Big Horn. 71. 171n Hofstadter. 97 comprometimento do historiador com o papel do.. 134-35 uso do termo pelos historiadores. 172n a influência sobre o car ter adul to. 89-100 222 confusões inerentes ao. Judith M. 76 Hook. 65 Hughes. exigências da cultura nos. 181n . 98-100 e o ego. 96 Interesse privado. Charles K. 80 Importância da escuta na psicanálise. 98-100 reconciliação de. 90. 176n Homem dos Lobos.

78. 149n Metapsicologia. 58 Mazlish. castfâ~. 181n History of England. Jeffrey Moussaieff. Alan. 180n Marx... 182n Le Roy Ladurie. 31 Klein. Bruce. 182n Masur. Early Victorian Government. 189n Mead.Kanzer. P. Bronislaw. Le Goff. Thomas A. Young Man Luther Lynn. 179n-80n. 27.. William.o. Friedrich. Martinho.. Arthur.. Isabel E. 163 MacDonagh. 164. 180n Malinowski. Ver Erikson. 30. Sir Peter. 181n Masson. Robert K. Margaret. 45-46 Lowe. 90. Emmanuel. George. G. Theodor. 188n Kramnick. Donald. Thomas Babington. Eckart.. 125 The Crowd. 176n . Jacques. 31 Macaulay. 117 Laplanche. Mark. 128 # Macfarlane. 112 Meinecke. 103. Gerhard. Oliver. 62 Loewald. Georges. 42 Lipps. 80 Mentalité. 176n Kline. Isaac. Ver Defesa(s) Medawar... Erik.. 176n Medo . 174n Fact and Fantasy in Freudian Theory 174n Kohut. 35 Lutero. 187n Merton. Karl. 41 Mack. Paul. Kenneth S. George S. John E. 156. Gustave Freud sobre. 93 Kitson Clark. 182n Libido. 119 anilise da Revolur.. 25 Marxismo.. 38 Link.. 189n Langer. 185n Lef&bvre. Les Paysans de Languedoc.5o Francesa. I. 47-48. 175n Kehr. 186n Londres vitoriana. 47-48 Menzies.. 143 Mentalité collective. 188n Mecanismos de defesa. Hans W. 190n LeBon. 189n Mahl.

31. 140-41 e cultura. Ver também Grupo(s) Murray. 144 Moore. 140-43 Neumann. 78 Pares. Sir Isaac. Freud sobre. 118 Meyer. 85 Parsons. 106 # fuga da realidade para a. 191n-92n Platt.. Franz. 33 Niebuhr. 62 Pequeno Hans. 125 e religião. Doriald I.Metodistas. Gilbert. 123 Morgan. Ernest. 190n Popper.. Iron Cage. 122 Mill. 176n. 47.. sobre a Londres do século XIX. 106 Perseguições a bruxas. 186n para historiadores. Freud sobre. 175n Política. psicanálise da. 110 a teoria fretidiana sobre as. 126-27 Mitzman. L-B. 153 Mudança e história. 184n Normal.. 72. 113 ódio e laços grupais. 87 Olsen. William. 77 Newton. 154. Adolf. 77. 85 avaliação dos historiadores sobre a. 45-46 Ortega y Gasset. Arthur. Edmund. 81-82 Multidão(ões). José. Donald B. 140 a compreensao sociológica err"nea da.. 108-10 . 108-09 Neuróticos. 189n Natureza humana. 93 Neuroses. 117-18 Pontalis. a polêmica de Thompson sobre.. 47-48 Mente atividade da. Richard. 65-66 Conjectures and Refutations. 78 pensamentos sobre. Gerald M. 76 Percepção(ões).. 127 Oedipus Rex. Reinhold. James. 190n nal. Karl.ria. 181n Mentalidade revolucion. Burness E. 97 Niederiand. 104-05 procura por material representacio Mente da massa. Talcott. 156 Nagel. 140 Patze.

lei eleitoral das três classes. 32 fiascos da. 28 o alarme dos historiadores com. 29-31 aplicabilidade . 52 como dogma pseudo-científico. 52-53 o uso do historiador da. 101-02 influência sobre os tipos de pesquisa histórica. história. 31-32. reabilitação campanhas contra. 48-49 Psico-história. Leo. 141 Princípio da realidade. Otto. 149 situação atual. 32-33 uso para descobrir temas históricos críticos. 64-66 continuidade dinâmica. 152 e polêmicas políticas. 153-62 utilidade. 51-53. 53-55 e a experiência coletiva. 57 postura de exclusividade. 121-22 incompatibilidade com o trabalho # do historiador. 147-48 defeitos. 122. 149 reducionismo na. uso comum da. 58-59. 128-29 Psican lise advento no ofício histórico. 30 Psicologia as escolas de... 147-48 sucessos. 117-18 popularização. 54 Princípio do prazer. 63-64 Psicobiografia. 48-49 223 # integração com o trabalho histórico dificuldades. 174n atitude do historiador em relação . 58 estudos experimentais. 152 Prússia. Freud sobre a. 59-62 discernimento sobre. 58 veneração por Freud. 151-52 Psicanalista (s). 7~. 110-11 Prostituição. 69 terminologia. 26-28.. 88-89.. 59-60 como quintessência vienense.Postman. 124 ..-76---178n seIvagem. 31 críticas. 56 Põtzl. 21-22. 63-64 o desenvolvimento de Freud. 25-26 Psicologia da multidão. 110-11.

149-50. reducionismo na Regra fundamental. 116.Freud sobre.. 115-16 Ranke. 101 vs. 29. 105-06. 37. 102 Reich. racionalidade com vistas a va lores complexidade. Saul. Maximilien Marie Isidore. an lise de Lefèbvre. 47-48 Robespierre. 38. na situação psicana lítica. 126-28 e a psicologia individual. 131-32 dificuldade de. 189n . 157 Rosenzweig. 112. 66 Realidade. 141-42 Freud sobre. 103 e crescimento da personalidade. 189n psicanalítica. 37. Freud sobre. 109 Pulsão(ões). 174n Razão vs. Freud sobre. 115 Racionalidade com vistas a valores. Leopold von. 125-26 Psicologia social. fantasia. Ver também psico-história. Wilhelin. 105 visões dos historiadores vs. 63. 113-14 224 # Racionalidade com vistas a propósi tos. 106-08 Ver também racionalidade Reagan. Ronald. Meyer. 106-07 Redlich. 186n Relações objetais. 32 Romance familiar. 115 explicação psicanalítica. Roy. 143-45 Psicólogos da multidão. 122. 109 e mente. 185n Psicopatologia social. 38 fuga da. 129. psica nalistas. 124 Barrows sobre. 83-84 Racional. David. 53-54 Schafer. 183n Schapiro. 83-84 Pulsão sexual. 110 fuga da realidade na. Ver também Ra cionalidade com vistas a propósi tos. The Structure of Psychoanalytíc Theory. 82-89. inconsciente. 113 Racionalidade. 127 Revolução Francesa. 179n 80n Religião. 109 Redução em ciência. inconsciente. 150 Reducionismo. 83 objetos da. 107. 119 vs. 77-79 Rapaport. 117 Psicose. Frederick C.

132-34 Sociólogos. Julius Jr. 54-55 .. Maynard.rj!. 170n # Símbolos. 180n Starr. Sex and Marriage in England 1500-1800.ira. vs. Stendhal. 150-51. 76. 124 StrickJand. 179n Subconsciente. 76. Max. 176n Stra-. 83 animosidade antifrelidiana. Lytton. Arthur M. Page. Robert. 188n Stannard. 28.hey. 41 manifesto. 140 Tabu do incesto. A. 56-57. 8-1 Teoria psicanalítica apoio experimental. 139 Sulloway. 173n Sublimação. Beethoven. J. Lawrence. 180n. 142 Sexualidade. 153 a teoria freudiana sobre. o uso do termo pelos historiadores. 37. Geoffrey. 107-08. Leo. 64. 64 como es'. 148. Herbert. P. 55 Situação psicanalítica. Melford E. David. Daniel Paul. 67 da continuidade da experiência. 187n. 38 e conformidade. 88. 68-70 Smith. 55-56 ~este experimental. 54-55 Macfarlane sobre. 40-41 The Family. 89 Taylor. Frank L. 180n Sobredeterm inação. Chester G. 37-39. 54-55 Silberger.Schlesinger. 35-41.. 109 Schur. Sr. a visão freudiana. 178n Stnne. 66. 140-41 Solomon. Freud... 156 estudos experimentais de Silberer.. 157-58 Sonho(s). 175n Superego. 35. 66 Silberer. 108 símbolos no. 174n Socialização do indivíduo. 55 sintomas sociais e individuais re velados no. 81-82 como ciência. 107-08 Spiro. 108 resíduos diurnos no. 41-42.. 83 diversidade entre os individuos. para Freud. 31. 188n Stone. 172n. visão da natureza humana dos. Biologist of the Mind. 110. Mary Baker Eddy. 27-28 Schreber. 39 Sherrill. 183n Self.

98. 38. 95-96 Tolstoi. 57 Traumdeutung (Freud). W. 137-39 Religion and the Decline of Magic. Andrew Fleming. 101 Teste da realidade. H. E.n Trumbach. 182n Tilly. Eugen.. Guerra e Paz. 141-43 Trobriandeseq. 112 # Thomas. 30. avaliação do pensa mento sobre a natureza humana. 114-16 0 estudo de Mitzman sobre. 75-76 Weinslein. 191n-92n Trilling. 33-35 sobre Freud. 125-26 Totem and Taboo (Freud). Randolph. 54-55. 145 TransferEncia. Malcolm L. 175n. 44-45 Weber. 180. 163 Stendhal sobre. 88-89. 178n Viena. na epoca de F Voltaire.Teoria da sedugAo. 144 Wehler. 122.. 34 reud. 130 Three Essays on Sexuality (Freud). Making of the English Working Class. Charles. 42 Wilson.. R. 187n-88n Man and the Natural World. 118-19. 42. Max.. 138 sobre a vulgarizag5o das id6ias freudianas. 45-46 Thompson.. 79. D. 181n West. Ver tamb6m The Interprelation of Dreams Trevor-Roper. 80 Weber. 32-33 Thomis. Lev. Hans-Ulrich. sobre as respos tas . Fred. Lionel. Woodrow. 117 Winnícott. sobre a mobilização da esperança no século XIX. 28. 140-43 225 # # . Keitb. 75-76. 188n Wrong Dennis. revolução industrial. avaliag5o do pensa mento de Freud sobre a natureza humana. P.

Paz e Terra). de Educação dos sentidos. Telefone: (011) 912-7822 culture (A cultura de Weimar. primeiro volume da série A experiência burguesa: de Vitória até Freud. jèws andother Com filmes fornecidos pelo editor germans.Brasil andact. Weimar EDITORA PARMA IJDA. Freudpara historiadores é uma contribuição cuidadosa e elegantemente escrita com vistas a um amplo debate intelectual. incluem-se Impresso nas oficinas da. Antonio Bardella. 1 FIM DO LIVRO . e Freud. mais recentemen te. The enlightenment: An interpretation. Peter Gay é professor de História na Uni versidade de Yale. Entre os seus outros livros. Sty1é in history. 280 Guarulhos . Art Av.Não apenas polèmico. E autor.São Paulo .